The Marauders

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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Seg Dez 14, 2015 12:55 am

Fiasco.

Era a palavra que definia com perfeição o “encontro” daquela noite. Constance já não estava muito animada quando saiu de casa e a situação só se agravou quando a ruiva chegou ao restaurante acompanhada de Vincent McLaggen.

Embora o rapaz fosse atencioso e estivesse se esforçando muito para que aquilo desse certo, Constance não conseguia se envolver. Além de não sentir nada especial pela sua companhia daquela noite, a preocupação da ruiva foi aumentando gradativamente enquanto os minutos se passavam.

Por mais que soubesse que Sirius estava preparado para cuidar de Aletha por uma noite, Constance se sentia péssima sabendo que a filha dormiria longe dela. Sua cabeça de mãe super protetora começava a imaginar um milhão de imprevistos que poderiam acontecer no apartamento de Black.

A Sra. Black despertou para a realidade quando McLaggen deslizou os dedos sobre a mesa e tocou a mão dela. Só então, Constance percebeu que não tinha sequer tocado no prato a sua frente.

- Eu imagino que seja difícil. – a voz de Vincent soou suave e compreensiva – Nunca é fácil terminar um relacionamento, Constance. Ainda mais no seu caso, com uma criança envolvida...

Por um momento de insanidade, a ruiva imaginou que McLaggen estava falando de quando ela, grávida, abandonara Sirius há cinco anos. Mas bastaram alguns segundos para que Constance percebesse que o rapaz se referia ao provável fim do seu casamento com Regulus Black.

- Mas você é jovem, é absurdamente bonita e inteligente. A sua vida precisa continuar. Você merece ser inteiramente feliz.

Aquelas palavras fizeram Constance refletir por um momento. Vincent certamente dizia tudo aquilo pensando em algum progresso com a ruiva naquela noite, mas ele apenas conseguiu fazer com que sua acompanhante se perdesse em pensamentos melancólicos.

A grande verdade é que Constance não se lembrava de ter sido “inteiramente” feliz em nenhum momento de sua vida. Na época do namoro com Sirius, ela vivia com receios de que alguém descobrisse e era assombrada pelas incertezas sobre o próprio futuro. O término com Black mergulhara a ruiva numa imensa depressão, que se abrandou com a chegada de Aletha. A filha era a maior alegria da vida de Constance, mas era um erro depositar todas as fichas na criança. O amor por Aletha era enorme, mas jamais preencheria todas as lacunas do coração da mãe.

- Por Salazar!

Ignorando os rumos da conversa iniciada por McLaggen, Constance arregalou os olhos e entreabriu os lábios naquela sua típica expressão de assombro. Antes que o rapaz pudesse perguntar, a ruiva puxou a bolsa subitamente e a vasculhou até encontrar o que havia esquecido.

- Eu preciso ir. – Constance se levantou.

- Mas o que...? – Vincent abriu os braços, completamente surpreso com a atitude da ruiva – O que aconteceu???

- Desculpe, Vincent, mas eu esqueci de uma coisa muito importante. Vou entender se você ficar chateado, mas eu realmente não posso ficar aqui.

McLaggen ainda tentou seguir os passos de Constance, mas a ruiva desaparatou tão logo chegou à área externa do restaurante trouxa, que por sorte estava vazia naquela noite.

O coração de Constance pulsava na garganta depois que ela subiu correndo as escadas para chegar ao loft do ex-namorado. É claro que a ruiva não havia esquecido nenhum detalhe tão importante, mas a ansiedade de ficar longe de Alethinha fazia com que Constance realmente acreditasse que aquele objeto era essencial para a filha. No fundo, aquela era apenas uma desculpa para ver a menina e ter certeza de que Aletha estava bem com o pai.

Depois de bater na porta do apartamento, Constance retirou da bolsa uma exótica cobra de pelúcia. Era um dos brinquedos preferidos de Aletha e a garotinha costumava dormir enrolada na cobrinha verde com manchas negras.

Quando a porta se abriu, a ruiva soltou um suspiro de alívio e começou a falar antes mesmo que a pessoa no interior do apartamento surgisse a sua frente.

- Eu sabia que tinha esquecido alguma coisa! A Alethinha gosta de dormir enrolada na Daphne! Eu imagino que...

A ruiva se calou abruptamente ao avistar Joanne Moore parada do outro lado da porta. Uma dose alarmante de fúria se espalhou pelas veias de Constance quando ela concluiu que, ao invés de cuidar da filha, Sirius estava se divertindo com a namorada. Além da revolta, a ruiva sentiu os ciúmes se apoderando de seus pensamentos.

- Onde está a minha filha, Moore? – sem esperar por um convite, Constance empurrou a morena e invadiu o apartamento arrastando uma cobra de pelúcia numa das mãos – SIRIUS BLACK!

O grito enfurecido da mãe fez Alethinha saltar da cama. Ela espiou o andar inferior colocando a cabecinha no vão da escada e abriu um enorme sorriso ao ver a cobra.

- Daphne!!!

O ódio de Constance se amenizou quando ela percebeu que Sirius estava com Aletha e não com a namorada. Mas os ciúmes continuavam cegando a ruiva quando ela encarou o ex-namorado. Era ainda mais revoltante pensar que Sirius estava com Joanne enquanto ela perdia tempo em um encontro fracassado.

- Eu deveria arrancar a sua cabeça! – o tom de voz se reduziu, mas Constance continuava furiosa quando se colocou na frente de Sirius. – Era para você cuidar da Alethinha, não para aproveitar a noite tomando vinho com essa aí!

A Sra. Black estava irritada o suficiente para não controlar as próprias reações. Não seria preciso ser um excelente observador para notar que Constance estava se corroendo de ciúmes.

- Você se tornou bem menos exigente com o passar dos anos, não é? – a ruiva fuzilou Joanne com seu olhar felino – Antigamente você não perdia seu tempo com tão pouco, Black.
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Dez 14, 2015 1:33 am

Os lábios de Victoria se curvaram em um sorriso sincero. Era a primeira vez que ela se sentia tão bem, desde que fora acordada pelo choro de Charlotte horas antes. Mesmo com a mente de dezesseis anos, aquele ainda era o homem que ela amava e que havia largado tudo para estar ao seu lado.

- Estou tentando descobrir isso há anos, Jamie.

Potter parecia muito mais receptivo e a loira sentia um imenso alívio em saber que ele não sairia correndo para os braços de Lily, abandonando a família por causa do lapso de memória. Mesmo com a dificuldade, ela via esperança em enfrentar mais aquele problema para permanecer ao lado do marido.

Com cuidado para não acordar o bebê, Victoria mostrou como James deveria colocar Charlotte de volta ao bercinho. No instante em que apoiou a cabecinha no minúsculo travesseiro, a bebezinha puxou o pomo-de-ouro com a mãozinha e estalou os lábios, completamente envolvida em seus sonhos.

O casal permaneceu ao lado do berço por longos minutos em silêncio, apenas admirando o sono tranquilo da filha. Quando o cansaço finalmente a atingiu, Victoria deixou o quarto da filha, deixando a porta entreaberta.

Ela parou diante da porta do próprio quarto, sentindo o aperto no peito em saber que James não estaria ao seu lado em mais uma noite. Com a mão na maçaneta, Victoria o encarou, iluminada pela luminária fixa na parede entre os dois quartos.

- Jamie? – Vicky chamou antes que ele tivesse a chance de entrar no quarto de hóspedes.

A loira fez uma pequena pausa e mordeu o lábio inferior, incerta se deveria dizer alguma coisa. Por fim, ela sorriu para o marido.

- Eu sei que é muito para você digerir em tão pouco tempo. Na sua cabeça, você estava em Hogwarts ontem e hoje caiu de paraquedas casado com alguém completamente inesperado.

Um “clique” fez se ouvir quando Victoria girou a maçaneta sem perceber, apertando seus dedos com força.

- Mas eu não sou mais a mesma menina que você conhecia. Você mudou minha vida completamente, James Potter. Pode ter certeza que terei toda paciência do mundo para continuarmos de onde paramos.
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Seg Dez 14, 2015 2:01 am

Até mesmo Alethinha, acostumada com as explosões da mãe, arregalou os olhos diante da cena. Com uma expressão confusa, Sirius desceu as escadas e olhou da ruiva até a morena, surpreso que Moore ainda estivesse presente.

Ele já havia deixado claro para a amiga que queria ficar a sós com a filha naquela noite, mas todo o seu foco se prendeu em Constance. Estava mais do que acostumado em ser maltratado pela ex-namorada, mas não podia admitir que ela espalhasse o veneno a quem bem entendesse, principalmente quando Joanne não havia feito nada de errado.

- De onde você achou que tinha direito de entrar na minha casa gritando feito uma louca? Eu sei que você nunca foi normal, mas é mesmo tão difícil se comportar de forma civilizada uma vez na vida?

A cobra foi arrancada das mãos de Constance sem cerimônia e Sirius voltou até a escada, entregando nas mãos de Aletha. A menina imediatamente abraçou o bichinho de pelúcia, mas olhou por cima do ombro do pai, procurando a mãe. Colette Marie também havia deixado o conforto do travesseiro para observar a cena, alguns degraus acima da ruivinha.

- Volte lá para cima, Pequena. Já volto para terminar a história, está bem?

- A mamãe vai dormir aqui também?

- Não, meu amor. Ninguém vai dormir aqui, além de você e de Colette Marie. Está bem?

Sirius se inclinou até beijar a testa da filha. Aletha ainda continuou parada, observando os adultos do andar de baixo, mas bastou um olhar mais prolongado do pai para que ela obedecesse a ordem, voltando para o quarto com a gatinha em seus calcanhares.

Quando retornou para a sala, Black tinha uma expressão séria e cruzou os braços.

- Com quem eu perco ou deixo de perder meu tempo deixou de ser da sua conta há muito tempo, Constance. Aletha já estava quase dormindo antes de você entrar gritando como se fosse a própria Walburga!

Com passos duros, Sirius tirou a taça da mão de Joanne e pegou a taça intocada que deveria ser sua, levando-a até o balcão da cozinha.

- Mas Sirius! – Joanne protestou, arregalando os olhos para o auror. – Você não vai mesmo desperdiçar um vinho por causa dessa aí, vai?

Talvez fosse por não conhecer a fama de Constance que Moore encarava a ruiva com desprezo. Ou talvez fosse simplesmente a semelhança que ela tinha com Sirius, tendo coragem o bastante para bater de frente com a Sonserina sem medo.

