A Marca Negra

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Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Qui Dez 31, 2015 2:13 pm

Quando Olivia recuou do toque e fez questão de mencionar o acordo feito pelos dois, Rodolphus soube que não havia nenhuma chance daquele casamento ser diferente.

Por mais que houvesse um contrato entre as duas famílias, aquela noite despertara em Rodolphus uma pequena esperança de que os dois poderiam se entender. Mas o atual comportamento de Olivia indicava que as cenas do anel e do relógio não tinham simbolizado nada para ela. Eram apenas parte de toda a formalidade obrigatória daquele trato.

Lestrange sentiu-se tolo por aquele resquício de esperança. Mais do que isso, sentiu-se ofendido pelas palavras da futura esposa. Por mais que soubesse que aquele casamento era uma obrigação para os dois, Rodolphus continuava sendo um homem com seu orgulho próprio. E nenhum noivo se sentiria honrado em ouvir que a noiva estava infeliz a poucas semanas do casamento.

- Quem sou eu para opinar sobre as suas roupas...?

A ironia retornou à entonação de Lestrange, exterminando por completo a suavidade que ele usava há poucos minutos. As mãos de Rodolphus se enfiaram dentro de seus bolsos, como se assim o rapaz tivesse mais certeza que resistiria à tentação de tocar novamente em Olivia.

- Isso não está no nosso contrato, não é? Assim como também não há nenhuma cláusula que me obrigue a me preocupar com você. Portanto, peço desculpas por este deslize. Isso nunca mais vai se repetir.

Os olhos castanhos fitaram brevemente o tecido vermelho na lixeira. Poderia ser uma tolice, mas aquele gesto de Russel simbolizava o que a ruiva fazia com a oferta generosa do futuro marido. Era como se Olivia tivesse arremessado no lixo a sincera tentativa de Lestrange em se aproximar, em tirar daquele casamento a obrigação de ser uma tortura para ambos.

- Penso que não exista mais nenhum motivo para nos encontrarmos nos próximos dias. Nosso acordo já foi fechado e já fizemos uma excelente encenação hoje.

Lestrange contraiu o rosto numa careta de desagrado quando pensou que fora uma encenação tão boa que, por um momento, o próprio Rodolphus acreditou que havia alguma chance daquele relacionamento não ser uma mera obrigação social.

- Os detalhes do casamento não me interessam. Caso tenha alguma dúvida ou precise de uma opinião, minha mãe ficará entusiasmada com a chance de participar mais ativamente dos preparativos.

Uma das sobrancelhas de Rodolphus se ergueu antes que ele acrescentasse, com uma entonação carregada de ironia.

- Eu só acho que seria amplamente impróprio que uma noiva surgisse usando um vestido preto diante do altar e dos convidados. Mas como você sabiamente ressaltou, eu não tenho o direito de opinar sobre as suas roupas.

Rodolphus recuou mais um passo na direção da porta, mas encarou a futura esposa uma última vez antes de sair do quarto.

- Vejo você no altar, Olivia.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Severus Snape em Qui Dez 31, 2015 7:38 pm

Sem que Lucius tivesse consciência, ele havia prendido a respiração e levado a mão agilmente até o pulso de Barbara, próximo ao seu rosto. O movimento havia sido tão rápido que parecia ter sido reflexo da tentativa de matar um mosquito importuno. Apesar disso, ele manteve seus longos dedos ao redor da pele dela, sem afastá-la.

Seus olhos azuis estavam levemente arregalados e presos nas íris esverdeadas, os lábios entreabertos enquanto a respiração retomada se tornava mais veloz, o peito subindo e descendo sob a camisa negra enquanto os pensamentos corriam em sua mente.

Malfoy era resistente a bebida, de modo que era tolice culpar as doses de firewhisky para aquele comportamento. Mas a estranha sensação que se apoderava de seus sentidos tirava seus controles tal qual a bebida alcoólica.

No instante em que Robinson tocou seus cabelos, Lucius teve total consciência de que estava ultrapassando todos os limites existentes. Ele sabia perfeitamente que estava sendo tocado por um aborto da natureza, uma moça completamente pobre e inferior em todos os sentidos imagináveis.

Mesmo assim, foi incapaz de afastá-la ou humilhá-la mais uma vez. Algo fazia seu coração bater mais rápido e, além do rosto bonito que estava próximo ao seu, Lucius também era capaz de sentir o perfume de flores que vinha dos cabelos castanhos.

Ele jamais havia se sentido atraído daquela forma por alguém antes. Sua mente travava uma luta interna contra a vontade impulsiva de tocá-la também. Uma voz gritava em sua mente que ele estava sendo um traidor por sequer estar naquela cabana com Barbara. Nem toda informação do mundo valia se sujar daquela forma.

Mas a voz não tinha força alguma contra a vontade crescente de retribuir aquele toque. Ignorando todo o lado da sua mente que pedia para ele parar com aquela loucura, Malfoy afrouxou seus dedos ao redor do pulso de Barbara sem sequer piscar.

- Não seja tola, eu não me importo se você vive ou morre. – A voz saiu baixa, quase inaudível e sem a arrogância familiar.

Era uma tentativa de convencer a si mesmo de que nada havia mudado. Contrariando as próprias palavras na falha tentativa de ser cruel, Malfoy se inclinou para frente e tocou a nuca de Barbara, sentindo a textura surpreendentemente macia dos fios castanhos.

Com um movimento delicado que não combinava com sua personalidade possessiva, Lucius puxou o rosto de Barbara de encontro ao seu, e sem pedir permissão, tocou os lábios dela com os seus, movendo-os rapidamente, abruptos e sedentos, se deliciando com o sabor inesperadamente único que se confundia com o firewhisky.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Danika Lehmann em Qui Dez 31, 2015 8:24 pm

A realidade nunca havia sido gentil para com Barbara Robinson. Desde muito cedo, a menina aprendeu que vivia num mundo injusto e que era inferior a praticamente todas as criaturas que a rodeavam. Sua mãe sempre fora sua única companhia e, agora que estava gravemente doente, transformara-se num fardo a mais nas costas da jovem.

O dinheiro nunca sobrava. Desde que Barbara era muito pequena, ela via a mãe contando moedas para comprar comida ou para pagar o aluguel na vila trouxa miserável onde as duas viviam. Os Robinson eram ricos, mas expulsaram a filha de casa sem um galeão no bolso quando a moça apareceu grávida e confessou que o pai do bebê era um trouxa.

A realidade estava muito distante disso. O verdadeiro pai de Barbara Robinson possuía uma das maiores fortunas do Reino Unido, o sangue puro e um sobrenome importante. Mas já era um homem casado que não admitiria que um filho bastardo manchasse a sua reputação no mundo da magia. Foi para manter a filha segura que toda aquela mentira fora armada por Ursula Robinson, mas o destino cobrou um preço muito alto das duas, mergulhando-as na miséria e rotulando a criança injustamente como mestiça e aborto.

Barbara nunca questionou o fato de ser um aborto da natureza. Apesar de já ter experimentado algumas manifestações de magia, a garota estava certa de que aquilo não fazia dela uma bruxa. Robinson não tinha motivos para desconfiar da mãe. Se Ursula dizia que ela era um aborto, Barbara jamais duvidaria disso.

Embora estivesse mais que habituada a ser maltratada por sua condição, Barbara ainda era uma garota. E, como qualquer garota, tinha seus sonhos. Tais fantasias costumavam ficar escondidas bem no fundo da mente de Robinson, mas naquela noite ela permitiu que uma delas viesse à tona.

Lucius Malfoy estava longe de ser o príncipe perfeito dos sonhos dela, mas ele estava muito além de qualquer expectativa. Era bonito, elegante, inteligente e rico. E era um bruxo de sangue puro. Nem em seus piores devaneios, Barbara imaginou que um dia mergulharia nos lábios de um rapaz como ele.

O arrepio percorreu todo o corpo de Robinson quando os lábios dele se encaixaram aos dela. O calor que a invadiu não podia mais ser relacionado ao firewhisky, embora fosse igualmente potente.

Inicialmente, todos os músculos de Barbara ficam tensos, mas o relaxamento foi tomando conta dela nos segundos seguintes. Suas pálpebras pesaram, os dedos se seguraram com mais firmeza nos fios loiros e a balconista da Von Hants Potions se entregou ao beijo, movendo os lábios de forma ávida.

O ritmo inicial foi ditado por Malfoy, mas Barbara não teve dificuldade em seguir no compasso dele. Os dois protagonizaram um beijo harmônico e sedento, embalados por uma pequena dose de firewhisky e uma dose absurdamente maior de atração pelo proibido.

Era exatamente por saber que aquele sonho acabaria no instante em que Lucius recobrasse a sanidade que Barbara se permitiu aproveitar cada valioso segundo antes que sua vida voltasse a ser a cruel realidade de um aborto da natureza.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Sex Jan 01, 2016 1:46 am

Se a noite de noivado havia deixado o estômago de Olivia se revirando, quando o dia do casamento finalmente chegou, a ruiva se sentia paralisada com a intensidade das emoções.

Diferente do que se esperava de uma noiva no grande dia, a ruiva começava a questionar se havia feito a escolha certa para a própria vida. Por mais que quisesse honrar o contrato feito entre Dimitri e Gaspard, seria ela que teria que aguentar as consequências pelo resto de sua vida.

Russel sentia um nó em sua garganta que a sufocava, e por várias vezes ela precisou respirar fundo para não chorar com o próprio destino. Ela sempre soube que aquele dia chegaria, mas não esperava que fosse se sentir daquela forma, tão abalada. Viver ao lado de um homem que ela quase não conhecia, sem a chance de se apaixonar por alguém, fadada a viver em uma família puramente teatral, era demais para que conseguisse suportar.

- Está pronta?

A voz suave de Meredith alcançou seus ouvidos, mas parecia distante demais para Olivia compreender. A governanta precisou chamá-la mais uma vez para que as íris cor de mel, arregaladas, desviassem da porta fechada a sua frente para o rosto da mulher de meia idade.

Meredith vestia um terninho azul e os cabelos negros estavam presos em um coque firme. Mesmo sendo apenas uma empregada, ela estava elegante e seria tratada naquela noite como qualquer outro convidado. Para Olivia, a mulher ao seu lado tinha muito mais valor do que qualquer um dos ricos bruxos que a aguardavam do outro lado da porta.

Em sua mente, Olivia escutou a própria voz responder chorosa “Não quero fazer isso, Meredith. Me leve para casa, para a Noruega.”. Ao contrário disso, a ruiva respirou fundo e apertou com força o buquê em suas mãos. A mescla de rosas brancas, orquídeas e chuva de prata conviviam com perfeita harmonia nas mãos delicadas da noiva.

A maquiagem que cobria o rosto jovem era suave e quase natural, mas havia valorizado mais os olhos cor de mel. Os lábios estavam pintados de um rosa mais forte que o normal e as bochechas levemente coradas. Os cabelos ruivos brilhavam sedosos e balançavam com a brisa do fim de tarde de primavera.

Os fios vermelhos estavam soltos e em largas ondas, com exceção de duas mechas laterais que haviam sido puxadas para trás, presas em uma flor prateada na parte de trás da cabeça de Olivia. Suas orelhas exibiam brincos discretos e uma pulseira brilhava em sua mão direita, reluzindo junto ao vestido branco.

Era a primeira vez que a órfã deixava o negro de lado em meses, mas ela sabia que Dimitri jamais aprovaria manter o luto naquele dia aguardado por anos. O tecido era extremamente delicado e nitidamente caro.

As alças que cobriam os ombros pálidos eram completamente rendadas, quase como se estivessem desfiando em suas laterais, o que contribuía para a delicadeza da peça. Todo o busto, com um discreto decote, também era coberto por renda. A cintura era mais justa e logo em seguida abria a saia que se arrastava atrás de si.

Sobre a cabeça, Olivia usava um véu leve e sem grandes detalhes, mas a suavidade de todo o conjunto a deixava com uma aparência angelical. Ela não havia contribuído muito para os detalhes daquele dia, mas o vestido refletida toda sua personalidade delicada, ocultando a tristeza que realmente sentia.

