Maraudering - UA

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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Maeve Mackenzie em Ter Dez 22, 2015 1:48 am

“Oh Merlin, ele vai me beijar” – o cérebro inebriado de Maeve registrou quando Remus Lupin inclinou o rosto na direção do dela. Ignorando o fato de que ambos estavam bêbados e que ela era noiva, a loira não se afastou, ansiosa pelo contato. De que adiantava tapar o Sol com a peneira? Ela estava, de fato, muito atraída pelo professor de DCAT e o fato de que estava um pouco carente também não ajudava em nada. Em sua cabeça, aquilo era certo.

Os lábios dos dois se tocaram e, respirando fundo, Maeve passou os braços ao redor do pescoço de Remus, ficando na ponta dos pés para corresponder, enfim, ao beijo.

- Eu tenho um novo desafio...- ela sussurrou, quando os dois se afastaram - Eu nunca quis beijar um certo professor de DCAT... - e ela o puxou pelo colarinho do suéter, beijando-o novamente.

Os dois se afastaram novamente alguns minutos depois e Maeve, já um pouco mais sóbria, corou ao ver um Remus meio descabelado a sua frente. Pousando as mãos no ombro dele, ela finalmente notou o anel em sua mão direita e o sorriso que brotara em seus lábios morreu.

- Vamos sair daqui antes que o Pirraça nos veja? – ela deu a ideia e entrelaçando o braço no dele, continuou seu caminho. Ao parar na porta do quarto, ela virou para encará-lo, a ficha sobre o que havia acabado de fazer finalmente caindo. Deveria pedir desculpas? Deveria escrever uma carta ao noivo imediatamente? – Remus. – os dois se encararam e Maeve ignorou a parte de seu cérebro que a aconselhava a desejar boa noite e ir dormir – Você quer entrar?

Entrelaçando os dedos nos dele, a loira o guiou pelo quarto até a cama e uma vez deitados, os dois se beijaram por mais algum tempo até adormecerem, abraçados.

****

Maeve acordou, no dia seguinte, num sobressalto, a noite anterior passando em sua mente ressacada como um filme.

Sentando-se na cama, ela olhou para o lado e viu um Remus Lupin adormecido ao seu lado. Olhando por baixo das cobertas, ela suspirou aliviada ao checar que os dois ainda vestiam as roupas da noite anterior. Se algo a mais além de beijos tivesse acontecido entre os dois ela jamais se perdoaria.

Levantando, ela caminhou até a jarra de água que havia ao lado da cama e tomou um longo gole do líquido, prometendo a si mesma que nunca mais consumiria álcool com Sirius Black por perto. Depois de se hidratar, Maeve foi até o banheiro e tomou um banho demorado e depois de se trocar ali mesmo, voltou para o quarto e procurou por um pergaminho novo.

Rabiscando uma mensagem para Stephen, ela deixou seus aposentos em direção ao corujal. Precisava conversar com o noivo e contar tudo que havia acontecido - ela estava tão atraída por Remus que fingir que nada havia acontecido não era uma opção. Ela preferia ser honesta. Era a coisa certa a se fazer. Com ela, com Remus e com Stephen.

Depois de enviar o recado numa coruja-da-torre, a professora de Poções foi até a cozinha, pegando algumas torradas e chá para ela e Remus. Voltou para o quarto e ficou decepcionada ao ver que o professor de DCAT já não se encontrava mais lá.

- Foi melhor assim, Mackenzie. – ela disse, em voz alta, como se tentasse se convencer.

~*~*~*

Era véspera da véspera de Natal e Maeve não via Remus há alguns dias - os dois estavam, definitivamente, se evitando - o bom do recesso escolar era que aquilo se tornara algo fácil de fazer: quando queria comer alguma coisa, ela ia direto com os elfos domésticos e no mais, não deixava o quarto.

Ela estava lendo o convite para a festa de Natal de Slughorn, decidindo se deveria ir ou não, quando uma batida na porta chamou sua atenção. Ela caminhou até a porta, o coração acelerado. E se fosse Remus? O que ela diria, depois de todo aquele tempo?

Se preparando para o que viesse a seguir, ela abriu a porta com tudo, mas não era Remus parado a sua frente e sim...

- Stephen! - ela exclamou, surpresa ao ver o noivo. - O-o que você está fazendo aqui?

- Ora, Mav, não posso fazer uma surpresa à minha noiva preferida? - Stephen se inclinou para a frente, dando um beijinho em cada lado do rosto dela. - Como está? A Inglaterra é mais fria do que imaginei! E deprimente.

Piscando, Maeve continuou encarando ele como se tivesse visto uma assombração. O sorriso no rosto de Stephen morreu diante da hesitação da noiva:

- Não vai me convidar pra entrar?

- Stephen... - ela falou, sem fôlego - Claro! Me desculpe... entre, entre. - e fechando a porta, Maeve o levou até o sofá que havia ali - Quando você chegou? E por que não me disse que viria? E por que você não respondia as minhas cartas?

Encolhendo os ombros, Stephen pegou o convite de Slughorn e começou a ler o recado, com interesse:

- Cheguei hoje mesmo, via pó de flu. Não respondi porque era minha intenção ignorá-la...pra te deixar mais surpresa ainda - ele sorriu - E essa festa do Slughorn? Vamos? - ele a encarou, os olhos castanhos brilhando.

Maeve sentiu-se subitamente fraca nos joelhos e sentou-se no sofá:

- Vamos. - ela respondeu, fraquinho.

"O que foi que eu fiz?" - ela pensou enquanto o noivo andava pelo quarto dela tagarelando sobre os Estados Unidos.







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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Rebecca Montgomery em Ter Dez 22, 2015 3:03 am

- Canny, você tem certeza? – Rebecca cruzou os braços sobre o sofisticado vestido preto, nem um pouco satisfeita com o que acabava de ouvir. Acantha era sua companhia habitual para as festas de fim de ano de Horace Slughorn desde que os tempos de escola, com algumas poucas exceções nos últimos anos, e justo naquela noite – em que ela não estava nem um pouco afim de ir sozinha até mais um coquetel do antigo professor de poções – a amiga desmarcava em cima da hora.

- Becca, eu não posso, sério. Olha ao seu redor, isso aqui está um caos!

Os olhos castanhos varreram o saguão lotado do St. Mungus, passando dos parentes ansiosos às enfermeiras que corriam de um lado para outro, tentando dar conta da demanda extraordinariamente grande de pacientes, até pousar novamente sobre a loira, que fazia anotações apressadas em sua prancheta.

- Não tem ninguém que possa te cobrir?

- Três curandeiros faltaram hoje. Eu já estou cobrindo o plantão de alguém. É por isso que não consegui te avisar antes. – Acantha suspirou pesadamente, deixando a prancheta sob o balcão e enfiando as mãos nos bolsos do uniforme verde – Sei que é difícil, mas você vai precisar se divertir sem mim – um sorriso cruzou o rosto dela – gostei do vestido, a propósito.

Rebecca girou os olhos e puxou para cima o decote do vestido, subitamente muito autoconsciente. Comprar aquela peça parecia ter sido uma ótima ideia quando ela a experimentou no vestiário da Madame Malkins, mas desde que ela saiu de casa, vinha se questionando se aquela tinha sido a escolha correta.

Não era como se estivesse inadequada ou fora de moda – o vestido, justo, delineava bem as curvas de seu corpo, e terminava alguns centímetros antes do joelho. Ela se sentia perfeitamente confortável nele. A única coisa que a incomodava era o decote que, em fenda, mostrava muito mais do que ela estava acostumada, em suas roupas sempre tão formais.

- Você está ótima – Acantha falou, como se lesse os pensamentos da amiga, e a segurou pelos ombros – agora, pelo amor de Merlin, vá beber tantas taças de champanhe quanto possível, porque eu tenho dois casos de acidentes com feitiços e uma criança com varíola de dragão para atender. Quero fofocas sobre todos os vestidos horríveis, e por favor dê um jeito de envenenar a bebida daquela nojenta da Narcisa Malfoy, sim?

Becca apenas riu, enquanto vestia novamente o seu casaco, antes apoiado sobre o balcão. Com um tchauzinho e o característico estampido, ela aparatou até a casa do antigo professor, se prometendo que seria uma rápida aparição, apenas para marcar presença, e que logo ela voltaria para casa. Por mais que gostasse do ex-professor e apreciasse a forma como ele reconhecia e valorizava seus talentos, ela nunca teve muita paciência para a maior parte dos convidados.

Em uma tentativa de acalmar a ansiedade que se aproximava sempre antes de encarar um grupo de pessoas desconhecidas, ela respirou fundo antes de tocar a campainha ao lado da maciça porta de madeira, por cujo vitral era possível ver as luzes da casa acesas.

Um pequeno elfo doméstico em um traje formal a atendeu e, assim que a bruxa adentrou o hall – enfeitado com azevinhos e flores vermelhas - e se sentiu acolhida pelo calor aconchegante, a pequena criatura fez questão de recolher o seu casaco, logo conduzindo-a para o cômodo lateral, onde uma boa parte dos convidados já se encontrava presente.

A sala era grande – sem dúvida expandida magicamente para acolher confortavelmente todos os visitantes – e trazia uma decoração natalina de muito bom gosto. Vasos se espalhavam com arranjos vermelhos e verdes, e o pinheiro, ao fundo do cômodo, enfeitado para as festividades, era grande o suficiente para encostar no teto. Os móveis eram clássicos e mantinham sua aparência de nobres, e a luz suave das velas espalhadas pelas superfícies e pelo lustre conferiam ao lugar a atmosfera perfeita para uma recepção naquela época do ano. Ninguém ali jamais se lembraria das baixas temperaturas do lado de fora, ou dos vários centímetros de neve cobrindo as ruas de Londres.

Logo após cumprimentar o anfitrião, entregando-lhe a garrafa de vinho que trouxera e retribuindo seu abraço ao mesmo tempo carinhoso e desnecessariamente apertado, além de manter uma rápida conversa sobre os encaminhamentos da carreira de Rebecca – “Dumbledore parece imensamente satisfeito com o seu trabalho, srta. Montgomery! Mas eu sempre lhe disse que a senhorita daria uma ótima professora!” -, a morena finalmente ficou livre para se servir de uma taça de champanhe.

A bebida funcionou como um calmante natural. Antes mesmo de chegar à metade de sua flute, a bruxa já se sentia confortável o suficiente para circular entre os convidados, acenando e sorrindo para os rostos mais comuns entre aqueles encontros. Não foi surpresa alguma quando, em determinado ponto da sala, seus olhos reconheceram os cabelos castanhos de Remus Lupin. O professor de DCAT era presença constante nas festas do “Clube do Slug”, embora não tivesse exatamente comparecido aos encontros dos últimos anos. Um sorriso aliviado passou pelo rosto de Rebecca, genuinamente feliz por encontrar um rosto amigo.

- Remus! – Ela trocou um rápido abraço com o amigo – Que bom te ver aqui! Achei que eu ia ficar sozinha a noite inteira – ela soltou um risinho auto condescendente, e tomou um gole de sua taça. Só então os olhos registraram as vestes novas que ele portava -  Gostei do terno – O elogio era honesto, uma vez que ela nunca o vira tão bem vestido.

Montgomery sentiu alguém se aproximando deles e se virou para ver quem era. O movimento rápido teria causado um desastre, ela não tivesse sido ágil o suficiente para evitar um encontrão com Sirius Black.

- Black! – a visão do auror fez com que ela automaticamente consertasse a postura, somando alguns poucos centímetros à sua altura, já aumentada pelos saltos.

Sirius trazia dois copos de bebida, e entregou um a Lupin, logo parando ao lado do amigo. Por sobre a sua taça de champanhe, enquanto tomava um golinho mais demorado que o habitual, ela não pôde evitar de reparar como ele ficava diferente vestindo um terno. Pela primeira vez desde que retornaram ao castelo, a aparência de Black condizia com a de um homem, e não com a de um garoto rebelde - mesmo os longos cabelos pareciam alinhar-se de forma natural. A origem aristocrática dele ficava aparente nos gestos, muito mais polidos que em qualquer situação em que Rebecca já o vira. Seria uma mentira negar, mesmo que para si mesma, que o bruxo estava extremamente bonito naquela noite.

Assim que desceu sua flute, ela usou a mão livre para colocar uma mecha dos cabelos, que trazia soltos, atrás da orelha, deixando o discreto brinco à mostra.

- É uma surpresa te ver aqui, sabe... Achei que você tivesse jurado nunca participar dessas... Como era mesmo? – ela franziu as sobrancelhas, buscando a expressão – “festas de puxa-saco”.

Ela riu, apertando os lábios, pintados de vermelho, enquanto esperava a sua provocação surtir efeito.

- É bom ver que o mundo dá voltas...

Ela sorriu mais um pouco, dando um pequeno gole de sua taça.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Rebecca Montgomery em Qui Dez 24, 2015 9:02 pm

[1973]



No auge de seus treze anos, Rebecca tinha como convicção pessoal a ideia de que era impossível ter um mau dia na época do Natal. Fã incondicional das festividades de fim de ano, ela costumeiramente era a primeira em seu ano acordar no dia em que a maior parte dos alunos pegaria o expresso de Hogwarts a caminho de casa. Aquele ano, no entanto, ela estava prestes a descobrir que maus dias podiam acontecer em qualquer época.

Ao contrário dos anos anteriores, Becca foi a última a se levantar, apenas quarente minutos antes das carruagens começarem a deixar o terreno da escola. O café da manhã já tinha sido perdido, bem como o ritual de admirar a espessa camada de neve cobrindo as dependências do castelo, mas aquilo era apenas uma chateação pequena. A garota começou a se sentir impaciente quando percebeu que todas as colegas de quarto tinham acordado mais ou menos na mesma hora me que ela, e que três delas ainda estavam na sua frente na fila para o banho. Ela jamais teria tempo para lavar o cabelo volumoso, herança da família materna, e tentou adiantar o que pôde com ele seco.

Não importava quanta força ela imprimisse na escova, os nós em seu cabelo pareciam se multiplicar; e quando ela finalmente conseguia desembaraçar uma mecha, ela estava com o triplo do volume anterior. Aquele era o tipo de embate para o qual Rebecca não tinha a menor habilidade, e a impaciência crescia cada vez mais. Quando finalmente conseguiu se livrar dos nós, ela apenas invejava os fios macios e sedosos das irmãs mais velhas. Com a destreza de quem repete o mesmo ato todos os dias, a bruxinha trançou os fios longos do melhor jeito que conseguiu, apesar da pressa. Ela detestava tranças, mas era a única forma que sabia usar para deixar os cabelos comportados.

A cereja do bolo viria vinte minutos depois de Rebecca acordar: esquecidos em um canto ao lado do seu criado mudo estava uma pilha excessivamente grande de livros da biblioteca, cujo prazo de empréstimo se encerrava naquele dia. Não os devolver durante aquelas férias significaria não ter acesso ao acervo por pelo menos dois meses, como punição pelo atraso – e Becca não podia correr aquele risco.

Sem perceber que vestira sua blusa ao contrário, ela saiu do quarto abraçada aos livros, quase sem enxergar o caminho à sua frente, tal a altura da pilha que carregava. Embora sem mencionar uma única palavra, ela rezava para conseguir devolver os livros e chegar ao Hall de Entrada a tempo, sem, no entanto, acreditar que aquilo seria possível.

A maior parte dos corredores estava vazia – os alunos de todas as casas já deveriam estar pelo Salão Principal àquela hora – e demorou muito pouco tempo para que ela se distraísse com os próprios pensamentos.

Sua mente estava em algum ponto entre rabanadas e chocolate quente quando James Potter e Remus Lupin viraram uma esquina correndo, rindo e olhando para trás. Os dois meninos não chegaram a esbarrar em Rebecca, mas passaram tão perto que foi impossível não se assustar. Enquanto os livros que ela carregava se espalhavam pelo chão, o som dos passos e risadas de James e Lupin morriam à distância que eles ganhavam.

- Droga! – Não bastava estar com pressa, ela ainda precisava que os Marotos cruzassem seu caminho. Com um suspiro, ela se abaixou para juntar os livros novamente, só levantando o olhar do chão quando um vulto atravessando a mesma esquina por onde os meninos vieram chamou sua atenção.

- Monty! – Sirius Black, um pouco mais alto que os demais meninos de treze de anos e ofegante, parou de breque ao ver a menina, os olhos arregalados em uma expressão de susto. Becca desviou o olhar de forma desinteressada, e voltou a juntar os seus livros, espalhados no chão.

- Potter e o Lupin passaram naquela direção – ela usou o dedo para apontar o caminho por que os colegas seguiram, certa de que Black estava correndo atrás deles, e pouco disposta a render a conversa com o garoto. Sabia que eles acabariam discutindo, e ela definitivamente não tinha tempo para aquilo.

- Ahn... Ok. – ela sentiu o olhar de Sirius fixo nela enquanto ele a rodeava, para seguir o corredor, e foi capaz de contar dois passos dele antes que ele girasse nos próprios calcanhares e se agachasse perto dela, começando a recolher parte dos livros.

Rebecca arregalou os olhos na direção do menino de cabelos negros, que apenas deu de ombros, sem interromper o trabalho.

- Achei que você precisasse de ajuda.

- Obrigada – Ela colocou o último livro em sua pilha, e se levantou abraçada a ela. Sirius fez o mesmo, mas, em vez de colocar os livros sobre os dela, como ela esperava, ele se manteve abraçado aos seus.

- Biblioteca?

Becca franziu as sobrancelhas, desconfiada. Receber gentilezas de Sirius Black era algo completamente inesperado. Algumas ofensas, um pouco de competitividade e pirraça eram termos comuns na relação dos dois colegas, mas, nunca, gentilezas.

- Você vai chegar mais rápido lá se estiver carregando menos peso – a lógica dele era irrefutável, e ela apenas concordou com um movimento de cabeça. A pouca distância entre eles e a biblioteca foi logo vencida e, embora não precisasse, Sirius ficou ao lado de Rebecca enquanto a bibliotecária conferia os volumes.

Depois de cumprida a obrigação, Rebecca se sentia mais leve. Estava finalmente livre para curtir o feriado sem culpa alguma. Só então, invadida pela alegria, ela percebeu que ainda não tinha agradecido pela ajuda do menino que caminhava ao seu lado, com as mãos nos bolsos.

- Obrigada, Sirius! – Becca se aproximou rapidamente, inclinando a cabeça para dar um beijo na bochecha dele.

- Hãn? – Sirius virou o rosto no mesmo minuto em que Becca se aproximou, e, em vez da bochecha, os lábios da menina encontraram os lábios dele.

Os dois se afastaram como se tivessem levado um choque. Rebecca arregalou os olhos, e tentou balbuciar alguma coisa entre um pedido de desculpas e uma exclamação de surpresa. Ela tinha beijado Sirius Black. Na boca.

Ela sentiu as mãos começarem a suar e o coração começar a bater mais rápido. Ao mesmo tempo em que queria sair correndo, ela não conseguia desviar o olhar dele.

Sirius deu um passo à frente, beijando-a novamente. Nenhum dos dois sabia exatamente o que fazer, então eles apenas ficaram ali por meio minuto, as mãos dele segurando-a pelos ombros, e as dela apoiadas sobre o peito dele.

Quando eles se afastaram, diferente da primeira vez, foi devagar e de forma envergonhada. Becca sentia as bochechas arderem, certa de que estava corada, e levantou os olhos, em uma tentativa de não o encarar. Um meio sorriso apareceu em seu rosto no momento em que suas íris castanhas pousaram sobre um ramo de azevinho, que flutuava alguns centímetros acima da cabeça deles.

- Azevinho... – os dois murmuraram ao mesmo tempo, e riram, ainda envergonhados.

- REBECCA! - provavelmente ambos ficariam mais alguns minutos por ali, sem saber o que fazer, mas a voz que chamava a menina fez com que os dois se assustassem – Por Merlin, Morgana e Helga, eu te procurei em todos os lugares!

Ayala, uma das irmãs de Rebecca, andava em direção a eles.

- As carruagens já vão sair, vocês vão se atrasar! – Ayala abraçou a irmã caçula e começou a puxá-la para o caminho correto.

Becca e Sirius trocaram um rápido olhar culpado.

- É melhor eu... James... tchau! – E como se essas palavras fizessem algum sentindo, ele começou a correr pelo corredor, no sentido o posto ao que eles deveriam seguir para chegar ao Hall de Entrada.

- Sirius! – Rebecca queria dizer algo. Eles tinham acabado de se beijar, parecia certo que eles dissessem algo... ela só não sabia o quê. Abriu a boca algumas vezes, incapaz de conseguir formular uma palavra, até que falou a primeira coisa que lhe ocorreu – Feliz Natal! - com um meio sorriso, Becca abaixou o olhar e se virou para acompanhar a irmã.

- Sirius não é o menino que vive te tirando do sério? – Ayala perguntou, quando as irmãs já estavam entrando na carruagem.

- É sim, Ay.

- Até que ele está ficando bonitinho. Vocês estão namorando?

- CLARO QUE NÃO!! - A simples ideia de namorar Sirius Black era algo estranho. Ela ainda estava tentando se acostumar com o fato de que eles tinham se beijado! (Não que a irmã soubesse daquele detalhe. Ou que tinha sido bom. Por que ela sentia um calorzinho só de pensar naquilo?).

No fim daquele dia, Rebecca continuava acreditando que era impossível ter um mau dia na época do Natal.

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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Sophie Bennett em Sab Dez 26, 2015 1:34 am

A simples menção da palavra “casa” fez com que os olhos castanhos arregalassem. Sophie recuou um passo e cobriu a própria boca com as mãos, lembrando do pai a esperando voltar, horrorizado ao encontrar a filha sempre tão certinha, embriagada.

- Não posso ir para casa! Meu pai vai me matar!

As palavras saíram abafadas enquanto os dedos ainda estavam pressionados contra seus lábios. O Sr. Bennett era sempre compreensível e carinhoso, mas a última coisa que Sophie queria era mostrar um ato irresponsável seu, logo no último ano em Hogwarts.

Momentaneamente desnorteada, Sophie deu um generoso gole no copo de hidromel, e apenas quando sentiu o rosto esquentar mais uma vez, ela percebeu que aquele gesto apenas iria piorar sua situação. Como se pudesse aliviar os sintomas da bebedeira, ela empurrou o copinho contra a mesa e fez uma careta de rejeição.

Mesmo que parasse de beber, a Corvinal duvidava seriamente que fosse estar bem o suficiente para chegar em casa. Mesmo que conseguisse andar em linha reta e fixar o olhar, o que duvidava ser capaz naquele momento, o pai conseguiria sentir o cheiro do álcool do outro lado da sala.

Para piorar o cenário, ela não queria parar de beber. A sensação de liberdade e felicidade que o álcool lhe proporcionava era boa demais, relaxante demais, deixando de lado a Sophie tensa e preocupada de sempre. E completando sua resistência de deixar a festa, Frank estava ali.

Cada toque dele, o sorriso ou a preocupação fazia o coração de Bennett saltar. Estar com Longbottom em um lugar fora de Hogwarts, onde os dois podiam lidar como iguais, era uma oportunidade rara demais para desperdiçar.

Recuperando a distância de antes, a menina voltou a dar um passo na direção de Frank, o encarando com os grandes olhos castanhos brilhando e levemente fora de foco.

- E eu também não quero ir embora...

Ela precisou respirar fundo quando sentiu o cômodo girar novamente, de uma forma menos intensa.

- Quero continuar aqui, com você.

Sem conseguir medir as palavras ou diferenciar o certo do errado, movida apenas pela vontade de estar ao lado de Frank e com a bebida a impedindo de pensar em qualquer outra coisa, Sophie esticou a mão, deslizando pelo ombro dele até alcançar os fios castanhos que cobriam sua nuca.

Com uma carícia, ela deixou que seu corpo se encostasse ao dele, o sorriso se alargando nos lábios.

- E você nem dançou comigo. – Um biquinho se formou em seu rosto, sem deixar a expressão divertida tão diferente da séria Bennett de sempre. – Vamos dançar, Frankie!

Antes que ela tivesse a oportunidade de qualquer movimento de dança, ela sentiu uma nova onda de tontura. Foi preciso se agarrar nos ombros dele para não se desequilibrar.

- Mas talvez seja uma boa ideia tomar a poção antienjôo primeiro.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Remus Lupin em Sab Dez 26, 2015 5:27 pm

A luz fraca do sol entrava pela janela do quarto de Mackenzie, e apesar da neve que se acumulava no parapeito, era forte o bastante para despertar Remus Lupin de seu sono pesado.

As pálpebras se ergueram preguiçosas, mas as íris azuis logo se tornaram confusas ao encarar o lugar ao redor, sem entender onde estava. Foi preciso longos segundos para que o professor se recordasse dos acontecimentos da noite anterior, girando o pescoço para o restante da cama a procura de Maeve.

A cama estava vazia e os lençóis revirados. Quando ele esticou a mão sobre o travesseiro amassado, pode sentir a temperatura ainda morna, indicando que a professora havia levantado há pouco tempo.

Apesar das várias doses de hidromel na noite anterior, Remus sentia todo o corpo descansado, a energia completamente recuperada. Ele não conseguia se lembrar quando havia sido a última noite que dormira tão bem, sem sonhos ou interrupções.

Não havia qualquer sinal de ruído indicando que Mackenzie estivesse por perto, então Lupin levantou da cama, encarando o próprio reflexo em um espelho próximo a porta do banheiro. Ainda vestia a calça amarrotada na noite anterior, os pés descalços, mas o peito estava nu, expondo algumas cicatrizes sobre a pele clara.

Inconscientemente, suas bochechas ficaram mais coradas quando se lembrou dos dedos de Maeve deslizando por ali na noite anterior. Nada mais comprometedor havia acontecido, mas era inquestionável que os momentos haviam sido bastante íntimos, como ele jamais tivera com alguém.

O perfume dos cabelos loiros ainda estava no ar, tornando ainda mais vívida a lembrança da noite ao lado de Mackenzie. Um sorriso surgiu em seus lábios quando ele se lembrou do primeiro beijo. A empolgação de saber que Maeve também queria aquele contato, tanto quanto ele, fez o estômago dar uma gostosa cambalhota.

Quando seu olhar flagrou o próprio sorriso de felicidade, um choque de realidade invadiu o professor. Ele encarou o rosto tão conhecido e as marcas que se espalhavam pelo seu peito e ombros, consequentes das diversas luas cheias vividas. Era errado estar tão feliz. Um lobisomem não era digno daquele tipo de felicidade.

Maeve sabia de sua maldição, mas somente ele tinha perfeita noção do que isto significava na vida de alguém. Era errado demais arrastar alguém para aquela vida miserável.

Com um suspiro pesado, Lupin caminhou até a camisa largada aos pés da cama e a vestiu, encarando as cicatrizes enquanto fechava os botões que as ocultavam.

Havia ido mais longe do que deveria, mas ainda não era impossível dar a meia volta. Quanto mais se deixasse envolver, pior seria para os dois. Sentindo-se arrasado, Remus deixou o quarto da professora de poções convicto de que não poderia mais ir atrás dela. Aquela noite nunca deveria ter acontecido e seria desta forma que ele iria encarar.

***

O calor do interior da casa de Horace Slughorn era agradável. Uma música natalina tocava ao fundo, sem que Remus fosse capaz de distinguir sua origem. A decoração era exagerada, mas de bom gosto, aumentando ainda mais aquele clima festivo.

A distância da lua cheia fazia com que a aparência de Remus ficasse a mais natural possível. Suas bochechas estavam coradas e saudáveis, o corpo não estava dolorido e não havia cansaço em seus olhos.

A roupa nova também ajudava na aparência jovial do professor. Era evidente que seu terno não era o mais caro da festa, mas era novo e bonito, completamente preto. A gravata azul realçava a cor dos seus olhos e o único detalhe desleixado era a barba por fazer, mas que apenas contribuía na imagem do belo homem.

Não havia passado um único dia sem que Lupin lembrasse dos momentos ao lado de Mackenzie, mas exatamente como havia prometido a si mesmo, ele deixou para trás, como se aquela noite jamais tivesse acontecido.

O fato de estar fora de Hogwarts havia facilitado imensamente sua tarefa, pois Remus não sabia o que faria no momento em que finalmente precisasse encarar a professora de Poções. Ele travava uma luta interna sobre a dúvida de contar ou não o ocorrido ao melhor amigo, quando Rebecca surgiu ao seu lado.

Era um imenso alívio que tivesse a amiga para distraí-lo daqueles pensamentos sobre uma certa loira e Lupin logo a recebeu com um enorme sorriso nos lábios. Sua expressão ficou ainda mais divertida quando Sirius Black se aproximou, lhe entregando sua bebida.

Remus não sabia definir o relacionamento entre Sirius e Rebecca, mas por mais que o melhor amigo tentasse esconder, ele sabia que Montgomerry havia sido a única menina capaz de despertar o verdadeiro interesse do adolescente Sirius Black.

Ver os dois convivendo novamente, após tantos anos, era no mínimo engraçado. A tensão e as brigas de adolescentes camufladas na tentativa de manter o comportamento adulto.

- Ela está certa, Padfoot. – Lupin deu um generoso gole em sua bebida e encarou o amigo, divertido.

Ao sentir o olhar do melhor amigo, Remus encolheu os ombros, alargando o sorriso. Antes que Sirius tivesse a chance de sacar a varinha e mostrar suas habilidades como auror lhe azarando, o professor tocou o ombro de Rebecca.

- Não se surpreenda tanto, Becca. Sirius só está aqui para comer de graça. E beber.

Quando os olhos cinzentos se estreitaram, Lupin teve a certeza que estava indo longe demais e ficou mais sério ao encarar a morena ao seu lado.

- E é claro, para me fazer companhia, porque o Padfoot é um graaaande amigo. Desses que enfrenta até mesmo “festa de puxa-saco”. Não é, Paddy?
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por S. Orion Black em Dom Dez 27, 2015 12:27 pm

[1973]
O professor Binns flutuava na frente da sala enquanto lia num tom monótono sobre a Revolta dos Duendes e os alunos do terceiro ano lutavam para ficarem acordados naquela aula que tinha tudo para ser a mais legal – a voz maçante do professor, porém, não ajudava, mesmo o conteúdo sendo interessante e o fato de ser a última aula da semana antes do feriado do Natal também não os ajudava em nada.

Sirius Black havia criado uma tática para sobrevivar às tais aulas de História da Magia: ou ele dormia ou levava uma revista para ler, aproveitando que o professor mal erguia os olhos de suas anotações para ralhar com os alunos distraídos (ou seja, a maioria deles). Naquela tarde, no entanto, o adolescente resolvera ficar observando os colegas – ou melhor, a colega sentada mais na frente da sala e na diagonal de seu campo de visão e uma das poucas que ainda ouvia o que o professor dizia atentamente: Rebecca Montgomery.

“Estranho” – ele pensou, franzindo a testa. Desde o começo daquela semana Sirius vinha se sentindo estranho: passara a observar mais os gestos de Rebecca e tentava chamar a atenção dela a qualquer custo – só naquela semana eles tinham feito umas duas apostas seguidas. Não havia nada de diferente na garota – ela continuava a mesma com suas trancinhas e o ar de estudiosa de sempre.  Mas por que aquele súbito interesse?  Estranho, definitivamente.

Só quando a garota virou a cabeça para trás e o pegou encarando-a é que Sirius percebeu que o problema não era ela e sim ele.

“Oh não!” – ele pensou.

***

Sirius andava pra lá e pra cá no dormitório masculino enquanto James e Remus esperavam ele se pronunciar sobre o tal assunto "urgente e extremamente secreto" que ele mencionara aos sussurros mais cedo no jantar. O semblante preocupado de Black dizia que o assunto era, de fato, sério e  tudo o que os dois podiam fazer era esperar que ele se manifestasse.

- E então, Almofadinhas...? - James já estava ficando meio tonto de ver o amigo andar pelo dormitório (também estava curioso)

Sirius parou no meio do dormitório e encarou os dois amigos sentados na beira de sua cama:

- Prometam que não vão rir. – o terceiranista praticamente suplicou, erguendo o braço direito. (quando um dos Marotos queria falar algo embaraçoso eles faziam aquele juramento e quem quebrasse a promessa deveria ir até a cozinha pegar lanche para os demais).

- Se é sobre você molhar a cama nós entendemos... acontece nas melhores famílias – James encolheu os ombros, mas diante do olhar carrancudo do melhor amigo, ergueu o braço. Remus, ao seu lado, repetiu o gesto:

- Prometemos – Aluado disse, solene.

Sirius suspirou dramaticamente:

- Eu...eu...acho que estou gostando da Montgomery. Descobri isso hoje – ele disse e esperou pela reação dos amigos. Para sua total surpresa, quem caiu na gargalhada primeiro foi Remus.

Sirius ergueu uma sobrancelha diante da reação do mais quietinho deles:

- Você finalmente percebeu, Almofadinhas! - Remus falou, depois de recuperar o fôlego e diante do olhar confuso de Black, prosseguiu sua explicação - Bom...isso explica porque você sempre faz questão de chamar a atenção dela.

James adicionou à lista, com aquele sorrisinho de sabe tudo:

- E explica também o porquê que você passa as aulas encarando ela.

Sirius sentiu as orelhas esquentarem e passando a mão pelos cabelos, murmurou:

- Tão óbvio assim?

- Só porque somos seus amigos, cara. - James levantou da cama e deu um tapinha no ombro do amigo.

- E o que você vai fazer? - Remus perguntou.

- Bom, não há nada que eu possa fazer. - antes que Sirius pudesse elaborar mais - Rebecca não era sua fã número 1 - os outros integrantes do dormitório masculino apareceram e eles deixaram o assunto morrer (para o total alívio dele).

***

Na manhã seguinte, os Marotos deixaram suas malas perto da porta de entrada e depois do café da manhã, retornaram para o Salão Comunal da Grifinória para uma última partida de xadrez bruxo.

- Olha só quem temos aqui... – James murmurou, entretido pelo último projeto dos Marotos (um mapa que mostrava todo o castelo de Hogwarts e seus residentes, ainda em andamento) – Rebecca Montgomery indo em direção da biblioteca.

Sirius ergueu os olhos de seu peão e para seu horror, o amigo sorria de um jeito travesso.

- Que tal se a gente der tchau pra ela, Sr. Aluado?

Remus entendeu o que o amigo queria dizer e já se levantou da cadeira, sorrindo:

- Uma ótima ideia, Sr. Pontas!

Os dois sairam andando na direção do retrato da Mulher Gorda e Sirius levou alguns segundos para raciocinar sobre o que eles iriam fazer. Levantando num pulo e derrubando algumas peças do jogo no chão, o rapazinho saiu atrás dos amigos, que já estavam alguns passos a sua frente:

- Hey, voltem aqui seus traíras! – e antes que ele percebesse, os três estavam correndo (e novamente, para o total horror de Sirius, James cantarolava algo que soava como “Sirius e Rebecca, em cima  de uma árvore, se B E I J A N D O”).

James e Remus gargalhavam e assim que dobraram em um corredor, Sirius quase esbarrou em Rebecca Montgomery. Quando ele deu por si, estava ajudando-a a levar os pesados livros que ela havia derrubado no susto em direção à biblioteca.  

Quando deixaram o local, Sirius sentia-se feliz e aliviado: aliviado por seus amigos pentelhos não estarem por perto para constrange-lo e feliz porque ele e Rebecca não estavam discutindo.

- Obrigada, Sirius! – a voz dela o tirou de seus devaneios e ele virou a cabeça para o lado no minuto em que ela se aproximou para depositar um beijo em seu rosto, porém, antes que um dos dois pudesse evitar, seus lábios se encontraram.

Os dois se afastaram rapidamente, de olhos arregalados e ao encarar o semblante envergonhado da garota, Sirius foi subitamente tomado por um impulso de beijá-la novamente – e de verdade. Dando um passo a frente, ele a segurou pelos ombros e a beijou do melhor jeito que podia – ele não era muito experiente naquilo e apenas seguiu o que a sua intuição lhe dizia para fazer. Os dois se afastaram e Sirius, sem saber o que dizer, se limitou a erguer os olhos para o teto – e só então ele notou o pequeno objeto flutuando acima deles:

- Azevinho... – eles murmuraram juntos e riram quando notaram a coincidência.

Quando a irmã mais velha de Rebecca se aproximou deles, Sirius decidiu sair correndo dali – a ficha sobre o que havia acontecido entre os dois finalmente caindo. Oh, Merlin! O que ele havia feito?

Black desceu as escadas pulando de dois em dois degraus e entrou na carruagem em que os amigos se encontravam sem dizer nada, ainda embasbacado. James, notando o silêncio dele, o cutucou:

- Encontrou a Monty?

Sirius apenas concordou com a cabeça.

- E aí?

- Nós...nós...  – Sirius pigarreou.

- Não me diga que vocês se beijaram. – Remus arriscou dizer, rindo da reação bizarra do amigo: Sirius, sempre tão pomposo estava todo envergonhado.

Sirius sentiu o rosto esquentar e James arregalou os olhos:

- Vocês se beijaram! – ele exclamou, os óculos escorregando pra ponta do nariz – E aí, como foi? Não acredito que você beijou uma garota primeiro do que eu!

- Foi...foi bom. – Sirius encolheu os ombros.

- Ainda bem que eu insisti pra que você escovasse os dentes hoje, hein? – Remus sorriu.

Sirius sorriu e passou a viagem até a estação contando aos amigos como a cena tinha transcorrido.


___________________________________________________________

O Sirius Black de 23 anos foi subitamente tomado por uma sensação de deja vu quando quase esbarrou em Rebecca Montgomery no meio da sala ampliada de Horace Slughorn.  Entregando o copo de bebida a Remus, o Auror se limitou a dar de ombros frente o tom zombeteiro de Remus e Montgomery:

-  É como o velho ditado diz: – ele disse, por fim – “Onde tiver bebida de graça lá eu estarei”.

E piscando para os dois ele sorriu:

- A comida e a companhia são um bônus, Aluado! – e enquanto dava um gole demorado em sua bebida ele tomou para si a aparência da bruxa ao seu lado: era a primeira vez que ele a via usando aquele tipo de traje (ela sempre andava por Hogwarts como se fosse uma cópia da McGonnagal, afinal) e ele não estava nem um pouco decepcionado com aquela escolha.

Sirius nunca admitiria aquilo em voz alta – se o fizesse, Rebecca com certeza o azararia até o fim de seus dias. Mas é claro que ele não podia deixar de elogiá-la – era Natal e ela estava, de fato, muito bonita:

- Você devia deixar o cabelo solto mais vezes, Monty. – ele disse, por fim e antes que pudesse elaborar mais a chegada de dois novos convidados o distraiu: Mackenzie, de braço dado com um rapaz alto e moreno.

Os olhos cinzentos de Sirius pousaram em Remus, cheios de preocupação.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Frank Longbottom em Seg Dez 28, 2015 2:20 am

- Eu aposto que você arrasaria na pista de dança – um breve sorriso brincou no rosto de Frank e ele falava com os olhos fechados, tentando ignorar os arrepios que percorriam seu corpo com as carícias dela. Uma coisa que aprendera nos poucos contatos que tivera com Sophie é que o menor dos toques dela era capaz de desafiar o seu autocontrole. Em vez de ceder à provocação que aqueles carinhos evocavam, ele pousou as duas mãos nos quadris dela, apertado o local de leve.

- Mas se eu te der a poção anti-enjoo, você vai precisar descansar – ele suspirou, abrindo seus olhos para encarar as íris castanhas da menina.

Um antigo ditado dizia que “Toda magia tem seu custo”. Quando se tratava do líquido arroxeado capaz de curar uma vasta gama de enjoos e males estomacais, aquele provérbio se mostrava verdadeiro na forma de um cansaço prolongado, iniciando exatamente uma hora depois da ingestão. Se Sophie tomasse uma dose da poção, precisaria de algumas horas de sono restaurador antes de poder ir para casa.

Enquanto tentava resolver aquela equação, Frank distraidamente levou uma mão às costas da menina, e fazia carinho e seu rosto. Com certeza haveria um quarto vazio na casa dos Hoffman, mas a ideia de algum casal bêbado interrompendo o sono de Sophie não lhe agradava (sem contar nas outras possibilidades que esse cenário poderia gerar, nas quais ele não gostaria de pensar). Velar o sono dela também não era uma hipótese válida – as chances de alguém vê-los entrando ou saindo juntos de um quarto eram enormes, e o rumor com certeza se alastraria mais rápido que uma praga de diabretes da Cornualha.

Uma ideia tomou forma e começou a se sobrepor às demais, por mais receoso que o rapaz estivesse em sugerir aquilo. Por fim, ele cedeu à ideia, certo de que aquela era a melhor opção.

- Eu posso te levar para o meu apartamento, se você quiser. Nós podemos esperar juntos pelo efeito da poção, você pode descansar e aparatar para casa quando se sentir melhor.

O sorriso divertido começou a brotar novamente em seu rosto:

- Prometo até que dançaremos juntos quando você acordar.

Frank a observou com cuidado, tentando absorver o menor sinal que indicasse como a garota receberia aquela proposta. Ele sabia bem que aquilo podia soar errado, mas suas intenções eram apenas cuidar dela e garantir um mínimo de conforto. Ele gostava de Sophie e, apenas com a garantia de que ela estaria por perto, ele poderia dedicar todo o tempo do mundo a cuidar de sua bebedeira.

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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Maeve Mackenzie em Seg Dez 28, 2015 11:56 am

Maeve aparatou nos jardins da casa de Slughorn e depois de se recuperar da vertigem que o ato sempre lhe provocava, ela caminhou até a porta onde foi logo recebida por um elfo doméstico e depois de recolher os casacos dos convidados (Stephen, é claro, era sua companhia) a pequena criatura a guiou até o local onde a festa transcorria.

Maeve localizou o anfitrião da festa sem muita dificuldade e depois de agradecer novamente pela indicação ao cargo de professora (ela realmente gostava de lecionar) ela o apresentou a Stephen e Horace tratou logo de apertar a mão do americano, enchendo sua sucessora de elogios.

Mackenzie apenas sorria de forma automática diante dos elogios do ex-professor e das respostas de Stephen. Não é que ela estivesse decepcionada por ele estar ali - ele era um bom rapaz e ela gostava de sua companhia, mas todo aquele tempo longe dele e sua súbita atração por Remus Lupin fizeram com que ela percebesse que o que sentia pelo noivo era apenas amizade - desde que ele a surpreendera, em Hogwarts, ela não sentira a mínima vontade de beijá-lo (e Stephen não fizera menção de fazê-lo, para seu total alivio).

Estar novamente na presença dele também fez com que ela percebesse que esse tipo de gesto sempre fora muito raro entre os dois, principalmente nos últimos meses. Os dois pareciam mais amigos do que namorados e na cabeça dela aquilo sempre fora normal e só ao reencontrar Remus é que ela caiu na real sobre o que realmente queria.

Ela era a pior noiva do mundo, ela concluiu enquanto pegava as bebidas - suco pra ela e champanhe, pra ele. Stephen já estava engajado numa conversa com outro convidado de Slughorn e ela se aproximou dos dois, entregando-o a taça de champanhe:

- Nós fazemos as mais diversas pesquisas na área de Poções.. - Stephen explicava - Nosso próximo foco são os lobisomens.

Um arrepio percorreu o corpo de Maeve ao escutar aquilo e quando ela ergueu os olhos viu Remus Lupin parado no outro lado da sala e seu coração palpitou. Era a primeira vez, em dias, que ela o via e tudo o que ela queria era correr até ele para se explicar.

- Tudo bem aí, Mav? - Stephen perguntou ao ver o rosto da noiva ficar vermelho.

- T-tudo...eu só... - ela respirou fundo e desviou o olhar do professor Lupin - Eu não sabia sobre essa nova pesquisa de vocês...

- Ah, bem, você veio embora antes de pensarmos nesse projeto. Um conhecido do professor Dickens sobre com a licantropia e se ofereceu como cobaia - Stephen deu um gole em seu champanhe e antes que pudesse explanar mais, seus olhos castanhos pousaram em Sirius Black - Quem é aquele?

Maeve seguiu o olhar do noivo:

- Qual deles? - "por favor, não seja o Remus" ela torceu.

- O mais alto.

- Ah, é o Sirius Black. - ela suspirou aliviada - Ele é auror. A moça ao lado dele também ensina em Hogwarts e se chama Rebecca Montgomery. Estudei com os dois na época da escola.

Ela deixou Remus de lado de propósito. Tinha medo de se entregar caso falasse sobre ele.

- E o outro? O com cara de certinho.

"Ele não foi tão certinho assim da última vez que nos falamos" - ela pensou subitamente e logo sentiu as bochechas ficando quentes.

- Remus Lupin - ela disse e dando um último gole em sua bebida, completou - Ele ensina DCAT.

- Eles são seus colegas, então? Que tal irmos lá dar oi? - e antes que ela pudesse impedi-lo, Stephen entrelaçou o braço no dela e cruzou a sala em direção ao trio.

- Boa noite! - ele disse, animado. - Então é aqui que os mais jovens da festa se reunem?

Maeve sorriu, um pouco constrangida e evitando olhar na direção de um certo professor de DCAT ela iniciou as apresentações:

- Boa noite Black, Montgomery, Lupin...conheçam meu noivo, Stephen Jones.

E mordendo os lábios ela encarou Remus, como se pedisse desculpa.


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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Rebecca Montgomery em Ter Dez 29, 2015 1:59 pm

Rebecca riu abertamente com as provocações de Remus. Ela conhecia o senso de humor afiado dele desde a época da escola, mas era a primeira vez que ele se juntava a ela na missão de tentar incomodar Sirius. De uma forma geral, o mais certinho dos marotos evitava tomar partido quando Black e ela começavam a se provocar – era apenas mais seguro evitar estar no caminho das explosões que se seguiam mesmo com a menor fagulha de interação entre eles.

O elogio do auror levou suas íris castanhas a encará-lo, desconfiadas. Ela podia começar a se acostumar com uma gentileza eventual – como o casaco no outro dia, ou a poção anti-ressaca após a bebedeira -, mas, na cabeça dela, elogios estavam muito além das habilidades de Sirius Black.

Por sorte, antes que ela pudesse questionar algo – o que invariavelmente levaria a alguma sorte de discussão – o olhar dos sois bruxos ao seu lado se fixou em um ponto atrás dela. Enquanto Maeve e o rapaz que ela logo descobriria ser seu noivo se aproximavam, as expressões de Sirius e Remus se alteraram.

- O que... --- Mav! Olá! – Por alguma razão que Rebecca desconhecia, o clima parecia estranho, então ela puxou para si a responsabilidade de ser simpática com o americano – É um prazer!

Terminadas as apresentações, demorou muito pouco tempo para que os copos ficassem vazios. Sirius foi o primeiro a notar aquilo, e se ofereceu para buscar bebidas.

- Ótimo, eu vou com você! – Stephen se ofereceu para fazer companhia a ele. Se inclinando levemente na direção de Maeve, ele perguntou, carinhosamente, se ele queria um refil.

Assim que os dois se afastaram, Rebecca avistou um conhecido. Com um educado pedido de desculpas ela se afastou para cumprimenta-lo, inconsciente de que deixava Remus sozinho com a mulher de quem ele estava determinado a manter distância.

Becca passou algum tempo conversando com o novo grupo de conhecidos – um casal amigo de sua irmã do meio -, mas logo se despediu deles e caminhou na direção de Sirius e Stephen, ainda próximos ao bar.

- Achei que talvez vocês precisassem de uma mão extra para levar as bebidas – ela sorriu, parando ao lado do auror.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Sophie Bennett em Sab Jan 02, 2016 5:33 pm

Se Sophie estivesse sóbria, ela provavelmente ergueria as sobrancelhas e analisaria cada traço do rosto de Frank para interpretar a oferta dele. Sob o efeito do firewhisky e do hidromel, entretanto, ela sequer cogitou que pudesse ter alguma segunda intenção nas palavras do professor.

A vontade de continuar ao lado de Longbottom e a certeza de que não poderia voltar para casa naquelas condições foram motivos suficientes para que Bennett aceitasse a proposta. Ela nem mesmo tentou se despedir de Benji, que provavelmente já estaria perdido na multidão da festa, e precisou da ajuda de Frank para aparatar, já que não sabia exatamente onde deveriam ir.

A sensação desagradável de desaparatar era imensamente agravada pelo estado ébrio de Sophie e ela ficou imensamente aliviada quando seus pés finalmente tocaram o piso de uma calçada de uma rua tranquila. O prédio era pequeno e de apenas três andares, e por sorte, o apartamento de Frank era logo o primeiro, o que poupou suas pernas trêmulas de subir muitas escadas.

Quando finalmente estavam no interior do apartamento, Sophie agradeceu pelo silêncio, a cabeça ainda latejando no ritmo da música alta. Seu estômago começava a se contorcer e a sensação divertida havia dado lugar a um mal-estar.

A menina estava distraída tirando os próprios sapatos, tentando se equilibrar em uma das paredes, quando Frank surgiu na sua frente com o vidrinho da poção e uma garrafa de água. Livre dos saltos, a diferença de altura entre os dois era ainda maior, mas sentir a planta dos pés tocarem diretamente o piso foi um alívio tão grande que Bennett não se incomodou.

Diferente do que havia feito na festa, ela imediatamente aceitou a garrafa de água, virando-a em grandes goladas. A poção também foi logo tomada e seria questão de alguns minutos para que a sonolência logo a atingisse.

Ainda consciente e com a embriaguez diminuindo, Sophie segurou a garrafa d’água quase vazia em seus dedos e sorriu timidamente para Frank.

- Obrigada. Eu não sabia que o efeito pós-bebedeira seria tão ruim. – Seu rosto se contorceu em uma careta com aquela confissão. – Veja só, mais um assunto que eu não domino.

Com um único passo, Sophie quebrou a distância entre Frank e deslizou a mão livre pelo peito dele, até tocá-lo no rosto em uma leve carícia.

- Quem diria que Firewhisky consegue ser tão perigoso quanto dragões?
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Remus Lupin em Sab Jan 02, 2016 7:00 pm

Remus acreditava que, quanto mais o tempo passasse sem ver Maeve, mais preparado ele estaria para um reencontro. Quando seus olhos capturaram a imagem da professora naquela noite, ele teve a certeza de que não poderia estar mais enganado.

Seu estômago deu um salto e todo o restante do salão pareceu desaparecer. A música ficou em segundo plano e até mesmo sua respiração foi esquecida. A lembrança do beijo invadiu sua mente e os lábios formigaram em um pedido para que aquilo voltasse a acontecer.

Mackenzie estava ainda mais bonita que o habitual, mas ela não precisava de esforço algum para realçar a beleza natural. Lupin se sentiu um tolo por ter se afastado por tantos dias. Ele queria estar ao seu lado, independente de qualquer coisa. A simples presença da loira era suficiente para alegrar os seus dias.

Apenas quando a professora de Poções se mexeu para vir em sua direção, Remus percebeu a presença do homem ao seu lado. Seu estômago afundou novamente, mas em uma sensação oposta do primeiro contato com o olhar de Mackenzie. Seus músculos ficaram tensos e, sem perceber, ele corrigiu a postura, enfiando as mãos nos bolsos.

O tempo que o novo casal levou para alcançar o pequeno grupo foi curto, mas suficiente para que o professor implorasse mentalmente que estivesse errado sobre quem era o homem ao lado de Mackenzie. Quando Stephen foi apresentado como seu noivo, os olhos azuis correram para encarar o homem, analisando-o cuidadosamente.

Seu chão desapareceu sob seus pés quando sua mente concluiu como Jones e Mackenzie combinavam. Fosse nos detalhes mais bobos, como a altura perfeita de um com o outro, ou a mão dele que se encaixava na cintura dela, ou até mesmo na aparência de um que completava o outro. Tudo nos dois parecia servir para mostrar a Remus que ele nunca tivera chance alguma.

A breve conversa que se instalou em seguida foi realizada sem que Remus participasse. Ele encarava o chão se sentindo um tolo por um dia ter desejado Maeve. Seu mundo poderia ser muito melhor com Mackenzie, mas era um sonho inalcançável. Uma mulher jamais trocaria o noivo perfeito por uma vida ao lado de um lobisomem.

Os olhos azuis ergueram em desespero quando ele viu, um por um, as pessoas ao redor desaparecerem, deixando-o finalmente a sós com a mulher que ocupava seus pensamentos. Todo o esforço para se manter afastado havia sido descartado água abaixo quando o destino resolveu brincar naquela noite.

Por longos segundos, que pareceram uma eternidade ao professor, ele se manteve em silêncio, encarando Maeve sem conseguir dizer uma única palavra.

O que deveria dizer? Se desculpar pelo beijo? Arriscado demais, alguém poderia escutar. Poderia perguntar sobre a presença do noivo, mas o ciúme em sua voz o entregaria antes que concluísse a sentença. Falar sobre as aulas era casual demais. Havia tanta coisa a ser discutida entre os dois, mas Lupin era incapaz de encontrar as palavras adequadas.

Por fim, Remus respirou fundo e se esforçou para sorrir, um sorriso que não alcançava seus olhos.

- Você está muito bonita, Maeve. – Ele mordeu a própria língua com o comentário que escapou. – E o seu noivo me parece muito simpático. Vocês formam um belo casal.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Frank Longbottom em Qua Jan 06, 2016 6:19 pm

Um sorriso brincou nos lábios de Frank com o comentário de Sophie. Com a ponta dos dedos, ele afastou uma mecha castanha do cabelo dela e completou o contato com um carinho suave em sua bochecha. Inclinando a cabeça suavemente na direção dela até suas testas se encostarem, seus olhos passearam divertidamente pelas íris castanhas, e ele podia se sentir seu corpo vibrando com a proximidade da garota.

- Prometo que eu te ajudarei com isso também.

Com um movimento suave, ele aproximou seus lábios dos dela, cobrindo-os em um beijo. Ao contrário da noite anterior, quando Frank tinha dado vazão intensamente aos seus desejos, o beijo que Sophie e ele compartilhavam agora era delicado e afetuoso, uma metáfora perfeita do modo protetor e carinhoso com que ele gostaria de cuidar dela naquela noite.

Quando se afastaram, Bennett já dava sinais de que os efeitos colaterais da poção começavam a fazer efeito: suas pálpebras pareciam pesar, e mesmo a respiração da garota parecia estar mais lenta. Era inevitável para Frank acha-la adorável em cada um de seus movimentos preguiçosos.

- É melhor eu te levar para a cama.

Com habilidade e sem esforço, ele passou as mãos pela cintura e pelos joelhos de Sophie, levando-a no colo até o quarto ligeiramente bagunçado que ele habitava em suas noites de folga.

Ao contrário do que seria esperado do herdeiro dos Longbottom, o apartamento de Frank não era grande ou luxuoso. Apesar dos esforços de Augusta, o jovem havia recusado as ofertas insistentes de que ele se apropriasse de um dos tradicionais imóveis da família. Em lugar disso, Frank fez questão de usar sua poupança para dar a entrada em sua própria casa – um quarto-e-sala confortável no primeiro andar de um pequeno prédio situado em um bairro essencialmente jovem da Londres Trouxa.

Não havia dúvidas de que Hector e Augusta Longbottom eram boas pessoas, e definitivamente o casal representava uma das poucas famílias sangue-puro que estavam do lado certo da guerra que se espreitava pelas sombras do mundo bruxo, mas, como pais, ambos interpretavam papéis incrivelmente sufocantes. Os Longbottom prezavam as tradições familiares, e se esperava de Frank que, após Hogwarts, ele se tornasse um curandeiro de prestígio e assumisse o consultório do pai, mantendo a tradição já milenar da família. No ponto de vista do herdeiro, no entanto a melhor decisão de sua vida, logo após sua formatura, tinha sido construir o próprio caminho – e aquele apartamento era parte dessa decisão.

Sophie, agora enrolada confortavelmente sob as cobertas da cama de casal no único quarto, não fazia a menor ideia do papel que ela tinha na mudança de rumo da vida do rapaz.

Durante o último ano de Frank na escola, não era exatamente incomum que Benji e sua melhor amiga se juntassem aos amigos de Aaron. Em uma dessas ocasiões, a então quintanista falou de forma tão empolgada sobre o seu sonho de se tornar curandeira que ele, então razoavelmente apático sobre seu futuro, se admirou com a intensidade com que a garota desejava alcançar seu objetivo. Aquela conversa foi mais um dos motivos pelos quais Frank se apaixonara por Sophie: entre se adaptar ao mundo da magia e persistir na vida acadêmica, a garota representava uma força e uma determinação de que Frank desconhecia.

As palavras apaixonadas de Sophie ecoaram em sua cabeça até o minuto em que ele se sentiu compelido a seguir os próprios passos, em vez daqueles determinados por seus pais. Apenas alguns dias após a formatura, Longbottom resolveu colocar a mochila nas costas e estudar criaturas mágicas ao redor do mundo.

Deitado ao lado de Sophie, no curto intervalo até que o cansaço ganhasse a batalha e ele pegasse no sono, Frank observava o teto, a mente povoada pelas mais diversas lembranças, pincipalmente aquelas dos últimos meses. Desde o convite para lecionar até o reencontro com Bennett, a vida parecia ter dado uma guinada própria. Se alguém contasse ao adolescente Longbottom que a vida daria tomaria aquele rumo, ele provavelmente desconfiaria, mas ainda assim, ali estava ele: descobrindo que amava ensinar, relativamente livre da pressão de seus pais e dividindo uma cama com Sophie Bennett. Era apenas bom demais para ser verdade.



Quando a campainha tocou na manhã seguinte, Frank já estava de pé, preparando o café da manhã – se a ressaca de Sophie fosse algo parecida com a sua, a menina com certeza acordaria faminta.

Assim que abriu a porta, Longbottom sentiu o par de olhos âmbar do outro lado do batente correrem por ele, e subitamente se sentiu consciente de que estava usando apenas a calça do seu pijama e o pano de prato jogando sobre o ombro esquerdo.

- Não vai me convidar para entrar? – um sorriso largo brotava no rosto da moça à sua frente, e Frank precisou piscar algumas vezes antes de reagir.

- Isa! Merlin, claro, entra!

Assim que ele deu um passo para o lado, abrindo passagem para ela, a moça que atendia pelo nome de Isabella Moretti jogou os seus braços sobre os ombros de Frank, enlaçando-o em um abraço apertado.

- Feliz natal, Bottom!

- Isa, o que... o que você está fazendo aqui? – ele perguntou assim que o contato do abraço foi quebrado, e fechando a porta atrás de si – Digo, você não avisou, e...

- Ora, não seja um stronzo! – ela cruzou os braços, revirando os olhos e sacudindo os cabelos negros, cortados na altura dos ombros – Não tem nada para fazer na Romênia nessa época do ano, eu não tinha a menor paciência para encarar o bando de bufões barulhentos da minha família esse ano, e, além disso – ela descruzou os braços e diminuiu um pouco da distância entre eles, um sorrisinho sexy no rosto e a voz, um tanto quanto carregada de sotaque, ficando ainda mais melodiosa – eu estava com saudades, Frankie.

Frank deu um passo para trás, esbarrando na parede, e olhou apreensivo na direção do seu quarto, onde Sophie ainda dormia.

Para além da sensualidade inerente de Isabella – o que era uma unanimidade entre todos que a conheciam – a jovem tinha motivos para falar tão intimamente com Frank. Isa, como era conhecida pelos amigos, era um ano mais velha que ele, e tinha sido sua veterana durante as pesquisas na Romênia. Os dois passavam bastante tempo juntos, e, entre cuidar de animais, horas em bibliotecas e bebedeiras em pubs, eles acabaram se aproximando. A amizade deles rapidamente se transformou em um casinho, do tipo sem compromisso e sem pressão, mas, mais importante, sem alterar a dinâmica entre os amigos.

Apesar de terem trocado algumas poucas cartas desde a mudança para a Inglaterra, Frank nunca mais pensara em Isabella com desejo ou interesse. Sua mente – e seu corpo – estavam tão envolvidos com a presença de Sophie que ele jamais imaginou rever a antiga amiga. Agora, com as duas em seu apartamento, ele podia sentir a ansiedade aumentando. Isa tinha vindo da Romênia, ao que tudo indicava, por causa dele, e ela não era uma mulher de desistir fácil das coisas. A relação com Sophie ainda estava em terreno frágil, e, pelo gênio forte dela, ele sabia que encontrar um Frank sem camisa abraçado a uma desconhecida bonita não faria nenhum bem. Assim, ele escorregou para o lado e alcançou uma camisa jogada sobre o espaldar de uma cadeira próxima, vestindo-a enquanto falava.

- Aceita um café? Acabei de passar.

Intimamente, Frank torcia para que a italiana percebesse que ele estava tentando se esquivar dela.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Sophie Bennett em Dom Jan 10, 2016 4:32 pm

Apesar de não ter experiência com bebidas, Sophie Bennett tinha certeza que deveria se sentir grata a poção de enjoo quando acordou na manhã seguinte. Mesmo com a mistura de firewhisky e hidromel, tudo que seu corpo estava reclamando naquele momento era apenas a desidratação. Uma garrafa de água e ela se sentiria infinitamente melhor.

Os olhos castanhos analisaram o quarto estranho com confusão e ela precisou de quase dois minutos inteiros para se recordar o que havia acontecido e onde estava. As mãos agilmente ergueram o lençol para revelar o vestido vermelho da noite anterior, amarrotado, mas ainda intacto.

Quando saiu da cama, os pés descalços tocaram o piso frio de madeira e logo um espelho revelou a imagem triste da realidade. Seus cabelos cor de chocolate estavam completamente bagunçados, a maquiagem manchava seus olhos, tornando-os ainda mais cansados. Era patético de se ver e a vergonha foi tão grande que Sophie não se inibiu de se enfiar no chuveiro sem antes falar com Frank.

Quando ela finalmente saiu do quarto, os cabelos castanhos estavam mais escuros e pingavam em seus ombros. O rosto estava novamente apresentável, limpo e fresco, sem qualquer vestígio de maquiagem, dando uma aparência mais saudável e descansada.

Por alguns minutos, Sophie ficou na dúvida se deveria esperar por Frank para pedir alguma roupa emprestada, mas logo se convenceu de que ser flagrada apenas de toalha seria mais constrangedor do que explicar que havia mexido nas gavetas dele.

Com sorte, ela logo encontrou um conjunto de pijamas velhos, nas cores da grifinória, provavelmente do tempo de Longbottom em Hogwarts. A calça era larga e foi preciso dobrar as barras que se arrastavam para fora dos seus pés. As cordinhas brancas foram puxadas no limite para amarrar em seus quadris. A blusa também era grande, mas ainda era mais apresentável do que o vestido vermelho cheirando a álcool.

Sentindo-se constrangida, Sophie se arrastou para fora do quarto e logo foi recebida pelo cheiro de café fresco, o que fez um sorriso brincar em seu rosto. Agora que não havia mais vestígio de bebidas em seu sistema, ela poderia finalmente passar o dia ao lado de Longbottom sem parecer uma louca carente.

O sorriso imediatamente se desfez quando os olhos castanhos contemplaram o interior da cozinha, encontrando Frank acompanhado.

- Oh. Desculpe. – Ela se viu travar, os olhos castanhos ligeiramente arregalados e os lábios entreabertos de surpresa. – Eu não sabia que você teria visitas.

Os olhos âmbar de Isabella analisaram Sophie com a mesma curiosidade que a Corvinal a encarava. A menina parecia ser seu oposto. A pele era levemente bronzeada, os cabelos loiros cortados em Chanel, mas era a atitude de Isa que mais contrastava.

Enquanto Sophie era sempre tão séria e recatada, Isa mostrava toda sua atitude em suas roupas descoladas. A calça negra era colada ao corpo, botas com pedras brilhantes em suas laterais e uma camisa vermelha com uma caveira estampada. Sobre a cabeça, uma boina tampava as raízes claras.

- Mas que fofo, você tem um mascote?

Ao contrário de Sophie, a loira não se sentiu ameaçada com a presença de outra mulher naquele apartamento. Ela continuou exibindo um largo sorriso, o que aumentou o desconforto de Sophie.

- Quantos anos você tem, princesinha?

Bennett estreitou os olhos e girou as íris castanhas de Isa para Frank, como se ele também fosse responsável pelo que estava acontecendo. A ideia de passar a tarde ao lado dele logo parecendo extremamente ridícula.

A pergunta de Isa foi completamente ignorada quando Sophie encarou Frank com decepção. Sophie Bennett sempre tomava uma decisão após analisar todos os prós e contras. Ela estudava cada detalhe antes de escolher o caminho que deveria seguir. E apesar de ter beijado Frank em um momento de impulso, ela tinha certeza que ele era um bom rapaz e retribuía o sincero interesse que estava crescendo entre os dois. Era frustrante saber que havia se enganado.

- Eu realmente não queria atrapalhar seus planos de hoje. De qualquer forma, preciso ir. Deixo seus pijamas na sua cama antes de aparatar.

A corvinal deu um passo para deixar a cozinha, mas lançou um último olhar para a loira antes de sair.

- Não se preocupe. Eu tenho idade suficiente para aparatar.

Quando Sophie desapareceu do portal, Isabella soltou um risinho divertido.

- Por Merlin, essas crianças estão cada vez mais estranhas...
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Frank Longbottom em Seg Jan 11, 2016 2:33 am

Bastou a figura de Sophie aparecer no portal da cozinha para que o rosto de Frank se iluminasse. Talvez a garota parecesse meio desajeitada para quem a visse vestindo o pijama dele, números maior que ela, mas ele só conseguia achá-la adorável. Mesmo sem saber se era possível, a menina lhe parecia ainda mais bonita na luz fria daquela manhã, e com os cabelos molhados.

- Ei, bom dia... – apesar de já estar rindo da narrativa de Isa sobre as desventuras de um antigo colega na Romênia, o sorriso de Frank se alargou e se tornou autêntico apenas com a presença de Bennett – Você está com fome? Eu fiz panquecas!

Apesar de não ser uma negativa direta, a fala de Sophie e a palpável animosidade entre as suas duas convidadas foram o suficiente para dar um nó no estômago do rapaz. Em algum ponto naquela manhã, enquanto tomava sua xícara de café e se distraía com as novidades trazidas pela ex-colega, ele chegou a acreditar que o encontro entre as duas seria, se não amigável, ao menos cordial, e que ele poderia passar o dia com Sophie, como planejado. A realidade, no entanto, não pretendia ser tão bondosa quanto suas fantasias.

Começou com uma provocação da mais velha. Ele já tinha visto Moretti usar seu sarcasmo para atacar alguém, e sabia que a loira podia ser implacável – ele só desejava que não fosse Sophie o alvo de seus venenos tão meticulosamente calculados.

Xingando mentalmente – principalmente por não ter conseguido reagir antes que Bennett decidisse ir embora – ele empurrou a cadeira para trás, se levantando, e girou os olhos para amiga.

- Precisava mesmo disso, Isa?

Por ter saído do cômodo tão logo ralhou com a italiana, Frank não viu que ela apenas deu de ombros e tomou um gole de seu café em resposta, um sorriso vitorioso nascendo no canto de seus lábios.

- Sophie? – ele bateu na porta do banheiro, onde a garota já tinha se trancado para trocar de roupa – Sophie, eu preciso falar com você, abre essa porta.

Demorou algum tempo – e uma razoável insistência – para que a menina abrisse a porta, já trajando o mesmo vestido vinho que tirara o fôlego dele na noite anterior. Recebendo o pijama que ela jogava em seu peito com força, ele tentou procurar as palavras certas para falar.

- Sophie, eu não quero que você dê ouvidos à Isabella. Ela... ela não pensa muito no que fala. – Era uma desculpa horrível, ele sabia, mas foi o melhor que ele pôde fazer. Como se desculpar por alguém que tinha tido a exata intenção de dizer o que disse?

Seus olhos correram apreensivos pelo rosto dela, implorando um pouco de compreensão. Ele soltou um suspiro antes de se aproximar, a mão tocando suavemente o braço da menina.

- Eu não a estou defendendo, Soph. Eu só... Não quero que você vá embora.

Ele sabia que seria difícil que Bennet resolvesse ficar. Nem ele mesmo ficaria, se estivesse no lugar dela, mas ainda assim sua torcida era para que suas palavras surtissem algum efeito sobre ela. Isa havia aparecido sem convite, e por mais que ele gostasse da companhia da amiga – porque, no fim das contas, era apenas como amiga que ele agora a via – era com Sophie que ele gostaria de passar o dia, sabendo que aquela era uma oportunidade única.

Ainda assim, uma pequena parte dele já estava se preparando para levá-la até o lado de fora, onde seria seguro aparatar, no caso de ela optar pela muito mais provável decisão de ir embora.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por S. Orion Black em Ter Jan 12, 2016 5:22 pm

- Então…como é a vida de auror? –Stephen perguntou quando os dois se aproximaram da mesa de bebida.

- Caótica. Muita papelada. – e, com um sorriso, ele adicionou – imprevisível. – e sentindo que precisava fazer uma pergunta de volta, Sirius encarou o americano – Você trabalha com….?

- No campo de pesquisa. – Stephen deu de ombros - Muita papelada, também.

Sirius pegou um pequeno sanduíche que havia numa bandeja.

- Acredito que não exista uma Sra. Black...? - Jones questionou, os olhos castanhos pousados na mão esquerda de Black a procura de uma aliança. Sirius franziu a testa diante daquela pergunta extremamente aleatória, porém antes que pudesse responder, sentiu um formigamento na nuca, do tipo que nos avisa quando tem alguém nos encarando.

Olhando ao redor, Sirius engoliu em seco ao se deparar com a figura de Rita Skeeter o encarando fixamente do outro lado da sala ampliada de Slughorn, o sanduíche logo esquecido em sua mão.

(Skeeter estudara com ele em Hogwarts e, para sua total infelicidade, Sirius tornara-se vítima de um dos boatos da garota: ela conseguira convencer os colegas que era a namorada oficial dele e por uma boa parte do ano letivo, as pessoas acreditaram. Quando Sirius foi tirar satisfação, no entanto, a garota caiu no choro e o rapaz ficou conhecido como "mulherengo e insensível", o que lhe garantiu olhares raivosos da população feminina por um tempo. Skeeter, é claro, não desistiu de persegui-lo: mesmo depois de terem se formado, ela ainda lhe mandava cartas de conteúdo fervoroso, garantindo em todas que o perdoava e que estava pronta para recebê-lo de volta. Sirius ignorava todas).

Sirius abaixou os olhos, torcendo para que Skeeter não viesse cumprimentá-lo. Mas é claro que a jornalista sensacionalista não perderia aquela oportunidade: pedindo licença as pessoas com quem conversava, a loira logo se dirigiu até a mesa, um sorrisinho nos lábios pintados de vermelho-sangue.

Antes que ela pudesse alcançá-lo, Rebecca Montgomery se aproximou, oferecendo ajuda para carregar as bebidas e Sirius teve, então, uma ideia:

- Monty. Eu preciso de você. - ele encarou a morena - Por favor, não me estupore.

- Ora, ora, ora...Sirius Black! - a voz estridente de Skeeter impediu maiores explicações e Sirius apenas lançou um olhar firme à professora. - E Rebecca Montgomery? Vocês estão juntos?

- Skeeter - Sirius sorriu, amável e entrelaçando os dedos nos de Rebecca ele respondeu a pergunta da jornalista - Estamos.
































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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Rebecca Montgomery em Ter Jan 12, 2016 7:27 pm

Somente agora, que se aproximara, Rebecca notou que os músculos de Sirius estavam tensos. Com os olhos grudados no chão, ele trazia no rosto a típica expressão de quem estava prestes a ser pego após aprontar algo – e mesmo depois de tanto tempo, ela ainda era capaz de praticamente ouvir as engrenagens trabalhando enquanto Black pensava em algo - que sua experiência lhe dizia que seria provavelmente a melhor desculpa que alguém já ouvira em toda a vida.

Montgomery sentiu que o ar havia deixado seu peito por um segundo, no momento em que a voz dele, mais rouca que o habitual, graças à forma como ele murmurava, chegou aos seus ouvidos: “Eu preciso de você”. A Rebecca de treze anos – aquela que nutria secretamente uma paixonite por Sirius Black desde o beijo antes das férias de Natal – teria corado fervorosamente com aquela escolha de palavras, mas a Rebecca do presente apenas tentava entender porque havia tanta urgência nos olhos acinzentados do rapaz.

A resposta chegou antes que bruxa fosse capaz de elucubrar, na forma da voz estridente de Rita Skeeter.

As pálpebras da recém chegada se apertaram em direção a Rebecca, não sem antes passar pela mão de Sirius, recém entrelaçada à de Becca.

- Ora, bolas – um falso ar de satisfação tomou conta de Skeeter, que portou seu melhor sorriso falso – você deveria ter me contado sobre isso, Siry! Sabe, querida – ela se voltou para Rebecca, as sobrancelhas arqueadas em uma expressão condescendente – Sirius e eu trocamos cartas até hoje. É a nossa forma de manter a velha chama acessa! – com um risinho, ela deu uma piscadela – Não me surpreende que ele não tenha tido tempo para mencioná-la...

Eis o quão irritante Rita Skeeter poderia ser. Rebecca não se importava se Sirius e ela trocavam cartas, fotos íntimas ou ovos de dragão – a propósito, nota mental, ela queria matá-lo por tê-la arrastado para aquela conversa absurda – mas a forma indulgente com que Rita falava, e as tentativas constantes de depreciar aqueles ao seu redor eram apenas demais para tolerar. Isso sem falar no fato de que ela parecia pontuar suas frases com pequenos toques no braço do auror.

- Eu tenho certeza de que ele te contaria na primeira oportunidade, querida.

Becca se viu participando daquele teatro ridículo por pura raiva. Ela se lembrava de Skeeter interpretando o papel da namorada ciumenta por vezes demais durante os anos de Hogwarts, e imaginava que, se os dois ainda tivessem algo, o melhor a fazer para calá-la seria forjar uma intimidade inexistente com Sirius.

- Sabe, nós somos algo bem recente... Faz... – ela olhou para Sirius, mordiscando o lábio inferior. Merlin, como ela queria esmurrá-lo – uma semana, né, amor?

“Amor”. Ela estava chamando Sirius Black de “amor”! Algo definitivamente estava errado no mundo.

- Aconteceu tudo tão rápido! – ela deu de ombros, enquanto alcançava uma taça de suco de abóbora sobre a mesa e dava um gole, já com medo de falar demais.

- Sabe, Montgomery, você nunca me enganou. Eu sempre vi a milhas de distância que você era perdidamente apaixonada pelo Siry. Era patético como você corria atrás dele, mesmo quando nós estávamos juntos.

Rebecca explodiu em uma gargalhada, quase se engasgando com o suco. Aquilo realmente era demais. Ela teria dado um passo para frente antes de falar, mas Sirius havia aumentado a pressão com que segurava sua mão.

- Eu nunca corri atrás do Sirius, querida. Mas eu me lembro bem de você tentar me intimidar. Foi no banheiro feminino, não foi? Você só esqueceu que, além de ser um ano mais velha, eu dominava minha magia muito melhor que você. Espero que não tenha dado muito trabalho para Madame Pomfrey, te transformar de volta...

Quando Rita começou a ficar vermelha, Rebecca sorriu satisfeita, dando as costas para ela e se colocando à frente de Sirius.

- Si, eu não sou obrigada a lidar com suas ex-namoradas malucas – a voz de Becca saiu um pouco mais dengosa do que ela pretendia, mas não tinha problema. Ela lançou seus braços ao redor do pescoço dele, e tentou simular seu melhor sorriso provocante – E eu tenho uma ideia muito melhor de como aproveitar a noite... – levada pelo momento, Rebecca roçou seu nariz levemente no dele, logo eliminando qualquer distância entre os seus lábios.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Maeve Mackenzie em Qua Jan 13, 2016 4:29 am

Maeve torcia as mãos nervosamente, rezando silenciosamente para que Stephen e Sirius retornassem logo com as bebidas – o silêncio que se instalara entre ela e o professor de DCAT quando os demais se afastaram não era apenas do tipo constrangedor “nós nos beijamos há algumas semanas” e sim aquele silêncio incômodo quando existem coisas para serem ditas, mas as partes não sabem como se expressar direito. Era torturante não saber o que dizer.  Por que as coisas tinham que ser tão complicadas?

Por fim, Remus quebrou o silêncio e ela se sentiu a pior bruxa do universo quando ergueu os olhos e constatou que o sorriso dele parecia forçado. Ele não queria estar ali ao lado dela, pelo que parecia.

- O-obrigada. - ela pigarreou - Você também está muito bonito, Remus.

Maeve não estava apenas falando da boca para fora: o professor de DCAT estava, de fato, muito bonito e extremamente charmoso com aquele terno preto e a barba por fazer (não que ele precisasse saber desse ultimo detalhe).

Antes que mais alguma coisa pudesse ser dita, Horace Slughorn se aproximou deles, já um pouco alterado:

- Ora, ora, meus queridos...por que tanta tensão neste lado da sala?  É Natal...! - e, para o total horror de Maeve, o ex-professor de Poções ergueu a varinha e conjurou um azevinho acima da cabeça dela e de Remus. - Então...? - ele disse, esperando para que os dois levassem a tradição a frente (claro que a voz grave dele chamou a atenção de outros convidados, que lançavam olhares curiosos para a pequena cena).

Maeve, sentindo-se pressionada, deu um passo a frente:

- Me perdoe, Remus  - e, ficando na ponta dos pés, ela o beijou no rosto, demorando um pouco mais do que o normal. Slughorn aplaudiu, animado e foi a vez de Mackenzie forçar um sorriso. - Com licença. - evitando olhar para as pessoas ao seu redor, ela se afastou a passos rápidos e só parou quando percebeu que estava na cozinha.

Soltando um suspiro, ela se jogou em uma cadeira e depois de pedir um chá para um dos elfos que ali estavam, enterrou o rosto nas mãos.

- Eu sou a pior bruxa do universo. - ela resmungou quando se viu diante do fato que viera negando a si mesma até ali: apesar de ser noiva, estava apaixonada por outro.

Aquilo, decididamente, não estava em seus planos.

E agora, o que ela ia fazer?
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por S. Orion Black em Qua Jan 13, 2016 5:00 am

A resposta espertinha de Sirius sobre como eles podiam aproveitar melhor a noite foi abafada pelos lábios de Rebecca sobre os dele e antes que ele pudesse registrar o que estava acontecendo de fato, o auror já estava se entregando aquele beijo inesperado. Passando um braço ao redor da cintura dela, ele a trouxe para mais perto e sorrindo, ele murmurou um "isso que eu chamo de deja vu" ainda com os lábios próximos aos dela. Ele sabia que ela ia entender a referência.

Antes que aquela demonstração pública de afeto se tornasse demais para quem quer que estivesse os assistindo, Sirius se afastou e teve que se controlar para não rir diante do olhar de puro horror no rosto de Rita Skeeter. Nem mesmo o sermão que ele sabia que levaria de Rebecca quando os dois estivessem a sós faria com que ele se esquecesse daquilo. A vingança era um prato melhor servido frio, de fato.

- Becca! - ele sorriu e colocou o cabelo dela por cima de um de seus ombros (do jeito que ele gostava) - Não se esqueça que temos platéia.

- Ora, obrigada por lembrar, Black! - Rita Skeeter bufou - Feliz Natal ao casalzinho. - ela completou, antes de se afastar pisando fundo. Sirius mordeu os lábios para evitar soltar uma gargalhada.

- Espero que amanhã não tenha uma manchete sobre como somos horríveis na parte de fofoca do Weekly Witch. - ele entregou outra taça de suco à Rebecca e foi então que se lembrou da presença de Stephen - e que ele tinha testemunhado tudo bem depois de perguntar sobre o status de relacionamento dele. Ooops, mal entendido à vista?

- Vejo que existe, então, uma futura Sra. Black. - Stephen falou e Sirius sentiu as orelhas ficarem vermelhas.

- Nós...bem... - decidindo que era melhor manter as aparências - Skeeter ainda devia estar vigiando os dois como uma águia, afinal - Sirius deu de ombros - estamos indo com calma. Casal recém formado...não é, Becca?

Oh, por Godric. Ele sabia que ouviria o sermão da montanha depois.

Mas desbancar Skeeter tinha valido totalmente à pena.

{e beijar Rebecca também, claro}
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Rebecca Montgomery em Qua Jan 13, 2016 10:03 pm

Merlin.

Rebecca se afastou de Sirius aos pouquinhos, tentando disfarçar o choque da melhor forma possível. Por sorte, Stephen, Rita ou mesmo o auror não estavam prestando muita atenção nela, ou seria realmente difícil esconder a respiração ligeiramente descompensada.

Ela respondeu distraidamente às interações de Black, uma vez que sua mente estava ajustada à missão de processar o que tinha acabado de acontecer. Ela sequer percebeu que dava goladas compulsivamente no suco que ele lhe entregara.

É ridículo se sentir ansiosa com aquilo, certo? Não é sequer a primeira vez que a gente se beija! Bem, definitivamente foi a primeira vez que eu tomei a iniciativa, mas... Argh! Skeeter. Definitivamente, foi só para tirar a Skeeter do meu pé. Merlin, e por que o beijo dele precisava ser tão bom? Ok, Rebecca, não vamos esquecer que este aqui é Sirius Black e---

“... Não é, Becca?”

A voz dele a tirou de seus devaneios, e ela precisou piscar algumas vezes, antes de forçar um sorriso e concordar com a cabeça. Em outros tempos, ela jamais concordaria com Sirius sem saber do que se tratava, mas, bem, em outros tempos ela também não estaria olhando fixamente para os lábios dele e achando o seu sorriso incrivelmente atraente.

Alguma coisa definitivamente estava errada com Rebecca Montgomery.

Demorou mais um pouco até que o elaborado drink de Stephen ficasse pronto – uma mistura com baunilha, blueberries, morango e rum, resultando em uma bebida roxo-avermelhada que definitivamente era mais complexa que o gosto comum de todos os bruxos que Rebecca conhecia; e Black e ela continuaram por perto, os dois rapazes engajados em uma conversa da qual ela apreendia apenas palavras soltas.

No momento em que eles deveriam voltar ao ponto em que Remus e Maeve tinham ficado, Montgomery decidiu que não era seguro continuar na festa com todos aqueles pensamentos sobre Sirius Black e os beijos que eles tinham compartilhado – porque sim, ela já tinha revisado todo e qualquer momento imbuído do mínimo de tensão romântica ao lado do auror, e já tinha quase certeza de que alguns deles eram inventados.

- Sirius, eu... Não estou me sentindo bem, acho melhor eu ir pra casa.

Se aquele relacionamento fosse de verdade, o namorado acompanharia sua namorada até em casa, porque, bem é isso que namorados fazem. Mas isso não é o que Rebecca esperava – pelo contrário, era diametralmente oposto ao que ela queria.

- Não é nada demais, eu só preciso descansar um pouco. Você deveria ficar e aproveitar a festa.

- Eu não me importo de te fazer companhia! – Stephen sugeriu, aparentemente um pouco mais alegre, graças ao álcool, e passou o braço pelos ombros de Sirius. Rebecca riu, e encolheu os ombros.

- É a minha deixa...

Uma coisa que Rebecca não tinha calculado era que ir embora exigia uma despedida. Se deparando com esta realidade, ela travou por um momento, sem saber o que fazer.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Sophie Bennett em Dom Jan 17, 2016 6:07 pm

Os olhos castanhos de Sophie fitaram a mão de Frank pousada em seu braço, refletindo sobre o pedido dele. Por mais desagradável que fosse saber que existia outra mulher sob o mesmo teto que ele, era injusto trata-lo daquela forma. Afinal, apesar de tudo, ainda havia sido Longbottom que cuidara dela na noite anterior.

Sophie sentiu as bochechas esquentarem quando finalmente se deu conta da situação. Tudo havia acontecido tão rápido que era a primeira vez que ela tomava consciência de que havia dormido na mesma cama que Frank, e mesmo que nada tivesse acontecido, era um momento de intimidade muito além do que imaginara ser capaz de compartilhar.

Com um suspiro, ela ergueu o olhar até encarar o rosto apreensivo do rapaz, sentindo um aperto no peito por seu comportamento inadequado desde a noite anterior. Só o que Bennett queria era poder beijá-lo mais uma vez, mas seus gestos só dificultavam aquela aproximação. A bebedeira da festa e a atitude exagerada daquela manhã não condiziam com a sua personalidade calculista e racional, mas Frank parecia ter a habilidade de congelar seu cérebro e deixar que seu corpo respondesse apenas com o coração.

- Eu também não quero ir...

A expressão do rosto da corvinal finalmente suavizou e a voz saiu em um sussurro enquanto ela se aproximava de Frank, apoiando a mão livre sobre o peito dele. Seu corpo imediatamente começou a esquentar, com a simples proximidade, na expectativa de mais um beijo enquanto ainda estavam livres da pressão que as paredes de Hogwarts causavam.

- Eu não achei que fosse ver você durante as férias, mas já que estamos aqui...

As pálpebras de Sophie começavam a pesar enquanto ela erguia o rosto na direção de Frank quando um barulho no interior do quarto chamou sua atenção. Olhando por cima do ombro de Longbottom, ela assistiu quando Isa entrou, completamente alheia à presença dos dois.

A italiana já havia se livrado da boina sobre os fios loiros e tirava as botas a caminho da cama de Frank. A calça negra foi desabotoada e também descartada com facilidade, exibindo pernas magras e cumpridas. A camisa vermelha de caveira ainda cobria seu corpo, mas dos quadris para baixo, Isa exibia apenas uma calcinha escura.

Sem cerimonias, a loira se jogou sobre a cama de Frank e puxou os lençóis para cobrir as pernas, só então tomando consciência da presença dos outros dois.

Com os olhos castanhos arregalados, Sophie ainda tinha a mão pousada sobre o peito de Frank, sem conseguir mexer um único centímetro, congelada com a surpresa da cena que acontecia diante do seu nariz.

- Oh, achei que vocês já tivessem saído. – Isa inclinou a cabeça na direção da porta do banheiro, ainda sem se mostrar constrangida por ter sido vista de calcinha. – Bottom, vou tirar um cochilo, está bem? A viagem foi muito cansativa. Me acorda para o almoço?

Sem esperar pela resposta, Isa puxou o travesseiro usado por Longbottom durante a noite e acomodou a cabeça. Ao se revirar sobre o colchão, o lençol escorregou para o lado, revelando uma das coxas nuas.

- Aliás, bonito vestido, mascotinho!

A italiana já estava com os olhos fechados e pronta para dormir, de modo que não viu quando Bennett girou as íris castanhas para Frank, horrorizada. Suas bochechas estavam coradas, mas era difícil dizer se era constrangimento ou fúria.

- Eu encontro o meu caminho sozinha. Feliz natal, professor Longbottom.

A ênfase na palavra professor mostrava a linha imaginaria que Sophie estava traçando entre os dois. Aquela história havia ido longe demais para a cabeça racional da corvinal. Com um único gesto, ela afastou o corpo de Frank até encontrar a passagem livre para deixar o apartamento. Bastou colocar o primeiro pé no corredor para que Bennett aparatasse, furiosa.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Rebecca Montgomery em Dom Jan 17, 2016 6:13 pm

O sino sobre a porta do Hipogrifo Dourado soou novamente quando mais um Montgomery adentrou o pub naquela tarde de janeiro. O cheiro da comida já se espalhava pelo salão – assado de pernil, purê de batata, torta de abóbora - e o pai de Rebecca corria de um lado para outro, cumprimentando os convidados e trazendo pequenos tira-gostos da cozinha. Tão logo sua filha do meio chegasse, com o pequeno Daniel ao seu colo, o almoço seria servido.

- Melhor tirar o dedo dessa torta, mocinha! Você não quer estragar o batizado do seu sobrinho, quer? – o sr. Montgomery acabara de pegar a filha no flagra, enquanto se inclinava ao lado dela para pegar um novo pedaço de queijo para cortar. Rebecca riu, lambendo um pouco de chantilly de seu dedo, e deu um beijo estalado na bochecha do pai:

- Pode deixar que tem bastante torta para a família toda, avô babão!

O senhor sorriu e roubou um pedaço da fatia que Becca acabara de servir.

- Hmmmn... – ele suspirou de prazer, no momento em que o creme de abóbora tocou os seus lábios – sua mãe nunca perde a mão.

Rebecca apenas sorriu, comendo ela mesma uma porção da torta e imitando o suspiro do pai, balançando a cabeça em anuência.

- Sabe, Becca, já é o terceiro neto que a sua irmã me dá. Eu fico me perguntando se viverei tempo suficiente para estar no batizado dos seus filhos.

O sorriso no rosto da bruxa morreu instantaneamente, ao mesmo passo em que suas sobrancelhas se franziram em descontentamento. Aquela não era a primeira vez que um membro da família pressionava Rebecca sobre namorados ou filhos, muito embora ela estivesse solteira há apenas pouco mais de um ano. Por mais que adorasse aqueles raros momentos em que a família paterna se reunia – casamentos, aniversários, batizados... – e que ansiasse por eles, já que era cada vez mais difícil unir todos em um mesmo lugar; ela sempre precisava se preparar para aquele tipo de interrogatório, o que, obviamente, não a deixava nem um pouco feliz.

Ela estava pronta para discutir com o pai – mesmo sabendo que não faria efeito – quando um vulto entrou correndo pela cozinha e a abraçou pelas pernas.

- Tia Becca, tia Becca, posso ver a chuva de meteoros com você? – A garotinha, de cinco anos, passaria facilmente por filha de Rebecca. Exceto pelos olhos tão azuis que às vezes se confundiam com roxo, a pequena Lila se parecia com a tia (e madrinha) em quase tudo: desde os cabelos negros e das covinhas que surgiam nas bochechas com o riso até a curiosidade cada vez maior sobre o mundo a sua volta – A mamãe disse a noite é especial pra todos os seres mágicos, mas não quis me explicar o porquê! Disse que era pra te perguntar...

A bruxa gargalhou e se abaixou para ficar na altura da sobrinha.

- Sua mãe nunca foi muito boa em astronomia, sabia? - as íris castanhas passaram pelas bochechas apertadas pelas risadinhas, e pelos olhos brincalhões da menina – Merlin, como eu senti saudaaaade! – a sílaba foi prolongada tanto quanto o abraço compartilhado pelas duas – Mas eu tenho uma má notícia e duas boas notícias pra te dar. A má é que eu preciso dormir no castelo hoje à noite, então não vou poder ver a chuva de meteoros com você... Desculpe. Mas a primeira boa notícia é que eu ainda posso te explicar tudo o que você quiser saber, porque a gente tem a tarde toooda pra isso. E a segunda boa notícia... - Rebecca reprimiu um sorriso brincalhão. Ela já esperava que a sobrinha não ficasse muito feliz com a negativa, então adiantou-se – é que eu acho que tem um bocado de doce escondido em você. Como aqui, aqui e aqui... – ela começou a fazer cosquinhas em Lila, fazendo com que vários doces caíssem enquanto a apertava (graças ao feitiço de conjuração, o primeiro que ela conseguira dominar sem precisar da varinha).

Ofegante, a menininha recolheu todos os doces e mostrou-os ao avô, sorridente.

- Olha vovô, o tanto de doce que a tia Becca me deu! – ao que o sr. Montgomery apenas sorriu e respondeu com um “Eu vi! Porque você não vai mostrá-los à sua mãe?”, cujo efeito imediato foi a saída da neta da cozinha, tão rápido quanto ela entrou.

- Becca – seu pai chamou, antes de seguir pelo mesmo caminho de Lila – você é ótima com crianças. E uma bruxa excelente. Você já é professora em uma das melhores escolas de magia do mundo. Não deixe que o trabalho te impeça de ser feliz, ok?

Rebecca revirou os olhos, e sentou-se no banquinho em frente à mesa. Quem disse que eu não sou feliz? Ela se perguntou, enquanto estufava a boca com pedaços da sua torta de abóbora. Meu trabalho me faz muito feliz, obrigada! Não sei quem colocou na cabeça deles que eu só vou ser feliz quando tiver uma família. Eu sou feliz, puxa vida! .

Aquilo não era mentira: Rebecca era, de fato, muito feliz com o seu trabalho, e se sentia uma pessoa realizada. Era verdade também que ela queria construir uma família – algo parecido com o afeto, o carinho e o cuidado que ela vira os pais compartilhar durante todos aqueles anos – mas definitivamente o amor não era uma coisa para se apressar.

Demorou cerca de meia hora – e uma bronca de sua mãe por ter partido a torta de abóbora – para que Rebecca se sentisse novamente com humor para encarar toda a família. Tão logo ela pisou no salão e cumprimentou alguns dos convidados, foi puxada para um canto por uma de suas tias.

- Você já soube o que a sua irmã fez? - os olhos castanhos de Rebecca vagaram por sobre o ombro da tia, até encontrarem a irmã, brincando com o caçula no colo, enquanto o cunhado tirava algumas fotos dos dois.

- O que a Ayala fez dessa vez?

- Não! – a tia revirou os olhos, impaciente – Não a Ayala, a sua outra irmã.

Ótimo. Um dia que começava com pressão sobre família e passava por uma conversa sobre a primogênita dos Montgomery definitivamente não transcorreria bem.

- Tia Berta, você sabe que nós não falamos com a Rachel há anos. Como que...

- Bem, vocês não falam, mas Rita Skeeter, sim – tia Berta usou as mãos ossudas para esticar a edição da Witch Weekly da semana anterior.

No canto superior esquerdo, Skeeter aparecia em uma foto mandando beijinhos e piscando, marcando a seção dedicada às fofocas. Logo ao centro, uma manchete lia “Família Zabini comemora o primeiro aninho do pequeno Blás”, seguida de uma foto da família onde Rachel, o marido e o filho cantavam parabéns animadamente, rodeados de convidados. Rebecca suspirou, fechando os olhos. Ela não precisava ler o texto puxa-saco de Rita ou ver as fotos que se seguiam para saber que a irmã tinha dado uma festa enorme para a alta sociedade bruxa, providencialmente deixando de lado a própria família.

- Tia Berta – Becca ergueu as pálpebras lentamente, encarando a tia – desde que a Rachel se casou, ela faz questão de nos manter afastados. É irritante, é ultrajante, é ridículo, eu sei, mas foi a escolha dela. Só... – ela hesitou, suspirando novamente – não mostre isso para a mamãe, ok? Ela vai ficar arrasada.

- Sua irmã merecia uma bela de uma surra, isso sim... Ignorar os pais por dez anos! Só porque casou com um deles, ela se acha melhor! – a tia sacudiu a cabeça, realmente insatisfeita com a situação - Bem, não se preocupe com sua mãe, foi ela quem me mostrou a matéria. Aliás... – um tom malicioso surgiu na voz de Berta, fazendo com que Rebecca estremecesse – Sua mãe me mostrou isso aqui também... – a tia passou algumas folhas da revista, devolvendo-a aberta a Becca e apontando uma foto em um canto da página – algo que você queira me contar, sobrinha?

O queixo de Rebecca caiu. A foto definitivamente tinha menos destaque que a da irmã, dividindo a página com várias outras – ela reconheceu todas como sendo da festa de natal de Horace Slughorn – e ali, no canto inferior, estava ela, nos braços de Sirius, repetindo o beijo dado semanas antes.

- “Sirius Black, 23 e auror favorito das garotas, admite estar em um relacionamento sério com Rebecca Montgomery, 33, professora. A pergunta que não quer calar é: Quanto tempo durarão os pombinhos?” – Becca leu a legenda em voz alta, a mão inconscientemente amassando as bordas da revista. Maldita Skeeter!

- Sua mãe ficou ainda mais chateada por você não ter contado nada que pela desfeita da Rachel. Você sabe como a Catherine torce para que você encontre alguém bacana... E, querida, por que escreveram que você tem 33 anos?

Entre os pensamentos confusos – Como ela não viu quando aquela foto foi tirada? E desde quando essa revista estava circulando? O que ela diria aos pais? – Becca conseguiu sorrir:

- Digamos que Rita Skeeter não seja exatamente uma fã... – ela soltou um risinho, olhando novamente para a foto, onde agora Sirius afastava uma mecha do seu cabelo, jogando-o sobre apenas um ombro, e suspirou. Aquilo estava tomando proporções grandes demais. Como dizer para a mãe (e, bem, para a família inteira) que o beijo na foto não era real?

Com certeza pareceu real, ela pensou, sem se dar conta de que mordiscava o lábio inferior.

- Bem, falando no diabrete... – Berta apontou com o queixo para a porta, onde a sineta tocava, indicando que alguém acabara de entrar. Rebecca se virou, assustada, esperando encontrar a lunática Rita Skeeter adentrando o pub, mas, em vez disso, sentiu o estômago dar um salto quando seus olhos se fixaram na imagem alta e atlética de Sirius Black, tirando o seu cachecol enquanto se dirigia ao balcão.

- Sirius! - respirando fundo, ela caminhou apressada até ele, esticando a revista, a foto dos dois à mostra. Diminuindo o tom da voz, e com o melhor olhar suplicante, ela continuou – minha vez de precisar da sua ajuda.

- Ora, senhor Black! – Rebecca se encolheu ao ouvir a voz do pai - É um prazer vê-lo novamente! Algum motivo especial para a sua visita? - Becca olhou suplicante para o auror, antes de girar nos próprios calcanhares e encarar o Sr. Montgomery.

- Eu o convidei – ela passou o braço pelo de Sirius, torcendo para que ele não a contradissesse – pai, eu queria te apresentar o meu namorado. - Ignorando que precisava interpretar o papel, ela se encolheu e apertou os olhos, esperando uma gargalhada ou outro sinal qualquer de que Black a desmentia.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Frank Longbottom em Dom Jan 17, 2016 11:04 pm

Os dias que preencheram aquelas semanas de recesso passaram se arrastando. Depois do acontecimento que tinha sido a chegada de Isabella, Frank entendeu a saída de Sophie – por Godric, ele ainda a ouvia carregando a voz ao chama-lo de “professor” – como um indício de que precisava dar um tempo à garota, o que ele fez. A atitude dele, no entanto, jamais deveria ser confundida com desapego: Não se passava um único dia sem que o rapaz se pegasse pensando nela. Um único momento de distração era o suficiente para levá-lo aos momentos compartilhados com Sophie.

Claro que ele poderia conseguir o endereço de Bennett nos arquivos da escola, e escrevê-la ou visitá-la durante aquele tempo livro – a ideia passou pela sua cabeça várias vezes – mas em seu debate interno, sempre vencia o argumento de que aquilo seria invasão de propriedade e abuso de poder, e a última coisa que ele queria era tumultuar ainda mais a relação com a garota. De repente, parecia apenas que havia peso demais sobre eles.

Isabella continuou por perto, mesmo depois de Longbottom ter deixado claro que não desejava nada além de sua amizade – o fato de Aaron ter se interessado por ela na primeira noite em que eles foram a um pub foi de grande ajuda no processo de aceitação da loira -, e ele ocupou o tempo dividindo-se entre as visitas aos pais e as tarefas de guia turístico. No fim das contas, acabou sendo bom contar com a companhia dos amigos – eles eram um casal e tanto, e, sem as investidas de cunho sexual, Isa era realmente uma ótima presença.

Apesar de estar se divertindo com os amigos, ele não via a hora de voltar ao castelo, e não havia dúvidas de que essa impaciência se devia muito mais pela oportunidade de ver novamente uma aluna em especial que por retomar às obrigações de professor. A tarde já estava no fim quando Frank aparatou em Hogsmead. Além de marcar o retorno dos alunos ao castelo, aquela noite marcava também um evento astronômico que acontecia apenas a cada 165 anos.

As chuvas de meteoro, como a daquela noite, eram aguardadas com muita ansiedade pela sociedade mágica. Desde tempos muito antigos, acreditava-se que aquele fenômeno era capaz de potencializar o poder de qualquer criatura mágica, bem como de qualquer forma de magia. Enquanto parte dos bruxos e bruxas preferiam apenas admirar a beleza das estrelas cadentes, uma parte muito grande se dedicava ao preparo de poções ou à execução de feitiços, certos de que seus resultados seriam mais fortes e mais eficientes.

Frank se lembrava de, ainda criança, encontrar um antigo livro na biblioteca dos pais que afirmava categoricamente que aquela era uma noite de renovações. Uma parte pequena dele se agarrava à ideia de que aquela chuva de meteoro era uma espécie de sinal de que havia uma chance para seu relacionamento com Sophie.

Naquela noite, logo após o jantar, o professor de Astronomia reuniria os alunos no gramado do castelo, aproveitando a oportunidade única para ensiná-los sobre o evento. Sabendo disso, Longbottom decidira se manter por perto, esperando por uma oportunidade de conversar com Bennett. Talvez ele sequer soubesse o que gostaria de falar, mas precisava de um momento a sós com Sophie antes de precisar encarnar novamente o personagem de professor.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Remus Lupin em Dom Jan 17, 2016 11:35 pm

Quando o azevinho foi conjurado sobre sua cabeça e Remus percebeu que Maeve se inclinava na sua direção, por um segundo completamente sem raciocinar, ele acreditou que a professora fosse beijá-lo novamente, bem ali, na frente de todos.

As pálpebras cobriram os olhos azuis e Lupin prendeu a respiração, aguardando por aquele contato com ansiedade, exatamente como havia feito desde o primeiro beijo, mesmo nos momentos em que negava para si mesmo o quanto havia gostado daquela loucura.

A decepção ao sentir os lábios de Mackenzie em sua bochecha só não foi maior porque, mesmo não sendo o esperado, Remus sentiu todo o seu corpo reagir com aquele contato breve. A temperatura de seu corpo se elevou imediatamente, e um formigamento surgiu exatamente no ponto onde sua pele havia sido beijada, apenas para se espalhar como uma corrente elétrica no segundo seguinte.

A garganta arranhou e Remus chegou a inclinar o rosto para o lado, oferecendo os próprios lábios, quando a voz de Maeve sussurrou um “Me perdoe”, se afastando em seguida. Na mesma proporção em que seu corpo havia respondido ao beijo na bochecha, um ar gelado surgiu repentinamente, como se um dementador tivesse acabado de chegar na sala, trazendo Lupin para a sua triste realidade.

Bobamente, o lobisomem levou uma das mãos até tocar sua bochecha, como se ainda não estivesse acreditando no que havia acabado de acontecer. Os olhos claros estavam fixos no ponto em que a loira havia desaparecido e aos poucos a música do local foi voltando aos seus sentidos.

- Incrível, minha pequena Maeve! Incrível!

Apenas a voz de Horace ao seu lado foi capaz de recordar que o ex-professor de poções continuava ali, rindo bobamente enquanto balançava sua enorme barriga e segurando seu copinho de hidromel.

- Sim, incrível.

Remus concordou em um sussurro rouco, surpreso com a verdade que o assolava. Ele estava apaixonado por Maeve Mackenzie.

**

Os dias que se arrastaram desde a festa de Horace até o regresso a Hogwarts foram quase apáticos para Remus Lupin. Sua experiência nos anos vivendo fora da Inglaterra serviram para deixar mais do que evidente de que a escola era o seu verdadeiro lar e se manter afastado era uma tortura.

Para completar, Remus não conseguia decidir se a oportunidade de ficar longe de Mackenzie deveria ser vista ou não com bons olhos. Ao mesmo tempo que tinha uma mísera esperança de que aqueles sentimentos desaparecessem, cada dia que passava mostrava apenas o quanto Lupin desejava estar novamente ao lado da loira.

Quando a manhã de regresso finalmente chegou, Lupin já deixou a cama sentindo o coração acelerado e o estômago se contorcendo de ansiedade. Por mais que sua mente dissesse que o que o coração desejava era impossível, era impossível controlar a vontade de ver Maeve novamente. A simples chance de admirar seu sorriso ou ouvir sua voz era suficiente para o professor.

O lado racional de Remus jamais permitiria que ele tomasse qualquer atitude novamente. O deslize provocado pela noite de bebedeira não deveria acontecer novamente. Não era apenas o fato de Mackenzie ser comprometida ou que ela jamais lhe daria uma chance. Ele era um lobisomem e sabia o que aquilo significava na vida de alguém.

As últimas palavras ditas por Maeve ainda ecoavam em sua mente. “Me perdoe”. Remus havia tentado traçar milhares de significados para aquela frase solta, mas havia chegado à conclusão de que a professora se desculpava por jamais poder corresponder aquele sentimento. Havia um abismo de diferença que os separava, sem chance de um futuro juntos.

Remus estava perdido em seus próprios pensamentos enquanto os olhos azuis admiravam a imensidão que eram os terrenos de Hogwarts. Ele estava parado no corredor de seu quarto, exatamente no mesmo lugar que havia beijado Mackenzie na última noite no castelo.

O vento fresco entrava pela janela e a neve que antes cobria a paisagem, agora começava a derreter, formando diversas poças de água pelo gramado. As carruagens que se aproximavam trazendo os alunos provocavam esguichos de lama, e alguns adolescentes riam quando saltavam para as escadarias, tentando não se sujar.

Um sorriso nostálgico surgiu nos lábios de Remus enquanto ele observava cada vez mais o castelo se encher de estudantes que retornavam de seus lares. Ele conseguia ver a si mesmo, vestindo o uniforme da Grifinória, compartilhando gargalhadas com os melhores amigos.

Sirius e James tinham a habilidade de fazê-lo se sentir como um rapaz completamente normal, sem carregar aquela maldição terrível. Seu sorriso se tornou ainda mais triste quando uma vozinha em sua cabeça lhe lembrou que Mackenzie tinha aquele mesmo talento.

Por mais que se esforçasse para manter a razão, bastava estar perto da professora para que todos os problemas e empecilhos desaparecessem.

- Professor Lupin?

Remus foi arrancado de seus devaneios quando uma voz masculina o chamou, fazendo-o se virar para encontrar o professor de astronomia.

- Sim, professor Finning?

- As últimas carruagens estão chegando. Pode me ajudar a organizar os alunos nos jardins? Só temos algumas poucas horas até começar.

- Sim, é claro.

O homem puxou o que parecia ser um relógio de bolso, mas em um formato que Remus jamais havia visto antes. Diversas estrelas pareciam rodear o pendente, mas parecia fazer algum significado para Finning, porque o homem soltou um pesado suspiro.

- Espero que o mal tempo não atrapalhe. É um evento único, Lupin! Único!
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Sophie Bennett em Seg Jan 18, 2016 1:11 am

- Você está mal-humorada.

O comentário de Benji foi suficiente para Sophie erguer os olhos de seu livro e o encarar com frieza.

- Além do normal, é claro. – Ele completou, enquanto terminava de abotoar o casaco.

- Estou apenas cansada. – Sophie fungou, fechando o livro enquanto levantava da confortável poltrona azul para acompanhar os passos de Benji.

A menina sabia que não era a mais pura verdade. Ela se sentia cansada depois de passar o dia inteiro no Expresso de Hogwarts, mas seu humor estava abalado desde o dia seguinte ao aniversário de Aaron, quando acordou no apartamento de Frank Longbottom.

Não havia passado um único dia sem que a morena se lembrasse da ousadia de Isabella passeando de calcinha pelo quarto de Longbottom. Ela sentia o sangue ferver ao imaginar o rumo que as coisas haviam tomado depois de ter deixado os dois sozinhos, e por mais que se esforçasse para não pensar mais no professor, mais irritada ela ficava.

- Qual é! Finalmente uma noite que podemos ficar fora da cama até tarde, sem perder pontos para a Corvinal! Por que você simplesmente não aproveita?

Enquanto passava pela estátua que guardava a passagem secreta do salão comunal da Corvinal para alcançar os corredores, Sophie lançou mais um olhar irritado ao melhor amigo. Assim como a maioria dos alunos, eles estavam seguindo a caminho dos jardins, exatamente como haviam sido orientados, para presenciar a chuva de meteoros que teria aquela noite.

Sophie já havia lido incansavelmente sobre o assunto e provavelmente estaria extremamente animada por poder presenciar um evento tão raro como aquele se sua mente ainda não estivesse tão focada nos conflitantes sentimentos por Frank.

- Vai chover. – Sophie resmungou no instante que alcançaram a área externa do castelo.

O céu ainda estava limpo e estrelado. Os professores haviam montado um enorme tablado próximo ao lago, e espalhado diversos colchonetes e almofadões para que os alunos admirassem o espetáculo com conforto. Mas, ainda distante, mais ao norte, era possível ver a nuvem negra que formava uma tempestade há alguns quilômetros.

- Não vai, não. – Benji se jogou sobre um dos almofadões, levando as duas mãos para apoiar a nuca.

Com um sorriso bobo nos lábios, ele olhou para o céu enquanto as pessoas se acomodavam ao redor. Sophie se sentou ao lado dele e puxou o casaco para perto do corpo, o vento gelado do inverno ainda se fazendo presente. O cachecol foi ajeitado com perfeição em volta do seu pescoço e quando o professor se colocou diante de todos para começar a discursar, Bennett puxou um bloquinho e uma pena.

- É sério? – Benji arregalou os olhos. – Você vai fazer anotações logo hoje???

Sophie encolheu os ombros, pela primeira vez se sentindo envergonhada com sua obsessão pelos estudos. Talvez, se ela fosse como a maioria dos colegas que simplesmente estavam aproveitando o momento, Frank gostasse mais dela. Ela apostaria qualquer coisa que Isabella jamais se preocuparia em fazer anotações em um momento como aquele.

Como se estivesse lendo seus pensamentos, a menina sentiu um formigamento na nuca e virou o rosto no instante em que o professor Finning anunciava que estava começando. Seu olhar cruzou com o de Frank e foi uma imensa sorte que a iluminação dos jardins fosse tão precária, impedindo até mesmo Benji de perceber o tom rosado de suas bochechas.

- Isso é mesmo irado!

Se vendo forçada a desviar os olhos de Longbottom, depois de tantos dias sem vê-lo, Sophie ergueu o rosto para o céu e também ficou boquiaberta. Diversas luzes cruzavam a escuridão acima em um espetáculo lindo e único.

- Uau...

Foi a única coisa que Sophie conseguiu balbuciar, o primeiro sorriso surgindo em seus lábios após semanas. Os riscos brilhantes cortavam o céu sem cessar, vez ou outra com uma iluminação diferente. Mas foi menos de dois minutos de admiração quando uma grossa gota gelada pingou na bochecha da corvinal, anunciando a chuva que ela já havia previsto.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Frank Longbottom em Qua Jan 20, 2016 2:51 am

Em uma fração de segundo, gotas grossas caíram uma a uma sobre Frank: bochecha, testa, a ponta do nariz, a outra bochecha; o intervalo entre elas sempre menor que o interior. A chuva desabou logo depois, e, assim como os alunos que se levantavam aos gritinhos ao seu redor, ele se pôs de pé. O professor Finning tentava, sem sucesso, ordenar a corrida em direção ao castelo.

Frank enfiou as mãos nos bolsos de seu casaco, se encolhendo sob o denso aguaceiro que caía, e olhou ao seu redor, à procura de Sophie. Era difícil ver entre as pesadas gotas de chuva, mas identificá-la, correndo alguns metros atrás de Benji e à margem dos demais estudantes foi imediato. Talvez, se parasse para pensar sobre o assunto, o professor chegaria à conclusão de que mesmo em uma multidão ela a encontraria sem esforço.

Sem pensar, ele apressou o passo, alcançando-a.

- Eu sempre gostei de chuva! – sua voz saiu alta o suficiente para se sobrepor ao barulho dos passos apressados contra as poças no gramado e ao chiado da água. O sorriso em seu rosto ao atrair a atenção dela foi espontâneo, e ele arriscou diminuir a velocidade dos passos. Um terceiranista xingou baixinho ao quase se esbarrar neles, mas Frank apenas sorria, as mãos ainda escondidas pelos bolsos.

Era impossível colocar em palavras o quanto ele sentira falta de Sophie. Antes de sua volta a Hogwarts foi fácil ficar anos distante – ela era apenas uma paquera, alguém que ele admirava e a quem queria bem, mas apenas isso. Agora, no entanto, aquelas poucas semanas pareciam uma tortura. Eles haviam estado juntos – Merlin , ela tinha dito que queria estar com ele! – e a lembrança daquele único beijo em uma sala escura era o suficiente para que todo o seu corpo reagisse.

- Preciso conversar com você – com um olhar suplicante, ele estendeu a mão, esperando que a garota a aceitasse.

Em qualquer outro momento, aquele seria um movimento arriscado – Um professor de mãos dadas a uma aluna – mas sob a iluminação fraca dos jardins e a chuva torrencial, Longbottom não precisou pensar duas vezes sobre o ato. Aquela era a oportunidade que ele teria, e ele queria aproveitá-la.

Correndo à frente, se afastando na diagonal do caminho traçado pelos alunos e outros professores, ele a guiou até a lateral do castelo, onde estariam abrigados da chuva e de olhares curiosos.

Quando se virou novamente para encarar Sophie, Frank ofegava levemente da corrida. Seus olhos passearam um momento por ela – das vestes encharcadas ao cabelo, cujas mechas grudavam sobre as bochechas, e também pelas gotas de água que escorriam pelo seu rosto – e seu peito se encheu novamente com aquela sensação que somente ela lhe causava. Em um movimento espontâneo e natural, ele deu um passo para frente, beijando-a. Enquanto uma mão se emaranhava aos fios agora cor de chocolate amargo, a outra se enlaçava à cintura dela, puxando-a para perto. Nem mesmo as roupas encharcadas ou o vento frio eram capazes de abrandar o calor que irradiava daquele contato, desejado há tanto tempo.
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Re: Maraudering - UA

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