A Marca Negra

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Re: A Marca Negra

Mensagem por Danika Lehmann em Sab Dez 26, 2015 11:31 pm

A balconista da Von Hants Potions sentou-se no banco atrás do balcão enquanto esperava. A verdade é que Barbara não sabia pelo que esperava. Agora, com a cabeça mais fria, a morena enxergava o tamanho da tolice que fizera. É claro que Lucius Malfoy não tinha nenhuma razão para atender ao pedido e poderia se sentir insultado pela mensagem do pergaminho.

Mais uma vez, Robinson encolheu-se dentro do casaco enquanto espiava a rua por uma fresta da cortina. A escuridão já havia preenchido cada canto do Beco Diagonal e o silêncio era quebrado apenas pelos sons que ecoavam da Travessa do Tranco, que costumava ser mais agitada à noite do que durante o dia.

Quando uma figura encapuzada passou pela calçada em frente à fachada da loja, o coração de Barbara deu um salto e ela fechou a cortina rapidamente, sentindo o calor nada agradável provocado pela adrenalina que corria em suas veias.

Independente de qualquer coisa, aquele era um mundo perigoso para um aborto da natureza. Mas o risco se tornava ainda maior à noite, no ápice das atividades ilegais da Travessa do Tranco.

Os ponteiros do relógio não foram nada compreensivos com Robinson. A cada minuto, se tornava mais audaciosa a tarefa de simplesmente sair da loja e correr de volta para casa. Permanecer ali também não era uma boa opção, não quando os Comensais da Morte começaram a ter o hábito de invadir estabelecimentos no meio da madrugada.

Convencida de que Malfoy não apareceria – ou surgiria com péssimas intenções – Barbara apagou a única vela que iluminava o local, preparando-se para partir. Com sorte, ela não cruzaria com ninguém pelo caminho até o Caldeirão Furado. Robinson só precisava acelerar os passos e chegaria em casa em menos de quinze minutos de caminhada.

A balconista estava há dois passos da porta quando a mesma foi subitamente aberta. Mais uma vez, o coração de Barbara disparou e ela recuou vários passos no interior da loja imersa na penumbra. Aquela escuridão era necessária, visto que qualquer filete de luz poderia chamar a atenção e despertar a curiosidade de alguém que passasse pelas ruas vazias.

Antes mesmo que a voz arrastada de Lucius ecoasse no interior do estabelecimento, Robinson já havia reconhecido os cabelos claros iluminados pelo luar que adentrava a loja pela porta entreaberta. Malfoy havia aparecido, afinal. Mas isso estava longe de significar que Barbara estava a salvo. Pelo contrário, ele era uma das pessoas que alguém como ela deveria temer.

- Toda coragem carrega consigo uma generosa dose de tolice, Sr. Malfoy.

Por mais que a morena se esforçasse para parecer tranquila, sua voz soou frágil e um pouco trêmula. Era evidente que Barbara estava morrendo de medo de pisar na calçada da loja. Estava amedrontada o bastante para achar menos arriscado enviar aquela proposta a Lucius Malfoy. As manchetes do Profeta Diário estavam mais sangrentas a cada dia e a última coisa que a balconista queria era ser o nome estampado na capa do jornal no dia seguinte.

- Agora eu sei exatamente quem é o senhor.

A diferença nas alturas obrigou a garota a erguer os olhos esverdeados para encarar Malfoy. Apenas o rosto dela estava exposto pelo capuz de seu casaco surrado. Como de costume, Barbara usava roupas simples e de segunda mão. Suas botas não poderiam estar mais gastas e as luvas de lã já tinham sido remendadas em vários pontos. Apesar de tamanha simplicidade, Robinson não tinha uma aparência comum. Seus traços delicados permitiriam que a garota se passasse por uma bruxa de sangue puro, desde que devidamente vestida e bem cuidada.

- Exatamente por isso, eu sei que não peço muito. Eu apenas faço o meu serviço e apresento o meu preço, senhor. E eu sei que o meu preço é irrisório para um Malfoy. O que são algumas moedas ou uma aparatação para alguém com a sua fortuna ou a sua habilidade em magia?

Barbara sabia que estava se arriscando demais, mas não via outra maneira de se salvar. Inconscientemente, ela mordiscou o lábio inferior antes de acrescentar.

- Eu sei que não tenho muito a oferecer, mas já é a segunda vez que lhe forneço um produto de extrema necessidade, Sr. Malfoy. – a garota olhou ao redor, indicando a loja imersa na escuridão – Aqui, eu tenho livre acesso a muitos ingredientes e poções extremamente úteis e valiosas. Sem mencionar as informações que chegam até a mim de todo o Beco Diagonal e também da Travessa do Tranco... Eu poderia facilitar em muito a sua vida se mantivéssemos uma parceria, senhor.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Dom Dez 27, 2015 12:22 am

- O que foi aquilo, Rodolphus???

O punho de Gaspard socou a mesa, fazendo o ruído oco ecoar por todo o suntuoso escritório da mansão dos Lestrange.

Era a primeira vez na vida que o pai perdia o controle com o primogênito. Geralmente era Rabastan quem precisava ser arrastado para uma conversa particular e acalorada no escritório do pai, mas naquela noite Rodolphus ultrapassara todos os limites imagináveis do bom comportamento.

- Você enlouqueceu? O que você achou que estava fazendo quando tratou a herdeira dos Russel daquela maneira???

- Ela é insuportável, meu pai!

Rodolphus ergueu alguns pontos no tom de voz, sentindo-se irritado ao extremo. Normalmente, o primogênito dos Lestrange tinha um temperamento mais leve e divertido, às vezes até mesmo despreocupado. Mas o comportamento da futura esposa despertara os piores sentimentos do rapaz.

- Não faz o menor sentido insistir neste acordo. Já ficou bem claro que ela gostou de mim na mesma intensidade com que eu gostei dela. Este casamento está condenado ao fracasso.

- Gostar? – os olhos de Gaspard giraram – Quem aqui está preocupado com sentimentos, Rodolphus? Ela é adequada. Isso basta.

As palavras do Sr. Lestrange ecoaram no escritório e desceram de forma áspera pela garganta de Rodolphus. Por mais que soubesse que os casamentos arranjados dispensavam a existência de amor, o rapaz sempre preferiu pensar que nutriria algum afeto pela esposa que passaria o restante da vida ao seu lado, pela mulher que seus filhos chamariam de “mamãe”. E, definitivamente, Olivia Russel não despertara nada além de raiva no herdeiro dos Lestrange.

- Os Black...

O rapaz tentou argumentar, mas o braço de Gaspard novamente cortou o ar antes que seu punho acertasse a mesa de madeira maciça.

- Esta hipótese não está mais em discussão, Rodolphus! Bellatrix Black seria uma opção apenas se a herdeira dos Russel não tivesse a intenção de honrar o acordo. E ela deixou bem claro que não pretende quebrar o contrato. Nós também não quebraremos.

Os olhos escuros se estreitaram, mas Rodolphus não teve coragem de enfrentar o pai. Gaspard geralmente era um homem calmo, então suas raras crises nervosas costumavam ser temidas e respeitadas pela família. Quando o Sr. Lestrange finalizava um assunto com tamanha firmeza, era certo de que não voltaria atrás naquela decisão. Não havia nada que Rodolphus pudesse fazer a respeito.

- Você vai engolir este maldito orgulho que não nos levará a lugar algum, Rodolphus. – com a voz mais calma, Gaspard acendeu um charuto antes de completar – E vai escrever uma longa carta à Srta. Russel, pedindo desculpas pelo seu lamentável comportamento neste jantar. Credite a culpa a algum problema com os negócios, se preferir. Faça o que quiser, Rodolphus, mas conserte este erro imbecil. Você vai pedir a Srta. Russel em casamento no final deste mês. Está decidido.

Quando saiu do escritório do pai, Rodolphus bateu a porta com força. Apesar de tamanha irritação, o primogênito não desobedeceu à ordem clara de Gaspard. Trancado em seu quarto, o rapaz sentiu-se diante da escrivaninha, puxou um pergaminho e pegou uma pena.

A ponta da pena foi molhada no tinteiro, mas Rodolphus passou longos minutos olhando para o pergaminho em branco, sem saber por onde começar.

Olivia era inteligente demais para acreditar num arrependimento tão repentino do futuro marido. Era tolice tentar impressioná-la com palavras bonitas, com desculpas esfarrapadas ou com um sentimento que ambos sabiam não existir.

Quando a tinta negra finalmente manchou o pergaminho, foi para registrar uma mensagem curta e sincera.

“Srta. Russel,
É evidente que não começamos bem. Mas é ainda mais óbvio que não conseguiremos fugir deste penoso compromisso.
Portanto, sugiro que façamos o nosso próprio acordo de convivência. Se não teremos um casamento “habitual”, que ao menos tenhamos um convívio pacífico.
Quando pode me receber para tratarmos do nosso contrato particular?
Atenciosamente,
Rodolphus Lestrange.”


A coruja albina de Rodolphus levantou voo levando a mensagem até a mansão dos Russel. A ave se destacava no céu escuro, de forma que o rapaz conseguiu acompanhar o trajeto dela por um generoso tempo até que a coruja se tornasse apenas um pontinho branco na imensidão do céu estrelado.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Severus Snape em Dom Dez 27, 2015 1:24 am

Em um primeiro momento, Lucius estreitou os olhos ao encarar a balconista. Com um simples movimento da varinha, ele poderia varrer aquele indesejado incômodo para fora do seu caminho, tão simples como quem tira uma pedra de seu sapato.

Era muita petulância de Robinson querer chantageá-lo. De fato, o preço que ela pedia não passavam de migalhas para um Malfoy, mas a ideia de ter alguém no controle, que não fosse ele, era desagradável demais.

Quando a morena terminou de falar, a expressão do rapaz suavizou. Ele enfiou as mãos nos bolsos da calça negra, encarando o rosto exposto pelo capuz com a fraca iluminação do lugar. A luz azulada refletia na pele pálida de Barbara, lhe dando um ar misterioso.

Se alguém soubesse que ele estava tão próximo de um aborto, provavelmente viraria motivo de chacotas. Apesar da origem duvidosa da moça, ter uma aliança com olhos e ouvidos constantes na entrada da Travessa do Tranco não era tão descartável.

Mesmo entre os Comensais da Morte, Malfoy não sabia em quem poderia confiar. Ao menos o silêncio da jovem Robinson era comprável. E, além de tudo, ele já estava ali, tarde da noite, a sós com ela. O mínimo que poderia fazer era considerar aquela proposta inusitada.

Por longos segundos, o jovem não disse nada, sem se preocupar com o tempo que se passava em silêncio. As íris azuis passeavam de um olho verde ao outro, e já estavam tão próximos que ele podia sentir o hálito quente de Barbara batendo em suas bochechas.

Precisava admitir que, mesmo para uma pessoa sem magia, a coragem ou insanidade dela era admirável. Era notável pela voz trêmula que não estava tão confiante com sua presença, mas mantinha sua posição firme, sem hesitar.

Lentamente, Lucius retirou as mãos dos bolsos, revelando os dedos expostos sem luvas. Ao sair de casa, havia se agasalhado apenas com um longo casaco negro e o suor de antes já estava completamente seco, dando lugar ao frio. O ar que saía pelos seus lábios imediatamente formava uma pequena nuvem branca.

Cuidadosamente, ele levou as mãos até a borda do capuz de Barbara, puxando-o para trás até revelar por completo a cabeça dela, seus dedos roçando nos fios negros. Mesmo quando o rosto delicado estava completamente exposto, Malfoy não se afastou, mantendo as mãos firmes no tecido fino do casaco.

- Não ouse tentar nenhuma gracinha, Robinson. Com a mesma facilidade que lhe dou esmolas, eu poderia arrancar a sua cabeça fora.

