Veritaserum

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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Seg Abr 04, 2016 3:55 am

No instante em que deixou a sala de aula, Severus sabia que o encontro com Emmeline na enfermaria seria inevitável, mas não havia tempo a perder e o choro de O’Brian o acompanhou por todo o trajeto.

As portas da enfermaria se abriram e os olhos negros percorreram o local até encontrar o reflexo loiro da curandeira, sentindo-se intimamente grato por ter sido ela a se aproximar para atender o Corvinal.

Durante o rápido tratamento, Snape permaneceu em silêncio, o semblante ainda emburrado, mas o olhar atento em cada gesto de Jenner. Qualquer mulher faria cara feia para a aparência da ferida, mas a curandeira conseguia ser profissional e atenciosa ao mesmo tempo, tratando o menino de forma doce para que ele se acalmasse.

Apesar da personalidade completamente diferente do professor de poções, foi impossível não se admirar com aquela qualidade de Emmeline. Mesmo quando o aluno se afastou e ela o repreendeu, Snape ainda se sentia admirado.

- Não é minha culpa se ele não tem miolos. Não me surpreenderia se fosse um lufano, mas esperava mais de um corvinal.

Só quando ouviu as próprias palavras em voz alta, Snape percebeu que estava diante de uma ex-aluna de Helga Hufflepuff. A casa, na opinião de qualquer sonserino, era abarrotada de perdedores, mas não havia um único lufano que não se orgulhasse de carregar as cores preto e amarelo e aquele era um insulto grave.

Como se não tivesse dito nada demais, Snape reprimiu os lábios por um segundo antes de continuar.

- Além do mais, era uma poção extremamente simples. Cinquenta pontos é pouco para tamanho erro. Se tivesse seguido as orientações que passei desde o início da aula, não teria sofrido tanto, o pobrezinho.

Apesar do tom mal humorado, Severus precisava admitir que, no fundo, era grato pelo erro de O’Brian. Depois do breve momento que tivera com Jenner na noite anterior, ele chegou a pensar que os dois pouco se encontrariam, devido os horários agitados das aulas e do trabalho intenso na enfermaria, mas o descuido do Corvinal lhe permitira reencontrar a curandeira mais cedo do que o esperado.

- De qualquer forma, você fez um excelente trabalho. Ele já está pronto para fazer besteiras outra vez, e vejo que a McWay também está se recuperando.

Tentando consertar o deslize anterior, Severus tentou ensaiar um sorriso com o canto dos lábios, que não combinava com sua aparência sempre tão séria.

- Bom demais para uma lufana.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Qua Abr 06, 2016 11:37 pm

Emmeline não esperava compreensão ou arrependimento de Snape ou de qualquer outro ex-aluno da Sonserina. O que a curandeira não imaginava era que Severus teria a audácia de ofender gratuitamente a casa de Helga Hufflepuff diante de uma ex-aluna da Lufa-Lufa.

As quatro casas de Hogwarts eram conhecidas por suas principais características. A Corvinal tinha a fama de abrigar os alunos mais sábios e estudiosos. A Grifinória era o lar dos corajosos e fieis. Os lufanos costumavam ser selecionados por sua honestidade e docilidade. E a casa de Slytherin só aceitava os nobres e determinados.

Contudo, também havia o lado negativo daqueles rótulos. Os alunos da Corvinal eram tidos como distantes pelos demais. Os grifinórios tinham a fama de serem inconsequentes. A Sonserina era rotulada como a casa dos arrogantes e preconceituosos. E, por fim, os lufanos tinham uma desagradável fama de serem os menos inteligentes do castelo.

Muitos alunos da Lufa-Lufa já tinham se tornado famosos por seus feitos fora do castelo, mas ainda assim o rótulo continuava a circular nas línguas venenosas.

Emmeline era um excelente exemplo que mostrava que os lufanos não mereciam tal crítica. Sempre com notas excelentes, a moça havia recebido ótimas notas em seus NIEMs, ganhara um estágio fora do país e se tornara uma excelente profissional. Exatamente por não se encaixar naquele padrão negativo, os olhos cor de mel da loira se estreitaram após as palavras de Snape.

O erro do sonserino fora grande, principalmente porque os lufanos eram unânimes em uma questão. Todos os alunos da casa de Helga Hufflepuff sentiam um profundo orgulho de carregarem as cores preta e amarela.

- Você esperava mais de um corvinal? Bem, todos esperam grandes feitos de um aluno da Corvinal, não é? Por outro lado, ninguém espera muita coisa de um sonserino. Vocês são lamentavelmente previsíveis.

Os lábios de Jenner se curvaram num bico de insatisfação e ela cruzou os braços numa clara postura de desagrado enquanto Snape tentava consertar aquele deslize. Apesar da irritação, Emmeline se sentiu desarmada pelo sorriso do professor. Talvez fosse a primeira vez que a loira via um sorriso de verdade no rosto dele, sem nenhum resquício de ironia ou frieza.

Embora soubesse que Severus não estava brincando quando deixou escapar o primeiro comentário negativo sobre os lufanos, Emmeline não conseguiu alimentar aquela mágoa diante do claro esforço do professor para transformar aquilo numa provocação amigável.

- Deve ser difícil para um sonserino precisar de um lufano para consertar os seus erros, não é? – mais uma vez, Jenner arqueou uma das sobrancelhas, mas agora com uma expressão de provocação.

Parecia irreal demais ter aquele diálogo leve com Severus Snape. Até algumas semanas atrás, Jenner mal se lembrava da existência do colega e agora já parecia haver uma inegável sintonia entre os dois. Para a curandeira, era ainda mais inesperada a confusão de sentimentos provocada pela proximidade do professor.

Durante os sete anos de convivência em Hogwarts, Emmeline esteve tão focada nos defeitos de Severus – e dos sonserinos em geral – que nunca percebera que o atual professor de Poções tinha também qualidades incomparáveis. Snape era extremamente inteligente e perspicaz, possuía um humor ácido e astuto e uma personalidade única.

Graças às constantes implicâncias dos marotos contra o sonserino, Jenner nunca havia percebido em Severus nada além do nariz comprido e dos cabelos oleosos. Agora, contudo, ela parecia enxergar pela primeira vez o brilho das íris negras, os lábios bem desenhados e o rosto anguloso do rapaz.

Quando percebeu que estava selecionando mentalmente as qualidades do sonserino, Emmeline assustou-se consigo mesma e tratou de afastar logo aqueles pensamentos insanos da cabeça. Suas bochechas adquiriram um tom mais rosado, o que obrigou a curandeira a tomar a palavra para disfarçar o constrangimento.

- Você pode contar com a minha brandura lufana, Snape. Não pretendo contar para ninguém que estou limpando a sua bagunça em Hogwarts.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Dominic Sjogren em Qui Abr 07, 2016 12:02 am

Enquanto beijava a melhor amiga, Regulus afastou da mente todas as preocupações de forma que a loucura que acontecia no corredor da mansão dos Romanoff deixou de ter importância. Ter Alexia novamente em seus braços era um prêmio que fazia com que a ameaça de um grande escândalo perdesse por completo o seu valor.

O beijo conseguiu ser ainda mais intenso e saboroso porque agora os dois sabiam bem o que queriam. E também porque os dias de separação tinham funcionado como um combustível que alimentara as saudades e o desejo brotado no chalé.

Além disso, desta vez não havia a desculpa da bebida. Os dois jovens estavam sóbrios e totalmente conscientes de seus atos. O beijo podia ser uma grande loucura, mas era também uma insanidade desejada por ambos.

Quando as mãos de Alexia pousaram no peito do rapaz, por um momento Regulus imaginou que a amiga colocaria um fim naquele beijo e correria para o salão de festas, onde todos esperavam que ela trocasse alianças com o herdeiro dos Avery. Este pensamento serviu como um balde de água fria que obrigou Black a retornar abruptamente para a realidade.

Os dois se encararam, ainda ofegantes e corados depois daquele momento intenso. A expressão desolada de Regulus não escondia o quanto o rapaz se sentia infeliz em pensar que aquele beijo não havia atingido os sentimentos de Alexia.

Por isso, ao entender que o afastamento da filha dos Romanoff não significava que ela estava insatisfeita, um sorriso brotou nos lábios de Black. Ele se deixou levar facilmente até o escritório do dono da casa. Ainda não era um ambiente seguro, mas ao menos eles não estariam tão expostos.

Tão logo a porta se fechou, Regulus deslizou novamente as mãos pela cintura da amiga e a trouxe mais para perto, acomodando Alexia junto ao seu peito enquanto a garota o enlaçava naquele abraço.

Foi com imensa satisfação que Black ouviu dos lábios de Alexia um comentário negativo sobre aquele noivado. Os dois falavam pouco sobre o assunto, mas Regulus sempre tivera a impressão de que a amiga estava conformada e até satisfeita com o destino que a aguardava. Era muito bom estar enganado quanto a isso.

Quando o terceiro beijo foi interrompido, os olhos cinzentos procuraram novamente pelo olhar de Alexia. A voz grave do rapaz soou num sussurro, mas firme. Era uma grande loucura, mas Regulus parecia estar falando sério quando murmurou.

- Não vá. Eu também não quero que você vá, Lex.

Não parecia ser um bom conselho, principalmente porque a mansão já estava lotada e toda a alta sociedade de Londres tinha comparecido ao evento. Era esperado que Alexia surgisse como uma noiva perfeita, que Avery fizesse o pedido e que os dois trocassem alianças caras e agendassem um casamento suntuoso, digno do sobrenome das duas famílias.

Qualquer coisa que saísse fora deste roteiro provocaria comentários. A desistência da noiva durante a festa de noivado seria um escândalo imperdoável, do tipo que geraria um rompimento entre várias famílias e culminaria para a herdeira dos Romanoff em uma fama negativa que nenhuma moça gostaria de ter.

- Você ainda pode desistir, Lex. Depois de hoje, pode ser tarde demais.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Qui Abr 07, 2016 3:17 am

Por uma fração de segundos, Severus estreitou o olhar em uma careta de desagrado diante do comentário de Emmeline. Se por um lado os lufanos se orgulhavam das características de sua casa, qualquer sonserino era vaidoso demais para aceitar insinuações sobre serem inferiores ou dependerem de um morador da casa dos texugos.

Porém, mesmo com a doçura que Emmeline tinha em seu tom de voz, as palavras pegaram Severus de surpresa. Ele não esperava uma resposta tão superior vindo da curandeira, mas o que deveria ter lhe causado ira, despertou uma pontada de admiração.

Era uma deliciosa surpresa ver que Jenner não era tão pacata e inocente quanto sua mente se recordava. A resposta era digna de uma Sonserina e Snape precisou admitir internamente que havia aprovado o comportamento dela.

Seu rosto logo relaxou e os lábios voltaram a se curvar em um sorriso, desta vez mais satisfeito, e ele concordou com um menear da cabeça, como se estivesse admitindo sua derrota.

Era raro que um sorriso sincero aparecesse nos lábios do professor de poções. Ele provavelmente não sorria há anos, mas quando o fazia, seu rosto parecia ainda mais jovial, lembrando a quem pudesse admirar que ele ainda era um belo homem. Seus cabelos não eram ensebados como Potter e Black tanto gostavam de dizer, mas os fios que começavam a alcançar seu pescoço eram negros e brilhosos, tão lisos que podiam balançar com pouco movimento.

Por ser sempre tão sério, era fácil arriscar que Severus aparentava mais idade do que realmente tinha, mas quando sorria, ele voltava a parecer um rapaz quase como qualquer outro. Se não fossem as roupas sempre escuras e seu jeito mais isolado de viver, talvez tivesse despertado mais olhares ao longo dos anos em Hogwarts.

O corpo magricelo do menino que um dia fora amigo de Lily Evans havia mudado drasticamente nos últimos anos. Além de estar mais alto, Snape escondia sob as vestes negras um corpo bonito e bem moldado. Embora não tivesse os mesmos músculos de um jogador de Quadribol, tinha os ombros largos e o peito definido difícil de não agradar a uma mulher.

Além dos olhos negros que mais lhe marcavam, Snape também tinha mãos grandes que acolheriam as de Jenner sem dificuldade. Uma das mãos foi erguida na direção da curandeira, a palma virada para cima.

