The Marauders

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Mensagem por Damien Scott em Sab Out 17, 2015 7:19 pm

- Mas que belo desastre! - A voz de Sirius Black ecoou pelo campo de Quadribol, sentindo o vento zunindo em seu ouvido enquanto voava até a outra ponta, onde o goleiro do time da grifinória estava. - Mas que diabos, Frank! Não conseguiu agarrar nenhuma goles hoje!

Frank Longbotton encolheu os ombros em um pedido de desculpas, sentindo-se culpado pela noite de treino perdida.

Os colegas de time começaram a descer com suas vassouras até o gramado, dando o treino por encerrado. Muitos estavam ansiosos para voltar ao castelo, tomar um banho e enfim jantar. Sirius, entretanto, estava descontando suas frustrações do dia no goleiro reserva do time.

Havia apenas um mês que as aulas de Hogwarts começaram, mas era o primeiro mês do último ano de Sirius Black naquele castelo. Este sentimento, por si só, parecia incomodá-lo durante todas as férias. Naquele dia em particular, tudo havia dado errado.

Logo pelo café da manhã, o Profeta Diário havia iniciado o dia de todos com a notícia de mais um ataque a território trouxa, onde havia ficado para trás a Marca Negra no céu. A cada dia que passava, a certeza da guerra que acontecia lá fora tirava o sono de todos aqueles que tinham traços de manchas no sangue da família.

Sirius Black era um belo rapaz de dezessete anos, com o perfeito sangue-puro. E mesmo assim aquela guerra o assustava. Vinha de uma família que ensinava a odiar tudo aquilo, que incitava toda aquela guerra, e tinha nojo disso.

Hogwarts era bem grande, de forma que o rapaz normalmente conseguia evitar de se encontrar com seu irmão caçula, defensor de toda aquela imundice que os jornais reportavam. Naquele dia, entretanto, cruzara mais vezes com Regulus do que quando os dois moravam sob o mesmo teto, na mansão dos Black. Os dois não trocavam uma única palavra, mas não havia necessidade. Ambos sabiam bem de que lado cada um estaria naquela guerra.

Para fechar o seu dia, Sirius ganhara uma detenção por não comparecer na aula de Runas Antigas. Ele estava o último ano, em pleno NIEMs, por que diabos precisava se preocupar com uma matéria que nem ao menos era exigente para se tornar um Auror?

Depois de dizer isso aos berros ao professor Dumbledore, deixando a frustração do dia lhe consumir, o diretor sugeriu calmamente que ele apenas trancasse a matéria. Sirius abriu e fechou a boca várias vezes, como um peixe fora d'água, diante da solução simples de Albus. Mas a professora de Runas já estava ofendida demais para lhe retirar a detenção.

Sirius acreditou que o Quadribol ao menos o conseguiria acalmar, mas as falhas constantes de Frank apenas serviram para aumentar a raiva que crescia em seu peito.

- Por Godric, Frank! Achei que a Alice fosse te fazer bem, mas se for para ferrar todo o seu desempenho como goleiro, é melhor você desistir de uma das duas coisas! Porque eu não vou perder a taça de Quadribol este ano por sua culpa!

Sirius ainda tinha o bastão de batedor em punho e o gesticulava ferozmente em direção ao colega.

- Segura a onda aí, Black. - Ernesto McDonnald, o outro batedor, voou até os dois colegas. - O Frank tá meio enferrujado por causa das férias, esse foi só o primeiro treino. Não precisa arrancar a cabeça dele por causa disso.

- Enferrujado?! - Black vociferou. - Só se ele for o próprio homem de lata! É melhor você dar um jeito nisso aí, hein Frank!

Bufando, Sirius voou até o gramado, pousando ao lado de James Potter. Lado a lado ao melhor amigo, os dois rapazes voltaram ao interior do castelo. Sirius carregava a vassoura por cima do ombro, os cabelos completamente despenteados devido as horas de treino, a testa ainda brilhando com o suor pelo esforço físico. Ele acreditava que finalmente poderia se enfiar no Salão Comunal e torcer para o dia chegar ao fim. Antes que chegasse até as escadas do saguão principal, uma voz feminina chamou a atenção.

- Nossa, mas que cheiro podre!

Sirius olhou por cima do ombro apenas para encontrar as irmãs McMillan. A mais velha, do mesmo ano que Black e Potter, estava com dois dedos pressionando o nariz e uma careta de nojo.

- Por Salazar, vão tomar um banho! Estão fedendo pior que o normal. Aproveitem e vejam se a água vai lavar um pouco da honra que vocês acabaram de perder no campo. Se continuarem assim, a Sonserina vai ganhar de olhos fechados.
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Sab Out 17, 2015 8:33 pm

Era um pouco irreal preocupar-se com um campeonato de quadribol quando uma guerra se formava fora das paredes de Hogwarts, mas James Potter encarava aquilo como um último brinde de despedida de uma vida desregrada. Aquele seria o seu último ano em Hogwarts e o apanhador da Grifinória tinha consciência de que sua vida mudaria por completo no instante em que ultrapassasse os muros da escola. Sua vida adulta começaria num cenário de guerra e não haveria mais sobre a sua cabeça um teto protegido por Albus Dumbledore. Por que não aproveitar os últimos meses como estudante, então? A taça do quadribol só coroaria aquele ano especial.

Aos olhos do capitão do time da Grifinória, o treino não havia sido tão ruim. Já era esperado que os artilheiros estivessem um pouco fora de forma depois das férias. Frank Longbottom de fato parecia bem mais distraído e atrapalhado que o normal. Mas, sem dúvida, o ponto mais delicado do time passou a ser o mau humor de Sirius Black.

Black era mais que um amigo para James, e aquela relação fraterna se solidificou ainda mais quando Sirius abandonou a própria família e se juntou aos Potter. Portanto, James já conhecia muito bem os rompantes do colega e sabia como funcionava a mente de Sirius. Para o apanhador, era fácil concluir que Black encarava o último ano em Hogwarts de maneira diferente. Potter pensava em aproveitar cada segundo ao máximo enquanto Sirius já sofria antecipadamente pelo fim.

- Relaxa, Pad.

A voz tranquila de James só soou quando os dois estavam sozinhos, caminhando rumo ao Salão Comunal da Grifinória. Naquele momento, os papeis de James se mesclavam. Ele era um irmão, mas também era o capitão que não podia deixar o time se desfazer em brigas internas.

- Esfria a cabeça e depois vá conversar com o Frank. Acho que você exagerou um pouco. É só o primeiro treino, Pad. Concordo que não fomos muito bem, mas temos tempo para consertar as falhas. O primeiro jogo é contra os lufanos. Nós ganharíamos deles até com Wormtail como goleiro.

Antes que Sirius pudesse contra argumentar, o apanhador da Grifinória completou, em entonação mais discreta.

- Não se deixe contagiar pelo clima de hostilidade. Estaremos perdidos se nos erguermos até contra nossos amigos. E você sabe que não me refiro somente ao quadribol...

A conversa mais séria iniciada por James foi bruscamente interrompida por uma voz feminina atrás dos dois rapazes. Potter imitou o gesto do melhor amigo e os dois olharam na direção da voz por cima do ombro.

Ao encontrar as irmãs McMillan, uma das sobrancelhas de James se arqueou por cima do aro dos óculos e um meio sorrisinho irônico brotou em seus lábios. Aquela expressão debochada combinava perfeitamente bem com seus cabelos naturalmente atrapalhados e com o rosto corado depois do esforço das últimas horas.

Era verdade que os grifinórios não estavam muito apresentáveis depois daquele treino pesado, mas Potter não se ofendeu com a crítica. Aliás, desde que Lily Evans se rendera às suas insistentes investidas e se tornara sua namorada, James parara de se importar com a opinião das outras garotas. Ainda mais se tais garotas usassem as cores da desprezível Sonserina.

- Não vou perder a oportunidade única de tirar uma dúvida que me atormenta há anos!

James tomou a palavra antes que Sirius pudesse desviar toda a sua frustração para as duas moças. O apanhador olhou as duas irmãs, mas fixou o olhar na mais velha, sinal de que dirigia aquelas palavras a ela.

- O seu rosto é assim mesmo ou você está sempre com nojo, McMillan? Porque sempre que te olho, tenho a impressão que um gambá acabou de passar por baixo das suas narinas.

É claro que a intenção de Potter era devolver às sonserinas uma provocação quase infantil. Mas a caçula não pareceu satisfeita com aquela discussão leve e aprofundou consideravelmente o nível da conversa.

- Minha irmã não tem culpa. Creio que este seja um efeito colateral de se viver em Hogwarts. Este castelo está infestado de mestiços, amantes de trouxas e sangue-ruins nojentos. Mas, ao que parece, este pequeno problema está prestes a ser resolvido.

Constance McMillan era um legítimo fruto das famílias de sangue-puro e reproduzia em Hogwarts todos os dogmas preconceituosos que aprendera em casa. A ruiva realmente acreditava que aqueles que não tinham o sangue totalmente bruxo não tinham os mesmos direitos que os membros das famílias tradicionais. Para ela, era ultrajante assistir a uma aula ao lado de um colega nascido em uma família trouxa. Seus pais já haviam declarado apoio ao bruxo que se intitulava Lord Voldemort e Constance pretendia fazer o mesmo no instante em que pisasse fora de Hogwats. O mundo mágico precisava ser passado a limpo e a caçula dos McMillan se sentiria honrada em participar da “faxina” dos Comensais da Morte.
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Out 17, 2015 10:30 pm

Victoria McMillan olhou seu reflexo no espelho, passando os dedos pelos fios loiros. Estava impecável. Mas Vicky estava sempre impecável. Não importava se fosse para uma aula de Poções, para ir jantar ou para um grande evento.

Os cabelos loiros eram extremamente sedosos e bem cuidados, sempre bem penteados e exibindo um brilho. O rosto delicado da jovem de dezessete anos era liso e sem manchas, de forma que não havia necessidade de muita maquiagem para deixá-la bonita. Apesar disso, os lábios estavam sempre pintados. As roupas caras eram exibidas com orgulho quando não era obrigada a usar o uniforme.

No final daquele dia, enquanto deixava o salão comunal da Sonserina com a irmã mais nova para irem jantar, não era diferente. Vicky perdia muito do seu precioso tempo, quando deveria estar estudando para os NIEMs, cuidando para que sua aparência estivesse perfeita, o que conseguia com sucesso.

Enquanto andava lado a lado de Constance, ela sorria orgulhosa com os olhares que atraía pelos corredores. As duas apenas interromperam a caminhada em direção ao Salão Principal quando se depararam com James Potter e Sirius Black.

Vicky olhou os dois grifinórios de cima a baixo. Poderiam ser da casa adversária, mas ela ainda era uma menina e precisava reconhecer que os dois eram muito atraentes. Black, apesar de renegar suas origens, tinha o porte digno de sua família. Os olhos cinzentos arrancavam suspiros de muitas meninas pelo castelo, o corpo atlético não passava desapercebido diante dos olhos femininos. Potter, por sua vez, não era tão atraente como Black. Os cabelos estavam sempre espetados, algo que ele parecia fazer questão de permanecer, sempre passando as mãos pelos fios negros. A sonserina ainda não se decidira se os óculos contavam negativa ou positivamente para o rapaz. Mas sim, ele era bonito.

Motivada pelas inimizades das casas, a sonserina não segurou a língua diante da aparência desleixada dos rapazes, deixando o comentário escapar. Era mais um esporte implicar com os grifinórios do que um desagrado de fato.

Após o comentário da irmã, entretanto, Victoira se arrependeu de ter iniciado aquela conversa. Constance era exatamente o que seus pais esperavam e desprezava de verdade os grifinórios, traiodres do próprio sangue, assim como odiava a qualquer um que não tivesse o sangue puro.

Apesar de ser a primogenita, Victoria não abraçava a causa com tanto vigor. Muitas vezes a menina parecia viver em um mundo só dela, onde roupas, jóias e galeões importavam mais do que sangue puro. Não que fosse amante de trouxas, mas se aquela guerra que se iniciava finalmente estourasse, ela não sabia de qual lado lutar.

Tentando amenizar o clima que se instalara com o comentário pesado de Constance, Victoire abriu um sorriso na direção de Potter.

- Não se preocupe, meu rosto é belo e sem o mínimo de imperfeições. Você deve ter essa sensação, Potter, porque é inevitável não torcer o nariz quando seu cheiro está impregando o local. Então é, acho que estou sempre com nojo. Mas é quando você está por perto. Coincidencia?

- Hey McMillan - Black havia apoiado a vassoura ao seu lado, no primeiro degrau da escadaria. - Você deveria ver esse cheiro aí, sabia... Pode não ser culpa do Prongs. Pode ser só uma doença aí na sua cabeça. O que explicaria bastante coisa.

Victoria colocou a mão na cintura e alargou o sorriso, se direcionando para Black. Ela abriu a boca para responder, mas antes que tivesse a chance, o batedor da grifinória continuou.

- Aliás... - Desta vez Black se direcionava para a irmã caçula. - Vai ver é doença de família. Sabe, toda essa preocupação de manter o sangue puro, essa mistura de parentes se casando. - Sirius ergueu a mão livre no ar, como se tivesse acabado de ter uma idéia. - Sabe, isso sim explicaria muita coisa!

- Jura, Black? É assim que fazem as coisas na sua família? - Vicky resmungou, o nariz levemente franzido em uma careta de nojo. - Por Salazar, isso sim é doença.

Sirius desceu o primeiro degrau que havia subido e a sonserina viu sua expressão de fúria. Ela recuou um passo, com medo de uma possível explosão, mas o rapaz se conteve.

- Quando estivermos no mundo real, McMillan... - Sirius olhou de uma menina para outra. - Aí sim a gente vai ver o problema sendo resolvido. - a voz do rapaz estava carregada em ameaça e Vicky pode ver a mão dele roçar a ponta da varinha em seu uniforme de Quadribol.
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Sab Out 17, 2015 11:00 pm

Para a caçula dos McMillan, a vida parecia ter sido bastante generosa. Constance nascera num berço dourado e era herdeira de uma das maiores fortunas do mundo da magia. Sua linhagem era irrepreensivelmente pura, não parecia haver nem mesmo um galho podre na árvore genealógica dos McMillan.

Como se não bastasse isso, Constance era inteligente e sempre fora dona de uma beleza única. Fora uma adorável garotinha ruiva esperta e sardenta e agora tomava as formas de uma mulher atraente e exótica. Seus cabelos vermelhos eram naturais, herança de uma das avós. Os olhos tinham um tom escuro de azul e um formato felino que tornava sua expressão quase sempre maliciosa. As infinitas sardas da infância tinham perdido um pouco de sua intensidade, mas Constance ainda conservava algumas manchinhas discretas que, ao invés de estragarem seu rosto, contribuíam para realçar seus traços bem feitos.

Mas Constance não era exceção à regra de que nada no mundo poderia ser perfeito. A educação recebida dos McMillan transformou Constance em uma fonte inesgotável de preconceitos. Sua ficha em Hogwarts tinha notas excepcionais, mas era manchada por uma coleção de detenções, quase sempre relacionadas à péssima convivência de Constance com os colegas que ela considerava “inferiores”. A caçula dos McMillan era punida em Hogwarts por suas condutas, mas em casa seu comportamento era exaltado pelos pais. Ela parecia ser um caso perdido.

E para agravar ainda mais a antipatia que Sirius Black sentia por pessoas como ela, Constance havia elegido Regulus Black como um de seus melhores amigos. Os dois estudavam na mesma turma, sempre faziam os deveres juntos e viviam grudados pelos corredores. Não parecia haver entre eles nada além de amizade, mas é claro que alguns boatos diziam o contrário.

Verdade ou mentira, o fato era que Constance parecia perfeita para Regulus. Ela era tudo o que Walburga e Orion desejariam para o seu ÚNICO herdeiro. Uma moça bonita, inteligente, educada, de sangue-puro e partidária das ideias que moviam o grupo dos comensais da morte. Aquela proximidade tinha tudo para se tornar um formidável acordo de casamento entre os Black e os McMillan.

E Constance parecia ser o tipo de pessoa que concordaria com um acordo de casamento vantajoso. Ao menos era essa a imagem que todos em Hogwarts tinham dela.

Os olhos felinos se estreitaram de forma ameaçadora quando a ruiva ouviu Sirius Black tentando difamar sua família. Ela estava prestes a comprar aquela briga, mas Victoria devolveu a provocação falando sobre os Black.

Quando Sirius avançou na direção das duas, a loira recuou um passo, mas Constance não pareceu nem meramente ameaçada. Podia ser um ano mais nova, podia ser uma menina. Mas ela não se sentia inferior a Sirius. E isso ficou evidente quando Constance imitou o gesto de Black e roçou os dedos na própria varinha, pronta para rebater um possível feitiço.

Foi Potter quem evitou que aquelas provocações tivessem um fim mais dramático. O apanhador da Grifinória desceu um degrau e levou uma das mãos ao bolso do melhor amigo, empurrando a varinha de Sirius de volta ao seu lugar. James obviamente não gostava da McMillan e desprezava as ideias de Constance, mas nem por isso queria transformar aquela discussão juvenil num duelo acalorado. E elas eram meninas! No fundo, James sabia que precisaria abandonar esse pensamento cavalheiresco no futuro, mas por enquanto não precisavam agir como se estivessem em guerra.

- Não vale a pena.

A primeira frase foi dita em entonação séria, apenas para o amigo. Mas Potter não seria Potter se não completasse o discurso com alguma bobagem.

- Se você acidentalmente quebrar uma unha da McMillan mais velha, sabe-se lá o que ela é capaz de fazer com você, Padfoot! E quanto à enferrujadinha...

- Enferrujada? – uma das sobrancelhas finas de Constance se arqueou – Pensei que gostasse de ruivas, Potter.

- Não de ruivas como você. – James rebateu com um sorrisinho.

- Ser sangue-ruim é um pré-requisito?

Aquela expressão fez os olhos castanhos de James faiscarem. Ele costumava ficar mais ofendido que Lily quando alguém ressaltava as origens trouxas da namorada. Mas Constance não conseguiria vencer aquela discussão, Potter se recusou a perder o controle porque sabia que era isso que as McMillan queriam.

- Por que a pergunta? Está interessada?

Constance soltou uma risada debochada com tanto gosto que tombou a cabeça para trás. Quando respondeu, contudo, a ruiva já havia recuperado o fôlego e exibia uma expressão mais fria.

- Eu tenho uma fila de herdeiros de sangue-puro implorando pela minha atenção, Potter. Não seja tão prepotente! Um retardado como você não serviria nem para limpar o chão da minha mansão.

- Regulus Black é o primeiro da fila?

A provocação de James fez o sorrisinho de Constance vacilar por meio segundo, mas ela logo recuperou a pose de superioridade. A resposta foi lançada depois de um breve olhar na direção de Sirius.

- Talvez. Por que não? Ele se tornou ainda mais interessante depois que os Black cortaram os galhos podres da árvore.
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Sab Out 17, 2015 11:28 pm

Foi a vez de Sirius Black imitar a expressão de nojo da McMillan mais velha. A imagem de seu irmão caçula e Constance era grotesca. Ele poderia facilmente imaginar a Walburga mirim agradando seus pais com toda aquela arrogância e preconceito. Um flash passou pela sua cabeça, imaginando Regulus sentado em uma poltrona, observando um bebê brincando no chão com ossos de um nascido trouxa enquanto a Sra. Black e Constance berravam pela mansão.

- Não que eu esteja muito preocupado com a sua vida amorosa, McMillan, mas se eu fosse você, eu me certificaria que Regulus... sabe... - Sirius assoviou maliciosamente antes de continuar. - Gosta de meninas. Sem querer te assustar nem nada, mas ele sempre foi muuuuito estranho.

Sirius tentava canalizar toda a fúria que havia sentido durante todo o dia em um sorriso forçado em malicia.

- Se bem que você não é exatamente uma menina. - Ele continuou, como se falasse o óbvio. - Imagino que seja assexuada. Sabe, tipo monstrinhos com cabelo cor de fogo. Parentes dos trolls, eu acho.

- Black! - A McMillan mais velha bufou, já com a varinha em mãos. - Retire o que disse.

O sorriso de Sirius se alargou. Ele estava desejando por um duelo durante todo o dia e a sonserina estava apenas lhe dando uma desculpa. Ao contrário de Potter, ele não se preocupava tanto assim que fossem meninas. Para ele, eram apenas duas arrogantes preconceituosas. A caçula, particuparlmente, lhe lembrava tanto a mãe que o rapaz não via tanto problemas em azará-la bem ali, no meio de Hogwarts.

- E o que você vai fazer? - Sirius avançou mais um passo, desta vez parando diante da irmã mais nova, ainda encarando a mais velha. - Francamente...

Como o rapaz era muito mais alto que as duas meninas, Black as encarou por cima.

- Já chega! - Victoria puxou a irmã pelo braço, trazendo-a para trás e aumentando o espaço entre ela e o grifinório. - Não quero levar detenção por causa de dois obtusos!

- Aprendeu palavra nova, McMillan? - Sirius já havia largado a vassoura, caída nos degraus, e cruzou os braços sobre o peito se sentindo vitorioso. - Que orgulho, Hogwarts está finalmente colocando algo na sua cabeça!

A sonserina ainda tentava afastar a irmã e se limitou a lançar um olhar irritado ao grifinório.
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Sab Out 17, 2015 11:53 pm

No passado, James também não fugiria de uma boa confusão envolvendo sonserinos. Seu histórico era recheado de punições por ter azarado colegas da casa de Salazar. Mas as coisas tinham mudado um pouco nos últimos meses, principalmente por causa de Lily Evans. Potter não queria estragar tudo logo agora que finalmente tinha conquistado a ruiva dos seus sonhos.

- Já chega.

Desta vez, a entonação mais séria não foi seguida por uma piadinha para amenizar o clima. James manteve um semblante fechado quando encarou o melhor amigo.

- Se você quer entrar no joguinho delas, te desejo uma excelente detenção. Eu tenho um time para treinar, um campeonato para jogar, uma montanha de matéria para estudar para os NIEMS. Simplesmente me recuso a perder meu precioso tempo com gente da laia das McMillan.

Sem esperar por uma resposta, James deu as costas ao amigo e retomou seu trajeto rumo ao Salão Comunal da Grifinória. Ele só interrompeu suas passadas firmes ao chegar diante do quadro da Mulher Gorda.

- A senha...?

- Uísque.

- Está calor... – a imagem da mulher se abanou, tentando ajudar James a dar a resposta certa.

- Desculpe. – ele abriu um sorrisinho malicioso – Eu provoco este efeito nas mulheres, é inevitável.

- Diga logo a senha correta, seu demente!

- Uísque de fogo!

A Mulher Gorda bufou antes de abrir a passagem para Potter, dando a ele acesso a um Salão Comunal quase vazio. Praticamente todos já tinham seguido caminho para o jantar no Salão Principal.

- Mas que demora! – uma ruiva ergueu-se de um dos sofás e caminhou na direção de James – Ainda não tomou banho??? Vamos perder o jantar, Jamie!

- Desculpe, Lily. O treino se alongou, mas eu fico pronto em cinco minutos!

O casal se saudou com um rápido selinho e Lily tentou ajeitar os cabelos espetados do namorado com as mãos. James a encarou com um semblante sarcástico e riu quando, depois de alguns segundos, Evans desistiu daquela batalha. Os cabelos dele eram realmente uma guerra perdida.

- Não demore!

- Cinco minutos! – James gritou enquanto subia as escadas que levava ao dormitório masculino.

Depois de tantos anos de esforço, Potter havia conseguido uma chance com Lily Evans. O apanhador da Grifinória quase não acreditou quando a ruiva respondeu “sim” aos convites que ele fazia sempre que os dois se cruzavam pelo castelo. Haviam sido tantos “nãos” que James ficou sem reação por alguns segundos quando Lily finalmente se rendeu.

O primeiro contato dos dois foi durante um passeio a Hogsmeade no ano anterior. Depois de passearem pelo povoado, James a levou para tomar um chocolate quente e o primeiro beijo aconteceu. Tal como ele imaginava, foi mágico. E a sensação de vitória foi semelhante a erguer um troféu de quadribol após uma temporada árdua.

Mais alguns encontros aconteceram até que os dois chegaram ao inevitável patamar de um relacionamento mais sério.

Lily era uma excelente namorada. Era carinhosa, paciente e tinha toda a maturidade que faltava em James. Os dois tinham muitas coisas em comum, certamente compartilhavam as mesmas ideologias com relação a guerra que estava prestes a estourar. Potter estava feliz ao lado dela, mas mentiria se dissesse que ficar com Lily era tudo o que ele sempre sonhou.

Nem mesmo Sirius, que conhecia todos os segredos do melhor amigo, sabia como James se sentia meio frustrado com aquele namoro. Potter havia batalhado muito por Lily, havia idealizado a ruiva. Mas agora que a tinha ao seu lado não se sentia tão completo. Ela de fato era como um troféu muito almejado, mas que acabava se tornando desinteressante depois de algum tempo na estante.

É claro que James não pretendia colocar um ponto final no namoro. Lily era uma garota perfeita, ela o fazia feliz e isso parecia bastar. Potter estava ciente de que suas atuais incertezas eram frutos de uma imaturidade que estava com os dias contados.

James só torcia para que não surgisse em seu caminho outra garota capaz de abalar a sua determinação de construir um futuro feliz ao lado de Lily Evans.
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Out 18, 2015 12:14 am

Victoria deixou um suspiro de alivio escapar quando viu Potter finalmente subir as escadas. A intenção dela, ao implicar com os grifinórios, jamais tinha sido levar até um duelo com varinhas. Na cabeça da mais velha dos McMillan, era apenas o velho esporte Sonserinos versus Grifinórios.

Black, entretanto, parecia estar disposto a levar aquilo muito mais a sério. Constance jamais deixaria por menos, sempre disposta a exibir sua superioridade.

Apesar de nascida em berço de ouro e educada exatamente como a caçula, a primogenita tinha uma personalidade mais leve que a irmã, ainda vivendo em um mundo onde a guerra não se passava de uma fantasia dos pessimistas.

Quando Potter se afastou, Sirius também pareceu vacilar. Ele também não estava disposto a levar uma detenção. Alguns alunos começaram a movimentar o saguão de entrada em direção ao Salão Principal. Sem dizer uma palavra e sem desviar os olhos cinzentos de Constance, ele deu alguns passos para trás, sem se virar, até pegar a vassoura caída.

Seus olhos finalmente pareceram se interessar em algo que não fosse Constance e um sorriso surgiu nos lábios do grifinório repentinamente.

- Hey, Marlene! - Sirius gritou para alguém atrás das irmãs sonserinas.

Victoria olhou por cima do ombro, se deprando com Marlene McKinnon, uma grifinória setimanista que vinha ao lado de Alice Bullman, namorada de Frank. As duas meninas imediatamente viraram sua atenção para o batedor, ignorando a presença das sonserinas.

- Me espere para jantar, sim? Precisamos terminar a nossa conversa... - Sirius piscou um olho para a menina, fazendo-a sorrir imediatamente.

E ali estava algo que Victoria não podia negar: o efeito Black sobre o publico feminino.

- Não demore, Black. - Marlene e Alice seguiram o caminho e Sirius a acompanhou com o olhar até que sumissem.

Quando finalmente estavam fora de seu campo de visão, ele se virou para as sonserinas, um sorriso de vencedor nos lábios.

- E assim, McMillan, é como eu sei o que é uma menina de verdade... - ele fez uma pausa, erguendo o indicador na direção que Marlene desaparecera, deslizando-o em seguida para apontar para Constance. - De um monstrinho assexuado.

Black piscou um olho, e com uma pose extremamente arrogante, girou sobre os calcanhares, seguindo pelo mesmo caminho que James Potter.

Victoria esperou que o rapaz sumisse nas escadas e se colocou diante de Constance.

- Calma, respira. Você não vai azarar mais ninguém. Pelo menos não hoje, está bem? - A loira segurou a irmã pelos ombros. Uma das mãos foi em seguida até a testa da irmã caçula, massageando-a entre as sobrancelhas, onde a mesma franzia a testa. - Relaxe! Você vai ficar com rugas e vai ter que ouvir o resto da vida como eu pareço ser mais nova que você!
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Dom Out 18, 2015 12:37 am

Constance era conhecida em Hogwarts pelo temperamento nada suave. A ruiva não era o tipo de aluna que procurava por confusões, mas ela definitivamente não recuava quando os problemas vinham até ela.

E Sirius Black era um problema. Dos grandes!

Se não fosse por Victoria, aquela discussão não teria terminado nada bem. Constance estava enojada com o comportamento galanteador de Black e com as ofensas dirigidas contra ela. Seria muito fácil erguer a varinha e colocar Sirius em seu devido lugar, mas a caçula dos McMillan decidiu se controlar. Oportunidades não faltariam. E seria melhor enfrentar Sirius num lugar onde o grifinório não contaria com a proteção dos amigos e de Dumbledore.

- Me deixa, Vicky. – a ruiva se afastou um passo, ainda bastante irritada com o comportamento de Sirius – Da próxima vez, não inicie uma briga que você não pretende encarar.

Sem esperar pela primogênita, a ruiva bufou e seguiu sozinha para o Salão Principal. Era óbvio que Constance estava descontando na irmã a frustração por não ter azarado Black. Ela mesma repetia aos quatro cantos do castelo que desprezava mais os traidores do sangue do que os trouxas.

A mesa da Sonserina já estava lotada quando as irmãs McMillan chegaram para o jantar. Mas um sorriso satisfeito surgiu nos lábios de Constance quando ela notou que ninguém tivera a audácia de se sentar em seu lugar preferido. Com a cabeça erguida e passos decididos, a ruiva marchou até o lugar vazio e sentou-se ao lado de Regulus Black.

O rapaz, que estava entretido em uma conversa sobre quadribol com um colega, olhou para o lado com o canto dos olhos, apenas para se certificar que o lugar fora ocupado pela pessoa de sempre. Regulus pretendia continuar a conversa com o colega, mas é claro que Constance o interrompeu. Ela se sentia muito mais importante que táticas de quadribol, afinal.

- Ainda não serviram??? Achei que estivesse muito atrasada!

- E você está. – o caçula dos Black virou o rosto para encará-la desta vez – Onde estava?

- Perdendo meu tempo com gente desprezível. – a ruiva girou os olhos – Algo inevitável neste castelo inundado de sangue-ruins e amantes de trouxas.

- Todos sobreviveram? – Regulus a provocou com um sorrisinho.

- Infelizmente sim.

Os dois se mantiveram sérios por dois segundos, depois riram juntos numa harmonia digna de um casal. Qualquer um que observasse a cena de longe pensaria que os dois sonserinos estavam juntos. Eles formavam um casal bonitinho e, sem dúvida, as duas famílias fariam muito gosto num possível relacionamento amoroso.

Contudo, somente Regulus e Constance sabiam que aquele futuro era bastante improvável. Eles eram amigos demais para pensarem em mudar o rumo das coisas. Tinham crescido juntos dada a amizade das duas famílias, por isso eram tão próximos e se entendiam tão bem.

Mas o principal detalhe que inviabilizava um namoro era o fato de Regulus já ter descartado Constance como uma possibilidade. Ele a achava linda, atraente, admirava sua personalidade forte e sabia que Walburga morreria de orgulho em ter uma nora como a McMillan caçula. Mas Regulus sabia algo sobre Constance que desmotivava qualquer sentimento mais íntimo que pudesse nascer por ela. O caçula dos Black fora o melhor amigo de infância de Constance e, por isso, sabia o maior de seus segredos. Nem mesmo Victoria conhecia aquela incômoda verdade sobre a irmã.

Era este um dos motivos pelos quais Constance gostava tanto de Regulus. Ele sempre fora um amigo muito fiel e nunca comentara com ninguém sobre o dia em que, bisbilhotando a mochila da melhor amiga, descobriu um diário que revelava que, aos doze anos, Constance era perdidamente apaixonada por Sirius Black.

- Espero que tenha torta de rins. Com carneiro assado. E pudim de caramelo de sobremesa. – a ruiva divagou, mas encarou Regulus, esperando por uma resposta.

- Não gosto de pudim de caramelo.

- Eu sei. – Constance curvou os lábios num sorrisinho malicioso – Pretendo comer a sua porção, Regs.
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Dom Out 18, 2015 1:10 am

Alguns dias haviam se passado desde o confronto de Sirius Black com as irmãs McMillan. Tempo suficiente para que o rapaz deixasse esquecido em sua memória a raiva que sentira naquele dia. Ele e Frank haviam conversado e se entendido logo na manhã seguinte ao treino de Quadribol. A detenção estava quase chegando ao fim e, dos problemas que o incomodavam, apenas as manchetes do Profeta Diário continuavam.

Naquela manhã de sábado, o céu exibia um azul claro, sem manchas de nuvens, com o sol brilhando agradavelmente, emanando um calor que logo daria espaço para a neve de final de ano. Estava um dia perfeito para uma visita a Hogsmead.

Os alunos com autorização de seus responsáveis para o passeio já se agrupavam em filas para pegar carruagens que os levariam até o vilarejo vizinho. Sirius logo se ocupou de uma, na companhia de Remus Lupin e Peter Pettigrew. Na falta de espaço, Potter preferira aguardar a próxima para não deixar Lily. Ocupando o quarto lugar que seria de seu melhor amigo, Marlene McKinnon estava pomposamente sentada junto aos três marotos.

Peter, que sempre se sentia encabulando quando havia uma menina por perto, estava com o olhar perdido pela paisagem. Remus tinha um livro em seu colo e Sirius começava a se arrepender de ter convidado a colega para acompanhá-lo no encontro.

Marlene era muito bonita, os cabelos negros escorridos, os olhos cor de mel e, apesar de magra, tinha bochechas salientes e rosadas. Sem dúvida alguma era uma das meninas mais bonitas do ultimo ano grifinório e, como a maioria, não escondia seu interesse pelo primogênito dos Black.

Apesar de sua fama de conquistador, Sirius não costumava sair com diversas meninas ao mesmo tempo, como diziam nos corredores do castelo. O único problema é que seu interesse surgia e passava muito rápido. Apesar de ainda ser o primeiro encontro de verdade ao lado da colega, os dois já haviam perdido algumas boas horas em estreitos armários de vassouras. Sua intenção ao convidá-la era que os dois pudessem usar algumas palavras, já que suas bocas estavam sempre ocupadas.

Entretanto, a simples presença dela na carruagem já começava a incomodá-lo. Ele queria apenas mais um passeio a Hogsmead ao lado dos amigos. E agora com Evans a tira-colo.

O caminho até o vilarejo não era grande, de modo que em poucos minutos já estavam se encaminhando para a rua principal onde as lojas e restaurantes se enfileiravam.

- Preciso passar na Floreios... Encontro vocês no Três Vassouras para o almoço? - Remus perguntou, já se afastando.

Com um muxoxo, Sirius concordou sem muita opção. Ele começou a caminhar ao lado de Marlene, encarando os próprios pés. Alguns passos atrás, Peter os acompanhava, sem dizer uma palavra.

- Então... o que podemos fazer? - Marlene perguntou, sempre exibindo um sorriso simpático.

Sirius balançou o ombro, demonstrando seu desinteresse, o que fez com que o sorriso da grifinória murchasse um pouco. Peter, que observava a cena logo atrás, pigarreou.

- Podemos ir até a Dedosdemel. Meus sapos de chocolate acabaram...

Black estalou a língua nos dentes, passando uma das mãos pelos fios mais longos que escapavam de sua orelha.

- Por Godric, Peter! Só pensa em comida?

- Na verdade... - Marlene começou, receosa diante do evidente mal humor de Black. - Acho que é uma boa ideia. Todos nós precisamos de um pouco de açúcar no sangue.

Peter tentou segurar uma risada nasalada diante do comentário da menina, que evidentemente estava criticando o humor de seu acompanhante. Percebendo aquilo, Sirius suspirou. Não iria deixar que aquilo estragasse o dia de Marlene, a coitada não merecia.


Os três seguiram o caminho até a loja de doces e a encontraram ainda relativamente vazia pelo horário. Pettigrew logo se afastou para reabastecer seu estoque de doces e Sirius aproveitou o momento a sós com Marlene para tentar amenizar o clima que criara no caminho até Hogsmead.

O rapaz pegou um dos canudos de açúcar e o ofereceu em direção da menina, que observava uma das prateleiras enquanto escolhia o que levaria. Ela franziu a testa diante do doce oferecido e, um segundo depois, o canudo deu um estouro, se abrindo no formato de uma flor.

- Legal, é? - Sirius abriu um sorriso. - As pétalas são comestíveis. Açúcar suficiente para a senhorita?

Marlene voltou a se derreter diante do rapaz e Black se deu por satisfeito. Meninas e flores. Era praticamente infalível. Se as flores fossem sabor chocolate, não tinha chance para erros.
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Dom Out 18, 2015 1:41 am

- James...?

O rapaz só retornou para a realidade quando Lily o chamou pela terceira vez. Os dois tinham acabado de chegar a Hogsmeade e a ruiva tagarelava sobre seus planos para aquele passeio. Ela só percebeu que o namorado não estava prestando muita atenção depois de alguns minutos.

- Desculpe. Eu estava pensando em...

- Quadribol, aposto. – Lily completou a frase por ele, amarrando a cara.

Não, não era o quadribol o protagonista dos pensamentos de Potter naquele dia. Sua mente estava perdida em assuntos muito mais complexos. Os NIEMS ainda estavam distantes, mas James já sentia o peso da responsabilidade de ser um auror em meio a guerra que estava prestes a começar. Era preocupante pensar no futuro, mas Lily ainda parecia enxergá-lo como o rapaz inconsequente que a perseguira nos últimos anos.

- Sim. Será uma temporada difícil. – James achou mais fácil concordar do que explicar à namorada toda a profundidade de suas preocupações – Mas o que você dizia?

- Quero passar na Floreios e Borrões, preciso comprar um novo livro de Feitiços, o Peter conseguiu sumir com o meu. E depois gostaria de passar na adega. É aniversário do professor Slughorn e quero lhe dar uma garrafa de hidromel.

- Uhum. – James comentou sem muito entusiasmo – Só faço questão de almoçar no Três Vassouras com o pessoal. Você é quem manda no restante do passeio.

Aquela resposta pareceu agradar Evans, a julgar pelo sorriso que brotou nos lábios dela. Para recompensar o namorado por aquela gentileza, Lily segurou o rosto do rapaz e depositou um beijo mais longo nos lábios dele.

Embora a companhia de Lily fosse agradável, James sentia falta da época em que passeios a Hogsmeade eram um sinônimo de dias divertidos com os melhores amigos. Antigamente, os marotos aproveitavam aquele passeio para reabastecer seus estoques de doces, vomitilhas e bombas de bosta.

- Está lotado! – a ruiva murmurou ao espiar a vitrine da livraria – Quer me esperar aqui fora? Eu não vou demorar, sei exatamente em qual estante o livro está.

- Com certeza. – James fez uma careta ao olhar a movimentação ruidosa no interior da loja – Vou ficar aqui na calçada, onde a concorrência por ar puro é relativamente menor!

- Não demoro.

Lily deu um beijinho no rosto do namorado antes de se enfiar na Floreios e Borrões. Conforme combinado, Potter permaneceu na calçada e distraiu-se com as pessoas que passavam enquanto esperava pela ruiva. O apanhador da Grifinória acenou para alguns colegas, conversou brevemente com Frank e Alice e, por fim, voltou a atenção para o outro lado da praça onde um grupinho de sonserinos se reunira.

Embora estivesse numa fase em que fugir de confusões era seu lema, James não conseguiu ignorar aquela movimentação suspeita. Inicialmente os alunos apenas conversavam e riam, mas Potter sabia que boa coisa não costumava acontecer quando muitos uniformes verde e prata se reuniam.
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Out 18, 2015 2:42 am

O dia mal havia começado e Victoria McMillan já estava com sacolas penduras em um dos braços. Apesar do sobretudo do uniforme sonseirno lhe cobrir os ombros, ela havia aproveitado o dia de passeio para usar por baixo suas roupas bonitas e confortáveis. Seus pés limpos e bem cuidados estavam calçados com sandalias de salto alto. A menina havia puxado algumas mechas loiras que estavam presas atrás de sua cabeça, com o restante dos cabelos soltos.

Ela tentava alcançar Constance, que já havia desaparecido no vilarejo atrás de Regulus Black. Muitas vezes a primogênita parecia a irmã caçula, correndo atrás da outra em busca de atenção. Apesar de acreditar na mais nova que seu relacionamento com o sonserino era apenas de amizade, era inevitável que vez ou outra Vicky não se perguntasse se havia ou poderia haver algo mais entre os dois.

Quando a menina finalmente alcançou o pequeno grupo de colegas, foi apenas para constatar que Constance não estava ali, muito menos Black. Ela soltou um suspiro cansado, desistindo de procurar pela irmã. Seus pés já começavam a reclamar e haviam listras vermelhas em seu braço, marcados pelas bolsas.

Victoria sentou em um dos bancos, fazendo com que um colega precisasse se afastar um pouco para ela se acomodar.

- Preciso de um sorvete... - ela ergueu um galeão na direção de Severus Snape, que estava em pé.

O rapaz estava com os braços cruzados em frente ao peito, olhando-a com irritação por ter tido a conversa interrompida. Victoire o ignorou, empurrando mais uma vez o galeão na direção do rapaz, que não fez a menor manifestação para pegar o dinheiro.

- Não sou seu empregado, McMillan.

- Não seja grosso com uma dama, Severus. - McNair, sentado ao lado de Victoria, se acomodou melhor no banco, passando o braço pelo ombro dela com uma intimidade que não existia entre os dois.

Victoria não costumava se importar com aqueles pequenos gestos como os de McNair. Estava acostumada a ser mimada pela maioria dos rapazes sonserinos. Ela tinha certeza que Constance teria o mesmo destaque se não fosse tão problemática. Para a mais velha, ter rapazes lhe fazendo favores era uma das vantagens de ser bonita.

- Qual o problema, Snape? É só um sorvete. Aposto que se você fosse mais gentil, a Evans estaria com você, e não com o quatro-olhos do Potter.

Snape era um dos poucos que não se curvavam diante de Victoria. Não que ela fizesse questão, ele era sempre esquisito demais e, como Constance costumava dizer, era metidinho demais para um sujeitinho mestiço.

A mão esticada no ar de Victoria foi finalmente atendida quando McNair tocou seus dedos.

- Pode guardar seu galeão, Vicky. O sorvete é por minha conta hoje. - O rapaz se levantou, puxando Severus pelo braço.

A loira abriu um enorme sorriso, olhando para cima para encarar o colega. Ela fez uma careta diante do reflexo do sol enquanto os meninos se afastavam. Antes que estivessem longe demais, ainda teve tempo de gritar.

- De limão! Com gotinhas de chocolate!
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Dom Out 18, 2015 3:05 am

Regulus Black piscou repetidas vezes enquanto assistia Constance McMillan encher sua sacola com os variados doces da Dedosdemel. Não parecia haver nada que a ruiva não gostasse, ela enchia as mãos em praticamente todas as prateleiras pelas quais os dois passavam. E o pior era que Constance sempre fora assim. Era de se admirar que fosse tão magrela!

- Mais sapos de chocolate??? – o rapaz não conseguiu conter o comentário ao ver a amiga enfiando mais doces nas sacolas.

- Estes são diferentes, tem recheio de caramelo.

- Eu não gosto de caramelo. – Regulus fez uma careta de insatisfação.

- E daí? Estou comprando para mim.

O caçula dos Black desistiu de discutir porque conhecia a melhor amiga o bastante para saber que não adiantava argumentar com Constance. E era ainda mais infrutífero discutir com ela quando havia doces na jogada.

Os dois carregavam sacolas lotadas quando chegaram ao balcão. Os olhos de Constance brilhavam quando ela se via rodeada por aquela infinidade de doces. Ela nem parecia a garota preconceituosa de língua afiada que espalhava terror em Hogwarts. Ali, ela era apenas uma menina louca por doces.

Aliás, quem não conhecesse Constance teria dificuldade para acreditar na personalidade forte da ruiva. Seu temperamento não combinava em nada com seus traços delicados, com as adoráveis sardas em seu rosto, com a franjinha ruiva que ela frequentemente jogava de lado para afastar os fios dos olhos, com sua voz feminina e melodiosa.

- Não! – a ruiva arregalou os olhos como se algo terrível estivesse acontecendo.

- O que foi??? – Regulus se alarmou com a expressão dela.

- Eu me esqueci de pegar os bombons explosivos! Pega pra gente, Regs! – a menina aumentou um pouco o volume da voz enquanto Black se afastava, resmungando depois daquele susto – Dois de cada saboooor! Dois não, três!!!

Logo que Regulus sumiu de vista por entre as prateleiras, Constance se deu conta de que também havia se esquecido de pegar fios dentais de menta. Ela deixou as sacolas sobre o balcão, garantiu ao funcionário da Dedosdemel que voltaria em um minuto e correu para pegar aquele último item valioso.

O caminho até a prateleira foi tranquilo. McMillan encheu as duas mãos com os doces e viu Regulus passar de relance no corredor ao lado. Um sorriso suave surgiu nos lábios de Constance e ela contornou a prateleira para falar com o amigo. Ela estava tão distraída com os doces que carregava que inicialmente não percebeu que “Regulus” estava alguns centímetros mais alto.

- Regs, você não vai acreditar! – Constance usava uma entonação doce que só costumava dirigir à Regulus ou à irmã – Esquecemos também os fios dentais de menta! Mas eu já peguei alguns e...

Constance se calou subitamente quando o rapaz se virou e ela se deu conta da confusão. Os irmãos Black não eram exatamente parecidos, mas tinham muitos traços em comum. A pele pálida, cabelos negros sedosos, o mesmo formato do nariz, a mesma cor dos olhos, o mesmo sorriso bonito. Um estranho poderia até confundir os dois, mas McMillan se sentiu a criatura mais tola do universo por ter cometido aquele erro.

E ela se sentiu ainda pior ao perceber que Sirius não estava sozinho. A real vontade de Constance era explodir a cabeça de Marlene McKinnon com um feitiço certeiro quando a moça surgiu por detrás dos ombros de Black.

Apesar daquele tropeço, McMillan se recusou a abaixar a cabeça diante do rapaz. Ao contrário, a ruiva empinou o nariz e fez uma careta de desagrado.

- Aff, que bom que o Regs não está por perto. Ele jamais me perdoaria por esta infeliz comparação. Talvez eu precise de óculos, Black. Depois pergunte ao seu amigo quatro olhos em que buraco ele comprou as lentes dele para eu passar bem longe de tal estabelecimento!
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Dom Out 18, 2015 3:34 am

Sirius precisava admitir, Marlene estava certa. Um pouco de açúcar em seu sangue e seu humor estava começando a melhorar. A menina carregava uma cestinha com alguns doces e o rapaz, para implicar, furtava um ou outro e abria a embalagem, alegando que precisava passar pelo seu teste de Qualidade.

Black estava brincando com agluns fios negros da grifinória enquanto ela narrava alguma história que, no fundo, ele não prestava atenção.

- Acho que já podemos ir até o caixa, han? - Sirius perguntou, torcendo para encontrar James ou Remus do lado de fora para conseguir finalmente aproveitar aquele dia.

Estava torcendo para que a hora do almoço chegasse logo, ao menos assim teria certeza que os marotos estariam juntos no Três Vassouras, servidos com cerveja amanteigada.

Com uma mão apoiada nas costas de sua acompanhante, Sirius a guiou em direção ao caixa, quando o casal foi interrompido por uma voz ás costas do grifinório. De imediato, ele não conseguiu reconhecer a voz delicada, e quando girou sobre os calcanhares, não acreditou no que estava vendo.

Não havia açúcar em toda aquela loja que pudesse acalmá-lo naquele momento. A voz poderia tê-lo enganado, mas aquele rosto docemente diabólico era inquestionável. Sirius sentiu todo o seu corpo ficar tenso, mas procurou não demonstrar isso em seu rosto, abrindo o sorriso sarcástico que costumava usar diante de sonserinos, especialmente diante da calula McMillan.

- Regs? Jura? - Sirius ergueu as sobrancelhas, fazendo de conta que estava segurando o risco. - Por Godric, McMillan. Vocês, sonserinos, não conseguem ser mais bregas?

Ele sacudiu a cabeça em negação, estalando a língua no céu da boca.

- Não precisa se preocupar com a vista do Prongs. Talvez seu problema seja o excesso de doces... - O rapaz baixou o olhar para as mãos carregadas da sonserina como um pai que flagra o filho furtando sobremesa antes do jantar. - Se eu fosse você, pensaria duas vezes antes de comer todos esses bombons. Já vi uma foto da sua mãe e... uau. - ele prendeu os lábios, enchendo as bochechas de ar de modo que elas ficaram estufadas, fazendo sumir momentaneamente as covinhas tão familiar. - Sabe, McMillan, a comida não vai lhe trazer amor.

Com uma coragem digna de um grifinório, ele ergueu o indicador, se inclinando para frente até tocar no peito da sonserina, próximo ao coração.

- Todos esses doces não vão preencher o vazio que a sua alma deixou, sinto muito McMillan.
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Dom Out 18, 2015 4:02 am

Era firme a determinação de James em se tornar um rapaz mais maduro, em fugir das encrencas que ele antigamente procurava. Evans tivera um papel importante nesta decisão, mas Potter também decidiu mudar pensando no futuro. Seu sonho de se tornar um auror exigia muita disciplina e um comportamento diferente daquele pelo qual o rapaz se tornara conhecido na Grifinória.

Mas se havia um ponto falho naquele plano, o mesmo respondia pelo nome de Severus Snape. James se esquecia de todas as suas determinações quando o detestável Ranhoso surgia em seu caminho. Snape despertava em Potter o garoto inconsequente que o grifinório estava decidido a abandonar.

Foi inevitável lançar uma provocação quando, a mando de Macnair, Severus passou pela calçada para comprar o sorvete de Victoria. Os dois rapazes se encararam com todo aquele ódio alimentado depois de quase sete anos de convivência forçada em Hogwarts. Snape estreitou os olhos enquanto James abriu um de seus meio sorrisinhos debochados.

Quando o sonserino pensou que a provocação se limitaria a este olhar de poucos amigos, a voz de Potter soou carregada de sarcasmo.

- Foi rebaixado de mestiço a elfo doméstico dos McMillan, Ranhoso? Os últimos meses não tem sido generosos com você, não é...?

Os dois sabiam muito bem que James estava se referindo à batalha que os dois travaram pelo coração de Lily Evans. Severus havia se tornado um rapaz ainda mais sombrio e mal humorado depois que a ruiva, há alguns meses, finalmente escolhera Potter como vencedor daquele duelo amoroso.

Aquela era uma ofensa que o sonserino não pretendia engolir. James já havia tirado muito dele, mas não levaria o que restara de sua dignidade. Severus se sentiu ainda mais motivado ao ver que Potter estava sozinho. Desta vez, seria um duelo justo e ele poderia provar que era melhor que o grifinório com uma varinha em mãos.

O primeiro feitiço partiu da varinha de Snape. Como já esperava pelo ataque, James se defendeu com grande facilidade, o que só aumentou a ira do sonserino. Severus produziu um segundo feitiço não verbal, que foi igualmente bem defendido por Potter.

- Sério, Ranhoso? Isto é o melhor que pode fazer? Vamos lá, eu te dou mais uma chance antes de te erguer pelos calcanhares e tirar as suas calças...

Aquilo já tinha bastado para que uma pequena multidão de curiosos se aglomerasse ao redor dos dois rapazes. O grupinho da Sonserina se aproximou, mas nenhum dos colegas pretendia separar a briga ou partir em defesa de Severus. Ao contrário, Macnair e os amigos torciam para que fosse um duelo longo e violento. Seria a maior diversão daquele passeio!

Mais um feitiço irrompeu da varinha de Snape. Desta vez, ao invés de se defender com outro feitiço, James somente curvou a coluna e se desviou do feixe amarelado.

- Revide, seu covarde! – Severus rosnou como um animal ferido antes de lançar mais uma sequência de azarações na direção do grifinório.

Desta vez, Potter teve um pouco mais de trabalho para se defender dos feitiços. Sentindo-se acuado, James revidou e começou um contra-ataque. Severus também se defendia bem e o acelerar dos golpes animou a plateia, que começou a gritar palavras de incentivo.

Logo o barulho atrairia algum professor que colocaria um fim naquela bagunça, por isso Snape decidiu agir rápido. Ele mesmo havia criado aquela azaração pensando no glorioso dia que poderia usá-la contra James Potter e a oportunidade finalmente tinha chegado.

Com um brilho demoníaco nos olhos negros, Snape moveu a varinha num gesto rápido e gritou com uma entonação vitoriosa.

- SECTUMSEMPRA!

Embora não conhecesse o feitiço, James soube pela expressão do rival que não podia ser boa coisa. O grifinório reagiu rápido e optou por não usar um simples feitiço de bloqueio porque sabia que eles costumavam falhar com maldições das trevas. Numa fração de segundo, Potter conseguiu conjurar um patrono em forma de cervo que colocou-se protetoramente diante dele.

O feixe avermelhado do feitiço de Snape ricocheteou no patrono e voltou na direção de seu criador. Severus também mostrou que tinha reflexos rápidos quando abaixou-se e deixou o feixe passar há poucos centímetros de seus cabelos oleosos.

O duelo chegou ao fim quando a “plateia” começou a berrar. Um dos espectadores tinha sido atingido e a cena mostrava que Severus realmente não economizara na azaração. Snape foi o primeiro a correr para longe da confusão, seguido pelos colegas da Sonserina. Não parecia haver amizade entre os membros da casa de Salazar quando as coisas ficavam feias.

Potter foi o único que ficou para trás e caiu de joelhos diante da vítima. Cortes profundos se abriam por toda a pele da garota e uma poça de sangue começava a se formar ao redor do corpo dela. O rosto já estava tão desfigurado que James demorou a perceber que se tratava de Victoria McMillan.

- Oh, Merlim!!!

Potter não sabia o que fazer, não conhecia o feitiço e muito menos a forma de revertê-lo. Mas, ainda assim, ele fez mais por Victoria do que seus colegas de casa. Foi o sobretudo da Grifinória que envolveu o corpo frágil da loira enquanto James berrava por ajuda. E foi a voz dele que murmurou um “Vai ficar tudo bem, eu prometo!” antes que a garota perdesse a consciência em seus braços.
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Dom Out 18, 2015 4:32 am

A mão de Sirius foi prontamente afastada do peito da sonserina com um potente tapa. O golpe fez alguns dos doces que ela carregava caírem no chão, mas Constance nem pareceu se dar conta daquele detalhe. Toda a sua mente estava voltada para Sirius Black. Nada importava mais do que fazer aquele cretino engolir todas aquelas palavras.

Ao invés de berrar, cuspir ofensas ou sacar a varinha, McMillan apenas manteve um olhar gelado no rapaz. Quando finalmente falou, sua voz soou anormalmente tranquila para o contexto tenso que os dois protagonizavam.

- Sabe, Black... Eu acho que, talvez, você mereça ser levado a sério desta vez. Afinal, você é um grande especialista neste assunto, não é mesmo?

Os olhos felinos de Constance adquiriram um brilho maldoso e ela explicou suas insinuações.

- Você é o maior especialista no ramo da falta de amor. Um ser que não é amado pela própria mãe ultrapassa todos os limites humanos imagináveis. Sua mãe te odeia, seu pai te despreza, seu único irmão tem vergonha da pessoa lamentável que você se tornou. Eu imagino o tamanho do vazio que deve existir no peito de alguém que não foi capaz de despertar o amor nem mesmo da própria família!

Antes que Sirius pudesse reagir, a caçula dos McMillan completou de forma impiedosa.

- Serei generosa e vou retribuir o seu sábio conselho. “Isso” não vai preencher a lacuna aberta no seu peito, Siry...

O apelido foi dito numa entonação debochada. E ao dizer “isso”, Constance indicou Marlene, que obviamente fechou o semblante, embora ainda não entendesse aonde a sonserina queria chegar com aquele discurso.

- Você não vai encontrar o amor que nunca teve colecionando conquistas baratas. Vai conseguir no máximo uns bons amassos dentro de armários de vassouras, mas, meu querido, isso não é amor. Como ninguém nunca te amou, talvez não conheça o sentimento, mas confie em mim. Isso está muito longe de ser amor.

Marlene, que já estava furiosa com os rumos daquela conversa, ficou ainda mais possessa quando Constance começou a enumerar as últimas conquistas de Sirius. Nenhum daqueles casos era segredo, Sirius circulara com as meninas pelo castelo nos últimos meses. Mas era no mínimo interessante que a memória de McMillan se recordasse de todas elas.

- Samantha Terrence, Abby Williams, Charlotte Pattinson, Penelope Morgan… e agora Marlene McKinnon… Nenhuma delas vai preencher o seu vazio, Black. Comece a pensar com a cabeça de cima e pare de agir como um ridículo conquistador barato. As garotas sem cérebro podem se derreter por você, mas eu só consigo sentir pena. Muita pena.

Constance lançou a cartada final porque conhecia bem a rivalidade e a mágoa entre os irmãos Black depois que Sirius fora deserdado.

- E pode zombar o quanto quiser. Você realmente não é capaz de compreender o carinho que me faz chamar o seu irmão de “Regs”. E pode ter certeza que ele não conquistou o meu afeto me arrastando pra um armário de vassouras fedido.
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Out 18, 2015 5:06 am

Victoria estava distraída observando os esmaltes das próprias unhas quando um grupo começou a se formar alguns passos a frente dela. Atiçada pela curiosidade, a menina se levantou de seu lugar, sentindo imediatamente os pés reclamarem.

Sem grande dificuldade, já que Victoria era baixinha, magrinha e sempre conseguia o que queria, ela começou a se espremer entre alguns alunos até alcançar o centro das atenções. A primeira coisa que reconheceu foi James Potter desviando de um feitiço. Só então ela reconheceu a nuca de Severus Snape bem diante de si e foi impossível não revirar os olhos.

Ela podia ser adepta da troca de ofensas entre sonserinos e grifinórios, mas Potter e Snape estavam em um outro nível. Não era exatamente um segredo que os dois nutriam amor pela mesma menina e McMillan torceu o nariz, se perguntando o que Evans tinha de tão especial.

Haviam muitos garotos que fariam tudo por ela no castelo, mas nunca soubera de nenhum que tivesse de fato duelado por causa de seus encantos.

- Já vi que vou ficar sem meu sorvete... - McMillan resmungou para si mesma.

Um sonserino ao seu lado, da turma de Constance, a encarou espantado com o comentário irrelevante para a cena que se passava e a menina encolheu os ombros. Qual era o problema? Ela queria meeeeesmo um sorvete de limão.

Seus olhos azuis voltaram a observar a cena, sem saber se deveria torcer por algum dos rapazes. Snape era desprezível, com uma aparência que causava ânsia na menina, mas ainda era um Sonserino. Em contra partida, Potter era um grifinório e... Bem, ele era James Potter.

Antes que ela pudesse se decidir por qual dos dois rapazes torceria, ela viu Snape se agachar e, de repente, algo a atingiu.

Os belos olhos azuis se arregalaram, sem compreender o que estava acontecendo. Gritos vieram ao seu redor, mas nenhum som conseguiu sair da boca da loira. Ela sentiu como se várias facas cortassem sua pele ao mesmo tempo, todo o seu corpo ardendo de dor. A sacola que estava pendurada em seu braço se chocou contra o chão e os dedos trêmulos dela tocaram o próprio abdome, sentindo algo quente e pegajoso. Quando ergueu os dedos pálidos, eles estavam cobertos de sangue, o que fez uma onda de pânico se espalhar junto com a dor.

A pequena praça de Hogsmead pareceu escurecer. O campo de visão da sonserina foi diminuindo até sumir por completo. Ela não estava mais consciente quando atingiu o chão, mas chegou a ver um rosto borrado se aproximando antes de desmaiar completamente.

***

As pálpebras de Victoria tremeram por alguns segundos antes de finalmente conseguirem se erguer, revelando os olhos azuis confusos. Ela piscou várias vezes, forçando sua visão a conseguir ter foco e olhou em volta, tentando reconhecer onde estava. Definitivamente não era o dormitório na Sonserina e nem seu quarto na mansão McMillan. O lugar era tão pálido quanto ela própria, tinha muitas camas e o teto muito alto.

A jovem girou lentamente o pescoço, tentando lembrar o que havia acontecido, e todo seu corpo pareceu reclamar com aquele movimento. Um gemidinho escapou de seus lábios e ela olhou para baixo, fitando a cama que estava deitada.

Os lençóis eram limpos, mas quando McMillan o afastou de seu corpo, pode ver que, apesar da camisola que usava, haviam várias compressas de gazes com uma gosma verde. Ela imediatamente se lembrou do ocorrido em Hogsmead e o coração começou a bater forte.

Sua cabeça estava doendo, provavelmente com o impacto do chão com o desmaio. Mas o pior eram as dores dos cortes espalhados pelo seu corpo. Era como se, com qualquer movimento, pudesse voltar a sangrar tudo novamente.

Ela já havia reconhecido a enfermaria e, olhando pela janela mais próxima, viu que o dia já havia chegado ao fim. Se sentia extremamente fraca para se levantar, mas antes que pudesse tentar, a enfermeira apareceu ao seu lado.

- Ah, você finalmente acordou! Como está se sentindo?

- Dói. - Vicky resmungou com um beicinho.

- Ah minha querida, é claro que dói... Me admiraria se não doesse. - A enfermeira colocou um copo no criado mudo e o encheu com um líquido que lembrava água suja. - Beba. Isto irá fazer com que todos os cortes internos terminem de cicatrizar. Depois cuidaremos dos cortes externos...

Obedientemente, Victoria recebeu o copo da enfermeira, bebendo-o com uma careta. Sua voz estava rouca quando ela voltou a perguntar.

- Vai ficar cicatriz?
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Dom Out 18, 2015 5:29 am

Por mais que a intenção da Sonserina fosse ofendê-lo, as palavras não o atingiram com tanta intensidade. Sirius não precisava de anos de terapia para aceitar que o problema estava em sua família, e não nele. Walburga e Orion eram os incapazes de amar, que preferiam ver o próprio filho fora de casa do que aceitar suas opiniões tão divergentes.

Ele podia ver a diferença claramente quando estava com os Potter. Os pais de James o tratavam como um filho, com todo o carinho que a Sra. Black jamais saberia dar, nem mesmo ao filho caçula que ela parecia ter tanto orgulho.

Mas Sirius não precisava gritar aquilo aos quatro ventos, muito menos para provar a uma Sonserina.

Quando a menina começou a enumerar todas as meninas com quem Black estivera recentemente, entretanto, o rapaz franziu a testa. Ele já havia percebido como seu interesse surgia e desaparecia facilmente quando o assunto era garotas. Até aquele dia, nenhuma de suas conquistas haviam lhe despertado um interesse de destaque. O grifinório imediatamente se lembrou de como Lily e James pareciam juntos e precisou engolir em seco ao admitir silenciosamente que, ao menos naquele ponto, a ácida sonserina tinha razão. Naquele quesito, Sirius Black não sabia o que era amor.

Apeasar de seu olhar ter vacilado por um segundo, Sirius voltou a encarar a sonserina com fúria. Ele já havia esquecido completamente da presença de Marlene, de modo que não se preocupou com que ela estaria pensando daquela cena e de todas as ofensas de Constance.

- Você parece muito interessada na minha vida íntima, McMillan. O que foi, está esperando uma brecha para ver se consegue ser a próxima da fila? - Ousadamente, Sirius voltou a erguer a mão, desta vez tocando a bochecha da menina, sem ao menos cogitar a possibilidade de perder os dedos ali mesmo.

Atraído pelas vozes exautadas, Regulus Black se aproximou, se colocando ao lado da amiga. Sirius preferia mil vezes não ter que olhar para o rosto do irmão caçula, mas forçou seus lábios a se curvarem em um sorriso maior.

- Ops, desculpe... Engano meu. Parece que você já se contentou com o único Black acessível.

A mão que antes havia tocado a bochecha de Constance se virou para dar alguns tapinhas no ombro do irmão.

- Parabéns, Regs! - Ele enfatizou o apelido usado pela sonserina. - Estava esperando o momento que você fosse sair do armário, mas parece que fisgou de verdade a monstrinha, hein?

Sirius cruzou os braços em frente ao peito, admirando o casal. Era desprezível. Dois sonserinos que se achavam os melhores do mundo pelo simples fato de terem tido a "sorte" de nascer em uma família de sangue puro.

- Precisa ver como ela está dando um discurso de amor aqui, em plena Dedosdemel.

- Sirius, por favor... - Regulus tinha o semblante tranquilo, as mãos enfiadas nos bolsos. - Você está fazendo um vexame. Está passando vergonha. É melhor se retirar.

- Ou o quê? A mamãe vai ficar triste? Vai queimar meu nomezinho na tapeçaria encardida da família? Faça-me o favor, Regulus... Já passei por isso antes.

- Black. - A voz de Marlene o chamou ás suas costas, lembrando-o de que ela ainda assistia toda a cena. - Já deu, vamos voltar?

Sirius não queria voltar. Ele andava tão nervoso que poderia passar toda a tarde lançando ofensas ao irmão ou a Constance.

- Siga o conselho da sua amiga, Sirius. - Regulus ponderou, mantendo-se protetor ao lado da amiga.

O grifinório olhou por longos segundos de um para o outro. Não era novidade aquela amizade, os dois estavam sempre juntos, desde crianças. Mas era a primeira vez que Sirius realmente os via como um casal.

Lentamente, ele se abaixou para pegar um dos doces caídos de Constance, oferecendo-o de volta para a menina.

- Tudo bem, McMillan. Por hoje você venceu. - Ele ergueu as sobrancelhas, se virando para o irmão. - Regs... - e acenou com a cabeça, se despedindo sem grande entusiasmo.

Antes que deixasse a Dedosdemel, a sineta da entrada tocou, indicando que alguém havia chegado na loja. Horácio Slughorn parou ainda no começo da loja, os olhos estreitos percorrendo os corredores a procura de alguém. O professor parecia agitado quando finalmente encontrou quem precisava, andando desengonçadamente até Constance McMillan.

Sirius parou para observar a cena, na esperança de que fosse ver a menina levar uma detenção bem ali. O professor, entretanto, se inclinou e sussurrou algo no ouvido da jovem, parecendo agitado de mais para alguém que estava aplicando um simples castigo.
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Dom Out 18, 2015 5:38 am

Embora não tivesse partido de sua varinha o feitiço que vitimara Victoria McMillan, James Potter se sentia profundamente culpado. Nada daquilo teria acontecido se ele não tivesse provocado Snape. Victoria não era um grande exemplo de pessoa, mas James jamais desejaria que algo tão ruim acontecesse a ela.

O próprio Severus não parecia atormentado por uma culpa tão grande. Ele e James aguentaram quase uma hora inteira de bronca no escritório de Albus Dumbledore, do qual saíram com uma exemplar detenção pela briga em Hogsmeade. Snape simplesmente seguiu na direção das masmorras para dormir, mas as pernas de Potter o levaram até a enfermaria.

Por experiência própria, James sabia que Madame Pomfrey era excelente em feitiços e poções curativas. Mas, ainda assim, Potter precisava ver com seus próprios olhos que McMillan ficaria bem.

A porta da enfermaria foi empurrada lentamente. Todas as camas estavam vazias, exceto pela última maca junto à parede. E a julgar pelas palavras da enfermeira, Potter teve certeza de que era McMillan que repousava ali.

- Como a senhorita pode se preocupar com cicatrizes depois de tudo o que passou!? Estava quase morta quando chegou aqui, sabia? Se não fosse pelo professor Slughorn que te trouxe de volta ao castelo às pressas, sabe-se lá o que teria acontecido. E agradeça também ao seu colega que comprimiu os cortes mais profundos com as mãos e evitou que você perdesse todo o sangue enquanto esperava por socorro! Ah, aí está ele!

Madame Pomfrey resmungou ao se virar e dar de cara com Potter parado no meio da enfermaria.

- Não acha que já aprontou muito por hoje? Já passou da hora de se recolher ao seu dormitório, Sr. Potter!

- Eu só queria... – James pigarreou, meio sem graça com a situação – Só precisava saber como ela está.

- Ela vai ficar bem. Só precisa de um pouco de repouso. – a enfermeira acrescentou ao concluir que Victoria jamais relaxaria sem aquela informação – As marcas vão sumir, McMillan. Eu te garanto que não ficará nem mesmo uma cicatriz.

Madame Pomfrey parecia meio irritada quando se voltou novamente para James.

- Já que está aqui, seja útil, Potter! Preciso buscar algumas ervas no meu estoque, vocês me fizeram gastar tudo o que eu tinha pré-preparado! Não vou demorar mais que dez minutos. Fique de olho nela e não faça mais bobagens!

Sem muitas alternativas, James concordou com a enfermeira e se aproximou mais alguns passos, ainda mantendo uma distância considerável da cama ocupada pela sonserina.

Só depois que o som dos saltos de Pomfrey sumiram naquela noite silenciosa, James se atreveu a olhar na direção de Victoria. Ela ainda exibia muitos cortes espalhados pelo corpo, mas ao menos o sangramento tinha sido controlado.

Mesmo conhecendo o risco de ser enxotado dali com respostas ácidas de um típico sonserino, Potter seguiu firme no plano de se desculpar pelo ocorrido. Victoria não precisava aceitar suas palavras, mas era James quem tinha que dizê-las.

- Eu lamento muito, McMillan. Fico aliviado em saber que você ficará bem, sem sequelas ou cicatrizes.

Era um excelente momento para implicar com a vaidade exagerada da loira, mas as palavras que saíram pelos lábios de Potter não foram ofensivas, muito menos irônicas. Era um elogio sincero e desinteressado, do tipo que Victoria não costumava ouvir com muita frequência.

- Embora eu não ache que você tenha motivo para tamanha preocupação. Mesmo agora, você está mais bonita que a maioria das meninas deste castelo.
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Dom Out 18, 2015 3:53 pm

A chegada de Regulus foi providencial e evitou que Constance fizesse uma bobagem que poderia lhe render uma longa detenção. O temperamento dela era difícil, mas também era verdade que Sirius Black tinha um dom especial para tirar a ruiva do sério. Definitivamente, os dois formavam uma mistura explosiva.

Embora estivesse pronta para recomeçar uma discussão – Constance jamais deixaria que Sirius desse a última palavra daquela vez – a menina se conteve com a chegada do professor. Ao contrário do grifinório, Constance não temeu que Slughorn estivesse ali para aplicar um castigo. Como diretor da Sonserina, o professor de Poções tinha o costume de proteger seus pupilos até as últimas consequências.

Regulus e Constance ergueram as sobrancelhas ao notarem como Horace parecia nervoso e esperaram que ele os alcançasse. As palavras sussurradas para a ruiva eram as últimas que ela esperava ouvir durante um pacato passeio a Hogsmeade.

Por três segundos, Constance ficou completamente imóvel, encarando o professor sem nem mesmo piscar. Slughorn já se perguntava se a garota havia compreendido o recado quando McMillan saiu daquele estado de choque, jogou o que restava de seus doces no chão da Dedosdemel e saiu correndo em disparada. Marlene, que estava na frente da porta da loja, foi empurrada sem nenhuma delicadeza por aquele pequeno furacão ruivo.

Regulus não pensou duas vezes antes de correr atrás da amiga. Ao invés de ajudar Marlene caída no chão, o sonserino saltou facilmente sobre o corpo dela, ganhando um impulso a mais naquela tentativa de alcançar Constance. Slughorn jamais teria a audácia de acompanhar o fôlego dos pulmões de um jogador de quadribol, então sacou a varinha para desaparatar até o local onde Victoria McMillan agonizava.

A grande verdade é que a memória de Constance não conseguiu guardar a sequência das cenas que se seguiram à chegada dela à calçada em frente a Floreios e Borrões. A ruiva havia guardado alguns flashes de imagens que mais pareciam saídas de um filme de terror.

O sangue puro dos McMillan manchava o chão e escorria pelas fendas das calçadas. Victoria estava completamente desfigurada por profundos cortes espalhados em todo o seu corpo. Vários curiosos se aglomeravam ao redor daquela cena trágica, mas apenas duas pessoas tentavam ajudar de fato. Horace Slughorn lutava para fechar os cortes com toques rápidos de sua varinha e James Potter usava as próprias mãos para estancar os piores ferimentos.

Constance não lembrava das próprias ações naquele instante. Ela só se deu conta de que havia abraçado a irmã em algum momento quando chegou em Hogwarts e percebeu que toda a sua roupa estava manchada de sangue. Os braços e o peito de Regulus também estavam sujos, num claro sinal de que fora ele quem arrancara Constance de cima do corpo ferido de Victoria.

Os dois estavam do lado de fora da enfermaria, para onde Victoria fora levada às pressas. A última imagem que a memória de Constance guardava daquela terrível cena foi a palidez da irmã mais velha quando Madame Pomfrey debruçou-se sobre ela e exigiu que todos os curiosos saíssem da enfermaria. Victoria mais parecia um fantasma. E esta era uma ideia que Constance não podia suportar.

A caçula nunca fora uma irmã extremamente carinhosa. Ao contrário, era sempre Constance quem provocava as briguinhas que as irmãs McMillan tiveram na infância. Ela implicava com a vaidade de Victoria, com o fato da primogênita não dar tanta importância ao sangue e ao sobrenome dos McMillan.

As personalidades distintas das irmãs geraram muitas desavenças, mas ninguém poderia questionar que as duas se amavam. Victoria era a típica irmã mais velha, sempre preocupada com a caçula, sempre disposta a ajudar. E Constance era um turbilhão de energia, mas morreria pela irmã sem pensar duas vezes. Naquele exato momento, a ruiva desejava trocar de lugar com Victoria. Constance sabia que era mais forte, que sairia bem daquele “acidente”. E, no fundo, Constance preferia morrer a viver num mundo sem Vicky.

Apesar do imenso sofrimento, Constance não havia derramado uma só lágrima desde que se deparara com a cena da calçada. Alguns espectadores resmungavam que a ruiva era fria e não amava a irmã, mas só quem conhecia Constance de verdade sabia que ela estava explodindo por dentro.

- Não tem mais ninguém aqui... – a voz grave de Regulus soou baixa, ecoando suavemente pelo corredor vazio – Pode chorar.

- Não. – o queixo de Constance tremeu, mas ela engoliu os soluços – Ela vai ficar bem. Vou guardar as minhas lágrimas para quando elas forem realmente necessárias.

Apesar da determinação de se manter forte, Constance quase fraquejou quando passos surgiram no fim do corredor e ela reconheceu as silhuetas do Sr. e da Sra. McMillan. Slughorn havia avisado os pais da menina sobre aquele terrível acontecimento.

Um sorriso meio choroso surgiu nos lábios de Constance e ela chegou a estender os braços para pedir um colo da mãe, mas recolheu o gesto quando percebeu que a Sra. McMillan caminhava na direção de Regulus. Os olhos da ruiva apenas acompanharam os movimentos da mãe enquanto a mulher a deixava de lado para cumprimentar inicialmente o herdeiro dos Black.

- Oi, querido! Que bom que você está aqui com a nossa princesa. É muito bom saber que podemos contar com você!

O Sr. McMillan também ignorou a filha caçula para cumprimentar primeiro o rapaz com um forte aperto de mãos. Era óbvio que os dois faziam muito gosto na proximidade entre Regulus e Constance. O rapaz se tornara um partido ainda melhor agora que Sirius fora expulso de casa e transformara o caçula no único herdeiro de uma das maiores fortunas do mundo da magia.

- Mãe, pai... – a ruiva obrigou os McMillan a se concentrarem no real problema daquela tarde – A Victoria!

- Sim, sim. – a mulher girou os olhos – Slug já nos atualizou sobre o ocorrido e garantiu que os responsáveis serão punidos de forma exemplar. Um mestiço e um amante de trouxas! É o que eu digo, Hogwarts seria um lugar melhor sem esta gente.

- Hogwarts será um lugar melhor em breve, querida. – O Sr. McMillan acrescentou com um sorriso sombrio – Muito em breve.

Constance não conseguia acreditar que aquela fosse a maior preocupação de seus pais. Victoria estava quase morta quando foi levada para a enfermaria, mas os McMillan pareciam muito mais preocupados com as origens dos agressores. A ruiva já se sentia um pouco enojada quando a mãe completou, para seu assombro.

- Vocês a viram? Slug tem uma detestável tendência de exagerar nas descrições! Ele disse que foram muitos cortes profundos... a enfermeira já garantiu que não restarão cicatrizes, não é?

Por alguns segundos, Regulus e Constance ficaram sem reação. Victoria estava morrendo há poucos metros dali e a Sra. McMillan só parecia preocupada com a aparência que a filha teria se escapasse da morte. Aquele comportamento dos pais fez com que Constance se sentisse profundamente sozinha e desamparada. Se o pior acontecesse a Victoria, a família dela se resumiria a aqueles dois.

Atraída pelas vozes, a enfermeira abriu as portas e permitiu que os McMillan entrassem. Victoria ainda estava inconsciente, mas parecia mais corada. Alguns dos cortes já se fechavam graças à pasta esverdeada que Madame Pomfrey espalhara pelos ferimentos da menina. Enquanto os pais questionavam a enfermeira sobre cicatrizes, Constance caminhou até a irmã.

Seus dedos ainda estavam sujos com o sangue seco de Victoria quando a caçula fez uma carícia nos cabelos da irmã. A loira não acordou, mas remexeu-se suavemente na cama. A voz suave que Constance raramente usava foi sussurrada ao ouvido da primogênita.

- Está tudo bem, Vicky. Você vai ficar boa, hm? – a ruiva suspirou antes de murmurar a expressão que nunca havia dito à irmã. Ela nunca se perdoaria se Victoria morresse sem escutar aquilo – Eu te amo. Não saberia viver sem você.

Naquela noite, no mais profundo silêncio das madrugadas nas masmorras, Constance saiu de seu dormitório para ficar sozinha no Salão Comunal. Como uma criança desamparada, ela se encolheu no cantinho de um dos sofás e permitiu que as lágrimas contidas durante todo aquele terrível dia brotassem. O choro teve o poder de lavar a sua alma.

Embora já soubesse que Victoria ficaria bem, Constance precisava chorar. Era um choro de tensão contida, de alívio e de solidão. Naquele dia, Constance teve certeza de que não podia mais contar com os próprios pais. Seu mundo se resumiria a Victoria e a Regulus, somente os dois pareciam amá-la acima de quaisquer interesses.

Passos nas escadas fizeram a ruiva secar o rosto com os dedos trêmulos, mas ela voltou a chorar quando o rosto de Regulus surgiu no salão. Diante dele, Constance não precisava usar aquela máscara de fortaleza inabalável. Black conhecia todos os seus segredos e a amava apesar de seus defeitos. Ele a conhecia tão bem que sabia que encontraria Constance chorando, e por isso estava ali.

- Ela vai ficar bem. – o rapaz comentou enquanto se sentava ao lado de Constance e a puxava para um abraço fraternal.

- Eu sei. – a frase foi pontuada por um soluço – Eu estaria perdida sem a Vicky.

Uma longa pausa antecedeu a resposta de Regulus. Sua entonação deixava muito claro que ele compreendia a dimensão do problema da ruiva porque vivia aquilo na pele. Desde que Sirius tinha “morrido” para os Black, ele passara a ser o único alvo das expectativas da família. Mais do que nunca, Regulus sentiu o peso da obrigação de ser o filho perfeito. Mais do que nunca, o caçula se sentiu completamente desamparado naquela casa sem amor.

- Eu sei, Tancy. Eu sei exatamente como se sente.
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Dom Out 18, 2015 10:38 pm

Sirius ergueu as sobrancelhas, surpreso com a reação de Constance após a notícia de Slughorn. Ele conseguiu dar um salto para trás, saindo do caminho dela, quando a menina deixou a loja. Sem ao menos perceber que Marlene havia sido jogada no chão, o grifinório seguiu os passos da sonserina para fora da doceria e viu quando ela seguiu a rua até desaparecer.

Confuso, Black voltou para dentro da loja, varrendo os olhos atrás do professor de Poções, mas esse também havia desaparecido. O que havia acontecido para deixar Constance McMillan tão afetada?

- O que aconteceu? - Peter Pettigrew apareceu ao seu lado, as bochechas salientes dos doces em sua boca e algumas sacolas de doces em uma das mãos.

- Não sei, Wormtail, mas acho melhor encontrar o Prongs e o Moony. Coisa boa não parece ter sido...

Quando os dois adolescentes chegaram até o Três Vassouras, Remus Lupin e James Potter ainda não haviam aparecido. Eles entraram no pub e pediram uma cerveja amanteigada cada um, e minutos depois uma Marlene furiosa entrou, fazendo Black se lembrar que havia abandonado sua acompanhante na Dedosdemel.

O rapaz encolheu os ombros, se preparando para um ataque de fúria, mas a menina que estava vermelha de fúria, passou direto como se Sirius não existisse. Ele olhou por cima do ombro quando Marlene foi se juntar a mesa de Alice e Frank, mas antes que pudesse pensar em se desculpar, escutou um grupo de lufanos conversando próximos.

- Estão dizendo que foi mais um ataque... - uma menina sussurrou, se inclinando para os outros dois.

- Ataque? Mas aqui? - O colega respondeu, os olhos arregalados de pânico.

- A Marca Negra foi vista? - O terceiro perguntou. - Quero dizer, se fosse mesmo um ataque, não acha que os professores já não teriam nos enviado de volta ao castelo?

Sirius sentiu seu peito afundar. Do que estavam falando? Havia tido um ataque em Hogsmead? Ali, bem de baixo do nariz de Dumbledore? Ele imediatamente se lembrou da cena do professor de Poções e McMillan, seu estômago se contorcendo. E se a irmã da sonserina estivesse envolvida de alguma forma?

- Eu não sei. Mas dizem que a calçada em frente a Floreios e Borrões estava lavada em sangue. - A menina concluiu, o tom de voz macabro.

As íris cinzentas d Black se dilataram. Ele se lembrava de Evans ter comentado durante a semana que precisaria visitar a livraria quando viesse a Hogsmead. Se tivesse tido mesmo um ataque, a namorada de James era um alvo óbvio.

Sem dizer nada, Sirius puxou Pettigrew pela cola da camisa, o arrastando para fora do pub. Ele precisava urgentemente encontrar Potter e Lupin.

***

O fogo da lareira do Salão Comunal grifinório estava quase morrendo, com algumas estaladas ocasionais. No grande sofá vermelho, Peter Pettigrew estava sentado, agarrado em uma almofada, já vestindo pijamas. Em uma das poltronas, Remus Lupin estava inclinado para frente com os cotovelos apoiados em seus joelhos. Seu semblante, já normalmente sério, estava carregado, com grandes olheiras sob os olhos. Na poltrona em frente a Lupin, Sirius Black estava jogado, as pernas abertas. Um dos cotovelos estava apoiado no braço da poltrona, a mão segurando a cabeça jogada para o lado.

Em frente aos três amigos, o mapa do maroto estava aberto enquanto eles observavam o pontinho com o nome de J. Potter. Remus já havia aberto e fechado o mapa diversas vezes, preocupado que alguém pudesse descer as escadas dos dormitórios, mas nenhum outro estudante estava com energia para ficar acordado até tarde após o passeio a Hogsmead.

Após sair do Três Vassouras, não demorou muito para que Sirius desmentisse a fofoca que começava a correr sobre um possível ataque no vilarejo. A verdadeira notícia, entretanto, não o deixara mais aliviado. Potter estava envolvido em um acidente que quase causara a morte de uma colega. Uma colega sonserina, irritante e fútil, mas mesmo assim uma adolescente.

- Será que ele vai ser expulso? - a voz de Peter quebrou o silêncio, fazendo Black revirar os olhos.

Não era impossível, mas a simples ideia já fazia os nervos de Black ferverem. Ele não podia imaginar seu melhor amigo expulso no último ano, vendo suas chances de se tornar um Auror irem embora, por culpa de um estúpido duelo com Severus Snape.

- Dumbledore não vai expulsá-lo, Wormtail. - Remus respondeu, sem parecer muito convicto.

Os pensamentos de Sirius se dividiam entre seu melhor amigo e a irmã mais nova da vítima. Ele se sentia culpado pelo modo que havia tratado Constance mais cedo, na Dedosdemel. E se ele tivesse sido tão grosso com ela e Victoria tivesse morrido logo em seguida? Não que Constance não merecesse metade das coisas que ele havia dito, mas Black não queria ter contribuído para aquele dia infernal que ela provavelmente estaria passando.

Ele imaginou como se sentiria se fosse Potter que tivesse sido atingido pelo feitiço e conseguiu ter uma ideia de como Constance deveria estar naquele momento. O modo como ela reagira a notícia de Slughorn mostrava que ela se importava com a irmã tanto quanto ele gostava de James.

Não era comum o rapaz se arerpender de suas ações, mas se pudesse voltar para o começo daquele dia, ele não teria atormentado McMillan novamente.
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Out 18, 2015 11:02 pm

Victoria se sentia muito cansada, mesmo tendo dormido durante todo o dia. Toda aquela pomada verde que Madame Pomfrey havia espalhado por suas feridas a deixava desconfortável. Era gelada e pegajosa, de modo que, por menor que fossem seus movimentos, roçavam em sua camisola, lhe incomodando.

Ela ainda estava tentando digerir a ideia de que James Potter havia lhe socorrido, quando ela estava rodeada de outros colegas de casa. Se não fosse por Potter, poderia não ter sobrevivido. Aquele pensamento fez um nó surgir em sua garganta.

Um sorriso fraco surgiu em seus lábios sem cor quando a enfermeira lhe informou que não ficariam cicatrizes. Muitos poderiam achar bobeira que aquele fosse seu primeiro pensamento, após perigar entre a vida e a morte. Mas se estava viva, qual era o problema em querer saber se viveria como um monstrinho completamente marcado? Já que o perigo maior havia sido aniquilado, era natural que ela se preocupasse com o problema seguinte. E ficar desfigurada era sim muito preocupante.

Apenas quando Potter a elogiou, Victoria pensou no estado atual de sua aparência. Havia ficado tão preocupada com as cicatrizes que poderiam marcar a sua pele que não pensara nem por um segundo se estava apresentável. E Victoria McMillan estava sempre apresentável.

Ela tentou ignorar o fato das suas bochechas corarem diante do elogio, dizendo a si mesma que estava mais do que acostumada com comentários daquela natureza. Apesar da dor em uma ferida em particular em sua barriga, a sonserina se inclinou até pegar um espelhinho de mão que estava repousado ao lado da poção que a enfermeira havia feito ela beber. McMillan imediatamente reconheceu o próprio espelho e teve certeza imediata que aquilo era obra de Constance. Apenas a irmã poderia saber que ela procuraria ver o próprio reflexo quando despertasse.

A imagem com que se deparou fez com que a menina soltasse um gemido. Ela nunca havia sido vista daquela forma no castelo, muito menos por um rapaz. Seus cabelos loiros estavam despenteados, havia um pouquinho de sangue seco em algumas pontas. O rosto, que normalmente dispensava maquiagem, ainda estava bastante pálido, marcando duas meias-luas roxas sob os olhos azuis. Os lábios estavam levemente enrugados pela desidratação e totalmente sem cor.

Largando o espelho sobre a cama, ao lado de seu corpo, Victoria voltou a encarar James. Se a dor não fosse grande, ela provavelmente enfiaria o rosto no travesseiro para não ser mais vista daquela forma.

- É muita gentileza da sua parte, Potter. Mas estou parecendo uma prima distante da Murta Que Geme.

Victoria soltou um suspiro frustrado. Não havia como voltar atrás, o grifinório já estava com sua imagem patética gravada na memória. Ela esperou alguns segundos, aproveitando o silêncio da enfermaria, e finalmente o encarou. Era a primeira vez que McMillan enxergava James Potter daquela forma, sem ver o apanhador da casa adversária apenas como mais um grifinório que ela naturalmente deveria odiar.

Potter havia feito por ela coisa que nenhum outro Sonserino tivera coragem. E por mais que fosse educada a odiar amantes de trouxas e traidores do próprio sangue, era impossível para a loira ignorar o fato de que aquele rapaz havia salvo sua vida.

- Obrigada. - Ela finalmente sussurrou, enfatizando a palavra para que ele entendesse que não agradecia apenas pelo elogio. - Eu não me lembro exatamente o que aconteceu, mas sei que a culpa não foi sua.

A cabeleira loira voltou a afundar no travesseiro quando os passos da enfermeira sinalizavam que ela estava voltando.

- E pensar que eu só queria um sorvete de limão... - um sorriso brincou em seus lábios e, com a cabeça apoiada no travesseiro, ela girou o pescoço para encará-lo mais uma vez. - Não se preocupe, Potter. Eu vou sobreviver e assim que estiver totalmente recuperada, vou voltar a torcer o nariz com o seu fedor.

O sorriso aumentou, mostrando que a Sonserina estava brincando.
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Re: The Marauders

Mensagem por James Potter em Dom Out 18, 2015 11:31 pm

É claro que a consciência de Potter não estava totalmente tranquila quando ele murmurou a senha diante do quadro da Mulher Gorda, mas ver e falar com Victoria McMillan havia resgatado ao menos um pouco da honra que o grifinório perdera após os acontecimentos daquele dia. A loira ficaria bem. Isso era um enorme consolo depois de todas aquelas horas de incertezas e culpa.

Como James já imaginava, seus três melhores amigos esperavam por ele nos sofás do Salão Comunal. Potter seguiu até eles em silêncio e desabou no lugar vago ao lado de Remus Lupin. Sobre a mesinha de centro, o Mapa do Maroto mostrou o nome de James Potter se juntando aos outros três.

- Como ela está...? – Remus perguntou cuidadosamente, já que o semblante do amigo não era dos melhores.

- Melhor. Ela vai ficar bem.

James suspirou antes de esticar as pernas doloridas e apoiar os calcanhares sobre a mesinha de centro. Só neste momento, ele percebeu que ainda usava as mesmas roupas do passeio. As manchas de sangue seco estavam espalhadas por toda a extensão da calça e da camisa. O ponto mais crítico era a região sobre seu peito, local onde ele apoiara a cabeça de Victoria enquanto Slughorn lutava para conter os sangramentos.

O semblante de James denotava um arrependimento tão grande que Lupin dispensou a bronca que normalmente daria em uma situação como aquela. Era óbvio que Potter não precisava que alguém lhe dissesse como tudo aquilo fora errado.

- Como foi com o diretor? – Peter perguntou antes de enfiar algumas balinhas na boca – Quantos dias de detenção?

- O Professor Dumbledore permitiu que eu escolhesse qual seria a minha punição. Ele me deu duas opções: trancar Aritmancia ou sair da equipe de quadribol...

Pettigrew soltou uma risada aguda, engasgando-se com uma das balas. Para ele, aquela era a escolha mais fácil da vida de James! Aritmancia era uma disciplina optativa e extremamente chata ao passo que quadribol era a paixão de Potter.

Apenas Remus pareceu compreender de imediato que o amigo não fizera a escolha mais óbvia. O lobisomem não pareceu nem meramente surpreso quando James virou a cabeça e encarou Sirius.

- Você é o novo capitão, agora. Sugiro que marque um treino ainda esta semana para selecionar um novo apanhador. Não temos chances de ganhar nem mesmo dos lufanos sem treinar com o apanhador que entrará na partida.

Três segundos de silêncio antecederam a explosão de Pettigrew. Ele chegou a cuspir alguns pedaços de balas mastigadas quando se colocou de pé, completamente histérico.

- QUEEEE? Como assim??? Você saiu do time??? Escolheu Aritmancia??? O sangue podre dos McMillan deve ter entrado pelo seu nariz e contaminado seu cérebro. Vá tomar um banho e depois procure o velho Dumbie pra dizer que mudou de ideia!!!

- Eu preciso de um conceito excelente em Aritmancia para ser aceito no gabinete de aurores, Wormtail. – Potter suspirou e deu de ombros – Imagino que Dumbledore me deu essas duas escolhas exatamente para avaliar o quão grande é o meu desejo de me tornar um auror.

Peter ainda estava meio histérico quando apontou o livro de Adivinhação que Remus folheava enquanto esperavam pelo amigo.

- Você não precisa disso, nem de uma bola de cristal, Moony. Eu vou prever o futuro para você: vamos contar com a sorte para ganhar dos lufanos, depois seremos massacrados pela Corvinal. E, no último jogo, a Sonserina vai nos humilhar num nível ainda não conhecido pela humanidade!
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Re: The Marauders

Mensagem por Constance McMillan em Seg Out 19, 2015 12:09 am

Normalmente, Constance McMillan era uma das últimas garotas a sair do dormitório feminino da Sonserina. E aquele constante atraso não se justificava por vaidade. A ruiva não costumava perder muito tempo selecionando roupas, escovando os cabelos ou se maquiando. Ela apenas tinha uma dificuldade patológica em acordar cedo.

Naquela manhã, contudo, quando suas colegas despertaram, a caçula dos McMillan não estava mais em sua cama. Não fora difícil se levantar nas primeiras horas do dia porque, na verdade, Constance não tinha conseguido dormir. Mesmo sabendo que a irmã ficaria bem, a caçula não foi capaz de se entregar a um sono tranquilo sabendo que Victoria estava na enfermaria do castelo.

Assim que as pálpebras de Victoria se ergueram, ela se deparou com um borrão ruivo ao lado de sua cama. Tão logo sua visão entrasse em foco, a loira perceberia que Constance havia tido uma péssima noite. Ela parecia mais pálida que o normal, com olheiras sob os olhos azuis. A pontinha do nariz discretamente avermelhada denunciava que a ruiva também tinha chorado na última madrugada.

- Quantas vezes eu já te mandei ficar longe dessas escórias? – Constance forçou um biquinho irritado para disfarçar a emoção de ver a irmã recuperada – É óbvio que boa coisa não sairia de um duelo de um mestiço com um traidor do sangue!

Como sabia que aquela seria uma das maiores preocupações da irmã vaidosa, Constance esticou-se para pegar o espelhinho de mão no móvel ao lado da cama. O reflexo mostrou a Victoria que ela já estava quase curada. As cicatrizes se resumiam a pequenos riscos rosados, alguns já tinham desaparecido por completo.

- Da próxima vez que formos a Hogsmeade, ficaremos juntas. Às vezes eu acho que eu sou a irmã mais velha que precisa cuidar de você, Vicky. Aliás...

Os olhos felinos se estreitaram e Constance acrescentou numa entonação ressentida.

- Eu deixei de comprar doces por sua causa. Você me deve pelo menos umas três sacolas de doces, seria o meu estoque até a próxima visita!

A conversa das irmãs McMillan foi interrompida pela entrada de um primeiranista da Lufa-Lufa. O garoto se sentiu meio acuado pelo olhar ácido que Constance lhe lançou, mas respirou fundo e reuniu coragem para cumprir a tarefa que lhe fora dada naquela manhã.

- Srta. McMillan... – ele acrescentou quando os olhos de Constance se estreitaram ainda mais, virando dois riscos em seu rosto pálido – A mais velha. Victoria.

Para surpresa das duas meninas, o lufano aproximou a mão que mantinha escondida atrás de suas costas e revelou um copinho de sorvete de limão com raspas de chocolate.

- Me pediram para entregar isso para a senhorita...

Antes que qualquer uma das duas tivesse tempo para fazer perguntas, o garoto empurrou o copinho para as mãos de Victoria e saiu da enfermaria em disparada. Não era qualquer sorvete, aquele mimo não vinha da cozinha de Hogwarts. O copinho tinha o emblema da Florean Fortescue. Quem enviara aquele presente tinha conseguido sair de Hogwarts para realizar aquele pequeno desejo de Victoria.

- Huum... – Constance não perdeu a oportunidade de implicar com a irmã – Um novo admirador ou é um dos vários que já conheço?
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Re: The Marauders

Mensagem por Damien Scott em Seg Out 19, 2015 12:38 am

Quando o time de Quadribol da Grifinória deixou o vestiário naquela noite, seus integrantes estavam divididos entre um clima de velório e revolta. A notícia de que James Potter não era mais o apanhador de casa havia chegado com o mesmo peso de que não havia a menor chance de ganharem o campeonato aquele ano.

Sirius Black não tinha a menor intenção de comemorar o título de novo capitão. Ele nunca havia almejado aquilo, muito menos às custas do afastamento de Prongs. Assim como a maioria dos jogadores, ele também insistia com James de que precisava voltar a conversar com Dumbledore. Potter poderia estar errado em duelar com Snape, mas provavelmente nenhum professor ficaria sabendo se o sonseirno não tivesse causado o terrível acidente.

Se James Potter merecia ser expulso do time de Quadribol, Sirius torcia que Severus Snape tivesse uma punição mil vezes pior. Na cabeça do rapaz, expulsar o sonserino da escola ainda era pouco.

Para alguns colegas mais revoltados, a culpa ia além do Sonserino. Os três artilheiros concordavam fortemente de que se não fosse por Victoria McMillan, Potter continuaria sendo o apanhador da casa dos leões e a taça de Quadribol seria facilmente deles.

Black, como novo capitão, discordou imediatamente dos dois rapazes e da menina que compunham o trio de artilheiros. Não podiam culpar a vítima pelo que havia acontecido, mas o ódio pela casa das serpentes acabava se sobressaindo.

Apenas quando o vestiário estava completamente vazio, Sirius, ainda com o uniforme de Quadribol, ao lado de Potter, com as roupas normais do dia a dia, se arrastaram de volta para o campo.

Os dois grifinórios se sentaram no gramado, as vassouras jogadas ao lado de cada um dos rapazes.

- Não é justo, Prongs... - Black finalmente resmungou.

Desde que recebera a notícia, Sirius já havia explodido assim como Peter. Havia tentado ser compreensível como Lupin. Mas era a primeira vez que ele falava o que realmente pensava, sem gritar.

- Dumbledore não podia ter feito isso. - Ele continuou, pensando no velho professor.

O carisma de Albus era inquestionável e aquela era a primeira vez que Black se sentia decepcionado com o diretor.

- Se não conseguirmos sua vaga de volta, eu posso garantir que tenho o destino perfeito para as últimas bombas de bosta que tenho.

Antes que Black pudesse continuar seu raciocínio, uma sombra se fez sobre os dois, fazendo-os olhar para cima, para ver quem havia chegado.

Diante dos rapazes, uma Victoria McMillan completamente recuperada os encarava.

- Potter, preciso falar com você.

Sirius ergueu as sobrancelhas. Ele esperou alguns segundos para se certificar de que o amigo estava de acordo com aquilo e então se levantou, levando consigo a vassoura.

- Bom saber que está viva, McMillan. - ele disse, quando já estava de pé, agora encarando a sonserina de cima.

A sonserina meneou a cabeça e o grifinório se afastou, a vassoura pendurada em seus ombro.

Black entrou no castelo e ia seguir a escadaria principal, em direção ao Salão Comunal da Grifinória, quando a imagem de Victoria o fez lembrar da irmã caçula. Seu pé parou no primeiro degrau, mas ele não continuou seu caminho.

Seu pescoço girou e ele olhou por cima do ombro, na direção do corredor que levaria para as masmorras. Sabia que se seguisse por aquele caminho, correria o risco de esbarrar com qualquer uma das cobrinhas. Mas dentre tantas figuras desagradáveis, ele ainda tinha a chance de encontrar com Severus Snape ou Constance McMillan. Nenhuma das duas possibilidades lhe agradava, mas era um risco que ele precisava correr.

Sirius seguiu então pelo corredor, torcendo para que Horácio Slughorn estivesse em seus aposentos. O professor de Poções havia socorrido Victoria e havia presenciado como James tentara ajudar a menina. Por mais que Snape fosse um de seus queridíssimos alunos, nem mesmo Slughorn poderia ignorar o fato de quão injusto aquela detenção era para o grifinório.

Já havia tentado falar diretamente com Albus Dumbledore, correra o risco de levar mais uma detenção em seu currículo quando berrara com McGonnagal, mas se conseguisse convencer Horacio e o mesmo defendesse Potter ao diretor, talvez pudessem reverter a situação.

Quando finalmente alcançou as masmorras, Black bateu algumas vezes na porta dos aposentos do professor, sem obter resposta. Ele insistiu algumas vezes, mas antes que pudesse desistir, escutou passos seguindo pelo corredor.

Sirius sentiu um frio se espalhar pelo seu estômago quando viu seu pensamento negativo se solidificar diante dos seus olhos. Constance McMillan vinha caminhando sozinha, o nariz empinado de sempre. O rapaz soltou o ar ruidosamente, como se estivesse tentando se acalmar.

Ele voltou a encarar a porta do professor, desejando com todas as suas forças que o mestre de Poções aparecesse. Os nós de seus dedos voltaram a se encontrar com a madeira, tentando ignorar a Sonserina que passava atrás de si.

Porém, foi o próprio Black que acabou se virando, quando ela seguia o caminho pelo corredor. Ele fitou os fios ruivos da menina e desistiu por completo de ser atendido por Horácio.

- Hey, McMillan... - Ele chamou, a voz alta e rouca ecoando pelas paredes de pedra.

Sirius estava parado no meio do corredor, a vassoura apoiada na parede e o uniforme da grifinória o deixando um pouco maior que o normal. Ele deu alguns passos para se aproximar da Sonserina, passando uma das mãos pela nuca, o que fez com que os cabelos negros bagunçassem um pouco.

O grifinório nunca havia tido uma conversa que não fosse regada de ofensas com a menina, mas estava disposto a controlar seu temperamento naquele momento. Desde o ataque da irmã mais velha de Constance, ele se sentira culpado pelo modo que vinha tratando a menina.

- Eu... - ele tentou começar, buscando as palavras que pudesse usar diante dela. - Sinto muito com o que aconteceu com a sua irmã. Fico feliz que o Potter tenha estado lá para ajudar. Não gosto de pensar no que poderia ter acontecido se...

Sirius comprimiu os lábios com o pensamento que cortou sua mente. Ele encarou o chão, sentindo-se pela primeira vez em sua vida, sem ação diante de uma menina.

- Bom, apenas sinto muito, ok? Tanto pela sua irmã quanto por você. Não gosto de pensar no que eu teria feito se tivesse sido com o Prongs ou o Moony. - A última frase foi dita mais para ele mesmo do que para a garota.
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Re: The Marauders

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Out 19, 2015 1:13 am

- Por Salazar, Consty! - A loira revirou os olhos. - Eu compro alguns doces para você assim que conseguir sair desta cama, mas passe uma maquiagem nesses olhos! Está parecendo uma coruja velha!

Apesar da bronca, o tom de voz de Victoria era suave e ela tinha um sorriso nos lábios. Ela não gostava de ver a irmão tão preocupada e tentava amenizar a situação, mesmo sabendo que seu caso havia sido grave.

- E por falar em doces, eu também tinha um vestido novinho comigo que se perdeu. Vou cobrar do narigudo do Snape!

Victoria havia feito uma nota mental de tornar a vida de Severus Snape um inferno quando deixasse a enfermaria. Se havia alguém que ela culpasse por tudo que estava passando, este alguém era o colega de casa.

A menina torceu o nariz diante dos comentários preconceituosos da irmã. Até chegou a abrir a boca para defender Potter, mas foi interrompida pelo aluno lufano que acabara de surgir.

Os lábios que já estavam cobertos por um pouco de brilho se entreabriram de surpresa quando o rapazinho lhe entregou o sorvete que ela desejava há dias. Sem esperar por uma resposta, a criança se apressou a sair da enfermaria, deixando Vicky sozinha com o sorvete e a pergunta constrangedora da irmã.

Seu primeiro pensamento foi em McNair. Ele havia se oferecido para comprar seu sorvete antes do acidente e possivelmente se sentia culpado por não tê-la visitado até agora. Porém, ao ver o potinho da sorveteria do vilarejo, ela logo descartou aquela possibilidade.

Sua mente varreu as opções, mas não era preciso muito tempo para que ela chegasse a conclusão de que, mais uma vez, James Potter a estava surpreendendo.

- Não seja indiscreta, Consty! - A menina revirou os olhos, sabendo que seus lábios estavam curvados em um sorriso pelo presente que acabara de ganhar. - Provavelmente foi o professor Horácio, quem mais conseguiria ir até Hogsmead?

Victoria sabia que se dissesse o nome do grifinório, a própria irmã se encarregaria de reabrir seus ferimentos, por mais preocupada que estivesse. Ela deu a primeira colherada no sorvete, sentindo o azedinho do limão e o contato gelado com a sua língua, a imagem de James Potter presa em seu pensamento.

***

A primogênita dos McMillan já se sentia perfeitamente bem há mais de um dia, mas a enfermeira fez questão de mantê-la presa na ala hospitalar durante uma semana completa.

Assim como prometido por Madame Pomfrey, todos os cortes haviam desaparecido sem deixar nem mesmo um risco como marca. Victoria havia recuperado a cor de suas bochechas após o tratamento intensivo da dedicada enfermeira para o sangue perdido.

Apenas com todo o cuidado que a enfermeira do castelo dedicava aos alunos, McMillan havia deixado a enfermaria naquela noite em perfeito estado de saúde, sem ao menos lembrar que estivera a beira da morte.

Em agradecimento pela atenção e dedicação que tivera com ela, Vicky entregou um embrulhinho para Madame Pomfrey, que encarou confusa um pequeno par de brincos de puro ouro. Ignorando a confusão da enfermeira, a menina deu de ombros, sentindo-se satisfeita. Sua forma de demonstrar toda sua gratidão era sempre dando presentes caros, mesmo em casos em que um "muito obrigado" era perfeitamente cabível.

Os fios loiros de McMillan estavam novamente bem lavados, macios e brilhando quando a sonserina deixou a enfermaria. Como não haveria nenhuma aula para assistir, ela havia dispensado o uniforme, aproveitando-se da ocasião para desfilar com um dos infinitos vestidos que tinha.

Ela acenava sempre sorrindo pelos corredores quando passava por algum sonserino. Alguns lhe retribuíam dizendo um "Valeu, McMillan!" ou "Você será o novo mascote da Sonserina, Vicky!", fazendo brotar uma ruga de confusão entre as sobrancelhas loiras.

Apenas quando McNair passou por ela, já cansada de comentários sem sentidos, a loira puxou o colega pelo braço.

- Hey Vicky! - o sonserino sorriu sem graça, certamente se lembrando da última vez que vira a menina, antes do acidente. - Olha, não chegamos a conversar sobre o que aconteceu...

- Deixa de papo furado, McNair. - Victoria não costumava ser grossa com os colegas da casa da serpente, mas depois de ser deixada sangrando na calçada de Hogsmead, achava que tinha o direito de não ser simpática TODO o tempo. - Que história é essa de mascote do time? Eu não fiquei com nenhuma cicatriz... - por um segundo, a menina pareceu ficar na dúvida.

Ela largou o braço do colega e tocou o próprio rosto, parecendo assustada.

- Fiquei?

O rapaz soltou uma risada divertida.

- Você ainda não sabe? Potter foi expulso do Quadribol por causa do pequeno duelo com Severus. A Sonserina inteira está te agradecendo, sem o Potter, Regulus é o melhor apanhador da escola. Ganhamos a taça fácil!

A expressão de preocupação não deixou o rosto de McMillan com aquela notícia. Ela ainda tinha os dedos apoiados no próprio maxilar, tentando processar o que o rapaz havia acabado de dizer. Aquilo deveria ser uma ótima notícia. Estava ajudando o time de Quadribol e, como pontos extras, sua popularidade estava maior do que nunca.

O único problema é que aquilo era as custas de Potter, o mesmo Potter que lhe salvara. Por mais que tentasse, Victoria não conseguia ficar feliz com aquilo. Ela girou sobre os calcanhares, ignorando McNair completamente, e voltou o caminho das masmorras até o Saguão Principal, para então deixar o castelo.

Era sábado a noite e, como de costume, o time da Grifinória usava aquele horário para treinar. Quando Victoria finalmente alcançou o campo, apenas Black e Potter ainda estavam presentes.

Ela ficou aliviada que Sirius Black tivesse os deixado sozinhos sem grandes questionamentos. Era a primeira vez que Victoria via James Potter desde o dia do acidente e foi inevitavel se sentir feliz por ter escolhido um de seus melhores vestidos, já que a última imagem que o grifinório tinha dela, estava tão pálida quanto os fantasmas moradores do castelo.

- Eu... - Vicky abriu e fechou a boca algumas vezes.

Havia sido levada até ali por um impulso, mas não tinha exatamente na ponta da língua o que queria dizer ao grifinório.

- Obrigada pelo sorvete? - Ela disse, sem grande convicção, sem saber se estava agradecendo ou perguntando ao rapaz se havia sido mesmo ele o dono de seu presente.

Victoria respirou fundo. Não estava ali para falar do sorvete, pelo menos não naquele momento. As palavras de McNair ecoaram novamente na sua cabeça e, sem pensar duas vezes, a sonserina deu um soquinho no braço do grifinório.

- Que diabos você fez, Potter? Quadribol? Sério? - A menina colocou as mãos na cintura e começou a andar de um lado para o outro, o nariz empinado.

Por um segundo, ela pareceu Minerva McGonnagal, decepcionada com alguma travessura de seus alunos.

- O que vamos fazer agora? McNair vai massacrar vocês na primeira oportunidade. Por Salazar, isso se a própria Lufa-Lufa não tirar vocês do Campeonato antes!

Victoria continuava andando de um lado para o outro no campo, e por um segundo parecia que estava desabafando sozinha.

- E vão falar o quê? Que a culpa é minha, claro! Arg, como você foi estúpido, Potter!

McNair não deveria se importar se a grifinória ganhasse ou perdesse. E no fundo, não se importava. Mas aquilo também implicava que James Potter estava deixando de fazer algo que amava, só porque havia resolvido bancar o herói. Ele poderia ter fugido como todos os outros sonserinos e estaria ali, naquele momento, vestindo o mesmo uniforme que Sirius Black.
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