Torneio Tribruxo

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Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Sab Jan 16, 2016 5:58 pm

Era preciso elevar a cabeça para admirar toda a extensão do enorme e suntuoso castelo de Hogwarts. Embora toda a França soubesse que os ingleses possuíam talvez a maior e melhor escola de magia e bruxaria de todos os tempos, estar diante daquela imensidão superava todas as expectativas que as belas jovens de Beauxbatons pudessem ter sobre Hogwarts.

O palácio onde funcionava a Academia de Magia de Beauxbatons também era imponente, mas não podia ser comparado a Hogwarts. Exatamente por isso, as jovens francesas tinham uma nítida dificuldade em disfarçar a admiração enquanto eram conduzidas na direção do castelo inglês.

Quinze garotas tinham sido selecionadas, obviamente aquelas que possuíam as melhores notas e os melhores desempenhos em todas as matérias. A escolhida para representar Beauxbatons seria apontada pelo Cálice de Fogo, mas a diretora da escola não estava preocupada com esta escolha simplesmente porque conhecia o potencial das quinze alunas que a acompanharam naquela viagem.

Além das excelentes notas, as alunas de Beauxbatons tinham mais uma característica em comum. Todas eram donas de uma beleza única. Os impecáveis uniformes azuis modelavam seus corpos bem feitos, os pequenos saltos davam a elas uma impecável postura elegante e seus rostos eram naturalmente delicados.

Mas, apesar da beleza das quinze moças, quando as portas do Salão Principal se abriram, o que mais chamou a atenção dos ingleses num primeiro momento foi a enorme mulher que se destacava acima das alunas. Madame Maxime sem a menor sombra de dúvida tinha bem mais que dois metros de altura. E ela parecia ainda mais comprida quando rodeada pelas moças delicadas.

O salão, antes imerso em burburinhos, mergulhou num silêncio sepulcral. Todos os alunos de Hogwarts viraram as cabeças na direção da porta e os queixos de vários caíram diante da imagem de Madame Maxime rodeada por aquele conjunto de belas meninas. Todos sabiam que aquela era uma noite especial, na qual receberiam no castelo os demais participantes do Torneio Tribruxo. É claro que todos estavam ansiosos e curiosos, mas, definitivamente, ninguém esperava por aquela cena.

- Olympe!

- Albus!

Os dois diretores finalmente quebraram o silêncio. Dumbledore se colocou de pé no mesmo instante em que Maxime adentrava o Salão Principal. Os passos firmes da enorme mulher foram seguidos mais timidamente pelas garotas de Beauxbatons, que certamente estavam incomodadas com tantos olhares curiosos.

No meio do corredor central que separava as mesas que compunham o salão, os dois diretores se saudaram com um abraço. Albus Dumbledore não era um homem baixo, então era bizarro ver que sua cabeleira branca não alcançava nem mesmo as costelas da diretora de Beauxbatons.

- Por favor! – Dumbledore olhou ao redor depois de cumprimentar a colega – Vamos todos dar as boas vindas às nossas nobres convidadas de Beauxbatons!

Albus iniciou as palmas e foi prontamente seguido pelos professores. Os alunos, muitos deles ainda embasbacados, demoraram algum tempo a mais para reagirem. Mas logo as palmas ecoavam por todo o enorme Salão Principal de Hogwarts. Olympe Maxime lançou um sorriso de agradecimento ao seu redor e curvou o enorme corpo numa reverência, que foi prontamente imitada de forma muito mais singela e delicada por suas meninas.

- Creio que todos nós temos muito a ganhar com o Torneio Tribruxo e é uma honra para Hogwarts ser novamente a sede deste evento. – a voz de Dumbledore ecoou pelo salão quando as palmas finalmente cessaram – Mais do que uma competição de magia, o objetivo central deste torneio deve ser conviver com outros pontos de vista, aprender conhecimentos de uma nova cultura, estreitar os laços e construir novas amizades.

Além de Hogwarts e Beauxbatons, o Torneio Tribruxo também contaria com a participação de Durmstrang. Os alunos da Noruega já haviam chegado à Inglaterra no dia anterior e todos esperavam apenas pelas participantes francesas. O Cálice de Fogo já estava posicionado no centro do saguão de entrada de Hogwarts e, a partir daquela noite, começaria a receber os nomes dos candidatos a representante de suas respectivas escolas.

Era a primeira vez que Florence Legrand pisava em Hogwarts, mas ela não precisou de muitas explicações quando olhou ao redor e viu os alunos distribuídos em quatro grandes mesas. Antes daquela esperada viagem, a garota fizera questão de ler o famoso livro “Hogwarts: Uma História” e, portanto, sabia que o castelo era subdividido em quatro casas. A mesa com uniformes azuis certamente pertencia à Corvinal. Os grifinórios eram aqueles que usavam uniformes vermelhos e dourados. O amarelo era a cor predominante na mesa da Lufa-Lufa. E a Sonserina exibia as famosas cores verde e prata.

Havia ainda uma quinta mesa composta apenas por rapazes. Seus uniformes marrons, os casacos pesados e os traços sérios não deixavam dúvidas de que eram os noruegueses. E foi na direção desta quinta mesa que Albus Dumbledore apontou.

- Eu tomei a liberdade de reservar uma mesa exclusivamente para os nossos hóspedes. Mas é claro que nada impede que, num futuro próximo, os senhores de Durmstrang e as senhoritas de Beauxbatons se misturem a nós. A amizade é o principal objetivo deste torneio, como eu acabei de reforçar.

Legrand não descartava a chance de construir laços de amizade sincera com os ingleses, mas no momento se sentiu grata por não precisar se misturar aos olhos curiosos que a encaravam. A longa viagem e a ansiedade pelo torneio a deixavam exausta e a última coisa que Florence precisava era ser bombardeada por perguntas num idioma que ela conhecia, mas não dominava tão bem.

Além da típica curiosidade em torno das recém chegadas, Florence sabia que ela e a irmã estavam ainda mais em foco simplesmente por carregarem aquele sobrenome. Os Legrand eram extremamente famosos na França e aquela fama se estendia também pelos demais países europeus.

Desde os primórdios da história, os Legrand ocupavam cargos de confiança no Ministério da Magia francês. Era uma família extremamente rica e bastante ligada à política. O atual Primeiro Ministro da França era simplesmente o avô paterno de Anastasia e Florence.

Mas aquela era uma fama que, no momento, Florence daria tudo para não possuir. Porque era óbvio que, se ela ou Anastasia fossem selecionadas pelo Cálice de Fogo, não demorariam a começar os boatos de que a campeã de Beauxbatons estava sendo favorecida pelo simples fato de carregar o sobrenome do Ministro da Magia francês.

- Quando eles vão parar de nos encarar como se fôssemos aberrações? – Florence cochichou ao ouvido da irmã enquanto as duas ocupavam seus lugares na mesa dos estrangeiros – Eu me sinto na pele de um trasgo montado num hipogrifo!
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Jan 16, 2016 7:24 pm

Assim como todos os alunos de Hogwarts, duas cabeças ruivas estavam viradas com curiosidade na direção nas francesas recém-chegadas, mas cada par de olhos castanhos estava com um foco diferente.

O pequeno Percy Weasley estava pálido, o que realçava as sardas que salpicavam o seu rosto, e os lábios entreabertos denunciavam a surpresa a cada passo que Madame Maxime dava, acompanhando seus movimentos com receio.

- Ela é uma gigante, Charlie!

A vozinha do menino de doze anos saiu sussurrada e falhada, entregando ainda mais sua admiração mesclada com o pavor, o que arrancou uma gargalhada do irmão mais velho, sentado ao seu lado.

- Você sabe o que gigantes fazem, Percy?

O braço de Charles Weasley rodeou o irmão e ele precisou inclinar para frente, estreitando os olhos em uma expressão ameaçadora.

- Devoram até os seus ossinhos se você andar pelos corredores fora do horário. Sugiro que fique dentro do salão comunal e não procure problemas, sim?

Percy arregalou os olhos e as íris castanhas foram do irmão até novamente a grande diretora da escola francesa, engolindo em seco. Ao perceber que havia atingindo seu objetivo, Charles alargou o sorriso e permitiu que seu olhar se voltasse para o foco anterior, encontrando as cabeleiras loiras das meninas francesas.

Estar de volta a Hogwarts para mais um ano letivo era sensacional, mas era uma sorte incrível poder assistir a um torneio tribuxo em seu último ano. Seria ainda mais incrível se ele pudesse representar a escola e ganhar a taça, fechando da melhor maneira possível seus anos na escola.

Não havia absolutamente nada que Charles Weasley pudesse reclamar em sua vida. Suas notas eram excelentes, era monitor-chefe, capitão do time de Quadribol da Grifinória, tinha amigos queridos e uma família que poderia contar sempre. Ter a oportunidade de participar de um torneio daquela magnitude e ganhar apenas seria somado para as conquistas que ele jamais cobiçara, mas que havia colecionado para a própria vida.

A sensação de estar de volta a Hogwarts sempre lhe despertava um frio na barriga, mas Charlie tinha certeza que aquele ano seria diferente de qualquer outro. A simples presença das escolas estrangeiras dentro do castelo era suficiente para lhe provocar uma certa empolgação com a expectativa dos dias que estavam por vir.

- Elas precisam ser tão loiras?

Mais uma vez, os olhos castanhos de Charles foram desviados das alunas de Beauxbatons, apenas para se focar no par de olhos azuis a sua frente, encontrando o rosto franzido de Helena McLaggen. A colega da grifinória não costumava ser mal-humorada, mas parecia incomodada como os rapazes a sua volta estavam interessadas nas novas atrações.

- Os Weasley também são tão ruivos para você, Lena?

Apesar da pergunta direta, Charlie não deixou de exibir um largo sorriso nos lábios naturalmente vermelhos. Uma das sobrancelhas ruivas havia erguido ligeiramente, e mesmo com a expressão sarcástica, o apanhador da Grifinória não deixava de ser atraente.

Dono de uma beleza exótica, Charlie tinha os típicos cabelos vermelhos que tanto caracterizavam sua família. E nem mesmo as vestes de segunda mão camuflavam o belo porte físico, com ombros largos. O rosto, mesmo com algumas manchinhas que lembravam ferrugem, era largo e bem definido, o nariz reto e a boca bem desenhada.

Ao contrário da imagem desengonçada do irmão caçula ao seu lado, Charlie parecia perfeitamente confortável com o próprio corpo, com movimentos precisos, dignos de um excelente apanhador e o olhar confiante.

- Não seja demente, Charlie. – Helena revirou os olhos, e mesmo com a troca de ofensas, era possível notar que os dois eram amigos.

***

- Você vai colocar o seu nome no cálice???

Percy precisava correr para alcançar o irmão com as suas pernas magrelas e curtas, lutando para manter a proximidade.

- Mamãe vai surtar, Charlie! E se você for sorteado???

- Toda a ideia de colocar o nome no cálice é exatamente ser sorteado, Percy.

Ignorando o chorinho do irmão, Charles entrou no salão principal na manhã seguinte, onde o Cálice de Fogo continuava ao centro, exibindo suas chamas azuis sem cessar. Como havia se tornado um costume desde a chegada da Durmstrang, alguns alunos passavam seus horários livres ali, apenas para acompanhar as inscrições dos corajosos que ousavam sonhar em ser um dos campeões.

Charlie logo reconheceu alguns dos amigos do sétimo ano e alguns rostos que já começavam a se tornar familiares dos rapazes da Noruega. A diferença naquela manhã eram algumas figuras femininas vestindo o uniforme azul da escola francesa.

