Veritaserum

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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Sab Abr 09, 2016 8:22 pm

Mesmo antes de descobrir que seus sentimentos por Regulus iam além da inocente amizade, Alexia se sentia incomodada com os poucos namoros que ele tivera ao longo dos anos. Era como se a caçula dos Romanoff temesse perder sua posição tão especial na vida do melhor amigo, exatamente como estava acontecendo naquela tarde.

Porém, ver o beijo de Regulus e Winnifred era ainda mais doloroso agora que Alexia havia começado a enxergar o melhor amigo com outros olhos. Ia além da irritação de ver a velha inimiga saindo vitoriosa de uma batalha, mas uma sensação de frustração e perda do carinho de Black que Alexia não estava preparada para ter.

Com o estômago se contorcendo, Alexia não conseguia nem mais esboçar um sorriso falso para a cena que acontecia diante dos seus olhos. As íris azuis brilhavam com a mágoa cada vez mais intensa. Ela sabia que havia cometido um grande deslize em ofender Regulus semanas antes, mas Black estava escolhendo cada palavra cuidadosamente com a intenção de feri-la.

Sem dar um único gole em seu espumante, Alexia devolveu a taça para a bandeja sobre a mesa e se colocou de pé, alisando as próprias vestes. Era terrível sair daquela casa se sentindo derrotada, mas Romanoff não tinha mais forças para continuar assistindo aquele espetáculo.

- Bom, eu acho lastimável que você esteja tão cego a ponto de achar essa ferrugem perfeita, Regulus. Mas, é a sua vida, não é?

Alexia se debruçou sobre a mesa para pegar o grande chapéu, e com movimentos bem calculados e não muito discretos, ela permitiu que o acessório esbarrasse na garrafa de espumante, fazendo-a virar, derrubando uma boa quantidade da bebida nas pernas de Rookwood.

O banho transparente e pegajoso chegou a molhar a barra do vestido de Winnifred, escorrendo pelos seus joelhos, pernas e tornozelos, até manchar os sapatos de salto. Com um falso semblante de preocupação, Alexia cobriu a boca com a mão livre.

- Por Merlin, Winnie! Desculpe! Eu sou tão estabanada. Sorte que você não use vestidos tão caros, não é, queridinha? Já pensou que lástima seria estragar um vestido de qualidade por um descuido?

Alexia deu um passo para trás, abrindo espaço entre ela e a noiva de Regulus, e apontou para o corredor à esquerda.

- Tem um lavabo nesta direção. Terceira porta.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Regulus Black em Sab Abr 09, 2016 8:42 pm

A garrafa tombada na direção de Winnifred não surpreendeu Regulus. Ele conhecia a melhor amiga tão bem que já esperava por algo assim de Alexia. A ruiva, por outro lado, saltou do sofá com os olhos arregalados, mas logo a sua expressão assustada se tornou furiosa.

- Você fez de propósito! Sua gorda idiota!

Aquele “acidente” tinha sido o bastante para fazer com que Winnie parasse de atuar e mostrasse a sua verdadeira face. A futura Sra. Black estava tão furiosa que chegou a levar a mão à varinha, mas afastou os dedos logo em seguida ao concluir que aquele escândalo não lhe traria nenhum benefício.

- Desista, Alexia. Esta é uma batalha perdida. O Regulus agora é MEU e não há nada que você possa fazer para mudar isso.

Antes que o espumante causasse um dano irreversível ao vestido e aos sapatos, Winnifred saiu da sala para procurar o banheiro mais próximo. Tão logo os passos da ruiva sumiram pelo corredor, Regulus voltou os olhos acinzentados para a filha dos Romanoff.

O herdeiro dos Black continuava sentado confortavelmente no sofá, como se nada demais tivesse acontecido. Para reforçar aquela tranquilidade, Regulus bebericou o espumante antes de tomar a palavra.

- Quanta imaturidade. Quantos anos você tem, Alexia? Onze? O próximo passo seria uma guerra de almofadas? Lamentável...

Ainda com uma calma que não combinava com o clima tenso da sala, Regulus se recostou no sofá e dobrou uma das pernas sobre o joelho oposto antes de continuar.

- A partir de agora, acho mais adequado que você agende as suas visitas a esta casa. Talvez Avery não se importe com tamanha informalidade, mas a minha futura esposa já deixou claro que isso a incomoda. E a opinião dela é a que mais importa. Winnie será a dona desta casa, afinal.

O caçula dos Black ergueu uma das sobrancelhas num semblante de desafio e não tirou os olhos de Alexia enquanto completava.

- Está surpresa? Eu também fiquei muito surpreso quando você escolheu o Avery. Acho que agora estamos quites. – os olhos cinzentos se moveram na direção na qual Rookwood havia desaparecido – Quer escutar mais um segredo sobre a Winnie? Eu sempre a achei linda, mas dizia o contrário para não irritar você. É um alívio não precisar mais esconder isso.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Sab Abr 09, 2016 8:43 pm

No instante em que Emmeline abriu a porta, os olhos ágeis de Severus deslizaram pelo seu corpo e ele sentiu a boca ficar seca quando ainda foi capaz de capturar a imagem da camisola preta antes de ser escondida pelo robe.

Jenner era ainda mais perfeita quando estava natural como naquela noite, e Snape permitiu que as íris negras deslizassem vagarosamente até encontrar o olhar dela. Mesmo sendo o mestre em esconder seus sentimentos, a curandeira seria perfeitamente capaz de ler em cada centímetro de seu rosto como Snape ficava abalado diante da sua presença.

Seu rosto, sempre sombrio e fechado, parecia estar iluminado, hipnotizado com a delicadeza da lufana. Snape esperou que Emmeline começasse um questionamento, porque ele estaria parado na sua porta no meio da madrugada. E só então Severus percebeu que havia permitido o impulso leva-lo até ali, sem que tivesse um motivo plausível para a visita noturna.

Sua mente começava a tentar elaborar uma desculpa aleatória quando Jenner o surpreendeu com o segundo beijo. Não era necessário dizer nada, porque os dois sabiam o motivo de estarem acordados até tarde, ansiosos por um novo contato.

De prontidão, Snape rodeou a cintura de Emmeline com os braços, mantendo-a colada ao seu corpo, impossibilitando que a curandeira perdesse o equilíbrio mesmo quando estava sobre seus pés.

O tecido fino do robe permitia que as mãos de Severus sentisse com mais exatidão as curvas do corpo delicado de Jenner, despertando arrepios por todo o seu corpo. Mais uma vez, o professor de poções sentiu como se estivesse na vida de outra pessoa, vivendo um momento mágico demais para alguém como ele.

Com uma das mãos, Snape puxou o coque frouxo de Emmeline, terminando de soltar os fios loiros e amassados. Ele afundou os dedos por baixo das mexas claras, segurando-a pela nuca enquanto acariciava a pele macia com o polegar.

Seus lábios se mexiam com perfeição, sem interrupções desagradáveis, e todo o seu corpo correspondia com fogos de artifícios internos. Quando seus pulmões começaram a protestar e exigiram que aquele beijo chegasse ao fim, Snape permitiu que as bocas se soltassem, mas manteve Emmeline colada em seu corpo.

A testa encostada na dela, Severus permitiu que as pálpebras se erguessem preguiçosamente, revelando um brilho jamais visto antes nas íris negras. Seus lábios úmidos estavam curvados para o lado, em um sorriso de quem acaba de despertar de um sonho gostoso.

- Eu acho que precisava disso para conseguir dormir. – Ele sussurrou, a voz rouca e arrastada.

A mão antes pousada na nuca de Emmeline deslizou até alcançar a bochecha dela, acariciando a pele macia. Com a proximidade, o nariz de Snape roçava delicadamente no de Emmeline e ele tentava memorizar aquele perfume gostoso e delicado.

- Esses foram os ovos de fada mais caros da minha vida, mas é lógico que tinha que vir de uma lufana.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Sab Abr 09, 2016 9:09 pm

- Imaturidade??? – Alexia bufou, sem precisar manter a máscara de falsidade agora que Rookwood não estava mais presente. – Você vai se casar com aquela barata sem casca, não me avisa, e ainda fica dando um showzinho! Quem é o imaturo, Regulus?

Ouvir que precisaria agendar suas visitas a mansão Black, algo que nunca foi necessário ao longo de tantos anos de amizade, fez com que Alexia baixasse o tom de voz e encolhesse os ombros, como se aquela fosse a pior ofensa que havia escutado desde que pisara naquela sala.

Um nó se formou na sua garganta e Romanoff teve certeza que era uma pontada de vontade de chorar, o que ela jamais permitiria acontecer enquanto estivesse sob o mesmo teto que Winnifred.

O golpe final foi a declaração de Black sobre a aparência de Rookwood. Saber que o melhor amigo se casaria com a velha inimiga e que estaria feliz com aquilo fazia seu estômago se contorcer em ciúmes. Era terrível imaginar Regulus distribuindo beijos e carícias na ruiva, e Alexia deixou transparecer aquela mágoa nos olhos azuis. Ela nunca havia sido boa em esconder seus sentimentos do melhor amigo, e aquela era mais uma prova disso.

- Eu não pretendo agendar visitas. Afinal, eu não vou mais colocar meus pés nessa casa.

