Torneio Tribruxo

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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Sab Jan 30, 2016 11:52 pm

Uma eternidade separou o momento em que Oliver se viu sozinho na tenda até o instante em que Crouch apareceu para anunciar que chegava a vez do competidor de Hogwarts.

Anastasia havia concluído sua prova em poucos minutos, mas Wood já não tinha mais noção do tempo. A ansiedade que o dominava fazia com que segundos parecessem horas. Ironicamente, o rapaz teve a impressão de que o tempo voara desde o momento em que o Cálice de Fogo cuspira o seu nome até a primeira prova do Torneio Tribruxo.

Mesmo não tendo visto pessoalmente os outros dragões, Oliver notou pelo semblante surpreso e aterrorizado das torcidas que o Dragão Negro das Ilhas Hébridas era a maior e a mais ameaçadora das três espécies exibidas naquele dia. Antes mesmo de avistar a criatura, Wood se arrepiou ao chegar na arena e ver as arquibancadas mudas e perplexas, com os olhos fixos na direção da gaiola.

- VOCÊ VAI MORRER, WOOD!

O grito veio obviamente do grupinho de sonserinos que se juntaram aos alunos de Durmstrang. Oliver não se importava nem um pouco com a falta de apoio da casa de Slytherin, até porque nunca imaginou que veria os sonserinos vibrando com suas vitórias. Mas nem por isso o goleiro da Grifinória conseguia ser totalmente indiferente ao fato de que algumas das pessoas ali presentes comemorariam se ele saísse machucado ou morto do combate com o Dragão Negro.

Com a varinha em punho e se esforçando bastante para não tremer, Oliver deu mais alguns passos até avistar o obstáculo pelo qual deveria passar naquela primeira prova do Torneio Tribruxo.

Se não estivesse no interior da arena, com o pescoço exposto para o dragão, o grifinório certamente conseguiria admirar a beleza daquele animal. O Dragão Negro das Ilhas Hébridas era enorme, certamente alcançava os oito metros de comprimento se fosse contado o tamanho de sua cauda.

As escamas que cobriam o seu corpo eram ásperas e tão negras que refletiam a luz do sol, adquirindo um brilho bonito. Todo o seu dorso era coberto por uma carreira de cristas curtas, mas visivelmente afiadas. Suas asas estavam abertas já numa posição hostil e se assemelhavam às asas de um morcego, embora fossem ridiculamente enormes. O rabo, igualmente comprido, terminava em uma escama pontiaguda, parecida com uma flecha.

A visão era tão surpreendente que Oliver estancou por um momento, com os olhos fixos naquela criatura que era bela e perigosa na mesma intensidade.

Provavelmente o cheiro de Wood chamou a atenção do dragão e várias pessoas seguraram as respirações nas arquibancadas quando o animal se virou bruscamente na direção de Wood, cravando nele os seus olhos cor de púrpura.

- Merda...

Oliver só teve tempo de correr para trás de uma das pedras antes que uma onda de fogo voasse em sua direção. Mesmo tendo a rocha como proteção, Wood sentia o calor intenso do fogo abalando as estruturas da pedra e sabia que não poderia ficar ali por muito tempo.

Segundo os livros que Oliver lera naquela semana que antecedeu a prova, dragões grandes e selvagens como o Dragão Negro eram praticamente imunes à maior parte dos feitiços. Suas escamas ásperas eram resistentes à magia e não permitiam que feitiços ultrapassassem aquela barreira natural. Era uma missão quase impossível atingir o dragão nos pequenos pedaços de seu corpo que não contavam com aquela proteção.

Se usar a varinha para atacar o dragão era uma tolice, restavam poucas opções para Oliver. O artifício usado por Anastasia dificilmente funcionaria contra um Dragão Negro das Ilhas Hébridas. O Meteoro-Chinês era uma espécie que se distraía facilmente com uma oferta fácil de comida, mas os instintos selvagens de um Dragão Negro não permitiriam que ele abandonasse seu ninho em troca de um pedaço de carne, por mais apetitoso que fosse.

Bellamy atacara o seu dragão, mas esta não era uma opção para Wood. Anastasia distraíra seu dragão com comida, mas isso não funcionaria na situação de Oliver. Restava a ele a ingrata missão de tentar ser mais rápido que um animal de oito metros, dotado do poder de cuspir labaredas de fogo gigantescas.

Quando Oliver apontou a varinha para o céu, a maioria das pessoas imaginou que ele soltaria faíscas vermelhas, que era o sinal de que o competidor queria desistir da prova. Contudo, para a surpresa de todos, nada aconteceu num primeiro momento. Wood lançou um feitiço não verbal para cima, mas nenhum objeto foi conjurado, nenhuma “arma” que ele pudesse usar contra o dragão surgiu.

Uma nova labareda de fogo esquentou a pedra de tal maneira que Oliver se viu obrigado a sair de seu esconderijo. Dois segundos depois, a rocha se espatifou em mil pedaços enquanto o Dragão Negro soltava um grunhido selvagem para Wood, que correu rapidamente para trás de outra pedra.

Não demorou para que risos começassem a se espalhar pelas arquibancadas. Aos olhos de todos, Wood estava protagonizando uma cena ridícula e fugia do dragão sem fazer nem mesmo uma tentativa de atingir o ovo. Todos só entenderam que Oliver tinha um plano quando uma vassoura surgiu solitária no céu e mergulhou obedientemente na direção do dono.

Com a habilidade de um excelente jogador de quadribol, Wood saltou sobre a vassoura em movimento e decolou num voo que conseguia ser mais rápido que o fogo do Dragão Negro. Com exceção dos sonserinos, todos os demais alunos de Hogwarts foram à loucura e se ergueram nas arquibancadas, como se estivessem diante de uma jogada excepcional no final de um campeonato.

Em cima de uma vassoura, Wood não demonstrou nenhum receio, era óbvio que ele se sentia em casa.

O dragão bateu as enormes asas numa tentativa de segui-lo, mas por sorte as correntes que o mantinham no solo eram bem resistentes. Oliver só precisou distrair a criatura fazendo uma curva mais fechada antes de se inclinar, mergulhar com a vassoura e capturar o almejado ovo dourado.

Ainda no céu, Wood ergueu o ovo como se ele fosse um troféu. Os colegas da Grifinória iniciaram o grito de guerra da casa dos leões enquanto os demais alunos aplaudiam. No fim das contas, o desempenho de Wood que parecia medíocre terminara de forma gloriosa, da melhor maneira que o rapaz sabia. Seria excelente que os jornais publicassem que Oliver alcançara a vitória usando suas habilidades de jogador de quadribol. Era exatamente essa publicidade que levaria Wood até o desejado contrato com um time profissional.

A placa contendo a nota nove foi erguida, finalizando assim a primeira prova do Torneio Tribruxo com Anastasia Legrand e Oliver Wood empatados em primeiro lugar. Igor Karkaroff, que pagara muito caro pela informação sobre os dragões, deixou a arena totalmente furioso e inconsolável com aquele tropeço de Bellamy.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Dom Jan 31, 2016 12:33 am

Apesar da certeza de que Anastasia sabia mais do que deveria sobre a primeira prova do Torneio Tribruxo, Florence nem por um momento desmereceu o desempenho da irmã. A representante de Beauxbatons havia mostrado inteligência e habilidade mágica na maneira como vencera o desafio.

A única coisa que incomodava Florence era a sensação de que Bellamy fora, de alguma forma, prejudicado. Mas até mesmo isso deixaria de ser um problema quando um dos garotos de Durmstrang resmungou na arquibancada de trás.

- Não acredito nisso. Karkaroff passou a semana toda revisando dragões com o Bellamy! Como ele foi capaz de cometer erros tão principiantes???

As palavras foram sussurradas em norueguês. Mas, como neta de um influente político, Florence sabia o básico de praticamente todas as línguas dos países mais próximos. A loira trocou um olhar mais sério com Charlie e murmurou, visto que o ruivo não havia entendido nenhuma das palavras ditas pelo outro rapaz.

- Os três sabiam.

Só neste momento, já livre da adrenalina do torneio, Florence abaixou os olhos e percebeu que passara boa parte das provas com uma das mãos unidas a de Charlie.

As bochechas da loira adquiriram um tom mais rosado, mas Legrand não se esquivou imediatamente daquele contato. Ao contrário, ela se permitiu admirar a beleza do contraste que existia entre os dois. Seus dedos pequenos e delicados se encaixavam com perfeição entre os dedos pálidos e compridos de Weasley. Sua pele gelada pela tensão era aquecida pelo calor que vinha do britânico e aquilo parecia reconfortar até a alma da francesa.

- Estamos empatados.

Florence comentou de maneira doce, referindo-se ao fato de Hogwarts e Beauxbatons terem exatamente a mesma pontuação. É claro que aquela rivalidade não abalaria a aproximação dos dois, mas era gostoso pensar que nem mesmo o Torneio Tribruxo dava a eles motivos para competitividade.

As mãos só romperam o contato quando Florence percebeu que Percy estava voltado para os dois, encarando as mãos unidas com um olharzinho curioso. Antes que o ruivinho fizesse alguma pergunta constrangedora, Legrand afastou os dedos com gentileza e sorriu para Charles.

- Eu preciso ir. Quero ser a primeira a cumprimentar a Ana. Prometem que não vão contar a ela que eu não assisti a prova?

- Prometo. – Percy concordou docilmente.

- Você não parece ser muito bom com segredos, Percy, mas eu vou te dar mais um voto de confiança.

Florence brincou antes de se inclinar e depositar um beijo suave na testa do menino. O coração da francesa deu um salto violento dentro do peito quando ela se atreveu a repetir o gesto com Charlie, beijando a bochecha dele.

Foi um momento breve e, em menos de cinco segundos, Florence desapareceu no meio do grupinho de garotas de Beauxbatons que corriam na direção de Anastasia. Sozinho com Percy, Charlie não escaparia de uma pergunta indiscreta.

- Você e a Florence são namorados, Charlie?

Antes que Charles pudesse pensar numa resposta, uma voz áspera e debochada soou às costas dos dois Weasley.

- Só nos sonhos dele. – Flint soltou uma risada debochada – Aliás, acho que até nos sonhos seria uma ambição grande demais para um Weasley. Caras como você servem apenas para limpar o chão de princesas como ela.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Jan 31, 2016 12:58 am

Charlie ainda sentia a bochecha quente na região onde Florence o beijara e continuou congelado em seu lugar, os olhos fixos nos cabelos loiros que balançavam naturalmente enquanto ela se afastava.

Ele sabia que estava encantado com a francesa há dias, mas era a primeira vez que percebia a imensidão do impacto que ela causava sobre si. O gesto tão simples fora capaz de despertar reações em todo o seu corpo, fazendo toda sua mente se desligar do mundo externo para concentrar apenas na sensação dos lábios macios tocando sua pele.

