A Marca Negra

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Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Sex Jan 01, 2016 7:37 pm

Olivia espremeu os olhos e cerrou os punhos diante do comportamento de Rodolphus, mas se recusou a fazer uma cena. No fundo, não importava se ele se deitasse com outras mulheres, mas era ultrajante que seu marido desfilasse com amantes bem diante de seu nariz. Mesmo que não houvesse amor entre eles, seu orgulho não permitiria ser aquele tipo de mulher.

Pensar que a solução para aquilo seria se deitar com ele fez seu estômago se revirar. Lestrange era bonito e atraente, mas a simples imagem de suas mãos tocando seu corpo fazia a ruiva se contorcer em horror.

Engolindo em seco, ela lançou um último olhar ao rapaz antes de deixar o quarto, batendo a porta com força atrás de si. Quando alcançou o próprio aposento, a porta trancada lhe deu a liberdade para derramar as primeiras lágrimas que estava segurando desde o momento em que colocara o vestido de noiva.

Seu antigo quarto estava exatamente idêntico ao que era antes. Era um cômodo grande, mas ainda consideravelmente menor que o quarto principal. A cama era grande e confortável e havia um baú acolchoado aos seus pés. Também havia uma porta lateral para o closet e a lareira estava apagada, onde uma poltrona repousava solitária a sua frente.

Diferente do novo quarto do casal, o cômodo estava abarrotado de fotografias da ruiva ao longo dos anos, e na maioria delas, a jovem exibia o espontâneo sorriso de quem um dia já havia sido feliz. Ela alcançou uma das fotos em que estava com os pais e encarou a imagem como se eles fossem o culpado pelo que estava acontecendo. Jamais seria feliz novamente, tudo porque Dimitri havia feito um infeliz contrato com aquele monstro.

A foto foi arremessada na lareira apagada, estilhaçando o vidro. A imagem continuou mexendo exatamente como antes, como se debochasse daquela revolta inútil.

Durante os dias seguintes, Olivia se manteve trancada no próprio quarto. A lua de mel, que deveria ser o momento do casal criar memórias fantásticas de seus primeiros dias juntos, estava passando sem que eles sequer se enconrtassem.

A Sra. Lestrange havia orientado ao elfo que trouxesse suas refeições, mas quase sempre a comida voltava apenas revirada. Rodolphus provavelmente estaria furioso com sua ausência, mas Olivia sentia que provavelmente enlouqueceria se continuasse ao lado do marido.

Três dias inteiros já haviam se passado quando Olivia finalmente abriu a porta do quarto. O corredor estava mergulhado em escuridão e silenciado pela madrugada quando seus pés descalços sentiram a frieza do chão.

Mesmo na primavera, as noites na Noruega eram frias e apenas um conterrâneo não se incomodaria com a temperatura baixa. A ruiva nem mesmo se preocupara em usar um roupão, deslizando para fora do quarto com a camisola de seda. Apesar da tonalidade escura, não era o habitual preto que cobria seu corpo pálido, mas um vinho fechado que combinava com os cabelos vermelhos. Na borda e nas alças, os detalhes de renda branca completavam a peça delicada.

Como uma criança travessa, Olivia girou a cabeça pelo corredor para se certificar de que não havia ninguém antes de deixar o quarto completamente. Os cabelos estavam soltos e alguns fios desalinhados mostravam qual lado havia sido repousado no travesseiro, minutos antes.

Olivia tomava todo o cuidado do mundo a cada passo que dava, evitando o menor dos ruídos enquanto ia em direção as escadas. A cabeça latejava incomodamente, motivo por ter sido acordada no meio da madrugada. Talvez como consequência da má alimentação dos últimos dias, a Sra. Lestrange se sentia indisposta e estava a caminho da cozinha, em busca de uma poção para aliviar as dores, quando sentiu seu corpo se chocar com o de outra pessoa.

Ela imediatamente soube que não se tratava do elfo quando sentiu o peito firme onde apoiou as mãos para evitar cair. Os olhos cor de mel estavam arregalados quando ela teve certeza que havia se chocado contra Rodolphus.

- Desculpe. – Ela sussurrou apressadamente, temendo pela reação dele. – Eu não sabia que você estaria fora da cama.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Sex Jan 01, 2016 8:01 pm

Ao contrário dos temores de Olivia, Rodolphus não se sentia irritado pelo sumiço dela. Era um grande alívio poder ficar sozinho e não precisar discutir com Olivia, o que seria inevitável caso os dois se obrigassem a ficar juntos no mesmo recinto.

É claro que o elfo doméstico logo percebeu que havia algo muito errado naquele casamento. Mas Poll era um servo de confiança e recebeu ordens claras de jamais comentar com ninguém – nem mesmo com Meredith – a situação delicada da rotina dos recém casados.

Durante o dia na Noruega, Rodolphus gastava suas horas de solidão caminhando pela área externa da propriedade ou trancado no antigo escritório de Dimitri, que agora pertencia ao novo senhor da casa. Mas era à noite que Lestrange se sentia pessoalmente torturado pelo frio que se instalava na casa.

Se a temperatura chegava a valores tão baixos na primavera, Rodolphus prometeu a si mesmo que jamais pisaria ali durante o inverno. Mesmo com a lareira do quarto acesa e protegido por dois grossos cobertores, o rapaz tinha dificuldade em pegar no sono.

Naquela noite, em particular, a ponta do nariz de Rodolphus estava gelada e seu queixo tremia quando, num ímpeto de coragem, o rapaz saltou para fora da cama. Ele se enrolou num grosso roupão, enfiou os pés em meias de lã e abraçou o próprio corpo antes de sair do quarto.

Sua intenção era procurar abrigo no escritório, onde a lareira era relativamente maior que a do quarto. Mas Lestrange encontrou um obstáculo inesperado no meio do caminho.

Instintivamente, Rodolphus estendeu os braços e segurou o corpo a sua frente, evitando que Olivia caísse com o impacto. Foi tal gesto que permitiu que, mesmo na escuridão, o Sr. Lestrange percebesse que a esposa usava uma camisola fina demais para aquela noite gelada. Os braços de Olivia estavam agradavelmente quentes, ao contrário dos dedos do rapaz que se mostravam gelados.

- Você é completamente louca???

Lestrange ergueu um pouco o tom de voz, mas não havia agressividade em sua entonação. Ele só estava absolutamente surpreso em saber que Olivia não compartilhava o mesmo desconforto dele com aquela temperatura.

Foi sem qualquer tipo de segundas intenções que Rodolphus levou as mãos geladas ao corpo da esposa e a tateou, completamente chocado em sentir que o corpo da ruiva estava coberto apenas por aquela leve camisola de seda.

- Como você consegue suportar este frio, Olivia??? Eu estou congelando aqui! Este lugar é um inferno congelado!

Não parecia ser um exagero do Sr. Lestrange. Rodolphus usava pijamas quentes e o roupão, além das meias grossas. Ainda assim, seus dedos estavam gelados, os lábios discretamente arroxeados e o queixo tremia de leve, fazendo a voz grave do rapaz falhar em algumas sílabas.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Severus Snape em Sex Jan 01, 2016 8:21 pm

Enquanto Barbara falava, Lucius permitiu que suas mãos afagassem os cabelos castanhos, evitando o contato dos olhos diante daquela promessa que ele jamais poderia cumprir. Certamente levaria uma enorme bronca por não ter completado sua missão, que agora seria direcionada a outro servo de confiança. Mas outras responsabilidades lhe seriam dirigidas para que ele tivesse mais uma oportunidade de mostrar sua capacidade.

O mundo mágico estava em guerra e Malfoy era um membro ativo de um daqueles lados. Era impraticável se meter em outra situação perigosa, provavelmente em breve. Mesmo assim, ele sentia o mesmo temor que Robinson.

Por mais que tivesse a necessidade de se provar, Lucius não tinha a coragem como uma de suas qualidades e temia que algo pior pudesse acontecer. Era apenas graças a Robinson que esse “algo pior” não tivesse acontecido naquela noite.

Sua atenção logo foi desviada daqueles temores quando os lábios de Barbara tocaram os seus. Os dedos gelados afundaram nos cabelos escuros dela, intensificando aquele contato. Era gratificante que, depois das horas de pesadelo que ele vivera, pudesse ter a jovem em seus braços, saciando o desejo que tentava aniquilar durante dias.

Era muito mais prazeroso se entregar naquelas carícias do que lutar contra a própria vontade. Parecia ser um sonho bizarro que um Malfoy estivesse em uma casa paupérrima, aos beijos com um aborto. No instante em que o sol despontasse nos céus, ele seria obrigado a despertar daqueles devaneios, mas enquanto a escuridão inundava as ruas britânicas, nada o impediria de aproveitar cada segundo ao lado de Barbara.

- Eu não vou a lugar algum. – Ele sussurrou com os lábios pressionados aos dela, as pálpebras cobrindo suas íris claras, como se tentasse confortar a si mesmo com aquelas palavras.

A noite estava fria, mas não era por aquele motivo que as mãos de Lucius estavam geladas. A pele de Malfoy era naturalmente gélida, e se arrepiava com o toque quente dos dedos de Barbara. Todo o corpo respondia prontamente com a presença da moça sobre seu corpo, surpreendentemente agradável, como se o corpo dolorido fosse capaz de curar ainda mais rápido com aquele contato.

Ele apalpou a cintura de Barbara, acariciando as costas dela enquanto conduzia o beijo, se entregando naquele sentimento proibido que deveria ser apagado mas que aumentava contra sua vontade. Lucius já não tinha mais forças para tentar lutar contra o próprio desejo e a preocupação evidente na voz de Robinson fazia seu peito esquentar em felicidade.

Quando as bocas se separaram por um instante, Lucius deixou uma mão apoiada no quadril de Barbara enquanto a outra acariciava o rosto dela docemente, mantendo os rostos colados.

- Obrigado.

Malfoy não se lembrava de nunca ter agradecido nada a ninguém, de modo que a palavra soou estranha aos próprios ouvidos na voz rouca. Era simples demais para agradecer alguém que havia acabado de salvar a sua vida, mas ele só conhecia uma forma de recompensar outra pessoa, e normalmente envolvia ouro.

- Eu prometo que seu gesto não será esquecido, Barb. Obrigado por ter ido ao meu socorro, mesmo que eu não tenha merecido.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Sex Jan 01, 2016 8:39 pm

Diante das primeiras palavras do marido, Olivia sentiu todo o seu corpo tremer, já esperando por uma explosão de Rodolphus. Na mente da ruiva, ele nem mesmo esperaria o raiar do dia para tirar satisfação sobre sua ausência durante a lua de mel.

Quando os dedos dele tocaram seu corpo, a jovem encolheu, esperando que o toque dele a apertassem com mais força, mas logo percebeu que a intenção do homem não era machucá-la. As palavras seguintes explicaram o motivo de seu espanto, fazendo com que Olivia erguesse as sobrancelhas levemente.

Para a ruiva, o clima estava agradável e o toque gelado em seus pés era reconfortante, mas ela pode sentir pela frieza da pele de Rodolphus que ele realmente estava com muito frio.

- Estou acostumada com temperaturas muito mais baixas, Rodolphus. Acredite em mim quando digo que esta é uma noite agradável se comparado ao inverno.

Protegida pela escuridão do corredor, Olivia se permitiu sorrir ao ver que ele realmente estava sendo torturado com o frio da Noruega, o que lhe trazia uma imensa satisfação. Por mais bobo que fosse, saber que uma escolha sua havia afetado o marido daquela forma era como uma batalha ganha.

Se para Rodolphus, o país era um inferno pela baixa temperatura, era sinal que ele também estava odiando aqueles dias tanto quanto ela. Apesar da satisfação em vê-lo torturado daquela forma, Olivia girou os olhos e cruzou os braços quando se convenceu de que poderia ajudá-lo. Podia odiar o marido, mas jamais se sentiria bem consigo mesma caso ele adoecesse.