- Eu agradeceria a sua gentileza com algum favor, Jenner. Mas você já está me devendo uma dúzia de ovos de fada.

Snape deu um passo para frente, o discreto sorriso no canto dos lábios ainda fixo em seus lábios bem moldados. Ele se abaixou levemente na direção da loira, apenas porque a diferença de altura entre os dois era grande. Se aproveitando da distração da enfermeira que ainda cuidava de McWay e da ausência de O’Brian, o professor de poções se aproveitou para sussurrar mais perto do rosto da curandeira.

- Talvez Sonserinos sejam tão previsíveis que eu estava guardando meus ovos de fadas apenas para quando uma lufana distraída fosse precisar, não é?

Ele encolheu ligeiramente os ombros e pausou por um segundo, apenas para poder absorver o perfume que vinha dos cabelos de Emmeline. Apesar de já ter notado como os fios loiros eram brilhantes e aparentemente macios, Snape nunca havia imaginado que seu perfume era tão viciante.

- Pode ser difícil para mim admitir que preciso de uma lufana, mas fico feliz em saber que o mesmo não se aplica à você. Ainda tenho alguns itens raros para poções mais complexas, se você precisar.

Recuando apenas alguns centímetros, os olhos negros encontraram os cor de mel e Snape prendeu a respiração quando percebeu que a curandeira também o encarava, o sorriso morrendo gradativamente, na mesma proporção em que um frio gostoso e desconhecido se espalhava pelo seu estômago.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Qui Abr 07, 2016 3:31 am

Desde criança, Regulus tinha uma incrível habilidade de dizer sempre o que Alexia queria ouvir. Fosse uma sugestão inocente de uma sobremesa, ou a proposta de um passeio ou um simples elogio. Naquele fim de tarde não foi diferente e Romanoff sentiu o coração dar um salto diante da possibilidade de fugir daquele noivado.

Até poucos dias antes, colocar uma aliança no dedo com o sobrenome Avery parecia algo banal, apenas mais um evento social que ela participaria. Agora que enxergava o caçula dos Black de forma diferente, estar nos braços de outro homem parecia um pesadelo assustador que Alexia queria fugir a qualquer custo.

Sem pensar nas consequências, ela abriu um sorriso por saber que Black estaria ao seu lado se ela realmente fosse em frente com aquela loucura. Seus dedos brincavam com as pontas dos cabelos negros que alcançavam a nuca de Regulus e a outra mão acariciava o rosto dele.

- Está bem... – Ela sussurrou, os olhos azuis brilhando intensamente. – Está bem, eu não vou.

Ao ouvir as próprias palavras, Alexia soltou um risinho, em uma mistura de nervosismo e felicidade. Era assustador e ao mesmo tempo incrível pensar no que estava prestes a fazer. Ela estava ficando na ponta dos pés para iniciar um novo beijo quando a porta do escritório foi aberta, fazendo com que os dois quase saltassem para trás.

Por mais ágeis que tivessem sido, o olhar de Charlotte Romanoff, a irmã mais velha de Alexia, passeou de um ao outro, sem demonstrar grande surpresa diante da cena óbvia que havia acabado de flagrar.

Charlotte olhou por cima do ombro por um instante antes de entrar no escritório e fechar a porta, cruzando os braços diante do peito coberto pelo vestido de seda.

- Estava te procurando por todo lugar, Lexie... Estão todos esperando você.

Alexia já sentia o rosto ferver e tinha certeza que não havia maquiagem o suficiente para esconder o quanto estava corada. Discretamente, ela procurou a mão de Regulus enquanto negava com um movimento da cabeça.

- Eu não vou, Charlie.

Mais uma vez, sem aparentar surpresa, Charlotte respirou fundo e colocou as mãos sobre os quadris, analisando o casal a sua frente.

- Regulus, eu posso falar um minutinho com a minha irmã? A sós?

A Romanoff mais velha deu um passo para o lado, dando passagem para Black. Antes que ele desse um passo, entretanto, Charlotte voltou a assumir a palavra.

- Você está sujo de batom... Bem aqui. – Charlie limpou o próprio canto dos lábios, indicando a região que estaria suja em Regulus.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Qui Abr 07, 2016 3:54 am

Durante os sete anos de Emmeline Jenner em Hogwarts, a lufana não se lembrava de ter perdido muito tempo pensando sobre a situação de Snape. Seus raros contatos com o sonserino se limitavam à época em que Severus ainda procurava por Lily Evans, antes dos dois romperem em definitivo a amizade.

Apesar do contato limitado e de Snape ser muito reservado, Jenner sempre soube que não era uma simples amizade o sentimento que ligava o sonserino a Evans. Lily não notava, ou mais provavelmente fingia não notar, mas qualquer bom observador perceberia facilmente o interesse de Severus na forma como ele encarava a ruiva.

Naquela época, nem por um momento Emmeline havia julgado a amiga por ter escolhido Potter. James tinha seus inegáveis defeitos, mas parecia ser uma opção infinitamente melhor que o sonserino sombrio que não sabia expressar seus sentimentos e estava cada vez mais envolvido com os colegas adeptos à magia negra.

Só agora, depois de tantos anos, a curandeira se questionava se Lily havia feito realmente a escolha mais sábia. Agora que conseguia enxergar as qualidades de Severus Snape e o homem que existia por baixo daquela capa sombria de frieza, Emmeline se perguntava até que ponto a relação fracassada com Evans havia contribuído para que Snape se fechasse daquela forma.

- Já estou em dívida com você. Pretendo pagar pelos ovos de fadas antes de me atrever a pedir outro favor. Os lufanos não são tão tolos como você imagina, nós sabemos que não é nada seguro abusar da boa vontade quase inexistente de um sonserino...

Apesar da implicância que rondava as duas casas, era notável que tanto Emmeline quanto Snape não tinham a intenção de ofender um ao outro. Eram apenas provocações saudáveis e amigáveis, uma conversa divertida que a curandeira jamais imaginou que um dia teria com alguém como Severus.

Quando o professor se inclinou na direção dela, Emmeline sentiu um arrepio inexplicável que se repetiu quando os olhos de ambos se encontraram. As batidas do coração da loira se aceleram e, inconscientemente, Jenner também prendeu a respiração.

A moça já não sentia aquilo há tanto tempo que demorou a entender que estava atraída por Snape. E esta conclusão a atingiu como um choque. Depois de todos os traumas dos últimos anos, Emmeline fechara o coração de tal maneira que imaginou que nunca mais se envolveria emocionalmente com ninguém. Era chocante pensar que aquela barreira estava prestes a cair graças a Severus Snape.

- Acho melhor você voltar... – Emmeline comentou ao escutar passos que anunciavam que O’Brian saía do banheiro – Antes que os demais alunos coloquem fogo nas masmorras.

Provavelmente Emmeline se arrependeria daquilo no instante em que recebesse uma resposta atravessada, mas sua personalidade lufana era dócil e inocente demais. Ou talvez a curandeira simplesmente precisasse daquele choque de realidade para afastar tantas ideias erradas da cabeça.

- Mas podemos continuar esta conversa em outra ocasião. Você acha que um chá esta tarde é tempo o bastante para terminarmos de rotular as nossas casas?

Se Severus agisse com a frieza e a crueldade tipicamente sonserina, Emmeline descartaria de vez aquela loucura e conseguiria seguir com os velhos planos, que não incluíam ninguém em sua vida.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Sex Abr 08, 2016 3:39 am

Quando Emmeline sugeriu que ele voltasse para a sala de aula, Snape teve a certeza que havia ido longe demais naquela conversa surpreendentemente amigável e se odiou pelo momento de deslize. Mais uma vez, a voz de Mundungus soou em sua mente, o lembrando de que jamais teria uma mulher como Jenner ao seu lado.

Lily Evans havia sido a única menina por quem Severus havia se apaixonado em toda sua vida, mas a falta de atenção que despertava do público feminino em geral era suficiente para que ele mantivesse os pés no chão. O professor de poções sequer imaginava que, talvez, se sorrisse mais e não se excluísse tanto, tivesse tido chance com algumas meninas. Mas sua personalidade isolada era o fator mais agravante daquela situação.

Por ser tão pessimista naquele quesito em sua vida, até mesmo descrente, Snape recebeu a oferta da curandeira com assombro. Durante um tempo longo demais, ele se manteve parado no meio da enfermaria, a testa franzida e a boca ligeiramente aberta em surpresa. Os olhos negros demonstravam a confusão diante do rumo que aquele diálogo havia tomado, mas junto com o turbilhão de pensamentos que atravessavam sua mente, ele se deliciava com as cambalhotas que seu estômago dava.

Era impossível dizer quando havia sido a última vez que havia se sentido daquela forma, ou se ao menos já havia experimentado aquela sensação antes. Seu lado racional lhe obrigava a se recordar da personalidade dócil de Emmeline, que havia feito aquele convite da forma mais inocente possível. Ainda assim, era assustadoramente prazeroso saber que Jenner gostaria de passar mais algumas horas em sua companhia.

Se sentindo um tolo, Snape espremeu os lábios e desviou o olhar dos olhos cor de mel no instante em que O’Brian voltou para a enfermaria. Não havia mais vestígios dos estragos causados pela poção errada, embora seu uniforme ainda estivesse sujo pelo sangue que começava a secar.

- Apresse-se, Sr. O’Brian. A não ser que queira perder mais dez pontos pela demora.

Sua voz soou arrastada e não passou desapercebido aos olhos do professor quando o corvinal olhou suplicante na direção da curandeira. Apesar da expressão de desanimo, o menino seguiu o caminho cabisbaixo na direção da saída, e Severus aguardou que ele estivesse longe o bastante para voltar a encarar Emmeline.

- Não acho que haja chá suficiente em toda Grã-Bretanha para que eu consiga enumerar todas as fraquezas de um lufano.

Um discreto sorriso havia voltado aos seus lábios. Os olhos negros estavam começando a adquirir um brilho diferente, que suavizava a expressão sempre tão rígida do professor de poções. E as bochechas, sempre tão pálidas, estavam ligeiramente rosadas, como consequência do coração acelerado e da respiração levemente alterada.

- Mas eu acho que seria interessante tentar. Às quatro?
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Re: Veritaserum

Mensagem por Dominic Sjogren em Sex Abr 08, 2016 3:45 pm

O filho caçula dos Black era conhecido por sua obediência e pelo orgulho que dava à família. Regulus sempre fora um filho exemplar e nunca havia causado nenhum desgosto aos pais. Depois da grande decepção causada por Sirius, o caçula da família passou a ser ainda mais exaltado por suas qualidades e por preservar o sobrenome nobre dos Black.

Mesmo que não concordasse com a maior parte dos pensamentos dos Black, Regulus estava conformado com a vida que aguardava por ele. O rapaz concluía que era preferível aceitar tudo o que lhe era imposto em troca do conforto e da paz. O que aconteceu com Sirius era um bom exemplo de que os Black sabiam comprar uma guerra.

Pela primeira vez na vida, contudo, Regulus Black estava disposto a contrariar uma decisão da família e a envolver o sobrenome em um escândalo. Era um preço alto a se pagar, mas por Alexia Romanoff tudo valeria a pena. Regulus não hesitaria em declarar aquela guerra se o seu prêmio fosse ter a amiga para si, e bem longe de Avery e daquele casamento que, desde a visita ao chalé, não fazia mais sentido.

Depois de selado aquele acordo perigoso, os dois jovens se aproximaram para mais um beijo. Os lábios de ambos chegaram a se roçar, mas antes que eles iniciassem o beijo a porta do escritório foi aberta subitamente e colocou um fim precoce na carícia.

Regulus se afastou rapidamente da amiga e cambaleou dois passos para trás. Alexia também tinha reagido rápido, mas o olhar astuto que Charlotte lançou ao casal mostrava que a filha mais velha dos Romanoff não se deixaria enganar tão facilmente. E o agravante da situação era que Charlotte não parecia nada surpresa com aquele flagrante. Era como se a moça já imaginasse que a relação entre Alexia e Regulus não era mais somente uma simples amizade de infância.