- Estou pronta, Mer.

A mulher acenou com a cabeça e se afastou, entrando por uma porta do local da cerimônia. Logo em seguida, as grandes portas se abriram, revelando os bancos lotados de convidados, muitos rostos que Olivia sequer conhecia.

Sentindo-se trêmula, a noiva deu os primeiros passos pelo longo corredor, enfrentando sozinha os olhares fixos em cada detalhe de sua aparência. Ela já havia passado da metade do caminho quando seus olhos finalmente pousaram em Rodolphus, parado no final do corredor, e por alguma razão, o motivo que tanto a entristecera ao pensar naquele momento, foi também capaz de acalmá-la.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Severus Snape em Sex Jan 01, 2016 2:18 am

Os lábios de Barbara eram surpreendentemente doces e se encaixavam com perfeição aos de Lucius. Ele não conseguia se recordar de um único beijo, em toda sua vida, que tivesse a capacidade de mexer com todo o seu corpo. O calor que esquentava seu peito era diferente do provocado pelo firewhisky e a cada segundo que passava, ele queria prolongar aquele toque.

Os beijos trocados com Narcissa sempre foram mecânicos e frios. Na melhor das hipóteses, eram movidos pelos hormônios de um rapaz jovem. Mas nada poderia ser comparado que estava acontecendo naquele momento.

O copo de bebida já havia sido ignorado em uma mesa ao lado e Malfoy havia se colocado de pé, puxando Barbara consigo, mantendo colada ao seu corpo. Exatamente como fazia quando ia aparatar, ele apoiou uma das mãos nas costas da jovem, mas aproveitou a outra, livre, para afagar os cabelos castanhos, deslizando o polegar pela lateral do rosto delicado.

Todo o seu corpo respondia de forma natural, o calor da lareira acolhendo os dois, iluminando-os com uma luz alaranjada, projetando sombras perfeitas pela sala. Apenas quando seus pulmões começaram a arder em protesto, Lucius reduziu o ritmo e afastou os lábios, mantendo o rosto colado ao de Barbara, o nariz roçando a bochecha dela.

Sua respiração ainda estava pesada e ruidosa, os lábios úmidos e os olhos levemente arregalados, a consciência do que havia acabado de fazer finalmente o invadindo. Vacilando, Lucius deu um passo para trás, se desequilibrando quando o corpo esfriou.

Seu rosto logo se contorceu, deixando para trás a suavidade de instantes antes e assumindo um semblante sério. As sobrancelhas estavam franzidas e ele foi incapaz de encarar os olhos verdes enquanto procurava uma explicação pelos seus próprios atos.

O coração ainda batia rapidamente, mas Lucius já duvidava que fosse pelo beijo em si. Saber que havia beijado um aborto da natureza era uma mancha em sua vida impecável de sangue-puro. Ele havia corrompido aquela pureza de uma forma tão grave que não poderia voltar atrás.

Poderia culpar o firewhisky, ou ofender Robinson dizendo que ela havia usado alguma poção do amor, furtada do estoque da Von Hants Potions. Até mesmo os hormônios poderiam ser responsabilizados. Mas Malfoy não se importava com desculpas. O ato já havia sido concretizado e nada poderia apagar a mancha de sua história.

A única coisa a ser feita era não deixar que Barbara acreditasse que havia mexido com ele de alguma forma, antes ou depois do beijo. Ela não precisava ter consciência da batalha travada internamente.

Ainda sem encará-la, Lucius levou o dorso da mão a própria boca e deslizou, espremendo os lábios e os empurrando par ao lado enquanto tentava limpá-los como se tivesse acabado de se sujar com algum doce.

- Bom, isso só prova que eu estava certo. Seu beijo é tão podre quanto o seu sangue. Definitivamente, não há nada a se salvar em um aborto.

Durante todo o tempo, Malfoy encarava as sombras provocadas pela lareira no tapete, incapaz de encarar Barbara ao dizer aquela mentira. Aquele havia sido o melhor beijo de sua vida, mas jamais admitiria isso, nem para si mesmo. Aquele havia sido um erro a jamais se repetir.

- Nunca mais me toque novamente.

Desta vez, ele finalmente a encarou, mas as palavras haviam saído quase como uma súplica. Não sabia se seria forte o bastante para evitar o erro de acontecer outra vez, se Barbara ousasse tocá-lo mais uma vez.

- Pegue o seu pagamento. Nós vamos voltar. Mesmo lugar da ultima vez?

Suas sobrancelhas se ergueram ao fazer referencia sobre a última vez que a deixara no lugar próximo de casa, usando a melhor entonação que conseguia para ser casual, como se os dois não tivessem acabado de se beijar.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Sex Jan 01, 2016 2:20 am

A timidez nunca fora um dos defeitos de Rodolphus Lestrange, mas o primogênito de Ruth e Gaspard sentia-se sufocado naquele dia, com todos os olhares dos convidados voltados para si.

Os olhos castanhos fitavam as portas do salão fechadas a cada vinte segundos. Qualquer um pensaria que o noivo estava apenas ansioso pela chegada da futura esposa. Mas as preocupações de Rodolphus iam muito além disso. Lestrange e Olivia não se falavam diretamente desde a noite do noivado, portanto Rodolphus não sabia como a ruiva estaria se sentindo naquele dia. Cada segundo de espera fazia o rapaz pensar em como deveria reagir se Russel decidisse simplesmente não aparecer.

Embora estivesse muito bem arrumado, Rodolphus começou a se sentir inadequado diante dos olhares insistentes dos convidados. Inquieto, ele ajeitou a gravata algumas vezes, sentindo-se sufocado embora o nó estivesse quase frouxo.

Apesar do nervosismo aparente, o herdeiro dos Lestrange estava impecável em um conjunto de terno cinza chumbo, quase negro. A gravata de cetim era preta, assim como os sapatos muito bem engraxados. Os cabelos escuros estavam úmidos e tinham sido sistematicamente penteados para trás, desfazendo os cachinhos que naturalmente surgiam nas pontas dos fios.

Os ombros tensos de Rodolphus só relaxaram um pouco quando Meredith surgiu por uma porta lateral, andando apressada. A governanta fez um gesto positivo para a orquestra, anunciando que a noiva estava pronta do outro lado da porta.

Exatamente no mesmo instante em que as portas se abriram, a música instrumental ecoou por todo o salão. O local estava lotado de convidados, e obviamente fora decorado de forma exageradamente luxuosa.

Olivia surgiu sozinha, para a surpresa de muitos. Mas Rodolphus já imaginava que ela dispensaria a companhia de qualquer um que quisesse ocupar o lugar do pai. Não parecia haver outro homem próximo na família Russel e a ruiva não permitiria que o posto do pai fosse ocupado por qualquer um.

Por maior que fosse a sua mágoa pela futura esposa, Rodolphus precisava admitir que Olivia estava linda naquele dia. Era a primeira vez que ele a via sem uma roupa preta e a suavidade do branco dava a ela um agradável ar angelical. A maquiagem suave realçava a perfeição natural do rosto de Russel e ela acertara na escolha de deixar os cabelos soltos, dando um pouco mais de luz e cor ao visual.

Embora Olivia gostasse de passar a todos uma imagem fria e confiante, Rodolphus reconheceu facilmente a tensão camuflada na expressão dela. Os passos eram firmes, mas o olhar da ruiva vacilava diante da atenção de tantos estranhos.

Lestrange não podia exterminar por completo o desconforto de Olivia, mas fez a sua parte para amenizar a tensão dela. Para reduzir a distância que a ruiva teria que percorrer sozinha, Rodolphus se adiantou alguns passos.

Quando os dois finalmente ficaram frente a frente, os olhos castanhos se focaram nas íris cor de mel por um breve momento, mas Rodolphus se conteve antes de demonstrar qualquer fraqueza. Ele não estava disposto a repetir o erro cometido na noite do noivado e não se deixaria levar pelas intensas emoções do momento.

- Você está linda... – a declaração soou num sussurro, mas certamente os convidados mais próximos puderam ler as palavras nos lábios do herdeiro dos Lestrange.

Era difícil controlar as batidas descompassadas do próprio coração, mas Rodolphus conseguiu respirar fundo e manteve a situação sob controle quando se inclinou e saudou a noiva com um respeitoso beijo na testa.

Seguindo o protocolo, o noivo deslizou a mão delicadamente pelo braço de Olivia e terminou de conduzi-la até o fim do corredor. Os dois pararam diante de um suntuoso altar, atrás do qual um juiz nomeado pelo Ministério da Magia já aguardava para dar início à cerimônia.

Com os braços dados e uma das mãos de Rodolphus pousada no punho de Olivia, ele conseguia facilmente sentir as pulsações aceleradas da ruiva. A certeza de que o seu coração não era o único que reagia daquela maneira extrema era um consolo para Lestrange. O rapaz tinha quase certeza de que seu coração batia forte o bastante para que Olivia sentisse as pulsações aceleradas nas pontas dos dedos que tocavam sua pele macia.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Sex Jan 01, 2016 2:42 am

Olivia se sentia tão tensa que foi incapaz de ouvir metade das palavras proferidas pelo juiz. Durante quase todo o tempo, os olhos claros estavam levemente arregalados em uma expressão assustada e ao mesmo tempo adorável.

Ela tinha consciência que um fotógrafo rodeava o casal, porque por diversas vezes, se surpreendeu com um flash repentino, mas sua mente logo se desligava para a presença de Rodolphus ao seu lado.

O desespero havia sido minimizado, mas a cada segundo, a jovem Russel se perguntava o que estava fazendo com a própria vida. Havia crescido rodeada de interesseiros, mas nunca havia se sentido daquela forma, como se estivesse cercada por leões famintos, prontos para devorá-la ao menor dos deslizes.

Apenas quando o juiz pigarreou, chamando sua atenção, Olivia percebeu que precisava dizer alguma coisa. Sua cabeça girou ao redor e alguns convidados se inclinavam para frente, atentos a cada movimento da noiva.

- Olivia, vou perguntar mais uma vez, é de sua livre e espontânea vontade que aceita Rodolphus como seu marido?

Os lábios pintados abriram em surpresa quando ela percebeu que a pergunta já havia sido feita uma primeira vez, mas havia sido ignorada pelos seus ouvidos. As pálpebras piscaram algumas vezes, sem reação, e os segundos sem a resposta fez o silêncio reinar no salão.

Gaspard e Ruth, localizados um pouco trás de Rodolphus, começavam a arregalar os olhos, horrorizados. Até mesmo Rabastan, posicionado em seu lugar de padrinho, tinha as sobrancelhas erguidas em expectativa.

Seu coração falhou uma batida e Olivia sacudiu a cabeça em negação. Foi possível escutar um grunhido vindo de um dos convidados, que a noiva não soube reconhecer. Mais uma vez, ela lançou o olhar assustado para os presentes antes de fixar em Rodolphus.

Sua garganta estava seca e ardia. Seus dedos apertaram a mão de Rodolphus, mas como sempre fazia, ela foi forte o bastante para continuar com aquele caminho inevitável.

- Eu aceito.

Um alto suspiro de alívio escapou dos lábios de Ruth e a mulher logo se corrigiu, abrindo um largo sorriso. Um lenço de seda tocou o canto dos olhos em um gesto emocionado, mas a noiva sabia que era apenas a felicidade pela riqueza que estava se juntando com sua família.

Deixar o longo corredor ao lado de Rodolphus foi menos assustador do que no início da cerimônia e a menina já se sentia confiante o bastante para reassumir a postura que a ocasião exigia. Ela havia prometido ao marido que não falharia com o seu papel.

Quando chegaram ao local da festa, os noivos foram direcionados até uma saleta decorada e luxuosa onde um pequeno jantar os aguardava, antes que fossem engolidos pelas responsabilidades da noite.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Sex Jan 01, 2016 3:49 am

Durante toda a cerimônia de casamento, Rodolphus manteve a postura que se esperava de um noivo. Apesar da tensão, o rapaz se manteve atento às palavras do juiz e forçava sorrisos sempre que sentia a aproximação do fotógrafo.

