Veritaserum

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Re: Veritaserum

Mensagem por Dominic Sjogren em Dom Abr 24, 2016 4:57 pm

Conforme o combinado, Monstro retornou para a mansão dos Black depois de cumprir as ordens de Voldemort e repassou ao patrão todas as informações. Inicialmente, Regulus achou extremamente fantasiosa a descrição da caverna, dos Inferi e da bacia de pedra contendo uma poção poderosa que Monstro fora obrigado a beber.

Somente quando o elfo mencionou o medalhão, Regulus compreendeu que se tratava de uma das relíquias de Salazar Slytherin. O comensal só precisou de mais alguns minutos para concluir que Voldemort não teria tanto trabalho para proteger uma simples joia, por mais valiosa que fosse. Quando a mente de Black chegou à resposta mais óbvia, o rapaz ficou tão chocado que perdeu as forças e caiu sentado sobre o sofá do quarto.

Uma horcrux. E não era difícil concluir que Voldemort teria coragem o bastante para criar mais de uma. Aquela novidade mudava tudo e tornava a vitória praticamente impossível para o grupo de Dumbledore. Um arrepio percorreu o corpo de Regulus quando ele se deu conta de que agora Alexia pertencia ao lado da guerra condenado ao fracasso.

E esta acabou sendo a motivação para que o herdeiro dos Black tivesse a coragem de sair de sua zona de conforto para lutar por aquilo que realmente acreditava. Mesmo que seu orgulho o impedisse de procurar por Alexia para pedir desculpas, Regulus estava decidido a dar o seu primeiro – e talvez último – passo para acabar com aquela guerra.

Monstro tentou convencer o patrão a abandonar aquela ideia louca. O elfo estivera na caverna com Voldemort e sabia que eram bem pequenas as chances de alguém sair vivo de qualquer tentativa de roubar o medalhão. Mas Regulus nunca estivera tão determinado e não permitiu que as palavras de Monstro o acovardassem.

O único ponto em que Black cedeu foi em aceitar a companhia do elfo doméstico. Quando concordou que Monstro o acompanhasse, Regulus não planejava usar os poderes da criatura para se salvar, tampouco usaria Monstro como isca para escapar. O rapaz simplesmente sabia que, se o pior acontecesse, precisaria do elfo para terminar o serviço e levar a horcrux às mãos certas.

Naquela madrugada, Black e Monstro refizeram os passos de Voldemort na caverna sombria. O local era ainda mais tenebroso do que parecera na descrição do elfo. A caverna exigiu que a varinha fosse abandonada do lado de fora e os dois só chegaram ao lago negro depois de um sacrifício de sangue. Monstro obviamente se ofereceu para cortar a própria mão e soltou um gemido de pesar quando o patrão o ignorou e manchou a parede da caverna com o nobre sangue dos Black.

Na pequena ilha localizada no centro do lago lotado de Inferi, tudo aconteceu exatamente como Monstro dissera. O medalhão com a horcrux estava dentro de uma bacia de pedra junto com uma poção e a única maneira de atingir a joia era depois de beber o líquido. Mais uma vez, o elfo implorou para cumprir aquela penosa tarefa, mas Regulus não permitiu. Monstro era a garantia de que o segredo de Voldemort sairia daquela caverna e a vida do elfo valia muito mais que a vida acabada de um Comensal da Morte prestes a cometer a maior das traições contra Voldemort.

Nos primeiros goles da poção, nada aconteceu. O gosto não era desagradável e não despertava nenhuma sensação negativa, mas Regulus sabia que o pior logo aconteceria e, por isso, ordenou que Monstro o fizesse tomar até a última gota mesmo se ele dissesse que não queria mais.

A interferência do elfo doméstico foi necessária em menos de um minuto. A poção não provocava dor física, mas Regulus logo entendeu que o objetivo era causar uma tortura psicológica enlouquecedora. Graças à poção, o caçula dos Black começou a reviver flashes dos piores momentos de sua vida. E, infelizmente, eles não eram poucos.

Uma infância inteira na casa dos Black, assistindo à terrível performance de Walburga como mãe. Os gritos, as constantes ameaças, a pressão para se tornar um motivo de orgulho para os pais... Logo em seguida vieram as brigas protagonizadas por Sirius, a forma como ele enfrentava a família, a facilidade com que o primogênito deu as costas ao caçula e o deixou sozinho naquele covil de cobras venenosas.

Em seguida, vieram as cenas que Regulus teve que assistir – e eventualmente participar – como Comensal da Morte. Sua mente se lembrava de cada rosto torturado ou morto, de cada grito de dor, de cada pedido de misericórdia.

A maior das torturas foi deixada para o final. Black já estava frágil e choramingava quando sua mente começou a reviver todas as brigas com Alexia. Inicialmente eram apenas as discussões bobas da infância, mas logo surgiu a cena em que Alexia o abandonara para trocar alianças com Avery. E, por fim, a briga definitiva ocorrida há poucas semanas.

Quando Monstro empurrou as últimas gotas de poção pela garganta do patrão, Regulus já choramingava como uma criança. Somente o brilho do medalhão de Slytherin refletido nas pedras da bacia vazia trouxe a atenção de Black de volta à realidade. As terríveis cenas ainda se alternavam na memória do comensal e Regulus sentia a garganta arder de sede, mas ainda teve forças para murmurar para Monstro.

- Pegue o medalhão.

O elfo assentiu antes de obedecer e, por estar tão concentrado em pegar o medalhão, não conseguiu impedir que Regulus cometesse um grande erro. Quando os olhos amarelados de Monstro perceberam que Black havia se arrastado para a margem do lago e estava prestes a tomar um gole de água, o elfo tentou alertá-lo com um grito, mas já era tarde demais.

A mão podre de um Inferi atravessou a superfície de água e agarrou com firmeza o braço de Regulus. O rapaz ainda tentou se esquivar, mas logo dezenas, centenas de Inferi começaram a brotar da água escura. Monstro correu na direção do patrão e os dois certamente teriam morrido juntos se não fosse pela ordem berrada por Black.

- Não! Não, Monstro! Eu ordeno que você saia daqui agora!

- Monstro não pode deixar o seu senhor Regulus!!!

- É uma ordem, Monstro! Saia daqui e vá procurar pela Alexia! Entregue o medalhão a ela, entendeu? Mais ninguém pode saber, só a Lex! – ao notar que o elfo continuava parado, lutando contra a própria natureza, Regulus estreitou os olhos – Vai me desobedecer, Monstro???

O elfo doméstico soltou um gemido de dor antes de estalar os dedos e desaparatar, levando consigo a horcrux. Sem a varinha, fraco e rodeado por centenas de Inferi, não parecia haver nenhuma maneira de Regulus escapar. Dezenas de mãos podres começaram a arrastá-lo para o lago e logo Black se viu submerso pela água escura e gelada.

A vida de Regulus Black estava bem próxima de um fim melancólico quando a sorte resolveu sorrir para o rapaz. Mesmo rodeado por Inferi e com a visão prejudicada pela água turva, os olhos cinzentos captaram a imagem de uma varinha abandonada na água. Certamente era a varinha usada por um dos Inferi quando vivos, mas no momento era somente a única chance que Black precisava para se salvar.

Lutando contra a força das mãos que tentavam arrastá-lo para o fundo do lago, Regulus esticou um dos braços. Seus dedos ficaram há um centímetro da varinha e, com um impulso salvador, Black conseguiu agarrá-la. Era tolice tentar lutar contra tantos Inferi, então o rapaz concentrou todas as suas forças em uma desaparatação.

Fraco, sufocado pela água e pelos dedos dos cadáveres, sabendo que não poderia aparatar na própria casa, Black pensou no local mais improvável possível. Foi um milagre que Regulus conseguisse chegar inteiro naquela rua trouxa onde ele estivera há algum tempo. Nem mesmo Alexia sabia que, um dia, o melhor amigo havia pensado em fugir com ela para o mundo dos trouxas, onde eles conseguiriam ter uma vida juntos sem a interferência de suas famílias.

O vento frio fez Regulus estremecer dentro das roupas molhadas e toda a exaustão que ele sentia depois da luta com os Inferi dominou o corpo e a mente do rapaz, mergulhando-o num profundo estado de inconsciência no meio da rua de um bairro trouxa.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Dom Abr 24, 2016 8:55 pm

Nem todos os anos sabendo como esconder seus sentimentos e proteger seus pensamentos foram capazes de preparar Severus para aquele momento. A notícia dada por Bellatrix como sua vitoriosa carta na manga atingiu ao professor de Poções na mesma proporção que uma maldição imperdoável.

O chão desapareceu sob seus pés e toda a sala dos Lestrange saiu de foco enquanto a frase ácida de Bella ecoava distante em sua mente. Snape chegou a cambalear um passo para trás e todo o sangue fugiu de seu rosto, deixando-o ainda mais pálido que o normal, quase fantasmagórico.

As vozes do casal Lestrange e do Lord das Trevas ainda soava ao seu redor, mas a mente de Severus era incapaz de processar o que diziam. Seu olhar buscou o caminho que ele sabia levar até o porão da mansão, a garganta fechada ao imaginar que Emmeline estava sofrendo, há poucos metros de distância, carregando um filho seu.

O mais cruel era se sentir responsável por aquela tragédia. Jenner estava no Beco Diagonal para se preparar para aquela data especial. Se ele jamais tivesse entrado em sua vida, a curandeira poderia estar em qualquer lugar do mundo, longe das garras de Lestrange e definitivamente sem carregar um filho de um homem tão imundo em seu ventre.

Por sorte, Bella estava tão satisfeita em contar aquela novidade que foi incapaz de perceber o abalo do Comensal da Morte a sua frente. Snape levou um tempo consideravelmente grande para se reestruturar, mas mesmo quando os olhares se voltaram para ele, era possível notar que algo estava errado.

Sua testa estava franzida e a boca ligeiramente aberta em horror. Se continuasse mais alguns minutos na presença de Voldemort, sua mente seria um livro aberto ao bruxo das trevas, principalmente quando seu olhar já entregava o pânico espalhado pelo seu corpo.

- Eu posso ir vê-la? – Snape balbuciou, interrompendo a conversa dos três bruxos.

O olhar de Bellatrix era imensamente surpreso, mas antes que ela pudesse fazer qualquer comentário que plantasse a semente da dúvida na cabeça do Lord das Trevas, Snape continuou.

- Imagino que você ainda esteja mantendo-a viva. Posso tentar arrancar da mente dela quem é o pai. Ficará mais fácil enviar o recado ao Dumbledore.

A Sra. Lestrange estava imensamente aberta àquela ajuda no dia anterior, mas aceitar qualquer gesto de Snape diante de Voldemort era quase um atestado de fracasso. Ela era orgulhosa demais para admitir diante do bruxo mais poderoso da atualidade que precisava da ajuda de um mestiço.

- Seus serviços não são mais necessários, Severus. Eu mesma irei arrancar esta informação da vadiazinha. Uma conversinha de garotas será suficiente.

O sorriso malicioso indicava que Lestrange não tinha a menor intenção de ter apenas um diálogo com Jenner. Para desespero de Snape, Voldemort alargou seu sorriso, parecendo pela primeira vez satisfeito com a insanidade de sua seguidora.

- Deixe Bella brincar um pouco, Severus. Você irá intervir se ela não estiver conseguindo sucesso.

Foi possível notar quando Bellatrix estreitou o olhar, mas ela jamais ousaria enfrentar o Lord das Trevas para dizer que teria sucesso, independente de qualquer coisa.

Por mais desesperador que fosse deixar a mansão dos Lestrange sem poder olhar para Emmeline, racionalmente Snape sabia que havia sido melhor. A notícia de um filho havia sido a gota que faltava para transbordar toda aquela farsa. Ele se entregaria facilmente no instante em que tocasse em Jenner, e tendo Lord Voldemort sob o mesmo teto resultaria na morte dos dois até o final do dia.

No instante em que se viu livre da presença dos Lestrange e de Voldemort, Snape desaparatou, surgindo quilômetros de distância. Ele só teve forças para cambalear até uma parede encardida de um bairro que sequer lembrava qual era. Foi apenas o tempo necessário para inclinar para frente e vomitar, sentindo a cabeça latejar, como se todo o seu mundo tivesse saído do eixo.

Seu corpo tremia em um desespero jamais experimentado antes. Não era mais a sua vida que corria perigo, mas ele também era responsável por Emmeline e por seu filho.

Nem mesmo o vento gelado foi capaz de fazer Severus se sentir melhor, mas ainda assim, ele ergueu a varinha e desaparatou mais uma vez, agora com um destino certo.

Mesmo em meio a guerra, Godric’s Hollow era uma vila que conseguia se destacar. As casas tão harmônicas e a tranquilidade das ruas não combinava com o sangue que manchava as calçadas de tantos lugares da Grã Bretanha. Ninguém poderia acreditar que havia um Comensal da Morte parado diante de uma casa específica.

Quando a porta foi aberta, revelando os cabelos vermelhos e os olhos verdes que Snape conhecia tão bem, ele não gaguejou.

- Eu preciso de ajuda.

A expressão de Lily Potter era de imensa surpresa, e seu primeiro instinto foi tentar proteger o próprio filho. O pequeno Harry em seus braços parecia muito concentrado em morder a própria mãozinha, ignorando a aflição da mãe.

Pela primeira vez, Snape foi capaz de compreender a raiva que Lily havia sentido quando ele quase colocara a vida de seu filho em perigo. Agora que podia sentir algo semelhante a da esposa de Potter, Severus achava que o destino estava apenas se vingando por toda sua crueldade. Era apenas uma grande injustiça que Emmeline tivesse que pagar pelos seus pecados.

- Lily? O que está acontecendo?

A voz de James soou atrás do ombro da ruiva e logo seu rosto também entrou no campo de visão de Severus. Assim como a dona da casa, a primeira reação do auror foi fechar o semblante e tentar proteger sua família.

- O que está fazendo aqui, Snape?

- Eu não sabia mais quem procurar. – Snape confessou, sentindo a aflição de cada segundo que passava e que Emmeline continuava abandonada no porão dos Lestrange.

Algo na expressão desesperada do professor fez com que os Potter se entreolhassem, espantados. Olhando rapidamente para a movimentação da rua, James chegou para o lado e sinalizou para que o professor pudesse entrar em sua casa.

Mesmo diante do cenário tão inusitado, Severus não hesitou.

- Bellatrix está com Emmeline. Albus disse que iria ajudar, mas preciso fazer alguma coisa agora. Não posso esperar as estratégias de Dumbledore.

Snape engoliu em seco enquanto torcia as próprias mãos.

- Emme está grávida, Potter. Você não faria qualquer coisa pela sua família? Eu estou tentando fazer pela minha.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Dom Abr 24, 2016 9:36 pm

Só depois da pequena explosão, Alexia pôde perceber que o pequeno elfo tremia, com os grandes olhos brilhando com lágrimas não derramadas. Por mais tentasse se lembrar, foi impossível trazer na memória qualquer ocasião que tivesse visto Monstro daquela forma.

Imediatamente a Sra. Avery sentiu um aperto em seu coração e emudeceu. Não era preciso ler mentes para descobrir que alguma coisa estava errada. Com um movimento rápido, ela jogou as cobertas para o lado e engatinhou até o elfo, puxando-o pela gola da roupa gasta que marcava sua escravidão.

- O que aconteceu, Monstro?

- O senhor Regulus... O meu senhor Regulus...

A voz engasgada da criatura fez o pânico de Alexia aumentar. O suor que antes brotava em sua testa com o sonho agitado logo foi substituído por uma sensação de frio repentino. Alexia trincou os dentes, temendo a resposta.

- O que tem o Regulus, Monstro?

O pequeno elfo ainda se encontrava tão abalado que demorou a conseguir controlar seus soluços. Aquela falta de informação sufocava Alexia, e sem se preocupar em ser delicada, ela se permitiu gritar, os olhos azuis já brilhando com as lágrimas que logo começariam a escorrer pelas suas bochechas fofas.

- DIGA AGORA! ONDE ESTÁ O REGULUS?

- Ele ficou! Mestre Regulus ficou no lago! Meu senhor pediu para entregar isso para a menina Alexia. Apenas para a menina Alexia, ninguém mais.