Como não fazia mais sentido esconder a verdade agora que os dois estavam dispostos a enfrentar as respectivas famílias, Regulus não se esquivou do toque da garota. Seus dedos foram entrelaçados aos de Alexia numa atitude de intimidade que ultrapassava as barreiras da amizade. Mesmo que Charlotte já soubesse a verdade, aquele gesto oficializava a decisão dos dois em levarem a loucura até o fim.

- Eu vou te esperar lá fora, no corredor...

As palavras de Black foram dirigidas à Alexia. Ele não pretendia evitar a conversa das duas irmãs, mas a firmeza de sua voz dava à amiga a certeza de que Regulus não hesitaria naquela decisão.

Ao passar por Charlotte e ouvir aquela provocação, Regulus dirigiu um olhar sério à moça. Embora fosse muito próximo de Alexia, o herdeiro dos Black nunca gostara muito da filha mais velha dos Romanoff. Charlie era uma cópia da mãe e, consequentemente, simbolizava um pouco de tudo aquilo que Regulus desprezava nas famílias tradicionais.

- Não há nada que você possa fazer quanto a isso, Charlie, nós já tomamos a decisão. Então, é melhor que nem perca o seu tempo.

Na dúvida, Regulus esfregou as costas da mão no canto dos lábios para limpar a possível marca de batom mencionada pela Romanoff mais velha. Os olhos cinzentos se voltaram para Alexia enquanto o rapaz abria a porta para dar privacidade às duas irmãs.

- Eu vou estar bem aqui, Lex.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Sex Abr 08, 2016 8:24 pm

Desde a infância, Emmeline Jenner já indicava que se tornaria uma moça romântica. Sempre rodeada de bonecas, a única filha dos Jenner gostava de histórias de princesas que encontravam o seu final feliz ao lado de um belo príncipe, dono de um reino encantado e de um cavalo branco.

Os contos de fadas da infância foram deixados um pouco de lado quando Emmeline cresceu, mas o romantismo se manteve presente na vida dela durante a adolescência em Hogwarts. Não existia mais a ilusão de que surgiria um príncipe encantado em sua vida, mas a lufana ainda procurava nos rapazes as qualidades de um homem idealizado.

Exatamente por desejar algo irreal, Emmeline nunca havia vivido um relacionamento satisfatório. Embora despertasse a atenção de vários garotos, Emme não se sentia cativada por nenhum deles porque sempre esperava mais.

O maior erro de Jenner no quesito amoroso se deu quando a loira imaginou que finalmente estava apaixonada. Naquela época, Sirius Black lhe parecera a personificação do príncipe encantado dos seus sonhos de menina. Além de inegavelmente bonito, o grifinório era divertido, inteligente e popular.

Aquela paixão da adolescência foi alimentada por algum tempo até que finalmente, no penúltimo ano em Hogwarts, Emmeline foi contemplada com um convite para passear em Hogsmeade. O “sim” foi sucedido por dias de ansiedade e animação, por dúvidas dolorosas sobre as roupas que usaria, sobre o perfume e o penteado. Jenner queria que tudo fosse perfeito porque julgava que Sirius fosse perfeito.

Naquele dia tão esperado, Emmeline finalmente compreendeu que a perfeição não existia. O encontro definitivamente não fora um fracasso, Sirius não cometera nenhum grande erro e os dois conseguiram se divertir durante o passeio. Mas, quando retornou ao castelo, a lufana não carregava consigo nem mesmo metade da animação que precedera o encontro. O passeio tinha servido para que Emmeline notasse os defeitos que colocavam Sirius bem abaixo do príncipe idealizado por ela.

O conto de fadas chegou ao fim quando, menos de uma semana após o passeio em Hogsmeade, Sirius começou a circular pelo castelo com outras garotas. Nenhuma promessa havia sido feita e a própria Emmeline não sabia se desejava um novo encontro, mas o comportamento de Black serviu apenas para reforçar que não havia um futuro para os dois.

Após aquela experiência nada satisfatória, Emmeline se viu obrigada a abandonar seus sonhos de menina. É claro que outros rapazes surgiram depois de Sirius, mas desta vez Jenner abandonou por completo as ilusões. Isso fez com que a moça colecionasse mais alguns fracassos e poucos relacionamentos breves e vazios, que nunca faziam com que seu coração batesse mais rápido.

A morte violenta de seus pais fez com que Emmeline se fechasse ainda mais para o amor. Focada na carreira e com o coração despedaçado depois daquela tragédia, Emme nem se lembrava da última vez que tivera um encontro. Exatamente por esta falta de experiência na área, a curandeira não sabia dizer se o chá daquela tarde poderia carregar a denominação de um encontro.

Depois que Snape saiu da enfermaria, Emmeline teve o resto do dia para pensar no que estava acontecendo. A ideia de ter um encontro com Severus Snape era tão absurda que a curandeira preferia não usar aquele termo para se referir ao chá combinado para aquela tarde. Por mais que Jenner já tivesse aceitado que príncipes não existiam no mundo real, era assombroso pensar no abismo que separava o Professor de Poções e o homem perfeito que Emme sempre desejara para si.

Embora os defeitos de Severus, sua personalidade ácida e seu comportamento sombrio impossibilitassem qualquer tola tentativa de enxergá-lo como um príncipe, Emmeline se surpreendia com a maneira como seu coração saltava dentro do peito com o passar das horas. Quando finalmente os ponteiros marcaram quatro da tarde, Jenner sentia-se quase tão ansiosa quanto estivera no dia do passeio a Hogsmeade ao lado de Sirius Black.

Como passara a tarde na enfermaria e não conseguira nem mesmo um tempo para se arrumar, Emmeline sentia-se ligeiramente insegura enquanto caminhava pelos corredores, rumo ao local do encontro. Os dois tinham optado por uma sala do segundo andar, reservada aos professores. Os elfos sempre abasteciam a sala com um generoso lanche no fim da tarde, mas era raro que os professores – sempre muito ocupados – perdessem muito tempo ali.

Com cinco minutos de atraso, exatamente o tempo de caminhada da enfermaria até a sala, Emmeline empurrou a porta. Um pouco da sua insegurança evaporou quando os olhos cor de mel encontraram Snape ali. Como os dois já previam, mais nenhum dos professores tivera a ideia de passar na sala naquela tarde.

- Desculpe o atraso. Os McWay apareceram agora no fim da tarde, querendo notícias da Maggie.

Enquanto falava, Emmeline fechou a porta. A lareira que aquecia a sala e o calor interno que vinha de Jenner obrigaram a curandeira a retirar o jaleco do Mungus. A peça foi pendurada num suporte junto à porta por um par de mãos discretamente trêmulas.

Por baixo do jaleco, a curandeira usava calças brancas e uma comportada blusa rosa de seda. Completando o visual, Emme usava sapatilhas brancas de saltos baixos e uma maquiagem leve, quase inexistente depois de um dia todo de trabalho. Definitivamente não eram os trajes que ela escolheria para um encontro, mas a cabeça de Jenner estava se esforçando muito para dar outro nome ao momento que ela vivia agora com Severus Snape.

- É bem parecido com o que eu imaginava...

Os olhos cor de mel circularam pela ampla sala dos professores. O local era bem parecido com os salões comunais das casas de Hogwarts, apenas um pouco menor. Havia uma lareira acesa, circulada por confortáveis sofás. No centro do cômodo, ficava uma extensa mesa de madeira onde aconteciam as reuniões. As paredes estavam lotadas com quadros dos antigos professores do castelo e, num dos cantos, uma grande estante estava abarrotada de livros. Na parede oposta, uma segunda estante continha uma infinidade de pastas contendo as fichas de todos os alunos e informações sobre todas as turmas. As cortinas abertas permitiam que a luz do sol iluminasse a sala, mas para garantir a iluminação durante a noite havia um requintado lustre no meio do teto e nas paredes laterais ficavam penduradas algumas lamparinas.

Como não havia nenhuma reunião marcada para aquela tarde, a mesa fora usada para amparar o lanche preparado pelos elfos. Não era como um dos conhecidos banquetes de Hogwarts, mas Emmeline não podia questionar a fartura. Além de três tipos diferentes de chá, havia um bule com café e uma garrafa com suco de abóbora. Uma bandeja ao lado das bebidas continha pilhas de bolinhos de caldeirão e sanduíches de carne. Pequenas cestinhas ofertavam diferentes tipos de biscoitos e tortinhas de abóbora. Na ponta da mesa, outra bandeja fora posta com canecas e copos limpos.

- Uau! Os elfos daqui são um pouco megalomaníacos, não? Mas não vou reclamar, estou morrendo de fome. O que vai querer, Snape?

Emmeline deixou ainda mais claro que pretendia fazer a gentileza de servir o professor quando pegou duas das canecas e se colocou diante das bebidas.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Sab Abr 09, 2016 4:36 am

O olhar de Alexia acompanhou Regulus até que o rapaz deixasse o escritório, dando privacidade para as duas Romanoff. No instante em que estavam sozinhas, Alexia cruzou os braços e recostou o corpo na grande escrivaninha onde o pai normalmente trabalhava. Charlie tinha um discreto sorrisinho nos lábios, como se estivesse se divertindo com aquela situação.

- E pensar que teve um tempo em que vocês dois realmente me enganaram com aquela conversa de amiguinhos...

As íris azuis da caçula giraram em tédio diante do comentário da irmã. Era comum que as pessoas duvidassem da pureza da amizade que existia entre ela e o Black mais novo, mas até pouco tempo atrás, aquela era a mais pura verdade.

- Não comece com insinuações, Charlie.

- Insinuações? É você que está se agarrando com seu namoradinho na própria festa de noivado! Bastante vulgar, na minha opinião. Por que aceitou o noivado com o Avery, afinal?

Alexia soltou um pesado suspiro e encarou o carpete macio sob seus pés enquanto a frustração se espalhava pelo seu corpo. Se as coisas entre Regulus tivessem acontecido um pouco mais cedo, talvez tivesse tempo suficiente para adiar um compromisso. Agora, estava tudo acontecendo de maneira atropelada, sem que ela tivesse tempo de respirar.

- Eu não planejei nada disso, Charlie. Eu não teria escolhido o Avery se soubesse antes que gostava do Reg.

O sorriso de Charlotte se alargou e ela caminhou preguiçosamente até a grande mesa onde Alexia estava recostada, mas atravessando até o outro lado e assumindo a grande cadeira pertencente ao Sr. Romanoff.

- Você acha mesmo que escolheu o Avery? Lexie, você não pode ser tão inocente, não é?

Para continuar encarando a irmã, Alexia desencostou da mesa e girou o corpo até estarem de frente novamente. A testa franzida entregava a confusão diante do rumo da conversa da mais velha.

- Quem escolheu o seu vestido esta noite? – Charlotte esperou que Alexia pensasse por um segundo, e quanto o rosto da Sra. Romanoff surgiu na mente da caçula, ela continuou. – Mamãe sempre manipulou você, Lexie. Desde o começo. Ela só fez você acreditar que tinha escolhido o Avery.

Com o olhar perdido, a mente de Alexia começou a juntar as dezenas de peças soltas de lembranças das dezenas de vezes que conversara sobre o noivado com a mãe. Muitas vezes, o que pareciam ter sido comentários inocentes da Sra. Romanoff, agora pareciam imposições.

- Papai está devendo uma fortuna aos Avery, e o casamento ia fazer com que eles esquecessem a dívida.

As palavras pegaram Alexia com tamanha surpresa que sua única reação foi soltar uma risada nasalada e encarar a irmã com incredulidade por longos segundos. Sem ter chance de raciocinar e responder, a caçula permaneceu muda e Charlotte continuou.

- Mas, se você e o Black estão mesmo dispostos a se casar...

- O quê? – Alexia finalmente conseguiu balbuciar, sua mente girando com o turbilhão de informações. – Quem falou em casamento?

Pela primeira vez desde que entrou naquele escritório, Charlotte se mostrou surpresa. Ela puxou a cadeira para mais perto da mesa e apoiou os cotovelos sobre o tampo de madeira, encarando a irmã com o queixo caído.

- Você não acha mesmo que vai fugir do noivado com o Avery só para ficar de namorico, não é? Lexie, a dívida com os Avery é enorme, papai não vai ficar no prejuízo, passar uma vergonha monstruosa, só por um capricho seu!

