Veritaserum

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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Dom Maio 08, 2016 3:12 am

Severus Snape era um homem extremamente inteligente e que tomava decisões baseadas apenas na lógica, raramente se permitindo levar pelas emoções. Devido as grandes feridas provocadas ao longo dos anos que resultavam em cicatrizes emocionais, ele aprendera a se tornar um adulto sério e distante.

Aquela personalidade fria e o muro invisível que criara para si só conseguiram ser interrompidos pela chegada de Emmeline em sua vida. A lufana trouxera uma leveza que Snape já desconhecia completamente, o ensinando novamente a ser feliz e enxergar que havia luz em toda escuridão que ele aprendera a se acostumar.

Talvez, por ter baixado a guarda naquele último ano, Severus tivera o deslize de acreditar que aquela conversa com Jenner pudesse ter um final diferente. Intimamente, o professor de poções chegou a pensar que quando explicasse tudo para a curandeira, as coisas se resolveriam automaticamente e os dois poderiam ser novamente felizes juntos.

O homem racional que ele era antes da namorada saberia que um feitiço de memória jamais seria quebrado tão facilmente e que uma mulher, que acreditava amar outro homem, não aceitaria palavras de alguém que ela julgava ser um completo desconhecido.

Como Snape não era mais aquele mesmo homem, foi um baque quanto Emmeline se esquivou de seu toque. A lufana poderia ser delicada e gentil, mas Severus a conhecia bem o suficiente para saber que ela trataria absolutamente qualquer um com tamanha educação, e que aquilo estava longe de ser um indício de um rastro dos sentimentos que ela sentia.

O pedido de Emmeline era perfeitamente comrpeensivel para qualquer um, mas foi recebido como um soco no estômago para Severus. A última coisa que ele queria, depois de todo o pesadelo vivido nos últimos anos, era se afastar de Jenner. A descoberta daquela gravidez agravava sua necessidade de estar ao lado dela.

Parecia imensamente injusto que ele precisasse se afastar de seu filho, quando todo o seu corpo gritava que precisava protege-lo, mantê-lo em segurança e amá-lo da forma mais pura possível.

Se sentindo extremamente ofendido, Severus recuou o corpo, mantendo a coluna perfeitamente reta e os dedos longos apoiados sobre os joelhos, sentindo-se completamente deslocado naquele quarto. Seu rosto se contorceu até assumir o semblante sério, que lembrava em muito o Snape de um ano atrás.

- Eu não vou pressioná-la. – Os olhos negros estavam fixos em um ponto do travesseiro de Emmeline, mas ele era incapaz de encarar os olhos cor de mel. - Mas você não pode pedir para eu me afastar completamente, ainda é o meu filho que você está carregando.

Além da necessidade de estar ao lado de Emmeline durante cada nova descoberta daquela fase, Severus sentia calafrios ao pensar no que seu afastamento poderia causar para aquele relacionamento.

Ele nunca havia compreendido o porquê de Emmeline ter se apaixonado por ele, mas duvidava seriamente que teria a mesma sorte duas vezes. Deduzir que aquele romance havia chegado ao fim era assustador, e Snape sentia toda a felicidade sumir de seu peito, o afundando novamente nas trevas.

- Vou deixa-la descansar, mas isso não significa que não voltaremos a conversar, Emme. Compreendo tudo que você passou nos últimos dias, mas isso não lhe dá o direito de me afastar desta forma. Estamos claros?

Ao contrário da delicadeza de Emmeline, a voz de Snape soou pausada e séria, de forma direta, quase como falava com seus alunos nas masmorras. Por fim, os olhos negros finalmente procuraram as íris cor de mel e Severus sentiu o estômago afundar ao não reconhecer o olhar carinhoso da namorada.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Damien Scott em Dom Maio 08, 2016 3:50 am

A declaração de Regulus não foi exatamente recebida com surpresa por Sirius. Desde que Alexia contara sobre o encontro com o ex-Comensal, furiosa com sua atitude tão grosseira, o Black primogênito deduziu que o irmão havia assumido aquele jantar como algo a mais do que realmente era.

Os dois estavam tão cegos com os fortes acontecimentos recentes que Sirius se viu obrigado a manter a calma e o raciocínio antes de procurar um novo encontro com o caçula. Alguém precisava equilibrar aquele cabo-de-guerra, e embora não fosse exatamente conhecido por sua paciência, o Black mais velho assumiu aquele desafio sem pensar duas vezes.

Desde que Alexia entregou a primeira Horcrux à Ordem da Fênix contando a história heroica de Regulus, Sirius passara a ver o caçula com outros olhos. Saber que o irmão estava vivo, depois de tantos anos se lamentando pelo distanciamento entre os dois, Sirius sentia que a vida havia lhe dado uma segunda chance em reconquistar a amizade perdida.

- Alexia não é minha namorada.

A voz de Sirius continuou calma, sem a menor hesitação. Não precisava ser um gênio para ver que mesmo tendo construído sua vida no mundo trouxa, a ideia de ver a velha amiga com outro homem incomodava Regulus como se ele jamais tivesse abandonado a magia.

- Mas você está certo, ela não está nada orgulhosa. Mas se me permite dizer, não podemos julgá-la. A Lexie passou maus bocados quando achou que você tinha morrido. Foi...

A existência de Aria chegou na ponta da língua de Sirius e ele quase compartilhou aquele segredo com o irmão. Apesar das escolhas um tanto delicadas de Regulus, ele ainda tinha o direito de saber que tinha uma filha no mundo. Mas aquela deveria ser uma decisão de Alexia.

- ...um período bem difícil. Mas posso garantir que ela está feliz em saber que você está vivo. Extremamente furiosa, mas feliz.

Assumindo uma postura mais séria, Sirius cruzou os braços e se aproximou do irmão, permitindo que a fraca iluminação do beco alcançasse melhor o seu rosto. Os anos haviam passado, mas o Black mais velho continuava tão bonito como se ainda fosse um adolescente.

Seus cabelos negros estavam mais curtos e havia uma barba por fazer que lhe deixava ainda mais atraente. A jaqueta de couro lhe protegia perfeitamente do frio, e fazia um contraste das diferenças com o caçula em suas roupas simples.

- Você não pode me pedir para fazer de conta que nada aconteceu, Regulus. Não posso simplesmente saber que você está vivo, dar as costas e ir tomar uma cerveja amanteigada. Não estou pedindo para você voltar ou que deveríamos nos tornar melhores amigos, mas é uma oportunidade incrível que temos.

Sirius retirou a mão do bolso da jaqueta e a esticou na direção do irmão, a palma virada para o céu negro sobre suas cabeças.

- Não tem mais guerra, Walburga ou coisa alguma para impedir isso. E você não pode mais me julgar por ter saído de casa, você abandonou todo o mundo mágico porque também estava esgotado com aquela droga toda. Podemos ao menos tentar?
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Dom Maio 08, 2016 4:06 am

O comportamento frio de Snape fez com que Emmeline se perguntasse como os dois tinham chegado tão longe naquele relacionamento. Era difícil acreditar que ela realmente amava Severus Snape a ponto de ter um filho com ele. Os dois não tinham nada em comum, possuíam personalidades opostas. Emmeline não conseguia enxergar no homem a sua frente nenhuma qualidade que pudesse fazê-la se apaixonar por ele.

O Snape cuidadoso e preocupado que entrara naquele quarto carregando uma bandeja farta talvez pudesse atingir o coração de Jenner de alguma maneira, mas não o homem que ele se tornara depois daquela conversa. A postura firme e as palavras frias mostravam que o sonserino desprezível que Emmeline conhecera em Hogwarts ainda estava ali e, definitivamente, a curandeira não se sentia nem um pouco atraída por ele.

- Em nenhum momento eu disse que quero afastá-lo da criança. Não há a menor necessidade de transformar esta conversa em uma discussão recheada de ameaças veladas. Se o meu bebê realmente tiver o seu sangue e se esta for a sua vontade, você poderá participar da vida dele ou dela.

As palavras de Jenner mostravam que ela ainda não tinha absoluta certeza sobre a paternidade do filho. Com a memória danificada e diante daquele homem tão frio, ninguém poderia julgar Emmeline por questionar Severus como pai daquela criança.

Como se não bastasse aquele golpe, Jenner completou a sentença de forma menos amigável. Geralmente lufanos não se comportavam de maneira tão hostil, mas Emmeline já mostrava que, para defender o bebê, um lado menos doce de sua personalidade vinha à tona.

- Desde que a sua presença não o prejudique em nada, é claro. Pode se retirar, Snape. Esta conversa acabou.

Aquela discussão foi interrompida por suaves batidas na porta, que antecederam a entrada de Lily. A ruiva exibia um sorriso nos lábios, que morreu no instante em que ela notou o clima pesado do quarto. Não era preciso fazer perguntas para entender que Severus havia contado a verdade e Emmeline reagira da pior maneira possível.

- É verdade? Nós dois...?

Quando a curandeira voltou a atenção para a amiga, era notável que Emme tinha alguma esperança de que Lily desmentisse toda aquela história absurda e acusasse Snape de querer prejudicar a família de Sirius. A ruiva engoliu em seco e lançou um olhar tenso para o sonserino antes de confirmar com um movimento de cabeça.

- Você acordou muito confusa e fragilizada, por isso não tivemos coragem de contar antes. Alteraram a sua memória para que você acreditasse que estava com o Sirius. Mas sempre foi o Severus, Emme. Vocês estavam bem, então é uma questão de tempo até que...

- As coisas não vão voltar a ser como antes.

A voz de Emmeline soou firme, dando a sentença mais temida por Snape. Mais uma vez, a moça abandonou suas qualidades lufanas quando completou de forma impiedosa.

- Eu não sei explicar como isso aconteceu, mas não pretendo cometer os mesmos erros de novo. É claro que não vou privar o meu filho de ter um “bom” pai, caso o Snape queira este papel. Mas é só isso.

- Emme... – Lily lançou um olhar piedoso ao professor antes de continuar – Não diga isso. Você está sendo injusta, ele...

A ruiva foi interrompida por uma lufana furiosa, que apontou na direção de Severus e ergueu a voz, explodindo de uma forma nada comum para sua personalidade sempre tão dócil.

- Injusta??? Eu acabei de descobrir que terei um filho de um homem por quem não sinto nada além de desprezo e repulsa! Ele soltou a verdade sobre mim como se fosse uma bomba e ainda teve a indelicadeza de me ameaçar!

Ao ver os rumos perigosos daquela conversa, Lily deu as costas à amiga e se voltou para Severus. A Sra. Potter segurou o professor pelo braço e tentou puxá-lo para fora do quarto, numa tentativa de poupar Snape de mais aquele sofrimento.

- É óbvio que este não é um bom momento para vocês conversarem. Vá, Severus. Eu vou falar com ela. – Lily não parecia muito certa das próprias palavras – Vai ficar tudo bem.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Dominic Sjogren em Dom Maio 08, 2016 4:33 am

Um sorrisinho irônico e descrente surgiu nos lábios de Regulus quando o irmão mais velho afirmou que não havia um relacionamento amoroso entre ele e Alexia. Para o caçula, era praticamente impossível acreditar naquela confissão. Era difícil crer que um homem e uma mulher jovens e solteiros sairiam para jantar sozinhos em uma noite de sábado sem que o encontro tivesse nenhum tipo de segundas intenções. Ainda mais conhecendo a fama de galanteador do irmão mais velho.

Por mais que os dois bruxos tivessem estreitado os laços de amizade nos últimos anos, Regulus ainda não conseguia enxergar nenhum outro pretexto para que Alexia e Sirius estivessem juntos no restaurante naquela noite.

A maior razão para a descrença de Regulus era o completo desconhecimento sobre a existência de Aria. O ex-comensal jamais imaginaria que, além da amizade, agora Sirius e Alexia tinham algo em comum e que o encontro daquela noite tinha a única motivação de promover a felicidade da filha de Alexia e da sobrinha de Sirius.

- Ok. Você realmente não precisa me dar satisfações sobre isso. Como você mesmo disse, eu fiz a minha escolha quando abandonei a minha antiga vida.

Por mais que ele soubesse que não tinha o direito de ficar irritado com aquele possível relacionamento, os ciúmes eram mais fortes que qualquer outro sentimento. Regulus sentia arrepios de repulsa se espalharem por sua pele ao imaginar Alexia e Sirius juntos e felizes.

Regulus já estava prestes a dar as costas ao irmão quando Sirius estendeu a mão em sua direção. Aquele gesto fez com que o caçula estancasse, como se tivesse sido petrificado pelo grifinório.