A tradicional pergunta foi dirigida primeiramente a Rodolphus, e o noivo não hesitou por um segundo antes de pronunciar o seu “Eu aceito”. Exatamente por isso, Lestrange sentiu que o chão estava se abrindo sob os seus pés quando, ao invés de repetir a esperada resposta, a filha dos Russel ficou muda diante do noivo, do juiz e de todos os convidados.

O coração de Rodolphus falhou uma batida e ele virou lentamente o rosto na direção dela. Os olhos castanhos escuros brilharam com um brilho urgente de pânico. Lestrange poderia até inventar uma desculpa minimamente digna para uma noiva que não aparece na cerimônia do casamento, mas não havia como evitar o escândalo do século se Olivia decidisse recuar ali, diante do juiz.

O pânico de Rodolphus só aumentou quando a pergunta foi repetida pelo juiz e, mais uma vez, a resposta de Olivia não foi imediata. Sem sombras de dúvidas, aquela era a maior humilhação que o rapaz já enfrentara em toda a sua vida.

O salão estava mergulhado num silêncio pesado quando os primeiros burburinhos começaram a ecoar no meio dos convidados. Até a respiração pesada do juiz parecia ecoar por todo o ambiente.

Quando a ruiva balançou a cabeça em negativa, Rodolphus teve certeza de que estava tudo acabado. Olivia recuaria diante do altar e causaria a ele uma vergonha irrecuperável. Nem mesmo toda a fortuna dela poderia amenizar a humilhação que os Lestrange sofreriam naquele dia.

Desta vez, a resposta de Olivia não demorou tanto, mas Rodolphus teve a sensação de que um século se passara antes que a voz da ruiva soasse. Ruth soltou um ruidoso suspiro de alívio, o juiz forçou um sorriso e os convidados trocaram olhares surpresos e maldosos.

Mas, apesar daquele pequeno incidente, o casamento seguiu conforme o planejado. O casal repetiu os votos durante a troca de alianças e, quando o juiz oficializou o fim da cerimônia, Rodolphus repetiu o beijo na testa da ruiva, agora a Sra. Lestrange.

A festa estava preparada num salão anexo, já totalmente decorado para a ocasião. Várias mesinhas estavam espalhadas pelo local, deixando um vasto espaço para a pista de dança, um pequeno palco para a orquestra e corredores entre as cadeiras, por onde os elfos passariam com bandejas pesadas. Não houve qualquer tipo de economia na festa, Gaspard fizera questão de selecionar as melhores bebidas e garantir o maior banquete de todos os tempos.

Como logo os noivos seriam engolidos pelas obrigações típicas da noite, Rodolphus e Olivia foram levados para uma saleta onde deveriam jantar antes de surgirem no salão principal. A mesa preparada para eles era redonda e pequena o bastante para que as mãos dos dois se tocassem sobre a superfície, mas tal toque não aconteceu quando os jovens se sentaram frente a frente.

Um dos elfos se encarregou de servir os pratos e completou as duas taças com o melhor espumante da noite. O elfo estranhou o silêncio pesado dos recém-casados, mas imaginou que eles estavam apenas constrangidos e prefeririam ficar sozinhos. Foi por isso que a criatura pediu licença e se retirou apressadamente.

Depois que a porta se fechou, Rodolphus finalmente ergueu os olhos escuros e os fixou na esposa. A expressão dele estava fechada numa intensidade jamais vista por Olivia, mas a voz grave soou inicialmente contida.

- O que foi aquilo?

Era óbvio que Lestrange se referia à lamentável cena diante do juiz, mas o rapaz não deu tempo para que Olivia se explicasse. O punho fechado dele acertou a superfície da mesa com força, fazendo com que as taças tombassem e derramassem o espumante na toalha branca.

- QUE PALHAÇADA FOI AQUELA? VOCÊ TEM NOÇÃO DO CONSTRANGIMENTO QUE CAUSOU?

Desta vez, a voz grossa de Rodolphus ecoou por toda a saleta. Por sorte, a orquestra já começara a tocar no salão principal e o som dos instrumentos abafaria os gritos vindos da sala onde estavam os noivos.

- É ASSIM QUE VOCÊ PRETENDE HONRAR O TRATO DE MANTER AS APARÊNCIAS?

Antes que Olivia pudesse abrir a boca para responder, Rodolphus se ergueu da cadeira subitamente. Com um movimento brusco, o rapaz virou a mesa de uma só vez, fazendo com que o jantar e toda a louça se espalhassem pelo chão. Sem aquele “obstáculo”, Lestrange se aproximou da esposa, apoiou as mãos nos braços da cadeira de Olivia e se inclinou para sussurrar as próximas palavras bem próximo ao rosto da ruiva.

- É a primeira e última vez que você me causa tamanha humilhação, entendido? Agora eu sou o seu marido e exijo que você cumpra o nosso acordo. Eu exijo ser respeitado pela mulher que carrega o meu sobrenome! Você tem que me honrar, tem que honrar o meu nome! Eu não quero ser feito de idiota!

Os olhos escuros se estreitaram até se tornarem dois traços ameaçadores. Rodolphus não se lembrava de já ter se sentido tão furioso e tão humilhado antes.

- Será que eu fui pouco claro, Sra. Lestrange?
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Danika Lehmann em Sex Jan 01, 2016 4:18 am

A balconista da Von Hants Potions não raciocinava quando se deixou guiar pelo bruxo. Malfoy não encontrou nenhuma resistência quando puxou a garota para fora do sofá e enlaçou o corpo dela com firmeza. Uma das mãos de Barbara se manteve mergulhada nos cabelos loiros enquanto a outra se apoiava firmemente num dos ombros fortes do rapaz.

Para amenizar um pouco a diferença nas alturas, Robinson se colocou na ponta dos pés para que seus lábios continuassem colados nos de Lucius. O braço dele em torno de sua cintura a enlaçava com tal força que o corpo da garota fez uma curva, colando-se ao corpo dele.

Por mais que seu fôlego já desse sinais de que estava chegando ao fim, Barbara se esforçou para prolongar aquele beijo por mais tempo. Intimamente ela sabia que aquela carícia era como um sonho que acabaria no instante em que ela abrisse os olhos e nunca mais se repetiria.

Mas, apesar dos esforços da garota, o beijo chegou ao fim. E, com ele, terminou também a ilusão de que havia alguma chance para os dois no futuro.

Robinson já esperava pelas duras palavras que vieram a seguir. Por isso, ela não se mostrou nem meramente surpresa ou ofendida pelas agressões de Malfoy. Mas foi inevitável que alguma tristeza ficasse refletida nas íris esverdeadas. Barbara não estava infeliz pelas ofensas de Lucius, mas pela própria condição que a impedia de sonhar com alguém como ele.

Aquele beijo havia sido um sonho para a balconista, mas ela sabia que Malfoy encararia a carícia como um tropeço imperdoável. E o semblante enojado dele deixava claro que aquela cruel realidade começava a se apoderar da mente do rapaz.

Era ofensivo vê-lo limpando os lábios daquela maneira, mas Barbara não esperava outra coisa de um bruxo de sangue-puro. Ao contrário, ela sabia que deveria se sentir grata por Lucius não decidir limpar sua honra e garantir o silêncio dela com um simples “Avada Kedavra”.

Com o pouco que restava de seu orgulho e amor próprio, Barbara se recusou a pedir desculpas por um beijo iniciado por Malfoy e mantido pelos dois. Ela apenas permitiu que ele dirigisse todas as ofensas que queria a ela enquanto cruzava os braços, numa tola tentativa de abraçar a si mesma.

Era um alívio que Lucius estivesse olhando em outra direção, assim Barbara não precisou modificar em nada o seu semblante entristecido. Ela só precisou de alguns segundos para se recuperar e mantinha no rosto um olhar vago e indiferente quando Malfoy finalmente a encarou.

- Mesmo lugar.

Se era assim que Lucius pretendia reagir, Barbara seguiu no ritmo dele. Como se os dois não tivessem acabado de se beijar, a garota o obedeceu de forma mecânica. As moedas de ouro foram recolhidas e guardadas no bolso do casaco. A garota deu uma última olhada na cabana antes de reunir coragem e se posicionar em frente a Malfoy para que pudessem desaparatar.

- Estou pronta, Sr. Malfoy.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Severus Snape em Sex Jan 01, 2016 5:32 am

Não adiantava o quanto Lucius se esforçasse para não pensar em Barbara. A imagem dela surgia em sua mente com a mesma proporção que ele lutava para esquecer o que havia acontecido no último encontro, semanas antes.

Se antes a morena aparecia aleatoriamente em seus sonhos, agora Malfoy era assombrado por pesadelos agitados em que eles estavam sempre juntos, aos beijos, ou abraçados entre lençóis, livres das roupas. Não havia uma única noite que ele não acordasse no meio da escuridão, lavado em suor e com o coração acelerado.

Apesar da mente traiçoeira que não lhe respeitava, o jovem conseguira manter a distância com a balconista da Von Hants Potions. Não importava se ficasse sem informações importantes, desde que estivesse longe de qualquer tentação, do caminho errado e sem volta que havia se metido. Era preciso apenas que o tempo resolvesse o problema que havia se metido.

Mesmo com o rosto impecável de sempre, Lucius começava a exibir olheiras sob as íris azuis e andava mais distraído, como consequência das noites interrompidas. Dizendo a si mesmo que nada havia alterado e que sua rotina continuava a mesma, ele não hesitou em aceitar a missão dada a Lord Voldemort naquela noite.

A tarefa, apesar de aparentemente simples, constava com um grande obstáculo: furtar uma profecia bem debaixo do nariz do Ministro da Magia, em um dos departamentos de um prédio abarrotado de aurores.

Usando a desculpa de que visitaria o pai, que fazia parte do conselho de bruxos, Lucius apareceu quase no fim da tarde usando sua melhor máscara de superioridade. O rapaz vestia uma calça negra e uma camisa branca de botões, os fios loiros bem penteados e o rosto liso, livre de qualquer sinal de barba. Era o perfeito filho de uma família tradicional, livre de qualquer suspeita.

Após uma breve social onde o pai lhe prometia um cargo junto ao conselho muito em breve, ignorando qualquer falta de experiência do filho, ele seguiu para o elevador com destino ao nível nove, onde ficava o Departamento de Mistérios.

Nos primeiros minutos em que ele passeou pelos longos corredores abarrotados de objetos estranhos, Lucius estava se sentindo sortudo. Não havia qualquer sinal de outro bruxo para impedi-lo até que alcançasse a zona de profecias.

Estava quase chegando ao seu destino quando viu um vulto passar entre duas estantes. Malfoy travou e se escondeu antes de seguir adiante. O certo seria recuar e realizar uma nova tentativa depois, mas sabia que Lord Voldemort não ficaria satisfeito com uma missão falha.

Ele teve pouco tempo para pensar antes de deslizar a varinha pelo próprio rosto, cobrindo-o com a máscara. Mesmo quando a varinha já havia sido recolhida, o feitiço continuou fazendo efeito e, descendo pelos ombros, suas roupas caras foram escondidas pela capa negra dos Comensais da Morte. Ninguém poderia reconhecer um Malfoy ali.

O que aconteceu nos segundos seguintes foi rápido demais para que ele conseguisse raciocinar. Certo que havia apenas um auror para enfrentar, Lucius saiu de seu esconderijo para, no segundo seguinte, ser atingido por um feitiço no ombro, por trás.

O jato de luz imediatamente rasgou a roupa e criou um corte sobre sua pele, fazendo arder como se tivesse sido atacado com uma faca. O feitiço havia vindo do lado oposto que Malfoy vira a sombra do auror, mas ele prontamente se virou para revidar, mas errou na primeira tentativa.

Lucius sentia seu rosto suar por trás da máscara e recuou alguns passos enquanto o auror se aproximava. O novo jato de luz que saiu de sua varinha acertou a estante ao lado, derrubando-a com um enorme estrondo e bloqueando o caminho do auror.

- Hunt???

