Torneio Tribruxo

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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Sex Fev 19, 2016 12:51 am

Florence estava conformada com a vida que o destino lhe reservara. Ao contrário do que seria natural, a francesa não se importava com a frieza do marido e com o casamento de aparências do qual fazia parte. Era como se a jovem tivesse aceitado que aquele era mesmo o seu papel na sociedade.

Contudo, a mesma apatia não se repetia quando o assunto era Magnus. Florence não estava pronta para se conformar com a ideia de que o filho teria um futuro infeliz, ou que o garotinho tivesse um pai que simplesmente se esquecia da existência dele durante um passeio.

Naquela noite após o ocorrido com Magnus, Florence e Lars tiveram a pior briga daqueles cinco anos de relacionamento. Lothringen até tentou virar o jogo insinuando que a francesa ainda tinha algum interesse no ex-namorado, mas Florence estava furiosa demais para se deixar abater por tal acusação. A Sra. Lothringen podia perdoar o marido por qualquer falha que prejudicasse somente a ela, mas nunca por ter exposto Magnus a tamanho risco.

Por causa da intensa briga, o casal ainda estava estremecido no dia seguinte, quando se uniram a Imovich para jantar. Magnus havia ficado aos cuidados do elfo no hotel, e Florence estava tranquila por saber que o garotinho estava mais seguro com a criatura do que com o próprio pai.

Como de costume, a Sra. Lothringen estava muito elegante naquela noite. O vestido longo era feito com um veludo azul escuro e se encaixava com perfeição nas curvas do corpo de Florence. O decote era cavado e ainda mais realçado por um belo colar de brilhantes. Os cabelos loiros estavam presos em um coque sofisticado.

Definitivamente, Florence e Charlie não pareciam estar vestidos para o mesmo tipo de evento. Apesar disso, o sorriso contido da francesa mostrou a sua satisfação ao ver o ex-namorado com trajes tão simples. Aquilo era uma afronta a Lars. Era como se Weasley quisesse mostrar ao dinamarquês que não precisava se vestir como ele para se destacar.

- Oh, obrigada. É muita gentileza sua, Sr. Weasley. Estou certa de que o Magnus vai adorar o seu presente.

Florence sorriu ao pegar o pequeno dragão de pelúcia e o acomodou carinhosamente em seu colo. O olhar de Lars não deixou dúvidas de que ele havia odiado aquela interação, mas Lothringen preferiu não fazer uma cena diante de um dos seus maiores sócios nos negócios.

- Magnus está bem. – a loira fez uma pausa antes de completar – Ele ficou mais assustado por ter ficado sozinho do que propriamente com a proximidade dos dragões. Por sorte, ele não tem dimensão do tamanho do perigo que correu.

Lars, que já estava incomodado com a conversa dos ex-namorados, trincou os dentes quando Florence levou o assunto numa direção ainda mais íntima.

- Por falar no Percy, como ele está? Era um garotinho tão adorável. Imagino que já seja um rapaz crescido! O tempo passa muito rápido, não é?
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Dom Fev 21, 2016 1:17 am

A última coisa que Anastasia Legrand havia planejado para aquela noite, era passar algumas horas ao lado de ex-colegas e principalmente dividindo o mesmo espaço que Sophie e Wood em uma festa de aniversário. Porém, havia sido extremamente difícil ignorar as súplicas da filha, onde todo o mundo pareceu começar a girar na oportunidade de poder se divertir com outras crianças.

Com um aperto no peito, sabendo que no fundo tudo que ela queria era evitar um novo encontro com o ex-namorado, Anastasia se rendeu aos pedidos da menina, e no horário combinado, as duas estavam lado a lado diante da agitação típica do aglomerado de crianças.

Apesar do aviso de Katie, Sophie carregava em seus bracinhos um grande embrulho de um presente comprado de última hora, e era surpreendente o brilho nos olhos azuis ao encarar a movimentação ao seu redor. A perninha que se mexia inquieta denunciava a ansiedade da pequena Legrand em se enturmar com as crianças que corriam de um lado ao outro, esbarrando nos móveis e ignorando os adultos.

Ao contrário da animação de Sophie, Anastasia não se lembrava de ter se sentido tão deslocada antes em toda sua vida. Rostos conhecidos passavam enquanto ela tentava resgatar o nome em sua memória, todos pareciam estar à vontade uns com os outros, aumentando sua sensação de exclusão, como um peixe fora d’água.

- Anastasia?

A francesa girou a cabeça para reconhecer o rosto de Nymphadora Tonks e se esforçou para dar um sorriso. A auror usava cabelos roxos e curtos naquela noite, e as roupas coloridas não combinavam com a profissão séria e arriscada. Os anos haviam passado, mas a melhor amiga de Wood pouco havia mudado.

- Tonks! Como vai?

Tonks se aproximou um passo quando as íris âmbar giraram até focarem em Sophie. A imagem da loirinha fez a auror travar, as sobrancelhas franzidas enquanto ela analisava cada centímetro do rostinho da criança com os lábios entreabertos.

Anastasia sentiu o coração falhar uma batida na possibilidade de Tonks reconhecer os olhos azuis de Wood em Sophie. Com o rosto quente, a francesa se apressou em puxar a filha pela mão e forçar ainda mais o sorriso.

- Sophie, diga oi para a amiga da mamãe.

A menina demonstrava a mesma curiosidade ao encarar a auror, com a cabeça levemente inclinada para o lado e o rostinho franzido. Nymphadora apenas desviou o olhar de Sophie para encarar um ponto atrás de Anastasia, o que obrigou a francesa a se virar para olhar, encontrando Oliver Wood entretido com outra criança em seu ombro.

- Seu cabelo é engraçado.

Aquele comentário pareceu trazer Tonks de volta a realidade, e apesar de ainda estar sem cor alguma no rosto, a auror abriu um largo sorriso e contorceu seus traços até que o nariz se alargasse formando um bico engraçado, semelhante a de um animal.

- Meu rosto é engraçado também?

O espanto não durou mais do que meio segundo antes de Sophie jogar a cabeça para trás em uma gostosa gargalhada. O clima havia ficado infinitamente mais leve, mas Anastasia ainda sentia uma pontada desconfortável em seu estômago com a reação de Nymphadora.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Fev 21, 2016 1:36 am

Quanto maior era o desconforto de Lars, mais Charles se sentia vitorioso. Ele tinha certeza que o marido de Florence não mediria esforços para deixa-lo constrangido naquele jantar, como sempre havia feito ao longo do ano do Torneio Tribruxo. Saber que ao menos havia começado com alguma vantagem era gratificante.

- Fico feliz em saber que Magnus está bem, espero que não fique nenhum trauma da Romênia. Aqui é realmente um lugar incrível.

O ruivo fez uma pausa quando um garçom se aproximou e serviu as taças de todos com vinho. Ele apoiou as mãos sobre o colo e esperou que o homem se afastasse para que Florence voltasse ao seu campo de visão.

Enquanto os demais presentes eram servidos, os olhos azuis passearam pela francesa. Um frio gostoso se espalhou pelo seu estômago enquanto ele admirava como ela havia ficado ainda mais bonita ao longo dos anos. Não havia mais o brilho de inocência no olhar, e o sorriso era mecânico e quase malicioso, sem o charme da doçura típica de Florence. A maquiagem também era algo diferente da lembrança que Charles tinha da ex-namorada, mas era impossível não notar o quanto ela se transformada em uma mulher linda.

Embora Florence sempre tivesse usado roupas caras, ela agora exibia uma postura elegante que a sociedade lhe exigia. E mesmo que preferisse a menina francesa que se encantava com animais nas aulas de Criaturas Mágicas, Charles perdia o ar diante da nova Sra. Lothringen.

- Percy está bem. Está ótimo, na verdade. – Charles continuou, no instante em que o garçom deixou a mesa. – Virou monitor-chefe, acredita? Acho que fui uma péssima influência para o meu irmãozinho.

Um sorriso divertido brincou nos lábios de Weasley enquanto ele levava a própria taça aos lábios, balançando a cabeça em uma falsa repreensão ao caminho que Percy havia seguido.

- Já vai se formar em Hogwarts no próximo ano, acredita? Realmente, o tempo passa muito rápido.

Enquanto Lars se contorcia com aquela conversa, Imovich assistia a tudo com um sincero interesse no rosto, a testa franzida e os cotovelos apoiados sobre a mesa, como se assistisse a uma partida de xadrez.

- Vocês dois já se conheciam, então? – O romeno perguntou, puxando uma torradinha do centro da mesa e a esmigalhando com os dedos para partir em pedaços.

Fingindo uma simpatia típica daqueles jantares sociais, Charles voltou a taça até a mesa e concordou enquanto lambia os lábios úmidos.

- Florence e eu fomos namorados, na verdade.

A naturalidade em suas palavras não dava jus a sincera intenção de provocar Lars, mas Charlie se manteve sereno quando o dinamarquês engasgou com a própria bebida, tendo um ataque sucessivo de tosse. O rosto começou a adquirir um tom rosado e os olhos a lacrimejarem, e o seu sócio precisou dar palmadinhas em suas costas para que ele recuperasse o ar.

A taça que o cuidador de dragões levou novamente aos lábios foi capaz de esconder a sombra do sorriso que começou a surgir em seu rosto.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Sex Fev 26, 2016 4:06 pm

A estadia de Bellamy em Hogwarts durante o Torneio Tribruxo havia sido tão significativa para o rapaz que, quando decidiu se mudar para o Reino Unido, o estrangeiro fez questão de procurar uma casa no povoado de Hogsmeade. Agora, ele e Katie moravam numa casinha simpática nos arredores do centro comercial do vilarejo.

Era um imóvel amplo e confortável para uma pequena família. Katie optara por uma decoração mais simples, mas o bom gosto estava presente em todos os detalhes. Naquela noite, em especial, tudo estava mais colorido graças ao aniversário de Danika. Balões de ar estavam espalhados por todos os cômodos e a mesa da sala fora coberta com uma toalha estampada com desenhos infantis e recheada dos mais variados tipos de doces. Uma vitrola cantarolava uma musiquinha infantil e os adultos conversavam em pequenos grupinhos enquanto as crianças se divertiam e se fartavam de doces.

Era óbvio que Sophie estava louca para se enturmar com as outras crianças. Por ter crescido deslocada do restante do mundo, a pequena Legrand sentia uma enorme carência. Era raro que ela visse outras crianças e ainda mais raro que tivesse a oportunidade de brincar com uma companhia infantil.

Mas a aproximação de Tonks adiou por alguns minutos a brincadeira, já que Sophie pareceu bastante interessada nas habilidades daquela bruxa. A garotinha já estava rouca de tanto rir depois de uma sucessão de caretas de Nymphadora quando um homem se colocou ao lado da auror. Tonks fez uma última careta antes de retornar à aparência “normal” e se voltar para o recém chegado.

- Esta é a Anastasia Legrand, de quem eu te falei. – Nymphadora uniu uma das mãos a do homem, entrelaçando os dedos carinhosamente – Ana, este é o Remus.

- Muito prazer, Srta. Legrand.

A mão livre de Remus Lupin foi estendida na direção de Anastasia. Sophie foi cumprimentada com uma carícia suave nos cabelinhos loiros e retribuiu com um enorme sorriso.

