Veritaserum

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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Qui Mar 31, 2016 2:21 pm

O semblante sereno de Emmeline mostrava que a loira era imune ao mau humor de Severus Snape. Durante os anos passados em Hogwarts, a lufana tivera pouco contato com Snape e com os demais sonserinos, mas ainda assim ela sabia que não podia esperar gentilezas de nenhum deles. Exatamente por isso, Jenner não se mostrava nem um pouco ofendida com o comportamento pouco polido do atual mestre de Poções.

Quando Severus concordou em acompanhá-la de volta às ruas daquele bairro periférico, a curandeira agradeceu com um breve sorriso e mais uma vez seguiu os passos dele. Os olhos cor de mel deslizaram pela sala uma última vez antes que Emmeline trocasse aquele ambiente seguro pela calçada sombria.

Um vento mais frio atingiu Jenner, obrigando a loira a se encolher mais dentro do próprio casaco. As mãos ocupadas com o jantar da Sra. Weasley e com a caixa de ovos de fadas não permitiram que ela ajeitasse os fios loiros bagunçados pelo vento.

Os dois jovens se mantiveram em silêncio. Além do vento forte que se espalhava pelas ruas desertas, os únicos sons do local vinham dos passos rápidos dos dois pelas calçadas. Severus mantinha um bom ritmo de caminhada, mas suas pernas mais compridas praticamente obrigavam Emmeline a correr para conseguir acompanhar tal velocidade.

Por mais que a companhia de Snape fizesse com que Emme se sentisse mais segura, o semblante da curandeira refletia alguma tensão enquanto seus olhos vasculhavam o ambiente em busca de qualquer possível ameaça. Exatamente por não estar olhando para frente, Emmeline se chocou contra as costas de Severus quando o sonserino interrompeu bruscamente a caminhada.

Foi por muito pouco que Emmeline não deixou que os valiosos ovos de fadas se perdessem na calçada imunda. A moça mostrou que tinha um raciocínio rápido quando, ao ver os dois volumes vacilarem em seus braços, focou seus esforços na caixinha de ovos, salvando o ingrediente de sua poção enquanto o jantar de Molly Weasley desabava.

O pratinho de metal fez um ruído seco quando caiu na calçada suja e rodopiou três vezes antes que o nó do embrulho se desfizesse. Emmeline só teve dimensão do quanto estava faminta quando viu seu jantar – que parecia bastante apetitoso – sendo espalhado pelo chão imundo.

Embora o estômago da curandeira estivesse se lamentando pela perda da comida, toda a atenção da loira se voltou para o ponto mais sombrio da rua. Agora com uma das mãos livres, Jenner levou os dedos discretamente na direção da varinha guardada em seu casaco. A lufana nunca fora a melhor aluna em duelos, mas não pretendia morrer ou ser capturada sem lutar.

Emmeline arfou quando o gato saiu estabanado do meio das sombras, provavelmente constrangido por ter sido pego em flagrante enquanto revirava uma lata de lixo. A expressão tensa da loira logo se suavizou num sorriso aliviado e a mão que tocava a varinha se afastou vagarosamente do casaco.

- O que está fazendo? – a voz suave de Emme soou baixinha – Era só um gato.

Ficou provado que Severus Snape tinha os instintos muito mais aguçados que a curandeira quando a ponta da varinha acesa iluminou o rosto de um homem que tentava se esconder em meio às sombras. Emmeline sentiu um arrepio se espalhar por seu corpo e, inconscientemente, colou o corpo às costas de Snape e usou a mão livre para se agarrar ao casaco dele.

Jenner nunca havia cruzado o caminho daquele homem antes, mas não era difícil concluir que se tratava de um ladrão. As roupas remendadas não combinavam com a corrente de ouro que brilhava no pescoço de Mundungus e o sorriso podre que ele abriu para o casal enquanto erguia as mãos em rendição estava repleto de sarcasmo.

- O que está fazendo, Snape? Sou apenas eu.

Os olhos miúdos e astutos de Fletcher foram do professor de Poções até a cabeça loira da moça que se escondia atrás de Severus.

- Eu estou sozinho, hm? Ao contrário de você, que nesta noite parece estar muito bem acompanhado. Não vai me apresentar à dama?

Era nítida a curiosidade de Mundungus. Snape nunca fora visto na companhia de nenhuma moça e aquela loira, em particular, parecia ser bonita demais para os padrões do professor de Poções.

- Esta poção do amor deve ser poderosíssima! – Fletcher soltou uma risada debochada – Eu posso te ajudar a ficar rico vendendo isso na Travessa do Tranco, Snape. Tem ideia de quantos caras como você adorariam ter garotas como ela caídas de amores aos seus pés?
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Re: Veritaserum

Mensagem por Regulus Black em Qui Mar 31, 2016 4:28 pm

- Como, exatamente, eu trapaceei?

A pergunta soou em meio a uma risada debochada. Assim como a garota, Regulus estava um pouco ofegante e corado depois de duas doses de conhaque e daquela corrida pela escadaria do chalé dos Romanoff.

O herdeiro dos Black tinha tanto controle da situação que não demonstrou a menor dificuldade em manter o domínio sobre Alexia usando apenas um dos braços. Os dedos da mão livre foram usados para retirar vagarosamente a mecha de cabelos escuros que ficara presa no lábio inferior da melhor amiga.

- Eu não posso ser responsabilizado pelas suas pernas curtas e nem pelo seu fôlego lamentável, Lex.

Apesar daquela disputa recheada de implicâncias, Regulus já estava conformado em perder o melhor quarto da casa. O rapaz geralmente cedia em favor da melhor amiga e não pretendia abandonar o cavalheirismo daquela vez. Mas é claro que Black não perderia a oportunidade de implicar um pouco mais com Alexia antes de dar a vitória a ela.

- Eu ainda me lembro da época em que você ganhava todas as corridas. Mas já faz quase uns dez anos que isso não acontece mais, não é? – o rapaz abaixou a cabeça e fitou os pés da amiga antes de completar – Olha só... Desta vez você não tem nem a desculpa dos saltos!

Com um sorrisinho convencido, Regulus voltou a encarar a melhor amiga. É óbvio que o herdeiro dos Black já tinha percebido que Alexia havia crescido e se tornara uma moça bonita. Mas a grande verdade é que ele, como melhor amigo de infância, costumava enxergar a caçula dos Romanoff como uma irmã.

Naquela tarde, porém, as coisas foram diferentes. Talvez o conhaque estivesse agindo como um combustível que levava Regulus a encarar a melhor amiga com outros olhos. Pela primeira vez na vida, o Black caçula fitou Alexia e enxergou o que os outros rapazes costumavam ver. Os traços nobres e bonitos, os cabelos que mesmo desalinhados pareciam macios, as bochechas coradas, os lábios volumosos e bem desenhados curvados num biquinho de insatisfação. Só agora Regulus entendia por que vários rapazes se esforçavam tanto para chamar a atenção da caçula dos Romanoff.

- Eu deixo você ficar com o quarto. Com uma condição, é claro...

Como os dois estavam tão próximos, Regulus não precisou elevar a voz acima de um sussurro para ser ouvido. Foi movido por um instinto inexplicável que o rapaz se inclinou e terminou o seu raciocínio com os lábios bem próximos à orelha da melhor amiga.

- O quarto é seu, desde que você admita que eu venci desta vez. E também em todas as outras vezes nos últimos dez anos.

O conhaque já exercia o seu papel de inebriar a consciência de Black, mas foi o perfume de Alexia que atingiu em cheio os sentidos do rapaz e dominou a sua mente já enfraquecida pela bebida. Um arrepio instintivo se espalhou pelo corpo de Regulus e ele não estava raciocinando quando pousou as duas mãos nas curvas da cintura de Alexia, segurando-a com firmeza.

O rapaz afastou o rosto apenas o suficiente para encarar a melhor amiga mais uma vez, e provavelmente este foi o seu maior erro. Alguma coisa na expressão de Alexia fez Regulus acreditar que ele não era o único ali que se deixava levar numa direção perigosa.

Como sabia que aquela loucura chegaria ao fim no instante em que parasse para pensar por um segundo no que estava acontecendo, Regulus abandonou por completo qualquer pensamento e agiu rápido, movido por aquele instinto até então adormecido.

O herdeiro dos Black nunca esteve tão ciente de que Alexia era uma garota, e uma garota linda, como no instante em que se inclinou na direção dela. Antes que Romanoff pudesse entender o que estava havendo, Regulus encaixou os próprios lábios no biquinho da amiga e saciou aquele desejo insano de beijá-la.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Sab Abr 02, 2016 8:47 pm

Mundungus Fletcher era tudo de mais podre que existia no mundo mágico. Mesmo para alguém como Severus, rodeado de Comensais da Morte e vivenciando o lado negro daquela guerra bruxa, ainda era difícil acreditar que alguém pudesse superar a podridão do ladrão.

Enquanto James Potter era extremamente irritante e um completo vagabundo, e que Bellatrix Lestrange fosse uma completa louca assassina de sangue frio, e mesmo todos os seguidores de Voldemort que cruzavam seu caminho, para Snape, Mundungus ainda conseguia ser o mais imundo de todos. Ele era o único naquela guerra que não assumia um lado por suas convicções ou crenças. Seu único objetivo era o lucro, tão vazio e fútil.

A antipatia que o professor de poções sentia por Fletcher se agravava nos breves momentos em que se encontravam. O ladrão sempre conseguia enxergar algo que pudesse tirar vantagem, com interesses em algum de seus raros ingredientes ou até mesmo do seu estoque de poções prontas a serem revendidas. Ao contrário de Emmeline que havia conseguido uma dúzia de ovos de fada com tanta facilidade, Mundungus nunca tivera tanta sorte.

No instante em que reconheceu o rosto conhecido do ladrão, Severus revirou os olhos aborrecidamente e guardou a varinha novamente em suas vestes, olhando ao redor com o receio de terem sido flagrados. Apenas quando teve certeza de que a rua continuava deserta, com exceção dos três bruxos, se voltou para Mundungus, sem paciência.

- O que está fazendo aqui, Mundungus? Duvido que tenha algo de valor aqui para você.

Os comentários maliciosos foram estrategicamente ignorados, mas discretamente, os olhos negros buscaram pela figura de Emmeline. Mesmo na péssima iluminação, ainda era possível reconhecer o brilho dourado de seus cabelos. Suas vestes não precisavam ser as mais caras para se destacarem na simplicidade do lugar, e a curandeira ficava ainda mais evidência quando comparada a sombra dos dois homens.

Há anos que Severus não reparava verdadeiramente em uma mulher. A decepção com Lily havia tornado seu coração gelado e o deixara inapto a enxergar alguém até mesmo a uma simples admiração. Naquela noite, mesmo nas sombras bizarras projetadas pelas casas paupérrimas do bairro trouxa, o mestre de poções precisou concordar intimamente com Mundungus. Nem mesmo uma poção do amor poderosíssima faria uma mulher bonita como Jenner andar ao seu lado.

- Não diria que é tão sem valor assim...

Um sorriso malicioso brincou nos lábios do ladrão quando ele lançou um olhar no ponto da rua que desaparecia até o caminho da casa de Severus.

- Se tentar invadir a minha casa novamente, saiba que terá mais do que queimaduras e bolhas por todo o seu corpo.

A voz de Severus era lenta e arrastada, mas não havia a menor hesitação em sua ameaça. As pupilas de Mundungus dilataram ligeiramente, sentindo o peso daquelas palavras, como se ainda pudesse sentir a pele arder com as feridas provocadas em sua tola tentativa de invadir o estoque de Snape, anos antes.

Sentindo-se satisfeito com aquele pequeno tremor que percorreu o corpo de Mundungus, Severus olhou por cima do ombro, buscando por Emmeline mais uma vez.

- Apenas ignore este rato. Não vale nem um minuto do nosso tempo. – As íris negras deslizaram até o jantar da loira espalhado pela calçada. – E definitivamente não valia o seu jantar. Sinto muito.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Sab Abr 02, 2016 9:29 pm

Durante anos, Alexia havia escutado comentários maliciosos e insinuações sobre a amizade entre ela e Regulus. Ninguém parecia acreditar ser possível que os dois fossem tão grudados e tivessem um relacionamento tão puro, sem segundas intenções. Com o tempo, ela havia aprendido a ignorar o que as outras pessoas pensavam, porque tinha certeza do que sentia pelo melhor amigo.