Alexia trincou os dentes enquanto respirava fundo, tentando ignorar o nó que queimava em sua garganta. Ela havia ido até a mansão disposta a retomar a amizade com Regulus. Estava conformada em não ter mais nada com o caçula dos Black, mas não estava disposta a abrir mão daquela amizade.

Jamais havia imaginado que sairia dali também com a amizade destruída e o peito cheio de mágoas.

- Que bom que você acha aquela lesma carnívora atraente. Eu só recomendaria procurar um bom curandeiro, pois parece que você bateu a cabeça forte demais.

Alexia sabia que a futura Sra. Black era muito bonita, com seus exóticos cabelos ruivos e os olhos verdes incríveis, mas jamais admitiria aquele detalhe, ainda mais agora que havia perdido a pior batalha para Rookwood.

- Quanto a nós dois, sua digníssima noiva não precisa ficar insegura. Eu não pretendo voltar a ver você, Black.

Com um sorriso derrotado, Alexia cruzou os braços e fungou, escutando os ruídos que indicavam o retorno de Winnifred. Era estranho chamar Regulus pelo sobrenome, mas era a forma que Romanoff encontrava de distanciá-lo ainda mais.

- Parabéns por ter estragado até a única forma de relacionamento que a gente poderia ter. Pode dizer à Winnifred que você é mesmo todinho dela.

Alexia se sentia arrasada, como se tivessem acabado de arrancar um pedaço de seu coração. Era assustador imaginar sua vida sem Regulus, mas antes que alguma lágrima escapasse de seus olhos, ela girou sobre os calcanhares e deixou a mansão, decidida a seguir com a própria vida ao lado de Avery.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Sab Abr 09, 2016 9:12 pm

Era totalmente inesperado aquele sentimento que começava a brotar entre Jenner e Snape. Para a loira, era inconcebível pensar que somente nos braços de um sonserino sombrio ela finalmente encontrava tudo o que esperava do príncipe idealizado com o qual ela sonhava quando menina.

Severus era um homem real cheio de defeitos, mas, para Emmeline, apenas as qualidades dele importavam. E a forma como ele mudava seu comportamento e a sua personalidade hostil diante dela parecia parte de um roteiro de um conto de fadas.

A curandeira ainda se sentia nas nuvens com aquele beijo e com as carícias quando ouviu a declaração de Snape. As palavras dele fizeram Emmeline enxergar que era aquilo que ela mais gostava no sonserino. Severus era um poço de frieza, de ironia e impaciência. Mas, para a lufana, ele mostrava o outro lado de sua personalidade. E o detalhe mais doce era que Snape nem parecia se dar conta do quanto suas palavras soavam românticas.

- Eu também precisava...

Os dois já tinham se arriscado demais com aquele beijo no meio do corredor das masmorras. Era madrugada e nenhum aluno tinha permissão para circular pelo castelo, mas havia a chance de serem flagrados por Filch, ou por algum dos fantasmas. Para evitar mais uma interrupção, Emmeline deslizou novamente para dentro do quarto e puxou Severus pelo punho, fechando a porta depois que o professor entrou no cômodo.

O antigo quarto de Horace Slughorn era enorme e extremamente confortável. A decoração já tinha sido mudada após a saída do professor, mas alguns detalhes tinham sido mantidos como o carpete verde escuro, o lustre cheio de pedrinhas brilhantes e a enorme estante na qual, há alguns anos, Slug guardava as fotos de seus alunos mais famosos.

O malão de Emmeline estava aberto em um canto do cômodo. Várias de suas roupas continuavam dobradas ali, num sinal claro de que a curandeira não pretendia alongar demais a sua estadia no castelo. Maggie estava melhor a cada dia e, em breve, não haveria mais motivos para Jenner permanecer em Hogwarts.

Além do livro aberto sobre a poltrona, havia mais uma pilha de livros pessoais da curandeira sobre a estante. Também era ali que Emmeline guardava suas anotações e a maleta com seus instrumentos de trabalho.

Mas o cheiro fora a mudança mais pronunciada que Jenner fizera no quarto do antigo professor. Agora todo o cômodo exalava o delicado perfume floral usado pela lufana. Certamente demoraria um tempo até que todo o perfume se dissipasse, mesmo após a partida de Emmeline.

Os olhos cor de mel giraram com aquele comentário de Severus, mas a moça respondeu com bom humor.

- Você continua preocupado com os ovos de fadas, não é? Eu já disse que vou te pagar. E já aprendi a lição, nunca mais pedirei favores a um sonserino. Vocês reclamam demais, sabia?

O tom de brincadeira foi reforçado pelo gesto carinhoso de Emmeline, que se colocou diante do professor e deslizou as mãos pelo peito dele até apoiar os dedos na nuca de Severus. Por mais estranho que pudesse parecer estar naquele clima de intimidade com Snape, Jenner não pretendia abrir mão da felicidade que sentia ao lado dele. Há muitos anos a curandeira não se sentia tão leve e realizada quanto naquele momento.

- Você deveria sorrir mais. – Emme levou um dos indicadores aos lábios de Snape e refez o contorno do sorriso dele com a ponta do dedo – Seu sorriso é muito bonito, Severus.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Regulus Black em Sab Abr 09, 2016 9:32 pm

A vingança fora o combustível que motivara Regulus a aceitar aquele casamento com Winnifred Rookwood. O sofrimento por ter perdido Alexia era tão sufocante que Black concluiu que só se livraria daquela dor se devolvesse parte daquela mágoa à melhor amiga.

Naquela tarde, contudo, ficou provado que a vingança não diminuía em nada a dor de Regulus. Ele continuava sofrendo por Alexia, mesmo agora que fizera a amiga experimentar a mesma ofensa sofrida por ele.

Depois daquela troca de farpas que nunca existira entre os amigos, Regulus se sentia tão arrasado quando a morena. Era terrível pensar num futuro sem Alexia, mas ao mesmo tempo Black sabia que os dois não conseguiriam ser somente bons amigos depois dos beijos trocados.

- Foi você que estragou tudo quando me deixou para trás e foi para a sua festa de noivado, Alexia. Você deveria saber que nenhuma forma de relacionamento sobreviveria a isso.

A última palavra foi dita um segundo antes de Winnifred retornar à sala, já totalmente recomposta após aquele “acidente”.

A declaração de Regulus esclarecia o último ponto obscuro que restara depois da discussão: independente de Winnie, não havia mais nenhuma maneira daquela amizade sobreviver. Black não tinha dúvidas de que amava a melhor amiga e jamais conseguiria exercer o papel de um amigo coadjuvante na vida que Alexia escolhera ao lado de Avery.

Depois que Alexia partiu, não fazia mais sentido encenar o papel de noivo apaixonado. Regulus manteve um comportamento gentil com Winnifred, mas não moveu um dedo para prolongar a visita da ruiva. Black não fugiria da obrigação de se casar com Winnie agora que o acordo já fora fechado entre as duas famílias, mas não tinha a menor ilusão de que seria feliz ao lado da futura esposa.

Exatamente por aceitar aquele destino, Regulus não se esquivou da conversa daquela noite. Quando Orion o questionou sobre a data do casamento, o herdeiro dos Black deixou toda a responsabilidade nas mãos da mãe. Walburga estava tão satisfeita com a escolha do filho que certamente apressaria os preparativos para que a troca de alianças acontecesse o mais rápido possível.

Quando se deitou em sua cama naquela noite, Regulus já sabia que não conseguiria dormir. Portanto, o rapaz nem mesmo tentou fechar os olhos e passou um generoso tempo fitando o teto do quarto enquanto seus pensamentos voavam para longe e a sua cabeça criava cenários fantasiosos que jamais se tornariam realidade.

Era em momentos assim que Regulus invejava a coragem grifinória de Sirius. Tudo seria muito mais simples se ele tivesse a audácia de fugir das obrigações do sobrenome Black.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Sab Abr 09, 2016 9:38 pm

O comentário sobre a personalidade sonserina fez com que Snape soltasse um risinho nasalado, enquanto suas mãos aproveitavam a proximidade para acariciar o rosto e os cabelos de Emmeline. Ele passou a língua pelo lábio inferior enquanto se deliciava com a sensação de intimidade que surgia com a curandeira.

- Eu não estou cobrando, sou apenas agradecido pela época escassa das fadas.

Severus permitia que seus dedos deslizassem pelos fios claros de Jenner, se deliciando com a textura macia e com as ondas suaves provocadas pelo coque desfeito. Racionalmente, ele não conseguia compreender o que a lufana estava fazendo em seus braços e tentava ignorar a voz que sussurrava que havia algo de muito errado naquela história.

Pela primeira vez na vida, ele estava feliz demais para questionar se Emmeline possuía alguma doença mental ou se estava enfeitiçada para agir daquela forma.

Diante do último comentário sobre seu sorriso, Snape suavizou sua expressão e encarou Emmeline com um olhar doce, que o tornava em um homem completamente diferente do que o frio professor de poções que descontava pontos de seus alunos pelos detalhes mais bobos.

Ele segurava o rosto de Emmeline com as mãos, o polegar acariciando a bochecha macia. Devido a diferença de estatura, Snape precisava inclinar o pescoço para baixo, mas ainda assim, parecia que a curandeira se encaixava com perfeição em seus braços.

Era a primeira vez que Severus ouvia um elogio sobre sua aparência e sua mente, sempre tão acostumada com piadas ácidas e críticas, não conseguia acreditar em Emmeline da mesma forma que a própria curandeira acreditava. Ainda assim, era maravilhoso ouvir.

