Torneio Tribruxo

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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Cameron Lahey em Sab Fev 06, 2016 2:14 am

Era maravilhoso para o ego de Charles ouvir tantos elogios, principalmente vindo de alguém como Florence. Qualquer rapaz do castelo pagaria toda sua fortuna para estar no lugar de Weasley. Aos olhos de qualquer um que fosse capaz de enxergar, Legrand era incrível e dona de uma beleza extraordinária.

Mas a satisfação de Charlie ia muito além da aparência física da francesa. Ele precisava agradecer a Godric e todas suas gerações pelas sombras provocadas pelas altas árvores da floresta proibida, que impediam Florence de perceber como ele havia adquirido vários tons de vermelho diante dos elogios.

Os olhos azuis baixaram discretamente, evitando encará-la, enquanto um sorriso tímido surgia em seus lábios. Ouvir as próprias qualidades na voz de Florence provocava um frio gostoso em seu estômago, jamais experimentado antes.

Ele ergueu uma das mãos e afagou os cabelos loiros dela, roçando o polegar no queixo delicado e sentindo uma corrente elétrica percorrer o próprio corpo ao sentir a maciez da pele de Florence. Nem mesmo os diversos odores da vasta flora era capaz de inibir o perfume delicado de Florence, e Charlie que, quando pensasse naquela lembrança no futuro, uma característica marcante seria o cheiro gostoso dos cabelos da francesa.

No fundo, uma vozinha insistia em dizer que ele estava vivendo um sonho. Afinal, o que um rapaz como ele teria de valor para alguém como Legrand? Mas a felicidade do momento permitiu que as palavras de Florence fossem absorvidas e respondidas apenas com um sorriso que se alargava, iluminando seu rosto.

- Você é a garota mais incrível que já conheci, Flor... – Charlie sussurrou, levemente curvado para frente, o suficiente para que seu nariz roçasse na bochecha pálida de Florence. – Mas não vou ousar questionar a sua insanidade. Caso você recobre a consciência amanhã, apenas não seja muito cruel, sim?

O seu tom leve e o som da risada denunciavam que Charlie não falava sério, mas se ele desse o mínimo de atenção para a vozinha de sua mente, saberia que o receio daquele cenário ser verdadeiro realmente existia.

Até então, Florence não havia dado nenhum sinal de má índole. A personalidade doce e cativante da francesa apenas entregava a menina perfeita exatamente como Charlie imaginara. Mesmo assim, a realidade era boa demais para ser levada a sério e ele seria um tolo se não duvidasse de que no dia seguinte nada mais seria igual.

Com o coração acelerado, Charles capturou os lábios de Florence em mais um beijo intenso, mantendo o corpo pequeno colado ao seu, com os braços cumpridos e firmes. Mesmo com toda a diferença, os dois se encaixavam com uma perfeição quase assustadora, como se ninguém mais no mundo pudesse agora ocupar o lugar nos braços um do outro.

Mesmo com toda a concentração nas sensações que o beijo de Florence lhe despertava, foi um barulho de folhas sendo esmagadas há alguns metros que fez Charlie interromper um dos tantos beijos que o casal havia trocado naquela noite.

Ele precisou estreitar os olhos para enxergar a sombra quase oculta entre algumas árvores e o queixo caiu quando ele conseguiu identificar o chifre do unicórnio, completamente alheio a presença dos dois adolescentes.

Antes que Legrand tivesse a oportunidade de fazer qualquer ruído, Charlie levou o indicador até os lábios, pedindo silêncio, e com movimentos cautelosos, segurou a menina pelos ombros até que girasse o corpo dela por completo na direção do unicórnio.

Os dois estavam protegidos por uma árvore e precisaram inclinar os corpos para o lado, onde apenas as cabeças escapavam do tronco de madeira. Os olhos azuis de Charlie brilharam intensamente e ele alargou o sorriso, baixando o rosto até que seus lábios roçassem a orelha de Florence.

- Esta é a noite mais mágica da minha vida. Se eu comi alguns cogumelos estragados, por favor, não me acorde.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Sab Fev 06, 2016 2:30 am

Mesmo que o tempo em que quase perdeu o equilíbrio até o rosto de Oliver Wood entrar em foco fosse de apenas poucos segundos, Anastasia havia apagado completamente de sua mente, a consciência oscilando como peças aleatórias de um quebra-cabeça.

Ela franziu as sobrancelhas claras ao reconhecer o rosto do grifinório e inclinou os ombros para trás, olhando ao redor a procura de qualquer explicação que esclarecesse em sua cabeça como ela havia ido parar ali e o que Wood estava fazendo ao seu lado.

Na última imagem processada do goleiro da grifinória, Oliver ainda estava aos beijos com a morena da Corvinal, e aquele simples pensamento fez o estômago de Anastasia revirar. Os olhos verdes conseguiram captar a pequena movimentação onde ocorrera o jogo de vira-whisky e logo sua mente se lembrou da competição.

- Eu ganhei? – Ela perguntou em francês, ignorando os comentários de Oliver.- Eu ganhei, não ganhei?

Era impossível trazer a lembrança de uma vitória ou uma derrota, mas a preocupação daquele desafio logo foi esquecida quando Anastasia tomou consciência do calor que estava sentindo. O firewhisky era uma excelente bebida para esquentar nas noites geladas, mas as doses exageradas estavam provocando um estado quase febril.

As bochechas sempre pálidas estavam adquirindo um tom vermelho forte e gotículas de suor começavam a brotar em sua testa. Sentindo-se agoniada, Anastasia se ajeitou na cadeira e deslizou os dedos pelos cabelos loiros, puxando-os em um rabo-de-cavalo para que o ar fresco alcançasse sua nuca.

Só então as palavras de Oliver foram processadas, e Ana voltou a encará-lo, ignorando completamente a irritação que vinha sentindo nas últimas horas. Era irrelevante que ele estivesse aos beijos com outra menina, desde que ele tivesse a solução para aquele mal estar.

- Eu consigo andar. – Ela respondeu, finalmente na língua de Oliver. – Eu acho.

A testa franzida denunciava a tortura que ela estava passando pelos sintomas da bebida, mas Legrand se esforçou para unir sua mão a de Oliver, e mesmo cambaleando, conseguiu se colocar de pé.

Toda a clareira girou, mas Anastasia se segurou forte em Wood, lutando para não perder o equilíbrio. Ela fechou os olhos e respirou fundo, espremendo os lábios cada vez que seu estômago dava uma volta ameaçadora. Apenas quando se sentiu confiante, embora a vista ainda completamente turva, ela acenou positivamente para Wood, confirmando que conseguiria caminhar.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Sab Fev 06, 2016 12:54 pm

Todos já estavam tão entretidos com a festa clandestina que ocorria naquela noite que ninguém percebeu quando os protagonistas daquela comemoração se retiraram silenciosamente da clareira. Anastasia continuava de pé e caminhava com os próprios passos, mas só se mantinha firme graças ao braço de Wood que a amparava firmemente pela cintura.

Se estivesse sozinho, Oliver teria chegado ao castelo em dois minutos. Mas o rapaz precisou respeitar a limitação de Anastasia e as diversas vezes que a francesa precisou parar para recuperar o fôlego acabaram atrasando a chegada dos dois. O vento fresco que soprava naquela noite aliviava um pouco dos sintomas do firewhisky, mas os excessos cometidos por Legrand ainda cobravam da loira um preço bem caro.

Tão logo adentraram o castelo, Wood conduziu a garota na direção das masmorras. Era um risco caminhar pelos corredores escuros e silenciosos àquela hora da madrugada e Oliver sabia o quanto estariam encrencados se fossem interceptados por Filch. Mas levar Anastasia direto para a enfermaria não era a melhor opção. A enfermeira certamente os pressionaria até que alguém confessasse que acontecia uma festinha na Floresta Proibida e, neste caso, metade do castelo ficaria encrencada.

- Estamos quase lá. Só mais alguns passos.

O ar mais denso das masmorras certamente não faria bem à Anastasia. As paredes de pedra tornavam o ambiente mais frio, mas ao mesmo tempo sufocante. Por sorte, os dois de fato logo chegaram ao destino final e se viram parados diante de uma pesada porta de madeira, obviamente trancada por um feitiço.

Quando Oliver sacou a varinha e conseguiu abrir a porta na primeira tentativa, ficou provado que não era a primeira vez que o rapaz roubava alguma coisa do estoque particular do professor de Poções. Snape não parecia ser uma pessoa nada compreensiva, mas a coragem grifinória fazia com que Oliver ignorasse o tamanho do problema que teria se o professor suspeitasse daquela invasão.

- Lumus.

Com a ponta da varinha acesa, Wood iluminou o estoque do professor em busca daquilo que precisava. O cômodo era pequeno, mas estava completamente lotado com uma infinidade de ingredientes e com vários frascos de poções já prontas. Dezenas e dezenas de prateleiras se erguiam do chão até o elevado teto, fazendo ser necessária a presença de uma escada para que os níveis mais altos fossem alcançados.

- Está ali. – Wood murmurou, apontando a varinha na direção de uma das prateleiras mais elevadas – Você consegue continuar de pé por alguns segundos?

A resposta de Anastasia não foi necessária. Quando encarou a francesa, Wood a viu tão pálida que teve certeza de que as pernas de Legrand não suportariam o peso do próprio corpo se ele a soltasse. Por sorte, havia um pequeno tamborete num dos cantos da sala e foi ali que Oliver acomodou a loira antes de fechar a porta e usar a escada para atingir seu objetivo.

Quando voltou para junto de Anastasia, Oliver trazia nas mãos um pequeno frasco contendo uma poção acinzentada. Não parecia ser nada saborosa e, quando o frasco foi aberto, um cheiro forte de ervas se espalhou pelo ambiente.

Wood se agachou diante de Legrand e tinha um semblante sério quando a encarou. Se Anastasia não estivesse tão mal, certamente escutaria uma demorada repreensão pela irresponsabilidade daquela noite. Mas a prioridade do momento era exterminar aquele mal estar antes que uma visita à enfermaria se tornasse obrigatória.

- Tome tudo. – o frasco foi colocado com cuidado entre os dedos frios da loira – Isso vai fazer você se sentir melhor.

Oliver finalmente responder à pergunta que Anastasia lhe fizera, ainda na clareira.

- E você não ganhou aquela competição ridícula, Ana. Você precisa entender que ganhar não é o mais importante, que vencer nem sempre é motivo de orgulho. Você quase se matou com o objetivo de mostrar que era a melhor no vira-whisky? Definitivamente, você é inteligente demais para achar que isso é mesmo uma vitória memorável.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Sab Fev 06, 2016 1:36 pm

Embora fosse capaz de enxergar com clareza a situação de Weasley, Florence não conseguia seguir o mesmo raciocínio que o rapaz. Para a francesa, Charlie era especial demais e não deveria se sentir inferior a ela porque não ocupavam o mesmo patamar social.

É claro que Florence era apegada aos luxos proporcionados pelo dinheiro dos Legrand e não imaginava como seria viver com o pouco que os Weasley tinham para se sustentar. Mas, nem mesmo por um momento, a loira pensou em desistir de trilhar aquele caminho. Seu coração havia acolhido Charlie e Florence não pretendia fugir daquele sentimento tão bonito que começava a brotar entre os dois.

A francesa estava profundamente mergulhada em mais um daqueles beijos apaixonados quando os dois foram interrompidos pelo ruído de passos. Todo o chão da Floresta Proibida era coberto por um tapete natural de folhas secas e o silêncio daquela madrugada permitiu que os jovens ouvissem quando algumas daquelas folhas foram esmagadas nas proximidades.

Mesmo que os dois estivessem protegidos dentro da esfera dos feitiços que cercavam a clareira, Florence se sobressaltou com o ruído. Por mais que gostasse de animais e admirasse as peculiaridades de todas as criaturas, a garota conhecia os perigos que rondavam a Floresta Proibida. Em “Hogwarts, uma História”, havia um capítulo especialmente destinado às criaturas mágicas que viviam na floresta e, embora o livro mencionasse uma maravilhosa diversidade, também havia citações sobre os perigos e alguns “acidentes” ocorridos no local.