Com a garganta seca, o ruivo engoliu em seco e se permitiu sorrir bobamente enquanto os fios loiros sumiam na multidão que deixava as arquibancadas. Florence era incrível e ele se sentia lisonjeado pela simples companhia dela.

Uma vozinha em sua mente insistia em dizer que ele era visto apenas como um bom amigo, afinal a francesa não havia demonstrado nada de diferente até então. Mas mesmo aquela humilde posição enchia o seu peito de alegria.

A voz de Percy o trouxe de volta a realidade, mas foi o comentário de Flint que fez o sorriso sumir dos lábios do grifinório. Com uma expressão dura, ele se virou para encarar o sonserino.

- E você seria quem nesta história, Flint? O monstro que guarda a torre da princesa?

O ruivo se levantou, tocando o ombro do irmão caçula para que ele repetisse o seu gesto. Ele ajeitou as vestes enquanto se afastava.

- Por Godric, homem... acerte esses seus dentes, eles estão cada dia mais tortos. Somando com esse seu olho esbugalhado, eu tenho a sensação de encarar uma acromântula cada vez que olho para você.

O sonserino deu um salto de seu lugar, mas foi puxado pelas vestes por um dos alunos da Durmstrang.

- Não precisa se exaltar, Marcus. – O sotaque do Dinamarquês se vez ouvir enquanto ele encarava o Weasley por cima. – Se as histórias que você me contou sobre esse aí forem verdadeiras, ele deve dormir no ninho de uma acromântula, onde deve ter mais espaço que na casa cheia de irmãos.

O dinamarquês ajetou as próprias vestes e deslizou as mãos pelos cabelos impecavelmente loiros e lisos.

- Me diga, Weasley... O Marcus me contou que seus pais na verdade são animagos. Se transformam em coelhos, não é? Isso explicaria bastante coisa...

Charlie cerrou os punhos, sentindo os dedos estalarem, e era apenas a presença de Percy que o impedia de sacar a varinha.

- Por que? Estão precisando de alguma aulinha em magia? Vocês sabem que animagos são incrivelmente capacitados, não é? Bem, eu não me surpreenderia se não soubessem. O cérebro do Flint é pequeno na mesma proporção em que seus dentes são tortos.

O dinamarquês desceu um degrau na arquibancada que se esvaziava e encarou Charlie sem abalar o sorriso.

- Ele ao menos é inteligente o bastante para saber que você não tem a menor chance com a Legrand. Tire o seu hipogrifo do caminho, Weasley. Meninas como ela jamais ficariam com pobretões como você.

- Você tem miopia? O fogo do dragão te cegou de alguma forma? – Charlie abriu os braços. – Porque ela passou o tempo todo sentada ao meu lado, não do seu.

O sorriso do dinamarquês se alargou e ele enfiou as mãos nos bolsos.

- Por ora.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Dom Jan 31, 2016 1:31 am

- Uma festa?

A sobrancelha fina de Anastasia ergueu ao encarar o panfleto na sua mão. O sol já havia se posto e os fios loiros estavam molhados após um demorado banho, o suficiente para fazê-la relaxar após o dia agitado.

Os planos da francesa se resumiam em dormir mais cedo e descansar da tensão provocada por enfrentar um dragão. Por mais que seu desempenho tivesse sido breve, ela se sentia mentalmente cansada e uma festa era a última coisa em seus pensamentos.

Para a jovem Legrand, não haviam motivos a serem comemorados. Por mais que adorasse ganhar, ela não sentia que merecia a vitória conquistada naquele dia. O segredo sobre o dragão havia sido revelado por Wood, e por mais que tivesse suas próprias ideias de como enfrentaria o desafio, a imensidão da criatura mágica fora suficiente para paralisá-la e obriga-la a usar a ideia do grifinório.

Piorando o cenário, Oliver havia sido completamente espetacular em seu desempenho. Além da admirável criatividade, a habilidade com a vassoura havia sido uma completa reviravolta, transformando seu desafio em um verdadeiro espetáculo. Para Anastasia, não havia dúvidas de que Oliver era muito mais merecedor daquela vitória, o que criava um enorme incômodo em pensar que não seria tão fácil ganhar a taça.

- Aquela menina de cabelos coloridos chamou todas nós.

Josephine, uma das poucas francesas de cabelos escuros, estava sentada na cama em frente a de Anastasia, encarando a campeã com um enorme sorriso.

A maioria de suas colegas pareciam ter escolhido rodeá-la durante todo o dia, parabenizando pelo desempenho e empolgadas demais pela vitória como se fossem delas próprias. Toda aquela felicidade incomodava Anastasia ainda mais.

- Você precisa ir. – Jo continuou, em francês. – A festa é para você e o campeão de Hogwarts. Uma maneira de mostrar que mesmo competindo um contra o outro, somos todos amigos.

A ideia encontrar Wood mais uma vez naquele dia era ainda mais desagradável, mas Anastasia sabia que tinha uma fama na Beauxbatoms de sempre comemorar suas vitórias. Ela se esforçava para ser a melhor e não escondia de ninguém o quanto ficava satisfeita ao atingir seus objetivos. Se negar a ir a uma festa em celebração ao seu desempenho seria no mínimo suspeito.

- É lógico que nós vamos.

Ao dizer, Anastasia lançou um olhar a irmã, incluindo Florence naquela pequena tortura. Ao menos se estivesse ao lado da irmã gêmea, talvez tivesse uma desculpa de se recolher mais cedo.

- Oui!!!! – Jo bateu palmas animada, se erguendo de seu lugar satisfeita. – Será na madrugada, quando os professores já estiverem dormindo. Madame Maxime não nos verá saindo!

Anastasia havia descansado o suficiente e, quando levantou da cama no horário combinado, não sentia mais vestígio algum de sono ou cansaço. Por ter dormido cedo com os cabelos úmidos, os fios loiros haviam ficado marcados, mas o que parecia apenas ajudar nas ondas bonitas que desciam pelas suas costas.

Mesmo com o fim do verão, a noite ainda estava quente e a campeã da Beauxbatoms vestiu uma discreta blusa branca rendada com uma saia marrom que marcava sua cintura, alcançando até metade de suas coxas.

Com passos silenciosos, as meninas deixaram o quarto com o devido cuidado de não acordar Madame Maxime. Os lençóis haviam sido enfeitiçados para manter a altura exata de seus corpos, como se ainda estivessem dormindo, mas logo nenhuma das camas estava mais ocupada por uma francesa.

Anastasia, lado a lado de Florence, foi uma das primeiras a alcançar a orla da floresta, onde um pequeno patrono de doninha brilhava apenas aguardando sua chegada para mostrar o caminho.

Longos minutos se passaram e a francesa começava a se arrepender de ter deixado o conforto da cama quando finalmente chegaram em uma clareira lotada de alunos. O lugar estava iluminado com dezenas de luzinhas pequenas como vagalumes que flutuavam sobre suas cabeças.

Legrand pode sentir no exato instante em que cruzaram a barreira de um feitiço e imediatamente o barulho de uma música alcançou seus ouvidos, assim como o ruído de diversas vozes falando ao mesmo tempo.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Dom Jan 31, 2016 2:06 am

Geralmente as vitórias no quadribol eram comemoradas no Salão Comunal da Grifinória. Já era um hábito dos alunos se reunirem ao fim de cada jogo para recepcionar os jogadores com uma festa regada a fartura, música e agitação que se alongavam pelas madrugadas na torre dos grifinórios.

Naquela noite, contudo, era injusto que a festa se restringisse apenas à casa dos leões. Com exceção dos sonserinos, todo o castelo de Hogwarts torcera pela vitória de Wood e vibrara com ele ao fim da prova. Também não era justo excluir as garotas de Beauxbatons, visto que Anastasia era tão vitoriosa quanto Oliver.

Por isso, Tonks e McLaggen trataram de organizar uma comemoração mais abrangente. A festa obviamente não seria autorizada por nenhum professor, por isso as garotas optaram por um ponto externo ao castelo, onde eram mínimas as chances de serem flagrados por Filch.

A ideia de usar a Floresta Proibida veio de Tonks e inicialmente foi vista como mais uma das bizarrices da lufana. Mas McLaggen ficou de queixo caído e precisou voltar atrás em sua opinião quando Nymphadora a levou até o local. Era uma clareira localizada há alguns metros do local onde eram ministradas as aulas práticas de Trato das Criaturas Mágicas. Com a decoração, a iluminação e os feitiços de proteção certos, o local se tornaria perfeito para uma festinha clandestina.

Como já conhecia as ideias malucas da melhor amiga, Wood não se surpreendeu quando soube que a festa seria na Floresta Proibida. Ao contrário, ele estava feliz demais para reclamar de qualquer coisa. E Oliver também queria se distrair e se divertir um pouco antes de começar a se preocupar com o ovo. O que parecia ser um troféu, logo se tornaria uma dor de cabeça para o grifinório.

Acompanhado por um grupinho de amigos da Grifinória, Oliver foi um dos primeiros a chegar à floresta. Como não seria uma festa exclusiva dos leões, nenhum deles usava as peças do uniforme vermelho e dourado. Wood optara por uma calça jeans escura, tênis e uma camisa de botões acinzentada, com mangas curtas por causa do calor. Sues cabelos castanhos estavam úmidos, visto que o rapaz acabara de sair do banho, mas não demoraria até que o vento da floresta deixasse os fios arrepiados e bagunçados como de costume.

Não demorou para que uma música animada começasse a tocar. Por sorte, McLaggen era excelente com feitiços de proteção e construiu uma barreira mágica que isolava aquele ponto da floresta e só permitia a entrada das pessoas oficialmente convidadas para aquela comemoração.

Além da música, as organizadoras da festa fizeram questão de invadir a cozinha de Hogwarts para garantir o banquete daquela noite. Uma longa mesa estava localizada num dos cantos da clareira e exibia todas as delícias que eram servidas nos melhores jantares do castelo. As bebidas ficavam em outra mesa um pouco menor, mas igualmente farta.

Wood já estava no seu terceiro copo de cerveja amanteigada quando as francesas de juntaram ao grupo. Anastasia recebeu cumprimentos e elogios sinceros de vários ingleses, que pareciam admirados com o desempenho e a maneira racional como ela se portara diante de um dragão.

Normalmente, Oliver não costumava beber tanto. Portanto, três copos de cerveja já eram o bastante para fazer com que o goleiro da Grifinória perdesse um pouco o controle da própria consciência.

O campeão de Hogwarts exibia um sorrisinho provocativo quando se aproximou de Anastasia, aproveitando-se do breve momento em que a francesa finalmente conseguiu se livrar dos “admiradores”.

