Quidditch World Cup

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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por Hyacinth Westphal em Qua Maio 25, 2016 1:19 am

As mãos de Albus Dumbledore estavam pousadas sobre a mesa de sua sala. Os longos dedos pálidos tamborilavam sobre a superfície de madeira enquanto a voz de Horace Slughorn ecoava pelo ambiente com uma entonação furiosa que dificilmente surgia na voz do simpático professor de Poções.

Slug estava tão furioso que não conseguiu se manter sentado. Enquanto enumerava os estragos ocorridos em sua sala naquela tarde, o professor caminhava de um lado para o outro no excêntrico escritório do diretor.

- Anos de trabalho se transformaram em cinzas!!! Algumas daquelas poções demoraram MESES até ficarem prontas! O prejuízo é incalculável, Albus! Você tem ideia da quantidade de ingredientes caros e raros eu guardava naquelas prateleiras??? Toda a minha coleção de livros, vários deles autografados pelos autores!!! Boa parte da minha vida profissional foi destruída hoje por ela!

O dedo gorducho de Slughorn foi apontado para a aluna que, sentada diante do diretor, não tinha a coragem de erguer a cabeça. Nem mesmo toda a braveza da Grifinória faria com que Georgina encarasse Dumbledore. Mesmo sem conseguir entender o próprio erro, a garota se sentia mortalmente arrependida e culpada pelo ocorrido nas masmorras. Grimstone havia seguido a receita da Felix Felicis criteriosamente, como todos os livros mandavam. Era impossível explicar a razão da explosão do caldeirão, que destruíra toda a sala onde aconteciam as aulas de Poções.

Além de Slughorn e de Georgina, Minerva McGonnagal também estava na diretoria. Como diretora da Grifinória a professora tinha o direito de participar da reunião que decidiria a punição de Grimstone. O semblante fechado mostrava que Minerva não estava nada feliz com o erro de sua aluna, mas a sua presença ali servia para garantir uma punição justa. A diretora da Grifinória jamais deixaria um de seus alunos a mercê da fúria do diretor da Sonserina.

- O que houve, Srta. Grimstone? – Albus finalmente se dirigiu à menina quando Slug se calou.

Georgina finalmente ergueu um par de olhos vermelhos para Dumbledore. Pálida como um fantasma, a garota se encolheu no assento ao sentir sobre si a atenção de todos os quadros dos antigos diretores. Era como estar num tribunal, enjaulada, prestes a ir para Azkaban por um crime que ela nem sabia explicar como acontecera.

- Eu segui as instruções, professor. Eu realmente não sei como...

- Mas é CLARO que a senhorita não seguiu as instruções! – Horace interrompeu a aluna, ainda furioso – Eu já fiz a Felix Felicis infinitas vezes e nunca explodi nenhum cômodo. É óbvio que a senhorita trocou algum ingrediente, ou não obedeceu às regras de preparo, ou errou a temperatura do fogareiro!

- Eu não cometeria erros tão tolos! – pela primeira vez, a voz de Georgina soou com firmeza. Mesmo que as lágrimas ainda rolassem por suas bochechas pálidas, a garota não aceitaria tamanha crítica sem demonstrar o quanto se sentia ofendida – Depois de seis anos como uma das melhores alunas deste castelo, é ultrajante que o senhor insinue que eu não sei reconhecer os ingredientes ou ajustar a temperatura do meu caldeirão!

- ULTRAJANTE É TER A MINHA SALA DESTRUÍDA!!!

Ao notar o descontrole do colega, Minerva deu um passo adiante e resolveu interferir. Até então, a professora se mantinha mais afastada da discussão, mas não podia permitir que Georgina fosse massacrada por um acidente.

- Talvez a senhorita tenha pegado um caldeirão com resquícios de outra poção. Alguns ingredientes realmente não se misturam muito bem.

- O caldeirão era novo, professora. Eu o comprei na última visita a Hogsmeade exatamente porque sabia que a Felix Felicis era uma poção complexa e que qualquer pequena interferência poderia resultar num fracasso. O caldeirão era novo, assim como todos os recipientes que usei para guardar os ingredientes.

- Alguém pode ter te vendido algum produto adulterado. – Minerva ainda se esforçava para justificar o erro da aluna.

- Eu duvido muito. Comprei os ingredientes na loja de sempre, eu confio inteiramente na procedência dos produtos.

- Então como isso foi acontecer? – Dumbledore soava calmo, mas racional – Se os ingredientes eram os corretos, se o caldeirão era novo, se a temperatura era adequada... eu não entendo como terminamos este dia com uma sala destruída.

- TOTALMENTE DESTRUÍDA! – Slug bufou antes de pegar a taça de hidromel servida por Albus e tomar toda a bebida num só gole – ANOS DE TRABALHO VIRARAM CINZAS!

- Eu também não sei explicar, professor. – Georgina sacudiu a cabeça – Eu lamento muito. Eu realmente achei que conseguiria fazer a poção.

O professor de Poções ainda resmungava enquanto Dumbledore mantinha a atenção voltada para a aluna. Os olhinhos azuis fitavam Grimstone por cima dos óculos de meia-lua enquanto a mente do diretor trabalhava agilmente. O histórico escolar de Georgina não era compatível com a dimensão daquele erro, muito menos com uma travessura intencional.

E foi a certeza de que Georgina era inocente que motivou Dumbledore a tomar aquela decisão radical. Quando Slughorn finalmente se calou, esperando pela decisão do diretor, Albus já sabia exatamente o que fazer.

- A gravidade do que ocorreu esta tarde ultrapassa todos os limites impostos pelas regras da escola. É uma sorte que ninguém tenha se machucado. – Albus fez uma pausa antes de completar – De acordo com o regulamento, a senhorita deveria ser afastada imediatamente do castelo. Mas, como já anoiteceu, eu permitirei que espere até o amanhecer.

- Que...? – Georgina realmente não havia entendido – Esperar o amanhecer para que?

- Para sair do castelo. – Albus concluiu com naturalidade – A senhorita está expulsa de Hogwarts.

- ALBUS!

A voz de Minerva ecoou por toda a sala e a professora se adiantou mais alguns passos até alcançar a mesa do diretor. Não parecia haver nem mais um pingo de sangue no rosto fantasmagórico de Georgina e a grifinória parecia sob o efeito da Petrificus Totalus. Ser expulsa de Hogwarts no sétimo ano, há um passo dos NIEMs, era para Grimstone uma tortura mais cruel que a Cruciatus.

Depois daquela explosão, Minerva respirou fundo e tentou se controlar. Ela jamais questionava a autoridade do diretor, mas não podia permitir que uma aluna exemplar fosse expulsa de Hogwarts depois de um acidente.

- Concordo que a Srta. Grimstone cometeu um erro gravíssimo e merece ser severamente punida. Mas julgo que uma expulsão é desnecessária. Não foi um erro intencional e é a primeira vez em mais de seis anos que ela comete uma falta neste castelo.

- Sim, a Srta. Grimstone tem um histórico brilhante. – até mesmo Slughorn estava chocado com a decisão e agora começava a recuar – Vamos aplicar uma detenção, afastá-la das aulas de Poções, enviar uma coruja aos pais... Vários alunos já cometeram transgressões sérias, de forma intencional, e não foram expulsos, Albus.

- O regulamento é muito claro. Qualquer aluno que atenta contra a vida e a segurança dos demais moradores deste castelo merece ser punido com uma expulsão. Não posso abrir exceções, nem mesmo para uma aluna brilhante. Regras existem para serem obedecidas, perderemos por completo o controle de Hogwarts se não seguirmos o nosso estatuto. – Dumbledore encarou a grifinória – Mas é claro que não vou exigir que a senhorita deixe o castelo no meio da noite. Volte ao seu dormitório, prepare as suas coisas e partirá amanhã de manhã.

Georgina estava tão chocada com o desenrolar dos acontecimentos que não conseguiu reagir. Sua mente queria que ela gritasse, que acusasse o diretor por aquela injustiça, que enumerasse todas as loucuras que Black e Potter já tinham feito sem que fossem punidos com uma expulsão. Mas seu corpo não tinha mais forças para lutar. Com um semblante derrotado, a morena escorregou para fora da cadeira e se arrastou até a porta com a certeza de que seu futuro havia explodido junto com a sala de Poções.

- Por Salazar! – Slug exclamou depois que a aluna fechou a porta – Eu não queria que expulsasse a menina! Estou furioso com ela, mas isso foi demais, Albus!