- O que foi isso?

A voz de Florence soou num sussurro e os olhos dela buscaram por Charlie com alguma aflição refletida nas íris azuis.

Quando finalmente avistou o responsável por aquele ruído, Florence soltou um longo suspiro de alívio, relaxou os ombros e seus lábios se curvaram num largo sorriso. Definitivamente, aquela era uma noite mágica da qual ela jamais se esqueceria.

- Ele é lindo. É perfeito.

Para não afugentar o animal, Florence manteve a entonação sussurrada enquanto admirava aquela visão. Mesmo na escuridão da mata, os pêlos brancos do unicórnio se destacavam, bem como o pontudo chifre dourado.

Era uma das criaturas mais belas do mundo mágico, mas nenhum livro e nenhuma foto seriam capazes de retratar todas as características de um unicórnio com a perfeição merecida. Florence se sentia extremamente privilegiada pela sorte de ver pessoalmente aquele encanto da natureza.

- Unicórnios são símbolos de pureza, amor e de sorte. Parece bastante adequado para esta noite, não?
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Sab Fev 06, 2016 4:22 pm

O gosto podre da poção fez o estômago de Anastasia dar uma volta completa e por um segundo, ela achou que fosse vomitar todo o líquido avermelhado do firewhisky aos pés de Oliver. Foi preciso um controle quase sobrenatural para respirar fundo nos longos segundos que passaram até que o alivio finalmente começasse a invadir seu corpo.

Com os olhos fechados, Legrand sentiu a temperatura de seu corpo finalmente baixar e a pele antes corada, agora estava pegajosa com o suor frio. Quando os olhos verdes foram novamente revelados, a francesa ainda se sentia fraca, mas livre do mal estar provocado pela bebida.

Com a mente mais ágil, ela estreitou os olhos quando o rosto de Wood entrou em foco e fez uma careta diante das palavras dele. O caminho da festa até o quartinho de poções era um borrão em sua mente, mas a lembrança do campeão de Hogwarts com a morelha de olhos azuis ainda estava perfeitamente gravada.

- Eu teria ganhado se você não tivesse me arrancado de lá. – Legrand resmungou, revirando os olhos, mas evitando encarar o rapaz.

No fundo, ela sabia que Oliver tinha lhe salvado de um grande problema. Mas a frustração de ter perdido mais uma vez estava pressionando seu peito de maneira sufocante.

- Afinal, o que você está fazendo aqui? Você estava ocupado demais enfiando sua língua na garganta daquela garota para assistir uma partida de vira-whisky.

Talvez ainda fosse o vestígio da bebida que permitiu as palavras saltarem de sua boca em um tom enciumado e carregado no sotaque francês. Aquele deslize foi suficiente para que Anastasia se sentisse ainda mais irritada consigo mesma.

Aquele dia parecia não ter fim e o universo parecia querer lhe mostrar de todas as formas possíveis como ela era capaz de fracassar. E em todos os pontos, havia sempre um fator em comum: Oliver Wood.

Quando o goleiro da grifinória estava em cena, tudo parecia conspirar para que o rumo de Anastasia não fosse pelo caminho esperado.

- Eu decido o que é importante ou não ganhar, está bem? E pode ser extremamente ridículo para você, Sr. Grande Campeão Domador de Dragões, mas era importante para mim ganhar pelo menos um estúpido jogo de vira-whisky.

Anastasia se levantou de supetão e precisou se apoiar em uma das prateleiras quando o quartinho girou, mas logo as pernas se mostraram capazes de se manterem firmes.

- Muito obrigada pela poção. – Ela agradeceu, embora não usasse exatamente um tom de gratidão. – Mas você pode voltar para a sua namoradinha agora. Não preciso esticar nem mais um minuto desse dia humilhante.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Cameron Lahey em Sab Fev 06, 2016 5:04 pm

Charlie não conseguia pensar em nada que pudesse tornar aquela noite mais mágica e especial. A visão do unicórnio e o calor do corpo de Florence colado ao seu eram sensações jamais experimentadas antes e que ele tinha certeza que ficariam gravadas em sua memória para sempre.

Seus dedos acariciavam o braço nu de Legrand e os olhos foram obrigados a desviarem do unicórnio para encarar a francesa, exibindo um brilho fora do comum que deixava as íris azuis alguns tons mais claro.

O sorriso largo ainda estava presente em seus lábios, exibindo os dentes perfeitamente alinhados, e ele concordou com um aceno da cabeça, depositando um beijo nos fios loiros em seguida.

Toda a atenção de Weasley estava voltada para Florence quando um ruído distante na floresta despertou a atenção do unicórnio, que ainda alheio a presença dos dois estudantes, seguiu o caminho oposto, deixando o casal sozinho mais uma vez.

Charlie se aproveitou do silêncio e da calmaria da noite para envolver a cintura de Florence em um abraço, roçando os lábios na orelha dela enquanto mantinha o corpo pequeno colado ao seu, se deliciando com a perfeição de cada detalhe da francesa.

- Nada mais adequado para esta noite.

Com delicadeza, o apanhador da grifinória girou Florence em seus braços até que estivessem de frente. Os lábios dela foram capturados mais uma vez em um beijo demorado, e quando eles se soltaram, Charlie manteve seu nariz roçando o da menina.

- Eu acho melhor voltarmos. Se a festa estiver acabando, logo vamos ser os últimos na floresta, e te garanto que há mais do que unicórnios por aqui.

Em um instinto protetor, ele rodeou os longos braços ao redor de Florence enquanto a guiava de volta a clareira. Mesmo que os feitiços fossem suficientes para manter instrusos fora do alcance, a ideia de que algo pudesse atingir Legrand lhe provocava um arrepio na nuca.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Sab Fev 06, 2016 5:40 pm

O escancarado ciúme presente na entonação de Anastasia fez com que os lábios de Oliver se curvassem num discreto sorriso. Por mais que ela estivesse irritada, o grifinório não conseguia evitar a satisfação em pensar que Anastasia Legrand ficara enciumada por vê-lo com outra garota.

Wood pensou em explicar que Alexia não significava nada e que aquele beijo não se repetiria. Também havia a tentadora opção de provocar a francesa até que ela enxergasse o próprio ciúme. A melhor das alternativas, contudo, parecia ser calar Anastasia com mais um beijo como aquele trocado no interior da Floresta Proibida.

Entretanto, Wood era um rapaz inteligente e sabia reconhecer que aquele não era o melhor momento para lidar com Anastasia. Ela estava indisposta, furiosa e tinha potencial para explodir metade daquele castelo se fosse contrariada. Definitivamente, Oliver não pretendia correr tamanho risco.

- Tudo bem. Da próxima vez eu te deixarei caída no próprio vômito. Não me parece ser nada agradável o sabor desse tipo de vitória, mas é você quem sabe.

Oliver lançou uma piscadela para Legrand antes de abrir a porta do cômodo onde funcionava o estoque de Severus Snape. A voz dele foi sussurrada, embora as masmorras continuassem vazias e silenciosas.

- Sugiro que tenha cuidado ao voltar para o seu dormitório. Seu dia pode se tornar ainda mais humilhante se você cruzar o caminho do Filch. – Oliver deu de ombros e provocou a loira – Ou talvez você queira bater algum recorde enquanto cumpre a detenção de limpar o corujal. Qualquer vitória conta, afinal.

Por mais que a companhia de Anastasia fosse agradável – mesmo a francesa estando irritada – Oliver deu a ela o tempo que a garota precisava e deixou que Ana seguisse sozinha o seu caminho. Embora a festa na Floresta Proibida não tivesse hora para acabar, Wood deixou as masmorras e seguiu direto para a Torre da Grifinória. Além de cansado por causa do dia agitado, Oliver não via mais graça em ficar numa festa sem Anastasia Legrand.

Mesmo que Wood não tivesse dado nenhuma explicação sobre a garota da Corvinal, nos dias que se seguiram ficou bastante claro que não havia nada sério entre os dois. Oliver sempre era visto na companhia dos colegas da Grifinória ou de Tonks, que visivelmente não era mais que uma amiga para ele. Alexia até tentou se aproximar mais duas ou três vezes, mas desistiu daquela conquista ao notar que Wood definitivamente não estava muito interessado.

Embora ainda pensasse muito em Anastasia e no beijo da Floresta Proibida, Oliver não tinha muito tempo para planejar a melhor maneira de se reaproximar da francesa. Ana era uma garota difícil, de personalidade forte, e Wood simplesmente não tinha tempo para pensar na melhor maneira de abordá-la.

Sem dúvida, Oliver vivia o seu ano mais tumultuado desde que pisara em Hogwarts. Além do Torneio Tribruxo, o rapaz precisava lidar com a pressão dos NIEMs. Independente do seu desempenho no torneio, Wood estaria condenado ao fracasso se não conseguisse notas razoáveis em seu currículo.

Somado a isso, o grifinório precisava dividir o seu tempo com os treinos de quadribol. O campeonato daquele ano fora cancelado graças ao torneio, mas a Grifinória fazia questão de manter o time bem treinado para que nenhum dos jogadores estivesse fora de forma no ano seguinte. Além disso, Wood fazia questão de não perder nenhum treino já que seu desempenho no campo era um fator determinante para os planos traçados para seu futuro.

Como a segunda prova do Torneio Tribruxo só aconteceria depois do natal, Oliver acabou deixando o ovo de lado por várias semanas. Desde que tentara abrir o objeto e quase tivera os tímpanos perfurados pelo som mais agudo e insuportável que já ouvira na vida, Wood enfiara o ovo no malão e o deixara por lá.

Toda a sua concentração fora destinada aos NIEMs e ao quadribol, mas quando Hogwarts começou a ser coberta por uma fina camada de neve, o grifinório se deu conta de que não tinha mais tanto tempo. A segunda prova do torneio aconteceria em duas semanas e Oliver não tinha a mais remota noção de qual era a pista que existia no ovo dourado.

- Você está ferrado!

O comentário nada animador de Tonks soou enquanto a garota massageava as orelhas. Já desesperado, Wood tentara mostrar o interior do ovo para a melhor amiga na esperança de que Nymphadora desvendasse o mistério. Mas Oliver só conseguiu fazer com que a lufana também ficasse com dor de cabeça.

- Que barulho infernal é este? Será que você precisa ser surdo para vencer a segunda prova?

- Isso quer dizer alguma coisa, mas eu simplesmente não sei como descobrir!

- Pois eu aposto que o Karkaroff já deve ter descoberto e contado tudo para o Bellamy.

- Os professores e diretores não podem interferir.

- Aham. – Tonks bufou e completou com a voz carregada de ironia – Nós sabemos que a honestidade é o ponto mais forte de Durmstrang. É claro que ele sabe, Wood, mas o seu consolo é que na primeira prova já ficou comprovado que o Bellamy não consegue se aproveitar tão bem das vantagens obtidas com a desonestidade do Karkaroff. O que realmente me preocupa é a francesinha.

Wood sentiu um arrepio quando Tonks mencionou Anastasia, mas tentou disfarçar a própria inquietação enquanto a metamorfomaga completava o raciocínio.

- Vocês dois estão empatados em primeiro lugar. Portanto, se um de vocês dois ganhar esta prova, terá uma vantagem considerável para o desafio final. Ela não é idiota, Wood. E certamente dedicou mais tempo ao ovo enquanto você jogava quadribol nas últimas semanas. Aposto como ela já desvendou a pista e já armou todo o esquema para a segunda prova. O quadribol te salvou na primeira prova, mas vai te derrubar na segunda.

- Obrigado, Tonks. Eu me sinto muito mais tranquilo agora, é sempre um prazer falar com você.

- De nada. É sempre um prazer falar as verdades que você não quer ouvir. – os olhos da moça, lilás naquela tarde, giraram com impaciência – Eu vou pensar em alguma coisa e te falo se me surgir alguma ideia brilhante. Mas ainda acho que você está muito ferrado, Wood. Mesmo que você descubra qual é a pista, terá muito pouco tempo para se organizar.

Wood fez uma careta enquanto murmurava para si mesmo.

