Torneio Tribruxo

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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Qua Fev 10, 2016 5:24 pm

Apesar de saber que causara uma grande decepção aos colegas, Wood não estava arrasado com o segundo lugar. Ele havia cumprido o seu objetivo de ser selecionado para o Torneio Tribruxo e de ter se saído muito bem nos três desafios propostos. Além disso, ele se recusava a ficar chateado com a vitória de Anastasia. Era impossível não ser contagiado pela felicidade da francesa.

Quando recebeu o cumprimento de Legrand, Wood cumpriu o protocolo e a parabenizou pela merecida vitória. O pedido sussurrado ao ouvido dele arrancou um daqueles sorrisinhos convencidos do rapaz e a resposta de Oliver veio com uma discreta piscadela para Anastasia.

Os dois ainda se encaravam com olhares cúmplices quando Dumbledore se aproximou dos três campeões. O diretor de Hogwarts já tinha cumprimentado todos eles pela excelente participação no torneio, então aquele novo contato tinha outro objetivo.

- Eu imagino que vocês estejam exaustos depois das últimas emoções, mas infelizmente ainda existem obrigações a serem cumpridas. Um jornalista do Profeta Diário espera pela Srta. Legrand no meu gabinete, para uma entrevista exclusiva com a grande campeã.

Albus manteve um semblante sereno ao completar.

- Por alguma razão, Rita Skeeter foi afastada deste trabalho, então a senhorita não precisa se preocupar com aquela trágica pena repetidora. Seus pais também fizeram questão de acompanhá-la, Srta. Legrand.

Antes que a francesa pudesse se afastar, Dumbledore se virou para Oliver. O rapaz o encarou com um olhar intrigado enquanto o diretor explicava.

- Também há alguém que deseja falar com o senhor, Sr. Wood.

- Um jornalista?

- Não. Trata-se do Sr. Broadmoor, tio da Srta. Rachel Broadmoor, do quinto ano da Sonserina.

- Hein? – uma das sobrancelhas de Oliver se ergueu – Eu mal conheço a Broadmoor. O que um tio dela quer comigo?

- O senhor terá que perguntar a ele, Sr. Wood. – Albus indicou o homem parado perto do primeiro lance de arquibancadas – Boa sorte.

Alguma coisa na entonação de Dumbledore fez Oliver ter certeza de que o velho sabia qual era o teor da conversa que esperava por ele. Contudo, o diretor se afastou antes que o grifinório pudesse fazer mais perguntas e obrigou Wood a descobrir sozinho o que estava acontecendo ali.

Broadmoor o saudou com um aperto de mão educado e parabenizou Wood pelo segundo lugar e pelo excelente desempenho no torneio. Ao notar que o clima da conversa era amigável, o rapaz sorriu e agradeceu pelos cumprimentos, cada vez mais curioso com o comportamento do homem.

- Eu sou tio da Rachel. Você a conhece?

Embora não fizesse a menor noção do que estava havendo ali, Wood decidiu que sua única saída era ser sincero.

- Pouco. Somos de casas diferentes, de turmas diferentes, então não temos muito contato.

- Sim, sim. Eu sei da velha rivalidade entre Grifinória e Sonserina. – Broadmoor riu de leve – Por isso mesmo, eu valorizei muito a opinião da Rachel quando ela comentou que o goleiro da Grifinória era um bastardo maldito que deveria cair da vassoura e quebrar o pescoço.

- Mas que vaca! – Wood soltou o xingamento sem pensar – Desculpe, desculpe!

- Enfim, Wood. Eu procurei saber mais detalhes sobre a sua performance e fiquei satisfeito com o que vi. A sua exibição na prova dos dragões também foi uma amostra espetacular da sua habilidade sobre uma vassoura. Diante de tudo isso, nós gostaríamos muito que o senhor nos visitasse tão logo saísse de Hogwarts para uma entrevista.

- “Nós”...?

- Sim. Estou aqui como parte da comissão técnica do Puddlemere United. Vamos precisar de um goleiro reserva para a próxima temporada e o seu nome está no topo da nossa lista.

O queixo de Oliver caiu e ele só acreditou que o homem estava falando sério quando Broadmoor empurrou para as mãos dele um cartãozinho com o endereço do centro de treinamento da equipe, com o escudo do Puddlemere United desenhado no canto em alto relevo.

Wood queria muito um contrato e a chance de jogar por uma equipe profissional, mas nunca imaginou que começaria logo num time de primeira linha como o Puddlemere United. Aquilo superava os sonhos mais fantasiosos do grifinório e transformava aquele dia no melhor momento da sua vida.

- Podemos esperar pelo senhor?

- É claro!!! – Wood segurou o cartão com mais firmeza, como se tivesse medo que ele evaporasse de sua mão – Eu irei, é óbvio que irei! Muito obrigado!
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Remus J. Lupin em Qua Fev 10, 2016 6:31 pm

A principio, Charlie achou a ideia de conhecer os pais de Florence bastante assustadora. Para um rapaz que se admirava com dragões selvagens, parecia tolice enfrentar uma breve conversa com o Sr. e a Sra. Legrand, mas muitos lhe dariam a razão quando se colocavam de frente ao olhar frio do pai das gêmeas.

Embora sorrisse todo o tempo e tivesse lhe tratado com toda educação possível, Charlie logo percebeu que não foi do pai que Florence herdara o jeito delicado e inocente. Ele definitivamente era um homem intimidante e poderoso.

Apresentar o grande número de Weasleys para os Legrand também foi uma tarefa particularmente complicada. Molly, com seu grande entusiasmo, apertou a mão da Sra. Legrand com uma força além do necessário, fazendo o braço fino e delicado da mulher sacolejar.

Arthur, em toda sua humildade, cumprimentou o casal de franceses com educação, e quando colocado ao lado de Pierre Legrand, suas vestes pareciam ainda mais gastas e o rosto mais abatido.

Para imenso alivio de Charlie, apesar de toda a gritante diferença entre as duas famílias, o encontro não havia sido total desastre e logo ele já estava se sentindo confortável o bastante para envolver a cintura de Florence em um abraço, diante de todos.

Com o fim do Torneio Tribruxo, o clima no castelo pareceu ficar ainda mais ameno, como se os alunos finalmente não tivessem nada que impedisse as amizades com os estrangeiros. Muitos haviam feitos amigos queridos e que pretendiam levar para fora do castelo.

Uma semana antes do fim do ano letivo, Charlie recebeu a coruja do ministério da magia com suas notas nos NIEMs, e o grifinório percebeu que tinha mais um motivo para comemorar. Mesmo dividindo seu tempo de estudos com a atenção de Florence, ele havia conquistado notas admiráveis que lhe garantiriam um bom emprego.

Se despedir dos estrangeiros deixou um clima nostálgico por todo o castelo, que era intensificado para os alunos do setimanistas. Se despedir dos novos amigos era tão triste quanto deixar Hogwarts de vez, e o único consolo que Weasley tinha, era a certeza que ainda teria Florence, apesar da distância.

Ao chegar em casa, Charles foi recebido por um banquete feito por Molly Weasley, para comemorar suas notas. Apesar da comida caseira e simples, o tempero de sua mãe tornava aquela a melhor refeição que ele poderia provar. Mesmo se sentindo empanturrado, Charlie não deixou de repetir duas vezes quando um bolo foi colocado a sua frente, e ele pensou no quanto Florence se deliciaria com aquela sobremesa feita pelas mãos de Molly.

As primeiras semanas do verão se arrastaram para Charlie. Enquanto não conseguia um emprego melhor, ele aceitou de bom grado o estágio no ministério da magia que Arthur havia conseguido. Embora não fosse um trabalho muito emocionante, o ruivo se sentia feliz apenas por não estar parado como um completo inútil.

Não havia um único dia que ele não deixasse de trocar cartas com Florence e a saudade da francesa aumentava dolorosamente. Apesar da distância, Charlie não acreditava que seu relacionamento fosse se abalar. A certeza de que era com Legrand que ele gostaria de ficar lhe dava forças para trabalhar na melhor alternativa de estarem juntos outra vez.

Foi na primeira folga que ele conseguiu, que Charles decidiu visitar a namorada em seu país. Ele tinha um enorme sorriso nos lábios quando deixou a mala cair aos seus pés e olhou admirado para o saguão de entrada da mansão dos Legrand.

Porém, sua mente logo esqueceu os móveis sofisticados quando Florence surgiu na ponta da escada. O brilho que iluminou os olhos azuis não deixava dúvidas do quanto Charles estava apaixonado.

O sorriso cortou seu rosto, tornando-o ainda mais bonito, mesmo com a aparência cansada da viagem. Junto com sua mala, a gaiola de Felicity estava repousada e a coruja soltou um pio quando reconheceu a francesa.

Os braços de Charlie estavam abertos para receber Florence no minuto em que ela se jogou em seus braços. Exatamente como no dia do lago, ele a rodopiou em seus braços com facilidade enquanto os dois se beijavam, enlouquecidos de saudade.

Quando Florence foi colocada no chão, Charlie manteve o corpo pequeno dela grudado ao seu e sorria abertamente.

- Você conseguiu ficar ainda mais bonita. Definitivamente, é algo na água da França.

Ele puxou a mão de Florence para beijar os nós de seus dedos, tentando conter o sorrisinho misterioso que insistia em surgir em seus lábios.

- Eu tenho uma novidade para contar. Duas, na verdade.

- Charles!

A voz grossa de Pierre soou, vindo de uma saleta lateral, impedindo que o ruivo continuasse sua narrativa precoce.

- Você realmente veio, rapaz.

Talvez fosse o sotaque francês, mas Charlie tinha a impressão de que o Sr. Lestrange continha uma pontada de desagrado naquela surpresa, como se tivesse esperanças que ele não aparecesse como havia prometido.

- Sr. Legrand. – Charlie cumprimentou, mantendo seu braço ao redor de Florence. – Muito obrigada por me receber. Meu pai enviou uma garrafa de hidromel para o senhor. Veio direto do Egito, meu irmão Bill mandou e ele disse que é simplesmente maravilhoso e que o senhor deveria experimentar.

De dentro da mala, Charles puxou a garrafa de hidromel embrulhada em um saco de papel amarrotado. Mais uma vez, ele teve a impressão de que Pierre não estava contente com aquele gesto e que havia franzido o nariz ligeiramente ao receber a garrafa em suas mãos.

- Ah, que maravilha. Abriremos no jantar, então. Imagino que você esteja cansado. Florie, diga ao elfo para mostrar o quarto do Sr. Weasley, sim?
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Qua Fev 10, 2016 7:01 pm

A repercussão causada pela vitória no Torneio Tribruxo era tudo que os Legrand poderiam desejar para o caminho que Anastasia deveria trilhar. Pierre e Anne-Marie se orgulhavam das duas lindas e inteligentes filhas que tinham, mas conheciam as personalidades distintas das duas e sabiam que, se uma delas pudesse continuar representando a família no meio político, Anastasia o faria com satisfação.

A natureza competitiva de Ana era o tempero especial que a faria brilhar em uma carreira dentro do ministério da magia francês, e a publicidade conquistada com o troféu que agregara para a Beauxbatoms faziam vários olhares se voltarem para a recém-formada.

Como era de se esperar, a Legrand campeã estava se deliciando com o seu momento de glória e abraçava sem pensar duas vezes o caminho que seus pais lhe direcionavam, como o estagio no Ministério junto de seu avô.

Diferente do trabalho pouco significativo que Charles fazia na Inglaterra, Anastasia havia começado em uma área de destaque e estava aprendendo a cada dia junto com os conselheiros, absorvendo o máximo de conhecimento possível e muitas vezes lidando diretamente com o avô.

Um mês havia se passado desde o fim do torneio e o relacionamento com Oliver Wood ainda não havia sido revelado a ninguém. Os treinos puxados de quadribol faziam com que o namorado tivesse pouco tempo e consequentemente aquela revelação acabava sendo adiada.

Foi movida pela saudade e aproveitando de um evento em que seu avô precisaria comparecer na Inglaterra, que Anastasia apareceu de surpresa no fim de um dos treinos do Puddlemere United.

Alguns jogadores ainda voavam nos céus quando a loira apareceu solitária na arquibancada, admirando o fim da partida em silêncio. Seus cabelos estavam presos em um firme rabo-de-cavalo e as mechas caíam com cachos perfeitos que ela havia modelado. Embora não usasse mais o uniforme da Beauxbatoms, Legrand exibia uma saia leve e comportada, ligeiramente rodada, com uma blusinha vermelha de botões.

Mesmo com seus dezessete anos, Anastasia já mostrava em suas roupas que estava deixando a adolescência para trás para abraçar a vida adulta e responsável que um cargo no ministério da magia exigia. Em suas orelhas, os brincos de pérolas eram pequenos e discretos, mas que se encaixavam com perfeita harmonia em seu rosto coberto com pouca maquiagem.

- Hey Richard, não faça veio, temos plateia hoje! – Um dos artilheiros passou voando perto de Anastasia, vestindo o uniforme azul do time.

- Uau! – Richard parou no ar, carregando em sua mão um taco que entregava sua posição de batedor. – Com certeza está perdida, nenhuma garota bonita viria aqui de livre e espontânea vontade sabendo que encontraria sua cara feia, Eddy!

Ignorando os comentários que soavam do meio do campo, ecoando pelo campo vazio, Anastasia puxou de dentro da sua bolsa uma camisa azul com o emblema do time e a vestiu por cima da camisa de botões, fazendo alguns dos fios loiros se arrepiarem.

No instante em que terminou de vestir a camisa do time, Anastasia reconheceu o rosto de Oliver Wood na posição do goleiro e sorriu, acenando em sua direção. Mesmo suado após o longo treino, Wood ainda era incrivelmente atraente e capaz de fazer Legrand perder a linha do raciocínio.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Qua Fev 10, 2016 7:02 pm

Ao contrário do que Pierre Legrand imaginava, a distância não abalou o relacionamento de Florence. Mesmo sem ver Charles Weasley todos os dias, a garota falava nele todo o tempo, suspirava pelos corredores da mansão e perdia boa parte dos dias escrevendo enormes cartas para o britânico.

Quando Weasley garantiu que passaria uns dias na França, Pierre teve certeza de que precisaria interferir naquela incômoda situação. Se o pai da moça continuasse esperando que aquele namoro acabasse por si só, Florence acabaria no altar com o ruivo e arruinaria para sempre as chances de um futuro confortável e luxuoso.

Antes mesmo que Charlie entrasse na casa, Pierre já o observava enquanto o britânico cruzava o enorme jardim diante da mansão Legrand. Com uma careta de desagrado, o homem se perguntou onde havia errado com Florence. A loira sempre tivera todos os mimos do mundo, como poderia se sentir atraída por um rapaz sem sobrenome, que usava sapatos gastos e vestes de segunda mão? Como Florence poderia pensar que seria feliz vivendo na miséria que um Weasley tinha a lhe oferecer?

O maior defeito de Florence sempre fora aquela imaculada inocência, mas Pierre estava disposto a salvá-la de si mesma. Como um bom pai, ele tiraria aquela má influência da vida da garota. Florence sofreria no começo, mas no futuro teria que agradecê-lo por livrá-la da completa perdição.

A insatisfação de Pierre se duplicou quando ele presenciou o encontro apaixonado dos dois jovens. A bela cena romântica do saguão fez o estômago do Sr. Legrand se contorcer, mas ele colocou no rosto o seu melhor sorriso antes de se dirigir ao rapaz. Para que o plano dele desse certo, Florence não podia nem desconfiar da repulsão que o pai sentia por Weasley.

A garrafa de hidromel era a representação de como Pierre enxergava o namorado da filha: uma bebida popular demais para os seus padrões, envolta por um saco de papel amassado. Era algo que ele jamais serviria para a alta sociedade por medo de manchar o nome dos Legrand.

Apesar de toda a repulsa, Pierre se comportou como um perfeito anfitrião. O melhor quarto de hóspedes da casa foi reservado para Weasley e um banquete foi preparado para “comemorar” a chegada dele. Após o jantar, os dois jovens se retiraram para um momento particular no jardim e aproveitaram a noite quente para gastarem várias horas matando as saudades que sentiam um do outro.

Na manhã seguinte, Weasley novamente se uniu ao restante da família para o café da manhã. Florence estava ligeiramente chateada por precisar se ausentar algumas horas naquela manhã para um curso preparatório para o emprego que ela pretendia assumir num dos departamentos do Ministério francês. Mas a loira se tranquilizou quando Pierre lhe garantiu que faria companhia a Weasley durante a ausência da filha.

De fato, a promessa do homem fui cumprida e o Sr. Legrand levou Charlie para os fundos da mansão, onde havia mais um extenso gramado, este sem as flores e plantas que decoravam o jardim da frente. O britânico entenderia o propósito daquela área quando Pierre estendeu na direção dele um taco de golfe.

