Veritaserum

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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Qui Abr 21, 2016 8:47 pm

Como havia se tornado comum, Alexia era capaz de esquecer do mundo inteiro ao menor dos toques de Regulus. O tempo longe do melhor amigo só intensificava a sensação provocada pelo carinho tão sutil em seu rosto, e ela se permitiu fechar os olhos por alguns segundos, inclinando o pescoço até repousar a face na mão de Black.

Com um suspiro, a Sra. Avery tentou prolongar aquele momento o quanto pôde, agradecendo pela sensação de leveza que Black era capaz de proporcionar. Mesmo diante daquela notícia bombástica, nada mais importava desde que estivesse nos braços dele.

Quando as pálpebras finalmente se ergueram, revelando as íris de um azul tão escuro, Alexia estava novamente séria.

- Esta guerra não é feita de apenas um lado, Regulus. Eu não precisaria de uma marca para me colocar na linha de frente.

Era absurdo demais uma menina nascida em berço tradicional das famílias de puro sangue pudesse cogitar o outro lado daquela guerra. Os Black eram a prova mais óbvia de que ninguém aceitava bem um traidor. Sirius e Andrômeda eram apenas manchas, vergonhosas demais porque haviam escolhido um caminho diferente do que aquele traçado por suas famílias.

Alexia, até então, nunca havia pensado na possibilidade de fazer algo semelhante ao irmão de Regulus. Talvez estivesse confortável demais para lutar pelas próprias vontades. Mas ver o melhor amigo tão devastado na sua frente era a força necessária para despertar aquele novo mundo diante de seus olhos. Não havia limite em seus esforços para tentar reverter aquele cenário.

Sabendo que o rapaz jamais admitiria que seus caminhos seguissem por aquela linha tão perigosa, Alexia não permitiria que ele soubesse de seus planos tão precocemente. Regulus faria de tudo para impedi-la de se envolver e ela não aceitaria ficar por fora.

- Mas não se preocupe. Eu não pretendo cometer nenhuma loucura.

Ela ergueu os braços até cruzar as mãos atrás da nuca de Regulus, mantendo-o envolvido. Seu estômago deu uma deliciosa cambalhota, ignorando por completo o perigo de estar sob o mesmo teto em que Jackson residia.

Movida pelo impulso e pela saudade, Alexia buscou os olhos cinzentos que ela conhecia tão bem. Um sorriso sincero se formou em seus lábios quando ela se aproximou ainda mais, colando por completo seu corpo ao de Regulus.

- Eu acho ótimo saber que você ainda precisa de mim. Mesmo que meus conselhos sejam normalmente tão ruins... Nós dois sabemos que você não funcionaria muito bem sem a minha inteligência, não é?

A cada palavra, Alexia aproximava mais o rosto ao de Black, e seu nariz já estava roçando ao dele, as pálpebras quase cobrindo os olhos azuis por completo, quando um pequeno pigarro ecoou pela sala. Apesar de ter sido baixinho e discreto, foi o suficiente para fazer com que a dona da casa saltasse para trás.

Foi um imenso alívio não encontrar Jackson parado diante deles, mas mesmo estando apenas na presença do pequeno elfo, Alexia sabia que estava passando seus limites.

- O que quer, Pollus?

Os olhos do elfo estavam arregalados e olhavam fixamente para Regulus, provocando um desconforto em Alexia. Ela sabia que ainda não havia conquistado a confiança da criatura e não sabia até onde aquele estrago poderia alcançar.

- Vim avisar que o chá está pronto, madame Avery. Não vai servir chá ao seu amigo?
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Re: Veritaserum

Mensagem por Regulus Black em Qui Abr 21, 2016 9:31 pm

Por mais que soubesse que aquilo era uma loucura, as saudades que Regulus sentia da amiga não permitiram que ele se afastasse quando Alexia começou a se aproximar.

O momento não era certo e o lugar não poderia ser mais errado, mas ainda assim Black se deixou levar e abaixou as pálpebras enquanto se deliciava com a voz suave da Sra. Avery, com seu perfume gostoso e com o hálito fresco dela que, devido à proximidade, se chocava contra a pele dele.

Sem dúvida, os dois teriam mergulhado em um beijo se não fosse pelo pigarro do elfo.

O ruído fez Regulus se sobressaltar e cambalear alguns passos para trás. Black até foi rápido em sua tentativa de se recompor, mas já era tarde demais. Uma criatura não precisava ser um grande exemplo de inteligência para compreender o que estava havendo naquela sala.

- Não se preocupe, eu já estou de saída, Lex.

Como conhecia bem a maneira como funcionava a cabeça de um elfo doméstico, Regulus não tinha nenhuma esperança de que Pollus aceitasse algum dinheiro ou algum presente em troca de seu silêncio. Também era fácil concluir que o elfo jamais trairia a confiança de Jackson, por mais que gostasse da nova patroa. Era o mesmo que pensar que Monstro algum dia mentiria para Regulus a mando de Winnifred.

Portanto, a única saída desesperada era fazer a criatura acreditar que não havia visto nada demais naquela tarde.

- Obrigado pela sua atenção, é sempre muito bom falar com você, Lex.

Black ajeitou o casaco enquanto se aproximava da morena. Diante dos olhos arregalados do elfo, Regulus deslizou as mãos pela cintura de Alexia e inclinou-se para depositar um beijo estalado no rosto dela.

Talvez aquele fosse um grau de intimidade grande demais entre dois amigos, mas Black queria que Pollus acreditasse que a Sra. Avery não teria ido além disso se não fosse pela sua interrupção. Citar Jackson também era uma tentativa de fingir que nenhum dos dois tinha se esquecido da existência do Sr. Avery.

- Diga ao Jackson que mandei lembranças. Vamos marcar um jantar tão logo ele volte de viagem, está bem?

Sem olhar duas vezes para Pollus, Regulus dispensou a ajuda dele com um gesto e se encaminhou sozinho até a porta principal, por onde saiu com seu melhor semblante tranquilo, como se não tivesse acontecido nada demais.

No interior da casa dos Avery, o elfo doméstico estava visivelmente confuso depois daquela encenação de Regulus. Contudo, não era possível afirmar em que ele acreditava. Só o tempo diria qual história chegaria aos ouvidos de Jackson.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Sex Abr 22, 2016 7:40 pm

Enquanto Emmeline analisava a joia em suas mãos com surpresa, Severus permitiu que seu olhar deslizasse pelo relógio cuco, encarando fixamente o ponteiro com as iniciais “S.S.”. Seu estômago se revirou gostosamente ao saber que Jenner havia tido o cuidado de se preocupar em incluído no artefato mágico.

Era reconfortante saber que ela era precavida o bastante para ter um objeto daqueles dentro de casa, mas era imensamente delicioso a ideia de fazer parte da vida dela, sendo representado em algo tão simples. Jenner já havia provado, mais de uma vez, que estava levando aquele relacionamento com seriedade, mas Severus ainda se surpreendia até mesmo nos detalhes mais banais.

Para alguém tão frio e distante quanto o professor de poções, cada mínima ação era uma grande novidade. Exatamente por isso, Snape se surpreendeu quando a curandeira encarou aquele presente com olhos tão femininos, como se a única função da joia fosse enfeitar sua aparência.

Por mais que tivesse um enorme significado, desde o momento que aquela ideia cruzara a mente de Severus, ele não havia pensado uma única vez como um presente delicado de namorados. Era prático e necessário que pudesse saber com rapidez caso Emmeline estivesse em perigo, e para ele, aquilo era muito mais importante do que agradar a moça com mimos.

Apesar do tom brincalhão de Jenner, Snape continuou com uma expressão confusa e sacudiu a cabeça em negação.

- Você não ousaria brincar com algo tão sério, não é mesmo? Eu não me importaria em largar tudo a qualquer momento para vê-la, mas não queremos minimizar o impacto disso.

Snape se aproximou até que seus dedos pudessem alcançar os fios loiros, brincando com uma mecha solta até coloca-la novamente alinhada ao rosto da curandeira. Os dois haviam ficado afastados por apenas algumas horas, mas parecia tempo suficiente para que Severus voltasse a se impressionar com a beleza da lufana.

Os exóticos olhos cor de mel e os traços tão delicados que ainda lembrava a menina que vestia uniformes amarelos combinavam com uma perfeição impressionante. Nem em mil anos Severus conseguiria entender como um anjo como Emmeline estaria fazendo ao lado de alguém como ele.

- Eu preciso voltar, Emme... – Um suspiro cansado escapou pelos lábios do professor ao pensar em deixar Emmeline mais uma vez. – Apenas queria ter certeza de que você ficaria bem. Não é exatamente uma garantia de que nada irá acontecer, mas ao menos você sabe que estarei a um passo se você precisar, está bem?
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Sex Abr 22, 2016 8:46 pm

Apesar de todas as dificuldades em torno daquele relacionamento, Emmeline não poderia estar mais feliz com Severus Snape em sua vida. Devido à distância física que os separava e também ao fato de manterem o namoro em segredo, o casal não conseguia se ver com muita frequência. Muitas vezes tais encontros aconteciam durante as reuniões da Ordem da Fênix, o que definitivamente não servia para matar as saudades que eles sentiam um do outro.

Portanto, os raros encontros costumavam ser muito bem aproveitados. Sempre que Snape conseguia alguma folga em Hogwarts, seu tempo livre era dedicado à curandeira. Os dois geralmente optavam pelo apartamento de Jenner, mas a casa de Severus também acolhera alguns daqueles encontros secretos.

Devido à escala mais tumultuada de Emmeline no St. Mungus e às missões que obrigavam Severus a se dividir entre a Ordem da Fênix e o grupo dos Comensais da Morte, os dois completaram vinte dias sem nenhum encontro. Emmeline já se sentia inquieta e irritada quando, naquela manhã, recebeu um recado do namorado. O humor de Jenner simplesmente se transformou quando ela leu o bilhete no qual a caligrafia de Snape lhe informava que conseguiria passar aquela noite ao lado dela.

Foi muito mais fácil enfrentar um dia inteiro de trabalho pesado no hospital com a certeza de que encontraria Severus em seu apartamento quando retornasse para casa. Mesmo exausta, Emmeline manteve um bom humor inabalável e, ao fim do dia, seu coração já batia acelerado dentro do peito com a ansiedade de rever o professor de Poções.

Mesmo que estivesse ansiosa ao extremo para partir, Jenner finalizou seu serviço sem pressa e repassou os casos mais graves para o colega que a substituiria. A curandeira geralmente tomava um banho no hospital e colocava roupas limpas antes de ir para casa, mas naquela noite a pressa permitiu apenas que Emmeline trocasse o jaleco com o símbolo do St. Mungus por um sobretudo escuro que escondia seu vestido azul turquesa.

Com passos rápidos e se esforçando ao máximo para esconder o sorriso, Jenner cruzou vários corredores do hospital. Em meio à guerra, por questões de segurança, o prédio havia sido protegido contra aparatações e até mesmo os funcionários precisavam sair da área de internação para conseguirem deixar o hospital.

O saguão de entrada estava lotado, de forma que Emmeline se viu obrigada a reduzir a velocidade de seus passos enquanto tentava se desvencilhar das pessoas que aguardavam por atendimento ou pelo horário de visitas. Devido ao abafamento gerado pela aglomeração, a curandeira respirou fundo o ar puro daquele começo de noite no instante em que finalmente conseguiu sair do prédio.

Ainda não era tarde, mas o outono já chegava ao fim e os dias se tornavam cada vez mais curtos. O céu escuro estava salpicado por infinitas estrelas e a lua-cheia iluminava a rua com mais intensidade que a fraca luz do poste localizado na esquina do St. Mungus.

Um vento mais forte fez com que Emmeline se encolhesse dentro do sobretudo e apressasse ainda mais os seus passos. O prédio do St. Mungus estava protegido contra aparatações por um raio de cem metros, de forma que Jenner teria que ultrapassar a esquina para conseguir usar a varinha. A lareira deixara de ser uma opção desde que a Ordem da Fênix descobrira que Voldemort tinha infiltrados que comandavam a rede de flu.

Os cabelos loiros eram soprados pelo vento, mas Emmeline não parecia se importar nem um pouco com os nós que poderiam se formar nos fios. Sua mente estava tão focada em Severus que a curandeira também não percebeu que alguém se aproximava dela.

A calçada estava praticamente deserta e Jenner estava há poucos metros de uma aparatação quando um par de braços fortes a enlaçaram pela cintura.

Nem por um milésimo de segundo, a curandeira imaginou que pudesse ser Snape. Emmeline sabia que o namorado era responsável demais para arriscar tudo numa exibição pública de intimidade. Além disso, depois de tantas noites ao lado dele, Jenner já reconhecia o perfume da pele de Severus que, definitivamente, não era o mesmo cheiro que invadiu suas narinas naquela noite.

A certeza de que pessoas como ela eram os principais alvos dos Comensais da Morte fez com que Emmeline reagisse sem pensar demais. Um grito agudo escapou da garganta da curandeira e, num gesto inconsciente, ela apertou um dos pingentes da pulseira dada por Snape, alertando-o de que estava em perigo. O próximo passo de Emmeline foi levar uma das mãos ao bolso do sobretudo para sacar a varinha, mas a voz conhecida que soou junto ao seu ouvido interrompeu o duelo antes mesmo que a loira alcançasse a arma.

- Ei, ei, ei! Calma, Emme! Sou eu! Eu te chamei três vezes, sabia? Não deveria andar por aí à noite tão distraída!

O coração de Emmeline pulsava na garganta e ela estava pálida como um fantasma quando se desvencilhou dos braços do homem e se virou para encarar o rosto bonito de Sirius Black. O colega abriu um daqueles sorrisinhos galanteadores e indicou a esquina com um movimento de cabeça.

- Desculpe, eu não queria te assustar. Só precisava impedir que chegasse ao ponto de desaparatação.

- Nunca. Mais. Faça. Isso!

As palavras espaçadas de Jenner soaram num sussurro engasgado depois daquele imenso susto. Mesmo sabendo que não era um Comensal da Morte, a curandeira não conseguiu se livrar da dose de adrenalina que circulava em seu sangue. Num momento de pânico, ela havia tocado no pingente e agora Severus achava que ela estava em perigo.

Emmeline se perguntava quanto tempo o namorado demoraria até chegar enquanto Sirius, completamente alheio ao drama da loira, começou a tagarelar.

- Eu estava passando por aqui e pensei que hoje seria um excelente dia para colocarmos em prática aquela saída pendente. A noite está maravilhosa, já olhou o céu hoje? Imagino que esteja cansada, mas você vai ter que jantar, não vai? Podemos comer, talvez beber alguma coisa e eu te deixo em casa.

- Sirius, você precisa ir. – os olhos cor de mel refletiam uma nítida tensão quando Emmeline encarou o colega – É serio. É melhor que vá embora agora!

