I solemnly swear that I am up to no good

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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Amelia Bloemer em Ter Jun 20, 2017 12:03 am

Sem a menor dúvida, aquela foi para Amelia Bloemer a semana mais longa em Hogwarts. Como se o destino quisesse brincar com a novata, Amelia teve uma péssima sequência de aulas chatas e intermináveis, uma infinidade de trabalhos monótonos e um cansaço inexplicável que fazia com que a menina tivesse que lutar para manter os olhos abertos até mesmo durante as conversas com as amigas.

Além de tudo isso, a ausência de Remus Lupin na mesa da Grifinória só tornava tudo mais difícil. O rapaz havia partido há poucos dias, mas Amelia já se sentia sufocada de saudades, como se algo em Hogwarts não estivesse certo. Nas três vezes que Bloemer tentou buscar notícias sobre o paradeiro de Remus, ela ouviu de James Potter somente um “está tudo em ordem, ele já vai voltar” que não soava nem um pouco convincente.

Naquela manhã, porém, Amelia acordou absurdamente bem disposta. A dorzinha de cabeça chata que a acompanhara nos dias anteriores havia evaporado, o sono constante finalmente tinha sumido e ela se sentia revigorada. Ao contrário dos dias anteriores, Bloemer não se sentia irritada ou impaciente, seu bom humor tinha sido milagrosamente restaurado e um amplo sorriso retornara aos lábios de Amelia quando ela ocupou o seu lugar na mesa da Corvinal.

- Não vai reclamar das torradas? – Savannah provocou, relembrando o mau humor da amiga nos dias anteriores – E nem vai reforçar o quanto você odeia o clima cinzento da Inglaterra? Nosso primeiro horário hoje é Herbologia. Lembra de como a umidade das estufas é péssima pro seu cabelo?

- As torradas parecem deliciosas! – Amelia fez uma pausa para uma mordida generosa em uma torrada lambuzada de geleia – Hoje o dia amanheceu ensolarado, não tenho do que me queixar. Quanto à estufa, estou ansiosa para testar o meu novo creme capilar. Acho que a umidade vai deixar de ser um problema.

O súbito bom humor de Bloemer fez com que Savannah e Georgina trocassem um olharzinho malicioso. Assim como a própria Amelia, as duas meninas jamais associariam a mudança no humor da novata com o fim da lua-cheia. Era muito mais fácil concluir que Bloemer já soubera a grande novidade daquela manhã.

- Que olhar foi este? – uma das sobrancelhas de Amelia se arqueou para as amigas.

- Nada. – Georgina abriu um sorrisinho – Só estamos nos divertindo com a forma como o seu humor depende de “certas” pessoas. Bastou que ele voltasse ao castelo para que a Mel de noventa anos resmungona desaparecesse magicamente.

- Do que estão falando...? – a confusão refletida nos olhos castanhos foi sincera – Quem voltou ao castelo...?

Antes mesmo de finalizar a pergunta, a mente ágil de Amelia já tinha chegado à resposta mais óbvia. Sem nenhuma discrição, a novata virou a cabeça subitamente na direção da mesa da Grifinória, buscando pelos assentos que os marotos costumavam ocupar. O coração da menina deu um salto violento dentro do peito quando a imagem de Lupin surgiu na cadeira que estivera vazia nos dias anteriores.

Remus parecia profundamente abatido, como se estivesse emendando várias noites mal dormidas. Também parecia ligeiramente mais magro e indisposto. Mas tudo aquilo era facilmente creditado à história da mãe doente. Qualquer filho perderia refeições e noites de sono para cuidar da mãe internada em um hospital.

Ignorando a aparência nada atraente do rapaz naquela manhã, Amelia se derreteu por inteiro com a felicidade de tê-lo de volta. O sorriso surgiu facilmente nos lábios da menina e suas pernas giraram para fora do banco para que Bloemer pudesse se colocar de pé.

- Mel! – Savannah arregalou os olhos e tentou segurar o braço da novata – Ao menos tente disfarçar! Fale com ele depois do café e...

O conselho da amiga foi lindamente ignorado enquanto Amelia cruzava a distância que separava as mesas da Corvinal e Grifinória. Bloemer realmente não se importava com aquela exposição, tampouco daria importância aos comentários. Depois de uma semana inteira sem Lupin, era impossível adiar aquele reencontro mesmo que por mais dez minutos.

De forma igualmente indiscreta, James Potter acertou as costelas do amigo com uma cotovelada quando notou a aproximação de Amelia. Peter Pettigrew também não foi nada sutil quando se virou para trás para procurar a cena que os dois amigos sentados de frente para a Corvinal conseguiam ver.

- Oi... – apesar do cumprimento geral, os olhos castanhos estavam voltados apenas para Remus quando o sorriso de Bloemer se alargou – Que bom que você voltou, Lupin! Como está a sua mãe? Ela já foi para casa, não é?

Mais do que qualquer outra pessoa, Amelia conhecia a dor de perder uma mãe e não desejava aquilo para Remus. Sua preocupação sincera com a Sra. Lupin mostrava que a novata nem desconfiava que a doença da mãe era só uma desculpa para retirar o rapaz do castelo durante as noites de lua-cheia.

- Graças a Godric você voltou, Moony. – James abriu um de seus sorrisinhos irônicos antes de acrescentar – Já não aguentava mais a Bloemer me cercando nos corredores atrás de notícias. Ela é mais implacável do que qualquer monitor!

- Você não teria um terço da sua fama de transgressor se eu fosse monitora neste castelo, Potter.

- Fama de transgressor??? – Potter fingiu estar ofendido – Os meus feitos ficarão na história deste castelo, Bloemer. Haverá uma nova edição de “Hogwarts, Uma História”. Parte um: Antes de James Potter. Parte dois: Depois de James Potter.

- Acho muito mais fácil acrescentarem somente um capítulo intitulado: “Como Hogwarts sobreviveu aos Marotos”.

- Ouch! – Potter fez uma pausa antes de mais uma alfinetada – Se a sua língua for tão afiada assim para “outras coisas”, o Moony se deu muuuuito bem.

Até mesmo Amelia, que definitivamente não era tímida, sentiu as bochechas esquentarem com aquela insinuação. Pettigrew soltou um risinho debochado, que se transformou em uma risada mais ampla quando a novata se inclinou para acertar um tapa no braço de Potter.

Ao contrário do que acontecia com Sirius Black, as provocações com James tinham um tempero mais divertido, como se eles fossem apenas bons amigos implicando um com o outro. E foi exatamente a leveza daquela conversa que fez com que Bloemer notasse a ausência de Black.

Não parecia certo que Sirius não estivesse ali justamente na manhã em que Remus voltava a ocupar o seu lugar entre os amigos. Amelia ainda não sabia como os dois amigos tinham resolvido aquela situação, mas parecia bem óbvio que Black não aceitara tão bem aquela inédita derrota.

Nenhum comentário foi feito naquele sentido, mas Bloemer sentiu o estômago afundar com a decepção. Pelo pouco que conhecia dos marotos, Amelia sabia perfeitamente que não podia vencer uma guerra contra Sirius Black. Era óbvio que Remus recuaria em favor daquela antiga amizade. A novata também tinha a certeza de que Lupin jamais seria plenamente feliz naquele relacionamento se tivesse que abrir mão de um bom amigo por causa dela.

- Enfim, é bom ver você de novo, Lupin. – o sorriso de Amelia já não parecia mais tão natural e confiante agora que aquela preocupação se espalhara em sua mente – Se você ainda estiver disposto a ir a Hogsmeade no fim de semana, podemos combinar os detalhes...
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Regulus Black em Ter Jun 20, 2017 2:52 am

“Um detalhe desses no seu currículo e você poderia fazer o que quisesse.”

As palavras de Lucinda poderiam se encaixar com perfeição para qualquer estudante de Hogwarts. De fato, a descoberta de uma estrela por um jovem que sequer concluiu sua formação teria o poder de abrir infinitas portas. Seria um feito louvável, algo que mudaria para sempre um pedacinho da história da Astronomia. Mas aquele futuro brilhante infelizmente não pertenceria a Regulus Black.

Sempre que estava com Clearwater, Regulus mostrava-se mais leve. Seus sorrisos brotavam com facilidade, o sonserino se permitia até mesmo brincadeiras e piadas. Naquele dia, porém, a sombra que cobriu os olhos cinzentos fez com que o rapaz voltasse a parecer o mesmo Black sério e reservado que se escondia nas masmorras.