O bonito medalhão de Salazar foi esticado na direção de Alexia, mas os olhos azuis estavam presos no elfo, ainda tentando compreender aquelas palavras sem sentido. Ela sequer notou o “S” de Slyterin e no valor daquela rara joia quando o puxou pelos dedos e arremessou pelo quarto, fazendo-o deslizar pelo chão de madeira e parar perto da lareira.

- Que lago, Monstro??? Regulus está em perigo? RESPONDA!

Era a primeira vez que o criado dos Black via Alexia tão furiosa, e em uma mistura de medo e pânico por tudo que havia vivido, o elfo conseguiu apenas confirmar com um movimento da cabeça.

Como se estivesse apenas esperando aquela confirmação, Alexia saltou da cama e buscou um pesado que alcançava seus joelhos, jogando-o por cima da camisola sem se importar em se arrumar.

- Me leve até o Regulus, IMEDIATAMENTE!

Por mais que estivesse acostumada a dar ordens ao elfo dos Black, Monstro ainda devia sua obediência a Regulus e conseguia declinar de uma ordem de Alexia com uma facilidade que não existia para o restante dos membros de sua família. Ao perceber que o elfo recuava, Alexia voltou a segurá-lo pelas vestes.

- O senhor Regulus pediu para entregar o medalhão para a menina Alexia. Ele disse que Monstro deveria sair de lá.

Alexia respirou fundo, tentando driblar a natureza do elfo que o impedia de desobedecer seus senhores. Com a voz mais suave, mas ainda assim ansiosa, ela se agachou diante de Monstro.

- Regulus disse que você não poderia voltar? Disse que não poderia me levar até lá?

O elfo pareceu pensar por alguns segundos antes de negar com a cabeça, fazendo Alexia sorrir em meio ao desespero.

- Então me leve até lá, Monstro. Eu posso ajudar o Regulus!

O olhar apavorado de Monstro vacilou durante alguns segundos enquanto ele cogitava aquele pedido. Por fim, ele tocou o pulso da bruxa e os dois desapareceram com um estalido.

O frio da caverna era ainda mais intenso do que a Sra. Avery esperava, mas o lugar era tão inusitado que ela não teve tempo para se preocupar com a temperatura. Os olhos azuis logo se adaptaram a escuridão do lugar e Alexia buscou desesperadamente por qualquer movimento que indicasse a presença do caçula dos Black.

- Onde foi a última vez que você o viu, Monstro?

A criaturinha mantinha os braços finos espremidos contra o corpo, mas Alexia duvidava que ele tremia de frio. Seu dedinho magricela apontou para o meio do lago, há alguns metros de distância do barco abandonado as margens da pequena ilha.

- Não tem ninguém aqui.

Alexia sussurrou, caminhando na beirada do lago. Ela inclinou o rosto para as águas negras, extremamente calmas, quando um rosto fantasmagórico deslizou, flutuando sob a escuridão. O susto foi tão grande que a Sra. Avery perdeu o equilíbrio e caiu para trás.

Embora não se destacasse em todas as matérias em Hogwarts, Alexia ainda havia sido casada com um Comensal da Morte e conhecia o suficiente das trevas para saber o que era um inferi. Se Regulus estava mesmo no meio daquele lago como Monstro apontava, ela temia pelo que poderia ter acontecido.

- Talvez ele tenha conseguido ir para casa. – Ela balbuciou, lutando contra a realidade. – Me leve de volta, Monstro. Me deixe em casa, e depois vá para a mansão Black. Você vai esperar pelo Regulus e me avisar no instante em que ele chegar!

Mais uma vez, acompanhada do elfo, Alexia desaparatou até voltar para a segurança do seu quarto. Embora o elfo continuasse obedecendo suas ordens, ela podia notar em seu olhar que ele não nutria a mesma esperança.

Em questão de horas, o sol começava a nascer. E todo o dia se arrastou sem que Monstro retornasse com notícias. Alexia foi incapaz de deixar o quarto durante todo o dia, andando de um lado ao outro com o coração aflito.

Com mais calma, ela pôde analisar o medalhão esquecido sobre seu carpete. Como uma verdadeira Sonserina, foi fácil identificar a joia como a herança perdida de Salazar, mas ainda assim, ela não conseguia compreender como aquele objeto poderia ser tão significativo para Regulus.

A cada movimento do ponteiro, a esperança de Alexia se desmanchava. Ela estava jogada no chão do quarto com o medalhão em seus dedos quando o sol se pôs, ainda sem retorno de Monstro.

Quando não era mais capaz de se enganar, ela permitiu que as lágrimas descessem pelo seu rosto. Sua garganta queimava e logo o choro se tornou sufocante, desesperador. Os soluços ecoavam pelo quarto vazio, mas o mais doloroso era a sensação de que uma parte de seu coração havia sido arrancada do peito.

Não havia palavras para descrever o que seria o mundo sem Regulus Black. Era fácil odiá-lo em meio a tantas brigas, mas imaginar que jamais teria a chance de uma reconciliação, de ao menos ver o seu rosto outra vez, era mais do que Alexia conseguia suportar.

Por mais que estivesse mergulhada naquele sofrimento, Alexia ainda conseguiu forças para deixar a mansão no dia seguinte. Seu rosto estava abatido e sem maquiagem, mas ela estava firme quando apareceu no escritório de Albus Dumbledore, carregando o medalhão consigo.

- Eu não sei exatamente o que isso significa. – Alexia estava séria, os cabelos presos em um coque firme e o olhar fixo na joia que deslizava pelos dedos do diretor. – Mas Regulus não arriscaria a própria vida se não fosse algo de extrema importância.

Os olhinhos azuis de Dumbledore passeavam pelo medalhão antes de repousá-lo novamente sobre a escrivaninha.

- Está carregado de magia negra. Se eu estiver correto, Sra. Avery, o Sr. Black acabou de nos mostrar como vencer esta guerra.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Dom Abr 24, 2016 10:14 pm

- Vocês ficaram oficialmente malucos. Isso é suicídio.

A voz de Lupin ecoou pela cozinha dos Potter sendo seguida por uma exclamação aliviada de Lily, que finalmente via alguém concordar com a sua opinião.

O grupo que se reunia em Godric’s Hollow naquela tarde era bastante bizarro e heterogêneo. Em uma das pontas da mesa, Remus Lupin estava sentado com uma aparência péssima. O lobisomem acabara de enfrentar mais uma semana de lua-cheia e seu semblante exausto deixava bem claro que os últimos dias não tinham sido nada fáceis.

Na outra ponta da mesa, o dono da casa sacudia a cabeça num claro sinal de reprovação às palavras do amigo. Potter ainda usava o uniforme de auror, sinal de que havia acabado de chegar do trabalho, mas nem mesmo o cansaço o impediria de partir em mais uma missão.

De pé junto à pia, Lily Potter ainda carregava o filho nos braços enquanto andava de um lado para o outro. Era visível que a ruiva enfrentava um grande dilema interno. Por um lado, ela entendia a dor de Severus e desejava desesperadamente que Emmeline e o bebê fossem salvos. Por outro lado, Lily não estava pronta para apoiar a missão suicida que poderia culminar com ela viúva e com Harry órfão.

Sentado sobre um espaço vazio da pia, Sirius assistia à discussão com os braços cruzados e um semblante entediado de alguém que já tinha uma decisão firmada, independente de qualquer argumento. Os olhos cinzentos giraram com as palavras de Remus e se voltaram para Snape, que estava de pé junto à porta, imóvel como um réu que espera o veredicto que vai mudar radicalmente os rumos de sua vida.

- Prongs, eu tenho uma pergunta... – Black ergueu a mão e novamente encarou o melhor amigo – Por que chamamos o Moony?

- Eu não chamei. A Lily chamou porque alguém precisava concordar com ela...

- Sim. – os olhos da ruiva faiscaram – Alguém sensato precisava unir a voz à minha. Talvez assim o meu marido entenda que ele tem uma família e que não pode arriscar a própria cabeça sem pensar no filho!

- Esta é a sua sugestão, Lily? – James estava anormalmente sério – Vamos empurrar o Snape para fora desta casa e fingir que ele não precisa de ajuda. Então faremos um lindo jantar, passaremos a noite brincando com o Harry e depois iremos dormir com a consciência em paz, afinal não é a nossa família que está sofrendo nas mãos de Bellatrix Lestrange!

As palavras irônicas de Potter deixaram Lily engasgada por vários segundos. É claro que ela não era indiferente à dor de Emmeline e ao desespero de Severus e jamais viveria em paz com a própria consciência se negasse ajuda ao sonserino. Só era difícil demais apoiar uma missão que possuía chances quase nulas de sucesso.

- Só estou dizendo que isso precisa de um planejamento melhor. Vamos chamar os outros, vamos pensar numa estratégia!

- Não temos tempo, Lily! Cada minuto que passa é um minuto a mais que a Emmeline passa naquele lugar! Os outros não irão sem a permissão de Dumbledore e não podemos esperar o Dumbie chupar feijõezinhos até encontrar um sabor que lhe dê uma grande ideia!

- O que eu vou dizer ao Harry se você não voltar!? – Lily já soava chorosa e histérica.

- A verdade. Que eu morri para que ele pudesse viver num mundo melhor, um mundo onde nenhuma louca ameaça um bebê ainda no ventre da mãe.

- Você fala como se fosse simples dizer isso para uma criança!

- Diga que ele é filho do Dumbie, então... – Sirius já não conseguia mais controlar o mau humor – Nós vamos ou não vamos?

A voz de Lupin novamente soou numa tentativa de levar um pouco de racionalidade aos dois melhores amigos.

- Vocês três vão simplesmente invadir a mansão dos Lestrange com as varinhas em mãos, vão jogar por terra o disfarce do Snape e vão enfrentar sabe-se lá quantos comensais? O próprio Voldemort, talvez! Isso sem mencionar o grau de loucura da Bellatrix, ela é capaz de qualquer coisa.

- Eu concordo que a Bellatrix é perigosamente louca, é impossível entender como funciona a cabeça dela. – James abriu um sorrisinho cretino – Por isso vamos levar o Sirius. E você também vai, Moony.

Antes que Remus pudesse iniciar um de seus discursos sobre como os amigos não levavam nada a sério, James inclinou-se sobre a mesa e arrancou alguns fios do cabelo dele. O lobisomem ainda não havia entendido a ideia quando Potter estendeu a mão na direção de Severus Snape.

- O seu disfarce precisa ser mantido, é a minha única exigência. Espero sinceramente que a polissuco não tenha também o poder de transmitir maldições.

- Pois eu espero que transmita. – Sirius ergueu uma das sobrancelhas para Snape – Só estamos juntos nisso para salvar a Emme, Ranhoso. Não venha fingir que somos amigos quando tudo isso acabar.

(...)

Se antes Emmeline estava conformada com o próprio futuro, agora nem mesmo este consolo ela teria antes de morrer. Desde o instante em que o curandeiro mencionara a gravidez, Jenner se viu mergulhada num pesadelo de dor e desespero. Ela não se importaria em se tornar uma vítima daquela guerra, mas não se perdoaria por ter arrastado um filho para aquele destino infeliz.

Só agora Emmeline compreendia os sinais e julgou-se tola por não ter percebido antes. Como curandeira, ela deveria ter notado imediatamente a mudança de apetite, a sonolência dos últimos dias, o aumento da tentação por doces, o pequeno atraso em seu ciclo sempre tão regular.

Aquela gravidez teria sido uma grande preocupação, mas também um motivo de felicidade se a situação fosse outra. Snape certamente surtaria com a segurança daquela criança, mas Emmeline nunca teria a chance de saber o quanto ele ficaria feliz em ser pai. Na prática, era como se aquela gravidez já estivesse perdida. Jenner sabia que não sairia viva da casa dos Lestrange e, consequentemente, o bebê também não.

Não havia saída e a única coisa que Jenner podia fazer era evitar que a verdade condenasse também o professor. Por isso, mesmo diante das piores ameaças e de mais algumas horas de tortura, Emmeline não deu à Bellatrix o nome que a comensal exigia.

Jogada num canto imundo do porão, Emmeline encolheu-se e abraçou as pernas dobradas junto ao tronco em uma tola tentativa de proteger a vida que crescia em seu ventre. Jenner não sabia se o filho ainda estava vivo depois das últimas horas de tortura, mas seu instinto ainda era protegê-lo.

Aquele gesto enfureceu tanto Bellatrix que a mulher acertou as costas de Emmeline com um chute tão potente que, por alguns minutos, a dor aguda fez com que a curandeira mergulhasse na inconsciência. Por estar desmaiada, Emmeline não acompanhou o diálogo que aconteceu em seguida.

- Já chega, Bella. Não teremos nenhum trunfo se ela perder a criança.

- Esta maldita não fala nada, Dolphus! Ela vai morrer sem entregar o pai da criança! Talvez seja só um trouxa e estamos perdendo tempo imaginando que seja alguém da Ordem! Não quero nem pensar nessa possibilidade, o que eu diria ao Lord das Trevas? Que ela é apenas uma trouxa grávida de um verme como ela?

- Sabe, Bella... – calmamente, Rodolphus desceu as escadas do porão com a varinha em punho – Eu sempre achei que os melhores homens não ficam esperando que a sorte lhes presenteie. Um verdadeiro homem faz a sua própria sorte.

A varinha de Lestrange foi apontada para a testa de Emmeline e ele abriu um sorrisinho maldoso para a esposa.

- Quem você quer que seja o pai?

- Vamos mentir para o Lord das Trevas???

- Não, não, não... – Rodolphus ergueu uma das sobrancelhas – Vamos fazer com que a nossa história se torne verdadeira, querida.

- Sirius Black.

Sob o olhar atento da esposa, Rodolphus Lestrange não teve dificuldade para apagar parte da memória de Emmeline e para implantar lembranças falsas na cabeça da loira. Mesmo se Lord Voldemort tentasse ler a mente de Jenner, só encontraria a “verdade” criada por Lestrange.

Agora, Sirius Black era o pai do bebê no ventre de Emmeline.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Dominic Sjogren em Sab Abr 30, 2016 2:54 am

Quando as pálpebras se ergueram, revelando um incomum par de íris acinzentadas, Regulus Black não saberia dizer por quanto tempo ficara inconsciente. Todo o seu corpo estava dolorido, a visão turva demorou consideravelmente até entrar em foco e os pensamentos confusos transitavam pela cabeça dele sem que nenhuma daquelas lembranças fizesse o menor sentido.

Em meio aos flashes, o rapaz viu um lago de águas escuras de onde saíam centenas de cadáveres. A visão assustadora provocava arrepios e acelerava os batimentos cardíacos de Black, mas era igualmente aterrorizante olhar para os lados e não reconhecer nada no ambiente que o cercava.

Os primeiros dias não foram fáceis. A mente confusa deixava Regulus agitado e obrigava os médicos trouxas a aumentarem repetidamente as doses de sedativos que o mantinham mais tranquilo durante aquela penosa recuperação.

Além de ter fraturado as duas pernas com a queda nada sutil daquela desaparatação difícil, o herdeiro dos Black tinha batido a cabeça em uma calçada. A água escura e gelada do lago não havia conseguido transformar Regulus em mais um dos cadáveres de Voldemort, mas fora o suficiente para provocar uma pneumonia que complicou consideravelmente a internação de Black naquele hospital de trouxas.

Já que fora encontrado inconsciente em uma rua e sem documentos, Regulus deu entrada no hospital com uma ficha de paciente não identificado. Como o rapaz estava bem vestido e parecia bem cuidado, os médicos esperavam que logo alguém da família surgisse procurando por notícias, mas isso não aconteceu. Black já completava duas semanas de internação sem que ninguém procurasse por um rapaz com aquele perfil. A polícia trouxa também já estava ciente da situação, mas também não obtivera sucesso nas tentativas de identificar o jovem.

Quando Regulus finalmente acordou daquele estado de coma induzido, as pessoas que o rodeavam não tinham sequer um nome para chamá-lo. Portanto, obviamente, foi esta a primeira pergunta dirigida ao paciente quando Black finalmente pareceu ter condições de se comunicar com a equipe médica.

- Querido, nós precisamos de um nome para tentarmos localizar a sua família. Como se chama?

A pergunta soou pelos lábios de uma enfermeira de meia idade que, naquela manhã, era a responsável pelo leito de UTI no qual Regulus estava internado. O olhar bondoso da mulher era reconfortante, mas Black sabia que não podia confiar nem mesmo naquela trouxa. Regulus só continuava vivo porque, muito provavelmente, Voldemort e seus comensais pensavam que ele já estava morto.