Apesar das palavras ameaçadoras, Lucius falava baixo, a voz calma. Quando completou a frase, desliou os olhos até o pescoço pálido da jovem, permitindo que seus dedos roçassem a pele em uma linha imaginaria.

Ele pode sentir o frio da pele em contato com seus dedos, e um arrepio subiu pelo seu braço, o fazendo recolher. Aproveitando a exposição do rosto dela sem o capuz, Lucius admirou os traços bonitos, tão perfeitos quanto uma moça de família nobre e sangue puro.

Se não estivesse vestindo trapos, Barbara poderia se passar por uma jovem tão rica quanto Narcisa, sem qualquer indício da sua falta de magia.

- Mas eu não vou recusar a sua oferta. Tenho certeza que nós dois temos muito a ganhar com esta parceria.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Danika Lehmann em Dom Dez 27, 2015 1:50 am

Quando Lucius estendeu a mão na direção dela, institivamente Barbara encolheu os ombros já esperando por uma agressão. Era assim que bruxos como ele costumavam tratar abortos da natureza, afinal.

Por isso, a balconista não conseguiu disfarçar a surpresa quando os dedos de Malfoy tocaram apenas o capuz, puxando o tecido para trás. Os cabelos castanhos foram expostos, os fios parecendo mais escuros graças à baixa iluminação da loja. A ameaça dele ecoou pelo ambiente, mas a maneira como ele encarava Barbara não parecia nada intimidante.

O arrepio foi inevitável quando Lucius roçou os dedos na pele macia de Robinson. Num gesto completamente inconsciente, a garota repetiu o gesto de mordiscar o lábio inferior. Ela tentou convencer a si mesma de que aquela reação só se devia ao fato da mão do rapaz estar gelada. Mas no fundo, bem no fundo, Barbara sabia que não estava arrepiada apenas pelo frio.

Era uma loucura incomparável se deixar levar por aquele momento, mas a balconista da Von Hants Potions já havia ultrapassado vários limites naquela noite. Apenas por alguns minutos, ela se permitiria fantasiar um mundo no qual um rapaz como Malfoy tocaria nela sem sentir nojo ou desprezo.

- Sim. É uma parceria positiva para ambos os lados, Sr. Malfoy.

O olhar de Barbara permaneceu no rosto do rapaz por mais alguns segundos até que a morena contornou o corpo dele com passos rápidos. Suas mãos fecharam a porta que Lucius deixara entreaberta e a garota usou uma chave comum para trancar a entrada para a Von Hants Potions.

Novamente posicionada em frente ao bruxo, Robinson mais uma vez cobriu a cabeça com o capuz e cometeu mais uma ousadia naquela noite. Seus braços foram estendidos na direção de Lucius e a moça deslizou os dedos nos braços firmes do rapaz até apoiar as mãos com firmeza no cotovelo de Malfoy.

Os olhos verdes tinham um brilho enigmático quando fitaram as íris azuis do rapaz. A voz de Barbara soou num sussurro, como se estivesse prestes a contar um grande segredo. E realmente era um segredo. Por uma questão de segurança, nem mesmo Terry Von Hants sabia a localização da casa de Robinson. Era irônico que aquela informação sigilosa fosse fornecida logo a um Comensal da Morte.

- Pode me deixar naquele beco sem saída ao lado do Caldeirão Furado, do lado trouxa do bar. É relativamente perto da minha casa.

A garota apertou os dedos com mais firmeza ao redor dos braços de Lucius, já esperando pela “viagem” nada agradável de uma desaparatação.

- Eu te garanto que o local está deserto a esta hora, ninguém verá o senhor ao lado de alguém como eu.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Dom Dez 27, 2015 1:56 am

Os dias se arrastaram para Olivia após o jantar na Mansão Lestrange. Intimamente, a ruiva torcia para que Rodolphus conseguisse impor a vontade de que aquele casamento não fosse adiante. Era importante que ela não recuasse daquele compromisso, mas se sentiria imensamente aliviada se aquele pesadelo não fosse concretizado.

Quando ela recebeu a carta de Rodolphus, toda sua esperança se esvaiu. Não havia nada que a pudesse salvá-la daquele destino e ela era orgulhosa demais para dar as costas a um comprometimento de Dimitri, mesmo que no fundo, a maior interessada fosse ela mesma.

A tentação de desistir daquela loucura e continuar solteira, até que despertasse o interesse verdadeiro por alguém, era grande. Mas não podia fazer aquilo com a memória do falecido pai. Por mais que tivesse seus defeitos, o Sr. Russel havia feito muito pela filha que nem carregava o seu sangue. Aquilo era o mínimo que Olivia poderia fazer.

Foi com este pensamento que ela abriu as portas da própria casa para o primogênito dos Lestrange naquele final de tarde. Meredith estava entusiasmada com a visita do futuro marido de Olivia e preparou um banquete para o chá, bom bolos, biscoitos, bombons, sucos e diversos chás.

A mesa da sala de estar estava farta como se fosse receber ao menos dez convidados, mas no momento em que Rodolphus chegou, contrariando as expectativas da governanta, Olivia o guiou até o escritório decorado com alguns dos pertences de Dimitri, trazidos da Noruega.

A lareira estava acessa, o que havia sido pensado por Meredith. Apesar da neve que se acumulava nas janelas, Olivia usava os costumeiros sapatos de boneca, a meia calça negra e um vestido cinza-chumbo. Seus cabelos vermelhos haviam sido puxados para trás e estavam presos em um rabo de cavalo com uma fita de cetim preta.

O ambiente era sério demais para se discutir um casamento, mas a jovem Russel sabia que aquilo deveria ser tratado exatamente como um negócio qualquer. Não havia sentimentos entre ela e Rodolphus para que se preocupassem com detalhes românticos.

Ela indicou um dos lugares para o rapaz se sentar e deu a volta na grande mesa de madeira, sentando do outro lado. Era estranho assumir um lugar que normalmente era ocupado pelo homem da casa. Quando o casamento se concretizasse, provavelmente seria o lugar de Rodolphus. Mas como a única representante da família Russel, Olivia se sentou na grande cadeira.

- Olivia? – Meredith chamou, aparecendo na porta, antes que a dona da casa pudesse iniciar aquela conversa. – Devo trazer o chá para cá?

A ruiva soltou um suspiro, mas encarou a governanta com um semblante suave. Mesmo que estivesse incomodada por ter sido interrompida, ela era incapaz de destratar a mulher que a acompanhava por tantos anos.

- Está bem, Mer. Pode trazer.

Pela rapidez com que Meredith e um elfo serviram o chá de maneira improvisada no escritório, Russel não duvidava que as bandejas já estivessem flutuando no corredor. Ela esperou pacientemente que algumas xícaras e pratinhos com doces fossem colocados em um carrinho improvisado próximo de Rodolphus, para só então dispensar a presença dos dois, ficando a sós com o homem.

- Sinto muito pela interrupção. Meredith não gosta de desperdiçar comida, e como pode notar, ela exagerou no nosso lanche.

Olivia se inclinou para frente e derrubou um torrãozinho de açúcar em sua própria xícara antes de continuar.

- O senhor disse em sua carta que poderíamos fazer o nosso contrato particular. Concordo que este casamento não precisa ser uma tortura para nenhum de nós e peço desculpas se causei uma má impressão. – Ela fez uma pausa ao dar um gole na bebida, sentindo o sabor quente e adocicado. – Estou disposta a ouvir os seus termos, Rodolphus.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Severus Snape em Dom Dez 27, 2015 2:18 am

- Você quer dizer que ninguém me verá ao lado de um aborto.

Quando as palavras saíram pelos lábios de Lucius, a pequena nuvem branca se formou diante de seus olhos junto com sua respiração. Não havia motivos para eufemismo. Ela era, afinal de contas, um aborto da natureza. Uma criatura nojenta, tão fracassada que havia nascido em uma família bruxa sem carregar consigo um pingo de magia. Abortos conseguiam ser ainda piores do que os trouxas.

Apesar da certeza de que a balconista a sua frente era inferior de todas as formas possíveis, Malfoy não recuou ao toque dela. Por um segundo, sentiu seus músculos ficarem mais tensos com o contato, sem conseguir acreditar na proximidade que estava tendo com alguém tão impuro, mas se manteve firme e sem desviar o olhar das íris verdes.

- Para o seu próprio bem, é melhor que você esteja certa.

Sua mão livre tocou a cintura de Barbara e ele a puxou de encontro ao seu corpo. Tocar alguém como ela normalmente lhe causaria uma enorme repulsa. Aquela proximidade estava além de qualquer coisa que Malfoy fosse capaz de imaginar.

Ele podia sentir o cheiro que vinha dos cabelos escuros e a textura das roupas gastas em contato com seus dedos. O corpo inteiro da balconista estava pressionado o seu e a mão larga de Malfoy pressionava as costas dela, impedindo que a moça se mexesse.

O calor que vinha de Robinson impedia Lucius de sentir frio e ao invés de aparatar imediatamente, ele se deixou encarar os olhos verdes mais uma vez. Parecia ser surreal uma aliança com alguém tão desprezível, mas o preço que precisava pagar era simplório demais quando comparado aos benefícios que ela poderia lhe proporcionar.

- Sei que é pedir demais para alguém com a sua capacidade, mas tente não se mexer. Não pretendo perder um braço aparatando por sua causa.

A varinha foi puxada de suas vestes e, com a familiar sensação da aparatação, sentindo todo o seu corpo ser comprimido, os dois desapareceram da loja de poções do Beco Diagonal. Quando a imagem do bruxo e a balconista voltou a aparecer, estava completamente oculta pela escuridão do local.

A calçada estava coberta de uma neve suja e escorregadia, os poucos postes em volta estavam apagados, contribuindo para o breu. A sombra provocada pela marquise de uma loja fechada protegia os dois jovens até mesmo da luz do luar.

O frio da rua era ainda mais intenso do que na loja e Malfoy se encolheu, sem se afastar de Barbara. Mesmo que tivesse alguém por perto, seria impossível reconhecer os fios loiros do homem naquela negritude.

Quando ele ergueu a mão desprotegida, os dedos estavam gelados ao tocar o queixo de Barbara, obrigando a moça a encará-lo.

- É bom que você faça esta parceria valer a pena, Robinson. Tirar você do meu caminho seria fácil demais, quase tedioso. E eu não gosto de me arrepender das minhas escolhas.

Malfoy se afastou um passo e enfiou a mão no bolso. Quando voltou a expor seus dedos no vento frio, a palma da mão brilhou com algumas moedas.

- Por Salazar, compre um casaco decente. Você morrerá por hipotermia antes que o inverno acabe, se continuar usando este trapo, e definitivamente não terá me trago nada de útil.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Dom Dez 27, 2015 5:32 pm

A chegada de Rodolphus à mansão Russel já mostrou que o rapaz não lidava tão bem com o frio quanto Olivia. O herdeiro dos Lestrange usava seus costumeiros trajes elegantes – desta vez um tradicional conjunto de terno preto – e adicionara ao visual um pesado sobretudo cinza chumbo, que quase soterrou o pobre elfo que se ofereceu para guardar o casaco do futuro patrão.

Ao se deparar com a lareira do escritório acesa, Rodolphus agradeceu mentalmente aos céus e sentou-se bem próximo ao calor das chamas. Ele estava impressionado com a resistência que Olivia parecia ter às baixas temperaturas.

Em nenhum momento, Rodolphus se sentiu incomodado ao ver a ruiva ocupando o lugar de destaque naquela reunião de negócios. Eles estavam na mansão Russel, afinal. Lestrange só começaria a ter direitos naquela casa depois da troca de alianças.

Os olhos escuros do rapaz observavam os detalhes da decoração do seu futuro escritório quando Meredith apareceu com aquele farto lanche. A governanta foi saudada com um largo sorriso simpático daquele que seria seu futuro patrão. Rodolphus mostrou à ruiva que sabia ser gentil e que era inteligente o bastante para querer Meredith como uma aliada.