Era notável que havia uma diferença de idade nada desprezível entre Lupin e Tonks, agravada pelo ar cansado que o homem exibia naquela noite. E ele também parecia ser sério demais para a personalidade expansiva da auror. Contudo, apesar de todas as diferenças gritantes, eles formavam um casal bonito. E era evidente que Nymphadora estava exalando felicidade.

- Infelizmente nós não vamos ficar até o fim da festa, Remus está cansado e eu tenho uma missão amanhã cedo. – Tonks manteve um sorriso gentil nos lábios, mas o olhar intenso dela deixava claro que a sua cabeça trabalhava agilmente – Mas faço questão de te encontrar de novo para colocarmos os assuntos em dia, Ana. Eu vou te procurar esta semana, ok?

Antes que a francesa pudesse pensar em qualquer desculpa para escapar daquela conversa, Nymphadora completou com um semblante mais sério.

- Nós realmente temos que conversar, Anastasia. Isso é muito importante.

Para quebrar um pouco o clima pesado, Tonks apoiou as mãos nos joelhos e se inclinou para falar com Sophie.

- E quanto a você? Não quer brincar com as outras crianças?

- Quero! – a resposta foi direta, mas Sophie demonstrou alguma insegurança ao olhar ao redor – Mas eu não conheço elas.

- Vamos resolver este problema agora.

De forma nada discreta, Tonks gritou o nome da aniversariante, que era justamente a garotinha nos braços de Wood. Oliver se recusou a “libertar” a afilhada e se aproximou do grupo, trazendo nos braços a pequena Danika.

Nika era uma adorável miniatura de Katie, mas havia herdado do pai os olhos e os cabelos escuros. Ela estava agarrada ao pescoço do padrinho e devorava uma varinha de chocolate, mas pareceu bastante interessada quando viu o tamanho do embrulho nas mãos de Sophie.

- É pra mim? – a pergunta soou espontânea.

- É para a Danika. – Sophie a encarou, meio desconfiada.

- Sou eu! E quem é você?

- Vamos com calma. – Oliver riu enquanto colocava a aniversariante no chão – Nika, esta é a Sophie. Ela é filha da Ana, uma amiga do seu papai. Sophie, esta é a Nika.

Passado o primeiro momento de estranhamento, as duas meninas logo se enturmaram. Sophie desejou os parabéns, Danika agradeceu e alargou o sorriso ao receber o presente. O embrulho foi rasgado e, em dois segundos, Nika já abraçava uma enorme corujinha de pelúcia.

Não demorou para que o braço de Sophie fosse agarrado e a loirinha fosse puxada pela aniversariante, que tagarelava sobre os presentes que tinha ganhado, sobre os doces e as brincadeiras da festa.

Para alívio de Anastasia, Nymphadora não mencionou as suas suspeitas na frente de Wood. Mas era óbvio que a amiga não pretendia esconder aquilo de Oliver por muito tempo.

- A Katie quer te matar, sabia?

- A Katie é exagerada demais. – Oliver girou os olhos com impaciência – A menina só faz aniversário uma vez por ano!

- Aham. – Tonks completou com ironia – Mas isso não justifica mimá-la com uma dúzia de presentes.

- Não foi uma dúzia! Foram... – Oliver precisou de alguns segundos para contar – Oito. Dois por cada ano de vida. Me parece justo.

- Se você faz isso com uma afilhada, tenho medo de pensar no estrago que causaria em uma filha!

O comentário de Remus não poderia ter sido mais inocente, mas aquelas palavras geraram um nítido desconforto em Anastasia e Tonks. Nymphadora forçou um sorriso e segurou com mais firmeza a mão do namorado.

- Vamos, Remus? Você precisa descansar e eu também. A gente se vê em breve, Ana.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Sex Fev 26, 2016 5:07 pm

Mesmo que Charlie atuasse muito bem naquele jantar social, Florence não se deixou enganar pela simpatia do ex-namorado. A francesa o conhecia o bastante para reconhecer as provocações escondidas em cada palavra selecionada pelo ruivo. Weasley estava provocando Lars e, a julgar pela veia que pulsava na testa do dinamarquês, Charlie estava sendo vitorioso naquele objetivo.

Se a situação fosse outra, Florence não contribuiria naquele joguinho de rivalidade entre os dois homens. Mas ela ainda estava tão furiosa por Lars ter se esquecido de Magnus no museu que se permitiu torturar o marido um pouco mais. Florence agia como uma dama, mas por trás de suas palavras também escondia uma pequena acidez que visava atingir o marido.

- É difícil acreditar que o Percy já seja um rapaz. A última imagem que guardo dele é a de um adorável garotinho sardento. O tempo realmente está passando rápido demais.

O auge daquela provocação veio quando Charles abandonou por completo as indiretas e mencionou com todas as letras o envolvimento que tivera com Florence no passado. Os olhos de Imovich se arregalaram em uma surpresa incontrolável. E Lars só conseguiu tornar a situação ainda mais constrangedora quando engasgou com o vinho e teve um acesso de tosse que precisou da interferência do sócio.

Ao contrário da Florence que Weasley conhecera no passado, a atual Sra. Lothringen não demonstrou nenhum constrangimento com aquela revelação tão direta. A loira manteve um semblante impassível, suas bochechas não coraram como antigamente e não havia nem mesmo um resquício da timidez da velha Florence. O máximo que ela se permitiu foi lançar um olhar impaciente para Lars enquanto o dinamarquês, já vermelho de tanto tossir, tentava recuperar o fôlego.

- É mesmo? – Imovich quebrou aquele silêncio constrangedor – Que coincidência! Eu jamais imaginaria!

- Foi um relacionamento breve que se iniciou durante a minha estadia no castelo de Hogwarts.

A explicação veio dos lábios de Florence, com uma fria naturalidade que não combinava com ela. Até mesmo a loira estava surpresa em ver que conseguia mencionar o antigo namoro com Charles Weasley sem sentir a dor que a assombrava nos últimos anos.

- Uma aventura adolescente, eu diria.

O mais sensato era que as explicações parassem por ali para que a situação não se tornasse ainda mais comprometedora. Mas Florence simplesmente foi incapaz de conter aquela insinuação. Depois de tudo o que Weasley a fizera sofrer com o fim abrupto daquele namoro, Florence não foi nobre o bastante para poupá-lo daquela alfinetada.

- O relacionamento acabou quando o Sr. Weasley amadureceu e foi atrás dos seus verdadeiros objetivos. Aliás, Sr. Weasley, eu lhe devo um sincero agradecimento por isso.

Florence exibia um sorriso mecânico quando encarou o ex-namorado.

- O senhor finalmente me ajudou a entender como o mundo funciona de verdade. Graças ao senhor, eu compreendi que todos possuem um preço. Inclusive eu.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Mar 05, 2016 2:50 pm

Ninguém naquela mesa sabia o significado verdadeiro das palavras de Florence, além da própria francesa e de Charles Weasley. Lars ainda tinha os olhos lacrimejantes pelo engasgo e respirava ruidosamente pelo nariz enquanto encarava a esposa e o britânico, de um ao outro, repetidas vezes. Imovich parecia ser o único realmente curioso em tudo que era dito, como se estivesse tentando desvendar um livro interessante e impossível de interromper.

Ignorando todos os presentes e como se o ruído do restaurante não fosse capaz de alcançar seus ouvidos, Charles encarou Florence fixamente, revivendo dolorosamente o pior dia da sua vida, onde cada palavra de Pierre ainda estava nitidamente gravada em sua memória.

Os lábios estavam esbranquiçados, apertados um contra o outro, enquanto tudo ao seu redor desaparecia e todos os seus sentidos se fixavam unicamente na ex-namorada, absorvendo cada uma das palavras dela. Florence havia se tornado uma pessoa completamente diferente do que Charles conhecia, e saber que ele era o responsável por aquela mudança fazia um grande mal-estar subir pelo seu estômago.

Florence acreditava em tudo o que o pai havia lhe dito e aquilo só tornava a injustiça com Charles ainda maior. Não bastava todo o sofrimento de precisar se afastar da mulher que amava, ele também havia se tornado um grande cafajeste aos olhos dela, sem nunca ter merecido um terço daquela mágoa.

- Aventuras de adolescente, não é? – Charles perguntou, tentando manter o tom irônico, mas com a mágoa muito mais nítida em cada traço de seu rosto.

Ele forçou um sorriso, que pareceu ainda mais triste quando os olhos azuis baixaram para encarar a mesa, em alguns tons mais escuros que o normal. Quando ele voltou a encarar Florence, estava certo de que ela jamais o perdoaria por aquele grande erro que ele nunca cometera.

Se remexendo em seu lugar, Charles encarou os demais presentes da mesa, como se só agora percebesse que não estava a sós com a francesa. As mãos deslizaram sobre as pernas, esfregando as palmas suadas sobre o tecido grosso enquanto ele encolhia os ombros.

- Imaginem que quase larguei toda minha vida na Inglaterra para jogar Quadribol na França, quando namorava Florence.

Ao terminar de falar, ele voltou as íris claras para Florence. Era a primeira vez que a francesa sabia daquela novidade e Charles jamais imaginou que fosse contar a ela em uma situação como aquele jantar, tendo Lars e um completo desconhecido como espectador.

- Teria sido mais que um breve relacionamento se certas pessoas não achassem tão necessário colocar um preço em absolutamente tudo, inclusive em outras pessoas.

O sorriso se alargou, embora ainda não alcançasse seus olhos, enquanto sua mente produzia a vida diferente que teria tido se seus planos iniciais tivessem dado certo. A vida como jogador de quadribol no time francês, uma casa onde encontraria Florence todos os dias, um filho doce como o pequeno Magnus, que ele jamais seria capaz de esquecer em qualquer lugar.

- Certamente é uma vida diferente da de um cuidador de dragões, não? – A taça de vinho pela metade foi erguida em um brinde antes de terminar seu conteúdo em um único gole, como se apenas o álcool fosse capaz de lhe dar coragem de terminar aquela noite.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Sab Mar 05, 2016 3:38 pm

Nymphadora sempre havia sido uma pessoa alegre e divertida de se ter por perto, mas pela primeira vez, Anastasia sentiu que finalmente podia respirar quando a metamorfomaga deixou a festa, a livrando da possibilidade de expor o seu maior segredo.

Pelo semblante da britânica, Ana sabia que aquele momento havia sido apenas adiado e seria questão de tempo até que Tonks a enfrentasse sobre a verdadeira origem de Sophie, mas ao menos por mais um dia, ela estava a salvo.

Era impressionante a facilidade com que Sophie tinha para se enturmar com as outras crianças. Foi necessário apenas poucos minutos até que ela estivesse correndo de um lado ao outro, como se conhecesse todos os presentes por toda a sua vida. Os olhos verdes acompanhavam cada pequeno movimento da filha, atentos a qualquer perigo ou necessidade de seus cuidados, mas Sophie ignorava a mãe enquanto brincava.

Diferente da pequena, a francesa não se sentia tão enturmada, apesar de conhecer alguns rostos presentes naquela festa. Ela não via aquelas pessoas há anos, e mesmo assim, tivera um contato muito breve quando estivera em Hogwarts. Durante o torneio, sua interação era basicamente com os outros campeões, sempre ocupada demais usando seu tempo para ter os melhores desempenhos nas provas. Bellamy estava envolvido com a atenção da aniversariante e a última coisa que Anastasia queria era ter mais uma conversa trocando farpas com o ex-namorado.