- Por um momento eu pensei que você não viria, Legrand. Você não precisa de dicas, não precisa de boa sorte... Achei que também não precisasse compartilhar a sua vitória com os seus amigos.

Apesar da provocação, Oliver deixou claro que não queria iniciar uma briga quando completou de maneira mais suave.

- Eu nunca duvidei de que você saberia lidar com o dragão. Eu só queria garantir que não se machucaria. Mas se a minha preocupação te ofende tanto, vou guardá-la apenas para mim da próxima vez. – Oliver ergueu o copo num brinde – Voltemos ao nosso velho trato de que vença o melhor.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Jan 31, 2016 2:37 am

Charlie só havia concordado em participar da festa de comemoração de Wood e Legrand após puxar o amigo para uma conversa particular. Mesmo que Florence tivesse garantido que os três tinham conhecimento do que enfrentariam, ele só se sentiu satisfeito quando ouviu de Oliver que Bellamy sabia sobre os dragões.

Mesmo com as facilidades que igualavam os três na competição, o grifinório e a francesa haviam se destacado e, aos olhos do ruivo, haviam merecido a vitória. O amigo certamente havia brilhado em seu desempenho com a vassoura e Weasley se viu finalmente convicto ao parabeniza-lo pela bela vitória.

Apesar de evitar quebrar as regras, mantendo seu impecável currículo que garantia o cargo como monitor-chefe, Charles não ousou estragar ou se recusar a ir na festa organizada na floresta proibida. Ele precisava admitir que, apesar da excelente desculpa de celebração, ele finalmente realizaria o sonho de invadir a floresta durante a noite e com alguma sorte, presenciaria alguma criatura noturna em seu habitat natural.

Os alunos mais novos, por motivos óbvios, haviam sido deixados de lado, o que não pareceu deixar o pequeno Percy nada satisfeito. Mesmo assim, alunos do quinto ano em diante logo começaram a deixar o Salão Comunal aos poucos, o suficiente para não despertar a atenção de Filch ou de algum professor.

A camisa azul do rapaz estava desbotada e chegava a ser quase branca em algumas partes. A calça jeans surrada era a mesma que usava para assistir as aulas e o rosto já estava livre da tinta que usara durante o desafio. Mesmo com roupas simples, ainda era fácil notar como Charlie era um rapaz bonito.

Magro e alto, ele andava com uma das mãos enfiada no bolso e a outra ocupada com um pequeno copo de cerveja amanteigada até alcançar a mesa com a comida. Mesmo que tivesse se servido duas vezes durante o jantar, ele jamais recusava uma porção extra das batatas coradas dos elfos de Hogwarts. Apenas Molly Weasley era capaz de cozinhar melhor que as criaturinhas do castelo.

- Vê se não engasga, Weasley! Você já não comeu três desses no jantar?

Com a boca cheia, Charlie ergueu os olhos para encontrar Tonks do outro lado da mesa, e sem a menor cerimônia, lambeu as pontas dos dedos sujos.

- Não enche, Tonks. – Ele resmungou de boca cheia, embora tivesse um discreto sorriso no canto dos lábios. – Está com uma vista muito boa de mim lá da mesa da Lufa-Lufa, hein? Controlando minhas agora?

- Tô apenas tentando me certificar de que vai ter comida para todo mundo, esfomeado. Essas francesinhas podem comer pouco, mas eu não, tá legal?

Charlie havia acabado de engolir a última batata e ria debochadamente para Nymphadora quando a figura de Florence surgiu ao seu lado, fazendo-o engasgar por um segundo.

Foi no mesmo instante que seus olhos se encontraram com as íris azuis de Legrand que a voz do aluno da Durmstrang voltou a sua mente. “Meninas como ela jamais ficariam com um pobretão como você”.

Pela primeira vez, Charlie teve consciência de sua calça jeans gasta e da camisa que começava a perder a cor. Florence, como sempre, estava impecável, o que parecia agravar ainda mais sua aparência humilde. Suas bochechas esquentaram e ele imediatamente recuou um passo, mas era tarde demais para fugir.

- Florence... – Ele meneou com a cabeça, repentinamente formal, embora se esforçasse para manter um simpático sorriso nos lábios. – Não tinha certeza se vocês viriam.

De repente, Charles não tinha palavras para dizer a Florence. Sempre tão agradável e cheios de assuntos, parecia existir um abismo entre os dois que ele não havia notado antes. Sentindo-se um tolo, o rapaz puxou a bandeja de batatas e a ofereceu para a francesa, completamente desajeitado.

- Batatas? São ótimas.

- É, aproveita enquanto o passa-fome não devora tudo de uma vez. – Tonks lançou um olhar estreito ao grifinório antes de esticar a varinha e fazer uma pequena porção de batatas voar em sua direção.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Dom Jan 31, 2016 2:53 am

Aos olhos de Florence, era uma péssima ideia sair de Hogwarts no meio de uma madrugada para participar de uma festinha clandestina numa mata que recebia o nome de Floresta “Proibida”. Legrand tentou usar esta argumentação com Anastasia e com as demais francesas, mas foi um voto vencido. Todas as meninas pareciam ansiosíssimas para a comemoração que uniria francesas e ingleses.

Ainda havia a opção de continuar na cama enquanto as demais meninas se arriscavam naquela aventura, mas Florence decidiu que se uniria ao grupo. Além de não querer deixar Anastasia sozinha naquela situação, Flor sabia que enlouqueceria se ficasse isolada no dormitório, completamente sem notícias.

Também era verdade que no fundo, bem no fundo, Florence saía do dormitório das francesas naquela madrugada com a esperança de encontrar Charles Weasley na tal festinha de comemoração.

Foi exatamente pensando na possibilidade de se deparar com Weasley que Florence perdeu mais tempo que o habitual enquanto se arrumava para a festa.

Quando ultrapassou a barreira mágica e adentrou a clareira onde acontecia a festa, Florence usava um belo vestido amarelo. Aquela era uma cor bastante ingrata que a maioria das garotas evitava usar, mas Legrand não precisava temer nenhum efeito indesejado do contraste causado pelo amarelo. Pelo contrário, a cor combinava de maneira harmônica com os cabelos da francesa e ressaltava ainda mais a delicadeza dos traços dela.

O vestido tinha um modelo simples, mas que caía com perfeição nas formas da garota. A parte de cima era mais justa, possuía um decote reto e alças largas cravejadas por pequenas pedrinhas brilhantes. A saia era mais rodada e alcançava a metade das coxas de Florence. Nos pés, visto que a festa aconteceria num terreno não muito uniforme, Legrand usava sapatilhas baixas ao invés de saltos.

Os fios loiros estavam perfeitamente escovados, como de costume. O penteado escolhido por Florence era simples e consistia apenas em duas mechas suavemente puxadas para trás e presas com uma presilha. A ausência das mechas laterais deixava o rosto de Legrand mais exposto e mostrava que, apesar da maquiagem muito leve, não havia nenhum defeito que a francesa precisasse corrigir.

O sorriso que iluminou seu rosto quando Florence avistou Weasley perto da mesa foi capaz de deixá-la ainda mais bonita. O coração da francesa saltitou enquanto ela se aproximava de Charlie, mas boa parte desta empolgação se perdeu e o sorriso de Legrand vacilou quando o ruivo a tratou de maneira tão diferente, anormalmente formal.

- Ahn... – os olhos azuis foram de Charles para as batatas, depois novamente para o grifinório – Agora não, obrigada. – ela completou, desta vez para Tonks – Mas eu as provei no jantar, são realmente deliciosas.

A única coisa que parecia explicar a mudança de comportamento de Charlie era a presença da lufana. Weasley era sempre falante, bem humorado e natural. A formalidade repentina daquela madrugada fez Florence concluir, com um gosto amargo na garganta, que Charlie não queria que Tonks interpretasse mal a sua proximidade com outra garota.

Até então, Florence tentava convencer a si mesma de que Weasley era apenas um excelente amigo. Contudo, o sentimento que a francesa experimentava diante da possibilidade de Charlie estar interessado em Tonks não combinava em nada com amizade.

Se quisesse ser apenas uma amiga do grifinório, Florence deveria ficar feliz por Charlie e tentar ajudá-lo a se acertar com uma boa garota, o que Tonks parecia ser. Mas tudo o que Legrand conseguia sentir era o monstrinho do ciúme corroendo-a por dentro.

Quando Tonks se afastou da mesa com a boca cheia de batatas e um pratinho lotado com outros quitutes, Florence voltou os olhos para o ruivo. Ela tentou soar natural e indiferente, mas não conseguiu disfarçar a mágoa refletida em seu olhar.

- Eu acho que atrapalhei alguma coisa, não é? Desculpe, Charlie. Se você tivesse me contado que gosta dela, eu não teria me aproximado.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Dom Jan 31, 2016 2:58 am

Anastasia sabia que seria inevitável encontrar Oliver naquela noite, mas não esperava que o reencontro fosse ser tão de imediato.

Ela quase não havia tido tempo de se admirar com a decoração do local, com os pequenos vagalumes flutuantes ou nas pessoas que passavam de um lado ao outro, quando o campeão de Hogwarts surgiu a sua frente, deixando todo o seu corpo tenso imediatamente.

Era impossível olhar para Oliver e não se lembrar do beijo trocado diante de Rita Skeeter. Aquela lembrança sempre a fazia corar, e inconscientemente, a menina cruzou os braços contra o peito, procurando pela presença da irmã para livrá-la daquela conversa, mas Florence já havia desaparecido.

Com um suspiro, Anastasia tentou manter o semblante imparcial, mas teve certeza que seu olhar vacilou quando seu estômago deu uma deliciosa cambalhota ao ouvir que Wood estava preocupado que ela se machucasse.

Normalmente, este tipo de preocupação seria interpretada como um insulto. Ela era perfeitamente capaz de cuidar de si. Mas algo em seu peito se aqueceu com a ideia de Wood pensar nela daquela forma.

- Eu não preciso compartilhar uma vitória que não achei justa, Wood. Você foi infinitamente melhor do que eu. Apenas não se acostume com isso, está bem?

A francesa deu um passo para frente quando ele propôs um brinde. Ela podia sentir o rosto quente e se odiaria se soubesse que as bochechas estavam tão coradas com a presença do grifinório. Usando a única arma que tinha para reverter aquela situação, Legrand se esforçou para não demonstrar o quanto Wood a deixava abalada e deu um discreto sorriso.

- Que adorável... Você se preocupando comigo? O que foi? Não me diga que acabou se apaixonando por causa daquele beijinho?

Anastasia ergueu a mão até segurar o copo que Oliver erguia no espaço entre eles. Os dedos dos dois roçaram quando ela puxou a bebida para si e deu um demorado gole, acabando com mais da metade da cerveja amanteigada do grifinório.