Com exceção de Regulus, não haviam outros rapazes na vida da caçula Romanoff. Mesmo sendo bonita e chamando a atenção de diversos rapazes, a certeza de que um dia se casaria com alguém escolhido pela família fez com que Alexia crescesse se limitando no interesse pelo sexo masculino. Para ela, não fazia sentido permitir que seu coração gostasse de alguém que não teria futuro.

O Black caçula parecia suprir toda carência de Alexia. Ele era o parceiro ideal para todos os momentos, sem o drama que um relacionamento amoroso trazia consigo. Talvez, por nunca ter se interessado por alguém antes, Alexia demorou alguns segundos para entender que estava indo por um caminho perigoso demais.

Apenas quando a voz de Regulus soou rouca em seu ouvido e um arrepio percorreu seu corpo, Romanoff teve certeza de que, ao menos naquele momento, ela era incapaz de enxerga-lo apenas como o melhor amigo.

O coração de Alexia batia acelerado e ela prendeu a respiração quando encontrou as íris cinzentas a encarando de volta. Ela nunca havia reparado antes no quanto Regulus havia se tornado um homem bonito, no quanto a cor de seus olhos eram exóticas, e como a altura dele, vários centímetros a mais do que a sua própria, o deixava mais atraente, como se o abraço fosse se encaixar com perfeição.

Nos poucos segundos que Black levou para se abaixar, Alexia permitiu que as pálpebras cobrissem seus olhos azuis e ficou na ponta dos pés, se entregando ao beijo. Seu corpo inteiro estava tão quente que parecia febril, as mãos agarraram o casaco dele com força, como se temesse que ele escapasse por um momento de sanidade.

Apesar de não ter tido grandes relacionamentos antes, Alexia tinha experiência o suficiente para saber que aquele era o melhor beijo da sua vida. Os lábios de Regulus se encaixavam com perfeição, e seu coração acelerado a impulsionava a corresponder de forma sedenta. As mãos, que até então seguravam as vestes dele, deslizaram até pousarem em sua nuca, arranhando suavemente a pele com as pontas das unhas e brincando com as pontas dos cabelos escuros.

Quando seus pulmões começaram a arder em protesto, Romanoff permitiu que seus pés voltassem a tocar completamente o chão e finalizou o beijo, mantendo as pálpebras cerradas, ainda saboreando a sensação de ter o corpo de Regulus colado ao seu.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Sab Abr 02, 2016 9:36 pm

Mesmo depois que Snape guardou a varinha, os ombros da curandeira se mantiveram tensos. É claro que Mundungus Fletcher não representava uma grande ameaça naquele momento, mas ainda assim o comportamento do ladrão deixava Emmeline mais do que desconfortável. A forma como Mundungus a olhava e os comentários maliciosos sobre os motivos que a fizeram estar na companhia de Snape naquela noite eram extremamente deselegantes.

Como passara os últimos anos na França, Jenner não conhecia a má fama do ladrão. Mundungus Fletcher já era um nome relativamente conhecido no Reino Unido, sempre ligado a atividades nada louváveis. Contudo, diante da breve conversa entre Fletcher e Severus, Emmeline não precisava mais de muitas explicações e já havia entendido perfeitamente que tipo de “trabalho” o desprezível homem a sua frente exercia.

Quando Snape mencionou o jantar, a curandeira lançou um breve olhar de pesar para a comida espalhada na calçada. Molly Weasley parecia ter um dom único na cozinha, mas graças a Mundungus, agora Emmeline teria que adiar por alguns dias o sabor do tempero da ruiva. O delicioso jantar da Sra. Weasley certamente seria disputado por ratos e cães de rua naquela noite.

- Tudo bem, eu perdi a fome. Tudo o que eu quero agora é ir para casa.

A voz da curandeira soou baixa, mas firme. Mais do que nunca, Emmeline se sentia ansiosa para sair logo daquele lugar. O seu minúsculo apartamento no centro de Londres parecia o paraíso quando comparado às casas sombrias que a rodeavam naquele bairro periférico.

Como o beco no qual ela e Snape tinham aparatado estava há poucos metros de distância dali, Emmeline se afastou do professor de Poções. Seus dedos, que ainda agarravam o casaco de Severus, soltaram vagarosamente o homem antes que Jenner se arriscasse a dar os primeiros passos.

- Belo anel...

O comentário maldoso de Mundungus soou enquanto seus olhos miúdos estavam focados na delicada joia que brilhava no anelar esquerdo de Emmeline. Mesmo sabendo que o ladrão não se arriscaria a atacá-la com Snape por perto, a curandeira teve o instinto de enfiar a mão dentro do bolso. O gesto tinha a dupla finalidade de esconder o anel e de deixar a varinha há um segundo do alcance da loira.

- Muito obrigada, Snape. – Emmeline indicou discretamente a caixinha com os ovos de fadas – Eu vou retribuir ao favor tão logo possível.

Antes mesmo que Mundungus pudesse descobrir o que havia dentro da caixa, Emmeline alcançou o beco. As sombras cobriram parcialmente o corpo da curandeira, mas logo um “crack” ecoou pelo beco, anunciando a partida da moça.

Fletcher estava chateado por não poder saciar a curiosidade sobre a identidade da moça ou sobre os negócios existentes entre ela e Severus, mas nem mesmo isso tirou do rosto dele um sorrisinho podre.

- Sei que não somos amigos, Snape, mas escute um bom conselho. – Mundungus alargou o sorriso, exibindo uma carreira de dentes amarelados – Tire essas ideias da cabeça. Você só vai conseguir se magoar quando ela escolher outro cara. Nós sabemos bem que essas garotas gostam dos caras bonitos, ricos e populares. E você, meu caro, não se encaixa em nenhuma dessas qualidades.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Regulus Black em Sab Abr 02, 2016 10:16 pm

Uma corrente elétrica percorreu o corpo de Regulus no instante em que os lábios de Alexia se encaixaram tão perfeitamente nos seus e a garota correspondeu ao beijo, mergulhada na mesma insanidade que o movia naquele dia.

Ao contrário do que a maior parte das pessoas pensava sobre aquela amizade tão próxima, o herdeiro dos Black jamais havia tido qualquer tipo de pensamento ou comportamento malicioso com a melhor amiga antes daquele primeiro beijo. Regulus enxergava Alexia como uma irmã com quem ele crescera, uma pessoa que conhecia todos os seus segredos e que o enxergava como ele realmente era.

O conhaque agiu como um combustível que alimentou uma pequena faísca. O beijo roubado e correspondido foi como uma explosão que abriu a mente do caçula dos Black e fez com que Regulus finalmente enxergasse que Alexia era a garota perfeita para ele.

Black não tinha dúvida de que amava Alexia desde sempre. Aliás, ela provavelmente era a pessoa que Regulus mais amava em toda a vida. O rapaz não tinha outro amigo tão próximo, não estava apaixonado por nenhuma garota e, definitivamente, não chamaria de amor o sentimento que o mantinha fiel aos Black.

Contudo, só agora Regulus percebia que o amor que sentia por Alexia não era puramente fraternal. Ele se preocupava com a garota e a protegia como um bom irmão faria. Mas aquele beijo era a prova de que uma parte importante da mente do herdeiro dos Black conseguia enxergar a caçula dos Romanoff como a moça bonita e atraente que ela havia se tornado com o passar dos anos.

Mesmo estando inebriado pela bebida e pelo perfume da amiga, Regulus começou a recuperar a sanidade no instante em que o beijo chegou ao fim. Seu coração ainda estava acelerado e seu corpo arrepiado implorava que o rapaz prolongasse aquele momento mágico. Mas a mente, que aos poucos recuperava o controle das ações de Black, só conseguia berrar que aquilo fora a maior tolice que ele já fizera.

Parecia mesmo uma grande idiotice colocar tudo a perder. A amizade de Alexia era o bem mais valioso que Regulus possuía e ele simplesmente não saberia como viver sem a constante presença da melhor amiga em sua vida.

É claro que mil ideias brotavam na mente confusa do caçula dos Black naquele instante, mas a sua maior certeza era que perder Alexia resultaria na dor mais insuportável de sua vida. Mesmo desejando muito mais do que isso, Regulus rapidamente concluiu que preferia ter Romanoff como amiga do que perdê-la por completo depois daquele tropeço.

Na cabeça de Regulus, as coisas estavam muito claras. Alexia aceitara um casamento com Avery por influência da família, mas também porque admirava as qualidades do futuro marido e desejava um futuro ao lado dele. Afinal, Avery fora escolhido por Alexia em meio a uma lista bem variada de pretendentes que queriam unir seu sobrenome aos dos Romanoff.

Foi este raciocínio que fez com que Regulus começasse a rir. No começo, era apenas um risinho anasalado, mas que logo se transformou em uma risada mais ampla, que ecoou por todo o corredor do chalé. Aquele comportamento bizarro era uma tola tentativa de fingir que aquele beijo era somente mais uma das tantas brincadeiras que os dois protagonizavam juntos.

- Por Salazar! O que o seu pai colocou naquele conhaque? Eu nunca estive tão tonto!

Contrariando todos os seus instintos, Regulus afastou as mãos da cintura da amiga e cambaleou um passo para trás. O herdeiro dos Black não precisava fingir que estava bêbado porque a sua visão realmente estava embaçada e as pernas vacilavam como se andar fosse uma tarefa bastante complicada. O único detalhe que Regulus realmente simulava era o fato de colocar aquele beijo na conta da bebida do Sr. Romanoff.

- Você venceu. Fique com o quarto das cortinas azuis. Algo me diz que será mais sensato escolher um quarto mais próximo ao banheiro.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Sab Abr 02, 2016 11:04 pm

Mesmo depois que Emmeline desapareceu, as íris negras de Severus continuaram fixas na rua vazia, as palavras de Mundungus ecoando em sua mente com uma risada debochada. Jenner era uma completa estranha aos olhos do professor de poções, mas algo nela o fazia se lembrar do próprio passado.

Em silêncio, com as mãos enfiadas no bolso do casaco e parado na calçada sob o olhar curioso de Flecher, a mente de Snape começou a reproduzir lembranças aleatórias de seus anos como estudante. Mas diferente de tantas outras vezes, a mesma cena que ele sempre revisitava não era mais focada na jovem de cabelos ruivos, mas na figura borrada gravada em sua memória da loira ao lado de Evans.

Por tanto tempo sendo capaz de enxergar apenas a presença de Lily, era a primeira vez que Severus tinha consciência de que a melhor amiga da grifinória era ainda mais bonita. E aquela certeza o fez concordar com as palavras maldosas de Mundungus. Era ridículo ficar ali, permitindo que os pensamentos seguissem por aquela linha tão absurda.

***

Duas semanas inteiras haviam se passado desde o encontro com Mundungus e Emmeline, e Severus, que sempre tinha tanto controle sobre seus pensamentos, se viu surpreso quando sua mente começou a trabalhar nas lembranças da lufana, como se tentasse recuperar a falta de atenção que havia dado à ela anos antes.

Mesmo assim, toda vez que o rosto da loira invadia sua mente, Snape se obrigava a usar seu tempo com algo que fosse realmente útil e tentava se convencer que aquela insistência era apenas pelos ovos de fadas que agora estava desfalcado em seu estoque.

Naquele final de sábado frio, Severus encarava o rosto pálido da estudante deitada em um dos leitos da enfermaria de Hogwarts. Seus lábios estavam espremidos e havia uma ruga entre as sobrancelhas enquanto a sensação de frustração se espalhava pelo seu corpo.

- Não há realmente nada que você consiga fazer, Severus?

A voz angustiada da professora McGonnagal soou ao seu lado, e ela era muito mais transparente em seu desespero em cada traço do seu rosto. As mãos estavam sendo espremidas umas nas outras enquanto ela encarava o professor de poções, aflita por uma resposta.

- Isto está fora do meu alcance, Minerva. Onde está madame Pomfrey?

