The Marauders

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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Sab Dez 12, 2015 9:21 pm

O olhar gelado de Sirius pousou na ex-namorada. Cada centímetro de seu corpo parecia paralisado com o ódio que sentia e se fosse um adolescente, provavelmente explodiria naquele momento. Apenas a presença de Aletha foi capaz de fazê-lo tomar qualquer atitude drástica, esquecendo por completo que estava diante de uma mulher.

- Já chega, Constance. – Sua voz soou mais alta do que esperava e a criança se remexeu no sofá, ainda dormindo. – Eu te odeio mais do que qualquer coisa. Desprezo é pouco para o lixo humano que você é. E eu lamento profundamente estar ligado a você pelo resto da minha vida, mas pela minha filha, eu faço o sacrifício.

O rosto bonito do auror estava contorcido em tanta frieza que Walburga sentiria um imenso orgulho.

O silêncio atingiu a sala enquanto Black admirava a filha perdida nos próprios sonhos. Tudo que ele queria era poder acordar a menina com um beijo carinhoso e lhe dar um abraço com a certeza de que ela sabia toda a verdade. Que independente de qualquer tentativa da mãe, Aletha saberia o quanto era amada pelo pai que ela até então desconhecia.

A paternidade poderia tê-lo atingido há poucas horas, mas Sirius não tinha dúvidas que faria qualquer coisa para ver Aletha sorrindo. Era covardia de Constance dizer que havia feito de tudo pelo bem da menina, sem que ele sequer tivesse uma chance de tentar protege-la.

A ex-namorada falava com tanto orgulho que havia mantido a filha viva, mas em que momento ele tivera a menor oportunidade de fazer qualquer coisa pela vida da ruivinha? Ele havia sido privado dos bons momentos, mas também da responsabilidade de se criar uma criança. Sirius havia perdido tudo.

Quando ele ergueu as íris cinzentas para encarar Constance mais uma vez, estava decidido.

- Eu não vou abrir mão da minha filha e você não vai fazer nada para me impedir. E não abra a boca mais uma vez para fazer ameaças. Você já causou estragos demais para todos.

Sirius respirou fundo antes que se deixasse levar pelas emoções e acabasse explodindo ou despertasse o lado louco da Sra. Black. Por ele, Constance poderia fazer a ameaça que quisesse, nada o faria desistir de Aletha. Mas continuar aquela guerra não o faria chegar onde queria.

Ele não temia que Constance fizesse mais alguma coisa para manter a filha afastada. No fundo, sabia perfeitamente que a ruiva seria capaz, mas agora que ele tinha conhecimento de Aletha, ele lutaria pela filha o resto da vida.

- Precisamos chegar em um acordo. Eu só quero a minha filha. Quero que ela saiba quem eu sou e que você não influencie em nada no meu relacionamento com ela. Esses são meus termos. De resto, faça como desejar. Eu não me importo.
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Dez 12, 2015 9:53 pm

Antes que o sol pudesse iluminar as ruas de Godrics Hollow, o choro de Charlotte invadiu o segundo andar da casa dos Potter, despertando o ouvido bem treinado de Victoria no mesmo instante.

Com os cabelos bagunçados, a mulher se arrastou até o quarto da filha, sorrindo preguiçosamente ao encontrar os bracinhos que se balançavam no ar, em um pedido de atenção. Com uma rápida análise, Vicky verificou que a fralda continuava seca e estranhou quando Charlie virou a cara para a mamadeira oferecida, sem interromper o choro.

- O que houve? O que você quer, Charlie?

A Sra. Potter andava de um lado para o outro no quarto enquanto tentava ninar a criança, ficando aflita a cada minuto que passava. Não havia febre ou qualquer outro sinal de doença, mas a única conclusão que restava era que Charlotte estivesse sentindo dor.

Como o poder que apenas a maternidade poderia causar, Victoria ignorou a própria vaidade quando cobriu o próprio pijama com um sobretudo e prendeu os cabelos em um rabo-de-cavalo torto. Ela desceu as escadas mantendo Charlotte em seus braços, já devidamente agasalhada, e encontrou Fantasma na sala, também acordada pelo choro do bebê.

- Miss Vicky? O que houve?

- Não sei, Fantasma. Vou ao St. Mungus, Samantha está no plantão e poderá examiná-la.

O bracinho da criança estava esticado para a escada e lágrimas manchavam as bochechas gordinhas. Victoria girou e, imediatamente, o bebê acompanhou o movimento para continuar apontando para o andar superior.

- Droga! Esqueci do maldito pomo-de-ouro. Fantasma...?

Sem precisar de mais uma palavra, o elfo desapareceu com um estalo e reapareceu no segundo seguinte ao lado da bruxa, lhe entregando o brinquedo de pelúcia. Charlotte fez um beicinho e diminuiu o choro enquanto a mãozinha agarrava o pomo-de-ouro.

Vicky deu um suave sorriso e beijou a testa da filha, mais uma vez sentindo a temperatura completamente normal.

Aparatar nunca havia sido o meio de transporte preferido da loira, mas ela estava disposta a enfrentar qualquer coisa para se certificar de que a filha estava bem. Sem precisar da ajuda do elfo, ela aparatou no salão do St. Mungus com Charlotte em seus braços.

Sem cerimônia, Victoria subiu até o andar infantil, sem dificuldades para encontrar Samantha Smith. A curandeira, ao reconhecer a loira, veio imediatamente ao seu encontro.

- O que houve? O que ela tem?

Sem esperar pela resposta da mãe, Samantha abriu o caminho até uma pequena sala, onde Charlotte foi deitada em uma maca. A varinha da bruxa já estava com a ponta iluminada enquanto fazia os primeiros exames.

- Eu não sei, ela começou a chorar, mas não vi nada de errado.

Os minutos que Smith levou para examinar Charlie foram poucos, mas o suficiente para que o coração de Victoria quase saísse pela boca. A curandeira olhou os ouvidos, a garganta, os olhos, apalpou a barriguinha da criança, procurou qualquer ferimento exposto em seu corpinho, mas não havia sinal para alarde.

Sob o olhar insistente da Sra. Potter, Samantha rodou mais alguns exames com a varinha, chegando a conclusão de que, fisicamente, não havia nada que justificasse o choro do bebê.

- Ela está ótima, Victoria. Está saudável. Não há com o que se preocupar.

O coração de Victoria aliviou o ritmo, mas a testa continuava franzida com a tensão. Charlotte já havia se mostrado incomodada com a ausência de James antes, mas o choro naquele dia havia sido tão insistente que parecia ser impossível que a causa fosse unicamente emocional.

- Obrigada, Sam.

Charlotte voltou para o colo da mãe quando foi liberada pela curandeira. Samantha já estava acostumada com a preocupação exagerada da loira com a saúde da filha e logo voltou para suas atividades.

- Espero que seu pai consiga te acalmar.

Vicky beijou a cabecinha loira da criança enquanto entrava no elevador. O cansaço parecia estar finalmente atingindo Charlie, que apenas soltava resmungos involuntários enquanto começava a tombar contra o ombro da mãe.

A porta do elevador se abriu, mas antes que a mulher pudesse sair, seus olhos identificaram o rosto rabugento de Alastor Moody diante de si.
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Sab Dez 12, 2015 10:15 pm

Não fazia o menor sentido interromper o sono de Aletha no meio da madrugada para tentar conversar com a garotinha sobre algo tão complexo e importante. Por isso, apesar do clima hostil, Sirius e Constance conseguiram chegar a um acordo. Aletha saberia a verdade em breve, mas não naquela noite tumultuada. Era preciso que a ruivinha estivesse preparada e que o clima fosse mais leve para que aquela informação não a assustasse.

Tudo foi programado para o fim de semana. No sábado, Constance arrumou a filha para um passeio num parque. A ideia era fazer com que aquela conversa acontecesse num ambiente calmo e que fosse um dia alegre e nada traumático para Alethinha.

As duas ruivas chegaram ao parque nas primeiras horas da manhã. O sol brilhava no céu, mas a temperatura estava agradável e um vento suave refrescava ainda mais o clima. O parque, que ficava numa praça de Sheppey, estava vazio àquela hora. Era o ambiente perfeito para a conversa delicada planejada pelos adultos.

Quando Sirius chegou ao local do encontro, já encontrou a filha animada, se revezando nos brinquedos. Constance ficava sempre por perto, mas era notável que Alethinha gostava de ser independente e se zangava quando a mãe tentava ajudá-la a subir no balanço ou a descer no escorregador.

Ainda sem imaginar que a presença de Sirius não era uma coincidência, Aletha se sentou na toalha estendida no gramado. A ruivinha só aceitou deixar os brinquedos de lado quando Constance comentou que havia bolo de chocolate na cesta preparada para o piquenique daquela tarde.

A garotinha usava um vestido leve num tom suave de rosa, que já estava bastante amassado depois das últimas horas. Antes de se sentar na toalha do piquenique, Alethinha retirou os sapatinhos e usava apenas meias quando praticamente enfiou a cabeça dentro da cesta em busca da promessa feita pela mãe.

- Cadê o bolo, mamãe? – a voz dela soou abafada de dentro da enorme cesta.

- Eu escondi. Só vai ter bolo se você comer as outras coisas.

Mais uma vez, Aletha estreitou os olhinhos cinzentos ao encarar a mãe. Constance retribuiu ao olhar sério e as duas se estudaram por alguns segundos até Alethinha se dar conta de que aquela era uma batalha inútil. A menina preferia se empanturrar de chocolate, mas acabou aceitando docilmente o copo de suco de abóbora com um mini- sanduíche.

Conforme prometido, o bolo de chocolate foi servido ao fim da refeição. Aletha ganhou uma generosa fatia, como se aquilo pudesse garantir que ela reagisse bem à conversa que estava por vir. Constance esperou que a filha comesse o primeiro pedaço para trocar um rápido olhar com Sirius. Era o momento perfeito para iniciarem o assunto.

A Sra. Black fez questão de introduzir o assunto. Afinal, era melhor que a filha ouvisse de seus lábios aquela verdade que mudaria por completo os rumos de sua vida. Se a informação viesse da voz de um “estranho”, muito provavelmente Aletha se assustaria muito mais.

- Leths... – Constance ajeitou uma mecha dos cabelos da filha – Nós precisamos te contar uma coisa.

A frase no plural fez com que Aletha olhasse da mãe para Sirius, com a boquinha e os dedos já lambuzados de chocolate.

- O que?

