I solemnly swear that I am up to no good

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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Jul 03, 2017 1:55 am

Remus sequer piscou diante do impacto que as palavras do Sr. Bloemer provocaram. Sua única reação, perfeitamente discreta, foi a forma com que seus lábios se enrugaram em um bico enquanto ele puxava o ar pelo nariz em uma nova tentativa de manter a calma.

Era fácil engolir as próprias inseguranças quando sentia a urgência em proteger Amelia da frieza do pai. Mas a jogada genial do Ministro colocava a jovem Bloemer do outro lado da moeda. Por mais que a menina da Corvinal não tivesse dado um único motivo para que Remus desconfiasse de seus sentimentos, era impossível ignorar a importância da escolha dos brincos naquele dia.

Saber que Amelia era desejada por mais da metade da escola já era ruim o bastante para um rapaz inseguro. Mas a imagem da morena nos braços de outro rapaz, rindo e se divertindo com muito mais intimidade do que os momentos daquela tarde despertavam em Remus um ciúme que ele jamais pensou ser capaz de sentir.

Seu estômago dava cambalhotas em protesto com as imagens que sua mente involuntariamente provocava e a ideia de que Bloemer ainda pudesse nutrir qualquer sentimento por outro, estando com ele apenas como um passatempo, era devastadora.

Ainda sem palavras, foi uma imensa sorte quando o rosto de Amelia se fez novamente presente. Os olhos âmbar correram do homem a sua frente até a menina com uma lentidão típica de quem ainda tentava assimilar os fatos e Remus piscou algumas vezes até compreender o convite.

Como acontecia sempre que olhava para Amelia, Remus não conseguiu ignorar a sensação de leveza em seu peito, como se estivesse no único lugar que importava em todo o mundo. Mas junto com aquela sensação, o veneno do Sr. Bloemer já fazia efeito quando a primeira coisa que as íris claras fizeram foram procurar pelo brilho nas orelhas da menina.

Não precisava ser nenhum especialista para saber que se tratavam de joias caras, mas o simples fato de Amelia usá-las era como uma afronta pessoal, quase como se ela estivesse rindo cruelmente de sua inocente por acreditar que o que tinham era especial.

O Sr. Bloemer acompanhou atentamente quando Remus observou os brincos usados por Amelia e um sorriso maldoso brincou nos seus lábios.

- Eu acho melhor subir logo. Toda vez que voltamos de Hogsmead, precisamos fazer uma intervenção nos doces do Wormtail.

Assim como o pai de Amelia, Remus não pretendia comprar uma briga diante da menina. Mas qualquer um que conhecesse o monitor da Grifinória notaria que ele não se esforçava nem mesmo para lançar os seus sorrisos educados enquanto explicava de forma polida.

- Ele foi parar na enfermaria no terceiro ano por ter exagerado nas varinhas de alcaçuz. Então precisamos cuidar dele, toda vez.

Como um oponente que deixa a arena sem deixar o orgulho derrotado, Remus ergueu a mão na direção do Sr. Bloemer e não poupou força no aperto que foi feito.

- Foi um prazer conhece-lo, Sr. Bloemer. Espero que aproveite a Inglaterra tanto quanto Amelia tem aproveitado.

Quando se inclinou para depositar um beijo na bochecha de Remus, mais uma vez ele agiu mais formal que o habitual. E o brilho que cobriu os olhos âmbar durante toda a tarde não estava mais lá quando ele sussurrou, ainda inclinado na direção de Amelia.

- Nos falamos mais tarde. Aproveite.
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Remus J. Lupin

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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Regulus Black em Seg Jul 03, 2017 2:28 am

Durante todos aqueles dias torturantes, Regulus não havia cogitado nem por uma vez a hipótese de ter entendido tudo errado. Na mente do sonserino, era óbvio demais que qualquer garota escolheria Sirius se estivesse diante dos dois irmãos Black. Era muito mais fácil acreditar que Lucinda era apaixonada por Sirius, aquilo fazia muito mais sentido do que a aproximação dela com um sonserino.

Aquela certeza inabalável mostrava o quanto Regulus se sentia inferior ao irmão mais velho. Embora o nome de Sirius estivesse queimado na tapeçaria dos Black, o caçula não se sentia privilegiado por possuir todo o orgulho dos pais. Aquela herança era uma maldição da qual Sirius fugira, mas faltava a Regulus a coragem para seguir os mesmos passos do irmão.

Sirius sempre fora mais bonito, ao menos era o que todos diziam desde a infância dos dois irmãos. Além da beleza, o primogênito sempre tivera uma personalidade mais forte, um comportamento mais notável. A nobreza típica da Grifinória destacava o primogênito dos Black naquela sociedade podre em que os dois cresciam. Regulus sempre enxergou a si mesmo como uma sombra do irmão mais velho. Faltava a ele mais uma pitada de beleza, uma generosa dose de simpatia e toda a coragem que Sirius sempre tivera.

Por isso era difícil acreditar que o Black por quem Clearwater suspirava era justamente o caçula. Quando Lucy finalmente esclareceu o mal entendido que havia gerado toda aquela confusão, o sonserino ainda precisou de alguns segundos até que as palavras da ruiva fizessem algum sentido em sua cabeça.

Uma onda de culpa se espalhou pelo peito de Regulus quando ele finalmente compreendeu o quanto havia sido injusto com Lucinda. Tudo aquilo poderia ser evitado com uma simples conversa, bastava que o sonserino tivesse dado uma chance para Lucy se explicar. A insegurança de Regulus o cegara a ponto de causar toda aquela confusão. O ódio e os ciúmes levaram Black a cometer uma sucessão de erros imperdoáveis. No fim das contas não era Sirius o responsável pelo fim daquele relacionamento.

- Eu sempre fui este cara. Sinto muito se em algum momento passei a equivocada impressão de ser nobre ou louvável. Não há um Black perfeito na Sonserina.

Embora estivesse sinceramente arrependido, Regulus não estava pronto para pedir desculpas. Na casa dos Black, o caçula fora criado com a falsa ideia de que jamais precisaria se desculpar. Além disso, o sonserino sabia que de nada adiantaria. Depois de tudo o que ele fizera em Hogsmeade, um simples pedido de desculpas não consertaria todo o estrago causado. Lucy havia visto a pior face dele e percebera que Regulus era capaz de usar o próprio veneno contra ela.

- Isso jamais teria dado certo, Clearwater. No fim das contas, foi melhor assim.

Os mapas foram enfiados dentro de um dos armários enquanto Regulus se preparava para deixar a sala. Era óbvio que Black não tinha condições de estudar depois daquela conversa definitiva com Lucinda. Nem mesmo o clima da sala de Astronomia daria a ele a tranquilidade para enfrentar a culpa e as horas de insônia que estavam por vir.

- Fique tranquila. Eu não vou arrastar ninguém comigo. Vou continuar sozinho o meu excelente trabalho de ser odiado por todos. Tem funcionado muito bem.

Sem nem mesmo o esboço de um sorriso, Regulus puxou para seu ombro a alça da mochila. Com a mão livre, o sonserino pegou os documentos de registro da nova estrela e deu as costas a Lucy, saindo da Torre de Astronomia com passos firmes e sem olhar para trás.

------

Dois dias se passaram sem nenhuma novidade em Hogwarts. Regulus parecia ter voltado para a rotina solitária e geralmente só era visto com os colegas durante os treinos de quadribol. Assim como Lucy, Black começara a se sentar de costas para a mesa da Corvinal, o que reduzia o seu contato com a ruiva aos encontros rápidos pelos corredores nos intervalos das aulas.

Naquela tarde, os sextanistas da Corvinal estavam em mais uma aula de Herbologia quando a cabeça de Albus Dumbledore surgiu na entrada da estufa. Embora o diretor fosse uma figura bastante comum em todos os pontos do castelo, era muito raro que Dumbledore interrompesse uma aula como naquele dia.

- Professor...? – Pomona Sprout pareceu surpresa com aquela visita inesperada – Posso ajudá-lo?

- Pode sim, Prof. Sprout. Eu preciso que me ceda uma de suas alunas para uma pequena conversa em particular. – Albus curvou a cabeça para escapar da cusparada de seiva que uma das plantas mais próximas lançou em sua direção – Como estamos falando dos alunos da Corvinal, não tenho dúvida de que ela pode recuperar com facilidade as informações perdidas no final desta aula.

- Oh, Merlim! – a professora gordinha se colocou na frente do vaso quando a planta ameaçou cuspir mais uma dose de seiva na direção do diretor – Sim, claro! Pode levar quem quiser, professor!

- Senhorita Clearwater?

Todas as cabeças se voltaram para Lucinda. Geralmente os alunos da Corvinal recebiam poucas detenções, raramente se metiam em confusões e dedicavam todo o tempo livre aos estudos. Lucy era um excelente exemplo de aluna que jamais levara nem mesmo uma advertência, por isso era tão surpreendente que o diretor tivesse vindo pessoalmente ao encontro dela.

Sem pressa, Albus esperou que a menina organizasse os materiais na bolsa e a conduziu pela pequena ponte que ligava o jardim às estufas. No começo, Dumbledore parecia mais preocupado com as manchinhas de seiva em suas vestes roxas, mas logo os olhinhos azuis se voltaram para Lucy.

- Vamos até o meu escritório. Há alguém lá que deseja vê-la... Honorio Aurillac.

Uma ruguinha de confusão surgiu entre os olhos do diretor quando Lucinda não pareceu familiarizada com aquele nome. A ruiva foi estudada por alguns segundos antes que Dumbledore tomasse novamente a palavra.

- Honorio Aurillac, diretor geral do departamento internacional de Astronomia e Astrologia. Imagino que o conheça, já que a senhorita enviou uma carta para ele há poucos dias... Pelo o que eu entendi, a senhorita enviou para o Sr. Aurillac uma documentação requisitando o registro de uma estrela recém descoberta em Cassiopeia. Ele me pareceu profundamente impressionado com o seu feito e está ansioso para conhecê-la.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Amelia Bloemer em Seg Jul 03, 2017 3:18 am

O convite recusado por Remus não gerou nenhuma preocupação na mente de Amelia. A novata simplesmente concluiu que Lupin queria dar aos Bloemer um pouco de privacidade, já que provavelmente pai e filha tinham muito a conversar depois de tantos dias sem nenhum contato.

A despedida formal e a expressão séria de Remus, contudo, acenderam um alerta na cabeça da menina. Amelia buscou nas íris cor de âmbar qualquer explicação para a súbita mudança de comportamento do rapaz, mas não parecia haver nenhuma razão lógica. Os dois tinham passado o dia inteiro juntos e tinha sido um passeio maravilhoso. Amelia sequer cogitava a possibilidade do Sr. Bloemer ter conseguido estragar tudo nos poucos minutos que ficara a sós com o grifinório.

- Depois do jantar... – as palavras da menina foram sussurradas – No “nosso” corredor.

O corredor deserto do terceiro andar onde Amelia roubara o primeiro beijo de Remus começara a ser docemente chamado de “nosso” pelo casal. Parecia ser o lugar ideal para esclarecer qualquer problema que pudesse ter provocado aquela súbita mudança no comportamento de Lupin.

Quando finalmente ficou a sós com o pai, a menina novamente o abraçou. Era notável que Amelia realmente amava aquele homem frio que não demonstrava nem mesmo uma gota de afeto pela única filha. Mais uma vez, o Sr. Bloemer se manteve imóvel e sua expressão não se alterou diante da doçura da menina.

- Eu tive medo que o senhor se esquecesse... – a sós com o pai, Amelia voltou a falar no idioma grego – O senhor nunca foi bom com essas datas. Era a mamãe que sempre te lembrava desses dias...

- Eu sempre tive uma agenda para me lembrar dos meus compromissos, Amelia. A sua mãe que adorava inventar histórias para me colocar no papel de um pai ausente.

Amelia sabia perfeitamente que o casamento dos Bloemer não ia bem, muito antes da doença que ceifara a vida de sua mãe. As brigas eram frequentes e cada vez mais sérias. O Sr. Bloemer nunca fora um homem carinhoso ou apaixonado, mas era notável que ele se tornava mais frio e hostil com a esposa a cada dia. A mulher também não costumava se curvar durante as discussões e a principal acusação lançada por ela era o comportamento do marido com Amelia.

A menina se lembrava com perfeição da última briga e das palavras que a mãe berrara antes de levar uma bofetada no rosto. “Amelia e eu teríamos sido muito mais felizes sem você e seu maldito sobrenome! Eu tirei da minha filha a chance de ter um pai decente!”.

Embora soubesse que aquele casamento só fora sustentado por interesses sociais e políticos, Amelia sentiu um gosto amargo na garganta ao ouvir o pai denegrindo mais uma vez a imagem da mãe. Elizabeth já estava morta há quase um ano, era impressionante como o marido ainda mantinha acesa aquela chama de ódio.

- Não fale assim dela. – uma camada de lágrimas cobriu os olhos castanhos – Imagino que o senhor esteja aliviado com a ausência dela, mas ela era a minha mãe. Eu sinto a falta dela todos os dias, todos os segundos.

- Não comece com o drama, Amelia. – os olhos azuis giraram com descaso – Já faz quase um ano. Você precisa superar.

O Sr. Bloemer realmente pensava que a filha já deveria ter superado aquela perda. E a grande verdade era que o homem não se importava com o sofrimento da menina. A maior prova disso fora a decisão dele em mandar a única filha para outro país no momento mais triste da vida de Amelia.

- Eu não tenho mais tempo, preciso me encontrar com o ministro inglês em um jantar de negócios. Só passei para conversar com o diretor sobre a sua adaptação na nova escola e para lhe dar isto.

Pela primeira vez naquele dia, o Sr. Bloemer pareceu se lembrar que era o aniversário da filha. De dentro do paletó, ele retirou uma caixinha coberta com veludo vermelho. Amelia não esboçou nenhuma emoção ao pegar o presente, imaginando que seria só mais uma joia cara escolhida às pressas entre as reuniões de negócio do ministro.

Mas a expressão da menina se transformou quando a caixinha foi aberta e ela se deparou com um delicado broche. A joia era feita de ouro e encrustada com pequenos diamantes. No centro, o metal se curvava formando um “E” e um “R”. Era a joia preferida de Elizabeth Richmond exatamente porque era uma joia de família e não fora um presente vindo com o sobrenome dos Bloemer.

- Imaginei que você iria querer ficar com isso. Foi a única coisa de valor que eu encontrei nas gavetas dela. O restante já faz parte da herança dos Bloemer.

Para Amelia não importava se o pai só estava querendo se desfazer dos objetos da falecida esposa, ou se ele simplesmente pegara a joia porque se esquecera de comprar um presente de aniversário para ela. O valor sentimental daquele broche era inestimável e as lembranças que ele carregava eram o melhor presente que a menina poderia receber.

O broche já fazia parte do uniforme de Amelia quando ela apareceu para jantar naquela noite. A festa de aniversário no Três Vassouras ainda era o assunto preferido das quatro mesas, mas para a aniversariante a melhor parte daquele dia estava agora presa no tecido azul da Corvinal, exatamente sobre o seu coração.

Ao fim do jantar, Bloemer seguiu na direção do encontro com Remus, certa de que os dois teriam uma conversa leve. Amelia simplesmente não acreditava que Lupin tivesse qualquer razão para se zangar com ela, mesmo que a menina ainda estivesse usando os delicados brincos de safira que ganhara naquela manhã.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Jul 03, 2017 3:24 am

Dois dias era pouquíssimo tempo para que o assunto “Regulus Black” pudesse estar cicatrizado. Ainda era difícil entrar no Salão Principal e não procurar pelo ponto exato na mesa da Sonserina onde o apanhador costumava sentar. Ou reaprender a permanecer no dormitório quando todas as colegas estavam dormindo e ela não tinha mais a rotineira visita na Torre de Astronomia em sua programação.