- Estou indo até a cozinha pegar uma água, posso preparar um chá para você se aquecer.

Sem se preocupar em voltar para se agasalhar ou colocar um calçado, Olivia seguiu o caminho original, a vontade por estar na própria casa, até alcançar a enorme cozinha que ficava no térreo.

Completamente muda, a ruiva desfilou pelo cômodo perfeitamente conhecido, mexendo nas gavetas e armários certos para colocar a água para ferver. Em questão de minutos, ela depositou a água fumegante em uma xícara e afundou o sachê do chá. Antes de entregá-la até Rodolphus, puxou uma garrafa de firewhisky e virou uma generosa dose na bebida.

Sem levantar o olhar, ela explicou, misturando o mel para adoçar a bebida.

- É uma receita do meu pai. Ele também não gostava muito do frio e sempre me pedia para preparar essa mistura. Dizia que aquecia até os ossos.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Danika Lehmann em Sex Jan 01, 2016 8:42 pm

O agradecimento de Malfoy também não era esperado pela garota. A expressão de Barbara denunciou a sua surpresa e ela precisou de alguns segundos para acreditar que Lucius Malfoy estava simplesmente lhe agradecendo por aquele gesto, sem nenhuma ofensa, sem atirar nenhuma moeda no chão para obrigar a garota a se abaixar para pegar o dinheiro.

A cabeça de Robinson se sacudiu em negativa, como se assim ela respondesse que aquele agradecimento não era necessário. É claro que ela fizera aquilo por Lucius, mas também fizera por si mesma. Sua consciência jamais a perdoaria se ela ignorasse a mensagem dele e o pior acontecesse a Malfoy.

- Tudo bem. Mas não se esforce mais, você realmente está abatido.

No fundo, Barbara também sabia que Lucius não deixaria de correr riscos nos próximos dias, mesmo depois daquele susto. Ela abominava o lado da guerra no qual o rapaz lutava, mas sabia que argumentar com Malfoy era uma batalha perdida. O rapaz já estava passando por cima de todas as suas convicções ao ficar tão próximo a ela. Era pedir demais que Lucius mudasse por completo a sua maneira de enxergar a vida.

Os dedos delicados acariciaram o rosto de Malfoy enquanto a balconista se dava conta de que, se Lucius a aceitava mesmo ela sendo um aborto, cabia a ela aceitá-lo também com todos os seus graves defeitos.

Um sorriso brotou nos lábios da morena quando ela acariciou os fios loiros sedosos. Barbara se aproveitou daquela proximidade para roçar o nariz na bochecha de Malfoy, num gesto íntimo e carinhoso.

- Consegue ficar sozinho por dois minutos? Eu sinceramente acho que você vai sobreviver se eu me afastar apenas para ir até a cozinha e buscar alguma coisa para comermos. Você está abatido e eu estou faminta, Lucius. Não foi fácil cuidar de você a noite toda, sabia?

A garota roubou mais um breve beijo dos lábios de Malfoy antes de se afastar. Conforme prometido, ela não demorou mais que alguns minutos para voltar ao quarto carregando uma pequena bandeja. Tudo era muito simples perto dos luxos nos quais Lucius fora criado, mas era óbvio que Barbara oferecia a ele o melhor que encontrara em sua casa.

Na bandeja, havia dois pratinhos com fatias de um bolo de chocolate que ela mesma fizera no dia anterior. O chá de ervas estava quente e fora adoçado com mel. Uma pequena travessa cheia de biscoitos caseiros também estava ali, bem ao lado de uma única maçã, que Barbara partira em dois pedaços idênticos.

- Coma alguma coisa. – a expressão dela se contorceu timidamente – Eu teria feito algo melhor, mas realmente não esperava receber "visitas” no meio da madrugada.

Era estranho que uma das herdeiras dos Robinson vivesse naquelas circunstâncias tão precárias, mas Malfoy sabia melhor do que ninguém que aquele costumava ser o destino de traidores do próprio sangue. Ursula Robinson se envolvera com um sangue-ruim e dera à luz um aborto da natureza. É claro que nenhuma família tradicional aceitaria tantos desgostos.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Severus Snape em Sab Jan 02, 2016 2:44 am

Lucius percebeu pela timidez no olhar de Barbara o constrangimento com a simplicidade do que ela tinha a oferecer. Era verdade que o rapaz estava acostumado com banquetes montados pelos elfos, fosse em Hogwats ou em casa, mas a jovem balconista da Von Hants Potions havia lhe proporcionado naquela noite mais do que Malfoy um dia imaginou merecer.

Mesmo acostumado com o luxo, ele não desprezou a refeição que lhe era oferecida e somente quando deu a primeira mordida no bolo de chocolate, percebeu que estava faminto. Para sua surpresa, o bolo se desmanchou em sua língua em uma explosão deliciosamente caseira que ele raramente havia experimentado.

Enquanto mastigava, os olhos azuis passearam ao redor do cômodo, finalmente lhe dando a devida atenção. Lucius não conseguia compreender como alguém conseguia viver ali. O lugar estava impecavelmente limpo, mas era pequeno e com móveis velhos demais, como se fossem desmontar a qualquer momento. As paredes estreitas causavam uma sensação de abafamento incômoda para alguém acostumado com a imensidão que era a Mansão Malfoy.

Se precisasse morar ali, o rapaz certamente andaria acertando a canela nas quinas dos móveis, sem o menor costume com os cômodos pequenos. Mas, pior do que o espaço reduzido e os móveis simples, era o colchão fino e cheio de calombos da cama da jovem Robinson. Lucius torceu o nariz ao imaginar o corpo delicado dela dormindo ali todas as noites. Não era surpresa alguma que ela ficasse tão cansada no trabalho da loja quando não tinha condições de descansar decentemente.

- Está delicioso. – Lucius comentou distraidamente enquanto terminava o seu bolo.

A xícara de chá foi acolhida em seus dedos, aquecendo a pele naturalmente gélida. O vapor quente tocou seu rosto junto com o perfume das ervas antes que ele desse o primeiro gole. Exatamente como o bolo feito por Barbara, o chá estava delicioso e o aqueceu por dentro.

Era simples, mas não havia um único defeito que ele pudesse usar, se ainda tivesse a intenção de ofender a moça como fazia semanas antes. Com a bebida ainda pela metade, a xícara foi recolocada sobre a bandeja e Lucius passou a língua pelos próprios lábios, recolhendo qualquer gota do chá que pudesse ter ficado.

Mais uma vez, Barbara estava certa. Ele se sentia muito melhor depois de comer, com forças suficientes para se colocar em pé. Apesar de não ter uma gota de sangue mágico correndo em suas veias, a morena o socorreu e tratou de seus ferimentos com agilidade e destreza, tão bem quanto um curandeiro do St. Mungus seria capaz de fazer.

Um biscoitinho pousou em seus lábios enquanto os olhos azuis admiravam a jovem, tentando desvendar como era possível que, por trás daqueles olhos verdes tão bonitos, ela fosse incapaz de realizar magia. Barbara era esperta, corajosa e forte e Lucius ainda não conseguia acreditar que tivesse nascido com aquela marca miserável.

Antes de conhecer a balconista, Malfoy costumava se orgulhar com sua capacidade de reconhecer trouxas, sangues-ruins e abortados apenas com o olhar. Ele costumava dizer que o sangue que corria em suas veias era tão podre que era literalmente capaz de senti-lo. Porém, Barbara poderia engana-lo facilmente se quisesse.

Não havia um único vestígio nela que o fizesse ligar a alguém sem magia. Talvez fosse essa diferença que permitiu Lucius de se interessar pela morena. Cissy também era incrivelmente bonita, mas jamais havia feito seu coração bater rápido daquela forma. Embora representasse tudo que ele havia odiado por toda sua vida, ali estava, o peito contraído com a cor alaranjada que começava a assumir o céu, o lembrando de que a realidade estava aguardando.

- Está amanhecendo. – Ele sussurrou, como se suas palavras tivessem muito mais significado do que a simples constatação do nascer do dia. – Eu preciso voltar antes que meus pais percebam meu sumiço. Imagino que você precise trabalhar também.

Aproveitando da proximidade, o Comensal se inclinou para frente e tocou o rosto de Barbara com seus dedos em uma carícia. Seus olhos sequer piscavam ao admirar cada traço delicado da bruxa, se lamentando pelo azar dos dois. Robinson vinha de uma família de sangues-puros e não seria uma escolha terrível para se unir ao primogênito dos Malfoy, se não tivesse o destino terrível de um aborto.

Não havia a menor chance para aquele amor no mundo em que viviam e aquela certeza pesava em seus ombros. Saber que viveria ao lado de Narcisa, sem ao menos ter a chance de tentar um relacionamento com Barbara, tornava ainda mais difícil aquela despedida. Lucius sabia que aquela história não poderia continuar e que aquilo era uma despedida, mas nem toda racionalidade do mundo foi capaz de tirar a tristeza de seu olhar.

Malfoy depositou um beijo suave na testa de Barbara e levantou da cama, relutante. A camisa ensanguentada ainda estava amassada, caída aos pés da cama, e foi recolhida pelo bruxo. Quando ele se colocou de pé mais uma vez, a encarou por cima, sem a arrogância familiar.

- Eu sinto muito, Barb.

O pedido de desculpas já estava antecipado, mas não havia muita explicação em suas palavras. Sinto muito, Barb, por não podermos ficar juntos. Sinto muito por não ser quem você espera. Sinto muito por não lutar por nós dois. Sinto muito que vá te magoar, mas jamais teríamos uma chance. Havia várias formas de continuar aquela frase, mas Lucius se permitiu calar. Não importava como ele se expressasse, no final, nenhum dos dois conseguiria o que queria e aquelas palavras seriam inúteis.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Sab Jan 02, 2016 4:55 pm

O sofrimento de Rodolphus chegava a ser cômico. Definitivamente, a resistência dele ao frio era muito pequena, praticamente nula. Se a Noruega estivesse enfrentando um de seus rigorosos invernos, o Sr. Lestrange certamente já teria congelado em algum canto da mansão Russel.

Quando chegou à ampla cozinha da mansão, Rodolphus ainda estava encolhido dentro dos próprios braços. Ele mais parecia um garotinho quando se sentou numa das banquetas ao redor do balcão e esperou pelo chá claramente lutando para controlar os tremores que percorriam o seu corpo.

A claridade do cômodo permitia que a esposa visse que os lábios de Rodolphus estavam arroxeados, assim como as pontas dos seus dedos compridos. Nem mesmo todas as roupas pesadas que o rapaz usava naquela noite impediam que Rodolphus sentisse o frio da Noruega alcançando seus ossos.

Apesar do imenso desconforto, Lestrange conseguiu raciocinar e perceber como aquela cena era estranha. Ver um bruxo na cozinha era uma surpresa para alguém acostumado a delegar todas as funções da casa aos elfos domésticos.

Mas a naturalidade de Olivia mostrava que aquela não era a primeira vez que a ruiva dispensava a ajuda de Poll. A herdeira dos Russel claramente sabia se virar sozinha na cozinha, o que era algo que Rodolphus não esperava de nenhuma moça criada numa família bruxa tradicional.

Saber que o firewhisky fazia parte da receita também foi uma surpresa para Rodolphus, mas ele nem pensaria em questionar nenhum ingrediente que ajudasse a reduzir o desconforto daquela temperatura.

- Seu pai não gostava de frio e morava neste lugar? – Rodolphus não conseguiu conter um arrepio mais intenso que fez seus ombros tremerem – Prefiro não pensar no quanto ele sofria durante o inverno.