- Eu admito que você tenha merecido esta vitória, Oliver. Mas na próxima, eu vou vencer.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Jan 31, 2016 3:18 am

Charles não costumava se abalar com os comentários maldosos sobre a quantidade de irmãos que tinha, ou sobre a situação financeira da família, ou escutar piadas sobre seus materiais de segunda mão. O rapaz amava os pais e admirava a forma como Arthur era capaz de sustentar a todos com um emprego digno no Ministério da Magia.

Era a primeira vez que palavras ácidas o atingiam, a ponto de ficar ecoando por várias vezes ao longo do dia, como um lembrete da realidade. E pela primeira vez, ele precisava admitir o quanto ele e Legrand viviam em mundos completamente diferentes.

Mesmo que intimamente concordasse que jamais teria uma chance com a francesa, ele sentiu seu peito se despedaçar quando viu a mágoa refletida nos olhos azuis. Mas foi o comentário dela que o fez engasgar, arregalando os olhos de forma quase cômica.

- O QUÊ???

Ao perceber que o tom de voz havia saído um pouco acima do esperado, Charlie tentou se recompor, recolocando a bandeja de batatas sobre a mesa e alisando as próprias vestes, retirando qualquer vestígio de milhas que pudesse ter caído durante a mastigação.

- Você tá falando da Tonks???

O ruivo apontou na direção que a lufana havia desaparecido com seus exóticos cabelos esverdeados, as sobrancelhas franzidas em uma expressão incrédula com a capacidade de Florence em imaginá-lo gostando de Nymphadora.

A colega era sempre muito divertida e engraçada, sem dúvida uma companhia indispensável. Mas ele jamais havia encarado a melhor amiga de Oliver Wood daquela forma. Talvez, pela personalidade tão agitada da lufana, Charlie sequer havia notado que ela era uma menina.

- Eu não gosto dela, não!!!

Ele se apressou em dizer, sentindo as orelhas esquentarem. Wood certamente teria toneladas de piadas pelo resto da vida se escutasse aquele absurdo, mas era a ideia de Florence imaginar que ele gostava de outra pessoa que mais o constrangia.

- A Tonks é só uma amiga, Florence. O que te faria pensar diferente?

A curiosidade era sincera quando Charles enfiou as mãos nos bolsos da calça e deu um passo para se aproximar da loira, mantendo as sobrancelhas franzidas e sem desviar os olhos dos dela.

Chegava a ser ridículo pensar em gostar de Tonks quando a única menina que ocupava sua mente nas últimas semanas estava bem diante de si, perfeitamente acessível para que suas mãos esticassem para tocá-la.

Charlie se lembrou da textura macia dos cabelos de Legrand durante o torneio e inconscientemente, escorreu o olhar para o penteado que ela usava, expondo ainda mais os belos traços.

Florence estava ainda mais bonita que o normal e Weasley sentia as mãos formigarem em desejo de tocar a pele macia dos braços expostos pelo vestido delicado. Uma coisa Marcus Flint tinha razão: ela era uma princesa.

Encarando a loira sem piscar, sem ao menos se dar conta quando as palavras saltaram de sua boca em um sussurro.

- Ela está longe de ser o meu tipo, Flor.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Dom Jan 31, 2016 3:24 am

Desta vez, talvez movido pela bebida, Oliver não se esquivou daquele assunto constrangedor. Era normal que ele cortasse a discussão ou mudasse o rumo da conversa sempre que Anastasia mencionava o beijo diante de Rita Skeeter, mas naquela madrugada Wood não quis fugir do tema.

O grifinório manteve os olhos em Anastasia enquanto ela tomava um longo gole de sua cerveja e só tomou a palavra depois que a francesa terminou de lançar as suas provocações.

- Você já notou uma coisa, Legrand...? É um detalhe pequenino que eu acabei de perceber.

Os longos dedos de Wood pegaram o copo de volta e ele deu um gole na cerveja amanteigada durante aquela pausa no discurso.

- Você SEMPRE faz questão de mencionar aquele beijo. Todas as vezes que o assunto surge você insinua que o beijo mexeu comigo, mas é curioso notar que sempre é VOCÊ quem traz o assunto à tona.

Aquele era um detalhe que, até então, Wood não tinha notado. Talvez algumas doses de cerveja amanteigada fizessem a cabeça de Oliver funcionar melhor, ao menos naquele tipo de situação. Geralmente ele ficava constrangido com aquela lembrança e não se atentava para o fato de que a insistência de Anastasia naquele assunto era um claro sinal de que a francesa não se esquecera do beijo. A bebida o privava daquela vergonha e permitia que o britânico enxergasse a situação de outra maneira.

- Talvez, apenas talvez, seja você que tenha se apaixonado por causa daquele beijinho. Aliás, apenas para reforçar a lembrança, a iniciativa foi toda sua.

Como um jogador que acaba de executar um movimento perfeito no tabuleiro de xadrez, Oliver abriu um sorrisinho convencido que parecia realçar ainda mais o desenho perfeito de seus lábios.

- Sério, Legrand? Aquele beijinho tão breve, tão superficial... Você me pegou de surpresa, eu sequer tive tempo de reagir. E ainda assim você se apaixonou? Eu devo ser mesmo muito bom, hum?

Antes que Anastasia pensasse em uma resposta ou ensaiasse uma fuga daquela conversa, Wood se colocou na frente dela, cercando-a como se fosse um predador. A festa estava bastante agitada e a clareira ficava mais cheia a cada minuto, mas os protagonistas daquela festa estavam isolados num canto da comemoração e não eram notados.

- Eu me sinto mal em vê-la se apegar a uma lembrança tão boba. Que tal provar um beijo de verdade, Legrand?

Wood sabia que não estava diante de uma garota inofensiva, mas ainda assim decidiu arriscar. Movido pela bebida e pela inquietude que o assombrava desde o beijo roubado por Anastasia, Oliver enlaçou a cintura da francesa com um dos braços e a puxou para mais perto do seu corpo.

Havia o enorme risco de ser estuporado no segundo seguinte, mas ainda assim Oliver se atreveu a unir seus lábios aos de Legrand, desta vez retribuindo ao beijo com toda a intensidade que a surpresa não o permitira demonstrar diante de Rita Skeeter.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Dom Jan 31, 2016 3:41 am

Assim como Oliver havia sido pego de surpresa com o beijo diante de Rita Skeeter, Anastasia se viu completamente sem reação quando ele se aproximou, enlaçando-a pela cintura. Os olhos verdes estavam arregalados, mas no instante em que sentiu os lábios dele tocarem os seus, as pálpebras foram cerradas.

O copo com o restinho de cerveja amanteigada caiu no chão e a francesa sentiu o líquido espirar contra sua perna exposta pela saia curta, mas nem isso foi capaz de fazê-la se mexer. Demorou apenas alguns segundos até que ela erguesse as mãos para envolver a nuca de Oliver com seus dedos, retribuindo ao inusitado beijo.

Diferente do que havia acontecido diante da jornalista, Anastasia não estava fazendo aquilo para provar qualquer coisa diante de um público. Ela sequer tinha consciência se estavam sozinhos ou sendo assistidos por todos os convidados. A única coisa que ela tinha certeza era da presença de Wood e nas sensações que os lábios dele despertavam em todo o seu corpo.

Diferente do primeiro beijo, o contato havia sido intenso e altamente correspondido, mas no instante em que seus pulmões começaram a arder pela falta do oxigênio, Ana começou a recobrar a consciência.

Sem se esforçar para prolongar aquele beijo até o limite que sua respiração permitiria, ela deslizou as duas mãos contra o peito de Wood até conseguir empurrá-lo o suficiente para quebrar o contato dos lábios. Seu corpo ainda estava junto ao dele e as mãos firmes em sua cintura não faziam muito esforço, o que demonstrava que Legrand ainda estava ali porque queria.

Mais uma vez, as íris esverdeadas estavam arregaladas ao encarar o rapaz a sua frente. Seus lábios vermelhos e úmidos estavam levemente inchados e Ana estava surpresa com a própria reação. Ela nunca havia beijado um rapaz daquela forma.

- Você não devia ter feito isso, Wood.

Enquanto respirava, o cérebro de Legrand parecia voltar a funcionar normalmente. Ela voltou a empurrá-lo, desta vez com mais convicção, até que os dois estivessem inteiramente separados.

- Quem você pensa que é???

Aos poucos, sua voz começava a voltar ao normal e ela o encarava acusadoramente. Era humilhante o suficiente ter ganho a prova usando as dicas dele, e ainda pior que Oliver tivesse sido infinitamente melhor em seu desempenho. Mas era vergonhoso se derreter inteiramente por um inimigo.

- Eu deveria arrancar a sua cabeça aqui mesmo!

Seus dedos roçaram a ponta da varinha presa em sua saia, mas a música agitada e as vozes ao redor a impediram de fazer qualquer coisa.

- Se você me tocar novamente, eu vou te dissecar como um hipogrifo velho. Entendido???
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Dom Jan 31, 2016 1:34 pm

Os músculos tensos de Wood relaxaram no instante em que a francesa começou a retribuir ao beijo daquela maneira intensa. Por alguns segundos, Oliver pensou que seria estuporado ou receberia uma chuva de tapas e pontapés por tamanho atrevimento, mas no fim das contas o seu sexto sentido ébrio não estava tão errado. Anastasia Legrand queria tanto aquele beijo quanto ele.

Os dois formavam uma imagem agradável de se ver. Por ser consideravelmente mais alto que a garota, Oliver precisou curvar o tronco sobre ela. Inconscientemente, Anastasia repetiu o movimento e arqueou um pouco a coluna, ficando praticamente pendurada no pescoço do britânico.

Os lábios se moviam com uma harmonia digna de uma dança muito bem ensaiada. Se o primeiro beijo breve e superficial havia mexido com os dois, certamente algumas noites de sono seriam perdidas por causa daquele contato mais intenso.

O fôlego de Wood ainda permitia que o rapaz prolongasse aquela carícia por mais algum tempo, mas as mãos de Anastasia em seu peito finalizaram precocemente o beijo. Oliver manteve a francesa enlaçada pela cintura, como se quisesse aproveitar até o último segundo daquela insanidade.

Assim como Ana, o semblante de Oliver refletia a intensidade do beijo. Seus lábios bem desenhados estavam levemente inchados e corados, as pálpebras se ergueram preguiçosamente, revelando os olhos azuis com uma expressão ainda meio abobada.

Ao invés de se ofender com a explosão de Legrand, os lábios de Oliver se curvaram num sorriso. Anastasia podia descarregar nele todo o seu vocabulário de xingamentos e ameaças em inglês e francês, mas nem isso mudaria o fato de que ela correspondera intensamente ao beijo daquela madrugada.

