Maraudering - UA

Página 2 de 9 Anterior  1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Re: Maraudering - UA

Mensagem por S. Orion Black em Dom Nov 22, 2015 2:27 am

- Caiu da cama? Ouvi dizer que você nunca levantava antes do almoço...

- Montgomery! – Sirius fingiu estar ofendido – Por que você quer saber o que faço na cama? – e ele fez questão de perguntar aquilo bem alto e enquanto alguns alunos passavam por eles (os alunos se entreolharam, rindo e ele acenou para eles, todo carismático).

E antes que ela pudesse lhe dar uma resposta desaforada – ou transformá-lo num cão sarnento (ou pior, numa mosca)– Sirius logo tratou de perguntar, para desviar a atenção dela daquele comentário maldoso:

- Como foi o primeiro dia como professora? – ele notou que ela tinha prendido os cabelos num coque e as vestes estavam sem um amassado sequer.

E então ele percebeu que fizera a pergunta errada - novamente.

“Ooops” – ele pensou, vendo a reação da moça a sua frente.
avatar
S. Orion Black

Mensagens : 38
Data de inscrição : 21/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Maraudering - UA

Mensagem por Remus Lupin em Dom Nov 22, 2015 2:40 am

- Apenas no final do mês. – Lupin respondeu rapidamente, sentindo-se tão constrangido com aquele momento quanto Mackenzie. Lentamente, os olhos castanhos se ergueram até encontrar os dela. – A Lua Cheia chegará apenas no final do mês.

A reação surpresa de Maeve era o mínimo esperado para alguém que acabara de descobrir que a pessoa ao seu lado era um Lobisomem. Mesmo assim, Remus encolheu os ombros discretamente, se sentindo ligeiramente acuado.

Ele passara toda a sua vida com o peso daquela maldição, não sabia o que era viver sendo uma pessoa normal, e mesmo assim ele se sentia um trapo sempre que precisava encarar de frente a sua realidade.

Os dois professores se ergueram, dispensados pelo diretor para iniciar o primeiro dia de aula. Assim que alcançaram o corredor, Lupin tocou o braço de Mackenzie, impedindo que ela seguisse seu caminho em frente.

O olhar que a mulher lançou para o seu toque fez com que o professor recolhesse o braço imediatamente, mas ele não piscou, a encarando com os grandes olhos castanhos.

- Eu sei que é muito para digerir, Mackenzie. E certamente é muito para pedir. Não foi para isso que você largou seus estudos na América. – Lupin pigarreou, fitando rapidamente o bonito anel no dedo da professora. – Mas eu realmente conto com a sua discrição.

A intensidade nas palavras de Remus e o brilho nas íris castanhas deixavam perfeitamente claro o quanto aquilo significava para ele. Dumbledore podia confiar em Maeve, mas ainda era a vida de Lupin em risco caso alguma coisa desse errado.

- Você não me deve nada, mas teria minha eterna gratidão. Eu preciso mesmo desse emprego e a minha vida estaria arruinada se esse segredo escapasse. – A testa dele franziu e Remus ousou dar um passo na direção da loira, correndo o risco de que ela fugisse repentinamente. – Pense em todos esses anos que vivemos neste castelo. Nunca fiz mal a ninguém. E se você não confia em mim, confie ao menos em Dumbledore.
avatar
Remus Lupin

Mensagens : 26
Data de inscrição : 21/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Maraudering - UA

Mensagem por Frank Longbottom em Dom Nov 22, 2015 2:45 am

Frank reprimiu o riso diante da reação exagerada da menina. Se a situação fosse outra, e ele estivesse na condição de aluno, com certeza sua gargalhada teria sido forte o suficiente para preencher todo o silêncio que se seguiu à afirmação dela sobre a araramboia. Mas ele estava ali como professor e, por mais que não fizesse a menor ideia de como fazê-lo, precisava agir como um adulto responsável.

- O veneno desta aqui foi completamente retirado, srta. Bennett. Ela não apresenta mal algum a vocês... A não ser que você conte a possibilidade de ela esmagar alguns ossos – ele piscou marotamente, abrindo um sorriso.

Sophie Bennet continuava do jeito que ele se lembrava – a mesma dedicação aos livros, o mesmo corte de cabelo e a mesma postura ligeiramente convencida sobre toda e qualquer disciplina teórica (que, ele devia ser honesto, era o principal charme da garota).

Concentre-se, Longbottom. Ela não é mais sua colega, ela é sua aluna .

- Pois bem, além da poção polissuco, quem mais sabe citar algum uso da araramboia? – Frank correu os olhos pela sala, esperando que algum aluno além de Sophie levantasse a mão – Sim, srta...?

- Davis! – uma garota morena sorriu alegremente, fazendo com que ele tentasse puxar pela memória se aquilo era normal na sua época de escola – A pele da araramboia tem sido investigada por possivelmente conter propriedades regeneratorias. Espera-se que sejam eficientes para reverter danos cerebrais.

Frank se segurou para não fazer uma careta de espanto – aquelas informações estavam não apenas corretas, mas descreviam perfeitamente o estado da arte das pesquisas com o réptil.

- Muito bem, srta Davis, 10 pontos para... – ele precisou se esticar para ver a cor da gravata da aluna, e logo sorriu satisfeito – Grifinória.

De canto de olho, ele viu que Sophie se remexeu inquieta em seu banquinho, e logo voltou sua atenção novamente para ela.

- Srta. Bennett, você gostaria de alimentá-la? Há luvas de proteção no armário do fundo, e ratinhos suficientes para que ela se mantenha tranquila durante toda a aula.

Como a menina não fez menção de sair da cadeira, ele continuou falando.

- Apesar de não ser mais venenosa, ela ainda possui suas presas. Acredito que a senhorita concorde comigo que não vai ser nada legal se ela se irritar enquanto a turma aprende sobre os cuidados básicos com uma araramboia, correto?

Ele sorriu, satisfeito consigo mesmo, e se virou novamente para a turma, andando de um lado para o outro, comentando os modos mais seguros de conseguir antídotos, as utilidades do bicho e a forma não predatória de conseguir extrair o melhor do animal.

Talvez fosse a empolgação de lecionar pela primeira vez, mas, antes do fim da aula, ele já tinha distribuído pelo menos 50 pontos para cada uma das casas.

Nenhum deles para Sophie Bennett.
avatar
Frank Longbottom

Mensagens : 47
Data de inscrição : 21/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Maraudering - UA

Mensagem por Maeve Mackenzie em Dom Nov 22, 2015 2:57 am

Quando Remus Lupin a segurou pelo braço, Maeve arregalou os olhos, surpresa com aquele toque. Só depois que o rapaz recolheu o braço é que ela percebeu que sua reação tinha sido interpretada da maneira errada.

Lupin, então, praticamente implorou por sua discrição.

E no final de seu discurso, ele se aproximou dela, a testa franzida:

– Pense em todos esses anos que vivemos neste castelo. Nunca fiz mal a ninguém. E se você não confia em mim, confie ao menos em Dumbledore.

Apesar da proximidade do rapaz, Maeve não se moveu. Ergueu a cabeça para olhá-lo nos olhos – ele era muito mais alto que ela.

- Eu confio no Dumbledore. – ela falou, com firmeza – E por Merlin, Lupin, eu não sou uma adolescente fofoqueira que vai sair por aí espalhando o seu segredo. Você também tem que confiar na decisão dele. - ela respirou fundo e olhou para o relógio em seu pulso. 7:50. Tinha 10 minutos para alcançar as masmorras - Com licença...tenho uma aula pra dar. – e se afastou dele. Olhou para trás, antes de dobrar o corredor – Me mantenha informada do conteúdo administrado nas suas aulas, sim? Até mais, Lupin.

Parou do lado de fora da masmorra e respirando fundo, se preparou para dar aula aos primeiranistas da Grifinória e Sonserina.

- Bom dia, senhores...! – ela sorriu, entrando na sala. Os alunos responderam, animados e ela então, deu início a sua tão adorada matéria de Poções. Como era a primeira aula do pessoal do primeiro ano, ela decidiu dar uma introdução da matéria, apresentando os materiais e falando dos ingredientes mais utilizados e contando um pouco de sua experiência aqui e ali. Os alunos a adoraram, mas já era esperado...eles tinham 11 anos e era o primeiro contato deles com a matéria. Difícil seria lidar com os mais velhos, que já estavam acostumados com o modo de lecionar de Slughorn.