Mesmo com os estouros que ainda aconteciam, Lucius pôde escutar quando o primeiro auror visto se aproximou. A varinha já em punho não hesitou antes de tentar acertar o novo alvo, mas o outro, muito mais bem treinado, o acertou em cheio no estômago.

O Comensal voou no ar por alguns metros até que seu corpo se chocou contra o chão, caindo entre os estilhaços da estante que ele mesmo derrubara. Ele sentiu dezenas de cacos de vidro cortando ao longo do corpo e imediatamente sentiu o melado do sangue grudar na sua nuca, entre os fios loiros. Foi por um único segundo que Malfoy perdeu a consciência, mas quando as pálpebras estavam novamente sendo abertas, ele viu os coturnos do auror se aproximando.

A vista estava extremante embaçada e ele ainda se sentia tonto quando trouxe a varinha até o peito. Era arriscado demais tentar aparatar naquele instante, mas ser descoberto no prédio do ministério era um destino ainda pior.

Malfoy não conseguiu nem mesmo se concentrar para executar o feitiço, e a dor no corpo era tanta que ele não sabia se a aparatação havia causado algum estrago maior. Ele apenas teve certeza que não estava mais no departamento de mistérios quando sentiu o ar gelado tocar suas mãos. A máscara foi retirada de seu rosto e ele puxou o ar como se estivesse submerso em água por longos minutos. O vento fresco logo tocou suas bochechas, trazendo um mínimo de alívio.

Confuso, Lucius olhou ao redor, tentando descobrir onde sua mente o levara, e não se importou quando reconheceu o beco que já estivera duas vezes com Barbara Robinson. Sem questionar sua própria sorte ou azar, a varinha foi mais uma vez erguida e com dificuldade, um patrono com pouco brilho surgiu no formato de uma ramosa.

- Preciso de ajuda. – Sua voz soou rouca ao encarar a imagem fantasmagórica. – Barb, preciso de ajuda. Me encontre no lugar de sempre.

Ele repetiu as últimas palavras ditas por ela após o beijo sem associar a coincidência. A varinha foi apontada para o caminho em que a balconista sempre desaparecia e o patrono seguiu até desaparecer na escuridão.

Novamente sozinho, Lucius se arrastou até a parte mais escura do beco, completamente escondido pelas sombras. A capa negra logo se molhou em uma poça de lama sobre o chão de pedra e o cheiro de podridão do lugar se misturava ao odor do sangue e suor dele próprio. Um gemido de dor escapou pelos seus lábios quando sentiu o pé latejando, provavelmente quebrado. Ele tinha certeza que também havia deslocado um dos ombros. Estava impossibilitado de tentar uma nova aparatação e torcia para que Robinson não fosse tão orgulhosa quanto um Malfoy e aparecesse para socorrê-lo.

Estava quase perdendo a consciência quando ainda foi capaz de pensar na ironia do destino em depender de um aborto da natureza para salvar sua vida.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Sex Jan 01, 2016 5:59 am

Olivia chegou a abrir a boca para se explicar a Rodolphus quando ele perguntou pela primeira vez. A ruiva sabia que o marido não ficaria feliz, mas esperava que ele compreendesse que havia sido apenas um lapso, um momento de nervosismo e que tudo estava sob controle novamente.

O soco dado na mesa foi o suficiente para que ela se calasse, dando um pulinho em seu lugar, pega de surpresa. Os lábios dela mais uma vez se entreabriram, mas desta vez sem intenção de falar nada, apenas demonstrando o assombro pela reação de Lestrange.

No instante em que a mesa foi derrubada, espalhando pelo cômodo o jantar e a porcelana quebrada, Olivia deixou escapar um gritinho de susto, se encolhendo em sua cadeira. As mãos agarraram o assento quando Rodolphus se aproximou e ela chegou a contorcer o rosto, esperando por um tapa.

Olivia havia presenciado o casamento sem amor dos pais. Dimirti, apesar de ser um pai carinhoso, humilhava Octavia dezenas de vezes ao dia, demonstrando todo o seu desprezo pela mulher. Apesar disso, não havia uma única lembrança de que seu pai tivesse sido violento com a esposa. Sua frieza era toda sua arma e era aquilo que a jovem esperava de seu casamento. Ela jamais imaginou que Rodolphus pudesse ser agressivo daquela forma.

Naquele instante, a Sra. Lestrange teve certeza que havia cometido o maior erro de sua vida. Ela saberia lidar perfeitamente se Rodolphus se comportasse como Dimitri, pois também sabia ser fria. Mas não teria a menor chance se ele tentasse algo mais. Ignorando as varinhas, o rapaz era alto e forte, e a ruiva magra e sem a menor possibilidade de se defender.

Respirando fundo, ignorando o coração que batia rápido, Olivia o encarou sem piscar, tentando não demonstrar todo o seu pânico

- Você foi cristalino, Rodolphus.

As palavras saíram em um sussurro engasgado, a garganta fechada com o medo do que mais aqueles olhos castanhos poderiam esconder. Nem todo dinheiro do mundo poderia defendê-la se agora fosse dividir o teto com um monstro.

Não havia mais caminho de volta. Ela havia tido dezenas de chances de fugir daquele destino, mas havia escolhido encarar as consequências. E agora precisaria abaixar a cabeça e engolir qualquer orgulho para evitar aquela situação de piorar ainda mais.

- Eu prometo que farei o papel da esposa ideal e você nunca mais passará por nada disso de novo.

Se todo aquele casamento era um pesadelo, aqueles primeiros minutos como Sra. Lestrange era o verdadeiro inferno. A última coisa que uma noiva queria era se sentir ameaçada em sua própria festa.

- Podemos começar agora? – Suas sobrancelhas ergueram levemente em uma súplica.

Enquanto estivesse cercada de convidados, não correria risco algum. Rodolphus se portaria como o noivo educado, exatamente como mandava o figurino.

- Estão todos aguardando a nossa presença. Precisamos desfazer a imagem que ficou durante a cerimônia.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Sex Jan 01, 2016 2:12 pm

As orelhas pontudas do elfo doméstico foram as únicas que escutaram a briga na saleta destinada aos noivos. A criatura retornou ao cômodo a tempo de acompanhar o final da discussão e estava num dos cantos da sala, com os olhos amarelos arregalados como duas bolas de tênis. O jantar espalhado no chão, a mesa revirada no meio do cômodo e a atual posição dos noivos não deixava dúvidas de que era uma briga acalorada demais, ainda mais para um casal que trocara alianças há poucos minutos.

As palavras de Olivia ecoaram num silêncio pesado. Rodolphus continuou imóvel por longos segundos, sem tirar do rosto dela aquele olhar ameaçador. A agressividade não fazia parte da natureza do primogênito dos Lestrange. Ele sempre fora melhor com as palavras e sabia atingir seus alvos sem erguer a voz. Mas o comportamento de Olivia o tirara do sério naquela noite. Como herdeiro de uma das famílias mais importantes da Inglaterra, Rodolphus não estava nada acostumado a sofrer humilhações.

- Que bom que nos entendemos.

A voz de Lestrange saiu num sussurro, o que conseguia ser ainda mais ameaçador que seus berros. Da mesma forma que se aproximou dela, Rodolphus se afastou bruscamente. O rapaz deu as costas à Olivia e se aproximou da única janela do pequeno cômodo. Durante o breve trajeto, Lestrange fez um gesto na direção da bagunça e ordenou, sem nem ao menos olhar na direção do elfo.

- Arrume isto.

- Sim, senhor.

A resposta aguda do elfo antecedeu o som de seus passinhos apressados. A criatura ergueu o indicador e desvirou a mesa usando sua magia. Em poucos segundos, os cacos da porcelana estavam perfeitamente reconstruídos sobre a superfície da mesa e o banquete guardado num saco de lixo.

O elfo lançou um olhar aflito na direção de Olivia, enchendo-se de piedade dela. Mesmo não entendendo perfeitamente bem como funcionava o mundo dos bruxos, a criatura imaginava que aquele não era o casamento dos sonhos de nenhuma garota. A ruiva estava visivelmente atormentada e amedrontada, mas não havia nada que um elfo doméstico pudesse fazer para amenizar a dor dela. Aliás, ninguém podia ajudar Olivia Lestrange naquele momento.

Nos poucos segundos que o elfo demorou para organizar toda a bagunça, Rodolphus manteve os olhos escuros na janela aberta, que dava vista para um pequeno jardim de inverno. A noite estava agradavelmente fresca e a brisa que entrava teve o poder de esfriar a cabeça do rapaz. O vento suave não desfez sua aparência, embora alguns dos pequenos cachos ameaçassem se soltar do restante dos fios impecavelmente penteados para trás.

Sem dúvida, Rodolphus havia se exaltado. Mas ele não pretendia pedir desculpas para a pessoa que lhe causara a pior humilhação pública de toda a sua vida. Embora sua intenção não fosse deixar a esposa em pânico, Lestrange reconhecia o lado positivo daquela discussão. Ao menos ele deixara bem claro que as ordens não seriam dadas por Olivia naquele casamento. Os dois tinham um acordo a ser honrado, e Rodolphus fazia questão que a esposa cumprisse a parte dela.

Dez minutos inteiros tinham se passado desde que toda a bagunça fora arrumada pelo elfo doméstico quando Lestrange finalmente se sentiu calmo o bastante para colocar a máscara e encenar o papel que a sociedade esperava dele.

- Vamos.

Sem olhar na direção da esposa, Rodolphus cruzou a sala com passos firmes e se colocou diante da porta fechada. Com um semblante carregado, ele esperou que Olivia se posicionasse ao seu lado e respirou fundo antes de empurrar a porta que dava acesso ao salão principal.

No exato instante em que os olhos dos convidados se voltaram para eles, um sorriso mecânico surgiu nos lábios de Lestrange.

Logo surgiu o fotógrafo com a câmera já posicionada para registrar aquele momento “feliz” dos recém-casados. A presença dele obrigou Rodolphus a deslizar a mão carinhosamente pela cintura da esposa e puxá-la para mais perto do seu corpo, para que na imagem eles parecessem um típico casalzinho apaixonado.

Era tudo uma questão de aparências, afinal.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Danika Lehmann em Sex Jan 01, 2016 3:25 pm

As semanas sem notícias de Lucius Malfoy deram à Barbara a certeza de que ela nunca mais o veria. No máximo, acompanharia as novidades sobre a vida majestosa dele nas colunas sociais do Profeta Diário. Não era raro que os Malfoy fossem fotografados em festas luxuosas, como uma típica família perfeita. Os ciúmes fizeram com que Robinson perdesse a fome por um dia inteiro ao imaginar que, em breve, os jornais anunciariam o casamento de Lucius com Narcissa Black.

Por mais de uma vez, Barbara pensou em enviar uma coruja ao rapaz com alguma informação relevante sobre a movimentação na Travessa do Tranco. Contudo, aquelas ideias eram rapidamente descartadas pela parte mais racional da mente da menina. Não era uma atitude nada sábia correr atrás de um bruxo como Malfoy. No fundo, Barbara sabia que deveria se sentir grata por ter saído do caminho dele.

Mas a porção menos racional de sua mente se recusava a esquecer o beijo da cabana. Independente de qualquer ofensa proferida pelo rapaz, Barbara se lembrava com perfeição da maneira como os lábios se encaixaram e se moveram, da forma como Lucius a abraçou junto ao seu corpo e tocou o rosto dela. A realidade era cruel com os dois, mas naqueles segundos de duração do beijo, eles se entregaram por completo à atração proibida que os unia.

Robinson já estava convencida de que Lucius Malfoy seria eternamente apenas uma lembrança do passado quando seu sono foi interrompido por uma luz azulada que invadiu sua janela naquela noite. Os olhos verdes se arregalaram e a garota se encolheu na cama enquanto a raposa se aproximava. Quando a voz de Malfoy ecoou no quarto vazio, o coração de Barbara deu um salto.

Mesmo depois que o patrono se desfez, Barbara continuou com os olhos fixos no local onde a raposa prateada estivera. A adrenalina corria em suas veias enquanto sua mente tentava decidir qual era o próximo passo a ser dado.