Os olhos castanhos de Minerva analisaram o homem por alguns segundos antes de soltar um suspiro pesado, voltando sua atenção para a aluna desacordada. O uniforme da lufa-lufa estava manchado em sangue e haviam vários cortes ao longo de seu corpo. Apesar de terem passado toda a noite minimizando os estragos com poções e ervas, nada parecia fazer a menina despertar.

Os alunos haviam saído para um passeio em Hogsmead e, horas antes do dia chegar ao fim, Margareth McWay havia chegado ao castelo sendo carregada por um dos colegas. Ela havia sido atacada em um beco próximo ao Três Vassouras, e mesmo com a movimentação dos demais alunos, não havia inibido seu atacante.

O homem havia desaparatado no instante em que sentiu a presença de mais alguém, mas o dano já havia sido grande demais. Não havia a menor dúvida aos olhos de todos que McWay havia sido a vítima por sua origem trouxa.

- Está com Dumbledore. Estão trazendo ajuda do Mungus. Papoula está devastada, não sabe mais o que pode fazer.

Severus deu um passo para se aproximar do leito, analisando o rosto apático da estudante. A cada dia que passava, ele tinha mais certeza de que aquela guerra era sem sentido e daria tudo para que pudesse estar o mais distante de todo aquele pesadelo. Vítimas inocentes pagavam todos os dias com sangue e saber que ele contribuía para aquele mundo pesava em seus ombros e lhe arrancava o sono.

- As algas da Noruega fizeram com que ela parasse de sangrar... – Snape sussurrou, analisando os ferimentos da lufana. – Mas não consigo entender por que ela não acorda.

Como se o destino quisesse responder sua pergunta, a porta da enfermaria foi aberta, abrindo passagem para Albus Dumbledore acompanhado de Madame Pomfrey e um terceiro rosto conhecido. Snape espremeu os lábios e engoliu em seco quando reconheceu Emmeline Jenner com o uniforme do Mungus.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Sab Abr 02, 2016 11:43 pm

Alexia ainda estava se sentindo anestesiada quando escutou a risada de Regulus, obrigando a erguer as pálpebras. Os olhos azuis de uma tonalidade escura estavam brilhando intensamente, apesar da pequena ruga entre suas sobrancelhas finas, confusa com a reação do melhor amigo.

O comentário de Black sobre a bebida foi como um balde de água fria, e em um movimento instintivo, Romanoff recolheu seus braços, até então pousados nos ombros dele. Apesar das doses de chocolate quente com conhaque, Alexia tinha certeza que o que havia sentido durante aquele beijo não tinha responsabilidade alguma do álcool. Saber que Regulus havia se comportado daquela maneira apenas porque estava bêbado era, no mínimo, frustrante.

Os olhos claros procuraram qualquer ponto do corredor para encarar que não fosse o melhor amigo. Em uma atitude defensiva, ela cruzou os braços contra o peito e apenas concordou com um movimento rápido da cabeça, as bochechas ligeiramente coradas e a temperatura ainda elevada, provocada pelo beijo.

Sem dizer nada, até porque Alexia acreditava que a voz iria falhar se tentasse, ela aproveitou a distância criada por Regulus para seguir o caminho até o quarto no final do corredor. A porta bateu com um estrondo maior do que o esperado, mas ela aproveitou a solidez da madeira para encostar o próprio corpo e finalmente soltar o ar, que só então percebeu estar prendendo.

Seu coração ainda estava acelerado e os lábios formigavam, como se estivessem protestando para que o beijo continuasse. O mais assustador daquilo tudo era que, por mais que se esforçasse, Alexia não conseguia mais associar a imagem de Regulus de forma tão inocente, como se ela tivesse perdido a capacidade de enxerga-lo da mesma forma de minutos antes.

***

Mesmo com os raios de sol que escapavam pelas nuvens na manhã seguinte, a neve ainda envolvia toda a paisagem ao redor do chalé. E mesmo assim, seu interior permanecia em uma temperatura agradável, permitindo Alexia a deixar o quarto das cortinas azuis com os pés descalços.

A noite mal dormida havia provocado olheiras em sua pele pálida, e os cabelos negros estavam embolados, de forma que logo foram amarrados em um nó no topo da cabeça, deixando apenas alguns fios escaparem e emoldurarem seu rosto. Apesar da temperatura controlada no interior do chalé, Alexia vestia uma calça de pijama rosa e uma camiseta de alças finas que deixavam seus ombros magros expostos.

Com uma expressão ainda sonolenta, ela se arrastou até a cozinha, onde o elfo já havia preparado a mesa com frutas, bolos e panquecas. A fumaça que saía dos alimentos quentes mostrava que o criado havia desaparecido dali há poucos minutos, assim como a chaleira apitando no fogão.

Alexia precisou se esticar para pegar a caixa de ervas para o chá, escondido em uma das prateleiras mais altas, e quando finalmente estava com o pote em suas mãos, ela se virou para a chaleira no instante em que a figura de Regulus entrou em seu campo de visão.

Só então Romanoff teve consciência de que estava descabelada e vestindo roupas tão simples. Normalmente ela não se importaria em como o melhor amigo a encontraria. Regulus já havia presenciado momentos muito mais vergonhosos para se importar com sua expressão sonolenta. Mas após o beijo da noite anterior, Alexia apenas desejava estar vestindo algo mais atraente, como se aquilo pudesse fazer alguma diferença.

- Bom dia. – Ela se apressou em dizer, mais uma vez sem coragem de encará-lo e usando o preparo do chá como desculpa. – Tem panquecas. E tenho quase certeza que tem ovos prontos no forno.

Com a caneca cheia de água quente e com as ervas misturadas, Alexia puxou uma das cadeiras e se sentou à mesa. Um morango foi capturado da fruteira e ela deu uma generosa mordida enquanto esperava a bebida esfriar. Criando coragem, ela buscou o rosto de Black com o olhar.

- Então? Como é a tal ressaca do grande porre que a gente precisava tomar? Precisa de uma poção de enjoo?
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Dom Abr 03, 2016 12:10 am

Os passos ecoaram na enfermaria silenciosa enquanto o grupo de aproximava da lufana adormecida em uma das camas. Madame Pomfrey geralmente era uma mulher forte que não se deixava abater pelos piores desafios, mas naquele dia até mesmo a experiente enfermeira de Hogwarts estava abatida. Um par de olheiras deixava seu semblante mais carregado, as roupas amassadas mostravam que Pomfrey não havia pregado os olhos na última noite. Contudo, ainda assim, a enfermeira ainda parecia ter fôlego e disposição para ajudar a salvar aquela vida inocente ameaçada pela guerra.

Até mesmo Albus Dumbledore parecia abalado com os últimos acontecimentos. Nem por um momento o diretor perdeu o controle da situação, mas era perceptível a angústia que apagava um pouco do brilho dos olhos azuis. A decisão de buscar ajuda no St. Mungus veio de Dumbledore, e Emmeline Jenner surgiu na mente do diretor como a melhor escolha para aquela situação. Além de competente, a curandeira entenderia melhor do que ninguém a injustiça cometida contra a inocente aluna da Lufa-Lufa.

E a jovem curandeira não decepcionou Dumbledore naquele dia. Tão logo entrou na enfermaria de Hogwarts, trajando a saia e a blusa azuis claras que compunham o uniforme do St. Mungus, Emmeline tomou para si a responsabilidade da situação e agiu com um notável profissionalismo. Os dois professores presentes foram cumprimentados com um breve aceno de cabeça antes que Jenner voltasse sua atenção inteiramente para a garota adormecida diante deles.

- Madame Pomfrey, eu preciso de todas as informações sobre ela. Imagino que a senhora tenha um registro de cada um dos alunos, não? – Emmeline esperou que a mulher concordasse com um aceno de cabeça – Preciso desses registros e de todas as informações sobre o quadro atual, principalmente resultados de exames e quais tratamentos já foram realizados.

Enquanto a enfermeira se apressava para separar os papeis solicitados por Jenner, a curandeira se aproximou mais da cama. A maleta que Emmeline carregava consigo foi posta em uma mesinha ao lado do leito e a loira calçou um par de luvas antes de tocar a paciente.

Os gestos de Emmeline eram cuidadosos e delicados, mas era notável que a curandeira sabia muito bem o que estava fazendo enquanto checava os pulsos da paciente, analisava a coloração interna de suas pálpebras, apalpava o abdome da menina. Os olhos cor de mel refletiam um grande pesar por aquela situação, mas em nenhum momento Jenner abandonou o profissionalismo necessário naquele momento.

A maleta foi aberta pelas mãos ágeis da curandeira, que retiraram de dentro dela uma série de aparelhos que a ajudariam naquele exame. Graças aos utensílios, Jenner pôde analisar com muito mais precisão a situação da lufana. Com a ponta da varinha acesa, Emme examinou as pupilas da garota e sentiu um arrepio frio descendo pela sua cintura ao encontrar a primeira alteração no exame da paciente.

- Eu preciso de uma dose de sais de ervas, Madame Pomfrey. E também preciso de um acesso venoso e uma máscara de ar.

Até mesmo Dumbledore pareceu meio perdido quando a conversa entre a curandeira e a enfermeira começou a ficar recheada de termos técnicos. Emmeline solicitou uma quantidade tão grande de materiais e medicamentos que Albus ficou surpreso em saber que a enfermaria de Hogwarts contava com todos aqueles recursos.

- É tão grave assim? – a voz de Minerva soou aflita quando finalmente a curandeira pareceu concluir todas as instruções.

- Temo que sim, professora. – Jenner suspirou enquanto aplicava a primeira dose da poção numa das veias da garota – Ela precisa de um procedimento cirúrgico, mas infelizmente não está em boas condições e não aguentaria uma transferência para o Mungus. Terei que fazer aqui mesmo, com a ajuda de Madame Pomfrey.

A enfermeira perdeu as cores e precisou se amparar na mesinha ao lado da cama. Madame Pomfrey estava acostumada a lidar com acidentes de quadribol e feitiços equivocados, mas jamais imaginou que um dia teria que lidar com algo mais grave que isso em sua enfermaria.

Ao notar que a colega parecia amedrontada, Emmeline abriu um sorriso na tentativa de tranquilizá-la.

- Será uma honra trabalhar com a senhora. Nunca pensei que um dia isso aconteceria.

- Vamos esperar lá fora. – Dumbledore trocou um olhar com Severus e Minerva antes de continuar – Espero que tudo esteja resolvido quando os McWay chegarem.

- Estará, professor. – Jenner concluiu com convicção – O senhor terá boas notícias para eles.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Dom Abr 03, 2016 12:34 am

O Sr. e a Sra. McWay formavam um casal relativamente novo, mas que já demonstravam o cansaço da tensão provocada pela situação. Os dois estavam sentados no escritório de Albus Dumbledore e o diretor de Hogwarts tentava passar a situação da forma menos traumatizante possível.

A professora McGonnagal já havia abandonado o escritório para assumir suas responsabilidades, e em seu lugar, Pomona Sprout tentava sorrir com condolência, em pé atrás do diretor. Severus ocupava o lado oposto de Dumbledore e era infinitamente menos simpático, encarando o chão com um semblante sério, as mãos cruzadas atrás das costas.

- O professor Snape foi o primeiro a encontra-la quando os colegas a trouxeram. E devo confessar que foi a nossa maior sorte. Severus é o professor de Poções e tem um conhecimento invejável, ajudou nos primeiros atendimentos juntamente com a nossa enfermeira.

O Sr. McWay, um homem magro e alto, com cabelos loiros e os olhos esverdeados fundos pelo cansaço, tentou sorrir em agradecimento, mas sua perna inquieta e o brilho das lágrimas impediu que o gesto fosse mais eficiente.

- Tenho certeza que Margareth estará forte o suficiente para que possamos transferi-la ao hospital o quanto antes.

A Sra. McWay, até então calada, sacudiu a cabeça em negativa, balançando seus cabelos de um castanho acobreado. Ela estava com o nariz vermelho provocado pelo choro e esmagava um lencinho em seus dedos.