Mas Maeve sabia que podia dar conta.
avatar
Maeve Mackenzie

Mensagens : 24
Data de inscrição : 21/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Maraudering - UA

Mensagem por Sophie Bennett em Dom Nov 22, 2015 3:17 am

Sophie arregalou os olhos e abriu a boca levemente quando o professor sugeriu que ela alimentasse a serpente. Em um primeiro momento, ela se mostrou tão indignada que não se mexeu, encarando Longbottom com pura incredulidade.

Quando o rapaz insistiu, Bennett sabia que não teria como fugir. Ele poderia ser muito novo, mas ainda era um professor e não ficaria bem em seu currículo desafiá-lo. Seu olhar se estreitou quando David ganhou 10 pontos para sua casa. Ela havia dado uma resposta correta primeiro e não havia somado nenhum ponto para a Corvinal.

Enquanto Frank continuava com a aula, Sophie se arrastou até pegar a luva mencionada pelo professor, fazendo uma careta de nojo ao pegar um dos ratinhos pelo rabo. Era difícil dizer o que era pior: o bichinho morto em sua mão ou o réptil faminto, aguardando para ser alimentado.

A Corvinal passou quase toda a aula sofrendo em uma luta interna para conseguir alimentar a serpente. Quando o professor liberou a classe, ela jogou um ratinho no ar, deixando-o cair com um baque sobre a mesa de madeira. Na correria, tirou a luva de suas mãos e se aproximou para recolher o material.

Quase todos os colegas já haviam desaparecido quando todos os livros e pergaminhos finalmente estavam guardados na mochila de Bennett. Ela ergueu as íris castanhas, encarando Frank com os olhos espremidos.

A imagem de Longbottom aluno ainda estava fresca em sua mente, mas Sophie precisava se esforçar para lembrar que ele era um professor e merecia respeito. Ela não poderia começar a gritar com ele sobre o quanto estava sendo injustiçada.

Estava bastante claro que Frank tinha alguma coisa contra ela, mas Bennett não podia se dar ao luxo de ser expulsa da matéria e ter seu sonho de se tornar Curandeira ir por água abaixo.

Quando não restava mais nenhum aluno, ela jogou a mochila sobre um dos ombros sem deixar de encará-lo.

- Espero que não traga mais nenhum animal selvagem para dentro da sala de aula, professor Longbottom.

A serpente, mesmo venenosa, não era exatamente uma criatura tão perigosa na classificação do Ministério da Magia. Para Bennett, entretanto, até um sapo mais gordinho parecia ser perigoso.

- Ou devo me preparar para encontrar uma acromântula na próxima aula?
avatar
Sophie Bennett

Mensagens : 48
Data de inscrição : 21/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Maraudering - UA

Mensagem por Frank Longbottom em Dom Nov 22, 2015 5:30 am


Frank levantou o olhar de sua prancheta, encarando a menina à sua frente. Antigamente, as história de embates entre Sophie e os professores o divertiam - Não era difícil vê-la reclamando de Slughorn ou Merrythought pelos corredores - e mesmo agora, na mira da severa avaliação da menina, ele ainda se divertia com toda a indignação que ela exalava.

- Bennet, Bennet, Bennet... - ele se levantou, aproximando-se dela.

- Você não devia me dar ideias... Ou posso resolver adiantar o conteúdo de acromântulas para a próxima aula... - Era preciso ser honesto: ele se divertia com o aparente efeito de suas palavras sobre a garota.

- Acho que de última hora eu devo conseguir alguns filhotes...

Ele riu, voltando a anotar algo em sua prancheta, e uma dúvida logo lhe ocorreu.

- A propósito, se você detesta tanto animais, por que está nesta turma?

Foi a vez dele de espremer o olhar e medi-la, enquanto aguardava a resposta.
avatar
Frank Longbottom

Mensagens : 47
Data de inscrição : 21/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Maraudering - UA

Mensagem por Rebecca Montgomery em Dom Nov 22, 2015 5:51 am

O rosto de Rebecca ardeu, primeiro por vergonha - o que aqueles alunos achariam dela? Por Merlin! - depois por raiva. Como diabos ele já sabia que sua primeira aula tinha sido um fracasso? E como ele tinha coragem de usar aquilo contra ela? Por Merlin, ela já vira Sirius Black ser não medir esforços para provocá-la algumas vezes, mas aquilo era demais até mesmo para ele!

- Olha aqui, Black! - ela apertou os olhos, e deu um passo à frente, ameaçadora. Ainda era alguns centímetros mais baixa que ele, mas fazia questão de encará-lo nos ollhos. - Eu não sei quem diabos você pensar que é, mas eu tenho certeza de que eu não sou mais a menininha de treze anos que você perturbava nos corredores dessa escola. Eu estou aqui à trabalho, e eu vou fazer o meu trabalho.

A raiva subira à cabeça de Rebecca de uma forma tal que ela não percebia que, em vez de falar baixo, ela estava quase gritando.

- Eu não sei com que sorte de favores você conseguiu entrar no programa de Aurores, já que você obviamente não é um material muito profissional, mas eu me esforcei muito para estar aqui.

Ela sentia os dedos se apertarem na lombada de seu livro, e tentava se controlar para não usá-lo como arma e para não alcançar a própria varinha. Aquele filho da mãe conseguira: de fato tinha tirado-a do sério.

- E eu não vou permitir que suas piadas tirem isso de mim.
avatar
Rebecca Montgomery

Mensagens : 41
Data de inscrição : 21/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Maraudering - UA

Mensagem por S. Orion Black em Dom Nov 22, 2015 6:34 am

- Woah, woah, woah – Sirius ergueu os braços, em posição de defesa. Rebecca tinha ficado mais brava do que o esperado com o comentário dele – okay, ele admitia: tinha passado do limite com a insinuação. – As pessoas estão te vendo gritar, sabe?

E de fato alguns alunos haviam parado de andar para ver a professora novata erguendo a voz pro funcionário do Ministério da Magia.

Aquilo pareceu ser o suficiente para calar Rebecca: a moça se empertigou toda e abraçou o livro que segurava, com força. Sirius percebeu que as orelhas dela estavam bem vermelhas.

- Olha, Monty...desculpe pelo comentário da cama, sim? E quanto a pergunta...eu só queria saber como foi o seu primeiro dia. – ele passou a mão pelos cabelos e encolheu os ombros – Não sei porque você se ofendeu tanto com isso. Ah, olha ali o Remus – Sirius avistou o amigo e antes de se afastar, falou – E eu entrei no Ministério por puro mérito, acredite se quiser. – e ele piscou o olho antes de se afastar dela.

Os alunos ainda encaravam o casal, com curiosidade:

- Vocês não vão se atrasar para as aulas, senhores? - Sirius perguntou, chamando a atenção deles.

Como era bom ter moral.


avatar
S. Orion Black

Mensagens : 38
Data de inscrição : 21/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Maraudering - UA

Mensagem por Remus Lupin em Dom Nov 22, 2015 6:27 pm

A primeira aula do dia havia sido muito melhor do que Lupin esperava. Mesmo chegando alguns minutos atrasados após a reunião com Dumbledore e Mackenzie e com a conversa pesando em seus ombros, ele foi capaz de se concentrar e despertar o interesse os terceiranistas.

A sensação de estar em uma sala de aula, ensinando, era a melhor experimentada por Remus até então. E ele já havia passado por diversas profissões até chegar ali. Mesmo com aquela felicidade, ele se obrigava a conter o sentimento, o medo de que tudo aquilo ali pudesse acabar repentinamente o assombrava.

Sabia que, no que dependia de Dumbledore, ele continuaria no castelo. Mas seu destino estava além das mãos do diretor. Maeve parecia confiante em guardar seu segredo, mas Remus estava acostumado com as coisas irem de mal a pior e era impossível não pensar que era questão de tempo até seu sonho se desfazer.

Ele apoiou a velha maleta sobre a mesa e a abriu com um clique, analisando os pergaminhos espalhados em seu interior quando a porta de seu escritório abriu.

A pequena saleta que ficava no andar de cima a sala de DCAT não era grande o bastante para ser chamado de escritório, mas era o suficiente para Remus trabalhar nos momentos em que não estava lecionando.

Uma mesa estreita ficava encostada em uma das paredes e havia uma pequena estante abarrotada de livros. Uma cadeira confortável era usada pelo professor no momento em que ele escutou um ruído no pequeno sofá. Ao se virar e encontrar o melhor amigo, Remus sorriu, deixando a atenção de seus pergaminhos para depois.