- Isso não vai fazer a menor diferença na minha vida, Lucy.

Apesar da entonação baixa, o sonserino não hesitou durante aquela afirmação. Os olhos acinzentados buscaram pelas íris azuis antes que Regulus concluísse aquele desabafo que, a princípio, não parecia fazer nenhum sentido. Como uma descoberta tão importante não faria diferença na vida dele?

- O meu futuro já está traçado. Nada que eu fizer vai mudar os planos. Aliás, eu nem precisava concluir os estudos em Hogwarts. Eu só estou aqui porque convenci os meus pais de que a convivência no castelo vai me trazer amizades vantajosas para o futuro.

Depois que o nome de Sirius fora retirado da tapeçaria dos Black, Walburga realmente chegara ao ponto de sugerir que o caçula deveria terminar os estudos em casa, para que não houvesse nenhum risco de também perdê-lo para as “más companhias”. Aquela ideia acabou sendo abandonada depois que a Sra. Black se convenceu de que, socialmente, era importante manter a proximidade do filho com os demais herdeiros das famílias tradicionais.

Embora fosse um excelente aluno, Regulus sabia que suas notas e seu desempenho nas disciplinas de Hogwarts não mudariam em nada o seu futuro. A expressão “fazer o que quisesse” parecia uma piada de mau gosto já que o caçula dos Black nunca havia tido sequer a chance de pensar no que realmente gostaria de fazer.

Seu destino já estava traçado desde o berço e se tornara ainda mais inevitável depois que Sirius fora expulso de casa. Agora cabia somente a Regulus a obrigação de levar adiante o nome e os negócios da família. Tudo o que ele precisava fazer era administrar a fortuna dos Black, buscar pelos melhores investimentos e usar toda a influência daquele sobrenome em seu próprio benefício.

O fato de ter descoberto uma nova estrela era totalmente irrelevante para um membro da alta sociedade bruxa. No máximo, Regulus receberia alguns apertos de mãos desinteressados ou usaria aquele feito para quebrar o tédio de algum jantar de negócios silencioso. O futuro “glorioso” que esperava por Regulus Black não dava ao rapaz a chance de sequer pensar em uma carreira dentro da Astronomia, por mais que o rapaz fosse apaixonado por aquela área.

- Eu não estou abrindo mão da minha estrela. Eu sei que a descoberta foi minha e você também sabe. Isso basta. – o sonserino tentou escolher cuidadosamente as palavras para não ofender Lucinda – Você acreditou em mim, me ajudou nos cálculos, estava comigo quando confirmamos a hipótese. Você também merece algum crédito, Lucy. Esta descoberta não será tão grandiosa se não fizer nenhuma diferença nas nossas vidas. E, já que não fará na minha, eu gostaria que ao menos você ganhasse algo com isso.

Ao contrário de Regulus, Lucinda Clearwater tinha muito a ganhar com aquele detalhe em seu currículo. Como todo aluno da Corvinal, a ruiva tinha um ótimo desempenho na maior parte das matérias. Mas nem mesmo as melhores notas nos NIEMs mudaria o fato de que a família de Lucy exercia pouquíssima influência no mundo da magia. A menina certamente precisaria de um pouco mais de “fama” se almejasse uma carreira política ou um cargo mais alto dentro do Ministério da Magia. Aquele feito poderia ser o impacto que Clearwater precisava para alavancar uma carreira promissora.

- Além disso, eu quero que o nome da estrela seja Lucy... – o sorriso novamente brotou nos lábios de Regulus, tornando aquela conversa mais leve – Qualquer outro nome não parece tão bom agora que nós já escolhemos.

Uma das mãos de Black foi erguida e ele apoiou os dedos delicadamente no queixo da garota, deslizando o polegar de forma carinhosa sobre a pele macia.

- Só você pode fazer com que a estrela receba o nome que eu realmente quero dar a ela, Lucy.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Jun 21, 2017 3:19 am

Ali estava tudo o que Lucinda precisava ouvir para recuar da loucura de se envolver com Regulus Black. Além de todos os pontos óbvios de diferença que já seriam suficientes para que os dois não dessem certo, o Sonserino havia acabado de declarar que tinha um futuro traçado.

Embora não soubesse os detalhes por dentro da nobre e antiga casa dos Black ou da briga que havia separado o primogênito do restante de seus familiares, era bastante óbvio que Regulus ocupava o papel do rapaz nascido em berço de ouro com todo o seu futuro planejado antes mesmo de aprender a andar. E aquele futuro dificilmente envolveria uma filha de comerciantes.

Mas, como vinha se tornando hábito desde a chegada de Black em sua vida, o lado sempre racional de Lucinda foi ignorado. No lugar de uma Corvinal inteligente que provavelmente listaria os prós e contras de um relacionamento de forma tão prática quanto montar uma lista de compras, Lucy apenas sentiu seu coração se apertar diante da urgência em fazer a nuvem que cobria os olhos cinzentos desaparecer.

Uma ruguinha se formou entre as sobrancelhas ruivas enquanto ela brincava com os dedos entrelaçados aos seus. Black costumava exibir uma máscara fria e isolada nos corredores, de um homem solitário. Lucy já havia descoberto o sorriso de menino que iluminava os olhos cinzentos. Mas naquela noite, ela passava a conhecer também um garotinho sem esperanças e amargurado.

Aceitar a generosa oferta de assumir como sua a descoberta da nova estrela certamente traria grandes benefícios para Clearwater. Mas não existia nem a sombra de ambição quando os olhos azuis encontraram as íris cinzentas, já completamente rendida ao pedido de Regulus.

- A estrela é sua. Eu nunca vou me esquecer disso. – As mãos de Lucy voltaram a rodear o pescoço de Regulus e, mais uma vez, ela foi obrigada a ficar nas pontas dos pés. – Mas se você ainda não pode levar isso adiante, eu vou fazer. Por você.

Os lábios de Lucinda cobriram os de Regulus em um beijo suave e carinhoso, quase como se ela tivesse medo de machucá-lo. As bocas continuaram unidas por longos segundos até que as pálpebras de Lucy voltaram a se erguer, sem se afastar de Black. A cabeleira ruiva foi apoiada contra o peito dele e ela podia sentir a textura mais grossa do uniforme de Quadribol enquanto tentava acompanhar as batidas do coração do apanhador.

- Mas eu não acredito em você... Você consegue imaginar que quem descobriu a estrela Regulus ou tantas outras estrelas não teria o controle da própria vida?

O queixo de Lucinda foi apoiado contra o peito de Regulus quando ela girou o rosto a procura dos olhos cinzentos. Não tinha nenhum tom de crítica ou qualquer sinal de recriminação nos olhos azuis. Lucy apenas parecia cheia de orgulho do que falava, com uma convicção digna de quem o conhecia melhor do que ninguém.

- Você é capaz de coisas incríveis, Regulus Black. Ser o meu herói e astrônomo é apenas o começo, eu tenho certeza.

Com um último carinho no rosto de Regulus, o sorriso de Lucy se tornou mais leve e espontâneo quando ela cessou o abraço apenas puxando o rapaz pela mão para perto do telescópio.

- Vem, eu quero ver a estrela Lucy de Cassiopeia mais uma vez antes de voltarmos.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Remus J. Lupin em Qui Jun 22, 2017 3:22 am

Todos os demais sentidos de Remus já pareciam ter notado a aproximação de Amelia antes mesmo que as íris âmbar captassem a imagem da morena a sua frente. Seu coração disparou, e mesmo depois de ter enfrentado dias trancafiado em uma casa, enfrentando a sua pior maldição, ele se sentiu completamente renovado.

Como costumava acontecer depois que a fase lunar era trocada, dando fim na Lua Cheia, o apetite de Lupin era intensificado. O café da manhã era devorado com agilidade e ele tinha acabado de engolir uma generosa garfada de ovos mexidos quando se inclinou para frente, em busca do copo de suco. O movimento apenas foi interrompido quando a voz suave de Amelia soou, provocando um arrepio em sua nuca.

O braço de Lupin continuou suspenso sobre a mesa e apenas as sobrancelhas se arquearam quando as íris claras giraram até pousar em Bloemer. E quando ele encontrou os olhos castanhos, não tinha mais dúvidas de que enfrentaria um sério problema em tentar encerrar algo que sequer havia começado, pelo simples fato de que ele não queria que aquilo terminasse.

