Maraudering - UA

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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Rebecca Montgomery em Qui Fev 25, 2016 4:37 am

A música que começou a tocar era conhecida – uma antiga balada romântica, com sabor de manhãs preguiçosas de domingo – e a melodia suave parecia combinar perfeitamente com a noite. Ao contrário do que Rebecca imaginara, a festa não tinha sido um desastre.

No começo, foi desconfortável – à exceção da mãe do noivo, a maior parte dos Teale não parecia ter sido apresentada ao conceito de discrição, e assim que a viam, eles simplesmente se aproximavam e faziam toda sorte de perguntas e insinuações, às quais Rebecca tentava responder educadamente. As tentativas, no entanto, foram abandonadas assim que ela percebeu que, com Sirius por perto, eram os Teale que se sentiam desconfortáveis. Em uma questão de minutos, inventar pequenas mentiras sobre o namoro falso se tornou muito mais agradável que se esquivar do assunto inconveniente.

Entre uma pergunta indiscreta e outra, pequenos pedaços de sua história com Luke – aqueles que ela não encontrou uma forma de mencionar - foram revelados, e Rebecca morreu de medo de como Sirius reagiria ao saber que havia muito mais drama naquele relacionamento do que ela lhe contara. Mais uma vez, ela se surpreendeu. Black era a personificação palavra agradável. Seu timing era impecável: ele não exagerara na bebida, suas piadas eram perfeitamente adequadas e, a cada outro intervalo, ele iniciava algum carinho que, assim como todas as trocas de olhares e de sorrisos, deixava bem claro para todos que eles eram um casal. Ninguém ousaria desconfiar da veracidade daquele relacionamento.

Nem mesmo a própria Rebecca.

Quando Sirius a puxou para dançar, Rebecca sorriu e o abraçou pela nuca, as bochechas formigando levemente pelo champanhe ingerido.

- Eu sou uma mulher de palavra, Black! – uma risada escapou de seus lábios, enquanto ele a girava em um movimento de dança. Becca estava feliz. Ela se sentia leve, e sabia que devia isso a ele.

Por um momento, ela se deixou hipnotizar pelas íris acinzentadas, e a próxima coisa que sabia era que se arrepiara com o toque dele, e que prendera sua respiração até que seus lábios se tocaram. Becca deslizou os dedos pela nuca de Sirius até entrelaçá-los nos cabelos negros, e o sentiu enlaçar suas mãos em sua cintura, enquanto suas bocas ditavam um ritmo próprio.

O beijo era intenso, e ela esqueceu completamente de onde estavam, até que a carícia foi interrompida, lentamente. Rebecca se afastou um pouco, as pálpebras ainda cerradas. Ela se deixou abraçar por ele, recostando a cabeça em seu peito. O sorriso que surgiu em seu rosto no momento em que Sirius depositou um beijo no topo de sua cabeça foi involuntário. Eles permaneceram assim, dançando abraçados, até que a música chegasse ao fim.
______________

O som das risadas ecoavam pelas ruas de pedra, despertando uma ou outra reclamação de aldeões sonolentos. Rebecca e Sirius tinham deixado a festa a alguns minutos, e caminhavam até o apartamento da menina, aos risos.

- É aqui que eu fico. – Rebecca indicou a porta com a cabeça, e riu de mais uma das piadas dele - Shhhhh! – ela pediu silêncio entre a própria risada, e se agarrou ao braço dele – Você vai acordar meus vizinhos!

O riso se transformou em um sorriso quando Rebecca percebeu a proximidade entre eles. ela engoliu em seco, seu olhar recaindo sobre os lábios dele, e fitando novamente os olhos acidentados. Dentro do peito, seu coração pulou uma batida.

Quando Sirius a beijou, na festa, ela não retribuiu porque eles tinham plateia – Luke e sua família podiam catar sapos em um brejo, pelo que lhe constava -, mas, antes, porque ela queria. Ela vinha querendo aquilo a noite inteira, para ser honesta, e não se arrependia nem um pouco.

Movida pelo mesmo desejo, ela inclinou o rosto na direção dele, beijando-o carinhosamente.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Maeve Mackenzie em Sab Fev 27, 2016 3:24 am

A carruagem guiada pelo Testrálio parou com um solavanco na frente das pesadas portas do castelo e Maeve suspirou de alívio – o sacolejo a fazia sentir-se enjoada e ela estava louca para chegar em seus aposentos e tomar uma poção anti-enjôo.

Deixando a cabine, a professora andou até a escadaria do castelo e respirou fundo, olhando para a pequena porção do castelo que seus olhos azuis alcançavam com admiração, um sorriso de satisfação brotando em seus lábios. Havia se formado há 6 anos e nunca esperara que fosse voltar ali para lecionar, mas a oportunidade havia surgido e ela nunca se perdoaria se não aceitasse.

Olhando novamente para a carruagem – evitava olhar para a criatura que a guiava – a nova professora decidiu que Filch ou quem quer fosse o zelador poderia se encarregar de levar suas bagagens até seus novos aposentos uma vez que ela precisava se apressar para conversar com o diretor como Slughorn havia lhe instruído que fizesse nas cartas que trocaram no começo da semana.

Enquanto caminhava até o escritório de Dumbledore, Maeve refletia sobre sua sorte: bem quando voltara do exterior - havia passado um bom tempo estudando Poções em um centro de pesquisa nos Estados Unidos - aquela proposta para lecionar já brotara (Slughorn precisava se aposentar por problemas de saúde e decidira convidá-la assim que soube de seu retorno à Inglaterra). Seus pais haviam torcido um pouco o nariz, afinal ela estava negligenciando suas obrigações sociais, mas ela dera um jeito de convencê-los (na verdade, convencera o pai) usando o argumento de que ser professora daria bastante visibilidade à família Mackenzie e, lógico, a prepararia para ser mãe (ou chegaria bem perto disso).


Parou em frente da gárgula que levava à sala de Dumbledore e franziu a testa, qual era a senha mesmo?


“Sorvete de Limão” – ela disse assim que se lembrou da dica deixada por Slughorn na carta.

___


Maeve andava pra lá e pra cá em seus novos aposentos - o quarto era bem menor do que ela imaginara, mas pelo menos a cama era confortável - quando uma batida na janela chamou sua atenção: uma coruja das torres pedia para entrar e ela prontamente o fez e o animal deixou uma carta cair aos seus pés e ela logo desenrolou o pergaminho, curiosa para saber do que se tratava.

Cinco minutos depois, Maeve caminhou até a lareira e jogou a carta lá, resmungando de raiva: Narcissa Malfoy, sua ex-colega da época da escola, descobrira que ela iria lecionar em Hogwarts e mandara algumas palavras de "carinho" ("Fiquei sabendo que você mexeu os pauzinhos para conseguir convencer Slughorn a deixar você substituí-lo. Parabens, Mav! Importunar crianças inocentes combina com você...Mas cuidado para não deixar o Regulus fugir, querida, você já perdeu um Black antes"). Mackenzie, mesmo já acostumada com aquele tipo de provocação, não pôde deixar de sentir raiva. Aquele seria seu primeiro emprego e ela queria que tudo desse certo, óbvio. Estava ali pelo próprio mérito, apesar de ter mexido alguns pauzinhos aqui e ali - que mal havia naquilo, afinal? Ela era bem capacitada e sabia que daria conta do recado!

(quanto ao casamento, ela preferia não pensar naquilo por hora).

Depois que o pergaminho sumiu entre as chama ela decidiu ir até a cozinha, uma vez que pulara o jantar (o cházinho de maracujá de Dumbledore não fora o suficiente para satisfazê-la) e depois de pegar um casaco, saiu explorando os castelos - ela sabia, em teoria, que a cozinha ficava no 4o andar e subiu os lances de escadas até chegar no local certo, mas quando deu por si, estava dando voltas e voltas pelo corredor.

Frustrada, ela decidiu deixar sua exploração noturna para lá e ao dobrar um corredor para voltar às escadarias, acabou esbarrando em alguém.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por S. Orion Black em Qua Mar 02, 2016 11:32 pm

Sirius e Rebecca se beijavam com tanto fervor que nem quando as costas do auror colidiram com a parede do prédio de Rebecca ele quebrou o gesto, toda sua atenção voltada à professora de Transfiguração. Se qualquer pessoa visse a cena, acharia que se tratava de um casal de adolescentes, mas os dois eram adultos e estavam bêbados demais para ligar para a discrição.

Alguns minutos depois e um pouco ofegantes, os dois se afastaram e Sirius ficou distribuindo beijos suaves pelo rosto de Rebecca, o rosto dela ainda firme entre suas mãos.

- Que tal a gente subir? – ele arriscou perguntar, a voz saindo mais rouca do que esperava. Para sua surpresa, Rebecca concordou e os dois subiram os lances de escada que levavam ao apartamento dela e antes que pudesse cruzar a soleira da porta, Sirius a segurou pela mão com firmeza, já um pouco mais sóbrio – Tem certeza, Becca? – os dois se encararam. Sirius queria ter certeza de que ela não estava bêbada para tomar aquela decisão – eles sabiam muito bem como a noite terminaria e ele não queria fazer nada que ela não quisesse.

Rebecca simplesmente o puxou pela mão e fechou a porta e ele, entendendo o recado, sorriu aliviado.

Não demorou muito e os dois voltaram a se beijar e quando ele deu por si, Rebecca o guiava em direção ao quarto, os dois nem ligando quando esbarravam em algum móvel pelo caminho.

Depois de perguntar novamente se ela realmente queria aquilo e depois de receber uma resposta positiva, Sirius terminou de tirar a camisa e o resto foi história.

_

O raio de sol bateu no rosto do auror e ele despertou, logo se arrependendo de fazê-lo: sua cabeça doía demais. Depois de se localizar no tempo e espaço, Sirius sentiu alguém se mexendo ao seu lado e ao abaixar os olhos (puxa, até esse simples gesto fazia sua cabeça doer) ele viu Rebecca Montgomery dormindo abraçada a ele. Um sorriso surgiu no rosto dele ao relembrar da noite passada e ele a abraçou com mais firmeza, aproveitando para admirar o rosto dela.

Depois de alguns minutos, Sirius decidiu que o melhor seria dormir por mais algumas horas, porém, antes que ele pudesse se ajeitar na cama uma figura prateada parada no meio do quarto chamou sua atenção e depois de se recuperar do mini susto, ele percebeu que se tratava do patrono de seu melhor amigo, James Potter.

"Sirius, venha para o Beco Diagonal. Precisamos de você" - a voz de James, urgente e firme, ecoou pelo quarto e em seguida, a figura sumiu numa espiral prateada. Arregalando os olhos, Sirius soltou um palavrão e tomando cuidando para não acordar Rebecca levantou da cama e saiu correndo procurando suas vestes.

Após se vestir, o auror escreveu um recado num pergaminho e o deixou na cama, ao lado de Rebecca, torcendo para ela entender o motivo de sua saída tão repentina (não queria que ela pensasse que ele estava sendo um cafajeste). Ele depositou um beijo na testa dela e depois de tomar um gole de Poção para dor de cabeça, aparatou no Beco Diagonal.

Encontrou James Potter em questão de minutos (era difícil não distinguir Potter e sua cabelereira da multidão) e depois do amigo lhe explicar a situação (um grupo de bruxos atacara algumas lojas naquele dia) os dois foram para seus postos, onde fariam sentinela. Era papel dos aurores evitar mais ataques como aqueles.

- Por que as vestes formais? - James perguntou, estreitando os olhos para as vestes do amigo.

Antes que Sirius pudesse explicar, uma explosão se fez ouvir e os dois saíram correndo, as varinhas em punho.

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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Rebecca Montgomery em Qui Mar 03, 2016 2:17 am

- Eu ainda não acredito que vocês dormiram juntos – Acantha sacudiu a cabeça, enquanto tomava mais um gole do seu café – Eu passei a manhã inteira curando ferimentos por conta de algum ataque maluco ao Beco Diagonal, e você se regozijando em seu sono pós sexo! – ela brincou, com um virar de olhos exagerado.

Rebecca riu sobre sua xícara, quase engasgando, e sentiu as bochechas pegarem fogo. Acantha podia ser sua melhor amiga, mas sexo ainda era um assunto que lhe deixava sem graça. Ela ficou um momento em silêncio, até que um pensamento nada agradável cortou sua mente.

- Ele está bem, não está? – uma sombra de preocupação passou pelos olhos castanhos, enquanto ela fitava ansiosamente a amiga – Se algo tivesse acontecido... Nós saberíamos, né?

- Eu só saí do Mungus depois que todos os feridos foram atendidos, Becca, Sirius não estava entre eles.

A morena assentiu silenciosamente, enquanto dava mais um gole do seu café com avelã.

- Merlin... – Acantha riu, examinando a amiga – se eu não te conhecesse, diria que você se apaixonou pelo Black, Becks...

Rebecca sorriu, e desviou o olhar antes de fitar as íris azuis à sua frente, reticente da resposta que daria.

- Você está apaixonada pelo Black? – os olhos de Acantha se esbugalharam, e a contagiante gargalhada ecoou no pequeno café de Hogsmead.

Becca apenas deu de ombro e tomou mais um gole de sua caneca, um sorriso bobo insistindo em se estabelecer em seu rosto. Ela estava apaixonada por Sirius Black... Talvez aquelas palavras ainda lhe soassem estranhas, mas não havia dúvidas de que era aquele o significado de todos arrepios e frios na barriga que ele lhe provocava. Para além da tensão entre eles, ela se sentia bem na companhia de Sirius, e a noite anterior, pelo menos no que dizia respeito a ela, tinha sido só a confirmação do que ela já vinha sentindo há algum tempo.

E que noite, Rebecca pensou, enquanto dava mais um gole de sua xícara, em uma tentativa vã de afastar a nítida lembrança de Sirius arrancando seu vestido.


_______


Durante toda aquela semana, a cada vez que uma coruja aprecia no campo de visão de Rebecca, ela torcia intimamente para ser algo de Sirius. Por conta do ataque no Beco Diagonal, todos os aurores alocados no castelo tinham sido substituídos por trainees recém-admitidos no departamento, e ela podia imaginar que ele estivesse bem ocupado com o trabalho. Ainda assim, um pedaço dela ainda esperava por algum bilhete dele– afinal de contas, a última vez em que o vira, ambos estavam ofegantes demais para falar algo.

Com o passar dos dias, Becca foi se acostumando com a ideia de que Sirius estava ocupado – estando ela mesma soterrada de correções para fazer – e, ao contrário do que normalmente aconteceria, ela não foi ficando ansiosa com o silêncio do auror. Ao contrário, existia uma certa tranquilidade, quase uma certeza de que, na primeira oportunidade que tivessem, os dois ficariam novamente juntos.

