Torneio Tribruxo

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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Dom Fev 14, 2016 2:28 am

Anastasia precisou de longos minutos para recuperar a cor do rosto e fazer com que o oxigênio voltasse a circular normalmente, a livrando da sensação de desmaio, até que ela se sentisse confiante o bastante para retornar ao centro da festa.

A imagem de Legrand era necessária no palco quando os atletas fossem nomeados, mas quando ela finalmente se enfiou entre a pequena multidão que assistia ao treinador, o nome de Oliver Wood ecoava em alto e bom som e outros jogadores já estavam enfileirados, o que indicava que o time da Inglaterra finalmente havia sido formalizado.

Enquanto Oliver apertava a mão do treinador e era soterrado de palmas, a francesa se viu livre para admirá-lo, já que todos os olhares também estavam voltados para ele. Wood sempre fora capaz de fazê-la perder a linha do raciocínio com um único sorriso, mas os anos passados serviram para deixar o goleiro ainda mais bonito, daquela maneira sufocante que tornava impossível para Anastasia desviar o olhar.

Secretamente, Legrand havia acompanhado a carreira de Wood ao longo dos anos e se surpreendia com a forma sóbria com que ele conduzia cada entrevista. Por mais que o nome do ex-namorado nunca estivesse envolvido em escândalos, a imagem dele deitado na cama com outra mulher ainda estava fixa em sua mente, provocando um nó em sua garganta ao imaginar quantas outras mulheres haviam passado pela sua vida depois de tanto tempo.

O clima formal do coquetel pareceu relaxar após a nomeação oficial dos jogadores da Inglaterra e a música instrumental foi trocada por uma batida mais animada e jovem, para comemorar junto com aqueles que haviam sido selecionados.

Quando Anastasia acreditou que havia se livrado daquela tarefa penosa que havia exigido sua presença naquela noite, uma mão pousou em sua cintura, a empurrando delicadamente na direção dos jogadores que saíam do palco.

- Precisamos parabeniza-los, Ana. Seria extremamente deselegante ignorá-los, afinal, são os astros da noite.

Peter estava mais uma vez ao seu lado e logo abriu seu sorriso mecânico quando parou diante do técnico.

- Excelentes escolhas, Laurence. Com certeza, excelentes escolhas. Com os dribles da Catie e os balaços de Adrian, definitivamente vamos brilhar.

Assumindo a postura política que Legrand estava tão acostumada, ela imitou o sorriso de Peter ao apertar a mão de Laurence.

- Apenas torçam para não encararem a França nas eliminatórias e então terão alguma chance.

Embora não entendesse nada de Quadribol, Anastasia soltou o comentário com um tom divertido que arrancou risadas de Peter.

- Parabéns pelas escolhas. – Ela acrescentou com mais serenidade, no instante em que Peter erguia as mãos para os céus.

- Wood! Vejam só, nossa maior celebridade!

Anastasia sentiu os músculos ficarem tensos enquanto Peter puxava Oliver pelo braço, lhe dando palmadinhas nos ombros.

- Excelente, garoto! Excelente! Veja, Ana, a França é que precisa torcer para não encarar Oliver Wood. Nenhuma goles atravessa os aros enquanto ele estiver no comando.

Os olhos da francesa pousaram no goleiro a sua frente e ela prendeu a respiração ao se ver finalmente diante dos grandes olhos azuis.

- Nós já nos conhecemos. – Anastasia explicou, sem desviar o olhar do britânico. – Torneio Tribruxo.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Fev 14, 2016 2:48 am

A postura defensiva de Florence fez com que Charles baixasse o olhar para encarar o chão. Poderia ser um gesto completamente banal para a francesa, mas aquele havia se tornado um hábito constante na vida do ruivo, como se ele sempre estivesse tentando lembrar a si mesmo quem era.

A menção de Lars foi suficiente para que o ruivo erguesse novamente os olhos, pousando-os mais uma vez na bela loira a sua frente. Não eram apenas os traços mais maduros ou as roupas elegantes que haviam mudado em Florence. Aquela atitude arredia também não combinava com a lembrança que ele tinha da ex-namorada.

O que ela não precisava saber era que Weasley estava perfeitamente atualizado da vida dela, do marido, de seu novo sobrenome, da elegante festa de casamento que os Legrand haviam proporcionado e da repercussão nos jornais franceses quando os Lothingen ganharam um herdeiro.

A matéria trazida por Bill Weasley, anos antes, no Caldeirão Furado, havia sido a primeira de uma enorme série que Charlie havia acompanhado sobre a vida da ex-namorada. Descobrir que Florence se casaria com o dinamarquês fez com que, por semanas, o britânico afundasse em uma grande tristeza difícil de se recuperar.

Ele ainda se lembrava da fotografia anunciando o nascimento de Magnus, onde o pequeno embrulho se acomodava no colo da mãe, deixando a mãozinha escapar pela manta azul. Embora tentasse puxar na memória alguma outra notícia envolvendo o filho de Florence, Charles não conseguiu lembrar de ver o rostinho angelical da criança até aquele dia.

Seria natural que o ruivo se sentisse ainda mais arrasado diante do menino, a prova concreta de que Florence havia seguido com a própria vida e se entregara a outro homem que não ele. Mas o sorriso doce de Magnus, idêntico ao que um dia o fizera se apaixonar pela francesa, impediu que qualquer sentimento ruim brotasse no peito de Weasley.

Ignorando a frieza da ex-namorada, Charles se abaixou até ficar a altura do menininho e sorriu de forma sincera, de uma maneira que ele raramente se dirigia às pessoas, até mesmo aquelas mais simpáticas da Romênia.

- Oi Magnus. Eu sou o Charlie. Como você está? Está gostando da Romênia?

O sotaque britânico estava evidente em cada palavra dita em francês, mas Weasley mostrava que havia aprendido o novo idioma com perfeição ao longo dos anos, o que facilitava não apenas a leitura dos jornais estrangeiros.

Com um passinho tímido, Magnus se aproximou e agarrou a barra do vestido da mãe com os dedinhos minúsculos. Ele confirmou com um aceno exagerado da cabeça que fez o sorriso de Charles se alargar.

- É mesmo incrível, não é? Esses brinquedos são mesmo muito legais. Mas você deveria pedir sua mãe para te levar na sorveteria que fica logo ali.

O pescoço da criança girou na direção apontada pelo adulto até encontrar a sorveteria e ele ergueu o rosto para olhar a mãe, em um pedido mudo. Aquele gesto fez com que Weasley soltasse um risinho divertido, como não fazia há tempos.

Ele conseguia lembrar o mesmo entusiasmo de Ginny ou Rony quando falavam em sorvete e a experiência com irmãos mais novos facilitava a conquista da confiança do menino.

Ao ver que havia atingido seu objetivo, Charles se colocou de pé mais uma vez e cruzou os braços, encarando Florence com uma expressão mais relaxada.

- O sorvete ali é mesmo incrível, eu garanto que ele vai gostar, Sra. Lothingen.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Dom Fev 14, 2016 2:58 am

- Ho-ho!!!

Peter soltou uma risada animada, como se tivesse acabado de fazer a maior descoberta dos últimos tempos. O Torneio Tribruxo sediado por Hogwarts já completava mais de cinco anos, mas ainda era um evento citado no Ministério da Magia. Peter se sentia um tolo por não ter se lembrado que Anastasia Legrand e Oliver Wood tinham sido adversários naquela época.

- Como eu pude me esquecer!? É claro! Bom, naquela época a vitória foi da França em solo inglês. Espero que o oposto ocorra agora, hm?

O velho deu uma leve cotovelada nas costelas de Oliver, trazendo o rapaz de volta à realidade. O olhar dele estava preso em Anastasia e sua mente vagava longe dali, mas o toque de Peter obrigou o goleiro a retornar para a atualidade e forçar um sorriso. Deveria ser uma noite de festa para ele, afinal.

- Se você repetir o desempenho da final da Liga Europeia, a taça já é nossa, Wood! Você estava espetacular naquela noite. Se os organizadores do torneio não fossem tão rigorosos com a vistoria, eu até desconfiaria que você tomou algumas gotas de felix felicis naquele dia, rapaz!

- Quadribol definitivamente não é uma questão de sorte, Sr. Flamming. É fruto de muito trabalho duro, esforço e renúncias pessoais.

Quando a voz de Wood finalmente saiu, seu discurso soou sóbrio e sensato como de costume. Apenas Anastasia seria capaz de reconhecer a indireta presente na escolha de palavras feita pelo novo goleiro da seleção inglesa.

- Uma foto, por favor!

Um dos tantos fotógrafos presentes no evento se posicionou diante daquele seleto grupo, já ajeitando a câmera para capturar aquela imagem valiosa. Sem imaginar o tamanho do constrangimento que causaria, Peter puxou Anastasia para que ela ficasse no centro da foto, bem ao lado do goleiro convocado para a seleção.

Inicialmente, Oliver travou. Ele simplesmente não conseguiu reagir quando sentiu o braço de Anastasia roçando no seu. Sem mover um músculo sequer, Wood esperou que Peter e Laurence também se ajeitassem para aquela foto. Para aumentar o desconforto do rapaz, o fotógrafo logo fez um sinal pedindo que eles se aproximassem mais para que todos ficassem bem enquadrados na fotografia.

Para que seus braços fortes não ficassem espremidos junto ao tronco, Oliver não viu outra saída senão passá-los através dos ombros dos “vizinhos”. Sua mão esquerda se apoiou amigavelmente no ombro de Peter enquanto o braço direito, visivelmente arrepiado deslizava pelas costas de Anastasia Legrand.

- Ótimo, assim está perfeito!

Um flash potente deixou os quatro momentaneamente cegos. Uma pequena quantidade de fumaça escapou da câmera antes que o fotógrafo retirasse dela a imagem recém adquirida.

Apesar do desconforto dos ex-namorados, a fotografia exibia uma imagem bonita. A delicadeza de Anastasia entrava numa contradição interessante com o rapaz alto e forte ao seu lado. Ambos estavam vestidos com a elegância necessária para aquele evento formal e abriam idênticos sorrisos que, embora forçados, realçavam seus traços bonitos. Laurence e Peter eram meros coadjuvantes da beleza central daquela imagem.

- Esta será publicada, com certeza. – Peter repetiu a cotovelada divertida, desta vez no técnico inglês – Mas não por nossa causa, pode ter certeza, meu amigo!
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Dom Fev 14, 2016 3:24 am

Magnus sempre fora uma criança dócil e simpática. Tal como a mãe, o garotinho tinha um comportamento mais tímido quando estava perto de estranhos, mas não costumava negar a ninguém um sorriso doce. E não foi diferente com Charlie Weasley. Sem imaginar o passado que ligava a sua mãe ao ruivo a sua frente, Magnus abriu um largo sorriso para o rapaz.

Era evidente que Charlie sabia lidar com crianças. Talvez este fosse um dos benefícios em ser parte de uma família tão grande. A simpatia de Weasley logo conquistou o pequeno herdeiro dos Lothringen e Magnus pareceu bastante animado com a sugestão de uma visita à sorveteria local.

- Hoje não, querido.

A negativa de Florence fez com que os lábios do garotinho se curvassem num biquinho de insatisfação, mas Magnus não foi além disso. Ao contrário das crianças mimadas que nasciam em famílias tradicionais, o menino não ensaiou um choro e nem tentou fazer nenhum tipo de pirraça.

- Já está ficando tarde e o tempo está esfriando. Além disso, você ainda não jantou.

Enquanto falava, a Sra. Lothringen se curvou para ajeitar alguns fios do cabelo loiro do garotinho que escapavam para fora da touca.

- Mas voltaremos amanhã à tarde, quando o sol estiver forte. Vamos tomar um sorvete e brincar na pracinha de novo. Está bem assim?

Mais uma vez, Magnus respondeu com um aceno de cabeça exagerado. Definitivamente, o menino era dócil e obediente demais para ser filho de Lars Lothringen. Era óbvio que Florence exercia muito mais influência na educação da criança do que o pai.

- Mas eu poxo bincá um pouco mais, mamãe?

O pedido soou baixinho enquanto Magnus voltava o olhar novamente para as poucas crianças que restavam na praça. A queda da temperatura obrigava as mães a interromperem aquela brincadeira, mas Florence não teve coragem de dizer não para o filho duas vezes seguidas.

