Quidditch World Cup

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Quidditch World Cup

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Maio 14, 2016 5:32 pm

Não era comum que Setembro chegasse com temperaturas tão elevadas. Annabeth Grimstone estava acostumada a ventos mais frescos naquela época do ano, ainda mais quando já estava rodeada pelas montanhas que cercavam Hogwarts. Ainda assim, o verão daquele ano havia sido não apenas o mais quente da última década, como também o mais longo.

Ainda eram as primeiras horas do dia e o Salão Principal começava a se amontoar com os alunos famintos pelo café da manhã, mas a sextanista grifinória já havia devorado uma generosa porção de ovos e torradas e já havia deixado seu lugar à mesa para caminhar até o Campo de Quadribol.

Do lado de fora do castelo, o sol brilhava com tamanha intensidade que Annabeth precisava estreitar os olhos. Apesar do calor, ela estava devidamente equipada com o uniforme de quadribol e carregava a vassoura em seus dedos com convicção. E mesmo com a temperatura elevada, a caçula dos Grimstone estava se sentindo grata pela ausência do vento. Era muito mais fácil manusear a goles sem se preocupar com as curvas que o vento lhe obrigaria a fazer.

Com um talento herdado de família, Annabeth teria muito mais facilidade do que qualquer outro grifinório para dominar a goles mesmo sob uma tempestade. A filha caçula de Elliot Grimstone era tão apaixonada por Quadribol quanto o pai, conquistador de uma admirável coleção de Taças de Quadribol. Não havia um único admirador do esporte que não conhecesse o sobrenome de um dos melhores apanhadores da Seleção Inglesa.

Apesar da paixão e do talento óbvio, Annabeth não se sentia tão segura em campo quanto o pai. Mesmo com o sonho de tornar o esporte seu objetivo de vida, a menina acreditava que jamais chegaria aos pés da competência do pai em campo e provavelmente envergonharia o sobrenome e a fama conquistada por Elliot.

Aquela manhã seria a primeira grande prova que a menina enfrentaria. Se fracassasse em um simples teste do time da escola, jamais teria a chance de seguir os passos do Sr. Grimstone, de modo que a pressão se tornava ainda maior.

Quando Annabeth alcançou o campo de quadribol, o gramado já estava colorido com as cores vermelho e dourado de uma dúzia de grifinórios com o mesmo objetivo. Inconscientemente, a menina puxou o ar com força e corrigiu a postura, tentando passar uma segurança que ela não sentia.

Há três anos, Grimstone esperava pela vaga de artilheira no time da casa. Embora fosse a posição mais fácil de se conquistar, já que o time precisava de três artilheiros, era a primeira vez que Annabeth tinha a oportunidade.

Além de uma posição de artilheiro, o time da Grifinória também havia ficado desfalcado em um batedor e no goleiro, quando Gregory Smith e Taylor O’Donnel haviam se formado no ano anterior.

Os grandes olhos azuis de Annabeth deslizaram pelos presentes, reconhecendo cada um dos rostos. Havia um terceiranista magricelo que, pelas grossas luvas que usava, parecia estar ali pela vaga de goleiro. Eram poucas as meninas presentes, mas Anna imediatamente cumprimentou uma das artilheiras oficiais, que estava no último ano.

Sirius Black era o último batedor que havia restado e carregava o bastão por cima do ombro, de maneira relaxada, analisando os presentes como se já estivesse avaliando quem melhor se encaixaria para ser sua dupla. Os olhos cinzentos apenas se desviaram para Annabeth por um instante, se fixando na vassoura da menina em seguida.

- Uma Cleansweep? Achei que não estivesse sendo comercializada ainda.

Um discreto sorriso surgiu no canto dos lábios de Annabeth e ela também admirou a própria vassoura.

- Não está. Foi um presente do meu pai.

- Heey, isso não vale!

A vozinha esganiçada de um quintanista soou, contradizendo ao brilho dos olhos castanhos ao admirar a vassoura nos dedos de Annabeth.

- Quem disse que não? – A grifinória estreitou os olhos, em defesa. – Não está em nenhum regulamento da escola. Não tenho culpa se só o que você consegue ter é uma Shooting Star, Ryley.

- Mas você precisa concordar que não é exatamente justo... – Sirius Black continuava encarando a vassoura com admiração, em uma luta interna entre desejo e senso de justiça com os demais colegas que não tinham a mesma oportunidade. – O que acha, Prongs?
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por Hyacinth Westphal em Sab Maio 14, 2016 6:42 pm

A filha mais velha do famoso apanhador Elliot Grimstone nunca teve a menor pretensão de seguir os passos do pai e construir uma carreira de sucesso no quadribol. Desde muito pequena, Georgina já demonstrava um grande desinteresse pelo esporte. É óbvio que a garota acompanhava as notícias sobre as vitórias do pai e aprendeu naturalmente todas as regras e praticamente toda a história do quadribol, mas a relação de Georgina com o esporte não foi além disso.

Por outro lado, a primogênita era o orgulho da mãe. Contrariando todas as expectativas, Elliot não havia se casado com uma fã enlouquecida ou com alguma colega de time. A Sra. Grimstone era uma respeitável funcionária do alto escalão do Ministério da Magia e havia alcançado aquele cargo depois de muito esforço e graças a sua inquestionável capacidade em magia. E era neste exemplo que Georgina mirava, era este o futuro que a setimanista da Grifinória queria para si.

Portanto, aquele era o ano mais decisivo da vida de Georgina. Se ela falhasse em qualquer uma das provas dos NIEM’s, todos os seus planos se escoariam pelo ralo. A garota sempre fora extremamente estudiosa e esforçada, mas desde que pisara em Hogwarts para cursar seu último ano no castelo, Georgina estava profundamente focada nos estudos. Somente notas altíssimas em todas as disciplinas dariam a ela a chance de seguir os caminhos da Sra. Grimstone.

Naquela manhã, a biblioteca parecia uma opção extremamente tentadora para as próximas horas livres. O dia estava absurdamente quente, mas Georgina já conhecia cada canto da biblioteca e saberia selecionar uma mesinha que recebesse alguma corrente de ar de uma das janelas. Entretanto, aquela agradável opção teve que ser abandonada quando os olhos castanho-esverdeados acompanharam os colegas da Grifinória seguindo na direção do campo de quadribol.

Era o esperado dia dos testes que selecionariam o novo time da casa. A equipe da Grifinória era facilmente a melhor de Hogwarts e havia ganhado a taça nos quatro anos anteriores. Mas três jogadores com titularidade absoluta haviam se formado no último ano, o que deixava o time seriamente desfalcado e dava esperança aos adversários. Como capitão, James Potter tinha a difícil missão de selecionar substitutos de qualidade que não comprometessem o nível da equipe.

Embora o interesse de Georgina no time da Grifinória fosse nulo naquele ano de NIEM’s, a garota sabia que Annabeth batalharia por uma das vagas de artilheira. Exatamente por saber o quanto aquilo era importante para a caçula, Georgina se misturou à massa de uniformes vermelhos e dourados e enfrentou o sol quente daquela manhã para prestigiar o teste da irmã.

O quadribol era um dos pontos mais fortes da Grifinória, então já era de se esperar que vários alunos fizessem a inscrição para o teste e praticamente todo o resto da casa estivesse no campo como expectadores de um grande espetáculo. Quando se sentou num dos níveis mais altos das arquibancadas, Georgina contou mentalmente as cabeças em campo e seus lábios se contraíram em uma careta contrariada. Annabeth era excelente, mas não poderia cometer erros se quisesse a única vaga de artilheiro desejada por tantos colegas.

- Não imaginei que encontraria você aqui esta manhã...

A voz suave trouxe Georgina de volta à realidade e a cabeça dela se virou na direção do rapaz sentado ao seu lado. Seus lábios se curvaram num sorriso simpático, mas Grimstone não deixou de perceber como Lupin estava abatido.

Aliás, ela já havia notado que o amigo adquiria aquele ar doentio com uma frequência anormalmente grande. Fora fácil somar isso às ausências de Remus em certos dias do mês. A verdade que Georgina nunca ousara confirmar era assustadora, mas nem isso fez com que ela se afastasse do amigo. Lupin era uma companhia excelente e não tinha culpa por sofrer com aquela maldição. Quando ele estivesse pronto para confessar a verdade, certamente se surpreenderia com a naturalidade com que a colega receberia a notícia.

- A Anna vai participar dos testes, eu prometi que estaria aqui para apoiá-la.

- É mesmo? – Remus dirigiu um olhar divertido ao grosso livro de Runas Antigas que Georgina havia aberto sobre as pernas.

- Eu prometi que apoiaria a Anna, e não que perderia uma manhã inteira assistindo quadribol! – Georgina se defendeu prontamente – Pela espada de Godric, isso vai demorar muito, Remus! Tem pelo menos vinte concorrentes lá embaixo.

- Foram vinte e oito inscritos, segundo o James. – Lupin corrigiu a colega – Um novo recorde. E infelizmente as notícias não são boas para a Annabeth, a maioria dos concorrentes quer a vaga de artilheiro.

- A Anna vai conseguir, ela é excelente! – a primogênita afirmou com convicção – Ela só não entrou no time antes por falta de oportunidade.

Como nunca havia visto a Grimstone caçula jogar, Lupin não compartilhava da mesma certeza da amiga. É claro que aquele sobrenome pesava na escolha do novo artilheiro, mas Remus estava certo de que Potter não se deixaria levar pela fama do pai da moça. Era o futuro do time da Grifinória que estava em jogo, afinal. Annabeth teria que se mostrar merecedora para conseguir aquela vaga.

- Será difícil organizar toda essa gente... – Remus comentou casualmente enquanto olhava a movimentação no campo de quadribol.

- Me chame quando for a vez da Anna, sim?

Ignorando completamente o clima de agitação ao seu redor, Georgina voltou os olhos esverdeados para o livro aberto em seu colo. Hogwarts havia recebido novamente os alunos há um mês, mas a filha mais velha dos Grimstone já estava no décimo quinto capítulo do livro de Runas Antigas: Lições avançadas em hieróglifos.

- Só vamos chegar a este ponto da matéria daqui a uns quatro ou cinco meses, Georgina.

- Ótimo. É exatamente o tempo que eu preciso para estudar todo o conteúdo da disciplina antes de começar a revisar. Agora fique quieto, eu preciso me concentrar aqui. Hieróglifos são complicados na mesma intensidade em que são fantásticos, você não acha?

A risadinha anasalada de Remus respondeu por ele. Definitivamente, o lobisomem não concordava que hieróglifos fossem mais interessantes que uma manhã inteira de testes para o time de quadribol.
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por Damien Scott em Sab Maio 14, 2016 7:27 pm

Enquanto os alunos se esbarravam, ansiosos com a oportunidade de uma vaga no time de quadribol da Grifinória, os olhos cinzentos de Sirius Black passeavam pelos rostos conhecidos, preso em seus próprios pensamentos.

Era impossível não sentir uma pontada de inveja dos colegas. Aquele era seu último ano em Hogwarts, e por mais que fosse inevitável, Sirius ainda não se sentia preparado para deixar o único lugar que ele realmente poderia chamar de lar definitivamente para trás.

Nem mesmo deixar a mansão Black para trás havia sido tão difícil quanto imaginar nunca mais entrar no Expresso, a caminho de Hogwarts, e enfrentar um ano inteiro entre aulas tediosas e risadas entre os melhores amigos. Embora soubesse que nada faria os três inseparáveis amigos se afastarem, Black tinha certeza que sua vida nunca mais seria a mesma.

Como de o destino quisesse enfatizar seus pensamentos, o olhar do grifinório foi atraído até as arquibancadas, onde Remus Lupin e Georgina Grimstone estavam sentados. Instintivamente, Black estreitou o olhar na direção da menina. Se havia alguma coisa em Hogwarts que ele não sentiria falta, seria a colega de casa.

Sirius Black era conhecido por ter uma personalidade relaxada, sempre com um sorriso maroto nos lábios, como se fosse dono de tudo ao seu redor. Ao mesmo tempo, qualquer um também sabia de seu lado mais explosivo. Na maioria das vezes, sua ira era despertada quando sentia algum dos amigos ameaçados. O setimanista da grifinória jamais mediria esforços para defender um dos amigos, fosse por algo extremamente bobo ou uma ofensa imensamente grave.

Apenas Georgina Grimstone tinha a habilidade de despertar sua fúria sem envolver nenhum de seus amigos. Black sabia que seu problema com Georgina era em uma proporção completamente diferente e direta. Aos olhos de Sirius, a morena se sentia a dona da razão, uma sabichona irritante, tão fissurada em livros e regras que não se preocupava se a Grifinória perdesse pontos, desde que todos ao seu redor estivessem estritamente na linha.

Era uma surpresa que a menina estivesse no campo de quadribol naquela manhã, mas a chegada da Grimstone caçula justificava sua presença.

- Anna está certa, não há regra nenhuma que impeça ela de jogar com a nova vassoura. – Katharine Lowson era a artilheira mais antiga do time e havia sido selecionada no mesmo teste que Sirius Black e James Potter, anos antes.

- Acho justo julgá-la em campo. – Sirius encolheu os ombros, se obrigando a desviar o olhar da Grimstone das arquibancadas para a que estava em campo. – Apenas tenha certeza de que irá ter uma boa performance. Será extremamente vergonhoso se humilhar em campo com uma vassoura dessas.
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por James Potter em Sab Maio 14, 2016 7:55 pm

Ironicamente, o quadribol era uma das únicas coisas que James Potter levava a sério na vida. O rapaz tinha sempre uma postura displicente nas aulas, protagonizava as brincadeiras mais folclóricas da história de Hogwarts e coincidentemente estava presente na maioria das confusões ocorridas no castelo. Mas, quando pisava no campo de quadribol, Potter assumia uma postura séria de liderança que o levara ao posto de capitão do time. As vitórias da equipe da Grifinória eram fruto das habilidades de todos os jogadores, mas o papel de James como apanhador e como capitão era inquestionável e contribuía enormemente para o desempenho de todo o time.