Os olhos de Oliver apenas seguiram o suave movimento dos dedos de Anastasia indo na direção da varinha, somente para que o seu sorriso se alargasse quando a francesa não teve coragem de sacar a arma.

- Eu tive a “suave” impressão de que não te forcei a nada, Legrand. Muito pelo contrário.

Mesmo conhecendo todo o potencial mágico de Anastasia, Oliver se arriscou naquelas provocações. O semblante irritado da francesa era adorável e quase tão delicioso quanto o sabor de seus lábios macios.

- Mas tudo bem. Eu já consegui o que queria, afinal. Ao menos agora você tem na memória a lembrança de um beijo de verdade. Não precisa mais suspirar por aquela bobagem.

Wood piscou um dos olhos para a francesa antes de dar as costas para ela. Com as mãos enfiadas nos bolsos da calça, Oliver deu os primeiros passos já esperando que um feitiço doloroso o atingisse pelas costas. Seu sorriso se alargou quando nada aconteceu e ele ainda sorria como um tolo quando se aproximou de um grupinho de amigos da Grifinória.

- Que cara idiota é esta? – o McLaggen mais velho perguntou, desconfiado – Acho que está bebendo demais, Oliver.

- Me deixa aproveitar o melhor dia da minha vida, Mike! – Wood fitou o grupinho de francesas com o canto dos olhos – Este torneio foi a melhor ideia que o velho Dumbie já teve em toda a sua longuíssima vida.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Dom Jan 31, 2016 2:04 pm

A reação surpresa e quase escandalosa de Charlie fez com que a francesa arqueasse uma das sobrancelhas finas. De forma discreta, os olhos azuis de Florence deslizaram pela clareira até encontrarem os cabelos verdes de Nymphadora.

Não parecia haver nada errado com ela para que Weasley se comportasse daquela forma diante da possibilidade de estar apaixonado pela lufana. Tonks era meio excêntrica e agitada, mas era uma menina bonita. Mais importante do que isso, a lufana parecia ser extremamente simpática, divertida e gentil. Aos olhos de Legrand, era uma rival com tantas qualidades como qualquer outra.

- Ela é uma garota bonita, gentil, bastante divertida, parece ser super inteligente. Não acho tão absurdo pensar que você poderia gostar dela, Charlie.

Florence deu de ombros enquanto explicava o seu ponto de vista, ainda se esforçando para demonstrar que era indiferente aos sentimentos de Weasley.

Contudo, as últimas palavras sussurradas pelo ruivo foram capazes de desconcertar Florence por completo. Os olhos da francesa se arregalaram um pouco enquanto seu rosto adquiria uma coloração avermelhada.

Charles não fizera uma declaração direta, mas a expressão do grifinório dizia todas as palavras que não saíram de sua garganta. A maneira como Weasley encarava Florence deixava claro que ela era o tipo de garota dele. E a expressão intensa de Charlie mostrava que ele não se referia a qualquer menina loira, delicada, de olhos azuis. Ele se referia unicamente a Florence Legrand.

O incômodo ciúme que a consumia evaporou, abrindo lugar para um gostoso sentimento que mesclava afeto, satisfação e uma pitada de constrangimento. Florence não estava acostumada a lidar com rapazes, mas seu coração já estava pronto para abrir uma exceção para Charles Weasley.

Racionalmente, Legrand sabia que havia um abismo social entre os dois. Charles vinha de uma família humilde e não poderia oferecer a ela nem um décimo de todo o luxo que Florence tinha na casa dos pais. Mas aquilo não tinha a menor importância para o coração da francesa. Ele já havia escolhido um Weasley e não parecia nada disposto a voltar atrás naquela decisão.

- A Tonks é legal. – as bochechas de Florence coraram ainda mais, mas a francesa completou apesar do constrangimento – Mas é bom saber que ela é só uma boa amiga.

Com um leve movimento de cabeça, Legrand indicou a área da clareira onde fora improvisada uma pista de dança. Alguns alunos já se divertiam ali, mas ainda não estava lotada visto que a maior parte dos convidados ainda preferia comer e conversar em grupinhos mais isolados.

- Não vai me chamar para dançar, Charlie? Eu adoraria aprender alguns passos ingleses.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Dom Jan 31, 2016 2:14 pm

Mesmo depois que Oliver se afastou, Anastasia continuou parada no mesmo lugar, os olhos arregalados e o rosto inteiramente corado. Ela nem mesmo havia se dado conta que estava com a respiração presa na garganta e as pontas dos dedos tocando os lábios úmidos.

Por uma fração de segundos, no instante que o grifinório recuou os primeiros passos, a francesa chegou a se imaginar erguendo o braço para impedir que ele se afastasse. O corpo inteiro formigava pedindo para que aquele contato não fosse interrompido. Mas a mente ágil logo assumiu o controle de forma racional, trazendo a realidade de volta.

Legrand nunca havia se sentido daquela forma antes, sem controle das próprias ações e pensamentos. Nunca, em toda sua vida, alguém fora capaz de abalar seu raciocínio lógico a ponto de esquecer todo o mundo por um simples beijo. O pior era que, mesmo já com a consciência recuperada, a francesa queria repetir aquele gesto desesperadamente.

Oliver Wood era seu principal inimigo na competição pela taça do torneio. Bellamy, mesmo com todas as vantagens possíveis, havia sido lamentável, enquanto o britânico demonstrava não apenas criatividade, como também um enorme talento, transformando uma tarefa simples em um verdadeiro espetáculo.

Se Anastasia começasse a se distrair com os desejos pelos beijos de Wood, ela certamente logo estaria tendo uma performance tão deplorável quanto Bellamy, e seria uma enorme vergonha perder por estar se derretendo pelo inimigo.

Com passos automáticos, a loira se aproximou do grupo de amigas francesas, mas era impossível controlar os olhos azuis que buscavam por Wood na clareira a cada instante. Seus pensamentos estavam longe da conversa a sua volta, e com uma expressão claramente distraída, Anastasia foi pega de surpresa quando uma das amigas a tocou no braço.

- Ana? Você está bem?

- Hm? – Ela girou a cabelereira loira para encarar Jo, os olhos ligeiramente arregalados, só então se dando conta que procurava por Oliver mais uma vez. – O que foi?

- Você está com febre? – Os dedos magros de Jo tocaram sua testa. – Você está tão vermelha! Se queimou durante a prova?

Saber que estava tão distraída por causa do beijo atrevido de Wood era constrangedor o bastante. Mas ser questionada sobre seu comportamento abalado era ainda mais humilhante, como se estivesse escrito na sua testa o que seu corpo estava desejando.

Se sentindo irritada, Legrand afastou a mão da amiga de forma brusca e seus lábios se curvaram em um bico de frustração.

- Estou ótima, não seja ridícula, Jo.

Mais uma vez, seus olhos giraram pela clareira e desta vez encontraram o rosto conhecido de Oliver. Foi no mesmo segundo que o calor de seu rosto se intensificou, e com a testa franzida, Ana repetiu, sem desviar o olhar de Wood.

- Estou ótima.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Jan 31, 2016 2:29 pm

Quando Florence começou a elogiar Nymphadora, Charles teve a certeza de que a francesa estava tentando fazê-lo enxergar que ele se encaixava muito mais ao lado de alguém como Tonks. Os olhos azuis deslizaram para encarar o chão e ele se xingou mentalmente por ter sido tão ousado em suas palavras.

Era óbvio que não tinha chance alguma com Legrand, mas encarar a realidade era frustrante demais, principalmente depois de ter a certeza que estava cada vez mais encantado com a delicadeza e a beleza da francesa.

O comentário final de Florence fez com que Charles erguesse novamente o olhar, as sobrancelhas arqueadas e os lábios levemente entreabertos de surpresa. Seu coração deu um salto quando a mente interpretou aquelas palavras tão simples, enchendo seu peito frustrado de esperança.

Imediatamente, seus lábios se curvaram em um sorriso que iluminava todo o seu rosto, mas que não durou mais do que alguns segundos ao escutar o convite para dançar. Com um certo desespero, Charlie olhou ansioso para a área central onde alguns alunos dançavam, o rosto imediatamente adquirindo um tom rosado.

Uma das mãos foi enfiada no bolso da calça jeans e a outra coçou a nuca em uma posição constrangida, bagunçando os fios ruivos já espetados. Se ele tivesse qualquer esperança com Legrand, essas seriam imediatamente aniquiladas no momento em que ele mostrasse suas habilidades de dança.

Charlie achava que enfrentar um dragão seria muito mais fácil do que mover as duas pernas no ritmo da música. Seu corpo alto demais parecia ainda mais desengonçado quando tentava dançar e aquela imagem ficaria gravada na memória de Florence para que ela pudesse rir o resto da vida.

- Dançar? – Charlie engasgou, dando um sorriso amarelo. – É que eu torci o pé hoje cedo, acho que ainda está um pouco inchado...

Ele mentiu, procurando olhar para qualquer ponto que não fosse a francesa. Bastou um segundo encarando o rosto bonito de Florence para perceber a decepção nos olhos azuis, que fez seu estômago afundar.

Mais uma vez, Charlie encarou o chão, tentando buscar em sua mente alguma coisa que pudesse salvar aquela noite do desastre completo. Com um clique, sua mente se iluminou e ele ergueu o olhar para ela, voltando a exibir o sorriso animado de sempre.

- Mas eu juro que vi um unicórnio aqui perto enquanto estava chegando. Por que não pegamos uma bebida e andamos em volta da clareira, para ver se temos alguma sorte?
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Dom Jan 31, 2016 3:01 pm

Não era difícil notar que Oliver Wood era um rapaz popular em Hogwarts. Independente da recente fama vinda do fato de ser o campeão que representava o castelo no Torneio Tribruxo, Oliver já possuía qualidades que o destacavam na escola. Além de ser um rapaz bonito, divertido e inteligente, Wood fazia parte do time de quadribol mais vitorioso dos últimos anos.

Os estrangeiros não tinham visto nenhuma partida de quadribol, visto que o campeonato daquele ano fora substituído pelo Torneio Tribruxo. Mas Oliver havia dado uma pequena amostra de seu potencial ao usar uma vassoura para concluir o primeiro desafio.

Além disso, qualquer aluno de Hogwarts poderia dar seu testemunho aos estrangeiros sobre o desempenho espetacular de Wood diante dos aros. Até mesmo os sonserinos precisavam admitir que a Grifinória tinha um excelente goleiro e que Oliver era um dos segredos do sucesso do time dos leões.

Tantas qualidades somadas à fama adquirida pelo torneio e ao desempenho fantástico de Wood na primeira prova eram o bastante para transformá-lo no protagonista daquela noite. Era como se todos quisessem estreitar os laços de amizade com ele. E, no caso das meninas, era evidente que várias delas esperavam pela chance de conseguirem ultrapassar as barreiras de uma simples amizade.