Nos primeiros minutos, Pierre se comportou muito bem. O francês explicou as regras do jogo ao rapaz, ajudou Charlie nas primeiras tentativas e elogiou as boas jogadas executadas pelo ruivo. Quando Weasley parecia mais à vontade com o jogo, Legrand decidiu que era a hora certa de agir.

- Não há uma maneira sutil de entrar neste assunto, Weasley, então eu serei breve e direto.

Pierre fez uma pausa enquanto se concentrava na próxima jogada. Depois de lançar a bola num golpe perfeito, o homem ergueu os olhos frios para Charlie e continuou.

- Quanto você quer para sumir da vida da Florence para sempre?

Aproveitando-se do estado de choque em que mergulhara o rapaz, Pierre completou o seu discurso como se não estivesse falando nada demais.

- Você é inadequado em todos os sentidos. Minha filha é uma tola que só vai enxergar que você é um erro quando já for tarde demais. Um dia você será pai e entenderá que eu faço isso porque é meu dever zelar pelo futuro das minhas meninas. E, definitivamente, você é o genro que nenhum homem gostaria de ter.

Deixando o jogo de lado, Pierre apoiou o taco de golfe no chão e sustentou o peso de um lado do corpo nele, sem tirar os olhos do ruivo.

- Eu não quero escândalos, tampouco desejo que você perca alguma coisa com esta história. Por isso estou oferecendo uma gratificação por este “favor”. Não se acanhe e nem tenha medo de elevar o valor desta oferta, Weasley. Dinheiro não é um problema para mim e eu daria de bom grado uma generosa parte da minha fortuna para ver a Florie livre da sua influência. – um sorriso gelado surgiu nos lábios do homem – Pense bem. Esta é uma oportunidade imperdível de você retornar para casa como o herói que tirará a sua família desta vida miserável.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Qua Fev 10, 2016 7:23 pm

Wood sentia-se muito realizado com o cargo de goleiro reserva do Puddlemere United. A rotina de treinamentos o deixava exausto e a tendência era piorar quando começassem os jogos oficiais e as viagens do time. Mas Oliver não tinha dúvidas de que estava no caminho certo. Quadribol era a sua vida e aquela era uma excelente maneira de começar a carreira.

Contudo, ao contrário de sua vida profissional, a vida romântica do rapaz vinha deixando muito a desejar. Por mais que escrevesse diariamente para Anastasia e que ainda gostasse muito da francesa, Wood temia que o destino levasse os dois em direções opostas. O time estava exigindo muito dele naquele começo de temporada ao passo que Ana também estava sempre ocupada demais com o estágio no ministério francês.

Quando Wood pensou que aquele namoro que ainda nem fora oficializado estava condenado ao fracasso, Anastasia o surpreendeu com aquela visita surpresa. Quando a reconheceu nas arquibancadas, Oliver ainda estava no ar. Um sorriso bobo surgiu em seus lábios e por pouco, por muito pouco, aquela distração não lhe rendeu um golpe de um balaço na cabeça.

Quando os jogadores aterrissaram, o assunto ainda era a bela loira que assistia ao treino naquela tarde. Oliver foi um dos últimos a pousar em campo e deixou a vassoura de lado enquanto se afastava, com a satisfação presente em cada célula do seu corpo.

- Calem a boca. Ela já é minha.

Como se quisesse reforçar a veracidade de suas palavras, Wood saltou a grade que separava o campo das arquibancadas e foi ao encontro de Anastasia.

Apenas um mês havia se passado desde o último encontro dos dois, mas não era exagero dizer que Oliver parecia mais encorpado. Os treinos pesados de um time profissional de quadribol estavam servindo para definir com perfeição os músculos do britânico.

Embora as cores da Grifinória caíssem bem em Wood, era inegável que o uniforme azul marinho do Puddlemere United também se encaixava com perfeição no corpo do rapaz e realçavam ainda mais o azul de suas íris, que estavam iluminadas para a francesa.

- Eu não sabia que você torcia para o Puddlemere. – Oliver provocou enquanto se aproximava, apontando a camisa usada pela loira – E eu também não esperava pela visita da minha maior fã.

Antes que Anastasia se zangasse com o sorrisinho convencido dele, Oliver a alcançou. Suas mãos foram apoiadas na cintura delicada da francesa e a puxaram com firmeza para junto do seu corpo. Os colegas de Wood soltaram exclamações e assobios quando o goleiro reserva colou seus lábios aos de Legrand, iniciando um beijo saudoso e apaixonado.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Remus J. Lupin em Qua Fev 10, 2016 7:52 pm

Passar o dia na casa de Florence era apenas mais uma forma do destino mostrar como os dois eram diferentes. Apesar de ter apenas quatro habitantes, a mansão estava preparada para abrigar um exército inteiro com perfeito conforto e luxo. O mesmo poderia ser dito sobre as refeições exibidas com fartura. Era um contraste grande demais quando comparada com a casa torta dos Weasley que abrigava nove pessoas, sabe-se lá Deus como.

Mas aquela era uma observação que Charles estava disposto a ignorar. O relacionamento com Florence era a melhor coisa em sua vida e jamais permitiria sua insegurança sem motivos voltar a assombrá-lo, principalmente quando até mesmo Pierre parecia se esforçar para fazê-lo se sentir em casa.

Com toda atenção que recebia constantemente, Weasley ainda não havia tido tempo de compartilhar com Florence a novidade que trouxera consigo da Inglaterra. Além da visita à namorada, Charlie tinha mais uma parada a fazer na França. Mesmo tendo recebido outras propostas muito mais tentadoras, ele não precisou pensar muito para decidir assinar o contrato como apanhador profissional no time francês.

Os Quiberon Quafflepunchers, embora tivessem destaque em território francês, ainda não era o time com maiores chances quando se tratava de uma Copa Mundial, mas era perto o bastante de Florence com um salário digno, então era mais do que suficiente para convencer Weasley.

Enquanto o sogro fazia a tacada de golfe com perfeita naturalidade, Charles observava o cenário a sua volta. Ele jamais seria capaz de proporcionar tudo aquilo para Florence, mas tinha certeza que os dois seriam felizes juntos, desde que tivessem um ao outro.

O discurso de Pierre o atingiu como um soco, completamente desprevenido e o deixando sem ar por longos segundos. De repente, toda careta discreta do Sr. Legrand pareceu finalmente ter sentido. O homem jamais havia aprovado aquele relacionamento e agora não fazia a menor questão de omitir sua opinião.

Ouvir de um estudante qualquer que ele jamais estaria ao alcance de Florence era ruim e abalava suas convicções, mas não chegava nem perto do estrago causado quando era o pai dela que dizia tantas coisas horríveis.

- Como é que é??? – Charlie finalmente conseguiu gaguejar, soltando o taco de golfe e cruzando os braços contra o peito.

Ele não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Seu rosto começou a atingir uma coloração rosada e então tão vermelha quanto seus cabelos, em parte porque Charles estava furioso e sobretudo humilhado.

- Eu não quero dinheiro! Você enlouqueceu??? Eu amo a Florence, não me interessa se você acha que sou inadequado ou não!

A Sra. Weasley provavelmente lhe daria um safanão pelo tom de voz usado com o Sr. Legrand, mas Charles não tinha mais a menor intenção de se manter polido diante daquela proposta absurdo.

- Você não tem vergonha de dizer um absurdo desses? A Flor se sentiria envergonhada se soubesse que você está tentando me comprar! Nós dois nos amamos e vamos ficar juntos! Não precisamos do seu dinheiro imundo!

Apesar do tom de voz de Charlie que estava cada vez mais alto, Pierre manteve o rosto sereno, convicto de que tinha a situação sob controle.

- Não seja ridículo, Weasley. Todo mundo tem um preço. Você só precisa me dizer o seu.

Charlie respirou fundo e cerrou os punhos, os dentes trincados enquanto tentava controlar a raiva que se espalhava pelo seu corpo.

- Eu. Não. Quero. O. Seu. Dinheiro.

As palavras saíam abafadas por trás dos dentes trincados de Charlie, e ele evidentemente estava lutando contra a vontade de não atingir o Sr. Legrand com um soco.

- Eu amo a Flor, e tenho certeza que ela também ficaria ao meu lado, independente de quantas moedas de ouro carrego no bolso! E eu não tenho vergonha da minha família, podemos ter a vida miserável que for, ao menos não somos um lixo que tenta comprar as pessoas!

O Sr. Legrand soltou um risinho enquanto guardava o taco em uma bolsa, sem se abalar com a fúria do adolescente a sua frente.

- Eu vejo que o senhor também preza muito pela família. Não entende que estou fazendo isso pelos mesmos motivos? Eu amo a Florie e não quero que ela arruíne a própria vida por causa de um pobretão, prepotente que não tem onde cair morto! Um vagabundo que não tem nada a oferecer!

- Isso é ridículo! Eu não vou ficar aqui ouvindo tanto absurdo! – Charlie jogou as mãos para o alto e girou as costas para voltar ao interior da mansão.

- Weasley! – Pierre chamou mais uma vez, fazendo com que o ruivo parasse, ainda de costas. – Você não vai continuar com a minha filha, ao menos aceite o dinheiro.

- EU NÃO QUERO O SEU DINHEIRO! – Charlie se virou e o Sr. Legrand podia ver os olhos azuis brilhando pelas lágrimas de humilhação que ele se recusava derramar.

- Então suma. Vá embora, deixe Florence em paz. – Pierre deu alguns passos na direção de Charlie e dessa vez não estava mais tão sereno. – Eu vou fazer da sua vida e da vida da sua família um completo inferno, jovenzinho. Você acha que cheguei onde cheguei sem ter influências? Seu pai seria chutado do ministério dois minutos depois que eu estalasse os dedos. Seus irmãos jamais arrumariam um emprego decente. Sua irmãzinha passaria fome. Meia hora de investigação, e eu seria capaz de colocar o seu precioso papai em Azkaban.

- Meu pai é um homem honesto, você não teria nada contra ele!

O sorriso voltou a brotar nos lábios de Pierre e seus olhos frios brilhavam em maldade.

- Tão inocente, garoto. Uma mexidinha de paus, alguns contatos que me devem alguns favores, e seu pai apodreceria naquela prisão fedorenta. Imagino que seja melhor que a imundice da sua casa, afinal.

A cor avermelhada havia desaparecido do rosto de Charlie. Completamente pálido, ele chegava a lembrar um fantasma, as mãos geladas e tremendo, incapaz de se mexer.

- O que me diz, Charlie? Está disposto a arriscar a vida do papai pela Florie? Que tal cada um de nós dois cuidar da própria família hoje.

Charlie era incapaz de responder. Ele não sabia até que ponto Pierre estava blefando, mas duvidava que um homem como ele iria tão longe naquelas ameaças se realmente não pudesse cumpri-las. Florence ficaria destruída se Charles tentasse lhe contar o que havia acontecido e Arthur poderia sofrer as consequências pelos seus atos impensados.

O medo do que sua família poderia viver pelo erro de suas escolhas o atormentava. Ele jamais poderia viver sabendo que havia sido responsável por enviar o próprio pai para Azkaban.

Apesar do silêncio, Pierre podia ver pela dor nos olhos de Charles que ele havia conseguido o que queria. Dando uma risada gélida e satisfeita, ele coçou a própria barriga.

- Eu disse que cada um tinha o seu preço, Weasley. É que o preço de alguns não se resume em ouro.

Charlie girou sobre os calcanhares e voltou para o interior da mansão pisando duro. Ainda foi capaz de escutar a voz de Pierre atrás de si, entre uma gargalhada maldosa.

- Tire suas coisas imundas da minha casa antes que Florence volte! Não quero ceninhas de adolescentes sob o meu teto.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Qua Fev 10, 2016 8:28 pm

Oliver era o único no mundo capaz de fazer Anastasia desligar sua mente por completo, permitindo seu corpo se derreter nos braços dele. E poder beijá-lo na frente de quem quer que fosse era uma experiência nova e incrível que Legrand não tinha a intenção de interromper tão cedo.

Mesmo quando as bocas se desgrudaram, ela se manteve colada ao corpo do goleiro, sem se importar com a pele suada e os cabelos bagunçados. A saudade pelo tempo afastado chegava a doer, mesmo agora que os dois estavam finalmente juntos.

- Eu vim com meu avô, ele tinha uma reunião em Londres e eu pensei em fazer uma surpresa.

Ana recuou um passo apenas para exibir a camisa azul que não combinava com sua saia mais delicada.

- Gostou? É óbvio que não fica tão bem quanto em você... – Os olhos azuis passearam pelos braços musculosos de Wood e, como era comum, Anastasia perdeu a linha do raciocínio enquanto admirava a beleza do namorado.

Ao perceber que havia ficado tempo demais o encarando, ela sentiu as bochechas corarem, mas manteve o nariz empinado em sua postura confiante.

- Vou ficar na Inglaterra até amanhã, pensei em aproveitarmos juntos.

Por sorte, Oliver tinha entendido perfeitamente o que ela tinha em mente quando disse que queria aproveitar. Após deixarem o campo de treinamento do Puddlemere, Wood a convidou para conhecer o novo apartamento.

Sempre ocupado com os treinos, Wood ainda não havia tido tempo de transformar o lugar em um lar. Haviam caixas acumuladas em todos os cantos, mas Anastasia não deu a menor atenção enquanto ia aos tropeços até o quarto do goleiro.

A cama grande de Oliver estava bagunçada, com os lençóis embolados, mas foi outro detalhe ignorado por Anastasia quando sentiu seu corpo se chocar contra o colchão. As bocas dos dois não se desgrudavam enquanto as mãos atrapalhadas se ocupavam em retirar as peças de roupas um do outro.

Quando eles já estavam exaustos e satisfeitos, Anastasia se acomodou nos braços de Oliver e sorriu bobamente, acariciando o peito bem definido com as pontas dos dedos. As pernas nuas estavam cobertas pelo lençol e entrelaçadas nas de Oliver, os cabelos loiros espalhados sobre o travesseiro.

- Eu estava com muita saudade de você, Ollie... – Ana suspirou, aproveitando aquela proximidade para distribuir beijinhos sobre a pele de Wood.

Enquanto o silêncio do quarto era preenchido apenas pelas respirações pesadas dos dois, Anastasia observava o lugar ao seu redor. Assim como o restante da casa, haviam algumas caixas empilhadas no canto, e o único item de decoração era um pôster do Puddlemere em uma das paredes.

Como se tivesse acabado de se lembrar de algo, Legrand se revirou na cama até apoiar o queixo sobre o peito de Wood, o encarando.

- Antes que eu me esqueça, consegui convencer meu avô de receber você antes de voltarmos. Garanti que suas notas nos NIEMs foram excelentes e você quase ganhou o Torneio Tribruxo. Quase. – Ela enfatizou, lançando um risinho divertido.

Diante do olhar confuso de Oliver, Anastasia se inclinou na cama, mantendo o lençol firme para cobrir o tronco.

- Eu te falei que meu avô está procurando alguém para ajudar nos assuntos da França aqui na Inglaterra. Eu o convenci de que você era a pessoa ideal para o cargo.

Embora Oliver tivesse uma carreira promissora no time de quadribol e que Anastasia sentisse orgulho do namorado pelo seu desempenho, a francesa sabia que aquilo teria que ter uma data de validade. Para Legrand, jogar quadribol deveria ser apenas um hobby e não poderia sustentar uma família contando apenas com a sorte de ser um jogador de destaque.

- Não se preocupe, eu já falei com ele que você estava como goleiro reserva, ele compreendeu que isto é temporário e não iria interferir caso consiga a vaga do ministério. Ele me disse que esses contratos com os times de Quadribol são bem maleáveis e que você conseguiria sair para assumir a vaga sem problemas.

Completamente alheia de que Wood não tinha a menor intenção de sair do Puddlemere, ela se debruçou para beijá-lo rapidamente nos lábios, exibindo seu largo sorriso satisfeito.

- Não é incrível? Nós dois trabalhando no Ministério! Seria muito mais fácil para nos encontrar.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Qui Fev 11, 2016 5:23 pm

Ter Anastasia ali, dentro do seu novo apartamento, era como um sonho para Wood. Sem dúvida, aquela era uma das melhores surpresas que o rapaz já ganhara nos últimos dias.

Mesmo cansado pela rotina pesada dos treinamentos, Oliver demonstrou que seu fôlego estava inabalável quando o assunto era matar as saudades da namorada. Apesar da ansiedade, os dois não tiveram pressa e aproveitaram cada segundo daqueles momentos de intimidade. O reencontro era tão bom que quase fazia com que a distância que os separava valesse a pena.

Ao fim de longos minutos, os dois finalmente se deram por satisfeitos. Ao menos por enquanto. O quarto bagunçado do goleiro era preenchido apenas pelas respirações descompassadas de ambos, mas aquele parecia ser o som mais perfeito do mundo aos ouvidos de Wood.