- Eu não tenho família.

A voz soou tão frágil e rouca que nem mesmo Regulus reconheceu o próprio timbre.

- O que aconteceu? Você se lembra?

- Um assalto. – a mentira soou convincente. Depois de tantos anos, Regulus havia se tornado um excelente mentiroso – Eu estava na cidade a negócios, mas me levaram tudo e tentaram me matar.

- E o seu nome? – a enfermeira insistiu, sinceramente preocupada – Levaram seus documentos também, precisamos de um nome.

- Edgar Jones.

O nome surgiu na mente de Regulus como uma salvação. Edgar Jones era um trouxa que tivera o azar de se casar com uma bruxa de sangue ruim. Os Jones tinham sido mortos há alguns meses pelos Comensais da Morte. Depois de uma longa sessão de tortura de Bellatrix, não houvera sequer um corpo a ser identificado e, muito provavelmente, o rapaz que vivia com a esposa em Manchester fora dado como desaparecido pelos trouxas.

Tal como Regulus imaginava, a sua história logo foi aceita pelos policiais. A ausência de documentos e de familiares que pudessem desmenti-lo fizeram com que Black se encaixasse com perfeição no perfil do jovem vendedor autônomo que levava uma vida discreta e não tinha muitos amigos.

Viver como um trouxa naquele mundo desconhecido era como um pesadelo para Regulus, mas não parecia haver outra solução melhor. Voltar para casa era um suicídio. Black seria obrigado a retornar para uma guerra na qual ele não queria lutar em nenhum dos lados ou seria morto pelo próprio Voldemort diante da traição cometida.

Não havia muito a perder. Regulus sentia-se aliviado em pensar que agora finalmente ficaria livre dos Black e de toda a pressão para ser o filho perfeito e o herdeiro que perpetuaria o sobrenome da família. Obviamente o rapaz também não se lamentava por perder a noiva, visto que Winnifred nunca fizera parte do futuro que Regulus planejava para si.

As lembranças de Alexia provocavam um aperto no coração do rapaz. Era desesperador pensar que, com aquela decisão, Regulus nunca mais veria a melhor amiga. Mas ele não pretendia desistir. Alexia agora era a Sra. Avery e havia mudado radicalmente a própria vida. Black não se encaixava mais no futuro da amiga e, talvez, fosse mais seguro para os dois que Alexia acreditasse que o rapaz estava morto. Aquela morte em prol da derrocada de Voldemort dava a Regulus uma dignidade que ele sabia que nunca poderia oferecer à Alexia. Aquela mentira ao menos faria com que Alexia sentisse um pouco de admiração pela coragem que motivara o amigo a dar a própria vida em troca da horcrux.

Sem dúvida, a parte mais difícil de deixar tudo para trás era pensar no desespero de Monstro. O elfo certamente sofreria muito e nunca se perdoaria pela “morte” do patrão, mas era o preço a ser pago por aquela escolha. Black estava disposto a carregar aquela culpa em troca da chance de, finalmente, tomar as rédeas da própria vida.

Era irônico que ele tivesse que deixar de ser Regulus Black para finalmente se encontrar. Quando saiu do hospital trouxa como Edgar Jones, Regulus sentiu-se livre como nunca. Era como se ele fosse um pássaro que nascera na gaiola dos Black e agora, finalmente, encontrava a portinhola aberta e podia voar para onde quisesse.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Dom Maio 01, 2016 5:31 pm

Nem em um milhão de anos Severus Snape pensou que fosse engolir seu orgulho e pedir ajuda dos marotos. Parecia surreal demais a volta que sua vida havia dado e a transformação feita desde a chegada de Emmeline.

Ainda assim, enquanto assistia a discussão entre os três melhores amigos bem diante dos seus olhos, como se sua presença fosse completamente insignificante enquanto debatiam sobre o seu futuro e bem mais precioso, Snape sabia que jamais se arrependeria daquela decisão tão radical.

Ele parecia apenas a sombra do homem que fora um dia, encostado em uma das paredes da cozinha dos Potter, completamente emudecido enquanto seu coração se espremia junto com o movimento dos ponteiros do relógio. Era inevitável pensar que, se a situação fosse diferente, o professor de poções poderia não estar tão disposto a ajudar e pela primeira vez em sua vida ele se sentiu grato pela coragem estúpida tão característica de grifinórios.

Quando os fios claros de Remus Lupin foram esticados em sua direção, o coração de Snape falhou uma batida e ele encarou a mão de Potter, ainda incrédulo. Logo o auror, que mais havia tido desavenças ao longo dos anos, era o que mais estava disposto a ajudar. Independente da real motivação, ainda era o velho inimigo que estava em sua casa, lhe pedindo para enfrentar o perigo.

Como não havia tempo a perder, Snape se recompôs em questão de segundos e confirmou com um movimento da cabeça, ignorando o comentário ácido de Black.

- Ela está no porão dos Lestrange. Eu posso mostrar o caminho.

Três jovens invadirem a casa de um casal de Comensais da Morte sem plano algum, apenas com as varinhas erguidas parecia um pacto suicida. Mas a guerra que batia em suas portas, dia após dia, apenas ensinava que nem sempre as ações precisavam ser detalhadamente calculadas.

Snape apenas se certificou que eles partissem em um horário específico, sabendo que Rodolphus estaria ausente em uma missão, e com a proximidade da reunião de Comensais, Bellatrix certamente não estaria em casa também, já que a bruxa era sempre uma das primeiras figuras a aparecer, como se aquilo pudesse lhe dar mais algum destaque aos olhos do Lord das Trevas.

A mansão Lestrange estava mergulhada em um silêncio temeroso e ao mesmo tempo reconfortante. A temperatura em seu interior conseguia ser tão gelada que provocava arrepios na pele pálida de Snape. Os cômodos eram muito escuros e apesar dos móveis caros, era possível notar o gosto sádico de Bellatrix em cada detalhe, nas cores negras e arroxeadas dos tecidos ou em caveiras que eram exibidas nas prateleiras como se fossem mimos.

Apesar de não ter sinal algum dos donos da casa, os três pares de olhos estavam devidamente atentos e as varinhas erguidas, prontas para o ataque. Snape enxergava os dedos tão diferentes dos seus e a varinha de Remus Lupin erguida diante dos seus olhos, lhe provocando um grande desconforto.

Era desconfortável estar na pele do lobisomem. Remus era alguns centímetros mais baixo, mas o que mais chamava atenção era a dor que se espalhava por cada membro. Snape sabia que as noites de lua cheia sempre proporcionavam a Lupin momentos de um verdadeiro pesadelo, mas sentir as consequências no próprio corpo, mesmo sendo um mero cansaço, era uma realidade completamente diferente.

Lutando para que aquela sensação não atrapalhasse seus reflexos, Snape tomou a dianteira, mostrando o caminho para Potter e Black. Uma pequena nuvem de fumaça branca se formava com a respiração cada vez que se aproximavam no porão, e saber que Emmeline estava exposta a uma temperatura tão baixa, em condições tão precárias, revirava o estômago do professor. Cada segundo que passava, não só a vida da curandeira estava em risco, como também a do seu filho.

Embora não fosse voltar atrás até que Jenner estivesse a salvo, uma parte de Snape duvidava que aquela gravidez tão precoce pudesse sobreviver a tantos danos. Sua garganta fechava cada vez que aquele pensamento cruzava sua mente, mas Severus tinha anos de experiência para permitir que qualquer coisa atrapalhasse sua missão.

O porão dos Lestrange era cortado pelo ruído fraco da respiração da loira e estava exatamente como da última vez que Snape tivera ali. Mesmo estando na pele de Lupin, ele não se inibiu em se ajoelhar diante da namorada. Seu casaco foi imediatamente retirado para cobrir a pele suja e gelada de Emmeline. Apesar dos poucos dias, já era facilmente notável que a curandeira estava alguns quilos mais magra. Inconscientemente, sua mão foi levada até o ventre da curandeira.

- Emme? Nós vamos te tirar daqui. Você consegue andar?

- Olha o que aquela doente fez com ela. – Sirius rangeu os dentes enquanto se agachava do outro lado. – É claro que ela não consegue andar! Muito mal consegue respirar.

- Dá para vocês brigarem depois? Os Lestrange podem voltar a qualquer minuto! – Potter era o único que mantinha a distância, os olhos atentos ao segundo andar, assim como os ouvidos esperando qualquer ruído.

Snape se inclinou para frente, mas antes que ele tivesse a chance, Sirius rodeou Emmeline com os braços e a ergueu com facilidade. O professor estreitou os olhos, mas Black já estava de pé, carregando a curandeira como se ela não tivesse peso algum.

- Você vai na frente. Você ainda sabe o melhor caminho para tirar a gente daqui.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Dom Maio 01, 2016 6:09 pm

Albus Dumbledore não poderia estar mais certo em dizer que Regulus Black havia mostrado como ganhar aquela guerra. Ainda assim, não significava que as coisas haviam se tornado mais fáceis. As reuniões da Ordem da Fênix passaram a acontecer com muito mais frequência, embora muitas vezes o diretor de Hogwarts estivesse ausente, em missões próprias.

Embora a coragem de Regulus Black fosse desconhecida ao mundo, os membros da Ordem admitiam que o irmão caçula de Sirius havia morrido como um herói, dando a eles a chance que precisavam para derrotar o Lord das Trevas.

A descoberta de uma horcrux era assustadora demais, e se tornou ainda mais horripilante quando Albus questionou quantas mais existiriam. Parecia cruel demais partir sua alma uma única vez e era surpreendente que até mesmo Voldemort tivesse coragem para dividir em mais pedaços, apenas para se certificar que continuaria vivo.

Logo Alexia descobriu que estar naquele lado da guerra não era a única transformação em sua vida. Nas primeiras semanas, ela chegou a acreditar que os enjoos e falta de apetite eram apenas efeitos colaterais da perda do melhor amigo. Bastou que o tempo passasse para ela somar a falta de disposição com o atraso do seu ciclo.

Seu mundo desabou quando ela teve a certeza de uma gravidez. Era loucura ter um bebê com o fim dos tempos em que viviam. Aos olhos da sociedade, seu marido estava acabado em Azkaban, sem saber que o verdadeiro pai havia morrido como um herói, traindo o próprio Lord das Trevas.

A notícia, a principio tão assustadora, logo se transformou na maior felicidade de Alexia. Embora não tivesse mais Regulus ao seu lado, o melhor amigo havia deixado um pedacinho para que ela não se sentisse tão sozinha.

Foi durante aqueles nove meses que Albus Dumbledore compartilhou com a Ordem sua suspeita de que Voldemort tinha não apenas uma, mas sete horcruxes. Era impossível dizer com certeza um número exato, mas mesmo com a mera desconfiança, Dumbledore tinha credibilidade o suficiente para que a Ordem soubesse que ele não havia chegado naquele número aleatoriamente.

Também foi durante o período de gestação de Alexia que os jornais noticiaram a morte de Jackson Avery em Azkaban. O Comensal havia sucumbido a uma terrível pneumonia, que somada a fraqueza provocada pelos Dementadores, levou até aquela morte prematura.

Apesar do título de viúva, quando Alexia finalmente deu à luz a pequena Aria, as caretas desconfiadas começaram a surgir diante do par de olhos cinzentos, tão característicos da família Black.

Alexia Avery havia herdado toda a fortuna do marido, tinha o sangue puro e todos os negócios dos Avery em suas mãos, mas foi gradativamente excluída dos encontros sociais. Em partes, Winnifred havia participado daquele processo, extremamente ofendida com o que estava implícito diante dos seus olhos e ninguém tinha a coragem de dizer em voz alta.

A mansão que Alexia havia dividido com Jackson foi logo deixada para trás e a viúva foi morar com a filha em uma casa afastada. Embora não fosse tão grande quanto os lugares que a Sra. Avery já havia morado, o lugar era ainda assim enorme e luxuoso, cercado por muitas árvores e uma paisagem verde, onde sua filha pudesse crescer afastada da escuridão que ela havia se acostumado.

Quando a Ordem da Fênix comemorava a terceira horcrux destruída, Aria também completava um ano de idade. Voldemort ainda aterrorizava as ruas bruxas com seus seguidores e estava longe de ser tempos tranquilos, mas a proximidade da vitória era motivo de alegria para aqueles que estavam envolvidos diretamente naquela batalha.

Foi necessário mais um ano até que as sete horcruxes estivessem completamente destruídas, e embora ninguém tivesse a certeza da existência de mais alguma, a batalha que finalmente derrotou o Lord das Trevas chegou para trazer luz novamente na vida das pessoas.

A comemoração no mundo bruxo foi tão grande que até mesmo os jornais trouxas relataram fenômenos anormais, como consequência de festas exageradas de uma realidade que eles desconheciam.

Os anos que passaram até Aria completar quatro anos de idade foram tão diferentes dos que Alexia estava acostumada que, por muitas vezes, ela ainda acordava sobressaltada no meio da noite, sem acreditar no que sua vida havia se transformado.

Ela jamais imaginou que acabaria sozinha, com uma filha em seus braços e afastada da alta sociedade bruxa. Sequer cogitou a possibilidade de se aproximar de Sirius Black algum dia, mas com a morte de Orion e Walburga, aquela menina era a única relação de família deixada para ele. Alexia sabia que demoraria uma eternidade e provavelmente Regulus jamais aceitasse, mas ela se sentiria um monstro se tentasse impedir o relacionamento do tio com a sobrinha.

O mais diferente em sua vida era, sem dúvida, a ausência do melhor amigo. Não havia um único dia que Alexia passasse sem pensar em Regulus e sentir o peito se apertar de saudade. Era uma cicatriz que doía da mesma forma que cinco anos antes, com o único conforto de encontrar no par de olhos de Aria a mesma cor acinzentada que ela conhecia tão bem.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Dom Maio 01, 2016 7:58 pm

Somente a respiração pesada de Emmeline provava que a loira ainda estava viva quando Sirius a ergueu do chão imundo do porão dos Lestrange. Em nenhum momento os olhos da curandeira se abriram ou ela se mexeu. Era como se até aqueles singelos movimentos fossem impraticáveis naquele momento de completa exaustão.

O casaco que a envolvia aos poucos contribuiu para que a pele de Jenner se tornasse menos gelada, assim como os passos de Sirius, que se afastava do porão dos Lestrange. Emmeline sequer tinha consciência do que estava acontecendo ao seu redor, por isso foi a única que não se sobressaltou quando, ao fim de um corredor, o grupo de seguidores de Albus Dumbledore deu de cara com Rabastan Lestrange.

O primeiro gesto do rapaz foi puxar a manga da camisa e tocar a Marca Negra, chamando por reforços. Exatamente por isso, Rabastan não reagiu a tempo de se defender do feitiço que fez com que ele voasse pelos ares e caísse inconsciente no chão depois de ter atingido uma das paredes.

Potter recolheu a varinha do Comensal da Morte e fez um gesto para que Snape – na pele de Remus Lupin – se apressasse em mostrar a saída. Era impossível prever quantos minutos eles tinham antes que a mansão estivesse cercada pelos seguidores de Voldemort.

Como não havia mais tempo a perder, os três homens literalmente correram pelos corredores da mansão. Potter e Snape iam na frente, abrindo caminho com as varinhas em punho, enquanto Sirius seguia atrás com Emmeline nos braços. Em poucos minutos eles alcançaram o jardim, mas não tiveram a sorte de atravessar os portões antes que os comensais chegassem.

O primeiro feitiço passou há dois centímetros da orelha de Sirius, que berrou para alertar os colegas sobre a chegada dos inimigos. James estava há um metro do portão, mas não pensou duas vezes antes de girar o corpo no sentido contrário para enfrentar a batalha. É claro que ele e Snape jamais conseguiriam derrubar tantos Comensais da Morte, mas os dois só precisavam ganhar algum tempo até que Sirius estivesse a salvo com Emmeline.

Naquele dia, Severus seria obrigado a reconhecer as qualidades de James Potter. Jenner fora salva graças à tola coragem grifinória e ao preparo do auror. Enquanto Potter e Snape lutavam bravamente e desviavam as maldições lançadas contra eles, Sirius derrubou o portão com um chute e atravessou a área coberta pelos feitiços de proteção. O “crack” ecoou pelo jardim no instante em que Black desaparatou, levando Emmeline consigo, e foi o sinal para que o auror recuasse.

