A Marca Negra

Página 5 de 7 Anterior  1, 2, 3, 4, 5, 6, 7  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Re: A Marca Negra

Mensagem por Severus Snape em Dom Jan 03, 2016 1:57 am

No momento em que insultou Barbara na calçada do Beco Diagonal, Lucius sentiu parte da dor da menina por ser obrigado a fazer aquilo. Ter a oportunidade de se desculpar era um tesouro, mas a irritação por ter sido poupado daquele segredo o deixava cego e a última coisa que passava em seus pensamentos naquele momento era se explicar pela sua atitude.

Quando ela o encarou de forma acusadora, Malfoy corrigiu sua postura, enfiando as mãos nos bolsos em uma atitude defensiva. Ele deu as costas para a morena enquanto caminhava até a janela da cabana, próxima da mesinha de bebidas.

Uma lamparina havia sido acessa e ajudava na iluminação da sala, mas Lucius já conhecia cada detalhe daquele cômodo para dar atenção a decoração rústica. Seus olhos azuis estavam presos na paisagem escura do outro lado do vidro, vendo o balançar das árvores com o vento ou o movimento de um esquilo. Seu próprio reflexo era refletido sem que ele tivesse consciência.

As últimas palavras de Robinson fizeram a testa de Malfoy franzir. Mantendo-se de costas para ela, ele virou o rosto até ficar de perfil, encarando o piso da cabana.

- Magia fraca? – Ele repetiu pausadamente antes de se virar novamente para encará-la.

O ar escapou de seus pulmões ao encontrar o rosto bonito da balconista. Apesar da necessidade de ter aquela conversa a sós, Malfoy ainda não se sentia completamente preparado para estar no mesmo cômodo que Barbara, onde não havia ninguém o obrigando a manter o papel do homem orgulhoso pelo seu sangue-puro.

- Você destruiu parte do Beco Diagonal. Enviou Cissy para o hospital. Você controlou tudo sem precisar de uma varinha, Barbara!

Não havia tom acusador em suas palavras. Malfoy estava surpreso demais com a capacidade de Robinson, ainda mais surpreso que ela não tivesse conhecimento de seu potencial. Ele sabia que era natural para crianças manifestarem sua magia antes de serem devidamente educadas. Mas normalmente eram coisas banais, pontuais, como estourar um vidro, fazer algo flutuar ou desaparecer. Nunca ouvira um relato tão forte como o que havia presenciado naquela tarde.

Com alguns passos, Lucius quebrou a distância até a balconista, uma expressão de assombro em seu rosto. As mãos foram retiradas do bolso e ele a segurou pelos ombros, deslizando o polegar sobre a pele quente e macia.

- Sua magia está longe de ser fraca, Barb. Você é uma bruxa.

Ouvir aquela verdade de sua própria boca causou uma arrepia na nuca de Lucius. Ele e Barbara continuavam incompatíveis. Os Malfoy jamais admitiriam trocar o casamento certo com Narcissa Black para que seu único filho casasse com uma renegada Robinson. Mas para ele, muita coisa havia mudado com aquela novidade.

Ele estava apaixonado por uma bruxa de sangue-puro, e não o aborto que imaginava. Aquela verdade trazia um imenso alívio ao seu coração torturado.

- E uma bruxa extremamente poderosa, devo acrescentar.

Um brilho passou pelos olhos azuis quando um sorriso orgulhoso ousou aparecer em seus lábios. Ele retirou a própria varinha do bolso e a esticou na direção de Barbara. Para um bruxo, partilhar a varinha era um ato de extrema intimidade, mas não houve a menor hesitação.

- Eu não sei o que te disseram para fazer você acreditar que era um aborto, Barb, mas confie em mim. Se foi capaz de fazer tanta coisa hoje de tarde, o mínimo de treinamento será capaz de ensinar a controlar sua magia de verdade.
avatar
Severus Snape

Mensagens : 87
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Dom Jan 03, 2016 2:14 am

Um mal estar.

Foi esta a primeira desculpa inventada por Rodolphus para justificar a ausência da Sra. Lestrange nos eventos sociais e o fato de Olivia não aparecer na sala quando porventura alguém surgia para visitar o casal.

Contudo, com o passar das semanas, Rodolphus também precisou intensificar a gravidade da mentira para que ninguém desconfiasse dos verdadeiros motivos que mantinham Olivia distante do convívio social.

O mal estar se transformou em uma indisposição, a indisposição teve que virar uma doença de família e, por fim, Lestrange não conseguiu mais esconder de ninguém que a sua esposa estava morrendo.

A ausência de Olivia, as visitas frequentes do curandeiro à mansão dos Lestrange, o abatimento de Meredith e a expressão atormentada de Rodolphus foram o bastante para que todos acreditassem que a jovem Sra. Lestrange sofria algum mal incurável e que realmente agonizava na cama.

Rodolphus ouvia uma infinidade de lamentações falsas, todos pareciam abalados com a má sorte do casal. Mas a verdade é que, no fundo, a maioria daquelas pessoas invejava o futuro glorioso de Lestrange. Ele estava prestes a se tornar viúvo, mas também se tornaria o único dono de uma das maiores fortunas do mundo da magia.

E isso fazia com que Rodolphus voltasse a ser amplamente desejável aos olhos femininos. Olivia ainda não havia morrido, mas já se falava em quem seria a próxima felizarda que ganharia a briga pelo coração do Sr. Lestrange. Bellatrix encabeçava as listas, mas a herdeira dos Black não estava tão confiante. Ao contrário, Bella andava cada vez mais angustiada porque, mesmo com uma esposa moribunda em casa, Rodolphus nunca mais procurara por ela.

Acima de qualquer coisa, Lestrange se sentia corroído pela culpa.

Nada daquilo teria acontecido a Olivia se ele não tivesse deixado a ruiva sozinha naquela fatídica noite. Também fora ele o responsável por levar para casa o objeto que agora sugava a vitalidade da ruiva.

Por mais que passasse dias inteiros ao lado de Olivia e ajudasse diretamente na recuperação dela, Rodolphus não conseguia se livrar da enlouquecedora sensação de culpa. Era Olivia quem morria naquela cama, mas Lestrange também sentia que sua vida escorria na mesma velocidade do suor perdido pela moça.

Nos primeiros dias, Meredith evitava até olhar na direção do rapaz, tamanha a raiva que sentia por imaginar que fora Rodolphus que fizera algo contra a sua menina. Assim como os demais, a governanta enxergava muito bem os benefícios que Lestrange teria com a morte precoce da esposa.

Contudo, com o passar das semanas, Meredith percebeu que o sofrimento dele era sincero. Rodolphus não parecia ansioso pela morte da esposa. Ao contrário, ele fazia o impossível para que Olivia tivesse alguma chance de sobreviver à poderosa magia negra incrustada no colar de diamantes.

Ninguém tinha mais esperanças quando a ruiva começou a reagir. No começo, foram apenas movimentos inespecíficos, murmúrios ininteligíveis. Mas já era muito mais do que Olivia fizera em semanas sem nenhuma reação.

Logo os murmúrios se transformaram em palavras e estas viraram frases sem sentido e sem contexto, mas ainda assim era um grande progresso.

Meredith passava quase o tempo todo ao lado da ruiva e, portanto, a governanta sabia que Rodolphus também perdia várias horas de seu dia velando o sono da esposa. Na maior parte das vezes, o rapaz apenas se sentava ao lado da cama e pousava um olhar distante nela. Raramente, Lestrange se entregava à tentação de tocá-la e deslizava os dedos no rosto ou nos cabelos de Olivia.

Embora não soubesse detalhes sobre os primeiros dias daquele casamento, Meredith tinha duas certezas. A primeira era que o casamento não ia bem muito antes da noite em que Bellatrix surgiu para visitar o casal. E a segunda era que, independente de qualquer crise, Rodolphus gostava de Olivia e não queria perdê-la.

Por sorte, o Sr. Lestrange não estava presente em nenhuma das vezes que a ruiva mencionou o nome do irmão. Mas Meredith já se preparava para inventar alguma mentira sobre um primo ou um amigo de infância.

O que a governanta não imaginava era que, naquela noite, Olivia despertaria de forma tão abrupta.

A ruiva estava sozinha no quarto quando seu grito ecoou pelas paredes. Descansando no quarto ao lado, Rodolphus foi o primeiro a ouvir o berro de Olivia e a correr na direção dela.

A porta foi aberta num estrondo e Rodolphus invadiu o quarto da esposa como um furacão. Ver os olhos cor de mel abertos e Olivia sentada sobre a cama foi uma surpresa que o desarmou por completo.

Lestrange abandonou qualquer máscara e seu rosto demonstrava um genuíno alívio quando um sorriso de felicidade brotou em seus lábios. Um grunhido sem sentido escapou dos lábios de Rodolphus antes que ele corresse até a cama e se inclinasse, agarrando Olivia num abraço apertado.

- Você acordou! – a voz grave de Rodolphus soava trêmula – Você acordou, Olivia!
avatar
Connor Ward

Mensagens : 108
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Dom Jan 03, 2016 2:48 am

O corpo de Olivia estava dolorido por ocupar a mesma posição semanas a fio. Sua cabeça estava pesada e a língua pesada quanto ela tentou falar alguma coisa, sem que som algum saísse de seus lábios.

A única certeza que a ruiva tinha era que havia acabado de acordar de um longo pesadelo. Todo o seu corpo tremia e o coração batia acelerado naqueles sintomas clássicos de quem acabara de ser liberto de um sonho ruim. Por mais que não se recordasse, a Sra. Lestrange havia mergulhado em um mundo sombrio com tudo que mais temia em vida durante os meses em coma.

Apenas nos últimos dias, o mundo terrível começou a rachar para dar lugar as lembranças de sua verdadeira vida. Os momentos vividos ao lado dos pais, o cotidiano na escola de Durmstrang, o início do seu relacionamento com o meio-irmão e até Rodolphus ocupou seus pensamentos antes que a lembrança do colar surgisse, revivendo em sua mente os últimos momentos antes de desmaiar para só então acordar, finalmente sendo liberta daquela maldição.

Receber o abraço do marido fez com que a ruiva enrugasse a testa em confusão. As mãos geladas, completamente livre da febre, tocaram o rosto dele quando se afastou o suficiente para encará-lo. Por um segundo, Olivia acreditou que ainda estava dormindo e que aquela imagem fazia parte de mais um dos confusos sonhos. Para ela, não fazia sentido que Rodolphus a recebesse de forma tão calorosa, mas estava fraca demais para questionar.

Os olhos cor de mel passearam pelo quarto, e mesmo na fraca luz provocada pelas pesadas cortinas, ela encontrou os vidrinhos de poções vazias que se acumulavam em sua mesinha de cabeceira. Uma bacia com água e um pano úmido estavam apoiados em uma cadeira, antes ocupada por Meredith.

- Água.

Olivia conseguiu sussurrar, a voz completamente rouca e fraca, sem que ela soubesse se aquilo era provocado pelo grito que havia acabado de dar ou pelo silêncio que a atingiu durante o coma.

Sem hesitar, Rodolphus a serviu com um copo de água da moringa esquecida entre as poções. A ruiva bebeu cada gota, sentindo a boca completamente seca e a sede consumindo seus sentidos. O copo vazio foi enchido mais uma vez e Olivia estava terminando de beber quando Meredith surgiu na porta.

- Olivia???

A incredulidade estava expressa em cada centímetro do rosto da mulher quando ela se aproximou da cama, cobrindo a própria boca com as mãos em surpresa.

- Você acordou?! – Parecia tolice perguntar, quando a menina estava com os olhos bem abertos diante da governanta, mas Meredith não conseguia acreditar na própria sorte. – Você acordou!

Ela respondeu com mais convicção, abrindo um sorriso que provocou as ruguinhas ao redor dos seus olhos escuros.

- O que aconteceu? – Sua cabeça girou entre a mulher e o marido enquanto secava os próprios lábios úmidos.

- Você estava desacordada, querida. Estava em coma há meses. Como está se sentindo?