- Só mais dois minutinhos, está bem, querido? Já está ficando tarde, temos que voltar para o hotel.

A sombra do velho sorriso doce do passado começou a surgir nos lábios de Florence enquanto ela observava a corridinha do filho na direção dos amigos que ele acabara de fazer na Romênia. Mas aquele semblante suave se quebrou no instante em que a francesa se voltou novamente para Charlie.

- Como eu disse, a minha estadia na Romênia será breve. Eu ficaria muito grata se esta “coincidência” não se repetisse nos próximos dias, Sr. Weasley. Imagino que o meu marido não gostará de saber que o destino nos trouxe justamente para perto desta incômoda lembrança do passado.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Dom Fev 14, 2016 3:28 am

Após dar mais umas batidinhas no ombro de Oliver, Peter se afastou ao avistar a artilheira selecionada para o time, e com os seus modos um pouco escandalosos, chamou a atenção de Catarine McComack, deixando para trás o goleiro e a francesa.

O técnico já havia dado as costas ao casal para iniciar uma entrevista ao Profeta Diário, deixando Wood e Legrand frente a frente, sem nada a dizer após tantos anos.

Anastasia ainda estava absorvendo as palavras provocadas por Wood quando ergueu o queixo para encará-lo. Era frustrante como todo o seu corpo implorava pelo menor dos contatos com o ex-namorado, como ela queria afundar as mãos nos cabelos castanhos e mergulhar nos olhos azuis. Eles não se viam há anos, e tudo que Legrand conseguia pensar era no sabor do beijo do goleiro.

Chegava a ser patético que, mesmo depois de tudo que havia acontecido entre os dois, a francesa ainda se sentisse a mesma adolescente tola movida pelos hormônios.

- Parabéns, Wood. Parece que o seu trabalho duro, esforço e renúncias realmente te levaram a algum lugar.

A loira mal havia terminado de falar quando alguém surgiu atrás de Oliver correndo e saltou nos ombros do goleiro, se agarrando ao pescoço dele e envolvendo o tronco com as pernas finas.

Tomada pelo susto, Ana recuou um passo enquanto escutava uma gargalhada feminina e longos cabelos loiros deslizavam para revelar o rosto da mulher que havia acabado de pular nas costas de Wood.

- Caaaaara, você vai jogar pela Inglaterra!!! Que irado!!!

As pernas da mulher deslizaram até que ela estivesse novamente sobre os próprios pés, só então se dando conta da presença de Legrand. Apesar das duas serem loiras, a diferença era quase gritante entre uma e outra.

Enquanto Anastasia usava vestes elegantes e os cabelos presos, a amiga de Oliver tinha os fios mais escuros que iam clareando até as pontas. Os cabelos soltos mostravam que estavam grandes demais e sem corte definido. As roupas, mesmo para um local formal, não eram tão elegantes quanto as da francesa. Ela usava uma calça branca com saltos baixos e uma blusa com brilho.

- Oi! Sou Yvi O’Donnel. – A britânica esticou a mão na direção de Anastasia, e só então a francesa reconheceu a artilheira do Puddlemere.

- Oi. Anastasia Legrand.

Os olhos castanhos de Yvi passaram de Oliver para Anastasia, como se tentasse entender o tipo de conversa que acontecia entre os dois. Com uma intimidade desconfortável demais para Anastasia, a artilheira apoiou um dos braços em Wood, como se estivesse se escorando nele.

- Ah, legal. Escuta, o pessoal do time tá querendo se reunir para tirar uma foto do Ollie, posso roubar ele um minutinho?

- Lógico, eu já estava de saída. Tenho outro compromisso.

Apenas a esperança de ainda ver Sophie naquela noite conseguia minimizar os estragos causados com aquele reencontro.

- Parabéns mais uma vez, Wood.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Fev 14, 2016 3:46 am

Aquela nova Florence era diferente demais da menina delicada por quem Charles havia se apaixonado. Talvez, por tanta diferença, ela também despertava nele um sentimento diferente.

O sempre pacato e discreto Weasley permitiu que seus lábios se curvassem em um sorriso irônico e ele sacudiu a cabeça soltando uma risadinha nasalada, os braços cruzados diante da sacola de papelão.

- A não ser que os Lothringen tenham comprado a Romênia inteira, o que eu não fui comunicado, eu não vejo como não possamos nos esbarrar outras vezes.

Já livre da figura de Magnus, Charles havia reassumido o inglês. De pé, ele parecia ainda mais alto que Florence, mesmo da distância que ele já conhecia nos tempos de namoro. Talvez fosse o abismo que havia surgido entre eles que desse aquela impressão, mas mesmo com os saltos de Florence, o ruivo ainda a olhava com uma grande diferença de altura.

O céu alaranjado começava a assumir um azul celeste enquanto o sol desaparecia em uma linha fina ao horizonte do lago. Quem olhasse de longe enxergaria facilmente a harmonia que ainda existia na figura do casal.

- Eu estou em casa, Florence. E não vou evitar de ir nos lugares que sempre vou com medo de te encontrar.

O uso do nome da ex-namorada foi usado propositalmente, mostrando para a francesa que Charles não se sentia ameaçado com aquela figura prepotente dela. A lembrança da doce menina encantada por um pufoso ainda estava viva em sua mente para que ele se abalasse com a nova máscara usada.

- Se o seu marido se sente inseguro de alguma forma com a minha presença, sugiro que vocês tratem deste problema entre vocês. Afinal, eu me lembro bem do Lars insinuando que eu controlaria as rédeas da sua vida e lhe diria com quem você deveria ou não falar.

Os olhos azuis se estreitaram enquanto Charles revivia a lembrança do baile de inverno e sorrisinho cínico voltou a brincar nos seus lábios, tão diferente da serenidade que ele exibia todos os dias pelas ruas do vilarejo bruxo.

- Como as coisas mudaram, não é?

Ele recuou um passo para se afastar, mas desistiu, balançando a cabeça e estalando a língua em um muxoxo.

- Aliás, Sra. Lothringen.... Você não precisa dizer “incômoda lembrança do passado”. Pode se referir a mim apenas como “ex-namorado”. Acho que poupa bastante o nosso tempo, não acha?
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Dom Fev 14, 2016 3:56 am

Oliver Wood parecia ter algum tipo de energia que atraía garotas pouco tradicionais. A maior prova disso era a sua velha amizade com Nymphadora Tonks, que se iniciou na primeira viagem dos dois no Expresso de Hogwarts, perdurou durante os sete anos deles no castelo e continuava conservada mesmo agora que ambos seguiam caminhos tão diferentes na vida.

Assim como Tonks, Yvi O’Donnel tinha aquele perfil de garota divertida e expansiva, que não ligava para a opinião alheia e que não dava muita importância para a vaidade feminina. Mas havia uma diferença muito grande entre as duas moças. Tonks enxergava Wood como o seu melhor amigo. Já Yvi gostaria muito que os dois ultrapassassem a barreira de uma simples amizade.

A colega de time já havia dado inúmeros sinais, mas Wood parecia – ou fingia – não notar nenhum deles. O goleiro gostava da companhia de O’Donnel e a achava espetacular como jogadora e como colega. Mas, definitivamente, Oliver não queria que Yvi fosse mais do que isso.

Naquela noite, quando a colega interrompeu bruscamente a conversa dele com Anastasia Legrand, Oliver se sentiu meio frustrado. Por mais que o diálogo com a ex-namorada seguisse numa direção delicada, Wood não queria perder a oportunidade de ficar mais algum tempo perto de Ana. Só agora que sentia novamente o perfume de Anastasia, que escutava o timbre de sua voz e via pessoalmente os traços da moça, Oliver percebia como sentia saudades dela.

Como não havia nenhuma desculpa boa o bastante para que Wood continuasse conversando com a loira, ele acabou sendo arrastado para um canto onde os jogadores do Puddlemere United estavam reunidos.

Oliver foi recebido no grupo com grande entusiasmo, ganhou abraços e cumprimentos e foi posicionado bem no centro da foto que reunia toda a equipe naquele momento de festa. Mais uma vez, Wood se destacou positivamente na imagem. O goleiro abriu um sorriso e acenou amigavelmente para a câmera. Mas um bom observador notaria que, bem no final da foto, os olhos azuis se deslocavam discretamente para o outro lado da festa, como se buscassem por alguma coisa.

Com alguma satisfação, Oliver percebeu que Anastasia continuava no coquetel. Peter a prendia com uma conversa interminável e, quando finalmente se viu livre do colega, a francesa teve seu caminho novamente bloqueado, desta vez pelo goleiro do Puddlemere United.

Wood sabia que a atitude mais sensata naquele momento era deixar que Legrand partisse e sumisse novamente da sua vida. Contudo, seu coração se recusava a permitir um novo distanciamento. E ele também não queria deixar que Anastasia saísse daquela festa sem terminar a conversa que fora subitamente interrompida com a chegada de Yvi.

- Já está de saída, Srta. Legrand? Eu ainda não tive tempo de agradecer pelos seus cumprimentos.

A alfinetada foi inevitável e as palavras pareceram saltar da boca de Wood independente da vontade dele.

- Mas tudo bem. Eu imagino que a senhorita, sempre tão ocupada com o seu nobre trabalho, não tenha tempo disponível na agenda para um evento esportivo. Esporte é um simples lazer, afinal... Deve ser uma grande perda de tempo para pessoas tão importantes quanto uma Legrand.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Dom Fev 14, 2016 3:24 pm

Pela hora tardia, Anastasia sabia que não adiantaria se apressar para encontrar Sophie acordada, mas a remota chance de passar algum tempo a mais assistindo a filha dormir era o estímulo que ela precisava para se livrar de Peter e deixar aquele coquetel onde sua presença não era mais necessária.

A festa parecia estar apenas começando para os atletas, mas Legrand havia feito seu papel, apareceria em algumas fotos no jornal do dia seguinte e não tinha mais motivos para continuar fazendo figuração. Ela estava entretida jogando o sobretudo nos ombros quando a figura de Oliver Wood apareceu diante dos seus olhos, fazendo o coração saltar dentro do peito.

Era impressionante que, mesmo depois de anos, o casal de ex-namorados conseguia continuar a mesma briga, como se nada tivesse acontecido, como se não tivessem seguido caminhos opostos e nada mudado entre eles.

- Para dizer a verdade, Sr. Wood, eu tenho mesmo outro compromisso na minha agenda. Como meu trabalho está feito esta noite, eu não me importo em dizer que neste momento meus assuntos pessoais são mesmo mais importantes do que uma festa de atletas.

Mesmo com os saltos, Anastasia ainda era infinitamente mais baixa que o goleiro e precisava inclinar o rosto para cima se quisesse fitar os olhos azuis. Enquanto falava, ela ajeitava a gola do sobretudo, que ainda aberto, exibia o vestido de paetês que tanto atraíra olhares masculinos naquela noite.

A proximidade de Oliver era suficiente para que seus sentidos ficassem abalados, como se todo o seu mundo parasse de girar para se adequar a ele. Logo, as bochechas de Anastasia começaram a adquirir o tom rosado quando ela se pegou flagrando os lábios do goleiro por tempo demais.

Se obrigando a desviar a atenção do ex-namorado, a francesa olhou ao redor e encontrou Ivy há uma segura distância encarando a conversa dos insistentemente. A curiosidade da artilheira entregava o interesse dela por Oliver, e Anastasia se perguntou quantas vezes os dois não deveriam ter ficado juntos.

- Mas como o senhor mesmo disse, é um evento esportivo, o que lhe dá todo o direito de voltar e aproveitar o restante da festa. Afinal, o senhor tem muito o que comemorar, não é?

Legrand deu um passo para frente para seguir seu caminho, mas parou quando estava ao lado de Oliver. Ela ergueu a mão até tocá-lo no ombro, se arrependendo imediatamente daquele gesto no instante em que todo o seu corpo respondeu ao sentir a textura da roupa dele em seus dedos.

Os olhos verdes se ergueram até encontrar os azuis e Anastasia precisou de um tempo longo demais para recobrar a consciência.