- Isso foi INJUSTO demais! – Minerva deixou que seu lado felino aflorasse e se mostrou sua face de leoa para defender a aluna – Foi um acidente! Ela é uma das nossas melhores alunas!!! Ela teria um futuro brilhante pela frente, mas não vai conseguir nem um décimo do que conseguiria depois desta mancha no currículo! E não venha com esta história de regulamento, Albus! Se fôssemos seguir as regras, Potter e Black teriam sido expulsos no segundo ano!

- É claro que a Srta. Grimstone não será expulsa. – Dumbledore se recostou na cadeira, abriu uma das gavetas e retirou de lá um saquinho de balas de hortelã.

- Não foi o que você acabou de dizer a ela! – Minerva pareceu confusa enquanto o diretor começava a atacar os doces.

- Eu confio na nobreza dos grifinórios. – Dumbledore explicou diante dos olhares perdidos dos colegas – Para mim é óbvio que alguém próximo à senhorita Grimstone trocou intencionalmente um dos ingredientes. E este alguém não vai permitir que ela seja expulsa. Estou certo de que o verdadeiro culpado aparecerá para confessar seu crime antes do amanhecer.

- É uma jogada muito arriscada! E se ninguém aparecer? – Slughorn estava verdadeiramente preocupado com o destino de Georgina.

- As melhores vitórias vem de jogadas arriscadas, Horace. – Dumbledore repetiu com a boca já lotada de balinhas – Nenhum grifinório conseguiria dormir com o peso de tamanha injustiça. Aposto como eu não conseguirei esvaziar este saco de balinhas antes que o culpado apareça.

-----

Os ombros de Georgina ainda estremeciam a cada soluço que escapava de sua garganta. Quando finalmente chegou ao Salão Comunal e se viu cercada pelos colegas, a garota desmoronou num choro dolorido. Foi em meio às lágrimas e soluços que Grimstone finalmente conseguiu pronunciar a palavra “expulsão” num sussurro.

- É claro que você entendeu errado. – Lily se agachou diante da amiga sentada no sofá do salão e apoiou as mãos nos joelhos dela. – O professor Dumbledore jamais te expulsaria por um acidente, Ginny! Pare de chorar, vai ficar tudo bem!

- Óbvio que vai! – Lupin, sentado ao lado de Georgina, passou um dos braços pelos ombros dela – Você está muito nervosa, é claro que entendeu tudo errado.

- Ele disse que eu ficaria esta noite porque já está tarde, mas que deveria arrumar tudo para partir amanhã cedo.

A declaração de Georgina provocou uma comoção geral nos grifinórios. Praticamente todos estavam reunidos no Salão Comunal e ficaram boquiabertos com a notícia da expulsão. Ninguém questionava a gravidade do erro de Grimstone, mas era injusto demais que ela fosse expulsa pela primeira falha depois de seis anos de comportamento exemplar.

- Eu não acredito. – Remus sacudiu a cabeça freneticamente antes de voltar o olhar para os amigos – Precisamos fazer alguma coisa! Não é justo!

- O velho enlouqueceu! Algum espírito maligno da Sonserina o possuiu por baixo daquele vestidão lilás! – James abriu os braços de forma teatral – É sério, o Dumbie pirou de vez! Se ela merece ser expulsa por um acidente, Pad e eu deveríamos ser punidos com a Cruciatus!
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por James Potter em Qua Maio 25, 2016 2:19 am

Jogar contra a Sonserina era sempre um desafio, menos pela qualidade técnica do adversário e muito mais pelas jogadas desleais que sempre aconteciam. Além de se preocupar com o jogo e a pontuação, os grifinórios sabiam que precisavam ficar atentos aos balaços, aos empurrões e ao excesso de faltas.

Naquela tarde, contudo, as piores expectativas foram superadas. O time das serpentes estava muito mais agressivo que o normal e era evidente que os jogadores não estavam focados na vitória. Para os sonserinos, o objetivo daquela partida era prejudicar a Grifinória para que a taça daquele ano não fosse parar novamente nas mãos dos leões.

Apesar das dificuldades, os grifinórios estavam se saindo bem. Os três artilheiros tinham uma sintonia invejável e era evidente que estavam bem treinados para jogarem juntos. O novo goleiro já havia feito excelentes defesas e os batedores estavam conseguindo desviar os balaços para que os colegas fizessem os pontos.

Como de costume, os olhos castanhos por trás dos óculos estavam atentos a cada movimento da partida, em busca do brilho dourado do pomo. A pequena bolinha alada ainda não havia surgido, mas Potter estava confiante de que seria o primeiro a vê-la. Regulus Black era um excelente apanhador, talvez o melhor jogador de todo o time da Sonserina. Mas era notável que a presença do irmão mais velho o deixava desconfortável e desatento, e é claro que James se aproveitaria disso.

Entretanto, toda a concentração de Potter se dissipou quando o grito de Katharine ecoou pelo campo. James voltou a atenção para a colega a tempo de ver o segundo balaço que atingiu sua vassoura, desequilibrando-a.

Como a varinha de Dumbledore estava apontada para Katharine, numa tentativa de amortecer a queda da moça, o diretor não conseguiu evitar o caos que se sucedeu ao incidente. Vários jogadores começaram a brigar ainda no ar enquanto as torcidas disparavam ofensas e ameaçavam levar aquela briga para o solo.

Mesmo que quisesse explodir as cabeças dos sonserinos, James aterrissou na direção da amiga. Katharine era a maior das prioridades, o bem estar dela era mais importante que qualquer vitória no quadribol.

Sentada no chão, a menina ainda mantinha o braço colado ao corpo. Seu rosto estava contorcido em uma expressão de dor e a posição anômala do ombro não deixava dúvida de que o membro estava fraturado. Quando caiu de joelhos diante dela, Potter já sabia que sua principal artilheira não tinha condições de retornar para a partida.

- Vamos te levar para a enfermaria, Katy, vai ficar tudo bem.

- Vamos...? – a garota repetiu antes de estreitar os olhos – Você não vai a lugar algum! Bote a sua bunda de volta naquela vassoura e ganhe o jogo, Potter! Agora é uma questão de honra!

- Você está machucada!

- Quebrei o braço, isso não me impede de caminhar até a enfermaria! E a McGonnagal certamente vai me acompanhar, então relaxa. Tudo o que você precisa fazer é voltar pro jogo e colocar esses desgraçados no lugar deles!

O time da Sonserina era bastante inferior ao da Grifinória. Eles tinham vassouras melhores, mas era evidente que isso não fazia a menor diferença. Contudo, não seria tão fácil vencê-los com um jogador a menos. Seriam dois batedores contra dois artilheiros. Nem mesmo toda a habilidade de Ian sobreviveria a uma marcação individual.

- Pegue o pomo. – Katharine parecia estar lendo a mente de James – E pegue rápido, antes que eles derrubem mais um artilheiro!

Quando Minerva alcançou o centro do campo, James já havia ajudado Katharine a se levantar. A aluna foi amparada pela professora, mas antes de se afastar a moça jogou sua capa e as luvas na direção de Potter.

- Eu sei que sou insubstituível, mas terá que colocar alguém no meu lugar.

O jogo havia sido paralisado depois de toda aquela confusão e agora Madame Hooch ralhava com os jogadores envolvidos na briga. Como capitão, James poderia pedir o cancelamento da partida, mas neste caso a vitória seria dada à Sonserina. E era injusto demais que os adversários levassem os pontos depois de terem tirado Katharine do jogo.

Era uma loucura retornar com um jogador a menos, mas também não parecia ser uma boa ideia colocar na partida alguém que nunca tivesse treinado com a equipe principal. Foi quando a mente de Potter reproduziu a imagem de Annabeth Grimstone. Depois de tê-la visto jogar nos testes e naquela tarde após o passeio a Hogsmeade, James sabia que ela tinha qualidade o bastante para enfrentar aquele desafio.

Mesmo conhecendo o orgulho da colega, James decidiu arriscar. Os olhos castanhos vasculharam as arquibancadas abarrotadas de alunos da Grifinória até encontrarem aquele incomum par de íris profundamente azuis. A capa de Katharine foi estendida na direção de Annabeth, num convite mudo para que a menina assumisse a vaga de artilheira.

Como sabia que a mágoa e o orgulho de Grimstone poderiam estragar tudo, Potter completou aquele convite com um “por favor”. O barulho das arquibancadas certamente não permitiria que a sua voz alcançasse Annabeth, mas ela poderia ler facilmente as palavras formuladas pelos lábios do capitão da Grifinória.
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por Damien Scott em Qui Maio 26, 2016 4:04 pm

Desde o instante em que os grifinórios começaram a se reunir no salão comunal, aguardando com expectativa o retorno de Georgina, Sirius Black passou a sentir a ansiedade se espalhando pelo seu peito, enquanto ele olhava a cada quinze segundos na direção do retrato da Mulher Gorda, esperando que a colega fosse aparecer a qualquer instante.