O maior medo da garota era que aquilo fosse algum tipo de emboscada. Se Lucius quisesse atraí-la para uma armadilha, Robinson não teria a menor chance de sobreviver. O detalhe mais intrigante daquela situação era o simples fato de Malfoy pedir a ajuda dela. Ele tinha tantos amigos, uma família perfeita, uma bela noiva... Por que precisaria logo da ajuda dela, um desprezível aborto da natureza?

Mas e se fosse verdade? E se Lucius realmente estivesse em apuros e precisasse dela? Barbara não se perdoaria se ignorasse aquele chamado e algo ruim acontecesse a ele.

A garota sabia que corria um grande risco quando saltou para fora da cama. Sua camisola foi substituída por roupas quentes, os cabelos castanhos parcialmente ocultos por um gorro de lã. Quando alcançou a calçada e foi atingida pela brisa fria da noite, Barbara enfiou as mãos dentro dos bolsos do casaco e se amaldiçoou por ter esquecido as luvas, mas não pretendia perder tempo voltando em casa para buscá-las.

Mesmo sabendo que aquela poderia ser a última tolice que fazia na vida, Barbara marchou na direção do beco sem saída com passos firmes. Seu coração saltitava quando ela chegou ao local e inicialmente não viu ninguém. A respiração formava uma pequena fumaça branca diante do nariz e dos lábios entreabertos da garota enquanto seus olhos vasculhavam o beco imundo.

A balconista estava prestes a dar meia volta quando seus olhos finalmente capturaram aquela sombra parcialmente oculta pela escuridão. Sem pensar duas vezes, Barbara correu na direção de Lucius e caiu de joelhos diante dele, com os olhos arregalados ao vê-lo tão machucado.

Com as mãos trêmulas, a garota tocou o corpo dele, sentindo um profundo alívio ao perceber que Malfoy ainda estava vivo. Mas o sangue melado que manchava as vestes negras era um péssimo sinal. Não havia tempo para perguntas, Malfoy realmente precisava ser socorrido.

- Lucius!

Era a primeira vez que a garota o chamava pelo primeiro nome. Apesar do desespero, a voz suave de Barbara soou baixa para não chamar a atenção de alguém que porventura passasse nas proximidades do beco.

- Lucius, você precisa me ajudar! – Robinson segurou o rosto dele com firmeza quando os olhos do rapaz se abriram – Eu não consigo te tirar daqui sozinha, você terá que colaborar. Só alguns metros, eu juro.

Reunindo uma força inédita, Barbara conseguiu puxar o braço de Malfoy até colocá-lo de pé. O comensal cambaleou, mas a garota rapidamente o enlaçou num abraço firme. Robinson não conseguiria sustentar todo o peso do corpo de Lucius, mas ao menos oferecia a ele um equilíbrio que amenizava um pouco a dor do pé quebrado e a tontura da mente enfraquecida pelos sangramentos.

Os primeiros passos foram difíceis e atrapalhados. Por mais de uma vez, Barbara precisou amparar o corpo pesado do rapaz numa das paredes podres do beco para evitar uma queda. Mas, conforme prometido, não foi uma caminhada longa. A vila trouxa onde a garota vivia ficava há um quarteirão do local de aparatação. E, por sorte, nem mesmo uma testemunha cruzou o caminho do casal no trajeto até a simplória casa de Robinson.

A vila tinha uma aparência miserável. As casas ficavam aglomeradas, o pátio estava imundo e as paredes não viam tinta há décadas. Um gato magrelo foi o dono dos únicos olhos que acompanharam a entrada de Lucius na casa de Barbara que, por sorte, ficava no nível da calçada. Os dois certamente não conseguiriam subir as escadas que levavam às casinhas dos andares superiores.

O interior da casa era extremamente simples, mas estava impecavelmente limpo. Os móveis eram velhos, as cortinas estavam remendadas e a casa inteira era menor que a sala de jantar da mansão dos Malfoy. Mas era tudo o que Barbara poderia oferecer ao comensal naquela noite.

- Estamos sozinhos.

A garota explicou quando percebeu que os olhos de Lucius procuravam alguma coisa na casa. A Sra. Robinson aproveitara uma rara pausa em suas crises para visitar uma amiga escocesa. Apesar de tudo, aquele era um dia de sorte para Malfoy.

Só havia um quarto na casa, as duas camas ocupavam paredes opostas do cômodo. Lucius foi levado na direção da cama desarrumada e, quando desabou sobre o colchão gasto, poderia sentir o perfume de Barbara impregnado no travesseiro e nos lençóis. Como a garota saíra da cama há poucos minutos, o calor dela ainda se fazia presente.

Enquanto o rapaz ajeitava o corpo dolorido na cama, Barbara abriu a primeira gaveta da penteadeira e tirou dali um frasco de poção. Ursula costumava tomar aquele líquido para aliviar a dor das bolhas que estouravam por toda a sua pele quando as crises remanescentes de varíola de dragão a atacavam. A garota não sabia se a poção teria o mesmo efeito nos ferimentos de Lucius, mas era tudo o que tinha para oferecer a ele naquele momento.

- Tome isto. – o frasco foi empurrado para as mãos do bruxo – Eu preciso ver para te ajudar, Lucius.

Sem esperar pela concordância dele, Robinson retirou a capa negra e a jogou de lado. Com cuidado, os dedos delicados abriram os botões da camisa branca até que Lucius também estivesse livre daquela peça. A iluminação do local era feita por uma lamparina, mas nem mesmo a luz fraca amenizou a terrível visão dos cacos de vidro cravados na carne do peito e das costas de Malfoy.

Os olhos de Barbara se arregalaram e ela deixou escapar uma exclamação de horror. Mas, passado o susto inicial, a garota respirou fundo. O cheiro de sangue a deixou um pouco tonta, mas Robinson teve forças para se levantar e caminhar novamente até a penteadeira. Da gaveta, a morena retirou uma pinça e uma toalha limpa.

A ponta da pinça foi aquecida na chama da lamparina antes que Barbara voltasse para perto de Lucius. O bruxo estava sentado no meio da cama dela, de forma que a garota se posicionou por trás dele. Os piores ferimentos estavam nas costas do rapaz, e foi por eles que Robinson começou.

Cuidadosamente, a menina usou a pinça para puxar um caco de vidro até retirá-lo por completo da carne de Lucius. O gemido de dor ecoou por todo o quarto enquanto um filete de sangue escorria do ferimento.

- Eu sei, eu sei... – Barbara o abraçou delicadamente por trás, aflita com a dor dele – Tome toda a poção, Lucius, vai amenizar a dor. Não posso te dar uma poção curativa ainda, sua pele não pode cicatrizar sem que todos os cacos sejam retirados.

Embora não fosse oficialmente uma bruxa, Barbara sabia muito sobre poções graças à mãe doente e ao trabalho na Von Hants Potions. Lucius certamente seria mais bem atendido no St. Mungus, mas Robinson oferecia a ele um trabalho relativamente bom e a garantia de discrição. Malfoy certamente seria metralhado por perguntas se procurasse o hospital naquela noite.

- Prometo que serei rápida. Mas você precisa ser forte.

Como se quisesse dar um incentivo a mais ao comensal, Barbara se inclinou e depositou um beijo na curva do pescoço de Lucius.

- Podemos continuar?
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Sex Jan 01, 2016 3:51 pm

Aquela definitivamente havia sido a pior noite que Olivia Russel já vivera. Talvez estivesse no mesmo nível que a noite do assassinato dos pais. Seu mundo estava sem chão e ela precisava encontrar forças para se manter em pé diante de todos.

Cada vez que Rodolphus se aproximava para uma nova fotografia, ela sentia o corpo inteiro congelar, cada musculo ficando tenso e prendia a respiração momentaneamente. Apesar disso, ela manteve um pequeno sorriso nos lábios e acenava para os convidados que se aproximavam.

Foi preciso uma taça inteira de espumante para que ela conseguisse alargar o sorriso e finalmente se portasse como a noiva feliz que deveria ser, apaixonada pelo homem ao seu lado sem que ninguém desconfiasse a briga tida, minutos antes, entre os recém-casados.

Exatamente como havia prometido a Rodolphus, Olivia assumiu o papel com perfeição, deixando para trás a lembrança da falha cometida durante a cerimonia. Seus pés doíam tanto quanto as bochechas que trabalhavam para manter o largo sorriso em seu rosto. Apenas Meredith seria capaz de perceber que aquela felicidade não alcançava os olhos da órfã.

Quando a noite finalmente chegou ao fim, Olivia sabia que seu pesadelo estava apenas começando.

***

A manhã de primavera na Noruega era imensamente agradável. O vento era mais fresco do que em Londres, mas estava longe de ser o frio congelante do inverno. A mansão dos Russel ficava no topo de uma grande montanha, erguida no meio de muito verde e com um lago cristalino aos seus pés.

Olivia imediatamente reconheceu o cheiro familiar de eucaliptos que a acompanhara durante toda a infância. Tudo estava exatamente igual, como se a qualquer momento, Dimitri e Octavia fossem sair pela porta principal.

A maior diferença que mostrava que sua vida não era a mesma era que, ao invés da imagem dos pais, foi Rodolphus que entrou ao seu lado.

A claridade que entrava pelas dezenas de janelas refletia no piso de mármore e nas paredes de cores leves. Os móveis eram de excelente bom gosto e haviam diversos arranjos de flores espalhados para receber ao novo casal.

A herdeira da casa esfregou as próprias mãos enquanto olhava ao redor, reconhecendo cada canto do local onde crescera.

Desde que deixaram a festa de casamento, a nova Sra. Lestrange evitava a todo custo olhar para o marido, mas ela se viu obrigada a encará-lo quando alcançou os pés da enorme escada que dava acesso ao andar superior.

- Você pode ficar no quarto principal, no final do corredor. Eu ficarei no meu quarto de sempre.

Olivia se sentia imensamente tola toda vez que sua voz saía fraca daquela forma. Ela havia prometido a si mesma que não seria a mulher amendrontada e submissa que um dia Octavia havia sido, mas desde a ameaça de Rodolphus, ela temia que qualquer vírgula mal colcada em suas frases pudesse despertar a ira do marido outra vez.

Passinhos tímidos anunciaram quando um pequeno elfo surgiu, recebendo os noivos com um largo sorriso.

- Srta. Olivia! – Os olhos ambar da criatura alcançaram o homem ao lado da ruiva e ele coçou a própria cabeça com poucos fios de cabelo. – Desculpe. Sra. Lestrange.

Ouvir seu novo sobrenome fez o estômago de Olivia se contorcer, mas ela se manteve firme ao encarar o criado.

- Preparei o café na varanda do andar de cima. Está tudo pronto.

- Obrigada, Poll.

Mais uma vez, ela ousou encarar Rodolphus.

- Se você estiver com fome, o café da manhã do Poll é sempre muito caprichado e diversificado.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Severus Snape em Sex Jan 01, 2016 4:15 pm

Lucius já se sentia fraco demais para reparar na humildade da casa das Robinson. Naquele momento, ele não se importava com o tamanho dos cômodos ou a decoração simplória. Estava apenas aliviado por não estar largado em um beco fedorento, a mercê de qualquer um.

Era um alívio que a distância até a casa de Barbara realmente fosse pequena, porque Malfoy não sabia por quanto tempo mais conseguiria andar. Seu pé quebrado latejada e era impossível tocar o chão com ele. Sua cabeça pulsava no local que se chocara com o chão.

Mesmo sem magia, a balconista da Von Hants Potions era sua melhor opção. Ele não poderia procurar um hospital, seria questão de tempo até que ligassem ao ataque no departamento de Mistérios. Nenhum dos outros Comensais poderia saber de uma falha tão grave, então também não era uma opção válida. Seria uma imensa vergonha pedir ajuda dos próprios pais e Narcisa já havia deixado claro que não queria se envolver em assuntos relacionados aos Comensais da Morte.

Barbara era a única pessoa que saberia manter aquele seu erro em segredo e ainda capaz de ajudá-lo, mesmo com suas limitações mágicas.