Quando Sophie se enfiou em um dos brinquedos montados na festa, sob a supervisão de alguns bruxos, Anastasia se permitiu afastar da aglomeração e caminhar pela casa, até que seus pés a levassem a uma sala de estar silenciosa, protegida da festa. A decoração infantil não havia chegado ali, mas era possível notar o cuidado de Katie em cada pequeno detalhe.

Havia uma lareira apagada, perfeitamente limpa, e as cortinas eram claras e quase transparentes, deixando a luz do luar iluminar parcialmente o carpete. Uma estante junto a parede exibia alguns livros sobre quadribol e artefatos esportivos, compartilhando o espaço das prateleiras com diversos porta-retratos que exibia diferentes etapas da pequena Danika. Era possível notar a felicidade da família em cada uma delas.

Uma das fotografias chamou a atenção de Ana, que se sentiu a vontade para esticar a mão e puxar o retrato para analisar mais de perto. O rosto de Oliver Wood, alguns anos mais novo, exibia um largo sorriso enquanto carregava um pequeno embrulho que a francesa não precisou se esforçar para descobrir que era a afilhada.

Por um segundo, Legrand se permitiu fantasiar que aquele seria o mesmo sorriso que Wood exibiria se ele tivesse tido a oportunidade de carregar Sophie no colo. Apesar de todos os erros cometidos pelos dois, Ana precisava admitir que o goleiro teria sido um bom pai.

Distraída com aquela imagem, Ana girou sob os calcanhares sem tirar os olhos da fotografia, e só percebeu que não estava mais sozinha quando seu corpo se chocou com o de outra pessoa. A outra mão, que carregava um copo com suco de abóbora, foi a primeira a ser atingida, derrubando a bebida por completo.

Os olhos esverdeados acompanharam quando o tom alaranjado começou a manchar seu vestido florido e ligeiramente decotado. Algumas gotas haviam respingado sobre a pele do colo enquanto a mancha aumentava em sua barriga.

- Desculpe! – O pedido veio em francês, sem que ela percebesse, para só então identificar o rosto de Wood.

Exatamente como acontecia em Hogwarts, Ana sentiu as bochechas esquentarem diante da presença do ex-namorado, mas se esforçou para manter o controle.

- Eu estava distraída. Espero que não tenha estragado a sua camisa.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Sab Mar 05, 2016 4:14 pm

A história de Florence Legrand com Charlie Weasley era como um livro clássico que a loira lera exaustivamente durante a adolescência. Os principais pontos da história estavam definitivamente gravados na memória de Florence, mas, depois de tanto tempo, alguns pequenos detalhes tinham se perdido em meio às lembranças mais “importantes”.

Contudo, ao verbalizar aquele passado, algumas daquelas pequenas informações perdidas pelo tempo começavam a subir até a superfície da memória da francesa.

Quando Weasley mencionou um time de quadribol francês, as sobrancelhas finas de Florence se arquearam e, instantaneamente, sua mente recuperou uma lembrança perdida. Só agora, depois de cinco anos, Florence descobria qual era a novidade que Charles nunca tivera a chance de contar a ela.

A surpresa estava estampada em cada traço do rosto de Florence. Era difícil acreditar que o mesmo rapaz disposto a mudar totalmente os rumos de sua vida por causa de uma namorada havia aceitado “vender” seu amor tão facilmente.

O desconforto por aquela conversa tão pessoal atingia a todos na mesa. Talvez Imovich fosse o único que sentia mais curiosidade do que constrangimento. Lars, quando finalmente parou de tossir e recuperou o fôlego, lançou um olhar tão fulminante para Charlie que ficou claro que varinhas só não seriam erguidas porque os dois estavam em um ambiente público.

Foi neste contexto que o jantar foi servido. O clima estava denso entre três dos quatro ocupantes da mesa quando os garçons começaram a distribuir os pratos selecionados para aquela noite. Como já era de se esperar, o cardápio era refinado e certamente Lothringen desembolsaria uma pequena fortuna no fim da noite.

Florence murmurou um agradecimento ao garçom quando foi servida e, embora seu prato estivesse bonito, o apetite havia evaporado por completo depois daquela conversa com Weasley e do retorno das lembranças do passado.

Depois que todos foram devidamente servidos, a Sra. Lothringen segurou com delicadeza o garfo de prata e começou a remexer suavemente o purê de legumes, sem a menor intenção de comê-lo. O pedaço de carne de carneiro em seu prato tinha um cheiro maravilhoso, mas nem isso atiçava o apetite da loira.

- Este jantar foi um erro.

As palavras de Lars foram sussurradas apenas para a esposa, mas o silêncio profundo no qual a mesa estava mergulhada poderia fazer com que seu timbre grave alcançasse os demais convidados daquele jantar.

- Mais um para a minha coleção. – ao contrário do marido, Florence não fez nenhuma questão de ser discreta.

Talvez a única coisa de que Florence não se arrependesse nos últimos anos era de Magnus. O filho fazia com que todo o seu sacrifício valesse a pena. Magnus era a prova de que o maior tesouro da vida de Florence viera de um casamento que, talvez, tivesse sido a pior decisão da sua vida.

Com a cabeça ainda fervilhando com as palavras ditas e as lembranças revividas, Florence ousou erguer os olhos para Charlie mais uma vez. Ela não acreditava na inocência do ex-namorado, mas definitivamente não estava satisfeita com aquela história. Os pedaços daquele quebra-cabeça simplesmente não se encaixavam e Florence precisava ouvir toda a verdade para conseguir seguir em frente.

Foi esta inquietação que levou Florence a cometer uma pequena loucura.

Depois de um jantar silencioso e amplamente desconfortável, todos pareciam aliviados quando o encontro se encaminhou para o fim. Lars acertou a conta nada modesta do restaurante e foi o primeiro a se levantar, sendo prontamente seguido pela esposa. As despedidas foram breves e frias antes que cada um tomasse seu próprio rumo.

Se Charlie imaginasse que a ex-namorada o evitaria ao máximo depois daquele desastroso encontro, certamente teria uma grande surpresa naquela noite. Já era madrugada e o frio da Romênia começava a se espalhar por todos os cantos do pequeno vilarejo quando uma figura encapuzada se colocou diante da casa onde o cuidador de dragões vivia sozinho.

Foi difícil para Florence acomodar todo o peso de Magnus em apenas um dos braços. O garotinho já não era mais um bebê e parecia ficar ainda mais pesado quando se entregava ao sono profundo, como naquela madrugada.

Quando finalmente conseguiu libertar um dos braços, a Sra. Lothringen ajeitou melhor a manta que mantinha o corpinho do filho aquecido e só então bateu na porta da casa de Weasley, torcendo para que o sono do ex-namorado não fosse tão pesado. A manta deixava Magnus aquecido e confortável, mas a capa com o capuz não era o bastante para proteger Florence do frio da madrugada romena.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Mar 05, 2016 5:28 pm

Embora tivesse uma rotina bastante previsível que incluía ir se deitar logo no início da noite, Charles achou impossível se acomodar em sua confortável cama após o desastroso jantar com os Lothringen. Nem mesmo o frio foi capaz de convencê-lo a ficar sob as cobertas quentes e a mente agitada o obrigou a perambular pela casa no meio da madrugada.

A rua pacata em que Charles vivia era composta de uma fileira de casas iguais, de dois andares e cercadinho no pequeno gramado da frente. No interior, os cômodos não eram enormes, mas eram grandes o bastante para acomodar uma família com conforto. Para alguém que vivia sozinho, era mais do que suficiente.

O hall de entrada era pequeno e tinham alguns ganchos onde o pesado casaco de Charles estava pendurado. A escada que dava acesso ao segundo andar ficava logo na chegada, com um portal ao lado direito para acessar a sala de estar, onde o dono da casa estava, já tarde da noite.

A lareira acesa era a única coisa que iluminava o lugar, o som da lenha estalando era quase hipnotizante. Apesar do frio, Charles estava descalço, protegido com o feitiço que mantinha o piso aquecido. A calça de moletom era cinza e ele vestia um velho suéter sobre a camisa do pijama, exibindo o formato de um dragão bordado.

Os cabelos vermelhos estavam ligeiramente bagunçados pela agitação provocada com a insônia, mas não havia nenhum traço de cansaço em seus olhos azuis, perfeitamente despertos. Com as mãos unidas, Charles segurava a xícara quente com chá, permitindo que o vapor subisse e tocasse seu rosto em uma suave carícia, enquanto sua mente vagava nas lembranças de Florence.

Charles sabia que nunca havia esquecido o amor pela francesa, mas a presença da ex-namorada havia provocado reações muito mais intensas do que ele jamais imaginou sentir. Ele havia seguido com a própria vida e se orgulhava de tudo que havia conquistado com o próprio esforço, mas o pensamento do que teria sido se ainda estivesse com Florence o consumia de uma forma assustadora.

Sua mente estava tão mergulhada naqueles devaneios que Weasley teve um pequeno sobressalto quando as batidas ecoaram na porta, ecoando pelo cômodo silencioso. Por alguns segundos, ele simplesmente encarou a direção que levava até o hall de entrada com a testa franzida, como se esperasse compreender o que levaria alguém até ali tão tarde da noite sem precisar se levantar.

Foi preciso que uma segunda batida ecoasse para que ele finalmente se mexesse, deixando a xícara na mesinha ao lado. Com os pés descalços e em contato direto com o chão, Charles caminhou apressado até a entrada e abriu a porta, mantendo o pequeno trinco que limitava a abertura.

Através da pequena frecha, ele ainda precisou estreitar os olhos para reconhecer o rosto de Florence envolvido no capuz e protegido pela escuridão da noite. Mesmo após identificar os tão conhecidos olhos azuis, Charles ainda demorou a acreditar que a francesa estava realmente ali.

- O quê...?

Ele balbuciou, só então notando a presença de Magnus adormecido nos braços da mãe. Charles se apressou em retirar o trinco e abrir a porta por completo, pulando para o lado para que o caminho ficasse livre para Florence. Ele esperou que a mulher estivesse dentro de casa e a porta finalmente trancada para se voltar a ela.

- O que houve? Aconteceu alguma coisa com o Magnus? Está tudo bem?

Enquanto falava, a testa ainda franzida em preocupação, Charles indicava o caminho que Florence deveria seguir, a guiando até a sala onde ele repousava antes. O calor gostoso da lareira era envolvente e Charles apontou para o largo sofá onde a criança poderia continuar dormindo.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Sab Mar 05, 2016 5:47 pm

Como já conhecia muito bem a casa de Bellamy e Katie, Oliver já sabia para onde os passos de Anastasia a levariam no instante em que a francesa seguiu no rumo da sala de estar. Intimamente o goleiro sabia que a decisão mais sensata era manter um grau de distanciamento da ex-namorada, mas era muito difícil resistir à tentação. Depois de tantos anos longe de Ana, Wood era incapaz de controlar as batidas do próprio coração ao tê-la diante de seus olhos e tão perto do alcance de suas mãos.

Os olhos azuis varreram discretamente o ambiente da festa apenas para se certificarem de que nenhuma atenção pairava sobre ele. Todos estavam tão entretidos com as crianças ou em suas respectivas conversas que ninguém percebeu quando o goleiro do Puddlemere United deslizou discretamente na mesma direção tomada por Anastasia Legrand.

