The Marauders

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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Out 27, 2015 12:42 am

Victoria escutou tudo com atenção, sem dizer uma única palavra. Começava a se arrepender de ter insistido para falar com Potter. Havia sido levada pelo impulso de querer, mais uma vez, ficar a sós com ele, mas o seu orgulho não permitiria que ela fizesse nada que realmente tinha vontade.

Ela se apoiou contra uma das colunas da primeira cabine individual e fitou o chão por alguns segundos. A cada frase de James, começava a refletir se o que havia acontecido entre eles não se devia a infelicidade do rapaz no relacionamento com a Grifinória. Era mais provável que Potter tivesse se deixado levar pelo momento quando a beijara, frustrado com o peso de um relacionamento fracassado, do que movido por um sincero interesse pela Sonserina.

Agora que estava solteiro, o rapaz estava livre para se envolver com qualquer outra menina que realmente gostasse, e uma coisa era certa, ela e Evans não estavam nessa lista. Ver Lily e James juntos já era algo extremamente desagradável, mas imaginá-lo com alguma garota qualquer, com quem ele tivesse coisas em comum e que ele realmente gostasse lhe incomodou bastante. Sem perceber, um biquinho se formou em seus lábios e ela fungou, erguendo o rosto para fitar a janela no alto do banheiro, como se aquele movimento pudesse espantar os pensamentos.

- A Evans vai superar, Potter. – ela cruzou os braços, ainda sem encará-lo. – Se você acredita que fez a coisa certa, ela logo vai entender e parar de fazer drama.

Com a última frase, os olhos azuis giraram em tédio ao lembrar-se do estado da ruiva naquele dia. Ela soltou os braços, deixando-os cair contra o corpo e finalmente pousou as íris claras no rapaz a sua frente. Mesmo com a luz ruim do banheiro, Potter despertava um frio gostoso em sua barriga. Os cabelos espetados e os óculos que cobriam traziam harmonia para o rosto bonito dele.

McMillan precisava parar de provocar aqueles encontros com Potter, a tentação de estar com ele ficava cada dia mais forte e ela começava a se perguntar até quando seu orgulho lhe manteria afastada.

Com um gesto rápido, ela pegou a bolsa verde esquecida no chão e a pendurou em um ombro. Quando se colocou de pé novamente, ela abriu um sorrisinho travesso, aliviando a tensão do momento. Enquanto Constance usava a máscara da frieza e abusava de palavras ácidas para disfarçar seus sentimentos, Victoria tentava transparecer indiferente da situação e se mostrar divertida, como se nada pudesse abalar seu bom humor.

- Bom, pense pelo lado positivo. Ao menos você agora tem mais tempo para treinar Quadribol e não ser tão humilhado quando enfrentar a Sonserina na próxima semana.

Victoria deu alguns passos na direção da saída do banheiro, mas parou quando estava ao lado de Potter. Ela colocou uma mecha do cabelo loiro atrás da orelha, seu sorriso se alargando.

- Ou você pode simplesmente nos entregar a taça de Quadribol e se poupar de qualquer vexame.

Seus ombros se sacudiram e Vicky piscou um olho. Ela ergueu uma mão e o cutucou com o indicador enquanto a outra estava apoiada na bolsa verde.

- Você que escolhe, Potter. De qualquer forma, não vai ter a menor chance contra o Regulus.
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Ter Out 27, 2015 12:58 am

Sirius já havia limpado mais de quatro poleiros quando a reclamação de McMillan ecoou, fazendo-o virar o pescoço para encará-la por cima do ombro. Sua mão continuou suspensa, cm uma escova em seus dedos, enquanto tentava limpar a superfície do quinto poleiro. Antes de continuar o serviço, as íris cinzentas passearam dos pés até a cabeça da Sonserina e ele se permitiu admirá-la por alguns segundos.

A calça justa torneava suas pernas de forma perfeita. Apesar da química já conhecida, era a primeira vez que Black reparava que o corpo da ruiva estava muito acima da média das demais garotas do castelo. Talvez o uniforme que costumava vê-la vestida não fizesse jus às curvas de Constance. Os cabelos presos em um firme rabo-de-cavalo deixavam a amostra os traços delicados do lindo rosto que ele já conhecia tão bem. Até as orelhas pequenas o encantavam.

Ele se obrigou a voltar sua atenção para a limpeza antes que McMillan percebesse seus olhares.

Sirius não falou nada, mas ele concordava com a menina, o diretor estava mesmo caducando se achava que algum dia seria possível deixar aquele corujal limpo. Chegava a suspeitar que, nos mil anos de existência da escola, ninguém nunca havia limpado aquele canto do castelo. Só podia ser alguma piada sádica para o velho Dumbledore.

Quando a menina continuou falando, ele voltou a olhá-la por cima do ombro, os olhos levemente arregalados com a impressão que as palavras dela haviam passado. McMillan se mostrava cada dia mais cruel, não seria tão impossível que ela realmente estivesse com a intenção de comer asinhas de coruja assada.

Após o tom de voz ofendido pela ideia que passara pela sua cabeça, Sirius desistiu de continuar o trabalho naquele poleiro. Ele finalmente se virou para a Sonserina, jogando a escovinha para o canto.

- O sol já se pôs, McMillan. Corujas gostam de caçar durante a noite.

O rapaz encarou as próprias mãos, as pontas dos dedos enrugadas pela água que constantemente usava durante a limpeza. Seria difícil tirar o cheiro das fezes das aves. Assim como Constance, ele também havia crescido em uma casa onde elfo doméstico cuidava de todo o trabalho pesado. O único motivo para se acostumar com aquelas atividades braçais, era o longo histórico de detenções já aplicadas pelos professores.

Sirius bateu as mãos na própria calça e abriu um sorriso divertido para Constance, a costumeira covinha aparecendo em sua bochecha. A personalidade forte da menina, ao invés de irritá-lo, começava a lhe divertir. Ele inclinou a cabeça para o lado, indicando o banco onde deixara o sobretudo da grifinória.

- Tem dois sapos de chocolate no bolso. É do meu estoque particular, mas a única forma de trabalhar com você pelas próximas horas é se você estiver com um pouco de açúcar no sangue.

O grifinório cruzou os braços sobre o peito e manteve o sorriso enquanto encarava Constance. A relação dela com doces era extremamente divertida, mas Black estava começando a entender como a menina funcionava. Enquanto Constance estivesse com doces por perto, as chances de ser azarado eram menores.

- Fique a vontade, monstrinha. - Os braços se descruzaram e ele apontou para o casaco dobrado com uma das mãos, a palma virada para cima. - Pelo bem das corujas e do meu.
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Ter Out 27, 2015 11:04 pm

No fim das contas, James ainda estava confuso. Ele não tinha dúvidas de que o fim do relacionamento com Lily Evans fora uma decisão correta. Quanto a isso, Potter estava tranquilo e sentia-se profundamente aliviado por ter resolvido o problema. Suas incertezas diziam respeito a Victoria McMillan.

Os momentos de intimidade com a sonserina tinham sido incontestavelmente bons. Ao lado de Victoria, James alcançou uma inesperada harmonia, uma sincronia que nunca encontrara em Lily. Fisicamente, os dois tinham uma química inegável. McMillan era absurdamente bonita e atraía a atenção de praticamente todos os rapazes de Hogwarts.

Entretanto, James ainda não sabia dizer ao certo se era somente atração física. A frustração do relacionamento fracassado com Evans, somada à estonteante beleza de Victoria poderiam ser os únicos combustíveis que o empurraram para os braços da loira.

Seu coração ainda batia mais rápido na presença dela e Potter não se sentia imune à beleza e ao perfume da sonserina. Mas agora ele precisava de tempo para colocar as ideias em ordem, para entender os próprios sentimentos e para planejar sua vida.

Por sorte, a filha mais velha dos McMillan também não parecia inclinada a mergulhar novamente naquela atração que os unia. James sentiu-se grato quando a loira mudou os rumos da conversa e voltou a se comportar como uma sonserina cujo principal prazer na vida era provocar a honra dos grifinórios.

Ao invés de se sentir ofendido, os olhos castanhos de Potter giraram por trás das lentes. Ele abriu um meio sorriso e ergueu as sobrancelhas, adquirindo um semblante maroto e convencido.

- Vocês estão morrendo de medo, não é? Mas não se preocupe, eu vou pegar o pomo nos primeiros minutos de jogo, o placar não será tão humilhante para as serpentes.

É claro que James reconhecia os méritos da equipe da Sonserina. Eles tinham o melhor goleiro da competição, os artilheiros eram razoáveis, os batedores detestavam perder. E como conhecia bem a posição de apanhador, Potter precisava reconhecer que Regulus tinha talento e fizera uma excelente temporada no ano anterior.

Mas, ainda assim, o capitão da Grifinória morreria antes de confessar para um sonserino que ele reconhecia o potencial da equipe verde e prata.

- Quando eu levantar a taça deste ano... – James repetiu o gesto da loira e a cutucou, implicando com uma entonação debochada – ...sinta-se parte da equipe vencedora. Afinal, foi você quem me colocou de volta no time.
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Ter Out 27, 2015 11:30 pm

O orgulho de Constance se evaporava quando o assunto era doces. Ela pouco se importava se Sirius Black era um grifinório traidor do próprio sangue. Se ele estava lhe oferecendo chocolate, a caçula dos McMillan aceitaria. Simples assim.

Deixando de lado os baldes e esponjas, a ruiva caminhou até o sobretudo do rapaz. Ela fez uma pequena careta para o brasão da Grifinória, mas isso não impediu que Constance vasculhasse os bolsos até encontrar a embalagem com o sapo de chocolate. O doce tentou fugir, como geralmente fazia, mas foi capturado com agilidade e levado à boca da menina.

Enquanto mastigava o primeiro pedaço, Constance conferiu a figurinha. Os olhos dela deram um giro completo e a menina bufou antes de virar na direção de Sirius a imagem de Albus Dumbledore. O diretor de Hogwarts exibido na figurinha do doce parecia um pouco mais jovem, mas já possuía uma longa barba branca e espiava o ambiente por cima de suas lentes em forma de meia-lua.

- Não dei sorte, já encontrei esta vinte e três vezes...

Não parecia ser um número aleatório. Constance falava com firmeza, como se realmente não tivesse perdido a contagem.

- Talvez ele queira nos vigiar. Neste caso, merece um lugar de “honra”...

A ruiva engoliu o último pedacinho de chocolate antes de caminhar até o ponto mais sujo do corujal. A figurinha com a imagem de Dumbledore foi jogada sobre um monte de bosta de coruja ainda bem fresco.

- Pronto. Perfeito!

Uma careta novamente surgiu no rosto de Constance enquanto ela encarava a carta com a imagem de Dumbledore.

- É tão injusto! Só me falta Rowena Ravenclaw para completar a minha coleção! Mas eu não me importo nem um pouco em continuar procurando.

Com o humor restabelecido depois daquela dose de chocolate, McMillan sentiu-se menos torturada pelo trabalho duro que esperava por ela. A ruiva recolocou as luvas e retornou para o outro lado do corujal, disposta a acabar logo com aquela tortura. O trabalho em si já era péssimo, mas a presença de Sirius Black só piorava tudo.

Além de trabalhar naquela tarefa nada agradável, Constance precisava se policiar para não cair em tentação. O que era bem difícil tendo a imagem das covinhas de Sirius registradas em sua memória. Por que aquele idiota tinha que ser tão bonito? McMillan detestava se sentir novamente como a garotinha que suspirava pelo filho mais velho dos Black.
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Out 28, 2015 10:39 pm

Victoria revirou os olhos, mas manteve o sorriso divertido nos lábios. Ela se deixou inclinar para trás quando Potter a cutucou, mas logo assumiu a pose ereta novamente.

- Não faça eu me arrepender do meu ato de caridade, Potter. Pode ser o único da minha vida inteira.

A menina deu um passo para o lado, se colocando diante de um dos espelhos sujos do banheiro abandonado. Ela passou os dedos pelos fios loiros, ajeitando-os de modo automático. Apesar do dia já estar no final, McMillan mantinha a aparência impecável e fresca, como se tivesse acabado de se arrumar. Mas era impossível para a Sonserina passar pelo seu próprio reflexo sem ter a necessidade de verificar se estava tudo de acordo com sua expectativa.

Dada por satisfeita com a própria imagem, ela se voltou para o apanhador. Ela o fitou por alguns segundos antes de se despedir.

- Boa sorte, Potter. Você vai precisar.

***

Quando Vicky chegou ao Salão Principal para o jantar, varreu os olhos pela mesa da Sonserina, mas não encontrou Constance ou Regulus por perto. A menina se sentou em seu costumeiro lugar, conferindo previamente que Severus Snape não estava por perto, e se serviu de suco de abóbora.

Ela levou a taça até os lábios, mas ao dar o primeiro gole, ergueu os olhos para uma sombra que havia surgido diante dela. O líquido que descia em sua garganta a fez engasgar ao ver que Amos Diggory estava em pé, ao lado da mesa da Sonserina.

Com algumas tossidas para se recuperar, Victoria colocou a taça novamente sobre a mesa e passou o dorso da mão para retirar qualquer vestígio do suco em seus lábios. Havia conseguido evitar a companhia do Corvinal durante todo o dia, mas após a conversa com Potter, ficara perdida nos próprios pensamentos que havia esquecido completamente do outro rapaz.

- Hey... – Amos tinha um lindo sorriso no rosto.

Apesar de ser um Corvinal, Diggory era popular pela sua beleza e seu carisma. Alguns rostos femininos ao redor da mesa das serpentes se virou para encará-lo, mas o Corvinal dedivada toda sua atenção para McMillan.

- Queria saber se você estava bem, depois de tudo que aconteceu ontem.

Qualquer outra menina do castelo se sentiria lisonjeada com a preocupação de Amos, mas Victoria começava a desejar que o rapaz desaparecesse. Nos dias anteriores, parecia ter sido a melhor ideia do mundo acompanha-lo para a festa de Slughorn. Quem mais seria tão perfeito para estar ao seu lado, se não um rapaz lindo e tão famoso? Diggory e seus cabelos loiro escuro, o sangue-puro, a popularidade... Todas as características pareciam perfeitas para ela.

Mas desde Potter entrara em sua mente, parecia muito difícil suportar qualquer outro rapaz. Potter e seu cabelo sempre espetado, traidor do próprio sangue, grifinório... E que fazia seu coração bater mais rápido.