Com passos decididos, o ruivo seguiu o caminho até o cálice e, sem piscar, depositou o pedaço de papel com seu nome, abrindo um largo sorriso quando as chamas acolheram sua inscrição.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Sab Jan 16, 2016 7:59 pm

Ao contrário da irmã, Anastasia Legrand não se sentia incomodada com os olhares curiosos dos alunos de Hogwarts. Seus olhos esverdeados buscavam cada novo detalhe daquela escola, encantada com toda novidade que começava a absorver. O teto encantado, as velas flutuantes, a grandeza de cada canto, tudo era de tirar o fôlego.

Por mais que estivesse acostumada com a luxuosidade da escola na França, precisava admitir que Hogwarts possuía uma magia própria até mesmo em suas paredes de pedra. Mas bastou alguns passos para que sua única atenção se tornasse o cálice exposto no centro do salão, diante de todos.

Um discreto sorriso surgiu em seus lábios enquanto ela acompanhava os passos das demais colegas e de Florence, de forma puramente mecânica, alheia ao restante dos acontecimentos. Sua mente, sempre a frente, já produzia imagens de quando seu nome fosse sorteado pelo cálice, nomeando uma Legrand para a campeã da Beauxbatons.

Era de conhecimento de todos que as alunas selecionadas para acompanhar Madame Maxime naquela viagem exibiam um excelente currículo, e Anastasia não era diferente. Desde o começo da vida acadêmica, todo seu esforço era para ser a melhor em tudo que escolhesse se dedicar: nas aulas de Feitiços e Poções, em aprender piano, em colecionar medalhas e conquistas para exibir aos pais. Ela não poupava esforços em ser a melhor, sempre.

Quando a notícia sobre o Torneio Tribuxo alcançou as terras francesas, Anastasia viu mais uma oportunidade de provar que poderia ser a melhor. Seria sem dúvida uma vitória singular poder levar a taça Tribuxo para casa, enchendo não só os pais, como também toda a escola de orgulho.

Os olhos verdes apenas se desviaram do cálice quando a voz da irmã soou ao seu lado, fazendo com que Anastasia balançasse os ombros.

- Um trasgo montado num hipogrifo muito bonito, por sinal. – Ana piscou um olho, com um sorriso divertido nos lábios enquanto ocupava um lugar ao lado de Florence. – Essas meninas de Hogwats são horrorosas, Flor. Eles estão apenas surpresos porque você é linda. É melhor se acostumar.

**

Por mais confortáveis que fossem as instalações providenciadas por Madame Maxime, Anastasia se revirou na cama durante toda a noite, sem conseguir dormir. Mesmo assim, quando o dia amanheceu, seu rosto continuava impecável e sem aparência de cansaço.

A genética dos Legrand havia premiado as duas irmãs com uma beleza angelical, os fios loiros e olhos claros. Mesmo sendo gêmeas, era fácil notar a diferença em seus traços faciais, e principalmente na cor dos olhos: enquanto Florence exibia belos olhos azuis, Anastasia possuía um par de íris esverdeadas. Ana também era alguns centímetros mais baixa, o que denunciava os poucos minutos a mais que havia demorado para nascer.

Quando as irmãs entraram no castelo, Ana já carregava consigo um pedaço de pergaminho perfumado com o próprio nome escrito em uma caligrafia perfeita. O uniforme azul balançava com o movimento de seus passos, mas os olhares haviam diminuído drasticamente desde a noite anterior, embora ainda fosse impossível passar sem ser notada.

- Apenas ignore os olhares, Flor. Já disse, estão apenas surpresos com a sua beleza.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Sab Jan 16, 2016 8:21 pm

A notícia sobre o Torneio Tribruxo já circulava pelos corredores de Hogwarts desde o fim do último ano. O Profeta Diário havia publicado a decisão do Departamento de Cooperação Internacional em Magia de organizar aquela competição e, desde então, Oliver Wood não passara um dia sequer sem esperar pelo início do torneio.

Wood era reconhecidamente um amante de esportes, principalmente de quadribol. Como goleiro do time da Grifinória, o rapaz exercia diretamente aquela paixão. Mas, ao contrário do que acontecia com a maioria dos colegas, para Oliver o quadribol não era apenas um passatempo. O maior sonho do goleiro do time dos leões era sair de Hogwarts e assinar um contrato com um time profissional.

Embora fosse um excelente jogador, Wood sabia que precisava de mais do que isso para ser reconhecido. E uma possível boa participação num torneio internacional era a janela que Oliver precisava para que seu nome se espalhasse e para que algum time profissional lhe desse uma chance.

Era uma atitude ousada, mas Wood não pretendia recuar mesmo diante das histórias que circulavam pelo castelo sobre o quão perigosas costumavam ser as provas do Torneio Tribruxo. Alguém tinha que vencer e Oliver, como um bom grifinório, estava disposto a enfrentar com coragem todos os riscos que o separavam daquela necessária glória.

A chegada dos alunos de Durmstrang, contudo, serviu como um abalo nas estruturas de Oliver. Todos sabiam que a escola norueguesa tinha uma vertente um pouco diferente com relação às disciplinas e costumava formar bruxos capacitados e destemidos, com um amplo conhecimento sobre feitiços de combate e sobre as artes das trevas.

Por outro lado, as garotas de Beauxbatons balanceavam aquela equação. As meninas pareciam tão delicadas e inocentes que era uma vergonha temer um torneio que as francesas encaravam com tanta naturalidade.

- Tire este sorriso imbecil da cara, Wood. – as palavras ecoaram da mesa vizinha.

A voz divertida de Nymphadora Tonks trouxe o goleiro grifinório de volta à realidade. Além de artilheira do time da Lufa-Lufa, Tonks era uma das melhores amigas de Wood e conhecia todos os planos de Oliver, embora não concordasse inteiramente com as ideias dele.

- Elas são tão inofensivas quanto um dragão búlgaro com pimenta nos olhos. É uma tolice se deixar enganar por esses rostinhos de princesas. Elas vão te massacrar!

Era nítida a intenção de Nymphadora em fazer o amigo desistir da ideia de participar do torneio. Tonks não duvidava da capacidade de Oliver, apenas preferia não vê-lo arriscando tanto o próprio pescoço apenas para garantir um contrato como jogador de quadribol.

- Eu acho que sei lidar muito bem com garotas pouco delicadas, Dora. Convivo com você há mais de seis anos, esqueceu?

O sorrisinho maldoso de Wood fez com que Tonks estreitasse os olhos. Seus fios castanhos adquiriram uma coloração avermelhada e a lufana bufou, voltando a atenção novamente para o discurso do diretor. Os olhos verdes da garota giraram enquanto ela pensava que Dumbledore nunca perdia a oportunidade de se destacar em um infindável discurso que atrasava o jantar. Será que ele não percebia que todos estavam famintos?

(...)

Por mais que aquela decisão já tivesse sido tomada há semanas, Oliver Wood sentiu um frio percorrer sua espinha quando escreveu o próprio nome num pedaço de pergaminho e dirigiu seus passos na direção do Cálice de Fogo.

Praticamente todos os alunos do sexto e do sétimo ano de Hogwarts faziam a mesma coisa, o que diminuía bastante as chances do nome de Wood ser o selecionado. Mas ele precisava tentar. Era a sua grande chance, afinal.

Os cabelos castanhos do grifinório, como de costume, estavam meio bagunçados naquela manhã. A longa capa com o brasão da Grifinória escondia um pouco as roupas amassadas, mas um bom observador notaria que Wood havia dormido com o uniforme. Aliás, ele não havia dormido de fato. A ansiedade só permitiu que o rapaz ficasse se mexendo de um lado para o outro na cama, enquanto esperava que o grande dia amanhecesse.

Os olhos azuis refletiam uma nítida ansiedade quando captaram a imagem do cálice exposto no saguão principal do castelo. Ele deu apenas um passe na direção da aglomeração em torno do Cálice de Fogo quando reconheceu a sombra rosa que se posicionou ao seu lado.

- Eu não vou desistir, Tonks.

- Eu sei. Não estou aqui para fazer você desistir, Wood.

A lufana exibiu um sorrisinho antes de abrir os dedos e mostrar a Oliver um pedaço de pergaminho com os dizeres “N. Tonks”. Os olhos do rapaz se estreitaram e ele não conseguiu disfarçar a revolta.

- E aquele papo de que é perigoso demais, de que é uma loucura se arriscar tanto!?

- Você é um adversário de peso. – a garota deu de ombros – Guerra é guerra, Wood. Que vença o melhor.

Oliver manteve os olhos estreitados por mais algum tempo, mas acabou rindo. Depois de seis anos de convivência, ele não esperava outra coisa da melhor amiga.

Os dois trocaram mais algumas provocações antes de adentrarem o círculo mágico em torno do cálice, que não permitiria a passagem de nenhum aluno com menos de dezesseis anos. Nymphadora precisou se colocar na ponta dos pés para depositar seu nome nas chamas azuladas e foi seguida pelo melhor amigo.

Em algumas horas, durante o jantar daquela noite, apenas três nomes seriam sorteados e o Torneio Tribruxo seria oficialmente iniciado. É claro que Oliver vibraria por qualquer colega de Hogwarts que tivesse tamanha sorte, mas o goleiro da Grifinória se permitiu um pensamento egoísta naquele dia. Aquela glória tinha que ser dele!
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Sab Jan 16, 2016 9:27 pm

Ao contrário da irmã, Florence não possuía o desejo de se destacar e de mostrar a todos que ela era a melhor. Apesar das boas notas e do excelente desempenho em Beauxbatons, Legrand encarava o Torneio Tribruxo apenas como uma possibilidade ímpar de passar alguns dias no famoso castelo de Hogwarts, de conhecer melhor a cultura dos ingleses e talvez fazer novos amigos.

É claro que o nome de Florence foi depositado no Cálice de Fogo juntamente com o de Anastasia, mas era nítido que as gêmeas tinham pensamentos distintos. Florence torcia para que seu pergaminho nunca mais saísse daquelas chamas azuladas ao passo que Anastasia venderia uma parte da alma por aquela chance.

Durante todo o dia, o castelo ficou movimentado, principalmente na parte do salão onde ficava localizado o Cálice de Fogo. As aulas foram suspensas naquele dia e, portanto, até mesmo os alunos mais novos puderam acompanhar os colegas que se inscreviam na competição. Mesmo antes dos campeões serem selecionados, várias torcidas já começavam a ser formadas.

Quando o sol finalmente se despediu e deixou que a escuridão da noite tomasse conta do céu de Hogwarts, a ansiedade já consumia a todos. Até mesmo os professores e os diretores se mexiam em suas cadeiras enquanto o Salão Principal se enchia. Os burburinhos se somavam, mas novamente um silêncio profundo se instalou no local quando Dumbledore se colocou de pé.

Exatamente por causa deste silêncio, a voz de Nymphadora Tonks se destacou, vinda da mesa da Lufa-Lufa.

- E lá vem mais um discurso...

Várias cabeças se voltaram na direção dela, inclusive a de Dumbledore. Quando percebeu que havia falado alto demais, o rosto da lufana adquiriu uma coloração rosada e seus cabelos ficaram profundamente vermelhos. Oliver Wood trocou um olhar debochado com Charles Weasley antes de apertar os lábios com força, tentando segurar a gargalhada.

- Prometo que serei breve desta vez, Srta. Tonks. – a voz suave de Dumbledore mostrava que o diretor não estava ofendido – Até porque estou tão ansioso quanto todos vocês.

Na mesa destinada aos estrangeiros, Florence Legrand sacudiu a cabeça em negativa, como se duvidasse das palavras do diretor de Hogwarts. Dumbledore poderia até estar curioso, mas ela duvidava que ele estivesse tão ansioso quanto os alunos inscritos no torneio.