- Vamos!

Sem pensar demais, James agarrou a camisa de Remus e puxou o colega na direção do portão. Uma chuva de feitiços foi lançada contra os dois, mas eles conseguiram chegar à área externa da casa e desaparataram juntos. Só quando aterrissaram de forma nada suave no tapete da casa dos Potter, o auror percebeu que estava ferido. A camisa rasgada estava manchada de sangue em vários pontos, mas por sorte os cortes tinham sido superficiais. Lily até fez menção de ajudar o marido, mas Potter sacudiu a cabeça e apontou para o segundo andar da casa.

- Emme. Vá ajudar a Emme, eu estou bem!

De fato, James conseguiu controlar o sangramento e fechou os cortes usando feitiços simples. Não demorou para que a casa dos Potter estivesse lotada de membros da Ordem da Fênix. É claro que a atitude suicida dos rapazes não fora bem aceita, mas ninguém questionou o sucesso daquela missão arriscada. Emmeline havia sobrevivido a Bellatrix Lestrange e isso era muito mais do que a maioria dos colegas esperava.

Além dos cuidados de Molly e Lily, Emmeline recebeu a visita de um curandeiro de confiança de Dumbledore. O homem passou toda a madrugada trancado no quarto de hóspedes e, só quando os primeiros raios de sol começaram a iluminar o horizonte, Lily desceu para a sala com notícias.

O cansaço estava refletido em cada traço do rosto de Lily depois daquela noite em claro. A Sra. Potter descruzou os braços ao sentir sobre si tantos olhares ansiosos e pigarreou antes de tomar a palavra.

- Ela acordou, mas ainda está muito fraca. O curandeiro está terminando de preparar as poções que a Emme vai precisar e sugeriu que ela permaneça de repouso nas próximas semanas...

- E o bebê? – Arthur provavelmente verbalizou a pergunta que todos se faziam naquele instante.

Os olhos verdes de Lily buscaram rapidamente por Snape antes que a ruiva terminasse de dar as notícias.

- Sobreviveu. O curandeiro disse que foi um milagre e que ainda existe risco, mas as poções e o repouso vão ajudar.

O alívio ficou estampado em todos os rostos. Várias pessoas se abraçaram e, contrariando toda a rivalidade dos últimos anos, James deu alguns tapinhas amigáveis nas costas de Snape. Contudo, antes que o professor pudesse se satisfazer com aquelas boas notícias, Lily torceu uma mão na outra e lançou a ele um olhar de pesar.

- Eles fizeram alguma coisa com a memória da Emme, Snape. Ela está bastante confusa e... – Lily tentou escolher as melhores palavras, mas não havia nenhuma forma sutil de contar a novidade - ...ela quer ver o Sirius. A Emmeline acredita firmemente que o Sirius é o pai do bebê.

Todos os olhos se voltaram para Black, que engasgou-se com a cerveja amanteigada que bebericava num canto da sala. Os olhos cinzentos se arregalaram e ele ergueu uma das mãos em sinal de rendição.

- Eu sou inocente! Eu juro que o filho não é meu, eu nunca toquei nela! Diz pra eles, Prongs!

- Eu??? – James sacudiu a cabeça em negativa – Eu te conheço o bastante para não colocar a mão no fogo por você quando o assunto é mulher, Padfoot!

- Qual é!? Eu bem que tentei, mas não rolou nada! – Sirius estava sério quando encarou Severus – Nada, ok? Eu seria o primeiro a falar a verdade se tivesse dormido com a sua mulher, Ranhoso! Mas nunca aconteceu! Foi a vadia da Bella que implantou essa memória na Emme!
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Re: Veritaserum

Mensagem por Dominic Sjogren em Dom Maio 01, 2016 10:04 pm

Como de costume, Regulus Black estava dolorido ao fim de mais um dia de trabalho. A dor nos músculos e articulações era o preço que seu corpo cobrava depois de tantas horas de pé, caminhando entre as mesas para servir todos os clientes daquele pequeno restaurante londrino.

Definitivamente, não era este o futuro brilhante que os Black desejariam para o seu herdeiro. Muito pelo contrário, Orion e Walburga prefeririam ver Regulus morto do que agindo como um trouxa e ganhando um salário miserável em troca do trabalho de garçom. Mas, contraditoriamente, o trouxa Edgar Jones se sentia livre e feliz como Regulus Black jamais fora.

Depois de cinco anos, era inegável que Regulus havia conquistado o seu espaço no mundo trouxa. O ex-garçom atrapalhado agora era um dos funcionários de confiança do dono do restaurante e também era um dos nomes mais citados para ocupar o lugar do gerente, que deixaria o cargo ao fim daquele mês para abrir o próprio negócio.

O restaurante estava longe de ser um dos pontos mais refinados ou badalados de Londres, mas tinha uma quantidade crescente de clientes fieis graças ao bom serviço oferecido. A comida era deliciosa, os funcionários eram gentis e o preço não poderia ser mais justo. Quando Regulus começou a trabalhar ali, era comum que várias mesas permanecessem vazias mesmo nos fins de semana. Agora era raro que um cliente conseguisse uma boa mesa sem uma reserva.

- As gorjetas foram generosas hoje, Ed?

A pergunta veio do dono do restaurante, que fechava o caixa ao fim daquela noite de sábado.

- Não posso reclamar, Johnny. – Regulus abriu um sorriso satisfeito.

- Eu também não. – o homem riu, ainda concentrado nas contas do caixa – Mais alguns sábados assim e conseguirei tirar aquela reforma do papel.

O dono do restaurante se referia a um velho projeto de reformar o segundo andar para transformá-lo em um novo salão com mais mesas para acomodar os clientes. Isso era um pensamento megalomaníaco há cinco anos, mas agora as longas filas de espera do restaurante já mostravam que a reforma era um passo inevitável.

- Vá para casa, você deve estar exausto. – John finalmente ergueu os olhos e fitou o garçom – Enquanto descansa, pense um pouco naquilo que conversamos. Sobre a gerência...

- Johnny, eu realmente não sei se estou pronto. Quando eu entrei aqui, mal sabia carregar uma bandeja.

- Sim, você era péssimo. – o trouxa soltou uma risada gostosa – Deus do céu, não sei como tive tanta paciência! Mas valeu a pena, Ed. Você aprendeu tudo o que era preciso e agora está pronto para subir mais um degrau. Eu quero que seja o novo gerente. Apenas pense sobre isso, está bem? Você tem mais algumas semanas para digerir a ideia.

Quando saiu do restaurante, já no meio da madrugada, Regulus se perdeu nos próprios pensamentos sobre os rumos que sua vida tomara nos últimos anos. A Marca Negra, que aos olhos dos trouxas era apenas uma tatuagem de mau gosto, acabou se tornando a única lembrança da vida pregressa do Comensal da Morte.

Todo o resto havia mudado radicalmente. Ele não se chamava mais Regulus Black, não pertencia mais ao núcleo mais elevado da sociedade, não morava em uma mansão, tampouco tinha elfos para fazerem todo o trabalho. A varinha que salvara a vida de Regulus no lago dos inferi continuava guardada no fundo de uma gaveta, mas era raro que Black sequer se lembrasse da existência dela.

Depois de cinco anos vivendo como um trouxa, o rapaz realmente gostava de pensar que agora era Edgar Jones, um simples garçom que trabalhava duro para pagar as suas contas e que, eventualmente, ganhava gorjetas melhores que lhe permitiam alguns poucos excessos. O minúsculo apartamento alugado onde Jones vivia não se parecia em nada com a casa dos Black, mas Regulus jamais trocaria aquele lar pelos enormes cômodos sombrios do local onde crescera.

Monstro nunca permitira que o jovem patrão lavasse uma colher, mas Regulus passava tanto tempo ao lado do elfo doméstico que acabou aprendendo o básico. O próprio Black se surpreendeu ao descobrir que conseguia cuidar sozinho da limpeza do apartamento e dos cuidados com as próprias roupas. Cozinhar acabou se tornando o maior desafio daquela nova vida, mas, depois de cinco anos de tentativas e de tudo o que aprendera no restaurante, Regulus agora sabia sobre culinária muito mais que a maioria dos trouxas.

Aquela nova vida podia parecer simples demais para um rapaz rico, sempre acostumado ao luxo. Mas a simplicidade vinha acompanhada de uma liberdade inédita para o herdeiro dos Black. Pela primeira vez na vida, Regulus podia ter uma opinião própria, podia fazer seus próprios planos para o futuro, podia ter os amigos que quisesse, podia fazer suas escolhas sem se importar com o que a sociedade pensaria sobre elas.

E foi exatamente esta liberdade que motivou Regulus a continuar na pele de Edgar Jones mesmo depois de ter reconhecido os sinais claros de que a guerra do mundo bruxo chegara ao fim. Os trouxas não compreenderam o que estava havendo, mas Black não teve dúvidas de que aquela era a comemoração bruxa pelo fim de uma guerra violenta. A queda de Voldemort dava ao herdeiro dos Black um bom motivo para retornar para a sua vida antiga, mas não foi esta a escolha de Regulus.

Muitos anos tinham se passado, praticamente toda a vida dele estava mudada. Regulus agora tinha um emprego, uma casa, amigos de verdade. E também tinha uma liberdade que, mesmo com o fim da guerra, não se repetiria no mundo bruxo. Se voltasse para casa, Regulus voltaria a ser o herdeiro dos Black e voltaria a sentir o peso das obrigações do seu sobrenome. Sem mencionar que teria que explicar ao Ministério da Magia a Marca Negra e o sumiço dos últimos anos. Mesmo com o apoio de Dumbledore, Azkaban não era um destino excluído do futuro do rapaz.

Além de tudo, havia o medo de ser rejeitado pelas duas pessoas que Regulus mais amava. Black não estava certo de que Alexia e Monstro o perdoariam por aquela fuga. Os dois certamente tinham sofrido demais com a “morte” de Black e talvez nunca perdoassem Regulus por tal mentira. O rapaz preferia se manter afastado a ter que conviver com o desprezo do melhor amigo e da mulher que amava.

O que Regulus não imaginava era que o destino não respeitaria a sua decisão e que o passado voltaria à tona da forma mais improvável possível. O ex-comensal imaginou que estava seguro naquela vida simples de um trouxa comum, mas o destino mostrou-se disposto a unir dois caminhos opostos.

Era início de uma noite de terça-feira e, como de costume, o restaurante começava a encher. Alguns clientes tinham feito reservas, mas como no começo da semana o movimento era menor, havia mesas disponíveis quando aquele casal chegou à recepção. Os dois estavam vestidos de maneira apropriada para o ambiente, mas era a beleza de ambos que chamava a atenção. A maternidade havia feito bem para Alexia e Sirius continuava anormalmente bonito.

Qualquer um que olhasse para a cena imaginaria que se tratava de um jantar romântico, mas a verdade estava bem longe disso. O único papel de Sirius na vida de Alexia era o de tio da pequena Aria. Mas, graças à proximidade com a menina, uma amizade nascera entre os adultos. E era como amigos que os dois tinham saído para jantar naquela noite. O jantar também serviria para que mãe e tio acertassem os últimos detalhes da festinha de aniversário de cinco anos de Aria.

- Espero que seja tão bom quanto me falaram... – Sirius comentou com Alexia depois que a recepcionista acomodou os dois em uma das poucas mesinhas vazias do estabelecimento – Um colega do Ministério descobriu este lugar por acaso e recomendou fortemente a comida. Segundo ele, serviram o melhor prato que ele já comeu na vida...

Os olhos cinzentos se estreitaram enquanto Sirius tentava se lembrar do nome mencionado pelo colega.

- Era um nome diferente, preciso do cardápio para me lembrar!

O cardápio surgiu em dois minutos, nas mãos de um garçom apressado que carregava uma bandeja lotada de bebidas enquanto circulava habilidosamente entre as mesas. O folheto foi entregue nas mãos de Sirius e, por estar tão ocupado, o garçom não olhou duas vezes para os clientes.

- Boa noite. Eu volto em dois minutos para atendê-los.

Sirius pegou o cardápio e franziu a testa enquanto acompanhava com um olhar confuso as costas do jovem garçom que se afastava para servir as mesas do outro lado do salão. A voz grave e familiar do trouxa havia provocado uma agitação no peito de Black, mas ele jamais atormentaria Alexia com aquelas lembranças se não notasse pela expressão da moça que ela também havia percebido alguma semelhança.

- Eu sei. – Sirius respirou fundo e abriu o cardápio com uma expressão chateada – Também achei parecido, mas não vamos deixar que isso estrague a noite, está bem? Viemos aqui para comer e para planejar a festinha da Aria.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Seg Maio 02, 2016 12:25 am

Severus ainda sentia a pele arder no instante em que seus pés tocaram a casa dos Potter. Emmeline foi imediatamente carregada para o segundo andar enquanto o efeito da poção polissuco desaparecia, permitindo que a marca negra voltasse a brilhar em seu braço pálido.

Os olhos negros buscaram, aflitos, qualquer sinal da namorada, que havia desaparecido com Black e a Sra. Potter, mas ele sabia que não poderia continuar ali muito tempo.

- Eu preciso ir. – As palavras saíram entre os dentes trincados, demonstrando toda sua insatisfação em deixar Emmeline para trás.

Por mais que Jenner já estivesse fora do alcance de Bellatrix e rodeada de pessoas perfeitamente capazes de protege-la, Snape se sentia péssimo em deixa-la para trás, como se apenas sua presença fosse ser suficiente para a recuperação da curandeira.

- Vão desconfiar se eu demorar. – Ele continuou, lançando um novo olhar para o andar de cima.

- Vai logo. – Potter resmungou, enquanto arrancava a camisa ensopada de sangue. – Nós não corremos esse risco todo para você colocar tudo a perder. Emme vai ficar bem.

Snape assentiu com um movimento da cabeça, e os muitos anos de inimizade com Potter eram suficientes para que ficasse evidente que aquele gesto ia muito além de uma mera concordância. Era um agradecimento mudo pela loucura e coragem de James, que tivera como consequência a segurança de Emmeline.

Quando Severus reapareceu na mansão dos Lestrange, com sua aparência de volta e as vestes negras que lhe eram comum, Bellatrix já havia retornado e estava furiosa com o desaparecimento de Emmeline.

Milhares de objetos estavam espatifados pelo chão e Rabastan havia sido atingido por um feitiço, no ápice da fúria de sua cunhada. Para alívio de Snape, os Lestrange não estavam nada satisfeitos em admitir aquela grave falha de segurança em sua casa, que permitira três queridinhos de Dumbledore a invadir sua propriedade e resgatar uma de suas vítimas com tanta facilidade.

Este constrangimento fizera com que o casal Lestrange logo dispensassem a companhia dos demais comensais. Porém, antes que Severus desse um passo em direção a saída, ele sentiu as unhas de Bellatrix cravando em sua pele enquanto ela segurava seu pulso com firmeza.

- Você irá descobrir essa historia direitinho, Snape.

- Do que está falando, Bella?

As narinas de Bellatrix dilatavam conforme sua respiração pesada soava ruidosa. As bochechas também estavam inchadas com o ar que ela segurava, contribuindo para uma coloração mais avermelhada em seu rosto sempre tão pálido.

- Como três insetos de Dumbledore invadiram a minha casa sem ajuda? Aquele velho retardado deve ter alguma coisa que a gente não sabe.

- Potter e seus amigos sempre foram insultantes. Não é nenhuma surpresa que tenham tido a audácia de vir até aqui.

Os dedos de Bellatrix soltaram o braço de Snape apenas para que ela tocasse a própria varinha, como se a menção dos marotos fizesse com que eles brotassem diante dos seus olhos.

- Eu vou destruir aquele traidorzinho do próprio sangue pessoalmente. Faço questão de levar sua cabeça servida em uma bandeja para minha querida tia. Mas só depois de esmagar aquele feto imundo com as minhas próprias mãos.

Os lábios de Snape se espremeram diante daquela ameaça, mas ele não permitiu transparecer em seu rosto o arrepio que percorreu sua nuca. Quando ele finalmente pôde retornar para a casa dos Potter, horas já haviam passado, mas todos ainda esperavam com expectativa qualquer notícia de Emmeline.