- Quão grande é a dívida?

Parecia tolice se preocupar com aquilo diante de todo o cenário, mas assim como toda família tradicional, Alexia havia crescido sabendo que não poderia decepcionar os pais. O sobrenome Romanoff antigo e importante demais para ser manchado.

- Grande o bastante para destruir a nossa família, Lexie.

O semblante sério de Charlotte entregava o quão grave era a situação. A mais velha se colocou de pé e suspirou pesadamente antes de continuar.

- Olha, depois que o irmão do Regulus sujou o nome da família e daquela prima dele que se casou com um trouxa, ser o motivo por destruir o noivado do Avery não é nada. Mas você precisa pensar no que isso pode significar para gente, Lexie.

Alexia sentia um nó queimando em sua garganta, dificultando a respiração. Charlotte podia ter todos os defeitos herdados da mãe, mas ela estava certa em tudo que dizia.

Além do mais, a caçula dos Romanoff não havia pensado nas consequências daquela loucura. Ela queria mais tempo para descobrir o que realmente sentia por Regulus e aquele noivado atrapalharia tudo. Mas também não estava disposta a assumir um compromisso tão grande com o melhor amigo.

E se não desse certo? Se eles estivessem presos em um noivado, depois de envergonhar as duas famílias, e descobrissem que só era divertido enquanto era proibido? Além de todo o estrago, a amizade dos dois dificilmente sobreviveria há tantas dificuldades. E Alexia não estava disposta a arriscar a única coisa boa que tinha em sua vida por algo incerto.

- Você pode me deixar sozinha, Charlie?

Charlotte não pareceu satisfeita quando se levantou, mas ainda parou ao lado da irmã antes de seguir na direção da porta.

- Cuidado com a besteira que você vai fazer, Alexia.

A caçula não se virou para acompanhar a saída da irmã, mas manteve a audição atenta ao barulho dos saltos até que eles estivessem cessados. Seu coração batia acelerado e a cabeça estava girando. Não havia tempo para decidir, a mansão Romanoff se enchia a cada segundo com os convidados prontos para comemorarem aquele noivado, e do outro lado da porta, Regulus esperava que ela terminasse de uma vez por todas com aquela história.

Com um aperto no peito, Alexia finalmente deixou o escritório e estava séria quando encontrou o melhor amigo lhe esperando, exatamente como ele havia prometido.

- Eu não posso, Reg. – Para sua surpresa, a voz soou firme e decidida, o oposto do que realmente sentia. – Não vou fazer isso com a minha família. Os Black podem estar mais do que acostumados com escândalos, esse seria só mais um para sua mãe ficar gritando com as paredes. Sinto muito, mas não vou arriscar tudo por algo que nem a gente sabe o que é.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Dominic Sjogren em Sab Abr 09, 2016 5:11 am

Aqueles minutos foram os mais longos de toda a vida de Regulus Black. Com os olhos acinzentados fixos na porta do escritório fechada, o rapaz sentia-se ansioso pelo fim daquela interminável conversa entre as irmãs Romanoff. Regulus estava certo de que Alexia não cederia às chantagens emocionais de Charlotte, mas ainda assim só se sentiria totalmente seguro quando a caçula estivesse novamente em seus braços.

Por mais que estivesse cada vez mais inserido nos negócios da família, Regulus não sabia da dívida dos Romanoff. A família de Alexia tinha conseguido manter aquele pequeno deslize financeiro em segredo e, após o casamento da caçula com o herdeiro dos Avery, tudo ficaria resolvido e o problema deixaria de existir.

Aos olhos dos Black e de todos os convidados daquele noivado, o casamento era apenas uma formalidade entre duas famílias tradicionais. Somente os Romanoff e os Avery sabiam que Alexia estava sendo vendida por um valor extremamente elevado.

E foi por desconhecer este segredo que Regulus não acreditou quando Alexia surgiu no corredor e mostrou que voltaria atrás na decisão de enfrentar a família e cancelar aquele noivado.

Como se não bastasse aquele golpe, Black ainda se viu obrigado a engolir insinuações sobre os últimos escândalos que abalaram sua família. Alexia, melhor do que qualquer outra pessoa, deveria saber o quanto as histórias de Sirius e Andromeda ainda mexiam com o caçula dos Black.

- Acostumados com escândalos? É isso que você acha sobre a minha família?

A voz grave de Regulus soou num sussurro e o semblante do rapaz se fechou. Black nem parecia mais o mesmo garoto leve e sorridente que se fechara com Alexia naquele escritório há poucos minutos.

- Fale por você, Alexia. Eu sei bem o que está havendo aqui! Mas, se você não sabe, realmente não vale a pena arriscar o seu futuro brilhante e o nome intocável da sua família.

Durante toda aquela longa amizade, os dois jovens obviamente já tinham protagonizado algumas brigas. Mas eram sempre discussões tolas que se resolviam em poucas horas e costumavam ser solucionadas com chocolate quente e muitas risadas. Naquela noite, no entanto, estava claro que as coisas não terminariam tão bem. Regulus, que era quem geralmente voltava atrás e pedia desculpas, certamente não estaria disposto a ceder depois daquele discurso da amiga.

Regulus já se sentia ferido depois que Sirius e Andromeda foram excluídos do convívio com a família, mas nem mesmo esta dor poderia ser comparada à decepção que o atingia agora. De todas as pessoas do mundo, Alexia Romanoff era a última que o herdeiro dos Black pensou que perderia. Saber que Alexia também viraria as costas para ele era um golpe que deixava Regulus totalmente sem chão.

- Você já fez a sua escolha e eu não pretendo te convencer do contrário. Eu posso estar “acostumado com escândalos”, mas ainda tenho alguma dignidade e não vou implorar para que você lute por algo que “nem sabe o que é”.

Ao repetir as palavras usadas pela moça, Black usou uma entonação irônica para tentar disfarçar a dor que aquele discurso lhe causava.

- Só não espere que eu seja parte plateia do seu espetáculo, Alexia.

O uso do nome da garota ao invés do costumeiro “Lex” já indicava o distanciamento que Black pretendia instalar a partir daquele momento.

- Se alguém perguntar por mim, invente a desculpa que quiser. Aliás... – a voz de Regulus novamente soou carregada de sarcasmo – Invente algum escândalo. A julgar pelo histórico da minha família, ninguém vai questionar a sua história.

Sem dar à amiga oportunidade de responder, o herdeiro do Black girou sobre os calcanhares e saiu marchando pelo corredor. Infelizmente não havia nenhuma maneira de sair dali sem antes retornar para o salão de festas, mas Regulus não estava disposto a ficar nem mais um minuto no evento.

Se antes aquele noivado já lhe era indigesto, agora a simples ideia de ver Alexia e Avery trocando alianças era insuportável.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Sab Abr 09, 2016 5:18 am

Ao contrário de Emmeline, para Severus Snape não importava pensar que aquele chá tinha algum significado romântico ou se tratavam apenas de dois conhecidos que gostariam de mais algumas horas conversando enquanto devoravam algumas tortinhas de caldeirão.

De uma forma ou de outra, o professor de poções não estava acostumado a se envolver com outras pessoas e ele se sentiu desconfortável enquanto via os ponteiros deslizando pelo relógio, sozinho na sala dos professores.

Era impossível controlar a batida mais acelerada de seu coração cada vez que olhava na direção da porta, esperando pelos fios loiros já tão conhecidos aparecerem. E quando continuava encarando a porta de madeira, a frustração se espalhava, junto com uma pontada de raiva por tamanha tolice.

Mesmo com o atraso relativamente pequeno de Jenner, foi o suficiente para Snape se torturar, cada vez mais confuso com aquela onda de sentimentos novos. Racionalmente, ele não conseguia compreender porque seu corpo estava reagindo de forma tão intensa à curandeira. Como aqueles sentimentos não tinham nada de racional, sua raiva e frustração imediatamente dissipou no instante em que Emmeline surgiu.

A explicação dela, perfeitamente aceitável, foi ignorada enquanto os olhos negros acompanhavam cada movimento da curandeira, ao retirar o jaleco e se aproximar da mesa do lanche.

Enquanto a maioria dos professores evitava aquela sala, Snape sempre se aproveitava do silêncio e da solidão para passar tardes ali, aproveitando a pequena coleção de livros ou para corrigir trabalhos, sempre lamentáveis em sua opinião. Era a primeira vez em anos que ele tinha companhia, já que até mesmo entre o corpo docente de Hogwarts não era comum ter amizades.

Foi por estar tão acostumado com aquele isolamento, Severus ainda se surpreendia com a intimidade com que Emmeline agia, como se eles fossem de fato amigos. Era assustador e, ao mesmo tempo, prazeroso ver Jenner se comportando daquela forma. Mesmo sendo algo completamente novo em sua vida, Snape precisava admitir que começava a gostar do jeito da curandeira a cada dia que passava.

Ela representava tudo que ele sempre detestara, com dezenas de características de um lufano. Mesmo com a personalidade delicada e dócil, era um tanto expansiva quando comparado a introversão do professor de poções. E quando aquilo deveria incomodá-lo profundamente, apenas o surpreendia de forma positiva, ultrapassando as barreiras invisíveis que ele havia erguido ao longo dos anos.

- Os elfos são bem estúpidos, se quer saber a minha opinião. – Snape resmungou enquanto levantava da poltrona que havia assumido, perto da lareira. – Eles preparam esses lanches intermináveis, dia após dia, mesmo sabendo que ninguém come. Um completo desperdício.

Com os pés se arrastando, Snape se aproximou da mesa, e mais uma vez, acompanhou com estranheza quando Jenner se antecipou para servir sua bebida. Como se aquilo fosse um insulto ou constrangedor demais, Severus se antecipou em pegar o bule de café para se servir, mas por ter agido mais rápido do que pensado, seus dedos tocaram diretamente o corpo do bule, e não a alça.

- Pode deixar que eu mesmo.... Ai!!!

O calor do alumínio estava muito maior do que o esperado, e percorreu das pontas dos dedos até seu cotovelo. O bule foi derrubado imediatamente, espalhando café por todo o chão de pedra e respingando nas botas e na calça de Snape. Apesar do líquido quente que havia respingado, a dor latejante e a vermelhidão que começavam a se espalhar em seus dedos normalmente gelados e pálidos era o suficiente para que ele ignorasse as vestes sujas.

- Mas que droga! Quem foi o imbecil que deixou isso tão quente???

Urrando de dor, Snape puxou um guardanapo de pano e tentou apertar os dedos, provocando ainda mais dor com a queimadura.

- Elfos idiotas e imprestáveis!
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Sab Abr 09, 2016 5:50 am

Nos tempos de Hogwarts, Emmeline não tivera sequer um amigo da Sonserina exatamente porque sua personalidade dócil entrava em confronto com o comportamento típico dos alunos da casa de Salazar. A lufana nunca se dera bem com ironias, ofensas ou insinuações maldosas. E, naquela época, Severus Snape parecia simbolizar tudo o que a garota queria evitar.

A personalidade do atual professor de Hogwarts havia mudado muito pouco nos últimos anos, mas, por outro lado, Jenner modificara bastante a sua maneira de enxergar e enfrentar a vida. Exatamente por isso, a curandeira agora era capaz de ver o lado cômico das reclamações de Severus.

- Ora, Snape! É café! Você queria que estivesse gelado?

Uma das sobrancelhas finas da moça se arqueou e ela apoiou as mãos na cintura, sem tirar do professor um olhar firme e levemente divertido.

- Não coloque nos pobres elfos a culpa pela sua desatenção. Não foi muito esperto da sua parte tocar o bule diretamente... – Emmeline acrescentou com bom humor antes que o sonserino explodisse – De atitudes pouco inteligentes eu falo com propriedade. Afinal, sou uma lufana...

Com uma tranquilidade absurda, Emmeline sacou a varinha do bolso e inicialmente a apontou para baixo. Com um feitiço não verbal, a moça limpou as calças e as botas de Severus, livrando-as da sujeira provocada pelo café derramado.

- Agora eu preciso ver o estrago da sua mão...