- Sua namorada está nos encarando insistentemente, então sugiro que o senhor volte para perto dela. Não pretendo fazer parte de nenhuma cena envolvendo um romance de atletas. Como o senhor bem sabe, eu também fiz renuncias pessoais para me livrar de situações como esta.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Dom Fev 14, 2016 5:03 pm

O toque de Anastasia no ombro do rapaz foi superficial, mas foi o suficiente para que Wood sentisse um potente arrepio percorrendo todo o seu corpo. Era impressionante perceber como a francesa ainda exercia poder sobre o corpo e os sentimentos dele, mesmo depois de cinco anos de separação.

Quando Legrand mencionou uma “namorada”, as sobrancelhas de Oliver se franziram dando-lhe uma expressão confusa que deixava bem claro que não havia ninguém ali que carregasse o título de sua namorada.

De forma discreta, Wood virou o rosto e espiou por cima do ombro quem era a pessoa a quem Anastasia se referia. Ao perceber o olhar do goleiro, Yvi tentou disfarçar o interesse na conversa do colega e virou a cabeça em outra direção.

Os lábios bem desenhados de Oliver exibiam um sorriso irônico quando ele se voltou novamente para Anastasia. O comportamento do rapaz deixava bem claro que não havia nada além de amizade entre ele e Ivy. Certamente, o interesse da moça não era correspondido com a intensidade com a qual ela gostaria.

- O’Donnel? Não que isto seja da sua conta, mas ela é apenas uma boa amiga e uma excelente colega de time. Pode ficar despreocupada, Legrand. Não há a menor razão para que a sua imaculada imagem no Ministério da Magia seja afetada por um “romance de atletas”.

Oliver pensou em acrescentar que escândalos não faziam parte de sua vida profissional, mas o goleiro tinha a ligeira impressão de que Anastasia já sabia disso. Ela certamente já teria soltado alguma indireta caso houvesse relato de qualquer deslize no passado do ex-namorado.

- Se está com tanta pressa, não tomarei mais o seu precioso tempo. Foi bom rever você e saber que você está feliz no caminho que escolheu. É isso que importa no fim das contas, não é? As suas renúncias foram recompensadas por uma carreira promissora.

Antes que Anastasia pudesse se afastar, Wood completou casualmente.

- O Bellamy ficará surpreso ao saber que eu revi você esta noite.

Como Oliver já esperava, a francesa pareceu surpresa em saber que Wood e Bellamy mantinham contato. O ex-aluno de Durmstrang havia voltado para o seu país logo depois do Torneio Tribruxo e não dera mais notícias a Legrand. Oliver, por outro lado, havia estreitado ainda mais os laços com o colega e transformado Bellamy em um grande amigo.

- Ele está morando em Londres agora, você não sabia? Casou-se com a Katie, os dois são donos de uma loja de vassouras esportivas no Beco Diagonal. Deixando um pouco de lado a humildade, eu preciso admitir que ajudei muito no negócio dos dois indicando a loja em duas ou três entrevistas. As vendas quadruplicaram depois disso.

Como alguém que faz uma jogada particularmente boa no xadrez, Oliver ergueu um dos ombros e lançou um sorrisinho vitorioso para Anastasia.

- Bellamy e Katie se tornaram grandes amigos. Nós formamos um grupo e tanto com a Tonks, a Helena e o Mike. Mas imagino que isso não seja do seu interesse, não é? Você é uma pessoa ocupada demais, não deve ter tempo para encaixar velhos amigos na sua importante rotina no Ministério da Magia. – a ironia se fez presente no discurso do goleiro – Por sorte, a sua carreira é bem-sucedida o bastante para preencher todas as lacunas da sua vida.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Dom Fev 14, 2016 5:28 pm

Intimamente, Florence sabia que não tinha o direito de pedir que o ex-namorado saísse do seu caminho. Charles morava na Romênia e era ela quem estava ali temporariamente. Mas alguma coisa na entonação irônica do ruivo fez Florence pensar que ele não pretendia mover nem mesmo um músculo no sentido de evitar um novo encontro. De preferência, quando Lars estivesse por perto.

Infelizmente não era improvável que os dois se cruzassem de novo, mesmo que a estadia dos Lothringen na Romênia fosse breve. O vilarejo era consideravelmente pequeno e o número de habitantes era bastante singelo. Eram enormes as chances de Florence cruzar novamente o caminho do ex-namorado se pisasse para fora do hotel onde estava hospedada.

Um vento mais frio soprou pela praça, jogando os cabelos de Florence para trás. A francesa puxou os fios loiros para o lado, acomodando-os sobre um dos ombros e evitando assim que a ventania atrapalhasse o penteado.

Quando Weasley citou Lars e a relação do casal Lothringen, uma das sobrancelhas de Florence se arqueou. Sua expressão não escondeu a surpresa dela com a ousadia de Charlie. Era mesmo muita petulância que ele, logo ele, ousasse falar alguma coisa sobre aquele relacionamento.

- O meu marido não tem nenhum motivo para sentir insegurança. Ainda mais por sua causa, Sr. Weasley...

Um pequeno sorriso gelado surgiu nos lábios de Florence enquanto ela novamente deslizava os olhos por Charlie, fitando-o de cima a baixo.

- De todas as pessoas do universo, você deveria ser a última a despertar qualquer tipo de insegurança no Lars.

A maneira como Florence falava não deixava muito claro o que havia por trás de suas palavras. A francesa poderia estar se referindo ao fato de Charlie ser inferior a Lars, mas também poderia ser apenas uma menção ao passado dos dois, que transformara Weasley no último homem que Flor gostaria de ter ao seu lado depois da maneira como ele a abandonara.

- Mas eu não posso julgar o meu marido por possuir um sentimento de cuidado e proteção para comigo. É um direito e um dever dele, afinal de contas. E eu gostaria que o senhor guardasse para si as suas opiniões sobre o meu casamento e a forma como Lars e eu vivemos. Principalmente porque você não faz parte das nossas vidas e não sabe nada sobre a nossa família.

A última frase de Charlie fez com que o sorriso irônico de Florence se alargasse. A resposta ácida soou de imediato, como se a francesa já estivesse com aquelas palavras muito bem guardadas na ponta da língua.

- Para o senhor, eu posso ser apenas uma ex-namorada. Mas, para mim, o termo “incômoda lembrança do passado” se encaixa muito melhor nas recordações que guardo do senhor.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Dom Fev 14, 2016 5:55 pm

Saber que Oliver ainda mantinha contato com os velhos amigos era mesmo uma grande surpresa. Apesar dos preconceitos do passado, Anastasia sabia admitir que ele havia conquistado uma posição de respeito e a admiração dos fãs de Quadribol por todo o mundo.

Além da fama, Wood havia conquistado uma considerável fortuna e tinha tudo para ter uma vida regada a festas e exageros, mas parecia ainda manter os relacionamentos antigos com uma simplicidade que não combinava com o destaque conquistado no mundo bruxo.

Aquela alfinetada fez com que Legrand recolhesse a mão e desviasse o olhar do rosto do goleiro. Aos olhos de qualquer um, a francesa vivia para o trabalho e merecia a carreira crescente que tinha. Anastasia nunca havia sido vista com namorados ou em festas que não tivessem cunho profissional. Ninguém desconfiava que ela vivia, além do trabalho, pelo bem-estar da filha.

Mas Oliver estava certo em insinuar que sua vida não era completa. Após o casamento de Florence com Lars, o envolvimento com a irmã também havia ficado mais distante. Apesar do carinho que ainda existia, a falta de tempo de se encontrarem tornava Ana ainda mais solitária.

No quesito romântico, Legrand estava ainda pior. Por mais que fosse uma jovem atraente, competente e rica, o rompimento com Oliver havia gerado uma ferida que ela nunca mais havia sido capaz de cicatrizar. A mágoa era apenas uma parte da equação que a impedia de se envolver com outra pessoa. Manter uma filha em segredo era algo muito mais crítico que tornava impossível Anastasia a se permitir um novo relacionamento.

Mas no fundo, a loira sabia que independente das complicações da sua vida, ela jamais havia sido capaz de se apaixonar por alguém, como um dia amou Oliver. A forma como todo o seu corpo reagia e sua mente se desligava do restante do mundo quando ela encontrava os olhos azuis, mesmo depois de cinco anos, era a prova concreta de que ninguém seria capaz de despertar aquele sentimento novamente.

- Fico feliz em saber sobre Bellamy e Katie. Estou mesmo precisando comprar uma vassoura, agora já sei exatamente onde devo ir, obrigada pela indicação.

Antes que Oliver tivesse a oportunidade de provoca-la com aquela informação, Anastasia se permitiu sorrir, o típico sorriso mecânico e político que ela usava naqueles eventos.

- Não se preocupe, a vassoura não é para mim. É um presente para uma pessoa especial.

Apesar do pânico em imaginar Sophie em uma vassoura, Anastasia sabia que acabaria fazendo todas as vontades da filha, naquela tentativa eterna de compensar o pensamento que teve um dia de abandoná-la. Ela teria todo o cuidado de escolher uma vassoura adequada para uma criança tão pequena e que não saísse mais do que alguns centímetros do chão, mas imaginar os sorrisos que arrancaria da pequena era suficiente para lhe dar coragem.

O último comentário de Wood fez com que a francesa franzisse a testa com um sorriso confuso brincando em seu rosto.

- O que está insinuando, Sr. Wood? Que só o que eu tenho na minha vida é a minha carreira, enquanto o senhor consegue absolutamente tudo? Os amigos, o dinheiro, a Copa Mundial? Não está esperando que eu lhe parabenize por preencher as suas lacunas da sua vida com perfeição, não é?

Anastasia puxou o cinto do sobretudo e o amarrou na cintura. Mesmo com o corpo coberto, o rosto exposto de Legrand ainda era bonito e delicado, e ainda assim ela era capaz de arrancar olhares admirados.

- Pois bem, eu fico encantada que o senhor tenha conseguido ir tão longe com as suas escolhas. Parabéns pela vida perfeita e bem-sucedida em todos os aspectos. Mas caso o senhor não tenha mais nenhum comentário a respeito da minha profissão, eu realmente preciso ir.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Fev 14, 2016 6:18 pm

O comentário abrangente de Florence sobre como Lars não deveria se sentir intimidado logo por ele fez o sorriso de Charles morrer em seu rosto e os olhos azuis baixarem para encarar o chão.

Há anos, Weasley pensava em como Florence encarava a vida após a separação brusca dos dois e em que mentiras ela havia acreditado. Mas, apesar de toda a tristeza e de ver que a francesa seguia os dias ao lado de Lothringen, ele tinha a mísera esperança de que, por trás de toda mágoa, a francesa ainda se lembrasse do amor dos dois.

Nesta mísera esperança, Charles havia esquecido o que era se sentir tão desprezado. A ferida provocada por Pierre nunca havia sido cicatrizada, mas ser inferiorizado por Florence tinha a capacidade de feri-lo ainda mais.

Estava na hora de admitir que o namoro dos dois havia ficado no passado e que Florence havia se tornado exatamente o tipo de pessoa que Pierre esperava. Talvez, Charles tivesse a prova daquilo no instante em que soube do casamento dela com Lars, mas se recusava a admitir que a doce francesa que ele um dia conhecera havia se transformado tanto.

Ver a arrogância e frieza de Pierre sendo refletida em Florence era a pior forma de machucar Charles. O Sr. Legrand havia não apenas conseguido afastar a filha de um namorado humilde demais para seus padrões, mas também transformar a inocência dela em uma mulher fria e mecânica.

- Eu vou dar apenas minha última opinião, se não se importa... – Ele finalmente ergueu o olhar para ela, voltando a assumir o semblante mais sério. – Eu sei bem como casais como você e o Lars funcionam e a única forma da minha presença incomodar o seu marido é a imagem que isto passaria para o restante da sociedade. Então duvido seriamente que ele tenha qualquer sentimento de cuidado e preocupação com você.

Sentindo o peso da sacola de compras incomodar, Charles mudou de um braço para o outro, ajeitando-a com um balançar do corpo. Ele se inclinou para frente antes de concluir.

- Use o termo que preferir para se referir a mim, Sra. Lothringen, mas isso não muda nada do que aconteceu entre a gente. Muito menos muda o fato de que Lars só está ao seu lado hoje, porque eu saí de cena primeiro.