- Eu não tenho tantos motivos para sorrir.

A confissão saltou de sua boca antes que ele tivesse tempo de refrear. Mesmo nos anos que tivera Lily Evans como amiga, a ruiva não ouvia de Snape seus verdadeiros sentimentos. Mas Emmeline lhe acolhia de tal forma que Severus não conseguia deixar de compartilhar o que realmente pensava.

- Talvez você seja a primeira alegria que tenho em anos, Emme.

Com o indicador, Severus deslizou pelo rosto de Emmeline, retirando alguns fios que insistiam em lhe cobrir o rosto delicado, até pousar na ponta de seu queixo.

- É assustador. Mas nunca vivi um assustador tão bom.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Sab Abr 09, 2016 10:13 pm

Graças à amizade com Lily Evans, Emmeline sabia alguns poucos detalhes da família Snape. Em Hogwarts, a ruiva havia comentado que seus vizinhos não viviam bem, que os pais de Severus formavam um casal infeliz, que brigavam demais e descontavam as suas frustrações no único filho.

Com relação à vida de Severus fora de casa, a lufana já havia presenciado as piores cenas. Snape sempre fora o alvo preferido de Potter e Black. O sonserino nunca despertara a piedade de Emmeline porque costumava reagir às provocações e seu comportamento era sempre tão hostil que não abria nenhuma brecha para sentimentos de compaixão.

Agora, contudo, Jenner se perguntava o quanto aquele passado sombrio havia contribuído para que Severus construísse aquela personalidade tão difícil. Uma criança sem o suporte dos pais, um adolescente sem amigos, um homem que arriscava a sua vida todos os dias como se não desse valor à própria existência. Definitivamente, Snape estava certo naquela declaração sobre não ter muitos motivos para sorrir.

Entretanto, o típico otimismo lufano se revelou na resposta que Emmeline deu ao professor. Era impressionante como a loira conseguia enxergar algo positivo na vida do homem a sua frente.

- Pois eu consigo enxergar muitos motivos para você sorrir, Severus.

Enquanto falava, Jenner usou os dedos para brincar com as pontinhas dos cabelos negros do sonserino.

- Você é um homem inteligente, acima da média. E você sabe muito bem disso. – Emme enumerava as qualidades de Snape sem pensar que o professor não estava nada habituado a receber elogios – Você tem um excelente emprego, tem ideia de quantas pessoas adorariam construir uma carreira em Hogwarts?

Sem esperar por uma resposta de Severus, a loira continuou o seu discurso.

- Seu senso de humor é único. E quem discorda disso é porque não é inteligente o bastante para compreender as suas ironias. Você é uma das poucas pessoas que pode se vangloriar por ter a confiança de Albus Dumbledore. É uma honra possuir o respeito e o afeto de um bruxo como ele. E você tem bons amigos, Severus.

Antes que o professor discordasse daquela última afirmação, Emmeline se explicou.

- Exceto pelas pessoas com quem você tem problemas pessoais, você sabe que pode confiar a sua vida aos demais membros da Ordem da Fênix. Os Weasley sempre te recebem com carinho, é óbvio que o Olho-Tonto te admira pela sua coragem. O Kingsley sempre leva a sua opinião em consideração... Pouca gente pode citar tantas pessoas que morreriam por elas.

É claro que tudo aquilo era importante na vida de Snape, mas ao mesmo tempo não era o bastante para exterminar tantos anos de sofrimento e solidão. Severus possuía o respeito e a admiração das pessoas que o cercavam, mas continuava sendo um homem solitário. Ao menos até a inesperada chegada de Emmeline a sua vida.

- Mas tudo bem, eu não pretendo reclamar de ser um motivo para a sua alegria. É muito gostoso ouvir isso.

Com os lábios curvados num sorriso, Jenner se colocou mais uma vez na ponta dos pés e roubou um beijo dos lábios do sonserino.

- Bendita a hora que eu tive a coragem de pedir aqueles ovos de fadas para um sonserino. Se não fosse pela minha ingenuidade, não estaríamos aqui. – Emme mordeu o lábio inferior – Lembre-se disso sempre que quiser apontar os meus defeitos lufanos, Severus.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Sab Abr 09, 2016 11:01 pm

Exatamente como havia prometido a si mesma, Alexia se obrigou a seguir com a própria vida, tentando ignorar a dor provocada pela ausência de Regulus Black. Mais do que o desejo dos beijos, ela sentia falta da presença do melhor amigo, das risadas e de ter alguém com quem poderia ser ela mesma, sem máscaras.

Os primeiros dias foram os mais difíceis para a caçula dos Romanoff, mas logo os meses se formavam e a proximidade do casamento a obrigava a focar todo o seu tempo nos preparativos. Praticamente tudo já estava escolhido.

A cerimonia seria ao ar livre, nos jardins da casa dos Avery, e seria durante o dia. Um gazebo seria montado na beira do lago, rodeado de orquídeas brancas. As mesmas flores iriam compor o buquê de Alexia, em perfeita harmonia com o vestido suave que ela havia escolhido. Apesar de cada detalhe romântico escolhido pela noiva, o noivo havia feito questão de que uma das melhores bandas do mundo bruxo tocasse durante a festa. Seria servido apenas as melhores bebidas, assim como um impecável jantar, onde ninguém poderia colocar defeito.

Para Alexia, cada escolha era feita de forma racional, e embora o resultado fosse uma festa delicada exatamente como sempre havia sonhado, ela não estava empolgada com a proximidade da data.

Jackson Avery passara a ser uma figura constante em sua vida antes mesmo do casamento, e Romanoff aprendera a trocar discretas carícias com o noivo, assim como breves beijos quando estavam em público. Não havia como reclamar das qualidades do futuro marido, sempre atencioso e lhe enchendo de presentes. Alexia tinha certeza que, se não tivesse deixado se envolver com Regulus, ela teria aprendido rapidamente a gostar do noivo.

Era comum que as colunas sociais divulgassem pequenos eventos ou encontros do jovem casal, na mesma proporção em que Alexia encontrava fotos de Winnifred e Regulus. A futura Sra. Black sempre exibia o sorriso vitorioso e roupas justas demais na opinião de Romanoff. Mesmo depois de ter deixado Hogwarts para assumir a vida adulta, Alexia ainda preferia os vestidos delicados de menina, enquanto Rookwood havia abraçado seu papel de mulher da alta sociedade.

- Você acha que eu deveria me vestir com roupas mais sérias?

Avery ergueu os olhos, até então focados no jornal em seus dedos, e demorou alguns segundos para compreender a pergunta de Alexia.

- O que há de errado com as suas roupas?

As palavras de Jackson, por si só, já deveriam satisfazer Alexia, mas ela insistiu enquanto apoiava os braços sobre a mesa do restaurante em que almoçavam.

- Não são... juvenis demais?

O rapaz esticou a mão sobre a mesa e tocou os dedos de Alexia, lhe direcionando um sorriso galanteador.

- Você ficaria linda vestindo até os trapos de um elfo, Lexie. Suas roupas são ótimas, e combinam perfeitamente com a sua carinha de menina e suas bochechas gordinhas.

O sorriso que Alexia começava a esboçar morreu e ela espremeu os lábios em um bico, imediatamente se lembrando do comentário de Winnifred.

- Eu não sou gorda!

Ao perceber o que havia feito, Avery engasgou e imediatamente fez um gesto para o garçom, pedindo a conta.

- É lógico que não. São apenas as bochechas, mas eu acho adorável.

Enquanto Jackson pagava a conta do almoço, Alexia apalpou a própria bochecha, sentindo a pele macia e fofa. Era impossível não se questionar se Regulus preferia as bochechas secas de Winnifred.

Mesmo depois que o casal deixou o restaurante, Alexia ainda mantinha seus pensamentos nas diferenças de seu corpo com o de Rookwood. Ela sequer deu atenção quando Avery lhe beijou rapidamente os lábios para se despedir e voltar ao trabalho e estava distraída na calçada quando tropeçou em alguém.

- Monstro???

Alexia tentou se recompor, olhando para baixo enquanto reconhecia o rosto enrugado do elfo doméstico da família Black.

- O que está fazendo aqui?

- Menina Alexia! – O elfo olhava ao redor compulsivamente, como se temesse que mais alguém o encontrasse ali. – Menina Alexia, o meu senhor Regulus pediu para enviar um recado.

Alexia sentiu o coração dar um salto ao escutar o nome do amigo e instintivamente ergueu o olhar, esperando que Black também aparecesse na calçada.

- Meu senhor Regulus pediu para encontrar a menina no chalé Romanoff. Hoje ainda.

- Do que você está falando, Monstro? Regulus está bem?

- Sim, sim! Apenas encontre no chalé, menina Alexia. Hoje.

Antes que Alexia pudesse ter uma resposta, o elfo olhou ao redor mais uma vez e desaparatou com um estalar de dedos.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Regulus Black em Sab Abr 09, 2016 11:26 pm

- No chalé?

Regulus interrompeu a carta que estava escrevendo e manteve a pena erguida no ar enquanto encarava os olhos amarelos e arregalados do elfo doméstico. Monstro havia esperado horas até que finalmente teve a chance de falar com o rapaz a sós, visto que Orion passara quase o dia todo trancado no escritório com o caçula.