- Pelo menos a Legrand não terá motivos para surtar. Desta vez, a vitória será dela.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Sab Fev 06, 2016 6:16 pm

Se Anastasia Legrand estava estressada para enfrentar a primeira prova, nada se comparava com as semanas que antecediam ao segundo desafio. Mesmo com a vitória empatada com o campeão de Hogwarts, a francesa ainda se sentia derrotada pela sua performance ter sido basicamente azeitada por Wood e sentia a necessidade de se provar como a melhor no que estivesse por vir.

O maior problema era que por mais que criasse teorias e estudasse sobre o ovo, nenhuma solução surgia a sua mente. Por mais de uma vez, durante a madrugada, Anastasia se retirava da cama e abria o ovo na esperança de que um som diferente do estridente alcançasse seus ouvidos, mas só o que conseguia era a ira das colegas, acordadas no susto.

Mas em nenhum momento Legrand se entregou antecipadamente para a derrota. O frio já começava a alcançar os terrenos de Hogwarts quando, em mais uma manhã insistente, Anastasia finalmente encontrou uma forma de alcançar a pista escondida pelo ovo dourado.

Enquanto estava presa em uma tediosa aula de história da magia, a mente de Anastasia estava longe das palavras monótonas do professor fantasma, até que uma frase aleatória despertou sua atenção. O professor Binns explicava como os antepassados escondiam segredos mágicos em objetos banais para mantê-los a salvo de inimigos ou trouxas, e quando a classe finalmente foi liberada, Anastasia deixou a sala aos tropeços, derrubando uma pilha de materiais de um dos alunos.

Quando ela finalmente alcançou o dormitório, o ovo dourado estava exatamente onde havia sido deixado pela manhã, repousado em seu travesseiro. Ana sabia que não adiantaria simplesmente tentar abrir o ovo novamente, o resultado seria o mesmo som estridente. Ela só precisou de algumas horas para finalmente descobrir a voz suave lhe entregando a pista quando o ovo era submerso em água.

Procure onde nossas vozes parecem estar,
Não podemos cantar na superfície,
E enquanto nos procura, pense bem:
Levamos o que lhe fará muita falta,
Uma hora inteira você deverá buscar,
Para recuperar o que lhe tiramos,
Mas passada a hora – adeus esperança de achar.
Tarde demais, foi-se, ele jamais voltará


Com o coração acelerado, Ana caminhou de um lado ao outro no dormitório, os cabelos ainda úmidos de suas experiências para decifrar as palavras cantadas. Ela só parou quando os olhos verdes captaram a vista do lago pela janela, a boca levemente entreaberta.

Ela precisaria ficar uma hora submersa. Uma hora, sem respirar para recuperar algo que havia perdido. A francesa preferia enfrentar outro dragão a mergulhar nas águas negras do lago para enfrentar o que quer que fosse. Aquele torneio estava cada vez pior,

A euforia de ter desvendado a primeira pista não foi capaz de impedir que a imagem de Oliver Wood voltasse a sua mente.

A vergonha pelos acontecimentos da festa na clareira, somado a irritação de ver Wood e Alexia juntos, eram motivos suficientes para Anastasia impôr uma distância com o campeão de Hogwarts. Mas ainda assim, Oliver havia lhe ajudado no primeiro desafio. Pensar que ele poderia enfrentar a segunda tarefa desprevenido lhe provocava arrepios ainda piores do que suas frustrações.

Sem pensar demais sobre o assunto, Legrand rabiscou um pequeno bilhete e o despachou pela sua coruja das neves a procura de Oliver. Mesmo com a letra apressada, sua caligrafia era delicada e bonita e o perfume do pergaminho era algo característico das alunas da Beauxbatoms.

“Me encontre no lago. AGORA.
-Legrand”
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Sab Fev 06, 2016 6:44 pm

Contrariando os temores de Charles, Florence não se afastou dele nas semanas que se seguiram à festa da Floresta Proibida. Ao contrário, os dois solidificavam a cada dia mais o sentimento que os unira naquela noite especial.

Obviamente, os dois jovens eram mais discretos quando estavam em Hogwarts, rodeados pelos colegas. Por mais que gostasse de Charlie e que não o julgasse inferior por causa de sua condição social, Florence preferia não expor tanto aquele relacionamento. Seu principal receio era que a história chegasse aos ouvidos do casal Legrand. Se os pais de Florence desconfiassem que a garota estava apaixonada por um Weasley, talvez aquela temporada em Hogwarts acabasse de forma prematura para uma das Legrand. E a última coisa que Florence queria era voltar para a França.

Mesmo que os dois jovens não tivessem assumido claramente o romance, qualquer bom observador notaria que a “amizade” entre Charlie e Florence estava ultrapassando algumas barreiras.

Os dois passavam muito tempo juntos. Sempre que tinham aulas compartilhadas, Florence e Charlie dividiam a bancada ou se sentavam lado a lado. Também era grande o tempo que eles passavam na biblioteca, ou estudando juntos nos jardins.

Os momentos de intimidade geralmente aconteciam em salas vazias e nos arredores do castelo. Os dois tinham uma visível preferência pelas proximidades da Floresta Proibida e geralmente passavam horas escondidos atrás da cabana de Hagrid, compartilhando beijos e carícias.

Uma das pessoas que notou que havia algo a mais naquela amizade foi o dinamarquês que provocara Weasley durante a primeira prova do torneio.

Lars Lothringen não tinha inicialmente nenhum interesse especial por Florence, ele simplesmente a achava bonita como todas as garotas de Beauxbatons eram. Mas pensar que Charlie Weasley tivera a audácia de se apaixonar por uma Legrand foi o bastante para que Lars decidisse estragar o sonho do ruivo. Ele estava disposto a conquistar Florence e a tirá-la de Charlie unicamente para mostrar ao britânico qual era o lugar dele naquela sociedade.

Ao contrário dos alunos da Sonserina, Lothringen era inteligente o bastante para saber que não conseguiria nada se trilhasse o caminho das provocações e das humilhações. Florence era uma jovem doce e bondosa, do tipo que não teria coragem de trocar Weasley por um rapaz que o humilhava publicamente. Por isso, Lars se decidiu por outro tipo de tática. Era uma jogada que atingiria Charlie em cheio e que o deixaria com poucas opções de defesa.

Por vários dias, Lars se contentou em parecer apenas um bom colega para Florence. Ele se esforçava para sempre cruzar o caminho da francesa pelos corredores apenas para cumprimentá-la com um aceno ou um sorriso simpático.

Aos poucos, aquela aproximação foi se intensificando, mas ainda de maneira discreta. Lothringen passou a se sentar perto de Florence nas aulas que tinham juntos e sempre puxava alguma conversa “inocente” com a colega. Sem enxergar maldade nas atitudes do rapaz, Legrand se deixava levar e agia com a gentileza que lhe era natural.

Já era dezembro quando Lars finalmente decidiu que havia chegado a hora de dar um passo mais largo.

Ainda faltava uma semana para o natal, mas todos os alunos já estavam animados com a proximidade da data. Vários estudantes pretendiam passar o natal com suas respectivas famílias, mas até aqueles que permaneceriam em Hogwarts estavam eufóricos, visto que naquele ano teriam a companhia dos estrangeiros.

A empolgação era tanta que a biblioteca estava praticamente deserta naquela semana. A única mesinha ocupada ficava aos fundos, escondida por uma enorme prateleira, e abrigava somente dois alunos. Qualquer um pensaria que se tratava de dois estudantes aplicados, mas a verdade era que o casal não estava ali para estudar.

Protegidos pela estante e pela solidão da biblioteca vazia, Charlie Weasley e Florence Legrand deixaram os livros de lado para unir os lábios em um beijo apaixonado. A carícia se prolongou até que ambos estivessem sem fôlego e só então os lábios se desgrudaram.

Os olhos de Florence brilhavam quando ela encarou o grifinório. Um de seus braços continuou enlaçado em torno do pescoço de Weasley enquanto, com a mão livre, a francesa deslizou os dedos sobre as discretas sardas do rapaz, acariciando-as num gesto carinhoso e delicado.

- Eu vou sentir saudades. Que bom que você tem a Felicity, assim pode me mandar cartas todos os dias. Estou falando sério, Charlie, eu vou sentir muito a sua falta.

Legrand já sofria antecipadamente ao pensar que Charlie ficaria uma semana fora do castelo. É claro que ela entendia a necessidade dele em passar aquela data com a família, mas ainda assim não conseguia deixar de sentir saudades antecipadas. Se já era tão difícil passar uma semana longe de Weasley, Florence preferia não pensar em como sofreria quando tivesse que voltar para a França.

Antes que os dois pudessem repetir aquele beijo, passos ecoaram pela biblioteca silenciosa. Florence se afastou rapidamente de Charlie e tentou se recompor, mas ainda estava corada e de lábios discretamente inchados quando Lars Lothringen surgiu diante da mesa deles.

- Florie, você está aqui! Eu te procurei por todo o castelo, sabia? – com seu melhor sorriso simpático, o rapaz se virou para Charlie e indicou os livros – Oi Weasley! Como vai? Ano de NIEMs, hm? Eu também pretendo passar o natal estudando. Até tenho um tio que mora em Londres, mas preferi ficar no castelo durante o feriado para colocar as matérias em dia. Por falar no natal...

Mais uma vez, os olhos de Lars se fixaram em Florence enquanto ele se aproximava da mesa.

- Eu sei que deveria esperar até o natal, mas a ansiedade não vai permitir que a data chegue. Além disso, talvez você queira usar durante a ceia. Neste caso, é melhor que eu te dê agora o seu presente, Florie.

- Oh! – o queixo de Florence caiu quando Lothringen colocou uma caixa perfeitamente embrulhada a sua frente – Não precisava, Lars!

- Precisava sim. Você tem sido uma ótima amiga e uma excelente parceira nas aulas de Poções. Espero que goste.

- Obrigada!

Com gestos delicados, Florence abriu o embrulho e retirou o papel que cobria uma bela caixinha de veludo preta. Quando ergueu a tampa, a francesa encontrou uma preciosidade em seu interior. Era uma tiara que imitava com perfeição o diadema perdido de Rowena Ravenclaw. A tiara era feita de prata e decorada com vários cristais de diamantes. No centro, havia uma delicada safira. Sem dúvida, aquela tiara valia mais que a casa dos Weasley.

- Merlin!!! – os olhos de Florence brilhavam enquanto ela sofria com a ideia de devolver um presente tão perfeito – Lars! Eu não posso aceitar! Eu nem saberia como retribuir!

- É claro que pode! Retribua me ajudando a estudar Poções no feriado. O professor Snape vai me reprovar se eu não tirar mais que um oito na prova final.

Ignorando por completo a presença de Charlie, Lars retirou a delicada tiara da caixa e a colocou na cabeça de Florence, aproveitando-se daquela proximidade para tocar os fios loiros sedosos. A joia se encaixou com perfeição e parecia ter sido feita para Legrand.

- Ficou ainda melhor do que eu imaginava. – a alfinetada foi tão discreta que apenas Charlie entenderia a indireta – Você parece ainda mais uma princesa, Florie.

- É realmente linda, Lars... – Florence ergueu uma das mãos e tocou a tiara – Mas eu não sei se posso aceitar. É um presente muito caro.

- Isso não é nada, pare com essas bobagens. Você merece muito mais. Ela não merece muito mais, Weasley?

Antes que Charlie pudesse responder, Lars continuou seu discurso.

- Eu concordo com você, Florie. Também acho que o Chapéu Seletor te colocaria na Corvinal. Por isso comprei este presente sugestivo. – Lothringen fingiu estar surpreso com o olhar confuso de Charlie – A Florie nunca te disse que se estudasse em Hogwarts e pudesse escolher iria para a Corvinal?

De fato, Florence havia feito aquela confissão durante uma das conversas com Lothringen. A francesa admirava as qualidades das quatro casas de Hogwarts, mas se afeiçoava mais com as características da Corvinal. Legrand nunca falara aquilo para Weasley com receio de que sua escolha ofendesse o grifinório, mas agora Lars trazia aquela confissão à tona.