- Você não vai fazer nada, Oliver? Mesmo?

A pergunta de Michael McLaggen soou numa entonação divertida, quase uma provocação ao amigo. O artilheiro da Grifinória soltou uma risada debochada quando Wood o encarou com um semblante confuso, sem entender os rumos daquela conversa.

- Fazer o que?

- Oras! Ela não tira os olhos de você!

Inconscientemente, Wood virou a cabeça na direção do grupinho de francesas. Seu estômago deu uma gostosa cambalhota quando Oliver percebeu que Anastasia o encarava com o rosto deliciosamente corado. Mas aquela sensação gostosa não durou mais que alguns segundos.

- Do outro lado, animal. – a voz de Mike quebrou aquele encanto – Perto da mesa de bebidas.

Com alguma dificuldade, Wood tirou os olhos de Anastasia e fixou a atenção no ponto descrito por McLaggen. Para a sua imensa surpresa, Oliver encontrou mais um par de olhos fixos nele.

Alexia Morgan era uma sextanista da Corvinal que ocupava os sonhos de praticamente todos os rapazes de Hogwarts. Antes da chegada das alunas de Beauxbatons, ninguém questionaria que Alexia era a garota mais bonita do castelo. Sua pele branquinha não exibia nem mesmo um defeito e entrava num contraste agradável com os cabelos negros. Os fios eram lisos, mas formavam perfeitos cachinhos nas pontas compridas. Seus olhos eram profundamente azuis, realçados belamente pelas cores do uniforme da Corvinal.

Completando o pacote, Morgan tinha uma personalidade oposta a de Anastasia. A inglesa era extremamente meiga, delicada e tímida. Alexia obviamente recebia muita atenção dos rapazes, mas não costumava se render aos elogios e às investidas.

Wood fazia parte do grupo de garotos que fariam de tudo pela atenção de Alexia Morgan. Mas isso fora antes de experimentar a explosão chamada Anastasia Legrand. Com o gosto da francesa ainda presente em seus lábios, Oliver não se sentia nada empolgado a tentar a sorte com Morgan.

- Por Godric, homem, é a sua chance! – Mike revirou os olhos com impaciência – Você sempre se derreteu por ela! O que está esperando?

- Ahn... – Wood pigarreou, tentando ganhar tempo enquanto pensava numa boa desculpa para recusar uma chance com Alexia – Sei lá, Mike. Este interesse repentino dela... Ela pode estar interessada apenas na minha fama.

- Oi? – McLaggen fez uma pausa dramática antes de continuar – Mas que discurso idiota é este? Deixa de viadagem, Wood! Sabe o que fazemos quando uma garota bonita dá sinais? Nós não deixamos a oportunidade passar. Você não vai pedi-la em casamento, animal. Só vai dar uns amassos na garota mais desejada de Hogwarts!

Antes que Oliver pudesse contra argumentar, Mike o empurrou na direção de Morgan. O goleiro da Grifinória cambaleou alguns passos antes de endireitar o corpo e evitar uma queda.

- Não me decepcione, Wood! Não me decepcione!!!

As palavras de Mike foram sussurradas enquanto Wood caminhava lentamente na direção da colega da Corvinal. Alexia estava ainda mais bonita que o normal naquela madrugada, mas Oliver não pensaria duas vezes antes de trocar toda aquela perfeição pela imprevisível Anastasia Legrand.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Dom Jan 31, 2016 4:19 pm

Como parecia fisicamente impossível desviar o olhar de Oliver por mais do que dois segundos, Anastasia acompanhou todo o trajeto que ele fez até parar diante de uma menina morena. Ignorando completamente as conversas das amigas ao seu redor, a francesa estreitou os olhos quando viu Wood sorrir e iniciar uma conversa.

Não precisava ser um gênio para entender a leitura corporal dos dois como um flerte. O modo como a morena ajeitava o cabelo atrás da orelha e sorria meigamente, piscando lentamente suas pálpebras maquiadas, mostrava que ela estava muito mais aberta a uma conversa com o campeão de Hogwarts do que Anastasia estivera, minutos antes.

Com o rosto já vermelho e fervendo, Legrand sentiu seu estômago se contorcer e apertou as mãos, estalando alguns dedos inconscientemente. Era impossível dizer se a francesa estava com ciúmes ou apenas irritada com a ousadia de Wood.

Era de uma extrema cara de pau beijá-la e no segundo seguinte investir em outra menina, bem diante dos seus olhos. Nitidamente, Oliver estava desafiando a francesa, mostrando que ela não era a melhor na arena com um dragão e muito menos com um rapaz.

Anastasia, sempre acostumada a ser reconhecida por suas excelentes performances, não sabia o que era ser rejeitada ou ignorada. Era ruim o bastante não se sentir merecedora da vitória contra o dragão, mas ela estava se sentindo completamente apagada e insignificante com a atitude de Wood.

Seu lado racional lhe dizia que o melhor a ser feito era virar as costas e ignorar a cena que acontecia bem diante dos seus olhos, mas a jovem Legrand não sabia o que era ser a segunda colocada em nada.

- Ana? – Jo perguntou, interrompendo sua frase de uma narrativa sobre uma das aulas de Hogwarts quando Anastasia se deslocou repentinamente do grupo.

- Estou com sede. – Ela explicou, sem olhar para trás.

Foi preciso desviar de algumas pessoas para alcançar a mesa de bebidas, e logo os olhos verdes estavam passeando pelas opções a sua frente, enquanto seus ouvidos estavam atentos a conversa do casal há poucos centímetros.

- Você foi realmente incrível, Oliver... Foi a coisa mais emocionante que eu já vi. Aquele dragão era tão assustador!

Os dedos finos de Anastasia tocaram um copinho com firewhisky e no instante que ela inclinou a cabeça para o lado, pode ver Alexia tocando o braço do grifinório em um gesto mecânico, mas cheio de segundas intenções aos olhos da francesa.

Mais uma vez, seus olhos se estreitaram e o calor subiu pelo seu rosto. Era frustrante não ser a melhor e Anastasia precisava desesperadamente de alguma coisa que mostrasse o quanto ela era poderia ser campeã, por mais tolo que fosse.

- O que você está fazendo?

A francesa perguntou, enquanto Tonks, do outro lado da mesa, enfileirava duas carreiras de copinhos de firewhisky. A menina de cabelos verdes ergueu a cabeça, só então se dando conta da presença da campeã da Beauxbatoms.

- Vira-whisky. – Nymphadora explicou, um sorriso misterioso surgindo em seus lábios. – Já jogou?

Apesar do nome extremamente dedutivo, Anastasia balançou a cabeça em negação e encarou as duas fileiras de copos enquanto a lufana explicava.

- Cada competidor precisa beber dez doses. Quem acabar primeiro, vence. Quer jogar?

Movida pelas frustrações do dia, Anastasia não se importou se aquela fosse a vitória mais ridícula de sua vida. Ela só precisava de um motivo para se sentir a melhor em qualquer coisa. Com um sorriso esnobe, ela encarou Nymphadora como se tivesse acabado de encontrar a salvadora dos seus problemas.

- Lógico.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Dom Jan 31, 2016 4:54 pm

Tal como Wood imaginava, Alexia era uma garota muito especial. Além de inegavelmente bonita, a aluna da Corvinal possuía um sorriso simpático, tinha um timbre de voz agradavelmente doce e parecia sinceramente interessada naquela conversa com o campeão de Hogwarts.

Aquela cena poderia fazer parte de um dos sonhos de Oliver no passado. Até há algumas semanas, o goleiro da Grifinória daria o próprio sangue pela atenção de Alexia Morgan. Agora, contudo, ele enxergava Alexia como uma penosa obrigação.

Se não ficasse com a morena, os amigos zombariam dele por décadas e ele perderia uma chance única de se acertar com Morgan. E provavelmente se arrependeria disso no instante em que as garotas de Beauxbatons saíssem de Hogwarts e Anastasia nunca mais lhe mandasse uma notícia.

Não fazia sentido dispensar a garota de seus sonhos por uma francesa que, há poucos minutos, deixara bem claro que aconteceria mais nada entre eles.

- Eu tive sorte de sair da arena inteiro. – Wood deu de ombros, tentando amenizar seu desempenho espetacular daquela manhã – E foi só a primeira prova. Aliás, se a primeira prova incluía dragões selvagens, eu prefiro não pensar no que está por vir.

- E quanto à segunda prova? Dizem que o ovo daria uma dica. Você precisa de ajuda?

- Eu ainda não tive tempo para pensar nisso, foi um dia bastante tumultuado. Mas é bom saber que posso contar com uma das melhores alunas da casa de Ravenclaw. Não tenho dúvida de que você é mais inteligente do que eu.

O elogio fez com que um sorriso brotasse nos lábios de Morgan. A mão de Alexia, que continuava no braço de Wood, deslizou carinhosamente pelos músculos dele, num claro sinal de que o rapaz podia avançar mais um passo. A expressão da garota se tornou confusa quando Oliver continuou estancado, como se não soubesse o que fazer.

- Oliver...? – a morena chamou, arqueando uma das sobrancelhas.

- Hm?

Wood estava distraído, os olhos procurando por Anastasia Legrand pela clareira. A francesa não estava mais junto às amigas de Beauxbatons, o que fez com que Oliver concluísse precipitadamente que Ana já havia se retirado da festa. A última coisa que o grifinório imaginaria era que a loira estava há poucos passos de distância.

- Está procurando alguma coisa?

- Não, não. – Wood forçou um sorriso e se voltou novamente para Alexia – O que você estava dizendo?

Ao notar que a conversa com Wood não estava sendo nada produtiva, Morgan desistiu do diálogo e tomou logo uma iniciativa. Para ela, era óbvio que Oliver se aproximara com segundas intenções e Alexia não queria perder mais tempo.

Pela segunda vez em menos de um mês, Wood foi surpreendido por um beijo roubado. Alexia subitamente o enlaçou pelo pescoço e uniu seus lábios aos do grifinório, iniciando um beijo. Oliver ficou completamente estático nos segundos iniciais, mas depois moveu os lábios, tentando acompanhar o ritmo da garota de forma mecânica.

Beijar Alexia Morgan era um dos objetivos de vida de Wood, quase tão importante e inalcançável quanto o contrato com um time de quadribol. Mas, naquela madrugada, foi o grifinório que finalizou o beijo de forma precoce, sentindo-se culpado e insatisfeito. Como o beijo de Anastasia Legrand conseguia ser melhor que o sonho chamado Alexia Morgan?