Com uma naturalidade que nenhuma outra pessoa costumava demonstrar diante de Severus Snape, a curandeira se aproximou dele e o puxou pelo punho antes que o professor pensasse em recuar. Com cuidado, Emmeline retirou o guardanapo que Severus usava para limpar a pele queimada. Seus traços se curvaram numa careta de desagrado quando a curandeira notou a pele avermelhada na qual já começavam a surgir algumas bolhas.

- Venha, eu vou dar um jeito nisso.

Mais uma vez, Emmeline não deu ao sonserino chance para discordar. Snape foi puxado pelo punho até um dos sofás próximos à lareira. Os dois se sentaram lado a lado e Jenner apoiou a mão de Severus na palma de sua mão esquerda. Era violento o contraste entre os dois. Os dedos pequenos e delicados de Emmeline pareciam ainda menores em contato com os dedos compridos e pálidos do professor de Poções. As unhas curtas do rapaz eram opostas às de Emme, que naquela tarde estavam pintadas num tom discreto de rosa.

- Pare de resmungar como um velho, Snape. A dor já vai passar...

A curandeira se permitiu aquela última provocação antes de empunhar a varinha com a mão direita e apontá-la para a pele queimada de Severus. O feitiço sussurrado por Jenner era uma velha magia curativa que costumava funcionar apenas com pequenos ferimentos. Da varinha da curandeira, contudo, saiu um feitiço forte o bastante para que a pele de Snape estivesse totalmente recuperada em dois segundos. Mesmo depois que o professor estava curado, Emme manteve a mão unida a dele.

- Pronto, acabou. Coma um bolinho para recuperar o bom humor... – Emmeline não perdeu a oportunidade de implicar com Severus – E da próxima vez é melhor deixar que eu te sirva. Você acabou de provar que este tipo de habilidade não faz parte da sua lista de qualidades sonserinas.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Sab Abr 09, 2016 6:02 am

Alexia sabia que havia ido longe demais no instante em que ouviu as próprias palavras, mas não podia dar oportunidade a Regulus para insistir naquela história, principalmente porque ela cederia com facilidade a menor das investidas do melhor amigo.

Ainda assim, quando o Black caçula deixou o corredor, Romanoff se arrependeu amargamente do que havia acabado de fazer. Sua vontade era puxar Regulus para um abraço e lhe explicar toda a verdade. A última coisa que ela queria era magoar a pessoa que mais amava na vida.

Sentindo-se um fracasso, Alexia não viu outra escolha a não ser enfrentar seu destino. Aquele noivado foi ainda mais difícil sem ter o melhor amigo para lhe amparar, como sempre havia acontecido ao longo dos anos. Mas a caçula dos Romanoff se mostrou digna do sobrenome quando enfrentou o evento social com um sorriso estampado no rosto e o nariz empinado.

Nenhum dos convidados seria capaz de dizer que a então noiva de Jackson Avery preferia estar nos braços de outro homem. Durante toda a noite, Alexia agiu da forma mais natural possível. Ela se manteve ao lado do noivo, de mãos dadas, logo após a troca das alianças até o final da festa.

Em seu anelar, a joia dourada brilhava intensamente. Ela era toda de ouro e os pequenos diamantes a rodeavam, com uma grande pedra se destacando ao centro. Ninguém poderia questionar que valia uma grande fortuna e na manhã seguinte estaria estampada em diversas colunas sociais.

Durante todo o evento, Charlotte acompanhava os movimentos da irmã a uma pequena distância, com um sorriso de aprovação. Para completo desconforto de Alexia, a Sra. Romanoff exibia o mesmo sorriso de satisfação. Não havia ninguém na mansão que estivesse infeliz naquela noite, com exceção da futura Sra. Avery.

Se o afastamento entre Alexia e Regulus já havia sido uma tortura após a noite do chalé, os dias que se passaram após a oficialização do noivado da menina foram um completo pesadelo. Um tempo ainda maior se arrastou sem que os dois melhores amigos voltassem a se falar e Alexia começava a desconfiar que havia feito a escolha certa.

Mesmo tendo interrompido aquela loucura de forma tão precoce, a amizade dos dois já havia sofrido tanto. Ela tinha certeza que teria arruinado junto o sobrenome da família por um relacionamento que não sobreviveria. Era mais fácil se casar com Avery sem nutrir nenhum sentimento do que se ver presa em um casamento com Regulus depois de destruir todo amor que um tinha pelo outro.

Apesar das incertezas, não havia um único dia que passasse sem Alexia lembrar do melhor amigo. Ela dormia se recordando dos beijos trocados e fantasiando como teria sido se aquele noivado não estivesse no caminho, ou se os dois tivessem descoberto aqueles sentimentos com antecedência. Quando acordava, era o rosto de Regulus que surgia em sua mente, e ao recordar do último encontro, Alexia murchava em frustração.

A cada novo dia, ela dizia a si mesma que procuraria o melhor amigo para que eles se acertassem, que deixassem de lado os últimos acontecimentos e voltassem ao que eram, sem complicações. Mas lembrar que havia causado tanta mágoa em Regulus lhe causava um receio grande demais, e tomada pela covardia, Alexia acabava adiando o reencontro.

Para complicar ainda mais, os encontros com Jackson Avery haviam se tornado mais frequentes. O noivo passara a fazer questão que eles jantassem toda semana, ou mesmo que se encontrassem rapidamente ao longo do dia. Alexia sabia que a intenção era apenas que as pessoas passassem a ver o casal com mais frequência, tirando a impressão daquele casamento arranjado, como se realmente os dois jovens quisessem aquele compromisso.

Foi em um desses encontros breves que Alexia se viu no final de uma tarde. Os dois haviam se encontrado em uma casa de chás em um bairro bruxo, próximo ao escritório de Avery. A menina cutucava um pedaço de torta de maçã sem grande interesse, o pensamento perdido no melhor amigo, como acontecia com frequência, enquanto o noivo tagarelava sobre algo que ela dificilmente lembraria mais tarde.

- Preciso confessar que achei que teria problemas com o Black...

A simples menção do sobrenome de Regulus fez Alexia erguer a cabeça, como se esperasse que o melhor amigo se materializasse na sua frente.

- Eu lembro que em Hogwarts vocês ficavam juntos todo o tempo. Cheguei a pensar que eram namorados. Mas fico feliz em saber que não tenho com o que me preocupar.

Ao compreender o que Avery estava tentando insinuar, Alexia soltou o garfo, sentindo-se incomodada como sempre acontecia quando alguém insinuava que existia algo entre ela e o amigo.

- Regulus é meu amigo.

- Eu sei. – Avery soltou uma risadinha relaxada enquanto dava um gole em seu café. – Apenas imaginei que vocês fossem continuar grudados depois de Hogwarts. É um alívio saber que as coisas mudaram.

- As coisas não mudaram.

Era a primeira vez que Alexia respondia o noivo de forma firme e direta, não se deixando ser contrariada. Pego de surpresa, Avery devolveu a xícara ao pires, mantendo um sorriso confuso nos lábios.

- Bom, vocês não se falam há semanas. Imaginei que tivessem se afastado.

- Regulus é meu melhor amigo. Nós não nos afastamos e nem vamos nos afastar. E eu sinceramente espero que você não tenha problemas com ele, porque isso não vai mudar. Ele vai continuar fazendo parte da minha vida. Entendido?

Avery estava certo em dizer que os dois haviam se afastado, mas imaginar que a amizade entre os dois havia terminado era inadmissível e doloroso demais em ouvir de um completo estranho.

- Enquanto você não estiver me constrangendo, Lexie, eu realmente não me importo com as suas amizades.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Sab Abr 09, 2016 6:36 am

Desde o primeiro contato com Emmeline após a reunião da Ordem da Fênix, Snape havia reparado como a curandeira não se importava com sua atitude mais distante e fria e sempre interagia ultrapassando as barreiras que ele havia erguido ao longo dos anos e que funcionava perfeitamente com qualquer outra pessoa.

Naquela tarde, mais uma vez, Jenner não se importou com os xingamentos do professor de poções quando o puxou para o sofá e cuidou daquele pequeno acidente de forma simples e ágil, ignorando a careta emburrada do mestre de poções.

No entanto, foi mais do que surpresa que invadiu a mente de Snape quando a curandeira puxou sua mão para tratar. O contato da pele macia de Emmeline na sua causou um arrepio gostoso que se espalhou por todo o seu corpo, fazendo o estômago dar uma deliciosa cambalhota.

Se Severus estava acostumado a manter distância de qualquer pessoa, ele definitivamente não estava familiarizado a ser tocado, e cada vez com mais frequência Emmeline insistia em tocá-lo, despertando sensações assustadoramente deliciosas.

Assim como o abraço trocado no corredor das masmorras, aquele pequeno gesto aqueceu Snape, e ignorando completamente a dor que cessava, os olhos negros procuraram os cor de mel. Seus lábios bem desenhados estavam ligeiramente entreabertos, enquanto ele era incapaz de formar qualquer palavra. Nem mesmo um sorriso debochado foi capaz de surgir quando ela fez a piada sobre lufanos.

Por ser muitos centímetros mais alto, mesmo sentado, ainda era possível ver a diferença na estatura dos dois. A mão de Snape estava repousada sobre os dedos de Emmeline, mesmo depois de perfeitamente curada, e sem perceber, seu olhar ficava mais intenso a cada segundo enquanto ele se perdia naquele tom de mel, tão diferente de qualquer outro.

Severus se perguntou quando ele havia reparado pela primeira vez que os olhos de Jenner eram tão raros e bonitos, tentando buscar na memória se, ainda quando eram alunos, ele havia notado nos traços delicados da lufana.

Tão cego pela amiga da jovem, agora ele se sentia um tolo por ter ignorado a existência de Emmeline por tanto tempo.

- Obrigado.

A voz de Severus soou rouca, denunciando que ele não dizia aquela palavra há muito tempo. Mas ainda mergulhado nas íris claras da curandeira, ele sequer percebeu aquele deslize.

Talvez fosse a proximidade da lareira ou a queimadura do bule, mas Severus se sentia estranhamente aquecido, envolvido pelo perfume delicado de Emmeline. Ele tentou se recordar de já havia sentido um perfume tão bom antes, apenas para admitir que até aquele momento ele não se importava com essências florais.

Como se estivesse hipnotizado, Snape deslizou o pulso pousado na mão de Emmeline até girar a palma para baixo, acariciando levemente a pele da curandeira com as pontas dos dedos já sem bolhas, até envolver a delicada mão por completo. Com o outro braço, Severus levou os dedos longos, tomado por impulso, até tocar uma mecha loira de Emmeline.

Com um movimento delicado demais, que não condizia com a personalidade bruta do mestre de poções, Snape deslizou os fios dourados até posicioná-los atrás da orelha da curandeira, deixando o rosto dela exposto. Sem perceber, um discreto sorriso brincou em seus lábios quando ele percebeu que os cabelos dela eram mesmo tão macios quando havia imaginado.

Ele não estava mais raciocinando, se deixando levar pelo brilho nas íris cor de mel e pelo fato de não ter sido estuporado até então. Como se estivesse vivendo um sonho em que nada poderia dar errado, Snape acariciou a lateral do rosto de Emmeline com o polegar.

- Você é assombrosamente talentosa para uma lufana.

Os olhos negros deslizavam enquanto olhavam de um olho ao outro de Emmeline, de tão próximos que estavam. Ele já podia sentir o hálito quente da curandeira batendo em sua bochecha enquanto seus dedos afagavam os cabelos loiros.

- Eu nunca vi ninguém me desarmar como você. Que diabos está acontecendo, Jenner?

Como se temesse pela resposta, Snape se inclinou para frente até acabar com o pouco espaço que existia entre os dois. Quando seus lábios finalmente tocaram o da curandeira, Severus sentiu seu peito explodir e a mão, segundos antes queimada, deslizou até se posicionar na cintura de Emmeline, a puxando mais para perto, intensificando o beijo.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Dominic Sjogren em Sab Abr 09, 2016 6:43 am

Por mais que Alexia Romanoff continuasse a fazer parte de seus pensamentos diariamente, Regulus se esforçou para focar toda a sua atenção na própria vida. A melhor amiga estava traçando um futuro sem ele e o herdeiro dos Black decidiu que deveria fazer o mesmo. Regulus não tinha a menor pretensão de ser feliz sem a companhia de Alexia, mas precisava seguir em frente. Logo a moça estaria casada e Black se recusava a deixar de lado a própria vida para desejar a sorte de Jackson Avery.