Mais uma vez, O Sr. Lestrange parecia uma criança quando pegou a caneca quente com as duas mãos, aproveitando o calor da bebida para esquentar seus dedos já dormentes de frio. Antes de experimentar o primeiro gole, Rodolphus cheirou o chá e aprovou tanto o odor quanto o agradável vapor que aqueceu seu rosto, fazendo com que o bruxo sentisse novamente a ponta do nariz.

- Obrigado, Olivia.

O agradecimento soou num sussurro sincero. Receber aquele tipo de atenção da ruiva era muito mais do que Rodolphus esperava depois que os dois declararam guerra um ao outro.

É claro que Lestrange ainda estava bastante magoado e irritado com os últimos acontecimentos e com aquele casamento, em geral. Mas o rapaz também sabia reconhecer que o gesto de Olivia naquela noite era uma trégua. Pelo menos, uma trégua momentânea.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Danika Lehmann em Sab Jan 02, 2016 5:23 pm

“Eu sinto muito, Barb.”

As palavras de Malfoy ecoaram algumas vezes dentro da cabeça da garota antes que Barbara compreendesse que aquilo era uma despedida definitiva. Lucius não se alongou nas explicações, mas a verdade é que Robinson não precisava de argumentos para entender aonde o bruxo queria chegar com aquelas palavras.

Os dois não podiam ficar juntos. Os acontecimentos daquela noite faziam parte de um sonho. E, como qualquer sonho, aquele também acabaria com o nascer do sol.

Apesar da tristeza, os olhos verdes se mantiveram secos. No fundo, Barbara já esperava que as coisas terminassem assim no instante em que socorreu Lucius no beco sem saída ao lado do Caldeirão Furado.

Os dois viviam em realidades completamente distintas e Malfoy não era o tipo de pessoa que enfrentaria aquele abismo por ela. Lucius já havia feito muito em renegar a própria natureza para ficar com ela naquelas breves horas. Robinson sabia que era esperar demais que o rapaz fosse muito além disso.

Em seus sonhos de menina, Barbara se apaixonaria por alguém disposto a mover céus e terras em prol daquele amor. Seu príncipe encantado não daria a menor importância para as suas origens humildes, ou para a terrível marca de aborto que pairava sobre a cabeça dela.

Mas seu coração havia escolhido Lucius. E a racionalidade de Barbara não permitia que ela enxergasse nele o rapaz nobre e destemido de seus sonhos. Malfoy jamais abandonaria seus luxos, seu sobrenome e sua posição de destaque no mundo da magia por amor a um aborto da natureza.

Exatamente por ter esta consciência tão solidificada da posição de inferioridade que ocupava na sociedade bruxa, Barbara não se surpreendeu e não se ofendeu com a decisão do rapaz. Não houve súplica, choro, exigências ou questionamentos. Robinson sabia que a vida simplesmente estava seguindo o roteiro pré-determinado desde antes de seu nascimento. Bruxos como Lucius não ficavam com garotas como Barbara. Simples assim.

Ao invés de se ofender ou de se mostrar magoada com a atitude dele, Barbara decidiu que a melhor coisa a se fazer era aproveitar os últimos segundos daquele sonho.

A balconista da Von Hants Potions estava séria quando se colocou de pé, em frente a Malfoy. Ela suspirou enquanto se colocava na ponta dos pés e equilibrou o corpo passando os braços pelo pescoço de Lucius.

Os lábios inicialmente se tocaram numa carícia superficial antes de mergulharem num beijo mais profundo e demorado. Aos olhos de qualquer um, era um beijo como outro qualquer, mas os protagonistas daquela cena sabiam que a carícia tinha um gosto amargo de despedida daquela vez.

Só quando o fôlego de Barbara chegou ao fim, a garota afastou os lábios. Ela encostou a testa na de Lucius e roçou o nariz na bochecha dele, esforçando-se para memorizar cada segundo daquele último contato. Afinal, depois que Malfoy partisse, tudo o que restaria à morena seriam as lembranças daquele sonho.

- Eu também sinto muito, Lucius. Mas eu entendo. Eu sempre entendi.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Sab Jan 02, 2016 5:56 pm

Após a pequena trégua ocorrida durante a madrugada na cozinha, Olivia se sentiu segura o bastante para deixar o próprio quarto na manhã seguinte. Com o sol nos céus e a temperatura mais amena do dia, não havia mais um motivo para unir o casal e os dois logo reassumiram o comportamento frio e distante.

Motivados pelo desconforto de Rodolphus durante as noites, eles encurtaram os dias previstos para continuar na Noruega e logo voltaram para Londres, onde todas as coisas de Lestrange já haviam sido transportadas ao seu novo lar.

Alheia ao contrato feito entre os noivos, Meredith havia preparado o quarto principal da mansão com todas as coisas dos dois e já havia uma foto do casamento em destaque sobre a lareira. Na fotografia, eles estavam lado a lado e exibiam sorrisos discretos. Para um bom observador, seria possível perceber o movimento mecânico, mas de um modo geral, apenas representava um casal da alta sociedade nos primeiros minutos como marido e mulher.

Olivia olhou ao redor do próprio quarto, percebendo os pequenos detalhes que agora denunciavam a presença de outra pessoa. Havia sido fácil manter a distância quando estavam sozinhos em outro país, mas seria questão de tempo até Meredith também perceber a farsa daquela união.

Enquanto encarava a própria cama, a ruiva retirou as luvas e manteve a expressão séria enquanto Rodolphus se aproximava.

- Vou avisar a Meredith para preparar o seu quarto no final do corredor.

Ela consultou o próprio relógio de ouro em seu pulso, vendo o ponteiro se aproximar do horário de seu compromisso. Agora que estava de volta a Inglaterra, poderia reassumir seus encontros semanais com Nate. Toda quinta-feira, Olivia enfrentava a Londres trouxa para se encontrar com o meio-irmão, e não seria o cansaço da viagem da Noruega que a impediria.

- Eu vou passar a tarde fora, mas os elfos não terão dificuldade em levar suas coisas. Logo você estará adaptado no seu próprio quarto, exatamente como combinamos. Está bem?
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Severus Snape em Sab Jan 02, 2016 6:38 pm

Lucius mergulhou no beijo iniciado por Barbara como se sua própria vida dependesse daquilo. Seus braços a apertaram em um gesto desesperado da certeza que seria a última vez que teria a morena em seus braços, querendo gravar em sua memória cada detalhe daquele momento.

O perfume gostoso dos cabelos macios, a textura das roupas gastas em seus dedos, o sabor único dos lábios. Seria apenas a recordação que poderiam lhe acompanhar a partir daquele momento. Somente a lembrança daquele sentimento que um dia existiu lhe traria a felicidade quando estivesse amarrado em um casamento sem amor, na família perfeita que sempre lhe foi destinada.

Malfoy não questionava as escolhas da família na união com os Black, ele e Cissy logo estariam casados e ele abraçaria aquela responsabilidade sem pesar. Apenas queria ter a certeza de que, em algum momento de sua vida, tivesse uma lembrança feliz de uma mulher que ele realmente desejou.

Mesmo com seus pulmões ardendo, ele não queria interromper aquele contato. A claridade no quarto aumentava a cada segundo com o nascer do sol, lhe lembrando que precisava sair daquele lugar o quanto antes, mas faltava a coragem para se afastar de Barbara.

Ouvir que ela também sentia muito fez um sorriso triste brincar em seus lábios, tornando sua admiração ainda maior. Qualquer garota iria espernear ou exigir qualquer coisa. Até mesmo dinheiro para comprar o silêncio do que havia acontecido naquela noite. Mas Robinson, mesmo em sua humilde situação, não se aproveitaria dele. Para ela, aquela separação também não estava sendo fácil.

Lucius depositou um beijo demorado na testa da balconista antes de quebrar o contato completamente. O frio logo se apoderou de seu corpo, apenas para ajudar na tarefa de reassumir o Malfoy de sempre.

- Tente não arrumar confusão por aí, está bem? – A capa foi recolhida do chão, assim como a camisa suja de sangue.

O pedido era simples, mas mostrava que Lucius se preocupava com o que poderia acontecer com Barbara no mundo bruxo. Por mais que ela tivesse cuidado de seus ferimentos com perfeição, sem precisar de magia, ele sabia que não seria tão simples caso algum outro Comensal cruzasse seu caminho.

Uma simples aparatação e logo Malfoy estava de volta em casa. Livre dos olhares dos pais, ele seguiu até o próprio quarto, precisando de ainda alguns minutos antes de deixar aquela noite para trás.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Sab Jan 02, 2016 7:04 pm

Qualquer noivo lamentaria o fim de uma viagem de lua-de-mel, mas Rodolphus encarou seu retorno a Londres como o maior presente que já recebera nos últimos tempos.

Lestrange não possuía sequer uma lembrança positiva de sua viagem à Noruega. Tudo o que ele sentia na mansão dos Russel era frio e solidão. Ao menos em Londres, o rapaz conseguiria distrair a mente com o trabalho, a família e os amigos. E faria isso em uma temperatura absurdamente mais agradável.

Conforme o rapaz já esperava, Meredith os recebeu como se os dois fossem um típico casal apaixonado. O principal quarto da casa estava pronto para acomodá-los e a governanta certamente ficaria decepcionada quando soubesse que Rodolphus e Olivia não pretendiam dividir o mesmo cômodo.

Dimitri e Octavia também dormiam em quartos separados, mas a situação deles era bem diferente. Meredith tinha a ilusão de que Olivia seria feliz no casamento e que amaria o marido e seria amada por ele. Era tudo o que a governanta desejava para a sua menina, mas as preces de Meredith não estavam sendo ouvidas.

- Certo.

A resposta breve de Lestrange soou enquanto ele olhava o quarto, observando o cuidado de Meredith até com os pequenos detalhes.

A curiosidade corroía Rodolphus por dentro, mas ele sabia que não tinha o direito de questionar Olivia sobre o seu destino naquela tarde. Se ela fosse como as demais garotas da alta sociedade, provavelmente perderia algumas horas fazendo compras ou fofocando com uma amiga em alguma casa de chá. Mas, pelo pouco que conhecia da ruiva, Lestrange já sabia que aquilo não combinava com ela.

Lestrange daria uma generosa parte de sua fortuna para saber aonde Olivia pretendia ir, mesmo cansada depois de uma viagem longa. A herdeira dos Russel não tinha muitos conhecidos na Inglaterra, não mencionara nenhum amigo ou sócio nos negócios.

Apesar da curiosidade, Rodolphus não encontrou outra saída senão guardar para si aquelas dúvidas. Qualquer pergunta geraria uma nova discussão, e Lestrange já estava farto de brigas. Agora que a raiva dissipara, o rapaz sentia apenas o cansaço e a falta de esperança num futuro feliz ao lado de Olivia.

Para que aquelas dúvidas não o corroessem por dentro, Rodolphus decidiu que também passaria a tarde fora de casa. Enquanto os elfos – liderados por uma decepcionada Meredith – organizavam um dos quartos de hóspedes com as coisas do rapaz, Lestrange usou a lareira para sair da casa.

Ao invés de se concentrar nos negócios ou visitar a família, Rodolphus procurou pelo Lord das Trevas naquela tarde. Voldemort precisava ser o primeiro a saber que seu servo estava de volta e novamente disponível para cumprir as vontades dele.

Quando retornou para a nova casa nas primeiras horas da noite, Rodolphus já trazia consigo uma nova missão. O grande estojo de veludo negro, que guardava um colar de diamantes enfeitiçado, foi levado até o escritório.

O Comensal da Morte retirou um dos quadros da parede com cuidado e depois abriu o cofre, abarrotado de ouro e de documentos da família Lestrange.

Aquele tesouro de Voldemort seria posteriormente guardado no enorme cofre que os Lestrange possuíam no Gringotts, onde estaria ainda mais protegido. Mas, por ora, aquele seria o esconderijo daquele segredo.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Danika Lehmann em Sab Jan 02, 2016 7:36 pm

Embora Lucius Malfoy fosse uma lembrança que a assombrasse todos os dias, sem exceção, Barbara Robinson se esforçou para prosseguir com a sua vida depois daquela noite ao lado do bruxo. Seu peito doía de saudades do rapaz, mas Barbara sabia que não havia um futuro para os dois. E era melhor que se afastassem antes que mais lembranças fossem construídas e despedaçadas.