- É a casa perfeita para a Florie. Ela honra a inteligência e a beleza histórica de Rowena.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Sab Fev 06, 2016 7:55 pm

O dormitório masculino da Grifinória estava deserto naquela tarde. Todos os alunos estavam espalhados pelo Salão Comunal, pelo jardim e pelos corredores, saindo de suas aulas ou traçando os últimos detalhes dos planos para o natal. Portanto, o dormitório tinha toda a paz que Wood precisava para decifrar a pista escondida no ovo dourado.

Os ouvidos do goleiro da Grifinória já latejavam na quarta vez em que ele abriu o ovo na esperança de que aquela voz estridente fizesse algum sentido. Contudo, tudo o que Oliver conseguiu foi mais uma dose de dor de cabeça.

Tal como Tonks impiedosamente reforçara, ele estava perdido. Oliver adiara o seu trabalho com o ovo por muito tempo e agora era tarde demais para recuperar o prejuízo. Em menos de duas semanas, Wood estaria diante de um grande desafio e não fazia a menor ideia do que esperava por ele. Certamente Anastasia e Bellamy chegariam à prova muito bem preparados ao passo que o campeão de Hogwarts não saberia nem por onde começar.

Sentado sobre a cama e com os olhos fixos no ovo dourado que repousava no meio do colchão, Wood demorou a notar que não estava mais sozinho. A coruja precisou bater o bico mais de uma vez no vidro que tapava a janela até que o grifinório finalmente virasse a cabeça e notasse a presença dela.

Quando a janela foi aberta, a ave entrou lançando ao rapaz um olhar mal humorado. Inicialmente Wood estranhou a personalidade do animal, mas tudo fez sentido quando ele viu a assinatura do bilhete. Sem dúvida, a coruja era bastante parecida com sua dona.

- O que ela quer, hein? – o rapaz fez uma careta enquanto relia o recado de Anastasia – Agora em letras garrafais? Ela é mesmo muito petulante!

Como se fosse capaz de compreender aquela crítica, a coruja capturou o indicador de Wood com seu bico, de forma nada delicada. Oliver soltou um grito de dor e estreitou os olhos para a ave, mas a coruja levantou voo e sumiu pelos céus de Hogwarts antes que o rapaz pudesse se mover.

Mais do que nunca, Wood não tinha tempo a perder. Não fazia sentido gastar preciosos minutos brigando com Anastasia enquanto o ovo estava ali, ainda sem ser desvendado.

Por outro lado, Oliver sabia que não conseguiria se concentrar em mais nada até que ouvisse o que a francesa tinha a dizer. Muito provavelmente Anastasia estava irritada com alguma coisa e pretendia descontar suas frustrações nele, mas a pequena possibilidade do motivo daquele encontro ser outro fez com que Wood se movesse na direção do lago.

Depois de meses sem um contato direto com Anastasia, Oliver não conseguiria virar as costas para aquela oportunidade. Mesmo que Legrand estivesse disposta a brigar, Wood ainda achava que valia a pena passar algum tempo na companhia dela.

Como o clima já não estava nada ameno, Oliver calçou suas luvas e fechou todos os botões do casaco da Grifinória antes de sair do castelo. O tempo ruim já era algo que preocupava Wood para a segunda prova do torneio, mesmo antes do rapaz imaginar que teria que enfrentar a água gelada do lago. Definitivamente, os organizadores do Torneio Tribruxo não pretendiam facilitar a vida dos campeões.

Tão logo avistou Anastasia, Oliver colocou nos lábios o seu velho sorrisinho convencido. Com passos lentos, ele se aproximou da francesa e só tomou a palavra depois de se colocar diante dela.

- Ótimo dia para nadar, Legrand... Qual é a sua grande ideia agora? Uma aposta de quem atravessa o lago sem morrer congelado no meio do caminho?
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Cameron Lahey em Sab Fev 06, 2016 9:28 pm

Cada novo dia que surgia e que Florence permanecia ao seu lado, parecia um novo sonho para Charles Wealey. Era difícil acreditar que alguém tão perfeita como Legrand tivesse escolhido ele, dentre tantas opções. E o mais incrível era a forma como o grifinório se sentia mais apaixonado com o passar do tempo.

Nenhuma garota antes havia sido capaz de despertar os sentimentos do ruivo com tanta intensidade, e levado pelas emoções, Charlie não se importava em manter aquele relacionamento da forma mais discreta possível.

Apesar de não compreender os motivos que levavam Florence a guiar os encontros sempre escondidos, ele respeitava suas vontades e jamais pensou em pressioná-la ou cobrar uma posição mais aceitável. O simples fato de estar junto da francesa era suficiente para que ele não se preocupasse com nenhum outro detalhe.

Além do mais, a forma sempre tão doce e delicada de Legrand não deixava espaços para que Weasley enxergasse qualquer maldade ou pensasse que a loira se envergonhava da sua origem humilde.

Naquela tarde, a única preocupação de Charlie era em aproveitar cada minuto ao lado de Florence. Logo ele deixaria Hogwarts para passar o natal com a família e por mais que estivesse com saudade dos irmãos e dos pais, sabia que seria uma experiência torturante ficar longe da francesa.

O modo abrupto com que Florence interrompeu o beijo criou um desconforto no peito de Charlie, que até então não havia notado a proximidade de outra pessoa. No instante em que o rosto de Lars entrou em seu campo de visão, o grifinório sentiu seus músculos ficarem tensos e ele apoiou as mãos na estante atrás de si, mantendo uma pequena distância da menina.

A forma cordial com que o dinamarquês se dirigiu a ele logo fez com que Charles erguesse uma das sobrancelhas ruivas, mas foi a intimidade entre Lothringen e Legrand que fez seu estômago se revirar.

Se Charlie sentia que vinha vivendo um sonho desde a noite na clareira, a cena que passava diante dos seus olhos parecia ter vindo de um pesadelo. A mesma doçura que Florence usava para falar com ele, também era dirigida a Lars com naturalidade. Um monstrinho se ergueu em seu peito, atento ao menor dos movimentos dos dois estrangeiros, e o mesmo monstrinho questionava o que mais havia em comum no tratamento que Florence dirigia a ele e a Lars.

Quando o presente do dinamarquês foi revelado, Charles se sentiu ainda mais desconfortável. A joia certamente valia uma grande fortuna, um valor incalculável para um Weasley, mas certamente irrelevante para afortunados como Lothringen e Legrand.

Era ruim o suficiente saber que jamais seria capaz de comprar algo com a metade do valor daquele diadema, mas foi o brilho nos olhos de Florence diante da joia que fez Charles se sentir arrasado.

Ninguém poderia questionar diante da expressão de Legrand o quanto ela estava admirada com o presente e principalmente como estava acostumada com coisas tão luxuosas e caras quanto aquela.

O golpe final foi a menção da admiração de Florence pela Corvinal. Ele vasculhou sua mente desesperado, a procura de qualquer conversa em que Legrand tivesse compartilhado seus gostos e interesses daquela forma, mas logo concluiu que, com exceção da paixão da francesa por animais, pouco conhecia Florence.

Saber que a mesma menina incrível com quem andava trocando beijos apaixonados também estava tendo conversas íntimas com outro rapaz, trocando confidencias e presentes indecentemente caros proporcionava a mesma sensação de um trasgo pisando em seu coração.

O ciúme fazia sua garganta arder, e na mesma intensidade, Charlie se sentia minúsculo, como se Florence estivesse em um altar e ele jamais seria digno de tocá-la.

O apanhador da grifinória conseguia enxergar o jogo de Lars com perfeição, mas também era obrigado a admitir que o dinamarquês havia conquistado seu objetivo: Charlie se sentia humilhado.

Ele se remexeu, cruzando os braços contra o peito. A expressão dura de seu rosto entregava seu desagrado, mas Charlie ainda foi capaz de mover os lábios em um sorriso seco que não combinava com sua personalidade leve.

- Concordo. As qualidades da Corvinal são realmente admiráveis. Não tenho dúvidas de que Flor se sairia bem.

Sem olhar para Legrand uma única vez, Charlie desencostou o corpo da estante e pegou um livro aleatório na prateleira em frente, abrindo-o apenas com a intenção de manter os olhos focados em qualquer coisa que não fosse o rosto da francesa.

Até a ideia boba de que Florence era boa em Poções e que ele não tivesse conhecimento desta qualidade estava incomodando Weasley. Pensar nas horas de estudos dos dois sozinhos provocava uma ira que não combinava com a serenidade do rapaz.

Se Florence não tivesse ficado tão admirada com o presente do dinamarquês, Charlie se sentiria encorajado a desafiar Lars. Mas a sensação de jogo perdido provocava um amargo forte demais em sua garganta. Como um bom jogador de Quadribol, ele sabia quando era hora de se retirar.

Engolindo em seco, Charlie fechou o livro e o empurrou na direção de Florence, finalmente a encarando com as íris azuis refletidas em mágoa. Por ironia do destino, a capa do livro mostrava o título verde Poções Muy Potentes.

- Para ajudar no estudo de vocês.

Ele esperou que Florence segurasse o livro, e ainda mantendo a expressão dura, ajeitou as vestes de segunda mão, ainda amarrotadas pelos abraços que agora pareciam pertencer a outra vida.

- Feliz natal, Lothringen, Florence. Não que passar o feriado estudando seja digno de uma princesa, mas tenho certeza de que vocês dois vão encontrar algo interessante para passar o tempo.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Sab Fev 06, 2016 9:48 pm

Apesar da proximidade entre o Reino Unido e a França, o palácio de Beauxbatoms ficava ao sul, o que tornava o inverno um pouco mais ameno do que nos arredores de Hogwarts. Mesmo assim, enquanto Anastasia estava na beira do lago aguardando a chegada de Oliver, ainda apresentava os cabelos levemente úmidos que logo ficaram gelados com o vento.

A francesa exibia o impecável uniforme azul da escola, e graças ao feitiço térmico, a meia-calça era suficiente para proteger suas pernas. A saia alcançava seus joelhos e o terninho protegia seus braços até o limite da manga, onde as mãos ficavam aquecidas pelas luvas brancas.

Mesmo com os fios loiros ainda úmidos, Legrand estava com os cabelos presos em um rabo-de-cavalo que caía pelo seu ombro. O delicado chapéu sobre a cabeça, ligeiramente inclinado, completava seu uniforme. A única característica fora do comum era o ovo dourado que ela carregava em seus braços.

Anastasia havia tomado o cuidado de escolher o canto mais afastado do lago, quase aos fundos do castelo onde raramente aparecia alguém. Qualquer um estranharia dois campeões conversando com a pista da tarefa seguinte sendo exibida em plena luz do dia.

Como havia se tornado comum, a chegada de Wood fez com que um leve rubor cobrisse as bochechas de Ana, mas ela logo ocupou em exibir sua expressão mal-humorada de sempre, revirando os olhos verdes diante do comentário.

Seus lábios foram curvados em um sorriso sarcástico quando ela empurrou o ovo na direção do grifinório.

- Acho ótimo que você esteja disposto a enfrentar a água hoje, Wood.

Mesmo depois que as mãos de Oliver já seguravam o ovo dourado, Florence continuou com as mãos enluvadas sobre a superfície dura, o encarando com um quê de vitória. Era maravilhoso ser a primeira a descobrir a chave do quebra-cabeça sem ajuda alguma. Quase como se já tivesse ganhado a prova em si, apesar de ainda precisar enfrentar o grande dilema que seria ficar uma hora submersa.

Ela poderia estar fazendo aquilo pelos motivos certos, para retribuir o favor de Wood na ajuda daquele Torneio. Mas o sabor de ser ela a portadora daquele segredo era ainda mais prazeroso.

- Que tal você dar um mergulho? – Uma das sobrancelhas loiras foi erguida e Ana suspirou, assumindo um semblante mais ameno. – Confie em mim, Wood.

Para não dar chances ao rapaz de pensar que ela estava aprontando alguma pegadinha, Ana revirou os olhos mais uma vez e retirou os próprios sapatos. Puxando o ovo das mãos de Oliver, ela caminhou até a beira do lago, molhando os próprios pés.