O primeiro passo de Regulus foi mergulhar de cabeça nos negócios da família. Poucas semanas bastaram para que Orion passasse todas as coordenadas para o caçula. Não demorou para que Regulus começassem a tomar algumas decisões sozinho e, para orgulho do pai, o caçula mostrou que tinha vocação para os negócios.

Aliado ao trabalho, Regulus se viu cada vez mais próximo dos demais membros da família. O tempo que sobrava agora que o rapaz não se encontrava mais com Alexia começou a ser usado pelas primas. Inicialmente eram apenas visitas e conversas amigáveis, mas logo Bellatrix introduziu um assunto mais delicado.

Uma guerra de grandes proporções começava a ser arquitetada e os Black já tinham escolhido a quem apoiar. Por maior que fosse a sua insatisfação com aquela escolha, Regulus sabia que não podia fugir daquele destino sem que seu nome fosse o próximo a ser queimado na tapeçaria.

Graças à influência dos Lestrange e de Lucius Malfoy, Regulus foi arrastado para algumas reuniões do grupo que se intitulava de “Comensais da Morte”. O herdeiro dos Black ainda não havia recebido nenhuma missão, tampouco exibia no braço a temida Marca Negra. Mas Regulus sabia que não conseguiria fugir para sempre e que era uma questão de tempo até estar envolvido até o pescoço naquela sujeira.

Sem Alexia, era como se Black tivesse perdido as rédeas da própria vida. Como não tinha mais nenhuma perspectiva de um futuro feliz, Regulus simplesmente se deixava levar como um náufrago em alto mar, já cansado de lutar contra as ondas infinitamente mais fortes que seu corpo cansado.

Além dos negócios da família e de um posicionamento naquela guerra, logo Regulus se viu arrastado para outra decisão que independia de sua vontade. Depois de alguma insistência de Orion Black, o caçula concordou que já havia chegado a hora de oficializar um noivado. Agora que era o único herdeiro, Regulus carregava nos ombros a grande responsabilidade de perpetuar o sobrenome e o sangue puro da família.

E não faltaram candidatas. Apesar dos últimos escândalos envolvendo os Black, o sobrenome da família ainda era amplamente respeitado no mundo da magia. Regulus vinha de uma linhagem pura, era um rapaz atraente e o único herdeiro de uma das maiores fortunas do Reino Unido. É claro que qualquer família desejaria unir-se aos Black e qualquer jovem aprovaria um marido como Regulus.

Ao contrário de Alexia, Regulus não foi influenciado naquela decisão. É claro que Orion e Walburga selecionaram as melhores candidatas dentre todas as interessadas, mas deixaram que a escolha final fosse do filho.

Tal como dissera a Alexia uma vez, Regulus pretendia guiar a sua escolha com parâmetros fúteis. Como todas as moças eram muito parecidas, ele acabaria escolhendo a mais bonita, ou a que lhe parecesse menos desagradável.

Era exatamente isso que o herdeiro dos Black analisava no momento. Como se as candidatas à esposa fossem pratos de um banquete, Regulus olhava os nomes escritos num pergaminho como se estivesse diante de um cardápio.

- Não precisa escolher agora, querido... – apesar das palavras compreensivas, Walburga parecia ansiosa – Talvez você precise de um ou dois dias.

- Vou escolher agora. – a voz do rapaz soou desinteressada – Já perdemos muito tempo, afinal.

Os olhos cinzentos desciam vagarosamente pelo pergaminho. Walburga fora tão metódica que havia colocado os nomes das moças em ordem alfabética. Regulus já estava prestes a dizer o nome de Octavia Nott quando o último nome da lista fez com que o rapaz mudasse de ideia. No fim das contas, ele tinha uma motivação maior ao fazer aquela escolha. Não optaria pela mais bonita, ou pela mais inteligente. Ao dizer o nome da escolhida, Black era movido unicamente pelo sentimento de vingança.

- Winnifred Rookwood.

A única filha dos Rookwood era uma das favoritas de Walburga justamente porque herdaria toda a fortuna dos pais. Além disso, era uma jovem bonita, refinada e de sangue inquestionavelmente puro. Mas a Sra. Black estava enganada quando concluiu que a escolha de Regulus levara em conta aquelas qualidades. O rapaz só dissera o nome de Winnifred porque sabia que Winnie e Alexia se odiavam.

Desde muito pequenas as duas garotas se estranhavam. A rivalidade havia crescido com o passar dos anos até se transformar num profundo ódio. Para Regulus, a melhor maneira de devolver à Alexia a ofensa seria transformando a pior inimiga dela na Sra. Black.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Sab Abr 09, 2016 7:23 am

Por mais que o clima estivesse leve e amigável entre os dois, Emmeline não esperava ouvir um agradecimento de Severus. Aliás, a lufana não se lembrava de já ter ouvido um “obrigado” ecoar na voz de nenhum sonserino. Era como se os alunos da casa de Slytherin fossem incapazes daquela gentileza.

Se o agradecimento de Snape já havia causado espanto, Jenner ficou ainda mais surpresa quando o professor ousou tocá-la. Desta vez, mesmo sem esperar pelos toques, Emmeline não se esquivou dos dedos pálidos de Severus.

Há algumas semanas, a curandeira certamente faria uma careta de desagrado se pensasse na possibilidade de ser tocada por Severus Snape. Naquela tarde, contudo, o contato com o sonserino provocou nela um arrepio gostoso que deixava bem claro que o seu corpo aprovava aquela proximidade.

Jenner não teve mais dúvidas de que aquilo estava se transformando em um encontro quando Snape moveu a mão e acariciou seus dedos. Aquele simples gesto foi o bastante para fazer o coração de Emmeline saltar dentro do peito. As batidas se tornaram ainda mais fortes e descompassadas quando o sonserino levou a outra mão aos fios loiros.

Os dois mantinham os olhos fixos um no outro quando Severus murmurou aquele elogio. Por isso, Emmeline não teve a menor chance de disfarçar o rubor que se espalhou em suas bochechas. Nem em mil anos, a lufana imaginou que um dia ouviria aquilo dos lábios de um sonserino.

Um sorriso doce e tímido surgiu nos lábios de Emmeline e ela sacudiu a cabeça diante da última pergunta de Snape, deixando claro que também não sabia explicar racionalmente o que estava acontecendo entre os dois. Os lábios da loira se entreabriram em busca de uma resposta, mas a voz ficou presa na garganta da moça quando Severus inclinou-se e uniu sua boca a dela.

Todo o corpo de Emmeline estremeceu e, inconscientemente, a moça pousou uma das mãos sobre o peito de Severus. Ao invés de empurrá-lo, contudo, Jenner se viu fechando os olhos e entregando-se docilmente ao beijo iniciado por ele. A curandeira estremeceu mais uma vez quando Snape a puxou mais para perto, mas ela novamente não se esquivou.

Passada a surpresa inicial, Emmeline parou de lutar e admitiu para si mesma que queria tanto aquele beijo quanto Snape parecia desejar. E a loira deixou isso claro no instante em que deslizou suavemente as duas mãos pelo peito do professor até apoiar os dedos na nuca dele, sob os fios escuros.

Deslizando ainda mais sobre o sofá, Jenner se aproximou do sonserino até que seu corpo estivesse colado ao dele. Os lábios de ambos trabalhavam avidamente num beijo que começara lento e inseguro, mas agora começava a crescer assustadoramente num ritmo intenso.

Os dedos de Emmeline se agarraram aos cabelos de Severus e o fôlego da curandeira começava a fraquejar quando alguém deu duas batidas na porta da sala dos professores antes de girar a maçaneta.

Como se tivessem sido atingidos por uma forte corrente elétrica, Jenner e Snape saltaram em direções opostas, interrompendo abruptamente aquele beijo intenso. A curandeira estava extremamente corada e com os olhos arregalados quando se voltou para a porta a tempo de assistir a entrada de Albus Dumbledore.

- Oh, olá! Eu não sabia que vocês estavam aqui. Geralmente a sala está vazia quando venho roub... – o velho se corrigiu - ...provar um bolinho de caldeirão.

Tudo o que Emmeline conseguiu fazer foi forçar um sorriso para o diretor. Nem mesmo se usasse todas as suas forças, a curandeira conseguiria falar qualquer coisa naquele momento.

Os olhos cor de mel buscaram pelas íris negras do professor e era óbvio que os dois estavam se perguntando exatamente a mesma coisa. O beijo fora interrompido a tempo, mas Dumbledore era inteligente demais para não notar as faces ruborizadas, as respirações ofegantes e as expressões constrangidas dos dois jovens.

- Como esta sala está quente hoje... – Albus se aproximou do sofá mastigando um bolinho e bebericando um copo de suco de abóbora – Está delicioso! Vocês deveriam provar!

Jenner apertou os lábios para segurar uma risada quando Dumbledore se sentou exatamente no meio dos dois. A curandeira novamente buscou pelo olhar de Snape, agora com Albus no meio deles, e sorriu diante da expressão emburrada e indignada do sonserino.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Sab Abr 09, 2016 7:23 am

Os encontros com Jackson Avery eram sempre tediosos, mas enfrentados por Alexia com a mesma naturalidade que ela havia enfrentado a noite de noivado. Qualquer um que assistisse a cena do casal compartilhando a refeição seria capaz de dizer que a menina preferiria estar em qualquer lugar do que ali, se contorcendo sob qualquer toque do rapaz, por mais inocente que fosse.

Após ter se exaltado com as insinuações do noivo sobre sua amizade com Regulus, Romanoff se obrigou a manter a calma o restante da refeição e não desviou quando o rapaz se inclinou para se despedir com um beijo.

Havia se tornado comum, como era de se esperar, aqueles pequenos gestos de afeto em público, que Alexia correspondia mecanicamente e sem nenhum entusiasmo. Intimamente, ela esperava pelas batidas aceleradas do coração, como havia acontecido nas vezes em que beijara Regulus, e era frustrante saber que Jackson era incapaz de despertar o mínimo de entusiasmo.

Quando Avery finalmente se afastou para retornar ao trabalho, Alexia se viu sozinha na calçada da casa de chás, refletindo sobre o que ela mesma havia dito para defender a amizade com Regulus.

Ela ainda não sabia dizer se havia feito a escolha certa, mas tinha certeza que precisava acertar as coisas com o melhor amigo. Pela primeira vez, Alexia não se importou em engolir o orgulho e procurar pelo caçula dos Black.

A mansão era sombria, com pouca iluminação e móveis antigos, com uma decoração um pouco duvidosa na opinião de Alexia, mas a menina estava acostumada com cada centímetro da casa de Regulus desde criança, de modo que não se importou quando foi recebida por Monstro no corredor de entrada.

Para encontrar o noivo, Alexia havia escolhido um vestido leve e florido, que alcançava até a metade de suas coxas. Nos ombros, o tecido esvoaçante cobria até o início da curvatura. Os cabelos negros caíam em cachos largos que a caçula dos Romanoff havia gasto algum tempo moldando, e sobre a cabeça, ela exibia um chapéu de aba larga e mole, no estilo francês.

Como estava cansada de andar pelos corredores da mansão, Alexia não se importou em ultrapassar o pequeno elfo e antecipar seus passos na direção da escada. Ela estava prestes a subir para o andar superior, a caminho do quarto de Regulus, quando a voz de Walburga soou.

- Alexia? Não sabia que você viria...

- Menina Alexia nunca avisa quando vem. – Monstro passou resmungando pelas duas mulheres e seguiu até desaparecer pelo corredor que o levaria até a cozinha.

Com os lábios pintados em um vermelho intenso, Alexia sorriu para Walburga e desceu o primeiro degrau que começara a subir.

- Vim ver o Regulus.

- É lógico que veio. – O revirar de olhos de Walburga mostrava sua impaciência com o comentário óbvio da menina, mas ainda assim, Alexia sabia que não havia irritado a Sra. Black, pois os gritos não estavam fazendo os quadros estremecerem. – Regulus está na sala, estamos com visitas.