- Sim. Foi o que a menina Alexia disse. No chalé dos Romanoff, senhor Regulus!

A forma como Monstro apertava uma mão na outra deixava clara a ansiedade do elfo. Monstro só costumava ficar tão nervoso quando estava fazendo alguma coisa errada. Regulus obviamente sabia disso, mas nunca imaginaria que o elfo estava mentindo. Para o rapaz, tamanha ansiedade se devia ao fato dele ser o informante daquela notícia que poderia gerar outro escândalo envolvendo o nome dos Black.

- E quando foi que você a viu? – Regulus ergueu uma das sobrancelhas, desconfiado.

Aquela pergunta fez com que Monstro arregalasse ainda mais os olhos. A pobre criatura estremeceu por completo, mas raciocinou rápido.

- Eu não vi a menina Alexia. A menina Alexia mandou o recado pelo elfo da família Romanoff e o elfo falou com Monstro, que agora está falando com o senhor Regulus.

Monstro nunca havia mentido antes, então Regulus não tinha nenhuma razão para não acreditar naquele recado. O rapaz já havia percebido que o elfo detestava Winnifred e não tinha a menor paciência para as frescuras da futura patroa. Mas Black nunca imaginou que Monstro teria coragem de ir tão longe na tentativa de tirar Winnie da vida do patrão.

- Está bem. Recado dado, Monstro. Obrigado.

- O senhor Regulus vai no chalé hoje? – Monstro se aproximou mais da mesa do escritório, louco de expectativa.

- Não sei, Monstro. Eu acho que não deveria. Alexia vai se casar em algumas semanas, e eu também. Se Avery ou a Winnie descobrirem...

- O senhor Regulus não ama a senhorita Winnifred! O senhor Regulus ama a menina Alexia!

Não era uma pergunta e a entonação do elfo deixava isso bem claro. Aquela declaração foi tão surpreendente que Regulus arregalou os olhos antes de encarar novamente o elfo doméstico. Por mais que tratasse Monstro como um bom amigo, Regulus não costumava ter aquele tipo de desabafo com a criatura.

- Nunca mais repita isso. – a voz grave do rapaz soou num sussurro sério – Nunca mais, Monstro!

Como Regulus já imaginava, Monstro soltou um gemido após aquela repreensão. Como castigo pela indiscrição e principalmente pelas mentiras, o elfo se colocou diante do pé da mesa de mármore e começou a acertar a testa repetidas vezes na pedra gelada. Monstro só interrompeu aquela tortura quando Regulus berrou a ordem para que ele parasse de se machucar.

- Já chega! – ajoelhado no chão, Regulus segurou o elfo pelos ombros – Eu já disse que você está proibido de se castigar, Monstro! Por nenhuma razão!

- O senhor Regulus vai no chalé dos Romanoff, não vai? – Monstro murmurou, ainda tonto depois das pancadas – A menina Alexia vai ficar esperando, a pobrezinha.

- Está bem, eu vou! – Black suspirou – Mas eu vou apenas para dizer a ela que não podemos mais nos ver.

Apesar da entonação firme, o olhar confuso de Regulus revelava que aquela não era uma decisão fundamentada. Depois de tantas semanas sem nenhuma notícia da amiga, Black sentia tanto a falta de Alexia que não sabia como seu corpo reagiria quando a morena estivesse finalmente ao alcance de seus dedos. Por mais que não quisesse mergulhar novamente naquele erro, Regulus sabia que o sentimento que o unia à Alexia era maior que qualquer pensamento racional de evitar um escândalo.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Dom Abr 10, 2016 12:17 am

Definitivamente, quando estava com Emmeline em seus braços, Severus Snape se tornava um novo homem. Seus lábios se mexiam involuntariamente para sorrir com o mais bobo dos comentários dela, e exatamente como a lufana havia dito, seu raro sorriso era bonito e o tornava mais jovem e leve.

- Não se preocupe, eu acho que posso me acostumar com seus defeitos lufanos, principalmente se sua ridícula mania de ver o melhor em tudo também significa enumerar as coisas boas da minha vida.

Snape puxou Emmeline pela cintura, fazendo com que ela erguesse alguns centímetros, e abaixou o rosto até os lábios alcançarem o ouvido dela, completando em um sussurro.

- Mas, de longe, a melhor coisa foi ter encontrado uma lufana com sérios problemas mentais. Ou visuais, ainda estou tentando descobrir.

Se aproveitando da proximidade, Severus deslizou os lábios pelo pescoço de Emmeline, fazendo uma pequena trilha até alcançar a boca, levado pelo instinto e desejo de tocá-la, de descobrir novos pontos de seu corpo.

Um novo beijo apaixonado foi iniciado e o casal se perdeu durante longos minutos, aproveitando aquela descoberta incrível e inesperada. Quando eles se separaram e Snape se convenceu que precisava voltar ao próprio quarto, já havia se tornado impossível tirar o sorriso dos lábios.

O sono que o envolveu no instante em que encostou na cama foi leve e reconfortante, como nunca havia tido antes em sua vida. Mesmo com as horas perdidas do início da madrugada, Snape acordou descansado e se sentindo ótimo. A primeira aula da manhã era com setimanistas da Lufa-Lufa, e não houve um único aluno que não percebeu que havia algo de errado com o professor de poções.

Embora se esforçasse para manter a seriedade, Snape descontou pouquíssimos pontos, até mesmo dos erros mais estúpidos, e não xingou nenhum dos alunos por todo o período. Por mais de uma vez, ele precisou se controlar para não sorrir bobamente diante dos alunos, cada vez que se lembrava do rosto doce de Emmeline e de suas palavras otimistas e delicadas.

Severus sabia que se tivesse a oportunidade de se ver, provavelmente estapearia a si mesmo pelo comportamento abobado. Ele nunca havia se sentido daquela forma em toda sua vida, nem mesmo Lily Evans havia despertado metade daqueles sentimentos.

Parecia tolice, mas Snape havia permitido que seu coração finalmente se abrisse, e logo para uma lufana.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Dom Abr 10, 2016 12:32 am

O tempo havia passado desde a última vez que Alexia pisara no chalé dos Romanoff e a neve já havia derretido, dando a paisagem uma coloração esverdeada. Apenas nas pontas das montanhas mais afastadas ainda era possível identificar o branco da neve, completando a vista gostosa.

Exatamente como da última vez, o lugar estava impecável, mas por não aguardar visitas, o elfo não havia deixado nada preparado para comer e a lareira estava apagada, deixando o lugar com uma temperatura um pouco mais baixa, mas ainda agradável.

Como o dia já chegava ao fim e a luz do sol já havia desaparecido, deixando o chalé mais escuro, Alexia logo se ocupou em acender a lareira, mas estava inquieta demais para sentar em sua poltrona favorita.

Durante um tempo relativamente grande, a menina andou de um lado ao outro, remexendo nos móveis, livros e caixas espalhados pela decoração da sala. Ela já estava certa de que Regulus havia desistido daquele compromisso quando escutou um estalido de aparatação do lado de fora do chalé.

As botas que ela usava fizeram um barulho de “toc toc” enquanto ela atravessava o piso de madeira para olhar pela janela. Seu coração deu um salto no instante em que reconheceu o rosto do Black caçula e imediatamente a saudade reprimida fez seu peito arder.

Tão acostumada a ter Regulus em sua vida, Alexia sabia que a separação havia sido sufocante, mas ver o melhor amigo novamente era como se nada tivesse mudado, mesmo com toda mágoa.

Alexia se apressou em abrir a porta, e não se importou quando o vento fresco fez seus cabelos negros balançarem e tocaram suas pernas e braços descobertos pelo vestido rendado. O tecido era preto e alcançava a metade de suas coxas. As alças eram finas e ele marcava sua cintura antes de abrir a saia com mais volume. Exatamente como havia comentado no almoço com Avery, suas roupas eram mais juvenis e lhe davam um ar delicado de menina.

Uma das mechas castanhas estavam presas na lateral de sua cabeça, deixando exposto o delicado brinco de pérolas. Além do anel de noivado, Alexia usava um fino cordão de prata que alcançava a metade do peito, contrastando com o tecido escuro. As bochechas naturalmente mais redondas estavam coradas pela maquiagem e os lábios pintados com um rosa delicado.

Ela chegou para o lado quando Regulus se aproximou, dando a passagem para que ele entrasse no chalé, e só quando os dois estavam seguros sob o teto de madeira, Alexia fechou a porta, se recostando nela.

- Achei que você tinha desistido de vir. Estava ficando preocupada. Quando o Monstro me disse que você queria me ver, achei que tivesse acontecido alguma coisa. Está tudo bem?
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Dom Abr 10, 2016 12:40 am

Como se o destino quisesse brincar com Severus Snape, a felicidade dele recebeu um abalo naquela mesma manhã. A turma da Lufa-Lufa estava prestes a finalizar a aula de Poções quando soaram batidas na porta. Antes mesmo que o professor se prontificasse a abrir, a maçaneta girou e Minerva McGonnagal colocou a cabeça para dentro da sala.

- Com licença, Professor Snape. Imagino que a aula esteja prestes a ser finalizada, não? – a colega esperou que Severus concordasse – Neste caso, posso dar um breve recado aos seus alunos?