Oliver ainda estava mergulhado naquela maravilhosa sensação de saciedade quando a voz de Legrand o arrastou de volta à realidade. O goleiro piscou algumas vezes quando Anastasia citou o avô e inicialmente imaginou que a namorada somente queria um jantar informal para apresentá-lo à família Legrand.

Por isso, Oliver arregalou os olhos e precisou de vários segundos para compreender as palavras de Anastasia quando a francesa citou um cargo no Ministério da Magia.

- Oi...? – Wood abriu um meio sorriso, ainda confuso com os rumos tomados por aquela conversa – Como assim, Ana?

Sentindo-se subitamente incomodado com aquela conversa, Oliver se remexeu na cama até estar apoiado sobre um dos cotovelos. O semblante dele ainda refletia um ar duvidoso quando Wood encarou a namorada.

- Eu nunca te disse que eu queria um cargo no ministério. Até porque eu não quero de jeito nenhum! Eu não gosto de burocracias, jamais tive paciência para este tipo de coisa.

Apesar da discordância de opiniões, Wood usava uma entonação calma. A última coisa que ele queria era brigar com Anastasia logo agora que ela estava ali, bem ao alcance das mãos dele. Mas, ao mesmo tempo, Oliver não pretendia mudar radicalmente os rumos de sua vida e nem abandonaria seu maior sonho por causa da namorada, por mais que a amasse.

- Ana, a minha vaga no Puddlemere United não é “temporária” e eu não pretendo deixar o time para passar os dias trancados em um escritório.

Antes que a loira pudesse argumentar, Wood continuou seu discurso ainda com aquela entonação serena, mas firme.

- Eu sei que não posso ser um atleta para o resto da vida. Mas eu já tenho tudo mais ou menos planejado para o meu futuro. Agora eu estou na reserva, mas eu pretendo aproveitar as oportunidades e treinar muito para que, em um ou dois anos, eu já tenha meu lugar garantido no time principal.

Embora ser um jogador de quadribol fosse o sonho de Wood desde criança, o discurso atual dele mostrava que o rapaz encarava aquela carreira com bastante racionalidade.

- Eu sei que não terei mais fôlego para entrar em campo quando atingir uma certa idade, mas eu pretendo continuar trabalhando na mesma área. Talvez como comentarista esportivo, ou membro da comissão técnica. Se eu tiver sorte e me esforçar muito, talvez eu consiga até continuar como treinador de alguma equipe!

Oliver estendeu uma das mãos e tocou carinhosamente numa mecha de cabelo da namorada, colocando-a atrás da orelha de Anastasia.

- Eu agradeço a sua oferta, Ana, mas eu já tenho uma carreira. Eu sei que esta distância não tem sido fácil para nós dois, mas eu não posso resolver este problema desistindo dos meus sonhos e me afundando num emprego frustrante.

Os olhos de Oliver se iluminaram quando aquela ideia passou pela cabeça dele.

- Por que você não aceita esta vaga? Você continuaria atuando no mesmo ramo e poderia vir trabalhar em Londres, bem pertinho de mim.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Qui Fev 11, 2016 9:05 pm

Ao contrário de Anastasia, que desde a mais remota infância já mostrava as qualidades necessárias para prosseguir com o nome da família no cenário político, os planos dos Legrand para Florence nunca foram tão grandiosos. A garota era meiga e inocente demais para sobreviver aos lobos que rondavam os altos cargos políticos. Além disso, Florence não tinha nenhum perfil de liderança, não sabia dizer não e era facilmente manipulável.

Mas o fato de Florence não ser adequada para o mundo político não mudava a realidade de que Pierre tinha outros planos para ela. Florence não tinha o perfil de uma protagonista, mas tinha tudo para ser uma figurante perfeita. Exatamente como a Sra. Legrand era no momento.

Aos olhos de Pierre, aquele era o destino perfeito para a filha. Florence era bonita, educada e refinada o bastante para se tornar uma invejável dama da alta sociedade. Neste papel, ela não precisaria trabalhar, teria elfos domésticos para cuidar de tudo e só precisaria gastar seu tempo em eventos sociais.

Contudo, para que este plano fosse bem sucedido, Florence precisaria de um marido rico que bancasse os seus luxos e que desse a ela um bom sobrenome. E, definitivamente, Charles Weasley não se encaixava no perfil desejado e planejado pelo Sr. Legrand.

Mas, depois daquela breve conversa, o britânico havia deixado de ser um empecilho aos planos de Pierre Legrand. O francês ficou ligeiramente admirado por Weasley não aceitar o seu dinheiro, mas nem mesmo a atitude nobre do ruivo mudava o fato de que Charlie era extremamente inadequado para Florence. A honestidade de Charles obrigara Pierre a partir para ameaças mais graves e, no fim das contas, o ruivo se viu sem saída. A expressão gelada de Legrand indicava que, para proteger a filha e o próprio sobrenome, ele não pensaria duas vezes antes de cumprir aquelas ameaças e fazer um homem inocente apodrecer na prisão de Azkaban.

Quando retornou do curso, Florence não poderia imaginar que toda a sua vida havia mudado radicalmente de rumo nas últimas horas. Tão logo adentrou o saguão com um lindo sorriso nos lábios, a loira procurou por Charlie. A chegada do ruivo na noite anterior fora tão tumultuada que os dois mal conseguiram um tempo para conversar, mas agora Florence estava disposta a dar toda a atenção ao namorado.

- Oi, Tobby! – Florence se curvou um pouco para falar com o elfo doméstico que foi ao encontro dela para resgatar seu casaco e sua bolsa – Onde está o Charlie, no quarto de hóspedes?

Com as mãos um pouco trêmulas, o elfo pegou a bolsa de Florence e evitou o olhar dela enquanto respondia.

- O senhor quer falar com a senhorita no escritório.

Florence não insistiu em fazer perguntas ao notar que o elfo não estava disposto a falar. Mas alguma coisa naquele clima pesado atiçou o sexto sentido da loira e fez com que o sorriso morresse em seus lábios. O coração dela estava comprimido dentro do peito enquanto Florence caminhava na direção do escritório do Sr. Legrand.

O pai estava sério enquanto mexia em alguns documentos, mas ergueu a cabeça e deu a atenção a Florence quando a garota se anunciou e entrou no cômodo. Um pesado silêncio se alongou enquanto os dois se encaravam até que Pierre tomou a palavra, com uma entonação indiferente enquanto soltava aquela bomba nos braços da filha.

- Ele foi embora.

Florence não teve dúvidas do significado daquela frase. Pierre não se referia apenas à visita de Weasley. Seu olhar pesado e a entonação categórica mostravam que a partida de Charlie era algo definitivo.

- Por que? – a voz dela inicialmente saiu num sussurro, mas depois se elevou alguns pontos – O que o senhor fez???

- Eu protegi você, como um bom pai deve fazer.

- O senhor não tinha esse direito! – pela primeira vez na vida, Florence gritou com o pai – Eu amo o Charlie, eu escolhi ficar com ele! Eu não acredito que o senhor teve coragem de fazer isso!

- Abaixe o tom de voz, Florence. – o homem soou perigosamente calmo.

- Eu vou atrás dele. – a loira parou de gritar, mas manteve uma entonação determinada – Isso não vai nos separar porque nós dois nos amamos.

- Se eu fosse você, Florence, não diria isso com tanta certeza. Eu não duvido que você o ame, mas hoje o Sr. Weasley provou que o sentimento não é recíproco.

A convicção presente no discurso de Pierre fez com que Florence hesitasse. As lágrimas já escorriam pelo rosto pálido da garota enquanto o Sr. Legrand explicava com uma falsa entonação de pesar.

- Eu só queria ter certeza de que ele te amava, de que não estava sendo movido por nenhum tipo de interesse. Querida, este é um cuidado necessário na nossa situação. – Pierre ergueu um dos ombros e suspirou – Mas ele não passou no teste. Eu lamento, Florie, mas talvez seja melhor assim. Seu sofrimento seria bem maior no futuro, quando você finalmente o enxergasse de verdade.

- Que teste? – a voz da garota falhou – Do que o senhor está falando?

- Eu ofereci dinheiro ao Sr. Weasley para que ele saísse definitivamente da sua vida.

- O senhor fez o que??? – Florence novamente se exaltou – Como teve coragem!?

- Ele aceitou.

Pierre fez com que a filha perdesse a voz com aquela declaração. Florence sacudiu a cabeça em negativa com um olhar incrédulo. Era difícil acreditar que Charlie, sempre tão nobre e honesto, tivesse se rendido a uma proposta tão baixa. Só aquela possibilidade já fazia com que a loira se sentisse profundamente enjoada e enojada.

- Não é verdade.

A voz chorosa de Florence foi seguida por um prolongado silêncio. O sofrimento estava refletido em cada traço do rosto dela, mas nem isso foi capaz de fazer com que Pierre se sentisse culpado.

- Veja você mesma...

A mão de Legrand tocou num dos documentos sobre a mesa e o pergaminho foi arrastado até que estivesse no campo de visão de Florence. A garota não entendia muito bem de negócios, mas os termos do contrato eram bem simples. O documento era um recibo de dez mil galeões. Na última linha, a loira reconheceu a mesma assinatura presente nas cartas enviadas por Charlie.

- Dez mil galeões.

A loira leu num sussurro dolorido. Era como se aquele valor estivesse numa etiqueta pendurada no pescoço de Florence. Aquele era o preço dela, afinal. Não era uma quantia desprezível, mas ainda assim era ultrajante. O amor que ela sentia por Charlie era tão grande que Florence não conseguiria dar um valor a ele. Doía muito pensar que o britânico tivera coragem de vender aquele sentimento.

- Não fique assim, querida. Para nós não significa nada, é um trocado! Mas esta quantia é mais do que ele vai ter em toda a vida. Não podemos julgá-lo por ter abraçado esta oportunidade única de tirar toda a família da miséria.

- Chega. Já chega, pai.

A voz de Florence soou muito baixa, mas a garota não chorava mais. Seu peito doía tanto que ela pensou que poderia explodir a qualquer momento. Sem dúvida, aquela era a maior decepção de toda a vida da francesa. Ela estava disposta a deixar tudo por um rapaz que a trocou por dinheiro e sumiu de sua vida sem nem mesmo um último adeus.

Para Florence, Pierre fora baixo e desprezível ao fazer aquela proposta. Mas o fato de Charlie não ter “passado no teste” era tão abominável que o comportamento do pai perdia quase totalmente a importância.

Com a certeza de que nunca se recuperaria daquele golpe e de que aquela dor jamais a abandonaria, Florence deu as costas ao Sr. Legrand e saiu correndo do escritório.

Trancada no quarto, Florence chorou mais lágrimas do que imaginou que possuía até finalmente aceitar o que todos insistiam em dizer para ela: a sua inocência não era uma qualidade, mas sim o pior defeito dela.

Em meio àquela dor sufocante, Florence prometeu a si mesma que Charles Weasley fora a última pessoa que a enganara e que se aproveitara do coração puro dela. Dali em diante, as coisas seriam muito diferentes.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Remus J. Lupin em Sex Fev 12, 2016 2:08 am

Qualquer um que visse a casa dos Weasley, teria como primeiro pensamento o questionamento de como as paredes ainda estavam de pé, sustentando os tortos cômodos que se empilhavam. Para alguém que havia acabado de se hospedar em uma mansão privilegiada na França, A Toca parecia ainda mais desengonçada e patética.

O dia abafado de verão havia provocado uma tempestade no fim da tarde, levantando um cheiro de terra molhada. Mas nem mesmo com os cabelos vermelhos grudados em seu rosto e com a visibilidade ruim, Charles Weasley tinha coragem de dar os passos restantes até entrar em casa.

Ele havia perdido a noção de quanto tempo estava parado no meio do quintal, a mala surrada e ensopada em seus pés e os ombros encolhidos com as roupas de segunda mão grudadas em seu corpo.

O grifinório nunca havia se envergonhado das origens humildes da família. Ele amava cada uma das cabeças ruivas que viviam sob aquele teto e se orgulhava da forma honesta com que o pai levantava todos os dias para sustentar os sete filhos. Mas as palavras cruéis de Pierre Legrand ainda martelavam em sua cabeça, lhe provocando uma dor tão terrível quanto uma maldição cruciatus.

Talvez, por causa de toda a humilhação que ele havia acabado de sofrer e de toda a tristeza que estava sentindo com a certeza de que nunca mais teria Florence em seus braços, Charlie se permitiu culpar Arthur e Molly Weasley pelo seu destino fadado.

Se os pais não fossem tão pobres, se não tivessem mais filhos do que eram capazes de sustentar com conforto, se Arthur se esforçasse mais para subir de cargo no Ministério de Magia, talvez, apenas talvez, ele tivesse alguma chance de ter um futuro ao lado de Florence.

Ele jamais daria razão para as barbaridades ditas pelo Sr. Legrand, mas naquele momento, Charles sabia que Florence o odiava de uma forma irrecuperável. Nas poucas horas que ainda ficou na mansão dos franceses, o ruivo cogitou escrever uma carta para a namorada e ao menos tentar minimizar a mágoa daquele fim repentino, mas ele tinha certeza que independente de seus esforços, apenas chegaria aos ouvidos de Florence o que fosse conveniente a Pierre. E enquanto Florence o odiava, Charles se achava no direito de odiar todo o restante do mundo.

Quando um relâmpago cortou os céus iluminando A Toca momentaneamente, Charles teve certeza que não poderia continuar parado em pé ali. Seus problemas não só não seriam resolvidos, como ele provavelmente acabaria doente.

Sem o menor ânimo de enfrentar a família, Charles se arrastou pela porta da cozinha. Mas ele conhecia a mãe o suficiente para saber que Molly estaria ali, cuidando de alguma refeição ou de alguma limpeza que nunca acabava.

Porém, ele não esperava que, no minuto que abrisse a porta, fosse ser recebido por toda a família reunida. Havia uma faixa pendurada em uma das paredes com letras garrafais em rosa-choque, as cores do Quiberon Quafflepunchers: “Parabéns, Melhor Apanhador!”.

- SURPRESA!!!

O coro veio em uníssono e logo um bolo caseiro, lotado de gaclê rosa-choque foi enfiado de baixo de seu nariz. A novidade que seria uma surpresa para Florence já era de conhecimento de toda família, que se sentia orgulhosa das conquistas de Charles.

O rapaz sentiu seus ombros pesarem e o nó em sua garganta se espremer, mas ele sabia que já não havia mais lágrima para ser derramada.

- Olha, Charlie! Papai trouxe para mim!

Se espremendo entre os gêmeos, Ginny Weasley apareceu sorridente vestindo uma camisa do Quiberon que quase alcançava seus joelhos. O tecido rosa se confundia com os cabelos vermelhos e parecia realçar as sardas que cobriam seu rosto, idênticas a do irmão.

Os olhos azuis de Charlie se demoraram na irmã com um semblante sério antes que ele procurasse pelos rostos de Arthur e Molly. A dor de magoar a irmã com aquela decepção era somada na lista de culpas que o rapaz atribuía aos pais e foi com um olhar frio que ele deu a notícia.

- Eu não vou mais.

- Como assim, Charlie, querido?

Embora tivesse o olhar confuso, Molly mantinha um sorriso fraco no rosto enquanto apoiava o bolo sobre a mesa, desocupando as mãos para tocar no braço do filho.

- O que houve?

- Que houve que eu não vou mais. Nem para o Quiberon, nem para time nenhum.

- Mas e a França? – A mãe insistiu, tentando colocar um sorriso encorajador nos lábios. – Tenho certeza que existem outras oportunidades na França, querido.

- A França acabou.

Apesar de não ter mais o que chorar, os olhos de Charlie brilharam quando ele escutou as próprias palavras. A reação de Molly mostrava que ela havia entendido a discreta substituição de “Florence” por “França” naquela sentença.

- Tenho certeza que o que quer que tenha acontecido, vocês vão superar essa briga, Charlie. – Arthur também estava sério enquanto se aproximou do filho.

Mas bastou ouvir a voz do pai para que o sangue de Charles fervesse. Ele daria a vida pela do pai, assim como faria qualquer coisa por cada um dos irmãos, mas cada vez que olhava para o rosto de Arthur, ele via a si mesmo desistindo de Florence para protege-lo de uma injustiça.

- Será que vocês não entendem??? – A mala caiu com um baque no chão quando ele ergueu as mãos para gesticular. – Além de tudo são burros??? Acabou! Acabou Quiberon, acabou França, acabou tudo!

O rosto de Charles pegava fogo, os olhos e a garganta queimando. Ginny recuou alguns passos e se agarrou nas vestes de Ron. Os dois caçulas estavam boquiabertos diante da reação do mais velho. Percy estava ficando com as orelhas vermelhas e parecia ter prendido a respiração. A mágoa no olhar de Molly era evidente.

- Acabou com a cota de bosta também? – Fred perguntou, lançando um olhar furioso ao irmão. – Não me surpreenda que a sua garota tenha terminado tudo, você está sendo um asno, Charles!