Não era fácil explicar todo o passado complicado da ruiva com os irmãos Black. E aquela missão se tornava ainda mais impossível de ser feita de forma que uma criança compreendesse. Por isso, Constance deixou de lado as explicações mais complexas e foi direto ao ponto.

- Antes de você nascer, a mamãe era namorada do tio Sirius. Você era pequenininha demais e não se lembra de nada. Mas ele é seu papai.

Alguns segundos antecederam a resposta de Aletha. A menina olhou de um adulto para o outro algumas vezes antes de falar, como se Constance fosse uma tola que não enxergasse o óbvio.

- Mas eu já tenho um papai.

A Sra. Black chegou a abrir a boca para explicar, mas Aletha foi mais rápida. O fato da garotinha ter deixado de lado o bolo de chocolate não era um bom sinal. Tampouco a entonação aflita que ela tinha ao completar.

- Eu não quero trocar de papai! Eu não quero! Vamos voltar pra casa? Eu quero o meu papai de verdade, mamãe!

Constance poderia ter se aproveitado daquele momento para apunhalar mais uma vez o coração do ex-namorado. Mas a mulher surpreendeu quando puxou Alethinha para seu colo e beijou o topo da cabecinha ruiva. Ao invés de colocar a menina contra Sirius, a Sra. Black usou de todo o seu poder de argumentação para consertar aquela situação.

- E quem aqui está dizendo que você vai trocar de pai, Alethinha? Eu disse isso?

- Não. – a menina se aninhou junto ao peito de Constance, evitando até olhar na direção de Sirius.

- Você é uma garotinha tão especial que agora tem dois papais. – Constance ergueu dois dedos para a filha, usando uma entonação meiga – Isso não é o máximo?

- Não sei.

Aletha choramingou e ergueu a cabeça, encarando a mãe com os lábios curvados num biquinho de choro. Constance sorriu para tranquilizá-la e deslizou os dedos no rostinho pálido da menina, acariciando-a.

- É o máximo, Leths! Agora você tem dois papais pra brincarem com você, pra te levarem para passear... – a ruiva se inclinou para sussurrar no ouvido da filha – Dois presentes de aniversário, de natal. Muito mais chocolates na páscoa. É muito legal, querida!
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Sab Dez 12, 2015 11:56 pm

Quando Frank Longbottom chegou ao St. Mungus naquela madrugada levando consigo o colega, os curandeiros não acreditaram de imediato que o caso de James Potter fosse uma emergência. O auror chegou ao hospital caminhando, conversando e sem nenhum ferimento grave que justificasse todo o desespero de Longbottom.

Entretanto, bastou uma breve conversa com os curandeiros para que eles compreendessem qual era o problema. Fisicamente, Potter estava ótimo. Mas o auror tinha plena certeza de que tinha dezesseis anos e não entendia porque estava fora de Hogwarts no meio de um ano letivo.

Tudo começara na aparentemente simples missão daquela madrugada. Os dois jovens aurores se encontraram no Ministério da Magia e tinham como objetivo entrarem no Departamento de Mistérios. Regulus havia ouvido alguns comensais comentando sobre o interesse de Lord Voldemort no tal departamento e Moody designou dois aurores para averiguarem o que poderia haver de tão interessante no local.

Como James e Frank já esperavam, o departamento era protegido por feitiços poderosos. Várias salas continham objetos estranhos, mas a princípio nada parecia ser interessante o bastante para atrair a atenção de Voldemort.

Os dois rapazes tomaram notas de alguns detalhes e estavam se preparando para deixar o local quando chegaram a uma das salas mais afastadas. Potter e Longbottom trocaram um olhar intrigado quando viram que só havia um objeto naquela ampla sala. No meio do espaço vazio, havia uma espécie de portal.

De longe, não parecia haver nada por dentro daquele arco ogival. Mas bastou que os aurores se aproximassem para verem uma espécie de cortina cintilante que oscilava como se movida por vento, muito embora não tivesse qualquer corrente de ar dentro da sala.

O plano inicial era se aproximar para compreender melhor a cena, mas nenhum dos dois esperava pelo que viria a seguir. Eles ainda estavam relativamente afastados quando começaram a ser “sugados” pelo portal. Os dois aurores resistiram, mas James estava mais próximo e não evitou que seu corpo fosse absorvido pela cortina.

O desespero de Frank se abrandou quando o auror viu James saindo pelo outro lado do portal, completamente inteiro. Mas bastou dez segundos de conversa para que Longbottom percebesse que o arco havia sugado para si todas as lembranças dos últimos sete anos da vida de Potter. O rapaz estava fisicamente saudável, mas acreditava ser um adolescente de dezesseis anos que deveria estar em Hogwarts.

Mesmo depois da avaliação de vários curandeiros, o problema persistia. Aquele era um tipo inédito de magia e ninguém sabia como reverter o estrago. Um dos curandeiros chegou a dizer que talvez não houvesse solução para as memórias perdidas. Aquelas lembranças não estavam escondidas. Elas simplesmente tinham sumido por completo dentro da cabeça de Potter.

Moody recebeu uma coruja nas primeiras horas daquela manhã e foi imediatamente para o St. Mungus. Na carta, Frank explicava apenas que James havia sofrido um acidente sério, sem entrar em detalhes. Era melhor que o chefe visse pessoalmente o estrago, talvez Alastor conhecesse o contra-feitiço que colocaria um fim naquele pesadelo.

Quando a porta do quarto se abriu, Frank arregalou os olhos ao notar que o chefe dos aurores não estava sozinho. Victoria e Charlotte eram as últimas pessoas que deveriam estar ali, mas não havia mais como evitar que a esposa de James visse aquela tragédia.

A primeira reação de Moody ao ver Potter foi lançar um olhar furioso para Longbottom. A carta dava a entender que James não estava bem, portanto Alastor não esperava ver James fora da cama. O auror parecia ótimo sentado na poltrona do quarto, tomando o café da manhã de uma bandeja que levitava a sua frente, ainda usando as mesmas roupas que vestia quando saiu de casa na noite anterior.

- Acho que você precisa rever a sua definição de emergência, Longbottom!!!

- Moody, ele não está bem. – Frank não sabia como explicar aquilo diante de Victoria – A memória dele. Houve um dano severo. Os curandeiros não sabem como reverter.

A conversa séria dos aurores foi interrompida por Charlotte. A bebezinha ficou extremamente agitada ao reconhecer o pai e começou a chorar, esticando os bracinhos na direção de James. Os olhos castanhos pareceram confusos, mas Potter atendeu a aquele chamado e se aproximou da esposa e da filha.

Com um sorriso, Potter pegou a pequena Charlie no colo e a acomodou junto ao seu peito. Por um breve momento, Frank imaginou que tudo ficaria bem. Mas o colega frustrou o seu otimismo quando tagarelou com um sorriso débil.

- Que gracinha, ela gostou de mim! É sua, Frank? Como ela se chama?
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Dom Dez 13, 2015 12:52 am

Os olhos cinzentos observavam a cena da pracinha como se já tivessem visto aquilo antes. Na mente de Sirius, ele já havia vivido momentos como aquele diversas vezes. Estar em Sheppey com Constance e a filha havia ocupado seus sonhos por muitas noites, mas nunca imaginou que estivesse ocupando aquele papel.

Aquele pensamento o fez ter saudade da época em que não conseguia odiar a ex-namorada. Mesmo quando ela estava casada com Regulus, Black acreditava que talvez, um dia, ainda pudessem ser felizes juntos. Agora, esse desejo parecia impossível de se concretizar.

- Poderia ter sido tudo assim desde o começo, Constance. – Sirius sussurrou sem tirar os olhos da criança que brincava a uma pequena distância.

Não era sua intenção começar uma nova conversa hostil com a ruiva, mas aquele pensamento estava o deixando sufocado. Diferente da noite em que descobrira a verdade, ele não estava furioso e ameaçador. Apenas magoado e desesperado para conseguir construir o seu relacionamento com a filha.

Um sorriso brincou em seus lábios enquanto ele admirava a Aletha brincando e acariciou os fios ruivos quando ela se aproximou. Saber da verdade fazia com que Sirius admirasse as íris cinzas da filha com orgulho, com a certeza de que ela havia herdado aquele traço dele, e não do irmão caçula.

A conversa entre mãe e filha fez o coração do auror se espremer. Não era justo com ele precisar passar por tudo aquilo, mas era infinitamente mais injusto fazer a pequena criança ficar tão confusa com assuntos tão complexos.

- Seu papai não vai a lugar algum, Pequena.

Sirius esticou a mão até tocar o joelho de Aletha. Doía dizer que Regulus era o pai da sua filha, mas ele queria ter certeza de que a criança sofresse o menos possível. Se dependesse dele, o caçula nunca mais encostaria na menina novamente, nunca mais sequer colocaria os olhos nela. Mas pelo bem de Alethinha, ele entraria naquele teatro.

- Ele vai estar te esperando em casa, como sempre. Mas eu também sou seu papai.

Black se ajeitou sobre a toalha para se aproximar de Aletha. Seu joelho roçou o de Constance, mas toda sua atenção estava voltada para a criança.

- Você lembra quando brincamos de voar? Foi divertido, não foi? Podemos brincar sempre que você quiser.

Aletha era uma criança muito esperta, mas Black torcia ferozmente para que ela não estivesse percebendo a ansiedade em sua voz.

- Posso te levar para comer o melhor bolo de chocolate que tem aqui perto, também. Você não comeu o seu. – Sirius pegou o pratinho largado pela metade. – Não está bom?

Com um suspiro, ele ousou esticar o braço até tocar o pingente de pata, pendurado no pescoço dele. O sorriso era triste e não alcançava os olhos.

- Eu gosto muito de você, Alethinha. E ficaria muito feliz se você deixasse eu ser seu papai também.
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Dez 13, 2015 1:10 am

Quando Alastor informou que James havia se ferido durante a missão, o coração de Victoria deu um salto. Ela sentia todo o seu corpo tenso novamente enquanto andava ao lado do chefe dos aurores de encontro ao marido e foi um imenso alívio ver James inteiro e se alimentando.

Ao contrário de Moody, ela não se importava que Frank tivesse exagerado nas informações. Potter estava bem e eles poderiam ir para casa, era tudo que importava. Ela sequer ouviu as explicações de Longbottom enquanto Charlotte pedia o colo do pai.

- Muito engraçado, Jamie. – Vicky revirou os olhos diante do comentário infantil do marido. – Mas estou exausta demais para suas idiotices agora. Charlie acordou no meio da noite chorando e estou de pé até agora.