O maior medo de Jenner era que Snape chegasse com a adrenalina em alta e a varinha em punho e não conseguisse controlar os ciúmes diante daquela cena.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Sex Abr 22, 2016 9:08 pm

A luz amarelada do abajur projetava sombras distantes ao longo do quarto do casal Avery, mas somada ao fogo da lareira, era suficiente para que Alexia pudesse enxergar as páginas do livro em suas mãos.

A Sra. Avery estava sentada confortável em uma das poltronas de seu quarto, já preparada para dormir, e embora os olhos azuis deslizassem pelas linhas, seu cérebro havia deixado de processar a leitura há algum tempo, desde que identificara os ruídos que entregavam a chegada de Jackson em casa.

No instante em que o marido entrou no quarto, Alexia repousou o livro delicadamente sobre seus joelhos e o encarou, se esforçando para manter o semblante mais natural possível.

- Achei que fosse chegar mais cedo... Não consegui te esperar para jantar.

Sem dizer uma palavra, Jackson atravessou o quarto até o closet, onde jogou a pesada capa negra em um dos suportes. Sua roupa social estava amarrotada e logo os botões de seus pulsos estavam sendo soltos com gestos rápidos e mecânicos.

- Tive um imprevisto, levei mais tempo do que esperava.

Quando a camisa foi também descartada, Alexia não pôde evitar olhar para a marca que brilhava em seu braço, idêntica a que Regulus havia lhe mostrado no dia anterior. Ao contrário do melhor amigo, o Sr. Avery tinha orgulho da caveira negra que manchava sua pele.

- Está com fome? Posso pedir ao elfo para preparar algo...

- Já falei com o Pollus.

Alexia se calou, sentindo o estômago revirar ao ouvir o nome do elfo. Jackson já havia provado que era inteligente, e a escolha das palavras era cuidadosa demais. Não havia sido “Já ordenei ao elfo” ou “Pollus já está preparando”. Era apenas especificando que ele havia falado com a criatura. O quanto o elfo também havia falado?

- Regulus veio me visitar. – Alexia se apressou em dizer, torcendo para que a naturalidade em sua voz pudesse anular qualquer fofoca contada pelo elfo. – Preciso comprar um novo vestido para o casamento. Você viu como Winnifred consegue ser desagradável e pretendo estar ao menos impecável.

Os olhos azuis tentaram estudar cada centímetro do rosto de Avery diante da novidade, mas a ausência de surpresa na face do marido deu a certeza de que ele já estava ciente daquela visita. Porém, para surpresa de Alexia, não houve nem mesmo um único comentário. Não houve briga ou ameaças. Jackson terminou de se preparar para dormir e, durante os dias seguintes, o assunto foi completamente ignorado dentro da mansão.

Alexia tinha certeza que havia conseguido sair ilesa daquele pequeno deslize. Enquanto aquele assunto podia finalmente ser deixado para trás, ela aproveitava aquela paz para refletir sobre a promessa que havia feito a Regulus.

A Sra. Avery estava decidida a procurar ajuda de alguém completamente inesperado, se aquilo fosse lhe dar a esperança de tirar Regulus daquele caminho sem volta. Tudo o que ela precisava era que Jackson se ausentasse mais uma vez, lhe dando a liberdade para colocar o plano em ação.

Quando o Sr. Avery anunciou que passaria mais algumas noites fora, Alexia teve a certeza de que era o melhor momento para agir. Porém, Jackson havia escolhido o pior momento para mostrar que não havia esquecido a história da visita de Black em sua casa.

O homem já estava com uma pequena mala preparada quando o casal terminou de tomar o café da manhã. Alexia empurrou a taça de frutas pela metade quando Jackson se levantou e o acompanhou até o quarto, antes que ele pudesse partir.

- Você volta amanhã, certo? Devo te esperar para o jantar?

Os olhos escuros de Avery passeavam pela penteadeira da esposa, e Alexia estava tão ansiosa pela resposta que não notou quando os dedos do marido tocaram a sua própria varinha, repousada entre os perfumes.

- Não há necessidade. Pollus irá servir suas refeições aqui.

Alexia franziu a testa, mas antes que tivesse a chance de tentar entender, ela recuou sob o olhar frio de Jackson.

- Esta é a minha varinha...

- Eu sei. Você não vai precisar dela enquanto eu estiver fora.

A varinha foi enfiada nas vestes negras do Sr. Avery e Alexia se aproximou em um passo, tentando acompanhar o rumo daquela conversa.

- Do que está falando, Jakcson? É lógico que eu preciso da minha varinha.

Com a calma de sempre, O Sr. Avery cruzou os braços, mas mesmo diante das palavras pausadas e baixas, Alexia não se lembrava de tê-lo visto tão gélido antes.

- Eu não vou fazer nenhum escândalo, Lexie. Mas não espere que eu fique de braços cruzados quando você enfia um homem qualquer sob o meu teto quando eu não estou.

Os olhos arregalados de Alexia denunciaram cedo demais que ela sabia perfeitamente do que o marido estava falando.

- Não fale desta forma, você me ofende!

Jackson soltou uma risada rápida e seca, mas já se encaminhava na direção da porta, como se nada fosse capaz de abalá-lo.

- Não venha agir como se fosse uma santa, Alexia. O que você e o Black faziam antes pouco me interessa. Mas não ouse me humilhar desta forma! Enquanto eu estiver fora, você não verá ninguém. Muito menos ele.

Alexia ainda tentou avançar na direção da porta e tentar argumentar, mas Jackson foi mais rápido em sair do quarto. O barulho de chave ecoou quando a tranca foi feita, e por mais que tentasse fazer força contra a maçaneta, era impossível abrir.

Durante longos minutos, a Sra. Avery esmurrou a porta, gritou, bufou e espatifou objetos contra a maçaneta na tentativa inútil de sair do quarto. Não havia um único grão de pó-de-flu e sem a varinha era impossível aparatar.

Ela já se sentia esgotada quando, com o peito queimando de raiva, tentou a única saída que conseguia pensar. Era pouco provável que desse certo, mas mesmo correndo o risco de parecer uma tola, Alexia sussurrou baixinho, os dedos esbranquiçados apertando a maçaneta.

- Monstro...? Monstro, preciso de ajuda!

Alguns segundos se passaram em silêncio, mais tempo do que seria normal para um elfo que fosse obrigado a lhe dar ordens. E quando Alexia acreditou que não conseguiria ajuda, um estalido ecoou no quarto, a figura do elfo da família Black surgindo diante dos seus olhos.

Mesmo para os bruxos de puro sangue que tratavam os elfos com dignidade, era impossível nomear um que tratasse criaturas inferiores com carinho. Naquele dia, porém, o rosto de Alexia se iluminou em felicidade e ela puxou o pequeno elfo para um abraço.

- Menina Alexia? O que houve?

- Preciso que me tire daqui, Monstro. Pode me levar até Godrics Hollow?

Os elfos não costumavam questionar ordens que lhe eram dadas, mas ainda assim, Alexia não era diretamente sua dona, o que deu margem a criatura para indagar, seu rostinho enrugado contorcido em confusão.

- Madame Alexia não pode aparatar sozinha? Monstro precisa terminar o almoço de Madame Walburga. Ela ficará uma fera se as batatas não ficarem macias a tempo.

- Walburga ficará uma fera de qualquer forma, Monstro. É rápido. Jackson levou minha varinha, não consigo fazer nada. Você pode me deixar lá e ir, está bem?

Os olhos do elfo deslizaram pelo chão do quarto, bagunçado com os objetos espatifados.

- Monstro jamais deixaria uma casa tão bagunçada assim!

- Monstro! – Alexia chamou, segurando-o pelo rosto. – Precisamos ir, agora!

A mãozinha manchada do elfo tocou Alexia pelo braço, e quando a bruxa finalmente se deu conta, ela havia deixado a mansão Avery para trás.

Assim como prometido, Alexia permitiu que o elfo fosse embora no instante em que seus pés tocaram a calçada em Godrics Hollow. Ela puxou o casaco contra o corpo, e embora fosse um dia ensolarado, a proximidade do inverno já trazia baixas temperaturas.

Mesmo que Godrics Hollow fosse um bairro inteiramente bruxo, Alexia se sentia uma tola, completamente insegura por estar sem a própria varinha. Desde os onze anos de idade, ela nunca havia ficado sem a companhia da varinha e era, no mínimo, desconfortável andar como se fosse uma trouxa indefesa.

Para seu alívio, o caminho foi curto até a casa de número quinze. Em uma carta antiga, nas raras tentativas dos irmãos Black de se falarem, Sirius havia comentado que havia se mudado para aquele endereço.

Quando a porta de entrada foi aberta, Alexia imediatamente reconheceu os olhos cinzentos, idênticos aos de Regulus. Porém, tão diferente do caçula, o Black mais velho estreitou o olhar desconfiado ao reconhecer a antiga colega de Hogwarts.

- O que está fazendo aqui?

Como se esperasse por um ataque, Sirius olhou por cima do ombro de Alexia, mas a Sra. Avery não se abalou. Era esperado que ele agisse daquela forma, afinal, nos tantos anos de amizade com Regulus, ela e Sirius tinham tido pouca interação, principalmente depois do rompimento com a família.

- Eu sei que educação nunca foi o seu forte, mas é extremamente deselegante me deixar plantada aqui fora. Me deixe entrar, temos muito o que conversar.

***

Regulus provavelmente surtaria se soubesse que Alexia havia passado toda uma tarde na companhia de Sirius, principalmente se desconfiasse que havia sido o principal assunto daquela conversa.

No fundo, a Sra. Avery sabia que era uma traição entregar tantos detalhes ao filho mais velho de Walburga, mas se ela precisava de ajuda, também precisaria ganhar a confiança o mais rápido possível.

- Se tudo que você está me dizendo é verdade...

- É verdade. – Alexia revirou os olhos, mas Sirius continuou como se não tivesse sido interrompido.

- Tem uma pessoa que poderia ajudar.

Era completamente surreal ver o diretor de Hogwarts, com suas longas e exageradas vestes, sentado confortavelmente na sala de Sirius Black. Albus Dumbledore havia chegado com uma rapidez impressionante, no instante em que Sirius tentara entrar em contato através de um dos quadros de sua parede.

Ao contrário do dono da casa, Albus não pareceu tão desconfiado quando encontrou uma antiga Sonserina procurando por ajuda. Alexia tinha a ligeira impressão de que ele estava mais interessado em furtar os biscoitinhos de manteiga que Black havia servido do que ouvir sua história.

- Não me entenda mal, Sra. Avery, mas o que te faz crer que suas informações podem ser mesmo tão úteis? Como a senhora mesmo disse, não está envolvida diretamente nas reuniões, não faz parte do ciclo confiável de Voldemort...

Alexia sentiu um arrepio na nuca ao escutar o nome do Lord das Trevas, mas permaneceu sentada com a coluna reta, as mãos repousadas sobre o joelho elegantemente.

- Eu tenho o nome de cada um dos comensais.

- Eu também. – Albus se inclinou para pegar mais um biscoitinho, e Alexia revirou os olhos.

- Mas eu tenho como provar. Não é isso que importa? Se o senhor tivesse como, acredito que eles já estariam apodrecendo em Azkaban há séculos. Mas se ainda estão lá fora torturando sangues-ruins, é porque apenas nomes em uma lista são só o que vocês conseguiram.

Sirius se remexeu desconfortável diante do nome usado pro Alexia para os nascidos trouxas, mas Albus pareceu finalmente interessado no que a bruxa tinha a dizer.

- Posso perguntar o que motiva a senhora a seguir por um caminho tão perigoso? É uma informação valiosa demais para se dar de bandeja.

- Meus motivos cabem apenas a mim. Mas eu não estou dando as informações, simplesmente. Quero algo em troca.

- Novidade... –Sirius revirou os olhos, cruzando os braços contra o peito. – Vocês, sonserinos, são mesmo todos iguais.

- E o que a senhora deseja?

- Imunidade e proteção. Para mim e para outra pessoa.

- Regulus. – Sirius concluiu. – Quer proteger um comensal em troca de outros.

Sem se abalar, Alexia ergueu o olhar até encarar o Black mais velho.

- Exatamente. Acho justo. E estou disposta a entregar um deles ainda hoje, se concordarem.

- Quem? – Sirius perguntou, ainda usando seu tom incrédulo.

- Jackson Avery.

- Está disposta a entregar seu próprio marido? E depois o quê? Você e o meu irmãozinho vão se juntar a gente e entregar comensal por comensal?

- Você-Sabe-Quem suspeitaria na primeira semana se visse seus seguidores sendo presos. E a guerra não acabaria. Mas sim, eu e o Regulus podemos ajudar com o que for necessário para acabar com isso. Jackson é apenas a prova que estou dando que realmente posso ajudar.

- E o Sr. Black concorda com isso?

- Vou fazê-lo concordar, professor.

Quando a luz do sol finalmente deixava os céus, Alexia desaparatou de Godrics Hollow na companhia de Sirius Black. Quando Jackson voltasse para casa no dia seguinte, encontraria a esposa novamente presa em seu quarto, como se jamais tivesse saído de lá.

Albus e Sirius tinham as informações dos locais exatos em que Jackson guardava os artefatos de magia negra em cada canto da casa, e quando os aurores surgissem no dia seguinte, teriam as provas necessárias para levar o Sr. Avery a julgamento.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Sex Abr 22, 2016 10:08 pm

Exatamente como Emmeline, Severus se via ansioso com a possibilidade de rever a namorada após tantos dias longe. Tão acostumado com a solidão, Snape agora se via passando os dias com saudade e expectativas de rever o rosto da lufana, lhe causando um aperto no peito a cada dia frustrante longe dela.

Se a curandeira havia deixado o hospital com as mesmas roupas que usara para trabalhar, o professor de Poções tivera o devido cuidado de escolher vestes novas. Embora o casaco fosse pesado pelo frio que começava a tomar conta da Inglaterra, eram peças nitidamente mais harmônicas e visualmente menos sombrias.

Talvez fosse apenas a expressão de seu rosto e o olhar mais suave que dava aquela impressão, mas um bom observador poderia dizer, mesmo por trás da máscara que o espião usava, que Severus Snape não era mais o mesmo homem.

O encontro daquela noite seria na pequena casa de Snape, mas como sempre, o lugar estava impecavelmente limpo e organizado. A lareira acessa dava a sensação de aconchego e o cheiro delicioso da comida era capaz de abrir o apetite de qualquer um.

Severus estava terminando de guardar alguns vidros de poções vazios que estavam desalinhados em sua prateleira quando a coloração avermelhada do anel em seu dedo chamou sua atenção.

Antes que seu coração pudesse falhar uma batida e o ar escapar de seus pulmões, a vista dele escureceu e seu pequeno depósito desapareceu, dando lugar a conhecida rua próxima do Mungus. O vidrinho em sua mão escapou de seus dedos e se espatifou em mil pedaços aos seus pés enquanto aquele borrão desaparecia com a mesma velocidade que havia surgido, mas ele teve certeza que o pânico que se espalhou não era produzido pelo seu próprio corpo, mas como se ele fosse ser capaz de sentir exatamente o que Emmeline estava sentindo.