Depois da concordância do professor de Poções, Minerva pediu licença e terminou de entrar na sala. A mulher bem que tentava se controlar, mas quem a conhecesse bem notaria que a diretora da Grifinória estava se esforçando muito para conter o sorriso de felicidade. Logo atrás de Minerva, entrou Pomona Sprout. Como lufana, a professora de Herbologia era incapaz de encenar e exibia um largo sorriso que logo contagiou os seus alunos.

- Como diretora da Lufa-Lufa, acho que você deveria falar, Pomona.

- Sim, sim... – a professora gorducha deu um passo adiante e sua voz se tornou ainda mais doce diante dos estudantes – Queridos, segundo o quadro de horários, a próxima aula de vocês seria Transfigurações, com a Professora McGonnagal, certo?

Os lufanos moveram a cabeça afirmativamente, olhando de uma professora para outra.

- Pois é, a aula foi cancelada. A professora McGonnagal foi muito gentil e nos cedeu este horário. A aula será reposta amanhã. – Sprout alargou ainda mais o sorriso – Vocês virão comigo até o salão comunal da Lufa-Lufa.

- Algum problema, professora? – um dos monitores se mostrou preocupado com aquela mudança repentina nos planos.

- Não, não... todos os lufanos do castelo serão liberados da próxima aula para que façamos uma confraternização no nosso salão.

Aquilo parecia surreal demais. Os lufanos realmente tinham uma fama de serem pacatos e amigáveis demais, mas era improvável que Minerva e Dumbledore concordassem com aquela ideia absurda de liberarem todos os alunos da Lufa-Lufa para uma comemoração sem sentido no meio de uma manhã.

A explicação lógica veio quando Sprout lançou seu sorriso na direção da porta entreaberta e chamou a pessoa que esperava no corredor com um gesto.

- Temos uma surpresa para vocês.

A sala veio abaixo quando Margareth McWay entrou caminhando sozinha. A garota ainda estava abatida, mas sem dúvida tinha se recuperado muito bem. Os colegas, que tinham levado Maggie de volta ao castelo praticamente morta, não conseguiram acreditar que ela já estava de pé.

Em meio a lágrimas emocionadas, Maggie foi rodeada pelos colegas e recebeu um abraço coletivo. Até mesmo Minerva, sempre tão séria, puxou um lencinho do bolso e secou o canto dos olhos.

A alta de Margareth era um momento de extrema felicidade para todos, mas para Severus Snape significava que não havia mais razão para Emmeline Jenner permanecer no castelo de Hogwarts. Agora que a lufana não precisava mais dos cuidados de uma curandeira, Emmeline deveria retornar para as suas funções no St. Mungus e na Ordem da Fênix.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Regulus Black em Dom Abr 10, 2016 1:12 am

O atraso de Regulus tinha uma explicação simples. Até o último minuto antes da hora marcada por Alexia, o rapaz ainda não tinha se decidido quanto a comparecer ao encontro. Por mais que Black estivesse louco de saudades e de vontade de rever a melhor amiga, a parte racional de sua mente tentava convencê-lo de que a ida ao chalé era um erro.

No fim das contas, o desejo irracional do rapaz acabou falando mais alto e Black aparatou no conhecido cenário rodeado por montanhas. O clima estava bem mais ameno do que na última visita de Regulus ao chalé dos Romanoff, mas o vento fresco obrigou o rapaz a se encolher dentro do casaco enquanto seguia caminho até a porta principal.

A simples visão de Alexia foi o bastante para aquecer e desarmar o herdeiro dos Black. Qualquer decisão de colocar um fim precoce naquele encontro caiu por terra no momento em que Regulus entrou no chalé e se viu frente a frente com a melhor amiga. Ele a amava, disso Black não tinha dúvida. Mas o sentimento ia muito além dos beijos e carícias. Regulus sentia falta da companhia de Alexia, da naturalidade que só demonstrava diante dela. Somente a amiga o conhecia de verdade, e Black sentia falta da pessoa que era quando estava com Romanoff.

O rapaz estava prestes a se deixar levar por qualquer loucura que Alexia sugerisse quando a garota mencionou Monstro. O comentário confuso fez Regulus franzir a testa, confuso, e o rapaz piscou várias vezes antes de finalmente compreender o que estava acontecendo ali.

- Não, não está tudo bem. Eu tenho um elfo mentiroso e articulador. Agora eu entendo por que ele estava se punindo tanto.

Como Alexia parecia não ter entendido as declarações de Regulus, o rapaz explicou mais detalhadamente.

- Monstro me disse que você queria me ver. E obviamente disse o contrário para você para que este encontro acontecesse. – Black explicou antes que a amiga perguntasse – Por que ele faria isso? Bom, provavelmente você tem um aliado contra a Winnifred. O Monstro a detesta. E imagino que ele também sinta a sua falta.

A mente de Regulus completou o discurso com um “como eu”, que por sorte ficou engasgado na garganta do rapaz. Há alguns minutos, Black estava disposto a ceder porque achava que Alexia tinha tomado a iniciativa de se reaproximar. Mas agora que descobriu que Monstro estava por trás daquele reencontro, Regulus não sabia mais como se portar.

A verdade era que nenhum dos dois tinha tomado a iniciativa naquela tarde, mas ambos tinham atendido ao chamado e comparecido ao chalé. No mínimo, aquilo significava que Alexia e Regulus sentiam falta um do outro. Apesar das mágoas, das brigas e das decepções, o sentimento que os unia continuava vivo.

- Eu lamento por isso, Alexia. Vou me encarregar de garantir que o Monstro não faça mais nada nesse sentido.

Mesmo decepcionado com a verdade, o coração de Regulus continuava acelerado na presença da morena. Foi inevitável para Black descer os olhos pelo corpo de Alexia, admirando cada pequeno detalhe dela. Mesmo que não usasse as roupas sofisticadas de Winnifred, a filha dos Romanoff despertava o interesse de Regulus numa intensidade que a ruiva jamais alcançaria.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Dom Abr 10, 2016 2:23 am

Era evidente que o único presente na sala de aula que não estava inteiramente satisfeito com aquela novidade era o professor de poções, parado diante da turma com os braços cruzados e o semblante sério.

Mas ninguém suspeitaria que sua careta era resultado do desagrado ao saber que nada mais prendia Emmeline no castelo. Todos estavam acostumados com o humor tenebroso de Severus Snape e simplesmente tinham assumido que o professor era indiferente a felicidade dos lufanos, que vibravam com a recuperação rápida de McWay.

Não que Severus não estivesse satisfeito com a boa saúde de Margareth. Ver a menina lutando pela vida na enfermaria o havia deixado atormentado, sabendo que jovens inocentes estavam pagando com a própria vida, diariamente, como consequência daquela guerra louca em que ele estava diretamente envolvido.

Snape apenas tinha esperanças de que Jenner tivesse motivos para permanecer no castelo por mais tempo. Eles ainda continuariam se vendo com frequência nas reuniões da Ordem da Fênix, mas um frio se espalhava pela barriga de Severus ao imaginar a distância que os separaria, como se aquilo fosse suficiente para que Emmeline recuperasse o bom senso e percebesse a loucura em que estava se envolvendo.

No instante em que os lufanos começaram a deixar as masmorras para seguir com a confraternização no salão comunal, Snape encarou a sala vazia, pensativo. Como passara a acontecer desde que havia reencontrado Jenner, ele se deixou levar pelo impulso e permitiu que seus pés o guiassem até a enfermaria.

Por sorte, Madame Pomfrey havia acompanhado os lufanos em sua confraternização, para manter McWay sob observação, e a enfermaria estava vazia quando Snape chegou. Ele atravessou o longo corredor de camas até chegar na saleta onde a enfermeira guardava a maioria das ervas e poções, e mesmo sabendo que encontraria Emmeline ali, seu coração deu um salto quando reconheceu os fios loiros, enquanto ela guardava seus pertences pessoais.

- Acabei de ficar sabendo. – Sua voz rouca e gostosa soou, sem preocupação de se anunciar antes. – Parece que você fez um bom trabalho. Já liberaram a menina até para festinhas.

Emmeline não havia dado motivo algum, mas Snape estava irritado com seu bom trabalho, como se a curandeira tivesse se empenhado na recuperação de sua paciente apenas com o intuito de ir embora mais cedo.

- Imagino que esteja ansiosa para partir. Já está guardando suas coisas?

Uma sobrancelha negra se ergueu enquanto ele encarava os objetos na mão de Emmeline com curiosidade.

- Pronta para voltar para sua vida?

A pergunta poderia soar inocente se viesse de qualquer outra pessoa, mas apenas Severus sabia que, por trás daquelas palavras, ele também queria dizer que ela estava pronta para deixa-lo para trás e esquecer o que havia acontecido na noite anterior.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Dom Abr 10, 2016 2:47 am

A frustração de saber que aquele encontro havia sido marcado pelo elfo doméstico, e não por Regulus, ficou estampada em cada centímetro do rosto de Alexia quando ela deixou um “oh” de surpresa escapar.

Apesar do receio que algo tivesse acontecido com Regulus para ele desejar aquele encontro, Alexia ainda tinha esperanças de que o amigo quisesse acertar as coisas entre eles. A decepção só foi amenizada por saber que Monstro agira em seu favor e que também desaprovava a escolha de seu mestre com a futura esposa.

Romanoff ainda estava encostada contra a porta, as mãos cruzadas às costas e o olhar acompanhando cada movimento de Black, admirando os belos traços que por tanto tempo ela havia enxergado apenas como um amigo.