A explosão na sala de Horace havia sido o acontecimento do dia e muitos tentavam criar teorias para o que havia acontecido. Alguns simplesmente aceitavam o óbvio, que Grimstone havia errado a dosagem de alguma poção e tivera um resultado bem ruim. Outros chegavam a insinuar que a menina havia feito propositalmente, em alguma vingança ao diretor de Poções por alguns pontos perdidos que ninguém se recordava de já ter presenciado.

A verdade era que, por mais que surgissem teorias, nenhuma delas parecia se encaixar na personalidade de Georgina, sempre tão crítica e perfeccionista. O único capaz de desvendar todo aquele mistério estava sentado nos últimos degraus da escada que levava aos corredores, o cotovelo apoiado sobre o joelho e a mão segurando o queixo. A testa franzida e o rosto tenso não combinavam com a leveza de Sirius Black, que travava uma batalha interna.

O rosto sujo de fuligem de Georgina ainda estava gravado em sua memória, assim como a sala de Poções, completamente destruída. A todo instante, Black se perguntava o quanto a sua brincadeira tão inocente poderia ter tido um resultado ainda pior. Ele jamais havia imaginado que a troca de um único ingrediente pudesse causar um estrago tão grande. Jamais seria capaz de se perdoar, se Georgina tivesse se machucado seriamente.

Enquanto seu estômago se revirava inquieto, Black tentava se convencer de que o pior já havia passado. Georgina provavelmente estava sendo atendida na enfermaria e retornaria quando tudo estivesse bem novamente. Tudo que ele precisaria fazer era destrocar o ingrediente adulterado, para que nada ruim voltasse a acontecer.

Enquanto ignorava o burburinho a sua volta, Sirius sentiu o coração dar um salto quando o retrato da Mulher Gorda finalmente se mexeu, trazendo Grimstone para o seu campo de visão. O queixo de Black caiu quando a morena caiu no choro e foi acolhida por Lily Evans.

Automaticamente, o batedor da grifinória seguiu os passos dos amigos que começaram a rodear Georgina, mas o chão desapareceu sob os pés de Sirius quando Grimstone revelou sua sentença. O sangue fugiu do seu rosto e Black pareceu mais um dos fantasmas do castelo. Enquanto os amigos esbravejavam diante daquela injustiça, Sirius não conseguia mais raciocinar.

Talvez, se ele estivesse com a consciência limpa, ainda fosse capaz de enxergar o quão absurdo era a decisão de Dumbledore. Mas a cabeça de Sirius só conseguia pensar que ele era o responsável por aquilo.

Georgina era irritante, e Black ficaria imensamente satisfeito com o dia que não precisasse mais escutar seus discursos sabe-tudo, mas ele jamais havia desejado a expulsão da colega. Principalmente quando ela era imensamente inocente.

Sentindo o peso do mundo nos ombros, Sirius foi o único grifinório ao redor de Georgina incapaz de pronunciar uma única palavra. Com a testa franzida, ele encarava a menina como se estivesse diante de alguém no corredor de morte, sendo penalizada pelos seus delitos.

Ele nunca havia visto Grimstone tão fragilizada, e provavelmente movido pela culpa, um desejo de acolhê-la em seus braços o pegou de surpresa.

- Você não vai ser expulsa. – Sirius finalmente conseguiu dizer, mantendo-se em pé diante da menina, os braços cruzados em frente ao peito. – Você claramente é inocente, e o Dumbledore não é louco o bastante de cometer tamanha injustiça.

- Nós vamos fazer de tudo para fazer o professor Dumbledore enxergar que está errado, Ginny. – Remus forçou um sorriso enquanto tocava o ombro da amiga. – Vamos acampar em frente ao quadro da mulher gorda, se for preciso. Ele vai ter que nos ouvir.

Embora Lupin tentasse ser otimista, Sirius sabia que não seria um grupo de alunos que faria o diretor de Hogwarts mudar de opinião. Albus precisava saber que Georgina era inocente e o único capaz de provar, era ele.

Já era madrugada quando o salão comunal finalmente ficou vazio, deixando para trás apenas os três marotos. Mais uma vez, Sirius estava anormalmente quieto, encarando o fogo extingo da lareira, com a certeza de que Georgina não conseguiria dormir as horas que restavam da noite, acreditando ser sua última vez no castelo.

- Eu ainda não consigo acreditar... – Lupin sussurrou em um tom derrotado, balançando a cabeça em insatisfação. – A Ginny tem um futuro brilhante pela frente, como o Dumbledore pôde ser capaz???

- Ela não vai ser expulsa. – Sirius voltou a repetir, sem mexer um centímetro em sua poltrona.

- Eu também estou tentando ser otimista, Paddy, mas...

- A culpa foi minha. – Sirius continuou, como se o amigo não estivesse começando a falar.

Suas palavras foram suficientes para fazê-lo calar e prender a atenção de Potter e Lupin.

- No minuto em que a sala explodiu, eu fui conferir um livro de Poções sobre o preparo da Felix Felicis. A Lily disse que era isso que ela estava fazendo lá, e bem... Eu troquei um dos ingredientes dela.

Dizer em voz alta parecia tornar tudo ainda pior, como se sua culpa tivesse triplicado. Com um suspiro pesado, Sirius relaxou na poltrona, massageando a têmpora dolorida com as pontas dos dedos.

- Eu nunca pensei que pudesse ir tão longe, era só para ela errar algumas poções e para o Slug ver que ela não é tããão incrível assim.

- Padfoot, ela poderia ter se machucado!

Sirius soltou um muxoxo, fazendo Lupin se arrepender do comentário instantaneamente. Era bem óbvio que Black já estava arrependido daquela brincadeira.

- Eu sei. Eu vou até o Dumbledore e vou explicar tudo. A Grimstone é chata pra caramba, mas não merece isso.

Um pequeno silêncio se instalou entre os amigos antes de Lupin completar com o óbvio.

- Se a Ginny ia ser expulsa por um acidente, você tem ideia do que o Dumbledore vai fazer quando descobrir que a sua “brincadeira” foi intencional?

Sirius fez uma careta e encolheu os ombros, se sentindo derrotado.

- Provavelmente foi a minha última noite no castelo. E nem foi com a Emília Clarke no armário de vassouras. – A tentativa de um sorriso se espalhou pelos lábios bem desenhados de Black, mas era difícil se animar diante da expectativa daquela punição.

***

Quando o dia amanheceu, Sirius Black não havia pregado os olhos nem por um minuto. Ele esperou até os primeiros raios de sol para se dirigir até a sala do diretor, e pela primeira vez em anos, o grifinório não se sentia orgulhoso por uma de suas travessuras.

Mesmo com a noite agitada, o salão comunal da grifinória começou a encher nos primeiros horários, cada um com expectativa de que pudessem fazer algo em prol da colega.

No momento em que Georgina surgiu no salão, já carregando seus pertences, a figura de Albus Dumbledore estava ao centro, em suas exageradas vestes verde-limão. Ao seu lado, um Sirius Black cabisbaixo esboçou um sorriso ao reconhecer o rosto de Grimstone.

- Espero que essa quantidade de livros não seja para a sua leitura matinal, Grimstone. Por que você não leva isso de volta ao dormitório?
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qui Maio 26, 2016 5:11 pm

Os olhos de Annabeth já estavam presos em Katharine desde o momento em que amiga alcançou o gramado do campo de Quadribol, de modo que não foi difícil que Potter também entrasse em foco.

Por mais orgulhosa que fosse, Grimstone jamais seria capaz de recursar o pedido do capitão da Grifinória. Os sonserinos estavam jogando sujo e o golpe em Katie havia sido a gota d’água para os limites da casa dos leões. Anna podia não ter todo o treinamento dos demais colegas, encarando o Quadribol como diversão durante as férias, mas ainda assim era dona de um talento herdado do pai.

A necessidade de vingar a amiga e não afundar a Grifinória ainda mais em uma derrota com um jogador a menos, fez com que Anna acenasse com um movimento da cabeça quase que instantaneamente diante do pedido de James.

Com alguns empurrões, ela se livrou dos colegas nas arquibancadas até conseguir alcançar James. Naquela altura, Madame Hooch e o capitão da Sonserina também haviam se aproximado de Potter, aguardando sua posição para retomar a partida.

- E então, Potter? Pronto para sair chorando? – Jeremiah, o artilheiro principal e capitão da Sonserina, sorriu debochado para o grifinório. – Espero que sua amiguinha não tenha se machucado. Pouco.