- Não. Margareth diz todo o tempo o quanto Hogwarts é segura. Nós vivemos no mundo trouxa, mas não somos completos ignorantes. Sabemos a situação que estamos vivendo e Margareth não estará segura em um hospital.

Sua voz era decidida, e o Sr. McWay a tocou carinhosamente na mão, tentando acalmá-la.

- Kate e eu conversamos, professor. Queremos que ela fique no castelo, sob sua supervisão.

- Fico lisonjeado com a confiança, Katherine, mas ainda acho que o Mungus seria o melhor lugar. Ela teria acesso a tudo que fosse necessário para sua recuperação ser mais rápida.

Mais uma vez, a Sra. McWay balançou a cabeça em negativa, convicta de sua decisão e demonstrando que não aceitaria ser contrariada nem mesmo por um bruxo poderoso como Albus.

- Maggie não sai daqui.

Por alguns segundos, Albus pareceu ponderar e Severus ergueu uma sobrancelha, já desconfiando o caminho que seus pensamentos estavam traçando.

- Acho que podemos tentar resolver este problema. Severus...

De prontidão, Snape deu um passo a frente, encarando o velho diretor.

- Vá até a enfermaria. Acredito que a Srta. Jenner esteja disponível para falar agora. Diga que precisaremos de seus cuidados por um tempo prolongado.

Como estava se tornando um hábito sempre que pensava na proximidade de Emmeline, os lábios de Severus se espremeram, formando uma linha fina e sem cor, e ele levou um tempo além do necessário para concordar com um movimento da cabeça e deixar o escritório.

De fato, quando chegou na enfermaria, Jenner e Pomfrey estavam afastadas da cama da aluna, cujo leito estava fechado por uma cortina. O rosto de Severus se contorceu por alguns segundos quando o pior invadiu sua mente, mas a voz da enfermeira o trouxe de volta.

- Ela vai ficar bem. Ainda está em um quadro muito ruim, mas está fora de perigo. Graças a minha pequena Emy... – A enfermeira sorriu com um brilho de orgulho em seus olhos enquanto alisava o braço da curandeira.

- Os pais da menina querem notícia. – Severus foi direto ao ponto, tentando evitar o olhar da loira. – E fazem questão que o tratamento dela continue sendo aqui. Dumbledore quer que você continue no castelo o tempo que for necessário.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Regulus Black em Dom Abr 03, 2016 12:51 am

Regulus Black se sentia completamente miserável quando o dia amanheceu e o sol iluminou fracamente o cômodo onde o rapaz se encontrava. Black optara por um quarto qualquer na ala leste da casa, mas a grande verdade é que aquilo não fizera a menor diferença, visto que o rapaz mal conseguira pregar os olhos naquela noite.

A lembrança do beijo simplesmente não permitiu que Regulus tivesse paz. Por mais que estivesse exausto e indisposto depois das exageradas doses de conhaque, Black não conseguiu desligar a mente o bastante para adormecer. Tudo o que o rapaz conseguia era pensar no quanto fora maravilhoso e errado o beijo que acontecera há algumas horas.

A ambiguidade de sentimentos deixava Black inquieto. Ao mesmo tempo em que queria repetir aquela loucura, Regulus se sentia culpado e temeroso. Ele jamais se perdoaria se aquele beijo estragasse a relação entre ele e Alexia. Mas, ao mesmo tempo, Black tinha certeza que nunca mais olharia para a melhor amiga da mesma maneira depois de ter experimentado o sabor dos lábios dela.

Como sabia que seria improdutiva qualquer tentativa de dormir um pouco mais, Regulus se arrastou para fora da cama antes mesmo que os raios de sol atingissem o travesseiro. Como também não fazia sentido fugir de Alexia quando os dois estavam sozinhos naquele chalé, Black seguiu os ruídos até a cozinha, disposto a enfrentar logo aquela situação constrangedora.

Talvez fosse um consolo para Alexia notar que, naquela manhã, o herdeiro dos Black também não exibia a sua melhor aparência. Regulus usava uma calça de pijama acinzentada e uma camiseta branca. Seu rosto abatido ainda estava bastante amassado e os cabelos negros, normalmente penteados de forma impecável, naquele dia estavam bagunçados e espetados. Nos pés, o rapaz usava somente um par de meias grossas.

- Bom dia... – a voz de Regulus soou mais rouca que o normal, o que obrigou o rapaz a pigarrear antes de continuar – Só te digo que não quero mais tomar porres. Foi uma experiência lamentável.

Regulus não havia tido nenhuma indisposição mais grave durante a noite, mas o gosto amargo na garganta e a dor que pulsava em sua cabeça eram o bastante para que o rapaz abandonasse qualquer ideia que envolvesse uma nova experiência com bebidas alcoólicas. Além disso, existia a inegável ressaca moral que deixara Black absurdamente confuso depois daquele beijo.

- Não preciso de poção, eu acho. Talvez só um pouco de chá forte.

Como de costume, Black não deixou que o mal estar ou o constrangimento afetassem o seu apetite. Desde que começara a jogar quadribol, Regulus mantinha um apetite voraz e costumava ser o último a deixar a mesa da Sonserina durante os banquetes de Hogwarts. Ele geralmente gostava quando Alexia iniciava alguma dieta, já que na maior parte das vezes devorava as porções da amiga.

Naquela manhã, o rapaz deixou claro que isso não havia mudado quando puxou cinco panquecas para seu prato, as cobriu com uma grande quantidade de mel e usou a varinha para conjurar os ovos mexidos guardados dentro do forno.

- Não tem tortinhas de abóboras?

O caçula dos Black girou os olhos cinzentos e resmungou, já com a boca cheia de panquecas.

- Não me olhe com esta cara. Você sabe que eu tenho muita fome, Lex.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Dom Abr 03, 2016 2:55 am

Como sempre tirara excelentes notas e tinha um comportamento exemplar, Emmeline havia visitado o escritório do diretor em raras ocasiões durante a sua estadia no castelo de Hogwarts. Isso explicava o olhar curioso da curandeira para a gárgula que saltou para o lado, abrindo espaço para que ela e Snape subissem pela escadaria em espiral.

A caminhada da enfermaria até a sala do diretor fora silenciosa. Severus definitivamente era um homem de poucas palavras, mas Jenner também não parecia muito disposta a conversar naquele dia. A curandeira já estava novamente apresentável depois dos seus esforços para salvar a vida de Margareth McWay, mas os olhos cor de mel não conseguiam esconder por completo todo o cansaço que a loira sentia.

Quando finalmente chegaram ao escritório de Albus Dumbledore, Emmeline pareceu ainda mais surpresa. A moça tinha uma vaga lembrança daquela sala, mas definitivamente sua memória não guardara todos os detalhes excêntricos da decoração. Por um breve momento, Jenner se distraiu com o ambiente, mas logo a voz serena de Albus a trouxe de volta à realidade.

- Esta é a Srta. Jenner, a curandeira que está cuidando da Margareth. Emmeline, estes são o senhor e a senhora McWay...

Os olhos de Emme se voltaram para o jovem casal de trouxas e seu coração se comprimiu. Os McWay não se pareciam fisicamente com os Jenner, mas ainda assim era uma comparação inevitável. Emmeline havia sofrido terrivelmente com a morte dos pais, mas sabia que sua dor não poderia ser comparada à aflição de um pai e de uma mãe diante de um filho seriamente doente.

Jenner cumprimentou o pai da menina com um firme aperto de mãos, mas não repetiu o gesto com a Sra. McWay. Ao notar como a mulher estava chorosa e fragilizada, Emmeline a acolheu num abraço e ignorou por completo o próprio conforto quando se agachou diante da cadeira ocupada pela mãe de Margareth.

- A Maggie vai ficar bem. – a curandeira sorriu quando a Sra. McWay soltou um soluço misturado a um suspiro de alívio – Ela ainda precisa de alguns cuidados e terá uma recuperação um pouco mais longa, mas o pior já passou. Conseguimos reverter todos os danos causados pelos feitiços e os ferimentos já estão praticamente curados.

- Como podemos agradecê-la por isso? – a voz do Sr. McWay soou emocionada.

- Não agradeçam apenas a mim. Eu não teria conseguido salvá-la sem a ajuda de Madame Pomfrey, tampouco esta história teria um final feliz se não fosse pelas intervenções do professor Snape, da professora McGonnagal e do professor Dumbledore. Os colegas da Maggie também foram parte muito importante deste sucesso porque tiveram a coragem de se arriscarem para socorrê-la rapidamente. Foi um trabalho em equipe e acho que falo por todos quando digo que a nossa maior recompensa será ver a Maggie fora daquela cama, completamente recuperada.

A mãe da garota deixou que mais algumas lágrimas rolassem por suas bochechas pálidas antes de concordar com um vigoroso movimento de cabeça.

- O professor Snape me disse que vocês querem que a Maggie continue em Hogwarts...

- Por favor. – a voz da Sra. McWay soou frágil, mas sua decisão era firme – Ela estará mais segura aqui.

Como curandeira, Emmeline sabia que o St. Mungus ofereceria à paciente muito mais conforto e mais recursos do que a enfermaria de Hogwarts. Por outro lado, Jenner não conseguia tirar daquela mãe a sua razão. O castelo de Hogwarts era uma fortaleza protegida pelos feitiços mais poderosos e pelo melhor bruxo da atualidade, ao passo que o Mungus era um local movimentado no qual centenas de pessoas circulavam todos os dias. Sem dúvida, Margareth estaria muito mais vulnerável a um novo ataque dentro do hospital.

- Ela ainda precisa de cuidados que podem ultrapassar os recursos disponíveis na enfermaria do castelo. – Emmeline optou pela sinceridade – Mas eu realmente não posso afirmar que o St. Mungus oferecerá a ela toda a proteção que a Maggie tem em Hogwarts.

- Eu prefiro que ela fique. – a mulher uniu sua mão a do marido – Nós preferimos. E confiamos que aqui será feito o melhor para ela.

Os pais da garota pareciam bastante decididos, mas Emmeline sabia que a palavra final viria de Dumbledore. Por isso, os olhos cor de mel se voltaram para o diretor. Albus estava quieto e pensativo, mas também se mostrou firme quando pronunciou a sua decisão.

- Eu concordo, desde que a Srta. McWay receba aqui a sua assistência, Srta. Jenner. Posso disponibilizar aposentos no castelo e solicitar pessoalmente ao seu diretor que autorize esta breve transferência de funções. Mas somente se isso estiver de acordo com os seus planos, é claro.

Jenner sentia o olhar ansioso dos McWay sobre si quando abriu um discreto sorriso e respondeu, fitando os pais da lufana.

- Será um prazer continuar cuidando da Maggie. – a loira acrescentou mais para si mesma – E também será ótimo passar alguns dias em Hogwarts, tenho ótimas lembranças daqui.

A vida de Emmeline havia virado de pernas para o ar após a trágica morte dos pais, mas ela ainda conseguia se lembrar com carinho dos anos maravilhosos vividos no castelo. Além dos amigos, Emme havia aprendido tudo ali. Voltar a Hogwarts, mesmo que por poucos dias, seria como retornar para a época em que as maiores preocupações dela eram as proximidades das provas e os passeios em Hogsmeade com os amigos. Uma época em que Emmeline nem imaginava que um dia os Jenner seriam vítimas de uma guerra tão injusta.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Dom Abr 03, 2016 4:40 am

O morango mordido continuou firme na mão de Alexia e ela interrompeu a mastigação enquanto olhava admirada para a forma natural com que Regulus agia, como se nada de anormal tivesse acontecido na noite anterior.

Por um lado, era impossível não sentir uma pontada de raiva do melhor amigo. Enquanto ela havia passado toda a noite se revirando sobre o beijo, para o Black caçula era apenas um acontecimento banal que havia ocorrido por consequência da bebida, tão insignificante quanto um tropeço por reflexos ruins.

Alexia se sentia sufocada, tanto pelo desejo de continuar exatamente onde haviam parado no corredor do segundo andar, quanto pelos conflitos vividos em sua mente do quão errado era desejar um beijo do amigo de infância.