O único lado positivo de toda a ansiedade gerada naquela noite era que a atenção de todos estava voltada para o Cálice de Fogo. Florence, que odiava ser o foco dos olhares, apenas fazia uma prece muda para que seu nome não fosse o sorteado de Beauxbatons. Isso daria a ela toda a paz que a garota precisava para aproveitar ao máximo a sua estadia no famoso castelo de Hogwarts.

- Com a ilustre presença do chefe do Departamento de Cooperação Internacional em Magia, o Sr. Bartemius Crouch...

Dumbledore fez uma pausa e iniciou as palmas que saudaram o representante do Ministério da Magia, que fazia parte da mesa dos professores naquela noite.

- Daremos início às formalidades do Torneio Tribruxo.

As palmas se repetiram, desta vez com ainda mais vigor. Uma exclamação geral ecoou pelo Salão Principal quando as chamas do Cálice de Fogo se elevaram e começaram a tremeluzir mais, dando um brilho azulado a aquele ponto do salão.

- Vamos às regras. – a voz opaca de Crouch ecoou pelo salão silencioso – O Cálice de Fogo vai selecionar três nomes, um aluno de cada país será escolhido para representar o nome de sua escola. Depois de selecionado, o campeão não poderá desistir e terá que enfrentar as três provas previamente determinadas para o torneio. Em todas as provas, haverá um grupo de juízes que dará as notas e aplicará punições a possíveis irregularidades. Essas e as demais regras estão registradas no pergaminho exposto ao lado do cálice, então pressupõe-se que todos os inscritos estavam cientes de tais obrigações. Dito isso, vamos aos esperados nomes!

Com um toque da varinha de Crouch, as chamas do Cálice de fogo se elevaram ainda mais e uma pequena explosão antecedeu o momento em que o primeiro pergaminho voou para fora do cálice. Todos os olhares acompanharam o gracioso movimento do pedaço de pergaminho, que girou pelos ares algumas vezes antes de aterrissar nos dedos de Barty Crouch.

- E o campeão de Durmstrang é... – Crouch fez uma pausa, causando uma movimentação na mesa dos estrangeiros – O Sr. Bellamy!

Como todos já esperavam, um dos enormes alunos noruegueses se colocou de pé. Ouvindo as palmas, Aaron Bellamy caminhou de cabeça erguida até se colocar ao lado dos diretores e recebeu um abraço caloroso de Igor Karkaroff. Se as provas do torneio dependessem apenas de força física, o campeão de Durmstrang levaria a taça. Mas Aaron teria que mostrar inteligência e um bom desempenho em magia, o que aumentava as chances dos seus adversários.

O silêncio novamente inundou o salão quando o segundo pedaço de pergaminho voou para fora do Cálice de Fogo.

- A campeã de Beauxbatons é...

As moças trocaram olhares apreensivos. Por baixo da mesa, Florence agarrou a mão de Anastasia enquanto implorava mentalmente por qualquer outro nome que não fosse o seu.

- A Srta. Legrand!

Os demais alunos bateram palmas, mas as francesas franziram as testas como se aquela informação fosse inútil. Florence encolheu-se em seu assento quando todos os olhos se voltaram para as duas irmãs. Barty Crouch percebeu que havia algo errado e se voltou para a mesa dos diretores. A explicação veio da voz firme de Maxime.

- Qual das duas? Temos duas Srta. Legrand, Sr. Crouch.

- Ah, sim! – Crouch olhou novamente o papel antes de anunciar – Anastasia Legrand!

O sentimento que invadiu o peito de Florence não poderia ser mais ambíguo. Por um lado, ela estava profundamente aliviada por não ser o seu nome nas mãos do representante do Ministério da Magia. Por outro lado, havia um profundo medo de que Anastasia se machucasse durante o torneio. Se tivesse a chance de escolher, Florence desejaria que nenhuma das duas fosse selecionada, por mais que soubesse que aquele era o grande desejo da irmã.

- Boa sorte... – antes que Anastasia se levantasse, Florence a puxou para um abraço apertado – Você sabe que pode contar comigo, Ana.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Jan 16, 2016 9:59 pm

Os olhos castanhos de Charlie acompanhavam cada movimento do salão com atenção, como um perfeito espectador, sentindo-se sortudo por ter a oportunidade de presenciar um evento como o Torneio de Tribuxo em Hogwarts.

Assim como os colegas, ele aplaudia e saudava a cada nome sorteado. Quando Bellamy deixou o restante dos alunos da Durmstrang e acompanhou Igor Karkaroff até uma sala lateral ao salão principal, o ruivo se inclinou para o lado, cutucando Oliver Wood pelo ombro.

- Eu já vi a professora McGonnagal conversando com esse aí. É tão grande quanto um trasgo, e igualmente inteligente.

Não era comum que Charles Weasley fizesse comentários maldosos a respeito dos outros, mas a postura de Bellamy era tão confiante que era preciso dizer para o amigo e para si mesmo, na esperança de não se intimidarem. Independentemente de quem fosse o campeão por Hogwarts, aquele ainda era um inimigo que deveria ser vencido.

O salão voltou a mergulhar em silêncio para que a campeã da Beauxbatons fosse anunciada, e novamente uma onda de palmas ecoou pelas paredes de pedra. Enquanto aplaudia mecanicamente, os olhos confusos de Charlie procuraram pela francesa selecionada, quando nenhuma delas se levantou.

- O que está acontecendo? – Helena perguntou, esticando o pescoço.

Antes que Madame Maxime pudesse esclarecer a confusão, Charlie percebeu que as cabeças das francesas estavam viradas para duas loiras sentadas muito próximas. As duas estavam vermelhas, mas enquanto uma delas parecia se esforçar para não demonstrar qualquer sinal de constrangimento, a outra estava nitidamente apavorada.

O ruivo sentiu o estômago afundar ao imaginar que o cálice poderia escolher alguém que não estivesse tão empolgado em participar daquele desafio. Além da responsabilidade de carregar o nome da escola, o escolhido certamente enfrentaria desafios que colocariam não só a inteligência a prova, como também a própria vida em risco.

A expressão tensa de seu rosto suavizou quando o nome de Anastasia foi dito e uma das loiras se levantou, deixando a outra, ainda apavorada em seu lugar. Apesar de não conhecer nenhuma das duas, Charlie se sentiu aliviado por não precisar assistir alguém entrando naquele torneio contra a própria vontade.

Por mais que colocar o nome no cálice não fosse obrigatório, ele sabia que muitos colegas eram motivados pela adrenalina ou pela simples diversão, e não pensavam com clareza no risco que estariam enfrentando. Se arrepender de algo tão grave, em tão pouco tempo, seria terrível.

Apenas quando Anastasia desapareceu do salão, sendo acompanhada por Madame Maxime, o silêncio voltou a assumir o salão principal, de uma forma ainda mais intensa do que antes. Não havia um único aluno de Hogwarts que ousasse cochichar, nem mesmo Tonks.

Barty Crounch continuou com seu olhar sério e esticou a mão para o cálice mais uma vez. Charlie se remexeu em seu lugar e apurou os ouvidos, como se pudesse perder o nome do campeão por um único segundo de distração.

Um novo papel foi cuspido pelo fogo enfeitiçado e amparado no ar pelos dedos habilidosos do funcionário do ministério da magia. Charlie teve a impressão de que ele levou alguns segundos a mais para dizer o sorteado, quando finalmente ergueu os olhos para os alunos ansiosos e encheu os pulmões de ar.

- Sr. Wood! Oliver Wood.

A decepção de não ouvir o próprio nome não durou mais do que dois segundos. O salão explodiu em aplausos e gritos de felicitações, a mesa da grifinória parecia ter acabado de ganhar a taça das casas, contentes de que o campeão de Hogwarts pertencesse a casa dos leões.

Antes que Oliver pudesse acompanhar os outros dois estrangeiros, Charlie o puxou pela mão e gritou ao seu ouvido, a voz abafada pelas palmas que ainda ecoavam.

- Um é burro como um trasgo e a outra é mais delicada que um ovo de dragão. Essa taça é nossa, Oliver!
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Sab Jan 16, 2016 10:44 pm

O próprio nome, dito naquela voz meio apática e sem vida de Barty Crouch, ecoou na cabeça de Oliver Wood por várias vezes antes que o rapaz finalmente entendesse o que estava acontecendo. Os colegas mais próximos encheram suas costas de tapinhas amigáveis e Charlie Weasley berrou alguma coisa no ouvido do goleiro, mas Wood ainda estava aéreo demais para compreender todos os acontecimentos a sua volta.

Por mais que aquele fosse o seu desejo há meses, Oliver não tinha tanta convicção de que seria o escolhido. Ele era um bom aluno na maior parte das matérias, mas não era o melhor em nenhuma delas. Seu único destaque inquestionável era no campo de quadribol, mas o rapaz não imaginava que o Cálice de Fogo levaria esta qualidade em consideração diante de tantos alunos mais inteligentes e mais habilidosos em magia.

Mesmo não entendendo quais eram os critérios do cálice, Oliver se colocou de pé. A mesa da Grifinória iniciou um animado coro de “Wood, Wood, Wood!” e foi prontamente acompanhada pelos alunos da Corvinal e da Lufa-Lufa. Os sonserinos, como já era esperado, se recusaram a vibrar com a vitória de um aluno da Grifinória. Oliver lutaria por toda Hogwarts, mas a casa de Slytherin não se sentia representada por um “rival”.

O primeiro sorriso amplo de Oliver veio no instante em que Dumbledore o puxou para um caloroso abraço. O rapaz finalmente entendeu a dimensão daquela seleção e, por maior que fosse o peso em seus ombros, sentiu-se feliz e honrado com a chance de representar todo o castelo.

- Nem eu teria escolhido tão bem, Sr. Wood. É uma honra tê-lo como o campeão de Hogwarts!

As palavras de Albus foram dirigidas apenas a ele, mas Oliver se sentiu publicamente homenageado por aquele elogio. Apesar de excêntrico ao extremo, Dumbledore era um dos maiores bruxos de todos os tempos e Wood jamais se esqueceria de que ouvira tais palavras dos lábios dele.

Conforme mandava o protocolo, o diretor de Hogwarts acompanhou o aluno selecionado até uma porta lateral, que dava acesso a uma ampla e confortável sala.

Madame Maxime e Anastasia Legrand estavam elegantemente sentadas numa poltrona. No canto da sala, Bellamy e Karkaroff também conversavam numa entonação mais contida. Os quatro voltaram os olhos para a porta quando Dumbledore entrou com um dos braços apoiado nos ombros de Oliver Wood.

Dos três campeões, Wood de fato parecia ser o mais equilibrado. Bellamy parecia forte como uma rocha e Anastasia tinha um olhar absurdamente astuto. Oliver possuía porcentagens bastante semelhantes de resistência e inteligência. Mas é claro que isso só faria diferença se as três provas que estavam por vir não beneficiassem diretamente nenhuma das características particulares dos oponentes.

- Pois bem...

A voz de Crouch soou enquanto ele fechava a porta, finalizando a entrada naquela sala restrita.

- Imagino que todos já conheçam as regras, mas vale ressaltar os principais pontos do regulamento desta competição. Teremos três provas ao longo de todo o ano, portanto os senhores terão bastante tempo para se preparar no intervalo entre uma prova e a outra. Serão desafios que colocarão em prova todas as habilidades esperadas para um grande bruxo.

Enquanto Crouch discursava, Oliver tentava se concentrar nas palavras dele. Contudo, era muito difícil desviar a atenção dos dois adversários a sua frente.

Aaron Bellamy era, para dizer o mínimo, intimidador. Seus ombros largos, os vários centímetros a mais de altura e o fato do braço do norueguês ter a mesma espessura da coxa de Wood não eram detalhes nada animadores. Como Charlie dissera, Bellamy não parecia ser muito inteligente. Mas ele não precisaria de um cérebro ou de uma varinha quando tinha força o bastante para derrubar um ogro com um soco.