- Não penalize o Monstro por isso. Não é culpa dele se nós dois estamos aqui, afinal.

Ela desencostou da porta e deu os primeiros passos pelo chalé, sentindo-se tímida pela primeira vez na presença de Regulus. Tentando amenizar o clima estranho que havia se formado entre os dois, Alexia revirou os olhos e se permitiu sorrir, divertida.

- Além do mais, acho ótimo ter um aliado. Talvez eu possa pedir ao Monstro para manchar o vestido de noiva da Winnifred. Seria épico.

Com os braços cruzados contra o peito, Alexia parou de caminhar quando estava em frente a Regulus. Pela diferença de altura, ela precisava inclinar o pescoço para cima. Seus olhos, naquela tonalidade escura de azul, estavam brilhando intensamente enquanto ela admirava o rosto de Black mais de perto.

Era quase palpável a tensão entre os dois e a saudade ficava ainda mais dolorida agora que estavam a um palmo de distância, sem poderem se tocar. A última vez que haviam pisado naquele chalé havia sido o divisor de águas. Tudo havia mudado exatamente ali, e Alexia ainda podia escutar os risos espontâneos dos dois amigos que apostavam corrida.

- Independente do que o Monstro tenha feito, você também veio até aqui. Eu sei por que eu vim. Mas e você, Regulus?

Alexia ainda se sentia ferida pelas ofensas de Black no último encontro, mas a saudade do melhor amigo era ainda maior. Os braços foram descruzados lentamente e as mãos livres foram apoiadas no casaco dele, segurando de cada lado, sentindo a textura pesada do tecido.

Sem esperar pela resposta, Alexia deslizou as mãos até alcançarem o ombro de Black. Ela já podia sentir a temperatura subindo e o rosto corando, mas mesmo assim se deixou levar, mesmo que fosse para ser afastada no segundo seguinte e ouvir mais desaforos.

- Você devia parar de se afastar de mim. Nós dois já sabemos o que acontece quando ficamos com saudades.

Pela primeira vez, Alexia ficou nas pontas dos pés e tomou a iniciativa do beijo.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Dom Abr 10, 2016 3:02 am

Agora que convivia com Severus Snape e o conhecia um pouco melhor, Emmeline era capaz de rir do mau humor do professor e de seus comentários ácidos. Era cômico que Severus aparecesse na enfermaria no meio da manhã, lutando para disfarçar o quanto estava irritado com a rápida recuperação de Margareth McWay.

Ao invés de se zangar com o sonserino por tamanho egoísmo, Jenner deixou escapar uma risadinha divertida. A curandeira sabia que Snape tinha um bom coração e só estava chateado e inseguro por saber que a estadia de Emmeline em Hogwarts estava chegando ao fim.

- Sim, estou muito ansiosa. E também muito feliz pela recuperação da Maggie. Não é maravilhoso que ela já esteja tão disposta a ponto de participar de uma festinha?

Antes que Severus pudesse resmungar qualquer coisa, a curandeira empurrou para os braços dele a caixa na qual guardava os seus pertences.

- Já que está aqui, segure para mim, por favor...

Com as mãos livres, Emmeline ergueu a varinha para tirar das prateleiras mais altas do armário os frascos e as ervas de seu estoque pessoal que ela havia levado para complementar o tratamento de McWay. Tudo foi cuidadosamente guardado na caixa que Severus segurava antes que a loira a pegasse de volta.

- Obrigada, Sev.

Além do apelido carinhoso, Snape recebeu um delicado beijo na bochecha antes que Emmeline se afastasse, saindo da saleta e retornando à área principal da enfermaria. A caixa foi apoiada na mesa de Madame Pomfrey enquanto a loira a preenchia com mais alguns objetos.

Como os dois estavam sozinhos na enfermaria, aquela conversa mais íntima pôde acontecer sem nenhum tipo de constrangimento.

- Estou ansiosa para voltar para o meu apartamento, para o meu emprego. Foi ótimo passar uns dias em Hogwarts, mas a minha vida acontece lá fora.

Antes que Severus pudesse confirmar as suas piores suspeitas, a curandeira fez questão de deixar bem claro que o professor continuaria tendo espaço em sua vida, caso assim ele quisesse.

- Vamos nos ver nas reuniões da Ordem. E também podemos nos ver mais vezes, desde que você aceite os convites da Molly para almoçar nos fins de semana. – Emmeline terminou de fechar a caixa com seus pertences antes de se voltar para o sonserino – Talvez você queira me convidar para um passeio, ou quem sabe para comer alguma coisa nos seus dias de folga.

O sorriso de Jenner se alargou antes daquela brincadeira.

- Eu até poderia te convidar para jantar na minha casa, mas acho melhor esperar um pouco mais antes de começar a mostrar os meus piores defeitos. Habilidade na cozinha definitivamente não faz parte das minhas qualidades lufanas.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Regulus Black em Dom Abr 10, 2016 3:34 am

É claro que Regulus não pretendia castigar o elfo por aquela travessura. Além de gostar de Monstro, o herdeiro dos Black odiava a forma hostil como os elfos domésticos eram tratados pelos bruxos de sangue puro. E, apesar do erro cometido, Monstro tivera a melhor das intenções e não merecia uma punição severa. No fundo, ele só queria mudar a direção sombria na qual o patrão caminhava e garantir que Regulus tivesse um futuro menos infeliz.

- Eu não vou castigá-lo. Só vou pedir que ele não se envolva mais nesta situação. As coisas já são suficientemente complicadas sem a interferência dele.

Enquanto Alexia caminhava pelo chalé, Regulus seguiu os passos dela com o olhar. Aos olhos de Black, a amiga sempre fora uma garota bonita. O que havia mudado era que só agora Regulus se sentia atingido por aquela beleza. Desde a última visita dos dois ao chalé, o rapaz deixara de ser imune à atração provocada pela caçula dos Romanoff.

A conclusão de Alexia sobre aquele encontro era tão simples que beirava os limites da obviedade. Mas aquilo precisava ser verbalizado para que os dois admitissem aquela verdade. A iniciativa do encontro no chalé não havia partido de nenhum dos dois, mas ambos estavam ali agora. A simples presença deles mostrava que nem tudo estava acabado para os dois.

Black não forneceu uma resposta verbal à indagação da amiga, mas a intensidade dos olhos acinzentados falava por ele. O rapaz continuou parado enquanto Alexia se aproximava e não se esquivou quando as mãos dela seguraram o seu casaco.

Os simples toques de Romanoff bastaram para que todo o corpo de Regulus se aquecesse. Toda a saudade que ele sentia da amiga agora se somava à inegável atração que ele nutria por ela.

Mesmo sabendo como as coisas terminariam, Black não tentou fugir daquele contato. Ao contrário, os braços de Regulus enlaçaram a cintura de Alexia com firmeza e a trouxeram para junto de seu corpo enquanto a garota iniciava o beijo.

Apesar da diferença nas estaturas, os corpos dos dois se encaixavam com perfeição. Regulus inclinou um pouco o tronco na direção de Alexia, obrigando a garota a arquear ligeiramente a coluna para alcançar com mais facilidade os lábios dele.

Era impressionante a sintonia que os dois alcançavam com os beijos. Como se fosse uma dança muito bem ensaiada, Regulus guiava o ritmo da carícia e Alexia o acompanhava como se já conhecesse cada um daqueles passos.

A respiração de Black já estava ofegante quando uma de suas mãos se desgrudou da cintura de Alexia e subiu vagarosamente pelas costas da moça, até que os dedos mergulhassem nos cachos escuros e sedosos.

Apenas com o intuito de recuperar um pouco o fôlego, Regulus fez uma breve pausa no beijo para mordiscar o lábio inferior da amiga. Os olhos acinzentados a encararam de muito perto e Black roçou seu nariz carinhosamente ao dela.

- O Monstro não poderia ter escolhido um local mais adequado para este encontro.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Dom Abr 10, 2016 4:02 am

Se Snape tinha a capacidade de se irritar com facilidade, Emmeline parecia ter a habilidade de provoca-lo e irritá-lo ainda mais quando desejava. A forma relaxada com que ela continuou guardando seus pertences e o risinho divertido faziam o sangue de Severus ferver e a cerrar os dentes, a encarando da forma mais emburrada possível.

A caixa foi empurrada em sua mão sem que ele tivesse oportunidade de recusar, e tendo total controle da situação, Jenner andou de um lado ao outro até que eles voltassem para a enfermaria, sem dar a chance do professor de poções dizer qualquer coisa.

Ele já estava convicto de que o ocorrido na noite passada seria deixado de lado, esquecido por completo. Jenner seguiria com a própria vida, provavelmente se envolveria com outro homem tedioso e perfeitinho que trabalhasse no Mungus e os dois formariam um casal chato e completamente sem graça enquanto Snape voltaria a sua vida solitária e às aulas maçantes com alunos estúpidos.

Por estar tão certo do que aconteceria, as palavras finais de Emmeline foram recebidas com surpresa, obrigando Severus a desmontar, mesmo que por alguns segundos, sua expressão fechada. Passado o primeiro momento do susto, Snape tentou reassumir sua postura fria, embora seus olhos negros tivessem um brilho que entregassem que ele não estava mais tão furioso, apenas mantendo a pose.

- Eu não vou almoçar na casa dos Weasley.