- Fred! – Arthur ralhou, sem desviar o olhar do filho mais velho.

Molly havia juntado as duas mãos no avental preso a sua cintura e tinha a testa franzida, os olhos mareados e sem reação nem mesmo para brigar com um dos gêmeos.

- Charlie... – Molly ensaiou, mas foi impossibilitada de continuar quando Charles atravessou a cozinha sem olhar para trás.

Estava esgotado demais para continuar parado diante da família inteira. Os olhares decepcionados pareciam uma extensão da humilhação iniciada por Pierre Legrand, e Charles já havia ultrapassado seu limite de decepções para uma vida inteira.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Sex Fev 12, 2016 2:31 am

O mesmo sorriso de incredulidade que pairava nos lábios de Oliver, era refletido no rosto de Anastasia enquanto ela ouvia o discurso dele. Com a testa franzida, a francesa se sentou na cama, mantendo o corpo coberto, e sacudiu a cabeça em negação.

- Do que você está falando, Ollie? Quem em sã consciência trocaria uma vaga de destaque no Ministério para jogar Quadribol? Isso pode ser divertido agora, mas daqui dez anos, você vai ter jogado fora uma oportunidade única, e por quê? Por causa de uma paixonite de adolescente?

Enquanto falava, o sorriso incrédulo de Anastasia ia se desfazendo e ela assumia cada vez mais as expressões do Sr. Legrand quando falava sobre o futuro das filhas. Na cabeça bem planejada da francesa, tudo era extremamente claro: jogar quadribol era apenas um lazer e não deveria ser o foco da vida de alguém. Se ela desejava uma vida bem estruturada, deveria começar a aplicar cedo em uma carreira sólida e promissora.

Um jogador de quadribol tinha o ápice de sua carreira na juventude e passaria o resto da vida em atividades medíocres. Isso, é claro, contando que a pessoa tivesse sorte de se destacar nos primeiros anos.

Por mais que ela conhecesse a excelente performance de Wood no campo de Quadribol, era algo completamente diferente imaginar construir uma vida com alguém que não tivesse cada ano de sua carreira perfeitamente mapeado. No mínimo, assustador.

- Por favor, venha almoçar com meu avô, tenho certeza que você vai mudar de ideia! – Ela esticou a mão para tocá-lo no braço, em uma tentativa de encorajá-lo. – Se nós dois construirmos uma carreira no Ministério, tudo seria tão mais fácil, Ollie...

Anastasia se esticou até puxar a camisa de Wood, caída ao pé da cama. Por ironia do destino, a peça que ela vestiu exibia o emblema do time de quadribol que o goleiro reserva tinha tanto orgulho. Tentando ignorar aquele detalhe desagradável, Legrand se levantou da cama, e gesticulou, as palmas das mãos apontando para cima.

- Você não pode estar falando sério em preferir isso, quando você pode ter muito mais, Oliver. – Os olhos verdes brilharam quando ela encarou o namorado. – Você poderia ser Ministro da Magia um dia, já pensou? Tenho certeza que você seria perfeitamente capaz de conquistar coisas grandes. Por que se contentar com um hobby?

Com as mãos apoiadas na cintura, parada no meio do quarto, a francesa inclinou a cabeça para o lado, fazendo com que os fios loiros pendessem em um dos ombros.

- Como podemos construir uma vida juntos assim? Eu jamais poderia me imaginar ao lado de um jogador de quadribol, Oliver. Que tipo de imagem eu passaria? – Ana se aproximou da cama e sentou na beirada, tocando o rosto de Wood carinhosamente. – Por favor, Ollie.... Por mim, dê pelo menos uma chance. Você não trocaria o nosso futuro juntos só pelo quadribol, não é?
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Sab Fev 13, 2016 11:30 am

Era bastante ofensivo que Anastasia não enxergasse a carreira que Oliver tanto amava como uma profissão de verdade. Ser jogador de quadribol não era apenas um sonho de adolescente, era um plano antigo pelo qual Wood batalhara muito, era uma profissão que o goleiro encarava com muita racionalidade e responsabilidade.

Mas, para Ana, parecia ser apenas um lazer que Wood deveria abandonar agora que se tornara adulto e que tinha diante de si uma proposta mais “promissora” no Ministério da Magia.

Qualquer um ficaria surpreso ou honrado em ouvir que tinha a capacidade de se tornar o Ministro da Magia em alguns anos. Oliver, contudo, contraiu o rosto numa careta de desagrado como se aquela fosse a pior ideia já ouvida em toda a sua vida. Wood não tinha dúvida de que preferiria assumir o cargo de um elfo doméstico do que ocupar a cadeira do ministro.

Por mais que estivesse profundamente ofendido com a postura da namorada, Oliver respirou fundo algumas vezes para manter a calma. O britânico realmente gostava de Anastasia e queria muito que aquele relacionamento fosse adiante. Mas, embora não quisesse brigar com Legrand, Oliver não pretendia abandonar seus planos para seguir os dela.

- Esta é a minha profissão, Anastasia, não é um “hobby”. Eu não subo mais numa vassoura para me divertir com os meus amigos. Embora seja um trabalho que eu ame, o quadribol se tornou uma profissão para mim. E, como qualquer profissão, exige disciplina, esforço e competência.

Quando Anastasia se levantou, Wood se arrastou pelo colchão até ficar sentado na cama. O lençol cobria a sua cintura, mas deixava o tronco evidente. Os músculos de Oliver eram a maior prova de que ele estava realmente se esforçando e treinando pesado para garantir o seu lugar na equipe.

- Eu posso até concordar com a ideia de almoçar com o seu avô, mas te garanto que será um encontro puramente informal com o único intuito de conhecê-lo. Eu não vou aceitar nenhuma proposta de trabalho porque eu já tenho o emprego pelo qual eu sempre batalhei.

Embora não tivesse alterado o tom de voz em nenhum momento, os olhos de Oliver refletiam toda a seriedade daquela conversa e também a decepção que ele sentia com a postura de Anastasia. Era terrível pensar que a pessoa com quem Wood planejava passar o resto da vida não respeitava os planos e as escolhas dele.

- Eu entendi bem, Ana? É isso mesmo? – o rapaz sacudiu a cabeça em negativa, incrédulo – Você está preocupada com a sua imagem? Você quer que eu abandone os meus planos e as minhas conquistas porque você não se imagina do lado de um jogador de quadribol?

Antes que a francesa tivesse a chance de responder, Oliver finalizou aquela conversa de maneira definitiva.

- Não é uma questão de trocar você pelo quadribol, Ana. Você está me pedindo para anular os meus planos em favor dos seus. Eu já era assim quando você me conheceu e não pretendo mudar por você. Assim como você obviamente não está disposta a mudar por mim. Eu respeito o caminho que você escolheu e gostaria de receber em troca a mesma consideração. Esta é a única chance desta relação dar certo.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Sab Fev 13, 2016 12:05 pm

Quando os primeiros raios de sol iluminaram o quarto de Florence Legrand, a francesa decidiu que não fazia mais sentido continuar deitada. Seu corpo estava exausto depois de uma noite inteira em claro, mas a mente atormentada não permitiria que ela dormisse.

Diante do espelho do banheiro, Florence fez uma careta para os próprios olhos inchados. Naquela madrugada, a loira se surpreendeu com a quantidade de lágrimas que possuía para derramar e com o fato de ainda ser capaz de respirar mesmo com aquele peso que esmagava seu peito.

E foi ainda mais surpreendente quando, ainda encarando o próprio reflexo abatido no espelho, Florence se deu conta de que não sentia mais vontade de chorar. Não mais.

As lágrimas da última noite foram como um ritual de passagem para Legrand. Seus olhos tinham se secado por completo, assim como também acabara a inocência de Florence e a esperança dela de um futuro sinceramente feliz.

Não era fácil se livrar daquela aparência abatida, mas Florence conseguiu ficar um pouco mais apresentável quando lavou o rosto, hidratou a pele com alguns cremes e escondeu as olheiras com maquiagem. O vestido amarelo, leve e alegre, também contribuiu para que a garota não parecesse tão arrasada quando surgiu na sala de estar dos Legrand.

Sem dizer uma palavra, Florence atravessou a sala até chegar à varanda da mansão. O envelope que ela levava nas mãos foi firmemente amarrado na pata de uma das corujas da família para que a ave levasse aquele recado para um destino bem mais distante que o habitual.

Na sala, Pierre cruzou os braços enquanto acompanhava os passos da filha. Decepcionado, o francês concluiu que seu plano havia falhado miseravelmente e que aquela carta seria entregue a Charles Weasley e seria o primeiro passo para que os dois jovens se acertassem novamente.

Por isso, o Sr. Legrand se surpreendeu muito quando Florence retornou para a sala e pousou um olhar frio nele.

- Provavelmente teremos visitas no próximo fim de semana.

- Eu não aceito aquele rapaz na minha casa, Florence!

- Não? – pela primeira vez na vida, a voz de Florence estava carregada de ironia – Pois deveria aceitar, papai. As relações da nossa família com a Dinamarca ficarão estremecidas se você se recusar a receber um membro da família Lothringen.

- O que...? – uma sobrancelha de Pierre se ergueu e o rosto dele adquiriu uma feição de confusão – Lothringen? Do que você está falando?

- Estou falando de Lars Lothringen. – Florence novamente usou uma entonação sarcástica – Imagino que ele seja bom o bastante para o senhor. Vocês dois são idênticos, afinal.

A perda da ingenuidade fez com que Florence finalmente enxergasse as más intenções de Lars com aquela “amizade”. A loira aproveitou aquela noite em claro para reler todas as cartas que o dinamarquês ainda lhe mandava de forma insistente. Florence finalmente percebeu a maldade escondida em cada escolha de palavras, em cada insinuação de Lars.

Mas, contraditoriamente, Florence decidiu que Lars Lothringen era o companheiro perfeito para o futuro que aguardava por ela. A loira não tinha mais a ilusão de ser feliz e de amar outro rapaz depois que Charlie destroçara o seu coração. E Lars era cruel e mesquinho o bastante para merecer o castigo de compartilhar a vida com alguém que não o amava.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Sab Fev 13, 2016 5:42 pm

A rejeição de Oliver à oferta da vaga no Ministério era recebida por Anastasia como uma recusa direta ao futuro que ela tinha planejado para os dois. Com um nó na garganta, os olhos verdes baixaram até fitar os lençóis embolados sobre a cama, onde minutos antes a felicidade transbordava entre os dois, sem sombra daquela conversa que tomava um rumo cada vez mais catastrófico.

Era assustador para a francesa a forma apaixonada com que Oliver falava da carreira de Quadribol. Na cabeça dela, era impossível se sentir tão seguro diante de uma profissão tão cheia de riscos. E se ele acabasse machucado? E se nunca conseguisse o lugar de destaque que tanto desejava? Eram muitos fatores negativos e arriscados demais para alguém que gostava da segurança como Legrand.

Por mais que estivesse apaixonada por Oliver, Ana não sabia até onde estava disposta a distorcer seus planos tão criteriosamente montados para a vida que o namorado pretendia ter. Ela jamais se envergonharia de namorar um jogador de quadribol, mas só conseguia enxergar dois futuros. Oliver poderia fracassar miseravelmente e eles precisariam viver com a imagem de um marido que dependia da esposa. Ou conseguiria se destacar a ponto de ser sempre alvo de fofocas e tabloides que adoravam contar histórias fúteis sobre os atletas. E não era naquele tipo de notícia que Anastasia queria ver com seu nome envolvido.

Apenas a imagem de uma notícia sua e seus desempenhos no Ministério da Magia sendo abafada como a “namorada do goleiro do Puddlemere United” lhe causava arrepios. Com as sobrancelhas franzidas e um semblante derrotado, Anastasia finalmente girou os olhos para encarar Wood.

- Eu sinto muito, Oliver. Eu não consigo...

Ela esticou a mão até tocar os dedos de Wood sobre o colchão, tentando esboçar um sorriso que não conseguiu completar. Quando pensou em surpreender o namorado naquele dia, Anastasia jamais imaginou que terminaria daquela forma.

Para evitar que as lágrimas começassem a cair, ela se levantou da cama, ficando de costas para ele enquanto começava a recolher suas coisas no quarto.

- Eu não quero esse tipo de vida para mim, então claramente nossa relação não vai dar certo.

Apenas depois de vestir a saia e trocar a camisa de Oliver pela sua própria, Anastasia se virou para ele, os cabelos loiros bagunçados.

- Eu vou estar na Inglaterra até amanhã. Vou almoçar naquele restaurante irlandês que fica em frente ao Ministério da Magia, e caso você mude de ideia, vou estar te esperando.

Legrand se aproximou da cama e depositou um beijo amargurando sobre os cabelos castanhos de Oliver antes de deixar o apartamento dele.

***

Durante toda a refeição, Anastasia se revirava em seu lugar, atenta a qualquer movimento da entrada do restaurante. Ela havia estrategicamente escolhido uma mesa que lhe desse a melhor visão de quem entrasse, o que só tornou sua frustração maior quando o avô finalmente pediu a conta e Oliver Wood não apareceu.

Apesar da certeza de que jamais conseguiria abrir mão de seus planos, Legrand se sentia derrotada e com a sensação de que havia feito a pior escolha de sua vida. Ela amava Oliver e queria enfrentar todos os problemas ao lado dele, mas a ideia de viver uma vida com tantos riscos era assustadora demais.

Voltar para a França com a certeza de que tudo havia acabado entre os dois era a pior sensação que ela já havia experimentado. Sempre acostumada em ganhar, aquela experiência em derrota estava sendo sufocante.

Durante dias, Anastasia não comia e nem dormia direito. O estado abalado havia feito com que a francesa perdesse alguns quilos e aparentasse ainda mais magra. Havia olheiras sob as íris esverdeadas e por mais de uma vez, ela havia enjoado nas poucas tentativas de se esforçar para comer.

A prostração era grande que o resultado de seu estágio no Ministério da Magia francês começava a ser prejudicado, e a certeza de que apenas Oliver poderia melhorar seu ânimo fez com que, um mês depois de partir da Inglaterra, Anastasia estivesse novamente diante do apartamento de Oliver.

Mesmo com as semanas que haviam se passado sem trocarem ao menos uma carta, Legrand não se inibiu em pegar a chave escondida em um vaso de plantas no corredor e entrar no apartamento. Pelo horário que ela conhecia de Wood, ele sempre acordava muito cedo para o treino, de modo que ela precisaria esperar pelo menos até a hora do almoço para que se encontrassem.

O plano de esperar pelo retorno de Oliver para surpreendê-lo mais uma vez foi por água abaixo quando Anastasia deu os primeiros passos. A sala bagunçada não condizia com a imagem que ela tinha do local, e a porta entreaberta do quarto logo chamou sua atenção.

Seu coração deu um salto quando, pela fresta, ela conseguiu enxergar o corpo de Oliver embolado no lençol, uma das pernas descoberta e um dos braços escapando para fora da cama. O sorriso começava a surgir em seu rosto quando o colchão se mexeu enquanto o rapaz ainda dormia.

As íris verdes deslizaram levemente para o lado, no exato momento em que fios loiros se espalhavam pelo travesseiro ao lado de Oliver. A mulher ao lado dele também estava mergulhada em um sono profundo, virada para o lado oposto dele.

Nenhum dos dois viu quando Anastasia recuou um passo e cobriu com as mãos os lábios abertos de surpresa. Ela se encostou na parede do corredor, sentindo o chão desaparecer sob seus pés. A vista estava ligeiramente embaçada e o peito comprimido em uma dor ainda pior do que a que ela vinha experimentando nos últimos dias.

Enquanto ela se remoía pela separação dos dois, Wood conseguia levar sua vida sem ao menos lembrar que ela existia. Aquilo só provava para Legrand que ela havia feito a escolha certa. Era melhor que tudo tivesse terminado antes que o relacionamento tivesse tomado um rumo ainda mais sério.

Voltar para a França pela segunda vez foi uma experiência ainda mais dolorosa para Anastasia. Agora ela tinha a certeza de que havia deixado para trás qualquer chance de futuro ao lado de Wood. O goleiro havia apenas provado que, no final, não a amava o suficiente para dar uma chance a uma carreira diferente e a trocara por outra em um piscar de olhos.

Saber que havia se envolvido naquele relacionamento com mais intensidade que Wood era um atestado de derrota que ela jamais gostaria de ter experimentado, mas Legrand estava disposta a usar aquele aprendizado para se focar ainda mais nos planos originais que tinha para sua vida.

Apesar de toda convicção, Ana se surpreendeu quando continuou sem apetite e com os mal-estares frequentes. Talvez, por estar tão focada em esquecer Oliver e ter o melhor desempenho no Ministério da Magia, ela demorou a perceber o atraso de seu ciclo.

Mesmo com a consulta marcada com um curandeiro, ela ainda não conseguia acreditar quando a gravidez foi confirmada. Mais uma vez, o mundo desapareceu sob seus pés, junto com todo o futuro que ela tinha planejado.