Lucy nunca tinha se sentido tão miserável com o fim de um relacionamento antes, mas se agarrava à esperança de que o tempo a faria esquecer toda a decepção vivida ao lado de Regulus. Apesar da saudade sufocante que sentia dos momentos ao lado do inteligente rapaz que estudava estrelas na Torre de Astronomia, Clearwater sabia que não tinha como voltar atrás naquela decisão.

Não havia um futuro ao lado de alguém como Regulus. Ele mesmo havia dito com todas as letras, e agora que não tinha os beijos e o sorriso dele para lhe distrair, sua mente também tinha chegado a mesma conclusão, finalmente enxergando o óbvio que ela tanto se recusava a encarar.

Como uma boa Corvinal, foi nos estudos que Lucinda encontrou uma maneira de forçar sua mente a parar de pensar no Black caçula. Quando conseguia se concentrar nos livros e nas aulas, ao menos por algumas horas, a dor do fim daquele relacionamento era amenizada.

Por estar novamente empenhada em suas notas e seu desempenho em Hogwarts, foi uma grande surpresa para a menina quando o diretor apareceu pessoalmente solicitando sua presença. Até que Albus Dumbledore explicasse com todas as letras do que se tratava a interrupção de sua aula de Herbologia, Lucy sequer se lembrou da existência da estrela.

Sem esconder qualquer surpresa, a Corvinal prendeu a respiração e arqueou as sobrancelhas em surpresa diante das palavras do diretor. Com um flash, ela se lembrou dos papéis deixados assinados na Torre de Astronomia, mas não conseguia acreditar que Regulus havia ido em frente e enviado a solicitação de reconhecimento da estrela.

Aquele comportamento era mais uma das controvérsias de Regulus Black. Ao mesmo tempo em que ele se afastava, que dava infinitas razões para que Lucy desistisse de tudo, ele a surpreendia com atos nobres.

- É ela???

Uma figura baixinha e rechonchuda se ergueu de uma das cadeiras do escritório de Albus Dumbledore quando o diretor surgiu acompanhado da aluna ruiva da Corvinal. O homem estava bem vestido, obviamente se tratando de alguém importante, mas os botões lutavam para permanecer unidos contra a barriga estufada.

Os cabelos eram ásperos e brancos, parcialmente escondidos por um chapéu torto e quadrado. A barba era tão prateada quanto a de Dumbledore, mas não chegava a ultrapassar o queixo de Honorio Aurillac.

- Mas é só uma criança!!! – O espanto do diretor do departamento internacional de Astronomia não escondeu um sorriso orgulhoso, apesar da surpresa. – É o que eu digo, Albus, vocês continuam criando monstrinhos neste castelo!

Para uma figura consideravelmente importante, Honorio parecia como um velho empolgado que revia um grande amigo. Os óculos miúdos e sem armação estavam presos na ponta de seu nariz, ficando ainda mais em evidência quando ele se inclinou para frente, forçando o olhar para estudar Lucinda.

- Ah! Corvinal. Mas é claro! – Uma nova risada ecoou quando o homem puxou Lucinda pelo ombro. – As pequenas joias de Rowena. Lindas e inteligentes. Minha esposa também pertenceu à Corvinal, sabia?

Ainda com um olhar espantado, Lucy se deixou guiar pelo homem até ocupar uma das cadeiras diante da mesa de Dumbledore. Apesar do encontro inesperado e da figura um tanto excêntrica de Aurillac, logo a conversa mudou o rumo para o assunto que realmente havia levado todos até ali: a nova estrela.

Como Lucinda havia ajudado nos últimos cálculos e na confirmação da descoberta de Regulus, ela não teve nenhuma dificuldade em responder as perguntas de Aurillac. No final, o homem estava mesmo interessado em conhece-la e parecia encantado com o fato de uma simples menina de dezesseis anos ter encontrado uma nova estrela.

Apesar de conseguir conduzir a conversa com naturalidade, Lucy não conseguia ignorar a sensação de que estava roubando algo de Regulus. O Sonserino já havia dito infinitas vezes que aquela descoberta não mudaria em nada a sua vida, que ele queria que a estrela recebesse o nome de Lucy. Mas depois dos últimos acontecimentos, era difícil aceitar os créditos com tanta facilidade.

Em questão de horas, a novidade sobre a estrela Lucy de Cassiopeia percorreu os corredores com uma velocidade impressionante. Por onde andava, Lucinda era parada e parabenizada pelo seu feito. Os colegas de turma estavam sinceramente orgulhosos, assim como os professores. Com exceção da Sonserina, obviamente, os alunos das demais casas também pareciam surpresos e contentes com o feito da colega.

Mas antes que o jantar terminasse, Lucy já se via cansada em receber felicitações por algo que não lhe pertencia. Apesar de toda a sua dedicação aos estudos, quando ela procurou abrigo na biblioteca naquela noite, tinha como único objetivo conseguir um pouco de paz, já que a bibliotecária jamais permitiria que os alunos criassem um falatório em seu território sagrado.

Como o jantar já havia iniciado, as mesas estavam praticamente vazias, dando à Lucy toda a paz que ela precisava. Com o devido cuidado, ela passou longe dos corredores dos livros de Astronomia e foi em busca do seu ponto mais fraco: Poções.

- Srta. Clearwater!

A cabeleira ruiva girou quando Lucy se virou para encarar a bibliotecária, parada no fim do corredor rodeado por altas estantes. Embora falasse em sussurros, a mulher trazia o mesmo sorriso orgulhoso que Lucinda presenciara durante todo o dia.

- Ouvi as novidades. Parabéns!

O sorriso amarelo e já cansado de Lucy ainda conseguiu aparecer em seus lábios em um agradecimento, mas para seu alívio, a mulher logo pigarreou e reassumiu sua postura séria.

- Fechamos em dez minutos, está bem, querida?

- Tudo bem, não vou demorar.

Lucy prometeu e esperou que a mulher voltasse até o seu posto na entrada da biblioteca antes de se voltar para grande variedade de livros a sua frente. Os olhos azuis passearam pelos títulos por algum tempo até que um ponto em sua visão periférica chamasse a atenção.

Os dedos de Lucinda tocavam um livro de uma prateleira mais alta quando seu rosto se virou na direção oposta à que a bibliotecária havia surgido e, como de costume, seu coração deu um salto ao reconhecer os traços de Regulus Black.

Prendendo a respiração, Lucy olhou de um lado ao outro, encontrando a biblioteca completamente vazia. Apesar do risco de serem vistos, ela conseguiu reunir coragem para se aproximar da mesa em que o Sonserino ocupava.

- Oi. – Sua voz soou tímida pela primeira vez durante todo o dia.

Depois do desastre do Três Vassouras e da última conversa tensa que rompera de vez o relacionamento entre Lucy e Regulus, era a primeira vez que a Corvinal se dirigia a ele um único olhar.

- Você não precisava ter feito o que fez, Regulus. Não depois da forma com que as coisas terminaram.

O tom de voz e a forma com que Lucy o chamava pelo nome eram sinais suficientes para que Black interpretasse aquela conversa de forma mais amigável do que a última discussão na Torre de Astronomia.

- Eu pensei que você me odiasse. Você é extremamente difícil de interpretar, Regulus Black.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Regulus Black em Seg Jul 03, 2017 4:12 am

Exatamente como Lucinda, Regulus procurou a biblioteca no fim daquela tarde para fugir do assunto que incendiara Hogwarts nas últimas horas. O caçula dos Black simplesmente não suportava mais ouvir as críticas dos colegas sobre a descoberta de Clearwater. Holly Bulstrode chegara ao ponto de questionar se tudo aquilo não era um golpe da ruiva para conseguir alguma popularidade no castelo.

Mas os comentários que mais incomodavam Regulus eram aqueles que diziam que a descoberta de uma estrela não era grande coisa. Os sonserinos realmente não pareciam impressionados, o que dava a Black a certeza de que ele havia feito a coisa certa. Aquela estrela não mudaria nada na vida dele, mas daria a Lucy a chance de conseguir um bom emprego e o respeito do mundo bruxo. Regulus não havia articulado um pedido de desculpas, mas aquele gesto nobre fora a maneira que o sonserino encontrara para minimizar o grande erro que colocara um fim no relacionamento com Clearwater.

Ironicamente, a tentativa de fugir daquele assunto foi frustrada quando a própria Lucy surgiu diante dele. Na mesa ocupada por Regulus, os livros de Transfiguração espalhados não denunciavam a paixão dele por Astronomia. Ali, o Black caçula parecia ser somente um aluno disposto a melhorar suas notas em uma disciplina.

- Eu não faço a menor ideia sobre o que você está falando, Clearwater.

Embora a biblioteca estivesse deserta àquela hora da noite, Regulus reagiu como se os dois não estivessem sozinhos. Era a maneira do sonserino dizer que aquela história estava encerrada e que Lucinda não deveria mais tocar no assunto. A descoberta de uma estrela era um feito sensacional, mas o desastre na vida da menina também seria gigantesco se alguém descobrisse que, de alguma forma, Lucy estava levando os créditos por algo que ela não fizera.

- Não há nada para interpretar aqui. Tudo está como deveria estar...

De forma indireta, aquelas palavras diziam que a decisão de Regulus em entregar a estrela para Lucy não mudaria nada entre eles. O sonserino sentia uma saudade sufocante das horas compartilhadas com Clearwater na Torre de Astronomia, mas não pretendia voltar atrás na decisão de terminar o relacionamento. Os dois jamais conseguiriam ficar juntos e, quanto mais apaixonados ficassem, mais difícil e dolorosa seria a inevitável separação no futuro.

O último livro de Transfiguração foi fechado e Black empilhou os exemplares, disposto a devolvê-los aos seus respectivos lugares antes de deixar a biblioteca. Mais uma vez, ele estava decidido a dar as costas para Lucinda deixando aquela conversa morrer.

Entretanto, o sonserino interrompeu seus passos diante de Lucy. A biblioteca vazia permitiu que Black se livrasse daquela máscara de frieza por alguns segundos para uma despedida mais digna. Lucinda merecia que o Regulus que ela conhecera lhe dissesse o “adeus” que ela já ouvira do frio sonserino que o restante do castelo conhecia.

- Eu lamento. Por tudo. E isso é a única coisa que eu posso te dar, então fique com a estrela e não toque mais neste assunto.

O pedido de desculpas não parecia se referir somente ao mal entendido que gerara toda a confusão com a ruiva. Regulus parecia se lamentar muito mais pela covardia que impedia que ele ficasse ao lado de Lucy. Ao dizer que a estrela era a única coisa que ele podia dar a Clearwater, o sonserino deixava claro que jamais teria coragem de enfrentar a própria família por uma garota como ela, mesmo que estivesse profundamente apaixonado.

------

- Abram espaço para a nossa nova celebridade!

Potter abriu os braços de forma teatral quando Lucinda se juntou ao grupinho dos marotos, que aproveitavam aquela manhã de domingo nos jardins do castelo. Apesar das brincadeiras, era notável que os amigos estavam orgulhosos e sinceramente felizes por aquela novidade que mudaria a vida de Lucy.

- Ouvi boatos de que o Profeta Diário quer uma entrevista com você! – Lily tocou nos fios ruivos de Clearwater – Se isso for verdade, vou pedir reforços da Savannah, da Mel e da Georgina para dar um jeito em você, Lucy. Você não pode sair na foto do jornal com um rabo de cavalo!

- A menina descobre uma estrela e vocês estão preocupadas com os cabelos dela??? – Sirius esganiçou – Não deixe que essas malucas diminuam o seu feito, Lucy. Você é sensacional, com ou sem rabo de cavalo. Como eu já tenho alguma familiaridade com a fama, posso te dar umas dicas...

- De que fama estamos falando? – James implicou com o melhor amigo – A fama de deserdado ou a fama de conquistador barato?

Potter e Pettigrew soltaram gargalhadas idênticas quando Sirius lançou um olhar fulminante ao melhor amigo. Lily girou os olhos e sacudiu a cabeça antes de voltar novamente a sua atenção para a outra ruiva. As duas estavam tagarelando sobre as repercussões daquela novidade na vida de Lucinda quando a conversa foi interrompida pela chegada das inseparáveis Savannah e Georgina.

- Meninas!!! – Lily alargou o sorriso, sem notar a tensão das duas meninas da Corvinal – Acabei de falar que vou precisar da ajuda de vocês para que a Lucy fique perfeita para a entrevista!

- Lily, a professora Minerva pediu para você, o Lupin e os outros monitores irem para o campo de quadribol agora. Ela precisa de ajuda para tirar todos de lá, está um caos.

- O que...? – a ruiva franziu as sobrancelhas, sem entender a seriedade de Georgina – Aconteceu alguma coisa? Hoje nem é dia de jogo!

- Treino da Sonserina. – James resmungou com uma careta – Tentei reservar a manhã para gente treinar, mas as serpentes já tinham solicitado o campo. O que houve? Um deles mordeu a língua e está engasgado com o próprio veneno?

- Uma queda. – Savannah pressionou os lábios, sem saber como dar aquela notícia – Eu acho que foi feio. A gente tentou se aproximar, mas a Minerva estava enlouquecida e ordenou que todo mundo saísse de perto até que a enfermeira chegasse. – a loira fez uma pausa e estava ainda mais insegura quando voltou o olhar para Sirius – Foi o seu irmão, Sirius.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Jul 03, 2017 4:15 am

- Por Godric, eu tinha treze anos e era minha primeira vez em Hogsmead!

Os protestos de Peter Pettigrew ecoavam por todo o dormitório, completamente ignorado por um James Potter que lutava bravamente para enfiar uma generosa quantidade de doces em um malão aos pés da cama.

- Na-na-ni-na-não! Você arruinou o meu jeans favorito vomitando a noite inteira daquela vez e eu prometi a mim mesmo que isso não iria se repetir.

Com a facilidade de um bom jogador de Quadribol, James mantinha Peter afastado com uma mão apoiada contra o peito dele enquanto, com a outra, continuava a jogar doces no fundo do malão.

- Moooony! – Peter ergueu o olhar suplicante na direção do amigo recém-chegado. – Diz pra ele! Eu sei me controlar agora!

Com um semblante fechado, Remus atravessou o quarto em silêncio até alcançar a cama de Pettigrew. Em um único gesto, ele ergueu o colchão do amigo e revelou uma fileira de varinhas de alcaçuz enfileiradas, perfeitamente escondidas.

- Nããããão! – Potter dramatizou, os olhos arregalados por trás das lentes e a boca aberta em espanto. – Como você pôde, Wormtail?! Não confia na gente???

Mantendo um Pettigrew completamente abobado entre eles, Lupin começou a passar em silêncio as varinhas para que Potter pudesse guarda-las no malão, ainda mantendo o amigo gordinho afastado com uma incrível habilidade.

- Só por causa dessa mentira, vamos reduzir a sua cota de três doces para um doce por semana. – Como uma mãe que repreende o filho, Potter terminou de guardar os doces, trancou o malão e sentou por cima da tampa, cruzando os braços.

- Eu só fiz isso porque vocês sempre roubam os meus doces!