Apesar disso, ela precisava admitir que era um alívio que Regulus continuasse tratando aquela amizade como sempre. Ela sabia das complicações que um beijo poderia trazer no relacionamento dos dois e a última coisa que queria era prejudicar a coisa de mais preciosa que tinha em sua vida. Era terrível simplesmente imaginar não poder contar mais com o melhor amigo como antes, se aquele beijo tivesse trazido algum impacto negativo para os dois.

Se convencendo de que aquele era mesmo o melhor caminho, Alexia devolveu o morango mordido em sua taça de frutas e se levantou da mesa com um revirar de olhos.

- Você é um desesperado de fome, é impressionante que seja tão magro...

Sobre a pia, havia um bonito suporte de bolo em porcelana, abarrotado de tortinhas de abóbora, como se estivessem prontos para serem vendidos em uma delicatessen. O suporte foi colocado sobre a mesa, diante dos olhos de Regulus, antes de Alexia assumir mais uma vez o seu lugar.

- Se continuar comendo assim, vai chegar aos trinta anos tão gordo quanto o Slughorn.

Alexia se inclinou sobre a mesa para pegar a jarra de suco enquanto observava o melhor amigo pelo canto do olho. Independente de quantas panquecas ou tortinhas de abóbora Regulus devorasse em todas as suas refeições, ele definitivamente estava longe de ter o mesmo corpo que o antigo professor de Poções.

Mesmo na posição de apanhador, era notável o quanto o Quadribol havia favorecido o Black caçula fisicamente. Pela camisa branca, Alexia podia notar o contorno dos braços e como não havia nem mesmo uma mínima barriga para desalinhar o tecido. O rosto amarrotado de sono e os cabelos bagunçados, que deveriam ser pontos negativos, eram apenas mais um ponto para o charme de menino e ela se perguntou por um instante como seria mergulhar os dedos nos fios escuros.

O pequeno momento de distração foi suficiente para que Alexia transbordasse o suco de seu copo e foi com um salto para trás que ela percebeu quando o líquido escorreu pela mesa até pingar em seus pijamas.

- Mas que droga!

As bochechas redondas imediatamente adquiriram um tom rosado quando ela percebeu o motivo de sua distração. Com um bico de insatisfação, Alexia puxou a varinha e secou toda a bebida derramada.

Continuar na mesma casa por dias, tendo apenas a companhia de Regulus, agora parecia uma tentação desnecessária e perigosa. Por mais que voltar para casa fosse um pesadelo, Alexia tinha medo do estrago que poderia causar naquela amizade se continuasse tendo pensamentos impróprios com o melhor amigo. O mais prudente seria que eles se afastassem por alguns dias até que seus pensamentos estivessem novamente em ordem e a amizade salva.

Foi com este raciocínio que Romanoff recolheu seu copo transbordando e a caneca de chá pela metade, levando-os até a pia para que o elfo se encarregasse mais tarde. Ela cruzou os braços e encarou os próprios pés, aproveitando que Regulus estava de costas.

- Eu acho que seria melhor a gente voltar. Você deve ter um milhão de coisas para resolver com o seu pai. E eu provavelmente não deveria deixar os preparativos da festa de noivado nas mãos da minha mãe. Ela seria capaz de usar as cores e flores que eu mais detesto, apenas para me provocar.

Por mais que tentasse usar um tom casual, Alexia se sentia incomodada em falar daquele noivado, como se não pudesse mais tocar no assunto na frente do melhor amigo. Era a primeira vez em sua vida que Romanoff não conseguia agir de forma natural na presença de Black.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Dom Abr 03, 2016 5:09 am

A presença de Severus era quase imperceptível, já que ele assistia a cena emudecido, sob uma das sombras do escritório como um perfeito espectador. Normalmente, cenas como aquela não comoviam o coração de pedra do professor de poções, mas os olhos negros estavam presos na curandeira, ignorando a aflição dos McWay.

Cada vez que via o rosto de Jenner, ele se esforçava mais para recuperar as imagens borradas da adolescente lufana. E mesmo com a vaga lembrança, era notável como ela havia se tornado uma mulher forte e atraente.

Quando Dumbledore aguardou a resposta de Emmeline sobre largar toda sua vida para passar algumas semanas em Hogwarts, Severus espremeu os lábios naquele gesto inconsciente e prendeu a respiração, também ansioso com que a curandeira tinha a dizer.

Uma vozinha, muito semelhante a de Mundungus, disse em sua mente que ela provavelmente não aceitaria aquela proposta. Certamente tinha um namorado ou alguém lhe esperando todos os dias, e não haveria cabimento se afastar apenas por um único paciente.

A prontidão com que Emmeline concordou fez com que os lábios espremidos de Severus se desgrudassem e ficassem ligeiramente entreabertos de surpresa. Sem entender exatamente o motivo, seu coração deu um salto diante daquela nova realidade. Foi apenas o último comentário da Lufana que fez Snape baixar o olhar para o piso de pedra do escritório.

Muitos ex-alunos contavam com nostalgia sobre seus tempos em Hogwarts. Do quão mágico e inesquecível haviam sido seus anos naquele castelo. Enquanto Emmeline colecionava boas memórias, tendo como melhor amiga Lily Evans, sempre rodeada de colegas, Severus não conseguia enumerar bons momentos de seus anos como estudante.

Sempre isolado, apaixonado por uma garota fora de seu alcance, uma constante vítima das pegadinhas maldosas de Potter e Black, Severus se sentia aliviado por não andar mais naqueles corredores como aluno. Em parte, era o seu passado complicado que o tornara tão rígido como professor. Daquela forma ele possuía o controle e não dava a chance de ser alvo de mais piadas.

- Ótimo, realmente ótimo, Srta. Jenner. – Dumbledore assentiu com um sorriso de agradecimento nos lábios. – Ficamos todos imensamente agradecidos. Mas imagino o quão cansada a senhorita esteja. Cuidarei pessoalmente dos trâmites necessários, mas já adianto que temos um dos aposentos disponível, caso queira descansar de imediato. Minerva cuidará da Srta. McWay e chamaremos se for necessário.

Albus se levantou, dando aquela reunião por encerrada.

- Mas primeiro, tenho certeza que os senhores gostariam de vê-la. Vou acompanha-los até a enfermaria.

O Sr. McWay rodeou os ombros da esposa enquanto eles deixavam o escritório, lançando mais um olhar agradecido na direção de Emmeline e Severus. Antes de seguir o caminho do casal de trouxas, Dumbledore se voltou mais uma vez ao mestre de poções.

- Severus, um último favor... Pode mostrar para Emmeline o antigo aposento de Horace? Espero que não se importe em ficar nas masmorras, minha querida. Mas é o mais próximo que temos da enfermaria e acredito que seja mais conveniente.

Snape havia enfiado as mãos nos bolsos da calça e trincado os dentes. Começava a se sentir esgotado com os pedidos de Dumbledore, como se ele fosse um cachorrinho pronto a fazer qualquer serviço. O diretor, como já estava acostumado com o temperamento difícil do mestre de poções, ignorou facilmente o olhar significativo que recebeu e seguiu o mesmo caminho que os McWay.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Dom Abr 03, 2016 7:37 pm

As lembranças que Emmeline guardava de Hogwarts eram as melhores possíveis. A moça ainda se recordava com perfeição de todo o encantamento que sentira ao pisar no castelo pela primeira vez. Tudo era uma grande e extraordinária novidade e a filha dos Jenner mal conseguia acreditar que fazia parte daquele mundo mágico.

Nos anos seguintes, Emme se adaptou com tranquilidade àquela nova realidade. Apesar de suas origens trouxas, a loira mostrava uma habilidade invejável na maior parte das matérias e suas notas já mostravam seu potencial. A Lufa-Lufa fora uma casa perfeita para acolhê-la e lá Emmeline sentiu que tinha um lar, colegas que não se importavam com o seu sangue trouxa e que compartilhavam de seus pensamentos. Além dos lufanos, Jenner se afeiçoou facilmente a alunos de outras casas e construiu sólidas amizades.

Talvez o único ponto desconfortável das belas memórias de Hogwarts fosse a casa de Salazar Slytherin. Apesar de sua personalidade dócil e do seu comportamento amigável, Emme nunca conseguiu se aproximar de nenhum aluno da Sonserina. Pelo contrário, a lufana geralmente tentava evitá-los para poupar a si mesma de ofensas e insinuações maldosas sobre seus pais trouxas.

Exatamente por isso, a curandeira perdeu uma generosa parcela do ânimo com aquela estadia em Hogwarts quando soube que ficaria hospedada nas masmorras. Aquele era um ponto do castelo que Emmeline visitara pouquíssimas vezes e, definitivamente, não era confortável a ideia de dormir sob o teto de Salazar Slytherin.

Apesar da insatisfação, Emme não ousou reclamar. Não fazia sentido conservar aquela resistência contra a Sonserina agora que ela já era uma mulher adulta. Além disso, Dumbledore estava lhe oferecendo um dos melhores aposentos do castelo e não seria nada delicado dispensar o quarto que pertencera ao antigo professor de Poções. Isso sem mencionar a cômoda proximidade com a enfermaria, onde estava uma paciente que poderia precisar da curandeira a qualquer momento.

Antes que os McWay se retirassem, Jenner se despediu deles com um sorriso simpático. Só depois que Albus saiu acompanhando os pais de Margareth, Emmeline suspirou e permitiu que sua expressão revelasse cansaço e alguma preocupação. Maggie estava melhor, mas ainda precisava de cuidados. Emme estava disposta a fazer tudo pela garota, mas não possuía na enfermaria de Hogwarts todos os recursos disponibilizados pelo St. Mungus.

Mais uma vez, Emmeline se viu ao lado de Severus Snape em uma caminhada silenciosa pelos corredores de Hogwarts, desta vez seguindo na direção das masmorras. Como o silêncio já estava se tornando pesado e incômodo, a loira virou o rosto na direção do professor de Poções. Os dois não tinham praticamente nenhum assunto em comum além da Ordem da Fênix, sobre a qual obviamente não podiam falar tão abertamente. Por isso, Emme se viu obrigada a mencionar o único contato que tivera com o sonserino.

- Eu não me esqueci dos ovos. O problema com o fornecedor era mais sério do que eu imaginava, mas o dono da loja me garantiu que a minha encomenda será entregue na próxima semana.

Jenner não tinha motivos para mentir e tampouco parecia ter o perfil de alguém que daria tal prejuízo a Snape. Se parasse para pensar por um breve momento, Severus poderia se lembrar que aquela época era realmente terrível para a reprodução das fadas. Os ovos se tornavam itens raros e valiosos nas estações mais frias. O outono fora mais rigoroso que o normal naquele ano e o inverno estava mais intenso a cada dia.

- Eu realmente lamento por este atraso, Snape. Há algo que eu possa fazer para compensar este imprevisto? Talvez você esteja precisando de algum outro ingrediente...
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Re: Veritaserum

Mensagem por Regulus Black em Dom Abr 03, 2016 8:16 pm

É claro que o beijo não fora apenas uma brincadeira para Regulus, tampouco fora como um tropeço provocado pela bebida. Contudo, Black preferia fingir uma naturalidade que não sentia do que correr o risco de criar um clima pesado que colocaria em xeque a valiosa amizade de Alexia.

- Não seja tão implicante. Está com inveja porque não pode comer como eu.

Regulus abriu um sorrisinho sacana enquanto atacava uma das tortinhas. Aquela também era uma das velhas provocações dos dois jovens. O rapaz adorava se vangloriar por seu metabolismo exemplar enquanto Alexia tentava reprimir seu apetite, principalmente para agradar a Sra. Romanoff.

A atenção de Regulus estava tão focada na comida que o rapaz não percebeu a intensidade do olhar que Alexia lhe lançava. Intimamente, Black estava se corroendo de curiosidade sobre os pensamentos da melhor amiga acerca do beijo. Mas o receio de estragar tudo fez com que Regulus optasse por não tocar naquele assunto.

Os olhos cinzentos só se afastaram da comida quando a filha dos Romanoff praguejou. O suco já pingava pela toalha quando Alexia sacou a varinha para arrumar a bagunça que fizera. Nem em mil anos, Regulus imaginaria que fora ele o motivo de tamanha distração da amiga.

