The Marauders

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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Seg Out 19, 2015 1:16 am

O pior já havia passado, Victoria já estava totalmente recuperada e voltaria a frequentar as aulas no dia seguinte. Aquela tragédia tinha tudo para cair no esquecimento, mas Constance sentia que algo dentro dela havia mudado para sempre.

A terrível sensação de quase perder a irmã abalara suas estruturas. Aliado a isso, havia o lamentável comportamento de seus pais e o inegável fato de que os colegas da Sonserina tinham fugido da confusão. Se não fosse por um aluno da Grifinória, talvez Victoria não estaria mais entre eles.

É claro que Constance não mudara por completo a sua maneira de enxergar o mundo, mas toda aquela situação havia mostrado à ruiva que ela não podia confiar inteiramente nas pessoas que ela até então chamava de “família” e de “amigos”. Foi como olhar através de uma janela de vidro recém-limpado. Agora, McMillan via com mais clareza que não podia confiar cegamente nos colegas da Sonserina.

Regulus era uma exceção, sempre fora muito mais que um amigo. Ele e Victoria eram o consolo de Constance, as pessoas que a amparavam para que ela não se sentisse tão solitária.

Naquela tarde, porém, a ruiva estava irritada com os dois. Regulus a deixara de lado por causa de uma reunião do time de quadribol ao passo que Victoria havia sumido. A caçula já procurara por ela na biblioteca, no Salão Principal, nas estufas, nas proximidades do lago... Constance só não fora ao campo de quadribol porque sabia que era dia de treino da Grifinória e a irmã não tinha motivos para invadir o território inimigo. Agora, a caçula marchava na direção das masmorras na esperança de encontrar a loira no Salão Comunal ou nos dormitórios.

E foi então que o improvável aconteceu.

Constance estava tão distraída com os próprios pensamentos que teria passado direto por Sirius Black se o rapaz não tivesse chamado a atenção dela. Quando se virou, a ruiva não conseguiu disfarçar uma expressão de surpresa. O Black mais velho era a última pessoa que ela esperava encontrar em território sonserino.

A surpresa de McMillan triplicou quando ela percebeu que Sirius não estava atrás de confusão. Uma de suas sobrancelhas finas se arqueou enquanto Black lhe dirigia palavras amenas. Por um momento, Constance até se perguntou se Sirius não estava ironizando-a. Mas o tom controlado dele acabou convencendo a ruiva de que sim, ele estava falando sério.

O inédito comportamento racional de Sirius quebrou as defesas da ruiva. Ele parecia mais sincero em seu pesar do que todos os colegas da Sonserina que procuraram Constance para lamentar o ocorrido. McMillan estava prestes a responder com a mesma polidez quando Sirius, mais uma vez, conseguiu estragar tudo.

O semblante ameno de Constance se fechou quando o grifinório pronunciou suas últimas palavras. Ele estava comparando o amor entre ela e Victoria ao sentimento que ele nutria pelos amigos. McMillan não duvidava da amizade solidificada dos marotos, mas se sentiu muito ofendida por Sirius mencionar somente os amigos.

- E se tivesse sido com o Regulus? – Constance não ergueu a voz, mas suas palavras soaram ásperas – Você se sentiria triste, desconfortável ou daria uma festinha com seus adorados amigos para comemorar a fatalidade?
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Seg Out 19, 2015 1:39 am

A expressão surpresa de Potter mostrava que ele não esperava por aquela conversa. É verdade que ele havia tido um momento amigável com a McMillan mais velha e tivera a delicadeza de usar uma das passagens secretas do Mapa do Maroto para buscar o desejado sorvete de limão para a loira, mas, ao ver de James, os dois estavam quites e não tinham mais nada a conversar.

Potter se ergueu do chão, enfiou as mãos nos bolsos e esperou que Victoria iniciasse o assunto que a levara até o campo de quadribol no dia do treino da Grifinória.

Quando a loira mencionou o sorvete, James abriu um de seus meio sorrisinhos marotos. Ele não precisou dizer uma palavra, sua expressão bastava para denunciá-lo como culpado. Potter era mesmo um inconsequente por se atrever a fugir do castelo um dia depois de ganhar a pior detenção de sua ficha escolar.

- Aiêêê!!!

O soquinho em seu braço pegara James desprevenido. É claro que Victoria não o havia machucado, a exclamação foi fruto da surpresa pela “agressão” não esperada.

Mas nada superava a surpresa que o comportamento seguinte de Victoria provocou nele. Por trás das lentes dos óculos de grau, Potter piscou várias e várias vezes, sem compreender o que estava acontecendo a sua frente.

Parecia loucura, mas McMillan parecia estar... se lamentando? Toda a Sonserina vibrava com o afastamento definitivo do capitão da Grifinória, o que deixava o time sem o melhor apanhador dos últimos tempos! Mas Victoria definitivamente não parecia compartilhar o sentimento dos colegas de casa.

- Como é??? Como assim, o que “vamos” fazer? – James piscou mais algumas vezes – Do que está falando? Bateu a cabeça ou faltou sangue no seu cérebro, McMillan? Você realmente entendeu a situação? Eu estou fora do time. Isso faz da Sonserina a favorita à taça deste ano. E você... – Potter apontou para o peito dela – É da Sonserina. Está lembrada?

O ex-apanhador falava como se Victoria realmente estivesse delirando. Era impossível encontrar alguma lógica nas palavras dela.

- Acho que você precisa descansar um pouco. Madame Pomfrey sabe que você está doidona assim? Talvez seja melhor passar na enfermaria pra tomar mais umas doses da poção curativa, você não está legal, McMillan.
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Seg Out 19, 2015 1:44 am

Era impressionante como bastava McMillan abrir a boca, que os músculos de Sirius começavam a se contorcer, a raiva se espalhando junto com o sangue que fervia em suas veias. Mas ele havia prometido a si mesmo que não iria se exaltar com a sonserina.

Mantendo o tom de voz baixo, mas os olhos estreitos, Sirius respondeu, sem perceber que dava mais alguns passos na direção da menina.

- Posso ter o sobrenome Black, McMillan, mas eu não sou sádico. Não comemoro as desgraças alheias e com certeza jamais daria uma festa para comemorar a morte de um irmão.

Constance podia ser a melhor amiga/namorada/amante ou o que quer que fosse de Regulus, mas antes disso, o rapaz era seu irmão. Por mais que seu nome estivesse queimado e Walburga dissesse aos quatro cantos que tinha apenas um filho, Black não havia deixado de considerar o caçula.

Antes de todo o preconceito ser a maior divergência nas personalidades dos dois irmãos, Sirius e Regulus tinham uma relação normal. Brigavam e brincavam. Se odiavam e se amavam. Mesmo com todas as loucuras de Walburga os assombrando, os dois sempre se apoiavam um ao outro. Antes de entrarem em Hogwarts, ele cumpria perfeitamente o papel de irmão mais velho que cuidava e implicava co caçula.

Conforme os rapazes iam crescendo, as diferenças começaram a afastá-los. Era em James e Remus que Sirius começava a se apoiar, a se identificar. O fato de ter sido selecionado para a Grifinória foi o primeiro grande passo para os irmãos se afastarem. E cada vez mais Regulus parecia entrar no mundo sombrio de Walburga e Orion. Quanto mais o irmão caçula cobria as vontades de sua mãe, mais se distanciava de Sirius.

Por mais que jamais pudesse concordar com o idealismo de seu irmão, Sirius também jamais desejaria que algo de ruim acontecesse a ele. O problema é que nunca havia imaginado que algo realmente pudesse acontecer ao caçula. Ao contrário do medo constante que tinha por Potter e Lupin, ele sempre imaginava Regulus protegido pelas paredes da mansão Black e pelos gritos de sua mãe.

Apenas quando a sonserina mencionou, a imagem invadiu a mente de Sirius, fazendo seu peito doer. É lógico que ele se sentiria da mesma forma se algo acontecesse a Regulus.

Um peso em seu estômago pareceu discordar. Ele se sentiria muito pior. Não seria apenas a dor de perder um irmão. Era a culpa que o consumiria, o castigo de ter deixado para trás o pequeno Regulus nas garras de Walburga, sem ter lhe estendido a mão para sair daquele inferno em que não somente ele, mas o caçula também estava preso.

- Eu jamais me perdoaria se algo acontecesse com o Regulus, McMillan. - Sirius finalmente sussurrou, voltando a realidade.

Uma sombra pairou diante dos olhos cinzentos e não havia mais necessidade de se esforçar para manter a calma. A sensação de tristeza que invadira seu peito era muito maior que qualquer raiva. Apesar disso, ele ainda estava diante de uma arrogante sonserina e não a deixaria admirar sua fraqueza por muito mais tempo.

Black fungou inconscientemente e foi até a vassoura apoiada contra a parede, pegando-a de volta. Não iria prolongar aquele desconfortável diálogo.

- Regulus pode não admitir, mas ele ainda é meu irmão. E não é uma tapeçaria velha e queimada que vai mudar isso.
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Out 19, 2015 2:26 am

Victoria estava se sentindo muito bem de saúde. Se tivesse algum teste que ela precisasse provar, estava passando com louvor. Mesmo com a irritação se espalhando pelo seu corpo, ela não sentia absolutamente nada nos lugares que, dias antes, a pele cicatrizava.

Para comprovar que estava perfeitamente recuperada, a sonserina ergueu novamente a mão, depositando mais um soquinho no braço do grifinório.

- Eu não sou idiota, Potter! - Ela bufou, encarando-o de baixo graças aos vários centímetros a mais que ele tinha. - Sei muito bem o quão maravilhoso é para a minha casa você estar fora do campo. Mas ao contrário dos meus digníssimos colegas, não posso sair comemorando uma injustiça.

A loira revirou o olhar quando escutou as palavras que saíram da própria boca. Slyterin deveria estar se revirando no túmulo. Aquela era uma frase digna de um lufano, mas jamais alguém poderia imaginar uma integrante da casa das serpentes dizendo aquilo, principalmente para defender um grifinório.

O problema é que, independente de qual casa ou de quem era, James Potter havia salvado sua vida. E por causa disso, ele estava sendo privado de algo que amava. Victoria podia ser muito egoísta as vezes, mas não era estúpida para ignorar que estava viva pela ajuda do grifinório.

- Escuta aqui, quatro-olhos... - Ela ergueu o indicador na direção do menino. - Se a Sonserina ganhar a taça de Quadribol este ano, vai ser porque o Regulus vai ser melhor em campo do que você.

Pisando duro, a Sonserina virou as costas para o rapaz, deixando-o sozinho no campo de Quadribol.

***

Victoria estava de volta ao seu dormitório e, nas duas noites seguintes, havia acordado de sonhos agitados, sem conseguir dormir horas seguidas. Seu rosto sempre tão lisinho que dispensava maquiagens estava começando a exigir retoques diários para esconder as olheiras que surgiam em consequência do pouco sono.

Os pesadelos eram sempre os mesmos e ela sempre acordava banhada em suor, a mão tocando a barriga já sem marcas, sentindo a dor que vinha do mundo dos sonhos. Bastavam alguns segundos para perceber que não havia nada que temer, mas já era tarde demais. Impossível voltar a dormir.

Naquele dia não havia sido diferente. McMillan havia sido a primeira a deixar o dormitório do sétimo ano. Ela enfrentou seu ritual de preparação e quando finalmente estava pronta, impecável, as colegas começaram a despertar.

Victoria sentou na última carteira durante a aula de Transfiguração, fitando vez ou outra a cabeleira espetada de Potter, sentado ao lado da namorada. Desde que deixara a enfermaria, a menina vinha se flagrando frequentemente com os pensamentos no grifinório.

Os Sonserinos não deixavam de provocar James, sempre que tinham oportunidade, sobre a posição perdida no Quadribol. Pelo outro lado, McMillan era exaltada pelos colegas, deixando-a irritada. Onde estava toda aquela bajulação quando seu sangue escorria pela rua de Hogsmead? Patéticos... Todos tão cheios de si, orgulhosos de suas nobrezas. Mas não passavam de uns fracotes.

A professora McGonnagal lhe chamou a atenção, fazendo-a derrubar o livro ao perceber que estava encarando a nuca de Potter fixamente.

- Srta. McMillan, já perdeu algumas aulas, se continuar distraída não conseguirá acompanhar seus colegas para os NIEMS. - Apesar da bronca, o rosto da professora demonstrava preocupação. - Devo encaminhá-la para a enfermaria? Está se sentindo bem?

Victoria estava acostumada a ter a atenção voltada para si, mas não ousou erguer os olhos quando alguns colegas se viraram para encará-la. E se Potter fosse um deles? Fitar a nuca dele era uma coisa, encarar os olhos castanhos era outra bem diferente. Ela ainda se sentia culpada pelo assunto "Quadribol".

- Não, professora McGonnagal. Estou ótima. - Ela pegou o livro caído no chão, abrindo-o novamente na página do dia.

Minerva a encarou apenas por mais alguns segundos, como se esperasse que aluna fosse desmaiar ali mesmo, e então seguiu seu caminho.

As aulas seguintes se arrastaram, mas quando a última finalmente chegou ao fim, Vicky se separou do grupo de sonserinos setimanistas que seguiram para as masmorras, tomando o rumo do escritório do diretor, decidida com o que tinha que fazer.

Ela murmurou a senha para a grande e feia estátua de Gárgula que logo lhe deu passagem para o escritório do diretor. O velho estava sentado por trás de sua escrivaninha, escrevendo em um pergaminho, e não ergueu a cabeça quando lhe dirigiu a palavra.

- Srta. McMillan... Que prazer tê-la. Algo que possa ajudar? - os olhinhos azuis finalmente se ergueram, encarando-a por trás dos óculos de meia lua.

- Boa noite, professor Dumbledore. - ela disse, polidamente. - Me desculpe pela visita inesperada, espero não atrapalhar.

Alguns sonserinos não respeitavam o velho diretor, pela sua evidente preferencia a casa dos leões. Mas Victoria ainda era uma menina de berço de ouro que sabia se colocar com modos diante de uma figura de respeito.

- Imagine, imagine... - O professor sorriu, a voz rouca, e indicou a cadeira a sua frente. - Acredito que seja um assunto importante, para fazê-la se atrasar para o jantar.

Victoria puxou a cadeira e se acomodou, as costas retas e as mãos cruzadas sobre o colo.

- Preciso falar com o senhor sobre James Potter.

Dumbledore largou a pena sobre o pergaminho, mostrando que estava dedicando toda a sua atenção para a aluna.

- Não tenho a intenção de lhe faltar o respeito, professor Dumbledore... - ela começou delicadamente, mas as palavras seguintes vieram apressadas, se atropelando. - Mas é uma grande injustiça Potter ser obrigado a sair do Quadribol! Ok, ok, ele errou quando enfrentou Snape. Mas professor, se o Snape atacou ele primeiro, o que deveria fazer? Ficar desviando dos feitiços igual um bonequinho? - Victoria gesticulava bastante enquanto falava. - Pois me admira que Snape ainda esteja na escola. Ele quase me matou!

A menina enfatizou a última palavra, com os olhos arregalados para o diretor, que observava com atenção, a sombra de um sorriso em seus lábios.

- Aliás, se não fosse pelo Potter, ele teria mesmo me matado! Se Potter errou ao enfrentar Snape, ele se redimiu no momento em que tentou me ajudar! Quantos outros alunos o senhor viu ajudando o professor Horácio? Pois é, foi só o Potter! E o que ele ganha em troca? Um chute na bunda para fora do Quadribol?

Ao perceber que estava passando dos limites, Victoria levou as duas mãos para tampar a própria boca. Por sua sorte, o professor Dumbledore continuou com um sorriso divertido nos lábios.

- O que acharia mais prudente, Srta. McMillan? Deveria dar alguns pontos ao Sr. Potter pela sua coragem?

Vicky revirou os olhos. OK, Dumbledore. Não precisava pegar pesado.

- Não exagere, professor. - Ela sussurrou. Vicky respirou fundo, tentando voltar ao tom polido com que iniciara a conversa. - O que estou tentando dizer, professor Dumbledore, é que tenho certeza que o senhor pode pensar em uma melhor forma de punir o Potter, que não seja tão radical. Estou apenas pedindo que leve em consideração que sim, ele teve a coragem de ajudar ao professor Slughorn e salvou a minha vida.

Dumbledore cruzou as mãos, apoiando o queixo em seus longos e enrugados dedos, parecendo ponderar o pedido da menina.

- Preciso admitir, Srta. McMillan, que em meus anos de docente, é a primeira vez que vejo um Sonserino defender um Grifinório.

Victoria encolheu os ombros, sabendo que estava conseguindo convencer o diretor.

- Bem, se o senhor não se importar, eu preferia que esta raridade continuasse só entre nós dois. Ainda tenho uma reputação a zelar, certo?
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Seg Out 19, 2015 2:29 am

Pela primeira vez na vida, Sirius Black conseguiu deixar a caçula dos McMillan sem palavras. A ruiva não esperava que o primogênito dos Black ainda nutrisse sentimentos por Regulus depois de tudo o que acontecera na família. Dada à proximidade maior com o caçula, Constance estava habituada a ver Regulus como a vítima e Sirius como um vilão impiedoso.

Embora não tivesse a intenção de alongar aqueles desabafos com um grifinório, Constance se sentiria sufocada se não dissesse algumas últimas palavras que finalizavam com perfeição a opinião dela sobre os irmãos Black.

- Vocês dois tem qualidades diferentes. A audácia dos Black te levou para a Grifinória, Sirius. E a fidelidade à família aprisionou o Regulus na vida da qual você fugiu. Ele não é como os seus pais. Ele também não ficaria feliz se a calçada da Floreios e Borrões estivesse suja com o seu sangue.

A ruiva suspirou profundamente antes de voltar a ser a McMillan que Sirius conhecia tão bem.

- Agradeço pelas palavras de consolo, mas agora pode se retirar. Seu cheiro pós treino está impregnando as masmorras.

Sem esperar por uma resposta, Constance girou sobre os calcanhares e retomou o caminho até a entrada para o Salão Comunal da Sonserina.

Por um breve momento, ela se sentiu como a garotinha de doze anos que suspirava em segredo pelo filho mais velho dos Black, mas logo obrigou-se a aterrissar de volta à realidade. Sirius não se tornara o príncipe perfeito que se encaixaria em seus sonhos de menina. Ele se tornara uma das coisas que Constance aprendera a odiar desde sempre: um traidor do próprio sangue.

---

A conversa com Sirius Black já completava dois dias e Constance não havia fracassado na determinação de não pensar mais nele. Era fácil ocupar a cabeça com a proximidade das provas e com os professores sufocando os sextanistas com uma quantidade absurda de deveres.

A caçula dos McMillan não costumava se preocupar com provas, visto que sempre conseguia notas acima da média. Mas naquele ano, especialmente, Constance não vinha tendo um desempenho tão excepcional em Transfiguração. Ela nutria uma certa antipatia pela professora por Minerva ser a diretora da Grifinória, e talvez por isso não se dedicasse tanto à disciplina.

O fato era que a prova de Transfiguração estava a cada dia mais próxima e Constance ainda não conseguira completar a simples tarefa de transformar um animal em um objeto. Sua pobre coruja, Gertrudes, já fugia da ruiva sempre que McMillan tentava fazer dela uma cobaia. E foi isso que motivou Constance a “caçar” um novo animal para seu treinamento.

Tinha que ser um bicho silencioso e de anatomia mais fácil, com ossos pequenos. Constance pensou inicialmente num sapo, mas não era agradável a ideia de entrar no lago de Hogwarts com o inverno cada vez mais próximo. A segunda opção também não era exatamente agradável, mas Constance não tinha muito tempo a perder. Ela precisava de um rato.

O lado positivo daquela ideia era que não parecia ser difícil encontrar um rato em Hogwarts. O castelo era antigo, cheio de salas abandonadas, madeiras podres... Os animais não costumavam circular pelos corredores durante o dia porque a movimentação dos alunos os assustava, mas não seria difícil topar com um ratinho desavisado no meio da madrugada.

Contrariando todas as expectativas acerca de uma menina fresca da Sonserina, Constance saiu de sua cama naquela noite com a intenção de capturar um rato. Filch certamente não aceitaria aquilo como desculpa se a pegasse fora do dormitório no meio da madrugada, mas McMillan jamais mudaria seus planos por causa de um “aborto” que Dumbledore tivera a bondade de empregar no castelo.

Com a ponta da varinha acesa e uma gaiolinha em mãos, Constance saiu pelo castelo usando um robe sobre a camisola e chinelinhos, numa busca pela cobaia perfeita. A ruiva se dirigiu até o quinto andar porque sabia que era ali que ficava a maior aglomeração de salas abandonadas.

A busca de McMillan durou alguns minutos. A escuridão no castelo era mais intensa do que a ruiva imaginava àquela hora da noite, mas ela não pensava em desistir. Constance entrou em algumas salas, mexeu em móveis abandonados, arrastou cadeiras, sem sucesso.

Ela estava prestes a desistir daquele andar quando escutou um discreto ruído no corredor. O barulho parecia vir de um armário de vassouras e esta conclusão fez um sorriso brotar nos lábios da garota. Aquele parecia ser um excelente esconderijo para ratos!

Com passos silenciosos, Constance saltitou até o armário. Ela apoiou a gaiolinha sobre o móvel para desocupar as mãos, mas, para a sua surpresa, a porta do armário se abriu antes que ela tocasse a maçaneta. Os olhos azuis se arregalaram quando um par de mãos a puxou para dentro do móvel. McMillan até tentou gritar, mas sua voz foi abafada por uma das mãos do seu “raptor”. Constance chegou a morder um dos dedos sobre seus lábios, mas desistiu de tentar lutar quando a voz áspera de Filch ecoou pelo corredor silencioso.

- Quem está aí??? Apareça!
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Seg Out 19, 2015 3:10 am

Sirius Black estava naquele castelo há 7 anos. Aprontar alguma pegadinha fazia parte de seu cotidiano, assim como estudar para provas, jogar quadribol, se transformar em um cachorro nas noites de lua cheia e implicar com o Ranhoso.

O problema é que era a primeira vez que o alvo de suas pegadinhas era o diretor da escola. Praticamente todo o corpo docente do castelo já havia sido vítima do jovem Black. Porém, era Filch de quem mais ele podia enumerar seus casos. O zelador, além de chato, era tão estúpido que se tornava a principal atração dos momentos tediosos dos marotos.

Aquela noite, porém, a pegadinha ia além de uma simples travessura. Sirius não havia compartilhado com os amigos sua ideia, mas esperava arrancar boas gargalhadas quando chegasse no salão comunal, mais tarde.

Ele carregava o mapa dos marotos consigo, garantindo que o diretor Dumbledore estava do outro lado do castelo enquanto instalava pequenas bombas de bosta em pontos estratégicos do escritório dele. No momento em que terminou, o pontinho com o nome do professor já havia se aproximado.

Sirius imediatamente correu para fora, tomando o devido cuidado de não deixar nada que o incriminasse para trás. Dumbledore teria apenas alguns minutos para entrar em seu escritório e, quando as bombas explodissem, além da bosta fedorenta que se espalharia pelos seus preciosos livros, dezenas de pomos de ouro estourariam junto, voando por toda a sala. O recado estaria dado, mas seria impossível culpar qualquer um dos marotos. Toda a grifinória estava revoltada com a detenção do apanhador de seu time e poderia ser qualquer um dos alunos.

O rapaz não se sentia extremamente confortável em aplicar uma pegadinha logo no professor Dumbledore, que ele tanto admirava. E havia relutado em colocar aquilo em prática. Mas os dias que se seguiram após a notícia que dera ao time foram repletos de piadas e provocações da casa de Slyterin. O próprio Snape estava se sentindo vitorioso, mas aquele era um capítulo a parte. O que os sonserinos podiam esperar era bem pior que uma travessura com bombas de bostas.

Quando já estava longe do escritório de Dumbledore, Sirius consultou o mapa mais uma vez, se assustando ao ver o nome de A. Filtch bem próximo a ele. A última vez que havia olhado, o zelador não estava nem naquele andar.

Black sentiu o coração acelerar e se xingou por não ter furtado temporariamente a capa da invisibilidade de James. Seus pés começaram a correr desesperadamente pelo corredor, desejando ter uma vassoura em mãos. Aos tropeços, ele levantou o mapa diante de si, vendo que cada vez mais Filtch se aproximava. Não adiantaria correr, o zelador o encontraria no corredor seguinte, que era reto.

Olhando em volta a procura de qualquer coisa que pudesse lhe salvar, as íris azuis encontraram o armário de vassouras. Não foi preciso pensar sobre o assunto, Black se jogou dentro do escuro e apertado lugar, torcendo que o zelador seguisse direto.

Ele tentou enxergar o mapa pela luz que entrava na fresta da porta e arregalou os olhos quando viu o pontinho de C. McMillan ao lado do seu. Por Godric, o que estava acontecendo naquela noite? As pessoas estavam surgindo das paredes? Ele correu os olhos pelo pergaminho, vendo que Filch cada vez se aproximava mais para dobrar o corredor.

Um xingamento ecoou na sua mente. Se ele não fizesse nada, havia uma pequena chance da Sonserina levar a culpa pela sua travessura. No menor dos casos, ela levaria uma detenção de qualquer forma, por estar fora da cama naquele horário. Sem hesitar, Sirius abriu a porta e puxou pelo pulso a menina para o interior do armário de vassouras, enfiando agilmente o mapa por baixo do braço. Uma de suas mãos a prendeu pela cintura, mantendo pressionada contra seu corpo, enquanto a outra estava firme impedindo que a sonserina começasse a gritar e os entregasse.

- Não grita! - Sirius sussurrou, tentando lutar contra a menina.

Ele era o batedor de um time de quadribol, o que significava que era bem forte. O estreito armário o ajudava a manter Constance imobilizada. O problema era que a menina usava vestes muito finas e o pouco que conseguia se remexer, estava em total contato com seu corpo.

A voz do zelador soou pelo corredor e Sirius sentiu o coração bater mais forte. Se Constance os entregasse, ele se arrependeria o resto da vida de ter tentado proteger um sonserino.

- Não grita! - Ele voltou a sussurrar, ameaçando a soltar a mão que tampava a boca da menina. Ao ver que Constance puxou o ar para gritar, Sirius a prendeu novamente. - Por Godric, McMillan, cale a maldita boca!

O único motivo para Sirius se arriscar a falar qualquer coisa, com Filtch do lado de fora, era que, graças a proximidade dos dois, sua boca estava grudada na orelha da menina, de modo que um mero sussurro bastava para que ela compreendesse suas palavras.

Os dois ficaram em silêncio, toda a atenção voltada para os ruídos do corredor. Sirius esperou mais um pouco e soltou a cintura de Constance, puxando o mapa para consultá-lo mais uma vez. O pontinho com o nome do zelador já havia dobrado o final do corredor.

Ele enfiou o mapa no bolso e puxou a varinha.

- Lumus! - A ponta da varinha se iluminou, enchendo o pequeno armário de luz.

O rosto de Constance estava meio azulado pela iluminação do feitiço, mas era a primeira vez que Black a tinha tão de perto. Suas íris cinzentas percorreram o rosto dela, admirando as pequenas manchinhas nas bochechas e nariz. Ele nunca havia reparado como eram tantas!

A franja ruiva da menina estava começando a espetar seus belos azuis, o nariz era perfeito e o rosto delicado, não combinando com a personalidade explosiva da menina. Era a primeira vez que Sirius reparava que ela era linda.

- Promete que não vai gritar? - ele perguntou, e após se sentir mais confiante, finalmente soltou a mão que a impedia de falar.

A mão que ficou livre se apoiou por instinto na cintura da menina, mantendo os corpos colados. Sirius podia sentir sob o tecido a curva que fazia e como a pele era firme e macia ao mesmo tempo.

- Filch. - Ele explicou, inclinando com a cabeça para o corredor.

Enquanto seu coração se normalizava, passado o susto, Sirius desceu os olhos para o corpo da menina. A camisola deixava escapar o colo branco, também manchadinho com as mesmas pintas do rosto. Um sorriso malicioso surgiu em seus lábios lentamente e Black se acomodou no armário de vassouras como se estivesse com uma de suas conquistas.

- Belos trajes, McMillan. Nova moda aqui em Hogwarts? - Ele voltou a olhá-la por completo, desta vez sem se preocupar se ela iria reparar ou não. - Preciso confessar que está aprovadíssimo. Cai muito bem em você. Incrivelmente melhor que aquele uniforme verde.
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Seg Out 19, 2015 3:42 am

De todos os alunos da Grifinória, ironicamente, James Potter parecia ser o mais conformado com sua punição. É claro que ele estava chateado por não poder jogar ao lado dos colegas em seu último ano como aluno de Hogwarts, mas o ex-apanhador não se sentia injustiçado. Ele havia cometido uma falta grave, estava envolvido em uma confusão que quase culminara na morte de uma colega. E Dumbledore ainda lhe dera um direito de escolha. Potter não tinha muitos argumentos para reclamar.

Os demais grifinórios, por outro lado, estavam revoltadíssimos com o diretor. Peter e Sirius eram os mais inflamados e frequentemente Remus precisava aconselhar os amigos a não levar adiante planos como jogar bombas de bosta na entrada da diretoria. Até Frank, que costumava ser um aluno bastante tranquilo, começou a olhar para Dumbledore com uma expressão de poucos amigos.

Toda aquela revolta se justificava pelo fato inegável de que a Grifinória tinha um time regular, era o apanhador que fazia da equipe um grupo invencível. Desde que começara a jogar no time, James nunca havia deixado de capturar o pomo dourado. A Grifinória só costumava perder quando o goleiro falhava demais ou quando os artilheiros não estavam num dia muito inspirado. Às vezes até essas falhas eram abafadas pelo excelente desempenho do apanhador.

Agora, sem James, o futuro do time era sombrio. Alguns candidatos a apanhador tinham surgido nos treinos, mas eles só serviram para reforçar que Potter era insubstituível. A ausência do apanhador acabava refletindo negativamente nas outras posições. Longbottom estava mais atrapalhado do que nunca, os artilheiros estavam errando os aros muito mais que o normal e a mira dos batedores parecia uma brincadeira de principiantes. Naquele ritmo, eles nem chegariam a enfrentar a Sonserina. Os lufanos já os eliminariam da competição com um placar vergonhoso!

Apesar de toda a pressão, Albus Dumbledore não dava indícios de que voltaria atrás naquela decisão. Naquele fim de tarde, quando o diretor ordenou que James Potter comparecesse ao seu escritório, o grifinório imaginou que Albus se queixaria do comportamento dos colegas de Potter.

O rapaz já ensaiava várias desculpas enquanto subia a escada em espiral que levava ao amplo e exótico escritório do diretor de Hogwarts.

Um certo alívio se apoderou de James quando ele avistou Albus sentado atrás de sua mesa de mármore. O diretor parecia sereno enquanto acariciava as penas vermelhas de sua bela fênix. Definitivamente, Dumbledore não estava irritado e decepcionado como na noite em que Potter e Snape relataram o ocorrido em Hogsmeade.

- O senhor me chamou, diretor?

- É claro que ele te chamou, imbecil. – um dos quadros dos antigos diretores, o mesmo que levou o recado à torre da Grifinória, resmungou – Está insinuando que sou um mentiroso?

- Acalme-se, Dippet, o rapaz se expressou mal. – Dumbledore estendeu a mão na direção da cadeira vazia, do outro lado da mesa – Sim, Sr. Potter, eu chamei. Sente-se.

James lançou um olhar irritado para o quadro resmungão, mas logo suavizou o semblante e atendeu ao convite de Dumbledore, sentando-se diante dele. Como o diretor permaneceu calado, concentrado na fênix, Potter pigarreou para lembrá-lo de sua presença.

- Precisa de uma balinha de menta para a garganta, Sr. Potter? – Albus empurrou na direção do aluno uma travessa com feijõezinhos de todos os sabores – Boa sorte. Da última vez que tentei pegar um de menta, descobri que era espinafre.

A excentricidade de Dumbledore era algo inacreditável. Potter simplesmente não conseguiu conter uma risada. O rapaz olhou os feijõezinhos com alguma atenção antes de selecionar um dos esverdeados. Os olhinhos azuis do diretor acompanharam os movimentos de James com uma nítida expectativa enquanto o garoto levava o doce à boca. O sorriso vitorioso de Potter antecedeu suas palavras.

- Menta.

- Hoje é mesmo o seu dia de sorte, Sr. Potter! Conseguiu selecionar um bom sabor no instante em que receberá a notícia de que está autorizado a retornar ao time de quadribol da Grifinória.

A surpresa fez o queixo de James cair. O doce que ele não terminara de engolir escorreu pelo canto de seus lábios em forma de uma baba esverdeada. Os olhos castanhos piscaram algumas vezes antes que Potter conseguisse limpar a boca e recuperar a voz.

- Q-q-que? Está falando sério? Por que??? – James atropelou o diretor antes que Albus respondesse – Professor, eu lamento muito pelo comportamento dos meus colegas. Eu tentei explicar a eles que foi uma escolha minha, que não houve injustiça! O senhor não precisa se render à pressão, eles precisam entender!

- Senhor Potter... – Dumbledore ficou mais sério – O senhor realmente acha que eu estou voltando atrás nesta decisão porque seus amigos estão me enviando cartas ameaçadoras mencionando possíveis bombas de bosta “acidentais” no meu escritório?

- Eles fizeram isso??? – os olhos de James quase saltaram para fora.

- Se eu fosse recuar a cada vez que uma das minhas decisões desagrada uma das quatro casas de Hogwarts, não sobreviveria uma semana no cargo de diretor, meu caro!

O coração de Potter ainda saltitava dentro do peito, mas ele só acreditaria naquela boa notícia quando compreendesse os motivos que levaram Dumbledore a mudar de ideia.

- Eu preciso entender seus motivos, professor...

- Uma pessoa intercedeu por você com argumentos que eu não pude ignorar.

Milhares de nomes passaram pela mente de James em um segundo. Qualquer um de seus colegas de casa poderia ter feito aquilo. Minerva também não estava nada satisfeita em ver o time de quadribol da Grifinória desfalcado. Slughorn era o diretor da Sonserina, mas era um homem justo e poderia ter intercedido a favor do aluno que o ajudara no resgate de McMillan.

- Quem? – James foi direto ao ponto ao perceber que não tinha nenhum palpite excepcional.

- Alguém que estava presente na cena e, portanto, tem bastante crédito para me garantir que o senhor não teve culpa.

- Slug?

- Ele bem que tentou, mas eu admito que não levei o professor Slughorn muito a sério. Ele é um grande fã do senhor e da Srta. Evans, a opinião dele não é tão isenta de interesses. – Albus acrescentou diante do olhar confuso de Potter – Vamos... quem mais estava lá?

- Snape. – Potter fez uma careta debochada, com a certeza que Severus morreria antes de interceder por ele – O professor Slug, Constance McMillan e Regulus Black. Não imagino nenhum deles partindo em minha defesa.

- Você se esqueceu de alguém, Sr. Potter...

- Eu não lembro direito, professor, surgiu um bando de curiosos!

- Ele é mesmo muito burro. – Dippet resmungou de sua moldura – Quem foi a protagonista da cena, seu animal???

- McMillan? – a voz de James soou num sussurro assombrado e ele olhou de Dippet para Dumbledore – Ela? Ela me defendeu?

Um sonserino havia intercedido a favor de um grifinório. Isso era algo que James Potter não conseguia digerir. Victoria McMillan havia pedido ao diretor que recolocasse Potter no time da Grifinória? Se os colegas dela soubessem disso...

- Por motivos óbvios, pedirei ao senhor que guarde esta informação. – Albus completou como se estivesse lendo os pensamentos de James – A Srta. McMillan não será vítima de um “acidente” caso esta informação vaze.

Potter concordou com um semblante sério. Era óbvio que ele não pretendia fazer nada para prejudicar Victoria e para colocar um bando de sonserinos sanguinários contra ela. A loira havia se arriscado demais para corrigir aquela injustiça, o mínimo que James podia fazer para recompensá-la seria zelar pela sua segurança. Nem mesmo aos marotos o apanhador pretendia contar aquela verdade.

- Obrigado, professor.

- Não agradeça a mim. E Potter... – Albus chamou antes que o rapaz saísse do seu escritório – Não me decepcione. Eu gostaria de ver as cores vermelho e dourado na nossa decoração de fim de ano...

---

Não havia uma maneira discreta de se aproximar de uma garota da Sonserina, mas James precisava desesperadamente falar com Victoria depois que uma atitude dela o recolocara de volta no time da Grifinória. Mais uma vez, ele se sentia em dívida com a loira e precisava agradecê-la. McMillan não fizera nada além de buscar pela justiça, mas aquilo já era MUITO mais do que Potter esperava de qualquer sonserino.

Foi por isso que, logo após receber a boa notícia dos lábios de Dumbledore, James seguiu direto para seu dormitório. Ele pretendia reunir todos os colegas para anunciar a novidade, mas antes precisava enviar um bilhete.

As palavras foram rabiscadas rapidamente no pedaço de pergaminho que foi cuidadosamente dobrado e amarrado à pata de uma coruja. James soltou a ave com a instrução clara de levar aquele recado à Victoria McMillan.

“Eu preciso te ver.
Amanhã, às seis da tarde, nas estufas.”

Pensando na segurança de Victoria, James optou por não escrever o nome da moça e nem assinar o próprio nome. Mas McMillan não teria dúvidas sobre o remetente daquele recado quando lesse as palavras aparentemente sem sentido rabiscadas no cantinho do pergaminho.

“Sorvete de limão.”
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Seg Out 19, 2015 11:01 pm

A grande verdade era que Constance não se importava em ganhar uma detenção por estar fora da cama. Seria apenas mais uma mancha na sua ficha em Hogwarts, que já não era tão imaculada. Passar o resto do ano em detenção ainda parecia uma ideia melhor do que ficar presa num armário de vassouras com Sirius Black. No que ele estava pensando quando a “raptou” daquela forma? Que a caçula dos McMillan era mais uma de suas conquistas fáceis?

Mas um pequeno detalhe fez Constance mudar de ideia sobre gritar e alertar Filch sobre a presença dos dois dentro do armário de vassouras.

Quando a visão da ruiva capturou a imagem daquele pergaminho velho que Sirius segurava, Constance entendeu imediatamente a utilidade daquele artefato. McMillan viu o mapa de relance e fingiu bem que não dera muita atenção ao pergaminho, mas naquele breve momento era soube que aquele era o segredo do sucesso dos marotos. Eles tinham um mapa de Hogwarts. Um mapa que mostrava a localização de todos os ocupantes do castelo em tempo real!

Por aquele tesouro, todos os sacrifícios valiam a pena. Até mesmo suportar o nojento comportamento galanteador de Sirius Black.

Os olhos azuis escuros seguiram discretamente a mão de Sirius enquanto o rapaz guardava o pergaminho no bolso, mas Constance logo ergueu os olhos para o rosto do grifinório. O primogênito dos Black era um maldito traidor do próprio sangue, um grande ingrato, um imbecil, um inconsequente... A ruiva poderia enumerar os defeitos de Sirius por horas seguidas. Mas uma coisa McMillan tinha que admitir: aquele desgraçado era mesmo muito bonito.

- É mesmo...? – uma das sobrancelhas finas da ruiva se arqueou quando Black terminou o seu galanteio – Eu achei que eu fosse um monstrinho assexuado de cabelos vermelhos.

Ao contrário de Sirius, Constance não tinha muita experiência no ramo da sedução. Victoria sempre tivera mais jeito com os rapazes, mas a caçula não achava que seria tão difícil assim. Ainda mais com Black, que corria atrás de qualquer ser que usasse saias.

Ao invés de se afastar do toque mais íntimo do rapaz, McMillan apenas olhou as mãos que se apoiavam em sua cintura. Devido ao pequeno espaço disponível, os dois estavam perigosamente próximos. Sirius havia encaixado um dos joelhos entre as pernas da sonserina e Constance não tivera muita escolha além de apoiar as mãos no peito firme do batedor grifinório.

- O que os seus amigos diriam se soubessem que você num armário de vassouras com uma aluna da Sonserina, derretendo-se em elogios?

Constance usava uma entonação sussurrada. Não era preciso falar muito alto. Os dois estavam tão próximos que escutavam com perfeição as respirações um do outro.

- Sabe, Black...? – os olhos felinos de McMillan se ergueram para encará-lo – Você é um idiota. Mas é um idiota muito atraente...

É claro que aquilo bastou para que Sirius tivesse a audácia de tomar uma iniciativa. Constance sentiu o coração dar uma cambalhota quando viu o grifinório tombar a cabeça em sua direção, mas não desistiu. No fundo, aquele plano uniria o útil ao agradável. McMillan desprezava as ideias defendidas por Black, mas mentiria se dissesse que nunca desejara uma oportunidade de provar o sabor dos lábios dele.

Uma corrente elétrica percorreu o corpo da garota quando os lábios se encaixaram. Suas mãos, que permaneciam no peito de Black, se fecharam e agarraram com firmeza a camisa dele. As pálpebras de Constance pesaram e ela se rendeu, entreabrindo os lábios quando Sirius começou a intensificar o beijo.

A caçula dos McMillan nunca imaginou que um dia seria uma das garotas que Sirius Black arrastava para armários de vassouras, mas agora que acontecera a ruiva queria aproveitar aquela única oportunidade.

Contrariando todas as expectativas, Sirius e Constance alcançaram uma harmonia inquestionável durante o beijo. Suas personalidades explosivas foram abafadas por uma inegável paixão. Os dois até podiam ter seus interesses naquela noite, mas era óbvio que aproveitavam ao máximo o que aquele momento tinha a oferecer.

Por um momento, a ruiva se esqueceu completamente de seus planos, do resto do mundo. Inconscientemente, seus dedos deslizaram pelo peito de Sirius, subindo vagarosamente até se apoiarem na nuca do grifinório. Constance não estava raciocinando quando mexeu nas pontinhas dos cabelos de Black, acariciando-os, sem interromper o movimento ritmado dos lábios e da língua.

Os pulmões de McMillan já ardiam, implorando por ar, quando a ruiva recobrou a sanidade. Suas mãos desceram lentamente pelas laterais do corpo de Sirius, numa carícia forjada. Em meio ao beijo, Constance abriu um meio sorriso quando conseguiu capturar o seu “troféu” sem que o grifinório notasse.

- Black... – a ruiva afastou os lábios, mas manteve-se colada ao rapaz e roçou os lábios pelo pescoço dele – Eu não posso...

A frase inespecífica não deixava claro se Constance se referia a ir adiante naquele amasso ou a se envolver com alguém como ele.

A garota parecia triste quando se afastou alguns centímetros, mantendo uma das mãos atrás do próprio corpo.

- Me desculpe, isso foi um erro. Vamos fingir que isso nunca aconteceu, está bem?

Sem esperar por uma resposta, McMillan recuou subitamente, abriu as portas e saltou para fora do armário de vassouras. Como se fosse uma garotinha assustada que nunca fora beijada, a ruiva disparou numa corrida frenética pelo corredor e só pararia de correr quando chegasse às masmorras com a sua recompensa.

Os olhos azuis brilharam e um sorriso maldoso surgiu nos lábios de Constance quando o mapa lhe mostrou que o pontinho S. Black continuava parado no mesmo corredor onde ela o deixara. Quanto tempo ele demoraria para notar que faltava um importante pergaminho em seu bolso?
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Out 19, 2015 11:11 pm

Victoria McMillan soltou um gemido de frustração ao terminar de ler a curta frase no pergaminho que acabara de receber. Por que, Salazar? Por que Potter não podia simplesmente seguir com a vida chatinha de sempre? Ela finalmente havia conseguido o cargo dele de volta ao time de Quadribol, assim poderia finalmente seguir seus dias sem precisar pensar no grifinório.





Afinal, que assunto James Potter poderia ter com ela? Ele não sabia que ela havia intercedido a seu favor com o diretor da escola. A não ser que o rapaz quisesse lhe presentear com mais sorvetes, não havia motivo para os dois conversarem.





A coruja beliscou o seu dedo, pedindo sua recompensa e Vicky soltou outro gemido.





- Não precisa ser tão grosseira! – A Sonserina empurrou um pedacinho de sapo de chocolate esquecido sobre o criado mudo de uma das colegas.





A ave recebeu imediatamente a comida com o seu bico e levantou vôo em seguida. Os olhos azuis passaram novamente pelo pergaminho em suas mãos, pousando sobre as palavras rabiscadas em um dos cantos. Sorvete de limão. Belo toque, Potter. Ela pensou, sem ter certeza se estava zangada ou feliz.





Quando o dia seguinte chegou, todo o Salão Principal parecia inundado em conversas agitadas e o principal foco parecia vir da mesa da Grifinória. Victoria sabia exatamente o motivo de todo aquele burburinho, por isso se encaminhou com uma expressão imparcial até seu lugar de costume. Ela se serviu de mingau enquanto, a sua frente, Emma Vanity, capitã do time de Quadribol Sonserino, socava a mesa furiosa.





- Este velho passou de todos os limites! Está completamente caduco! Onde já se viu, voltar atrás? Poderia ao menos disfarçar a predileção que tem pelo Potter!





Victoria havia enchido uma colher e estava levando-a até a boca, mas parou no meio do caminho, mantendo-a suspensa.





- Eu agradeceria bastante se você não cuspisse no meu café da manhã, Vanity.





A capitã do time fez uma careta, descontando na mesa de madeira mais um soco.





- Como você pode estar tranquila com isso, McMillan? É uma ofensa com o que aconteceu com você?





Victoria revirou os olhos e precisou morder a língua para não responder a colega. Uma ofensa, na verdade, era ter sido abandonada pelos demais sonserinos, precisando depender de um grifinório para não morrer.





- Tenha um pouco de fé no próprio time, Vanity. – Vicky alfinetou. – Se continuar berrando para os quatro cantos que tem medo do Potter, vão começar a acreditar que realmente são melhores que a gente.





Ela encolheu os ombros enquanto enchia um copo de suco de abóbora.





- Ou você acha que o Regulus não da conta do recado?





Emma rangeu os dentes tortos, parecendo um cachorro raivoso, mas pareceu ter sido o suficiente para que ela parasse de gritar.





Ao longo de todo o dia, era notável o sorriso dos grifinórios que cruzavam seu caminho pelo corredor. Parecia que a taça de Quadribol já estava em suas mãos. Até a professora McGonnagal parecia ter atravessado a sala com pequenos e discretos saltinhos. Vicky não estava arrependida do que havia feito, mas gostaria de não precisar presenciar toda aquela felicidade grifinória.





Quando a última aula chegou finalmente ao fim, a menina ainda não havia se decidido se iria ao encontro de Potter ou não. O bilhete enfiado em seu bolso estava completamente amassado pelas diversas vezes que ela o retirara para uma nova leitura, como se a qualquer momento uma nova palavra pudesse surgir.





Disposta a colocar um fim em qualquer assunto que tivesse com James Potter, ela permitiu que seus pés se encaminhassem até as estufas alguns minutos depois do horário combinado. A loira apoiou alguns dos livros que carregava consigo sobre uma das bancadas sujas de terra, torcendo o nariz.





- Por Salazar, só seria pior se tivesse marcado no corujal. Meus sapatos novos vão ficar imundos de terra!
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Ter Out 20, 2015 1:22 am

As estufas estavam completamente vazias quando James Potter empurrou a porta e adentrou o ambiente úmido e silencioso. Ainda faltavam vinte minutos para o horário marcado com Victoria McMillan, mas o grifinório não se importava em esperar. Na verdade, ele se encaminhou ao local do encontro preparado para uma longa espera. McMillan não confirmara sua presença, talvez ele tivesse que esperar bastante até se dar conta de que a loira não apareceria.

No fim das contas, Potter não sabia bem o que estava fazendo ali. Sim, ele precisava agradecer a colega pelo gesto nobre, mas poderia muito bem ter feito isso através de um bilhete, ou talvez mais um sorvete de limão. Era um tanto inexplicável aquela necessidade de falar com McMillan pessoalmente, em particular.

Como imaginava que sua espera seria longa e talvez improdutiva, James decidiu que ao menos ficaria confortável. Sem muita cerimônia, o apanhador da Grifinória se jogou num dos compridos bancos usados pelos alunos durante as aulas de Herbologia e se pôs a admirar o teto da estufa.

James estava mergulhado nos próprios pensamentos quando escutou passos. O típico toc-toc-toc dos saltos fez com que Potter tivesse certeza que era McMillan, mesmo antes de escutá-la resmungando. Ao invés de se zangar com a reclamação, James abriu um sorrisinho e girou os olhos castanhos por trás das lentes de grau. Aquela não seria Victoria McMillan se não estivesse reclamando.

- Só não prometo te dar sapatos novos porque teria que vender a casa dos meus pais para bancar esta gentileza...

A voz de James soou na estufa aparentemente vazia e, só depois que se calou, o rapaz tomou um impulso, ergueu o tronco e se colocou sentado no banco. Por ter esperado por Victoria deitado, James estava com os cabelos mais atrapalhados que o normal. Os fios negros espetados apontavam em todas as direções, como se o apanhador tivesse acabado de sair de uma partida de quadribol agitada.

Antes de encará-la, Potter ajeitou os óculos tortos para que a visão de McMillan entrasse em foco. Victoria era conhecida por sua exagerada vaidade, o que passava aos demais a impressão de que a moça era fútil. James não a conhecia bem o bastante para concordar com aquelas críticas, mas uma coisa o grifinório podia confirmar. A vaidade de Victoria produzia um resultado final agradável. A loira era extremamente bonita e sabia bem como atrair o interesse dos rapazes.

- Lamento que o local do encontro não lhe seja tão agradável, McMillan. Vou tentar compensar este erro sendo o mais breve possível.

Com um movimento ágil, Potter colocou-se de pé e contornou o banco, aproximando-se da sonserina. A proximidade permitiu que James sentisse o perfume de Victoria e o aroma lhe foi extremamente agradável. A loira tinha um bom gosto inegável.

- Eu estou de volta ao time, e sei que devo isso a você.

Antes que a menina pudesse se alarmar, Potter completou com entonação séria.

- Não contei esta verdade a ninguém e pretendo manter este segredo apenas comigo. O seu gesto foi muito nobre, o mínimo que posso fazer é garantir que você não sofra retaliações por ter me ajudado.

O rapaz abriu um de seus meio sorrisinhos irônicos antes de imitar o gesto de Victoria. Não chegou a ser um soquinho, Potter apenas empurrou delicadamente um dos ombros da sonserina com o punho.

- Obrigado, McMillan. Significou muito para mim, eu nunca vou me esquecer da sua atitude.
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Qua Out 21, 2015 12:04 am

O coração de Sirius batia tão forte que ele conseguia sentir as batidas em seus ouvidos. Seu rosto estava quente e todo o seu corpo parecia emanar calor. A respiração ofegante fazia com que seu peito subisse e descesse rapidamente. Ele ergueu uma das mãos e tocou os próprios lábios com as pontas dos dedos, ainda sentindo-os úmidos e formigando.



- Uau... – conseguiu sussurrar, um sorriso maroto brotando em seu rosto.



Nunca, em todos os seus anos em Hogwarts, ele havia pensado que um dia beijaria Constance McMillan. A surpresa da inegável química que surgira entre eles o deixara atônito. Já havia tido diversos encontros maravilhosos, mas era inegável que jamais se sentira daquela forma. Nenhuma outra menina que estivera em seus braços parecia ter se encaixado tão perfeitamente com ele.



Jamais poderia imaginar que a preconceituosa e arrogante sonserina pudesse provocar reações tão intensas em seu corpo, mas naquele apertado e escuro armário de vassouras, ela era apenas o melhor beijo da sua vida.



Ele empurrou a porta do armário com um rangido, pulando para o corredor, completamente absorto se Filch estaria presente ou não. Seus pés o levaram automaticamente até o Salão Comunal da Grifinória, sem que ele realmente pensasse sobre o caminho que estava fazendo. Apenas quando se deparou com uma festa tardia dos grifinórios que o rapaz se lembrou de tudo que fizera naquela noite, antes de encontrar Constance.



Parecendo despertar de um transe, Black passou as mãos pelos fios negros, se aproximando de Remus e Peter, que estavam um pouco mais afastados da maior concentração de alunos.



- Hey, vocês não vão acreditar... – ele começou, pronto para narrar a travessura que aprontara com o diretor, quando viu que bem no centro do aglomerado de grifinórios, um James Potter sorridente se exibia. – O que o Prongs está fazendo? Ganhou algum bilhete dourado?



- Dumbledore o readmitiu no time!!! – Peter tinha os punhos cerrados e agitados, tentando conter a felicidade que seu rosto não negava. – Vamos ganhar da Sonserina!!!



- Calma, Wormtail... – Lupin balançou a cabeça, mas também exibia um sorriso satisfeito.



Sirius olhou de um amigo para o outro, tentando entender. O lobisomem, diante da expressão confusa, explicou.



- Parece que o professor Dumbledore voltou atrás com a detenção do James. Ele vai poder continuar no time.



As sobrancelhas negras de Sirius se ergueram além do normal. Os lábios se entreabriram como se tentasse dizer alguma coisa, mas demorou alguns segundos até que as palavras realmente saíssem.



- E quando isto aconteceu? – sua voz soou mais fina do que o de costume, como se tivesse algo preso em sua garganta.



- Logo após o jantar. Prongs deu a notícia logo em seguida.



- Ih rapaz... – Uma das mãos de Black se ergueu e coçou a própria nuca, lembrando das bombas de bosta que espalhara no escritório do professor, impedindo que ele se sentisse inteiramente feliz com a excelente notícia.



- Onde você estava, Pad? – Remus perguntou, o sorriso já se desmanchando.



- Bom... vocês acham que tem alguma chance do professor Dumbledore voltar atrás de ter voltado atrás? – ele tentou esboçar um sorriso que só enfatizou sua careta de pânico.



- Padfoot, o que você aprontou?



- Olha, não foi nada demais... – Ele tentou se justificar, abrindo o casaco para pegar do bolso interno o mapa. – Eu me certifiquei, ninguém me viu...



Sua mão apalpou por alguns segundos os bolsos, os dedos tocando apenas o tecido da roupa.



- Ué... – Sirius ignorou quando Remus insistiu em saber o que ele estava fazendo e tentou procurar no outro bolso, os dedos ainda buscando o vazio. – Mas o que...?



Ele se levantou, tirando o casaco e revirando todos os bolsos possíveis, inclusive um rasgadinho que havia surgido, criando um buraco para o forro. Peter e Remus o olhavam confusos e, após alguns minutos, a cabeça de Sirius se ergueu do casaco, fitando o vão a sua frente, o rosto se iluminando como se lembrasse de algo.



- Oh não... – ele gemeu, jogando o casaco com força contra a poltrona que antes estava sentado. – Aquela... AQUELA!



Alguns alunos mais próximos se viraram após o grito de Sirius, sem entender por que o melhor amigo de James Potter não estava celebrando com todo o restante. Ignorando os curiosos, Black chutou a primeira coisa que viu, sem notar antes que se tratava da canela de Peter Pettigrew.



- AAAAAAAAAI! – Peter gemeu, fazendo com que mais olhos curiosos se virassem para encarar o trio.



Remus também se levantou, na duvida entre socorrer Peter e entender o que estava acontecendo com Sirius.



A imagem borrada de Constance no armário de vassouras invadiu sua mente. Só podia ter sido a Sonserina. Como ele conseguira ser tão burro? Era mesmo tão cego quando se tratava de um rabo de saia?



Black se sentia dividido entre a fúria e a ofensa. Ela havia feito tudo aquilo só para lhe furtar o mapa? Não porque queria beijá-lo? Que humilhação!



- Olha, eu vou dar um jeito! – Sirius garantiu aos dois amigos.



Peter tinha os olhos marejados e o encarava com mágoa. Remus estava assustado com a reação do amigo, mas os dois ainda não estavam entendendo do que Black estava falando.



- O mapa sumiu. – Ele cuspiu as palavras como quem tira um curativo de uma só vez, fechando os olhos como se socos pudessem vir em seguida



- O mapa? – Remus perguntou, torcendo para que tivesse entendido errado. – O nosso mapa? O Mapa do Maroto? Que mostra este castelo todinho?



- Olha, ela nem vai conseguir ler o mapa! Precisa usar as palavras certas para o mapa se revelar, certo? Então logo logo ela vai desistir de um pergaminho velho!



- Ela?! – O tom de voz de Remus aumentava. – Ela quem, Padfoot???



Sirius engoliu em seco antes de responder baixinho.



- McMillan.



Os olhos castanhos de Remus se arregalaram.



- Uma sonserina?? Nosso mapa está nas mãos de uma sonserina? – O lobisomem se forçou a falar baixo, para que os alunos em volta não escutassem. – Você tem ideia do que você fez, Padfoot? Nós não podemos afirmar com certeza, mas muitos sonserinos estão assumindo um lado nessa guerra, e nós dois sabemos qual lado é. Entregar de bandeja um mapa do castelo com os seus ocupantes é suicídio!



Todo o mar de emoções que Sirius sentira minutos antes foi invadido por uma enorme culpa. Ele voltou a afundar na poltrona, encarando os amigos com uma expressão mais séria.



- Eu vou dar um jeito. Eu prometo.



***



Quando os primeiros raios de sol apareceram no dia seguinte, Sirius Black já estava de pé, se encaminhando para o Salão Principal. Se tivesse alguma sorte, ele encontraria Constance Black sem muitos colegas por perto.



Ele precisava falar com a Sonserina de qualquer jeito. Mas não podia chamar atenção dos demais, especialmente dos colegas dela. Se mais alguém desconfiasse da existência do mapa, Sirius estaria colocando muita coisa a perder.



O rapaz ficou sentado da mesa da grifinória sem desviar o olhar da mesa da casa de Salazar. O salão foi se enchendo, alunos indo e vindo, e ele continuava estático, um palitinho de torrada se desfazendo em seus dedos, que os quebrava compulsivamente sem ter consciência.



Quando a menina finalmente apareceu no Salão, a mesa da Sonserina já estava tão cheia que seria impossível qualquer tentativa de se aproximar.



Todo o dia se arrastou sem que Sirius pudesse se concentrar em uma única aula. Em cada intervalo, os olhos cinzentos buscavam desesperadamente os fios ruivos da sonserina. Por algumas vezes ele chegou a tocar no ombro de Lily Evans, cheio de esperança.



O problema era que, sem o mapa, a tarefa de saber onde Constance McMillan estava era ainda mais árdua, o que só tornava a situação cada vez pior. No último período do dia, Sirius resolveu que não assistiria a aula de Transfiguração. Ele se encaminhou para o corredor que levava até as masmorras e ficaria plantado ali até que tivesse uma oportunidade com a pequena monstrinha traidora.



Sirius entrou na sala de Poções, já vazia pelo horário, e puxou uma das cadeiras até a porta, onde deixou apenas uma pequena fresta entreaberta. Era patético de se ver, mas era uma das poucas chances.



Os olhos cinzentos já começavam a arder de sono conforme o tempo passava e a cada minuto ele tinha certeza que era uma ideia estúpida. Quando um vislumbre ruivo refletiu no corredor, entretanto, seu coração deu um salto, o despertando. Ele se colocou de pé em um pulo, derrubando a cadeira que estava sentado, e esperou pelo momento.

Como um leão pronto para atacar sua presa, Sirius esticou apenas o braço para fora da sala, puxando McMillan para o interior, exatamente como fizera na noite anterior, no armário de vassouras.



Sem dar chance para que a menina escapasse, Sirius imediatamente apontou a varinha para a porta, trancando-a. Ele manteve a ruiva encurralada na parede, mantendo as duas mãos na lateral do corpo dela, a encarando com os narizes quase se tocando. Ao contrário da noite anterior, entretanto, seus olhos estavam faiscando e não havia sorriso em seus lábios.



- Okay, McMillan. Chega de joguinhos. Eu quero o que é meu de volta. E quero agora.
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Out 21, 2015 12:06 am

- Mas que velho fofoqueiro! Aposto que esconde o tamanho da língua naquela barba falsa!



Victoria cruzou os braços, um bico se formando em seus lábios rosados enquanto o rapaz lhe garantia que não contaria a ninguém o seu envolvimento com o acontecimento do dia. Se alguém da Sonserina descobrisse, ela seria mais excluída do que um lufano nascido trouxa, jogando no lixo toda a reputação que conquistara nos últimos sete anos.



Quando Potter depositou o “soquinho” em seu ombro, a menina deixou que o corpo fosse alguns centímetros para trás e descruzou os braços, apoiando as mãos na cintura. Um friozinho gostoso se espalhou pelo seu estômago diante do agradecimento do rapaz, surpreendendo a menina.



Ela estava mais do que acostumada em ser mimada e bajulada, os rapazes sempre faziam a sua vontade em uma tentativa de conquistar um pouco da sua atenção. Era a primeira vez, entretanto, que via alguém lhe agradecer por um gesto seu. A sinceridade no rosto de Potter a deixou imensamente satisfeita, mas McMillan tentou não transparecer.



- Você não precisa me agradecer, Potter. Já disse que achava uma grande injustiça e nós dois sabemos que o que você por mim foi infinitamente maior.



O rosto de McMillan estava sério e encarou o apanhador da grifinória por longos segundos sem piscar. Bem diante dela estava o rapaz que salvara sua vida, e ela seria sim eternamente grata. Era nova aquela experiência de gratidão, algo que não podia ser ignorado. Não podia dizer que agora estava quite com o rapaz, por ter conseguido de volta seu lugar no time de Quadribol, mas ao menos poderia seguir seus dias sem se flagrar pensando nele.



Como se tivesse levado um choque, a menina voltou a sorrir como a antiga Victoria, o nariz empinado e a voz fina.



- É melhor você treinar bastante, pois o Reg vai pegar aquele pomo no próximo jogo, pode ter certeza. Mas não precisa ficar tímido em me trazer mais sorvete de limão, está bem?



A menina mal terminou a frase quando sentiu algo roçar em seu braço. Ela virou o rosto para o lado, a testa franzida, apenas para encontrar uma enorme planta em um vaso marrom se mexendo sozinha. A terra caía ao redor, sujando a bancada que estava apoiada.



A maior flor da planta lembrava uma gigante semente cor de musgo, quase do tamanho de uma goles. De repente, dois olhinhos brilharam na superfície da planta e uma fenda surgiu, dando espaço para uma gigante boca.



Victoria deu um pulo no momento que a boca da planta foi em sua direção, escapando por um fio. Tropeçando nos próprios saltos, ela caiu para frente, sendo amortecida pelos braços de Potter.



- Outch! Por Salazar, acho que eu preferia o Corujal.
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Qua Out 21, 2015 12:13 am

O mapa.

Quando acordou na manhã seguinte, atrasada como de costume, Constance tentou convencer a si mesma de que havia beijado Sirius Black na noite anterior com o único objetivo de capturar aquele tesouro. Mas o arrepio que percorreu a coluna da ruiva quando ela avistou o Black mais velho na mesa da Grifinória naquela manhã dizia o contrário.

Sirius parecia furioso e, ironicamente, isso só parecia torná-lo ainda mais atraente. A expressão fechada dele deu à McMillan a certeza de que aquela guerra não havia acabado, mas ela sabia que a posse do mapa lhe dava um inegável trunfo.

Bom, talvez o trunfo não fosse tão grande assim. Naquela manhã, quando tentou consultar novamente o pergaminho, Constance o encontrou vazio. Ela não demorou a entender que deveria haver algum tipo de magia para que o mapa só se revelasse mediante um feitiço. Um feitiço que ela desconhecia. Mas é óbvio que a ruiva não pensava em desistir do pergaminho sem tentar exaustivamente descobrir os seus segredos.

Mais ninguém sabia que Constance tinha posse do Mapa do Maroto. Ela não confiava mais nos colegas, ainda mais depois da quase-tragédia ocorrida com Victoria. A ruiva também optou por não contar nada à irmã mais velha porque sabia que a loira daria mais importância a uma nova marca de creme facial do que a um mapa de Hogwarts. Quanto a Regulus, Constance não contou por um único motivo: acabaria tendo que revelar ao melhor amigo que furtara aquele artefato durante um amasso com Sirius Black num armário de vassouras.

Durante todo o dia, a sonserina conseguiu evitar que seu caminho se cruzasse com o de Sirius. Isso seria bem mais fácil com o mapa, mas não era uma missão impossível esconder-se de um aluno de outra turma e de outra casa.

A última aula do dia para os sonserinos do sexto ano foi DCAT e Constance conseguiu terminar sua lição em tempo recorde. Sua ideia era voltar mais cedo para as masmorras e evitar a aglomeração do fim das aulas, mas, para seu azar, Sirius também estava adiantado naquela tarde.

Ao ser subitamente arrastada para a sala de Poções, Constance soltou um gritinho pelo susto. Os livros que ela carregava caíram no chão de pedra, assim como a bolsa vermelha onde a menina levava seus outros pertences. Com as coisas dela espalhadas no chão, Sirius poderia ter uma certeza: McMillan era esperta o bastante para não sair pelo castelo levando o mapa.

Os olhos de felina se estreitaram quando Constance reconheceu Sirius. Ele a encurralou de tal forma que a sonserina não conseguiria escapar, mas nem assim a ruiva pareceu amedrontada.

- Devolver o que é seu? – uma das sobrancelhas da ruiva se arqueou – Espero que não esteja se referindo a sua dignidade, Black. Lamento te informar, mas a perda dela é irrecuperável.

Embora a proximidade de Sirius provocasse saltos no coração de Constance, ela estava pronta para morrer sem admitir que o beijo da noite anterior a deixara de pernas bambas. No que dependesse dela, Black não teria aquela satisfação. Pelo contrário, McMillan queria que o maior conquistador de Hogwarts se sentisse humilhado.

- Você é mesmo muito prepotente, não é? Achou mesmo que eu era como uma das garotinhas tolas que suspiram por você? Você pensou que eu estava realizando um sonho naquele armário? Ah, Black, as garotas idiotas desde castelo te acostumaram muito mal. Você não sabe lidar com meninas que tem cérebro...

Repetindo o gesto da noite anterior, Constance se aproveitou da proximidade dos corpos para passar os braços pelo pescoço de Sirius. Com um sorriso debochado nos lábios, ela repetiu a carícia, mexendo nas pontinhas dos cabelos dele.

- Não vou devolver nada. Aquela é a minha recompensa por ter me sacrificado tanto. É o justo, não acha? Eu mereço um prêmio por ter me rebaixado ao ponto de beijar um traidor do próprio sangue. E quanto a você...

McMillan fez uma pausa, arranhando a nuca de Black com as pontinhas das unhas. Ela estava tranquila porque sabia que Sirius não tinha grandes escolhas. O grifinório não podia levar o caso aos professores sem assumir que era o dono daquele artefato proibido e altamente perigoso.

- Que este tropeço te sirva de lição. Da próxima vez que estiver com uma menina, pense mais com a cabeça “de cima”.
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Qua Out 21, 2015 12:50 am

Era muito estranho conversar com Victoria McMillan sem provocações, sem trocas de ofensas, sem a velha rivalidade que colocava Sonserina e Grifinória em lados totalmente opostos naquele castelo. James tinha que admitir para si mesmo que a primogênita dos McMillan não era tão ruim quando deixava de lado o comportamento esnobe.

Ali, conversando a sós com ele, Victoria não era uma sonserina, tampouco comportava-se como uma das garotas mais vaidosas e populares do castelo. Potter nunca imaginou que uma McMillan pudesse ser simpática e agradável. O apanhador da Grifinória jamais pensou que encontraria um sonserino com senso de justiça e coragem para tomar uma decisão correta, mas difícil.

- Não se iluda. – o rapaz abriu um sorrisinho convencido quando Victoria mencionou Regulus – O seu time não tem chances, torça para que nem cheguem à final. Só assim evitarão um vexame!

James estava tão distraído com a conversa que só percebeu que algo se mexia ao lado deles quando a planta quase abocanhou McMillan.

Potter era um excelente aluno e perseguia as boas notas necessárias para ser aceito como auror, mas Herbologia não era uma das exigências. E, definitivamente, o apanhador não tinha muita paciência em cuidar ou estudar plantas.

A falta de conhecimento sobre o assunto foi compensada pelos excelentes reflexos de James. No exato momento em que Victoria saltava para escapar da mordida, Potter se posicionou de forma a amparar o corpo da loira e evitar uma queda feia.

Os braços dele evitaram que McMillan caísse no chão imundo de terra e o grifinório a amparou apoiando Victoria em seu peito. Os dois tinham se aproximado daquela forma por “acidente”, mas o fato foi que não romperam o contato mesmo depois que Victoria se recompôs.

Alguma coisa nela fez com que James parasse de pensar. Talvez fosse o perfume gostoso, ou os olhos azuis encarando-o de tão perto. É claro que Potter já havia notado que Victoria era linda, mas era a primeira vez que ele não se sentia indiferente à sonserina.

O apanhador da Grifinória não estava raciocinando quando ergueu uma das mãos e levou os dedos a uma mecha dos cabelos loiros sedosos, que caía próxima aos olhos de Victoria. Os fios foram delicadamente afastados, sem que James tirasse os olhos castanhos dos azuis dela.

- Isto está virando um hábito. Quantas vezes mais terei que te salvar?
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Qua Out 21, 2015 10:41 pm

A cada palavra de McMillan, os olhos de Sirius Black se estreitavam, formando uma linha fina de íris cinzentas com pequenas rugas. Os lábios dele também estavam pressionados, deixando-o esbranquiçado por prender o fluxo do sangue. Seus dentes estavam rangendo como um cão raivoso e os punhos, apoiados aos lados da cabeça da sonserina, estavam cerrados, as unhas lhe machucando levemente as palmas das mãos.

Quando a menina roçou os dedos em sua nuca, ele fechou os olhos por alguns segundos, soltando o ar pelo nariz, sentindo o coração bater mais forte. Todo o seu corpo fervia, em uma mistura extremamente confusa de fúria e algo muito semelhante ao que sentira no armário de vassouras. As pálpebras se ergueram novamente quando Constance terminou de falar, o cinza de seus olhos brilhando fortemente, inundado de todas aquelas emoções.

Era impressionante como aquela cobrinha era capaz de despertar tantos sentimentos diferentes ao mesmo tempo. Sirius jamais teria coragem de bater em uma menina, mas ao mesmo tempo que ele queria fazer Constance pagar por tudo que estava falando, ele também desejava beijá-la novamente.

A sala estava mais iluminada que o armário de vassouras, de modo que Black podia admirá-la ainda melhor. Os fios ruivos contrastavam perfeitamente com a pele pálida, o perfume suave era apenas mais um contribuinte para a confusão de emoções. Os olhos eram os mais belos que Sirius conseguia se lembrar de já ter visto, mas era o formato da boca que estava atraindo toda sua atenção. Os lábios formavam um desenho perfeito, rosados, prontos para serem beijados mais uma vez.

Sirius se perguntou se era mesmo possível que Constance não tivesse sentido absolutamente nada na noite anterior. Estava tudo na cabeça dele? A Sonserina era mesmo tão indiferente assim a sua presença e ele estava perdendo a cabeça sozinho?

As últimas palavras de McMillan não foram processadas por Black. Sua respiração já havia se tornado mais rápida, o coração acelerado. Um de seus punhos relaxou e ele levou a mão suavemente até a nuca dela, imitando o gesto da menina. Seus dedos roçaram direto na pele suave, sentindo o contato dos fios ruivos.

Sem tanta delicadeza como o primeiro movimento, a outra mão de Sirius baixou até a cintura da menina, puxando-a de encontro ao seu corpo e finalmente beijando-a com intensidade, o corpo finalmente vibrando por ter cedido ao desejo de tocá-la como antes.

Sem abrir os olhos, ele a empurrou até que esbarrasse em uma das bancadas onde os estudantes preparavam as poções, e com um gesto rápido, colocou-a sentada, sem em nenhum momento interromper o beijo.

Quando os lábios se afastaram apenas por breves segundos para buscar o ar, Sirius conseguiu murmurar, os olhos ainda fechados.

- Você é impossível, sabia McMillan? – Sirius voltou a beijá-la, mais rápido desta vez. – A pessoa mais irritante deste castelo. – Mais um beijo, mordiscando o lábio inferior dela. – Totalmente desprezível.

E, contradizendo suas ofensas, pressionou ainda mais as mãos apoiadas no quadril dela, beijando-a com intensidade outra vez.
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Out 21, 2015 10:48 pm

Victoria sentiu as bochechas corarem ao ver que tinha sido amparada mais uma vez por Potter. O problema é que Victoria McMillan nunca corava, principalmente por causa de um rapaz. Ela era a autoconfiança em forma de pessoa, muito bem consciente de sua beleza e do seu efeito sobre o sexo masculino. Aparentemente, apenas Potter era capaz de deixa-la parecendo uma menininha inocente.

McMillan já havia namorado um ou outro rapaz do castelo antes, mas normalmente se cansava logo da companhia deles. Mesmo com os curtos relacionamentos, ela jamais havia sentido aquele frio na barriga por nenhum outro.

Suas mãos continuaram apoiadas contra o peito de James, sem deixar dúvidas de que o Quadribol havia trago bons frutos ao físico do rapaz. Quando ele afastou uma mexa de seus cabelos de seu rosto, o coração deu um salto e seu estômago pareceu dar uma cambalhota inteira. Seus olhos azuis estavam levemente arregalados e permaneceu encarando o Grifinório por alguns segundos. Potter podia ser desengonçado, com os cabelos sempre espetados, mas ela precisava admitir que era bonito.

- Se continuarmos assim, vou achar que você está aprontando alguma coisa para me ter por perto, Potter. – A voz de Victoria saiu em apenas um sussurro, mas um sorriso brincava em seu rosto.

Sem se lembrar que ele pertencia a casa dos Leões, que tinha uma namorada linda e talentosa, e principalmente ignorando uma vozinha em sua cabeça que parecia muito com Constance gritando “traidor do próprio sangue”, Vicky deslizou as mãos pelo peito de James, até tocá-lo na nuca e se pendurou, ficando nas pontas dos pés para que seus lábios finalmente tocassem os dele.

O começo do beijo foi calmo e delicado e Victoria jamais havia beijado ninguém com tanto carinho. Talvez fosse o efeito de ter sido salva da morte. Provavelmente fosse a sua forma de ser grata ao rapaz e estava confundindo seus sentimentos. Seja o que quer que fosse, a menina admitia que era algo que a deixava feliz.

Seus dedos brincaram com o cabelo despenteado de Potter, bagunçando-os ainda mais. Ela puxou a nuca dele, intensificando o beijo. Uma das mãos escorregou pelo pescoço dele até pousar novamente sobre o peito. Quando as bocas se desgrudaram, Victoria permitiu que seus pés voltassem a tocar o chão, mas não se afastou.

As pálpebras se ergueram, exibindo olhos azuis muito brilhantes. Seus lábios úmidos estavam curvados em um sorriso.

- Ora, ora, Potter... Seja lá o que você está fazendo para me manter por perto, está funcionando. - Ela se inclinou novamente, apenas para roçar a ponta de seu nariz no dele. - Parece que você é melhor nisso do que entregar encomendas de sorvete.
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Qua Out 21, 2015 11:10 pm

Embora soubesse que o primogênito dos Black estava furioso, Constance não demonstrava medo. A sonserina não se sentia nem meramente ameaçada pelo semblante carregado de Sirius. Ele mais parecia um cão raivoso, mas que não fazia nada além de latir grosso. No fundo, McMillan sabia que Sirius era digno demais para armar uma emboscada e agredir uma garota.

Aquela máscara de frieza e ironia servia muito bem em Constance McMillan. Na maior parte do tempo, ela alcançava o sucesso em demonstrar impassibilidade e superioridade perante as outras pessoas. Mas Sirius Black parecia possuir um poder especial para desmascará-la. Constance já havia se rendido a ele na noite anterior e agora não seria diferente.

Quando foi firmemente puxada para os braços dele, a ruiva iniciou uma breve defesa. Sirius recebeu alguns socos no peito firme e a sonserina tentou se esquivar dos lábios dele, rosnando. Mas a resistência da caçula dos McMillan não durou mais que dois segundos.

Como uma pequena fera que só deseja ser domada, Constance se derreteu quando Black a segurou com ainda mais firmeza e intensificou o beijo. A ruiva se deixou levar e um suspiro escapou de seus lábios quando Sirius a ergueu, colocando-a sentada sobre a bancada.

Sem raciocinar, Constance se aproveitou daquela posição para enlaçar o grifinório com as pernas, mantendo-o firmemente preso entre as suas coxas.

Enquanto Sirius murmurava aquelas provocações, a ruiva tentava recuperar o ar. Sua mente ainda estava totalmente entorpecida, como se os lábios de Black fossem como várias e várias canecas de cerveja amanteigada. Constance ainda estava um tanto ofegante quando o grifinório retomou o beijo com ainda mais intensidade.

Indubitavelmente, Constance estava retribuindo às carícias. Seus lábios e sua língua seguiam no ritmo ditado por Black, suas pernas continuavam enlaçando o rapaz pela cintura e as mãos tinham voltado para a nuca dele. McMillan parecia ter um gosto especial por acariciá-lo ali, onde podia sentir as pontinhas dos cabelos escuros.

Os olhos azuis se mantiveram fechados durante todo o tempo, principalmente porque Constance tinha medo de recuar no instante em que visse o que estava fazendo. Seu corpo achava a proximidade de Sirius maravilhosa, mas a sua mente ainda berrava enlouquecida que ela estava nos braços do pior traidor do próprio sangue de todos os tempos.

Aquele beijo se alongou até que ambos estivessem totalmente sem fôlego. Constance mordiscou o lábio inferior do grifinório antes que as bocas finalmente desfizessem aquele contato. Os corpos se mantiveram próximos e as pálpebras da garota se ergueram vagarosamente.

A filha caçula dos McMillan estava totalmente descomposta depois de mais aqueles beijos intensos. Suas bochechas estavam coradas, os lábios finos se mostravam levemente inchados depois de tamanho esforço. Os cabelos vermelhos continuavam impecáveis, mas a franjinha ficara bastante atrapalhada.

Como se já estivesse acostumada com aquele percalço, Constance ergueu o olhar e comprimiu os lábios numa careta de desagrado ao notar o estado da franja. Sem tirar as mãos da nuca de Sirius, a ruiva corrigiu a disposição dos fios soprando-os.

Quando voltou o olhar para Black, a sonserina tentou retomar o uso de sua velha máscara de indiferença.

- Não vai conferir os bolsos desta vez? Black, Black... você não aprende!

Contrariando todos os seus instintos, que exigiam que Constance continuasse naquela posição, a garota afrouxou o aperto das pernas que mantinham Sirius enlaçado e afastou os dedos da nuca do rapaz.

- Eu sei que sou irresistível, mas você precisa se conter, querido.

Um brilho maldoso iluminou os olhos de Constance antes que ela murmurasse.

- Você é bom nisso, não nego. Também é o mínimo que se espera de alguém tão “experiente” no ramo. Mas eu não posso perder meu tempo e a minha reputação arriscando-me em aventuras com traidores do próprio sangue. – a ruiva fez uma pausa antes de enfiar o dedo bem fundo na ferida de Sirius – Eu pretendo ser a futura Sra. Black, mas não por sua causa.
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Qui Out 22, 2015 12:41 am

Durante anos, o coração de James se manteve focado no único objetivo de conquistar Lily Evans. Para o rapaz, não havia dúvidas de que Lily era a garota perfeita. A ruiva era linda, extremamente justa, inteligente, espirituosa. Aos olhos de Potter, nenhuma outra garota em Hogwarts reunia todas essas qualidades.

Após muito esforço, James havia conseguido uma chance com Evans e não desperdiçara a oportunidade. Agora, ele finalmente podia chamá-la de namorada. E, ironicamente, era justamente agora que Potter conseguia notar as qualidades das outras meninas.

Mas o que James nunca pensou foi que fraquejaria na lealdade firmada com Lily. Por mais que ele não se sentisse profundamente apaixonado pela ruiva, Potter respeitava Evans e a admirava. O apanhador da Grifinória realmente estava convencido de que podia construir um relacionamento de carinho e respeito com Lily, e ser muito feliz ao lado dela.

Potter só não imaginava que surgiria uma grande tentação em seu caminho. Muito menos que sua lealdade de grifinório fraquejaria por uma garota usando as cores verde e prata da Sonserina.

Victoria McMillan representava tudo aquilo que James desprezava: uma sangue-puro proveniente de uma família tradicional, preconceituosa, vaidosa, fútil... Mas foi esta a garota que fez o coração do grifinório voltar a bater com mais força. Foi ela quem despertou a paixão que o rapaz não sentia com a própria namorada.

O beijo não acontecera subitamente. Quando Victoria deslizou as mãos no peito dele e se colocou na ponta dos pés, James já sabia que o próximo passo da loira era unir os lábios aos dele. Entretanto, mesmo tendo plena consciência disso, Potter não conseguiu evitar.

Desde o primeiro momento, James retribuiu à carícia. Não houve resistência ou hesitação, sinal de que o apanhador da Grifinória queria aquilo tanto quanto McMillan. O beijo foi iniciado de forma calma e carinhosa, e o carinho se estendeu ao gesto de Potter, que deslizou as mãos suavemente pela cintura delicada da loira, trazendo-a para mais perto do seu corpo.

Em meio ao beijo, James abriu um sorrisinho enquanto seus cabelos eram bagunçados pelos dedos da garota. Os movimentos dos lábios passaram a ser mais intensos e os dois se entregaram por completo àquela atração proibida. Aquilo era um erro sob os mais variados aspectos, mas nenhum dos dois jovens parecia se importar com isso no momento.

Ao fim do contato, Potter também não se afastou. Os olhos castanhos se abriram vagarosamente e ele encarou Victoria com uma expressão meio boba. É claro que James já tinha ficado com outras meninas antes do namoro com Evans, mas nunca um beijo fora capaz de deixá-lo tão fora de órbita.

O grifinório foi subitamente trazido de volta à realidade pela voz de McMillan. James piscou algumas vezes antes de arregalar os olhos. Sua mente começava a retornar ao seu devido lugar e agora o rapaz passava a ter dimensão do grandioso erro cometido.

Uma traição. Aquilo era algo inimaginável para um aluno da Grifinória. Potter se sentiu extremamente sujo quando se deu conta de que havia traído a confiança de Lily e manchara a própria honestidade. Mesmo que o namoro com a ruiva não fosse perfeito, James não se dava o direito de cometer aquele erro.

E o olhar dele dizia tudo aquilo quando Potter se afastou um passo, rompendo por completo o contato com Victoria. A honestidade de James não permitia que ele jogasse toda a culpa na loira, visto que o beijo fora muito bem correspondido. Mas foi dele a iniciativa de colocar um ponto final naquela loucura.

- Isso não deveria ter acontecido, McMillan. Eu vou esquecer o que acabou de acontecer e peço que você faça o mesmo.
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Qui Out 22, 2015 11:51 pm

Quando o beijo finalmente cessou, o coração de Sirius batia rápido e a respiração estava ofegante. Mesmo assim, ele exibia um sorriso satisfeito nos lábios levemente úmidos e inchados. Suas mãos se apoiaram sobre as coxas da menina, sentindo-as firme e bem torneadas na barra da saia. Ele não fez menção de se afastar, mesmo após as palavras de Constance.

A sonserina podia dizer o que quisesse, mas ela definitivamente não era indiferente a ele como queria transparecer. Ela se entregara ao beijo tão intensamente como ele, fortalecendo a teoria de que existia uma química inegável e completamente inesperada. Ao menos Sirius estava satisfeito por saber que não estava enlouquecendo.

Ou talvez estivesse, porque o que quer que Constance estivesse sentindo ou demonstrando, ela ainda era Constance McMillan. A Constance Arrogante, Preconceituosa e Completamente Sonserina McMillan. Não havia química em todo o mundo mágico que justificasse o que ele estava fazendo.

Não importava o quão atraente ou irresistível ela pudesse parecer quando tentava ajeitar a franja, ou o arrepio que percorria todo o seu corpo quando as unhas dela lhe arranhavam a nuca, muito menos o calor agradável que todo o seu corpo sentia quando estava junto ao dela.

As palavras finais da menina apenas reforçaram o desgosto que estava começando a crescer em Sirius Black. Estava começando a se sentir incomodado consigo mesmo por ter se permitido chegar tão longe. Ele estava ali pelo mapa, nada além disso. Como era possível que tivesse desviado o foco de sua atenção de forma tão grotesca?

Sirius deu um passo para trás, quebrando o contato físico com ela. Ele tossiu de leve. Depois levou uma mão fechada até a boca, voltando a tossir algumas vezes. A mão se abriu como se pedisse que ela esperasse um momento enquanto ele se recompunha, e finalmente disse.

- Desculpe, por um segundo achei que tivesse engolido um pouco do seu veneno. - Black soltou o ar em um falso alivio e então cruzou os braços em frente ao peito. - Acho que você deve mesmo se dar por satisfeita com o "Reg", McMillan. Isso aqui... - ele apontou para a sala de Poções e depois para o próprio peito. - É o máximo que vai conseguir de mim. Precisava apenas riscar o seu nome da lista, e é claro, comprovar se você era ou não um monstrinho assexuado.

Sirius puxou a mochila que havia trago consigo, pendurando-a no ombro, enquanto se encaminhava para a porta da sala. Com um gesto da varinha, a mesma foi destrancada, mas ele ainda se virou para a menina sentada na bancada antes de sair.

- Ah, e por sinal, você pode não ser assexuada, mas ainda pode treinar um pouquinho para melhorar pro Reg. - Ele piscou um olho e jogou um beijinho no ar, um sorriso perfeito em seus lábios escondendo o desagrado de imaginá-la tendo aquele mesmo gesto com seu irmão caçula.
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Sex Out 23, 2015 12:54 am

Em qualquer outro contexto, Constance poderia ter se ofendido muito com as críticas de Sirius. Entretanto, a resposta dela às provocações do grifinório foi um sorrisinho tranquilo de superioridade. McMillan não se deixava enganar pelo sorriso dele. O beijo que acabara de acontecer não fora uma farsa e a maneira como Sirius se entregou não deixava dúvidas de que Constance não precisava mudar nada em sua performance.

- Regs nunca reclamou. – a provocação foi devolvida enquanto a ruiva descia da bancada e ajeitava a saia que compunha seu uniforme da Sonserina – Pelo contrário. Bastou o primeiro beijinho para que ele se jogasse aos meus pés. Mas é compreensível que você não concorde com o seu irmão...

A ruiva abaixou-se para pegar suas coisas caídas no chão de pedra da sala de Poções e fez uma breve pausa antes de completar.

- O Regs sempre demonstrou mais bom gosto, ele sim sabe aproveitar as coisas boas da vida. Seu destino a partir de hoje será colecionar vadias em busca de um beijo tão bom quanto o da mulher que ocupa a cama do seu irmão... Pateticamente lamentável, bem digno de você.

Os livros foram empilhados e a bolsa vermelha foi pendurada no ombro de Constance. Aproveitando-se que a porta estava finalmente destrancada, a caçula dos McMillan acenou para Sirius com um sorrisinho irônico, contornou o corpo dele e seguiu seu caminho na direção do Salão Comunal das serpentes.

Por sorte, o salão ainda estava bem vazio àquela hora e ninguém pareceu notar a discreta descompostura de Constance. A ruiva planejava seguir direto para seu dormitório, mas seu caminho foi bruscamente interrompido por um familiar par de olhos cinzentos.

- O que você tem...? – Regulus tombou a cabeça, estranhando as bochechas ainda coradas da melhora amiga – Está se sentindo bem?

- Estou ótima! – Constance girou os olhos enquanto inventava uma desculpa convincente – Apenas me excedi numa discussão com um sangue-ruim que se atreveu a entrar no meu caminho. Todos sobreviveram...

- Infelizmente... – Regulus completou a frase pela ruiva, que concordou com um sorrisinho maldoso.

Antes que Constance pudesse convencer o amigo de que queria descansar um pouco no dormitório, o Black caçula estendeu na direção dela um envelope. A ruiva não reconheceu de imediato a caligrafia porque não tinha o costume de receber convites para as festas particulares do professor.

- Festinha do Slug. – Regulus explicou enquanto Constance lia o conteúdo do pergaminho – Semana que vem. E você vai comigo.

- Nem pensar. – Constance amarrou a cara, ofendida – Por que você recebeu um convite e eu não?

- Porque sou herdeiro dos Black, porque sou o apanhador da Sonserina, porque sou um excelente aluno e não costumo ganhar detenções... são argumentos o bastante para você?

- Se eu não me encaixo no padrão-Slug de perfeição, eu não vou.

- Por favor, Tancy! – o rapaz fez um biquinho – Eu tenho que levar alguém!

- Você não é o maioral? Aposto que qualquer menina aceitaria o seu convite.

- Mas nenhuma delas tem o seu humor ácido. A festa será mais divertida com você.

- Não. – Constance subiu um degrau na direção do dormitório feminino.

- A comida é ótima. – Regulus sabia bem como lidar com a amiga – Sempre tem uma infinidade de doces, à vontade...

A ruiva parou no meio da escada e continuou de costas para o melhor amigo enquanto ponderava. Por fim, a tentação falou mais alto. Constance resmungou e respondeu enquanto subia para o quarto, sem nem mesmo se virar para o amigo.

- Fechado.
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sex Out 23, 2015 1:33 am

Uma ruga se formou entre as sobrancelhas finas de Victoria, o sorriso murchando, parecendo apenas que os lábios estavam curvados sem muita emoção. Ela também recuou um passo de Potter, sentindo seu corpo esfriar imediatamente.

- Esquecer? - Ela deu um risinho incrédulo, a boca levemente aberta de surpresa. - Você ta brincando, não é?

Nenhum rapaz, nunca, jamais, tivera a ousadia de dizer para esquecer, após beijá-la. Metade dos meninos daquele castelo fariam qualquer coisa para ter um momento a sós com ela e James Potter estava dizendo para esquecer? Quem ele pensava que era?

McMillans sentiu seu estômago afundar e algo desconfortável se instalou em seu peito. Ela fechou a boca, fazendo um biquinho, e por mais que tentasse não demonstrar sua decepção, não era a mestre de esconder suas emoções como Constance.

O Sr. e a Sra. McMillan poderiam não ser os pais mais amáveis do ano, mas certamente faziam as suas vontades. Nunca Victoria havia experimentado a sensação de desejar algo e este lhe ser negado. Aquela atitude de Potter, além de lhe magoar, também lhe atiçava a vontade de voltar a beijá-lo imediatamente, mas seu orgulho Sonserino lhe impedia de admitir isso.

Ela esperou alguns segundos até se certificar de que o James realmente não estava brincando. Seus dentes então se fecharam fortemente e ela fechou o rosto em uma careta, típica de quando qualquer Grifinório cruzava seu caminho.

- Isto definitivamente não aconteceu, Potter. - No fundo, Victoria sabia que se referia muito mais a rejeição do que o beijo. - Eu mantenho a minha reputação limpa e você pode voltar feliz e saltitante para a sua namorada sangue-ruim.

Pisando duro, o que poderia ser uma tarefa difícil para quem usava saltos, Victoria recolheu o seu material sobre a bancada e deixou a estufa, ignorando a onda de confusos sentimentos que a invadiu.

***

Victoria estava se sentindo extremamente mal humorada. A cada vez que as palavras de Potter ecoavam em sua mente, ela tinha vontade de gritar de raiva. Como conseguira ser tão estúpida? Poderia não ter as melhores notas da Sonserina e nem se destacar em nenhuma matéria em particular, mas ela entendia de duas coisas perfeitamente: produtos de beleza e garotos. Sempre sabia o que esperar deles e como se aproveitar de seus interesses.

Tentando superar o primeiro rejeite que tivera na vida, McMillan exagerou ainda mais em sua produção naquela noite. Era como se a insegurança que Potter lhe causara pudesse ser resolvida com um belo penteado e seu melhor vestido. Seus cabelos loiros estavam mais brilhantes que o normal e ela aplicara largos cachos que caíam com perfeição sobre seus ombros. O vestido completamente verde, em homenagem a Sonserina, contrastava com perfeição no pingente prateado de coração pendurado em seu pescoço. Vicky abandonara os costumeiros saltos por sapatos de boneca.

Ao contrário da irmã, Victoria não via problemas em comparecer na festa de Horácio Slughorn como convidada. O que realmente importava era que ela não perdesse uma oportunidade de demonstrar sua popularidade e o seu bom gosto para se vestir.

Quando descobrira que Constance iria acompanhada de Regulus Black e que, até o momento, não conseguira um único convite para levá-la, a primogênita dos McMillan precisou tomar uma atitude.

MacNair ainda demonstrava o interesse de ter qualquer chance com Victoria, mas desde o incidente em Hogsmead, a menina se recusara a dar o mínimo de atenção ao Sonserino. Incomodada em pensar que qualquer um de seus colegas poderia ser um dos que presenciara seu acidente sem fazer nada, ela sabia que precisaria resolver o seu problema em alguma das demais casas do castelo.

Devido a sua lista de exigências, não sobravam muitos alunos fora da casa de Salazar e após o ocorrido com James Potter, ela não queria nem pensar em qualquer rapaz vestido de vermelho e dourado. Quando Amos Diggory apareceu em seu caminho, Victoria não conseguia acreditar em sua sorte. Vindo de uma família de sangue-puro, inteligente e inquestionavelmente atraente, não foi difícil fazer com que o Corvinal a convidasse.

Quando ela chegou no corredor onde aconteceria a festa de Slughorn, já belamente arrumada e mais confiante de si mesma, o Digorry já a aguardava, vestindo roupas elegantes, o cabelo loiro escuro perfeitamente penteado.

- Ora, ora, Amos... - a menina sorriu, aceitando o braço que ele lhe oferecia. - Acho que seremos o casal mais belo do castelo. Acho não, tenho certeza.
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Sex Out 23, 2015 2:29 am

Desde o encontro com Constance McMillan na Sala de Poções, Sirius Black não tivera uma noite de sono decente. Em partes porque ele sempre saía antes dos amigos para evitar questionamentos sobre como conseguiria o Mapa de volta, em partes porque seus sonhos eram agitados e confusos, sempre envolvendo uma certa ruiva sonserina.

Quando Sirius menos esperava, fosse durante as aulas, refeições ou até no banho, as palavras de Constance vinham lhe assombrar. Por várias vezes, ele não conseguia se decidir se o enjoo em seu estômago se dava devido a lembrança dos beijos trocados com ela ou pela imagem de que ela fizesse a mesma coisa com seu irmão caçula.

Black chegou a se sentir ofendido algumas vezes, por Regulus, pelo fato do irmão ter uma namorada que beijava outros rapazes em armários de vassouras. Em outros momentos, ele duvidava que Constance e o sonserino tivessem de fato algum envolvimento.

Era inquestionável que os dois viviam juntos há anos, para cima e para baixo. Mas nunca havia de fato presenciado qualquer gesto mais íntimo entre os dois.

Nos dias seguintes que se arrastaram, parecia ter surgido um súbito interesse no batedor da Grifinória sobre o que acontecia na mesa da casa das serpentes. Durante todas as refeições, Sirius sempre se flagrava observando o outro lado do Salão Principal, buscando qualquer dica, qualquer indício sobre o envolvimento de McMillan com o caçula Black. Porém, só o que presenciava eram as típicas conversas diárias dos dois, nada diferente dos últimos anos.

- Você já resolveu? - A voz de Remus Lupin soou ao seu lado, fazendo com que Black despertasse de sua distração repentinamente.

Ao ver o amigo lobisomem se sentar ao seu lado, Sirius torceu o nariz. Não precisava perguntar do que ele estava falando.

- Estou resolvendo. - mentiu, sem saber ainda como faria para recuperar o mapa do maroto.

Para manter a sua sanidade mental, o melhor que Sirius poderia fazer era ficar longe de McMillan. Mas a necessidade de recuperar o artefato era muito mais urgente do que seu estado de saúde.

- Hey, o que houve com a McKinnon? - Remus perguntou, se servindo de suco de abóbora.

Sirius se sentiu imensamente aliviado que o amigo tivesse deixado de lado temporariamente aquele delicado assunto. Mas tocar no assunto "Marlene McKinnon" também não ajudava. Ele seguiu o olhar de Lupin até encontrar a grifinória sentada algumas cabeças a frente, uma expressão triste, sem tocar no prato de comida a sua frente.

O rapaz imediatamente se sentiu culpado, se lembrando do ocorrido em Hogsmead. A menina nunca mais tivera coragem de lhe encarar e Sirius nem se lembrou de procurá-la para se desculpar, a mente ocupada demais com palavras ácidas e beijos intensos de uma certa sonserina.

- Tá na lista pra resolver também. - Sirius resmungou, fazendo Lupin o encarar sério.

Ao menos para o caso "Marlene", Sirius sabia que seria mais fácil resolver.

Quando a menina se levantou para deixar o Salão Principal, Sirius correu atrás, alcançando-a ainda no saguão de entrada. Não foi difícil se desculpar, mas precisou aguentar o restante do dia com Marlene fazendo charme até finalmente se render novamente a ele.

Black não procurava uma distração, mas precisava admitir que com McKinnon por perto, seria mais fácil afastar os pensamentos relativos a McMillan. Ele não tinha a intenção de usar a morena. Marlene era muito bonita, com os cabelos negros, grandes olhos castanhos e dona de um rosto delicado. Era grifinória, gostava de Quadribol e definitivamente não tinha um terço da acidez de Constance. Impossível negar que sua companhia poderia ser agradável. Mas Sirius não queria arrastar a menina para um encontro, apenas para ignorá-la como fizera no passeio ao vilarejo.

Por mais que se interessasse na companhia da menina, ele sabia que ela esperaria muito mais do que ele conseguiria dar.

Menos de vinte e quatro horas após se desculpar com a menina, Marlene se sentou ao lado dele, no Salão Comunal, esticando-lhe um envelope.

- O que é isso? - perguntou, deixando de lado as cartas de snap explosivins.

- Clube do Slug.

Sirius torceu o nariz, balançando a cabeça em negação imediatamente.

- Nem pensar. Não. Sem chance. Definitivamente não. - ele ergueu as mãos, mantendo o convite afastado para enfatizar seu desagrado.

- Qual é, Sirius! - Marlene choramingou. - Você está me devendo!

Ele soltou um pesado suspiro e a encarou.

- Lene, nós já nos entendemos, certo? Voltamos a ser amigos, certo? - ele enfatizou a palavra amigos. - Por que fazer isso agora?

- Sirius... - a morena segurou as mãos dele, o encarando com uma expressão séria. - É apenas uma festa, não estou te pedindo em casamento. Além do mais, não vou conseguir ninguém de última hora e você está sempre disponível!

- Sou fácil assim, hein? - Black resmungou debochado, voltando sua atenção para as cartas.

- Além do mais... - Marlene baixou o tom de voz, se aproximando do rapaz. - Existem muitos armários de vassouras no caminho até a festa. Sem compromisso, Black. Não seja tão careta.

Black encarou a madeira onde as cartas estavam dispostas por longos segundos, refletindo. Se Marlene estivesse falando sério, se fosse capaz de cumprir aquelas palavras, talvez, apenas um grande talvez, fosse possível. Mas o rapaz ainda não se sentia confortável com aquela ideia.

Vendo que não estava conseguindo convencer o rapaz, Marlene se sentou, bufando.

- Por Godric, Sirius! Você está ficando chato igual ao seu irmão!

Nenhum outro grifinório tinha coragem de mencionar Regulus Black a ele. Aquela frase ecoou na sua cabeça por alguns instantes e de repente ele se visualizou com os uniformes sonserinos, alguns centímetros mais baixo e mais magro, os cabelos curtos, o rosto sério de quem nunca se diverte.

As íris azuis de repente se arregalaram. Ele, igual a Regulus? O mesmo Regulus que tinha acesso livre até o Salão Comunal da Sonserina, que vivia ao lado de Victoria? Quando prometera a Lupin que resolveria o problema Marlene, ele não pensou que aquilo na verdade o ajudaria a resolver o outro maior problema.

Se Constance não andava com o Mapa por aí, só havia um lugar que ela poderia deixar. E este lugar era de acesso único de Sonserinos, onde ele não poderia entrar. Mas Regulus sim.

Seu rosto se iluminou quando ele finalmente descobriu como conseguiria recuperar o mapa.

- Sabe, Lene... - ele se virou para ela, o velho sorriso do Sirius Black estampado em seu rosto. - Mudei de ideia. Acho que vai ser ótimo ir até a festa do Slug. Afinal, estou te devendo uma, certo?

***

Os negros cabelos de Sirius Black estavam penteados um pouco diferente do que costumava usar durante as aulas. Ele escolhera trajes sociais completamente negros, com uma camisa branca por baixo. Quando se arrumava daquela forma, era indiscutível que vinha de uma nobre família.

Quando Marlene finalmente desceu as escadas, também muito bem arrumada, Sirius já a aguardava em pé, apoiado nas costas de uma das poltronas do Salão Comunal.

Ele sorriu, seu melhor sorriso conquistador, despontando uma covinha em uma de suas bochechas, e lhe ofereceu um braço.

- Está uma gata, hein Lene? - Black piscou um olho enquanto a menina soltava um risinho tímido. - Vamos?
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Sex Out 23, 2015 11:16 pm

- Isso é inacreditável!

- Eu te disse, Lily. Estamos perdendo tempo aqui, a festa já começou!

Lily Evans resmungou e desistiu daquela luta depois de várias tentativas fracassadas de abaixar os cabelos espetados do namorado. Ela já havia tentado umedecer os fios, aplicara gel e apelara até mesmo para um feitiço. Mas era como se os cabelos de James tivessem vontade própria.

- Eu desisto! É um caso perdido! – Lily estava meio exasperada, mas logo abriu um sorriso mais tranquilo – Vamos, então.

Exceto pelo cabelo, Lily não teria do que se queixar. Potter estava muito elegante com seus trajes de festa escuros e com um par de sapatos novos. Ele mesmo não ligava para todo o requinte das festas do Professor Slughorn, mas não poderia desmerecer o esforço de sua acompanhante.

Evans estava mais bonita que o normal usando um refinado vestido cor de vinho, sapatos de salto médio, uma maquiagem leve e de bom gosto. Os cabelos ruivos foram presos num coque frouxo, com algumas mechas caindo em cachos perfeitos. Embora não viesse de uma família tradicional, Lily não perdia espaço para nenhuma das convidadas esnobes que costumavam frequentar o Clube do Slug.

Apesar de reconhecer que a namorada era uma das garotas mais lindas de Hogwarts, James não conseguia tirar uma certa sonserina da cabeça.

Após o beijo proibido nas estufas, Potter havia prometido para si mesmo que Victoria McMillan foi um erro que ficaria muito bem enterrado no passado. O mais certo seria confessar aquele deslize para a namorada para que não houvesse segredos entre os dois, mas James não foi capaz deste gesto nobre. O apanhador da Grifinória se convenceu de que aquela revelação só faria Lily sofrer. E não havia razão para magoá-la, já que Potter estava determinado a nunca mais trair a confiança da ruiva.

Entretanto, apesar da determinação de James, ele não conseguia controlar os próprios pensamentos, que o levavam de volta às estufas várias vezes por dia. Era impossível esquecer o beijo que fizera seu coração saltitar. Lily podia ser uma garota perfeita, mas era por uma sonserina cheia de defeitos que o coração do grifinório batia mais forte.

Era fácil evitar Victoria num castelo tão grande e James tinha a esperança de conseguir resistir à presença da loira até o fim daquele ano. Fora de Hogwarts, os dois seguiriam em rumos opostos na vida e com sorte nunca mais precisariam se encontrar. Potter poderia ter uma vida calma ao lado de Lily, o que sempre fora o seu plano antes de McMillan cruzar o seu caminho e virar sua vida de pernas para o ar.

A festa de Horace Slughorn seria um desafio à parte para James. Desta vez, ele não teria como escapar de Victoria.

É claro que o apanhador sabia que encontraria a McMillan mais velha na festa, visto que Amos Diggory fizera questão de anunciar aos quatro cantos do castelo que sairia com uma das garotas mais desejadas de Hogwarts. O sabor amargo do ciúme surgiu na boca de James quando a notícia chegou aos seus ouvidos, mas o rapaz sabia que não tinha direito a este sentimento.

E o apanhador da Grifinória achava que estava pronto para assistir àquela cena indigesta quando chegou ao salão onde seria realizada a festa. De braços dados com Lily, os dois formavam um casal muito bonito. Era inegável o quanto combinavam, realmente pareciam perfeitos um para o outro.

- Hoho!!! – Slughorn veio caminhando até o casal com seus passos desengonçados e os saudou com entusiasmados apertos de mão – Achei que não viriam! Eu já estava chateado, Evans!

- Eu jamais deixaria de vir, professor.

Embora não fosse rica e nem pertencesse a uma família tradicional, Lily era uma das alunas preferidas de Horace. O professor reconhecia as qualidades dela e a admirava por ser uma das melhores bruxas do castelo mesmo tendo origens trouxas. O fato de Lily ter se tornado namorada de um dos rapazes mais populares de Hogwarts também contava pontos ao seu favor.

- Fiquem à vontade! O jantar será servido às dez e a bebida já está liberada. Divirtam-se!

Quando Slughorn se afastou, James apoiou as mãos carinhosamente nos ombros da namorada e seguiu os passos de Lily, que começou a circular entre os muitos convidados já presentes para conseguir alcançar a mesa de bebidas. Por razões óbvias, Potter optou por não ficar olhando para os lados. Era mais seguro concentrar a sua atenção unicamente na ruiva.
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Sab Out 24, 2015 12:50 am

Ao contrário de Victoria, a filha caçula dos McMillan não tinha a vaidade como uma de suas características mais marcantes. É claro que Constance se cuidava, gostava de se vestir bem e não poupava dinheiro na hora de comprar seus pertences. Mas a ruiva colocava várias prioridades antes da própria aparência.

Naquela noite, contudo, Constance decidiu gastar um tempo a mais na produção de seu visual. É claro que não fazia aquilo para agradar seu acompanhante, visto que enxergava Regulus como um irmão. A garota repetia para si mesma que estava se arrumando para o próprio ego, mas uma vozinha lá no fundo da sua cabeça repetia o nome de Sirius Black.

Mesmo sem ter a certeza de que o filho mais velho dos Black compareceria à festinha do Clube do Slug, Constance fez questão de ficar impecável antes de sair do dormitório. Regulus, que a esperava no sofá, ficou boquiaberto quando a ruiva surgiu no Salão Comunal da Sonserina.

Era a primeira vez em tantos anos de convivência que Regulus via a melhor amiga vestida com roupas brancas. O vestido era rendado, composto por uma saia mais rodada presa a um tronco mais justo. O decote em “V” era bem comportado, mas não escondia tão bem o volume do busto da ruiva. Nos pés, ela optara por sapatilhas vermelhas que davam um contraste interessante ao visual claro e combinava com os cabelos da sonserina, que ela optara por deixar soltos, com cachinhos nas pontas. A maquiagem era leve, realçando principalmente os olhos de felina.

O visual quase angelical definitivamente não combinava com a personalidade de McMillan.

- Por que está me olhando com essa cara de idiota, Regs? Estou tão ridícula assim?

O apanhador da Sonserina piscou algumas vezes antes de recuperar a voz. Regulus obviamente notava e admirava a beleza de Constance, mas ainda via uma irmã quando a encarava.

- Você está muito bonita. Se ficar calada, talvez até pareça uma garota normal.

- Obrigada. Eu acho. Você também está elegante. Não entendo como ainda não se engraçou com uma vadiazinha qualquer que eu teria que matar para ter meu amigo de volta.

Constance riu da própria provocação, mas adquiriu um ar mais sério ao perceber que o sorriso de Regulus foi meio forçado. Depois de anos de amizade, a ruiva não teve dúvidas de que Black escondia alguma coisa. Ela também vinha escondendo algumas coisinhas dele, mas isso não vinha ao caso.

O maior desejo de Constance naquele momento era torturar o amigo até que ele confessasse o segredo, mas a ideia de perder os doces da festa de Slughorn também não era nada agradável. A tortura de Regulus poderia esperar algumas horas.

- Vamos logo! Antes que a parcela de gentinha do Clube do Slug acabe com os meus doces!

O filho caçula dos Black foi literalmente arrastado pelos corredores por uma ruiva esfomeada. Constance só diminuiu o ritmo dos passos quando chegaram diante da porta do salão da festa.

Quem visse Regulus Black e Constance McMillan entrando no salão de mãos dadas, não teria dúvidas de que eles formavam um perfeito casalzinho de sangue-puros. É claro que as famílias de ambos vibrariam com um possível casamento e os dois pareciam caminhar naquela direção. Ninguém nunca vira Constance e Regulus numa situação mais íntima, mas era fato que os dois estavam SEMPRE juntos e que pareciam compartilhar uma sintonia que muitos casais de namorados não possuíam.

- Onde estão os doces? – a ruiva cochichou no ouvido do amigo.

- Que tal cumprimentarmos o dono da festa antes, Tancy? – Regulus resmungou numa entonação reprovadora.

- Dane-se o Slug. Ele convidou você, não a mim. Vá cumprimentá-lo se quiser. Quanto a mim, serei mais clara visto que você parece não ter entendido a razão pela qual eu aceitei o seu convite: eu vim pelos doces, Regs!
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Out 24, 2015 1:50 am

Victoria tinha o braço dado ao de Amos enquanto os dois andavam pelo salão. A loira exibia um enorme sorriso e acenava para os colegas. Mesmo sendo Sonserina e alimentando de vez em quando a rixa com a Grifinória, ainda era muito popular e fazia questão de alimentar sua fama. E nada melhor que uma festa com os queridinhos do Slug.

Amos Diggory parecia ser o acompanhante perfeito. O rapaz também tinha sua cota de popularidade, era um dos rapazes mais belos da Corvinal e do castelo e não estava fazendo feio naquela noite. Andando lado a lado, os dois pareciam formar o casal perfeito, dignos de rei e rainha de um baile.

McMillan mantinha o contato físico com o rapaz todo o tempo, fosse com as mãos dadas ou simplesmente tocando-o no braço, quando eles paravam para conversar com algum grupinho de colegas.

Mesmo dentro do circulo de alunos selecionados por Horace, Victoria fazia sua própria seleção de quem era interessante ou não, de quem poderia lhe agregar em alguma coisa ou não. Bastava lançar um olhar ao seu acompanhante, para que Amos entendesse e arrumasse uma desculpa para se afastar da conversa, educadamente.

O rapaz a puxou pelo braço, direcionando para um pequeno grupos de Sonserinos, quando Victoria travou. O rapaz se virou para encará-la, sem entender, e ela balançou a cabeça em negação.

- Não vamos dar o mínimo de atenção ao Snape. Ele deveria ser banido de lugares como este. – A menina torceu o nariz, sem desviar o olhar de Severus, onde Diggory a estava levando antes.

Snape, sem interromper sua conversa, a encarou de volta, mas Vicky não desviou o olhar. Ela empinou o nariz, fazendo uma careta de nojo, e virou as costas.

- Preciso de uma bebida, Amus...

Sem pestanejar, Diggory adiantou seus passos para alcança-la e em questão de segundos já estava andando ao lado dela, a mão apoiada nas costas da menina.

- Um firewhisky e um rum de groselha, por favor? – Amos pediu ao bruxo baixinho que estava do outro lado da mesa de bebidas.

Alguns elfos andavam pelo salão com alguns petiscos, mas foi a mesa de doces, um pouco afastada das bebidas, que chamou a atenção de Victoria.

- Por Salazar, Consty já está atrás dos doces! – a loira bufou baixinho, reclamando consigo mesma. – Ao menos escolheu um vestido bonito.

- Ela está bonita. – Amos lhe entregou o rum de groselha e Victoria sorriu em agradecimento.

- Mais do que bonita, minha irmã está perfeita como sempre. – ela deu um gole em seu copo, olhando para Regulus Black.

O Sonserino ainda estava no sexto ano, mas já começava a chamar a atenção até mesmo das meninas de sua turma. Poderia não ter a fama de galanteador de seu irmão mais velho, mas sua personalidade mais discreta contribuía com a beleza misteriosa. Apesar do interesse que despertava em outras meninas, Regulus só era visto na companhia de Constance.

Sua irmã negava até a morte que tivesse algo além da amizade com o caçula Black, mas e quanto a Regulus? O rapaz também era tão desinteressado assim em um relacionamento amoroso com McMillan?

- Você também está, Vicky... – Uma mão tocou o seu queixo, virando o seu rosto até que seus olhos azuis encontrassem a cor de mel de Diggory. – Muito bonita.

A menina, tão acostumada com os elogios, não se mostrou nada tímida. Desperta dos pensamentos sobre Regulus e Constance, ela abriu um sorriso angelical, erguendo a mão livre até apoiá-la no ombro do rapaz.

- Você já disse isso umas quatro vezes esta noite, Amus.

- Porque você realmente está. – uma das mãos de Diggory se apoiou na cintura de Victoria.

Ele se inclinou para beijá-la, mas a menina ergueu o copo, dando um gole em sua bebida. O Corvinal ainda pode perceber um sorriso travesso se esconder. Victoria deu um passo para trás, quando algo em seu campo de visão pareceu chamar sua atenção.

Com a mão ainda apoiada em Diggory, ela virou o rosto, sentindo o sorriso murchar quando se deparou com James Potter e Lily Evans ao seu lado.

Havia conseguido evitar Potter por vários dias, se esforçando ao máximo para não encará-lo durante as aulas em conjunto. Naquele momento, porém, ela não estava preparada para vê-lo.

Mesmo com os cabelos espetados, o grifinório estava lindo, usando as roupas tão diferentes de seu uniforme. Ela sentiu um frio na barriga quando um flash do beijo trocado nas estufas invadiu a sua mente.

Então seus olhos encontraram os de Lily Evans e o frio na barriga deu lugar para uma sensação de dor de estômago. Era indiscutível que a grifinória era linda. Os cabelos vermelhos, como os de Constance, estavam em um belo penteado, o vestido lhe caía perfeitamente e ela era uma convidada de Horace. O professor não escondia a sua preferencia pela grifinória, dentre tantos alunos.

Victoria começou a pensar que talvez pudesse ter feito algo diferente com os seus cabelos, ou ter escolhido um vestido melhor. Todas as horas gastas pareciam ter sido inúteis. Ela estava se sentindo completamente insegura e inferior, e aquelas eram palavras que não existiam em seu dicionário.

A menina desviou o olhar, mas se obrigou a manter a pose de superioridade, tentando camuflar o sentimento que a invadia de fracasso.

- Acho impressionante como Slughorn tem a coragem de convidar sangues-ruins. O diretor da Sonserina, isto é ultrajante! – suas palavras eram direcionadas a Amus, mas estava em um nível perfeito para que o casal escutasse.

Os dedos de Diggory se pousaram sobre os lábios dela, um olhar de repreensão.

- Não precisa usar palavras tão feias em uma conversa civilizada, Vicky, por favor.
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