Era quase como se o período afastado tivesse feito a mente de Remus subestimar a lembrança que tinha de Amelia. Porque naquela manhã, a novata da Corvinal parecia ainda mais bonita, capaz de fazer o ar escapar dos pulmões do lobisomem.

- Não se iluda, acho que nem mesmo se você usasse um distintivo de monitor, seria capaz de segurar o Prongs.

Remus sentia que fazia um esforço sobre-humano para tentar soar com naturalidade, quando ele quase podia sentir a pulsação em sua garganta. Todo o seu instinto implorava para que ele pudesse tocar Amelia outra vez, que pudesse esquecer os problemas com Sirius Black e apenas mergulhar na felicidade que a menina lhe despertava.

O copo de suco foi puxado para perto e Lupin deu apenas um gole quando escutou a referência sobre o passeio a Hogsmead. Ele quase verbalizou para que toda a mesa da Grifinória escutasse que estava seguindo com aquela ideia contraditória a sua amizade com Sirius porque precisava garantir que o planejamento da festa surpresa de Amelia ocorresse corretamente. Mas até mesmo em sua mente, a desculpa era fraca demais, e ainda assim incapaz de fazê-lo se arrepender.

- Ahn... Claro. Eu só preciso... Só um instante.

Mais uma vez, Remus precisou de um grande esforço para agir com naturalidade, mas era impossível ignorar o peso dos olhares de Potter e Pettigrew acompanhando seus movimentos. Embora pudesse encontrar um sorriso malicioso nos lábios de James, Lupin não conseguia ignorar a sensação de que ainda estava traindo a amizade dos três melhores amigos.

Com gestos estabanados, ele puxou uma torrada e a prendeu entre os dentes. A bolsa masculina de couro de dragão foi puxada para um dos ombros e ele ainda se inclinou mais uma vez sobre a mesa para puxar um bolinho de gengibre.

- Eu estava pensando em passar primeiro na Empório...

A voz de Reumus começou a se afastar da mesa conforme ele guiava o caminho pelo Salão Principal para que Amelia o acompanhasse para longe da atenção dos amigos. A intenção era apenas evitar qualquer tipo de interrupção dos comentários impróprios de James, mas Lupin precisava admitir que também estava se agarrando à oportunidade de rever Bloemer.

- Podemos passar na Dedosdemel antes do almoço. Costuma ser o horário com menor movimento, então vamos ter um pouco mais de espaço para driblar as prateleiras.

O sorriso tímido de Remus se tornava cada vez mais confiante conforme se afastavam do Salão Principal. Embora precisasse equilibrar a torrada e o bolinho nas mãos, ele girava constantemente o rosto a procura do perfil de Amelia, se sentindo aquecido pela companhia dela.

A amargura provocada pela briga com Sirius ainda existia, mas era surpreendentemente camuflada pelas sensações que Amelia despertava. E foi mergulhado na felicidade provocada pela Corvinal que as íris âmbar se fixaram no rosto dela por um período maior. Sem que Remus ao menos se desse conta, as palavras saltaram com vida própria através de um meio sorriso.

- Senti sua falta, Mel. Estava contando os minutos para poder te ver outra vez.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Amelia Bloemer em Sab Jun 24, 2017 7:08 pm

No instante em que Remus Lupin levou aquela conversa para longe da mesa da Grifinória, Amelia teve certeza de que a relação deles chegaria ao fim antes mesmo de ter começado propriamente. A novata não tinha dúvidas de que Remus era cavalheiro o bastante para não dispensá-la diante de uma plateia e certamente faria isso em uma conversa discreta e privada em algum ponto vazio do castelo.

A mente de Bloemer não conseguia encontrar uma razão lógica para aquele fracasso. Remus parecera muito contente com a chance de sair com a novata, mas era óbvio que algo havia mudado depois daquele breve viagem do rapaz. A única explicação que Amelia encontrava para tal mudança era a situação com Sirius Black. Pelo pouco que conhecia dos marotos, Bloemer acreditava que Lupin jamais abriria mão de uma amizade tão sólida por causa de uma garota.

O sorriso forçado nos lábios da menina refletia com exatidão o sentimento de derrota que se espalhava dentro dela. Amelia estava acostumada com o rótulo de garota popular e definitivamente não tinha o hábito de levar foras. Mas aquilo ia muito além do orgulho da novata. Se Remus a dispensasse, ela ficaria arrasada porque realmente estava se apaixonando por ele.

Por ter tanta certeza de que aquele conversa particular terminaria mal, Bloemer não foi capaz de esconder a surpresa quando ouviu os planos de Remus para o passeio a Hogsmeade. Sua mente confusa demorou a compreender que, se Lupin estava mesmo traçando planos, ele não pretendia cancelar o encontro.

Aquela gotinha de felicidade se espalhou pelo peito da menina e se tornou ainda mais intensa quando Remus confessou que havia sentido a falta dela nos últimos dias. O sorriso mecânico se tornou sincero e iluminou todo o rosto de Amelia.

Sem parar para pensar no que estava fazendo, Bloemer exterminou a distância que a separava de Remus. Os braços delicados se cruzaram atrás da nuca do rapaz e Amelia cedeu à tentação de cobrir os lábios dele com os seus.

Ao contrário do que já ocorrera entre eles, aquele não foi um beijinho comportado no canto dos lábios. Por sorte, o corredor que levava às salas do terceiro andar estava vazio e ninguém testemunhou o momento em que os lábios dos dois jovens se encaixaram e começaram a se mover de maneira ritmada.

Amelia já estava ligeiramente ofegante quando rompeu o contato dos lábios, mas manteve o corpo colado ao de Remus. A voz suave soou próxima ao ouvido do rapaz enquanto seus dedos brincavam com as pontinhas dos cabelos castanhos na nuca dele.

- Eu sei que estraguei os planos e que deveria ter esperado pelo passeio em Hogsmeade. Mas eu também senti muito a sua falta e não conseguiria esperar nem mais um minuto pra fazer isso.
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Amelia Bloemer

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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Regulus Black Ontem à(s) 12:18 am

Como se o destino quisesse colaborar com os alunos de Hogwarts, aquele sábado foi iniciado com uma manhã perfeita para um passeio em Hogsmeade. O sol brilhava em um céu limpo e profundamente azul, sem nem mesmo uma nuvem para manchar a visão. Mas o calor de um típico dia de verão era amenizado por uma brisa fresca que soprava nas imediações do castelo e tornava a temperatura bastante agradável.

Logo nas primeiras horas da manhã já era possível notar que aquele não era um dia comum em Hogwarts. Havia uma agitação nas quatro mesas durante o café da manhã, o burburinho natural do Salão Principal parecia mais intenso com as vozes animadas que refaziam seus planos de última hora para aquele passeio. Também era nítido que os jovens estavam mais bem arrumados que o normal, livres dos uniformes que caracterizavam as quatro casas.

Embora não tivesse feito grandes planos para aquele sábado, Regulus Black também estava pronto para sair quando ocupou seu costumeiro lugar na mesa da Sonserina. O uniforme verde e prata tinha desaparecido para dar lugar a uma calça chumbo, acompanhada por uma camisa social azul. Para aliviar o calor naquele dia de verão, Regulus dobrara as mangas até a altura dos cotovelos. Como de costume, os cabelos escuros estavam impecavelmente penteados e úmidos depois de um banho naquela manhã.

Obedecendo a uma rotina, os olhos cinzentos deslizaram discretamente até a mesa da Corvinal, como faziam em todas as manhãs. Mesmo que Lucinda Clearwater não pudesse fazer parte da rotina do rapaz, Regulus gostava de ver o rosto dela logo depois de acordar. E era impressionante como a beleza da ruiva nunca se tornava comum para ele. Dia após dia, o coração de Black ainda saltava e ele ainda precisava segurar um sorriso tolo enquanto admirava os traços perfeitos de Lucy.

Naquela manhã, o caçula dos Black certamente teria perdido mais algum tempo admirando aquela bela paisagem quando a sua visão foi bloqueada pelas cabeças dos colegas que se sentavam a sua frente, do outro lado da mesa da Sonserina. Regulus piscou algumas vezes como se estivesse despertando de um transe, mas logo recolocou a máscara de frieza ao encarar as duas meninas a sua frente.

- Oi, Regulus!