- Mas que injustiça! – Potter girou os olhos, abrindo uma caixinha de sapo de chocolates que havia furtado antes de trancar o malão.

- E o Padfoot? – Remus se acomodou na ponta da própria cama, fazendo o clima mudar como vinha acontecendo nos últimos dias sempre que o nome de Sirius era tocado.

- Bom, ele apareceu na festa da Amelia, né? – James ergueu um dos ombros enquanto tentava justificar o progresso do amigo. – Acho que se não fosse o climão que a mini-Walburga versão menininho criou, ele teria ficado mais tempo.

Durante alguns minutos, tudo o que se pôde ouvir no dormitório masculino do sétimo ano foi a mastigação ruidosa de James Potter. O inconformado Pettigrew se jogou na própria cama e passou a encarar o teto, enquanto Lupin revivia mentalmente a conversa que havia tido com o Sr. Bloemer.

Acreditando que a única coisa que atormentava o amigo era a briga com Sirius Black, James se levantou apenas para se sentar em seguida ao lado de Lupin. No instante em que o malão ficou livre, Pettigrew girou a cabeça, olhando sorrateiramente para o tesouro dos seus doces.

- Relaxa, Moony. Uma hora ou outra o Paddy vai cair na real. Ele não pode ficar chateado para sempre.

- Não é só isso. – Remus soltou um suspiro e coçou a nuca, fazendo uma longa pausa antes de criar coragem para verbalizar o que realmente o incomodava. – Eu não sei o que fazer, Prongs. Eu estava decidido a terminar tudo com a Mel depois de hoje, mas eu gosto dela. De verdade.

- Eu sei. O Wormtail sabe, e o Paddy também sabe. Ele vai superar.

Lupin sacudiu a cabeça antes de se explicar, tentando ser mais claro.

- Uma garota como a Amelia e eu? Qualquer um acharia isso uma piada.

- Uma garota como a Lily e um cara como eu também. – Potter se justificou, abrindo um sorriso orgulhoso em seguida. – E olha só que casal nós dois formamos.

- É diferente. – Remus suspirou, passando os dedos pelos cabelos castanhos.

A sua maldição sempre tinha sido o principal fator para manter Remus afastado de qualquer relacionamento. Mas quando se tratava de Bloemer, Remus não conseguia manter a sanidade e se colocar em seu devido lugar. Por conhecer Potter há tantos anos, Lupin não teve coragem de seguir a confissão por aquele caminho, por isso deixou escapar a única coisa que poderia incluir naquele desabafo.

- Eu não sei se a Mel está levando isso a sério. – Antes que Potter pudesse interrompê-lo com uma lista de justificativas para dizer que aquele pensamento era uma bobagem, Lupin completou. – O pai dela apareceu hoje. É um sujeito intragável, mas não me pareceu um mentiroso em dizer que a Amelia tem um namorado na Grécia.

Mais uma vez, James abriu a boca para interromper Remus, com provavelmente uma infinidade de explicações para tirar aqueles pensamentos dos amigos, mas o monitor não lhe deu chance.

- Um namorado que enviou joias caras como presente de aniversário. Joias que ela usou o dia todo. Eu posso não entender muito de garotas, Prongs, mas uma garota que fica tão feliz com um presente desses não me parece valer o sacrifício da minha amizade com o Paddy.

---

Se Amelia esperava encontrar um fim de comemorações leve e tranquilo ao lado de Lupin, ficaria surpresa ao chegar no corredor do terceiro andar e encontra-lo vazio. Não era comum que o Grifinório deixasse a menina esperando, mas já estava quase no toque de recolher quando a imagem de Remus finalmente se materializou.

Livre do uniforme, Remus usava apenas uma camisa xadrez notavelmente velha e a costumeira calça surrada que vestia durante as aulas. Os cabelos estavam penteados e ainda úmidos do banho tomado antes do jantar, assim como o cheiro da loção masculina ainda era fresco.

Assim como acontecera naquela tarde, os olhos âmbar pousaram primeiramente nas orelhas de Amelia, e seu estômago afundou como se estivesse diante de uma conclusão bastante óbvia.

Antes que a menina pudesse recebe-lo com abraços e beijos, Remus enfiou as mãos nos bolsos em uma postura mais reclusa, em um gesto que impedia qualquer contato. Era doloroso não poder nem mesmo se despedir da sensação dos lábios de Amelia nos seus, mas Lupin sabia que não poderia deixar ceder, ou não conseguiria ir até o fim naquela história.

- Desculpe o atraso, eu estava... – Ele interrompeu suas palavras, decidindo mudar o discurso para uma tática mais direta. – Sirius e eu brigamos outra vez.

Embora nunca tivesse dito com todas as letras de como a amizade com Black ficara estremecida depois que começara a se envolver com Bloemer, não era nenhum segredo no castelo que os dois estavam afastados e o timing do novo relacionamento de Hogwarts casava perfeitamente.

- Eu realmente achei que conseguiria lidar com isso, Amelia. Mas a verdade é que não dá. Sirius é o meu melhor amigo desde que pisei neste castelo. Ele é a minha família. Eu não estou pronto para jogar isso fora.

Sirius Black não havia cruzado seu caminho durante todo o dia. Era verdade que os dois se evitavam ao longo da semana, mas o batedor da Grifinória parecia finalmente ter tido alguma evolução na aceitação daquele novo relacionamento ao aparecer na festa de aniversário surpresa de Bloemer.

Apesar disso, a desculpa em manter a amizade com Sirius parecia muito mais fácil de ser dita em voz alta do que a insegurança de lidar com os novos problemas trazidos pelo Sr. Bloemer. Remus não queria verbalizar os ciúmes que sentia sobre um possível namorado na Grécia ou os brincos que Amelia ainda não havia deixado de usar.

Era mais nobre e menos humilhante encerrar aquele relacionamento como alguém que tentava proteger a própria amizade do que sendo chutado quando Amelia se cansasse dele, o que inevitavelmente aconteceria.

- Eu sinto muito, de verdade.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Amelia Bloemer em Seg Jul 03, 2017 4:55 am

A imensa felicidade que atingira Amelia com a chegada do broche se desfez como fumaça quando a garota percebeu aonde Remus queria chegar com aquela conversa. A garota já temia que aquele clima terrível com Sirius prejudicasse o seu relacionamento com Lupin, mas Bloemer nunca imaginou que o grifinório teria coragem de terminar com ela justamente no dia do seu aniversário.

Nem por um segundo, Amelia desconfiou que Remus tinha algum motivo além do desejo de preservar a amizade com Black. Os dois eram inseparáveis e era um gesto nobre não permitir que uma garota estragasse aquele amor fraternal que unia os marotos. Mas, para o azar de Bloemer, ela seria a menina a ser sacrificada em prol daquela bela amizade.

- Você está me dispensando no dia do meu aniversário, Lupin? Você realmente está fazendo isso?

O uso do sobrenome do rapaz já mostrava que aquela conversa não era mais tão leve e amigável. Amelia se recusou a derramar uma lágrima que fosse na frente do grifinório, então toda a tristeza e a frustração que a menina sentia foram concentradas em uma onda de fúria que estreitou os olhos castanhos de forma ameaçadora.

- Que espécie de babaca você é? Um canalha idiota que passou o dia inteiro comigo, que falou um monte de bobagens românticas e agora vai me descartar só porque o seu amiguinho é um imaturo mimado que não sabe ouvir “não” de uma menina? Ou o Black é só a desculpa que você encontrou para se livrar de mim? Já se divertiu o quanto queria e agora quer experimentar algo novo???

Definitivamente, Remus não merecia ouvir aquelas acusações. Aquilo era o tipo de coisa que as meninas diziam para Sirius quando ele se cansava de alguma conquista, mas Lupin não possuía nem mesmo a sombra da fama de galanteador do melhor amigo.

- Eu achei que você fosse diferente. Achei que fosse um cara legal, que eu podia confiar em você. Mas, no fim das contas, você é tão imbecil quanto o Black. Ou melhor, você é pior do que ele porque o Sirius não esconde de ninguém que é um conquistador barato. Já você me enganou direitinho com essa máscara de menino tímido!

A sempre tão doce Amelia Bloemer mostrava naquela noite uma face agressiva que Hogwarts até então desconhecia. Nem mesmo a garota parecia saber lidar com aqueles surtos de raiva e, sempre que aquilo acontecia, Amelia se via completamente entregue aos instintos. Talvez fosse apenas um efeito da luz fraca do corredor, mas em determinado momento um brilho amarelado pareceu cobrir as íris castanhas.

- Quer um conselho, Lupin? Fique fora do meu caminho. Eu estou com tanta raiva de você que não precisaria de uma varinha para quebrar a sua coluna ao meio!

Com os instintos absurdamente aflorados, Bloemer teve a bizarra impressão de que podia ouvir e sentir todas as pulsações do coração de Remus. Seus dedos se fecharam com tanta força que as unhas cortaram a pele delicada das palmas das mãos da menina. A respiração pesada fazia as narinas de Amelia se dilatarem a cada inspiração.

Melhor do que ninguém, Remus Lupin conhecia toda aquela sequência de sintomas. A ira descontrolada, o desejo insano de ferir alguém, a força desmedida, o brilho amarelo no olhar, a respiração descompassada, os sentidos aguçados. Bloemer parecia estar há um passo de uma transformação, mas é óbvio que nenhum monstro surgiu diante do grifinório. Não era lua-cheia e é claro que a filha do Primeiro Ministro da Grécia não teria uma vida tão normal e não seria tão popular se carregasse uma maldição como aquela.

Mas Amelia realmente apresentava todos os sinais que antecediam uma transformação lupina quando rosnou as últimas palavras na direção de Remus.

- Fique bem longe de mim, Lupin.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Jul 08, 2017 4:03 am

Todas as cabeças giraram instantaneamente na direção de Sirius Black. Todas, exceto a cabeleira ruiva de Lucinda Clearwater. Enquanto as pessoas naturalmente acreditavam que aquela notícia afetava apenas ao batedor da Grifinória, o mundo de Lucy tinha parado de girar e o chão havia desaparecido sob seus pés.

Como se seus sentidos tivessem parado de funcionar, Lucy parou de notar a realidade que a cercava enquanto a voz de Savannah ecoava agourenta em sua cabeça. Sua respiração se tornava mais ruidosa e parecia ser a única cosia capaz de alcançar seus ouvidos.

- Eu vou ver o que está acontecendo. – Lily prontamente se colocou de pé, sendo acompanhada mecanicamente pelos dois rapazes.

Ao notar que Potter e Black tinham a intenção de seguir seus passos, a monitora bloqueou o caminho deles e ergueu as mãos para reforçar que não pretendia permitir companhias até o campo de Quadribol.

- Não! Se a professora McGonnagal precisa de ajuda para evitar o tumulto, é ridículo aparecer lá com mais meia dúzia de pessoas.

Como se estivesse saindo de um transe, Lucy ergueu o rosto, assumindo a postura de Lily como se fosse dirigida diretamente a ela. Se Evans estava proibindo que os dois Grifinórios a acompanhassem até o campo de Quadribol, seria impossível que ela própria pudesse correr e constatar com os próprios olhos o que tinha acontecido.

- O Sirius é irmão dele! Ele tem o direito!

- O Sirius não é nenhum curandeiro, então não vai ajudar em nada. – A ruiva da Grifinória girou o rosto até encarar o amigo com um mudo pedido de desculpa em seus olhos. – Minha sugestão é que vocês esperem na enfermaria. Mesmo que não tenha sido nada demais, tenho certeza que vão leva-lo para lá.

Mesmo quando Lily Evans deu as costas em direção ao campo de Quadribol, Lucinda deu um passo com o intuito de segui-la. Seu coração estava apertado e ela precisava falar com Regulus para se acalmar. Mas sabia que se o treino da Sonserina realmente estivesse tumultuado, seria ainda mais improvável conseguir alcançar Black.

Ninguém questionou quando a Corvinal seguiu os passos de Potter e Black até o interior do castelo, seguindo até a ala da enfermaria. A tensão no ar impedia que alguém notasse que Clearwater parecia preocupada demais para alguém que deveria apenas assumir o papel de uma das conquistas de Sirius Black. Mas era impossível para a ruiva tentar disfarçar as emoções, mesmo que pudesse se preocupar em qualquer outra coisa que não fosse o real estado de saúde de Regulus.

Os minutos em que os três aguardaram na porta da enfermaria pareceu uma eternidade. Lucy andava de um lado ao outro, lutando contra a ansiedade, mas o tempo voltou a parar quando a movimentação indicou a chegada de Black.

Por uma fração de segundos, Lucy chegou a esticar o pescoço na esperança de ver o Sonserino sendo amparado pelos colegas, talvez com algum pé torcido. Mas a notícia dada por Savannah e Georgina tinha um fundo de verdade ao notar a gravidade da situação.

Os monitores provavelmente tinham ficado em campo para controlar qualquer tipo de tumulto, de modo que apenas a professora McGonnagal e o professor Slughorn acompanhavam Remus Lupin e a enfermeira ao redor de uma maca flutuante. O uniforme de Quadribol verde e prata não deixava dúvidas que se tratava de um aluno na Sonserina, mas no instante em que Lupin deu um passo para o lado, o rosto de Regulus se tornou visível.

Os cabelos pretos estavam bagunçados e grudados na testa, provavelmente suados devido ao esforço do treino. A pele pálida e os olhos fechados quase poderiam dar a impressão de que Regulus estava dormindo, mas o cenário ao redor reforçava a seriedade da situação.

- O que aconteceu??? – Lucy se antecipou, um olhar horrorizado chamando a atenção dos professores.

- Srta. Clearwater, Sr. Potter. O que estão fazendo aqui? – A severidade da diretora da Grifinória não foi suficiente para interromper seus movimentos ágeis enquanto ela abria o caminho para o interior da enfermaria.

Sem cerimonias, o trio seguiu os passos dos adultos enquanto Regulus era transportado até uma das camas mais ao fundo. Durante todo o trajeto, os olhos azuis de Clearwater não desgrudavam do rosto abatido de Regulus, esperando por qualquer reação.

- Sr. Black, eu entendo que o senhor queira ficar, mas seus amigos precisam sair. – A enfermeira se debruçava para conseguir acomodar Regulus, mas mantinha um semblante sério ao encarar os três estudantes. – Esse não é o momento.

Assim como Lucinda, Sirius tinha uma expressão assustada ao encarar o irmão, incrédulo com o que estava acontecendo. Apesar de todas as diferenças, de todas as brigas, era difícil ser completamente indiferente com o que estava acontecendo, depois de ter crescido ao lado de Regulus.

- O único Sr. Black está deitado nesta maca e é o único que deveria ter a sua atenção.

Ao mesmo tempo, Sirius, Lucinda e James viraram a cabeça na direção da entrada da enfermaria. Mas a reação distinta de cada um ficou bastante óbvio quando uma ruguinha de confusão surgiu entre as sobrancelhas ruivas, os punhos de Sirius foram cerrados e James se adiantou um passo na direção do melhor amigo.

Enquanto Lucinda tentava interpretar que a mulher que havia acabado de entrar na enfermaria tinha os mesmos olhos cinzentos de Regulus, Sirius já havia reconhecido a própria mãe e todo o seu corpo já reagia de modo hostil. Potter, por já ter todo o histórico do drama familiar do melhor amigo, já se preparava para a guerra que estava prestes a acontecer.

- Sra. Black. – Horace rodopiou ao passar pela cama de Regulus, caminhando na direção da mulher. – Que bom que recebeu o meu recado, avisei ao quadro de Phineas...