- Você é sempre tão habilidosa, Lex. – o rapaz ironizou com bom humor – Imagino que as toalhas na sua casa sejam trocadas umas cinco vezes por dia, não é?

Quando Alexia seguiu na direção da pia, os olhos do rapaz a acompanharam discretamente. Se a moça fosse capaz de ler os pensamentos de Regulus naquela manhã, certamente não se culparia pela aparência desleixada.

Mesmo com os pijamas amassados, os cabelos negros atrapalhados e a expressão abatida e sonolenta, Alexia continuava sendo uma bela visão. E agora que passara a enxergá-la como uma garota, Regulus se sentia absurdamente estúpido por nunca ter percebido antes o quanto a amiga era atraente.

Ao notar que seus pensamentos seguiam em uma direção perigosa, Black sacudiu a cabeça e tentou se concentrar novamente no café da manhã. Ele já estava atacando a segunda tortinha quando foi surpreendido por aquele comentário de Alexia.

Embora a garota usasse um tom casual, Regulus a conhecia o bastante para saber que havia um motivo sólido para aquela decisão. Alexia estava muito animada com a viagem até o chalé e não fazia sentido que quisesse voltar para casa tão rápido. Mesmo que o beijo da noite anterior não tivesse sido citado, Black sabia que o ocorrido tivera um peso significativo naquela determinação.

Vagarosamente, Regulus se virou na direção da amiga e a encarou enquanto Alexia terminava de se explicar. O casamento dela com Avery não costumava ser tema frequente das conversas dos dois amigos simplesmente porque os dois sempre tinham assuntos mais interessantes. Mas Black sentiu-se profundamente desconfortável quando ouviu Romanoff mencionar o noivado naquela manhã. Um ciúme nada fraternal se espalhou pela mente do rapaz e Regulus precisou de muita determinação e concentração para que aquele sentimento negativo não ficasse tão evidente.

Se a situação fosse outra, Regulus certamente zombaria dos receios da amiga e insistiria para que prolongassem a viagem, mas o herdeiro dos Black também não conseguia agir com a mesma naturalidade depois dos acontecimentos da última noite.

- Como você preferir, Lex. Voltamos hoje ainda ou amanhã?
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Dom Abr 03, 2016 9:56 pm

Foi com um olhar de desconfiança que a Sra. Romanoff recebeu a volta prematura de sua filha caçula. Era comum que mesmo durante as férias escolares, Alexia e Regulus viajassem juntos e se esquecessem completamente do restante do mundo, de modo que a menina foi recepcionada com toneladas de questionamentos sobre o que havia acontecido.

Apesar dos pensamentos confusos que se atropelavam na mente de Alexia, ela pareceu driblar bem o interrogatório da mãe, agindo da forma mais natural possível até que a Sra. Romanoff estivesse satisfeita de que nada de anormal tivesse acontecido, muito menos suspeitasse de um beijo da filha com o caçula Black.

Nos dias que se arrastaram em seguida, Alexia experimentou uma sensação jamais vivida antes. Semanas se formavam sem que ela tivesse notícias de Regulus, o que era um fato inédito para ambos. Desde que se entendia por gente, Alexia estava acostumada com a presença do melhor amigo, fosse na rotina de Hogwarts ou nas visitas frequentes, nos passeios quase diários ou nas cartas intermináveis quando estavam fora do castelo.

A princípio, Alexia chegou a acreditar que com o passar do tempo, os pensamentos inadequados a respeito do melhor amigo fossem finalmente cessar. Mas a saudade que crescia a cada dia só fazia aumentar a vontade de estar novamente na presença de Regulus.

Na tentativa de acabar com aqueles pensamentos perigosos, a caçula dos Romanoff se empenhou em dedicar o seu tempo com os preparativos da festa de noivado. Avery, que até então tinha um contato singelo, intensificou suas cartas e insistiu para que os dois saíssem para jantar algumas vezes.

Em cada jantar, Alexia voltava para casa carregando consigo uma nova joia como presente do futuro marido. Avery não precisava se esforçar para conquistar uma mulher que seria sua, independente de seus agrados, mas isso parecia ser um fato ignorado pelo rapaz.

Na realidade, ambos os jovens sabiam que não poderiam esperar um amor um do outro. Mas assumiam com perfeição o papel que a sociedade impunha. Os jantares eram sempre muito respeitosos, mas mostrava a quem quisesse ver que formavam um belo casal. Ricos, bonitos e de boa família, exatamente como deveria ser.

Apesar de ter se preparado a sua vida inteira sabendo que se casaria com alguém sem amor, quando o dia do noivado finalmente chegou, Alexia se sentia ansiosa, como se estivesse cometendo um grande erro.

Não havia passado um único dia que ela não tivesse pensado no beijo trocado com o melhor amigo, e tinha certeza que havia sido aquele momento que transformara sua convicção em se casar com Avery em uma enxurrada de dúvidas.

Era fácil assumir um compromisso como um casamento quando seu coração nunca havia batido mais rápido por outro homem, mas Alexia parecia ter escolhido o pior momento para resolver se apaixonar pela pessoa errada.

- Você não vai vestida assim, vai???

Não houve batidas na porta para anunciar a chegada da Sra. Romanoff, mas a voz estridente ecoou pelo quarto, horrorizada, fazendo com que Alexia desse um sobressalto enquanto tentava prender uma mecha de cabelos com uma borboleta prateada na lateral da cabeça.

Por um segundo, ela ainda olhou o próprio reflexo no espelho da penteadeira e não entendeu o que havia de errado com o vestido que usava.

- Por Merlin, Alexia! Está parecendo uma beterraba! Tire isso imediatamente!

Os saltos da Sra. Romanoff ecoaram enquanto ela atravessava o quarto até entrar no closet da filha. Por alguns minutos, ela revirou os cabides com uma careta de desaprovação para todas as peças.

- Por que você é assim, Alexia? Não tem um único vestido decente! São todos... menininha demais! Você não é mais uma criança!

Bufando, a Sra. Romanoff puxou um vestido off-white e o empurrou na direção da filha. A peça era justa e alcançava os joelhos de Alexia. Não havia decote no colo, mas os cortes na altura das costelas lhe dava o ar sofisticado e elegante. Sem a menor delicadeza, a Sra. Romanoff puxou a borboleta que Alexia tentava prender nos fios negros e a jogou sobre a penteadeira, irritada.

- Você precisa mostrar a todos que é uma mulher. Use a pulseira que o Avery te deu.

Mecanicamente, Alexia puxou da caixinha de joias a pulseira banhada em ouro branco e a colocou no pulso. O brilho contrastava com perfeição com o vestido mais sóbrio, assim como os saltos.

A Sra. Romanoff amassou os cabelos negros da filha, jogando-os por cima dos ombros, e analisou por alguns segundos, ainda com um ar de desaprovação.

- Não é o ideal. Mas não temos tempo para fazer milagres. Estão todos te esperando.

Antes de deixar a penteadeira, Alexia fitou o próprio reflexo. As bochechas redondas haviam sido minimizadas com o efeito da maquiagem, e os cabelos negros caíam ondulados e brilhosos ao redor do seu rosto. O vestido justo definitivamente havia lhe dado um ar mais maduro, mas os comentários da mãe haviam sido suficientes para lhe trazer a costumeira insegurança, agravando sua ansiedade para enfrentar aquela noite que estava apenas começando.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Regulus Black em Seg Abr 04, 2016 12:49 am

Nem mesmo quando Sirius deixou a casa dos Black, Regulus sentiu-se tão infeliz e desamparado. Sem a companhia de Alexia, nada parecia fazer sentido na vida do rapaz. Não havia mais ninguém com quem Regulus pudesse compartilhar seus segredos, tampouco ninguém que o fizesse rir de bobagens e amenizasse um pouco o clima pesado da mansão dos Black.

Embora sentisse muito a falta da melhor amiga nos dias que se seguiram à breve viagem para o chalé, Regulus não procurou pela herdeira dos Romanoff. Os sentimentos dele ainda estavam muito confusos e Black sabia que Alexia o conhecia muito bem e fatalmente acabaria notando que o beijo havia mexido com ele.

Eram muitas as amarras sociais que impediam que Regulus tentasse mudar o rumo do seu relacionamento com Alexia Romanoff. Além das famílias que já tinham traçado os destinos dos dois, havia o medo de que a amizade não resistisse a aquele passo. O maior medo de Black era que seus sentimentos não fossem correspondidos e que Alexia deixasse de sentir até mesmo um carinho fraternal por ele caso o rapaz se declarasse.

O detalhe que mais desestimulava Regulus a tomar uma iniciativa era saber que Alexia estava envolvida com os preparativos para a festa de noivado. Por mais que soubesse que aquele casamento não passava de um acordo entre as duas famílias e que Alexia não amava o futuro marido, o herdeiro dos Black se via obrigado a concluir que a amiga estava satisfeita com os rumos tomados em sua vida. Só isso explicava o envolvimento da moça com os detalhes do noivado e do casamento que se aproximava.

Alexia Romanoff passou a ser uma figura constante na mente de Regulus. O rosto da jovem não raramente frequentava os sonhos do rapaz e, sem dúvida, as imagens reproduzidas pelo inconsciente de Black deixavam bem claro que ele não enxergava mais Alexia apenas como uma amiga.

Por tudo isso, o último lugar onde Regulus gostaria de estar era na suntuosa festa de noivado da melhor amiga. Contudo, mesmo depois de muito pensar sobre o assunto, o caçula dos Black não conseguiu encontrar nenhuma desculpa convincente o bastante para explicar a sua ausência em um evento tão importante. Certamente todos perceberiam que o amigo mais próximo da noiva não estava presente e os comentários maldosos seriam inevitáveis.

Apenas para evitar tal exposição desnecessária, Regulus compareceu ao jantar no qual seria oficializado o noivado entre Avery e Alexia. O herdeiro dos Black chegou pontualmente na mansão dos Romanoff, acompanhado pelos pais.

Naquela noite, Regulus exercia o papel que todos esperavam dele. O futuro Sr. Black estava muito bem vestido com seus melhores trajes de gala. O smoking preto tinha um corte perfeito que realçava o porte do rapaz. A gravata borboleta acinzentada tinha exatamente a mesma tonalidade das íris incomuns dos Black. Os cabelos negros sedosos pareciam úmidos graças ao gel e estavam impecavelmente penteados para trás.

Com uma taça de espumante nas mãos, Regulus começou a circular pelo salão de festa. O local já estava lotado e os convidados certamente pertenciam à alta sociedade bruxa. Não havia ali nem mesmo uma pessoa com origens duvidosas e obviamente os traidores do próprio sangue também não tinham sido incluídos na lista de convidados dos Romanoff.

Foi inevitável para Regulus contorcer os lábios numa careta de desagrado quando os olhos cinzentos avistaram Avery num dos cantos do salão. Os dois rapazes não eram amigos, mas também nunca haviam tido nenhum tipo de problema de convivência. Naquela noite, contudo, o herdeiro dos Black só conseguiu sentir desprezo pelo antigo colega.

Avery não era o tipo de rapaz que se destacava em uma multidão, mas o futuro marido de Alexia tinha as suas qualidades. Ele era tão alto quanto Regulus, com a diferença de ter os ombros mais largos e os músculos mais definidos. Embora não possuísse os traços bonitos e aristocráticos dos Black, Avery não tinha uma aparência desagradável e a sua elegância naquela noite destacava positivamente as suas qualidades.

O espumante fez o estômago de Regulus se contorcer no exato momento em que a mente do rapaz o torturou com a ideia de que Alexia aprovaria a aparência do noivo. Não havia amor, mas isso não significava que a filha dos Romanoff fosse incapaz de se sentir atraída pelo futuro marido.

Como acabaria enlouquecendo se continuasse se torturando com aquelas ideias, Regulus deu as costas ao noivo e seguiu na outra direção. O objetivo de Black era se isolar em algum canto e desfrutar de um momento de paz, e exatamente por isso Regulus seguiu na direção oposta à festa.