A cada respiração, Malfoy sentia os cacos de vidro se mexerem em sua carne, rasgando ainda mais a pele e queimando. Se fosse apenas um ferimento, seria fácil administrar a dor. Mas cada pedaço do corpo do loiro queimava com algum ferimento, tornando impossível manter o controle.

Os lábios estavam curvados em um bico e o ar saía com força, ruidosamente, enquanto Lucius tentava se recuperar da dor provocada pelo caco de vidro arrancado por Barbara. As pálpebras estavam espremidas, cobrindo as íris azuis e a testa suada, pegajosa e gelada.

O conteúdo do vidrinho da poção foi tomado em um único gole e logo caiu sob seus pés, o barulho ecoando pelo quarto escuro. Ele não sabia exatamente o que estava bebendo, mas obedecia mecanicamente.

A mão gelada e trêmula apalpou o colchão ao lado até encontrar os dedos de Barbara, segurando-os com firmeza, a procura de conforto. Seu corpo, mesmo dolorido, estava agradecido com aquele contato, como se todos aqueles dias longe de Robinson, em negação, também estivessem machucando de alguma forma.

Durante alguns segundos, Lucius apenas sentiu o contato quente da pele dela em sua mão, acalmando as batidas do seu coração. A respiração também se tornou mais controlada, mas ele não teve coragem de responder.

Os dentes trincaram, se preparando para o pior, e a cabeça loira se mexeu afirmativamente, esperando que Barbara continuasse. Seu rosto inteiro estava lavado em suor, de modo que era impossível dizer se Lucius também havia chorado. Os lábios estavam apertados em uma linha fina e sem cor alguma, deixando sua aparência pálida ainda mais fantasmagórica.

Quando um novo caco foi retirado, Lucius sentiu a vontade de gritar novamente, mas tentou abafar a dor, as bochechas estufando com o ar contido antes de soltar a respiração ruidosa. A dor do pé já estava completamente esquecida.

A camisa branca suja de sangue foi recuperada em seus dedos e Malfoy a torceu, apertando o tecido em seus dedos, depositando ali a energia que surgia toda vez que queria gritar.

- Acabe logo com isso, por favor. Por favor, Barb.

Os olhos estavam fechados e a voz suplicante não lembrava em nada o arrogante homem de sempre. Não era uma ordem, era apenas o pedido doloroso de quem estava mergulhado em dor.

O último caco de suas costas foi recolhido e Lucius sentia a pele quente, banhada pelo sangue, mas estava aliviado. Com a respiração fraca, ele tombou a cabeça doída para trás até apoiar no ombro de Robinson, fraco demais para dizer qualquer coisa.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Sex Jan 01, 2016 4:18 pm

No fim das contas, o pequeno tropeço de Olivia durante a cerimônia se tornou apenas um detalhe dispensável nos comentários dos convidados diante da espetacular festa oferecida pelos noivos. O espumante que circulava livremente pelo salão logo fez com que até as línguas mais maldosas se esquecessem momentaneamente daquele pequeno incidente.

Os noivos se comportaram de maneira exemplar durante a festa, posando sorridentes para fotos, aceitando os cumprimentos dos convidados e iniciando as danças na pista montada em frente à orquestra. Ninguém diria que, minutos depois de trocarem as alianças, o casal havia tido uma briga acalorada.

Conforme previamente combinado, logo após a festa os noivos partiram para uma viagem de lua-de-mel para a Noruega. Definitivamente não era a viagem dos sonhos de Rodolphus, mas ele deixou que Olivia escolhesse o destino e todos os outros detalhes do casamento com a ajuda de Ruth.

Por sorte, a viagem foi breve. Assim como a ruiva, Rodolphus permaneceu em silêncio e sequer olhava na direção dela. O rapaz não havia explodido novamente, mas sua expressão deixava claro que Lestrange ainda estava irritado e que não era uma boa ideia provocá-lo naquele momento.

Quando finalmente chegaram à mansão dos Russel, já estava amanhecendo. Rodolphus estava exausto pelas emoções das últimas horas, mas nem por isso deixou de admirar a bela casa que pertencia à Olivia. E agora, graças ao casamento, pertencia a ele também.

Os olhos escuros fitavam os detalhes da decoração, estranhando as cores claras e os cômodos iluminados, quando a voz de Olivia finalmente soou. A cabeça de Rodolphus se voltou lentamente na direção da ruiva, mas os passos anunciando a chegada do elfo interromperam a resposta do rapaz.

Embora não tivesse comido nada além de uma garfada do bolo de casamento nas últimas horas, Rodolphus não sentia fome. Seu apetite fora mortalmente atingido desde o constrangimento diante do juiz, mas Lestrange sabia que era importante manter as aparências mesmo diante de um elfo doméstico. Certamente a criatura reportaria as novidades para Meredith e daria início a uma fofoca se os Lestrange não se comportassem conforme o esperado para um casal recém-casado.

- Nós vamos tomar o café da manhã.

O plural foi reforçado na entonação de Rodolphus, deixando claro que aquela era uma ordem que Olivia deveria seguir.

- Já está tudo pronto?

- Sim, senhor. – o elfo fez uma profunda reverência antes de correr na direção das escadas – Poll levará os senhores até a varanda!

Enquanto seguia os passos do elfo, Rodolphus manteve um silêncio pesado. Seus olhos continuaram observando o interior da casa com interesse enquanto passavam por um extenso corredor de quartos. O cômodo principal ficava no fim do corredor e, quando a porta foi aberta pelo elfo, Lestrange se sentiu novamente constrangido.

A cama de casal estava impecavelmente arrumada para recebê-los. Os lençóis brancos entravam em contraste com as pétalas vermelhas espalhadas sobre a superfície do colchão. Rosas vermelhas também decoravam os móveis, organizadas em arranjos de prata. A porta de vidro que dava para a varanda estava aberta, e do quarto era possível ver a farta mesa de café da manhã preparada pelo elfo doméstico.

- Os senhores precisam que Poll faça mais alguma coisa?

- Não. – a voz de Rodolphus soou fria enquanto ele caminhava pelo quarto, observando os detalhes da decoração – Saia.

- Sim, senhor.

Poll arregalou os olhos diante de tanta frieza e encarou Olivia por um breve instante antes de estalar os dedos e desaparecer, obedecendo as ordens do novo patrão.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Danika Lehmann em Sex Jan 01, 2016 4:41 pm

- Pronto...

A voz suave da garota anunciou quando o último caco de vidro foi retirado da pele do rapaz. Barbara se sentia exausta, como se ela também tivesse sido torturada nos últimos minutos. As costas de Malfoy estavam retalhadas pelos ferimentos, mas ao menos ele estava totalmente livre dos cacos de vidro agora. Sem dúvida, aquela era a parte mais difícil, demorada e dolorosa de todo o processo.

Quando o bruxo tombou a cabeça para trás, Robinson acolheu o corpo dele num abraço protetor. Pela primeira vez, não parecia haver um abismo entre eles. Eram apenas uma moça e um rapaz unidos em um momento de dificuldade.

- Acabou, o pior já passou.

O consolo de Barbara soou numa entonação doce e ela não resistiu à tentação de levar uma das mãos aos cabelos de Lucius. Enquanto o acariciava delicadamente, a balconista da Von Hants Potions distribuiu alguns beijinhos no pescoço e no rosto pálido do rapaz.

Os dois permaneceram unidos naquele abraço cúmplice por alguns minutos antes que Robinson deslizasse cuidadosamente para fora da cama. A consciência de Lucius vacilava, mas ele ainda teve forças para lançar um olhar aflito a ela. Contrariando os temores de Malfoy, a garota não o deixou sozinho. Barbara se afastou apenas para buscar mais um frasco de poção no estoque da mãe, desta vez uma poção curativa.

- Tome. E depois disso, tente descansar. Eu não vou a lugar algum enquanto você dorme, Lucius.

Com a ajuda da garota, Malfoy tomou todo o conteúdo do frasco. A poção curativa demorou poucos segundos até começar a fazer efeito. Lucius sentiria apenas um formigamento enquanto os ferimentos se fechavam. Os ossos de seu pé sendo realinhados provocavam uma pequena sensação de dor, mas nada comparado à tortura dos cacos de vidro sendo retirados de seus músculos.

Barbara já esperava por aquilo quando a mente de Lucius finalmente mergulhou na inconsciência, aliviada pela dor que finalmente chegava ao fim.

As mãos da garota ajeitaram o travesseiro para ele e acariciaram o rosto pálido do comensal adormecido. Mais uma vez, Barbara se deixou levar pela tentação e inclinou-se, cobrindo os lábios sem cor do rapaz com um beijo. Enquanto Lucius dormia, Robinson usou a toalha para secar o suor e para limpar o sangue acumulado no corpo dele.

Mesmo sem ter feito nenhuma pergunta, Barbara no fundo sabia que havia acabado de salvar a vida de um Comensal da Morte. A garota preferia não pensar que Lucius jamais faria o mesmo por ela. Pelo contrário, Robinson fazia parte das pessoas que o grupo liderado por Voldemort caçava como se fossem ratos a serem exterminados.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Sex Jan 01, 2016 5:58 pm

Olivia não sentia a menor fome e muito menos desejava continuar na presença de Rodolphus. A noite havia sido longa demais e a única coisa que a ruiva precisava era estar sozinha em seu quarto, longe da imagem do marido frio e autoritário que ele vinha se mostrando.

Com medo de que Lestrange fizesse uma nova cena, ela o acompanhou obediente e sem dizer uma única palavra. Diferente dele, os olhos claros já conheciam cada centímetro da mansão e passaram sem dar atenção pelo corredor, até que chegassem no quarto principal.

A jovem órfã imediatamente reconheceu o cômodo, mesmo com os móveis novos e a decoração diferente do que era usado por Octavia. O que mais a incomodou não foram as pétalas de rosas em uma tentativa tola de criar algum romantismo entre os recém-casados. Era desconfortável estar no quarto antigo da falecida mãe e que agora seria habitado pelo novo marido.

Meredith provavelmente havia ordenado aos elfos que preparassem o quaro principal para os novos donos da mansão, sem desconfiar que Olivia não tinha a menor intenção de se deitar ao lado de Rodolphus.

Sem perceber, a Sra. Lesrtange perdeu tempo demais observando cada canto. A penteadeira que um dia fora usada pela mãe havia sumido, dando lugar a uma grande cômoda. As malas dos dois estavam empilhadas, próximas da lareira apagada. Um confortável sofá branco ocupava um dos cantos do quarto e duas portas laterais davam acesso ao banheiro privativo e ao closet.

Apenas quando ela teve consciência que Rodolphus já havia se afastado, Olivia seguiu seus passos até a varanda. Exatamente como previra, Poll havia preparado uma farta mesa, exibindo frutas da estação, jarras de diferentes sucos, uma enorme coleção de chás, leites, iogurtes, pães e tortinhas. Daria facilmente para servir com fatura mais de dez pessoas.

A vista do quarto principal chamava mais atenção ainda do que o café da manhã servido aos dois. Era possível admirar as diversas montanhas que os cercavam, o verde brilhante do gramado que cobria os terrenos dos Russel, o lago que refletia as cores das montanhas, adquirindo um lindo tom esverdeado.

Era um perfeito paraíso, se não fosse a companhia do novo marido. Antes de se sentar em seu lugar, Olivia apoiou as mãos sobre a mureta, deixando que seus olhos encarassem o horizonte. Estar de volta em casa lhe trazia uma pontada de esperança que talvez aquele pesadelo pudesse ter alguma solução.

O vento balançou os fios vermelhos soltos, livres do penteado usado durante a cerimônia. Olivia havia se livrado do traje de noiva e vestia um vestido cinza chumbo, ainda sem coragem de assumir as cores claras outra vez.

A peça ia até a metade de suas coxas, em um tecido macio, leve e que oscilava ao menor movimento da ruiva. A cintura estava marcada por um cinto negro, e as alças eram largas e cobriam quase todo o seu ombro. Diferente do que estava acostumada a usar, naquele dia Olivia também exibia um belo decote, expondo o início da curva de seus seios. Mesmo com a cor escura do luto, ela estava elegante em saltos altos e um colar prateado em seu pescoço.