A intenção de Oliver era se aproximar da forma mais discreta possível, mas Ana frustrou seus planos quando se virou abruptamente e derramou boa parte do suco de abóbora na camisa do ex-namorado.

O susto fez com que Wood desse um salto para trás, mas nem mesmo seus excelentes reflexos típicos de um jogador de quadribol evitaram que a sua camisa exibisse uma mancha causada pelo suco de abóbora.

- Eu que peço desculpas, deveria ter me anunciado.

Oliver fez uma breve careta antes de deslizar os dedos na mancha. A intenção dele era diminuir o estrago, mas Wood só conseguiu espalhar ainda mais o suco pelo tecido claro da camisa.

- Tudo bem. Nada que um feitiço doméstico não conserte. – Oliver se permitiu brincar, numa tentativa de suavizar o clima – O grande problema é que sou péssimo com feitiços domésticos.

Agora que estava frente a frente com Anastasia, Wood finalmente se deu conta de que não sabia o que dizer a ela. O britânico seguira a loira movido por um instinto que exigia que ele ficasse mais perto dela. Mas este mesmo instinto não ajudava Oliver a iniciar um assunto que não fosse polêmico ou constrangedor. E apesar de todas as mágoas do passado, a última coisa que Wood desejava era mais uma briga.

- A Nika está crescendo rápido demais. É assustador.

Por fim, Oliver optou por falar da afilhada. Era um tema ameno e a fotografia que Anastasia fitava com tanta atenção antes da chegada de Wood abria uma brecha para aquele assunto.

- Eu me lembro do dia em que tiramos esta foto como se fosse mês passado. É difícil acreditar que já tem quatro anos.

Intimamente, a cabeça de Wood completou aquela sentença dizendo que era inacreditável que o namoro com Anastasia tivesse chegado ao fim há cinco anos. Talvez por pensar tanto na francesa e por manter tão vivas as lembranças dela, Oliver tinha dificuldade em acreditar que ficara tanto tempo sem vê-la.

- Eu sei que já me desculpei, mas queria reforçar o meu arrependimento por aquela conversa. – Oliver abriu os braços e seus lábios se curvaram num sorriso amargo – Eu não tinha o direito de julgar as suas escolhas. Ainda mais agora, que não sei mais nada sobre a sua vida, sobre a pessoa que você se tornou. A existência da Sophie é a maior prova de que você não é mais a mesma Ana que eu conheci.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Sab Mar 05, 2016 8:47 pm

Um suspiro de alívio escapou dos lábios de Florence quando Weasley destrancou a porta e abriu espaço para que ela e Magnus entrassem. A francesa já sentia a ponta do nariz formigando e os nós de seus dedos já doíam pelo esforço de carregar Magnus, completamente entregue a um sono suave.

Florence estava tão aliviada por sentir o confortável calor da casa de Charlie que, num primeiro momento, não deu nenhuma importância aos detalhes dos cômodos.

Com todo o cuidado para não acordar Magnus, a loira se inclinou e colocou o corpinho do filho no sofá diante da lareira. Magnus se remexeu suavemente, mas não abriu os olhos. Depois que a mãe ajeitou a manta sobre o corpo dele, o garotinho mergulhou novamente na profundidade daquele sono inocente.

Só depois de se certificar que o filho estava bem, Florence retirou a capa. A casa magicamente aquecida permitia que a loira se sentisse confortável usando apenas o vestido com o qual saíra de casa. Era exatamente o mesmo vestido que ela usara no desastroso jantar daquela noite, o que deixava bem claro que a Sra. Lothringen nem havia tentado dormir depois daquele encontro.

- Magnus está bem. – a loira usou uma entonação mais contida para não acordar o filho – Eu só o trouxe porque, depois de tudo o que aconteceu, eu me recuso a deixá-lo sozinho com o Lars.

Pela primeira vez até então, Florence deixou que seus olhos deslizassem pelo cômodo ao seu redor. Somente a lareira iluminava a sala, mas os olhos da francesa, já acostumados com a escuridão da noite, não tiveram dificuldade para notar os detalhes.

A casa de Charlie era pequena para os padrões de uma Legrand, que sempre fora criada numa mansão luxuosa. Os móveis estavam em bom estado de conservação, mas também eram simples. A decoração, talvez pela falta de uma influência feminina, era extremamente básica.

A xícara de chá pela metade deixada sobre um dos móveis indicava que o dono da casa não estava dormindo antes de ser surpreendido pelas batidas na porta. A certeza de que Charlie também estava inquieto com a conversa daquela noite deu a Florence a coragem para iniciar aquela conversa tão delicada.

Depois de uma breve observação, a Sra. Lothringen voltou a atenção novamente para o ex-namorado antes de tomar a palavra.

- Nós precisamos conversar, Charlie. – Florence ergueu um dos ombros antes de completar – A verdade é que nunca conversamos sobre o que aconteceu, não é? Você simplesmente foi embora e eu não exigi explicações.

Era muito doloroso reviver o término daquele namoro, mas Florence sentia que só seria capaz de seguir em frente quando tudo estivesse esclarecido. Reencontrar Charles depois de tantos anos fez com que a ferida novamente se abrisse e somente a verdade seria capaz de ajudar naquela cicatrização.

- Eu não sabia sobre os planos de jogar quadribol na França. Era isso que você queria me contar naquela visita, não era?

Um suspiro pesado escapou dos lábios da francesa antes que ela tivesse a coragem de fazer aquele desabafo que estava entalado há anos em sua garganta. A expressão dela refletia uma sincera dor quando Florence encarou o ex-namorado.

- Você pode argumentar dizendo que eu nunca passei dificuldades. É verdade, Charlie. Eu nunca precisei me privar de nada. Sempre tive uma vida confortável e luxuosa, morei em mansões, tive as melhores roupas, viajei por todo o mundo. Eu nunca precisei dividir nada, nunca tive vestes de segunda mão ou sapatos surrados. Você tem razão em tudo o que disser a este respeito...

As sobrancelhas de Florence se franziram e a voz da loira soou ainda mais baixa quando ela completou.

- Mas eu amava você, e acreditava que o seu amor era igualmente sincero. Eu estava prestes a abrir mão de todos os meus luxos para ficar ao seu lado, e eu teria sido feliz! Por isso eu não consigo te perdoar por você ter tido a coragem de vender o nosso amor.

Antes que Weasley tivesse a chance de responder, Florence continuou. Agora que finalmente estava falando sobre aquele assunto doloroso, a francesa queria ir até o fim.

- Eu sei o que o meu pai fez, Charlie. Ele foi desprezível, mas eu já estava acostumada a ver meus pais tentarem resolver todos os problemas com dinheiro. Eu já esperava isso do meu pai, mas não de você, Charlie. Eu estava prestes a mudar totalmente a minha vida por você quando soube que fui trocada por alguns galeões. Foi horrível pensar que você conseguiu colocar um preço em mim e no futuro que planejávamos juntos.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Sab Mar 05, 2016 9:11 pm

Era incrível como, mesmo com o passar dos anos, a proximidade de Oliver era capaz de deixar todos os sentidos de Anastasia em alerta. O perfume gostoso e a forma com que os olhos dele e o formato de sua boca eram capazes de fazer sua mente se desligar do restante do mundo era quase assustador.

Manter o autocontrole diante de Wood sempre havia sido um desafio, e parecia ainda mais difícil depois dos anos afastados, como se seu corpo implorasse para matar a saudade das carícias que ela conhecia tão bem.

- Está tudo bem, Wood. Não há necessidade de se desculpar. Nós dois fizemos nossas escolhas e parece que cada um de nós chegou onde queria, não é?

Anastasia ergueu a fotografia e a empurrou contra o peito de Oliver até que ele recebesse o objeto em suas mãos. Seu semblante sério não denunciava a batalha interna que ela travava, dividida com as sensações que a presença de Wood lhe despertava e as lembranças amargas do fim do relacionamento, cinco anos antes.

Oliver finalmente havia conquistado o sonho de menino, se tornara um grande jogador de Quadribol e vivia rodeado de amigos. Ana, por sua vez, exibia o alto cargo no Ministério da Magia e conquistara o respeito e a admiração de muitos profissionais. Sophie era a única variante diferente do seu sonho, mas Legrand depositava nela o principal motivo de suas alegrias, de uma maneira que jamais esperou encontrar no trabalho.

- Você está certo, a Sophie realmente mudou não só a minha vida, mas minha forma de encarar tudo. Eu sou uma pessoa diferente por causa dela.

Nos poucos segundos em que o silêncio se instalou entre os dois, Anastasia mordeu o lábio inferior, se perdendo nas íris azuladas a sua frente, perdendo completamente a linha de raciocínio. Foi apenas o ruído distante da festa capaz de trazê-la de volta a realidade, pigarreando para que a voz não saísse rouca.

- Mas acho ótimo que você tenha conquistado o que sempre quis, Wood. De verdade. E não é só pelo quadribol.

Os olhos verdes baixaram até encarar novamente a fotografia que Oliver segurava e Legrand soltou um suspiro antes de continuar.

- Mas confesso que você também está diferente do Oliver que eu conhecia. Não sabia que você gostava tanto de crianças. É bem transparente o amor que você sente pela fila do Bell.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Sab Mar 05, 2016 10:21 pm

A declaração de Anastasia ecoou algumas vezes na mente de Oliver antes que o rapaz compreendesse a dimensão daquelas palavras. De fato, Wood havia realizado o maior sonho de sua infância e adolescência quando se tornou um jogador de quadribol famoso e bem sucedido. Mas parecia errado dizer que ele havia chegado aonde queria.

Oliver não se sentia plenamente realizado porque lhe faltava algo muito importante. A presença de Ana e a maneira como o coração dele se acelerava pela loira eram as provas de que toda a fama não era o bastante para fazer Wood se sentir completamente feliz.

A fotografia de Danika e o fato de Anastasia ter Sophie em sua vida só reforçavam outra lacuna muito importante na vida do goleiro do Puddlemere United. E aquela era uma lacuna que Oliver não acreditava que um dia fosse preencher. Wood só pensava em ter filhos se estivesse num relacionamento sério, com uma mulher que ele amasse profundamente. Depois do término com Ana, aquele cenário se tornara algo bem improvável na vida do rapaz.

Quando Legrand mencionou a filha de Bellamy, Oliver lançou um olhar carinhoso à fotografia antes de responder.

- Eu também não sabia. Quando o Bellamy me convidou para ser o padrinho dela, eu achei que seria um desastre. Mas tudo foi tão fácil, tão natural...

Wood deu um passo a frente e recolocou o porta-retratos na estante, encaixando-o exatamente no lugar onde ele estava antes. Era impressionante como o tempo havia feito bem a Oliver. O quadribol deixara seus músculos ainda mais definidos, os ombros largos e os braços fortes.

- A Nika é uma menina muito especial. É uma satisfação estragá-la. – Wood completou de forma bem humorada – Qualquer dia a Katie vai me estuporar e seremos manchete dos jornais, mas eu não consigo me conter.

O goleiro enfiou as mãos nos bolsos antes de se voltar para Anastasia. Apesar de toda a mágoa, Oliver não conseguia esconder de si mesmo que ainda amava a ex-namorada e que a sua vida não era completa desde que Legrand deixara de fazer parte de sua rotina.

Eram grandes as chances de fracasso, mas a coragem grifinória falou mais alto naquele momento. Wood simplesmente não se perdoaria se, por covardia, perdesse a oportunidade de se acertar com Anastasia mais uma vez.