- Acho que nem nos banquetes de boas-vindas de Hogwarts eu era tão bem servido, Meredith.

O comentário foi dito de forma suave e Rodolphus agradeceu quando a governanta lhe entregou uma xícara de chá. Ele dispensou o açúcar com um gesto e tomou um gole da bebida pura. Mentalmente, Meredith já registrou aquele detalhe sobre as preferências do futuro patrão.

Depois que a porta se fechou, deixando-o sozinho com Olivia, Rodolphus permitiu que a ruiva tomasse a palavra inicialmente. Enquanto a moça expunha os objetivos daquela reunião, Lestrange tomou mais um gole do chá, satisfeito com a temperatura da bebida. Qualquer coisa que aliviasse o frio no interior daquela casa seria muito bem-vinda.

- A minha proposta é simples.

A xícara foi cuidadosamente pousada sobre o pires e só depois os olhos escuros de Rodolphus se ergueram, fixando-se no rosto delicado de Olivia. Por um momento, o rapaz se perdeu na beleza dela. A herdeira dos Russel era muito mais bonita do que ele jamais imaginara. Seus traços delicados tinham uma invejável harmonia, o corpo dela tinha curvas nos lugares certos, os cabelos exóticos só tornavam os encantos dela ainda mais únicos. Se não fosse pela personalidade forte que a moça já demonstrara ter, Rodolphus estaria muito feliz com a ideia de se casar com Olivia.

- Se vamos ter que subir ao altar e viver juntos, penso que deveríamos estipular precocemente as nossas regras de convivência, han? Como a senhorita bem disse, não faz sentido que este casamento se transforme em uma tortura para nós dois.

Lestrange fez uma breve pausa, usada para capturar um dos biscoitinhos disponíveis na farta bandeja preparada por Meredith.

- É claro que termos poderão ser alterados e acrescentados ao longo do casamento, mas é importante termos um ponto de partida, ao menos determinar as regras básicas. Para facilitar, sugiro que nós dois apresentemos nossas prioridades. Estou certo de que chegaremos a um acordo.

Era absurdamente estranho, mas aquela realmente parecia mais uma reunião de negócios. Rodolphus falava como se estivesse diante de um aliado com quem estava prestes a fechar um acordo e assinar um contrato comercial.

- Por exemplo... – ficou clara a intenção de Rodolphus em brincar para suavizar um pouco o clima – Eu gostaria que esta casa fosse menos gelada. O aquecimento realmente é uma prioridade para mim, Srta. Russel. Não tenho um terço da sua tolerância às baixas temperaturas.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Danika Lehmann em Dom Dez 27, 2015 5:51 pm

Não era a primeira vez que Barbara experimentava uma aparatação acompanhada por um bruxo. Portanto, ela já conhecia a desconfortável sensação de ser sugada e comprimida com violência, e de rodopiar várias vezes no vazio antes que seus pés novamente tocassem um chão firme.

Naquela noite, porém, Robinson se sentiu tonta como se fosse a primeira vez. Malfoy obviamente não fizera nada errado durante a aparatação. Talvez fosse a simples presença dele e a forma como o rapaz a segurava com firmeza que deixassem a balconista inebriada.

Estar com Lucius era perigoso. Barbara sabia muito bem que deveria evitar o caminho de qualquer bruxo como Malfoy. Ele também já havia deixado muito claro que se enxergava muitos degraus acima do nível dela e não perdia a oportunidade de reforçar que a garota era um desprezível aborto da natureza.

Contudo, alguma coisa em Lucius fazia o coração de Barbara disparar. A adrenalina era fruto de um temor, mas não era puramente medo. Este sentimento estava misturado a uma boa dose de ousadia e emoção por cruzar uma linha imaginária proibida. Ela gostava de pensar que Malfoy já tivera muitos motivos e oportunidades para acabar com ela, mas não fizera isso.

- Eu não vou decepcioná-lo, Sr. Malfoy. – os olhos verdes buscaram pelos azuis enquanto Robinson novamente sentia um arrepio provocado pelos dedos gelados que seguravam seu queixo com firmeza – O senhor não terá razões para arrependimentos.

As moedas brilhando em contato com a mão pálida do rapaz logo foram recolhidas pelos dedos ágeis de Barbara. O comentário hostil sobre suas roupas não a abalou, até porque Robinson tinha plena consciência de que seus trajes remendados eram quase tão terríveis quanto os trapos de um elfo doméstico.

- Obrigada. – as moedas deslizaram suavemente para dentro do bolso do casaco e Barbara cruzou os braços, numa tentativa de se proteger do frio – Eu entro em contato se tiver alguma informação relevante para o senhor. Caso precise de alguma coisa, o senhor sabe onde me encontrar...

Os olhos de Barbara tinham um brilho diferente quando ela encarou o rapaz uma última vez antes de dar as costas a Malfoy. Seus pés pequenos afundavam na camada de neve acumulada na calçada enquanto a balconista da Von Hants Potions seguia com passos rápidos na direção da casa que dividia com a mãe, sem olhar para trás.

Por mais que quisesse olhar Lucius uma última vez, Barbara não tinha tempo a perder. Era arriscado transitar naquela área à noite, tão próxima à entrada para o Beco Diagonal. Robinson não queria abusar da própria sorte, não quando estava prestes a chegar em casa sem nenhum arranhão. Graças a Lucius Malfoy.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Dom Dez 27, 2015 7:15 pm

Pela primeira vez em meses, os lábios de Olivia tremeram até formar um discreto sorriso. Era uma curva pequena demais e quase imperceptível, sem alcançar os seus olhos, mas ainda assim, era uma manifestação diferente da máscara de indiferença que ela vestia há tanto tempo.

Por um breve momento, os olhos cor de mel baixaram até encarar a superfície da mesa a sua frente, sentindo-se constrangida com aquele descuido diante do futuro marido. Logo em seguida, ela ergueu o olhar até encontrar o rosto de Rodolphus, suavizando ainda mais sua expressão.

- Me parece um pedido extremamente razoável, Rodolphus. – A ruiva manteve o tom divertido usado por ele. – Irei pedir a Meredith que garanta as lareiras sempre acessas e a temperatura da forma que lhe for mais agradável.

Seus dedos deslizaram sobre a mesa até pegar um porta-retratos. Na imagem que se mexia magicamente, Olivia tinha apenas quinze anos e exibia o uniforme da Durmstrang, com um pesado casaco marrom trazendo o emblema da escola. Os fios vermelhos estavam soltos e balançavam com o vento enquanto floquinhos de neve começavam a grudar nos seus cabelos.

O sorriso que a menina da fotografia exibia era enorme e espontâneo, iluminando o rosto corado pelo frio. Ao seu lado, Dimitri também sorria orgulhoso, carregando uma pequena plaquinha do prêmio de primeiro lugar em Poções nos NOMs que a filha havia acabado de conquistar. Apesar de também usar pesados casacos e um enorme gorro marrom e peludo que cobria seus cabelos grisalhos, era possível ver que o homem de meia idade ainda preservava sua beleza.

Com o movimento da foto, era possível perceber quando a respiração deles formava uma pequena nuvem branca diante de seus rostos.

Olivia virou a fotografia até que Rodolphus pudesse enxergar, apontando para o acumulado de neve ao redor dos dois.

- Talvez você devesse passar um tempo na Noruega e aprender a controlar o frio. Este inverno foi o mais rigoroso que tivemos em anos, nevou praticamente todo o tempo. Foi maravilhoso.

Os olhos claros da menina brilharam com a lembrança daquele dia. Além da neve e do chocolate quente que ainda estavam frescos em sua memória, ela havia recebido os pais na escola devido sua premiação. O Sr. Russel havia passado todo o dia ao lado da filha, deixando claro para quem quisesse ver o quanto ele amava a ruiva.

Sem que Olivia perecbesse, seus lábios se curvaram ainda mais em um sorriso ao lembrar do pai, e foi preciso alguns segundos para que ela se recordasse que estava diante de Rodolphus Lestrange. Com um pigarro, ela largou a fotografia, deixando-a cair ruidosamente sobre a mesa, e se ajeitou na cadeira.

- Bom, meus termos também não são tão difíceis também, Rodolphus. Apenas não quero ser deixada de lado nos negócios. É o nome do meu pai que está neste império, não pretendo ficar as cegas. Não espero que interprete isto como uma falta de confiança em sua capacidade, apenas não pretendo ficar em casa preocupada com o jantar enquanto há tanto trabalho a ser feito.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Severus Snape em Dom Dez 27, 2015 8:46 pm

Apesar do enorme quarto, a única iluminação que preenchida o cômodo era de um abajur na cabeceira da cama de Lucius Malfoy. A luz amarelada provocava sombras sinistras por todo lugar, mas mesmo na escuridão, ele conhecia cada centímetro do próprio quarto para conseguir andar de olhos vedados sem esbarrar em nada.

Vestindo ainda as mesmas roupas usadas ao longo do dia, o rapaz estava sentado na beirada da própria cama, encarando as mãos pálidas fixamente, ainda sentindo a textura do casaco gasto de Barbara nas pontas dos dedos.

Ele havia tocado um aborto da natureza. Pela primeira vez em sua vida, havia se rebaixado a ponto de fazer um acordo com alguém que não merecia sequer respirar o mesmo ar que ele. Mas para sua imensa surpresa, nada havia acontecido de ruim em seu mundo. Sua vida continuava exatamente como sempre, sem que uma catástrofe tivesse caído sobre sua cabeça.

Apesar da aparência humilde, ele ainda podia sentir o perfume dos cabelos negros como se Barbara ainda estivesse ao seu lado, assombrando-o com o seu sangue impuro e os grandes olhos verdes.

Durante toda a noite, Malfoy se remexeu na cama em um sonho agitado, onde o rosto delicado de Robinson aparecia com frequência. Quando ele acordou na manhã seguinte, sentindo-se exausto como se tivesse passado toda a noite em uma missão, não conseguia se lembrar das cenas confusas vividas em sua mente. Ao se esforçar para se lembrar dos sonhos, era apenas a imagem da balconista dos Von Hants que surgia, sem contexto algum.

Conforme os dias foram passando, Malfoy tentava convencer a si mesmo de que não havia absolutamente nada de errado com o acordo feito com Robinson. Não importava a podridão de suas origens, desde que ele tivesse resultados positivos com aquela aliança. Os fins justificavam os meios.

Mesmo assim, toda vez que se lembrava do último encontro com Barbara, seu coração dava um salto e Lucius precisava se esforçar para manter a concentração no que quer que estivesse fazendo.

Não havia um único dia que ele acordasse sem antes procurar nos céus qualquer sinal de uma coruja enviada por Barbara, mas quase um mês inteiro havia se passado sem que ele tivesse notícias.

Sentindo-se impaciente e quase arrependido daquela fraqueza, Lucius decidiu que não precisaria ficar aguardando que a balconista tomasse a iniciativa. Ele era um Malfoy, afinal de contas, e precisava se portar como um.

Antes de deixar a mansão naquele sábado cinzento, ele rabiscou um pergaminho e enviou sua coruja negra enviando o recado para Barbara Robinson.

“Espero que tenha algo de valor para mim. E é lógico que não me refiro a ouro.
Me encontre ao pôr do sol, no porão do Caldeirão Furado.
L. M.”


***

Os olhos sem vida da atendente do Caldeirão Furado fitavam o vazio a sua frente enquanto ela andava mecanicamente alguns centímetros a frente de Lucius. O bruxo mantinha sua varinha em punho, a capa negra arrastando no chão empoeirado enquanto os olhos azuis vasculhavam ao redor, a procura de qualquer sinal de outra pessoa.

- É aqui?

Sua voz ecoou pelas paredes de pedra quando a velha senhora parou de andar a sua frente. Como um robô, inteiramente sem vida, ela se virou para o bruxo e concordou com um movimento da cabeça.