Após ter chorado por horas, Anastasia exibia novamente o semblante decidido quando se colocou diante dos pais e de Florence no final de um jantar.

A família Legrand havia se reunido em uma das infinitas salas da mansão enquanto Pierre tomava um café. A francesa observava toda a cena como se não estivesse realmente ali, e quando ela finalmente abriu a boca, não havia feito a menor introdução do assunto antes.

- Eu estou grávida.

A Sra. Legrand gesticulava enquanto conversava com Florence, mas a frase morreu no meio, assim como sua mão pairou no ar diante daquela confissão. Pierre mexia o açúcar em sua xícara e também interrompeu o movimento da colher para encarar a filha.

Por um tempo longo demais, ninguém na sala fez o menor ruído, como se esperassem que Anastasia fosse cair na gargalhada a qualquer momento. Quando a francesa também permaneceu calada, encarando os pais sem piscar, Pierre finalmente devolveu sua xícara na mesinha de centro com um estrondo.

- Como é que é???

- Eu estou grávida. – Anastasia repetiu lentamente, como se a dificuldade de entendimento do pai pudesse ser por causa da sua dicção.

- Como assim está grávida, Ana? – O sorriso trêmulo da mãe mostrava que ela também não estava compreendendo aquelas palavras.

- Como alguém pode estar grávida? Daqui sete meses vou ter um bebê.

A bofetada em seu rosto veio sem que ela esperasse. O choque foi a primeira reação, para logo em seguida a pele começar a arder e esquentar. Os olhos verdes brilharam de dor para encarar o pai, diante de si, tomado de um semblante furioso que fazia seu bigode tremer.

- Pierre! – A Sra. Legrand se colocou em um salto e se colocou ao lado do marido.

Com os olhos aflitos, ela encarava o marido e a filha, sem saber com qual dos dois deveria se preocupar mais.

- Quem é o pai?

O rosto de Pierre estava ficando cada vez mais vermelho, e Anastasia ainda massageava o local atingido pelo tapa enquanto a imagem de Oliver surgiu em sua mente, deitado ao lado da loira desconhecida.

- Não tem pai.

A mão de Pierre cortou o ar mais uma vez, mas antes que ele atingisse Anastasia pela segunda vez, a Sra. Legrand o agarrou pelo braço, o encarando aflita.

- Já chega, Pierre. Isso não vai fazer o problema desaparecer.

Os olhos de Anastasia estavam fixos no outro canto da sala enquanto ela lutava contra o choro ferozmente. Escutar que sua gravidez era “um problema” e que precisava desaparecer fazia com que ela se sentisse um fracasso. Ela havia falhado com os pais e com seus planos perfeitos. Que tipo de futuro ela teria, grávida tão jovem?

A Sra. Legrand respirou fundo e alisou as próprias vestes enquanto assumia a situação. Pela primeira vez, ela estava conduzindo um problema de família com mais sensatez que o marido.

- Nós vamos cuidar disso. Existe uma casa de hospedagem para situações como essa na Alemanhã. Vamos dizer a todos que Anastasia está fazendo um intercâmbio, alguma especialização. Ela irá antes que a barriga comece a aparecer e ninguém poderá questionar nada.

Ana girou a cabeça para encarar a mãe, espantada com a praticidade daquela solução.

- E o bebê? – Ela conseguiu perguntar, com uma calma que não condizia com a situação.

- O bebê é colocado para adoção, Ana. – O tom óbvio na voz da Sra. Legrand mostrava a frieza com que ela estava lidando com a situação. – Mas o seu futuro estará garantido, querida.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Sab Fev 13, 2016 6:40 pm

Quando parou em frente ao espelho, Oliver Wood não se reconheceu. O reflexo mostrava a ele a imagem de um homem estranho. O terno alinhado era bonito, mas parecia uma fantasia que tentava esconder a verdadeira essência dele. Os cabelos muito bem penteados também não combinavam em nada com o rapaz que ele costumava ser.

Mesmo já estando pronto para comparecer ao restaurante irlandês e renunciar ao próprio futuro para não perder Anastasia Legrand, Oliver não teve coragem de ir adiante naquela ideia. A imagem mostrada pelo espelho fez com que Wood voltasse atrás. O homem que o encarava era um estranho, e era um estranho infeliz que lhe mostrava como seu futuro seria frustrante se Oliver abrisse mão de seus sonhos para viver os planos que outra pessoa traçara para ele.

Era muito injusto ter que escolher entre Anastasia e o quadribol, mas Oliver não teve como fugir da dor de perder uma das duas maiores felicidades de sua vida. E foi exatamente a postura da francesa que acabou tornando aquela decisão um pouco mais fácil.

Por mais que a amasse, Wood não estava pronto para ver Anastasia tomando as rédeas e ditando as ordens na vida dele. Assim como ela agora se via no direito de definir qual era a melhor profissão para o namorado, chegaria o dia em que a loira decidiria sozinha qual seria a data do casamento, como seria a casa dos dois, com o que Oliver gastaria o próprio dinheiro, quando ele poderia sair para ver os amigos e a família, quando e quantos filhos eles teriam, qual seriam os nomes das crianças... Por mais que amasse Anastasia, Oliver sabia que não seria feliz caso se anulasse em prol das vontades dela.

Quando ergueu um dos braços e enfiou os dedos nos cabelos, bagunçando os fios castanhos, Oliver sentiu uma dor aguda no peito. Aquele simples gesto simbolizava a escolha mais difícil de toda a vida dele. Wood não estava escolhendo o quadribol, unicamente. Ele abria mão do amor que sentia por Anastasia para preservar a si mesmo. Se Ana não o amava exatamente como Oliver era, aquele relacionamento realmente não tinha futuro e era melhor que parassem por ali.

Apesar da convicção de que havia feito a melhor escolha, Wood mergulhou em uma profunda melancolia nos dias que se seguiram ao término do namoro. A ausência de Anastasia já era um problema mesmo antes da última discussão, mas agora Oliver se sentia ainda mais sozinho sem as cartas da namorada e com a certeza de que Ana não apareceria de surpresa nunca mais.

Por mais de uma vez, Wood pensou na possibilidade de desistir de tudo por ela. Mas a memória da própria imagem distorcida vista no espelho era o bastante para que o goleiro reserva do Puddlemere United desistisse de abandonar os seus planos para ir para a França.

Foi neste contexto de profunda tristeza que Oliver teve a certeza de que a sua profissão merecia pelo menos uma das críticas de Anastasia. O goleiro descobriu da pior maneira possível o quanto era fácil ter uma vida desregrada naquele meio de convivência.

Depois de um treino particularmente difícil, Oliver foi arrastado por alguns colegas para uma festinha particular. O humor de Wood certamente não combinava com o clima animado da comemoração, mas este foi um problema facilmente contornável com algumas doses de bebida.

Oliver nunca tivera problemas com bebidas antes, mas naquela noite o rapaz descobriu que o álcool era um elixir milagroso que o fazia se esquecer de Anastasia Legrand e do enorme buraco que a francesa deixara em seu coração.

Exatamente por não estar acostumado a beber tanto, Wood perdeu facilmente o controle das próprias ações. A memória dele sobre aquela noite só possuía alguns flashes confusos. A música alta, o salão de festa lotado, um dos colegas do time apresentando-o a uma bela loira...

A moça não se parecia com Anastasia, mas a mente inebriada de Oliver se saciava com a ideia de que aquela era Legrand. E foi assim que os dois terminaram a noite no apartamento do goleiro, com mais uma sucessão de flashes confusos que tumultuavam a cabeça de Oliver quando ele acordou na manhã seguinte, enjoado e com a pior dor de cabeça de todos os tempos.

A última coisa que Wood imaginava era que aquele pequeno deslize havia sido testemunhado pela última pessoa que o britânico pensou que entraria no seu apartamento naquela manhã. Anastasia saiu sem deixar rastros, de forma que Oliver nunca saberia que a tão orgulhosa francesa havia pensado em voltar atrás naquela decisão egoísta.

Depois que o mal estar finalmente o abandonou e permitiu que Wood pensasse com mais clareza, Oliver prometeu a si mesmo que aquele deslize não se repetiria nunca mais. Seu namoro com Anastasia chegara ao fim, mas ele não daria à loira o gosto de mais aquela vitória provando à Ana que ela estava certa sobre a sua carreira no quadribol.

Quando se livrou da moça e ficou novamente sozinho no apartamento, Wood prometeu a si mesmo que nunca deixaria que Anastasia estivesse certa sobre aquele assunto. O quadribol era a carreira dele e Oliver pretendia assumir aquele trabalho de forma responsável, sem mais deslizes, sem mais bebedeiras, sem mais uma sucessão de mulheres fáceis.

A partir daquele momento, Oliver estava decidido a dar mais um passo na direção de uma carreira grandiosa e promissora, que certamente lhe renderia uma fama grande o bastante para alcançar as fronteiras francesas.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Fev 13, 2016 8:16 pm

O barulho de carros era constante, entregando o fluxo intenso do fim do dia em uma das tantas ruas de Londres. Algumas buzinas se faziam ouvir aleatoriamente, somando ao ruído insistente que vinha de dentro do bar, onde diversas pessoas conversavam e estalavam suas pesadas canecas sobre a mesa.

Nem mesmo a barreira mágica que protegia o Caldeirão Furado da vista dos trouxas bloqueava todos aqueles sons, somado com a chuva torrencial que caía do lado de fora. Algumas pessoas entravam apressadas, procurando abrigo da tempestade, e encharcavam o chão encardido do local.

O mundo parecia desabar ao redor de Charles Weasley, mas nada era capaz de abalar a concentração dos olhos azuis diante do jornal em suas mãos. As palavras em francês faziam pouco sentido para o britânico, que conseguia traduzir uma ou outra. Mas a fotografia estampada dispensava qualquer tradução e até o mais leigo dos interpretes saberia dizer o que estava explícito.

Uma caneca de cerveja amanteigada foi colocada sobre a mesa e Bill Weasley cruzou os braços, analisando o irmão pacientemente.

- Você está bem?

A voz dele soou distante aos ouvidos de Charlie e o mais novo precisou de alguns longos segundos para finalmente entender que o irmão lhe dirigia a palavra.

- Hm? – Ele ergueu o olhar do jornal e se sentiu constrangido ao ser flagrado naquele momento íntimo.

O jornal francês foi dobrado e empurrado para o lado, ocultando a fotografia de Florence Legrand ao lado de Lars Lothringen em um evento realizado pelo avô da menina. Apesar da figura não estar mais ao alcance dos seus olhos, Charlie ainda se sentia miserável e cada centímetro de seu corpo denunciava seu estado.

- Estou ótimo. – Ele sussurrou, tomando o devido cuidado de não encarar o irmão enquanto dava um gole em seu próprio copo.

- É claro que está. Posso ver pelo brilho dos seus olhos como você está estupendo.

Charlie comprimiu os lábios úmidos enquanto se recostava na cadeira em uma posição relaxada, tentando transparecer o mais casual possível.

- Onde você encontrou esse jornal, afinal?

Bill encolheu os ombros e deu um sorrisinho com o canto dos lábios, nitidamente tentando esconder a felicidade como se aquilo pudesse magoar o irmão ainda mais.

- Estou namorando uma francesa.

Aquela notícia fez com que Charlie arregalasse os olhos e, por alguns segundos, se esquecesse completamente da tristeza que o assolava nos últimos meses. Era a primeira vez que Bill assumia que estava em um relacionamento, e parecia uma grande ironia que fosse logo com uma francesa.

O pensamento, por mais chocante que fosse, acabou arrancando um sorriso sincero dos lábios do mais novo.

- Inacreditável. Quem é a louca o bastante para dividir brincos com você?

- Ela acabou de se mudar para o Egito. Estamos juntos há alguns meses. Queria apresenta-la ao papai e a mamãe.

Sem perceber, Bill havia tocado em mais um assunto proibido. A menção de Arthur e Molly fez o sorriso de Charlie morrer e novamente o olhar escurecer. Desde o retorno de Charles da França, a situação em casa não estava das melhores.

O súbito ato de rebeldia de Charlie havia despertado uma grande tristeza em Molly, e consequentemente, encadeado ondas de fúria dos filhos mais novos, que não concordavam com o modo que o mais velho tratava os pais.

- Como estão as coisas em casa?

- Sufocantes. – Charlie deu mais um gole em sua cerveja amanteigada antes de depositar a caneca vazia sobre a mesa. – É exatamente sobre isso que queria conversar com você.

Bill se ajeitou melhor em seu lugar, mostrando que estava dando toda a atenção para os problemas do irmão. Antes de começar, Charlie esfregou as mãos na calça jeans e fez uma pausa, escolhendo com cuidado as palavras.

- Eu vou embora, Bill. – Ele esperou que o irmão absorvesse aquela novidade antes de continuar. – Minha ex-professora de Criaturas Mágicas está na Romênia e me fez uma proposta irrecusável. Eu posso estudar dragões, posso me especializar em trato de criaturas mágicas. É algo que eu sempre quis.

O mais velho estudou o rosto do irmão por longos segundos antes de concordar com um movimento da cabeça. Ele sabia perfeitamente porque Charlie havia lhe escolhido para dar aquela notícia em primeira mão. Mais do que ninguém, Bill sabia o que era deixar a casa de Molly Weasley para viver em outro país. A mãe havia ficado destroçada quando ele partiu para o Egito.

- E o quadribol?

Foi a vez de Charlie balançar os ombros.

- Eu adoro jogar, Bill. Mas não sei se é o que realmente quero para a minha vida.

- Nenhum time longe o bastante lhe quis?

Charles sabia que, diante da situação em que se encontrava com os pais, aquela oportunidade de ir para a Romênia parecia uma fuga. Mas sua decisão havia sido extremamente analisada até admitir que ele queria aquela experiência pelos motivos certos. Animais mágicos sempre fora sua paixão, o que foi um grande fator levado em consideração quando a ex-professora de Hogwarts pensou em seu aluno preferido para assumir aquela vaga.

- Eu sei o que você está pensando, Bill. Mas eu realmente quero ir.

Os olhos de Bill encararam o irmão por tempo demais antes que ele aceitasse aquela confissão como verdadeira. Charles chegou a acreditar que ele tentaria convencê-lo de desistir quando finalmente ergueu a mão sobre a mesa, em um cumprimento.

- Se é o que você realmente quer, Charlie. Por favor, apenas converse com a mamãe e o papai primeiro.

***

A grande vantagem de ter Molly e Arthur Weasley como pais, é que bastou uma palavra de arrependimento para que Charles fosse recebido novamente de braços abertos. No fundo, toda a mágoa que o rapaz sentia pela pobreza da família havia se transformado em culpa e vergonha.

Enquanto Florence estava continuando com a própria vida, mergulhada nas mentiras do pai, Charlie tinha dentro de casa pessoas que o amavam verdadeiramente, independentemente de suas escolhas. Não havia dinheiro no mundo que comprasse aquele amor e ele se sentia um grande cretino por ter culpado Arthur e Molly pelos erros de Pierre.

As semanas que Charlie demorou para deixar a Inglaterra foram suficientes para que, aos poucos, ele também recuperasse a confiança dos irmãos, mais difícil de se conquistar do que a dos pais. Quando ele finalmente deixou a toca para trás, Molly não conseguia conter as lágrimas, mas que para o alívio do filho, nada tinha a ver com as palavras rudes que ele dissera no passado.

A Romênia era um lugar incrível, com temperaturas mais amenas que a Inglaterra e uma paisagem tão verde que dava a sensação do ar ser mais leve do que na sempre nublada Londres.

Charles precisou de apenas um ano para se acostumar com a sua nova vida, mas mesmo quando ele completava cinco anos na Romênia, seu sotaque ainda era facilmente reconhecido, assim como a cicatriz emocional que havia ficado pelos danos da família Legrand.

Ele vivia em uma região afastada da cidade, rodeada de montanhas e a beira de um lago. O pequeno vilarejo bruxo era habitado praticamente pelos estudiosos de criaturas mágicas e suas famílias. Charlie, que começara como apenas um estagiário, havia conquistado o respeito e a admiração de muitos e liderava uma pequena equipe que cuidava diretamente da saúde dos dragões.

Rodeando o vilarejo, a floresta ocultava o grande campo onde se concentrava o trabalho de Charlie. Todos os dias, ele deixava a sua casa pequena e aconchegante, exatamente igual a todas as demais casas que se enfileiravam na mesma calçada, atravessava a praça onde exibia uma grande estátua de dragão e contornava o lago até alcançar uma escadaria em uma das montanhas.

Naquele início de outono, a escada, assim como toda a superfície da montanha, estava coberta de folhas secas e marrons. Com os coturnos próprios para o trabalho que tinha, Charlie subia os degraus correndo, as mãos protegidas por luvas grossas a prova de fogo. Apesar da quantidade enorme de degraus, o preparo físico do rapaz era ótimo e quanto ele finalmente chegou ao topo, não estava nem mesmo ofegante.