Não fazia parte da personalidade de Charles provocar ninguém, muito menos a francesa por quem um dia ele fora perdidamente apaixonado. Mas a frieza de Florence despertava nele um mal-estar que fazia seu estômago revirar e as palavras saltarem sem controle.

Qualquer um que conhecesse Weasley naquele vilarejo ficaria espantado com seu humor abalado, e ele precisou respirar fundo antes de esticar a coluna e recuperar o semblante neutro.

- Diga ao Lars que mandei lembranças.

Pisando duro, Charles se afastou de Florence, mas antes de deixar a pracinha, o reflexo loiro dos cabelos de Magnus chamou sua atenção. Com uma calmaria que imediatamente invadiu seu peito, algo que ele sabia perfeitamente acontecer sempre que encontrava o sorriso da francesa, ele sentiu os ombros relaxarem e desviou seus passos até a criança.

De dentro da sacola de compras, Weasley puxou uma barra de chocolate inteira e a esticou na direção do menino, que tentava balançar o banquinho, com as perninhas curtas demais para tocar o chão.

Os olhinhos azuis brilharam diante daquela oferta, mas antes que as mãos minúsculas pudessem pegar o doce, Charlie se agachou diante dele.

- Apenas me prometa que vai comer um pedaço depois do jantar, está bem?

A confirmação veio com um movimento exagerado da cabeça e Magnus mordeu o lábio inferior enquanto agarrava a barra de chocolate, os olhos brilhando para o doce que quase não cabia em suas mãos.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Dom Fev 14, 2016 7:57 pm

De longe, Florence acompanhou aquela interação entre Magnus e Charlie. Por um momento ela pensou em interferir e exigir que Weasley ficasse longe da criança. Contudo, a francesa logo chegou à conclusão de que aquela cena só assustaria desnecessariamente o filho. Charlie podia ter todos os defeitos do mundo e podia ter quebrado em mil pedaços o coração da ex-namorada, mas Florence sabia que ele seria incapaz de fazer mal a uma criança inocente.

Depois que Charlie se afastou e sumiu de vista, Florence se aproximou do filho. Seu coração ainda estava inquieto com aquele inesperado encontro, mas a francesa não pensava em mudar em nada os rumos de sua vida. Weasley permaneceria como uma dolorosa lembrança do passado que Florence preferiria esquecer.

- Vamos, querido? Já está tarde.

Obedientemente, Magnus deslizou para fora do balanço e entregou uma das mãozinhas à mãe. Com a outra mão, ele ainda segurava com firmeza a barra de chocolate que recebera do ruivo.

- Mamãe, o moxo me deu doce. Poxo cumê?

Um sorriso mais doce surgiu nos lábios de Florence e a loira lançou um sorriso satisfeito para o filho. Magnus ainda era pequeno demais, mas era obediente e não havia se esquecido da recomendação da mãe sobre aceitar presentes de pessoas estranhas.

- Pode. Depois do jantar você pode comer um pedacinho.

Enquanto caminhavam de volta para o hotel, mãe e filho aproveitaram a bela vista daquele fim de tarde na Romênia. Os últimos raios de sol já desapareciam no horizonte, transformando as montanhas que cercavam o vilarejo em enormes sombras onduladas no céu. Magnus aproveitava o fim daquele passeio para tagarelar sobre como seu dia fora divertido. Florence teve que prometer, mais de uma vez, que sairiam no dia seguinte para que o menino brincasse na pracinha de novo.

Quando abriu a porta e entrou no quarto do hotel, Florence já carregava o filho nos braços. O dia agitado finalmente cobrava o seu preço e Magnus começava a ficar sonolento. Como Lars parecia extremamente ocupado com uma infinidade de cartas e documentos, Florence conseguiu dedicar todo o seu tempo ao filho. Depois de um banho morno, de jantar e de um pedacinho de chocolate, Magnus desabou na cama e entregou-se a um sono profundo.

Com o filho adormecido, Florence finalmente voltou a sua atenção para o marido. Lars estava profundamente concentrado nos documentos espalhados na espaçosa mesa da suíte. Ele mal havia lançado um ou dois olhares na direção da esposa e do filho mesmo depois da chegada dos dois.

Por longos minutos, a francesa apenas observou Lars trabalhando. Era impossível não compará-lo com Charlie depois que o ex-namorado cruzara novamente o seu caminho. O Sr. Lothringen era um homem jovem e atraente, seus traços não escondiam as origens nobres de sua família, tampouco a elegância de seus trajes e seus gestos. Lars era inteligente e bastante sociável, principalmente quando desejava algo em troca das suas gentilezas. Embora não fosse um marido profundamente dedicado e apaixonado, Florence não tinha grandes críticas contra ele. Lothringen a tratava bem e não deixava que nada faltasse a ela ou a Magnus.

Mas, sem dúvida, a vida teria sido muito diferente se Florence tivesse se casado com Charles Weasley – ou ao menos com o Charlie que a francesa idealizava em seus sonhos juvenis. Eles certamente não estariam hospedados num hotel de luxo naquele dia, mas Florence estaria num relacionamento apaixonado, sem tantos silêncios, sem a frieza e o tratamento mecânico que existia entre ela e Lars. Magnus teria um pai muito mais presente, que não o abandonaria aos cuidados da mãe para se concentrar unicamente nos negócios.

- Houve um pequeno imprevisto.

A voz grave de Lars trouxe a esposa de volta daqueles devaneios e Florence focou seu olhar distante na figura do marido.

- Um dos sócios precisou remarcar a reunião que teríamos amanhã. Então, pode ser que se torne necessário alongar esta viagem por mais alguns dias. Mas imagino que não será um problema, não é? Você e Magnus parecem estar gostando do passeio.

A Romênia era mesmo um país maravilhoso e Florence estava encantada com a beleza da região onde estavam hospedados. Mas, depois do encontro com Charles Weasley, a notícia de que aquela viagem se alongaria não foi muito bem recebida. Contudo, como de costume, a Sra. Lothringen não fez reclamações.

- Você decide, Lars. Ficaremos o tempo que for necessário.

Nem por um momento, Florence planejou esconder do marido aquele encontro com Charlie. Por maior que fosse a sua certeza de que Lars não reagiria bem à novidade, ainda era melhor que ele soubesse pela boca dela. Num vilarejo tão pequeno, era quase inevitável que os dois antigos rivais se encontrassem e Lothringen não iria gostar de saber da conversa na praça pelos lábios do britânico.

- Você precisa saber que deparei-me com um rosto conhecido durante o passeio desta tarde.

Sem tirar os olhos de um dos documentos, Lothringen demorou um pouco até absorver as palavras da esposa. Sua resposta soou bastante desinteressada a princípio.

- É mesmo? Alguma antiga colega de Beauxbatons passando as férias na Romênia?

- Não. – Florence fez uma breve pausa antes de lançar aquela bomba – Trata-se de Charles Weasley. Ele mora aqui, pelo o que entendi.

Pela primeira vez, os olhos azuis se desviaram da papelada para se fixarem em Florence. A expressão de Lars foi se fechando gradativamente, na mesma velocidade em que seu rosto se tornava ainda mais pálido que o habitual.

- Como é?

- Eu estava na pracinha com o Magnus quando ele surgiu com uma sacola de compras.

- Vocês conversaram??? – a voz de Lars se elevou um pouco.

- Sim. – Florence completou antes que o marido explodisse – Eu não tinha nenhum motivo para fugir ou para me esconder dele. Aliás, uma cena desta abriria margens para comentários.

A respiração de Lothringen estava mais pesada enquanto o velho ódio do passado se espalhava em suas veias. Mesmo depois de ter vencido a disputa e se casado com Florence, a rivalidade com Charlie ainda sobrevivia. Era como se, intimamente, Lars soubesse que Florence só aceitara as suas investidas porque o britânico não era mais uma opção para ela.

Por mais que quisesse descontar aquela raiva em alguém, Lars não encontrou nenhuma maneira racional de culpar a esposa pelo ocorrido. A ideia daquela viagem fora dele, e também fora o Sr. Lothringen que insistira em levar a família consigo. Não havia a menor possibilidade de Florence ter forçado aquele reencontro. Ao que parecia, era mesmo apenas uma piada de péssimo gosto do destino.

- Conversaram sobre o que?

- Nada demais. – Florence ergueu um dos ombros – Ele comentou que está morando aqui, eu mencionei que estou no vilarejo apenas a passeio enquanto você resolve alguns negócios.

- Eu quero você longe dele! – Lars finalmente explodiu e acertou a mesa com um soco – Se este miserável se atrever a falar com você de novo, eu...

- Você vai acordar o Magnus! – a loira interrompeu o marido, furiosa – Não há a menor necessidade de protagonizar esta cena, Lars! Eu não estaria te contando sobre este encontro se tivesse a intenção de vê-lo novamente, estaria? Você sabe perfeitamente que o Weasley é uma lembrança enterrada no meu passado!

- Não vamos mais prolongar esta viagem! – Lars parecia um animal selvagem quando se levantou e começou a andar de um lado para o outro no quarto, como se estivesse enjaulado – Pelo contrário, eu vou tentar resolver as pendências o mais rápido possível!

Florence respirou fundo, soltou o ar ruidosamente e cruzou os braços enquanto o marido fazia aquela cena lamentável. A francesa chegou a abrir a boca, mas desistiu de falar quando se deu conta de que ela era apenas um detalhe praticamente desprezível naquela situação.

A rivalidade entre Lothringen e Weasley ia muito além de uma mera disputa pelo coração de Florence Legrand e a loira não pretendia se desgastar ainda mais. O reencontro com Charlie já fora uma emoção grande demais para aquele dia.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Dom Fev 14, 2016 8:18 pm

- Não é uma insinuação. É uma constatação.

Definitivamente, os dois estavam protagonizando a continuação da briga de cinco anos atrás, agora com novos argumentos e novas incômodas verdades a serem lançadas na mesa de jogo.

- Eu me sinto satisfeito com os rumos tomados pela minha carreira e pelos amigos que possuo. Aliás, eu me sinto muito feliz em mostrar a você o quanto você estava errada, Anastasia. A minha profissão me trouxe uma renda considerável e veio acompanhada de uma fama respeitável.

Antes que a loira o interrompesse, Wood continuou o seu discurso agora com uma entonação menos presunçosa.

- Mas eu não tenho tudo, como você insinuou. A lacuna deixada por você, por exemplo, nunca foi ocupada.

Aquela era uma declaração que feria bastante o orgulho do goleiro do Puddlemere United. Wood nunca pensou que teria coragem de se declarar novamente para Anastasia depois que ela o abandonara daquela forma egoísta. Mas a grande verdade era que, embora o seu coração ainda saltitasse por ela, Oliver não tinha mais a ilusão de que eles ficariam juntos. Simplesmente porque os dois tinham seguido caminhos diferentes demais e tinham definições bem diferentes da palavra felicidade.

- Eu lamento muito que você ainda não seja capaz de enxergar que a vida vai muito além de uma sucessão de vitórias, Ana. Eu lamento ainda mais que você tenha renunciado aos seus amigos e à sua família em prol da sua brilhante carreira.

Oliver fez uma pequena pausa antes de reunir a coragem suficiente para finalizar aquele discurso.

- Nós teríamos sido muito felizes se você não tivesse renunciado ao amor que eu sentia por você.

Como Legrand parecia realmente muito ansiosa para partir, Oliver saiu do caminho dela. Sem olhar para trás, o novo goleiro da seleção inglesa caminhou na direção dos colegas de time, que ainda comemoravam a conquista dele.

Aquela convocação era um sonho de Wood desde os seus primeiros jogos no time da Grifinória, mas agora que o grande dia finalmente chegara o rapaz não conseguia se sentir plenamente feliz.

A presença de Anastasia Legrand naquela noite especial era como um lembrete do destino, dizendo a Wood que a sua conquista no quadribol não anulava o grande vazio que existia no lugar deixado pela francesa em sua vida.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Fev 14, 2016 9:05 pm

A rotina de Charlie dizia que ele deveria voltar para casa, guardar as compras da semana, tomar um banho quente e terminar alguns capítulos de um livro antes de dormir e encerrar o dia de trabalho.