- Padfoot. – O homem sorriu e, em um dos raros momentos, o sorriso alcançou seus olhos castanhos.

Desde que Sirius assumira o cargo de Auror no Ministério da Magia e Remus rodeava a Europa atrás de um emprego, os dois amigos não tinham muito tempo juntos. As cartas eram sempre trocadas entre eles e Potter, e nunca passavam uma semana inteira sem dar notícias. Mas estar novamente com Sirius Black dentro dos muros de Hogwarts era como voltar no tempo.

Assim como Remus, Sirius também havia mudado nos últimos anos, mas continuava com o ar jovial e atraente. Lupin, por sua vez, começava a exibir uma barba que não tinha quando adolescente. Mesmo regulando de idade com o amigo, o lobisomem tinha uma aparência mais velha e cansada, fruto das semanas de Lua Cheia.

- Você poderia ter me avisado com um pouquinho de antecedência que estaria aqui, não?

Lupin se ergueu, dando um abraço no melhor amigo com alguns tapinhas em suas costas.

- Afinal de contas, por que o Ministério da Magia abriu mão de um de seus melhores aurores para ficar de babá em Hogwarts? – Ele ergueu uma sobrancelha enquanto analisava Sirius. – Não tem nenhuma ligação com a lua cheia, eu espero.
avatar
Remus Lupin

Mensagens : 26
Data de inscrição : 21/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Maraudering - UA

Mensagem por Sophie Bennett em Dom Nov 22, 2015 6:48 pm

Sophie apertou os livros contra seu peito, sem desviar o olhar do professor. Só de imaginar filhotes de acromântulas naquela sala de aula, os pelos de sua nuca se arrepiaram e as pálpebras esconderam as íris castanhas momentaneamente.

Em sua mente, ela viu com perfeita clareza as patinhas peludas da aranha gigante e imaginou uma delas caindo em seu colo. Um frio subiu pela sua espinha e foi preciso um grande esforço para soltar o ar pesadamente e abrir os olhos.

Seus lábios se espremeram em uma tentativa de reprimir a resposta mal criada que daria a Longbottom. Não era da conta dele que matéria ela fazia ou deixava de fazer e por questão de segundos, Bennett quase esqueceu que ele era seu professor e não poderia xingá-lo.

- St. Mungus. – Ela se limitou a responder, como se aquela palavra fizesse algum sentido. Sophie fez uma pequena pausa antes de continuar. – Quero ser curandeira e por algum motivo o St. Mungus exige um Excede Expectativas em Trato das Criaturas Mágicas.

A Corvinal deu alguns passos antes de deixar a sala, mas antes de alcançar a porta, se voltou para Longbottom com a testa franzida.

- E eu não odeio animais!

Só não gosto deles em uma proximidade onde podem me tocar. – Sua mente completou, se lembrando com frustração de dois sapos e um hamster que tivera na infância e deixara morrer acidentalmente.

- Eu só... Respeito o espaço deles.

Suas bochechas esquentaram e ela teve a certeza de que estava corando.

- Além do mais, eles são completamente imprevisíveis! Não adianta o quanto os livros dizem alguma coisa sobre uma determinada espécie, sempre tem uma surpresa!
Sophie mordeu o lábio ao perceber que estava desabafando mais do que deveria e tentou se recompor, ajeitando a mochila em um dos ombros. Longbottom poderia tentar o que fosse para tornar aquelas aulas um inferno, mas ela também não iria desistir tão fácil.

- Apenas tente ser um pouco profissional, Longbottom. Você não está mais na selva.

Lançando um último olhar ao rapaz, Bennett deixou a sala, dando de cara com Benjamim a esperando do lado de fora.

- O que você está fazendo aqui? – Sophy estava se sentindo extremamente mal humorada e começou a andar sem dar atenção ao melhor amigo.

O rapaz imediatamente correu para alcança-la, sem dar importância para o humor da amiga.

- Estamos atrasados para Transfiguração. – Ben deu dois passos antes de olhar com uma careta de nojo para amiga. – Que diabos...?

Ele esticou a mão e tirou um pedacinho de carne sangrando dos cabelos dela, fazendo Sophie arregalar os olhos. Enquanto alimentava a serpente, o animal destroçava o rato e, em uma das vezes, espirrou pedaços do bicho morto por todo lugar.

Definitivamente ela odiava o novo professor.
avatar
Sophie Bennett

Mensagens : 48
Data de inscrição : 21/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Maraudering - UA

Mensagem por Rebecca Montgomery em Dom Nov 22, 2015 7:31 pm

Uma Rebecca muito constrangida ficou observando Sirius se afastar - sem ver sinal algum de Remus por perto, a propósito. Ela detestava perder a cabeça e o fato de que, apesar da tentativa do auror de dispersar os alunos, aqueles que passavam por ela ainda a encaravam, curiosos, não a ajudava nem um pouco a se acalmar.

Aquele dia talvez se transformasse em uma espécie de recorde pessoal como "o pior dia de todos", ela pensou.

O seu relógio de pulso marcava cinco minutos até a próxima aula. Ela suspirou. O desentendimento com Black fez com que sua visita planejada à cozinha se tornasse impossível. Apenas com muita sorte ela conseguiria voltar à sala de aula 1B antes da professora McGonagall.

Apertou o passo, e, tentando afastar Black da cabeça, ela conjurou uma pequena barra de chocolate, sem precisar fazer uso da varinha. Todo aquele tempo praticando tinha valido à pena, afinal de contas.

"Se você comer um chocolate toda vez que Sirius Black te tirar do sério, vai ficar mais redonda que um balaço" a voz de Acantha Price, sua melhor amiga à época da escola, ressoou em sua mente, lhe arrancando um novo suspiro. Aquele conselho tinha pelo menos dez anos de idade, e, ainda assim, ali estava ela, fazendo o que não devia.

Engoliu o último pedaço antes de entrar na sala. Abriu a porta exatamente dois minutos atrasada, o que podia até não ser muito, se sua chefe não fosse Minerva McGonagall. Esperando pelo menos um olhar de reprovação, ela se surpreendeu quando deu cara com todos os alunos devidamente sentados em seus lugares, e uma coruja da torre marrom à mesa principal.

- Bem, espero que vocês não tenham transformado a professora em uma coruja - ela pensou alto, e se assustou quando escutou alguns risinhos de alunos mais próximos.

Se aproximando da mesa, sentindo os olhos dos alunos cravados nela. Soltou o pedaço de pergaminho da perna da coruja e leu o bilhete. Sentiu uma breve onda de pânico se aproximar dela, quando levantou o olhar para os alunos do sétimo ano e pigarreou antes de falar.

- Bom dia! - ela ensaiou um sorriso - Eu sou Rebecca Montgomery, e vou lecioná-los hoje. A professora McGonagall - ela levantou o bilhete, indicando-o - pede desculpas por não poder estar presente na primeira aula de vocês.

Ela engoliu em seco quando alguns alunos soltaram risinhos irônicos. Definitivamente, encarar sozinha uma turma de setimanistas depois do fracasso mais cedo não era o que ela esperava que acontecesse.

- Alguém... poderia me informar o último assunto que vocês viram no último ano?
avatar
Rebecca Montgomery

Mensagens : 41
Data de inscrição : 21/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Maraudering - UA

Mensagem por S. Orion Black em Dom Nov 22, 2015 8:01 pm

Sirius estava jogado no pequeno sofá da sala que ele sabia que seria usada pelo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas folheando um livro velho que pegara na estante quando Remus entrou na sala, carregando a maleta surrada que ele, James e Peter tinham lhe dado quando estudavam em Hogwarts (era uma piada interna dos Marotos dizer que um dia Lupin se tornaria professor – ele vivia ensinando os mais novos – e bom, agora aquilo tinha se tornado realidade! Sirius estava muito feliz pelo amigo...sabia que seria o primeiro emprego fixo de verdade dele, com um salário digno e tudo o mais. Ah! O velho e bom Dumbledore...).

Chamou a atenção dele e depois de se cumprimentarem, Aluado lhe questionou o real motivo dele estar ali:

- Primeiro: não tenho culpa se sua coruja está velha demais – ele respondeu, encolhendo os ombros – E segundo: não, não é nenhuma ligação com a lua cheia. Eu... – e aqui, Sirius passou a mão pelo cabelo, um hábito contagioso de James Potter, talvez? – Eu me meti numa briga com Amus Diggory e essa foi minha punição. Na verdade estou aqui pra investigar um ataque que ocorreu pelas redondezas.