- Pelo que eu vejo, Sirius só soube o que era mulher de verdade depois que me conheceu. – A morena ficou de costas para a ruiva e encarou os olhos do auror. – Sério, você já tinha me dito que sua ex-namorada não era normal, mas lunática é pouco para descrever!

Black sentiu os músculos dos seus ombros ficarem tensos. Ele já havia visto Constance dar uma surra em outras pessoas por muito menos. O auror imediatamente se colocou entre as duas mulheres, em uma posição que deixava claro que não permitiria um duelo no meio de sua sala.

- Jo, já chega. Eu já havia dito que queria ficar sozinho com Aletha esta noite, não foi?

Os braços do auror foram esticados, cada mão apontando para uma das mulheres, como se daquela forma ele pudesse manter a distância das duas.

- Eu quero as duas fora daqui. Já! Vocês estão falando alto demais, vão atrapalhar o sono da Alethinha. Se querem se matar, por favor, façam fora daqui.
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Seg Dez 14, 2015 10:36 pm

Contrariando todas as expectativas de Sirius, a boca de Constance não se abriu quando o dono da casa finalizou o seu discurso. Não houve nem mesmo um grito, uma ofensa ou a familiar ameaça de arrancar alguma cabeça. Os olhos azuis escuros só estavam mais sombrios que o normal quando a Sra. Black olhou do ex-namorado para Joanne antes de sacar a varinha e desaparatar.

Era doloroso pensar que aquela situação era definitiva, mas a atitude de Sirius fez com que Constance não tivesse dúvidas de que não havia mais espaço para ela na vida do ex-namorado. Black tinha toda razão em questionar os direitos dela dentro daquela casa. A ruiva havia perdido o direito de qualquer questionamento há cinco anos, quando decidira excluir Sirius de seu futuro.

Como não conseguiria evitar mais embates como aquele, Constance não viu outra saída senão recuar. Já era torturante demais viver sem Sirius. Assisti-lo continuar a vida ao lado de Joanne ou de qualquer outra mulher era uma dor adicional que a ruiva poderia evitar.

A decisão de Constance se mostrou categórica na manhã seguinte.

Aletha terminava de tomar o café da manhã junto com o pai quando os dois foram interrompidos por batidas na porta. A julgar pelo horário, provavelmente era a mãe da menina cumprindo sua parte naquele acordo e aparecendo para buscar a ruivinha.

Contudo, quando Sirius destrancou a fechadura e abriu a porta, teve a desagradável surpresa de encontrar o irmão caçula parado no corredor. Regulus retribuiu ao olhar sério do irmão e ignorou todas as formalidades quando pulou os cumprimentos e foi direto ao ponto.

- A Alethinha está pronta?

Quando a voz grave de Regulus ecoou pelo interior do apartamento, Aletha saltou de sua cadeirinha e correu ao encontro do “outro” papai. Certamente foi a aproximação da menina que evitou que os irmãos Black tivessem mais um atrito memorável, visto que os dois não se falavam diretamente desde o fatídico dia no depósito dos Weasley.

- Papaaaai!

A expressão fechada de Regulus se suavizou e ele sorriu quando Aletha pulou em seus braços, amparando a garotinha no colo.

- Você está crescendo, sabia? Logo não será tão fácil te carregar, Alethinha! Vamos pra casa?

- Vamos!

- Então vá pegar a Colette Marie e a Daphne. O resto das coisinhas pode deixar aí, caso você queira dormir na casa do papai Sirius de novo.

- Tá!

Aletha pulou de volta para o chão e retornou para a sala saltitando e chamando pela gatinha. Só quando a voz da criança se tornou mais distante, Regulus reassumiu sua postura mais fria e encarou o irmão mais velho.

- A partir de agora, você vai combinar os seus horários com a Aletha diretamente comigo, a Tancy se cansou disso. Não pretendo criar problemas entre vocês dois, mas também não estou a sua disposição. E eu já sei exatamente qual é a sua visão a meu respeito, então não perca o seu tempo. Eu valorizo mais as vestes imundas do Monstro do que a sua opinião sobre mim, Sirius.
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Seg Dez 14, 2015 11:08 pm

Quando acordou na manhã seguinte, James imaginava que estaria novamente em sua cama no dormitório da Grifinória. O apanhador estava preparado para soltar a gargalhada mais prolongada de sua vida enquanto contava a Sirius, Remus e Peter o sonho absurdo que tivera com Victoria McMillan naquela noite.

Entretanto, quando as pálpebras se ergueram, Potter se viu num quarto silencioso que não combinava com o dormitório sempre movimentado de Hogwarts. Ao recolocar os óculos e corrigir a visão míope, James teve certeza de que aquela loucura não fora apenas um sonho. Ele estava casado com Victoria McMillan. Ele tinha uma filha com Victoria McMillan.

Embora aquela realidade ainda assustasse o auror, Potter estava decidido a enfrentar mais aquele desafio quando saiu do quarto. Seguindo as vozes e o cheiro de café, o rapaz chegou à cozinha.

Fantasma terminava de servir a mesa, mas parou o trabalho e encarou o patrão com ansiedade, como se esperasse ouvir de James que a amnésia tinha sido solucionada. O olhar curioso que ele lançou ao elfo, como se nunca a tivesse visto, fez Fantasma suspirar, desanimada.

Antes que Potter pudesse dizer qualquer coisa, a vozinha de Charlotte ecoou pela cozinha. A bebezinha estava sentada num cercadinho enquanto a mãe e Fantasma preparavam o café. Obviamente, os bracinhos dela foram estendidos na direção do pai no instante em que James pisou na cozinha.

- Heeeey! – James bateu duas palmas, arrancando uma risadinha da filha, antes de puxá-la para seu colo – Você acorda cedo, Charlie!

Charlotte se aninhou junto ao peito do pai, completamente apaixonada por ele. Por sorte, a bebê era pequena demais para entender a complexidade do problema que assombrava a casa dos Potter.

- Eu imagino que Moody não faça questão que eu vá trabalhar hoje. – James deu de ombros, mais sério – Afinal, eu não me lembro de nada do meu treinamento para auror.

James fez uma pausa em seu discurso para rir de Charlotte que, assim como a mãe, adorava passar as mãozinhas nos cabelos espetados do pai.

- Enfim. Como terei o dia livre, pensei em fazermos alguma coisa juntos. Que tal organizar os álbuns de fotos? Dumbledore disse que eu talvez precise de um gatilho para despertar as minhas lembranças.
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Dez 15, 2015 11:13 pm

Charlotte foi acomodada no meio da cama de casal, rodeada de almofadas e com o reforço de um feitiço de proteção que impediria o bebê de cair, caso rolasse para a beirada. A cama era grande o suficiente para que ela ficasse exatamente no centro, e ainda sobrasse espaço para a caixa com fotografias que Victoria havia retirado do baú.

A loira se sentou na beirada e apenas quando abriu o primeiro álbum, ela se lembrou do marido, ainda parado na porta de entrada, como se esperasse permissão para entrar. Seu peito imediatamente se comprimiu com a nova realidade.

Ela não sabia quanto tempo iria durar aquela difícil fase, era possível que James jamais se lembrasse da vida que um dia tiveram juntos e ainda era cedo demais para que estivesse totalmente adaptada com aquela dificuldade.

- Pode entrar, Jamie

Vicky suspirou pesadamente, tentando não demonstrar em seu semblante o quão difícil era precisar lembrar ao marido tantos detalhes da própria vida.

- Não há muito o que ver, na verdade. A maioria é foto da Charlie.

Seus dedos passearam pela capa do álbum enquanto ela tentava escolher as palavras para explicar porque não tinham fotos do casamento, ou de tantos anos juntos, das viagens ou eventos.

Os olhos azuis se ergueram até encontrar os castanhos. Ali estava o motivo para que Victoria McMillan não tivesse se casado em uma cara e luxuosa festa, para que ela não conhecesse meio mundo através de férias fora de época ou por não morar em uma mansão abarrotada de vestidos. E ele sequer sabia da metade dos seus sacrifícios para os dois estarem juntos.

- Nós não tivemos uma festa de casamento. Foi algo bem... discreto. – A lembrança da escondida cerimonia, na presença apenas de Dumbledore e Lupin invadiu sua mente.

A Sra. Potter encolheu os ombros e empurrou o álbum na direção de James, com um meio sorriso.

- Pode ver... Me pergunte o que quiser. Tem foto praticamente de cada dia da Charlie.
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Ter Dez 15, 2015 11:35 pm

Sirius se sentia imensamente sortudo quando acordou no dia seguinte e viu o apartamento inteiro. Não havia nem mesmo um copo quebrado, lhe provando que não havia sido apenas um sonho.

Tudo indicava que Joanne e Constance iriam começar um duelo no meio da sua sala. A ex-namorada não tinha um temperamento fácil e já havia enfrentado outras meninas por motivos muito menores. Moore, por sua vez, não fugia de uma briga e era uma auror capacitada, o que não seria uma presa fácil para a ruiva.

Quando a Sra. Black desaparatou, Joanne se aproximou de Sirius, mas ele recuou um passo e ergueu a mão, em um pedido mudo que ela não se aproximasse. Não foi preciso um longo discurso para convencer Jo a ir embora também, finalmente deixando pai e filha sozinhos.

A chegada de Regulus Black foi recebida com surpresa pelo dono do loft e a cena da noite anterior imediatamente invadiu sua mente. Era evidente que Constance havia chegado ao seu limite e enviado o marido para fazer o trabalho sujo, mas Sirius se sentia agradecido.

Mesmo na época de namoro, ele estava acostumado com as constantes brigas, mas tudo parecia amenizar com a certeza de que Constance o amava e os dois estariam juntos novamente em questão de algumas horas.

As alfinetadas e trocas de ofensas que começaram desde a descoberta da paternidade de Aletha haviam atingido outro nível. Black se sentia desgastado, exausto demais com aquele relacionamento tão negativo. Ele sentia falta do sentimento que um dia nutriu pela ruiva, que tornava até seus piores defeitos indiferentes, mas passara a enxergar Constance de uma forma que só conseguia sentir dor.

A presença do irmão caçula era imensamente desagradável, mas Regulus ao menos saberia manter o foco apenas no que era necessário: Aletha.

Ver a ruivinha tão feliz chamando o outro de papai causava um aperto em seu peito, mas Sirius sabia que era uma batalha perdida. Talvez, em uma vida diferente, ele pudesse ter Aletha apenas como sua. Mas a criança já havia crescido tendo aquele homem no papel de pai e seria crueldade afastar os dois.