Porém, quando Weasley entrou na própria casa naquela noite, seu mundo não parecia mais o mesmo. As compras foram guardadas mecanicamente nos armários enquanto a mente dele revivia cada segundo do encontro com Florence.

O abismo de diferença que existia entre eles parecia ter aumentado ainda mais com a versão adulta da francesa, e Charles chegou a acreditar que seus caminhos jamais fossem se encontrar novamente. O destino parecia ser cruel o bastante para coloca-la novamente em sua vida, apenas para lhe mostrar que Florence se tornara exatamente a figura que Pierre desejava.

Naquela noite, o cuidador de dragão se revirou na cama por horas e horas, conseguindo se entregar ao sono poucos minutos antes do sol nascer. Só o que ele conseguia pensar era em como seu coração ainda batia acelerado quando respirava o perfume delicado da francesa, em como ela se tornara uma mulher linda, mas principalmente, como o olhar gélido o assombrava.

Florence poderia parecer muito confortável no papel da mulher dedicada da alta sociedade, mas ele conhecia bem aquele par de olhos azuis para saber que eles não brilhavam mais da mesma forma que um dia brilharam, quando os dois estavam juntos na colina sob o céu estrelados e assistindo o espetáculo de vaga-lumes na floresta proibida.

A noite mal dormida e a falta de concentração de Charles contribuíram para que o trabalho no dia seguinte fosse extremamente exaustivo. Por mais de uma vez, ele precisou reler o prontuário de cada dragão nas suas mãos antes de descrever as poções que deveriam ser preparadas para cada um deles.

Na hora do almoço, o cuidador de dragões deixou a ala médica do acampamento até a base central, onde havia um pequeno museu exibindo diferentes fotos de dragões, ovos de diversas espécies e toneladas de souvenires para turistas.

Como era comum, Izobell, que estagiava na equipe de Charlie há um ano, já ocupava uma das mesas normalmente destinadas aos turistas e distribuía alguns sanduiches que ela mesma preparava. Tyler, que havia chegado alguns meses antes de Izobell, estava ao seu lado distribuindo as bebidas quando o ruivo sentou.

- Está tudo bem, Charlie?

A morena franziu a testa ao reparar o semblante abatido do mais velho, que apesar de não falar muito, era sempre simpático com todos a sua volta.

- Sim, eu... – Charlie já ensaiava uma resposta automática quando sua visão periférica capturou algo que chamou sua atenção.

Mais uma vez, os cabelos loiros de Magnus refletiam a luz do sol e o obrigou a girar a cabeça, já procurando pela mãe do menino. A criança se equilibrava sobre as duas perninhas minúsculas e tentava enxergar pelo vidro que exibia alguns ovos de dragão, protegendo o rostinho com as duas mãos para facilitar a vista.

A expectativa de ver Florence fez seu coração disparar, mas logo a frustração surgiu ao reconhecer Lars Lothringen. O dinamarquês estava com algumas linhas de expressão nos olhos e se vestia com mais seriedade, com ternos caros que denunciavam de longe se tratar de um homem de negócios. Apesar de tudo, ele ainda parecia o mesmo adolescente arrogante que Charles tinha vontade de socar e fazê-lo engolir as palavras educadas carregadas de más intenções.

O homem lia um jornal dobrado em sua mão, e o filho aos seus pés não parecia receber muita atenção. Apesar disso, Magnus não parecia incomodado com a distância do pai, já completamente entretido com as atrações do pequeno museu ao ar livre.

A esperança de que a esposa de Lars estivesse presente logo se transformou em medo. A última coisa que Charles queria era presenciar uma cena da família Lothringen. Tudo que ele precisava fazer era esperar mais alguns dias até que Florence estivesse novamente fora da sua vida, sem lembranças do seu passado humilhante.

- Eu estou sem fome.

Ele devolveu o sanduiche intocado e se arrastou novamente para a ala médica do acampamento. Quando terminou de cuidar dos dragões adoecidos, Weasley se encaminhou para a arena onde normalmente treinavam as criaturas mais novas, a fim de que elas não se tornassem um problema maior quando atingissem a vida adulta.

Apesar do risco sempre controlado, o lugar era mais quente que o normal, visto que com frequência os dragões pequenos cuspiam fogo quando se sentiam ameaçados. Um treinador havia acabado de erguer um escudo quando um filhote de verde-galês engasgava com um pedaço de carne e tossia com labaredas de fogo quando Charles entrou na arena.

- Hey, Charlie! Já está indo?

O dia de trabalho finalmente havia chegado ao fim, e uma das coisas que Charles mais admirava na Romênia era em como o sol se punha tão tarde, lhe permitindo aproveitar o céu alaranjado de volta ao vilarejo.

Mas, apesar da sempre pressa de assistir aquele espetáculo, Weasley não ia embora sem antes se despedir do pequeno dragão norueguês que Hagrid havia lhe confiado.

Norberto havia crescido alguns metros desde que o guardião de Hogwarts lhe entregara aos seus cuidados, mas o dragão continuava dócil e muito bem receptível ao treinamento. Era uma das poucas criaturas que viviam fora das grades ou coleiras, e quando estava na arena, ele se sentia ainda mais livre.

Charlie se acomodou em um grande tronco enquanto jogava grandes pedaços de carne para Norberto, e mais uma vez sua mente estava distraída quando um chorinho lhe chamou a atenção.

Nos primeiros minutos, Weasley acreditou se tratar de alguma criatura ferida, mas cada vez mais o som se assimilava a de um humano, o que o forçou a abandonar Norberto para investigar entre as primeiras árvores que rodeavam a arena.

As folhas secas estalavam sob seus pés, mas Charles não precisou andar muito para encontrar o pequeno Magnus sentado, encolhido junto a uma árvore. As roupinhas estavam completamente sujas, assim como uma de suas bochechas e os cabelos loiros espetados. O olhar assustado da criança partiu o coração do cuidador de dragão e seu primeiro instinto foi se abaixar para pegá-lo no colo.

- Heey! Magnus, o que você está fazendo aqui???

Apesar do medo e com o queixo tremendo pelo frio e pelo choro, os olhos azuis pareceram reconhecer Charles e o menino fungou várias vezes antes de se agarrar ao pescoço do ruivo. Mesmo que o homem fosse um completo estranho, era o que ele tinha de mais familiaridade no meio daquelas árvores.

- Me pêdi.

- Está tudo bem, amiguinho. Está tudo bem. Vou levar você de volta, está bem?

Acalmar Magnus foi uma tarefa mais difícil do que domar dragões. Por longos minutos, ele continuou chorando e tremendo assustado, mas Charles conseguiu acomodá-lo em seus braços e envolve-lo em um cobertor assim que voltaram para a base central, já fechada para turistas àquela hora.

Não houve nenhum funcionário do acampamento que não tivesse ficado comovido com o pequeno, mas nada parecia fazer com que as mãos de Magnus soltassem Charles. Cabia às autoridades locais que o menino fosse levado de volta aos pais, mas o menino se recusava a sair do colo do ruivo, o que o obrigou a descer junto com alguns seguranças até o hotel onde os Lothringen estavam hospedados.

Quando Charles finalmente entrou no lobby do hotel, Magnus já não chorava mais e havia apoiado a cabecinha no ombro de Charles, olhando para todos os lugares atentamente, só parecendo verdadeiramente aliviado ao encontrar o rosto familiar de Florence.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Dom Fev 14, 2016 9:39 pm

As palavras de Oliver ecoaram na cabeça de Anastasia durante dias. Ela sabia que sua vida teria sido completamente diferente se tivesse ficado ao lado do ex-namorado, mas não tinha tanta certeza se eles seriam tão felizes quanto o goleiro acreditava.

Se Oliver havia sido capaz de trocá-la por outra em menos de um mês, o que poderia ter acontecido se eles ainda estivessem juntos? O que poderia lhe garantir que o amor havia durado tanto tempo, se para Oliver, aquele sentimento era tão frágil a ponto de ir para cama com outra após uma briga?

Apesar das frustrações, Legrand se convenceu de que não adiantaria ficar revirando o que poderia ou não ter acontecido se o namoro não tivesse terminado anos antes. Wood estava certo em dizer que sua vida estava com lacunas vazias, mas uma delas havia como ser resolvida.

Anastasia havia renunciado demais em prol da sua vida pública e carreira, mas não havia mais sentido em fazer Sophie sofrer as consequências das suas escolhas erradas. Desde que decidira não abrir mão da filha, ela sabia que não poderia sustentar uma mentira daquela magnitude para sempre. Em alguns anos, a menina iria para a escola e todos saberiam que ela carregava o sobrenome Legrand.

Disposta a não deixar mais que Sophie pagasse pelos seus erros, Anastasia estava disposta a enfrentar as consequências positivas ou negativas em admitir que tinha uma filha.

- Você tem certeza? – A Sra. Legrand observava a filha andar de um lado ao outro no quarto de Sophie, guardando as roupinhas dela em uma mala. – Mas e o seu pai?

- O que o papai pode fazer, mamãe? Me expulsar de casa? Além do mais, ninguém vai saber que eu engravidei quando era adolescente. Aos olhos de todo mundo, Sophie foi adotada. Exatamente como você queria que tivesse sido desde o começo.

A francesa mais velha abriu a boca para questionar no instante em que Sophie entrava no quarto, obrigando que as duas mudassem o rumo daquela conversa. Agora que havia revisto Oliver depois de tantos anos, era ainda mais surpreendente a semelhança entre pai e filha.

A menina usava um vestidinho vermelho, com sapatinhos de boneca e a meia calça que protegia suas perninhas. Os cabelos loiros estavam soltos, formando cachinhos nas pontas e uma delicada tiara era exibida em sua cabeça.

- Nós vamos passear? A tia colocou meu vestidinho, eu só coloco vestidinho para passear com ela.

Anastasia sentou na beirada da cama e puxou a filha pela mão. Envolvida pela seriedade da mãe, a menina também se sentou, esperando pela resposta.

- O que você acha de vir morar com a mamãe, Sophy? Eu já preparei o seu quarto na minha casa.

- Não vou mais morar com a titia? – Os olhinhos azuis se viraram para a porta, como se esperassem encontrar a dona da casa.

A francesa sentiu seu coração apertar diante da possibilidade da criança recusar aquela oferta, mas ela conseguiu manter o rosto sereno ao continuar.

- Não, minha princesa. Você vai morar comigo. Só nós duas. Você não quer?

Os olhinhos finalmente pousaram em Anastasia e não pareciam acreditar naquela oferta.

- De verdade?

Ao perceber que o receio de Sophie não era deixar sua antiga casa, mas sim que a mãe não estivesse lhe dizendo a verdade, fez com que Anastasia relaxasse e abrisse um sorriso e afagasse os cabelos loiros da filha.

- De verdade, meu amor. Mas antes, nós precisamos passar em um lugar.

***

Andar de mãos dadas com Sophie aos olhos de qualquer um parecia um sonho. A menina saltitava enquanto as duas caminhavam pelo Beco Diagonal, o rostinho já lambuzado de sorvete e uma pequena gota de chocolate manchando o vestido bonito.

Qualquer mãe surtaria com a filha estar com uma apresentação tão bagunçada, mas Anastasia se deliciava em ter aquele momento pela primeira vez e só conseguia olhar admirava para a beleza de Sophie.

A criança tagarelava sobre quais os sabores de sorvete ela gostaria de tomar na próxima vez quando os olhinhos capturaram a vitrine da loja de vassouras.

- Mamãe!!! Olha!!!

A mãozinha esticada apontava para o letreiro da loja de Bellamy, e Anastasia precisou admitir que a loja era mesmo um sucesso. Além de exibir os modelos mais recentes de vassouras, a vitrine também exibia diferentes modelos de bolas de Quadribol, luvas e uniformes.

Seu interior era ainda maior, e crianças maiores andavam de um lado ao outro, tão deslumbradas quanto alguns adultos. Era assustador que uma criança tão pequena quanto Sophie já se interessasse por aquele tipo de assunto, mas o brilho nos olhos azuis mostrava que aquilo havia nascido com ela.

- Anastasia???

A loira se virou ao escutar o seu nome e o sorriso se alargou ao reconhecer o dono da loja.