Para poupar o coração de mais sofrimento, Robinson começou a evitar os jornais. Seria assombrosamente doloroso ler uma notícia sobre a proximidade do casamento do herdeiro dos Malfoy com Narcissa Black. Quando se lembrava da beleza, da elegância e da língua afiada da futura Sra. Malfoy, Barbara se sentia mais inadequada do que um trasgo.

O trabalho na Von Hants Potions contribuía para a distração da mente de Robinson. Nos últimos dias, a loja estava mais cheia que o habitual e os pedidos se acumulavam sobre a mesa de Terry. Como o velho não tinha mais saúde para trabalhar tanto, Barbara se via sobrecarregada. Além de atender os clientes no balcão, a garota passou a ser a responsável pela arrumação do estoque e pelo preparo inicial dos ingredientes das poções. O trabalho de Von Hants se resumia à mistura dos ingredientes dentro do caldeirão, já que Robinson também era encarregada de engarrafar as poções.

Tantas tarefas deixavam Robinson exausta ao fim do expediente, mas a garota não reclamava. Além de manter a mente ocupada com tanto trabalho, Terry lhe dera um justo aumento no salário. E aquele era um dinheiro que Barbara não podia recusar, ainda mais agora que a mãe retornara de viagem ainda mais debilitada.

Naquele fim de tarde de sábado, a balconista se sentia exausta depois de uma semana inteira trabalhando naquela rotina pesada. Quando fechou as portas da loja, tudo o que Barbara queria era chegar em casa, tomar um banho demorado e dormir durante o resto do sábado e do domingo, antes que o trabalho recomeçasse na segunda-feira.

O cansaço estava refletido em cada traço do rosto da garota. Abaixo dos olhos verdes havia uma discreta olheira e Barbara parecia um pouco mais magra que o habitual. Os cabelos castanhos estavam presos num rabo de cavalo para disfarçar um pouco a inevitável oleosidade acumulada nos fios depois de horas e horas em contato direto com o vapor das poções. As roupas de Robinson eram simples como de costume, mas naquele dia exibiam algumas manchas oriundas dos líquidos borbulhando nos caldeirões da loja.

Definitivamente, não era o melhor dia para Barbara Robinson. Ela já se sentia horrorosa sem que precisasse se comparar com ninguém. Mas o destino quis humilhá-la um pouco mais colocando em seu caminho uma amostra de uma garota com a aparência impecavelmente perfeita.

A cabeça de Barbara estava distante da realidade quando a garota virou o corpo numa das esquinas do Beco Diagonal e esbarrou em alguém que vinha na outra calçada. Várias sacolas se espalharam pelo chão e, antes mesmo de olhar o rosto de sua “vítima”, Robinson se colocou de joelhos no chão e começou a resgatar as sacolas.

- Desculpe! Eu estava distraída, me perdoe!

Ainda de joelhos na calçada, Barbara finalmente ergueu a cabeça e perdeu as cores ao dar de cara com Narcissa Black. Os olhos cinzentos da loira se estreitaram e ela deu um passo para trás antes de explodir.

- Como você OUSA encostar em mim, aborto maldito!!!

As palavras foram berradas, atraindo a atenção de todos os que passavam por perto. Barbara respirou fundo, amaldiçoando a própria sorte. Narcissa era a última pessoa que ela desejaria ver naquela tarde. Talvez fosse menos desagradável dar de cara com um Comensal da Morte, ou com o próprio Voldemort.

- Criaturas imundas como você deveriam ser PROIBIDAS de transitar no mesmo ambiente de bruxos! Nós não deveríamos viver sob o risco de sermos tocados por gente suja como você!

- Desculpe.

Robinson murmurou enquanto estendia as sacolas de compras na direção de Narcissa.

- O que??? – a loira encarou as sacolas com uma expressão horrorizada – Você acha mesmo que eu quero isso depois que um ABORTO tocou essas coisas? Lucius!

Barbara teve a prova de que as coisas sempre podiam piorar quando o noivo da loira surgiu por trás de Narcissa, saindo de uma loja com uma sacola em mãos.

- Terei que comprar tudo de novo, Lucius! Este aborto maldito encostou nas minhas sacolas! Está tudo contaminado!!! – a voz de Cissy beirava a histeria – Eu disse que o Beco Diagonal era muito mal frequentado! Não se pode mais transitar pelas calçadas daqui sem sentir o fedor, sem ser vítima dessa podridão!
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Sab Jan 02, 2016 7:48 pm

Apesar do planejado ter sido ficar fora apenas durante a tarde, quando Olivia retornou para casa, já estava tarde e havia passado há muito o horário do jantar. Para a jovem Sra. Lestrange, a refeição era indiferente, visto que ela já havia comido na companhia de Nate.

Exatamente como previra, o irmão não estava nada satisfeito com as novidades sobre o casamento com Rodolphus. Para ele sempre esteve bastante nítido que o homem mudaria seu comportamento quando já estivessem com o contrato assinado, mas não havia nada que um trouxa pudesse fazer contra uma família de bruxos.

Aquela frustração de não poder ajudar a irmã o fazia se sentir miserável, mas Olivia lhe garantiu que logo as coisas estariam mais calmas. Desde que havia preparado a bebida quente para Rodolphus na Noruega, a guerra entre o casal havia sido pausada e, apesar do tratamento frio e distante, ainda era um clima melhor do que a as brigas como as do dia do casamento.

Motivada pelo desejo de estar longe de casa e satisfeita por estar novamente na presença do irmão, Olivia se esqueceu completamente da hora e apenas deixou o apartamento dele porque queria evitar uma nova discussão com o marido.

Ela tinha a certeza que, pela hora tardia, Rodolphus já teria se recolhido em seu próprio quarto, lhe dando a liberdade para andar pela casa sem questionamentos. Ao pisar na sala de estar, retirando o casaco negro, Olivia travou diante dos olhares Rabastan Lestrange e uma moça de cabelos negros ao seu lado.

Os dois estavam acomodados no sofá, cada um com sua respectiva xícara de chá. Enquanto Meredith se aproximava com passos apressados da dona da casa, Olivia percebeu os lábios da morena se curvarem em um sorriso maldoso que logo foi escondido ao dar um gole em seu chá.

- Boa noite. Eu não sabia que teríamos visitas... – Ela lançou um olhar de interrogação ao marido, sentado entre as duas visitas.

- Queríamos fazer uma surpresa, cunhadinha. – A voz de Rabastan soou abafada enquanto ele mastigava biscoitinhos, segurando sua xícara de forma grotesca.

- O Sr. Lestrange e a Srta. Black apareceram para o jantar, Olivia. – Meredith explicou aos sussurros, lançando um olhar ansioso para a ruiva.

Se os dois haviam aparecido para o jantar, já estavam na mansão há horas, sem a presença da esposa de Rodolphus. Era estranho que ainda nos primeiros dias de casado, Olivia ficasse tanto tempo fora de casa, longe do marido, e ela tinha certeza que aquilo não havia agradado em nada o rapaz.

Ignorando a certeza de que aquilo lhe traria problemas, seu olhar pousou na morena, analisando-a cuidadosamente. Ela exibia um vestido roxo com a parte de cima de renda e uma amarração no decote bem aberto, expondo a pele até quase metade da barriga em um trançado que escondia pouca coisa. A saia era mais leve e tinha pouco volume, alcançando seus joelhos.

- Srta. Black? – Olivia perguntou, erguendo uma sobrancelha. – Bellatirx, não é?

A ruiva se lembrava do rosto de Bellatrix em seu casamento. A beleza da morena havia ficado marcada em sua memória porque ela sabia que era a segunda opção de Rodolphus para ter como esposa.

Bella era mais velha que Olivia, mas era tão bonita quanto. Os cabelos negros brilhavam e os olhos cinzentos, tão incomum, carregavam uma frieza quase assustadora.

Em resposta a pergunta de Olivia, Black alargou seu sorriso e depositou a xícara de chá sobre a mesinha.

- Eu avisei que não deveríamos ter vindo sem avisar, Rabastan. Mas é lógico que imaginei que fosse atrapalhar os recém-casados.... Se soubesse que este não seria o problema, teria vindo mais cedo.

Os olhos cor de mel se estreitaram enquanto Olivia se aproximava. Ela não gostava de Bellatrix. Não gostava da aparência bonita demais, do decote exagerado, das cores vivas em sua sala tão escura e muito menos da maneira com que a bruxa falava com ela.

Como uma boa anfitriã, a Sra. Lestrange deveria abrir um sorriso e ignorar aquele comentário maldoso. Deveria se sentar ao lado do marido e se desculpar pela ausência. Mas Olivia não estava acostumada que as pessoas falassem com ela daquela forma. Mesmo que fosse apenas pelo dinheiro, todos tratavam os Russel estendendo tapetes vermelhos. Era uma ousadia de Bellatrix desafiar a dona da casa daquela forma.

- Meu conselho é que você sempre avise antes de aparecer na casa de alguém, Srta. Black. Não sei como vocês costumam fazer aqui na Inglaterra, mas na Noruega, qualquer pessoa civilizada e com o mínimo de educação não aparece sem avisar.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Sab Jan 02, 2016 8:14 pm

A frustração de Rodolphus em não saber o destino da esposa se transformou em constrangimento quando, ao fim da tarde, Rabastan apareceu para visitá-lo acompanhado por Bellatrix. E o constrangimento começou a dar lugar a uma nova crise de raiva na medida em que os ponteiros se moviam sem que Olivia aparecesse.

É claro que a primeira pergunta de Bella foi com relação à dona da casa. E o silêncio inicial de Rodolphus deixou claro que ele não fazia ideia de onde a esposa estava. Logo o rapaz mencionou que passara as últimas horas com o Lord das Trevas e que Olivia certamente aproveitara a sua ausência para resolver alguma pendência, mas o estrago já estava feito. Bella já tinha a certeza de que aquele casamento era um fracasso.

Embora não gostasse sinceramente de Rodolphus, Bellatrix sentia-se frustrada por ter perdido a chance de se tornar a Sra. Lestrange. Os Lestrange eram ricos, tinham um sobrenome importante e uma arvore genealógica impecavelmente limpa. É claro que ela poderia se casar com Rabastan tendo em vista apenas os interesses no nome da família, mas Rodolphus era uma opção absurdamente mais agradável, além de ser o principal herdeiro do sobrenome.

Mesmo não conhecendo Olivia, Bellatrix já nutria pela ruiva uma enorme antipatia pelo simples fato de que gostaria de estar no lugar dela. Por isso, é claro que Bella não pretendia perder aquela oportunidade única de abalar a vida “perfeita” da herdeira dos Russel.

- Aqui na Inglaterra, não é comum que um IRMÃO e uma AMIGA precisem agendar um horário formal para uma visita. Mas eu compreendo que as coisas sejam diferentes na Noruega. – o sorrisinho de Bella se tornou mais malicioso ainda – Vocês são mais frios, não é? Tão gelados quanto o clima do país. Dolphus me contou que foi uma viagem insuportável...

Embora tivesse citado apenas o clima da Noruega, a entonação irônica de Bellatrix deixava claro que ela não se referia apenas a isso. Rodolphus obviamente não mencionara a briga e a forma distante como vivia com Olivia, mas Bella era esperta o bastante para ler esta informação no semblante desanimado do rapaz. Se Rodolphus e Olivia estivessem felizes e apaixonados, os dois não teriam passado o primeiro dia na nova casa separados.

- Mas me desculpe, Sra. Lestrange. Se a minha presença e a presença do Basty incomodam tanto assim, nós vamos embora. É a SUA casa, afinal.