- Não deu certo no passado. Mas eu mudei muito nos últimos anos, e você também mudou, Ana. Quem sabe agora não seria diferente?

O coração de Oliver saltitava como se ele tivesse voltado a ser um adolescente cheio de incertezas e inseguranças.

- Eu só estou querendo dizer que poderíamos tentar de novo. Vamos deixar o passado para trás e tentar um recomeço. Sem nenhum tipo de pressão, hm? – Wood abriu um sorriso meio incerto – Podemos começar com um simples jantar. Se virmos que não vai funcionar, voltamos a ser apenas bons amigos.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Dom Mar 06, 2016 5:25 am

O coração de Anastasia deu um salto diante da possibilidade de estar novamente nos braços de Oliver. De todos os pensamentos que haviam passado pela sua mente desde o reencontro com o ex-namorado, nem nos mais absurdos ela havia conseguido fantasiar que ele fosse tão direto em uma tentativa de começar de novo.

Por longos segundos, Legrand se manteve em silêncio, encarando os olhos azuis que ela jamais fora capaz de esquecer, incapaz de qualquer reação. Seu corpo gritava silenciosamente que ela se jogasse nos braços do goleiro e esquecesse todo o passado complexo demais que existia entre os dois. Racionalmente, Ana sabia que era impossível ter uma vida ao lado de Oliver, e aquele futuro estava prejudicado não apenas pela mágoa das ações de anos atrás, mas pelo segredo que a francesa carregava consigo.

Mesmo com cada centímetro do seu corpo formigando, implorando por um contato com o ex-namorado, desejando agarrar aquela fantasia de um futuro ao lado dele, Ana se obrigava a lembrar da filha. Seria impossível recomeçar ao lado do goleiro sem compartilhar aquele segredo, e a partir do momento que Oliver soubesse da verdade, ele seria incapaz de perdoá-la. E Sophie não merecia estar no meio daquela confusão que ela criara.

Tempo demais havia passado quando Ana finalmente deu o primeiro passo, erguendo a mão para tocar o braço de Oliver. Aquele gesto tornou ainda mais difícil a missão que ela precisava fazer, e Ana tinha dúvidas do que realmente teria saído de sua boca se o momento não tivesse sido abruptamente interrompido pelo repentino surgimento de Bellamy carregando Nika em um dos ombros, deixando-a alguns metros mais alta.

- Tio Ollieeee, tá na hora do parabéns!

Como se tivesse sofrido de uma queimadura de um dragão, Anastasia recolheu o braço e evitou olhar para Bellamy, que imediatamente percebeu que algo acontecia em sua sala de estar entre os dois ex-campeões do Tribruxo.

- Nika não quer começar sem você, Ollie.

A expressão de Bellamy entregava o pedido mudo de desculpas por ter interrompido o momento entre o casal de ex-namorados. Mas Ana se apressou a forçar um sorriso e direcionar seus passos para a saída, evitando olhar novamente para Wood.

- Eu vou procurar a Sophy.

Embora ainda estivesse elétrica no minuto em que o parabéns começou, bastou que os primeiros convidados começassem a se retirar para que Sophie começasse a entregar os sinais de cansaço e um resmungo enjoado de sono que obrigou Ana a acomodar a filha em seu colo.

Os sapatinhos rosados já haviam deixado os pés de Sophie há mais de meia hora e agora eram equilibrados nas mãos da mãe, que tentava acomodar a bolsa, os docinhos que Katie lhe entregara e a própria filha em seus braços.

Legrand poderia enfrentar dragões despertando admirações, mas ainda era uma mulher baixinha e magra demais para carregar uma criança grande como Sophie, mas mesmo assim, ela se esforçava para manter a menina o mais confortável possível enquanto o sono começava a lhe atingir.

- Muito obrigada pelo convite, Katie. Foi realmente ótimo rever a todos e tenho certeza que a Sophie aproveitou cada momento.

- Ela e a Nika se enturmaram muito bem, Ana. Nós definitivamente precisamos marcar mais vezes para elas brincarem.

Com um aceno da cabeça, a francesa concordou com um sorriso sincero. Parecia errado demais negar Sophie de encontrar a recém-amiguinha mais uma vez, após a noite divertida que tiveram juntas.

Ana havia dado poucos passos na direção da saída quando encontrou Oliver e Bellamy lado a lado, ambos babando de forma nada discreta na pequena Nika que ainda tinha energia para abrir alguns presentes, sentada no chão da sala.

- Parabéns mais uma vez, Nika. – Ana sorriu para a criança antes de se voltar para os adultos. – E parabéns também, Bell. Sua filha é linda.

- A sua também, Ana.

Quando os olhos esverdeados cruzaram com os azuis, era impossível disfarçar que havia uma história entre eles. Era quase palpável o clima entre Legrand e Wood quando Ana se despediu com um menear da cabeça, sentindo o corpo tenso com a conversa deixada no ar, interrompida por Bellamy.

Ajeitando a filha no colo, que já apoiava a cabeça em seu ombro com as pálpebras pesadas, Ana tentou sorrir, sentindo o coração acelerado como uma adolescente insegura.

- Desculpe mais uma vez pela mancha na sua camisa, Oliver. Espero não ter estragado por completo.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Mar 06, 2016 4:15 pm

Por mais que tivesse fantasiado com aquele momento dezenas de vezes, quando ele e Florence finalmente discutiriam o que realmente aconteceu na França cinco anos atrás, ter aquilo como realidade era algo muito diferente para Charles.

Depois do jantar daquela noite, ele chegou a acreditar que jamais encontraria a ex-namorada novamente, de modo que aquela mísera oportunidade de finalmente estar frente a frente com ela fazia seu coração bater tão forte ao ponto de quase doer.

Ele sempre soube que a ex-namorada havia acreditado em qualquer mentira que o pai tivesse lhe contato, para jamais voltar a procura-lo, mas ouvir aquelas acusações diante dos olhos que ele tanto amava fazia seu peito se espremer desconfortavelmente.

Durante todo o tempo, Charles se manteve afastado do sofá onde Magnus dormia, encarando o chão e com os braços cruzados diante do suéter. Sua vontade era gritar, sacudir Florence e perguntar como ela era capaz de acreditar que ele realmente trocaria o amor dos dois por alguns galeões, mas a figura do menino dormindo alheio ao grande momento dos dois adultos o impedia de qualquer ação imprudente.

- Cada um tem o seu preço, Florence.

Weasley finalmente sussurrou, tomando o cuidado de manter o timbre baixo para que Magnus não despertasse. Os olhos azuis se ergueram até encontrar os dela, brilhando mesmo com a fraca luz da lareira.

- Seu pai mesmo me disse isso, com todas as letras, e eu nunca achei que fosse concordar com ele, mas é verdade. Enquanto você tinha toda uma fortuna aos seus pés, morou em mansões, viajou o mundo.... Sabe o que eu tinha? Só a minha família, Flor. Até encontrar você, minha família era a única coisa que realmente importava.

A cada palavra dita, Charles quase não piscava, encarando Florence com intensidade. Ainda com os braços cruzados, ele deu os primeiros passos na direção dela, inconscientemente. Era possível sentir a proximidade da lareira aquecer o seu rosto, mas o calor também poderia vir do sangue que corria veloz pelas veias, junto com o coração acelerado.

Charles já tinha toda uma vida estruturada, mas a oportunidade de finalmente esclarecer o passado era sufocante o bastante para que ele esquecesse todo o esforço que fizera para chegar até ali, capaz de jogar tudo por água abaixo se o resultado fosse que a ex-namorada não o odiasse tanto.

Ele só parou de andar quando estava diante de Florence, e apesar de tanta coisa que havia mudado ao longo dos anos, quando eles estavam frente a frente, parecia que ainda estavam há cinco anos no passado. Charles continuava muitos centímetros mais alto que a francesa, de modo que precisava inclinar o rosto para baixo para precisar admirá-la. E mesmo com a diferença de altura, os dois formavam uma imagem harmônica projetada pela luz da lareira.

A vida como cuidador de dragões havia feito bem a Charles Weasley. Além dos músculos mais definidos que conquistara pelos esforços físicos, ele se tornara um homem mais sério que o adolescente que era, e a barba bem-feita era apenas um sinal daquela transformação. Os cabelos também estavam ligeiramente maiores que o tempo de Hogwarts e faziam pequenas ondas ruivas, no mesmo tom das sobrancelhas que envolviam os olhos azuis. Charles definitivamente havia se tornado um homem atraente, mas que ignorava qualquer presença feminina enquanto sua mente ainda pensava, dia após dia, na ex-namorada.

Os braços finalmente foram descruzados e Charles ousou erguer uma das mãos para colocar uma mecha dos cabelos loiros de Florence atrás da orelha, deslizando as pontas dos dedos na pele ainda gelada pelo frio da madrugada.

- Eu sinto muito ter colocado um preço no nosso relacionamento, Florence. Mas você está muito enganada em pensar que troquei o nosso futuro juntos por alguns galeões.

A testa de Charles estava franzida, lhe dando um ar ainda mais sério. A outra mão também foi erguida e ele apoiou as duas ao redor do rosto de Florence, o emoldurando com os longos dedos e obrigando a francesa a não desviar o olhar.

- Seu pai me ofereceu uma fortuna que jamais pensei em aceitar, Flor. Nunca houve dinheiro no mundo que me fizesse afastar de você. Eu estava trocando toda a minha vida na Inglaterra para ficar ao seu lado. Mas nunca fui bom o bastante para você, eu sabia e o seu pai também.

Os olhos de Charles brilhavam enquanto as íris azuis passeavam pelos traços de Florence, admirando como ela havia mudado ao longo dos anos. Era a primeira vez, depois de tanto tempo, que ele tinha a oportunidade de ficar tão perto dela outra vez, e parecia que nada havia mudado entre eles. O britânico sabia que amava a francesa exatamente com a mesma intensidade de quando era um adolescente.

- Ele foi capaz de me comprar, não com dinheiro, mas pela paz da minha família. Seu pai ameaçou destruir a vida do meu pai, Florence, se eu não te deixasse.

Finalmente ouvir aquela verdade em voz alta era assustador e as palavras saíam em um timbre rouco de quem havia sido sufocado por aquilo durante tempo demais.

- Eu jamais me perdoaria em ver meu pai apodrecer em Azkaban inocentemente, só porque eu era covarde demais em renunciar meu amor por você. Eu sinto muito se você sofreu todos esses anos, Florence. Mas você não tem ideia do inferno em que eu passei, tendo que abrir mão da única coisa que eu queria mais do que tudo em minha vida.

Os dedos longos de Charles deslizaram em uma carícia pelo rosto de Florence até pousar no lábio inferior dela, acompanhando o desenho perfeito da boca, a tentação de beijá-la crescendo a cada segundo.

- Você pode me odiar o quanto quiser, mas pelo menos me odeie pelos motivos certos.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Ter Mar 08, 2016 3:45 pm

Oliver Wood sempre fora um rapaz bonito. Mesmo nos tempos de Hogwarts, o grifinório já chamava a atenção por seus traços bem feitos, pelo porte atlético, pelos belos olhos azuis e por aquele sorriso encantador. E o tempo havia sido generoso com Wood e o transformara em um homem atraente, que conservava as qualidades de sua juventude agora somadas a traços mais maduros.