- Bellamy! Oi!

Ela se aproximou e o abraçou rapidamente, só então percebendo que havia sentido saudades do velho amigo. O rapaz continuava atraente, mas os cabelos estavam mais baixos e algumas linhas de expressão cortavam seus olhos escuros. O mais curioso era o sotaque ainda idêntico ao do tempo do torneio.

- Estávamos falando de você agora mesmo!

- Estávamos? – Ela franziu a testa quando Bellamy deu um passo para o lado e permitiu que Katie e Wood entrassem em seu campo de visão, fazendo seu sorriso morrer.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Dom Fev 14, 2016 10:26 pm

Era muito raro que Lars manifestasse qualquer desejo de passar um tempo com o herdeiro dos Lothringen. O pai gostava de exibir o pequeno Magnus e ouvir os infindáveis elogios sobre como o menino era bonito, educado e parecido com ele. Mas, sempre que ficava mais tempo junto com Magnus, Lars logo se impacientava com os cuidados que o garotinho demandava e se distraía com outras coisas.

Naquele dia, contudo, Lars insistiu em levar Magnus para passear na Romênia. A ideia era passarem a tarde no famoso museu de dragões, que o gerente do hotel garantiu que era totalmente seguro para uma criança pequena.

É claro que a primeira reação de Florence foi dizer que iria junto com o marido e com o filho. Contudo, a Sra. Lothringen mudou de ideia quando Lars começou a fazer uma cena lamentável e a insinuar que a esposa queria sair do hotel com a esperança de rever o ex-namorado.

Para evitar mais aborrecimentos, Florence desistiu do passeio e decidiu que tiraria o dia para ler um livro no jardim do hotel. Lars recebeu uma lista interminável de recomendações e Magnus prometeu que obedeceria ao pai e que não sairia de perto do homem.

Com o coração comprimido dentro do peito, Florence ficou na janela do quarto e acompanhou Lars e Magnus com o olhar até que os dois sumissem de vista no horizonte. A francesa se sentia inquieta com aquele sexto sentido, mas tentou convencer a si mesma de que era apenas a preocupação natural de uma mãe superprotetora que não costumava ficar longe do seu bebê.

No museu, não demorou para que Lars começasse a perder o interesse no filho. Enquanto Magnus parecia encantado com as relíquias expostas no museu, Lars apenas seguia os passos do garotinho. Ao encontrar um jornal deixado de lado num banco, Lothringen começou a folhear as páginas na tentativa de se distrair enquanto Magnus não enjoava do passeio.

A distração de Lars se intensificou quando o Sr. Imovich surgiu no museu e o envolveu numa interminável conversa sobre os contratos que estavam prestes a assinar nos próximos dias. Os dois homens só perceberam que já estava tarde quando alguns funcionários do museu começaram a fechar as janelas. Como ainda havia muito a ser resolvido, Lars convidou o sócio para que terminassem aquela conversa no bar do hotel.

A noite já havia caído sobre a Romênia quando Florence, no saguão do hotel, finalmente soltou um suspiro aliviado ao ver o marido retornar. O passeio se alongara mais do que o esperado por ela, mas a loira não pensava em reclamar. Seus planos se resumiam a dar um banho em Magnus e fazê-lo jantar enquanto ouvia com toda a paciência do mundo sobre o quão divertido fora o passeio.

Para a surpresa de Florence, Lars entrou no saguão acompanhado apenas pelo sócio. Imovich a cumprimentou educadamente enquanto a loira se limitou a forçar um sorriso. Ela olhou da porta para o marido, com um semblante confuso.

- E o Magnus? Ficou brincando no jardim?

O queixo de Lars caiu e o rosto do homem perdeu todas as cores. Ele sequer se lembrava de qual fora a última vez em que vira o filho. A chegada do sócio o distraiu tanto que Lothringen se esqueceu completamente que Magnus o acompanhava naquele passeio e simplesmente perdera o garotinho de vista.

- Ahn... Eu vou voltar para buscá-lo.

- No jardim? – Florence insistiu, o desespero começando a crescer em seu peito.

- No museu. – Lars fez uma careta – Eu me distraí, esqueci que o Magnus estava lá comigo.

- O QUEEEEE???

O berro de Florence ecoou por todo o saguão do hotel, atraindo a atenção dos presentes. Lars recebeu uma chuva de tapas no rosto, no peito e nos braços antes que pudesse pensar em qualquer tipo de reação.

- FLORENCE! – Lothringen tentou segurar os punhos da esposa, mas a loira estava furiosa demais para se deixar dominar – Pare com isso! Que escândalo! Você está histérica!!!

- É CLARO QUE EU ESTOU HISTÉRICA! VOCÊ DEIXOU O MEU BEBÊ SOZINHO NUM CAMPO LOTADO DE DRAGÕES!!! QUE MERDA DE PAI VOCÊ É, LOTHRINGEN!?

Bastou que ouvisse as próprias palavras para que Florence caísse no choro. Somente um milagre faria Magnus retornar inteiro para os braços da mãe. As possibilidades eram variadas, mas nenhuma delas parecia positiva. O garotinho poderia estar perdido nas montanhas, ou ter ficado trancado sozinho no museu.

A francesa soltou um urro de dor quando a sua mente a torturou com a chance de Magnus ter entrado acidentalmente na gaiola de um dos dragões. Inconscientemente, a sua cabeça reproduziu algumas das cenas violentas que ela presenciara na primeira prova do Torneio Tribruxo. Que chance uma criança de dois anos teria de sobreviver ao ataque de um dragão?

Imovich já tentava ajudar reunindo alguns voluntários para ajudarem nas buscas quando Magnus surgiu milagrosamente, nos braços da última pessoa que Lars gostaria de ver com o seu filho no colo.

O rosto de Florence já estava irreconhecível naquele momento. Os olhos inchados e vermelhos derramavam uma chuva de lágrimas. A maquiagem, antes impecável, agora se derretia e escorria pelo rosto pálido da francesa. Potentes soluços faziam o corpo de Florence estremecer por completo.

O choro só se agravou quando a mãe avistou o garotinho, todo sujo e assustado. Florence não teve a menor dificuldade para se desvencilhar das mãos do marido e correu até o ruivo. Ela não estava raciocinando quando englobou Charlie e Magnus no mesmo abraço apertado. Os soluços eram tão fortes que provocavam engasgos na loira e impediam que ela tivesse fôlego para falar.

Magnus, que já estava assustado, alarmou-se com o choro desesperado da mãe e voltou a chorar, desta vez com ainda mais vontade. Ele também soluçava quando Florence o puxou para os seus braços e tentou ver, em meio às lágrimas que embaçavam a sua visão, se o menino estava muito machucado.

- Me desculpe... – as palavras saíram murmuradas dolorosamente no meio dos soluços – Perdoa a mamãe, Magnus. A mamãe nunca mais vai te deixar sozinho!

Ninguém teria dúvida de que o maior culpado daquele incidente fora Lars, com a imensurável irresponsabilidade de esquecer um garotinho de dois anos num criadouro de dragões. Mas Florence assumia aquela culpa porque ela deveria conhecer o marido o bastante para saber que Lars seria capaz de tamanha atrocidade.

Só depois que teve certeza que o filho estava inteiro, Florence ergueu os olhos para Charles Weasley. Naquele momento, não havia espaço para orgulho nem para as mágoas do passado. Charlie havia destroçado o seu coração há cinco anos, mas acabara de devolver à Florence a atual razão da vida dela.

- Obrigada. – desta vez, não havia frieza ou ironia no olhar da loira, apenas uma profunda gratidão por aquele gesto que ela jamais conseguiria retribuir à altura – Muito obrigada, Charlie!
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Fev 14, 2016 11:17 pm

Quando encontrou o pequeno Magnus abandonado, sujo e amedrontado, Charles não conseguia imaginar como um menino de dois anos havia conseguido se distanciar de todos sem que ninguém percebesse, mas todo o seu foco estava voltado para que ele se acalmasse, se certificando de que não haviam danos físicos.

No caminho até o hotel onde os Lothringen estavam hospedados, Weasley já começava a raciocinar além do estado da criança e imaginava o estado que encontraria Florence e Lars. Por pior que fosse o relacionamento do casal, ele sabia que pai e mãe jamais conseguiriam ficar tranquilos sem saber o estado do filho.

A prova de que Florence amava o menino foi o seu desespero ao ver o filho nos braços do ex-namorado. Não havia a elegância, a sobriedade, arrogância e nem a frieza que a Sra. Lothingen havia demonstrado no dia anterior.

Charles não se lembrava de ter presenciado a francesa com aquela aparência digna de pena em toda a sua vida. Os cabelos bagunçados, o rosto vermelho e os olhos inchados pelo choro. Não havia nenhuma máscara para esconder seus verdadeiros sentimentos, mostrando que apesar de tudo, ela ainda não havia se tornado uma pedra de gelo por completo.

- Ele estava perdido perto da arena de treinamento. – Charlie explicou quando o menino foi arrancado de seus braços. – Foi uma sorte tê-lo encontrado quando ainda tinha sol, ou seria praticamente impossível busca-lo no meio da floresta durante a noite.

Os olhos azuis do cuidador de dragões acompanharam os movimentos de Florence para envolver o filho e ele sentiu o peito apertar ao imaginar a aflição que ela havia enfrentado nas últimas horas. Mesmo depois de tantos anos, Weasley se odiava em ver a ex-namorada sofrer, independente se ele era a causa daquele sofrimento ou não.

- Não se preocupe, ele não se machucou. Está apenas assustado, com toda razão.

Mesmo depois que a criança estava protegida nos braços de Florence, Charlie esticou a mão para afagar o rostinho sujo de Magnus, secando as lágrimas que manchavam a bochecha gordinha.

- Mas ele foi muito corajoso, não foi Mag? Com certeza, um grande garoto.

O ruivo só recolheu a mão ao perceber que Lars havia se posicionado ao lado da esposa. Não passou desapercebido quando o dinamarquês deslizou o braço pela cintura de Florence, em um gesto possessivo.

O Sr. Lothringen sequer olhou duas vezes para o seu herdeiro, parecendo mais preocupado com a presença de Charles. Seus olhos estavam estreitos, como se analisasse quão grande era a ameaça de ter o ex-namorado de Florence ali, bancando o herói do dia.

- Bom, eu imagino que vocês estejam todos exaustos. Eu acho melhor ir embora e deixar vocês descansarem, foi um dia agitado para todos nós.

Mas Lars não pretendia terminar aquele dia como o grande vilão que havia esquecido da existência do próprio filho e o colocado em perigo, dando espaço para Charles brilhar como o salvador.

Com a sua habilidade de ser sempre educado, Lars se adiantou, se colocando na frente da esposa, enquanto puxava a carteira do bolso.

- Ora, Weasley! Por favor, deixe ao menos eu retribuir seu grande gesto. Eu insisto.

Uma quantia obscena de galeões foi esticada pela mão do dinamarquês, como se ele quisesse lembrar a Weasley mais uma vez que dinheiro não era um problema na sua vida. Aquele movimento tão bobo lembrou imediatamente a cena de Pierre lhe oferecendo uma pequena fortuna para sair da vida de Florence.

Mais uma vez, Charles se via sendo vendido como um produto qualquer, como se suas origens humildes significassem que ele poderia ser comprado a qualquer momento.

Ignorando a tensão do momento, o cuidador de dragões fechou o semblante e cruzou os braços contra o peito, sem intenção de aceitar uma única moeda.

- Eu não preciso do seu dinheiro. – As palavras foram quase cuspidas e, por um momento, Charles sentiu viver um deja-vu. Ele sequer piscava enquanto encarava o velho inimigo por quem lutara tantas vezes pela atenção de Florence. – Queria apenas me certificar de que Magnus estivesse bem e com os pais novamente. Já fiz a minha parte, da próxima vez, faça a sua e cuide direito do seu filho. A sorte pode não estar do seu lado outra vez.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Dom Fev 14, 2016 11:43 pm

Apesar de poder seguir por vários caminhos promissores, Bellamy descobriu que era um excelente comerciante. A loja de materiais esportivos foi aberta logo após o casamento, numa tentativa do rapaz em iniciar um negócio ao lado da esposa. Inicialmente os dois eram os únicos funcionários e a loja pequena oferecia apenas vassouras comuns.

