A Marca Negra

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Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Seg Jan 04, 2016 12:27 am

Nos dias que se seguiram ao jantar com a família Lestrange, Rodolphus manteve o comportamento dócil e carinhoso com a esposa. Mesmo que estivesse visivelmente ocupado com o trabalho e com as suas tarefas como Comensal da Morte, Lestrange se esforçava para estar presente e para fazer companhia à esposa durante todas as refeições.

Meredith parecia tão feliz quanto o casal, principalmente porque os sorrisos sinceros tinham retornado aos lábios de Olivia. Além de dar aos dois todo o espaço e a privacidade que eles precisavam naquele momento, Meredith colaborava com dicas sutis. Por sorte, Rodolphus era inteligente o bastante para entender que um “inocente” comentário sobre as flores preferidas da ruiva era uma insinuação de que o quarto de Olivia deveria amanhecer com um arranjo de rosas amarelas na manhã seguinte.

As gentilezas de Rodolphus logo começaram a ser recompensadas. Meredith achou que não viveria para ver isso, mas Olivia começou a se esforçar para agradar o marido até nas pequenas coisas.

Naquela noite, por exemplo, Lestrange estava trabalhando no escritório quando Olivia foi até a cozinha e encheu uma taça com sorvete de nozes, o preferido do rapaz. A governanta abriu um sorriso e não fez comentários quando viu a ruiva cruzar a sala, caminhando na direção do escritório do marido.

- Por que será que eu tenho a ligeira impressão que você está me imitando, han?

Ainda havia muito trabalho a ser feito. Agora que administrava as duas fortunas, Rodolphus também tinha obrigações em dobro e os documentos se acumulavam sobre a mesa do escritório numa velocidade assustadora. Mas não havia nada absurdamente urgente, nada que o impedisse de dar um pouco mais de atenção à esposa naquela noite.

Aproveitando-se daquela proximidade da esposa, Lestrange arrastou a cadeira alguns centímetros para trás e abriu espaço antes de puxar Olivia cuidadosamente até que a ruiva estivesse sentada no seu colo. A posição fez com que a saia da ruiva subisse mais alguns centímetros acima dos joelhos dela e não foi totalmente inocente o olhar que Rodolphus lançou na direção das pernas da esposa, satisfeito não só com a imagem, mas também com a certeza de que Olivia estava se recuperando.

Embora não estivesse com vontade de comer doces, Rodolphus enxergou a taça de sorvete como um presente irrecusável.

Sem retirar Olivia de seus braços, o rapaz pegou a sobremesa e levou uma colherada generosa à boca. Seus lábios ainda estavam gelados quando roçaram no pescoço da esposa.

- Você disse que a Mer já foi dormir...? – a voz rouca soou num sussurro – É bom saber que ela não vai aparecer aqui para nos botar na cama, como crianças.

Uma das mãos de Rodolphus subiu até o rosto da esposa e ele a virou com suavidade, até que Olivia estivesse voltada para ele. Os lábios dela já estavam curvados para um beijo, mas Lestrange ainda a torturou por alguns segundos, durante os quais permitiu que os olhos castanhos admirassem cada detalhe do rosto dela.

Só então, o beijo esperado aconteceu, desta vez com um delicioso sabor de sorvete e de calda de nozes. Com a mão livre e sem interromper o beijo, Lestrange tocou os joelhos da esposa e foi subindo os dedos vagarosamente numa carícia.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Seg Jan 04, 2016 12:54 am

A carícia em sua perna poderia ser singela demais para marido e mulher, mas era uma novidade para o casal que começava a construir aquela novidade. Um arrepio percorreu todo o corpo de Olivia como uma corrente elétrica enquanto beijava Rodolphus, aproveitando aquela posição para brincar com os primeiros botões da camisa dele.

Seus dedos logo encontraram o caminho para tocá-lo diretamente na pele, sentindo a textura macia e gostosa que apenas a instigava em uma tentação para continuar com aquele contato.

Durante longos segundos, Olivia correspondeu ao beijo enquanto seus dedos acariciavam o pescoço e a nuca de Rodolphus. Quando ela se afastou, mantendo o nariz roçando ao dele, abriu um sorriso de admiração. A mão deslizou até tocar a barba por fazer, sentindo os pelos espetarem sua pele delicada.

- Preciso admitir, Rodolphus.... Eu tenho um marido mais lindo do que esperava.

Aproveitando a mão que tocava sua barba, Olivia levou o indicador até os lábios do marido, mordendo o próprio lábio ao admirar a forma perfeita da boca que passara a beijar com tanta frequência.

- Eu odiei o seu sorriso à primeira vista. Tão arrogante, tão convencido....

Ela girou os olhos ao lembrar o primeiro encontro dos dois na casa dos Lestrange, enquanto os pais de Rodolphus tentavam desesperadamente que a órfã cumprisse sua parte no acordo e garantisse a fortuna dos Russel. Apesar da lembrança daquele passado não muito feliz, Olivia manteve o sorriso nos lábios enquanto desabotoava mais alguns botões da camisa de Rodolphus, os olhos cor de mel fixos no pedaço de pele que era revelado.

- Mas acho que eu só não queria admitir o quão atraente te achei desde o primeiro segundo.

A ruiva se inclinou para frente e foi a sua vez de depositar um beijo no pescoço de Rodolphus. Aproveitando a proximidade de seus lábios, ela os roçou na orelha de Lestrange e mordeu levemente o lóbulo antes de sussurrar.

- Você é mais bonito do que a minha sanidade conseguiria suportar, Dolphus. Estou muito feliz que a gente tenha conseguido superar todos os problemas.

Uma trilha de beijos foi dada da orelha até a boca de Rodolphus, estalando várias vezes na bochecha e sobre a barba baixa e bem-feita. Antes que finalmente alcançasse os lábios dele, Olivia recuou o rosto e o encarou, divertida.

- Mas você não deveria se aproveitar da ausência da Mer. Eu acho mesmo que deveríamos ir para a cama, está tarde.

O brilho que passou pelos olhos castanhos denunciou as segundas intenções nas palavras de Olivia enquanto seu coração começava a acelerar diante daquela oferta.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Seg Jan 04, 2016 1:25 am

- Deixe-me te contar um segredo, Olly. Eu sou mesmo arrogante e convencido. Mas é bom saber que você começou a gostar até dos meus defeitos...

Era muito estranho ter aquela conversa com Olivia depois de toda a crise vivida logo após o casamento. Rodolphus imaginou que estava mergulhado para sempre numa relação vazia e sem amor, mas agora se via aos beijos apaixonados com a esposa, trocando revelações e brincando com os problemas do passado.

- Preciso te contar outro segredo. – um brilho de divertimento iluminou os olhos castanhos – Eu também detestei o seu jeito autoritário e possessivo. No fundo eu sabia que você tentaria mandar em mim no instante em que trocássemos as alianças. Não me enganei, han? Cá está você ordenando que eu pare de trabalhar.

O sorriso de Lestrange se tornou mais doce e ele segurou uma das mãos de Olivia, levando-as até seus lábios. As pontas dos dedos da ruiva receberam beijos antes que o rapaz respondesse à declaração dela.

- Eu também estou feliz por superarmos os problemas. Quando eu pensei que perderia você, eu percebi que não fazia sentido desperdiçarmos esta oportunidade, Olly. Pode dar certo, só depende de nós dois.

Quando Olivia mergulhou naqueles beijos e carícias, Rodolphus já sabia onde os dois terminariam aquela noite. Talvez fosse cedo demais para dois jovens que ainda estavam se conhecendo, mas já era tarde demais para um casal que fizera votos matrimoniais há mais de quatro meses. No fim das contas, aquela parecia ser uma boa noite, afinal.

- Meredith ficaria orgulhosa de nós dois.

Com um toque da varinha, Rodolphus enviou a taça de sorvete de volta para a cozinha. Definitivamente, agora havia uma distração muito melhor para ele do que a sobremesa.

Como um casal de adolescentes, Rodolphus e Olivia trocaram um olhar cúmplice antes de entrelaçarem seus dedos e correrem pela escadaria da mansão. Antes mesmo de chegarem ao quarto de Olivia, os dois já haviam unido os lábios novamente num beijo sufocante.

Depois que atravessaram o batente, sem interromper os beijos, Rodolphus fechou a porta do quarto empurrando-a com um dos pés. Seus braços enlaçaram a esposa com ainda mais firmeza, fazendo com que os corpos ficassem colados.

Logo foi preciso interromper o beijo para que os pulmões recuperassem o ar, mas Lestrange se manteve próximo à ruiva e deslizou a ponta do nariz no pescoço dela, absorvendo o delicioso perfume impregnado na pele de Olivia.

- Eu também preciso admitir que a minha esposa é muito mais bonita do que eu imaginava, mesmo nos meus sonhos mais otimistas.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Seg Jan 04, 2016 1:52 am

Quando imaginava que um dia fosse se deitar na mesma cama que Rodolphus, Olivia poderia jurar que seria apenas para cumprir seu papel naquele casamento obrigatório e ter a oportunidade de dar um herdeiro que cuidasse da fortuna dos Russel e Lestrange.

Ela jamais imaginou que fosse encarar uma noite ao lado do marido com tanto desejo. Cada toque e beijo fazia seu corpo responder automaticamente, esquecendo todos os problemas que os dois já haviam enfrentado.

O casal finalmente se comportava como deveriam estar no dia do casamento, completamente apaixonados e alheios ao restante do mundo. A Sra. Lestrange não conseguia acreditar no tamanho da sua felicidade quando finalmente adormeceu nos braços de Rodolphus, exausta.

O quarto que por tantos meses foi o cenário da luta entre a vida e a morte da ruiva, agora servia perfeitamente para a primeira noite entre os Lestrange, mostrando que todas as sombras que acompanharam o início daquele relacionamento estavam sendo apagadas e dando uma chance nova para Olivia e Rodolphus.

As cortinas estavam fechadas, mas a luz insistente do sol conseguia entrar por algumas brechas, finalmente despertando Olivia na manhã seguinte. Os cabelos vermelhos estavam espalhados sobre o travesseiro em um contraste perfeito enquanto ela observava o sono tranquilo do marido ao seu lado.

Com um sorriso sereno, ela tocou o lençol branco que cobria seu corpo enquanto se inclinava para frente, beijando-o suavemente na testa. Suas pernas estavam entrelaçadas as dele, impedindo que deixasse a cama sem também despertá-lo.