E, dando um sorrisinho amarelo, ele concluiu:

- Mas é confidencial. Não posso revelar mais nada. E então...professor Remus John Lupin? Como foi o seu primeiro dia lecionando?

Sirius sabia que, diferentemente de Rebecca, o amigo não interpretaria aquela pergunta da maneira errada.
avatar
S. Orion Black

Mensagens : 38
Data de inscrição : 21/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Maraudering - UA

Mensagem por Frank Longbottom em Dom Nov 22, 2015 9:02 pm

Frank conteve um sorriso com o desabafo de Sophie, mas seus esforços neste sentido deixaram de ser necessários no minuto seguinte. Como assim "tente ser profissional"?

Ele fizera questão de comparar seu plano de aulas com o da professora MerryThought; se esforçara ao máximo para eleger os animais mais pedidos nos N.I.E.M.S.; pretendia implementar simulados e revisões sistemáticas e, ao seu ver, a melhor parte: ele conseguiria fazer aulas práticas com frequência. Todos os seus contatos naqueles anos de viagem foram mais que o suficiente para que ele conseguisse pegar emprestados os animais mais interessantes.

O que diabos Sophie Bennet sabia sobre ser profissional, afinal de contas?

Ele levantou os olhos e a viu, através da parede de vidro, andando lado a lado com um rapaz moreno e alto, que ele tinha certeza que nem sequer fazia parte da sua turma; e aquilo só fez com que sua frustração aumentasse.

Enquanto a menina desaparecia em direção ao castelo, ele se lembrou da primeira vez em que a vira.

Era um sábado à tarde, na primeira semana de aulas de seu sétimo ano. Ele discutia a última partida entre o Puddlemere United e o Tornados de Tutshill com Aaron Hoffman, cruzando o corredor sul do castelo.

Entre uma argumentação acalorada sobre quem era o melhor artilheiro, Aaron pediu licença para falar com o irmão, que vinha cruzando o corredor em direção oposta. A atenção de Frank imediatamente se deteve sobre a menina logo atrás de Benjamin Hoffman. Tudo o que ele via era o topo de seus cabelos cor de chocolate e o emblema azul e prata em sua capa, já que a menina trazia o rosto escondido por um grande livro, que ela trazia aberto à sua frente.

Quando ela se esbarrou no caçula Hoffman, Frank precisou segurar uma risada - aparentemente sem sucesso, já que ela lhe lançou um olhar bem feio. Apesar da expressão impaciente da menina, Longbottom a achou linda.

A conversa entre Aaron e Benjamin não durou mais que três minutos e logo o par de corvinais - Frank lembra de ter se perguntado se eles seriam um casal - se afastou.

- Quem é a garota?

- Sophie...Sophia Bennett, algo assim. Benji tem andado pra cima e pra baixo com ela há algum tempo, já...

Frank acenou com a cabeça, e lançou um último olhar à menina sobre o ombro, se perguntando como nunca prestara atenção nela antes.


Uma batida tímida no vidro de sua barraca o tirou de seus devaneios. Uma terceiranista lhe sorria, ansiosamente.

- Professor... Podemos entrar?

- Claro, claro! Sentem-se, por favor! - Frank respirou fundo e se levantou, determinado a tirar Sophie Bennett de sua cabeça e a dar a melhor aula de Trato das Criaturas Mágicas que aqueles terceiranistas poderiam ter.
avatar
Frank Longbottom

Mensagens : 47
Data de inscrição : 21/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Maraudering - UA

Mensagem por Remus Lupin em Dom Nov 22, 2015 9:59 pm

Remus sorriu ao se sentar ao lado do melhor amigo, lembrando sobre a aula com os terceiranistas. Toda sua insegurança havia desaparecido ao ver o quanto os alunos prestavam atenção no que ele falava, com real interesse.

- Bom, confesso que tenho uma sorte enorme de não ter James Potter e Sirius Black como meus alunos. – Ele lançou um olhar significativo ao melhor amigo.

Nos tempos de estudantes, a fama dos amigos era conhecida por todos os professores. Eles precisavam agradecer a Merlin pelo carinho especial que McGonnagal sempre dedicava aos Grifinórios, ou teriam perdido muitos pontos mais para a casa de Godric.

- Foi realmente ótimo, Padfoot.

O sorriso no rosto de Remus não escondia a felicidade daquele momento. Ele não só tinha um bom emprego, como era realmente bom no que fazia. Os alunos pareciam confiar nele, se interessavam pelos assuntos e participavam ativamente da aula. Se tivesse alguma sorte na vida, aquele momento duraria uma eternidade.

***

Remus sentia o calor da caneca em seus dedos aquecendo suas mãos. A fumaça que levantava do chá batia agradavelmente contra seu rosto cada vez que ele dava um novo gole, sentindo o sabor adocicado da bebida.

Faltava pouco mais de duas semanas para a lua cheia chegar, mas Lupin sentia seu corpo cansado. Talvez aquele cansaço não tivesse nenhuma ligação com a proximidade da inevitável transformação. Era mais provável que fosse consequência da primeira semana de aulas, porque apesar dos pés doloridos e do sono atrasado, ele ainda se sentia imensamente feliz, ciente da sorte que tinha na vida.

Quando o sábado finalmente chegou, o professor sentia como se tivesse vencido um grande desafio. Havia conhecido todas as classes que acompanharia até o final do ano, e nem mesmo os Sonserinos pareciam ter desgostado do novo mestre de DCAT.

Enquanto alguns professores aproveitavam o dia livre fora do castelo, Remus havia passado todo o sábado em Hogwarts, adiantando o material para as aulas da semana seguinte. Quando a noite chegou, ele se permitiu descansar no seu quarto, uma caneca de chá em mãos e bolinhos de mel sobre o prato na mesa de cabeceira.

Sirius havia saído para fazer uma ronda, o que era um alívio. O melhor amigo certamente o chamaria de velho se visse aquela cena.

Um livro pousado sobre o seu colo era o entretenimento nas horas antes de dormir, as pálpebras começando a pesar, sonolentas. A voz que quebrou o silencio do quarto fez com que o chá quente fosse derrubado, queimando as mãos do professor.

Em um sobressalto, Lupin olhou ao redor até encontrar o grande patrono no formato de uma bela fênix, flutuando no meio de seus aposentos.

- Identificamos uma falha na segurança do castelo. Juntem seus alunos no Salão Principal até termos a certeza de que é seguro novamente.

A voz de Dumbledore ecoou, causando um arrepio na nuca do lobisomem. No mesmo segundo em que o patrono desapareceu, Remus se ergueu em um sobressalto.

Não havia detalhes na mensagem. Falha na segurança? O que exatamente aquilo significava? Estavam sendo atacados ou era apenas um trasgo que se afastara da Floresta?

Nos seus sete anos em Hogwarts, ele nunca vira os alunos serem recolhidos de seus aposentos, mas não hesitou em obedecer a ordem do diretor.

Calçando os sapatos rapidamente, Remus só teve tempo de jogar um roupão por cima do pijama listrado de branco e vermelho, a varinha em punhos. Seu quarto ficava no andar superior a sala de DCAT, no quarto andar, de modo que ele rapidamente alcançou a torre da Grifinória.

Reunir todos os alunos da casa de Godric e fazer com que eles andassem de forma organizada até o Salão Principal foi um desafio maior do que o lobisomem esperava. Alguns tropeçavam, confusos em seus pijamas. Outros estavam tão sonolentos que quase ficavam para trás. Mas Remus se sentiu aliviado quando chegou até o Salão Principal no mesmo momento em que Maeve Mackenzie chegava com os alunos da Sonserina.

Ele esperou que os mais novos entrassem no Salão, já ocupado pelos Corvinais, para se aproximar da professora, uma ruga de preocupação entre seus olhos.

- Você saber o que aconteceu? Dumbledore não está aqui. Quão grave deve ser?
avatar
Remus Lupin

Mensagens : 26
Data de inscrição : 21/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Maraudering - UA

Mensagem por Sophie Bennett em Dom Nov 22, 2015 10:12 pm

Sábado normalmente era um dia usado para os alunos descansarem. Exceto se você estivesse no último ano. Os setimanistas, quando não tinham o final de semana livre para ir a Hogsmead, tentavam se concentrar nos estudos e se preparar para os exames que aconteceriam no final do ano.