- Estou ótima. – Victoria exibiu seu melhor sorriso, não lembrando em nada a menina insegura da noite anterior. – Por que não estaria?

O Corvinal assentiu com a cabeça, mas não fez menção de ir embora.

- Fiquei sabendo do que aconteceu entre a Evans e o Potter.

Foi involuntário quando seu coração deu um saltinho ao ouvir o nome do grifinório, mas seu rosto continuou indiferente.

- A Lily deveria estar mesmo fora de si ontem... Você realmente não deve se importar com o que ela disse.

Desta vez, Victoria se permitiu revirar os olhos. Diggory realmente estava insistindo em um assunto que já deveria ter sido esquecido.

- Eu já disse que estou bem, Amos. Não me importo com a opinião de uma sujeitinha de sangue-ruim.

Ao perceber a sombra que passou no rosto do corvinal diante da ofensa, Victoria quase se arrependeu da palavra que usara para descrever Lily. Ela podia ser extremamente implicante com os Grifinórios e Lufanos, mas não era tão radical quanto Constance e certamente não ficava gritando a plenos pulmões sobre quem tinha sangue puro ou não. Era ao menos civilizada. Mas sempre que se lembrava da arrogância da ruiva, não via o menor problema em ofendê-la com qualquer que fosse a palavra.

Amos, por sua vez, podia se interessar pelo bom humor e pela beleza de Victoria, mas como um bom Corvinal, ele não era adepto de preconceitos com os nascidos trouxas.

- Desculpe. – A sonserina resmungou, sem realmente se sentir arrependida com o que havia dito. – Vou tentar não chama-la assim outra vez, mas você também não precisa se doer sempre.
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Qua Out 28, 2015 10:41 pm

Sirius não se sentiu nada surpreso quando a menina falou com exatidão o número de cartas repetidas que tinha de Albus Dumbledore. Pelo que estava se acostumando da Sonserina, era o mistério da humanidade que ela não fosse tão gorda quanto Peter Pettigrew com todo o vício de doce.

Ao contrário do melhor amigo, Constance exibia um corpo lindo, a pele lisa e perfeita, muito superior a tantas garotas do castelo que controlavam a alimentação. Se o próprio Black não visse com seus olhos como o comportamento de McMillan mudava com um simples pedaço de chocolate, ele jamais acreditaria. Ele se sentia satisfeito por ter encontrado um meio de passar aqueles dias de detenção sem que os dois acabassem se matando.

Ele acompanhou com o olhar quando a carta com Dumbledore foi arremessada no canto mais sujo do Corujal, mas se permitiu sorrir, os braços cruzados em frente ao peito. O próprio diretor acharia graça no azedume de McMillan e Sirius estava começando a se divertir com o comportamento dela.

- Já que está começando a marcar território, McMillan... Pode começar por ali. – Black apontou para o lugar onde a figurinha estava jogada.

O rapaz se voltou para seu trabalho ingrato, sabendo que jamais conseguiria deixar aquele lugar limpo de verdade. Em sua mente, ele apenas contava com a sorte de que Dumbledore logo mudasse de ideia e decidisse que já haviam sofrido o bastante.

Os minutos que se seguiram eram acompanhados apenas pelo barulho das escovas esfregando compulsivamente cada poleiro. Sirius já começava a se acostumar com o cheiro do excremento, mas os nós dos dedos esbranquiçados começavam a doer, o cansaço se estendendo pelo pulso pelo esforço. Vez ou outra, ele se permitia girar o pescoço e olhar por cima do ombro, procurando Constance apenas para se certificar de que a menina ainda estava ali, já que as reclamações haviam cessado.

Quando todo o braço começou a reclamar pelo trabalho, Black largou a escova e se ergueu, já que estava abaixado limpando um dos poleiros próximo ao chão. Ele se espreguiçou, sentindo os ossos estalarem quanto todo o corpo se esticava. Seus olhos passaram mais uma vez em McMillan e dessa vez ele se permitiu admirar por segundos mais prolongados o perfil do rosto delicado.

- Sabe, McMillan... Gostei do seu cabelo assim. – Ele disse enquanto se encaminhava até a cadeira onde o sobretudo estava esquecido.

Sirius bateu as mãos na própria calça e pegou do bolso o último sapo de chocolate restante. Com um pouco menos habilidade do que McMillan, capturou o doce assim que ele tentou escapar de seus dedos com um pulo.

Após uma mordida generosa, ele virou a figura colecionável e um sorriso torto se alargou pelo seu rosto. Quando engoliu todo o chocolate em sua boca, ele virou a figura de Rowena Ravenclaw na direção na sonserina.

- Isso sim é azar, hein monstrinha?

Sem deixar que o sorriso murchasse por um único segundo, uma expressão de vitória espalhada por todo o rosto, Sirius enfiou a mão no bolso da calça, guardando a carta. Ele deu mais uma mordida em seu sapo de chocolate, mastigando com os lábios espremidos em um sorriso contido. Por fim, Black balançou a cabeça de um lado para o outro.

- É uma pena, sabe... Já tenho três da Rowena. – Ele encolheu os ombros, como se estivesse se dando por vencido. – Parece que nós dois vamos ter que nos contentar com figurinhas repetidas hoje.

Sirius se virou para voltar ao trabalho, mas como se estivesse se lembrando de algo, se voltou novamente para a Sonserina, o indicador erguido.

- Ah, e por favor... Não tente me agarrar outra vez, está bem? Já aprendi a minha lição depois que você roubou o meu pergaminho. Golpe baixo.
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Qui Out 29, 2015 12:01 am

Embora não tivesse a menor experiência com tarefas domésticas, Constance McMillan não tentou fugir do ingrato castigo imposto pelo diretor de Hogwarts. Se Sirius Black imaginou que a sonserina inventaria desculpas para não limpar o corujal ou faria corpo mole durante a tarefa, surpreendeu-se ao ver a ruiva encarando com coragem aquela detenção nojenta.

As luvas eram as únicas barreiras de proteção usadas pela moça enquanto Constance esfregava os poleiros imundos. Havia tantas e tantas camadas de fezes endurecidas que a ruiva concluiu que o local provavelmente nunca fora limpado antes. Ela estava ali lavando décadas e mais décadas de bosta de coruja.

O chocolate realmente tinha o poder de melhorar o humor dela. A caçula dos McMillan fazia o trabalho com uma expressão fechada, mas havia parado de reclamar desde que se deliciara com o sapo de chocolate oferecido por Sirius. É claro que aquele humor ameno tinha um prazo de validade curto, mas sempre haveria mais chocolate no mundo para aliviar a raiva de Constance.

Mas, num extremo oposto ao chocolate, havia Sirius Black com seu inigualável poder de irritá-la. O bom humor de Constance se evaporou como fumaça no instante em que o batedor da Grifinória lhe mostrou a figurinha de Rowena Ravenclaw. Só podia ser uma piada de muito mau gosto do destino!

Sem sombra de dúvida, Constance gostava mais do chocolate do que dos brindes. Mas é óbvio que ela valorizava a única carta que faltava em sua coleção. Mas isso não significava que a ruiva estivesse disposta a se rebaixar diante de Sirius Black.

- É o que dizem... azar no jogo, sorte no amor. Não se pode ter tudo.

As palavras foram jogadas no ar e McMillan abriu um meio sorriso irônico enquanto esperava que Sirius digerisse aquela expressão e seus possíveis significados.

- Não seja tão prepotente, Black. Acha mesmo que eu faria este sacrifício por causa de uma figurinha promocional? O meu preço é bem mais elevado. Aquele pergaminho é um tesouro que valia todo o meu sacrifício.

O rosto de Constance exibia um semblante misterioso quando ela ergueu o tronco e sentou-se sobre o poleiro que acabara de deixar impecavelmente limpo.

- Eu tive um bom motivo para fazer o que fiz. Mas e você, Black?

As sobrancelhas finas da ruiva se ergueram e McMillan fez uma pausa dramática antes de concluir o seu raciocínio.

- O castelo inteiro sabe que você é um galinha e seu atual envolvimento com McKinnon deixou bem claro que você não é nada seletivo com meninas... Mas uma garota da Sonserina? Ou você é realmente um tarado sem correção ou está apaixonado por mim... Eu espero, para o seu bem, que seja a primeira opção.
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Sex Out 30, 2015 1:08 am

Black torceu o nariz quando McMillan fez a menção sobre sorte no amor. Era óbvio que ela estava se referindo ao relacionamento dela com seu irmão caçula, mas durante as últimas horas, ele havia abstraído completamente a existência de Regulus e a volta a realidade não o agradou. Sempre que a imagem dos dois surgia em sua mente, seu estômago se contorcia, mas Sirius não gostava de pensar na palavra que traduzia aquela sensação. Inveja ou ciúmes, por uma sonserina, eram coisas inimagináveis.

Ele escutou cada palavra da ruiva fitando a figurinha abandonada de Albus Dumbledore, evitando encará-la. Os braços estavam firmemente cruzados contra seu peito, as mangas da camisa arregaçadas até seus cotovelos. O tecido branco já estava sujo devido ao trabalho braçal, mas por algum motivo, seus cabelos ainda estavam impecáveis, assim como seu rosto. Os lábios se enrugaram em um bico quando ela o lembrou do furto do Mapa, mas uma vozinha em sua mente o tranquilizou, lembrando do fio de cabelo que tinha guardado. Não demoraria para que o artefato estivesse em sua posse mais uma vez.

As sobrancelhas negras se ergueram levemente quando Constance se sentou em um dos poleiros e ele finalmente girou as íris cinzentas para encará-la. O bico em seus lábios se desfizeram até que a boca estivesse escancarada em uma gargalhada alta e clara, a cabeça girada para trás e os olhos involuntariamente fechados. Era notável que a risada estava exagerada e forçada, mas Sirius ainda fez de conta que secava algumas lágrimas nos cantos dos olhos quando se voltou para a menina.

- Apaixonado por você?! Acho que você comeu um pouco de cocô de coruja junto com aquele chocolate, McMillan. Está louca? – Sirius deu alguns passos para frente, encarando a menina desafiadoramente. – E não me venha com essa desculpa de que queria roubar o meu pergaminho. Eu conferi meus bolsos depois do nosso pequeno encontro na sala de Poções.

Seus braços se descruzaram e ele apoiou cada uma das mãos no poleiro, rodeando a menina. Foi instantâneo como seu coração se acelerou com a proximidade dela. Os olhos azuis estavam bem próximos, daquele modo que Black conseguia ver perfeitamente as pintinhas espalhadas pelo nariz e bochechas. O sorriso debochado nos lábios de Sirius foi se desfazendo conforme seu corpo reagia com aquela intimidade. O já conhecido calor começou a subir pelo seu corpo e a voz saiu rouca e baixa.

- Talvez eu seja só um tarado... – ele encolheu os ombros, sem desviar os olhos dos dela. - Talvez eu só esteja colecionando garotas pelo castelo e você estava faltando. Pode acreditar no que quiser, McMillan. Mas eu certamente não estou apaixonado por você.
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Sex Out 30, 2015 9:18 pm

Ao invés de irritada, Constance ficou intrigada com a risada forçada de Black. A insinuação sobre Sirius estar apaixonado por ela fora somente uma provocação. A sonserina esperava uma reação debochada ou ofendida, mas não imaginou que o filho mais velho dos Black forçaria uma risada como aquela.

Quando o rapaz se aproximou, apoiando as mãos no poleiro e rodeando o corpo dela com os braços, McMillan não tentou se esquivar. Ao contrário, ela fixou sua atenção nas íris cinzentas. Era inegável que Sirius Black era um rapaz assombrosamente bonito, mas não era a beleza física a qualidade que mais atraía Constance.

Sirius fora a sua paixonite de infância porque a ruiva sempre admirara a personalidade dele. O primogênito dos Black, desde a infância, tinha o gênio forte, um espírito independente e a inquestionável coragem que não era vista na Sonserina. Sirius perdera boa parte do encantamento quando se tornou um “traidor do próprio sangue”, mas Constance tinha que admitir que a essência do rapaz ainda existia.

Dos atributos físicos dele, ao contrário das demais garotas, McMillan não admirava o porte atlético, ou os traços perfeitos, tampouco os cabelos aveludados. Ela abriria mão de qualquer um desses detalhes em favor das covinhas que surgiam nas bochechas de Black quando ele sorria.

As covinhas davam um ar mais doce ao semblante dele. Era quase como estar diante do garoto por quem Constance um dia fora tolamente apaixonada.

- Não me interessa.

A voz da ruiva soou tranquila. Constance tinha um timbre doce e feminino, quase infantil, que combinava com sua aparência delicada e entrava em choque com sua personalidade explosiva.

- Se você é mesmo um desequilibrado, lamento pelas tolas que caem na sua conversa. Eu não me sinto ofendida por ter sido mais uma na sua vasta lista porque foi um sacrifício muito bem remunerado.

Para provocar o grifinório, Constance se aproveitou da proximidade para deslizar as mãos pelos ombros dele. Como se costume, os dedos pararam na raiz dos cabelos de Sirius e ficaram brincando com as pontinhas dos fios escuros.

- O seu comportamento degenerado não me desagrada, Black. Ao contrário de você, estou pronta para assumir que os nossos “pequenos encontros” foram bastante agradáveis. Se você me usou, saiba que eu também te usei. E você é um objeto delicioso. Talvez só perca para o chocolate...

A garota arqueou uma das sobrancelhas finas antes de completar.

- Agora, caso esteja mesmo apaixonado, eu lamento muito por você. É como dizem, todos precisam de um pouco de diversão. Você é divertido, é um ótimo lazer. Mas não é o tipo de cara por quem eu me apaixonaria.

Como de costume, Constance não mediu as palavras enquanto sussurrava ao ouvido de Sirius.

- Imagino que isso não te ofenda, não é? Eu só enxergo você da forma como você enxerga todas as garotas que já passaram pela sua vida.
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Sex Out 30, 2015 9:56 pm

Quando Sirius sentiu as unhas de Constance lhe arranhando a nuca, as pálpebras cobriram as íris cinzentas imediatamente, como se daquela forma pudesse absorver melhor a sensação que se espalhava pelo seu corpo.