Era triste para Potter pensar que aquele seria o seu último ano em Hogwarts, mas ao mesmo tempo este era um incentivo para que o rapaz se esforçasse para selar a sua participação no time da Grifinória com mais uma vitória. Os desfalques daquela temporada eram preocupantes, mas James estava certo de que conseguiria selecionar bons substitutos.

Candidatos não faltariam. Vários colegas tinham preenchido as fichas de inscrição para os testes e compareceram ao campo de quadribol naquela manhã. Era evidente que muitos que estavam ali não tinham a menor chance de entrarem no time, mas Potter obviamente não impediria que ninguém tentasse.

O capitão da equipe já estava em campo quando os candidatos e a plateia começaram a chegar. James Potter jamais alcançaria a popularidade que o melhor amigo tinha com o público feminino, mas o quadribol tinha o poder de atrair mais a atenção das garotas para ele. Além da postura de liderança alcançada com o título de capitão, o uniforme esportivo caía bem em James. As calças claras recebiam o contraste das botas e das joelheiras pretas, feitas com couro de dragão. A camisa vermelha com detalhes em dourado era mais justa ao corpo e revelava algumas das formas que as outras roupas costumavam esconder. Normalmente os jogadores usavam uma capa com o brasão da Grifinória por cima da blusa, mas o calor e a informalidade do jogo permitiram que Potter deixasse aquela peça no armário naquela manhã.

Como líder da equipe, James tentava ser o mais imparcial possível naquele dia decisivo. Mas foi difícil disfarçar o interesse ao ver Annabeth Grimstone se aproximar. Aquele sobrenome provocava um gostoso arrepio em Potter e em qualquer um que fosse apaixonado por quadribol. Até mesmo os rivais da Inglaterra admitiam que Elliot Grimstone fora um dos melhores apanhadores de todos os tempos.

Era com ansiedade que Potter esperava para ver o desempenho de Annabeth desde que recebera a ficha de inscrição da garota. Se ela demonstrasse em campo um por centro da habilidade do pai, a vaga de artilheiro seria dada a ela.

Contudo, ao invés de assistir a um espetáculo, Potter teve que enfrentar o primeiro problema daquela manhã graças à presença de Grimstone e sua vassoura de última geração. Foi difícil esconder a admiração por aquele modelo que ainda nem chegara ao mercado, mas James se esforçou para assumir o papel de um capitão sensato e justo.

Em menos de dez segundos a confusão estava formada. Vários colegas ficaram do lado de Annabeth e reforçaram que não havia nada nas regras que impediam que a garota usasse aquela vassoura nos testes. Mas a maciça maioria dos concorrentes à vaga de artilheiro começaram a bradar sobre como seria injusto disputar a posição contra uma Cleansweep.

Como capitão, coube a Potter o papel de colocar um fim naquela discussão e dar o veredicto final sobre a vassoura de Grimstone. James conseguiu o silêncio que precisava depois de soprar um apito. Katharine Lowson estreitou os olhos e massageou os ouvidos que formigavam depois que seus tímpanos quase estouraram com o assobio agudo do apito do capitão.

- Silêêêênciooooo! – Potter imitou a voz de Dumbledore com tanta fidelidade que arrancou algumas risadas, mas o capitão logo reassumiu um ar mais sério – Como vocês reforçaram, não há nada nas regras sobre as marcas das vassouras que podem ser usadas na competição.

Alguns candidatos à vaga de artilheiro recomeçaram com as reclamações, mas se calaram quando James ameaçou colocar o apito na boca de novo.

- Aliás, Grimstone... – o capitão continuou sem mudar a entonação firme da voz – Receba os meus cumprimentos. A vassoura é realmente muito foda e eu me ofereço para segurá-la para você enquanto você vai até o vestiário buscar uma das vassouras reservas.

Antes que Annabeth ou qualquer um dos colegas que estavam do lado da garota pudessem reclamar daquela decisão, James completou.

- As regras servem para os jogos. Isto é um teste e eu estou aqui para julgar quem são os melhores, e não quem pode trazer a melhor vassoura. Se a Grimstone se sair bem em uma competição justa, ela poderá usar a vassoura nova nos jogos oficiais do time.

- Não é justo impedir a Anna de usar a vassoura dela! – Katharine foi a primeira a se manifestar a favor da colega – Você sabe muito bem que uma vassoura não faz milagres, James! Todo o time da Sonserina tem vassouras de última geração e nunca ganharam um jogo contra o nosso time!

- Se a vassoura não é importante, eu tenho certeza de que a Grimstone não vai se importar em fazer o teste usando uma das vassouras reservas do vestiário. – o capitão ajeitou os óculos antes de fixar as íris castanhas em Annabeth – É a minha última palavra. Vai querer fazer o teste ou não?
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Maio 14, 2016 8:23 pm

Qualquer um que não estivesse emocionalmente envolvido poderia facilmente dizer que a decisão de Potter havia sido a mais sensata possível. Seria justo com todos os colegas que disputavam por aquela vaga e ainda permitiria que Annabeth usasse a vassoura que quisesse caso entrasse para o time.

Ainda assim, a decisão não foi muito bem recebida pela Grimstone caçula. Os olhos extremamente azuis de Annabeth se estreitaram na direção do capitão do time e por um segundo ela vacilou.

Embora o Quadribol fosse sua paixão e tivesse certeza de seus excelentes movimentos nos jogos informais que brincava durante as férias, era a primeira vez que jogaria no campo da escola, diante de todos. A nova vassoura presenteada pelo pai era a única coisa que lhe trazia alguma confiança, e Potter havia acabado de lhe arrancar.

A grifinória respirou fundo e fechou os olhos por um segundo antes de esticar a vassoura na direção de Potter. Aquele desafio acabara de se tornar ainda mais complicado e Annabeth precisaria ter o dobro do trabalho para conquistar a vaga desejada, mas ainda não era o momento de desistir.

- Como preferir, Potter. Apenas espero que as vassouras reservas ainda estejam inteiras.

O tempo que Annabeth levou para ir e voltar do vestiário, trazendo consigo uma velha e gasta vassoura, o primeiro jogo já havia começado. O terceiranista estava na posição do goleiro e, misturado aos jogadores oficiais, também voavam dois candidatos a vaga de artilheiro e mais um batedor, lado a lado de Sirius Black.

Como não havia vaga para apanhador, o pequeno pomo-de-ouro havia permanecido guardado delicadamente na caixa, permitindo que o capitão do time sobrevoasse o campo apenas observando o desempenho de cada um.

Annabeth sentia o coração acelerado e a ansiedade se espalhando pelo seu peito enquanto admirava o belo desempenho de um dos alunos que concorria a vaga de artilheiro. Para piorar o seu mau estar, a vassoura em suas mãos estava em péssimas condições e seria uma sorte que Grimstone conseguisse sobrevoar alguns metros acima do chão.

Enquanto aguardava pela sua vez, a menina lançou um olhar na direção das arquibancadas e se permitiu sorrir ao encontrar a figura da irmã, debruçada sobre os livros. Annabeth ainda encarava Georgina quando um borrão passou pelos seus olhos.

As íris azuis se arregalaram e Annabeth abriu a boca quando viu o balaço voar na direção de Georgina e Remus.

- O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO??? VOCÊ PRECISA MIRAR DENTRO DO CAMPO!

Embora fosse a única menina do time, Kaharine berrava tão ferozmente quanto qualquer rapaz, e assim como todos que estavam em campo, ela estava horrorizada com a péssima pontaria do quintanista que havia acertado o balaço na direção da arquibancada.

Um novo borrão passou diante dos olhos de Annabeth e, há poucos metros de acertar Lupin e a Grimstone mais velha, Black acertou o balaço em cheio, obrigando-o a mudar a direção.
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por Hyacinth Westphal em Sab Maio 14, 2016 8:50 pm

Das arquibancadas, Georgina acompanhou a longa discussão sobre a vassoura nova da irmã mais nova. É claro que ela ficaria ao lado de Annabeth naquela história, mas o lado racional da mente de Georgina precisava admitir que Potter e os concorrentes de Anna tinham uma parcela de razão. Não parecia muito justa uma disputa entre uma Cleansweep contra uma vassoura antiga que jamais atingiria a velocidade e o equilíbrio daquele último modelo.

Este raciocínio e a confiança que Georgina depositava na caçula impediram que ela comprasse aquela briga. A garota já havia visto Annabeth jogar várias vezes e tinha certeza de que a irmã conseguiria aquela vaga no time mesmo se usasse uma vassoura infantil que não ultrapassasse um metro de altura.

- Seu amigo é um idiota, Remus.

Já acostumado às incansáveis discussões entre Sirius e Georgina, Lupin olhou da moça para Black. O lobisomem se voltou novamente para Grimstone com um semblante confuso.

- O que o Sirius fez desta vez?

- Eu me referia ao Potter. Mas é claro que esta é uma crítica que sempre pode ser estendida para o Black. A simples existência do Black já faz dele um idiota. Eu ainda acho que um dia haverá uma votação para o cargo de rei dos imbecis e o Black será afastado das eleições por ultrapassar todos os limites impostos pelas regras.

Os olhos claros de Remus giraram e ele apertou os lábios para conter um sorriso irônico. Sirius e Georgina pareciam não enxergar que aquelas eternas discussões só revelavam o quanto os dois eram parecidos. Ambos possuíam personalidades firmes e não mediam esforços para conquistar seus ideais e para defender seus pontos de vista. A única diferença era Black era famoso por quebrar regulamentos e Grimstone era obcecada por seguir regras.

Como Annabeth não participaria do time naquele primeiro teste, Georgina aproveitou aqueles valiosos minutos para terminar a leitura de mais um capítulo do livro de Runas Antigas. A filha mais velha dos Grimstone estava tão profundamente concentrada na leitura que só percebeu que algo estava errado quando o grito furioso de Katharine ecoou por todo o campo de quadribol.

Georgina ergueu a cabeça ao mesmo tempo em que notou que Lupin se encolhia ao seu lado. Um arrepio de pavor se espalhou pela pele da morena quando ela entendeu que aquele borrão que vinha em alta velocidade em sua direção era um balaço. Ela e Remus seriam atingidos em uma questão de segundos, não havia tempo para qualquer tipo de reação. E a julgar pela alta velocidade da bola, o choque seria bastante doloroso e causaria um grande estrago.

O pesado livro de Runas Antigas escorregou pelas pernas de Georgina quando outro vulto maior se aproximou e a ponta da vassoura de Sirius encostou na capa do livro, desequilibrando-o para fora do colo da dona. O rosto dela se contraiu numa careta e ela já esperava pela pior dor de sua vida quando escutou o ruído oco do bastão arremessando o balaço pesado para a direção oposta.

O alívio de Lupin foi tão grande que o rapaz soltou um grunhido enquanto levava uma das mãos ao peito, como se quisesse acalmar as batidas descompassadas do coração com aquele gesto. A voz do lobisomem soou engasgada quando ele reconheceu o melhor amigo.

- Valeu, Padfoot! Será ótimo voltar para o castelo levando todos os meus dentes comigo.

- Eu não acredito! Isso não pode estar acontecendo comigo!!!

A voz chocada de Georgina atraiu a atenção de Remus para ela. O rapaz inicialmente não entendeu quando viu a amiga olhando para baixo, mas tudo ficou mais claro quando Lupin avistou o livro de Runas Antigas, que havia rolado pelas arquibancadas até cair num ponto enlameado do gramado. O estrago causado pela queda e pela lama era grande demais para ser revertido, mesmo por uma varinha habilidosa.

- Está tudo bem. – Remus tentou consolar a amiga – Você pode comprar outro livro, o que importa é que estamos bem, hm?

- EU NÃO POSSO COMPRAR OUTRO LIVRO PORQUE ERA UMA EDIÇÃO LIMITADA! – Georgina explodiu, colocando-se de pé – EU PERDI O MELHOR LIVRO DE RUNAS ANTIGAS DE TODOS OS TEMPOS POR SUA CULPA, BLACK!

Georgina tinha plena consciência de que os reflexos rápidos de Sirius tinham evitado que ela sofresse uma séria lesão naquela manhã. Mas a garota certamente optaria por alguns dentes quebrados e alguns dias na enfermaria se pudesse ter o valioso livro de volta. Sem ele, era como se o caminho até as notas perfeitas nos NIEM’s ficasse ainda mais longo e tortuoso.

- VOCÊ É UM IDIOTA, SIRIUS BLACK! O MAIOR DOS IDIOTAS!
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por Damien Scott em Sab Maio 14, 2016 9:18 pm

Era uma imensa sorte que Sirius Black fosse um jogador tão habilidoso. Cada um de seus movimentos havia sido decisivo para conseguir alcançar o balaço a tempo, impedindo um grande acidente naquela manhã. Ele havia agido puramente por instinto e sequer se deu conta que voava na direção da Grimstone mais velha, mas cada centímetro de seu corpo estava focado em arremessar o balaço para longe.

Quando finalmente concluiu seu objetivo, Black soltou o ar pesadamente, percebendo que seu corpo inteiro estava tenso e o coração acelerado com a adrenalina. No instante em que o perigo havia sido extinguido, Sirius se permitiu sorrir e encarou o melhor amigo, sentindo-se orgulhoso com o próprio desempenho.

- Disponha, Moody!

O sorriso de Black vacilou e ele arregalou os olhos diante da reação completamente inesperada de Georgina. A vassoura chegou a ser inclinada alguns centímetros para longe da colega e Sirius girou o pescoço ao redor, como se procurasse algo.

- O balaço te atingiu sem que eu percebesse? – Ele voltou a encará-la, estreitando os olhos. – Você só pode tá maluca, garota!!! Eu acabei de salvar a sua vida!

Sirius ergueu os braços, perdendo o equilíbrio por um segundo antes de voltar a postura perfeita.