- Talvez se você estivesse mais focado nas suas jogadas, teria visto que a Katie está ótima. – Anna estreitou os olhos azuis enquanto puxava as luvas da artilheira principal para si. – O que houve, McFellow? Comeu manteiga demais no café e esqueceu e lavar as mãos? A goles escorrega sempre que está com você!

- O que está fazendo aqui, Grimstone? – Jeremiah avançou em direção a menina. – Volte para as arquibancadas! Aqui é para jogadores, apenas.

- Sou substituta da Katie. – Annabeth respondeu com naturalidade, buscando o rosto de Madame Hooch com o olhar.

Em situações normais, a juíza da partida certamente questionaria aquela intromissão repentina. Mas até mesmo Madame Hooch estava incomodada com as jogadas sujas dos Sonserinos, de modo que ela apenas inclinou a cabeça na direção do céu.

- Vamos acabar logo com isso, senhores.

Annabeth esperou que Madame Hooch se afastasse, puxando um Jeremiah insatisfeito pela orelha, para encarar Potter.

- Você sane que isso não significa que vamos ganhar, não é? Eu nunca joguei em uma partida de verdade. Mas Madame Hooch tem razão. Vamos acabar logo com isso e ir ver a Katie.

Grimstone estava certa em dizer que sua presença não mudaria muita coisa. O time adversário continuou jogando com movimentos arriscados, fazendo o jogo paralisar por diversas vezes para que seus jogadores levassem alguma falta grave.

Ainda assim, Annabeth teve a oportunidade de mostrar para toda a escola que realmente possuía o DNA de Elliot Grimstone. Exatamente como havia sido durante o teste, a menina mostrou uma perfeita sintonia nas jogadas da direita, fazendo os melhores movimentos na companhia de Ian.

Era muito mais difícil estar em campo quando havia um time tão sujo quanto a Sonserina para se preocupar todo o tempo. Por mais de uma vez, Anna perdeu boas jogadas porque precisou se concentrar em balaços surpresas.

Em um determinado momento, um dos batedores passou a perseguir Anna e Ian pelo campo, quando a menina se lembrou das piruetas exibidas por Potter na partida informal de dias atrás. Com um sorriso no rosto, ela imitou os movimentos inesperados, deixando o adversário confuso. Quando estava longe o suficiente, a goles foi arremessada, marcando um belo gol.

Inconscientemente, Grimstone buscou por Potter pelo olhar, como es esperasse a aprovação na imitação de seus movimentos. E seu sorriso se alargou ao ver o capitão capturando o pomo de ouro e finalmente dando um fim na partida.

Sem tempos para comemorações, o time da grifinória deixou o campo em direção a enfermaria, mas foi apenas no final do dia que a enfermeira finalmente aprovou a entrada dos colegas, que imediatamente rodearam a cama de Katie.

- E então? – Ela perguntou, ansiosa. Seu braço estava enfaixado e repousado sobre a barriga e havia um leve e discreto corte no supercilio, mas a preocupação com o jogo deixava claro que Katie estava ótima.

- O demente pegou o pomo. – Anna sorriu, inclinando a cabeça na direção do capitão do time.

Só então Katharine pareceu perceber a presença de Grimstone e imediatamente focou seu olhar nas luvas que a colega usava.

- Você jogou no meu lugar? – Com a mão que não havia sido atingida, Katie ergueu o polegar em sinal de aprovação para James. – Você não anda tão demente assim.

- Ela não só jogou, foi incrível! – Ian ainda estava com as bochechas coradas e incrivelmente empolgado com sua partida de estreia. – O que foi aquele último movimento? Você precisa me ensinar!

Mais uma vez, Annabeth buscou Potter com o olhar, se lembrado das piruetas originais que ele havia dado. Antes que ela pudesse responder, uma mão a rodeou pela cintura e seu corpo foi puxado mais para perto de um Ian ainda extasiado.

- Nós formamos um time fo-da! Vocês viram a cara dos Sonserinos???
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por James Potter em Sex Maio 27, 2016 3:52 am

Sempre que montava em sua Comet 260, James Potter levava consigo para o céu um grande desejo de vencer. Mas a sua determinação nunca fora tão grande quanto naquele dia. Ganhar a partida agora era uma questão de honra e ele faria isso por si, pelos demais alunos da Grifinória e, principalmente, por Katharine.

Dentro do campo de quadribol, James era mais sensato e responsável do que em qualquer outro momento de sua vida. Mas o apanhador da Grifinória conseguiu mergulhar em uma concentração ainda maior que o normal quando o apito de Madame Hooch marcou o reinício da partida.

Logo Annabeth mostrou que merecia ocupar o posto de artilheira central. A substituta obviamente não estava tão entrosada com a equipe quanto Katharine, mas a falta de treino era facilmente compensada pela enorme habilidade sobre a vassoura. Grimstone arrancou aplausos da torcida da Grifinória e encantou a todos ao mostrar que não havia herdado apenas o sobrenome do pai famoso.

E foram os aplausos vindos dos torcedores que usavam vermelho e dourado que mostraram a Potter que o restante do time estava se saindo bem. Os olhos castanhos por trás das lentes não permitiam que o apanhador se distraísse assistindo aos belos lances dos amigos. Todos os seus instintos estavam acesos, em busca do brilho dourado que poderia colocar um fim naquela partida desleal.

O coração do apanhador deu um salto dentro do peito quando a familiar bolinha de ouro entrou em seu foco de visão. Desta vez, James não perdeu tempo procurando pelo apanhador do time adversário. Com a ponta da vassoura voltada na direção do pomo-de-ouro, Potter executou um de seus mergulhos perfeitos, mas arriscados. A Comet 260 atingiu uma velocidade extraordinária e nem o vento que zunia nos ouvidos do grifinório evitou que os gritos alucinados da torcida chegassem a ele.

Não havia mais nada no campo, somente ele e o pomo. James teve o vislumbre de um balaço lançado de forma perigosa em sua direção, mas desviou-se com tanta facilidade que levou a torcida ao delírio. Mesmo em altíssima velocidade, Potter não se desequilibrou quando se soltou, mantendo a vassoura amparada apenas por uma das mãos. A mão livre foi estendida e James só precisou se esticar um pouco para envolver a cobiçada bolinha dourada com os dedos.

O apito de Madame Hooch oficializou o fim da partida e garantiu mais uma vitória esmagadora para o time dos leões. Geralmente, os grifinórios fariam uma grande festa com mais aquele triunfo contra os piores rivais, mas naquele dia a felicidade não era tão grande. A preocupação com Katharine conseguia ser superior a qualquer euforia e os primeiros sorrisos só surgiram na enfermaria, quando os colegas tiveram a certeza de que a artilheira titular estava bem.

O alívio estava estampado em cada traço do rosto de Potter quando ele se colocou diante de Katharine. Ela não era somente uma colega ou uma parceira do time, era uma grande amiga e James nunca se perdoaria se algo ruim acontecesse a ela. As implicâncias e a insistência em falar sobre o jogo eram as maiores provas de que Katie estava ótima e que logo ficaria totalmente recuperada.

- Autógrafos depois, eu estou cansado. Eu sei que vocês não são nada sem mim, então também podem pular os agradecimentos emocionados...

As brincadeiras de James logo foram interrompidas pelo discurso empolgado de Ian. No começo, parecia ser apenas o entusiasmo de um novato que vence a sua primeira partida, mas a cena ficou mais estranha quando Annabeth foi puxada para mais perto do colega. Os demais jogadores estranharam aquela proximidade, alguns chegaram a trocar olhares de aprovação ou sorrisinhos maldosos.

Mas Potter foi o único que pareceu verdadeiramente insatisfeito com aquela cena. Nem mesmo o apanhador saberia explicar o que estava acontecendo, mas o seu desconforto foi enorme com a imagem de Annabeth nos braços de Ian. O sorriso que brincava em seus lábios foi se desfazendo e, inconscientemente, o capitão do time fechou os punhos e trincou os dentes.

- Nós vencemos, isso é o mais importante – Katharine fazia parte do grupinho que encarava aquela cena com um sorrisinho malicioso nos lábios – Embora eu também esteja preocupada com o meu lugar no time. Está claro que a Anna já “conquistou” o seu espaço.

O duplo sentido ficou evidente na escolha das palavras e na entonação irônica de Katharine. A artilheira titular só notou que havia algo muito errado com James quando o apanhador não se aproveitou daquela oportunidade para também implicar com os colegas. Para a surpresa de Katie, ela encontrou as sobrancelhas de Potter franzidas numa expressão fechada quando voltou a atenção para ele.

- Potter...?