O toque fez com que ele se aproximasse ainda mais de Constance, colando os corpos. Suas mãos deslizaram pelo poleiro até tocá-la nos quadris. Seus olhos voltaram a se abrir e o brilho era evidente. Um turbilhão de emoções corria em suas veias, junto com o sangue fervendo.

- Eu. Não. Estou. Apaixonado.

As palavras saíram pausadas, os dentes trincados, não mais do que um sussurro, mas Black não sabia se estava dizendo aquilo para convencer a menina ou a si mesmo. Pensar que existia algum sentimento por uma Sonserina chegava a lhe doer o estômago. Mas, mais uma vez, vendo a forma que seu corpo reagia ao estar tão próximo dela, ele sabia que não poderia negar a atração pela ruiva.

Sirius não se sentia ofendido com a acidez de McMillan. Enquanto encarava os olhos azuis tão de perto, quando podia sentir o hálito quente bater em sua bochecha, as frases ecoavam quase que sem sentido, passando direto pelos seus ouvidos.

- Jamais poderia me ofender... – ele inclinou o rosto para o lado, o sorriso voltando a aparecer em seu rosto, junto com a covinha na bochecha.

Uma das mãos se ergueu e tocou uma pequena mecha vermelha que escapava do rabo de cavalo que ela havia feito. Com um movimento lento, Sirius colocou os fios atrás da orelha de Constance, pousando seus dedos na nuca dela.

- Talvez exceto pela parte do chocolate.

A mão que ainda estava no quadril da Sonserina a puxou de leve, fazendo com que a menina, por um segundo, quebrasse o contato com o poleiro, em um pulinho, apenas para ajeitá-la novamente, se colocando entre os joelhos cobertos pela calça escura.

Sirius passou os olhos pelo belo rosto de Constance. A delicadeza de seus traços era uma ironia quando comparada com a personalidade diabólica. Sem perceber, Sirius mordeu o lábio inferior, finalmente pousando o olhar sobre o colo, onde o pulôver vermelho dela estava manchado.

- Você se sujou. – A voz de Sirius soou rouca quando ele indicou apenas com um movimento do queixo a manchinha branca de cocô de coruja.

O Grifinório voltou seu olhar para a Sonserina, e sem quebrar o contato visual, com movimentos lentos, ele deslizou as mãos até a barra do pulôver, puxando-o para cima com cuidado de não sujar o rosto de Constance no processo. Quando a peça de roupa já estava totalmente descartada, caída em seus pés, ele passou os dedos pelos cabelos dela, que haviam ficado levemente arrepiados.

A pele de McMillan era muito branca e foi impossível se controlar para não acaricia-la pelos braços despidos. A camisa branca que ela vestia era fina e tinha apenas alças finas por cima dos ombros. Sirius a tocou no queijo, forçando o rosto da Sonserina a encará-lo.

- Então... Acho que temos um acordo? Definitivamente não somos um casal apaixonados. Nos enxergamos na mesma forma. Uma diversão. Lazer, certo?

Seu coração se acelerava a cada palavra, pois sabia que estava apenas dizendo para si mesmo, e para Constance, que ele se renderia mais uma vez. Ele se inclinou um pouco para frente, acabando de vez com a pouca distância e sentindo novamente o beijo de McMillan.
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Sex Out 30, 2015 10:51 pm

Apesar da máscara de frieza e ironia, Constance não era tão experiente e libertina como fazia parecer. Era inegável que sentia uma atração física por Sirius Black, mas chamar a interação entre eles de “lazer” era apenas uma maneira de provocá-lo e de abalar um pouco o orgulho daquele conquistador.

Foi por isso que McMillan travou em seu lugar enquanto o grifinório retirava seu pulôver. Os pêlos clarinhos de seus braços se arrepiaram quando a peça foi descartada aos seus pés, menos pelo frio e muito mais pela tensão do momento. Os olhos azuis não refletiam medo, mas era evidente que Constance não parecia mais tão segura como antes.

O coração dela batia acelerado dentro do peito, sua visão começou a ficar um pouco borrada e a sensação de borboletas no estômago se tornava cada vez mais intensa.

Quando Sirius se inclinou e capturou os lábios de McMillan num beijo, ela não foi capaz de resistir. Seus músculos, até então retesados, relaxaram por completo nos braços do grifinório e as pálpebras cobriram os olhos como se a privação da visão pudesse intensificar as outras sensações que a dominavam naquele momento.

Com os lábios unidos aos dele, Constance abandonou completamente aquela sensação de incerteza. Tudo acontecia tão naturalmente ao lado de Sirius que não havia espaço para dúvidas ou receios. Os dois tinham um encaixe inquestionável, uma química que Constance nunca imaginou que encontraria com alguém, muito menos com um grifinório.

Os lábios e as línguas se moviam com harmonia, os movimentos se completavam como se Constance e Sirius já estivessem juntos há muito tempo, como se pudessem prever qual seria o próximo passo um do outro.

As carícias seguiam naquele mesmo rumo, era como se eles já se conhecessem o bastante para saber quais eram os toques preferidos, as carícias mais desejadas.

Havia desejo e uma inegável atração física que os unia naquele beijo, mas, por mais que os dois tentassem esconder isso até de si mesmos, também existia carinho. A maneira como Sirius tocava o rosto de Constance, a carícia gentil dos dedinhos dela nos cabelos dele, o cuidado que ambos tinham um com o outro... Definitivamente, os dois não formavam um casal que só queria alimentar um instinto físico.

Quando os pulmões começaram a arder, reclamando a falta de oxigênio, os lábios desfizeram aquele contato. Os corpos, contudo, se recusaram a fazer o mesmo. Constance permaneceu com os braços trançados por trás do pescoço de Black enquanto as mãos do grifinório estavam apoiadas na cintura fina dela.

Ainda sob o efeito entorpecente daquela atração, Constance se aproveitou da proximidade dos corpos para roçar a pontinha do nariz pelo pescoço do rapaz. Suas unhas arranharam a nuca dele de levinho e finalizaram a carícia se afundando nos cabelos escuros.

A pausa não durou nem trinta segundos, foi apenas o bastante para que os pulmões recuperassem o fôlego. Os olhos entreabertos de McMillan se fecharam por completo mais uma vez no exato instante em que seus lábios sentiram de novo o sabor dos lábios do grifinório.

Desta vez, contudo, o beijo não foi tão longo quanto o primeiro. Os dois jovens estavam mergulhados em mais uma carícia quando foram arremessados de volta à realidade pelo som de passos que subiam a escadaria do corujal.

O ruído foi o bastante para interromper o beijo, mas o que realmente exterminou por completo o clima apaixonado foi a voz que soou quando o dono dos passos estava quase nos últimos degraus da escadaria.

- Tancy?

Os olhos de Constance se arregalaram enquanto a voz grave de Regulus ecoava pelo corujal vazio. Rapidamente, a ruiva pousou as mãos sobre o peito de Sirius e o empurrou violentamente para longe do seu corpo. Um segundo depois, Regulus surgiu no portal.

A cena vista pelo apanhador da Sonserina foi visualmente tão esquisita que as sobrancelhas do rapaz se ergueram. Constance estava com os olhos arregalados como se estivesse diante de um fantasma. Suas bochechas estavam tão coradas que camuflavam por completo as sardas de sua pele clara. O peito dela arfava como se McMillan tivesse acabado de descer da vassoura depois de uma agitada partida de quadribol.

Como Sirius parecia igualmente surpreso e sem fôlego, não foi difícil entender o que acabara de acontecer. Regulus não esperava que aqueles dois abrissem mão das gritantes diferenças, mas não pretendia julgá-los. Aliás, o sonserino tentou ser o mais discreto possível para não piorar o constrangimento que involuntariamente causara.

- Você não jantou... – Regulus estendeu um embrulho na direção da ruiva – Passei na cozinha e pedi que os elfos preparassem um lanche.

Ainda com um par de olhos arregalados que mal cabiam em seu rosto, Constance piscou algumas vezes antes de conseguir reagir. As mãos da ruiva tremiam de leve quando ela pegou o embrulho e forçou um sorriso.

- Obrigada, Regs! Não precisava se preocupar, foi muita gentileza!

Além das palavras que não combinavam com Constance, a voz dela soou mais fina que o normal, meio esganiçada. O caçula dos Black se esforçou para conter uma risada. Ainda era difícil acreditar que aquilo estivesse acontecendo!

Constance sentia-se constrangida por ter sido pega em flagrante. A julgar pela proximidade dos dois, era fácil prever que Regulus já tinha entendido tudo. Como ela explicaria ao melhor amigo que estava aos beijos e amassos com um traidor do próprio sangue? Com o irmão dele, desprezado pelos Black?

A ruiva sentia um medo profundo de como Regulus reagiria. Constance simplesmente não sabia o que faria sem a amizade e o companheirismo dele. Mas o temor refletido em seu olhar poderia ser mal interpretado por Sirius. Era como se McMillan temesse que o “namorado” descobrisse a traição e a deixasse.
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Sex Out 30, 2015 11:53 pm

Sirius Black se revirava em sua cama, no dormitório do sétimo andar. O sol logo apareceria no horizonte e ele não havia conseguido dormir mais do que alguns minutos durante toda a noite. Depois que havia sido flagrado pelo irmão caçula aos beijos com McMillan, o grifinório deixou o corujal alegando que havia chegado antes da ruiva, e por isso tinha o direito de sair mais cedo também.

Toda a euforia que seu corpo sentia com os beijos e carícias de Constance haviam desaparecido, dando lugar a uma estranha sensação de que seu estômago havia afundado. Havia uma dor em seu peito e a culpa o consumia.

Seu relacionamento com o irmão caçula poderia não ser o melhor do mundo, mas era impossível não pensar em McMillan, na forma que ela o fazia sentir, sem que o remorso o invadisse. A Sonserina podia ser uma monstrinha, mas ainda era a namorada de Regulus. Se sentir atraído e se render as tentações da ruiva era extremamente errado, independente se seu nome estava queimado na tapeçaria dos Black ou não.

Sirius encarava o teto, o braço jogado sobre a testa, se odiando cada vez mais ao analisar como aquele envolvimento era errado em todas as formas possíveis. O ronco de Peter Pettigew enchia o dormitório e vez ou outra, quando Lupin se levantava para ir ao banheiro, soltava um resmungo meio sonambulo “Você está fedendo, Padfoot”.

Era óbvio que ele estava fedendo. Ainda precisaria de alguns banhos para tirar completamente o cheiro do corujal de sua pele e seus cabelos, e muitos outros mais para acabar com a vergonha de se envolver com uma sonserina preconceituosa e comprometida com seu irmão caçula.

Precisava colocar um fim naquele envolvimento louco. Durante o tempo que passara com Constance na detenção, chegara a pensar que talvez fosse possível se envolver com a ruiva “apenas para lazer”, se pelo menos aquilo lhe proporcionasse mais encontros como andava tendo com ela. Era impossível, agora ele via com clareza. Só precisava manter esta lucidez quando estivesse com ela, mas o perfume de McMillan parecia ter o poder de deixa-lo inebriado.

Tudo que ele precisava fazer era pegar o mapa de volta e não teria mais assuntos com a Sonserina. A evitaria ao máximo no restante do ano letivo e dentro de poucos meses estaria fora de Hogwarts, totalmente liberto da tentação. E Constance logo estaria casada com Regulus, para felicidade de Walburga.

Aquele último pensamento o deixou enjoado e Sirius se deu por vencido, levantando da cama. Se colocaria um ponto fim naquilo, que fosse o quanto antes.

Ele puxou uma sacola esquecida ao pé da sua cama e em poucos minutos estava deixando a torre da Grifinória. Sirius só parou quando alcançou uma das pouquíssimas salas vazias que ficava no caminho das masmorras. A sacola que ele carregava foi colocada em cima de uma mesa empoeirada e logo um uniforme da Sonserina foi retirado de lá.

Foi inevitável torcer o nariz para a serpente que brilhava no uniforme, mas como Constance gostava de dizer, o sacrifício valeria a pena. Em questão de minutos, Black estava completamente vestido com o uniforme que Wormtail havia conseguido para ele, um perfeito aluno Sonserino.

- Mamãe ficaria orgulhosa. – Ele resmungou para si mesmo acidamente.

Sirius se voltou para a sacola e retirou o último item que restava: um vidrinho pequeno, cheio até a boca, com um líquido que parecia muito com lama. A pequena quantidade da poção polissuco havia sido furtada por ele próprio, do estoque particular do professor Slughorn, e seria suficiente para uma hora de transformação, tudo que ele precisava para recuperar o Mapa do Maroto.

- Pois bem, irmãozinho... – Sirius consultou o relógio em seu pulso. Havia demorado tempo o bastante para que a primeira aula do dia começasse, de modo que o Salão Comunal da Sonserina estaria vazio. – Vou precisar da sua ajudinha nessa.

O vidrinho foi destampado e o cheiro que subiu era tão desagradável quanto a aparência. Ele tirou do bolso do uniforme o fio de cabelo de Regulus Black e o jogou dentro da poção.

- Nojento.

O grifinório resmungou, tampando o nariz e fazendo uma careta enquanto virava a bebida de uma só vez. O gosto era ainda pior do que o cheiro, mas logo havia acabado. Sirius largou o recipiente vazio sobre a mesa e sentiu seu corpo se contorcer. Ele apoiou as mãos em uma cadeira próxima quando sentiu a sala girar. Viu seus braços borbulharem enquanto a transformação acontecia. Quando tudo estabilizou novamente, o rapaz apalpou o próprio rosto, sentindo-o mais fino. Ele pegou um pequeno espelho do bolso do uniforme e, quando viu o próprio reflexo, foi o rosto do irmão caçula que ele enxergou.

- Perfeito.

***

Sirius parou diante da pesada estátua de Merlin, a encarando. Havia apenas um ponto falho em seu plano: ele não sabia a senha. Seus dedos deslizaram pelos cabelos, bagunçando-os levemente, em um gesto que não combinava com seu irmão caçula.

Antes que ele pudesse desistir, a estatua se mexeu, arrastando-se para o lado e revelando a passagem secreta para o que ele já sabia guardar: o Salão Comunal da Sonserina. Sem que o rapaz tivesse a chance de comemorar o tamanho da sua sorte, sentiu o corpo gelar ao ver os cabelos ruivos aparecendo diante dele.

Constance estava ao lado da irmã mais velha, mas as meninas não pareciam ter se assustado ao vê-lo, como ele se surpreendera com a chegada delas.