- Quer saber? Eu acho que sou um idiota mesmo, devia ter deixado o balaço acertar a sua testa em cheio! Pelo menos o sangue ia disfarçar essas duas tarântulas que você chama de sobrancelha. Talvez até desse jeito nessa sua estupidez!

- Padfoot, não é para tanto!

Como estava acostumado a estar no meio do furacão Black-Grimstone, Remus se colocou de pé e esticou os braços, como se estivesse impedindo uma briga física entre os dois colegas.

- E Ginny, o Sirius meio que salvou a gente, de verdade... Acho que o mínimo que devemos é um obrigado, sim?

- Relaxa, Moony. Essa daí merecia mesmo um balaço para consertar essa cara feia. – Se voltando para o campo de quadribol, Black gritou. – HEY MONROE, POR QUE NÃO TENTA DE NOVO? VOU FICAR FORA DO SEU CAMINHO DESTA VEZ.

Monroe, que havia lançado o balaço para fora do campo, assim como sua oportunidade de participar do time, estava com os ombros encolhidos e se sentindo um grande fracasso. Sua única reação foi dar um sorriso amarelo na direção de Black.

A vassoura de Sirius foi mais uma vez movida até que ele estivesse de frente para Georgina. Um sorriso debochado se espalhou pelos seus lábios enquanto ele voltava a segurar o cabo de madeira com uma das mãos, mantendo o bastão firme na outra.

- Afinal, que tipo de criatura traz um livro de Runas para um campo de Quadribol? Faz um favor para todos nós, Grimstone... cai fora!
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por James Potter em Sab Maio 14, 2016 9:45 pm

Quando pensou que os problemas tinham sido solucionados no instante em que Annabeth concordou em usar uma vassoura reserva, James não imaginava que aquela manhã de testes lhe reservava mais emoções. O desempenho do candidato a batedor somado à explosão maluca da Grimstone mais velha levaram Potter a acertar a própria testa com um tapa. Certamente aquele estava longe de ser um dos melhores dias da vida do capitão.

- Pode descer. – o capitão se voltou para o colega desastrado enquanto Sirius e Georgina iniciavam mais uma daquelas brigas intermináveis.

- Mas James! – o quintanista estava profundamente envergonhado, mas ainda assim batalhava pela vaga – O bastão escorregou dos meus dedos, foi um acidente que não irá se repetir. Você não pode me tirar do teste por causa disso!

Um suspiro ruidoso escapou dos lábios de Potter e ele sacudiu as mãos de um jeito engraçado e impaciente.

- Eu já vi que vamos precisar de regras aqui. – o capitão ergueu o indicador – Regra número um: ninguém pode usar uma vassoura espetacular que ainda não existe no mercado. – James ergueu o segundo dedo – Regra número dois: está automaticamente desclassificado qualquer concorrente que de forma proposital ou acidental tentar arrancar a cabeça de um dos colegas. – três dedos foram estendidos – Regra número três: Sirius, você não tem autoridade para mandar ninguém de volta para o castelo, volte você para a sua posição! – um quarto dedo foi erguido – Regra número quatro, na minha opinião a mais importante: Kath, pare de gritar. Sua voz é mais estridente que o apito!

O dedo do meio de Katharine foi estendido na direção do capitão, que respondeu à “gentileza” com um sorrisinho maroto.

Como toda aquela confusão obrigou os grifinórios a pausarem o jogo, James aproveitou a oportunidade para fazer mudanças no time. Monroe foi obrigado a retornar ao solo e um aluno do sexto ano assumiu a posição de segundo batedor ao lado de Sirius Black.

James deixou claro que havia notado o bom desempenho de um dos candidatos a artilheiro quando deixou que o garoto permanecesse no ar e fez sinal somente para o outro menino que concorria à vaga.

- Você também pode descer, mas fique por perto, pode ser que eu te chame de novo. Grimstone, você assume o lugar dele. Kath pode cair para a esquerda e deixe a Grimstone como artilheira central. Você continua na direita, Ian, está fazendo um excelente trabalho aí!

O comentário de James foi profissional e inocente, mas talvez serviria para aumentar ainda mais o peso nos ombros de Annabeth. Todos sabiam que Katharine era a artilheira central há mais de três anos e não abriria mão daquela posição. O outro artilheiro titular geralmente ficava na esquerda e era justamente a vaga de artilheiro da ala direita que estava sendo disputada. Ian Bates estava jogando muito bem naquela posição e fora mantido no time. Era óbvio que o capitão começava a pensar em citar o nome dele ao fim daquela seleção.

- Agora, por favor, vamos todos nos concentrar no jogo! – os olhos castanhos deslizaram por todos os colegas já posicionados em seus respectivos lugares – A Grifinória vai ganhar mais uma taça este ano e eu pretendo chutar para fora do time qualquer um que tente nos tirar deste caminho!
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por Hyacinth Westphal em Sab Maio 14, 2016 10:43 pm

Ao contrário de mais da metade da população feminina de Hogwarts, Georgina Grimstone não suspirava por Sirius Black. Não havia absolutamente nada errado com a visão da setimanista da Grifinória e, portanto, ela precisava admitir para si mesma que o colega possuía uma beleza acima da média, que o sorriso de Sirius era atraente e que ele tinha uma voz gostosa e agradável. Mas, ao mesmo tempo, Georgina enxergava tantos defeitos no rapaz que era fácil resistir à tentação de se encantar por ele.

Black era a personificação de tudo o que Georgina tentava não ser. O péssimo comportamento do grifinório era lamentável e já havia feito os colegas de casa perderem valiosos pontos. Sirius era inteligente, mas suas notas nunca eram fantásticas porque o rapaz costumava gastar seu tempo com quadribol, com garotas ou aprontando com os amigos pelo castelo. A irresponsabilidade, as atitudes inconsequentes e aquele ar de superioridade faziam com que a filha mais velha de Elliot Grimstone nutrisse uma profunda antipatia pelo colega.

Apesar de não suportar Sirius, Georgina não conseguiu ser indiferente às críticas do colega. Black podia ser o maior dos idiotas, mas ainda era um rapaz. Nenhuma garota engoliria facilmente aquelas provocações e não foi diferente com Grimstone.

Tão logo o capitão do time colocou ordem em toda aquela confusão, Georgina voltou a se sentar na arquibancada e cruzou os braços. Ela não tinha a menor vontade de continuar ali, mas agora se obrigaria a ficar somente para contrariar a insinuação de Sirius de que ela deveria ir embora. E também porque agora Annabeth entraria no jogo e calaria a boca de todos tendo um desempenho perfeito mesmo com aquela vassoura velha.

Quando todas as atenções se voltaram novamente para a partida, Georgina ergueu um dos braços e deslizou o indicador discretamente nas sobrancelhas grossas. Não era a primeira vez que Sirius zombava daquele detalhe de sua aparência, mas a crítica era sempre recebida com um gosto amargo na boca. Por mais de uma vez, Grimstone pensou em ceder aos comentários e pinçar os fios, mas a ideia de que estava fazendo aquilo para agradar rapazes tolos como Sirius Black fazia com que Ginny desistisse da ideia.

Aliás, chamar a atenção de qualquer rapaz não fazia parte dos planos de Georgina para aquele último ano em Hogwarts. Seu histórico de relacionamentos no castelo era bastante restrito e se resumia a alguns poucos convites para passeios em Hogsmeade, mas nem isso Grimstone pensava em repetir naquele ano. Os meses seguintes eram decisivos e qualquer tropeço poderia tirá-la do caminho até um cargo alto no Ministério da Magia.

- Podemos tentar recuperar o livro... – Remus comentou baixinho, fitando a amiga com o canto dos olhos – Certamente não ficará perfeito como antes, mas podemos salvar alguns capítulos.

- Esquece, Remus. – a voz da moça soou numa entonação desanimada enquanto os olhos esverdeados lamentavam o estrago do livro – Eu vou dar um jeito.

- Você se exaltou, mas o Sirius também não deveria ter dito aquelas coisas.

Apenas este comentário fez Georgina perceber que seu indicador ainda alisava os fios das sobrancelhas grossas. O rosto da garota corou e ela afastou a mão rapidamente, mas é claro que Lupin já havia percebido aquele gesto.

- Eu tenho tantas preocupações importantes este ano, Remus... A opinião do seu amigo descerebrado tem para mim o mesmo valor de uma barata com as patas quebradas. Acho muito nojento, mas é insignificante e não pode me atingir.

O lobisomem preferiu não estender aquela conversa, mas para ele era óbvio que Georgina não era tão indiferente à opinião de Sirius. O que Remus achava mais intrigante em toda a história era o fato de Black só ter aquele comportamento com a Grimstone mais velha. Mesmo quando discutia com outras meninas, Sirius nunca se exaltava tanto e nem optava por ofensas pessoais, mas com Georgina o rapaz não perdia a oportunidade de lançar provocações daquele tipo.
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Maio 15, 2016 5:24 am

A Cleansweep poderia ser uma aquisição recente, mas Annabeh ainda era filha de um grande jogador de Quadribol e, por toda sua vida, só teve acesso a vassouras de qualidade. Voar na vassoura reserva, esquecida no vestiário da Grifinória, era um desafio ainda maior do que o esperado pela sextanista.

A Grimstone caçula precisava praticamente deitar sobre a vassoura para que ela seguisse na direção desejada, e por mais que se esforçasse, era impossível alcançar a velocidade desejada. Katharine estava absolutamente correta em dizer que um bom jogador não dependia tanto da vassoura, mas chegava a ser ridículo quando comparava as perfomances daquele pedaço de madeira velha com a vassoura de última geração.

Durante os primeiros minutos de jogo, Annabeth perdeu muito mais tempo tentando se adaptar aos movimentos da vassoura e quase não conseguiu se concentrar nas manobras dos colegas ao seu redor. Enquanto a morena estava apagada em campo, Ian conseguiu marcar um gol e teve dois arremessos defendidos pelo goleiro em treinamento.

Por sorte, o talento de Grimstone se recusava a ser ofuscado por um equipamento ruim. No instante em que os movimentos de Annabeth já estavam em perfeita sintonia com a vassoura, a grifinória mostrou que não estava ali para ser deixada de lado.

Mesmo com os movimentos mais lentos, Annabeth calculava cada um dos seus gestos e sempre encaixava seu voo com precisão para aproveitar todas as oportunidades. Katharine estava prestes a ser encurralada pelo batedor do time reserva e arremessou a goles no último minuto, sendo recebida pela mais nova imediatamente.

Nem mesmo usando as duas mãos para segurar a goles, Annabeth perdia o controle da vassoura, e ela seguiu sem piscar em direção aos aros. O gol foi feito com extrema facilidade, mas um bom observador teria notado o uso da mão esquerda, a direita sendo usada para manter o equilibrio da vassoura.

Os cabelos negros da menina estavam presos em um firme rabo de cavalo, e os cachos que caíam unidos, balançavam com o menor dos movimentos de sua cabeça. A testa de Annabeth começava a brilhar com o suor provocado pelo forte sol, mas a sensação de estar sobre uma vassoura, mesmo uma velha e sem grande potencial, era suficiente para trazer um sorriso satisfeito aos seus lábios.

Ganhar era sempre maravilhoso, mas era aquela sensação que havia feito Annabeth se apaixonar pelo Quadribol. A sensação do vento em seu rosto, de poder manter o equilbrio sobre uma vassoura enquanto ainda conseguia ter o controle do próprio corpo para driblar os adversários e administrar a goles, junto com toda a adrenalina gostosa que se espalhava junto com o seu sangue era sempre o ápice do seu dia.

Quando o apito soou novamente, permitindo que os jogadores cessassem seus movimentos e baixassem alguns metros, Annabeth estava ofegante, mas se sentia muito mais confiante. O sorriso largo em seu rosto deixava a sextanista ainda mais bonita, mas era o brilho intenso nos olhos azuis que mais chamava atenção.

Concentrada em seus movimentos, Grimstone não tinha tanta consciência que havia dado um show a parte. O mais impressionante era a harmonia com que ela e Ian conseguiam passar a goles. Era lamentável que não tivesse espaço para os dois no time, pois sem dúvida, somando com a habilidade de Kate, a Grifinória seria imbatível.

- Você arrasou, Anna! - Kate deslizou a vassoura até parar ao lado da colega.

- Eu não devia admitir isso, mas você não nega ser filha de quem é, Anna.

O mesmo olhar admirado que os colegas haviam lançado para a vassoura de Annabeth estava sendo imitado por Ian ao encarar a menina. Embora fosse seu concorrente, o grifinório sorria satisfeito com o desempenho dela, também admirado com harmonia apresentada em campo entre os dois.

- Obrigada, Ian. Você também estava incrível.

- Tá legal, querem parar de puxar saco um do outro? - Sirius Black parou sua vassoura diante dos artilheiros, mas sorria satisfeito com o resultado daquela partida.

Era um alívio que a palavra final devesse vir do capitão do time, porque Black seria incapaz de escolher um único jogador depois do que havia acabado de assistir.
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por James Potter em Dom Maio 15, 2016 5:47 am

A parte mais difícil de ser um líder era a certeza de que suas decisões nunca agradariam a todos. Quando abriu as inscrições para as vagas disponíveis no time da Grifinória e recebeu tantas fichas, James já imaginou que desapontaria vários dos colegas. O que Potter não previu era que sua decisão também seria tecnicamente difícil.

Alguns poucos concorrentes foram facilmente descartados pelo capitão depois de desempenhos lamentáveis em campo. A maioria dos colegas se saiu bem na partida, mas é óbvio que houve aqueles que se destacaram positivamente. Talvez a única decisão fácil para Potter fosse sobre a vaga de goleiro, já que dos três candidatos apenas um não cometera nenhum erro grave em frente aos aros.

Após finalizados todos os testes daquela manhã, James finalizou o jogo usando o apito e orientou que todos descessem. O time titular se posicionou ao lado do capitão enquanto os demais candidatos se enfileiram diante dele, esperando ansiosamente pelas palavras de Potter.