No segundo em que sua visão voltou ao normal, Snape agiu de prontidão. Mesmo com a adrenalina que percorria seu sangue, ele foi ágil em alcançar a varinha e deixar a casa até onde pudesse desaparatar. Seu único deslize foi tentar surgir exatamente no lugar que havia aparecido em sua mente, mas a proteção em volta do hospital fez com que ele ricocheteasse alguns metros longe, caindo na calçada com um baque.

Algumas pessoas que passavam ao redor se assustaram quando o homem levantou em um salto e correu em direção ao caminho que ele sabia que deveria seguir. Sua camisa branca havia manchado durante aquele processo, mas a garganta fechada queimava enquanto sua mente só conseguia pensar no perigo que Emmeline estaria correndo.

Era como se uma vozinha em sua mente risse debochadamente, dizendo que ele sabia que aquilo acabaria acontecendo, era apenas questão de tempo.

Se realmente estivesse acontecendo algo extraordinário na rua, as pessoas não teriam olhado tão confusas quando Severus surgiu, a varinha em punho. Para sua sorte, Emmeline entrou em seu campo de visão ainda com alguns metros de distância, e a curandeira estava de costas, incapaz de ver que o professor precisou de alguns segundos para se dar conta de que o movimento continuava na mais perfeita ordem.

As pessoas que passavam na calçada sequer imaginava a velocidade com que o sangue de Snape corria em suas veias. Ele precisou respirar fundo e trincou os dentes no segundo que reconheceu Sirius Black próximo demais da curandeira.

Era evidente que Emmeline não estava em grandes perigos, mas ainda assim Snape sentiu necessidade de se aproximar. Nada justificava sua presença ali, mas não existia a possibilidade de dar as costas e deixar Black a sós com Jenner.

Embora confiasse na namorada, a insistência de Sirius era revoltante. Parecia ser impossível para ele admitir que uma garota não aceitaria sua companhia, como se todo o mundo fosse obrigado a se curvar aos seus pés.

Não foi necessário nenhuma encenação para reassumir sua postura desagradável, o rosto contorcido em uma expressão azeda quando Snape guardou a varinha nas vestes e se aproximou do casal.

- Eu sempre tive certeza da sua deficiência mental, Black, mas você está se superando. – Sua voz arrastada soou por trás de Emmeline, mas só então Sirius percebeu sua presença. – Por que você não deixa a Jenner em paz e vai atrás do seu namorado? Potter não está na sua sombra hoje?

Snape enfiou as mãos nos bolsos, roçando a ponta da varinha com os dedos. Por um segundo, ele buscou o olhar de Emmeline. A curandeira seria esperta o bastante para saber que havia um quê de desagrado, mas não era a mesma decepção refletida como havia sido na casa dos Weasley, que resultara na primeira briga do casal.

- O professor Dumbledore pediu para eu vir pessoalmente lhe trazer a próxima tarefa. Espero que não esteja ocupada demais com este saco de pulgas para fazer o seu trabalho, Jenner.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Regulus Black em Sex Abr 22, 2016 10:41 pm

Não era raro que os aurores organizassem visitas para vasculhar casas de possíveis seguidores de Voldemort, mas geralmente eram investigações improdutivas nas quais não era encontrada nenhuma prova do envolvimento dos suspeitos com o grupo dos Comensais da Morte.

Graças à ajuda de Alexia Avery, contudo, o resultado foi diferente naquela noite. Para desespero de Jackson, os aurores pareciam saber exatamente onde ele escondia todos os seus artefatos de magia negra e todos os documentos que ligavam seu nome ao grupo de Voldemort.

Encurralado diante de tantas provas, Avery ainda tentou resistir à prisão, mas foi facilmente dominado pelos aurores e levado para Azkaban. Como não havia nenhuma prova que ligasse diretamente Alexia aos comensais e graças à influência de Albus Dumbledore, a Sra. Avery foi poupada daquele mesmo destino, mas obviamente começaria a ser investigada a partir daquele instante.

A notícia se espalhou rapidamente e atingiu os Comensais da Morte como uma bomba. Não havia dúvida de que alguém havia traído Jackson, mas ironicamente Alexia era uma das últimas na lista de suspeitos. O marido tinha certeza de que não poderia ter sido a Sra. Avery simplesmente porque achava que Alexia havia passado o último dia incomunicável dentro do quarto.

Pela primeira vez, os Comensais da Morte se sentiram verdadeiramente ameaçados naquela guerra. Na reunião de emergência convocada por Lord Voldemort, era notável a tensão em volta da extensa mesa. Os olhares se cruzavam com idênticas expressões de desconfiança e o clima se tornou ainda mais pesado quando Voldemort se juntou aos seus seguidores.

Como já era de se esperar, o Lord das Trevas estava enfurecido. A reunião foi marcada por gritos, ameaças e descrições detalhadas do destino que seria dado a qualquer traidor. A guerra estava longe de acabar e os comensais tinha sofrido apenas um pequeno abalo com a prisão de Avery, mas Voldemort odiava pensar que havia perdido uma batalha para Albus Dumbledore.

Regulus Black talvez fosse o único do grupo que estivesse próximo da verdade. Enquanto todos enumeravam dezenas de suspeitos improváveis, Regulus guardou para si a verdade que apenas ele sabia. Além de conhecer Alexia o bastante para saber que a amiga seria capaz disso, Black tinha a informação dada por Monstro.

Fiel ao patrão, o elfo doméstico havia contado a Regulus sobre o chamado da Sra. Avery, sobre o fato de Jackson ter trancado a esposa dentro do quarto e sobre a aparatação para Godrick’s Hollow. O único erro no raciocínio de Regulus era achar que Alexia havia procurado por Potter. Ele jamais imaginaria que a amiga tivera a ousadia de pedir a ajuda justamente de Sirius Black.

Exatamente por possuir todas aquelas informações valiosas, Regulus se esforçou para esvaziar a mente quando Voldemort o chamou para uma conversa em particular. Era um risco colocar-se diante de um dos maiores legilimens de toda a história, mas o filho caçula dos Black também possuía uma vasta experiência em esconder os próprios pensamentos e principalmente os próprios sentimentos.

Como a reunião acontecia na mansão dos Lestrange, Rodolphus cedeu o seu escritório particular para que Voldemort pudesse tratar de seus assuntos pessoais. Regulus tremia por dentro, mas conseguiu seguir os passos do Lord das Trevas com uma expressão amena que não denunciava nenhuma culpa.

Nem mesmo quando se sentaram frente a frente e Voldemort o encarou com as íris avermelhadas em formato de fenda, Regulus deixou transparecer o seu temor. A voz gelada do bruxo das trevas soou anormalmente calma depois daquela reunião tão agitada.

- Eu lhe farei algumas perguntas, Regulus, e gostaria que as respostas fossem sinceras e diretas.

- É claro, milorde.

- Qual o seu grau de envolvimento com a Sra. Avery?

Voldemort não mudara a entonação, mas alguma coisa no olhar dele deu a Regulus a certeza de que o homem sabia. Provavelmente Jackson havia levado aquela queixa de traição ao Lord das Trevas, que inicialmente não quis interferir nos problemas pessoais de seus seguidores.

Como era tolice mentir e como aquela verdade poderia fazer com que Voldemort confiasse ainda mais em suas palavras, Regulus sequer gaguejou durante aquela confissão.

- Maior do que o recomendado, milorde.

Um meio sorriso maldoso surgiu nos lábios de Voldemort e ele pareceu satisfeito com a sinceridade de Regulus. O herdeiro dos Black estaria no chão do escritório, gemendo sob o efeito da Cruciatus, se tivesse tido a ousadia de mentir.

- Era o que o Jackson temia. Inicialmente eu imaginei que fosse um assunto fora dos meus interesses, mas os últimos acontecimentos mudam tudo. – os olhos vermelhos foram cravados novamente em Regulus – Qual a sua participação na prisão do Jackson?

- Nenhuma, milorde. – a resposta de Regulus foi firme e imediata – Além de uma traição, seria uma grande tolice da minha parte. Vou me casar em poucas semanas e minha família não precisa de mais escândalos. Alexia e eu nunca tivemos a pretensão de retirar o nosso envolvimento deste campo obscuro.

Mais uma vez, a resposta de Regulus soou bem convincente aos ouvidos de Voldemort. Como herdeiro de um sobrenome importante, era esperado que Black colocasse o nome e a reputação da família acima de qualquer aventura amorosa.

- E qual você acha que foi a participação da Sra. Avery nesta prisão, Regulus?

Sem mudar uma linha de expressão, Regulus se esforçou para construir barreiras ainda mais poderosas em torno dos seus pensamentos antes de mentir para Lord Voldemort.

- Eu obviamente ainda não falei com ela sobre o ocorrido, mas eu lhe garanto que a Alexia é uma mulher inteligente e sensata, milorde. Ela sabe que um escândalo desta proporção não lhe traria nenhum benefício. Alexia sabe perfeitamente que eu não posso dar a ela tudo o que o Avery tem a oferecer.

- Alguém entregou o Jackson.

- Sem dúvida, milorde. E concordo que nenhuma hipótese deve ser descartada antes de uma investigação minuciosa. Só preciso deixar claro que, por mais errado que seja o meu envolvimento com a esposa do Jackson, nenhum de nós dois planejava se livrar dele. Jackson era uma peça fundamental no equilíbrio deste jogo.

Não era difícil para Voldemort acreditar naquela teoria de Regulus. O Lord das Trevas estava cercado pelos piores bruxos da atualidade e não parecia nada absurda a naturalidade com que Black admitia que estava tendo um caso com a esposa de um colega. Também fazia sentido ouvir que os amantes não queriam se livrar do marido traído. Era muito mais fácil manterem aquela farsa se todos pensassem que Regulus e Alexia estavam felizes em seus respectivos casamentos.

- Quero que fale com ela e me traga qualquer informação potencialmente valiosa, Regulus.

- É claro, milorde.

- Também preciso de outro favor. – Voldemort se remexeu na cadeira acolchoada e diminuiu um pouco o tom de voz – E devo acrescentar que este assunto é ainda mais sigiloso que o restante da nossa conversa.

- Eu nunca dei motivos para que milorde duvidasse da minha fidelidade à causa ou da minha discrição. De que se trata?

Mesmo tendo sido apenas uma batalha perdida, Voldemort se sentia ameaçado por aquele triunfo de Dumbledore. Mesmo que a guerra estivesse longe de coroar um vencedor, o Lord das Trevas se viu obrigado a acelerar seus planos pessoais. O maior objetivo de Voldemort no momento era garantir a própria sobrevivência, independente do resultado daquela guerra.

- É um pedido simples, Regulus. Em uma semana, farei uma breve viagem e precisarei da companhia de um elfo doméstico.

Pela primeira vez, a firmeza no semblante de Regulus vacilou. Qualquer outro bruxo não veria problemas em ceder um elfo, mas Black sentiu um arrepio só de pensar que Monstro poderia não voltar daquela “viagem”. Contudo, era uma loucura dizer não a um pedido de Lord Voldemort e aquela negativa poderia colocar tudo a perder.

- O meu elfo é de extrema confiança e estará pronto para quando milorde desejar.

Agora, somada à preocupação com a segurança de Alexia após a prisão de Avery, Regulus retornou para a casa dos Black aflito com o que poderia acontecer a Monstro naquela missão. Voldemort não havia dado nenhuma pista sobre qual seria a utilidade do elfo doméstico naquela viagem, mas Regulus sabia que a vida de Monstro corria perigo nas mãos de um homem que não respeitava nem mesmo vidas de crianças e famílias inocentes.

A angústia só piorou no instante em que Regulus pisou na mansão dos Black e, como de costume, Monstro foi o primeiro que surgiu no saguão para saudá-lo. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, contudo, o rapaz foi surpreendido pela informação trazida pelo elfo.

- Senhor Regulus tem visitas! A menina Alexia espera pelo senhor Regulus na sala!

- Alexia está aqui???

Sem esperar pela resposta de Monstro, Black retirou o casaco e praticamente correu até a sala. O instinto de puxar Alexia para um abraço teve que ser refreado quando, para imensa decepção de Regulus, ele encontrou Walburga sentada ao lado da Sra. Avery. Sem imaginar a participação de Alexia na prisão do marido, a Sra. Black tentava consolá-la com suas típicas ameaças.

- Logo vão pegar o responsável e o farão se arrepender desta traição! O próximo passo desta guerra será abrir as portas de Azkaban! Avery sairá de lá como um herói!
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Sex Abr 22, 2016 11:26 pm

Emmeline ainda sentia as batidas aceleradas de seu coração pulsando nas pontas dos dedos quando escutou a familiar voz arrastada de Severus Snape. Foi um grande alívio ver que o professor não estava com a varinha em punho, mas é claro que isso não garantia que aquela noite terminaria bem. O risco era sempre grande quando Snape, Black ou Potter estavam no mesmo ambiente.

Não seria difícil para Severus entender que a namorada havia se enganado ao tocar o pingente naquela noite. Jenner estava pálida e agitada, sem mencionar a expressão nítida de arrependimento. Era óbvio que Sirius havia lhe dado um susto naquela noite e ela se equivocara ao mandar o alerta de perigo ao professor.

Tão logo notou a presença de Snape, Black dirigiu ao sonserino um olhar surpreso e insatisfeito. O professor de Poções era a última pessoa que Sirius esperava encontrar naquela noite. Mesmo depois de escutar a desculpa de Severus, Black ainda não parecia muito convencido.

- É mesmo? E desde quando você aceitou o trabalho de coruja particular do Dumbie, Ranhoso? – Sirius o olhou de cima a baixo com desprezo – No seu caso, acho que podemos substituir facilmente o termo coruja por morcego.

Depois de tantos anos de inimizade, Snape e os marotos se conheciam bem. Bem o bastante para que Sirius duvidasse que Severus fosse aceitar aquele pedido de Dumbledore tão mansamente. O professor de Poções já tinha responsabilidades e obrigações demais para cumprir também o papel de um garoto de recados de Dumbledore.

- Já chega! – a voz de Emmeline se ergueu acima da discussão dos dois homens – Caso vocês ainda não tenham notado, eu sou uma nascida trouxa e simplesmente não posso ficar exposta em uma esquina escura enquanto espero vocês dois trocarem as mesmas ofensas que repetem há mais de uma década.

- Você tem toda razão, Emme, desculpe. – Sirius dirigiu um olhar mais doce para a curandeira antes de girar os olhos cinzentos para Severus – Passe logo o seu recado, Seboso. Está atrasando o nosso jantar.

Era impressionante como Sirius Black conseguia ser insistente e convencido. Emmeline nunca havia lhe prometido um encontro, mas o rapaz parecia certo de que naquela noite conseguiria fazer a colega ceder. E foi exatamente por saber que Sirius nunca pararia de insistir que Jenner optou por uma saída radical. Aquela era a única forma de Black finalmente entender que não aconteceria um encontro.