Os olhos azuis reviram o quarto atrás de um responsável do hospital, mas encontrou apenas Frank e Alastor.

- Podemos ir para casa?

- Victoria... – Frank chamou, sério. – James não se lembra de nada. Ele acha que tem dezesseis anos outra vez.

Talvez fosse a convivência com Potter, mas as palavras do auror não fizeram sentido algum quando as íris azuis passaram pelos três homens presentes.

- Do que está falando, Frank? Acertaram a cabeça dele outra vez? É só olhar as ruguinhas perto dos olhos dele para ver que os dezesseis anos passaram faz tempo!

O olho mecânico de Moody rodeava James da cabeça aos pés enquanto o normal estava fixo na loira ao seu lado.

- Potter não se lembra de nada? – Alastor bradou, ignorando completamente a presença de James como se ele fosse incapaz de ouvir.

- É isso que estou tentando dizer. – Frank suspirou, parecendo exausto.

A compreensão começava a atingir Victoria enquanto ela observava o próprio marido. James brincava com Charlie, mas era notável que não parecia o mesmo. Quando sabia que aquela era sua filha, os olhos castanhos brilhavam e ele exibia um sorriso orgulhoso, diferente do que tinha agora.

A boca de Victoria se abriu em horror e ela recuou um passo, seu corpo se chocando com o de outra pessoa que havia acabado de entrar no quarto. Ao se virar para encarar o homem de jaleco verde, as mãos da bruxa o agarraram em aflição.

- Você precisa trazer a memória do meu marido de volta! AGORA!

Pacientemente, o curandeiro recém-chegado afastou as mãos da Sra. Potter.

- Sinto muito, senhora. Não há mais nada que possamos fazer. Nenhum feitiço ou poção foi capaz de recuperar uma única lembrança do seu marido. Infelizmente é uma magia que foge a nossa compreensão. A única coisa a ser feita é liberá-lo para voltar para casa.

- Casa?! – Victoria rosnou. – Ele acha que ainda mora com os pais!

- Potter? – Alastor chamou, a voz alta e grossa. – Qual a última lembrança que você tem?

Victoria prendeu a respiração enquanto aguardava a resposta do marido, mas seus olhos se encheram de lágrima com o medo das palavras que pudessem sair de sua boca. Ela se colocou diante de James e tocou as mãos que rodeavam o corpinho de Charlotte.

- Jamie... Charlie é sua filha. Você se lembra dela, não lembra? Você sabe que não está mais em Hogwarts e que trabalha com o Frank e o Moody como auror. Diga que me lembra de qualquer coisa. Do nosso casamento? Das nossas brigas? Qualquer coisa, Jamie!
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Dom Dez 13, 2015 1:28 am

Naquela tarde, ficou provado que Aletha tinha herdado mais uma das características da mãe. A garotinha mostrou que não tinha a coragem grifinória quando se esquivou do toque de Sirius, aninhou-se ainda mais junto ao peito de Constance e repetiu o pedido para que fossem embora para casa.

A Sra. Black não queria ser acusada de criar nenhuma barreira entre pai e filha, mas também não podia obrigar Aletha a se jogar nos braços de Sirius e ficar contente com aquela novidade inesperada. Era normal que uma criança pequena ficasse assustada em ver um estranho no papel de pai e Constance não queria agravar ainda mais a confusão e o medo que povoavam a cabeça da garotinha.

O passeio no parque terminou de forma melancólica quando Constance desaparatou levando a filha consigo. Aletha sequer olhava na direção de Sirius, o que mostrava que a menina não estava nada disposta a aceitar a presença dele em sua vida.

É claro que aquilo não corrigia os erros do passado, mas Constance surpreendeu o ex-namorado quando mostrou disposição em ajudá-lo. A verdade é que a Sra. Black também fazia aquilo pela filha. Era inegável que Sirius amava a garotinha e Aletha se beneficiaria em tê-lo por perto.

Os primeiros encontros depois daquela grande revelação não foram fáceis. Aletha ficava todo o tempo perto da mãe, esquivava-se dos toques do pai e respondia as perguntas de Sirius com aspereza.

Contudo, graças à insistência de Sirius e à ajuda de Constance, aos poucos a ruivinha começou a ceder. É claro que ela ainda não conseguia chamá-lo de “papai”, mas passou a aceitar melhor a presença de Sirius ao ver que ele realmente não apresentava nenhuma ameaça à família a qual Alethinha estava habituada.

Após alguns meses, Aletha finalmente concordou em sair com Sirius sem a companhia da mãe. É claro que ele derrubou as últimas barreiras da garotinha levando-a numa confeitaria e deixando a ruivinha escolher quantos doces quisesse. O pedaço de torta de chocolate com cereja era generoso até para os padrões de um adulto, mas Alethinha não pareceu intimidada quando começou a atacar a sobremesa com uma colher.

- Você também tem namorada?

Antes que Sirius respondesse aquela pergunta, Aletha explicou. Era notável que, assim como Constance, o chocolate tinha o poder de melhorar o humor da menina e deixá-la mais tagarela.

- O meu outro papai tem. Ela é legal. Mas eu acho a mamãe mais bonita.

Era fácil entender do que Aletha estava falando. Como agora toda a Ordem da Fênix sabia que o casamento dos Black era uma farsa, Regulus e Samantha não precisavam mais se esconder diante dos colegas. O Comensal da Morte estava finalmente tentando construir a vida que planejara antes de Voldemort entrar em seu caminho.

Sem imaginar o tamanho da indiscrição que cometia, Aletha completou com a boca cheia de torta de chocolate.

- A mamãe também tem um namorado, sabia?
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Dom Dez 13, 2015 1:54 am

Charlotte distraiu tanto o pai com sua risada gostosa que o auror perdeu boa parte da conversa entre Victoria, Moody e Longbottom enquanto brincava com a menina. Embora não tivesse nem mesmo uma lembrança da criança, Potter se afeiçoou imediatamente a Charlie. A bebezinha era encantadora e o coração dele se aquecia por ela, independente de qualquer memória.

- Está louca? – a declaração bombástica de Victoria foi o bastante para trazer James de volta à conversa – Eu não tenho filhos! E que história é essa de casamento? Eu nem conheço você!

Os olhos castanhos encararam Victoria com mais atenção. Ela lhe parecia vagamente familiar, mas os traços maduros, os cabelos mais curtos e a falta de maquiagem fizeram com que James demorasse para enxergar naquela mulher a sonserina fútil que se vangloriava por ser a garota mais popular de Hogwarts.

- McMillan?

James provou que havia voltado aos seus dezesseis anos quando soltou uma risada debochada. Seus olhos lacrimejavam pelo divertimento quando o auror conseguiu retomar o fôlego.

- Ótima piada. Eu casado com uma das McMillan. Não enxergo nenhuma realidade em que isso pareça plausível! Boa tentativa, Frank!

O auror se voltou para Alastor, finalmente respondendo à pergunta feita pelo chefe dos aurores, sobre as suas últimas lembranças. A descrição detalhada de James mostrava que ele realmente pensava ter vivido tudo aquilo no dia anterior.

- Ontem eu estava em Hogwarts. Jantei com o Moony, com o Padfoot e com o Wormtail no Salão Principal. A torta de legumes estava uma droga. Depois voltamos para a Torre da Grifinória e eu fiquei um pouco no Salão Comunal com a Lily, em frente à lareira. Quando tive sono, subi para o dormitório e me deitei. Acordei com a versão adulta do Longbottom me sacudindo e me arrastando pro Mungus.

Diante dos olhares assombrados dos presentes, Potter respirou fundo e girou os olhos atrás das lentes.

- Eu já entendi que alguns anos se passaram e alguma coisa ferrou com a minha memória. Mas acho que vocês deveriam tentar reverter isso ao invés de tentarem me assustar com piadinhas idiotas.

James estava mais sério quando devolveu Charlotte aos braços da mãe. A aliança que brilhava em seu dedo era um sinal claro de que o rapaz havia se casado naqueles últimos anos esquecidos, mas ele ainda se recusava a acreditar que sua esposa era a detestável e fútil Victoria McMillan.

- Onde está a Lily? – o auror indicou a própria aliança, certo de que se casara com a única garota por quem ele era perdidamente apaixonado – Ela deve estar preocupada comigo. E talvez ela possa ajudar, a Lily sempre foi excelente com contra-feitiços.
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Dom Dez 13, 2015 1:55 am

Estar a sós em um passeio com Aletha era um progresso que Sirius não esperava ter tão rápido. Apesar do pouco tempo que levara para conquistar aquela confiança, ele havia vivido um pesadelo cada dia que sentia a própria filha com medo de sua presença.

Nada parecia ser capaz de estragar aquela tarde ao lado da criança, onde Black se sentia realizador de uma enorme conquista. Ainda havia um longo caminho a ser cruzado, mas era inegável que aquela era uma árdua batalha ganha.

Conquistado pelo bom humor de Aletha, Sirius tomava um enorme milk-shake enquanto controlava silenciosamente as porções de doces que a filha consumia, em uma preocupação muda.

Ele ainda estava perdido em pensamentos sobre a confusão que deveria estar na cabeça da criança com a história de ter dois pais, ou que um dos pais tivesse uma namorada que não era sua mamãe, quando as palavras dela o pegaram de surpresa.

O barulhinho que o canudo fazia ao puxar o ar no fundo do copo cessou e ele ergueu os olhos para encarar Aletha do outro lado da mesa. A covinha aparecia em uma de suas bochechas enquanto ela mastigava a torta de chocolate e no canto dos lábios dela, o vestígio de um dos doces devorados naquela tarde.

O auror passara tanto tempo concentrado em conquistar a confiança da filha que a presença de Constance normalmente era ignorada. Ele jamais havia voltado a pensar na ex-namorada da mesma forma, de modo que sequer imaginou que ela estava seguindo com a própria vida. Talvez fosse apenas a novidade que o havia pego desprevenido, mas seu estômago se contorceu desconfortável.

- Namorado?

Ele se remexeu na cadeira, puxando um guardanapo para limpar os próprios lábios enquanto buscava qualquer segredo escondido por trás do rostinho inocente da filha.

- Você o conhece também? Como conhece a tia Samantha?

Sem perceber, os olhos se estreitaram e ele se inclinou para frente, usando a desculpa de limpar a boca de Aletha com outro guardanapo.

- Ele é legal, Pequena? Trata você bem?
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Dom Dez 13, 2015 2:21 am

- Não.

Aletha enfiou mais uma colher cheia de torta na boca antes de completar aquela resposta. Embora fosse uma criança esperta, era evidente que a menina soltava aquelas informações inocentemente, sem imaginar o impacto que tais novidades causariam.