Foi a única resposta que o professor de poções conseguiu elaborar, enquanto sua mente tentava processar as demais informações, como a possibilidade de um encontro com Emmeline, ou um jantar apenas com os dois, ou até mesmo de conhecer o apartamento da curandeira.

Eram detalhes simples e básicos para um casal que começava um relacionamento, mas era um mundo completamente diferente para Severus. E por mais que fugisse de seu padrão, ele precisava admitir que a ideia era tentadora.

Aproveitando o vazio da enfermaria, Snape se aproximou e apoiou a caixa sobre a mesa onde Madame Pomfrey trabalhava. Ele deslizou a mão até encontrar os dedos de Emmeline e a puxou delicadamente para mais perto. Os dois não chegavam a estar abraçados, pois o risco de serem flagrados era muito alto. Mas estavam perto o bastante para que seus braços se roçassem e que Severus não precisasse elevar a voz.

- Por mais que eu esteja altamente curioso para ver o desastre que suas qualidades lufanas podem causar na cozinha... Eu não sei se seria prudente sairmos juntos.

Parecia contraditório que Severus temesse ser deixado de lado por Emmeline para dizer aquelas palavras logo em seguida, mas ele se apressou a esclarecer, entrelaçando seus dedos aos dela, de modo que a caixa sobre a mesa protegia da vista caso alguém chegasse.

- Ninguém pode ver nós dois juntos, Emme. Imagine o estrago que causaria nas minhas missões se descobrissem que estou com uma sangue-ruim?

No instante em que terminou de falar, Severus fechou os olhos e respirou fundo, tentando consertar aquele deslize. Por tantos anos convivendo com comensais, aquela palavra tão mal vista pelos bruxos saía com naturalidade de sua boca, mesmo que ele não carregasse mais aquele preconceito.

- O que eu quero dizer é que isso colocaria você em risco, Emme. E colocaria a minha missão em risco também.

Snape se encostou na mesa, ficando quase de frente para Emmeline, enquanto tentava desvendar o que passava por trás dos olhos cor de mel.

- Mas estou disposto a correr o risco se você concordar em sermos discretos.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Dom Abr 10, 2016 4:25 am

Embora estivesse aprendendo a achar graça no mau humor de Severus, algumas coisas continuavam a ser difíceis para Emmeline engolir. E a expressão “sangue ruim” era uma delas.

Durante sete anos, a lufana ouvira aquele termo pelos corredores de Hogwarts, quase sempre saindo da boca de um sonserino. Jenner não sentia vergonha das origens trouxas e tinha plena ciência de sua capacidade em magia. Mas, ainda assim, aquela era uma ofensa grave que a curandeira jamais se acostumaria a ouvir.

Mesmo depois que Snape tentou se redimir daquele deslize, Emmeline manteve uma expressão mais séria. Ela realmente não se importava com as dificuldades que enfrentaria se decidisse levar adiante um relacionamento com Severus, mas o mínimo que poderia esperar do sonserino era que ele tivesse o mínimo de respeito por ela.

- Da próxima vez que usar este termo para se referir a mim ou a qualquer um que tenha nascido trouxa, será a última vez que conversaremos, Severus.

A entonação séria de Emmeline indicava que, desta vez, a loira não estava brincando. Ela estava disposta a aceitar todos os defeitos do sonserino, mas não conseguiria conviver com Snape se ele não demonstrasse respeito por bruxos como ela.

Apesar das palavras duras e daquela ameaça, Jenner não afastou a mão do toque parcialmente escondido pela caixa. A curandeira respirou fundo antes de se acalmar e voltar à personalidade lufana dócil de sempre.

- Eu entendo perfeitamente a sua situação, Severus. E eu jamais pediria a você que fizesse qualquer coisa que possa prejudicar a sua missão ou colocar a sua vida em risco.

Emmeline já estava sozinha há tanto tempo que realmente não se importava em ter um relacionamento “incompleto”. Snape lhe fazia tão bem que a curandeira não via problema em manter a relação em segredo, desde que ela pudesse continuar ao lado do professor.

- Seremos discretos e cuidadosos. – um pequeno sorriso surgiu nos lábios da loira – E o professor Dumbledore também já me prometeu que manterá a cena da sala dos professores em segredo. Portanto, ninguém mais precisa saber. Será mais seguro assim...

Os dedos de Jenner deslizaram pela mão do rapaz em uma carícia.

- E será mais divertido também. Este segredo faz com que eu me sinta de volta aos meus quinze anos.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Dom Abr 10, 2016 4:34 am

Alexia mantinha as pálpebras apertadas, como se o fato de abrir os olhos fosse colocar um fim naquele momento perfeito. Durante todo o tempo em que esteve afastada de Regulus, ela havia guardado na memória as palavras ácidas e as mágoas do último encontro, e só o que queria era decorar cada detalhe da sensação provocada por aquele beijo, para apagar de vez as ofensas de antes.

- Ele é um elfo muito, muito esperto. Não é à toa que gosta de mim.

Preguiçosamente as pálpebras foram erguidas e revelaram os olhos azuis com um intenso brilho. Romanoff ainda estava pendurada no pescoço de Black e se permitiu sorrir. Era apenas na presença do melhor amigo que aquele sorriso aparecia, tão leve, espontâneo e sincero, sem estar carregado pelas formalidades ou pela máscara que a sociedade exigia.

Mesmo com a decisão de se afastar, de colocar um ponto final naquela amizade de anos, bastaram poucos segundos juntos para que os dois demonstrassem que ainda se sentiam da mesma forma.

- Senti a sua falta, Reg.

Os dedos brincavam com as pontas dos cabelos de Regulus que alcançavam sua nuca, arranhando a pele dele levemente em uma carícia enquanto Alexia sentia seu corpo aquecido em contato com o abraço dele.

Não importava que os dois estivessem com casamento marcado para poucos dias, que passariam o resto da vida com outras pessoas, ou que tivessem se magoado tanto nos últimos encontros. Só o que importava eram estar novamente juntos.

Alexia seria capaz de esquecer o restante do mundo se Regulus embarcasse naquela loucura com ela. Até o Monstro era capaz de enxergar como os dois precisavam um do outro e foi preciso a intervenção do elfo para que aquele encontro acontecesse, mas agora que estavam juntos, não havia como negar que se amavam.

Um trovão ecoou perto demais do chalé e fez as janelas tremerem de leve. Como era comum, Romanoff se encolheu, colando ainda mais o corpo ao do amigo. Desde pequena, ela tinha pavor de tempestades e apenas Regulus sabia daquele segredo.

- Vai chover. – Ela sussurrou, apoiando a cabeça no peito de Black e lançando um breve olhar para a escuridão da janela.

Girando a cabeça levemente, Alexia encostou o queixo no peito dele, afim de encontrar os olhos cinzentos.

- Fica comigo hoje? Eu não me importo em dividir o quarto das cortinas azuis...
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Dom Abr 10, 2016 5:01 am

Snape engoliu em seco diante da ameaça de Emmeline. Em nenhum momento ele havia dito aquelas palavras com a intenção de ofender a curandeira, pois há muito tempo elas haviam perdido aquela conotação tão mal vista pelos bruxos que lutavam contra a guerra.

Ainda assim, a simples ideia de se indispor com Jenner era suficiente para criar um alerta em sua mente e filtrar as palavras antes de cometer aquele deslize novamente. A curandeira já havia demonstrado que eram pouquíssimas coisas que não tolerava, de modo que era perfeitamente compreensível que Severus tivesse que fazer aquele pequeno filtro.

Ele se sentiu aliviado quando Emmeline aceitou a proposta de continuarem aquela loucura longe dos olhos das outras pessoas. Intimamente, Snape tinha a vontade de mostrar ao mundo a mulher linda que havia lhe escolhido, como se pudesse apagar todas as piadas de péssimo gosto que havia ouvido ao longo dos anos de pessoas como Potter, Black e Fletcher.

Apenas as últimas palavras da curandeira fizeram Severus refletir. Uma das melhores coisas de ter Jenner consigo era poder esquecer os tempos terríveis de seus quinze anos, como se ele finalmente pudesse deixar para trás tudo que havia sofrido na excluída adolescência.

- Será melhor. – Snape sussurrou, acariciando a mão de Emmeline com o polegar. – Isso não me lembra em nada os meu quinze anos, e espero que a você também não.

Discretamente, o professor de poções girou a cabeça por cima do ombro, se certificando de que a enfermaria continuava vazia e com as grandes portas fechadas. Mesmo que alguém entrasse, os dois ainda estavam escondidos pela cortina de uma das camas, e teriam alguns segundos para se afastar.

Sentindo o coração acelerado com a adrenalina, Severus se inclinou para frente e fechou os olhos no instante em que capturou os lábios de Emmeline aos seus. O beijo foi mais breve do que na noite anterior, mas igualmente carinhoso, somado ao tempero de estarem correndo o risco de serem flagrados por um aluno ou a enfermeira.

No instante em que se separaram, Snape manteve os olhos fechados, tentando memorizar o sabor do beijo de Emmeline e o perfume delicado de seus cabelos. Ele ainda estava encostado na mesa, quase sentado em seu tampo, mantendo a curandeira próxima do seu corpo. Quando as pálpebras finalmente se ergueram, o professor estava mais sério.

- Mas eu preciso que você tenha consciência do perigo que estamos vivendo, Emme. Você precisa ter certeza que está disposta a isso.