Cruzando os braços, Olivia sentiu a aliança roçar junto com o anel de rubi na mão esquerda. Ela imediatamente desfez o contato, evitando olhar para as joias em seus dedos e ocupou a cadeira livre.

- Eu agradeceria se não fosse tão rude com o Poll.

Os olhos cor de mel evitaram a todo custo encarar Rodolphus enquanto ela puxava uma taça com morangos para perto. Talvez fosse o quarto de Octavia que a fizera lembrar da promessa de não abaixar a cabeça e despertara o mínimo de coragem de responder ao marido.

- Ele é um elfo, mas não está acostumado a grosserias. Um por favor e muito obrigado não mostram fraqueza, apenas que você tem educação.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Sex Jan 01, 2016 6:04 pm

Rodolphus só perdeu alguns poucos segundos admirando a bela vista da varanda antes de se sentar diante da farta mesa preparada pelo elfo doméstico. Seu apetite era nulo e tudo o que Lestrange queria era descansar o corpo dolorido depois das últimas horas andando de um lado para o outro na festa.

Também seria um alívio se afastar de Olivia e mergulhar na própria privacidade. Mas os dois tinham uma imagem a zelar e era esperado que passassem algum tempo juntos no quarto naquelas primeiras horas como marido e mulher.

Não havia o menor clima para que o casamento fosse consumado. Rodolphus estava convencido de que nunca se apaixonaria pela esposa, mas naquela manhã ele não conseguiria sequer se concentrar na beleza externa de Olivia. Além de exausto, Lestrange continuava irritado com ela. E era óbvio que a ruiva também não fazia a menor questão de aprofundar os laços matrimoniais depois das últimas “emoções”.

- Não me lembro de nenhuma cláusula no contrato que me obrigue a ser gentil com um elfo doméstico. Até onde eu sei, essas criaturas existem com o único intuito de nos servir. Se não concorda com isso, não deveria manter um deles aprisionado sob o seu teto.

As palavras ásperas soaram numa entonação contida enquanto Rodolphus servia seu copo com um pouco de suco.

- Mas eu talvez tenha que reler todo o documento. – a entonação de Lestrange estava carregada de ironia – Assim como você, eu posso ter me esquecido de algum detalhe importante.

Se antes Rodolphus se mostrava gentil e até preocupado com os sentimentos da noiva, como marido o rapaz assumira um comportamento extremamente hostil. Olivia havia ferido seriamente a dignidade de Lestrange com aquela falha diante do juiz e o orgulho do rapaz precisava de mais tempo para se recuperar.

O suco gelado desceu pela garganta de Rodolphus, aliviando um pouco o desconforto de sua boca seca. Seus olhos ainda tinham aquele brilho gelado quando Lestrange os pousou na jovem esposa.

Olivia continuava linda, embora o marido preferisse vê-la em roupas menos escuras. Mas a beleza da ruiva naquela manhã era abafada pela imensa mágoa que Rodolphus sentia. Ele não perdoaria tão facilmente a vergonha que Olivia o fizera passar na frente de toda a alta sociedade bruxa.

- Se aquilo te preocupa... – com um gesto, Rodolphus indicou a cama de casal preparada para os dois – Fique tranquila. Eu não tenho a menor intenção de tocar em você. Qualquer outra ideia do universo me parece melhor do que esta.

Se por um lado aquilo era um alívio, também poderia ser encarado como uma ofensa. Era um ultraje ouvir um marido dizer que ele não tinha nenhuma vontade de tocar a esposa nas primeiras horas após o casamento.

- Basta que todos pensem que cumprimos nossos deveres matrimoniais. Aliás, esta é a principal regra deste casamento, han? Devemos nos esforçar exclusivamente para que os outros pensem que somos um casal perfeito.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Severus Snape em Sex Jan 01, 2016 6:15 pm

O sol ainda não havia despontado nos céus do lado de fora quando as pálpebras pesadas de Lucius tremeram antes de revelar os olhos azuis, mas o corpo relaxado indicava que ele havia dormido por horas, um sono revigorando todas suas energias.

Mesmo na penumbra do quarto, Malfoy logo percebeu que não estava em sua própria cama. O colchão era gasto e mole demais, afundando sob algumas partes de seu corpo, diferente do que ele estava acostumado todas as noites. A mão caída pelo lado da cama também mostrava que ela era muito menor do que a espaçosa que ocupava o centro do seu quarto na mansão.

Os olhos claros piscaram várias vezes para tentar se acostumar com a escuridão enquanto a mente confusa tentava reorganizar os pensamentos sobre os últimos acontecimentos. Logo a consciência do acidente no Departamento de Mistérios surgiu em sua mente e, ao mesmo tempo, o perfume conhecido de Barbara invadiu seus sentidos, trazendo a imagem da balconista cuidando de seus ferimentos.

Lucius sentia o corpo pesado, como se tivesse corrido uma maratona, mas não havia mais sinal de sono ou de dor nas feridas cicatrizadas. Seu pé estava dormente, mas ele se sentia mais seguro de tocá-lo no chão. Também não sentia mais o sangue pegajoso nos cabelos loiros de sua nuca, os lábios haviam recuperado um pouco da cor e o peito descoberto mostrava apenas pequenos cortes enquanto a poção terminava seu processamento de cura.

Sentindo a cabeça pesada, ele se sentou na cama, deslizando os dedos pelos cabelos claros. Lucius espremeu os olhos quando sentiu uma pontada de dor, que foi diminuindo gradativamente até desaparecer. Ele soltou um suspiro ao erguer as pálpebras mais uma vez, enxergando melhor as sombras do quarto.

Agora, mesmo na escuridão, era possível notar a simplicidade do local. A cortina era rala e quase não bloqueava a luz do luar, o que provavelmente seria um incômodo quando o sol surgisse.

Havia outra cama no cômodo, encostada na parede oposta, mas ainda estava arrumada, com a sombra de um corpo repousado sobre a colcha.

Com a mão trêmula, Malfoy alcançou uma moringa posicionada na mesinha ao lado e deu um generoso gole na água fresca em seu interior, sentindo o líquido aliviar a ardência de sua garganta, provocada pela poção cicatrizante. Apenas quando a água estava quase acabando, ele se arrastou para fora da cama, tocando o chão com o pé ferido cuidadosamente.

Ainda era possível sentir um pequeno latejar, o que provavelmente o impediria de longas caminhadas por alguns dias, mas era perfeitamente controlado para os poucos passos necessários até a cama ao lado.

Ele sentiu o colchão afundar quando se sentou ao lado de Barbara, encarando os contornos do rosto delicado iluminado pela luz do luar. A iluminação prateada a deixava ainda mais bonita, mergulhada em um sono sereno.

O coração do bruxo vacilou uma batida e um mínimo sorriso despontou no canto dos seus lábios diante daquela imagem. A forma com que a balconista o socorreu, cuidou de cada ferimento mesmo sem um pingo de magia invadiu sua mente, aquecendo seu peito.

Ninguém jamais havia cuidado dele daquela forma. Mesmo quando Malfoy era apenas uma criança e ficava doente, os cuidados eram realizados pelos curandeiros ou elfos, e a Sra. Malfoy se limitava a passar pelo quarto para perguntar se havia alguma melhora.

Ele também não conseguia imaginar Cissy tendo o menor cuidado com sua saúde. Saber que Barbara havia enfrentado o temido beco no meio da madrugada para socorrê-lo o encheu de felicidade, afastando qualquer luta que pudesse existir contra os sentimentos que vinham assombrando nos últimos dias.

Sua mão pálida e gelada foi erguida até tocar alguns fios castanhos que caíam sobre o rosto dela, deslizando-os para trás. Os cabelos escuros contrastavam contra o travesseiro claro, espalhados de forma perfeita, como se tivessem sido colocados estrategicamente naquela posição.

Barbara provavelmente estaria exausta após o sono interrompido no meio da noite, mas Lucius não teve medo de acordá-la quando se inclinou para frente e capturou os lábios curvados em um biquinho, beijando-a suavemente. Foi um toque breve e respeitoso, mas ele não afastou o rosto quando o contato foi quebrado. Seu nariz roçou carinhosamente pela bochecha de Robinson e o sorriso se alargou ao vê-la se contorcer.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Sex Jan 01, 2016 6:36 pm

Olivia havia dado a primeira mordida em seu morango quando as palavras de Rodolphus ecoaram em seus ouvidos, fazendo seu estômago se contorcer e recusar qualquer tipo de comida. O maxilar se mexeu lentamente enquanto ela tentava comer aquele único pedaço já em sua boca, sem coragem de tentar uma segunda mordida.

Alguns segundos se arrastaram enquanto Olivia precisou de um tempo além do normal para engolir o pedaço da fruta, os olhos cor de mel presos em qualquer ponto da mesa que não fosse o marido. Quando finalmente conseguiu engolir, ela puxou o guardanapo de pano e limpou o canto dos lábios, dando por encerrada sua refeição praticamente intacta.

- Você não tocaria em mim nem se quisesse, Rodolphus.

O guardanapo foi depositado ao lado da taça de morangos e ela finalmente encarou o marido com seriedade. A volta a Noruega finalmente lhe dando a força que precisava para não abaixar a cabeça. Por um lado, a Sra. Lestrange ainda temia que o marido fosse surtar a qualquer momento. As mãos estavam pousadas em seu colo, esperando qualquer ataque de fúria caso ele resolvesse virar a mesa novamente.

- Imagino que não seja necessária nenhuma cláusula no contrato para lhe dizer que não deve tocar em uma mulher contra sua vontade, não é? Não duvido que você seja um monstro, mas isso seria baixo demais, até mesmo para você.

Seus olhos oscilavam entre a frieza e o medo. Era abuso demais enfrentar Rodolphus daquela forma. Com exceção do elfo, não havia ninguém que pudesse socorrê-la caso ele decidisse responder aquela afronta com as próprias mãos. Mas Olivia havia prometido a si mesma que não seria fraca como Octavia.

- Você não precisa se preocupar, ao que possa interessar a qualquer um, eu sou a esposa mais feliz e apaixonada que existe. Ninguém irá desconfiar que a última coisa eu quero no mundo é me deitar na cama ao seu lado.

O menor dos movimentos de Lestrange fazia Olivia recuar, certa de que ele explodiria diante de suas palavras. Estava indo longe demais com o orgulho dele, mas aquele ponto o marido e Dimirti eram idênticos. Ambos não admitiam ser humilhados por uma mulher, o que tornava a sua melhor arma.

- Por falar em cama, eu realmente gostaria de me deitar. Posso?

Com um olhar irônico, ela ergueu as sobrancelhas e inclinou a cabeça para indicar a saída do quarto, mais uma vez brincando com a situação como se ele tivesse no controle e precisasse lhe conceder qualquer permissão, inclusive para algo tão simples como deixar a mesa do café da manhã.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Danika Lehmann em Sex Jan 01, 2016 6:39 pm

Mesmo depois que Lucius adormeceu, Barbara continuou acordada por várias horas. Foi a garota que limpou cuidadosamente todo o sangue que manchava o corpo do comensal e que livrou o rosto pálido dele daquela mistura de suor, sangue e lágrimas. A poção curativa finalizava o seu trabalho quando Robinson finalmente se convenceu de que não podia fazer mais nada além de esperar.

Quando se arrastou para a cama da mãe, a garota pretendia apenas descansar os músculos doloridos. Só agora que a adrenalina sumia de suas veias, Barbara sentia as consequências de ter praticamente carregado um homem do tamanho de Lucius até a sua casa. Suas articulações estavam doloridas e os músculos latejavam como se ela tivesse voltado de um dia extremamente puxado no trabalho.

Por alguns minutos, Robinson lutou bravamente contra o sono. Mas logo suas pálpebras venceram aquela batalha e a morena mergulhou num sono profundo, do qual não acordou nem quando o colchão afundou alguns centímetros ao seu lado.

O toque de Malfoy em seus cabelos fez com que Barbara se remexesse suavemente na cama, mas foi o contato com os lábios dele que trouxe a garota de volta dos seus olhos. As pálpebras dela tremeram e seu rosto se contorceu antes que Robinson finalmente despertasse.