- Sirius, nós não vamos jantar juntos. – Emmeline completou antes que o rapaz argumentasse – Eu já combinei um jantar com o meu namorado esta noite.

A decepção ficou estampada no rosto de Sirius com aquela revelação e o auror tentou buscar desesperadamente na memória qualquer sinal que ele tivesse deixado passar. Jenner nunca havia mencionado nenhum namorado, trabalhava demais e não parecia frequentar muitos locais além do Mungus e da casa dos Weasley. Black estava prestes a concluir que Emmeline estava inventando a existência de um namorado apenas para se livrar da insistência dele quando uma improvável peça se encaixou naquele quebra-cabeças.

Por mais que Black tentasse ignorar a existência de Snape, a mudança do professor de Poções fora grande demais para passar despercebida. Severus estava menos ácido e menos sombrio há algumas semanas. E Sirius nunca mais o viu lançar nenhum olhar ressentido para Lily Potter.

A rapidez com que Snape surgira naquela noite associada à insistência de Emmeline para que Black fosse embora rápido fizeram com que a mente de Sirius se abrisse para aquela assombrosa verdade.

O queixo de Black caiu e os olhos cinzentos quase saltaram do rosto. A surpresa foi tão grande que Sirius cambaleou um passo para trás e encarou o casal a sua frente como se nunca tivesse visto nenhum dos dois. Na cabeça de Sirius, aquele relacionamento era tão absurdo que beirava a loucura. A delicadeza e a pureza de Jenner pareciam incompatíveis com a imagem sombria do sonserino.

Ao notar que o colega finalmente entendera, Emmeline suspirou e trocou um olhar com Severus antes de encarar Sirius novamente.

- Por uma questão de segurança, preferimos manter isso em segredo, Sirius. Só o professor Dumbledore sabe, e agora você. Então, por favor, seja cuidadoso com esta informação.

- DUMBLEDORE SABE E NÃO FEZ NADA? PORQUE PRA MIM É ÓBVIO QUE ELE TE ENFEITIÇOU!

Sirius apontou para Snape, sem tirar os olhos do rosto de Emmeline. Black procurava desesperadamente por qualquer sinal de que a curandeira estivesse sob o efeito de uma poderosa poção do amor. Contudo, a expressão firme e o brilho nos olhos cor de mel não faziam parte do semblante de uma mulher dominada por um encantamento.

- Sirius, você está sendo ridículo e está nos fazendo perder um tempo precioso. – Jenner deslizou discretamente uma das mãos pelo tronco de Severus até segurar a mão do professor – Desculpe, mas nós realmente temos que ir.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Sab Abr 23, 2016 12:13 am

Seria mesmo difícil de acreditar que a Sra. Avery fosse capaz de trair o marido, principalmente sabendo das consequências que cairiam sobre a própria vida. A rotina de Alexia virou de ponta cabeça no instante em que Jackson foi levado para Azkaban.

O sobrenome dos Avery nunca havia sido estampado nas manchetes dos jornais com tanta frequência. A mansão estava completamente revirada e Alexia foi obrigada a deixar a casa para trás, para que os aurores concluíssem o meticuloso trabalho atrás de maiores pistas que pudessem ajudar naquela guerra.

Apesar das fofocas que começaram a percorrer pela alta sociedade bruxa, as famílias que tinham a menor simpatia pelos seguidores de Voldemort se compadeceram com os momentos difíceis que caíram sobre Alexia. Aos olhos da maioria, ela era uma pobre vítima de algum traidor, ficando sem marido, mas ainda assim alvo de tantas conversas nas mesas de jantar.

Como havia feito durante toda sua vida, Alexia abraçou aquela encenação com naturalidade. Seu comportamento era quase de uma viúva que perdera o marido recentemente. As roupas neutras e recatadas, uma atitude mais discreta e reservada. Seria difícil dizer que ela não estava sofrendo com a injustiça cometida contra o marido.

Naquele fim de tarde, Alexia usava um vestido negro e justo que alcançava quase seus joelhos. O decote quadrado, embora realçasse o contorno bonito dos seios, ainda estava no limite respeitável. Seus cabelos haviam sido puxados para um rabo-de-cavalo, apenas com duas mexas emolduravam seu rosto coberto por uma discreta maquiagem.

Seus lábios estavam curvados em um sorriso mecânico enquanto ela ouvia o discurso de Walburga. Apenas a presença de Regulus foi capaz de abalar seu disfarce monótono de esposa abalada. Um brilho tomou conta dos olhos azuis, trazendo vida para o rosto propositalmente abatido.

- Não tenho dúvida, Walburga. É muito bom saber que posso contar com verdadeiros amigos nesses momentos. Tudo isso me deixou tão abalada que eu não tenho mais conseguido dormir, entende? É difícil dizer em quem podemos confiar nos dias de hoje.

- Estamos cercados de traidores do próprio sangue. Sempre disse! Essa escória, imundice!

Era impressionante como o tom de voz da Sra. Black aumentava conforme ela discursava sobre seu ódio com traidores. Mesmo depois de ter criado um desertor em seu mesmo teto, ela ainda não conseguia enxergar que estava diante de outra mentirosa que ia contra os princípios das famílias tradicionais.

- É por isso que quis ver o Reg. Estou realmente precisando de bons amigos.

Só então Walburga pareceu notar a presença do filho caçula. Com um sorriso nos lábios, ela concordou com um movimento da cabeça, orgulhosa em saber que mais uma vez seu herdeiro precioso se destacava, livre de qualquer mentira ou traição ao próprio sangue.

- Se importa que a gente converse uns minutos a sós, Walburga? Não quero atrapalhar o seu chá, podemos conversar lá em cima.

A postura da Sra. Black mudou momentaneamente quando ela analisou o filho e a escada atrás de seu ombro. Imaginando o que passava pela cabeça da mulher, Alexia se apressou em dizer.

- Não quero ser inconveniente, mas passei mais da metade da minha infância aqui. Estou precisando sentir um pouco como se estivesse em casa novamente.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Regulus Black em Sab Abr 23, 2016 1:53 am

Antes que Walburga pudesse se negar a deixar os dois seguirem sozinhos até o quarto de Regulus, o rapaz apresentou um argumento contra o qual a mãe simplesmente não podia lutar. O lado positivo de conhecer Walburga tão bem era saber exatamente como modelar o comportamento da Sra. Black.

- É uma excelente ideia, Alexia. Acabo de voltar de uma reunião e tenho um recado do Lord das Trevas para você. E ele deixou bem claro que gostaria que o assunto ficasse somente entre nós dois.

Aquela ordem indireta de Voldemort teve o poder de fazer Walburga Black se calar dentro de sua própria casa. Com um semblante curioso, a mulher apenas seguiu os dois jovens com o olhar enquanto Regulus guiava Alexia pela escadaria que ela já conhecia tão bem.

As dezenas de quadros pendurados pelas paredes obrigaram o casal a manter uma postura respeitável, que se explodiu em mil pedacinhos no instante em que Regulus fechou a porta do próprio quarto com um feitiço que bloquearia também os sons do cômodo.

Sem dar a Alexia tempo para raciocinar, Regulus extravasou toda a emoção que fora obrigado a conter diante de Voldemort e de Walburga puxando a moça para seus braços. Os lábios de Black buscaram os de Alexia com um nítido desespero, tanto pelas saudades que sentia dos beijos da amiga quanto pela angústia de pensar no perigo que ela corria depois de ter entregado Avery aos aurores.

Nenhum dos dois calculava o risco daquela loucura quando se deixaram guiar pelo velho desejo que os unia. As molas do colchão de Regulus gemeram ao serem comprimidas pelos pesos dos dois, mas o feitiço que selava o quarto impediu que aquele e os demais ruídos chegassem até o corredor.

Como de costume, a paixão guiou os movimentos das mãos e dos lábios de ambos em uma sintonia perfeita. Nem mesmo a Marca Negra que agora manchava um dos braços de Regulus foi capaz de estragar a magia daquele momento único.

O local e o momento inadequados obrigaram o casal a se conter bem antes do que realmente gostariam, mas Regulus se sentia mais calmo e satisfeito mesmo sem ter prolongado por tanto tempo as carícias. Com Alexia em seus braços, era como se um novo horizonte se projetasse no futuro de Black e ele finalmente conseguisse enxergar algum vislumbre de felicidade nos dias que estavam por vir.

Apesar daquela súbita onda de felicidade provocada pela simples presença de Alexia, Regulus dirigiu a ela um olhar mais sério quando os dois finalmente recuperaram o fôlego. Uma das mãos de Black retirou uma mecha que caía diante dos olhos de Alexia e os fios escuros foram levados para junto do restante do cabelo da moça, que naquele momento estava espalhado sobre o peito dele.

- Você tem a mais remota noção de como foi perigosa a sua jogada, Lex? Eu prefiro nem pensar no que pode te acontecer se alguém desconfiar do seu envolvimento nesta história.

Os olhos cinzentos buscaram pelas íris azuis e, apesar da seriedade, o olhar de Regulus refletia um carinho profundo.

- Não nego que é ótimo ter o Avery fora do nosso caminho. Mas você precisa redobrar os cuidados a partir de agora, Lex.

A expressão de Black se fechou e, mesmo que os sons do quarto estivessem bloqueados, o rapaz fez questão de murmurar as próximas palavras.

- O Lord das Trevas sabe sobre nós dois. Provavelmente o Avery contou e eu não tive como negar. Mas eu o convenci de que nenhum de nós dois se beneficiaria com a prisão dele. Ele provavelmente vai mandar alguém te investigar, então você só precisa manter a farsa de uma esposa abalada com os últimos escândalos.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Sab Abr 23, 2016 2:55 am

Severus sabia conter os sentimentos e os pensamentos com perfeição. Afinal, se não fosse mestre nesta arte, não sobreviveria tanto tempo sendo um espião para a Ordem da Fênix, tendo que lidar quase que diariamente com o Lord das Trevas.

Por ter tanto controle sobre o que queria demonstrar ou não, ele tinha a ligeira impressão de que o sorriso vitorioso que surgira em seus lábios havia contribuído para que Black chegasse até a conclusão menos óbvia e verdadeira do que acontecia diante de seus olhos.

Ele amava Emmeline independente de qualquer coisa, mas precisava admitir que valia ter passado cada humilhação provocada por Black e Potter para ser vitorioso exatamente naquele momento. Se pudesse escolher todas as derrotas anteriores entre aquele momento, Severus ainda aceitaria cada conflito com os marotos, desde que aquela vitória lhe fosse garantida.

Nem mesmo a reação exagerada de Sirius era capaz de minimizar a sensação prazerosa que se espalhava pelo seu corpo quando Jenner entrelaçou os dedos aos seus. Sirius definitivamente não estava acostumado a ser rejeitado por uma mulher. Ser trocado por alguém que ele julgava tão inferior era ainda mais absurdo e impossível de ser compreendido.

- Não seja tão infantil, Black. Espera aí... do que eu estou falando? É o mesmo que pedir para você não respirar!

Como se quisesse reforçar a tortura de Sirius, Snape puxou Emmeline mais para perto, aproveitando a pouca iluminação da rua e com a movimentação que diminuía gradativamente.

- Eu só espero que você seja maduro o bastante para não importunar minha namorada outra vez. Está ficando feio.

A gargalhada de Sirius ecoou exagerada, e era muita sorte que não tivesse ninguém por perto naquele exato momento. Se tivesse, quem olhasse para o rapaz poderia ver que sua expressão incrédula e desesperada não combinava com sua risada.

- Feio tá esse teu nariz curvado, Seboso!

Tentando se recompor, Sirius enfiou as mãos nos bolsos e voltou a se aproximar de Emmeline, o rosto ainda contorcido em insatisfação, quase como se estivesse preocupado com a curandeira.

- É sério, Emme... Você está com esse cara porque você quer? Você pode simplesmente piscar se estiver sendo ameaçada e eu te tiro daqui assim, ó. – Ele estalou o dedo do meio com o polegar diante dos olhos dela, para enfatizar a rapidez com que poderia tirá-la dos braços de Severus. – Só não dá para acreditar!

Severus soltou um pesado suspiro, se sentindo exausto com aquela conversa. Ele revirou os olhos, sentindo-se frustrado com o tempo perdido naquela rua. Há dias que não podia ficar a sós com Emmeline e parecia uma tortura imensa estar tão perto sem poder de fato envolve-la em um abraço e cobri-la de beijos.

- Emmeline, eu realmente não pretendo passar toda a minha noite aqui. Se você não vai se livrar dessa pulga, eu posso fazer isso por nós dois.

Com um olhar significativo, o professor deixou a ponta da varinha visível no bolso do casaco. Ele não pretendia iniciar um duelo no meio da calçada e atrair atenção desnecessária, mas provavelmente seria o incentivo que Jenner estava precisando para deixar aquele drama para trás.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Sab Abr 23, 2016 3:27 am

Alexia nunca precisou fingir quem era quando estava ao lado de Regulus, e aquilo havia apenas se intensificado com o passar dos anos, principalmente depois que sua vida se tornou tão complicada. Ao lado dele, as máscaras eram completamente dispensadas e ela podia respirar fundo, como se todo o restante do tempo se sentisse sufocada.

Era maravilhoso estar novamente nos braços de Black, mas o momento mágico logo foi interrompido pela dura realidade da guerra que nenhum dos dois podia mais fugir. Apesar do perigo existente, Alexia não se mostrou abalada quando se acomodou melhor nos braços de Regulus para encará-lo de frente.

- Jackson não foi nada, Regulus. Foi apenas o começo. Uma ação necessária para que eu possa fazer o que realmente importa. Não que eu não esteja aliviada de estar longe das mãos dele, mas foi apenas um movimento no tabuleiro.

Com um semblante sério, Alexia esticou a mão até tocar o queixo do melhor amigo, segurando-o com as pontas dos dedos. Ela sabia que a parte mais difícil de toda aquela estratégia ainda estava por vir, mas tudo dependia daquele momento.

- Eu disse que acabaríamos com esta guerra estúpida. Mas nada vai mudar se continuarmos em nossa zona de conforto. Por isso eu tomei medidas drásticas...

Alexia fez uma pequena pausa antes de continuar, sabendo que não adiantaria a escolha das palavras, aquela conversa teria um impacto grande demais nas estruturas do amigo. Independente dos feitiços de proteção, ela tomou o cuidado de sussurrar, como se Walburga fosse capaz de ultrapassar todas as barreiras criadas e invadir o quarto com as palavras seguintes.

- Não brigue comigo, mas eu fui procurar o Sirius. Se quisermos acabar com isso, precisamos garantir que o outro lado ganhe, Regulus.

Ela puxou o lençol até cobrir o seu colo e se sentou na cama, encarando Black com o semblante preocupado.

- Eu sei que é muito a pedir. É um risco absurdo, muito maior do que você já se expõe todos os dias. Mas eu jamais iria propor algo tão drástico se não achasse que teríamos alguma chance. Eu preciso de você para fazermos isso juntos, Reg.

Como se tentasse de alguma forma inclinar Black por aquele caminho, Alexia continuou, esperançosa.