Por outro lado, Anastasia Legrand tinha a aparência delicada como as asas de uma borboleta. Mas o brilho determinado de seus olhos verdes e sua expressão astuta mostravam que ela não tinha medo do torneio. Esta confiança refletia ou uma grande insanidade ou uma profunda habilidade em magia.

- Durante o preparo para as provas, os senhores poderão contar com a ajuda de seus colegas. Os pais, professores e diretores estão terminantemente proibidos de influenciarem o resultado do torneio, mas nada impede que os senhores peçam auxílio aos amigos. Mas que fique claro que tal colaboração só será permitida no período de preparo! Durante a execução das tarefas, os senhores estarão sozinhos e contarão apenas com suas respectivas varinhas.

Barty se alongou um pouco mais discursando sobre as regras do torneio, mas a cabeça de Oliver se distanciou da voz do homem. Tudo o que o campeão de Hogwarts conseguia pensar era que seu sonho fora realizado. Wood tentaria vencer o torneio, é claro, mas o que ele realmente precisava era daqueles minutos de fama. Desde que não fizesse nenhuma grande trapalhada durante as três provas, as suas chances de conseguir um contrato eram enormes, mesmo sem a vitória.

- Mas o que...?

O grifinório retornou abruptamente para a realidade quando o enorme Aaron Bellamy se posicionou ao seu lado. Oliver piscou algumas vezes quando viu a cabeleira loira de Legrand também se aproximando e só entendeu o que estava havendo quando notou que mais alguém entrara na sala. Trajando o uniforme do Profeta Diário, um rapaz posicionava a câmera e tentava ajeitar os três jovens para a foto oficial do jornal.

- A menina na frente. – a famosa jornalista Rita Skeeter abanava a mão freneticamente – Não, não... a menina no meio!

Skeeter se aproximou dos três com um sorrisinho nos lábios e atreveu-se a ajeitar a gola do pesado casaco de Bellamy. Em seguida, voltou as mãos para os cabelos de Oliver e os puxou para trás sem muita delicadeza, dando um jeito nos fios arrepiados.

- Você está impecável, queridinha. – ela encarou Anastasia, sem encontrar na francesa nenhum defeito que pudesse estragar a foto – Fique no meio dos rapazes, assim chamará mais a atenção. Não que a bela neta do Primeiro Ministro francês precise de mais atenção, não é?

As palavras da repórter soaram em tom de brincadeira, mas era claro o desejo dela em envenenar os dois rapazes.

- Espero que o vovô Legrand não influencie os juízes do torneio, hm?
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Sab Jan 16, 2016 11:17 pm

Os poucos segundos que passaram desde que Barty Crounch disse seu sobrenome, até finalmente esclarecer qual das gêmeas havia sido selecionada, Anastasia não respirou. Ela sequer se mexeu, congelada como uma estátua, os olhos fixos no funcionário do ministério da magia.

Mesmo com o curto período, foi suficiente para que a loira duvidasse de si mesma. Ela tinha certeza que a escolhida pelo cálice havia sido Florence, e por mais que amasse a irmã, se sentiu imensamente frustrada por ter perdido aquela oportunidade única.

Entretanto, bastou ouvir o próprio nome para que o ar escapasse de seus pulmões e um brilho de surpresa assumisse seus olhos verdes. As palmas delicadas das colegas francesas não foram ouvidas enquanto ela virava o olhar para a irmã, um sorriso largo se espalhando pelo seu rosto.

A surpresa logo foi substituída pela confiança, como se Anastasia jamais tivesse duvidado de si mesma, e ela caminhou decidida pelo caminho indicado por Madame Maxime.

O sorriso não deixou os seus lábios por um único segundo, nem a aparência de Bellamy foi capaz de abalar sua confiança e felicidade. A jovem Legrand sabia que a habilidade com a varinha era completamente indiferente ao tamanho dos músculos, e quando levava em consideração seu próprio talento com magia, ela dificilmente se sentia ameaçada.

A loira escutou atentamente as regras ditas por Crouch, enquanto os olhos verdes passeavam por Bellamy e Wood, analisando seus oponentes. Era impossível dizer o quão talentoso o campeão de Hogwarts deveria ser com a varinha, mas a julgar pelo olhar perdido de Bellamy, Anastasia logo percebeu que era com o britânico que ela mais deveria se preocupar.

Quando Rita Skeeter assumiu o controle, Legrand já se posicionou da melhor forma possível. Estava acostumada a ter o rosto exposto nos jornais franceses, ao lado da família. Assim como o avô, o restante da família costumava ser acompanhada pelos jornalistas e fotógrafos em eventos sociais ou em pequenas conquistas. Ana ainda se lembrava de quando uma pequena coluna anunciava o início dos estudos das irmãs Legrand em Beauxbatons.

Ao ouvir o comentário de Rita, pela primeira vez desde que ouvira seu nome ser anunciado, o sorriso de Anastasia vacilou e ela girou os olhos verdes até se fixarem no rosto da jornalista.

A insinuação havia ficado tão cristalina quanto água, o que incomodou a jovem francesa. Ana sempre se esforçava para ser a melhor e raramente havia precisado da ajuda da família para conquistar qualquer coisa. Era ultrajante ouvir um comentário de tão péssimo gosto. Saber que aquilo poderia repercutir pelos jornais era uma ofensa enorme.

- Se acha que tive alguma ajuda do meu avô, posso mostrar minhas habilidades com a varinha antes do torneio começar. Que tal agora mesmo?

O sotaque francês estava carregado em cada uma das palavras, e logo arrancou um olhar severo de Madame Maxime. Por mais inteligente que fosse, era uma grande estupidez provocar alguém como Rita Skeeter. A varinha de Ana foi logo erguida enquanto ela se posicionava entre os dois rapazes, mas mantendo o sorriso superior nos lábios.

Um forte flash foi disparado quando uma fotografia foi tirada, mas o sorriso de lado de Rita denunciava que Anastasia ainda não estava livre de sua língua e pena afiadas.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Sab Jan 16, 2016 11:19 pm

Por mais que soubesse que Anastasia estava feliz em ser a campeã de Beauxbatons, Florence não conseguiu dormir direito naquela noite. Ela sabia melhor do que ninguém que a irmã gêmea era inteligente e absurdamente habilidosa com uma varinha em mãos, mas era impossível ignorar os riscos aos quais Anastasia iria se expor.

As duas, desde sempre, eram inseparáveis. Florence preferiria não pensar em como se sentiria se Ana se machucasse durante o Torneio Tribruxo. A ideia de perder a irmã era tão insuportável que a garota nem pensava em tal possibilidade. Mas estava feito. O Cálice de Fogo selecionara o nome de Anastasia e só restava a Florence a torcida para que tudo terminasse bem e a determinação de ajudar a irmã no que fosse possível.

Os três campeões do torneio tinham as suas obrigações e teriam um ano bastante tumultuado. Por outro lado, para os demais alunos, incluindo os estrangeiros, não havia nenhuma obrigação além de frequentar as aulas. E aquela era a parte positiva daquela viagem. Florence estava ansiosíssima para participar das aulas ministradas em Hogwarts.

As três escolas funcionavam de maneiras distintas e tinham suas próprias grades curriculares, com algumas disciplinas em comum e outras completamente diferentes. A principal diferença entre Hogwarts e Beauxbatons era o fato da escola francesa não ministrar aulas práticas sobre criaturas mágicas. Tudo o que Legrand sabia sobre tais criaturas era o que lia nos livros e, portanto, a loira se sentiu extremamente ansiosa ao ver que a sua primeira aula do dia seguinte era Trato das Criaturas Mágicas, junto com os setimanistas da Corvinal e da Grifinória.

Para agravar o constrangimento de Florence, ela teria que comparecer à aula sem a irmã. Anastasia tinha uma entrevista agendada para aquela manhã, juntamente com os outros dois campeões, e por isso fora dispensada das aulas. Ana costumava ser o porto seguro de Florence em momentos como aquele, mas naquela manhã nem este consolo existiria.

Junto com mais três colegas de Beauxbatons que também estavam escaladas para aquela aula, Florence chegou à clareira próxima à famosa Floresta Proibida. Mesmo já esperando pelos olhares, a loira se sentiu incomodada por ainda ser o centro das atenções. Quanto tempo os ingleses demorariam até se acostumarem com as presenças delas?

- Dividam-se em duplas.

A voz da professora Grubbly-Plank ecoou pela clareira e ela acrescentou quando viu as francesas trocando olhares entre si.

- Sugiro que as senhoritas de Beauxbatons formem duplas com alunos de Hogwarts. Afinal, é a primeira aula prática da qual participam, não? Quem se habilita a ajudar as nossas convidadas?

Não faltaram candidatos ingleses dispostos a cumprir as determinações da professora. As meninas de Hogwarts estreitaram os olhos e não ficaram nada satisfeitas, mas praticamente todos os garotos se adiantaram alguns passos, torcendo para serem escolhidos pela professora.

- Vou selecionar os alunos mais habilidosos, afinal as meninas são inexperientes com a matéria e precisarão de bastante auxílio. Deixe-me ver... – Grubby-Plank só precisou de alguns segundos para apontar os alunos que mais se destacavam na habilidade de lidar com as criaturas mágicas – Srta. Moore, Srta. Brown, Sr. Jordan e Sr. Weasley.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Sab Jan 16, 2016 11:50 pm

A felicidade de Wood era grande demais para que ele perdesse tempo com as insinuações maldosas de Rita Skeeter. Exatamente por acompanhar as colunas dela no Profeta Diário, Wood sabia perfeitamente bem que a mulher não deveria ser levada a sério. Bellamy, por outro lado, pareceu mais incomodado com a possibilidade da campeã de Beauxbatons receber algum tipo de benefício graças ao sobrenome Legrand.

No fim das contas, Rita Skeeter conseguiu a foto que tanto desejava e agendou uma entrevista com os campeões tribruxos para a manhã seguinte.

Como Oliver já esperava, ele foi recebido de volta no Salão Comunal da Grifinória com uma grande festa. Todos os colegas já contavam como certa a vitória de Hogwarts naquele torneio. Apesar do peso daquela responsabilidade, Wood não poderia estar mais feliz.

E esta mesma felicidade o acompanhava na manhã seguinte, quando Oliver sentou-se à mesa da Grifinória para tomar o café da manhã. Exceto pelos alunos da Sonserina, todos os demais faziam questão de acenar para o representante de Hogwarts e de demonstrar o seu apoio.

Wood estava aproveitando o gostinho saboroso daquela fama quando um exemplar do Profeta Diário foi bruscamente jogado por cima do seu prato.

- Heeeey! – o goleiro virou-se para Tonks, que naquela manhã optara por fios longos e alaranjados – Qual é, invasora? Volte para a sua mesa!

- Ui, nossa nova celebridade já está cheia de exigências? Leia o jornal, animal.

- Ho-ho! – o sorriso de Oliver se alargou quando ele viu a sua foto com Bellamy e Legrand estampando a capa do Profeta Diário – Cara, eu fiquei lindo! Vou pentear os cabelos mais vezes!

- Leia o jornal, galã. – Tonks repetiu com um sorrisinho maldoso – Você vai “amar” o que a Skeeter escreveu.

Os olhos azuis giraram antes que Wood começasse a ler a matéria escrita por Rita Skeeter. Por mais que o rapaz já esperasse pelos absurdos que a jornalista geralmente escrevia, sua expressão foi se tornando mais dura a cada linha ultrapassada por seus olhos.

Alguns trechos eram tão absurdos que Oliver se obrigou a ler novamente para conseguir acreditar que aquilo estava impresso no jornal.