- Pare de reclamar, Consty! São só alguns minutinhos de aula, pelo menos você não vai passar o dia fedendo a excremento de coruja. – Victoria apalpou os cabelos vermelhos da irmã enquanto elas passavam para o corredor. – Oh, hey Reg! Você já não tinha ido para a aula de Defesa? Esqueceu alguma coisa?

- McMi... – Sirius mordeu a própria língua, se xingando pela estupidez.

Regulus não chamava nenhum das meninas de McMillan, era óbvio. Ele havia ensaiado a entrada na Sonserina um milhão de vezes em sua mente, e em todas as cenas que visualizara, ele agia idêntico ao irmão. Crescera ao lado do caçula e conhecia perfeitamente seu modo de andar, falar e de agir. Ele só não esperava que fosse encontrar Constance logo pela manhã, o desarmando.

- Esqueci minha varinha. – Mais uma vez, Black se xingou imensamente.

Que tipo de bruxo esquecia a própria varinha? Ele estava tentando cometer suicídio?

- A varinha? – Victoria abriu a boca, incrédula.

Lógico que até mesmo a mais velha dos McMillan, que não era conhecida pela sua inteligência, sabia que aquilo era estupidez.

- Sim, a varinha. – Sirius repetiu, tentando parecer mais convicto desta vez.

Ele passou pelas irmãs, aproveitando a passagem que ainda estava aberta. Seus olhos passaram rapidamente por Constance.

- Vejo vocês depois, estou atrasado. O professor Miggs já ameaçou me descontar dez pontos por ter esquecido a varinha, provavelmente me colocará em detenção se demorar muito.

Black soltou um suspiro de alivio quando a estátua assumiu novamente o seu lugar, bloqueando a passagem com as meninas do lado de fora, e ele no interior do salão comunal. Ainda pode ouvir Victoria perguntar mais uma vez, incrédula, “a varinha?”.

Quando se viu novamente sozinho, Sirius tentou organizar os pensamentos. Ao menos aquela parte do plano estava correndo como ele imaginara, não havia mais nenhum aluno nas masmorras, de modo que não foi difícil encontrar o dormitório feminino do sexto andar.

As camas estavam todas arrumadas, as cobertas verdes perfeitamente esticadas. Ele passou os olhos, tentando encontrar alguma pista que lhe indicasse qual daquelas pertencia a Constance McMillan e um enorme sorriso surgiu em seu rosto quando viu os diversos doces em uma das mesas de cabeceira.

- Que previsível, McMillan... – ele sussurrou para si mesmo, correndo para o malão que jazia em frente a cama de Constance.

Suas mãos percorriam velozmente, revirando os pertences da Sonserina. A cada minuto, as íris azuis pousavam novamente no relógio em seu pulso, conferindo quanto tempo ainda lhe restava. Sirius estava começando a ficar irritado quando reconheceu o pergaminho no fundo do malão, coberto por diversos livros, tentando se camuflar entre pergaminhos de dever de casa. Mas o grifinório reconheceria o mapa do maroto mesmo no escuro.

- Vem com o papai... – ele sorriu vitorioso quando ergueu o pergaminho diante dos seus olhos.

Não havia tempo para arrumar todas as coisas de Constance de volta ao lugar. Sirius dobrou o mapa e o enfiou nas vezes, fechando o malão correndo. Ele voltou ao salão comunal, acreditando que havia chegado ao fim, quando mais uma vez travou diante da porta ao reconhecer mais uma vez os cabelos vermelhos que acabara de encontrar.

- Esqueceu a varinha também, Tancy?
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Sab Out 31, 2015 12:58 am

Depois de toda uma vida de amizade inabalável, Regulus Black e Constance McMillan tinham protagonizado uma briga de grandes proporções. E a crise acontecera naquela madrugada que sucedeu a detenção no corujal.

Como a ruiva já imaginava, Regulus esperava por ela no Salão Comunal da Sonserina, mesmo já sendo tarde da noite. O apanhador estava sentado num dos sofás, folheando o caderno de esportes do Profeta Diário. O mundo bruxo estava fervilhando com a eminência de uma guerra, mas o caçula dos Black realmente preferia focar a sua atenção em algo mais leve naquela noite.

Ao escutar os passos de Constance e sentir o cheiro não muito agradável do corujal, impregnado nas vestes e nos cabelos dela, os olhos cinzentos de Black se ergueram para a menina. McMillan não tentou mentir, não inventou desculpas e nem duvidou da inteligência do melhor amigo. Regulus sabia. E Constance sabia que ele sabia.

- Eu sinto muito. – o lábio inferior de Constance tremeu – Por favor, Regs, não se afaste de mim. Eu prometo que isso não vai se repetir!

- Você não precisa prometer nada, Tancy... – Black dobrou o jornal e o deixou de lado, dando inteira atenção à amiga.

Aquelas palavras foram mal interpretadas pela ruiva. Com a adrenalina correndo nas veias, Constance concluiu que tudo já estava acabado, independente das promessas dela. Regulus arregalou os olhos, totalmente surpreso, quando viu a melhor amiga, sempre tão firme e confiante, cair numa incontrolável crise de choro.

Todo o corpo de Constance tremia quando Regulus a abraçou, confuso. Os soluços provocavam espasmos e a impediam de articular as palavras, portanto foi o rapaz quem retomou o discurso.

- Por Salazar!!! Por que está chorando???

- Porque eu... estraguei tudo! Você... é uma das pessoas... mais importantes... na minha vida! E agora... eu te perdi!

- Você é retardada? A convivência mais “próxima” com um grifinório deve ter te passado alguma doença! Quem disse que você me perdeu??? Tancy, eu não me importo, nem preciso saber os detalhes. Só quero que você tome cuidado para não se machucar...

Com os olhos vermelhos e com uma cortina de lágrimas ainda escorrendo pelo rosto pálido, Constance encarou o melhor amigo por longos segundos até perceber que Regulus estava falando sério.

- Mas ele é... um traidor do próprio sangue... – a ruiva argumentou baixinho – Do seu sangue...

- Eu não me importo. – o rapaz repetiu com firmeza – Estou surpreso que tenha acontecido, tanto por ele quanto por você. Não sei qual o grau de envolvimento de vocês e nem exijo que você me conte nada. É claro que eu não esperava, é óbvio que eu acho que ele não é a escolha ideal para você. Mas Tancy... – Regulus segurou a mão da ruiva carinhosamente – Você é a minha melhor amiga. Somos como irmãos. E eu não vou desistir de você por causa disso.

- Eu te amo...

As palavras foram murmuradas antes que Constance abraçasse o amigo com firmeza. Aquela não fora uma declaração romântica, as palavras soaram com o mesmo significado que Constance usara com a irmã quando Victoria estava na enfermaria de Hogwarts. A caçula dos McMillan podia ser um poço de fortaleza diante de todos, mas seu coração sabia se derreter pelas pessoas que mereciam o seu afeto.

- Eu também te amo. – Regulus murmurou, retribuindo ao abraço – E sei exatamente como se sente porque estou experimentando uma sensação parecida.

A revelação fez Constance se afastar para encarar o amigo. O semblante intrigado dela se misturava às feições de choro, dando-lhe uma expressão meio engraçada. Como McMillan jamais chegaria sozinha à resposta, Black confessou num sussurro.

- Eu acho... que estou apaixonado.

- Por quem? – Constance sussurrou com a voz quase inaudível. Ela realmente não esperava que o segredo do amigo fosse este.

- Samantha Smith.

- Quem? – a ruiva franziu as sobrancelhas, realmente não ligando o nome à pessoa.

- A Smith, Tancy! Da nossa turma...

- Que turma??? – Constance pareceu ainda mais confusa enquanto buscava desesperadamente por alguma Samantha Smith dentre as colegas da Sonserina.

Ao notar que o raciocínio da amiga estava caminhando na direção errada, o caçula dos Black respirou fundo e sussurrou.

- Lufa-Lufa.

O cenário construído na cabeça de Constance, antes verde, mudou-se radicalmente para amarelo. A ruiva finalmente se lembrou que Samantha Smith era uma sextanista lufana, que assistia às aulas de Feitiços, DCAT e História da Magia com a Sonserina. Samantha era uma garota bonita e esforçada, sempre com notas boas, exibindo um distintivo de monitora no uniforme. Tinha a pele pálida, os cabelos loiros cacheados, olhos cor de mel. Ela formaria um casal bonitinho ao lado de Regulus se não fosse por um detalhe.

- MAS ELA É UMA SANGUE-RUIM!!! – Constance ergueu a voz, histérica, e sacudiu o amigo pela gola da camisa – REGS, ELA É SANGUE-RUIM!

- E Sirius é um traidor do próprio sangue... – Regulus estava sério quando retrucou – Achei que você não me julgaria depois do que vi hoje...

- Não compare as coisas, Regulus! É completamente diferente! O que aconteceu hoje foi um erro idiota, foi uma coisa física! VOCÊ ACABOU DE DIZER QUE ESTÁ APAIXONADO POR UMA SANGUE RUIM!

- Eu gostaria que você parasse de usar este nome para se referir a ela! – Black também ergueu a voz, ofendido.

- Eu posso parar de falar, mas ela NUNCA vai deixar de ser uma escória. – Constance segurou o rosto do amigo com firmeza entre as duas mãos – Vamos agora mesmo aos aposentos do professor Slughorn. Com certeza essa vadia de sangue-ruim conseguiu te dar uma poção do amor! Aquele velho precisa reverter isso antes que mais alguém escute você falando essas bobagens, Regs!

O caçula dos Black estava calmo quando segurou os punhos de McMillan, afastando as mãos dela do seu rosto. Em todos aqueles anos de amizade, Constance nunca havia visto Regulus tão sério. A decepção era quase palpável no semblante dele.

- Uma coisa ficou clara esta noite, Constance. Eu te amo o bastante para aceitar as suas escolhas, para permanecer ao seu lado mesmo sem concordar com as suas atitudes... Mas você acabou de provar que não posso esperar o mesmo de você.

O lábio inferior da ruiva tremeu porque ela sabia como aquela conversa terminaria. Mas McMillan ainda não estava preparada para aceitar a bomba que Regulus acabara de explodir nas mãos dela.

- Eu NUNCA vou aceitar uma sangue-ruim!

- Então, é aqui que paramos.

- Você vai causar aos seus pais um desgosto maior que o do Sirius.

- Eu nunca contei com a aprovação deles. – Regulus fez uma pausa antes de completar – Mas contava com a sua.

-----

Foi impossível dormir depois de todas as emoções daquela noite. Os momentos com Sirius tinham sido maravilhosos, mas a conversa com Regulus tivera o poder de exterminar qualquer sensação positiva do corpo de Constance.

Durante toda a madrugada, a ruiva se contorceu na cama, sem achar uma posição confortável o bastante para acomodar a cabeça que fervilhava. Seu estômago se dobrava sempre que Constance pensava no melhor amigo, o herdeiro dos Black, com uma nascida trouxa da Lufa-Lufa. Aquilo era demais para McMillan.

Mas viver sem Regulus parecia ainda pior. Só a ideia de romper aquele laço fraterno com o rapaz já fazia os olhos de Constance se encherem de lágrimas.

Como esperado, a ruiva estava péssima quando o sol nasceu. Além da expressão exausta de alguém que trabalhara muito e não dormira, seus cabelos ainda cheiravam como o corujal. E isso foi a primeira coisa que Victoria esganiçou quando viu a caçula naquela manhã.

Contra a vontade da ruiva, Victoria a obrigou a passar uma infinidade de produtos nos cabelos e aquilo rendeu um generoso atraso para a primeira aula do dia. As duas foram as últimas a deixar o salão e, para surpresa de Constance, deram de cara com Regulus no corredor.

O caçula dos Black estava... estranho. Havia algo MUITO diferente nele, mas Constance acabou concluindo que a discussão da noite anterior também havia mexido muito com Black. Ele parecia atormentado ao ponto de esquecer a varinha na aula de Defesa Contra as Artes das Trevas!

E foi isso que motivou Constance a voltar ao Salão Comunal. Tão logo Victoria se separou dela para seguir na direção da torre leste para a aula de Adivinhação, a ruiva deu meia volta e retornou para as masmorras. Não seria a primeira detenção que Constance tomaria por matar aulas, mas ao menos desta vez ela tinha uma boa razão.

Ao ficar frente a frente com Regulus, Constance deixou que todo o cansaço e as emoções extravasassem através de um choro dolorido. Seus lábios se curvaram num bico choroso e ela soluçou algumas vezes antes de conseguir murmurar.

- Me perdoa, por favor, Regs! Eu lamento muito por ontem, você tem razão! Eu não quero te perder, você é muito importante pra mim. Eu não sei o que eu faria sem você. – Constance se agarrou ao amigo, manchando o peito dele com suas lágrimas – Eu nunca mais vou te decepcionar se você me der outra chance. Eu te amo, Regs.
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Sab Out 31, 2015 1:38 am

Sirius arregalou os olhos quando viu Constance McMillan se desmanchar em lágrimas. Se a atração física pela sonserina já o surpreendia, aquela nova visão da menina parecia ainda mais inacreditável. Ela parecia como uma pessoal normal, com sentimentos, ao invés do monstrinho ácido que sempre lhe provocava.

Quando a menina lhe rodeou o corpo em um abraço, Black sentiu o peito afundar. Todo o sentimento de culpa que o remoera durante a noite pareceu se intensificar mil vezes e ele se sentiu o maior crápula da história.

A cada palavra de McMillan, ele imaginava a mágoa que Regulus havia sentido, a traição ainda maior entre irmãos. O caçula provavelmente havia terminado o relacionamento com a ruiva na noite anterior, após o flagra no Corujal. Só não havia feito uma cena bem ali, diante dele, porque o rapaz não iria se rebaixar expondo o drama na frente do primogênito.

Ver Constance implorando pelo perdão do sonserino só piorava a dor que crescia em seu estômago. Era nítido que a ruiva estava arrependida do envolvimento com ele, havia traído a confiança do namorado por alguém que não valia a pena.

Enquanto os sentimentos conflitantes lhe invadiam, dividido entre a dor de magoar o irmão e de perder qualquer chance que nem ele mesmo acreditava ter com Constance, seus braços rodearam a menina mecanicamente.