- Heeeey! – Wood forçou um sorriso para camuflar seu constrangimento com aquele beijo pouco satisfatório – Vai rolar vira-whisky! Vamos jogar?

A decepção foi indisfarçável no olhar de Morgan. A última proposta que a garota esperava ouvir depois daquele beijo era um jogo de vira-whisky. Era no mínimo frustrante que Oliver a deixasse de lado para participar de uma competição idiota que o deixaria ainda mais bêbado e incapaz de aproveitar a noite com ela.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Dom Jan 31, 2016 5:14 pm

A decepção de Florence foi notável quando Charlie se esquivou da proposta de dançar. Florence não fizera aquele convite imaginando que o ruivo teria um desempenho espetacular na pista de dança. Era unicamente uma desculpa para passar mais algum tempo com Weasley, em particular.

Contudo, o sorriso voltou a iluminar o semblante de Legrand quando Charlie apresentou uma proposta muito mais interessante que uma mera dança.

- Um unicórnio de verdade? Sério, Charlie? Eu adoraria ver!

De todas as criaturas mágicas, o unicórnio estava na lista de prioridades de Legrand. Os livros mostravam fotos e desenhos ilustrativos, mas Florence sabia que seria uma experiência única ver um unicórnio real. Era uma espécie rara, que infelizmente sofria com a cobiça humana devido às propriedades mágicas de seu sangue e seus pêlos. Talvez a Floresta Proibida fosse a única oportunidade para Florence ver um unicórnio vivo, em seu habitat natural.

Conforme sugerido pelo rapaz, os dois abasteceram seus copos com bebidas antes de saírem em busca daquela aventura. Legrand optou por um suco de abóbora, dada a sua pouca experiência com bebidas mais fortes.

De forma segura, os dois jovens se afastaram dos demais colegas, mas permaneceram protegidos no interior da área protegida pelos feitiços de McLaggen. A Floresta Proibida possuía criaturas dóceis e fantásticas como os unicórnios, mas também abrigava perigos aos quais, àquela hora da madrugada, era um risco desnecessário se expor.

- Você me desculpa, Charlie...?

A voz de Florence soou baixinha e meio envergonhada enquanto os dois caminhavam lado a lado, com os olhos atentos a qualquer mínimo movimento da Floresta Proibida.

Ao notar que o ruivo não havia entendido os rumos que Legrand dava à conversa, a francesa se viu obrigada a explicar.

- Pela maneira como eu me comportei agora há pouco. Eu não deveria ter falado nada sobre a Tonks. Mas é que eu fiquei um pouco... – as bochechas de Florence coraram, mas ela reuniu coragem para completar - ... enciumada.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Fev 01, 2016 12:33 am

A distração sobre o unicórnio foi suficiente para que Florence esquecesse completamente a ideia de tentar dançar, o que logo encheu o peito de Charlie de alívio. Apesar de saber o grande interesse da francesa por animais, ela ainda era uma menina e poderia, pelo menos naquele momento, preferir a pista de dança do que uma pequena aventura na floresta proibida.

Apesar de ainda estarem protegidos pelos feitiços, a barreira do som logo foi vencida, deixando a música para trás e permitindo que apenas os barulhos das árvores balançando ou dos pequenos animais noturnos alcançassem os ouvidos dos dois.

Charlie andava ao lado de Florence, e apesar da ideia de encontrar um unicórnio fosse mesmo incrível, todos os seus sentidos estavam voltados para a francesa ao seu lado. Quando ela tomou a iniciativa da conversa, o rapaz parou de andar e a encarou com um semblante confuso, que logo foi substituído por uma expressão surpresa enquanto seu estômago se contorcia em uma deliciosa sensação.

As palavras de Florence foram absorvidas como um perfume delicioso e Weasley foi incapaz de acreditar na própria sorte. Legrand era uma menina incrível e ele era capaz de enxergar as qualidades muito além da beleza física. Mas ainda assim, a aparência da francesa era um grande destaque aos olhos de qualquer um. Era um enorme lisonjeio ouvir que ela estava enciumada, por mais que para Charlie, não houvessem motivos verdadeiros para tal.

Com a ideia do unicórnio já completamente esquecida, Charlie enfiou as mãos nos bolsos e parou diante de Florence. A escuridão da floresta projetava duas sombras perfeitas e bonitas de se ver. O rapaz era muito mais alto e a silhueta de Legrand continuava delicada. Apenas a luz da lua que escapava por alguns galhos permitia o grifinório de enxergar o rosto delicado da francesa, assim como também era possível que ela encontrasse um sorriso abobado em seus lábios.

- Tonks é uma boa amiga, mas eu nunca pensei nela diferente disso. – Ele retirou uma mão do bolso e ergueu para brincar com as pontas dos fios loiros que moldavam o rosto delicado. – Mas quão idiota você vai me achar se eu disser que acho incrível você se sentir enciumada?

Algumas folhas estalaram quando Charlie deu um passo para frente, diminuindo o espaço entre os dois. A outra mão também foi retirada do bolso e segurou o queixo de Florence, acariciando a ponta com o polegar. A sensação da maciez da pele dela fez com que um choque percorresse todo o seu corpo.

Durante dias, Charlie vinha sonhando com o mais singelo dos toques na francesa, mas jamais poderia imaginar o quão perfeita ela era, melhor do que qualquer sonho. Nem mesmo a vozinha de Marcus Flint ecoando no fundo de sua mente era capaz de apagar a felicidade que ele sentia.

- Como eu disse, Tonks não faz o meu tipo. – Ele repetiu, arqueando o corpo para frente. – Eu prefiro você.

O queixo de Florence foi erguido levemente até que os lábios dos dois se tocassem. Apesar de ter todos os sinais para que Legrand também correspondesse ao beijo, Charlie sentiu todo o corpo relaxar quando sentiu os lábios dela se movendo no mesmo ritmo, se entregando naquela carícia que ele desejava desde a primeira aula de criaturas mágicas.

A mão que estava no queixo de Florence deslizou até segurá-la pela nuca e a outra a enlaçou pela cintura, puxando até que os dois corpos estivessem colados. O sabor de Legrand era a melhor coisa que Charlie havia experimentado em sua vida. O perfume dos cabelos era suave, mas marcante. Ele poderia viver com o rosto afundado nas mechas loiras por dias, sem se importar.

Era inegável como, mesmo com todas as diferenças de altura ou sociais, os dois se encaixavam com perfeição.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Seg Fev 01, 2016 1:06 am

Um delicioso arrepio percorreu a coluna de Florence e ela sentiu o estômago dar uma cambalhota quando Charlie deu um passo na direção dela. Mesmo já sabendo qual seria o próximo movimento do ruivo, o contato com os lábios dele foi uma sensação impactante.

Nos segundos iniciais do beijo, todo o corpo de Florence ficou tenso e seus olhos se arregalaram. Mas, logo em seguida, a francesa experimentou uma gostosa sensação de relaxamento, deixou que suas pálpebras caíssem e tentou acompanhar o ritmo harmonioso ditado pelos lábios de Weasley.

A inexperiência de Legrand ficou evidente na maneira hesitante como ela correspondeu ao beijo no começo. Suas mãos também pareciam meio indecisas, mas logo encontraram um abrigo perfeito atrás do pescoço de Charlie. Não era o primeiro beijo da vida de Florence, mas certamente era o beijo mais intenso e mais desejado por ela até então.

Pouco importava que Charlie Weasley viesse de uma família humilde, que não tivesse um sobrenome influente e um futuro brilhante pela frente. Era por ele que o coração de Florence batia acelerado e a francesa não pretendia mais abafar aquele nobre sentimento.

O beijo se prolongou por um generoso tempo. Os dois alternavam movimentos mais intensos com carícias mais suaves, durante as quais aproveitavam para recuperarem parte do fôlego. Os corpos estavam tão colados que a brisa fresca que circulava entre as árvores da Floresta Proibida não incomodava Florence, mesmo com a francesa estando com as pernas e braços descobertos.

Mesmo depois que os lábios se separaram, os dois jovens se mantiveram unidos naquele abraço. Era impressionante a forma perfeita como Florence se encaixava nos braços compridos de Charlie. A diferença nas alturas também parecia ter sido programada para que a francesa conseguisse deitar a cabeça no peito de Weasley e permitir que ele usasse o topo dos fios loiros como apoio para seu queixo.

Os olhos azuis brilhavam quando Florence ergueu o rosto para encarar o grifinório, sem se mover dos braços dele. Algo na expressão de Legrand deixava claro que nem mesmo avistar um unicórnio seria melhor do que aquele beijo.

- Talvez eu tenha revelado cedo demais um dos meus defeitos... – a loira mordiscou o lábio inferior e fez uma suave carícia na nuca de Charlie antes de confessar – Eu sou extremamente ciumenta quando gosto de alguém.

Um sorriso doce escapou dos lábios de Florence, que estavam ligeiramente inchados depois daquele beijo. Com as pontas dos dedos, a francesa limpou delicadamente os resquícios de seu batom clarinho que manchava a boca de Weasley.

- Você acha que consegue lidar com isso, Charlie?
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Seg Fev 01, 2016 1:31 am

A ponta da mesa de bebidas já havia sido organizada por Tonks com as fileiras do firewhisky para os adversários. O jogo era realizado entre duas pessoas, mas a lufana havia preparado tudo de modo que três pares jogassem em paralelo e algumas pessoas já se agrupavam em volta para assistir.

Anastasia já havia assumido sua posição à mesa e aguardava apenas um adversário para enfrenta-la. Enquanto aguardava que todos os participantes assumissem seus lugares, as íris verdes passearam pela clareira mais uma vez, a procura de Wood, e a francesa sentiu seu estômago afundar quando presenciou o beijo entre o grifinório e a corvinal.

Ela se sentia uma completa idiota por ter se abalado tanto com um beijo que não havia significado nada para Oliver. O britânico poderia ter um grande talento sobre a vassoura, mas era nitidamente um canalha. Ele a beijara para provoca-la e no instante seguinte já estava com outra em seus braços, sem se preocupar o quão humilhante aquilo poderia ser para ela.

Aquela visão apenas reforçou a necessidade de Legrand em vencer aquele jogo idiota. Ela puxou o ar com força e encarou um rapaz gordinho que se posicionou na sua frente, assumindo o duelo da bebida. Com o olhar confiante e soberbo, Anastasia jogou os fios loiros para trás dos ombros e esperou pelo aceno da varinha de Tonks, dando início a partida.

Com um movimento rápido, a francesa puxou o primeiro copinho e virou a bebida, sentindo o líquido queimar como fogo vivo ao descer pela garganta. Com uma careta, Anastasia logo entregou que aquela era a primeira vez que ela provava a bebida e que não esperava pelo gosto forte e o efeito do álcool que imediatamente esquentou suas veias.