Sem dúvida, Bellatrix dominava aquela arte de jogar com as palavras. A expressão dela fez com que os olhos de Rodolphus se estreitassem de fúria.

- É a MINHA casa também! E eu digo que o meu irmão e os meus amigos são bem-vindos.

- Foi só um mal entendido. É claro que os seus convidados são bem-vindos, Rodolphus. – Meredith forçou um sorriso tenso ao notar os rumos tomados por aquela discussão – Agora que Olivia chegou, vou pedir que o jantar seja servido.

- Eu agradeço, Meredith, mas realmente perdi a fome. – Bella manteve um sorriso falso nos lábios – Esperamos demais e nos fartamos com os biscoitinhos. Aliás, estavam deliciosos! Podemos ir, Basty?

O olhar desamparado de Rabastan mostrava que o rapaz pretendia ignorar o clima pesado para aproveitar o jantar, mas é claro que ele não pretendia discordar de Bellatrix Black.

- Sim, claro. – Rabastan se levantou, ajeitando a camisa amassada sobre a enorme barriga – Desculpe, Olivia, eu realmente achei que não teria problema. Mandarei uma coruja avisando sobre a visita da próxima vez.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Severus Snape em Sab Jan 02, 2016 8:34 pm

O plano parecia bem simples: apenas continuar sendo o Lucius Malfoy de sempre, deixando a noite vivida ao lado de Barbara apenas em sua memória. Afinal, ele já havia vivido toda sua vida longe da balconista da Von Hants Potions e simplesmente precisava retomar do ponto deixado antes que a menina cruzasse seu caminho.

O rapaz apenas não esperava que fosse ser tão difícil seguir os seus dias sem que a imagem de Robinson invadisse sua mente. Por mais de uma vez, ele se flagrou perdido em pensamentos, sorrindo bobamente ao lembrar do sabor dos beijos trocados com ela. Os pais provavelmente enlouqueceriam se desconfiassem que o filho estava agindo daquela forma por um aborto excluído da sociedade.

Com exceção dos pensamentos que ele havia desistido de controlar, Malfoy logo reassumiu sua postura do rapaz rico, de sangue-puro, de uma família tradicional e com um casamento se aproximando.

Exatamente como o pai havia prometido, Lucius logo conquistou um cargo no Ministério da Magia. O cargo era apenas mais um título para exibir aos Black com a proximidade do casamento, porque Malfoy não precisava de um emprego para sustentar a nova família que criaria com Cissy.

Dividido entre o novo trabalho, seu dever como Comensal e seu papel de noivo, o tempo estava ficando cada vez menor para pensar em Barbara, mas ainda era impossível para o loiro passar um dia inteiro sem que a imagem dela ocupasse seus pensamentos.

Naquele sábado ensolarado, Narcisa havia decidido que o melhor programa para se passar ao lado do noivo seria uma tarde de compras no Beco Diagonal. Lucius, como a maioria dos homens, havia detestado a ideia, mas se sentia em dívida com a futura esposa para negar aquele capricho.

Os cabelos loiros da mulher brilhavam sedosamente sob a luz do sol que estava se pondo e Cissy andava carregando algumas de suas compras, ainda com toda a energia do mundo, como se os dois não estivessem ali há horas.

Lucius sentia os pés arderem por ficar em pé tanto tempo, o terno e a gravata começavam a sufocar com o calor, mas ele mantinha o semblante indiferente enquanto carregava a maior parte das compras da noiva.

Era um imenso alívio que Cissy não tivesse insistido em ir para o lado da Von Hants Potions. A cada instante que estava na rua, a cabeça de Lucius percorria o beco a procura dos conhecidos cabelos castanhos, e ficava dividido entre agradecimento e frustração quando não encontrava Barbara.

Malfoy já estava considerando a batalha ganha quando deixou a última loja e seguia com Narcisa para um restaurante, onde jantariam antes de retornar para casa, e não esperava que, depois de um dia inteiro cheio de expectativas, seu desejo finalmente fosse atendido.

Quando os olhos azuis pousaram em Barbara, imediatamente um brilho diferente se apoderou dos olhos azuis e um sorriso ameaçou abrir em seus lábios, como quem reencontra um grande amigo depois de tanto tempo.

Movido por um segundo de insanidade, ele se aproximou, o olhar preso na morena, e estava prestes a erguer a mão para ajuda-la a se levantar quando a voz de Narcisa indicou que a loira ainda estava ali, que ele ainda estava parado no Beco Diagonal, rodeado de bruxos e que não deveria nem mesmo saber que Barbara Robinson existia.

Sua feição mudou drasticamente, uma sombra passando pelas íris claras. O maxilar travou, sem mais sombra alguma de sorrisos. Sua garganta queimou e Malfoy xingou mentalmente a piada de péssimo gosto do destino.

Há dias, tudo que ele desejava era poder rever Barbara. E ali estava ela, no pior cenário possível para um reencontro.

- Não precisa fazer um escândalo, Cissy. – Sua voz grossa soou fria e incômoda, mas firme. – Você fala como se fosse algum sacrifício comprar tudo de novo. Jogue as sacolas no lixo, se preferir.

Os olhos cinzentos da loira se estreitaram diante das palavras do noivo e Lucius teve a certeza que não havia agradado.

- Não faça bicos.... Podemos fazer as compras em outro lugar. Assim evitamos de tombar com este tipo de escória.

Sua vontade era de morder a própria língua, mas não havia saída. Qualquer deslize e Cissy perceberia a mudança de comportamento do noivo que ela conhecia tão bem. Por alguns segundos, Malfoy evitou encarar Barbara, mas quando finalmente o fez, teve a certeza que tinha a perfeita máscara do arrogante de sempre.


- O que ainda está fazendo no chão, imundice? Suas roupas não ficarão menos sujas se forem confundidas com a calçada.

Ele girou o olhar e se colocou ao lado de Narcisa, as mãos coçando para ajudar Barbara a se levantar. Para evitar qualquer deslize, ele apoiou os dedos nas costas de Cissy, em um gesto aparentemente protetor.

- Por Slytherin, eu juro que nunca consegui entender a necessidade que esses abortos da natureza têm de se vestir tão mal! – Cissy resmungou, torcendo o nariz como se tivesse um peixe podre sob as narinas.

- Meu elfo doméstico tem vestes melhores e até um trasgo cheira melhor que essa aí. – Malfoy completou. – Por que não faz uma caridade, querida? Deixe suas roupas contaminadas com esta podridão para este lixo ambulante. Talvez assim ela possa parecer menos asquerosa.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Sab Jan 02, 2016 8:49 pm

Os lábios de Olivia chegaram a se abrir para se desculpar com Rabastan e dizer que ele poderia aparecer quando quisesse. Afinal, ele era o caçula dos Lestrange e tinha todo o direito de visitar o irmão quando quisesse. Porém, a presença de Bella com seu irritante sorriso foram suficientes para calar a dona da casa.

Ela se manteve parada no meio da sala, as mãos unidas, enquanto Basty e Bellatrix se despediam. Seus olhos cor de mel presos no momento em que a morena se aproximou para beijar o rosto de Rodolphus.

A briga no primeiro dia da Noruega invadiu sua mente e ela lembrou com clareza das palavras de Rodolphus sobre a brecha no contrato, que o permitiria ter uma amante se a esposa se recusasse a cumprir suas responsabilidades. Eles mal haviam retornado e Lestrange já compartilhava com a morena os problemas conjugais daquele casamento falso.

Fazia sentido que Rodolphus e Bellatrix tivessem um caso, até mesmo antes da chegada de Olivia à Inglaterra. A forma como o primogênito havia proposto ao pai a troca do acordo dos Russel pelos Black era apenas mais um sinal de que era com a morena que ele desejaria estar. Ter aquela mulher sob seu teto era uma afronta.

Meredith acompanhou os visitantes até a porta de entrada e Olivia continuou imóvel em seu lugar até que a governanta estivesse de volta.

- Vou pedir aos elfos que deixem apenas dois lugares à mesa.

- Não é necessário, Mer. – Olivia não olhou para a mulher e não sorriu docemente como costumava fazer quando falava com ela.

Estava séria e se sentindo desrespeitada com a presença da Black em sua casa.

- Eu já jantei. As coisas do Rodolphus já foram retiradas do meu quarto?

- Sim, Liv...

- Ótimo. Eu vou descansar então. Pode levar um chá para mim, Mer?
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Danika Lehmann em Sab Jan 02, 2016 9:26 pm

- Controle-se. Isso não é certo, Barbara.

Ursula era mais jovem e ainda tinha a beleza típica dos Robinson quando se agachou diante da filha. Antes que a varíola de dragão se apoderasse da saúde da mulher, Ursula tinha uma aparência impecável. Nem mesmo as roupas simples e a vida miserável que levava ao lado da criança camuflavam os traços bonitos, os cabelos sedosos e as curvas perfeitas do corpo da mulher. Era fácil entender porque Cygnus Black arriscara toda a sua reputação para tê-la como amante.

- Isso á magia, mamãe.

A pequena Barbara de sete anos olhava as mãozinhas vazias sem entender bem o que havia acabado de acontecer. Ela apenas desejara pegar uma boneca guardada na prateleira mais alta do seu quarto e, em poucos segundos, uma lâmpada estava estourada, todas as portas do guarda-roupa estavam abertas e um trinco surgira na parede do quarto.

- Não é. Eu já expliquei, Barbie. Você não é uma bruxa. Você nasceu sem magia.

A mentira provocava um aperto no peito de Ursula, mas ela se consolava com a certeza de que só queria proteger a filha. Se Cygnus desconfiasse que seu relacionamento com a filha dos Robinson gerara um fruto, Barbara não seria poupada. Ursula conhecia bem a determinação dos Black em manter as aparências diante da sociedade.

- Então, como eu consigo fazer isso, mamãe? – a pergunta soou em tom de desafio.

- A sua magia é fraca e arriscada, querida. Você nunca será capaz de controlá-la como um bruxo faria. E é por isso que você deve se controlar, Barbie. Não faça mais isso. Nunca mais.

- Mas eu não faço por querer, mamãe. Eu apenas sinto, e as coisas acontecem.

Ali estava a prova de que a missão de Ursula era muito mais complicada do que ela imaginara a princípio. Barbara não só era uma bruxa, como demonstrava um poder maior do que a média. Não era incomum que crianças conseguissem realizar pequenas magias sem o uso de uma varinha, mas a garotinha era capaz de grandes feitos, mesmo sem se dar conta disso.

- Então não sinta, Barbie. Ninguém pode ver, ninguém pode saber que você consegue fazer essas coisas, querida. Isso não é normal. Seja uma boa menina. Você promete que vai se segurar?

- Prometo, mamãe.


(...)

“Não sinta. Ninguém pode ver. Ninguém pode saber. Seja uma boa menina.”

As palavras que Ursula repetiu a vida inteira ecoavam na mente de Barbara enquanto ela era metralhada pelas ofensas de Narcissa Black e Lucius Malfoy. A morena sempre tivera um excelente autocontrole, mas esta qualidade parecia ter se evaporado naquela tarde. Robinson estava cansada demais. Não só fisicamente, como também mentalmente.

Por mais que soubesse que Lucius era um sonho inalcançável, Barbara não estava pronta para vê-lo novamente com a máscara de arrogância e com a língua afiada voltada contra ela. Por um momento insano, ela desejou tê-lo deixado morrer no beco podre, assim nunca mais teria que escutar tais ofensas na voz do rapaz que não saía dos seus pensamentos.

- Eu não vou dar as roupas que escolhi com tanto cuidado para um aborto, Lucius! Seria um desperdício, uma afronta! É melhor queimá-las e jogá-las numa lixeira!