Rodolphus parecia ainda mais bonito com os cabelos bagunçados e o rosto tranquilo de quem dormia alheio a todos os acontecimentos do mundo. As costas largas estavam expostas pelo lençol que o cobria apenas da cintura para baixo, e Olivia ousou tocá-lo, sentindo a textura perfeita da pele e dos músculos definidos. Era incrível como Lestrange conseguia ser atraente de todas as formas.

As pálpebras dele tremeram antes de revelarem os olhos castanhos confusos pelo sono, o que fez com que o sorriso da ruiva se alargasse ainda mais.

- Bom dia... – Ela sussurrou, girando pela cama agora que podia mexer as próprias pernas.

Deitada de bruços, Olivia apoiou o peso do próprio corpo nos cotovelos enquanto mantinha a cabeça inclinada para o lado, encarando Rodolphus.

- Eu estava pensando.... Esta noite foi a prova concreta de que estou perfeitamente recuperada. Eu acho que não temos uma desculpa muito convincente para não aparecer no casamento do seu amigo.

Antes que o rapaz tivesse a chance qualquer objeção, Olivia balançou a cabeça, fazendo com que as pontas dos cabelos vermelhos deslizassem pelo travesseiro.

- Seu pai deixou bastante claro que isto é importante para você, Dolphus. E eu prometi que estaria ao seu lado nesse tipo de evento, não foi? A sorte é que não precisamos mais fingir sermos um casal. Nós somos, de verdade. E eu não poderia deixar você perder uma data tão importante para o seu amigo.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Danika Lehmann em Seg Jan 04, 2016 2:19 am

Independente de qualquer coisa, Barbara sabia que iria se arrepender amargamente se não aproveitasse aquela chance ofertada pelo destino. Mesmo se o futuro levasse os dois em direções opostas e aquele relacionamento fracassasse nas próximas semanas, Robinson estava certa de que se arrependeria se não ouvisse os próprios instintos naquele dia.

Foi por isso que a morena deixou-se levar e retribuiu a cada um dos beijos e das carícias de Malfoy, mesmo sabendo exatamente o que o rapaz pretendia enquanto a levava na direção do principal quarto da cabana. Barbara era inexperiente, mas não era tola. E se havia permitido que as coisas chegassem até aquele ponto, era porque pretendia levar a ideia adiante.

Apesar disso, Robinson aprovou a atitude de Lucius quando o rapaz fez questão da aprovação dela para continuar. Seria engraçado ver como ele reagiria se a garota recuasse naquele ponto das carícias, mas Barbara não teve coragem de brincar com tamanha tortura.

- Eu pareço disposta a desistir, Lucius...?

Os olhos verdes estavam determinados quando encararam Malfoy. Não havia nem mesmo uma discreta sombra de medo no semblante da morena. É claro que Barbara se sentia ansiosa e algo apreensiva diante de uma experiência desconhecida, mas ela confiava em Lucius e sabia que o rapaz seria incapaz de lhe fazer mal.

O consentimento de Robinson se tornou ainda mais claro quando ela levou as mãos até o peito de Malfoy e começou a abrir lentamente os botões da camisa dele. Barbara já tinha visto Lucius sem camisa no dia em que salvara a sua vida, mas a cena atual tinha uma conotação completamente diferente.

Um arrepio gostoso se espalhou pelo corpo da garota quando suas mãos finalmente atingiram a pele de Malfoy, por baixo da camisa.

Barbara queria ir adiante porque estava apaixonada e porque ter Lucius era como realizar um sonho. Mas, no fundo, também havia um gostinho especial em pensar que ela ganharia de Narcissa pelo menos uma batalha. A loira tinha o sobrenome, o dinheiro e o status que foram negados a ela. Cissy em breve teria até o marido que a irmã bastarda desejava. Mas Robinson sempre teria o trunfo de ter sido de Malfoy antes de Narcissa.

- Eu também quero você, Lucius. – as palavras soaram sinceras e emocionadas – Aliás, não há mais nada que eu queira tanto neste momento. Só você.

Sem esperar pela iniciativa do rapaz, Barbara se colocou na ponta dos pés e retomou o beijo que Malfoy havia interrompido.

Os lábios e as línguas de ambos trabalhavam avidamente quando a morena começou a puxar Lucius na direção da espaçosa cama do quarto, até com uma certa urgência.

Barbara não desistiria por vários motivos, mas principalmente porque precisava se sentir viva e precisava desesperadamente de uma lembrança feliz que pudesse abafar um pouco todo o desamparo que ela sentia naquela nova vida.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Severus Snape em Seg Jan 04, 2016 2:38 am

Lucius sabia que, para ter chegado até ali, Barbara também o desejava com a mesma intensidade. Mas ouvir com todas as letras da boca dela que ela o queria fez seu coração dar um salto e o estômago gelar em uma sensação deliciosa.

Mesmo com a aprovação, ele continuou parado em seu lugar, sem esboçar reação alguma. Seu corpo inteiro fervia e os olhos azuis refletiam todo o seu desejo quando Robinson anulou a distância imposta por ele. Mais uma vez, suas mãos a tocaram com prontidão, envolvendo-a em um abraço desesperado.

Sua boca só quebrou o contato do beijo para deslizar pelo pescoço da morena, fazendo uma trilha de beijos e mordiscadas, saboreando a pele fresca. Era impossível se recordar de alguma mulher que chegara perto de causar reações tão fortes em seu corpo. Era quase desumano como todo o seu corpo implorava por mais um toque de Barbara.

O caminho até a cama foi reassumido com alguns tropeços, mas quando ela caiu de costas contra o enorme colchão, Lucius finalmente sorriu. Ele continuou parado, de pé entre as pernas de Barbara, pendentes para fora da cama, enquanto os olhos azuis admiravam a beleza de suas curvas, gravando em sua memória cada segundo daquele momento único.

Não havia Narcissa, sangue-puro, sobrenomes ou heranças para ocupar sua mente. Era apenas a necessidade de tocar a única mulher capaz de despertar algum bom sentimento no frio Malfoy.

- Você é assustadoramente linda.

Ele sussurrou enquanto se inclinava para frente, deslizando as mãos pelas pernas de Barbara até finalmente se deitar sobre ela.

Suas mãos percorriam cada pedaço do corpo da balconista, descobrindo cada curva perfeita, cada novo pedaço de pele exposto conforme ia se livrando das roupas dela. Lucius fez uma trilha de beijos subindo pela barriga de Barbara até alcançar o queixo delicado, onde mordiscou carinhosamente. Os lábios correram até a orelha dela, onde ele voltou a dizer com a voz baixa e rouca.

- Você é só minha, Barbara Robinson.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Seg Jan 04, 2016 2:47 am

Para a imensa surpresa de Rodolphus, a noite com a esposa foi muito mais simples do que ele imaginava. Sempre que pensava em dormir com Olivia, Lestrange via uma cena mecânica, gestos vazios, olhares confusos e constrangidos.

Mas, definitivamente, não foi assim que aconteceu. Embora fosse a primeira vez que se tocavam com tamanha intimidade, não houve nenhum tipo de constrangimento. Ao contrário, os dois pareciam ansiosos para desfrutarem de tudo o que aquela noite tinha a oferecer. Era como estar faminto e chegar diante de um banquete completo.

Adormecer na cama da ruiva também foi uma escolha natural. Rodolphus simplesmente se deixou levar pelo cansaço e pela gostosa sonolência que acometeu os dois depois daqueles momentos intensos. Sem sequer se lembrar de que possuía outro quarto naquela mansão, o Sr. Lestrange entrelaçou suas pernas com as da esposa e mergulhou num sono profundo e agradável, do qual só despertou na manhã seguinte, com um beijo de Olivia.

- Hm...

O rapaz ainda mantinha os olhos fechados quando resmungou meio mal humorado, mas o toque dos dedos de Olivia em suas costas foi o bastante para dissolver qualquer tipo de mau humor matinal.

As pálpebras se ergueram, exibindo os olhos castanhos sonolentos. E o sorriso meio bobo de Rodolphus foi a comprovação final de que o mau humor dele não resistia à presença de Olivia.

- Bom dia. Você sempre acorda tão cedo?

A implicância soou numa entonação de brincadeira e Rodolphus forçou um bocejo para provocar a ruiva ainda mais.

Uma risada gostosa escapou dos lábios de Lestrange quando Olivia comentou que a última noite era uma prova concreta de sua recuperação. Sem argumentos contra aquela verdade, Rodolphus se viu obrigado a concordar com um movimento de cabeça. Sem dúvida, os excessos cometidos por Olivia há algumas horas indicavam que ela estava pronta para qualquer tipo de esforço.

Entretanto, o rapaz ficou mais sério quando percebeu aonde a ruiva queria chegar. Rodolphus suspirou e estendeu a mão na direção da esposa, afundando os dedos nos cabelos macios espalhados pelas costas dela.

- Não precisamos ir, se você não quiser. Lucius e eu estudamos juntos, temos alguns negócios em comum. Mas não é uma amizade tão próxima. Seria a sua primeira aparição em público depois de tantos meses, Olly. Todos estarão lá. Tem noção de como será infernal? As pessoas vão te soterrar com perguntas, com insinuações maldosas... Você realmente não precisa passar por isso.

A preocupação de Rodolphus com o bem estar da esposa era sincera. Depois de ver Olivia tão frágil nos últimos meses, Lestrange estava disposto a qualquer sacrifício para poupar a ruiva de mais problemas e aborrecimentos.

Contudo, também havia um motivo mais egoísta pelo qual Rodolphus queria manter a esposa afastada daquela festa, em particular. A presença de Bellatrix era certa no casamento da irmã caçula e a última coisa que Lestrange precisava, logo agora que finalmente estava se entendendo com a esposa, era que Bella deixasse “escapar” o pequeno deslize cometido há três meses.

- Você decide, está bem? Só saiba que eu vou entender perfeitamente se você preferir evitar esta festa.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Danika Lehmann em Ter Jan 05, 2016 10:35 pm

Os últimos raios de sol brilhavam no horizonte, dando ao céu aquela coloração alaranjada do fim do dia. Não era mais inverno, mas o clima de montanha fazia com que as noites na cabana raramente fossem quentes. Talvez não fosse necessário acender a lareira, mas certamente as janelas teriam que ficar fechadas para que a temperatura no interior da construção continuasse agradável.

De fato, as janelas e as portas da cabana estariam fechadas quando Lucius Malfoy despertasse sozinho na espaçosa cama. Lá fora, alguns grilos e cigarras se uniam numa serenata, que se misturava também ao som de um vento suave soprando as árvores e as vegetações que cercavam o local.

No interior da cabana, os únicos ruídos vinham da cozinha.