Era impossível ignorar o significado daquele momento. Durante anos, Regulus desejou que o irmão mais velho lhe estendesse a mão e o arrancasse daquele pesadelo. No fim das contas, o ex-comensal havia saído sozinho daquele inferno, mas nem por isso conseguia ignorar o lugar vazio que Sirius deixara em seu coração. A amizade que o primogênito agora oferecia era um presente que Regulus desejava desde sempre, mas que imaginava ser inalcançável.

Talvez fosse o pior momento possível, mas ainda assim Regulus não conseguiu desprezar a oferta do irmão. O caçula queria estrangular Sirius por pensar que o primogênito dos Black havia conquistado Alexia, mas ao mesmo tempo era incapaz de ignorar a falta que sentia dele.

Depois de uma pequena guerra interna, um suspiro pesado escapou dos lábios de Regulus e ele repetiu o gesto do irmão mais velho. Os dois Black uniram as mãos em um aperto firme, colocando fim em uma guerra que nenhum dos dois jamais desejara de fato.

- Eu realmente não sei como vamos fazer isso. Mas acho válido fazermos ao menos uma tentativa.

Era muito difícil tomar aquela atitude, mas Regulus reuniu toda a sua coragem e a sua nobreza antes de completar.

- Eu não vou negar o quanto gosto dela, mas não quero interferir na situação de vocês. Eu perdi qualquer direito que tinha sobre a Lex quando a incluí no mundo que eu abandonei.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Dom Maio 08, 2016 4:34 am

Snape vinha vivendo aquele pesadelo há tempo demais para conseguir acreditar na promessa vazia de Lily. Ele jamais havia presenciado Emmeline daquela forma, mas cada uma de suas palavras atingiram como facadas, tão doloroso quanto ser vítima da maldição Cruciatus.

Mesmo depois que havia sido expulso do quarto e se vendo sozinho no corredor dos Potter, Severus não conseguia respirar. Seus dedos longos estavam trêmulos e a testa franzida. Ele precisou se apoiar contra a parede, duvidando que as pernas aguentassem o peso de seu corpo por muito mais tempo.

A voz de Emmeline continuava a ecoar em sua cabeça, acompanhada da risada debochada de Mundungus, como se o ladrão já tivesse previsto aquele momento desde o começo. Severus sentia como se uma mão gigante estivesse apertando seu pescoço, fazendo sua garganta queimar e sufocar.

Snape apoiou a cabeça contra a parede e encarou o teto, tentando desesperadamente acalmar os nervos e puxar o ar de volta aos pulmões, mas só o que conseguia sentir eram os bons momentos ao lado de Jenner desaparecendo pouco a pouco, lhe afundando novamente na solidão que ele acreditava ter ficado no passado.

Era desesperador saber que o namoro ao lado da curandeira havia chegado ao fim, logo no momento em que os dois começariam a construir uma família. Não importava que a Sra. Potter dissesse que tudo ficaria bem. Um feitiço de memória era praticamente irreversível, de modo que a lufana jamais se lembraria dos bons momentos vividos juntos. Aos olhos da curandeira, ele era o velho sonserino que não merecia nem mesmo sua gentileza.

Sentindo a frustração invadir seu corpo, Severus parecia estar mergulhado em um mar gelado, onde Emmeline era sua tábua de salvação e que era arrancada de seus braços. Sem ela, ele estaria novamente envolvido na escuridão.

As pálpebras de Snape fecharam com força os olhos negros e ele bateu levemente a parte de trás da cabeça contra a parede, repetidas vezes, como se tentasse a qualquer custo acordar daquele pesadelo.

Quando os olhos negros voltaram a encarar o teto dos Potter, Snape estava convencido que não teria mais Emmeline de volta. Era doloroso demais, mas ele ainda tinha um filho a caminho, a única motivação em se manter são.

Snape ainda estava encostado contra a parede quando Lily deixou o quarto, fechando a porta atrás de si. Apesar dos caminhos opostos que suas vidas acabaram tomando, a amizade antiga entre os dois permitia a Severus identificar que a Sra. Potter também estava triste com aquela situação.

- Ela só precisa de mais tempo, Severus... Seria difícil para qualquer um, é ainda pior com todos os hormônios da gravidez.

- Não precisa me consolar, Lily.

Pela primeira vez em anos, Snape não tentou manter uma máscara diante da velha amiga. Ele continuou encostado no corredor, o pescoço inclinado para cima e a expressão derrotada em seu rosto.

- Emmeline deixou bastante claro o que pensa de mim. Eu não tenho a menor intenção de estar com alguém que sente repulsa. Você, mais do que ninguém, sabe como é desprezar alguém como eu.

A ruiva chegou a abrir a boca para se defender, mas Snape ergueu a mão, pedindo para que ela se calasse.

- Eu não pretendo voltar. A última coisa que quero é que minha presença prejudique o bebê, mais do que a Bellatrix já fez. Apenas certifique de que ela fique bem. Se precisar de qualquer coisa, me envie uma coruja.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Dom Maio 08, 2016 2:59 pm

Reestabelecer um relacionamento com o irmão ia muito além do que Sirius havia esperado para aquela noite. Apesar do grande desejo de que Regulus pudesse baixar a guarda para aquela oportunidade única, no fundo, o Black mais velho achava pouquíssimo provável ser bem recebido, mas se sentiu imensamente feliz no instante em que ele retribuiu o aperto de mão.

Um sorriso satisfeito apareceu nos lábios de Sirius e ele meneou a cabeça em aprovação. Era incrível que, após anos acreditando que o irmão estivesse morto, eles finalmente pudessem deixar o passado turbulento para trás e começar do zero.

- Podemos começar com você mostrando que tipo de bebida eles servem no mundo trouxa.

Quando as mãos se soltaram, Sirius voltou a enfiar seus dedos no bolso da jaqueta e fez uma careta forçada de espanto, deixando claro que estava encenando aquela surpresa.

- Você está mesmo há cinco anos sem uma cerveja amanteigada? Como isso é possível?

O último comentário de Regulus, entretanto, fez com que Sirius reassumisse a postura mais séria, soltando um suspiro pesado. Ele poderia continuar insistindo no quanto seu relacionamento com Alexia estava longe de ter qualquer característica romântica, mas duvidava que o irmão estivesse disposto a acreditar.

- Eu não vou provocar a minha sorte e dizer que você deveria tentar conversar com ela, mas você deveria pelo menos pensar no assunto.

***

Mesmo que a guerra não fosse mais uma realidade nas ruas bruxas, Alexia estranhava andar no Beco Diagonal e encontrar tantas famílias felizes entretidas em suas compras, aproveitando o dia quente da primavera.

Como as férias escolares ainda não haviam chegado, a movimentação das lojas estava tranquila o suficiente para que ela pudesse andar lado a lado de Aria, mantendo a mãozinha da filha unida a sua. A menina andava aos pulinhos, empolgada com a ideia de passar a tarde passeando para escolher seu presente de aniversário.

Para a criança, era sempre incrível admirar as vitrines que se enfileiravam na calçada do Beco Diagonal e era fácil notar o brilho nos olhos cinzentos. Presa em sua ingenuidade, a pequena Aria jamais perceberia o conflito interno que a mãe vivia, ainda relembrando cada detalhe do reencontro com Regulus Black.

Embora se esforçasse para sorrir e entreter a filha, intimamente Alexia se sentia angustiada, ainda se adaptando naquele novo mundo em que o pai de Aria estava vivo.

- Mamãe, depois de comprar o meu presente, podemos tomar sorvete?

Os olhinhos cinzentos estavam fixos na calçada da Florean Fortescue com tanto interesse que foi impossível não sorrir com mais sinceridade.

- Hoje podemos fazer tudo o que você quiser. Mas tente não abusar, está bem? Amanhã vamos ter a casa cheia com todo mundo que quer comemorar o aniversário com você.

- O tio Sirius também vai?

- Lógico que vai... – Os olhos de Alexia passeavam pelas vitrines, na busca de algo que chamasse sua atenção para presentear a filha.

- E a Ginny?

- Também vai.

Aria começou a fazer uma lista de pessoas para se certificar de que todos os seus amiguinhos estariam presentes, e Alexia já respondia automaticamente quando parou em frente a uma loja de roupas. Ela estudava um vestidinho delicado que ficaria perfeito para a filha usar no dia seguinte, quando percebeu o silêncio da criança.

Foi menos de um minuto depois que Alexia girou a cabeça ao redor, se encontrando sozinha. Seu coração falhou uma batida, mas ela tentou manter a voz calma quando passeou os olhos pela calçada.

- Aria? Aria, volte aqui.

Alexia deu um passo em direção da rua e forçou a vista entre as pessoas que passavam, sentindo o coração acelerar. Não havia nenhum sinal dos olhos cinzentos, nem mesmo o reflexo nos longos cabelos negros com cachinhos nas pontas. Já sentindo o ar escapar dos pulmões, ela voltou a olhar para o interior da loja, na esperança de que Aria tivesse entrado naquele minuto de distração.

O chão sumiu de seus pés enquanto o desespero assumia seu corpo. Sentindo-se desnorteada, Alexia ainda cambaleou por alguns metros, puxando pessoas aleatórias, perguntando sobre a filha. Foi preciso um minuto de calma para que ela conseguisse conjurar um patrono, pedindo a ajuda de Sirius Black.

Em menos de cinco minutos, a figura de Black surgiu entre as pessoas que passeavam no Beco, e seu rosto também refletia o mesmo desespero de Alexia.

- O que aconteceu???

Alexia sentia a garganta queimar e as mãos tremiam descontroladamente. Ela sacudiu a cabeça enquanto deixava algumas lágrimas escorrerem pelo rosto pálido.

- Eu não sei, eu parei por um minuto e ela sumiu! E se alguém levou o meu bebê, Sirius???

O rosto do homem girou de um lado ao outro, em uma tentativa tola de encontrar Aria por perto, como se Alexia não tivesse procurado direito.

- Ela pode ter só se distraído e acabou se perdendo. Vamos procurar mais um pouco, se não encontrarmos, eu peço ajuda ao Prongs, está bem?

Alexia confirmou com um aceno da cabeça enquanto tentava engolir o próprio choro. A busca começou pela sorveteria que Aria havia demonstrado interesse, mas nem os funcionários e nem os clientes haviam visto uma criança sozinha por ali. Praticamente cada uma das lojas do Beco Diagonal haviam sido visitadas, mas não havia sinal de Aria, como se a menina tivesse desaparatado para longe.

O sol já começava a se pôr quando não havia mais motivos para tentar manter o controle. Aria estava desaparecida e só o que Alexia conseguia pensar era que deveria ter tido mais atenção, pensando em um milhão de possibilidades para onde a filha poderia estar, se estaria com medo ou se estaria bem.

- Eu vou chamar o Prongs. – Sirius ergueu a varinha quando os dois finalmente pararam, já sem lugar novo para procurar. – Nós já procuramos tudo, mas ele pode nos ajudar.

Alexia contorcia as mãos, olhando a todo canto na esperança de que Aria surgisse a qualquer minuto, quando seus olhos capturaram a entrada discreta, quase escondida, da Travessa do Tranco. Seu coração deu um salto e, intimamente, ela torcia para que Aria não tivesse naquele caminho tão sombrio, mas ainda era uma chance de rever a filha.

- Ainda falta procurar em um lugar...

Sem se explicar, Alexia atravessou a rua na direção da Travessa, mas antes que alcançasse aquele canto sombrio do Beco, ela sentiu a mão de Sirius lhe agarrar pelo braço, impedindo de continuar.

- Você está louca? Está quase anoitecendo, Lexie. A Travessa está longe de ser o Beco, você vai se perder aí dentro.

- Se a minha filha estiver perdida aí, eu não me importo!

Sirius espremeu os lábios e encarou a rua escura que dava início à Travessa. Apesar da guerra ter chegado ao fim, aquilo não significava que todas as pessoas haviam ficado repentinamente boazinhas. Ainda havia uma boa parcela de bruxos que se dedicavam as artes das trevas. Era assustador demais a possibilidade de Aria estar perdida ali dentro, mas ele duvidava que Alexia conseguisse ajudar em alguma coisa se acabasse se metendo em algum outro problema.

- Eu tenho uma ideia... – Sirius começou, encarando a amiga com um olhar cauteloso. – Mas você não vai gostar.

- Qualquer coisa que traga minha filha de volta.

A expressão chorosa de Alexia deu a Sirius a coragem suficiente para verbalizar sua ideia um tanto inusitada.