Walburga Black. Mesmo diante do pesadelo que estava vivendo, Lucinda não pode deixar de olhar para a mãe de Regulus com mais atenção. Ela era mais jovem do que Lucy poderia imaginar. Os cabelos negros brilhavam, mas estavam repuxados em um coque firme que deixava sua expressão dura ainda mais exposta. Os olhos cinzentos eram idênticos aos dos filhos, com apenas algumas marcas de expressão ao redor. Era fácil dizer que era da mãe que os meninos tinham herdado a inquestionável beleza.

- Não há nada de bom em seu recado, Slughorn. Eu sabia que tinha que ter tirado o Regulus dessa espelunca há tempo. Esse maldito castelo iria acabar me tirando o único filho, mais cedo ou mais tarde.

- O Regulus não está morto. – Lucy se surpreendeu quando sua voz ecoou desafiadora pela enfermaria, mas não recuou mesmo quando o olhar gélido de Walburga pousou nela.

- É melhor mesmo que não esteja. Quem mais carregaria o sobrenome Black adiante? Um elfo doméstico?

A Sra. Black parou por um instante e deixou que seu olhar passasse de cima a baixo, estudando Lucinda. Seu filho caçula estava acidentado em uma cama, o primogênito estava há poucos passos dela, mas ela ainda tinha a frieza de se dirigir a ruiva com o nariz empinado.

- E você, quem é? – Antes de ter uma resposta, a mulher se voltou para Horace mais uma vez. – Além de todo o transtorno que essa escola me faz passar, ainda permite toda essa bagunça quando meu filho deveria estar recebendo toda a atenção necessária?
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Jul 09, 2017 3:21 am

Remus acreditava que já tinha conhecido todas as versões de Amelia. Mesmo quando levava em consideração o tempo que os dois se conheciam, ele poderia jurar que havia alguma ligação entre os dois que tornava aquele relacionamento novo e inusitado completamente especial, de uma forma que ninguém mais naquele castelo poderia entender.

Afinal, era tão improvável que a menina mais popular de Hogwarts se envolvesse com o tímido monitor, e ainda assim os dois pareciam ser perfeitos um para o outro quando estavam juntos. Mas aquele dia tão aguardado por Lupin havia servido para mostrar a ele como estava sendo cego e ingênuo.

Bloemer era linda, cativante e o fazia esquecer de todos os problemas. Mas todo o restante parecia ser apenas consequência por se deixar envolver, tornando incapaz de enxergar que, no fundo, a filha do ministro grego era apenas uma menina acostumada a ter tudo o que bem entendesse. E temporariamente, Remus havia lhe dado o que ela queria.

A explosão no corredor foi tão inesperada quanto o surgimento de qualquer atração que Bloemer poderia ter por ele. E apesar de todas as reviravoltas daquele dia, era impossível ignorar a sensação de que ele estava deixando passar alguma coisa, como uma coceirinha invisível que ele não conseguia alcançar com seus dedos.

A reação de Amelia já seria completamente bizarra se tratando de qualquer garota. E por mais que tivesse todos os motivos do mundo para odiá-lo, ela nunca havia demonstrado qualquer sinal de tanta agressividade. Mas o que mais incomodava Remus era a certeza da coloração amarelada que cobriu as íris castanhas naquele momento de ira.

O rapaz chegou a recuar um passo e franziu a testa, como se esperasse que Amelia saltasse em seu pescoço no segundo seguinte. Melhor do que ninguém, Lupin reconhecia cada um daqueles sintomas. Ele mesmo já havia experimentado como o coração acelerava nos segundos antes de uma transformação, de como ia perdendo o controle para dar lugar ao monstro. O único detalhe é que ao invés de qualquer sinal de um lobo surgindo a sua frente, foi apenas a fúria de Amelia que o encarou de volta, o obrigando a se lembrar que ela não compartilhava da mesma maldição que marcava sua vida.

- Você está dizendo que apanhou de uma garota?

O tom sarcástico de Potter fez com que Lupin girasse os olhos com impaciência. Ele olhou ao redor rapidamente, se certificando de que ninguém escutava aquela conversa, antes de responder ao amigo.

- Ela não me bateu. Só estou dizendo que ela... se transformou. Não era a mesma Amelia de sempre, eu juro.

Sirius Black se inclinou para frente, procurando espaço entre a tigela de panquecas e a jarra de suco de abóbora para gesticular enquanto falava, também mantendo o tom de voz controlado para manter a conversa em meio ao café da manhã completamente privada, mesmo em um salão repleto de alunos.

- Você passa o dia ao lado da garota, troca mil beijos e da um pé na bunda dela horas depois. No dia do aniversário dela. Quem é você e o que fez com o Moony?

Ver os quatro marotos unidos outra vez era uma cena que não acontecia há dias. Mas naquela manhã, Sirius Black sequer hesitou ao ocupar seu lugar ao lado dos três amigos. Mesmo antes de receber a notícia sobre o fim do relacionamento entre Lupin e Bloemer, Black parecia ter começado a aceitar a ideia de ver o melhor amigo ao lado da garota que ele havia tentado conquistar por dias. Embora ainda não estivesse pronto para idolatrar a ideia, parecia infantil demais se manter isolado dos amigos quando ficava cada vez mais óbvio que Remus não havia se aproximado de Amelia apenas para provoca-lo.

- É mesmo, cara. Eu esperaria isso do Sirius... Mas de você?! – Potter repreendeu, balançando a cabeça ao lado do monitor.

- Talvez você pudesse dizer que foi armação do Padfoot. Diz que ele tomou a Polissuco e fez tudo para separar vocês dois.

- Essa é uma excelente ideia, Wormatil. – Sirius abriu um largo sorriso ao passar um dos braços pelos ombros de Pettigrew. – E eu continuo como o vilão da história sem nunca ter feito nada. Excelente.

- Não. – Remus respirou fundo enquanto tentava ignorara as brincadeiras dos amigos e seguir a conversa em um tom mais sério. – Eu não quero voltar com a Amelia.

- O que foi que aconteceu, afinal? Não me diga que ela tem uma verruga nos peitos ou qualquer outra coisa nojenta? – Potter esticou o pescoço para ver a mesa da Corvinal por trás dos ombros dos amigos sentados a sua frente.

Um novo suspiro de Lupin se fez ouvir quando ele afundou a cabeça nas mãos, esfregando os olhos cansados. Por mais que compartilhasse tudo com os amigos, ele ainda não se sentia confortável para contar como havia sido humilhado pelo Sr. Bloemer ou sobre o fato de Amelia ter um namorado na Grécia. Era uma grande tolice, mas Remus ainda queria se agarrar à ideia de que havia sido escolhido pela garota mais bonita da escola de forma sincera, e não como um passatempo ou uma provocação ao pai.

- Vocês estão me ouvindo? A Amelia surtou! Eu juro, não foi uma coisa normal. Tem alguma coisa de errada com ela.

- Moony, como eu posso dizer isso... – Sirius baixou o olhar e esticou as mãos sobre a mesa, como se estivesse prestes a dizer que alguém havia morrido. Então ele ergueu o olhar e franziu o nariz em uma careta. – Você foi um canalha. Garotas surtam com canalhas. Experiência própria. Isso só mostra que a Amelia é como as outras.

O estômago de Lupin afundou quando seu olhar se encontrou com o de Amelia do outro lado do salão. Ao mesmo tempo em que ele queria voltar no tempo e aproveitar mais um pouco da sensação de tê-la ao seu lado, ele se sentia arrasado com a lembrança da conversa com o Sr. Bloemer ou dos brincos que ela usava e que debochavam silenciosamente dele.

- Eu sei que vocês não conseguem acreditar em mim, mas eu sei que aquilo não foi normal.

- É apenas a sua falta de experiência falando. – Sirius deu de ombros ao puxar um prato com bacons. – Vai por mim, agora que você dispensou a garota mais popular de Hogwarts, o que não vai faltar é opção para você seguir em frente.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Regulus Black em Dom Jul 09, 2017 11:26 pm

As gotículas de suor gelado salpicavam a testa de Regulus Black, consequência do esforço durante o treino de quadribol, mas também fruto da dor que o sonserino fatalmente sentia depois de uma queda daquela proporção. Mesmo que a enfermeira ainda não tivesse tido tempo de examinar cuidadosamente o herdeiro dos Black, era óbvio que alguns ossos tinham se partido com tamanho impacto.

A inconsciência também era um detalhe preocupante. Mesmo em meio ao tumulto formado no campo de quadribol e agora na enfermaria, as pálpebras de Regulus não tinham se erguido em nenhum momento. O rosto naturalmente pálido parecia ainda mais descorado e o único fraco movimento executado pelo sonserino era o peito se enchendo de ar num ritmo mais acelerado que o normal.

Nem mesmo a voz áspera de Walburga Black foi capaz de acordar o caçula. Quando a atenção da recém chegada se voltou para Lucinda, parecia óbvio que a ruiva experimentaria um pouco do veneno que fizera Sirius sair de casa e transformara Regulus em um rapaz tão frustrado e infeliz. Entretanto, Clearwater foi salva da crueldade de Walburga por uma voz familiar, serena, mas inquestionavelmente firme.

- Quando eu abri uma exceção e desbloqueei a lareira da diretoria, eu imaginei que a senhora estava preocupada com o seu filho, Sra. Black.

Os olhos cinzentos se estreitaram e Walburga lançou na direção de Albus Dumbledore o seu olhar mais gélido. O diretor entrava pela porta da enfermaria com suas típicas vestes roxas se arrastando pelo chão de pedra.

- O que está insinuando? É claro que eu estou preocupada com o meu filho!

- Desde que chegou aqui, a senhora está questionando o funcionamento do castelo, as atribuições dos meus funcionários e as pessoas presentes nesta enfermaria. Em nenhum momento a senhora se aproximou do rapaz para ver como ele está.

Horace pareceu sinceramente aliviado com a chegada de Dumbledore. O diretor da Sonserina jamais teria a audácia de enfrentar um membro da família Black e simplesmente teria permitido que Walburga finalizasse o seu show. Albus, por outro lado, não parecia fazer a menor questão de ser querido por aquela família tão tradicional no mundo da magia.

- Eu não preciso “ver” como ele está. Desde que ela faça um trabalho bem feito, eu não tenho com o que me preocupar. – o indicador de Walburga apontou para a enfermeira, que visivelmente engoliu em seco diante de tamanha pressão – Você sabe que está diante do herdeiro dos Black, não sabe? Ele não é um mestiço qualquer que você pode remendar de qualquer jeito!

- O Sr. Black será tratado com a mesma atenção e a mesma excelência que seriam ofertadas a qualquer aluno na situação dele.

Dumbledore novamente impôs a sua autoridade e só então deslizou os olhos pela enfermaria. A presença de Sirius não era exatamente esperada, mas Albus conseguia entender a aflição estampada nos olhos dele. Também era óbvio que James Potter estava ali no papel de um bom amigo. Mas nem mesmo a astúcia de Dumbledore conseguiu encontrar uma resposta rápida para a presença de Lucinda Clearwater, muito menos para a expressão angustiada da menina.

- Eu terei que pedir que se retirem. Madame Pomfrey precisa de espaço e privacidade para fazer o trabalho dela. Os senhores e os demais amigos do Sr. Black podem voltar no horário de visitas.

- O meu filho só vai receber visitas das pessoas que EU autorizar! – a Sra. Black novamente ergueu a voz – E é óbvio que eu não vou incluir na lista um traidor do próprio sangue, um amante de trouxas e essa coisinha com vestes de segunda mão que eu nem sei de onde saiu!

- A “lista” provavelmente será refeita no instante em que o Sr. Black estiver bem o bastante para nos dizer quem quer receber.

Um sorriso maldoso surgiu nos lábios de Walburga e ela cruzou os braços, sem abaixar a cabeça mesmo diante da inegável autoridade do diretor do castelo.

- Eu duvido que o meu filho faça qualquer modificação na minha lista inicial, Dumbledore. Eu sei quem são as pessoas que ele quer por perto, eu conheço o Regulus melhor do que ninguém...

Racionalmente, as palavras de Walburga faziam sentido. Qualquer um que conhecesse Regulus diria que o sonserino concordaria com os vetos da mãe e dispensaria as visitas do irmão, de Potter e de Lucinda Clearwater. Por outro lado, Lucy conhecia uma outra face de Regulus que Walburga provavelmente nunca havia visto. Definitivamente, a Sra. Black não conhecia o filho tão bem quanto imaginava.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Amelia Bloemer em Seg Jul 10, 2017 12:10 am

- Mel...? – Georgina chamou pela amiga com cuidado e parecia ainda mais insegura quando acrescentou – Você está rosnando.

Mesmo depois de várias horas desde a conversa definitiva com Remus Lupin, Amelia ainda sentia o ódio circulando velozmente por suas veias. Graças a sua popularidade, Bloemer não estava habituada a ser dispensada por um rapaz. Mas toda aquela raiva ia muito além de um mero orgulho ferido. Amelia se sentia humilhada por ter depositado tantas expectativas em um rapaz, por ter confiado tanto nos próprios sentimentos e por ter se deixado enganar por um canalha.

Porque no fim das contas era isso que Remus parecia ser depois daquele espetáculo. Que tipo de rapaz ilude uma menina com tantas carícias, com beijos apaixonados, com palavras tão doces? Que tipo de idiota termina um relacionamento no dia do aniversário de uma menina visivelmente apaixonada por ele?

Sentada à mesa da Corvinal, Bloemer tentou controlar a própria respiração ruidosa, que de fato se parecia bastante com um rosnado. Mas era quase impossível conter o desejo insano de voar até a mesa da Grifinória para marcar o rosto de Lupin com as suas unhas.

- Nós sabemos que você está triste, Mel, mas... – Savannah iniciou uma tentativa de consolo que foi bruscamente interrompida pela novata.

- Eu não estou triste. Eu estou furiosa. Eu não quero que ele morra porque isso seria fácil demais. Eu queria causar a morte dele para garantir que seria lenta e dolorosa o suficiente.

Savannah e Georgina arregalaram os olhos e se fitaram com idênticos semblantes assustados. Amelia sempre demonstrara ter uma personalidade forte, mas jamais havia se comportado de maneira tão hostil quanto naquela manhã.

- O que a Annah estava querendo dizer... – Georgina novamente tentou escolher as melhores palavras – É que não vale a pena se desgastar tanto, Mel. Você é linda, praticamente todos os meninos do castelo ficariam com você. E o Lupin nem entraria na minha lista dos Top Vinte de Hogwarts. Você pode esquecer toda esta história com um cara bem melhor, hm?

Assim como acontecera nos dias anteriores, Amelia não levou em consideração a opinião das amigas. Pouco importava se Savannah e Georgina não davam muito valor a Remus Lupin. Para Bloemer, ele fora o líder isolado das batidas do seu coração e havia estragado tudo da pior forma possível.

Antes que o seu mau humor fosse injustamente dirigido contra as amigas que só queriam ajudar, Amelia puxou seus livros para os braços e saiu da mesa da Corvinal. A ideia inicial da novata era extravasar um pouco de toda aquela raiva em uma caminhada pelos jardins do castelo, mas os passos pesados de Bloemer acabaram levando-a para um ponto mais distante do que o planejado.

No meio do caminho até a cabana de Hagrid, Amelia se deparou com uma gigantesca árvore que ela até então só havia visto de longe, geralmente quando acelerava seus passos para não chegar atrasada às aulas de Herbologia. O Salgueiro se erguia de forma imperiosa em um descampado e a princípio parecia ser só mais uma árvore inofensiva que fornecia uma agradável sombra aos estudantes do castelo.

Por desconhecer o histórico daquela árvore, Amelia não entendeu os gritos que chamavam pelo nome dela. Por cima do ombro, Bloemer avistou a figura de Sirius Black e foi impossível conter um bufar. Depois de Remus, aquela era a pessoa que a novata mais odiava no momento.

- O que eu preciso fazer para que vocês me deixem em paz?

Bloemer se adiantou mais alguns passos, ignorando o alerta de Sirius para que tomasse cuidado com o Salgueiro Lutador. A garota só entendeu que o colega não estava apenas querendo importuná-la quando a sua visão periférica capturou um movimento inesperado vindo em sua direção.

O galho que voou no rumo da cabeça de Amelia parecia pronto para nocautear a menina e teria feito um grande estrago se não fosse pelo reflexo de Bloemer. Como se estivesse vendo toda aquela cena em câmera lenta, Amelia se desviou com extrema facilidade daquele golpe e recuou alguns passos antes que mais galhos pudessem alcançá-la.

Para a menina, havia sido uma reação natural. Mas o olhar abobado de Sirius mostrava que o grifinório estava surpreso com os reflexos dela. Assim como acontecera no dia do balaço, Amelia acabara de demonstrar uma habilidade que definitivamente não existia nas pessoas comuns.

- Caramba! Como você fez isso??? Achei que o Salgueiro esmagaria a sua cabeça!

- A única cabeça esmagada aqui vai ser a sua se você não me deixar em paz, Black! – mais uma vez, um brilho amarelado iluminou as íris castanhas – Qual é o jogo agora? Veio se gabar porque o idiota do seu amigo terminou comigo? Ou você acha que eu estou furiosa o bastante para topar alguma coisa com você por vingança? Esqueça, NUNCA vai rolar!

- Eu só vim dizer que sinto muito, que eu não queria que as coisas tivessem chegado a este ponto. Mas obrigado por erguer a minha moral. – Black ergueu o polegar de forma irônica – Eu mesmo esmagaria a minha cabeça se fosse esse babaca que você acha que eu sou.

Com os olhos perigosamente estreitados, Amelia deu as costas ao grifinório sem dizer mais uma palavra. Alguns minutos depois, Sirius Black se jogava na cadeira vazia ao lado de Remus Lupin. A voz monótona do Professor de História da Magia falava alguma coisa sobre a revolução dos duendes, mas a atenção de Sirius estava bem distante dali. Quando se inclinou na direção do lobisomem, Black não parecia encarar aquele assunto da mesma forma leve e divertida que demonstrara durante o café da manhã.

- Hey, Moony... – a voz de Sirius soou sussurrada, mas atingiu facilmente os ouvidos de Lupin em uma sala silenciosa em que mais da metade dos alunos cochilava – Sabe aquela sua teoria sobre ter algo errado com a Bloemer...? Talvez eu concorde com você.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Jul 10, 2017 3:37 am

Racionalmente, Lucinda sabia que não podia protestar contra a atitude de Walburga Black. Com o rapaz inconsciente, a mãe tinha legalmente o direito de restringir as visitas que ele receberia. Além do mais, qualquer um que conhecesse o histórico daquela família, apostaria sem pensar duas vezes na veracidade das palavras da mulher e em sua certeza em dizer que o filho não contrariaria a sua lista de pessoas autorizadas para visita-lo na enfermaria.

Mas a frustração e o instinto de permanecer ao lado de Regulus fez com que a ruiva fuzilasse a mulher mais velha com o olhar. Nenhum dos presentes poderia dizer o quanto os dois adolescentes prefeririam ficar juntos e a necessidade de se manter calada provocava um doloroso nó na garganta de Clearwater.


- Já chega... – A voz de Sirius foi sussurrada próximo ao ouvido de Lucy ao mesmo tempo em que os dedos dele rodeavam seu pulso. – Não vale a pena, Lucy. Vamos.

O coração da Corvinal disparou quando ela não viu outra alternativa a não ser dar as costas para Regulus. Seu olhar desafiador se desfez ao procurar pelo semblante do rapaz desacordado na cama, mas a figura de Black desapareceu quando a enfermeira entrou em seu campo de visão até que ela fosse arrastada para fora das grandes portas da enfermaria.

Um longo assovio se fez ouvir quando o trio já estava afastado da ala hospitalar e Potter sacudiu a cabeça.

- Você não estava exagerando em dizer que sua mãe piorou desde que você meteu o pé de casa, Paddy... Ela poderia assustar o próprio Lord das Trevas.

Ao contrário do melhor amigo, Sirius Black ainda mantinha um semblante mais sério e ignorou a brincadeira ao buscar pelo rosto de Lucinda. Aos olhos dos grifinórios, Lucy estava agindo como uma grande amiga naquele momento difícil, provavelmente movida por alguma paixonite que pudesse existir por Sirius. A ideia de que a Corvinal na verdade estava apaixonada pelo Black da Sonserina era surreal demais para ser cogitada.

- Obrigado pelo apoio, Lucy. Mas realmente não é uma luta que vale a pena comprar. A Walburga e o Regulus vivem em uma bolha e o melhor que a gente pode fazer é se manter o mais afastado possível.

Apesar do comentário, a forma com que as íris cinzentas deslizaram pelo caminho que os três tinham acabado de seguir mostrava que Sirius ainda estava preocupado com o irmão. Como o rapaz era o único dos três que tinha motivos reais para se preocupar com a queda de Regulus, a atenção de Potter estava voltada apenas ao melhor amigo quando o segurou pelo ombro.

- A Lily é monitora-chefe, ela tem acesso a informações privilegiadas por aqui... Pode deixar que ela vai ficar de olho nas novidades e nos manter atualizados, Paddy.

A novidade da descoberta de uma estrela por uma das alunas daquele castelo foi rapidamente deixada de lado para que o assunto “Regulus Black” pudesse assumir. Até a hora do jantar, pouco se sabia sobre a recuperação do apanhador do time da Sonserina e tudo o que Lucy conseguiu descobrir era que a queda havia sido provocada por um balaço errante.

Se o incidente tivesse ocorrido em qualquer outra casa, o clima de luto seria inevitável. E embora não estivesse exatamente em um clima de festa, era notável como os Sonserinos encaravam a delicada situação de um de seus integrantes com mais frieza do que deveria.

As cabeças que compunham o time de Quadribol das serpentes estavam mais quietas que o normal e quase não tocavam em seus pratos, mas era difícil dizer se o que preocupava cada um deles era a recuperação de um amigo ou a repercussão que aquilo poderia trazer para o campeonato.

Depois de revirar metade do seu purê e engolir apenas algumas garfadas de um assado, Lucinda aproveitou a concentração de alunos no Salão Principal para rumar até a enfermaria. As grandes portas estavam fechadas, mas não foram suficientes para intimidá-la a dar meia volta.

Diferente do que havia acontecido naquela manhã, o interior da enfermaria estava mergulhado em um completo silêncio. A luz do luar era a única iluminação que entrava pelas altas janelas de vidro, mas as camas vazias facilitaram que os olhos azuis encontrassem logo a figura de Regulus ao fundo, no mesmo lugar que ocupava naquela manhã.

- Srta. Clearwater. O que está fazendo aqui?

Lucy se sobressaltou quando o rosto da enfermeira apareceu ao seu lado. Ela estava tão concentrada em Regulus que não notou a aproximação da mulher.

- Ainda é horário de visita, não é? – Lucy arriscou, provocando um olhar de pena na enfermeira.

- Sinto muito, querida. Você ouviu a Sra. Black. Eu não tenho autorização para deixá-la entrar.

- Isso é ridículo... Nem o irmão dele estão deixando entrar.

A enfermeira franziu o cenho ao olhar por cima do ombro e encarar Regulus completamente adormecido. E então se voltou para a ruiva a sua frente mais uma vez, estudando sua reação.

- São as regras, Srta. Clearwater. Mas se serve de algum consolo, não seria uma visita muito proveitosa. O Sr. Black tomou uma generosa quantidade de poção para os ossos e eu mesma preparei as ervas para que ele tivesse um sono tranquilo e não fosse despertado pela dor. Ele não vai acordar por algum tempo.

Voltar para a torre da Corvinal sem uma notícia concreta a respeito de Regulus era frustrante. Tudo o que Lucy conseguia se lembrar era da briga que tivera na sala de Astronomia e em como havia dito que queria distância de Black.

O rapaz havia mergulhado em uma sucessão de erros, mas ela não queria que a última lembrança fosse uma briga com tantas palavras cruéis. Ela poderia aceitar que os dois não tivessem um futuro, mas era demais saber que Regulus estava mergulhado em dor, sem perspectiva de melhoras, sem poder ao menos estar ao seu lado.

Depois de uma noite inteira sem dormir e de um dia de aulas sem concentração, Lucy continuava completamente no escuro a respeito do progresso de Regulus. As fofocas já começavam a amenizar e ninguém parecia notar que a ruiva da Corvinal mudava o seu caminho diversas vezes ao dia para tentar passar pelas portas da enfermaria.

Durante um intervalo ou outro, ela via quando algum Sonserino desaparecia pelas grandes portas, certamente autorizado pela lista de Walburga Black. A ansiedade e a necessidade de qualquer notícia quase a levou a questionar qualquer um dos alunos de Salazar a respeito de novidades, mas Lucy conseguiu voltar ao dormitório depois de mais um dia sem qualquer evolução.

Com a certeza de que enfrentaria mais uma noite em claro, Lucy se deixou levar sem pensar nas consequências quando repetiu o mesmo gesto de fugir da Torre da Corvinal em meio a madrugada. Ao invés de seguir o caminho até onde encontrava Regulus para estudar estrelas, a menina desceu as escadas em meio aos corredores pouco iluminados, torcendo para não esbarrar em nenhum professor, até alcançar a enfermaria.

Como havia feito no dia anterior, as portas fechadas não foram nenhum obstáculo ao serem empurradas para o lado. Mas desta vez, ao invés de procurar logo por Regulus, Lucinda se certificou de que não havia nenhum sinal da enfermeira por perto.

Mesmo correndo o risco de ser flagrada a qualquer momento, Lucy voltou a encostar as portas e sentiu o coração acelerar ao caminhar na direção de Regulus. O uniforme de Quadribol havia sumido, dando lugar a um pijama mais confortável e limpo. Mas com exceção das roupas, Regulus ainda parecia dormir, fosse por efeito de poções ou não.

Os olhos azuis passaram mais uma vez pela enfermaria deserta antes de se permitir sentar ao lado da cama do rapaz. Seu peito se espremeu diante daquela cena em que ela não tinha qualquer poder, mas Lucy conseguiu espremer os lábios para conter o choro.

Sentada ao lado da cama de Regulus, Lucy deixou que sua mão buscasse a dele em uma carícia. Era o máximo de conforto que ela tinha desde que aquele pesadelo havia começado. Por isso, Lucy não viu o tempo passar e muito menos notou quando começou a relaxar, se rendendo a um cochilo com o corpo curvado até que pudesse se debruçar na beirada da cama, espalhando os fios vermelhos na lateral do corpo de Regulus.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Regulus Black em Ter Jul 11, 2017 12:01 am

- Seria uma grande honra recebê-los no Natal. Os Bulstrode são muito bem vindos na nossa casa.

- Vou falar com o papai. A honra será toda nossa, Walburga!

A recente “amizade” entre Walburga Black e Holly Bulstrode deixava Regulus enojado. Enquanto as duas tagarelavam bobagens ao redor da cama, ignorando totalmente a presença do paciente, o rapaz lutava sozinho para conseguir tomar algumas colheradas da sopa rala servida pela enfermeira. Além do gosto nada agradável, aquela tarefa também era complicada devido a imobilização no braço direito do rapaz, cujos ossos ainda se recuperavam de múltiplas fraturas.

Depois de derramar várias gotículas da sopa pelo lençol graças à falta de habilidade da mão esquerda, o herdeiro dos Black finalmente desistiu do jantar. Os dedos capturaram apenas uma das torradinhas no canto da bandeja e ele se recostou nos travesseiros. Os olhos cinzentos buscaram pelo céu estrelado exibido pelo vidro embaçado da janela mais próxima e, mesmo que Lucy de Cassiopeia não pudesse ser vista sem o auxílio de um bom telescópio, Regulus fixou a atenção na direção onde ele sabia que estaria a sua estrela.

- REGULUS???

Mesmo que sua voz não fosse nada suave, Walburga precisou chamar pelo filho três vezes até que o rapaz despertasse de seus devaneios e voltasse a atenção para a mãe. A ruguinha de preocupação entre os olhos cinzentos da mulher não refletia uma sincera angústia com a recuperação do filho. A única coisa que deixava a Sra. Black apreensiva era a possibilidade daquele golpe na cabeça ter gerado qualquer tipo de sequela em seu valioso herdeiro.

- Você não está ouvindo direito??? – Walburga falava mais alto que o normal – Aquela imprestável da enfermeira já notou que você está meio surdo???

- Eu não estou surdo. Só estava distraído com os meus pensamentos, mãe. Mas se a senhora continuar gritando assim, é bem provável que a minha audição seja afetada.

- O Reg está ótimo, Walburga. – Holly inclinou-se para deslizar os dedos nos cabelos escuros do rapaz – Só está um pouco sonolento por causa das poções para dor. Logo ele estará inteiro, estou cuidando muito bem dele.

Black precisou de um grande esforço para conter um sorriso sarcástico diante daquela afirmação. Geralmente as visitas de Holly à enfermaria eram breves e, na maioria das vezes, Regulus fingia estar dormindo para não ter que conversar com a colega. Mas Walburga se mostrou bem satisfeita com a possibilidade da herdeira dos Bulstrode parecer tão próxima ao rapaz.

- Então me mantenha informada, querida. Vou evitar as visitas nos próximos dias, detesto dever favores a aquele velho imbecil. Ainda não acredito que entregaram Hogwarts nas mãos de Dumbledore. Este castelo está definhando, está infestado de sangue-ruins. Não sei como vocês suportam este cheiro intragável de trouxas!

Com uma expressão chocada, Regulus assistiu enquanto Walburga e Holly se distanciavam da cama, completamente envolvidas naquela conversa doentia. Nenhuma das duas se despediu do paciente, como se Regulus fosse apenas um detalhe dispensável naquela cena da enfermaria.

Quando as portas se fecharam e a enfermaria mergulhou em um reconfortante silêncio, Black finalmente relaxou por completo. Os olhos novamente se voltaram para a janela mais próxima, mas logo as pálpebras pesadas levaram Regulus novamente para o mundo da inconsciência.

Depois dos primeiros cuidados da enfermeira, as dores do apanhador tinham sido quase que completamente resolvidas. Mas as fraturas do braço eram um pouco mais complexas e ainda precisariam de alguns dias até estarem totalmente recuperadas. Qualquer um no lugar de Black ficaria ansioso e incomodado com a solidão da enfermaria, mas a grande verdade era que o sonserino já estava mais do que habituado ao isolamento.

No começo, tudo parecia ser parte de um sonho. Aliás, Lucy passara a ser uma imagem bastante frequente nos sonhos do herdeiro dos Black. Era muito comum que a mente dele reproduzisse as cenas vividas na torre de Astronomia ou recriasse os beijos e as carícias que tinham ficado no passado. Por isso, Regulus continuou adormecido mesmo quando seu corpo começou a sentir os efeitos da proximidade de Clearwater.

Entretanto, aquela sensação começou a se tornar real demais. O perfume que invadiu as narinas de Black parecia muito fiel às lembranças do cheiro que Lucy deixava impregnado em suas roupas depois de algumas horas na sala de Astronomia. O calor dos dedos que tocaram a mão do rapaz também lhe provocou um arrepio intenso por dentro. E, por fim, a suavidade dos fios ruivos que se espalharam sobre o braço de Regulus terminou a árdua tarefa de trazer o sonserino de volta à realidade.

Lucinda estava ali. Só após piscar várias vezes, o herdeiro dos Black teve certeza de que a ruiva não era fruto de uma alucinação ou de um sonho bizarramente vívido. Mesmo depois de todos os erros que ele cometera, das palavras imperdoáveis que ele dissera, Lucy havia quebrado todas as regras para vê-lo. E aquele era um detalhe que fazia Regulus experimentar uma inédita sensação de felicidade.

O sorriso amplo que só Lucy conseguia arrancar do sonserino surgiu nos lábios do rapaz. Com alguma dificuldade graças ao braço ainda imobilizado, Regulus conseguiu se ajeitar melhor sobre o colchão até que sua mão livre alcançasse o rosto delicado de Lucinda. Ignorando toda a racionalidade que dizia que os dois deveriam continuar separados, Black ergueu delicadamente o queixo de Lucy e a despertou com um beijo nos lábios.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Remus J. Lupin em Sex Jul 14, 2017 2:59 am

- Vocês têm certeza que não é nada hormonal? É sério, tem alguns dias do mês que eu nem reconheço a Lily...
 
Embora estivessem no meio da tarde, com a luz do dia invadindo os vidros do banheiro feminino, James Potter não precisou conter o tom de voz enquanto encarava os dois amigos com incredulidade. O banheiro interditado do segundo andar era evitado pela maioria dos alunos, o que tornava a conversa dos três privada o suficiente.
 
- Se você me garantir que a Lily tem a capacidade de trocar a cor dos olhos quando está de TPM, eu te dou o meu certificado de especialista em mulheres.
 
Enquanto James havia se recostado na estrutura de madeira de uma das casinhas do banheiro, Sirius Black e Remus Lupin tinham encontrado espaço suficiente para se sentar no chão, rodeado de livros como se estivessem em uma biblioteca.
 
- Você não tem certificado algum. – Potter girou os olhos, mas logo refletiu sobre a sincera preocupação dos dois amigos. – Mas o que vocês acham que pode ser? Alguma doença? Será que a Bloemer está possuída ou sob o efeito de algum feitiço?
 
- Eu nunca ouvi dizer que a Maldição Imperius influenciava alguém desta forma. A Amelia me parecia perfeitamente consciente do que estava fazendo, diferente dos relatos que já li...
 
Os olhos de Lupin não desgrudavam dos livros e ele era nitidamente o que mais se empenhava em procurar uma resposta para o comportamento de Amelia Bloemer. E apesar das horas perdidas debruçado sobre livro, de anotações e tinteiros gastos e da dor nas costas que começava a lhe incomodar, nenhuma resposta parecia se encaixar em suas perguntas.
 
- Pode ser efeito de alguma poção. Ou alguma criatura a picou... – Black bufou ao desistir de mais um livro e jogá-lo para o lado, errando por alguns centímetros uma poça de água. – Qualquer criatura que não esteja documentada na biblioteca de Hogwarts.
 
- Olha, basta a gente olhar para o Profeta Diário para saber que as coisas estão diferentes no mundo mágico. – Potter assumiu um semblante sério ao se aproximar dos amigos. – Eu li na semana passada sobre uma família inteira que foi amaldiçoada só por tocar em um caldeirão enfeitiçado. Bruxos das trevas estão trabalhando incansavelmente...
 
- E a Amelia é filha de um ministro... Seria um alvo interessante se o Lord das Trevas estivesse querendo expandir seus horizontes. – Sirius refletiu, buscando pelo olhar de Remus para a aprovação de sua teoria.
 
- Amelia é sangue-puro. Não me parece se encaixar no tipo de vítima dessa guerra.
 
Apesar das palavras mais racionais, o estômago de Lupin se revirou com a possibilidade de que Bloemer pudesse mesmo estar na mira de um bruxo poderoso como Voldemort. Mesmo diante da forma complicada que aquele relacionamento havia terminado, antes mesmo de começar, era impossível ignorar como ele havia se deixado apaixonar pela filha do ministro da Grécia.
 
- Você-Sabe-Quem não procura apenas vítimas. Ele quer o caos. – Sirius reforçou. – Eu sei, ainda é uma ideia absurda demais. Afinal, como alguém conseguiria amaldiçoar uma menina que está sempre na vista de todos, bem debaixo das barbas de Dumbledore?
 
Realmente, parecia pouco provável que alguém pudesse ter chegado até Amelia com a intenção de amaldiçoa-la sem ser notado. A vida de Bloemer era acompanhada por quase todo o castelo e qualquer anormalidade teria chamado a atenção, e ainda assim, o fator mais curioso na vida da Corvinal era que ela tinha se envolvido com o tímido monitor da Grifinória.
 
Apesar de não concordar com a linha de raciocínio dos amigos, a mente de Remus o fez lembrar de um discreto detalhe. Já havia naquele castelo um aluno amaldiçoado. Alguém que não fora vítima de uma varinha erguida, mas marcado para a vida por uma mordida de lobisomem.
 
Os sintomas de Amelia se encaixavam com os de uma transformação lupina e mais uma vez as perguntas o levavam até a mesma teoria absurda. Imaginar que Bloemer carregava a mesma maldição que ele chegava a ser ainda mais impossível do que enxerga-la como uma vítima de um Comensal da Morte, mas Remus não conseguia ignorar a sensação de que aquela era a única resposta que se encaixava.
 
- Talvez ela esteja mesmo amaldiçoada. – Remus ergueu o olhar dos livros, tomando cuidado na escolha das palavras. – Padfoot, você já viu como os meus olhos ficam nas noites de lua cheia. Tem qualquer semelhança com o que viu na Amelia?
 
Potter e Black trocaram um rápido e tenso olhar, e mesmo sem qualquer palavra, Remus sabia que eles não concordavam com a sua teoria.
 
- Eu sei onde você quer chegar, Moony. E eu admito, a semelhança é assustadora. E ainda tem aquele reflexo bizarro dela. Mas eu estava aqui na Lua Cheia e a Amelia frequentou todas as aulas. Não me parecia com um lobisomem enfrentando suas piores noites.
 
- Nós não temos muitas respostas. – Potter admitiu, cruzando os braços contra o peito. – Mas temos uma alternativa. Talvez o que a gente precise é cutucar o hipogrifo com uma vara curta.
 
- Você quer enfurecer a Bloemer ainda mais? – O queixo de Sirius despencou em incredulidade.
 
- Eu não. – James balançou um dos ombros antes de completar com um sorrisinho malicioso. – Mas parece que ela já tem uma predisposição com o nosso querido amigo lupino.
 
***
 
- Isso não vai dar certo... – Remus gemeu, sentindo as mãos geladas e suadas ao mesmo tempo. – É a pior ideia do mundo.
 
- Confie em mim. – James abriu um largo sorriso, apoiando as mãos em seus ombros. – Talvez se a gente levar a Amelia até o limite, a gente consiga mais respostas.
 
- Mas isso??? – Ele engasgou, sem ter tempo para uma resposta ao sentir um empurrão em suas costas.
 
No mesmo instante em que Remus Lupin era arremessado para o saguão de entrada aos tropeços, os já conhecidos fios castanhos de Amelia entravam em seu campo de visão. Mesmo com o afastamento dos dois, ele não pôde deixar de ignorar como seu coração ainda acelerava diante da beleza dela.
 
Apesar de ter a certeza de que poderia passar todo o dia admirando o brilho nos olhos castanhos, desejando poder arrancar um sorriso dela outra vez, Lupin obrigou a girar as íris âmbar até encontrar cachos loiros há alguns passos de Amelia.
 
- Suzie? Oi, eu estava procurando por você.
 
Suzannah Bukater era uma sextanista da Corvinal, tão inteligente quanto o monitor da Grifinória. Suzie tinha uma beleza clássica e embora não chamasse tanta atenção quanto a popularidade de Amelia, era inquestionavelmente atraente, mesmo que estivesse sempre com a cabeça enfiada nos livros.
 
Exatamente como havia ensaiado com James e Sirius, Remus se colocou estrategicamente de costas para Amelia quando iniciou a conversa com Suzannah. Daquela forma, Amelia não poderia escutar quando Lupin iniciasse a conversa, repassando um suposto convite de Sirius Black para se encontrar com a corvinal.
 

Da visão que Amelia teria ao entrar no saguão, com as bochechas coradas de Suzie, não parecia restar dúvidas de que a loira estava recebendo um convite para sair. O que Bloemer não conseguiria ouvir, entretanto, era que aquele convite não tinha como responsável o monitor da Grifinória.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sex Jul 14, 2017 3:36 am

As pálpebras de Lucy tremeram no instante em que o colchão de Regulus mexeu, mostrando que apesar de ser a primeira vez desde o acidente que ela conseguia se entregar facilmente ao sono, ainda não estava inteiramente adormecida e foi facilmente despertada.
 
O calor dos lábios de Black nos seus, era extremamente familiar, não permitindo que a ruiva se afastasse ou recuasse. E quando os olhos azuis foram finalmente revelados, a briga, as discussões e as ofensas tinham sido instantaneamente deixadas de lado diante do alívio de encontrar o sonserino acordado outra vez.
 
- É melhor eu chamar a enfermeira. Você está com aquele espasmo que parece um sorriso outra vez... Alguma sequela do acidente?
 
A voz de Lucinda soava em um sussurro na enfermaria grande e deserta, mas a proximidade com Regulus permitia que ele compreendesse com clareza. Apesar da adrenalina de estar quebrando as regras da escola ou das emoções dos últimos dias, Lucy se sentia estranhamente em paz com o simples fato de estar com o sonserino outra vez.
 
Ainda sentindo o calor do corpo dele próximo ao seu, Lucy ergueu uma das mãos para acariciar cuidadosamente o braço imobilizado do rapaz, estudando a procura de qualquer ponto que pudesse ser mais grave.
 
- Esse foi o seu pior prejuízo? – As sobrancelhas ruivas foram arqueadas quando o olhar de Lucinda voltou para o rosto de Regulus, voltando um pouco da tensão do dia anterior. – Eu não sei qual foi a altura que você caiu, Regulus. Mas pelo que eu ouvi, a coisa foi feia. E você estava péssimo quando te trouxeram do campo de Quadribol.
 
A lembrança de Black completamente desacordado enquanto a novidade se espalhava por Hogwarts ainda provocava um arrepio na espinha de Clearwater. Mesmo enxergando o rapaz diante de si, completamente acordado e consciente, ainda era difícil de aquietar seu estômago embrulhado com a visão gravada em sua memória.
 
- Eu fiquei com medo. Eu pensei que... – Lucy precisou interromper a frase ao notar que começava a se emocionar.

 
Ela não queria chorar na frente de Regulus ou lhe incomodar de qualquer forma que pudesse atrapalhar o seu descanso e recuperação. Mas antes que desse por si, uma camada de lágrimas já havia clareado as íris azuladas enquanto ela lutava para não derramá-las.
 
- Eu não pude fazer nada. Você me salvou duas vezes... Me tirou daquele lago congelando e eu não podia nem mesmo ficar do seu lado.
 
A corvinal fungou quando percebeu que uma das lágrimas tinha corrido teimosamente pela sua bochecha. Os dedos ágeis se soltaram de Regulus para secar a lágrima e, em uma tentativa de compensar aquela tristeza, Lucy tentou esboçar um sorriso que apenas se contorceu em uma careta no segundo seguinte quando ela se rendeu ao choro.
 
A angustia dos últimos dias, a frustração por se manter afastada e a urgência em rever Regulus sufocou junto ao seu choro quando Lucy sacudiu a cabeça, tentando espantar as lágrimas tolamente.
 

- E a única coisa que eu queria era que as últimas coisas que eu disse a você não fossem que eu queria ficar longe de você. Porque eu não quero, Regulus.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Regulus Black em Sab Jul 15, 2017 11:18 pm

Apesar da gravidade do acidente sofrido por Regulus Black, até então ninguém havia demonstrado uma sincera preocupação com o estado do rapaz. É claro que a enfermeira e os professores estavam angustiados e faziam o seu melhor trabalho para que o rapaz se recuperasse, mas aquilo não refletia um sincero pesar ou um afeto pessoal. Eram apenas os adultos responsáveis por ele fazendo o que deveria ser feito.

Regulus também não encontrou na família aquele sentimento. Os Black não se importavam se o sonserino estava com dores, ou se havia restado algum ferimento do acidente. A preocupação de Orion e Walburga era voltada exclusivamente para o sobrenome e para o futuro da família caso seu único herdeiro morresse ou saísse daquele acidente com alguma sequela.

Os colegas da Sonserina seguiram naquela mesma direção. Os membros da equipe de quadribol estavam aflitos com o risco de precisarem treinar outro apanhador há poucos dias do início do campeonato. Regulus era visto apenas como um problema que tornaria ainda maior a distância do time até a taça daquele ano.

Naquela noite, contudo, Regulus percebeu que não estava tão sozinho. Lucinda Clearwater não tinha nenhum tipo de interesse na recuperação dele, os dois já tinham se afastado e, teoricamente, seus caminhos nunca mais se cruzariam. Mas ali estava a ruiva com a expressão aflita que Black ainda não havia visto em ninguém. O sonserino sentia-se mal por tamanho egoísmo, mas era impossível conter aquela fagulha de alegria em saber que Lucy estava sofrendo por ele.

Quando as lágrimas tímidas da menina se transformaram em um choro mais dolorido, Regulus a puxou delicadamente para junto do seu peito. O rapaz só pôde usar um dos braços para envolvê-la, mas ainda assim o encaixe dos corpos foi perfeito. Os dedos de Black desceram pelos cachos ruivos em uma carícia demorada, numa tentativa de acalmar os soluços e as lágrimas quentes que manchavam a camiseta que compunha o pijama da Sonserina.

- Não diga que você não fez nada. Você está aqui, Lucy. Você não tem ideia do quanto isso significa para mim...

Não eram palavras vazias ditas com o único intuito de consolar o choro da menina. A presença de Lucinda realmente fazia toda a diferença na vida de Regulus. Em todo o universo, Lucy era a única pessoa capaz de fazer o herdeiro dos Black se sentir amado e valorizado. O fato de Clearwater ter quebrado todas as regras do castelo para visitá-lo naquela noite fazia com que Regulus se sentisse especial. O sobrenome e o dinheiro dos Black não significavam nada perto da alegria que apenas Lucy trazia para a vida do sonserino.

- Eu te salvei duas vezes... – Black fez uma pausa e afastou o tronco apenas o bastante para buscar pelos olhos da garota – Mas você está me salvando um pouquinho todos os dias, Lucy. Antes eu não tinha ninguém, não tinha nenhuma esperança, eu simplesmente me deixava levar pela correnteza. Agora eu tenho você.

Embora não tivesse sido extremamente claro naquela declaração, era óbvio que Regulus se referia ao seu futuro como herdeiro dos Black. Desde que Sirius fora expulso de casa, o caçula se via completamente sozinho em uma família que o enxergava apenas como o responsável por levar adiante o sobrenome dos Black. Regulus não tinha sequer um amigo sincero que pudesse acolhê-lo como os Potter fizeram com Sirius. Sem ter como fugir, o caçula simplesmente aceitara aquele futuro ingrato. Mas agora Lucy surgia como uma luz no fim daquele túnel sombrio.

Regulus sabia o quanto seria difícil desviar-se do seu caminho para seguir aquele novo trajeto, mas pelo menos agora havia ao menos uma chance. Agora ele não estaria mais sozinho.

- Eu também não quero ficar longe de você. Eu não consigo. – o sonserino levou a mão ao rosto de Lucinda e secou as lágrimas dela com um movimento carinhoso do polegar – Se você puder me perdoar por tudo o que eu fiz, se você puder me dar o tempo que eu preciso para resolver a minha situação...

As ponderações do rapaz já mostravam que os próximos passos não seriam simples. Aos dezesseis anos, Regulus não podia simplesmente declarar uma guerra aos pais. Ao contrário de Sirius, o caçula não tinha para onde ir e não teria como se manter sem o dinheiro da família. O sonserino precisava concluir os estudos e arrumar um emprego antes de qualquer decisão precipitada.

Contudo, o herdeiro dos Black estava sério e suas palavras soavam com bastante convicção quando ele novamente buscou pelas íris azuladas de Lucinda.

- Se você me der mais uma chance, Lucy, eu prometo que não vai se arrepender.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Amelia Bloemer em Dom Jul 16, 2017 12:46 am

Com o passar dos dias, Amelia imaginou que já havia superado o “problema” Remus Lupin. É claro que toda a história conturbada com o monitor da Grifinória ainda provocava a irritação da novata, mas a cada dia se tornava mais fácil varrer aquela raiva para longe dos seus pensamentos. Como uma boa aluna da Corvinal, Bloemer buscou por distração nos livros e começou a se empenhar para manter as notas elevadas.

Com o caminho livre depois do afastamento de Lupin, outros rapazes se atreveram a se aproximar da novata. Amelia já estava bastante acostumada com aquele tipo de atenção, mas agora não parecia mais tão divertido ter tantas opções no cardápio. Era irônico e cruel o fato de Bloemer desejar justamente o único garoto de Hogwarts que não a queria.

Embora o fracasso com Remus Lupin ainda fosse recente e dolorido demais, Amelia vinha se esforçando para superar aquele obstáculo. E era justamente por pensar que Lupin havia ficado no passado que Bloemer se surpreendeu com a onda de fúria que a atingiu naquela tarde no saguão.

Os sinais pareciam óbvios demais. Uma conversa privada em um cantinho do salão, o rubor que cobriu as bochechas de Suzannah, o sorrisinho tímido que surgiu nos lábios da menina... A mente ferida de Amelia não deixou que a novata tivesse dúvidas de que Remus estava iniciando o seu joguinho de sedução com outra vítima.

Suzannah e Amelia não eram amigas tão próximas, mas Bloemer se dava bem com todos os colegas da Corvinal e detestaria ver a loira magoada. Entretanto, não era apenas este nobre sentimento que invadiu Amelia naquele instante. Aliado ao desejo de evitar que Suzannah fosse usada por um canalha galanteador, um ciúme sufocante exterminou toda a racionalidade da menina. Bloemer se sentia péssima em ver que Remus já buscava por uma nova diversão enquanto ela ainda sofria pelo término do relacionamento.

A antiga Amelia, que circulava pelos corredores da escola grega como a menina mais popular do local, jamais faria uma cena de ciúmes por causa de nenhum garoto, muito menos por um rapaz que a dispensara. Mas, mais uma vez, Lupin demonstrou que tinha o poder de despertar sentimentos inéditos na novata. Quando seguiu os passos do grifinório, Bloemer simplesmente não raciocinava com clareza.

Levada por um instinto inexplicável, Amelia apenas seguiu os passos de Remus sem nem ao menos se dar conta de para onde os dois estavam indo. Quando empurrou a porta do banheiro do segundo andar, Bloemer estava tão fora de si que nem se questionava o que Lupin estava fazendo em um banheiro feminino interditado.

- O que você pensa que está fazendo???

A novata não ergueu a voz, mas sua entonação cortante ecoou de forma ameaçadora pelo banheiro aparentemente vazio. Algumas cabines estavam fechadas, mas o silêncio era tão grande e Amelia estava tão concentrada em Remus que não percebeu que os dois não estavam completamente sozinhos no local.

- Você acha que eu vou permitir que você brinque com a Suzie da mesma forma que brincou comigo???

Mais uma vez, um estranho brilho amarelado cintilou nas íris de Amelia. A respiração da garota se tornou mais pesada e sua expressão fechada beirava a selvageria.

- Eu não sou idiota. Eu sei que você fez isso na minha frente de propósito! Eu só não entendo o motivo. O que foi que eu te fiz para merecer isso?

Bloemer realmente não entendia o comportamento de Remus. Os dois estavam se dando bem antes daquele pesadelo. Amelia sempre havia sido atenciosa, sempre havia valorizado o grifinório mesmo que todos ao seu redor insinuassem que ela merecia mais do que Remus Lupin podia lhe oferecer. Era impossível compreender as razões de Remus para terminar tudo e para continuar brincando com os sentimentos dela daquela forma cruel.

Tomada por aquela raiva inexplicável, Amelia deu mais alguns passos na direção de Lupin. Os olhos da menina estavam tão estreitados que mais pareciam uma fenda. A respiração ruidosa se tornava cada vez mais áspera e mais parecida com um rosnado.

Sem dar ao rapaz tempo para responder aos seus questionamentos, Bloemer chutou para fora do seu caminho o mesmo livro que Sirius havia deixado de lado algumas horas atrás. O golpe foi tão forte que o livro acertou uma das portas, provocando um rachado enorme na madeira envelhecida.

- Foi a última vez que você brincou comigo, Lupin!

Alertados pelo tom pouco amistoso na voz de Amelia, Potter e Black saíram das cabines onde até então estavam escondidos. Os reflexos adquiridos no quadribol permitiram que James alcançasse a menina antes que Bloemer avançasse em Remus. E, a julgar pelo semblante dela, Amelia realmente estava pronta para atacar o monitor.

A partir desde momento, tudo aconteceu muito rápido. Potter ergueu as mãos e ensaiou um pedido para que Amelia se acalmasse, mas a voz do rapaz foi interrompida bruscamente por um golpe. Mesmo que tivesse quase o dobro do peso da menina, James voou facilmente até o outro lado do banheiro quando foi empurrado pelas mãos delicadas da novata.

Ao ver o amigo sendo “atacado”, Sirius tentou cercar Amelia por trás. Black chegou a puxar os braços da menina para imobilizá-la, mas se surpreendeu com a força desproporcional com a qual Bloemer o atirou na direção de uma das pias. A cerâmica se quebrou com o impacto das costas de Sirius e deixou o rapaz atordoado por alguns segundos.

Ainda mais irritada com a presença dos outros rapazes, Amelia voltou a atenção novamente para Remus. Desta vez não havia a menor dúvida de que os olhos da menina estavam profundamente amarelos e de que ela atacaria Lupin de forma selvagem. Potter evitou o desastre quando cambaleou e se colocou na frente do amigo, novamente com os braços erguidos em rendição.

- BLOEMER! FIQUE CALMA! RESPIRE FUNDO! VOCÊ NÃO PERCEBE O QUE ESTÁ FAZEEEEEEEEEEEE...

As palavras de James se transformaram em um grito de dor quando, com a mesma facilidade que dobraria um pergaminho, Amelia acertou o braço dele com um soco que partiu os ossos do rapaz. O “crack” dos ossos partidos ecoou pelo banheiro e foi o suficiente para trazer Amelia de volta à racionalidade.

Enquanto Potter berrava e saltitava pelo banheiro interditado segurando um braço completamente torto, o queixo da novata caiu e os olhos – novamente castanhos – se arregalaram. Era óbvio que nem mesmo Amelia conhecia a origem de tamanha força.

- Merlim! Potter!!! Me desculpe!!!

- TIRE ESTA TRASGA LOUCA DE PERTO DE MIM, MOONY!!!
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Jul 16, 2017 10:22 pm

As palavras de Regulus soavam como um sonho aos ouvidos de Lucinda. Era impossível tentar negar que já não estivesse inteiramente envolvida com o rapaz da Sonserina, e a certeza de que conhecia o herdeiro dos Black melhor do que qualquer um era suficiente para convencer Lucinda que valeria a pena enfrentar qualquer risco, fofoca ou olhar torto.
 
O único erro de Regulus foi não ter especificado em sua proposta o que ele realmente queria dizer com o tempo que precisava para assumir aquele relacionamento. Para Lucinda, tudo o que o rapaz precisava era de alguns dias, ou no pior dos cenários, alguns meses até que pudesse lidar com os comentários que certamente surgiriam com aquela novidade.
 
Walburga Black já tinha deixado sua impressão no breve encontro na enfermaria, mas no mundo em que Lucinda vivia, era impossível imaginar como a mãe de Regulus poderia controlar a vida dele. Apesar de saber da briga de Sirius com o restante da família, para Lucy não fazia sentido que os pais pudessem virar as costas para Regulus apenas pela escolha de uma namorada, sem compreender que aquele detalhe tão simples para a maioria traria uma imensa complexidade na vida dos Black.
 
- Eu não estaria aqui se também não quisesse uma segunda chance, Regulus.
 
O choro de Lucy já havia cessado, deixando para trás apenas os olhos mais avermelhados e úmidos, junto com uma voz fanhosa. Apesar disso, os lábios estavam curvados em um sorriso esperançoso quando Clearwater procurou pelas íris cinzentas.
 
- Podemos fazer de conta que aquele dia em Hogsmead nunca aconteceu? Eu sei que aquele lá não era você. Eu conheço você de verdade, Regulus. Não me importa o que você diga.
 
Com o devido cuidado para não machucá-lo, Lucinda terminou de subir na estreita cama até se acomodar na beirada, se recostando sobre o ombro bom de Reglus. Durante alguns segundos, ela se deliciou com o silêncio da enfermaria, com o calor do corpo e com as batidas do coração dele até franzir o nariz em uma careta. O queixo foi erguido ao procurar pelo rosto do rapaz outra vez, mas o tom implicante adotado por Lucinda mostrava que não havia mais necessidade de tensão naquela conversa séria.
 
- Com exceção dos ciúmes. Eu não fazia ideia do quão ciumento você era, Regulus Black.
 
As íris azuladas giraram quando Lucy lembrou do próprio comportamento na festa de aniversário de Amelia. Ela ainda tinha uma careta no rosto, mas parecia como uma criança que precisava justificar a própria travessura.
 
- Mas preciso admitir que também não gostei de ver a filhote de veela com bicho-papão do seu lado.
 
O olhar da corvinal se estreitou quando uma ideia cruzou sua mente, mas as expressões exageradas de seu rosto não deixavam dúvidas de que aquele ciúme não corria risco de criar uma nova briga entre o casal reconciliado.
 

- Vocês não se beijaram, não é??? Eu juro que deixo aquela garota mais careca que o Frei Gorducho se ela aparecer no meu caminho outra vez!
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Jul 16, 2017 11:12 pm

- VOCÊ NÃO VAI FICAR SOZINHO COM ESSA LOUCA, MOONY!
 
Por mais que os três rapazes tivessem se unido em um canto mais afastado do banheiro, James Potter não tinha a menor intenção de manter o tom de voz contido para que a conversa continuasse particular.
 
Sirius Black precisava segurar o amigo por um dos braços enquanto James tentava imobilizar a mão completamente torta e claramente quebrada. Logo quando terminou de gritar, o apanhador da Grifinória logo se contorceu em uma careta de dor, se arrependendo de ter se exaltado.
 
- Para começar, essa ideia absurda de provocar a Amelia veio de vocês. Agora vocês precisam confirmar em mim.
 
Remus estava assombrosamente sério ao encarar os dois amigos. Enquanto James e Sirius se horrorizavam com a força de Amelia ou se preocupavam com os ossos quebrados do jogador de Quadribol, uma nuvem negra havia coberto os olhos âmbar de Lupin.
 
Ele já havia se conformado que alguma coisa estava errada com Amelia. Mas o episódio daquele dia só mostrava como a menina estava tão às cegas quanto ele naquele mistério. E o espanto refletido nas íris castanhas tinham o poder de afundar o estômago de Lupin.
 
Mesmo depois do complicado fim entre os dois, e de acreditar que Amelia nunca havia nutrido por ele um sentimento verdadeiro, que tivesse deixado na Grécia alguém a altura, era impossível não se sentir afetado com aquele desastre. Mais do que nunca, Bloemer precisava de amigos. E não era o tipo de amizade idolatrada que ela havia conquistado no castelo, mas a mesma amizade que Remus havia sido presenteado.
 
- Eu cuido das coisas por aqui. Leve o Prongs até a enfermaria, encontro vocês mais tarde.
 
Os três rapazes ainda se entreolharam por alguns segundos até que Potter e Black seguissem as ordens de Lupin. Se aproveitando do choque que ainda dominava Amelia, Remus esperou que os amigos desaparecessem até se voltar para ela.
 
O pequeno estrago causado pelos arremessos de dois jogadores de Quadribol nas paredes ainda era fácil notar. E ninguém seria capaz de dizer que uma menina magra e delicada como Bloemer tinha feito aquilo sem o uso de uma varinha. Mas não foi com medo de ter o mesmo destino que James que Remus se aproximou com cautela. Ele simplesmente sabia que o psicológico de Amelia era o que realmente precisava ter cuidado.
 
- Você está bem?
 
A preocupação sincera estava refletida no rosto do monitor da Grifinória. Embora Amelia fosse a última vítima daquele banheiro, Remus podia imaginar o tipo de pensamento que cruzava a mente da Corvinal naquele momento. E melhor do que ninguém, ele sabia como era terrível o sentimento de não conseguir confiar em si mesmo.
 
- O Prongs vai ficar bem. Ele já sofreu acidentes piores no Quadribol e a Madame Pomfrey sempre foi capaz de fazer os ossos crescerem para que ele continuasse tão arrogante quanto antes.
 
Os braços cruzados contra o peito de Remus mostravam uma postura defensiva, mas mais uma vez, não era do contato físico que ele tinha receio. Apesar de toda mágoa que ele havia guardado silenciosamente depois do encontro com o Sr. Bloemer, Remus conseguia ser nobre o bastante para deixar de lado seus problemas pessoais para dar a Amelia o suporte que ela precisava.
 
Por isso, ele não pensou nem por um segundo em continuar o jogo perigoso de James e Sirius. Antes que pudesse tentar qualquer coisa, Amelia precisava manter a calma. E provoca-la era a pior ideia possível.
 
- Eu não estava brincando com a Suzannah. O Sirius estava há dias procurando uma chance para falar com ela. E eu sei que o grande Sirius Black não precisa de ajuda para falar com garotas, mas acho que com ela é diferente... – Remus sacudiu os ombros diante daquela justificativa, mas mais uma vez, ele não parecia mentir. – Ele não queria assustá-la, então me pediu para falar com ela.
 
O único detalhe daquela história era que Sirius havia usado Suzie Bukater como um movimento do jogo para enfurecer Amelia. Mas James e Remus não tinham deixado de notar que o batedor da Grifinória realmente vinha notado a loira da Corvinal de forma diferente nos últimos dias.
 
- Eu não quis brincar com você também, Amelia. – As palavras diretas de Remus ecoaram no banheiro frio. – Sei bem como tudo isso pareceu, e eu fui o maior idiota do mundo em querer terminar tudo no dia do seu aniversário. Mas eu nunca quis brincar com você.
 
Os olhos âmbar sequer piscavam ao encarar o rosto bonito a sua frente. Era impressionante como Bloemer ainda era capaz de fazer seu coração acelerar, mesmo diante da certeza de que os dois jamais teriam um futuro juntos.
 
- Eu sinto muito pela forma com que as coisas terminaram. Mas talvez tenha sido melhor assim. Nós dois nunca teríamos dado certo juntos... Afinal, eu sou só um Lupin. O que o cara de calças remendadas teria a oferecer a uma Bloemer?
 
Era a primeira vez que Remus verbalizava toda a sua insegurança a respeito de Amelia. Desde que a menina havia pisado no castelo, Lupin se maravilhava com o fato da menina mais linda e popular ter escolhido a ele. Conhecer Amelia e descobrir que havia muito mais que um rosto bonito e toda sua popularidade só serviu para que Remus se deixasse apaixonar ainda mais.
 
Mas em sua mente racional, sempre fora bastante óbvio como os dois pertenciam a mundo diferentes. Mesmo que entre eles existisse apenas o abismo social, Remus jamais poderia esquecer a maldição que carregava consigo.
 
Ele havia se deixado levar pela ânsia de se sentir normal, de viver como um rapaz comum, e aquela experiência havia servido apenas para que ele entregasse seu coração para Amelia e a um futuro que jamais existiria.
 
Diante daquele desabafo, um nó se formou na garganta de Remus. A expressão já derrotada se tornou ainda mais sem esperanças quando o olhar pousou no par de brincos que Amelia usava naquele dia. Era tolice ainda se sentir arrasado quando já deveria ter se conformado com a situação. Mas o ciúme e a tristeza que invadiu Remus fez com que ele se esquecesse que Bloemer jamais tivesse comentado a origem daquele par de brincos.
 

- Eu jamais poderia te dar brincos ou joias como essas... – Ele ergueu a mão na direção das orelhas de Amelia, deixando-a cair na lateral do corpo em seguida. – Então você pode me xingar e me odiar o quanto quiser. Mas no final do dia, ainda vai ter o seu namorado para te dar a vida que merece e eu vou continuar sozinho. É assim que as coisas são, Amelia.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Regulus Black em Seg Jul 17, 2017 9:02 pm

Ignorando todos os riscos, as visitas noturnas de Lucinda Clearwater se repetiram durante toda a estadia de Regulus na enfermaria do castelo. Por mais que soubesse que os dois estavam se arriscando demais e poderiam ser pegos em flagrante por Madame Pomfrey ou um dos professores, Black não conseguia pedia à menina que parasse de aparecer. Sem a menor dúvida, a companhia de Lucy era o momento mais esperado daqueles dias tediosos na enfermaria.

A cada dia Regulus se sentia melhor, os ossos do braço quebrado já tinham sido magicamente reconstruídos e as dores agora eram quase inexistentes. Contudo, a enfermeira optou por alongar mais aquela internação talvez por receio das ameaças de Walburga. Era como se Madame Pomfrey quisesse ter a certeza de que o herdeiro dos Black realmente sairia daquela enfermaria impecavelmente perfeito.

Por mais que estivesse profundamente entediado e irritado com aquele repouso forçado, Regulus conseguia enxergar uma enorme vantagem naquela internação prolongada. A enfermaria ficava deserta à noite e proporcionava ao casalzinho toda a privacidade que eles necessitavam para manter aquele namoro proibido em segredo.

Era exatamente nisso que o sonserino se concentrava naquele momento. Já livre das faixas que imobilizavam seu braço, Regulus tinha total liberdade para deslizar as mãos pelas laterais do corpo de Lucinda enquanto os dois protagonizavam um beijo intenso. Mais uma vez, os dois jovens dividiam o estreito espaço da cama da enfermaria, mas, mesmo tão espremidos, eles definitivamente não pareciam desconfortáveis.

- Foi mesmo uma excelente ideia arrumar uma namorada nerd da Corvinal. Eu vou precisar de ajuda para recuperar as notas depois de tantas aulas perdidas.

As palavras de Black soaram roucas e sussurradas na pequena pausa que os dois faziam entre os beijos. Embora Regulus e Lucy tivessem concordado em levar aquele relacionamento adiante e estivessem a cada dia mais apaixonados, era a primeira vez que o sonserino chamava de “namoro” a situação dos dois.

Apesar dos obstáculos que ainda estavam por vir, Regulus não tinha mais dúvida de que aquilo havia se tornado um namoro. Embora os dois ainda não pudessem escancarar para o resto do mundo aquele relacionamento, Black e Clearwater se gostavam, queriam ficar juntos e não havia espaço para mais ninguém naquela relação. Além disso, Regulus gostava da ideia de que ele e Lucy agora pertenciam um ao outro.

- Estou com saudades da torre de Astronomia, mas devo admitir que a enfermaria também é interessante. Pode ser o nosso segundo lugar preferido no castelo?

Um sorriso divertido surgiu nos lábios de Regulus antes que ele acomodasse o rosto de Lucinda entre seus dedos e a puxasse carinhosamente para mais um beijo. Como de costume, a companhia de Lucinda era o bastante para que Black deixasse de lado aquele comportamento sério e se tornasse um rapaz mais leve e sorridente.

Os lábios se encaixaram com a perfeição de sempre e os dois mergulharam em uma carícia prolongada. Era impressionante como Regulus e Lucy já possuíam uma enorme cumplicidade mesmo com tão pouco tempo de convivência. Black já sabia o quanto a ruiva gostava de sentir a respiração quente dele em seu pescoço, assim como Lucy já havia notado que a nuca era um dos pontos fracos do sonserino.

Os suspiros e sussurros dos dois alunos ecoavam pela enfermaria silenciosa. O local estava escuro, iluminado somente por algumas velas que terminavam de queimar na mesa usada pela enfermeira. Havia um suporte com uma cortina tapando parte da cama ocupada por Regulus, mas mesmo na escuridão seria fácil reconhecer duas sombras atrás do tecido, mostrando que o paciente não estava sozinho naquela madrugada.

Por estar tão concentrado nos beijos e nos toques de Lucinda, Regulus não percebeu nenhuma anormalidade no ambiente. Os dois jovens estavam mergulhados em mais um beijo de tirar o fôlego quando um som metálico ecoou na enfermaria silenciosa e fez com que Black e Clearwater se sobressaltassem.

Os olhos cinzentos se arregalaram e Black trocou um olhar tenso com Lucinda antes de se desvencilhar dos braços dela. Ficou provado que o sonserino já estava totalmente recuperado quando Regulus saltou para fora da cama com a facilidade de um atleta e puxou a cortina subitamente.

A bandeja de metal usada por Madame Pomfrey para carregar as ervas e poções estava caída no chão de pedra da enfermaria. O objeto provavelmente havia escorregado da mesinha ao lado de uma das camas vazias, mas é claro que a bandeja não cairia sozinha. O fato da mesinha ainda estar trêmula provava que alguém havia se esbarrado no móvel, e a porta da enfermaria entreaberta era mais um sinal de que alguém havia acabado de sair dali.

A respiração de Regulus estava ofegante graças aos beijos quentes de Lucy e agora à tensão daquele flagra. O sonserino apressou seus passos na direção da porta entreaberta e olhou de um lado para o outro ao chegar ao corredor. Seja quem fosse, havia evaporado como um fantasma. Mas um fantasma não era sólido o suficiente para esbarrar em uma mesa e derrubar uma bandeja. Havia sido uma pessoa de verdade. Agora mais alguém sabia o grande segredo que Regulus precisava desesperadamente esconder.

Quando voltou para junto de Lucy, o olhar preocupado e derrotado do sonserino já mostrava que Regulus não havia sido rápido o bastante para alcançar o “invasor”. Black sacudiu a cabeça em negativa antes de se sentar na ponta do colchão. Os lábios ainda inchados e úmidos pelos beijos de Lucinda não combinavam com a ruguinha de preocupação que surgiu entre os olhos cinzentos.

- Não havia ninguém no corredor. – a cabeça de Regulus novamente se sacudiu e ele deslizou os dedos de forma nervosa pelos cabelos atrapalhados antes de sussurrar – Mas alguém nos viu, Lucy. Alguém com certeza nos viu.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Amelia Bloemer em Seg Jul 17, 2017 10:01 pm

Enquanto os três rapazes discutiam num canto do banheiro interditado, Amelia Bloemer olhava as próprias mãos como se elas pertencessem a outra pessoa. Não parecia haver nada diferente nos dedos delicados, nas unhas impecavelmente pintadas de rosa, no pequenino anel que enfeitava um dos anelares. Mas a novata não conseguia reconhecer a força que havia acabado de demonstrar. Era bizarro que aquelas mãos pequenas tivessem espatifado os ossos de James Potter com um único golpe e tivessem arremessado pelos ares um rapaz com o dobro de seu tamanho.

Além daquela força desproporcional, Amelia era incapaz de reconhecer o instinto selvagem e a agressividade que fizeram com que ela atacasse os rapazes. É claro que ela estava furiosa e extremamente magoada com Remus, mas agora, pensando com clareza, não fazia o menor sentido transformar aquela raiva em um confronto físico.

A herdeira do Primeiro Ministro da Grécia sempre tivera uma personalidade firme, mas Amelia nunca havia sido tão descontrolada. E, definitivamente, ela não era uma menina violenta ou problemática antes de chegar a Hogwarts. Não fazia o menor sentido pensar assim, mas nada tirava da mente de Bloemer a certeza de que alguma coisa naquele castelo estava despertando algo que, até então, estava adormecido dentro dela.

O que Amelia jamais imaginaria era que seus piores instintos estavam vindo à tona graças ao rapaz que se colocou a sua frente. Para Bloemer, Remus era só um garoto comum por quem ela havia se apaixonado. Nem em mil anos, Amelia cogitaria a hipótese daquilo ser mais que uma paixonite adolescente. A novata tinha certeza de que gostava de Lupin pelas qualidades do grifinório, e não porque se sentia ligada a ele por uma atração irracional de uma maldição carregada por ambos.

“Você está bem?”

As palavras cautelosas de Remus ecoaram pelo banheiro vazio e trouxeram Amelia de volta para a realidade. É claro que a novata não estava bem depois de tudo aquilo. Bloemer se sentia desesperadamente confusa e perdida, assustada consigo mesmo e com aqueles instintos que ela parecia incapaz de controlar. Mas Amelia não se sentia no direito de colocar-se no centro daquele problema, não depois do que ela acabara de fazer com um colega.

- O Potter...? – os olhos castanhos deslizaram pelo banheiro feminino, finalmente notando que James e Sirius não estavam mais por perto – Ele vai ficar bem...? Eu... eu não queria... eu não sei como aconteceu...

A nítida aflição refletida no semblante de Bloemer mostrava que a garota estava sendo sincera. Ela realmente não sabia como tudo aquilo havia acontecido e, se tivesse controle da situação, jamais teria machucado James Potter.

As explicações sobre Suzannah Bukater faziam sentido e Amelia nem pensou na possibilidade daquilo ser mais uma das mentiras de um canalha. Mas a grande verdade era que a cena com a loira da Corvinal já havia sido varrida para longe da mente de Bloemer. No momento, a sua maior preocupação era a total incapacidade de conter aquela versão selvagem de si mesma.

A concentração de Amelia só se dispersou quando Remus levou aquela conversa na direção do relacionamento dos dois. Os olhos castanhos piscaram várias vezes antes que o rosto de Bloemer se contorcesse numa expressão confusa.

A insegurança demonstrada por Lupin não fazia o menor sentido. Amelia sabia que existia um abismo social entre os dois, mas ela nunca havia dado ao rapaz nenhum motivo para sentir-se inferior a ela. Pelo contrário, Bloemer sempre fora carinhosa e nunca escondera o quanto queria ficar com Remus, mesmo que existissem outras opções “melhores” no castelo.

Só quando o monitor mencionou os brincos e o “namorado”, Amelia finalmente compreendeu o que havia acontecido. Como Bloemer não havia dito a Remus quem lhe dera aquelas joias e tinha certeza de que as amigas jamais fariam tamanha maldade, só restava um culpado para ocupar aquele papel.

- Você me conhece há meses, estávamos saindo juntos, eu te contei coisas que nem mesmo as minhas amigas sabem... Então o meu pai aparece, você conversa com ele por cinco minutos e simplesmente decide que ele merece mais a sua confiança do que eu? Você nem mesmo se deu ao trabalho de me confrontar para que eu tivesse a chance de te dizer que, como qualquer político, ele é um mentiroso patológico que só pensa em si mesmo!

Apesar das palavras ásperas, Bloemer não perdeu o controle daquela vez. Ao finalmente entender os verdadeiros motivos que levaram Remus a colocar um fim no relacionamento, Amelia se sentia mais infeliz do que propriamente furiosa. No fim das contas, o monitor da Grifinória não era um canalha. Mas o fato de ser um rapaz inseguro que não confiava nela também não era um consolo.

Os dedos de Bloemer tocaram os delicados brincos de safira antes que ela continuasse aquele desabafo.

- Eu não sei o que ele te disse, mas esta parte da história é verdade. Os brincos foram um presente de Luke Miklos. Luke e eu saímos algumas vezes e meu pai estava enlouquecido para que desse certo, não porque ele é um bom rapaz ou porque meu pai queria me ver feliz, mas apenas porque seria uma vantajosa aliança política para ele.

Um sorriso sem emoção surgiu nos lábios de Amelia quando sua memória trouxe à tona aquela parte da história.

- Quando Luke e eu decidimos que deveríamos ser só amigos, foi um rompimento fácil e amigável. Mas o meu pai ficou inconsolável e insistiu loucamente para que nós ficássemos juntos de novo. Eu achei que, depois de tanto tempo, ele já havia entendido. Mas a forma como ele te envenenou só prova que o meu pai continua obstinado neste assunto.

Antes que Remus tivesse a chance de questionar o fato de um amigo dar a Amelia um presente tão caro, ou a forma como Bloemer parecia gostar tanto dos brincos, a novata finalizou aquele assunto com firmeza.

- Eu não vejo o menor problema em aceitar um presente de um bom amigo. Eu adorei os brincos, eles são lindos, combinam com o meu uniforme. Pouco me importa se custaram uma fortuna ou se foram comprados em uma feira. Agora se você acha que tem o direito de controlar os acessórios que eu uso ou os presentes que eu recebo, eu fico muito grata por termos terminado tudo. Por mais que eu goste de você, eu não te dou o direito de conduzir a minha vida, Lupin.

Amelia nunca havia sequer mencionado as diferenças sociais entre os dois para que Remus não se sentisse inseguro ou menosprezado. Mas, diante daquela situação, foi impossível continuar poupando o grifinório daquela verdade.

- Eu estava me esforçando muito para que você se sentisse à vontade comigo. Eu fazia o possível para minimizar as nossas diferenças. Lamento muito se todo este esforço não foi o bastante, Lupin. A sua insegurança chegou num ponto que passou a ser ofensiva pra mim. Você acha mesmo que eu teria me envolvido tanto com você se tivesse um namorado me esperando na Grécia? Que tipo de pessoa você acha que eu sou?

Uma camada de lágrimas cobriu os olhos castanhos enquanto Amelia olhava os destroços da pia e das paredes do banheiro.

- Quer saber? Não precisa se dar ao trabalho de responder. Acho que nem mesmo eu sei que tipo de pessoa eu sou.
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