- Antes de qualquer coisa, eu gostaria de agradecer a todos pela participação. Vários de vocês se saíram muito bem e eu realmente gostaria que houvesse mais vagas na equipe para encaixar todos os que mereciam fazer parte do time.

Podia parecer um discurso ensaiado, mas o capitão usava uma voz firme e exibia uma expressão sincera ao dizer tais palavras. Potter já era bastante popular na Grifinória e não tinha motivo para bajular os colegas com elogios falsos. Apesar desta certeza, o capitão sentia-se desconfortável com aquela missão de tirar de vários amigos a chance de fazerem parte do lendário time grifinório.

- Bom, vamos ao que interessa. – o apanhador retirou as luvas de couro enquanto falava – Este ano jogaremos com o Ed diante dos aros. Você foi ótimo, Ed!

O sextanista abriu um sorriso enorme enquanto recebia tapinhas amigáveis nas costas e caminhava para se juntar aos titulares. Dos três candidatos à vaga de goleiro, Edwin fora inegavelmente o melhor nos testes. Além de excelentes reflexos, o rapaz havia se posicionado bem em campo, não cometeu erros e contribuiu com alguns contra-ataques da equipe.

A escolha do batedor não foi tão simples. Três dos concorrentes tinham se saído bem e James precisou levar em consideração poucos detalhes que diferenciaram as performances dos colegas.

- Como batedor, ficaremos com o Tunnell. Doug e Mark também se saíram muito bem, mas o Tunnell demonstrou uma sintonia maior com o Sirius e voou ligeiramente melhor que os demais.

Demetrius Tunnell também recebeu os cumprimentos dos colegas enquanto atravessava o espaço para se unir aos titulares. Os outros dois rapazes não pareceram muito felizes com a escolha de Potter, mas não ousaram questionar as explicações sensatas do capitão. Os argumentos de James eram verdadeiros e bastante racionais, afinal.

Não foi por acaso que Potter deixou para o fim a decisão mais difícil. Era como se o capitão quisesse mais alguns minutos para fazer a delicada escolha entre Ian Bates e Annabeth Grimstone. Os dois concorrentes tinham sido perfeitos em campo naquela manhã. Ian era absurdamente rápido e habilidoso e não havia errado o alvo em nenhum dos arremessos, obrigando os goleiros a fazerem defesas complicadas. E Annabeth mostrara a todos que nem mesmo uma vassoura ruim apagava o seu brilho. Fora fantástico ver a habilidade da garota com a goles, seus reflexos impecáveis e a habilidade para escapar dos balaços e dos adversários.

- Vocês dois foram fantásticos.

Os olhos castanhos por trás das lentes se fixaram em Annabeth e Ian, deixando claro para os demais concorrentes que o escolhido seria um dos dois. O sorriso de Potter vacilou por um momento, evidenciando que o capitão não estava feliz em ter que dispensar um daqueles talentosos jogadores.

- Por Godric, eu queria muito que os dois pudessem entrar no time, mas só temos uma vaga. Eu queria deixar muito claro que não encontrei nenhuma diferença entre vocês com relação ao desempenho em campo, os dois foram impecáveis. A minha escolha é puramente técnica, eu preciso pensar na equipe como um todo.

Como geralmente fazia quando se sentia pressionado, James levou uma das mãos aos cabelos, bagunçando ainda mais os fios escuros naturalmente atrapalhados.

- A Kath é a nossa artilheira central e o Robb também já está garantido na esquerda. Portanto, a vaga em aberto é para a ala direita, onde eu acho que um destro se sairia melhor que um canhoto. Só por isso eu escolho você, Bates.

O urro de vibração de Ian mostrava que nem mesmo ele estava confiante na vitória. Annabeth havia se saído muito bem, tinha uma Cleansweep e carregava o sobrenome de Elliot Grimstone. Vencê-la naquela disputa era tão empolgante quanto ganhar um campeonato.
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por Damien Scott em Dom Maio 15, 2016 6:21 am

Quando Demetrius Tunnel se juntou ao time oficial, Sirius o recebeu com um soquinho no ombro, satisfeito com a escolha do melhor amigo. Sem dúvida, a sintonia entre os dois batedores havia sido admirável, como se ambos estivessem sempre completando o movimento um do outro.

A comemoração foi logo interrompida quando a atenção de Black se voltou mais uma vez ao capitão do time, atento para a escolha do artilheiro. Annabeth podia ser incrivelmente talentosa em campo, mas aquele talento não se estendia na arte de esconder os sentimentos. A colega de casa estava séria e era possível ver a tensão até mesmo nos lábios comprimidos.

Inconscientemente, Sirius buscou a irmã mais velha dela nas arquibancadas e imediatamente sentiu as orelhas esquentarem quando um vestígio da raiva provocada por Georgina se mostrou ainda presente. Apenas a comemoração de Ian foi capaz de trazer Black de volta ao campo, erguendo as sobrancelhas escuras em surpresa.

Apesar do belo desempenho do colega em campo, Sirius tinha certeza absoluta que James escolheria Annabeth. Além da admirável habilidade apresentada pela morena, o sobrenome Grimstone tinha peso suficiente para inclinar Potter naquela escolha.

Pelos olhos arregalados de desespero de Annabeth, a menina também estava incrivelmente surpresa com a escolha do capitão. O lábio inferior da menina tremeu e por um segundo, Black achou que ela fosse cair no choro diante de toda a equipe, mas logo Grimstone trincou o maxilar e respirou fundo, empinando o nariz.

Enquanto os demais colegas, inclusive os que haviam perdido as vagas desejadas, parabenizavam os escolhidos, Annabeth jogou a vassoura velha sobre o gramado e recolheu a própria, dando as costas ao time sem dizer uma única palavra.

Sirius deslizou os longos dedos pela nuca, sentindo as pontas dos cabelos espetarem sua pele, e lançou um sorriso amarelo na direção do melhor amigo.

- Relaxa, Prongs. Ela deve estar naqueles dias...

Com movimentos ágeis, Georgina se apressou em descer a arquibancada e precisou correr para alcançar a irmã. Os cabelos negros esvoaçavam para trás, mas antes que ela alcançasse uma distância grande demais, Black ainda conseguiu gritar.

- HEY GRIMSTONE, EU PODERIA ATÉ ARRISCAR EM DIZER QUE SEU CICLO ESTÁ SINCRONIZADO COM O DA SUA IRMÃ, MAS VOCÊ É SEMPRE INSUPORTÁVEL, ENTÃO...

Antes que Sirius pudesse continuar, ele sentiu um baque na cabeça quando Remus, que também havia deixado a arquibancada lhe acertou em cheio na nuca.

- Quer parar, Padfoot??? Você não acha que está passando dos limites?

- Heeeeey! Qual é, Moony! A garota é uma esquisitona insuportável! Você viu o chilique que ela deu por causa do livrinho? Preferia ter levado um balaço na cara!

- E não tinha a menor necessidade de você ter falado das sobrancelhas dela, tinha?

Sirius piscou algumas vezes, tentando entender o que havia de errado em seu comentário. Embora fosse uma implicância, Black não se incomodava de verdade com aquela característica de Georgina. A colega era desagradável, completamente sem noção e extremamente irritante, mas Black não acreditava de verdade que tivesse algo de errado com sua aparência. Ele até arriscaria em dizer que a Grimstone mais velha era atraente, se não estivesse sempre tão emburrada ou lhe dirigindo ofensas.

- Desculpa ter ofendido a sua namorada, Moony. É só que ela é birutinha... Não vou falar das acromântulas da próxima vez, tá legal?
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por Hyacinth Westphal em Dom Maio 15, 2016 3:30 pm

Nas arquibancadas, Georgina demonstrava a mesma ansiedade da irmã mais nova enquanto esperava pela decisão de Potter. As duas mãos da garota apertavam com tanta força a tábua de madeira na qual ela estava sentada que os nós de seus dedos começavam a ficar esbranquiçados e a pele formigava.

O quadribol tinha uma importância nula na vida da Grimstone mais velha, mas Annabeth era um de seus pilares e Georgina sabia o quanto o esporte significava para a caçula. Portanto, naquela manhã, Georgina torcia muito para que a irmã entrasse no time da Grifinória e desse o primeiro passo na direção daquela carreira. Anna havia feito a sua parte com uma performance maravilhosa em campo, mas ainda assim dependia da decisão do capitão.

Os lábios de Georgina se curvaram num “o” quando o nome de Bates foi citado e o rapaz vibrou loucamente. Ian também tinha se saído muito bem e merecia a vaga tanto quanto Annabeth, mas é claro que uma Grimstone não conseguiria ser imparcial naquele momento. Aos olhos de Georgina, sua irmã mais nova estava sendo absurdamente injustiçada com aquela recusa.

Como conhecia a caçula bem o bastante para saber que Anna reagiria mal, Georgina se ergueu e começou a descer os lances da arquibancada antes mesmo que a concorrente derrotada naquela manhã se virasse. Quando saltou por cima da poça de lama, Grimstone sequer olhou na direção do livro de Runas Antigas destruído. Aquilo não tinha a menor importância agora, todo o foco da primogênita estava voltado para Annabeth.

Mesmo toda a preocupação não evitou que Georgina escutasse mais aquela provocação de Black. Normalmente a garota tentaria responder à altura, mas não naquela manhã. Não fazia o menor sentido perder tempo em mais uma discussão tola com Sirius quando Annabeth precisava dela.

As duas Grimstone já estavam no castelo quando Georgina alcançou a irmã. A corrida deixara a primogênita ofegante e corada, mas sua voz soou firme quando ela se colocou na frente de Annabeth, interrompendo a “fuga” da irmã por um momento.

- Anna... você foi ótima! Todos viram como você joga maravilhosamente bem, você sabe disso! Não deixe que a opinião daquele imbecil de quatro-olhos te magoe. Aliás, como podem permitir que um cara míope julgue os candidatos???

Racionalmente, Georgina sabia que Potter era um excelente jogador e um capitão justo. Se não estivesse emocionalmente envolvida, a filha mais velha dos Grimstone certamente entenderia que James tomara uma decisão difícil, mas sensata. Tanto Annabeth quanto Ian mereciam entrar na equipe, mas o rapaz se encaixava melhor na vaga disponível. O problema é que, como irmã, tudo o que Georgina enxergava era um imbecil que não valorizava as qualidades de Annabeth e que havia magoado profundamente a sua irmãzinha.

- Você não pode permitir que a recusa em um timinho de escola abale os seus planos. Você é uma excelente jogadora, Anna! Logo será uma jogadora profissional e vai rir nas entrevistas quando mencionar que foi recusada no time da escola.

Georgina forçou um sorriso na esperança de animar um pouco a caçula. Seus dedos ajeitaram algumas mechas dos cabelos de Annabeth bagunçadas pelo vento enquanto a primogênita completava.

- Que tal gastarmos as próximas horas no dormitório? Eu acho que ainda tenho um bom estoque de sapos de chocolate. É tudo que precisamos agora, chocolate e privacidade para falarmos mal do Potter. E eu gostaria de também incluir nesta lista negra o descerebrado do Black. Ele destruiu meu livro novo e sempre merece ser ofendido.
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Maio 15, 2016 6:46 pm

Não importava se a escolha de Potter havia sido feita pensando única e exclusivamente no que seria melhor para o time. Para Annabeth, a recusa de sua participação no time da escola era um alerta do destino de que ela não era boa o suficiente para seguir por aquele caminho.

Georgina estava se esforçando para tentar minimizar a tristeza da irmã caçula, mas que time profissional conseguiria escolher alguém que não tinha capacidade nem de participar de um time amador?

Os olhos azuis, que eram a principal característica da aparência de Annabeth, estavam ligeiramente vermelhos pelas lágrimas que a menina havia permitido cair desde que deixara o campo, mas no instante em que se viu diante da irmã, ela se apressou em secar o rosto.

- Não conte ao papai sobre isso.

Mesmo diante do consolo da mais velha, Annabeth só conseguia pensar na decepção que Elliot Grimstone sentiria quando descobrisse aquele fiasco. O pai sempre havia se orgulhado das duas filhas, mesmo com suas personalidades tão diferentes, e jamais havia pressionado nenhuma delas para escolher ou não o caminho do Quadribol, mas a caçula se sentia na obrigação de ser tão boa quanto o grande apanhador.

Ao perceber que a movimentação no castelo começava a aumentar, a menina respirou fundo e ajeitou a postura, forçando um sorriso para a irmã.

- Sapos de chocolate é a melhor ideia que você já teve...

Quando as duas começaram a subir os primeiros degraus em direção ao Salão Comunal, Annabeth girou a cabeça para encarar o perfil da irmã, fazendo seu cabo-de-cavalo balançar até cair sobre um dos ombros. Uma ruga surgiu entre suas sobrancelhas quando ela franziu a testa, só agora absorvendo tudo que a irmã havia falado.

- Você levou um livro para o campo de Quadribol???

***


A semana seguinte se arrastou para Annabeth Grimstone. O ano havia começado cheio de esperanças com a possibilidade de participar do time da casa, mas agora que sabia que teria apenas as mesmas aulas tediosas de sempre, os dias pareciam não ter mais fim.

Embora alguns colegas tivessem se aproximado para tentar consolar aquela perda, a menina assumiu uma postura que deixava claro que Quadribol era um assunto proibido. Nem mesmo Georgina ou Katharine insistiram em relembrar o ocorrido no campo de Quadribol.

A única coisa que entregava a mágoa que a Grimstone caçula ainda sentia, era a maneira como ela passou a se portar diante de Potter. Cada vez que o apanhador do time entrava no mesmo ambiente, Annabeth arrumava alguma forma de demonstrar sua insatisfação com aquela escolha.

Por mais de uma vez, Anna levantou da mesa da grifinória quando viu James se aproximar. E os dois não ficavam mais do que alguns minutos no Salão Comunal até que a menina se retirasse para os dormitórios.

Quando o primeiro final de semana em Hogsmead chegou, a caçula dos Grimstone se sentia aliviada por poder deixar o castelo por algumas horas.

Como os gostos das suas irmãs eram tão opostos, Annabeth e Georgina combinaram de se encontrar apenas no horário do almoço, permitindo que a mais velha passeasse pelo vilarejo e reabastecesse seu estoque de livros, penas e tinteiros enquanto a caçula encontraria um amigo na Dedosdemel.

Os finais de semana livres sempre resultavam com a loja de doces abarrotados, mas Annabeth não precisou enfrentar a fila naquele início de sábado quando encontrou o rosto conhecido de Noel McFly, já carregando uma exagerada sacola de chocolates.

Noel era a mais recente contratação para os Chudley Cannons e havia sido selecionado como um dos artilheiros após uma indicação de Elliot Grimstone. O rapaz de dezenove anos havia se formado em Hogwarts e tinha um futuro promissor com o Quadribol que não passou desapercebido aos olhos de Elliot.

Apesar de ser um Corvinal, a paixão pelo Quadribol havia gerado como fruto a amizade entre Noel e Annabeth, e por muitos verões os dois perdiam dia após dia com partidas infinitas.

A carreira profissional, mesmo que recente, já trazia bons resultados ao rapaz. Noel parecia mais alto e estava com os braços e peitoral mais definidos graças aos intensivos treinos. Seus cabelos claros pareciam estar mais loiros, provavelmente como consequência dos treinos sob o sol. E embora estivesse muito mais maduro desde o último encontro, o sorriso de menino continuava presente.

- Você não acha que exagerou?

A sacola de doces foi arrancada da mão de Noel e Annabeth analisava seu conteúdo com tanta curiosidade que não percebeu quando o rapaz vasculhou a rua atrás de seu ombro com uma pontada de frustração.

- Achei que a Georgina viesse também. Cadê ela?

- Onde mais estaria? - Anna perguntou aleatoriamente, enquanto puxava da sacola um bombom. - Comprando mais livros.

Quando os olhos azuis se ergueram, foi impossível não perceber a decepção estampada no rosto do amigo, obrigando Annabeth a girar os olhos.

- Se você queria impressioná-la, deveria ter comprado o último livro de Feitiços da Bartola Bathus, e não chocolate. E não fique com essa cara de demente, ela vai se encontrar com a gente para almoçar.

Noel ergueu uma mão para coçar a nuca, nitidamente constrangido com o comentário óbvio de Annabeth. Mas enquanto lutava para tentar não transparecer o que a amiga estava cansada de saber, seus olhos esverdeados já haviam assumido uma pontada de brilho entregando a felicidade com a certeza de que ainda encontraria Georgina.

- Você não pegou varinhas de alcaçuz??? Francamente, Noel!

Mesmo com a sacola pesada de doces em mãos, Anna desviou do amigo para alcançar a porta da Dedosdemel, decidida a comprar as varinhas. Porém, antes que seus dedos alcançassem a maçaneta, a porta se abriu, revelando o trio de marotos que Grimstone tanto vinha tentando evitar.
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por James Potter em Dom Maio 15, 2016 7:48 pm

Pela primeira vez na vida, James Potter odiou o posto de capitão do time da Grifinória. A escolha entre Bates e Grimstone não fora nada fácil, mas a reação extremamente negativa da garota só tornava tudo ainda mais difícil. James era o tipo de pessoa que infernizava a vida de sonserinos e de colegas desagradáveis de outras casas, mas evitava ao máximo causar o mínimo desgosto a qualquer grifinório. Por isso, Potter se sentia torturado sempre que Annabeth lhe lançava olhares raivosos ou saía de perto depois que ele entrava no ambiente.

Mesmo chateado com aquela situação, James não se arrependia da escolha. Ian Bates havia brilhado no último treinamento da equipe, mostrando que era merecedor da vaga disputada contra Grimstone. Como Potter imaginava, o novo artilheiro mostrava uma habilidade invejável na ala direita e quase nunca errava um arremesso.

O passeio a Hogsmeade surgiu como uma excelente oportunidade para tirar aquele problema da cabeça. Os marotos sempre aproveitavam ao máximo aqueles finais de semana de folga. Graças às visitas clandestinas proporcionadas pelo Mapa do Maroto e pela capa de invisibilidade de James, os três rapazes conheciam o vilarejo melhor do que qualquer outro aluno. Mas era muito melhor circular pelas lojas e ruas sem medo de serem pegos em flagrante fora do castelo.

Como de costume, a primeira parada foi na Dedosdemel. A esperança dos rapazes era encontrar a loja mais vazia naquelas primeiras horas do passeio, portanto os três ficaram frustrados com os corredores abarrotados de gente. Provavelmente vários colegas tinham tido a mesma ideia deles.

A sorte dos rapazes era que, graças às visitas extras à loja, não havia muito o que comprar naquele dia. Potter só colocou alguns sapos de chocolate em sua sacola, pegou uma caixinha de feijõezinhos de todos os sabores e garantiu que seu estoque de bolinhos de caldeirão aguentasse mais algumas semanas. Em menos de dez minutos, James, Sirius e Remus já estavam na fila do caixa e pagaram por suas compras.

- E agora? Um passeio à Casa dos Gritos? – Potter abriu um sorrisinho debochado para os amigos – Ouvi dizer que o local é mal assombrado!

Até mesmo Remus riu daquela brincadeira interna. Potter e Black o acompanhavam mensalmente até a Casa dos Gritos e sabiam muito bem que a criatura que “assombrava” o local era o lobisomem que dividia o dormitório com eles.

- Algo me diz que não encontraremos nada lá esta manhã. – Lupin completou num sussurro divertido – Quem sabe na semana de lua cheia?

- Não vai dar, estarei ocupado. Aaaauuuuuu!

James estava no meio daquela ridícula imitação de um lobo quando a porta se abriu e os três rapazes deram de cara com Annabeth Grimstone e Noel McFly. Os lábios do apanhador da Grifinória se curvaram num sorrisinho constrangido, mas o constrangimento não durou nem dois segundos. Ao reconhecer o antigo colega, os olhos de Potter brilharam e ele estendeu a mão. Noel havia sido capitão do time na Corvinal até no ano anterior e, mesmo com a rivalidade do esporte, os dois tinham uma relação amigável.

- Ho-ho! Mcfly, que surpresa! Eu li no jornal sobre o Chudley Cannons. Meus parabéns! Muito legal você ter conseguido, cara!

- E aí, Potter? Black, Lupin... – o ex-aluno da Corvinal apertou as mãos dos colegas – Obrigado. Eu estou exausto, mas não poderia estar mais feliz. Era um grande sonho, afinal. Vai tentar se juntar a mim na próxima temporada, Potter?

O sorriso de James vacilou diante daquela pergunta. Não era a primeira vez que Potter tinha que responder a um questionamento parecido. Aliás, agora que estava no sétimo ano, era frequente que as pessoas insinuassem que o capitão da Grifinória tentaria seguir carreira no quadribol. Ao invés de se sentir lisonjeado, James ficava incomodado com a ideia de que suas outras qualidades não eram tão reconhecidas.

- Não, não... Eu amo jogar, mas o quadribol para mim é um passatempo. Eu perderia toda a diversão se transformasse o esporte em uma sucessão de treinamentos exaustivos. Não tenho a pretensão de inchar os meus músculos como você.

- Sério? – Noel pareceu surpreso. Até os rivais reconheciam que James era bom o bastante para conseguir uma vaga como apanhador em um time profissional – Bom, de qualquer forma eu te desejo sorte nos exames.

- Obrigado. E eu aceito convites para assistir as suas partidas no camarote.

- Já prometi levar a Anna e a Ginny nas férias. Verei se até lá consigo incluir vocês no camarote.

Quando McFly mencionou as Grimstone, James não conseguiu mais fingir que Annabeth não estava ali. O capitão da Grifinória vinha evitando a colega desde que Anna fora dispensada do time, mas era impossível fugir para sempre daquele delicado assunto. Como de costume, Potter usou o humor como defesa para escapar daquela situação delicada.

- Deixa para uma próxima então, McFly. A Annabeth não ia gostar da minha companhia. Acho que ela tem gastado as horas livres fazendo uma lista com milhares de maneiras de me matar desde que eu a dispensei do time da Grifinória. – os olhos castanhos se voltaram para a moça, agora mais sérios – Eu realmente lamento que você tenha levado para o lado pessoal, Grimstone. Você é uma excelente jogadora, foi muito difícil te dispensar, muito mesmo.
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por Damien Scott em Dom Maio 15, 2016 10:03 pm

De todos os alunos de Hogwarts, os marotos eram sem sombra de dúvida os que mais frequentavam o vilarejo. Mesmo que os professores não tivessem conhecimento daquele fato, Potter, Lupin e Black conheciam cada centímetro de Hogsmead graças as diversas visitas clandestinas, e ainda assim, Sirius achava os finais de semana que poderiam passear legalmente incrivelmente divertidos.

Andando ombro a ombro com Remus, Sirius estava com a boca cheia de quadradinhos de chocolate, mas nem as bochechas estufadas o impediam de rir do constrangimento do melhor amigo diante de Grimstone.

- Você quer que eu chegue para o lado, Potter? Precisa de mais espaço para o seu ego? Você tem mesmo que ser muito metido para achar que eu sequer pensei em você. As pessoas têm coisas mais interessantes para fazer, do que refletir sobre a sua existência insignificante.

Sirius terminou de engolir seu chocolate e lambeu os lábios antes de confirmar as palavras de Annabeth com um movimento da cabeça.

- Eu digo isso para ele todos os dias...

Os grandes olhos azuis de Annabeth deslizaram de Potter para encarar o primogênito dos Black, e Sirius também sentiu o olhar do melhor amigo sobre si, mas continuou sorrindo inabalável.

- Você dispensou a Anna??? – O olhar de incredulidade de Noel mostrava que o rapaz também tinha conhecimento do belo desempenho da grifinória. – Sério???

- Não é nenhuma surpresa, Noel... É só olhar para a cara de demente do Potter para saber que ele não é nenhum especialista em boas escolhas.

- Eu também digo isso para ele todos os dias. – Ao sentir o olhar do melhor amigo, Sirius mostrou todos os dentes em um largo sorriso, provocando uma covinha em uma das bochechas. – Qual é, Prongs... Você parece mesmo que tem um ligeiro atraso mental.

- Como se você estivesse muito longe, Black. – Annabeth girou os olhos. – Aliás, ainda está devendo um livro de Runas para a minha irmã.

O queixo de Black caiu e ele ergueu os braços em uma postura defensiva.

- Euuuu??? Eu salvei os miolos cabeludos da sua irmã de espalharem pela arquibancada e ainda tenho que comprar um livro idiota? Ela podia ter morrido com aquele balaço, sabia???

- Que história é essa de balaço? – Noel franziu as sobrancelhas, nitidamente preocupado.

O comentário do artilheiro foi completamente ignorado por Black quando ele viu o borrão preto que surgiu atrás de Annabeth. Como se tivesse sido invocada, a figura de Georgina parou ao lado da irmã caçula, fazendo Sirius estreitar o olhar.

- Você ainda está se lamentando por causa daquele livro estúpido??? Eu posso comprar um balaço agora mesmo, a gente acerta a sua cabeça e fica tudo certo, que tal???

O bom humor de Sirius começava a desaparecer, apenas com a chegada de Georgina. Ele sequer foi capaz de perceber como Noel imediatamente mudou sua postura, corrigindo os ombros e inflando o peito ao perceber a presença da Grimstone mais velha.

- Black, você está sendo extremamente grosseiro. – Como se quisesse proteger Georgina, Noel enfiou as mãos nos bolsos e se deslocou até se colocar entre as duas irmãs, receoso de que a ameaça estúpida fosse realmente possível.

Apenas quando o artilheiro encontrou o olhar da recém-chegada, ele relaxou a postura tensa e sorriu de forma mais gentil. A sacola de doces foi erguida diante dos olhos da menina de forma quase infantil, ignorando o clima pesado entre os demais.

- Hey Ginny... Comprei chocolates.
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por Hyacinth Westphal em Dom Maio 15, 2016 10:50 pm

Embora já esperasse por aquela resposta, Georgina deixou escapar um suspiro tristonho quando o dono da livraria confirmou que a loja não tinha mais nenhum exemplar do livro de Runas Antigas desejado pela moça. Tratava-se de uma edição rara, que colocara no mercado um número reduzido de exemplares que foram rapidamente esgotados. Era bastante improvável que Grimstone tivesse a sorte de substituir o livro vitimado durante os testes para o time de quadribol da Grifinória.

Mesmo que a livraria não tivesse o produto mais desejado por ela, Georgina obviamente não saiu da loja de mãos vazias. Em uma sacola ela levava um verdadeiro arsenal de penas, tintas e pergaminhos que seriam usados nos resumos que ela planejava fazer nos próximos meses de estudos. Na outra mão, a setimanista carregava um embrulho contendo a mais nova edição de um famoso livro de Poções.

Ainda era muito cedo para o almoço com Annabeth, portanto a primogênita seguiu para o lugar onde era mais provável encontrar a irmã. A caçula de fato estava na Dedosdemel, mas foi com desgosto que Georgina percebeu que a irmã não estava sozinha. Era sempre desagradável cruzar o caminho de Sirius Black, mas Georgina enfrentou aquela tortura para se juntar à irmã e a Noel McFly.

O ex-aluno da Corvinal era um velho amigo com quem Georgina costumava gastar horas e mais horas na biblioteca. Noel coincidentemente tinha preferências que agradavam às duas irmãs Grimstone. Além de ser um típico corvinal estudioso e inteligente, o rapaz amava quadribol. Mesmo com a vida tumultuada de jogador profissional, Noel escrevia para as duas irmãs com bastante frequência, mas Georgina sentia saudades de conversar pessoalmente com ele. Por McFly, valia a pena enfrentar as grosserias e o comportamento lamentável de Sirius Black.

- Oi, Noel! – Georgina ignorou lindamente o colega da Grifinória e suas provocações – Eu achei que não teria mais tempo para os velhos amigos agora que está ficando famoso.

Mesmo com as mãos lotadas pelas compras na livraria, Georgina conseguiu cumprimentar o amigo com um abraço gentil. Os olhos castanho-esverdeados espiaram a sacola lotada de doces com interesse, mas era evidente que Grimstone ficaria mais empolgada se fossem livros.

- Isso é ótimo. Eu não pretendo perder o meu dia na enorme fila da Dedosdemel, então vou roubar alguns dos seus.

Pela primeira vez, Georgina olhou na direção dos marotos. Remus foi saudado com um sorriso, mas a morena franziu o nariz para Potter e Black como se os dois fossem ogros asquerosos.

- Que tal procurarmos um lugar mais agradável para sentarmos um pouco? Esta calçada está insuportavelmente ocupada.

- Claro. Assim você pode me contar que livro é este que o Black está te devendo.

- Eu não quero nada que venha desta criatura descerebrada. Aliás, eu prefiro esquecer a existência de certas pessoas. Quanto ao livro, era um exemplar limitado de princípios avançados em Runas Antigas que foi destruído em uma patética exibição de heroísmo. Você sabe como é, não é, Noel? Muitas garotas estavam assistindo, o Black precisava fazer uma ceninha para chamar a atenção.

Antes que Sirius pudesse se defender, a voz de James soou e o apanhador devolveu aquele sorrisinho cínico para o melhor amigo.

- Eu já te disse que essa sua jogada está ficando manjada, Pad.

Os olhos de McFly brilhavam com expectativa quando ele sacou a varinha. Com um simples movimento, o rapaz milagrosamente conjurou um exemplar do mesmo livro de Runas Antigas que Georgina perdera há algumas semanas.

- Por acaso seria este? Eu comprei no ano passado para fazer os NIEM’s. Acabou ficando abandonado na minha estante depois disso.

A exclamação de surpresa que escapou dos lábios de Georgina respondeu por ela. Os olhos da moça brilhavam tanto que adquiriram um tom ainda mais esverdeado quando ela encarou o amigo.

- Você me empresta??? – a voz da Grimstone mais velha quase implorava – Já estou no capítulo quinze, eu termino de ler o resto em duas ou três semanas!

- Não.

A resposta de Noel foi tão frustrante que fez Georgina encolher os ombros. O lábio inferior dela tremeu e McFly colocou um fim naquela brincadeira antes que a garota chegasse às lágrimas.

- Não vou te emprestar porque não preciso que me devolva. Ele agora é seu, Ginny.

Georgina ficou imóvel como se estivesse petrificada quando o amigo estendeu o livro na direção dela. Era um milagre que aquele exemplar surgisse logo agora que Grimstone estava se conformando com a ideia de que nunca terminaria de lê-lo. Depois de piscar algumas vezes, a garota se deu conta de que não estava sonhando. Sem pensar, Georgina largou as compras e puxou Noel para um abraço enquanto as sacolas se espalhavam aos pés dos dois.

Uma risadinha anasalada ecoou pela calçada, vinda de Potter. Não precisava ser um gênio para entender os sentimentos que McFly escondia tão mal. Até mesmo James com seu raciocínio lento já havia percebido que o colega da Corvinal não havia presenteado a garota com aquele livro raro sem nenhum tipo de segundas intenções.

- O McFly te deve uma, Paddy. – Potter cutucou o amigo com o cotovelo – Se eu fosse você, deixaria para cobrar essa dívida quando ele ficar ainda mais famoso! Eu ainda tenho que comprar um monte de coisas. Podemos ir ou vocês dois fazem questão de esperar para assistir o beijo?
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Maio 16, 2016 12:22 am

O sorriso malicioso que se espalhou pelos lábios bem desenhados de Annabeth fazia parecer que a menina pertencia ao mesmo grupo dos marotos, perfeitamente consciente das ações pouco inocentes de Noel.

Para a Grimstone caçula, sempre havia sido muito óbvio a paixão que McFly nutria por sua irmã. A desconfiança já havia crescido durante os verões que Noel aparecia para que pudessem jogar Quadribol e havia se tornado ainda mais evidente com o passar do tempo.

Do outro lado do casal, Sirius Black ergueu uma de suas sobrancelhas escuras, parecendo não acreditar na cena que acontecia diante dos seus olhos. Tão acostumado a odiar Georgina, o Grifinório jamais cogitou a possibilidade de ver um rapaz interessado na menina, e pela primeira vez em sete anos Sirius era capaz de ver que a Grimstone primogênita era mais do que uma nerd irritante.

Com uma careta de desagrado, Black cruzou os braços contra o peito e inclinou o rosto na direção de James para cochichar, mas ainda deixando em um tom perfeito para que os demais escutassem.

- Me agradecer porque ela ainda tem olhos para enxergar o livro, ninguém faz, né??

Como Georgina havia tido o trabalho de ignorar a presença dos marotos até então, Annabeth precisou apenas seguir os passos da irmã e do amigo quando eles seguiram o caminho até o Três Vassouras, lançando um último olhar na direção de Potter.

Agora que os dias passavam e Anna conseguia pensar mais racionalmente, ela sabia que Potter havia feito a escolha que acreditava ser a melhor para o time, mas ainda era difícil encarar o colega e não lembrar da frustração.

Para piorar, James havia deixado claro que o Quadribol não estava nos seus planos para o futuro. Não era justo que alguém que encarava aquilo apenas como um hobby tivesse a oportunidade de estrelar o time enquanto ela era deixada de lado.

O restante do passeio, que deveria ter servido para Annabeth se distrair, se tornara ainda mais penoso. Quando estava na companhia de Georgina, Noel tinha a incrível habilidade de esquecer qualquer assunto relacionado a Quadribol e focava toda sua atenção na mais velha.

Enquanto observava em silêncio a conversa entre os dois, Anna se perguntou se a aproximação de seus pais também havia sido daquela forma. Georgina tinha a personalidade extremamente parecida com a da Sra. Grimstone, e por mais inesperado que fosse, havia se apaixonado exatamente por um jogador de Quadribol.

Quando não estava pensando naquela grande semelhança entre a vida da mãe e da irmã, Annabeth refletia sobre o próprio futuro. A recusa de sua participação no time da Grifinória havia abalado sua convicção de que seus próximos anos seriam basicamente envolvidos com Quadribol, e sem aquela certeza, seu futuro parecia muito nebuloso.

Alegando estar se sentindo cansada, Annabeth deixou a companhia de Noel e Georgina ainda algumas horas antes do toque de recolher. Se chegasse em Hogwarts ainda com o céu claro, poderia ao menos fechar o dia aproveitando o campo de quadribol sozinha.
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por James Potter em Seg Maio 16, 2016 1:14 am

Depois do encontro não muito agradável com Annabeth Grimstone, o passeio a Hogsmeade perdeu um pouco da graça para James. Por mais que soubesse que sua decisão fora justa, o capitão da Grifinória se sentia mal em pensar no quanto a colega estava chateada e no quanto aquela simples escolha poderia influenciar na vida de Annabeth.

Potter percebeu que não estava aproveitando o passeio quando sua distração obrigou Remus a repetir três vezes o convite para uma cerveja amanteigada. Ao notar que estava sendo uma péssima companhia, James alegou aos amigos que precisava terminar algumas compras e depois retornaria ao castelo para finalizar uma redação de História da Magia. Antigamente aquela seria uma desculpa muito fraca, mas Remus e Sirius acreditaram facilmente porque sabiam que as aspirações do amigo fora de Hogwarts exigiam notas altas nos NIEM’s.

Antes de pegar o caminho de volta até o castelo, Potter passou apenas em uma loja de vassouras para comprar um óleo de polimento. Sua vassoura era uma Comet 260 prestes a completar cinco anos de uso, mas o grifinório cuidava tão bem daquele tesouro que a vassoura mantinha uma aparência excelente.

Com o intuito de se distrair um pouco, James seguiu na direção do campo de quadribol tão logo ultrapassou os portões de Hogwarts. A vassoura foi resgatada no vestiário da Grifinória e Potter planejava voar um pouco antes de realmente perder algumas horas no tedioso trabalho de História da Magia.

O apanhador ainda estava relativamente longe do campo quando avistou um vulto voando entre os aros. Os olhos míopes se estreitaram em uma tentativa de enxergar melhor e, para a sua surpresa, James reconheceu as cores do uniforme da Grifinória. Para ele, era óbvio que se tratava de um dos jogadores titulares, portanto a surpresa foi grande quando Potter chegou ao campo e reconheceu Annabeth Grimstone.

Em um primeiro momento, o rapaz pensou em se aproveitar da concentração da colega para se afastar silenciosamente antes que Anna o notasse. Grimstone já havia deixado bem claro que não o perdoara pela escolha do novo artilheiro e a última coisa que Potter precisava era retornar para o dormitório depois de mais uma troca de farpas.

Contudo, a vontade de voar acabou falando mais alto, assim como a esperança de resolver aquela pendência chata com a colega. James realmente não aguentava mais os olhares atravessados e o clima pesado que crescera entre os dois desde o dia dos testes.

Sobre a Comet 260, Potter fez uma decolagem perfeita. A vassoura não era tão nova e potente quanto a de Annabeth, mas a habilidade do rapaz compensava qualquer problema daquele modelo. Exatamente por já usar a mesma vassoura há quase cinco anos, James conhecia a inclinação perfeita para ganhar mais velocidade e já conseguia se equilibrar no cabo sem usar as mãos.

Um vulto voou rapidamente entre Annabeth e os três aros. A garota só conseguiria enxergar quem lhe fazia companhia naquela tarde quando James agarrou a goles que ela lançara na direção do aro central e interrompeu o voo, voltando-se para ela. Antes que Grimstone pudesse explodir ou se afastar, Potter tentou ganhar a confiança dela com uma provocação.

- Sério? Arremessos livres sem um goleiro? Fácil demais para alguém com a sua habilidade, não? – com um sorrisinho debochado, James jogou a goles de volta às mãos da colega – Que tal uma competição individual, eu contra você, paramos quando alguém chegar aos dez pontos...?

James ergueu um dos ombros e cruzou os braços, mantendo o equilíbrio com imensa facilidade.

- É sério, Grimstone. Eu perderei o respeito que sinto por você se não aceitar o desafio de um apanhador. Você já começa o jogo com uma nítida vantagem, a goles não é a minha bola preferida.
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por Damien Scott em Seg Maio 16, 2016 2:48 am

Remus Lupin não saberia dizer exatamente o que havia de errado com os amigos, mas quando o dia finalmente chegou ao fim, ele teve certeza que aquele passeio havia sido um dia completamente atípico para os marotos.

Embora a justificativa de James fosse perfeitamente aceitável, ainda era estranho ver o apanhador sair mais cedo de uma visita a Hogsmead. E mesmo que Sirius tivesse ficado até o último minuto compartilhando diversas rodadas de cerveja amanteigada, o batedor da Grifinória parecia estranhamente inquieto e calado.

O que o lobisomem não sabia era que o Black mais velho ainda tentava processar a ideia de que Georgina Grimstone era uma menina e que despertava interesse do público masculino. Sirius fazia sucesso com a ala feminina de Hogwarts, mas nunca havia passado pela sua cabeça que a sabichona da grifinória se encaixava naquela característica.

Parecia imensamente bobo, mas era como se todo aquele tempo, Georgina fosse vista como um ser assexuado, talvez um bichinho irritante que infernizava sua vida. Era surpreendente que uma menina fosse capaz de causar tamanho estrago no inabalável Sirius Black.

Insistindo em tentar descobrir o que havia acontecido com o melhor amigo, Remus convenceu Sirius a jogarem uma partida de Snap Explosivins quando chegaram ao Salão Comunal, já no início da noite. Enquanto a maioria dos colegas escapavam para os dormitórios para organizar suas compras ou se preparar para o Jantar, Black e Lupin assumiram dois lugares à mesa e distribuíram as cartas.

- O Prongs já deveria ter voltado... – Remus olhou por cima do ombro, deslizando os olhos azuis pelos poucos rostos presentes. – A biblioteca não fica aberta até tão tarde.

- Ele deve estar atrás da Lily. – Sirius comentou tediosamente enquanto puxava suas cartas para analisar o próprio jogo.

Como se quisesse comprovar sua teoria, Sirius ergueu os olhos cinzentos apenas para confirmar que Evans também não estava presente, mas tanto a ruiva quanto o melhor amigo foram varridos de sua mente quando a figura de Georgina entrou em seu campo de visão.

A morena estava ajoelhada sobre o tapete vermelho que cobria o chão de pedra, no canto mais próximo da lareira apagada. Ela estava debruçada sobre a mesinha de centro e parecia enfileirar diversos produtos comprados durante seu passeio, completamente concentrada. Ao lado dos produtos, o pesado livro de Runas Antigas descansava, quase que debochadamente aos olhos de Black.

- Hey Moony... – Sirius se inclinou para frente e sussurrou, chamando a atenção do amigo. – Você acha que o McFly tá afim da Grimstone?

Lupin manteve o ângulo do rosto virado para as cartas, mas ergueu apenas os olhos para encarar o animago a sua frente, parecendo perplexo com o assunto escolhido.

- Não é óbvio?

O rosto de Black se contorceu em uma careta, se sentindo incomodado com a convicção de Lupin. Para ele, não parecia ser nada óbvio que Georgina fosse uma menina, ainda mais uma atraente.

Com o nariz enrugado, ele voltou a encarar a menina focada em sua tarefa, já completamente sem concentração para seguir o jogo com Lupin. Após alguns minutos e com as pontas dos dedos queimados com as explosões, Black finalmente se rendeu, aceitando a derrota.