Com os olhos já acostumados com as dezenas de gaiolas que se agrupavam, Charlie se encaminhou até o pequeno centro médico onde ele normalmente trabalhava e retirou a jaqueta de couro marrom, jogando-a sobre a mesa. Com os braços expostos, era possível reparar algumas cicatrizes de queimadura na pele.

- Oi Charlie!

Izobell, uma das profissionais que Charlie liderava, já estava segurando a costumeira prancheta em que fazia anotações ao longo de todo o dia. Apesar do grande sorriso que ela o recebeu, o ruivo apenas meneou com a cabeça e se adiantou para puxar o avental verde-musgo que usava enquanto tratava algum dragão.

Apenas por não ter conhecido Weasley cinco anos antes, Izobell não sabia o quanto o ruivo havia mudado ao longo do tempo. Os cabelos ruivos estavam maiores e faziam pequenas ondulações. O rosto de menino agora exibia uma barba bem definida que o fazia parecer mais velho e ainda assim, mais atraente.

Era facilmente notável, mesmo com as roupas de frio, que Charles estava mais musculoso. Mas a maior diferença era no olhar do rapaz. O sorriso divertido que ele sempre exibia quase não existia mais, tornando ainda mais característico seu semblante sério.

No pequeno vilarejo, todos conheciam Charles Weasley, um dos profissionais mais dedicado e respeitado. Toda sua vida se resumia ao trabalho, e ainda assim, se mostrava humilde na mesma proporção em que era competente.

Quem via o excelente desempenho do curandeiro de criaturas mágicas, sequer imaginava que aquela humildade era apenas um lembrete que ele trazia consigo das humilhações vividas pelo pai da ex-namorada.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Sab Fev 13, 2016 9:56 pm

- Sra. Lothringen...?

A balconista precisou chamar duas vezes até que Florence percebesse que a moça estava se dirigindo a ela. Mesmo depois de quatro anos casada com Lars, Florence ainda não se sentia à vontade no papel de Sra. Lothringen. Era como se aquele título não pertencesse a ela, como se ela ocupasse o lugar de esposa de Lars apenas temporariamente.

Contudo, apesar do desconforto que sempre a inquietava por dentro, por fora Florence executava com perfeição o seu papel de esposa ideal. Ela era tudo o que a sociedade esperava dela: uma mulher elegante, refinada e discreta, que se portava de forma exemplar, se vestia com bom gosto e apoiava o marido em sua carreira de sucesso.

- Desculpe. – a loira finalmente voltou o olhar para a balconista do hotel luxuoso onde a família Lothringen ficaria hospedada – O que disse?

- As chaves do quarto.

- Ah, sim. Obrigada.

A Sra. Lothringen pegou as chaves da suíte presidencial, que seria ocupada pela família nos cinco dias de duração daquela viagem para a Romênia. Inicialmente era uma viagem programada apenas para Lars, já que o homem tinha alguns negócios a serem fechados no país. Contudo, para reforçar ainda mais a imagem de família unida e perfeita, Lothringen decidiu levar a esposa e o filho consigo.

Logo no saguão do hotel, Florence percebeu que o marido não pretendia aproveitar aquele passeio. Enquanto ela preenchia as fichas e pegava as chaves da suíte, Lars estava no bar do hotel já conversando animadamente com um dos sócios.

Ao contrário do que seria normal, a Sra. Lothringen não pareceu se ofender com aquele comportamento. A grande verdade é que ela nunca esperava muito do marido e até preferia que Lars se ausentasse. Assim, ela e o pequeno Magnus teriam paz para passearem pelas bonitas ruas do novo país.

- Está com fome?

A loira se virou para o lado e olhou para baixo, onde um garotinho de aproximadamente dois anos se mantinha em pé, com os bracinhos enlaçando as pernas dela num abraço.

Magnus era a prova de que Florence estava muito enganada quando pensou que aquele casamento seria uma penosa obrigação que só lhe traria frustrações. Quando engravidou de um homem por quem não sentia amor e nem mesmo admiração, Florence teve medo de ser incapaz de amar aquela criança.

Contudo, tão logo pegou o filho nos braços e admirou cada traço perfeito dele, Florence soube que ainda tinha razões para sorrir. Atualmente, Magnus era o único dono de todos os sorrisos sinceros da mãe e também um motivo de esperança para Florence. Ela sentia que sua vida já estava perdida, mas ela continuava de pé pelo filho, para que Magnus fosse feliz e se tornasse um bom homem.

A resposta do garotinho veio através de um movimento de negação com a cabecinha loira. Ignorando o vestido elegante e os sapatos de salto, Florence se inclinou e trouxe o filho novamente para os seus braços. Magnus passou os bracinhos pelo pescoço da mãe e deitou a cabeça no ombro de Florence, transformando os cabelos cacheados dela numa perfumada cortina.

Lars interrompeu a sua conversa com o sócio quando a esposa parou diante da mesa deles. O olhar admirado que o romeno lançou a ela fez com que o Sr. Lothringen se sentisse orgulhoso. Ele não amava Florence com intensidade e tampouco daria a vida pelo filho. Mas Lars sentia um profundo orgulho da família que havia formado. Era uma satisfação pensar que os amigos o invejavam pela bela esposa e pelo herdeiro perfeito.

- É um prazer finalmente conhecê-la, Sra. Lothringen!

O romeno se colocou de pé e estendeu a mão, pronunciando as palavras com um sotaque carregado. Com facilidade, Florence apoiou o filho em apenas um dos braços para retribuir ao cumprimento. Ela estava exausta depois da longa viagem, mas obviamente não se recusou a cumprir o seu papel de dama bem educada.

- O prazer é meu, Sr. Imovich.

- E este rapazinho?

- É o Magnus. – Florence ajeitou o filho no colo para que o romeno pudesse ver a criança com mais facilidade – Diga oi para o amigo do papai, querido.

- Oi.

A voz de Magnus soou tímida, mas ele abriu um sorriso adorável para o romeno. O garotinho era a prova de que a maldade de Lars não conseguia contaminar tudo ao redor dele.

Embora fosse absurdamente parecido com o pai, Magnus ainda possuía a pureza infantil. O contorno de seus lábios era exatamente igual ao de Lars, mas o sorriso da criança conseguia ser doce e sincero. O formato dos olhos também era idêntico entre pai e filho, mas Magnus herdara as íris profundamente azuis da mãe. Os cabelos loiros vinham tanto do pai quanto de Florence, mas as pontinhas dos fios curvadas em cachinhos também refletia uma semelhança a mais com a mãe.

- Ele está um pouco cansado, foi uma viagem longa. – Florence se voltou para o marido – Pensei em subir para o quarto para que o Magnus descanse um pouco, caso você não se importe, querido.

Como de costume, as palavras que Florence dirigia ao marido eram mecanicamente ensaiadas. Os dois tinham o costume de se tratarem por “querido” ou “amor”, mas era evidente que usavam aquelas palavras sem expressarem os sentimentos existentes nelas. Como todo o resto, aquele tratamento carinhoso era apenas parte do papel que ambos executavam com perfeição na sociedade.

- Sim, é claro. Eu preciso terminar esta conversa com o Sr. Imovich, depois subirei também.

- Não tenha pressa. Eu sei que é uma viagem de negócios.

- Ora, assim eu vou me sentir mal por privar a família de um passeio pelas belezas da Romênia! – o sorriso de Imovich se alargou – Prometo que Lars e eu fecharemos o nosso negócio o mais rápido possível para que vocês aproveitem mais a viagem. Há muito a ser visto na Romênia. Eu sugiro um passeio pelo museu de antiguidades, pelo centro comercial da vila e pelo restaurante da praça principal. E, claro, vocês não vão perder a oportunidade de verem os dragões. Aposto que o pequeno Magnus adoraria ver um dragão!

- Ficou louco???

Florence se exaltou por um momento diante da ideia de ver o seu bebê diante de uma criatura selvagem e sanguinária. Inconscientemente, seus braços rodearam Magnus com mais firmeza, como se houvesse mesmo um dragão por perto.

- Florence! – Lars lançou um olhar de repreensão à esposa por aquela exaltação.

- Tudo bem, tudo bem! – Imovich riu gostosamente – As mulheres realmente reagem assim. Mas eu asseguro que é um ótimo passeio. Obviamente os dragões mais selvagens não são expostos ao público, apenas os dragões mais jovens, de espécies menos agressivas. Os criadores de dragões sempre tem a situação sob controle, eles são realmente ótimos!

- Eu irei ao campo amanhã, de qualquer forma. Verei com os meus próprios olhos se o lugar é seguro o bastante para um passeio – Lars olhou para o sócio com um sorrisinho – O couro de dragão tem se tornado uma mercadoria cada vez mais valorizada, com sorte eu conseguirei uma remessa por um bom preço.

- Sem dúvida! É época de troca de pele para os dragões! Os criadores são uns tolos que se preocupam mais com a saúde dos animais do que com os lucros que podem ter com eles.

Como a conversa dos homens novamente foi focada nos negócios, Florence se sentiu à vontade para pedir licença e subir para a suíte. Magnus já cochilava nos braços da mãe quando a loira o colocou deitado na espaçosa cama e retirou delicadamente os sapatinhos dele.

Um sorriso doce brotou nos lábios da Sra. Lothringen enquanto ela admirava o sono suave e inocente do filho. Definitivamente, ela não pretendia levar o seu anjinho para uma montanha lotada de dragões agressivos.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Sab Fev 13, 2016 10:14 pm

O centro de repouso escolhido por Anne-Marie Legrand mais parecia um grande spa dedicado para meninas da alta sociedade que tinham o mesmo fardo que Anastasia. Com a vida sempre tão bem planejada, a francesa jamais imaginou que fosse terminar em um lugar como aquele, que ela sequer esperava que existisse.

Durante toda a gestação, Annastasia ficou hospedada em um luxuoso quarto, era servida com as melhores comidas e recebia o melhor tratamento. Mas ela foi obrigada a ficar afastada de toda a família por todos os meses, o que lhe dava tempo suficiente para pensar no que faria quando saísse dali.

No começo, era fácil imaginar que voltaria para a sua vida normalmente. Aquela criança era um erro e ela não poderia pagar com a própria vida por um acidente. Seus planos já estavam sendo adiados em quase um ano por causa daquele deslize e Anastasia não queria prolongar as consequências desagradáveis de seu relacionamento com Oliver Wood.

Assim como Anastasia, outras meninas grávidas também compartilhavam daquela opinião. Porém, outras questionavam como a francesa tinha tanto sangue frio para não pensar duas vezes em abrir mão do próprio filho.

Foram aqueles questionamentos que começaram a tirar o sono de Anastasia quando ela estava na metade da gestação. A barriga crescia com uma velocidade assustadora e ela já podia sentir quando o bebê dava cambalhotas em seu interior.

Quando tentava ser forte, Legrand dizia a si mesma que alguém logo adotaria o bebê e ele seria feliz. Mas quanto mais o tempo passava, menos a francesa acreditava naquela mentira e o medo de que seu filho jamais fosse feliz começava a lhe causar desespero.

Antes de pensar nos próprios planos que seriam abalados, Ana começou a pensar naquela criança abandonada e que tipo de futuro teria. O medo daquele bebê, que ela deveria proteger, completamente desamparado era o pior pesadelo.

Quando Ana atingiu o último mês de gestação, ela tinha certeza absoluta que não queria abrir mão do próprio filho em prol de uma carreira estável. Chegava a ser patético pensar daquela forma. Ela abrira mão do amor por Oliver para que seu futuro estivesse protegido, mas Wood havia lhe mostrado que realmente não valia a pena lutar por aquele relacionamento. Mas a vida daquela criança era algo em uma dimensão completamente diferente.

No momento em que teve a filha nos braços, Anastasia jurou a si mesma que não abriria mão de fazer parte da vida dela. A cena que ela causou na enfermaria da casa de repouso foi digna de pena. O desespero de ter a filha arrancada de seus braços era a pior dor que ela já havia experimentado.

Mesmo com as dores do parto, Anastasia berrava e chorava, agarrada às vestes da mãe. Envolvida no próprio sofrimento, a francesa não havia notado que Anne-Marie também estava devastada com aquela cena, vendo sua própria filha sentindo tanta dor.

Mais uma vez, a Sra. Legrand lhe surpreendeu quando assumiu as rédeas da situação e trouxe a solução para os seus problemas. Anne-Marie havia sido criada por uma velha ama, que então vivia em uma casa isolada no litoral da Inglaterra.

A mulher nunca havia revelado ao marido que ainda tinha contato com a velha ama, e Anastasia, que também nunca havia ouvido falar da mulher, encontrou nela a solução para sua aflição.

Poucos dias após o nascimento de Sophie Legrand, Anastasia estava de pé na sala de Yolande Lavery com a filha nos braços, olhando para o novo lar da pequena.

***

Quatro anos haviam se passado desde que Anastasia pisara pela primeira vez na casa de Yolande, mas a sensação que ela tinha é que nada havia mudado. O lugar continuava com os mesmos móveis simples, que em sintonia, tornavam a casa mais aconchegante do que todo o luxo dos Legrand era capaz de proporcionar.

A lareira estava apagada e a proximidade do mar tornava possível escutar as ondas se quebrando na praia. As janelas abertas permitiram que uma brisa suave circulasse por todos os cômodos, e a prova de que todos aqueles anos haviam passado descia as escadas se agarrando ao corrimão.

- Mamãe, olha o que eu fiz!

A figura de Anastasia Legrand era o que mais se destacava daquela decoração aconchegante. Mesmo com o rosto jovem, liso e livre de qualquer sinal do tempo, a francesa carregava um olhar mais maduro, assim como as vestes passavam a imagem do cargo importante que ela finalmente ocupava no Ministério da Magia.

Enquanto Sophie crescia sob os cuidados de Yolande, Anastasia representava a França no Ministério da Magia britânico e carregava a voz do ministro francês para dentro do Reino Unido. Independente da pouca idade, ela havia atingido um patamar admirável, e mesmo as más línguas que comentavam a facilidade trazida pelo seu sobrenome, precisava admitir que a francesa se esforçava a cada dia.

O que ninguém imaginava é que a figura séria que a loira assumia nos corredores do ministério na verdade escondia um segredo tão grande e bonito e a única coisa capaz de arrancar sorrisos sinceros da mulher tão fria profissionalmente.

- Cuidado com o degrau, Sophy!

Anastasia correu antes que a filha se desequilibrasse, a amparando com os braços. Quando a criança ergueu o rostinho assustado, a mãe imediatamente reconheceu os olhos de Oliver Wood, grandes e azuis, capazes de fazer com que ela se esquecesse do restante do mundo.

Era impossível não olhar para a filha e não se lembrar do ex-namorado. Mas, mesmo com toda mágoa que a relação havia terminado, Ana não depositava na filha suas frustrações amorosas. Talvez, pela culpa de um dia ter cogitado abrir mão dela, Anastasia amava aquela criança mais do que tudo no mundo e fazia tudo que estava ao seu alcance para vê-la feliz.

Os cabelos loiros que caíam pelos ombros eram herdados da mãe, mas parecia ser o único traço dos Legrand que Sophie carregava. O formato das orelhas, o desenho dos lábios, a forma de arquear as sobrancelhas claras, cada pequeno detalhe de Sophy era a cópia fiel de Wood. Mas eram sempre os olhos que assustavam Anastasia.

Quando a menina já estava com os pés firmes no chão, ela finalmente ergueu o desenho que trazia em seus dedinhos, o esticando diante dos olhos verdes de Anastasia.

Aquele desenho era apenas mais uma prova de que Sophie carregava o DNA de Wood. Mesmo com os rabiscos pouco firmes, Sophie havia tentado desenhar uma vassoura, algo que ela vinha pedindo frequentemente de presente para a mãe, que sentia calafrios apenas em imaginar a criança voando.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Sab Fev 13, 2016 11:10 pm

A potência daquele flash quase cegou Oliver Wood e fez com que o goleiro do Puddlemere United fizesse uma careta de desagrado na foto que seria publicada na capa do Profeta Diário. Cinco anos tinham se passado, mas Oliver ainda não estava acostumado com toda a atenção recebida da imprensa após cada vitória da equipe. Naquele dia, o assédio era ainda maior porque o Puddlemere havia feito mais do que vencer uma partida. Eles tinham acabado de conquistar a Liga Europeia de Quadribol.

Todo o time havia protagonizado uma exibição digna da importância daquele troféu, mas era inquestionável que Wood se destacara de forma mais particular na partida. O time adversário, a equipe mais forte da Alemanha, tinha um ataque reconhecidamente ofensivo. Contudo, apenas uma goles ultrapassara os aros protegidos pelo goleiro do Puddlemere United. Oliver tivera uma atuação perfeita e realizara uma coleção de defesas difíceis.