Com o nariz franzido de nojo, Malfoy começou a se arrepender de ter marcado o encontro ali. Existiam diversos lugares onde ele poderia ter privacidade para se encontrar com Robinson, mas a falta de magia da moça o impedia de escolher um local afastado de Londres.

O Caldeirão Furado estava movimentado no andar superior, mas era perto o bastante para que a jovem fosse andando. E o porão, exatamente como Lucius havia previsto, estava completamente deserto e abandonado.

O piso de pedra tinha uma grossa camada de poeira, e nas paredes, barris estavam acumulados na horizontal, abarrotados de bebidas. Logo próximo da entrada, havia armações de madeira que iam do chão ao teto, preenchidos de garrafas tão imundas quanto o chão.

- Volte lá para cima e não deixe que mais ninguém desça. Dê passagem apenas para Barbara Robinson.

Com mais um aceno da cabeça, a mulher se afastou, movida pela maldição Imperius. No instante em que Barbara chegasse, seria prudente que os dois aparatassem para longe dali, livres de qualquer curioso, onde pudessem conversar sem risco de serem vistos juntos.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Dom Dez 27, 2015 9:37 pm

É claro que Rodolphus sabia que a menina na foto era Olivia Russel ao lado do pai. Só era difícil acreditar que a moça a sua frente fosse capaz de sorrir tão abertamente quanto a jovem da fotografia. Até então, Lestrange só havia visto a futura esposa séria. No máximo, capturara nos lábios dela um sorriso mecânico.

Inconscientemente, Rodolphus levou a mão até a imagem e contornou o sorriso de Olivia com a ponta do indicador. O rosto dele estava sério quando Lestrange ergueu novamente os olhos para a atual Olivia e se perguntou se aquele sorriso continuava ali, perdido em algum canto obscuro do luto e da solidão da ruiva.

Nasceu em Rodolphus o desejo de arrancar um sorriso como aquele de Russel, mas é claro que ele só teria esta chance se Olivia abrisse espaço para o marido em sua vida. Entretanto, a atual reunião de “negócios” mostrava apenas que a ruiva não estava disposta a mergulhar irracionalmente numa paixão. Aquele casamento era só mais um dos contratos vantajosos que Olivia estava prestes a firmar.

- Tudo o que eu me lembro da minha rápida passagem pela Noruega é de ter sofrido com o pior frio de todos os tempos. – os lábios de Rodolphus se curvaram num meio sorriso enquanto ele afastava a mão do porta-retratos – Acho que sou um caso perdido, Srta. Russel. Jamais serei um amante de invernos rigorosos.

Quando a ruiva expos seus termos para aquele acordo, Rodolphus não demonstrou surpresa. As moças que Lestrange conhecia jamais demonstrariam interesse nos negócios, mas Olivia já havia deixado bem claro durante o jantar na mansão dos Lestrange que aquela era uma de suas prioridades.

Recostado na confortável poltrona, Rodolphus tomou mais um gole do chá enquanto digeria aquela situação. Não era exatamente agradável pensar que sua esposa teria um papel ativo nos negócios da família. Mas Lestrange sabia que aquela era uma cláusula da qual Russel não abriria mão. Como era uma batalha perdida, o rapaz deu de ombros e suspirou pesadamente antes de concordar.

- Se esta é realmente uma das suas prioridades neste casamento, acho que podemos negociar.

Lestrange se sentou mais confortavelmente na cadeira e pousou a xícara sobre a mesa antes de completar.

- Eu não me importo que você tenha conhecimento de cada passo dos negócios, que autorize cada um dos investimentos. Mas, em contrapartida, exijo que você não me cause constrangimentos. Não quero ser conhecido como o tolo que não gasta um galeão sem se reportar à esposa.

Aproveitando-se que a reunião estava se tornando mais formal e mais direta, Rodolphus fez uma breve pausa antes de mencionar a próxima “cláusula” daquele contrato que começava a ser formado.

- A minha privacidade também é uma prioridade para mim, Srta. Russel. Eu me comprometo a cumprir com todos os meus deveres matrimoniais, incluindo nisso a fidelidade que já me foi cobrada no nosso último encontro. Mas gostaria de ter o meu próprio espaço e o meu direito à privacidade. Não gostaria de ter que lhe dar satisfações de cada passo ou de cada minuto que passarei longe de casa. Já aqui dentro, me bastaria ter meus próprios aposentos e um elfo de minha confiança para cuidar do quarto e dos meus pertences pessoais.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Dom Dez 27, 2015 10:23 pm

Ouvir aquela última exigência de Rodolphus fez Olivia soltar um suspiro de alívio sem ao menos se dar conta. Um dos seus receios com aquela reunião era que o rapaz exigisse seus direitos como marido e que os dois precisassem dividir a mesma cama todas as noites.

Saber que continuaria com seu espaço respeitado, livre da presença de um homem em sua cama, era reconfortante. Por um segundo, a jovem chegou a simpatizar com o Lestrange a sua frente. Novamente, seus lábios se curvaram em um sorriso satisfeito.

- Por favor, nós vamos nos casar. Você não precisa me chamar de Srta. Russel. Não pretende me chamar de Sra. Lestrange depois, não é? Me chame de Olivia.

Ela se remexeu na cadeira, se inclinando para frente. Os dois braços foram apoiados sobre a mesa e as mãos se entrelaçaram, encarando Rodolphus com atenção. Sua mente imediatamente se perguntou que tipos de segredo o rapaz gostaria de manter escondido para exigir aquele tipo de privacidade, mas no fundo, Olivia sabia que era a melhor forma de seguir, pois ela também sairia ganhando.

- Não pretendo envergonhá-lo em momento algum. Também é do meu interesse que você mantenha a imagem de um respeitável homem de negócios.

A voz de Olivia saía suave, sem combinar com a formalidade proposta. Era surpreendente como a moça de apenas dezoito anos conduzia a conversa como se fosse uma mulher experiente. Ela estava saindo da adolescência e tinha toda uma vida pela frente, mas diferente de tantas jovens da sua idade, já assumia uma grande responsabilidade que a impedia de desfrutar os benefícios da juventude.

- Você terá a privacidade que desejar, Rodolphus. Desde que também respeite a minha, sem questionamentos. Aos olhos de qualquer outra pessoa, serei a esposa doce e obediente que você deseja. Não haverá ninguém que ouse questionar como este casamento deu certo.

Ela esticou a mão sobre a mesa, na direção do rapaz.

- Estamos entendidos?

***

Atendendo ao pedido da jovem órfã, Meredith havia clareado a decoração da sala de jantar. As cortinas haviam sido trocadas por cores mais leves e estava completamente enfeitada por flores que perfumavam o ambiente.

A lareira estava acesa e enchia o cômodo de um agradável calor. Apesar de ainda não ter comida alguma, os melhores pratos e talheres estavam colocados em todos os lugares na longa mesa que comportava mais de vinte pessoas.

Na sala de estar, o som de uma música instrumental preenchia cada espaço, sem abafar as conversas dos diversos convidados que passeavam pelo amplo local. Bandejas flutuavam com bebidas e pequenos petiscos, sem permitir que um único convidado ficasse com as mãos vazias.

Apesar de ser um aniversário de dezoito anos, não haviam adolescentes ou jovens ocupando a mansão Russel. A maior parte dos convidados eram pessoas mais velhas, conhecidas do velho Dimitri e de Octavia na Inglaterra. Era um ambiente formal e sério, completamente insosso para uma jovem.

Ainda presa em seu quarto, Olivia escutava a música vindo do andar inferior sentindo o estômago revirar. Apesar de crescer sabendo que aquele momento chegaria, era impossível se manter neutra com o que estava prestes a acontecer.

O reflexo em frente a penteadeira mostrava os fios vermelhos presos em um coque elaborado, com duas mechas caindo ao redor do delicado rosto. Olivia quase não usava maquiagem e em suas orelhas, dois brincos de pérola brilhavam, discretamente.

Sobre a enorme cama que ficava no centro do quarto, um vestido vermelho estava esticado, mas havia sido completamente ignorado pela aniversariante. Meredith havia insistido que não era apropriado que em sua noite tão especial, o traje fosse novamente escuro. Ignorando o conselho da governanta, a jovem Russel vestia mais uma vez um vestido negro que alcançava seus joelhos.

Para minimizar a imagem do luto, a peça delicada tinha as mangas compridas, rendadas e com micro pedrinhas que brilhavam ao menor movimento. Os lábios também haviam sido cobertos por um discreto batom rosado e Olivia estava limpando um canto borrado quando a voz atrás de si soou mais uma vez.

- Você não deveria fazer isso. Ainda dá tempo de desistir desta loucura, Olly!

Olivia girou em seu lugar, dando as costas para a penteadeira para encarar o rapaz parado no meio do quarto, apoiado no dossel da cama.

- Não é loucura alguma, Nathaniel. Eu preciso fazer isso.

Os olhos de Nathaniel brilhavam em desespero quando ele se agachou em frente a ruiva, segurando-a pelas mãos.

- Olly, você não depende de nenhum deles! É totalmente livre! Finalmente pode seguir a vida como quiser. Por favor...

Um sorriso doce surgiu no rosto de Olivia quando ela tocou o rosto do rapaz. Nathaniel era alguns anos mais velho, os cabelos castanhos que ficavam quase loiros quando estavam sob a luz do sol. Seus olhos eram de um intenso azul e suplicavam para que Olivia desistisse da ideia de assumir o compromisso com Rodolphus Lestrange.

- Eu devo isso a ele, Nate. Você sabe disso.

- Ao Dimitri??? Ele nem era o seu verdadeiro pai, Olly!

A expressão da ruiva se tornou dura e ela quebrou o contato com as mãos do rapaz, se levantando para se afastar dele. A música que vinha do andar inferior entregava que a festa já estava acontecendo sem sua presença e era questão de tempo até que alguém surgisse procurando pela aniversariante.

Com o olhar preocupado, Olivia caminhou até a porta e espiou rapidamente pelo corredor, se certificando de que não havia ninguém por perto para escutar aquele segredo. Quando voltou ao interior do quarto, encarou Nathaniel com seriedade.

- Jamais repita isso. Você precisa ir agora, Nate. Ninguém pode ver você aqui... Você tem noção do que essas pessoas fariam se descobrisse o que você é???

Com a testa franzida, Nate cruzou os braços e lançou um olhar magoado para a moça a sua frente.

- E é exatamente com este tipo de gente que você está se juntando.

Olivia soltou um suspiro pesado e alisou as próprias vestes, se sentindo exausta com aquela conversa.

- Vou pedir para um dos elfos te levar para casa. Eu sinto muito, Nate, mas você não pode ficar.

- Foi para isso que você veio para a Inglaterra, então? – Ele abriu os braços, sentindo-se injustiçado. – Você disse que assim ficaríamos mais perto, mas está sempre me expulsando da sua casa!

- Nós estamos mais perto. – Olivia o corrigiu, os olhos cor de mel levemente arregalados. – Mas isso não significa que as coisas mudaram, Nate. Ao menos agora podemos nos ver com mais frequência, mas isto deve continuar em segredo. Eu sinto muito se em algum momento passei a mensagem errada para você.

Nathaniel soltou uma risada debochada, sentindo-se derrotado, e cruzou os braços.

- Não se preocupe, Olivia. Você não passou mensagem alguma. Eu vim apenas lhe trazer um presente de aniversário. – Ele jogou uma caixinha com um lenço sobre a cama, fazendo-a rolar até esbarrar no vestido vermelho. – Estava apenas tentando fazer você enxergar que não precisa encarar este destino terrível, você tem escolha.

Os lábios de Olivia continuaram pressionados e ela se sentiu esgotada demais para tentar argumentar. Nathaniel jamais entenderia sua obrigação de cumprir o contrato de Dimitri.