Por um segundo, ela precisou apoiar as duas mãos na beira da mesa, os nós dos dedos ficando esbranquiçados, enquanto esperava a sensação de queimação diminuir, incapaz de abrir os olhos. Quase meio minuto havia passado quando ela conseguiu erguer as pálpebras e revelar as íris verdes, já sem muito foco. O rapaz gordinho a sua frente já estava no terceiro copo e o desespero de encerrar a noite com mais uma derrota incentivou Anastasia a enfrentar sua segunda dose.

Desta vez, já esperando pela queimação e o gosto forte, Anastasia foi mais rápida e o intervalo foi menor antes que ela partisse para a terceira dose. Sua boca já começava a ficar dormente e ela nunca havia sentido tanto calor em toda sua vida. A clareira já começava a girar e os sentidos demoravam a reagir com o que acontecia a sua volta.

A quarta e a quinta dose também foram tomadas, mas antes que ela pegasse o sexto copo da fila, sentiu algo prender na garganta e engasgou, entrando em uma crise de tosse. Mais uma vez, Anastasia precisou se apoiar na mesa, sentindo a cabeça rodopiar.

- Ela está bem?

Uma voz feminina chegou em seus ouvidos, mas o cérebro foi incapaz de processar se estavam se referindo a ela ou não. Era apenas uma frase aleatória e sem sentido para que Anastasia pudesse compreender, cada vez mais bêbada.

Com a mão trêmula e os olhos lacrimejando, o sexto copo foi erguido, mas mais da metade de seu conteúdo foi derrubado quando Legrand tentou virá-lo. Sem sentir o copo com firmeza em seus dedos, o mesmo escorregou da mão e caiu sobre o chão da floresta quando Anastasia cambaleou para trás.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Fev 01, 2016 1:46 am

Charles nunca havia experimentado a Felix Felicis antes, mas não tinha dúvidas de que a sensação da poção da felicidade era exatamente a que ele sentia naquele instante. Era como se nada no mundo pudesse atingi-lo. Ele era capaz de conquistar qualquer coisa. E o mais importante já estava em seus braços.

O calor do corpo de Florence junto ao seu, somado ao perfume delicado e o sabor do beijo mais incrível de sua vida era capaz de fazer todas as coisas ruins do mundo desaparecem por completo. Sua insegurança e os comentários ácidos de Marcus Flint e seu amigo da Durmstrang pareciam pertencer a uma vida completamente diferente.

Ele não só tinha uma chance com Legrand, como a francesa estava em seus braços retribuindo todas as suas carícias, sem se importar com suas vestes gastas e sua origem humilde.

Ouvir que Florence gostava dele no delicioso sotaque francês fez seu estômago dar mais uma deliciosa cambalhota e o sorriso de Charlie imediatamente se alargou, exibindo os dentes bonitos e perfeitos. Um vento mais forte fez com que os cabelos ruivos balançassem, deixando-o com uma aparência ainda mais bonita.

- Então você gosta de mim? – Charlie sussurrou, um leve tom convencido mesclado com brincadeira. – Deixa eu ver, Flor... Você é a garota mais incrível que eu já conheci.

Ele depositou um breve beijo na bochecha dela, mantendo o rosto próximo antes de continuar.

- A mais inteligente, bonita e doce...

Novos beijos foram depositados pelo rosto de Florence. Enquanto falava, Charlie dava pequenos passos para frente, conduzindo o corpo da francesa até que ela estivesse encostada contra uma árvore, incapaz de escapar de seus braços.

Uma de suas mãos foi apoiada no tronco áspero da árvore, ao lado da cabeça de Legrand. A outra, ele manteve segurando a cintura fina da francesa, sentindo a textura macia do vestido fino.

- Você é mais do que eu imaginava como a menina dos meus sonhos.

A frase foi dita apenas em um sussurro antes de capturar os beijos da francesa mais uma vez. O beijo, apesar de intenso, foi mais carinhoso e breve do que o primeiro. Quando Charlie ergueu as pálpebras, revelando os olhos azuis com um brilho forte, ele estava mais sério. A ponta de seu nariz roçava na bochecha de Florence quando ele concluiu.

- Eu estou convicto em dizer que você não tem motivo algum para sentir ciúmes. Então sim, eu acho que consigo lidar com isso perfeitamente, Srta. Legrand.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Ter Fev 02, 2016 8:22 pm

Florence deixou-se guiar pelas mãos de Charlie sem que seu sorriso vacilasse por um segundo sequer. Assim como Weasley, a francesa experimentava uma felicidade única e isso ficava muito bem refletido no brilho que iluminava os olhos azuis.

Por mais que estivesse bastante acostumada com elogios, aquelas palavras na voz grave de Charlie pareciam ainda mais valiosas. Era como se Legrand não se importasse mais com a opinião das demais pessoas. A ela, bastava que Charlie Weasley a achasse bonita, inteligente e gentil.

Com as costas apoiadas no tronco da árvore, Florence correspondeu ao novo beijo com uma das mãos firmemente apoiada num dos ombros do ruivo. Com a mão livre, a francesa tocou os cabelos do rapaz, deixando seus dedos mergulharem nos fios avermelhados.

Ao fim da carícia, Legrand manteve os dedos nos cabelos do rapaz, mas desceu a mão vagarosamente, atrapalhando os fios ruivos até alcançar a nuca de Charlie.

- Eu acho que você está tão concentrado nas minhas qualidades que não consegue enxergar as suas, Charlie.

O olhar admirado que Florence lançava ao grifinório mostrava toda a sinceridade das palavras dela. Ali, em meio à penumbra da Floresta Proibida e iluminado apenas pela luz azulada do luar, Weasley parecia ainda mais bonito que o normal. Ele não tinha uma beleza tradicional moldada por roupas ou acessórios caros. Mas era exatamente aquela simplicidade que exaltava a essência de Charlie.

- Você é uma das melhores pessoas que eu já conheci, Charlie. É inteligente, gentil, e atencioso. A sua paixão por animais também é extremamente cativante. A maneira como você ama e cuida do Percy é única, assim como a forma como você fala da sua família. Você é um aluno excepcional, um irmão carinhoso, um bom filho, um excelente amigo.

Mesmo naquele cenário mais escuro, foi possível notar quando as bochechas de Florence adquiriram uma colocação mais rosada.

- E você é muito bonito também. Seus olhos, os cabelos tão incomuns, as sardas... – com um toque delicado, Florence deslizou a pontinha do indicador sobre as discretas sardas que cobriam o rosto de Weasley – Eu gosto de cada uma delas.

Devido à diferença nas estaturas, Florence precisou se colocar na pontinha dos pés para cobrir os lábios de Charlie com mais um beijo.

- Por tudo isso, você não vai conseguir me convencer de que eu não tenho motivos para sentir ciúmes. Você é valioso demais, Charlie.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Ter Fev 02, 2016 9:44 pm

A última coisa que Wood planejava quando saiu do castelo para se divertir naquela festinha clandestina era perder a noite em uma competição de vira-whisky.

Como todo atleta exemplar, Oliver tentava evitar ao máximo qualquer prática que pudesse contribuir negativamente para o seu desempenho no quadribol. E isso exigia dele um cuidado maior com a alimentação para manter a boa forma. Eventualmente Wood tomava uma cerveja amanteigada com os amigos ou uma dose de alguma bebida mais forte durante as festinhas, mas sempre de forma rara e extremamente controlada.

A competição de vira-whisky acabou se tornando unicamente uma desculpa para que Oliver se livrasse do constrangimento de dizer diretamente a Alexia que os dois não passariam o resto da festa juntos. O Wood de algumas semanas atrás daria um pedaço da alma por uma chance com a colega, mas muita coisa havia mudado nos últimos dias. Principalmente graças a Anastasia Legrand.

E a francesa era a última pessoa que Wood imaginou que veria quando se aproximou da mesa onde acontecia o lamentável jogo organizado por Tonks. Anastasia era bastante competitiva e isso já ficara claro. O que Oliver não imaginava era que a loira era tola ao ponto de achar que sairia inteira daquela festa depois de dez doses de firewhisky.

Oliver só não interferiu imediatamente porque, depois da reação de Legrand com a primeira dose de bebida, o grifinório achou que ela seria sábia e sensata o bastante para desistir daquela competição.

Contrariando as expectativas de Wood, Anastasia prosseguiu naquela tortura. O queixo de Oliver caiu e ele não conseguiu piscar enquanto a loira tomava o segundo, o terceiro e o quarto copos de bebida.

Ao redor da mesa, uma pequena plateia já se amontoava para torcer pelos competidores. Anastasia tinha a sua torcida e era a aposta de várias pessoas admiradas com a resistência da francesa a uma bebida tão forte. Mas a loira logo ultrapassou os seus limites e frustrou aqueles que apostavam na vitória dela.

- Ela está bem?

Foi a voz de Tonks que ecoou nas proximidades, com uma nítida entonação de preocupação. A lufana havia organizado a competição, mas não imaginou que aquela brincadeira pudesse culminar com alguém na enfermaria de Hogwarts. É claro que Nymphadora temia as consequências pela responsabilidade daquela festinha clandestina, mas no momento a sua maior preocupação era com o bem estar de Anastasia Legrand.

Ignorando a pergunta da melhor amiga, Wood finalmente conseguiu se recuperar daquele estado de choque e adiantou-se alguns passos. Foi Oliver que evitou que Anastasia caísse, usando os dois braços para amparar o corpo dela com firmeza.

O garoto gordinho aproveitou-se daquele momento para esvaziar seus últimos copos e ergueu os braços num gesto vitorioso, sendo ovacionado pela plateia. Enquanto o ganhador recebia os cumprimentos dos colegas e se concentrava na missão de não vomitar, Wood praticamente arrastou Anastasia até a primeira cadeira disponível nas proximidades.

A francesa quase se desmanchou quando Oliver a colocou sentada e novamente foram as mãos do grifinório que a seguraram pelos ombros e impediram que Anastasia caísse.

O semblante de Wood estava fechado quando ele se agachou em frente à garota e usou uma das mãos para segurar o queixo dela com firmeza, fazendo com que Anastasia o encarasse. A voz do rapaz só soou depois que os olhos esverdeados da francesa finalmente entraram em foco.

- O que você tem na cabeça? – Oliver estava verdadeiramente furioso por presenciar tamanha irresponsabilidade – O que achou que estava fazendo, garota? Esta é a ideia mais estúpida do milênio, achei que você fosse mais inteligente do que isso!

Somada à raiva, havia uma nítida preocupação refletida nos olhos de Wood quando ele tocou o rosto frio e pálido de Anastasia.

- O que está sentindo? Acha que consegue ir comigo até o castelo? Você precisa de uma poção para reverter o efeito da bebida, eu sei onde encontrar.
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