As duas garotas falaram exatamente ao mesmo tempo, como se tivessem ensaiado aquele cumprimento. Normalmente o caçula dos Black forçaria um sorriso para saudar os colegas da Sonserina, mas o fato de Lydia Branwell fazer parte da dupla dificultava ainda mais aquele processo. Por motivos óbvios, Regulus nunca questionara a colega sobre a “queda” de Lucinda no lago. Mas era impossível não estreitar o olhar sempre que os caminhos dos dois se cruzavam pelo castelo.

- Branwell... Bulstrode...

Holly Bulstrode e Lydia Branwell eram inseparáveis e representavam exatamente o perfil de uma “exemplar” garota da Sonserina. Ambas vinham de famílias estupidamente ricas e tradicionais, sem nem mesmo uma mancha na pureza do sobrenome. Quando andavam pelo castelo, Holly e Lydia agiam como se fossem superiores a qualquer um que cruzasse seus caminhos. Não era raro ver os nomes das duas envolvidos em pequenas confusões e azarações e elas já colecionavam pequenas detenções por comentários depreciativos sobre os colegas nas aulas que a Sonserina compartilhava com outras casas.

Lydia era baixinha, tinha os cabelos lisos num tom pálido de loiro e olhos cor de mel. Apesar dos traços bonitos, a herdeira dos Branwell possuía um rosto comum e certamente não seria tão popular se não fosse a conta bancária recheada no Gringotts. Holly Bulstrode, por outro lado, tinha uma beleza mais notável. Além de ser mais alta que a melhor amiga, Holly geralmente era vista acima de saltos que a deixavam com uma postura ainda mais elegante e chamativa. Os cabelos também eram loiros, mas num tom mais dourado. Os fios compridos desciam em ondas perfeitas até a cintura fina dela. Não havia nada de especial nos olhos castanhos, mas a garota compensava isso com uma maquiagem impecável, mesmo nas primeiras horas da manhã.

Mas era a postura de Holly que a destacava em Hogwarts. A herdeira dos Bulstrode tinha plena consciência de sua beleza e adorava usá-la ao seu favor. Era nítido que a saia de Holly parecia ser ligeiramente mais curta que o normal, exibindo um par de pernas torneadas. A camisa do uniforme sonserino parecia ser um número menor para ressaltar o volume no busto e compensar a falta de um decote. Naquela manhã em que o uniforme não era obrigatório, Bulstrode havia abusado da escolha com um vestido justo salpicado de pedrinhas e um decote mais aprofundado.

Até mesmo Regulus, que há dois segundos estava vidrado na ruiva da Corvinal, deixou que seu olhar se perdesse por um breve tempo no decote da colega antes de retomar o controle da própria racionalidade.

- Estávamos nos perguntando quais seriam os seus planos para Hogsmeade, Reg...

Não havia nenhum grau de intimidade entre os dois que justificasse o uso daquele apelido. Mas Holly agia com naturalidade, sem tirar o sorriso dos lábios pintados.

- Nada demais. – Black ergueu um dos ombros e tomou um gole do suco de abóbora antes de completar – Vou dar umas voltas, fazer compras e voltar.

- Não vai na tal festa da Bloemer?

Era um milagre que a notícia da festa de aniversário de Amelia Bloemer tivesse se espalhado como pólvora pelo castelo, mas sem atingir os ouvidos da aniversariante. Aquele era o assunto do momento, mas a novata não fazia ideia de que a prima armara uma comemoração pelas suas costas. É óbvio que Black queria aproveitar aquela desculpa para tentar se aproximar de Lucinda, mas ao mesmo tempo era muito arriscado fazer isso no Três Vassouras abarrotado de alunos.

- Sério? Vocês duas planejam ir? – Regulus não conseguiu disfarçar a surpresa e a ironia – Achei que o Três Vassouras estivesse muito abaixo do padrão para garotas como vocês.

- E está! – Lydia torceu o nariz como se alguém tivesse colocado na frente dela um prato lotado com fezes de hipogrifo – Eu estou pensando em levar um saquinho de ar para não ter que respirar naquela espelunca.

- Concluímos que é um sacrifício válido, Reg. – numa postura ousada, Holly se esticou sobre a mesa e roubou do prato de Black uma torradinha – A Bloemer é filha do ministro grego. É sempre aconselhável manter boas relações internacionais, sabia?

- Vocês foram convidadas? – uma das sobrancelhas de Regulus se arqueou diante da certeza que Lucy jamais chamaria Lydia para uma festinha.

- Até onde eu sei, não existe um convite formal. A informação se espalhou e chegou até a nós. Eu faço dupla com a Bloemer nas aulas de Herbologia, ela me passou dicas ótimas para evitar a oleosidade que aquela maldita estufa causa nos cabelos. Somos praticamente amigas, então eu vou e vou levar a Lydia. – o sorriso de Holly se tornou mais amplo – Se você não tem grandes planos, poderia vir com a gente, Reg.

Embora fosse tentadora a chance de usar aquela festa para se aproximar de Lucinda, Regulus sabia que não podia aceitar o convite. Se os sonserinos planejavam comparecer à comemoração mesmo sem um convite formal da organizadora da festa, seria ainda mais arriscado se aproximar de Lucy. Além disso, Black sabia muito bem que todos os gestos de Holly Bulstrode eram carregados com segundas intenções que ele definitivamente não pretendia alimentar.

- Eu realmente não pretendia encaixar uma visita ao Três Vassouras no meu dia. Mas eu procuro por vocês se mudar de ideia.

É óbvio que Regulus não pretendia mudar de ideia, mas era muito mais fácil se livrar das duas colegas sem uma negativa direta que geraria ainda mais insistência. Depois de finalizado o café da manhã, Black seguiu os colegas em uma multidão que se encaminhou para os jardins para dar início ao tedioso processo de conferência dos documentos e autorizações.

Como de costume, o herdeiro dos Black se manteve afastado dos grupinhos agitados. Enquanto esperava que algum professor viesse conferir a carta de autorização de Walburga Black, Regulus permitiu que seus olhos vagassem pelo jardim. Como se tivesse sido atraído por um poderoso ímã, o olhar de Black logo encontrou os fios alaranjados que seus dedos já conheciam tão bem. Como esperava ver Lucy rodeada pelas amigas, como de costume, Regulus não conseguiu disfarçar o choque quando notou que a companhia da ruiva era outra naquela manhã. O queixo do caçula despencou ao reconhecer o irmão mais velho como interlocutor de Lucy.

Assim como vários outros casaizinhos, Lucy e Sirius pareciam ter se unido naquela manhã para passarem o dia juntos. Os dois não exibiam a típica postura de um casal, mas pareciam absurdamente concentrados em uma conversa particular. A mão de Lucinda no braço de Sirius poderia ser apenas um toque amigável durante aquela conversa, mas serviu para esquentar o sangue de Regulus de forma inédita.

Depois de respirar fundo várias vezes, Regulus tentou repetir para si mesmo que aquilo não significava nada. Lucy era uma menina doce e gentil, absurdamente amigável e que poderia estar simplesmente conversando com Sirius sem nenhum tipo de segundas intenções.

Mas o destino zombou daquela teoria de Regulus no instante em que Georgina e Savannah passaram por perto do sonserino soltando risinhos agudos enquanto olhavam na direção daquele improvável casal. De forma discreta, o caçula dos Black seguiu os passos das duas meninas e se manteve perto o bastante para ouvir aquela conversa.

- E aí? – Georgina lançou mais um olhar na direção de Lucy e Sirius – Será que é o que eu estou pensando?

- Não faço ideia. – Savannah abriu um sorrisinho malicioso – Mas só não vai rolar se ele não quiser, não é? A Lucy é caidinha por ele, nunca vi nenhum outro garoto arrancar tantos suspiros dela.

- Então vai rolar. Até parece que o Sirius vai dispensar uma menina, né? Não combina com a natureza dele.

“A Lucy é caidinha por ele” ecoou na cabeça de Regulus por vários minutos até que tudo começasse a fazer sentido. Como estava acostumado a ser um coadjuvante nos shows protagonizados pelo primogênito, o caçula não teve dúvida de que aquela história iria se repetir com Lucinda.