- Dumbledore me prometeu que manteria você isento de qualquer acusação quando tudo isso acabasse. É uma chance de ficarmos juntos, Regulus. De verdade.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Sab Abr 23, 2016 3:57 am

Antes que aquela rivalidade terminasse com as varinhas de ambos erguidas, Emmeline apoiou uma das mãos no peito de Severus e o empurrou alguns centímetros para trás, colocando-se entre os dois rapazes para evitar aquele combate infantil.

- Vá na frente, Sev. Eu estarei lá em um minuto.

A entonação firme e o semblante sério de Jenner não davam muita margem para discussões. Os olhos cor de mel acompanharam os passos de Snape até que o professor alcançasse a outra esquina, de onde poderia aparatar sem a influência dos feitiços de proteção do St. Mungus.

Só então, Emmeline voltou a encarar Sirius. A curandeira mantinha a mesma expressão fechada quando tomou a palavra.

- Não me interessa saber quais são os seus problemas pessoais com o Severus, Sirius. Mas eu gostaria que você não me ofendesse mais. Porque eu interpreto como ofensa a sua insinuação de que eu não estou neste relacionamento por vontade própria.

- Eu só não consigo acreditar que...

Jenner interrompeu o colega antes que Black completasse aquele raciocínio.

- Você não precisa acreditar em nada porque a minha relação com o Severus não te diz respeito. Aliás, eu agradeceria se você fingisse que isso nunca aconteceu. Como eu disse, por questões de segurança, é melhor que esta história não se espalhe.

Racionalmente, Emmeline sabia que Sirius só precisava de alguns minutos para levar aquela novidade até Potter e Lupin. Era pedir demais que Black guardasse apenas para si uma fofoca daquela proporção. Mas, desde que o assunto ficasse apenas dentro da Ordem da Fênix, não haveria tantos problemas.

Sem prolongar demais a discussão, Jenner seguiu o mesmo caminho tomado por Snape há poucos segundos. Cada minuto a mais ali era um minuto a menos na companhia do namorado, então Emmeline não pensou duas vezes antes de sacar a varinha e aparatar no quintal da casa de Severus.

Atraída pelo cheiro agradável de comida, a curandeira entrou pela porta da cozinha. Ela já esperava pelo olhar insatisfeito de Snape quando deu de cara com o namorado.

Os olhos cor de mel giraram e, ignorando o humor do professor de Poções, Emmeline se aproximou do fogão e começou a erguer as panelas para espiar o jantar que seu estômago faminto aguardava tão ansiosamente naquela noite.

- Desculpe, está bem? – a loira suspirou antes de se voltar novamente para Severus – Eu estava distraída, ele surgiu do nada e me puxou. Eu não estava raciocinando quando toquei o pingente, só tive medo de que o pior pudesse acontecer.

Jenner estendeu os braços e apoiou as mãos atrás do pescoço de Snape. Seus dedos fizeram uma carícia por baixo dos fios escuros enquanto a curandeira completava.

- Eu lamento por ter revelado o nosso segredo. – Emmeline fez uma pequena pausa antes de contorcer o rosto numa careta de insatisfação – Embora eu tenha a ligeira impressão de que você adorou essa pequena vitória para cima do Sirius...
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Re: Veritaserum

Mensagem por Regulus Black em Sab Abr 23, 2016 3:20 pm

Aos olhos de Regulus, a decisão de Alexia era uma grande loucura. Por mais que não concordasse com Voldemort e os Comensais da Morte, Black não estava pronto para trai-los exatamente porque sabia qual era o destino que o Lord das Trevas dava aos seus traidores. Voldemort tinha uma habilidade especial para fazer com que seus inimigos desejassem desesperadamente a morte.

Além disso, por mais que Dumbledore fosse um homem de palavra e um bruxo poderosíssimo, o herdeiro dos Black duvidava que Albus fosse capaz de inocentar a ele ou a Alexia de todas as acusações que cairiam sobre eles com o fim da guerra.

Contudo, o erro de Alexia já tinha sido cometido e agora cabia a Regulus a tarefa de ajudá-la a sair do caminho dos comensais. Apesar de toda a sua insatisfação com os rumos daquela história, o Black caçula manteve uma expressão amena. Mas a menção do nome do irmão mais velho foi o bastante para causar um grande desequilíbrio emocional.

- Você o que...?

A voz de Regulus soou num fio, mas o semblante do rapaz deixava bem claro que uma bomba estava prestes a explodir. Num gesto abrupto, Black se desvencilhou dos braços de Alexia e deslizou para fora da cama. O comensal só teve tempo de recolocar a calça antes de bombardear a melhor amiga.

- Como você tem coragem de me procurar depois de ter me apunhalado pelas costas!? Não tem desculpa para o que você fez, Alexia! Você me conhece, você sabe que esta é a PIOR traição que poderia haver contra mim!

Mesmo depois de tantos anos, a memória de Sirius ainda machucava o caçula. Regulus se sentiu pessoalmente ferido quando o primogênito o abandonou com os Black e agora sentia-se vítima de uma traição semelhante ao saber que Alexia havia se juntado a Sirius, pelas costas dele.

- Eu prefiro continuar onde estou do que aceitar a ajuda dele! Ele não quis me ajudar no passado, agora sou eu que dispenso a “caridade” dele.

A voz grave de Regulus estava carregada de ironia. Poucas coisas conseguiam despertar a fúria ou o sarcasmo do caçula dos Black, mas Sirius tinha esse poder de trazer à tona o sonserino que existia dentro do irmão.

- E não seja tola, Alexia. Você acha mesmo que meu irmão ou o próprio Dumbledore podem me livrar de Azkaban? Eu tenho esta maldita marca... – o braço esquerdo do rapaz foi estendido – Eu fiz coisas terríveis a mando do Lord das Trevas! Quando esta guerra acabar, e supondo que o outro lado vença, o meu futuro será uma cela em Azkaban. E você irá comigo se continuar depositando a sua fé nas pessoas erradas. Eles querem vencer a guerra tanto quanto os comensais. A sua proteção e o seu bem estar certamente não fazem parte da lista de prioridades da Ordem da Fênix!
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Sab Abr 23, 2016 11:01 pm

A expressão mal-humorada de Severus era mais uma força de hábito do que realmente demonstração do abalo daquele breve encontro com Sirius Black. Embora fosse sempre desagradável cruzar com o melhor amigo de Potter, Jenner dava provas, dia após dia, de que Black não era a ameaça tão grande quanto gostaria de ter.

Naquela noite, a curandeira havia colocado tudo em risco ao revelar o relacionamento a Sirius, mas só o que Snape conseguia processar é que Black era uma sombra inconveniente e inofensiva.

Seus olhos negros acompanharam cada movimento de Emmeline pela cozinha, mas ele se esforçou para manter a seriedade até mesmo quando ela se aproximou. Era impossível prolongar aquela encenação por muito tempo, então logo o familiar brilho em seu olhar entregou que seu humor não estava tão afetado.

Erguendo uma mão, Snape acariciou a face de Emmeline, a outra mão a puxando pela cintura para que seus corpos estivessem ainda mais próximos. Seus lábios estavam enrugados em um bico, mas ao invés de parecer o professor ameaçador que tantos alunos temiam, ele mais parecia um menino contrariado.

- Pois esta pulseira está se mostrando ainda melhor que a encomenda. Acho ótimo que você tenha tocado, mesmo que por engano. Black não é tão inocente quanto aparenta e ele provavelmente teria insistido exaustivamente um jantar com você se eu não tivesse chegado.

Severus deslizou as pontas dos seus dedos até segurar Emmeline pelo queixo e finalmente se permitiu sorrir. Embora não fosse o sorriso sincero e delicado que apenas a curandeira tinha a habilidade de despertar, ainda assim aquele quê vitorioso lhe trazia uma leveza diferente.

- Não foi sensato contar ao Black sobre nós dois. É apenas questão de tempo até que toda a Ordem esteja fofocando, e embora Dumbledore confie em cada um cegamente, eu ainda tenho minhas dúvidas sobre alguns deles.

Seu sorriso se alargou quando ele se inclinou para frente e sussurrou com os lábios colados ao ouvido de Emmeline, o nariz franzido com a expressão divertida.

- Mas você não pode me culpar em achar impagável a cara daquele vira-lata ao ver que a garota que ele quer, na verdade está com o Ranhoso.

Sem esperar Emmeline responder, Snape levou as duas mãos até a cintura dela e com uma facilidade invejável, levantou a curandeira até que ela deixasse de tocar o chão. Com um movimento rápido, o professor a girou até que Jenner estivesse sentada sobre a bancada.

- Podemos esquecer aquele miserável agora? Eu tenho assuntos muito mais interessantes para tratar com você.

Foi preciso erguer novamente suas mãos para tocar os fios loiros que caíam ao redor do rosto de Emmeline, apenas para livrar o caminho até os lábios dela. Logo, a boca de Snape estava colada na da curandeira e seu coração acelerado vibrava com a felicidade de tê-la novamente em seus braços.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Sab Abr 23, 2016 11:16 pm

Alexia sabia que não seria uma conversa fácil. Ela conhecia o melhor amigo bem o bastante para saber que a simples menção do nome do irmão mais velho era motivo para despertar sua ira. Apenas por ter aquele histórico, a Sra. Avery se esforçou para manter a calma diante da situação.

Enquanto Black demonstrava todo seu descontentamento com suas escolhas, Alexia puxou a camisa do melhor amigo para se vestir, usando-a quase como um vestido. Sem deixar a cama, a menina caminhou de joelhos sobre o colchão até parar diante do rapaz, tentando segurá-lo pelas mãos.

- Você parece a Walburga falando desse jeito, Regulus! Eu fiz o que eu precisava fazer, e fiz por você.

Por dezenas de vezes, Alexia já estivera naquele quarto e já havia deitado naquela cama na companhia de Regulus. Era a primeira vez que os dois se amavam sob o teto de Walburga, mas aquelas paredes já haviam protagonizado algumas brigas no passado. Ainda assim, nenhuma das discussões como amigos envolvia Sirius Black.

Alexia sabia que tinha uma pequena chance de Regulus jamais perdoar aquela traição, mas em nenhum momento ela se arrependia das escolhas feitas, por mais radicais que tivessem sido.

- Eu prefiro engolir o meu orgulho, prefiro ver o seu nome queimado naquela tapeçaria, do que continuar vendo você se afundando, com as mãos mergulhadas em sangue!

Com medo de que Regulus escapasse de seu contato, Alexia saltou da cama e se colocou diante dele. Sem os costumeiros saltos, ela era ainda mais baixinha, mas se manteve firme em seu olhar.

- Eu sei o quanto o Sirius te magoou, Reg. Ele foi um traidor, um covarde. Mas onde nossa fidelidade a nossa família nos levou? – Com o indicador, Alexia apontou para o espaço entre os dois antes de continuar. – Se eu tivesse sido tão covarde com o Sirius, talvez nós dois estivéssemos juntos agora.

Alexia ergueu os braços e segurou o rosto de Regulus com as duas mãos, obrigando os olhos cinzentos de encará-la.

- Eu me arrependo todos os dias de ter aceitado o compromisso com o Avery. Mas não pretendo me arrepender, daqui alguns anos, de não ter feito nada.

A Sra. Avery fez uma breve pausa antes de suspirar pesadamente e continuar, a voz sussurrada.

- Estou depositando a minha fé em você, Regulus. Você não precisa entrar nessa loucura se não quiser. É arriscado demais. Mas eu vou com isso até o fim.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Dom Abr 24, 2016 12:19 am

Quando abriu os olhos naquela manhã ensolarada, Emmeline já esperava por um dia especial. Aquela data poderia ser um dia comum para qualquer outra pessoa, mas a personalidade romântica da curandeira fez com que ela enxergasse o céu mais azul, o sol mais brilhante e as cores das flores mais vivas. O único detalhe que faltava naquele dia perfeito era Severus, mas Jenner sabia que o veria naquela noite na qual eles comemorariam um ano juntos.

Os últimos meses tinham voado e a verdade era que o casal continuava encontrando barreiras para passarem mais algum tempo juntos. Além de seus respectivos empregos, a guerra se tornava mais intensa e perigosa a cada dia. Contudo, agora que a Ordem da Fênix sabia sobre aquele namoro, Emmeline e Severus podiam usar as rápidas reuniões n’A Toca para matarem um pouco as saudades sufocantes que sentiam um do outro.

Mesmo com todas as dificuldades e com o agravamento da guerra, Jenner ainda encontrava motivos para comemorações. Talvez tal otimismo fosse apenas parte de sua personalidade lufana, ou então o namoro com Snape simplesmente lhe fornecesse a dose necessária de felicidade.

O fato é que, naquela noite, Emmeline queria esquecer a guerra, os Comensais da Morte e toda a ameaça que pairava sobre o mundo simplesmente para encontrar a felicidade nos braços de Severus. Os dois tinham combinado um jantar no apartamento da curandeira e, mesmo que suas habilidades na cozinha fossem bastante limitadas, Jenner estava disposta a não decepcionar o namorado.

Foi com este planejamento que a curandeira ajustou seus horários no hospital para conseguir uma folga naquele dia e saiu para as compras logo de manhã.

O Beco Diagonal estava anormalmente vazio para aquela hora da manhã, mas a violência da guerra explicava as calçadas desertas e as várias portas fechadas. Há menos de um mês, os Comensais da Morte tinham invadido vários estabelecimentos durante a noite e ceifado vidas inocentes. Era bastante compreensível que as pessoas estivessem com medo e só saíssem de suas casas para compras estritamente necessárias.

Jenner sentiu um arrepio enquanto caminhava pelas ruas de pedra. Tudo estava tão vazio e silencioso que a loira conseguia escutar o ruído dos próprios passos ecoando pelo Beco Diagonal. Era difícil que os comensais decidissem agir durante o dia, mas ainda assim Emmeline estava disposta a se apressar.

Em menos de meia hora, a curandeira já tinha em sua sacola todos os ingredientes necessários para preparar o cardápio simples que ela planejara para aquela noite. O ponto alto do jantar seria a sobremesa, e nela Emmeline fazia questão de não errar. Exatamente por isso, o doce foi encomendado pronto na filial da Dedosdemel do Beco Diagonal.

A torta de chocolate com cerejas parecia muito apetitosa quando foi embalada pelo atendente. Sobre a cobertura, havia uma camada de pequenos suspiros que desmanchavam na boca. Normalmente Jenner não tinha dificuldades para se controlar diante de doces, mas naquela manhã a loira salivava quando saiu da doceria carregando o embrulho com a torta em uma mão e a sacola de ingredientes na outra.

Por estar tão distraída com a lembrança da torta, Emmeline só percebeu que não estava mais sozinha quando a voz feminina áspera ecoou pela calçada vazia.

- Este é o problema com os sangue-ruins... eles continuam circulando pelo nosso mundo como se tivessem direito de usar a nossa moeda, de comer a nossa comida.