A voz de Katharine trouxe James de volta à realidade bem a tempo de evitar uma ceninha ridícula que nem mesmo ele saberia explicar. O apanhador pigarreou ao notar como seus pensamentos tinham ido longe e tentou suavizar o semblante. Sua sorte era que todos estavam tão concentrados em Ian e Annabeth que somente Katharine percebeu aquela reação inesperada do apanhador.

- A Katie deve estar cansada e já ultrapassamos os cinco minutos do prazo dado pela enfermeira. Acho melhor voltarmos para o Salão Comunal, os outros também estão esperando por notícias da Katie.

- Sim. – Katharine deixou claro que sua língua continuava afiada como de costume – Todos devem estar preocupados. Diga à Lily que eu estou bem, Potter.

A menção à ruiva deixava claro que Katie não só havia notado a reação de James como enxergara os ciúmes refletidos em cada traço do rapaz. Embora gostasse muito mais de Annabeth que de Lily, Katharine se viu na obrigação de lembrar o amigo de que ele ainda tinha uma namorada e que ela não respondia pelo nome de Annabeth Grimstone.
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por Hyacinth Westphal em Sex Maio 27, 2016 4:50 am

Quando se olhou no espelho naquela manhã, Georgina não reconheceu o próprio rosto abatido. Olheiras enormes manchavam a sua pele pálida, os cabelos sempre tão sedosos não exibiam o costumeiro brilho e foram presos em um rabo de cavalo. Mas o detalhe mais doloroso de sua aparência era a ausência do uniforme da Grifinória. O peito da garota se comprimia sempre que ela pensava que nunca mais poderia usar vermelho e dourado sem se lembrar daquele dia tão triste em que todos os seus sonhos foram lançados pela janela.

O luto ficou evidente na escolha de um vestido preto, que parecia realçar ainda mais negativamente a sua palidez. Enquanto fechava o malão e tentava empilhar a sua invejável biblioteca pessoal, Georgina escutava as ideias das amigas. Lily estava determinada a ir às últimas consequências para defendê-la.

- O professor Slug vai ter que me ouvir!

- A decisão não foi dele, Lily. Pelo contrário, ele recuou quando o diretor mencionou a expulsão...

Ainda doía muito pronunciar aquela palavra, mas Grimstone se obrigava a acostumar com a ideia de que aqueles eram os seus últimos minutos em Hogwarts.

- Não faça nenhuma bobagem, está bem? – Ginny se colocou diante da amiga – É seu último ano e você já tem problemas e preocupações demais, Lily. Não compre mais esta guerra.

Georgina realmente não queria que nenhum dos colegas se prejudicasse por causa dela. Mas ela conhecia muito bem a lealdade da Grifinória, sabia que os amigos a defenderiam e que Dumbledore teria dias infernais pela frente. O que Grimstone não esperava era encontrar o diretor no Salão Comunal, destacando-se de forma única com aqueles trajes em verde-limão.

Por um segundo, Georgina imaginou que Dumbledore estava ali apenas para garantir que ela deixaria Hogwarts, conforme o combinado. Mas a presença de Sirius ao lado do diretor e aquelas palavras sem sentido obrigaram a garota a parar no meio da escadaria que levava ao dormitório feminino. A expressão atordoada de Ginny deixava muito claro que ela não estava entendendo nada do que acontecia ao seu redor.

- O Sr. Black me procurou esta manhã... – Albus tomou a palavra, fornecendo as explicações que Georgina precisava - ...para pedir que eu reconsiderasse a minha decisão de expulsá-la do castelo, Srta. Grimstone.

Os olhos castanho-esverdeados se arregalaram em uma surpresa que Georgina não conseguiu disfarçar. Embora ela já esperasse pela lealdade dos grifinórios, a garota nunca imaginou que Sirius seria um dos primeiros a interceder por ela. Logo ele, depois de todas as discussões e desentendimentos dos últimos anos!

Misturada à surpresa, a gratidão se refletiu nos olhos da morena. Mas os bons sentimentos se dissiparam no instante em que Dumbledore concluiu o seu raciocínio.

- Segundo ele, a senhorita é inocente. O Sr. Black confessou que, intencionalmente, trocou um dos ingredientes da sua poção.

Todos os olhos se voltaram para Sirius, alguns com expressões de surpresa, outros com semblantes de acusação. Fora um gesto nobre confessar a verdade, mas isso não anulava todo o sofrimento enfrentado por Georgina nas últimas horas. As sobrancelhas grossas da Grimstone mais velha se franziram e ela cravou seu olhar mais gelado em Sirius, sem acreditar que ele tivera a coragem de fazer aquela brincadeira maldosa e de deixá-la sofrendo a noite toda com a ameaça de ser expulsa de Hogwarts.

Embora estivesse furiosa, Georgina também se viu invadida por um grande alívio. A confissão de Sirius evitaria que ela abandonasse o castelo e também provaria a todos que Grimstone não cometera nenhum erro. Uma das razões pelas quais a menina não conseguia dormir era a possibilidade de realmente não ser tão boa em Poções quanto ela imaginava.

- Eu não serei expulsa, então...? – a atenção de Georgina se voltou novamente para Dumbledore.

- Não, obviamente. E também vou me aproveitar da presença de todos para um pedido público de desculpas, Srta. Grimstone.

- Ele será expulso?

Ao fim da pergunta, os olhos da moça se fixaram em Sirius mais uma vez. Georgina permanecia com uma expressão gelada, como se não se importasse com o destino do colega. Aliás, ela encarava Sirius com tanta raiva que parecia torcer para que Black fosse castigado com aquele destino trágico.

- Bom, eu acho que, dada as circunstâncias... – Dumbledore falava calmamente - ... é justo que a senhorita participe desta decisão. A senhorita foi a maior prejudicada, afinal. Deixo em suas mãos a decisão sobre a punição do Sr. Black.

Exclamações se espalharam pelo Salão Comunal e Georgina sentiu o peso do mundo em seus ombros. Sua expressão se tornou confusa e ela olhou ao redor, atordoada. Perceber que todos a encaravam só serviu para aumentar ainda mais a pressão daquele momento.

Por mais que estivesse furiosa com Black e que contasse nos dedos os dias para ficar livre da companhia dele, Grimstone não estava preparada para ser a pessoa que arruinaria o futuro do rapaz. Os dois não eram próximos, Georgina não sabia quais eram os planos do colega para a vida fora de Hogwarts. Mas qualquer que fosse o caminho desejado por Sirius, a trajetória dele seria muito mais complicada sem o diploma de conclusão da escola.

Como Georgina permaneceu sem palavras mesmo depois de um generoso tempo, Dumbledore se viu obrigado a interferir.

- Devo pedir ao Sr. Black que arrume as suas malas, Srta. Grimstone?

- Não. – a voz de Georgina soou inicialmente fraca, mas logo a garota pigarreou para concluir seu veredicto com mais firmeza – Não creio que a expulsão seja a punição mais adequada, professor Dumbledore.

- É mesmo? – Albus fingiu uma surpresa que não sentia – Qual é a sua decisão, então?

Georgina precisou de mais algum tempo enquanto a sua mente trabalhava naquela ideia. Ela não queria que Sirius fosse expulso, mas também não era nobre o bastante para simplesmente perdoá-lo. Black merecia ser castigado e Grimstone queria atingi-lo pessoalmente na escolha daquela punição.

Quando uma solução perfeitamente adequada surgiu na mente de Georgina, seus lábios se curvaram em um pequeno sorriso maldoso.

- Para provar o quanto sou nobre e bondosa, darei duas opções ao Black. Ele escolherá qual punição prefere cumprir.

- Justo. – Dumbledore parecia estar se divertindo com o desenrolar dos acontecimentos – Quais as opções?

- O Sr. Black não teve uma atitude digna de um grifinório quando prejudicou uma colega de casa. Portanto, a primeira opção de castigo é que ele seja afastado da Grifinória e seja acomodado em um dormitório da Sonserina até o fim de sua estadia em Hogwarts.

O burburinho que se espalhou pelo salão deixava claro o espanto causado por aquela ideia. Qualquer grifinório preferiria dormir no corujal ao invés de ocupar o Salão Comunal da Sonserina. Georgina sabia disso e, portanto, sabia que Sirius ficaria muito mais inclinado a escolher a segunda opção, por mais humilhante que fosse.

- A brincadeira do Sr. Black prejudicou seriamente a minha imagem neste castelo e eu terei que me esforçar para mostrar a todos que ainda mereço a confiança e a admiração dos professores. Terei que estudar ainda mais, terei que me esforçar muito. Portanto, vou precisar de ajuda. A sua segunda opção é ser o ajudante que eu preciso, Black. Você vai fazer TUDO o que eu quiser, vai assistir a todas as aulas extras, fazer anotações, buscar livros para mim, fazer resumos de todas as matérias e ser a minha cobaia enquanto eu pratico feitiços e transfigurações...