Apesar de todos os defeitos, era evidente que Regulus amava e cuidava da criança como se fosse sua. Mesmo com todos os motivos para odiá-lo, Sirius precisava admitir que ele estaria na vida de Aletha para sempre, e talvez não fosse o pior dos problemas.

- Apenas não interfira no meu relacionamento com a minha filha, Regulus, e não teremos problemas.

Com o semblante sério, os dentes trincados, ele esticou a mão na direção do Comensal.

- Você já sabe o que eu penso, então não preciso repetir todas as suas escolhas erradas. Podemos ter ao menos o comportamento civilizado, que não consegui com a Constance? Pelo bem da Aletha?
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Ter Dez 15, 2015 11:57 pm

Mesmo não reconhecendo o quarto que dividia com a esposa, Potter sentiu um discreto arrepio na nuca quando entrou no cômodo, após o convite de Victoria. Os olhos castanhos passaram rapidamente pelos detalhes enquanto a sua mente tentava, em vão, recuperar as lembranças das cenas vividas naquele quarto.

As fotos também não ajudaram muito. É claro que James gostou de ver cada etapa do crescimento da filha e ficou ainda mais apaixonado por Charlie a cada nova fotografia da menina. Mas nenhuma daquelas adoráveis imagens despertou a lembrança do auror.

A ideia de rever álbuns de fotos serviu pelo menos para que Potter tivesse uma certeza: ele era muito feliz com Charlotte e Victoria. Em todas as imagens em que aparecia, James reconhecia o brilho de uma alegria sincera em seu olhar. A esposa e a filha despertavam seus sorrisos mais amplos. Nem mesmo em seus planos mais otimistas, Potter imaginou que pudesse ser tão plenamente feliz.

Quando chegou à última página do álbum, James gastou um pouco mais de tempo admirando a foto mais recente de sua família. Na imagem, os três comemoravam o último aniversário do rapaz. Potter estava sentado à mesa da cozinha com um bolo confeitado a sua frente. Charlie estava no colo do pai e levava uma das mãozinhas gorduchas na direção do bolo, tentando roubar um pouquinho do glacê. Victoria estava posicionada por trás do marido e o abraçava carinhosamente pelos ombros. Ao lado dela, Fantasma se esticava na pontinha dos pés para que sua cabeça aparecesse na foto, por cima da mesa da cozinha.

Um sorriso surgiu nos lábios de Potter enquanto ele fechava o álbum. Pela primeira vez desde o início daquela situação, James não desejou que o pesadelo acabasse com ele acordando em Hogwarts. Naquele momento, o auror desejou acordar na cama onde agora estava sentado, ao lado de Victoria, com todas as memórias restabelecidas.

Antes que a loira pudesse criar esperanças, James sacudiu a cabeça em negativa, indicando assim que as fotografias não tinham ajudado a salvar sua memória.

Mas os olhos castanhos tinham um brilho diferente quando o auror ergueu a cabeça e encarou a mulher a sua frente. Desta vez, ele não enxergava a loira como a fútil Victoria McMillan da época de Hogwarts. Agora, James conseguia ver nela alguém com o potencial de fazê-lo feliz.

- Eu não me lembro. De nada.

Potter fez uma breve pausa antes de deslizar a mão pelo colchão até encontrar os dedos delicados de Victoria. Como nos velhos tempos, os dedos se entrelaçaram num gesto carinhoso.

- Mas eu estou disposto a construir novas lembranças felizes ao lado de vocês duas. Algo dentro de mim não vai deixar que eu desista da nossa família, Vicky.
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Dez 16, 2015 12:16 am

O toque das mãos fez um sorriso sincero surgir nos lábios de Victoria e ela acariciou os dedos de James com o seu polegar. Tudo que ela queria era que ele se lembrasse de tudo que os dois haviam vivido juntos, mas já era um começo que Potter não estivesse desistindo de tudo.

O mais difícil seria recomeçar tudo do zero. Por mais que James quisesse manter a família unida, ela ainda era uma estranha aos olhos dele. Não podia simplesmente exigir que o amor surgisse em um estalar de dedos, quando o Potter de dezesseis anos sequer falava com a fútil McMillan.

- Construiremos novas lembranças, então.

Victoria colocou uma mecha de cabelos loiros atrás da orelha, se sentindo mais confiante agora que sabia que o marido não sairia correndo de encontro com a Evans. Ela girou os olhos, mantendo o sorriso divertido nos lábios.

- Preciso admitir que não é uma ideia tão ruim, afinal. Eu já sei todos os seus gostos e tomarei o devido cuidado para não cometer os mesmos erros de quando começamos a namorar.

Ela se ergueu da cama, alisando as próprias vestes. Cada movimento seu era acompanhado por uma atenta Charlotte, que se mantivera em silêncio durante todo o tempo em que os pais observavam o álbum de fotos.

- Tenho anos de vantagem, não vai ser difícil conquistar você de novo.

Com delicadeza, Victoria recolheu o álbum das mãos de James e o levou até o baú, guardando exatamente no mesmo lugar de onde tirara. Ela estava se colocando de pé mais uma vez quando a vozinha de Charlie encheu o quarto, balbuciando sílabas sem sentido.

- O que foi? – Vicky perguntou carinhosamente, se aproximando do bebê, tentando interpretar a tentativa de comunicação. – Quer o seu pomo-de-ouro?

O brinquedo de pelúcia havia rolado alguns centímetros do corpinho dela, mas Charlie não deu atenção quando foi recolocado ao seu alcance. A mãozinha estava esticada na direção de James, o indicador apontando exatamente para o pai quando de forma nítida, ela disse “papa”.

Victoria estava parada ao lado da cama e congelou em seu lugar. Por alguns segundos, ela não teve reação, até que seu rosto se iluminou de orgulho.

- Ela disse papai? Charlie disse a primeira palavra, Jamie.
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Qua Dez 16, 2015 12:24 am

Sirius não demoraria a notar que as coisas eram muito mais fáceis com o irmão. É claro que Regulus tinha os horários mais tumultuados e nem sempre conseguia atender a todos os pedidos do irmão mais velho, mas era notável que o caçula estava se esforçando para que Aletha continuasse fazendo parte da vida do pai biológico.

Durante os dois meses seguintes, apenas o Sr. Black assumiu a função de levar Alethinha para junto de Sirius. As poucas notícias que o auror teve de Constance vieram através de comentários inocentes da ruivinha sobre algum momento vivido ao lado da mãe.

A menina dormiu mais duas ou três vezes no loft do pai e era perceptível que já começava a deixar sinais da sua presença na casa e na vida de Sirius. A sala, antes tão organizada, agora não raramente exibia uma bonequinha largada sobre o sofá ou a cobra Daphne esticada no tapete em frente à lareira. O armário do rapaz havia ganhado uma gaveta abarrotada de roupinhas femininas. E a cozinha agora tinha refeições mais saudáveis para uma criança, apesar das doses extras de doces.

Tudo indicava que aquela seria a rotina da nova família Black. Constance estava disposta a se manter afastada do ex-namorado e Regulus assumira integralmente a responsabilidade de levar Aletha para junto do pai biológico.

Só depois de dois meses, o caçula dos Black daria o primeiro motivo para que Sirius se queixasse do seu comportamento. Regulus havia prometido levar a ruivinha ao loft do irmão naquela tarde de sexta-feira, mas os ponteiros do relógio continuavam a se mover sem que o comensal aparecesse ou desse qualquer notícia.

Quando alguém bateu à porta do apartamento de Sirius Black, o sol já tinha se posto, dando espaço para uma noite silenciosa e escura, completamente sem estrelas.

Contrariando todas as expectativas do rapaz, não foi o rosto de Regulus que surgiu quando a porta foi aberta. A barba prateada e os olhos azuis de Albus Dumbledore, parcialmente ocultos pelos óculos em formato de meia-lua, eram as últimas coisas que Sirius esperava ver naquela noite.

Para tornar aquela cena ainda mais bizarra, Dumbledore não estava sozinho. Antes mesmo que Sirius pudesse assimilar a presença do diretor de Hogwarts, um vulto avermelhado passou abaixo da cintura do auror. Alethinha soltou a mão do velho bruxo para se abraçar com força às pernas do pai. As lágrimas quentes mancharam a calça de Sirius enquanto os soluços da menina ecoavam pelo corredor.

- Ela está bem. – Albus acrescentou depois de uma pausa – Fisicamente. Só está assustada e amedrontada, e eu não posso julgá-la por isso porque eu também estaria.

Como era uma conversa delicada demais para acontecer no corredor, Dumbledore fez um gesto, pedindo licença para entrar na casa do rapaz.

Alethinha logo estava nos braços do pai e soluçava com a cabeça escondida na curva do pescoço de Sirius. Era óbvio que alguma tragédia havia acontecido na casa dos Black. Mas o auror se enganaria se pensasse na hipótese mais óbvia. Voldemort não havia descoberto a traição de Regulus Black.

- Você vai ter que cuidar dela por alguns dias, Sirius. – Albus esperou que Black fechasse a porta para completar – Walburga descobriu a verdade. Ou parte da verdade, eu ainda não sei. Regulus conseguiu tirar a menina de casa a tempo de evitar uma tragédia maior, mas a Constance não teve a mesma sorte. Ela está no Mungus.

Dumbledore não entrou em detalhes para não agravar o desespero da criança, mas a entonação do bruxo e o olhar sério que ele lançou a Sirius diziam tudo. Constance não estava bem depois daquele embate com a sogra.
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Qua Dez 16, 2015 1:03 am

Era impossível dizer se Charlotte realmente havia articulado aquela palavra de forma intencional ou se o “papa” que saiu de seus lábios foi simplesmente mais uma das sílabas sem sentido que ela usava para se comunicar com os adultos.

Mas a grande verdade é que aquela resposta não fazia a menor diferença para James ou para Victoria. Quando eles voltaram seus olhos para a bebezinha, só conseguiam sentir a emoção por estarem presentes naquele momento tão único da vida de uma criança.

- Você disse papai? – a voz de Potter soou engasgada pela emoção – Papai, Charlie?

Influenciada pelas palavras do auror, Charlotte repetiu o “papa”, para delírio dos pais.

Sem conseguir conter aquela onda de orgulho e felicidade que se espalhava em seu peito, James esticou os braços e atendeu ao pedido mudo da filha, que continuava com os bracinhos estendidos na direção dele.

O sorriso da menina se alargou quando ela se viu no colo de Potter. As mãozinhas agarraram a camisa do auror, como se assim ela quisesse garantir que não perderia tão facilmente aquele contato com o pai.