- Regulus pode ajudar.

Os olhos de Alexia se arregalaram e ficou evidente em seu rosto que ela não estava tão disposta a qualquer coisa. Antes que ela tivesse a chance de se soltar de sua mão e invadir a Travessa do Tranco sozinha, Sirius se apressou em continuar.

- Ele conhece esse lugar melhor que nós dois juntos, Lexie. Vai levar metade do tempo para percorrer tudo. E se a Aria não estiver aí, precisamos logo descartar esta possibilidade e procurar em outros lugares, não acha?

A última coisa que Alexia queria era contar com a ajuda de Regulus, muito menos trazê-lo para a vida de Aria. Mas se aquilo significava que ela teria alguma chance de rever a filha, era um risco que estava facilmente disposta a correr.

- Está bem. Mas se o Regulus precisa saber, eu mesma devo contar para ele.

Sirius sequer cogitou questionar aquela imposição. Sem dizer uma palavra, ele esticou o braço na direção de Alexia, guiando a aparatação, já que ela não conhecia o apartamento trouxa que Regulus vivia.

Na Londres trouxa, o sol já havia deixado os céus, e Alexia estava angustiada demais para reparar na simplicidade do lugar quando Sirius tomou a dianteira e bateu na porta do apartamento de Regulus.

Mesmo vivendo um pesadelo, ainda era surpreendente encarar o rosto do velho amigo depois de anos acreditando que ele estava morto. Apenas o desespero em ter a filha de volta lhe deu forças para ignorar aquele fantasma e encarar Regulus com seriedade.

- Eu preciso da sua ajuda.

Não havia tempo para sofrer pelo orgulho ferido. Ainda parada no corredor, atrás de Sirius, Alexia encarou Regulus por cima do ombro do Black mais velho.

- E não ouse me mandar embora. – Com poucos passos, Alexia atravessou o curto espaço até estar ao lado de Sirius, encarando Regulus de frente. – Eu faço questão de voltar a te ignorar depois disso, e você pode voltar para a sua vidinha patética, como preferir. Mas a minha filha pode estar perdida na Travessa do Tranco, Regulus...

Em um soluço, a postura arredia de Alexia se desmanchou e ela deixou transparecer o desespero que estava sentindo. Sabendo que o irmão provavelmente não estava entendendo nada daquela conversa, Sirius suspirou, apoiando a mão no ombro da amiga para que ela se acalmasse.

- Nós não pediríamos sua ajuda se não fosse mesmo importante, Regulus. A Lexie estava passeando com a filha no Beco Diagonal quando ela se perdeu. A gente já revirou tudo e achamos que ela pode ter entrado na Travessa.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Dom Maio 08, 2016 4:43 pm

Contrariando as expectativas de Lily, o tempo não contribuiu para a resolução do problema entre Severus e Emmeline. Vários curandeiros de confiança avaliaram a colega e o próprio Dumbledore obteve a permissão de Jenner para tentar recuperar alguma coisa em sua memória, mas o estrago causado pelos Lestrange fora grande demais e definitivo.

Rodolphus não tinha somente escondido as lembranças de Emmeline dos últimos meses. O comensal havia simplesmente destruído aquela parte da memória da loira e colocara por cima do terreno infértil as lembranças falsas. A pedido de Jenner, Dumbledore retirara da cabeça dela todas aquelas recordações de momentos que nunca tinham acontecido, transformando o último ano em um grande vazio.

Apesar daquele vácuo de lembranças, Emmeline se sentiu melhor quando tudo acabou. Era tolice se apegar a um passado falso e continuar nutrindo sentimentos por Sirius quando os dois não eram nada além de bons amigos.

A gravidez foi a única coisa que impediu que Jenner se entregasse à melancolia depois de tantos traumas. Aquela criança já havia sofrido demais e Emmeline sentiu-se na obrigação de compensar o filho, esforçando-se para que nada mais o atingisse negativamente durante o restante da gestação.

Mesmo que não se lembrasse da concepção e ainda estivesse desconfortável em pensar na identidade do pai daquela criança, Jenner não teve nenhuma dificuldade para amar aquele bebê. Cada dia trazia consigo uma nova descoberta e fazia com que Emmeline se apaixonasse cada vez mais pela maternidade e por aquele serzinho que crescia dentro dela.

Conforme o prometido, Snape honrou a palavra e não procurou mais pela ex-namorada. A ausência dele dava à Emmeline toda a tranquilidade que ela precisava para enfrentar aquele momento, mas ao mesmo tempo parecia aumentar o vazio que existia dentro dela. Jenner nem saberia explicar do que sentia falta visto que não se lembrava dos bons momentos ao lado de Severus, mas seu coração não se deixava enganar tão facilmente e sofria por aquela ausência.

Depois do trágico sequestro e por causa da gravidez, Emmeline se manteve mais afastada da Ordem da Fênix nas semanas que se seguiram. É claro que ela ainda apoiava o grupo de Dumbledore e continuava colaborando sempre que alguém necessitava de suas habilidades de curandeira, mas a loira deixou de ser uma presença constante nas reuniões e principalmente nas missões arriscadas da equipe.

Exatamente por isso, Emmeline foi recebida n’A Toca com surpresa e comoção quando apareceu na reunião agendada para aquela noite. A curandeira estava afastada há cerca de seis meses, mas compareceu à casa dos Weasley a pedido de Dumbledore visto que uma das pautas da reunião seria o acidente ocorrido com Moody em uma das últimas missões.

Como de costume, Severus Snape foi o último a chegar à casa dos Weasley. A entrada dele na cozinha gerou algum desconforto nos presentes e o professor de Poções entenderia a razão daquele mal estar no instante em que seus olhos capturassem uma presença inesperada na mesa.

Os últimos seis meses haviam sido generosos com Emmeline Jenner. A curandeira havia recuperado o peso perdido durante o sequestro e também o ar saudável que sempre tivera. Seu rosto não exibia mais aquela palidez preocupante, as bochechas tinham recuperado a coloração rosada e os olhos cor de mel também exibiam o brilho da vitalidade.

Naquela noite, os cabelos claros estavam soltos e a única maquiagem usada por Emmeline era uma coloração rosada nos lábios. Mas a verdade é que não havia necessidade de usar mais nada além disso. Os hormônios da gravidez foram generosos com a curandeira, dando a ela uma pele lisa e macia e deixando seus cabelos mais sedosos. Jenner parecia ter amadurecido muito nos últimos meses, trocando aquele ar de menina pelos traços de uma mulher.

O único detalhe preocupante na aparência de Emmeline era que a loira não parecia estar grávida. A gestação já chegava ao sétimo mês, mas a moça sentada à mesa dos Weasley definitivamente não parecia estar num estágio tão avançado de gravidez. O rosto e o pescoço continuavam finos, assim como os braços de Jenner apoiados sobre a superfície da mesa. Havia uma discreta diferença no volume ocultado pelo decote do vestido preto, mas nada além disso.

- Como está o nosso paciente? – Dumbledore deu início à reunião, colocando um fim no constrangimento gerado por aquele reencontro.

- Eu devo confessar que Alastor Moody é o pior paciente de todos os tempos.

As palavras de Jenner arrancaram sorrisos dos colegas, que conheciam muito bem a personalidade excêntrica do chefe dos aurores.

- Não se sinta privilegiada. – Potter brincou com a curandeira – O Olho-Tonto se esforça muito para ser o pior em tudo que ele se dispõe a fazer.

- Alastor está muito bem, imagino que estará totalmente recuperado até o fim da semana. Mas ele não consegue esconder a decepção por não ter perdido nenhuma parte do corpo desta vez. Eu confesso que sinto vontade de arrancar o outro olho dele para que Moody valorize mais o duelo.

- Ah não, Emme, por favor! – James fez uma careta divertida – Um olho mecânico já faz muito estrago! Imagine o Moody girando dois olhos em todas as direções!!!

- Eu ainda acho que ele usa aquele olho para nos ver pelados. – Sirius fez sua sábia contribuição à discussão.

- Pelo fio mais oculto das barbas de Merlim!!! – James intensificou a careta – Eu poderia morrer sem visualizar esta cena, Padfoot! Muito obrigado!

- Sempre às ordens, Prongs.

A pedido de Dumbledore, Jenner deu mais detalhes sobre a recuperação de Alastor e sobre os tipos de feitiços que atingiram o auror em seu último duelo com Comensais da Morte. Depois daquela breve conversa sobre Olho-Tonto, a reunião abordou outros temas e Albus quis mais detalhes sobre todas as missões em andamento.

Durante toda a reunião, os olhos cor de mel evitaram a direção da cadeira ocupada por Severus Snape. O tempo havia abrandado a raiva que Emmeline sentira dele no dia da revelação da verdade, mas ela ainda se sentia constrangida em pensar que havia um passado entre os dois. Era extremamente desconfortável estar grávida de um homem e não se lembrar de nenhum relacionamento entre eles.

Quando Dumbledore finalmente finalizou o encontro daquela noite, Emmeline soltou um suspiro aliviado e foi a primeira a arrastar a cadeira para longe da mesa. A pressa dela não tinha nenhuma relação com o desejo de sair da casa dos Weasley e o olhar urgente que ela lançou à dona da casa chegava a ser cômico.

- Preciso usar o seu banheiro, Molly.

As palavras de Emmeline foram sussurradas de forma discreta, mas o colega sentado ao lado da curandeira definitivamente não havia nascido com a importante qualidade da discrição.

- Noooossa, eu ainda me lembro da Lily grávida! Não podíamos sair de casa por meia hora sem que ela me colocasse louco para achar um banheiro.

- Obrigada, James. – os olhos cor de mel giraram – Agora todos conhecem a minha frequência miccional.

- Ele jamais vai entender como é ter alguém usando a bexiga dele como uma cama elástica. – Lily Potter fuzilou o marido com um olhar.

Como Emmeline realmente não conseguiria adiar por muito mais tempo a sua visita ao banheiro, a curandeira abandonou aquela discussão e colocou-se de pé. Agora que o tampo da mesa não escondia mais a parte inferior do tronco de Jenner, a gravidez se tornava gritante. Praticamente todo o peso que Emmeline ganhara com a gravidez havia se acumulado somente na barriga roliça e nem mesmo o tecido preto do vestido era capaz de esconder o volume.

- Vai ficar para o jantar, querida? – Molly perguntou enquanto se levantava para servir os colegas.

- E eu tenho escolha, Molly? – Emmeline brincou antes de sair da cozinha – O cheiro me fez salivar a reunião inteira!
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Re: Veritaserum

Mensagem por Dominic Sjogren em Dom Maio 08, 2016 8:42 pm

“Acrescente duas colheres de fermento e misture bem...”

Os olhos cinzentos se desviaram do pequeno televisor da cozinha e Regulus concentrou toda a sua atenção na bacia na qual ele preparava a receita de uma torta de legumes. Aquele era o dia de folga de Edgar Jones e, contrariando todas as expectativas para um jovem solteiro, o rapaz planejava ficar em casa. Cozinhar podia ser uma tarefa inferior demais para um bruxo tradicional, mas aquele hábito acabara se tornando um passatempo para o herdeiro dos Black. Naquela noite de folga, ele não queria nada além de um jantar simples, uma garrafa de cerveja e um bom filme na televisão.

A massa que se transformaria na torta de legumes começava a adquirir uma forma interessante quando Regulus escutou as batidas na porta do pequeno apartamento no qual ele morava sozinho. Os lábios do rapaz se curvaram numa careta de desagrado, mas ele seguiu na direção da porta imaginando que se livraria com facilidade de um vendedor inconveniente.

Black ainda secava as mãos em uma toalha quando girou a maçaneta e deu de cara com Sirius. Inicialmente, o caçula viu apenas o irmão, visto que Alexia estava totalmente escondida pelos ombros largos do Black mais velho.

- Oi? – uma das sobrancelhas escuras se arqueou – Não esperava ver você hoje...

A surpresa de Regulus aumentou de tamanho quando a voz de Alexia soou por trás dos ombros de Sirius. O rapaz recuou um passo, numa típica postura defensiva, mas nada o prepararia para o golpe lançado pela ex-namorada. Quando Alexia mencionou uma filha, Regulus teve a sensação de que um punho anormalmente pesado atingia em cheio o seu estômago, deixando-o sem ar e sem reação.

Alexia tinha uma filha. Esta informação fez com que o mundo de Black girasse de ponta cabeça. Regulus sabia que já havia perdido Alexia, mas aquela novidade tornava aquela perda ainda mais definitiva.