Para Alexia, a única visita que os Black poderiam ter era algo relacionado aos negócios da família, por isso ela não se importou em prontamente desviar seu caminho para a sala. O que a caçula dos Romanoff não esperava era encontrar o rosto conhecido de Winnifred Rookwood sentada a vontade na sala dos Black, com uma xícara de chá em suas mãos.

Desde que haviam deixado Hogwarts, Alexia havia tido o prazer de não esbarrar mais com a velha inimiga, de modo que imediatamente torceu o nariz ao reconhecer os cabelos ruivos e o rosto tão inocente que tanto lhe irritava. Ela sabia que Rookwood tinha apenas a carinha de palerma, sendo tão astuta quanto qualquer sonserina poderia ser.

O que ela não conseguia entender era o que a ruiva estava fazendo tão a vontade na sala dos Black, e foi com um olhar inquisitivo que ela encarou o melhor amigo.

- Sua mãe disse que estava com visitas. Não sabia que na verdade vocês estavam dedetizando a casa. Encontrou uma barata gigante atrás daquela poltrona velha, foi?
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Re: Veritaserum

Mensagem por Dominic Sjogren em Sab Abr 09, 2016 7:51 am

A última pessoa que Regulus Black esperava ver em sua sala naquela tarde era Alexia Romanoff. Depois de semanas sem nenhuma notícia da amiga, era uma ironia do destino que Alexia resolvesse aparecer justamente no momento em que a futura esposa de Regulus lhe fazia uma visita cordial.

Ao contrário do dono da casa, Winnifred Rookwood não pareceu surpresa com a chegada de Alexia, muito menos com seu comentário pouco educado. A ruiva ainda não sabia que aquela amizade estava enfraquecida e, portanto, já imaginava que teria que lidar com a filha dos Romanoff em algum momento.

- Logo vejo que você não cresceu, Alexia. Até quando vai se comportar como uma garotinha mimada?

Além dos traços angelicais, a filha dos Rookwood tinha uma voz doce que não combinava com sua língua venenosa.

Por mais que detestasse Winnifred, até mesmo Alexia tinha que admitir que a ruiva era uma moça bonita. Os cabelos vermelhos combinavam com o rosto delicado e com os olhos profundamente verdes. As íris também refletiam com perfeição o tom de verde musgo do vestido caro que Winnifred usava, num modelo mais justo que realçava com bom gosto as suas formas. As pernas elegantemente cruzadas terminavam em elegantes sapatos de salto e ela usava joias discretas, mas visivelmente valiosas.

- Sabe, querida, algumas coisas precisam mudar. Eu não me importo que vocês dois sejam amigos, mas é bastante indelicado de sua parte aparecer sem avisar. Walburga pode não se importar, mas no futuro eu prefiro que você avise antes de aparecer na minha casa, está bem?

O olhar confuso de Alexia fez com que a ruiva arqueasse as sobrancelhas. O sorriso de Winnifred começou a se alargar no exato instante em que ela percebeu que Romanoff ainda não estava ciente da grande novidade. Foi com uma satisfação indisfarçável que Rookwood se virou para o futuro marido.

- Ela não sabe, Reg? Você ainda não contou a ela???

Antes que o rapaz tivesse a chance de responder, Winnifred tomou novamente a palavra. A ruiva jamais perderia a oportunidade de dar pessoalmente aquela notícia bombástica a Alexia Romanoff.

- Você está diante da futura Sra. Black, querida. O Reg me pediu em casamento. – Winnifred ergueu a mão direita, onde estava encaixado um belo anel de brilhantes – A festa de noivado será no fim do mês, mas o Reg não conseguiu esperar para oficializar o nosso compromisso com o anel.

Para afrontar ainda mais a morena, Winnifred deslizou a mão livre pelo sofá até entrelaçar seus dedos aos do rapaz.

- Estamos tão ansiosos que poderíamos nos casar amanhã, não é, fofinho?

- Eu me casaria hoje mesmo se pudéssemos, Winnie. – Regulus encarou a amiga com uma expressão de desafio – Mas temos um protocolo a seguir. A Alexia entende bem disso.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Sab Abr 09, 2016 6:49 pm

O coração de Severus ainda batia acelerado, mesmo quando o diretor de Hogwarts assumiu o lugar ao seu lado, o obrigando a chegar para o lado e abrir mais espaço. Sua pele, sempre tão pálida, havia adquirido um rubor que entregava o comportamento nada inocente que estava tendo, segundos antes.

Como se pudesse entregar com palavras o beijo que havia acabado de acontecer, Snape espremeu os lábios e fixou o olhar na lareira, tentando controlar a raiva que estava sentindo de Albus Dumbledore naquele momento. Ele sequer havia tido tempo de processar o que estava acontecendo quando os dois foram interrompidos pela inconveniência do diretor.

Ignorando por completo a mastigação barulhenta do velho ao seu lado, Snape tentava normalizar sua respiração acelerada, o peito subindo e descendo, enquanto apenas um pensamento atravessava sua mente: Ele havia beijado Emmeline Jenner, e ela havia retribuído.

Talvez a curandeira não tivesse tipo tempo de recuar, já que eles haviam sido interrompidos, mas os poucos segundos que ela retribuíra a carícia foram suficientes para que Snape se sentisse nas nuvens. Em toda sua vida, ele nunca havia se sentido tão leve e completo, como se toda escuridão de todos os momentos ruins já vividos tivesse desaparecido.

- Hmmm, recheio de doce de abóbora. Definitivamente divino.

As íris negras giraram até encontrar o bolinho mordido que Dumbledore erguia na sua direção.

- Você está bem, Severus? Me parece meio febril... Deveria comer um desses, vai lhe fazer bem.

Uma das sobrancelhas negras de Snape ergueu ligeiramente e ele buscou Emmeline com o olhar, em uma confidência muda daquela irritação. A curandeira parecia se divertir com a situação, o que irritou o professor de poções ainda mais. Como ela podia rir quando Dumbledore havia estragado o melhor momento da sua vida?

- Estou ótimo. – Snape resmungou, se colocando e pé e alisando as dobras invisíveis de sua calça negra.

- Tem certeza? A senhorita Jenner poderia dar uma olhada em você.

Dumbledore deu uma nova mordida em seu bolinho e lançou um olhar significativo na direção da loira. Mais uma vez, Snape buscou o olhar cor de mel, o coração dando um salto quando focou nos lábios bem desenhados dela, desejando que aquele momento não tivesse sido interrompido.

- Já disse que estou ótimo.

Snape se adiantou na direção da mesa com o lanche, mas sabia que seu estômago estava agitado demais para conseguir digerir qualquer coisa. Além do mais, com Dumbledore presente, parecia sem sentido continuar ali.

- Eu vou terminar de preparar os ingredientes para minha próxima aula. Imagino que vocês também estejam atarefados.

- Ah, não. Eu reservei alguns minutos para lanchar. Mas acho ótimo ter companhia. Aceita um chá de maçã, Srta. Jenner?
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Sab Abr 09, 2016 7:13 pm

A notícia daquele noivado foi recebida por Alexia como um soco no estômago. Nem mesmo seus admiráveis talentos de se portar com perfeição como a sociedade exigia foi capaz de esconder a surpresa em seu rosto. Ela sequer parecia a mesma menina que havia desfilado ao lado de Avery como se estivesse completamente satisfeita com aquele compromisso.

Os lábios pintados estavam entreabertos e ela buscou o rosto de Regulus, exigindo em silêncio uma explicação para aquela novidade bombástica. Quando o amigo continuou no mesmo clima vitorioso que Rookwood, Alexia respirou fundo e tentou reassumir a postura digna de uma Romanoff.

O ódio existente entre as duas sonserinas era antigo. As duas sempre disputavam a popularidade, as melhores notas, atenção dos professores, até os detalhes mais bobos. Era uma brincadeira do destino fazer com que logo Rookwood fosse se tornar a Sra. Black. Ouvir da voz da ruiva o apelido que apenas ela usava para falar com Regulus também era uma afronta.

- Eu venho na casa do Regulus sem precisar avisar com antecedência desde que me entendo por gente, Winnifred. E isso não vai mudar só porque ele tem um péssimo gosto para mulheres.

A vontade de Alexia era girar sobre os calcanhares e deixar a mansão Black, se arrependendo amargamente daquela visita surpresa. Ela não tinha a menor intenção de frequentar a casa do melhor amigo, tendo Rookwood sob o mesmo teto, mas se fosse embora tão precocemente, seria seu atestado de derrota, e jamais daria aquele prazer a nenhum dos dois.

Com um sangue frio que havia herdado da Sra. Romanoff, Alexia retirou o chapéu da cabeça, fazendo com que alguns fios castanhos ficassem arrepiados. Ela sorriu mecanicamente e se aproximou mais do casal, assumindo uma das poltronas.

- Preciso admitir que estou surpresa, Regulus. – Alexia tomava o devido cuidado para não chamar o melhor amigo pelo costumeiro apelido, e ele a conhecia bem o suficiente para reconhecer o tom gélido em suas palavras. – Você me disse que escolheria a menina que tivesse os maiores peitos para se casar.

Alexia nunca compartilhava com ninguém as conversas que tinha com o melhor amigo, mas a mágoa era grande demais para que ela controlasse a língua. Seus olhos azuis passearam por Rookwood antes de compeltar.

- E Winnifred é mais reta que um tronquilho. Mas, enfim... Já que estão tão ansiosos assim, não me resta nada além de comemorar, não é mesmo? Monstro!

Com um estalido, o elfo doméstico apareceu ao seu lado, e Alexia abriu um sorriso enquanto deixava seu chapéu sobre a mesinha de centro.

- Pode trazer três chocolates quentes e uma garrafa de conhaque, para brindarmos? - Os lábios pintados de Romanoff estavam curvados em um largo sorriso, mostrando os dentes perfeitos quando ela encarou Black. – É a sua bebida preferida, não é, fofinho?
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Sab Abr 09, 2016 7:25 pm

Ao contrário de Severus, a curandeira não se sentia irritada pela interrupção. É claro que ela gostaria de ter estendido o beijo por mais algum tempo, mas jamais descontaria aquela frustração em Albus Dumbledore. Apesar da presença inconveniente do diretor, Jenner conseguia enxergar o lado cômico daquela cena. E era ainda mais engraçado perceber que Snape estava há um passo de esganar o bruxo mais poderoso da atualidade enquanto Albus devorava um bolinho.

Demorou mais algum tempo até que Emmeline decidisse que era seguro falar. A loira pigarreou baixinho para testar a própria voz antes de responder ao comentário do diretor.

- Eu preciso terminar de preencher o prontuário da Maggie e fazer um relatório para o Mungus. Mas é claro que tenho alguns minutos, professor. Um chá de maçã seria excelente, obrigada.

Com um toque de varinha, Dumbledore serviu o chá em uma caneca que flutuou suavemente até as mãos de Emmeline. O agradecimento da moça veio através de um sorriso e ela soprou o líquido quente algumas vezes antes de se arriscar a dar o primeiro gole.

A presença de Albus impossibilitava qualquer despedida mais íntima dos jovens, então Jenner se limitou a acompanhar os passos de Severus com um olhar mais significativo enquanto o professor de Poções caminhava até a porta.

Tão logo se viu sozinha com Dumbledore, Emmeline sentiu os olhos azuis astutos pousados em si. Não fazia o menor sentido inventar uma mentira ou tentar disfarçar o óbvio. Albus era inteligente demais para não ter percebido que sua entrada na sala dos professores havia interrompido alguma coisa.

- Snape ficou bravo. – a curandeira abriu um sorrisinho constrangido.

- Eu percebi. Aliás, tenho sorte de não ter sido estuporado. Eu lamento pela interrupção, Srta. Jenner.

- Tudo bem. – a timidez obrigou Emmeline a desviar o olhar para um fio solto de sua blusa, que seus dedos começaram a cutucar – Imagino que podemos contar com a sua discrição, professor.

- Certamente.

No silêncio que se seguiu, Jenner tomou mais um gole do chá. A curandeira estava certa de que aquela conversa constrangedora já havia terminado quando Dumbledore tomou novamente a palavra, desta vez mais sério.