Na sexta-feira, durante o jantar, um pequeno burburinho se fez ouvir entre os alunos, fazendo com que Rebecca levantasse o olhar. A professora McGonagall acabara de chegar à escola, e cruzara o Hall de entrada com um ar solene e passos mais apressados que o habitual. Minerva não havia avisado de seu retorno, mas, mais uma vez, ela era a chefe, e não Becca. Enquanto a bruxa voltou sua atenção à refeição, ela não pode deixar de agradecer por saber que voltaria a ter com quem dividir o trabalho.

O último trabalho de uma pilha de pergaminhos estava aberto em frente à professora de transfiguração, horas depois do jantar, enquanto a pena embebida em tinta vermelha fazia correções aqui e ali. Rebecca não se assustou quando a voz da professora McGonagall ecoou pela sala dos professores, sua chegada antecipada pelo brilho prateado do patrono em forma de gato.

- Srta. Montgomery, por favor, dirija-se ao escritório do professor Dumbledore imediatamente. Nós estamos te esperando.

Becca deixou o cômodo tão logo a fumaça prateada se desfez no ar. Ela não sabia o que a vice-diretora e o diretor queriam com ela – provavelmente redistribuir as classes de Transfiguração? – mas a urgência na voz de McG era inegável.

As vozes por trás da porta de Dumbledore indicavam que havia na sala mais gente além dos diretores. Após um momento de hesitação – interromper a reunião ou esperar? –, ela bateu o punho contra a madeira, sendo imediatamente convidada a entrar.
O clima na sala circular parecia tenso. Enquanto Dumbledore estava sentado em sua cadeira, todos os demais permaneciam em pé. Do lado oposto à porta, Kingsley Shacklebolt a cumprimentou com um aceno quase imperceptível da cabeça, ao que ela retribuiu. Ao lado de Shack, Sirius encarava o chão, os braços cruzados firmemente sobre o peito, o rosto encoberto pelas sombras. Ao lado de Dumbledore estava Mcgonagall, o semblante sério de quem tinha sido contrariada e, em frente à mesa, Olho-Tonto Moody e Milicent Bagnold.

Rebecca piscou os olhos sob o cenho franzido, ao reconhecer a Ministra da Magia. Todos no cômodo a encaravam, como se tivessem cessado a conversa por ocasião de sua chegada.

- B—Boa noite – ela os cumprimentou timidamente, e se virou para o diretor – eu não quis interromper, mas recebi um aviso de que o senhor gostaria de me ver?

- Sim, srta. Montgomery. Por favor, sente-se – com um gesto amplo, Dumbledore indicou a cadeira à sua frente, a que ela tomou reticentemente.

Ela sentia o olhar de todos cravados nela, e aquilo estava lhe dando a sensação de ser um animal no zoológico. Pelo canto do olho, ela procurou Sirius, mas ele continuava encarando o chão firmemente.

- Srta. Montgomery, o motivo de termos te chamado aqui hoje é porque os nossos convidados do Departamento de Execução das Leis da Magia têm algumas informações interessantes que gostaríamos de compartilhar com a senhorita. – Rebecca assentiu silenciosamente, de modo que o diretor continuou – Decerto você se lembra que um de nossos alunos passou severamente mal na semana passada.

- O senhor se refere ao aluno que passou mal na aula do Rem—o ar na sala era tão pesado, e ela podia sentir a Ministra e Olho-Tonto se pendurando em cada palavra sua, que foi preciso limpar a garganta antes de continuar – na aula do professor Lupin? – Dumbledore concordou com um movimento de cabeça, e ela continuou, lançando um olhar de soslaio a Sirius, que ainda fitava o chão – Sim, o senhor Black comentou o caso comigo.

McGonagall suspirou pesadamente, e Becca sentiu a sensação de estranhamento aumentar. Por que ela se sentia como se estivesse sendo interrogada?

- O sr. Davidson foi contaminado por Magia Negra. As investigações levam o Ministério a acreditar...

- Por Merlin, Dumbledore! – Moody o interrompeu, andando pesadamente de um lado a outro – nós não temos a noite toda!

- Rebecca – A professora McGonagall a olhava diretamente com seus olhos de lince – seus pais foram notificados no fim desta tarde. O ministério acredita que sua família tem ligações com um caso de contrabando de artefatos mágicos, e que o Sr. Davidson teve contato com ele após ingerir Firewhisky oriundo do Hipogrifo Dourado.

- Não! - uma risada nervosa escapou pelos lábios de Rebecca, e ela sacudiu a cabeça de forma veemente – Há algum engano, meus pais jamais fariam... nada disso. A senhora conhece meus pais, eles são incapazes de fazer mal a alguém. E ainda vender álcool a um menor, isso não faz o menor sentido!

- Talvez não eles, mas você? – Moody caminhara até o campo de visão da bruxa, e a encarava fixamente com o olho de vidro. Um calafrio percorreu a coluna da jovem, que murmurou um “Não!” e desviou o olhar para os próprios pés, incomodada.

- Alastor! – McGonagall ralhou com ele, antes de se voltar novamente pra Becca – Você e sua família estão sendo investigados, srta. Montgomery.

Rebecca abriu a boca para falar, mas as palavras lhe fugiam. Ela balbuciou um pouco antes de finalmente vocalizar algo compreensível.

- Ob-obrigada pelo aviso – as mãos de Becca contornaram as braços da cadeira em que sentava, e ela estava prestes a impulsionar o corpo para se levantar, quando a ministra pigarreou, forçando Rebecca a sentar-se novamente.

- Srta. Montgomery – Dumbledore a fitou por sobre os colinhos de meia lua – há mais um assunto para tratarmos com a senhorita. As investigações também ligam a senhorita ao ataque de Dementadores no início deste ano letivo.

- QUÊ?!? – Rebecca quase pulou da cadeira – Isso é ridículo! – mais uma vez, seu olhar procurou Sirius, aquele que ela sabia ser o principal investigador no caso dos Dementadores, e, à parte do maxilar trincado, ele permanecia imóvel, fitando o chão. Becca bufou, descrente, e se voltou aos seus patrões – Eu não tenho nada a ver com isso!

- Você não acha que é pelo menos uma coincidência que isto tenha acontecido justamente quando você começou a trabalhar no castelo? – o olho de Moody girou na própria órbita, e Rebecca achou que ficaria enjoada.

- Eu não fui a única a ser contratada! – a voz dela saia alta e estridente, e ela gesticulava muito mais do que o seu habitual. A mistura de medo e raiva por ser acusada injustamente crescendo dentro de si - Por que só eu estou aqui?!

- Longbottom e Lupin foram descartados das investigações – McGonagall acrescentou, em um tom apologético.

- Ao contrário da senhorita, que tem uma ligação com produtos contrabandeados, eles não têm nada contra eles – Moody continuou, em seu tom acusatório.

- Eu não fiz nada de errado! Nem meus pais! – Mais uma vez, Becca procurou o olhar de Sirius. Ela precisava de ajuda, de qualquer tipo de ajuda, e por que diabos ele não falava nada?

- Srta. Montgomery – Dumbledore retomou a palavra, sua voz soando mais grave que o habitual – Nós não estamos aqui para julgá-la. Com certeza, o Ministério tem funcionários mais competentes para determinar sua culpa ou inocência. – Rebecca sentia que o peito ia explodir de raiva, e seus olhos já brilhavam por conta das lágrimas retidas - Por determinação Ministerial, você deve ficar afastada de sua posição na escola até o fim das investigações. Lamento dizer que a partir deste momento, a senhorita não faz mais parte do quadro de funcionários de Hogwarts, e deve deixar suas dependências imediatamente.

- Professor, eu... – Rebecca começou a murmurar, descrente. Aquilo não podia ser verdade.

- Black vai te acompanhar até que você deixe o castelo – A voz de Moody se sobrepôs à dela.

Rebecca bufou e tentou secar a lágrima que escorria em seu rosto. Agora, de todas as horas, Black participaria da cena. Ela se pôs de pé, tentando controlar a voz fraca e a vontade de dar vazão à toda raiva, frustração e humilhação que sentia.

- Obrigada pela oportunidade de lecionar aqui – girando nos próprios calcanhares, Rebecca marchou até o próprio quarto, ignorando o auror que a seguia. Somente ao entrar nos aposentos, ela deixou-se vencer pelas emoções. Atirando suas coisas dentro do malão, o rosto lavado pelas lágrimas, Rebecca o ignora até virar-se para encarar Sirius, e, se sentido realmente frágil e traída, ela consegue reunir a força necessária para falar.

- Era parte do seu trabalho dormir comigo? Facilitou sua investigação?

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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Sophie Bennett em Seg Mar 07, 2016 1:27 am

O coração de Sophie batia em um ritmo que ela nunca havia sentido antes. Nem mesmo o ataque de dementadores em Hogwarts havia deixado seu corpo com um nível de adrenalina tão alto. Um dos sapatos já havia se perdido na correria, assim como a bolsa que ela carregava.

A única coisa que ainda estava firme em seus dedos era a varinha, erguida em posição de ataque enquanto lutava contra a multidão de pessoas que vinha no contra fluxo. Enquanto todos tentavam deixar a sorveteria pela saída dos fundos e desaparatar para longe dali, Bennett era a única que ia na direção contrária, onde a cabeça de Frank já havia desaparecido há alguns minutos.

Ignorando a ordem de Longbottom para desaparecer dali, Sophie se esforçou até voltar ao interior da sorveteria, já completamente destruída. Não havia iluminação, as cadeiras e mesas estavam reviradas, os objetos do balcão estavam espatifados por todos os lugares e em alguns pontos estavam os sinais de escombros que haviam caído na troca de feitiços.

A agitação era grande e ainda sem conseguir identificar o rosto de Frank na confusão, Sophie precisou se defender de alguns feitiços e chegou a ser atingida uma vez, voando alguns metros para trás e chocando as costas contra a parede. Havia um pequeno corte em sua testa que fazia um filete de sangue escorregar e as bochechas estavam sujas pela poeira dos escombros, mas nem mesmo a dor provocada com o choque da cabeça na parede a impediu de se levantar e continuar lutando.

Três figuras encapuzadas mostravam uma significativa vantagem quando a sorveteria foi invadida por um pequeno grupo de aurores. Sophie precisou se agachar atrás de uma das mesas derrubadas para se proteger do duelo que começou a acontecer diante dos seus olhos e pareceu uma eternidade até que os feitiços finalmente cessassem.

Com as pernas trêmulas, Sophie arriscou olhar por cima da mesa sentindo o alivio a invadir ao perceber que dois comensais estavam capturados e um deles havia desaparecido. Dois aurores desaparataram levando os comensais consigo, deixando ainda mais três no local.

Eles olhavam ao redor quando a menina se levantou, revelando sua presença. A primeira reação foram três varinhas apontadas em sua direção, mas um segundo depois os bruxos perceberam que a corvinal não era uma ameaça, e sim uma das vítimas.

- Você está bem?

Uma auror baixinha se aproximou, a testa franzida enquanto observava o estado de Sophie. Mas o olhar da menina estava vidrado no corpo parcialmente escondido atrás do balcão.

***

Horas haviam se passado desde o primeiro momento do ataque no Beco Diagonal, o céu negro cobria a madrugada e o St. Mungus estava mais agitado do que nunca. Curandeiros andavam apressados de um lado ao outro, tentando dar vazão a grande quantidade de pacientes que precisavam atender. Famílias enchiam os corredores a procura de notícia de seus entes queridos.

Em condições normais, Sophie estaria ocupando uma das macas aguardando para ser liberada, mas o hospital lotado exigia que casos mais críticos tivessem prioridade, de modo que a menina estava sentada em uma das cadeiras de espera, o olhar vidrado, alheia a movimentação ao seu redor.

O sangue frio ainda manchava sua bochecha, mas o pequeno corte já estava com um curativo. O braço também estava enfaixado com um pequeno corte que ela havia dado sem se dar conta e seu corpo inteiro estava exausto, como efeito da poção para aliviar as dores. As pálpebras pesavam com o sono, mas ela se recusava a dormir.

O Sr. Bennett, sentado ao seu lado, segurava o casaco em suas mãos, torcendo-o frequentemente, já completamente amarrotado. Apesar do rosto cansado e preocupado, ele também estava em alerta, a mão acariciando os cabelos castanhos da filha.

- Você tem certeza que está bem? – Ele perguntou pela milésima vez, a voz embargada pelo choro reprimido.

- Sim. – Sophie se limitou a responder, mantendo as íris castanhas fixas no corredor onde os médicos surgiam.

O já conhecido barulho do elevador soou pelo andar quando as portas automáticas se abriram e revelou um rosto conhecido. A face de Benjamin imediatamente se aliviou ao reconhecer a melhor amiga e ele correu para abraça-la.

- Sophie! Você está bem? Está machucada?

O rosto pálido do melhor amigo fez um nó se formar na boca do estômago de Sophie e ela o abraçou, permitindo que algumas lágrimas rolassem pelas bochechas. Por mais que se esforçasse em manter firme para não abalar ainda mais o pai, incapaz de ajudar em uma situação de guerra bruxa, Sophie se desmanchou no primeiro contato com Benji.

- Ainda não tenho notícias do Frank. – Ela sussurrou, as mãos trêmulas.

Benji se afastou o suficiente para que pudesse olhá-la nos olhos e segurou o rosto da amiga com as duas mãos, tentando entender o significado daquelas palavras, completamente alheio ao envolvimento da melhor amiga com o professor.

- Frank? Longbottom? Ele também estava no Beco?

Sophie soluçou enquanto mais algumas lágrimas escapavam, e só foi capaz de concordar com um movimento da cabeça, sabendo que aquele era o pior momento para revelar o namoro com o professor de Criaturas Mágicas.

- Sra. Longbottom?

A voz do curandeiro chamou a atenção de Sophie quando ele se dirigiu a uma mulher sentada apreensiva há uma pequena distância. Augusta Longbottom imediatamente se levantou, atendendo ao chamado, e a menina reconheceu o olhar preocupado do Sr. Bennett na mulher, angustiada em saber do filho.

- Como está o meu Frank?

- Ele está dormindo.

Sophie deixou um suspiro de alivio escapar pelos seus lábios ao ouvir aquelas palavras, mas a tensão no rosto do curandeiro não era compatível com aquela aparentemente boa notícia.

- Nós já fizemos tudo que estava ao nosso alcance, Sra. Longbottom. Mas ele não deu mais nenhum sinal. Fisicamente, ele ficará bem em alguns dias, mas sinto dizer que é impossível prever quando acordará.

- O que está dizendo? – Augusta torcia as próprias mãos, precisando virar o pescoço para cima para encarar o curandeiro, graças aos vários centímetros mais baixa.

- Seu filho foi vítima de uma das maldições imperdoáveis. Apesar de estar fisicamente bem, sua mente está prejudicada demais para acordar. E mesmo que um dia acorde, nada nos garante que não trará sequelas.

- O que...?