Jenner não interrompeu os passos, mas sentiu um arrepio gelado se espalhar por todo o seu corpo quando reconheceu o reflexo de Bellatrix Lestrange na fachada de vidro de uma das lojas fechadas. Aos olhos de todos, Bella podia ser apenas uma bruxa de sangue-puro preconceituosa, mas Emmeline sabia muito bem que as mangas compridas de seu vestido de veludo escondiam a Marca Negra.

Com a tola esperança de que Bellatrix não teria coragem de fazer nada à luz do dia e sem a máscara dos comensais, Jenner acelerou os passos sem olhar para trás. A dor e a surpresa por aquela ousadia atingiram a curandeira ao mesmo tempo quando o feitiço acertou suas costas.

Nada se comparava à dor lancinante que Emmeline experimentou naquele dia. A curandeira soltou a sacola de compras, mas nem viu quando os ingredientes selecionados com tanto carinho rolaram pela calçada suja. A dor também não permitiu que Jenner lamentasse quando o embrulho contendo a saborosa torta se rompeu e o doce se espatifou no chão.

Enquanto a varinha de Bellatrix se manteve apontada para Emmeline, a curandeira não conseguiu sequer pensar. Todo o seu corpo tremia como se estivesse em uma profunda e dolorosa crise convulsiva. Quando a maldição Cruciatus foi interrompida, não restava à loira forças nem mesmo para soltar o grito preso em sua garganta. Somente um gemido abafado ecoou pela calçada quando Bellatrix acertou o abdome dela com um chute.

- Achou mesmo que poderia escapar de mim, vadia? Estou curiosa para entender o seu raciocínio... Você achou que eu não teria coragem de pegar você no meio do Beco Diagonal?

A risada debochada e louca de Bella ecoou pelas calçadas vazias antes que ela se inclinasse apenas o bastante para agarrar a curandeira pelos cabelos. Os fios loiros foram puxados até que Emmeline pudesse encará-la e foi neste momento que Bellatrix lhe acertou uma cusparada no rosto.

- Você é especialmente burra, mesmo para os padrões baixos de um lufano de sangue-ruim. O Beco Diagonal agora pertence ao Lord das Trevas. O Ministério da Magia pertence ao Lord das Trevas. É uma questão de dias até que todo o Reino Unido seja nosso. Você acha mesmo que eu teria algum receio de atacar uma cadelinha do Dumbledore que está transitando na minha área?

Unindo todas as suas forças, Emmeline conseguiu levar a mão até o bolso onde havia guardado a varinha. Entretanto, os reflexos de Bellatrix eram infinitamente melhores e a curandeira foi desarmada com a facilidade de alguém que tira um doce das mãos de uma criança pequena.

- Como ousa tentar me atacar, sua vadia? Aliás, como ousa carregar uma varinha como se fosse uma bruxa de verdade!? Você não passa de um verme!!!

Desta vez, o grito de Emmeline foi mais agudo quando Bellatrix pisoteou seus dedos com o sapato de salto, quebrando a varinha e alguns de seus ossos em vários pedaços.

Mesmo que aparentemente não tivesse medo de atacar a curandeira num local público, Bellatrix sabia que ali não teria tempo e tranquilidade para exercer todos os rituais de tortura aprimorados nos últimos meses. Além disso, a comensal já havia deixado claro que conhecia a ligação de Jenner com o grupo de Dumbledore e era interessante unir o útil ao agradável. Voldemort ficaria satisfeito se Emmeline deixasse escapar alguma informação valiosa enquanto a Sra. Lestrange se divertia com aquele novo brinquedo.

- Nós vamos dar um passeio. – Bella novamente agarrou Jenner pelos cabelos – Quer dar uma última olhada no Beco Diagonal, ou na luz do sol? Quando eu digo “última”, não é apenas uma força de expressão.

Pela primeira vez desde que fora atingida pela Maldição Cruciatus, Emmeline foi capaz de raciocinar com clareza. A curandeira se lembrou da pulseira e concluiu rapidamente que Snape precisava ser avisado antes que Bellatrix a tirasse do Beco Diagonal, só assim não seria colocado em risco o disfarce do espião de Dumbledore.

Por isso, um segundo antes que Bella desaparatasse e a levasse consigo, Emmeline tocou um dos pingentes que transmitiria o seu alerta até o anel de Severus. Quando o professor chegasse ao Beco Diagonal, contudo, não encontraria nada além de uma calçada vazia na qual a sacola com as compras de Jenner havia feito uma grande sujeira. A varinha de Emme também estaria lá, partida em vários pedaços.

A Marca Negra não pairava no céu, sinal de que a curandeira não fora assassinada ali. Mas Snape sabia melhor do que ninguém que a morte rápida costumava ser uma dádiva quando comparada ao sofrimento daqueles que se tornavam prisioneiros dos Comensais da Morte.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Regulus Black em Dom Abr 24, 2016 2:12 am

- Tenha a decência de não me responsabilizar pelos seus atos! Você não fez nada por mim, Alexia! Eu deixei bem claro que não queria que você se envolvesse nesta história!

Regulus já estava insatisfeito desde que Monstro lhe contara sobre os passos da Sra. Avery, mas pretendia engolir a própria opinião para ajudar a melhor amiga naquela situação delicada na qual ela se metera. Contudo, saber que Alexia havia se aliado a Sirius fora um golpe grande demais que exterminou por completo o que restava da serenidade do Black caçula.

O comensal não se esquivou da aproximação e dos toques de Alexia, mas manteve-se imóvel e com o semblante fechado diante das carícias.

A voz de Regulus estava gelada quando finalmente ecoou pelo quarto silencioso onde, poucos minutos antes, os dois estavam tão felizes juntos.

- Você tomou as suas decisões sem me consultar, Alexia. Então, terá que arcar sozinha com as consequências. Não espere que eu coloque a minha vida nas mãos do Sirius e dos amigos dele. Desse jogo suicida eu não participo.

Sem olhar novamente para Alexia, Black afastou-se dela e pegou a varinha abandonada sobre um dos móveis do quarto. Com um feitiço não verbal, Regulus fez com que as roupas de Alexia espalhadas pelo chão levitassem até a cama, numa clara sugestão de que chegara a hora da moça sair.

Depois de tantos anos de amizade, aquela era a primeira briga na qual Regulus não demonstrava sinais de que recuaria. Sempre era o rapaz que cedia em prol daquela amizade e da personalidade difícil de Alexia, mas naquela tarde as coisas seriam diferentes. Sem dúvida, a moça havia atingido o ponto fraco de Regulus quando tocara no nome de Sirius.

- Eu espero sinceramente que você saiba o que está fazendo. Só não conte comigo para mais esta loucura. Desta vez você foi longe demais, Alexia. É algo que eu não posso perdoar e você deveria saber disso.

Doía pensar que aquela era uma conversa definitiva e que Alexia sairia de sua vida logo agora que Avery não era mais uma barreira entre os dois. Ao mesmo tempo, Regulus não estava preparado para a mudança radical que a amiga propunha, tampouco conseguia aceitar que Alexia confiara justamente em Sirius.

- É melhor você ir antes que a minha mãe comece a questionar o tempo de duração desta conversa.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Dom Abr 24, 2016 3:22 am

Embora continuasse o mesmo homem sério e discreto de sempre, principalmente quando se tratava em manter as aparências diante dos colegas da Ordem da Fênix ou do grupo de Comensais da Morte, um ano havia sido tempo demais para que Severus Snape não se sentisse diferente.

A presença de Emmeline em sua vida o havia transformado em um novo homem. Pela primeira vez em sua vida, Snape se sentia inteiramente feliz e tinha algo pelo que lugar. Sua vida não era mais sem sentido e ele temia a cada nova missão, receoso de que pudesse não voltar inteiro para a curandeira.

Seu maior medo era falhar na proteção da nascida trouxa, mas talvez, a felicidade vivida em meio a guerra o tivesse deixado mais confortável. No fundo, Snape sabia que deveria se considerar extremamente sortudo por ter tanto em meio a tanta escuridão. Mas com o passar dos meses, era quase como se ele tivesse uma vida normal. Nem mesmo a podridão que precisava se envolver para atender a Lord Voldemort era capaz de aniquilar aquela parte de seus dias, como se ele literalmente tivesse duas vidas tão diferentes.

A única coisa que o trazia de volta a realidade era pensar no futuro ao lado de Jenner. Ele e a curandeira só teriam alguma chance juntos se aquela guerra chegasse ao fim, mas o pânico vivido nas ruas britânicas só tornava aquele sonho mais distante.

Apesar de todos os obstáculos, Snape se sentia satisfeito, mesmo diante das atuais limitações. Aquilo era mais do que ele havia sonhado durante toda sua vida, e independente da situação do mundo bruxo, ele se considerava afortunado.

Aquele dia não era ansiado apenas por Emmeline. A comemoração de um ano também havia sido aguardada com expectativas pelo professor de poções. Enquanto Jenner se ocupava com o jantar daquela noite, Severus carregava em seu bolso a pequena joia que presentearia a namorada.

Era o pior momento para se pensar em casamento, mas a aliança escolhida por Snape tinha como promessa que os dois ficariam juntos quando todo aquele pesadelo acabasse. A joia era delicada, e apesar de ser extremamente simples, significava todo um mundo ao mestre de poções. Aquela era a prova de que Severus ainda tinha esperanças de construir toda sua vida ao lado da curandeira.

Seus olhos negros estavam analisando o delicado presente quando o reflexo vermelho em seu dedo lhe chamou a atenção. Tinha quase um ano desde que Snape tivera aquela experiência pela primeira vez, mas exatamente como quando Sirius surpreendera Emmeline na calçada do St. Mungus, sua vista embaçou e a vista da sua casa sumiu para reproduzir o cenário abandonado do Beco Diagonal.

Diferente do medo e da adrenalina que Emmeline havia lhe transmitido pela pulseira mágica na primeira vez, Severus sentiu a dor queimar o seu corpo, e no instante em que seus sentidos voltaram ao normal, ele teve certeza que não se tratava de engano algum.

Todo o sangue pareceu escapar do rosto de Snape e sua pele extremamente pálida virou uma pedra de gelo. Sentindo as pernas fracas, como se fosse incapaz de controlar o próprio corpo, o professor ainda conseguiu reproduzir os movimentos necessários para desaparatar.

Quando seus pés tocaram a calçada suja do Beco Diagonal, não foi difícil encontrar as compras abandonadas de Emmeline. Era fácil deduzir que aqueles ingredientes pertenciam à curandeira, assim como o chocolate espatifado na beira da rua. Não havia sinal algum de Jenner, mas Snape sabia que nenhum comensal se demoraria em um lugar público. Seu pior pesadelo havia se tornado realidade.

Sua primeira reação foi aparatar na casa dos Malfoy, onde a maioria das reuniões dos Comensais acontecia. Mas seria suspeito demais sua visita sem propósito. Snape sentia todo o seu corpo tremer enquanto tentava colocar o próprio cérebro para trabalhar. A próxima reunião seria no final daquele dia, o que significava que ele precisaria esperar por horas até ter a primeira notícia de Emmeline.

Por sorte, o nome de Jenner estava na lista de membros da Ordem da Fênix que Lord Voldemort possuía. Embora aquilo significasse que ela seria um alvo de tortura, também trazia a curandeira algumas horas, talvez dias, para ter um propósito e ser mantida viva. Snape só precisava ter certeza de que era tempo suficiente para que ele conseguisse salvá-la.

As horas seguintes foram as piores já experimentadas em toda sua vida. Permanecer em casa enquanto Emmeline enfrentava sabe-se lá quais níveis de agressão era a pior tortura que ele já havia sido submetido.

Os olhos negros estavam fixos no relógio, acompanhando cada movimento dos ponteiros. Snape andava de um lado ao outro da casa, e quando sentia que ia explodir, algum objeto voava pelo cômodo e se espatifava. Em um desses momentos que nada estava ao seu alcance, ele socou a parede de pedra, provocando um corte em seus dedos.

Como precaução, os Membros da Ordem raramente usavam cartas para se comunicar, com receio de que as corujas fossem extraviadas. Mas aquela preocupação não passou pela cabeça de Severus quando ele enviou um curto bilhete para Dumbledore. “Estão com Emmeline”. Não havia assinatura, ou pedido de ajuda. Era apenas uma informação, já que Snape sabia que o diretor pouco poderia fazer sem interferir em toda sua estratégia naquela guerra.

No momento em que o ponteiro alcançou o horário da reunião, Severus não esperou nenhum segundo a mais, desaparatando em direção ao covil abarrotado de cobras venenosas.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Dom Abr 24, 2016 3:41 am

Por mais que Alexia já esperasse uma conversa turbulenta, jamais havia passado pela sua mente que Regulus fosse ser tão inflexível. Apesar de saber da rivalidade entre os irmãos Black, no fundo a Sra. Avery ainda tinha esperanças de que o amor do caçula por ela fosse ser suficiente para que ele aceitasse enfrentar qualquer desafio.

Um nó se formou em sua garganta enquanto uma sensação de fracasso se espalhava pelo seu corpo. Alexia se sentia uma tola. Ela havia arriscado tudo para que Regulus pudesse ter um futuro melhor. Havia enviado Avery para Azkaban e arriscava a própria vida, apenas no intuito de que os dois pudessem ficar juntos, sem sombras daquela guerra terrível.

Com o olhar baixo, Alexia trocou a camisa de Regulus pelo próprio vestido negro. Em silêncio, ela ajeitou a própria aparência e prendeu os cabelos negros. Pela primeira vez em tantos anos, estava incrivelmente decepcionada com o melhor amigo, mas ainda mais consigo própria. Era terrível saber que estava disposta a tudo para estar ao lado de Black, mas ele não conseguia vencer a mágoa com o irmão.

A bolsa foi recolhida de uma poltrona próxima a lareira, mas antes de sair, Alexia conseguiu coragem para buscar os olhos cinzentos mais uma vez. Seu rosto denunciava toda frustração com aquela conversa.

- Eu posso não saber exatamente o que eu estou fazendo, Regulus. Mas espero que ao menos você saiba. Você não está fugindo disso porque é perigoso, porque é suicídio ou porque você não quer contrariar sua mãe. Mas você é incapaz de aceitar a ajuda do Sirius.

Alexia deu alguns passos até parar diante de Black, mas ainda mantendo uma distância segura. Ela cruzou os braços contra o peito e balançou a cabeça, a testa franzida.

- Você é incrivelmente corajoso, Regulus. Você lida com coisas terríveis todos os dias, mas ainda consegue achar toda essa escuridão mais fácil do que lutar pelo que você realmente quer. Você pode odiar o Sirius, mas ao menos ele não foi covarde a este ponto.

Com um suspiro, Alexia se calou enquanto sua garganta queimava. Ela precisou de alguns segundo para não cair no choro antes de continuar.

- Ao menos seja homem para admitir que está abrindo mão de nós dois por orgulho.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Dom Abr 24, 2016 4:34 am

Quem convivia com os Comensais da Morte sabia que compaixão e bom senso não eram qualidades esperadas em nenhum dos seguidores de Lord Voldemort. Contudo, Bellatrix Lestrange era capaz de ultrapassar todas as expectativas negativas quando o assunto era crueldade e insanidade. A Sra. Lestrange não conhecia nenhuma noção de limite e costumava se divertir em meio ao caos. Definitivamente, Emmeline Jenner havia caído nas piores mãos. Talvez nem mesmo o próprio Voldemort fosse capaz de provocar tanto sofrimento.

Na reunião daquela noite, Bellatrix apresentou o nome de Emmeline como um troféu. De imediato, a curandeira era tão insignificante para Voldemort que Bella precisou lembrá-lo de que a moça fazia parte da Ordem da Fênix.

- Mandou a cabeça ao Dumbledore? – a pergunta soou fria e desinteressada.

- Ainda não, milorde. Mas é uma excelente ideia.

O comentário provocou algumas risadas maldosas na mesa de reuniões. Nenhum dos presentes na mansão Malfoy parecia nem meramente incomodado em pensar na violência daquela sugestão.

- E o que está esperando? Não me diga que está perdendo tempo e energia com uma sangue-ruim...

- Milorde, ela tem informações que pretendo arrancar antes de me livrar dela.

- Duvido que ela saiba algo que nós já não saibamos. É uma sangue-ruim, Bella, não vejo razão para tamanha comemoração. Vou compartilhar da sua felicidade no dia em que me trouxer um dos aurores.

- Ela sabe nomes, sabe onde são feitas as reuniões!

- Nós sabemos os nomes e, como eu duvido que ela seja a fiel do segredo, jamais tiraremos dela a localização da sede da Ordem da Fênix. – os olhos frios de Voldemort pousaram sobre Bellatrix – Seja sincera, Bella. O único propósito deste rapto é seu entretenimento pessoal.

- Não nego que me diverti bastante esta tarde, milorde. – mais risadas se espalharam pela mesa – Mas realmente tenho esperança de arrancar alguma informação útil dela.

- Faça o que quiser. Estará sujando as suas roupas e o porão da sua casa.

Como se aquela informação fosse profundamente irrelevante, Voldemort ignorou por completo a situação de Emmeline durante o restante da reunião. Bellatrix pareceu desapontada com a falta de interesse do Lord das Trevas e perigosamente determinada a mostrar para Voldemort que Jenner poderia ser útil de alguma maneira.

A ansiedade da Sra. Lestrange se tornou ainda mais evidente quando Bella foi a primeira a se levantar ao fim da reunião. Rodolphus encarou a esposa com uma das sobrancelhas arqueadas e um semblante desgostoso.

- Eu pretendia tomar uma dose de firewhisky com o Lucius.

- E desde quando eu preciso da sua companhia, Dolphus? Fique o quanto quiser, eu tenho um trabalho para fazer em casa.

Lestrange sabia perfeitamente que não era seguro deixar Bellatrix sozinha em uma sessão de tortura. Não era raro que Bella perdesse a noção em meio a tanto divertimento e se descuidasse da segurança. Rodolphus duvidava que a curandeira seria capaz de alguma reação, mas temia que o grupo comandado por Dumbledore já estivesse planejando alguma tentativa de resgatar Jenner.

- Leve alguém que te dê alguma cobertura. Eu estarei em casa em meia hora.

Bella não gostava de receber ordens e certamente teria ignorado a instrução do marido, mas a solução para aquele dilema surgiu facilmente quando Severus Snape se ofereceu para acompanhá-la com a desculpa que precisava pegar alguns documentos no escritório de Rodolphus.

(...)

O profundo silêncio do porão só era quebrado pelo som da respiração ruidosa de Emmeline. Ela respirava com dificuldade devido à dor de várias costelas quebradas e do frio que se espalhava pelo seu corpo. Caída no chão de pedra, Jenner sabia que acabaria congelando antes do fim da madrugada, mas a lufana simplesmente não tinha forças para se levantar.

Pela primeira vez na vida, Emmeline se sentia aliviada ao pensar na morte do casal Jenner. É claro que seus pais tinham sofrido, mas haviam encontrado a morte sem experimentar a varinha de Bellatrix Lestrange. Naquele instante, Emmeline desejava a morte tão desesperadamente que chegava a sentir inveja do destino dos pais.

Mesmo em meio a tanta dor e desesperança, a lufana não havia dito uma palavra que pudesse prejudicar a Ordem da Fênix. Sua única sorte era que Bellatrix preferia se divertir com as torturas e nunca desenvolvera a capacidade de ler mentes. Só isso impedia que a Comensal da Morte soubesse que Severus Snape era o pensamento mais frequente da curandeira.

Era absurdo, mas Emmeline conseguia sentir pena do namorado mesmo naquela situação. Sua dor aumentava de intensidade quando Jenner tentava imaginar o desespero de Severus, que seria obrigado a acompanhar as notícias de seu rapto sem demonstrar nenhuma emoção.

Essa ideia não fazia Emmeline se sentir magoada ou revoltada. Ela sentia apenas uma imensa compaixão e torcia para que Snape não colocasse tudo a perder. Afinal, por mais bonita que tivesse sido a história deles, a guerra ainda era a maior das prioridades naquele momento. A única coisa que Jenner desejava naquela noite era uma última chance de dizer ao namorado que o amava, mas que Severus deveria continuar lutando sem ela.

Como se o destino caprichosamente quisesse realizar o último desejo de Emmeline, os olhos cor de mel captaram a imagem de Severus descendo a escadaria do porão escuro. Num primeiro momento, Jenner imaginou que aquela visão fizesse parte de alguma alucinação, mas logo Snape se tornou real demais para uma simples ilusão.

Os traços dele não estavam borrados como num sonho. O perfume do professor também era real demais, assim como as mãos que a ergueram do chão e a colocaram recostada contra uma das paredes de pedra.

Emmeline estava frágil, suja e machucada como um filhote de pássaro que despencara do galho mais alto de uma árvore em sua primeira tentativa de voo, mas lutou para que seus olhos se mantivessem abertos. Não havia tempo para questionar como Snape entrara ou que desculpa dera aos Lestrange. Cada minuto era raro e precioso e, portanto, deveria ser muito bem aproveitado.

- Me escute...

Num gesto frágil, Jenner levou os dedos até os lábios de Snape para impedir que ele falasse. Ela não sabia por quanto tempo conseguiria ficar com os olhos abertos e tinha muito a dizer.

- Você me fez feliz durante todos os dias do último ano, Sev. Eu não me arrependo de nada, eu faria tudo de novo. Eu amo você. Muito.

Uma tosse pesada obrigou Emmeline a fazer uma pausa, mas a curandeira logo recuperou o fôlego.

- Esta guerra precisa acabar. Você não pode desistir, está bem? Continue por mim, Sev. Continue em nome dos bons momentos que tivemos juntos.

O maior medo de Emmeline era que Snape desistisse de tudo depois de perdê-la. Sem as informações valiosas dele, a Ordem da Fênix certamente seria derrotada em poucos dias.

Jenner não tinha mais a ilusão de que sairia viva da Mansão Lestrange, tampouco queria que a Ordem da Fênix se arriscasse tanto para tirá-la dali. Qualquer missão naquele sentido culminaria em mortes e Emmeline não queria carregar pelo resto da vida a culpa pelo assassinato de um dos colegas. Aos olhos dela, sua vida valia muito menos que a vida de um auror, ou de um pai de família.

Ruídos de passos no primeiro piso fizeram Emmeline estremecer. Logo Bellatrix apareceria para terminar o serviço e Jenner realmente não sabia por quanto tempo manteria a sanidade. Por mais que soubesse que não era um pedido justo, a curandeira não via uma alternativa melhor no momento.

- Sev... eu não vou falar nada enquanto tiver o controle da minha mente. Mas eu não sei por quanto tempo mais vou aguentar. – o pânico se refletiu nas íris cor de mel – Tenho medo por você. Você chegou longe demais para que termine assim, Sev.

Os dedos machucados de Emmeline acariciaram o rosto pálido do professor antes que seu sussurro atingisse os ouvidos dele.

- Diga a ela que eu tentei te atacar, que tentei pegar a sua varinha. – como Snape não parecia ter entendido a sugestão, Jenner foi mais clara – Você precisa garantir que ninguém vai arrancar as informações da minha mente, Sev. E também precisa colocar um fim digno no meu sofrimento.

Um sorriso infeliz surgiu nos lábios de Emmeline antes que a curandeira finalizasse.

- A morte é o melhor presente que você pode me dar esta noite, Sev. Por favor.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Regulus Black em Dom Abr 24, 2016 5:23 am

- Você abriu mão de nós dois em nome da sua família quando virou as costas para mim e aceitou o casamento com o Avery.

As palavras ácidas de Regulus mostravam que, mesmo depois de tanto tempo e dos dois já terem se entendido, aquela cena ainda não tinha sido superada. O orgulho de Black ainda estava ferido com a lembrança do dia em que ele estava disposto a lutar pelo amor de Alexia, mas ela optara pela troca de alianças com Jackson Avery.

- Eu pelo menos tenho a dignidade de abrir mão de nós dois pelas minhas convicções e não por uma tola tentativa de manter as aparências para uma família que não se importa verdadeiramente comigo.

O herdeiro dos Black deixou ainda mais claro que não pretendia voltar atrás em sua decisão quando usou um feitiço para destrancar a porta antes de abri-la, num convite mudo para que Alexia saísse do seu quarto.

- A julgar por esta conversa, acho que é desnecessário dizer que você não é mais bem-vinda a esta casa.

Depois que Alexia ultrapassou os limites do quarto e alcançou o corredor, a porta foi fechada com tanta violência que o letreiro que Regulus pendurara na porta quando criança caiu sobre o carpete, aos pés de Alexia.

“Não entre sem a permissão expressa de Regulus Arcturus Black” era uma frase atrevida, de autoria da própria Alexia, que visava impedir que Sirius continuasse entrando no quarto do caçula sem se anunciar. Agora, ironicamente, a mensagem se voltava contra a própria autora, que não tinha mais a permissão de entrar no quarto e na vida do melhor amigo de infância.

Regulus andava de um lado para o outro dentro do próprio quarto, como um animal enjaulado. Sua cabeça estava tão distante da realidade que o rapaz deu um salto e caiu sentado sobre a poltrona do cômodo quando Monstro surgiu em cima de sua cômoda, o característico som da aparatação ecoando pelo quarto silencioso.

- Monstro assustou o senhor Regulus!

Antes que o elfo pudesse se punir, Black arrancou das mãos dele o cabo da escova de cabelos.

- Nem pense nisso, Monstro. Eu já disse que proíbo você de se machucar!

Com os olhos amarelos arregalados, Monstro acatou aquela ordem. A expressão do elfo doméstico se tornou ainda mais surpresa quando ele finalmente notou que Regulus continuava sem a camisa e que, a julgar pelos lençóis amassados, a cama havia sido usada há poucos minutos.

- A menina Alexia. Monstro viu a menina Alexia sair agora a pouco.

A expressão de Regulus demonstrou algum constrangimento com aquela discreta insinuação do elfo, mas o rapaz soube virar o jogo.

- Sim. E ela não vai voltar, Monstro. Eu não a quero mais na minha casa.

- O senhor não quer? – o elfo encarou Regulus como se não falassem mais a mesma língua – Não quer mais ver a menina Alexia?

- Não. – Black se inclinou para que pudesse encarar o elfo de frente – E eu preciso falar com você sobre outro assunto sigiloso, Monstro. Pode guardar mais um segredo?

- Monstro pode. Monstro sempre pode guardar os segredos do seu senhor Regulus!

- O Lord das Trevas vai precisar dos seus serviços. – Regulus completou antes que o elfo pensasse em questionar – Eu não sei quando, ele também não disse o que quer que você faça. Eu lamento, Monstro, mas não tive como negar.

O coração de Regulus se comprimiu, mas ainda havia uma esperança. Black conhecia muito bem a natureza dos elfos domésticos, entendia detalhes que Voldemort nunca se preocupara em compreender. O Black caçula sabia que a ordem de um patrão era mais poderosa para aquelas criaturas do que muitos feitiços bruxos.

- Você irá com ele e fará tudo o que ele ordenar, Monstro. Mas quando acabar, eu ordeno que você volte imediatamente para casa e me conte tudo o que aconteceu. É uma ordem, você entendeu isso, Monstro? Você não pode me desobedecer!

- Monstro nunca desobedece os seus senhores!

- Exatamente. Você vai fazer exatamente o que eu estou ordenando. Você vai voltar vivo para casa e vai me contar tudo, Monstro. Está bem?

O elfo balançou a cabeça num gesto afirmativo. Os olhos ainda mais arregalados mostravam que Monstro havia compreendido o motivo da preocupação do patrão.

- Monstro vai fazer exatamente o que o senhor Regulus está dizendo.

- Ótimo. – Regulus abriu um sorriso e quebrou todas as convenções quando puxou o elfo para um abraço – Você é um ótimo amigo, Monstro.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Dom Abr 24, 2016 5:57 am

Enganar Bellatrix Lestrange não era uma tarefa simples. Talvez, depois do Lord das Trevas, a bruxa fosse a que menos se deixasse levar por palavras vazias, com a principal diferença de que ela não tinha a mesma habilidade de Voldemort para proteger sua mente de um grande legilimens como Severus Snape.

Era um grande risco tentar ler a mente de qualquer um dos colegas, e Snape raramente usava aquele artifício. Mas não havia tempo para ser meticuloso e com uma rápida busca, ele pôde compreender o motivo de Emmeline ainda estar viva, antes mesmo que ela tivesse a chance de dizer em voz alta.

Bellatrix estava sedenta para provar a Voldemort que sua vítima podia ser útil, que Emmeline guardava segredos chaves para aquela guerra. Foi usando seu maior anseio que Severus se ofereceu para arrancar da mente da curandeira as informações que Lestrange tanto desejava. Por estar cega com aquela necessidade, a bruxa permitiu que Snape seguisse o caminho até o porão.

Por mais que já tivesse visto dezenas de vítimas antes, Snape perdeu o ar e sua perna bambeou quando Emmeline entrou em seu campo de visão. Seu mundo já havia desabado no instante em que ele descobriu que o sequestro da curandeira tinha como responsável Bellatrix Lestrange, mas ainda assim, ver com os seus próprios olhos o estrago causado pela alucinada seguidora de Voldemort tornava o pesadelo real em uma proporção que ele não sabia se conseguiria suportar.

Os cabelos loiros estavam sujos pelo contato direto com o chão, e várias manchas de sangue se espalhavam pelos fios encardidos, por sua roupa e pela pele pálida. Emmeline estava tão branca que parecia já ter perdido todo o sangue de suas veias. Os lábios inteiramente sem cor, além das partes arroxeadas que se espalhavam pelo seu corpo, como resultado dos hematomas.