- Eu sei que não tenho nenhum direito de me envolver nesta situação. Vocês são adultos, livres e independentes. Mas o carinho que sinto por ambos me fornece uma importante motivação para me aprofundar um pouco mais neste assunto, Srta. Jenner.

Como sabia que não conseguiria arrancar nada de Severus, Albus concluiu que aquelas respostas deveriam vir de Emmeline. O diretor de Hogwarts realmente não queria se meter naquela improvável aproximação dos jovens, mas precisava garantir que aquela novidade não interferisse negativamente na guerra. Snape era uma das principais peças da Ordem da Fênix e Albus queria garantir que seu espião não estava à beira de um novo precipício. Dumbledore sabia melhor do que ninguém o quão fundo Severus se afundara depois da mágoa causada por Lily Evans.

- O que o senhor quer saber, professor? – era óbvio que Emme estava desconfortável com a conversa, mas a loira não pretendia fugir do assunto.

- Bom, “querer” é uma palavra perigosa para um velho curioso como eu. – os dois riram antes que Albus continuasse – A questão é o que eu “preciso” saber, Srta. Jenner. Apenas duas questões diretas.

- Estou ouvindo, professor.

- Eu sempre tive a impressão de que a senhorita tinha algum grau de afeto por Sirius Black. – Albus se explicou rapidamente – Não preciso de detalhes, só quero descartar qualquer possibilidade de uma crise de grandes proporções na Ordem da Fênix.

- Sirius não tem nenhuma razão para causar problemas por minha causa, professor. Próxima questão.

Tal como Albus pedira, Emmeline não entrou em detalhes sobre a sua paixão adolescente por Sirius e nem sobre a única vez que os dois saíram juntos. Mas a voz firme de Jenner fez com que Dumbledore ficasse satisfeito com a resposta.

- Não preciso saber em que estágio está esta situação. Só quero me certificar se a senhorita compreende que Severus é uma das nossas principais peças nesta guerra...

- Eu sei. – mais uma vez, Emmeline disse o que o diretor esperava ouvir – Realmente não sei até onde iremos, mas eu lhe garanto que não estou brincando com ele, professor.

- Excelente. – o sorriso novamente apareceu nos lábios de Albus e o diretor finalmente cumpriu a promessa de ser discreto quanto a aquele assunto – Espero que não repare, mas terei que pegar outro bolinho. Estou realmente faminto!
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Re: Veritaserum

Mensagem por Dominic Sjogren em Sab Abr 09, 2016 7:51 pm

A casa dos Black já estava acostumada a ser palco de brigas e discussões ácidas, geralmente tendo Walburga como protagonista. Contudo, nem mesmo a mãe de Regulus conseguiria deixar o ambiente tão pesado em tão pouco tempo. Menos de dois minutos de conversa bastaram para que Winnifred e Alexia estivessem se fuzilando com olhares nada amigáveis.

Normalmente, quando as duas meninas se enfrentavam, Regulus era a pessoa que tentava colocar um fim na discussão ou, quando a briga era inevitável, acabava ficando ao lado de Alexia. Naquela tarde, contudo, as coisas seriam diferentes. A mão dele unida a de Winnifred mostrava que o herdeiro dos Black havia mudado de lado naquela guerrinha.

A chegada de Monstro fez com que a filha dos Rookwood estreitasse os olhos, insatisfeita em saber que o elfo da casa que pertenceria a ela aceitava receber ordens de Alexia Romanoff. Ao notar o desgosto da noiva, Regulus interferiu na situação. Antes que Monstro pudesse se retirar para cumprir as ordens de Alexia, a voz do patrão o deteve.

- Espere um pouco, Monstro. – a voz grave do rapaz soou tranquila enquanto ele se voltava para a noiva – Me parece justo que a Winnie escolha as bebidas. E também é bom que o Monstro comece a receber ordens da pessoa certa.

Até mesmo Winnifred ficou boquiaberta com o comportamento de Black. Quando concordou com aquele casamento, a ruiva imaginou que teria que enfrentar uma grande batalha para ocupar seu espaço na vida do marido e reduzir a influência que Alexia tinha sobre Regulus. Winnie nunca imaginou que veria Regulus desmoralizar a melhor amiga tão precocemente em defesa dela.

- Que tal um espumante? Creio que é uma escolha muito mais apropriada para a ocasião, não? – a ruiva sorriu para Regulus antes de se voltar para Alexia – Não que eu desaprove a sua escolha, querida, mas chocolate quente é algo que uma noiva deveria evitar. Você obviamente não se importa com os seus quilinhos a mais e eu imagino que o Avery também deve gostar disso. Mas eu prefiro garantir que estarei esbelta como sempre dentro do meu vestido de noiva. Afinal, se o Reg me escolheu assim, é sinal de que ele prefere as garotas mais “retinhas”, não é, fofinho?

- Sem dúvida. – Black manteve os dedos entrelaçados aos de Winnifred e levou a mão dela aos lábios, beijando-lhe a pele macia – Você é perfeita, fofinha.

Estava claro que Regulus queria provocar a amiga, mas Rookwood não pareceu se importar. Desde que Alexia saísse daquela casa derrotada, a ruiva ficaria satisfeita.

Eficiente como sempre, Monstro não demorou a retornar à sala com uma garrafa de espumante e três taças. O elfo serviu a bebida e Regulus fez questão de entregar a primeira taça à futura esposa. Os dois brindaram entre si e tomaram somente um gole da bebida antes que Winnifred se inclinasse na direção do rapaz.

Ignorando por completo a presença de Alexia, os noivos selaram aquele brinde com um beijo nos lábios. Era a primeira vez que os dois se beijavam, mas Regulus não se importou em ter Alexia como espectadora. Ao contrário, Black estava se esforçando para causar na amiga a mesma frustração e decepção que ele sentia desde que ela optara por aceitar o casamento com Avery.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Sab Abr 09, 2016 7:55 pm

Severus Snape se orgulhava em ser um homem com perfeito autocontrole. Afinal, ele não estaria vivo naquela guerra se não soubesse esconder seus pensamentos e sentimentos, quando lidava diretamente com Lord Voldemort.

Se havia alguém que realmente se arriscava todos os dias, e sem ter o mínimo de reconhecimento, este alguém era o professor de poções, que arrancava informações valiosas do meio dos Comensais da Morte para a Ordem da Fênix. Seria uma grande mentira dizer que Snape não temia pela própria vida, mas dono de uma coragem invejável até para qualquer Grifinório, ele enfrentava, dia após dia, a missão que lhe havia sido designada.

Talvez, por abraçar aquilo com tanta seriedade e controle, Snape não estava se reconhecendo quando entrou no próprio quarto, o coração ainda acelerado. Seu sangue corria veloz nas veias e ele se sentia inquieto, andando de um lado ao outro.

O perfume de Emmeline ainda estava impregnado em suas roupas, como se a curandeira ainda estivesse presente ao seu lado. Se lembrar da textura dos lábios macios e do sabor do beijo de Jenner fazia seu coração saltar veloz contra o peito, fazendo todo seu controle se dissipar.

O mais assustador era um discreto sorriso que teimava em aparecer em seus lábios cada vez que ele se lembrava que Jenner havia correspondido ao beijo. Parecia irreal demais, como se pertencesse a vida de outra pessoa. Nem mesmo um sonho poderia ser confundido com o que havia acabado de acontecer, porque Snape não se permitia fantasiar com coisas tão absurdas.

Como se pudesse prolongar a sensação de ter Emmeline, Severus tocou os próprios lábios e fechou os olhos, dando um risinho nasalado de incredulidade.

Durante todo o dia, Snape se sentiu elétrico, ansioso demais para fazer qualquer coisa. Ele não conseguia nem mesmo dormir, revirando na cama de um lado ao outro, enquanto tentava organizar os próprios pensamentos.

Jenner era uma lufana, nascida trouxa, e aquele simples beijo era suficiente para colocar a vida dos dois em risco. Se qualquer um dos Comensais desconfiasse, se o próprio Voldemort descobrisse, Snape sabia que a simples morte seria uma enorme sorte para seu destino. Ele já havia presenciado coisas terríveis vindas de Você-Sabe-Quem, e aquela traição seria seu fim.

Em meio aos temores que invadiam sua mente, Severus lutava contra a vontade de se permitir sentir tão bem, como havia acontecido naquela tarde. Era como se ele estivesse mergulhado em trevas e a presença de Emmeline fosse capaz de iluminar tudo, lhe trazendo calor e leveza, fazendo todas as dores desaparecerem.

Parecia tolice se permitir levar, mas tão acostumado com a escuridão, Snape queria se agarrar naquela ponta de felicidade que a vida havia lhe permitido ter.

Já estava no início da madrugada quando Snape desistiu de lutar contra o sono e deixou seu gelado quarto para trás. A calça cinza do pijama era consideravelmente fina para o frio das masmorras e a camisa branca era de mangas curtas, mas acostumado a passar boa parte da sua vida naquele canto do castelo, a baixa temperatura não o incomodava.

Assim como havia feito no próprio quarto, o professor de poções andou de um lado ao outro pelo corredor, parando por diversas vezes diante da porta de Jenner. Por mais de uma vez, ele chegou a erguer o pulso para bater contra a madeira, mas voltava a desistir consecutivamente.

Mordendo o lábio ansiosamente, Snape estava quase desistindo quando respirou fundo e permitiu que os nós dos dedos batessem na porta. A simples expectativa de rever Emmeline fazia seu coração bater mais rápido e ele ficou atento a qualquer ruído no interior do quarto que denunciasse a movimentação da curandeira.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Sab Abr 09, 2016 8:21 pm

Segundos após as batidas na porta, Severus poderia escutar o ruído dos passos suaves que se aproximavam. A rapidez com que Emmeline atendeu ao chamado mostrava que a curandeira também não estava dormindo naquele momento.

Como estava em Hogwarts, Jenner não se preocupou em perguntar quem estava do outro lado da porta. O castelo era o local mais seguro do Reino Unido e, muito provavelmente, ela encontraria a enfermeira parada no corredor. Aliás, a possibilidade de Margareth McWay estar precisando de seus cuidados fez com que Emmeline se apressasse ainda mais em atender aquele chamado.

A curandeira estava terminando de fechar o robe que cobria a sua camisola quando abriu a porta. Como era grande a expectativa de ver Madame Pomfrey, os olhos cor de mel brilharam com surpresa diante da imagem de Severus Snape.

A presença inesperada do professor de Poções era agradável, mas ao mesmo tempo Emmeline se torturou por ter aberto a porta sem se arrumar. A loira usava somente uma camisola preta de cetim com detalhes em renda, coberta por um robe do mesmo tecido. Os pés estavam descalços e os cabelos loiros tinham sido presos no início da madrugada num coque displicente, portanto várias mechas já tinham se soltado e caíam pelas laterais do rosto dela.

Além da rapidez com que a porta fora aberta, Snape teria mais provas de que Jenner sofria da mesma insônia que o atingia naquela noite. Por cima dos ombros da loira, o professor poderia enxergar a cama. Os lençóis estavam impecavelmente esticados e os travesseiros continuavam empilhados junto à cabeceira. Além disso, o livro aberto sobre a poltrona próxima à lareira mostrava o que Emmeline estava fazendo antes de ser interrompida pelas batidas.

Era tarde demais para que Severus estivesse ali, mas a curandeira não fez perguntas. O olhar intenso que os dois trocaram e a nítida inquietação do professor deixavam claro que nenhum dos dois conseguiria dormir sem antes finalizar o beijo abruptamente interrompido por Dumbledore.

Jenner abandonou por completo qualquer receio quando deu um passo adiante. O chão de pedra das masmorras em contato direto com seus pés fez com que a loira estremecesse, mas aquele desconforto era desprezível perto do calor que se espalhava por dentro dela.

Devido a diferença nas estaturas, Emmeline precisou se colocar na ponta dos pés para alcançar novamente a boca de Snape. Enquanto os lábios se encaixavam e reiniciavam o beijo com ainda mais intensidade, a curandeira passou os braços pelo pescoço de Severus e atreveu-se a subir nos pés dele para escapar do contato com o chão gelado.
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