A pergunta não veio da mãe de Frank. Sem se inibir, Sophie se aproximou, as lágrimas descendo sem que ela tivesse conhecimento.

- Você também é da família? – O curandeiro perguntou, olhando de Sophie para Augusta, como se qualquer uma das duas fosse capaz de responder.

- Frank pode simplesmente não acordar?

Mais uma vez, o curandeiro olhou para Augusta, aguardando uma resposta, mas a bruxa parecia partilhar daquela angustia de Sophie e impossibilitada de argumentar que uma completa estranha estava preocupada com o seu único filho.

- Sim, eu sinto muito.

***

Os corredores do St. Mungus pouco haviam mudado ao longo dos cinco anos, mas diferente daquela fatídica noite, a madrugada estava calma e Sophie já havia terminado de verificar todos os seus pacientes. Apesar de ter algumas horas de descanso, ela não se recolheu no costumeiro quarto dedicado aos curandeiros.

Aproveitando a calmaria do hospital naquela noite, Sophie repousou seu corpo na poltrona de um dos quartos e abriu um livro sobre o colo, deslizando as páginas vez ou outra, ignorando o brilho dourado da aliança em seu dedo, que ela já estava tão acostumada.

- Você definitivamente ficaria orgulhoso do Theo... Eu cheguei em casa e ele simplesmente estava dormindo agarrado ao sapo que ganhou de natal.

Sophie revirou os olhos, mas o sorriso em seu rosto entregava que, apesar da repulsa pela criatura pegajosa, ela estava feliz com aquela lembrança.

- É lógico que eu deveria ter tirado aquele bicho gosmento da cama dele, mas acho que sou mais covarde do que uma boa mãe.

Os olhos castanhos se ergueram de o livro até encontrar o homem dormindo tranquilamente na cama ao seu lado. Quem olhasse para Frank Longbottom certamente diria que ele estava apenas descansando.

Sua aparência, apesar de pálida, era saudável, os cabelos estavam bem cortados, assim como a barba feita. As roupas eram limpas e novas e ninguém seria capaz de dizer que ele não erguia as pálpebras há cinco anos.

Sophie se inclinou na poltrona até tocar a mão de Frank, sentindo a pele fria que ela já havia se acostumado nos últimos anos. Era comum que a ex-corvinal, agora uma curandeira formada, passasse no quarto do paciente que nem mesmo era seu, e passasse algum tempo conversando com ele, como se a qualquer momento ele fosse ser capaz de responder de volta.

- Bom, você me conhece. Não precisa ser um dragão para me deixar com medo. Certas coisas não mudam, não é?
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Frank Longbottom em Sex Mar 11, 2016 11:44 pm

Quando Daniel Blackwood decidiu se tornar Medibruxo, ele não imaginava que a profissão fosse ser exatamente tranquila. Noites em claro, plantões tumultuados e pacientes à beira da morte, estavam em seus planos; mas não o que ele enfrentara nos últimos cinco anos.

No começo da guerra, o aumento no número de pacientes foi pontual. A cada ataque, uma nova onda de feridos, com os quais a equipe do St. Mungo’s lidava, em sua maior parte, tranquilamente. A medida em que as batalhas e os ataques ficaram mais frequentes, no entanto, o quadro começou a mudar: a maioria absoluta dos pacientes estava seriamente ferida, e alguns destes tinham sido alvos de feitiços até então desconhecidos.

Aqueles anos de guerra foram os piores possíveis. Havia medo e apreensão por todos os lados, e ninguém sabia quem ou o quê estaria na mira de Você-sabe-quem. Nunca, até então, tantos bruxos tinham sido perdidos antes mesmo de chegar ao hospital. Ainda assim, ou talvez por isso, Blackwood estava feliz por poder ajudar. Sua vida basicamente se resumira ao hospital, mas, mesmo pelas razões mais egoístas, aquele era o melhor lugar para se estar: de todas as instituições bruxas, o Mungo’s foi a única a não ser atacada diretamente.

Apenas agora, seis meses após a batalha em que os aurores conseguiram emboscar Aquele-que-não-deve-ser-nomeado, as coisas lentamente começavam a voltar ao ritmo normal. Ninguém dizia duvidar do reestabelecimento da paz, mas não havia quem não olhasse por sobre o ombro, esperando que o pesadelo espreitasse seu caminho de volta.

No que dizia respeito ao St. Mungo’s, o processo de recuperação da sociedade bruxa andava a passos mais largos. Além dos habituais acidentes causados por bruxos bêbados – os mais divertidos e mais frustrantes -, os enfermos voltavam a apresentar casos fáceis de lidar, como os costumeiros de Varíola de Dragão, experimentações com feitiços que saíam pela culatra ou poções malfeitas...

Exceto pelos pacientes residentes do quarto andar.

Dava para sentir a mudança na atmosfera apenas de adentrar aquela ala. O ar ficava pesado a cada cumprimento a familiar os amigos dos internados, de cujas faces a esperança se esvaia a cada momento em que seus entes queridos não apresentava sinais de melhora.

Porta a dentro, indivíduos reconhecidos mais por números que por nomes dependiam de cada gota de poção e de cada técnica de tratamento para permanecerem vivos.

Um dos piores casos era o do quarto 405, em que Daniel estava prestes a entrar para finalizar a sua ronda. Frank Longbottom, 24 anos. Comatose pós Maldição imperdoável. Uma das primeiras vítimas a se machucar de forma grave naquela guerra. Admissão: Junho de 1984.

Cinco anos. Cinco anos haviam se passado desde a admissão de Longbottom. E Blackwood lembrava daquele dia como se fosse ontem. Apesar de não ser o primeiro ataque ao Beco Diagonal, aquele foi o mais violento, com o maior número de vítimas fatais ou permanentes. Frank estava na última categoria. Daniel havia sido o responsável por atender Longbottom desde o primeiro momento, e foi a primeira vez em que ele precisou dar uma notícia devastadora a um familiar. Mesmo com todas as notícias ruins que se sucederam, ele jamais esquecera o olhar de preocupação no rosto de Augusta Longbottom. Ou de Sophie Bennett.

Augusta, como esperado, tinha virado um rosto conhecido de toda a equipe de curandeiros; sempre por perto e sempre esperançosa por alguma notícia de Frank. Natais e aniversários eram passados ao lado do filho, e era visível para todos quanto amor e cuidado eram dispensados a ele. Quando seu marido morreu, Augusta Longbottom foi direto do funeral para o quarto do filho, sentando-se silenciosamente no quarto por horas, o olhar austero enfrentando o vazio.

Benett seguia o mesmo padrão. Nas primeiras semanas, mesmo com os dias bonitos de verão e sem autorização para entrar no quarto de Frank, a garota passara todos o tempo livre na recepção do hospital. Vê-la, meses depois, trajando o uniforme dos aprendizes de curandeiro foi uma baita surpresa.

Pelo que parecia um motivo óbvio, Bennet viera parar na equipe de Blackwood. Embora, no início, ele não soubesse o grau de envolvimento da menina com Longbottom, sabia que eram próximos, e, justamente por isso, ela jamais atendeu aquele paciente. Ainda assim, com frequência, ela passaria algumas horas extras no quarto 405, dedicando a atenção total a ele.

Blackwood jamais perguntara, mas ela tinha certeza de Bennet e Longbottom eram namorados de longa data – só isso explicaria tamanha devoção. Por isso, quando recebera o convite de casamento da atual Dra. Hoffman, ele se surpreendeu novamente. E mais uma vez com o nascimento do pequeno Theo. Aquele era um prontuário que definitivamente guardava mais surpresas do que Daniel Blackwood podia imaginar.

Enquanto anotava os sinais vitais de Frank, Daniel foi arrancado dos pensamentos com um breve resmungo que, ele podia jurar, vinha da cama ao seu lado.

- A.. água – A voz de Frank, quase inaudível, se fez ouvir.

Com um toque da varinha, Blackwood tocou o emblema que avisava ao restante da equipe que precisava de ajuda, enquanto servia um copo de água com a outra mão.

Que outras surpresas lhe reservariam o quarto 405?
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Remus Lupin em Dom Mar 13, 2016 3:00 am

O mapa do maroto era definitivamente um dos artefatos que Remus mais se orgulhava de ter tido participação em criar. Ele duvidava que, em toda história de Hogwarts, alguém tivesse chegado perto daquela criação, como os Marotos haviam realizado. Mas, muito além daquela magia e criatividade, Lupin também se orgulhava de conhecer cada canto daquele castelo, muitas vezes sem ter a necessidade do mapa.

Ele havia vivido naquele mesmo castelo por sete anos, e retornar ali como professor era algo simplesmente inacreditável. Qualquer um que olhasse o currículo de Remus John Lupin saberia reconhecer que ele era um bruxo de extrema competência. Suas notas nos NOMs e NIEMs eram excelentes, e apesar da timidez, ele sabia demonstrar sua inteligência até nos detalhes mais simples.

Mas ninguém no mundo mágico conseguiria manter Remus em um emprego por muito tempo, quando ele começasse a faltar frequentemente por “problemas de saúde” que camuflavam sua licantropia. De modo que lecionar em Hogwarts, que já seria um emprego impressionante para qualquer um, havia sido recebido ainda de mais bom grado ao ex-grifinório.

E ser professor lhe dava a liberdade de andar pelo castelo fora do horário, algo que havia sido privado por todos os anos de vivência ali. Intimamente, talvez como consequência de seus anos ao lado de Sirius e James, Remus precisava admitir que não era tão emocionante perambular pelas sombras sem o risco de fugir de Filch. Mas era também reconfortante poder filar um pequeno lanche na cozinha sem precisar enfrentar uma detenção como consequência.

Quando estava de noite, Remus tinha a sensação de que o castelo inteiro era seu. O silêncio até mesmo dos quadros, vez ou outra interrompido pelo rangido de uma armadura, era reconfortante, de modo que foi uma grande surpresa quando ele sentiu seu corpo se chocar com o de outra pessoa repentinamente.

Com bons reflexos, Lupin imediatamente ergueu os braços para segurar a outra pessoa e, pelo toque, imediatamente percebeu ser uma mulher.

- Me desculpe! – Ele se apressou em dizer, espremendo os olhos para tentar reconhecer o rosto.

O corredor escuro dificultava sua visão, de modo que Remus não hesitou em erguer a varinha na direção do rosto da outra pessoa.

- Lumus.

O filete de luz, apesar de fraco, iluminou com perfeição o rosto de Maeve Mackenzie, fazendo com que Remus franzisse a sobrancelha em surpresa.

- Mackenzie??? O que está fazendo aqui?
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Sophie Bennett em Dom Mar 13, 2016 4:01 am

O fim do outono deixava Londres com uma aparência ainda mais cinzenta que o normal. Havia chovido durante toda a noite, e as ruas estavam molhadas. O céu escuro confundia os primeiros horários da manhã, como se o dia já tivesse chegado ao fim, trazendo um ar melancólico, quase como um mau agouro.

Do lado de dentro de seu apartamento, ignorando o tempo fechado, Sophie andava de um lado ao outro, catando brinquedos espalhados, lápis de cor e papéis rabiscados. Em uma das mãos, ela equilibrava uma xícara de café enquanto tentava não derrubar o liquido escuro sobre o jaleco verde que carregava o emblema do Mungus.

- Você viu minha gravata???

A voz de Benjamim cortou o apartamento, vindo abafada do quarto do casal. Sophie, que havia se ajoelhado sobre o carpete para pegar um dos bonecos de Theo que havia escorregado para baixo do sofá, ergueu a cabeça, a testa franzida.

- Desde quando você usa gravatas, Benji?

- Eu não uso. Eu só tenho uma gravata, e eu queria usar hoje. – A voz de Benji foi se tornando mais nítida enquanto ele caminhava para a sala, finalmente surgindo ao alcance dos olhos de Sophie. – Mas hoje tem a entrevista para o Profeta Diário.

O Sr. Hoffman havia passado toda a semana falando sobre a entrevista que resultaria em uma matéria de página inteira do Profeta Diário sobre a conquista do time inglês no último campeonato de Quadribol. Benjamim, como o apanhador do time, estava orgulhoso em poder compartilhar com os leitores do jornal aquela conquista.

Com certa dificuldade pelos movimentos limitados que a saia justa lhe causava, Sophie se levantou do chão, o boneco de Theo em seus dedos, e o jogou na pequena pilha de brinquedos recolhidos.

Ela levou a xícara de café aos lábios apenas para descobrir que a bebida já havia esfriado e estava intragável. Com uma careta, a Sra. Hoffman caminhou até a cozinha onde o pequeno Theo comia preguiçosamente seu cereal com leite. Os cabelos castanhos estavam amarrotados e ele ainda vestia pijamas, e parecia muito mais interessado em admirar um pássaro do lado de fora da janela do que terminar de comer.

- Theodore, termine já o seu café!

Com o dedo em riste, Sophie passou pelo filho até alcançar a pia, onde o café frio foi derramado. Ela estava começando a lavar a xícara quando um pequeno tecido brilhoso chamou sua atenção, vindo da lixeira.

A tampa da lixeira foi erguida apenas para revelar a estampa que ela conhecia ser da única gravata de Benjamim. O tecido era de um amarelo ovo e coberto com pintinhas lilás. Era de um extremo mal gosto, mas para piorar sua aparência, estava picotada e coberta de uma substancia viscosa e escura.

- Ahn... Benji? Achei sua gravata.

- Jura???

A figura esperançosa de Benjamim surgiu na cozinha e pareceu murchar por alguns segundos antes de identificar o objeto na lixeira. Os olhares dos dois adultos presentes giraram até encontrar o pequeno Theo, que mastigava ruidosamente seus cereais.

- Theo? O que é isso?

O menino olhou da lixeira para os pais antes de responder com a maior naturalidade, limpando o canto dos lábios úmidos de leite.

- O Liam estava com frio durante a noite.

Benji se aproximou, os braços cruzados, encarando o menino com seriedade.

- Você pegou minha única gravata para cobrir o seu sapo???

- Ele estava com frio. – Theo voltou a explicar, como se aquele fosse o motivo mais óbvio do mundo. – Mas acho que não gostou muito, porque acabou vomitando o jantar nela. Desculpe, papai.

As últimas palavras foram suficientes para desarmar Benjamim por completo. Por mais que Theodore não fosse seu filho biológico, aos olhos de todos, ele era o pai daquele menino esperto e cativante. E tantos anos sendo responsável pela criança, não havia nada que fizesse Hoffman a acreditar do contrário.

Com um balançar de ombros extremamente parecido com o que Theo havia acabado de dar, o que indicava que o menino havia aprendido aquele gesto com o mais velho, Benji puxou uma cadeira para se sentar à mesa e se servir de uma porção de cereal.

- Tudo bem. Era uma gravata bem feia mesmo.

Sophie continuou parada ao lado da pia, olhando do marido para o filho, o queixo caído.

- Inacreditável.

O que Sophie não esperava era que, aquele dia cinzento que havia amanhecido como um mau agouro, havia acabado de se tornar um dos dias mais emocionantes da sua vida.

A novidade de que um paciente em coma por anos havia finalmente despertado logo percorreu por todo o hospital, e no instante em que Sophie chegou para trabalhar, ela não teve dúvidas de que a novidade envolvia o antigo professor de Criaturas Mágicas.

O primeiro instinto da curandeira foi correr até o lado oposto ao Mungus e comprovar aquele milagre com os próprios olhos. Ela duvidava que, mesmo que enxergasse Frank acordado, fosse realmente acreditar que aquele pesadelo havia chegado ao fim.

Sophie já havia se convencido de que o antigo namorado nunca mais fosse acordar. Ele seria sempre lembrado como mais uma de tantas vítimas daquela guerra terrível, que havia tido a vida interrompida cedo demais, deixando para trás todas as oportunidades que ainda tinha.

Uma das provas de que a curandeira não tinha mais esperanças, era seu casamento com o melhor amigo. Ela nunca havia sido capaz de enxergar Benji além da amizade, e tinha certeza que o mesmo valia para o rapaz.

Mas as situações complicadas provocadas pelo início da guerra haviam conduzido os dois amigos a se unirem naquele matrimonio falso. O medo de ter um filho sozinha, tendo origens trouxas, começaram a tirar o sono de Sophie, que teve o começo de gestação conturbado demais.

Ela não tinha mais Frank ao seu lado, e por mais que soubesse do amor de seu pai, sabia também de sua impotência diante de uma guerra bruxa. Benji, além do sangue puro, tinha um sobrenome reconhecido no mundo da magia, e foi o suficiente para protege-la muitas vezes durante a guerra.

O melhor amigo, por sua vez, havia acabado de sair de uma grande desilusão amorosa e estava arrasado demais para ter esperanças de se envolver com outra pessoa tão cedo. De modo que, na época, aquele casamento parecia ser a solução para o problema de ambos.

Apesar de nunca terem se envolvido romanticamente, a amizade dos dois era o principal ponto favorável daquele casamento. Nada havia mudado entre os velhos amigos e a intimidade, agora dividida sob o mesmo tempo, era ainda maior.

Sophie não tinha mais esperanças de criar o filho ao lado do verdadeiro pai de Theo, de modo que aquela notícia fez com que o chão desaparecesse sob seus pés. Mas, diante da magnitude daquela mudança, a Sra. Hoffman se permitiu não pensar nas consequências que precisaria lidar agora que Frank estava de volta. Ela só tinha a necessidade de revê-lo, de se certificar de que estava bem e sem sequelas.

Quando alcançou o andar já tão conhecido, viu o corredor abarrotado, e toda a equipe do hospital parecia ter se aglomerado ali, curiosos para ver o paciente que havia despertado depois de tantos anos.

A porta do 405 estava fechada, mas não foi a maçaneta e nem os olhares curiosos que a impediram de avançar. Quando abriu a porta, Sophie já esperava ver o familiar quarto silencioso onde Frank estaria dormindo. E mesmo sabendo que aquilo não aconteceria, ela foi pega de surpresa ao ver o rosto do antigo namorado completamente desperto, sentado na cama.

- Dra. Hoffman???

O olhar espantado do Dr. Blackwood fez com que o rosto de Augusta Longbottom também virasse em sua direção, mas os olhos castanhos estavam arregalados, focados em Frank.

- Dra. Hoffman, a senhora não está autorizada a ficar aqui! Este é um momento para a família, apenas!

O rosto de Sophie estava completamente sem cor e ela cambaleou sem sentir as pernas até alcançar o pé da cama de Frank, ignorando a bronca do Dr. Blackwood.

- Você está bem? – Ela finalmente se virou para o curandeiro presente. – Ele está bem??? Sem sequelas???
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Frank Longbottom em Dom Mar 13, 2016 5:01 pm

Era difícil compreender todas as coisas que aconteciam ao seu redor. Ele reconheceu que estava em um quarto de hospital e o médico ao seu lado explicava com frequência detalhes de sua condição médica, mas, por vezes, sua cabeça simplesmente cortava o som vindo do curandeiro e ele se distraía, se perdendo pelos termos médicos.

Além da confusão, havia dor. Sua cabeça latejava incessantemente, e ele sentia o peso do corpo inteiro sob a coluna. Descobriu que os braços estavam fracos demais para se erguer na cama, e precisou da ajuda do Dr. Blackwood para se sentar, apoiado nos travesseiros.

Aquilo era estranho. Ele se sentia fraco e atordoado, e aquelas definitivamente não eram características que o definiriam em qualquer outra situação. O que tinha acontecido?

- Você lembra do que aconteceu antes de apagar?

Frank piscou algumas vezes, tentando se recordar de algo. Havia algumas imagens turvas em sua cabeça, que ele não sabia precisar se eram sonhos ou memórias, e outras, nítidas como um espelho. A Romênia fazia parte deste último grupo. A briga com os pais para sair de casa e viajar pelo mundo. Dragões. Noites de festa. Isabella e os demais amigos. A vitória de Aaron no primeiro jogo pelo Puddlemere. A semana apresentando os pontos turísticos de Bucareste a Alice.

Tudo aquilo era claro para ele – algo dentro de Longbottom validava aquelas lembranças. Mas havia outras ideias das quais ele não estava tão certo assim. Dementadores. Os corredores de um castelo tarde da noite. Algumas explosões. Um enterro em que o nome na lápide era ilegível. Um casamento em que ele não conseguia ver o rosto dos noivos. Um garotinho com um sapo.

- Frank? – a voz do dr. Blackwood o arrancou de seus devaneios – Você está bem? Se lembra do que trouxe até o Mungo’s?

Longbottom sacudiu a cabeça negativamente, desviando o olhar do médico para as gotas finas de chuva que escorriam pelo vidro da janela.

- Dragões, talvez – mesmo sua voz ainda era fraca. Era difícil reconhecer-se naquelas notas roucas e incertas. Ele olhou novamente para o médico, que parecia confuso com a sua resposta – Eu costumava trabalhar com Dragões. Devo ter sido descuidado com algum deles.

Frank recostou a cabeça na parede e cerrou os olhos, incapaz de ver a preocupação no olhar de Blackwood. Sua cabeça doía ainda mais, e parecia que o esforço de juntar todas aquelas palavras e de revirar todos aqueles pensamentos era demais para ele. Antes que percebesse, começara a cochilar, sendo acordado apenas quando sua mãe entrou no cômodo, abraçando-o firmemente.

Passada a surpresa, Frank envolveu os próprios braços ao redor da mãe, enquanto ouvia, com um sorriso, todas as declarações de amor de Augusta. Somente quando se afastaram ele pôde olhar bem para a mãe – da mesma forma que ela lhe olhava. Sentiu o coração apertar ao se deparar com a imagem frágil e cansada da mãe.

Augusta sempre tinha sido conhecida por sua austeridade e pela personalidade enérgica. Agora, no entanto, ela parecia apenas uma senhora que sofrera muito. Suas roupas, sempre ajustadas perfeitamente ao corpo esguio, agora caíam largamente, graças ao peso perdido. As olheiras, por sua vez, denunciavam longos períodos de choro e noites em claro. Apenas o sorriso, banhado por lágrimas de alegria que ela tentava inutilmente secar, brilhava tão forte e completo quanto antes.

- Eu esperei tanto tempo por esse dia, meu filho! – a voz embargada da mãe o emocionou, e Frank precisou enxugar uma lágrima no próprio rosto.

- Quanto... Quanto tempo?

Augusta envolveu a mão dele com as próprias mãos e a beijou.

- Cinco longos anos, querido. Mas isso não importa mais – uma nova lágrima brotava pelo rosto muitos anos envelhecido – o importante é que você está aqui, Frankie. O importante é que você voltou – Ela acariciava o rosto dele, e não conteve a vontade de abraça-lo e beijá-lo novamente.

Cinco anos. Frank não podia acreditar naquilo. Ele ficara desacordado por cinco anos. Uma miríade de questões começou a brotar em sua mente, mas, naquele instante, Dr. Blackwood retornou ao quarto, desejando fazer novos exames em Frank. Augusta tomou seu costumeiro lugar na poltrona ao lado da cama do filho, enquanto o medibruxo cobria suas obrigações. Frank respondia vagamente aos exames, a mente trabalhando fervorosamente naquele último pedaço de informação que recebera.

Ele só foi arrancado novamente de seus pensamentos quando mais uma pessoa entrou no cômodo. O curandeiro havia se dirigido a ela como Dra. Hoffman, mas Frank tinha certeza de que a conhecia, e não por aquele sobrenome.

Da mulher à sua frente destoava da lembrança despertada do fundo de sua memória. Em sua mente, ele lembrava da última vez em que vira Sophie Bennett, em sua formatura em Hogwarts. Se, à época, a garota por quem ele nutria uma paixonite já era muito bonita, ali, em sua frente, ela era quase estonteante. Os anos – que eram sete, segundo ele calculou rapidamente, graças a informação que sua mãe lhe cedera – haviam-na feito muito bem. Sophie perdera o ar de menina, dando lugar a uma beleza muito mais madura e muito mais segura. A saia justa e a camisa de seda caíam perfeitamente sobre o corpo dela, delineando cada uma das suas curvas.

Os olhos castanhos se fiaram nele, e Frank retribuiu o olhar, se dando conta de que não se lembrava deles serem tão intensos.

- Dra. Hoffman, a senhora não faz parte da família ou da equipe que atende o sr. Longbottom. Este não é o momento adequado. Por favor, se retire, antes que---

- Está tudo bem – Frank interrompeu o curandeiro, antes que ele a mandasse definitivamente para fora, aliviado por não precisar ser o centro das atenções – Nós nos conhecemos... em Hogwarts. – ele procurou as íris castanhas novamente, em busca de confirmação – Sophie, certo?

Um sorriso fraco ocupo o rosto de Frank.

- Você costumava andar com o irmão do Aaron – o brilho dourado no dedo anelar de Sophie chamou sua atenção, e ele se remexeu desconfortavelmente na cama – a julgar pelo seu sobrenome, imagino que tenham casado?

Frank desviou o olhar momentaneamente, desconfortável com a visão da aliança de Sophie. Por mais que a mulher à sua frente fosse diferente da garota por quem ele suspirava em seus anos de escola, ele ainda se sentia como se tivesse acabado de escrever aquela carta-declaração.



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Re: Maraudering - UA

Mensagem por S. Orion Black em Dom Mar 20, 2016 7:57 pm

Depois do casamento, Sirius não teve tempo nem para respirar: uma sucessão de ataques país afora exigira a saída dele de Hogwarts e o ex-maroto focou toda sua atenção no trabalho, uma vez que um clima de insegurança se espalhara na comunidade bruxa e era papel dos aurores – principalmente dos mais experientes – segurar as pontas.

Claro que tudo aquilo trouxe algo de bom: James e ele podiam passar mais tempo juntos – como na época da escola, porém com menos brincadeiras e mais papeladas pra preencher. E numa dessas tardes regadas de relatórios, em meio a toneladas de pergaminhos, James Potter resolveu perguntar algo que estava deixando-o inquieto de tanta curiosidade:

- Então...no dia do ataque. – ele olhou para os lados para se certificar de que estavam sozinhos no escritório. Sirius ergueu os olhos do relatório que corrigia e esperou o melhor amigo se pronunciar – Que trajes eram aqueles?

Sirius deu um sorrisinho cansado – Merlin, ele precisava de pelo menos 12h ininterruptas de sono – e contou ao amigo sobre tudo. Sobre a festa de Natal, sobre Rita Skeeter, sobre a mentirinha que ele e Rebecca inventaram e que culminou com os dois agindo como se fossem mesmo namorados.

Ao terminar o relato, Sirius franziu a testa ao ver o sorriso no rosto do amigo:

- Lily sempre falou que vocês dois iam ficar juntos. Ora, não faça essa cara, Almofadas! Rebecca Montgomery foi a única garota de quem você gostou de verdade. – e aqui ele ergueu uma sobrancelha – E que, pelo jeito, continua gostando.

Sirius refletiu por alguns minutos diante daquela afirmação. James estava certo...Rebecca Montgomery sempre fora a garota que mais lhe chamara a atenção e a única cuja opinião e atenção lhe eram importantes (depois vinha Lily). As outras com quem ele se envolvera foram apenas...apenas por diversão ou medo da solidão.

- Eu sou um cara previsível – ele encolheu os ombros, sorrindo.

- E vocês já se falaram?

- Ainda não..espero que ela não esteja me odiando muito. – uma coruja com um pergaminho amarrado à pata se aproximou da janela e o auror se levantou para recebê-la. Franziu a testa ao ver que era endereçada a ele e depois de ler seu conteúdo, seu estômago afundou.

Ali, em suas mãos, estava uma atualização importantíssima sobre o caso dos ataques em Hogwarts no começo daquele semestre.

Se Rebecca não o odiava, depois daquele dia ela definitivamente o faria.

____

O ar estava tão pesado no escritório de Dumbledore que ele podia praticamente palpar a tensão que se instalara ali. O diretor estava atipicamente sério aquele dia – as notícias que o grupo de aurores liderados por Moody não eram nada, nada boas – e nem mesmo Fawkes se movia em seu poleiro. Sirius, é claro, estava odiando tudo aquilo e nem mesmo quando Rebecca entrou na sala ele esboçou alguma reação, evitando erguer os olhos do tapete.

Ele teve vontade de gritar quando Moody a acuou na cadeira com suas acusações – mas ali, ele não era nada mais do que um subordinado e tinha que se contentar em assistir tudo calado. Quando Alastor o mandou seguir Rebecca até seu dormitório o estômago dele afundou (ele nunca odiou tanto seu chefe como naquele momento). Não queria ter seu primeiro contato com ela depois de tanto tempo daquela maneira.

Ele a deixou andar alguns passos na frente e parou, hesitante, na porta do dormitório dela, assistindo-a guardar suas coisas no malão, sem saber o que falar – e nem se devia falar algo. Antes que ele pudesse ir embora dali, Rebecca se virou para ele, o rosto molhado pelas lágrimas:

- Era parte do seu trabalho dormir comigo? Facilitou sua investigação?

- Becca... – ele suspirou pesadamente e deu um passo a frente, entrando no quarto – Eu não dormi com você de propósito ou algo do tipo.

Ele a olhou nos olhos pela primeira vez:

- Você tem que acreditar em mim. – ele só faltou suplicar. – Você sabe que eu não acredito nem um pouco nisso tudo que está acontecendo. Eu conheço seus pais e sei que ele, nem você, tem algo a ver com isso. Mas nós analisamos as provas e elas estavam vinculadas ao Hipogrido Dourado.

Ele passou uma das mãos pelo cabelo, puxando-os levemente.