Severus ergueu uma das mãos e tirou uma mecha de cabelos claros do rosto de Emmeline, colocando-a atrás da orelha e aproveitando o movimento para acariciar brevemente o rosto macio e bonito.

- É mais do que a empolgação de estar escondendo isso...

O professor teve o cuidado de não usar a palavra “relacionamento”, como se ainda se sentisse desconfortável em se enquadrar naquele contexto.

- Eu estou disposto a correr o risco. – Sua voz soou rouca e a testa estava ligeiramente franzida com a expectativa.

Emmeline já havia deixado claro que queria continuar ao seu lado, mesmo que fosse em segredo. Mas Snape queria garantir que a loira tinha consciência do perigo que estariam vivendo. Um comensal se envolvendo romanticamente com uma nascida trouxa era, no mínimo, suicídio.

- Mas você precisa pensar com calma no que isso significa na sua vida.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Regulus Black em Dom Abr 10, 2016 5:02 am

Se antes daquele encontro Regulus já tinha certeza de que amava Alexia Romanoff, aquela noite no chalé só serviu para que o rapaz não tivesse mais nenhuma dúvida de que, independente do que acontecesse, a amiga jamais sairia do seu coração. Não importava se em poucas semanas ambos estariam casados com outras pessoas. O coração de Regulus só bateria mais forte pela amiga de infância.

Foi com naturalidade que Black acomodou Alexia em seus braços, encaixando-a junto ao seu peito como se assim pudesse protegê-la da tempestade. O convite da moça foi recebido sem nenhum estranhamento porque nada parecia mais certo do que passar aquela noite com ela. Seria uma despedida merecida antes que ambos continuassem os caminhos opostos traçados por suas famílias.

- Você quer que eu fique? – Regulus esperou pela confirmação da garota antes de concordar com um suave movimento de cabeça.

E é claro que o espaçoso quarto das cortinas azuis foi escolhido como palco daquele momento ímpar. Além de ser o cômodo preferido dos dois jovens, a vista da janela era belíssima.

A escuridão da noite que caía sobre o chalé e as nuvens carregadas que se aproximavam obviamente não permitiam que a paisagem fosse admirada naquele momento, mas para Regulus e Alexia bastava a certeza de que estavam próximos daquele cenário perfeito.

Enquanto a caçula dos Romanoff trancava a porta do quarto e fechava as janelas para proteger o cômodo da tempestade, Black usou a varinha para acender a lareira. Em poucos minutos, o calor do fogo já se espalhava pelo quarto, tornando-o ainda mais agradável.

Evidentemente, os dois jovens estavam nervosos quando se colocaram de frente um para o outro. Eles se conheciam muito bem e agora tinham a certeza de que um sentimento mais forte havia se aliado à amizade da infância. Mas, ainda assim, era esquisito pensar que alcançariam um grau incomparável de intimidade naquela noite.

Apesar da ansiedade e da insegurança, bastou um beijo para que Alexia e Regulus relaxassem. A sintonia novamente se fez presente e os guiou com naturalidade naquela nova experiência. Os lábios e as mãos de ambos pareciam saber exatamente o que deveria ser feito e, ao contrário do que os dois temiam, o desejo não abriu nenhuma brecha para qualquer tipo de constrangimento.

Ainda chovia forte quando os dois jovens finalmente se sentiram saciados e se deram por satisfeitos. A cama do quarto era grande o bastante para acomodar os dois de maneira confortável, mas grande parte daquele espaço foi desperdiçado visto que Regulus e Alexia preferiam se manter unidos num abraço apertado.

Sob os lençóis e com as respirações ainda ofegantes, os dois pareciam unidos naquele desejo de que o tempo parasse naquele instante. Só esse milagre permitiria que os dois pudessem continuar juntos e se livrassem das penosas obrigações impostas por suas respectivas famílias.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Dom Abr 10, 2016 3:46 pm

Mesmo que ainda conservasse parte da ingenuidade típica dos alunos da Lufa-Lufa, Emmeline não era uma tola. Quando concordou em levar adiante aquela história com Snape, a curandeira compreendia com perfeição os riscos que corria.

Só o fato de ter nascido trouxa já a colocava no centro daquela batalha. A tragédia ocorrida com os Jenner não permitia que Emme se esquecesse do quão injusta e violenta era aquela guerra, tampouco do perigo que ela corria pelo simples fato de ter nascido em uma família de trouxas.

Mas iniciar um relacionamento com um espião infiltrado no grupo dos Comensais da Morte fazia com que uma nova parcela de risco fosse somada às origens trouxas de Jenner. Se por um deslize aquele romance se tornasse público, tanto ela quanto Snape pagariam com a própria vida. E certamente os comensais reservariam para os dois traidores uma morte lenta e dolorosa.

Apesar de possuir esta consciência, Emmeline não pretendia recuar. Os momentos ao lado de Severus lhe proporcionavam uma felicidade que a loira não experimentava desde antes do assassinato de seus pais. Era uma sensação tão especial e tão agradável que, por mais louco que pudesse parecer, Emme achava que valeria a pena morrer por isso.

- Eu já pensei. Tenho pensado em tudo o que está havendo e em todas as consequências desde que “isso” começou.

Jenner usou exatamente o termo selecionado por Snape e trocou um sorriso cúmplice com o professor antes de continuar.

- A minha resposta é sim. Eu conheço os riscos, mas quero tentar. Eu não vou me arrepender, Sev. Pelo contrário, eu sinto que vou me arrepender se não tivermos coragem de ir adiante. Os riscos parecem muito pequenos diante da dimensão da recompensa.

Protegida pela cortina de uma das camas, Emmeline se atreveu a abraçar o professor e depositou um beijo suave nos lábios dele. Com as pontas dos dedos, Jenner acariciou o rosto pálido de Snape enquanto completava.

- Eu realmente não sei dizer o que está havendo, ou até onde conseguiremos ir. Mas eu nunca me perdoaria se não tentássemos, Sev. Esta guerra já me tirou tanta coisa... Eu não quero que tire “isso” também.

Passos no corredor alertaram o casal e obrigaram Emmeline a afastar a mão que acariciava o rosto do rapaz. Antes que a enfermeira entrasse, a curandeira se apressou em dizer em entonação mais baixa.

- Eu vou terminar de arrumar as minhas coisas, mas só partirei no fim do dia. Passarei na sua sala antes de ir.

A resposta de Snape não pôde ser verbalizada porque a última sílaba de Emmeline coincidiu com a entrada de Madame Pomfrey na enfermaria. O sorriso da enfermeira vacilou quando ela viu o professor de Poções e seu semblante se tornou confuso. Não havia nenhum aluno ali e, portanto, nenhum motivo racional que explicasse a presença de Severus.

- Professor Snape?

- Ele já está de saída. – Jenner forçou uma expressão séria e girou os olhos como se estivesse profundamente impaciente – Eu já esclareci que a ordem para liberar os alunos da Lufa-Lufa não partiu da enfermaria, mas da diretoria. Se não ficou satisfeito, vá falar com o diretor, Professor Snape.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Seg Abr 11, 2016 2:42 am

Mesmo com todo o cansaço provocado pelas carícias intensas, Alexia não conseguiu se entregar ao sono com facilidade. Ela temia que, se dormisse, as horas passassem ainda mais depressa e desperdiçasse o tempo que tinha ao lado de Regulus.

Por muitas noites no passado, os dois amigos haviam virado as madrugadas acordados naquele chalé, rindo e brincando com algum jogo bobo, ainda completamente leigos de que um dia iriam se apaixonar.

Naquela noite, mesmo com cada detalhe romântico, bastou alguns minutos de conversa para que os dois demonstrassem que ainda eram tão amigos como sempre, mesmo com os sentimentos que haviam sido descobertos. Sem se preocupar em dormir, Regulus e Alexia entraram nas altas horas conversando e rindo, ignorando o mundo e as obrigações que os aguardavam.

Abraçados sob o lençol, os dois trocavam beijos e entrelaçavam os dedos enquanto emendavam um assunto ao outro. Quando um raro silêncio surgia, bastava procurar os olhos um do outro e nada precisava ser dito.

Alexia começou a perceber a coloração diferente no céu, anunciando que em breve o sol começaria a surgir, e se remexeu inquieta com a aproximação do fim daquele momento mágico. Era como se o novo dia que nascia trouxesse consigo o fim de qualquer esperança de um futuro ao lado do melhor amigo.

Em um dos breves momentos em que o silêncio havia caído sobre eles, Alexia procurou as íris cinzentas, deitada sobre o peito de Regulus. Com as pontas dos dedos, ela acariciava o queixo perfeito dele, brincando vez ou outra com o contorno de seus lábios, tentando memorizar cada detalhe daquela noite.

- Como a gente vai fazer? – Ela sussurrou, após um suspiro frustrado. – Eu sei que você não acha que possamos ser amigos... Mas eu não vou suportar ficar longe de você, Reg.

Alexia ergueu o tronco o suficiente para que pudesse encarar Regulus melhor, apoiando seu corpo em um dos cotovelos. Seus cabelos negros estavam bagunçados, mas caíam em largos cachos sobre o peito de Black, jogados todo em um dos ombros de Romanoff.

- Eu prefiro me sentir frustrada em ter você apenas como meu amigo do que não ter mais você na minha vida.
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