Mesmo com a cabeça trabalhando agilmente para digerir aquela novidade, Regulus ainda não entendia de onde havia vindo aquela criança. Talvez ainda fosse um fruto do antigo casamento com Avery, ou quem sabe fosse o resultado de algum relacionamento de Alexia nos últimos cinco anos. O estômago do rapaz se revirava com a hipótese daquela criança ser sua sobrinha, mas Regulus sabia que não podia descartar tal possibilidade. Isso explicaria com perfeição a proximidade entre Alexia e Sirius.

Ironicamente, a única hipótese que não passou pela cabeça de Regulus foi justamente a verdadeira. Em nenhum momento, Regulus imaginou que a filha de Alexia poderia ser o fruto do relacionamento proibido entre os dois melhores amigos.

Mesmo que aquela novidade ainda não estivesse bem digerida pelo herdeiro dos Black, Regulus não perdeu tempo com questionamentos. Havia a possibilidade de uma criança pequena estar perdida na Travessa do Tranco e isso era um fato extremamente preocupante. Mesmo com o fim da guerra, ainda existiam bruxos de índole duvidosa e aquela porção sombria do Beco Diagonal certamente era um local ideal para concentrar as piores mentes do mundo da magia. Mesmo confuso e magoado com mais aquela traição, Regulus jamais teria coragem de negar a sua ajuda no resgate de uma criança inocente.

Sem dizer nenhuma palavra, o Black caçula deu as costas aos dois e retornou para o interior do apartamento. Os olhos de Sirius se estreitaram quando ele pensou que o irmão recusaria ajudá-los, mas o primogênito relaxou quando Regulus retornou à porta segurando uma varinha velha retirada do fundo de uma gaveta.

- Imagino que já tenham procurado em todo o Beco Diagonal... – o caçula fechou a porta atrás de si, já pronto para sair.

- Em todos os cantos. – Sirius confirmou com um breve aceno de cabeça – Só falta a Travessa. Mas nem Alexia nem eu conhecemos bem o local.

Não havia tempo para questionar a paternidade da criança, muito menos para julgar a falta de cuidado de Alexia ao perder a menina de vista. Se a garotinha realmente estivesse na Travessa do Tranco, cada minuto perdido era valioso e podia significar a sobrevivência daquela criança inocente.

A varinha que salvara a vida de Regulus não era usada há cinco anos, mas Black mostrou que não havia se esquecido de sua antiga vida quando usou a varinha para aparatar e chegou exatamente ao local que desejava. Seus pés pousaram nas ruas de pedras do Beco Diagonal, bem em frente à discreta ruela que levava à Travessa do Tranco.

O sol já havia se posto e, mesmo com a iluminação das calçadas e das fachadas das lojas, o Beco Diagonal já estava bastante sombrio. Algumas poucas pessoas ainda caminhavam pelas calçadas, mas ninguém deu atenção ao trio parado em frente à entrada da Travessa do Tranco. Regulus guardou a varinha no bolso, mas tomou o cuidado de deixá-la ao alcance de seus dedos. Como ex-comensal, Black sabia bem os perigos que existiam num “passeio” na travessa à noite.

- Vocês ficam aqui. Eu volto em quinze ou vinte minutos. Se eu não voltar neste intervalo, acionem os aurores.

Antes que Alexia pudesse discordar daquele acordo, o caçula dos Black pousou as íris cinzentas nela e completou com entonação firme.

- Você pediu a minha ajuda e eu vou ajudar, mas terá que ser do meu jeito. Eu conheço a Travessa e sei me virar sozinho pelos becos daqui. Mas eu não posso garantir nada se, além de me defender, tiver que salvar você e o Sirius. Portanto, vocês dois ficarão aqui, em segurança, enquanto eu tento resolver este problema.

Embora não gostasse da ideia de permanecer em segurança enquanto o caçula arriscava a própria pele, Sirius concordou com aquele plano. A prioridade era resgatar Aria e, se Regulus dizia que seria mais fácil sem eles, só restava a Sirius concordar com o irmão mais novo.

- Vinte minutos. – Sirius repetiu – Se você não voltar em vinte minutos e um segundo, vou mandar um patrono ao Prongs.

- Vou precisar de um nome.

- Aria. – Sirius respondeu por Alexia – Ela tem quatro anos, cabelos escuros com as pontas cacheadas, estava usando um vestidinho verde com casaco e meias brancas.

A descrição era dispensável visto que Regulus não achava que haveria duas meninas perdidas na Travessa do Tranco. Mas as características da pequena Aria atiçaram ainda mais a curiosidade de Black. Quatro anos. Isso definitivamente não descartava nenhuma das possibilidades. Aria podia ser filha do ex-marido de Alexia, podia ser fruto da aproximação entre Alexia e Sirius ou podia ter vindo de qualquer outro relacionamento da mãe.

- Certo. Eu já volto.

Depois de acertado aquele trato, Regulus deu as costas a Sirius e Alexia e adentrou os limites da perigosa Travessa do Tranco. Cinco anos tinham se passado desde a última vez que o caçula dos Black estivera naquele local, mas por sorte pouca coisa havia mudado. As lojas ainda eram as mesmas, assim como os rostos esquisitos que circulavam pelas calçadas sombrias.

Não valia a pena abordar nenhuma daquelas pessoas para perguntar sobre o paradeiro de Aria. Regulus sabia muito bem que não encontraria ali ninguém disposto a ajudar e, portanto, era melhor não espalhar a notícia de uma criança perdida. Sem mais alternativas, Regulus não viu outra saída senão procurar sozinho pela filha de Alexia.

Sempre com os ouvidos e olhos atentos, Regulus circulava rapidamente pelas conhecidas calçadas em busca de qualquer pista que pudesse levá-lo até Aria. Como conhecia bem a Travessa do Tranco, o caçula dos Black sabia muito bem os locais que deveria evitar e os pontos mais propícios para alguém que porventura quisesse se esconder.

Quinze minutos já tinham se passado e Regulus estava prestes a retornar ao ponto de encontro quando, passando por um pequeno vão que separava duas construções, seus ouvidos captaram o som de um discreto soluço. Os olhos cinzentos observaram tudo ao redor e ele só se aproximou do ruído quando teve certeza de que ninguém acompanhava seus passos.

- Aria...?

A voz grave de Regulus soou num sussurro e ele se agachou diante do pequeno espaço entre as paredes das duas lojas. Um adulto jamais conseguiria entrar ali, mas parecia haver espaço o suficiente para acomodar uma garotinha de quatro anos.

- Você está aí, Aria? Meu nome é Regulus, eu sou amigo da sua mamãe. Ela me pediu para te procurar depois que você se perdeu...

O coração de Black se acelerou quando, em meio às sombras, ele percebeu um movimento na direção que encarava. Foi impossível conter o sorriso de alívio ao escutar a vozinha da criança.

- Você é amigo da mamãe? Eu não conheço você.

- Eu sei. É porque eu moro longe daqui. – Regulus estendeu uma mão na direção de onde vinha a voz de Aria – Não tenha medo. A mamãe Alexia e o Sirius estão te esperando logo ali na frente, eu te levo até eles.

A menção aos nomes da mãe e do tio foi o bastante para que Aria começasse a confiar naquele estranho. A garotinha também estava com tanto medo que não pensou duas vezes antes de entregar sua mãozinha a aquele adulto que lhe oferecia ajuda. Regulus a puxou delicadamente para fora do vão e sorriu para ela quando Aria finalmente saiu das sombras.

A menina se encaixava com perfeição na descrição feita por Sirius. Aria parecia ter por volta dos quatro ou cinco anos, possuía os mesmos cabelos negros da mãe, inclusive com os cachinhos nas pontas. O vestidinho verde já estava sujo depois daquela “aventura” na Travessa do Tranco, mas Aria estava inteira e não havia nem mesmo um arranhão em sua pele macia.

Contudo, o detalhe que mais intrigou Regulus foi a cor acinzentada das íris. Ali estava a resposta para as perguntas que o atormentavam desde que Alexia mencionara a existência de uma filha. Regulus jamais vira aquela cor incomum nos olhos de qualquer um que não carregasse o sangue dos Black. Portanto, era fácil concluir que a melhor amiga e o irmão mais velho estavam juntos mesmo antes do fim da guerra.

Apesar da mágoa e da certeza de que fora traído, Regulus não conseguiu transferir aqueles sentimentos negativos para a menina. Aria era apenas uma garotinha inocente e foi impossível para o caçula dos Black não se derreter por ela. A filha de Alexia com Sirius era a prova de uma terrível traição, mas também era uma criança adorável que tinha o poder de aquecer o coração do “tio”.

- Eu vou te carregar, está bem? Assim chegaremos mais rápido até a sua mamãe.

Aria concordou docilmente e não se opôs quando Regulus a puxou para seus braços. As mãozinhas se agarraram ao casaco do rapaz e a menina deitou a cabeça no peito dele enquanto Black caminhava com passos rápidos pelas calçadas escuras da Travessa. Aria ainda estava firmemente agarrada ao desconhecido quando os pés de Regulus alcançaram o Beco Diagonal. Sirius os avistou antes de Alexia e soltou um grunhido de alívio antes de correr na direção deles.

- Por todos os profetas, você a encontrou!!! Aria, você está bem??? Mamãe e eu estávamos muito preocupados!!!

Ao escutar a voz conhecida, Aria finalmente soltou o casaco de Regulus e estendeu os braços para Sirius, que puxou a garotinha para seu colo já enchendo-a de beijos.

- Você está dodói, querida???

- Não, tio. Mas tô com fome.

- Tio...?

Regulus repetiu a palavra usada por Aria com uma nítida confusão. Ele estava tão convencido de que Sirius era o pai da menina que demorou a entender o significado daquela expressão.

Quando finalmente a realidade se escancarou diante dos olhos do caçula dos Black, ele recuou alguns passos. Toda a cor sumiu do rosto de Regulus e ele sentiu o ar escapando de seus pulmões. O rapaz parecia um fantasma quando procurou desesperadamente pelos olhos de Alexia, buscando pela confirmação de suas suspeitas.

- Ela... ela é minha... – a última palavra não ecoou, os lábios de Regulus somente articularam as sílabas sem emitir nenhum som - ... filha?
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Seg Maio 09, 2016 12:20 am

Se alguém desse a opção para Severus escolher entre uma reunião da Ordem da Fênix ou uma semana inteira de indisposição por intoxicação alimentar, ele não hesitaria em escolher a doença. Durante muito tempo, aqueles encontros causavam um extremo desconforto ao professor, que faria qualquer coisa para não estar no mesmo cômodo que Potter e Black.

Contudo, a presença dos aurores havia se tornado o menor dos problemas em sua vida. O tempo longe de Emmeline despertou em Snape uma depressão jamais experimentada antes. Seus olhos negros haviam perdido o brilho e ele passara a ficar extremamente desatento, até mesmo quando estava nas masmorras dando aulas.

Infinitos pontos já haviam sido descontados das casas de Hogwarts e até mesmo a Sonserina havia sofrido com o péssimo humor do professor, mas misteriosamente, era a Lufa-Lufa que menos saía prejudicada, como se qualquer ameaça aos alunos de Helga Hufflepufle pudesse atingir Emmeline diretamente.

Não havia um único dia que passasse sem que Severus pensasse na ex-namorada. As noites se resumiam em muitas horas se revirando na cama contra poucas de descanso. Como consequência, olheiras tenebrosas passaram a fazer parte do seu rosto pálido. Era sufocante imaginar Jenner seguindo com a própria vida sem que ele estivesse incluído em seu futuro. Ainda mais assustador saber que ela vivia uma nova descoberta a cada dia sem que ele pudesse acompanhar.

Por mais de uma vez, durante as reuniões que Emmeline não comparecia, Snape se pegava pensando em como a curandeira estaria. Se poderia sentir o bebê chutando ou os desejos de alimentos tão específicos e diferentes, até mesmo se poderia ajudar com uma poção anti-enjôo.

Foi uma imensa surpresa entrar na casa dos Weasley naquela noite e encontrar os olhos cor de mel. Snape ficou tão abalado que ele nem mesmo se importou para as expressões cautelosas que o cercavam, como se ele fosse quebrar a qualquer momento.

Durante todo o tempo, Severus se manteve calado, mas como era comum que o professor de poções não se pronunciasse, ninguém poderia dizer que era consequência da presença de Emmeline. Ao contrário da curandeira, por mais de uma vez os olhos negros procuraram pelo rosto da ex-namorada, tentando estudar suas expressões e descobrir através de qualquer gesto como ela estava.