A loira apontou a varinha na direção das sacolas, mas antes que pudesse articular o feitiço, Narcissa soltou um grito e soltou a varinha subitamente, fazendo-a rolar pela calçada. Os olhos cinzentos se arregalaram e ela encarou o noivo, completamente confusa.

- Um choque! A minha varinha me deu um choque, Lucius!

“Não sinta. Ninguém pode ver. Ninguém pode saber. Seja uma boa menina.”

As palavras da mãe continuavam a ecoar dentro da cabeça de Barbara, mas já era tarde demais. A garota já havia perdido completamente o controle.

- Eu estou FARTA de ser uma boa menina.

A resposta de Barbara foi dirigida ao próprio cérebro, mas Narcissa a encarou como se a garota estivesse falando com ela. Embora ainda confusa com o comportamento da própria varinha, a loira estreitou os olhos.

- Como é, aborto? O que você disse?

Os dedos de Robinson se abriram, fazendo com que as sacolas novamente caíssem na calçada e espalhassem as roupas de Cissy pelo chão. A loira avançou um passo na direção de Barbara, mas estancou quando uma enorme rachadura se abriu na calçada, exatamente sob seus pés.

Narcissa soltou um gritinho assustado e recuou alguns passos. Antes que pudesse se recuperar, a loira foi surpreendida quando a vidraça da fachada da loja de onde Lucius acabara de sair simplesmente explodiu, fazendo com que milhões de caquinhos de vidro voassem em todas as direções.

- O QUE ESTÁ HAVENDO??? LUCIUS!

Os olhos cinzentos olhavam em todas as direções, procurando o responsável por aqueles feitos. Cissy olhava em todos os cantos, menos para Barbara. Para ela, era óbvio que um aborto jamais teria o poder de fazer nada daquilo.

De fato, Barbara parecia inocente. A morena não movera um só músculo durante os últimos segundos. Mas Lucius não teria dúvidas de que aquela magia vinha de Robinson quando os olhos verdes se ergueram vagarosamente até o poste posicionado na esquina. A luz que vinha dele estremeceu e falhou algumas vezes antes de também explodir numa nuvem de fumaça.

Aterrorizada, Narcissa recuou mais alguns passos, escondendo-se atrás do noivo. A loira ainda não tinha ideia de quem estava fazendo tudo aquilo quando uma forte corrente de ar atingiu seu corpo com tal intensidade que seus brincos foram violentamente arrancados para fora de suas orelhas, rasgando-as.

O grito de Cissy ecoou por todo o Beco Diagonal quando ela ergueu as mãos, tocou as orelhas e sentiu o sangue pingando da pele rasgada. E foi o berro dela que trouxe Barbara de volta à realidade.

Ao se dar conta do que tinha acabado de fazer, a balconista da Von Hants Potions arregalou os olhos. Ela encarou Lucius por meio segundo antes de dar as costas ao casal e fugir da calçada numa corrida desenfreada. Qualquer um que assistisse a cena imaginaria que um aborto fugia por medo daquela magia desconhecida, e não para escapar da culpa pelo que acabara de acontecer.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Sab Jan 02, 2016 9:56 pm

Bellatrix nunca havia sido uma boa opção para Rodolphus. A morena era bonita, inteligente, vinha de uma família tradicional e seguia fielmente o Lord das Trevas.

Mas a personalidade forte de Bella estragava o que tinha tudo para ser perfeito. Se a moça não tivesse herdado o típico descontrole dos Black e fosse uma jovem mais calma, talvez Rodolphus pudesse ter se apaixonado por ela. Mas, apesar de tudo, Lestrange a admirava por suas qualidades.

Exatamente por reconhecer as qualidades dela, ao ver Bellatrix ao lado de Olivia, Rodolphus se arrependia por não ter lutado por Bella. Sem dúvida, as coisas seriam muito mais simples se a morena fosse a nova Sra. Lestrange. Bellatrix jamais faria o marido sofrer com tantos constrangimentos, não teria tantos segredos e certamente não proibiria Rabastan de visitar o irmão mais velho.

E foi esta a frustração que motivou Rodolphus a se mover naquela noite. As vozes de Bella e Rabastan ainda ecoavam distantes no jardim da mansão quando Lestrange deu um passo na direção da porta.

- Eu também não vou jantar em casa, Meredith.

Com um toque da varinha, Rodolphus fez com que seu casaco pendurado num suporte próximo à porta flutuasse até as suas mãos.

- Se eu não posso receber meus amigos em casa, terei que sair para passar algum tempo com eles.

Por um momento, a governanta se sentiu grata pela decisão de Rodolphus. Tanto ele quanto Olivia estavam exaltados demais e era muito mais sensato que se afastassem naquele momento para evitarem uma discussão mais acalorada.

O que Meredith não sabia era que a nova Sra. Lestrange tinha motivos bastante sólidos para pensar que Bellatrix Black não era apenas uma “amiga” do marido.

E as palavras finais de Rodolphus abririam margem para vários tipos de pensamentos em uma mente criativa.

- Não precisam me esperar, eu não tenho hora para voltar para casa. – Rodolphus ergueu um dos ombros antes de acrescentar ironicamente – Por sorte dormimos em quartos separados, não é, querida?

Meredith interpretou aquela última frase como se Rodolphus estivesse se referindo ao fato de não importunar o sono da esposa chegando no quarto no meio da madrugada.

Mas Olivia sabia muito bem que o marido apenas reforçava que aquela separação de corpos o deixava livre para se divertir com outra mulher naquela noite. Mais especificamente, com Bellatrix Black.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Severus Snape em Sab Jan 02, 2016 10:30 pm

As sobrancelhas enrugadas de Lucius e a careta de espanto mostrava que o rapaz estava tão assustado quanto Narcisa quando os acontecimentos misteriosos começaram a ocorrer. A rachadura da calçada surgiu diante dos pés da loira, mas foi Malfoy que deu um salto para trás.

Quando a fachada da loja estourou, ele ergueu o braço em uma tentativa de se proteger, cacos de vidro voando e acertando seu terno, o braço apenas protegido pelo tecido grosso da roupa de qualidade. Era de se esperar que o rapaz protegesse a noiva, mas Narcisa era a última coisa nos seus pensamentos.

Passado o susto inicial, os olhos azuis procuraram Barbara com aflição. Ele não compreendia o que estava acontecendo, mas se tivesse alguém naquela calçada que corria algum risco, certamente seria a Robinson sem magia. Para sua surpresa, Malfoy logo reconheceu a concentração nos olhos esverdeados, típico de alguém que lançava o feitiço.

Não havia varinha nas mãos da balconista, e fazia ainda menos sentido que a origem daquela sequência de coisas estranhas viesse de um abordo, mas quando os brincos de Cissy foram arrancados, não restou dúvida alguma ao Comensal.

A testa franzida e a expressão confusa poderia ser facilmente interpretada com a confusão que acontecia ao seu redor, mas na mente de Lucius, ele só buscava a explicação para Barbara ter magia todo aquele tempo, vivendo como um aborto.

Os gritos de Narcisa ecoavam desesperados pelo Beco Diagonal, mas até o momento que a balconista desapareceu como um ponto borrado no final da rua, Lucius não havia se mexido.

- LUCIUS!!! LUCIUS!!!

O rosto da bruxa estava lavado em lágrimas e as bochechas pálidas estavam manchadas de sangue, trazendo Malfoy de volta a realidade. Completamente aturdido, o rapaz levou a moça até o St. Mungus, onde ela foi prontamente atendida.

Horas depois, Narcisa dormia em uma das camas do hospital, sob efeito de poções tranquilizantes, as orelhas completamente enfaixadas. Era uma vingança justa que a sempre vaidosa Cissy Black estivesse com uma aparência tão decadente naquela tarde. As vestes sempre tão bem escolhidas haviam sido trocadas pela roupa do hospital, os cabelos loiros estavam puxados para trás e presos sem glamour algum, para facilitar o tratamento das orelhas.

Alguns fios mais próximos dos ferimentos haviam sido raspados e haviam duas linhas carecas rodeando seus ouvidos, o que certamente criaria um ataque de fúria da jovem quando ela despertasse daquele sono profundo.

Malfoy estava sentado em uma poltrona ao lado da cama da noiva. O terno dobrado ao lado deixava exposta a camisa cinza com algumas gotas do sangue de Cissy. A gravata havia sido afrouxada e o semblante carregado compunha o papel de noivo preocupado que qualquer um interpretaria.

Entretanto, não era a loira ao lado que ocupava seus pensamentos. Durante todo o tempo, era em Barbara Robinson que Lucius pensava. Ele havia passado tanto tempo lembrando da balconista com carinho e nostalgia e era a primeira vez que sua imagem lhe trazia raiva.

Desde o momento que a conheceu, Malfoy se torturava por nutrir sentimentos por um aborto da natureza. E durante todo o tempo, Barbara tinha magia e havia escondido dele. Ela havia levado toda a vida mentindo para todos, mas Lucius se sentia particularmente traído por não ter sido digno daquele segredo.

Em sua cabeça egoísta, ele havia enfrentado o próprio orgulho pelo desejo de estar com ela, mas Barbara havia sido incapaz de aliviar a tortura de seu erro.

Já havia passado da meia noite quando Lucius finalmente deixou o St. Mungus, onde Narcisa passaria a noite. Ao contrário de seguir o caminho para casa, ele se viu caminhando pelo beco já tão conhecido, onde a chuva já havia lavado as manchas do seu próprio sangue derramado semanas antes.

Apesar de estar muito debilitado naquela noite, Malfoy recordava vagamente o caminho que levava até a vila trouxa. Durante alguns minutos, ele ficou na dúvida se estava na casa certa, mas logo se convenceu qual era a porta que dava acesso a residência das Robinson.

A iluminação do local era terrível, o que ocultava a visão do loiro parado sob a soleira da porta. O terno estava amarrotado e jogado por cima de um dos ombros quando ele bateu na porta, sem se importar se a pessoa do outro lado fosse a mãe de Barbara. Ele não passaria nem mais uma noite sem tirar aquela história a limpo.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Sab Jan 02, 2016 11:04 pm

Por um segundo, Olivia chegou a erguer a mão para tentar impedir Rodolphus de seguir o caminho até a porta da mansão. Todos os seus instintos gritavam para que ela o impedisse. A vontade de fazer uma cena e gritar como uma louca era enorme e começava a sufoca-la.

A ruiva nunca havia se sentido daquela forma, tão desafiada e humilhada ao mesmo tempo. Seu estômago se contorcia e seria questão de tempo até que as lágrimas começassem a descer.

Nenhuma mulher jamais ficaria feliz em saber que o marido tinha uma amante e Rodolphus fazia questão de escancarar aquilo sob seu teto.

- Rodolphus, não ouse!

A voz de Olivia saiu engasgada, mas ela continuou estática em seu lugar enquanto suas palavras eram ignoradas pelo marido, que desapareceu pelo mesmo caminho de Rabastan e Bellatrix.

O rosto tão delicado da ruiva estava contorcido em fúria, a pele pálida estava vermelha e quente. Nem Meredith se lembrava de ter visto a doce Olivia naquele estado antes. Sem dar chance para que o choro escorresse pelo seu rosto, ela marchou decidida até o quarto, já livre dos pertences de Rodolphus, e afundou o rosto no travesseiro para abafar o grito preso em sua garganta.

Olivia era nova demais, bonita demais e rica demais para se sentir tão triste, mas a certeza da vida miserável que teria ao lado de Rodolphus apagava qualquer outro aspecto de sua vida. Seu maior pesadelo era acabar com o mesmo destino de Octavia, e ali estava ela, com um marido que a deixava sozinha para ir atrás da amante.

Quando se convencia de assumir a responsabilidade criada por Dimitri, Olivia tinha certeza que viveria em um casamento sem amor, mas esperava o mínimo de respeito daquele que viveria ao seu lado. E o que Lestrange fazia era a maior afronta que ela poderia esperar.

Ela desejava com todas as suas forças voltar no tempo e aceitar o conselho de Nathaniel. Com a fortuna que tinha, não dependeria de ninguém, toda aquela tristeza poderia ser evitada. Mas a necessidade de honrar Dimitri, mesmo após sua morte, havia levado a menina a pagar pelos pecados cometidos pela mãe.

Durante horas, Olivia se revirou na cama, incapaz de fechar os olhos e dormir. Ela se recusava a abraçar aquele destino terrível.

Com o péssimo costume que tinha, a Sra. Lestrange saiu da cama com os pés descalços, sem se importar com o frio do chão, e caminhou até o primeiro andar. A casa estava mergulhada na escuridão e no silêncio da madrugada, parecendo ainda mais assustadora durante a noite.

Até mesmo os móveis e cada canto da nova mansão pareciam debochar da vida que Olivia passara a ter, representando tudo que ela odiava. Ao entrar no escritório, seus olhos cor de mel logo pousaram na fotografia de Dimitri com ela, nos terrenos da Durmstrang.

A lareira estava apagada, mas uma enorme janela atrás da cadeira principal permitia que a luz do luar entrasse, iluminando a mesa onde agora Rodolphus passaria a trabalhar, deixando em destaque o porta-retratos.

- Sinto muito, pai. Mas eu não posso continuar com isso.

Olivia estava parada no meio do escritório e, se alguém chegasse de repente, pensaria que a menina estava falando com alguém sentado do outro lado da mesa. Sem ter a resposta da fotografia, ela suspirou pesadamente e esticou a mão até tocar o quadro que escondia o cofre.

Cada centímetro do seu interior era perfeitamente conhecido pela órfã. Os documentos, algumas barras de ouro e objetos herdados de Dimitri. A intenção era encontrar os papeis com o contrato e a certidão do casamento para que fosse analisada por um especialista. Qualquer brecha encontrada ali poderia ser sua saída daquele relacionamento falso. Mas foi o estojo aveludado que prendeu a atenção dos olhos cor de mel.

A Sra. Lestrange retirou a caixinha da joia do cofre e abriu a tampa com a testa franzida. Ela conhecia perfeitamente cada uma das preciosas joias de Octavia e nenhuma delas era guardada naquele cofre. Nem ao menos parecia com aquela que estava em suas mãos, de modo que não havia dúvidas de que Rodolphus havia colocado a peça ali.

A imagem de Bellatrix voltou a sua mente e Olivia teve certeza de que o marido estava guardando um presente para a amante. Novamente tomada pela fúria, ela levou os dedos até a peça, pronta para arremessá-la na fogueira, mas antes que tivesse o colar inteiramente em mãos, uma corrente elétrica se espalhou pelo seu corpo.

O indicador havia apenas roçado em um dos diamantes, e a frieza mal havia sido absorvida quando o calor se apoderou do corpo inteiro de Olivia.

O estojo caiu em seus pés e, com as mãos livres, a Sra. Lestrange apalpou a própria garganta travada que impedia o ar de entrar e sair. As bochechas pálidas estavam completamente vermelhas, tanto pela falta do oxigênio quanto pelo calor que queimava sua pele, como se estivesse sendo tocada inteiramente por uma brasa gigante.

Foi apenas por um segundo que Olivia conseguiu respirar e o grito escapou de seus pulmões, ecoando pela mansão inteira junto com a dor aguda que vinha atingindo sua cabeça, como se estivesse sendo perfurada, até cair desmaiada ao lado do cordão.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Danika Lehmann em Sab Jan 02, 2016 11:18 pm

As batidas na porta ecoaram pela pequena casa trouxa. O sono pesado de Ursula Robinson, alimentado por uma coleção de poções analgésicas e curativas, não permitiu que a mulher despertasse. Ela apenas se remexeu em seu colchão surrado e continuou a dormir, alheia ao ruído e aos olhos da filha, que estavam abertos desde o começo da noite.

Barbara não conseguia dormir, assolada por uma terrível mistura de surpresa, medo, culpa e satisfação. Embora soubesse que suas ações inconsequentes no Beco Diagonal lhe renderiam problemas, a morena sentia uma incontrolável felicidade em pensar que fizera Narcissa Black se calar, que fora capaz de provocar dor e causara um dano físico à noiva perfeita de Lucius Malfoy.

Cissy não fazia ideia de que a balconista da Von Hants Potions fora a responsável por aquele ataque. Contudo, Malfoy percebera. A expressão dele dera a Barbara a certeza de que Lucius entendera tudo. E a garota sabia o que isso significava: Lucius viria atrás dela para pedir satisfações, tanto daquela magia que ela não deveria ter quanto sobre os danos que ela causara a sua futura esposa.

O que Robinson não imaginava era que aquela cobrança viria tão rápido. A morena imaginou que teria pelo menos um dia para se preparar para o embate, mas Lucius surgiu em poucas horas, antes mesmo que Narcissa estivesse plenamente recuperada.

Não fazia sentido fugir ou fingir que não havia ouvido as batidas. Com um toque de varinha, Malfoy derrubaria a porta e exigiria respostas. Neste caso, colocando em risco a vida e a saúde frágil de Ursula. E esta era uma culpa que Barbara não estava disposta a carregar.

Por cima da camisola, a garota vestiu um roupão e saiu silenciosamente do quarto. Lucius estava prestes a esmurrar a porta de novo quando a morena girou a chave, destrancando a fechadura.

A expressão nada surpresa de Robinson mostrava que ela já esperava por aquela “visita”. E a balconista da Von Hants Potions também já esperava pelo semblante nada amigável de Malfoy. É claro que ele estaria furioso ao ver as orelhas perfeitas de sua noiva perfeita serem rasgadas a poucos meses do casamento.

- Minha mãe está dormindo.

A voz de Barbara alertou num sussurro antes que Malfoy tivesse a chance de iniciar qualquer tipo de escândalo. Ela sabia que Lucius não tinha motivos para ter qualquer consideração por uma estranha, mesmo sabendo que se tratava de uma mulher doente. Ainda assim, o alerta foi dado na esperança de que o bruxo tivesse ao menos um mínimo de respeito pela Sra. Robinson.

- Se veio pedir satisfações, não perca o seu tempo. Eu não me sinto nem meramente arrependida. Ela mereceu.

Na cabeça de Barbara, o maior problema de Malfoy era o ocorrido com Narcissa. A morena não imaginava que ele se sentia pessoalmente ofendido por não conhecer aquele segredo tão importante sobre a magia dela.

- Além do mais, vocês bruxos conhecem milhões de feitiços e poções milagrosas. Estou certa de que um bom curandeiro pode deixar a sua linda noiva perfeita até o dia do casamento, Sr. Malfoy.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Severus Snape em Sab Jan 02, 2016 11:50 pm

Como um bom herdeiro de uma fortuna, filho único acostumado a ter tudo que queria, Malfoy não estava acostumado a esperar, e mesmo o breve período de tempo que precisou esperar até que Barbara aparecesse na porta, foi suficiente para deixa-lo ainda mais irritado.

Sua expressão séria mostrava que não seria uma conversa fácil. Lucius era arrogante, mas naquela noite, seu rosto denunciava uma maturidade diferente do rapaz irresponsável que podia comprar tudo com moedas de ouro. De fato, ele também não se importava em incomodar o sono de Ursula, mas estava satisfeito por ter sido a filha a lhe atender, evitando um encontro que seria dificilmente explicado.

Afinal, por mais adoentada que a Sra. Robinson estivesse, ela não entenderia o que um bruxo de sangue-puro estava fazendo na sua porta, a procura da balconista que vivia em um mundo completamente diferente do seu.

Pensando apenas naquela exposição desnecessária, Lucius estava decidido a não dar continuidade naquele assunto tão delicado quando estava na soleira da porta das duas Robinson, com o risco de ser visto por um trouxa intrometido ou despertando a velha de seu sono pesado.

- Por mim, as orelhas da Narcissa poderiam cair, eu realmente não me importo.

Não seria bonito casar com uma mulher sem orelhas. Cissy era bonita demais e era uma das grandes vantagens de tê-la como noiva. Exibir uma mulher linda ao seu lado era apenas mais um prêmio conquistado, como seu cargo novo no Ministério da Magia ou a fortuna que enchia seus cofres. Mesmo assim, naquele momento, a última preocupação de Malfoy era a aparência da noiva. Os curandeiros já haviam cuidado para que a pele fosse reconstruída sem deixar cicatrizes e logo que o cabelo raspado crescesse, seria como se nada daquilo tivesse acontecido.

O terno havia sido dobrado e estava pousado entre as duas mãos juntas, cruzadas contra seu peito. A camisa cinza estava desalinhada e para fora do cinto de couro, amarrotada pelas horas passadas sentado em uma poltrona do St. Mungus. Mesmo na pouca luz, era possível notar o cansaço no rosto bonito do rapaz.

Barbara nem mesmo havia tentado negar a origem da magia daquela tarde, o que fazia Lucius ter ainda mais certeza que tomara a decisão correta em procura-la tão rapidamente.

- Nós dois temos muito o que conversar.

Os olhos azuis estudavam cada centímetro do rosto de Robinson, procurando sinal de qualquer reação. Era como se os dois estivessem se vendo pela primeira vez. Lucius sempre se perguntou como não conseguia enxergar um aborto por trás dos olhos esverdeados, e agora ele tinha a resposta.

Uma das mãos foi descoberta pelo terno e esticada com a palma virada para cima na direção da morena.

- E se você realmente se preocupa com o sono da sua mãe, sugiro irmos para um lugar mais privado. Ainda precisa da minha ajuda para aparatar?
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Dom Jan 03, 2016 12:08 am

Naquela noite, Rodolphus teve certeza de que o ódio não era um bom conselheiro. Movido pela crescente raiva que sentia da esposa e daquele casamento que o aprisionava num futuro infeliz, Lestrange se deixou levar pelo veneno de Bellatrix Black.

Os irmãos Lestrange e Bella terminaram a noite em um restaurante luxuoso. Durante o jantar, Rabastan tentou amenizar o problema do irmão mencionando as qualidades de Olivia, mas Bellatrix não teve o menor pudor em se aproveitar daquela crise. Rodolphus sabia perfeitamente que as intenções da morena eram as piores, mas se deixou levar pelas palavras maldosas dela e pelas carícias, que se tornavam mais íntimas a cada minuto.

Ele queria se vingar, queria experimentar a sensação de atingir Olivia com os mesmos constrangimentos que a ruiva causava a ele. Lestrange se sentia desrespeitado pelo comportamento da esposa e pela maneira como Olivia o expunha diante dos outros. Por isso, era muito frágil a sua determinação em respeitá-la.

Rabastan desistiu de aconselhar o irmão ao perceber que aquela era uma batalha perdida. O combate daquele dia foi vencido facilmente por Bellatrix, que conseguiu fazer com que Rodolphus quebrasse os votos do casamento menos de um mês depois de trocar alianças com Olivia Russel.

Ao invés de se sentir libertado e satisfeito, Rodolphus carregava o peso de uma enorme culpa quando voltou para casa, no meio da madrugada. Por mais que o contrato permitisse aquela “brecha”, Lestrange sentia que havia faltado com respeito aos próprios princípios.

Olivia não merecia aquela afronta. Por mais que a odiasse naquele momento, Rodolphus tinha que admitir para si mesmo que a ruiva não havia feito nada que justificasse o seu comportamento. Nem mesmo o constrangimento diante do juiz e dos convidados merecia como “resposta” aquela traição tão fácil, tão vingativa, tão vazia. Rodolphus dera à Bellatrix uma arma eterna naquela rivalidade que nascera entre as duas moças.

Mas, infelizmente, estava feito. Se pudesse voltar no tempo, Rodolphus teria optado por mais uma briga impublicável com a esposa. Os dois gritariam, trocariam ofensas e ameaças. Mas, ao final da noite, Lestrange não se sentiria tão sujo quanto se sentia agora.