Com exceção dos músculos doloridos e da sede exagerada, Olivia não conseguia identificar nenhum outro sintoma. A febre havia cessado e as batidas do coração começavam a normalizar. Mas não havia nenhum outro sinal de que ainda estivesse doente, apenas enfraquecida.

- Sinto que eu preciso de um banho. – Ela tocou os próprios cabelos sujos, sentindo-se envergonhada por estar naquelas condições diante de Rodolphus.

Seu estômago roncou em sinal de que a fome também fazia companhia para a sede, mas era um excelente sinal de que ela realmente estava melhor.

- E de um prato de comida também, Mer.

A governanta sorriu satisfeita e confirmou com a cabeça, os olhos mareados pela emoção quando os lábios da ruiva tremeram para formar um fraco sorriso, em uma tola tentativa de ser engraçada.

- Eu vou preparar agora mesmo, Olly. Você precisa de forças para deixar essa cama.
avatar
Alexia Romanoff

Mensagens : 89
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Marca Negra

Mensagem por Danika Lehmann em Dom Jan 03, 2016 3:14 am

Quando Malfoy disse com todas as letras que Barbara era uma bruxa, a primeira reação da garota foi abrir um meio sorrisinho debochado. Parecia uma piada – e uma piada de mau gosto – ouvir aquilo logo dos lábios dele. Lucius a deixara há algumas semanas exatamente por achar que a balconista da Von Hants Potions era desprovida de magia.

- Alguma coisa acertou a sua cabeça durante a explosão desta tarde? Escute o que está dizendo, Lucius. Isso não faz sentido nenhum!

Quando o rapaz estendeu a própria varinha na direção dela, os olhos verdes se arregalaram e Robinson recuou um passo, assustada com a proposta muda do rapaz.

Embora não tivesse sido criada como uma bruxa, Barbara sabia a importância da varinha na vida de um bruxo. Uma boa varinha costumava ser uma escolha única e insubstituível, razão pela qual nenhum bruxo que se preze gostaria de emprestar o objeto para ninguém.

- Guarde isso. Eu posso quebrar essa coisa, sabia? Não sei nem como segurar isso!

Embora as palavras de Robinson continuassem firmes, seus olhos começavam a demonstrar alguma hesitação.

Pela primeira vez na vida, a morena questionava tudo o que Ursula lhe dissera durante toda a sua vida. Era estranho que a mãe ficasse sempre tão desesperada ao ver Barbara realizando alguma magia. Também era esquisito que as duas vivessem tão isoladas, que Ursula nunca tivesse apresentado a filha para nenhum amigo ou conhecido do seu passado.

Mas a maior das perguntas fazia com que aquela hipótese perdesse totalmente o sentido. Por que Ursula faria aquilo com a própria filha? Por que ela colocaria aquela marca negativa na testa de Barbara e a transformaria numa escória diante da sociedade bruxa? Por que a própria Ursula assumiria uma vida de miséria se não fosse para esconder a vergonha de ter dado à luz um aborto da natureza?

- Eu não sou uma bruxa. Minha mãe me explicou isso, Lucius. Por que ela me diria essa maldade se não fosse verdade?

Havia uma maneira muito simples de provar qual teoria estava certa, e Malfoy novamente estendeu sua varinha para Robinson.

Era de conhecimento geral o fato de varinhas serem instrumentos exclusivamente bruxos. Uma varinha jamais obedeceria aos comandos de qualquer outra espécie, mesmo sendo uma criatura dotada de magia. Elfos domésticos e duendes possuíam sua magia própria, mas eram seres incapazes de transferir aquela energia para a ponta de uma varinha.

Como não conseguiria retornar para casa sem aquela resposta, Barbara finalmente aceitou a proposta de Malfoy. Seus dedos tremiam de leve quando a morena estendeu o braço e segurou a varinha do rapaz.

O coração de Robinson batia acelerado quando, pela primeira vez em toda a sua vida, ela tocou em uma varinha. Seus dedos deslizaram pela madeira bem polida, admirando a perfeição daquele objeto que ela nunca pudera ter.

Quando fechou os dedos em torno da varinha, Barbara a segurou de um jeito atrapalhado, que deixava claro que era mesmo o primeiro contato dela com aquele instrumento.

Os olhos verdes pareceram meio confusos, mas ela logo se concentrou no que estava prestes a fazer. Robinson nunca estivera em uma aula de Feitiços, mas vivia entre os bruxos e sabia pronunciar pelo menos os feitiços mais simples usados no cotidiano.

A ponta da varinha de Lucius foi voltada para a porta da cabana. A mão de Barbara tremia de leve, mas sua voz soou firme.

- Alohomora!

A porta se abriu com tanta violência que as dobradiças foram arrancadas dos batentes e a madeira voou para fora da cabana, aterrissando vários metros depois da varanda. Ali estava a prova de que Barbara era uma bruxa que precisava desesperadamente aprender a controlar a própria magia. A magia poderosa que Ursula a obrigara a abafar por quase vinte anos.
avatar
Danika Lehmann

Mensagens : 109
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Marca Negra

Mensagem por Severus Snape em Dom Jan 03, 2016 3:37 am

A primeira reação de Lucius foi dar um salto para trás, assustado quando a porta foi arrancada de seu lugar. Os olhos azuis imediatamente arregalaram com o susto e a boca se abriu sem conseguir emitir som algum, apenas para que os lábios se curvassem em um enorme sorriso cheio de orgulho.

Malfoy adorava estar certo de alguma coisa. Se esta coisa implicasse que ele não estava apaixonado por um aborto imundo e sem magia, a satisfação era ainda maior. Era evidente que Barbara não tinha controle algum sob a magia que corria em suas veias, mas na mesma proporção, estava claro para o Comensal que ele estava diante de uma poderosa bruxa que exigia apenas controle e disciplina para dominar o uso de uma varinha

Diferente da balconista, Lucius não estava preocupado com os motivos que levaram Robinson a crescer acreditando ser uma criatura inferior incapaz de realizar feitiços. Ele havia se apaixonado por um aborto e o destino cuidara de transformá-la em uma bruxa de sangue-puro, era o suficiente para se sentir apenas agradecido e sem condições de questionar a própria sorte.

Com alguns passos, ele se colocou ao lado de Barbara, rindo deliciado com o que estava presenciando.

- Eu nunca vi um aborto arrancar uma porta com uma varinha, Srta. Robinson.

Cuidadosamente, ele tocou a própria varinha e a retirou dos dedos da menina como se fosse uma bomba pronta para explodir. Apenas quando o artefato estava devidamente seguro sobre a lareira, ele permitiu que seus braços rodeassem a cintura dela.

Lucius tinha certeza que seria incapaz de se apaixonar por alguém sem magia, e sabia que Barbara era incrível demais para ser um aborto. Inconscientemente, ele já sabia que a ideia dela ter magia era a mais natural possível.

Pelo motivo que ele conhecia muito bem, Barbara estava ainda mais linda aos seus olhos, e alheio aos conflitos que a morena deveria estar vivendo naquele instante, Malfoy afagou o rosto dela em uma carícia, os olhos azuis brilhando e o sorriso preso em sua face.

Durante semanas, tudo que ele havia sonhado era estar novamente com Robinson em seus braços, mas a certeza que jamais teria outra oportunidade com a morena tornava aquele momento ainda mais incrível.

- Eu vou te ajudar, Barb. Com algumas aulas, você será melhor do que muitos bruxos por aí.

Lembrando da cena de ciúmes que Barbara havia feito com a lembrança de Narcissa, ele a segurou pelo queixo e acrescentou, sem duvidar das próprias palavras.

- Você será melhor do que Narcissa um dia sonhou em ser.
avatar
Severus Snape

Mensagens : 87
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Dom Jan 03, 2016 3:42 am

- Ela vai engasgar.

Meredith se atreveu a fazer aquela suave provocação ao notar como Rodolphus encarava a esposa fixamente enquanto Olivia, depois de meses vivendo à base de poções, finalmente atacava um prato de comida de verdade.

- Desculpe.

O rapaz se obrigou a afastar os olhos castanhos para outra direção, visivelmente constrangido por ter sido pego em flagrante pela governanta. Por mais que tentasse se controlar e reassumir a postura fria e distante do passado, Rodolphus não conseguia disfarçar a sua imensa felicidade em ver a ruiva acordada de novo.

Mesmo depois de um banho, de vestir roupas limpas e ter os cabelos vermelhos impecavelmente penteados, Olivia continuava bastante abatida e fragilizada. Mas Lestrange não parecia se importar nem um pouco com a aparência dela. Tudo o que importava para Rodolphus era que Olivia estava de volta, que seus erros não haviam custado a vida da esposa.

- Você dormiu por meses, Olivia. – Meredith explicou novamente enquanto acariciava o rosto da ruiva – Por isso nós dois estamos nos comportando como tolos.

Era para ser uma brincadeira, mas a entonação cômica da governanta logo foi substituída por uma voz chorosa e Meredith deixou escapar um soluço.

- Nós achamos que você nunca mais acordaria, Olly...

Antes que Meredith se entregasse completamente ao choro, Rodolphus se arrastou para mais perto dela e a englobou num abraço protetor. Mesmo em seus piores dias, Lestrange sempre havia sido muito gentil com a governanta. Mas aquela atual intimidade seria uma surpresa para Olivia.

A dor em comum havia unido os dois naqueles últimos meses ao ponto de ambos se sentirem totalmente confortáveis naquele abraço carinhoso.

- Está tudo bem. Não chore tanto, está assustando a Olivia!

O abraço talvez assustasse mais a ruiva do que o choro de Meredith. Mas aquele era só um detalhe de todas as mudanças que Olivia perdera nos últimos meses, enquanto estava mergulhada naquele sono profundo.

Talvez não fosse o melhor momento para explicações, mas Rodolphus sentia uma necessidade sufocante de falar. Agora que os olhos de Olivia finalmente estavam abertos, a ruiva poderia lhe fornecer o perdão e amenizar a culpa que o corroera nos últimos meses.

- O colar. Você tocou o colar que eu guardei no cofre. Estava enfeitiçado com magia das trevas. Eu deveria ter te avisado, ou deveria ter escondido em outro lugar. Eu lamento muito, Olivia. Você não tem ideia do quanto me sinto culpado por isso.
avatar
Connor Ward

Mensagens : 108
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Dom Jan 03, 2016 4:03 am

A última lembrança real que Olivia tinha antes de entrar em coma era do colar que havia retirado do cofre. Mesmo assim, tudo estava acontecendo rápido demais para que ela conseguisse associar a joia ao acidente que lhe privara dos últimos três meses.

Era muita informação para ser associada com sua mente lenta. Jamais imaginou que fosse ver Rodolphus e Meredith tão próximos, naquela intimidade de amigos. Mas também não esperava que o marido fosse trata-la com sincera preocupação. Não havia dúvidas de que seu estado de saúde havia abalado a confiança e frieza do homem a sua frente.

A colher com a sopa parou no caminho do prato até os lábios da ruiva, o vapor subindo junto com o aroma até tocar o rosto magro, mas que já começava a mostrar sinais de melhoras após o banho e a refeição. Os olhos cor de mel finalmente foram desviados da comida para encarar Lestrange.

Aquela confissão explicava o motivo para que Rodolphus estivesse em seu leito, satisfeito que ela estivesse viva. Por mais que fosse cheio de defeitos, ele não conseguiria suportar tão facilmente o remorso caso a esposa fosse levada a óbito por um descuido seu.

Não era uma atitude inteligente deixar um objeto amaldiçoado sob o teto em que vivia, mas Olivia não podia culpar Rodolphus pelo que havia acontecido. Em nenhum momento havia sido intenção dele lhe provocar algum dano e Lestrange parecia já estar arrependido suficiente sem que ela precisasse agravar a situação.

- Foi um acidente.

Sua voz continuava rouca, mas começava a soar mais clara e alta.

- Eu nunca mexo no cofre, foi apenas uma coincidência terrível.

A mão pálida e magra deslizou pelo colchão até encontrar os dedos de Rodolphus em um toque carinhoso jamais usado ao marido antes. Ela podia sentir o olhar de Meredith acompanhando cada um de seus movimentos, mas toda sua atenção estava voltada a ele.