Graças ao trabalho duro do casal e à influência de Oliver, os negócios foram crescendo vertiginosamente. Atualmente, a loja ocupava uma grande área num ponto movimentado do Beco Diagonal e oferecia todos os tipos e preços de vassouras, além de uniformes dos mais variados times de quadribol, bolas e acessórios esportivos. Os Bellamy já possuíam três funcionários na folha de pagamento e pensavam seriamente em contratar mais dois agora que a proximidade da Copa Mundial de Quadribol aumentava o interesse pelo esporte e o movimento da loja.

Naquela tarde, a loja estava bastante movimentada quando Wood apareceu para visitar os amigos. Embora valorizasse muito a amizade de Oliver, Bellamy não conseguia ignorar o quanto a presença do amigo acabava sendo lucrativa. Naqueles poucos minutos em que o goleiro estava na loja, eles já tinham vendido dezenas de goles e de uniformes ingleses, que foram autografados pelo jogador.

Quando finalmente conseguiu um pouco de paz, Oliver se aproximou dos amigos para conversar. Bellamy logo percebeu que algo afligia o britânico e não demorou para que Wood comentasse do seu encontro com Anastasia.

Só depois do fim do relacionamento, Bellamy descobriu que seus dois adversários no Torneio Tribruxo tinham um passado juntos. O representante de Durmstrang se sentiu meio traído com aquela novidade, mas logo se convenceu de que aquele namoro não havia influenciado no resultado do torneio.

Agora, tudo o que Bellamy sentia era pesar por não ter dado certo. Era óbvio que Oliver gostava da francesa e Anastasia era uma pessoa que o norueguês gostaria que fizesse parte do seu círculo de amizades.

O goleiro do Puddlemere United relatava o seu encontro com Anastasia no coquetel de convocação da seleção quando, coincidentemente, a francesa surgiu na loja acompanhada por uma garotinha.

Como se tivesse sido atraído por um ímã, Oliver foi o primeiro a notar aquelas duas presenças. Sua cabeça se virou na direção de Legrand e o coração saltitou ao reconhecê-la. Mas a atenção do rapaz foi totalmente desviada para Sophie tão logo a garotinha entrou no seu campo de visão.

Wood adorava crianças, mas a sua admiração pela menina ia muito além disso. Sophie era linda, tinha um sorriso adorável. O brilho nos olhos azuis que fitavam as vassouras expostas nas vitrines da loja era ridiculamente familiar para o goleiro, embora Oliver não soubesse falar com quem a loirinha se parecia.

Os olhos dele ainda estavam fixos na garotinha quando Bellamy se aproximou das duas e cumprimentou Anastasia. Quando o rapaz abriu espaço para que a francesa visse Katie e Oliver parados atrás do balcão, o goleiro desviou o olhar da garotinha para a ex-namorada.

- Que coincidência. – Katie abriu um sorriso simpático – O Ollie acabou de nos contar que se encontrou com você no coquetel de ontem. Como vai, Ana? E esta menina linda, quem é?

- Sophie.

A garotinha respondeu sem que Anastasia precisasse interferir. Como aquela conversa estava atrasando o principal objetivo de Sophie naquela loja, a menina foi direto ao ponto.

- A mamãe me trouxe para comprar uma vassoura.

- Mamãe???

Os três amigos pareceram surpresos em ver Sophie se referindo a Anastasia como mãe, mas foi Wood quem verbalizou aquele espanto. Oliver novamente olhou da criança para a ex-namorada, sem entender o que estava havendo ali.

Secretamente, Wood também acompanhava a carreira de Anastasia. Era a única forma de se sentir mais próximo a ela depois do término do namoro. Portanto, Oliver sabia de praticamente todas as promoções recebidas pela francesa e do quão importante era o nome dela dentro do Ministério da Magia. Mas Wood nunca tivera acesso a nenhuma notícia que apontasse na direção de uma filha, ainda mais uma filha já tão crescida.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Seg Fev 15, 2016 12:21 am

Quando Lars ofereceu aquela pequena fortuna a Charlie, Florence também teve a nítida impressão de que a cena de cinco anos atrás estava se repetindo. Assim como Pierre tivera a coragem de colocar um preço na própria filha, Lothringen era capaz de dar um valor monetário à vida e à segurança de Magnus.

Os olhos da loira refletiam um profundo desprezo quando ela encarou o marido, completamente enojada com aquele gesto. Achar que corrigiria aquele erro com dinheiro era tão grave quando esquecer o filho num campo de dragões.

Florence se sentiu profundamente ofendida quando soube que Pierre dera um preço a ela, mas nada se comparava à revolta de ver o próprio filho naquela mesma situação. A francesa até podia aceitar a humilhação sofrida há cinco anos, mas jamais concordaria que Magnus fosse rebaixado daquela forma.

- Você acha mesmo que o seu dinheiro imundo paga pela vida e pelo bem estar do MEU filho?

Os olhos de Florence se estreitaram para o marido e seu olhar gélido foi dirigido a Lars.

- Se a SUA irresponsabilidade tivesse custado a vida do meu bebê, nenhuma fortuna do mundo o traria de volta!

- Foi só um susto, querida. – Lars ignorou a expressão furiosa de Florence e se esforçou para manter as aparências – Uma travessura de criança.

- Não ouse transferir para o Magnus a sua culpa. Ele tem DOIS anos e não tem culpa de ter o PIOR pai da história!

O semblante de Lars se fechou como se uma nuvem negra pairasse acima da cabeça dele. Sempre acostumado a ter uma esposa discreta e obediente, o dinamarquês não sabia como controlar a atual fúria de Florence. E a pior parte de toda aquela situação era que a briga do casal Lothringen tinha espectadores. E um deles era justamente Charlie Weasley.

Antes que aquela discussão tomasse proporções ainda maiores, Imovich decidiu interferir. Com um sorriso falso, ele se aproximou do grupo e passou os braços carinhosamente pelos ombros de Florence e Lars.

- Acalmem-se, meus amigos. O pior já passou. O pequeno está de volta, está bem. Eu assumo a minha parcela de culpa nesta história, já que fui o responsável pela distração do Lars. Mas o que importa é que tudo terminou bem.

O romeno voltou o seu sorriso falso para Charlie.

- Acalme-se você também, rapaz. Certamente o Sr. Lothringen não quis ofendê-lo, era apenas uma tentativa de recompensá-lo minimamente pelo tesouro que você trouxe de volta para esta família. Se não quer o dinheiro, o que me diz de um jantar?

Imovich fez aquela proposta sem nunca imaginar que o cuidador de dragões tinha um passado com a Sra. Lothringen.

- Por minha conta! Eu estou convidando a todos para um jantar amanhã, no nosso restaurante. É uma maneira muito mais singela e significativa de retribuir ao seu belo ato desta tarde, Sr. Weasley.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Seg Fev 15, 2016 12:22 am

Anastasia acariciou o topo da cabeça da filha enquanto dava um sorriso amarelo na direção dos três adultos. Na intenção de passar o dia ao lado de Sophie, ela não imaginava que fosse acabar esbarrando com o pai da menina tão rapidamente.

Ter os dois no mesmo cômodo era sufocante e Legrand temia que Wood fosse reconhecer os próprios olhos refletidos no rostinho da menina. Logo agora que Anastasia havia conseguido acertar a própria vida para ter Sophie junto, não era justo que Oliver descobrisse tudo e criasse uma cena que fosse estampar todos os jornais.

Nenhum jornalista deixaria Sophie em paz se descobrisse que ela era fruto de uma relação do passado da maior estrela de Quadribol da atualidade. Imaginar que a filha poderia ter a vida exposta naquela loucura que ela tanto quis evitar lhe causava calafrios.

Tentando ignorar a surpresa refletida no rosto de Katie, Bellamy e Oliver, Legrand acariciou os fios loiros de Sophie e apoiou as mãos nos ombros dela antes de se dirigir aos donos da loja.

- Sophy está certa. Você tem aquelas vassouras adaptadas para crianças, não tem, Bell? Uma que não levante mais do que trinta centímetros do chão.

Os olhos de Bellamy ainda estavam arregalados na direção da criança e ele demorou a entender a pergunta da francesa, precisando de longos segundos até se mexer, ainda espantado.

- Temos, temos, é claro! Katie, pode pegar, por favor? Está no estoque, perto da última remessa de pomos-de-ouro.

A esposa de Bellamy demorou a conseguir desgrudar os olhos da menininha antes de se afastar com um olhar confuso. Sophie, completamente inocente e sem imaginar que era o foco da atenção de todos os adultos presentes, balançava seu corpo animadamente com a ideia de finalmente ter uma vassoura.

- Trinta centímetros é muito alto, mamãe?

- Aaah, acredite em mim, querida. Para mim, é muitíssimo alto.

Para Legrand, qualquer arranhão em Sophie parecia ser o fim do mundo e ela ainda estava tentando se acostumar com a ideia de ter Sophie em um brinquedo tão perigoso. Ignorando o sofrimento da mãe, a menina sorriu satisfeita e correu na direção de Katie quando ela voltou com a vassoura embalada.

A francesa esperou que as duas estivessem em uma distância segura, já entretidas com a vassoura, e se aproximou de Bellamy e Oliver, evitando olhar para o goleiro.

- Sophie é.... bom.... Ela é adotada, ok?

Por mais que aquela fosse a melhor saída para ter a filha perto de si, soava absurdamente errado dizer que a menina não era sua filha biológica. Ela havia carregado aquele bebê por nove meses na barriga e sofrera com cada uma das dores do parto. Era absurdamente injusto dizer que não dera à luz a uma criatura tão linda e perfeita, mas ainda era a melhor forma de protege-la.

- Ela está se adaptando incrivelmente bem, e vem me pedindo uma vassoura há tempos. Não achei que teria problemas em trazê-la aqui.

O rosto de Bellamy havia se iluminado em compreensão e ele ainda estava com os lábios formados em um “oh” quando sacudiu a cabeça, balançando a mão como se espantasse um inseto inconveniente.

- É claro que não tem problemas, Ana! De forma alguma!

- Mamãe, posso voar???

A embalagem da vassoura já havia sido rasgada e Anastasia nunca havia visto o rosto de Sophie tão iluminado diante de um brinquedo antes. Sem dúvida, ela havia herdado do pai aquela paixão louca.

- Não aqui, Sophie. Já disse que vamos para um campo aberto onde você não consiga esbarrar nas coisas, está bem?

O sorriso de Sophie vacilou, mas ela não questionou a mãe ao devolver a vassoura para Katie.

- Bell, pode adicionar um capacete e algumas joelheiras na minha conta também, por favor?

De maneira prestativa, Bellamy logo se afastou para pegar os pedidos de Legrand, deixando a francesa sozinha com Oliver.

Procurando qualquer coisa que a entretece o suficiente para não encarar o goleiro, Anastasia se pôs a vasculhar a própria bolsa a procura do dinheiro para pagar as compras, levando mais tempo que o necessário para erguer os olhos verdes.

Quando não havia mais desculpas e ela finalmente encarou Wood, não havia mais necessidade de forçar os sorrisos políticos e educados. Anastasia estava mais uma vez séria, tentando ignorar o coração acelerado pelo segundo encontro em tempo recorde com o ex-namorado.

- O que foi, Wood? Eu disse que as lacunas da minha vida estavam devidamente preenchidas.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Seg Fev 15, 2016 12:46 am

Quando ouviu sobre a adoção, Oliver ainda demorou alguns segundos até aceitar que Sophie não era filha biológica de Anastasia. Embora aquela fosse a explicação mais lógica, Wood estranhava as semelhanças entre as duas. Os cabelos loiros, os traços delicados... Se imaginasse Ana tendo uma filha, certamente a garotinha produzida pela mente do goleiro seria bem parecida com a pequena Sophie.

Mas é claro que Ana não poderia ser mãe daquela menina já tão crescida. Como a adoção parecia ser uma ideia muito mais plausível, Wood se esforçou para tirar aquelas minhocas da cabeça.