Mais do que nunca, Oliver estava garantido no time principal. Ele havia deixado de ser um reserva há cerca de três anos e não desperdiçara aquela valiosa oportunidade. O goleiro alternava exibições ótimas com atuações perfeitas, não costumava falhar em momentos decisivos e já havia recebido propostas valiosas para jogar por várias outras equipes pela Europa.

Para garantir a permanência do jogador, atualmente o Puddlemere United pagava a ele uma pequena fortuna por mês como salário. Isso sem mencionar o que Wood ganhava fora dos campos de quadribol com entrevistas, patrocinadores e associando seu famoso nome com produtos esportivos.

Embora ainda fosse bastante jovem, Oliver poderia parar de trabalhar naquele momento e ainda assim teria o bastante para viver de forma confortável por muitas décadas.

Ao contrário de alguns colegas que viviam num mundo de ostentações, o goleiro sabia investir muito bem todo o dinheiro que ganhava. Wood já tinha em seu nome uma casa grande e confortável, comprara também alguns imóveis que lhe forneciam uma renda fixa com alugueis. E a maior parte da sua fortuna estava seguramente guardada no Gringotts. Sem dúvida, Oliver encarava aquele “sonho” como uma profissão e lidava de forma absolutamente responsável com o dinheiro e com a fama oriundos do quadribol.

Também diferente da maioria dos colegas, o nome do goleiro do Puddlemere United nunca estivera associado a nenhum escândalo. Oliver nunca foi visto bêbado em nenhuma festa, nunca arrumava brigas em campo, não trocava de namoradas com a mesma frequência com que trocava de camisas, não fornecia entrevistas polêmicas. Por mais que os jornais sensacionalistas vasculhassem a vida de Wood em busca de uma manchete, nunca havia nada interessante a ser publicado.

E naquela noite não foi diferente. Depois de fornecer uma entrevista tranquila ao jornalista do Profeta Diário, Oliver se juntou aos colegas de time para comemorar aquela notável vitória da equipe, mas manteve um comportamento discreto enquanto os demais se fartavam com bebidas e com as mulheres disponíveis na festa.

Quando voltou para casa, já nas primeiras horas da manhã, tudo o que Oliver queria era tomar um banho e passar o resto do dia na cama. Mas é claro que ele já esperava por isso quando não encontrou a casa vazia.

- Surpreeeeeesa!

Tonks certamente era a principal responsável por aquela bagunça, mas Oliver também reconheceu os outros amigos espalhados pela sala. Um enorme bolo com as cores do Puddlemere United decorava a mesa e havia bandeirinhas do time espalhadas por todo o cômodo. Mesmo depois de se tornar um jogador de quadribol rico e famoso, Wood não abandonara os velhos amigos e a comemoração com eles parecia fazer muito mais sentido do que a festa exagerada da qual o goleiro retornava.

- Você foi ótimo. Não, ótimo não. Você foi perfeito! – Michael McLaggen puxou o amigo para um abraço – Eu achei que tivesse quebrado a coluna naquele último lance do jogo, ainda não acredito que alcançou aquela goles!!!

- Valeu, Mike. – Oliver deu alguns tapinhas nas costas do amigo – Para ser sincero, eu também não acredito.

Além de Tonks, a festinha particular contava com as presenças de Michael e Helena McLaggen, Alexia Morgan, dois ex-colegas do time da Grifinória e de Bellamy e Katie. O antigo adversário de Durmstrang se tornara um dos melhores amigos de Oliver quando se mudou para Londres e se casou com Katherine Richards, a sua acompanhante no baile de inverno do Torneio Tribruxo.

- Espetacular! – mesmo depois de quatro anos no Reino Unido, Bellamy ainda tinha um sotaque carregado – O Puddlemere não sobreviveria sem você, Wood!

- Bobagem! – Oliver girou os olhos de forma divertida antes de vasculhar a sala em busca de uma cabecinha que não estava ali – Onde está a Nika?

O goleiro se referia à pequena Danika, fruto do casamento entre Bellamy e Katherine. A garotinha, que tinha cerca de quatro anos, era afilhada de Wood. O padrinho era completamente apaixonado por ela e depositava em Nika todo o amor que imaginava que nunca seria destinado a uma filha de verdade. Sem um relacionamento sério desde o trágico rompimento com Anastasia, Oliver já havia desistido da ideia de se apaixonar novamente e de construir uma família.

- Surpreeeeesaaaaa!

Nika pulou de detrás do sofá, vestindo uma camiseta do Puddlemere United que lhe servia como vestido. A garotinha saltitou até Wood e se jogou nos braços fortes dele, soltando uma risada gostosa quando foi erguida e jogada para cima, aterrissando novamente em segurança no colo do padrinho.

- Ah, bom! – Oliver brincou com a menina – Achei que o meu chaveirinho da sorte não tivesse vindo comemorar esta vitória!

- Você foi demais, tio Ollie! – Nika mostrou que estava passando muito tempo com Tonks – Radical! Chutou os traseiros daqueles porcos alemães!

- DANIKA! – Katie colocou as mãos na cintura – Tenha modos!

- Mas foi a tia Tonks que...

Os cabelos de Nymphadora ficaram mais avermelhados e ela interrompeu rapidamente o discurso da garotinha.

- Que tal pararmos de perder tempo com bobagens? Ninguém está com fome? Tem um bolo enorme aqui, caso não tenham notado!!!
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Fev 13, 2016 11:33 pm

A rotina de Charles Weasley era bem simples, mas praticamente religiosa. Ele acordava cedo todos os dias, subia as infinitas escadas que levariam até a ala de cuidados dos dragões, trabalhava por longas horas e, quando o sol começava a se pôr, descia novamente até o vilarejo bruxo.

Todas as quintas-feiras, ao invés de seguir direto para casa, Charlie seguia até o centro da cidade onde faria as compras para a semana. Como um homem solteiro, que vivia sem dividir o teto com mais ninguém, ele era extremamente organizado, e aquilo se refletia não apenas no seu trabalho, como também na limpeza da casa e disposição dos móveis.

O céu alaranjado sobre sua cabeça era um espetáculo típico da Romênia, que quando somado à paisagem das montanhas e do lago que rodeava quase todo o vilarejo, formava uma vista romântica e digna de cartão-postal. Não era de se espantar que aquela fosse uma cidade que atraía tantos turistas.

Mesmo com a presença dos estrangeiros, quando Weasley, o cuidador de dragões mais conhecido da cidade, andava pelas calçadas, praticamente todos os moradores acenavam animadamente em sua direção. Charles, em sua personalidade reservada, apenas acenava distante e seguia seu caminho.

Naquele fim de quinta-feira, como sua rotina previa, Charles andava com as mãos enfiadas nos bolsos, se protegendo do frio que sempre caía sobre a Romênia durante a noite. As pessoas passavam ao seu redor e ele escutava sempre um “Hey Charlie!”, “Como está, Charles?”, “Belo dia, hein Charlie?!”.

Uma sineta soou quando o cuidador de dragões empurrou a porta da mercearia, anunciando sua chegada. A velha dona estava atrás do balcão, equilibrando seus pesados óculos fundo-de-garrafa sobre o nariz de batata, e logo exibiu um largo sorriso ao reconhecer o rosto do ruivo.

- Na hora de sempre, Charles querido!

- Como vai, Dorothy? – Ele a cumprimentou com um menear da cabeça enquanto se esgueirava pelas prateleiras, reabastecendo os alimentos que estavam faltando.

Após cinco anos, não era apenas a cidade que conhecia Charles. O ruivo também conhecia cada canto daquele lugar, e isto também incluía a mercearia de Dorothy, o que facilitou para que em poucos minutos ele já estivesse no balcão pagando algumas caixas de suco de abóbora, pão, cervejas amanteigadas e outras comidas básicas.


Com os movimentos lentos, imposto pela avançada idade de Dorothy, a velha demorou quase o dobro do tempo normal para empacotar o pedido do ruivo, mas Charles sabia que ela se sentiria extremamente ofendida caso ele tentasse lhe roubar aquele trabalho.

Quando tudo estava finalmente empacotado na sacola de papelão, Charles depositou sobre o balcão os galeões com uma quantia maior do que havia consumido. Dorothy já estava familiarizada com as gordas gorjetas de Weasley, mas ainda assim, semana após semana, um rubor ainda cobria suas bochechas quando ele insistia que ela aceitasse.

O alto salário de Charles lhe possibilitava a usar excelentes roupas, comesse nos melhores restaurantes e tivesse os produtos da melhor qualidade. Mas a única coisa que o ruivo exibia todos os dias era a humildade. Ele havia trocado as roupas surradas e de segunda mão por peças novas, que lhe caíam com perfeição e permitiam que as pessoas enxergassem o homem atraente que se tornara, mas ainda eram escolhas mais simples do que ele poderia bancar.

Não havia um único quesito em sua vida que fizesse Weasley esbanjar seu suado salário, e a única coisa em que ele dispensava alguns galeões sem ter dor de cabeça, eram nas generosas gorjetas que vários funcionários do vilarejo já conheciam tão bem.

A sineta tocou mais uma vez quando Charlie deixou a mercearia com a sacola em seus braços, e ele caminhou poucos metros até parar no pequeno quiosque de cachorro-quente que ficava na esquina da rua principal.

- Como vai, Theodore? – Charlie o cumprimentou enquanto empurrava mais uma vez uma quantia além da que estava realmente gastando.

Sem precisar ouvir qual era o pedido de Charles, Theodore, o magrelo calvo, responsável pelo cachorro-quente semanal do ruivo, logo estava montando a salsicha no pão.

- Olá Charlie! O tempo está esfriando, hein?

- Sim, está. Obrigada, Theo!

Equilibrando a sacola em um dos braços, Charles seguiu seu caminho até a praça principal em frente ao lago, que naquele fim de tarde, ficava cheia com crianças nos parquinhos e idosos nos bancos. Não foi difícil encontrar um dos bancos vazios onde ele acomodou a sacola ao lado, liberando as mãos para começar a comer o cachorro-quente.

O vento fresco batia em seu rosto e, com os olhos ligeiramente espremidos por causa da luz alaranjada, Charles deu a primeira mordida, observando a paisagem deslumbrante diante de si. Mesmo após tantos anos, ele perdia o fôlego diante da beleza da Romênia.

O ruivo estava dando a segunda mordida em seu lanche quando girou a cabeça para o lado, atraído pelas vozes das crianças que se penduravam nos balanços. Foi um reflexo loiro que o obrigou a olhar duas vezes naquela direção, e Charles só teve a certeza do que estava vendo, porque seu coração imediatamente começou a querer saltar pela boca.

Já sem apetite para continuar comendo, Charles limpou os lábios e jogou o cachorro-quente quase inteiro na lixeira. Mais uma vez ele puxou a sacola de compras em seus braços e se aproximou com passos lentos, espremendo os olhos na esperança de estar enganado.

Foi um movimento dos cabelos de Florence, livrando seu rosto por completo, que não deixou mais dúvidas. A ex-namorada parecia uma miragem, um sonho que Charles jamais pensou que fosse reviver.

Ela estava agachada diante de um menininho loiro, afagando seus cabelos, e o sorriso largo que refletia em seu rosto quase lembrava a adolescente que Charlie um dia conhecera. Mas aquela semelhança era quase uma sombra diante da transformação de Legrand.

Florence estava muito mais madura, e não eram apenas as roupas elegantes que ela vestia que mostravam os anos que tinham passado. Seu rosto adulto, o olhar mais contido, e principalmente o filho em seus braços entregavam que ela não era mais a namorada que Charles um dia amara tanto.

Um vento fez os cabelos do ruivo balançarem quando um adolescente passou voando sobre sua cabeça, agarrado em uma firebolt.

- HEY CHARLIE! – O menino gritou, já desaparecendo de vista.

Os olhos azuis haviam erguido para tentar reconhecer o rosto do menino, mas no instante em que voltaram para Florence, Charles perdeu o ar ao ver que ela também o encarava de volta.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Dom Fev 14, 2016 12:22 am

A música ambiente enchia todo o cômodo e alcançava a parte externa da mansão, onde a maioria dos convidados se agrupava, rodeando a enorme piscina iluminada. Bandejas flutuavam tanto no salão interno quanto nos jardins, mantendo cada um dos presentes com a taça cheia e com opções de petiscos.

No instante em que pisou na mansão do chefe do departamento de Esportes Mágicos, Anastasia já sabia o que a aguardava, mas por mais que tivesse lutado contra aquela noite, ela havia sido designada diretamente pelo Ministro da Magia para representar a França naquela noite.

Como a Copa Mundial de Quadribol seria sedeada na França, Legrand era uma figura importante naquela noite, mas tudo que ela queria era desaparecer e não ser notada por ninguém.

Contrariando suas vontades, as cabeças mais próximas se viraram na sua direção no instante em que ela retirava o sobretudo e o entregava ao elfo doméstico. Era difícil passar completamente desapercebida em um evento onde a maioria eram homens, e ela era a figura de uma bela mulher.

Os cabelos loiros estavam presos em um coque frouxo e as orelhas exibiam brincos delicados. O vestido negro de paetês era justo, mas com um decote respeitador e alcançava a metade de suas coxas, marcando cada uma das curvas bonitas de Anastasia. Apesar de ser baixinha, os saltos ajudavam a francesa a ganhar alguns centímetros, e mesmo com a pouca maquiagem, qualquer um dos homens presentes virariam para olhá-la duas vezes.

Mesmo assumindo um alto cargo no ministério e que tentasse passar sobriedade, minimizando as chances de as pessoas criticarem seu trabalho pela pouca idade, haviam momentos em que Anastasia não conseguia esconder o fato de ser jovem e atraente.

- Ana! Que bom que você chegou!

Apesar das palavras ditas em Francês, Anastasia percebeu o carregado sotaque britânico de Peter Flamming, chefe do departamento de Segurança Internacional, com quem a francesa precisava lidar com bastante frequência em seu trabalho.

- Olá, Peter.

Um beijo estalado foi depositado em sua bochecha pelo velho conhecido. Ao contrário de Legrand, Flamming tinha idade suficiente para comandar um departamento inteiro, e mesmo com os cabelos grisalhos e o bigode espesso, ele admirava o esforço da francesa, uma das poucas pessoas a não julgar pelo sobrenome ou idade.

- Já fizeram os anúncios? – Anastasia perguntou, pegando uma taça de champanhe quando uma bandeja passou flutuando a sua frente.

- Ah, mas claro que não. – Ele sacudiu a mão no ar, como se tivesse espantando um mosquitinho inconveniente. – Ainda há jogadores que não chegaram. Você sabe como são esses atletas.

A revirada de olhos de Flamming fez com que Anastasia concordasse com um movimento da cabeça, mergulhando nas lembranças de quando quase havia tido sua vida arrastada para aquele meio visto com tanto preconceito pelos altos cargos do ministério, pelas pessoas que “realmente trabalhavam”.

Instintivamente, ela pensou na filha, provavelmente dormindo na casa à beira da praia. Era sufocante ficar longe de Sophie, e aproveitando que estava na Inglaterra, no instante em que deixasse aquele coquetel, ela correria para ver a criança dormir por algumas horas.

Apesar do foco daquele evento fosse anunciar quem seriam os jogadores oficiais da Inglaterra na próxima Copa de Quadribol, Anastasia se vira obrigada a representar o país que sediaria os jogos. Esbarrar com o ex-namorado seria inevitável, visto que Oliver se destacava cada vez mais em campo e havia sido nomeado como uma das grandes opções como goleiro da seleção.

Mesmo com a certeza de que os dois acabariam se encontrando, Legrand ainda não estava preparada para encontrar o par de olhos azuis quando cruzou o salão ao lado de Peter e alcançou os jardins.

Wood estava rodeado de alguns colegas de time quando Anastasia travou, ignorando completamente a conversa de Peter. Quando ele girou a cabeça na sua direção, Legrand reconheceu o par de olhos azuis que estava acostumada a ver no rosto de Sophie.

- Ahn... Peter, pode me dar um segundo?

Sem se importar com a frase interrompida de Flamming, Anastasia cruzou o caminho até o lado oposto do jardim, procurando o local mais afastado da festa. Ela precisou apoiar a mão em uma árvore para puxar o ar com força, tentando controlar as mãos trêmulas.

Mesmo depois de tanto tempo e de tanta mágoa, bastava olhar para Wood para que todo o seu corpo reagisse. O fato de ter pensado nele cada dia desde a separação não facilitava aquele reencontro, muito menos a existência de uma menina loira escondida dos olhos do mundo.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Dom Fev 14, 2016 12:34 am

A rotina de Lars Lothringen também já estava muito bem definida naqueles cinco dias que a família passaria na Romênia. O homem tinha uma infinidade de reuniões, participaria de vários almoços e jantares com sócios e potenciais aliados e gastaria um dia inteiro num congresso. O mais irônico era que nenhum dos planos de Lars englobava a esposa e o filho. Florence e Magnus estavam ali unicamente para que fosse mantida a imagem de família perfeita.

