Veritaserum

Página 5 de 8 Anterior  1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Seg Abr 11, 2016 3:08 am

Até o instante em que os passos da enfermeira se fizeram ouvir, Severus estava recostado sobre a mesa em uma posição relaxada, o rosto ligeiramente inclinado e a sombra de um sorriso enquanto os olhos negros admiravam cada traço do rosto de Emmeline.

Ele se sentia aquecido com as palavras dela e era impossível controlar as batidas aceleradas de seu coração, assim como não era possível controlar os lábios de se curvarem em um sorriso de satisfação. A voz de Emmeline também era encantadora e quase hipnotizante, e foi por estar se deliciando com aquele timbre que ele demorou alguns segundos a mais para perceber a aproximação da enfermeira.

Este pequeno atraso em sua reação fez com que, no instante em que Madame Pomfrey surgiu, Snape ainda estava corrigindo sua postura e fechando o semblante, assumindo sua expressão emburrada.

Não era difícil atuar quando, de fato, ele estava insatisfeito com a liberação de McWay. Severus imediatamente cruzou os braços e encarou a enfermeira com sua postura tediosa.

- Eu sempre soube da irresponsabilidade do diretor, apenas esperava pulso firme da enfermaria em segurar um aluno ainda em recuperação. Mas enfim, não será minha culpa se McWay tiver uma recaída.

A enfermeira piscou algumas vezes, e mesmo conhecendo a personalidade difícil do professor de poções, ainda se mostrou insatisfeita com aquele comentário que duvidava de sua capacidade profissional.

- Eu jamais liberaria um aluno se não acreditasse que ele estava plenamente recuperado, professor Snape.

Como resposta, Severus encarou Papoula por longos segundos, com uma expressão de tédio, e sem se preocupar em verbalizar seus pensamentos, ele se voltou para Emmeline.

- Espero que sejam mais profissionais no Mungus.

O professor deu às costas para as duas moças, ignorando o queixo caído da enfermeira e seu “Como ousa?” extremamente ofendido. Com uma postura elegante, Severus deixou a enfermaria, e sabendo que as duas mulheres não poderiam ver seu rosto, voltou a sorrir discretamente.
avatar
Severus Snape

Mensagens : 87
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Seg Abr 11, 2016 3:56 am

Em todo o mundo, os jovens que desconheciam a existência daquela guerra no mundo da magia tinham algum compromisso agendado para aquela noite de sábado. Os membros da Ordem da Fênix, por outro lado, não se importavam em gastar aquelas preciosas horas em mais uma reunião decisiva para o grupo.

Geralmente as reuniões da Ordem eram agendadas nos fins de semana exatamente para garantir a presença do maior número de participantes. Como cada um deles tinha seus respectivos empregos e obrigações, eram nas noites de sábado ou no domingo pela manhã que encontravam tempo para discutir as missões e os rumos a serem tomados na guerra.

O encontro fora marcado para as oito da noite, mas a casa dos Weasley começou a se encher bem antes do horário combinado. Quando Emmeline aparatou no quintal, com cerca de quinze minutos de antecedência, já era possível ouvir as vozes que ecoavam da sala. Ao entrar na casa, a curandeira se deparou com um animado jogo de cartas. Potter e Black disputavam contra Lupin e Longbottom.

Talvez parecesse inadequado tamanha diversão em um mundo que sofria com a guerra, mas Jenner logo concluiu que todos enlouqueceriam se não extravasassem um pouco da tensão acumulada ao longo dos dias. Foi este pensamento que motivou Emmeline a assistir ao final da partida e compartilhar um pouco da animação dos rapazes.

- NÃÃÃÃÃO!!! – James berrou quando Sirius jogou a carta errada sobre a mesa – ANIMAAAAAL!

- Que??? – Black olhou da carta para o melhor amigo – Não precisamos desta carta.

- Mas nós sim. – Frank abriu um sorrisinho sacana antes de puxar a carta desprezada por Sirius e encaixá-la numa sequência incompleta – Cem pontos. Acho que já temos uma dupla vencedora, Moony.

As figuras desenhadas nas cartas se moveram quando Longbottom completou a sequência e as cartas da outra dupla explodiram. Potter largou as cartas alinhadas em sua mão rapidamente para evitar que seus dedos se queimassem e dirigiu um olhar fulminante para o melhor amigo.

- O que há com você? Deixou o cérebro em casa hoje, Pad?

- Foi mal! – Sirius soprou as pontas dos dedos queimados – Eu me distraí.

- Eu posso imaginar o que foi que te distraiu...

Potter lançou um olhar sugestivo na direção de Emmeline. A curandeira, que até então acompanhava inocentemente a brincadeira, sentiu as bochechas corarem com aquela insinuação e desviou o olhar. Como se não tivesse entendido a indireta, Jenner pediu licença aos rapazes e retornou à cozinha.

Molly geralmente gostava de fazer tudo sozinha, mas Emmeline insistiu tanto em ajudar que a Sra. Weasley acabou lhe entregando uma bacia com cenouras. Como a habilidade da loira em feitiços domésticos era bem questionável, Jenner preferiu usar uma faca e as próprias mãos para cortar os legumes.

A curandeira estava tão concentrada naquela tarefa que só percebeu que não estava mais sozinha na mesa da cozinha quando a voz de Sirius Black soou ao seu lado.

- Não seria mais fácil usar a varinha?

O susto fez Emmeline se sobressaltar, mas logo a loira sorriu para o colega.

- Acredite, é mais seguro assim. Não queira saber os estragos que já causei na cozinha.

- Pois eu adoraria que me contasse. – Black abriu um de seus sorrisinhos galanteadores – Podemos continuar esta conversa depois da reunião, o que me diz? Um passeio, uma cerveja amanteigada...

Qualquer mulher teria dificuldades para resistir a aquele sorriso. Sirius Black era um rapaz assombrosamente bonito e parecia dominar bem a arte da sedução. Mas Emmeline era imune aos encantos do colega por motivos simples. Em primeiro lugar, ela já havia se decepcionado com Sirius uma vez. E em segundo lugar, seu coração já estava muito bem ocupado por outra pessoa.

- Eu estou cansada. Meus planos para esta noite não envolvem nada além de recuperar o sono acumulado durante a semana, Sirius.

- Ora, Emme! Está falando como uma velha, sabia? – definitivamente Sirius Black não estava habituado a ouvir “não” – Mas tudo bem. Eu me contento em te dar uma carona até a sua casa.

- Carona?

- Na minha moto.

- Eu pretendo aparatar, obrigada. É muito mais rápido e mais seguro.

- Mas não é nada emocionante. – Black não estava mesmo disposto a desistir – Vou tomar sua recusa como uma ofensa pessoal. Não ofereço a minha moto para qualquer pessoa. Nem mesmo o Moony teve esta honra e só levei o James para dar uma volta porque ele fez uma cena tão vergonhosa que tive pena.

- Sirius, eu realmente acho que...

- Está decidido. – Black se ergueu, interrompendo o discurso da curandeira – Nós dois vamos nos divertir um pouco depois da reunião.

Emmeline ainda procurava uma maneira de fugir daquela situação quando Sirius se moveu e abriu o campo de visão dela. O coração da loira falhou uma batida quando a imagem de Severus Snape surgiu na porta da cozinha e, a julgar pela expressão do sonserino, ele havia escutado parte da conversa entre Jenner e Black.
avatar
Saphir Wegener

Mensagens : 91
Data de inscrição : 26/03/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Veritaserum

Mensagem por Regulus Black em Seg Abr 11, 2016 4:23 am

O corpo relaxado de Regulus exigia que o rapaz dormisse para recuperar a energia gasta nos últimos minutos intensos ao lado de Alexia. Contudo, sua mente se agitava com a ideia de que cada segundo com a amiga era precioso demais para ser desperdiçado na inconsciência do sono.

Foi a determinação de aproveitar todo o tempo ao lado de Alexia que manteve o herdeiro dos Black acordado durante toda a noite. No fim das contas, não foi uma tarefa tão difícil lutar contra o sono visto que sempre era fácil demais conversar com a melhor amiga. Os dois pareciam ter uma infinidade de assuntos, ainda mais agora que não se falavam há tantas semanas.

Aliada à agradável conversa, agora os dois podiam usufruir de carícias mais íntimas e ousadas que só mostravam que, mesmo com aquela mudança tão grande no relacionamento, ainda existia uma grande amizade entre eles.

Apesar de desejar loucamente que os minutos se arrastassem, Regulus não teve o poder de evitar que o sol começasse a surgir no horizonte ao fim daquela madrugada. Foi com uma expressão de pesar que o rapaz notou que os primeiros raios de sol começavam a iluminar o quarto e logo colocariam um fim no sonho vivido naquela noite.

Como se quisesse guardar na memória cada pequeno detalhe daquele momento, Regulus encarou a amiga enquanto deslizava o indicador por cada um dos traços dela. Ele ainda estava perdido nessa carícia quando ouviu as palavras de Alexia.

- Será uma tortura ter você na minha vida e não poder repetir momentos como este, Lex.

A voz de Black soava firme, mas a entonação não escondia o quanto aquela ideia era dolorida para o rapaz.

- Eu realmente não sei se conseguirei te ver, conversar com você e continuar sendo somente um bom amigo.

Um suspiro pesado escapou da boca do rapaz enquanto ele pousava o indicador carinhosamente sobre os lábios de Romanoff.

- Mas, por outro lado, será igualmente torturante não te ver mais, não escutar a sua voz, o som das suas risadas, sentir o seu perfume... Eu realmente não sei o que será pior, Lex. Nenhuma das saídas disponíveis parece boa o bastante para nós dois.
avatar
Regulus Black

Mensagens : 121
Data de inscrição : 30/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Seg Abr 11, 2016 4:37 am

Mesmo com a ausência de Emmeline no castelo, Severus sabia que não era mais o mesmo homem. Embora ainda tivesse seu comportamento sério e autoritário em sala de aula, não havia uma única noite em que ele não se deitasse na cama, encarando o teto de pedra, e sorrisse com as lembranças da curandeira.

Em toda a escuridão que sua vida havia seguido ao longo dos anos, parecia um sonho experimentar aquela nova sensação de ter alguém como a lufana. A leveza e a felicidade despertada por Jenner era tão grande que o fato de ser uma nascida trouxa e ter pertencido à casa de Helga Hufflepuff era completamente irrelevante.

Os dias começaram a se arrastar e Snape aguardava ansioso pela oportunidade de rever a curandeira. Pensar nas reuniões da Ordem da Fênix, até pouco tempo atrás, era uma tortura completa. Passar horas sob o mesmo teto que Potter e Black era indigesto demais, e Severus só o fazia por pura necessidade. Entretanto, a primeira reunião agendada desde a partida de Jenner de Hogwarts foi recebida pelo professor com entusiasmo.

Mestre em controlar seus sentimentos, obviamente Snape não deixou transparecer que ansiava pelo momento em que fosse pisar na casa dos Weasley, mas algo o fazia desconfiar que Dumbledore sabia de sua empolgação, pelos simples olhares e risinhos bobos que o diretor dava quando seus caminhos se cruzavam.

Com o devido cuidado que precisavam ter diante de uma guerra, Snape e Emmeline não trocavam cartas, com receio de que fossem extraviadas. Além do mais, mesmo que toda aquela novidade fosse maravilhosa na vida dele, Severus ainda não sabia como colocar em palavras seus pensamentos e tinha medo de ser formal demais se tentasse se comunicar com a curandeira.

Movido pelo desejo daquele reencontro, por mais que soubesse que não poderiam fazer nada, Snape não se importou em chegar antes do horário combinado. Normalmente ele aparecia apenas nos momentos cruciais e pouco se demorava antes de deixar a sede da Ordem, mas antes mesmo que todos os membros estivessem reunidos na mesa de jantar de Molly Weasley, Severus havia aparatado diante da torta casa.

Antes mesmo de entrar na cozinha onde as reuniões aconteciam, Snape pôde ver parte dos cabelos de Emmeline pela janela, e seu coração imediatamente deu um salto. Ele precisou enfiar as mãos nos bolsos do casaco e apertar os dedos em um gesto de autocontrole, impedindo que os lábios se curvassem no característico sorriso que começara a aparecer desde que Jenner cruzara seu caminho.