- Desculpe, Vicky, mas a primeira palavra dela foi “papai”. – o velho sorrisinho de provocação surgiu nos lábios de James – Talvez eu a ensine a dizer “mamãe” algum dia. Talvez.

Antes que Victoria se zangasse com aquela implicância, o marido se deixou contagiar pela felicidade e pela empolgação do momento. Potter simplesmente não estava raciocinando quando se deixou levar por um instinto e se inclinou na direção da loira. Ele sorriu antes de tentar desfazer o biquinho de insatisfação dos lábios de Victoria com um beijo.

O contato foi breve e carinhoso, sem nenhum tipo de segundas intenções. Mas aquele simples beijo foi o bastante para fazer com que uma potente corrente elétrica se espalhasse pelo corpo do auror.

Por um segundo, Potter sentiu tudo girar. Os olhos castanhos se arregalaram enquanto a mente de James reproduzia em alta velocidade uma das memórias mais antigas do passado ao lado de Victoria. Não havia som, odores ou tato. Foi uma lembrança puramente visual, mas bastante realista. Realista o bastante para que o auror não tivesse nenhuma dúvida de que aquilo acontecera de verdade.

- Nosso primeiro beijo... – a expressão confusa dele logo se tornou mais convicta – Foi nas estufas.
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Qua Dez 16, 2015 1:15 am

A irritação pela demora do irmão foi rapidamente esquecida quando Sirius reconheceu a longa barba de Albus Dumbledore diante da sua porta. Um milhão de pensamentos cruzaram velozmente sua cabeça, mas nada parecia justificar a presença do diretor de Hogwarts em sua casa.

Quando Aletha surgiu em seu campo de visão e agarrou as suas pernas, o coração de Sirius falhou uma batida.

- Mas o que...?

Ele foi incapaz de concluir a frase enquanto pegava a filha no colo, alisando o rostinho em busca de qualquer ferimento. Mesmo depois da afirmação do velho bruxo de que a menina estava bem, Sirius não se acalmou. A última coisa que descreveria Aletha naquele momento era “bem”.

A criança já havia enfrentado a mãe várias vezes, mostrava a personalidade forte que só se destacaria ao longo dos anos, mas na maior parte do tempo agia perfeitamente normal para sua idade, risonha e cheia de energia para gastar. Sirius jamais havia visto a filha tão abalada quanto naquele momento.

As palavras seguintes de Albus fizeram o estômago de Sirius afundar. Foi como se estivesse caindo de um penhasco, todo o corpo se arrepiado com o pânico. Nem mesmo os anos mais sombrios já vividos pelo auror o haviam preparado para aquela notícia.

Inconscientemente, seus braços apertaram Aletha contra seu corpo em um instinto protetor, como se Walburga ainda tivesse a capacidade de machucar a menina. Ele conhecia a mãe o suficiente para saber que descontaria na neta todo o ódio que sentia pelo primogênito, independente se a criança era completamente inocente de seus “crimes”. Pensar que algo pior pudesse ter acontecido com a filha fez seu mundo parar.

Apenas quando sua mente gritou que Alethinha estava bem, sã e salva em seu colo, a notícia seguinte o atingiu em cheio.

As pernas de Sirius pareceram perder a força, como se estivessem completamente anestesiadas, mas ele se manteve em pé. Seus lábios se abriram, mas foi incapaz de pronunciar som algum e finalmente o seu mundo desabou.

Nem mesmo o peso de Aletha em seus braços foi capaz de fazê-lo sentir qualquer coisa. Um zunido atingiu seus ouvidos, impossibilitando de ouvir qualquer nova palavra vinda de Albus e a visão periférica desapareceu, a vista embaçando como se tudo estivesse escurecendo.

Antes que pudesse desmaiar, as pálpebras cobriram os olhos cinzentos e Sirius puxou o ar com força, tentando ao máximo manter o controle sobre o próprio corpo. Apenas quando se sentiu forte o bastante, ele voltou a encarar Dumbledore.

Seu primeiro instinto foi sair correndo e ir ao St. Mungus, mas o chorinho de Aletha em seu ouvido o impediu. Por mais que quisesse largar tudo e procurar Constance com os próprios olhos para se certificar de que ela estava viva, a filha precisava dele naquele instante.

- Constance vai ficar bem?

Enquanto afagava os fios ruivos da criança, Sirius pousou a palma da mão sobre o ouvido dela, tentando abafar aquela conversa. Sua vontade era jurar Walburga de morte, mas precisava evitar qualquer coisa que piorasse o estado de Aletha.

- Ainda não sabemos, Sirius.

O semblante sério de Albus fez o estômago de Sirius afundar ainda mais. Quando o bruxo finalmente foi embora, deixando pai e filha sozinhos, Sirius acomodou a criança no sofá, sentando ao seu lado e mantendo o corpinho dela colado ao seu.

- Você está bem, Pequena? A vovó machucou você?

O rostinho dela estava vermelho e manchado pelas lágrimas. Aletha fungou e secou algumas lágrimas com os dedinhos desajeitados.

- Não. Mas machucou a mamãe.

O beicinho dela se curvou quando o choro voltou. Sirius puxou a cabecinha vermelha contra seu peito mais uma vez, tentando acalmá-la.

- A mamãe vai morrer?

Ouvir aquelas palavras fez o sangue de Sirius congelar em suas veias. Ele havia odiado Constance por tanto tempo que não esperava que seu mundo fosse desabar com aquela possibilidade.

Passara tanto tempo da sua vida amando e odiando a ruiva que imaginar um mundo sem as explosões de Constance era assustador.

- Lógico que não, Pequena. Vai ficar tudo bem, eu prometo.

***

Quando o cansaço finalmente venceu Aletha, cessando o choro no meio da madrugada, Sirius ainda não havia pregado o olho. Havia sido difícil acalmar a ruivinha, mas no minuto em que ele se certificou de que ela não acordaria, caminhou decidido até a lareira.

Apesar da hora tardia, não demorou muito para que ele conseguisse falar com Remus pela rede flu. Em questão de minutos, o melhor amigo estava em seu apartamento, vestido pijamas e com uma expressão sonolenta, mas pronto para atender seu pedido.

- Eu não vou demorar, Moony. Aletha está muito cansada e só deve acordar pela manhã, mas caso tenha algum pesadelo, me envie um patrono que eu volto imediatamente.

Lupin acenou com a cabeça, lançando um olhar para o andar de cima onde Alethinha dormia. No instante seguinte, Sirius desaparatou, surgindo no St. Mungus.

Por sorte, ele já sabia exatamente onde procurar quem conseguiria ajuda-lo. Quando Samantha Smith reconheceu o rosto do colega, o encarou com seriedade, mas já sabia exatamente o que ele estava fazendo ali.

- Regulus acabou de sair, foi pegar um café no térreo.

- Eu não vou demorar, Smith. Só preciso saber se ela está bem.
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Qua Dez 16, 2015 2:01 pm

O setor de cuidados intensivos do St. Mungus ficava localizado no décimo andar e era literalmente gelado. Para lá, só eram levados os casos mais graves, que não podiam ser solucionados com um contra-feitiço ou com alguma poção simples. Consequentemente, também era o setor onde eram maiores as taxas de insucesso e morte.

Por abrigar pacientes muito graves e por não permitir acompanhantes, o décimo andar era um local mortalmente silencioso. Quem andasse pelos corredores, escutaria apenas os passos dos curandeiros e das enfermeiras que transitavam de um quarto para outro e o ruído agourento dos aparelhos que mantinham os pacientes vivos.

James Potter havia ocupado um daqueles quartos logo depois que sofrera um “acidente” jogando quadribol. O atual auror agora fazia parte do seleto grupo de pacientes que passara por aquele lugar e saíra totalmente recuperado, vivo e sem nenhuma sequela.

Provavelmente, Constance Black não teria a mesma sorte do grifinório.

Os curandeiros se esforçaram para desfazer os estragos e para manter a ruiva viva. A verdade é que tal esforço não havia sido totalmente improdutivo, visto que depois de algumas horas, Constance não apresentava mais ferimentos graves. Mas a pior das sequelas não pudera ser reparada.

Ao contrário de James Potter, a ruiva não estava a um passo da morte quando Sirius Black abriu a porta do quarto. Constance não precisava de um tubo na garganta para respirar, tampouco seu coração dava sinais de que poderia parar a qualquer momento.

À primeira vista, a Sra. Black parecia apenas estar dormindo depois de um dia muito cansativo. Seu rosto estava mais pálido que o normal e visivelmente abatido. A pele branca deixava ainda mais evidente as olheiras ao redor dos olhos fechados. A respiração de Constance era tranquila e rítmica e ela se remexeu suavemente na cama ao escutar a porta se fechando, sem despertar de seus sonhos.

O quarto tinha um cheiro forte de poções curativas, sinal de que os curandeiros haviam tido muito trabalho até deixar a ruiva no atual estado. Os cabelos avermelhados da moça estavam presos numa trança lateral, com a franjinha suada jogada para o lado da testa de Constance. A palidez parecia realçar ainda mais as sardas que cobriam as bochechas e o nariz da moça, deixando-a com uma aparência mais infantil e fragilizada.

Apesar de seu vício por doces, a ruiva sempre havia tido um corpo esbelto. Naquele momento, porém, Constance parecia mais magra que o normal. É claro que aquele detalhe não podia ser obra do recente ataque de Walburga. A magreza era sinal de que a Sra. Black já não vinha se alimentando bem nas últimas semanas. Talvez fosse esta fraqueza a responsável por Constance ter perdido aquele duelo com a sogra mesmo sendo excepcionalmente boa em Feitiços.

O sono de Constance só foi interrompido pelo ruído de uma cadeira sendo arrastada para perto da cama. As pálpebras da ruiva tremeram de leve antes de se erguerem vagarosamente. O excesso de poções curativas deixava a Sra. Black bastante sonolenta, mas ela lutou bravamente para não ser sugada novamente pelos sonhos agitados daquela noite.

- Regs...

A voz da ruiva soou frágil e rouca. A cabeça dela se virou lentamente na direção de onde viera o ruído da cadeira e as íris azuis escuras pousaram diretamente na imagem de Sirius. A iluminação do quarto era boa e, embora os irmãos Black tivessem traços muito parecidos, ninguém seria capaz de confundir Sirius e Regulus. O primogênito era consideravelmente mais alto e mais forte, tinha o rosto mais maduro e um sorriso inconfundível.

Ainda assim, mesmo com os olhos voltados para o auror, Constance não percebeu que não se tratava do marido.