Não parecia mais haver vestígio dos estragos provocados por Bellatrix, mas Snape sabia que a maior cicatriz daquele sequestro era encarar Jenner e encontrar a mesma curandeira de mais de um ano antes, quando os dois eram completos estranhos.

O golpe final foi quando Emmeline se colocou de pé. Nem mesmo seus anos como espião foram capazes de preveni-lo para aquele momento, deixando evidente em seu olhar o tamanho de sua surpresa e dor ao ver a enorme barriga de Jenner.

As sobrancelhas negras estavam franzidas e Snape chegou a arquear as costas, os dedos pressionando a borda da mesa onde Molly começava a servir o jantar. Ele nem mesmo tentou desviar o olhar da barriga roliça da ex-namorada, quase como se tivesse se esquecido momentaneamente que aquela gestação já estava tão avançada.

Quando Emmeline se afastou, Severus continuou petrificado em seu lugar, o olhar perdido no tampo de madeira da mesa. Os demais presentes começaram a se remexer, desconfortáveis, e alguns chegaram a deixar a cozinha.

Foi apenas quando Lily tocou seu pulso delicadamente, que Snape conseguiu sair de seu transe, voltando a realidade da cozinha dos Weasley.

- Ela está bem. O bebê também está ótimo, sem sequelas.

Snape ainda tinha a testa franzida enquanto encarava a ruiva. Por um lado, ele se sentia grato pela velha amiga compartilhar aquelas informações, mas era inevitável se sentir furioso por depender da Sra. Potter para ter notícias do seu próprio bebê.

- Você deveria tentar se reaproximar, Sev. Como fez da primeira vez. Se Emmeline foi capaz de te amar antes, ela só precisa entender como se apaixonou por você.

O pescoço de Snape girou lentamente até encarar o caminho que Emmeline havia desaparecido. Quando ele finalmente conseguiu responder, a voz saiu sussurrada, para que apenas a ruiva fosse capaz de escutá-lo.

- O problema é que eu não fiz nada. Além do mais, ela já deixou bem claro o que pensa de mim. Não pretendo me humilhar ainda mais.

- E como vai ser, então? Você fica com a criança aos finais de semana, vão dividir feriados? – O tom irônico de Lily não contribuía para a melhora do humor de Snape.

- Como você acha que poderia ser? As coisas já seriam extremamente delicadas se ela estivesse bem. Como vou explicar ter um filho no meio desta guerra, Lily?

Com um suspiro pesado, Severus continuou, diminuindo ainda mais o tom de voz. Era a primeira vez que ele verbalizava aquilo, o que tornava ainda mais real.

- Talvez toda essa história tenha vindo por um bom motivo. Emmeline pode criar o filho sem a vergonha de ter um pai Comensal. Além do mais, eu jamais poderia continuar entre as reuniões da Ordem e de Voldemort, criando um filho no meio tempo.

Foi a vez de Lily recuar diante das palavras do professor. Os olhos verdes estavam ligeiramente arregalados e ela parecia incapaz de acreditar no que estava ouvindo.

- Você vai abandonar o seu próprio filho? Eu esperava qualquer coisa de você, Severus, menos isso.

- Não seja hipócrita, Lily. Essa criança vai estar muito mais segura longe de mim. Emmeline precisou de um feitiço dos Lestrange para admitir isso, mas foi o melhor.

- O melhor para todos? – Ela completou, parecendo furiosa com o rumo daquela conversa.

- Não disse que para todos.

Lily poderia estar revoltada com aquela confissão, mas era possível ver na expressão abatida de Snape que aquela escolha havia doído mais do que qualquer coisa. Sentindo-se como um peso morto, completamente sem vitalidade, Severus finalmente arrastou a cadeira e se levantou da mesa. Como ele raramente ficava para o jantar desde o rompimento com Emmeline, Molly não questionou sua partida.

A sala dos Weasley estava completamente vazia quando Severus entrou para buscar seu casaco e ele começava a vestir a peça negra quando um reflexo loiro atraiu seu olhar. Seu estômago deu uma cambalhota quando ele reconheceu o rosto de Emmeline e mais uma vez ele procurou a barriga roliça para encarar.

Por um segundo, Snape demorou a processar os próprios movimentos e travou antes de continuar a vestir o casaco. Enquanto ajeitou a gola, ele desviou o olhar para a lareira apagada dos Weasley, se lembrando de quando Jenner lhe abordara pela primeira vez, pedindo os ovos de fada.

- Você deveria tomar um pouco de soro de Unicórnio. É um pouco difícil de achar, mas vai ajudar com os problemas de bexiga.

Era estranho conversar com Emmeline de forma tão casual, mas qualquer um poderia apalpar a tensão que existia entre os dois.

- Tenho certeza que há um pouco no estoque de Hogwarts. Posso pedir a Madame Pomfrey para lhe enviar algum.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Seg Maio 09, 2016 12:57 am

Depois de usar o banheiro dos Weasley, Emmeline observou o próprio reflexo no espelho acima da pia. Embora ainda fosse a mesma pessoa, Jenner quase não reconhecia mais a mulher que a encarava pelo reflexo. Seus traços estavam mais maduros e a gravidez definitivamente contribuíra para aquelas mudanças, mas a modificação mais intensa se encontrava na expressão da loira.

Emmeline não encontrava mais o antigo brilho nos olhos cor de mel. É claro que ela estava feliz com a chegada daquele bebê, mas a criança não parecia ser capaz de preencher todo o espaço vazio. Faltava alguma coisa que Jenner não sabia explicar. E foi com surpresa que a curandeira concluiu que podia estar sentindo saudades de Severus.

Nenhuma das lembranças apagadas por Lestrange tinha sido recuperada, mas Emmeline começara a acreditar que fora feliz com Snape depois que os Potter, os Weasley e até mesmo Sirius Black descreveram como ela parecia feliz antes daquele sequestro. Ainda era difícil para Jenner acreditar que um sonserino havia conquistado um espaço tão importante em seu coração, mas Emmeline se conhecia o suficiente para saber que ela jamais teria um filho acidentalmente com um homem que não amasse ou em quem não confiasse.

Esta certeza, contudo, não era o bastante para recuperar aquele amor. Acreditar que amara Severus no passado não fez com que Emmeline se apaixonasse novamente pelo sonserino, mas ao menos serviu para abrandar seus sentimentos. Só agora ela se dava conta de como havia sido injusta no último encontro com Snape.

A culpa que a invadiu não combinava com a personalidade lufana. Jenner estava acostumada a tratar a todos com gentileza, portanto era raro que tivesse que lidar com uma consciência pesada. Motivada a consertar o erro cometido no último encontro com o professor, Emmeline seguiu os passos de Severus até a sala ao invés de retornar para a cozinha.

Quando Snape notou a presença dela, Emmeline já se preparou para uma recepção pouco amigável. A curandeira cruzou os braços finos por cima da barriga roliça numa postura defensiva, mas as ofensas e acusações que ela esperava ouvir não vieram. Ao contrário, Jenner se surpreendeu ao notar que, apesar de tudo, a preocupação de Severus era sincera.

Pela primeira vez nos últimos meses, Emmeline sentiu-se positivamente desarmada pelo antigo namorado. Snape finalmente mostrava a ela as qualidades de um homem que conquistaria o seu coração. Era extremamente estranho ter aquela conversa casual com Severus, mas ainda era melhor assim do que uma nova briga.

- Não precisa se preocupar. – um pequeno sorriso brotou nos lábios da curandeira e uma das mãos dela desceu pela barriga arredondada em uma carícia – Isso não me incomoda tanto, faz parte do pacote. O único inconveniente é ter que usar os banheiros de todos os lugares que frequento.

A expressão serena de Jenner se tornou mais séria antes que ela mudasse os rumos da conversa, mas sua entonação delicada deixava claro que a loira não tinha a menor intenção de transformar aquilo em uma discussão.

- Eu queria te pedir desculpas. Não fui justa na nossa última conversa. Nada justifica a maneira como te tratei, ou as palavras que usei. Eu estava assustada, mas não tinha o direito de te ofender.

Um dos ombros de Emmeline se ergueu antes que ela completasse na mesma entonação.

- Não quero que se sinta pressionado a nada. Eu estou ótima e estou lidando bem com tudo isso. Eu sei que é complicado e não vou te julgar se você achar que as coisas estão melhores assim. Eu só precisava te dizer que, caso você mude de ideia, eu não pretendo criar nenhuma barreira entre você e o meu filho.

O sorriso voltou a surgiu nos lábios de Jenner e a voz dela soou mais baixa enquanto a curandeira contava aquele segredo.

- É um menino. Eu ainda não contei a ninguém para evitar que a Lily surte e me arraste para mais compras. Mas achei que você gostaria de saber...
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Seg Maio 09, 2016 1:20 am

Apenas no instante em que viu a filha novamente, Alexia conseguiu voltar a respirar, sentindo que um pedaço que havia sido arrancado de seu corpo estivesse novamente no lugar. Seu coração ainda batia rápido enquanto suas mãos estudavam o corpinho da filha para se certificar de que não havia nenhum ferimento grave.

Era um imenso alívio encontrar apenas a sujeira da rua manchando o vestidinho verde e a pele clara da criança e Alexia estava tão entretida em garantir que a filha estava bem que, por alguns segundos, se esqueceu da presença de Regulus.

No instante em que concordou em pedir ajuda ao Black caçula, Alexia sabia que tinha concordado também que ele descobrisse a verdade. Porém, no momento do desespero, aquela ideia não parecia tão terrível quanto agora.

Seu estômago revirou incomodado ao perceber que Regulus finalmente tinha compreendido e Alexia se viu obrigada a assumir uma postura mais séria, adiando a comemoração em ter a filha de volta.

Não era sensato tocar naquele assunto tão delicado no meio da rua, quando qualquer um poderia reconhecer o herdeiro dos Black ou que até mesmo Aria compreendesse o que estavam falando. Mesmo na inocência da criança, Alexia sentia calafrios com a possibilidade de a filha compreender que aquele homem estranho na sua frente era seu pai.

- Já está tarde e está esfriando. Temos que ir para casa, tudo que a Aria precisa agora é de um banho e uma comidinha bem gostosa, não é, meu anjo?

Com um sorriso doce, Alexia esticou a mão e deslizou o polegar sobre a bochecha suja da filha, que continuava encolhida nos braços de Sirius. O Black mais velho encarou o irmão, também com uma postura mais séria, mas ao contrário de Alexia, ele não parecia tão disposto a encerrar aquele assunto.

- Regulus pode ir com a gente. Eu cuido da Aria enquanto vocês dois conversam.

Ao perceber o olhar fuzilante que a Sra. Avery lançou, Sirius acrescentou, afagando os cabelos da sobrinha.

- Qual é, Lexie... Ele largou tudo e trouxe a Aria de volta, não trouxe? Acho que o mínimo que devemos é uma explicação.

A mulher ainda precisou de alguns segundos estudando o ex-namorado antes de concordar, esticando o braço em sua direção, para guiar a aparatação. Sirius desapareceu primeiro, carregando Aria. Alexia ainda encarou os olhos cinzentos antes de finalmente erguer a varinha e desaparatar, levando Regulus consigo.

Quando seus pés voltaram a tocar o chão, os dois estavam diante de uma bela casa rodeada de árvores. A casa era de um único andar, mas era enorme e muito bem iluminada. As paredes da sala eram inteiramente de vidro, e as cortinas abertas permitiam que, mesmo do lado externo, a decoração de bom gosto pudesse ser admirada.

Sem ousar olhar novamente para Regulus, Alexia seguiu o caminho até a porta de entrada, imediatamente sendo acolhida pelo calor gostoso de seu interior. O elfo já havia deixado a lareira acesa e ainda foi possível ver as costas de Sirius antes que ele sumisse pelo corredor que levava aos quartos.

Só então Alexia pôde perceber o quanto estava exausta. Seu corpo inteiro doía e ela já exibia uma expressão mais abatida. Os cabelos negros estavam ligeiramente desalinhados, mas ainda assim era possível perceber a mulher ainda mais atraente que ela se tornara naqueles cinco anos.

Quando os passos de Sirius finalmente cessaram, Alexia cruzou os braços e encarou Regulus, tentando ignorar as voltas que seu estômago insistia em dar.

- Eu vou ser eternamente grata por você ter encontrado a minha filha hoje, Regulus. Isso não apaga tudo que aconteceu, mas eu também não vou me esquecer disso nunca.

Alexia fez uma pausa para suspirar pesadamente antes de continuar, sabendo que não poderia fugir daquilo para sempre.