Depois de gastar boa parte da tarde aproveitando cada toque, cada beijo e cada deliciosa sensação proporcionada pelo contato com a pele de Lucius, Barbara havia adormecido por várias horas. Sua mente saciada havia implorado por aquele descanso nos braços do rapaz, mas agora que acordara no fim do dia era seu estômago quem parecia ditar as ordens do restante do corpo.

Com cuidado para não despertar Lucius, Robinson deslizara para fora do colchão. O frio suave que começava a chegar com a partida do sol obrigou a morena a vestir a primeira peça de roupa que encontrou pelo caminho e a fechar portas e janelas antes de seguir para a cozinha.

Normalmente, aquela parte da cabana era usada apenas pelos elfos domésticos da família Malfoy. Mas Barbara se sentiu bastante à vontade na cozinha e só precisou de alguns minutos para localizar tudo o que precisava. Talvez aquela fosse a única vantagem de ter sido criada numa mentira. Robinson sabia se virar sozinha com uma facilidade que uma jovem mimada como Narcissa jamais teria.

O calor do forno logo preencheu a cozinha e fez com que a temperatura ficasse ainda mais amena. Mesmo com os pés descalços no chão de madeira, Robinson não parecia nem meramente incomodada pelo frio.

A única peça de roupa que a morena usava enquanto cozinhava sequer pertencia a ela. A camisa de botões de Lucius estava amassada depois dos momentos quentes daquele dia, mas ainda assim vestia Barbara com perfeição. A diferença nas estaturas fazia com que o tecido de linho fino alcançasse a metade das coxas de Robinson, servindo-lhe como uma espécie de vestido.

Os cabelos castanhos estavam atrapalhados e, como estavam atrapalhando o processo, Barbara os prendeu num rabo de cavalo enquanto terminava de fritar os ovos em uma frigideira.

Apesar da aparência nada refinada, Robinson não poderia estar mais bonita. Boa parte da sua beleza se devia ao sorriso radiante estampado em seus lábios. Naquela tarde, Malfoy conseguiu fazer com que Barbara voltasse a abrir os seus costumeiros sorrisos amplos, mesmo em meio a tamanha crise.

O cheiro gostoso de comida já preenchia toda a cozinha e se espalhava pelo restante da cabana quando passos mais pesados anunciaram que Lucius também havia acordado. O ambiente começava a escurecer quando o rapaz chegou à cozinha e foi saudado com um largo sorriso.

- Você é muito sem graça, sabia? – Barbara diminuiu a intensidade do fogo da frigideira antes de saltitar até o loiro – Eu pretendia fazer uma surpresa e te acordaria quando tudo estivesse pronto.

Os braços da moça o enlaçaram pelo pescoço e os narizes roçaram num gesto carinhoso antes que Robinson roubasse um beijinho rápido de Lucius.

- Mas já que estragou tudo, ajude-me a terminar. Você pode arrumar a mesa, hm?

Lucius nunca havia feito nenhuma tarefa doméstica, mas Barbara ignorou totalmente o olhar confuso dele enquanto empurrava uma cesta com torradinhas ainda quentes para as mãos do rapaz.

- Eu terminarei de fritar os ovos em cinco minutos. As panquecas estão no forno. Tem mel e geleia nos armários. Eu quase fiz um bolo, mas depois desisti da ideia. – os olhos verdes giraram e um sorriso travesso brincou nos lábios de Barbara – Eu não conseguiria esperar por um bolo assando no forno. Não sei você, Lucius, mas eu estou faminta!
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Severus Snape em Dom Jan 10, 2016 3:24 pm

Lucius ainda sentia o corpo cansado e provavelmente passaria as horas seguintes na cama, se não fosse o atraído pelo barulho que vinha da cozinha. As pálpebras se ergueram pesadamente, revelando o quarto rústico da cabana, que imediatamente fez com que se recordasse do que havia acontecido naquela tarde.

Involuntariamente, um sorriso preguiçoso se espalhou pelos seus lábios e ele esticou a mão para tocar o travesseiro amassado ao seu lado, sentindo ainda o calor deixado pelos cabelos de Barbara. A ausência dela foi suficiente para que Malfoy encontrasse forças para erguer a cabeça e procurasse qualquer sinal da morena pelo quarto, mas logo a preocupação que surgiu foi esvaída com um novo barulho no outro ponto da cabana.

Com os pés arrastando, ele não se preocupou em vestir a camisa novamente. Em uma das gavetas da cômoda, uma calça de pijama foi encontrada e foi a única peça que cobriu seu corpo no caminho até a cozinha. O tecido era leve e claro, com listras verdes, e parecia contribuir para o ar de menino, junto com os cabelos bagunçados e o rosto amarrotado. Era apenas o corpo bem definido e exposto que mostrava que Lucius era um homem adulto e muito bonito.

A cena que Malfoy encontrou na cozinha foi suficiente para desaparecer qualquer vestígio de sono que ainda estivesse. Ele se encostou no batente da porta e cruzou os braços contra o peito, a testa franzida enquanto os olhos azuis acompanhavam cada movimento de Barbara.

Por mais que se esforçasse, ele não conseguia trazer na memória a lembrança de alguém da sua família fazendo aquelas atividades tão básicas, tão indignas de um bruxo. Qualquer bruxo nobre sabia que as tarefas de casa eram obrigações dos elfos domésticos. Mesmo assim, foi impossível não pensar como Robinson estava adorável.

O largo sorriso que o recebeu fez com que seu coração desse um salto e o estômago se contorcesse em uma deliciosa sensação de cambalhota. Sem perceber, ele mordeu o próprio lábio inferior enquanto acompanhava os movimentos de Barbara enquanto ela se aproximava.

As sensações provocadas no quarto, horas antes, ainda faziam seus dedos formigar, sua pele arder. O contato do abraço dela foi suficiente para que todo o seu corpo respondesse, e ele imediatamente a rodeou pela cintura, impedindo que se afastasse. Não era mais a necessidade desesperada e incontrolável do desejo que os conduzira até a cama mais cedo naquele dia. Era apenas a ânsia de tê-la ao seu lado, em uma carência que Lucius jamais havia experimentado antes, o medo antecipado da inevitável separação.

O perfume dos cabelos de Barbara, o modo como ela sorria com tanta naturalidade, a curva das pernas expostas pela única peça vestida, cada pequeno detalhe contribuía para que Malfoy se esquecesse completamente da vida fora daquele lugar.

O comentário dela fez com que as íris azuis girassem pela cozinha até focar na mesa de madeira, a testa franzida. Ele não fazia a menor ideia do que deveria ser feito para “preparar a mesa”. Sempre que uma refeição estava pronta, os elfos se encarregavam de colocar tudo que fosse preciso, de modo que Malfoy não saberia nem por onde começar.

- Ou podemos simplesmente juntar tudo e ir comer na cama.

Um sorriso fez seus lábios se curvarem, os olhos azuis brilhando de uma forma diferente do que o habitual. Ele encolheu os ombros, na esperança que sua opinião fosse aceita, mas ao ver a expressão de Barbara, suspirou resignado.

- Tenho certeza que tem alguns pratos em algum lugar por aqui...

Se afastar de Barbara pareceu ainda mais errado quando suas mãos começaram a vasculhar os armários a procura de algo que lhe fosse familiar. Os pratos foram facilmente identificados, mas Lucius se xingou mentalmente por ter deixado a varinha no quarto quando precisou carregar a louça com as próprias mãos. Ele se sentia ainda mais inferior a um elfo enquanto enfrentava a difícil tarefa, porém, quando a mesa foi finalmente posta com talheres, pratos, copos e guardanapos, foi inevitável se sentir orgulhoso.

A apresentação estava simplória e qualquer elfo teria feito um trabalho mil vezes mais rápido e caprichado, mas Malfoy sentia que havia acabado de conquistar algo inalcançável. No momento em que se viu livre, seus pés o guiou até o fogão onde Barbara terminava os ovos.

O cheiro da comida que invadia o local começava a despertar a fome que até então ele desconhecia. Mais uma vez, seus braços rodearam Barbara em um abraço por trás, sentindo a textura da própria camisa contra seu peito nu. Era ainda mais fácil sentir as curvas do corpo de Robinson sob o tecido leve e a curva dos seios exposta por alguns botões que haviam se soltado.

- Nunca pensei que fosse fazer trabalho de elfo doméstico antes... – Os lábios depositaram um beijo suave entre os cabelos castanhos e começaram a fazer uma trilha até encontrar a curva do pescoço de Barbara.

Aproveitando a proximidade da boca no ouvido dela, Malfoy aproveitou para sussurrar, a voz rouca.

- O que você está fazendo comigo, Barbara Robinson? Seja lá o que for... – Com um movimento dos braços, ele girou a balconista até que ela estivesse de frente. – Eu não poderia estar mais feliz.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Dom Jan 10, 2016 3:53 pm

Quando pensava em assumir aquele casamento, Olivia havia pensado em diversos métodos de conseguir viver em paz com o marido que não amava. Havia perdido noites refletindo nos detalhes de um perfeito contrato e convencendo a si mesma de que se esforçaria para ser, ao menos aos olhos da sociedade, uma esposa obediente e companheira.

O que ela nunca havia pensado antes que o melhor caminho era se permitir gostar de Rodolphus de verdade. A convivência na mansão havia se tornado a melhor possível, ainda superior do que a jovem Sra. Lestrange havia se permitido fantasiar até nos seus momentos mais otimistas.

Se tornou comum encontrar Olivia com um largo sorriso andando pela casa, e o bom humor foi suficiente para inspirá-la a começar a trocar tudo que desagradava, fossem as cortinas escuras da sala de jantar, ou o piso envelhecido dos corredores. Aos poucos, a mansão escura começava a dar lugar a um lar mais aconchegando e bem decorado, refletindo também a mudança do casal que vivia ali.

Rodolphus ainda tinha o seu próprio quarto, mas quase todas as noites era na cama de Olivia que ele dormia e acordava. A saúde recuperada da ruiva também contribuiu para que ela logo voltasse a assumir os encontros semanais com o irmão.

Na maioria das vezes, o marido estava fora de casa e a Sra. Lestrange tomava o devido cuidado para retornar antes dele, evitando despertar qualquer interesse nas suas saídas religiosas todas as quintas-feiras.

Nathaniel, embora ainda desconfiasse daquela mudança súbita de comportamento, estava feliz em ver a irmã trocando o luto por roupas mais alegres e exibindo um sorriso largo no rosto. Foi apenas em respeito a felicidade de Olivia que ele guardou para si as desconfianças sobre aquela doença misteriosa que havia deixado a ruiva inconsciente por meses.