Sua testa estava enrugada enquanto os pensamentos passavam por sua cabeça em uma velocidade além do normal, o deixando tonto.

- E-eu... – A garganta de Sirius ficou seca ao escutar a declaração de amor da Sonserina e ele sentia todo o seu pescoço queimar.

Constance McMillan amava Regulus Black. E de verdade. Não era um namorico conveniente para as famílias. A menina estava desesperada com a possibilidade do fim daquele namoro.

Todas as ofensas e alfinetadas que a ruiva havia lhe dirigido ecoou novamente em sua mente, como um filme. “Você é só lazer, Black”. “É na cama do seu irmão que vou estar todas as noites.” “Jamais me apaixonaria por alguém como você.”

O ar escapou de seus pulmões. A mágoa que causara no irmão começava a ser deixada de lado, sendo trocada pelo desejo de ser ele o Black que McMillan amava.

Os fios ruivos tocavam as mãos de Sirius, que ainda abraçava a ruiva. Ele ergueu as mãos até tocar os ombros de Constance, a encarando nos olhos. A dor estava estampada em seu rosto.

- Eu preciso pensar, Constance. – ele conseguiu dizer, a voz fraca, se esforçando ao máximo para continuar no papel de Regulus Black, o namorado traído. – Se fosse qualquer outro do castelo, já seria algo horrível. Mas o Sirius?

O nó em sua garganta doía e tornava uma tarefa quase impossível fazer com que as palavras saíssem de sua boca. Ele se lembrou de tantas ofensas que escutara de Walburga quando deixou a Mansão Black e imaginava que Regulus as repetisse. Não conseguia imaginar como o caçula poderia perdoar aquela traição, dele ou de Constance.

- Ele é mais do que um traidor do próprio sangue, Constance. É desprezível, um imundo adorador de trouxas.
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Sab Out 31, 2015 2:00 am

- Tem alguém aí...?

A pergunta de Constance soou num sussurro abafado e a ruiva repetiu a mesma expressão do corujal na noite anterior. Os olhos azuis se arregalaram, o rosto ficou corado e ela espiou o salão comunal da Sonserina completamente vazio por cima dos ombros de Regulus.

Se não havia mais ninguém por perto, por que Regulus estava com aquele discurso? Nem mesmo antes de confessar seu interesse numa nascida trouxa o rapaz costumava se expressar daquela maneira preconceituosa! E por que ele voltara a falar de Sirius quando o maior problema fora o rompimento da amizade na noite anterior?

- Do que você está falando, afinal? Você mesmo disse que não se importa com o que aconteceu entre seu irmão e eu...

Um pouco mais calma, a caçula dos McMillan usou os dedos trêmulos para secar as lágrimas que manchavam seu rosto. Foi com uma expressão confusa que ela encarou o melhor amigo, sem nunca imaginar que o Black a sua frente era o primogênito de Walburga e Orion.

- Você sabe muito bem que eu estou falando daquele outro assunto, Regs...

Como o rapaz parecia cada vez mais perdido na conversa, Constance bufou. Os olhos azuis giraram antes que ela resmungasse.

- Como ousa falar de mim? É você que está ficando retardado como os grifinórios, sabia? Estou falando de Samantha Smith.

Constance respirou fundo três vezes antes de conseguir pronunciar aquelas palavras.

- Olha, Regs. Eu ainda não gosto dela, não vou mentir pra você. Ainda acho que ela é inadequada em todos os sentidos! Mas você tem razão, a nossa amizade é mais importante. Se você realmente quer... – Constance bufou - ... enfim. Eu vou tentar aceitar. E vou me esforçar para não chamá-la mais de sangue-ruim, embora ela seja uma sangue-ruim...

Antes que estragasse aquele discurso ameno, McMillan decidiu finalizar logo o desabafo.

- Me desculpe por ter reagido tão mal. Você é como um irmão pra mim. Eu não estava preparada para ouvir que logo você está apaixonado por uma sang... – a ruiva se controlou a tempo - ... uma nascida trouxa.
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Sab Out 31, 2015 2:35 am

Para o ponto de interrogação ser mais nítido no rosto de Sirius Black transformado em Regulus, apenas se alguém desenhasse com tinta sobre a sua pele.

Seu irmão não se importava com o que havia presenciado no Corujal, na noite anterior? Desde quando o filhinho de Walburga tinha a mente tão aberta a ponto de não se importar que a própria namorada estivesse aos beijos com um traidor do próprio sangue?

Quanto mais Constance falava, mais confuso Sirius ficava. Se não era pelo quase flagra do beijo com o primogênito, por qual outro motivo seu irmão ficaria tão decepcionado com a menina a ponto de fazê-la chorar? O que podia ser pior do que aquela traição?

Quando Constance citou de Samantha Smith, Black varreu a sua mente confusa atrás de um rosto para ligar aquele nome. Diversos alunos passaram como um flash diante dos seus olhos, mapeando o cérebro para que pudesse conectar o que a Sonserina falava com seu irmão. Apenas quando a ruiva proferiu a palavra “sangue-ruim”, a imagem da loira lufana do sexto ano surgiu.

As íris cinzentas se arregalaram levemente. Samantha era uma nascida trouxa. Seria possível que Regulus estivesse fazendo algum mal à menina?

O grifinório absorveu as últimas palavras de McMillan e teve certeza que havia faltado oxigênio em seu cérebro. Toda a dor e frustração que sentia instantes antes haviam desaparecido. Era impossível pensar em qualquer outra coisa quando ele fazia um esforço sobrenatural para entender o que a ruiva estava tentando lhe dizer.

Regulus Black. Apaixonado por uma nascida trouxa. Amigo de Constance. SÓ amigo de Constance.

Que tipo de mundo alternativo ele havia ido parar? Certamente havia algo de errado com a poção polissuco que furtade Slughorn.

Sirius deu um passo para trás, em uma tentativa boba de fazer com que o ar voltasse para os seus pulmões. Ele ergueu uma das mãos, o indicador ereto, e abriu a boca para falar, a testa tão franzida que as sobrancelhas negras quase se tocavam. Ao invés de dizer alguma coisa, apenas um grunhido escapou pela sua garganta, como se ele estivesse engastando.

Os lábios do rapaz se abriram e fecharam diversas vezes, mas sua mente parecia incapaz de formular qualquer frase. Ele voltou a erguer a mão, dessa vez sinalizando que precisava de um minuto. Com mais alguns passos para trás, Sirius se deixou cair em uma das poltronas negras do salão comunal sonserino.

Quem olhasse de fora, pensaria que o jovem Black havia enlouquecido. Sirius tinha o olhar perdido e gesticulava com as mãos como se estivesse fazendo uma complexa conta matemática de cabeça. Os lábios mexiam como se estivesse conversando consigo mesmo, mas não saía nenhum som de sua boca.

Ele finalmente ergueu os olhos para Constance, a mão perdida no ar no meio da conta matemática invisível.

- Hein? – foi tudo que o rapaz conseguiu dizer. Ele voltou a balbuciar mais algumas vezes até um novo som sair de sua boca. – Ahn? Como é que é mesmo?

Regulus Black. O caçulinha de Walburga, o filho querido, único amado pela mãe. Por mais que já compreendesse o sentido daquelas palavras, ainda parecia irreal demais que o seu irmão caçula, tão preconceituoso quanto a ruiva à sua frente, estivesse apaixonado por alguém que não possuía o sangue puro.

Então ele se lembrou que ele mesmo estava descobrindo sentimentos por McMillan, algo que era tão irreal quanto o que acabara de descobrir.

Mas, enquanto ainda tentava processar a novidade do ano, uma vozinha começou a gritar em sua mente. Eles não são namorados. Não havia nada, absolutamente nada além de amizade entre Constance e Regulus. Tudo que a ruiva lhe dissera, não passava de provocação.

E, para completar aquela avalanche de “vamos mostrar para o Sirius que tudo que é impossível, pode acontecer”, descobrira que McMillan era capaz de amar, afinal de contas. Um sentimento puro de amizade. Aquela nova faceta da Sonserina era tão agradável quanto a química recém descoberta entre os dois.

Um sorriso surgiu nos lábios de Sirius e ele pareceu voltar a realidade. O rapaz se ergueu e deu um passo em direção de Constance, mas se conteve. Por mais que quisesse beijá-la ali, ainda estava na pele de Regulus Black. E agora sabia perfeitamente que os dois não compartilhavam daquele tipo de intimidade.

Se lembrando desse pequeno detalhe, Sirius olhou para o relógio em seu pulso, lhe lembrando que ele tinha no máximo dez minutos para retornar até a sala onde seu verdadeiro uniforme estava guardado sem que qualquer outro aluno o visse se transformar novamente no grifinório.

- Sabe, Tancy... – Sirius a tocou em um dos braços, o sorriso evidente nos olhos. – Eu realmente não estou me sentindo muito bem agora de manhã. Podemos ter esta conversa depois?

Ele se encaminhou para a porta, andando de costas para ainda encarar a sonserina.

- Ah, e eu também e amo, Tancy. Como amigos, é claro. – ao dizer as últimas palavras, o sorriso de Sirius Black não poderia ficar maior.
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Sab Out 31, 2015 3:01 am

A filha caçula dos McMillan ficou parada como uma estátua no meio do Salão Comunal da Sonserina enquanto assistia ao melhor amigo protagonizar a cena mais grotesca e maluca do universo. Constance mal conseguia piscar enquanto via Regulus gesticulando, articulando sílabas sem sentido para si mesmo.

Mais uma vez, a ruiva se perguntou se o melhor amigo não estaria sob o efeito de alguma poção poderosa. Porque o Regulus Black que Constance conhecia tão bem definitivamente não era tão descompensado!

Como ainda estava muito abalada e exausta devido à noite não dormida, o raciocínio lentificado da ruiva não permitiu que ela pensasse na possibilidade daquele não ser o verdadeiro Regulus. Era muito mais fácil concluir que o apanhador da Sonserina também estava cansado e abatido depois dos últimos acontecimentos.

- Já ficou óbvio pra mim que você não está bem, Regs. Eu só precisava resolver este problema porque não suporto ficar brigada com você.

Um suspiro pesado escapou pelos lábios da ruiva quando uma badalada do relógio do salão anunciou que ela já havia perdido mais de meia hora da primeira aula do dia. O professor nem permitiria a entrada dela depois de um atraso tão grave, então o melhor que Constance tinha a fazer era aproveitar o restante do tempo para descansar e recuperar um pouco aquela noite perdida.

- A gente se fala no almoço. Espero que seus neurônios tenham acordado até lá. Foi mais difícil falar com você do que explicar Aritmancia a um lufano...

McMillan fez uma careta ao notar a ofensa que escapara.

- Desculpe, desculpe... Você vai ter que ter paciência comigo, Regs! Não vai ser fácil! Mas eu vou tentar, eu juro.

Mesmo depois que Regulus saiu do Salão Comunal, Constance ficou mais um tempo parada no mesmo lugar, ainda tentando entender toda a loucura que acabara de acontecer ali.

As coisas só ficaram mais claras quando a ruiva subiu para o dormitório. O ambiente estava impecável, mas o mesmo não poderia ser dito sobre o malão de Constance. Quando ela abriu a mala para pegar um cachecol, encontrou todas as suas coisas reviradas. Seu coração veio parar na boca enquanto a menina tentava resgatar todos os seus objetos de valor.

As joias continuavam todas ali, bem como seu estoque de bombons de cereja escondidos num fundo falso do malão. Constance só notou qual o único objeto que havia sumido depois de conferir os pergaminhos do fundo do malão. Mesmo depois de revirar os pergaminhos dezenas de vezes, McMillan não encontrou o Mapa do Maroto.

Mas quem entraria em seu quarto e roubaria somente o mapa? Quem sabia que ela estava com o mapa? Sirius Black, é claro! Mas a mente de Constance ainda demorou alguns minutos até entender como o grifinório conseguira aquela façanha.

Assim que entendeu por que Regulus estava tão esquisito naquela manhã, Constance soltou um urro de fúria. Seus únicos trunfos contra Sirius não existiam mais: o grifinório estava com o mapa e agora sabia que não havia nada além de amizade entre Regulus e McMillan.

E ainda havia um agravante. Isso significava que Constance ainda não havia se acertado com o melhor amigo. Ela teria que repetir o pedido de desculpas, e desta vez teria que acrescentar na lista de itens a serem perdoados um “pequenino” detalhe. Graças a ela, agora Sirius Black sabia que o filho preferido de Walburga também era um amante de trouxas.
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Sab Out 31, 2015 3:40 am

Quando Sirius Black finalmente chegou para a aula de Transfiguração, foi recepcionado pelo olhar severo de McGonnagal. Nem o seu melhor sorriso foi capaz de amenizar a expressão da diretora da Grifinória, que lhe saudou com menos dez pontos por ter perdido a primeira aula do dia.

Mesmo com os pontos negativos, o rapaz assumiu seu costumeiro lugar ao lado de Lupin com um sorriso vitorioso nos lábios. Ele jogou o livro sobre a carteira, mas não fez o menor movimento para abri-lo na página correta. Ao virar o rosto para encarar o amigo, seu sorriso fazia aparecer a costumeira covinha na bochecha.

Remus ergueu levemente as sobrancelhas, sem entender a felicidade repentina. Quando Black voltou da detenção na noite anterior, parecia ter sido massacrado por dezenas de corujas revoltadas. No entanto, ali estava ele, como se tivesse acabado de completar toda sua coleção de figurinhas de sapo de chocolate.

Sirius encarou o lobisomem enquanto seus dedos abriam o livro aleatoriamente, passando as páginas sem olhar para o que realmente estava procurando. Baixinho, ele murmurava uma música com os lábios colados.

- Padfoot? – Lupin chamou, fazendo Sirius soltar um “uhum” durante a música. – Está tudo bem? Você contraiu alguma doença no corujal? Quer que te leve até a enfermaria? Ou caiu nas garras de alguma poção do amor de novo?

Em resposta, Sirius puxou de dentro das suas vestes o pergaminho já muito bem conhecido por ele e por Lupin. A expressão de surpresa no rosto do monitor foi o suficiente para a música voltar a ser cantarolada.

- Você conseguiu? Como?

- Você realmente duvidou de mim, Moony? – Sirius revirou os olhos, sem deixar o sorriso morrer em seus lábios.

- Então quer dizer que o assunto com a McMillan está encerrado?