- Eu vou chamar o elfo para levar você. A sala já está cheia de convidados e não seria uma boa ideia que você simplesmente saísse pela porta.

Nate encarava o piso de madeira e não ousou questionar a ruiva, sentindo-se humilhado. O mundo de Olivia era diferente demais para que ele pudesse entender. Jamais conseguiria compreender a guerra que acontecia no mundo bruxo, onde ele próprio, sem um pingo de magia, não teria a menor chance.

Independente dos perigos que o cercavam, ele precisava deixar claro que era contra o que Olivia estava fazendo. Dimitri estava morto e, para ele, a meia-irmã não tinha obrigação nenhuma em seguir com aquele casamento, mas ela não compartilhava da mesma opinião de um trouxa.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Danika Lehmann em Dom Dez 27, 2015 10:25 pm

Quando recebeu a coruja negra de Malfoy, Barbara já imaginava que o rapaz lhe cobraria algum benefício da parceria firmada há cerca de um mês. Ao fim de algumas semanas sem notícias de Lucius, a balconista chegara a pensar que ele se arrependera da sociedade com um aborto. Mas ali estava a prova de que Malfoy faria questão da oferta feita por Robinson.

Embora não tivesse nada concreto a apresentar a Lucius, a morena sabia que não podia fugir daquele encontro. A última coisa que Barbara precisava era que Lucius Malfoy se sentisse enganado ou irritado com ela. Por isso, naquela tarde a moça alongou o seu trabalho até que o sol começasse a se pôr, e então partiu com passos apressados na direção do Caldeirão Furado.

Continuava bem frio, mas por sorte não nevava, o que permitiu que Barbara acelerasse sua caminhada pelas calçadas vazias do Beco Diagonal. Algumas poucas lojas continuavam abertas e o sol alaranjado que ameaçava sumir no horizonte dava ao local a iluminação necessária para que Robinson chegasse com segurança ao bar.

Desde o começo da guerra, era notável a redução no movimento do Caldeirão Furado. Antes o estabelecimento estava sempre lotado, com todas as mesas ocupadas e clientes de pé ao redor do balcão. Agora, o local continuava movimentado, mas era raro que os bruxos parassem para tomar uma bebida. Todos sempre estavam apressados ou amedrontados demais para perderem algum tempo no bar, que passou a ser frequentado apenas pela passagem que unia o Beco Diagonal à parte trouxa de Londres.

Quando Barbara Robinson entrou no estabelecimento, encontrou apenas dois clientes bebendo perto do balcão e um homem solitário remexendo num prato de sopa já frio numa das mesinhas mais afastadas. Meia dúzia de pessoas se acumulavam diante da parede de pedra que daria acesso a Londres, mas ninguém pareceu notar quando a velha atendente se colocou diante da recém chegada.

Os olhos de Barbara se arregalaram e ela deu um passo para trás ao notar a expressão sem vida da mulher. Era a primeira vez que a garota se via diante de uma vítima da Maldição Imperius, mas era impossível ter dúvidas.

- O porão... – a voz de Robinson soou baixinha e meio amedrontada. Aquela velha senhora era a prova viva de que Malfoy era capaz de feitos terríveis – Eu preciso ir ao porão.

Com um movimento de cabeça, a atendente indicou uma porta numa das paredes laterais do bar, parcialmente oculta por uma coleção de barris empilhados. Barbara sentiu um calafrio ao encontrar uma escadaria atrás da porta, mas respirou fundo e começou a descer os degraus, afundando-se cada vez mais na escuridão do porão do Caldeirão Furado.

Definitivamente, era um péssimo lugar para qualquer tipo de encontro. O porão era escuro, abafado e úmido. Um cheiro forte de bebida misturada com mofo preenchia todo o ambiente. Teias de aranha bloqueavam o caminho em vários pontos e Barbara poderia jurar que vira um rato correr há poucos centímetros de seus pés.

Ao ultrapassar o último degrau, Robinson alcançou o piso de pedra. A ausência de um sistema de aquecimento tornava o porão gelado, o que obrigou Barbara a esfregar as mãos enluvadas uma na outra e a se encolher dentro de seu novo casaco.

Estava muito escuro para que Lucius percebesse aquele detalhe, mas a garota havia seguido as orientações dele e usara as moedas de ouro para comprar um sobretudo feminino. A peça obviamente não era cara e sofisticada como as roupas de Narcissa, mas era bem mais quente que o antigo casaco.

- Senhor Malfoy...?

A voz de Barbara soou num sussurro, mas ecoou fantasmagoricamente por todo o porão silencioso. Os olhos verdes ainda tentavam se acostumar com a escuridão enquanto a menina dava seus primeiros passos cautelosos pelo piso gelado de pedra. Como não enxergava dois palmos diante do nariz, Robinson estendeu as mãos e tateava os objetos ao seu redor enquanto caminhava, com o coração acelerado pulsando em sua garganta.

Ela era como uma presa indefesa, que não teria a menor chance de escapar caso as intenções de Lucius não fossem as melhores.

- Está me ouvindo, senhor?
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Severus Snape em Dom Dez 27, 2015 11:00 pm


Os olhos azuis de Lucius já haviam se acostumado com perfeição a escuridão do local, de modo que ele logo reconheceu o formato da sombra de Barbara, sentindo os ombros relaxarem. Até então, não havia percebido o quanto estava ansioso com a chegada da balconista, receoso de que ela fosse louca o bastante para lhe deixar plantado sozinho esperando.

Com passos silenciosos, ele se aproximou por trás, se deliciando com a voz trêmula de Robinson. Ao menos ela era sensata em temer aquele encontro, o que poderia trazer alguma vantagem.

Apenas quando estava perto o bastante para que sua respiração quente se chocasse contra a nuca de Barbara, Lucius a tocou no ombro, sentindo todo o corpo da jovem tremer com o sobressalto.

- Fique quieta! – Ele ralhou, ao mesmo tempo preocupado e divertido.

Barbara não conseguia ver o sorriso que preenchia os lábios do rapaz, graças a escuridão do porão. Mas ao mesmo tempo que era um sorriso sádico, também era divertido. Lucius estava apreciando cada segundo do temor que provocava na jovem.

Contendo-se para não provocá-la ainda mais, evitando que os ruídos chamassem a atenção de alguém do andar superior, Malfoy manteve as mãos nos ombros de Barbara quando a jovem virou para encará-lo.

- Você foi pontual. Gosto disso. – Seus dedos deslizaram, sentindo a textura diferente do casaco dela, mas ainda sem deduzir que a peça de roupa era nova e comprada com seu dinheiro. – Pelo menos alguma qualidade você precisava ter, afinal.

A voz de Malfoy saía sussurrada e rouca, e apesar das palavras nada gentis, era gostosa de se ouvir. Mesmo com o cheiro ruim do porão, era possível distinguir o perfume da loção pós-barba usada pelo bruxo, evidentemente cara.

- Vamos acabar logo com isso. Este lugar é imundo. Imagino que não seja um grande problema para você. A se basear pelas suas roupas, sua casa não deve ser nada muito diferente, mas eu definitivamente não estou acostumado.

Exatamente como fizera um mês atrás, Lucius abraçou Barbara, apoiando sua mão contra as costas dela, e sem o menor aviso, aparatou carregando a jovem em seus braços. Quando seus pés voltaram a tocar o chão, os dois estavam em um lugar muito mais espaçoso e limpo que o porão do Caldeirão Furado.

O rapaz soltou Robinson abruptamente e apontou a varinha para a lareira, fazendo com que a madeira imediatamente brilhasse com o fogo. A sala era toda em madeira e estava limpa, mas completamente vazia.

Com passos apressados, Malfoy foi até a janela, empurrando a cortina para o lado. A paisagem ao redor da cabana era apenas de árvores, com uma imensa floresta cercando todos os cantos. A propriedade da família não era visitada há anos, mas ainda recebia a atenção e cuidado dos elfos domésticos mantendo o lugar impecável, pronto para ser habitado.

Ao se certificar que realmente estavam sozinhos, Lucius caminhou até um pequeno carrinho com bebidas e se serviu de uma dose de firewhisky sem gelo. Só quando deu o primeiro gole, sentindo o liquido descer quente pela sua garganta, ele pousou o olhar sobre Barbara, enxergando-a normalmente pela primeira vez.

Do lado de fora, não havia mais vestígio de sol, mas o fogo da lareira era suficiente para iluminar o cômodo confortavelmente.

O copo parou no caminho até seus lábios e os olhos azuis se prenderam em Robinson. Seu estômago revirou involuntariamente quando ele chegou a conclusão de que não se recordava mais como Barbara era bonita e podia facilmente se passar por uma bruxa de sangue-puro.

- Vejo que seguiu meu conselho. Não posso dizer que gostei do casaco, mas ao menos está aquecida?
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Dom Dez 27, 2015 11:11 pm

A caixinha de veludo negro foi aberta mais uma vez para que Rodolphus conferisse a bela joia ali guardada. O anel de noivado que Olivia Russel receberia naquela noite era uma das maiores relíquias da família Lestrange. A joia fora confeccionada por duendes e era uma peça única e exclusiva. O aro delicado era feito com ouro branco maciço e a pedra que enfeitava a peça era um generoso rubi, rodeado por pequenos e delicados diamantes.

Qualquer jovem adoraria ganhar aquele anel, tanto pelo valor comercial quanto pelo significado daquele gesto. Rodolphus era um rapaz atraente, inteligente e rico, que vinha de uma linhagem de sangue-puros. Qualquer moça se sentiria honrada com aquele noivado, mas Lestrange tinha a ligeira impressão de que seu pai selecionara logo a única jovem do universo que não se sentia honrada por aquela sorte.

O contrato de casamento acordado entre os dois jovens havia deixado bem claro que nenhum dos dois parecia nem meramente empolgado com aquela união. A forma fria como Olivia parecia enxergar aquele casamento não permitia que Rodolphus nutrisse nenhum tipo de emoção.

Se a ruiva estava disposta a encarar aquilo como uma penosa obrigação, era assim que Lestrange também lidaria com a situação. Por mais que ele reconhecesse a beleza e as demais qualidades daquela que estava prestes a se tornar a Sra. Lestrange, Rodolphus não estava disposto a mergulhar sozinho naquela relação.

Como qualquer boa encenação, o noivado daquela noite contava com uma excelente plateia. Olivia havia selecionado muito bem os convidados daquela festa e praticamente todos os nomes bruxos de destaque no Reino Unido estavam presentes para prestigiar aquele grande acontecimento. Não era comum que duas das maiores famílias bruxas da atualidade unissem seus nomes num casamento, afinal.

Rodolphus sempre fora tratado com muita distinção na alta sociedade, mas era notável que o casamento com Olivia fizera o rapaz subir alguns degraus naquela imperdoável escadaria social. A união com uma Russel fazia dele um homem ainda mais rico e, consequentemente, mais influente e mais poderoso.

O herdeiro dos Lestrange estava mergulhado numa conversa vazia com alguns dos nobres convidados de Olivia quando foi salvo por Meredith. A governanta pediu licença aos convidados antes de puxar Rodolphus gentilmente pelo braço. O rapaz ergueu uma das sobrancelhas, mas seguiu os passos da mulher.

- O que há, Mer?

Rodolphus se permitiu usar o apelido carinhoso da governanta, determinado a conquistar a confiança e o afeto da mulher. Estava claro que Meredith tinha grande poder naquela casa e não era nada sábio tê-la como inimiga.

- Olivia já vai descer.

- Isso é bom. – os olhos escuros de Lestrange giraram – A ausência dela está começando a se tornar incômoda.

- Ora, é bom que comece a nutrir a sua paciência, Sr. Lestrange! – Meredith sorriu e se atreveu a ajeitar o terno acinzentado do rapaz – Mulheres geralmente perdem muito tempo se arrumando. Ainda mais quando a noite é tão especial.