Foi após mais um dos encontros na Londres trouxa com Nate que Olivia, ao invés de se dirigir para casa, se encaminhou para as empresas Lestrange. Ainda estava no meio da tarde quando seus saltos ecoaram pelo piso de mármore do longo corredor.

A secretária deu um salto de seu lugar ao reconhecer a Sra. Lestrange. Apesar de já ter visto fotos nos jornais, era a primeira vez que tinha a oportunidade de ver a esposa de seu chefe pessoalmente ali. Mesmo com seu interesse nos negócios, Olivia nunca havia visitado o marido no trabalho.

Ignorando completamente a tentativa da mulher de tentar avisar Rodolphus que ele tinha visitas, Olivia simplesmente atravessou as portas duplas que davam acesso ao grande escritório e sorriu divertida ao ver a expressão de surpresa do marido.

- Não me olhe com essa cara, eu apenas queria me certificar de que você não vai se atrasar para o jantar...

Ao olhar por cima do ombro, Olivia encarou a secretária que continuava como uma sombra em seus calcanhares.

- Você já pode ir agora, querida.

A pose confiante e autoritária de Olivia foi suficiente para que a mulher recuasse, fechando as portas atrás de si com o rosto vermelho, sem ao menos ter a chance de olhar para Rodolphus com um pedido de desculpas.

Quando estavam finalmente sozinhos, a ruiva se permitiu olhar ao redor. O lugar era infinitamente maior do que o escritório que eles tinham em casa. A mesa de Rodolphus era o dobro do tamanho, toda a parede de trás era de vidro, com uma vista panorâmica do Rio e, ao fundo do Big Ben alaranjado com o pôr do sol.

Mais uma vez, os saltos ecoaram no piso de mármore enquanto ela se aproximava da mesa dele, depositando sobre ela uma cesta de piquenique.

- Você tem chegado sempre tarde em casa, então resolvi vir jantar com você.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Danika Lehmann em Dom Jan 10, 2016 5:33 pm

Só quando se viu diante da mesa farta, Barbara Robinson teve dimensão de como estava faminta. Tanta coisa havia acontecido nas últimas horas que a garota sequer se lembrou de comer alguma coisa. Nas lembranças de Barbara, sua última refeição de verdade acontecera antes mesmo do embate com Narcissa Black naquela esquina do Beco Diagonal.

Aquela mesa certamente era simplória perto dos banquetes aos quais um membro da família Malfoy estava habituado. Mas, para Robinson, era muito mais do que ela costumava ter, mesmo nos dias mais especiais. Sua condição financeira pouco favorável e o fato de estar sempre cansada ou atrasada para o trabalho faziam com que Barbara geralmente não tivesse tempo de apreciar o sabor de nenhuma refeição.

E a garota não demonstrou qualquer tipo de constrangimento quando atacou a comida, deixando bem evidente o quanto estava faminta. Se Lucius estava acostumado com as frescuras de Cissy, que geralmente comia menos que um passarinho, ficaria assombrado com o apetite de Barbara.

Robinson espalhava um pouco de mel em sua terceira panqueca quando finalmente seu estômago permitiu que ela desse um pouco mais de atenção ao rapaz ao seu lado. Os olhos verdes desceram demoradamente pelo tronco despido de Lucius, admirando cada uma das curvas que constituíam os músculos bem definidos do loiro.

Um calor se espalhou pelo corpo de Barbara, fazendo com que as suas bochechas adquirissem um tom mais rosado. As memórias das cenas quentes vividas ao lado do rapaz há algumas horas provocavam uma timidez que a garota até então desconhecia. Mas não havia nem mesmo um resquício de culpa ou arrependimento misturados a aquele sentimento. Robinson não tinha a menor dúvida de que entregar-se a Lucius fora uma decisão correta. Afinal, ele proporcionara a ela os instantes mais felizes de toda uma vida de mentiras e privações.

- Lucius...

O prato foi deixado de lado, ao menos provisoriamente, para que Barbara se voltasse para o rapaz. Uma de suas mãos foi ao encontro do braço dele e os dedos delicados deslizaram carinhosamente pelos músculos de Malfoy. Havia um certo orgulho que crescia em meio aos sentimentos que invadiam o peito de Barbara naquela noite. Era gostoso pensar que, pelo menos naquele dia, Lucius pertencia a ela. E apenas a ela.

- Como vai ser...? De agora em diante?

Ao contrário do que poderia parecer, Barbara não tinha a menor intenção de pressionar o rapaz. A morena só precisava de respostas para saber exatamente o que podia esperar de Malfoy.

Embora agora soubesse de suas origens e da magia poderosa que corria em suas veias, a garota conseguia enxergar com perfeição o seu lugar naquela sociedade.

A sua atual situação fizera com que Robinson subisse vários e vários degraus naquela pirâmide social e se distanciasse da desprezível condição de aborto da natureza. Mas ela ainda estava muito distante do patamar ocupado por bruxos de sangue puro, provenientes de família ricas e tradicionais, como Lucius e Narcissa. Os dois ainda formavam um casal perfeito aos olhos do mundo e, por mais que aquela realidade doesse, Barbara não tinha a ilusão de que Malfoy daria as costas ao futuro brilhante com uma esposa perfeita por causa dela.

- Eu só preciso saber o que você pretende fazer para não alimentar falsas esperanças ou encarar inevitáveis frustrações.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Dom Jan 10, 2016 6:23 pm

A proximidade do casal Lestrange colocou um fim em praticamente todos os termos do contrato pré-nupcial assinado pelos dois. Não havia mais nenhuma preocupação com cláusulas, com deveres, direitos e obrigações. Era muito mais fácil conduzir aquele casamento sem tantas regras, com os dois focados apenas no respeito e no amor que começavam a sentir um pelo outro.

O clima na mansão dos Lestrange mudara completamente, contagiado pela felicidade dos moradores. Olivia cuidou dos detalhes da decoração para que o lar abandonasse o antigo ar sombrio, mas eram os sorrisos do casal que provocaram realmente as maiores mudanças.

Talvez o único empecilho que dificultava a felicidade plena do casal era o fato de que ambos ainda guardavam importantes segredos. Rodolphus não conhecia as verdadeiras origens da esposa, nem a existência de Nathaniel. Por outro lado, Olivia não fazia ideia do grau de envolvimento do marido na guerra que se iniciava, tampouco imaginava que fora traída nas primeiras semanas de casamento.

Exatamente por não conhecer todas as funções do marido, a ruiva poderia julgar que Rodolphus trabalhava demais. De fato, Lestrange tinha muito mais obrigações agora que comandava duas fortunas. Mas suas obrigações como Comensal da Morte consumiam um tempo que a ruiva acabava creditando injustamente ao trabalho do marido.

Naquela tarde, por sorte, Rodolphus realmente estava na sede principal das empresas Lestrange quando a esposa procurou por ele. Os Lestrange eram os donos de uma das maiores empresas de vassouras de competição e o trabalho aumentava assustadoramente com a proximidade da Copa do Mundo de Quadribol. Rodolphus recebera uma infinidade de pedidos e forneceria as vassouras para vários dos times envolvidos na competição. A quantidade de produtos e os prazos reduzidos faziam com que Lestrange trabalhasse muito mais do que gostaria nos últimos dias.

Somado a isso, o rapaz ainda precisava cuidar da cobrança dos alugueis, visto que os Lestrange eram donos de vários pontos comerciais tanto no Beco Diagonal quanto em Hogsmeade. E, obviamente, o zelo com a fortuna dos Russel também era grande. Rodolphus fazia questão de deixar a esposa ciente do destino de cada centavo do dinheiro que pertencia a ela, mas era dele a obrigação de assumir as responsabilidades pelos investimentos.

Os olhos escuros estavam mergulhados num dos tantos documentos espalhados sobre a mesa do rapaz quando a porta se abriu subitamente, sem nem mesmo uma batida que antecedesse a entrada do “visitante”. O Sr. Lestrange ergueu a cabeça com uma expressão pouco amigável e estava prestes a se irritar com a secretária quando reconheceu os fios ruivos.

Como de costume, a simples presença de Olivia o amansou e a raiva de Rodolphus se desfez num sorriso surpreso, mas satisfeito. Os olhos castanhos acompanharam os passos elegantes que trouxeram a Sra. Lestrange para mais perto da mesa. Rodolphus sentia um orgulho crescente em pensar que aquela mulher linda, inteligente e segura era a sua esposa. O jeito autoritário da ruiva só contribuía para que ela parecesse ainda mais atraente. Sem dúvida, Olivia era o bem mais precioso da vida de Lestrange.

O escritório de Lestrange era amplo e bastante confortável. Certamente o local tinha a mesma área que muitas casas mais humildes. Além da vista privilegiada de Londres, Rodolphus contava com todo o conforto que poderia desejar. O chão era coberto por um impecável carpete verde escuro, havia uma grande lareira num dos cantos do escritório. A mesa era ampla e, embora estivesse um tanto bagunçada naquela tarde, geralmente ficava impecavelmente arrumada.

Em meio aos documentos que se acumulavam sobre a superfície da mesa, Olivia encontraria um porta-retratos prateado. Era impossível não dar atenção ao borrão avermelhado que se movia na fotografia.

Ao contrário do que seria esperado, Rodolphus não escolhera nenhuma das fotos “perfeitas” do casamento. A imagem retratava um momento mais recente e, definitivamente, muito mais feliz do que a terrível festa de casamento dos Lestrange.

Na fotografia, Rodolphus e Olivia estavam no jardim da mansão. Inicialmente a ruiva aparecia sozinha. Em seguida, soltava uma risada gostosa enquanto o marido surgia apressado na cena depois de programar a câmera para registrar aquele momento. A ruiva ainda ria quando recebeu um abraço. Rodolphus a girava delicadamente, fazendo com que os fios vermelhos voassem numa harmonia perfeita. Por fim, os dois uniam os lábios num carinho que jamais seria encontrado em nenhuma das fotos de casamento dos Lestrange.

Por longos segundos, Rodolphus apenas admirou a imagem da mulher a sua frente. Só depois, ergueu-se da confortável cadeira e contornou a mesa, posicionando-se em frente à Olivia. Os saltos usados por ela abrandavam um pouco da diferença nas estaturas, mas ainda assim Lestrange precisou inclinar a cabeça para saudar a ruiva com um demorado beijo nos lábios.

- Eu não recebo ninguém sem horário marcado, sabia? – Lestrange a provocou antes de roubar um segundo beijo da ruiva, aproveitando para mordiscar sutilmente o lábio inferior dela – Mas abrirei uma exceção porque é você. E porque você trouxe comida.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Severus Snape em Dom Jan 10, 2016 7:15 pm

Assim como Barbara, Lucius só teve conhecimento da dimensão de sua fome quando a boca salivou diante do prato de comida a sua frente. Por mais simples que fosse, quando comparada as refeições preparadas pelos elfos na Mansão Malfoy, ele não se lembrava de ter comido algo tão bom há anos.