“Aaron Bellamy, de Durmstrang, cuja inteligência parece ser inversamente proporcional ao tamanho dos seus bíceps. Faço tal observação sem receios, visto que o Sr. Bellamy certamente não compreenderia a insinuação.”

“A linda neta de Pierre Legrand, que não parece possuir nada além de um rostinho bonito e de uma língua afiada, é uma grande candidata. Afinal, o que lhe falta em habilidade lhe sobra em influência. Quem não queria ser uma Legrand?”

“Por fim, o campeão de Hogwarts pode ser definido como uma decepção. Que critérios foram usados pelo Cálice de Fogo? Segundo várias fontes, o Sr. Wood é um aluno abaixo da média fora do campo de quadribol. E, diga-se de passagem, nem mesmo dentro do campo é um grande destaque.”

- Mas que desgraçada essa Skeeter! Vadia pulguenta! Maldita!

- Calma, Wood. – Tonks apontou as últimas linhas – Ainda não acabou.

“Se eu tivesse que apontar o futuro dono da taça, não hesitaria em levar meu dedo na direção de Anastasia Legrand. Além de contar com o nome do vovô poderoso, a linda francesinha não terá dificuldade em ultrapassar seus oponentes. Legrand é mais inteligente que todos os alunos de Durmstrang (somados) e despertou no Sr. Wood um olhar tão tolamente apaixonado que não duvido que ele entregue de bom grado a taça à menina em troca de um beijo.”

- O QUEEEEEEEEEEEEEEEEEEE?

O grito indignado de Oliver ecoou por todo o salão, atraindo para si a atenção dos colegas. Tonks soltou uma risada divertida e apontou a fotografia, implicando com o melhor amigo.

- Nisso eu tenho que concordar com ela, Wood. Que cara de idiota foi esta?

Quando olhou a foto com mais atenção, Oliver sentiu ódio de si mesmo pela expressão que fazia ao olhar para Anastasia. Sem dúvida, a francesa era absurdamente linda. Mas ele não podia ter sido flagrado lançando aquele olhar admirado à adversária.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Jan 16, 2016 11:56 pm

Na posição de monitor-chefe, não havia uma única disciplina que Charles Weasley fosse ruim. O rapaz sempre se esforçava para se manter pelo menos na média e havia conquistado N.O.M.s consideravelmente bons. Mas, se havia alguma coisa que ele se destacava além do campo de quadribol, era nas aulas de Trato das Criaturas Mágicas.

Desde criança, Charlie sempre havia gostado de animais e vivia escondendo em seu quarto algumas corujas ou esquilos que encontrava no bosque perto da Toca. Havia sido no quinto ano em Hogwarts que ele finalmente se identificara com a disciplina, passando a ser referência diante dos professores e dos colegas que precisavam de ajuda.

A habilidade de entender e lidar com os animais era inquestionável. Charlie não se intimidava com o tamanho ou a aparência da criatura, se tinha uma textura gosmenta ou dentes afiados. Ele simplesmente se atentava nas principais características da espécie e procurava compreender o que o bicho estava pensando.

O dia havia amanhecido com uma temperatura agradável, com o céu completamente azul e sem nuvens, perfeito para uma aula externa. Mesmo daquele canto dos terrenos de Hogwarts, ainda era possível ver uma parte do grande navio da Durmstrang ancorado no lago, as águas escuras o envolvendo como um grande buraco negro.

Estar em Hogwarts dividindo os corredores que ele conhecia tão bem com novos rostos era estranho, mas Charlie estava disposto a abraçar aquele ano exatamente como Dumbledore havia sugerido, aproveitando ao máximo as novas amizades e o conhecimento de culturas que ele até então desconhecia.

Foi apenas com este intuito que Charles não hesitou em oferecer ajuda para as alunas da Beauxbatons. Ao ouvir seu nome, ele prontamente se colocou ao lado da francesa mais próxima e sorriu, esticando a mão grande em sua direção.

- Oi! Eu sou Charlie Weasley. Você é a outra Legrand, não é? Ouvi a sua diretora dizer ontem que haviam duas de vocês.

O sorriso largo fazia com que Charlie franzisse o nariz levemente, e a luz do sol iluminava ainda mais os fios vermelhos bagunçados. Enquanto falava, ele indicava o caminho para Florence, se aproximando de uma das bancadas colocadas pela professora Grubbly-Plank. Sobre a bancada, em uma caixa de vidro, era possível ver um preguiçoso lagarto de quase trinta centímetros, verde-prateado e que piscava preguiçosamente.

Todo seu corpo era coberto por um couro escamado, e apesar da aparência inofensiva, Charlie sabia que caso se sentisse ameaçado, o lagarto moveria suas escapas duras até formar espinhos.

- Não precisa se preocupar, é só um briba.

O ruivo explicou enquanto começava a vestir grossas luvas que estavam esquecidas ao lado do aquário.

- Estaríamos estudando animais maiores este ano, mas acho que a Plank quis começar devagar, para não assustar vocês.

Sem a menor cerimônia, enquanto os demais alunos ainda se organizavam, Charlie enfiou a mão no aquário e puxou o lagarto com as duas mãos, tomando o cuidado para não o apertar demais.

Quando percebeu que o briba estava confortável o bastante para não lançar nenhum espinho, o sorriso largo voltou a ocupar seu rosto e ele girou as íris castanhas para a loira a sua frente. Apesar de delicada, a menina tinha tudo para estar apavorada ou com nojo, como a maioria das garotas de Hogwarts ficavam.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Dom Jan 17, 2016 12:19 am

“A outra Legrand.”

Embora nunca tivesse desejado a glória oferecida pelo Torneio Tribruxo, Florence não gostou de perceber que ela havia sido rebaixada à “Legrand que não fora escolhida pelo cálice”.

Ela não sentia a menor inveja do foco voltado para Anastasia, mas nem por isso se sentia confortável em ser a menos importante das “duas Legrand”.

- Florence.

A voz da francesa era suave, mas sua entonação deixou claro que aquilo era mais do que uma simples apresentação. Era um aviso de que ela não gostara nada de ser chamada de “a outra Legrand”.

Ignorando aquele pequeno incômodo, Florence tentou se concentrar nas tarefas propostas para aquele dia. Ao contrário das demais alunas de Beauxbatons, Legrand esperava ansiosamente pelas aulas de Trato das Criaturas Mágicas. Afinal, era o conhecimento mais diferenciado que ela receberia no castelo de Hogwarts.

É claro que havia uma boa dose de receio somada à ansiedade, mas Florence não pretendia recuar. Ela sabia praticamente toda a teoria sobre as criaturas mágicas, mas Beauxbatons não oferecia às alunas nenhum tipo de aula prática.

Por mais que lesse exaustivamente sobre as espécies estudadas, Legrand nunca tivera contato com nenhuma delas.

Não demorou para que Florence percebesse que Charlie Weasley realmente se destacava naquela disciplina. O ruivo não demonstrou a menor hesitação antes de enfiar as mãos no aquário e resgatar o animal que estudariam naquela manhã.

- Um briba.

A loira repetiu com seu sotaque carregado, prolongando o “R” como exigia a língua francesa.

Ao contrário do que Charlie esperava, Florence não demonstrou nojo da criatura. Ela se aproximou com o típico receio de alguém diante de um ser inédito, mas não parecia apavorada. Embora nunca tivesse visto um briba, Legrand sabia as informações mais relevantes sobre a espécie.

- Quando ameaçado, o briba pode usar suas escamas como espinhos. É uma espécie muito comum na Inglaterra e na Irlanda. Seu couro pode ser usado na confecção de bolsas. Para fugir de predadores, o briba se enrola e encolhe de tamanho, tornando-se semelhante a uma pedrinha...

Apesar de saber praticamente tudo sobre a espécie, Florence parecia encantada em ver um briba pela primeira vez.

- Ele é adorável. Eu posso tocá-lo também ou você acha que ele vai me estranhar?
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Dom Jan 17, 2016 12:33 am

Na França, Anastasia estava acostumada a ser reconhecida pelos seus esforços. Pelo menos dentro do palácio da Beauxbatons, ninguém ousava questionar seu talento ligando ao sobrenome do ministro da magia.

As meninas que haviam crescido ao seu redor sabiam que a jovem Legrand tinha um talento nato com magia que nem mesmo a influência do avô poderia ajudar. Ser questionada tão publicamente sobre sua capacidade estava tirando o sono de Anastasia.

A loira, sempre confiante de si, estava furiosa quando entrou na sala destinada para a entrevista daquela manhã. O uniforme azul balançava com força em consequência de seus passos duros, assim como os cabelos loiros que esvoaçavam para trás.

Quando ela finalmente parou de andar, no meio da sala, o rosto estava ligeiramente corado, mas logo o cabelo voltou a assumir uma naturalidade perfeita, como se Ana tivesse tido todo um trabalho de deixa-lo naquela posição.

Bellamy estava largado em um dos sofás, próximo da lareira apagada, o Profeta Diário aberto diante de si. Aparentemente, Skeeter havia subestimado a capacidade de interpretação de texto do norueguês, que também entregava em suas expressões fechadas que não estava satisfeito com as palavras impressas na edição daquela manhã.

- Onde está aquele besouro peçonhento???

A loira parou diante de Bellamy, só então se dando conta da presença de Oliver, parado logo atrás do sofá. Diante dele, havia uma mesa com frutas e sucos, ainda intocada, e em uma das paredes haviam sido colocadas, lado a lado, as três bandeiras das escolas, onde provavelmente os campeões posariam para mais algumas fotos após a entrevista.

O lugar era grande e aconchegante, e mesmo com a temperatura agradável, Anastasia sentiu o rosto esquentar ao sentir o olhar de Oliver sobre si. Mesmo com toda sua confiança, a jovem Legrand não estava acostumada em se sentir desejada por um homem.

Sempre tão concentrada em se esforçar para alcançar seus objetivos, Anastasia não tinha consciência da própria beleza, e por mais que soubesse que as palavras de Skeeter haviam sido apenas com intenção de provocar os três campeões, era impossível se sentir impassível diante do grifinório.

- Ah, que ótimo! Estão todos aqui!

O largo sorriso de Rita Skeeter entregava que a jornalista pouco se importava pelas expressões de poucos amigos com que foi recebida.

- Por quem podemos começar? Sr. Bellamy? Que tal deixarmos o casalzinho a sós enquanto conversamos um minutinho?

Anastasia apoiou as mãos na cintura, sentindo o sangue ferver.

- Que tal começarmos pelas fotos? – Ela conseguiu sorrir enquanto caminhava decidida até Oliver, contornando o sofá de Bellamy.

Foi preciso ficar na ponta dos pés, mas no instante em que parou diante de Wood, seus braços rodearam o pescoço dele e a loira o puxou para um beijo. Mesmo com os olhos fechados, ela pôde escutar quando a câmera de Skeeter começou a fotografar compulsivamente.

Alguns segundos depois, Ana se afastou do rapaz sem ousar encará-lo uma segunda vez. Ela sabia que se encontrasse os olhos azuis novamente, entregaria a timidez que sentia internamente.

- Pronto. Já dei o beijo no Sr. Wood, então não há motivo algum para ele me entregar o troféu. Qual será a próxima desculpa para minha vitória agora, Skeeter?
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Jan 17, 2016 12:53 am

Apesar das palavras parecem ter saído diretamente de um dos livros da biblioteca de Hogwarts, Charlie se sentiu impressionado com a quantidade de informação que Florence tinha na ponta da língua. Era notável que era uma aluna dedicada, mas a admiração maior se devia ao fato daquele conhecimento ser exclusivamente de uma criatura mágica.

Com exceção de alguns poucos colegas, não era comum encontrar pessoas que compartilhavam o menor interesse naquela aula. A maioria das pessoas tinham medo ou simplesmente não possuíam paciência suficiente, perdendo a oportunidade de obter conhecimentos incríveis sobre utilidades e curiosidades de cada criatura que existia no mundo mágico.