- O papai me levou para passear com a tia Sam. Mas o namorado da mamãe eu não vi ainda.

Antes que Sirius pudesse pensar que Aletha estava confusa com todas aquelas reviravoltas e tivesse interpretado mal algum comentário, a garotinha excluiu aquela hipótese.

- Mas a mamãe disse que ele é legal e muito bonito. E a mamãe me deu uma flor do buquê enorme que ele mandou pra ela, mas ela disse que preferia bombons. Eu também. – Aletha completou como se fosse óbvio – Não posso comer flores.

Embora tudo estivesse confuso na cabecinha de Aletha, a menina conseguia enxergar o lado positivo daquela nova família que se estruturava diante de seus olhos. Ter dois pais era realmente muito bom. Regulus e Sirius a amavam, brincavam com ela, levavam para passeios e lhe davam doces. A tia Samantha também a tratava com imenso carinho. Parecia cada vez mais interessante pensar que Constance e Sirius teriam seus respectivos namorados para engrossar a lista de pessoas que a mimavam.

A garotinha só precisou de alguns minutos para esvaziar o prato de doces a sua frente. Como já notara que Sirius controlava mais rigidamente a sua alimentação, Aletha nem perdeu tempo pedindo por mais um pedaço.

Conforme combinado, ao fim daquele passeio, Sirius deveria levar a filha de volta a Constance. A ruiva havia deixado os dois sozinhos enquanto fazia algumas compras pelo vilarejo. Sheppey, ironicamente, havia se tornado o lugar mais ideal para aqueles encontros entre pai e filha. Era um local calmo, distante da guerra e de quaisquer olhos errados que pudessem avistar aquela interação proibida.

O sol já começava a se por dando uma coloração alaranjada ao céu quando os três se encontraram na praça. Constance carregava duas sacolas enquanto Aletha trazia consigo um saquinho de doces. A mãe abriu um sorriso ao receber um abraço, satisfeita em notar que a ruivinha havia se divertido com o pai biológico.

- Mais doces? – a Sra. Black forçou uma expressão zangada para a filha.

- É. – Aletha encarou a mãe com um semblante desafiador – Eu posso comer um por dia. Eu te dou um se você quiser, mamãe.

- Só um?

- Só.

Constance soltou uma de suas raras risadas espontâneas e acariciou os cabelinhos da filha. Só então, ergueu os olhos azuis e ficou mais séria ao encarar o ex-namorado.

- Eu tenho alguns compromissos e não poderei trazê-la nos próximos dias. Que tal domingo à tarde?
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Dez 13, 2015 2:23 am

Ao voltar para o colo da mãe, Charlotte imediatamente curvou os lábios em um beicinho manhoso, esticando os bracinhos na direção do pai em uma tentativa completamente ignorada de voltar para ele.

Para tentar conter o choro da filha, Victoria lhe entregou o pomo-de-ouro de pelúcia e tampou seus ouvidinhos, como se daquela forma pudesse evitar qualquer trauma ao ver o pai naquele estado.

- Potter, olhe bem para a minha cara. Você acha mesmo que eu teria tempo de largar o meu posto para fazer piadinhas com a sua demência? – Alastor estava mais rabugento que o normal quando ele puxou o auror pelo braço. – Vamos leva-lo ao Dumbledore. Ele saberá o que fazer.

Com um último olhar mal-humorado ao curandeiro, como se o bruxo fosse responsável pelos problemas de James, Alastor desaparatou levando James consigo. Victoria deu um passo a frente, mas Frank a segurou pelos ombros.

- Vá para casa, Victoria. Charlie precisa descansar e você ainda está de pijamas.

Os olhos azuis baixaram e ela fitou o sobretudo que havia afrouxado, deixando escapar o moletom cinza que vestia por baixo. Em outros tempos, seria inadmissível para Vicky ser vista em público daquela forma, mas sua aparência era o menor dos problemas naquele dia.

- Eu só vou para casa quando tiver o meu marido de volta, Frank.

***

Por um milagre, quando Victoria desceu as escadas da casa dos Weasley com um dos vestidos de Molly, Charlotte havia se entregue ao sono e dormia tranquilamente em um cercadinho montado no canto da sala.

O vestido havia ficado largo e era florido demais para os padrões da Sra. Potter, mas era infinitamente melhor do que estar usando pijamas com o sol forte da tarde. Quando ela entrou na cozinha, diferente do que normalmente acontecia quando estavam tendo as reuniões da Ordem, o lugar estava quase vazio.

Dumbledore estava sentado em seu costumeiro lugar, e Alastor ao seu lado se mostrava inquieto. Frank já havia voltado ao Quartel dos Aurores, deixando Frank sozinho com os dois bruxos mais velhos.

- Então não há mesmo nada a ser feito? – Moody perguntou, incrédulo.

Uma coisa era escutar de um curandeiro desconhecido. Mas se Albus Dumbledore não tinha esperanças em recuperar a memória de James Potter, Alastor também não via solução.

- Podemos esperar por um milagre. Que a memória acabe voltando com algum gatilho emocional. Mas neste momento, não há magia a ser feita. Sinto muito.

As últimas palavras foram ditas encarando a mulher que havia acabado de chegar. Victoria encarou o marido sem acreditar no que estava acontecendo. Talvez fosse um pesadelo e ela ainda estivesse dormindo. Faria muito mais sentido do que se ver sozinha naquele momento, com uma filha dormindo no cômodo ao lado e com um marido que não lembrava sequer de ter se apaixonado por ela.

Victoria se manteve em silêncio enquanto os dois bruxos mais velhos deixavam a cozinha para conversar no quintal, dando privacidade ao casal. Ela caminhou encarando os próprios pés até se sentar do outro lado da mesa.

- Eu sei que você não se lembra, Jamie... Mas temos que voltar para nossa casa agora. – A voz saía sussurrada e ela esticou a mão para tocar os dedos do marido, os olhos azuis brilhando em tristeza. – Eu pedi para você não ir nesta missão, Jamie. Eu sabia que alguma coisa ia...

A porta da cozinha se abriu mais uma vez e Victoria se ajeitou na cadeira ao reconhecer o rosto de Lily Evans. Rapidamente, ela secou a primeira lágrima que havia rolado por sua bochecha e lançou um olhar frio à ruiva, como se ela fosse a culpada pelos seus problemas.

Havia passado tempo demais amedrontada com a sombra da ex-namorada de James. Ela nunca imaginou que, depois de tantos anos e uma filha com ele, aquele pesadelo fosse surgir novamente.

- O que está fazendo aqui, Evans?

- Frank me contou. – Lily respondeu, encarando James todo o tempo, como se estivesse diante de um fantasma. – Eu pensei que talvez pudesse ajudar.

- Ótimo. Traidorzinho de uma figa. – Victoria revirou os olhos, mas logo voltou a encarar a outra com superioridade. – Albus Dumbledore não conseguiu ajuda-lo. Você acha mesmo que consegue ser melhor que Dumbledore? A não ser que sua ideia de ajudar não seja trazer a memória dele de volta.

Victoria se levantou, mantendo as palmas das mãos apoiadas sobre a mesa.

- Neste caso, pode ir embora.
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Dom Dez 13, 2015 2:44 am

Desde que começara a ser aceito por Aletha, Sirius havia dado uma trégua em suas brigas com Constance. Não fazia sentido provocar a ex-namorada, já que ele estava conseguindo tudo o que queria, e manter a paz era o melhor para todos os envolvidos.

Entretanto, para sua surpresa, Black estava se sentindo abalado com aquela novidade. Constance estava morta para ele, era impossível sentir amor por alguém que lhe causara tanto sofrimento. Mesmo assim, ele reconhecia o ciúme que o corroía por dentro.

Seus olhos se estreitaram quando a ruiva informou que teria compromisso. Ele imediatamente visualizou a ex-namorada nos braços de outro homem, carregando um buquê de rosas e completamente derretida com um galanteio barato. Constance nunca havia sido do tipo romântica e saber que ela estava recebendo flores lhe provocava um grande desconforto.

- Eu realmente queria vê-la antes de domingo, Constance.

Era a primeira vez que Sirius reclamava dos encontros marcados pela ex-namorada. Normalmente, ele aceitava pacientemente pela próxima oportunidade de poder brincar com Aletha, tudo para evitar novos desentendimentos que causariam uma confusão ainda maior na cabeça da criança.

- Olhe... – Ele começou pausadamente, tentando manter o tom de voz amigável para não assustar a filha. – Eu realmente não me importo que você comece a namorar ninguém. Meus pêsames ao pobre coitado. Mas não posso concordar que isso influencie meu momento com a Aletha.

Sirius passou os olhos pelo rosto de Constance, tentando prever qualquer ataque de fúria que estivesse prestes a surgir. Era a primeira vez em meses que ele notava como ela estava bonita. A ideia de que aquilo pudesse ser efeito do novo relacionamento fez seu estômago se revirar, mas ele continuou com o semblante calmo.

- É aniversário do Remus na sexta e eu quero levar a Alethinha. Todos os meus amigos vão estar lá e eu quero apresenta-la como minha.

Como se pudesse primeiro convencer a criança, antes de convencer a mãe, Sirius lançou um sorriso para a ruivinha e piscou um olho.

- Vai ter dezenas de docinhos. E você vai poder voar na minha moto.

Quando Black ergueu os olhos para Constance novamente, ele ainda manteve a sombra de um sorriso nos lábios.

- Aletha é mais corajosa do que você para voar. Eu lembro perfeitamente como você achava que ia morrer quando levantava dez centímetros do chão.
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Dom Dez 13, 2015 4:42 pm

- Aletha é mais corajosa do que eu em vários sentidos. Era de se imaginar que ela não tivesse medo de voar, já que ela tinha menos de seis meses na primeira vez que o Regulus a levou para dar uma volta de vassoura.

Ao contrário de Sirius, Constance não perdeu a oportunidade de lançar aquela provocação. Por mais que o relacionamento entre Aletha e o pai biológico estivesse se fortificando mais a cada dia, era inegável que Regulus sempre ocuparia um lugar especial no coração da menina.

Quando Sirius mencionou o namoro, a Sra. Black lançou um olhar de repreensão para a filha, certa de que fora Alethinha a responsável por aquela indiscrição. Mas esta foi a única reação de Constance diante do ex-namorado. A ruiva não questionou a fonte daquela informação, tampouco perdeu tempo com explicações sobre o compromisso que a impediria de sair com a filha na sexta-feira.