A surpresa de ver os olhos azuis tão próximos fez com que Barbara saltasse, colocando-se sentada na cama num pulo. Por um momento insano, ela imaginou que toda a última noite fora somente mais um de seus sonhos loucos com Lucius Malfoy, mas a presença dele mostrava que, daquela vez, era realidade.

Como se quisesse ter certeza de que estava mesmo acordada, Barbara levou as mãos na direção do rapaz e apalpou os braços dele, sentindo os músculos firmes e sólidos demais para serem parte de um sonho. Mesmo na escuridão do quarto, a garota notou os resquícios dos últimos ferimentos mais profundos que terminavam de cicatrizar.

- O que está fazendo fora da cama?

A voz da menina carregava consigo uma deliciosa mistura de preocupação e irritação. Ela havia se arriscado demais e trabalhado duro na última madrugada para que Malfoy colocasse tudo a perder saindo da cama antes de estar totalmente curado.

- A poção ainda não terminou de fazer efeito. E você continua pálido como um fantasma! – a irritação fazia Barbara perder a noção das palavras e tagarelar – Você tem noção do tamanho do problema que eu teria se você morresse no meu quarto? Como eu tiraria o seu corpo daqui? Como eu explicaria isso para as autoridades se alguém descobrisse? Pessoas como eu não tem direito a defesa, sabia? Eles me mandariam para aquela prisão horrível antes que eu tivesse a chance de abrir a boca para me explicar!

Barbara sacudiu as mãos como se espantasse um mosquito chato antes de se arrastar para fora da cama e mudar subitamente a direção da conversa.

- Volte para a minha cama, Lucius. – a garota apontou o outro lado do quarto – Eu vou preparar alguma coisa para você comer, você está realmente muito abatido. Depois eu tenho que ir para o trabalho, mas pode ficar pelo tempo que quiser. Aliás, eu acho que você deveria passar o dia descansando hoje. Você perdeu sangue demais.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Sex Jan 01, 2016 7:07 pm

Depois do constrangimento causado na cerimônia, Rodolphus não esperava mais nada da esposa. Talvez por isso, sua irritação não se agravou com as palavras nada gentis de Olivia. É claro que nenhum homem gostaria de ouvir aquelas declarações de uma esposa, mas Lestrange não pretendia reclamar. Ele não queria consumar o casamento e a concordância da ruiva abria uma importante brecha no contrato selado pelos dois antes da troca de alianças.

Aliás, Rodolphus já esperava que a conversa caminhasse naquela direção quando iniciou o assunto sobre a consumação do casamento. O breve sorriso que surgiu nos lábios do rapaz denunciava a sua satisfação com o posicionamento da esposa.

- Fique à vontade, querida.

O tratamento carinhoso soou irônico o bastante para que a palavra perdesse completamente a conotação de gentileza.

Enquanto Olivia se levantava para deixar a mesa, Lestrange tomou mais um gole do suco e manteve o olhar fixo na bela paisagem da varanda.

Os passos da ruiva se afastaram, mas a voz de Rodolphus soou antes que a esposa pudesse alcançar a porta e se libertar daquela tortura.

- Imagino que você lerá novamente o nosso contrato. Quando estiver fazendo isso, sugiro que dedique um pouco mais de atenção à terceira cláusula, segundo parágrafo.

Lentamente, Rodolphus voltou a cabeça para o interior do quarto e encarou a esposa parada em frente à porta. Como a expressão confusa de Olivia mostrava que a ruiva não dominava o conteúdo do contrato tão bem quanto ele, Lestrange se viu obrigado a explicar mais detalhadamente a que se referia.

- “As duas partes acordam o pacto de fidelidade ao compromisso firmado no matrimônio, sendo que qualquer relacionamento extraconjugal poderá levar à anulação do casamento, devendo ser recompensada a vítima da infidelidade com o conteúdo completo de toda a herança conjunta adquirida por este contrato matrimonial”.

Aquela era uma cláusula exigida por Olivia, numa tentativa de se resguardar. Tal acordo impediria que Rodolphus colecionasse amantes fora de casa como Dimitri fizera. Mas uma pequena emenda fora acrescentada a pedido do rapaz, e era a ela que Rodolphus se referia naquela manhã.

Com um sorrisinho vitorioso, o rapaz terminou de proclamar a cláusula que havia decorado tão bem.

- “Tal determinação só perderá a obrigatoriedade de cumprimento caso uma das partes não cumpra com os deveres matrimoniais citados nos parágrafos 2-3-4 da primeira cláusula deste presente contrato”.

Uma das sobrancelhas de Rodolphus se ergueu e ele se recostou confortavelmente na cadeira antes de explicar calmamente.

- Eu disse claramente que não pretendia te tocar “neste momento”. Portanto, a partir das próximas horas, se você se recusar a consumar este casamento, “você” estará faltando aos compromissos matrimoniais citados na primeira cláusula do nosso contrato.

A voz de Lestrange estava ainda mais carregada de ironia quando ele completou.

- Eu jamais tocaria em mulher alguma contra a sua vontade. Mas a sua negação me liberta do cumprimento da nossa terceira cláusula, segundo parágrafo. – Rodolphus deu de ombros e alargou o sorriso – Leia com atenção, han? Fizemos um excelente contrato, querida.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Severus Snape em Sex Jan 01, 2016 7:09 pm

Apenas algumas horas haviam passado desde que Lucius havia sido socorrido por Barbara, mas ele tinha a sensação que toda uma vida separava o momento que fora atingido no Ministério da Magia até ali.

As cenas ainda estavam embaçadas e confusas em sua mente, mas todo o restante do mundo havia desaparecido. Não havia missão alguma, guerra, Voldemort, Cissy, sangue puro ou aborto. Lucius só tinha a certeza de que estava vivo e graças a Robinson.

Quando a menina recuou ao seu toque, assustada, Malfoy sentiu o peito comprimir. Já havia feito diversas ameaças à balconista da Von Hants Potions, mas pela primeira vez, ele se odiou ao vê-la assustada. Em nenhum momento pensou em afastar as mãos dela quando Barbara o apalpou, finalmente tendo a consciência de que ele não faria nada.

Lucius ainda estava com o raciocínio lento e se sentiu ainda mais tonto diante da metralhadora de frases soltas que Barbara soltou, mas foi capaz de sentir um arrepio na nuca ao escutar sobre Azkaban. Ele certamente estaria na prisão, rodeado de dementadores, se tivesse demorado mais alguns segundos para desaparecer do Departamento de Mistérios.

Aquele pensamento tornou sua gratidão pelos cuidados de Barbara ainda maior. Era a primeira vez que Malfoy se sentia daquela forma. Normalmente as pessoas faziam alguma coisa para ele porque eram obrigadas ou por terem algum interesse.

Mesmo sabendo que a jovem não dispensaria uma porção de moedas de ouro, Lucius tinha certeza de que ela o socorrera naquela noite sem pensar na recompensa. Era fácil exigir seu pagamento agora que o trabalho estava feito, mas Robinson ainda se mostrava preocupada com seu estado de saúde, o que fez com que seus lábios exibissem um sorriso sincero e leve, fazendo os olhos azuis brilharem na escuridão.

- Você tem uma incrível capacidade de falar mesmo tendo acabado de acordar, sabia? – A voz divertida não combinava com o frio Comensal que visitava a loja de poções e humilhava a atendente. – E eu não estou acostumado a receber ordens. Mas posso abrir uma exceção...

Enquanto falava, Lucius também levantou da cama, vacilante. Ele se desequilibrou por um segundo quando sentiu o pé dormente, mas logo recuperou a postura reta, enfatizando ainda mais a diferença de altura entre eles.

Mesmo com a fraca luz prateada, era possível ver cada contorno do peito definido do bruxo. Os cabelos loiros estavam bagunçados e desalinhados, mas por algum motivo, apenas contribuíam para sua beleza. A calça negra estava sem cinto e pendia nos quadris, exibindo duas covinhas laterais. A barriga, já sem marca alguma dos ferimentos, era perfeita e mostrava os bons resultados dos tempos de Quadribol em Hogwarts.

Lucius Malfoy era um bruxo extremamente elegante quando estava vestindo suas roupas caras, mas era ainda mais atraente sob a luz do luar, sem camisa e com um sorriso leve brincando nos lábios.

- Posso voltar para a cama, mas você vem comigo.

Era evidente que o bruxo estava debilitado demais para que tivesse qualquer segunda intenção em suas palavras, mas Lucius sentia a aflição se espalhar pelo seu corpo ao imaginar Barbara se afastando, como se eles não pudessem recuperar aquele contato caso ela deixasse o quarto.

- É simples, Barb. – Ele ergueu a mão e tocou os cabelos castanhos mais uma vez, deslizando o polegar pela bochecha macia. – Eu volto para a cama e descanso. Mas você volta comigo. Não quero você longe.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Danika Lehmann em Sex Jan 01, 2016 7:36 pm

Tal como acontecera na cabana, Barbara esperava por uma onda de ofensas e ironias no instante em que Lucius Malfoy recuperasse o controle das próprias ações. Contudo, naquela madrugada, o bruxo a surpreendeu com aquele comportamento dócil.

Uma das sobrancelhas finas da balconista se ergueu e ela novamente tocou o bruxo. Desta vez, a garota se colocou na ponta dos pés e pousou as costas da mão no rosto de Lucius. Contrariando as suas suspeitas, o rapaz não parecia estar delirando de febre. Não parecia haver mais nada que justificasse a maneira carinhosa com a qual ele a tratava naquele momento.

As bochechas de Robinson coraram quando ela finalmente se deu conta de que Malfoy agia assim por vontade própria. Um sorriso tímido surgiu nos lábios da garota e os olhos verdes giraram numa tentativa de tornar o momento menos constrangedor.

- Você bateu a cabeça com força, não foi? Lamento, mas não tenho no meu estoque nenhuma poção que conserte isso.

Depois de lançar um sorriso cúmplice ao rapaz, Barbara entrelaçou os dedos aos dele e o puxou na direção da outra cama. Com a mão livre, a garota ajeitou o travesseiro e fez sinal para que Malfoy se deitasse.

O tamanho reduzido do colchão obrigou Robinson a se acomodar por cima do rapaz quando Lucius a puxou consigo. Com cuidado para não agravar nenhum dos ferimentos dele, a balconista da Von Hants Potions passou uma das pernas pelo tronco de Malfoy e apoiou um joelho de cada lado da cintura do bruxo.

Por cima do rapaz, Barbara deixou que seus olhos admirassem com mais atenção a perfeição do tronco de Lucius. Nem mesmo a escuridão do quarto camuflou as bochechas coradas da garota quando ela deslizou os dedos carinhosamente pelo peitoral definido, com a desculpa de conferir se restara alguma cicatriz dos ferimentos que se curavam graças à ação da poção.

- Eu prefiro nem saber o que aconteceu. Mas que tal não repetir esta loucura nunca mais, Lucius? Não foi nada agradável te encontrar todo retalhado naquele beco, sabia?

Um nó se formou na garganta de Robinson e as íris esverdeadas se fixaram no rosto do Comensal da Morte.

- Você teria morrido se eu não recebesse o seu recado. – Barbara foi sincera naquela confissão – Ou se eu tivesse seguido os meus instintos que diziam que a sua mensagem era uma emboscada.

A real possibilidade de quase ter perdido Lucius naquela noite fez o peito de Barbara se comprimir como se uma mão invisível esmagasse seu coração. Malfoy era um desprezível bruxo de sangue puro que fazia um serviço altamente abominável a mando de Lord Voldemort. Mas Robinson desistiu de fingir para si mesma que seu coração não acelerava loucamente por ele.

- Nunca mais faça isso comigo, Lucius. Por favor.

As últimas palavras já foram murmuradas com os lábios de Barbara tocando os lábios dele. Desta vez, partiu da garota a iniciativa de iniciar um beijo mais longo e apaixonado. Aproveitando-se da posição, Robinson envolveu o pescoço de Malfoy num abraço e inclinou-se na direção dele, colando os corpos.
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Danika Lehmann

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Re: A Marca Negra

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