- Regs, eu já disse que não preciso de você aqui! Fique com a Alethinha, ela deve estar tão assustada...

Mesmo depois que Sirius se moveu, os olhos de Constance continuaram fixos exatamente no mesmo ponto. Era um olhar vazio e sem foco. A ruiva não estava enxergando o ex-namorado.
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Dez 16, 2015 4:22 pm

O beijo não pegou Victoria de surpresa. Era como se o marido estivesse de volta, atendendo ao chamado de Charlotte. Aquela era apenas mais uma cena familiar, onde os dois pais se orgulhavam do pequeno progresso da bebezinha.

Apenas quando James mencionou a lembrança, Vicky voltou à realidade, e pela primeira vez desde que tudo acontecera, ela não se sentiu triste. Não importava se aquela era uma pequena fração de tantos momentos vividos juntos. Aquilo significava que a memória de Potter ainda estava inteira, apenas fragilizada e trazia a esperança de que tudo pudesse voltar ao normal.

Os lábios rosados da Sra. Potter se curvaram em um sorriso iluminado pela felicidade provocada pelas palavras de James. Charlie, no colo do pai, completamente alheia ao que acontecia com os adultos, esticou a mãozinha até tocar uma mecha de fios loiros da mãe.

- Não foi o meu melhor momento, aquela planta fedorenta quase arrancou meu braço fora. – Ela esticou a mão até tocar os cabelos espetados do marido. – Mas você estava começando a criar o hábito de me salvar.

Antes que Victoria pudesse explicar o significado de suas palavras, Fantasma aparatou no quarto, enchendo o cômodo com o estalido conhecido. Os grandes olhos violetas do elfo se fixaram na família tão próxima a sua frente e foi possível notar a esperança que começou a surgir. Como se aquilo pudesse evitar o elfo de se decepcionar ainda mais, Vicky se afastou um passo, quebrando o contato com o marido e a filha.

- Miss Vicky, tem visita. Aquela moça de cabelo vermelho que a Miss Vicky não gosta.

Os olhos azuis se estreitaram. Victoria conhecia três ruivas, mas logo descartou a possibilidade de Constance aparecer em sua casa. Fantasma também havia visto a caçula dos McMillan crescer e a anunciaria pelo nome. Molly também não era uma opção válida, pois Victoria gostava da Sra. Weasley. O que restava apenas Lily Evans, que se encaixava com perfeição na descrição do elfo.

- Eu resolvo isso.

Sem olhar novamente para James, ela desceu as escadas pisando duro. Por mais que tivesse a nova chance de começar ao lado do auror consertando seus erros do passado, era impossível se manter paciente diante da presença de Evans.

Lily estava sentada no sofá quando Vicky surgiu. A dona da casa apoiou as mãos na cintura e encarou a visita sem pudor.

- É sério, Evans? Você está tão desesperada que precisa se aproveitar da fragilidade do meu marido para tentar recuperar um namoro de anos atrás?

- Victoria... – Lily começou com cautela, mas Vicky não lhe deu oportunidade de continuar.

- James pode não se lembrar, mas nós duas sabemos perfeitamente que já passamos por isso antes. E ele escolheu a mim.

- Victoria! – Lily repetiu, mais alto, demonstrando que não gostaria de ser interrompida. – Eu não vim aqui criar problemas. Independente de tudo que aconteceu, James é meu amigo e eu preciso saber se ele está bem.

As palavras da ruiva soaram sinceras, mas o ciúme ainda corroía o peito de Vicky. A voz de Jamie ainda ecoava em sua mente, dizendo que amava a ex-namorada como se nada tivesse acontecido nos últimos anos. A necessidade de proteger o próprio casamento e a família falava mais alta.

- Sem hipocrisias, Evans. Era de se esperar que você tivesse superado o James, depois de tanto tempo. Precisa ficar correndo atrás dele agora, cheia de esperanças com esta tragédia? Eu não vou admitir isso, muito menos na minha casa. Vá embora, agora!
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Qua Dez 16, 2015 9:03 pm

A imagem fantasmagórica de Constance era a pior coisa que Sirius já havia visto em sua vida. Estava acostumado a ver o rosto vermelho quando ela tentava tolamente conter uma explosão, ou os lábios fartos curvados em sorrisos maliciosos, os cabelos ruivos sempre brilhantes e sedosos.

Mesmo sem ser vaidosa, ele não se lembrava de uma única vez em que Constance não estivesse linda. Até mesmo nos momentos que mais a odiou. Mas apesar de tudo, precisava admitir que era um alívio vê-la inteira e viva.

Nas horas que haviam se passado, desde que Dumbledore havia lhe dado a notícia até finalmente entrar naquele quarto do St. Mungus, toda sua vida havia passado diante da mente de Sirius.

Os primeiros beijos roubados nos cantos escuros de Hogwarts, o momento que percebeu que amava uma esnobe sangue-puro, os planos construídos para o futuro juntos e então massacrados pelo fim do relacionamento sem explicação, a tristeza de viver sem Constance em sua vida, até o momento do beijo, anos depois, na sala do Gringotts, onde a ex-namorada implorava para que eles continuassem juntos.

Sirius se perguntou o que teria acontecido se, naquele momento, ele tivesse agido como o adolescente irresponsável que fazia apenas o que desejava e tivesse aceitado a ruiva de volta. Quanto tempo duraria até Constance lhe contar a verdade sobre Aletha? O relacionamento com a filha teria sido mais fácil? Talvez, se estivesse ao lado de Constance, fosse capaz de tê-la perdoado por aquele crime e os três estivessem como uma família feliz.

Se tivesse recebido Constance naquele divisor de águas, Walburga jamais teria tido a oportunidade de prejudicar as duas ruivas mais importantes da sua vida. Aquela parcela de culpa pesou em seus ombros e Sirius desejou mais do que tudo voltar no tempo.

Ele já sabia que aquele relacionamento estava morto e sem chances de ser reconstruído, mas foi preciso quase perder Constance para compreender que ainda a amava. Por baixo de toda mágoa e tristeza, por toda dor provocada pelas escolhas da ex-namorada, ainda existia o amor, apenas escondido por tantas pancadas.

Um sorriso sem vida surgiu em seus lábios quando Constance o chamou pelo nome do marido. Não importava ser confundido com Regulus. A ruiva provavelmente estava dopada demais com tantas poções, o que justificaria aquele comportamento. O que realmente importava era que ela estava bem, mesmo com a voz fraca e a evidente sonolência.

Sirius se ajeitou na cadeira e, quando o olhar de Constance não acompanhou seu movimento, encarando o vazio, o sorriso morreu. A ruiva havia sofrido um grande trauma e estava no andar mais crítico do St. Mungus, o que não justificava sua aparência razoável. Apesar de extremamente abatida, o estado dela não parecia ser tão grave. Até aquele pequeno detalhe invadir sua mente.

Incapaz de acreditar que Constance não conseguia enxergar, Sirius ergueu a mão e a deslocou para o lado, diante dos olhos azuis que não esboçaram reação alguma. Toda a tensão vivida nas últimas horas voltou a invadi-lo com uma onda de tristeza.

As pálpebras cobriram os olhos cinzentos e as primeiras lágrimas escorreram silenciosas, enquanto ele comprimia os próprios lábios em uma tentativa de abafar o choro. A mão que havia comprovado a cegueira de Constance desceu até tocar a dela, repousada sobre o colchão, fazendo uma carícia com o polegar.

- Alethinha está bem...

A voz dele sussurrou, entregando sua verdadeira identidade. Apenas quando as palavras escaparam de sua boca, Sirius pôde sentir o nó que havia se formado em sua garganta, queimando dolorosamente com o esforço que fazia para conter o choro.

- Me perdoe, Consty. É tudo culpa minha. É tudo culpa minha.

Se Aletha não fosse sua filha, não haveria motivos para Walburga tentar contra a vida dela ou da criança. Era o ódio que tinha pelo filho mais velho que motivara a bruxa a cometer aquelas atrocidades contra duas pessoas inocentes. E se ele não tivesse lutado contra a própria vontade e aceitado que a amava antes, haveria uma pequena chance de tê-la tirado da Mansão Black antes daquela tragédia.

Constance provavelmente o odiaria ainda mais agora, mas Black foi incapaz de virar as costas e ir embora. Ele já havia perdido a briga contra o choro. A cabeça foi abaixada até tocar o colchão, mantendo a mão dela junto da sua. Os ombros balançavam com o choro doído, apagando a imagem do forte auror e dando lugar ao homem que havia sofrido por tanto tempo, sofrendo as consequências de escolhas erradas.

- Eu nunca vou me perdoar pelo que aquela louca fez com você, Consty. Deveria ser eu. Eu deveria estar deitado aí, e não você. A culpa é toda minha.
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Qua Dez 16, 2015 9:26 pm

As vozes exaltadas das duas mulheres logo alcançaram o segundo andar da casa. Inicialmente, James concluiu que a melhor saída era não interferir ainda mais naquela rivalidade entre Victoria e Lily, mas logo a discussão se tornou mais acalorada e o auror não teve muita escolha senão descer as escadas para evitar uma nova tragédia.

Num sinal claro de que estava se aproximando de maneira pacífica, Potter surgiu na sala trazendo Charlotte nos braços. A bebezinha lançou um olhar curioso para a ruiva que ocupava a sala da casa dos Potter, mas logo se distraiu brincando com os botões da camisa de James.

Mesmo já tendo notado a aproximação do auror, Lily respondeu à dona da casa de maneira provocativa.

- Como eu disse, só estou aqui porque o James é um grande amigo e eu estou preocupada com a situação dele. Mas quem é você para me julgar caso as minhas intenções não fossem tão nobres, Victoria? – uma das sobrancelhas ruivas se ergueu – Não seja hipócrita. A arte de roubar namorados você domina como ninguém!

Embora não se lembrasse exatamente de como terminara o seu namoro com Evans, James havia recordado do primeiro beijo com Victoria McMillan. Definitivamente, ele não fora obrigado a beijar a sonserina, tampouco fora seduzido por ela.

E, independente de qualquer coisa, eram situações muito distintas para serem comparadas. Lily não estava se referindo mais a um namoro. Potter agora estava casado e tinha uma filha com Victoria.

- Já chega, Lily. – a voz do rapaz soou tão séria que Charlie ergueu a cabeça para encará-lo, intrigada com a expressão anormalmente fechada do pai – Eu não me lembro de nada, mas realmente lamento muito se te magoei. Só que isso não te dá o direito de falar assim com a Victoria. Ela não tem culpa. Ou, ao menos, não é a única culpada. Ao que tudo indica, foi uma escolha minha.