A mansão estava mergulhada no mais absoluto silêncio quando, depois de aparatar no jardim, Rodolphus empurrou a porta principal e entrou. A sala estava imersa em penumbras, com os móveis formando sombras estranhas nas paredes.

Foi exatamente por notar como a casa parecia assustadora de madrugada que um arrepio gelado percorreu a coluna de Rodolphus quando o grito de Olivia cortou a noite, ecoando por toda a casa silenciosa dos Lestrange.

O rapaz só precisou de dois segundos para se recuperar do susto e seguir na direção de onde viera o grito. Com a varinha firmemente segura, Rodolphus empurrou a porta do escritório já pronto para iniciar um combate com qualquer que fosse o responsável pelo ataque à Sra. Lestrange.

Para surpresa de Rodolphus, não havia mais ninguém além do corpo desacordado de Olivia. A moça parecia ainda mais pálida caída sobre o tapete escuro do escritório e envolta pelas sombras da madrugada. Não havia nenhum ferimento no corpo da ruiva, mas Lestrange compreendeu o que havia acontecido no instante em que caiu de joelhos ao lado da esposa e viu o estojo de veludo caído próximo a ela. O valioso colar de diamantes enfeitiçado por Lord Voldemort também estava no chão, perto da caixa que Olivia retirara do cofre naquela noite.

Por um momento, Rodolphus achou que estava sendo castigado pelo destino. Sua traição vil seria recompensada pela imensa culpa que ele carregaria pelo resto da vida por ter sido indiretamente o responsável pela morte da esposa.

Suas mãos tremiam quando Lestrange tocou o rosto fantasmagórico de Olivia e o rapaz só percebeu que estava chorando quando algumas de suas lágrimas pingaram no corpo da ruiva. E foi isso que fez com que Lestrange percebesse que a esposa ainda estava viva. No instante em que uma lágrima salgada pingou sobre os lábios dela, Olivia contraiu o rosto.

- O QUE ACONTECEU??? O QUE VOCÊ FEZ COM ELA???

Também atraída pelo grito da ruiva, Meredith surgiu no escritório com um robe por cima da camisola. Rodolphus demorou a entender as insinuações da governanta, mas o olhar de acusação de Meredith era direto demais na direção do patrão.

- Nada! E-ela... – era difícil explicar e o fato de estar gaguejando não ajudava muito na defesa do rapaz – Ela não podia ter mexido no cofre, Mer!!!

A governanta também se agachou ao lado de Olivia e tocou o corpo gelado da ruiva, desesperada. Quando o brilho dos diamantes chamou a atenção de Meredith, ela fez menção de levar os dedos à joia. O grito de Rodolphus a assustou tanto que a mulher caiu para trás.

- NÃO! NÃO TOQUE NISSO!

Sem pensar muito, Rodolphus reuniu todas as suas forças e se ergueu, trazendo nos braços o corpo inconsciente da esposa. Olivia parecia uma boneca de pano, completamente inerte nos braços do marido. Lestrange acomodou a cabeça dela junto ao seu peito e a abraçou com mais firmeza.

- Eu vou levá-la para o quarto e chamar um curandeiro de confiança. Tem que haver alguma maneira de reverter isso!

O desespero na voz de Rodolphus mostrava que o comensal não tinha certeza se havia alguma possibilidade de salvar a esposa. Voldemort deixara muito claro que o colar fora enfeitiçado com o intuito de matar qualquer um que ousasse usá-lo. Ao que tudo indicava, Olivia não chegara a usar a joia. Talvez um simples toque não fosse o bastante para ceifar uma vida.

Meredith acompanhou o casal e empurrou a porta do quarto principal para que Rodolphus entrasse carregando a esposa. Enquanto a governanta acomodava Olivia na cama e tentava desesperadamente fazer com que a ruiva acordasse, Lestrange sacou a varinha e conjurou um patrono.

A luz prateada logo adquiriu as formas de uma águia, que aguardou para levar a mensagem de Rodolphus a um dos curandeiros fieis ao Lord das Trevas.

- Preciso da sua ajuda, agora! Minha esposa tocou o colar! Ela está morrendo!
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Danika Lehmann em Dom Jan 03, 2016 12:32 am

- Do que você está falando?

A voz de Barbara soou sinceramente confusa e a garota cruzou os braços numa típica postura defensiva. Seu olhar se alternou entre um olho e outro de Lucius até que a morena finalmente entendeu o que o rapaz queria insinuar.

- Eu não sei aparatar. Eu não sei fazer feitiço algum! Eu sequer tenho uma varinha!

Por mais que estivesse ofendida com as insinuações de Malfoy, Barbara não viu muitas alternativas além de acompanhá-lo numa aparatação. Estava claro que o loiro não abriria mão daquela conversa e Ursula logo acordaria se as vozes dos dois continuassem a ecoar no interior da pequena casa.

Com um semblante contrariado, Robinson saiu de casa e fechou a porta atrás de si. Só então, a morena respirou fundo e estendeu o braço, pousando os dedos sobre a mão que Lucius oferecia.

O típico “crack” da aparatação ecoou pela vila trouxa silenciosa, mas, mais uma vez, apenas os olhos felinos de um gatinho testemunharam o momento em que os dois jovens sumiram magicamente no meio do pátio.

O semblante de Barbara não demonstrou nenhuma surpresa quando ela olhou ao redor e viu que a humilde vila havia se transformado na luxuosa cabana dos Malfoy. No fundo, ela já sabia que os dois terminariam ali no instante em que Lucius sugeriu que deveriam continuar a conversa em um lugar mais privado.

Ao contrário da primeira “visita” de Robinson, o local não estava tão frio e o trabalho da lareira poderia ser facilmente dispensado naquela noite. A noite lá fora continuava escura e o silêncio só era quebrado pela cantoria de uma cigarra, que ecoava até o interior da cabana.

Tão logo equilibrou-se no chão de madeira, Barbara afastou a mão do toque de Malfoy. Ela ainda se sentia ofendida, tanto pelos insultos proferidos durante o encontro daquela tarde quanto pela insinuação de que ela mentia sobre não ser uma bruxa.

Barbara sabia que não era um aborto da natureza “completo”, mas tinha certeza de que sua magia “fraca” e incontrolável não era o bastante para fazer dela uma bruxa.

- Ela mereceu. – Robinson repetiu, ainda se referindo sobre Narcissa – Eu estou farta de ouvir tantos insultos de gente como ela! – os olhos verdes se estreitaram, demonstrando a mágoa que a garota sentia – De gente como você.

Por mais que soubesse que Lucius tinha que usar aquela máscara, não fora fácil ouvir aquele tipo de ofensa dos lábios dele depois dos beijos trocados, depois de ter salvado a vida do rapaz. E o agravante foi que tudo aconteceu diante de Narcissa Black. A humilhação foi grande demais para que Barbara conseguisse simplesmente ignorar, como geralmente fazia.

- Não me olhe como se eu tivesse mentido para você, Lucius! Eu não menti! Posso não ser um aborto da natureza “completo”, mas também não sou uma bruxa como você e a sua noivinha perfeita!

Barbara mostrou que não tinha a menor noção do quão poderoso era um bruxo que controlava seus feitiços sem o uso de uma varinha quando finalizou.

- Eu não tenho culpa de ter nascido com esta magia fraca!
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Dom Jan 03, 2016 1:28 am

Durante dias, o quarto de Olivia Lestrange ficou movimentado pelas entradas e saídas frequentes do curandeiro, de elfos e de Meredith, que velavam o coma que assumira o controle da mente e do corpo da ruiva.

Os fios vermelhos estavam espalhados pelo travesseiro branco, a pele mais pálida que o normal e os lábios completamente sem cor. Por mais que a governanta estivesse sempre por perto, limpando o rosto da menina com uma toalha umedecida, a testa de Olivia ficava frequentemente pegajosa com o suor frio que surgia.

O lençol sob seu corpo também precisava ser trocado constantemente, assim como a camisola que grudava no corpo lavado em suor. Alguns fios ruivos chegavam a grudar em seu rosto, mas as pálpebras se recusavam a levantar para despertar Olivia daquele sono.

O coração da ruiva batia lentamente, mas era a única esperança de que a menina fosse acordar novamente. Fora isso, Olivia não demonstrava qualquer sinal de melhora. A febre era alta demais e constante. As bochechas chegavam a ficar corada com a alta temperatura, mas nenhum músculo se mexia, nem mesmo involuntariamente.

Não havia um único dia que Meredith não passasse no quarto da Sra. Lestrange. A maioria das tarefas da casa haviam sido delegadas aos elfos, deixando a governanta quase período integral ao lado da cama da ruiva, como se ela temesse que a situação pudesse piorar ainda mais com sua ausência.

Mais de um mês havia se passado quando Olivia teve a primeira reação. Foi um gemido baixo demais e os dedos abriram e fecharam antes da mão ser movida até a lateral de sua cabeça. Por sorte, aquela reação aconteceu exatamente durante a visita do curandeiro.

O bruxo não media esforços no tratamento da paciente, mas já estava sem esperanças de que um dia a Sra. Lestrange fosse acordar novamente. Aquela resposta quase imperceptível foi suficiente para trazer esperanças novamente.

Mais semanas se passavam e o quarto se enchia de expectativas para que Olivia demonstrasse mais algum sinal. Durante alguns dias, ela continuava imóvel, e de repente balbuciava palavras sem sentidos. Com o passar do tempo, as palavras se tornaram frases, mostrando que a mente da ruiva ainda trabalhava.

Estava completando quase três meses desde o acidente quando as frases de Olivia se tornaram mais frequentes. O sol brilhava do lado de fora, mas as cortinas estavam fechadas para proteger o quarto da claridade. A febre havia começado a baixar, embora ainda estivesse alta, mas qualquer mínima melhora era extremamente bem-vinda.

- Hoje é dia de pescar no lago, papai... – O rosto de Olivia estava virado para o lado e as pálpebras cerradas, mas a frase, embora baixa, saiu completa.

Uma ruga de preocupação se formou na testa de Meredith enquanto ela analisava o rosto da ruiva. Pescar era uma das atividades que Dimitri e a filha adoravam fazer quando ela retornava de Durmstrang nas férias. Quase meia hora havia se passado antes que ela se remexesse na cama mais uma vez.

- Não, professor Karkaroff. Não terminei meu relatório de Arte das Trevas.

A cada nova frase, o coração de Meredith dava um salto. Quase de hora em hora, a voz de Olivia soava fraca pelo quarto com coisas sem sentido sobre sua vida na escola ou com os pais. A governanta cobriu a própria boca quando, em um de seus delírios, a ruiva chamou o nome de Nathaniel.

Após mencionar o irmão, Olivia mergulhou novamente em silêncio. As horas se arrastavam sem que ela dissesse uma única palavra e Meredith já estava convencida que era tudo que conseguiria naquele dia quando deixou o quarto para trocar a toalha que secaria o rosto da ruiva.

O sol começava a se pôr quando a voz de Olivia encheu o quarto mais uma vez. Mas diferente dos sussurros fracos, um grito assustado ecoou pelas paredes e ela se sentou abruptamente na cama, como quem havia acabado de acordar de um pesadelo.

Estava encharcada em suor, os cabelos grudados nas bochechas e os olhos arregalados. As mãos pálidas perdidas entre os lençóis enquanto ela olhava ao redor, tentando acalmar a respiração, o coração batendo acelerado contra seu peito.

Olivia tocou a própria camisola ensopada, os lábios trêmulos, certa de que havia tido apenas um pesadelo terrível. Na cabeça da ruiva, o colar e a dor terrível que sentira ao desmaiar faziam parte daquele sonho, assim como os diálogos soltos que sua mente havia captado das pessoas que transitaram seu quarto, todos soltos em sua mente sem contexto algum.
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