Já que conhecia tão bem a mansão dos Romanoff, Regulus sabia que terminaria na biblioteca quando entrou por aquele corredor vazio. Os passos dele ecoaram no silêncio e Black achou que estava a salvo quando virou à direita ao fim do corredor e, para a sua imensa surpresa, chocou-se logo com a protagonista da festa.

Instintivamente, Black levou as mãos à cintura da amiga para impedir que ela se desequilibrasse em cima dos saltos e caísse no chão. Passados os segundos iniciais do susto, Regulus permitiu que seus olhos descessem demoradamente pela figura de Alexia.

Se ele a achava atraente em um pijama amassado e com os cabelos despenteados, já era de se esperar que o coração de Black falhasse uma batida com a imagem que Alexia exibia naquela noite. O vestido realçava as curvas da garota, a maquiagem lhe dava um ar mais maduro e os cabelos emolduravam com perfeição o rosto delicado que não saía da cabeça de Regulus nos últimos dias.

Toda a insegurança de Alexia certamente evaporaria com o olhar intenso que Regulus cravou no rosto dela enquanto murmurava num sussurro grave.

- Você está linda, Lex.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Seg Abr 04, 2016 1:24 am

O silêncio do corredor era quebrado apenas pelos passos dos dois adultos. O toque de recolher já havia passado há muito tempo, de modo que não havia nenhum estudante para cruzar o caminho de Snape, para seu imenso alívio. Nem mesmo um fantasma atravessou as paredes para interromper o caminho, de modo que quando a voz de Emmeline soou, Severus se assustou e girou a cabeça imediatamente para encará-la.

Por ser vários centímetros mais alto que a curandeira, Snape precisou olhar para baixo e encontrou os fios loiros que cobriam o topo de sua cabeça, que mesmo com a iluminação ruim dos corredores, ainda brilhavam dourados e chamativos ao toque. Por um segundo, Severus chegou a se questionar como seria a sensação em seus dedos se ele erguesse a mão para alcançar as mechas loiras.

Sentindo-se um tolo com aquele pensamento, ele espremeu os lábios naquela mania que estava cada vez mais frequente desde que reencontrara Jenner e se obrigou a olhar para frente, no ponto mais distante do corredor.

- Eu não estava te cobrando.

Sua voz soou rouca e séria, um nó se formando em sua garganta. O professor de poções não era conhecido por ser gentil ou simpático, mas algo em Emmeline o impedia de cobrar aquele item raro. Qualquer outra pessoa no lugar da curandeira estaria com uma dívida enorme, mas Snape se sentia incapaz de cobrar por algo que nem mesmo lhe teria utilidade naquele momento.

- Você terá tempo de repor meu estoque. Pode me retribuir em dobro, se isso te fizer se sentir melhor. Sei que os lufanos são extremamente sensíveis a favores, mas realmente não há urgência.

A caminhada foi interrompida quando eles alcançaram os primeiros corredores das masmorras. Uma pesada porta de madeira estava localizada ao lado da pintura de um trasgo, e foi ela que Severus indicou com o queixo.

- Imagino que você não esteja acostumada com o frio das masmorras. Sugiro deixar a lareira acessa todo o tempo. Os elfos repõem a madeira com mais frequência do que nos outros pontos do castelo.

Não havia mais motivos para prolongar aquele assunto, mas parados ao lado de uma das tochas pregadas à parede, Serverus tinha a visão perfeita do rosto de Emmeline. Com a luz alaranjada, ele conseguia enxergar detalhes que haviam lhe escapado na escuridão do bairro trouxa.

Mesmo com a aparência de cansada, os exóticos olhos cor de mel eram lindos. O nariz delicado e arrebitado tinha perfeita harmonia com o rosto angelical. A boca de Emmeline era bem desenhada, e mesmo em sua expressão mais séria, ela ainda parecia ter a sombra de um sorriso doce que despertava um estranho calor em seu peito.

Por tempo demais, Severus ficou parado no corredor, os olhos negros fixos no formato dos lábios de Emmeline, se perguntando se eles eram sempre tão rosados. O rosto do professor de poções estava ligeiramente contorcido, uma pequena ruga entre suas sobrancelhas, enquanto seus pensamentos vagavam por um caminho desconhecido.

Completamente absorto ao mundo a sua volta, esquecendo que estava em Hogwarts, que aquela era a mesma lufana que andava para cima e para baixo ao lado de Lily Evans e que ela provavelmente lhe daria um tapa com tamanha ousadia, Severus ergueu o braço até alcançar uma pequena manchinha no lado direito do rosto de Jenner, quase alcançando seus olhos.

Com o polegar, Snape limpou a manchinha, provavelmente respingo de algum ingrediente usado durante o atendimento de McWay. Uma discreta corrente elétrica subiu pelo seu braço quando ele sentiu a maciez da pele de Emmeline, e seus lábios, antes espremidos com a tensão, estavam entreabertos em surpresa.

- Estava sujo. – Ele tentou explicar, recolhendo o braço rápido demais.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Seg Abr 04, 2016 2:18 am

- Eu sei que você não me cobrou os ovos. Eu só quis reforçar que eu não me esqueci da dívida, Snape.

A entonação tranquila de Emmeline deixava claro que a resposta dela não tinha o objetivo de iniciar uma discussão com o sonserino. O temperamento dócil da curandeira não combinava com brigas e, naquela noite em especial, ela se sentia cansada demais para se envolver no menor dos desentendimentos.

Enquanto desciam as escadas de pedra que os levariam até as masmorras, a pele de Jenner se arrepiou com a nítida queda na temperatura. Numa tentativa de se proteger do frio, a loira cruzou os braços e acelerou um pouco os passos até chegar diante da pesada porta de madeira atrás da qual ficava o antigo quarto de Horace Slughorn. A pintura do trasgo fazia parte de uma decoração de gosto duvidoso, mas é claro que Emmeline guardou para si aquela opinião.

- Obrigada! – a moça esfregou os braços, realmente grata por aquela orientação sobre a lareira – E obrigada também por ter me trazido até aqui.

Emmeline já tinha dado o primeiro passo na direção do quarto e entreabriu os lábios para desejar boa noite ao homem quando foi surpreendida pelo inesperado gesto de Severus. A última coisa que Jenner esperava era que o professor de Poções estendesse o braço na direção do rosto dela.

Não foi por maldade que Emmeline recuou alguns centímetros para longe dos dedos pálidos de Snape. A curandeira foi movida apenas pela surpresa daquele toque inesperado e pelo instinto que lhe dizia que nenhum sonserino jamais dirigiria a ela nenhum tipo de gentileza.

Tão logo compreendeu o gesto do professor, Jenner se arrependeu da própria reação tola. Suas bochechas adquiriram uma coloração rosada e os lábios se mantiveram entreabertos, desta vez numa expressão de surpresa e constrangimento.

A mesma corrente elétrica que percorrera o braço de Severus agora se espalhava também pelo corpo da curandeira. Aquele arrepio agradável foi mais do que o suficiente para deixar Emmeline confusa. Era como se o seu corpo estivesse se queixando não do contato com Snape, mas sim da interrupção tão precoce do mesmo.

- Ah... – a voz de Emme soou fraca e a loira levou os dedos ao local tocado por Severus, como se quisesse garantir que não havia restado nenhum resquício da mancha – Eu estava com três caldeirões acesos ao mesmo tempo, certamente alguma coisa espirrou em mim.

Não havia nenhuma maneira segura de voltar atrás no tempo e mudar a reação hostil à proximidade de Snape. Portanto, a única saída encontrada por Jenner para desfazer a má impressão foi dar um passo adiante, diminuindo a distância que a separava de Severus.

A lufana nunca imaginou que um dia faria isso e provavelmente se sentiria tola tão logo aquele momento acabasse, mas naquela hora parecia ser o mais certo a se fazer para que Snape não fosse embora com a equivocada impressão de que Emmeline rejeitara seu toque.

Sem pensar demais no quanto aquilo pareceria errado ou esquisito, Jenner se colocou na ponta dos pés e rodeou os ombros do professor com os braços. Foi um abraço muito breve e atrapalhado, mas foi o suficiente para provocar um novo arrepio agradável que se espalhou pelo corpo da curandeira.

- Obrigada, Snape. E boa noite.

Como imaginava que a reação de Severus não seria positiva diante daquele abraço, Emmeline não deu ao sonserino tempo para reagir. Antes mesmo de pronunciar a última sílaba, a loira girou sobre os calcanhares e acelerou seus passos na direção da porta dos aposentos de Horace Slughorn.

O coração dela batia acelerado quando Emme entrou no quarto e encostou-se na porta de madeira fechada. Numa tentativa de acalmar as batidas descompassadas, a loira levou uma mão ao peito enquanto fechava os olhos e tentava entender que tipo de loucura acabara de acontecer ali.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Seg Abr 04, 2016 2:24 am

Não era novidade que a Sra. Romanoff desaprovasse a aparência de Alexia, como se a caçula nunca estivesse à altura, por mais que se esforçasse. Naquela noite, mesmo com os olhares de aprovação que a futura Sra. Avery fosse receber, ela sabia que ainda se sentiria insegura, como se pudesse ter se esforçado mais no penteado ou na escolha da roupa.

O que Alexia não esperava era encontrar Regulus Black antes de alcançar seu destino. Apesar do encontrão não ter sido tão forte, o reflexo fez com que ela tentasse se segurar pelos ombros largos do apanhador, e logo as mãos apoiadas em sua cintura fez com que sua mente voltasse imediatamente até a noite no chalé.

Mais uma vez, os dois estavam praticamente abraçados em um corredor, esquecendo todo o restante do mundo e as complicações que estavam trazendo para aquela amizade perfeita. Os olhos de Alexia, de um azul escuro, estavam ligeiramente arregalados com aquela surpresa, mas ela logo se esforçou para sorrir da forma mais natural que conseguia, como se seu estômago não estivesse se contorcendo deliciosamente por reencontrar o melhor amigo depois de tanto tempo.

- Minha mãe não concordaria com você, mas obrigada, Reg.

Poderia ser apenas fruto de sua imaginação, mas Alexia não conseguia se lembrar de ter recebido um olhar tão intenso vindo do melhor amigo antes. Era o mesmo olhar que antecedera ao beijo, tão diferente do que ela estava acostumada em toda sua vida.

- Você não está feio, também. – O sorriso se alargou, mostrando os dentes perfeitos, enquanto uma das mãos pousadas no ombro de Regulus deslizou até tocá-lo na bochecha. – Sorte sua que as tortinhas de abóbora ainda não estão fazendo efeito. Talvez em alguns anos...

O sorriso de Alexia parecia tão natural que quase enganava a ela mesma. Era difícil alguém notar como sua temperatura já estava se elevando ao notar a aparência do melhor amigo. Regulus era um rapaz bonito e atraente, e aqueles raros olhos acinzentados eram suficientes para tirar o fôlego de qualquer menina. Mas naquela noite, o Black caçula estava ainda mais irresistível, suas vestes caras e elegantes, o cabelo impecável e o perfume que fazia todos os sentidos de Alexia ficarem em segundo plano.

O único ponto que denunciaria o impacto que Regulus estava provocando em seus pensamentos era o brilho intenso em seu olhar, jamais visto antes. Por um instante, o sorriso de Alexia vacilou.

- Senti sua falta, Reg. Demais.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Regulus Black em Seg Abr 04, 2016 2:45 am

Diante dos olhos azuis de Alexia, era como se não existisse mais nada no mundo de Regulus. O encontro inesperado com a amiga foi o bastante para que Black deixasse de ouvir o burburinho que vinha do salão de festas. Aliás, a mente do rapaz estava tão entorpecida com a simples presença de Alexia que Regulus nem se lembrava mais que estava na festa de noivado que uniria a garota em seus braços a outro rapaz.

Era inevitável comparar aquele momento com a cena do chalé. Exceto pela bebida e pelos trajes de festa, as suas situações eram bem semelhantes. Os amigos novamente estavam isolados em um corredor, abraçados e presos numa troca de olhares intensa que ultrapassava todas as barreiras de uma simples amizade.

A declaração de Alexia fez o coração do rapaz se acelerar. A expressão dela mostrava que a garota não estava se referindo apenas à velha amizade de infância, mas incluía também o fatídico beijo do chalé.