Uma das sobrancelhas de Georgina se ergueu e a garota cruzou os braços.

- Então, Black...? O que prefere?
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sex Maio 27, 2016 5:00 am

A troca de olhares e sorrisos marotos dos demais colegas não passaram desapercebidos por Annabeth, o que só fez com que ela se sentisse ainda mais confortável com aquela súbita intimidade de Ian.

Embora estivessem no mesmo ano e na mesma casa, os dois nunca haviam ido muito além de conversas aleatórias sobre as matérias estudadas ou o Quadribol. O teste para a vaga no time havia mostrado que os dois tinham uma sincronia perfeita, sempre completando o movimento um do outro, mas Anna não esperava que o colega fosse levar aquilo para fora do campo.

Para completar o desconforto de Grimstone, a lembrança de Lily lhe provocou uma pontada de desagrado que ela não saberia explicar o motivo. Evans estava um ano a frente e a interação entre as duas era a simples boa convivência entre grifinórios, mas a ruiva sempre se mostrou uma ótima amiga para Georgina, conquistando consequentemente a simpatia da caçula.

- Eu volto amanhã, Katie... – Anna sorriu antes de se afastar. – Vou trazer chocolates, está bem?

- Você não vai roubar a minha vaga no time me trazendo chocolates, Anna. – Katie girou os olhos, mas o sorriso em seu rosto mostrava que ela não estava verdadeiramente preocupada que aquilo se tornasse realidade. – Mas os de cereja são meus preferidos, ok?

Quando Katharine não era mais uma preocupação para a casa de Griffyndor, os jogadores finalmente puderam mergulhar na comemoração daquela vitória tão difícil. O salão comunal explodiu em aplausos quando o quadro da mulher gorda foi movido para o lado, revelando o time ainda no uniforme de Quadribol.

- Será que aquelas cobras vão finalmente aprender que não podem ganhar da gente? – Ian esbravejou, enquanto recebia uma caneca de suco de abóbora, após se acomodar no largo sofá em frente a lareira apagada.

- Impossível. – Anna sacudiu a cabeça, sentando no braço do sofá oposto enquanto passeava os olhos pelo salão. – Eu me arriscaria em dizer que eles vão jogar ainda mais sujo.

- Eu concordo com a Anna... – Lupin também tinha sua própria caneca de suco pela metade e não parecia tão empolgado com a comemoração quanto os demais. – Não me surpreenderia se começassem com as trapaças fora do campo também.

O comentário do lobisomem fez com que uma sombra passasse pelos rostos de alguns alunos por um breve segundo, mas nenhum grifinório iria admitir estar se sentindo ameaçado pelos sonserinos, ainda mais quando haviam acabado de ganhar de forma justa e sacrificante.

- Ótimo. – Anna se obrigou a sorrir, querendo desfazer o mal-estar provocado no clima de comemoração. – Que venham. Vou adorar chutar mais algumas bundas verde e prata.

- Mantenha esse espírito em campo, Annabeth.

A voz de Lily fez com que a morena girasse o rosto até encontra-la ao lado de Potter. A sensação de desagrado experimentada na enfermaria surgiu mais uma vez, o que não combinava com a imagem doce e amigável de Evans.

- Não podemos correr o risco de perder pontos brigando pelos corredores. Já basta tudo que o Sirius aprontou.

Os olhos verdes se estreitaram em crítica ao batedor, que pela primeira vez, não parecia disposto a revidar uma provocação.
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por Damien Scott em Sex Maio 27, 2016 5:18 am

A empatia que Black vinha sentindo desde o começo da noite anterior se dissipou quando o olhar frio de Georgina o atingiu, já anunciando a catástrofe que estava por vir. Embora soubesse que seu erro havia sido grave demais, no fundo ele ainda esperava que sua confissão pudesse minimizar os fatos e que Grimstone fosse ficar mais focada em permanecer em Hogwarts do que adicionar mais um motivo para odiá-lo em sua lista mental.

O sorriso maldoso da morena era capaz de apagar toda sua aparência abatida e fragilizada com os últimos acontecimentos, trazendo de volta a mesma menina que Black odiava desde os onze anos de idade.

Por um segundo, chegou a acreditar que Georgina seria capaz de pedir sua cabeça ao diretor, quando ouviu as “ofertas” tão ousadas.

O ódio pela menina era tão grande que Black chegou a cogitar a possibilidade de ser acolhido nas masmorras, mas aquele pensamento logo se desfez quando ele pensou que não teria mais uma noite de sono tranquilo, sempre preocupado em ser sufocado com o travesseiro no meio da noite.

A ideia de acompanhar Georgina em tempo integral era tão desagradável quanto ser expulso. Além da presença extremamente irritante da colega, Sirius perderia o seu precioso tempo com os treinos de Quadribol, as noites de lua cheia com os amigos, as visitas clandestinas a Hogsmead, suas horas de descanso e até o raro momento separado para estudar para os NIEMs.

Como se tivesse um peixe podre sob o nariz, Sirius contorceu o rosto em uma careta, sem se preocupar mais em tentar ser simpático com Grimstone. A culpa já havia se dissipado, junto com a pontada de simpatia que passara a nutrir por ela durante a noite em claro.

- Posso me jogar da torre de astronomia?

Albus pareceu pensativo por um segundo antes de balançar a cabeça, tranquilamente.

- Felizmente não foi uma opção levantada pela Srta. Grimstone, Sr. Black. O senhor terá que escolher entre os sonserinos ou o assistente.

Black coçou a nuca, balançando alguns dos fios negros, parecendo sinceramente torturado com os caminhos que haviam lhe sido oferecido. O salão estava mergulhado em um silêncio, como se os espectadores não conseguissem acreditar que o dormitório da Sonserina fosse realmente uma opção.

- Está bem, está bem! – Black bufou, jogando as mãos para o alto como se estivesse se rendendo. – Eu vou ser o seu elfo doméstico pelos próximos meses, Grimstone.

Antes que o diretor pudesse se dar por satisfeito e deixar a torre da grifinória, Sirius ainda completou, em um tom alto o suficiente para que Georgina pudesse escutar.

- Se você tivesse me aplicado essa detenção antes, eu teria virado um aluno modelo no primeiro ano.

- É realmente uma pena, Sr. Black. Mas antes tarde do que nunca, sim?

Quando as vestes chamativas do diretor finalmente desapareceram pelo retrato da mulher gorda, Sirius arrastou os pés até parar diante da colega.

- Sei que você vai fazer a minha vida um inferno pelos próximos meses, Grimstone, e que não vai adiantar de nada... Mas eu sinto muito mesmo que as coisas tenham tomado uma proporção tão grande.

Ele ergueu uma mão na direção de Georgina antes de completar, finalmente exibindo o seu sorriso largo que provocava uma covinha na bochecha.

- Pense pelo lado positivo, a explosão chamuscou as suas sobrancelhas e está bem mais bonita agora.
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por James Potter em Sex Maio 27, 2016 5:45 am

Ao ser recebido pela costumeira festa da vitória preparada pelos colegas, Potter se esqueceu de todos os problemas enfrentados em campo naquele dia. É claro que o incidente com Katharine ainda deixava o capitão furioso, mas agora James já conseguia saborear aquela vitória e mais uma captura de pomo.

Foi Lily quem se aproximou dele com um copo de suco de abóbora. James agradeceu à gentileza dela com um sorriso e não se esquivou quando a ruiva inclinou-se para capturar os lábios dele num beijinho comportado.

Não era segredo para nenhum dos colegas da Grifinória que, depois de tantos anos, Evans finalmente decidira dar uma chance a Potter. O relacionamento ainda não era oficialmente um namoro, os dois ainda estavam na fase inicial da aproximação. Mas eles formavam um bonito casal e é claro que os colegas torciam para que a relação prosperasse.

Depois de tanta insistência, James estava feliz em receber aquela chance. Contudo, naquela noite em especial, o apanhador não parecia tão à vontade com a proximidade de Evans e, definitivamente, não parecia nada empolgado com aquele relacionamento. Pelo contrário, o primeiro sorriso mais animado só apareceu nos lábios de Potter quando Annabeth sentou-se bem distante de Ian, evitando assim as mãos atrevidas do colega.

Mas este mesmo sorriso morreu quando a voz de Lily soou, colocando um fim na conversa leve da noite. Não parecia nada anormal para os padrões da ruiva, uma monitora exemplar sempre preocupada com as regras. Mas, naquela noite, as palavras de Evans irritaram profundamente o capitão do time da Grifinória.

- A última coisa que precisamos neste momento é de um sermão da monitora-chefe.