Por um momento, Rodolphus teve pena da ingenuidade de Meredith. Estava claro que a pobre governanta amava Olivia e torcia para que a ruiva fosse inteiramente feliz com aquele casamento. Talvez Meredith fosse a única pessoa daquela festa que acreditava sinceramente que aquela união faria os noivos inteiramente felizes. Lestrange simplesmente não teve coragem de destruir as expectativas dela e guardou para si a verdade sobre aquele acordo.

- Só espero que o atraso valha a pena. Ela está bonita, Mer?

Rodolphus deu mais um gole no espumante, esvaziando a taça que foi prontamente devolvida numa das tantas bandejas que circulavam pelo salão.

- Me responda o senhor...

O sorriso da governanta se alargou e, com um olhar, Meredith indicou a moça que surgia no topo da escadaria. Todos os olhos se voltaram para a protagonista da festa e foi notável que Olivia foi milimetricamente estudada por aqueles lobos enquanto descia os degraus.

Rodolphus foi o dono de um dos pares de olhos que acompanharam cada um dos movimentos da ruiva. Contudo, ao contrário dos demais presentes, ele apenas admirou a beleza incomparável da futura Sra. Lestrange sem nenhum outro tipo de interesses secundários. Ele preferiria ver a noiva sem a sombra negra do luto, mas precisava admitir que Olivia ficava linda em qualquer cor.

Por um breve momento, ele desejou que as coisas fossem diferentes e que aquele casamento não fosse apenas mais uma das tantas obrigações sociais a serem cumpridas.

Como o herdeiro dos Lestrange continuou imóvel, parecendo meio hipnotizado pela visão da ruiva, coube à Meredith a tarefa de empurrar Rodolphus delicadamente na direção das escadas. O rapaz ainda demorou alguns segundos para entender o seu papel naquela cena, mas logo se colocou na base da escadaria e esperou que Olivia se aproximasse.

Com um gesto cavalheiresco, Lestrange estendeu o braço e ofereceu a mão para ajudar a futura esposa a descer os últimos degraus.

Meredith foi à loucura quando Rodolphus completou aquela cena da forma mais romântica possível, inclinando-se para depositar um beijo superficial nas costas da mão da futura esposa.

- Cada minuto de espera valeu a pena, Olivia.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Danika Lehmann em Dom Dez 27, 2015 11:47 pm

Robinson estremeceu por completo quando Lucius se aproximou dela silenciosamente, como um predador experiente. Nenhum grito escapou pela garganta da morena, mas sua respiração se tornou mais ruidosa e os olhos verdes se arregalaram pelo susto.

A verdade é que Barbara temia Malfoy, mas também gostava da maneira como o loiro dominava a situação. Ela continuou totalmente sem reação enquanto o rapaz a girava, colocando-a de frente para ele, com as mãos firmemente apoiadas nos ombros da balconista da Von Hants Potions.

O comentário agressivo sobre a casa onde Barbara morava fez com que, pela primeira vez, a garota se sentisse ofendida por uma das hostilidades de Lucius. Ela estava habituada a receber críticas pessoais, mas não era agradável que tais ofensas fossem estendidas à Sra. Robinson. Embora doente, a mãe de Barbara cuidava bem da casa e elas tinham um lar simples, mas digno.

Antes que a garota tivesse a chance de reclamar, contudo, Malfoy fez com que as palavras se perdessem na cabeça de Barbara quando a abraçou com firmeza. O único reflexo da garota foi apoiar as mãos no peito de Lucius e agarrar com firmeza as vestes do rapaz enquanto era arrastada na desaparatação.

Mais uma vez, Barbara se sentiu tonta e inebriada ao fim do processo. Os olhos, que antes tentavam se acostumar à escuridão, agora piscaram várias vezes, tentando lidar com a iluminação do novo ambiente.

No mesmo instante em que Lucius a soltou, Barbara afastou as mãos do peito firme do rapaz. Ela parecia levemente assustada quando olhou ao redor e cruzou os braços numa clara postura defensiva. Não era confortável a ideia de estar num local completamente estranho, acompanhada por alguém que claramente seria capaz de fazer mal a ela se contrariado. Não havia nem a possibilidade de tentar escapar, visto que Robinson não fazia ideia da distância que separava aquela cabana do centro de Londres.

- Era um conselho? – Barbara olhou o novo casaco e abriu um sorriso irônico – Pensei que tivesse sido uma ordem, Sr. Malfoy.

Embora ainda estivesse bastante incomodada com aquela situação, Barbara não pretendia permitir que seus poros exalassem o profundo medo que ela sentia.

Com a desculpa de se aproximar da lareira, a garota caminhou lentamente pelo piso de madeira e retirou as luvas, guardando-as no bolso do casaco. As mãos foram esfregadas uma na outra e depois estendidas na direção do agradável calor das chamas.

- Peço desculpas se demorei a entrar em contato, mas eu não pretendia incomodá-lo sem uma informação completa e valiosa. Imagino que seja um homem extremamente ocupado.

Vagarosamente, Barbara se virou novamente na direção de Lucius e o encarou. Seu coração sempre acelerava quando estava diante dele. Havia uma boa dose de medo envolvida, mas Robinson sabia que não era imune ao rapaz. Malfoy representava tudo que a garota deveria evitar, mas não havia como negar que o rapaz era atraente.

- Só tive acesso a alguns rumores sobre movimentações na Travessa do Tranco. Mas estou investigando algo mais promissor. – para mostrar que não estava inventando histórias, Barbara foi um pouco mais específica – O guarda-caça de Hogwarts tem sido visto com bastante frequência nas redondezas. O gosto dele por animais exóticos já é conhecido, mas parece que desta vez ele busca por um produto mais refinado. Provavelmente a mando do diretor do castelo.

Robinson suspirou e ergueu um dos ombros antes de finalizar.

- Se o senhor me der mais uma semana, eu conseguirei respostas mais concretas. Tenho que ser sutil nas perguntas para não levantar nenhuma suspeita, afinal.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Seg Dez 28, 2015 12:25 am

Quando os olhos cor de mel capturaram Rodolphus, o estômago de Olivia deu mais uma cambalhota, e por alguns segundos, ela temeu que seus pés não fosse obedecê-la como deveria. Chegou a visualizar seu tropeço escada a baixo, fazendo uma entrada mais triunfal do que o esperado pelos convidados.

Ao chegar ao alcance da mão do futuro marido, a jovem soltou um discreto suspiro de alívio por continuar de pé em frente a todos e finalmente pode observar Lestrange com atenção.

Era uma imensa sorte que em uma família tão desajustada como os Lestrange, fosse Rodolphus a ocupar o cargo como seu marido. Os traços até poderiam lembrar os de Ruth e Gaspard. Algo entre os dois irmãos pudesse trazer alguma semelhança. Mas era perceptível o quanto o primogênito se destacava naquela família pela sua beleza.

Os cabelos castanhos, o porte físico, cada pequeno movimento, até a barba completava a visão bela do homem a sua frente. Inconscientemente, Olivia mordeu o lábio inferior quando uma vozinha em sua mente, que lembrava muito a adolescente antes do luto, gritou entusiasmada “Sexy!”.

Sentindo as bochechas esquentarem, ela se esforçou para manter o semblante tranquilo, ignorando aqueles pensamentos atrevidos. Por alguns segundos, Olivia não sabia dizer se o comportamento de Rodolphus refletia ao teatro que eles haviam concordado em fazer ou se ele estava sendo sincero.

Um friozinho percorreu sua espinha ao imaginar que as palavras eram verdadeiras, mas Russel se manteve firme. Rodolphus estava sendo obrigado naquele compromisso tanto quanto ela, não fazia sentido que ele tivesse mudado de opinião em tão pouco tempo.

Entrando na mesma atuação dele, Olivia se permitiu sorrir ao aceitar a mão do rapaz.

- Desculpe se o fiz esperar. Você está lindo, Rodolphus.

Ela se inclinou para frente e depositou um breve beijo no canto dos lábios do rapaz antes de se virar para os convidados.

A festa estava acontecendo exatamente como o esperado para membros da alta sociedade. A comida e a bebida era da melhor qualidade e estavam muito bem servidos. A anfitriã recebia a todos com seu sorriso mecânico que não alcançava os olhos, mas que combinava perfeitamente com seus convidados.

Quando o momento mais esperado chegou, Rodolphus e Olivia se posicionaram em frente a lareira. As palavras sobre o noivado normalmente eram ditas pelo pai da noiva, mas Gaspard assumiu satisfeito aquele papel.

A caixinha com o anel foi revelada diante dos olhos cor de mel e não foi necessário atuação alguma quando Olivia o recebeu em seu anelar. A ruiva estava de fato com o queixo caído com a joia que agora lhe pertencia.

Mesmo com toda a riqueza dos Russel, a beleza de seu anel de noivado era inquestionável, fazendo com que Olivia se esquecesse completamente daquele casamento sem amor. Quando ela encarou Rodolphus, era com sincera admiração.

- É lindo.

Impulsionada pelo momento, a jovem deu um passo até aproximar seu corpo ao de Lestrange. A mão, já exibindo a linda joia, tocou a lateral do rosto do seu então noivo e Olivia cobriu seus lábios com um breve beijo.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Seg Dez 28, 2015 12:52 am

Ao fim do enfadonho discurso do Sr. Lestrange, o anel deslizou com perfeição pelo dedo de Olivia, encaixando-se ali como se tivesse sido feito sob medida para a ruiva.

A joia tomou para si toda a atenção dos convidados, que estavam boquiabertos com a beleza do rubi. Exatamente por isso, ninguém pareceu perceber o brilho diferente nos olhos dos protagonistas daquela cena.

O coração de Rodolphus falhou uma batida quando a ruiva deu um passo na direção dele, exterminando a pequena distância que os separava. As pálpebras de Lestrange pesaram no instante em que Olivia tocou seu rosto, de forma que o rapaz não viu, apenas sentiu quando os lábios delicados dela alcançaram os seus.

Geralmente, aquele tipo de noivado costumava ser finalizado com um comportado beijo no canto dos lábios. Os casais mais envolvidos pelo momento eventualmente arriscavam um selinho rápido e superficial.

Portanto, Rodolphus e Olivia quebraram todas as expectativas quando mergulharam num beijo um pouco mais demorado.

Os lábios de ambos se moveram de forma harmônica por alguns segundos até que um pigarro do Sr. Lestrange colocou um fim precoce naquela exibição que, aos olhos do homem, era desnecessária e exagerada.

- Talvez tenhamos que adiantar a data. – Gaspard brincou para suavizar o clima – É evidente que eles estão apaixonados!

Quando se afastou da futura Sra. Lestrange, Rodolphus estava confuso com o próprio coração acelerado. Talvez tivesse sido apenas resultado da surpresa por receber aquele beijo inesperado, mas o rapaz sentia-se nas nuvens. Nenhuma de suas conquistas anteriores jamais conseguira desconcertar Rodolphus com um simples beijo.

Mas um pouco daquele encantamento se perdeu quando Lestrange recuperou a capacidade de raciocinar e pensou na grande possibilidade daquele beijo ser parte do script planejado por Olivia para aquela noite. Os dois tinham concordado em encenarem o papel de casal perfeito e provavelmente Russel estava apenas empenhada em fazer uma encenação convincente.

- O jantar será servido em alguns minutos. – a voz de Meredith quebrou o silêncio – Por favor, queiram ocupar os seus lugares.

Era notável que a governanta era a única pessoa do recinto que acreditava na sinceridade daquele beijo e parecia feliz pelo casal. Até mesmo Olivia e Rodolphus pareciam questionar os verdadeiros motivos por trás daquela carícia, mas Meredith não tinha dúvidas de que fora um beijo verdadeiro.