- Eu também senti muito a sua falta, Lex.

Desta vez, Regulus não poderia colocar a culpa na bebida. O herdeiro dos Black de fato havia tomado alguns goles de espumante enquanto perambulava pelo salão, mas certamente não fora o bastante para deixá-lo embriagado.

O sonserino tinha completo controle de todas as suas ações quando ergueu uma das mãos e saciou o desejo de deslizar os dedos carinhosamente sobre o rosto delicado da filha dos Romanoff.

Os olhos cinzentos continuavam firmemente cravados em Alexia quando Regulus deu alguns passos à frente, levando a amiga consigo até encostar o corpo da moça na parede mais próxima.

Black teria interrompido aquela loucura se Alexia demonstrasse o menor sinal de insatisfação com aquela aproximação. Contudo, mesmo depois de Regulus deixar bem claro que queria repetir a cena proibida protagonizada no chalé, a moça não fez nenhum movimento para impedi-lo.

Isso foi o bastante para que Regulus mergulhasse de cabeça naquela loucura. As pálpebras cobriram as íris cinzentas no exato instante em que os lábios dos dois experimentavam mais uma vez aquele encaixe perfeito. Era a segunda vez que eles se beijavam, mas a sintonia dos movimentos faria qualquer um imaginar que Regulus e Alexia praticavam aquela carícia há um generoso tempo.

Como se quisesse garantir que nenhum sopro de realidade estragaria aquele momento, o herdeiro dos Black apertou as pálpebras com mais força enquanto enlaçava a cintura da amiga e a trazia mais para perto do seu corpo.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Seg Abr 04, 2016 2:54 am

No instante em que Emmeline recuou ao seu toque, uma risada debochada, muito semelhante a de Mundungus Flecher, ecoou na cabeça de Severus Snape. Inconscientemente, ele espremeu os lábios, deixando-os em uma linha fina, e desviou o olhar para o chão, se arrependendo imensamente daquele momento tolo.

Ele quase podia ver, no meio das sombras, as figuras de Potter e Black gargalhando diante da cena. “Sério, Seboso? Você achou o quê? Que ela iria te beijar? Qualquer garota teria nojo de você!”.

Desde a decepção com Lily Evans, praticamente por toda a sua vida, Severus nunca havia gostado de outra mulher que não fosse a antiga amiga. Era um erro imenso se deixar levar por aquele caminho outra vez. Garotas como Evans e Jenner jamais ficariam com rapazes como ele. Por algum motivo, elas sempre acabariam preferindo imbecis e vagabundos como Potter e seu melhor amigo pulguento.

Mergulhado naqueles pensamentos negativos, Snape cambaleou para trás em surpresa quando os braços de Jenner o rodearam em um abraço. O contato foi breve, mas o suficiente para que um calor delicioso se espalhasse pelo corpo do professor de poções. Ele pôde sentir os fios loiros roçarem brevemente em seu rosto e o perfume delicioso que invadiu suas narinas fez com que qualquer pensamento fugisse de sua mente.

Severus não se lembrava quando havia sido a última vez que tivera um contato físico com alguém, mas ao mesmo tempo que a atitude de Emmeline lhe causou estranheza, ele queria ter prolongado por mais alguns segundos, ou pelo menos por tempo suficiente para que ele pudesse memorizar aquela sensação, junto com o cheiro delicioso que vinha de seus cabelos.

Quando a curandeira se afastou, o mestre de poções tinha um semblante confuso, a testa franzida e os lábios entreabertos em surpresa. Emmeline foi rápida em se despedir, e não deu tempo para que Snape processasse o que havia acabado de acontecer, de modo que o “boa noite” desejado por ela não teve uma resposta.

Ainda por alguns segundos, Snape ficou parado no corredor deserto, tentando entender o motivo de seu coração estar tão acelerado.

***

Severus Snape, mesmo com a pouca idade, era um professor temido pelos seus alunos, mas com um conhecimento inquestionável. Foi inédito para a turma de terceiranistas da Corvinal quando, naquela manhã, o professor se mostrou distraído e descontou pouquíssimos pontos mesmo para os alunos que falhavam miseravelmente em sua poção.

Talvez, exatamente por essa distração, Snape não conferiu o andamento do trabalho de um dos alunos sentado na última fileira. A poção passada naquele dia deveria ser relativamente simples, mas ainda assim, um rapaz de cabelos espetados conseguiu adquirir um tom amarronzado quando o líquido deveria atingir um verde-água.

Foi apenas o grito de dor que ecoou pela sala das masmorras que despertou a atenção de Snape, mergulhado em alguns pergaminhos à sua mesa. A poção havia dado tão errado que começara a transbordar pela mesa. O material do corvinal imediatamente começou a ser corroído, e no ponto em que Snape alcançou seu lugar, a mesa de madeira também começava a apresentar sinais de que estava desmanchando.

Entretanto, o que havia feito com que os alunos ao redor se afastassem e o menino de cabelos espetados começasse a chorar, era sua mão direita banhada em sangue. A pele morena do menino estava cortada em uma ferida assustadora e o sangue já manchava seu uniforme.

Sem se preocupar com a delicadeza, Snape sacou a varinha e apontou para o caldeirão, fazendo todo o líquido desaparecer, ficando apenas o resíduo espalhado sobre a mesa.

- Mas o que você estava tentando fazer???

Qualquer professor estaria mergulhado em preocupações com a saúde do menino, mas Snape estava simplesmente irritado que um aluno da Corvinal, teoricamente inteligente, tivesse errado assustadoramente em uma tarefa tão simples.

Com um semblante mal humorado, o professor agarrou o uniforme do menino e o arrastou para fora das masmorras, a caminho da enfermaria.

- Deveria descontar cinquenta pontos pela sua estupidez, Sr. O’Brian!
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Seg Abr 04, 2016 3:14 am

Apenas o desejo intenso de repetir aquele beijo permitia que Alexia ignorasse por completo o grande risco que os dois estavam correndo. Se era loucura lembrar do primeiro beijo no chalé dos Romanoff, o que estavam fazendo naquele momento já havia ultrapassado os limites da insanidade.

Se qualquer um dos convidados presenciasse aquela cena, ou até mesmo o próprio Avery, a família Romanoff estaria arruinada. Nenhum homem jamais aceitaria tamanha humilhação de ter a noiva aos beijos com outro rapaz em sua própria festa de noivado. Poderia não haver amor entre Alexia e Avery, mas sobrava poder e ego entre famílias nobres e ricas da alta sociedade bruxa.

Entretanto, ter novamente os lábios de Regulus junto aos seus fazia com que nada daquilo tivesse importância. Seu coração saltitava bobamente em seu peito, como se comemorasse a oportunidade que podia ser repetida. Era ainda mais gratificante saber que desta vez não havia a desculpa do velho conhaque do Sr. Romanoff. Não havia nada para servir de combustível naquela loucura, além da vontade desesperada de estar nos braços um do outro.

Foi apenas uma linha de lucidez que passou pela mente de Alexia que a obrigou a interromper aquele beijo, pousando as duas mãos sobre o peito de Regulus e o empurrando alguns centímetros, apenas a distância necessária para que eles se encarassem.

- Não. – A voz de Alexia soou rouca, mas ela se obrigou a continuar, apressadamente, antes que Regulus interpretasse errado sua reação. – Aqui não. Qualquer um pode ver...

A mão delicada de Alexia tocou a de Regulus em uma carícia enquanto ela olhava rapidamente para o corredor, garantindo que os dois continuavam a sós. Com a outra mão, a caçula Romanoff alcançou a maçaneta dourada da porta do escritório e a girou com um click, puxando o melhor amigo para o interior em seguida.

No instante em que eles estavam finalmente protegidos por quatro paredes, Alexia voltou a rodear o pescoço de Regulus com os braços, tocando as pontas dos fios negros que alcançavam sua nuca.

- Eu não estou pronta para ir lá, Reg. – A confissão veio em um sussurro, mas como se novamente ela tivesse total liberdade para conversar com o melhor amigo e desabafar sobre seus sentimentos. – Eu quero ficar aqui, com você.

Graças aos saltos, Alexia não precisou se esticar para alcançar os lábios de Black pela terceira vez, dando início a mais um beijo. Os longos anos de amizade poderiam transformar aquela intimidade em algo desconfortável e estranho, mas a menina sentia como se nada mais fosse tão certo quanto estar nos braços do melhor amigo.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Seg Abr 04, 2016 3:32 am

Madame Pomfrey precisou chamar pelo nome da curandeira três vezes antes que Emmeline virasse o rosto na direção da colega. Ao notar a própria distração, as bochechas da loira coraram e ela agradeceu muito pela enfermeira de Hogwarts não ser uma boa legilimens. Seria impossível para Jenner explicar porque a imagem de Severus Snape estava tão presa em seus pensamentos naquele dia.

- Desculpe, Madame Pomfrey. – Emmeline deixou de lado os ingredientes que separava sobre uma bancada e caminhou na direção da enfermeira – Eu estava distraída com o preparo da poção.

Embora não fosse uma boa mentirosa, Emme pareceu convencer a mulher com aquela desculpa esfarrapada. Madame Pomfrey não a questionou, até porque jamais imaginaria que a curandeira estava perdida em pensamentos confusos sobre o professor de Poções.

- Algum problema?

Jenner inclinou-se na direção de Margareth, que milagrosamente estava acordada naquele dia. A lufana ainda estava frágil, sonolenta e confusa. Mas vê-la com os olhos abertos e balbuciando respostas já era um grande avanço depois do risco que a menina correra.

- Maggie acabou de me dizer que está com sede. Você acha seguro deixar que ela beba um pouco de água, querida?

- Acho ótimo. Vamos tentar!

Com a ajuda da enfermeira, Emmeline ergueu um pouco a cabeceira de Margareth e ajudou a menina a se recostar em alguns travesseiros. Madame Pomfrey estava dando o primeiro gole de água à Maggie quando as portas da enfermaria se abriram subitamente.

A figura sombria de Snape foi a primeira coisa que atraiu a atenção da curandeira e fez seu coração dar um salto inexplicável. Mas logo os seus sentidos foram atraídos para o ferimento grave na mão do aluno da Corvinal e para os soluços que escapavam da garganta dele. Madame Pomfrey também se remexeu em seu lugar diante daquela cena, mas Emmeline fez um gesto pedindo que a mulher continuasse ao lado de Margareth.

- Eu cuido disso. Você fica com a Maggie, nós estamos indo muito bem com ela.

Usando novamente todo o seu profissionalismo, Emmeline conseguiu ignorar a agitação que a presença de Severus lhe despertava enquanto caminhava na direção do aluno machucado. Com um toque da varinha, a curandeira conjurou um frasco de poção curativa e um chumaço de algodão.

- Fique calmo, isso vai interromper o sangramento e aliviar a dor. O que aconteceu, hm?

A entonação suave de Emmeline pareceu deixar o aluno mais tranquilo, assim como o efeito da poção que a curandeira espalhava em seu ferimento. Contudo, o rapaz ainda soluçava enquanto explicava.

- Algo deu errado na minha poção. Ela se tornou um pouco corrosiva...

- Um pouco? – Emme brincou com bom humor enquanto observava o início da cicatrização do ferimento.

- É. – O’Brian conseguiu rir – Corrosiva o bastante para fazer a Corvinal perder cinquenta pontos.

Pela primeira vez desde a entrada súbita de Severus, Emmeline ergueu os olhos cor de mel para o professor. Ela não parecia chateada, mas o seu semblante sério mostrava que aquilo não fazia parte da brincadeira.

Diante do aluno nada foi dito para que a autoridade de Snape não fosse questionada, mas Jenner fez questão de se voltar para o professor no instante em que o garoto, já com o ferimento curado, se retirou para o banheiro para limpar as manchas de sangue.

- Não me parece justo descontar pontos por uma poção que saiu errada, Snape. Afinal, ele ainda está aprendendo. A responsabilidade é sua quando um aluno faz besteira e se machuca dentro da sala de aula. – uma das sobrancelhas finas de Emmeline se arqueou antes que ela completasse – Espero que volte atrás nisso, o pobrezinho já foi suficientemente punido
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Saphir Wegener

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