Apesar disso, em nenhum momento Florence pensou em reclamar. Ela nunca fazia questão da companhia de Lars. Os dois raramente brigavam, mas isso só acontecia porque eles também raramente conversavam. Sempre que ficavam sozinhos, o Sr. e a Sra. Lothringen mergulhavam num profundo silêncio ou só conversavam de maneira formal, reforçando que não tinham quase nada em comum.

Por mais que Florence quisesse poupar o filho daquela relação fria, Magnus cada dia mais refletia a falta de atenção recebida do pai. Embora convivesse bem com Lars, o garotinho era absurdamente mais ligado à mãe. Mesmo tão pequeno, era como se Magnus já tivesse percebido que a mãe o amava loucamente enquanto o pai apenas se orgulhava de sua existência.

Por isso, Magnus também não pareceu incomodado quando percebeu que sairia apenas com a mãe naquela tarde. Ele já estava mais do que acostumado com a ausência de Lars e costumava se sentir mais à vontade quando o pai não estava por perto.

Sem a pesada companhia do marido, Florence se permitiu admirar a bela paisagem da Romênia. Eles estavam hospedados em um vilarejo bruxo bastante pacato, cercado por montanhas e preenchido com um ar puro que infelizmente não era encontrado mais com tanta facilidade nas grandes cidades. Os poucos moradores da vila se conheciam e conviviam na mais completa harmonia. Na grande maioria, eram pessoas simples que desconheciam por completo o mundo luxuoso no qual a família Lothringen vivia.

Depois de uma breve caminhada pelo centro comercial do vilarejo, Florence parou na pracinha central quando viu os olhos de Magnus se iluminando na direção das crianças que brincavam num balanço. Acostumado a brinquedos caros e a ter tudo em casa, o herdeiro dos Lothringen experimentou pela primeira vez a diversão de brincar com outras crianças da sua idade.

Sempre sob o olhar atento e protetor da mãe, Magnus correu com os outros meninos, brincou de se esconder atrás dos bancos da pracinha, gargalhou quando Florence o empurrou no balanço.

Já começava a anoitecer, mas o garotinho estava se divertindo tanto que Florence não teve coragem de interromper precocemente as brincadeiras. Contudo, a loira não dispensou os típicos cuidados maternos e obrigou Magnus a pausar a diversão por apenas alguns segundos enquanto ela o protegia da temperatura mais fria que começava a se espalhar pelo vilarejo.

Foi esta a cena que Charlie Weasley testemunhou. Sem se importar com o elegante vestido rendado, Florence se ajoelhou no chão da pracinha para ficar ao alcance do filho. O vento soprava seus cabelos loiros para trás, mas ela também não parecia incomodada com os nós que surgiriam nos fios. Toda a concentração da francesa estava voltada apenas para o garotinho a sua frente enquanto Florence encaixava uma touca na cabecinha dele e protegia suas pequenas mãos com luvinhas.

Por estar tão concentrada no filho, Florence seguramente nem teria notado a presença do ruivo se não fosse pelo grito do adolescente que sobrevoava a praça. Charles era um nome relativamente comum, mas o sexto sentido da loira não deixou que ela se enganasse. Quando se virou para trás, Florence sabia que veria novamente o mesmo rosto que assombrara os seus pesadelos por anos.

O que ela não esperava era que Weasley estivesse tão mudado. Normalmente, Florence tinha um comportamento discreto e possuía total controle de todas as suas ações. Naquele fim de tarde, contudo, a francesa não conseguiu evitar que seus olhos descessem demoradamente pelo corpo de Charlie, notando cada pequena mudança promovida naqueles cinco anos de separação.

O ex-namorado estava notavelmente mais maduro. Aquele novo corte de cabelo fazia Charlie parecer alguns anos mais velho e mais responsável. A barba também contribuía positivamente para aquela nova imagem. As roupas não escondiam que Weasley estava mais encorpado e que o trabalho com os dragões tinham lhe rendido agradáveis músculos.

Mas a mudança mais chamativa para Florence era nas roupas do rapaz. Ela nunca se importara com as vestes de segunda mão do namorado, mas não conseguia deixar de notar que o novo Charlie usava roupas de excelente qualidade. Com um sorriso amargo, a loira se perguntou se aquilo ainda eram resquícios do valor que ele recebera dos Legrand há cinco anos.

Tal pensamento trouxe novamente à tona uma memória que Florence lutara muito para esquecer. Há alguns anos, vasculhando jornais antigos para ajudar Anastasia a encontrar uma notícia sobre a divulgação de uma lei nos jornais ingleses, a Sra. Lothringen encontrara uma foto que partira novamente o seu coração já tão machucado.

A nota mencionava apenas uma viagem da família Weasley para visitar o filho mais velho no Egito e citava que os custos foram pagos com um prêmio recebido na loteria. A data da viagem coincidia dolorosamente com o ano em que o namoro de Charlie e Florence chegara ao fim. Portanto, era inevitável para a francesa concluir que a loteria fora uma desculpa para que Charlie não tivesse que falar a verdade sobre a origem suja daquele dinheiro.

Apesar do tempo e dos caminhos completamente diferentes seguidos por ambos, aquela era uma ferida que ainda doía. Florence teria pago uma fortuna para nunca mais cruzar o caminho de Charles Weasley, mas o destino parecia gostar de brincar com os sentimentos dela.

Como não fazia mais sentido fugir depois que os olhares dos dois se cruzaram e se reconheceram, Florence não teve outra saída senão se colocar de pé e dar alguns passos na direção do ex-namorado. Mais uma vez, ela usava a máscara de frieza e indiferença que aprendera a sustentar nos últimos anos. Seu orgulho jamais permitiria que Florence denunciasse logo para Charlie o quanto ainda sofria com aqueles fantasmas do passado.

- Sr. Weasley. Que grande coincidência! Eu nunca imaginei que encontraria um rosto conhecido logo na Romênia.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Fev 14, 2016 1:10 am

Quando seus olhos encontram os de Florence, Charles jamais imaginou que a francesa fosse ser capaz de lhe dirigir a palavra. Muitos anos haviam se passado desde o último encontro dos dois, e o relacionamento mal resolvido sempre fazia o ruivo se questionar que tipos de mentira Pierre fizera a própria filha acreditar para jamais procura-lo.

A atitude formal e a frieza nos olhos azuis eram duas coisas que Charles jamais imaginou ver em Florence. Durante todos os anos que separavam desde a última vez que se viram, não havia um único dia que o ruivo não lembrasse do sorriso doce de Legrand.

Ele se corroía pela dor que certamente havia causado nela, mas ainda conseguia guardar na lembrança a adolescente inocente e carinhosa que um dia tanto amara. Ver que Florence havia se transformado em uma mulher típica da alta sociedade era quase uma piada de péssimo gosto.

Apesar de não acreditar que Legrand havia saído ilesa daquele rompimento trágico, era cruel ver o quanto a vida dela se transformara nos últimos anos, quando os dois poderiam ter tido um futuro completamente diferente.

Os olhos azuis pousaram no menininho de cabelos loiros, e apesar da grande semelhança entre Magnus e seu pai, a primeira coisa que Weasley reparou foram nas características que ele tinha herdado da mãe. E o sorriso doce era o que mais se destacava.

Nos poucos segundos que Florence levou até parar a sua frente, Charles se perguntou como seria um filho gerado pelos dois e a imagem de uma criança ruiva com o sorriso angelical logo surgiu na sua mente.

O cuidador de dragão desviou sua atenção da criança para a loira a sua frente, e ao contrário dela, ele não exibia nenhuma máscara de frieza ou orgulho. Toda a surpresa e espanto que Charles sentia estava refletido em seu rosto bonito, as sobrancelhas ruivas ligeiramente franzidas e os lábios entreabertos, rodeados pela barba baixa.

- O que você está fazendo aqui, Florence?

Para Charles, não havia motivos para rodeios, tentando colocar uma formalidade que não existia entre os dois. O passado era tenso demais para que Charles tentasse amenizá-lo com palavras cordiais.

E a esperança de que Florence tivesse vindo até a Romênia para vê-lo pulsava discretamente em sua mente. A francesa tinha meios suficientes para descobrir sua origem. E se ela finalmente soubesse de toda a verdade? Do grande canalha que Pierre havia sido e de como ele havia se afastado dela apenas com medo do estrago que causaria na própria família?

Aquela remota e fantasiosa possibilidade fez com que o coração de Charles batesse acelerado, de uma forma que ele não sentia há anos. Os olhos azuis, sempre tão monótonos, adquiriram uma camada de brilho, apenas uma sombra do que ele costumava exibir quando os dois namoravam.

Sua expressão de curiosidade suavizou enquanto ele dava um passo na direção da francesa. O seu pomo-de-adão descia e subia enquanto ele engolia em seco, os olhos claros passeando pelas novas feições de Florence, tentando absorvê-la ao máximo.

- É mesmo apenas coincidência? – Ele gaguejou, mantendo a sacola de compras firme em seus braços. – Não me diga que veio a Romênia apenas para ver dragões. Eu ainda me lembro do seu pavor no Torneio Tribuxo.

A lembrança fez com que o canto dos seus lábios tremesse em um quase sorriso, mas Weasley se esforçou para conter. Antes que ela respondesse, ele voltou a franzir as sobrancelhas e inclinou o rosto alguns centímetros para o lado.

- Uau... Você está mesmo muito diferente. Os anos fizeram muito bem para você, Flor.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Dom Fev 14, 2016 1:18 am

Participar de uma Copa Mundial de Quadribol talvez fosse o único sonho que Oliver Wood ainda não realizara em sua vida profissional. O goleiro já tinha a sua vaga garantida em um time de destaque, ganhava um salário excelente e colecionava atuações perfeitas. Mas ainda faltava a satisfação de representar o país numa competição internacional.

Na última convocação para a Copa do Mundo, Oliver ainda não estava totalmente consolidado no cenário esportivo. O rapaz já tinha jogado algumas partidas como titular do Puddlemere United e se saíra muito bem, mas ainda não tinha a sequência de boas atuações necessárias para carregar o uniforme da seleção inglesa.

A situação agora era bem diferente. Oliver Wood seria o nome mais citado se perguntassem aos britânicos qual era o melhor goleiro do país naquele momento. Portanto, o rapaz comparecia ao coquetel de convocação com uma grande esperança de ser um dos felizardos nomes lidos pelo técnico inglês.

Ao mesmo tempo em que sabia que as suas chances não eram nada desprezíveis, Wood tentava conter a própria empolgação para não parecer muito decepcionado com um possível fracasso. Mesmo desejando loucamente aquela vaga, Oliver estava pronto para cumprimentar um adversário caso não fosse seu o nome lido na convocação oficial.

Ao contrário de Anastasia, o goleiro do Puddlemere United não esperava encontrar a ex-namorada naquela noite. Quando chegou à festa, Oliver imaginou que seria um evento reservado apenas aos ingleses. Mesmo que a França fosse a sede da próxima copa, Wood não imaginava que o país teria interesse em mandar um representante para aquele evento. E muito menos que este representante seria ninguém menos que Anastasia Legrand.

Por isso, quando seus olhos captaram a imagem da francesa, Oliver não conseguiu disfarçar a surpresa. Cinco anos tinham se passado, mas seu coração reagiu como se Anastasia nunca tivesse saído de dentro do peito dele.

A ex-namorada estava mais madura e havia ganhado curvas interessantes que atraíram a atenção de praticamente todos os atletas daquele grupinho. Mas nenhum deles a encarou com a mesma profundidade de Oliver. Enquanto todos viam somente uma bela mulher, o goleiro do Puddlemere revia um fantasma que voltava para assombrá-lo. E voltava ainda mais bonita do que a memória dele era capaz de reproduzir.

A surpresa foi tão grande que Oliver se engasgou com o espumante que bebericava. Seria uma cena cômica se não fosse tão constrangedora. Enquanto Anastasia se afastava para o outro lado do jardim, o goleiro foi invadido por um acesso de tosse e estava profundamente vermelho e com os olhos lacrimejando quando finalmente conseguiu respirar de novo.

Um dos colegas de equipe ainda acertava as costas de Wood com tapas quando o goleiro recuperou o fôlego e aceitou tomar um gole de água para molhar a garganta que ardia depois daquele engasgo.

- Pelas barbas de Merlin, Wood! – o batedor soltou uma sonora risada – Você sempre engasga quando vê uma mulher gostosa?

Os olhos do goleiro se estreitaram até que suas íris se transformassem apenas em duas fendas azuis. Mesmo depois de tantos anos e de já ter perdido as esperanças de um futuro ao lado de Anastasia, Wood ainda se sentia desconfortavelmente enciumado ao escutar a loira recebendo aquele tipo de elogio de outros homens.

Antes que o goleiro pudesse se envolver numa briga e protagonizar o primeiro escândalo da sua irretocável carreira no quadribol, o chefe do Departamento de Esportes Mágicos subiu no pequeno palco montado no jardim da mansão e fez um discurso antes de anunciar a entrada do técnico inglês. O homem subiu ao palco ao som de incansáveis palmas, mas um profundo silêncio se espalhou por toda a festa quando o técnico retirou do bolso o pergaminho contendo os nomes da esperada convocação daquela noite.

- Os artilheiros convocados são... – ignorando a ansiedade de todos, o técnico leu calmamente os nomes – Terence Higgs, Leopold Bagman e Catarine McCormack.

Os três convocados foram aplaudidos enquanto subiam ao palco com enormes sorrisos de satisfação.

- Os batedores serão Adrian Pucey e Kenneth Hastings.

Por sorte, as palmas abafaram o palavrão resmungado pelo colega de Wood, que acabara de perder a vaga para um jogador de um time adversário.

- O goleiro convocado é... – aqueles dois segundos duraram uma eternidade para o goleiro do Puddlemere United - ... Oliver Wood.

Quando subiu ao palco e foi cumprimentado pelo técnico e pelos novos colegas, Wood sorria. Mas, sem dúvida, o sorriso não era tão amplo e sua felicidade não era tão plena como Oliver imaginara.

Enquanto o técnico anunciava o nome do apanhador e finalizava o time escolhido para a competição, os olhos azuis do goleiro passaram freneticamente pelos convidados em busca de uma certa cabeleira loira que seu coração conhecia muito bem.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Dom Fev 14, 2016 1:43 am

A maneira estupidamente informal como Charles a tratava fez com que Florence franzisse as sobrancelhas em estranhamento. Eles não se viam há cinco anos e tinham se separado da pior maneira possível. O britânico simplesmente se vendeu e sumiu da vida dela sem deixar vestígios. Como Charlie tinha coragem de tratá-la assim agora, como se ainda existisse algum elo entre eles?

A insatisfação de Florence com os rumos daquela conversa ficou evidente quando a loira recuou um passo, aumentando a distância que a separava de Weasley. A forma como Florence cruzou os braços defensivamente também indicava que ela não estava nada feliz em revê-lo, muito menos em lidar com a informalidade imposta pelo ex-namorado.

Apesar da insatisfação, Florence manteve aquela máscara de frieza e executou com perfeição o seu papel de dama da alta sociedade. Aquele comportamento da francesa era a maior prova de que a dor do término do namoro havia atingido de forma irrecuperável a sua antiga inocência.

- Eu não vejo como isso não seria apenas uma coincidência, Sr. Weasley. Definitivamente, eu não sabia que poderia encontrá-lo na Romênia.

A formalidade usada no “Sr. Weasley” reforçou a postura fria de Florence naquele fim de tarde. Era como se a loira usasse aquele tratamento unicamente para mostrar a Charlie que os dois não tinham mais intimidade para se tratarem pelos primeiros nomes.

- Eu estou no país apenas para um curto passeio. Na realidade, inicialmente era uma viagem de negócios do meu marido que nós transformamos em uma oportunidade de conhecer brevemente os belos cenários da Romênia.

Não foi por acaso que Florence citou o marido. Aquele comentário aparentemente casual tinha o objetivo de reforçar a imagem de uma mulher casada que deixara bem escondida no passado a história de amor vivida ao lado do britânico.

Para mostrar a Weasley que o fim do namoro dos dois realmente fora muito bem superado por ela, Florence deu a última punhalada no coração dele.

- Muito tempo se passou e a sua postura indica que provavelmente o senhor não está tão bem atualizado sobre a minha vida. – Florence abriu um sorriso mecânico que não atingiu seus olhos – Eu não sou mais Florence, ou Flor. Agora sou a Sra. Lothringen.

Com um discreto movimento de cabeça, Florence indicou o garotinho parado no meio da praça. Magnus encarava a mãe com um semblante confuso, sem compreender quase nada daquele diálogo que acontecia em inglês.

- E este é o meu filho, Magnus Lothringen.

Como estava habituado a agir com a boa educação aprendida com a mãe, tão logo ouviu o próprio nome soar em meio àquelas palavras esquisitas, o pequeno Magnus abriu mais um de seus sorrisos doces e acenou para o estranho.

- Oi.
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Re: Torneio Tribruxo

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