A aspereza, quase nunca presente na voz de Potter, atraiu para ele todas as atenções e vários pares de olhos arregalados.

- Foi um dia tumultuado, cheio de emoções negativas. Agora que vencemos o jogo e que a Katie está bem, nós precisamos relaxar, precisamos nos divertir. Você está sendo profundamente desagradável ao mencionar o problema entre o Sirius e a Ginny, Lily.

Aos olhos de todos, Potter só estava chateado porque a ruiva estava tocando a ferida de seu melhor amigo. Só James sabia que a sua irritação com a moça ia muito além daquilo.

Por mais que estivesse surpresa e chateada com o comportamento do “quase” namorado, Evans não recuou. Sua personalidade forte se fez presente na maneira como ela encarou Potter e cruzou os braços.

- Alguém precisa exercer o “desagradável” papel de lembrar a vocês que nem tudo é um jogo de quadribol. Eu estou muito feliz por termos ganhado, mas isso não nos dá o direito de expor a Grifinória no castelo. Existem regras a cumprir fora do campo, James. Sei que você nunca ligou muito para elas no passado, mas imaginei que isso tivesse mudado.

- Não estou incentivando ninguém a quebrar regras. Eu só estou dizendo que você não precisa ser uma monitora chata em tempo integral!

O clima descontraído da festa acabou no instante em que os dois jovens protagonizaram uma briga diante de todos os colegas. Os grifinórios assistiam de queixo caído a discussão inesperada do casal. Lupin, próximo ao melhor amigo, chegou a beliscar as costas de Potter, mas nem isso serviu para colocar um freio na língua do rapaz.

- Você me acha chata, então? – os olhos verdes da garota faiscaram – Desagradável, chata...? Deseja acrescentar mais alguma coisa à lista de adjetivos?

- Ótimo, você estragou a festa. – Potter bateu três palmas irônicas – Conseguiu o que queria, agora ninguém mais está contente com o quadribol. Todos irão dormir cedo para não perder o primeiro horário amanhã. Ótimo trabalho como monitora, Evans.

Ao ver que aquela discussão estava tomando proporções absurdas, Remus se colocou no meio dos dois amigos. A mão do lobisomem empurrou James alguns centímetros para trás, numa súplica muda para que ele se afastasse e colocasse um fim naquela briguinha de casal.

- Eu concordo que foi um dia tumultuado, todo mundo ainda está com a adrenalina alta depois daquele jogo. – a voz de Lupin soou ainda mais firme, mas num sussurro discreto quando Lily fez menção de responder – Chega desta cena. Ou vocês dois esfriam a cabeça ou vão resolver isso em particular! Ninguém aqui precisa acompanhar esta briga, ok?
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por Hyacinth Westphal em Sex Maio 27, 2016 2:32 pm

Georgina se aproveitou do braço estendido do colega para empurrar uma pilha de livros para as mãos dele. Aquele gesto deixava bem claro que a garota levaria aquela punição a sério e não ficaria satisfeita com um simples pedido de desculpas, por mais sincero que fosse. A brincadeira de Sirius havia lhe provocado um intenso sofrimento e Grimstone tinha certeza que o colega merecia um castigo por tamanha irresponsabilidade.

- Poupe-me dos seus elogios, Black. Eu definitivamente não sou o tipo de garota sem cérebro que se derrete pelos seus sorrisos. Concentre-se no seu novo trabalho, é o melhor que você pode fazer...

Era notável como o clima no Salão Comunal estava mais leve depois que tudo foi esclarecido. Os colegas estavam aliviados em saber que ninguém seria expulso e, no fim das contas, a punição recebida por Sirius parecia justa diante da gravidade do erro cometido por ele. Chegava a ser divertido imaginar o sempre tão desleixado Sirius Black tendo que se comportar como um aluno exemplar.

- Leve os meus livros de volta ao meu dormitório. Você vai alinhá-los na prateleira de acordo com cada tema e em ordem alfabética de título e autor. Tem mais livros neste segundo malão, então imagino que você terá serviço pelas próximas horas. – um sorrisinho falso surgiu nos lábios da morena – Portanto, te darei um prazo maior para me entregar um resumo completo dos três últimos capítulos de História da Magia. Eu deveria ter lido ontem, mas por sua culpa não tive concentração para adiantar a matéria. Quero este resumo bem feito nas minhas mãos até as cinco da tarde. Depois disso, você vai me ajudar em Aritmancia.

A escolha das disciplinas não foi por acaso. Georgina realmente queria torturar o colega e o obrigaria a trabalhar com as matérias mais teóricas e maçantes. Para Sirius não seria tão ruim praticar Feitiços, Transfigurações ou DCAT, que eram as matérias nas quais ele se saía bem até sem estudar tanto. Mas seria desesperador perder um dia inteiro com História da Magia e com a avalanche de números da Aritmancia.

- Caso você ainda tenha fôlego e queira adiantar alguma coisa, amanhã nós vamos colocar em dia a matéria de Runas Antigas.

Ignorando a expressão raivosa do colega, Georgina deu as costas a ele e seguiu com as amigas para o Salão Principal. Agora que tudo estava esclarecido, o estômago de Grimstone reclamava a ausência do café da manhã e do jantar da última noite. E, sem dúvida, as panquecas daquele dia viriam temperadas com o doce sabor da vingança.

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Nos dias seguintes, Georgina deixou bem claro que Sirius teria longos meses de castigo pela frente. A garota era incansável quando o assunto era estudar e exigia de seu “assistente” a mesma determinação. Naqueles poucos dias de punição, Black certamente já tinha estudado mais do que nos últimos seis anos. A única folga que Georgina dera ao seu “elfo intelectual” fora no dia do jogo entre Sonserina e Grifinória. Embora não ligasse nem um pouco para quadribol, a rivalidade contra as cobras era grande demais para que Grimstone deixasse os colegas desfalcados.

A garota geralmente se aproveitava da biblioteca vazia para estudar durante as partidas, mas naquela manhã decidiu se juntar aos colegas nas arquibancadas. Georgina não se arrependeu daquela decisão quando teve a chance de ver Annabeth entrando no jogo e mostrando para todos a habilidade que poucos conheciam. O jogo sujo da Sonserina era nojento de se ver, mas isso só tornava a vitória da Grifinória ainda mais emocionante.

Com um livro de Herbologia aberto no colo, Georgina só ergueu a cabeça quando a festa dos colegas anunciou que o time da Grifinória estava de volta ao salão. A notícia de que Katharine estava bem aumentou ainda mais a animação de todos e, diante de tanta euforia, Grimstone se convenceu de que não conseguiria terminar a leitura e deixou o estudo de lado.

- Você foi maravilhosa! – Ginny abraçou a irmã caçula com um sincero sorriso nos lábios – Mas eu não fiquei tão impressionada quanto os outros. Eu já sabia que veria um espetáculo quando você pisou no campo.

O clima leve da festa evaporou no instante em que Lily e James começaram a discutir diante de todos. Os olhos esverdeados de Georgina se arregalaram e era notável que os demais colegas sentiam o mesmo constrangimento que ela. Era claramente uma briguinha de namorados que estava acontecendo diante de uma grande plateia.

Quando Potter mencionou a situação entre Georgina e Sirius, a garota sentiu as bochechas esquentarem. Seus olhos procuraram por Black de forma envergonhada, mais pela ceninha dos colegas do que propriamente pela situação dos dois. Por sorte, Remus logo interferiu e colocou um ponto final naquela discussão, mas o clima da festa já havia sido arruinado.

Um silêncio pesado se espalhou pelo Salão Comunal enquanto Lily subia as escadas para o dormitório feminino com passos pesados. As palavras de Lupin foram sussurradas, mas o silêncio permitiu que sua voz irritada atingisse os colegas mais próximos.

- O que deu em você, Prongs? Depois de anos de esforço, você conseguiu estragar tudo em poucos segundos!

- Talvez o meu maior erro foi ter me esforçado tanto, Moony.

Antes que o lobisomem pudesse digerir aquela declaração inesperada, Potter também girou sobre os calcanhares e seguiu na direção do dormitório que dividia com os amigos. Embora reconhecesse que havia exagerado um pouco naquela discussão, James não se sentia arrependido ou atormentado com a possibilidade de ter perdido a sua valiosa chance com Lily.

De braços cruzados e ainda com as bochechas coradas depois daquela cena, Georgina já estava arrependida de ter interrompido a sua leitura. Sem dúvida, teria sido muito mais produtivo adiantar a matéria de Herbologia ao invés de assistir a briga dos colegas. Mais uma vez, os olhos castanho-esverdeados buscaram por Black. O burburinho que se espalhava pelo salão fez com que apenas Sirius escutasse a voz de Grimstone.