A água estava ainda mais gelada do que ela esperava e foi preciso alguns segundos para que Legrand tivesse coragem de continuar. A areia grossa desmanchava sob seus pés e a barra da saia já estava molhada quando ela parou de andar.

- Wood, se você não quiser que eu te estupore, sugiro entrar logo aqui!
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Dom Fev 07, 2016 2:37 am

A ingenuidade de Florence não permitiu que ela notasse as más intenções no gesto de Lars. Aos olhos da francesa, ele era apenas um bom amigo que sempre a tratava com cordialidade e que nunca dera motivos para que ela desconfiasse de suas intenções.

A tiara era o primeiro passo mais ousado de Lothringen naquele discreto jogo de sedução, mas ainda assim Florence não interpretara mal a atitude ele. Talvez por estar tão acostumada a receber presentes caros da família e dos amigos, Legrand não enxergava o quanto parecia errado aceitar uma joia tão valiosa.

Apenas quando Weasley a encarou com a mágoa refletida em cada detalhe de sua expressão, Florence percebeu que Charlie estava incomodado com os rumos daquela conversa. O sorriso dela imediatamente morreu e seu coração se comprimiu dentro do peito.

A presença de Lars não permitiu que o casal tivesse uma conversa e esclarecesse logo aquele mal entendido. Florence se sentiu completamente desamparada quando Weasley empurrou aquele livro para suas mãos antes de se retirar da biblioteca.

Ainda disposto a encenar o papel de um bom amigo, Lothringen seguiu os passos de Charlie com um olhar confuso e se voltou para a francesa depois que o outro rapaz sumiu de vista no meio das estantes abarrotadas de livros.

- Eu tenho a ligeira impressão de que acabei de causar um problema para você, Florie. Eu realmente não tive a intenção, não pensei que o Weasley ficaria tão enciumado por causa de um simples presente de natal. Aliás, eu nem sabia que vocês estavam juntos. Estão namorando mesmo?

- Não. Quer dizer, não sei... – ainda com o coração apertado, Florence manteve os olhos na direção onde Charlie havia desaparecido de vista – É complicado. Mas está tudo bem, Lars. Não precisa se desculpar, eu sei que você não teve a intenção.

- Vá falar com ele. – Lars era um excelente ator e sabia que aquele era o melhor caminho para conquistar a confiança de Florence – Não passem o natal brigados. É tempo de amor e paz, afinal.

O comentário falso arrancou um sorriso doce de Florence e ela concordou com um aceno de cabeça. Para evitar maiores problemas, a loira retirou a valiosa tiara dos cabelos e a guardou de volta na caixinha. Como havia adorado o presente e como Lothringen ficaria ofendido com uma devolução, Legrand não teve dúvidas de que deveria ficar com a joia.

- Obrigada, Lars. Eu realmente adorei, é linda! Prometo que vou retribuir com a ajuda em Poções. Se depender dos meus esforços, você será aprovado com louvor!

Lars manteve nos lábios um sorriso falso enquanto Florence se afastava com passos rápidos, seguindo na mesma direção traçada por Weasley.

Como o ruivo tinha pernas bem maiores, Florence precisou correr e só conseguiu alcançá-lo no fim do corredor. Charlie começou a descer a escadaria e, por sorte, a francesa conseguiu saltar para o primeiro degrau um segundo antes das escadas começarem a se mover.

- Charlie!

A loira estava ofegante pela corrida quando finalmente se colocou diante de Weasley, impedindo que o rapaz continuasse a sua fuga. A expressão de Florence também refletia alguma mágoa, mas este sentimento estava misturado a um pouco de confusão e de ofensa.

- O que foi aquilo? Por que ficou tão chateado? O Lars é apenas um amigo!

Legrand não usava mais a tiara para que a sua imagem não agravasse os ciúmes do ruivo, mas a caixinha de veludo estava visível em sua bolsa parcialmente aberta. Além disso, alguns dos fios loiros estavam ligeiramente bagunçados no exato lugar de onde ela tirara o valioso diadema.

- Você tem várias amigas. Qual é o problema em eu ter amigos também?
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Cameron Lahey em Dom Fev 07, 2016 10:08 pm

A voz doce de Florence alcançou os ouvidos de Charlie, fazendo mesmo que por um segundo que ele se arrependesse de seu comportamento imaturo. Os traços angelicais do rosto da francesa apenas enfatizavam sua inocência, em uma provocação a sua atitude impensada e abrupta.

A escada fez um movimento completo, flutuando sobre a imensidão dos vários andares inferiores, antes de finalmente se chocar para abrir um novo caminho, fazendo o piso sob os pés do grifinório vibrar por alguns segundos. Tempo suficiente para que o Weasley se martirizasse sobre a cena que havia acabado de protagonizar.

Legrand estava muito acima de tudo que ele havia sido capaz de sonhar para a própria vida e ele poderia estar jogando tudo por água abaixo por uma insegurança e ciúme exagerado. Mas bastou que os olhos azuis cabisbaixos captassem a caixinha da joia na bolsa de Florence para que o sentimento que o atingira na biblioteca voltasse com toda força.

A expressão arrependida logo foi substituída por irritação, os dentes trincados rangiam com a pressão aplicada. Os lábios bem desenhados de Weasley se curvaram em um sorriso amargo e ele deixou uma risada nasalada e debochada escapar enquanto revirava os olhos.

Ele havia convivido com Florence tempo o bastante para acreditar que ela era dona de uma infinidade de qualidades, mas até mesmo sua inocência deveria ter limites. Era impossível, aos olhos de Charlie, que Legrand não fosse capaz de enxergar as reais intenções de Lars. Cegado pelos ciúmes, a reação aparentemente injustiçada da loira parecia ser apenas uma ação calculada para brincar com dois rapazes ao mesmo tempo.

- Apenas um amigo? – Charlie perguntou, ao som da risada debochada. – Você acha mesmo que eu sou tão estúpido, Flor?

Quem visse a cena de longe, teria dificuldades de reconhecer o sempre bem-humorado Charles Weasley, aluno exemplar, irmão dedicado e talentoso jogador de quadribol. O tom de voz estava ligeiramente mais alto que o normal e ele gesticulava de forma exagerada. Mas era a mágoa refletida no olhar que mais modificava o rosto bonito do ruivo.

- Eu não sei como são as coisas no seu mundo, mas no meu... – Ele deu um passo para frente, esticando o longo braço até alcançar a caixinha de joia, puxando-a da bolsa de Legrand sem dificuldade. – Isso não é uma mera lembrancinha entre amigos.

Charlie sequer tinha consciência que, quando erguia o estojo com o diamante, seus dedos tremiam, ligeiramente esbranquiçados pela força usada para apertar o tecido aveludado como se fosse o próprio pescoço do dinamarquês.

- Isso... – O estojo foi chacoalhado mais uma vez, um ruído denunciando que a tiara havia se soltado do molde de segurança. – É um claro sinal de que aquele imbecil, esnobe e convencido está querendo ficar com você.

O presente foi empurrado na direção de Legrand e ele esperou que os dedos pequenos dela aparassem a caixinha antes de soltar por completo.

- Aulas de poções em particular, Florence? Jura?

As sobrancelhas ruivas se uniram em uma expressão incrédula e ele voltou a soltar a risada nasalada em seguida.

- Este é o seu método, afinal? Essa sua pose de menina meiga e indefesa, que se aproxima dos rapazes e coleciona amigos? – A entonação usada na última palavra se encarregava de distorcer o sentido puro da amizade. – Acho que faz sentido, afinal. Todo o seu medo de que alguém visse nós dois juntos. Apenas para que fosse mais convicta em dizer “O Charlie? Apenas um bom amigo”. Quantos outros amigos você tem em Hogwarts, Florence?

No instante em que escutou as palavras saltarem de sua boca, Charlie se arrependeu. Ele havia ultrapassado todos os limites e não conseguia reconhecer a si próprio, mas Legrand parecia ter a capacidade de despertar o seu melhor e pior lado.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Seg Fev 08, 2016 12:35 am

A sensação experimentada por Florence depois daquele desabafo de Charles foi bastante semelhante a uma taça de cristal se espatifando em milhares de cacos. As palavras do ruivo atingiram em cheio o delicado sentimento que Florence cultivava por ele e a francesa tinha a dolorosa impressão de que aquele era um estrago grande demais para ser reparado.

Legrand podia até concordar com o direito de Charlie em se sentir enciumado e ofendido depois da cena presenciada na biblioteca. Mas o que a loira jamais aceitaria era a grave acusação dirigida contra ela.

Weasley acabara de insinuar, com todas as letras, que Florence estava se fingindo de inocente para ficar com dois rapazes ao mesmo tempo. Aquelas palavras doeriam se saídas da boca de qualquer um, mas a mágoa e a decepção eram incalculáveis ao ouvir aquilo de Charlie, logo dele.

Instintivamente, Florence deu um passo para trás, subindo um degrau na escada e ficando poucos centímetros mais alta do que Weasley. A cabeça dela fervilhava com um milhão de coisas que poderiam ser ditas naquele momento. Contudo, a decepção era tão grande que abafava por completo o fôlego que Legrand precisaria ter para manter aquela conversa.

Por isso, a francesa se limitou a abrir a boca apenas para responder a última pergunta irônica lançada pelo grifinório.

- Um a menos a partir de agora.

Os olhos azuis estavam cobertos por uma cortina de lágrimas, mas Florence foi forte o bastante para segurar o choro. Pelo menos diante de Charlie.

Weasley havia acabado de mostrar uma face que Florence jamais imaginou que veria nele. Até então, ela só conseguia enxergar as qualidades mais nobres de Charlie e nunca pensou que pudesse existir tamanha crueldade dentro dele. Muito menos, que ele fosse capaz de dirigir tal maldade contra ela.

Disposta a não alongar aquela discussão e determinada a romper por completo os laços que a uniam a Weasley, Florence girou sobre os calcanhares e virou as costas para o britânico. Com passos firmes e sem olhar para trás uma única vez, a francesa subiu os degraus da escadaria até atingir um novo patamar. Ela mal havia ultrapassado o último degrau quando as escadas novamente se deslocaram, exterminando a possibilidade de Weasley seguir os passos da loira.

Por ainda não conhecer tão bem o castelo, Florence sequer sabia para qual andar as escadas a tinham levado. Mas a localização exata tinha pouca importância naquele instante. Tudo o que ela precisava saber era que Charles Weasley e suas acusações ofensivas haviam ficado para trás.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Seg Fev 08, 2016 12:56 am

Por estar tão focado na adversária, Wood demorou a perceber qual era o objeto que Anastasia trazia nas mãos. Foi um discreto movimento da francesa que fez com que a luz do sol refletisse no ovo dourado e que, finalmente, Oliver percebesse que Legrand havia levado a pista para a segunda prova até aquele encontro.

A curiosidade o corroeu por dentro e a mente de Wood começou a criar mil teorias que explicavam aquele encontro. Será que Anastasia precisava de ajuda para desvendar o mistério do ovo? Tão logo pensou nesta possibilidade, Oliver já prontamente a descartou. Pelo pouco que conhecia de Legrand, a loira era orgulhosa demais para pedir a ajuda dele.

O semblante de Oliver se tornou ainda mais confuso quando o ovo dourado foi empurrado para as suas mãos. O grifinório ficou olhando do objeto para o rosto de Anastasia sucessivas vezes, como se aquela alternância em algum momento ajudasse o cenário a fazer algum sentido na cabeça dele.

- Como assim...? – uma das sobrancelhas de Wood se arqueou quando a loira insinuou que ele estava disposto a enfrentar a água – Vou precisar que você seja um pouco mais objetiva nas explicações, Legrand. Afinal, aonde você quer chegar com esta conversa maluca?

Foi então que Anastasia fez a última coisa que Oliver esperava ver naquela tarde. A expressão dele refletia o mais absoluto choque quando a francesa ignorou a temperatura não muito agradável daquele dia e enfrentou as águas escuras e geladas do lago de Hogwarts.

- Ficou louca!??