Desde a noite que passou na vila trouxa onde as Robinson moravam e experimentou o lanche improvisado na madrugada, Lucius já havia identificado o talento nato de Barbara na cozinha. Mais uma vez, a morena mostrava que tinha um tempero único que permitia até a mais simples preparação ficar com um sabor diferenciado.

Por mais que não fosse uma qualidade muito admirável para um bruxo rico e poderoso, era impossível para Lucius ignorar aquela prazerosa descoberta enquanto seu estômago aceitava de bom grado as panquecas e os ovos mexidos.

Enquanto dava garfadas em suas panquecas, os olhos azuis observavam divertido a fome de Barbara. O que normalmente pudesse despertar nojo em um Malfoy, apenas fazia com que Lucius se sentisse orgulhoso de si mesmo por saber que havia contribuído para o desgaste físico da morena.

O sorriso brincalhão ainda estava pairando em seu rosto quando a voz de Robinson soou, fazendo todos os seus músculos ficarem tensos enquanto o garfo foi delicadamente pousado sobre o prato de porcelana. Foi perceptível o modo como ele se ajeitou na cadeira e pousou as mãos sobre as pernas cobertas com a calça do pijama.

Na cabeça dele, tudo estava muito bem definido e claro como água cristalina. Intimamente, ele apenas torcia para que Barbara tivesse a mesma percepção, o livrando da difícil tarefa de colocar em voz alta o único destino possível para os dois.

Ao se ver completamente sem saída, Malfoy apenas pigarreou e empurrou o prato alguns centímetros para frente, criando espaço para que ele pudesse apoiar os braços sobre a mesa. Os olhos azuis encaravam os desenhos aleatórios provocados pelas fibras da madeira, evitando encontrar as íris verdes que o fitavam pesadamente.

- Você ficará aqui, é lógico. E eu não vou deixar que lhe falte absolutamente nada. Comida, dinheiro, roupa. Eu vou te ensinar tudo que eu sei sobre magia. Enquanto você quiser, eu vou estar ao seu lado, Barb.

Ele finalmente ergueu os olhos para encará-la. Uma de suas mãos tocou os dedos dela, pousados em seu braço, em uma carícia, tentando minimizar as palavras que ainda estavam presas em sua garganta, com medo de que ela fosse embora a qualquer momento.

- Eu nunca me senti assim por ninguém antes. Tudo o que eu mais quero é estar ao seu lado o tempo todo. Você foi capaz de despertar algo em mim que eu nem mesmo imaginava existir.

Um sorriso derrotado surgiu em seus lábios enquanto ele encarava a perfeição na delicadeza dos dedos de Barbara em seu braço. Era estranho confessar seus sentimentos, mas seria ainda mais difícil quando ele terminasse o discursso.

- Eu farei tudo por você, Barb. Tudo que estiver ao meu alcance. Mas eu ainda tenho as minhas obrigações, tenho as minhas responsabilidades com a minha família.

Lucius sentiu a garganta bloqueando a passagem do ar, o impossibilitando de falar por alguns segundos, como se fosse uma súplica do próprio corpo para não continuar. Quando ele encontrou forças para que as palavras saíssem novamente, elas não passavam e um sussurro engasgado e rouco.

- Eu vou me casar com a Cissy, Barb. Nada vai mudar isso, nem mesmo o que eu sinto por você. Então cabe a você saber se também está disposta a ficar ao meu lado no único modo que posso oferecer.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Dom Jan 10, 2016 7:45 pm

Se aproveitando da proximidade, Olivia beliscou o braço do marido e estreitou os olhos cor de mel como se estivesse zangada, embora ainda exibisse o sorriso nos lábios pintados de vermelho.

- Você nem ousaria não me receber, Rodolphus. Nem que estivesse em reunião com o Ministro da Magia.

Com habilidade, a mesma mão que o beliscou deslizou pelo braço de Rodolphus até alcançar o nó da gravata, puxando-o para mais um beijo.

Às vezes, Olivia se sentia estranha por estar cada dia mais apaixonada pelo próprio marido. Os dois estavam em uma etapa que deveria ser o início do namoro, embora já tivessem trocado as alianças. Eles haviam começado ao contrário, e não existia mais as expectativas de um relacionamento normal.

Quando os dois se afastaram, ela voltou sua atenção para a cesta de piquenique. Apesar de pequena, a cesta havia sido ampliada magicamente e logo foi retirado de seu interior uma toalha xadrez e alguns recipientes com o lanche preparado por Meredith.

A toalha foi logo esticada sobre o carpete verde, em um canto da sala, colado a parede de vidro e diante da bela vista do pôr do sol. Enquanto Olivia terminava de esticar o tecido, o lanche flutuava ao seu redor e foi logo encontrando cada coisa o seu devido lugar. Um bolo foi pousado ao centro, e alguns sanduiches enfileirados a um canto. Ao contrário do suco de abóbora, um balde com gelo e champanhe também foi revelado, junto com duas taças de cristal.

Quando as frutas em uma bandeja de prata saíram da cesta e encontraram um espaço na toalha, Olivia havia acabado de servir as taças com e bebida e estava de joelhos sobre o chão quando ofereceu a Rodolphus.

Parecia ser um exagero para uma tarde aleatória, mas a ruiva sentia a necessidade de ter alguns bons momentos ao lado de Rodolphus. A lembrança da briga na noite do casamento estava adormecida em sua memória, dando lugar apenas para a figura do novo homem que ele havia se tornado.

Olivia se sentia imensamente sortuda com o rumo que seu casamento havia tomado. Não havia em nada a sombra de Dimitri e Octavia. Os dois eram felizes juntos, sem obrigações ou amarrações de um contrato feito quando eles nem ao menos tinham compreensão do peso que aquilo trazia para suas vidas.

A ruiva esperou que Rodolphus desse o primeiro gole, o encarando com ansiedade, para finalmente falar.

- Eu tenho uma confissão a fazer...

A sua própria taça foi virada e o champanhe engolido rapidamente, trazendo coragem para o que ela tinha a dizer.

- Eu quebrei uma clausula do nosso contrato.

Apenas quando toda atenção de Lestrange estava sobre si, Olivia concluiu.

- Eu pedi a Meredith que levasse as coisas do seu quarto para o meu. Espero que não se importe.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Danika Lehmann em Dom Jan 10, 2016 7:51 pm

Embora já esperasse por aquelas palavras, Barbara sentiu um aperto sufocante na garganta quando ouviu a proposta de Lucius. Por mais que entendesse a posição de destaque que os Malfoy ocupavam no mundo da magia, Robinson não conseguia evitar um íntimo desgosto em ver que o rapaz não parecia ter nenhuma dúvida sobre o casamento com Narcissa Black.

Barbara crescera acostumada com as humilhações dirigidas a um aborto da natureza e isso fez com que a garota nunca esperasse muito da vida e das outras pessoas. Saber que seu sangue era mágico mudou as perspectivas de futuro de Robinson, mas o seu lugar na sociedade continuava muito modesto. Modesto demais para que ela pudesse ficar ao lado do herdeiro dos Malfoy.

Não houve nenhuma cena dramática, exigências ou ponderações. Nem mesmo uma lágrima surgiu nos olhos verdes. As únicas demonstrações de desgosto por parte de Barbara ficaram por conta de sua expressão mais fechada e do sutil gesto de afastar os dedos que tocavam o braço de Lucius.

Toda a fome que Robinson sentia há alguns minutos se dissipou diante daquele choque de realidade. Ser a amante de um bruxo como Lucius era muito mais do que alguém como ela poderia desejar, mas nem por isso Barbara conseguia se sentir honrada com aquele papel.

- Tudo bem. Eu já imaginava...

Apesar da concordância, a expressão da garota deixava bem claro que Barbara não estava feliz com aquela situação. Era humilhante viver escondida numa cabana, por mais confortável que fosse, enquanto Lucius exibia uma esposa perfeita aos olhos da sociedade.

Mas a principal questão que pesava para a aceitação de Robinson era o fato de que, apesar de tudo, Lucius continuava sendo a melhor escolha para o seu futuro próximo. Barbara gostava sinceramente do rapaz, mas também conseguia enxergar aquela situação de maneira mais racional.

Caso se negasse a aceitar a proposta pouco nobre de Malfoy, Barbara seria obrigada a retornar para a casa miserável onde vivia com a mãe. Apesar de sua magia, ela não conseguiria um emprego muito melhor e acabaria voltando ao balcão da Von Hants Potions.

Ao lado de Malfoy, ela teria uma casa confortável para viver, não precisaria mais trabalhar tanto e nem dependeria da mãe que a enganara a vida inteira. Dinheiro não seria mais um problema, Barbara teria roupas, joias e tudo aquilo que a triste realidade de aborto da natureza nunca lhe proporcionara. E, claro, teria um “professor”. Agora que conhecia a própria magia, Robinson sentia um crescente desespero em recuperar o tempo perdido. E Lucius parecia ser a pessoa perfeita para ensinar a ela pelo menos o básico para que a morena se virasse sozinha.

- Eu preciso de uma varinha.

A mudança drástica no rumo da conversa poderia deixar Lucius confuso, mas a voz de Barbara soava firme quando ela o encarou.

- Eu já perdi muito tempo, Lucius. Eu vou aceitar a sua proposta, mas faço questão de ser recompensada desta maneira. Antes de roupas, dinheiro ou qualquer outro presente, eu quero uma varinha. A minha varinha.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Severus Snape em Dom Jan 10, 2016 8:13 pm

Malfoy já conhecia Barbara o suficiente para saber que ela não faria uma cena diante de suas palavras, mas se sentiu aliviado quando ela também não caiu no choro ou fez exigências, e principalmente, não saiu correndo, extremamente ofendida.

A reação dela, por mais fria que fosse, ainda era a melhor esperada, e dava a entender que Robinson continuaria ao seu lado. Um aperto no coração fez Lucius se questionar até quando, mas ele se obrigou a ficar satisfeito com o que havia conseguido no momento.

O pedido direto também não surpreendeu Lucius, que confirmou com um aceno da cabeça. Era ótimo poder focar novamente ao assunto da magia e deixar de lado a complicada realidade que permitia aos dois ficarem juntos naquele amor proibido para a sociedade bruxa.

- É lógico. Qualquer bruxo precisa de uma varinha.

Seu tom de obviedade mostrava que estava mesmo disposto a enfrentar aquele desafio ao lado de Barbara. Mesmo que Malfoy tivesse suas obrigações, ele não teria coragem de dar as costas para Robinson. Lucius tinha a necessidade de fazer parte daquele momento tão único na vida da morena. O destino poderia não permitir que os dois ficassem juntos, mas o rapaz fazia questão de desafiá-lo ao menos enquanto aquele segredo permanecesse guardado.

Eles jamais conseguiriam uma varinha simplesmente andando pelo Beco Diagonal. Todos conheciam o rosto da balconista abortada que trabalhava na Von Hants Potions e questionariam o que uma pessoa sem magia estaria fazendo comprando uma varinha. E Malfoy jamais poderia ser visto caminhando ao lado dela livremente. Mas também uma varinha deveria ser escolhida pelo próprio bruxo, ou jamais responderia com a mesma obediência.

- Faremos uma viagem para França. Tenho contatos lá e conseguiremos uma varinha para você, sem maiores questionamentos.

Um velho conhecido de Hogwarts vinha de uma família de criadores de varinhas e Lucius sabia que conseguiria facilmente comprar seu silêncio se aparecesse em Paris acompanhado de Barbara.

- Eu garanto que são tão boas quanto a do Olivaras.

Ele encarou Barbara, tentando tranquiliza-la caso a morena estivesse questionando a procedência daquele contato.

- Eu sei que você tem urgência, Barb. Mas preciso voltar para casa. Nós iremos no próximo final de semana. Eu garanto que você terá a melhor varinha que o dinheiro possa comprar.

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Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Dom Jan 10, 2016 8:28 pm

Rodolphus Lestrange nunca imaginou que um dia faria um piquenique no chão do seu elegante escritório. Mas, enquanto Olivia montava a refeição, a ideia pareceu tão boa aos olhos do rapaz que ele se perguntou como nunca havia pensado naquilo antes. A vista privilegiada do escritório era simplesmente perfeita para um piquenique noturno e a companhia de Olivia era a melhor que o marido poderia desejar.

Também era estranho para Rodolphus estar apaixonado pela ruiva. Em suas previsões mais otimistas, o rapaz imaginou que poderia gostar e respeitar a Sra. Lestrange. Isso era o bastante para que eles tivessem uma convivência agradável. Mas, nem em mil anos, Rodolphus imaginaria que pudesse ficar tão profundamente apaixonado pela herdeira dos Russel.

Ignorando por completo toda a formalidade do seu ambiente de trabalho, Lestrange se sentou no chão e aceitou a taça oferecida pela ruiva. Os dois fizeram um breve brinde antes de experimentarem o champanhe.

Os olhos escuros do rapaz estudavam todas as possibilidades a sua frente quando Olivia desviou a atenção dele da comida com aquela frase. Depois de tantas semanas sem mencionarem o contrato, uma pequena ruguinha de preocupação surgiu na área entre os olhos do rapaz quando Olivia confessou que havia quebrado uma das cláusulas.

Contudo, toda a tensão dele se desfez no instante em que Olivia explicou melhor a que se referia. O alívio de Rodolphus ficou evidente na risada gostosa que escapou pela garganta de Lestrange, fazendo com que seu timbre grave ecoasse por todo o amplo escritório.

- Bom... – o rapaz deu mais um gole na bebida, depois ergueu um dos ombros – Acho que não posso reclamar disso. Afinal, vai me poupar esforços. Metade de tudo o que é meu já está no seu quarto, agora não precisarei perder mais tempo pensando em qual dos dois cômodos deixei alguma coisa.

Na prática, aquela “mudança” não faria muita diferença. Rodolphus solicitara um quarto só dele pensando que aquele casamento seria uma tortura da qual ele eventualmente desejaria fugir. Mas a realidade estava muito distante daquilo. Os dois já ocupavam a mesma cama todas as noites, realmente não fazia sentido que Lestrange mantivesse suas coisas em outro cômodo.

Para ficar mais confortável naquela posição, Rodolphus abriu os botões do paletó e o retirou, ficando apenas com a camisa social branca e a gravata azulada. Havia um brilho de divertimento nos olhos de Lestrange quando ele encarou a esposa.

- Talvez o nosso contrato precise ser refeito. Tenho a ligeira impressão de que a maior parte das cláusulas perderam o sentido nos últimos dias. – o rapaz riu de leve e indicou a lareira com um movimento da cabeça – Ou talvez nós possamos simplesmente atirá-lo no fogo. Eu gosto muito mais das regras que não estão escritas nele.

Para ilustrar a que se referia, Rodolphus se inclinou sobre a toalha e segurou o queixo da ruiva antes de unir novamente seus lábios aos dela. Como se fossem um casal apaixonado no início do namoro, os Lestrange se deixaram levar por aquela aventura. O único cuidado de Rodolphus foi usar a varinha para trancar magicamente a porta do escritório antes de puxar Olivia para seus braços.

Protegidos pela noite que começava a cair e criava sombras em todo o escritório, os dois se amaram no chão, amparados apenas pelo carpete. O ambiente menos privativo obrigou o casal a se conter, mas a sensação de fazer algo proibido contribuiu para elevar a excitação do momento.

Depois que os corpos se sentiram finalmente saciados, Rodolphus puxou a esposa para junto do seu peito. O coração dele estava totalmente descompassado e seus pulmões tentavam compensar a falta de ar com um ritmo ofegante da respiração quando Lestrange sussurrou, com a voz grave ligeiramente mais rouca que o habitual.

- Depois disso, eu acho que terei que mudar de escritório se quiser me concentrar novamente em uma reunião de negócios, han?
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Dom Jan 10, 2016 8:58 pm

O céu já estava completamente escuro na vista panorâmica do escritório de Rodolphus e a única iluminação no interior vinha da lareira acessa. As pernas de Olivia estavam entrelaçadas as do marido e a mão apoiada sobre o peito dele, aproveitando os botões abertos da camisa para acariciar diretamente a pele macia.

Uma risada preguiçosa escapou dos lábios de Olivia e ela deitou de lado, se apoiando em um dos braços para admirá-lo de cima.

- Então completei meu objetivo. Você vai pensar em mim sempre que estiver trabalhando.

Com um beijo rápido, a ruiva se ergueu, puxando o vestido azul para cima. O tecido justo logo colou ao seu corpo enquanto fechava o zíper. Os cabelos vermelhos estavam completamente desalinhados, denunciando o que haviam acabado de fazer, mas de alguma forma, apenas contribuíam para o ar satisfeito e feliz da mulher.

Enquanto Rodolphus também se arrumava, as sobras do piquenique voltavam sozinhas para dentro da cesta. A toalha xadrez, por fim, se dobrou e afundou em um encaixe perfeito, apagando qualquer vestígio da surpresa feita por Olívia.

- Está tarde, Dolphus. Vamos para casa? Você precisa aprovar o seu quarto novo...

Olivia esperou que o marido se aproximasse para capturar os lábios dele em um novo beijo. Desta vez, o toque foi suave e carinhoso, e mesmo tendo sido breve, estava carregado de sentimentos tanto quanto os toques apaixonados de minutos antes.

Foram necessários poucos minutos para que Rodolphus empilhasse alguns documentos em um canto da mesa antes que Olivia se pendurasse em seu braço para que eles deixassem o escritório. Apenas quando eles fecharam as portas duplas atrás de si, que o sorriso de Olivia se desfez.

A secretaria já havia ido embora, como a maioria dos funcionários, mas parada diante da sala que antecedia ao escritório de Rodolphus, Bellatrix Black estava parada, imponente, flagrada a caminho do mesmo lugar que os Lestrange haviam acabado de sair.

Como era comum, a morena exibia um vestido provocante, completamente verde e curto, colado ao corpo bem definido. Os cabelos negros estavam soltos e emolduravam com perfeição o rosto bonito e os cruéis olhos cinzentos.

A última vez que Olivia havia se encontrado com Bella, havia sido no desagradável jantar que não havia acontecido, em sua casa. A ruiva havia se esforçado para esquecer a existência da bruxa, mas bastou um segundo para que a raiva e o ciúme a atingisse em cheio.

Era desagradável pensar que, um dia, Rodolphus havia preferido se casar com a morena. Era desconfortável pensar nos anos que os dois haviam dividido em Hogwarts. Mas o pior era imaginar o que Bellatrix estaria fazendo ali, no trabalho do seu marido, tarde da noite.

- Um pouco tarde para uma reunião de negócios, não acha, Black?

Os olhos cinzentos passearam pelo casal atentamente, e passado o primeiro momento de surpresa, os grandes lábios vermelhos se abriram em um sorriso falso.

- Isso porque não era uma visita de negócios, querida. Era apenas por prazer. Certo, Dolphus?
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Danika Lehmann em Dom Jan 10, 2016 9:05 pm

O processo de escolha da varinha fora como um sonho para a morena. Embora não pudesse concretizar o desejo de entrar na loja do Sr. Olivaras como cliente, Barbara se sentiu satisfeita com a varinha comprada na França. Tal como dizia a lenda, a varinha escolhia o bruxo e Robinson sentiu que uma parte muito importante do seu corpo estava sendo devolvida no instante em que tocou a varinha certa.

A morena já tinha experimentado quase vinte modelos quando o vendedor deu a ela uma varinha de 27 centímetros, feita com madeira de salgueiro, flexível, com núcleo de fibra de coração de dragão.

- É esta. – a voz de Robinson soou firme e seus olhos brilharam com uma felicidade plena – É esta, Lucius.

A compra da varinha fora relativamente fácil, mas a garota logo percebeu que a tarefa de controlar a magia não era tão simples quanto possuir uma boa varinha. Ainda mais para alguém como ela, que abafara os próprios poderes por tantos anos.

No começo não foi fácil. Barbara pensou que jamais conseguiria dominar a própria magia quando, durante as primeiras “aulas” de Lucius, provocou algumas explosões que obrigaram Malfoy a perder um generoso tempo tentando consertar os estragos que atingiram a cabana.

Foi a paciência e o esforço de Lucius que contribuíram para que Barbara não desistisse daquele desafio. Os sucessos dela eram comemorados com beijos apaixonados e seus fracassos eram consolados com palavras otimistas. A persistência da garota fez com que os primeiros frutos começassem a surgir depois de um mês de estudo e de prática.

É claro que Barbara não dominava os feitiços depois de um período tão curto, mas era notável que ela parecia mais confiante. Todo o tempo livre da garota era passado junto aos livros de magia levados por Lucius. Na verdade, Robinson só desviava a atenção dos estudos quando o rapaz aparecia na cabana para passar algum tempo com ela. Aquela imensa dedicação mostrava que Barbara estava mesmo disposta a recuperar todo o tempo perdido.

A maior prova do progresso da menina ficaria evidente aos olhos de Malfoy quando o rapaz aparatou na cabana naquela noite. Ao contrário do que costumava fazer, Barbara estava sentada na mesa da cozinha com os olhos verdes presos num livro de Transfigurações enquanto o jantar era preparado “sozinho”.

As colheres se moviam magicamente, mexendo o conteúdo das panelas, enquanto Robinson estudava a próxima lição que praticaria com o “namorado” no dia seguinte. O relacionamento dos dois estava longe de ser um namoro habitual, mas Barbara usava este termo para se referir à relação. Era indigesto demais para a morena pronunciar a palavra “amante”.

Os passos do loiro atraíram a atenção de Barbara e aquela breve distração foi o bastante para que as colheres parassem de se mover. Com um toque da varinha, a morena apagou as chamas do fogão para evitar a perda do jantar enquanto caminhava até Lucius.

- Achei que só viria amanhã...

O rapaz foi saudado com um largo sorriso enquanto os braços de Barbara o enlaçavam pelo pescoço. Os dedos da garota mexeram carinhosamente nos fios loiros antes que Robinson unisse os lábios aos dele num beijo delicado.

- Não fique bravo, mas tenho praticado na sua ausência. Eu sei que pode ser perigoso, mas aprendi a controlar a minha magia. A cabana está inteira, como você vê.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Dom Jan 10, 2016 10:17 pm

Após aquele imenso tropeço no início do casamento, Rodolphus passou a evitar ao máximo qualquer proximidade com Bellatrix Black. É óbvio que a morena insistiu num novo encontro nas semanas seguintes, principalmente motivada pela “doença” de Olivia e pela real possibilidade de se tornar a segunda Sra. Lestrange. Mas Rodolphus em nenhum momento cedeu às investidas. Inicialmente por culpa, e depois pelo afeto sincero que começava a sentir pela esposa.

O único elo que ainda os unia era a participação de ambos nas reuniões lideradas por Voldemort. Os Comensais da Morte começavam a se organizar e a participar mais ativamente da guerra.

E era exatamente por não saber o futuro daquele grupo que Rodolphus ainda escondia da esposa a sua participação na guerra. Era um assunto delicado, Olivia havia acabado de acordar de um coma. Lestrange queria poupá-la daquela preocupação por mais alguns dias antes de revelar toda a verdade.

Justamente por não ter mais nenhum tipo de contato direto com Bellatrix, Rodolphus se surpreendeu ao vê-la na sede das empresas dos Lestrange. Bella nunca havia pisado ali e era a última pessoa que Rodolphus esperava ou gostaria de encontrar naquela noite.

O mais óbvio era pensar que Bellatrix estava ali para repassar alguma ordem de Voldemort ou para avisar sobre alguma reunião dos comensais. Mas é claro que a morena não perderia a chance de provocar Olivia. Bella se sentia ainda mais ofendida e rejeitada ao perceber, pelos sorrisos e pelas roupas amassadas, que Rodolphus não a procurara mais porque havia se entendido com a esposa.

- Também acho que está tarde para uma visita informal, Bella. Eu trabalhei o dia todo e estou exausto. Como você pode ver, eu já estava de saída...

A resposta de Rodolphus foi educada, na medida do possível, mas deixou bem claro que a presença de Bellatrix não era uma surpresa agradável. Como se quisesse deixar ainda mais claro ao lado de quem o rapaz se posicionaria naquela rivalidade das moças, Lestrange pousou a mão na base das costas de Olivia antes de finalizar.

- Já que não parece ser um assunto tão importante, podemos adiar esta conversa para outro momento, han?

Antes que Olivia pudesse pensar que o marido pretendia receber Bellatrix para uma conversa em particular, Rodolphus acrescentou.

- Olivia e eu vamos comparecer ao casamento da sua irmã. Será uma excelente oportunidade para colocarmos os assuntos em dia.

- Quem disse que não é um assunto importante, Dolphus? Eu não estaria aqui a esta hora se não fosse, querido.

A expressão de Bella deu ao rapaz a certeza de que ela realmente estava ali a mando de Voldemort. Mas não havia nenhuma forma de resolver aquela situação sem revelar a Olivia a sua participação naquela guerra.

- Mas já que você está tão cansado e a sua esposa visivelmente continua um tanto abatida... – Bella lançou um sorrisinho maldoso à ruiva – Quer dizer, você está ótima, querida. Mas ainda é notável que esteve muito doente... Enfim. Eu te procuro amanhã, Dolphus.

O silêncio foi a melhor resposta encontrada por Rodolphus. Qualquer palavra poderia piorar a situação e, no fim das contas, o estrago não estava tão irremediável ainda. Olivia certamente não estava feliz, mas também não tinha motivos concretos para lançar acusações ao marido.

Mas é claro que Bellatrix não iria embora antes de espalhar o seu veneno pelo ambiente. A morena deu uma discreta ajeitada no decote do vestido antes de lançar o seu sorriso mais falso a Olivia.

- Eu fico sinceramente feliz em ver que vocês dois se acertaram, Dolphus. Por mais que eu goste de você, eu não me sentiria bem assumindo um papel secundário na sua vida. É melhor que aqueles nossos tropeços fiquem no passado, han?

Bella imitou o sotaque de Lestrange para intensificar ainda mais a provocação.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Severus Snape em Dom Jan 10, 2016 10:56 pm

Apesar da convicção de que não mudaria de ideia sobre a escolha que havia feito para a própria vida, a proximidade do casamento com Cissy começava a pesar nos ombros de Lucius. Ele se via administrando o tempo entre o novo emprego no Ministério da Magia, as atividades como Comensal da Morte, a noiva, e as aulas particulares na cabana com Barbara.

Sem dúvida, os momentos ao lado da morena eram as melhores horas do seu dia. Por mais de uma vez, ele havia cancelado algum compromisso com a futura esposa para chegar mais cedo aos encontros com Robinson, ansioso pelos beijos e pelo perfume dos cabelos escuros. Naquele dia, Malfoy havia usado como desculpa uma importante tarefa do Ministério para fugir de uma tarde fazendo degustação de bolos para o casamento e havia surpreendido Barbara com sua presença antecipada.

Narcissa em breve começaria a perceber seu descontentamento em cada compromisso juntos, mas a ansiedade de estar ao lado de Barbara fazia com que Malfoy não pensasse com clareza.

O cheiro gostoso da comida enchia a cabana, e foi guiado por ele que Lucius caminhou até a cozinha, encontrando Barbara no caminho. Como ele já sabia perfeitamente, seu coração deu um salto quando encontrou as íris verdes, em alívio e gratidão por tê-la ali mais um dia.

Intimamente, uma vozinha dizia com frequência que qualquer dia ele chegaria e encontraria a cabana vazia, quando Barbara estivesse farta daquela situação. Ela iria embora e o deixaria sem qualquer notícia, cansada de ser a amante escondida dos olhos de uma sociedade crítica. Cada vez que o movimento dos cabelos escuros era flagrado, Malfoy se sentia aliviado por mais uma vez não ter sido abandonado.

No instante em que seus braços puderam alcança-la, Lucius puxou o corpo de Barbara de encontro ao seu, capturando os lábios em um beijo apaixonado e cheio de saudade.

Seus cabelos loiros estavam molhados e pingavam pela chuva que havia atingido Londres naquele fim de dia. O rosto também entregava a chuva que o atingira e havia um pequeno acúmulo de gotas em seu casaco pesado, descartado sobre o sofá da cabana, mas a camisa social que ele vestia estava impecável.

- Eu não me preocupo com a cabana... – Ele sussurrou, os lábios pressionados aos dela e os olhos ainda fechados, se deliciando da sensação do calor de Barbara junto ao seu. – Apenas quero encontra-la inteira.

As pálpebras se ergueram, revelando o brilho nos olhos azuis que só aparecia quando Malfoy olhava para Robinson. Ele levou a mão gelada e úmida até os cabelos castanhos, afagando-os em uma carícia.

A cada dia que passava, Malfoy tinha mais certeza do que sentia por Barbara. Ele sabia do papel que deveria exercer como o filho único de uma família importante no mundo bruxo, mas já havia há muito tempo desistido de tentar enganar a si mesmo. Ele era louco por Barbara.

A habilidade com a magia só fazia com que Lucius se encantasse ainda mais. Mesmo com as dificuldades, era notável o progresso que a menina vinha fazendo, independente de todas as limitações.

Muitos bruxos contavam com diversos professores habilidosos e anos de prática, mas tudo que Barbara tinha era Lucius. Ainda assim, ela se mostrava cada dia mais uma bruxa competente e aquilo o deixava cheio de orgulho.

- Apenas não gosto de perder cada progresso seu. Não gosto de perder nenhum momento, Barb.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Dom Jan 10, 2016 11:15 pm

O rosto de Olivia estava na mesma cor dos cabelos e a menina podia sentir o calor tomando conta de sua pele, como estivesse há poucos centímetros de uma lareira. Os olhos cor de mel estavam arregalados quando procurou o rosto de Rodolphus, tentando qualquer sinal que pudesse indicar que as palavras de Bellatrix eram vazias e apenas com intenção de provoca-la.

Porém, quando encarou o Sr. Lestrange, ela teve a confirmação como um soco no estômago. O sorriso de Bellatrix se alargou ao perceber que havia atingido o casal exatamente como planejara.

A ruiva podia sentir o estômago se contorcer e o peito se apertar, provocando uma forte vontade de chorar, e apesar dos olhos claros terem brilhado com as lágrimas, Olivia conseguiu se conter em questão de segundos.

Sua mente trabalhava feroz enquanto absorvia o significado do que havia sido acabado de ser revelado. Era impossível ter certeza se o envolvimento entre Bella e Rodolphus havia sido no passado, no início do casamento ou durante todo o tempo que a ruiva estivera em coma.

Pensar nos dois se divertindo juntos enquanto ela estava fantasmagórica em uma cama, lutando entre a vida e a morte, fez seu estômago embrulhar enjoado. A ânsia só aumentou quando ela teve a certeza que, independente de quantas vezes havia acontecido, Rodolphus havia tocado nela com as mesmas mãos que também procuraram Bellatrix.

A ruiva tinha todos os motivos do mundo para criar um escândalo, estava imensamente magoada e humilhada, mas Bellatrix já havia tido todas as chances de se aproveitar daquela situação. Olivia se recusava a dar mais uma prova de satisfação para a morena.

Como uma perfeita dama criada em uma grande mentira, Olivia apertou os lábios e ignorou o calor que a entregava nas bochechas coradas. Ela empinou o nariz e esqueceu a expressão de jovem feliz e apaixonada, assumindo a postura fria e superior de quem era dona de uma fortuna incalculável.

- Você tinha alguma dúvida que ficaria no passado, querida? Todo mundo sabe que homens procuram qualquer uma para amante, mas Rodolphus seria imensamente estúpido se perdesse a chance de me ter ao lado.

Com uma coragem que existia apenas pelo calor do momento, a ruiva deu um passo a frente, se colocando na frente de Bella.

- A fortuna dos Black é apenas o que eu lucro em uma das minhas empresas, Bella. E agora que Rodolphus e eu nos entendemos, mostrei a ele que posso oferecer mais do que você na cama também. Então por favor, é extremamente patético ver você correndo atrás do meu marido. Eu sei que os Black tem uma árvore cheia de frutos podres, mas se continuar deste jeito, não restará um único galho saudável.

O sorriso de Bella sequer oscilou, mas foi possível notar nos olhos cinzentos um instinto assassino. Com a respiração pesada e o rosto ainda fervendo, Olivia seguiu seu caminho sem olhar uma segunda vez para Black ou Lestrange.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Dom Jan 10, 2016 11:47 pm

O orgulho presente em cada palavra cuidadosamente selecionada pela ruiva não permitiu que Rodolphus se enganasse. Olivia não estava disposta a protagonizar uma cena dramática diante de Bella, mas isso não era uma garantia de que tudo ficaria bem entre os dois.

Com um sorriso vitorioso, Bellatrix acompanhou os passos da Sra. Lestrange até que os fios ruivos sumissem de vista.

Quando Rodolphus fez menção de seguir os passos da esposa, Bella se colocou no caminho dele e tentou atrasá-lo com a conversa que a levara até o escritório naquela noite. O recado foi dado com naturalidade, como se Bellatrix não tivesse acabado de lançar uma bomba no casamento dos Lestrange.

- Uma reunião de urgência foi marcada para amanhã, na casa de Crabbe. Milorde optou por não enviar corujas, visto que uma das aves foi interceptada da última vez. Aliás, ele está estudando uma maneira melhor de nos comunicarmos. Uma marca.

- O que você ganhou com isso, Bella?

Rodolphus ignorou completamente o recado do Lord das Trevas e apontou na direção onde Olivia havia sumido, referindo-se à revelação que a morena acabara de fazer.

- Eu não disse nada demais, querido. – o sarcasmo estava presente em cada sílaba pronunciada por Bella – Você e sua esposa me pareceram tão felizes e tão cúmplices. Como eu adivinharia que você construiu a sua felicidade em cima de uma mentira? Imaginei que tivesse sido sincero com ela sobre o nosso passado.

- Que passado??? Não temos nenhum passado!

- Ora, Dolphus, por favor. – os olhos cinzentos giraram – Você tem todo o direito de ficar com a sua esposinha agora, mas não negue a nossa história.

- Sério, Bella? – os olhos castanhos se estreitaram e adquiriram um tom mais escuro – Você não percebe como está se humilhando? Eu não te quero mais. E as suas atitudes só fazem com que eu perca o respeito que um dia senti por você.

Sem esperar por uma resposta, Rodolphus contornou o obstáculo formado pelo corpo de Bellatrix e seguiu apressadamente os passos da esposa. Olivia foi avistada no saguão de entrada principal do prédio, há poucos passos da área onde passavam a ser permitidas as aparatações. Lestrange chegou a chamar pelo nome dela, mas não evitou que a ruiva desaparatasse sozinha.

Com passos largos, Rodolphus alcançou rapidamente a área de aparatações e desapareceu num “crack”. O rapaz chegou em casa a tempo de encontrar Olivia no meio da escadaria. Uma das mãos dele agarrou com firmeza o braço da esposa, impedindo que a ruiva continuasse aquela fuga. Por mais desagradável que fosse, eles tinham que conversar.

- Olly!

Lestrange respirou fundo, soltando o ar ruidosamente enquanto se colocava diante de Olivia. Os olhos castanhos buscaram pelos dela com alguma urgência enquanto ele articulava as palavras.

- Como você se deixa envenenar com tanta facilidade? Depois de tudo o que vivemos nas últimas semanas, você acha mesmo que eu trocaria o que eu tenho com você por uma aventura com uma amante??? Ela só quer estragar a nossa felicidade e eu não acredito que você vai cair nesta armadilha tão facilmente!
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Seg Jan 11, 2016 12:07 am

Nem mesmo o ar frio da mansão era capaz de amenizar o calor que Olivia sentia com a ira que a consumia. O rosto estava sério, fechado em uma expressão dura. Ao contrário do tempo de luto em que quase não demonstrava emoções, a ruiva deixava evidente o quanto estava irritada e humilhada com aquela descoberta.

Era indiferente se Rodolphus havia mudado nos últimos tempos. Ele ainda havia tido coragem de se deitar com Bellatrix, mesmo diante do compromisso assumido entre os dois. Por tantas vezes, Lestrange se mostrou insatisfeito com o comportamento da nova esposa, sentindo-se incomodado pela forma como ela se portava diante de todos, preocupado com as humilhações. Mas no fundo, havia sido ele a humilhá-la.

Olivia nunca havia se sentido tão magoada antes. Quando temia que o marido tivesse uma mante, ela apenas queria evitar passar pelo mesmo que Octavia. Não queria ser a esposa que fica em casa enquanto o marido se divertia com outras. Mas o que ela sentia agora ia além de qualquer receio das cenas vividas dentro da mansão Russel.

A dor de ser traída era muito pior agora que estava apaixonada por Rodolphus. A humilhação de ser trocada por alguém como Bellatrix era ainda mais amarga. E agora que os dois estavam sozinhos, não havia mais motivo para se portar como a dama que ficaria ao lado do marido independente de qualquer coisa.

Quando sentiu seu braço sendo agarrado, Olivia parou no meio da escada e virou a cabeça para encarar o marido. Os degraus superiores lhe permitiam enxerga-lo de cima e ela não fez o menor esforço para se afastar.

- Armadilha, Rodolphus? É mentira, então?

Ela recuou um passo, colocando os dois pés no mesmo degrau para encará-lo de frente. Seu coração ainda batia rápido e era doloroso olhar para Rodolphus e imaginá-lo junto com Bellatrix.

- Aposto que estavam rindo e se divertindo enquanto eu estava quase morrendo naquela cama! Deviam estar torcendo para que eu deixasse logo todo o meu dinheiro para vocês, han?

Assim como o sotaque forçado em uma imitação da voz dele, Olivia deu uma risada sarcástica, os olhos finalmente enchendo de lágrimas. Estava se sentindo uma tola por ter acreditado em Rodolphus durante tanto tempo, por pensar que eles poderiam mesmo ser diferentes de Octavia e Dimitri.

- Então me diz, Rodolphus. Vocês nunca estiveram juntos? Me diz, e eu vou acreditar em você. Se você disser que nunca se deitou com a Bellatrix, eu vou pedir desculpas pela cena e vamos voltar ao que éramos. Mas se você estiver mentindo, vai precisar viver sabendo que o nosso casamento é uma grande farsa!

Olivia empinou o nariz e o encarou desafiadoramente. Ela sabia a verdade, mas queria saber até que ponto Rodolphus seria capaz de levar aquela mentira.

- É a sua chance de me dizer a verdade.
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Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Seg Jan 11, 2016 12:35 am

Rodolphus era um bom mentiroso. Ele havia sido criado naquele mundo em que a verdade não era tão importante quanto as aparências e aprendera desde cedo que mentir não era algo errado. Ao contrário, uma mentira poderia abrir muitas portas e evitar muitos problemas.

Naquela noite, contudo, o filho mais velho dos Lestrange se recusou a mentir para a esposa. Se ele estava mesmo disposto a construir um relacionamento sólido com Olivia, não poderia fazer isso num terreno infértil pelas mentiras. Rodolphus poderia ter se omitido e guardado aquele segredo para sempre, mas era impossível olhar para Olivia e pronunciar uma inverdade.

Lestrange permaneceu parado um degrau abaixo da ruiva, o que o obrigava a erguer os olhos para encará-la. Daquela posição, Olivia parecia ainda mais furiosa e autoritária, mas nem isso desmotivou Rodolphus a desistir da sinceridade.

- A minha vida não começou no instante em que eu te conheci, Olivia.

As palavras soaram sérias, mas com uma entonação amigável. Era óbvio que Rodolphus não queria que aquela conversa terminasse numa briga.

- Eu saí com várias garotas durante meus últimos anos em Hogwarts e os meus primeiros anos da vida adulta, como qualquer homem normal. E Bellatrix Black foi uma delas.

Embora Bella fosse uma moça extremamente bonita e pertencesse a uma família rica e tradicional, Rodolphus não revelava seu envolvimento com ela com orgulho. Agora que estava casado e feliz com a esposa, Bellatrix passara a ser apenas uma lembrança do passado, algo que Lestrange preferiria esquecer e só estava trazendo à tona por exigência de Olivia.

- Não faz o menor sentido brigarmos por coisas que aconteceram antes que nós dois nos acertássemos, Olivia. – os olhos escuros se estreitaram, mas Rodolphus não mudou a entonação da voz – E é injusto e ofensivo que você me acuse de ter ficado com a Bellatrix enquanto você estava doente. Se não acredita em mim, pergunte à Meredith. Eu fiquei todo o tempo ao seu lado, eu fiz TUDO para que você se recuperasse. Como você pode insinuar que eu torcia pela sua morte?

Os dedos de Rodolphus afrouxaram o aperto e ele soltou o punho da esposa. Por um breve momento, ele pensou em poupá-la daquela confissão. Mas logo aquela ideia foi descartada. Era melhor que aquela última pendência fosse resolvida para que Bellatrix não tivesse mais nenhum trunfo contra a Sra. Lestrange.

- Eu cometi um erro depois do nosso casamento. Apenas um. Um erro que antecedeu o seu acidente com o colar amaldiçoado.

Lestrange precisou de uma pequena pausa antes de reunir a coragem necessária para finalizar aquela confissão.

- Naquela noite em que você destratou Bellatrix e Rabastan, eu saí de casa com eles. Eu estava furioso com você, frustrado com os rumos tomados pelo casamento, humilhado pela maneira como você me expunha publicamente... Eu bebi mais do que deveria e me deixei levar pelas provocações da Bella. Foi a única vez, nós sequer estávamos juntos ainda e eu não me orgulho disso.
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