Aliada a aparência física, agora Oliver possuía também uma considerável fama que o tornava ainda mais irresistível aos olhos femininos. Mesmo as mulheres que não davam tanta importância ao quadribol conheciam a fama de Wood e as habilidades que o levaram até a seleção inglesa que disputaria o campeonato mundial naquele ano.

Era de se esperar que, com tantos atributos positivos, Oliver fosse um homem confiante na arte da conquista. E a verdade era que ele realmente costumava ter uma postura bastante segura quando se aproximava de uma mulher. Contudo, tal confiança simplesmente não existia quando a questão era Anastasia Legrand. Diante dela, Wood parecia um rapazinho inexperiente e incerto sobre as próprias qualidades.

E a explicação era a mais óbvia possível. Ana não era só mais uma conquista ou uma companhia agradável com quem Oliver se divertiria por alguns dias. Wood sabia que estava fazendo à ex-namorada uma proposta que poderia mudar definitivamente os rumos das vidas deles.

No tempo que Anastasia demorou até reagir, Oliver teve a nítida impressão de que o planeta tinha parado de girar enquanto aguardava por aquela resposta. Foram apenas alguns segundos até que aquele momento tão crucial fosse interrompido pela chegada de Danika e Bellamy, mas para Wood durara uma eternidade.

A garotinha era inocente demais para perceber que havia interrompido alguma coisa importante, mas Bellamy não deixou de reparar na mão que Anastasia recuou, rompendo o toque em Oliver. O dono da casa lançou um olhar de desculpas na direção do amigo, que por sua vez forçou um sorriso que mostrava que Oliver não estava chateado com a brusca interrupção.

- Ainda bem que não cantaram o parabéns sem mim! – Wood bagunçou os cabelos da afilhada – Eu não te perdoaria se ficasse sem um pedaço do bolo!

Anastasia não havia dado uma resposta direta à proposta do goleiro, mas o comportamento dela no restante da festa deu a Oliver a certeza de que não havia mais um futuro para os dois. Foi nítido que Ana fez o impossível para evitá-lo nos minutos seguintes, deixando claro que, se fosse obrigada a verbalizar sua resposta, esta seria negativa.

A despedida no fim da festa foi uma obrigação social da qual a francesa não pôde fugir, até porque Oliver estava ao lado do dono da casa. Havia uma inegável tensão entre os ex-namorados quando os olhos de ambos se cruzaram, mas Wood não se atreveu a tomar outra iniciativa. O comportamento de Anastasia já deixara bem clara qual era a decisão dela.

- Não tem problema. – Wood abaixou os olhos para fitar a mancha de suco da qual ele nem se lembrava mais – Não deve ser difícil me livrar disso.

- Você é excepcional em muitas coisas, Oliver, mas feitiços domésticos não fazem parte das suas qualidades. – Bellamy provocou o amigo – Se gosta mesmo desta camisa, deixe-a aqui que eu dou um jeito nisso.

- Você ou a Katie? – Oliver devolveu a provocação com um sorrisinho.

- Eu. – os olhos do dono da casa giraram – Eu fui coagido a aprender. A Katie nem sempre é tão doce quanto aparenta.

Wood soltou uma risada gostosa, mas aquela diversão também tinha uma pequena pitada de inveja. O olhar que Oliver lançou à ex-namorada deixava claro que ele também queria dividir a vida e a intimidade com uma esposa e uma família de verdade.

- Está tudo bem, Ana. Não se preocupe com a camisa, certo? Foi bom te rever, espero que a Sophie tenha se divertido hoje.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Qui Mar 10, 2016 2:49 am

Ana estava decidida a deixar para trás a conversa que Wood havia tentado iniciar, minutos antes do parabéns. Não havia sentido alimentar esperanças por algo que ela sabia não se encaixar na vida que escolhera e que poderia virar o mundo de Sophie de cabeça para baixo.

Ela havia ficado anos afastada de Oliver e só precisava que aquele pequeno encontro terminasse para voltar o ex-namorado na posição que deveria ocupar, em um passado morto. Então poderia seguir com as consequências de suas escolhas como se Wood não fosse a figura tão importante que realmente era, tanto na sua vida quanto na da filha.

Apesar de estar convicta com o que deveria fazer, colocar em prática diante dos olhos azuis foi algo completamente diferente. Legrand sentiu o peito apertar ao notar a decepção nítida em cada traço bonito do goleiro. E se sentiu ainda mais frustrada ao imaginar que eles poderiam ficar mais alguns anos sem se ver e um desespero começou a subir pela sua garganta, com uma necessidade assustadora de prolongar os minutos ao lado do ex-namorado.

A francesa já havia dado o primeiro passo na direção da porta quando se voltou, olhando receosa aos dois ex-campeões do Tribruxo. Foram apenas alguns segundos em que uma batalha ecoou em sua mente até que ela deixasse o impulso assumir seus gestos, voltando diante dos dois homens.

- Eu não duvido que o Bell seja extremamente capaz em feitiços domésticos, mas nós três sabemos que com uma varinha em mãos, eu sempre vou obter os melhores resultados.

Apesar das palavras soberbas, Anastasia tinha um pequeno sorriso no rosto, tentando não transparecer sua ansiedade e a atitude impulsiva. Ela deslizou a mão pelos fios loiros que escorriam pelas costas de Sophie e já podia escutar a menina ressonando em seu ouvido, a mãozinha agarrada na gola de seu sobretudo.

- Eu faço questão de consertar o estrago que fiz, Oliver.

Um discreto brilho passou pelos olhos verdes ao ouvir as próprias palavras, sabendo intimamente que o que precisava ser consertado ia muito além de uma camisa manchada com suco de abóbora.

- Você pode me ajudar a carregar a Sophy até em casa e eu recupero a sua camisa. Garanto que ela ficará como nova.

Uma pequena pausa se instalou, fazendo a cabeça de Anastasia latejar diante da própria ousadia. Bellamy olhou de um ao outro, as sobrancelhas ligeiramente arqueadas diante da tensão entre o casal de ex-namorados, e se sentindo na obrigação de amenizar o clima, ele abriu um sorriso convencido, como se não tivesse percebido o que estava acontecendo bem diante dos seus olhos.

- O que foi, Ana? Achei que você fosse excepcional com a varinha e não consegue carregar alguns quilinhos?

A francesa girou os olhos antes de sorrir ao ex-aluno da Durmstrang.

- Não tente me provocar, Bell. Ainda enfrento dragões melhor do que você. Além do mais, a Sophie é muito mais pesada do que parece, tá legal?
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Sab Mar 12, 2016 3:20 pm

Mesmo na época em que não passava de uma jovem inocente, com o coração puro e com ilusões sobre o futuro, Florence nunca se deixou enganar pela própria família. A loira sempre enxergou a ganância dos Legrand e a imensa preocupação de seus pais e de seu avô com as aparências e com a boa fama da família no mundo sórdido da política.

Exatamente por isso, Florence não se sentiu surpresa quando imaginou que Pierre havia oferecido dinheiro para que Charlie a deixasse. Contudo, aquela nova informação foi capaz de assustá-la. Era um golpe muito baixo, até mesmo para os padrões de um Legrand, armar uma jogada como aquela contra os Weasley.

Se por um lado Florence se sentia completamente chocada e atordoada com a verdade sobre o término de seu namoro com Charles, por outro lado a loira conseguia sentir também algum alívio. Havia algum conforto na certeza de que Charlie não a abandonara em troca de alguns galeões. Florence se sentia menos suja e desvalorizada ao pensar que o ex-namorado havia sacrificado o amor deles em troca do bem estar da própria família, e não por dinheiro.

O aperto na garganta e o sono suave de Magnus impediram que Florence extravasasse toda a revolta que ela sentia ao descobrir que o Sr. Legrand a condenara a uma vida infeliz unicamente para preservar a imagem irretocável da família.

Ter Charlie tão próximo só reforçava para Florence que a vida que Pierre escolhera para ela estava definitivamente incompleta. Magnus havia dado um novo sentido à vida da francesa, mas nem mesmo o filho era capaz de preencher o vazio deixado por Charlie e pelo futuro planejado pelos dois.

Florence não se esquivou do toque do ex-namorado e deixou que Charlie ajeitasse a mecha dos cabelos loiros. Por um momento, ela parecia ter voltado a ser a mesma Florence do passado, sem a arrogância, as ironias e as barreiras construídas pela atual Sra. Lothringen. A pele dela ainda estava fria depois que Florence enfrentara o frio da madrugada, mas suas bochechas começavam a adquirir o tom rosado que lhes era comum.

- Você vendeu o nosso amor, Charlie.

A loira estava séria quando encarou Weasley. A diferença de alturas era considerável mesmo com Florence usando sapatos de salto, o que obrigava a francesa a erguer um pouco o rosto para fitar os olhos do ex-namorado.

- Mas eu me sinto melhor em saber que, ao menos, você deu um preço digno a ele. – a loira sacudiu a cabeça suavemente – Eu não posso te julgar pela sua escolha. Tenho um pai absurdamente desprezível e me sacrificaria por ele. Eu consigo imaginar o amor e o orgulho que você sente pela sua família, Charlie.

Talvez as coisas tivessem sido diferentes se Charles revelasse aquela verdade há cinco anos. Muito sofrimento seria poupado, mas talvez os dois se condenariam à culpa e à infelicidade caso Pierre cumprisse a ameaça e prejudicasse os Weasley de alguma maneira.

Era impossível saber como teriam sido as coisas, e a respiração suave e ritmada de Magnus trouxe Florence de volta à realidade. Não fazia sentido perder tempo imaginando como tudo poderia ter sido diferente. Os dois tinham tomado rumos opostos e suas vidas agora seguiam direções contrárias.

- Eu lamento, Charlie.

Florence soltou aquela declaração de forma vaga, mas pareciam ser as palavras perfeitas para aquele momento. Ela lamentava por tudo. Pelo comportamento desprezível dos Legrand, pela escolha suja que Charlie fora obrigado a fazer, pelo casamento com Lars, pelos cinco anos que odiara o ex-namorado por algo que Weasley não fizera...

Em meio àquela avalanche de erros, a única coisa da qual Florence não se arrependia estava, naquele momento, mergulhada num sono tranquilo há poucos metros dos dois adultos que travavam aquela conversa tão complicada.

- Eu lamento muito.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Sab Mar 12, 2016 8:56 pm

Para Wood, a ex-namorada já havia dado uma resposta bem clara. Anastasia se esquivara da pergunta feita na sala de estar, mas a maneira como a francesa evitou Oliver durante o restante da festa deu ao goleiro a certeza de que não havia mais uma chance para os dois.

Wood já tentava engolir esta indigesta realidade quando, para a sua imensa surpresa, Legrand retornou para perto dele e soltou aquela inesperada proposta.

A surpresa foi tão grande que nenhum dos dois homens reagiu de imediato. Bellamy ergueu as sobrancelhas grossas e piscou algumas vezes antes de abrir um sorrisinho sem graça. Como se não tivesse entendido a sugestão por trás daquela proposta, o dono da casa soltou uma piadinha para tentar aliviar a tensão entre o casal de ex-namorados.

- Nenhum dragão dá mais trabalho do que uma criaturinha como esta. – Bellamy indicou Sophie com um discreto movimento de cabeça – Depois de passar uma tarde inteira brincando com a Danika, eu me sinto moído como se tivesse enfrentado toda uma família de dragões sanguinários.