Mesmo assim, todos já haviam se recolhido de volta para suas respectivas casas. O toque de recolher já havia acontecido, mas Sophie parecia não ter reparado. A bibliotecária também já havia ido embora sem perceber que deixava para trás uma aluna fora da cama.

A concentração no livro a sua frente era tão grande que Sophie só percebeu o quão tarde era quando um trovão iluminou repentinamente a biblioteca vazia e escura. Apenas uma vela flutuando ao seu lado lhe dava a possibilidade de continuar a leitura.

Ela sabia que teria sérios problemas se fosse flagrada nos corredores tão tarde e não tinha a menor intenção manchar seu perfeito currículo com uma detenção. O livro sobre acromântulas foi pressionado contra o peito e ela apagou a vela, deixando a biblioteca com passos apressados e silenciosos.

Antes de virar qualquer corredor, Sophie enfiava o pescoço para se certificar de que o zelador ou nenhum professor estavam de vigia, e então corria novamente. Ela estava quase alcançando a torre da Corvinal quando escutou um grito fino e prolongado.

O silêncio da noite parecia ter multiplicado aquele grito, fazendo todo o seu corpo congelar. Ela estava parada no meio do corredor, mas conseguia enxergar uma sombra logo ao final, flutuando poucos metros do chão de pedra. Sophie não conseguia identificar a forma, parecia um vulto negro, mas ela teve certeza que, independente do que fosse, era o motivo do grito de terror que escutara.
avatar
Sophie Bennett

Mensagens : 48
Data de inscrição : 21/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Maraudering - UA

Mensagem por Rebecca Montgomery em Dom Nov 22, 2015 11:52 pm

As gotas grossas da chuva se chocavam contra o teto e as janelas da carruagem, produzindo um barulho contínuo, entrecortado apenas pelos distantes trovões ocasionais. Rebecca se endireitou no banco, o olhar fixo no vidro da janela. Muito embora não conseguisse ver nada através dele, ela se mantinha assim há dez minutos, desde que o veículo deixara Hogsmead e partira em direção ao castelo.

O motivo para tal esforço tinha nome, sobrenome, e estava sentado no banco à sua frente, encharcado. Sua tentativa de evitar o contato visual com Sirius Black era parte de sua tática para evitar confusões nos corredores da escola - e seu plano vinha funcionando. É bem verdade que ele tinha diminuído consideravelmente os seus assédios e, na maior parte do tempo, eles apenas trocavam cumprimentos cordiais – tal qual o frio “bom noite” que a bruxa lhe dispensara mais cedo.

Ajudava também o fato de que, naquele momento, ela estava preocupada com os pais. O movimento no Pub não era dos melhores, e o da pousada ia no mesmo caminho. Desde que o pai perdera o emprego no ministério, aquelas eram as únicas fontes de renda da família, e...

- Por Merlin, qual o seu problema, Black? – Sirius tinha suspirado pelo que parecia ser a vigésima vez de que entrou na carruagem, e aquilo foi a gota d’água que faltava para que ela explodisse

- É mesmo tão difícil assim viajar em silêncio?

Seus olhos recaíram sobre as íris escuras do rapaz, quase escondidas sob uma cortina de cabelos tão molhados que pingavam. Aliás, ele todo pingava – de um modo tal que já havia uma poça sob seus pés. Ela revirou os olhos, impaciente, e sacou a varinha. O olhar assustado do bruxo fez com que ela risse, quebrando o contato visual. Antes que pudesse olhar novamente para ele, sentiu sua varinha voar da mão, quase tão instantaneamente quanto o som de “Expelliarmus” saiu da boca dele.

- Black, você é doente?! Devolve a minha varinha!

Ela se inclinou para a frente, levantando do banco e ficando tão em pé quanto possível, tentando alcançar a varinha que ele segurava com um sorriso provocante. A carruagem passou por um buraco, fazendo com que ela batesse a cabeça em seu teto.

- Eu só ia secar suas roupas, seu idiota! Seu cheiro de cachorro molhado tá me dando agonia!

Antes que pudesse recuperar sua varinha, o carro parou de supetão, abrindo sua porta sozinho, indicando que haviam chegado a Hogwarts.

Rebecca desceu rapidamente e, apesar da forte chuva, ela estava tão seca quanto antes. Seus olhos se detiveram em um ponto do céu, acima do castelo, e ela não reclamou quando Black, descendo logo atrás, se esbarrou nela.

- Aquilo é um... Dementador?
avatar
Rebecca Montgomery

Mensagens : 41
Data de inscrição : 21/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Maraudering - UA

Mensagem por Frank Longbottom em Seg Nov 23, 2015 1:24 am

Os passos apressados de Frank Longbottom ecoavam pelos corredores. O patrono de Minerva McGonagall pedira para que ele se dirigisse imediatamente à sala do Diretor, e ele saiu correndo de seu quarto, no quinto andar, em direção ao escritório de Dumbledore.

Aparentemente, havia ocorrido uma falha de segurança no castelo, e todos os professores estavam sendo requisitados para auxiliar.

O rapaz estava terminando de descer a escadaria que o levaria ao andar inferior, quase alcançando o patamar mais baixo, quando ouviu um grito fino e prolongado. Sentiu um arrepio na nuca. O que quer que apresentasse uma ameaça ao castelo, já estava ali.

Os dedos fechados firmemente ao redor da varinha, ele correu escada acima, em direção ao grito que lhe servira de alerta. Dobrou dois corredores, esbaforido, olhando para todos os lados, na esperança de localizar a fonte do barulho. Os raios que cortavam o céu iluminavam os corredores pontualmente, mas mesmo assim ele não via nada. Entrou por um terceiro corredor e, apesar de sentir o sangue quente circulando pelo corpo – resultado do esforço físico – sentiu a temperatura cair rapidamente, ao mesmo tempo em que o barulho da chuva parecia ficar abafado.

Com a respiração um pouco mais falha, Frank virou à direita, pisando de vagar, ouvindo os arquejos secos e roucos que iam crescendo à medida em que ele adentrava a galeria, bem como a estranha sensação no fundo do estômago, que parecia comandá-lo ou que saísse correndo, ou que se escondesse em um canto.

Um novo raio iluminou o local, possibilitando a Frank uma visão plena: a alguns passos de distância dele estava uma moça – provavelmente uma aluna – e alguns metros à diante, um vulto alto e encapuzado pairava sobre o ar, ameaçadoramente.

Entre um arrepio e outro, Frank tentava assimilar a cena.

Havia um dementador em Hogwarts?

Antes que sua visão ficasse completamente turva – o que ele sabia que aconteceria assim que o dementador se aproximasse deles, ele se adiantou e puxou a aluna à sua frente para uma sala vazia, trancando a porta atrás de si.

- Você está bem? – Ele não tinha uma visão clara da garota, na sala completamente escura – ele fez alguma coisa com você?
Um novo raio cortou o céu, permitindo que Frank visse a setimanista de cabelos cor de chocolate à sua frente.

Seu peito afundou, e involuntariamente ele começou a apertar os braços da garota, quase sacudindo-a.

- Sophie? Você está bem? Responde!
avatar
Frank Longbottom

Mensagens : 47
Data de inscrição : 21/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Maraudering - UA

Mensagem por Sophie Bennett em Seg Nov 23, 2015 2:22 am

Sophie só havia experimentado aquela sensação ruim uma vez, quando tinha treze anos. Aquela certeza de que não havia mais felicidade no mundo, de que seu peito estava sendo invadido apenas por um vazio horripilante, ainda pior do que a tristeza, só havia sido vivenciada pela menina quando perdera a mãe.

Ela demorou a entender que aquele era o efeito do Dementador, parado há poucos metros de distância e que ainda não havia notado a presença dela. Suas pernas ficaram imobilizadas, fracas demais para fugir. A vista começava a ficar turva. Mas o pior era aquele vazio em seu coração.

As mãos que a arrancaram para fora do corredor foram a sua salvação. Ela ainda estava em choque, a realidade aos poucos voltando a fazer sentido, mas a lembrança daquela falta de felicidade lhe atormentando como quem acaba de acordar de um pesadelo.

Quando um relâmpago iluminou a sala, ela reconheceu o rosto de Frank Longbottom, mas a última coisa que pensou foi no irritante professor de Trato das Criaturas Mágicas.

Como flashes, ela se recordou da noite igualmente chuvosa em que seu pai lhe dera a notícia sobre sua mãe. Bennett foi retirada de seu dormitório no meio da noite para encontrar o pai no escritório de Dumbledore. Ela passou uma semana inteira longe da escola, vivendo pela primeira vez em uma casa sem a figura de Dora Bennett.

Inundada com aquelas lembranças, Sophie demorou a raciocinar quando Frank falou. Por fim, ela sacudiu a cabeça positivamente. Todo o sangue havia escapado de seu rosto, deixando-a fantasmagórica. As mãos estavam geladas e os olhos castanhos brilhando pelas lágrimas que logo foram derrubadas.

Sem pensar na frustração causada pelas aulas de Longbottom, a menina se jogou em seus braços, molhando a camisa do pijama dele com suas lágrimas. Ela soluçou algumas vezes e pareceu uma eternidade até finalmente erguer a cabeça, sem se afastar dele.

- Desculpe. – A menina fungou, praticamente sem voz. – Ele não me fez nada. Eu só... não estava esperando.

Como se só agora sua mente estivesse voltando a funcionar, Bennett secou algumas lágrimas e encarou o professor com a testa franzida.

- Aquilo era um Dementador? Em Hogwarts? Achei que eles não deixassem Azkabanm
avatar
Sophie Bennett

Mensagens : 48
Data de inscrição : 21/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Maraudering - UA

Mensagem por Frank Longbottom em Seg Nov 23, 2015 3:11 am

A expressão vazia de Sophie deixou Frank desesperado. E se... Não, não era possível. Sophie não podia ter recebido um beijo do dementador. Aquilo apenas não... não. Aquilo não tinha acontecido. Não podia.

Quando a menina se jogou em seus braços, ele soltou a respiração – que nem tinha percebido que havia prendido – e a envolveu em um abraço, aliviado. Sentiu sua camisa ficar molhada com as lágrimas dela, mas não se importava. Sophie estava bem, e o importante agora era isso.

- A gente vai descobrir... eu prometo. – Ele apertou um pouco o abraço, e descansou o queixo no topo da cabeça dela. Deixou as pálpebras fecharem por um momento, enquanto tentava pensar no que poderia fazer. Antes que abrisse os olhos, deu um pequeno beijo em sua testa.

- Eu preciso te tirar daqui – ele a afastou alguns centímetros, segurando a pelos ombros – você sabe conjurar um patrono?

Ele sabia que seu patrono poderia muito bem proteger eles dois de um único dementador, mas não tinha certeza de que aquele era o único no castelo, então não queria arriscar.

Abrindo a porta com cuidado, Frank colocou a cabeça para fora, verificando se o corredor era um lugar seguro, antes de sair. Mesmo que não ouvisse mais o arfar e não sentisse mais o frio típicos do não-ser, ele não queria arriscar. Entrelaçou seus dedos aos de Sophie e a encarou, encorajadoramente.

- Pronta?
avatar
Frank Longbottom

Mensagens : 47
Data de inscrição : 21/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Maraudering - UA

Mensagem por Maeve Mackenzie em Seg Nov 23, 2015 5:45 am

“Querido Stephen,
consegui sobreviver a minha primeira semana lecionando sem um arranhão. Corro o risco de soar convencida, mas acredito (e espero) que os alunos tenham gostado de mim.  Apesar de estar feliz aqui na Inglaterra, sinto falta dos Estados Unidos – o clima chuvoso é péssimo para o meu cabelo – das nossas  pesquisas e, principalmente, de você. Escreva logo, sim?
Todo o amor,
M. Mackenzie”

Maeve assinou o próprio nome com um floreio e releu a pequena carta que escrevera ao noivo. Satisfeita com o recado – simples, porém direto ao ponto – ela dobrou o pergaminho e estava prestes a colocá-lo em um envelope quando um patrono em formato de fênix apareceu em seu quarto.

- Identificamos uma falha na segurança do castelo. Juntem seus alunos no Salão Principal até termos a certeza de que é seguro novamente.

Maeve arregalou os olhos e pegando um roupão – estava de camisola – saiu correndo de seus aposentos até parar de frente a entrada do Salão Principal da Sonserina. Entrou aos tropeços na sala e junto com os monitores, reuniu os alunos e marchou com eles até o Salão Principal. Chegou no local juntamente com Lupin e os alunos da Grifinória e o professor de DCAT foi até ela, a preocupação evidente em seus olhos castanhos:

- Você saber o que aconteceu? Dumbledore não está aqui. Quão grave deve ser?

Ela fez um aceno negativo com a cabeça, a trança que fizera mais cedo se desfazendo:

- Não sei. Espero que seja apenas um engano.  – mas ela sabia que para o diretor ter mandado aquele recado o negócio devia sim ser sério. Só não queria admitir aquilo e assustar os alunos que estavam por perto, escutando a conversa.

Um raio iluminou o grande salão, sobressaltando a todos:

- Professora, eu to com medo. – uma aluna do primeiro ano da Sonserina, baixinha demais para a idade, se aproximou deles.

- Oh, Roberts...não se preocupe – Maeve segurou a mão dela, tentando transparecer segurança –  Temos Dumbledore e um dos melhores aurores do Ministério ao nosso lado. Não é, professor Lupin?
avatar
Maeve Mackenzie

Mensagens : 24
Data de inscrição : 21/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Maraudering - UA

Mensagem por S. Orion Black em Seg Nov 23, 2015 6:52 am

Sirius terminou a ronda pelo castelo e depois de conversar com Moody sobre as investigações (via pó-de-flu) decidiu aproveitar o finzinho de seu Sábado em Hogsmeade – nada melhor que um whisky de fogo depois de um dia “árduo” de trabalho (os ossos do ofício de ser adulto: ele não precisava sair de fininho para beber como fazia na adolescência).

Assim que chegou no vilarejo mágico, foi direto ao seu pub preferido: entrou no 3 vassouras animado, mas para sua total infelicidade o local estava abarrotado de gente. Acenou para Rosmerta de longe e decidindo que não queria tomar chá de espera por ali saiu do pub e se dirigiu a outro, mais pro final da rua principal, que ficava justamente embaixo da pousada onde ele dormira há alguns dias (Dumbledore tinha lhe arranjado, no dia seguinte, um aposento em Hogwarts...o que era ótimo, pois assim ele podia economizar uma grana).

O local estava praticamente vazio e Sirius tirou a jaqueta de couro, sentando-se numa das cadeiras altas que ficavam em frente ao bar. Pigarreou, chamando a atenção do garçom e pediu seu whisky de fogo.

Depois do segundo copo ele decidiu que já estava satisfeito e deixou um galeão em cima da mesa, cumprimentando o garçom com a cabeça. Enquanto vestia a jaqueta ele viu Rebecca Montgomery saindo de uma salinha ao fundo do bar juntamente com um senhor de idade que parecia muito com ela.

Sirius sorriu:

- Professora Montgomery! – ele se aproximou dos dois, cara de pau como era. O senhor – o pai de Rebecca, ele podia apostar – o encarou com curiosidade e Sirius tratou logo de cumprimentá-lo, aproveitando o momento de surpresa de sua filha – Olá...Sr. Montgomery, acredito? Tudo bem? Sou Sirius Black.

E os dois apertaram as mãos:

- Então, Sr. Black, trabalha em Hogwarts? – o pai de Rebecca logo perguntou.

- Nah. Sou Auror...vim pra Hogwarts a pedido do Ministério – ninguém precisava saber que ele tinha sido obrigado a ir – Conheço sua filha da época da escola.

- E como foi a primeira semana da minha Becky como professora?

Sirius abriu a boca para responder, ignorando o olhar mortificado de Rebecca.

- Nós temos que ir, não é, Black? – Rebecca o encarou, com firmeza.

- Temos? – e depois dela erguer a sobrancelha, Sirius concordou – Temos. Até mais, Sr. Montgomery!

Assim que deixaram o pub, uma chuva forte começou e os dois foram obrigados a correr até a primeira carruagem que puderam localizar – Sirius fez questão de não lançar um feitiço impermeável em si mesmo e quando a alcançou, estava pingando da cabeça aos pés. Esquecendo-se de ser cavalheiro, entrou na carruagem primeiro do que a ex-colega e se sentou de frente para ela.

Os dois viajaram em silêncio – ela parecia fazer questão de ignorá-lo – e aquilo o deixou agoniado. Sirius não era uma pessoa muito quieta e ele odiava aquela tática dela de fingir que ele não existia. O rapaz suspirou dramáticamente pelo que parecia ser a vigésima vez e Rebecca explodiu.
Quando ela puxou a varinha, ele arregalou os olhos, um pouco assustado. Será que tinha sido a gota d’água para ela?

A garota riu ao ver a expressão dele e ele aproveitou para lhe lançar um expelliarmus, pegando a varinha dela no ar com a destreza que só um auror podia ter.

- Black, você é doente?! Devolve a minha varinha! – ela exclamou e tentou ficar em pé na pequena carruagem. Sirius teve que segurar uma risada quando a cabeça dela bateu no teto - - Eu só ia secar suas roupas, seu idiota! Seu cheiro de cachorro molhado tá me dando agonia!

Sirius não se aguentou e soltou uma risadinha e naquele momento, a carruagem parou com um solavanco: tinham chegado a Hogwarts. Rebecca desceu e parou de supetão e os dois se esbarraram.

- Aquilo é um... Dementador? – ela perguntou, meio incerta. Sirius ergueu os olhos para o ponto que tinha capturado a atenção da moça e seu estômago gelou ao ver a figura característica voando no alto.

- Merda. – ele não conteve o palavrão – Montgomery, vá se reunir com os outros professores. Acredito que o Dumbledore já os tenha avisado – e Sirius puxou a mão dela, entregando-lhe sua varinha. – Não esqueça de lançar um patrono.

E Sirius correu, os pensamentos a mil por hora. Por que um Dementador estaria ali? Ele tinha checado as barreiras de segurança do castelo mais cedo!

- Expecto Patronum! – ele exclamou e um enorme labrador prateado saiu da ponta de sua varinha, juntando-se a ele em sua corrida.

Depois de cortar caminho por algumas passagens secretas – seus anos como Maroto não tinham sido em vão – ele alcançou o 5º andar e foi ali que viu uma figura prateada rodeando um aluno, que chorava encolhido no chão.

Sirius, protegido pelo seu próprio patrono, correu até o aluno e olhou para o Dementador, com raiva:

- Seu lugar não é aqui!

O Dementador, acuado pelo feitiço, deu o fora dali. Sirius pegou o aluno no colo – ele estava mais pálido que um pergaminho - e foi em direção a Ala Hospitalar, para que Pomfrey cuidasse dele. Depois de entregá-lo aos cuidados da enfermeira, Sirius correu novamente em direção à Torre mais alta do castelo,tentando pensar nas situações mais felizes que vivera até ali. Sabia que haveria mais Dementadores para enfrentar.

E, foi pensando na risada do afilhado e filho dos Potter, que ele lançou seu segundo patrono da noite.
avatar
S. Orion Black

Mensagens : 38
Data de inscrição : 21/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Maraudering - UA

Mensagem por Rebecca Montgomery em Seg Nov 23, 2015 9:11 pm

Demorou um segundo para que Rebecca processasse o comando de Sirius Black, mas assim que ela o viu desaparecer pela porta do castelo, começou a entrar em movimento.

Cruzou o Hall com a varinha em punho, procurando por algum professor, fantasma ou mesmo quadro que pudesse lhe dizer o que diabos estava acontecendo naquele castelo. Quando abriu a porta do salão principal, sentiu pelo menos três varinhas se virarem para ela. Um momento de tensão se seguiu antes que os professores que faziam a guarda da porta principal abaixassem sua varinha.

- Montgomery! – Minerva McGonagall se aproximou dela, puxando-a para um canto. Rebecca tentava formular uma das suas muitas perguntas, mas a professora não a deixava falar – Há dementadores na escola. Nós ainda não sabemos como, ou quantos, mas a maior parte dos professores está fazendo rondas. Os alunos ainda não sabem o que está acontecendo, então por Agrippa, seja discreta. Ainda não conseguimos ninguém para cobrir a torre leste. Você pode fazê-lo?

A jovem acenou que sim, e desapareceu escada a cima, segurando a varinha firmemente à sua frente. A torre leste tinha sido o lugar pelo qual a grotesca criatura encapuzada adentrara o castelo. Ela sabia que Black tinha corrido para lá, mas sabia também que dementadores jamais andavam desacompanhados.

Sentia o coração acelerar enquanto adentrava a penumbra do castelo, tentando apurar todos os seus sentidos. A ponta da varinha, iluminada, ia clareando aos poucos os corredores escuros por onde ela passava. O barulho de passos e vozes, à sua esquerda, chamou sua atenção, e ela se virou naquela direção. Uma onda de gritos, com a mesma origem, fez com que ela começasse a correr.

Sentiu um arrepio correr por seu corpo, a temperatura caindo rapidamente, e a sensação de desespero crescer dentro do peito. Sabia exatamente o que aquilo significava.

A cena à sua frente fez com que ela gelasse. Um grupo de corvinais, liderados por um monitor do sexto ano, tinha sido encurralado contra uma parede por dois dementadores. A maior parte dos alunos estava agachada ou paralisada de medo, enquanto o sextanista tentava conjurar um patrono, mas tudo o que conseguia era uma leve fumaça embranquecida.

Rebecca respirou fundo, tentando reunir suas melhores lembranças, e agitou sua varinha em círculos concêntricos.

- EXPECTO PATRONUM! -  o brilho translúcido que saiu da varinha dela tomou rapidamente a forma de um gato que, ao comando de sua varinha, atacou o dementador mais próximo dos alunos.

Embora ele tenha sido atingido, não tinha sido com a força necessária para obriga-lo a sair do castelo – ele apenas se afastara alguns metros; e a outra figura encapuzada agora flutuava em direção a ela.

Rebecca sentia a visão ficar turva, e podia dizer que seu patrono – que agora circulava os alunos – estava perdendo a força. Tentava focar-se em lembranças felizes, mas sentia dificuldade e à medida em que o não-ser se aproximava dela, a preocupação com os alunos aumentava.

Ela tentava se lembrar de um almoço de família, no jardim da antiga casa dos Montgomery, pouco antes de sua graduação. Suas irmãs ainda não tinham se mudado, e a vida era apenas mais simples e mais feliz. Tentava sentir o cheiro da comida ou ouvir a piada do pai, mas, antes que conseguisse, a cena se transformou em um dos corredores do castelo, e um Sirius Black com 13 anos de idade sorria para ela, marotamente. “Bom trabalho, Monty!”

Respirou fundo mais uma vez e, concentrando-se na gargalhada da mãe, trouxe o patrono para perto de si.

Assim que o dementador voou alguns metros para longe dela, por cima de sua cabeça, ela correu para alcançar os alunos à sua frente. Algumas meninas choravam baixinho, e alguns meninos tinham a expressão de horror grava no rosto. Ela sabia que não demoraria muito para que os dois dementadores voltassem para perto deles, e tinha medo de não conseguir dar conta dos dois ao mesmo tempo.

- Ok – ela enxugou as lágrimas de uma menina próxima – Nós precisamos chegar até o Salão Principal, e vocês precisam ser rápidos e ficar unidos. – ela se virou para o monitor sextanista – preciso que você vá à frente.

O garoto acenou afirmativamente, e, em poucos segundos, o grupo estava novamente em movimento. Rebecca ia logo atrás, pronta para agir novamente caso precisasse.


Última edição por Rebecca Montgomery em Seg Nov 23, 2015 11:34 pm, editado 1 vez(es)
avatar
Rebecca Montgomery

Mensagens : 41
Data de inscrição : 21/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Maraudering - UA

Mensagem por Sophie Bennett em Seg Nov 23, 2015 9:43 pm

Sophie acenou positivamente com a cabeça antes de erguer a varinha com a mão livre, acompanhando Longbottom para fora da sala.

A sensação causada pelo dementador havia diminuído, mas ela ainda sentia o peito comprimido. Já era perfeitamente capaz de raciocinar e reagir, caso algo acontecesse pelo caminho. Em sua mente, a novidade de que Hogwarts não era mais segura lhe causava um amargo na boca.

A escola era seu lar há sete anos e era a primeira vez que Bennett sentia medo dentro de suas paredes. Era como se algo houvesse se rompido na imagem perfeita que preservava.

Seus dedos estavam entrelaçados aos do professor e os olhos atentos a cada menor movimento e o caminho até o Salão Principal pareceu uma eternidade.

Os olhos castanhos se arregalaram levemente ao ver que, no lugar das quatro longas mesas, o chão de pedra estava coberto por diversos colchonetes, em leitos improvisados, abarrotado de alunos. Ela girou a cabeça de um lado para o outro, procurando pelo rosto de Benjamin, mas Remus Lupin foi o primeiro a se aproximar.

- Encontrou algum pelo caminho, Frank?

A Corvinal se virou para encarar o professor de DCAT, que imediatamente lhe esticou um pedaço de chocolate. As sobrancelhas castanhas se ergueram em curiosidade, só então percebendo que Lupin tinha uma grande barra de chocolate em mãos.

- Confie em mim, vai fazer você se sentir melhor. – Remus encorajou, sorrindo para a aluna.

Sophie confirmou com a cabeça e pegou o pedaço de chocolate em seus dedos. Antes que ela levasse até a boca, braços surgiram do nada, a agarrando em um abraço. Ao tombar para o lado, sua mão se soltou de Frank, sem que ela tivesse percebido que estavam juntos até aquele momento.

- Por Merlin, onde você estava!

Era impossível reconhecer o rosto, mas a voz de Benjamin logo o entregou. O amigo levou longos segundos para finalmente se afastar, apenas o suficiente para que eles se encarassem. As mãos do Corvinal se apoiaram nas laterais de seu rosto, esmagando levemente suas bochechas e alguns fios de cabelo.

- Escutei uma das professoras falando que teve um ataque com um grupo de Corvinais, achei que você estivesse no meio!

Sophia sentia o pedaço de chocolate começar a derreter entre seus dedos quando recuou um passo.

- Eu perdi a hora na biblioteca. O professor Longbotton me encontrou. – A voz dela diminuiu para um sussurro. – Tinha um dementador, Benji.... Eu escutei alguém gritando.
avatar
Sophie Bennett

Mensagens : 48
Data de inscrição : 21/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Maraudering - UA

Mensagem por Remus Lupin em Ter Nov 24, 2015 12:13 am

Os olhos azuis de Remus estavam fixos em Maeve enquanto a professora consolava a primeiranista. Ele sabia como cativar os alunos dentro da sala de aula, como despertar o interesse pela matéria, mas não esperava que ela fosse além.

A aluna se agarrava nas vestes da professora com os olhos brilhando pelas lágrimas contidas e as mãos de Mackenzie acariciavam os cabelos claros da criança, reconfortando-a. Havia algo naquela cena que era novidade para Lupin. Ele não se lembrava da Sonserina ser tão dócil nos tempos de estudante.

Discretamente, Remus se afastou das duas, dando uma breve volta ao redor do Salão Principal, vendo os alunos que começavam a se acomodar nas camas improvisadas. Ainda não havia a menor pista do que estava acontecendo no castelo quando a voz da professora McGonnagal atraiu sua atenção.

- Há dementadores na escola. Nós ainda não sabemos como, ou quantos, mas a maior parte dos professores está fazendo rondas. Os alunos ainda não sabem o que está acontecendo, então por Agrippa, seja discreta. Ainda não conseguimos ninguém para cobrir a torre leste. Você pode fazê-lo?

O professor olhou da diretora da grifinória para sua pupila, os lábios entreabertos com a surpresa. Dementadores? Em Hogwarts?

- Professora McGonnagal? – Lupin chamou, no instante em que Rebeca Montgomery se afastou. – Eu ouvi direito?

A voz dele se reduziu em um sussurro para que os alunos próximos não escutassem.

- Dementadores? O que eles estão fazendo tão longe de Azkaban?

Minerva estava com as mãos grudadas, o olhar sério e preocupado.

- É isso que o professor Dumbledore e o Ministério estão se questionando, Sr. Lupin.

- Eu posso ajudar. Posso cobrir alguma área do castelo. – sua voz mostrava a urgência em cumprir seu papel, mas a mulher negou com a cabeça.

- Precisamos de alguém com os alunos também. Não sabemos quantos são, se algum deles se aproximar do Salão, com todos reunidos aqui, poderia ser uma catástrofe.
Lupin acenou com a cabeça, soltando um suspiro pesado. McGonnagal seguiu seu caminho para administrar um pequeno grupo de grifinórios mais ao fundo. O professor enfiou as mãos nos bolsos, olhando ao redor.

Adolescentes espalhados por todo o lado, os mais novos assustados enquanto os mais velhos procuravam algo para se distrair. Alguns lufanos já haviam conjurado snap explosivins para se divertir, outros amontoados conversavam, animados como se aquilo fosse um acampamento. Os setimanistas, que pareciam ter noção de que algo estava seriamente errado, estavam atentos, tentando escutar qualquer informação entre os professores.

Alguns metros a frente, Remus viu a cabeleira loira de Mackenzie e se aproximou dela, conjurando algumas barras de chocolate e entregando a metade nas mãos da professora de poções.

- Vamos precisar. – Lupin tinha o olhar sério, parecendo intensificar seu rosto abatido. – Há dementadores no castelo.

Os olhos bem treinados do lobisomem captaram o momento que Frank Longbotton entrou, acompanhando de uma aluna. A setimanista com uniforme da Corvinal estava ainda mais pálida que Lupin, e pela sua experiência, ele sabia que aquilo não era apenas medo pelo que acontecia no castelo.

A barra em sua mão foi quebrada em alguns pedaços e Remus ofereceu uma parte para Sophie Bennett, sorrindo encorajador.

- Confie em mim, vai fazer você se sentir melhor.

Quando o chocolate foi recebido pela jovem, o homem se virou para Longbotton.

- Você está bem, Frank? A professora Mackenzie e eu estamos tentando manter a calmaria, se você precisar de um minuto para se recuperar.

O professor olhou por cima de seu ombro, encarando Maeve que ainda estava ao seu lado.

- Acho que conseguimos dar conta, certo?
avatar
Remus Lupin

Mensagens : 26
Data de inscrição : 21/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Maraudering - UA

Mensagem por Frank Longbottom em Ter Nov 24, 2015 12:53 am

Frank suspirou aliviado quando ele e Sophie finalmente alcançaram o salão principal. Não tinham encontrado nenhum outro dementador no caminho, mas apenas a tensão tinha sido o suficiente para que o rapaz sentisse cada pedaço de seu corpo enrijecido.

Quando Remus lhe perguntou se encontrara algum pelo caminho, ele apenas acenou positivamente, os olhos observando o acampamento ao seu redor. Ele nunca ouvira falar de alguma situação como aquela no castelo. Hogwarts, ele acreditava, era o lugar mais seguro do mundo, e a presença de dementadores apenas não fazia sentido.

Foi retirado de seus pensamentos no momento em que um rapaz se aproximou de Sophie, arrancando-a de sua mão. Ele apurou os olhos para reconhecer Benjamin Hoffman, e apesar do momento completamente inapropriado, sentiu seu rosto contrais um pouco, uma pontada de ciúmes se abatendo sobre ele. Pelo modo como o menino a abraçava, era claro que se importava bastante com ela.

- Você está bem, Frank? A professora Mackenzie e eu estamos tentando manter a calmaria, se você precisar de um minuto para se recuperar. – ele viu o colega olhar por cima do ombro e só então se deu conta da presença da professor a de Poções - Acho que conseguimos dar conta, certo?

Sem esperar pela resposta dela, Frank roubou um pedaço da barra de chocolate de Lupin e o enfiou na boca, forçando um sorriso.

- Nada que um pouco de chocolate e água não resolva.

Dando dos tapinhas no ombro do bruxo mais velho – e lançando um olhar de canto de olho a Sophie e Benjamin – ele foi andando na direção da mesa dos professores, que estava coberta de garrafinhas de águas, frutas e algumas das embalagens roxas da barra de chocolates da DedosdeMel.

Se virando para encarar novamente o seu redor, ele viu – pela porta ainda aberta do Salão Principal – quando um grupo de bruxos adentrou o castelo. Deviam ser pelo menos dez deles, todos com o distintivo do Ministério da Magia. Frank reconheceu o que ia à frente deles – o mais baixo, loiro e rabugento – como Alastor Moody, velho amigo da família. Ele não conseguia ver os demais, mas sua atenção seguiu a professora McGonagall, que se dirigia até eles. Frank teria feito o mesmo, se uma voz ao seu lado não o tivesse chamado.

Ele se virou para o lado, fitando a aluna que lhe chamara.
avatar
Frank Longbottom

Mensagens : 47
Data de inscrição : 21/11/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Maraudering - UA

Mensagem por Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Página 2 de 9 Anterior  1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo


 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum