Maraudering - UA

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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Frank Longbottom em Dom Dez 06, 2015 12:00 pm

Assim que Rebecca terminou de falar sua frase, Frank sentiu um arrepio percorrer sua nuca, a lembrança da noite em seu escritório fazendo com que ele engolisse em seco antes de beber sua oitava dose de hidromel. Pouco a pouco, cada um dos outros fez o mesmo, e o jovem Longbottom levantou suas sobrancelhas, se divertindo verdadeiramente com aquele rumo inesperado do jogo. Então ele não era o único a querer beijar alguém no castelo, han?

Um pequeno calor começou a irradiar pelo seu peito, e ele não sabia se era efeito do álcool ou o simples conforto de saber que não estava sozinho desejando alguém que não podia ter, e um pequeno sorriso brotou de seus lábios.

O rapaz só percebeu que divagara em seus pensamentos quando Rebecca sacudiu as mãos em frente ao rosto dele.

- Frank? Tudo bem aí?

- ahmn? Quê? – ele balançou um pouco a cabeça, para afastar seus pensamentos, e encarou a colega. Três batidas à porta se fizeram soar.

- Você está bem para atender à porta?

Frank acenou que sim e empurrou sua cadeira para trás, levantando. Sentindo-se realmente feliz – a sala tinha ficado em câmera lenta quando ele levantou, mas tudo bem... - e rindo de si mesmo quando um “nem pra ser a Sophie” cruzou sua mente, ele abriu a porta.

Julgando-se traído pelos próprios olhos, Frank ficou um tempinho encarando a menina à sua frente, o álcool e o frio na barriga o impedindo de falar até que uma onda de risadas de dentro da sala o despertou. Ele olhou rapidamente por cima do ombro, e fechou a porta logo atrás de si.

- Sophy! – ele esticou o braço para tocá-la no ombro, mas, sem que se desse muita conta, terminou por brincar com uma mecha dos cabelos dela – O que você está fazendo aqui?

O tom de voz dele era preocupado, mas a presença da menina e o já conhecido calor que esta lhe provocava eram o suficiente para que seu sorriso não deixasse o seu rosto.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Remus Lupin em Dom Dez 06, 2015 2:25 pm

Remus Lupin provavelmente era o professor que menos havia tomado doses de hidromel naquele jogo. A maioria das perguntas eram especificas demais, claramente em provocações que arrancavam gargalhadas. Mesmo assim, não significava que o homem não sentia o efeito da bebida.

O seu corpo estava mais quente e as bochechas provavelmente coradas. O suéter cinza havia sido retirado e estava largado no braço do sofá, revelando a camisa social azul que ele usava por baixo, uma das poucas peças novas compradas com o salário de professor. Os cabelos negros estavam levemente bagunçados e os olhos azuis desfocados, com o sorriso sem motivo perdido nos lábios.

Após a pergunta de Rebecca, Lupin sentiu os ombros ficarem tensos, mas ele pegou o copinho de hidromel antes que o feitiço detectasse sua hesitação. Quando o líquido terminou de descer quente e doce pela sua garganta, olhou ao redor para ver as reações dos demais.

Para sua surpresa, cada um dos colegas também bebia a sua dose, revelando que Remus não estava sozinho naqueles pensamentos impróprios. Ele se sentiu aliviado por Sirius não ter notado o momento em que bebeu, admitindo o desejo de beijar alguém, e logo fixou o olhar em Mackenzie.

A professora tinha uma aliança brilhante no dedo, mas havia acabado de admitir que tinha vontade de beijar alguém que estivesse no castelo naquele momento. A não quer que seu noivo estivesse escondido debaixo de sua cama, o que Lupin duvidava muito, Maeve queria beijar outra pessoa.

O primeiro pensamento de Remus foi automaticamente transferido para Sirius. Era impossível ignorar os sussurros das alunas dizendo o quão atraente o auror era, e o professor não duvidava que as mulheres mais velhas compartilhavam daquela opinião.

Talvez fosse a bebida lhe causando alucinações, mas um calorzinho em seu peito lhe dava a esperança de que não havia sido em Black que Maeve pensara ao beber sua dose.

Quando a professora abriu a boca para falar, revelava que também estava sofrendo os efeitos do hidromel, e Lupin soltou uma risadinha anasalada. Todos ali eram adultos, mas aquela noite parecia um encontro de alunos em um salão comunal, brincando e se divertindo. Se não fosse pela presença de uma ex-Sonserina, ele teria acreditado que haviam sido mandados de volta no tempo e estavam no Salão da Grifinória.

- Quinto andar, sexta porta à esquerda depois da estátua de gnomo com uma perna só. – Remus respondeu com precisão e se colocou de pé, a sala dos professores girando momentaneamente. – Estou indo pra lá, Mav. Te mostro o caminho.

Ao dar os primeiros passos, Remus sentiu os pés trocarem de posição e precisou pausar por alguns segundos para não cair. Ao ver que conseguia manter o equilíbrio, voltou a andar, dando um tapinha no ombro do melhor amigo ao passar por ele.

- Sirius, por favor, nunca mais diga que você ficou adorável naquele uniforme, sim? Esses adolescentes arrumam qualquer desculpa para desconfiar da nossa masculinidade, e isso dificilmente ajudaria a acabar com essa conversa absurda sobre nós dois.

Remus se inclinava para frente enquanto falava, gesticulando e entrelançando os próprios dedos. Normalmente, Lupin preferia ignorar os comentários inacreditáveis sobre qualquer envolvimento dele e de Sirius, mas a bebida havia lhe dado coragem suficiente até para fazer piada com a situação.

- Becca... – Ele se curvou em uma reverencia na direção da amiga ao se despedir e então esticou a mão para Mackenzie. – Uma carona para o quinto andar?
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Sophie Bennett em Dom Dez 06, 2015 2:40 pm

Sophie piscou algumas vezes sem acreditar que Frank Longbottom estava parado na sua frente. Ela havia usado o livro de Poções como desculpa para falar com Mackenzie, e consequentemente aproveitar a informação para estudar durante as férias, mas tinha uma esperança mínima de encontrar o professor de Trato das Criaturas Mágicas antes de deixar Hogwarts para o natal.

Seus olhos castanhos se arregalaram ao vê-lo tocar seus cabelos em uma carícia. Normalmente, a iniciativa do toque partia da Corvinal, e aquela mudança de comportamento a pegou desprevenida. Logo o cheiro do álcool alcançou suas narinas e Bennett franziu a testa, olhando para a porta fechada por cima do ombro do rapaz.

- Vim procurar a professora Mackenzie. - Ela ergueu o livro de poções que trazia consigo, mostrando a capa. – Queria adiantar a matéria durante o natal...

As gargalhadas altas do outro lado da porta fizeram com que Sophie erguesse as sobrancelhas mais uma vez e ela desviasse a atenção para Frank.

- O que está acontecendo aí dentro? Vocês estão... bebendo?!

A ideia de professores tendo uma vida normal fora das salas de aula era uma novidade para Sophie. Ela nunca pensou em McGonnagal namorando, ou em Slughorn usando chinelos em um dia quente. A pouca idade dos novos professores mostrava ainda mais claramente como eles tinham uma rotina tão normal quanto de qualquer outra pessoa.

Sophie precisou de alguns longos segundos para se recuperar daquela novidade. Era possível notar pelo teto encantado do salão principal que nevava do lado de fora, e mesmo com as paredes de pedra que os protegiam, ainda era possível sentir frio no interior do castelo.

Ela não usava mais o uniforme, já guardado em seu malão, mas estava devidamente agasalhada. As botas negras protegiam seus pés e a Corvinal usava calças negras, que modelavam ainda mais suas pernas. O suéter branco ia até um pouco além de seu pulso e sobre os ombros, o cachecol listrado de azul e bronze estava largado.

Diante da surpresa, Sophie havia agarrado a barra do cachecol e o segurava tão firme que seus dedos começavam a ficar esbranquiçados.

- Eu acho que a professora Mackenzie está ocupada demais para me atender agora, não é? – Sophie finalmente perguntou, se sentindo derrotada.

Sem uma base do que poderia adiantar durante as férias, ela provavelmente devoraria o livro inteiro sem dar foco maior em nenhum capítulo específico. Ao enfiar a mão no bolso, seus dedos tocaram a caixinha e mais uma vez ela arregalou os olhos. O presente havia sido comprado sem que ela ainda tivesse certeza se teria coragem para entrega-lo. Mas ali estava uma oportunidade perfeita e seria um imenso desperdício simplesmente dar as costas e voltar para a Corvinal sem aproveitá-la.

- Ahn, Frank? – Sophy chamou, olhando mais uma vez para a porta, desta vez receosa que a mesma fosse se abrir a qualquer momento, sem ao menos se dar conta de que havia acabado de chamar Longbottom pelo primeiro nome. – Posso falar com você um minutinho? Em um lugar mais... discreto?
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Frank Longbottom em Dom Dez 06, 2015 6:19 pm

As bochechas de Frank esquentaram e ele meneou a cabeça confirmando que sim, os professores estavam bebendo, e por algum motivo, o rapaz se sentiu meio envergonhado por aquilo.

- A menos que você queira falar sobre hidromel, acredito que a Meve seria incapaz de tirar qualquer dúvida agora – ele sorriu, as íris azul-esverdeadas passeando lentamente pela menina, dos seus olhos castanhos até sua bota e de volta, Frank soltou um suspiro.

A última coisa que ele esperava naquela noite era encontrar com Sophie – embora, a bem da verdade, ele tivesse desejado bastante encontrá-la -, mas ele se sentia incrivelmente feliz pela visão da garota. Quando ela sugeriu que eles fossem para algum lugar mais reservado, Frank respondeu com um breve aceno de cabeça.

- Claro, claro – a voz dele saiu rouca, mas em nada reticente. A mão, que antes estava brincava com o cabelo de Sophie, desceu até suas costas, à altura da cintura da menina – tem uma sala sempre vazia logo aqui à frente.

Frank conduziu-a por alguns metros – três ou quatro portas depois da sala dos professores - os corpos próximos o suficiente para que o cheiro da menina rapidamente alcançasse suas narinas. Ele fechou os olhos por um segundo, respirando fundo, tentando se convencer de que aquela vontade crescente de beijá-la era apenas efeito do hidromel.

Frank abriu a porta, enfiou a cabeça para dentro, para conferir de que o cômodo estava mesmo vazio, e deu passagem a Sophie, deixando-a entrar primeiro. Ele logo a seguiu, e fechou a porta ao passar. Seus olhos procuraram os da menina e, mesmo em meio à penumbra, ele podia a luz que entrava pela janela refletir em seu cabelo e em sua pele, e mais uma vez a agitação de estar a sós com a garota crescia dentro dele.

- Você... você falou que queria conversar?

Ele se apoiou na parede e cruzou os braços, esperando que isso fosse suficiente para impedi-lo de ceder ao pensamento insistente em sua mente.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Sophie Bennett em Dom Dez 06, 2015 8:32 pm

Normalmente, se um rapaz tentasse se aproximar de Sophie, ela ficaria tensa, séria e começaria a gaguejar. Quando Frank a tocou na cintura para guiar até a sala vazia, a menina nunca havia se sentido tão bem antes.

Era Longbottom que estava sob o efeito do hidromel, mas a mente sempre crítica de Bennett não parecia refletir naquele momento do quão errado era ir para uma sala deserta com um professor. Mesmo que fosse um colega de turma, a Corvinal sabia que não era apropriado.

Mas seu coração batia acelerado, feliz demais com a ideia de estar com Frank uma última vez antes das férias de final de ano.

Quando os dois finalmente estavam a sós, Sophy esperou que sua vista se adaptasse com a pouca luz vinda da janela, sentindo o vento gelado do inverno. Logo ela conseguiu distinguir a figura de Longbottom encostado contra a parede e precisou prender a respiração ao reparar o quanto ele estava bonito, mesmo à meia luz.

- Eu só... Não é nada demais. – ela riu nervosa, retirando do bolso a caixinha de presente. – Encontrei isso aqui no último final de semana em Hogsmead e achei que pudesse ser útil.

Com um toque da varinha, a caixa assumiu seu tamanho real, pouco maior que a palma da sua mão, e ela esticou na direção do homem, o obrigando a descruzar os braços para receber.

O coração batia tão rápido que era possível sentir em seus ouvidos. Quando comprara aquele par de luvas de couro, à prova de fogo de dragão, Sophy não acreditou que fosse ter coragem de entrega-las a Frank. E se ele achasse inapropriado? E se não aceitasse o presente? Era óbvio que não havia comprado presente para nenhum outro professor, mas como se tentasse disfarçar o real motivo que a fizera pensar tanto em Longbottom, ela continuou.

- É apenas um agradecimento pelas aulas extras. Ainda não estou em um nível ideal para o NIEMs, mas o progresso foi bastante óbvio. – com um sorriso doce, ela acrescentou. – Além disso, é para ajudar a evitar mais cicatrizes na próxima vez que esbarrar em um dragão.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Frank Longbottom em Seg Dez 07, 2015 2:00 am

Os dedos de Frank mergulharam na pequena caixa, a textura lisa sendo facilmente identificada.

- Couro de Dragão – ele sorriu, levantando o olhar das luvas para a garota à sua frente – Obrigada, Sophie – ele se afastou da parede, dando um passo em direção a ela – Foi o melhor presente que eu já ganhei.

Podia parecer apenas que Frank estava apenas adulando-a, mas aquilo era a mais pura verdade. Claro que o rapaz ganhara bons presentes durante os anos – seus pais os mimavam de todas as formas possíveis, e seus amigos e a ex-namorada também não iam muito mal, mas sempre era alguma escolha óbvia: uma boa vassoura, itens do seu time favorito, livros sobre criaturas mágicas, um pufoso... O presente de Sophie, ele podia dizer, era cheio de significado. Mais que um produto comprado de última hora, ou por obrigação, ele sabia que que ela havia investido tempo e esforço naquilo.

As luvas eram uma referência clara ao dia em que ele quase a beijara, e aquela lembrança fez com que seu coração batesse ainda mais acelerado. Se fechasse os olhos, talvez pudesse sentir novamente a sensação de seus lábios quase se tocando. Frank sentiu as mãos começarem a suar, apesar do frio emanado pelas paredes de pedra.

Ele estava mais uma vez sozinho com Sophie, e a caixa em sua mão era apenas a prova de que seus sentimentos pela garota eram correspondidos. Com mais um pequeno passo para a frente, a distância entre os dois foi reduzida. Apesar da escuridão, seus olhos encontraram os de Sophie, a diferença de altura obrigando-o a inclinar a cabeça para baixo.

Talvez fosse o efeito do hidromel, que dava contornos oníricos àquele momento, ou, mais provavelmente, ele talvez estivesse cansado de negar seus desejos dia após dia, mas Frank já não ouvia mais nenhum de seus pensamentos. Sua respiração ficou ofegante sem que ele tivesse controle sobre isso e, quase que em câmera lenta, ele levou a mão livre ao rosto da menina, colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha, as pontas dos dedos traçando um carinho suave por onde encostavam, e logo se alojando em sua nuca. Em uma ação orquestrada independentemente, Frank aproximou o rosto ao de Sophie, sua mão puxando-a gentilmente para perto, enquanto seus olhos se fechavam gradualmente, à medida em que o espaço entre eles era extinto.

O contato começou suavemente, mas, tão logo o rapaz sentiu confiança, o carinho se intensificou, e ele passou o braço que segurava a caixa pela cintura dela, puxando-a mais para perto.

Naquele momento, só havia Frank e Sophie no mundo, e aquilo definitivamente não era efeito do álcool – mas, antes, do beijo aguardado por tanto tempo.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Sophie Bennett em Ter Dez 08, 2015 8:36 pm

No fundo, Sophie sabia, no minuto que pisara naquela sala, que acabaria mais uma vez diante do desejo de beijar Frank. A diferença é que não havia o risco de alguém chegar e interrompê-los. Não havia crupes os rodeando, ou alunos no corredor, ou o Sr. Filtch batendo na porta.

Os dois estavam sozinhos, sem ninguém para interromper a vontade crescente de estarem juntos. Quando ela finalmente sentiu os lábios de Longbottom tocarem os seus, todo o seu corpo reagiu, se derretendo com cada gesto.

Imediatamente, Bennett levou suas mãos até abraçar o professor pela nuca, acariciando as pontinhas dos cabelos com as unhas e intensificando o beijo iniciado por ele. Seu corpo se encaixava com perfeição nos braços do rapaz e era até possível sentir o gostinho doce do hidromel.

Eles só se afastaram quando os pulmões começaram a arder, implorando por oxigênio. Mas mesmo assim, os corpos continuaram unidos, sentindo o calor que o outro emanava. Os lábios de Sophie estavam úmidos e vermelhos, mas curvados em um sorriso satisfeito quando ela o encarou com os brilhantes olhos castanhos.

- Por que você não fez isso antes?

A Corvinal sussurrou, descendo uma das mãos da nuca de Frank até acaricia-lo no rosto. A pergunta não era referente aos últimos meses que os dois lutavam contra a vontade de estarem juntos, tentando manter a ética. A pergunta era especificamente aos tempos do rapaz como estudante, quando o relacionamento deles seria tão comum quanto qualquer outro e não precisariam de uma sala escura para entregar um simples presente de natal.

Ficando na ponta dos pés, Sophie voltou a cobrir os lábios de Frank com os seus, em um beijo mais breve. Ela não queria pensar nas consequências, ou em como seria quando os dois pisassem no corredor. Era impossível pensar em qualquer coisa quando só o que seu cérebro lhe mandava fazer era continuar beijando Longbottom.

Ela não queria pensar se os dois começariam a namorar escondidos, ou se Frank passaria a ignorá-la mortalmente, ou se os dois fossem expulsos do castelo naquela mesma noite. Sophie lidaria com o que viesse depois, desde que tivesse Frank naquele momento.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Maeve Mackenzie em Qua Dez 09, 2015 5:09 pm

Soltando uma risadinha com o comentário de Remus sobre os boatos absurdos sobre ele e Black, Maeve entrelaçou o braço no dele, bêbada demais para se importar se o gesto poderia ser mal interpretado por quem quer que fosse - e para se importar com tamanho contato físico entre os dois:

- Adoraria a carona, professor Lupin.  – ela disse, em meio aos risos. Após acenar com a cabeça na direção de Sirius e Rebecca ela saiu cambaleando da sala junto com o professor de DCAT.

Depois de virarem um corredor, ela decidiu quebrar o silêncio:

-  Você acha seguro deixarmos Black e a Montgomery a sós? – Maeve sabia muito bem que a animosidade entre Rebecca e Sirius era um caso antigo e que os dois não perdiam uma chance de competirem um com o outro, de alguma forma. Antes que Remus pudesse responder, a atenção da loira voltou-se para a janela, de onde ela podia ver a lua minguante lançando seu brilho pálido sob os jardins de Hogwarts.

Soltando-se de Remus  e ignorando aquela súbita sensação de perda ao se afastar dele ela caminhou até a janela, admirando a vista. Hogwarts era encantadora, mas à noite...de tirar o fôlego:

- É lindo não é? - ela olhou para ele novamente e lembrou-se de algo - Ah! Antes que eu me esqueça... Eu andei lendo sobre.... - ela olhou para os lados antes de abaixar o tom de voz – Sobre sua saúde e fiquei um pouco curiosa - ela o encarou e respirou fundo - É verdade que na Lua Azul vocês ficam mais... - e corando um pouco ela terminou sua fala, todo o hidromel que tinha consumido servindo para que perdesse um pouco do filtro entre pensamento e fala - animados?
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por S. Orion Black em Qua Dez 09, 2015 6:02 pm

Aquele jogo do “eu nunca” servira para Sirius descobrir algumas coisinhas sobre os colegas:

- Maeve Mackenzie era a mais inocente do grupo: por Godric, ela nunca jogara “eu nunca” antes!

- todos os presentes ali queriam beijar alguém: até mesmo Remus, ele notou, quando o amigo depositou o copinho vazio na mesa novamente. “Hmm, interessante” – ele pensou quando Aluado encarou a professora Mackenzie. Antes que ele pudesse filtrar a pergunta para “eu nunca quis beijar alguém presente neste recinto”, Frank Longbotton deixou o jogo para atender a porta e Sirius mudou a pergunta para algo mais leve (“eu nunca matei aula” – todos beberam) porque, pensando bem, aquela pergunta o comprometeria mais do o ajudaria (ele sentira vontade, a alguns dias, de beijar Rebecca num momento de confusão...bem, não vinha ao caso. Não mesmo).

- Rebecca Montgomery era mais interessante do que ele lembrava: strip snap? Sério? Ele precisava, definitivamente, saber mais sobre aquilo. E o fato de que ela tinha lançado aquela pergunta sobre o beijo...Sirius estava orgulhoso! Ela sabia o que estava fazendo.

Assim que Maeve e Remus deixaram a sala, Sirius encarou a professora de Transfiguração enquanto servia mais um pouco de hidromel para os dois:

- Então...strip snap, Monty? – ele empurrou o copinho na direção dela. Era óbvio que o jogo havia terminado – jogar só com duas pessoas não tinha a menor graça e ele sabia que ele e Montgomery terminariam brigando, como sempre. - Devo admitir que estou surpreso. Sempre te vi meio que como uma réplica da Minnie.

E aqui a imaginação fértil e ligeiramente embriagada de Sirius tentou imaginar a professora Minerva jogando strip snap e o auror fez uma careta com a imagem.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Frank Longbottom em Qua Dez 09, 2015 11:28 pm

A pressão do corpo de Sophie contra o seu, o toque quente e macio de seus lábios e a forma como seus dedos deslizavam pelos cabelos castanhos de Frank foram o suficiente para que o rapaz não permitisse que a garota interrompesse o segundo beijo.

Segurando-a firmemente pela cintura - a caixinha de presente já há muito havia sido derrubada –, ele apenas intensificou as carícias. O desejo crescia em ondas, e tudo o que o corpo de Frank pedia era um pouco mais – um pouco mais de contato, um pouco mais dos beijos, um pouco mais de tempo com ela.

Tinha desejado aquilo durante tanto tempo, e se pegara por tantas vezes fantasiando com o momento em que finalmente a beijaria, que não precisava pensar no próximo passo ou no próximo movimento. Seu corpo se movia independentemente de comando, seguindo apenas a sede anteriormente cultivada pelo esforço de fazer a coisa certa.

Mas a coisa certa, naquele momento, era ceder àquele querer. Frank afastou seus lábios dos de Sophie apenas por tempo suficiente traçar um pequeno caminho de beijos por sua nuca, toda a sua atenção voltada para as reações da menina. Ele voltou a cobrir sua boca com a dela, imprimindo o próprio ritmo ao novo beijo.

Somente quando o corpo da garota apresentou alguma resistência física que ele se afastou novamente. Inebriado pelo momento – mais que pelo hidromel consumido -, ele só então percebeu que, em meio aos beijos, andara com Sophie pelo cômodo. Aquele instante, em que ele percebeu que a pressionava contra uma mesa antiga, foi seguido pela realização de que uma de suas mãos deslizara para dentro do suéter branco, onde apertava a cintura dela, e a outra já segurava o seu cachecol ao lado do corpo, prestes a jogá-lo no chão.

Em meio à respiração ofegante, e, sentindo-se subitamente envergonhado pelo seu comportamento impulsivo, ele olhou diretamente nas íris castanhas dela, se esforçando para não imaginar o que ela estaria pensando daquilo.

- Desculpe – ele arquejou mais algumas vezes, enquanto seu olhar insistia em passear pelos lábios e pelo colo recém descoberto da garota – acho que eu bebi mais do que imaginei – ele ensaiou um sorriso enquanto colocava desajeitadamente o cachecol de volta ao redor do seu pescoço, da forma mais respeitosa que conseguiu.

- Talvez seja melhor nós irmos – Frank falou essa última parte muito pouco seguro de si. Ele não queria ir embora, pelo contrário, desejaria estender aquele momento para sempre, se pudesse. Mas ele desconfiava de que, se continuassem ali, aquela versão corajosa e semibêbada de si não seria capaz de manter o autocontrole.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Rebecca Montgomery em Qui Dez 10, 2015 12:11 am

Rebecca levou o copinho que Sirius lhe servira à boca, dando um pequeno gole – agora que o jogo tinha acabado, não fazia mais sentido virar o copo, e suas bochechas já ardiam, o que era um sinal claro de sua embriaguez.

- EEEEW, a Minerva seminua! – a imagem da sua chefe apenas de sutiã dançou em sua mente, e ela fez uma careta de nojinho – obrigada pelo pesadelo! – a almofada em seu colo voou da mão dela em direção a Sirius, enquanto ela gargalhava.

As risadas foram diminuindo aos poucos, com a típica letargia que só o álcool proporcionava, e, então, o verdadeiro significado da comparação dele a atingiu. Sem que percebesse, as sobrancelhas dela se franziram.

- Eu não sei por que você acha que eu sou uma imitação da McG – ela cruzou os braços, um bico surgindo em seus lábios tal qual em uma criança prestes a fazer birra.

Ela abaixou o olhar firmemente para a mesa, examinando as marcas na madeira como se elas fossem a coisa mais interessante do mundo.

– Eu não tenho cem anos de idade, Sirius.

Entre família, amigos e conhecidos, parecia ser consenso que Rebecca era uma pessoa... estrita, e aquilo a incomodava bastante. É claro que ela preferia programas mais tranquilos e absolutamente detestava que as pessoas quebrassem as regras, mas ela era uma jovem como qualquer outra, e se divertia muito bem, obrigada. Ela só sabia dividir bem os momentos para trabalho e para diversão.

- Você sempre faz com que eu pareça uma bruxa velha e chata – ela virou o restinho de bebida no seu copo antes de encará-lo - Nada disso é verdade.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Remus Lupin em Sab Dez 12, 2015 7:35 pm

Remus tinha um sorrisinho admirado nos lábios enquanto observava os terrenos de Hogwarts, iluminados pela lua minguante. A neve que cobria toda superfície estava refletindo aquele brilho azulado, deixando o lugar ainda mais mágico.

A escola podia ser o trabalho e o dia-a-dia de muitos. Mas era o que Lupin tinha mais próximo de um lar e ele se sentia orgulhoso por toda sua beleza. Os olhos azuis se desviaram para Maeve e o sorriso morreu. A respiração ficou presa em sua garganta e ele foi incapaz de fazer qualquer outra coisa que não fosse admirá-la.

Sob a luz prateada e o vento gelado do inverno que balançavam seus cabelos suavemente, Mackenzie estava mais linda do que nunca. Talvez fosse o efeito do hidromel, mas a vontade que tinha durante dias em beijá-la havia se multiplicado em seu peito e Remus não sabia até onde conseguiria se controlar.

Apenas o comentário dela foi capaz de distraí-lo. Sua primeira reação foi arregalar os olhos claros, surpreso que a professora, sempre tão recatada, estivesse realmente insinuando aquilo. No instante seguinte, seus ombros relaxaram e uma gostosa gargalhada o entregou.

Ele havia crescido ao lado de James e Sirius e estava acostumado com perguntas inconvenientes a respeito de seu probleminha peludo. “Isso quer dizer que você teve pelos LÁ primeiro que todos nós???” “Por Godric, Remus! E se você topar com uma lobinha enquanto estiver transformado? Vão fazer sexo animal?” “Não. Eu definitivamente não quero pensar em como são as partes intimas de um lobisomem. Mas é sério, tem alguma diferença?”

- Sinceramente, eu não sei. – Ele respondeu, ainda com o sorriso brincando em seus lábios. – Mesmo na lua azul, durante a transformação eu perco completamente os sentidos.

Seus ombros se encolheram e ele encostou contra a janela, ficando de frente para a loira. Normalmente, falar sobre suas transformações era doloroso demais. Remus se lembrava não apenas da dor física, mas de como sua mente ia se apagando, desaparecendo o homem para dar lugar ao monstro.

Talvez fosse o hidromel, ou talvez ele já estivesse se acostumando com a presença de Mackenzie para falar abertamente sobre o assunto.

- Duvido que a lua azul traga qualquer... – os olhos azuis encararam a parede oposta enquanto ele procurava a melhor palavra. – benefício para um lobisomem, Maeve.

Ele esticou um dos braços até tocar os fios loiros que balançavam com a brisa, o polegar roçando a bochecha levemente corada. Imediatamente, seu coração começou a bater mais rápido.

Mackenzie tinha um efeito sobre ele que conseguia ser tão poderoso quanto a lua cheia. Ela o fazia esquecer da maldição e do monstro que habitava em seu interior, permitindo que ele se sentisse completamente normal em desejar uma mulher.

- Não sabia que você andava lendo sobre a licantropia.

A voz saiu sussurrada enquanto Remus desgrudava da parede, colando seu corpo ao de Maeve. Os olhos azuis passearam pelo rosto bonito calmamente e, sem perceber, sua outra mão pousou na cintura dela.

- Você sabe que tem um lobisomem morando sob o mesmo teto, não sabe? Pode me perguntar o que quiser. Garanto que trarei informações muito mais concretas do que a bobagem que anda lendo.

O sorriso voltou a brincar nos seus lábios sobre a informação de que lobisomens ficavam “animados” na lua azul. Aquele pensamento fez com que ele voltasse a sorrir abertamente enquanto seus dedos brincavam com os fios loiros.

Os olhos azuis estavam brilhando de uma forma diferente enquanto ele se inclinava para baixo, na direção dos lábios de Mackenzie.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Sophie Bennett em Sab Dez 12, 2015 7:36 pm

Sophie confirmou com um aceno da cabeça enquanto tocava os próprios lábios com as pontas dos dedos, incrédula com o que havia acabado de fazer. Seu coração batia feroz contra o peito e o cachecol não se fazia mais necessário, pois o rosto estava quente e provavelmente corado.

Ignorando o calor que sentia, ela puxou o cachecol e evitou encarar Frank enquanto se afastava da mesa. Estava mortificava com o próprio comportamento. Não por simplesmente beijar um professor. Mesmo na posição de autoridade, Longbottom era novo demais para que ela o enxergasse daquela forma naquele momento. Mas porque sabia que estava quebrando as regras e não se importava.

O beijo havia sido excepcional, como jamais imaginou que fosse beijar alguém. Ela sequer sabia que todo o seu corpo fosse capaz de responder de forma tão intensa, ao mesmo tempo, por causa de um único toque. As mãos queimavam com a vontade de puxar o rapaz de volta, mas seu cérebro ainda respondia e lhe ordenava que deixasse a sala, como ele havia pedido.

Bennett costumava ser a razão em pessoa, mas naquele momento, Frank se mostrou a pessoa mais sensata daquele cômodo.

- Eu vou. – Ela se apressou em dizer, os passos apressados na direção da porta.

Antes que saísse, a Corvinal se virou como se tivesse acabado de lembrar de algo. Frank poderia estar sendo sensato, mas havia correspondido o beijo de forma tão intensa quanto ela, o que lhe deu coragem de voltar. Ficando na ponta dos pés, Sophie se esticou até rodeá-lo pelo pescoço com os braços, cobrindo os lábios do rapaz com um novo beijo.

O contato foi rápido e suave, apenas para saciar um pouco a angustia de ficar dias sem vê-lo novamente. Com um sorriso tímido, ela finalmente o encarou.

- Boas festas, Frank.

Girando sobre os calcanhares, ela se afastou mais uma vez, deixando a sala escura e imediatamente sentindo o frio quando não estava mais colada ao corpo de Longbottom.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por S. Orion Black em Dom Dez 13, 2015 1:21 pm

Sirius até tentou se desviar da almofada lançada por Montgomery, porém seus reflexos bem treinados já estavam um pouco lentos por conta do álcool e o objeto acabou atingindo-o no peito, fato que ele achou muito engraçado.

Quando o rosto de Rebecca assumiu um semblante sério, alguns minutos depois, o rapaz se empertigou na cadeira. “Lá vamos nós de novo” – ele pensou, enquanto se servia de mais uma dose de hidromel. Ele e Rebecca sempre acabavam brigando, uma hora ou outra e ele já devia ter se acostumado com aquilo. Focando a atenção nela, Sirius teve que segurar a vontade de apertar as bochechas dela quando a professora cruzou os braços e fez um bico, naquela típica expressão de birra. (“Adorável” – ele pensou, com um sorrisinho)

- ... Você sempre faz com que eu pareça uma bruxa velha e chata. Nada disso é verdade.

Sirius conjurou o copo dela mais para perto, servindo-a.

- Ah, Monty, eu sei. – ele suspirou dramáticamente – Você também sempre faz com que eu me sinta um babaca imaturo e irresponsável.

E empurrou o copo na direção dela antes de continuar a falar:

- ...Não que isso não seja verdade – ele disse, dando de ombros - Acho que estamos quites?

E então, ele teve uma ideia:

- Monty! Vamos fazer uma aposta? Pelos velhos tempos?

Ele a encarou com seus olhos cinzentos, sabendo que ela não recusaria um desafio.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Frank Longbottom em Dom Dez 13, 2015 3:02 pm

Um sorriso travesso surgiu nos lábios de Frank, e foi através dele que o “boas festa, Sophie” foi murmurado em resposta.

Não era sua intenção que a garota saísse sozinha da sala – o mínimo que ele poderia fazer era acompanhá-la até a entrada da torre da Corvinal, talvez se despedir com um beijo mais apropriado e garantir que nenhum fantasma ou zelador atravessasse o caminho entre a sala em que estavam e o dormitório do sétimo ano – mas ela agiu tão rapidamente que ele apenas observou o vão vazio da porta, sem noção de que portava a expressão mais abobalhada que seus traços joviais permitiam. Em sua cabeça, a frase “eu beijei Sophie Bennett” se repetia como um mantra.

Ele havia beijado Sophie Bennett, e aquilo tinha sido maravilhoso. O calor emanado pelo corpo da menina ainda o mantinha aquecido, e o leve formigamento no ponto da nuca em que ela o tocara era o responsável pelos pequenos arrepios de prazer que cortavam o seu corpo. Ele e Sophie haviam se beijado, e aquela realidade era apenas muito boa. Talvez, no dia seguinte, Frank desconfiasse de que aquilo tinha sido apenas um sonho, ou um devaneio provocado pelas musas do álcool, mas o par de luvas de dragão, novamente firmes em sua mão, eram a prova material de que aquele encontro acontecera, e de que ele não imaginara cada toque e cada sensação provocados pela presença dela. Ele beijara Sophie Bennett e, mais importante, ela o havia beijado de volta.

(A manhã de Natal tinha chegado mais cedo para o herdeiro dos Longbottom.)

***

A música animada subia as escadas da mansão Hoffman e chegava à espaçosa suíte do primogênito, Aaron, abafada pela porta e pelas pesadas cortinas que cobriam as janelas. Dentro do cômodo claro e bem aquecido, Frank estava largado em uma das confortáveis poltronas próximas à lareira, os pés sobre a mesinha de centro e uma miniatura de goles voando da sua mão para o ar e de volta.

O quarto bem decorado de Aaron Hoffman era talvez, à parte do próprio quarto, o lugar em que Frank mais se sentia confortável. Os dois se conheciam desde que eram apenas crianças – os Hoffman eram uma família tradicional, e frequentavam os mesmos clubes que e festas que os Longbottom. Foi apenas uma questão de tempo até que eles se aproximassem, e bastou apenas a paixão dos dois pelo Puddlemere United para que, lá pelos nove anos, eles já tivessem se tornado melhores amigos.

Atravessar a adolescência em um colégio interno também tinha sido crucial para que, ainda hoje, e mesmo durante as expedições de Frank, eles continuassem se vendo sempre que possível e se escrevessem com uma frequência até alta – normalmente pequenos bilhetes de Hoffman se acumulavam na escrivaninha de Frank, com relatos soltos de como o amigo, batedor do Puddlemere, tinha acertado em cheio um balaço em algum jogador do time adversário.

Ainda assim, até aquela noite Frank não tinha contado absolutamente nada ao amigo sobre a experiência de dar aulas a Sophie Bennett. É claro que o amigo sabia, ele imaginava, porque tinha pedido ao professor para manter um olho em Benjamin – “Não deixe que os estudos atrapalhem a vida escolar dele!” – e se Aaron tinha saído de seu caminho por tempo suficiente para lembrar que o irmão caçula ainda estava em Hogwarts, não era difícil que ele logo realizasse que a melhor amiga deste também estivesse pelo castelo.

- Cara, você é um otário! – a voz de Aaron ecoou pelo quarto enquanto ele bagunçava o cabelo milimetricamente em frente ao espelho – Eu teria agarrado essa garota há muito mais tempo.

Frank suspirou, a lembrança dos vários casinhos do amigo surgindo à memória sem muita dificuldade - ao contrário do nome das meninas em questão, que nunca ficavam por perto tempo suficiente para que eles se lembrassem.

- Eu sei. Você me disse isso assim que descobriu que eu gostava dela – ele voltou sua atenção para a bola em sua mão, voltando a lançá-la no ar, já fugindo da reação do amigo.

- E isso foi há dois malditos anos atrás, Longbottom! Eu já tive três relacionamentos sérios nesse intervalo! – Frank riu, sabendo que a noção de “relacionamento sério” do amigo se resumia em “qualquer garota que eu consiga aturar durante mais de três semanas” – Até a noite passada a única coisa que você tinha feito sobre o assunto tinha sido mandar uma maldita carta que você sequer teve coragem de assinar.

Sim, a carta... uma declaração apaixonada que Frank escrevera em um arroubo de romantismo alguns meses depois de ter se interessado por Sophie, e abandonou na gaveta de sua escrivaninha durante algum tempo, incerto sobre entrega-la ou não. Aaron podia ter muitos talentos, mas respeitar a privacidade nunca foi um deles. Enquanto procurava por uma pena para roubar do amigo, o batedor deu de cara com a declaração, e não pensou duas vezes antes de despachar a coruja em direção ao dormitório da Corvinal. Como falsificar assinaturas também não era um de seus talentos, a carta seguiu anônima.

- EI! Primeiro, você enviou aquela carta! Segundo, eu achava que ela namorava o seu irmão! – Ele realmente acreditara naquilo. As esperanças de Frank mitigaram no momento em que ele percebeu que a única situação em que ele via Sophie sozinha, e mesmo assim, nem sempre, era na biblioteca. Todo o restante do tempo, a menina estava acompanhada de Benji.
Aaron fez um beicinho em uma careta que indicava que ele estava se esforçando para lembrar de algo - uma mania que Frank sabia que o amigo desenvolvera depois que uma lufana bonitinha disse que era um hábito adorável.

- É, você tem razão. A Mãe já estava querendo planejar o casamento dos dois – ele deu de ombros, finalmente encarando o amigo – Mas e aí, você venceu sua chatice de fazer a coisa certa, beijou a menina na noite passada, e... Ela virou um sapo?

Frank arremessou a bola no estômago do amigo, rindo, e logo se pôs de pé.

- Ela me beijou de volta, e foi fantástico – um sorriso bobo nasceu involuntariamente em seu rosto. Frank sabia de todas as implicações do que fizera na noite passada, mas se proibia de pensar nelas, determinado a não estragar a felicidade que o momento lhe proporcionara (conhecendo o amigo, ele fez questão de deixar de fora o detalhe de que ele tinha se excedido um pouco nos amassos e que ela não parecia ter se importado muito com aquilo)

Aaron encurtou a distância dele, o suficiente para dar alguns tapinhas em sua bochecha.

- Aaaah, bom garoooto! – Ele falava com a entonação de quem fala com um cachorro que aprendeu um novo truque. Frank riu, sabendo que o amigo era irrecuperável, e saiu do alcance dele.

- Melhor a gente descer, seu idiota, seu aniversário já está rolando a algum tempo!

- Isso tudo – ele acenou para o próprio corpo - demora algum tempo para ficar pronto – arrancando uma risada do amigo, o primogênito dos Hoffman deu de ombros, enquanto o seguia em direção à porta do quarto. Assim que esta foi aberta, o volume da música de multiplicou, e nenhum dos dois parecia muito disposto a manter a conversa fluindo.

A última vez que a mansão dos Hoffman tinha estado tão cheia tinha sido em uma das comemorações do aniversário de 17 anos de Aaron. Assim como daquela vez, os pais de Benjamin e Aaron tinham viajado por força de compromissos do Ministério, deixando a casa livre para as nem sempre pequenas festas e encontros promovidos pelo mais velho.

Depois de virar algumas doses de uísque de fogo com os antigos amigos e com pessoas que ele nunca vira antes (aquele ali de amarelo era o goleiro do Puddlemere?) Frank circulou pela festa com sua cerveja amanteigada, disposto a dar um pouco descanso ao próprio fígado. Ele só percebeu que tinha parado em um canto do hall quando, abraçado a uma morena, Aaron se aproximou dele.

- OI, EU ESTAVA PENSANDO! – era preciso gritar por sobre a música para se fazer ouvir, e, mesmo assim, ainda se tinha privacidade na conversa, porque era impossível ouvir o que alguém a um metro de distância conversava – VOCÊ E A... A...

- SOPHIE.

- SOPHIE, EXATO! VOCÊS DOIS JUNTOS SERIA O EQUIVALENTE AO SLUGHORN TER PEGO... SEI LÁ, A BONES?

Frank encarou o amigo, incrédulo, e deu um soquinho no ombro dele.

- VOCÊ É UM BABACA, AARON.

- EU TAMBÉM TE AMO!

Frank revirou os olhos, ciente de que se o amigo estava usando a “palavra com A” é porque ele realmente estava bêbado. Ele deu uma golada da sua cerveja, inclinando a cabeça para trás e fechando os olhos. Quando o copo voltou à posição original, permitindo novamente plena visão da porta de entrada, Frank sentiu o estômago dar um saltinho.

Parada à porta, entregando o casaco à Benjamim, estava Sophie. Os movimentos suaves dela, o modo como seus cabelos balançavam e o brilho nos olhos que faziam companhia ao seu sorriso fizeram com que Frank prendesse a respiração. Ele ainda procurou o amigo – já saindo do cômodo com a garota a tiracolo – tentando saber se aquilo era algum truque ou pegadinha, mas a menina à sua frente parecia ainda mais real que a da noite anterior.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Sophie Bennett em Dom Dez 13, 2015 4:44 pm

Estar de volta em casa era maravilhoso. Sophie gostava de Hogwarts, mas sentia falta de cada coisinha em seu quarto e principalmente de seu pai. Matthew Bennett era um homem de meia idade, viúvo e que fazia tudo que estava em seu alcance pela filha.

Depois de terem passado um dia inteiro andando pela Londres trouxa, o Sr. Bennett havia finalmente se entregado a um cochilo na poltrona em frente a lareira, após avisar com o semblante sério de que a porta do quarto de Sophie deveria permanecer aberta enquanto Benjamim estivesse presente.

Assim como a maioria das pessoas, Matthew desconfiava que existisse algo além da amizade entre sua filha e o caçula dos Hoffman, mas conhecia Benji tempo o suficiente para conseguir relaxar, mesmo sabendo que era um rapaz no andar de cima, com Sophie.

Benjamim estava deitado na cama da melhor amiga, encarando o teto enquanto peças de roupas voavam para fora do closet. Ele tinha a impressão de que já estava naquela posição há meia hora, enquanto Sophie procurava algo para usar no aniversário de Aaron.

Sophie Bennett nunca demorou tanto para se arrumar. Normalmente, ela usava os uniformes de Hogwarts ou roupas já previamente combinadas, comportadas e que não exigiam qualquer esforço. Ela poderia levar uma eternidade para decidir qual matéria era mais importante para começar a estudar primeiro, mas a vaidade nunca foi um problema.

Desde que beijara Frank Longbottom, algo havia mudado. Era a primeira vez que ela gostava de um rapaz e não importava se ele estaria presente ou não. A felicidade que gelava seu estômago a fazia ter vontade de se arrumar um pouquinho que fosse, como se a qualquer momento os dois pudessem se cruzar.

- Ok, estou pronta.

Benjamim se inclinou na cama, suportando o corpo com os cotovelos que afundavam sobre o colchão. Uma das sobrancelhas negras se ergueu quando encarou a melhor amiga.

- Uau... Eu estava pensando em Jeans e tênis, mas isso aí tá... uau.

- Exagerado???

A segurança de Sophie se esvaiu e ela voltou para o interior do closet, encarando o reflexo no espelho de corpo inteiro. Definitivamente, a imagem que a encarava de volta estava longe de ser a menina com roupas recatadas e cores em tons pasteis.

Em seus pés, os saltos altos que nunca havia usado fazia com que sua postura ficasse impecável. O vestido cor de vinho, justo ao corpo, começava na metade das coxas, marcando e valorizando cada uma de suas curvas. O decote quadrado era comportado, mas permitia ver o começo do contorno dos seios e as alças começavam fina e se alargavam sobre os ombros em um formato triangular, permitindo formar um grande decote que deixava suas costas exposta.

Sophie havia deixado os cabelos soltos, caindo em largos cachos sobre os ombros, e não usava joia alguma além de uma pulseira larga e prateada no pulso direito. A maquiagem era leve, mas marcava os grandes olhos castanhos, deixando a boca apenas rosada, quase natural.

- Está ótimo, Sophy! – Benji parou na entrada do closet, ignorando as diversas saias e camisetas que estavam espalhadas pelo chão, sem combinar com o perfil tão organizado da Corvinal.

***

Exatamente como havia previsto, a mansão Hoffman estava lotada e a música alta incomodava seus ouvidos. Sophie não gostava de festas e mal havia saído de casa e já se arrependia de ter escolhido os saltos, que começavam a machucar seus pés.

- Eu não quero demorar... – Sophie resmungou enquanto entregava o casaco ao melhor amigo.

- O QUE? – Benji gritou, já incapaz de ouvir.

Ele aproximou o rosto para que Sophie pudesse falar direto em seu ouvido.

- Eu disse que não quero demorar.

- Viva um pouco, Sophy!

A menina revirou os olhos enquanto dava os primeiros passos, tentando usar toda a sua habilidade para não desequilibrar com a nova altura proporcionada pelos sapatos. Antes que desse o terceiro passo, ela sentiu o corpo travar e arregalou os olhos quando reconheceu o rosto de Frank Longbottom.

Benji, já com os sentidos alterados pelo som alto e a quantidade de pessoas, não percebeu quando a amiga parou, e seguiu o caminho para o lado principal da festa, cumprimentando algumas pessoas.

Sophie sabia que Aaron Hoffman e Frank eram amigos há anos, mas se esqueceu completamente de a possibilidade do professor estar presente naquela noite. Ela tentou se lembrar de tantas festas proporcionadas pelo irmão de Benji antes, mas nunca havia se preocupado se Longbottom estaria presente ou não, pois era a primeira vez que o rapaz ocupava seus pensamentos.

O beijo da noite anterior ainda estava vivo em sua mente, mas ela tinha a esperança de que conseguiria pensar com calma sobre o assunto nos dias que ainda teria antes de retornar a Hogwarts. Não esperava que o reencontro fosse ser tão rápido.

Com passos desajeitados, Sophie seguiu o caminho por onde Benji havia desaparecido, tentando evitar olhar para Frank quando passou ao seu lado. O melhor amigo já havia alcançado a mesa onde alguns colegas de time de Aaron disputavam vira-whisky e o puxou pelo braço.

- Você não me avisou que o professor Longbottom estaria aqui! – ela ralhou, fazendo com que Benji derrubasse algumas gotinhas da bebida que estava levando em direção aos lábios.

O rapaz olhou ao redor procurando Frank antes de se voltar para a melhor amiga.

- Dez pontos a menos para Corvinal. – Ele riu, dando um generoso gole no copinho. – Qual é, Sophy! O Frank é legal e é o melhor amigo do Aaron. Ele não é nosso professor hoje, tá legal?

Benji se esticou para a mesa, depositando o copinho vazio e pegando outro. Antes de beber sua segunda dose, ele encarou a amiga com uma sobrancelha erguida. Sophie olhava ao redor, procurando por Frank que havia desaparecido na multidão. Ao perceber aquilo, o rapaz chegou na única razão que sua mente conseguiria produzir para que a amiga estivesse interessada na figura de Longbottom;

- Nem pense em ir tirar dúvidas sobre dragões, unicórnios ou qualquer outro assunto das aulas, Sophie! O cara está se divertindo! Você deveria tentar também, faz um bem danado!

Foi a vez da sobrancelha de Bennett se erguer ao encarar o amigo. Seus pés estavam doendo, ela estava vestida de uma forma que jamais havia feito antes e havia beijado um professor. Definitivamente não estava agindo como ela mesma há algum tempo e talvez Benji tivesse razão.

Sem dizer uma palavra, ela roubou o copinho das mãos do amigo e o virou, sentindo o gosto forte do álcool descendo queimando pela garganta. Imediatamente seu rosto se contorceu em uma careta e Sophie percebeu que havia bebido firewhisky pela primeira vez.

- Por Merlin, como isso é RUIM! Como vocês conseguem???

A língua da Corvinal estalava no céu da boca enquanto ela tentava se livrar do gosto amargo da bebida. Enquanto a dose circulava em seu corpo, ela sentiu os músculos começarem a relaxar e o próprio pé pareceu ter uma leve melhora no aperto dos saltos.

- Hey... – Uma mão tocou sua cintura, fazendo com que ela desse um pulinho de susto. – Vamos começar uma rodada agora. Querem jogar?

Sophie se virou para encarar o rapaz loiro que sorria gentilmente. Como era comum para a Corvinal, ela foi incapaz de perceber que aquilo era um flerte quando analisou a mesa que estava sendo montada para a brincadeira.

A bebida era péssima, mas parecia ser a única coisa a aliviar as dores dos seus pés. E talvez, se brincasse um pouco, Benji poderia deixa-la ir embora mais cedo e logo estaria confortável em sua cama, longe daquela bagunça toda.

- Eu contra você, Benji. – Sophie sorriu, desafiadora.

- Sophie, você ao menos SABE jogar?

- É só beber, não é? – Bennett balançou os ombros e encarou o rapaz loiro. – Eu contra ele. Vamos jogar.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Rebecca Montgomery em Qua Dez 16, 2015 2:53 am

Rebecca soltou um risinho com a interpretação dramática de Sirius. Quando eram mais novos, sua reação àquele tipo de afetação era um rolar de olhos impaciente e já automático, mas não naquela noite. Talvez fosse apenas o efeito do álcool o responsável pela sua risada (acompanhado de um formigar mais insistente na bochecha), ou talvez fosse o fato de que ela não precisava provar para ninguém que era uma adolescente séria e responsável – muito pelo contrário, a conversa tinha começado com ela querendo convencê-lo de que era uma adulta capaz de se divertir.

“Provar algo” era uma atividade tão comum entre eles dois que se Rebecca tentasse se lembrar de alguma conversa dos dois durante o colégio, as primeiras cenas a surgirem em sua mente provavelmente conteriam as palavras “duvido”, “desafio”ou “aposto”. Às vezes eles levavam aqueles joguinhos tranquilamente – principalmente quando os dois tinham certeza de que não perderiam -, mas nem sempre era assim, e aquela eterna disputa dos dois era a principal razão para a animosidade palpável entre eles durante a adolescência. Bem, aquilo e o fato de que eles eram completamente diferentes.

Assim, quando Sirius propôs uma aposta, os olhos dela brilharam e aquela pequena corrente elétrica que passava pelo seu corpo toda vez que eles se desafiavam deu as caras novamente, depois de muito tempo desaparecida. Naqueles seis anos em que passara afastada do castelo, ninguém tinha sido capaz de despertar sua competitividade da mesma forma que o primogênito dos Black.

- Uma aposta? – ela mordeu o lábio inferior, os olhos estreitos medindo as íris cinzentas dele – Eu topo – ela disse, por fim - O que quer seja, eu topo! – o copinho recém servido foi levantado ao ar, em uma espécie de brinde, e logo em seguida seu conteúdo desceu de vez pela garganta dela, que fez uma careta.

A aversão ao sabor da bebida era o segundo estágio da bebedeira de Rebecca. Ela não costumava beber muito normalmente – normalmente ela parava já no primeiro indício de que exagerara (as bochechas) -, mas as noites festejando os aniversários de Acantha lhe ensinaram que ainda havia mais três degraus antes que seu corpo alcançasse o fundo do poço de vez.

Naquela noite, no entanto, a professora estendera as horas de trabalho corrigindo as últimas redações – queria evitar o trabalho durante o feriado – e acabara pulando o jantar. Ela nunca havia bebido de estômago vazio, afinal de contas, a coisa responsável a se fazer era comer antes. De toda forma, Rebecca desconhecia os efeitos do álcool em seu corpo sem o acompanhamento de uma refeição apropriada.

No momento em que a bebida deixou o seu esôfago, ela sentiu a queimação subindo em sua garganta. Aquilo não era um bom sinal, e ela automaticamente levou a mão à boca e respirou fundo, na esperança de que aquilo pudesse ajudá-la. Por um segundo, parecia que tinha de fato ajudado. Ela trocou um rápido olhar com Sirius, mas logo a segunda onda veio, e, dessa vez, mais forte que a anterior; a jovem teve tempo apenas para se inclinar para o lado, dando vazão ao nojento líquido que jorrou de sua boca.

*****

A dor latejante na cabeça de Rebecca se fez sentir antes mesmo que ela pudesse abrir os olhos. A segunda coisa que ela percebeu, ainda com os olhos fechados, foi que o crepitar da lareira estava anormalmente alto – e, Merlin, como eles faziam sua cabeça doer mais ainda.

Seus olhos foram abertos aos poucos, enquanto se acostumavam com a luminosidade fraca que entrava pelas pesadas cortinas. Seu quarto estava exatamente da mesma forma que deixara na tarde anterior – impecavelmente arrumado, à Exceção do malão aberto sobre a poltrona, onde parte de suas roupas já tinham sido guardadas.

Ela se remexeu na cama, e o movimento fez ela sentisse o roçar sobre sua pele, bem menos suave que as fofas cobertas do castelo. Só então ela desceu o olhar, percebendo que dormira coberta por uma jaqueta de couro. “ De onde veio isso?

Usando as mãos como apoio, ela se sustentou para sentar na cama. Todos os seus movimentos foram lentos, porque parecia que até mesmo o menor deles era capaz de provocar uma série de pontadas em sua cabeça.

Ela alcançou a jaqueta, que escorregara para seu colo, e começou a revirá-la, procurando alguma informação que justificasse a presença daquela peça ali. A única coisa que ela encontrou, no entanto, foi uma carteira de cigarros. Suas sobrancelhas se juntaram, e, enquanto era fácil deduzir que o combo jaqueta de couro e cigarros tinha a cara de Sirius Black, ela ainda não entendia por que aquilo estava em seu quarto. Seus olhos vagaram novamente pelo quarto, como se pudessem encontrar a resposta em algum móvel.

De fato, a elucidação veio em forma de um pequeno vidrinho de poção cura-ressaca e de um bilhete, ambos sobre o seu criado mudo.

Essa poção faz milagres. Seja uma boa menina e tome tudo.
-S.B.

Ela não se lembrava de ter sido trazida para o quarto por Sirius. Para falar a verdade, a última coisa que ela lembrava era de ter se despedido de Remus e Maeve.
Por Morgana, o que havia naquele hidromel?
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Frank Longbottom em Qua Dez 16, 2015 2:54 am

Foi impossível para Frank não perceber o quão bonita Sophie estava em seu vestido vinho, assim como foi impossível também segurar o sorriso em seu rosto quando seus olhares se encontraram. O rapaz não esperava ter uma outra oportunidade de vê-la antes do início das aulas, e, apesar de não ter a menor ideia do que fazer, se sentia genuinamente feliz com aquela surpresa.

No momento em que ela passou por ele seguindo Benjamin, no entanto, o sorriso se transformou em uma pequena careta. Ele poderia ter imaginado toda sorte de reações dela para o momento em que eles se reencontrasse, exceto ser completamente ignorado – e aquele não era um sentimento muito bacana.

Frank chegou a se virar, o olhar seguindo o caminho traçado pelos cabelos castanhos por entre a multidão dançante de convidados. Um pouco antes de perdê-la de vista, ele se virou para atender a quem quer que o cutucasse no ombro.

- Achei que você já estaria de porre!

Sua expressão automaticamente se suavizou ao reconhecer o sorriso aberto à sua frente, e um rápido abraço foi trocado.

- Alice! Eu não sabia que você viria! – Ele precisou se inclinar e falar bem perto do ouvido dela.

Alice Prewett, tinha se graduado no mesmo ano em que Frank. Os dois grifinórios tinham sido amigos desde os primeiros anos na escola, e chegaram até mesmo a namorar por um curto período durante o quinto ano – até que eles perceberam que eram amigos demais para que o relacionamento amoroso desse certo. O término foi rápido, indolor e sem dramas. Os dois continuaram se falando normalmente depois, mas, depois da formatura, perderam um pouco o contato, como já era de se esperar.

- Ainda assim, aqui estou eu - A garota loira riu e deu de ombros, balançando os cabelos lisos – Hey, o que eu tenho que fazer para conseguir uma bebida por aqui?

Alice adoraria colocar o papo em dia com Frank – tinha ouvido a história de que ele tinha colocado uma mochila nas costas e decidido se aventurar, assim como os rumores de que ele agora lecionava em Hogwarts, e realmente adoraria ouvir tudo sobre as experiências do amigo - mas as festas de Aaron nunca tinham sido ambientes propícios para conversas, e naquela noite, em especial, a música estava tão alta que era difícil ouvir os próprios pensamentos.

- Eu te mostro o caminho! – ele acenou com a cabeça e se virou para abrir caminho entre os convidados mais animados, e não estranhou quando, com a naturalidade de quem já havia enfrentado juntos um número suficiente de festas na mansão Hoffman, a ex-colega alcançou o seu braço livre, sendo guiada até o cômodo ao lado.

- Como sempre – Frank voltou a falar ao ouvido da amiga – Ali está a comida, ali as bebidas geladas – ele apontava cantos diferentes da sala com o dedo enquanto falava – as poções anti-enjôo estão na cozinha, tá rolando uns drinks estranhos por lá também, e o vira-whisky tá rolando no estúdio. O que você quer?

- Whisky!

Com um aceno de cabeça, ele desviou o caminho em direção ao estúdio e, com um pouquinho de dificuldade para desviar das pessoas, eles logo chegaram ao cômodo.

- Vira! Vira! Vira! Vira! Vira!

Frank esticou a cabeça para ver quem estava jogando – era ridículo, ele sabia, mas ele adorava aquele jogo, principalmente porque era o modo mais rápido de alguém ficar bêbado e começar a fazer besteiras. Um grupo de rapazes que estava ao redor da mesa saiu, dando a ele uma visão clara dos participantes. Seu olhar se deteve sobre Sophie, virando o próprio copinho entre Benji e um rapaz loiro que ele não conhecia.

A cena foi como um segundo balde de água fria para ele. Aquele jogo em nada parecia ter as cores de Sophie – ele ainda se lembrava dela recusando o cantil que ele lhe oferecera em sua formatura, quando Benji e ela ficaram para a comemoração a convite de Aaron. Claro que aquilo poderia ter mudado nos dois anos que se passaram, ou ela não estaria em uma roda de vira-whisky, mas aquilo não parecia certo. Aquela simplesmente não era a Sophie que ele conhecia.

- Aquela ali vai cair rapidinho! – A voz de Alice se fez ouvir por sobre a música, e ele apenas concordou com a cabeça. De fato, ele já vira partidas suficientes daquele jogo para saber quando alguém não daria conta de levar a brincadeira até o final, e a garota dos cabelos castanhos e do vestido vinho dava todos os sinais de que seria a primeira a sofrer os efeitos da bebida.

Pelo sim ou pelo não, Frank decidiu que ficaria por perto, caso ela precisasse de ajuda.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Sophie Bennett em Sex Dez 18, 2015 1:07 am

Quando o segundo copinho de firewhisky foi devolvido à mesa vazio, Sophie abriu um sorriso orgulhoso, encarando as pessoas mais próximas.

- Eu ganhei???

O loiro ao seu lado soltou um risinho nasalado e balançou a cabeça.

- Você precisa beber tudo primeiro.

Os lábios rosados se entreabriram quando os olhos castanhos encontraram a fileira de copinhos com a bebida a sua frente, ainda intocados. Sophie nunca havia bebido antes, e consequentemente, nunca havia brincado de vira-whisky, de modo que havia entrado no jogo sem sequer saber das regras.

Benji, do outro lado da mesa, continuava virando um copinho atrás do outro, sem interrupções, o que fez com que a Corvinal se apressasse para mais uma dose.

Ela não havia nem mesmo chegado na metade quando o amigo encerrou sua fileira de copinhos e soltou um gritinho, orgulhoso com a conquista.

- Uuuuuhul! – Com os punhos cerrados, Benji ergueu as mãos em um gesto de vitória.

Bennett era competitiva demais, e se aquela fosse uma ocasião normal, ela provavelmente não se permitiria perder tão facilmente. Mas as quatro doses que haviam sido engolidas pela Corvinal eram mais do que suficientes para que ela ignorasse a racionalidade.

Os pés haviam finalmente parado de doer, mas parecia que seu rosto estava pegando fogo. Era impossível dizer exatamente em que momento a festa havia ficado tão quente e meio fora de foco.

Era uma sensação estranha, como se Sophie precisasse urgentemente usar óculos, mas ao mesmo tempo era engraçado e divertido, sem motivo algum. Quando Benji se colocou ao seu lado, ele também tinha um olhar perdido, mas parecia ter muito mais controle sobre o próprio corpo do que a amiga.

- Ganhei! – Ele disse, estufando o peito com orgulho.

- Dez pontos para a Corvinal, Sr. Hoffman.

O sorriso relaxado que brincava nos lábios de Sophie combinava perfeitamente com a visão da adolescente arrumada daquela noite, mas não lembrava a centrada e séria aluna do sétimo ano, obcecada com as melhores notas e seu futuro como Curandeira.

- Só dez??? – Benji torceu o nariz, arrancando mais um risinho abobalhado da amiga. – Deveria ser dez por cada dose!

Uma mão de Sophie se apoiou no ombro do amigo enquanto ela se virava para se afastar da mesa, onde começaria uma nova rodada de Vira-Whisky.

- Isso daria o que? – As íris castanhas encararam o teto enquanto ela tentava realizar a conta simples como se fosse a operação matemática mais difícil de todos os tempos. – 150 Pontos? 80?

O rosto de Benjamim também se contorceu enquanto ele tinha a mesma dificuldade que a amiga para fazer as contas, mas foi completamente ignorado por Bennett quando sua visão se fixou em Longbottom, em uma curta distância.

Como vinha acontecendo nos últimos meses, seu coração bateu mais rápido e o estômago deu uma cambalhota com a presença dele. Inconscientemente, Sophie mordeu o lábio inferior, lembrando do beijo da noite passada. Todos os feitos que ela já conhecia tão bem pareciam ter se intensificado com o efeito da bebida.

Para piorar, o Whisky inibia qualquer tentativa de racionalizar sobre aquilo. Era a pura e simples vontade de beijá-lo novamente. Uma ou duas doses a mais, e ela teria atravessado a festa até beijá-lo na frente de quem quer que fosse.

Quando este pensamento cruzou sua mente, Sophy sorriu bobamente, imaginando a reação do professor se cumprisse seus devaneios. No segundo seguinte, o sorriso morreu quando Alice finalmente entrou em seu campo de visão.

Ela se lembrava vagamente da menina, quando estudava em Hogwarts. Prewett era uma boa aluna, mas foi uma lembrança aleatória que invadiu a mente de Sophie. Frank e Alice juntos em um corredor, no início de namoro.

O estômago de Sophie afundou, diferente da forma tão gostosa que acontecia quando estava a sós com Longbottom. Os olhos castanhos encararam fixamente o casal, sem se importar se estava sendo vista também.

Bennett não se lembrava de algum dia ter sentido ciúmes de alguém. Talvez de Benji, mas era algo completamente diferente do que estava experimentando naquele momento.

Os lábios se curvaram em um biquinho de desagrado ao imaginar que os dois ainda estavam juntos.

O lado racional de Sophie diria que seria ótimo. Assim, haveria mais um motivo para os dois se manterem afastados. Mas a bebida havia nocauteado seu lado racional, deixando Bennett apenas com o ciúme e a insegurança de ter sido beijada por um rapaz comprometido.

Talvez Frank não fosse o bom rapaz que tanto parecia ser. Afinal de contas, ele havia beijado uma aluna, algo imensamente errado. Não seria exatamente uma imensa surpresa se ele tivesse traído a namorada na noite passada.

- Vou pegar uma água pra gente, tá legal?

Movida pelo ciúme que corria em suas veias junto com o álcool que lhe dava uma coragem que normalmente não existia, Sophie ignorou completamente a voz de Benji. Sem perceber, a respiração estava mais pesada e os pulsos cerrados, e no momento em que o amigo saiu de seu lado, ela andou decidida até o casal.

No instante em que parou diante de Alice e Frank, ela conseguiu exibir o seu melhor sorriso inocente, tocando o braço do rapaz no último segundo quando sentiu o salto desequilibrar, mas disfarçando elegantemente.

- Professor Longbottom! – Sophie fingiu surpresa.

Ela raramente chamava Frank de professor, com exceção das aulas quando era estritamente necessário. Ele era novo demais, o que justificava muitas vezes chama-lo apenas de “Longbottom” diante de outras pessoas, ou “Frank”, quando estavam sozinhos.

- Não sabia que estaria aqui. – Sophie olhou dele até Alice, completando docemente. – Não vai me apresentar a sua namorada?

Sem esperar pela resposta, ela esticou o braço na direção da morena, mantendo o sorriso nos lábios, apesar da vista ainda não estar conseguindo manter o foco.

- Sou Sophie Bennett. A aluna preferida do professor Longbottom. Não é mesmo?

Quando terminou de falar, ela encarou Frank mais uma vez, tentando disfarçar a ansiedade pela resposta. Era provável que ele percebesse exatamente onde queria chegar, mas o whisy havia lhe dado a coragem necessária para conseguir aquela resposta de forma mais rápida e de uma maneira que ele não conseguiria mentir.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Frank Longbottom em Sab Dez 19, 2015 3:04 am

A garganta de Frank se travou em uma tosse nervosa com a insinuação de Sophie, o susto substituindo rapidamente a pontada de ansiedade que o simples caminhar dela em sua direção tinha plantado em seu peito.

Era difícil dizer se o que o perturbava mais era a parte dela achar que Alice e ele namoravam, a charada sobre ser a sua aluna favorita ou apenas a atitude geral da menina à sua frente. Ele conhecia o bastante da personalidade forte da morena para intuir que resposta alguma seria suficientemente boa para suprir aquele seu olhar inquisidor.

Enquanto o rapaz se recuperava do acesso de tosse, Alice estendeu a própria mão para apertar aquela que lhe era estendida, e sorriu confiante para a garota em sua frente:

- Aposto que sim – a loira trocou um olhar significativo com Frank antes de continuar, reprimindo um risinho – Eu sou Alice Prewett.

Frank arregalou os olhos, vendo que a amiga não desfizera o mal entendido nem respondera à pergunta original de Sophie. Assim como Aaron, ela também descobrira que ele tinha sido apaixonado por Sophie Bennett durante quase todo o sétimo ano, e, se para ele era claro que ela pretendia pirraçá-lo com aquela informação, a interpretação de Bennett com certeza seria completamente diferente.

- Alice foi minha colega em Hogwarts – ele se apressou a dizer, buscando o olhar da garota. Precisava desfazer aquele mal entendido, mas se sentia compelido a não ser tão explícito em frente à ex-colega. Ela tinha sido uma boa amiga durante os anos de escola, mas eles já não eram tão próximos assim, e aquele era um assunto que exigia total confiança para ser tratado – nós somos amigos desde então.

As grandes íris castanhas lhe diziam claramente que aquela era uma resposta insuficiente. Ele olhou rapidamente da amiga para a garota, e forçou um sorriso.

- Você parece precisar de água – em um movimento rápido, Frank se colocou entre as duas mulheres e esticou a mão direita até Sophie suavemente no braço. A festa barulhenta e lotada era a antítese do lugar ideal para que os dois conversassem, mas era provavelmente a única oportunidade que ele teria. Diferentemente do adolescente de anos atrás, ele não estava disposto a deixar a oportunidade passar – podemos conseguir um pouco na cozinha. Por que você não me acompanha?

Alice encarava as costas do rapaz, de modo que estava impossibilitada de ver o olhar suplicante que ele lançava à garota. De todo modo, Frank não se importava se ela, o loiro na mesa do vira-uísque ou o próprio Dumbledore eram capazes de ler sua expressão. A única coisa que ele queria era a oportunidade de entender o comportamento tão atípico de Sophie Benett.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Sophie Bennett em Sab Dez 19, 2015 11:07 am

Com um gesto mudo, Sophie acompanhou Frank até a grande cozinha dos Hoffman. O forte barulho da música alta chegou abafado aos seus ouvidos no momento em que entrou no cômodo consideravelmente mais vazio.

Na grande ilha que existia no centro, estavam espalhados alguns petiscos que pouco recebiam atenção, alguma garrafas de bebidas pela metade e poucas pessoas que se agrupavam para conversar, o que era muito mais fácil de ser feito do que na parte mais movimentada da festa.

Uma das sobrancelhas escuras se ergueu quando um casal passou pela porta da cozinha em direção à parte externa da mansão trocando risinhos, mas logo sua atenção se voltou para a garrafa de água estendida a sua frente.

O gosto do firewhisky ainda estava amargando sua boca, mas a sensação que havia se espalhado em seu corpo era nova e agradável. O álcool parecia ter aliviado toda sua tensão, todos os seus problema, dando uma sensação de liberdade, como se ela tivesse a coragem e a capacidade de fazer qualquer coisa.

Bennett sabia que era uma sensação passageira, mas era ótimo não ser a centrada Sophie de sempre por algumas horas.

Os olhos castanhos buscaram ao redor até que a garrafa de hidromel pela metade chamou sua atenção. Ignorando completamente a água que lhe era oferecida, Sophie deu alguns passos até o balcão e se serviu de uma generosa dose de hidromel. Quando deu o primeiro gole, um sorriso de satisfação se espalhou em seus lábios. O gostinho doce era delicioso e a fazia esqueci completamente do amargo quente do firewhisky.

- Acho que essa é minha nova bebida favorita.

Um novo gole generoso deixou o copo pela metade antes de servir novamente. Talvez por ser mais adocicado, Sophie conseguia beber em goles maiores e com uma aprovação que não tinha encontrado na brincadeira do vira-whisky.

Logo a falta de foco pareceu aumenta e a língua parecia pesada demais para conseguir falar, mas Sophie se sentia ótima, feliz e pela primeira vez estava achando uma festa de Aaron Hoffman divertida.

Quando o copo estava finalmente cheio, Sophie volto sua atenção para Frank. Apesar da vista embaçada, ela nunca teve tanta certeza antes de como queria beija-lo, sem filtro algum de que era inapropriado. Apenas a lembrança de Alice no cômodo ao lado era capaz de mantê-la em uma distância segura, o ciúme ainda lhe contorcendo o estômago.

- Então Alice é sua amiga.

Os olhos castanhos se estreitaram e ela apontou o indicado contra o peito de Logbottom com a mão que segurava a bebida

- Você tem amigas muito bonitas, Professor Logbottom. Bonitas demais para o meu gosto.

Sem perceber o ciúme explícito em sua voz, Sophie deu mais um gole na bebida.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Frank Longbottom em Sab Dez 19, 2015 7:56 pm

As íris verdes acompanhavam cada movimento incerto da menina a sua frente. Como era de se esperar, os efeitos do whisky de fogo já davam sinais de presença, principalmente nos pequenos detalhes - o hidromel que transbordara o copo quando Sophie se serviu, as alterações repentinas em seu humor e o sorriso bobo que acompanhou sua declaração de amor à bebida.

Ao contrário dela, e apesar da quantidade razoável de álcool em seu organismo, Frank estava tão sóbrio quanto o momento que antecedeu sua chegada à mansão Hoffman (a bebida aparentemente evaporara de seu corpo no momento em que a garota passou pela porta de entrada). A típica tensão de estar sozinho com Sophie Bennet - a que ele já se familiarizara e que, até mesmo, já buscava - se misturava com a sensação de completa falta de controle da situação à sua frente.

No momento em que ela finalmente desviou sua atenção da garrafa quase vazia para ele, Frank sentiu um nó no estômago. A garrafinha em sua mão foi aberta e, sem desviar os olhos da garota, ele a levou aos seus lábios, dando um gole rápido, como se aquele pequeno gesto fosse, talvez, capaz de amenizar a explosão que ele acreditava que logo aconteceria.

- Alice é apenas minha amiga - ele inclinou um pouco a cabeça, de modo que pudesse olhá-la dentro dos olhos, mesmo com a proximidade e a diferença de altura entre eles. Suas sobrancelhas se uniram em uma expressão de estranhamento e os braços se cruzaram, automaticamente.

A preocupação anterior começava a dar espaço para um verdadeiro incômodo, e ele já começava a achar ofensivo que ela desconfiasse dele.

No entanto, o óbvio ciúme na voz de Sophie, bem como o beicinho que ela fizera ao terminar o seu gole de hidromel retiraram todo o peso das costas de Frank.De repente, aquela pequena cena que ela criara lhe parecia apenas adorável. O rapaz se permitiu um sorriso aberto, que logo se transformou em uma risada rápida.

- Eu não tenho culpa sobre a aparência das minhas amigas, Sophy - ele fez questão de olhar novamente em seus olhos castanhos, e usou a mão direita para colocar uma mecha de seu cabelo atrás da orelha - E eu agradeceria se você não me chamasse de professor. Pelo menos não hoje à noite.

Os dedos dele correram até sua bochecha, onde ele fez um carinho com o polegar. A última coisa que ele precisava, naquela noite, era ser lembrado das consequências que seria obrigado a enfrentar caso alguém descobrisse que o mais novo professor de Hogwarts tinha beijado uma aluna e pretendia fazê-lo novamente.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Sophie Bennett em Dom Dez 20, 2015 2:37 am

Mesmo depois que Frank termino de falar, a mente de Sophie demorou a processar a informação, levando tempo demais para raciocinar até as coisas mais simples. Por fim, as pálpebras piscaram lentamente, parecendo pesadas demais para aquele movimento natural.

- Tudo bem, Frank. – Sophy corrigiu, dando um sorrisinho torto.

O movimento dos dedos dele em seus cabelos fez com que todos os seus sentidos se esquecessem do restante do mundo, se concentrando apenas naquele pequeno universo que existia só com ela e Longbottom.

Inconscientemente, Sophie deu um passo na direção dele, erguendo os olhos castanhos para encará-lo. Sem perceber, o sorriso torto se tornou suave, mas parecia impossível focar o rosto de Frank, mesmo com a proximidade.

- Eu acho que estou muito bêbada. – Ela admitiu, fechando os olhos rapidamente.

Os poucos segundos foram suficientes para que tudo começasse a girar, obrigando a erguer as pálpebras imediatamente.

- Ops! Não vai descontar pontos da Corvinal por isso, não é?

O riso divertido logo surgiu, mas o rosto dela logo se contorceu em reconhecimento, os olhos arregalados e a boca em um biquinho.

- Essa música! Oh, eu adoro essa música!

O som ainda chegava abafado na cozinha, mas era possível identificar as batidas da música agitada. Sophie imediatamente começou a balançar os quadris e ombros de um modo desengonçado, sem sair do lugar. Mais uma vez, ela fechou os olhos e a tontura a invadiu de imediato.

Por um segundo, Bennett perdeu o equilíbrio, e tropeçou um passo para frente, caindo de encontro ao peito de Frank. Agora, mesmo com os olhos abertos, tudo parecia girar e Sophie começava a suspeitar que não havia sido uma ideia tão boa beber.

- Frankie? Pode fazer a cozinha parar de girar, por favor?
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por Frank Longbottom em Dom Dez 20, 2015 11:56 pm

Tendo a certeza de que Sophie não estava agindo daquela forma por causa dele, Frank permitiu-se rir da piada dela. Para ser bem honesto, era maravilhoso ver a menina agindo como qualquer outra garota de sua idade e relaxando para variar, em lugar da postura tão rígida que ela adotava sempre. Não havia um único pedacinho de Frank que duvidasse que os sorrisos dela, apesar de ébrios, fossem algo menos que genuínos.

Qualquer um que entrasse naquela cozinha seria capaz de apreender, pelo modo completamente encantado com que seus olhos acompanhavam os desengonçados passos de dança da garota, que Frank Longbottom era apaixonado por Sophie Bennett. Por sorte, o cômodo permaneceu completamente vazio, e ele pôde acompanhar a dancinha dela até o primeiro refrão, antes que ela tropeçasse e caísse de encontro ao peito do rapaz.

O instinto protetor agiu sem que Frank precisasse comandar reação alguma ao seu corpo. Os braços imediatamente a envolveram em um abraço, e ele pôde sentir o perfume delicado dela misturado ao álcool. Com um risinho, ele passou os dedos pelos cabelos dela em um afago carinhoso, afastando algumas mechinhas da franja de sua testa.

- Logo isso passa. Você só precisa descansar um pouco, pequena.

Ele afundou o rosto no cabelo dela, sentindo o cheirinho do seu shampoo antes de depositar um breve beijinho no topo de sua cabeça.

- Porque eu não te levo para casa? Não acho que você vá conseguir aproveitar mais muita coisa dessa festa...

Frank afastou um pouco o seu corpo do dela, ainda com um dos braços firmemente envoltos em sua cintura, e, com a mão livre, conduziu o queixo dela de forma que obrigatoriamente ela teria que encará-lo.

- Eu posso te aparatar. Uma poção antienjôo deve dar conta da viagem, pelo menos.
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Re: Maraudering - UA

Mensagem por S. Orion Black em Ter Dez 22, 2015 12:02 am

Antes que pudesse dizer à Rebecca qual seria a aposta (ele sabia que ela toparia no minuto que deu a ideia), Sirius a viu tampar a boca com a mão e após uma rápida troca de olhares, a moça virou para o lado, despejando todo o seu conteúdo estomacal no chão.

Levantando num pulo da cadeira, Sirius deu a volta na mesa e se aproximou dela, tentando não olhar para a poça recém formada aos pés da moça:

- Acho que já chega de hidromel por hoje, Monty. - e, com um aceno da varinha ele fez o vômito desaparecer.

- Mas eu quero saber da aposta! - a garota insistiu, a voz saindo meio arrastada.

- Vai ter que ficar pra outro dia. – Sirius a puxou pela cintura com facilidade, erguendo-a da cadeira - Vem, vamos pra cama. – e depois de passar um braço dela ao redor do pescoço, o rapaz a guiou até os seus aposentos, que não ficavam muito longe dali.

- Por aqui, Monty - Sirius a sentou na cama e se abaixou, tirando os sapatos dela. Ao erguer os olhos, viu que a bruxa o encarava. – Você não vai vomit – antes que pudesse completar a frase, Sirius foi surpreendido por uma mão macia entrelaçando os dedos em seus cabelos. – Monty...? – ele não fez questão de disfarçar a confusão em sua voz. Será que ainda estava bêbado a ponto de imaginar as coisas?

- Black....você é tão... - Sirius a encarou, atento ao que viria a seguir, mas passado alguns minutos de silêncio ele percebeu que Rebecca havia dormido sentada.

- Tsc. - ele girou os olhos, erguendo-se do chão e empurrou Rebecca pelo ombro, com delicadeza , fazendo-a se deitar na cama. Com um aceno da varinha ele acendeu o fogo e vasculhando pelo bolso da jaqueta encontrou uma poção cura ressaca perdida por lá. – Ela vai precisar disso mais do que eu – ele disse, em voz alta. Depois de rabiscar um bilhete, deixou o frasco da poção a um canto e caminhou até a porta. Agora que parara de beber ele sentia o cansaço invadir seu corpo.

Dando uma última olhada em Rebecca ele viu que a garota dormia abraçada ao próprio corpo. Suspirando, Sirius despiu-se de sua jaqueta de couro e a cobriu.

- Noite, Monty. – ele disse, quando o rosto dela assumiu uma expressão mais serena.

~*~*~*~

O apartamento de Sirius estava intacto: a cama, que ele deixara por fazer, continuava desarrumada e a pilha de pratos e copos sujos continuavam na pia da cozinha.

Lily Evans com certeza giraria os belos olhos verdes diante daquela cena, dizendo que aquela bagunça fazia jus a um apartamento de um homem solteiro. Com um sorrisinho o auror tirou a varinha do bolso e iniciou a faxina mais que necessária.

"A Lily vai ficar orgulhosa" - ele pensou, quando os pratos na cozinha começaram a se lavar sozinhos. Caminhando até a vitrola trouxa enfeitiçada por ele na época da escola, Sirius colocou seu CD favorito pra tocar e logo a voz de Bob Dylan preencheu o pequeno apartamento. Passara tanto tempo em Hogwarts, rodeado de pessoas, que agora o silêncio o incomodava.

Depois de arrumar o que precisava ser arrumado, Sirius tomou um banho e enquanto fazia a barba, uma batidinha na janela da sala chamou sua atenção: uma coruja-da-torre bicava o vidro e depois que ele a deixou entrar, soltou uma carta aos seus pés.

- Horácio Slughorn - Sirius leu o nome do remetente em voz alta. Já imaginando o que era, Sirius terminou de ler o pergaminho com um sorrisinho - Bom, parece que teremos planos para o Natal.

E, assoviando, foi terminar de fazer a barba.
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