Os olhos cinzentos fitaram um ponto qualquer da sala de aula. Aquele era o objetivo. Havia enfrentado o sabor terrível da polissuco para recuperar o mapa e não ter mais nada que o atraísse de volta a Constance. Mas a sensação de que as coisas estavam apenas começando com a ruiva era predominante.
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Sab Out 31, 2015 1:16 pm

Como se o tempo também tivesse o poder de refletir o clima no castelo de Hogwarts, a manhã do jogo de quadribol que colocaria Sonserina e Grifinória em lados opostos do campo nasceu com nuvens carregadas. O primeiro raio cortou o céu antes mesmo que o café da manhã fosse servido no Salão Principal e uma chuva torrencial começou a desabar sobre os terrenos da escola.

Alguns boatos começaram a circular pelo castelo sobre um possível adiamento da partida, visto que o tempo estava realmente muito ruim. Poucos alunos estavam a favor desta possível decisão, mas a maciça maioria não se importava em enfrentar a chuva. Os mais aventureiros, inclusive, encararam o mau tempo como apenas um detalhe que tornaria o jogo mais emocionante.

Depois de uma breve reunião com os diretores das duas casas, a palavra final foi dada por Albus Dumbledore durante o café da manhã. Houve uma vibração animada nas quatro mesas quando o diretor confirmou que sim, o jogo aconteceria. Dumbledore no fundo queria acabar logo com aquilo. Adiar o jogo era o equivalente a aguentar mais alguns dias de provocações e brigas entre os rivais.

Nenhum dos jogadores da Grifinória parecia intimidado pela tempestade quando o capitão os reuniu num dos vestiários do campo de quadribol. Todos eles já tinham jogado ou treinado sob chuva e conheciam as dificuldades e as limitações criadas pelo mau tempo. A água em si não atrapalhava tanto. A maior dificuldade seria enfrentar o vento frio daquele início de inverno.

Embora todos estivessem tranquilos e confiantes, Potter não fugiu do seu papel de capitão e reuniu os colegas em uma roda para dizer algumas palavras de incentivo e ajustar os últimos detalhes.

Todos já estavam basicamente prontos. Enquanto falava, James terminava de ajustar as luvas sem dedos que compunham seu uniforme de apanhador. As botas pretas, que alcançavam os joelhos do rapaz, ainda estavam desamarradas. A capa vermelha com o nome “Potter” bordado em dourado estável impecável, mas logo ficaria encharcada no instante em que o time pisasse no campo de quadribol.

- Em primeiro lugar, não subestimem o time da Sonserina.

Apesar de ser conhecido por seu comportamento irresponsável e divertido, James conseguia falar sério quando encarnava o papel de capitão da equipe.

- Embora não admiremos nada neles, precisamos reconhecer que os sonserinos tem um time de qualidade. – James explicou antes que um dos colegas discordasse – O goleiro deles tem reflexos excelentes. Os batedores não costumam errar a mira, então precisamos redobrar o cuidado. Os artilheiros jogam juntos desde o terceiro ano, então não poderiam ter uma sintonia maior...

O capitão evitou olhar para Sirius ao mencionar o apanhador adversário, mas os outros membros da equipe voltaram a atenção discretamente para o primogênito enquanto o caçula dos Black era mencionado.

- E o apanhador já mostrou em jogos anteriores que não foi escolhido para a posição ao acaso. Ele é rápido, é ágil e voa muito bem.

- Mas nós somos melhores. – Longbottom estava confiante e recebeu alguns acenos de concordância enquanto falava – Somos o time mais temido, temos excelentes artilheiros e um apanhador que nunca deixou de capturar um pomo!

- Nós somos melhores, sem dúvida. – James concordou com um sorrisinho, mas logo retomou o ar sério que se esperava de um capitão – Mas não podemos errar hoje. A Sonserina está contando com erros e nós não vamos permitir que ninguém nos tire a taça deste ano! Muito menos as serpentes de Slytherin!

Como de costume, James foi o primeiro a estender o braço para o centro da roda. Os colegas repetiram o gesto e todo o time repetiu o grito de guerra “Grifinória!”, que soou meio abafado por um potente trovão que estremeceu as paredes do vestiário.

Definitivamente, o cenário não era nada animador quando o time de vermelho e dourado entrou em campo. Bastou dois segundos sob a chuva para que todos os jogadores ficassem completamente encharcados. Era tanta água que, pela primeira vez na vida, os fios arrepiados do cabelo de James se abaixaram. O apanhador passou as mãos pelos cabelos, jogando-os para trás. Potter só conseguia enxergar bem graças a um feitiço que Lupin fizera em seus óculos naquela manhã, que impermeabilizou as lentes e impedia que as gotinhas de chuva se acumulassem no vidro.

Os grifinórios foram os primeiros a entrar. Os gritos da torcida de Godric foram abafados por mais um trovão e pelo ruído da água despencando impiedosamente sobre o terreno de Hogwarts.

Poucos segundos depois, surgia o time usando o uniforme verde e prata. A torcida da Sonserina os ovacionou, abafando as vaias da Grifinória. Liderados pelo capitão Macnair, os sonserinos também não pareciam intimidados pela chuva. Ao contrário, todos pareciam confiantes e determinados, conscientes da qualidade da equipe.

Apesar do mau tempo, as arquibancadas estavam lotadas. As torcidas da Grifinória e da Sonserina compareceram em peso, mas até mesmo as alas destinadas à Corvinal e Lufa-Lufa estavam cheias. Aquele era um espetáculo único que ninguém queria perder. Mesmo quem não gostava tanto de quadribol reconhecia a emoção de um duelo entre grifinórios e sonserinos. A rivalidade histórica entre as duas casas transformava qualquer disputa em uma guerra que nenhum dos lados estava disposto a perder.

Como de costume, a juíza da partida seria Madame Hooch, a professora de voo em Hogwarts. Talvez ela fosse a única dentro do campo que demonstrasse receio para aquela partida. Já era difícil controlar um jogo comum entre grifinórios e sonserinos, aquela chuva só dificultaria ainda mais o seu árduo trabalho de manter a ordem e a disciplina durante a partida.

Com um gesto, a professora convidou os capitães ao centro do campo. James se aproximou arrastando sua vassoura, sem desviar os olhos do semblante fechado de Macnair. A tensão entre eles era quase palpável quando os dois rapazes pararam em frente um ao outro.

- Vocês dois conheceram as regras. – Hooch precisou falar um pouco mais alto para que sua voz ecoasse acima da chuva – Nada de jogadas desleais, nada de lances violentos, controlem os seus jogadores! Cada gol equivale a dez pontos, a captura do pomo vale cento e cinquenta pontos. A partida termina no instante em que o pomo de ouro foi capturado, ou quando uma das equipes atingir a marca de trezentos pontos.

Geralmente, aquela última regra não tinha grande importância visto que os apanhadores costumavam capturar o pomo dourado antes que os artilheiros fizessem tantos gols. Mas, no atual cenário, Madame Hooch preferiu lembrar os jogadores daquela regra. O tempo estava péssimo, a visibilidade estava bastante comprometida pela chuva e pelas nuvens carregadas. Havia a possibilidade de, mesmo havendo dois excelentes apanhadores em campo, nenhum deles conseguir o feito de capturar a bolinha dourada tão valiosa.

Diante dos dois capitães, Madame Hooch abriu a caixa contendo as bolas da partida. Os dois pesados balaços foram os primeiros a serem soltos no céu. As bolas voaram em alta velocidade no mesmo instante em que a professora afrouxou a correia que as prendia. O próximo a ser libertado foi o desejado pomo de ouro. A pequena bolinha dourada abriu suas asas e voou lentamente pelo campo, atraindo o olhar dos dois apanhadores. Logo em seguida, o pomo levantou voo numa velocidade maior e sumiu de vista por entre as nuvens carregadas.

A goles foi a última a ser retirada da caixa e permaneceu nas mãos da professora. Madame Hooch estava séria quando encarou os dois rapazes a sua frente.

- Quero que as duas equipes formem fila. A partida só começa depois que todos se cumprimentarem educadamente e apertarem as mãos.

Normalmente, aquela não era uma regra oficial das partidas. Era comum que os jogadores tomassem aquela iniciativa naturalmente, visto que eram colegas de longa data fora do campo de quadribol. Mas, com Sonserina e Grifinória, Hooch sabia que não haveria nenhum tipo de gentileza se não houvesse uma ordem naquele sentido.

James não pareceu muito satisfeito, mas obedeceu à professora. Com um gesto, ele convidou o restante do time a se aproximar. Para dar o bom exemplo, o capitão foi o primeiro a estender a mão na direção de Macnair. O sonserino encarou Potter com desprezo e não repetiu o gesto de imediato. Aliás, Macnair só apertou a mão do grifinório com uma força desnecessária quando Madame Hooch ameaçou cancelar a partida se não houvesse cumprimentos.

O capitão da Grifinória também não tinha uma expressão muito satisfeita quando puxou a fila e passou pelos demais jogadores, saudando-os com breves apertos de mãos. O último da fila da Sonserina era o apanhador, e foi o único a quem James Potter dirigiu a palavra.

- Que vença o melhor, Black.

Embora estivesse tão sério quanto o restante do time, Regulus manteve um comportamento civilizado e cumprimentou o adversário.

- O melhor vencerá, Potter.
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Out 31, 2015 3:46 pm

Victoria fazia parte do pequeno grupo a favor que aquela partida de Quadribol fosse cancelada. O jogo sempre fora uma desculpa para usar roupas diferentes do uniforme e provocar o time adversário, mas ela não se importava realmente com o que acontecia durante a partida.

A chuva que caía torrencialmente naquele dia servia apenas para agravar o seu desinteresse. Cada vez que pensava no estado que seu cabelo ficaria após algumas horas nas arquibancadas, a menina tinha vontade de chorar. Não havia feitiço no mundo que a protegesse da tempestade que acontecia fora do castelo.

Quando o diretor anunciou que os planos se mantinham o mesmo, independente do mau tempo, Victoria empurrou o prato de café da manhã e cruzou os braços, o costumeiro bico se formando em seus lábios como sempre acontecia quando era contrariada.

Seu olhar passou rapidamente pela mesa da Sonserina apenas para constatar que os jogadores não partilhavam do mesmo desanimo que ela. Discretamente, ela procurou a mesa da Grifinória até encontrar o principal motivo que a faria enfrentar a chuva, quando poderia simplesmente desistir do jogo e ficar confortavelmente no salão comunal, em frente a lareira, perfeitamente seca e com os cabelos sedosos.

Não havia mais murmurinhos sobre a participação de Potter. Os Sonserinos pareciam ter finalmente aceitado a volta do apanhador e estavam dispostos a ganhar aquele jogo, independente de quem seriam os jogadores adversários. McMillan, entretanto, não perderia a chance de ver o Grifinório jogando, por maior que fosse o trabalho de recuperar os cabelos depois. Se ele estava vestindo o uniforme de Quadribol naquele dia, era consequência de seu rápido momento de honestidade.

Quando um trovão mais alto se fez ouvir e o salão se iluminou momentaneamente com um raio, Victoria não pode deixar de pensar que se algo acontecesse com Potter, também seria consequência da conversa que tivera com o diretor.

Ela se viu obrigada a desviar seus pensamentos quando Constance se levantou ao seu lado.

- Heeey, espere!

Quando as duas alcançaram o saguão de entrada, o piso de pedra já estava molhado pelos respingos que entravam pelos portões abertos. Victoria torceu o nariz ao ver o céu negro lá fora, mesmo que ainda fosse dia.

As irmãs McMillan pararam por um instante enquanto vestiam as capas já enfeitiçadas para reforçar a impermeabilidade. Victoria teve o cuidado de puxar o capuz para cobrir o máximo que conseguiria dos cabelos.

Constance saiu primeiro e a primogênita ainda pareceu relutante, adiando os últimos segundos para acompanhar a irmã. Ela precisou correr devido a distância que a caçula já havia criado.

- Constieee! Espere! Minhas botas estão afundando na lama.

Por baixo da capa, Victoria estava devidamente agasalhada com uma calça marrom colada ao corpo, a blusa verde em homenagem a sonserina estava escondida pela segunda camada do agasalho, negro. Apesar dos calçados a protegerem do frio, os saltos finos não pareciam adequados para enfrentar um gramado enlameado.

As irmãs finalmente conseguiram se acomodar nas arquibancadas segundos antes dos times entrarem em campo. Era impossível sentar, pois toda a extensão dos lugares estava encharcada. Os demais alunos não se importavam, ovacionando seus jogadores, tão animados para o início da partida como se fosse um dia quente de férias.

A partida se iniciou, mas mesmo com os jogadores quase no mesmo nível de seus olhos, era difícil diferenciar as cores dos uniformes vermelho e dourado dos verde e prata. McMillan não era especialista em Quadribol, mas era notável que os jogadores se mexiam com uma velocidade menor que de um jogo normal, todos pesados demais com os uniformes molhados.

Havia se passado mais de vinte minutos quando a Sonserina marcou o primeiro ponto, estreando o placar. Victoria ergueu os olhos procurando algum dos apanhadores, mas tudo que conseguia enxergar era a nuvem cinzenta que a chuva formava.

A água descia se chocando contra seus ombros e cabeça, fazendo o barulho forte em seu ouvido, abafando a narração do jogo. As mãos e o rosto estavam molhados e completamente gelados, mas apenas as pontinhas dos cabelos haviam se molhado até aquele momento. Devido ao vento forte, ela precisava ficar segurando o capuz da capa enfeitiçada.

- Este jogo nunca vai ter fim. – Victoria resmungou chorosa ao pé do ouvido da irmã. – É impossível encontrar o pomo nesse estado.

A loira fungou quando buscou mais uma vez Regulus e Potter no céu, sem sucesso.

- Eu quero um chocolate quente, Consty.

A torcida vez um “uuuh”, atraindo os olhares das duas irmãs. Um dos batedores da Grifinória havia acabado de arremessar um balaço na direção de Macnair, fazendo o artilheiro rodopiar varias vezes. Victoria soltou a capa para cobrir a mão quando viu o rapaz escorregar para o lado na vassoura.

No mesmo instante, o vento levantou o capuz, fazendo com que a chuva atingisse em cheio os fios dourados, grudando-os em seu rosto pálido.