- Eu tive que contar. Mas eu vou descobrir a verdade. Prometo.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Rebecca Montgomery em Qua Mar 23, 2016 3:31 am

- Eu devia ir pra casa! – Rebecca gritou, por sobre a música agitada. Por mais que sair de casa e espairecer parecesse uma boa ideia, estar rodeada por gente realmente animada estava tendo o efeito contrário: ela se sentia ainda pior do que antes.

- Becky. – Acantha segurou a amiga pelos ombros, olhando-a diretamente nos olhos – Você está em uma boate. Você veio aqui para dançar. Se divertir. Beber – ela entregou à Rebecca o copinho de tequila recém servido pelo bartender - Todos os seus problemas ficaram para trás daquela porta. Todo o mundo bruxo ficou para fora daquela porta, ok? Nem adianta fazer careta, você precisa disso!

Rebecca revirou os olhos, dando-se parcialmente por vencida, e virou a dose de bebida. Enquanto se acostumava ao gosto forte da tequila – e Acantha flertava com um loiro bonitinho qualquer – sua mente foi direto para a sua última noite do castelo.



“Eu tive que contar. Mas eu vou descobrir a verdade. Prometo”

A ex-professora enxugou o rosto, tentando se recuperar. Por mais que quisesse acreditar nas palavras de Sirius, ainda se sentia traída e apavorada demais para dar a ele o benefício da dúvida. Desviando o olhar, ela fechou a mão ao redor da alça de seu malão e respirou fundo.

- Eu aprendi muito tempo atrás a não confiar nas suas promessas, Sirius.




- O Remus veio conversar comigo na semana passada – Becca falou a Acantha quando esta dispensou o carinha loiro.

- E... ?

- Ele queria falar sobre o Sirius.

- AAARGh – A loira bufou – Chega de pensar no Sirius, Rebecca! EU prometo que ouço tudo o que você quiser amanhã de manhã, mas hoje você precisa esquecer os seus problemas, e isso inclui o Black.

Becca respirou fundo e fitou os trouxas que dançavam animadamente na pista de dança, se perguntando que tipo de problemas eles enfrentariam, uma vez que não estavam sob ataques constantes de bruxos das trevas.
Devia ser maravilhoso ser trouxa.



– Eu conversei com o Sirius essa semana.

- Remus... – Rebecca pousou o chá na mesinha de centro, e encarou o amigo – Eu aprecio a sua visita. Imagino que as pessoas em Hogwarts não estejam muito felizes com você por isso, e eu agradeço que você tenha vindo ainda assim. Mas eu não quero falar sobre o Sirius. Nós dois fomos amigos durante anos e nunca precisamos falar dele. Melhor manter as coisas assim, ok?

- Ele realmente gosta de você – os olhos castanhos de Remus eram mais insistentes que o próprio rapaz, e Becca suspirou, cansada. Ela já tinha muita coisa na cabeça, entre tentar provar a inocência dos pais e a sua, além de procurar um emprego, para se lembrar que o motivo daquilo tudo era o cara que toda a sua família acreditava ser seu namorado. O cara por quem ela estava apaixonada.

- Remus, por favor.

- Eu só queria que você soubesse que ele só estava fazendo o trabalho dele, Becca. Ele não se perdoou por precisar entregar os seus pais, e a acusação dos Dementadores foi uma decisão do Ministério, completamente arbitrária! Ele está fazendo tudo o que pode para tirar vocês dessa, Becca.

Rebecca suspirou mais uma vez, levantando-se do sofá.

- Talvez... talvez seja melhor você ir, Remus. Eu prometi jantar com os meus pais.

Remus abriu a boca para falar, mas se dá por vencido.  




- Ok, nova regra! – Acantha sorri, com duas doses de tequila nas mãos, e entrega um dos copinhos a Rebecca – Toda vez que você falar em Black, Azkaban ou qualquer outra coisa relacionada, você vai beber um desses. Eu vou te fazer esquecer os problemas nem que seja na marra!

Becca sorri fraquinho, mas bebe a sua porção de bom grado. O álcool já começa a fluir em sua corrente sanguínea, e seus sentidos começam a ficar adormecidos. Não é uma ideia tão ruim assim, e ela se impõe uma nova regra: cada vez que ela pensar em Sirius, um pouquinho desse elixir trouxa vai descer pela sua garganta.


Uma dose após a outra, a mesa que Rebecca agora ocupa se preenche de vários copinhos. É impossível não pensar nas investigações, nos seus pais ou em Sirius. Da melancolia do começo da noite, ela passa pela raiva e pelo medo, uma verdadeira montanha russa emocional. Ela estava prestes a pedir mais um pouco de thaiquila ao garçom, quando uma voz meio rouca a chamou. Ela precisou apertar os olhos para tentar enxergar o homem à sua frente, e, mesmo assim, não consegue uma imagem clara.

- Eu sou a Rebecca – ela ri bobamente, e se levanta, tropeçando no próprio pé – oops! – ela se apoia no peito dele (a camiseta preta é bonita, ela pensa) ri mais um pouco, e aperta novamente os olhos, tentando vê-lo – e você parece com o Sirius!
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por S. Orion Black em Sab Mar 26, 2016 3:34 pm

As coisas não melhoraram para Sirius depois do confronto entre ele e Rebecca: o departamento dos Aurores continuava atolado de trabalho, Moody aumentara o horário dos plantões de vigilância e a maldita papelada parecia se multiplicar cada vez mais.

O peso da culpa que sentia por ter prejudicado os Montgomery só servia para fazê-lo se sentir pior: toda as vezes que ele tentava pregar os olhos o rosto estampado pela decepção de Rebecca vinha em sua mente e ele postergava o sono até o último minuto. Moody, é claro, não permitira que ele continuasse com as investigações no caso do Hipogrifo Dourado e era por isso que ele resolvera continuar as coisas por conta própria (o que tornava suas horas de sono mais escassas ainda, mas ele precisava fazer aquilo. Por Rebecca. Pelos pais dela. Por ele).

- Almofadas – James cutucou o amigo, que estava deitado com a cabeça nos braços tirando um cochilo. Quando Black ergueu os olhos, James fez uma careta. O amigo estava mais magro e com olheiras. – Não vai almoçar?

- Eu..eu dormi? – Sirius coçou os olhos, numa tentativa afastar o sono – Almoçar? Não, Pontas,eu...eu preciso resolver isso. – ele tentou organizar os papeis que tinha bagunçado ao usar como travesseiro.

James suspirou:

- Sirius. – o tom de voz dele era mais sério – Eu sei que você quer ajudar a Monty, mas você não vai conseguir fazer isso se tiver um colapso mental.

- Eu preciso me redimir, James. – Sirius pegou o pergaminho com suas anotações mais atuais e ao passar os olhos rapidamente pela sua caligrafia desleixada, uma luz lhe veio à mente. – É isso! É isso...

- O quê? - James se empertigou na cadeira, curioso.

Sirius mostrou para ele um nome que tinha ignorado até então:o da irmã mais velha de Rebecca, a que casara com Zabini (e pelo pouco que ele sabia, mantinha zero contato com a família).

- Mas como você vai descobrir se ela tem algo a ver com a história? Ela nem mora na Inglaterra.

Outra ideia surgiu na mente de Sirius e ele sorriu, cansado:

- Acho que tenho uma ideia de quem pode nos ajudar... - ele chamou o amigo para que pudesse contar seu plano num tom de voz mais baixo (só para o caso de alguém entrar na sala de supetão).

_____________________________________________________________

Sirius estava de folga aquela noite e planejava dormir tudo o que merecia quando a figura prateada de um leopardo invadiu seu apartamento e a voz de Acantha Price falou através dele:

"Sirius, preciso de você no Cellar Bar. É a Rebecca" - e antes que ele pudesse entender o que diabos estava acontecendo o patrono se dissipou em fumaça. É claro que apenas a menção do nome de Rebecca foi o suficiente para deixá-lo inquieto e quando ele deu por si estava vestindo a jaqueta de volta e aparatando no tal pub trouxa (ele já visitara o local há tempos com os outros marotos).

O Cellar Bar, apesar de ser amplo, estava lotado - o que ele esperava de um final de semana? - e os trouxas dançavam animadamente com a música (Sirius reconheceu a música como sendo de David Bowie) e ele teve que desviar de vários dançarinos embriagados, tentando não empurrá-los demais ao passar.

Só depois de muitos minutos atravessando o aglomerado de pessoas é que ele conseguiu encontrar Rebecca: a morena estava encostada no balcão, tentando chamar a atenção do bartender. Ele gritou o nome dela por cima da música, para tentar chamar sua atenção e quando ela se virou ficou óbvio que ela já estava altamente embriagada - ela não o reconheceu de cara e isso foi o suficiente para confirmar sua suspeita.

- ...e você parece com o Sirius! - e ela sorriu de um jeito tão bonito que ele teve que se segurar para não beijá-la.

Ao erguer os olhos, ele viu Acantha se aproximando:

- Sirius! - ela deu um sorrisinho aliviado - Finalmente você chegou! Eu recebi um recado de que tenho que voltar pro St. Mungus e você foi a única pessoa em quem consegui pensar...os pais da Becky não podem vê-la desse jeito...

- Pode ir, Price. - Sirius passou o braço ao redor da cintura de Rebecca - Eu levo ela pra casa.

- Pra casa dela, certo? - Price ergueu uma sobrancelha e ele concordou, entendendo a insinuação dela.

Apesar dos protestos da morena, ele conseguiu deixar o pub e uma vez na rua, ele decidiu pegar um táxi para levá-la para casa - aparatar com uma pessoa bêbada era arriscado demais.

***

Depois de pagar o taxista - o velhinho ficara confuso com as palavras mágicas que Rebecca murmurava - Sirius ajudou Rebecca a subir as escadas até o seu apartamento, uma sensação de deja vu o invadindo a cada passo que ele dava. Uma vez no corredor, ele a encarou:

- Cadê sua chave?


Última edição por S. Orion Black em Sab Mar 26, 2016 6:26 pm, editado 4 vez(es)
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Sophie Bennett em Sab Mar 26, 2016 6:14 pm

Por um tempo longo demais, Sophie não se mexeu. Ela nem mesmo tinha consciência de estar respirando ou não. Todo o mundo ao seu redor pareceu congelar e só o que ela era capaz de processar, era o rosto de Frank a sua frente, os olhos finalmente abertos, a pele pálida pela falta do sol e as bochechas magras demais.

Era um milagre que o ex-professor estivesse novamente acordado, mas a curandeira se sentiu novamente afundando em um poço escuro e frio enquanto sua mente começava a processar a realidade, como se estivesse recebendo novamente a notícia de que Frank poderia jamais acordar.

Por mais que ele estivesse ali, vivo e com as mãos unidas as de Augusta, a falta de memória dava a sensação para Sophie de que, mais uma vez, ela havia perdido o ex-namorado de forma trágica.

Os poucos minutos em que soubera que Frank estava acordado até finalmente enxerga-lo, Sophie havia se esquecido de como sua vida havia mudado nos últimos anos, como se ela estivesse novamente no dia do ataque ao Beco Diagonal e que só estava esperando pelo momento de Longbottom despertar. As complicações do tempo, de um casamento e de um filho eram indiferentes quando ela podia ter novamente Frank ao seu lado, e ter aquilo arrancado de seu alcance era um novo golpe cruel do destino.

- Dra. Hoffman?

A voz de Blackwood soou distante, obrigando Sophie a desviar as íris castanhas de Frank. Seu rosto também estava pálido e os olhos ligeiramente arregalados, deixando estampado em seu rosto pouco maquiado a surpresa daquele momento.

Só quando teve consciência do quanto estava sendo inapropriada, Sophie pigarreou, sentindo o rosto esquentar pelo constrangimento. Ela enfiou as mãos nos bolsos largos do jaleco verde, em uma tentativa tola de esconder a aliança, como se aquele pequeno gesto fosse um insulto a Frank.

- Benji e eu... Sim, nós...

- Dra. Hoffman. – A voz de Blackwood a cortou, parecendo mais severa que antes. – Definitivamente, este não é o momento para atualizar o Sr. Longbottom sobre a sua vida. Imagino que ele e a Sra. Longbottom precisam de algum tempo a sós.

O rosto de Sophie esquentou ainda mais quando ela encarou Augusta, sentada na beira da cama do filho, tocando-o como se temesse que a qualquer momento ele fosse desaparecer de seu alcance.

Ela podia imaginar a angustia da mulher, mas ninguém daquele quarto tinha noção do que ela mesma passara. Para sua surpresa, a mãe de Frank lhe lançou um sorriso quase cúmplice. Apesar de não terem se tornado exatamente íntima, as duas haviam conversado diversas vezes ao longo dos anos, nas dezenas de vezes em que se esbarravam no hospital.

Por mais que ignorasse o relacionamento que o filho tivera com a ex-aluna, muito menos tivesse consciência da existência de um neto, Augusta podia reconhecer a sincera preocupação e carinho que Sophie sentia por Frank, e para ela era o bastante para conquistar sua simpatia.

- Por favor, Dr. Blackwood. Se Frank diz que Sophie é uma amiga, não há problema algum. Tenho certeza que ter amigos por perto neste momento só nos fará bem.

Sophie permitiu que um fraco sorriso brincasse em seus lábios rosados, mas o olhar intenso continuava procurando Frank, tentando encontrar qualquer sinal de reconhecimento dos últimos anos em Hogwarts no rosto abatido dele.

- O doutor estava nos dizendo que Frank poderá ir para casa em breve, querida. Finalmente!

Os olhos de Augusta brilharam por um momento e Sophie teve certeza que ela estava segurando as lágrimas ao imaginar o filho novamente em sua casa, depois de passar tantas noites sem esperança de que ele fosse acordar.

- Eu estava dizendo que precisamos terminar mais alguns exames... – O curandeiro deu continuidade, tentando ignorar a presença de uma das curandeiras presentes no quarto como uma visita. – Mas que até então não vejo mais motivos para segurar o Sr. Longbottom aqui. Com exceção da natural fraqueza, não há nada preocupante em sua saúde. Com o tempo, alguma fisioterapia e uma boa alimentação, e estará como novo.

- E a memória?

A pergunta de Sophie veio sem que ela tivesse tempo de pensar. A ansiedade fazia seu coração bater acelerado, e aquela atitude fez novamente o Dr. Blackwood se remexer, desconfortável. Augusta, por sua vez, também lançou um olhar ansioso ao curandeiro.

- O Sr. Longbottom passou tempo demais desacordado. É natural que tenha alguma confusão mental. Nós faremos mais alguns exames para poder dizer melhor, mas a priori, todos nós precisamos ser muito agradecidos por tê-lo de volta conosco.

- E nós estamos! – Augusta sorriu, fungando enquanto tentava conter as lágrimas mais uma vez. – Farei um jantar em comemoração, tenho certeza que rever alguns amigos ajudará Frank a se recuperar mais rápido! E é claro que vocês também estão convidados. – Ela sorriu para Sophie e Blackwood. – Devo muito a vocês dois e seria uma enorme desfeita não ter a presença de vocês!
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Frank Longbottom em Dom Mar 27, 2016 3:07 am

Frank bufou pela terceira vez, cansado de tentar refazer o nó da gravata. Estava animado para rever os amigos – embora parecesse que fazia apenas uma ou duas semanas que não os via – mas se sentia estafado mesmo com o menor dos esforços. A fisioterapia vinha dando resultados, e ele já conseguia andar sem necessitar de suporte, mas ainda faltava muito fôlego para que ele fosse o rapaz altivo e atlético de antes.

As tardes acompanhando a mãe em passeios pelo jardim da casa dos Longbottom já lhe conferira um tom mais saudável, e as bochechas estavam quase coradas. Quem quer que o visse, não acreditaria que ele havia passado tanto tempo desacordado.

Aquela semana que passara recluso em casa foi tudo menos entediante. Por mais que Augusta e os elfos domésticos lhe dissessem que agora estava tudo bem, ele queria saber de tudo o que havia acontecido. Ele tinha algumas lembranças que não estavam claras, e era difícil frear a curiosidade. A primeira notícia que recebera fora a do falecimento de seu pai – e que o fez chorar por dias inteiros. O resto, ele decidiu que saberia pelos jornais.

Uma ordem foi dada ao Profeta Diário, e pilhas e mais pilhas de jornais foram enviadas ao escritório agora ocupado por Frank. Se não estivesse recebendo visitas ou fazendo seus tratamentos, ele estaria grudado à uma edição do Profeta, e nenhuma coluna seria ignorada: mesmo as fofocas eram lidas por ele, uma vez que era a forma mais prática de se atualizar sobre tantos amigos e conhecidos.

Algumas matérias, aquelas que lhe chamavam a atenção, eram recortadas em coladas em pastas específicas para este fim. Instintivamente, a pasta dedicada ao clipping dos amigos pouco a pouco se tornou um clipping sobre Sophie: A formatura da mais nova turma do St. Mungus, o casamento com Benjamin Hoffman e o nascimento do pequeno Theo Hoffman.

Pouco a pouco, ele se adaptara à ideia de que as pessoas seguiram com a sua vida, mesmo apesar da Guerra.

Ele descobrira que perdera alguns grandes amigos e outros tantos conhecidos naquela batalha que ele ainda tentava entender. Alice Prewett. Marcus Mckinnon. Emmeline Vance. Sam Dearborn. Sirius Black. Peter Pettigrew. A lista era tão grande quanto o luto, e só então, vendo os nomes de todos aqueles que o mundo bruxo perdera lutando por uma causa nobre, ele entendia o quão sortudo ele tinha sido por ter tido a oportunidade de praticamente retornar do mundo dos mortos.

(Uma descrição de um dos ataques ativara alguns flashes de sua memória – jatos verdes, vermelhos e prateados cruzando o ar, fumaça, gritos. Ele sabia que sentia medo, mas não por ele, por alguém – um alguém cujo nome ou rosto ele não conseguira se lembrar).
Se dando por vencido, ele resolve descer com a gravata meio torta, mesmo, e se questiona sobre a afirmação de seu alfaiate de que aquele modelo de terno era o que estava na moda. Ele não se parecia em nada com a ideia de “bom terno” que Frank tinha na cabeça, mas que seja, certo? Ele tinha uma bateria de perguntas para enfrentar, e uma miríade de informações coletadas nos noticiários que ele queria usar. O nome do filho de Sophie é Theo. Aaron e Isabela se casaram, mas se divorciaram anos depois, quando a italiana resolveu que fugiria da guerra e voltaria para sua terra natal. James Potter tinha virado chefe do departamento de Aurores, e sua mulher, Lily, uma jornalista consagrada. Coisas assim.

Como convidado de honra, quando Frank desceu as escadas que o levariam até os seus amigos, todos já estavam na sala bem decorada de Augusta, e houve uma pequena comoção. Foi preciso atravessar uma infinidade de abraços e de pequenas conversas. O rapaz estava realmente feliz por ver todas aquelas pessoas, mas seu estado ainda debilitado de saúde fez com que ele procurasse abrigo no escritório, tentando apenas respirar um pouco antes de entrar de volta ao salão.

Frank estava sentado em sua poltrona, os olhos cerrados, quando um garotinho entrou correndo, chamado a sua atenção. Ele olhava energicamente para os lados, até se ajoelhar e olhar embaixo da mesinha de café.

- Tudo bem aí, campeão? – Frank perguntou ao menininho, sem perceber que usara com ele o mesmo vocativo que seu pai usava com ele quando era uma criança.

- Você viu o Liam? – o menininho parecia ofegante, e continuava olhando ao redor enquanto conversava com Frank.

- Liam?

- O meu sapo. Liam. Ele é mais ou menos desse tamanho – o garotinho usou as mãos pequeninas para mensurar o sapo – ele é verde, mas torce pro Puddlemere, que nem eu.

Frank sorriu automaticamente ao ouvir o nome do seu time do coração. Ele se levantou, já mais disposto, e bagunçou os cabelos do garotinho.

- Tenho quase certeza de que o seu sapo não está aqui, campeão. Por que eu não te ajudo a procurá-lo? Onde foi que você o viu pela última vez?

- Na bolsa da mamãe!
- Que tal a gente começar por lá? Você me leva até sua mãe, e se agente encontrar o Liam por lá, você e ele podem tomar milk-shake comigo – ele sorriu, sabendo que milk-shakes eram a melhor oferta para qualquer criança.

- Você vai me dar milk-shake de verdade?

- Ahamn – Frank concordou, achando graça dos olhinhos arregalados do pequeno à sua frente.

- Um inteiro só pra mim?

- Um inteiro só pra você.

O rostinho se iluminou com um sorriso enorme, e os dedos pequerruchos se envolveram na mão de Frank, arrastando-o de volta para a sala.

- MANHÊÊÊÊ
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Sophie Bennett em Dom Mar 27, 2016 4:08 am

- Você tem certeza que é uma boa ideia?

Sophie ouvia aquela frase pela décima vez naquela noite, e era apenas a presença do pequeno Theo que a impedia de estuporar o marido ali mesmo, diante de todos os convidados.

- Não, eu já disse que é uma péssima ideia! Mas eu não podia negar!

A curandeira sussurrava, os dentes trincados, enquanto tentava sorrir mecanicamente para algumas pessoas que passavam mais próximas.

Benji estava bem vestido, mas as mãos que frequentemente coçavam a nuca denunciavam sua ansiedade, quase tão grande quanto a da esposa. A notícia do despertar de Longbottom também havia pego o Sr. Hoffman de surpresa, e apesar de estar feliz com a saúde do antigo professor, era impossível não refletir no que aquilo significava para sua vida.

Quando havia proposto se casar com Sophie e assumir a paternidade do pequeno Theo, ninguém tinha esperanças de que Frank um dia poderia acordar. O filho da melhor amiga havia sido criada com todo amor e carinho e ninguém ousaria questionar que Benji era o verdadeiro pai daquela criança. Nem mesmo Benji pensava diferente. Ele amava Theo incondicionalmente, mas ter a presença do verdadeiro pai por perto era quase ameaçador.

- Você vai contar para ele?

Aquela pergunta também já havia sido repetida dezenas de vezes naquela noite, e Sophie parecia cada vez mais irritada. O pequeno jantar na casa dos Longbottom era o último lugar que ela desejava para ser o cenário daquela conversa tão íntima.

- Frank não está em condições de absolutamente nada neste momento, Benji... E sinceramente, nós também não!

Mais uma vez, os dedos de Benjamim deslizaram ansiosos pelo seu rosto, e ele balançava a perna inquietamente nos poucos segundos em que se manteve calado.

- Mesmo que ele nunca se lembre, você pensa em contar...

- Mamãe!!!!

A ansiedade de Benji pareceu se desmanchar no instante em que reconheceu o rosto do pequeno Theo. Um largo sorriso brotou em seu rosto apenas por um instante, até reconhecer o rosto do antigo professor.

- Professor Longbottom! – Benji esticou a mão, sentindo-se constrangido logo em seguida. – Desculpe, é força do hábito lhe chamar de professor. Como está, Frank?

Sem esperar pela conversa dos adultos, Theodore continuou com a mão unida a de Frank enquanto se aproximava da mãe, cutucando-a na altura das pernas.

- Mamãe, o Liam está com você???

A visão de Frank e Theo juntos fez com que o chão de Sophie desaparecesse por um segundo. Por milhares de vezes ela fantasiou pai e filho juntos, como deveria ter sido, e finalmente ter aquilo diante de seus olhos a deixou sem palavras.

Ela precisou de tempo demais para compreender o que o filho falava, e se abaixou para ficar na altura dele.

- Do que está falando, Theo? O Liam está em casa.

- Não tá, não! Eu coloquei ele na sua bolsa pra ele vir passear com a gente.

- Você o quê???

Com movimentos rápidos, Sophie puxou a bolsa de seu ombro e a abriu, no exato instante em que o grande sapo saltou para fora, sendo agarrado no ar pelas mãoszinhas de Theo.

- Achei você!!!

Com o susto, Sophie perdeu o equilíbrio e caiu para trás, sentada no chão. Era incrível como, mesmo depois de tantos anos, ainda se assustasse com a presença do pegajoso sapo.

- Theodore Hoffman! No que você estava pensando?

- Posso tomar meu milk-shake agora?
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Maeve Mackenzie em Dom Mar 27, 2016 4:30 am

O rosto de Remus Lupin se materializou na frente de Maeve ao mesmo tempo em que a luz languida do Lumus iluminava seu rosto.

- Remus Lupin – o nome dele deixou seus lábios assim que ela o reconheceu e ela se viu fechando o robe para impedir que ele visse seu pijama (não tinha se preocupado com aquele detalhe pois até então achara que não encontraria ninguém pelo caminho). – Eu sou a nova professora de Poções. – a confusão dele era aceitável, uma vez que Dumbledore ainda não a havia apresentado para o resto dos professores nem para os alunos.

Ela o encarou da cabeça aos pés. Os dois tinham estudado juntos e apesar de terem dividido a maior parte das classes ao longo dos 7 anos em Hogwarts, eles nunca foram particularmente amigos – ela era da Sonserina e ele, da Grifinória. Se ela bem se lembrava, Remus era um bom aluno e mesmo fazendo parte do grupinho de arruaceiros de James Potter e Sirius Black, ele era bem responsável (se não o mais daquela patota). Ela também se lembrava das várias ausências do rapaz das aulas por motivos de saúde. Apesar de vários anos terem se passado, ele continuava com o mesmo aspecto adoentado de sempre – mas agora havia todo um ar de adulto ao redor dele (e não era só graças à barba que ele adotara).

- E você? – ela ergueu a sobrancelha. Com aquelas vestes surradas não era possível que ele fosse professor. No máximo o zelador. – O que está fazendo aqui?

E então, enquanto aguardava a resposta, Maeve se lembrou de um episódio inusitado que acontecera no dia da formatura deles.

[1977]

Maeve terminou seu terceiro copo de ponche e sentindo-se estranhamente feliz e leve, decidiu dar uma volta pelos jardins de Hogwarts. Ela foi caminhando em direção ao seu local preferido – a árvore perto do lago – e ignorava os casais em posições constrangedoras que encontrava pelo caminho – a vontade de rir só aumentando a cada flagrante. Normalmente ela ficaria escandalizada (e enojada), mas aquela noite era especial demais para que ligasse para aquele tipo de trivialidade: ela estava se formando. E, graças as suas excelentes notas no NIEMS, conseguiria estudar numa escola de prestígio fora do país.

Parando em frente ao lago iluminado pela lua minguante, a Sonserina se questionou por que, em todos aqueles 7 anos, nunca entrara para dar um mergulho lá e quando deu por si, estava tirando os sapatos. Antes tarde do que nunca, certo?

Quando suas mãos alcançaram o último botão de seu robe, uma voz a sobressaltou:

- Mackenzie, o que você está fazendo? – olhando para o lado, ela franziu os olhos tentando reconhecer à pouca luz quem era o interlocutor e só quando a pessoa deu um passo a frente é que ela reconheceu quem era: Remus Lupin.

- Bom, eu vou nadar. – ela deu de ombros e o gesto fez com que a alça de seu robe escorregasse um pouco. Remus, notando aquilo, arregalou um pouco os olhos e evitou olhar para qualquer ponto acima de seu pescoço, fingindo não notar que o robe dela estava aberto para não constrangê-la.

- Não acho que seja uma boa ideia, Mackenzie.

- E por que não? – ela perguntou, as mãos na cintura. Ali estava ela, num dos momentos mais felizes da sua vida e aquele garoto com vestes baratas queria dar pitaco em sua vida? Não, obrigada.

- Você não sabe, mas esse ponto do lago é visível para quem quer que esteja no castelo e eles poderiam te ver.... – ele gesticulou meio desajeitado com a mão, deixando a palavra “nua” subentendida no ar.

- Bem, sorte de quem quer que esteja olhando para cá - ela deu de ombros novamente e se possível, a manga do seu robe escorregou mais alguns centímetros, ficando perigosamente perto de cair de vez. Naquele momento, desde que chegou ali, ele notou a voz meio arrastada dela e algumas coisas começaram a fazer sentido.

- Você bebeu do ponche? – ele perguntou, a olhando nos olhos e se esforçando ao máximo para que seu olhar não recaísse sobre nenhum pedaço de pele exposta.

Maeve cruzou os braços, já impaciente com aquela interrupção:

- Não vejo como isso pode ser da sua conta – ela disse, o nariz meio empinado dando a ela o ar de superioridade de sempre.

Remus soltou um pesado suspiro diante da teimosia da garota e se aproximou dela, procurando uma forma de fazê-la entender o quão ridícula era aquela ideia de nadar no lago à noite.

- É da minha conta quando você está nesse estado por culpa dos meus amigos.

Uma leve brisa ergueu os cabelos de Maeve naquele momento e ela abraçou o próprio corpo, sentindo um pouco de frio. Remus, notando aquilo – ele não tinha olhado de propósito, ok? – se pegou despindo-se do próprio casaco e estendendo-o a ela.

Maeve, ignorando o gesto gentil do rapaz, estreitou os olhos:

- O que tem os seus amigos?

- James e Sirius batizaram todas as bebidas disponíveis no baile. – ele abaixou a mão que segurava o casaco.

- Tsc. – Maeve puxou o robe para o lugar, emburrada – Que infantil. Mas vindo do Black isso não me surpreende. – a voz dela estava carregada de desgosto. Sirius Black, seu ex-noivo, era o motivo dela ser a chacota da Sonserina – Acredito que ele esteja por aí dando risadas dessas peripécias?!

Ela olhou para o chão, ficando consciente da textura da grama aos seus pés. Após cogitar por alguns minutos, sua mente inebriada decidiu que aquele era o momento certo para ela desabafar algumas coisas:

- Pois diga pro seu amigo que ele é um idiota. – ela puxou o robe para o lugar, abraçando o próprio corpo agora num gesto defensivo.

Antes que Remus pudesse dizer alguma coisa, a moça continuou a desabafar:

- Não sei como ele conseguiu se formar em Hogwarts tendo atitudes tão infantis. – ela ergueu os olhos – Mas claro que até mesmo Dumbledore tem favoritismos...

Sirius Black era seu calcanhar de Aquiles e Maeve sabia que nunca conseguiria perdoá-lo pelo noivado – e por tantas outras pequenas coisas que ele havia lhe feito... até seu primeiro beijo ela tinha sacrificado esperando por ele e...

Naquele momento, o rosto de Remus entrou em foco em sua mente e ela teve uma ideia. Se aproximou alguns passos e antes que o Grifinório pudesse ter alguma reação, o beijou – da maneira como havia lido nos livros.

[/1975]


Ela reprimira a lembrança de seu primeiro beijo até aquele momento e agora que a memória voltara com força total, ela só torcia para que Remus não se lembrasse daquilo. Era vergonhoso saber que ela tivera uma atitude tão...tão...impulsiva.

Pigarreando e abraçando o próprio corpo, Maeve o encarou.


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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Frank Longbottom em Sex Abr 01, 2016 11:32 pm

- Benjamin – Frank sorriu e cumprimentou o caçula dos Hoffman apenas com um menear de cabeça, logo voltando a prestar atenção em Theo e Sophie.

Então aquele era o filho de Sophie. Ele lera sobre o nascimento de Theo, mas era difícil se situar no tempo apenas por artigos de jornal. Quando pensava em Sophie como mãe, ele a imaginava carregando um pequeno embrulho com apenas alguns meses de vida, nunca um garotinho tão sagaz. Parecia que aquela era mais uma das coisas com as quais ele precisava se acostumar.

- Opa! – Frank se apressou a ajudar Sophie a se erguer do chão, reprimindo o riso pelo desespero da jovem - você está bem?

Os olhos de Frank brilhavam com honestidade. Era a primeira vez, desde que acordara, que o peso dos anos parecia se tornar um pouco mais leve. Estar com uma criança tão espontânea como Theo era um sopro de graça em meio à confusão de seus pensamentos.

- Milk-shake? – Benjamin, que também havia se inclinado em direção a esposa, para ajudá-la, encarava o enteado com as sobrancelhas unidas em dúvida.

- Uhumn! – os olhinhos verdes brilharam com a lembrança da oferta de Frank – o moço prometeu que eu podia tomar um inteirinho só pra mim!

Hoffman e Longbottom se encararam por um breve momento, o último com um olhar apologético. A verdade é que Frank não sabia a primeira coisa sobre crianças, ele apenas ofereceu algo de que ele próprio gostava quando ainda era pequeno.

- Você acabou de se recuperar de um resfriado, Theo – Benjamin falou ao filho em um tom que soou a Frank ligeiramente mais áspero que o necessário – Sinto muito, mas você não pode tomar sorvete agora.

Frank trocou um rápido olhar com Sophie, antes de se ajoelhar em frente ao garotinho. Theo começava a fazer um beicinho, muito provavelmente capaz de desarmar qualquer adulto ao seu redor.

- hey, por que não combinamos de seus pais me avisarem quando você estiver melhor, e eu te levo para o Milk-shake no Beco Diagonal? Vai ser muito mais gostoso que o daqui de casa. E ainda vai ter pedaços de chocolate.
O rostinho do menino se iluminou automaticamente, e Frank suspirou aliviado por não causar problemas à família de Sophie.

Naquele momento, Liam, o sapo, coaxou barulhosamente nas mãos de Theo, e Frank riu, divertido, como se lembrasse de uma piada que só ele conhecia.

- Se você acha que a sua mãe tem medo do Liam, você devia vê-la correndo de dois crupes inocentes.

Ele levantou o olhar, divertido, à procura dos olhos castanhos de Sophie. Assim que os encontrou, no entanto, sua expressão pensativa roubou a cena, e demorou mais meio segundo até que ele percebesse que aquela cena em sua memória – Bennett e ele na floresta proibida ao entardecer, brincando com os crupes – não se ligava a nenhuma outra de suas memórias
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Rebecca Montgomery em Sab Abr 02, 2016 12:26 am

- Eu não quero ir pra casa! – Rebecca choramingou enquanto Sirius, o braço envolto em sua cintura, a arrastava para fora do pub – Eu gosto daqui... – a voz arrastada da jovem denunciava ainda mais sua embriaguez que o biquinho que ela fazia com os lábios.

Sob a chuva fininha que começava a cair do lado de fora, ela sentia as bochechas formigarem, e perdeu o equilíbrio uma ou duas vezes – mas tudo bem, o estranho a estava segurando.

- Você tem braços fortes – ela riu, enquanto suas mãos passeavam pelos braços do rapaz – Merlin, e você é bonito!

A chegada do táxi a impediu de continuar passando a mão por ele, e ela inclinou a cabeça para trás por alguns minutos, antes de encarar o rapaz ao seu lado com os olhos arregalados.

- Você sabe se eles servem thaiquila em Azkaban? Eu não sei se vou conseguir viver sem thaiquila! Esse elixir é... A melhor coisa trouxa de todos os tempos.

Ela riu como se tivesse dito alguma piada muito engraçada, mas logo o riso morreu e deu lugar a um risinho maroto. Através da névoa que obliterava sua visão, ela encarou o rapaz moreno ao seu lado.

- Merlin, como eu quero te beijar... Mas eu não posso beijar ninguém, porque eles vão me mandar para Azkaban. Eles vão me mandar para Azkaban, e eu nunca mais vou poder beijar ninguém. O único beijo que eu vou receber em Azkaban é o de um Dementador.

Becca sacudiu a cabeça, sua expressão se tornando instantaneamente séria.

- Eu não quero ir pra Azkaban. Eu só... Eu só queria ser professora. Eu amaaava Hogwarts. Sério, de verdade. Não tem uma sensação melhor que ver aqueles pequenininhos – tem uns que são pequenininhos mesmo! Você já viu? Deste tamanico! Eu amava toda vez que que eles se endireitavam todos só pra falar Veriverto!

Rebecca fez um movimento com o pulso que, ao largo, lembrava aquele que deferia se feito para tornar um animal em uma taça de água, e riu da própria imitação.

- Nenhuma escola vai me aceitar – ela franziu o cenho, fitando um ponto qualquer no chão do carro – Nunca mais.
O medo a tomou de assalto, e ela encarou o rapaz ao seu lado por alguns segundos, em silêncio.

- Você parece muito o Sirius... Merlin... Eu amo aquele idiota, apesar de ter que ir pra Azkaban por culpa dele.

Com um suspiro, as mãos esconderam o rosto de Rebecca, e ela esfregou os olhos antes de levantar o rosto novamente. Algo despertou um risinho e ela se arrastou pelo banco para mais perto dele, deslizando os dedos pelas mechas negras que pendiam do estranho ao seu lado.

- Eu sempre quis fazer isso no cabelo do Sirius – por um momento, Becca apenas alisava, em um carinho um tanto quanto desajeitado, o cabelo dele.

Se remexendo mais uma vez sobre o banco, ela apoiou a cabeça no ombro dele, soltando um suspiro longo antes de voltar a falar.

- O Sirius tinha que voltar pra minha vida só pra bagunçar tudo. Só pra me fazer amá-lo de novo, e agora, me mandar para Azkaban. Eu nem fiz nada... – a voz de Rebecca foi diminuindo e ficando mais arrastada a cada palavra, e à medida em que ela ia se aninhando no peito dele – mas eles vão me prender do mesmo jeito.

****

Quando Rebecca abriu a porta de casa, era óbvio que ela vinha passando tempo demais em casa. Alguns livros estavam espelhados pela sala, bem como algumas canecas com seus respectivos saquinhos de chá. Sob a mesinha de café, os classificados do Profeta diário se acumulavam, alguns anúncios circulados em tinta vermelha.

A jovem arrancou os saltos dos pés ainda na porta, e cambaleou até atravessar boa parte da sala. Virando-se para ele ela abraçou o próprio corpo:

- Você dorme comigo hoje? Eu... não queria ficar sozinha.
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Rebecca Montgomery

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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Remus Lupin em Dom Abr 03, 2016 5:22 am

Maeve Mackenzie. Professora de Poções. Parecia surreal demais para que Remus acreditasse, e mesmo depois de ter ouvido com todas as letras, ele ainda encarou a loira por alguns segundos, tentando absorver aquela novidade.

Ele não conseguia se lembrar da última vez que havia tido notícias da ex-sonserina, de modo que saber que ela estaria novamente em sua vida era uma imensa surpresa. Lupin ainda se lembrava claramente do último encontro dos dois e do beijo roubado. Durante dias, aquele pequeno impulso da loira havia lhe tirado o sono.

Havia sido difícil convencer a si mesmo que Mackenzie havia ido embora e que o caminho dos dois nunca mais iria se cruzar. E mesmo que voltassem a se encontrar, aquele beijo havia sido um deslize, sem significado algum. Ainda assim, havia abalado Lupin de uma forma irracional. E para alguém que agia tanto pela razão, se deixar seguir apenas pelo desejo era uma novidade assustadora.

- Defesa Contra as Artes das Trevas. – Ele gaguejou, os olhos azuis ligeiramente arregalados enquanto tentava absorver os traços que haviam mudado ao longo dos anos. – Professor.

Lupin completou, torcendo para que as palavras aleatórias fizessem sentido para Mackenzie. Pouco havia mudado no rosto da loira com o passar dos anos, mas Remus ainda conseguia dizer que ela estava diferente. Havia se tornado uma mulher ainda mais bonita do que ele se lembrava, tão decidida e com a personalidade forte que se lembrava.

- Eu não sabia que havia voltado para a Inglaterra. Ainda mais para Hogwarts.

Sua surpresa era sincera, mas Remus tentou assumir um tom mais polido em sua voz, para que Mackenzie não achasse que ele estivesse de alguma forma desaprovando aquela novidade.

- Seja muito bem-vinda. É incrível estar de volta a esses corredores. Confesso que tem algumas vantagens. – Ele sorriu, encolhendo um dos ombros enquanto apontava para o quarto de frutas que guardava a entrada da cozinha. – Um lanche noturno, por exemplo, é uma vantagem incrível. Estava indo fazer um neste momento. Me acompanha?
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Remus Lupin

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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Sophie Bennett em Dom Abr 03, 2016 5:35 am

A lembrança dos crupes ainda estava intacta na mente de Sophie. Cada momento vivido ao lado de Frank era guardado com carinho pela curandeira, de modo que sua mente imediatamente reproduziu a cena de um dos momentos em que a fizera se aproximar do antigo professor de Criaturas Mágicas.

Por ter cada instante devidamente registrado em sua memória, a surpresa de Sophie foi ouvir aquele momento vindo da boca de Frank. Por um instante, ela chegou a acreditar que Longbottom havia recuperado todas as suas lembranças e que ele estava de volta, mas foi a confusão refletida nos olhos castanhos que a fez perder aquela esperança.

Benji também olhava a cena com confusão. Apesar de saber do envolvimento entre Bennett e Longbottom que havia gerado o pequeno Theo, o melhor amigo de Sophie não ouvira detalhes dos encontros dos dois, de modo que desconhecia aquele momento mais íntimo.

- Você se lembra disso? – Sophie gaguejou, o rosto pálido. – Se lembra dos crupes?

- O que tem os crupes? – Benji perguntou, uma ruga se formando entre suas sobrancelhas.

Theo, que olhava de um adulto para o outro sem entender a seriedade daquela conversa, só pôde agregar ao que lhe interessava.

- Mamãe, posso ter um crupe???

- Frankie???

Uma voz arrastada interrompeu que aquela conversa louca desse continuidade quando o rosto de Isabella surgiu. Mesmo com o passar dos anos, a italiana pouco havia mudado. Continuava bonita e com roupas extravagantes, que contrastavam ainda mais com as roupas sérias e neutras de Sophie.

Sem se preocupar se estava atrapalhando a conversa, Isabella rodeou o pescoço do amigo com os braços, nitidamente emocionada em vê-lo de pé depois de tantos anos.

- Por Merlin! Você está tão magrinho! Como vamos voar com dragões se você continuar assim?

- Eu não acredito que o Dr. Blackwater tenha liberado voos de dragão em tão pouco tempo. – Sophie não se conteve em dizer.

Era impressionante como Isabella, mesmo sendo mais velha, a deixava com a sensação de ter cinquenta anos de idade. A italiana tinha uma energia e vivacidade invejáveis, que definitivamente se destacavam em sua personalidade.

- Hey, você! – Ignorando o comentário de Sophie, Isabella abriu um enorme sorriso ao conhecer a antiga adolescente que conhecera no apartamento do amigo. – Caramba, você cresceu! A última vez que te vi, você era o mascotinho do Frankie, han?
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Frank Longbottom em Dom Abr 10, 2016 2:44 am

- Frank, querido – Augusta se aproximou do grupo, sem notar a confusão expressa no rosto do filho – seus primos estão aqui, e eles querem vê-lo! - a senhora sorriu amavelmente para os convidados – aposto que seus amigos não se importam se eu te roubar um pouquinho, certo?

- De forma alguma, sra. Longbottom! – Isabella respondeu por todos, e, com seu típico e enorme sorriso no rosto, parou em frente ao amigo, segurando seu rosto magro com as duas mãos – nem pense que você vai escapar de ouvir a minha versão dos últimos cinco anos, ‘Bottom! Preciso matar as saudades de você, sim?

Frank sorriu, e segurou a mão da amiga.

- Pode deixar Bella! É uma promessa.

Se despedindo dos Hoffman com um aceno, Frank seguiu o caminho indicado pela mãe.

Não importava quão saudoso ou quão interessado do assunto de seus outros convidados Frank estava: ele sempre se pegava vagando o olhar até pousar as íris verdes sobre Sophie e sua família.

Ele tentava entender aquela cena com os crupes. Não parecia ser um daqueles sonhos confusos que povoam sua mente nas noites de (pouco) sono logo após seu retorno do coma, tampouco parecia algo que ele houvesse imaginado – não, definitivamente não, Sophie parecia saber do que ele estava falando, Merlin, ela lhe perguntara se ele lembrava; era preciso que algo tivesse acontecido para que se lembrasse...

Mas o que, exatamente, tinha acontecido? Tudo que vira foi um flash. Sophie e ele, na floresta proibida, e dois crupes. O rosto dela paralisado de pavor e, logo depois, os dois sentados e afagando os bichinhos. Mesmo forçando-se, nenhum novo pedaço daquela cena voltava à sua mente, e ele se pegou se despedindo mecanicamente de seus convidados enquanto repassava aquela lembrança pelo que devia ser a milésima vez.



Quando deitava-se para dormir, Frank já não mais esperava uma noite plena de sono, sabendo que passara a última semana inteira acordando de madrugada por conta de sonhos agitados. Aquelas imagens, distorcidas pelo subconsciente, o perseguiam mesmo sob a luz dura dos dias. Apesar de estar começando a se convencer de que eram apenas sonhos, o rapaz tinha a impressão de que havia mais naqueles pedaços soltos que apenas visões noturnas. Alguma coisa naqueles sonhos parecia real demais, mas ele não conseguia enxergar como chuvas torrenciais, meteoros, feitiços cortando o ar ou Dementadores podiam estar interligados.

Foi Isabella quem o ajudou a conectar uma parte daquela história.

- Ok – a loira disse, no momento em que se viram sozinhos no espaço escritório de Frank – do que exatamente você se lembra, ‘Bottom? Qual a coisa mais recente?

Frank deu de ombros, deixando o olhar vagar pelas diversas lombadas de livros que cobriam uma das paredes do cômodo.

- Não sei, Bella. Eu lembro de você. Da Romênia. A sensação de voar com dragões. Uma ressaca ou outra – ele riu sob a respiração – e da carta de Dumbledore. Acho que a carta é a coisa mais recente.

- Eu lembro desse dia – a italiana sorriu largamente e seu olhar, levemente sem foco, indicava que ela estava tentando se transportar para a manhã em que Frankie comemorava o pergaminho que uma coruja das neves trouxera – você ficou tão empolgado que parecia até que tinha descoberto uma nova espécie de dragões.

Frank riu, e tomou um gole do seu chá. Era exatamente como ele se lembrava daquele dia, também.

- Você se lembra da sua despedida?

Longbottom apenas sacudiu a cabeça.

- Digamos apenas que rendeu uma boa ressaca. Se bem que eu acho que você não lembrava de nada dessa festa mesmo antes – ela riu, levando a xícara aos lábios. – Você não lembra de mais nada depois disso? Nem da mascotinha?

Frank encarou a amiga ao ouvir aquele apelido – o mesmo que ela usara em sua festa – e estreitou os olhos, tentando entendê-la.

- Mascotinha?
Isabella engasgou com a pergunta do amigo, e, com as sobrancelhas erguidas, o esquadrinhou por um instante.

- Merlin! Você realmente não lembra? – ela gargalhou e pousou sua xícara sobre a mesinha de centro. – Você era completamente apaixonado por ela, Franks. Sério, eu vim te visitar uma vez, e ela ficou tão ciumenta que você quase me expulsou da sua casa. Ela saiu voando pela porta e no segundo seguinte, você estava me fazendo um discurso sobre como ela era importante para você, e sobre como eu precisa me controlar – ela riu mais um pouco, sacudindo os sedosos cabelos loiros – Era bem bonitinho, se você me perguntar...

Frank piscou algumas vezes, as palavras de Isabella conjurando cenas desconexas em sua cabeça. Ele conseguia ver a amiga, andando pelo que parecia ser um apartamento, e uma outra garota, usando um pijama dele, muitos números maiores. Em momento algum ele conseguia ver o rosto da garota misteriosa, mas os cabelos eram nitidamente da cor de chocolate, e ela batera firmemente a porta atrás de si ao sair.

- Eu até fiquei surpresa de vê-la aqui, na verdade. Quer dizer, ela demorou o quê, um mês depois que você foi internado? E de repente o Aaron estava comprando um terno para o casamento do irmão. Foi tão rápido...

A dúvida estava expressa em cada ruguinha da expressão de Frank, e ele tentava digerir as palavras de Isabella, sem ter muita certeza se entendia direito o que ela falava.

- Benjamin..? Você quer dizer... Sophie? Sophie Benett?

Aquilo não fazia o menor sentido. Ele tinha sido apaixonado por Sophie, mas nada em sua memória o ligava à garota de grandes olhos castanhos. Ele tinha se formado, ido para a Romênia e...

- Acho que você quer dizer Sophie Hoffman, querido.

Se tornado professor dela.

Não. Ele nunca... Ele nunca faria algo como aquilo. E... E se Isabella estava certa, ela se casara com Benji um mês depois que ele foi internado? Isso... Isso não fazia o menor sentido.

- De toda forma, sim, era ela a sua mascotinha.
De repente, a cena dos crupes ganhara um novo complemento em sua mente: ele estava sentado ao lado de Sophie, e os dois estavam quase se beijando. A garota em pijamas azuis e brancos ganhara um rosto, e ele tinha os olhos profundos e as sardinhas de Benett.

Isabella podia estar certa. Aquelas memórias sugeriam que algo o ligava a Sophie.

-Frankie? Você está bem?

Frank a encarou, um pouco atônito, e piscou algumas vezes antes de falar:

- Eu...Desculpe Bella, eu acabei de lembrar que tenho uma consulta no Mungus daqui a dez minutos. Se importa se eu te acompanhar até a porta?
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Sophie Bennett em Dom Abr 10, 2016 3:38 am

Sophie abriu a porta do apartamento, dando passagem para que Benjamin entrasse carregando o pequeno Theo em seus braços. O menino já havia adormecido e estava entregue aos sonhos nos braços do adulto, seu rostinho amassado pelo contato do ombro do apanhador, formando um pequeno biquinho em seus lábios.

Com uma habilidade adquirida ao longo dos anos, Benji entrou no quarto de Theo e o depositou na caminha sem que o menino sequer piscasse. A criança se acolheu em seu travesseiro e continuou dormindo pesadamente enquanto o pai tirava os sapatinhos e a mãe observava a cena de longe.

Apenas quando Benjamin teve a certeza que Theodore estava perfeitamente confortável, ele se afastou da cama, deixando a porta entreaberta para que a luz do corredor ainda pudesse iluminar o quartinho da criança.

- Ele está exausto... – Benji sussurrou enquanto entravam no quarto do casal, retirando a camisa de botões. – E o bendito sapo?

- Na minha bolsa, para variar. – Sophie revirou os olhos, mas mantendo um sorriso divertido nos lábios.

Enquanto o marido atravessava o quarto e jogava os sapatos em um canto, Sophie o acompanhou com um olhar, ligeiramente inquieta.

- Benji? Podemos conversar um minuto?

O homem já havia aberto todos os botões da camisa e estava revirando a gaveta atrás de um pijama quando ergueu o rosto para Sophie. Percebendo que o assunto seria delicado, Benjamin suspirou e desistiu da busca pela roupa limpa, sentando na beirada da cama.

- Você vai contar para ele, não vai?

Sophie sentia o coração apertar diante da expressão de derrota de Benji. Ela se sentia completamente perdida naquela situação. Era injusto com Theodore crescer sem saber quem era seu verdadeiro pai, e ainda mais injusto com Frank que a verdade lhe fosse escondida, quase como punição por um acidente que ele fora vítima. Mas além de tudo, também era uma grande injustiça fazer o melhor amigo passar por tudo aquilo.

Desde o começo, Benjamin estivera ao seu lado e abraçara aquele desafio. Ele aprendera a amar Theodore como se fosse seu próprio filho, e ninguém poderia dizer o contrário.

- Eu quero contar. – Sophie confessou, sentando ao lado dele e fazendo o colchão afundar levemente. – Mas não vou, se você não concordar.

Benji foi incapaz de esconder a surpresa diante das palavras da amiga, e Sophie continuou, puxando a mão dele para entrelaçar aos seus dedos.

- Theo também é seu filho, Benji. Independente do DNA. E você tem todo o direito do mundo de opinar em qualquer coisa que diz respeito a ele. Eu acho que o correto seria contar a verdade aos dois, Frank também tem esse direito. Não é culpa dele ter ficado desacordado todos esses anos. Mas eu não vou fazer nada que você não concorde.

As mãos dos dois estavam entrelaçadas, mostrando que mesmo com o passar dos anos, ainda existia a mesma cumplicidade e amizade. Mesmo que os dois dividissem a mesma cama e o mesmo sobrenome, nunca haviam sido mais do que melhores amigos.

Durante um tempo longo demais, Benji encarou o vazio, refletindo sobre as palavras da amiga. Era assustador imaginar perder o carinho de Theo e ele admitia que sentia ciúmes em imaginar dividir o filho com outro pai. Mas exatamente pelo amor que sentia pela criança, Benji sabia que era errado lhe esconder aquela verdade. E Frank não merecia ser penalizado por algo que estava fora de seu controle.

O ex-professor, Sophie e Theo provavelmente fariam uma bela família se o destino não tivesse interrompido os planos de Longbottom, e Benji assumira aquele papel com perfeição ao longo dos anos.

- Está bem. – Benji concordou, a voz falhando pelo receio do que viria a seguir. – Está bem, Soph. É o certo a ser feito.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Frank Longbottom em Dom Abr 10, 2016 6:03 am

Frank entrou meio esbaforido no St. Mungus. Ele ainda não sabia o que falaria a Sophie, mas ele precisava entender aquela história que Isabella contara – e, por Merlin, aquelas lembranças – e, se houvesse o mínimo de verdade nas palavras da amiga, a Dra. Hoffman seria provavelmente a única pessoa capaz de preencher as lacunas daquele ano em branco na sua cabeça.

Ele se inclinou sobre o balcão da recepção, perguntando por ela, mas não foi preciso esperar muito tempo – logo Sophie apareceu no fim do corredor.

A imagem da mulher em que Bennet se transformara, andando apressada em seu jaleco verde, causou um misto de excitação e de pavor em Frank. De alguma forma, suas mãos haviam começado a suar, e ele se sentia como um quintanista em Hogwarts.

Controlando o próprio corpo, e dirigido pela necessidade de esclarecimento ele a alcançou a passos largos.

- Sophie? - ele contraiu a expressão, se odiando por não saber sequer como chamá-la - Dra. Hoffman?

Ele respirou fundo, e tentou abrir um sorriso minimamente franco.

- Você tem um minuto? Eu... preciso conversar com você...



O café do hospital não parecia um lugar especialmente bom para conversar, mas, mais uma vez, nenhum lugar parecia apropriado para colocar em dias um ano inteiro de relacionamento.

Apesar de desconfortável, Longbottom achou que seria melhor ir direto ao ponto. Com um suspiro, e sob goladas exageradas de café, ele contou a Sophie tudo o que sabia – a conversa com Isabella, os fragmentos de memórias, e os sonhos que ele não conseguia compreender... Ao fim de todo aquele monólogo, ele apenas suspirou, passando a mão pelos cabelos castanhos.

- Desculpe despejar isso tudo em cima de você – ele suspirou mais uma vez, tamborilando na mesa, um súbito medo de estar sendo ridículo – mas eu precisava saber o que nisso tudo é verdade.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Sophie Bennett em Seg Abr 11, 2016 4:00 am

Por mais que tivesse se convencido de que o correto a ser feito fosse contar a verdade para Frank, Sophie ainda não estava preparada para enfrentar a difícil conversa quando Longbottom apareceu no hospital naquela noite.

Quando o ex-professor lhe chamou para conversar, a Sra. Hoffman chegou a pensar que ele tivesse se lembrado de tudo e estivesse exigindo explicações para seu casamento precoce com o melhor amigo. Em partes, ela se sentiu aliviada em saber que aquela história ainda não estava inteiramente esclarecida na mente de Longbottom.

Por sorte, a hora tardia e o baixo movimento do hospital permitiram que o café estivesse praticamente vazio, ocupado apenas pelos atendentes. Os dois ocuparam uma mesa mais ao fundo, onde ninguém poderia escutar aquela delicada conversa.

Sophie sentia o coração saltitar por estar finalmente a sós com Frank, depois de tantos anos. Muito tempo havia se passado, sua vida havia mudado completamente e o destino havia lhe colocado em uma situação que ela jamais planejara, mas ainda assim, era impossível ignorar como seu sentimento por Longbottom não havia mudado.

Durante todo o tempo em que Frank estivera em coma, Sophie sofrera sem esperanças de vê-lo de pé outra vez. Mas estar diante dos olhos esverdeados que ela conhecia tão bem era suficiente para saber que ainda amava o ex-professor. Era uma tortura vê-lo angustiado com os fragmentos de memória e Sophie sabia que não poderia permitir que aquilo continuasse.

Enquanto Frank compartilhava seus pedaços de lembranças aleatórias, Sophie manteve a cabeça baixa e as mãos segurando seu copo de chocolate quente. Quando ele finalmente terminou de falar, a curandeira soltou um suspiro e ergueu o olhar, levando uma das mãos aquecidas até os dedos agitados de Frank, procurando acalmá-lo.

- Antes de qualquer coisa, você precisa saber que é normal ficar confuso assim. Muita coisa aconteceu, você tem sorte de não ter praticamente nenhuma sequela. E se você está tendo flashes do que aconteceu, é mais uma indicação de que você vai se lembrar de todo o ano que está apagado na sua memória.

A voz de Sophie era suave e atenciosa, como uma boa curandeira explicando o quadro de um paciente. Porém, quando ela continuou, o assunto se tornou mais íntimo e ficou claro o seu constrangimento.

- Você assumiu o cargo de professor de Criaturas Mágicas no meu último ano em Hogwarts. Eu sempre tive pavor de animais, mas precisava de uma excelente nota na matéria para ser admitida aqui...

Com um sorriso fraco, Sophie ergueu a palma da mão para indicar o hospital antes de continuar.

- Você me ajudou. Mesmo que no começo tenha sido difícil, pois além do meu medo, eu não me dava bem em coisas que não fossem teóricas. Mas você sempre tentou me mostrar o lado divertido das criaturas. Os crupes foram em uma dessas tentativas.

Um sorriso mais divertido iluminou o rosto de Sophie com a lembrança e ela fitou as próprias unhas enquanto revivia aquele momento na orla da floresta proibida com Frank.

- Mas a gente acabou se aproximando. Mais do que professor e aluna. – Os olhos castanhos mais uma vez procuraram os esverdeados, tentando estudar a reação de Frank com aquela notícia. – Eu descobri sobre a carta que você escreveu, descobri que você gostava de mim muito antes de sair de Hogwarts. E eu me apaixonei por você, Frank.

Sophie encolheu um dos ombros com aquela confissão, ainda com um sorriso nos lábios.

- Quando eu me formei, nós dois iríamos assumir que estávamos juntos. Eu estava com você no Beco Diagonal quando tudo aconteceu. E eu acompanhei cada dia desde que o Dr. Blackwater disse que você poderia não acordar mais. Fui admitida no estágio no Mungus nos primeiros meses e pude ficar mais perto de você. Como eu disse, é um verdadeiro milagre que você esteja bem, porque ninguém mais acreditava que você fosse acordar, Frank.
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