- Não se sinta culpado por algo que já aconteceu. Muito menos por algo que não aconteceu. Eu já estou bem.

Com um sorriso fraco, ela inclinou a cabeça e tentou amenizar a situação, lembrando a sombra da Olivia feliz que foi um dia.

- Apenas me avise a próxima vez que trouxer qualquer coisa do tipo para casa, está bem? Evidentemente, minhas aulas na Durmstrang foram superestimadas e eu não sou tão boa em Artes das Trevas como pensávamos.
avatar
Alexia Romanoff

Mensagens : 89
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Dom Jan 03, 2016 1:18 pm

Ao fim daqueles três meses, não era apenas a aparência de Olivia que refletia abatimento e fragilidade. Se a ruiva olhasse para Meredith e para o marido com mais atenção, perceberia que eles também não tinham ficado bem nas últimas semanas.

Mesmo sendo um rapaz jovem e forte, Rodolphus exibia um olhar cansado. Era notável que seu rosto estava ligeiramente mais magro, com os olhos mais afundados. Os cabelos sempre impecavelmente penteados precisavam de um corte com uma certa urgência, embora a visão dos cachos escuros não fosse exatamente desagradável. Este era quase o mesmo caso da barba por fazer. Meredith implicava ao ver o patrão com aquela aparência tão desleixada, mas sabia que Rodolphus continuava mais atraente que a maior parte dos rapazes da sua idade.

Apesar da imagem de Rodolphus refletir todo o cansaço e a tensão vivida nos últimos meses, era notável que aquela experiência negativa trouxera algum benefício para Lestrange. Rodolphus havia perdido aquele ar de rapaz para adquirir feições de um homem mais maduro.

Um sorriso de alívio surgiu no rosto do rapaz quando Olivia lhe forneceu o perdão que ele esperava desde que encontrara a ruiva caída no chão do escritório. A culpa ainda existia e o acompanharia para sempre, mas pelo menos não seria mais um sentimento tão intenso e tão torturante.

- Não haverá uma próxima vez, eu aprendi a lição. Vou manter a minha família longe deste tipo de negócio.

Ao pronunciar “minha família”, Rodolphus olhou brevemente na direção de Meredith, incluindo-a naquele grupo. A governanta abriu um sorriso emocionado e secou o canto dos olhos, que ainda lacrimejavam. Um arrepio gelado fazia Rodolphus estremecer com a ideia de que, se o colar tivesse sido tocado por Meredith, a mulher talvez não teria idade ou saúde para sobreviver à forte magia.

Seguindo na direção iniciada por Olivia, Rodolphus também abriu um sorriso mais leve e se permitiu uma brincadeira. Era saboroso brincar e voltar a viver com suavidade depois de tantos dias sem conseguir articular um sorriso verdadeiramente sincero.

- Eu já imaginava que você superestimava a educação obtida em Durmstrang. – o rapaz deu de ombros e abriu um sorrisinho provocativo – Eu não conheço detalhes sobre as pautas de ensino ou sobre as avaliações da escola. Tudo o que sei é que não me lembro de já ter ouvido falar de nenhum Torneio Tribruxo que terminou com um campeão de Durmstrang. Aliás, nas últimas três edições, o campeão foi um aluno de Hogwarts.

Ao final da provocação, Rodolphus abriu um dos seus sorrisinhos maliciosos para a esposa, com uma clara expressão desafiadora. Os dois pareciam ter voltado ao posto de adolescentes discutindo sobre suas respectivas escolas.

Antes que aquela discussão infantil se prolongasse e tivesse alguma chance de se transformar em uma briga de verdade, Meredith se meteu na conversa com os olhos estreitados. A governanta usava a entonação de uma mãe disposta a colocar um fim definitivo numa briguinha de dois filhos.

- Parem já com essas bobagens! As duas escolas são excelentes! Pelas barbas de Merlim, vocês parecem duas crianças! Não posso me descuidar por dois segundos e vocês começam a brigar por bobagens???

- Não estamos brigando! – Rodolphus respondeu com uma entonação defensiva, mas logo voltou suas provocações para Meredith – Eu só estou mencionando os últimos vencedores do torneio. Não tenho culpa se não há ninguém de Durmstrang, Mer! AAAAAW! MER! DOEU!

De fato, Meredith não poupou muita força quando acertou em cheio a cabeça de Rodolphus com uma almofada.

- Eu mandei parar. – os olhos da governanta tinham se transformado em duas fendas ameaçadoras – Não vou permitir que Olivia gaste suas poucas energias discutindo por bobagens! – Meredith se voltou para a ruiva, ainda séria – E você, volte a comer! Tem um caldeirão cheio de sopa na cozinha e eu o quero vazio até amanhã!
avatar
Connor Ward

Mensagens : 108
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Marca Negra

Mensagem por Danika Lehmann em Dom Jan 03, 2016 1:47 pm

Pela primeira vez, Barbara ficou completamente indiferente a um toque de Malfoy. Mesmo depois que os braços firmes do rapaz a enlaçaram pela cintura, a garota continuou imóvel, com uma expressão congelada e com a mente fixa num ponto muito distante daquela cabana.

Se Lucius sentia apenas felicidade por saber que a balconista da Von Hants Potions era uma bruxa, o mesmo não se aplicava aos sentimentos de Barbara. A garota poderia até ficar feliz com aquela novidade, se isso não implicasse que toda a sua vida até então fora uma mentira.

Humilhações, privações e a sensação constante de inferioridade. Todas as memórias negativas de Robinson pareciam mais fortes agora que ela sabia o quão injustiçada fora por tantos anos. A dor era ainda mais forte em pensar que a responsável por tudo aquilo era Ursula.

A mãe era a pessoa que Barbara mais amava em todo o universo. A garota confiava tão cegamente na Sra. Robinson que nunca questionara nenhuma das mentiras impostas por ela. Quando a mãe caiu de cama com aquela doença ingrata e incurável, Barbara assumiu integralmente os cuidados com Ursula e o sustento da casa. Tudo por amor e por respeito à mulher que a privara de todos os direitos e todos os benefícios de ser uma bruxa.

- Por que ela fez isso comigo?

A pergunta foi dirigida mais a si mesma do que a Lucius. Aliás, Barbara escutava a voz do rapaz ecoando muito distante e sequer dava atenção às palavras articuladas por ele. Sua mente estava concentrada demais naquele drama pessoal e nem mesmo Lucius Malfoy tinha o poder de trazê-la de volta à realidade.

As lembranças se sucediam na cabeça de Robinson como se fossem cenas aceleradas de um filme já visto centenas de vezes. Uma cortina de lágrimas cobriu os olhos verdes enquanto a mente da menina a torturava com todas as vezes em que ela fora humilhada por ser um aborto da natureza.

Mas, sem dúvida, as memórias mais dolorosas do passado eram as lembranças de passear com a mãe pelo Beco Diagonal durante o verão. A pequena Barbara se recordava das ruas lotadas de alunos segurando suas listas de Hogwarts, escolhendo os livros que usariam naquele ano, comprando os uniformes com as cores de suas respectivas casas, carregando gaiolas com corujas...

Barbara sentia uma inveja sufocante. Tudo o que ela queria naquela época era ser uma daquelas crianças eufóricas por mais um ano de estudo de magia no castelo de Hogwarts. E agora doía muito pensar que aquele sonho poderia ter se concretizado se não fosse por Ursula. A mãe a privara daquele sonho que estava ao alcance de suas mãos.

- Me leve para casa.

Os olhos verdes finalmente entraram em foco e pousaram sobre o rosto de Malfoy. Barbara estava séria como nunca, mas não parecia irritada com Lucius, ou com o fato dele mencionar Narcissa. Ele estava longe de ser a pessoa que teria que lidar com toda a fúria da morena naquela noite.

- Apenas me leve para casa, Lucius. Eu não quero ficar nem mais um minuto sem ouvir as explicações dela. Ela me negou respostas por quase duas décadas. Eu não quero esperar mais!
avatar
Danika Lehmann

Mensagens : 109
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Dom Jan 03, 2016 1:53 pm

Olivia sentiu as bochechas esquentarem e teve a certeza que estava corando quando escutou Rodolphus se referir a ela e Meredith como família. Os lábios que começavam a recuperar a cor ficaram entreabertos em um bico de surpresa e ela não conseguiu mais esboçar reação alguma.

Era estranho acordar com o marido ao seu lado, tão diferente da última lembrança em sua mente. Nos últimos minutos juntos, os dois estavam prontos para iniciar mais uma briga que foi interrompida quando o homem deixou a mansão em uma clara provocação. O Rodolphus leve e brincalhão diante dos seus olhos parecia ser uma pessoa completamente diferente.

Por um segundo, Olivia se perguntou se seria possível que tivesse acordado em algum universo paralelo onde ela era feliz ao lado do marido. Mas logo compreendeu que os três meses em que lutava pela própria vida também havia interferido no cotidiano de Rodolphus e Meredith.

Algo em seu interior pareceu derreter diante da nova versão do Sr. Lestrange, e mesmo ainda estando muito fraca, seu rosto se contorceu até formar um enorme sorriso e a gargalhada escapou de sua garganta o mais espontâneo possível.

A aparência frágil se transformou quando os olhos claros brilharam, as bochechas cheias com o sorriso que atingia todo seu rosto e a risada gostosa ecoou pelas paredes do quarto que por tanto tempo foi o cenário para dias tão sombrios.

Meredith não conseguiu controlar o espanto ao ver sua menina rindo com tanta naturalidade. Desde a morte dos pais, Olivia assumira uma postura fria e triste, com raras exceções em que sorria mecanicamente. Era a primeira vez em mais de um ano que ela ria de verdade, lembrando a adolescente feliz que um dia frequentou os corredores da Durmstrang.

- Meredith sempre teve a mão pesada. – Olivia lançou um olhar divertido para a governanta. – Quase arrancou minha orelha uma vez que sujei meu vestido novo porque queria brincar na neve.

Passado o susto de ver a ruiva rindo, Meredith reassumiu a postura de mãe protetora e apontou para o prato de sopa.

- E desta vez arrancarei de verdade se você não terminar de comer.

- Eu já sou uma mulher crescida, sabia, Mer? – Olivia revirou os olhos, mas levou mais uma colherada de sopa aos lábios.

- Pois parece a mesma menina teimosa de sempre.

Sem protestar, Olivia terminou de comer sua refeição, sentindo o corpo agradecer pelo alimento. Ela se sentia muito mais confiante para sair da cama sem tropeçar, embora soubesse que nem Meredith e nem Rodolphus concordariam que ela deixasse o quarto naquele dia.
avatar
Alexia Romanoff

Mensagens : 89
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Dom Jan 03, 2016 2:48 pm

A risada de Olivia também deixou o marido sem reação por vários segundos. Meredith ainda se lembrava da época em que a ruiva era uma garota feliz e sorridente, mas aquela nova face de Olivia era totalmente inédita para Rodolphus. Desde que conhecera a esposa, Lestrange só vira sorrisos mecânicos e frios nos lábios dela. A surpresa de saber que Olivia era capaz de uma risada espontânea era quase tão agradável quanto ver os olhos cor de mel abertos novamente.

Só depois de recuperado daquele susto, Rodolphus se deu conta de que ainda segurava a mão da esposa. A iniciativa do toque partira de Olivia, mas Lestrange não só havia aceitado aquela aproximação, como também entrelaçou seus dedos compridos aos dela e manteve o contato.

Os olhos castanhos demonstraram algum constrangimento quando Rodolphus percebeu a firmeza com que segurava a mão delicada da esposa, como se temesse perder Olivia se aquele toque se afrouxasse. Vagarosamente, o rapaz abriu os dedos e libertou a mão da ruiva para que ela pudesse cumprir as ordens de Meredith e terminar de tomar a sopa.

Conforme Olivia já esperava, Meredith não autorizou que ela saísse da cama. A ruiva começava a recuperar suas cores e a sua vitalidade, mas parecia precoce demais deixá-la caminhar pela mansão depois de tantos meses na cama, lutando contra a morte.

Naquele mesmo dia, o curandeiro da família foi chamado para reavaliar a ruiva. O homem se mostrou surpreso com aquele despertar agudo, mas não encontrou nada errado enquanto examinava Olivia. É claro que a ruiva estava fraca e ainda precisava de repouso e algumas poções. Mas, sem sombra de dúvidas, não existia mais a incômoda sombra da morte rondando o quarto da jovem Sra. Lestrange.

Da mesma forma que a notícia sobre a doença de Olivia se espalhara, a novidade sobre a recuperação da ruiva também não demorou a chegar aos ouvidos da sociedade. Várias corujas começaram a chegar com cartas de felicitações e com falsos desejos de uma rápida recuperação. Meredith estreitava os olhos sempre que via uma ave pousando no parapeito das janelas porque sabia muito bem que a maior parte daquelas pessoas torcia pela morte da Sra. Lestrange.

E aquela torcida negativa era encabeçada por Gaspard e Ruth. Os sogros sempre apareciam com um falso discurso de pesar, mas no fundo estavam torcendo para que o filho se tornasse o viúvo mais rico e mais cobiçado de Londres. Quando souberam que a jovem Sra. Lestrange havia acordado e estava se recuperando rapidamente, foi como receber um balde de água fria em suas cabeças. Mas é claro que os sogros só precisaram de algumas horas para recolocarem as suas máscaras de falsidade.

Rodolphus conseguiu se livrar dos pais por uma semana, mas logo a insistência dos Lestrange obrigou o primogênito a aceitar a visita da família para um jantar. Olivia ainda estava fragilizada demais para sair de casa, mas o marido não encontrou nenhuma desculpa boa o bastante para evitar que seus pais e seu irmão aparecessem para jantar naquela noite de sexta-feira.

Seria um jantar mais íntimo e Rodolphus deixou muito claro que não receberia ninguém além de Ruth, Gaspard e Rabastan. O cunhado nunca fora um problema para Olivia e, apesar de seus gestos pouco polidos, não tinha o costume de importunar a ruiva. Mas os sogros eram duas serpentes que a jovem Sra. Lestrange teria que suportar naquela noite.

- Os dois mal conseguiam esconder a ansiedade. – Meredith alertou a ruiva enquanto ajudava Olivia a se arrumar para aquela tortura – Rabastan não. Ele sempre me pareceu preocupado, principalmente com a tristeza do Rodolphus. Mas o casal Lestrange não via a hora de colocar as mãos na sua herança.

A governanta suspirou enquanto terminava de ajeitar os fios avermelhados de Olivia. Apesar de abatida e bem mais magra, a ruiva continuava exibindo uma beleza única.

- Vai acabar rápido, Olly. E o Rodolphus estará com você. Ele já está pronto, está esperando por você na sala.
avatar
Connor Ward

Mensagens : 108
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Marca Negra

Mensagem por Severus Snape em Dom Jan 03, 2016 2:50 pm

A testa de Lucius estava franzida quando ele afastou o rosto o suficiente para encarar Barbara, confuso com a reação que a menina estava tendo diante daquela novidade. Para alguém como Malfoy, não fazia sentido que Robinson estivesse tão abalada por descobrir que tinha sangue mágico.

Deixar de ser um aborto nojento para saber que poderia fazer qualquer coisa como um verdadeiro bruxo deveria ser o sonho de qualquer um que nascia sem magia. Nada deveria ser forte o suficiente para abafar aquela sensação de poder, nem mesmo as razões que haviam levado a Sra. Robinson a mentir por tantos anos.

Era compreensível que Barbara estivesse furiosa por ter sido obrigada a viver como um lixo insignificante da sociedade quando poderia ter se tornado uma bruxa bem treinada há anos, mas se Lucius estivesse em seu lugar, ele aproveitaria mais tempo daquele presente do destino antes de questionar os erros da mãe.

Ele próprio também estava possesso ao imaginar a velha Úrsula abafando o poder da filha. A vida de Barbara teria sido completamente diferente se ela tivesse seguido os anos em Hogwarts como qualquer criança normal.

Podia sentir um formigamento de excitação ao imaginá-la com o uniforme da Sonserina, andando pelos corredores com a varinha em punho. O passado de ambos poderia ter sido completamente diferente se Barbara Robinson estivesse no Expresso de Hogwarts com onze anos de idade.

Relutante, Lucius acenou em concordância. Por ele, seria melhor que os dois passassem o restante da noite naquela cabana. Havia tanta coisa que ele precisava mostrar a Barbara, tanta coisa que ela poderia fazer, que parecia um imenso desperdício se afastarem. Mas o tom de voz de Robinson mostrava que ela estava decidida e precisava daquele confronto com a mãe antes de seguir para o passo seguinte.

A varinha foi recolhida do apoio na lareira e, sem a menor dificuldade, Lucius consertou a porta estourada por Barbara antes de aparatar com ela. A escuridão da vila trouxa protegeu o casal de olhares curiosos quando seus pés tocaram o chão encardido de pedra. Com um movimento ansioso, ele a manteve firme em seus braços, impedindo que a balconista se afastasse na primeira oportunidade.

- Nada disso foi justo com você, Barb. – Ele sussurrou, segurando o rosto dela com suas mãos.

Os olhos azuis encaravam as íris esverdeadas de uma para a outra. Era impossível não deixar transparecer em seu rosto o orgulho que sentia da magia da morena.

- Mas você é extremamente poderosa agora. Você pode fazer com que todos eles paguem pelos anos de miséria e humilhação.

Lucius tinha consciência que ele havia sido um dos que havia passado pelo caminho da jovem Robinson para humilhá-la, mas se sentia isento de qualquer consequência. Afinal, diferente de todos os outros, ele havia enxergado a bruxa que existia por trás da imagem fracassada.

- Você nunca mais vai precisar abaixar a cabeça de novo.
avatar
Severus Snape

Mensagens : 87
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Dom Jan 03, 2016 3:19 pm

As palavras de Meredith não causaram nenhuma surpresa em Olivia. A menina havia crescido com pessoas interesseiras e sabia que o que mais havia no mundo eram pessoas que prezavam mais a sua fortuna do que seu bem-estar.

Ela poderia se recusar a descer para o jantar, mas a forma com que Rodolphus vinha se comportando havia lhe dado força suficiente para cumprir seu papel naquela noite. Por mais que os sogros não merecessem, o marido teria naquela noite a esposa doce e que engolia as palavras ácidas sem rebater.

Com ajuda de Meredith, Olivia desceu as escadas até encontrar Rodolphus. Por mais que estivesse melhorando a cada dia, as pernas ainda estavam fracas por terem ficado tanto tempo sobre a cama e pareciam estranhar o peso da ruiva, mesmo com os quilos a menos.

Os sapatos baixos ajudavam na tarefa de se equilibrar, mas o que mais chamava a atenção naquela noite não era a expressão abatida de quem ainda estava em recuperação. Os fios ruivos estavam impecáveis e pareciam ainda mais vermelhos em contraste com a pele pálida. O luto havia sido deixado de lado quando Olivia escolheu o vestido bege para aquele jantar.

A peça era feita com um tecido leve e que balançava ao menor dos movimentos. Ele cobria até metade de suas coxas, exibindo desenhos florais de um azul bebê que combinava com o cinto marcando a cintura fina.

Olivia havia finalmente entendido que sempre sentiria saudade dos pais, mas precisava agradecer pela própria vida. Já havia passado o tempo de chorar pela morte de Octavia e Dimitri e ela estava disposta a não viver em uma guerra com Rodolphus.

Apenas quando sua mão tocou a do marido, os olhos claros captaram a imagem do restante da família Lestrange sentada confortavelmente na sala. Ela precisou respirar fundo antes de colocar o sorriso falso nos lábios e se aproximar.

- Olivia!!!

Ruth foi a primeira a vê-la, fazendo com que a cabeça do marido e do filho mais novo também girassem na direção da ruiva. A Lestrange mais velha encarou a menina da cabeça aos pés, como se tentasse desvendar qualquer sinal que fosse leva-la novamente à doença.

Foi fácil perceber que, até aquele momento, Ruth duvidava da recuperação da esposa de seu filho, como se estivesse esperando confirmar com os seus próprios olhos antes de ter as esperanças esvaídas de colocar as mãos na fortuna dos Russel.

- Por Merlin, como você está magra!

A mulher se levantou decidida até a nora e a abraçou rapidamente, apertando os braços magros com os dedos e as unhas grandes roçando sua pele.

- Está abatida também. – Gaspard tinha uma careta engraçada quando seguiu os passos da esposa. – Tem certeza que ela está melhor, Dolphus? Nenhuma chance de recaída?

A forma com que o homem encarou o filho fez com que Olivia sentisse um arrepio em sua nuca. Ela imaginou como os sogros deveriam estar vibrando enquanto ela lutava pela própria vida durante os últimos meses.

- Você está ótima, Olly.

Rabastan parou do outro lado da mãe e enfiou as mãos nos bolsos, ignorando os comentários ácidos dos pais. Ele se aproximou desengonçado para abraçar a cunhada, a enorme barriga tocando-a antes de completar o abraço.

- Como está se sentindo? – Ele perguntou quando estavam mais próximos.

Olivia se sentia grata por Rabastan não carregar mágoas do último encontro e o tocou no braço com carinho, lançando o primeiro sorriso sincero desde que pisara na sala.

- Imensamente agradecida por ter uma desculpa para sair da cama. Obrigada.
avatar
Alexia Romanoff

Mensagens : 89
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Marca Negra

Mensagem por Danika Lehmann em Dom Jan 03, 2016 3:32 pm

Quando os olhos de Ursula Robinson se abriram, os primeiros raios de sol começavam a iluminar o pequeno quarto que ela dividia com a filha. Seu corpo ainda estava dolorido por causa da febre que a acompanhara durante boa parte da noite, mas aquele desconforto se tornara tão rotineiro que a mulher não se lembrava mais da sensação de sentir-se totalmente bem.

Vagarosamente, Ursula se virou na cama para olhar na outra direção do quarto. Sua visão ainda embaçada viu o contorno do corpo de Barbara sentada sobre a outra cama e um sorriso preguiçoso surgiu nos lábios da mulher.

- Achei que você dormiria um pouco mais no seu dia de folga, querida.

- A senhora se enganou. Mas as pessoas se enganam mesmo. Eu também me enganei quando achei que minha mãe me amava e era incapaz de me fazer mal.

A entonação áspera da filha fez Ursula arregalar os olhos. Sua visão finalmente entrou em foco e a mulher notou o semblante carregado e a sombra de fúria que cobria os olhos verdes da filha, tão idênticos aos seus.

Com alguma dificuldade, a Sra. Robinson se colocou sentada na cama. Seu coração saltitava porque, no fundo, Ursula sabia o que estava acontecendo. Era inevitável que aquele dia chegasse. Aliás, era uma sorte que Barbara tivesse demorado tantos anos até perceber que havia algo muito errado com seu título de aborto da natureza.

- Por que?

A pergunta era simples, mas não havia necessidade de detalhar melhor as dúvidas. Estava claro que Barbara estava questionando tudo o que ocorrera desde o seu nascimento. Ela queria saber os motivos que levaram a mãe a fazer tamanha maldade com a própria filha, a rotulá-la como um ser inferior diante da sociedade preconceituosa na qual viviam.

- Barbie, eu...

- Não ouse inventar mais nenhuma mentira! – a fúria da garota levou a um pequeno descontrole, mas já foi o bastante para que o vidro da janela do quarto se trincasse – E não ouse dizer que eu preciso esconder isso! Eu já percebi que não preciso de uma varinha para acabar com você!

Aquela ameaça fez com que um nó se formasse na garganta de Ursula. Barbara estava tão furiosa que a mãe não conseguia duvidar das palavras dela.

- Eu só queria te proteger.

As palavras da Sra. Robinson ecoaram no quarto silencioso. Barbara piscou várias vezes enquanto tentava digerir aquela informação, mas a declaração da mãe simplesmente não fazia o menor sentido.

- Me proteger? – Barbara apontou na direção da porta da casa – Você me jogou aos leões sem que eu tivesse a menor chance de me defender. Você não permitiu que eu tivesse uma varinha, que eu aprendesse magia! Você me transformou numa presa fácil, num aborto! QUE ESPÉCIE DE PROTEÇÃO É ESTA???

Desta vez, o vidro da janela se despedaçou. Ursula se encolheu para não ser atingida por nenhum caco, mas a filha não parecia nem meramente preocupada com o bem estar dela.

- FOI A ÚNICA MANEIRA QUE EU ENCONTREI DE TE TIRAR DO RASTRO DO SEU PAI! ELE TERIA TE MATADO, BARBARA! ELE SEQUER DARIA A VOCÊ A CHANCE DE CRESCER PARA SE DEFENDER!

Os gritos da Sra. Robinson fizeram a filha recuar alguns centímetros. Mais uma vez, Barbara precisou fazer uma pausa para tentar entender aquelas declarações. A garota crescera ouvindo a falsa história de que Ursula havia engravidado de um trouxa “acidentalmente”, durante uma festa em que bebera demais. A mulher sempre alegara que não se lembrava nem do nome do rapaz e que nunca mais o vira.

- Você sabe quem é o meu pai, então...

- É CLARO QUE EU SEI! É um abutre que me seduziu, que me usou e depois me descartou como lixo! A única coisa boa que restou deste relacionamento fracassado foi você, Barbie! Eu não podia permitir que ele soubesse! Se ele desconfiasse da sua existência, ele teria ido às últimas consequências para evitar um escândalo que manchasse a impecável reputação dele, que expusesse o nome da família! O sangue-puro e as aparências sempre foram as prioridades dele!

- Meu pai... – a voz de Barbara falhou – É um bruxo de sangue-puro? Não é um trouxa???

- Barbie... – Ursula deslizou para fora da cama e caminhou até a filha, com as lágrimas já escorrendo por seu rosto pálido – Tudo o que fiz foi para salvar você dele. Ele jamais daria atenção a um aborto da natureza. Mas certamente ficaria incomodado se soubesse que havia uma Robinson convivendo com as filhas dele em Hogwarts.

- Filhas? – Barbara encarou a mãe, tão pálida quanto Ursula – Ele tem outras filhas? É casado?

A Sra. Robinson confirmou com um movimento de cabeça, fazendo com que o estômago da filha afundasse.

- Eu quero o nome, mãe. Eu exijo saber o nome dele.

Não havia mais como fugir daquele embate. Ursula sabia que mais mentiras não ajudariam em nada e a forma mais digna de assumir aquela derrota era fornecer à Barbara todas as respostas que a garota precisava.

- Cygnus Black.

O lábio inferior de Barbara tremeu antes que ela abrisse um sorriso amargo diante da certeza de que o destino não se cansava de brincar com os sentimentos dela. De todos os homens de sangue-puro da Inglaterra, Cygnus era o último nome que a garota gostaria de ouvir naquela manhã.

Como se não bastasse todo o sofrimento de uma vida inteira de humilhações injustas, Barbara acabava de descobrir que era irmã de Narcissa Black. Não parecia haver ironia maior do que perder Lucius para a mesma garota que tivera tudo o que a vida negara à Barbara. Mais uma vez, Cissy ganharia a batalha.

- Eu NUNCA vou te perdoar por isso, mãe.

- Para onde você vai? Barbara!!!

- Não ouse vir atrás de mim! – os olhos verdes faiscaram – Você está por sua conta agora, Sra. Robinson.
avatar
Danika Lehmann

Mensagens : 109
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Dom Jan 03, 2016 5:10 pm

Enquanto os pais conversavam na sala, os olhos de Rodolphus estavam voltados para a escadaria da mansão. Meredith dissera que a patroa estava quase pronta, mas a demora de Olivia em aparecer fazia o marido acreditar que ela desistiria daquele jantar. Se fosse este o caso, Rodolphus sequer poderia julgá-la. Ele entendia bem os motivos da ruiva para não desejar a companhia dos sogros.

Quando ele estava quase convencido de que teria que inventar uma nova desculpa para justificar a ausência da esposa, Olivia surgiu. A visão da ruiva fez o queixo de Rodolphus cair e o deixou sem reação por vários segundos.

Apesar da magreza e do rosto abatido, Olivia estava linda. Era como um sonho vê-la fora da cama, descendo as escadas da mansão sozinha e usando um vestido leve e de cores claras.

Ao finalmente recuperar o controle das próprias ações, Rodolphus se colocou de pé e adiantou-se até a escadaria, oferecendo a mão para ajudar Olivia a descer os últimos degraus. O gesto poderia ser interpretado como um cavalheirismo necessário para manter as aparências diante dos convidados, mas o olhar de Lestrange refletia uma preocupação e um carinho sinceros.

Naquela noite, era Rodolphus quem optara por cores escuras. A calça tinha um tom de cinza chumbo e a camisa de botões preta lhe dava um ar elegante que dispensava o uso de um paletó, ainda mais num evento informal como um jantar com a família. Como a primavera já chegava ao fim e o advento do verão elevava as temperaturas, Lestrange se viu obrigado a dobrar as mangas da camisa até os cotovelos, exibindo os músculos bem desenhados dos antebraços.

No instante em que Olivia começou a ser bombardeada pelas palavras do casal Lestrange, Rodolphus passou um dos braços pelos ombros da esposa e apoiou a mão espalmada nas costas dela, num gesto inconsciente e protetor. Os olhos escuros se estreitaram diante da pergunta nada discreta do pai e a resposta do primogênito soou gelada de desprezo.

- Não. Nenhuma chance de recaída, pai. A Olivia está melhor a cada dia, exatamente como o senhor desejava sempre que vinha me visitar.

- Que ótimo, então. – o sorriso amarelo do Sr. Lestrange estampou seu rosto enrugado – Fico muito feliz por vocês.

Como a intenção era acabar logo com aquela tortura, Meredith interrompeu os cumprimentos para avisar que o jantar já estava servido, quase uma hora antes do horário habitual. Ruth e Gaspard trocaram um olhar mais sério, mas Rabastan pareceu bastante contente em saber que não perderia mais tempo esperando pelo jantar.

Normalmente, como homem daquela casa, Rodolphus ocupava a ponta da mesa durante as refeições. Naquela noite, contudo, o rapaz ignorou o lugar de destaque para se sentar bem ao lado da esposa. Era clara a sua preocupação e o desejo de estar próximo caso Olivia tivesse a menor recaída.

A ponta da mesa foi ocupada então por Gaspard, que entendeu o gesto do filho apenas como uma atitude respeitosa para com o próprio pai. O Sr. Lestrange jamais compreenderia os sentimentos que levavam Rodolphus para perto da ruiva.

O jantar foi servido por dois elfos, sob a supervisão de Meredith. Normalmente, a governanta fazia as suas refeições na mesa principal, mas é claro que Meredith dispensou aquela honra para evitar as desagradáveis companhias dos sogros de Olivia. E a governanta realmente tinha sorte por conseguir evitar as conversas vazias que Ruth iniciou durante o jantar.

Rodolphus realmente achava muito mais interessante usar o garfo para desenhar formas inespecíficas no seu restinho de purê de abóbora do que participar dos assuntos intermináveis da mãe. Ruth tinha um poder único para guardar detalhes de todas as festas e eventos sociais que Olivia perdera nos três últimos meses e parecia determinada a atualizar a nora sobre todas as novidades inúteis que a ruiva perdera.

A atenção do rapaz só se desviou do prato quando Ruth levou a conversa em uma direção mais perigosa.

- Você acordou num excelente momento, querida. Certamente você não gostaria de perder o casamento do filho dos Malfoy com a caçula de Cygnus Black. Ainda acho que o seu casamento com o Dolphus foi o evento do ano, mas esta festa que está por vir ganhará facilmente o posto de segundo lugar.

Antes que Olivia se sentisse intimidada com aquela insinuação, Rodolphus tomou as rédeas da situação. Aproveitando-se da proximidade com a ruiva, Lestrange deslizou o braço por baixo da mesa e pousou a mão sobre uma das coxas da esposa, apertando-a de leve. Era um gesto íntimo, mas não havia segundas intenções na atitude de Rodolphus. Seu toque era mais protetor do que provocante e demonstrava que ele estava disposto a resolver aquela situação por Olivia.

- Ainda não confirmamos presença neste casamento, mãe.

- Como não? – Ruth lançou um olhar horrorizado ao filho – Será uma desfeita enorme faltarmos a um evento conjunto das famílias Black e Malfoy. E Lucius é um dos seus melhores amigos, Dolphus!

- Exatamente por isso eu imagino que o Lucius vai entender caso não possamos comparecer. Ele sabe que Olivia esteve gravemente doente e que precisa de um tempo para se recuperar.

- Mas ainda temos algumas semanas até o casamento! – Ruth abriu um sorriso falso – Você mesmo disse que a Olivia está melhor a cada dia. Certamente ela estará totalmente recuperada no dia da festa. Não é, querida?

- Veremos. – mais uma vez, Rodolphus poupou a esposa daquela pressão – Se Olivia estiver bem e disposta a este esforço, é claro que iremos. Caso contrário, enviaremos um excelente presente ao casal, juntamente com um pedido de desculpas pela nossa ausência.

Gaspard tomou um gole do seu hidromel antes de se meter naquela conversa.

- Eu estou certo de que a minha doce nora não vai privar você de participar do casamento do seu melhor amigo, Dolphus. Se a Olivia ainda não estiver plenamente recuperada, você pode ir conosco, representando a família.

- Eu não vou deixar a minha esposa sozinha em casa para me divertir em uma festa, pai. Está decidido.

Rodolphus manteve a voz suave, mas mudou de assunto com firmeza, indicando que não voltaria mais àquela discussão. Um sorriso divertido brincou nos lábios do primogênito quando seus olhos captaram a imagem de Rabastan servindo-se pela terceira vez com um generoso pedaço do carneiro.

- Gostou do assado, Basty?

- Divino! Pode me chamar para jantar mais vezes, cunhadinha! Alguém me passa o purê? Está delicioso também!
avatar
Connor Ward

Mensagens : 108
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Marca Negra

Mensagem por Severus Snape em Dom Jan 03, 2016 5:36 pm

Quando o dia amanheceu, Lucius Malfoy ainda não havia pregado o olho. Mesmo assim, o cansaço e o sono eram as últimas coisas a atormentar o loiro que andava de um lado ao outro no quarto, esperando que os raios de sol finalmente estivessem firmes no céu.

A roupa amarrotada do dia anterior havia sido trocada e ele estava novamente com a aparência impecável. A camisa era de um azul escuro, mas parecia refletir nas íris claras em uma perfeita harmonia. Os cabelos estavam penteados e ainda úmidos, assumindo alguns tons mais escuro do que o amarelo que brilhava sob o sol.

Enquanto Narcissa descansava no hospital e Barbara enfrentava a difícil conversa com a mãe, Lucius havia passado as últimas horas refletindo sobre o que aquele novo segredo mudava em sua vida.

Era um imenso alívio saber que nunca estivera apaixonado por um aborto. Por mais que a jovem Robinson ainda não fosse a pessoa ideal para carregar o sobrenome Malfoy, era gratificante saber que seu maior princípio não havia sido abalado pelo sentimento que crescia a cada dia pela balconista da Von Hants Potions.

A decisão de se manter afastado dela já havia sido completamente ignorada. Ele ainda pretendia manter o compromisso de se casar com a caçula dos Black, mas não era mais uma tortura admitir o amor que sentia por Barbara. E Lucius sabia que o casamento arranjado entre as duas famílias não tinha absolutamente nada a ver com romance.

Ele cumpriria seu papel e se casaria com Cissy. A loira era a figura perfeita para carregar seu sobrenome. Era linda, refinada, de sangue-puro, com uma família influente e extremamente rica. Por mais que Barbara tivesse magia, ela ainda envergonharia os pais se fosse a escolhida do único filho.

Mesmo assim, Lucius não tinha mais intenção de negar para si mesmo o que sentia pela morena. Em sua mente confusa, até mesmo o papel de amante não parecia uma má ideia, desde que ainda tivesse Robinson em seus braços.

Quando ele finalmente deixou a mansão para encontrar a jovem, a notícia de que Cissy receberia alta mais tarde já havia chegado por uma coruja que foi completamente ignorada.

A cabana dos Malfoy, já tão conhecida, tinha uma paisagem diferente no verão, banhada pelo sol. O menor balançar das árvores trazia um vento gostoso e o verde que rodeava o imóvel brilhava graciosamente.

Todo seu interior estava iluminado pela luz que entrava das janelas escancaradas. Algumas tábuas rangiam sob seus pés até que ele alcançasse a grande varanda que contornava quase metade da cabana.

O lugar era tão espaçoso quanto qualquer canto da casa, o piso de madeira, assim como as colunas que sustentavam o teto. Duas espreguiçadeiras estavam viradas para a vasta paisagem de árvores que se estendia até onde seus olhos não alcançavam mais.

Lucius parou ao lado das grandes portas de vidro e se encostou, cruzando os braços quando reconheceu os fios castanhos escapando por uma das espreguiçadeiras. Por longos segundos, ele ficou calado, apenas deixando que Barbara absorvesse um pouco da calmaria daquele lugar.

Talvez despertada pela alteração no fluxo do vento, o rosto da menina logo se virou, sentindo o peso do olhar do loiro sobre si, e Lucius se deixou sorrir carinhosamente quando seus olhares se encontraram.

- Achei que estivesse dormindo.... Não queria interromper.

Ele descruzou os braços e se aproximou, sentando na espreguiçadeira do lado. Os braços foram apoiados sobre os joelhos e os dedos entrelaçados enquanto observava cada centímetro do rosto cansado de Robinson.

Estava claro pela expressão da morena que não havia sido uma conversa fácil, mas ele perguntou mesmo assim, a preocupação sincera em seus olhos azuis.

- Como foi a conversa? Ela tentou negar ou finalmente te disse toda a verdade?
avatar
Severus Snape

Mensagens : 87
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Dom Jan 03, 2016 6:02 pm

Olivia ainda estava tentando se acostumar com a nova versão de Rodolphus que agora vivia ao seu lado, de modo que encarou o marido com surpresa quando ele encerrou aquele assunto decidido a não ir em festa alguma sem sua companhia.

Um marido que não encontrava apoio em sua esposa certamente adoraria ter a oportunidade de uma noite longe dela, principalmente em uma festa onde encontraria Bellatrix Black. A lembrança da bruxa fez com que Olivia se remexesse desconfortável em seu lugar, mas ela tocou os dedos de Rodolphus, repousados em sua perna, em um agradecimento mudo.

A Sra. Lestrange não sabia o quão longe Rodolphus havia ido com Bellatrix antes do acidente, mas duvidava que ele tivesse rompido os votos do casamento quando exibia um comportamento tão atencioso desde que recuperara sua saúde.

- Prometo que me esforçarei para que Rodolphus não perca o casamento de um grande amigo, Gaspard.

Ela ergueu a taça de seu suco de abóbora e bebericou para não emendar uma resposta ácida nas suas palavras. Por mais que tivesse sempre prometido se comportar como uma esposa modelo, Olivia tinha dificuldades em ficar calada diante da falsidade dos sogros, mas estava particularmente disposta a não cometer deslizes naquela noite.

A sobremesa foi servida enquanto os assuntos vazios de Ruth eram substituídos pelas conversas sobre os negócios entre os três homens. Rabastan não tinha o menor pudor em repetir o sorvete com o bolo quente e falava com a boca cheia, os lábios sujos de chocolate, sem deixar de fazer qualquer comentário na conversa entre o pai e o irmão.

O preço para não responder com ofensas sempre que algo a desagradava era passar quase todo o tempo em silêncio. Olivia cutucava com a colher o sorvete que derretia em sua taça, já sem intenção de comer. Há muito tempo ela não fazia uma refeição tão completa e se sentia incapaz de mais uma colherada.

Com exceção do estômago cheio, a ruiva se sentia ótima. O corpo ficava mais forte, acostumando novamente com os movimentos. Era questão de tempo até que recuperasse os quilos perdidos e pudesse exibir as bochechas mais gordinhas e coradas que contribuíam para o seu ar de menina.

Após a sobremesa, a conversa foi levada novamente para a sala de estar, onde um café foi servido. Em contrapartida ao pouco apetite da ruiva, Rabastan ainda beliscou alguns biscoitinhos amanteigados enquanto tomava o seu café e encheu os dedos com o máximo que pôde quando os pais finalmente anunciaram que iriam embora.

Enquanto se despedia do cunhado, Olivia o tocou no braço mais uma vez e sussurrou de modo que apenas Rabastan pudesse escutar, o encarando com cumplicidade.

- Você sabe que pode vir nos visitar quando quiser, não é, Basty? Não precisa marcar horários nem nada.

O nojo que um dia sentira ao imaginar que se casaria com o caçula era substituído por uma simpatia crescente pelo cunhado. Rabastan era o oposto do irmão mais velho, tanto na aparência quanto nos gestos grotescos e sem educação, mas o amor fraternal que tinha por Rodolphus era sincero, o que o tornava diferente de Gaspard e Ruth.

Rabastan sorriu divertido ao se lembrar do último encontro na presença de Bellatrix e ele apertou o queixo de Olivia em uma intimidade sem segundas intenções.

- Com assados como o de hoje, pode ter certeza que vou aparecer sim.

O sorriso de Olivia se alargou enquanto ela se afastava para se colocar ao lado de Rodolphus, observando os três Lestrange indo embora. Quando estavam finalmente sozinhos, Olivia entrelaçou as próprias mãos e sorriu para o marido.

- Não me olhe com essa cara. Foi divertido, apesar de tudo. Pelo menos tive uma desculpa para sair daquele quarto horroroso.
avatar
Alexia Romanoff

Mensagens : 89
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Dom Jan 03, 2016 6:50 pm

- A quem você quer enganar? Foi pavoroso!

Os olhos de Rodolphus giraram com alguma impaciência e, quando o rapaz relaxou os ombros, parecia estar se livrando do peso do mundo. Só agora, o primogênito enxergava com clareza como a presença de seus pais era desagradável, ainda mais para Olivia que precisava de tranquilidade para se recuperar. Contudo, era uma obrigação social da qual eles não podiam fugir. No fim das contas, os Lestrange agora faziam parte da família da ruiva, afinal.

- Você deve estar exausta. Eu estou.

Mais uma vez, Rodolphus ergueu um dos braços e pousou a mão espalmada nas costas da esposa num gesto protetor enquanto a guiava de volta para a sala vazia.

- Eu imagino que seja frustrante passar todo o tempo de repouso, mas é um cuidado ainda necessário. Você realmente esteve muito mal nos últimos meses, Olivia.

Com um movimento delicado, Lestrange fez com que a esposa se sentasse no confortável sofá da sala. Sem pensar muito nas próprias ações, Rodolphus se agachou diante de Olivia e deslizou os dedos nos tornozelos dela antes de retirar as sapatilhas da ruiva, libertando seus pés daquele incômodo.

- Se o quarto te incomoda tanto, podemos improvisar outro cômodo. Posso comprar uma espreguiçadeira acolchoada para o jardim, ou talvez um divã para a biblioteca.

É claro que Rodolphus ainda era movido pela culpa, mas o perdão de Olivia amenizara em muito a tortura do rapaz. Isso fazia com que os outros sentimentos ficassem mais evidentes. Lestrange não tinha nenhuma razão para ser tão cuidadoso com a esposa agora, que não havia nem mesmo os olhos de Meredith por perto. Se Rodolphus se comportava assim, era porque seu carinho por Olivia era sincero. Foi preciso quase perdê-la para que o rapaz percebesse que não queria desperdiçar mais tempo.

- Quer ficar mais algum tempo aqui na sala?

Os olhos escuros de Rodolphus se iluminaram no instante em que o rapaz se lembrou de um comentário feito por Meredith há algumas semanas. Enquanto a governanta tentava se distrair arrumando a casa, Mer encontrara uma velha vitrola de Dimitri e comentara que Olivia adorava os discos de jazz do pai.

Com um sorrisinho misterioso nos lábios, Lestrange se afastou subitamente da esposa e caminhou até a vitrola deixada sobre um dos móveis. Em dois segundos, o ritmo gostoso de um jazz instrumental calmo se espalhava pela sala.

- Vamos...? – Rodolphus voltou para junto da esposa e estendeu a mão para Olivia – Vamos, Olly! Antes que a Mer apareça e me acerte com uma almofada de chumbo.

Olivia só entendeu o que o marido estava propondo quando Rodolphus a segurou pelo punho e a puxou delicadamente até que a moça estivesse de pé.

Com os pés descalços no chão, Olivia parecia ainda mais baixinha diante do marido. Mas Lestrange ignorou por completo a diferença nas estaturas quando deu um passo a frente. Uma de suas mãos foi apoiada no fim das costas da ruiva e a outra segurou a mãozinha delicada da moça.

Os primeiros passos da dança obedeceram ao ritmo suave da música. Rodolphus conduzia a parceira com imensa facilidade, guiando os movimentos de Olivia.

Assim que notou que Olivia estava mais à vontade e que aquele esforço não era demais para a ruiva, Rodolphus se atreveu a girar o corpo dela elegantemente pela sala antes de trazer a esposa novamente para seus braços.

- Meredith vai me desfigurar se souber que estou fazendo você se esforçar tanto...

Contrariando os próprios receios, Rodolphus manteve o ritmo da dança e novamente segurou a mão de Olivia enquanto a ruiva girava em torno do próprio eixo, fazendo seus cabelos e o tecido leve do seu vestido acompanharem com perfeição aquele movimento.

Quando retornou daquele segundo giro, Olivia encontrou o peito do marido para amparar seu movimento. A dança continuou com a ruiva de costas para Rodolphus, encostada no peito do rapaz e sentindo as mãos dele apoiadas em sua cintura. Um pequeno sorriso brotou nos lábios de Lestrange enquanto ele afundava o nariz nos cabelos ruivos, arrepiando-se com o perfume suave que vinha dos fios.

- Você dança bem, Olly. – as palavras foram sussurradas próximas ao ouvido dela.

Antes mesmo que a ruiva pudesse reagir, Rodolphus novamente a amparou pela mão e girou o corpo de Olivia, deixando-a de frente para ele. Os olhos castanhos se encontraram com as íris cor de mel enquanto os dois se mexiam numa harmonia invejável. Os rostos estavam tão próximos que, dependendo dos movimentos, as pontas dos narizes se tocavam.

Foi exatamente neste contexto que Meredith chegou à sala, atraída pela música. A mulher estreitou os olhos num semblante indignado ao ver Rodolphus fazendo Olivia se esforçar tanto, mas a governanta simplesmente perdeu a voz quando Lestrange inclinou o corpo da esposa levemente para trás antes de unir seus lábios aos dela num beijo romântico e cuidadoso.
avatar
Connor Ward

Mensagens : 108
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Marca Negra

Mensagem por Danika Lehmann em Dom Jan 03, 2016 7:28 pm

Nem mesmo a calmaria da cabana dos Malfoy era o bastante para que Barbara Robinson se sentisse em paz. Qualquer pessoa na situação dela estaria vibrando de felicidade em saber que estava livre do estigma de aborto da natureza. Mas Barbara simplesmente não conseguia abandonar a sensação de que havia perdido a maior e melhor parte de sua vida como bruxa.

Enquanto os olhos estavam perdidos no cenário tão verde quanto as suas íris, a mente de Robinson enumerava tudo o que lhe fora negado nos últimos anos.

Ao contrário de qualquer moça da sua idade, Barbara não tinha lembranças de Hogwarts, não tinha nenhum conhecimento concreto de magia, não havia construído amizades, não tinha um emprego respeitável no mundo bruxo. Ela só tinha a mãe, e até isso acabara de perder com aquela recente descoberta.

A chegada de Malfoy parecia ser a voz do destino ponderando que Robinson também tinha a Lucius, mas no fundo a garota sabia que nem mesmo a sua recém descoberta condição de bruxa mudaria as coisas entre os dois.

Lucius jamais deixaria tudo por ela. Barbara era uma bruxa e agora sabia que tinha o sangue tão puro quanto o de Narcissa Black. Entretanto, nada disso mudava o fato de que a balconista da Von Hants Potions era pobre, não tinha a menor influência no mundo da magia e sequer era reconhecida pelo verdadeiro pai. Os Malfoy jamais aceitariam que seu único filho trocasse o casamento dos sonhos com Cissy por causa de alguém como Barbara Robinson.

- Ela não negou nada.

A voz de Barbara soou baixa, mas firme. Os olhos verdes se demoraram mais alguns minutos em Lucius antes de retornarem para a paisagem campestre que os rodeava.

- Sou filha de um bruxo. Um homem casado. Ela inventou toda esta mentira para que ele nunca soubesse da minha existência. A minha vida não era mais importante do que manter as aparências perante a sociedade.

Um sorriso amargo surgiu nos lábios da morena e, mais uma vez, ela voltou o rosto para o rapaz ao seu lado.

- Você deve entender isso melhor do que eu, não é?

Não era uma acusação. Barbara simplesmente constatava o óbvio.

Assim como seus pais, Lucius também pertencia àquela sociedade que valorizava as aparências acima de qualquer coisa. Era exatamente por pensar assim que Malfoy jamais assumiria seus sentimentos pela balconista, mesmo que agora soubesse que Barbara era uma bruxa. Afinal, isso não mudava o fato de que Narcissa ainda tinha uma imagem mais perfeita.

- Eu preciso de uma varinha.

A maneira como Barbara mudou subitamente de assunto mostrava que a menina não pretendia se lamentar mais, nem pelas injustiças do seu passado nem pelo fato de ter se apaixonado por um rapaz que jamais teria coragem de assumir seus sentimentos por ela.

- Preciso de uma varinha e de alguns livros básicos de Feitiços, Transfigurações... – os olhos verdes giraram – Só dispenso Poções. Não se ofenda, mas acho que já sei mais sobre poções do que qualquer um que tenha frequentado Hogwarts.

Era difícil prever para onde o Chapéu Seletor teria enviado Barbara Robinson se, aos onze anos, a garota tivesse pisado no castelo de Hogwarts. A morena possuía a humildade e a paciência de um lufano, mas por outro lado também era inteligente o bastante para ser enviada para a Corvinal. Sua determinação dava a Barbara um ar grifinório, mas a garota também tinha traços de uma sonserina nobre e independente.

- Você vai me deixar ficar aqui por um tempo? – Robinson foi direto ao ponto, sem qualquer tipo de rodeios – Não posso e nem quero voltar para aquela vida miserável, para aquele emprego medíocre. Mas eu preciso de um tempo para aprender a controlar a minha magia antes de retomar a minha vida. Preciso que você me ajude, Lucius.
avatar
Danika Lehmann

Mensagens : 109
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Dom Jan 03, 2016 10:31 pm

Para Olivia, a noite já havia chegado ao fim quando os Lestrange haviam deixado a mansão. Ela tinha certeza que Rodolphus a obrigaria a voltar para o quarto e descansar pelas energias gastas durante o jantar, mesmo que não sentisse cansaço algum.

Foi uma enorme surpresa quando a música tão conhecida começou a tocar, ecoando pelas paredes da sala, e com assombro ainda maior, ela se viu sendo conduzida no ritmo dos instrumentos, os olhos cor de mel arregalados enquanto seu corpo se mexia involuntariamente.

Pareceu uma eternidade até que Olivia finalmente se sentisse relaxada e abrisse um enorme sorriso, se deliciando com cada movimento da dança. Por mais que tentasse buscar em sua mente, ela foi incapaz de recordar quando havia sido a última vez a apreciar uma boa música ou dançar tão despreocupadamente.

Por mais que Meredith tivesse suas razões para se preocupar, a ruiva se sentia ainda melhor enquanto era rodopiada nos braços do marido. Não havia exaustão no mundo que a impedisse de aproveitar aquele momento tão raro.

Seu estômago dava deliciosas cambalhotas cada vez que encontrava o par de olhos castanhos. Estava tão acostumada a odiar Rodolphus que a expressão suave e carinhosa do homem o transformava em outra pessoa. Alguém com quem Olivia tinha esperanças de ser feliz.

Um arrepio percorreu todo o seu corpo quando ele sussurrou com a voz rouca em seu ouvido. As pálpebras cobriram as íris claras para absorver aquela gostosa sensação, e antes que ela tivesse a chance de erguê-las, sentiu mais uma vez seu corpo ser guiado em um giro até que os lábios de Rodolphus tocassem os seus.

Cada musculo da menina pareceu se derreter com aquele toque, e a fraqueza que a atingiu não tinha absolutamente nenhuma ligação com seu estado de saúde. Uma onda de calor se espalhou dos pés a cabeça e os lábios não se soltaram enquanto as mãos firmes de Rodolphus a puxavam novamente para ficar em pé.

Olivia não se lembrava de nunca ter tido um beijo como aquele. Suas mãos pousadas sobre o peito de Lestrange sentiam com perfeição a musculatura definida. O perfume dele era inebriante, e somado com a sensação do beijo, era capaz de fazer com que o chão sumisse sob seus pés.

Ao invés de se afastar, a ruiva ficou na ponta dos pés, tentando diminuir a distância provocada pela diferença de altura, e deslizou uma das mãos até tocar as pontas dos cachinhos na nuca de Rodolphus. Os dedos livres brincavam com alguns botões da camisa negra e o beijo se intensificava a cada segundo.

Sem ser notada pelo casal, Meredith recuou com passos silenciosos, tomando o devido cuidado para não interromper a cena inédita que acontecia sob aquele teto. Por mais que Olivia precisasse repousar, ela também merecia um pouco de felicidade.

Quando seus pulmões começaram a arder e Olivia se viu obrigada a quebrar o contato, ela sentiu os pés voltarem a tocar completamente o piso de madeira e sorriu com um brilho diferente no olhar.

Era como se estivesse vendo Rodolphus pela primeira vez. Ele não era o mesmo marido cruel e violento do dia do casamento ou da lua de mel. Parecia que os dois estavam tendo a primeira oportunidade de se conhecer de verdade.

- É fácil ser conduzida quando meu parceiro sabe o que está fazendo. – A mão de Olivia deslizou da nuca dele até tocar o rosto em uma carícia delicada.
avatar
Alexia Romanoff

Mensagens : 89
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Marca Negra

Mensagem por Severus Snape em Dom Jan 03, 2016 10:52 pm

Os olhos azuis estavam presos em um pequeno acúmulo de poeira entre as frestas de duas madeiras sob seus pés enquanto Lucius escutava a história que Barbara contava. Não ouve nem mesmo uma pequena oscilação em suas feições quando ela explicou que o pai pertencia a alta sociedade e preferia ter a filha morta do que manchar o próprio sobrenome.

Não era surpresa alguma para um Malfoy o esforço que as grandes famílias bruxas faziam para manter as aparências. Ele sabia perfeitamente como exibir a imagem do rapaz rico, de sangue-puro que teria um casamento perfeito ao lado da noiva modelo que Narcissa se mostrava. Mas também sabia as podridões escondidas nos armários de seus antepassados.

Ele próprio carregava o segredo de amar uma, até então, aborto da natureza. O fato de Barbara ser inteiramente bruxa não aliviava aquele seu pecado. A menina ainda seria vista como uma escória da sociedade por ser uma bastarda, sem ter onde cair morta e ele jamais poderia expor o único amor que um dia foi capaz de sentir por alguém apenas para não prejudicar a própria imagem.

As coisas que as pessoas eram capazes de fazer em prol da árvore genealógica fazia parte de seu cotidiano. Os Black já haviam expulsado mais de um filho de suas casas para manter a honra dos sangue-puros. Úrsula Robinson havia sido extremamente corajosa em proteger a filha de um destino ainda mais cruel.

Lucius não ousou fazer comentário algum até que Barbara lhe fizesse uma pergunta direta. Ele finalmente ergueu o queixo e a encarou, cúmplice. Sua mão foi erguida até tocar a perna esticada sob a espreguiçadeira, acariciando com o polegar.

- Ninguém vem aqui há anos, você pode ficar o quanto quiser. Duvido que meus pais se lembrem deste lugar...

Os olhos azuis passearam pelos eucaliptos que balançavam no fundo da paisagem, trazendo um vento fresco que balançou alguns fios loiros. Ele se lembrava quando ainda era uma criança das caretas que a mãe fazia quando iam passar alguns dias na cabana.

Mesmo com a calmaria e o ar limpo, a Sra. Malfoy sempre arrumava defeitos naquele pedaço de paraíso: muitos mosquitos, formigas demais, quieto demais, rústico demais. Por fim, o Sr. Black desistiu do lugar que ficou completamente ignorado pela família.

- Vou ordenar meu elfo que traga comida para você e mantenha tudo limpo. Você precisará de roupas também. – Ele lançou um olhar significativo para a morena. – E desta vez, digo casacos de verdade. Estamos no verão, mas aqueles seus trapos não vão aguentar até o próximo inverno.

Seus dedos deslizaram do joelho de Barbara, subindo delicadamente pela coxa dela sem desviar o olhar. Ele podia sentir o formato de suas pernas sob a textura do tecido.

- Eu vou providenciar tudo, Barb. Não vou a lugar algum, e nem você.
avatar
Severus Snape

Mensagens : 87
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Marca Negra

Mensagem por Connor Ward em Dom Jan 03, 2016 10:59 pm

- Não tente me adular com elogios, Sra. Lestrange. Esta é a última dança antes que você retorne ao seu repouso.

Apesar da entonação firme, o olhar de Rodolphus só refletia leveza. Ele também se sentia nas nuvens depois daquele beijo e não se lembrava de já ter sentido algo semelhante com outra garota. No fim das contas, o abalo na saúde de Olivia servira para quebrar as barreiras do casal e para permitir que eles se enxergassem pela primeira vez.

O gostoso jazz instrumental se alongou por mais alguns minutos, nos quais o ritmo da dança foi mantido. A única diferença foi que os olhares trocados se tornaram mais intensos e mais alguns beijos demorados passaram a fazer parte da coreografia.

Quando a música finalmente acabou, também levando ao fim aquele momento único do casal Lestrange, Rodolphus e Olivia estavam abraçados no meio da sala. O último beijo foi trocado sem trilha sonora, mas nem por isso pareceu menos romântico. Enquanto a beijava, Rodolphus segurou o rosto da ruiva com as duas mãos e deslizou os polegares delicadamente pela pele pálida, encantado com a maciez e com o perfume dela.

Ter Olivia de volta era como um sonho. Mesmo conhecendo os benefícios de ser um viúvo, Rodolphus nunca quis que a esposa morresse. Primeiro porque a morte de Olivia jogaria uma tonelada de culpa em seus ombros. Mas também porque, no fundo, Lestrange queria mais uma chance de fazer as coisas certas com ela.

Por que os dois precisavam de um contrato? Por que tinham que protagonizar um casamento de aparências se havia a opção de tentarem ser felizes?

É claro que Rodolphus sabia que precisava desfazer a primeira impressão ruim e que precisava merecer o afeto da esposa. Mas o atual comportamento de Lestrange mostrava que ele estava muito disposto a encarar aquele desafio e a mudar os rumos daquele casamento.

- Você precisa descansar agora. E não me olhe com esta cara. São ordens do curandeiro e da Meredith. Você sabe que os dois tem muito mais autoridade do que eu neste caso. Principalmente a Mer.

Rodolphus se afastou um passo, interrompendo aquele abraço. Mas, em compensação, seu braço foi estendido e seus dedos se entrelaçaram aos de Olivia com carinho. Com a mão livre, Lestrange pegou as sapatilhas abandonadas no canto da sala e só então puxou gentilmente a ruiva na direção das escadas.

- Amanhã mesmo vou preparar os jardins e a biblioteca para que você não precise passar todo o tempo na cama.

Foi Lestrange quem abriu a porta do quarto principal para Olivia, mas o rapaz continuou parado no corredor enquanto a ruiva entrava. Rodolphus não pretendia estragar tudo impondo a sua presença ou exigindo que os dois dessem um passo adiante naquele casamento.

Rodolphus não queria que aquele casamento fosse cumprido como um contrato. Ele estava disposto a conquistar Olivia e a merecer o afeto dela, por isso sabia que precisavam ir mais devagar. Os dois usavam alianças, mas mal se conheciam.

- Obrigado por ter suportado este jantar, eu sei que não foi fácil. Prometo que vou alongar ao máximo a frequência com que isso precise se repetir.

Quando se inclinou, Rodolphus beijou primeiro a testa da esposa, mas logo desceu a carícia na direção dos lábios dela.

- Durma bem, Olly. – os olhos castanhos giraram e Rodolphus se permitiu uma brincadeira para aliviar o clima – Só não durma por meses novamente, por favor.
avatar
Connor Ward

Mensagens : 108
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Marca Negra

Mensagem por Danika Lehmann em Dom Jan 03, 2016 11:23 pm

O futuro de Barbara parecia muito bem exposto diante dos olhos verdes. Não havia mais o estigma de aborto da natureza marcado em sua testa, mas a nova realidade não era absurdamente melhor. É claro que a magia a ajudaria muito nos dias que estavam por vir. Mas, se quisesse continuar com Lucius, a garota precisaria se submeter ao papel secundário que o rapaz lhe oferecia em sua vida.

Enquanto Narcissa seria a noiva perfeita que perdia seu glorioso tempo ajustando os detalhes do casamento e a decoração da mansão onde moraria com o marido, Robinson ocuparia o papel de amante e ficaria escondida numa cabana. O local, embora fosse extremamente luxuoso para os seus padrões, era muito pouco perto de tudo que Lucius poderia lhe oferecer.

Contudo, não houve sequer uma reclamação. Barbara não fez nenhum tipo de cena, não perdeu tempo fazendo exigências ou questionando Malfoy sobre o futuro dos dois.

No fim das contas, a garota sabia que recebia dele muito mais que o esperado. Já era demais que Lucius a aceitasse naquelas condições e concordasse em ajudá-la. E Robinson sabia melhor do que ninguém o quanto precisaria de ajuda para controlar a própria magia.

Não era exatamente agradável a ideia de ser sustentada por Lucius, mas Barbara não encontrava muitas alternativas naquele momento. Retornar para a miséria ao lado da mãe não estava em seus planos. Ela não tinha amigos e Terry Von Hants só lhe ofereceria abrigo em troca de mais trabalho. Malfoy era a melhor solução para todos os seus problemas.

- Você será o meu professor?

A entonação divertida tinha um leve tempero de provocação. Barbara mordeu o lábio inferior e não afastou a mão que a tocava daquela maneira mais íntima.

- Eu não sei se consigo me concentrar com um professor como você, Lucius. É sério, você terá que agir de forma mais profissional enquanto estiver me ensinando magia.

Num movimento brusco, Barbara se levantou da sua espreguiçadeira e deslizou o corpo para junto de Malfoy. Ela se sentou no colo do rapaz e passou os braços pelo pescoço dele, deixando que seus dedos acariciassem a nuca de Lucius e as pontinhas dos cabelos loiros.

- Portanto, sugiro que aproveitemos melhor o nosso tempo enquanto ainda não iniciamos as aulas.

Quando uniu seus lábios aos de Malfoy, Robinson apagou da mente todas as lembranças negativas e todas as incertezas de seu futuro. Por um breve momento, ela queria voltar a ser apenas uma garota nos braços do rapaz por quem estava perdidamente apaixonada.
avatar
Danika Lehmann

Mensagens : 109
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Marca Negra

Mensagem por Alexia Romanoff em Dom Jan 03, 2016 11:39 pm

Pela primeira vez em muito tempo, Olivia dormiu bem, o corpo relaxado e sem dores, uma noite inteira sem pesadelos e com um sorriso involuntário pairando em seus lábios. Era estranho começar a conhecer o próprio marido como se fossem apenas dois desconhecidos sem interesse algum, sem saber onde aquele sentimento poderia leva-los, mas era igualmente prazeroso.

A jovem Sra. Lestrange se sentia leve e feliz com a expectativa de um futuro diferente do que tanto temia. A cada dia que passava, Rodolphus a surpreendia mais e Olivia gostava de pensar que estaria se apaixonando por ele mesmo que os dois não fossem obrigados a conviver sob o mesmo teto e partilhar o mesmo sobrenome.

Para seu alívio, as visitas para confirmar seu estado de saúde foram limitadas ao jantar dos Lestrange e com o passar do tempo, Meredith começava a permitir que a ruiva se esforçasse mais, andando pela casa e fazendo as refeições sempre na companhia do marido na sala de jantar.

Exatamente como havia prometido, o Sr. Lestrange providenciou alguns pontos estratégicos pela casa para que a esposa pudesse repousar sem precisar ficar trancada no quarto. Já estava tarde quando Olivia se arrastou até o escritório onde ele trabalhava, caminhando com passos silenciosos até a grande mesa abarrotada de papeis e documentos sobre as empresas.

Entre seus dedos, Olivia ainda carregava o livro e um par de óculos usados para a leitura daquela tarde, e na outra mão, uma pequena taça de sorvete com calda e nozes que foi erguida diante dos olhos castanhos.

- Você não tomou a sobremesa. – Ela explicou com um sorriso doce enquanto se encostava na mesa ao seu lado. – Está trabalhando demais, Rodolphus. Já está tarde, Meredith já foi dormir.

A taça foi repousada ao lado de uma pilha de papeis e ela lambeu a ponta do polegar que havia se sujado com a calda. As pernas estavam expostas em uma saia leve que alcançava até alguns centímetros acima do joelho, mas era possível notar que Olivia começava a recuperar a forma física antes do acidente.

As tardes no jardim também haviam colaborado para que as bochechas assumissem uma coloração mais saudável e a expressão descansada de seus olhos mostrava que não havia mais vestígio dos dias penosos que ficaram no passado.

Por mais terrível que tivesse sido, ela se sentia agradecida com o pesadelo que finalmente chegara ao fim. Era como se finalmente tivesse acordado para viver um sonho. Lestrange era o oposto do marido que ela esperava.

Seus encontros com Nate haviam sido suspensos, mas Olivia já havia alertado o irmão que estava bem e que tudo andava melhor do que poderia imaginar. Por mais que a intimidade entre marido e mulher estivesse sendo criada aos poucos, ela se via cada vez mais envolvida e apaixonada tanto pela beleza quanto pelo carinho que Rodolphus demonstrava.

Não era sacrifício algum se portar como uma esposa carinhosa e dedicada quando tudo que ela queria era agradá-lo, mesmo que nas formas mais simples.

- Chega por hoje, han? – Ela imitou o sotaque afrancesado enquanto alargava o sorriso, usando a mesma postura dele quando lhe pedia para repousar. – É uma ordem, Sr. Lestrange.
avatar
Alexia Romanoff

Mensagens : 89
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Marca Negra

Mensagem por Severus Snape em Seg Jan 04, 2016 12:09 am

O movimento ágil de Barbara pegou Lucius de surpresa, mas ele prontamente esticou as mãos para recebe-la em seu colo, impedindo que se afastasse com a mesma rapidez. Devido a altura que ela ganhou com aquela posição, ele se obrigou a girar o pescoço para trás para receber o beijo apaixonado, se deliciando com o toque dos dedos em seus cabelos.

Malfoy tinha notas medianas em Hogwarts e raramente se destacava em alguma coisa. Foi um bom aluno em poções, mas como a menina já havia dito, ela dispensava ajuda naquele quesito. Porém, qualquer assunto referente ao treinamento de Robinson foi varrido de sua mente quando as carícias se tornaram mais íntimas.

Suas mãos deslizavam pela cintura de Barbara até encontrar uma brecha para tocá-la diretamente na pele. Mas os dedos brincaram ali apenas alguns segundos antes de descerem para tocá-la nos quadris, mantendo os corpos pressionados a cada novo movimento dos lábios.

Por mais vaidoso que o rapaz fosse, ele não se importaria com o estado de seus cabelos bagunçados naquele momento. Todos os seus sentidos estavam voltados para as sensações que Barbara provocava em seu corpo.

A pele de Lucius era naturalmente fria, mas o rapaz sentia o sangue ferver e o rosto esquentar a cada segundo que passava. O perfume dos cabelos castanhos era a única coisa que alcançava suas narinas, ajudando a esquecer o restante do universo. A única coisa que existia ou que fazia sentido em sua vida estava em seus braços. Ninguém mais importava além de Barbara Robinson.

Com destreza, os braços firmes de Malfoy prenderam o corpo de Barbara quando ele se ergueu, mantendo-a segura em seu colo, as pernas da morena ao redor do seu corpo. O beijo foi interrompido apenas por um segundo para que Lucius analisasse o caminho que deveria seguir para dentro da casa e logo as pálpebras já haviam coberto novamente as íris azuladas, deixando seus pés caminharem às cegas.

Beijar Barbara sabendo que ela era uma bruxa de verdade tornava o sabor de seus lábios ainda mais prazerosos. Ele estava tão concentrado no movimento das línguas que foi com surpresa que sentiu seu corpo se chocar contra uma das colunas de madeira no interior da cabana.

Mais uma vez o beijo precisou ser interrompido quando Barbara deslizou de seu colo por um segundo de fraqueza dos braços, mas foi apenas pelo tempo necessário para que Lucius olhasse por cima do ombro analisando a distância que ainda os separava da porta do quarto. Por sorte, a cabana era grande e espaçosa, mas possuía apenas o térreo para distribuir os cômodos.

Em questão de segundos, Lucius estava guiando Barbara para o interior do quarto principal. Exatamente como o restante do lugar, a decoração era rústica mas extremamente cara. A cama ocupava grande parte do cômodo e foi na direção dela que ele caminhou, mantendo a morena presa em seus braços.

Malfoy estava tão envolvido com os gestos, com as carícias e com as reações do próprio corpo que em nenhum momento ele pensou que talvez Barbara não fosse concordar com aquela ousadia. A menina havia acabado de sofrer uma completa reviravolta em sua vida e aquilo poderia ser a última coisa a passar por sua cabeça.

Quando aquele pensamento cruzou sua cabeça, Lucius parou, interrompendo no meio do quarto antes que alcançassem o destino final. O peito subia e descia sob a camisa azul já amarrotada e com alguns botões abertos. Com um movimento habilidoso, os demais botões foram abertos e logo a peça foi descartada sob seus pés, revelando os braços e peitos com músculos perfeitos.

Era fácil compreender porque o filho único dos Malfoy despertava tanto interesse. Cada traço de seu rosto vivia em harmonia, a boca com o desenho perfeito, o nariz sem uma única falha, o corpo definido. Mas o que mais chamava a atenção em sua aparência naquele dia eram os olhos azuis que pareciam ter chamas vivas de desejo.

- Isso é distração demais para você?

A voz saiu rouca e gostosa aos ouvidos, mas era um pedido de consentimento para continuar com aquela loucura. Cada fibra de seu corpo implorava para continuar, mas a mente ordenava continuar parado até que Barbara concordasse.

- Se você tem a menor intenção de desistir, Barb, é melhor fazer logo. Eu juro por Slyterhin que se der mais um passo, serei incapaz de voltar atrás.

Ele ergueu uma mão e tocou os lábios úmidos dela com o polegar enquanto acompanhava a curva perfeita, desejando iniciar mais um beijo.

- Eu quero você mais do que tudo nesse momento.
avatar
Severus Snape

Mensagens : 87
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: A Marca Negra

Mensagem por Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Página 5 de 7 Anterior  1, 2, 3, 4, 5, 6, 7  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum