The Marauders

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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Ter Dez 08, 2015 5:09 pm

Mesmo que Constance tivesse garantido que estava bem, Sirius esperou que Molly surgisse novamente com a poção para então seguir as duas crianças até o jardim. Aletha e Percy já haviam corrido até o lado oposto e buscavam as pedrinhas quando o homem se aproximou.

A cor alaranjada nos céus cobria os terrenos dos Weasley, deixando um brilho ainda mais intenso nos fios ruivos das crianças que brincavam alheias aos pensamentos de Sirius Black. Como se pudesse prolongar aquele momento, ele arrastou seus passos enquanto admirava até os gestos mais simples de Aletha.

Ele sabia que era incapaz de odiar uma criança, mas nunca imaginou que um dia fosse se encontrar tão encantado com a filha de Constance com outro homem. Não havia um único traço de Regulus Black na menina. Os poucos anos que viveram na mesma casa, o caçula se mostrava tímido e seguia o mais velho como uma sombra. Aletha era decidida, uma líder nata, e já mostrava a personalidade forte e a inteligência prematura, mesmo com pouca idade.

O auror tinha certeza que a influência de Constance sobre a menina era gritante, mas ia além. Não era apenas como reagia quando era contrariada, ou o vício por doces. A ruivinha era a criança mais decidida que Sirius conhecia e era impossível deixar de notar como ela enfrentava a própria mãe. Era quase como assistir os dois ex-namorados em uma das intermináveis brigas em Hogwarts.

A brincadeira nos jardins não durou muito tempo, e logo o sol já havia desaparecido por completo no horizonte, deixando o céu escuro sobre suas cabeças, salpicado de estrelas. Em uma das mãos, Black carregava um baldinho abarrotado de pedras e a outra estava unida à de Aletha, enquanto eles voltavam na companhia de Percy até a parte mais iluminada do terreno, sob a janela da cozinha.

Enquanto Aletha se agachou no chão para separar as pedras que mais gostava, já que a procura havia rendido toneladas, Sirius jogou o baldinho sobre o gramado. Ao olhar por cima do ombro, ele se certificou de que as duas crianças estivessem muito entretidas entre si antes de sacar a varinha, apontando para o amontoado ignorado pela pequena Black. Seu pulso rodou e um ventinho saiu, junto com uma luz clara, rodeando as pedras desprezadas.

O barulho atraiu os olhares de Aletha e Percy, mas quando eles se viraram para entender o que acontecia, as pedras já começavam a se amontoar por vontade própria. Quando elas foram esgotadas, começaram a se reproduzir, erguendo pequenos muros. Quando a varinha foi finalmente guardada em suas vestes, os três estavam diante de uma casinha de bonecas perfeita.

As paredes eram escuras, de pedra, mas tinham o espaço adequado para colocarem janelas e portas. Ainda precisava de um acabamento para deixar com a aparência delicada de uma menina, mas era o esqueleto ideal para um pequeno castelo. Era alto o suficiente para compor um adulto agachado, ou as duas crianças confortavelmente.

Sirius soltou uma risada ao encarar a ruivinha e encontrar a expressão que ele já conhecia tão bem. A boquinha estava entreaberta e os olhos arregalados, sem reação alguma, o que parecia ser um bom sinal. A criança nem mesmo piscava quando os três foram despertados daquele momento.

Bill e Charlie haviam se enfiado no pequeno bosque que rodeava a casa e, quando a noite chegou, retornaram para a casa, ainda travando um pequeno duelo de bombas de posta. Charlie havia corrido na frente do irmão para escapar de uma, e com extrema habilidade de um jogador de quadribol, se esgueirou para dentro da casa, permitindo que pequena bola acertasse em cheio as costas de Aletha.

- AIEEEEEEEE!

Ao ver o que tinha feito, Bill cobriu a própria boca de susto e se encolheu quando Molly surgiu com as mãos na cintura, procurando o motivo do choro de Aletha, que já havia se grudado em Sirius.

- WILLIAM ARTHUR WEASLEY! – A dona da casa gritou, virando-se imediatamente para Aletha, sorrindo docemente. – Não se preocupe, minha princesa, já vai passar.

Ela lançou um olhar gelado ao próprio filho, que continuava congelado em seu lugar.

- DEIXE SÓ O SEU PAI CHEGAR! – mais uma vez, assumindo a voz suave, ela sorriu para a filha de Constance. – Venha, vamos trocar a roupinha, tenho certeza que sua mãe tem algum vestido lindo guardado de reserva.
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Dez 08, 2015 5:48 pm

Victoria soltou um suspiro, mas não desviou o olhar do mar enquanto tomava sua casquinha de limão com raspas de chocolate. A simples lembrança de anos antes, quando James havia lhe dado um sorvete do mesmo sabor, na ala hospitalar de Hogwarts, foi suficiente para não fazer a loira iniciar uma nova briga.

Sua boca já estava completamente gelada pelo doce quanto finalmente virou o rosto para encará-lo, os óculos escuros suavizando a seriedade dos olhos azuis.

- Você não está preparado, Jamie. Não me inclua nessa.

Ela esticou a mão até tocar os dedos dele, pousados em seus joelhos, e acariciou de leve.

- Eu não vou te forçar a nada. Mas não espere que eu mude, para que você se sinta mais “preparado”. Este é o meu jeito, Jamie. Gosto de roupas bonitas, gasto horas passando diferentes cremes no corpo e me preocupo demais com os meus cabelos. Mas você já me conheceu assim. E isso não interfere em nada a minha habilidade de ser mãe.

Ter uma conversa honesta depois de ter ficado dias se torturando era um alívio. Ainda não era o que Victoria sonhava, mas estava satisfeita em poder conversar com James. Durante os dias em que se sentia arrasada, chegou a pensar até onde poderia suportar um casamento onde o marido não confiava nela. Saber que James a amava era maravilhoso, mas Vicky não continuaria ao lado de alguém que não compartilhava o mesmo sonho. Ela não desistiria do amor de Potter na primeira dificuldade, mas não ficaria presa em uma vida onde não era completamente feliz.

Com um meio sorriso, ela tentou aliviar a tensão causada pela conversa séria. Os dois mereciam uma folga depois de tantos anos e não seria ela a estragar aqueles momentos de paz.

Seu sorvete já estava na metade quando ela esticou o pescoço para ver a casquinha de James.

- A sua é de quê? Quero provar!

Sem esperar pela resposta dele, Vicky se inclinou até puxar a casquinha do marido até o alcance de sua boca, dando uma generosa mordida.

- A sua é melhor que a minha! Não, espere... – Ela choramingou, cada mão com um sorvete, sem mostrar a intenção de devolver ao dono. Com uma lambida novamente no sorvete de limão, Victoria demorou alguns segundos enquanto tentava escolher o melhor sabor. – Não consigo me decidir. Vou ficar com os dois.

Victoria nunca havia sido de comer muito e aquela mudança em seu apetite começava a preocupa-la. Mas, na cabeça da loira, era mais provável que fosse alguma praga de Constance desde a última briga, do que uma possível gravidez. James já havia deixado claro que tomava os devidos cuidados evitar um bebê que aquela ideia soava ridícula.

- Você está de quanto tempo? – a trouxa ao lado havia se levantado para segurar o bebê, que tinha uma pequenina viseira sobre sua cabecinha, protegendo-o do sol. Ao ver que Victoria não havia entendido a pergunta, ela continuou. – Desculpe, achei que estivesse grávida.

A Sra. Potter arregalou os olhos e procurou a própria barriga, procurando qualquer sinal que justificasse aquele comentário. Talvez fosse a consequência de seu surto gastronômico dos últimos dias, refletidos em quilos a mais. Ao perceber a preocupação da loira, a mulher riu.

- Não quis dizer que está gorda. Você está ótima. É que quando eu engravidei desses dois, comia sorvete o dia inteiro. Era a única coisa que controlava os meus enjoos.
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Ter Dez 08, 2015 5:49 pm

Ao contrário do que se poderia imaginar, Constance não teve um ataque quando viu o estado em que a filha voltava para o interior da casa dos Weasley. Ela talvez até tivesse reclamado se não visse Molly arrastando o filho mais velho pela orelha, mas aquele já parecia ser um castigo exagerado. Fora um acidente, afinal, uma simples brincadeira de crianças.

- Molly, tudo bem. Não precisa brigar com o Bill. – enquanto falava, a Sra. Black pegou a bolsa vítima do seu feitiço extensor – Eu sempre saio com uma roupinha extra para Aletha.

A garotinha não chorava abertamente, como uma criança da sua idade mimada faria. Mas os lábios finos estavam curvados num bico e os olhinhos brilhavam enquanto seguravam as lágrimas cintilantes que o orgulho Black não permitia que escorressem. Ela parecia tão chateada que nem se lembrava mais do belo castelo que Sirius começara a fazer no quintal dos Weasley.

- Meu vestido novo, mamãe!

- O Monstro vai lavar e vai ficar perfeito de novo.

- Eu não gosto dele! – os olhinhos cinzentos se estreitaram para Bill, que parecia sinceramente arrependido daquela travessura – Estora!

- Que? – uma das sobrancelhas ruivas de Constance se arqueou – O que é estora?

- Não sei. – Aletha fungou enquanto a mãe desabotoava o vestidinho sujo – Mas ele é estora.

- De onde você tirou isso, Aletha?

- A vovó fala quando está brava. Estora do mundo!

Um suspiro escapou dos lábios de Constance e ela trocou um rápido olhar com Sirius e Molly. Por mais que tentasse manter Aletha afastada da má influência de Walburga, era notável que a garotinha não ficava imune à convivência com a avó.

- Não é estora. É “escória”. E isso é uma coisa muito feia de se dizer, Alethinha. As pessoas que falam palavras tão feias ficam velhas mais rápido, com a cara cheia de rugas, com verrugas nojentas nas mãos, e com a pele de trasgo. E ninguém gosta de ficar perto delas.

- Igual a vovó! – a garotinha repetiu aquela expressão espantada.

- Exatamente. Se você ficar repetindo as coisas feias que a sua avó fala, vai ficar horrorosa como ela. Portanto, peça desculpas ao Bill. Foi um acidente e ele está arrependido.

O orgulho de Aletha fez com que a menina vacilasse por alguns segundos, mas o medo de ficar como a avó foi um estímulo forte o bastante para fazê-la engolir a própria altivez e murmurar um pedido de desculpas para o primogênito dos Weasley.

- Me dê o vestidinho dela, sim? – Molly estendeu a mão para apontar o corredor – A segunda porta à direita é o banheiro de hóspedes. Enquanto você ajuda a Alethinha a se limpar eu colocarei o vestido na água para evitar manchas.

- Obrigada, Molly. E desculpe por isso... – Constance obviamente se referia ao xingamento da filha.

- Não tem problema. Ela já se desculpou. É compreensível que ela tenha ficado brava, o Bill é impossível!

A Sra. Black não estava raciocinando quando simplesmente retirou o vestidinho da filha no meio da sala dos Weasley. Aletha ainda era uma criança pequena e não parecia haver nenhuma maldade no ato de despi-la.

Naquele momento, Constance sequer se lembrou de que Sirius poderia notar a discreta marquinha de nascença que a filha tinha nas costas, exatamente como a dele. A manchinha tom de café com leite coloria a pele pálida da garotinha bem no fim das costas, próxima à barra da calcinha lilás. Tal como a de Sirius, era uma manchinha pequena e arredondada, no caso de Aletha não ultrapassava a área de um polegar.

A marca ficou visível aos olhos de Sirius por poucos segundos, já que logo Constance puxou a filha para seus braços e a carregou para o banheiro dos Weasley.
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Dez 08, 2015 5:50 pm

Victoria soltou um suspiro, mas não desviou o olhar do mar enquanto tomava sua casquinha de limão com raspas de chocolate. A simples lembrança de anos antes, quando James havia lhe dado um sorvete do mesmo sabor, na ala hospitalar de Hogwarts, foi suficiente para não fazer a loira iniciar uma nova briga.

Sua boca já estava completamente gelada pelo doce quanto finalmente virou o rosto para encará-lo, os óculos escuros suavizando a seriedade dos olhos azuis.

- Você não está preparado, Jamie. Não me inclua nessa.

Ela esticou a mão até tocar os dedos dele, pousados em seus joelhos, e acariciou de leve.

- Eu não vou te forçar a nada. Mas não espere que eu mude, para que você se sinta mais “preparado”. Este é o meu jeito, Jamie. Gosto de roupas bonitas, gasto horas passando diferentes cremes no corpo e me preocupo demais com os meus cabelos. Mas você já me conheceu assim. E isso não interfere em nada a minha habilidade de ser mãe.

Ter uma conversa honesta depois de ter ficado dias se torturando era um alívio. Ainda não era o que Victoria sonhava, mas estava satisfeita em poder conversar com James. Durante os dias em que se sentia arrasada, chegou a pensar até onde poderia suportar um casamento onde o marido não confiava nela. Saber que James a amava era maravilhoso, mas Vicky não continuaria ao lado de alguém que não compartilhava o mesmo sonho. Ela não desistiria do amor de Potter na primeira dificuldade, mas não ficaria presa em uma vida onde não era completamente feliz.

Com um meio sorriso, ela tentou aliviar a tensão causada pela conversa séria. Os dois mereciam uma folga depois de tantos anos e não seria ela a estragar aqueles momentos de paz.

Seu sorvete já estava na metade quando ela esticou o pescoço para ver a casquinha de James.

- A sua é de quê? Quero provar!

Sem esperar pela resposta dele, Vicky se inclinou até puxar a casquinha do marido até o alcance de sua boca, dando uma generosa mordida.

- A sua é melhor que a minha! Não, espere... – Ela choramingou, cada mão com um sorvete, sem mostrar a intenção de devolver ao dono. Com uma lambida novamente no sorvete de limão, Victoria demorou alguns segundos enquanto tentava escolher o melhor sabor. – Não consigo me decidir. Vou ficar com os dois.

Victoria nunca havia sido de comer muito e aquela mudança em seu apetite começava a preocupa-la. Mas, na cabeça da loira, era mais provável que fosse alguma praga de Constance desde a última briga, do que uma possível gravidez. James já havia deixado claro que tomava os devidos cuidados evitar um bebê que aquela ideia soava ridícula.

- Você está de quanto tempo? – a trouxa ao lado havia se levantado para segurar o bebê, que tinha uma pequenina viseira sobre sua cabecinha, protegendo-o do sol. Ao ver que Victoria não havia entendido a pergunta, ela continuou. – Desculpe, achei que estivesse grávida.

A Sra. Potter arregalou os olhos e procurou a própria barriga, procurando qualquer sinal que justificasse aquele comentário. Talvez fosse a consequência de seu surto gastronômico dos últimos dias, refletidos em quilos a mais. Ao perceber a preocupação da loira, a mulher riu.

- Não quis dizer que está gorda. Você está ótima. É que quando eu engravidei desses dois, comia sorvete o dia inteiro. Era a única coisa que controlava os meus enjoos.
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Ter Dez 08, 2015 6:11 pm

A insinuação da trouxa fez com que os olhos castanhos buscassem imediatamente pela barriga da esposa. Graças à roupa de banho, James não teve motivos para ter nenhuma dúvida sobre a boa forma de Victoria. A loira continuava com curvas perfeitas e com a barriga reta, mesmo depois dos últimos dias de abusos alimentares.

A explicação da trouxa, contudo, fez com que Potter continuasse preocupado. Até então, ele vinha colocando os excessos gastronômicos de Victoria na conta da ansiedade proveniente dos problemas que a loira enfrentava. Nas últimas semanas, Vicky brigara com o marido, com a única irmã e ainda fora obrigada a conviver com o medo agora que os comensais sabiam sobre a sua existência.

Mas aquela era uma outra hipótese que fazia sentido. Uma gravidez explicaria muita coisa no atual contexto dos Potter.

Diante das outras pessoas, James se limitou a forçar um sorrisinho amarelo. Mas aquela ideia começou a martelar em sua cabeça com cada vez mais força. Potter nem pensava mais no delicioso sorvete de chocolate com coco que lhe fora furtado e deixou que Victoria devorasse os dois doces sem reclamar.

Somente quando a família de trouxas se afastou alguns metros na direção do mar, o auror conseguiu reagir. A cabeça dele se virou na direção de Victoria e o marido a observou por longos segundos.

A loira estava ótima, como sempre. O corpo magro, nem mesmo uma curva a mais na barriga ou na cintura. Mas era como se algo tivesse mudado na aura de Victoria. Não era apenas o seu recente comportamento bizarro com comida. Era tudo.

- Você está grávida.

A entonação de James deixava bem claro que aquilo não era uma pergunta, mas uma afirmação. Agora que finalmente havia pensado naquela hipótese, Potter se sentia um tolo por não ter percebido os sinais antes. A obsessão por comida, os enjoos recorrentes, a sonolência, as oscilações de humor. Tudo apontava para a chegada de um novo membro na família Potter.

Antes que Victoria questionasse sobre os métodos usados por James para evitar bebês, o auror sacudiu a cabeça em negativa.

- A poção pode falhar. E às vezes eu chegava tão cansado do trabalho que me esquecia de tomar, ou tomava com algumas horas de atraso. Você está grávida, Victoria.
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Ter Dez 08, 2015 6:37 pm

Sirius sentiu seus ombros ficarem tensos ao compreender o que Aletha queria dizer com “Estora”. Não havia mais vestígio nenhum de sorriso em seu rosto quando ele encarou a menina. A ruivinha, mesmo com a língua afiada, ainda era um anjinho aos olhos do auror e ele se encantava mesmo quando ela afrontava a própria mãe para conseguir mais doces.

Saber que a criança havia chamado o filho dos Weasley de escória havia sido uma imensa decepção. Ela nem mesmo sabia o que aquilo significava, mas tentara ofender uma pessoa repetindo as palavras de Walburga Black, e para Sirius não havia nada pior no mundo.

Foi um alívio quando Constance interviu e Sirius se sentiu surpreso ao ver a forma com que a mulher soube lidar aquela situação, ensinando o certo e o errado para filha. Anos antes, era a mulher mais velha que cuspia “escória” e “sangue-ruim” como quem dava bom dia.

Por sorte, o auror não precisou abrir a boca para repreender Aletha por aquele deslize. O discurso seria muito mais sério do que quando ela tentara furtar biscoitos. Mesmo sabendo que não cabia a ele repreender a filha de Regulus, Sirius não admitiria que Walburga contaminasse mais um ser inocente diante dos seus olhos.

Ele, melhor do que ninguém, podia imaginar o pesadelo que era viver na mesma casa que a Sra. Black e sentiu pena das duas ruivas. Imaginar os estragos que a mulher poderia causar no futuro de Aletha fez seu coração se apertar e Sirius desejou que Constance não voltasse para a mansão Black naquela noite ou em dia algum. As duas deveriam viver longe das garras e do veneno de Walburga.

Apenas quando Constance se afastou da cozinha com Aletha no colo, sua mãe foi varrida de seus pensamentos. Em uma expressão que lembrava muito a ex-namorada, sua boca se abriu e os olhos ficaram arregalados quando encontraram a manchinha que cobria a pele branca da criança.

Inconscientemente, Sirius levou a mão para trás, tocando a região onde ele também possuía a marca idêntica à de Aletha. Não era só parecida. Era exatamente o mesmo formato, localizado exatamente no mesmo lugar

Molly logo se afastou para tentar diminuir o estrago do vestidinho da menina, deixando Sirius sozinho na cozinha com os três meninos ruivos. Percy estava sentado, apoiando o rostinho em uma das mãos, completamente esquecido. Bill e Charlie haviam puxado o prato do bolo para comerem mais um pedaço, livres das broncas da mãe que certamente iria ralhar pela hora do jantar que se aproximava.

As íris cinzentas estavam perdidas pelo caminho que Constance havia desaparecido com Aletinha e sua mente corria com mil e uma possibilidades. Ele puxou na memória a rapidez com que a ex-namorada se casara com Regulus, e a enorme barriga que ela exibia poucos meses depois.

Sirius não sabia dizer com quantos meses de gestação Constance estava quando se encontravam no Beco Diagonal, de modo que era impossível concluir aquele raciocínio. Só de estar cogitando aquela loucura, seu coração batia rápido contra o peito.

Era impossível, mas ao mesmo tempo, o que ele mais queria acreditar era que a pequena Aletha fosse sua filha. Ele se apaixonara pela menina no instante em que se encontraram, na Dedosdemel, mesmo ela sendo o fruto daquele casamento que destruíra sua vida.

Black não conseguia compreender o motivo que levaria Constance a esconder uma verdade tão séria como aquela, mas naqueles breves segundos, não fazia diferença. Imaginar que tinha uma filha linda e esperta o fazia sorrir tolamente.

Com passos largos, ele seguiu os passos de Constance até encontrá-la com Aletha no quarto de hóspedes, indicado pela Sra. Weasley. Mais uma vez, ele congelou quando seus olhos captaram a imagem da menininha. E se fosse verdade? E se ele realmente tivesse uma filha todo aquele tempo?

- Mamãe, vamos ver o papai hoje?

Completamente alheia a sua chegada, aquela pergunta desarmou Sirius. O que ele estava fazendo? Aletha já tinha um pai. Era loucura pensar que a ex-namorada pudesse ser tão cruel a ponto de lhe proibir aquela parte da sua vida. Constance poderia ter um milhão de defeitos, mas cogitar que ela manipularia a vida da própria filha com mentiras era demais. Pensar que ela lhe faria sofrer sem saber da existência de uma criança era inadmissível. Se ela sequer imaginasse o que se passava na cabeça do Black mais velho, se sentiria mortalmente ofendida.

Ele tinha inveja de Regulus, da vida que o irmão havia roubado dele. Mas isso não lhe dava o direito de destruir a vida daquela família. Não podia deixar que a vontade de ter Constance e Aletha ao seu lado afetassem tanto seu juízo. Nada impedia que seu irmão também tivesse uma marca de nascença.

Pigarreando para chamar a atenção das duas, Sirius deu um meio sorriso, sem deixar transparecer a guerra interna que o consumia.

- Pode avisar a Molly que já estou indo? Passei a noite e o dia acordado, estou exausto. Vou dar a última ronda pelo quintal antes de partir. Arthur já deve estar chegando.
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Dez 08, 2015 7:03 pm

- Não seja ridículo, Jamie. Acabamos de concordar em não ter um bebê agora.

Victoria revirou os olhos, irritada com o comentário do marido, como se ele não tivesse participado da conversa que haviam acabado de ter. Na cabeça da loira, o simples fato de terem decidido esperar mais para ter um bebê, já impossibilitava o fato dela estar gravida naquele exato momento.