Para não aumentar ainda mais o constrangimento do casal, Bellamy logo pediu licença com a desculpa de ajudar a esposa a se despedir dos demais convidados.

Só depois que os passos pesados levaram o estrangeiro para longe, Oliver foi capaz de reagir. A intenção por trás daquela proposta de Anastasia pareceria clara demais aos olhos de qualquer homem, mas ainda assim Wood se obrigou a manter os pés no chão. O coração exigia que ele mergulhasse de cabeça mais uma vez na loucura chamada Anastasia Legrand, mas as cicatrizes ainda doloridas eram o bastante para frear seus impulsos.

Com toda a experiência adquirida com a afilhada, Oliver não demonstrou nenhuma dificuldade quando retirou Sophie dos braços da mãe. As mãos dele eram grandes demais quando comparadas à fragilidade do corpinho da criança, mas Wood segurou a pequena Sophie com um imenso cuidado antes de acomodá-la junto ao seu peito.

Inicialmente, os olhos azulados da garotinha se abriram e ela se remexeu naqueles braços anormalmente fortes. Mas o incômodo não durou mais que dois segundos e logo as pálpebras pesadas fizeram com que Sophie mergulhasse novamente em um sono tranquilo.

- Como pretende ir para casa?

Como não fazia ideia de onde a ex-namorada morava com a filha, Wood precisaria do direcionamento dela.

- Aparatação, rede de flu, chave de portal...?

De longe, qualquer um que olhasse a cena não teria dúvida de que se tratava de uma família. Depois de uma festinha, o pai carregava a garotinha adormecida enquanto a mãe ajeitava os detalhes para que pudessem partir. A proximidade entre Sophie e Oliver também só servia para reforçar o quanto a menina se parecia com o pai biológico.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Mar 13, 2016 12:24 am

Charles Weasley havia se tornado um homem maduro e sério, responsável e focado no trabalho. Qualquer um naquele pequeno vilarejo bruxo poderia descrever o cuidador de dragões como um homem ponderado e que não agia por impulso. De modo que os vizinhos do ruivo não conseguiriam reconhecer o brilho nos olhos azuis enquanto ele admirava cada traço do rosto de Florence.

O polegar de Charlie acariciava a pele macia da francesa enquanto sua mente processava aquele toque já conhecido, lhe dizendo que nada havia mudado mesmo depois de tantos anos. Seu coração batia forte no peito enquanto ele absorvia o perfume familiar dos cabelos loiros. Era impressionante como todo o seu corpo reagia por estar novamente diante da ex-namorada.

A sensação que o ruivo tinha era de estar vivendo um sonho. Por muitas vezes ele havia fantasiado com o momento que finalmente fosse esclarecer tudo diante de Florence, quase sempre sem realmente ter esperanças de que aquilo fosse de fato acontecer. Racionalmente, Charles dizia a si mesmo que aquela história havia ficado no passado e seu caminho jamais se cruzaria novamente com o da francesa, principalmente considerando os caminhos tão diferentes que haviam tomado.

Quando Florence finalmente abriu a boca, Charles sentiu o estômago afundar e baixou o olhar, se sentindo derrotado. Em um primeiro momento, ele pensou que, mesmo depois de suas explicações, Florence ainda seria incapaz de compreender o que ele havia passado. Foi preciso que ela completasse o raciocínio para que ele erguesse as íris claras mais uma vez, buscando o olhar dela.

- Foi o maior sacrifício que já precisei fazer, Flor.

A voz rouca de Charles estava carregada de sentimentos, mas seu rosto ainda estava sério enquanto o olhar passeava pelo rosto bonito da ex-namorada. O pedido de desculpas chegou como um novo balde de água fria, obrigando o cuidador de dragões a baixar o olhar.

Não havia muita explicação nas poucas palavras de Florence, mas também não havia necessidade. Os dois sabiam que havia muito a se lamentar. Tudo que ambos sofreram ao longo dos anos, as oportunidades perdidas, a vida completamente diferente que poderiam estar vivendo naquele exato momento.

A respiração baixa de Magnus alcançava seus ouvidos quase de forma zombeteira com a família que Charles poderia ter. Em nenhum momento o ruivo culpava a criança pela vida que lhe havia sido roubada, mas secretamente desejava que o menino fosse fruto de seu relacionamento com Florence, e não com Lars.

Os lábios de Charles se curvaram até exibir um sorriso derrotado e ele recolheu as mãos do rosto de Florence. Uma das mãos foi parar no bolso da calça do pijama, e com a outra, ele coçou a nuca de forma embaraçada, sentindo as pontas dos cabelos vermelhos espetando seus dedos.

- Também lamento muito, Flor. Espero que você seja capaz de me perdoar algum dia.

Charlie fez uma pausa, onde apenas o som do fogo estalando na lareira e da respiração de Magnus se fez ouvir. As batidas aceleradas do coração agora estavam doloridas como se tivesse acabado de se partir, como se agora, mais do que nunca, não tivesse esperança para os dois.

Florence já sabia de toda a verdade, mas talvez fosse tarde demais para salvar um relacionamento perdido há anos. Por mais que Charles não fosse pensar duas vezes em largar sua vida para ter uma nova chance ao lado da francesa, a vida de Florence havia tomado um rumo drástico demais. Ela tinha uma família e um filho que dependia inteiramente dela. Que mãe dedicada abalaria o mundo do próprio filho por uma antiga paixão?

Imaginar que aquele era o ponto final na história que ainda tirava o sono de Charles era assustador demais. Ao menos, até aquele dia, ele podia contar com a fantasia de viver o momento que finalmente havia se tornado realidade. Se nem mesmo isso lhe restava, Weasley não sabia como poderia continuar.

Sentindo a garganta queimar com aquele cenário desesperador, Charles voltou a dar um passo para frente, permitindo que seu corpo roçasse ao de Florence. A mão que estava em seu bolso foi novamente erguida até tocá-la na cintura, puxando a francesa até que estivessem finalmente juntos. Com a mão que antes tocava seus próprios cabelos, Charles voltou a acariciar o rosto da ex-namorada, erguendo-a pelo queixo para que ela fosse obrigada a encará-lo.

A testa franzida denunciava a batalha que Charles travava internamente, entre o que era certo e o desejo que o consumia. Ele engoliu em seco antes de finalmente decidir em se entregar ao desejo e curvar o corpo para beijar Florence, sentindo todo o seu corpo se eletrizar ao sentir novamente aquele sabor.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Dom Mar 13, 2016 1:19 am

Uma violenta onda de calor atingiu o corpo de Florence quando o ex-namorado roçou o corpo ao dela. E a loira sabia que aquele calor não poderia ser explicado somente pela proximidade do corpo de Charlie ou pelas chamas que crepitavam na lareira próxima aos dois. Aquela temperatura também vinha de dentro dela, como uma avalanche incontrolável de sentimentos, sensações e lembranças que Florence não era mais capaz de conter.

Nem mesmo a respiração ritmada de Magnus foi capaz de manter a mãe presa à realidade. Por mais que soubesse o quão errada era aquela decisão, Florence não foi capaz de resistir à iniciativa do ruivo. Seus lábios formigavam e todo o seu corpo sentia uma saudade dolorida do ex-namorado.

As pálpebras da Sra. Lothringen caíram no exato instante em que Weasley ousou encostar os lábios nos dela. Um arrepio perceptível percorreu a pele de Florence, mas esta sensação não poderia mais ser relacionada ao frio da Romênia. Pelo contrário, a francesa sentia-se tão quente que começava a ficar abafada por baixo do capuz que usava naquela noite.

Os braços de Florence foram erguidos e ela apoiou as mãos suavemente nos ombros de Charlie enquanto seus lábios acompanhavam o ritmo do beijo. Cinco anos tinham se passado, mas era impressionante como os dois ainda se lembravam com perfeição dos movimentos dos lábios e das mãos.

Não parecia errado se entregar àquela tentação agora que tudo fora esclarecido. Florence nunca deixara de amar Charles, mas jamais teria se entregado a aquele desejo se pensasse que o ex-namorado era realmente um interesseiro que se vendera ao dinheiro dos Legrand. A verdade transformava Weasley novamente em um homem digno, diante do qual Florence não conseguia resistir.

Embora o beijo parecesse o mesmo, era notável que os dois haviam mudado muito nos últimos anos. Florence não era mais uma garota tímida e inocente. E ela parecia possuir completo controle de seus desejos quando deslizou as mãos pelos ombros de Weasley até alcançar a nuca do ex-namorado. Por baixo dos fios ruivos, a francesa arranhou a pele de Charlie com as pontinhas das unhas, numa provocação suave.

Os dois já estavam muito próximos, mas aquilo não parecia satisfazer as saudades sufocantes que Florence sentia do ex-namorado. Há cinco anos ela não se sentia tão amada e tão protegida por um abraço.

E o abraço de Weasley parecia ter se tornado ainda mais gostoso e acolhedor agora que o ruivo se tornara um homem encorpado graças ao trabalho pesado com os dragões.

Para saciar aquela vontade, Florence deu um passo adiante e exterminou definitivamente a distância que a separava de Weasley, deixando o seu corpo colado ao dele enquanto os lábios trabalhavam avidamente na produção daquele beijo apaixonado e cheio de saudades.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Dom Mar 13, 2016 1:36 am

Ver Sophie no colo de Oliver era quase assustador, mas Anastasia precisou parar alguns segundos para admirar aquela cena. Ela nunca imaginou que fosse ver a filha nos braços do pai biológico, e uma ideia que parecia ser assustadora, se tornou emocionante.

Era ainda mais indiscutível a semelhança entre a menina e o goleiro quando os dois estavam juntos, e Ana se perguntou como teria sido a vida dos dois, caso Wood soubesse daquela gravidez anos antes.

Tempo demais havia passado quando Legrand percebeu que encarava Oliver sem dizer nada e sentiu as bochechas esquentarem enquanto desviava o olhar para qualquer ponto do corredor que não fosse o ex-namorado. Ela ajeitou a gola do sobretudo antes de puxar da bolsa uma pequena agenda e a esticar na direção de Oliver.

- Chave do Portal. Tem menos chances da Sophy acordar.

A francesa esperou que Oliver tocasse na pequena agenda antes de espetá-la com a ponta da varinha. Um vento fez tudo ao seu redor rodopiar e seus pés deixaram de tocar o chão apenas por alguns segundos antes de finalmente parar no familiar corredor de seu apartamento.

Ela se apressou a abrir a porta para revelar em seguida uma enorme sala que poderia caber a casa inteira de Bellamy em um único cômodo. Os móveis eram sofisticados e de bom gosto, todos claros com alguns objetos mais coloridos. Nas paredes, haviam pinturas famosas e encantadoras. A parede de fundo era inteiramente de vidro, de ponta a ponta, e as cortinas abertas revelavam a iluminada Londres noturna.

A bolsa de Anastasia foi depositada sobre a mesa e ela logo assumiu o caminho por um corredor, ignorando diversas portas fechadas até chegar no quarto de Sophie. Exatamente como o restante da casa, o cômodo era muito bem decorado, a cor lilás predominante mesclando com um amarelo clarinho.

Ana se debruçou sobre a cama forrada de Sophie e abriu espaço para que Oliver depositasse a menina, que havia despertado mais uma vez. Sonolenta, a loirinha coçou os olhos e olhou ao redor tentando se localizar, fazendo um beicinho manhoso.