A porta da cozinha foi aberta e imediatamente Severus sentiu seu corpo esfriar como se tivesse recebido um banho de água congelante. Mesmo de costas, ele imediatamente reconheceu os cabelos negros de Sirius Black, e sem conseguir dar um único passo, permaneceu travado na entrada da cozinha.

A voz de Black era galante e não havia um pingo de inocência na proposta feita para a curandeira. Severus se sentiu arrastado de volta ao passado e imediatamente seu estômago começou a doer, refletindo o mal-estar causado pela cena.

Os olhos negros se demoraram em Emmeline, refletindo todo o desgosto que o mestre de poções estava sentindo naquele momento. Não havia o carinho e a saudade que ele havia alimentado durante todos os dias, apenas mágoa e decepção, como se Jenner estivesse traindo sua confiança pelo simples fato de estar conversando com Sirius Black.

No fundo, Snape sabia que aquele sonho era bom demais para ser verdade e que uma mulher como Emmeline jamais ficaria ao seu lado por muito tempo, mas o amargo em sua boca era ainda pior por ver que estava perdendo mais uma vez para um dos marotos.

- Cuidado com a sua ideia de diversão, Black. Da última vez, se me recordo bem, Dumbledore precisou retirar você e o Potter, mais bêbados que dois gambás, perdidos em um bairro de duendes.

A voz arrastada de Severus soou pela cozinha, fazendo Black se virar para encará-lo por cima do ombro. Os olhos acizentados estudaram Snape de cima a baixo, com sua típica arrogância, como se o mestre de poções não passasse de um inseto insignificante.

- Snape? – Molly soou surpresa, parando no meio da cozinha com uma travessa de arroz. – Você chegou cedo! O que houve? Alguma má notícia?

Os olhos negros estavam mais uma vez fixos em Emmeline quando o professor respondeu.

- Não. Apenas uma má ideia.
avatar
Severus Snape

Mensagens : 87
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Seg Abr 11, 2016 5:19 am

Regulus estava certo em dizer que não havia alternativa que fosse menos dolorosa. Alexia tinha certeza que não conseguiria ser feliz sem ter o melhor amigo em sua vida, mas seria impossível se conter se os dois tivessem o contato frequente.

Aquela noite na cabana era a prova de que bastavam alguns minutos para que eles se rendessem um ao outro, e qualquer deslize poderia gerar um escândalo absurdo para ambas as famílias. Alexia queria ter coragem de acabar com aquele noivado absurdo e abraçar a vergonha que causaria aos Romanoff se ao menos pudesse ter Regulus como recompensa.

Saber que a consequência seria muito maior do que algumas fofocas nas colunas sociais era a única motivação para que Alexia seguisse em frente com a ideia de se casar com Avery. Ela jamais se perdoaria em ser o motivo da ruína dos Romanoff, por mais que fosse a má gestão de seu pai que tivesse colocado toda a família naquela situação.

Com a certeza de que seria questão de tempo até que os dois estivessem nos braços um do outro, correndo o risco de serem flagrados, Alexia concordou de que o melhor a ser feito seria se afastar de Regulus. Os dois precisariam conviver com encontros ocasionais, já que conviviam no mesmo círculo social, mas o mais sensato era manter a distância sempre que possível.

Quando o sol já iluminava o gramado molhado pela chuva que caira durante a noite, Alexia e Regulus se levantaram, sem conseguir mais escapar do fatídico fim. Quando já estavam devidamente vestidos e prontos para deixarem o chalé para trás, Alexia buscou o abraço do melhor amigo mais uma vez.

Foi impossível conter as lágrimas quando ela afundou o rosto no peito de Black, molhando sua camisa. Seu peito ardia, como se estivessem arrancando o coração para fora. Era assombrosamente difícil saber que jamais seria feliz com Avery como havia sido naquela noite ao lado de Regulus e sufocante admitir que não teria mais o amigo em sua vida.

- Eu te amo. – Lexie sussurrou, fungando enquanto buscava pelos olhos cinzentos.

***

Durante os primeiros dias, Alexia não conseguia se alimentar direito, e só conseguia se entregar ao sono depois de passar algumas horas chorando. A saudade de Regulus era a pior sensação experimentada em sua vida, e foi mergulhada naquela tristeza que Romanoff não percebeu a proximidade do casamento.

Foi um grande susto quando ela acordou na manhã da data escolhida. O vestido de noiva havia ficado alguns centímetros mais largo, graças ao emagrecimento exagerado dos últimos dias. Ainda assim, Alexia estava deslumbrante quando entrou no jardim dos Avery.

O cenário era perfeito e o casamento foi oficializado sob um perfeito crepúsculo, mas um bom observador poderia notar a tristeza nos olhos azuis, que não conseguiam ser camufladas nem mesmo com o sorriso que a nova Sra. Avery distribuía.

Logo ao fim da cerimônia, a música animada começou a ecoar pelos jardins bem iluminados, que mesmo com o início da noite, estava tão bem decorado que continuava sendo perfeito para as bonitas fotos de casamento.

O casal de recém-casados estreou a pista de dança, mas Alexia logo convenceu Jackson que seus sapatos não eram tão confortáveis quanto bonitos e os dois se colocaram a disposição para receber os parabéns dos convidados.

Com a mão sempre em contato com Alexia, Jackson sorria para cada um que o cumprimentava, e a noiva repetia aquele gesto de forma mecânica. O sorriso de Alexia era bonito, mas apenas quem a conhecia bem saberia dizer que seu sorriso espontâneo era ainda mais iluminador, deixando-a mais atraente do que o belo penteado e maquiagem selecionados para aquele dia.
avatar
Alexia Romanoff

Mensagens : 89
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Veritaserum

Mensagem por Regulus Black em Ter Abr 12, 2016 12:04 am

Aos olhos da alta sociedade bruxa, Regulus era tudo o que se esperava de um herdeiro de sangue-puro. O caçula dos Black tinha um comportamento discreto e nunca fora envolvido em nenhum escândalo que prejudicasse a sua família. O círculo de “amigos” do rapaz era composto por jovens de sangue igualmente puro. E para completar aquela imagem perfeita, agora o herdeiro dos Black era frequentemente visto na companhia de uma noiva bonita, refinada e rica, detentora de um sobrenome de destaque no mundo da magia.

Winnifred tinha uma coleção de defeitos, mas ninguém jamais poderia questionar as suas qualidades que a tornavam perfeita para o posto de futura Sra. Black. Além da exótica beleza que combinava perfeitamente com os traços bonitos de Regulus, a herdeira dos Rookwood sabia se portar nos eventos sociais. Sempre com roupas elegantes e joias caras, Winnie tinha o sorriso e as palavras falsamente doces tão necessários para a sobrevivência na alta sociedade.

Naquela tarde, os noivos se destacavam positivamente em mais um evento social que terminaria nas colunas do Profeta Diário. O casamento que uniria os sobrenomes Avery e Romanoff era uma das festas mais aguardadas do ano e, como todos já esperavam, o evento contava com convidados muito bem selecionados.

Intimamente, Regulus preferiria estar em qualquer outro lugar do planeta. Até mesmo uma das reuniões de Voldemort com os Comensais da Morte parecia mais agradável aos olhos de Black do que testemunhar a união de Alexia com outro homem. Contudo, mais uma vez, Regulus assumiu aquela tortura como uma penosa obrigação social da qual ele não poderia fugir. A sua ausência no casamento de uma grande amiga de infância certamente resultaria em comentários maldosos que prejudicariam tanto a ele quanto a Alexia.

Durante toda a cerimônia, Regulus permitiu que sua mente vagasse para longe dali. Ele enlouqueceria se continuasse acompanhando aquele teatro no qual Alexia encenava o papel de uma noiva apaixonada por Jackson Avery. Contudo, ao fim do casamento, o herdeiro dos Black não encontrou nenhuma maneira de fugir da obrigação de cumprimentar o novo casal.

Uma pequena fila de formou diante dos recém casados, mas a verdade é que Regulus não tinha nenhuma pressa. Cada minuto de atraso era muito bem vindo já que Black não sabia o que dizer ao casal. Durante toda a vida, o rapaz estava acostumado a encenar e a demonstrar sentimentos que não possuía, mas naquela noite em especial parecia muito difícil transparecer qualquer grau de felicidade.

Quando finalmente chegou diante de Avery, Regulus se obrigou a estampar um sorriso nos lábios. Intimamente ele se sentia destruído em pensar que as mãos de Jackson repetiriam naquela noite todo o trajeto percorrido pelos dedos dele no chalé, mas Black conseguiu esconder bem todo o ciúme e a infelicidade que o assolavam.

- Bela festa, Avery. Meus parabéns...

As palavras de Regulus se pareciam com todos os cumprimentos que Avery recebera naquela noite. Somente um observador muito atento notaria que Black estava parabenizando o noivo pela festa e não pelo casamento.

Os dois rapazes trocaram um aperto de mãos e, enquanto Winnifred distribuía uma parcela de sua falsidade ao noivo, Regulus se voltou para a melhor amiga.

Doía ver Alexia naquele vestido de noiva. A moça estava assombrosamente bonita, mas era uma imagem que machucava Regulus. Por mais que soubesse que aquele era o destino de Alexia, a concretização do casamento era a prova final de que realmente não haveria nenhuma chance para os dois no futuro.

- Você está linda, Lex. – apesar do olhar infeliz que não combinava com o sorriso mecânico do rapaz, suas palavras soavam sinceras – Eu desejo que seja muito feliz.

Não havia mentira ou maldade naqueles votos de felicidade. Regulus amava Alexia e sentia-se ferido ao vê-la casada com outro homem, mas nem por isso queria que a amiga fosse infeliz naquele casamento. Já que os dois seriam obrigados a seguir por caminhos diferentes, que ao menos tivessem algum consolo naquela caminhada. Black amava demais a melhor amiga para lhe desejar um futuro infeliz.

Mesmo sabendo o quanto aquele gesto era arriscado, Regulus não conseguiu conter a vontade de tocar a amiga. Black deu um passo a frente e eliminou a distância que o separava de Alexia com um abraço. Como de costume, a morena se encaixou com perfeição junto ao peito dele e Regulus ignorou o risco de ter seus refinados trajes de festa amassados por aquele abraço.
avatar
Regulus Black

Mensagens : 121
Data de inscrição : 30/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Ter Abr 12, 2016 12:41 am

Era muito frustrante receber aquele olhar duro de Severus depois de ter aguardado com tanta ansiedade aquela oportunidade para revê-lo. E a sensação de injustiça só tornava tudo pior. Emmeline sabia que não merecia aquele tratamento porque não fizera nada demais. Receber galanteios de Sirius Black era algo que estava além do controle da curandeira, mas ela fizera bem a sua parte em se esquivar daquelas investidas.

Jenner sabia perfeitamente que Snape tinha os seus problemas pessoais com James Potter e Sirius Black e que certamente não era fácil para o professor sentir-se ameaçado por um dos rivais. Mas isso não dava a Severus o direito de duvidar da honestidade dela. Era ofensivo que o professor lhe lançasse aquele olhar de reprovação se Emmeline não fizera nada além de conversar com um colega e escapar de seus galanteios.

Mesmo que os dois não pudessem assumir publicamente um relacionamento, havia um acordo para que fizessem aquilo dar certo e Jenner jamais trairia a confiança de Severus, muito menos com um dos piores inimigos dele.

Ironicamente, foi James Potter que deu ao casal a chance para esclarecerem aquela situação. A cabeça do auror surgiu na porta que ligava a sala à cozinha e ele se dirigiu ao melhor amigo.

- O Dumbie acabou de mandar uma coruja dizendo que vai se atrasar. Eu pedi uma revanche aqui e juro que vou saborear o seu fígado junto com o jantar da Molly se você entregar o jogo de novo, Padfoot!

- Eu não quero mais jogar. – Sirius realmente parecia mais interessado em Emmeline.

- Eu não me lembro de ter perguntado se você queria jogar. Estou intimando você a voltar para a sala e a recuperar os galeões que perdemos! A Lily vai estourar os meus miolos se souber que estou apostando! E eu vou estourar os seus miolos por me fazer perder!

Os olhos cinzentos de Black giraram antes que ele atendesse ao pedido do amigo e retornasse para a sala. A presença de Molly Weasley na cozinha impossibilitava uma conversa entre Jenner e Snape, mas a ruiva estava tão concentrada no preparo do jantar que não percebeu quando a curandeira se levantou silenciosamente e saiu pela porta dos fundos, mas não sem antes lançar um olhar sugestivo na direção do professor, praticamente intimando-o a seguir os passos dela.

Sem olhar para trás, Emmeline caminhou pelo quintal dos Weasley até encontrar um ponto seguro para travar aquela conversa com Severus. O galpão que Arthur usava como oficina estava fechado àquela hora da noite e foi atrás da pequena construção de madeira que a curandeira esperou por Snape, com os braços cruzados e um semblante sério no rosto.

Tão logo a imagem de Severus surgiu em meio às sombras daquela noite de sábado, Emmeline descruzou os braços e tomou para si a palavra. Sua voz soava baixa para que não chamasse a atenção de qualquer um que porventura aparatasse no quintal, mas a entonação firme mostrava todo o seu descontentamento com a atitude do professor.

- O que, exatamente, você queria que eu fizesse? Eu não tenho culpa se ele ou qualquer outro se aproxima de mim! Afinal, aos olhos de todos, eu estou sozinha!

Jenner emendou as palavras, sem dar ao professor chance para responder.

- Eu me sinto ofendida com o seu comportamento! Eu não sei como funcionam as coisas na sua cabeça, mas na minha cabeça existe um compromisso que eu pretendo honrar. Eu jamais sairia com outro homem, muito menos com ele, depois da nossa última conversa. Você chamou de “isso”, mas pra mim já é muito mais do que “isso”, Severus.
avatar
Saphir Wegener

Mensagens : 91
Data de inscrição : 26/03/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Ter Abr 12, 2016 3:08 am

Talvez pela multidão que se movimentava pela festa, Alexia ainda não havia encontrado o rosto de Regulus entre os convidados, mesmo que seus olhos azuis varressem os jardins dos Avery a procura das conhecidas íris acinzentadas. Foi com um salto do coração e uma cambalhota no estômago que Black entrou em seu campo de visão pouco antes de cumprimentar o noivo.

A nova Sra. Avery achou impossível continuar a dar atenção para as pessoas que estavam à frente de Regulus na fila de convidados, e tinha certeza que seu olhar havia adquirido um brilho diferenciado quando se encontrou com o do melhor amigo. A simples presença dele fazia com que toda tristeza com aquele casamento fosse colocada em segundo plano. Jackson, ao seu lado, era praticamente inexistente, e todo o seu mundo passava a girar em torno do amigo a sua frente.

Alexia se viu incapaz de responder diante das felicitações de Regulus, mas se permitiu ser abraçada sentindo o coração batendo forte contra o peito. Era sufocante não ter mais o caçula dos Black em sua vida, de modo que aquela migalha de atenção era extremamente bem recebida, como se ela finalmente pudesse ter um pouco de oxigênio depois de ter ficado submersa por tempo demais.

Foi fácil perceber que a noiva havia dado muito mais tempo naquele abraço do que a qualquer outro cumprimento, mas a morena não se importou em prolongar aquele momento até escutar Winnifred pigarrear incomodada, aguardando sua vez.

O abraço foi desfeito devagar, mas como se temesse que Regulus fosse desaparecer em seguida, Alexia ainda buscou a mão dele, o impedindo de se afastar. Ela forçou um sorriso na direção da ruiva, ainda abalada demais com o turbilhão de emoções que invadiam sua cabeça.

- Vejo que conseguiu encontrar um vestido para esconder os quilinhos a mais, Alexia. Nada mal.

Quando comparada com a inimizade antiga das duas, aquele comentário malicioso de Rookwood era praticamente um elogio e não abalou o sorriso mecânico de Alexia. Apesar disso, Avery franziu a testa e estreitou os olhos, mostrando seu desagrado.

- Não é um comentário muito elegante para se fazer em um casamento. Você deveria controlar a sua noiva com mais firmeza, Regulus.

Em um gesto natural e quase discreto, Alexia mantinha a mão de Regulus firme em seus dedos, mas conseguiu alargar o sorriso com um ar de superioridade.

- Não se preocupe, Winnifred. Fiz uma promessa a Regulus que quando ele se casasse, eu estaria muito mais bonita que a noiva. Então estarei ainda mais bonita no seu casamento.

Era indigesto estar com Rookwood e Avery tão próximos, mas Alexia ainda conseguiu se voltar para o melhor amigo, tentando ignorar a vontade de voltar para o seu abraço e beijá-lo. Mesmo com o tempo que havia se passado, a noite no chalé estava perfeitamente gravada em sua memória, e estar ao lado de Regulus só fazia o desejo de repetir aquelas carícias aumentar ainda mais.

- Você não podia ter deixado essa barata sem casca presa na coleira?

- Alexia! – A voz de Jackson soou firme, quase como um pai que repreende uma criança. – Não seja deselegante, você também.
avatar
Alexia Romanoff

Mensagens : 89
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Ter Abr 12, 2016 3:59 am

Mesmo depois que Jenner deixou a cozinha dos Weasley, Severus pensou se deveria seguir o mesmo caminho. Molly estava tão concentrada em seu jantar que ignorou por completo o conflito vivido pelo professor, e os olhos negros se fixaram na porta por onde Sirius Black havia desaparecido.

A raiva de saber que Black estava há poucos metros de distância foi motivo suficiente para que Snape deixasse a cozinha, puxando o ar fresco da noite no instante em que seus pés alcançaram o quintal dos Weasley.

Mais uma vez suas íris escuras deslizaram ao redor, se adaptando com a pouca claridade da área externa. Não foi difícil deduzir o caminho tomado por Emmeline, mas no instante em que foi recebido pelas palavras sérias da curandeira, Severus desejou ter demorado mais tempo naquele breve caminho para ter acalmado seus ânimos.

Por mais que racionalmente ele pudesse concordar com Jenner, não havia nada de lógico em tudo que Snape vinha vivendo desde que reencontrara a lufana. Era bastante irreal acreditar que uma moça tão bonita, delicada e gentil como ela pudesse se interessar por um homem frio e distante, tão cheio de falhas. Acostumado a ser visto como um monstro pelos seus erros do passado, Severus ainda tinha dificuldades de compreender o que Emmeline conseguia enxergar de qualidades.

Exatamente por ter tão pouca fé em si, Snape achava muito mais fácil que Emmeline fosse cair nos braços de Sirius apenas com meia dúzia de palavras, finalmente enxergando o grande erro que estava cometendo por estar se envolvendo com um Comensal da Morte.

Pronto para ouvir o discurso cheio de dedos de Jenner, Severus se encostou na parede de madeira do barracão, enfiando as mãos nos bolsos do casaco escuro. Ele apoiou a cabeça também contra a parede e ergueu os olhos para o céu estrelado, evitando a todo custo encontrar os olhos cor de mel. Seria muito menos doloroso escutar o fim daquela loucura se ele não precisasse ter para sempre na memória a expressão de arrependimento da curandeira.

Foi por esperar o pior que Snape se assustou com a declaração de Emmeline e foi obrigado a encará-la. Seu coração deu um salto contra o peito e a surpresa ficou evidente no brilho dos seus olhos.

Para qualquer casal normal, aquela era uma briga séria de falta de confiança. Mas só o que Severus havia conseguido compreender fora o quanto aquele relacionamento significava para a curandeira.

O professor de poções engoliu em seco, mas manteve o semblante sério. Só um bom observador poderia notar uma pontada de tristeza no brilho dos seus olhos.

- O que você queria que eu fizesse? – Snape devolveu a pergunta, a voz rouca e gostosa de se ouvir. – Você pode não saber como funciona a minha cabeça, mas eu sei exatamente como a do Black funciona. E eu vi durante anos a mesma história se repetindo. Ele se acha o rei e não vai desistir enquanto não conseguir você.

Severus se desgrudou da parede de madeira e deu alguns passos, esmagando folhas secas sob seus pés, até parar diante de Jenner. O casaco aberto permitia que o vento gelado atravessasse sua camisa branca e balançasse levemente os cabelos finos. Alguns cachos de Emmeline também balançaram e Snape precisou controlar a vontade de esticar o braço e tocar os fios macios que ele já conhecia.

Seu corpo se contorcia com a saudade da curandeira e seu coração implorava que ele engolisse o orgulho ferido e saciasse a vontade de beijá-la, aproveitando aqueles poucos minutos a sós. Mas Severus permaneceu com os dedos devidamente protegidos dentro do casaco e a testa franzida, o único indício da luta travada internamente.

- Eu não sei o que é “isso” para você, Emmeline. – Ele continuou, e os dois já estavam tão próximos que Snape não precisava elevar a voz mais do que um sussurro. – Mas seja lá o que for, é questão de tempo até você perceber que estaria melhor com o Black. Ou com qualquer outro imbecil como ele.

Era a primeira vez em sua vida que Snape se sentia tão enciumado. Nem na época em que Lily Evans finalmente aceitou um encontro com Potter ele havia se sentido tão abalado. Assim como toda a leveza que Emmeline trazia para sua vida, a insegurança que atingia Severus era igualmente intensa e perigosa.
avatar
Severus Snape

Mensagens : 87
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Ter Abr 12, 2016 6:50 pm

A casa da família Weasley certamente dividia as opiniões. Ficava num terreno pequeno, era uma construção simples e de paredes tão tortas que parecia continuar de pé por um milagre. Não havia nada muito extraordinário em seu interior e nem mesmo um item da decoração que pudesse ser considerado de luxo. Por mais que Arthur e Molly se esforçassem, o quintal vivia cheio de folhas e gnomos de jardim.

Contudo, apesar disso, era um lar invejado por muitos. O amor que unia aquela família se refletia nos cômodos, no cheiro agradável que escapava pela chaminé da cozinha, nas árvores e plantas do quintal. Apesar de toda a simplicidade, Emmeline sabia que seria feliz se tivesse uma vida assim.

Mas aquela era uma realidade que não parecia se encaixar mais na vida da curandeira. Os traumas do seu passado não permitiriam que Jenner dormisse tranquila. Suas origens trouxas eram uma constante ameaça naquela guerra que, infelizmente, não parecia estar próxima do fim.

E a rotina serena dos Weasley se distanciou ainda mais do futuro de Emmeline no instante em que a loira permitiu que Severus Snape entrasse em sua vida. Por mais que gostasse do professor, que admirasse as suas qualidades e estivesse disposta a levar adiante aquele relacionamento, Jenner sabia que Severus jamais se encaixaria no papel de um pacato pai de família que usa a folga de um final de semana para exterminar gnomos de jardim ou para ensinar quadribol aos filhos.

Entretanto, essa era uma frustração que Emmeline estava disposta a aceitar. Quando concordou em levar adiante aquela aproximação com Snape, a curandeira já sabia que teria que abrir mão de muitos planos e que teria que aceitar a personalidade sonserina do professor. Jenner estava conformada com o comportamento ácido, com a distância que Severus impunha às pessoas, com o trabalho altamente arriscado de um espião.

Não era difícil aceitar os defeitos do professor e as limitações de um relacionamento com ele, desde que as coisas estivessem dando certo. Emmeline era uma rara mulher que não exigia demais. A lufana não queria presentes caros, não exigia a companhia de Snape em tempo integral, não fazia perguntas demais sobre a vida e as missões dele, não esperava que Severus mudasse aquela personalidade tão difícil. E, o mais importante, Jenner nunca mencionava o passado tão difícil do professor para que ele não fosse obrigado a reviver aqueles pesadelos de sua infância e adolescência.

Naquela noite, contudo, foi impossível para a lufana se manter calada. As palavras verbalizadas por Snape carregavam significados não ditos, mas que ficaram bastante evidentes na expressão do bruxo. E aqueles sentimentos revelados por Severus machucavam mais Emmeline do que qualquer ofensa já recebida ao longo de sua vida.

- É este o problema, então? Você não se importa comigo ou com a relação que estamos construindo juntos... Tudo é uma questão de não ser novamente derrotado por eles???

O indicador de Emmeline foi apontado na direção da casa dos Weasley, onde os marotos estavam reunidos sem imaginar que eram os protagonistas da briga que acontecia no quintal.

- Agora você vai me ouvir! – Jenner ergueu um pouco a voz para abafar a tentativa de resposta do professor – Porque esta é uma ofensa que eu não pretendo engolir, Severus! Como você ousa insinuar que eu não vou honrar a minha palavra? Porque é esta a acusação que você acabou de fazer! Um minuto depois que eu disse que estou levando isso a sério e que não vou deixar outro homem entrar na minha vida, você afirmou que eu só preciso de tempo para mudar de ideia.

O mesmo dedo que apontava para A Toca se voltou para Snape e cutucou o peito dele com força.

- O que é mais importante para você? Ficar comigo ou não perder mais uma estúpida batalha contra os marotos? Você dá algum valor para o que está acontecendo ou tudo isso é simplesmente uma maneira de amenizar o que aconteceu no passado? Você gosta de mim ou me vê como um prêmio de consolação depois de ter perdido a Lily para o Potter???

Emmeline sabia que estava pisando em um terreno perigoso ao mencionar aquele assunto tão delicado para Severus, mas as palavras saltaram incontroláveis de sua boca. Aquela era uma conversa que precisava acontecer. Sem esta certeza, Jenner nunca saberia dizer que tipo de sentimento ligava Snape a ela e o quanto a sombra de Lily Evans ainda assombrava o professor.

- Se tudo isso continua sendo uma maldita competição entre você, o Potter e o Black, eu me recuso a participar desse jogo! Eu mereço ser mais do que o consolo de um homem que deseja uma mulher inalcançável.

A simples ideia de Snape ainda amar Lily Evans fez com que a voz de Emmeline soasse enciumada, mas a lufana não fez a menor questão de esconder aquele sentimento desagradável.

- Eu não tenho culpa se ela não te quis, se ela escolheu outro cara. Imagino que tenha sido difícil para você e lamento por isso. Mas eu não estou disposta a viver na sombra da Lily. E nem vou admitir que você me julgue tendo como parâmetro as atitudes dela. Eu estou disposta a fazer isso dar certo como ela nunca esteve, mas nem todo o meu esforço terá algum valor se você não estiver “nisso” pelos motivos certos, Severus.
avatar
Saphir Wegener

Mensagens : 91
Data de inscrição : 26/03/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Veritaserum

Mensagem por Regulus Black em Qua Abr 13, 2016 12:36 am

Não houve uma trégua na rivalidade entre Winnifred Rookwood e Alexia Romanoff nem mesmo no dia do casamento da morena. Como se quisesse afrontar a noiva e chamar para si a atenção que deveria ser da nova Sra. Avery, Winnie havia se empenhado ainda mais que o normal quando se preparou para aquele evento.

O vestido da futura Sra. Black era estonteante, mas talvez fosse exageradamente chamativo para uma simples convidada de um casamento. O veludo vermelho modelava com perfeição o corpo de Winnifred e o decote profundo revelava praticamente toda a área das costas da jovem, reforçando a sua boa forma.

Para destacar ainda mais o decote, a filha dos Rookwood havia prendido os fios ruivos em um coque muito bem trabalhado. O brilho azulado de seus brincos não deixava dúvida de que eram safiras verdadeiras e as pedras combinavam perfeitamente com o anel de noivado cravejado de brilhantes da futura Sra. Black.

A maquiagem estava impecável e, apesar de tão chamativa quanto o resto do visual, não era de mau gosto. Winnie tinha seus graves defeitos, mas havia se tornado uma dama elegante e de língua afiada. Sem dúvidas, era a nora dos sonhos de Walburga Black.

- Ah, querida, você teria que se esforçar muito para ficar mais bonita que a noiva em qualquer casamento. No meu, então, é simplesmente impossível.

Aquela troca de farpas entre as duas moças era realizada com sorrisos nos lábios de ambas de forma que, quem as olhasse de longe, imaginaria se tratar de duas velhas amigas trocando elogios.

- Mas eu adoraria vê-la tentar. No fim das contas, a única opinião que realmente importa é a do Reg. E eu sei bem onde ficarão os olhos do meu fofinho.

Era grande a vontade de Regulus de colocar um fim naquela discussão dizendo o quanto Alexia era superior a Winnifred em todos os quesitos. Contudo, a presença de Avery e as máscaras que todos precisavam manter naquele evento impediam mais aquela loucura.

Antes de soltar a mão da amiga, Black deslizou os dedos carinhosamente na pele dela, numa tentativa tola de amenizar um pouco das saudades que sentia de Alexia. Era torturante ter que roubar uma carícia tão discreta quando, por dentro, Regulus a desejava por inteiro.

- Já chega, Winnie. – a voz de Black soou calma, mas firme – Vamos sair da fila, os demais convidados querem cumprimentar os noivos.

De fato havia mais pessoas ao redor esperando pela chance de se aproximarem dos protagonistas da festa, mas o maior desejo de Regulus era se afastar do casal. Por mais que sentisse falta de Alexia, era doloroso demais vê-la ao lado de Jackson, já com o título de Sra. Avery.

O desconforto de Black já era grande, mas o noivo conseguiu acrescentar mais um pouco de insatisfação ao dia do convidado quando abriu um sorriso e sussurrou aquelas palavras durante a despedida.

- Obrigado pela presença. Vejo você na quinta, Black?

O sorriso mecânico de Regulus vacilou quando Avery o lembrou daquele compromisso. O herdeiro dos Black vinha inventando desculpas para não comparecer às reuniões agendadas por Lord Voldemort, mas a cada dia ficava mais difícil fugir daquele problema. Se tivesse a audácia de faltar novamente, Voldemort certamente começaria a questionar o envolvimento dos Black com a sua causa.

- Com certeza. – a resposta contrariada de Regulus foi igualmente sussurrada – Até mais, Avery.
avatar
Regulus Black

Mensagens : 121
Data de inscrição : 30/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Qua Abr 13, 2016 4:50 am

Por sorte, ou talvez por azar, Alexia não teve a oportunidade de falar novamente com Regulus durante toda a festa. Por mais que seus olhos percorressem os jardins a procura do conhecido rosto do amigo e tivesse encontrado Black acompanhado de Rookwood por mais de uma vez, o fato de ser o centro das atenções daquele evento impediram a nova Sra. Avery a tentar qualquer loucura.

Quando o casal de recém-casados finalmente se viu a sós, tarde da noite, Alexia sentia um vazio no peito, como se não tivesse mais esperanças para um futuro feliz. Ela sempre soube que viveria ao lado de um marido sem amor, mas a expectativa era se tornar uma boa esposa e viver pacificamente. Sentir o coração bater mais rápido por outro homem que jamais estaria ao seu lado era no mínimo frustrante, aniquilando qualquer chance daquele casamento dar certo.

Embora Alexia tivesse escapado de seu papel na consumação daquele casamento nas primeiras noites, foi questão de tempo até que o inevitável acontecesse, enquanto eles aproveitavam a lua-de-mel ao sul da França.

Exatamente como havia sido na festa de casamento, o cenário era romântico e perfeito, mas Alexia sabia que Jackson não conseguia despertar um terço dos sentimentos que Regulus provocava.

As responsabilidades nos negócios e no ciclo dos Comensais da Morte obrigaram o casal a retornar mesmo após poucos dias fora da Inglaterra, e logo estavam instalados na nova mansão escolhida por Jackson. O lugar era grande demais para abrigar apenas duas pessoas e os elfos, mas Avery insistia em dizer que precisavam do espaço para os eventos que agora cabia a Alexia organizar.

A caçula dos Romanoff estava acostumada a uma vida com poucos amigos, normalmente rodeada apenas de pessoas interesseiras ou do ciclo social dos pais e dos irmãos. Desde sempre, sua única companhia frequente era o melhor amigo. O casamento, somado ao distanciamento de Regulus, fizeram com que Alexia ficasse cada vez mais solitária.

Jackson estava sempre ausente e basicamente aparecia em casa para dormir. Alexia se esforçava para acompanhar o marido pelo menos na primeira e última refeição, e em poucas ocasiões, repetia os encontros no almoço como faziam antes do casamento.

A vontade de estar ao lado de Avery estava longe de ser o motivo, mas Alexia sabia que quanto mais relutasse com aquele relacionamento, pior seria. Por mais que admitisse seus sentimentos por Regulus, era tolice alimentar algo sem futuro. Seria como lutar contra a correnteza, onde ela apenas iria se desgastar.

Ao mesmo tempo em que se esforçava para se encaixar no seu papel de boa esposa, Alexia passava boa parte do seu tempo ocioso pensando na vida que o melhor amigo estaria levando. Parecia loucura imaginar que ela e Regulus não tivessem mais contatos e que ela não soubesse detalhes de sua vida.

Sabendo que enlouqueceria se continuasse passando seus dias trancada em casa, presa em seus pensamentos perigosos, Alexia passou a tarde na companhia da irmã mais velha. Charlotte parecia orgulhosa com o caminho adotado pela caçula, mas para alívio de Alexia, ela não tocou no nome de Regulus durante as horas de compras.

Para fechar o dia, as duas irmãs jantaram juntas em um dos grandes restaurantes do bairro bruxo onde Romanoff vivia quando solteira. Charlotte havia insistido que Alexia voltasse para casa, para estar presente quando Jackson voltasse, mas o Sr. Avery passaria os próximos dois dias ausentes, envolvido em uma das tantas missões passadas aos Comensais da Morte.

Alexia raramente se envolvia naqueles assuntos mais sombrios do marido, mas admitia que estava aliviada em ter a mansão apenas para si, sem precisar interpretar o papel da boa esposa.

O sol já havia se posto quando Alexia entrou em casa, carregada de sacolas. Seus planos de se enfiar em um banho quente e tomar um chá enquanto terminava de ler um livro foi por água abaixo quando ela reconheceu a sombra de um homem sentado perto da lareira.

Por um instante, Alexia chegou a acreditar que Jackson havia voltado mais cedo. Mas a falha da batida em seu coração logo denunciou que Regulus Black estava presente. As sacolas foram jogadas no chão, sem cuidado, e Alexia apressou seus passos até a saleta.

- Reg? – Os olhos azuis passearam em volta, procurando a presença de Winnifred, Jackson ou qualquer outra pessoa que justificasse a presença do amigo ali. – O que houve?

avatar
Alexia Romanoff

Mensagens : 89
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Qua Abr 13, 2016 5:15 am

Quando foi recebido por Emmeline nas sombras do barracão do Sr. Weasley, a última coisa que Severus Snape esperava era o discurso intenso que lhe foi despejado. Jenner era baixinha, delicada e dócil, de modo que sua ira era ainda mais espantosa.
 
O professor de poções não se recordava de quando havia sido a última vez que alguém fora tão direto com as palavras, de forma quase bruta. Snape vivia rodeado de Comensais da Morte, mas até Lord Voldemort parecia uma delicada flor diante da frustração de Emmeline. E ninguém jamais ousaria falar com Severus da mesma forma em que a lufana falava naquele momento.
 
Por ter sido pego de surpresa, Snape se manteve em silêncio, os olhos ligeiramente arregalados e sem reação. Apenas as palavras finais da curandeira fizeram com que os ombros dele relaxassem um pouco. Emmeline ainda parecia incrivelmente ameaçadora, mas o tom enciumado tinha um significado muito além do que qualquer coisa que ela tivesse dito até então.
 
Era um tanto presunçoso por parte do Sonserino, mas Snape nunca havia experimentado antes a sensação de provocar ciúmes em alguém. Saber que Emmeline se sentia ameaçada com a lembrança de Evans mostrava que ela também temia perder aquele relacionamento, tanto quanto ele.
 
Lógico que na cabeça do professor de poções, Evans não era ameaça alguma. A ruiva havia ficado no passado e os sentimentos bons estavam soterrados com frustrações e decepções. Exatamente por achar aquele ciúme tão absurdo, os lábios de Snape se curvaram em um sorriso, tão inapropriado para aquela ocasião.
 
- Eu jamais usaria a Lily como parâmetro para comparar com você. Ela nunca será metade da mulher que você se tornou, Emme.
 
Protegido pelo barracão de madeira, Severus se aproximou um passo e ergueu uma das mãos para tocar o rosto da curandeira, acariciando a pele macia com o polegar. Era incrível como a textura da pele de Emmeline era perfeita, e mesmo com a testa franzida provocada pela briga, ela ainda parecia tão dócil e delicada.
 
- A Lily pode posar como uma grande bruxa, extremamente competente, ou o que for... Mas ela nunca passou por metade dos problemas que você passou. Ela jamais viu esta guerra como você viu, Em. Você não é hipócrita, e não pisca diante dos problemas. Você é extremamente lufana por fora... – O comentário fez com que Severus revirasse os olhos, com um sorriso quase divertido estampado em seus lábios. – Mas foi pela força que você tem que eu quis isso.
 
Como estava se tornando comum acontecer, Severus começou a sentir o coração acelerar. Ele sempre havia tido grande dificuldade em dizer o que sentia, machucado com tantos traumas ao longo da vida. Mas Jenner precisava saber ao menos um terço do que acontecia em sua mente confusa e no seu coração machucado.
 
- Eu sei bem os meus motivos para querer um relacionamento com você, Emmeline Jenner. – A voz saía em um sussurro, quase falhando, como se Snape temesse a si mesmo com aquela confissão. – E está longe de ser qualquer coisa relacionada aos marotos ou a Lily. Eu quero porque você me faz sentir um homem diferente do que realmente sou. Talvez eu queira enxergar um pouco do Severus que você vê, e ao mesmo tempo eu tenho medo de que você finalmente consiga enxergar que eu sou muito mais podre do que seus olhos são capazes de alcançar.
 
A mão livre de Snape foi erguida até que ele tocasse a cintura de Emmeline. Com movimentos lentos, ele a guiou até que estivesse encostada na parede, presa entre a madeira e seu próprio corpo. A escuridão do quintal os protegia com perfeição de qualquer curioso, mas ainda tinha um fio de luz que permitia enxergar as íris cor de mel que passaram a frequentar seus sonhos.
 
- Mas eu quero você. Quero isso só com você.
 

Graças a diferença de altura, Snape precisou encurvar o tronco e baixou o rosto até encontrar os lábios de Emmeline com os seus. O toque foi suave e delicado, como se ele ainda tivesse dando oportunidades para a curandeira se esquivar. Mas a saudade provocada pelos dias afastados fez com que seus braços rodeassem a cintura dela com mais força, puxando o corpo delicado da lufana até estar colado ao seu, intensificando o beijo.
avatar
Severus Snape

Mensagens : 87
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Veritaserum

Mensagem por Regulus Black em Qui Abr 14, 2016 2:12 am

Como alguém que aceita um destino infeliz, Regulus se esforçou para não pensar tanto na melhor amiga. Nos primeiros dias após o casamento era difícil se livrar da desconfortável ideia de que Alexia agora era a Sra. Avery. Com o passar das semanas, contudo, Black conseguiu transformar a moça em uma vaga lembrança dolorosa que o assombrava poucas vezes ao dia.

Além do esforço para esquecer Alexia, Regulus teve outros problemas mais sérios para ocupar a sua mente. Por mais que tentasse evitar o grupo de Voldemort, o herdeiro dos Black se via a cada dia mais envolvido com os Comensais da Morte. Simplesmente não havia a possibilidade de recusar aquele “convite” para fazer parte da equipe. Qualquer recusa seria interpretada como uma ofensa e colocaria Regulus na mira daquele grupo que já tinha provado que era capaz de qualquer coisa para defender seus ideais.

A criatividade de Regulus chegou ao fim depois de uma coleção de desculpas e o rapaz não conseguiu evitar o pior.

A reunião do grupo dos comensais havia sido na noite anterior, mas a dor ainda o incomodava como se Black tivesse sido marcado há poucos minutos. Pior que a dor física era somente a certeza de que aquela marca carregava um significado sombrio e profundo que Regulus não sabia se podia aceitar.

Depois de ter perdido Alexia, Black imaginou que aceitaria qualquer destino infeliz que a vida lhe reservasse. A Marca Negra, no entanto, lhe colocava em um caminho sem volta. Regulus simplesmente não sabia se conseguiria viver em paz com a própria consciência depois que começasse a cumprir as ordens de Lord Voldemort.

Por um dia inteiro, Regulus guardou apenas para si a angústia e o desespero que o assolavam, até porque não parecia existir ninguém que entenderia a sua dor. Sua família e seus “amigos” julgavam que era uma grande honra fazer parte do grupo de Voldemort e contribuir para a “limpeza” do mundo da magia.

Foi apenas no fim do dia que a sua mente ferida resgatou a lembrança de Alexia. Desde sempre, a melhor amiga era a única pessoa que o entendia, a única com quem Regulus falava abertamente sobre seus problemas e seus sentimentos.

Um abismo fora aberto entre Regulus e Alexia depois do casamento dela e do noivado dele com Winnifred, mas, ainda assim, a velha amiga de infância continuava sendo a única pessoa em quem Black confiava o bastante para desabafar.

E não parecia haver oportunidade melhor para procurar por Alexia. Graças à participação na última reunião dos Comensais da Morte, Regulus sabia que uma missão potencialmente complicada fora destinada a Avery e obrigaria o rapaz a passar alguns dias fora do país. Só a certeza de que o dono da casa não estaria presente motivou Black a procurar pelo novo lar de Alexia.

Ao contrário do que Alexia imaginou a princípio, Regulus estava sozinho na sala. Sentado num dos sofás, o rapaz a encarou com um semblante distante e visivelmente atormentado. Nem mesmo toda a elegância de seus trajes escondia o quanto Black estava destroçado por dentro.

- Lex. Eu preciso de você.

A declaração era simples, mas a entonação de Regulus deixava evidente a profundidade de seus sentimentos. Ele precisava de tudo o que Alexia podia lhe oferecer. Precisava tê-la de volta, nem que fosse por alguns momentos breves que pudessem acalmar seu coração.

- Eu tentei evitar, tentei de todas as formas. Mas eu não pude, Lex... E agora eu não sei o que eu faço.

Como aquilo era algo difícil de ser explicado com palavras, Regulus desistiu do discurso e respirou fundo antes de estender o braço esquerdo. Com a mão direita, Black ergueu as mangas do casaco e da camisa, exibindo a pele pálida de seu antebraço. A Marca Negra manchava a pele de Regulus de forma sombria e as bordas avermelhadas e doloridas da imagem mostravam que o rapaz se tornara um Comensal da Morte há pouco tempo.
avatar
Regulus Black

Mensagens : 121
Data de inscrição : 30/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Qui Abr 14, 2016 2:43 am

Os dois jovens não tiveram muito tempo para terminarem de esclarecer aquela discussão. Logo a movimentação na casa dos Weasley se tornou mais intensa e obrigou Emmeline e Severus a retornarem para a reunião antes que alguém notasse o sumiço de ambos.

Embora estivesse se esforçando para participar das pautas selecionadas por Albus Dumbledore, Jenner não conseguia evitar que a sua mente se distraísse com as palavras trocadas no quintal dos Weasley.

É claro que Emmeline não estava feliz por ter tido a primeira briga mais séria com Snape, mas ela precisava admitir que fora uma discussão necessária. Agora a curandeira se sentia ainda mais segura naquele relacionamento com a certeza de que os sentimentos de Severus por Lily tinham ficado no passado.

Ao fim da reunião, como de costume, Molly ofereceu um jantar aos amigos. A dona da casa se mostrou um pouco chateada quando Jenner se esquivou do convite, mas acreditou facilmente que a curandeira estivesse ocupada com alguns assuntos mais urgentes do Mungus. A Sra. Weasley jamais imaginaria que os planos de Emmeline não incluíam as suas obrigações no hospital.

Como o professor nunca ficava para jantar, ninguém pareceu estranhar quando Snape se retirou silenciosamente ao fim da reunião. Nenhum dos membros da Ordem da Fênix jamais pensaria que Severus Snape e Emmeline Jenner partiriam juntos naquela noite.

Talvez o lado mais positivo daquela primeira briga fosse a reconciliação que se seguiu a ela. Quando aparataram juntos para o apartamento de Jenner, os dois jovens planejavam terminar a conversa interrompida pela reunião e esclarecer de uma vez a complicada situação que estavam vivendo.

Contudo, as palavras foram deixadas de lado naquela noite e a reconciliação foi selada com gestos e ações. O ponto positivo na personalidade difícil de Severus e no seu distanciamento das pessoas era que, naquela noite, ninguém notaria que o professor de Poções não retornou para dormir em seus aposentos em Hogwarts.

Como o apartamento de Jenner era minúsculo, por mais que a curandeira tentasse ser cuidadosa e silenciosa, os sons da cozinha ecoaram facilmente até o quarto naquela manhã. Emmeline se esforçara para não importunar o sono de Severus, mas não se sentiu culpada quando o professor apareceu na cozinha com o rosto amassado e os cabelos bagunçados.

- Desculpe. Eu juro que tentei me segurar, mas estava com muita fome!

Certa vez Jenner dissera que não era muito habilidosa na cozinha e ali estava a prova. Alguns feitiços domésticos foram usados para preparar o café e os ovos mexidos. As torradas também pareciam ótimas, assim como a geleia e o bolo já postos sobre a mesa. Mas um furacão parecia ter passado pela pia e havia gotinhas de café respingadas até no teto da cozinha.

Naquela manhã, Emmeline havia substituído a camisola pela camisa de Severus. Graças à diferença nas alturas, a peça alcançava a metade de suas coxas, servindo-lhe como um vestido. O aquecimento do apartamento permitia que Jenner ficasse confortável mesmo estando descalça. Os cabelos atrapalhados tinham sido presos num coque displicente, que combinava com seus traços ainda sonolentos. Apesar do cansaço, contudo, o sorriso de Emme esbanjava uma felicidade genuína.

- O que você acha? – a loira colocou um pouco dos ovos mexidos numa colher e a ofereceu aos lábios do professor – Um pouco mais de sal?
avatar
Saphir Wegener

Mensagens : 91
Data de inscrição : 26/03/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Qui Abr 14, 2016 3:39 am

Antes mesmo que Regulus abrisse a boca, Alexia pôde ver nas íris cinzentas a dor que o melhor amigo estava vivendo. Ela conhecia o caçula dos Black há tanto tempo que sequer se lembrava como aquela amizade havia começado, e arriscaria dizer que conhecia ele ainda melhor do que conhecia a si própria. Era exatamente por isso que a Sra. Avery sentiu o próprio coração despedaçar ao ver a tristeza do rapaz a sua frente.
 
Nos poucos segundos que passaram até que a Marca Negra fosse revelada, um milhão de cenários trágicos haviam passado pela cabeça de Alexia, mas ela teve certeza que nenhum deles era tão terrível quanto a cruel realidade.
 
O chão pareceu sumir sob seus pés e a sala girou por um instante. A boca de Alexia ficou seca e os olhos azuis estavam cravados na imagem assombrosa que manchava a pele pálida de Black, sem que ela conseguisse se mexer, sentindo todo o corpo petrificado.
 
Vinda de uma família tradicional de sangue-puro e casada com um Comensal da Morte, a Sra. Avery estava perfeitamente acostumada com aquele lado sombrio da guerra. Embora jamais tivesse se envolvido nos assuntos do marido, também nunca havia se colocado do outro lado do muro. Para alguém como ela e Regulus, aquela opção simplesmente não existia.
 