O pedido de Legrand para tocar o lagarto fez com que Charlie erguesse uma das sobrancelhas ruivas, franzindo a testa. Era ainda mais surpreendente que uma menina tão delicada quanto Florence desejasse tocar em um bicho que poderia machucá-la.

A maioria das meninas do castelo sairiam correndo ou, no máximo, se dariam por satisfeita em ver o briba fora do alcance de suas mãos. Definitivamente, nenhuma delas pediria para tocar um lagarto que possuía espinhos como arma de defesa.

- Vista as luvas primeiro. Não queremos que você perca a primeira aula na ala hospitalar.

Com o queixo, Charlie apontou para o outro par de luvas sobre a bancada, e esperou que a menina as vestisse antes de passar o briba delicadamente. Em cada movimento, seus olhos castanhos estavam fixos no animal, atentos a qualquer alteração. Enquanto passava de um bruxo ao outro, o briba ergueu as pálpebras, se mostrando ciente da situação, analisando se deveria se defender ou não.

- Tome cuidado para não o apertar demais, o ideal é que você apenas o suporte, ele irá se acomodar nos seus dedos como bem preferir.

O ruivo sentia todos os seus músculos tensos sem desviar a atenção do lagarto. Apenas quando as pálpebras voltaram a cobrir os olhos esbugalhados preguiçosamente, ele conseguiu relaxar, erguendo as íris castanhas para o rosto agora muito próximo de Florence.

Um sorriso torto se espalhou pelos seus lábios quando seus olhos brilharam de admiração. A francesa era linda, mas até então, praticamente todas as alunas da Beauxbatons também eram. Mas bastava olhar ao redor para perceber que não eram todas que estavam aproveitando a aula como Florence.

- Você leva jeito, Florence. – Ele imitou o sotaque francês ao dizer o nome dela, na mesma entonação usada pela menina ao se apresentar. – Se não levou nenhuma espinhada até o momento, ele definitivamente gostou de você.

As pálpebras preguiçosas do lagarto se ergueram e ele girou os olhos esbugalhados para o bruxo, como se tentasse dizer algo. Charlie analisou brevemente as escamas de couro antes de abrir mais o sorriso.

- Desculpe. Ela gostou de você. Está vendo o padrão dessas escamas?

Com o indicador coberto pela grossa luva, Charlie apontou para o formato arredondado das escamas, sem encostar no briba.

- As fêmeas são assim. As escamas dos machos parecem mais um losango. Você realmente deu sorte, as fêmeas são extremamente arredias.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Dom Jan 17, 2016 1:00 am

Quando Anastasia Legrand entrou na sala destinada aos campeões do Torneio Tribruxo, Oliver sentiu seu sangue esquentar e torceu intimamente para que as bochechas quentes não estivessem tão coradas. Normalmente, Wood não costumava ser tímido com as garotas e era relativamente popular com as meninas de Hogwarts. Mas a forma como Skeeter o expusera nos jornais fora o bastante para despertar o constrangimento dele.

É claro que ele achava a adversária bonita. Qualquer rapaz com a visão meramente preservada diria que Anastasia Legrand era linda e estava muito acima da média de beleza feminina de Hogwarts. Mas Oliver não tinha a menor pretensão de se aproximar da loira com outras intenções. Primeiro porque eles eram oponentes num torneio internacional. E segundo porque Anastasia era bonita demais e certamente zombaria de suas ambições.

Exatamente pela certeza de que não tinha a menor chance com a francesa, Wood ficou completamente paralisado quando Anastasia se colocou na ponta dos pés, pendurou-se em seu pescoço e cobriu seus lábios com um beijo.

Os dois foram iluminados por uma sequência de flashes e tudo o que Oliver conseguiu fazer naquele estado de choque foi descruzar os braços e apoiar as mãos debilmente no tronco da francesa.

No instante em que Anastasia se afastou, Oliver sentiu o rosto arder e desta vez teve a certeza de que estava tão corado quanto uma cereja. Além do constrangimento, o campeão de Hogwarts sentia uma certa revolta em perceber que Legrand o usara para provocar Rita Skeeter. O agravante era que agora a jornalista tinha uma foto mais do que comprometedora e poderia usá-la na próxima publicação com a legenda que quisesse.

- Você é louca, garota?

As sobrancelhas de Oliver se franziram e ele encarou a loira ao seu lado com um semblante fechado. O beijo de Anastasia o esquentara por inteiro, mas Wood sentia que seu orgulho fora gravemente ferido pelo gesto dela.

No auge do desespero, Wood resmungou a primeira coisa que lhe veio à cabeça. Parecia ser a forma menos indigna de sair daquela situação embaraçosa.

- Esta idiota vai publicar a foto com a legenda mais comprometedora que conseguir inventar! O que eu vou dizer pra minha namorada???

- Namorada?

Skeeter, que já fazia menção de levar Bellamy para a entrevista, retornou à sala com um inegável interesse naquela declaração.

- Ora, ora, eu não sabia que o Sr. Wood era um rapaz comprometido.

A jornalista sacou de sua bolsa uma pena colorida como se fosse uma arma. E, no fim das contas, era um fato que a pena e o bloquinho de anotações de Skeeter causavam mais estragos que muitas armas poderosas.

- Qual o nome da felizarda, Sr. Wood? Não me diga que é aquela lufana excêntrica de cabelos coloridos? Ou talvez aquela artilheira da Grifinória, vocês parecem bem próximos!

Oliver se arrependeu daquela mentira no instante em que percebeu que aquilo também seria usado contra ele. Aliás, qualquer palavra dita diante de Rita Skeeter era uma arma que a loira poderia voltar contra a própria pessoa.

- Isso não é da sua conta, Skeeter! Aliás, eu não sou obrigado a fornecer informação pessoal nenhuma para você! Limite-se à sua obrigação de cobrir o Torneio Tribruxo!
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Dom Jan 17, 2016 1:19 am

A palavra “namorada” também foi recebida com surpresa por Anastasia, mas a loira sabia que estava correndo aquele risco no instante em que decidiu seguir com aquela atitude ousada diante de Skeeter.

Mesmo assim, Legrand não estava preocupada com possíveis problemas que pudesse causar no relacionamento de Wood. Na visão dela, o rapaz era apenas um peão naquele jogo que ela precisaria vencer. Provavelmente teria passado completamente desapercebido, se não fossem as insinuações absurdas de Rita no Profeta Diário.

- Também acho que deveria se limitar ao Torneio, Skeeter.

Pela primeira vez, a voz de Bellamy se fez ouvir naquela manhã. O rapaz da Durmstrang havia se levantado do sofá para acompanhar Rita, mas havia mudado seu caminho e agora se posicionava próximo de Oliver e Anastasia. Os braços fortes cruzados contra o peito, os muitos centímetros a mais do que qualquer outro presente enfatizavam sua atitude defensiva.

- Não vamos mais conversar com você. Pode se contentar em cobrir o Torneio.

A voz rouca e alta poderia intimidar qualquer um, até mesmo Anastasia, se ela também não estivesse ao lado de Bellamy. Apesar de baixinha e sem nenhum centímetro ameaçador em sua aparência, ela também cruzou os braços e arrebitou o nariz, em uma cena quase cômica por estar ao lado do norueguês.

- Está bem. Não há problema algum.

Era impressionante como o sorriso de Skeeter não era abalado nem por um segundo. Com um gesto da mão, o bloco e a pena voaram ao seu redor enquanto ela ajeitava a bolsa em seu ombro.

- Não preciso exatamente de vocês para cobrir a história. Os corredores estão cheios de pessoas querendo compartilhar as experiências vividas ao lado dos três campeões.

A mulher piscou um olho maldosamente enquanto se afastava.

- Espero que tenham sido bonzinhos com seus colegas.

Anastasia só descruzou os braços quando a porta se fechou, finalmente os livrando da presença desagradável de Rita Skeeter. Com um suspiro pesado, a loira se virou para Oliver, novamente sentindo as bochechas esquentarem.

- Desculpe. Eu posso conversar com a sua namorada e explicar tudo.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Dom Jan 17, 2016 1:21 am

Um brilho iluminou as íris azuis de Florence no instante em que o lagarto foi cuidadosamente passado para as suas mãos enluvadas. Não havia nenhuma sombra de medo ou nojo misturada à expressão de encantamento da loira. Nem mesmo Legrand conhecia o próprio gosto por criaturas mágicas, visto que não costumava ter contato com aquelas espécies.

Tal como Charlie aconselhara, Florence apenas envolveu o animal com seus dedos e deixou que o briba se acomodasse da forma mais confortável possível.

- Own! É uma menininha?

Definitivamente, Florence Legrand era a única garota presente naquela aula que chamaria um lagarto de “menininha”. As alunas de Hogwarts encaravam aquela tarefa como uma penosa obrigação enquanto as três francesas de Beauxbatons não conseguiam esconder as expressões enojadas e se mantinham bastante afastadas das bancadas.

- Ela não é arredia. É adorável!

Por mais bizarro que pudesse ser, a briba parecia gostar do sotaque afrancesado da garota. Nem mesmo quando Florence deslizou o indicador sobre as suas escamas, o animal se sentiu ameaçado.

Aliás, a primeira atitude pouco amigável da briba aconteceu quando a loira tentou devolvê-la para as mãos de Charlie. Algumas escamas se ergueram de forma ameaçadora e a briba recuou, com os olhos amarelos estreitados.

- Tudo bem, tudo bem... eu fico mais um tempo com você. Você se importa de escrever o nosso relatório, Weasley?

Sem tirar o lagarto das mãos, Florence se sentou ao lado do inglês e começou a ajudá-lo na confecção do relatório daquela aula. Os dois fizeram uma descrição longa e perfeita de todas as características daquela espécie antes de começarem a listar os cuidados necessários para lidar com um briba.

Charlie estava bastante concentrado no fim do relatório quando a voz suave de Florence chamou a sua atenção.

- Weasley... veja isso.

Quando erguesse os olhos para a colega, Charlie veria que a briba estava subindo vagarosamente pelo braço delicado de Legrand. Ao invés de entrar em pânico, a loira simplesmente acompanhava os movimentos do animal com um sorriso delicado nos lábios.

A caminhada do lagarto foi interrompida ao alcançar o ombro da menina. A briba se acomodou confortavelmente naquele ponto e fechou os olhos, retornando para um sono tranquilo e totalmente inocente.

- Ela é a criatura mais adorável que já conheci! Será que posso ficar com ela?
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Jan 17, 2016 1:43 am

Charlie não havia sido o único a perceber a facilidade com que Florence estava se adaptando na aula prática de Criaturas Mágicas. De longe, a professora Grubbly-Plank lançava olhares aprovadores e se permitiu sorrir com o desempenho da dupla, orgulhosa com o que havia acabado de unir.

Era de conhecimento de todos a predileção da mulher pelo Weasley, que tinha para si como seu pupilo, de longe o melhor aluno que já tivera em tantos anos lecionando. Descobrir que havia outro exemplar no mundo era motivo de comemoração para a mulher.

Os lábios grossos de Charlie se entreabriram de surpresa quando ele viu o lagarto se acomodar tão confortavelmente entre os fios loiros de Florance, como se fosse um gatinho manhoso. Era ainda mais surpreendente a reação da francesa, que ignorava completamente o aspecto não muito amigável da criatura e o tratava como um bichado peludo e fofinho.

O ruivo apoiou um cotovelo sobre a bancada, relaxando o peso do próprio corpo enquanto admirava aquela cena inédita com um sorriso nos lábios. Com aquela proximidade, e com a desculpa de olhar para o briba, os olhos castanhos aproveitaram para passear pelo rosto de Legrand.