- Pelo que eu vejo, ela só precisou de algumas horas para te dominar novamente. – os olhos da ruiva faiscaram – Você nunca foi imune ao veneno dela, eu deveria imaginar isso.

Antes que as duas moças se atracassem com Charlotte presente no meio da sala, James se aproximou da esposa e entregou a menina nos braços dela. O semblante sério do auror indicava que ele não admitiria questionamentos de nenhuma das partes. Aquela era uma decisão difícil, mas era algo que precisava ser feito.

- Eu preciso conversar em particular com a Lily. – Potter reforçou a palavra antes que Victoria pensasse em se queixar – Conversar.

Os olhos castanhos se ergueram para a ex-namorada. James mantinha a mesma expressão quando completou.

- Vamos, Lily? Podemos tomar um chá ou simplesmente dar uma volta pelo vilarejo.
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Qua Dez 16, 2015 10:09 pm

Antes mesmo que a voz do ex-namorado atingisse seus sentidos, a pele de Constance reconheceu o calor do corpo dele e a carícia típica em sua mão. Regulus também tinha o costume de tocar amigavelmente na mão da ruiva, mas os toques dele nunca provocaram os arrepios que Constance só sentia com Sirius.

De todas as pessoas, Sirius era uma das últimas que a ruiva queria que estivesse ali. Constance se sentia humilhada não só por ter falhado num duelo, mas também pela fragilidade e pela sequela adquirida após as lesões. Por mais que Regulus e Samantha tivessem garantido à ruiva que os curandeiros dariam um jeito de reverter a cegueira, a Sra. Black não se permitia ter esperanças.

Um sorriso amargo surgiu nos lábios de Constance enquanto ela abaixava a cabeça. As pálpebras cobriram seu olhar vago, numa tentativa tola de amenizar aquela imagem chocante.

- Não seja tão dramático. Você não tem culpa de nada. Como você ressaltou tantas vezes, as escolhas foram minhas. Nada mais justo que eu pague por elas.

Apesar das palavras ásperas, Constance não conseguiu romper o contato das mãos unidas. Ela se sentia perdida e desamparada, era como estar em queda livre num abismo de escuridão. Tudo o que ela queria era que uma mão a amparasse. Era impossível soltar a mão de Sirius quando era o ex-namorado que sempre a salvava dos piores pesadelos.

- Não parece justo para você, Sirius? Eu não permiti que você visse a Aletha por quatro anos. Agora o destino me puniu. Eu nunca mais vou vê-la.

Inconscientemente, o discurso de Constance mostrava que ela não era mais a sonserina egoísta de anos atrás. A cegueira não a atormentava por motivos pessoais. Sua maior dor era pensar que nunca mais veria o rostinho da filha.

- Logo a minha memória vai perder a imagem dela em alguma lacuna escura. A Alethinha vai crescer e eu nunca vou saber como ficará o rosto dela.

Finalmente, a mão trêmula soltou os dedos de Sirius e foi até o rosto pálido da ruiva, secando as lágrimas silenciosas que escorriam por suas bochechas. Constance não costumava chorar. Ela geralmente explodia, berrava, ameaçava arrancar cabeças. O choro era um sinal de derrota para a ruiva, mas era exatamente assim que ela se sentia. Derrotada e desesperançada.

Sem dúvida, a maior dor era provocada por Aletha. Mas o coração de Constance também se comprimia com a certeza de que os olhos dela nunca mais veriam os traços bonitos do ex-namorado. Apesar das constantes discussões, Constance nunca deixou de amar Sirius. Não havia mais uma chance para os dois, mas era reconfortante saber que ele poderia surgir a qualquer momento e alimentar as lembranças dela com sua imagem. Agora, nem este consolo existiria mais.

- Eu vou precisar que você cuide dela, Sirius.

Apesar da sensação de que uma mão invisível esmagava seu peito, Constance respirou fundo e conseguiu desfazer o nó em sua garganta. Aquela tragédia havia jogado por terra todos os planos e os sonhos da ruiva, mas ela se recusava a debulhar-se em choro diante de uma plateia.

- Não sei como serão as coisas agora. A Molly se ofereceu para me receber, mas a casa dos Weasley já está suficientemente cheia só com os filhos deles. Talvez eu fique com a Samantha. Mas, seja como for, será complicado. Eu não vou conseguir cuidar da Alethinha num lugar estranho, sem estar minimamente adaptada a esta nova condição.

A voz da ruiva novamente falhou quando ela completou.

- E a Alethinha também precisa estar preparada para me ver assim. Ela ficará assustada, talvez até envergonhada. Vai ser demais pra cabecinha dela. É melhor mantê-la afastada, por mais que isso me machuque ainda mais.
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sex Dez 18, 2015 12:07 am

Os olhos azuis se estreitaram enquanto acompanharam Lily e James saindo pela sala. Victoria podia jurar que havia um sorriso vitorioso nos lábios da ruiva quando ela olhou uma última vez por cima do ombro, antes de deixar a casa dos Potter.

A loira ainda abriu a boca, sem conseguir acreditar no que havia acabado de acontecer. Ao se ver sozinha com Charlotte, ela bufou, fazendo a criancinha arregalar os olhos.

- Não me olhe assim, Charlie. Como sou sempre eu que acabo sendo a vilã aqui???

Ela voltou a subir as escadas e retornou ao quarto do casal, recolocando a bebê novamente na posição confortável entre as almofadas. Seus movimentos, apesar de cuidadosos, eram quase mecânicos enquanto seus pensamentos estavam longe.

James havia enfatizado que seria apenas uma conversa, mas Vicky sentia que havia acabado de perder a guerra. Não importava se tivesse dado um rápido beijo no marido e que agora ele se lembrasse do primeiro envolvimento entre os dois. Na mente de Potter, ele ainda era apaixonado pela ex-namorada e os dois eram imensamente felizes juntos.

Que peso uma única lembrança poderia ter contra aquela certeza que, em sua mente confusa, ele vivia dias antes?

- Ele já vai voltar, não se preocupe.

Apesar de ter se dirigido para a bebezinha que a encarava com olhinhos curiosos, Victoria dizia mais para si mesma do que para a filha, completamente alheia às preocupações da mãe.

A gaveta da mesinha de cabeceira foi aberta e Vicky puxou de lá um lacinho dourado. Como se aquilo fosse capaz de distraí-la da mente criativa que produzia diversos cenários sobre a conversa entre James e Lily, toda sua atenção se voltou em arrumar a filha.

O lacinho foi colado nos fios loiros da criança e logo um vestidinho amarelo foi conjurado. Com uma habilidade adquirida com a maternidade, Victoria trocou as vestes de Charlotte, sob pequenos protestos mudos, com bracinhos e perninhas se esperneando e o rostinho se contorcendo em uma careta de desagrado.

- Não comece, Charlie. Hoje não.

Minutos depois, quando Victoria finalmente se sentiu satisfeita, Charlotte estava impecável, embora com uma expressão de poucos amigos. Quando a loira chegou no andar inferior, também já estava arrumada.

Os fios loiros haviam sido penteados e caíam em ondas em seus ombros. Embora os saltos que usasse não fossem tão altos quanto anos atrás, eles tinham a altura ideal para que ela ficasse elegante no vestido que alcançava até a metade de suas coxas. Ninguém diria que o corpo magro havia gerado um bebê poucos meses antes e os olhos azuis estavam escondidos por trás de óculos escuros.

- Fantasma!

O elfo apareceu com um estalido na sala dos Potter e arregalou os olhos ao ver a mulher arrumada a sua frente. Apesar de nunca ter deixado a vaidade de lado, fazia tempo que Victoria não se arrumava para sair.

Charlie estava perfeitamente acomodada em um carrinho e, sem a mãe ver, já havia arrancado o lacinho dourado, caído sobre a barra do vestidinho.

- Avise ao James que fui passear com a Charlie. Se ele voltar.
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Sex Dez 18, 2015 12:34 am

- Não fale asneiras, Constance.

A voz de Sirius saiu rouca quando ele encarou a ruiva com seriedade. As lágrimas foram rapidamente enxugadas de seu rosto, mas ele ainda tinha uma ruga entre as sobrancelhas e se sentia sinceramente ofendido com a forma dura com que Constance tratava a si mesma.

- Não há nada de justo no que aconteceu hoje. Absolutamente nada.

Ver a ex-namorada chorando partiu o coração de Sirius em pedacinhos. Ele já estava imensamente fragilizado com os últimos acontecimentos, mas sabia que quando Constance chorava, ela havia chegado ao seu limite.

A ruiva tentava se mostrar forte durante todo o tempo, mas Black a conhecia o suficiente para saber que era uma falsa máscara para esconder que ela tinha sentimentos como qualquer outra pessoa.

Com a coragem típica grifinória, ele ergueu a mão até tocar as lágrimas que ainda molhavam as bochechas pálidas e as secou gentilmente. Quando Constance terminou de falar, ele se ergueu da cadeira e sentou na beirada da cama, fazendo o colchão afundar levemente. Sua mão pousou sobre uma das coxas da mulher, coberta pelo lençol, e a outra procurou novamente a dela, entrelaçando os dedos como anos atrás.

- Você não ficará com os Weasley. Molly e Arthur são excelentes e não tenho dúvida no carinho que receberiam você. Mas a casa é cheia de crianças correndo todo o tempo, Molly tem um novo bebê para cuidar. Imagine se, por um descuido, você tropece em um brinquedo esquecido e se machuque ainda mais?

Apenas com aquele pensamento, a mão de Sirius se apertou ainda mais contra os dedos de Constance, com medo de que algo mais pudesse acontecer com a ruiva. Era como se os dois fossem novamente adolescentes e ele precisasse protege-la do terrível ataque que acontecia nas ruas de Hogsmead.

Não importava o quão forte Constance tentasse ser, ele sentia que era seu dever protege-la. Independente se o perigo fossem Comensais da Morte ou a depressão que começava a atingi-la com aquela tragédia.

- Você vai ficar comigo.

Antes que ela pudesse abrir a boca para questionar, Sirius ergueu a mão e tocou os lábios rosados com o indicador.

- Eu vou cuidar da Aletha. Ela não tem mais ninguém, Regulus não tem a menor condição de fazer nada neste momento. Além disso, é minha responsabilidade. E você não vai ficar longe da nossa filha, Constance.

Era a primeira vez que se referia a Alethinha como “nossa filha”, mas as palavras saíram tão naturais de sua boca que seu estômago deu um saltinho de comemoração.

- Aletha ficará muito mais assustada se você se afastar. Ela precisa da mãe, Consty.

O indicador deixou de tocar os lábios de Constance apenas para que o polegar tomasse seu lugar, assumindo uma carícia.

- Eu vou cuidar de vocês duas. Exatamente como deveria ter cuidado cinco anos atrás.

O colchão mais uma vez se mexeu quando Sirius se inclinou para frente e beijou a testa de Constance, sobre a franjinha levemente bagunçada.
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Sex Dez 18, 2015 1:20 am

- Eu não queria te causar problemas com a sua esposa.

A última palavra saiu pelos lábios de Lily Evans com uma quase imperceptível entonação de deboche. O casal de ex-namorados caminhava por uma calçada tranquila de Godric’s Hollow, aproveitando-se da típica calmaria daquele bairro para encenarem a conversa tão necessária para que Potter acertasse aquela última situação em sua mente cheia de lacunas.

- Sinceramente, Lily, não foi o que pareceu.

O auror enfiou as mãos no bolso do casaco enquanto andava no mesmo ritmo da ruiva. James não queria transformar aquela conversa em uma discussão, mas a verdade é que estava decepcionado com o comportamento de Lily. Ele não esperava aquilo da Lily Evans que conhecera em Hogwarts.

- Eu já conheci algumas versões desta história, Lily. Mas acho que, em respeito ao que vivemos, você tem o direito de contar a sua visão dos fatos.

Os dois pararam de caminhar quando chegaram à praça no centro de Godric’s Hollow. O local estava bastante vazio, exceto por uma velha senhora que jogava farelos de pão para aves e por dois garotinhos que brincavam com uma miniatura de vassoura que só se erguia alguns poucos centímetros do solo.

Evans pareceu desarmada quando a palavra lhe foi concedida com tamanha facilidade. Apesar de toda a rivalidade que tinha com Victoria, a ruiva não conseguiria se aproveitar daquela oportunidade para tecer um discurso mentiroso. O máximo que Lily se permitiu fazer foi contar a sua versão dos fatos colocando-se como a principal vítima da situação.

- Sinceramente, Jamie, eu não entendo por que não deu certo. Eu estava feliz e satisfeita com o nosso namoro quando você terminou tudo. Eu fiquei arrasada em pensar que não fui capaz de te fazer feliz. Eu tinha muitos planos para nós dois e o relacionamento acabou tão rápido, de maneira tão súbita...

Potter sentiu um nó na garganta ao imaginar a dor que causara à ruiva. Independente de qualquer coisa, Lily era uma boa pessoa e não merecia tamanho sofrimento.

- Só depois de algum tempo, eu soube sobre você e a McMillan. Mas, quando eu te pressionei, você confessou que tinha se aproximado dela quando ainda era o meu namorado.

Aquela era um tipo de traição que James não se via cometendo. Era uma desonestidade que ia contra todos os princípios de um bom grifinório. Entretanto, Lily não tinha razões para mentir. Coube a Potter apenas amargar aquele sentimento de vergonha por um ato que ele nem se lembrava de ter cometido.

- Eu realmente não sei como aconteceu. Por muito tempo, eu imaginei que ela havia te seduzido de forma baixa. A fama de Victoria em Hogwarts nunca foi das melhores, imagino que disso você se lembre...

Embora fosse grande a vontade de se alongar nas ofensas contra a loira, Lily logo respirou fundo e se voltou para o foco principal daquela conversa.

- Mas o tempo me mostrou que o relacionamento de vocês não era um simples fruto dos hormônios juvenis. A Victoria tem os defeitos dela, e não são poucos, mas ninguém pode negar que ela fez imensos sacrifícios para ficar do seu lado. E você também abriu mão de muita coisa por ela. Vocês lutaram juntos para construir esta família. E, apesar das acusações dela, não é a minha intenção destruir o seu lar.

Lily cruzou os braços numa postura defensiva. Não era fácil dizer tudo aquilo, mas a ruiva sentia que precisava falar. Talvez ela precisasse mais daquela conversa do que Potter.

- Eu não gosto dela, acho que nunca seremos amigas. Mas eu não quero destruir a sua família, o lar da Charlie. Você não se lembra, Jamie, mas você a ama. E eu jamais construiria a minha felicidade em cima disso.

A ruiva deu de ombros e se obrigou a sorrir.

- Nós tivemos bons momentos. Exatamente por isso, acho que seremos ótimos amigos. Você não é alguém que eu queira manter fora da minha vida, Jamie.

Quando Potter deu um passo à frente e abraçou a ex-namorada, não havia qualquer tipo de segundas intenções naquele gesto. O auror apenas estava comovido com o discurso de Lily e aliviado pela ruiva não ter confundido ainda mais os seus pensamentos. Graças à Evans, James tinha ainda mais certeza de que seu lugar era ao lado de Victoria e Charlotte.

- Eu lamento se te magoei, Lily. E é claro que também não quero te manter afastada da minha vida. – James se afastou apenas o bastante para encarar a ruiva – Seremos bons amigos.

- Nós já somos bons amigos. Você só não se lembra disso. – os olhos verdes giraram e Lily abriu um sorriso mais amplo – Eu só não frequento a sua casa por motivos óbvios. E é melhor que as coisas continuem como estão.

Ao retornar para casa naquela manhã, James se sentia absurdamente mais leve. Depois do beijo em Victoria e da conversa franca com a ex-namorada, Potter não tinha mais dúvidas de onde era o seu atual lugar no mundo.

Tudo o que ele queria era unir Victoria e Charlotte num mesmo abraço apertado, mas a casa estava vazia e silenciosa quando o auror entrou pela porta da frente.

Fantasma teve a ingrata tarefa de comunicar ao patrão que Victoria havia saído com Charlie e que não tinha um horário definido para voltar.

Sem dúvidas, a reação da loira mostrava que James também teria que reaprender as regras básicas de como lidar com as mulheres.
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Sex Dez 18, 2015 2:00 am

Eram enormes as chances de Sirius ter feito tal proposta movido por um sentimento de culpa. Ou, ainda pior, por piedade. Mas Constance não estava em condições de bancar o próprio orgulho naquele momento. Sua antiga arrogância havia se partido em mil pedaços, não só por causa da escuridão que agora a rodeava, mas como reflexo dos sucessivos golpes que a atingiram nos últimos tempos.

Até mesmo Constance McMillan tinha seus limites. E a ruiva sentia que havia ultrapassado todas as barreiras possíveis e exaurido por completo todas as suas forças. Ela não conseguia mais lutar e tudo o que queria era se amparar na mão que o ex-namorado lhe oferecia.

Ficar longe de Aletha só agravaria ainda mais a melancolia que ameaçava tomar conta de Constance. Quando Sirius usou a filha na argumentação, a ruiva se deixou convencer de que seu lugar era mesmo ao lado deles. Constance preferia não pensar nas dificuldades que estavam por vir, muito menos no futuro incerto e sofrido que esperava por ela. No momento, a única coisa que a ruiva precisava estava sendo oferecida por Black.

Os curandeiros só precisaram de mais dois dias para se convencer de que os danos à visão de Constance não seriam revertidos com tanta facilidade. Um especialista na área indicou uma poção que, teoricamente, se fosse tomada todos os dias, poderia resultar em algum grau de recuperação ao longo dos meses seguintes. Não era uma hipótese muito otimista, mas era a única esperança que Constance levava consigo quando saiu do hospital.

Constance estava séria e silenciosa quando Sirius a conduziu para o loft. Embora não fizesse diferença, a ruiva fechou os olhos quando sentiu os braços do ex-namorado enlaçando-a com firmeza durante a aparatação. Logo seus pés deixaram o piso firme do St. Mungus e se afundaram no tapete da sala de Sirius.

Apesar de ter estado no interior do apartamento poucas vezes, Constance se lembrava com perfeição de cada detalhe. Por isso, ela soube que o ex-namorado estava conduzindo-a na direção do sofá antes mesmo que Sirius a convidasse para sentar.

A visão tinha sido perdida há poucos dias, mas já era notável que a ruiva exibia os demais sentidos mais aflorados para compensar a escuridão. Portanto, os passos suaves de Alethinha descendo as escadas não foram ignorados pela mãe.

Os braços de Constance enlaçaram o próprio tronco numa postura defensiva e foi notável que ela se encolheu um pouco no sofá. O maior medo da ruiva era sentir na voz da filha algum tipo de medo ou constrangimento pela situação da mãe. A dor já era imensa, mas se tornaria enlouquecedora e insuportável se Aletha a rejeitasse.

Contrariando as piores expectativas de Constance, Alethinha derrubou todas as barreiras dela quando saltou para o colo da mãe e a abraçou com força. A ruiva soltou um soluço antes de enlaçar a menina.

Era difícil demais colocar os últimos acontecimentos em palavras que Aletha pudesse compreender. Portanto, Constance foi invadida por um profundo alívio ao notar que Sirius já havia tido aquela delicada conversa com a filha.

- Eu vou ajudar a cuidar de você, mamãe. Não fica triste, você vai ficar boa logo.

Constance usava aquela máscara de frieza e fortaleza diante de todos, mas era na presença de Aletha que a ruiva se cobrava ainda mais. Para Constance, a filha deveria enxergá-la como uma rocha inabalável na qual ela poderia se amparar sempre.

Naquele dia, porém, a mãe desmoronou diante de Alethinha. Uma cortina de lágrimas cobriu o rosto de Constance e ela apoiou a cabeça na curva do pescoço da filha enquanto soluçava, incapaz de se conter.

Os olhinhos cinzentos da menina estavam confusos e doloridos quando Aletha se voltou para o pai, certa de que fizera alguma coisa errada para deixar Constance naquele estado. Os lábios dela se curvaram num biquinho de choro e o olhar desamparado pedia ajuda.

Mais do que nunca, as duas precisavam de Sirius.
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sex Dez 18, 2015 10:38 pm

Quando Victoria Potter entrou novamente na casa em Godrics Hollow, carregando uma adormecida Charlotte em seu colo e o carrinho sendo empurrado magicamente alguns metros a sua frente, o sol já havia se despedido e dado lugar a noite quente de céu estrelado.

Já havia passado a hora da bebê estar na cama, de modo que nem mesmo os movimentos da mãe para subir as escadas foram suficientes para que ela despertasse. O rostinho estava acomodado contra o peito da mãe e a mãozinha segurava uma mexa de cabelos loiros, como se estivesse se certificando de que Vicky não iria a lugar algum.

Quando Charlie foi colocada no berço, a mãozinha soltou os fios loiros apenas para se agarrar a pelúcia de pomo-de-ouro, sem abrir os olhos uma única vez. Por alguns segundos, com a desculpa de que precisava garantir que ela não acordaria, a Sra. Potter continuou parada no quartinho escuro, velando o sono da filha.

Apenas a bebê tinha a capacidade de acalmá-la. Quando era mais nova e se sentia frustrada, Victoria recorria a compras de roupas novas, como se aquilo pudesse tornar o seu mundo melhor. Agora ela sabia perfeitamente que aquilo era completamente insignificante. Saber que Charlie existia e que tinha vindo dela era o melhor sentimento que poderia existir.

Era comum e James e Victoria tivessem desentendimentos, mas desde o nascimento de Charlie, as brigas haviam se tornado mais raras e ainda menos importantes, de modo que em poucas horas tudo já estava resolvido.

Naquele dia, entretanto, não havia tido nenhuma troca de ofensas, nenhum grito ou desentendimento. Victoria apenas se sentia tão insegura, como se tivesse dezessete anos novamente, que não se importou se seu comportamento também estava refletindo os anos de adolescência.

Por algumas horas, ela não era mais a esposa simples e mãe dedicada que havia se tornado nos últimos anos. Era a velha Victoria, ameaçada com a existência de Lily Evans e cansada demais de estar naquela posição entre os dois ex-namorados.

Havia sacrificado tudo para estar ao lado do marido e parecia imensamente injusto que, depois de tanto tempo, ele simplesmente se esquecesse do amor dos dois. Era como se a vida estivesse lhe dando um sinal de que os dois não pertenciam um ao outro.

Os olhos azuis passaram pelo corpinho adormecido de Charlie, a mão tocando o pezinho livre de sapatinhos e meias, perfeito em cada centímetro. Independentemente do que acontecesse, ela jamais se arrependeria das escolhas tomadas, porque ali estava a melhor coisa que já havia acontecido em sua vida.

- Não tem problema se for só nós duas, Charlie. – Vicky sussurrou, levando a mão do pé para a orelhinha delicada da bebê. – A gente começa tudo de novo, não é? Pelo menos ainda tenho você...
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Sab Dez 19, 2015 12:04 am

A cena das duas ruivas em seu sofá era de partir o coração, mas Sirius se esforçou para manter um semblante sereno quando se aproximou delas, sem desviar a atenção do olhar assustado da filha, tentando ao máximo passar uma tranquilidade que não existia.

Era sua responsabilidade como pai evitar ao máximo que Aletha sofresse ainda mais com tudo que estava acontecendo. Ele havia preparado a criança através de uma longa conversa sobre o que deveria esperar quando Constance finalmente chegasse, e a inteligência precoce da menina havia ajudado ela a compreender que a mãe precisaria de ajuda até se adaptar com a nova realidade.

Mesmo assim, estar finalmente diante do problema era ainda mais difícil do que usar palavras cuidadosas para introduzir a situação na cabecinha da ruiva. Com um fraco sorriso, Black se sentou ao lado delas e acariciou os cabelos de Aletha, tentando tranquiliza-la.

- Pequena, por que você não vai pegar o presente que compramos para a mamãe?

Em um primeiro momento, a menina pareceu receosa de se soltar de Constance, como se tivesse medo de piorar ainda mais o que quer que tivesse feito errado. Como se pudesse ajudar, Sirius a puxou pela cintura, quebrando o contato das duas quando colocou Aletha no chão.

- Sua mãe vai estar aqui quando você voltar, Alethinha.

- Está bem, papai.

A criança ainda lançou um olhar ansioso na direção da mãe antes de se afastar, trocando a costumeira corrida pelo loft por uma caminhada calma e tímida. Quando os dois ficaram sozinhos, Sirius puxou um lenço de papel depositado na mesinha de centro e enxugou as lágrimas que manchavam o rosto bonito de Constance.

- Você está em casa agora, Consty. Vai ficar tudo bem. – Sirius ergueu uma mão até tocar uma mecha ruiva, colocando-a atrás da orelha dela. – Eu já adaptei a cama para ficar no primeiro andar, assim você não precisa usar a escada. Aletha e eu também estamos aqui.

Tocado pela fragilidade da ex-namorada, Sirius a puxou de encontro ao seu peito, afagando os cabelos vermelhos com o mesmo carinho que tinha quando estavam juntos. Ele beijou o topo da cabeça de Constance no momento em que Aletha retornava com a caixinha de bombons.

Mais uma vez, ela lançou um olhar curioso para a mãe, com medo de provocar uma nova crise de choro.

- São bombons de cereja, mamãe. – Aletha explicou, deslizando a pequena caixinha ainda fechada sobre os joelhos de Constance.

Sirius lançou um sorriso aprovador para a filha antes de inclinar a cabeça na direção oposta a de Constance, indicando o lugar vazio para que ela se sentasse. Assim que Aletha estava perfeitamente acomodada, com Constance posicionada entre os dois, ele voltou a dizer.

- Você pode pegar um, Pequena. Mas SÓ um. O resto é da mamãe, está bem?
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Sab Dez 19, 2015 9:25 pm

A preocupação de James aumentava gradativamente, como se fosse alimentada pelos movimentos dos ponteiros do relógio. Fantasma não sabia dizer para onde Victoria havia ido com Charlotte, de forma que o auror nem saberia por onde começar uma busca pelas duas. O mais sensato era permanecer em casa e esperar que a loira aparecesse antes que sua demora se tornasse ainda mais preocupante.

James sentia um desagradável frio percorrendo a sua espinha sempre que pensava na hipótese de que algo havia acontecido a Victoria e a Charlotte. Uma sensação igualmente ruim se apoderava do auror quando ele imaginava que a loira havia se ofendido tanto com a presença de Lily a ponto de não retornar para casa.

Embora não tivesse nenhuma lembrança além do primeiro beijo roubado nas estufas de Hogwarts, Potter sentia o desespero tomar conta de sua mente com a ideia de que poderia perder Victoria e Charlie. Não havia memórias sobre as duas, mas o coração e o instinto do auror não deixavam que James tivesse dúvida de que não queria perdê-las jamais.

Pensando em se distrair, James se obrigou a parar de olhar para o relógio e começou a andar pela casa. Nenhum dos cômodos lhe pareceu familiar até que o rapaz entrou no quarto do casal.

Potter logo reconheceu suas roupas guardadas no armário, um par de sapatos masculinos sob a cama e seus pertences pessoais dividindo espaço com as coisas de Victoria sobre uma cômoda. Eram provas concretas de que ele estava muito bem adaptado em dividir aquele espaço íntimo com Victoria.

Mas não foi nenhum dos objetos masculinos que chamou mais a atenção de James. Foi movido por um instinto que ele pegou o delicado frasco de perfume feminino sobre a penteadeira da esposa e borrifou um pouco do líquido na parte interna do punho.

Não era um perfume forte. Ao contrário, Victoria tivera o seu típico bom gosto na escolha da fragrância. Mas aquele cheiro provocou um arrepio em James e subitamente suas pálpebras ficaram mais pesadas e cederam, tapando os olhos castanhos.

Tal como acontecera durante o beijo daquela manhã, Potter sentiu-se invadido por uma corrente elétrica que o deixou um pouco tonto e inebriado. Como se surgisse de dentro de uma gaveta outrora fechada, uma avalanche de lembranças eclodiu na cabeça do auror.

Inicialmente, eram memórias confusas que brotavam aleatoriamente, fora de ordem cronológica. Contudo, James só precisou de alguns segundos a mais para organizar as novas ideias. Ainda existiam numerosas e profundas lacunas. Mas a mente do auror dava sinais de que poderia se recuperar daquele abalo.

O auror tinha acabado de abrir os olhos quando Victoria surgiu no quarto. A preocupação de James evaporou, abrindo espaço para um profundo alívio. Um meio sorriso brotou nos lábios de Potter e ele se encostou à penteadeira, sem tirar a atenção da esposa.

- Você está muito bonita. – ele indicou o vestido novo e os cabelos impecavelmente arrumados da loira – Tão bonita quanto fazia questão de ficar em Hogwarts, mesmo com um namorado tolo que propunha encontros no Cabeça de Javali...

Antes que Victoria concluísse que a memória do marido estava plenamente recuperada, James ponderou.

- Lembrei mais algumas coisinhas. O suficiente para entender por que eu me apaixonei por você, Vicky.
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Sab Dez 19, 2015 9:51 pm

Abrir uma caixa de bombons era um gesto tão natural e rotineiro para Constance que ela repetiria o ato com os olhos fechados. Por isso, a ruiva não demonstrou nenhuma dificuldade enquanto tateava a caixa e retirava cuidadosamente a fita amarrada e a tampa.

Pela primeira vez na vida, Constance não sentia a menor vontade de atacar um bombom de cereja. Contudo, embora não visse a filha, a ruiva podia sentir a ansiedade de Aletha e sabia que a garotinha ficaria frustrada se a mãe não desse atenção ao presente.

- Pegue um, Leths.

Os olhinhos cinzentos brilharam enquanto analisavam a caixa. Aletha conhecia o vício da mãe por doces e sabia que sempre ganhava os menores bombons da caixa de Constance. Por isso, não querendo se aproveitar da atual situação da mãe, a garotinha esticou os dedinhos na direção de um bombom pequeno.

- Pegue o maior desta vez.

A boquinha de Aletha se abriu e ela encarou Constance com uma expressão assustada. Os olhos da ruiva continuavam fora de foco. Constance não enxergara o gesto da menina, ela simplesmente conhecia a filha o bastante para saber que, por mais afiada que fosse a sua personalidade, Aletha jamais teria coragem de se aproveitar da limitação da mãe.

- O maior? – Aletha teve que confirmar aquela orientação inesperada.

- Sim, o maior.

- Tá.

Os dedinhos se dirigiram para o mais robusto dos bombons e Aletha o retirou da caixa com um sorriso vitorioso nos lábios.

Embora fosse nula a sua vontade de comer chocolate, Constance se obrigou a pegar um dos bombons. Apenas para agradar a filha, a ruiva experimentou o doce antes de fechar a caixa. Seria um gesto normal se aquela não fosse a velha Constance McMillan que Sirius conhecia de Hogwarts. A ex-namorada de Black jamais fecharia uma caixa de bombons ainda lotada.

- Eu gostaria de me deitar um pouco. – o pedido foi feito com o rosto voltado na direção de Sirius – Estou um pouco indisposta e também não quero atrapalhar a rotina da casa. Imagino que você tenha muito o que fazer depois de ter perdido tanto tempo no hospital.
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Re: The Marauders

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