- Uuuuurh! – ela rugiu, culpando Macnair pela distração. – Seu imbecil!

Quem estava ao redor, pensaria que seu xingamento havia sido direcionado a Sirius Black, responsável pelo balaço, sem imaginar que a menina ofendia o colega da própria casa. Ela puxou novamente a capa para se cobrir, mas o estrago já estava feito.

Um dos artilheiros da Grifinória passou zunindo próximo à arquibancada onde as irmãs McMillan estavam e voou direto até o goleiro sonserino, empatando o jogo.
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Sab Out 31, 2015 4:26 pm

Ao contrário da maioria dos alunos de Hogwarts, Constance McMillan não via muita graça no quadribol. Ela conhecia as regras e era a melhor amiga do apanhador da Sonserina, mas ainda assim não conseguia se entusiasmar com as partidas. Para a ruiva, tudo aquilo era uma grande perda de tempo e de energia. A garota só costumava assistir às partidas de sua casa com o único objetivo de prestigiar a participação de Regulus.

Naquela manhã chuvosa, contudo, Constance ficou muito irada quando soube que havia a chance da partida ser cancelada por causa da tempestade. Pela primeira vez, a ruiva estava animada com um jogo e era muito injusto que logo a partida contra a Grifinória pudesse ser adiada. É claro que a caçula dos McMillan não havia descoberto um recente gosto pelo esporte. Ela somente não queria perder o duelo do ano. Sempre que Sonserina e Grifinória ficavam frente a frente, era a garantia de uma briga épica!

Quando Dumbledore confirmou que o jogo aconteceria independente do mau tempo, a ruiva foi uma das alunas que vibrou. Constance estava animada para ver o duelo e confiava inteiramente no time da Sonserina. É claro que ela reconhecia os méritos dos adversários, mas era exatamente por saber que os grifinórios eram bons que a garota estava ansiosa pelo jogo. Se os sonserinos vencessem, ficaria provado que as serpentes de Salazar eram superiores ao aclamado time dos leões de Godric.

A chuva não a intimidou. Constance não era vaidosa ao ponto de faltar ao espetáculo por medo de estragar o cabelo ou borrar a maquiagem. A ruiva resolveu aquele problema da maneira mais prática possível.

Para assistir ao jogo, McMillan escolheu calças pretas grossas para se proteger do vento frio. As botas de cano alto certamente reduziriam o contato com a água. A blusinha branca era fina, mas recebeu o reforço de um casaco verde e um cachecol listrado com as cores da Sonserina. Os cabelos vermelhos foram presos numa trança de raiz e a garota completou o visual com uma capa de chuva preta, contendo um capuz para proteger a cabeça dos pingos que caíam impiedosamente no caminho do castelo até as arquibancadas lotadas.

Pela primeira vez, Constance não chegou atrasada e conseguiu assistir à entrada dos dois times. É claro que ela estava ali torcendo pelo melhor amigo, ainda mais depois de ter feito as pazes com Regulus. Mas a ruiva não conseguiu deixar de notar a presença de Sirius Black.

Era tolice fingir que Sirius não se destacava entre todos os jogadores. O batedor da Grifinória era um dos mais altos e mais encorpados em campo. Mesmo de longe, era possível notar a perfeição incomparável dos traços dele. Os cabelos negros molhados pela chuva, o sorriso galanteador, as covinhas que surgiam nas bochechas...

Um arrepio esquentou o corpo de Constance, ignorando por completo o vento frio, quando ela se lembrou das vezes em que estivera nos braços de Sirius Black. Por mais que ela tentasse negar, era um fato que o batedor da Grifinória era o único rapaz do universo com aquele poder de desconcertá-la.

O apito de Madame Hooch arrastou Constance de volta à realidade. Todos os jogadores já estavam montados em suas respectivas vassouras quando a goles foi jogada para cima, iniciando oficialmente aquele duelo. A torcida da Grifinória vibrou quando um dos artilheiros da casa foi o primeiro a pegar a bola e já iniciou um ataque agressivo na direção do goleiro sonserino, mas foi a vez da Sonserina vibrar quando a primeira participação de seu time foi uma defesa espetacular.

A chuva prejudicava muito a visibilidade. O vento forte atrapalhava as manobras dos jogadores e os deixava mais lentos. A goles completamente encharcada escapava das mãos dos alunos toda hora. Mas, ainda assim, aquele era um jogo incomparável. Era notável que nenhum dos dois times admitia perder aquela partida por causa do mau tempo.

Quando a Sonserina estreou o placar, a arquibancada em verde e prata berrou tão alto que nem mesmo os trovões impediram que a vibração ecoasse pelo campo. Mais do que nunca, cada ponto era importante visto que a captura do pomo era uma missão quase impossível naquelas condições. A bolinha dourada era muito pequena e havia simplesmente sumido depois de ter sido libertada pela Prof. Hooch.

- Pare de reclamar, Vicky! – Constance lançou um olharzinho irritado à irmã depois de escutar uma infinidade de reclamações – Aliás, eu ainda não entendi o que você veio fazer aqui!

A caçula sabia que, para Victoria, os jogos de quadribol serviam apenas para usar roupas novas e para se exibir para o restante do castelo. Portanto, não fazia o menor sentido estar ali debaixo de uma tempestade. Victoria não era amiga próxima de nenhum dos jogadores, então não tinha nem a desculpa de querer prestigiar alguém. Para a ruiva, era inexplicável que a filha mais velha dos McMillan não tivesse um excelente motivo para estragar os cabelos.

- E pare de falar sobre chocolate também. Está me dando fome!

Embora detestasse Macnair, Constance participou do coro sonserino que incentivou o artilheiro a se equilibrar novamente sobre a vassoura. Macnair evitou a queda, mas não conseguiu retornar à jogada, que culminou no empate da Grifinória. O olhar mortal que o capitão da Sonserina lançou a Sirius Black deixava bem claro que a guerra não havia acabado.

Constance se distraiu tanto com Sirius que demorou a se lembrar que estava ali por causa de Regulus. Os olhos dela se espremeram numa tentativa de enxergar mais longe e a ruiva demorou um bom tempo até reconhecer o melhor amigo voando do outro lado do campo.

Regulus olhava de um lado para o outro, sem avistar nenhum sinal do pomo de ouro. O consolo da sonserina era olhar para James Potter e perceber que o apanhador da Grifinória estava tão perdido quanto o filho caçula dos Black.
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Sab Out 31, 2015 5:08 pm

A adrenalina de estar em campo, jogando contra a casa das Serpentes, diminuía o estrago que o tempo ruim tentava causar. Para Sirius Black, o mundo poderia estar acabando, mas nada o impediria de ter uma chance de ganhar da Sonserina.

A visibilidade estava péssima e ele precisava fazer um esforço além do normal para que a vassoura fosse mais rápida, lutando contra o peso que a fazia afundar pelas roupas encharcadas. O bastão também parecia muito mais pesado e ele precisava segurá-lo com tanta força que os nós dos seus dedos estavam esbranquiçados, impedindo que escorregasse.

Black sabia que aquele tempo ruim era ainda mais prejudicial para os apanhadores, mas confiava plenamente na capacidade do seu melhor amigo. Tudo que ele precisava fazer era ganhar tempo para que Potter capturasse a bolinha e eles pudessem comemorar na confortável sala comunal.

O óculos protetor que compunha seu uniforme estava enfeitiçado, impedindo que as gotas das chuvas grudassem e atrapalhassem ainda mais a sua visão. Ele voou em direção ao balaço e o acertou em cheio, vendo a água espirrar contra a chuva após o choque do bastão. Em uma mira perfeita, a bola voou em direção a Macnair, fazendo-o se desequilibrar.

Sirius sorriu vitorioso com os lábios molhados, mas não perdeu tempo para admirar o sonserino se recuperar. Ele olhou rapidamente para cima, a procura dos apanhadores, apenas para descobrir que ainda não havia sinal do pomo.

A vassoura foi guiada em linha reta até a proximidade dos aros da grifinória, onde ele ajudaria a proteger Longbotton enquanto o outro batedor rodeava os artilheiros. Com habilidade, um dos artilheiros de seu time roubou a goles do adversário e o arremessou com sucesso até o aro do meio, sem a proteção do goleiro Sonserino, marcando mais 10 pontos para a casa dos leões.

Ainda faltava muito para ter uma grande vantagem, principalmente para se declarar vitorioso, mas Sirius estava com o humor excelente, mesmo com as trovoadas que ecoavam em seus ouvidos. Ele não tinha dúvidas de que aquela partida seria finalizada com a casa de Godric campeã.

Seu olhar passou brevemente pelas arquibancadas lotadas e só conseguia enxergar as diversas cores das capas de chuva. Era impossível reconhecer alguém, mas Sirius ainda tentou identificar sem sucesso fios ruivos que pudessem estar escapando de algum capuz.

Mecanicamente, girou o rosto novamente na direção dos apanhadores, procurando pelo irmão caçula. Certamente Constance McMillan estaria entre a torcida verde e prata, torcendo pelo melhor amigo.

A ideia de que os dois eram apenas amigos ecoou novamente em sua cabeça, como vinha acontecendo desde a manhã que recuperara o Mapa do Maroto, e imediatamente os lábios se curvaram em um sorriso.

A água escorria pelo seu rosto, pingando quando finalmente chegavam até seu queixo. Os cabelos estavam ainda mais escuros por estarem molhados e as pontinhas grudavam em sua nuca, como se ele estivesse com a cabeça enfiada no chuveiro.

Alguns metros a frente, os dois batedores Sonserinos rodeavam a artilheira da Grifinória que estava em posse da Goles.

- Da conta aqui, Frank? – Ele gritou para o goleiro que também observava a cena do outro lado do campo.

- Vai lá... Derrube algumas cobrinhas, sim? – O goleiro incentivou, se colocando em frente ao aro do meio.

Sem pensar duas vezes, Sirius girou a vassoura até alcançar a colega. Emmeline Vance ainda segurava a goles rodeando-a com um dos braços, mas tinha a expressão assustada em seu rosto.

Apesar da visibilidade ruim, o rapaz viu quando, alguns metros à frente, Macnair veio voando na direção na colega. Ele empurrou o batedor do próprio time, arrancando o bastão das mãos dele.

Mesmo ocupando a posição de artilheiro, Macnair acertou o balaço com a perfeição de um batedor bem treinado. A bola atingiu em cheio a ponta da vassoura da grifinória, fazendo a madeira estilhaçar e a menina rodopiar várias vezes, a goles escapando de suas mãos.

Macnair jogou o bastão novamente para o seu colega de time e ainda conseguiu pegar a goles abandonada.

Sirius arregalou os olhos quando viu Emmeline deslizar pela vassoura, ficando pendurada apenas por uma mão. Os pés soltos no ar se balançavam e a menina olhou por cima do ombro, assustada com a altura que estava.

O grifinório acertou rapidamente um dos balaços, lançando-os na direção do time adversário, mas não ficou para ver se havia atingindo seu alvo. Ele já estava voando na direção de Emmeline, esticando a mão para ajuda-la a se erguer novamente na vassoura prejudicada.
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Sab Out 31, 2015 5:41 pm

Não era a primeira vez que James Potter jogava uma partida oficial sob chuva. Mas aquele dia, as dificuldades pareciam maiores do que qualquer desafio já experimentado pelo capitão da Grifinória.

Em primeiro lugar, não era uma chuva comum. As nuvens pesadas tinham se acumulado no céu de Hogwarts e uma verdadeira tempestade desabava sobre as cabeças. O vento estava gelado e forte o bastante para mudar a rota de voo das vassouras. Embora fosse dia, o céu estava escuro e as nuvens formavam várias sombras cinzentas, atrás das quais o pomo de ouro havia sumido por completo.

Se não bastasse isso, havia outro detalhe que piorava a situação. O adversário do dia. Se a Grifinória estivesse enfrentando Corvinal ou Lufa-Lufa, provavelmente não lidariam com tantas dificuldades. Mas o time da Sonserina, além de qualidade técnica, tinha um desejo incontrolável de vencer a qualquer custo. E não seria uma tempestade que impediria a equipe verde e prata de lutar.

Apesar das dificuldades, James não perdeu o foco. Ele sabia que seus amigos estavam batalhando, então cabia a ele fazer a sua parte. Quanto mais cedo capturasse o pomo, maiores eram as chances de uma vitória tranquila para a Grifinória. Quando a Sonserina abriu o placar, Potter soltou um grunhido e teve ainda mais certeza de que somente o pomo dourado garantiria uma vitória fácil para os leões.

Depois de longos minutos sem nenhum sucesso, os olhos castanhos de James buscaram por Regulus Black. O apanhador da Sonserina também não dava sinais de que havia avistado o pomo, mas parecia bastante concentrado naquela tarefa.

Num mundo paralelo aos dos apanhadores, o restante do time duelava. Os grifinórios já conheciam bem o jogo dos sonserinos e sabiam que não podiam contar com a honestidade dos colegas. O “acidente” com Emmeline Vance só não teve repercussões maiores porque Sirius Black alcançou a colega a tempo de ajudá-la a retornar à vassoura. Ela ainda conseguiria voar, mas a vassoura estragada estava bem mais lenta. Macnair tinha conseguido praticamente anular um dos artilheiros dos leões.

Tudo levava a crer que aquele seria um jogo demorado. A partida já completava uma hora de duração e nenhum dos dois apanhadores havia avistado o pomo uma vez sequer. O placar mostrava cento e dez pontos para a Grifinória contra noventa pontos para a Sonserina, mas nenhum dos jogadores demonstrava cansaço ou pensava em desistir da luta.

Ninguém acreditou quando, milagrosamente, o pomo de ouro surgiu voando por detrás de uma das pesadas nuvens. Todas as torcidas começaram a berrar, o narrador da partida enlouqueceu ao ponto de Minerva McGonnagal precisar tomar o microfone das mãos do garoto da Corvinal. Até mesmo os professores se ajeitaram melhor em seus lugares para não perder nenhum lance.

Caprichosamente, o pomo decidiu aparecer exatamente no meio da distância que separava James Potter e Regulus Black, de forma que nenhum dos apanhadores tivesse uma vantagem inicial naquela captura. Tendo como fundo musical os gritos das torcidas, os dois rapazes se encararam por uma fração de segundo antes de se jogarem, ao mesmo tempo, na direção da valiosa bolinha dourada.