O pior foi reconhecer nos olhos cor de mel, que sempre eram tão otimistas, a falta de esperança. Mais do que todas as feridas, do que toda dor que Emmeline estava sentindo, Bellatrix havia conseguido arrancar a esperança da curandeira. Snape havia vivido durante anos em um mundo sem esperança, ele sabia o que uma mente destruída podia fazer com uma pessoa.

O pedido de Emmeline foi a facada final em seu coração. Sem que ele percebesse, as lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto, e suas mãos tentaram inutilmente deslizar pelo rosto da curandeira, em uma tentativa tola de livrá-la das dores, como se pudesse fazer todo aquele terror desaparecer.

- Você sempre soube que eu não era o homem nobre que gostava de fantasiar. – Seu sorriso era trêmulo em meio as lágrimas, mas Severus mantinha Emmeline junto ao seu peito, como se pudesse protege-la ao menos naqueles segundos. – Eu não posso fazer o que está me pedindo Emme. Não posso continuar sem você.

Os ruídos do piso de madeira no andar superior lembrava a todo instante que os dois não estavam sozinhos. Era arriscado demais permanecer naquele abraço, mas Severus enlouqueceria se não tivesse o menor contato com a namorada. Bellatrix provavelmente não deixaria nenhum dos dois sair vivo daquele porão se flagrasse a cena do Comensal desesperado por uma sangue-ruim.

- Preciso que você seja aquela lufana irritante mais um pouco. Você precisa ter esperanças, Emme. Consegue fazer isso por mim?

Os ruídos da dona da casa entregavam que ela se aproximava, o que obrigou Severus a apoiar Emmeline encostada contra a parede, sentada no chão imundo. Ele secou rapidamente as lágrimas, mas se manteve agachado diante dela, as mãos unidas aos dedos gelados da curandeira.

- Então eu terei que manchar meu passado sonserino e ter esperança por nós dois. Eu vou tirar você daqui. Eu prometo.

Sua voz saía em um sussurro e as últimas palavras foram praticamente anuladas, que Emmeline só seria capaz de compreender se pudesse ler os lábios trêmulos do professor. Bellatrix havia alcançado o porão e olhava curiosa para a cena, mas só o que conseguia enxergar era as costas de Snape, agachado, bloqueando a visão de sua vítima.

- E então? – Lestrange perguntou, esticando o pescoço enquanto tentava enxergar Jenner.

Quando Severus girou o rosto sobre o ombro para encontrar Bellatrix, ele havia reassumido a máscara de frieza e ninguém poderia dizer que ele estava chorando, segundos antes, aflito com o destino de Emmeline.

- Não consegui muita coisa, apenas mais do mesmo. Os nomes que já conhecemos, um pouco dos pacientes dela no hospital. Nada relevante ao Lord das Trevas.

A frustração no rosto de Bellatrix era evidente. Ela cruzou os braços e estudou a figura destruída de Emmeline com o nariz empinado.

- Talvez ela seja mesmo inútil. Posso acabar logo com isso...

A varinha de Bellatrix foi erguida e Snape se colocou de pé em um único movimento. Sua aflição se deixou transparecer por um único segundo enquanto ele encarava a varinha, receoso.

- Não acho que seja assim tão simples, Bella. Acho que você tem razão desta vez, ela pode ter informações valiosas. Mas se você continuar neste ritmo, a mente dela estará destruída antes do anoitecer. Não teremos nada para entregar ao Lord das Trevas.

Suas últimas palavras haviam sido escolhidas cuidadosamente, e exatamente como o esperado, Bellatrix estreitou o olhar ameaçadoramente, dando um passo na direção de Severus.

- Você quis dizer que eu não teria nada, certo, Severus? Lembre-se que ela ainda é minha. Será meu fracasso ou meu sucesso.

Com uma paz que não condizia com o que Severus sentia, ele tocou as pontas dos dedos de uma mão a outra enquanto encarava Lestrange. Nunca havia sido tão difícil encenar seu papel, mas tantos anos de preparação definitivamente davam uma margem de vantagem assustadora.

- Fique com a sangue-ruim, Bella. Tenho trabalhos muito mais honrosos para levar ao Lord das Trevas. Mate-a ou não. Apenas não fique se lamentando por ter em suas mãos um dos bichinhos de Dumbledore e não ter aproveitado como deveria.

Snape olhou por cima do ombro, procurando mais uma vez a figura abalada de Emmeline. Ele engoliu em seco, sabendo que seria impossível manter aquela farsa enquanto estivesse encarando a curandeira. Respirando fundo, ele deu os primeiros passos em direção a saída, contando silenciosamente os segundos, esperando para que suas palavras surtissem o efeito desejado.

Ele já havia passado por Bellatrix quando a bruxa o chamou pelo nome. Por estar de costas, ela não pôde perceber a expressão de alívio no rosto de Severus.

- Quero que arranque tudo da mente dela. Mas ainda será minha vitória quando eu entregar ao Lord das Trevas o que essa vadiazinha está escondendo.

- Por que eu a ajudaria? – Sua voz soou arrastada, quase preguiçosa, mas seu coração pulsava dolorosamente com aquele diálogo.

- Pense que você não estaria ajudando a mim... mas sim ao Lord das Trevas. – O sorriso de Bellatrix se alargou venenosamente. – Ou você não está disposto a limpar esta escória do nosso mundo, Sev?

Severus fez uma pequena pausa, tomando o devido cuidado de não encarar Emmeline. Ouvir sua respiração difícil já era doloroso o bastante, e bastaria encontrar os olhos cor de mel tão opacos que ele entregaria seu disfarce.

- Deixe-a descansar esta noite, Bella. Voltarei amanhã. E eu saberei se você tiver prolongado o seu entretenimento.

A proposta não pareceu agradar a Sra. Lestrange, então Snape se apressou em continuar.

- Tenho certeza que se você continuar, não terei mente alguma para vasculhar amanhã. Pense na vitória maior, Bella. Esta tortura irá agradar apenas a você, mas os segredos que a sangue-ruim esconde, bem... Deixariam ao Lord das Trevas muito mais satisfeito.
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Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Dom Abr 24, 2016 6:23 am

Era a segunda vez que Alexia ouvia de Regulus que não era mais bem-vinda na mansão Malfoy. Porém, por mais dolorosa que tivesse sido a primeira vez na presença de Winnifred, a mágoa conseguia ser maior.

A principal diferença era por Alexia estar de braços abertos, disposta a qualquer risco, enquanto Black era incapaz de esquecer as mágoas do passado para que pudessem ficar juntos. Aquela pontada de decepção se tornava em raiva, e o amor que sentia pelo melhor amigo conseguia ser abafado pelo orgulho ferido.

O pior era a certeza que não havia como voltar atrás. O Sr. Avery estava apodrecendo em uma cela de Azkaban e agora a Ordem da Fênix também dependia que a Sra. Avery fizesse sua parte. Sem Regulus, toda chance que Alexia tinha de virar aquela guerra ia por água abaixo, mas ainda assim, ela já havia comprometido seu lado. Não havia escolha a não ser lutar ao lado de Dumbledore com o que lhe fosse possível.

A Sra. Avery jamais pensou que um dia fosse ir tão longe, mas quanto mais os dias passavam, mais certeza ela tinha de que havia feito a escolha certa. Os membros da Ordem da Fênix lhe receberam surpreendentemente bem, mas Alexia percebeu a decepção no olhar de Sirius quando ela contou que Regulus não aceitara a proposta.

Embora tivesse soltado uma ironia com um muxoxo, Alexia havia aprendido a ler as expressões dos Black para saber quando eles não estavam sendo verdadeiros. O mais triste era saber que a relação dos dois irmãos provavelmente estaria salva se Regulus tivesse dado o braço a torcer.

Conforme as semanas se formavam, a vida da Sra. Avery foi voltando ao normal, na medida do possível. O ministério da magia finalmente havia devolvido a mansão, mas agora, mais do que nunca, Alexia não conseguia se sentir em casa vivendo sob aquele teto. Era ainda mais assustador viver em um lugar tão grande, sozinha. A imensidão lhe dava a sensação de solidão ainda mais amarga do que quando tinha a companhia de Jackson.

Apesar de toda mágoa e raiva que sentia, Alexia ainda temia por Regulus. Agora que estavam em lado opostos naquela guerra, era pavoroso imaginar o destino que o caçula dos Black poderia ter. No fundo, ela ainda tinha esperanças que Albus pudesse interferir, quando toda aquela história chegasse ao fim.

Talvez, abalada com tantos receios e com a guerra que explodia nos jornais, Alexia passou a enfrentar dificuldades para dormir. Ela demorava horas para conseguir pegar no sono, e pouco depois acordava de um pesadelo em que o melhor amigo acabava ferido, morto ou preso. Depois disso, era impossível voltar a dormir.

As pessoas interpretavam sua aparência abalada como consequência do destino do Sr. Avery, e Alexia não se esforçava em desmentir. Embora muitos Comensais lamentassem o que havia acontecido com Jackson, foi questão de tempo até que Alexia não fosse mais convidada para as festas e pouco a pouco estivesse excluída da alta sociedade.

Para seu alívio, aquilo só facilitava a distância que precisava manter de Regulus. Diferente de outras vezes, Alexia não cogitava a possibilidade de tentar se reconciliar com o amigo. Black havia deixado claro que não estava disposto a enfrentar tudo para que eles ficassem juntos, e logo ele estaria casado com Winnifred, envolvido em toda mentira que Walburga sempre desejara.

Alexia estava envolvida em mais um dos infinitos pesadelos de uma noite agitada quando acordou ensopada em suor. Sua cabeça latejava, mas antes que ela conseguisse se inclinar até o criado-mudo para pegar um copo de água, uma sombra se projetou sobre a cama.

Seu grito ecoou por todo o quarto e a varinha foi alcançada em questão de segundos, mas antes que um feitiço pudesse sair de sua ponta, a voz de Monstro ecoou, e com um estalido, um elfo ascendeu as luzes do quarto.

- Menina Alexia, é o Monstro! Não precisa atacar o Monstro! Não vim fazer mal!

Os olhos azuis ainda tentavam se acostumar com a repentina claridade do quarto. Sua camisola branca estava colada em seu corpo, assim como os cabelos negros junto ao seu rosto. O peito de Alexia subia e descia com a respiração ofegante enquanto ela tentava entender o que estava acontecendo.

- Monstro??? O que está fazendo aqui???

Alexia levou uma mão ao peito enquanto tentava se acalmar quando a primeira ideia surgiu a sua cabeça. Monstro havia sido o responsável por tentar unir o patrão com a amiga de infância na primeira briga, e parecia ser a única razão para levar o elfo até ali naquela madrugada.

- Não venha me dizer que o Regulus quer falar comigo! Estou farta do seu senhor, Monstro! Não quero vê-lo, nem que ele esteja carregando todas as relíquias da morte!
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Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Dom Abr 24, 2016 6:36 am

A ausência de Bellatrix naquela madrugada foi um alívio para a prisioneira, mas nem isso garantiu que Emmeline estivesse melhor quando o dia amanheceu. Seu corpo machucado estava ainda mais dolorido depois de tantas horas acomodado no chão frio. Um dos elfos levara um copo com água para a curandeira, mas mais de vinte e quatro horas já tinham se passado desde a última refeição de Jenner.

Ainda era difícil respirar e qualquer mínimo movimento fazia com que Emmeline se lembrasse de todos os ossos quebrados e dos infinitos hematomas que manchavam sua pele pálida. Seus lábios ressecados já sangravam devido às pequenas rachaduras e, mesmo sem nada no estômago, o corpo de Jenner decidiu boicotá-la com uma preocupante sequência de vômitos que só agravavam o seu estado de desidratação.

Mesmo sem a interferência da Sra. Lestrange, Emmeline acabaria morrendo por causas naturais naquela manhã se nada fosse feito. O desespero de tentar arrancar alguma informação da curandeira fez com que Bellatrix tomasse atitudes drásticas que, no fim das contas, acabaram dando à Comensal da Morte uma das informações valiosas que ela tanto desejava obter com aquele rapto.

Ainda era cedo quando Severus retornou à mansão dos Lestrange. Mas, para a surpresa do professor de Poções, a sala de Rodolphus e Bellatrix já continha um ilustre visitante. A julgar pela capa, Voldemort havia acabado de chegar e não parecia muito satisfeito por ter sido chamado àquela hora da manhã por causa de uma prisioneira a quem ele não dava o menor crédito.

- Snape! – Bellatrix lançou um de seus sorrisos vitoriosos ao colega. Aquilo, nas atuais circunstâncias, era no mínimo preocupante – Chegou em excelente hora, embora eu ache que os seus serviços não serão mais necessários. Quando milorde souber a novidade, imagino que ele mesmo fará questão de vasculhar a mente daquela sangue-ruim!

- O que faz você pensar que eu teria o menor interesse em remexer o lixo podre da cabeça da sua sangue-ruim, Bellatrix? Aliás, espero mesmo que haja um bom motivo para ter me trazido aqui.

- A sangue-ruim estava morrendo, milorde. – os olhos cinzentos de Bella giraram – Ela é estupidamente frágil, chega a ser ridículo pensar que Dumbledore escolhe aliados tão descartáveis. Mas eu estava tão convencida de que ela poderia nos trazer alguma informação útil que chamei o curandeiro.

Bellatrix obviamente se referia a um dos curandeiros aliados de Voldemort, que ignoraria o sofrimento da colega e cumpriria a ordem de deixar Emmeline viva apenas para cumprir os propósitos dos comensais.

- Deixe-me ver se eu entendi, Bella. – a voz de Voldemort soou perigosamente calma – Além de perder o seu tempo com uma prisioneira inútil, agora você também está fazendo o curandeiro perder tempo e gastar nossas reservas com uma sangue-ruim? Isso sem mencionar o tempo que EU estou perdendo neste exato momento!

- Milorde, eu peço que escute o que eu tenho a dizer, por favor!

Bellatrix não conseguiu tirar o sorriso do rosto mesmo diante da clara insatisfação do Lord das Trevas. Antes que Voldemort explodisse, a comensal tomou a palavra e contou a novidade com uma clara satisfação.

- O curandeiro a examinou e fez apenas o estritamente necessário para que ela continue viva. Mas a informação que ele me trouxe é valiosa e pode ser um grande trunfo contra os seguidores de Dumbledore. – o sorriso de Bellatrix se tornou ainda mais cruel – Bom, ao menos um deles ficará pessoalmente abalado com a notícia.

- Eu continuo perdendo o meu tempo, Bella.

- A sangue-ruim está grávida.

Bellatrix soltou a bomba sem imaginar que o pai da criança estava há poucos passos de distância.

- Segundo o curandeiro, é uma gravidez recente, de poucas semanas. Nem ela sabia, então também será uma novidade para o afortunado futuro-papai. Se quer saber o meu palpite, milorde, eu apostaria alto em Sirius Black. – Bella quase vibrou quando, pela primeira vez, Voldemort pareceu interessado na prisioneira – Se soubermos usar esta informação, milorde, teremos um grande trunfo contra a Ordem da Fênix.
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Re: Veritaserum

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