O comensal andou de um lado ao outro, agoniado, e estava quase subindo as escadas quando Lily surgiu. Ouvir que Jenner esperava por Black foi um soco no estômago, e Snape, sempre tão bom em esconder emoções, permitiu que a confusão se espalhasse em cada um dos seus traços quando encarou Sirius.

A explicação de Black poderia fazer sentido, mas ainda assim não tornava a situação mais fácil. Era como se o destino estivesse tentando provar, mais uma vez, que ele não era bom o suficiente para Emmeline.

- Eu vou vê-la. – Snape deu o primeiro passo para seguir as escadas, quando Lily surgiu em seu caminho, bloqueando a passagme.

- Eu entendo o que você esteja sentindo, Sev. Mas Emme ainda está muito fraca para tentar entender agora que o que ela acredita ser a realidade, não passa de mais uma mentira.

- Não me interessa! – Era a primeira vez que Snape elevava sua voz para Lily, mas foi impossível controlar.

Aqueles dias haviam sido um completo pesadelo e ele não permitiria passar mais um minuto sem que pudesse encarar os belos olhos cor de mel, sabendo que ela estava bem.

- Eu fui até o inferno e voltei por causa dela, Lily! Eu vou subir!

- Snape. – A voz de James o chamou, enquanto o auror se colocava ao lado da esposa. – Lily tem razão, espere apenas até que ela tenha se recuperado um pouco mais. No pior dos casos, a gente espera uns nove meses e se nascer um morceguinho, tá tudo certo!

- Prooongs! – Sirius chiou, revirando os olhos. – Eu já falei que não dormi com ela!

Antes que Potter e Black pudessem mergulhar em mais um de seus infinitos diálogos, Snape forçou o caminho entre o casal e alcançou as escadas, pisando duro até o quarto onde Emmeline repousava.

A luz fraca do pôr do sol que entrava pela janela trazia uma paz gostosa ao ambiente. Jenner já estava devidamente limpa e vestida, mas ainda incrivelmente abatida. Os fios loiros estavam espalhados pelo travesseiro e Snape engoliu em seco quando os olhos cor de mel encontraram os seus.

Com a perna bamba, ele se aproximou da cama, tentando estudar os traços de Emmeline, procurando desesperadamente qualquer sinal de reconhecimento em seu rosto magro.

- Hey... Achei que você fosse dormir um pouco. Como está se sentindo?
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Seg Maio 02, 2016 1:06 am

Embora tivesse se acostumado com a presença de Sirius ao longo dos anos, por muitas vezes, Alexia ainda tinha a sensação de estar traindo a confiança do melhor amigo sempre que acabava rindo de alguma piada ou fazia alguma confissão ao irmão de Regulus.

No fundo, ela sabia que o caçula dos Black havia perdido uma grande oportunidade em conhecer o irmão de verdade. Sirius tinha milhares de defeitos, era arrogante exatamente como um Black deveria ser, extremamente convencido e se achava o dono da razão. Mas ainda assim era uma boa companhia, leal, bem-humorado e um tio extremamente apaixonado.

Na vida de Alexia, Sirius passara a ocupar um lugar especial. Acabara se tornando um amigo inesperado, mas jamais havia conseguido chegar perto da intimidade que a menina um dia tivera com Regulus. Era impossível compartilhar seus segredos com a mesma naturalidade que fazia com o caçula dos Black, e os dois jamais conseguiriam se conhecer tão bem quanto os dois amigos de infância.

Apesar de apreciar a companhia um do outro, o assunto entre Sirius e Alexia era basicamente sobre a pequena Aria, e naquela noite não poderia ser diferente.

Com a proximidade do aniversário da criança, Alexia sabia que não poderia deixar passar em branco e a ideia de fazer um piquenique no bosque que rodeava sua casa havia sido sugestão do tio da menina. Os dois haviam combinado de definir todos os detalhes naquela noite, quando a voz do garçom alcançou os ouvidos da Sra. Avery, fazendo com que todos aqueles planos felizes fossem imediatamente varridos de sua mente.

Era loucura, mas por um instante, Alexia poderia jurar que estava ouvindo Regulus Black. O mesmo timbre e o mesmo arrepio em sua nuca, sempre provocados pela voz do melhor amigo. Em um gesto tolo, a Sra. Avery imediatamente girou o pescoço a procura do rosto que ela conhecia tão bem, apenas para encontrar o garçom se afastando.

No instante em que a sanidade voltou, Alexia se sentiu envergonhada por tamanha tolice. Durante muito tempo após a morte de Regulus, ela ainda procurava pelo rosto dele em meio a multidões. Mas era ainda mais absurdo esperar encontrar o herdeiro dos Black em um garçom trouxa.

Como se aquele breve momento não tivesse lhe deixado tão abalada, Alexia pigarreou e sorriu para Sirius. Mesmo com a mudança em sua vida, a Sra. Avery ainda sabia disfarçar seus sentimentos e emoções exatamente como era esperado por uma pessoa crescida na alta sociedade bruxa.

Os Romanoff jamais haviam criado uma filha para jantar em meio aos trouxas, mas há muitos anos eles haviam cortado por completo suas relações com a caçula. Alexia, que havia feito tanto para agradar aos pais, agora se sentia apenas aliviada por estar livre daquelas correntes sociais. Ela e Sirius Black definitivamente faziam um belo par de rejeitados por suas respectivas famílias.

- Monstro me ajudou a abrir um campo perto do lago. Tem espaço suficiente para o filho dos Weasley jogarem Quadribol. – Alexia começou os planos para a festinha enquanto seus olhos passeavam pelo cardápio.

- E sobre o presente... – Os olhos cinzentos brilharam, fazendo com que Alexia imediatamente erguesse o rosto para encará-lo.

- Nem pensar. Você não vai vestir a minha filha com o seu velho cachecol da Grifinória.

- Qual ééé! Ela vai ficar linda! E é uma herança de família. – Uma covinha apareceu em uma das bochechas de Black enquanto ele sorria convencido.

- Sirius, não! Guarde para quando a Suzie estiver grávida, ok?

Os olhos cinzentos giraram em impaciência quando Sirius cruzou os braços contra o peito.

- A Suzie vai querer vestir a criança de azul da cabeça aos pés. Aria é minha esperança!

- Não! – Alexia repetiu, em um tom sério. – Além do mais, as cores da Sonserina vão combinar muito mais com ela.

- Aria tem os meus olhos e eu sempre fiquei muito lindo nas cores da grifinória.

O sorriso convencido se alargou no rosto de Sirius, fazendo Alexia revirar os olhos mais uma vez.

- Eu vou ao banheiro enquanto você fica aí admirando seu reflexo na colher, está bem?

Alexia se levantou e deslizou para fora da mesa, mas por estar tão entretida na conversa com Black, ela não se atentou em sua visão periférica e só percebeu que o garçom estava de volta quando seu corpo se chocou ao dele.

A bandeja metálica em suas mãos foi ao chão com um grande estardalhaço. Os copos de vidro se espatifaram e metade da bebida que ele carregava caiu sobre o tecido branco do vestido justo de Alexia, manchando-o em diversas partes.

- Mas o que...? Olha só o que você fez!

Nem mesmo os longos anos ao lado de Black, ou dos Weasley e dos Potter foram suficientes para que Alexia deixasse para trás a sua arrogância natural. Embora fosse sua culpa aquele pequeno acidente, seu primeiro instinto foi penalizar o garçom, enquanto seus dedos tocavam o tecido molhado e pegajoso.

- Você deveria ter mais atenção! No que estava pensando???

O rosto de Alexia estava contorcido em fúria quando ela ergueu o olhar. As bochechas ligeiramente vermelhas, ainda mais em destaque graças aos cabelos presos em um coque bem feito. Ela estava disposta a criar uma cena quando Regulus Black entrou em seu foco.

Em um primeiro momento, Alexia acreditou ser mais uma pegadinha de sua mente, sempre desesperada em reproduzir o rosto do velho amigo. Mas aquilo era diferente de tudo que ela já havia vivenciado, era real demais.

Sua expressão de fúria logo se dissolveu, a cor fugiu completamente de seu rosto e Alexia parecia ter visto um fantasma quando teve a certeza de que aquele era o rosto de Regulus Black.

Sua mente processava de forma tão ágil que a Sra. Avery quase se sentia tonta. Sua garganta havia travado, assim como cada um de seus músculos. Era impossível dizer ou fazer qualquer coisa enquanto ela tentava entender o que estava acontecendo. Poucos segundos passaram, mas dezenas de teorias percorriam sua cabeça, mas nenhuma delas parecia fazer sentido.

Por fim, Alexia conseguiu balbuciar a única coisa que parecia se encaixar naquela loucura, com os olhos úmidos pelas lágrimas e a voz engasgada.

- Quem é você?
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Seg Maio 02, 2016 1:08 am

Quando abriu os olhos e se viu no quarto de hóspedes dos Potter, Jenner não saberia dizer como havia chegado ali. A última lembrança guardada por sua mente fora dos segundos de terror que antecederam o desmaio. Foi uma agradável surpresa acordar fora do porão dos Lestrange, protegida em uma cama quente e macia. Mas nenhuma sensação positiva poderia ser comparada à notícia de que o bebê sobrevivera à tortura.

Ao receber tal notícia do curandeiro que a examinara, Emmeline se viu incapaz de conter as lágrimas. No começo, era apenas um choro silencioso de alívio que logo se transformou em soluços. Uma das mãos magras e machucadas deslizou sobre o ventre ainda liso, numa tentativa de acariciar aquele bravo guerreiro que sobrevivera à crueldade de Bellatrix Lestrange.

Como todos já esperavam, Jenner estava bastante confusa e abatida quando despertou. O curandeiro havia cuidado dos ferimentos mais graves, mas Emmeline continuava fragilizada, visivelmente mais magra e pálida como um fantasma. A curandeira também havia perdido a noção do tempo e não sabia mais dizer quantos dias passara como refém dos Lestrange, tampouco como havia escapado do cativeiro. Mas, sem dúvida, o detalhe mais preocupante era a certeza dela de que Sirius era o pai da criança que crescia em seu ventre.

- Sirius? – Lily não conseguiu disfarçar a confusão quando a amiga chamou por Black – Tem certeza? Vocês dois...?

- Lily! – a boca de Jenner se abriu em assombro – É claro que eu tenho certeza! Quem mais poderia ser?

O nome de Severus chegou à ponta da língua da ruiva, mas Lily conseguiu segurá-lo. Era óbvio que alguma coisa estava muito errada naquela história, mas a Sra. Potter duvidava que fosse uma traição. E, se aquela mentira realmente fazia sentido para Emmeline, era preciso que a verdade fosse abordada com cuidado. Jenner e a criança já tinham sofrido traumas demais nos últimos dias.

- Descanse um pouco. Eu vou chamar o Sirius, está bem?

Diante daquela promessa da amiga, Emmeline estava certa de que veria o rosto de Sirius quando a porta do quarto novamente se abriu. Portanto, foi impossível para a loira disfarçar a surpresa com a entrada de Severus Snape. A preocupação estampada em cada linha do rosto dele era ainda mais inesperada e Jenner precisou de alguns segundos para conseguir reagir.

- Eu... estou bem. – uma das sobrancelhas loiras se arqueou e Emmeline continuou encarando Severus como se ele estivesse usando uma das vestes roxas de Dumbledore – Quer dizer, ainda estou um pouco dolorida e bastante confusa. Mas estou viva. É muito mais do que eu esperava.

Na cabeça de Jenner não havia nem mesmo um resquício das lembranças dos momentos maravilhosos vividos ao lado de Snape. O feitiço de Rodolphus Lestrange havia apagado a memória dos últimos meses e implantado flashes com lembranças falsas envolvendo um relacionamento amoroso com Sirius Black. Como não parecia haver nenhum outro homem na vida de Emmeline, era óbvio para ela concluir que o bebê tinha o sangue dos Black.

- Obrigada pela preocupação, Snape.

A personalidade lufana se refletia na gentileza dirigida a Severus, mesmo que Emmeline pensasse que ele não passava de um sonserino de língua afiada que não gostava dela, muito menos do pai do seu bebê.

Exatamente por não imaginar o quanto aquilo machucaria Snape, Jenner esticou-se na cama e tentou espiar por cima dos ombros dele. O semblante dela refletiu uma grande frustração ao encontrar o corredor vazio.

- O Sirius não está aqui? Lily foi chamá-lo, mas ele está demorando. – Emmeline soltou um suspiro pesado – Eu agradeço a todos vocês por terem se arriscado tanto, mas estou cansada e dolorida. Tudo o que eu quero é que o Sirius fique aqui comigo e com o nosso bebê. Não vou conseguir dormir sem a companhia dele.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Dominic Sjogren em Seg Maio 02, 2016 2:01 am

Nos primeiros meses como garçom, não foram poucos os “acidentes” protagonizados por Edgar Jones. A falta de experiência no trabalho associada ao fato de Regulus não estar acostumado a fazer nada sem uma varinha levaram a um festival de bandejas derrubadas, pratos e copos quebrados, bebidas derramadas sobre as mesas...

Contudo, depois de cinco anos de experiência, as trapalhadas não aconteciam mais. É claro que eventualmente o garçom derrubava um copo ou deixava escapar algumas gotinhas de bebida sobre o tampo das mesas, mas nada se comparava à tragédia protagonizada naquela noite.

O restaurante estava lotado e dezenas de pedidos já se acumulavam entre os dedos do garçom quando ele se encaminhou na direção do casal que acabara de chegar. A pressa de Black se aliou ao movimento inesperado da cliente e gerou o terrível acidente. Os dedos do garçom deixaram a bandeja escorregar, os copos tombaram e a bebida escorreu pelo vestido branco da mulher. Os gritos de Alexia foram parcialmente abafados pelo som do vidro quebrado e do metal da bandeja que rodopiou pelo chão, mas nem isso impediu que Regulus reconhecesse aquele timbre.

Quantas vezes ele havia presenciado uma cena como aquela? Alexia Romanoff sempre fora arrogante e geralmente explodia quando algo não saía como o planejado. A única diferença era que naquela noite, pela primeira vez, Regulus Black era a vítima de um dos escândalos da melhor amiga.

Enquanto Alexia berrava e deslizava os dedos sobre o vestido molhado, o garçom se viu petrificado diante dela. A Sra. Avery era a última pessoa que Regulus imaginou que encontraria dentro do restaurante trouxa e a surpresa se misturava ao pânico, impedindo que Black tivesse qualquer reação.

A atitude mais sensata talvez fosse correr e se esconder antes que Alexia voltasse os olhos para ele e o reconhecesse, mas as pernas imóveis não obedeceram aos comandos da mente do rapaz. Quando a bruxa finalmente encarou o garçom atrapalhado, deparou-se com a conhecida imagem de Regulus Black.

Os olhos cinzentos estavam arregalados, o queixo caído e os lábios entreabertos em absoluta surpresa. A pele de Regulus sempre fora pálida, mas naquela noite ele parecia fantasmagórico. O rapaz exibia um corte de cabelo mais moderno, estava com a barba por fazer e usava o uniforme de garçom, mas tais diferenças eram desprezíveis demais para que Alexia acreditasse que era somente um trouxa muito parecido com seu velho amigo de infância. Era impossível que existissem duas pessoas tão parecidas.

- Calma, Alex, coitado do rapaz. Foi um acidente!

Quando a voz de Sirius atingiu os ouvidos de Regulus, o caçula teve certeza de que aquilo era um pesadelo. Regulus chegou a fazer um grande esforço para acordar daquele sonho ruim, mas nada aconteceu. Seu coração falhou uma batida quando o rapaz se deu conta de que aquilo era real. Alexia estava ali na companhia de Sirius. Assim como qualquer um que visse os dois juntos, Regulus chegou rapidamente à conclusão mais óbvia: eles agora formavam um casal.

Sirius estava prestes a entoar um pedido de desculpas para o garçom quando finalmente o encarou. O primogênito arregalou os olhos e tentou levar uma das mãos na direção no caçula, numa tola tentativa de ver se Regulus era real ou somente um fantasma. Antes que pudesse tocar o garçom, contudo, o movimento de Sirius foi interrompido por um trouxa que se colocou entre os dois irmãos Black.

- Eu nem tenho palavras para me desculpar por este acidente.

Como de costume, John percebeu rapidamente a confusão que se formava e interferiu. O dono do restaurante indicou novamente a mesa e manteve a calma necessária para aquela situação delicada.

- Eu peço que voltem para os seus lugares. O jantar de hoje é por conta da casa, é o mínimo que podemos fazer para amenizar este acidente desagradável. Eu mesmo servirei vocês esta noite, certo? Já se decidiram ou precisam de uma sugestão?

- Regulus??? É você? – Sirius ignorou o dono do restaurante e tentou olhar novamente para o garçom que, agachado, recolhia a bandeja e os cacos de vidro – Regulus!!!

John franziu a testa e olhou do cliente para o funcionário. O garçom estava pálido e era notável que suas mãos tremiam, mas tudo isso poderia ser facilmente explicado pelo susto e pelos gritos da cliente.

- Eu acho que o senhor está cometendo um engano. – John novamente encarou o cliente – Este é o Sr. Jones. Edgar Jones. Ele trabalha comigo há vários anos e é um bom funcionário. Nós realmente lamentamos por este acidente.

- Não pode ser. – Sirius continuava lutando para encarar o garçom – Regulus! É você, não é?

- Você o conhece, Ed? – John parecia desconfortável quando se voltou para o garçom.

- Não. – o garçom não ousou encarar Sirius ou Alexia – Nunca os vi antes, estão me confundindo com outra pessoa. Desculpe pelo acidente.

John não era tolo e percebeu que algo estava muito errado quando o garçom se afastou rapidamente, sem olhar para os clientes. Mesmo incomodado com os rumos daquela conversa, John se colocou na frente de Sirius quando o rapaz fez menção de seguir os passos do irmão. Embora desconfiado, John estava disposto a dar um voto de confiança a Edgar e ouviria primeiro a versão do funcionário.

- Por favor, senhor. Esta cena está causando um grande desconforto para todos os clientes. Nós lamentamos o acidente e estamos dispostos a servir o melhor jantar por conta da casa. Eu só peço que volte para o seu lugar, sim?
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Seg Maio 02, 2016 2:23 am

Um sorriso derrotado se formou nos lábios de Snape quando ele constatou o óbvio. Por mais tolo que fosse, desde que ouvira por Lily que Emmeline queria ver Sirius, Severus só se sentiu realmente vencido quando ouviu da voz doce da lufana aquele pedido tão absurdo.

Parecia extremamente surreal que Jenner falasse de Black, depois de toda a história vivida entre eles. Racionalmente, Snape tentava se convencer que aquilo só poderia ser consequência dos danos provocados por Bellatrix Lestrange, mas nem aquela realidade tornava o pesadelo menos doloroso.

Era quase como se Severus estivesse enfrentando um bicho-papão, refletindo o seu maior medo de perder a curandeira para o velho inimigo. Com um nó na garganta, Snape desviou o olhar para o carpete do quarto e deu mais alguns passos até se sentar na beirada do macio colchão.

Por um momento, o professor de Poções chegou a cogitar mentir para Emmeline sobre a ausência de Sirius. Então, pensou em lhe contar logo a verdade e acabar com aquela agonia, mas a voz de Lily ainda ecoava em sua mente, lhe lembrando que a curandeira ainda estava muito debilitada para mais emoções.

Sem escapatória, Severus escolheu por um caminho mais seguro, onde não precisaria mencionar Sirius Black. Emmeline certamente não entenderia porque o sonserino estava sendo tão íntimo e gentil, mas seria uma farsa ainda mais cruel voltar a assumir sua postura distante com a namorada.

- É melhor você descansar mais um pouco. Você precisa repor as energias. Faça isso pelo seu bebê, está bem?

Um nó se formou na garganta de Snape, queimando ao engolir e o impossibilitando de continuar a falar. Por um lado, ele tentava se convencer que já deveria ser imensamente grato por Emmeline estar a salvo e nada ter prejudicado aquela gestação. Mas ele sabia que a vida não lhe seria muito gentil em lhe devolver tudo tão perfeitamente.

Com a mão trêmula, Severus ergueu na direção da barriga lisa de Emmeline. O gesto poderia ser imensamente banal para a intimidade que existia entre o casal, mas Snape conseguiu se controlar no último segundo e buscou os olhos cor de mel.

- Posso? Eu não vou machucá-lo, se é o que está pensando.

Antes que Emmeline pudesse lhe recusar aquele pedido tão simples, sons no corredor obrigaram Severus a se virar em direção da porta no instante em que Sirius Black surgiu. Seu rosto meio aflito era facilmente compreendido por Snape com a preocupação da situação em que se envolvera, mas sera interpretado por Emmeline como a angustia de um pai desesperado.

- O que quer, Black?

Snape deveria ser imensamente grato a ajuda de Sirius, afinal, o primogênito dos Black arriscara a própria vida pela segurança de Emmeline. Mas o desfecho daquela história ainda era amarga demais para ser digerida pelo mestre de poções, como se de alguma forma, Sirius fosse responsável pela sua dor.

- Eu sei que você deve estar incrivelmente puto da vida agora, Snape. Mas a Lily tem razão... Emmeline não pode se indispor mais.

Aquele diálogo poderia ser imensamente confuso para a mente alterada da curandeira, mas Snape não mexeu um único centímetro.

- Imagino que você saiba melhor do que eu o que é certo para ela, não é?

Os olhos cinzentos se estreitaram diante da posição defensiva do professor, mas Black não recuou.

- Estou apenas tentando impedir que você faça uma besteira e prejudique a saúde dos dois. É isso que você quer?

Snape respirou fundo e buscou o olhar de Emmeline mais uma vez, sentindo seu estômago afundar. Ele não queria ser o responsável por abalar a saúde já fragilizada de Jenner, mas também se sentiria destruído em deixar Black a sós com sua namorada.

- Nós vamos conversar quando você estiver melhor. Apenas se recupere logo, está bem?
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Seg Maio 02, 2016 2:48 am

A mente de Alexia ainda tentava vasculhar todas as teorias possíveis para explicar aquele encontro inesperado. O restaurante a sua volta havia se tornado distante, quase como se não existisse mais, enquanto os olhos azuis estavam fixos no ponto onde Regulus havia desaparecido.

Era impossível que aquele fosse seu melhor amigo. O Black caçula havia morrido como um herói, anos antes. Aquele trouxa chamado Edgar Jones não poderia ter nenhuma ligação com Regulus. Nem mesmo uma polissuco parecia se encaixar naquela história bizarra.

- Eu quero ir embora. – Alexia murmurou, ignorando a tentativa do dono do restaurante de minimizar aquele prejuízo.

O olhar de Sirius ainda estava preso na porta em que Regulus havia atravessado e a Sra. Avery precisou pedir uma segunda vez, mais alto, para chamar sua atenção.

- Sirius, eu quero ir embora agora!

- Eu sinto muitíssimo pelo ocorrido, senhora.

Ignorando a tentativa inútil de John para acalmar os ânimos, Alexia puxou a bolsa que havia ficado sobre a mesa e tomou a iniciativa para sair do restaurante, obrigando um Sirius atônito a segui-la apressadamente.

- Não era ele. – Alexia resmungou no minuto em que sentiu o vento frio da noite bater contra o seu rosto. – Francamente, Sirius. Como você pode confundir seu irmão com um trouxa incompetente? Regulus jamais carregaria uma bandeja, ele jamais seria um mero serviçal!

Sirius Black precisou se encostar contra a parede do restaurante e respirou fundo. Seus dedos mergulharam nos cabelos negros, bagunçando-os enquanto ele tentava organizar os pensamentos.

- Você viu a mesma coisa que eu, Alexia? É claro que era ele! Eu não sei explicar como, mas era o Regulus!

- Isso é ridículo! – Sua voz saiu em um chiado enquanto Alexia tentava se convencer de todas as formas que Regulus não poderia estar vivo.

Embora fosse seu maior sonho poder reencontrar o melhor amigo, era impossível acreditar que Regulus estivera vivo durante todos aqueles anos enquanto ela lamentava sua perda.

- Regulus morreu. Aquele trouxa não é ninguém!

As pálpebras de Sirius estavam apertadas enquanto ele tentava encontrar a linha de raciocínio. Enquanto Alexia estava disposta a não aceitar aquela loucura, Black tentava encontrar a lógica naqueles acontecimentos, enquanto lutava contra as emoções.

Ainda tremendo, ele se aproximou da Sra. Avery e a segurou pelos braços. Black era muito mais alto, mas procurou os olhos azuis com facilidade enquanto a encarava, sério.

- Você viu como ele fugiu da gente?

- É lógico, eu gritei com o pobre coitado, você mesmo disse!

Black respirou fundo e sacudiu a cabeça, querendo que Alexia enxergasse os mesmos detalhes que ele.

- Ele não estava com medo dos seus gritos, Alexia. Ele evitou a todo custo olhar para nós dois. E a voz??? Nós dois reconhecemos a voz! Você não pode mesmo acreditar que é só uma coincidência!

- O que eu sei é que o Regulus está morto. Aquele trouxa não é ninguém além de um desastrado que estragou o meu vestido preferido. – Nem mesmo Alexia conseguia acreditar nas próprias palavras, mas ela não se permitiria mergulhar na perigosa fantasia de Sirius. – Eu vou para casa. Molly é ótima com crianças, mas a Aria deve estar sentindo a minha falta. Você vem?

Sirius ainda lançou um olhar agoniado em direção ao restaurante e demorou longos segundos para enfim concordar, acompanhando a morena até onde os dois pudessem aparatar longe de olhares trouxas.

Porém, no instante em que chegou em casa, Alexia se viu ainda mais inquieta do que no restaurante. As agitações da noite haviam sido tão intensas que ela sequer se lembrava das manchas de seu vestido. Ao invés de ir buscar Aria de imediato, ela ainda mergulhou em pensamentos, revivendo cada detalhe vivido desde que pisara no restaurante trouxa.

A convicção de Sirius era tão grande que uma pequena brecha começava a se abrir na negação de Alexia. Era impossível acreditar naquela loucura, mas ela precisava colocar um fim na dúvida.

Ainda com as vestes sujas e com o penteado ligeiramente desmontado, Alexia aparatou mais uma vez na Londres trouxa, mas ao invés de entrar pela porta principal do restaurante, ela se encaminhou até o beco escuro que dava acesso para a cozinha.

O lugar estava completamente escuro e parecia ser ainda mais frio, de modo que Alexia precisava se encolher no sobretudo preto. Graças as sombras projetadas pelas grandes lixeiras e pelo muro alto, o rapaz não viu a presença da Sra. Avery quando saiu pela porta dos fundos.

Alexia sentiu seu estômago afundar ao perceber que, mesmo de costas, o trouxa Edgar realmente lembrava seu amigo de infância. Com a voz trêmula, ela arriscou chamar, se sentindo estúpida em usar o nome do falecido em voz alta.

- Regulus? Eu só quero conversar.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Seg Maio 02, 2016 2:53 am

Um sorriso iluminou o rosto de Emmeline quando Sirius Black surgiu em seu campo de visão. O coração dela não se acelerou por ele, tampouco a lufana experimentou o calor gostoso que costumava sentir na época em que era apaixonada por Black. Mas suas lembranças diziam que Sirius era seu namorado, então a curandeira se obrigou a ficar feliz ao revê-lo.

O estranho diálogo entre Black e Snape fez com que uma ruguinha de confusão surgisse entre os olhos cor de mel. Jenner não compreendeu as insinuações entre os dois rapazes, mas acabou concluindo que aquilo fazia parte da velha rivalidade existente entre eles.

- Não brigue com ele. O Snape só está sendo gentil, ele não fez nada demais...

O pedido foi dirigido a Sirius num sussurro que também atingiu os ouvidos do professor. A verdade é que Emmeline havia se sentido bastante incomodada quando Severus pediu para tocar a sua barriga, mas definitivamente não era a hora de alimentar a briga dos dois rapazes com aquela confissão.

- Não, não, não!

Sirius bem que tentou evitar, mas não conseguiu impedir que Emmeline se colocasse de joelhos sobre a cama e o puxasse para um abraço apertado. O auror passou os braços pela cintura dela apenas para levá-la de volta para a cama, mas certamente era um gesto que ultrapassava toda a intimidade que Severus gostaria que houvesse entre os dois.

- Fique deitada. Repouso absoluto, Emme!

- Eu sei, desculpe. Só fiquei feliz por ver você! – os olhos da loira se encheram de lágrimas emocionadas – Eu pensei que nunca mais te veria. Pensei que o nosso bebê...

Aquela ideia era tão terrível que Emmeline não conseguiu verbalizá-la. Somente um soluço escapou dos lábios da curandeira e obrigou Sirius a unir sua mão a de Jenner, em uma tentativa de consolá-la.

- Está tudo bem. Você está bem, o bebê está bem. Agora você só precisa descansar, Emme.

- Você vai ficar comigo, não vai?

Black lançou um olhar de desculpas para Snape, que acompanhava toda aquela cena na porta do quarto, completamente sem reação diante daquele pesadelo.

- Eu não vou sair daqui, Emme. Durma, descanse. Iremos conversar quando você estiver recuperada, está bem?

Por mais que gostasse de Emmeline e que gostasse ainda mais de provocar Snape, Sirius não se sentia à vontade naquela situação. Ele só estava ali para dar à amiga a tranquilidade que Emmeline precisava naquele momento. Nem por um segundo, Black pensava em se aproveitar das falsas memórias da colega para se aproximar dela ou para prejudicar a relação de Emmeline com Severus. Os dois agora tinham um filho e destruir aquela família não estava nos planos do auror.

- Eu vou conversar com ela. – as palavras de Black foram sussurradas para o sonserino enquanto Emmeline se preparava para dormir – Assim que ela acordar e estiver melhor, eu vou contar a verdade. Talvez o Dumbie também possa ajudar no resgate das lembranças. Apenas dê mais um tempo a ela, certo?

Pela primeira vez na vida, Sirius tratou o sonserino de forma mais amigável.

- Sabe por que este filho não é meu? Porque a Emme nunca me quis. Ela te escolheu e é óbvio que nenhum feitiço destruiria o amor que ela sente por você, Ranhoso. Ela logo vai se lembrar e tudo voltará a ser como antes. Ou melhor, uma coisa vai mudar. Agora vocês terão um morceguinho lufano para mimar.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Dominic Sjogren em Seg Maio 02, 2016 4:04 am

Regulus Black era um excelente mentiroso, portanto o rapaz não teve muita dificuldade para convencer John de que “Regulus” era o seu irmão mais velho, que havia morrido em uma tentativa de assalto mal sucedida. A história contada pelo garçom foi tão convincente que John acreditou que Edgar havia saído de Manchester para escapar das confusões geradas pelo falecido. Como o garçom nunca havia causado nenhum problema naqueles cinco anos de convivência em Londres, John engoliu a mentira e sentiu piedade do pobre rapaz que sofria retaliações por se parecer com o irmão encrenqueiro.

Mesmo depois de ter esclarecido a confusão com o patrão, Black não conseguiu tirar aquele encontro da cabeça. É claro que ele estava preocupado com a chance de Alexia ou Sirius voltarem ao restaurante para tirarem aquela história a limpo, mas nada o incomodava mais do que a imagem dos dois juntos.

Regulus e Alexia haviam tido a pior briga de todos os tempos por causa de Sirius, mas nada se comparava àquela nova traição. O caçula dos Black estava morto para a melhor amiga e isso obviamente dava a ela o direito de se envolver com outros homens. Mas nem mesmo a morte de Regulus justificava um relacionamento com Sirius. Era um pensamento louco, mas o caçula sentia que a sua memória fora brutalmente desrespeitada. Se ele estivesse mesmo morto, sua alma nunca teria paz enquanto Alexia estivesse junto com Sirius.

A noite se alongou mais do que o normal. O garçom continuou o seu trabalho mesmo com os pensamentos que atormentavam a sua mente e, quando as portas do restaurante finalmente se fecharam, Edgar Jones foi o primeiro a sair pelos fundos.

Ele não usava mais o uniforme de garçom e as roupas simples de um trouxa definitivamente não combinavam com o antigo Regulus. Era inacreditável ver o herdeiro dos Black usando uma calça jeans, um tênis velho e um casaco surrado. Mas qualquer dúvida que Alexia ainda tivesse sobre a identidade do rapaz se evaporou no instante em que ela chamou pelo nome do melhor amigo e “Edgar Jones” se virou prontamente na direção da voz dela.

Desta vez, o rapaz não tentou fugir. Ele tampouco perdeu tempo tentando convencer Alexia de que ela estava confundindo-o com outra pessoa. Aquela era Alexia Romanoff, a única pessoa para quem Regulus nunca conseguira mentir. Era tolice tentar enganar alguém que o conhecia melhor do que ele próprio.

- Não temos nada para conversar.

Os olhos cinzentos circularam pelo ambiente e o rosto de Regulus exibia uma expressão de deboche quando ele completou.

- Está sozinha? Seu namorado não vai gostar de saber que voltou aqui sem ele. Ou ele já é o seu marido? Muitos anos se passaram e você não gosta de perder tempo, não é?

Apesar da ironia, Regulus sentiu um profundo alívio ao não encontrar uma aliança nos dedos da melhor amiga. Black nunca se conformara em ver Alexia no papel de Sra. Avery, mas aquele desconforto não se comparava ao desespero que o atingia ao pensar na amiga como esposa de Sirius. Era pior que qualquer realidade projetada por um bicho-papão.

- Como eu já disse, não temos nada para conversar. Como você pode ver, não temos mais nada em comum. Meu nome agora é Edgar Jones, eu não te conheço e prefiro que as coisas continuem como estão.

Com um gesto, Regulus indicou uma faixa do vestido branco visível por baixo do sobretudo de Alexia.

- Eu lamento pelo vestido. Infelizmente o meu salário não paga nem pelos botões, então terá que aceitar apenas as minhas sinceras desculpas.

Um sorriso amargo surgiu nos lábios de Black e os olhos cinzentos giraram.

- O que eu estou dizendo? Acho que tantos anos vivendo como um trouxa afetaram a minha memória. Qualquer elfo doméstico consertará este estrago em dois segundos. Por que você ficou tão furiosa? Porque este acidente com o vestido estragou a perfeição do seu jantar romântico?
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Ter Maio 03, 2016 12:47 am

Assistir o abraço de Sirius e Emmeline definitivamente se encaixava como um dos piores pesadelos já vividos por Severus. Ele havia ficado desesperado com a ideia de perder a namorada no porão dos Lestrange, tinha ido ao fundo do poço ao escutar o pedido da lufana para ter a vida encerrada, colocando um fim em todo seu sofrimento. Mas ainda assim, Snape se sentia mergulhado na escuridão, como se estivesse com o coração espremido desde o instante em que Jenner havia sido sequestrada.

Parecia ser impossível encontrar uma luz no fim do túnel, e cada novo golpe deixava Snape mais e mais derrotado. Por viver sempre tão isolado, o sonserino não havia aprendido a ser tão compreensível, e não era nada um raciocínio nada lógico, mas no fundo, era como se ele culpasse Emmeline pela mágoa que estava sentindo.

A lufana era a maior vítima de toda aquela história. Ela havia sido torturada por dias, ficado entre a vida e a morte, quase perdido um filho que sequer sabia que carregava em seu ventre, tivera a memória alterada e esquecido parte dos últimos meses. Mas ainda assim, era como se tudo fosse uma conspiração para que Snape sofresse.

O destino queria mostra-lo, mais uma vez, que ele jamais poderia ser feliz e havia lhe roubado a única coisa capaz de mantê-lo são. A angustia era tão grande que Snape queria fazer com que Emmeline se lembrasse de tudo, mesmo que tivesse que agir com as próprias mãos.

A cena foi assistida em silêncio pelo professor. Os braços cruzados contra o peito e o semblante sério, tão sombrio que ele parecia estar usando sua máscara, tão comum nas reuniões de Comensais da Morte.

A gentileza de Sirius, entretanto, foi capaz de desarmá-lo. Severus jamais imaginou esperar uma atitude amigável vindo do grifinório, e as palavras sinceras trouxeram um pouco de conforto ao mestre de poções.

Seu olhar suavizou, embora ainda mostrasse o sofrimento daquele pesadelo, e Snape meneou a cabeça, buscando Emmeline com o olhar enquanto a lufana se preparava para dormir, completamente alheia à aflição vivida pelo verdadeiro pai de seu filho.

- Obrigado, Sirius. – As palavras soaram sussurradas, quase sem som algum, mas ainda assim ecoaram tão estranhas aos ouvidos de Snape, como se estivessem saindo da boca de outra pessoa.

Enfim, Snape se retirou do quarto, convencido de que não valia a pena lutar contra Jenner e que aquela era uma batalha perdida. Resignado, o professor de Poções deixou a casa dos Potter e encontrou mais uma noite em claro.

A curandeira já estava em um lugar seguro, cercada por aurores e cuidados necessários para sua saúde e a do bebê. Por mais que soubesse que seu lugar era ao lado dela, Snape não se permitiria ficar como uma sombra na casa de James e Lily, mostrando todo o seu sofrimento aos olhos piedosos. A situação já era ruim o bastante sem que enxergassem nele um pobre coitado.

Quando os raios de sol iluminaram a manhã seguinte, Snape apresentava olheiras tenebrosas. Sua pele pálida demonstrava todo o cansaço e as preocupações dos últimos dias. Ainda assim, ele não hesitou em surgir na casa dos Potter no primeiro horário.

Diferente da noite anterior, o lugar estava mais vazio, já que a maioria dos membros da Ordem já haviam retomado suas atividades normais. Potter havia saído cedo para uma missão, acompanhado de Sirius, deixando Lily na companhia do pequeno Harry e com ajuda de Molly Weasley.

O cheiro de ovos e bacon se espalhava por todo o primeiro andar, recebendo Snape no instante em que pisou na sala dos Potter. Como ele já esperava, Lily logo surgiu carregando o filho em seus braços e não demonstrou surpresa alguma em encontrar o professor sob seu teto.

- Ela dormiu a noite toda.

Não havia necessidade de questionar o motivo de sua presença ou de cerimonias e Snape se sentia grato por Lily ser tão direta.

- Imagino que esteja se sentindo muito melhor. Eu ia subir com o café dela agora mesmo.

Severus lançou um olhar ansioso ao segundo andar, e mais uma vez, sem precisar que ele dissesse nada, Lily conseguiu ser direta, lhe empurrando a bandeja flutuante em sua direção.

- Vá conversar com ela, Severus. As coisas costumam funcionar melhor depois de comer. Ao menos é o que a Molly sempre diz.

Os dedos pálidos de Snape tocaram na bandeja, que firme em suas mãos, quebrou o feitiço flutuante. Os degraus rangiam com o peso de seu corpo quando ele começou a subir as escadas e antes de abrir a porta do quarto, Severus deu breves batidinhas com os nós dos dedos.

A aparência de Jenner realmente estava melhor aos olhos negros. A aparência descansada era um estímulo ao mestre de poções, mas ainda assim, ele tentou ser cauteloso ao pigarrear e chamar atenção da curandeira.

- Lily disse que você já estava acordada. Imagino que esteja com fome.

Seus olhos passearam pela refeição posta na bandeja e ele precisou agradecer mentalmente a Molly Weasley por ter um tempero tão tentador, que mesmo com uma ausência de apetite da lufana, ela ficaria tentada em devorar os ovos ou o pedaço de bolo e até mesmo as torradas com geleia.

- Está se sentindo melhor?
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Ter Maio 03, 2016 1:05 am

Não havia mais como Alexia forçar teorias de que aquele era um impostor, de que era um trouxa aleatório ou qualquer outra explicação para descartar a possibilidade de ser o verdadeiro Regulus Black, muito bem vivo, diante dos seus olhos.

Quando a realidade a atingiu em cheio, a Sra. Avery levou as duas mãos para cobrir a boca entreaberta de surpresa. Aquele poderia ser Regulus Black, mas definitivamente não era o seu velho amigo de infância. O homem que Alexia um dia amara tanto a ponto de mudar seu lado na guerra jamais lhe diria coisas tão ofensivas, jamais seria tão cruel.

- Não temos nada para conversar???

Ela finalmente conseguiu grunhir, cerrando os punhos. O barulho dos seus saltos ecoou pelo beco escuro quando Alexia encurtou a distância entre os dois apenas para parar diante de Regulus, os olhos estreitos em fúria mesclada em surpresa.

- Como você ousa???

Antes que se desse conta, o corpo de Alexia começou a tremer, mas era impossível saber se a reação vinha pela surpresa daquele reencontro inesperado ou pela raiva que estava sentindo. Por anos ela havia lamentado a morte de Regulus, pensando nele como um herói. Saber que ele estivera vivo todo aquele tempo era desesperador, uma traição sem tamanho.

Sem raciocinar, Alexia ergueu um dos punhos cerrados e acertou o peito de Black. Sentir a solidez do corpo do amigo só fez sua raiva crescer, mostrando mais uma vez o quão real era sua presença, por mais que parecesse um sonho assustador.

- O mínimo que eu mereço é uma explicação, Regulus! Eu achei que você estivesse morto! Onde você esteve todo esse tempo???

Os dedos trêmulos de Alexia seguraram o casaco surrado de Black, sacudindo-o, angustiada.

- Você não pode estar falando sério em viver como um... como um trouxa! Eu mereço saber o que aconteceu!

Os dois pareciam estar mergulhados na mesma briga de cinco anos atrás, quando se viram pela última vez. Porém, as insinuações sobre seu relacionamento com Sirius não eram processadas enquanto sua mente só conseguia focar em tentar montar aquele louco quebra-cabeça. De todas as vezes que ela chorara, mergulhada em luto, e que Regulus seguia com a própria vida. Parecia absurdo demais para acreditar que Black teria coragem para tanto.

- Eu não vou sair daqui enquanto você não me explicar, Regulus Black. No que você se tornou???
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Ter Maio 03, 2016 2:29 am

Depois de uma noite inteira de sono, Emmeline se sentia revigorada. É claro que seu corpo dolorido ainda se lembrava bem do terror vivido no porão dos Lestrange, mas a aparência da loira mostrava que a recuperação caminhava em uma velocidade muito maior que a esperada.

Um pouco de cor retornara às bochechas de Jenner. Seu olhar também parecia mais sereno e menos exausto. Ela ainda exibia uma expressão sonolenta quando ouviu as batidas suaves na porta, mas o cheiro delicioso do café da manhã preparado pela Sra. Weasley foi o bastante para despertar a curandeira por completo. Aquele estímulo olfativo serviu para que Emmeline percebesse o quanto estava faminta.

Quando se colocou sentada na cama, Emmeline imaginava que veria Lily ou Molly entrando no quarto com o café da manhã. A presença de Snape era inesperada e um pouco constrangedora. Tão logo viu o professor de Poções, instintivamente Jenner ajeitou a alça da camisola que Lily lhe emprestara e subiu em mais alguns centímetros o cobertor. Os lábios de Emmeline se curvaram numa careta quando ela notou que os fios loiros estavam presos em uma trança frouxa e atrapalhada. Definitivamente, aquela não era a melhor aparência a ser apresentada diante de alguém com quem Emmeline não tinha nenhum tipo de intimidade.

Um pouco daquele desconforto se desfez quando Severus se dirigiu a ela com tamanha gentileza. Emmeline não estava acostumada a ver o sonserino ser educado com ninguém, mas era uma agradável surpresa ver que Snape sabia ser amável.

- Eu estou bem melhor, obrigada. – os olhos cor de mel acompanharam a movimentação de Severus pelo quarto – Tive uma noite ótima, as poções que o curandeiro deixou já estão fazendo efeito. Logo eu estarei bem o bastante para voltar para casa. Lily e James tem sido ótimos, mas eles já tem preocupações demais.

Um brilho iluminou os olhos de Jenner quando a bandeja com o farto café da manhã foi posta ao alcance de suas mãos. A gravidez, associada aos momentos na mansão dos Lestrange, tinham deixado Emmeline extremamente enjoada nos últimos dias. Mas é claro que o tempero da Sra. Weasley tinha o poder de reverter aquela situação e abrir o apetite da moça.

- Estou faminta! E nem preciso perguntar para saber que a Molly está aqui. Só ela prepararia esta bandeja tão exageradamente tentadora.

Como a fome da loira era assombrosamente maior que o seu constrangimento, Emmeline não pensou duas vezes antes de puxar a bandeja para o seu colo. Um generoso gole do suco de abóbora foi tomado antes que Jenner começasse a atacar as torradas com geleia. Contrariando as expectativas de Severus, Emmeline mostrou um apetite vigoroso que ressaltava ainda mais o progresso da sua recuperação.

- A Molly é extraordinária. Eu sinto um pouco de inveja, sabia? Sou uma aberração na cozinha.

Emmeline comentou sem se lembrar que Snape já havia presenciado várias tragédias e sabia muito bem que a culinária não era um dos pontos fortes da namorada. O próximo comentário soou enquanto Jenner provava um pouco dos ovos mexidos com bacon.

- Vou implorar que ela me ensine a fazer pelo menos os biscoitos. Não serei uma mãe de verdade se não souber fazer biscoitos para o meu filho. Pegue um, Snape.

Com a naturalidade típica dos lufanos, Emmeline estendeu a cestinha com biscoitos caseiros na direção de Severus. Este gesto também serviu para que Jenner encarasse o professor e tivesse a coragem de fazer a pergunta que martelava em sua mente desde a última noite.

- Por que está fazendo isso? – a curandeira se apressou em explicar – Quer dizer, eu me sinto muito honrada por todos estarem preocupados comigo, pela ajuda de todos vocês... Mas eu não esperava que você participasse de forma tão... direta. Nós dois nunca fomos muito próximos e, até onde eu sei, você e o Sirius não se gostam muito.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Ter Maio 03, 2016 3:05 am

Ver Emmeline devorando os quitutes de Molly Weasley com tanto apetite era um imenso alívio. Aquela era a prova que Severus precisava para ter certeza que a curandeira caminhava para uma recuperação completa e principalmente para não prejudicar ainda mais aquela gestação com um início tão complicado.

Ainda assim, a possibilidade de causar qualquer indisposição em Jenner lhe provocava arrepios, mas Snape sabia que não poderia prolongar aquela mentira por muito mais tempo. A farsa implantada por Bellatrix estava lhe consumindo por dentro, mas também obrigava Emmeline a viver em uma realidade que não era a sua. Severus duvidava que se a curandeira tivesse escolha, optaria por ficar completamente leiga em algo tão sério.

O biscoitinho feito pela Sra. Weasley foi recebido pelos dedos longos do professor, mas Severus não fez a menção de leva-lo aos lábios em nenhum momento. Com um suspiro pesado, ele puxou a poltrona esquecida no canto do quarto e se sentou mais próximo da cama.

Mesmo depois da pergunta tão direta de Emmeline, Snape continuou encarando o biscoitinho em seus dedos, mergulhado em um silêncio enquanto tentava articular as palavras que causassem o menor impacto na namorada. Apesar de ter passado a noite em claro, revivendo cada detalhe do pesadelo vivido nos últimos dias, o professor ainda se sentia inseguro e perdido por estar diante da curandeira que desconhecia o último ano vivido juntos.

- Aconteceu uma coisa, Emme. Enquanto você estava no porão dos Lestrange.

A voz de Snape finalmente soou, quebrando o silêncio do quarto. Ainda assim, os olhos negros não encontraram a coragem necessária para buscar as íris cor de mel. Era evidente o desconforto do mestre de poções, que não lembrava em nada o Sonserino que Jenner tinha em sua memória.

- Bellatrix fez mais do que machucar você. Ela...

O timbre rouco e cansado de Severus falhou por um momento e ele precisou fazer uma pausa para reencontrar a voz antes de continuar. Procurando uma coragem tão rara entre os sonserinos, os olhos negros finalmente se ergueram, e encontrar a confusão diante do rosto de Emmeline foi o suficiente para lhe dar coragem para continuar.

Era doloroso demais ver o rosto da namorada bem diante do seu, o enxergando como se nada existisse entre eles, como se todo o amor construído ao longo dos últimos meses não fosse nada além de uma fantasia de sua cabeça. Aquele olhar perdido era desesperador, e Snape queria a todo custo reencontrar a mesma Emmeline que prepararia um jantar de comemoração para os dois antes de seu mundo desabar.

- Ela alterou sua memória, Em. – Severus se ajeitou na poltrona para se aproximar da cama e finalmente largou o biscoito que ele jamais tivera pretensão de comer, para poder tocar a mão de Jenner. – Tudo que você lembra, tudo que você pensa que sabe, o seu relacionamento com o Sirius... Isso não existe.

Os lábios de Snape tremeram em uma tentativa de sorriso, mas seu olhar agoniado não permitia que ele passasse a tranquilidade que desejava com aquele gesto.

-Nós dois estamos juntos há um ano, Emme. Eu sou o pai do seu bebê, do nosso bebê.

Falar sobre o filho finalmente permitiu que seu sorriso parecesse mais sincero, demonstrando que, apesar da escuridão que vinham vivendo nos últimos dias, aquela notícia ainda era capaz de lhe despertar alegria.

- Eu sei o quanto você é péssima na cozinha, acredite em mim. Foram muitos ovos salgados ou bolos solados e biscoitos extremamente duros que você já me fez provar. Mas foi sempre eu, Emme. Você nunca quis o Sirius.

O lábio inferior de Snape já tremia e os olhos negros brilhavam em expectativa.

- Você entende, Emme? Por favor, diga que você se lembra de alguma coisa.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Dominic Sjogren em Ter Maio 03, 2016 3:09 am

Intimamente, Regulus gostava de pensar que havia morrido como um herói para os bruxos. O filho mais novo dos Black nunca havia sentido orgulho de si mesmo. Muito pelo contrário, Regulus se sentia sujo pela covardia que o empurrava na direção apontada pela família. Contudo, a forma como ele “morreu” havia apagado um pouco daquela vergonha. Era reconfortante imaginar que Alexia e Sirius sentiam orgulho dele e se lembravam dele de forma saudosa.

Agora, nem mesmo aquele consolo o rapaz teria. Saber que Black havia sobrevivido e agora vivia como um trouxa era o bastante para que Alexia descontruísse a imagem idealizada criada por aquela morte heroica. Regulus teria até se sentido envergonhado ou culpado, mas a raiva por pensar que a amiga estava junto com Sirius não permitiu que os outros sentimentos sobressaíssem.

- Por que, exatamente, você acha que eu tenho obrigação de te dar explicações sobre a minha vida, sobre as minhas escolhas?

Mesmo depois que Alexia se aproximou e o acertou com um soco no peito, Regulus não recuou. O rapaz tentou manter no rosto uma expressão indiferente e enfiou as mãos nos bolsos do casaco, protegendo os dedos do vento frio que circulava por Londres naquela madrugada.

- Você não se preocupou em me dar explicações detalhadas quando resolveu subir ao altar com o Avery. E não deveria nem se lembrar mais da minha existência quando trouxe o Sirius para a sua vida. Afinal, só isso explicaria tamanha traição.

Era como se os dois estivessem revivendo a mesma briga que provocara o rompimento de cinco anos atrás. Agora, contudo, existia o agravante daquela grande mentira cultivada por Black e também a inegável proximidade entre Sirius e Alexia.

- Mas como eu sei que você é insuportavelmente insistente, eu vou explicar tudo de uma vez na esperança de que você me deixe em paz.

Os pulmões de Regulus se encheram e o rapaz soltou a respiração lenta e ruidosamente, provocando uma fumacinha esbranquiçada no ar gelado que os rodeava.

- Eu escapei do lago num golpe de sorte, praticamente um milagre. Mas saí de lá ferido e atordoado, eu nem saberia dizer onde fui parar. Quando eu acordei, estava em um hospital trouxa, extremamente debilitado. Eu precisava de uma identidade que me protegesse dos comensais e de Voldemort. E foi assim que comecei a usar o nome de Edgar Jones.

Os olhos cinzentos giraram e Regulus ergueu um dos ombros antes de completar.

- No começo, eu não sabia o que fazer. Mas os dias foram passando e eu percebi que gostava da vida de Edgar Jones. Como trouxa, eu não era obrigado a lutar numa guerra, não me via forçado a seguir pelo caminho indicado pela minha família. Eu percebi que podia ter uma vida de verdade, pela primeira vez. Abrir mão da magia e trabalhar era um preço pequeno a ser pago por esta liberdade.

O semblante de Black se tornou mais sério quando ele encarou Alexia enquanto fazia aquela confissão.

- A verdade é que eu também não tinha motivos para voltar. Eu não queria mais viver naquela família, não queria servir a Voldemort e também não me via declarando uma guerra aos comensais para ficar do lado de Dumbledore. Eu não queria mais viver naquela casa, conviver com aquelas pessoas. Você já tinha escolhido um caminho oposto ao meu. Até mesmo o Monstro estava mais seguro com a minha “morte”. Enfim... eu não tinha nenhuma motivação para retornar.

O rapaz abriu os braços, como se quisesse indicar com a sua aparência a simplicidade da vida que levava agora.

- Você pode não acreditar, ou pode achar que isso é vergonhoso... Mas a verdade é que estou muito melhor assim, Alexia.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Ter Maio 03, 2016 3:40 am

Alexia precisaria de um tempo longo demais para processar toda a informação recebida por Regulus, mas era um tempo que ela não tinha. Seu rosto estava contorcido em incredulidade, quase um horror diante daquela nova realidade em que sua mente tentava se encaixar.

O herói que ela acreditava ser o pai da sua filha estava vivo, em uma vida medíocre demais aos olhos de uma Romanoff. Enquanto ela lamentava ao longo dos anos a saudade do melhor amigo, Regulus havia descartado sua presença com extrema facilidade.

- Então você fugiu. – Alexia sussurrou, as sobrancelhas franzidas, ainda tentando acreditar em tudo que estava acontecendo. – Como um rato covarde, você foi embora porque era mais fácil!

As últimas palavras foram quase gritadas e a Sra. Avery precisou respirar fundo para controlar o tom de voz, tomando o devido cuidado para não chamar atenção de mais alguém que estivesse no restaurante.

- Mesmo depois que a guerra acabou, você podia ter voltado! Você só não tinha motivos para voltar, certo? Monstro e eu nunca fomos motivos bons o suficiente, não é?

Os olhos azuis brilhavam com as lágrimas não derramadas, mas Alexia jamais se permitiria chorar diante de Regulus. Logo o caçula dos Black, que sempre soubera a verdade em cada detalhe seu, ela não permitiria enxergar aquela falha, não agora que ele havia se tornado um completo estranho.

A Sra. Avery ergueu a mão mais uma vez, mas desta vez, ao invés de socar o jovem garçom, ela o cutucou com o indicador, sem se preocupar com a força que usava.

- Eu posso ter cometido um erro em me tornar a Sra. Avery, Regulus, mas Jackson jamais teria uma atitude tão covarde. Definitivamente, nem o Sirius.

Os dentes de Alexia estavam trincados e as palavras saíam sem que ela mexesse o maxilar. Seu olhar estava espremido e todo o rosto contorcido em fúria e mágoa.

- Você era o meu mundo, Regulus Black. Você era tudo para o Monstro. Mas quer saber? – Ela conseguiu reproduzir um sorriso frio, digno de uma Avery. – Seja muito feliz nessa vida estúpida que você escolheu. Depois de hoje, você está mais morto do que nunca.

Nunca antes, nem nas dezenas de brigas dos dois amigos, Alexia havia lançado um olhar tão frio ao caçula dos Black. A mágoa e a decepção atingiam o peito da Sra. Avery em uma proporção jamais experimentada e ela se sentia envergonhada por tantas noites perdidas, lamentando a saudade de Regulus.

Seus saltos voltaram a ecoar pelo beco, mas apenas o suficiente até que ela pudesse desaparatar. Alexia sentia que o seu mundo havia virado de ponta cabeça, o chão havia desaparecido sob seus pés, mas ela não tinha tempo para lamentar a perda do amigo mais uma vez.

No instante em que chegou em casa, Alexia foi recebida pelo mesmo par de olhos cinzentos que deixara para trás na Londres trouxa. Porém, o sorriso doce de Aria fez com que o coração da mãe se derretesse, sentindo uma pontada de alívio nas decepções daquela noite.

Sem dizer nada, Alexia puxou a filha para os seus braços, como se quisesse protege-la de sentir a mesma tristeza que sentia naquele momento.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Ter Maio 03, 2016 10:54 pm

Se Severus Snape fosse qualquer outra pessoa, Emmeline teria reagido às declarações dele com uma gostosa gargalhada. A história fantasiosa relatada pelo professor parecia ser uma grande piada. Era difícil acreditar que todas as lembranças que Jenner tinha dos últimos meses era falsa e que o pai do seu bebê era um homem com quem ela não tinha nenhum tipo de intimidade.

Contudo, era ainda mais improvável que Snape estivesse brincando com um assunto tão delicado. Aquela era uma piada que definitivamente não combinava com a personalidade do sonserino. Também era difícil concluir que Severus estava inventando tudo aquilo para prejudicar Sirius, afinal seria uma calúnia facilmente desmentida pelo próprio Black ou por qualquer membro da Ordem da Fênix.

A lufana só precisou de alguns segundos para organizar os próprios pensamentos. Por mais louca que aquela história lhe soasse a princípio, Emmeline tinha que admitir que a versão de Severus fazia sentido. Todas as lembranças que ela tinha de um relacionamento com Sirius eram distantes e nebulosas, não existiam os detalhes que uma memória normal geralmente trazia consigo.

A história de Snape também explicava porque Sirius parecia distante. Black havia sido muito gentil nas últimas horas e mostrou-se preocupado com Emmeline e com o bebê, mas a curandeira não sentiu que o “namorado” estava verdadeiramente envolvido, muito menos empolgado com a gravidez.

E, claro, a versão de Severus também fornecia a única explicação lógica para o comportamento do sonserino. Emmeline sabia que Snape era um homem inteligente, que tinha princípios nobres e que merecia créditos pelo arriscado trabalho de espião. Mas as qualidades dele não pareciam ir muito além disso. Severus não era o tipo de pessoa que levaria uma bandeja de café da manhã para qualquer um, unicamente por bondade ou compaixão.

Embora aqueles fatos se encaixassem com exatidão nas lacunas abertas da memória de Emmeline, ainda era difícil demais para a curandeira acreditar que ela havia se envolvido romanticamente com Severus Snape. Chegava a ser bizarro pensar que os dois tinham ficado um ano juntos e que o sonserino era o pai da criança que crescia no ventre dela.

Foi este sentimento de profunda surpresa que levou Emmeline a afastar a mão, interrompendo o contato de seus dedos com a pele fria de Snape. Os olhos cor de mel não refletiam descrença nas palavras do professor, mas mostravam que Emmeline ainda não era capaz de compreender com exatidão tudo o que acontecera nos últimos meses.

Qualquer outra mulher poderia ter demonstrado todo o seu espanto e talvez até um pouco de aversão à história de Severus, mas a doçura da personalidade de Emmeline não permitiu que ela ofendesse o professor com tal reação negativa. Apenas a surpresa era grande demais para que Jenner conseguisse escondê-la.

- Eu não me lembro. De nada. Eu lamento, Snape, mas não me lembro nem de já ter conversado com você fora do ambiente da Ordem da Fênix.

Um pesado suspiro escapou dos lábios de Emmeline e ela sacudiu a cabeça em negativa enquanto procurava pelos olhos escuros do professor.

- Acredito em você, até porque você não teria nenhum motivo para mentir sobre algo tão delicado. E isso também explica várias coisas que não pareciam se encaixar tão bem nesta história. Mas eu não me lembro de nada. Por isso, espero que você entenda que esta situação me deixa extremamente desconfortável.

Por mais que soubesse o quanto aquele pedido era injusto, Emmeline não via outra saída. Severus precisava entender que era impossível para Jenner retomar um relacionamento do qual ela nem se lembrava.

- Eu gostaria de ter um tempo para pensar em tudo isso. Eu realmente lamento muito, Snape, mas eu não vou me sentir melhor sendo pressionada. Preciso de um tempo para recuperar as lembranças, ou ao menos para entender tudo isso.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Dominic Sjogren em Qua Maio 04, 2016 2:53 am

As palavras de Alexia assombraram Regulus como um fantasma naquela noite e também nos dias que se sucederam o encontro no restaurante.

Intimamente, Black sabia que merecia as críticas e o desprezo da melhor amiga. Embora tivesse se encantado com aquela inédita liberdade, o Comensal da Morte realmente havia optado pela escolha mais fácil ao fugir daquela guerra. Por outro lado, era revoltante para Regulus engolir aquelas acusações de alguém que cometera contra ele a pior das traições.

Na opinião do caçula dos Black, Alexia havia perdido por completo o direito de julgar as escolhas dele no instante em que trouxera Sirius para a sua vida. Mesmo que estivesse “morto” para a melhor amiga, Regulus sentia-se traído e ofendido em ceder seu lugar no coração de Alexia para o irmão que lhe virara as costas no passado.

Foi esta mágoa que impediu que Regulus voltasse atrás em suas decisões. No passado, era sempre Black quem recuava depois de uma briga e ensaiava um pedido de desculpas para se reaproximar da melhor amiga. Mas Alexia havia atingido em cheio a ferida mais dolorosa de Regulus e aquela traição com Sirius não era algo que o rapaz conseguia suportar.

Além disso, desta vez a briga ultrapassara vários limites e Regulus sabia que, muito provavelmente, Alexia nunca o perdoaria por tamanha mentira.

Mesmo atormentado com aquele reencontro indesejado, “Edgar Jones” se esforçou muito para que o passado não prejudicasse em nada a nova vida que ele tentava construir no mundo dos trouxas. A dedicação dele ao emprego se manteve a mesma nos dias seguintes, assim como a sua determinação de esquecer todo o seu passado como bruxo.

Ao fim de uma semana, Regulus estava convencido de que Alexia cumpriria a promessa de esquecê-lo e de que ele estava novamente seguro no mundo dos trouxas. Por isso, foi com surpresa que Black se deparou com um rosto conhecido quando saiu pelos fundos do restaurante, depois de uma noite particularmente cansativa no trabalho.

- Vai mesmo fingir que não me viu?

Sirius seguiu os passos do caçula quando Regulus lhe deu as costas e começou a caminhar na direção da calçada.

- Não temos nada para conversar. Aliás... – Regulus interrompeu a caminhada e se virou para o irmão com um olhar frio no rosto – Nós não temos nenhum assunto em comum desde os seus onze anos, não é? Foi quando você fez novos amigos e descobriu que não precisava mais da minha companhia. Volte para eles. Agora, nós nos tornamos estranhos.

O filho mais velho dos Brack cruzou os braços e respirou fundo, engolindo todas as acusações que formigavam na ponta de sua língua. Também era visível o esforço que Sirius fazia para não jogar na cara do irmão a verdade sobre Aria. Por mais que estivesse ali pensando na sobrinha, Sirius não pretendia tumultuar a vida da criança sem ter a certeza de que Regulus receberia bem aquela novidade e encaixaria a filha em sua vida e em seu coração.

- Não há a menor necessidade de ser tão agressivo. Eu só quero conversar, Regulus, não precisa se colocar na defensiva. Eu não quero brigar, nem estou aqui para te julgar. Aliás...

Apesar da surpresa em saber que Regulus estivera vivo em todo aquele tempo, Sirius não compartilhava da revolta de Alexia. É claro que o caçula não tivera uma atitude corajosa, mas Sirius estava agradavelmente surpreso em ver o irmão tão bem adaptado àquela vida simples. Era chocante ver Regulus se virando sozinho, sem uma varinha e sem o sobrenome dos Black, trabalhando duro num emprego digno, fazendo amigos sinceros entre os trouxas.

- ... eu me arriscaria a dizer que, pela primeira vez nos últimos anos, eu sinto orgulho da pessoa que você se tornou. Independente dos seus motivos, você está construindo o seu próprio caminho de forma digna.

Aquela declaração fez com que Regulus abaixasse um pouco a guarda. Depois de tantos anos de discussão e desprezo, era estranho ouvir palavras mais amenas do irmão mais velho.

- Bom, a sua namorada não concorda com isso. – a voz de Regulus voltou a soar áspera quando ele se lembrou de Alexia e Sirius juntos – Mas a opinião de vocês não me importa. Vocês parecem muito bem sem mim, então só o que precisam fazer é fingir que este encontro nunca aconteceu. Continuem felizes por lá e me deixem em paz aqui. Será o melhor para todos.
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Dominic Sjogren

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