O jogo simplesmente parou. Os demais jogadores interromperam o voo e começaram a assistir com ansiedade o duelo particular de Black e Potter. Era uma cena tão hipnotizante que nem mesmo os batedores pareciam se lembrar que cabia a eles a missão de tentar derrubar o apanhador adversário.

Os torcedores foram à loucura quando Regulus e James alcançaram o pomo exatamente ao mesmo tempo. A bolinha dourada fugiu em disparada, mas não conseguiria mais sumir de vista porque os dois apanhadores estavam em seu encalço. Black e Potter voavam lado a lado, mantendo a mesma velocidade, os ombros e joelhos se chocando a cada vez que o vento frio desviava uma das vassouras.

Os dois rapazes estenderam os braços ao mesmo tempo. Os dedos de ambos quase roçavam o pomo de ouro, sem que nenhum deles conseguisse de fato encostar na bolinha alada.

Para James, o resto do planeta não existia mais. Os gritos pareciam vir de muito longe, o mundo a sua frente era apenas um borrão onde somente o pomo era visualizado com nitidez.

Potter abriu um sorriso quando, num golpe de sorte, o vento empurrou o pomo alguns milímetros a seu favor. O apanhador da Grifinória já sentia o doce sabor da vitória quando, contrariando todas as expectativas, o pomo mudou drasticamente de direção e iniciou um mergulho na direção do solo.

As duas vassouras mergulharam ao mesmo tempo e Potter manteve a vantagem de estar alguns milímetros mais próximo do pomo. As torcidas gritaram quando a bolinha de ouro interrompeu o voo subitamente há poucos centímetros do chão. A parada súbita não deu aos apanhadores tempo o suficiente para pararem suas vassouras. Regulus e James se chocaram, caíram das vassouras e rolaram pelo chão de lama.

Das arquibancadas, tudo o que se viu foi uma mistura dos dois uniformes, braços e pernas entrelaçados, muita lama e o brilho dourado do pomo sendo apagado quando uma mão pálida o capturou. Ninguém respirou nos cinco segundos que os rapazes demoraram para se desvencilharem um do outro e se colocarem de pé.

Constance McMillan foi a primeira a quebrar o silêncio sepulcral das arquibancadas com um berro eufórico quando Regulus Black, coberto de lama da cabeça aos pés, ergueu o braço direito. As asinhas douradas do pomo escapavam por entre seus dedos pálidos. Era o fim da partida. A Sonserina havia vencido o time favorito ao título daquele ano.

O grito da torcida da Sonserina soou muito acima dos trovões. O goleiro do time das serpentes vibrou como se estivesse num mundial de quadribol. Dumbledore iniciou uma salva de palmas e foi acompanhado pelos demais professores. Slughorn já estava soluçando de emoção e foi em respeito a ele que Minerva, com uma expressão de contragosto, bateu duas ou três palmas para os adversários.

Aquela tinha tudo para ser uma vitória inquestionável do time sonserino. Mas Macnair ainda se sentia pessoalmente ofendido por ter sido alvo de um balaço certeiro de Sirius Black. Mais uma vez, o capitão roubou o bastão de um dos seus batedores e esperou que o balaço se aproximasse.

A ideia de Macnair era mandar a pesada bola na direção da vassoura de Sirius Black, mas o bastão molhado escorregou entre seus dedos quando o rapaz acertou o golpe. O balaço cortou o ar em alta velocidade e completamente sem direção. A bola passou há centímetros da orelha de Sirius num zumbido antes de começar a perder altura.

Tudo aconteceu tão rápido e todos estavam tão distraídos com a vitória da Sonserina que ninguém conseguiu impedir que o pior acontecesse.

James Potter estava de costas para o balaço e retirava suas luvas com a expressão fechada depois daquela derrota quando foi atingido na nuca com força. O pescoço do apanhador da Grifinória se arqueou num ângulo esquisito, seu corpo foi jogado para frente e as pálpebras estremeceram antes de se fecharem por completo.

Regulus Black arregalou os olhos, abriu a mão e libertou o pomo recém capturado para segurar o corpo inerte do colega e evitar que Potter caísse em cheio no chão enlameado.
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Out 31, 2015 6:34 pm

Victoria revirou os olhos para a irmã e manteve um braço cruzado contra o peito, a outra mão segurando fortemente o capuz que protegia os fios loiros da chuva torrencial. Ela preferiu não responder ao questionamento da irmã sobre o que estava fazendo ali e assistiu os minutos seguintes da partida com uma expressão emburrada, sem o menor interesse nos lances que os jogadores faziam.

Apenas quando a artilheira da grifinória quase foi derrubada da vassoura, os olhos azuis de McMillan passaram a realmente se focar no que acontecia em campo. O braço que estava sob seu peito virou e a mão segurou a de Constance inconscientemente, apertando a irmã na tensão do que acontecia.

Muitos sonserinos tinham os olhos arregalados, mas era evidente que torciam para que a artilheira fosse retirada do jogo, mesmo que isso significasse uma queda brusca. A McMillan primogênita, entretanto, não estava preparada para ver um acidente tão grave e fechou os olhos quando a jogadora ficou pendurada por uma mão só.

As pálpebras imediatamente cobriram seus olhos e ela fez uma careta, se esforçando para não abrir os olhos.

- Me avise quando terminar, Consty!

Talvez pelo aperto que sentia em sua mão ou porque a ruiva estava sem paciência para os caprichos da irmã naquele dia, mas Victoria não escutou nenhum sinal a liberando para abrir os olhos. Movida pela curiosidade, Victoria se permitiu abrir apenas um dos olhos quando Sirius Black puxava a colega de volta para a vassoura.

A loira finalmente se soltou da irmã e tentou se recompor, mas já estava completamente entretida com o que acontecia no campo. Quadribol nunca havia sido tão interessante antes.

A cada gol da grifinória, Victoria seguia as vaias dos demais colegas de casa e comemorava quando o time da serpente marcava ponto. A disputa pelo pomo de ouro fez com que ela prendesse a respiração. O capuz já havia sido esquecido e a chuva caía diretamente em seus cabelos enquanto ela acompanhava Regulus e James.

Seus olhos se arregalaram quando os dois apanhadores rolaram no chão e ela ainda se esforçava para tentar enxergar o que acontecia no gramado quando Constance gritou ao seu lado.

Um segundo depois, ela reconheceu a bolinha dourada na mão de Regulus Black e se juntou aos gritos de vitória.

- YAAAAAY, Slyterin!!!! – Victoria pulava com as botas de salto fino e abraçou a irmã rapidamente.

Ela estava completamente distraída na comemoração quando percebeu a pequena movimentação no campo.

- Macnair esmagou a cabeça do Potter! – Um rapaz algumas fileiras atrás dela gritou, arrancando risadas dos colegas em volta.

A cabeça loira girou velozmente para o ponto onde os apanhadores ainda estavam e ela viu quando Madame Hooch, o Diretor Dumbledore, McGonnagal e a enfermeira se aproximavam de Regulus e Potter.

O ar escapou de seus pulmões ao ver que o grifinório havia sido mesmo atingido por um balaço, mesmo após o fim da partida.

***

Já havia passado do toque de recolher, mas a festa no Salão Comunal da Sonserina não parecia estar perto de acabar. Ganhar da Grifinória, mesmo que em apenas um único jogo, trazia a sensação de que já estavam com a taça em mãos.

Victoria parecia ser a única presente no Salão que não comemorava. A menina já havia se livrado da capa de chuva e secado os cabelos, mas ainda usava a mesma roupa do jogo, assim como as botas enlameadas. Estava sentada em um canto mais afastado onde os jogadores de Quadribol eram o centro das atenções.

A sua frente, uma taça de suco de abóbora e uma tortinha estavam esquecidas, praticamente intocadas. Ela passou o olhar pelo local, se sentindo irritada. Acreditava que, pela hora, os colegas já teriam se cansado da celebração.

Regulus Black era a principal estrela, mas Macnair ignorava todos os feitos dos jogadores, se vangloriando muito mais pelo que havia feito com a artilheira e o apanhador grifinório.

O pensamento da loira já estava longe do jogo. Ou pelo menos da vitória das serpentes. Os segundos que comemorara na arquibancada foram os únicos e desde que vira Potter sendo recolhido para a enfermaria, Victoria lutava contra o desejo de ir saber se o grifinório estava bem.

Desde a última conversa deles, no banheiro do segundo andar, McMillan não havia mais trocado uma única palavra com o menino. O que não significava que seus pensamentos não tivessem lhe traído ao menos uma vez por dia, desde então, levando-a até a lembrança dos beijos.

Diferente dos outros dias, Vicky não estava fazendo o menor esforço para evitar seus pensamentos parassem no apanhador. Não tentava nem mesmo dizer para si mesma que não queria vê-lo. Desde que o vira caído no campo, já lutava contra o impulso de correr ao seu encontro, mas seguira o mesmo caminho que toda a casa das serpentes, para a festa de comemoração.

Os olhos azuis passaram mais uma vez pelo salão e ela se certificou que ninguém estava olhando quando abandonou de vez o suco de abóbora e deslizou pela saída, deixando que seus pés a guiassem até a enfermaria.

Estava se tornando um habito que o impulso a fizesse ir de encontro até James Potter, mas Victoria não queria pensar no abismo que existia entre ela e o grifinório naquele momento. Ela só precisava se certificar que ele estava bem.

Quando empurrou a porta da enfermaria, o lugar estava mergulhado em silêncio, sinal de que os amigos dele não haviam tido a mesma ideia de burlar as regras para visita-lo após o horário. Madame Pomfrey também não estava por perto.

O barulho dos saltos finos ecoou pelo chão de pedra quando ela parou ao lado da única cama ocupada em toda a enfermaria. Potter parecia dormir quando a menina puxou uma cadeira para se sentar perto dele, observando sob a luz fraca de uma vela a aparecia abatida.

Através das grandes janelas da enfermaria, ainda era possível ver a forte chuva que não havia cessado durante todo o dia. O vidro estava completamente molhado e parecia uma cortina preta na paisagem externa.

Victoria desviou o olhar para a mesa de cabeceira, onde alguns chocolates, flores e cartões de melhora estavam empilhados. Ela imediatamente reconheceu o nome de Lily Evans em um deles e torceu o nariz. Talvez não tivesse sido uma boa ideia ir até ali, afinal.

- Bom, pelo menos está vivo. – Victoria sussurrou para si mesma enquanto via o peito de Potter subir e descer com a respiração.

Ela olhou mais uma vez para a caligrafia bonita na assinatura de Evans e se colocou de pé, ignorando a vontade de ler o conteúdo do cartão e disposta a voltar ao salão comunal.
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Sab Out 31, 2015 7:01 pm

Constance McMillan era uma das alunas da Sonserina que, naquela manhã, estava disposta a qualquer coisa para vencer a Grifinória. A ruiva era movida pela rivalidade entre as duas casas e também pelo desejo de que o melhor amigo se sobressaísse e fizesse James Potter engolir a seco a fama de melhor apanhador de todos os tempos.

A vitória inquestionável da equipe das serpentes deixara McMillan eufórica. A garota já estava rouca de tanto gritar e continuava pulando nas arquibancadas quando Macnair estragou a felicidade de quase todos com aquela atitude infantil e babaca.

Até mesmo parte da torcida da Sonserina se calou quando o balaço atingiu a nuca de James Potter, pegando o apanhador da Grifinória totalmente desprevenido. É claro que aquilo era humanamente impossível, mas Constance teve a impressão de escutar das arquibancadas as vértebras de Potter se espatifando. A forma como o apanhador perdeu imediatamente a consciência e a força das pernas era um péssimo sinal.

O gesto de Regulus foi instintivo. O caçula dos Black soltou o pomo para libertar as mãos, que seguraram com firmeza o corpo de James e evitaram que o adversário caísse de cara no chão e agravasse ainda mais suas lesões. Como os dois apanhadores já estavam imundos com a lama que cobria dos seus pés às cabeças, Regulus não viu problemas em amparar o corpo de Potter até colocá-lo deitado no chão.

Depois disso, tudo aconteceu muito rápido. Enquanto alguns professores tentavam colocar um fim na confusão formada entre os jogadores das duas equipes, Dumbledore e Minerva correram até James Potter. Uma maca foi conjurada e o rapaz foi levado às pressas até a enfermaria.

Não era raro que Madame Pomfrey trabalhasse mais após os jogos de quadribol, mas ela estava habituada a receber contusões e escoriações. Nada tão sério como o que parecia ter acontecido com Potter.

Como não se importavam nem um pouco com o ocorrido, os alunos da Sonserina não abriram mão da festa de comemoração em respeito ao “acidente” do colega. Macnair receberia uma detenção exemplar, mas o rapaz não estava nem meramente arrependido. Ao contrário, o capitão do time era o rosto mais sorridente e animado da festa do Salão Comunal da Sonserina.

Embora não tivesse nenhuma proximidade com James Potter, Constance não conseguia simplesmente esquecer a chocante cena do rapaz desfalecendo diante de toda a plateia. É claro que ela estava contente pela vitória e pelo desempenho de Regulus, mas jamais desejaria que um dos adversários sofresse um trauma tão grande. Ainda mais o melhor amigo de Sirius Black. O batedor certamente estaria arrasado na torre da Grifinória enquanto as masmorras explodiam em festa.

Sem conseguir parar de pensar no filho mais velho dos Black, Constance foi para junto de Regulus. O apanhador sonserino também não parecia compartilhar da mesma felicidade dos demais, mas participava da festa e não se cansava de relatar os melhores momentos que antecederam a tragédia de Potter.

- Ele vai ficar bem, não vai? – a ruiva sussurrou quando conseguiu ficar a sós com o melhor amigo – Se ele morrer, vai manchar a nossa vitória! Não é justo!

O comentário de Constance soava egoísta, mas Regulus sabia bem o que se passava na cabeça da ruiva naquele momento. McMillan poderia enganar a todos, menos o melhor amigo.

- Ele não vai morrer. Madame Pomfrey já resolveu casos piores, Victoria está aí para provar isso.

- Hm...

Quando Regulus mencionou a garota, Constance olhou ao redor, buscando pela cabeleira loira anormalmente desarrumada. A ruiva franziu as sobrancelhas ao notar que Victoria não estava em nenhum ponto do salão.

- Ué. Onde ela se meteu?
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Re: The Marauders

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