A voz de Oliver saiu mais esganiçada do que ele gostaria, mas realmente era difícil ocultar o assombro diante daquela cena. Além da água gelada, o lago de Hogwarts escondia outros tipos de perigos. As águas eram extremamente profundas e abrigavam variados tipos de criaturas, algumas delas não muito amigáveis.

- Garota, eu não sei o que está planejando, mas não parece ser uma boa ideia! Aliás, você tem se tornado uma especialista em ideias ruins! Mas isso ultrapassa todos os limites, sabia?

Ao perceber pelo olhar estreitado de Anastasia que ela poderia honrar a ameaça de estuporá-lo, Oliver decidiu obedecê-la. Também era verdade que o grifinório estava sendo movido pela curiosidade. Aquele maldito ovo continuava sendo uma incógnita para Wood e ele seria grato por qualquer coisa que Anastasia tivesse a dizer sobre o objeto que continha a pista para a segunda prova do Torneio Tribruxo.

- Eu espero MESMO que isso valha a pena, Legrand. É sério!

Imitando o gesto da loira, Oliver retirou os sapatos e as meias, e por fim o casaco. Foi preciso uma generosa dose de coragem grifinória para que o rapaz enfiasse o primeiro pé na água gelada do lago. A baixa temperatura provocou um arrepio intenso que se espalhou por todo o corpo de Oliver, mas ainda assim o rapaz não desistiu.

Embora a água estivesse no nível dos calcanhares de Oliver, ele já sentia uma leve dificuldade para respirar por causa dos calafrios que estremeciam seu corpo.

- Qual é o plano, Legrand? Pretende se livrar de um adversário matando-o de frio? Se for este o caso, você está quase conseguindo!
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Seg Fev 08, 2016 1:46 am

Era estranho olhar para Oliver Wood e não lembrar da noite humilhante na clareira e do desastre no vira-whisky. Mas a excitação em ter descoberto a pista da próxima tarefa era grande o suficiente para despertar coragem em Anastasia.

A francesa exibia um largo sorriso convencido no rosto, mas sem o ar esnobe que lhe era comum. Era apenas a satisfação de finalmente voltar a se sentir merecedora em ser a campeã da Beauxbatoms.

A luz do sol produzia um brilho sobre a superfície negra do lago e parecia clarear ainda mais os olhos verdes de Anastasia. Seus cabelos loiros continuavam perfeitamente presos em um rabo de cavalo e caindo sobre um dos ombros, com o delicado chapéu azul firme sobre a cabeça. Porém, a barra da saia já estava completamente molhada.

- Qual é, Wood, achei que os grifinórios fossem mais corajosos que isso. Você consegue enfrentar um dragão, mas tem medo de água gelada?

O sotaque francês estava carregado em cada provocação, mas a expressão suave de Anastasia mostrava que não era mais uma das infinitas discussões entre os dois. Ela puxou a varinha das vestes e girou os olhos quando viu a reação assustada do britânico.

- Eu não vou te estuporar de verdade, imbecil. Vou apenas facilitar as coisas para você.

Com o nariz empinado, Legrand tocou a ponta da varinha na água e, com um feitiço não verbal, um círculo dourado se espalhou em um raio suficiente para cobrir os dois até desaparecer. Imediatamente, ela sentiu a areia grossa sob seus pés tremerem suavemente e em questão de segundos a água gélida havia se tornado mais agradável.

Enfrentando um pouco dificuldade por causa da densidade da água, Anastasia deu alguns passos até se aproximar de Wood, mais uma vez oferecendo o ovo em sua direção.

- Eu te devo uma, Wood.

A francesa fez uma pausa e soltou um suspiro, como se estivesse enfrentando uma batalha interna.

- Está bem, mais de uma. Então confie em mim, está bem?

Quando o ovo já estava seguro nas mãos do goleiro, Anastasia rodeou seus dedos delicados no pulso do rapaz e o puxou para frente. Wood era infinitamente mais forte, de modo que Legrand não conseguia de fato empurrá-lo, mas o guiou incentivando a se aventurar alguns centímetros a mais no lago.

- Eu descobri como o ovo funciona. Você precisa escutá-lo dentro d’água. – Anastasia cruzou os braços contra o peito e sorriu vitoriosa, inclinando a cabeça para indicar a área livre e perfeita para um mergulho. – Quando você estiver preparado. Só lembrando que eu não tenho o dia inteiro...
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Cameron Lahey em Seg Fev 08, 2016 2:14 am

Charlie se sentiu um canalha no instante em que viu os olhos azuis brilharem pelas lágrimas não derramadas, mas foi impossível mexer um único centímetro de seu corpo para reverter a situação.

Ele sabia reconhecer que havia ultrapassado os limites, mas também se sentia extremamente magoado para tentar prolongar aquela conversa com Florence. Os dois certamente continuariam dizendo ainda mais coisas das quais se arrependeriam depois.

Com a cabeça cheia e confusa, seus pés traçaram o caminho do Salão Comunal da Grifinória de forma mecânica e ele apenas se deu conta de onde estava quando entrou no dormitório vazio e foi recebido pelo olhar severo de Felicity.

A coruja fugia frequentemente do corujal para visitar o dono e quase todos os dias se acomodava em uma das janelas da torre, apenas aguardando Charlie lhe encher de carinhos e petiscos. Naquele fim de tarde, porém, a ave já parecia saber o que havia acontecido e refletia o mal humor do dono com os olhinhos estreitos.

- Não comece você também. – Charlie resmungou enquanto se jogava na cama.

A coruja bateu as asas algumas vezes para atravessar o quarto e pousou sobre o malão já arrumado para o feriado, encarando o bruxo com seus olhinhos conscientes e quase pronta para dialogar, se fosse possível.

- Acho que estraguei tudo, Felicity.

Para alguém com afinidades com criaturas mágicas como Weasley, não importava se a ave não fosse abrir o bico e lhe responder em um fluente inglês. O bruxo tinha a habilidade de interpretar os olhares e as ações dos bichos para dialogar quase tão lucidamente como seria se, no lugar da bela coruja, fosse outro bruxo a sua frente.

A ave permaneceu parada, encarando Charles com os grandes olhos arregalados e sem dar um único pio. Mas Charlie continuou, bufando em frustração.

- Eu sei que a culpa é minha. Mas você me entende, não é??? Aquele babaca... Um diadema, Felicity! A droga de um diadema estúpido de caro. Mas nããão, apenas amigos, foi o que ela disse!

Charlie cruzou os braços e encarou a paisagem dos jardins pela janela, a testa franzida e os lábios fechados em um bico emburrado.

- Bem que você gostaria de ter amigos assim também, não é? – Ele lançou um olhar acusador para a coruja, que recuou um passinho minúsculo. – Você certamente ganharia uma comida muito melhor do que esta porcaria que eu compro para você. Provavelmente teria uma gaiola de ouro! Quer uma gaiola de ouro, Felicity? Porque o pobretão do Weasley não pode comprar!

A coruja bateu as asas, parecendo assustada, mas ao invés de recuar, ela se aproximou ainda mais do dono, as patinhas miúdas desequilibrando no colchão afundado pelo peso do corpo do apanhador.

Em um movimento desengonçado, Felicity girou a cabeça para o lado, como se estivesse tentando animar o bruxo. Demorou alguns segundos para que os lábios de Charlie finalmente se curvassem em um sorriso derrotado, sem brilho no olhar.

Felicity era mais uma prova de como ele realmente não merecia Florence. Não ter dinheiro era uma coisa que jamais havia incomodado Charlie antes. Mas naquele momento, toda sua vida parecia se resumir a fato de que ele era um pobretão que jamais seria capaz de comprar um diadema para Florence.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Seg Fev 08, 2016 5:08 pm

Quando ajudou Anastasia a enfrentar o primeiro desafio do Torneio Tribruxo, Wood não esperava receber nada em troca. Inicialmente, o britânico apenas queria que fosse uma prova justa e que os três adversários entrassem na arena com a mesma vantagem. É claro que ele se angustiava em pensar na delicada francesa diante de um dragão selvagem, mas sua principal motivação para contar a Ana sobre os dragões fora o senso de justiça tipicamente grifinório.

Exatamente por isso, Oliver não sentia que Legrand lhe devia um favor e nem esperava que a loira retribuísse a ajuda. Ela se sentia em dívida, mas Wood já havia superado por completo os acontecimentos da primeira prova. No momento, toda a sua concentração estava voltada para o ovo indecifrável.

E foi o ovo que o motivou a enfrentar as águas geladas do rio. Mesmo depois do feitiço aplicado por Legrand, a água continuou fria, embora agora numa temperatura mais suportável.

Quando Anastasia explicou como o ovo funcionava, as sobrancelhas de Oliver se ergueram em surpresa. Se por um lado aquilo fazia sentido, por outro lado havia a chance de ser algum tipo de brincadeira de mau gosto ou algum tipo de plano de Beauxbatons para prejudicar o adversário de Hogwarts.

Foi a expressão de Anastasia que fez com que, depois de pensar por alguns segundos, Wood acreditasse nela. Legrand era extremamente orgulhosa e já mostrara ser uma pessoa absurdamente competitiva, do tipo que jamais apreciaria uma vitória desmerecida. Se ela estava ajudando-o, era com o único propósito de pagar a “dívida” dos dragões e se sentir merecedora das próximas vitórias.

- Bem pensado, Legrand. O barulho certamente não será tão insuportável dentro da água.

Antes que a loira pudesse responder, Oliver reuniu a coragem necessária e encheu os pulmões de ar antes de mergulhar nas águas frias do lago.

A água parecia escura se vista de fora, mas Wood tinha uma excelente visibilidade quando ergueu as pálpebras. Uma das mãos do rapaz amparou o ovo por baixo enquanto a outra mão girava a trave e abria o objeto. Instintivamente, Oliver fez uma careta e esperou pelo ruído estridente que já conhecia tão bem. Mas, para a sua imensa surpresa, seus ouvidos captaram o som de uma voz suave e anormalmente bonita que cantarolava a dica que o ajudaria na segunda prova do torneio.

Procure onde nossas vozes parecem estar,
Não podemos cantar na superfície,
E enquanto nos procura, pense bem:
Levamos o que lhe fará muita falta,
Uma hora inteira você deverá buscar,
Para recuperar o que lhe tiramos,
Mas passada a hora – adeus esperança de achar.
Tarde demais, foi-se, ele jamais voltará.


As palavras ecoavam com perfeição no interior da água, borbulhando através do ovo aberto. Mesmo depois que o recado chegou ao fim, Oliver permaneceu alguns segundos submerso, completamente surpreso e intrigado com o que acabara de descobrir.

Apenas quando seus pulmões começaram a arder, Wood se deu conta de que precisava respirar e retornou à superfície com um único impulso. As primeiras inspirações dele foram ofegantes e seu coração estava acelerado enquanto a mente repetia as palavras que ele acabara de ouvir.

Oliver não precisou de muito tempo para compreender o desafio que esperava pelos três campeões. Os jovens teriam que mergulhar no lago para recuperar algo que lhes era valioso. Além da água fria, eles teriam que enfrentar a falta de oxigênio por uma hora inteira. Wood não fazia a menor ideia do que faria, mas ao menos agora sabia por onde começar. Seria um desastre chegar à segunda prova do torneio sem nenhuma ideia do que esperava por ele.

Quando encarou Anastasia, Wood estava um pouco mais pálido que o normal, numa mistura de espanto e de falta de fôlego pelo recente mergulho na água gelada. Os cabelos castanhos tinham perdido os típicos fios arrepiados e estavam rentes à cabeça, jogados para trás. O uniforme da Grifinória colado ao corpo de Oliver realçava os músculos bem definidos, graças aos anos de quadribol.

- Valeu, Legrand. – a gratidão refletida nos olhos dele era sincera – Isso vai ajudar muito. Acho que estamos quites agora.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Seg Fev 08, 2016 5:43 pm

Como se aquilo pudesse preservar o que restava de seu orgulho depois de tantas ofensas injustas, Florence reuniu todas as suas forças e só derramou a primeira lágrima depois de se trancar sozinha em uma das cabines do banheiro do primeiro andar do castelo.

Exatamente por ter se segurado tanto, a francesa não conseguiu mais se conter. Depois de derramar a primeira lágrima, todas as outras vieram como uma avalanche incontrolável de choro e soluços.

Era doloroso demais digerir as palavras de Charlie. Florence entendia as razões dele e sabia que Weasley tinha o direito de estar chateado e enciumado. Mas ele não tinha o direito de insinuar que ela estava participando daquele joguinho. Depois de tantas semanas juntos, era muito ofensivo que Charlie duvidasse da pureza dos sentimentos que ela nutria por ele.

Florence sabia que a sua inocência poderia se tornar um grave defeito, mas ela ainda era incapaz de enxergar a maldade que transbordava nas atitudes do dinamarquês. Lars nunca havia dado nenhum motivo para que ela duvidasse de suas intenções e para Legrand aquele diadema, embora ridiculamente caro, simbolizava apenas a gratidão e a amizade de Lothringen.

A francesa ainda estava meio engasgada nos próprios soluços quando uma cabeça simplesmente atravessou a porta e invadiu a cabine na qual Florence estava escondida. A loira soltou um gritinho de susto e tapou a boca com as duas mãos enquanto encarava a cabeça da fantasma com os olhos arregalados.

- Quem é você? Só eu posso chorar aqui, sabia?

- Você é a Murta que geme! – Florence murmurou, lembrando-se do capítulo do livro que mencionava os fantasmas de Hogwarts.

- Eu sei. Perguntei quem é você! – Murta encarou Legrand de cima a baixo – Só pode ser uma das francesas, com este sotaque nojento e este rostinho de boneca. Hogwarts já está lotada de alunos que me incomodam, não era necessário trazer estrangeiros para infernizarem a minha vida.

- A sua morte, no caso.

Florence corrigiu a fantasma e só viu que havia falado demais quando Murta soltou um guincho e começou a chorar desesperadamente.

- Isso! Muito bem! Você aprendeu rápido! – Murta soluçava enquanto reclamava – O passatempo favorito de todos é importunar a Murta! Vamos lá rir da Murta! Vamos jogar objetos na Murta, quem acertar a cabeça ganha dez pontos! Vamos lá lembrar a Murta que ela está morta!!!

- Desculpe! – Florence sacudiu a cabeça – Me desculpe, eu não quis ofendê-la! Merlin, eu não estou fazendo nada certo hoje!

- Por que está chorando? – a fantasma parou de se lamentar imediatamente, mais interessada naquela fofoca – Por causa de um garoto, eu aposto.

- Sim. – era insano desabafar com um fantasma, mas Florence não teria mesmo com quem conversar agora que perdera Charlie.

- Quem? – Murta terminou de entrar na cabine, o que obrigou Florence a ficar acuada perto da parede.

- Ahn... Weasley.

- Charlie Weasley. – a fantasma abriu um sorrisinho malicioso – Às vezes eu passeio pelo banheiro dos monitores, sabia? Ah, se eu ainda fosse viva... O que o Charlie fez?

- Ele me disse coisas ruins. – Florence achou melhor não entrar em detalhes, visto que Murta tinha a fama de não ser nada discreta.

- O Charlie? Mas ele é sempre tão gentil!

- Sim. Exatamente por isso doeu muito. – a francesa olhou na direção da porta – Você pode me dar licença? Eu já me sinto melhor, quero ir embora.

- Você ainda não me contou os detalhes!

- Eu não quero mais falar sobre isso, desculpe. – Florence insistiu, já sem graça – Você pode me dar licença, Murta?

- Não! Você vai me contar tudo! Agora!

- Desculpe.

Já sem muita paciência, Florence respirou fundo antes de dar um passo adiante e destrancar a porta da cabine. Atravessar um fantasma não era uma sensação muito agradável, mas os gritos de Murta conseguiam piorar ainda mais a situação.

- Isso!!! A Murta não é sólida, vamos ignorá-la e atravessar o corpo dela! Quem se importa se a Murta tem sentimentos, quem se importa se a Murta quer conversar?

Ainda com os gritos latejando em sua cabeça, Florence saiu apressada do banheiro e fez uma nota mental para nunca mais entrar naquele lugar. Definitivamente, aquele não era um bom dia para Legrand.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Seg Fev 08, 2016 5:44 pm

Saber que havia sido a primeira a descobrir aquele segredo, sem precisar da ajuda de ninguém, já havia sido bastante satisfatório para Anastasia. Mas ouvir de Wood que não haviam mais dívidas entre eles tirava um peso dos ombros da francesa, minimizando o fracasso da primeira prova.

Ela finalmente estava voltando a ser a velha Legrand de sempre, confiante, inteligente e que se destacava. Era ótimo para o próprio ego, mas também havia uma vozinha no interior da sua mente dizendo que estava finalmente parando de se humilhar e mostrando a Oliver o quanto era capaz de ser a melhor.

O sorriso vitorioso em seus lábios aos poucos foi morrendo enquanto as íris verdes passeavam pelo rosto molhado do grifinório. O rubor que sempre se apoderava das suas bochechas quando o rapaz estava por perto logo surgiu enquanto Legrand se flagrava pensando no quanto ele era atraente.

Qualquer menina em sã consciência concordaria que Oliver era um rapaz bonito e que despertava interesse, mas Anastasia nunca havia perdido tempo reparando em rapazes antes. Muito menos um que deveria ser seu maior oponente. Era, no mínimo, inapropriado e certamente uma distração desnecessária.

Mesmo assim, por alguns segundos, ela mordeu o lábio inconscientemente enquanto acompanhava o movimento de algumas gotas d’água deslizando pelas laterais do rosto bonito até morrer no canto dos lábios desenhados.

Um tempo longo demais havia se passado quando Anastasia finalmente se deu conta que encarava Oliver sem dizer nada, o coração acelerado e o rosto corado em constrangimento.

- Ótimo. Estamos quites então. – Ela repetiu, balbuciando de forma quase mecânica.

Foi preciso desviar o olhar para qualquer outro ponto que não fosse Oliver para que a mente voltasse a funcionar. Sentindo-se repentinamente tímida, Anastasia pigarreou e tentou ignorar o calor em seu rosto, oposto a água gelada que ainda molhava seus joelhos.

Ana deu um passo a frente, o movimento fazendo com que a água atingisse mais alguns centímetros da saia azul, e esticou as mãos para receber o ovo novamente.

- Apenas tente não morrer afogado, está bem, Wood?
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Cameron Lahey em Seg Fev 08, 2016 6:51 pm

Mesmo que Charlie tivesse a intenção de procurar Florence na manhã seguinte, a agitação dos corredores provocada pelos alunos que deixariam Hogwarts nas festas de final de ano tornou impossível que ele sequer tentasse.

O apito do trem que os levaria até Londres estava soando pela última vez quando a cabeça de Percy Weasley surgiu na porta, encontrando o irmão sozinho na plataforma. Seu semblante infantil estava distorcido em uma mistura de medo e preocupação e a voz chorosa entregou o seu receio de partir sozinho no expresso.

- Charlie? Você não vem?

Toda a bagagem do Weasley mais velho já havia sido despachada e a única coisa que ele carregava consigo era a gaiola de Felicity. Assim como o dono, a coruja também procurava algo no horizonte, em um fio de esperança que desapareceu quando Charlie soltou um suspiro derrotado.

Era muita ingenuidade acreditar que Florence pudesse aparecer para se despedir, depois de tudo que ele havia dito. Mas no fundo, o grifinório ainda tinha esperança de que a terrível cena fosse apenas fruto de um pesadelo.

O expresso começou a fazer os primeiros movimentos quando Charles teve a certeza de que seria tolice continuar ali. Sentindo o peito espremido, ele deu um salto nos primeiros degraus e tocou o ombro de Percy para se equilibrar.

- Já estou aqui, Percy.

***

Estar de volta em casa era sempre uma sensação maravilhosa, mas naquele ano, nem mesmo o perfume delicioso da comida de Molly Weasley era capaz de minimizar a tristeza de Charles.

Por mais de uma vez, ele cogitou enviar uma coruja para Florence, mas desistiu após desperdiçar toneladas de pergaminho sem saber o que dizer. Em alguns momentos, Charlie apenas se odiava por ter sido tão rude. Independente se a francesa merecesse ou não, nada lhe dava o direito de ser tão desrespeitoso.

O sentimento só era deixado de lado quando ele pensava que, naquele mesmo instante, Florence estaria a sós com Lars. Somada as investidas do dinamarquês ou o desastre provocado por Charlie, não era difícil imaginar os dois estrangeiros trocando beijos calorosos.

- Merlin, você está fedendo!

William Weasley entrou no quarto que dividia com o irmão e caminhou até a janela, abrindo o vidro para que o vento gelado de dezembro entrasse. Apesar do frio, os dois irmãos estavam suando e com as roupas sujas.

- Como se você estivesse muito melhor. Este seu cabelo está nojento, Bill. Mamãe tem razão, se continuar assim, vai ficar com o cabelo maior que o da Ginny!

Sem se abalar com o comentário do irmão mais novo, Bill sentou na beira da própria cama e se inclinou para tirar as botas enlameadas, exibindo um largo sorriso.

- Você não pode me culpar por ter o cabelo melhor que o seu. É sério, Charlie... acho que tem bosta de gnomo na sua orelha!

Charlie fez uma careta, mas acabou levando os dedos mecanicamente até a própria orelha, procurando qualquer anomalia. Os dois estavam exaustos e imundos após passar a tarde limpando o quintal para eliminar gnomos, mas o cheiro da ceia preparada por Molly que subia pelas escadas era incentivo suficiente para que eles tomassem banhos apressados.

- Pelo menos a bosta vai sair com água. E esse seu brinco? – A careta fechada de Charlie denunciava seu mau humor, mas mais uma vez foi incapaz de atingir Bill, que continuava a exibir um largo sorriso. – Mamãe e papai já tiveram uma filha, você não precisa mais tentar realizar o sonho deles por uma menininha.

- Falando em menininha... – Bill indicou com o queixo o pequeno embrulho sobre o travesseiro de Charlie. – Mamãe disse que você tem uma namorada nova.

Ao contrário do primogênito que não se abalava com os comentários maliciosos, aquela simples menção do suéter feito por Molly exibindo o “F” embrulhado sobre sua cama era suficiente para derrubar o mais novo.

-Não tenho, não. – Charlie resmungou, pegando o embrulho e o enfiando no malão aberto e bagunçado apenas para sair do seu campo de visão.

- Ahn, ok... Namorado?

O apanhador bufou e se jogou na cama, ocupando os dedos para desfazer o laço de seus coturnos.

- É que não rolou, tá legal? E eu ainda não contei para a mamãe.

Bill, sentado na cama em frente, apoiou os cotovelos sobre os joelhos e uniu as mãos, encarando o irmão já sem a expressão zombeteira de antes. Por alguns segundos, eles apenas se encararam e não foi preciso dizer nada para que Charlie finalmente bufasse e contasse a história resumida do relacionamento com Legrand.

- Então... Ela nunca admitiu gostar do outro cara? Ou de nenhum outro? – Bill estava com a testa franzida enquanto montava as peças daquela história em sua cabeça. – Mas disse claramente que gostava de você?

Charles coçou a nuca, se sentindo incomodado, e confirmou com um aceno da cabeça. De fato, Florence jamais havia dado motivos para que ele se comportasse tão rudemente, mas cegado pelos ciúmes, ele deixara que a boca tomasse vida própria e estragasse tudo por completo.

- Só pra ver se eu entendi direito... O único erro dessa garota foi ter aceitado um presente caro? Você é demente?

- Não foi um presente caro, Bill. Você tinha que ver aquele imbecil! Claramente o Lars quer ficar com ela!

- E ela claramente queria ficar com você, sabe-se lá por que!

- Mas o Lars...

- Mas o quê?! Porque, a não ser que você esteja deixando alguma coisa de fora nessa história, você não brigou com o tal do Lars, você brigou com ela!

Charlie sentiu os ombros pesarem e encarou o piso de madeira sob seus pés, sentindo-se pior a cada segundo que passava. Agora que o calor do momento havia passado e ele conseguia enxergar as coisas com mais claridade, sabia que havia descontado em Florence da pior maneira possível.

- OK, eu fui um idiota e estraguei tudo! Mas agora ela não vai querer me ver nunca mais!

- Provavelmente. – Bill concordou, encolhendo os ombros. – Mas você deveria ao menos tentar.

- Tentar como, Bill??? – Charlie jogou as mãos para cima antes de chocá-las contra as próprias pernas, gesticulando nervosamente. – Eu não tenho dinheiro para comprar uma joia daquelas, nunca vou ter! Só o que eu tenho a oferecer é um suéter ridículo que a mamãe fez!

Um travesseiro voou pelo quarto até acertar a cabeça do apanhador da grifinória, pegando-o de surpresa.

- Mas que...? – Ele puxou o travesseiro após com as mãos, encarando o irmão mais velho com os olhos azuis arregalados.

- Primeiro: jamais insulte os suéteres da mamãe! Além do mais, quem falou alguma coisa em joia, demente? Isso o Lars já tem a oferecer. E ela gostou de você primeiro, então trate de reconquistá-la de outra forma!

As palavras do irmão ecoaram na cabeça de Charlie por longos segundos até que a voz de Arthur Weasley soasse do andar inferior, chamando para o jantar.

Ele sabia que suas chances eram quase nulas, mas Bill estava certo em dizer que ele deveria ao menos tentar.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Seg Fev 08, 2016 7:20 pm

O calor exibido pelo rosto de Anastasia não combinava em nada com o clima do momento. A francesa havia conseguido amenizar a temperatura congelante da água com um feitiço, mas o lago continuava extremamente frio. Além disso, o vento gelado de dezembro tratava de completar a missão de congelar até os ossos de Wood. Como Legrand conseguia ficar corada naquelas circunstâncias?

Quando a resposta mais óbvia surgiu na cabeça de Oliver, seus lábios se curvaram num meio sorriso. Apesar do frio do ambiente, o grifinório sentiu seu corpo se aquecer e finalmente entendeu o que acontecia com Anastasia.

Apesar da personalidade absurdamente complicada e do orgulho que parecia transbordar em cada célula do corpo da francesa, Anastasia já havia dado provas de que não era indiferente ao seu adversário britânico. Antes de explodir e enchê-lo de ameaças na festa da clareira, Legrand havia retribuído ao beijo com uma intensidade impossível de ser forjada. O comentário enciumado sobre a garota da Corvinal serviu apenas para confirmar as suspeitas de Wood naquela madrugada e as bochechas coradas de Anastasia agora mostravam que, apesar de tantos dias sem falar com ele, aquele sentimento não havia mudado.

- Eu vou tentar. Espero que você também sobreviva. Seria muito chato ter apenas o Bellamy como adversário, o torneio não teria a menor emoção.

A timidez definitivamente não combinava com o restante da personalidade dela, mas Oliver tinha que admitir que gostava de pensar que ele era o responsável por tamanho constrangimento.

Assim como todos os garotos de Hogwarts, Oliver se sentia atraído pela beleza das francesas de Beauxbatons. Mas não era só isso que fazia seu corpo se aquecer por Anastasia. Mais do que a inegável beleza, ele gostava da personalidade forte, das expressões emburradas, daquele orgulho inabalável e até da maneira como Anastasia tentava desesperadamente fingir que era indiferente a ele.

Propositalmente, Wood continuou parado onde estava e obrigou Anastasia a se aproximar dele para reaver o ovo dourado. O britânico manteve uma expressão amena no rosto e chegou a estender o ovo na direção dela. Portanto, Legrand foi pega totalmente de surpresa quando Oliver se moveu subitamente, tomou um impulso e saltou na direção dela.

Bem mais baixa e ridiculamente mais leve que o grifinório, Anastasia não tinha a menor chance de resistir àquela investida. Os joelhos dela se dobraram e, em menos de um segundo, a água fria do lago já cobria a cabeça da francesa. Oliver mergulhou junto com a garota e as bolhas que escaparam de suas narinas dentro da água não esconderam a risada debochada de Wood.

De volta à superfície, Oliver sabia que Anastasia retornaria com a fúria da lula gigante. Por isso, ele novamente agiu rápido. Tão logo a cabeça loira surgiu, Oliver se colocou diante da francesa e a enlaçou com firmeza pela cintura.

Legrand não teve tempo para recuperar o fôlego, muito menos para explodir com o britânico. Antes que ela pudesse pensar em qualquer coisa, os lábios de Wood se colaram aos dela num beijo molhado.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Seg Fev 08, 2016 7:51 pm

Aquele era, sem dúvida, o pior natal da vida de Florence Legrand. Ela nunca gostou particularmente da exagerada ceia de natal que geralmente acontecia em sua casa, tampouco fazia questão de ver a árvore lotada de embrulhos na manhã seguinte. Mas, naquele ano, ela daria tudo para estar na França e participar daquele tradicional momento de sua família. Qualquer coisa era melhor do que estar em Hogwarts, sentindo-se assombrosamente solitária.

Apesar da melancolia que a soterrava, Florence precisava admitir que os britânicos sabiam aproveitar aquela data. O castelo estava magicamente enfeitado para o natal, a ceia oferecida aos alunos era mais farta e saborosa que qualquer jantar já visto por Legrand. O castelo estava bem mais vazio, mas era notável que todos os alunos que ali ficaram tinham encarnado bem o clima da festa.

Exceto Florence. A loira bem que tentou se animar, mas o clima de natal simplesmente não a atingiu. Sem Charlie nada parecia ter graça e, embora estivesse determinada a nunca mais falar com o ruivo, Legrand não conseguia esconder de si mesma a saudade sufocante que sentia dele.

A persistente ausência de Anastasia não ajudava em nada. Florence entendia que aquele era um ano tumultuado para a irmã gêmea e que Ana estava ocupada demais com os estudos e com suas obrigações relacionadas ao Torneio Tribruxo. Mas isso não diminuía a falta que Florence sentia de estar com Anastasia todo o tempo e de compartilhar seus segredos com ela.

Por falar em segredos, Florence tinha a ligeira impressão de que Ana vinha escondendo alguma coisa. Anastasia estava sempre distraída demais, ansiosa demais e falava cada vez menos. Flor pensou várias vezes em questionar a irmã sobre aquele comportamento, mas desistia sempre que se lembrava que ela também tinha um segredo chamado Charles Weasley.

Como já vinha se tornando comum nos últimos dias, Florence estava sozinha no Salão Principal, ocupando um dos lugares da mesa destinada aos estrangeiros. A loira tinha diante de si uma xícara de chá e usava uma colherzinha para mexer no líquido, sem muita vontade de experimentá-lo.

- Dou uma fortuna pelos seus pensamentos, Florie.

A voz de Lothringen fez a loira se sobressaltar. Ela estava tão distraída que só percebeu a presença do colega quando ele se sentou diante dela.

- Eu só estava pensando na Ana. – Florence contou uma meia verdade – Ela não fala sobre o torneio. Eu estava me perguntando se ela já está preparada para a segunda prova.

- Já está chegando o dia, não é? O tempo está voando! – Lars fez uma pausa antes de tocar na ferida com um semblante falsamente inocente – Você conseguiu se entender com o Weasley naquele dia? Eu fiquei me sentindo péssimo, realmente não tive a intenção...

Alguns dias já haviam se passado desde a briga com Charlie, mas a forma como os olhos azuis da moça se encheram de lágrimas mostrava que aquela ferida ainda estava muito dolorida.

- Você não teve culpa, Lars. A culpa foi minha. Eu me enganei com ele.

Com muito esforço, Lothringen conseguiu conter um sorrisinho vitorioso. Embora achasse Florence bonita, Lars não gostava dela em especial. Aquelas investidas tinham como principal objetivo mostrar a Charlie qual era o lugar dele no mundo.

- Você quer que eu converse com ele quando o Charlie voltar? Eu posso explicar que não há motivos para que ele fique tão chateado. Eu adoro você, acho que você é uma garota sensacional. Mas eu respeito a sua escolha e me conformo em ser apenas um amigo.

- Não precisa, Lars. Eu prefiro deixar esta história de lado, é melhor nem falarmos mais disso. – Legrand suspirou antes de mudar o rumo da conversa – Eu prometi que te ajudaria com Poções. Quando você quer começar?

Lothringen não tinha a menor vontade de perder horas na biblioteca de Hogwarts. Ao contrário da maioria dos alunos, ele não se importava nem um pouco com as notas que receberia nas provas finais. Seu futuro estava garantido como único herdeiro de uma fortuna incalculável. Mas aquele parecia ser o caminho mais seguro até o coração de Florence.

- Agora mesmo. Não tenho tempo a perder.

- Vamos, então. Eu preciso mesmo me distrair.

Se Florence fosse qualquer outro tipo de garota, Lars já teria tentado uma investida mais direta. Mas o sucesso de seu plano não dependia apenas de um beijo roubado. Lothringen queria que a francesa se apaixonasse por ele e que Charlie Weasley fosse apenas uma sombra no passado dela. Isso exigia tempo e paciência, mas Lars estava disposto a se esforçar para vencer aquela guerra silenciosa contra o britânico.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Seg Fev 08, 2016 7:58 pm

O movimento surpresa de Oliver só não foi a maior surpresa porque logo Anastasia sentiu todo o seu corpo afundar nas águas frias do lago. Com movimentos abobados das pernas e os braços, ela conseguiu voltar a superfície e puxou o ar com força, os olhos verdes arregalados.

O delicado chapéu azul havia escapado de sua cabeça e agora boiava há alguns centímetros de distância, se afastando a cada movimento dos dois adolescentes. O rabo-de-cavalo havia ficado mais frouxo e começava a se soltar por completo. O uniforme da Beauxbatoms estava grudado em seu corpo e pesado e o vento fraco da tarde intensificava o frio.

- Wood!!! Mas o quê...?

Antes que ela terminasse a frase ou tivesse a oportunidade de sacar a varinha, o grifinório a surpreendeu mais uma vez, iniciando mais um beijo inesperado. Pega completamente desprevenida, Anastasia levou alguns segundos para conseguir reagir, mantendo os olhos arregalados.

Apenas quando as pálpebras voltaram a cobrir as íris verdes, o corpo da francesa começou a relaxar, ignorando o frio, e ela retribuiu ao beijo, se entregando àquela vontade que vinha negando para si mesma há dias.

Seus dedos molhados procuraram o pescoço de Oliver para se pendurar, e as unhas massagearam com carinho a nuca dele, sentindo os cabelos grudados. A mente de Anastasia, sempre em alerta, estava ignorando todo o restante do mundo apenas para aproveitar a deliciosa sensação dos lábios úmidos de Wood.

Os uniformes grudados permitiam que ela sentisse o corpo firme do britânico que a amparava, e uma das mãos deslizou bobamente pelo ombro e braço de Oliver, apertando-o suavemente. Quando seus pulmões começaram a arder, Ana interrompeu o beijo, erguendo as pálpebras para revelar os olhos com um intenso brilho.

Seu lábio inferior tremia ligeiramente pelo frio, mas as íris claras passeavam pelo rosto bonito de Oliver sem pressa. O grifinório poderia ser capaz de despertar o seu pior, mas era impossível não reparar no quanto ele era atraente.

- Você não devia ter feito isso, Wood.

As palavras foram sussurradas pelo frio, mas Legrand estava séria quando ergueu as mãos e empurrou Wood para baixo d’água. Ela era infinitamente mais fraca que o rapaz, e apenas havia conseguido tal proeza graças ao elemento surpresa.

Quando Wood voltou à superfície, Anastasia exibia um sorriso divertido e suave que não lhe era comum. O bom humor estampado no rosto deixava a francesa com uma aparência doce e delicada que mais lembrava a irmã.

- Agora nós não estamos mais quites. Vou precisar pensar em alguma forma de me vingar por ter estragado meu uniforme.

Contrariando as próprias palavras, Legrand alargou o sorriso divertido e esticou os braços até enlaçar o pescoço de Wood mais uma vez, tomando a iniciativa de mais um beijo.
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Anastasia Legrand

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Re: Torneio Tribruxo

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