- O pai da Aria morreu antes que eu sequer soubesse que estava grávida. Ele foi um herói. Mas se eu preciso ser mais clara, minha filha não tem um pai trouxa que se chama... como é mesmo? Edgar?

O olhar frio de Alexia estava preso em Regulus e ela praticamente não piscava enquanto as palavras saltavam de sua boca. Nas tantas vezes que sonhou com um encontro entre pai e filha, em nenhuma delas imaginou que teria tanta mágoa pelo melhor amigo.

- Você já deixou bem claro que deixou o nosso mundo para trás, Regulus. Pode voltar a ser Edgard Jones ou seja lá quem você quiser ser. Eu prometo que não vou importuná-lo outra vez.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Dominic Sjogren em Seg Maio 09, 2016 1:55 am

Era como mergulhar no pior de seus pesadelos novamente. Quando deixou para trás o mundo da magia e o sobrenome dos Black, Regulus imaginou que também se livraria para sempre daquele peso que o acompanhara por toda a vida. A vida de Edgar Jones era absurdamente mais simples e não permitia que o rapaz sentisse nenhum tipo de culpa ou que se atormentasse com os fantasmas do passado.

Como se o destino quisesse zombar dele, a existência de Aria mostrava a Regulus que ele havia se contentado com uma falsa paz. Durante todo o tempo em que ele imaginou que estava construindo uma nova vida, existia uma criança abandonada pelo pai no mundo da magia. A culpa novamente o atingiu em cheio e o arrastou de volta para aquele infinito círculo de amargura e dor.

- Eu jamais teria tomado as decisões que tomei se soubesse disso, Alexia.

A voz grave de Black soou depois de quase um minuto inteiro de silêncio, como se ele estivesse incapaz de reagir diante daquela inesperada novidade.

- Eu nunca teria fugido desta responsabilidade. Eu não teria paz para construir uma nova vida sabendo que...

A realidade era tão chocante que Regulus ainda não conseguia verbalizar a novidade. Mesmo sem um convite formal da dona da casa, o caçula dos Black sentou-se num dos sofás da sala depois que sentiu os joelhos fraquejarem. Os olhos cinzentos se perderam na direção na qual Sirius e Aria tinham desaparecido, como se ainda pudessem ver ali a imagem da garotinha de olhos acinzentados.

Só depois de um tempo relativamente grande, Black conseguiu voltar a sua atenção novamente para Alexia. Regulus não tinha o direito de culpá-la quando fora ele mesmo o responsável por todo aquele mal entendido. No momento em que permitiu que todos acreditassem em sua morte, Black perdeu o direito de questionar tudo o que acontecia no mundo que ele deixara para trás. O que Regulus nunca imaginou era que Alexia carregava um pedaço dele consigo.

- Você não tem o direito de me julgar pelas minhas escolhas, Alexia. Melhor do que ninguém, você sabia que eu não estava feliz com aquela vida. Você também fez escolhas com as quais eu não concordava e precisa admitir que os seus erros também contribuíram para chegarmos até aqui.

Apesar do tom pouco amigável daquela conversa, em nenhum momento Black ergueu o volume da voz ou mudou a entonação. Brigar com Alexia era sempre doloroso e parecia ainda pior agora que Regulus sabia que os dois tinham uma filha em comum.

- Você não tem o direito de usar as minhas escolhas para me afastar agora, Alexia. Eu nunca abri mão de um filho! Você não pode me julgar por ter deixado para trás uma criança que eu nem sabia que existia!

O rapaz se remexeu no sofá, colocando-se sentado na ponta da almofada. Os olhos cinzentos foram erguidos na direção do rosto de Alexia e, mesmo em meio àquela conversa tão delicada, Regulus não deixou de notar o quanto o tempo havia sido generoso com a morena. Alexia sempre fora uma moça bonita, mas havia se tornado uma mulher linda com o passar dos anos.

- Eu não quero causar problemas para você e definitivamente não desejo causar nenhum transtorno à Aria. Mas eu não quero abrir mão dela, Lex. Eu tenho o direito de participar da vida dela e você não pode negar isso a mim, nem a ela. Você pode me odiar o quanto quiser, eu jamais vou te julgar por isso. Mas se me afastar da Aria, estará punindo a sua filha também.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Seg Maio 09, 2016 2:18 am

O sorriso de Emmeline era simples demais, como ela seria capaz de sorrir para qualquer um apenas porque era naturalmente doce. Ainda assim, mesmo sabendo que não era o sorriso especial que ela tinha exclusivamente para ele, Severus se sentiu aquecer por dentro com a reação inesperada da curandeira.

Por um momento, ele chegou a vacilar de sua postura distante, mas logo foi inteiramente desarmado diante daquela novidade. Suas sobrancelhas escuras arquearam ligeiramente e ele chegou a abrir a boca de surpresa, deslizando o olhar até o ventre de Jenner.

- Um menino?

Ele balbuciou, e sua voz fraca entregou a emoção que se espalhava pelo seu peito. As palavras vazias que havia dito à Lily na cozinha, minutos antes, pareciam uma grande ofensa agora que aquela criança se tornava mais real.

Snape se sentia um lixo por cogitar abandonar aquele bebê, por mais que fosse para a segurança dele e da mãe. Seu peito doía com a ideia de abrir mão daquela felicidade que crescia com Emmeline, sendo de longe a maior injustiça do destino em sua vida.

Com as pernas bambas, Severus se aproximou alguns passos de Emmeline até parar diante da curandeira. Seus lábios estavam curvados em um meio sorriso e um brilho incrível havia surgido nas íris até então opacas e sem vida.

- Uau... Um menino. – Ele voltou a repetir, permitindo que o sorriso se espalhasse em seu rosto.

Lentamente, os olhos escuros se ergueram até encontrar as íris cor de mel, obrigando Snape a voltar a realidade. Seu peito afundou e o sorriso morreu ao encontrar o rosto de Jenner. Por mais que a curandeira estivesse mais gentil e receptiva, o professor de poções sabia facilmente identificar que aqueles traços ainda não eram compatíveis com a loira apaixonada que por tantas vezes ele tivera em seus braços.

Como se um dementador tivesse se aproximado e sugado toda sua felicidade, Snape se viu novamente mergulhado na solidão. Diferente de tantas vezes, ele sabia que era exatamente ali onde deveria estar. Ele não era merecedor de viver tanta felicidade, de ter uma família. Depois de ter feito tantas coisas ruins em sua vida, era de se admirar que tivesse ao menos tido a oportunidade de ter Emmeline por um ano inteiro.

- Parabéns, Ememline. Mas você não precisa se preocupar, eu não vou voltar a te importunar. E definitivamente não pretendo atrapalhar a vida do seu bebê.

Severus sentia como se um gigante estivesse esmagando seu coração enquanto verbalizava aquela decisão para Jenner. Com a testa franzida, ele enfiou as mãos nos bolsos do casaco, resistindo a tentação de tocar a barriga roliça da ex-namorada.

- Você pode me procurar se precisar de alguma coisa, mas eu estarei fora do seu caminho de agora em diante.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Seg Maio 09, 2016 2:55 am

Pela primeira vez em meses, Emmeline sentiu o coração se aquecer por completo. Era muito surpreendente que aquela sensação maravilhosa fosse reflexo do inédito brilho nos olhos negros de Severus Snape. Mesmo que não se lembrasse do passado entre os dois, Jenner teve certeza de que o amara. As batidas descompassadas mostravam que seu coração reconhecia o que o cérebro se recusava a aceitar.

Aquela descoberta fez com que Emmeline recebesse a mudança de comportamento de Snape como um balde de água fria. As sobrancelhas claras ficaram franzidas quando Severus deixou de exibir aquele brilho no olhar para voltar a ser o sonserino frio e distante que ela conhecia.

Qualquer mulher teria ficado ofendida com a postura dele, mas não Emmeline. Sua natureza lufana parecia ter sido moldada para se adaptar com perfeição à personalidade difícil de Severus Snape. Ao invés de se zangar com tamanha frieza, Jenner reconheceu facilmente que aquela era a maneira como o professor de Poções tentava se defender.

- Você deveria sorrir mais vezes, sabia?

Mesmo sem se lembrar, Jenner repetiu uma das frases que dissera no início daquele relacionamento. A loira deu de ombros antes de completar com a mesma entonação leve.

- Eu não me importaria nem um pouco se o bebê herdasse o seu sorriso. Eu só preferiria que ele tivesse o meu nariz.

A brincadeira soou de forma tão doce que o comentário não pareceu nada ofensivo. Sem tirar do rosto aquela expressão amena, Emmeline buscou pelos olhos escuros do professor.

- Eu não me lembro de nada, nunca vou me lembrar. Mas eu sempre tive uma grande confiança em mim mesma, sabia? Depois de pensar muito no assunto, eu concluí que jamais cometeria um erro tão grave. Eu nunca traria uma criança para este mundo se não estivesse certa de que este filho seria feliz, de que seria amado.

É claro que Emmeline não olhava o ex-namorado com o mesmo amor que demonstrava antes, mas também era evidente que algo tinha mudado nos últimos meses.

- Por isso, eu sei que você não está falando sério quando fala de se afastar. Se eu te escolhi, foi porque você era bom o bastante para ser o pai do meu bebê. Eu não quero que você se sinta obrigado a nada, Severus, mas também não quero que se afaste contra a sua vontade.

Por muitas vezes, Emmeline mostrara uma sintonia muito grande com o namorado. Naquela noite não foi diferente. Como se fosse capaz de enxergar o desejo que Snape tentava reprimir, Jenner puxou uma das mãos que ele enfiara dentro do bolso e pousou os dedos pálidos e compridos em sua barriga roliça, por cima do tecido escuro.

- Ele está se mexendo...

A explicação de Emmeline era desnecessária visto que a mão do sonserino conseguiria sentir com perfeição os movimentos no interior do ventre da ex-namorada. Era um milagre que aquela criança estivesse viva e saudável depois que Jenner passara tanto tempo no porão dos Lestrange.

- Aliás, ele está anormalmente agitado desde que começamos a conversar. Talvez seja só uma coincidência, mas quem sabe se ele não reconhece a sua voz?
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Seg Maio 09, 2016 2:58 am

Por mais que estivesse profundamente magoada e quisesse odiar Regulus com todas as suas forças, os anos de amizade com o herdeiro dos Black impedia Alexia de querer tortura-lo ou de afastá-lo completamente de sua vida.

Aria havia sido criada sem um pai porque Alexia acreditava que o melhor amigo havia morrido anos antes, mas saber que Regulus estava vivo e manter a distância entre os dois propositalmente parecia imensamente cruel. Além dos danos que causaria para a própria filha, Alexia também não conseguiria ser feliz sabendo que estava magoando o ex-amigo tão profundamente.

Mesmo que estivesse decepcionada com Regulus, vê-lo tão abalado diante dos seus olhos trazia a tona o seu velho instinto de querer protege-lo, de querer a qualquer custo que ele estivesse bem.

Com um semblante mais suave, Alexia baixou o olhar e suspirou demoradamente. Ela precisou de longos segundos antes de conseguir abrir a boca.

- Eu não vou proibir você de vê-la, se é isso que você quer. Apenas deduzi que você queria voltar para a sua vida tão perfeita e feliz. Mas não ouse entrar e sair da vida da minha filha, Regulus. Se você decepcioná-la uma única vez, eu lhe garanto que você nunca mais terá a chance de ver a Aria.

Apesar da ameaça exagerada, a intensidade com que os olhos azuis encararam o Black caçula mostrava que Alexia não estava brincando. Ela jamais suportaria ver a filha machucada como ela mesma havia sido.

Regulus havia provado que o amor que sentia por ela não era forte o bastante no instante em que decidiu apagar sua antiga vida. Ele teve anos de oportunidade para procura-la, mas claramente ele não havia sentido tanta falta dela, como ela sentira dele.

Era frustrante saber que o homem que ela amava não retribuía aquele sentimento, mas Alexia não era mais uma menina para ficar sofrendo com as mesmas mágoas. Não quando ela tinha a felicidade da pequena Aria para garantir.

- Apenas deixe ela descansar por hoje. O dia foi agitado demais, a última coisa que a Aria precisa é de mais emoções.

Como se quisesse contrariar as palavras da mãe, um pequeno borrão de cabelos negros surgiu na sala quando Aria apareceu correndo. Os pés descansos estavam em contato direto com o piso de madeira, mas o vestidinho verde já havia sido descartado e a menina vestia pijamas vermelhos com bolinhas douradas. Os cabelos escuros estavam molhados e bem penteados, indicando que Sirius já havia se encarregado do banho.

Sem nenhum vestígio do medo provocado pela tarde inteira que estivera perdida na Travessa do Tranco, Aria saltou para o colo da mãe, sorrindo meigamente enquanto se encolhia em seus braços. Uma discreta coçada em um dos olhos cinzentos entregava que, apesar da agitação, o sono já começava a cair sobre a criança.

- O que você está fazendo fora da cama?? Já está tarde.

Sem deixar de sorrir, a menina encarou o homem sentado no sofá antes de responder.

- Estou com fome, mamãe. E o tio Sirius falou que ia me dar sorvete.

- Sorvete não mata fome, Aria. Além do mais, você me prometeu que iria se comportar hoje. Vai poder comer tudo o que quiser no piquenique amanhã.

- Qual é, Lexie... Só um pouco de sorvete não vai fazer mal. Além do mais, depois da aventura de hoje, a Aria merece, han?

Sirius Black se mantinha afastado da cena, encostado no portal que dividia a sala do corredor, os braços cruzados contra o peito. Sabendo que entraria em um terreno perigoso, ele acrescentou, forçando uma entonação casual que tanto Alexia quanto Regulus poderiam facilmente dizer ser falsa.

- Amanhã ela estará nova em folha para comemorar o aniversário.

Pela segunda vez no dia, Alexia estreitou o olhar e fuzilou o Black mais velho, principalmente porque sabia que ele havia feito aquele comentário de propósito. Quando as íris azuis pousaram em Regulus, foi necessário controlar o tom de voz para que Aria não percebesse que a mãe estava abalada diante do ex.


- Nós vamos fazer um piquenique para comemorar o aniversário da Aria, mas imagino que você não queria vir. Os convidados ficariam um tanto surpresos com... bem, eles não conhecem nenhum Edgar Jones, afinal.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Dominic Sjogren em Seg Maio 09, 2016 3:36 am

- Mas o nome dele é Reguius, mamãe.

Ignorando completamente a tensão existente entre os adultos, Aria se meteu na conversa para corrigir Alexia. O estranho havia se apresentado a ela na Travessa do Tranco e não tinha dito o nome Edgar Jones.

- É Regulus, querida. – Sirius corrigiu a sobrinha, ainda mantendo-se afastado do sofá – O apelido dele é Edgar. E eu tenho certeza de que os convidados do piquenique não se importariam em conhecer o novo amigo da Aria.

Desde que Aria entrara na sala, o caçula dos Black não conseguia mais tirar os olhos dela. Um sorriso tolo surgiu nos lábios de Regulus enquanto ele admirava cada pedacinho da filha. Só agora que a observava com mais atenção, o pai notava que as semelhanças iam além dos olhos cinzentos.

Aria era uma mistura perfeita das qualidades dele com as de Alexia, o que a tornava extremamente valiosa. Regulus tinha sacrificado o amor que sentia pela amiga em prol da própria liberdade, mas a verdade é que nunca deixara de amar Alexia. Aria, portanto, era o melhor fruto que poderia ter vindo daquele sentimento.

- Bom, eu estou livre amanhã. – Regulus ignorou a insatisfação de Alexia e voltou-se para a garotinha – Você quer que eu vá ao seu aniversário, Aria?

A inocência infantil não permitiria que Aria mentisse, tampouco a obrigava a obedecer as convenções sociais. Por isso, quando a menina movimentou a cabeça num sinal afirmativo, Regulus teve certeza de que a presença dele era realmente desejada.

- Ótimo, está decidido então. – Sirius finalizou o assunto – Hora do sorvete!

- Oba!!!

Sem esperar que a mãe discordasse dos planos de Sirius, Aria pulou de volta para o chão e correu na direção da cozinha. O tio seguiu os passos dela, tentando ignorar o olhar fulminante que recebia de Alexia.

- Sirius? – Regulus chamou antes que o irmão sumisse de vista – Obrigado. Mas não pense que eu não notei que você está vestindo a Aria com as cores da Grifinória...

- Ela precisa se acostumar com as cores que usará em Hogwarts, oras. – o primogênito dos Black abriu um sorrisinho convencido.

Regulus se contentou em sacudir a cabeça em negativa enquanto tentava conter um sorriso. Ele havia fugido do mundo da magia em busca de uma vida mais feliz, mas não poderia estar mais satisfeito em voltar atrás naquela decisão. Seu retorno à vida de Regulus Black lhe trouxera de volta a amizade do irmão e agora uma filha. Alexia era a única coisa que faltava para que aquela felicidade fosse completa, mas Regulus sabia que era pedir demais. A amiga não estava pronta para perdoá-lo, e talvez nunca estivesse.

- Eu vou voltar.

As palavras soaram firmes e os olhos cinzentos buscaram o rosto da amiga de infância.

- Não será fácil me explicar e eu provavelmente terei problemas com o Ministério da Magia. Espero que o presentinho que mandei para a Ordem da Fênix seja o suficiente para que o Dumbledore me livre de alguns anos em Azkaban.

Apesar de todos os problemas que estavam por vir, Regulus não parecia nem um pouco atormentado com aquela súbita mudança de planos. Por Aria, valia a pena enfrentar todos os problemas dos quais ele fugira há cinco anos.

- Obrigado, Lex. – Regulus moveu a cabeça, indicando a direção da cozinha – Aria é a melhor coisa que já me aconteceu. Eu sei que decepcionei você, mas não vou repetir este erro com a nossa filha.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Seg Maio 09, 2016 4:31 am

Não havia nenhuma máscara no mundo que Severus Snape fosse capaz de usar naquele momento. Nem mesmo se sua vida dependesse daquilo, se o Lord das Trevas estivesse no mesmo cômodo, seu queixo ainda iria cair e os olhos negros assumirem de vez um intenso brilho quando seus dedos tocaram a barriga de Emmeline.

Era uma sensação indescritível. Ao mesmo tempo que era assustador sentir a pele da curandeira agitada com os movimentos provocados pelo bebê, também era um dos momentos mais incríveis que Severus já havia vivido.

Havia literalmente um ser vivo no ventre de Jenner, e saber que ele era um dos responsáveis daquela criação era gratificante a ponto de fazer com que Snape esquecesse tudo de mais triste e sombrio que havia acontecido em sua vida.

- Uau! Isso é... normal?

Um sorriso abobado surgiu nos lábios do professor de poções e ele levou a outra mão para também tocar o tecido que cobria a barriga de Emmeline. O bebê dava cambalhotas e era possível sentir os chutes como se ele estivesse a todo custo se mostrar presente naquela conversa.

- Isso não dói? Quero dizer, ele parece grande demais para estar cabendo aí dentro!

Severus era um homem extremamente inteligente e, apesar de igualmente mal humorado, era reconhecido por seu talento em Poções. Entretanto, naquele momento tão íntimo de um casal, ele lembrava um garoto completamente inexperiente, abismado com a naturalidade daquele evento tão incrível.

Os olhos negros deslizaram do ventre de Jenner até encontrar as íris cor de mel, e seu sorriso voltou a vacilar, apenas porque Severus se surpreendeu com a doçura no rosto da curandeira, quase como se estivessem voltando no tempo.

A primeira aproximação do casal havia sido exatamente naquela sala e parecia nostálgico demais que eles pudessem estar vivendo aquele momento intimo exatamente ali. Para completar, Emmeline agia exatamente como a namorada que conhecia cada detalhe dele, que conseguia interpretar suas mentiras, suas expressões forçadas ou seus gestos reprimidos.

- Eu estou falando sério, Emme. – Snape sussurrou, sem soltar a barriga de Emmeline.

Como se também quisesse prestar atenção na conversa, os movimentos do bebê diminuíram, permitindo que Severus se concentrasse apenas no rosto da ex-namorada.

- A última coisa que eu quero é me afastar do meu filho ou de você. Mas se isso for te deixar mais feliz e principalmente deixar vocês dois seguros, eu não pensaria duas vezes.

Com o olhar cabisbaixo, Snape fitou o próprio braço, onde a Marca Negra estava escondida sob o tecido escuro do casaco.

- Eu nunca entendi o que você viu em mim, mas duvido que consiga mesmo ser um bom pai. Que tipo de espião conseguiria manter a própria família em segurança, Em?

Tomado por um desejo súbito e movido por uma rara coragem, Snape ergueu uma das mãos até tocar os cabelos loiros da curandeira, afagando-os até pousar os dedos na curva de seu rosto delicado.

- Eu abriria mão de qualquer coisa para que vocês estivessem bem. A última coisa que eu quero é ver você sob as garras de algum Comensal novamente. Foi a pior coisa que já vivi em toda minha vida e eu jamais me perdoaria se algo voltasse a acontecer com você ou com o nosso filho.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Seg Maio 09, 2016 4:57 am

O olhar de Alexia também estava perdido no ponto em que Aria havia seguido com Sirius. Tudo estava acontecendo rápido demais, mas no fundo, era como se as coisas finalmente estivessem se encaixando, como se durante todos aqueles anos ela soubesse que Regulus deveria estar exatamente ali.

- Ela é a melhor coisa que já me aconteceu também. Eu não sei o que teria sido de mim sem a Aria.

Um silêncio se instalou entre os dois por quase um minuto antes que Alexia pigarreasse, deslizando as mãos pelo tecido do vestido como se tentasse alisar as dobras invisíveis.

- Foi um dia extremamente cansativo, Regulus. E amanhã não será muito mais calmo. Eu vou me retirar, mas você pode se despedir da Aria com calma. Apenas se certifique de que o Sirius não irá deixa-la repetir o sorvete.

Alexia chegou a dar os primeiros passos em direção ao corredor dos quartos, mas parou antes de se afastar demais. Mais uma vez, ela procurou os olhos cinzentos.

- Eu vou conversar com o Dumbledore amanhã cedo. Tenho certeza que ele não se negará a ajudar.

***

Exatamente como havia previsto, o dia seguinte foi extremamente agitado para Alexia. O sol mal havia nascido quando ela deixou a casa a procura do diretor de Hogwarts. Apenas Albus, em sua excentricidade, não pareceu surpreso em saber que o caçula dos Black estava vivo e vivendo entre os trouxas.

Apenas quando Dumbledore lhe garantiu que não mediria esforços na causa de Black para mantê-lo longe de Azkaban, Alexia teve a tranquilidade de voltar para casa e começar os preparativos para a festinha de Aria.

O jardim de sua casa era grande e muito bem cuidado. Além do grande gramado verde, diversas espécies de flores coloridas decoravam o lugar, e o elfo já havia montado algumas mesas de piquenique onde as comidas ficariam servidas. Em toda sua extensão, além do céu aberto, o lugar seria iluminado por luminárias pequeninas, semelhantes a um pisca-pisca.

Alguns brinquedos haviam sido montados ao lado oposto das mesas e havia espaço mais do que suficiente para que as crianças corressem de um lado ao outro.

Alexia teve tempo apenas para se arrumar antes que as primeiras pessoas começassem a chegar. Quando Aria também estava devidamente arrumada, o jardim já estava com praticamente todos os convidados.

A aniversariante foi recebida com abraços e sorrisos, soterrada de elogios pelo seu delicado vestidinho e pelo penteado delicado que a mãe havia feito, mas foram necessários poucos minutos para que ela já estivesse correndo junto com os amiguinhos, ignorando os adultos presentes.

Alexia mantinha os olhos fixos na filha durante uma brincadeira quando sentiu alguém tocar o seu braço. O sorriso dela rapidamente se alargou ao reconhecer Sirius acompanhado da namorada.

- Suzie! Sirius disse que você não conseguiria vir.

- Eu não perderia o aniversário da Aria.

Suzannah era o oposto de Alexia, tanto na aparência quanto na personalidade. Enquanto estava em Hogwarts, a sonserina jamais imaginou que fosse acabar se tornando amiga da Corvinal que só pensava em estudar, mas o improvável romance dela com Sirius Black acabou aproximando as duas.

- Tem outra pessoa que também não perderia... – Sirius inclinou a cabeça em direção ao interior da casa. – Regulus já chegou.

Bastou ouvir o nome do amigo de infância para que Alexia ficasse mais tensa. Ela sabia que seria um evento extremamente delicado, mas como estavam cercados de amigos, ainda era a forma mais sutil de voltar ao mundo mágico.

- Eu vou falar com ele. Fica de olho na Aria?

- É lógico. – O sorriso de Sirius quando o assunto era a sobrinha era sempre imediato.

- Fica de olho no Sirius? – Alexia completou, encarnado Suzie significativamente.