A governanta trabalhara para os Russel por décadas e sabia reconhecer melhor do que ninguém uma carícia mecânica e um beijo sem afeto.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Severus Snape em Seg Dez 28, 2015 1:48 am

Enquanto Barbara falava, Lucius caminhou lentamente até uma das poltronas próximas da lareira, mantendo seu copo de firewhisky firme em seus dedos. A cabana da família Malfoy proporcionava um conforto muito mais digno do que o porão do Caldeirão Furado.

Apesar do local fechado, o cheiro predominante era de eucaliptos. O frio que emanava das paredes mostrava que estavam em um local muito mais alto do que Londres, e mesmo sem neve, era gélido. Apenas o fogo da lareira e o calor provocado pela bebida tornava o ambiente mais agradável.

O copo de cristal estava parado diante do nariz de Lucius enquanto ele sentia o odor tão conhecido da bebida, apreciando em pequenos goles. O olhar estava perdido nas chamas movimentadas da lareira enquanto escutava atentamente a informação dada por Robinson.

Quando ela mencionou o diretor de Hogwarts, ele finalmente desviou as íris azuis para encará-la, sem disfarçar a surpresa. Quando havia concordado com aquela parceria, jamais imaginou que Barbara pudesse lhe dizer qualquer coisa que o levasse até Albus Dumbledore.

Mesmo que a informação não fosse concreta, Malfoy sentiu o entusiasmo esquentar seu peito. Se tivesse a menor pista do que Dumbledore estivesse tramando, poderia pessoalmente derrubar o velho professor, o que certamente faria com que a atenção de Voldemort se voltasse positivamente para ele.

- Realmente não é uma informação muito valiosa. – Lucius concordou, terminando sua bebida com um único gole. – Mas é mais do que eu esperava de você, Robinson.

Um sorriso torto tomou conta de seu rosto pálido quando ele encarou a morena com aprovação. Talvez o aborto da natureza pudesse mesmo ser útil, afinal de contas.

- Mas na próxima vez, não hesite em me procurar para trazer qualquer informação. Eu quero sempre ser o primeiro a saber de qualquer coisa, mesmo que você não julgue importante.

Ele se remexeu na poltrona e com um movimento da varinha, trouxe a garrafa de firewhisky flutuando até seu alcance, se servindo de mais uma dose.

- Afinal, seu julgamento não é o mais adequado para o assunto.

Os olhos claros do bruxo voltaram a encarar Barbara de cima a baixo, sem o menor pudor. Desta vez, Malfoy ignorou completamente as vestes de segunda mão. Mesmo com os trapos que ela usava, era possível notar o corpo magro, com cada curva e medida adequada para uma moça de sua idade.

Foi inevitável imaginá-la em um belo vestido, desfilando com o nariz arrebitado, empinado exatamente como Cissy fazia. Lucius apoiou o indicador contra o próprio lábio enquanto se perdia naqueles pensamentos. Por fim, ele soltou um suspiro e enfiou a mão no bolso, trazendo a bolsinha de veludo pesada com o tintilar das moedas de ouro.

- É mais do que você merece. Mas não vou deixar de cumprir a minha parte.

O copo de Firewhisky foi colocado em uma mesinha ao lado e as moedas foram esticadas na direção dela.

- Você quer beber alguma coisa?

Ao escutar as próprias palavras em voz alta, Lucius mordeu o lábio inferior. Oferecer uma bebida a um aborto, como um igual, era tão irracional quanto convidar um elfo doméstico para jantar ao seu lado. Tentando corrigir as próprias palavras, ele largou a bolsinha de moedas que caiu com um estrondo na mesa de centro.

- Mais uma vez, não confio no casaco que você escolheu. O firewhisky vai te esquentar e impedir que congele. Aqui em cima é mais frio do que em Londres.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Seg Dez 28, 2015 2:05 am

Olivia agradeceu mentalmente quando os convidados começaram a deixar a mansão no final do jantar. Toda aquela farsa era desgastante e ela torcia intimamente pelo momento em que ficasse novamente sozinha, sem máscaras.

Por vários momentos, desde a entrada até a sobremesa, a jovem Russel se flagrou fitando o bonito anel em seu dedo, tentando absorver a realidade do que estava acontecendo. No fundo, toda aquela festa parecia ser montada por cenas vividas por outra pessoa, como se seu corpo e mente não estivessem de fato ali.

Ver finalmente seu destino se concretizando era mais difícil do que a ruiva previra, mas em nenhum momento ela se deixou vacilar.

Restava apenas a família Lestrange quando Olivia voltou a assumir seu lugar ao lado de Rodolphus, na sala de estar. Gaspard ajudava Ruth a vestir seu sobretudo marrom e Rabastan já estava impaciente, completamente vestido, com a expressão de tédio.

- Estava tudo maravilhoso, Liv querida! Não vejo a hora de começarmos a preparar os detalhes para o casamento!

Acostumada com aquele sorriso mecânico que usara durante toda a noite, Olivia meneou com a cabeça e tocou o braço de Rodolphus com sua mão, ignorando quando o anel roçou contra o casaco dele.

- Ainda está cedo, Ruth. Mas tenho certeza que será tudo inesquecível.

A mulher guinchou em uma risadinha excitada enquanto pegava a bolsa que lhe era oferecida pelo marido. Aproveitando o pequeno momento de distração do casal, Olivia aproveitou para se inclinar na direção de Rodolphus.

- Pode ficar mais um momento? Tem apenas mais um assunto que gostaria de discutir com você...

Sem soltar o noivo, ela voltou sua atenção ao restante da família Lestrange.

- Gostaria que Rodolphus ficasse um pouco mais, se não se importam.

- Aaaah, apenas prometam se comportar, sim? – Gaspard lançou um olhar maroto ao filho mais velho, sem esconder o enorme sorriso em seus lábios por baixo do bigode grisalho enquanto acompanhava a esposa e o filho porta a fora.

No momento em que se viu sozinha, Olivia soltou o braço de Rodolphus e inclinou com a cabeça para as escadas.

- Pode me acompanhar?

Com alguns passos a frente, a jovem órfã o guiou até próprio quarto. O lugar estava exatamente como ela havia deixado antes, apenas sem a presença de Nathaniel. O vestido vermelho continuava intocado sobre a cama e mais uma vez foi ignorado pela dona da casa quando ela caminhou até a cômoda, tirando de lá uma caixa de um verde musgo.

Quando ela se colocou novamente na frente de Rodolphus, não usava a máscara de sorrisos falsos. Estava novamente séria ao lhe entregar a caixinha.

- Os Russel têm uma tradição também. Meu pai deveria te dar isto hoje, em retribuição ao noivado.

Olivia esperou que ele abrisse a caixinha até revelar um relógio de bolso antigo, banhado em ouro. Era nítido que a peça tinha anos e anos de existência, mas ainda estava em perfeito estado.

- Este relógio passa de geração em geração. Normalmente é passado para o filho homem, mas como nunca tive irmãos, ele deve pertencer a você.

Os olhos claros encararam o relógio por alguns segundos até que ela balançasse os ombros, girando as íris momentaneamente impaciente, lembrando a jovem de dezoito anos que ela deveria ser.

- É um tanto inútil, se quer saber a minha opinião. Mas eu não poderia deixar de lhe entregar.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Danika Lehmann em Seg Dez 28, 2015 2:14 am

Foi com satisfação que Barbara notou que a sua informação, mesmo que incompleta, havia sido aprovada por Malfoy. As críticas já eram esperadas e não surpreenderam a balconista da Von Hants Potions. Por outro lado, foi inevitável arregalar os olhos ao escutar a oferta “quase” educada de Lucius.

Robinson nunca havia sido convidada para beber com um bruxo. Muito menos com alguém de sangue tão puro. A surpresa da garota foi tão grande que, a princípio, ela ignorou por completo a bolsinha de veludo lotada com moedas de ouro bem ao alcance de suas mãos.

Mesmo depois que Malfoy tentou consertar aquele deslize com mais um festival de hostilidades, a garota continuou perplexa. Os olhos verdes piscaram várias vezes antes que Barbara finalmente conseguisse reagir.

- Eu... – Barbara pigarreou para recuperar a voz depois de tamanha surpresa – Eu não tenho o costume de beber, Sr. Malfoy. Mas realmente está bem frio. Acho que não seria uma ideia tão ruim assim.

O mais lógico era Lucius levá-la de volta para casa agora que Robinson já dissera a única informação que possuía. Mas a forma confortável como o bruxo estava acomodado no sofá mostrava que isso não estava nos planos dele. Portanto, era melhor que Barbara tentasse se adaptar ao vento gelado que cercava a cabana.

Um nó na garganta obrigou a garota a engolir em seco enquanto seus olhos observavam a garrafa de firewhisky que, obedecendo ao comando de um toque da varinha de Lucius, inclinou-se e serviu uma generosa dose da bebida em um copo. O copo flutuou calmamente, até chegar ao alcance das mãos da balconista.

O agradecimento de Barbara soou num sussurro meio tenso. Seus olhos observavam a coloração do firewhisky e ela cheirou o líquido, estranhando o odor forte e inédito. Embora vivesse entre os bruxos, Robinson nunca experimentara nada além da famosa cerveja amanteigada. Bebidas caras como aquela que agora repousava entre seus dedos nunca haviam passado pela mente da garota.

O primeiro gole foi horrível. Lucius certamente se divertiria ao ver Barbara tossindo e lacrimejando, como se tivesse acabado de ingerir uma das chamas da lareira. A garota levou uma das mãos ao pescoço, como se quisesse garantir que sua garganta continuava inteira depois que o firewhisky descera por ali queimando tudo ao seu redor.

Contudo, contrariando todas as expectativas, o copo não foi deixado de lado depois daquela primeira experiência péssima. Barbara precisou de alguns segundos para recuperar o fôlego e tomar o segundo gole. A bebida novamente desceu queimando a garganta de Robinson, mas desta vez ela já esperava por isso.

Embora o gosto e a sensação provocada pelo firewhisky não fossem nada agradáveis, Barbara precisava concordar com Malfoy: a bebida realmente aliviava o frio. Na verdade, depois do terceiro gole, a garota já sentia o rosto mais corado e o novo casaco começava a esquentá-la de forma incômoda. E também era notável que sua visão começava a ficar mais embaçada na mesma intensidade em que o chão parecia se tornar menos firme.

- Eu preciso me sentar...

Mesmo sem um convite formal, Barbara deu alguns passos vacilantes na direção do sofá e deixou o corpo cair no assento ao lado de Malfoy. O copo foi levado mais uma vez aos lábios dela, e desta vez Robinson tomou o restante da bebida em um só gole.

- Isso é horrível.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Seg Dez 28, 2015 2:53 am

Enquanto seguia os passos de Olivia pelas escadas da mansão, Rodolphus se perguntou o que estava havendo ali. Agora não havia mais uma plateia e, portanto, era desnecessário manter a máscara que ambos usaram durante todo o jantar. Se Russel insistira naquela conversa, provavelmente o assunto era importante.

Embora já fossem oficialmente noivos, Lestrange estancou por alguns segundos na porta do quarto da ruiva. O perfume de Olivia impregnado nos móveis e nas paredes tornava aquele cômodo bastante íntimo, mesmo para aquele que seria o marido dela dentro de alguns meses.

Movido pela curiosidade, Rodolphus entrou no quarto depois daquela breve pausa. Conforme o esperado, o cômodo era amplo, confortável e possuía uma decoração de extremo bom gosto.

Mas de todos os detalhes do quarto, o que mais chamou a atenção do herdeiro dos Lestrange foi o belíssimo vestido vermelho tristemente abandonado sobre a cama. Rodolphus admitia que a noiva estava linda no elegante vestido preto, mas o tecido vermelho teria ficado ainda mais radiante em contraste com a pele pálida e em sintonia com os cabelos ruivos. Sem mencionar que teria combinado perfeitamente com o rubi que agora brilhava no dedo de Russel.