A ideia de Anastasia ter adotado uma criança era surpreendente. Até então, Oliver a via como uma mulher profundamente focada no trabalho, que não tinha tempo para a família, para os amigos ou para relacionamentos. Era bizarro pensar que a francesa havia trazido uma criança para a sua vida. Por mais doce e obediente que Sophie fosse, ela exigiria muito tempo e atenção da mãe. Sem dúvida, Ana teria que deixar o trabalho em segundo plano por causa da garotinha.

A discreta provocação da ex-namorada só fez com que Wood se sentisse pior. Além da culpa pelas acusações injustas na noite anterior, Oliver agora experimentava uma pitada de inveja. Ele também queria ter um anjo como Sophie em sua vida. Para Wood, um filho era uma benção, mesmo uma criança adotada como era o caso da loirinha a sua frente. Mas aquela era uma dádiva que Oliver não esperava receber do futuro. Casamento não estava nos seus planos e ele não pretendia ter um filho sem um relacionamento estável, sem uma família de verdade para oferecer à criança.

- Ela é linda.

O elogio soou sincero enquanto Wood voltava novamente os olhos para Sophie. Ele sentia uma simpatia gratuita pela garotinha, mas imaginava que este sentimento fosse apenas um reflexo de Anastasia. Oliver seria incapaz de desprezar qualquer coisa que viesse da ex-namorada.

- Eu realmente lamento por ontem, Anastasia. Aquela conversa não deveria ter acontecido. Tanto tempo já se passou, nós estamos em caminhos diferentes agora. Não faz sentido revivermos as mágoas do passado.

Um sorriso mais amplo brotou nos olhos de Oliver quando Sophie se aproximou, já arrastando a sua nova vassoura. O goleiro quase se enxergava naquela criança. Ele também fizera a Sra. Wood perder algumas noites de sono com a sua paixão por vassouras.

- Você já voou, Sophie?

A garotinha sacudiu a cabeça em negativa antes de tomar a palavra.

- Não. A mamãe nunca deixou. Mas agora ela deixa.

- Quer algumas dicas? Lá nos fundos tem uma varanda bem espaçosa onde você pode começar a treinar.

- E você sabe voar bem? – Sophie lançou um olhar desconfiado para Oliver, o que a deixava bizarramente parecida com Anastasia.

- Acho que sim – Wood riu de leve.

- Quantas vezes você já voou? – Sophie soou ainda mais desconfiada – Mais de dez vezes?

- Hm... – Oliver fingiu pensar – Um pouquinho mais, eu acho.

- Tá! – a menina finalmente se deu por satisfeita – Vamos lá!
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Fev 15, 2016 12:50 am

Um jantar. Chegava a ser ridículo a forma com que os ricos lidavam com as mais diversas situações. Uma criança havia ficado exposta a um grande perigo por horas e o que ele recebia era uma tentativa de pagamento e a oferta de um jantar rodeado de hipócritas.

Mais do que nunca, Charles se orgulhava das origens humildes que um dia ele questionou. Molly e Arthur jamais perderiam um dos sete filhos e haviam educado muito bem cada um deles para jamais se comportar de maneira tão grosseira, mas imaginar um jantar inteiro ao lado de Lars já lhe causava arrepios.

Durante todo o dia, Weasley pensou nas possibilidades de desmarcar aquele compromisso sem sentido, mas cada vez que ele criava uma nova desculpa, a lembrança de Florence brigando com Lars voltava a sua mente, o invadindo de esperança.

Era fácil deduzir que o casamento dos Lothringen não era a fortaleza que Florence havia tentado transparecer, mas ele também não imaginava que a francesa fosse ser capaz de enfrentar o marido como ela havia feito.

A visão de uma rachadura no mundo perfeito da ex-namorada enchia Charles de esperança, fazendo com que ele fosse capaz de enxergar um futuro em que a francesa poderia compreender suas escolhas do passado e recuperasse um pouco do sorriso doce que um dia ela tivera.

Foi movido por aquela mísera esperança que Charles apareceu no restaurante de Imovich no dia seguinte. O cuidador de dragões tinha perfeitas condições de se vestir da melhor forma possível para aquele jantar formal, mas como se quisesse provocar Lars e toda sua riqueza, o ruivo surgiu diante da mesa com os convidados usando uma antiga calça jeans, com botas de dragão e o velho suéter anual que a Sra. Weasley lhe enviava, em um azul escuro com o “C” bordado em dourado.

Independente da simplicidade de suas roupas, qualquer mulher seria capaz de enxergar a beleza do ruivo. Seus cabelos mais cumpridos do que na época de escola formavam pequenas ondulações, em harmonia perfeita com a barba bem feita. As sobrancelhas ruivas emolduravam com perfeição os olhos azuis, e o nariz reto e elegante fazia o contraste perfeito com o desenho bonito de seus lábios.

Quando Charles se aproximou, Lars se colocou de pé, e mesmo com toda a elegância do dinamarquês, o cuidador de dragões se destacava com alguns centímetros a mais e os músculos bem definidos. Até mesmo o formato das mãos de Weasley eram atraentes e ficaram em evidencia quando ele esticou um pequeno dragão de pelúcia diante dos olhos de Florence.

- Para o Magnus. – Ele explicou, olhando diretamente para a francesa e ignorando a presença dos outros dois acompanhantes. – Espero que o trauma não seja tão grande, não queria que ele tivesse uma lembrança ruim de dragões. Existem pessoas muito piores, acredite em mim.

Imovich, que estava sentado do outro lado da mesa, parou sua taça no caminho da boca e observou atentamente aquela cena, tentando desvendar a tensão que existia entre a francesa e o britânico. Por fim, o romeno pigarreou e abriu um largo e falso sorriso na direção de Charlie.

- Weasley, não é mesmo? Bom, Sr. Weasley, fico feliz que tenha aceitado meu convite! Sente-se, por favor! Sente-se.

Ignorando o olhar insistente de Lars, Charles puxou uma das cadeiras pesadas, arrastando os pés pelo carpete e se sentou, ocupando o lado oposto ao de Lars, mantendo Florence entre os dois.

Mais uma vez, o ruivo se virou apenas para Florence enquanto um garçom enchia sua taça com a mesma bebida de Imovich.

- Magnus está mais calmo? Espero que ele não tenha tido pesadelos. Me lembro quando meu irmão Percy se perdeu uma vez no Beco Diagonal. Ele ficou tendo pesadelos por semanas.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Seg Fev 15, 2016 1:29 am

Anastasia chegou a dar um passo para tentar evitar que Sophie seguisse Oliver, mas não havia argumentos para impedir aquele pequeno treino diante da expectativa da criança de aprender a voar.

A francesa ainda demorou alguns minutos para acertar todas as contas com Bellamy antes de seguir os passos dos dois, e quanto finalmente alcançou a varanda, foi a tempo de flagrar o goleiro rodeando Sophie, que estava agarrada a vassoura, já flutuando alguns centímetros do chão e com um brilho único no olhar.

Apesar da expressão de medo pela nova sensação experimentada, Sophie tinha um enorme sorriso nos lábios e se deliciava com a brincadeira. Anastasia parou na entrada da varanda e observou a cena, completamente muda.

A forma com que Oliver conduzia aquela situação, tão entretido com Sophie, causava um aperto no peito da francesa, que involuntariamente se questionava como teria sido a vida dos três caso o ex-namorado soubesse daquela gravidez, anos antes.

Mesmo sem fazer a menor ideia de que aquela era sua filha, Wood agia naturalmente, fazendo Anastasia pensar no tipo de pai que ele teria se tornado. Com um sorriso nos lábios, ela teve a certeza de que Sophie teria conquistado aquela vassoura muito antes se tivesse sido criada junto do goleiro.

Por um tempo longo demais, Legrand permaneceu parada assistindo aquela cena, se sentindo incapaz de interromper aquele momento, que mesmo sendo completamente inocente aos olhos dos dois, era tão significativo para pai e filha.

Quando não havia mais como se anular naquela cena, Anastasia finalmente se aproximou, ajeitando a bolsa em um dos ombros e segurando a sacola com as demais compras.

- Sophie, está tarde, nós precisamos ir.

- Mas mããããe!

- Nada de mas, Sophie Legrand. Dê tchau para o tio Oliver.

A menina girou os olhos a procura de algum apoio quando encarou Wood, na esperança de que ele pudesse ajudá-la a prolongar aquela brincadeira. Ao perceber o golpe baixo da criança, Anastasia se aproximou ainda mais, se colocando do outro lado do goleiro, mantendo Sophie entre os dois.

- Se você se comportar e não reclamar de ir para casa agora, eu prometo levar você para assistir uma partida de Quadribol no final de semana, o que me diz?

- Um jogo de verdade???

A francesa riu com a facilidade em comprar a atenção de Sophie e acariciou o queixo dela, limpando o melado que havia ficado do sorvete.

- Sim, meu amor. Um jogo de verdade.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Qui Fev 18, 2016 11:27 pm

Danika era a prova viva de que Oliver gostava muito de crianças. O padrinho adorava a garotinha e a mimava tanto que não era raro que Katie tivesse que interferir para que Oliver não estragasse muito a menina. Como não planejava ter um filho nos próximos anos – e nem sabia se um dia teria um bebê seu – Wood se apegava à afilhada como se Nika fosse a sua única oportunidade de extravasar toda aquela vocação paterna reprimida.

Naquela tarde, a mesma dedicação foi voltada para Sophie. Mesmo que não conhecesse a filha adotiva de Anastasia, Oliver não teve a menor dificuldade para lidar com a garotinha. Além do jeito com crianças, Wood tinha o quadribol como uma paixão em comum com Sophie.

- Está com medo?

A pergunta soou baixinha quando, já na varanda, Oliver reconheceu alguma hesitação no olhar ansioso que Sophie lançava à vassoura.

- Um pouco. – a loirinha voltou um olhar apreensivo para Wood – E se eu cair?

- Eu estarei do seu lado, não vou deixar que se machuque.

Oliver se agachou no chão e estendeu o braço para Sophie. A garotinha não costumava ser tão dócil com desconhecidos, mas não hesitou nenhum segundo antes de entregar a mãozinha a Wood.

Em poucos segundos, Sophie já flutuava alguns centímetros acima do chão, firmemente agarrada a sua pequena vassoura. Os olhos dela ainda refletiam algum receio, mas sem dúvida a empolgação era muito maior que qualquer outro sentimento.

- Pode soltar!!!

A garotinha apertou ainda mais os dedos em torno do cabo da vassoura e se virou para Wood, que mantinha as duas mãos protetoramente sobre os ombros dela. O jogador de quadribol acatou o pedido da menina e deixou que ela voasse brevemente sem nenhum tipo de apoio, mas estava por perto para ampará-la quando Sophie começou a perder o equilíbrio.

- Você está jogando o corpo para a direita. Tente ficar mais retinha. Vamos tentar de novo, hm?

Na segunda tentativa, Sophie mostrou que havia herdado os genes do pai. Foi um voo baixo e lento, mas ainda assim era admirável para a idade dela e para a pouca experiência da garotinha em cima de uma vassoura.

Os dois poderiam ter passado o resto da tarde naquela brincadeira se não fosse pela interrupção de Anastasia. Oliver precisou segurar o riso quando Sophie o encarou em busca de algum apoio para a sua causa. Era mesmo uma grande ironia do destino que a filha de Anastasia Legrand fosse apaixonada pelo esporte que a mãe não valorizava.

- Que tal o jogo dos Puddlemere United? Eu consigo ingressos na tribuna para vocês duas.

Os olhos de Sophie brilhavam quando ela encarou a mãe, dando a sua resposta positiva para aquela proposta. Antes que Anastasia pudesse responder, contudo, um novo convite surgiria dos lábios de Katie, que se aproximava do grupo concentrado na varanda.

- Ana...? – a morena estendeu para Anastasia um pequeno envelope cor de rosa – Eu sei que está muito em cima da hora, mas adoraríamos que você e a Sophie fossem ao aniversário da Nika. Não será uma grande festa, chamamos apenas os amigos mais próximos.

Os olhos de Katie giraram antes que ela completasse, lançando um olhar de repreensão para Wood.

- É esta noite, mas não precisa se preocupar com presentes. O padrinho da Nika já assumiu integralmente a função de estragá-la.
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Liam Mellish

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Re: Torneio Tribruxo

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