A pele dela era perfeita, sem uma única mancha ou marca, parecendo ser perfeita ao toque. Cada traço do rosto contribuía para o ar angelical, mas os olhos azuis e os cabelos loiros eram o que faziam Charlie prender a respiração, sem se dar conta.

- Mesmo que a professora Plank deixe você ficar com ela, duvido que Dumbledore aceite um briba andando livremente pelo castelo.

O rapaz encolheu os ombros enquanto retirava as próprias luvas, revelando mais uma vez a mão larga.

- Eu sei, completamente injusto. Mas regras são regras.

Com os dedos expostos, Charlie ergueu a mão até tocar alguns fios loiros que cobriam o rosto do lagarto, livrando a criaturinha para respirar melhor. Foi possível sentir a maciez do cabelo de Florence e, sem perceber, ele continuou segurando uma mecha enquanto encarava os olhos azuis sem piscar.

- Mas talvez você possa dar um nome para ela. Tenho certeza que a Sra. Plank não vai se importar que você venha visita-la de vez em quando.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Dom Jan 17, 2016 1:48 am

O ar se tornou mais puro e respirável no instante em que Rita Skeeter deixou a sala. O alívio de Oliver só não foi completo porque Anastasia continuava ali. Se ele já estava constrangido com a presença da francesa antes, este sentimento só se agravara depois daquele inesperado beijo.

- Não será necessário. Esqueça isso.

Por um momento, Wood pensou em pedir que Tonks ou Helena o ajudassem e ocupassem o papel de namorada diante de Legrand, apenas para diminuir um pouco a humilhação que ele sentia.

Mas era uma tolice inventar uma mentira daquele porte para uma garota que passaria um ano inteiro em Hogwarts. Era tempo o suficiente para que Anastasia notasse que Nymphadora e Helena era apenas boas amigas e que Wood não possuía nada além de algumas conquistas sem importância.

- Não há namorada alguma. Mas espero que esta mentira a distraia por bastante tempo. Enquanto a Skeeter estiver preocupada em descobrir o nome da tal namorada, talvez não tenha tempo para publicar mais bobagens.

- Esta mulher é desprezível.

A voz grave de Bellamy ecoou como um trovão pela sala vazia. Skeeter havia ofendido os três competidores, mas suas insinuações foram ainda mais maldosas para com o norueguês. Aaron não parecia ser um destaque no ramo da inteligência, mas certamente não era o trasgo que Rita descrevera no jornal.

- Ela é abominável. – os olhos azuis de Wood giraram – Mas infelizmente nada do que fizermos vai calá-la, ela tem muita influência no Profeta Diário e também em alguns departamentos do Ministério da Magia inglês. A nossa sorte é que todos a conhecem e sabem que não podem levá-la a sério.

- Não na Noruega. – Bellamy soou ainda mais sombrio – Se tais notícias chegarem ao meu país, todos vão acreditar que eu sou tão vergonhoso como ela diz.

- Pois você terá a chance de provar que ela está errada. – Oliver abriu um sorriso amigável para o adversário – Basta mostrar um bom desempenho no torneio e todos se orgulharão de você, Bellamy. Estou certo de que o cálice não nos escolheu por acaso. Se estamos aqui, é porque somos capazes.

O discurso de Wood soou com uma sinceridade inquestionável. Ao contrário do que seria normal, o campeão de Hogwarts não estava torcendo para que os adversários se saíssem mal nas provas que estavam por vir. Por mais que desejasse a vitória, Oliver queria ganhar pelos próprios méritos e não pelas falhas dos oponentes.

- Não vamos deixar que o veneno da Skeeter nos atinja. Eu não acho que você será um adversário fraco, Bellamy. Tampouco penso que a Legrand receberá algum tipo de benefício por causa do sobrenome. Eu acho que o cálice escolheu nós três porque todos nós somos capacitados e temos chances iguais de chegar à taça. Que vença o que se sair melhor, então.

Aquelas palavras tiveram o poder de acalmar os ânimos do norueguês. Depois de uma breve pausa, Aaron descruzou os braços e concordou com um discreto movimento de cabeça.

Os três campeões só tiveram que esperar mais alguns minutos até que Barty Crouch surgisse na sala. Conforme o combinado, após a entrevista daquela manhã, os jovens receberiam as primeiras instruções para a prova que daria início à competição.

A ideia de que em duas semanas estariam em frente ao desafio da primeira prova foi o bastante para que Rita Skeeter deixasse de ser um problema para o trio. Agora, toda a atenção dos jovens competidores estava voltada para o representante do Ministério da Magia.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Dom Jan 17, 2016 5:47 pm

- É muito injusto mesmo. – os lábios rosados de Florence se curvaram num biquinho de insatisfação – Para mim, está claro que ela não seria capaz de fazer mal a ninguém.

A francesa realmente falava do briba como se estivesse diante de um inocente filhotinho de gato. De fato, era assim que a criatura se comportava perto de Legrand, mas quem conhecia as características da espécie jamais duvidaria de seu potencial agressivo.

Por estar tão encantada com a criaturazinha em seu ombro, Florence não notou de imediato o toque de Charlie em seus cabelos. A ideia de dar um nome ao briba também serviu para distrai-la. Os olhos azuis adquiriram um ar pensativo enquanto Legrand encarava a cabeça do lagarto e tentava selecionar um nome que combinasse com as feições reptilianas do animal.

- Eu não sei... Você acha que ela tem cara de que?

Antes que Weasley tivesse a chance de responder, Florence apresentou algumas sugestões. Os nomes obviamente foram ditos com o sotaque francês ainda mais carregado.

- Claire. Ou talvez Amelie. Eloise também é bonito, mas ela não tem cara de Eloise, não tem mesmo!

Estava claro que, por mais que Florence tivesse se dirigido a Charlie, ela conversava mais consigo mesma enquanto tentava decidir qual nome daria ao lagarto. Os olhos azuis pousados na criatura brilharam vivamente, denunciando que a francesa acabara de se decidir.

- Apolline! É perfeito! Podemos chamá-la de Polly, já que é uma briba inglesa.

Por mais bizarro que pudesse ser, a criatura pareceu entender que estava sendo batizada como Apolline. No instante em que Florence pronunciou o nome com aquela entonação empolgada, os olhos do briba se abriram e sua cabeça foi voltada na direção de Legrand, como se o animalzinho estivesse atendendo ao chamado dela.

- Você não pode ir embora comigo, Polly. Eu sei, é injusto. Mas eu prometo que virei para te ver sempre.

Sem o menor receio, Florence pegou o briba com as duas mãos e o retirou delicadamente de seu ombro. Só então, a loira notou que Charlie ainda tocava uma mecha dos seus cabelos macios. As bochechas da francesa adquiriram um tom mais rosado, mas Legrand disfarçou o constrangimento enquanto recolocava Polly cuidadosamente em seu espaçoso aquário.

- E o relatório?

Depois de retirar as luvas, Florence puxou para si as anotações que Charlie deixara sobre a bancada. Os olhos azuis correram rapidamente pelas linhas apenas para se certificar de que o colega não havia se esquecido de nenhum detalhe importante.

- Ficou ótimo, Charlie. – um sorriso doce brotou nos lábios da francesa – Agradeço pela sua ajuda, a aula não teria sido tão proveitosa sem a sua companhia. Merci.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Dom Jan 17, 2016 6:50 pm

Enquanto Oliver discursava, os olhos verdes de Anastasia estavam fixos nele, atenta a cada palavra enquanto seus pensamentos começavam a se organizar, livres da presença desagradável de Rita Skeeter que a impedia de pensar com clareza.

Era impossível dizer o quanto Wood era inteligente ou habilidoso com a magia, mas a forma com que ele soube lidar com a tensão provocada pela jornalista do Profeta Diário e encorajar Bellamy entregava uma personalidade muito nobre ou extremamente manipuladora. O rapaz parecia sincero com tudo o que dizia, mas uma parte de Legrand questionava se ele não estava apenas sendo político e assumindo uma liderança que deveria ser dela.

Neta de um ministro da magia, Anastasia sabia perfeitamente como era importante manter alianças e se cercar de pessoas influentes para conseguir o que queria, e parecia ser exatamente o que Oliver estava fazendo. Bellamy imediatamente se rendeu às palavras bonitas, mas a loira se manteve de braços cruzados, analisando a situação.

Se ela quisesse ganhar aquele torneio, precisaria contar além da sua inquestionável capacidade com a varinha.

A atenção de Anastasia foi desviada de Oliver apenas quando Barty Crounch anunciou que a primeira prova seria em duas semanas. Bellamy ainda tentou perguntar o que enfrentariam, e teve como resposta uma risada preguiçosa e sem ânimo do representante da magia.

- Não seria um desafio se eu dissesse exatamente o que vão enfrentar, não é, Sr. Bellamy?

A sobrancelha clara de Legrand se ergueu, mas ela continuou com uma expressão séria, o cérebro funcionando com uma velocidade invejável enquanto ela tentava categorizar possíveis riscos que enfrentaria.

- Apenas digo que precisarão de coragem se quiserem vencer este desafio. Antes de qualquer coisa, senhores e senhorita, coragem.

Anastasia piscou os olhos algumas vezes, tentando listar mentalmente os possíveis significados daquelas palavras. Ela havia escutado a irmã narrar diversas vezes tudo que havia lido em “Hogwarts, uma história”, de forma que sabia perfeitamente que se Oliver Wood exibia o emblema de um leão em seu uniforme, coragem não seria um problema para ele.

Bellamy também não parecia ser o tipo de pessoa que se intimidava tão facilmente. Com o tamanho de seus braços, ele dificilmente sentiria medo diante de uma situação de perigo. O que restava apenas Anastasia a controlar o próprio medo.

Ela não duvidava da capacidade de sua magia e de seu raciocínio rápido, mas dependendo da situação, poderia ser a menos corajosa diante dos oponentes.

Quando Crounch deixou os campeões sozinhos mais uma vez, a loira se virou para os dois rapazes, mantendo um sorriso firme nos lábios. Era possível notar nos olhos verdes o brilho de superioridade, mas Anastasia se esforçava para parecer a mais simpática possível.

- Boa sorte. Que vença o melhor, certo?
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Jan 18, 2016 12:47 am

Charles estava acostumado a ser elogiado pelo seu desempenho em Trato das Criaturas Mágicas. Ele não era convencido, mas tinha consciência que se destacava naquela aula, e sabia que aquele era apenas o fruto por se dedicar em algo que ele gostava verdadeiramente.

Mesmo assim, o elogio vindo de Florence Legrand tinha uma entonação diferente de tudo que ele já havia escutado até então. E Weasley sabia que aquilo ia muito além do sotaque charmoso da francesa.

Algo em seu peito se aqueceu ao ser reconhecido por um simples relatório que ele seria capaz de fazer até mesmo de olhos fechados. O sorriso doce de Florence era algo raro e Charlie foi incapaz de se lembrar de alguma menina que pudesse ser tão delicada com um gesto tão natural.

Era inquestionável que todas as alunas da Beauxbatons chamavam a atenção pela sua beleza, mas depois daquelas horas ao lado de Florence, Charlie enxergava a francesinha de uma forma diferente. A forma tão receptiva com que ela tinha enfrentado a primeira aula prática de Criaturas Mágicas, ou a espontaneidade e carinho com o briba era exclusiva de Legrand.

Ao escutar o “Merci” sendo pronunciado com um biquinho nos lábios rosados, o sorriso de Charles se alargou, ocupando quase todo o seu rosto, mostrando os dentes perfeitos e brancos. Era um sorriso tão sincero que seus olhos azuis brilharam enquanto ele puxava os livros esquecidos na bancada com as mãos.