O raciocínio de Rodolphus ainda estava focado em visualizar Olivia dentro do belo vestido vermelho quando a ruiva o trouxe de volta à realidade, posicionando-se em frente ao rapaz e estendendo na direção dele o valioso relógio de bolso que pertencera a Dimitri.

Não era uma peça moderna, mas o bom gosto se fazia presente em cada detalhe do relógio. Tratava-se claramente de um item valioso, tanto pelo ouro que banhava sua estrutura quanto por se tratar de uma antiguidade em perfeito estado de conservação.

Era uma joia de família como muitas outras, mas era óbvio que tinha um valor sentimental para os Russel. Exatamente por isso, Rodolphus se sentiu honrado em receber aquele presente. Por mais que Olivia estivesse apenas seguindo o roteiro que teria sido traçado pelo pai, era gratificante tornar-se o novo dono daquela relíquia.

- É uma bela peça, Olivia. E não acho que seja inútil. É uma tradição da família Russel. Eu me sinto honrado em fazer parte disso.

O herdeiro dos Lestrange segurou o relógio pela delicada corrente dourada e o admirou por mais alguns segundos antes de guardá-lo no bolso interno do paletó.

Por mais que tentasse se controlar, Rodolphus não foi capaz de conter aquele comentário. Seus olhos escuros se mantiveram fixos em Olivia, mas a cabeça do rapaz fez um breve movimento na direção da cama, indicando o vestido vermelho ignorado pela noiva naquela noite.

- Você teria ficado ainda mais perfeita nele, han?

As palavras foram escolhidas cuidadosamente, tanto para evitar que Olivia se ofendesse quanto para camuflar qualquer sentimento mais intenso que pudesse se expor num descuido de Lestrange.

- Eu compreendo e respeito o seu luto, Olivia. Mas também preciso dizer que provavelmente já chegou a hora de dar o primeiro passo na direção da superação. Mudar a cor das roupas talvez seja uma boa maneira de começar...

Uma das mãos de Rodolphus se ergueu e ele levou os dedos ao rosto delicado da futura esposa, segurando o queixo dela de forma doce. Os olhos escuros tinham uma expressão suave que Dimitri nunca tivera com a esposa.

- A partir de agora, você só estará sozinha se esta for a sua vontade, Olivia.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Severus Snape em Qui Dez 31, 2015 3:14 am

Um sorriso torto e o olhar sádico fez as íris azuis brilharem divertidas a cada nova careta que Bárbara fazia com as goladas no firewhisky. Era prazeroso ver a forma como ela se contorcia enquanto assimilava aquele novo sabor da bebida, mas também havia algo além do que se deliciar em ver seu sofrimento.


A forma com que ela espremia os lábios em um biquinho, ou franzia o nariz arrebitado e fechava os olhos era tão espontânea que Lucius se pegou pensando que era uma reação adorável. Ele se lembrava de sua própria experiência quando bebeu o firewhisky pela primeira vez.


Pego de surpresa com o ardido do líquido, ele engasgou e tossiu descontroladamente por alguns minutos e, quando conseguiu recuperar o fôlego, estava com as orelhas vermelhas e as bochechas coradas, em uma visão completamente desengonçada e oposta a de Robinson. Precisou de alguns anos de pratica até aprender a admirar o sabor do firewhisky.


Malfoy levou o copo até os lábios, dando um generoso gole e sua própria dos. A sensação conhecida do calor que descia pela garganta e lhe esquentava completamente por dentro logo reapareceu, mas agora ele também sabia diferenciar o sabor único que ficava em sua boca, relaxando o seu corpo.


O copo havia sido mais uma vez afastado quando o comentário de Barbara alcançou seus ouvidos. Foi inevitável inclinar a cabeça para trás e soltar uma espontânea e alta gargalhada.


Não era comum ver Lucius Malfoy rindo de forma tão leve e natural, sem o familiar olhar gelado que tornava suas feições mais cruéis e ele chegava a parecer outra pessoa. Era até possível dizer que parecia mais jovem e bonito.


Seus ombros balançaram levemente no ritmo de sua gargalhada e os lábios curvaram em um sorriso aberto que mostrava todos os dentes. Quando ele finalmente se recuperou, se ajeitou na poltrona, puxando a barra da acima negra que vestia para baixo.


Os olhos ainda expressavam a suavidade do momento, assim como o sorriso, embora menor, ainda preenchesse seu rosto. Por um momento, Lucius até se esqueceu que estava socializando com um aborto da natureza.


Bárbara era bonita demais, e apesar das roupas simples, era inquestionável que tivesse traços aristocratas. Estar compartilhando uma bebida com ela parecia tão natural como se estivesse com Cissy.


- Este é o melhor que há no mercado. Com certeza você não encontra um desses no porão do Caldeirão Furado.


Com os movimentos mais lentos pelo efeito da bebida, seus olhos se moveram preguiçosamente, como se fossem pesados demais, até se fixar ebriamente nas íris esverdeadas a sua frente.


Mais uma vez, Lucius se deixou admirar o rosto delicado de Robinson e, sem perceber, prendeu a respiração quando tomou consciência da beleza em seus traços já livres das caretas.


- Ao menos esquentou? Posso descartar que morra precocemente de hipotermia?


Apesar do fundo maldoso em seu comentário, a voz de Lucius não estava arrogante como sempre, com a urgência em humilhar a balconista. Seu largo sorriso havia reduzido e era apenas ma sombra na curva dos lábios, mas era notável como os olhos azuis estavam mais suaves.

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Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Qui Dez 31, 2015 1:13 pm

O ar escapou silenciosamente entre os lábios de Olivia e ela cruzou os braços contra o peito, instintivamente, em uma tentativa tola de se proteger daquela aproximação sentimental iniciada por Rodolphus.

Apesar de ter sido pega de surpresa, a ruiva não se afastou e não desviou o olhar do noivo, encarando as íris castanhas de uma a outra consecutivamente. Uma vozinha em sua mente lhe dizia que ela deveria odiá-lo, mas a carência pelos meses sem qualquer tipo de intimidade emocional parecia falar mais forte.

A jovem Russel sempre foi uma menina cheia de vida, e relativamente normal, dentro dos padrões de uma família dona de um império. Ela sempre teve boas notas e tinha alguns poucos amigos, embora estivesse sempre rodeada de pessoas interesseiras com quem sabia lidar perfeitamente. Sempre exibia um sorriso nos lábios e um brilho único nos olhos castanhos, exatamente como uma adolescente feliz deveria ser.

Desde a morte dos pais, Olivia havia se prendido em um mundo apenas dela, onde era incapaz de sorrir ou se permitir ser feliz. Saber que havia alguém a sua frente lhe oferecendo companhia naquele momento tão sombrio fez seu coração disparar e ela ficou tentada a aceitar aquela oferta muda de Rodolphus.

- Obrigada... – Ela sussurrou, a voz soando tímida pela primeira vez.

Era difícil manter sua posição fria quando Lestrange estava se portando de uma forma tão diferente do esperado. Mas a ruiva logo se lembrou do motivo dele estar ali. Se não fosse o acordo entre as duas famílias, os dois provavelmente nem se conheceriam. Eram diferentes demais para qualquer tipo de envolvimento.

Antes da tragédia dos Russel, Olivia era espontânea e divertida. Rodolphus era sério e interpretava bem o seu papel como primogênito de uma família de sangue-puro. O discurso de ódio dele, a respeito da guerra que se iniciava, fez com que ela recuasse um passo. Se ele soubesse a verdadeira origem de seu nascimento, não estaria tocando-a com tanta intimidade.

- Mas você realmente não precisa fazer isso, Rodolphus. Nós dois já chegamos a um acordo para viver pacificamente, mas sabemos perfeitamente que você só está aqui hoje porque seus pais o obrigaram. Minha herança é grande demais para que eles façam a sua vontade testa vez.

Olivia descruzou os braços e alisou as próprias vestes enquanto caminhava até o vestido vermelho sobre a cama, encarando-o como se ele fosse o culpado de sua fraqueza. Sem pensar duas vezes, a roupa foi arremessada em uma lixeira redonda e vazia que ficava sob sua escrivaninha.

- Não estou pronta para seguir em frente, Rodolphus. Eu não me sentiria bem usando roupas tão alegres quando ainda me sinto tão triste. Já disse que serei a esposa que você espera mostrar para a sociedade, mas isso não lhe dá o direito de opinar sobre minhas vestes.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Danika Lehmann em Qui Dez 31, 2015 1:41 pm

Não era a primeira vez que Barbara experimentava uma bebida alcoólica. Mas, sem dúvida, o firewhisky era a pior das poucas experiências da garota com bebidas. Além de forte, o líquido despertava um calor incontrolável. Mesmo com o ambiente gelado que cercava a cabana, as bochechas de Robinson começavam a adquirir uma coloração rosada por causa da elevação da temperatura provocada pela bebida.

Apenas uma dose foi o bastante para que a visão de Barbara ficasse fora de foco. O interior luxuoso da cabana dos Malfoy parecia fruto de um sonho, com os objetos meio distorcidos, as paredes oscilando e o chão flutuando como se abaixo deles houvesse ondas de um mar calmo ao invés de terra firme.

Para completar aquele cenário, a gargalhada de Lucius ecoou como uma trilha sonora tão improvável quanto o restante da cena.

Pela primeira vez, não era uma risada sarcástica. Malfoy não estava sendo sádico e nem menosprezava os “defeitos” do aborto ao seu lado. Ele apenas ria espontaneamente, como se fosse um rapaz normal, ao lado de uma garota comum, sem qualquer tipo de amarras impostas pelo abismo social que os separava.

Era difícil manter os olhos abertos quando tudo ao seu redor começava a girar. Mas Barbara se abrigou a manter as pálpebras pesadas erguidas e fixou a sua atenção em Lucius.

O herdeiro dos Malfoy simbolizava tudo o que Robinson deveria desprezar e temer. Era um bruxo de sangue-puro que não perdia a oportunidade de humilhar qualquer um que ele julgasse inferior. No caso dela, um aborto da natureza, era óbvio que Lucius a enxergava no mesmo patamar de um trasgo ou de um elfo doméstico. Eram bruxos como Lucius Malfoy que encabeçavam a guerra que vitimava mais inocentes a cada dia. Barbara ainda não tinha certeza, mas sabia que eram enormes as chances do próprio Lucius ser um dos encapuzados que se intitulavam Comensais da Morte.

Apesar de ter este conhecimento, Robinson precisava admitir para si mesma que se sentia atraída por ele. Malfoy era um rapaz inegavelmente bonito, tinha um bom porte, traços bem feitos. Os cabelos loiros sedosos faziam os dedos de Barbara formigarem de vontade de tocar os fios para conferir se eram tão macios como pareciam ser.

Mas não era apenas pela beleza externa que a balconista da Von Hants Potions se sentia seduzida. A arrogância de Lucius era um detalhe dispensável da personalidade do rapaz, mas Barbara gostava da maneira como Malfoy controlava tudo, de sua aparente autoconfiança. Ele era diferente de todos os rapazes tolos e inseguros que a morena já conhecera.

- Eu não vou morrer por causa do frio. – os olhos verdes giraram – Talvez morra por causa dessa bebida terrível, mas não mais pelo frio.

Apesar de experimentar a gostosa sensação de embriaguez do firewhisky, Barbara ainda tinha algum controle das próprias ações. Mas a garota viu naquele momento uma oportunidade única de creditar à bebida um pequeno ato de loucura.

Sem desviar os olhos das íris azuis, Barbara se inclinou na direção do bruxo e levou uma das mãos aos cabelos de Lucius. Seus dedos delicados mergulharam nos fios loiros, saciando aquela vontade insana de sentir a suavidade daquele toque. Quando a voz de Robinson ecoou, foi numa entonação mais baixa e delicada.

- Eu não sabia que a minha sobrevivência era uma das suas preocupações.
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