- Cadê o Jaqcue?

Sem pensar duas vezes, Anastasia sentou na beirada da cama e puxou um ursinho gasto que Sophie logo agarrou com os bracinhos, o envolvendo em um abraço. Só então ela pareceu perceber a presença de Oliver, e ainda com o semblante franzido pelo sono, varreu o quarto com o olhar até focar na vassoura recém comprada, pousada na mesinha de cabeceira.

- Você vai me ensinar a voar de novo?

As sobrancelhas loiras de Anastasia se ergueram em surpresa. Era impressionante como, mesmo com todo o cansaço, Sophie ainda conseguia pensar em voar no novo brinquedo. Com gestos delicados e cuidadosos, ela forçou a menina a deitar na cama e a cobriu até os ombros, acariciando os cabelos clarinhos que se espalhavam pelo travesseiro.

- Amanhã, Sophy. Está tarde.

Para seu imenso alívio, Sophie se aninhou na cama e coçou a ponta do nariz antes de desejar um boa noite, sem brigar mais com as pesadas pálpebras. Apenas quando a filha já estava mergulhada novamente no profundo sono, Legrand se permitiu sair do quarto, deixando uma fraca luminária acesa e a porta entreaberta.

De volta a sala, Anastasia acendeu as luzes antes de se virar para Oliver, só então se dando conta da ousadia que havia cometido. Seu íntimo estava feliz e satisfeito por ter Wood por perto, mesmo que por mais alguns minutos. Mas seu lado racional ainda estava brigando com a irresponsabilidade de seus atos.

- Eu tenho uma poção que vai remover essa mancha em poucos minutos.

Por fim, Legrand decidiu seguir com o assunto que havia levado os dois até ali, como se realmente fosse o único motivo.

- Se você não se importar, eu só vou precisar da sua camisa por alguns minutos. Não é bom que tenha contato direto com a pele...

O coração de Ana batia acelerado, mas ela se obrigou a tentar manter a calma. Com um sorriso que demonstrava que ela estava mais relaxada do que verdadeiramente estava, a francesa se inclinou até o largo sofá ao lado, puxando uma manta perfeitamente dobrada.

- Pode se cobrir com isso, se estiver tímido. Mas realmente não tem nada aí que eu já não tenha visto antes.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Mar 13, 2016 2:07 am

Se Charlie tinha a sensação de estar vivendo em um de seus fantasiosos sonhos, agora ele tinha a certeza de que não poderia acordar daquele momento e voltar para a sua realidade. Embora soubesse que nenhuma de suas lembranças poderia reviver o beijo de Florence com tanta perfeição, ele também sabia que no momento que abrisse os olhos, aquele sonho chegaria ao fim.

Então o ruivo permitiu que seus braços envolvessem Florence de maneira possessiva, mantendo os corpos colados. Anos haviam se passado e a francesa havia deixado de ser uma menina para se tornar uma mulher, mas ainda encaixava em seus braços da mesma maneira que a adolescente de dezessete anos.

Se alguma coisa havia mudado entre o beijo dos dois, era apenas para tornar aquele toque ainda mais perfeito. Era inútil tentar procurar em outras mulheres o que ele tinha certeza encontrar apenas na ex-namorada. Era apenas Florence que seria capaz de fazer seu coração bater naquele ritmo acelerado, de deixar sua pele em brasas, de desligar sua mente do restante do mundo e esquecer todos os problemas, todos os impeditivos, para se focar apenas no perfume delicado, no gosto suave e nos arrepios em seu corpo provocados pelas carícias em sua nuca.

Sem perceber, enquanto retribuía aquele beijo de forma desesperadora, Weasley deu alguns passos, guiando Florence para longe de Magnus. Inconscientemente, Charles tinha medo de que o menino acordasse. Além da interrupção não desejada, a última coisa que ele queria era que o menino ficasse confuso em ver a mãe nos braços de outro homem.

Quando ele finalmente parou de andar, os dois já estavam protegidos pelas sombras do canto da sala, longe da luz provocada pelo fogo da lareira. E nem por um segundo Charlie se permitiu se afastar de Florence, como se temesse o fim daquele momento mágico.

Mesmo quando seus pulmões arderam e o obrigaram a interromper o beijo, o cuidador de dragões se recusou a erguer as pálpebras, mantendo a testa unida a de Florence. Seu peito subia e descia com a respiração atrapalhada, e os lábios estavam úmidos e inchados, entreabertos.

- Eu te amo. – Foi a única coisa que Charlie se viu capaz de dizer.

Aquelas palavras pareciam estar engasgadas em sua garganta por anos. Era como se finalmente tivesse tirado um pedregulho de toneladas de suas costas e finalmente se sentisse leve, livre de algo que o afundava para um abismo.

- Sempre te amei, Flor. Desde que te vi entrando em Hogwarts pela primeira vez, cada dia desde então.

As pálpebras de Charlie finalmente se ergueram, revelando os olhos azuis com um brilho intenso. Apesar da seriedade ter se tornado um dos charmes que atraíam a atenção das mulheres, era inquestionável como o rosto do ruivo se iluminava com aquele olhar apaixonado e ele lembrava um pouco do adolescente que fora um dia.

- Eu não vou conseguir ser feliz sem você, Florence. Preciso de você. Por favor.

Racionalmente, Charlie sabia que era um pedido inútil. Mas agora que tinha Florence em seus braços mais uma vez, a certeza de que não conseguiria ser plenamente feliz se não tivesse ela ao seu lado era dolorosa e sufocante.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Dom Mar 13, 2016 2:26 am

Wood havia conhecido a pequena Sophie há poucos dias e seu contato com ela fora bastante limitado. Apesar disso, era notável o carinho e o cuidado que o goleiro do Puddlemere United tinha com a criança.

Os passos de Anastasia foram seguidos até o quarto da criança e, apesar de todo o cuidado ao depositá-la na cama, Oliver foi surpreendido pelos olhinhos azuis abertos quando se afastou. O olhar da garotinha na direção da vassoura fez um sorriso brotar nos lábios do goleiro e o pedido sonolento dela lhe arrancou uma risada grave que ecoou por todo o cômodo.

- Eu vou te ensinar a voar, Soph. Mas não agora, hm? Você precisa estar um pouquinho mais acordada.

Aquela promessa pareceu bastar para a menina, que em poucos segundos já estava novamente mergulhada em seus sonhos infantis, totalmente alheia à tensão que crescia entre os dois adultos presentes naquela casa.

De volta à sala, Oliver se obrigou a encarar aquela situação com racionalidade. Ele e Anastasia eram adultos e livres. E é claro que Wood não estava ali por causa de uma mancha em sua camisa.

Embora não soubesse até onde a ex-namorada estava disposta a ir com aquela iniciativa, Oliver sabia que a sua presença no apartamento de Legrand não fora uma jogada inocente. Aliás, ele conhecia Ana bem demais para se deixar enganar por uma inocência que ela nunca possuíra.

A leve provocação de Anastasia fez com que o velho sorrisinho do passado surgisse nos lábios bem feitos de Wood. Uma das sobrancelhas de Oliver se arqueou e ele retribuiu ao olhar da loira enquanto erguia vagarosamente as mãos. Sem pressa nenhuma, Wood começou a desabotoar a camisa.

- De fato. Mas talvez, depois de cinco anos, as suas lembranças não correspondam mais tão fielmente à realidade...

Reforçando as insinuações, Oliver terminou de abrir os botões e retirou a camisa, mostrando à ex-namorada que as lembranças dela realmente não eram fieis à atualidade.

Graças ao quadribol, Wood sempre fora um rapaz forte. Mas os treinamentos pesados do Puddlemere United nos últimos cinco anos tinham servido para intensificar o contorno perfeito dos músculos que compunham os braços do goleiro. Seu peitoral também não era tão definido no passado e não existia aquela discreta e convidativa trilha de pêlos que desciam pela linha média do abdome firme do rapaz e sumiam por trás do limite de suas calças.

- Não preciso da manta, você sabe que não sou tímido...

Wood deu um passo adiante e ousou erguer uma das mãos até que seus dedos alcançassem o rosto de Anastasia. A pele dela continuava macia e perfumada como de costume, e o polegar dele se arrepiou quando sentiu a temperatura elevada da bochecha de Ana.

- Está corada, Ana? – Oliver jamais perderia a chance de provocá-la – Achei que não tinha nada aqui que você já não tivesse visto antes.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Dom Mar 13, 2016 2:55 am

Anastasia engoliu em seco quando viu que Oliver seguiria a diante com o pedido de retirar a camisa. Ao fazer a provocação, ela jamais imaginou que o ex-namorado tivesse coragem de ficar sem camisa na sua frente, depois de tantos anos. Mas, mais uma vez, Wood a surpreendia, deixando Legrand completamente sem ação.

Se o goleiro do Puddlemere United era capaz de deixa-la sem fôlego no passado, foi impossível para a francesa conseguir raciocinar quando descobriu o quanto os anos haviam sido favoráveis ao ex-namorado. Era impossível lembrar das mágoas do passado ou do segredo que ela tinha dormindo sob o mesmo teto naquela noite.

Os olhos esverdeados estavam ligeiramente arregalados, passeando pelos músculos conquistados por Wood nos últimos anos. Os lábios rosados estavam entreabertos, mas som algum era capaz de ser reproduzido por eles. De fato, Anastasia sentia a temperatura elevando e se fosse capaz de raciocinar, saberia que estava com o rosto rosado naquele instante.

A aproximação de Oliver foi apenas mais um fator para desliga-la completamente do restante do mundo. O sorriso que ela conhecia tão bem apareceu no rosto de Oliver para fazê-la se derreter por completo. Mas eram os olhos azuis que sempre a prendiam, como um golpe final, anulando qualquer chance de tentar fugir. A respiração de Anastasia se tornou mais ruidosa quando a manta escapou de seus dedos e caiu silenciosamente aos seus pés.

- Está calor.

Ela tentou justificar, a voz fraca entregando as reações intensas provocadas pela proximidade do ex-namorado. Imediatamente, Legrand se xingou mentalmente por ser tão fraca. Mas Wood sempre havia sido capaz de fazê-la perder o controle, e aquilo não havia mudado ao longo dos anos.

Foi preciso pigarrear para se certificar de que a garganta não lhe denunciasse outra vez, mas Anastasia se obrigou a manter um fio de racionalidade. Ela não era mais uma adolescente boba e apaixonada e chegava a ser patético que estivesse se comportando daquela maneira. Apesar de todos os problemas, ela havia se tornado uma mulher e também carregava consigo uma pequena dose de experiência.

Em partes para saciar a vontade de tocá-lo, mas dizendo para si mesma que queria apenas mostrar a Oliver que os dois podiam jogar aquele jogo, Ana mordeu o lábio inferior e ergueu a mão até apoiar os cinco dedos sobre o peito do goleiro, sentindo a pele quente sob seu toque.

- O que foi, Wood? Está esperando algum elogio? Ou quer que eu bata palmas porque você tem um corpinho bonitinho?

Os dedos de Ana deslizaram sobre a pele de Oliver, descendo lentamente até parar sobre o cinto firme que prendia sua calça. A francesa abriu um largo sorriso provocante antes de completar.

- Como eu disse, não tem nada que eu já não tenha visto antes. Com alguma melhora, eu admito.
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