Ele estava recolhendo as cinzas das cartas desperdiçadas quando o vulto chamou sua atenção. Georgina havia passado as pressas correndo para as escadas do dormitório, provavelmente porque havia acabado de se lembrar de alguma coisa. Sobre a mesinha, suas compras continuavam enfileiradas e perfeitamente organizadas, indicando que ela voltaria em breve.

Remus já havia se afastado e estava distraído com um livro no lado oposto ao salão comunal, de modo que não havia ninguém para desconfiar quando Sirius se ergueu da mesa e se aproximou do lugar antes ocupado por Georgina.

Tomando o devido cuidado para dividir sua atenção com as escadas, Sirius estudou rapidamente o que prendia a atenção de Grimstone. Basicamente pareciam ingredientes de poções que ela estava repondo em seu estoque particular, além de alguns metros de pergaminho e penas novas. Além de miúdas pedras, diferentes pós e ervas diversas, também se enfileiravam pequenos potinhos e vidros onde Georgina guardava com toda organização possível.

- Que aberração... – Sirius balançou a cabeça em reprovação, se abaixando para tocar um dos pós que ainda não havia sido guardado em seu potinho.

O grifinório levou as pontas dos dedos sujos até o nariz e sentiu o cheiro familiar de enxofre, comum em infinitas poções. Um sorriso malicioso se espalhou pelos seus lábios quando uma ideia surgiu momentaneamente em sua cabeça.

Sem ter tempo para analisar com calma, Sirius se apressou em virar o enxofre recém comprado de Georgina no bolso do casaco. Em seu lugar, ele colocou as cinzas do Snap Explosivins e precisou do tempo exato para se afastar da mesa para que a menina surgisse novamente no salão.

Remus havia acabado de voltar para o lugar onde os dois haviam jogado minutos antes e encarou a atitude suspeita do amigo com uma sobrancelha erguida.

- Você está bem, Padfoot?

- Hm?? Sim, estou ótimo.

Lupin abriu o livro escolhido sobre a mesa, mas manteve a testa franzida ao melhor amigo quando indicou o próprio maxilar.

- Está sujo, bem aqui.

A mão de Sirius alcançou a área apontada com tanta agilidade que ele chegou a quase se estapear, ao mesmo tempo que buscava Georgina com o olhar.
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por Hyacinth Westphal em Seg Maio 16, 2016 3:47 am

Noel McFly sempre havia sido um excelente amigo e uma companhia valiosa para Georgina. O ex-aluno da Corvinal tinha todas as qualidades que Grimstone admirava. Além de inteligente, Noel era estudioso, responsável, esforçado e reconhecido por seu bom comportamento no castelo. Georgina só não compartilhava a mesma paixão que o colega tinha por quadribol, mas até mesmo esta diferença era bem recebida. Afinal, a grifinória vinha de uma família voltada para o esporte e seu pai era a maior prova de que nem todos os jogadores levavam uma vida desregrada.

Por ser um ano mais nova que McFly, era comum que Georgina o procurasse para tirar dúvidas sobre as disciplinas. Grimstone sempre estava com a leitura adiantada e eventualmente precisava que Noel lhe explicasse algum termo mais complexo. E foi o estudo que aproximou os dois com intermináveis horas na biblioteca do castelo.

Georgina costumava enxergá-lo apenas como um excelente amigo, mas a morena era inteligente o bastante para notar que McFly queria algo mais. E isso ficou ainda mais evidente naquele encontro em Hogsmeade. Além de presenteá-la com o livro de Runas Antigas, Noel deixou claro o seu interesse quando praticamente ignorou Annabeth para dar toda a sua atenção à Grimstone mais velha.

Era uma situação complicada para Georgina. É claro que ela gostava de Noel, admirava suas qualidades e adorava a companhia do rapaz. O corvinal sempre fora bonito e agora, graças ao quadribol, parecia ainda mais atraente. O grande problema era que Grimstone não sentia o coração se acelerar por ele. Talvez ela fosse racional demais para se apaixonar perdidamente por alguém, mas havia um grande medo de se arriscar naquele caminho, fracassar na tentativa e perder um bom amigo.

Acima de tudo isso, havia a determinação da garota em se focar apenas nos estudos durante aquele último ano. Iniciar um relacionamento à distância com um jogador de quadribol certamente tomaria tempo e daria a Georgina preocupações que não eram compatíveis com a concentração que ela precisaria ter nos próximos meses.

Mesmo com todas essas incertezas, Georgina não teve como fugir de uma investida. Tão logo Annabeth retornou ao castelo e os deixou sozinhos, Noel deslizou a mão sobre a mesa até alcançar os dedos da morena. Os dedos compridos do rapaz se moveram em uma carícia gentil antes de envolverem delicadamente o punho de Grimstone.

- Eu sinto muito a sua falta, sabia? Só as cartas não tem sido suficientes para matar as saudades...

- Noel... – a entonação meio aflita de Georgina deixou claro que ela não estava muito certa quanto ao rumo que as coisas estavam tomando.

- Eu sei. Eu imagino que você esteja surtando com os NIEM’s e que não queira que nada atrapalhe a sua planilha de estudos maluca e desumana dos próximos meses.

Um sorriso divertido brotou nos lábios da grifinória quando McFly demonstrou que a conhecia muito bem.

- Isso também.

- O que mais? – o rapaz insistiu sem afastar a mão daquele toque carinhoso.

- E se não der certo? Eu odiaria perder um amigo como você.

- Eu acho que não deixei as coisas muito claras... – o rapaz respondeu com bom humor – Eu não estou sugerindo que deixemos de ser amigos. E nem é um pedido de casamento, você não precisa achar que terá que mudar todos os seus planos. Eu só quero que me encaixe em algum cantinho da sua agenda e que me dê uma chance. Eu realmente gosto muito de você, Ginny.

Diante daquela argumentação, Georgina não teve o que questionar. Uma recusa magoaria Noel e ele não merecia ter negada uma chance. Foi estranho unir seus lábios aos de McFly ao fim daquela tarde em Hogsmeade e, mesmo com a certeza de que não havia absolutamente nada errado com o beijo do rapaz, Georgina não conseguiu se entregar como gostaria. Seu coração não se acelerou e ela não sentiu as famosas borboletas no estômago que existiam nos romances que ela já lera.

Enquanto retornava para o castelo, a filha mais velha dos Grimstone concluiu que o problema era com ela. Sua racionalidade não era compatível com uma paixão avassaladora e ela teria que se contentar com um relacionamento morno, mas estável. E Noel McFly parecia se encaixar com perfeição no papel do homem que Georgina gostaria de ter ao seu lado no futuro.

Mesmo sem as borboletas no estômago, Georgina estava disposta a dar uma chance a Noel.

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Bastou que a filha mais velha dos Grimstone pisasse em Hogwarts para que a sua mente se focasse novamente nos planos de estudos daquele ano. Ao contrário da maioria dos colegas, Georgina não usou o passeio até Hogsmeade unicamente para relaxar e se divertir. Do vilarejo, a garota trouxe um estoque de penas, pergaminhos, livros e todos os ingredientes que precisaria para preparar uma complexa poção.

Na última aula, Horace Slughorn havia feito um desafio aos alunos do sétimo ano. Segundo o professor, se algum deles conseguisse preparar com perfeição uma dose de Felix Felicis, ganharia vinte pontos extras ao fim do ano e ainda sairia de Hogwarts com uma carta de recomendação escrita por ele. Slug era conhecido por colecionar amigos famosos e influentes, certamente uma carta escrita por ele teria grande valor em vários setores do Ministério da Magia.

Georgina não era tola e sabia o grau de dificuldade do desafio proposto pelo professor. Todos os livros de Poções eram unânimes em dizer que a Felix Felicis era a poção mais complexa de toda a história da magia e eram poucos os bruxos que conseguiam concluir o preparo com sucesso. Ainda assim, a setimanista da Grifinória queria tentar. O prêmio era tentador. Além da carta de recomendação do professor, os vinte pontos extras certamente garantiriam que Georgina saísse do castelo com a nota máxima na disciplina. Se ela conseguisse finalizar a poção, teria uma matéria a menos para atormentá-la nos próximos meses.

Depois de consultar diferentes livros, Georgina tinha diante de si tudo o que precisaria para preparar a poção. A maioria dos ingredientes foi encontrada com facilidade em Hogsmeade, exceto os dois fios de barba de um duende irlandês, pelos quais Grimstone teve que pagar quase todos os galeões que economizara nos últimos anos.

Tão logo chegou ao Salão Comunal da Grifinória, a garota tratou de guardar cuidadosamente aqueles ingredientes valiosos. Por estar tão concentrada no trabalho, Georgina sequer notou que era o foco da atenção de Sirius Black. Consequentemente, ela jamais imaginaria que o colega havia trocado um dos ingredientes quando retornou à mesinha com o potinho para guardar o enxofre.

A mistura dos ingredientes da poção com as cinzas do Snap Explosivins não só levariam Georgina ao fracasso como causariam uma bagunça tão grande nas masmorras que Slughorn teria motivos para castigar umas das suas melhores alunas.

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- Diante de uma pessoa que bebeu uma poção preparada com ingredientes inadequados, a poção Wiggenweld reverte os efeitos do envenenamento com quantos minutos...?

Como de costume, o braço de Georgina Grimstone se ergueu antes mesmo que o professor de Poções terminasse de formular a pergunta. Slughorn dirigiu a ela um sorriso satisfeito e fez sinal para que a grifinória falasse.

- A poção Wiggenweld não seria a melhor escolha para esta situação, professor Slughorn. – a voz firme de Georgina ecoou pelas masmorras, acordando alguns alunos que cochilavam naquela primeira aula da segunda-feira – Sua formulação é muito eficiente contra venenos de cobras, lagartos, insetos e plantas, mas praticamente não tem efeito nenhum contra poções envenenadas. Dada a gravidade da situação, eu sugeriria um bezoar.

- Perfeito, Srta. Grimstone! Nem mesmo eu responderia tão bem! Dez pontos para a Grifinória!

O sorriso de Georgina foi tão amplo que espremeu um pouco os olhos castanho-esverdeados. Enquanto o professor continuava a explicar detalhadamente o tema da aula, Grimstone se manteve concentrada nas anotações, sem deixar escapar nem mesmo uma sílaba pronunciada por Horace.

Somente quando Slughorn fez uma pausa para escrever no quadro os ingredientes a serem usados na poção daquela manhã, Lily se atreveu a dirigir a palavra à colega com quem dividia a bancada.

- Eu vi você e o McFly no Três Vassouras ontem. Estão namorando?

- Não. – Georgina suspirou enquanto sentia as bochechas esquentarem – Quer dizer, não sei... É complicado, Lily.

- Você gosta dele? – a ruiva insistiu com uma nítida curiosidade.

- É claro, o Noel é muito legal.

- Legal...? – os olhos verdes se arregalaram quando Lily notou a falta de animação da amiga – Você não me parece muito empolgada.

- Tenho outras preocupações no momento. A maior delas se chama Felix Felicis. – o sorriso de Georgina se alargou muito mais do que quando falavam de McFly – Vou reservar um horário para usar a sala esta tarde. Pelos meus cálculos, se tudo der certo, a poção estará pronta em dezesseis dias. Você não vai tentar?

- Eu dei uma folheada nos livros. – Lily fez uma careta – Sinceramente achei complexo demais. Eu tentaria se tivesse mais tempo livre, mas ainda não comecei a estudar para a prova de Transfiguração e nem terminei a maldita redação de História da Magia.

- E está saindo com o Potter... – os olhos de Georgina giraram – Não está?

- É complicado. – Lily repetiu a resposta vaga da colega e soltou um risinho que atraiu a atenção do professor.

Quando se virou, Horace estava pronto para repreender as alunas pela conversa, mas desistiu daquela ideia ao ver que o riso viera da bancada de Evans e Grimstone, declaradamente duas de suas alunas preferidas no castelo. O professor se limitou a sacudir o indicador na direção das duas enquanto brincava.

- Meninas! Não me obriguem a pegar de volta todos os pontos que vocês já conquistaram com suas respostas brilhantes!

- Impossível, professor. – Georgina lançou um olhar indignado ao fundo da sala – A maior parte desses pontos já foram descontados graças ao comportamento lamentável do Black e do Potter.
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Maio 16, 2016 4:59 am

A última coisa que estava nos planos de Annabeth para aquele fim de dia era compartilhar o campo de quadribol com James Potter. Se ela pudesse evitar de respirar o mesmo ar que o apanhador da grifinória, já se sentiria imensamente sortuda, mas Potter parecia insistir em cruzar seu caminho.

Por um segundo, Grimstone chegou a cogitar virar a vassoura e deixar o colega falando sozinho. Mas parecia uma imensa justiça que James lhe tirasse aquele momento também. Além do mais, uma oferta de poder jogar uma partida de arremessos livres era sempre tentadora demais, mesmo que fosse com o capitão obtuso da grifinória.

- Eu não preciso de vantagem alguma, Potter.

Anna segurava a goles com as duas mãos, mantendo o equilíbrio perfeito sobre a vassoura de última geração, que havia sido impossibilitada de usar no treino. Mesmo com o vento fraco da noite que balançava os cabelos negros soltos sobre seus ombros, a menina conseguia ter total controle no ar, se mantendo parada como se tivesse com os dois pés firmes no chão.

- Mas preciso admitir que ver você dando piruetas diante dos aros seria uma cena impagável.

Sem esperar para que Potter absorvesse suas palavras, Annabeth jogou a goles para cima e driblou a vassoura de modo a acertar a bola com o a parte traseira, arremessando-a em direção ao aro mais distante do apanhador. O gol foi rápido e ridiculamente fácil, mas o suficiente para despertar um sorriso nos lábios rosados.

- Que tal tornarmos as coisas um pouco mais interessantes? – Anna sacou a varinha das vestes e conjurou a goles para que voltasse até suas mãos. – Se você ganhar, eu te dou a minha vassoura nova.

Ela fez uma pequena pausa e encolheu os ombros antes de continuar.