Sirius, sempre Sirius. Era por ele que Lucinda estava apaixonada, era o nome dele que Lucy compartilhava com as amigas em meio a suspiros. Enquanto Regulus mergulhava de cabeça naquele relacionamento arriscado, Clearwater provavelmente o enxergava apenas como um prêmio de consolação. Se ela não podia ter a atenção do popular Sirius Black, por que não se divertir com a “cópia” do grifinório? Os dois irmãos eram parecidos o suficiente para que Lucy pudesse usar o caçula para amenizar um pouco da sua paixão não correspondida pelo primogênito.

Com a visão turva pelo ódio e sentindo-se usado e desprezado, Regulus agiu sem pensar. Os olhos cinzentos estavam estreitados e a respiração pesada do rapaz ecoava ruidosa quando ele se colocou diante das duas garotas que interromperam o seu café da manhã.

- Mudei de ideia, quero ir na festa da Bloemer.

- Que marav...

As palavras animadas de Lydia foram cortadas sem nenhuma gentileza pelo colega.

- Só nós dois, Holly. Um encontro.

Tudo o que Regulus queria com aquela propota era reduzir um pouco aquela sensação sufocante de derrota que amargava a sua garganta. Ele não queria ficar sozinho enquanto Lucinda e Sirius circulavam por Hogsmeade como o novo casalzinho do momento. E Holly Bulstrode parecia oferecer exatamente aquilo que Regulus buscava no momento.

Uma boa amiga jamais aceitaria aqueles termos e não permitiria que Lydia ficasse excluída dos planos traçados para aquele dia. Bulstrode, contudo, não precisou nem de dois segundos para enxotar Branwell como se a menina fosse um inseto irritante.

- Certo, a Lydia já estava de saída mesmo. – o braço de Holly foi estendido até que seus dedos estivessem entrelaçados aos do rapaz – A festa é só no começo da tarde. Temos algumas horas de diversão antes disso, Reg.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Remus J. Lupin Ontem à(s) 2:56 am

Embora não tivesse o mesmo porte atlético de um jogador de Quadribol, Remus Lupin ainda era um rapaz alto e relativamente forte, principalmente quando comparado com a força delicada de uma menina como Bloemer. Mas o fator surpresa fez com que os pés dele vacilassem, fazendo seu corpo cambalear até se chocar contra a parede sólida do corredor, esbarrando em uma armadura de ferro que serviu como abrigo para esconder o casal de qualquer olhar curioso.

Por uma fração de segundos, os olhos âmbar se arregalaram e Remus se viu sem reação diante da ousadia de Amelia. Na mente lenta do Grifinório, ele já tinha ido longe demais com a breve declaração de saudades e definitivamente não esperava por aquele beijo.

Mas toda a surpresa foi deixada de lado quando a mente e o corpo de Lupin finalmente compreenderam o que estava acontecendo. Uma sensação inigualável se espalhou pelo peito de Remus, as pálpebras começaram a pesar até esconder as íris claras e os braços finalmente rodearam a cintura da menina para puxá-la em um abraço.

Seus ombros relaxaram nitidamente enquanto ele tentava gravar na memória a textura e o sabor dos lábios de Bloemer. Qualquer preocupação com Sirius Black, Hogsmead ou Lua Cheia foi deixada de lado e a única coisa que passou a existir era a menina em seus braços.

Por mais que tivesse a fama de ser um rapaz tímido e quieto, o instinto e a necessidade fez com que Remus correspondesse o beijo de Amelia com o mesmo desespero. Seus dedos pressionaram a pele macia da cintura dela, como se temesse que o corpo delicado fosse desaparecer dos seus braços a qualquer segundo.

Remus nunca tinha sentido nada parecido. Seu coração saltava acelerado, mas de uma forma surpreendentemente agradável. O rosto estava aquecido e a temperatura parecia ter se elevado, mas nem mesmo o calor serviu de motivação para interromper aquele beijo.

A popularidade de Amelia e a vida social infinitamente mais movimentada que a do Grifinório provavelmente tinham dado a ela uma experiência para comparar ou julgar a “performance” daquele beijo, mas ela jamais poderia criticar a intensidade com que Remus se envolveu.

Quando Lupin voltou a abrir os olhos, era notável que a surpresa ainda estava lá, mesclada com a felicidade denunciada em um sorriso com os lábios inchados e avermelhados.

- Eu tinha grandes planos para isso... Hogsmead tem cenários incríveis.

Uma das mãos de Remus permaneceu apoiada na curva da cintura de Amelia, sem permitir que ela se afastasse, enquanto a outra foi erguida para acariciar o queixo e o canto dos lábios úmidos dela.

- Mas agora nada parece ser tão perfeito quanto a companhia do Sir Nicholas.

Ele inclinou a cabeça para o lado ao se referir a armadura de ferro completamente imóvel, exibindo um sorriso tão leve que quase não parecia o mesmo tímido monitor que andava na companhia de Potter e Black.

Com a mão no rosto de Amelia, Remus se aproveitou para acariciar a bochecha macia com o polegar. Ele sabia que no instante em que recuasse um passo, a realidade voltaria a cair sobre seus ombros, por isso foi incapaz de se mexer, mergulhando nas íris castanhas a sua frente, ainda sem acreditar na própria sorte.

- Dizem que a paciência é uma grande virtude minha, mas talvez seja um fardo. Ainda bem que você não soube esperar.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Amelia Bloemer Ontem à(s) 3:47 am

Os dias que se seguiram ao reencontro com Remus Lupin foram muito agitados para Bloemer. Além da rotina pesada das aulas, trabalhos intermináveis e as provas que ficavam a cada dia mais próximas, Amelia ainda precisava dividir seu tempo com as amigas e Remus. As cartas para o Sr. Bloemer começaram a se tornar mais escassas graças a ausência de respostas, mas Amelia ainda tentava se comunicar com o pai pelo menos uma vez por semana.

Aquele distanciamento do pai deixava Amelia melancólica. Após a morte da mãe, a menina imaginou que o Sr. Bloemer passaria a ser uma figura mais presente em sua vida para compensar a dolorosa perda sofrida por ela. Ao invés disso, o ministro grego parecia ter enviado Amelia para Hogwarts justamente para se livrar da filha e daquela obrigação de amparar o sofrimento da menina. Se não fosse por Lucinda, pelas novas amigas e agora por Lupin, Amelia certamente já teria cedido à solidão.

Quando os primeiros raios de sol deram as boas vindas para aquele dia especial, Amelia se encheu de expectativa. Para a novata, aquele sábado guardava muito mais que a empolgação de um passeio a Hogsmeade. Bloemer nunca fora particularmente entusiasmada com o próprio aniversário, mas aquela data especial significava que o pai entraria em contato.

E foi pela caligrafia do Sr. Bloemer que Amelia buscou nos envelopes acumulados na mesinha ao lado de sua cama. As corujas continuavam a chegar com cartões e presentes para a aniversariante do dia e logo a cama da menina estava lotada de embrulhos. A quantidade de felicitações mostrava que Amelia era extremamente popular na Grécia e que os antigos colegas sentiam a falta dela.

- Que coisa mais linda!!! – Savannah puxou para suas mãos um cachecol de seda fina delicadamente bordado com as iniciais de Amelia – De quem é este?

- Hum... – Amelia precisou pegar o cartão para se lembrar quem enviara aquele presente – Luke Miklos. Ele também mandou esses brincos, não são lindos? Combinam com a Corvinal, eu amei!

De dentro do mesmo embrulho, a novata retirou uma caixinha de veludo. Dentro dela, estava um delicado par de brincos feitos de prata com duas pedrinhas azuis brilhantes, provavelmente safiras.

- E quem é Luke Miklos? – o sorrisinho de Georgina se tornou maldoso – Ele não economizou nos presentes, hm?

- Um amigo. – Amelia riu antes de satisfazer a curiosidade das amigas – Já foi mais do que isso, mas agora somos só bons amigos.

- Alguém avise isso a ele, urgentemente... – Savannah pigarreou antes de ler o cartão enviado pelo rapaz – “Penso em você todos os dias, você faz muita falta aqui...”

- Chega! – Bloemer girou os olhos e arrancou o envelope das mãos da amiga – Que tal me ajudarem com esta bagunça? Vamos nos atrasar para Hogsmeade!

A cada vez que uma coruja chegava, Amelia se enchia de esperança de rever a caligrafia do pai. É claro que as mensagens e os presentes dos amigos deixavam a menina contente, mas Bloemer sentia-se vazia quando chegou ao tumultuado jardim no meio da manhã, sem ter nenhuma notícia do pai. Amelia repetia para si mesmo que o Sr. Bloemer ainda tinha o dia todo para lhe enviar os parabéns, mas era muito frustrante que o pai não fosse um dos primeiros a se manifestar naquele dia especial.

Exatamente por estar tão focada naquele sentimento, Amelia não percebeu os olhares e cochichos que a seguiam naquele dia. Praticamente todo o castelo estava ciente da surpresa preparada por Lucinda, mas Bloemer nem desconfiava que Remus e Lucy tinham se unido para arrastá-la para uma festinha surpresa naquela tarde.

Como não conhecia tais planos, Amelia também ficou admirada quando viu Lucinda e Sirius Black concentrados em uma conversa particular num dos cantos do jardim. Bloemer logo se lembrou dos suspiros de Lucy ao se referir a Black e torceu o nariz com a possibilidade de acontecer algo entre eles naquele dia. É claro que Amelia torcia pela felicidade da prima e seria um grande alívio ver Sirius apaixonado por outra menina, já que isso colocaria um fim no clima pesado entre Black e Lupin. Mas a fama de galanteador do grifinório era preocupante e Amelia odiaria ver Lucy machucada por um menino que não merecia os sentimentos dela.

- No fim, parece que vai ficar tudo em família, hm? Vocês quatro podem economizar e se casarem juntos. Só precisamos que o Paddy entenda com alguma antecedência que a noiva dele é a ruiva.

A voz debochada de James soou às costas de Amelia, obrigando a novata a desviar a atenção de Sirius e Lucinda. Os olhos castanhos giraram, mas a expressão de Bloemer se suavizou quando a garota notou que Remus estava junto com o amigo.

- Você já nasceu irritante ou adquiriu essa doença com o tempo, Potter?

- Ora, eu só quero que todos fiquem felizes! Por falar em felicidade, já vou te dar os parabéns porque vou passar todo o passeio com a Lily e não devo mais ver você por aí.

James era um péssimo mentiroso, mas Amelia não pareceu desconfiar dos planos daquela tarde quando aceitou um abraço de Potter. Depois do cumprimento, o apanhador da Grifinória logo arrumou uma desculpa e foi procurar pela namorada, deixando Amelia e Remus a sós.

Como a manhã estava quente, Amelia não teve a oportunidade de usar o cachecol enviado pelo ex-namorado. Mas os novos brincos brilhavam nas orelhas da menina, combinando perfeitamente com o vestido azulado escolhido para aquele dia. As sapatilhas brancas eram baixinhas para que Bloemer suportasse todo o dia de caminhada. Os cabelos escuros estavam parcialmente presos, com duas mechas repuxadas nas laterais da cabeça de Amelia. A maquiagem leve era adequada para a ocasião, assim como a bolsinha de contas atravessada pelo tronco dela.

- Então... – o sorriso da garota se tornou mais amplo – Finalmente chegou o dia, hm?

Se Remus ainda tinha alguma dúvida que uma das garotas mais populares de Hogwarts havia mesmo aceitado sair com ele, aquela incerteza se dissiparia quando Amelia estendeu o braço e uniu sua mão a dele. Sem se importar com os olhares curiosos na direção dos dois, a novata deixou claro que era a acompanhante de Lupin naquele dia quando começou a seguir os passos dele na direção do povoado.

- Vou precisar que você reforce o roteiro. Primeiro Emporio, depois Dedosdemel? – Bloemer fez uma breve careta – Temos mesmo que almoçar no Três Vassouras? Minha tia vai nos prender lá por horas, nós vamos perder muito tempo... Eu pensei em só dar um pulinho rápido lá no fim do dia.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Lucinda Clearwater Ontem à(s) 3:51 am

- Black! – Lucy precisou elevar a voz enquanto driblava algumas pessoas até conseguir chamar a atenção do rapaz. – Você viu o Remus por aí? Ele ainda não me confirmou que horas vai aparecer com a Mel...

As sobrancelhas de Sirius foram arqueadas, ele girou o pescoço de um lado ao outro antes de balançar os ombros e responder com ironia.

- Não está na minha sombra. Deve ter trocado pela da sua priminha.

Mesmo que não tivesse intimidade com o restante dos marotos como tinha com Remus, a resposta atravessada de Sirius fez com que o rosto de Lucinda se contorcesse em surpresa. Embora já tivesse notado o clima diferente entre os amigos desde que Amelia havia aceitado o convite de Lupin para um encontro, Lucy jamais imaginou que as coisas estivessem tão intensas.

Não era tão inexplicável assim que Black se sentisse ofendido, já que mostrava a todo o castelo o interesse em Amelia. Mas em defesa da prima, Bloemer jamais tinha demonstrado qualquer interesse em Sirius e não parecia haver nada de errado no encontro dela com Lupin naquele dia.

- O que foi? Parece que acordou na cama com um Hipogrifo.

Os olhos cinzentos, tão familiares com o que Lucy estava acostumada, giraram com impaciência e Black ameaçou se afastar. Mas em um movimento rápido, Lucy o puxou pelo braço, obrigando o rapaz a se afastar do aglomerado de pessoas que se formava.

Mesmo quando a conversa estava protegida de ouvidos curiosos, Lucy manteve os dedos apoiados no braço de Sirius em uma singela tentativa de impedir que ele se afastasse de novo, aproveitando a curta distância para manter o tom de voz mais restrito.

- Olha, eu sei que você deve estar chateado, mas a Mel não estava fazendo joguinho com você. Pode ser difícil para o grande Sirius Black ouvir isso, mas ela não estava interessada. Talvez, se você tivesse agido menos...

- Por que todo mundo sempre chega na conclusão mais errada possível? – Black balançou a cabeça, mas também manteve o tom de voz contido. – Alguém já se perguntou que eu não estou chateado em levar um fora, mas por ser apunhalado nas costas? Porque é mais fácil acreditar que eu estou com o ego ferido do que enxergar que o Lupin é um traidor.

Os olhos azuis se arregalaram diante da pequena explosão de Sirius. Durante alguns segundos, Lucy permaneceu calada, encarando o rapaz a sua frente enquanto tentava acompanhar aquela linha de raciocínio.

Para a mente da Corvinal, era realmente pouco provável enxergar Remus como um traidor que roubava a namorada de um amigo. Mas era fácil enxergar como Sirius também se sentia machucado naquela história.

- E você já se perguntou que talvez isso também esteja sendo difícil para o Remus? A gente não escolhe de quem vai gostar, Black. E as vezes acontece com a pior escolha possível.

Dizer aquelas palavras diante dos olhos tão idênticos aos de Regulus era quase um desabafo. Mas a expressão compreensiva de Lucinda mostrava que ela não estava ali apenas para defender Lupin.

- Eu não estou dizendo que o que ele fez foi legal. Mas o que eu sei é que já conheço a Mel o suficiente para dizer que ela gosta dele. – Lucy soltou o braço de Sirius apenas para erguer um dos ombros, abrindo um meio sorriso. – E eu imagino que você também conheça o Remus melhor do que ninguém para dizer se ele realmente é um traidor que só fez o que fez para te sacanear, ou se ele realmente gosta da Amelia.

Os olhos azuis passaram pelo jardim, vendo que a movimentação começava a diminuir e que seria mais fácil seguir para o vilarejo. Então, ela voltou sua atenção para Black mais uma vez, satisfeita em encontrar um olhar mais pensativo e menos duro.

- Eu ainda preciso de ajuda para terminar de montar a decoração. E pelas proporções que esta festa está tomando, também vou precisar de alguns balões extras. Sua ajuda será muito bem-vinda, se resolver aparecer.

Sirius permaneceu com os braços cruzados, quieto por longos segundos. Lucinda chegou a acreditar que ele não falaria mais nada e estava pronta para se afastar quando sua voz finalmente ecoou.

- Não posso fazer grandes promessas. Apenas alguns balões.

***

Os balões coloridos, as bandeirolas e as florzinhas nas mesas definitivamente não faziam parte da decoração cotidiana do Três Vassouras. Na cozinha, além do trabalho exagerado de quando o vilarejo recebia os estudantes de Hogwarts, um bolo redondo e rosado já aguardava pelo momento em que a aniversariante surgisse.

Enquanto os colegas passeavam, faziam compras e se divertiam naquele dia de folga, a manhã de Clearwater foi inteiramente dedicada nos últimos preparativos para a festa surpresa de Amelia.

Aquele seria o primeiro aniversário da menina longe de casa e Lucy queria que, pelo menos por algumas horas, a prima se esquecesse do fato de estar longe do pai, de não ter mais a mãe e pudesse se sentir em casa, acolhida e amada. Por isso, mesmo que não esbanjassem dinheiro ou pudessem proporcionar uma festa de luxo, os Clearwater tinham se empenhado em cada detalhe daquela festa caseira.

Depois de todo o trabalho, ao invés de se sentar junto a qualquer colega e aguardar pela chegada de Amelia, Lucy ocupou como sempre o lugar atrás do balcão, onde sempre tentava ajudar e minimizar o trabalho da mãe no atendimento da clientela nos dias movimentados.

Os cabelos ruivos estavam milagrosamente soltos, caindo com largas ondas até a cintura de Lucy. Apenas duas mexas frontais tinham sido contorcidas e puxadas pelas laterais de sua cabeça até fixas em uma delicada presilha.

Ao invés do uniforme da Corvinal, Lucy exibia um vestido escuro e de flores brancas, com um tecido leve que não parecia ser tão gasto quanto a maioria das peças em seu guarda-roupa. O vestido não exibia nenhum decote gritante e alcançava uma altura respeitável em suas pernas, sem deixar de realçar as curvas nos lugares certos.

- Essa foi a última... – Sirius terminou de amarrar uma bexiga e a jogou com os dedos para trás, fazendo a bola flutuar, subindo cada vez mais até atingir o teto. – O mínimo que mereço é uma cerveja amanteigada.

O sorriso vitorioso de Lucinda mostrava o quanto ela estava satisfeita consigo mesma em ter arrastado Black até ali. Como seria o encontro do rapaz quando Lupin finalmente chegasse com Bloemer ainda era um mistério, mas a primeira conquista merecia uma comemoração.

- Por conta da casa. – Lucy virou uma jarra com a bebida amarelada em uma caneca limpa e a empurrou na direção de Sirius. – E se você continuar aqui, prometo fazer mais dessas continuarem aparecendo.

- Você sabe como jogar, Clearwater. – Black ergueu a taça ao ar em um brinde unilateral antes de dar o primeiro gole.

- Eu tenho meus momentos.

Lucy riu, se virando de volta até o barril com a cerveja, se preparando para repor a jarra até a boca. O movimento só foi interrompido quando a porta do Três Vassouras foi aberta, anunciando a chegada de mais um cliente.

Como estavam se aproximando da hora do almoço, era comum que cada vez mais o movimento aumentasse. E talvez fosse apenas a expectativa da chegada de Amelia ou o ímã que já existia sempre que Regulus Black estava por perto, mas os olhos azuis imediatamente buscaram pelos novos clientes.

Como de costume, seu coração deu um salto no peito ao encontrar as íris cinzentas do Black caçula. Lucy ainda estava recuperando o fôlego quando seu olhar desceu até encontrar a mão unida do Sonserino junto da sua acompanhante.

O sorriso de Lucinda desapareceu com a mesma rapidez que algo se quebrou dentro dela. Uma ruga de confusão apareceu entre as sobrancelhas ruivas e ela permaneceu congelada, apenas encarando a cena a sua frente, sem reação.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Regulus Black Ontem à(s) 4:32 am

Uma onda de remorso invadiu o peito de Regulus, tornando-se maior e mais avassaladora a cada minuto torturante ao lado de Holly Bulstrode. A colega era insuportável. Toda a beleza chamativa era facilmente ofuscada pela podridão que saía pela boca da loira a cada comentário maldoso. Holly reproduzia com orgulho cada um dos pensamentos errados que Regulus desprezava na Sonserina, era uma garota fútil e vazia. O tempo, que costumava voar quando Black e Lucinda estavam juntos, se arrastava de forma torturante ao lado da herdeira dos Bulstrode.

O caçula dos Black se sentia mais e mais arrependido a cada segundo. Estava cada vez mais claro que a ideia de sair com Holly fora um grande erro. A raiva e os ciúmes fizeram com que Regulus agisse por impulso, mas agora, com a cabeça menos quente, o sonserino começava a se questionar se havia mesmo entendido certo toda aquela história entre Sirius e Lucinda.

Talvez a ruiva só estivesse tendo uma conversa amigável com o primogênito dos Black. Savannah e Georgina eram conhecidas em todo o castelo pela fama de fofoqueiras e Regulus se sentia mal por ter acreditado nelas antes de dar uma chance a Lucy para se explicar.

O orgulho do sonserino estava ferido, mas Regulus se agarrava com firmeza na possibilidade de ter entendido tudo errado. Era difícil acreditar que tudo o que ele vivera com Clearwater fora uma mentira. Os beijos eram intensos demais, os olhares insistentes e os sorrisos sinceros não combinavam com a postura de uma menina que estava apaixonada por outro cara.

Tudo o que Regulus queria era voltar no tempo para evitar o convite feito a Holly Bulstrode, mas agora já era tarde demais para se livrar da colega. Black passara toda a manhã se esquivando dos toques de Holly – o que era um grande desafio já que a garota não era nada discreta em suas iniciativas. Mas foi impossível fugir do evento mais aguardado do dia quando finalmente chegou a hora combinada para o aniversário de Amelia Bloemer.

A esperança de Regulus era se misturar aos convidados na festinha lotada e conseguir alguma desculpa para se “perder” de Bulstrode. Depois disso, o sonserino só precisava sair discretamente do Três Vassouras e no fim do dia alegaria à acompanhante que não suportara ficar no mesmo ambiente que tantos mestiços e sangue-ruins. Era o tipo de desculpa que Holly adoraria ouvir.

O que o caçula dos Black não imaginava era que o seu pior pesadelo teria um novo capítulo. Assim como acontecera com Lucy, os olhos cinzentos foram atraídos na direção dela no instante em que Regulus pisou no estabelecimento. E foi com uma sensação idêntica a um potente soco no estômago que o sonserino percebeu que Sirius continuava ao lado da ruiva.

Aquilo era a prova de que não havia sido um mal entendido, ou uma breve conversa amigável. Se os dois continuavam juntos, era óbvio que Sirius e Lucinda formavam um casal naquele dia. Regulus sentiu-se ainda mais tolo por ter se torturado toda a manhã com o arrependimento por estar com Holly. A companhia de Bulstrode era a única coisa que fazia com que Regulus se sentisse menos humilhado naquela tarde.

- Eu deveria ter seguido a dica da Lydia e trazido o meu próprio ar... este lugar fede.

Os traços bonitos de Holly se contorceram em uma careta e os olhos castanhos carregados de maquiagem fitaram a decoração simples da festa com um nítido desprezo. Como de costume, a sonserina não fez a menor questão de ser discreta naqueles comentários ofensivos.

- Se eu fosse a Bloemer, ficaria ofendida com uma festa deste nível. Ainda bem que nós dois já almoçamos, não é, Reg? Eu prefiro morrer de fome do que comer qualquer coisa nesta espelunca imunda.

- Eu te disse que não era uma boa ideia vir aqui. – Regulus parecia particularmente sombrio quando embarcou no diálogo iniciado pela colega – O que você esperava? Este lugar está quase no mesmo nível do Cabeça de Javali, que por sua vez está apenas um degrau acima de um corujal coberto de merda.

A risada maldosa de Holly – tão insuportável quanto tudo naquela garota – ecoou pelo salão. O Três Vassouras já estava cheio, mas o silêncio necessário para manter aquela festinha em surpresa fez com que aquele diálogo chegasse até o balcão. Os olhos de Sirius se estreitaram até se transformarem em dois riscos no rosto do grifinório e a voz dele soou baixa e perigosa.

- Perfeito. Uma mini-Walburga versão vadia. Por que estou tão surpreso? É a mulher ideal pra ele.

O primogênito dos Black se voltou para Lucinda, completamente alheio ao relacionamento que existia entre Regulus e Lucy.

- É claro que você não convidou esta escória pra festa da sua prima. Por favor, me deixe chutar os penetras para fora. É tudo o que eu quero hoje, Lucy! Nada me daria mais prazer que arremessar os dois pela janela!
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Remus J. Lupin Ontem à(s) 4:32 am

Poucas vezes na vida, Remus Lupin tinha se sentido como um rapaz normal. Durante toda a sua difícil infância, ele havia se acostumado com a ideia de que jamais poderia levar uma vida como as das outras pessoas. Por isso, quando pisou em Hogwarts aos onze anos de idade, ele teve certeza de que aquele era o máximo que poderia exigir da vida.

Já era um sonho significativo poder estudar em uma escola, com tantos alunos, ter amigos e poder se preocupar com trabalhos e provas entre as fases lunar. Remus já se sentia suficientemente abençoado para poder criticar qualquer outro aspecto em sua vida.

Na manhã do aniversário de Amelia, Remus se sentiu novamente como o menino de onze anos que era presenteado com uma raridade. Ele se sentiu normal, como apenas mais um rapaz que podia aproveitar um passeio em Hogsmead com a garota que gostava. O que era extremamente banal para tantos, era a melhor sensação para o Grifinório.

O clima pesado com Sirius Black era a única coisa que não permitia Remus se sentir feliz por completo. Porque a lembrança constante do amigo era o alerta de que, quando aquele dia chegasse ao fim, Remus precisaria tomar uma decisão. Não haveria mais desculpas para se agarrar. Ele precisaria ser egoísta e abraçar a única coisa que queria na vida ou honraria a amizade de quem estivera ao seu lado nos piores momentos. De uma forma ou de outra, Remus sairia perdendo.

- Confie em mim, eu tenho cada minuto do nosso roteiro planejado. Inclusive o almoço no Três Vassouras.

O calor da mão de Amelia unida a sua trazia um conforto que Remus não estava acostumado. Ele sentia que seria incapaz de deixar de sorrir enquanto pudesse ter Bloemer tão perto, onde pudesse sentir o delicado perfume que vinha dos cabelos sedosos que ela cuidava com tanto zelo.

- Se deixarmos para o fim do dia, vamos perder o show de encerramento...

Os dois já se aproximavam do vilarejo quando Remus soltou os dedos de Amelia e adiantou alguns passos apenas para se colocar diante dela. Para que a conversa ainda pudesse acontecer com os dois se olhando, Lupin passou a caminhar de costas e apontou com um braço esticado para o lado norte do vilarejo, onde uma colina era exibida solitária.

- O melhor pôr do sol da região e o seu presente de aniversário. Você tem certeza que quer trocar isso porque quer evitar encontrar a sua tia no almoço?

O sorriso de Remus era um dos sinais de como Amelia transformava o tímido monitor em alguém mais leve e feliz. Para ele, era como se a companhia da Corvinal pudesse, de alguma forma, minimizar os efeitos da sua maldição. Cada vez mais, Lupin sabia que estava indo longe demais e se deixando apaixonar por Bloemer. Mas era impossível fugir daquele sentimento quando parecia ser a única coisa boa que ele podia se agarrar.

Remus ainda deu alguns passos andando de costas, mas por fim se rendeu e parou até que Amelia pudesse alcança-lo. Quando a morena parou na sua frente, os olhos âmbar passearam no rosto bonito, no formato dos lábios, na forma perfeita com que os fios negros emolduravam suas bochechas rosadas.

- Você é perfeita.

O comentário escapou pelos lábios de Lupin sem que ele tivesse conhecimento. Mas ao invés de se constranger com o deslize, ele apenas sorriu com leveza, certo de que não havia dito nenhuma mentira.

Durante um segundo inteiro, Remus permaneceu parado diante de Amelia. Os dois estavam muito próximos, mas ainda sem se tocar. Então, ele ergueu uma mão e deslizou alguns fios castanhos que balançavam com o vento para coloca-los atrás da orelha delicada de Bloemer, evidenciando ainda mais o brinco recém-ganhado da aniversariante.

Aquele era um detalhe que certamente não teria passado desapercebido ao Lupin sempre tão exigente consigo mesmo. Era mais uma evidencia de como Amelia pertencia a um mundo completamente diferente do seu, quando a simples ideia de comprar brincos tão caros jamais poderia passar pela sua mente.

Mas o estado anestésico que Amelia lhe deixava impedia que Remus enxergasse aqueles detalhes. A única coisa que importava era como ele queria poder experimentar o beijo dela outra vez.

Desta vez, sem qualquer receio, o Grifinório tomou a iniciativa do beijo, em um meio termo com o tímido beijo no canto dos lábios ou o desespero do corredor. Daquela vez, Lupin queria aproveitar cada movimento dos lábios, cada investida, antes que aquele sonho pudesse chegar ao fim.

- Feliz aniversário. – Ele sussurrou no instante em que o beijo foi interrompido, sem se afastar ou erguer as pálpebras, apenas se deliciando com o calor que emanava do corpo de Bloemer.
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Remus J. Lupin

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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Amelia Bloemer Hoje à(s) 12:10 am

Remus Lupin estava longe de ser um rapaz popular, cobiçado pelas meninas ou que arrancava suspiros pelos corredores. Mas a cada segundo ao lado dele, Amelia tinha mais certeza de que não poderia ter feito uma escolha melhor. O grifinório era um rapaz bonito, doce e gentil. E mais importante que isso, Lupin conseguia arrancar dela arrepios e suspiros que Bloemer nunca experimentara ao lado de outro garoto.

O grifinório não precisava dar a ela presentes caros, não precisava vestir as melhores roupas ou mesmo possuir um sobrenome de destaque no mundo da magia. Remus só precisava abrir a boca para que Amelia se sentisse completamente derretida e encantada por ele.

Ao lado dele, Bloemer se sentia especial não por ser uma menina bonita, rica, nobre ou popular. Remus fazia com que ela se sentisse única porque parecia enxergar nela qualidades que iam muito além da aparência física e da conta bancária dos Bloemer. Ter a companhia de Lupin naquele dia especial era a salvação que impedia Amelia de ficar deprimida com a ausência da mãe e com o distanciamento do pai.

A forma apaixonada como a menina correspondeu ao beijo não escondia o quanto Bloemer se sentia grata e feliz pela companhia do grifinório. Sem se importar com o risco de alguém assistir à cena, Amelia repetiu o gesto de cruzar os braços atrás da nuca de Remus enquanto retribuía ao beijo.

Assim como Lupin, a menina manteve os olhos fechados ao fim da carícia e deixou que seus lábios inchados pelo beijo se curvassem em um sorriso amplo. Uma das mãos da menina mergulhou nos fios castanhos de Remus e ela se aninhou ainda mais ao corpo dele, prolongando aquele abraço protetor.

Bloemer não emitiu nenhum soluço, mas Lupin não teria dificuldade para reconhecer os sinais de um choro ao ouvir uma fungada, acompanhada pela sensação quente de uma lágrima atravessando o tecido de sua camisa. Amelia se apressou em limpar os olhos e se manteve firmemente abraçada ao tronco do rapaz enquanto murmurava.

- Desculpe. Oh, Merlim, não deixe que isso estrague tudo, por favor. Eu estou muito feliz em estar aqui com você, Remus. É só que... – Amelia teve que fazer uma pausa antes de conseguir finalizar – ...é meu primeiro aniversário sem ela. E o meu pai até agora não mandou nada. Ele sempre se esquece dessas datas, era a mamãe que o lembrava todos os anos.

Aquilo era o tipo de coisa que jamais aconteceria na casa dos Lupin. Remus vinha de uma família humilde, mas unida. O Sr. Lupin jamais se esqueceria do dia do aniversário da esposa ou dos filhos e certamente não deixaria que aquela data passasse em branco. Era um absurdo que o Sr. Bloemer não enviasse nem mesmo um cartão para a única filha naquele dia especial, mas o medo de Amelia mostrava que havia grandes chances daquela tragédia acontecer.

O desabafo de Amelia era mais uma prova de que Remus era diferente de qualquer outro rapaz que já passara pela vida dela. Bloemer nunca estivera em uma relação em que se sentisse tão à vontade para expor os próprios sentimentos. Mas em Lupin a novata sentia que podia depositar por inteiro a sua confiança.

Para reforçar que aquela onda de tristeza não tinha nenhuma relação com a companhia daquele dia, Amelia novamente colou os lábios nos de Remus para mais um beijo. O nariz dela se roçou no dele de forma carinhosa ao fim do beijo e o sorriso havia retornado aos lábios da menina quando os olhos castanhos novamente se abriram.

- Já estou ansiosa para o tal show de encerramento. Mas temos que aproveitar cada minuto até lá, hm?
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Amelia Bloemer

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Re: I solemnly swear that I am up to no good

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