- Sempre. – A loira riu enquanto acariciava o braço do namorado.

Graças as paredes de vidro, Alexia viu a sombra de Regulus antes mesmo de entrar em casa, e sua primeira ação foi baixar as cortinas com um movimento da varinha.

- Você tem certeza que quer fazer isso? Não precisa ser tão precoce, podemos ir com calma, se preferir.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Seg Maio 09, 2016 11:36 pm

A pergunta de Severus arrancou uma gostosa gargalhada de Emmeline. A reação dela foi tão espontânea que a curandeira tombou a cabeça para trás enquanto ria, num clima leve e divertido que ela nunca imaginou que aconteceria em um ambiente ocupado por Snape. Jenner estava acostumada a ver o sonserino como um homem sério, frio e puramente racional. Definitivamente, aquela pergunta tola não combinava em nada com a personalidade dele e deixava óbvio que, naquele assunto, Severus era totalmente inexperiente.

- Espero que seja normal. Mas ele pula tanto que não posso descartar a possibilidade dele ser um pequeno canguru.

Uma das mãos de Emmeline deslizou pela barriga roliça em uma carícia dirigida ao filho, mas que também atingiu os dedos de Snape pousados em seu ventre.

- Não dói. Quer dizer, ele consegue me deixar sem fôlego com alguns chutes mais fortes, mas é tão mágico que eu jamais reclamaria.

Quando o sonserino levou a conversa naquela direção mais séria, Emmeline o encarou com firmeza. Por mais que entendesse as razões de Snape e concordasse com as ponderações dele, Jenner estava certa de que ninguém se beneficiaria com aquela decisão. Severus ficaria infeliz se fosse obrigado a se afastar, aquele bebê cresceria sem o amor e a companhia de um pai e Emmeline não teria com quem dividir as preocupações, as responsabilidades e as alegrias da maternidade.

- Isso não me deixaria mais feliz, Severus. Muito menos o bebê. Ele precisa de um pai. Ninguém está totalmente seguro enquanto houver guerra. O seu afastamento apenas deixaria o nosso filho mais vulnerável já que ele teria apenas a mim para defendê-lo.

Embora ainda não se lembrasse da vida que tivera ao lado de Snape, Emmeline não se afastou dos dedos pálidos. A expressão doce da loira ao receber aquela carícia mostrava que aquela proximidade não a desagradava.

- Um dia esta guerra vai acabar, Severus. Mas a sua ligação com esta criança nunca chegará ao fim, você será o pai dele para sempre. Portanto, eu não tenho a menor dúvida de qual seria o melhor caminho a ser seguido. – Emmeline abriu um pequeno sorriso e se permitiu brincar – Sei que a coragem não é uma das qualidades mais pronunciadas de um sonserino, mas eu realmente acho que você deveria correr este risco.

O coração de Jenner batia acelerado dentro do peito quando ela cedeu ao desejo de seu inconsciente, apoiou as mãos nos ombros de Severus e se colocou na ponta dos pés, aproximando-se ainda mais do rosto dele.

- Eu já te convenci ou você ainda precisa de um incentivo para se decidir?

Sem esperar por uma resposta, a curandeira abaixou as pálpebras e cobriu os olhos cor de mel antes de encostar seus lábios nos de Snape. O beijo se iniciou de maneira incerta e superficial, como se Emmeline estivesse testando o sabor dos lábios de Severus. Ao perceber como seu corpo reagia bem a aquele contato, a loira relaxou nos braços do ex-namorado e se entregou à carícia como nos velhos tempos.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Dominic Sjogren em Ter Maio 10, 2016 12:21 am

A última coisa que Regulus imaginava era que retornaria oficialmente ao mundo da magia durante um aniversário de criança. Contudo, não parecia haver outro momento melhor para aquela volta e não havia nenhum outro lugar onde o filho mais novo dos Black quisesse estar naquele momento. Seu peito se comprimia sempre que Regulus pensava que havia perdido os primeiros cinco anos da vida de Aria e, portanto, ele estava disposto a não perder nem mais um momento do crescimento da filha.

Mesmo tenso com a incerteza de como seria recebido ou das consequências legais de seu retorno, Regulus nem por um momento pensou em desistir. Quando apareceu na simpática casa que Alexia dividia com Aria, Black levava um presente para a garotinha e também carregava uma coragem anormalmente grande para os padrões da Sonserina. Pela filha, Regulus estava disposto a enfrentar o caminho mais difícil mais uma vez.

Ao contrário do antigo Regulus Black, o rapaz de agora exibia uma grande simplicidade em cada detalhe. As roupas não eram mais refinadas, ele não tinha a postura de um herdeiro de um sobrenome tradicional. Mas ninguém teria dúvidas de que a atual vida fazia de Regulus um homem mais feliz. Era um grande alívio não precisar mais usar nenhuma máscara e nem reproduzir ideais com os quais ele nunca concordara.

Apesar da nítida incerteza de Alexia, Regulus se manteve firme naquela decisão. Um sorriso tranquilo surgiu nos lábios de Black e ele concordou com um aceno de cabeça antes de tomar a palavra.

- Eu já perdi tempo demais, Lex. Não quero ficar nem mais um minuto fora da vida dela. Eu estou preparado para os problemas que estão por vir, só não estou pronto para perder mais um aniversário da Aria.

Com um novo movimento de cabeça, Regulus indicou os embrulhos empilhados em cima de uma das mesas. O presente que ele havia comprado para a filha fora colocado num lugar de destaque e, a julgar pelo tamanho do pacote, certamente seria um dos embrulhos que mais chamaria a atenção da menina.

- Espero que a Aria goste do presente. A sua opinião eu dispenso, eu já sei que você vai surtar. Mas eu preciso incentivá-la a seguir os meus passos no quadribol.

O presente escolhido por Regulus era o sonho da maioria das crianças. Aria já havia pedido uma vassoura para a mãe várias e várias vezes, mas Alexia sempre adiava aquele momento num receio tipicamente materno.

- Eu vou ajudá-la, vou ensinar tudo a ela, não vou deixar que ela se machuque! – Regulus se defendeu antes que a amiga de infância explodisse – Eu juro que ela não vai sofrer um arranhão, Lex! Eu encontrei uma vassoura adequada para o tamanho dela, que não alcança uma altura perigosa. E é verde.

As feições de Regulus se contraíram em uma careta de desagrado.

- Chega de coisas vermelhas e douradas. A nossa filha é uma sonserina, oras!
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Ter Maio 10, 2016 2:29 am

Severus estava tão certo que Emmeline jamais o aceitaria de volta, que seria seu destino viver os próximos anos longe da presença do filho, que no primeiro instante ele acreditou que estivesse sonhando.

Seu coração imediatamente começou a bater mais rápido enquanto seu peito se enchia com a esperança de participar do futuro daquele bebê. Racionalmente, Snape ainda não conseguia compreender como faria para equilibrar sua vida como espião, professor e pai, mas a única certeza que tinha era que a última parte era a mais importante e que mais lhe deixaria completamente feliz.

No fundo, Severus sabia que as palavras de Emmeline eram frutos da personalidade lufana, sempre capaz de esperar o melhor de qualquer situação. Ele, que estava naquele mundo de guerra há tempo demais, já não tinha mais tanta certeza que as coisas acabariam tão bem. Mas se ele tivesse a oportunidade de proteger seu filho até o último minuto, ainda era melhor do que passar o resto dos seus dias sem aquele pedaço tão importante.

Para lhe dar ainda mais certeza de que aquilo não poderia ser realidade, o corpo de Severus se aqueceu quando Jenner se inclinou em sua direção. O professor de poções imediatamente baixou as pálpebras e permitiu que a curandeira conduzisse o ritmo daquele beijo.

Assim como havia acontecido da primeira vez, Severus tinha a impressão de estar saindo das trevas para poder respirar novamente. Seus braços rodearam a cintura de Emmeline. A grande barriga dela impedia que Snape colasse os corpos como antigamente, e apesar do obstáculo, ele ainda assim sentia que Jenner se encaixava com perfeição em seus braços.

Os lábios de Snape mexiam lentamente, retribuindo o ritmo imposto pela ex-namorada. A mão que antes afagava os cabelos loiros pousou sobre a curva do rosto de Jenner e o polegar acariciou a pele macia. Severus poderia passar horas naquele contato, mas quando seus pulmões começaram a protestar pelo ar, ele se viu obrigado a interromper o beijo.

Quando as pálpebras revelaram novamente os olhos negros, um forte brilho havia tomado conta deles. Os lábios de Severus estavam úmidos e ligeiramente inchados, mas era o discreto sorriso que mais chamava atenção.

No instante em que encontrou os olhos cor de mel, o rosto de Severus se contorceu em ansiedade, tentando interpretar nos traços de Emmeline o que aquele gesto significava. A curandeira estava disposta a lhe dar mais uma chance? Ou havia sido um deslize influenciado pelos hormônios?

- Eu estou mais do que convencido de onde é o meu lugar.

A voz do professor soou rouca e gostosa enquanto o sorriso se alargava. Jenner estava certa em dizer que Snape deveria sorrir mais, pois a leveza que aquilo provocava em seu rosto o deixava muito mais atraente, transformando o comensal sombrio em um homem simples e feliz.

- Você não vai se arrepender desta decisão, Emme. Eu vou estar ao lado do nosso filho, vou protege-lo a todo custo. É minha prioridade fazê-lo feliz.

Com um nó na garganta, o sorriso de Snape vacilou, mas ele não ousou desviar o olhar de Emmeline ao acrescentar, sentindo a ansiedade se espalhar pelo seu corpo.

- Eu posso fazê-la feliz também. Eu sei que você não se lembra, mas podemos começar de novo, Emmeline. Eu estou disposto a partir do zero outra vez, se for para ter você ao meu lado. Eu te amei desde o primeiro momento, e sei que não vou ser feliz de outra forma. Você me faz ter a melhor versão de mim mesmo.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Ter Maio 10, 2016 2:50 am

Regulus havia decepcionado Alexia de diversas formas, havia mostrado uma versão que a amiga de infância jamais imaginou existir naquele homem que ela jurava conhecer tão bem. Mas toda a mágoa provocada por suas escolhas erradas era facilmente ignorada quando o Black caçula se mostrava disposto a enfrentar qualquer consequência para estar ao lado da filha.

Ele se descobrira pai há pouquíssimo tempo, mas já mostrava as qualidades que Alexia sempre havia sonhado para a filha. O amor que Black sentia por ela podia não ter sido suficiente para que ele enfrentasse a guerra, anos antes, mas para Alexia bastava que ele quisesse tanto participar da vida de Aria que suportaria até mesmo o risco de ir para Azkaban.

A conversa entre os dois poderia ser completamente banal para qualquer casal, mas era a primeira vez que Alexia conversava com o pai de sua filha, de modo que intimamente, seu coração saltitava satisfeito com a naturalidade com que os dois enfrentavam as coisas.

O último comentário de Regulus foi o suficiente para que a dona da casa revirasse os olhos e emendasse, em uma concordância óbvia de quem finalmente encontra alguém para compartilhar sua mesma frustração.

- Eu sei!!! Você não tem ideia das brigas constantes com o Sirius por causa disso. Estava ficando realmente preocupada.

Alexia fez uma pausa quando percebeu como aquele diálogo soava tão natural e correto, como se os dois melhores amigos tivessem se preparado por toda a vida para conversar sobre a criança.

- Nossa filha definitivamente é Sonserina.

Um pequeno sorriso brincou nos lábios de Alexia antes dela assumir uma postura mais séria. Instintivamente, a dona da casa cruzou os braços e assumiu um lugar em um dos vários sofás da grande sala.

- Eu conversei com Dumbledore... Ele me garantiu que não medirá esforços em seu favor. Na verdade, ele está no Ministério neste minuto, providenciando tudo.

Alexia apoiou o cotovelo sobre o joelho e segurou o queixo com a mão enquanto encarava o melhor amigo. Ela ainda estava tentando se acostumar com a ideia de ter Regulus de volta, mas conforme a mágoa diminuía, era fácil admitir como havia sentido falta de sua presença ao longo dos anos.

- Eu confio em Dumbledore. Tenho certeza que tudo ficará bem. Além do mais, você fez mesmo a diferença para o fim da guerra, Regulus. Aria tem sorte por ter um pai com esta coragem.

Como se tentasse minimizar o tom sério que a conversa tomara, Alexia inclinou a cabeça preguiçosamente na direção da pilha de presentes antes de acrescentar.

- Ela pode ficar com a vassoura. Mas só porque é verde.
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