Com isso, era como se Constance quisesse deixar bem claro que Sirius não tinha o direito de exigir satisfações de sua vida amorosa. O assunto morreu como se ela não tivesse escutado aquela parte do discurso do auror.

- Talvez você ainda não tenha notado, mas o centro do universo fica um pouquinho deslocado do seu umbigo.

Apesar das palavras ásperas, Constance usava uma entonação tranquila para que Aletha não notasse o clima pouco amigável entre os pais.

- Se eu não posso sair com a Aletha na sexta, não é porque eu passo o dia pensando em mil maneiras de te prejudicar. É simplesmente porque eu tenho a minha própria vida, e ela não parou para assistir o espetáculo da sua paternidade. Eu venho refazendo a minha agenda nos últimos meses, mas esta sexta é realmente impossível.

Antes que Sirius fizesse uma cena, os olhos da Sra. Black giraram e ela pensou rapidamente numa solução para aquele impasse. Não fazia sentido deixar Aletha trancafiada na casa dos Black quando o pai estava disposto a levá-la numa festinha.

Constance se agachou até ficar com os olhos na altura do rosto da filha. Alethinha retribuiu ao olhar mais sério da mãe e a ouviu com imensa atenção.

- Querida, o que acha de dormir na casa do papai Sirius na sexta-feira? A mamãe vai sair e não pode ficar com você, mas tenho certeza de que o papai vai saber cuidar de tudo. Eu te deixo lá de tarde, você vai na festinha do tio Remus, dorme na casa do papai e eu te busco sábado de manhã.

- Sozinha? – os olhinhos da menina se arregalaram e ela pareceu insegura – Sem você, mamãe?

- Vai ser divertido, você nem vai ver o tempo passar. – Constance sorriu e acariciou o rostinho da menina – Mas só vamos fazer isso se você quiser, querida. Se estiver com medo de dormir fora de casa sem a mamãe, daremos outro jeito. O papai não vai ficar chateado.

Aletha olhou de Constance para Sirius, ainda incerta sobre aquela ideia. Por mais que estivesse abrindo espaço em sua vida para o pai, a ruivinha ainda era pequena demais para concordar em dormir numa casa diferente, sem a mãe por perto. A Sra. Black provou que conhecia a filha muito bem quando deu a cartada final para ajudar Alethinha naquela decisão.

- Mas é claro que eu não vou deixar que você fique sozinha. Colette Marie vai com você.

- Vai mesmo? – os olhinhos cinzentos brilharam e fitaram Sirius com ansiedade – Pode, papai?

A relação entre pai e filha estava mais solidificada a cada dia, mas era notável que Aletha ainda tinha algumas barreiras contra Sirius. Mesmo depois de meses, a garotinha ainda o chamava de “tio”. Naquela tarde, o “papai” que Black tanto queria ouvir saiu naturalmente dos lábios de Alethinha. A ideia de levar Colette Marie para aquela aventura fazia com que a menina se mostrasse bem mais disposta a enfrentá-la.
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Dom Dez 13, 2015 5:10 pm

Apesar de não ter mais nenhuma das memórias dos últimos sete anos, Potter estava começando a acreditar em tudo o que os amigos lhe descreviam. Sua cabeça ainda vivia na época dos seus dezesseis anos, mas o auror só precisou se olhar num espelho para perceber que muito tempo havia passado. Seus traços não eram mais juvenis e ele definitivamente não era mais o adolescente da época de Hogwarts.

Contudo, apesar da certeza de que agora era um homem maduro, James ainda tinha dificuldade de aceitar aquela reviravolta em sua vida. Em suas últimas lembranças, ele era o rapaz mais feliz do mundo por finalmente ter conseguido uma chance com Lily Evans. Como agora podia estar casado com Victoria McMillan? Aos dezesseis anos, Potter sequer conversava com a garota da Sonserina, que agora era a mãe de sua filha.

Tudo o que o auror queria era que aquele absurdo fizesse algum sentido, mas seu desejo foi frustrado quando Dumbledore confessou que não sabia como reverter aquele dano na memória de Potter. Os curandeiros já tinham deixado claro que era uma perda irreversível, mas ouvir aquilo de Albus tornava as coisas ainda mais definitivas. Se Dumbledore não podia fazer nada, ninguém mais poderia ajudar.

Quando foi deixado a sós com Victoria, James se mostrou visivelmente desconfortável. Para ele, era absurdamente estranho pensar que há algumas horas ele vivia ao lado da loira, que moravam juntos, dividiam a mesma cama e cuidavam de uma bebezinha. Potter não se esquivou do toque da esposa, mas era notável que ele não achava nada daquilo natural.

Como se o destino quisesse brincar ainda mais com os sentimentos de James, Lily Evans surgiu na cozinha dos Weasley, interrompendo aquele delicado momento do casal Potter.

A visão de Evans provocou um aperto sufocante no peito de James. A ruiva também estava mais madura, mas os novos traços pareciam realçar ainda mais a beleza da mulher. Os cabelos mais curtos estavam soltos e Lily usava um vestido que ressaltava que não era apenas seu rosto que mudara positivamente nos últimos sete anos.

Potter se lembrava de ter lutado por anos seguidos pela atenção de Evans. Era injusto que a sua vida virasse de ponta cabeça logo no momento em que Lily resolvera lhe dar uma chance. As lembranças de James acabavam exatamente na época em que os dois completariam um mês de namoro. Portanto, a empolgação do rapaz com aquele relacionamento ainda era enorme.

Ignorando por completo o clima hostil entre as duas mulheres, James se colocou de pé. A cabeça dele sempre fora bastante lenta, mas os pensamentos do rapaz pareciam ainda mais confusos com todos os últimos acontecimentos.

- Lily, me disseram que eu estou casado com a McMillan.

A entonação aflita de Potter mostrava que o auror estava desesperado para que alguém lhe dissesse que aquilo era mentira. Tudo o que ele queria era que Lily desmentisse aquele absurdo e dissesse que os dois ainda estavam juntos e felizes.

A ruiva respirou fundo, soltou o ar ruidosamente e cruzou os braços. A resposta só veio depois de uma pausa prolongada.

- É verdade.

- Mas como aconteceu isso???

- Ora, você terminou comigo por causa dela, Jamie. Eu também não entendi, mas foi o que aconteceu.

- Eu jamais faria algo assim! – as palavras saíram sem pensar – Ela deve ter me enfeitiçado! Eu fiz tudo por você, Lily. Eu amo você, eu nunca te deixaria!
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Dez 13, 2015 7:58 pm

Victoria precisava ser racional. James não sabia o que estava dizendo, sequer lembrava tudo que haviam passado juntos e não tinha a intenção de magoá-la. Mas ouvir da boca do marido que ele ainda amava Lily Evans era insuportável aos seus ouvidos.

Os lábios se espremeram em uma tentativa de conter o xingamento que veio na ponta da língua. A loira respirou fundo e colocou as mãos na cintura, tentando convencer a si mesma que aquilo só estava acontecendo porque o auror havia perdido a memória. Ela queria acreditar que aquele pesadelo logo chegaria ao fim, mas nem mesmo Dumbledore tinha esperanças de que Potter recuperasse as lembranças dos últimos anos.

Como viver ao lado de alguém que não lembrava que havia se apaixonado por ela? Que os dois haviam enfrentado tudo para estarem juntos? Não era justo com Charlie ter um pai que nem mesmo se lembrava que ela existia.

- Não seja demente, Jamie. Como se eu precisasse enfeitiçar alguém para ficar comigo.

Victoria girou os olhos e Lily soltou um risinho nasalado, encarando a loira da cabeça aos pés.

- Você quis dizer que nem mesmo tem a capacidade de enfeitiçar alguém, não é?

Os olhos azuis se estreitaram e Victoria deu um passo à frente, se colocando ao lado do marido.

- Quem acha que tem dezesseis anos aqui é o James, Evans. Não volte a se comportar como aquela adolescente insuportável. Não que você tenha melhorado muito, mas ao menos respeite o meu casamento. – A mão de Victoria foi erguida e ela apontou o dedo contra o peito da ruiva. – Ele pode não se lembrar, mas você sabe muito bem que tem um bebê dormindo logo ali, que depende do pai. Não é hora de se aproveitar da situação para tentar roubar o meu marido.

Victoria se colocou entre James e Lily e procurou pelos olhos castanhos. Era doloroso demais saber que, horas antes, os dois se encaravam com tanto amor e agora ele não se lembrava nada sobre a vida dos dois.

Seria mais fácil virar as costas para não continuar ouvindo coisas que a magoariam ainda mais, mas ela não podia desistir de James. Ele não se lembrava, mas cada dia vivido ao lado dele estava gravado em sua memória. O amor que ela sentia por ele não havia alterado da noite para o dia e era impossível desistir daquele casamento.

- Jamie, podemos ir para casa? Charlie precisa da cama dela, você precisa descansar também. E depois podemos conversar sobre tudo isso, mas só nós dois. – Ela esticou a mão até tocá-lo carinhosamente no rosto. – Eu te garanto que não enfeiticei ninguém. Sua paixonite pela Evans acabou anos atrás, mas nós somos felizes juntos.
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Dom Dez 13, 2015 8:45 pm

Apenas Aletha tinha a capacidade de acalmar Sirius, de qualquer que fosse o problema. Tudo era varrido da mente do auror quando a ruivinha sorria ou se lambuzava de doces ou fazia um de seus inteligentes comentários.

A menininha podia ter uma incrível habilidade de enfrentar a própria mãe, mas Black se sentia orgulhoso por despertar um comportamento infinitamente mais dócil, como se pelo menos uma das duas ruivas fosse capaz de ser gentil com ele.

Ouvir a palavra “papai” foi o ápice daquele orgulho. Não havia prêmio no Ministério da Magia pelos seus trabalhos como auror que chegasse perto daquela recompensa. Nada que conquistara ao longo da vida podia ser comparado com aquele momento. Era como se Sirius tivesse finalmente superado todos os problemas que tivera durante tantos anos.

Ele se agachou, ficando na altura da filha. Por mais esperta que fosse, Aletha não conseguiria ser capaz de interpretar o motivo do brilho nos olhos cinzentos. Nem a presença de Constance era capaz de diminuir a felicidade que explodia em seu peito.

Seus lábios estavam curvados em um sorriso que provocava a familiar covinha e, por longos segundos, Sirius não respondeu nada, como se qualquer coisa que dissesse pudesse fazer a criança se arrepender do que havia dito. Ele acariciou a mãozinha delicada de Aletha entre seus longos dedos e a puxou delicadamente até estalar um beijo na bochecha dela.

- É lógico que Colette Marie pode ir, Pequena. Só não garanto que ela nos acompanhe no passeio de moto. Isso quer dizer que você quer ir?

Os olhinhos cinzentos de Aletha passaram da mãe para o pai e a breve pausa que ela fez para responder, Sirius se esqueceu de respirar. Quando a cabecinha ruiva confirmou exageradamente em um aceno, o sorriso de Black se alargou e ele bagunçou alguns fios vermelhos com os seus dedos em uma carícia.

Sirius se colocou de pé e encarou a ex-namorada, já com o humor completamente recuperado.

- Obrigado, Constance.

No fundo, Black sabia que não havia motivos para agradecer. Aletha era sua filha e ele tinha todo o direito do mundo de querer a presença dela a qualquer momento. Mas estava esgotado das brigas constantes com a mãe da criança. Ele sabia que se nenhum dos dois erguesse a bandeira branca, aquilo se estenderia eternamente, e jamais partiria da ruiva um movimento de paz.

- Espero você no sábado, Pequena.
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Dom Dez 13, 2015 9:27 pm

Apenas a menção a Charlotte fez com que James concordasse em dar as costas a Lily para seguir caminho com Victoria McMillan. O auror não tinha nem mesmo uma vaga lembrança da própria filha, mas o instinto de proteção não fora perdido juntamente com a memória do rapaz. Embora não se lembrasse de Charlie, o pai continuava disposto a protegê-la e a evitar que a garotinha sofresse.

Antes de deixar a casa dos Weasley, Potter lançou um olhar mais demorado à ex-namorada, como se pedisse desculpas por tudo aquilo. Lily retribuiu ao olhar, mas estava decidida a não interferir mais naquela situação depois da discussão com Victoria, principalmente porque não queria deixar James confuso a ponto de desfazer o lar da pequena Charlie.

Como James não se lembrava da localização da casa em Godric’s Hollow, coube à loira a missão de guiar a aparatação. O pai carregava Charlotte em seus braços e a garotinha não acordou nem mesmo quando foram sugados pelo feitiço de Victoria.

No interior da casa dos Potter, o auror colocou a filha adormecida no sofá da sala e perdeu alguns longos segundos fitando a menina. Charlotte era bastante parecida com a mãe, mas James também conseguia enxergar alguns de seus traços na bebezinha. Seu coração se comprimiu dentro do peito com a ideia de que ele não tinha nenhuma memória sobre a própria filha.

Só depois de assistir ao sono tranquilo de Charlie por um generoso tempo, James conseguiu tirar os olhos castanhos da criança e virou a cabeça para analisar o ambiente ao seu redor.

A casa era perfeita. Se tivesse que descrever o lar que desejava no “futuro”, Potter certamente desenharia na cabeça um local bem semelhante à casa onde se encontrava agora. Um imóvel amplo em Godric’s Hollow, confortável, sem necessidade de luxos exagerados. Um quintal espaçoso para as crianças, um quarto de hóspedes sempre pronto para acolher um dos amigos.

A única coisa que não se encaixava naquele futuro perfeito era a presença de Victoria McMillan. Sempre que fazia planos, James enxergava Lily Evans no papel de Sra. Potter.

Entretanto, bastou que Potter olhasse os detalhes ao seu redor com mais atenção para que a sua cabeça começasse a se convencer de que Victoria não fora o pior erro de toda a sua vida. As fotos espalhadas pela sala mostravam que aquela casa era um lar feliz antes da tragédia da última madrugada.

A maior parte das fotos mostrava Charlotte, mas a atenção do auror se prendeu mais nas imagens em que ele próprio aparecia.

Um dos porta-retratos da sala mostrava James naquela atual versão adulta, segurando em seus braços um bebê pequenino. Charlotte provavelmente só tinha alguns poucos dias de vida quando aquela foto foi tirada. Mas não foi o bebê que mais chamou a atenção de Potter, mas sim o brilho nos olhos castanhos. A felicidade estava refletida no olhar apaixonado e no sorriso que o pai do bebê lançava para a câmera. Definitivamente, ele não tinha a expressão abobada e indiferente de alguém vitimado por um feitiço de amor poderoso. Nenhuma poção jamais produziria uma alegria tão profunda e sincera.

Aquela imagem ainda estava gravada na memória lesionada do rapaz quando outra fotografia sugou para si a atenção de Potter.

Na foto, Victoria estava com uma barriga gigantesca, provavelmente há poucos dias do nascimento da filha. A sonserina fútil e vaidosa que Potter conhecia jamais deixaria que ninguém eternizasse aquela aparência numa fotografia, mas a Sra. Potter da imagem parecia feliz demais para se importar com aquilo. Ao lado dela, estava o pai mais orgulhoso do mundo. James abraçava a esposa com um dos braços apoiados na cintura dela enquanto a mão livre pousava na barriga de Vicky num gesto carinhoso e protetor. Os dois sorriam para a câmera e Potter se inclinava para beijar a bochecha da loira, que fechava os olhos e alargava ainda mais o sorriso ao receber aquela carícia do marido.

Pela primeira vez desde o começo daquele pesadelo, o auror acreditou que era feliz com Victoria McMillan, e lamentou não ter mais nenhuma daquelas valiosas lembranças.

- Eu lamento muito. – os olhos castanhos foram da fotografia até a loira parada diante dele – Eu realmente gostaria de me lembrar de tudo isso, Victoria.
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Dez 13, 2015 9:48 pm

Desde o instante que pisou em Godrics Hollow, Victoria não ousou abrir a boca para dizer nada. Ela deixou que James tivesse o próprio tempo, observando a casa a sua volta, na esperança de que qualquer mínimo detalhe pudesse estar vivo em sua mente.

Quando ele finalmente revelou que nada havia mudado, Vicky soltou um suspiro pesado e abraçou o próprio corpo. Tudo o que ela queria era o marido de volta, mas não deixaria de enfrentar aquele desafio ao lado dele, mesmo que ele não tivesse conhecimento do amor entre os dois.

- Nós daremos um jeito. – Ela sussurrou, evitando encarar as íris castanhas.

Se nem mesmo Albus Dumbledore havia encontrado uma solução, Victoria não sabia nem por onde poderia começar a encontrar a resposta para dar um fim naquela tortura. Ela sequer acreditava que realmente tivesse uma saída para aquele problema, mas não podia simplesmente admitir que o marido estava apaixonada pela namorada de anos antes.

- Eu vou arrumar a cama para você descansar. Você e o Frank estiveram em uma missão a noite toda, deve estar exausto.

Antes de alcançar os primeiros degraus da escada, Victoria parou, girando o pescoço para encarar o rapaz.

- Não se preocupe. Vou arrumar o quarto de hóspedes para você.

Seu coração se apertou ao imaginar o quanto aquilo estava sendo desconfortável para James. Aquela era a casa dele, mas ele se sentia um completo estranho. Nem mesmo se sentia a vontade junto com a própria esposa e a filha.

- Pode olhar a Charlie por um minuto? Ela não costuma chorar quando está com você, mas se ameaçar, é só entregar o pomo-de-ouro que ela se acalma.

Dar instruções ao pai da criança de como deveria cuidar da própria filha era ainda mais estranho, mas o James de dezesseis anos nunca havia estado com um bebê antes e provavelmente não sabia nada do que um ser tão pequeno precisava.

O quarto de hóspedes que ficava ao lado do quartinho de Charlotte e estava sempre arrumado graças ao trabalho constante de Fantasma. Victoria só precisou trocar a fronha do travesseiro e pegar uma coberta nos armários para James. Ela foi até o próprio quarto e separou algumas mudas de roupa, deixando-as dobradas sobre a cama. Quando voltou para a sala, ainda estava com a mesma expressão cansada e triste de antes. A Sra. Potter se inclinou e pegou a filha adormecida no próprio colo.

- Você pode ir tomar um banho, se preferir. Vou pedir Fantasma que prepare um lanche para você, antes de descansar. – Ao ver a expressão confusa do marido, ela explicou. – Fantasma é nosso elfo. Não se preocupe, você paga um salário digno e todos os direitos trabalhistas.
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Dom Dez 13, 2015 9:54 pm

Com alguns poucos minutos de atraso, Constance McMillan bateu na porta do apartamento do ex-namorado. Já começava a anoitecer e logo Sirius teria que sair para a comemoração do aniversário do amigo, mas o auror não teria dificuldade para entender a razão do atraso da ruiva. Tão logo Black abriu a porta, um furacão de energia adentrou sua casa.

Alethinha foi a primeira a entrar. A menina saltitou tranquilamente para dentro do apartamento, carregando Colette Marie nos braços. A gatinha tinha a sua típica expressão mal humorada, mas foi notável que seu olhar se suavizou ao reconhecer o ex-namorado da dona. Apesar das brigas e das implicâncias, Colette Marie adorava Sirius Black.

- Desculpe o atraso. – era estranho ver Constance pedindo desculpas por qualquer coisa, mas a ruiva parecia agitada demais para controlar as próprias palavras – Eu tive que arrumar tudo sozinha e a Aletha teve a brilhante ideia de brincar no porão minutos antes de sairmos. Então, tive que dar outro banho nela.

Os cabelos ainda úmidos da garotinha comprovavam a veracidade das palavras da Sra. Black. E Sirius perceberia que a ex-namorada realmente tivera muito trabalho quando Constance abriu a bolsa e começou a esvaziá-la sobre a mesinha de centro da sala.

Por mais que confiasse no amor do pai por Aletha e na capacidade de Sirius em cuidar de uma criança de cinco anos por uma noite, Constance ainda era a mãe que ficaria longe do seu bebê pela primeira vez na vida. A ansiedade da ruiva ficou evidente na rapidez com que Constance espalhava as coisinhas da filha sobre a mesa.

- Dois pijamas. O travesseirinho dela, meias limpas e as pantufas. – enquanto falava, a ruiva ia retirando todos os objetos de sua bolsa enfeitiçada – Três mudas de roupa, os chinelinhos e mais uma sapatilha. Não me olhe com esta cara, você não faz ideia da capacidade dessa demônia em sujar roupas!

Ao invés de dormir apenas uma noite na casa do pai, parecia que Aletha faria uma viagem e ficaria pelo menos uma semana fora de casa.

- O sabonete dela, a toalha e o shampoo. Se for lavar os cabelos dela, não esqueça de usar este creme. Os cachinhos ficam cheios de nós sem ele! Alethinha não dorme se não tomar um copo de leite morno, na dúvida eu também trouxe o leite. E o copinho dela.

A mesa da sala já estava quase lotada quando Constance retirou da bolsa duas tigelas, uma almofada maior, um pacote de ração para gato e um dos brinquedinhos de Colette Marie.

- A Colette Marie come três vezes por dia. Não deixe armários abertos senão ela vai acabar com toda a sua comida em dois minutos. – os olhos azuis vasculharam a mesa com alguma ansiedade antes de se voltarem para o interior da bolsa – Estou tendo a impressão que esqueci alguma coisa...

Era impressionante que Constance tivesse tido tempo para separar tudo aquilo enquanto se arrumava. Porque, a julgar pela aparência da Sra. Black, era óbvio que ela iria direto para o tal “compromisso” logo que saísse do apartamento do ex-namorado. A ruiva usava um vestido preto curto, sapatos de salto e joias discretas. Os cabelos vermelhos estavam presos num coque sofisticado e Constance optara por uma maquiagem mais leve, mas a pintura de seus olhos reforçava seu típico olhar felino.

- Comporte-se. – ela estreitou os olhos para a filha – E não tente enganar seu pai. Ele sabe muito bem que você tem hora para dormir, que não pode comer bobagens, nem escalar os móveis. A Colette Marie ficará de olho e vai me contar tudo!

A ruiva finalmente fechou a bolsa, sentindo um aperto no peito em se separar da filha, mesmo que fosse por apenas uma noite.

- Se precisar de alguma coisa, Sirius, QUALQUER COISA mesmo, mande uma coruja. – Constance apontou para Colette Marie – Eu arranco a sua cabeça se você se atrever a machucar a coruja, entendido?
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Dom Dez 13, 2015 10:14 pm

Era impossível relaxar a ponto de adormecer, mas o corpo de James se mostrou grato após um banho demorado e um lanche reforçado preparado por Fantasma. Era estranho pensar que havia um elfo fazendo todo o trabalho da casa, mas foi reconfortante saber que Fantasma não era uma escrava dos Potter.

Todos os músculos do auror ainda estavam tensos quando ele se deitou na cama do quarto de hóspedes e fitou o teto acima de sua cabeça. Há um dia, ele estava em Hogwarts com os amigos e com a garota de seus sonhos. Era impossível aceitar que todas as mudanças dos últimos sete anos tivessem acontecido em menos de vinte e quatro horas.

Embora sua mente não se desligasse por completo de toda aquela loucura, James conseguiu relaxar com o passar de algumas horas. Ele estava começando a cochilar quando seu sono foi bruscamente interrompido pelo choro do quarto ao lado.

O adolescente de dezesseis anos não fazia ideia de nada que uma criança tão pequena precisava, mas foi por instinto que Potter se colocou de pé. James não se lembrava de Charlotte, mas no fundo sabia que era seu dever protegê-la.

Quando chegou ao quarto da bebezinha, o auror percebeu que estava atrasado. Victoria já carregava Charlie para fora do berço e a colocava deitadinha no trocador. A mãe, tão acostumada a cada um dos chorinhos de Charlotte, não tinha dúvida de que estava sendo acordada naquela madrugada por uma fralda suja.

Ainda alheia à presença do marido, Victoria repetiu o ritual que já se tornara comum na rotina dela. Ao invés de demonstrar nojo ou desagrado, a Sra. Potter brincou e conversou docemente com a filha enquanto fazia aquele trabalho. Meio sonolenta, Charlie soltou risadinhas adoráveis enquanto a mãe a limpava e trocava a fralda suja por uma limpa.

Os olhos castanhos simplesmente não conseguiam piscar diante daquela cena. A última coisa que Potter esperava que Victoria McMillan se tornasse era uma esposa simples e uma mãe dedicada. Ela combinava muito mais com uma mansão luxuosa lotada de vestido e joias, mas parecia profundamente feliz com a vida normal que levava ao lado do marido e de Charlie.

Pela primeira vez, Potter sentiu uma sincera admiração pela loira. Aquela sim era uma mulher por quem ele se apaixonaria, por mais improvável que parecesse.

A Sra. Potter estava terminando de recolocar os pijamas na filha quando James se posicionou ao seu lado. Charlie abriu um sorriso sonolento para o pai e deu uma risadinha quando os dedos compridos do auror fizeram cócegas em sua barriga.

Quando voltou os olhos para Victoria, Potter estava bastante sério, mas parecia totalmente decidido do que faria a partir daquele momento.

- Mesmo que eu nunca “volte” para vocês, acho que devemos tentar de novo. Vou precisar de um tempo e de uma boa dose da sua paciência, é claro. Mas eu quero ser feliz com vocês duas novamente.
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Dom Dez 13, 2015 10:36 pm

Sirius encarava a multidão de objetos que se espalhava pela sua sala com um olhar divertido. Ele não esperava nada diferente de Constance. A ruiva poderia ter um milhão de defeitos, mas era uma mãe cuidadosa e preocupada com o bem-estar de Aletha.

O pai também havia se preparado para receber a filha pela primeira vez, mas cada detalhe levantado pela mãe também era importante e definitivamente, a ruivinha não sentiria falta de absolutamente nada.

Colette Marie saltou sobre a lareira, andando habilidosamente entre os poucos objetos e porta-retratos que se espalhavam. Aletha disparou de encontro aos pais e puxou a calça de Sirius enquanto virava o rostinho para cima, o encarando com os olhos cinzentos pedintes.

- Papai... Tem chocolate???

Sirius se agachou para ficar na altura dela e acariciou os fios ruivos até colocar uma mexa por trás a orelhinha delicada da menina.

- Tem uma surpresa para você em cima da minha cama.

Sem esperar por mais nenhuma informação, já entendendo que a surpresa era comestível, a criança disparou na direção das escadas. Colette Marie saltou para o chão, para acompanhar os passos da ruivinha, e no processo, derrubou um dos vasos usados na decoração, transformando-o em caquinhos.

As pálpebras cobriram os olhos claros de Sirius por dois segundos antes que ele gritasse na direção em que a filha havia sumido.

- ALEEEETHA! – Ele fez uma pausa para escutar a resposta da ruivinha que alcançava o mezanino antes de continuar. – É SÓ UUUUM! VAI TER BOLO NA CASA DO TIO REMUS!

Com uma expressão suave, Sirius encarou a ex-namorada, finalmente podendo admirá-la. Como sempre, Constance estava elegante, mas era notável que havia um toque diferente na produção. Saber que ela havia se arrumado para encontrar outro homem fez seu estômago revirar, mas o rosto continuou com o semblante tranquilo enquanto seu olhar passeava de cima a baixo da ruiva, discretamente.

- Não se preocupe. Eu vou cuidar das duas. – Black inclinou a cabeça para o estoque de coisas espalhadas sobre sua mesinha e sorriu suavemente, a covinha aparecendo em sua bochecha. – Você se certificou de que nada vai faltar. O resto é comigo.

Ele mordeu o lábio inferior como se estivesse tentando lutar contra o próprio comentário. Para o bem-estar de todos, o ideal é que o único assunto compartilhado entre os dois se resumisse na filha, mas os ciúmes que crescia em seu peito permitiu que as palavras saltassem de sua boca.

- Não vamos atrapalhar o seu encontro, Constance. Pode curtir o seu namorado a vontade. Alethinha e eu nos viramos.

Um novo barulho vindo do mezanino fez Sirius encolher os ombros e novamente fechar os olhos rapidamente.

- O máximo que pode acontecer é Colette Marie destruir a casa, mas vamos sobreviver.
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Dez 13, 2015 10:58 pm

Por um segundo, enquanto James brincava com Charlie, Victoria chegou a acreditar que tudo havia se resolvido e que a memória do auror havia se recuperado. Aquela cena no meio da madrugada era não natural que ele parecia novamente o pai e o marido que Vicky conhecia tão bem.

Diante da declaração de Potter, a loira baixou os olhos e voltou a encarar a filha, que sorria completamente inocente ao que acontecia em seu quartinho. Seu corpo inteiro estava pesado e cansado. Havia acordado cedo no dia anterior, desperta pelo choro de Charlie, e não havia conseguido descansar até então.

Ela sabia o que era estar sozinha na própria cama enquanto o marido estava ausente em suas missões para o quartel de aurores. Mas saber que James estava dormindo no quarto ao lado, sem saber nada sobre a própria vida, havia impossibilitado que a Sra. Potter pegasse no sono.

Depois de revirar várias vezes, Vicky desistiu de tentar dormir e levantou, indo ocupar a poltrona onde normalmente usava para amamentar Charlotte. Mesmo na penumbra, ela velava o sono da criança e atendeu de imediato ao chorinho provocado pelas fraldas sujas.

O rosto, sempre tão bonito e cuidado da adolescência, estava pálido e com olheiras sob as íris azuis, mas Victoria deu um fraco sorriso enquanto acomodava o bebê em seu colo.

- Ótimo. Achei que fosse ser preciso enfrentar a Evans de novo. A pobre coitada não merece perder você para mim duas vezes.

Charlie encostou a cabecinha no ombro da mãe, as pálpebras pesadas se demorando a erguer a cada piscada, mas a presença de James era suficiente para que ela lutasse contra o próprio sono. Mesmo quieta no colo de Victoria, Charlotte encarava o pai fixamente, um sorrisinho carinhoso nos lábios idênticos ao do auror.

- O que eu mais tenho é paciência, Jamie. Estou com você há tempo suficiente para me adaptar a sua mente lenta. – O sorriso divertido brincou nos lábios da loira, mas ela logo assumiu o semblante mais sério. – Só espero que você compreenda que não ama mais a Lily há anos.

O quartinho de Charlotte não parecia ser o melhor lugar para ter uma conversa tão séria, mas a escuridão, iluminado apenas pela fraca luz do abajur de bichinhos apoiado no trocador, dava a Victoria coragem suficiente para enfrentar o James de dezesseis anos.

- Você não se lembra, mas a história de vocês acabou. Talvez a Evans nunca tenha se conformado completamente, mas por favor... – A voz de Victoria saiu em um sussurro suplicante. – Você não pode voltar para ela, Jamie. Charlie e eu precisamos de você.
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Dom Dez 13, 2015 11:07 pm

Ao contrário do que poderia parecer, Constance não se sentia nem meramente entusiasmada com o encontro daquela noite. Aliás, ela não sabia o que estava fazendo com a própria vida, mas sentia-se sufocada demais em apenas esperar que algo bom surgisse do nada.

Embora nunca tivesse acontecido nada entre o Sr. e a Sra. Black, Constance interpretou o relacionamento de Regulus com Samantha Smith como um sinal de que ela também precisava seguir em frente com a própria vida. Não havia a menor pretensão por parte da ruiva em encontrar alguém que fizesse o seu coração disparar como acontecia com Sirius. Mas Constance sentia-se sozinha o bastante para se contentar com menos.

Não era exatamente um namoro. A ruiva reencontrara Vincent McLaggen no trabalho. Os McLaggen eram sócios do Gringotts e o herdeiro da família nunca disfarçou o seu encantamento por Constance. Na época de Hogwarts, Vincent nunca se atreveu a aproximar-se da ruiva por medo da personalidade explosiva. Mas agora, e principalmente depois de notar que o casamento dos Black não era perfeito, McLaggen se arriscou numa tentativa.

O contato de Sirius com McLaggen fora praticamente nulo no castelo. O herdeiro do Gringotts pertencera à Corvinal e a única coisa que parecia ter um comum com Black era o gosto por quadribol. Jogando como goleiro, o rapaz enfrentara Sirius em campo algumas vezes, mas nunca acontecera nada memorável que apontasse na direção de uma amizade ou rivalidade. Eles eram apenas colegas muito distantes.

A ruiva realmente preferia não tratar daquele assunto tão pessoal com o ex-namorado, mas Sirius insistia em enfiar o dedo na ferida. É claro que Constance não pretendia se abrir e contar detalhes de seu recente relacionamento para Sirius, mas desta vez não fugiu do tema.

- É só um jantar. Então não há o menor problema em me mandar uma coruja caso tenha alguma dúvida ou precise de ajuda. Caso seja uma emergência, eu estarei no Mr. Thomas, aqui mesmo em Londres.

A ruiva citou um restaurante fino localizado no centro comercial de Londres. Embora não gostasse de se misturar aos trouxas, Constance concordou quando McLaggen apresentou a proposta como a melhor escolha para os dois. Seu casamento ainda não estava oficialmente desfeito e a última coisa que ela precisava era atrair a atenção para si com um escândalo pessoal daquelas proporções.

O indicador da Sra. Black foi apontado na direção do mezanino.

- Estou falando sério. Essas duas juntas são um perigo, não se sinta mal se não conseguir lidar com elas. Eu mesma tenho a impressão que elas vão me enlouquecer a qualquer momento.
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Dom Dez 13, 2015 11:43 pm

Pela primeira vez desde o começo daquele pesadelo, James se permitiu pensar na delicada situação de Victoria. Não deveria ser fácil perder o afeto do marido subitamente, sem ter feito nada que merecesse tal tratamento. A súplica da loira fez com que o coração do auror falhasse uma batida. Era óbvio que ele, mesmo sem esta intenção, havia magoado Vicky profundamente ao dizer que amava Evans.

- Você não precisa me pedir isso, Victoria. É claro que eu não pretendo deixar vocês.

Embora não se lembrasse de nenhum acontecimento dos últimos sete anos, James não teria coragem de deixar a própria família. Mesmo o adolescente de dezesseis anos que comandava a mente de Potter no momento era sensato o bastante para reconhecer suas responsabilidades. Ele era casado com Victoria e tinha uma filha com a loira. Por mais que ainda pensasse que Lily era a mulher certa, não passava pela cabeça de Potter a hipótese de deixar tudo por aquela paixão adolescente.

- Eu sinto muito por ter magoado você. Estou confuso e ainda não me acostumei à ideia de que meu futuro é um “pouco” diferente dos planos iniciais. Mas eu estou disposto a voltar a ser o homem que você e a Charlotte precisam.

Quando mencionou o nome da bebezinha, as pálpebras pesadas da criança novamente se ergueram e Charlie lançou um sorrisinho carinhoso ao pai. Era inegável que a menina amava a mãe, mas era perdidamente apaixonada pelo pai.

A mãozinha estendida na direção de James era um pedido mudo para trocar de colo. O auror não se esquivou daquela obrigação e sorria quando puxou Charlotte com cuidado para os seus braços. No começo, Potter se mostrou meio desajeitado, o que rendeu uma risada gostosa de Charlie. A garotinha imaginou que aquela era apenas mais uma das brincadeiras tolas do pai.

- Que bom que ela já estava acostumada com o meu jeito demente. Nem está notando nenhuma diferença agora.

O bom humor ficou refletido na entonação de James e, com a ajuda da esposa, ele finalmente conseguiu segurar a filha numa posição normal e confortável para a menina.

Charlotte bocejou fazendo um barulhinho adorável que ecoou pelo quarto silencioso. Em seguida, apoiou a cabecinha no peito firme do pai e finalmente deixou que o sono vencesse aquela penosa batalha. O olhar admirado e orgulhoso que Potter lançou à menina fez com que ele voltasse a parecer o homem que se despedira da família na noite anterior.

- Ela é perfeita.

A voz do auror saiu num sussurro para não importunar os sonhos da criança. Os olhos castanhos se ergueram vagarosamente e encararam Victoria com uma expressão mais leve.

- Você também é. – mesmo sem saber, James mencionaria a brincadeira que o casal repetia desde que Dumbledore falara aquelas palavras – Você é bonita demais para mim. Qual o seu problema, Victoria?
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Dom Dez 13, 2015 11:58 pm

O sorriso de Sirius se alargou quando ele percebeu a falta de ânimo na descrição daquele encontro. Com a presença de Aletha em sua vida, o rapaz estava cada dia mais próximo do adolescente feliz que um dia fora, sem a sombra da tristeza que assolara nos últimos anos.

- Eu namorei você por tempo suficiente para conseguir dar conta das duas, Constance. Não se preocupe. Aviso caso seja necessário, está bem?

Quando Sirius Black chegou no antigo apartamento que um dia dividiu com Remus Lupin, ele logo reconheceu os rostos conhecidos dos amigos e apresentou Aletha a cada um deles com um enorme orgulho ao dizer que era sua filha.

A sala de estar havia sido magicamente ampliada para suportar os adultos que passeavam com copos de bebida ou se sentavam no sofá para conversar. Apesar de não ter uma única criança presente, a pequenina Black não mostrou incomodo algum. Depois de insistir que Colette Marie também deveria ir ao aniversário de Lupin, Aletha se mostrou completamente relaxada longe da presença da mãe.

Com uma confiança conquistada trabalhosamente nos últimos meses, a menina se pendurou no colo do pai quando o sono começou a chegar. Ela havia gastado energia suficiente correndo pelos adultos e furtando doces para não se importar quando Black a pegou no colo.

A pequena reunião ainda se estenderia por algumas horas, mas quando pensara em levar Aletha, Sirius já sabia que corria o risco de sair mais cedo. A criança tinha seu próprio horário e não era justo força-la a lutar contra o sono.

Ele tentou se agachar para pegar Colette Marie e desaparatar, mas o peso da filha em seu colo, já completamente amolecida com o cansaço, dificultou a tarefa, fazendo com que um dos sapatinhos da menina caísse.

- Precisa de ajuda? – Joanne sorriu enquanto pegava o sapatinho da criança e o oferecia de volta ao auror.

Colette Marie estava parada aos pés de Sirius, velando cuidadosamente o sono da criança e estreitou os olhos quando a morena se aproximou.

- Preciso aparatar com as duas, mas está faltando mão.

- Não seja por isso...

Joanne se abaixou, esticando as mãos na direção da gatinha, que imediatamente eriçou os pelos, mostrando os dentes em uma atitude nada amigável para a mulher.

- Colette! – Sirius bufou. – Não seja mal-educada, sua praguinha. Joe está apenas ajudando.

A gata lançou ao auror um olhar irritado e Joe fez uma nova tentativa. Os dois bruxos aparataram logo em seguida, mas foi tempo suficiente para que Colette Marie provocasse um arranhão sobre a mão de Moore, onde um filete de sangue imediatamente começou a sair.

- Outch!

Joanne jogou Colette Marie que alcançou o piso de madeira da casa de Sirius com elegância. A gata ainda olhou para trás enquanto se afastava, parecendo satisfeita com o resultado que conseguiu.

Aletha ergueu a cabecinha do ombro do pai, despertando com o gritinho de Joanne. Ela olhou ao redor, procurando entender onde estava, enquanto Sirius caminhava até o quarto onde havia deixado todos os artefatos trazidos por Constance.

- Cadê a mamãe? – A ruivinha resmungou enquanto o pai trocava o vestidinho de festa por um dos pijamas limpos.

- A mamãe vem te buscar amanhã, Pequena.

Colette Marie havia subido as escadas e com um pulo, afundou levemente o colchão da cama com suas patinhas, se acomodando confortavelmente em um dos travesseiros. O olhar de Aletha pousou na gatinha, parecendo ficar mais calma com o rostinho conhecido.

- Vou buscar o seu leite, você espera aqui?

Sonolenta, a menina concordou com a cabeça e se acomodou na cama do pai. Sirius a cobriu com o lençol e beijou suavemente a testa da filha antes de se afastar.

Quando ele retornou para a sala, a lareira havia sido acesa e Joanne já havia feito um rápido curativo no ferimento provocado por Colette Marie. Com um pequeno esparadrapo cobrindo o dorso da mão direita, ela esticou uma taça de vinho para o auror, que ergueu a sobrancelha surpreso com aquela atitude.

- Eu ia dizer para você se sentir em casa, mas acho que você já entendeu o recado. – Ele brincou com um sorriso enquanto preparava o copinho com leite, exatamente como Constance havia indicado. – Não precisa ficar aqui, Jo. O pessoal provavelmente ainda vai demorar na casa do Moony.

- Achei que poderíamos conversar um pouco, Sirius... Acho que ainda tem muita coisa sobre você que não sei. Primeiro um irmão, agora uma filha?

Black evitou o contato visual com a amiga enquanto terminava de esquentar o leite de Aletha. Desde que Jo havia deixado a Escócia, os dois nunca mais tinham se envolvido novamente, mas a auror não escondia suas intenções, deixando-o desconfortável com o rumo daquela conversa.

- Eu realmente preciso levar o leite da Aletha primeiro, Jo. Pode ficar para um próximo dia? É a primeira vez que a minha filha dorme aqui e eu queria aproveitar o tempo apenas com ela. Espero que você me entenda.

Sem esperar pela resposta ou se preocupar se estava sendo rude, Sirius correu escadas acima até encontrar o rostinho sonolento da ruivinha, ainda acordada. Ele se sentou ao lado da cama e ofereceu a bebida enquanto afagava os fios vermelhos.
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