Ela deu mais algumas lambidas, dividindo a atenção entre os dois sorvetes, quando se deu conta do que estava fazendo. Ainda eram os fios loiros que cobriam sua cabeça, mas Vicky estava agindo como uma cópia fiel da esfomeada irmã caçula. Seu comportamento dos últimos dias invadiu sua mente e ela arregalou os olhos ao se dar conta de como estava agindo como uma louca.

O cansaço sem motivo, a fome descontrolada e os enjoos diários. Até mesmo a vontade de chorar sendo substituída rapidamente pela necessidade de estuporar o marido. Victoria não era a sanidade em pessoa, mas seu comportamento claramente estava fora do padrão.

- Eu não estou grávida. – Ela repetiu sem muita convicção, baixando o olhar para a própria barriga reta.

Como era possível que tivesse um bebê ali dentro? Com exceção daqueles sintomas loucos, ela não sentia nada de diferente. Seu coração batia mais rápido apenas em pensar na possiblidade de ter um bebê, mas nem dez minutos haviam se passado desde que James pedira para esperarem. Se sentir feliz com aquela expectativa era como trair a confiança do marido.

- Não vamos nos precipitar, está bem? Nós viemos aqui para nos distrair, e não para começar uma nova crise. – Com um suspiro derrotado, Victoria empurrou a casquinha pela metade de volta ao marido. – Se você for dormir melhor, eu procuro a Sam assim que voltarmos para fazer algum exame.

Vicky já não tinha apetite algum. Inconscientemente, levou uma das mãos até a própria barriga, olhando o mar no horizonte. O que ela mais queria nos últimos dias era ter um bebê, mas não poderia ser pior momento para cogitar uma gravidez, quando o próprio marido havia acabado de deixar claro que não queria um filho.
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Ter Dez 08, 2015 7:05 pm

Alheia ao duelo de ideias perigosas na mente do ex-namorado, Constance estava terminando de colocar um novo vestido na filha quando Sirius entrou no quarto. A pergunta de Aletha fez a ruiva sorrir enquanto respondia, as mãos trabalhando agilmente para ajeitar cada dobrinha da roupa no corpo da menina.

- O papai está trabalhando, mas disse que voltaria para jantar em casa.

Como conhecia tão bem a filha, Constance logo a desarmou.

- Nada de pedir doces para ele. Eu vou avisá-lo que você passou de todos os limites hoje, Leths. E o Monstro também está proibido de te dar biscoitos.

- Mas mamãe!

A argumentação da menina foi interrompida pela chegada de Sirius. As duas cabeças ruivas se voltaram para o auror quando o rapaz pigarreou e explicou que já estava de saída. Constance meneou positivamente e, agachada diante de Aletha, terminou de calçar as sapatilhas na filha enquanto falava.

- Eu aviso. Nós também estamos de saída, já anoiteceu. A ideia era só tomar um chá, mas Aletha e Percy se deram tão bem que eu não quis interromper a brincadeira.

A despedida era para ter acabado ali, mas os adultos foram surpreendidos quando Aletha saltitou na direção de Sirius e envolveu as pernas com um abraço. A ruivinha era uma criança amável e carinhosa com os pais, mas não costumava se aproximar tanto de “estranhos”. A maneira como seu coração aceitara facilmente a presença de Sirius era um sinal claro que, inconscientemente, ela o reconhecia.

- Tchau, tio Sirius! – os olhinhos dela brilhavam quando ela ergueu a cabeça para encarar o homem alto diante de si – O castelo é lindo, eu vou levar para mim.

Não era um pedido. Aletha estava simplesmente avisando que agora o castelo de pedras coloridas pertencia a ela.

O “tio” não se referia ao fato de Sirius e Regulus serem irmãos, visto que ninguém havia tentado explicar aquele detalhe para a ruivinha. Ele se tornara o “tio Sirius” porque era um adulto legal, assim como a “tia Molly”.

O coração de Constance se comprimiu no peito com aquela cena. Era inegável que Sirius gostava de Aletha, mesmo pensando que a garotinha era fruto de uma dupla traição. E agora a ruivinha também mostrava sentir um profundo afeto por ele. Os dois estavam sendo privados de um relacionamento maravilhoso, mas agora era tarde demais para voltar atrás naquela mentira. Todos os envolvidos sofreriam muito, inclusive a criança. Tudo aquilo começara para tentar privar Aletha de dor e sofrimento, então não fazia o menor sentido mudar os rumos daquela correnteza agora.

- Vamos, Aletha? – Constance estendeu o braço e logo a filha atendeu ao gesto e segurou a mão da mãe – Depois voltaremos para que você brinque mais com o Percy.

- E com o tio Sirius. – a menina completou de maneira doce.

- É. – Constance suspirou – Com o “tio” Sirius também.

A ruiva reforçou aquela palavra não para lembrar Sirius de qual era o papel dele na vida da garotinha, mas para convencer a si mesma de que as coisas deveriam continuar como estavam. Para o bem de todos.
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Ter Dez 08, 2015 7:54 pm

Por mais que quisesse aproveitar o restante da viagem e se divertir naqueles poucos dias de folga, James não conseguiu parar de pensar na possibilidade da esposa estar grávida. A mente de Potter começou a reviver cada pequeno detalhe dos últimos dias e tudo apontava na mesma direção: um bebê estava a caminho.

O auror bem que tentava disfarçar, mas aquela era uma ideia que o deixava bastante desconfortável. Em alguns momentos, James experimentava uma breve sensação de pânico ao pensar num bebê loirinho de cabelos espetados. Definitivamente, o rapaz não se sentia pronto para ser pai. Não quando estava diretamente ligado a uma guerra que fazia mais vítimas a cada dia.

O que seria de Victoria se o marido não voltasse vivo de alguma missão arriscada? Era um risco impossível de ser ignorado. James não seria o primeiro auror a dar a vida por aquela causa. Se ele já se sentia pressionado tendo apenas uma esposa, a pressão certamente seria sufocante se Potter tivesse que se preocupar também com o futuro de uma criança.

Eram tais pensamentos negativos que não permitiam que James ficasse feliz com aquela novidade. Qualquer homem comum gostaria da ideia de ter um filho com a mulher que amava depois de cinco anos de união. Mas Potter só conseguia pensar que aquele poderia ser o primeiro passo para um fim trágico daquela história de amor.

Naquela madrugada, a preocupação se apoderou da mente de James com tal intensidade que o auror não conseguiu dormir. O rapaz deslizou vagarosamente para fora da cama da pousada, numa tentativa de não incomodar o sono da esposa. Mantendo o mesmo cuidado, Potter trocou os pijamas por roupas comuns e saiu do quarto, disposto a colocar um fim naquela torturante dúvida.

Quando acordasse na manhã seguinte para o último dia de viagem, Victoria já encontraria o marido de volta no quarto. James estava visivelmente tenso quando se sentou ao lado da loira no colchão e empurrou para as mãos dela uma sacolinha vinda de uma farmácia.

- O balconista me explicou como se usa essa coisa, não me pareceu difícil. Ele também disse que tem instruções bem detalhadas no interior da caixa.

Ao notar que havia ido direto ao ponto e que Victoria não estava entendendo nada sem um contexto, o auror respirou fundo e soltou o ar pela boca, bastante apreensivo. Da sacola, James retirou uma embalagem e deixou que a esposa lesse o nome do produto e as breves especificações impressas no rótulo.

- É um teste de gravidez usado pelos trouxas. – os olhos castanhos buscaram pelos azuis – Eu não consigo esperar mais um dia, Vicky. Preciso desta resposta agora.
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Ter Dez 08, 2015 8:02 pm

Alguns dias haviam se passado desde o encontro de Sirius Black com Constance e Aletha na casa dos Weasley, mas era impossível que ele passasse mais do que algumas horas sem que a imagem da manchinha da criança invadisse sua mente.

A todo instante, ele tentava dizer a si mesmo que estava agindo de forma irracional. Por um lado, se aquele seu desejo se tornasse realidade, seria devastador. Ele jamais seria capaz de encarar a ex-namorada com os mesmos olhos por ter ocultado Aletha de sua vida em todos aqueles anos. Mas ao mesmo tempo seria incrível saber que tinha uma filha.

Era mais fácil ignorar aquela loucura do que acreditar que o amor imediato que sentira pela menina significava algo além do encantamento pelo seu jeito único. Se ela tinha os olhos idênticos aos seus, ou a covinha que aparecia quando sorria tão espontânea, até mesmo a manchinha em sua pele pálida e a coragem em “voar”, mesmo com tão pouca idade, era porque era filha de Regulus Black.

Seu irmão caçula também compartilhava muitas características, o que justificava as pequenas semelhanças da criança com o primogênito dos Black. Sirius poderia não ser seu pai, mas os dois ainda compartilhavam a mesma árvore genealógica.

Mesmo assim, quando passava horas até se convencer disso, Sirius lembrava do fim repentino do relacionamento com Constance. Era normal que os dois brigassem ocasionalmente, mas os planos pelo futuro eram aos poucos construídos quando a ruiva terminara tudo por uma única carta, sem lhe dar uma justificativa sequer.

Ele se lembrava perfeitamente, como se fosse ontem, todo o sofrimento que vivera quando o Profeta Diário publicou a notícia sobre o casamento do caçula Black. Na época, uma gravidez surpresa não era nem mesmo uma possibilidade para o que havia interrompido o futuro dos dois e levara Constance a mudar drasticamente o rumo da própria vida, deixando para trás o amor de adolescência e cumprindo as obrigações exatamente como os McMillan e os Black previam. Agora que sua mente montava aquele cenário, tudo parecia se encaixar.

Sirius havia acabado de deixar o apartamento de Remus Lupin, onde compartilhara com o amigo suas aflições. Remus sempre foi um aluno muito dedicado e inteligente, mas naquela tarde, pareceu imensamente surpreso com as teorias do auror. Ele não conseguiu esconder quando aquela ideia lhe pareceu possível, mas exatamente como a consciência de Black, o lobisomem tentou convencê-lo do contrário.

Sentindo um formigamento em seu corpo quando aquelas ideias se tornavam cada vez mais intensas, ele seguiu o caminho até a sede da Ordem, onde teriam mais uma reunião naquela noite.

Ao contrário do que acontecia aos domingos, a casa dos Weasley não enchia cedo quando as reuniões aconteciam durante a semana. Os membros apareciam mais tarde, apenas depois de cumprirem suas obrigações diárias.

Molly não estava na cozinha para recepcionar Lupin e Black quando os dois apareceram, mas era possível escutar o barulho das crianças no andar superior, provavelmente dando um trabalho extra para a mãe.

O casal Longbottom e Moore eram as únicas pessoas já presentes, reunidas na sala de estar, conversando sobre as últimas descobertas das missões. Após uma leve saudação aos amigos, Sirius puxou uma cadeira para se sentar.

- Arthur ainda não chegou? – Perguntou Lupin, se sentando ao lado de Frank.

- Está fazendo a ronda. – Jo respondeu. – Alastor irá se atrasar, então ele quis garantir que não teremos problemas.

Sirius olhou pela janela da cozinha, encontrando o céu escuro lá fora. Sabia que seria incapaz de participar da conversa dos amigos, qualquer que fosse. Seus pensamentos ainda o assombravam e ele tinha necessidade de ar fresco.

- Vou ajudar o Arthur. Assim acabamos mais rápido.

Arrastando a cadeira que havia acabado de sentar, Sirius deixou a cozinha ignorando o olhar de Remus que o acompanhava. A noite estava fresca e calma demais, de modo que Arthur logo voltaria. Sabendo perfeitamente o caminho que deveria seguir, Sirius começou a caminhar pelo quintal dos Weasley com a varinha em punhos.

Ele havia andado pouco mais de três metros e estava virando o barracão onde o Sr. Weasley guardava toda sua quinquilharia trouxa, quando sombras no chão, produzidas pela lua minguante, lhe fez recuar.

A varinha foi imediatamente erguida, mas o auror estava protegido pela parede do barracão. Assim que a voz de Samantha Smith foi reconhecida, Sirius sentiu seus ombros relaxarem. Por uma fração de segundos, chegou a acreditar que algum Comensal havia atravessado a barreira de feitiços.

- Eu simplesmente não posso fazer parte disso, Regulus.

Sob a sombra que o protegia na escuridão, Sirius franziu as sobrancelhas ao perceber que a outra pessoa era seu irmão caçula. Ele sabia do passado do Comensal com a Curandeira, mas desde que vira os dois juntos no café, perto do St. Mungus, nunca mais parara para pensar que ainda tinham algum assunto em comum.

A frase pega fora de contexto primeiro fez com que o auror pensasse que Regulus estava aliciando Samantha a fazer algo errado. Smith era correta demais e certamente estava recusando alguma proposta ilícita do Comensal da Morte.

- Diga à Constance que não tenho pretensão alguma de contar o segredo de vocês. Mas não posso concordar que brinquem com a vida de duas pessoas como se fossem marionetes.

O nome da ex-namorada fez seu coração dar um salto e Sirius apurou os ouvidos, tomando todo o cuidado para não ser visto.

- Não estamos brincando com a vida de ninguém, Sam. – A voz de Regulus também soava séria e carregada. – Tudo que fiz, foi apenas para proteger Constance e Aletha.

- Escondendo da menina quem é o verdadeiro pai dela? Fazê-la crescer chamando o próprio tio de pai? E quanto ao Sirius? Ele tinha o direito de saber!

O choque daquelas palavras foi tão grande que os dedos de Sirius ficaram dormentes e a varinha caiu no chão com um baque mudo. Por um segundo, ele acreditou se tratar apenas de uma peça de sua mente, que vinha há dias alimentando aquela loucura.

Quando ele saiu da penumbra, iluminado pela luz do lugar, e viu Samantha e Regulus próximos um do outro, não teve dúvidas do que havia acabado de escutar.

Seus dedos estalaram levemente quando foram fechados, as unhas pressionando a palma da mão. O casal apenas percebeu a presença do auror quando ele já havia se aproximado com passos largos e acertado o queixo de Regulus com um forte soco.
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Dez 08, 2015 8:20 pm

Vicky também não conseguia conter em si a curiosidade, mas ela se esforçava para manter o semblante tranquilo diante de James, como se aquilo pudesse amenizar a tensão do marido. Quando acordou no dia seguinte, sendo intimada a fazer aquele rápido teste, ela arregalou os olhos ao notar a aflição nos olhos castanhos.

Potter não queria ter um filho. Ele já havia dito mais de uma vez que não era o momento, mas mesmo diante da possibilidade de estar grávida, sua opinião não mudava. Victoria se sentia culpada por ser a responsável por aquela aflição, mas sua primeira vontade foi ter jogado aquele teste de farmácia pela janela.

Ela não queria descobrir se estava grávida ou não, fazendo xixi em um palitinho trouxa. Era até loucura imaginar que aquele negócio pudesse funcionar sem magia. Foi apenas pelo semblante sério do auror que ela se arrastou para fora da cama em silêncio, incapaz de até mesmo dizer um “bom dia”.

Com os cabelos levemente bagunçados e os olhos ainda embaçados pelo sono, Vicky se trancou no banheiro, lendo atentamente as instruções da caixinha. Os minutos que precisou esperar foram os mais longos de sua vida, mas ela se recusou a abrir a porta até que tivesse a resposta.

Encarando o palitinho, Vicky tocou a própria barriga reta, desta vez com a certeza de que havia uma vida nascendo ali dentro. Nem mesmo a ansiedade de James foi capaz de apagar aquele momento. Não importava se não fosse o tempo planejado, se Potter não mergulharia naquela felicidade com ela. Estava grávida e imensamente feliz em descobrir.

A porta do banheiro foi aberta lentamente, com um rangido que preencheu todo o quarto. Ela não sorria mais quando encarou o marido, contagiada pela ansiedade dele.

- Eu sinto muito. – Ela sussurrou, baixando os olhos.

Não era exatamente uma frase que uma mulher casada, louca por engravidar, usaria para contar aquela novidade ao marido. Mas a certeza de que aquela criança não era tão esperada por James começava a pesar em seus ombros, a própria felicidade sendo abafada.

- Eu não planejei, Jamie. Eu juro.

James sempre foi um marido calmo, mas o medo que ele explodisse com aquela novidade fez Victoria se aproximar com cautela.

- Mas eu estou grávida. Vou ter um bebê.

Ela tomou o devido cuidado para dizer “vou” e não “vamos”, como se pudesse diminuir o impacto das palavras.
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Re: The Marauders

Mensagem por Regulus Black em Ter Dez 08, 2015 8:35 pm

Arthur fazia a ronda naquela noite e, portanto, foi o primeiro a se aproximar da confusão, atraído pelos gritos de Samantha. O dono da casa esperava por um duelo ou por uma invasão em massa dos Comensais da Morte. Por isso, ficou profundamente irritado ao pensar que era apenas mais uma briguinha dos irmãos Black.

Logo os demais também chegaram ao barracão do Sr. Weasley e ajudaram a separar a confusão. Como fora pego de surpresa e era significativamente menos forte do que Sirius, o caçula levara a pior na briga. O nariz naquela posição anômala estava visivelmente quebrado e um filete de sangue vivo escorria de uma das narinas de Regulus, pingando no queixo do comensal e manchando sua camisa clara.

O primeiro a notar que não era uma simples discussão foi Lupin. Quando agarrou o amigo pelos ombros e puxou Sirius para longe de Regulus, o lobisomem viu no semblante carregado e dolorido do Black mais velho que Sirius havia acabado de confirmar as suspeitas que o assombraram nos últimos dias.

- Fique calmo! – Remus jogou as costas do amigo contra uma das árvores do quintal dos Weasley e se colocou diante de Sirius para impedir que ele avançasse novamente no irmão caçula – Eu sei que você está furioso. Sirius, você tem TODA razão em estar irado! Mas precisa manter a calma para não fazer nenhuma bobagem que possa piorar ainda mais esta situação!

O receio de Lupin era que o ódio cegasse Sirius a ponto do auror matar o irmão caçula. Além de Regulus ter se tornado uma arma importante da Ordem da Fênix, a morte dele prejudicaria a própria situação complicada de Sirius e Aletha. A garotinha jamais aceitaria nenhuma proximidade com o homem que matara aquele que, até então, era a única figura de pai que ela conhecia.

- Mas o que está havendo aqui? Vocês dois enlouqueceram? – Frank abriu os braços quando a situação lhe pareceu sob controle – Vocês não precisam gostar um do outro, mas tenham ao menos a decência de se comportar na casa dos Weasley! Tem uma penca de crianças lá em cima assistindo este espetáculo lamentável, sabiam?

O filho mais novo dos Black se desvencilhou dos braços de Samantha e ignorou a preocupação dela. Regulus não tinha a intenção de se atracar novamente com Sirius, mas também não pretendia sair daquela briga como um perdedor. O primogênito poderia usar sua força para espancá-lo pelo resto da noite, mas o maior trunfo de Regulus não seria abalado.

- A partir de hoje, você está terminantemente proibido de se aproximar da MINHA filha.

Embora fosse bastante diferente dos outros comensais, naquela noite Regulus se permitiu um pouco de crueldade ao lançar aquelas verdades doloridas na cara do irmão mais velho.

- Eu não tenho culpa se a Tancy não confiava em você, se você era um moleque inconsequente que colocaria tudo a perder! E não ouse mencionar a palavra traição, Sirius. Você nunca me deu afeto ou amizade o bastante para que eu deixasse de fazer qualquer coisa em respeito a você. Ela era a minha melhor amiga enquanto você era apenas uma pessoa que não perdia a oportunidade de me menosprezar.

Com as costas da mão direita, Regulus limpou o sangue que escorria do seu nariz antes de completar com uma entonação sombria.

- Eu estava lá durante a gravidez e acompanhei cada progresso. Eu estava lá quando ela nasceu e fui o primeiro a pegá-la nos braços. Eu a amparei enquanto ela dava seus primeiros passos. Ela aprendeu a falar “papai” olhando para mim. Você não tem direito algum sobre ela. E eu serei digno da Marca Negra se você ousar confundir a cabeça da minha filha com suas bobagens! Eu vou acabar com você se chegar perto da Aletha!
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Ter Dez 08, 2015 9:11 pm

Talvez fosse o fato de ter um lobisomem adormecido em seu interior, mas era uma imensa sorte que Remus Lupin fosse forte o bastante para conter a fúria de Sirius Black. Todos os anos odiando o irmão caçula haviam construído um monstro que finalmente estava solto, pronto para espancar Regulus até não aguentar mais.

Sirius nunca havia sentido nada tão doloroso em sua vida. Nem mesmo as suspeitas que o assombrava há dias havia sido capaz de amenizar quando a verdade finalmente o atingiu. Ele rosnou diante das palavras do irmão como um cão raivoso, se debatendo contra os braços de Remus enquanto tentava alcança-lo.

Os demais membros da Ordem olhavam espantados para a briga dos Black, sem compreender o motivo do mais novo estar falando da própria filha. A maioria deles sequer sabia do envolvimento do primogênito com McMillan. Mas Sirius compreendia cada palavra com perfeição, e cada uma delas era um soco forte no estômago.

Saber que os primeiros anos de Aletha haviam sido roubados de suas mãos, que Regulus havia vivido cada dia ao lado de SUA filha era imperdoável. Ele havia vivido no escuro todo aquele tempo, mas não perderia nem um único dia separado da ruivinha. Toda sua vida tinha significado agora, e se resumia na criança.

- Você é um lixo humano, Regulus! Uma sombra que foi incapaz de ter a própria vida e precisou roubar a MINHA! Você que não tem direito nenhum sobre a MINHA filha, não ouse dizer o contrário!

Alguns membros se entreolharam confusos, mas para Sirius, nenhum deles existia. Sua mão ainda formigava com o desejo de continuar espancando o Comensal. Os poucos socos, por pior o estrago que tivessem causado, ainda não eram suficientes por toda uma vida perdida, mas ele não lutava mais contra as mãos do amigo.

- Me solta, Remus! – Ao ver o receio do amigo, ele voltou a gritar. – ME SOLTA! Eu já acabei com esse trasgo covarde.

- Sirius... – Samantha chamou, enquanto ainda tentava alcançar Regulus com as mãos.

O Black mais velho lançou um olhar frio para a curandeira. Smith também sabia da verdade, ele não sabia há quanto tempo. Mas fazia parte daquele grupo de pessoas a lhe arrancar o pedaço mais precioso da vida.

- Como você tem coragem de amar esse meio homem, Smith? Ele preferiu a Marca Negra no braço do que ficar ao seu lado. – As íris cinzentas deslizaram até pousar novamente no irmão.- Eu teria feito TUDO pela Constance. Se é a minha inconsequência que me livrou desta marca imunda no seu braço, Regulus, eu tenho orgulho de ser extremamente inconsequente.

Não havia mais o menor pudor de que os membros da Ordem da Fênix soubessem todo o drama envolvido por trás dos irmãos Black. Um Comensal da Morte casado, mas apaixonado por uma nascida trouxa. Um auror solteiro, que tinha uma filha que nem ele mesmo sabia. A paixão antiga entre o Grifinório e a Sonserina. Estava tudo jogado ao vento, mas nada mais fazia diferença na vida de Sirius. Só havia Aletha em sua mente.

Com alguns passos, Sirius se aproximou do irmão, fazendo com que Frank e Remus se aproximassem também, tensos de que os socos voltassem. Mas o auror apenas encarou o Comensal com uma frieza jamais dirigida a ninguém antes. Seus dedos compridos agarraram as vestes claras, sujas de sangue, e os dois estavam próximos demais quando Sirius sussurrou.

- Não ouse ficar caminho entre a minha filha e eu. Se Aletha vai ficar confusa agora, sabendo da verdade, a culpa é única e exclusivamente sua e da Constance. Foram vocês que começaram com esta mentira. Nada vai ficar entre nós dois. Pode dizer à Constance que nem mesmo os feitiços dela vão me intimidar. Eu garanto, Regulus, que consigo ser muito pior que a sua esposa se tentarem me manter longe da Aletha.

Quando as vestes do caçula foram liberadas, Sirius o empurrou de leve. Enquanto se afastava, limpou o próprio supercilio cortado, onde um risquinho de sangue descia pela lateral de seu rosto.

- Onde você vai, Sirius? – Remus perguntou aflito ao ver o auror se encaminhando até a moto abandonada no meio do quintal dos Weasley.

Black nem mesmo se deu o trabalho de responder.
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Ter Dez 08, 2015 9:16 pm

Naqueles poucos minutos em que encarou a porta do banheiro fechada, James Potter teve tempo para repensar em toda a sua vida. Das dúvidas da adolescência até a maturidade dos dias atuais, o auror tinha algumas poucas certezas inabaláveis. E uma delas era o seu amor por Victoria.

Era um sentimento improvável por uma moça que não parecia combinar em nada com a personalidade de Potter. Se na época em que ele pensava estar profundamente apaixonado por Lily Evans alguém lhe dissesse que terminaria casado com Victoria McMillan, James elegeria aquela a melhor piada de todos os tempos.

Mas o que parecia ser uma piada, agora era o combustível que o mantinha de pé naquela guerra. Victoria era o amor de sua vida, a pessoa que o completava, a razão da maior parte dos sorrisos do auror. Era a mulher ao lado da qual Potter queria envelhecer.

Quando a mente de James chegou a esta conclusão, ele teve que concordar com a opinião geral sobre si. Ele era mesmo um demente por temer um filho e entristecer a mulher da sua vida com a decisão de adiar a chegada de um fruto daquele amor. Eles já formavam uma família e estavam mais do que prontos para um filho.

É claro que aquela criança sofreria riscos com a guerra. É óbvio que havia a chance daquele bebê crescer sem um pai. Mas James se sentiu um tolo por estar se negando aquela felicidade. Se conseguisse viver um dia ao lado de um bebê que representasse todo o amor que sentia por Victoria, o auror já se sentiria realizado.

O coração de James falhou uma batida quando Victoria abriu a porta do banheiro. Quando a loira entrara para fazer o teste, tudo o que Potter queria era um resultado negativo que permitiria que os dois seguissem normalmente com os planos para o futuro. Mas a opinião do auror mudara radicalmente naqueles poucos minutos que a esposa demorou para conseguir uma resposta. Agora, James estava pronto e ansioso para mergulhar de cabeça naquela pequena e maravilhosa loucura.

- Não...?

A voz de James soou num sussurro e sua expectativa se quebrou em mil pedaços quando Victoria surgiu no quarto com aquela expressão negativa. A loira não sorria quando murmurou um pedido de desculpas, que teve o mesmo efeito de um balde de água gelada sendo jogado sobre a cabeça do auror.

Uma tristeza profunda se espalhou pelo peito de James e, naquele momento, ele teve a dimensão de que queria MUITO um bebê. Saber que Victoria não estava grávida depois daquela expectativa era quase tão triste quanto ter tido um filho e perdê-lo.

Potter ainda estava mergulhado até a cabeça naquela melancolia quando Victoria virou subitamente a mesa com a frase “Vou ter um bebê”.

- O que? – os olhos castanhos piscaram várias vezes enquanto a mente lenta de Potter tentava encaixar aquela declaração totalmente fora do contexto que acabara de construir na cabeça – Como assim? Eu não entendi.

James precisou de alguns segundos até que aquelas novas peças se encaixassem em seu raciocínio. Quando finalmente compreendeu que havia uma nova vida crescendo no ventre da esposa, o auror abriu um sorriso emocionado.

Contrariando os receios de Victoria, os olhos do marido brilhavam com lágrimas emocionadas quando ele deu alguns passos até ficar diante dela. A mão de Potter ficou espalmada na barriga ainda lisa da loira e ele riu de leve antes de sussurrar.

- Eu entendi agora. Mas, da próxima vez, seja um pouco mais clara. Você sabe que a minha cabeça é meio lenta. – James roçou o nariz ao dela antes de corrigi-la – Nós vamos ter um bebê, Vicky.
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Ter Dez 08, 2015 9:48 pm

Constance Black havia avisado com antecedência que não poderia estar presente na reunião daquela noite. A ruiva tinha um compromisso com a alta sociedade bruxa e, infelizmente, não conseguiria fugir daquela penosa obrigação. Era curioso como as coisas tinham mudado nos últimos tempos. Agora, a Sra. Black deixaria facilmente de lado um jantar na casa dos Lestrange pela companhia da humilde Molly Weasley.

O evento organizado por Bellatrix reuniria apenas as damas da alta sociedade. Como os maridos de todas viviam ocupados com os mandos e desmandos de Voldemort, era difícil oferecer uma festa em que todos pudessem estar presentes.

Constance detestava Bella, Walburga e toda a coleção de mulheres como as duas que costumavam frequentar aqueles eventos. Mas como esposa de Regulus, a ruiva tinha uma imagem a zelar. Se começasse a recusar aqueles convites, o comportamento de Constance poderia gerar desconfianças que em nada ajudariam no arriscado trabalho de espião do caçula dos Black.

Como a ocasião exigia, a Sra. Black estava extremamente refinada naquela noite. O vestido longo era feito com um veludo cor de vinho, tinha um decote em “V” e era amarrado por fitas trançadas às costas de Constance. O detalhe das costas era facilmente visto já que a ruiva optara por prender os cabelos num coque. Os fios vermelhos estavam firmemente presos na cabeça de Constance e foram enfeitados com uma discreta tiara cheia de brilhantes. Os sapatos de salto davam uma postura elegante à ruiva. Os brincos cintilavam com os mesmos brilhantes da tiara e a Sra. Black também usava um colar e uma pulseira da mesma coleção.

Walburga não estranhou quando a nora pediu que ela não a esperasse. As duas viviam num atrito constante e não era raro que evitassem a companhia uma da outra, mesmo que fosse por poucos minutos.

Portanto, Constance estava sozinha e alguns minutos atrasada quando aparatou na calçada da mansão Lestrange. Como de costume, a bolsinha amplificada por um feitiço extensor acompanhava a ruiva e foi dentro dela que a Sra. Black guardou a varinha enquanto caminhava na direção do portão com passos rápidos.

A ruiva já tentava se preparar psicologicamente para aquela tortura quando sentiu uma mão firme rodeando seu pulso. O primeiro reflexo de Constance foi levar a mão livre até a bolsa para sacar a varinha, mas a pessoa que a segurava foi mais rápida e puxou a bolsa para longe do alcance dela.

Quando se virou abruptamente e deu de cara com Sirius Black, um profundo alívio se espalhou pelo peito de Constance. Por um breve segundo, a ruiva pensou que o disfarce de Regulus tinha sido descoberto e que Voldemort ordenara que seus homens caçassem a família Black.

- Quer me matar de susto?

Constance tentou pegar a bolsa de volta e, só quando Sirius afastou ainda mais o objeto do alcance dela, a moça percebeu a expressão fechada do ex-namorado. Os dois tinham protagonizado várias brigas ao longo de todos os meses de namoro, mas nunca Sirius lançara à Constance aquele olhar tão gelado. Era uma perigosa mistura de irritação, mágoa e decepção.

Não foi necessário nenhum tipo de explicação para que Constance entendesse por que o ex-namorado estava ali. Só havia uma razão para que os olhos de Sirius refletissem tanta raiva, e definitivamente não era um bom momento para discutirem as mentiras de cinco anos atrás.

- Você vai me devolver esta bolsa, largar o meu braço e sair daqui. Eu estou há dez passos do portão de Bellatrix Lestrange! Você é a ÚLTIMA pessoa que deveria estar aqui, Sirius!
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Ter Dez 08, 2015 10:31 pm

Sirius se sentia magoado há anos. A decepção com a ex-namorada era um sentimento conhecido desde o término repentino do namoro dos dois. Mas era a primeira vez em toda a sua vida que ele sentia ódio ao encarar os olhos azuis.

Por mais explosivo que fosse, o auror não costumava nutrir um sentimento tão ruim por ninguém, com exceção de Walburga e Regulus. Agora, toda a frustração que o acometera desde que deixara Hogwarts, era direcionado para Constance.

Quando havia retornado para a Inglaterra, Black se sentia dividido entre a mágoa e o amor que ainda nutria pela ruiva, mas descobrir que ela o enganara por tanto tempo, que havia sido capaz de fugir carregando sua filha no ventre lhe privando da verdade, era capaz de fazer todo o amor desaparecer.

Seus dedos estavam ao redor do braço fino da mulher, e cego pela ira, ele não se importava se estivesse apertando demais, onde provavelmente ficaria uma marca esbranquiçada.

- Eu não vou a lugar algum.

Apesar do semblante carregado pela fúria, com os olhos cinzentos mais feridos do que nunca, a voz de Sirius saiu pausada e baixa. Ele tinha os dentes trincados enquanto encarava a mulher que tanto amou, tentando descobrir como conseguiu ser tão estúpido para ser enganado por tanto tempo.

O medo que Constance tinha quando o via tão perto de Aletha agora fazia todo o sentido do mundo. A mulher temia que a simples aproximação fosse capaz de fazer Black enxergar que aquela era sua filha. Ele se sentia um tolo por ter estado junto da ruivinha por tantas vezes, sem admitir para si mesmo o que seu coração já tinha certeza.

- Você vai voltar para casa agora. Vai pegar a Aletha e sair daquela casa imunda. Você vai leva-la para um lugar calmo, de preferência onde tenha doces, e contar tudo para ela.

Era a primeira vez que Sirius tinha seu corpo colado ao de Constance, sem sentir o coração saltitar com a tentação de beijá-la. Ele não se importava que estivesse há poucos passos de um salão cheio de Comensais da Morte, ou que Bellatrix pudesse surgir a qualquer instante. O resto do mundo poderia explodir, desde que ele não perdesse mais um único minuto longe da própria filha.

- Eu não me importo com que tipo de pessoa você é, Constance, capaz de me enganar por tanto tempo e se aproveitar do meu amor. Não me importo que tipo de lixo ambulante você e Regulus se tornaram. Mas eu não vou admitir que minha filha passe mais um dia longe de mim.

Seus olhos se estreitaram levemente e os dedos apertaram ainda mais o braço delicado da ruiva.

- Nem ouse abrir a boca para me ameaçar. Não tente dizer que isso pode prejudicar a cabecinha da Aletha. O maior estrago você já fez quando criou essa mentira. Você pode sumir da minha vida depois disso, Constance. Mas primeiro vai consertar a grande merda que você fez.
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Ter Dez 08, 2015 10:53 pm

O coração de Constance batia acelerado dentro do peito. Aquela era uma conversa difícil demais, mas estar diante da Mansão Lestrange só tornava a situação ainda mais delicada. Um dos convidados de Bellatrix poderia chegar a qualquer momento e flagrar aquela estranha cena da calçada. Se qualquer um dos dois se exaltasse, a própria Bella poderia sair pelo portão com a varinha em punho para averiguar a origem dos gritos.

Apesar dos riscos, Constance se recusou a seguir as ordens de Sirius. Ela não pretendia virar o mundo de Aletha de pernas para o ar subitamente apenas porque o ex-namorado protagonizava aquela cena. Em nenhum momento a ruiva questionava os direitos de Sirius sobre a criança, mas certamente a opção dada pelo auror estava longe de ser a melhor saída para resolver aquele impasse.

- Não venha me dar ordens como se tivesse este direito, Black!

A ruiva tentou puxar o braço, mas Sirius a segurava com muita força. Os movimentos de Constance para escapar daquele aperto em seu punho só contribuiriam para deixar sua pele pálida ainda mais marcada pelos dedos firmes do auror.

Ao contrário do que seria normal naquela situação, Constance não tentou se explicar e nem se mostrou arrependida da decisão tomada há cinco anos. A inconsequência de Sirius em abordá-la debaixo do nariz de Bellatrix Lestrange só provava que o rapaz realmente teria estragado tudo no passado e colocado a cabeça de Aletha a prêmio entre os Comensais da Morte.

- O que você acha que vai ganhar com este escândalo?

Embora estivesse furiosa, Constance conseguiu manter a voz baixa para não chamar a atenção das pessoas no interior da mansão dos Lestrange. Com a mão livre, a ruiva apontou na direção do portão enquanto sussurrava.

- Até parece que você não sabe como funciona a cabeça dessas pessoas! Eu sei muito bem, e é por isso que a minha filha continua viva!

Mais uma vez, Constance tentou puxar o braço sem sucesso. Sirius a segurava com tanta força que bloqueava o fluxo de sangue para seus dedos, cujas pontinhas já estavam arroxeadas e dormentes.

- Eu tenho uma imagem a zelar e vou entrar nesta maldita casa para sustentar o disfarce que tem mantido a Alethinha viva e longe da ira desses malditos! Se você insistir nesta loucura, a Bellatrix vai passar por aquele portão e vai descobrir tudo. Ela vai nos torturar até nos ouvir implorando para morrer, e então vai se livrar de nós como se fôssemos ratos! Depois disso, ela não vai hesitar em entregar o Regulus de bandeja para Voldemort!

Como sabia que Sirius pouco se importava com a vida dela e muito menos com a de Regulus, Constance foi direto ao ponto que poderia fazer com que o ex-namorado reconsiderasse.

- Com nós três mortos, sabe quem ficará com a Alethinha? A sua mãe. Se ela já não gosta da neta agora, imagine quando souber que ela não é filha do Regs! É isso que você quer? Que a Aletha seja criada por aquela louca?

Era óbvio que Sirius não se contentaria com aquela decisão em que ele não ganharia nada. Portanto, Constance respirou fundo e soltou o ar ruidosamente pela boca antes de acrescentar, em entonação baixa.

- Eu vou entrar, ficar alguns minutos e inventar um mal estar para voltar para casa. Então, pegarei a Aletha e a levarei até o seu apartamento. - o indicador da ruiva se ergueu enquanto ela finalizava - Não vamos contar para ela. Não hoje, não assim de maneira tão súbita! Você vai se aproximar dela primeiro para que ela não fique assustada quando descobrir a verdade. Não é justo que você puna a Alethinha pelas minhas decisões do passado, Sirius. Vamos fazer isso com todo o cuidado que ela merece!
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Qui Dez 10, 2015 12:30 am

Sirius não estava disposto a receber ordens. Ele havia jogado aquele jogo de Constance por tempo demais. Era sempre a ruiva quem dava a última palavra, tudo sempre acontecia do modo que ela queria, sem que ele tivesse a menor chance de impor suas vontades. Já havia atingido o esgotamento com os caprichos da ex-namorada, e agora não existia mais o amor que ele jurava que duraria a vida inteira para fazê-lo suportar o que quer que fosse.

A Sra. Black ultrapassara todos os limites e havia sido capaz de destruir qualquer bom sentimento que ainda existisse em seu peito. Agora, a única coisa que importava no mundo de Sirius era saber que tinha uma filha. Ele havia perdido tempo demais da vida de Aletha e pensar que perderia mais algumas horas era uma tortura.

Mesmo assim, imaginar os estragos que poderia causar para a ruivinha devido seu impulso fez com que o auror afrouxasse os seus dedos até soltar o braço de Constance por completo. Levou quase dois segundos para que as marcas esbranquiçadas, exatamente com o formato de seus dedos, desaparecessem da pele clara, deixando apenas uma vermelhidão no local.

Seu olhar ainda estava gelado enquanto encarava a ruiva, mostrando que, mesmo que estivesse concordando com os tempos dela, ele não seria mais enganado.

- Você tem uma hora. Eu juro por Godric, Constance. Se você não aparecer em uma hora com a minha filha, eu vou atrás de você até o inferno.

Os dois ainda estavam próximos demais e a voz de Black não saía mais do que um sussurro ameaçador. Ele sequer piscava enquanto encarava os olhos azuis que um dia amara mais do que tudo. Agora, enquanto o rosto da ex-namorada estava a menos de um palmo de distância, era impossível reconhecer a adolescente de anos antes.

Sirius nunca odiara tanto alguém em sua vida. Nem os Comensais que haviam cruzado seu caminho. Nem o irmão, muito menos Walburga. O que mais lhe doía era saber que um dia teria enfrentado o mundo para ter Constance ao seu lado, e tudo que era capaz de sentir depois de tanto tempo era o desprezo.

- Nem pense em manter Aletha longe de mim. Eu enfrento o próprio Voldemort se for preciso.

Não era um exagero. Naquele momento, Sirius sentia a adrenalina correr em suas veias de modo que nem o grande bruxo das trevas tinha o poder de lhe causar receios. As habilidades em feitiços de Constance eram completamente insignificantes diante da dor de um pai separado da própria filha por anos.

Black deu um passo para trás, sentindo o ar gelado da noite atingir seu rosto com a distância criada da ruiva. Os fios negros balançaram de leve, mas não havia um único brilho nos gelados olhos cinzentos. Seu semblante carregado parecia ser ainda mais intensificado no rosto adulto do auror.

- Eu nunca vou te perdoar por isso, Constance. Aletha vai fazer parte da minha vida. – Não era um pedido, nem uma ordem. Era uma informação. – Mas você morreu para mim.

Enfiando as mãos nos bolsos da jaqueta, Sirius se afastou até alcançar a moto estacionada em um lado mais escuro da calçada. A bolsa de Constance havia sido largada no chão, sem a menor cerimônia para de volver para sua dona. Com um ronco, a moto foi ligada e ele não voltou a olhar para a ruiva enquanto sumia nos céus.
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qui Dez 10, 2015 1:44 am

Qualquer crise que tivesse assombrado a casa dos Potter havia caído completamente no esquecimento após alguns meses. Não haviam mais brigas, ou refeições silenciosas e tratamentos frios. A possibilidade de uma gravidez que tanto afligia o casal foi o que serviu para uni-los ainda mais.

Quatro meses haviam se passado desde que a Sra. Potter havia confirmado a gestação, tomando os devidos cuidados com o acompanhamento de um curandeiro no instante que voltaram a Godrics Hollow. Sua barriga estava cada vez maior, mas era impressionante como nada mais em seu corpo havia mudado.

Victoria continuava com o rosto fino, os braços magros e, quando vista de costas, dificilmente alguém arriscaria dizer que ela entrava no quinto mês de gravidez. Quando vista de frente, entretanto, a barriga logo chamava a atenção. A loira jamais imaginou que fosse exibir uma barriga tão grande, com tanto orgulho.

A notícia de que mais um bebê estava a caminho havia alegrado os membros da Ordem da Fênix. Como Dumbledore havia dito, era gratificante saber que ainda existiam pessoas seguindo com a vida, sem deixar que os tempos sombrios os moldassem.

Logo a fome descontrolada de Victoria havia diminuído, assim como os enjoos. Ela se sentia quase todo o tempo cansado e corria para o banheiro dezenas de vezes por hora, mas ainda assim, nunca se sentira tão feliz em toda sua vida. A sensação de um novo e lindo vestido era absolutamente nada comparada com a felicidade de ter uma vida crescendo dentro de si.

O quarto de hóspedes, que ficava colado ao quarto do casal, foi esvaziado logo nas primeiras semanas. As paredes neutras foram pintadas de um amarelo suave e o berço já estava montado, mas o quartinho ainda estava começando a ganhar vida.

Victoria havia insistido que não queria saber o sexo do bebê até o momento do nascimento, e o quarto estava sendo decorado com amarelo e branco, com papel de parede de bichinhos, pronto para receber uma menininha ou um menininho. Nas poucas prateleiras que James já havia pendurado, havia uma foto recente do casal, com a mulher já exibindo a grande barriga de fora. Logo ao lado, o primeiro presente de bebê, comprado pelo pai: um grande pomo de ouro de pelúcia.

Os olhos azuis passaram com admiração naquele cômodo que estava sendo montado. Ela sabia que, se comparado ao luxo dos McMillan, o quarto era simplório demais. Se tivesse seguido o caminho que seus pais queriam, estaria naquele momento em um local três vezes maior, abarrotado com roupinhas e brinquedos caros. Mas Vicky não tinha dúvidas de que aquela criança seria muito mais amada estando ao lado de James.

Quando ela desceu as escadas, encontrou o marido deitado no sofá, o profeta diário entre os dedos enquanto ele lia alguma matéria com os óculos escorregando pela ponta do nariz.

Victoria se inclinou até rodeá-lo com seus braços, beijando-o carinhosamente no topo da cabeça.

- O que você acha de Matthew? Ou Toby?

Ela rodeou o sofá até se acomodar ao seu lado, sentando na pontinha do sofá enquanto seus dedos afundavam nos cabelos castanhos em uma carícia. Seus olhos passaram pela manchete do jornal e um suspiro pesado escapou de seus olhos.

A ordem já havia conseguido destruir três horcruxes e estavam cada vez mais perto do número de almas de Voldemort espalhadas. O bruxo das trevas não parecia ter o menor conhecimento do progresso que estavam tendo, e graças a ajuda de Regulus, o número de mortes reportadas estava cada vez menor.

Mesmo assim, desde que soubera da gravidez, a preocupação de que qualquer coisa pudesse atingir o bebê que estava a caminho atormentava Victoria e James.

- Se tem alguma coisa que essa criança não precisa se preocupar... – ela sussurrou, retirando o jornal das mãos do marido sem pudor. – É na própria segurança. Ela tem o melhor auror do mundo como pai. Não poderia estar em um lugar mais protegido do que com a gente, Jamie.
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Qui Dez 10, 2015 9:59 pm

Ainda estava cedo para os padrões de um adulto, mas a pequena Aletha já estava profundamente sonolenta quando Constance retornou à casa dos Black. Era quase uma maldade privá-la da cama naquele estado, mas a mãe não via outra saída para o atual problema. Se Constance ousasse pedir a Sirius que adiasse aquele encontro por algumas horas, era grande o risco do Black mais velho aparecer ali e criar um escândalo sob o nariz de Walburga. E, sem dúvida, a mulher não pouparia a própria neta de retaliações se soubesse quem era seu verdadeiro pai.

Aletha cochilou em pé três vezes enquanto a mãe tentava trocar seus pijamas. Por fim, Constance desistiu daquela tarefa e limitou-se a proteger a filha com um de seus casacos, que na menina serviu como um sobretudo.

Como estava acostumada a desaparatar no colo da mãe, Aletha não acordou nem durante aquele desconfortável transporte. A garotinha chegou a entreabrir os olhos enquanto Constance subia as escadas do prédio onde Sirius morava, mas logo as pálpebras pesadas venceram novamente aquela guerra e ela se entregou a um sonho tranquilo.

Assim como Constance já imaginava, o pai da garotinha atendeu a porta em poucos segundos.

No corredor, Sirius encontraria a ex-namorada ainda vestindo as mesmas roupas da festa na mansão dos Lestrange. Tal como prometido, Constance ficara poucos minutos no evento antes de inventar uma indisposição e retornar para casa. Àquela altura, todos provavelmente estavam pensando que os Black ganhariam mais um herdeiro. Nos braços da ruiva, Aletha estava profundamente adormecida.

Embora não fosse mais um bebê, Aletha era pequena o bastante para que Constance conseguisse carregá-la sem muitas dificuldades. A menina ajudava a mãe naquela tarefa passando os braços pelo pescoço de Constance e enlaçando o tronco dela com as pernas. A cabeça da criança estava deitada de lado sobre o ombro da mãe, uma das bochechas amassadas formando um biquinho enquanto ela ressonava. Era possível ver apenas a barra da calça dos pijamas brancos estampados com ursinhos, já que o casaco tapava o restante do corpo de Aletha. Nos pés, ela usava meias cor de rosa e uma adorável pantufa de bichinhos.

- Antes que você comece a fazer acusações absurdas, eu não fiz nada para deixá-la sonolenta. Ela geralmente dorme cedo, ainda mais depois de ter brincado o dia todo.

Sem esperar por um convite e sabendo que era uma exposição desnecessária continuar parada no meio do corredor, Constance se desvencilhou de Sirius e entrou no apartamento. A tensão do momento não permitiu que a ruiva reparasse nos detalhes da sala, muito embora a Sra. Black já tivesse tido a curiosidade de imaginar como era a casa do ex-namorado.

- Eu realmente não sei que tipo de benefício a Aletha teria em sair de casa a esta hora, caindo de sono. Mas racionalidade nunca foi o seu forte, então não posso esperar que você entenda isso.

Constance ajeitou melhor os braços ao redor da filha e, num reflexo, Aletha também se prendeu com mais firmeza no pescoço da mãe.

- Só mais uma coisa. Você foi embora antes que eu tivesse a chance de responder a sua declaração. – uma das sobrancelhas ruivas se ergueu – Há um pequeno equívoco em você dizer que nunca vai me perdoar por isso. Quem disse que eu quero o seu perdão? Eu não me sinto nem meramente arrependida, Black. Se pudesse voltar atrás, eu faria tudo de novo. Talvez com mais cuidado desta vez, para garantir que você nunca descobrisse.
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Sex Dez 11, 2015 10:08 pm

Aquela experiência era, sem dúvida a maior loucura que James já experimentara em toda a vida. Ter um filho já seria um grande desafio mesmo em tempos serenos. No meio de uma guerra, tornava-se uma ousadia que beirava a insanidade completa. Ainda assim, os Potter não pareciam nem meramente arrependidos daquele “acidente”. A vida que crescia na barriga de Victoria passou a ser o centro do universo daquele jovem casal.

Logo James mostrou à esposa que seria um pai bastante presente. Apesar de seus horários tumultuados, o auror fazia o impossível para acompanhar Victoria em todas as consultas, participava ativamente da montagem do quartinho e opinava em todas as compras feitas para a criança que chegaria dali a alguns meses.

Por Potter, o curandeiro que acompanhava a gestação poderia ter revelado tranquilamente o sexo da criança. Mas a vontade de Victoria foi respeitada e o marido, no fim das contas, também optou por não ter acesso àquela informação. James sabia que não conseguiria guardar um segredo daquela magnitude e acabaria contando à loira algo que ela não queria saber.

Apesar de toda a felicidade em torno daquele bebê, a preocupação também era grande. Se antes da gravidez James já temia por si e por Victoria, agora os temores estavam triplicados.

A casa em Godric’s Hollow já havia recebido um reforço nos feitiços de proteção e os Potter se tornaram mais cuidadosos e mais apreensivos quando precisavam sair para resolver algum assunto. Também era notável que o auror, sempre que possível, não era escalado para as missões mais longas e mais arriscadas. Agora James se tornara um pai de família, afinal.

Na Ordem da Fênix, Potter continuava trabalhando ativamente. Uma das horcruxes foi encontrada graças à missão dada a James e Remus e, apesar dos riscos, os dois rapazes se sentiram amplamente gratificados em pensar que estavam contribuindo diretamente para a morte de Voldemort.

Era neste contexto que o bebê dos Potter nasceria, portanto todas as preocupações eram justificáveis. Mas James se esforçava para que aquela angústia não interferisse diretamente na alegria provocada pela chegada da criança.

Naquele dia, tão logo notou a proximidade da esposa, Potter fechou o Profeta Diário e deixou que Victoria colocasse as notícias de lado. Graças a ajuda de Regulus e ao trabalho árduo da Ordem da Fênix, não havia nenhuma manchete lamentável na publicação daquele dia.

O auror se remexeu no sofá ao sentir aquela carícia nos cabelos espetados, colocando-se numa posição mais confortável.

Como se um imã atraísse suas mãos naquela direção, James logo tocou a barriga roliça da esposa, acariciando-a demoradamente. Os olhos castanhos adquiriram um brilho ainda mais intenso quando Potter sentiu os suaves movimentos do bebê sob os seus dedos. Era bizarro estar tão perdidamente apaixonado por um ser que James sequer podia ver, mas aquele amor era incontrolável.

- Acho que é o sexto ou sétimo nome que você menciona só hoje. A minha cabeça é lenta, você sabe disso, Vicky. Acho melhor começarmos a registrar as suas ideias numa lista.

Como geralmente acontecia, o bebê costumava se mexer mais ao ouvir a voz do pai. Era como se a criança já reconhecesse o timbre de James.

- Eu sei. Vai ficar tudo bem. – os dedos compridos deslizaram pela barriga de Victoria numa carícia mais demorada – Nós estamos seguros e a guerra, a cada dia que passa, se aproxima mais de um final positivo para o nosso lado.
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Sab Dez 12, 2015 6:03 pm

A porta do loft foi fechada no instante em que Constance Black entrou, carregando Aletha. Com exceção do fogo da lareira, o local estava mergulhado em escuridão, mas nem a chegada das duas ruivas fez com que Sirius se preocupasse em acender as luzes.

O lugar era grande e espaçoso, mas logo da entrada era possível ver toda a cozinha e sala, divididos pelo balcão ocupado apenas por uma sacola de papelão. Os sofás que rodeavam a lareira eram de couro preto. Não havia nada fora do lugar e era de uma limpeza admirável para um homem solteiro, mas Sirius quase não passava suas horas em casa. Ao fundo, era possível ver a porta que dava acesso ao banheiro e logo ao lado, uma pequena escada de madeira que levava até o mezanino, onde ficava o quarto do auror.

- Não tente me colocar como o vilão desta história, Constance. Tudo que está acontecendo, a culpa é inteiramente sua.

Seu coração não estava mais tão acelerado como estivera no encontro em frente à casa dos Lestrange. O sangue não corria tão veloz em suas veias a ponto de provocar um zunido em seu ouvido. Sirius não corria mais o risco de puxar o braço da ex-namorada a ponto de machucá-la. A fúria havia diminuído, mas a mágoa em seu peito só crescia a cada segundo que passava.

Era a primeira vez que via o rostinho de Aletha desde que descobrira a verdade. As íris cinzentas a encararam como se nunca tivesse visto antes, brilhando de emoção. Apenas quando estava diante dela, aquela verdade se tornava tão real. Ele tinha uma filha. Um ser que estava no mundo graças a ele, que deveria depender de seu amor e proteção. Ter sido privado de tanto da vida da criança era o pior pesadelo que ele jamais poderia imaginar.

Sirius deu dois passos e parou diante de Constance, erguendo os braços para puxar a filha para os seus braços. Ao ver a mulher recuar instintivamente, seus olhos se estreitaram.

- Eu não me surpreendo com mais nada que você diga ou faça. Você é um monstro. Mas se tentar ficar no meu caminho de novo, vai ver que sei ser um monstro também.

Black não conseguia se lembrar quando fora capaz de odiar tanto alguém em sua vida. Era impressionante como todo o amor que sentira por Constance havia se transformado. Nem mesmo Lord Voldemort seria capaz de despertar o pior nele, como a ex-namorada conseguira.

Mais uma vez, ele tocou o corpinho de Aletha com as mãos até puxá-la para seu colo. O sono pesado da menina a impediu de despertar, mesmo com aquele movimento. Os braços longos do auror a rodearam e Sirius fechou os olhos por alguns segundos, sentindo o calor da filha e o cheirinho de flores que vinha dos fios ruivos.

Imediatamente, a fúria que sentia por Constance foi se dissipando e todo seu foco ficou preso na criança que dormia em seus braços. Não importava se estava sendo egoísta em tirar a menina da cama tão tarde. Ele havia sido privado por tempo demais. A vida já havia sido cruel demais e era o mínimo que poderia ter para recompensar toda a desgraça de sua vida.

Ele caminhou até um dos grandes sofás, puxando cuidadosamente a manta vermelha largada. Aletha foi delicadamente acomodada no sofá e puxou a manta dom os dedinhos quando Sirius a cobriu, protegendo contra o frio. Era possível sentir o calor da lareira em suas bochechas, mas ele não tinha consciência de nada além da filha. Até mesmo a ex-namorada havia sido varrida de seus pensamentos.

Com cuidado para não despertar a menina, Sirius se sentou na ponta do sofá e deixou que as mãos afagassem os fios ruivos que se espalhavam pela almofada que havia apoiado a cabeça dela.

O nó em sua garganta voltou e os olhos claros brilharam intensamente antes das primeiras lágrimas rolarem por suas bochechas. Sem perceber, Sirius fungou e tocou a mãozinha de Aletha enquanto ela mexia os lábios inconscientemente, perdida em seus sonhos. Aquela visão fez o primeiro sorriso surgir em seus lábios, desde a briga com o irmão.

Sirius Black era um auror competente, que enfrentara missões perigosas e ficara anos longe de casa, vivendo entre gigantes. Mesmo assim, naquela noite, parecia um menino abandonado, completamente injustiçado, chorando pela dor dos anos que jamais conseguiria recuperar. A traição de Constance e Regulus era absolutamente irrelevante quando comparada a sensação de ter perdido tanto sobre a própria filha.

Com um movimento dos lábios, a covinha apareceu na bochecha de Aletha, fazendo com que Sirius soltasse uma risadinha em meio ao choro ao reconhecer o próprio traço. A semelhança da criança com a mãe era inquestionável, mas ele estava desesperado para saber o que a filha tinha em comum com ele.

- Me conte sobre ela.

A voz saiu apenas em um sussurro para não acordar a menina. Até mesmo os estalos da lareira soavam mais altos que a voz nasalada provocada pelo choro do auror. Passando a mão pelo rosto, Black secou as próprias lágrimas, mas não escondia os olhos vermelhos de quem havia derramado algumas lágrimas. Ele se virou para Constance, sem sair do lado de Aletha.

- Eu quero saber tudo sobre ela. Tudo que você me fez perder.
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Dez 12, 2015 6:52 pm

Victoria sonhava com um guarda-roupa cheio de vestidos lindos e únicos. Um quarto inteiro apenas com sapatos e bolsas. Acessórios infinitos. Se pudesse usar metade do seu dia escovando os próprios cabelos ou cuidando da pele, era um dia relaxante. Ela jamais pensou que ter um filho fosse tornar tudo isso tão fútil e vazio.

Não havia vestido no mundo que pudesse comparar com a sensação de ser mãe. Quando se imaginava tendo uma família, Vicky estava tão presa na visão sem amor dos McMillan que aquela surpresa iluminou sua vida.

Ela tinha uma casa, um marido e um bebê que fugiam completamente aos padrões que imaginava para seu futuro. Mas iam muito além da felicidade que também acreditava existir.

O quartinho de bebê estava iluminado apenas por uma fraca luminária que produzia sombras de estrelas nas paredes, mergulhado em um completo silêncio. Mesmo com a dificuldade, a Sra. Potter enxergava com perfeição o rostinho angelical que dormia no berço, exibindo um sorriso orgulhoso nos lábios.

A mãozinha minúscula e gordinha foi erguida até tocar o lacinho colado em seus poucos fios claros até soltá-lo, caindo sobre o travesseiro. Como se a neném quisesse dizer alguma coisa para a mãe, ela se acomodou para o lado, puxando para junto do seu corpo o pomo-de-ouro de pelúcia.

Victoria revirou os olhos, mas manteve o sorriso divertido nos lábios. Charlotte Potter tinha apenas cinco meses de vida, mas já demonstrava sinais de que não compartilhava a mesma vaidade exagerada da mãe. Nas diversas tentativas de enfeitá-la, Charlie fazia questão de tirar os sapatinhos, ou os lacinhos e chorara copiosamente quando a mãe tentou colocar brinquinhos colados em suas orelhas.

Barulhos vindo do corredor despertaram a atenção da loira, que se afastou do berço com passos suaves, com todo o cuidado para não interromper o sono frágil da filha. Era a primeira vez que Charlie dormia em horas e seus braços estavam dormentes para tentar niná-la mais uma vez.

Toda vez que James estava prestes a sair em uma missão, o bebê parecia pressentir e começava a se mostrar irritada, se recusando a cair no sono como se fosse perder a oportunidade de ficar com o pai mais um pouco. Nas vezes em que o marido ficava ausente, era sempre mais difícil acalmar a criança e naquele dia não estava sendo diferente.

Vicky encostou a porta do quarto quando alcançou o corredor e cruzou os braços contra o próprio corpo magro, já recuperado da gestação. Os fios loiros estavam presos em um coque frouxo e ela usava um confortável moletom vermelho que furtara do marido. As mangas, maiores que seus braços, ficavam caindo e ela precisava segurar com os dedos para que as mãos não desaparecessem.

- Nem ouse entrar aí. – Victoria ameaçou ao ver que James ia na direção do quarto da filha. – Levei uma eternidade para fazê-la dormir, Jamie. Se ela te ver, vai ficar acordada até você voltar.

Ao contrário dos receios de Potter antes da esposa engravida, Victoria se mostrara uma excelente mãe. Era inegável que estivesse desajeitada nos primeiros dias, mas logo cada movimento, cada cuidado parecia vir com o instinto maternal.

Ela não se importava de acordar no meio da noite para atender ao choro do bebê, ou de ficar horas tentando distraí-la quando o pai não estava por perto. As fraldas sujas se tornaram uma rotina tão comum que eram trocadas com perfeita naturalidade. Só demonstrava ser a mesma de sempre quando seus olhares entregavam a frustração em não conseguir deixar a filha enfeitada como uma boneca em tempo integral.

Com um meio sorriso, Vicky deu mais um passo até conseguir alcançar o marido com um abraço, encostando a cabeça contra seu peito. Estava mais do que acostumada com as ausências de James para atender alguma missão, mas nunca havia gostado de ocupar a cama sozinha por longas noites.

- Você precisa mesmo ir? – ela resmungou, sentindo seu peito se apertar em ficar sem ele mais uma vez. A cabeça virou até que os olhos azuis conseguissem encarar o auror. – Não pode dizer ao Moody que está doente? Não estou com um bom pressentimento, Jamie. Fique em casa, pelo menos desta vez?
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Sab Dez 12, 2015 8:31 pm

A máscara de frieza e indiferença usada por Constance não permitia que o ex-namorado percebesse o quanto ela estava arrasada. Muito embora a ruiva não tivesse esperanças de se acertar com Sirius há anos, era um consolo pensar que Black ainda sentia algo positivo por ela. Era como se as boas lembranças pudessem manter aquele sentimento vivo, apesar das mágoas e da separação.

Mas agora nem mesmo este consolo existia. Todas as lembranças do passado pareciam ter sido apagadas pelo erro de Constance. A mágoa de Sirius se transformara num poderoso e inabalável ódio. Tal como ele dissera, a ex-namorada jamais seria perdoada pelo erro cometido há quase cinco anos.

Por mais que tentasse transparecer indiferença com o desprezo dele, Constance se sentia despedaçada por dentro. Ela não tomara aquela difícil decisão pensando em fazer Sirius sofrer, mas sabia que Black jamais compreenderia que aquela fora a única forma de manter Aletha totalmente protegida.

Enquanto o ex-namorado tentava desesperadamente recuperar de alguma maneira os anos perdidos, os olhos azuis escuros giraram ao redor, observando o cômodo com mais atenção. Mesmo na penumbra, foi possível notar os detalhes e a organização do ambiente. Decididamente Constance não esperava que a casa de Sirius fosse tão arrumada.

Alheia ao clima tenso dos adultos, Aletha não despertou de seu sono pesado. Ao contrário, ela parecia mergulhada num sonho bom enquanto o verdadeiro pai admirava cada um de seus traços.

- Mesmo? – uma das sobrancelhas ruivas se ergueu – Você realmente acha que pode me fazer exigências?

Embora estivesse destroçada por dentro, Constance não pretendia se humilhar. Um pedido de desculpas nem passava pela cabeça da Sra. Black por dois motivos. Em primeiro lugar, ela não se sentia arrependida. Em segundo lugar, Sirius já havia deixado claro que não a perdoaria.

- Guarde as suas verdades para si, Black. Sua forma heroica e nobre de encarar a vida não combina comigo, nunca combinou. Eu tenho a minha própria maneira de salvar o dia... – Constance indicou Aletha – O fato dela estar viva e inteira é a prova de que o meu método também é eficaz.

Mesmo sem um convite, Constance contornou o tapete e se sentou na poltrona em frente àquela ocupada por Aletha. Sentindo os pés latejando dentro dos saltos, a Sra. Black cruzou as pernas e girou os olhos azuis num gesto de impaciência.

- Eu tinha me esquecido do quanto você é tolo. Tal como no passado, eu me vejo obrigada a te dizer coisas óbvias para evitar que você cometa erros de principiantes.

Mais uma vez, Constance apontou a filha, referindo-se a ela.

- Aletha é a pessoa mais importante da minha vida. E eu tenho plena confiança disso quando digo que eu também sou a pessoa mais importante da vida dela. Alethinha adora o Regs, mas é pra mim que ela corre quando é preciso. Portanto, Black, não seja imbecil. Você quer mesmo declarar guerra contra a pessoa que a sua filha mais ama na vida?

Uma das sobrancelhas da ruiva se ergueu e ela checou as unhas pintadas antes de acrescentar com uma entonação gelada.

- Eu só preciso de um minuto para convencê-la a nunca mais olhar para a sua cara. Você pode me ameaçar, me machucar, pode fazer todo o espetáculo que quiser. Mas a verdade é que a Alethinha só vai te aceitar se eu colaborar. Então, eu sugiro que escolha melhor as palavras ao falar comigo a partir de agora. Como você mesmo disse, eu sou um monstro capaz de atrocidades, então não duvide do estrago que eu posso fazer na cabecinha dela para que você NUNCA tenha espaço na vida da sua filha.
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Sab Dez 12, 2015 8:58 pm

Depois de pensar que chegara ao topo da felicidade ao lado de Victoria, o nascimento de Charlotte mostrou a James um novo patamar de alegria. Como pai, o jovem auror experimentou medos, incertezas, inseguranças. Mas também alcançou uma realização plena. Definitivamente, a maior tolice de sua vida fora pensar que ele e Victoria não estavam preparados para um filho.

Por sorte, a garotinha nascera como uma miniatura da mãe. Charlie tinha os cabelos claros, olhos azulados, traços delicados e bonitos. De James, havia herdado apenas o formato dos lábios, o que lhe proporcionava um sorrisinho idêntico ao do pai.

Contudo, para desespero de Victoria, aquela semelhança física não se repetia na personalidade. Charlotte era fisicamente idêntica à mãe, mas herdara de James um humor mais leve, um comportamento mais distraído e nenhuma vaidade. Potter soltava gargalhadas sempre que via a filha se desfazendo dos acessórios que Victoria insistia em colocar nela. Tal como o grifinório, Charlie já dava sinais de que queria ser livre de quaisquer convenções.

Com o novo membro na família Potter, James se esforçava ainda mais para passar mais tempo em casa e para evitar as missões mais prolongadas. Sempre que podia, o auror deixava a cargo dos colegas os trabalhos que exigiam viagens demoradas. Mas isso obrigava Potter a aceitar mais missões locais. E era exatamente isso que aconteceria naquela noite.

Kingsley concordava em viajar em missão para a Escócia. Em contrapartida, James teria que fazer o trabalho destinado ao colega. Não parecia ser nada complicado ou extremamente arriscado. Nos planos de Potter, ele sairia no fim da noite e estaria de volta em casa de manhã, pronto para acordar Charlotte com beijos estalados na barriguinha.

- Não seja má, eu só quero me despedir dela!

Para não correr o risco de acordar a filha e despertar a fúria de Victoria, James se limitou a abrir a porta do quarto silenciosamente. O auror esticou a cabeça para dentro do quartinho da criança e assistiu ao sono tranquilo de Charlotte por quase um minuto inteiro até se dar por satisfeito.

Ao retornar para o corredor, Potter deixou a porta do quarto de Charlie encostada e acomodou Victoria naquele abraço.

As palavras da esposa provocaram um arrepio estranho em James, mas o auror se obrigou a pensar com racionalidade. Era só mais uma missão. E, desta vez, era uma tarefa bastante simples. O auror já enfrentara desafios muito maiores sem nenhum temor, não seria uma superstição tola de Victoria que faria Potter desistir daquela missão.

- Está sugerindo que eu minta para o Moody? Sério? Porque não me manda logo xingar Voldemort de mestiço? Acho que o efeito seria bem semelhante.

A piadinha foi feita na tentativa de amenizar o clima pesado. Com o mesmo intuito, James segurou o rosto da esposa com as duas mãos e beijou os lábios de Victoria carinhosamente antes de concluir.

- Será rápido, Vicky. E não é nada muito arriscado, tire essas ideias da cabeça. – James repetiu aquele beijo carinhoso – Voltarei de manhã, bem a tempo de tomar o café com vocês, eu prometo.
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