- Mas se eu ganhar, você vai dedicar a primeira vitória da Grifinória para mim e dizer que se arrepende amargamente em não ter me escolhido.

A goles foi novamente arremessada ao aro mais longe de Potter, mas por um pequeno erro de cálculo de Annabeth, o vento permitiu que ela fugisse do trajeto, facilitando a captura pelo rapaz.

- O que me diz? Com medo de perder para uma garota que sequer está no time, capitão?
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por James Potter em Seg Maio 16, 2016 11:31 pm

Não era a mesma coisa voar sobre as arquibancadas vazias. Depois de quatro anos como apanhador do time da Grifinória, James estava acostumado a jogar com a euforia das torcidas e com centenas de olhos voltados para ele. Mesmo quando a equipe se reunia para treinamentos, era comum que vários colegas aparecessem para assistir. O quadribol era sempre um evento notável para os grifinórios, mesmo se fosse uma partida informal.

O campo totalmente vazio tinha um ar melancólico, que naquele fim de tarde era um pouco amenizado pela beleza da paisagem. O outono chegava trazendo consigo temperaturas mais amenas, mas as montanhas que cercavam Hogwarts ainda refletiam o verde adquirido durante o último verão. No horizonte, o sol começava a se despedir daquele dia e presenteava o céu manchando a imensidão azul com tons alaranjados.

Acostumado à delicadeza do pomo de ouro, James estranhou o peso e o volume da goles. Embora eventualmente assumisse a posição de artilheiro durante os treinamentos para ensinar alguma jogada aos colegas, aquela definitivamente não era a posição em que o capitão se sentia mais confortável. Quando lançara o desafio à Annabeth, James já sabia que as suas chances de vencê-la eram praticamente nulas.

- Eu não quero a sua vassoura, Grimstone. – a voz de Potter ecoou pela imensidão do campo vazio – Você pode não acreditar, mas eu estou bastante satisfeito com a minha humilde Comet e não pretendo aposentá-la.

Tentando se acostumar com as dimensões daquela nova bola, James a girou sobre seus dedos, equilibrando-a com facilidade durante o movimento. O apanhador da Grifinória fingiu pensar antes de apresentar um novo termo para aquela aposta.

- Se eu ganhar, você vai parar de me encarar como se estivesse planejando uma sessão de tortura. É sério, Grimstone, estou começando a ficar com medo.

Sem esperar pela concordância da colega, Potter a surpreendeu quando mergulhou no ar, dando início a um contra-ataque. A Cleansweep era extremamente mais potente que a Comet 260, mas o capitão provou a Annabeth a teoria de que a vassoura não era mais importante que a habilidade do jogador que a montava. Com um equilíbrio perfeito e conhecendo as melhores angulações da vassoura, James cruzou todo o campo em poucos segundos e arremessou a goles contra o aro central vazio. O apanhador riu da própria pontaria quando a goles acertou o aro de metal e estremeceu antes de atravessá-lo caprichosamente. Mesmo há dois metros de distância e sem um goleiro, Potter quase errara o alvo. Sem dúvida, vencer não seria um grande desafio para Annabeth.

- Por Godric, Grimstone... – James girou o cabo da vassoura, virando-se para a colega que só agora o alcançava – Se você não conseguir ganhar uma disputa de gols contra um apanhador míope, desista do quadribol!

Embora sua habilidade como artilheiro não pudesse ser comparada ao excelente desempenho de Annabeth com a goles, Potter ofereceu à colega um bom jogo nos minutos seguintes. A pontaria dele era ridícula, mas James compensava essa falha com voos perfeitos, contra-ataques em alta velocidade e boas defesas.

Por um momento, Potter se esqueceu que aquela brincadeira tinha a finalidade de restabelecer os laços de amizade com a Grimstone caçula. O vento bagunçando seus cabelos e a deliciosa adrenalina proporcionada pelo quadribol faziam com que o grifinório entrasse em um mundo só seu, onde os problemas simplesmente evaporavam e não havia espaço para preocupações.

Depois que Annabeth marcou o seu sexto gol – contra apenas quatro de James – o rapaz recuperou a goles e mergulhou para um novo ataque. As duas mãos seguravam a bola, obrigando Potter a usar apenas os suportes de pés para manter o equilíbrio. Os arremessos do apanhador eram medonhos, mas ninguém questionaria a perfeição dos movimentos dele sobre a vassoura.

Com Grimstone em seus calcanhares, James tinha que compensar a potência da Cleansweep com manobras habilidosas que obrigavam a adversária a mudar repetidamente de direção. Uma gargalhada ecoou pelo campo vazio quando Potter girou a vassoura em um looping inesperado e potencialmente arriscado, deixando Annabeth atordoada na jogada.

Aproveitando-se dos poucos segundos que a colega demorou para entender o que acontecera, James voou até os aros. Como a adversária estava fora da jogada, nem foi necessário testar a péssima pontaria. Potter simplesmente apoiou a goles sobre a superfície do aro e lançou um sorrisinho maroto na direção de Annabeth antes de empurrar a bola com o indicador.

- Seis a cinco. Vamos lá, Grimstone! Eu esperava mais de você! Já conseguiu tomar cinco gols de um cara que não acerta nenhum arremesso com mais de dois metros de distância! – o capitão provocou enquanto erguia uma das sobrancelhas num arzinho de arrogância forçada – Eu deveria ter mantido a aposta da vassoura, isso te motivaria a ganhar. Está gostando muito da minha companhia ou quer perder a aposta só para fazer as pazes comigo...?
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por Damien Scott em Dom Maio 22, 2016 7:17 pm

Normalmente, as provocações e alfinetadas de Georgina Grimstone tinham a capacidade de tirar Sirius do sério. Era impressionante como a grifinória tinha a habilidade de fazer seu sangue ferver com sua personalidade prepotente, como se fosse sempre a dona da razão.

Black reconhecia o esforço da colega para conquistar notas altas, mas embora fosse um aluno dotado de uma inteligência que não era compatível com seu descaso escolar, ele sempre achava toda aquela luta para ser a melhor em aula extremamente desnecessário.

Para Sirius, haviam coisas muito mais importantes na vida do que ser a queridinha do professor e aquilo só fazia com que ele enxergasse Georgina como se fosse uma coruja desesperada por atenção e ter sua cabeça afagada por conquistas bobas.

Entretanto, naquela manhã, o comentário de Grimstone não foi capaz de despertar sua comum ira. Black estava sentado em seu lugar, sem muita compostura, enquanto assistia a aula de Slugorn com um olhar tedioso. Suas pernas estavam esticadas sobre o piso de pedra, com um calcanhar repousado sobre o outro pé, e a cadeira era levemente inclinada para trás enquanto ele fitava a nuca de Georgina com um sorrisinho vitorioso nos lábios.

Quando a menina mencionou seu nome, o sorriso de Sirius se alargou. Não havia necessidade de responder, quando aquela provocação já estava vingada com as cinzas do snap explosivins que repousavam no estoque particular de Georgina, então o rapaz se limitou a balançar a sobrancelhas enquanto encarava Grimstone divertidamente.

***

O humor de Sirius estava particularmente bom naquela tarde. Na companhia de Potter e Lupin, ele havia acabado de deixar a biblioteca, após serem convencidos pelo Lobisomem que precisariam revisar toda a última aula de Defesa Contra as Artes das Trevas.

O resultado havia sido algumas horas sonolentas enquanto Lupin fazia dezenas de anotações e Black e Potter duelavam silenciosamente uma guerra de bolinhas de papel, até finalmente serem expulsos pela bibliotecária.

- Vocês deveriam levar o assunto um pouco mais a sério de vez em quando.

Mesmo quando queria recriminar os amigos, Lupin não conseguia ser tão sério, embora parecesse chateado por tentar equilibrar o peso dos livros que havia retirado da biblioteca para manter o estudo em dia.

- Quem aqui não leva a sério, Moony??? – Sirius se fez de ofendido, enquanto deslizava um braço pelos ombros do amigo. – Alguns poderiam dizer que sou especialista em criaturas das trevas. Eu já até vi um lobisomem de perto.

Black piscou o olho, arrancando um sorriso do amigo.

- Bom, se esse é o caso, o especialista sou eu.

- Não é uma competição, Moony. – Sirius revirou os olhos exageradamente. – Você não deveria tirar vantagem do seu probleminha peludo, não é justo.

Os três estavam virando o corredor, mas antes que Lupin tivesse a chance de responder, alguém passou correndo entre os dois, fazendo com que Sirius tombasse para o lado. O mais assustador foi reconhecer o coque firme da professora McGonnagal quando a professora seguiu o corredor apressadamente.

Sem dizer nada, os três amigos se entreolharam por um segundo antes de correr na mesma direção que a diretora da Grifinória. Não precisava ser um gênio para saber que apenas algo muito urgente faria a sempre tão alinhada professora deixar de lado sua postura séria e correr por Hogwarts.

Quando eles alcançaram o corredor das masmorras, um pequeno grupo de alunos já começava a se amontoar, e mais uma vez, Minerva deslizou entre os ombros dos mais novos até entrar na Sala de Poções.

Uma nuvem de fumaça preta saía pela porta aberta da sala e os alunos que estavam mais próximos precisavam manter a mão sobre a boca e o nariz para não terem uma crise de tosse. Black precisou apenas se esticar um pouco para enxergar sobre as cabeças presentes o desastre ocorrido.

A sala de poções estava completamente irreconhecível. As prateleiras que normalmente exibiam poções, livros e ingredientes, haviam sido derrubadas. Havia vidro espalhado por todo o chão e as carteiras que os alunos usavam para assistir as aulas estavam destruídas, algumas queimadas e outras completamente desmontadas.

O estrago ainda estava tentando ser controlado pela varinha erguida de Horace Slughorn, agora somada a de Minerva, mas era nítido aos olhos de qualquer um que o pior já havia sido mitigado. O pior ponto vinha de uma mesa mais a frente da sala, onde um caldeirão ainda pegava fogo diante de uma Georgina Grimstone tão pálida que parecia um fantasma.
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Re: Quidditch World Cup

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Maio 22, 2016 7:30 pm

Para surpresa de Annabeth, aquele início de noite havia sido muito mais divertida do que ela esperava. Potter poderia não ser um adversário a altura quando se tratava de técnicas específicas de um artilheiro e muito menos de um goleiro, mas compensava com a qualidade do seu voo e ainda mais em seu bom humor.

Quando os dois voltaram ao chão, algum tempo depois e com a vitória de Grimstone com a diferença de um único gol, a menina ainda estava sorrindo, sem se importar pela vitória apertada ou pelas provocações de Potter.

Antes de qualquer coisa, o Quadribol significava diversão em sua vida, e aquela breve partida na companhia de Potter havia sido surpreendentemente divertida. Não havia mais sinal de mágoa ou raiva pelas escolhas do capitão do time, e Annabeth finalmente se permitia aceitar que ele havia feito a melhor escola técnica.

Os dois caminharam lado a lado, ainda discutindo sobre as manobras um do outro, até alcançarem o Salão Comunal relativamente vazio devido ao horário do jantar. Antes de seguir pelas escadas que a levariam até o dormitório, Annabeth ainda se virou para James, sem se importar com os cabelos bagunçados pelo vento.

- Está bem, Potter. Eu venci, mas admito que você não foi tão ruim assim. Em alguns momentos parecia um trasgo desengonçado e definitivamente não sabia segurar a goles direito, mas nada mal para um apanhador míope.

Annabeth ergueu o braço na direção de James antes de completar, selando aquela noite com um aperto amigável de mãos entre dois colegas.

- Você não ganhou a aposta, mas também não merece que eu continue com as minhas sessões de tortura imaginarias. Apenas não deixe de ganhar a taça este ano, está bem?

***

Como era de praxe, o primeiro jogo do campeonato das casas era estreado pela casa campeã do ano interior, o que garantia a Grifinória a primeira partida do ano. Quando o novo time entrou em campo, foi recebido por uma onda de urras e aplausos.

Era frustrante estar vestindo as cores vermelhas e douradas sentada da arquibancada, quando Annabeth tinha certeza que naquele ano estaria no ar com os demais colegas. Ainda assim, o orgulho pela casa dos leões era grande demais para que ela se deixasse abater por algo tão pessoal, se juntando ao restante dos alunos nas vibrações em torcia pelo time.

Naquele fim de tarde, a Grifinória enfrentaria a Sonserina, que se mostrava a cada ano mais insatisfeita com as vitórias da casa de Godric. Aquela insatisfação se tornou ainda mais evidente quando o apito soou, dando início ao jogo.

Cada movimento dos jogadores da casa das serpentes parecia ser previamente calculado com o único intuito de machucar o time adversário. Em muitos momentos ficou evidente que seu principal foco sequer era a posse da goles, enquanto perseguiam os artilheiros da casa dos leões.

Por mais que o apito de Madame Hooch soasse em alerta dezenas de vezes, aquilo não parecia inibir as ações do Sonserino. A torcida da Grifinória estava tensa e xingava frequentemente, cada vez que um de seus jogadores perdia a posse da bola ou se prejudicava por causa do outro time.

Apesar da dificuldade, Ian mostrava a todos que a escolha de Potter não havia sido em vão. Por quatro vezes, ele conseguiu desviar dos balaços dos sonserinos e marcar gols que arrancavam aplausos das arquibancadas.

O último gol ainda estava em comemoração quando o grito de Katharine ecoou pelo campo. Enquanto a atenção de todos estava perto dos aros, a artilheira central havia sido atingida há alguns metros da jogada. O balaço arremessado pela Sonserina acertou em cheio o seu braço direito e a menina urrava de dor enquanto matinha a mão junto ao corpo, evitando qualquer movimento.

Antes que ela tivesse a chance de se recuperar, um novo balaço atingiu a ponta de sua vassoura, fazendo-a rodopiar no ar várias vezes até perder o equilíbrio por completo, deslizando para fora até estar completamente solta no ar, de encontro ao chão.
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Re: Quidditch World Cup

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