- Pode deixar isso aí...

Ginny se referia ao pesado livro de Aritmancia que o colega folheava. O resumo de dois capítulos tinha que estar pronto na manhã seguinte.

- Eu mesma termino de ler. É óbvio que o Potter precisa de você agora. Eu também vou subir para falar com a Lily e tentar reduzir a dimensão deste estrago, mas diga ao seu amigo que ele é um retardado.
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por Damien Scott em Sex Maio 27, 2016 4:32 pm

Sirius se sentia exausto. Depois de quase sete anos acompanhando de longe a rotina pesada de Georgina, agora ele conseguia sentir na pele como a colega era fissurada nos estudos. Não havia momento em seu dia para que ele pudesse relaxar, e o mais impressionante era que Grimstone seguia hora após hora com naturalidade e energia, como se estivesse jogando uma partida de snap explosivins.

Os dias puxados, somados com a pesada partida de Quadribol, fazia com que todo o corpo de Black estivesse dolorido. Ele tinha certeza que no instante em que pudesse se deitar, entraria em um sono profundo. Sem disposição nem mesmo para comemorar, Sirius conseguiu se concentrar no que acontecia a sua volta apenas quando Lily e James começaram a protagonizar a cena da briga.

Os olhos cinzentos estavam arregalados em surpresa enquanto ele tentava descobrir o que o melhor amigo estava fazendo. Por ter perdido longas horas de sua vida ouvindo Potter sonhar com Lily, era inacreditável aquela explosão tão repentina em que o melhor amigo colocava em risco tudo que havia conquistado com a ruiva.

Sua surpresa só se tornou ainda mais evidente quando Georgina lhe dispensou da noite já previamente combinada de estudos para que ele pudesse seguir o caminho de James. Tão acostumado a enxergar a morena como uma suga-livros irritante, Sirius nunca havia reparado antes aquele lado amigável.

Talvez, por se sentir uma vítima de tortura nos últimos dias, havia se tornado ainda mais difícil enxergar Georgina como um ser humano e muito mais similar a um carrasco.

Sirius arqueou as sobrancelhas enquanto estudava o rosto de Grimstone. Pela primeira vez desde a noite da confusão com a expulsão, ele foi capaz de enxergar uma menina por trás dos olhos castanhos.

Seus lábios se curvaram em um sorriso de lado, tão diferente do arrogante e superior que ele costumava disparar acompanhado de comentários maldosos. Era quase um sorriso de agradecimento mudo enquanto ele acenava a cabeça.

Ele esticou a mão até tocar o joelho de Georgina, a princípio em um gesto banal, que se transformou em uma breve carícia quando seu polegar deslizou sobre o tecido da roupa dela.

- Tente não deixar a ruiva te ocupar a noite inteira, está bem? Você precisa revisar minhas anotações sobre a Guerra dos Duendes amanhã, no primeiro horário.

Sirius se levantou e, tomado por um impulso, deslizou os dedos nos cabelos castanhos, recuando em seguida. Como se quisesse minimizar aquele gesto repentino, ele acrescentou.

- Você já é insuportável naturalmente, Grimstone. Não precisamos incluir uma noite mal dormida para piorar o seu humor, certo?

Com o largo sorriso de provocação nos lábios, Sirius seguiu o caminho de Potter até os dormitórios. No instante em que a figura do melhor amigo entrou em seu campo de visão, o semblante de Black se tornou mais sério e ele se sentou na beirada da cama, unindo suas mãos.

- Então? Que merda foi aquela? Achei que tivéssemos motivos para comemorar, mas parece que um trasgo com diarreia sentou em você, Prongs. Devo começar a anotar seus dias difíceis no calendário, como faço com o Moony?
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por Hyacinth Westphal em Sex Maio 27, 2016 5:53 pm

- Ele se exaltou, mas tente enxergar as coisas com os olhos míopes dele, Lily... O Potter está vivendo sob uma grande pressão. Último ano em Hogwarts, os NIEMs se aproximando... E ele vai precisar de notas altíssimas para ser aceito como auror. Além de tudo isso, ainda é o capitão do time, viu uma colega se machucar durante a partida, teve que mexer no time no meio de um jogo. Não há bom humor que resista a tantos obstáculos.

Normalmente, Georgina não perderia seu precioso tempo defendendo Sirius ou James. Mas, naquela noite, ela fazia isso por Lily. Não era preciso ser muito inteligente para perceber que a ruiva sempre gostara de Potter e estava arrasada depois daquela discussão.

- É claro que isso não muda o fato do Potter ser um demente, mas enfim... Ele vai esfriar a cabeça e vai te pedir desculpas. Eu acho que você deveria desculpar, obviamente depois de maltratá-lo um pouco.

- Eu queria ter a mesma racionalidade que você, Ginny. Tenho certeza de que você não ficaria abalada se o Noel se comportasse assim.

- Não é a mesma coisa...

Grimstone não concluiu o raciocínio e deixou a explicação morrer ali. Mas intimamente ela sabia bem o que queria dizer. Era tolice comparar o seu relacionamento com Noel com a relação de Lily e James. Georgina adorava a companhia do ex-colega da Corvinal, admirava as qualidades de Noel e tinha muito em comum com ele. Mas não havia nem mesmo uma gotinha de paixão naquele “namoro”. Se Noel surtasse e a ofendesse, Ginny simplesmente pegaria as horas que dedicava a ele para encaixar alguma matéria em que estivesse mais atrasada.

Se por um lado era um grande consolo manter os pés no chão durante aquele relacionamento, por outro lado Georgina sentia um fiozinho de inveja da amiga. Aos olhos da Grimstone mais velha, ela estava condenada a nunca sentir as emoções – boas ou ruins – de estar verdadeiramente apaixonada por alguém.

Quando se deitou naquela noite, Georgina ainda estava imersa em pensamentos sobre o relacionamento iniciado com Noel McFly. Ainda não era oficialmente um namoro, mas desde o encontro em Hogsmeade os dois trocavam cartas diárias. Enquanto Ginny escrevia bastante sobre sua planilha de estudos e a preparação para os NIEMs, o rapaz respondia contando as novidades sobre seu novo emprego. A maior diferença entre as duas cartas era que Noel sempre incluía a garota em seu futuro, mencionava passeios que fariam quando Georgina concluísse Hogwarts, citava pessoas que gostaria que ela conhecesse.

Grimstone sentia um pouco de culpa por não estar tão envolvida quanto Noel e seu consolo costumava ser o pensamento de que seus pais eram felizes. Assim como Noel, o Sr. Grimstone era uma pessoa mais sociável e possuía uma vida agitada graças ao quadribol. E a Sra. Grimstone, assim como a filha mais velha, era a personificação da racionalidade.

Como se quisesse se torturar ainda mais, a mente de Georgina logo reproduziu lembranças que provavam que ela estava errada ao comparar as duas situações. Seus pais tinham personalidades absurdamente diferentes, mas era óbvio que não tinham se unido num casamento sem amor.

Elliot era a única pessoa do universo capaz de fazer a esposa sair da linha. Ao lado do marido, Esther se tornava uma mulher mais leve e risonha. Georgina e Annabeth tinham crescido vendo um brilho apaixonado nos olhos dos pais e presenciando gestos de carinhos e beijos apaixonados pelos cantos da casa. Definitivamente, as borboletas ausentes no estômago de Georgina se faziam presentes quando Esther e Elliot estavam juntos.

A ideia de que era uma pessoa incapaz de se apaixonar foi o bastante para fazer com que Georgina se levantasse da cama com o humor abalado naquela manhã. A garota estava tão imersa nos próprios pensamentos que só se lembrou de que havia marcado de estudar com Black quando o colega sentou-se ao lado dela.

A biblioteca estava deserta naquela manhã de sábado, visto que a maioria dos alunos continuava na cama ou tinha programas mais divertidos do que estudar. A solidão parecia irresistível demais. Nem mesmo torturar Sirius seria tão agradável quanto a paz de uma biblioteca vazia.

- Está dispensado hoje. – Ginny puxou o resumo que o rapaz trazia nas mãos – Nem preciso ler para saber que vou encontrar um milhão de erros, então esteja preparado para fazer modificações. Mas amanhã.

Por mais que a máscara de indiferença escondesse bem os verdadeiros sentimentos de Georgina, um bom observador notaria que a morena estava um tanto melancólica naquela manhã.

- Vá aproveitar seu dia com seus amigos dementes, jogando quadribol, trancando-se em armários de vassouras com qualquer ser que use saias... Enfim, divirta-se com o que gosta de fazer, Black.
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Hyacinth Westphal

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