- O prazer foi meu, Florence. Acho que formamos uma bela dupla.

Charles esticou sua mão livre, oferecendo-a para a loira. Ele esperou que os dedos delicados dela tocassem sua pele para apertar a mão em uma despedida. O toque levou alguns segundos além do necessário, e o ruivo não desviou sua atenção do par de olhos azuis a sua frente. Sua mão era grande demais para acolher a de Florence, mas a textura suave da pele dela era perfeita ao toque.

Quando o contato finalmente foi quebrado, os alunos ao redor já se dissipavam para a próxima aula, mas o ruivo não fez menção de se afastar. Paralisado em seu lugar, Charles se permitia admirar a beleza da francesa.

Assim como toda a população masculina do castelo, ele também havia notado o quanto as meninas de Beauxbatons eram extremamente bonitas. Mas era a primeira vez estava se sentindo hipnotizado por uma garota daquela forma.

- Ahn, escute.... Vai ter um passeio para o vilarejo vizinho no próximo final de semana.

Os olhos claros de Charlie passearam ao redor, nervosamente. Em parte, ele se sentia apreensivo com os alunos que sumiam cada vez mais rápido. Ele temia que Florence também se sentisse motivada a ir embora antes que tivesse a oportunidade de concluir sua frase. Por outro lado, quanto menos pessoas estivessem por perto, menor seria sua humilhação caso a francesa recusasse sua oferta.

- Tem uma excelente loja de animais mágicos. Você vai conseguir encontrar a melhor ração para a Polly lá. Posso te mostrar, se você quiser.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Violet Bryant em Sab Jan 23, 2016 6:46 pm

Quando aceitou a proposta de viajar para a Inglaterra e passar aquele ano em Hogwarts, Florence não pensava na glória do Torneio Tribruxo. Pelo contrário, ela torcia desesperadamente para não ser a escolhida pelo Cálice de Fogo. Tudo o que Legrand queria era a chance de estudar disciplinas diferentes, aprender novos feitiços, conviver numa cultura distinta da sua e, principalmente, fazer novos amigos.

E Charles Weasley parecia um excelente candidato ao posto de amigo. Além de inteligente, o britânico era gentil e atencioso. E parecia bastante disposto a ajudar a Florence a se adaptar à rotina de Hogwarts.

Talvez por estar tão focada na determinação de construir novos laços de amizade, Florence não viu segundas intenções no convite feito pelo ruivo. Os olhos azuis brilharam, animados com a expectativa do passeio sugerido por Weasley.

- Hogsmeade!

Antes mesmo que Charlie pudesse mencionar o nome do vilarejo, Legrand mostrou que sabia alguma coisa sobre o lugar citado por ele. A explicação veio juntamente com um sorriso mais tímido.

- Eu li “Hogwarts, uma história”. Duas vezes. Tive medo de chegar aqui e ficar completamente perdida. – os olhos da moça giraram de um jeito divertido – Bem, eu estou perdida. Mas não completamente.

Ignorando a ansiedade de Weasley, que aguardava por uma resposta mais direta ao convite, Florence puxou seus livros deixados sobre a bancada e os equilibrou nos braços. O pergaminho com o quadro de horários estava aberto no topo da pilha de livros e Legrand conferiu sua próxima aula. Transfigurações, juntamente com a turma da Lufa-Lufa.

Era um pouco frustrante saber que Charlie não seria a sua dupla na próxima aula, mas Florence se obrigou a pensar que era melhor assim. Talvez na próxima aula ela tivesse a oportunidade de conhecer um lufano tão gentil e amigável quanto o grifinório.

- Eu vou adorar conhecer Hogsmeade. E não dispenso a sua ajuda para conhecer os melhores pontos do vilarejo. O livro apenas cita os passeios a Hogsmeade, a história é mais focada no castelo.

Os olhos azuis da moça novamente correram pelo pergaminho que listava suas aulas, buscando pela turma da Grifinória.

- Bem, eu acho que agora só nos encontramos novamente na quarta à tarde, em Poções. Eu preciso ir.

Florence ergueu as sobrancelhas claras quando olhou ao redor e percebeu que apenas ela e Weasley continuavam no espaço reservado para as aulas práticas de Trato das Criaturas Mágicas.

- Eu tenho mesmo que ir, acho que já estou atrasada! Até mais, Polly.

Sem nenhum receio, Florence enfiou a mão dentro do aquário e fez um cafuné no briba, que reagiu docilmente ao toque.

Num gesto natural e desprovido de segundas intenções, Legrand se virou na direção de Charles e apoiou uma das mãos no ombro dele enquanto se inclinava para depositar um beijinho superficial na bochecha do rapaz.

- Até mais, Charlie. E obrigada de novo pela ajuda na aula, e também pelo convite. Estou ansiosa para conhecer Hogsmeade!
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Liam Mellish em Sab Jan 23, 2016 7:06 pm

Coragem nunca fora um problema para Oliver Wood. Como qualquer membro da Grifinória, o rapaz possuía a qualidade necessária para enfrentar a primeira prova oficial do Torneio Tribruxo, segundo Barty Crouch.

Mas isso não deixava Oliver extremamente confortável. O desafio ainda era um grande mistério e a cabeça do grifinório não precisou de mais que alguns segundos para começar a listar inúmeras situações capazes de abalar até mesmo a sua determinação grifinória.

Talvez o emblema de um leão no peito de Wood fosse uma vantagem, mas o rapaz preferia não encarar com tanta naturalidade aquele desafio. Era tolice pensar que ele tinha alguma vantagem relevante diante da determinação de Bellamy e da astúcia de Anastasia.

Embora houvesse uma inegável rivalidade entre os três – visto que todos eles almejavam o mesmo troféu – Oliver não se sentia pressionado ou prejudicado naquela competição. Ao contrário do que geralmente acontecia quando o oponente era da Sonserina, Legrand e Bellamy pareciam ser honestos. O jogo seria difícil e perigoso, mas ao menos seria uma competição limpa.

- Que vença o melhor.

As palavras de Anastasia foram repetidas prontamente pelo britânico. Em seguida, Bellamy também repetiu a frase com seu sotaque pesado e os três trocaram apertos de mãos amigáveis.

- Alguém tem algum palpite? – a voz de Bellamy soou ligeiramente insegura, o que era bizarro em alguém com o tamanho dele.

- Não faço ideia.

A resposta de Oliver soou sincera. Embora ele já tivesse a sua lista mental de todos os perigos que poderiam acontecer na primeira prova do torneio, tudo não passava de especulações.

Mas também havia um pequeno sentimento de rivalidade que impediria Wood de dividir suas ideias com a dupla a sua frente. Aquela era uma competição, afinal, era tolice compartilhar ideias que poderiam ajudar os adversários. Oliver não pretendia jogar sujo, mas não era nobre o bastante para ajudar os rivais.

- Só acho que devemos estar preparados para tudo. Eu não acredito que seremos poupados de nenhum tipo de perigo. Basta ler sobre as competições anteriores... – o rosto de Oliver se contorceu numa breve careta – Alunos já se feriram gravemente durante o torneio. Tem até o relato de uma morte. Não acho que Dumbledore deixaria chegar a este ponto, mas de qualquer forma devemos estar prontos para o pior.
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Re: Torneio Tribruxo

Mensagem por Anastasia Legrand em Sab Jan 23, 2016 9:01 pm

Cada dia que passava, era um dia a menos que Anastasia tinha para se preparar. Por mais que tivesse desejado por tanto tempo que seu nome tivesse sido sorteado pelo Cálice de Fogo, a francesa jamais imaginou que fosse se sentir tão cansada, logo na primeira semana.

Dividir o tempo entre as aulas em um país diferente e ocupar as horas livres premeditando diversos cenários que a aguardava no primeiro desafio do Torneio Tribruxo exigia mais do que o seu esforço para o desempenho sempre impecável na Beauxbatons. A jovem Legrand passara a dormir mais tarde que o normal, e sempre era a primeira das francesas a deixar a cama. Por mais de uma vez, Anastasia havia visto o sol nascer enquanto iluminava um livro com a ponta das varinhas.

Sem dúvida, a loira não estava deixando de medir esforços para mostrar o quanto era competente durante o Torneio. Se fazia parte da sua natureza sempre ser a melhor, ela tinha um desafio a mais, que seria provar para Rita Skeeter e quem mais pensasse como a jornalista, de que ela não precisava da ajuda de ninguém para ganhar o troféu para a Beauxbatons.

Quando a manhã do primeiro sábado em Hogwarts chegou, Anastasia se permitiu ficar alguns minutos a mais na cama, mas logo foi despertada pela movimentação das colegas, que com risinhos, se preparavam para o passeio ao vilarejo vizinho.

Com a mente tão focada no desafio que aconteceria na semana seguinte, a loira havia esquecido completamente do final de semana livre que teriam fora do castelo, e foi com uma careta de desagrado que ela descobriu que Florence já tinha planos para o vilarejo.

- Um encontro? Você tem um encontro com um britânico?

Apesar de não ter sido com aquelas palavras que Florence havia contado sobre a companhia de Charlie, Anastasia não era tão inocente com a irmã, e logo deduziu o pior das intenções daquele passeio.

- Por Merlin, Flor! Estamos aqui há uma semana. Você não precisa levar tão a sério essa conversa de integração.

Talvez por não ter planos melhores, ou simplesmente porque queria conferir pessoalmente onde a irmã estava se metendo, Anastasia se arrumou rapidamente com meias-calças escuras, uma saia preta levemente aberta e um suéter branco e se apressou em acompanhar a irmã até o local combinado de encontro com o Weasley.

Apesar do dia ensolarado, Anastasia ainda sentia o vento gelado atravessar pelo tecido do suéter e se encolheu levemente enquanto as duas se aproximavam da entrada do castelo, onde um rapaz alto e ruivo aguardava com as mãos nos bolsos.

Ao contrário de Ana, Charlie parecia estar bastante confortável com a temperatura do dia. O ruivo usava uma calça jeans levemente surrada, uma camisa azul de botões, completamente aberta, que relevava a camisa branca por baixo. As mangas haviam sido puxadas até a altura dos cotovelos, revelando o antebraço bem definido.

Mesmo com as roupas casuais de ambos, era facilmente notável que a qualidade das vestes de Legrant eram infinitamente superiores as peças gastas do grifinório. Os cabelos vermelhos estavam bagunçados com o vento, mas o que mais chamou a atenção foi o enorme sorriso que ele abriu no instante em que os olhos azuis pousaram em Florence.

- Florence! – O sorriso vacilou levemente quando as íris deslizaram até a imagem de Anastasia, mas Charlie rapidamente se recuperou. – Anastasia, não é?

Uma das sobrancelhas claras de Ana foi erguida quando ela também percebeu que Charlie não estava sozinho. Um menininho ruivinho se escondia ao lado do setimanista, olhando com curiosidade para as duas francesas.

- Ela é a campeã da Beauxbatons!

Apesar da tentativa de sussurro, Anastasia escutou com perfeição quando o menininho se inclinou para Charlie, como se estivesse tentando ajuda-lo a compreender quem era a companhia de Florence.

Charles virou o rosto para encarar Percy, ao seu lado, e o afastou levemente pelo ombro, apenas o suficiente para encarar os olhos castanhos do irmão.

- E você não tem idade suficiente para ir a Hogsmead. Sinto muito, Percy. Trago sapos de chocolate para você, está bem?

Os cabelos ruivos e as manchinhas espalhadas pelo rosto do menino logo denunciaram o parentesco com o acompanhante de Florence. Ainda com os braços cruzados, Anastasia analisou os dois, sem se preocupar em ser discreta.

- Seu irmão caçula?

- Um dos. – O sorriso voltou a brincar nos lábios grossos de Charles, como se ele fosse dono de uma piada secreta.
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