Para Alexia, era mais fácil simplesmente se manter afastada de uma posição tão radical. As famílias se orgulhavam das filhas que se aliavam a Lord Voldemort, mas não julgavam as esposas que preferiam se manter em segundo plano. Entretanto, ela sabia que a cobrança para Regulus ou Jackson era completamente diferente. Ou se abraçava aquela causa como sua, ou era considerado um traidor do próprio sangue.
 
Ao contrário do Sr. Avery, Regulus nunca havia desejado aquele destino tão sombrio. Era por saber que aquele era o maior pesadelo do melhor amigo, que Alexia se sentia tão aflita, tomando para si as dores do caçula dos Black.
 
Quando finalmente sentiu o controle do próprio corpo, Alexia cambaleou os primeiros passos na direção de Regulus e se agachou diante dele. Seus joelhos expostos pelo vestido que alcançava só a metade de suas coxas roçaram diretamente no tapete, mas aquele incômodo era praticamente inexistente diante da dor que sufocava sua garganta.
 
Suas mãos procuraram os dedos de Regulus, segurando-os com carinho, desejando a todo custo que pudesse diminuir o sofrimento dele. Em nenhum momento Alexia desviou sua atenção dos olhos acinzentados.
 
- Está tudo bem, Reg. Vai ficar tudo bem, eu prometo.
 
Quando Black tentou desviar o olhar, Alexia ergueu uma mão e o segurou pelo queixo, obrigando a manter o contato visual. Seu semblante era sério, mas a voz também falhava com o nó em sua garganta.
 
- Isso não muda quem você é. Nós dois sabemos muito bem disso, está bem? Você é muito mais do que essa marca, Regulus.
 
Como se aquilo pudesse resolver todos os problemas, Alexia levou seus dedos trêmulos até a camisa amarrotada de Regulus e puxou a manga novamente até o pulso, escondendo a Marca Negra. Embora estivesse acostumada com aquela visão, já que Jackson tinha uma idêntica, ela queria evitar que Black continuasse encarando a causa de seu sofrimento.
 
Seus dedos deslizaram pelo tecido caro até pousarem na palma da mão de Regulus, acariciando-a em uma tentativa de acalmá-lo.
 
Alexia sentia todo o seu corpo tremer, mas estava com os dentes trincados, respirando pesadamente pelo nariz enquanto tentava manter o controle. Os dois já haviam sofrido demais em prol de suas famílias. A renúncia daquele amor já havia sido amarga demais para suportar, mas a Sra. Avery não conseguia suportar ver o amigo se afundando daquele jeito.
 
Sua posição naquela guerra era completamente inútil, mas Alexia também não era completamente ignorante. E embora coragem não fosse uma característica marcante em sua personalidade, o desejo de acabar com o sofrimento de Regulus lhe dava o impulso necessário para abraçar uma loucura.
 

- Nós vamos dar um jeito. – Alexia sussurrou, mantendo as mãos de Regulus firmes nas suas. – Você confia em mim? Eu prometo que vamos dar um jeito, estou bem aqui, Reg. Não vou deixar você sozinho.
avatar
Alexia Romanoff

Mensagens : 89
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Qui Abr 14, 2016 4:11 am

O apartamento de Emmeline era pequeno, mas Severus também não estava acostumado com luxo. Sua minúscula casa localizada em um bairro trouxa era simples, apesar de extremamente organizada, porém não parecia tão acolhedora quanto o lar da curandeira.
 
Embora tivesse dificuldades para dormir em uma cama que não fosse a sua e em um lugar que nunca havia visto antes, o cansaço que abateu Snape foi suficiente para que ele relaxasse com Jenner em seus braços. Snape não se recordava de já ter dividido a cama com outra mulher antes, por uma noite inteira de sono, mas ele duvidava que qualquer outra pessoa fosse lhe despertar tanto conforto quanto Emmeline.
 
A lufana tinha uma incrível habilidade de lhe desarmar e cada carícia trocada ao longo da noite havia sido natural, movida pelo instinto e desejo. A briga da noite anterior já estava completamente esquecida, e parecia ter funcionado como uma motivação a mais para que os dois mergulhassem nos sentimentos intensos.
 
Severus se sentia tão à vontade que, quando a manhã finalmente chegou, ele acordou em um sobressalto, apalpando o colchão ao lado quando o encontrou vazio. Seu coração se espremeu ao perceber a ausência de Emmeline e por um instante pessimista, ele chegou a cogitar a possibilidade de que a curandeira havia escapado propositalmente daquele momento mais íntimo.
 
Atraído pelos ruídos da cozinha, Snape deixou os lençóis amarrotados e não se importou em seguir pelo corredor sem camisa. A calça havia sido encontrada aos pés da cama e foi vestida sem cinto, fazendo com que a peça caísse em seus quadris folgadamente.
 
Embora jamais tivesse praticado um esporte, Severus tinha o corpo magro e bem desenhado. Seus braços eram longos e bem definidos, assim como seu peitoral. Os cabelos compridos estavam desalinhados e amarrotados, mas mesmo com a expressão de sono, os olhos negros logo enxergaram Emmeline com perfeição.
 
Snape sentiu seu estômago dar a familiar cambalhota gostosa no instante em que o rosto de Jenner entrou em seu campo de visão. Ela não precisava estar bem vestida ou maquiada para ser atraente. Era assustador como, mesmo bagunçada e natural, a curandeira conseguia ser ainda mais bonita.
 
Pego de surpresa com aquela visão, Severus permaneceu parado na entrada da cozinha, tentando memorizar aquela cena que ele jamais acreditou que fosse viver. No instante em que Emmeline recuperasse a sanidade, aquela lembrança estaria gravada em sua memória, sendo sua única ponte de felicidade.
 
Embora Jenner desse todas as provas de que estava tão envolvida naquele relacionamento quanto ele, era quase impossível para o professor de Poções acreditar que aquilo duraria para sempre. Era simplesmente fantasioso demais acreditar que tivera tanta sorte.
 
Seus olhos negros brilhavam quando Emmeline se aproximou, e aproveitando aquela curta distância, Severus apoiou sua mão no quadril dela, sentindo a textura da própria camisa. Intimamente ele agradeceu aos céus por ter escolhido um pano tão fino, que lhe permitia sentir com perfeição as curvas da curandeira.
 
Aquele sonho só foi quebrado no instante em que Severus provou os ovos que lhe eram oferecidos. Seu olhar apaixonado se contorceu em uma careta e ele engasgou alguns segundos antes de conseguir falar.
 
- Definitivamente não precisa mais de sal.
 
A decepção nos olhos de Emmeline foi tão evidente que Snape se apressou em tirar a colher das mãos dela e depositou o objeto sobre a mesa. Seus braços a rodearam pela cintura, puxando para um abraço.
 
- Não se preocupe, não sou fã de ovos. – Sua cabeça foi levemente inclinada na direção da farta mesa e ele completou, um preguiçoso sorriso brincando em seus lábios. – Mas tenho certeza que conseguimos salvar alguma coisa desse banquete.
 
Embora também estivesse faminto, Severus se via incapaz de se soltar de Emmeline. Ele a rodopiou em seus braços até que a curandeira estivesse de frente para a farta mesa, mas mantendo-a firme em seu abraço.
 
Seus lábios imediatamente procuraram a curvatura do pescoço da lufana, exposta pelos cabelos presos. A trilha de beijos foi depositada até que seus lábios repousassem sobre a orelha delicada de Emmeline.
 
- Você fez mais comidas que os elfos de Hogwarts. Eu espero de verdade que você não esteja esperando visitas.
 
Suas mãos apertaram suavemente a cintura de Emmeline, impedindo que a curandeira se afastasse um único centímetro. Snape se inclinou para frente até capturar os lábios dela em um beijo rápido e delicado, antes de completar com o brilho nos olhos negros.
 

- Como você sabe, eu não sou muito sociável. Além do mais, tenho a ligeira impressão de que perdi a minha camisa.
avatar
Severus Snape

Mensagens : 87
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Qui Abr 14, 2016 11:43 pm

Depois de pensar muito no relacionamento que começava a ser construído com Severus Snape, Emmeline chegou a uma conclusão. É claro que ela admirava as qualidades do sonserino e convivia bem com os seus defeitos. Mas o que realmente fazia com que Jenner se apaixonasse cada dia mais pelo professor era a certeza de que Snape era outro homem quando estava com ela.

Na intimidade daquele relacionamento, Severus deixava de ser o sonserino ácido e pessimista, sempre disposto a fazer comentários depreciativos. Somente para Emmeline, Snape mostrava que conseguia pronunciar palavras doces, que era capaz de fazer piadas gentis e que sabia se comportar de forma romântica e apaixonada.

Mesmo que a realidade cruel do mundo tivesse obrigado Jenner a parar de acreditar em contos de fadas, a convivência com Snape fazia com que a curandeira se lembrasse constantemente da velha história em que um sapo se transformava em um príncipe perfeito depois de um beijo de amor.

- Está parecendo um velho resmungão, Sev. – a loira implicou docemente com Snape – Você fica ótimo sem a camisa e ela ficou perfeita em mim. Portanto, nós vamos deixar as coisas como estão.

Por mais tentadoras que fossem as carícias do professor, o estômago de Emmeline não permitiria que ela se deixasse levar pelos beijos de Snape naquela manhã. Não antes do café da manhã, pelo menos.

Os ovos estavam péssimos e não parecia haver nenhuma forma de salvá-los depois que Emmeline usou praticamente três vezes mais a quantidade recomendada de sal. Mas a curandeira havia acertado com as torradas e o café. Como o bolo, a geleia e as tortinhas tinham sido comprados prontos, também poderiam ser degustados sem medo.

- Vai deixar que eu te sirva desta vez? Acho que será mais seguro, hm?

Jenner brincou enquanto servia o café em duas canecas, referindo-se ao episódio em que Severus queimara os dedos em Hogwarts.

Há alguns meses, Emmeline não planejava trazer ninguém para a sua vida. Seu plano era retornar para o Reino Unido somente para coroar seu currículo com uma temporada de trabalho no St. Mungus. Agora, contudo, nada parecia mais certo do que viver aquele romance com Severus Snape. O sonserino surgira da forma mais improvável possível na vida de Jenner, mas viera acompanhado de uma felicidade que Emme imaginou que nunca mais sentiria.

- Você não tem o direito de reclamar, Sev, eu não te enganei. Desde o começo, deixei bem claro que minhas habilidades com feitiços domésticos são nulas. – a loira deu uma mordida na torrada antes de completar – Mas, para compensar, eu conheço os melhores estabelecimentos do Beco Diagonal. Prove a tortinha...

Jenner pegou uma das tortinhas, levou aos lábios de Snape, e esperou que o professor a mordesse. De fato, o sabor era bastante agradável. A massa macia estava bem assada e a cobertura era feita com açúcar e canela.

- Comprei naquela lojinha ao lado da Floreios e Borrões. O bolo também é de lá, passei no Beco ontem depois do trabalho.

Antes que Severus pudesse argumentar o quanto era arriscado para uma bruxa nascida trouxa perambular pelo Beco Diagonal à noite, Emmeline acrescentou.

- Fica na área central do Beco, bem longe da Travessa do Tranco. – Emmeline suspirou e deu de ombros – Eu sei que é arriscado. Mas tudo é arriscado hoje em dia, Sev. Eu só estaria totalmente segura escondida em uma caverna bem distante da Europa. Mas não estou disposta a deixar de viver por medo.

O otimismo lufano logo apareceu no discurso da loira.

- Nós vamos vencer esta guerra. Logo tudo voltará ao normal.
avatar
Saphir Wegener

Mensagens : 91
Data de inscrição : 26/03/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Veritaserum

Mensagem por Regulus Black em Sex Abr 15, 2016 3:11 am

Era tolice tapar a Marca Negra com a manga da camisa escura e esperar que aquele gesto amenizasse o sofrimento de Regulus. A dor ainda fazia o braço do rapaz arder e pulsar ao mesmo tempo em que a marca de Voldemort parecia se aprofundar mais a cada segundo na carne e nos ossos do seu novo Comensal da Morte. Regulus Black agora era um homem marcado e não parecia haver nada que amenizasse essa cruel realidade.

Pela primeira vez, as palavras de Alexia soaram vazias nos ouvidos de Black. Não fazia o menor sentido dizer que tudo ficaria bem. Regulus sabia que havia dado o primeiro passo na direção de um precipício e, dessa vez, nem mesmo a melhor amiga poderia salvá-lo.

Apesar dessa certeza, a companhia de Alexia ainda era o único consolo que o comensal desejava ter. As palavras dela não faziam sentido, mas o timbre de sua voz o acalmava, o cheiro do perfume conhecido era um agradável presente em meio a tanta tortura.

- Desculpe por isso, Lex. – um suspiro pesado escapou dos lábios de Regulus – Em imagino que você já tenha os seus problemas. E talvez você não veja isso da mesma forma que eu...

Depois de tantos dias sem nenhum contato com a melhor amiga, Black realmente não saberia dizer qual era a posição de Alexia diante daquela guerra. Antigamente, assim como Regulus, a moça preferia se manter numa zona neutra e segura, sem defender nenhum dos lados daquela batalha. Agora, contudo, depois de ter se casado com um Comensal da Morte, havia a chance de Alexia ter escolhido um lado e de não compreender todo o desespero que Black sentia com a Marca Negra.

- Na verdade, eu não sei se foi uma boa ideia vir até aqui. – depois de uma pausa, Black concluiu com sinceridade – Mas a verdade é que eu não tinha outro lugar para ir.

Mesmo agora que fazia parte de um grupo, Regulus sabia que não podia confiar nos novos “amigos”. Muito menos para fazer aquele tipo de desabafo e manifestar toda a sua insatisfação com o posicionamento dos seguidores de Voldemort naquela guerra.

Apesar da insegurança, Regulus não conseguiu evitar de entrelaçar seus dedos aos de Alexia. A simples presença dela era um consolo para o seu coração aflito.

- Eu não quero te causar problemas, Lex. Aliás, a última pessoa que eu desejaria prejudicar é você. Por favor, não se envolva nisso. Você tem a escolha que eu não pude ter.

Os olhos cinzentos buscaram pelo rosto da Sra. Avery e, com a mão livre, Regulus não resistiu à tentação de deslizar os dedos carinhosamente pelas bochechas macias da melhor amiga.

- Eu só precisava desta conversa e agradeço por ter me ouvido. Agora, para a segurança de todos, é melhor que esqueçamos que este encontro aconteceu.
avatar
Regulus Black

Mensagens : 121
Data de inscrição : 30/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Sex Abr 15, 2016 3:38 am

A cena que acontecia na cozinha de Jenner poderia fazer parte da rotina de diversos casais e visto com naturalidade na maioria dos relacionamentos, mas para Severus era tão anormal que parecia pertencer a vida de outra pessoa, como se ele só estivesse ocupando aquele lugar temporariamente.
 
Mesmo que estivesse incomodado com aquela pontada pessimista que jamais lhe abandonava, Snape precisava admitir que estava apreciando aqueles momentos ao lado de Emmeline. A lufana o fazia se sentir mais leve, mais feliz e tinha a incrível habilidade de lhe fazer sorrir sem que ele se desse conta.
 
Severus ainda mastigava um pedaço da tortinha, fazendo um movimento de aprovação com a cabeça, quando as últimas palavras da curandeira lhe atingiram em cheio. Seu semblante se tornou mais sério e os olhos mais escuros. Como se um dementador tivesse se aproximado, o professor de poções sentiu seu peito se espremer, jogado de volta na realidade cruel daquela guerra.
 
Não importava o que Emmeline dissesse. Snape continuava achando pouco seguro uma bruxa nascida trouxa perambular livremente, como se as ruas não fossem tão perigosas quanto realmente eram.
 
Assim como a maioria dos membros da Ordem da Fênix, Jenner preferia seguir seus dias como se o país não vivesse seus tempos mais sombrios. Mas Severus, que lidava diretamente com a crueldade dos Comensais e a falta de limites de Lord Voldemort, não conseguia ser tão otimista.
 
Pela primeira vez, a personalidade positiva de Emmeline causou desagrado em Snape. Por mais que tivesse aprendido a admirar aquela qualidade da lufana, ele preferia que Jenner tivesse os pés no chão ao lidar com aquela delicada situação.
 
Já sem sombra do sorriso nos lábios e da leveza de segundos antes, Severus apoiou os cotovelos sobre a mesa, as mãos cruzadas sobre o queixo, e encarou Emmeline com seriedade.
 
- Esta guerra está longe de ser vencida, Emmeline. Não seja tão imprudente.
 
A possibilidade de ter Emmeline como uma das vítimas daquela guerra provocava calafrios em todo o corpo de Snape. Como se temesse que a curandeira fosse desaparecer no segundo seguinte, ele esticou a mão por baixo da mesa até tocá-la no joelho, apertando levemente a pele macia.
 
- Eu já vi coisas terríveis. Nenhum Comensal vai te poupar só porque você “quer seguir com a sua vida”. Isso apenas servirá para você ser pega desprevenida.
 
Parecia um discurso pessimista, mas Snape acreditava em cada palavra do que dizia. Embora lutasse a cada dia para que aqueles tempos sombrios chegassem ao fim, ele via pouco progresso para derrotar o lado das trevas. Com o passar do tempo, as pessoas pareciam temer ainda mais com as manchetes terríveis que cobriam os jornais e o sangue que manchavam suas calçadas.
 
- Me prometa que você não vai se arriscar. Nem por uma tortinha, nem por ovos de fada.
 
A lembrança da lufana o acompanhando até o bairro trouxa provocou um novo calafrio. Acreditar que Jenner havia sido tão inocente a ponto de acompanhar sozinha um Comensal da Morte para um lugar desconhecido lhe despertava um grande mal-estar enquanto sua mente produzia novos cenários terríveis.
 

- Fique o quão distante você conseguir de tudo isso, Emme. Consegue fazer isso por mim?
avatar
Severus Snape

Mensagens : 87
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Sex Abr 15, 2016 4:01 am

Embora possuísse todas as qualidades de um lufano – e consequentemente a maioria dos defeitos dos alunos de Helga Hufflepuff – Emmeline Jenner não era uma tola. Depois do destino terrível de seus pais, é óbvio que Emmeline não permitia que o otimismo da Lufa-Lufa a cegasse contra os perigos daquela guerra. A grande questão era que não havia muito a ser feito e, eventualmente, Jenner preferia se arriscar ao invés de tornar-se prisioneira dentro da própria vida por medo do que poderia lhe acontecer.

A diferença era que, até há alguns meses, Jenner não dava tanto valor ao próprio destino. A tragédia com a sua família e o fato de ter se afastado dos amigos faziam com que Emmeline concluísse que ninguém sofreria com a sua morte e que a sua sobrevivência não faria diferença para o mundo da magia.

Agora, tudo mudara. A curandeira estava de volta à Inglaterra, recuperara alguns amigos e sentia-se muito mais útil como parte da Ordem da Fênix. E, claro, agora Emmeline tinha Snape e voltara a tecer planos para um futuro mais feliz.

E as palavras sérias de Severus pareciam fazer muito sentido. Era uma grande tolice arriscar-se por tortinhas em um mundo onde bruxos como ela eram caçados e mortos como animais.

- Tudo bem, você tem razão. Eu vou programar com mais cuidado as minhas visitas ao Beco Diagonal.

Já sem o sorriso leve que estava estampado em seu rosto há alguns minutos, Emmeline ergueu a caneca e tomou um gole do café, sentindo a bebida quente descer por sua garganta. Era muito incômodo pensar que Severus conhecia com propriedade a rotina e os pensamentos dos comensais. Por mais que ele estivesse se arriscando naquele trabalho altamente perigoso de espião, Snape continuava sendo um dos homens que caminhava ao lado de Voldemort naquela guerra e que obedecia às ordens dele.

Definitivamente, Jenner não queria saber detalhes das ordens que Severus já fora obrigado a cumprir para manter o seu disfarce em segurança. Um arrepio percorria o corpo dela quando a curandeira imaginava a varinha de Snape erguida contra um nascido trouxa.

E a sensação chegava a ser sufocante ao pensar que, algum dia, Severus poderia se ver obrigado a fazer aquilo contra ela. Sem dúvida, a prudência de Jenner evitaria que os dois fossem obrigados a viver tamanha tortura no futuro.

- Não se preocupe, está bem? Serei mais cuidadosa a partir de agora, Sev.
avatar
Saphir Wegener

Mensagens : 91
Data de inscrição : 26/03/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Veritaserum

Mensagem por Alexia Romanoff em Sex Abr 15, 2016 4:07 am

Alexia franziu a testa em uma reação de confusão, uma ruga se formando entre suas sobrancelhas. Mesmo ainda estando agachada diante do melhor amigo, ela arqueou o tronco alguns centímetros apenas para conseguir enxerga-lo melhor, tentando desvendar o significado por trás de suas palavras.
 
Desde que se entendiam por gente, os dois compartilhavam todos os pensamentos e simplesmente não havia algum assunto que não poderia ser tocado. A reação de Black era no mínimo espantosa para Alexia. Para a jovem, não importava o quão complexo seu caminho havia se tornado, Regulus sempre poderia encontrar nela um porto seguro.
 
- Essa marca estúpida afetou o seu cérebro também, Regulus?
 
Alexia sabia que não era o momento de ser indelicada com o melhor amigo, mas se sentia ofendida demais com a reação dele para controlar a própria língua. Com um suspiro, Alexia se colocou de pé e cruzou os braços, encarando Regulus de cima.
 
- Quando você vai entender que se você está envolvido, eu também estou? Eu não estou sendo só otimista quando digo que vamos dar um jeito. Nós vamos resolver esta situação. Nem que eu tenha que acabar com esta guerra estúpida pessoalmente.
 
A Sra. Avery precisou morder a própria língua ao perceber que estava se exaltando. O olhar do Black caçula ainda mostrava toda dor que ele sentia, e sua intenção não era piorar ainda mais aquele momento delicado.
 
Além do mais, mesmo com todos os problemas, ele havia procurado a ela para desabafar. Era Alexia que havia passado ao lado de Regulus em seus piores momentos. Apenas a caçula dos Romanoff sabia tudo que o rapaz havia passado quando Sirius havia deixado a casa dos pais, e só Alexia entendia o que ele sentia ao ver o irmão preferir estranhos do que a própria família.
 
Mesmo diante daquele pesadelo, era reconfortante saber que Regulus ainda pensava nela quando precisava de um ombro amigo. Não era ninguém mais, nem mesmo Winnifred havia roubado seu lugar especial.
 
Com um semblante mais suave, Alexia deu dois passos até parar diante da poltrona de Regulus. Seus braços se ergueram e ela tocou os fios negros de Black, deslizando os dedos até desfazer o belo penteado. Como uma mãe que enlaça seu filho, a Sra. Avery puxou o rosto de Black até que estivesse encostado em seu ventre e o acariciou no rosto, desejando minimizar aquela dor.
 

- Os seus problemas também são meus, Reg. Como você pode achar que tenha sido uma má ideia me procurar? Eu vou sempre estar aqui, quando você precisar.
avatar
Alexia Romanoff

Mensagens : 89
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Veritaserum

Mensagem por Severus Snape em Seg Abr 18, 2016 12:49 am

Embora as palavras de Emmeline soassem sinceras e sua expressão mostrasse que ela realmente havia considerado o perigo levantado pelo professor, Snape não conseguiu se sentir inteiramente relaxado.

A semente daquele perigo já havia nascido em sua mente e ele tinha a ligeira impressão de que ficaria remoendo os piores cenários fantasiosos em sua cabeça sempre que Jenner estivesse fora do alcance de suas vistas.

Poderia ser extremamente pessimista, mas Severus sabia que ninguém estava a salvo naquela guerra, e as maiores vítimas eram pessoas exatamente como a curandeira. Seu coração se apertava ao pensar que ele precisaria voltar a Hogwarts e Emmeline ficaria completamente desprotegida para andar pelas ruas. Embora não pudesse exatamente ficar ao seu lado todo o tempo, parecia ser ainda mais terrível ficar longe.

Era novo na vida de Snape se preocupar com outra pessoa. Exatamente por ser tão indiferente aos perigos daquela guerra, arriscando a própria vida, ele finalmente tinha alguém, e era o pior sentimento do mundo aquele medo de perder a lufana, ainda mais se o motivo fosse a estúpida batalha para purificar o sangue bruxo.

Como se Emmeline já estivesse em perigo, Severus ergueu a mão de seu joelho até tocar os dedos delicados dela, pousados sobre a mesa. Seu semblante estava sério, quase sombrio, enquanto os olhos negros se fixaram no rosto de Jenner.

- Eu não suportaria que nada acontecesse a você, Emme.

As palavras saíram quase sufocadas de sua garganta, mas tinham vida própria, como se ele não tivesse pensado nelas até finalmente tê-las jogadas no ar, demonstrando o teor de seus pensamentos.

Durante alguns segundos, Snape permaneceu travado em seu lugar, a coluna reta e sem conseguir respirar. Ele precisou de uma pequena pausa antes de se inclinar para frente e capturar os lábios de Emmeline, se deixando levar pela declaração.

Após o delicado assunto, o café da manhã foi tomado em um silêncio que não combinava com a noite romântica vivida entre o casal. Quando seu prato já estava inteiramente vazio e a curandeira se antecipou para limpar, Snape a segurou pelo pulso, impedindo de continuar aquela tarefa.

Mais uma vez, Severus estava sério, mas seus olhos negros estavam tomados por um brilho intenso quando ele se ergueu e puxou Emmeline pela cintura. A cada segundo que passava ele estava mais ciente de quanto estava envolvido com a curandeira.

Não estava em seus planos se apaixonar, ainda mais por uma lufana nascida trouxa que parecia ser o oposto em cada uma de suas características. Mas a felicidade e o prazer de estar com Jenner eram suficientes para que Severus deixasse de lado a complexidade daquele relacionamento, se permitindo aquela tranquilidade em sua vida pela primeira vez.

Snape enfiou os fios nos cabelos loiros completamente bagunçados e segurou Emmeline pela nuca. Sem dizer uma única palavra, ele se inclinou para iniciar um beijo intenso. Seu corpo estava colado ao da curandeira, e Jenner precisava se curvar levemente pela força que Severus usava para mantê-la unida a si.

O calcanhar descalço de Emmeline deixou de tocar o chão quando ela ficou na ponta dos dedos, mergulhada nas carícias iniciadas por Severus. Agora que a fome não era mais um obstáculo, e já envolvidos com as declarações, o casal pôde novamente se entregar a uma série de beijos e abraços, ignorando por mais algumas horas o restante do mundo.

Quando o mestre de poções finalmente deixou o apartamento de Emmeline, ao invés de seguir seu caminho para Hogwarts, ele apareceu com um estalido em uma das ruas vazias da Travessa do Tranco.

Se as pessoas já tinham extremo cuidado em visitar o Beco Diagonal, aquelas ruas abarrotadas de lojas sombrias e duvidosas ficavam ainda mais desertas, normalmente ocupadas apenas por figuras suspeitas que passavam sem olhar muito para os lados.

A Burgin and Burkes estava tão silenciosa que Snape chegou a pensar por um momento que nem mesmo um atendente estaria atrás do balcão, quando um velho de dentes podres apareceu, um pano sujo em seus dedos limpando a superfície de vidro.

Seu olhar era desfocado, mas ao mesmo tempo pareciam extremamente atentos quando Snape entrou, seu casaco negro com alguns respingos de uma chuva que havia começado a cair.

Sem enrolação, Snape parou diante do homem e olhou rapidamente pelos objetos que estavam expostos. Ao não encontrar o que queria, ele encarou o atendente.

- Você tem o bracelete de Alfeu?

O velho permaneceu parado, o pano firme em seus dedos, e tempo demais havia passado quando Snape estava certo de que não teria uma resposta, duvidando até que o homem tivesse lhe estucado. Ele lambeu os lábios secos e caminhou, arrastando os pés, até uma caixinha preta depositada sobre uma cômoda atrás do balcão.

A caixinha foi colocada diante de Snape e aberta. As unhas sujas do velho apontaram para a pequena notinha que indicava o preço do objeto. Era uma pequena fortuna que um professor de poções não poderia se dar ao luxo, mas sem hesitar, as moedas foram retiradas de seu bolso e trocadas pelo objeto.

O dia já chegava ao fim quando Snape aparatou, sob uma forte chuva, diante do prédio que ele estivera durante a manhã. O curto espaço que precisou correr para atravessar a rua foi suficiente para molhar seus cabelos, fazendo-os grudar no maxilar. Sempre olhando por cima dos ombros e tomando o extremo cuidado de não ser visto, Severus seguiu para o apartamento de Emmeline.

Após as batidas na porta, Emmeline abriu com uma rapidez que fez o professor de poções torcer o nariz. Assim como era ele, poderia ser um Comensal que não tivesse tantas boas intenções.

- Você definitivamente precisa ser mais cuidadosa.

Ele resmungou enquanto entrava na sala sem ser convidado, sem se importar se era uma surpresa para a curandeira que ele tivesse voltado em tão pouco tempo. Os olhos negros percorreram a sala, para garantir que os dois estivessem a sós, e ele logo esticou para Jenner a caixinha comprada na Borgin and Burkes.

- Enquanto conversávamos hoje cedo, eu me lembrei disso.

A caixinha foi aberta, revelando uma delicada joia. Aos olhos de qualquer um, parecia uma delicada pulseira de ouro, com pequenos pingentes de enfeite. Junto dela, havia um anel masculino, ligeiramente mais grotesco.

- É o bracelete de Alfeu. – Ele explicou, e ao ver que as palavras continuavam sem significado para a curandeira, continuou. – É um objeto encantado. Os dois são conectados. A pulseira é para você, e o anel para mim. Se você estiver em perigo, é só tocar um dos pingentes e o anel vai me alertar.
avatar
Severus Snape

Mensagens : 87
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Veritaserum

Mensagem por Regulus Black em Ter Abr 19, 2016 1:02 am

Quando Alexia se colocou de pé, Regulus teve que erguer a cabeça para continuar encarando a amiga. Por mais que já estivesse bastante acostumado ao gênio forte da filha dos Romanoff, o coração de Black sempre dava uma cambalhota gostosa quando Alexia mostrava aquele lado mais ácido de sua personalidade. Era impressionante como a moça conseguia ficar ainda mais bonita com a expressão irritada.

- Eu gostaria muito de saber como você pretende acabar com esta guerra pessoalmente...

Embora não fosse exatamente uma boa hora para piadas, Regulus se permitiu fazer aquela brincadeira para suavizar um pouco a tensão gerada por aquela conversa mais séria.

- Vamos marcar um duelo entre Dumbledore e Voldemort e, quando os dois chegarem ao ponto do encontro, você acaba com eles? Parece uma boa ideia, quais são as chances de dar errado?

O herdeiro dos Black se deixou puxar para aquele abraço e, por um momento, deixou que a sua mente esquecesse que Alexia agora era a Sra. Avery. Naquele momento, ela era apenas a velha Alexia de quem Regulus precisava, com suas explosões, com o calor de seus braços, com o perfume delicioso que nunca saía da memória do rapaz.

- Desculpe. Eu me expressei mal, Lex. Eu sei que ainda posso contar com você para qualquer coisa. Assim como você também pode contar comigo...

Depois de uma breve pausa, Regulus se colocou de pé. A proximidade entre os dois jovens se manteve e, ainda se esforçando para esquecer que estava na casa dos Avery, Black levou as mãos até a cintura de Alexia. Seus dedos a comprimiram com suavidade, sentindo a maciez da pele sob o tecido fino.

- Mas eu realmente prefiro que você não se envolva diretamente nisso, Lex.

A seriedade refletida nas íris cinzentas mostrava o quanto aquele assunto era grave para Black. Por mais que ela estivesse um pouco familiarizada com a rotina de um Comensal da Morte, Alexia e as outras esposas que não participavam ativamente da guerra não tinham a menor dimensão do quão baixo podia chegar um seguidor de Voldemort.

- Você não percebe que isso só acrescentaria mais um problema na minha interminável lista de preocupações? Isso... – Regulus indicou o braço onde estava a Marca Negra – já é muito difícil para mim. Se acontecer com você, será simplesmente insuportável. Eu jamais me perdoaria, Lex.

Uma das mãos de Black se ergueu até que estivesse encaixada junto ao rosto da Sra. Avery. Os dedos pálidos acariciaram a pele da moça enquanto Regulus murmurava as últimas palavras.

- Não estou dispensando a sua ajuda, pelo contrário. Eu vou precisar mais do que nunca dos seus conselhos, do seu consolo. Mas quero que você aja por fora da guerra, Lex. Você definitivamente não estará me ajudando em nada se colocando na linha de frente das batalhas.
avatar
Regulus Black

Mensagens : 121
Data de inscrição : 30/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Veritaserum

Mensagem por Saphir Wegener em Ter Abr 19, 2016 2:21 am

Ao contrário do que Snape temia, Emmeline não era uma presa tão fácil daquela guerra. É claro que a doçura e a ingenuidade tipicamente lufanas aumentavam o risco de Jenner, que já não era nada desprezível. Contudo, o destino obrigou Emmeline a ser mais cuidadosa. Era uma questão de sobrevivência que evitaria que ela tivesse o mesmo fim do casal Jenner.

Exatamente por isso, a curandeira já sabia quem iria encontrar do outro lado da porta no instante em que Severus bateu. Isso explicava a rapidez com que Emmeline o atendeu, e também o sorriso largo estampado nos lábios dela. A loira, que achava que Snape já estaria em Hogwarts, não poderia estar mais feliz em vê-lo novamente. Poucas horas tinham se passado desde a despedida, mas já era o bastante para que Jenner sentisse saudades da companhia do professor.

A tranquilidade de Emmeline ao abrir a porta era facilmente explicável. O sorriso dela se alargou quando Snape resmungou que ela deveria ser mais cuidadosa. Os olhos cor de mel giraram e, sem tirar o sorriso do rosto, a curandeira apontou o relógio de cuco da sala.

Era uma peça antiga, feita com madeira nobre. Além dos dois ponteiros habituais, o relógio continha mais um ponteiro dourado que, no momento, estava apontado para o espaço entre os números 6 e 7. Exatamente na ponta do ponteiro, a madeira estava marcada com as iniciais “S.S.”. Se olhasse com mais atenção, Snape encontraria várias iniciais em diferentes pontos do relógio. O ponteiro dourado estava enfeitiçado para indicar a proximidade de pessoas amigáveis.

- Eu acrescentei você no meu relógio, Sev. Espero que não se importe.

Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, Emmeline foi surpreendida pela caixinha estendida em sua direção. A expressão dela não escondia o quanto era inesperado receber aquele presente e a curandeira ficou ainda mais boquiaberta quando retirou a tampa da caixinha e encontrou as joias.

Como nunca havia ouvido aquele termo, Emmeline precisou que Severus explicasse a função de um bracelete de Alfeu. Obviamente não era uma joia comum e a maior motivação do professor ao ofertá-la era garantir a segurança de Jenner. Ainda assim, era um presente bastante significativo.

- Obrigada. É lindo, Sev. – a curandeira acrescentou rapidamente – Eu entendi que é um presente bastante objetivo, mas não me tire o direito de achar a joia bonita.

De dentro da caixinha, Emmeline retirou a pulseira dourada e a observou com bastante atenção, admirando os pingentes delicados e o metal brilhante. Para testar o funcionamento daquele encantamento, Jenner segurou um dos pingentes entre o indicador e o polegar. Em menos de dois segundos, a pedra que adornava o anel masculino adquiriu um brilho avermelhado.

- É um presente perigoso, sabia? – a entonação de Emme deixava claro que a loira estava brincando – Eu posso usá-lo simplesmente por estar com saudades de você.
avatar
Saphir Wegener

Mensagens : 91
Data de inscrição : 26/03/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Veritaserum

Mensagem por Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Página 5 de 8 Anterior  1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo


 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum