I solemnly swear that I am up to no good

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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Regulus Black em Qui Jun 08, 2017 11:29 pm

O cheiro forte de incenso deixava Regulus ligeiramente enjoado. As janelas fechadas da sala de Adivinhação também não contribuíam muito para que o cheiro se dissipasse e, sempre que se sentava nas almofadas coloridas e ouvia a voz etérea da professora, Black se arrependia por continuar matriculado naquela disciplina.

Definitivamente, o herdeiro dos Black não possuía nenhum dom especial para a arte da Adivinhação. Os olhos cinzentos não enxergavam nada nas borras de chá, as cartas nunca pareciam dizer nada relevante e tudo o que o sonserino via quando tentava ler a mão de algum colega eram riscos na pele que não significavam absolutamente nada para a sua mente racional.

A única motivação de Regulus para continuar frequentando aquelas aulas torturantes era a necessidade de completar sua grade curricular. No sexto ano, Black obrigatoriamente teria que fazer duas disciplinas optativas e as opções não eram muito fartas para o Sonserino. A primeira escolha de Regulus fora Aritmancia e, apesar do grau de dificuldade da matéria, ele vinha se saindo muito bem. As matérias optativas restantes eram Runas Antigas, Adivinhação e Estudo dos Trouxas.

Runas Antigas foi a primeira a ser descartada, já que Black não tinha o menor interesse e paciência para decifrar aqueles códigos milenares. Das duas restantes, Regulus sentia um genuíno interesse em aprender mais sobre os trouxas, mas o sonserino sabia que aquela escolha não seria bem aceita pelos colegas e pela família Black. Portanto, só restara para ele a opção de se afundar naquelas almofadas e tentar manter os olhos abertos enquanto a professora se alongava em explicações bizarras e desinteressantes.

Vários minutos já tinham se passado, mas o pergaminho diante de Black só continha a primeira frase dita pela professora naquela tarde. A caligrafia firme do rapaz registrara o título “Interpretando os sonhos”, mas não havia nem mesmo uma nota após essas palavras.

O clima quente da sala, as almofadas macias, aquele cheiro enjoativo e a voz suave da professora eram uma combinação perigosa. Regulus até tentou resistir, mas acabou caindo no sono no meio de uma explicação mais longa. O sonserino manteve um dos cotovelos apoiado na mesinha, deitou o rosto sobre a mão de forma que seus lábios se curvaram num biquinho e fechou os olhos, entregando-se inicialmente a um sono tranquilo.

Black não saberia dizer por quanto tempo dormia quando seus sonhos começaram a ficar mais agitados. No começo, eram apenas imagens sem sentido e uma sensação ruim de que algo estava errado. Mas logo o vulto alaranjado que coloria aquele sonho se transformou em uma forma conhecida. Os familiares fios ruivos de Lucinda Clearwater flutuavam na superfície do lago. A água estava agitada porque Lucy se debatia loucamente, em uma tentativa desesperada de continuar na superfície. Mas, apesar de todos os esforços da menina, seu corpo submergiu e desapareceu de vista no exato instante em que Regulus despertou num pulo, com o coração acelerado pulsando na garganta.

O movimento brusco do sonserino derrubou a bola de cristal de sua mesinha, que saiu rolando pelo chão da sala. Todos os olhos se voltaram para Regulus e, a julgar pelo rosto amassado, era óbvio que o aluno estivera dormindo nos minutos anteriores. Black imaginou que receberia uma bronca exemplar da professora, mas, ao invés disso, a mulher arregalou os olhos que pareciam ainda maiores atrás das lentes grossas dos óculos.

- Vejam! – a professora apontou para Regulus, bastante empolgada – É disso que eu estou falando. Este parece um sonho premonitório! Quer dividir a sua experiência conosco, querido???

Por mais que Black não desse muito crédito àquela disciplina, foi impossível ignorar a sensação de que Lucinda realmente corria algum perigo. Sem perder tempo com explicações, Regulus puxou a mochila para um dos ombros e saiu da sala em disparada. A parte racional de sua mente lhe dizia que tudo aquilo era uma bobagem, mas o sonserino sabia que seu coração acelerado só se acalmaria quando ele chegasse ao lago e encontrasse a superfície calma, sem nenhum sinal dos fios ruivos da corvinal.

Contudo, a Adivinhação provou ser uma verdadeira forma de magia quando Regulus chegou às margens do lago e percebeu um brilho alaranjado sob a água. O sonserino não estava raciocinando quando deixou a mochila cair aos seus pés antes de mergulhar nas águas frias do lago sem nem mesmo tirar os sapatos.

Em poucos segundos, Lucinda Clearwater era arrastada de volta para as margens do lago. Black não saberia dizer quanto tempo a menina havia ficado submersa, mas o fato de Lucy já estar gelada e inconsciente era um detalhe angustiante.

Mais uma vez, Regulus não estava raciocinando quando comprimiu o peito dela algumas vezes em uma tentativa desesperada de reanimar o coração da menina. O próximo passo do sonserino foi colar seus lábios aos de Lucy e soprar o próprio ar para dentro dos pulmões da garota, enchendo o peito dela com oxigênio.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Remus J. Lupin em Sex Jun 09, 2017 3:20 am

Durante todo o momento, o lado sempre racional de Lupin reafirmava o quanto ele e Amelia Bloemer pertenciam a mundos distintos. A novata da Corvinal era linda, popular e com um futuro brilhante pela frente. O sobrenome importante e os cofres no banco lotados de galeões eram detalhes a mais para reforçar que era uma grande tolice permitir que seu coração se acelerasse quando ela deslizava uma mecha dos cabelos castanhos por trás da orelha.

Mas era impossível para Remus controlar aquela sensação de que, ao lado de Amelia, as coisas pareciam mais leves e normais.

A lua cheia se aproximava e, como já bem sabia, aquela seria provavelmente a última noite no castelo antes de ser isolado na Casa dos Gritos para aguentar o período de transição. Nos últimos dias antes de mudar a fase lunar, Lupin já sabia exatamente onde seriam as suas dores e as poções e ervas que a enfermeira lhe dava serviam apenas para aliviar de forma irrisória. Todas as suas articulações protestavam, seu corpo se tornava mais pesado e era um cansaço tão exagerado que muitas vezes Remus precisava interromper uma simples caminhada de uma sala a outra.

Naquela tarde nos jardins, de forma inédita, o seu foco saiu das dores para absorver as sensações que Bloemer despertava, cada vez mais evidente e impossível de disfarçar. Era uma grande estupidez se deixar levar daquela forma, mas se aquilo ao menos lhe trouxesse o alívio da tortura pré-Lua Cheia, Lupin a abraçaria como um tolo.

- Lucinda é uma menina esperta, eu tenho certeza que ela sabe se cuidar. – Os olhos cor de âmbar estudaram cada traço de Amelia antes de concordar, se rendendo com extrema facilidade. – Mas eu aviso se notar algo estranho, pode deixar.

Remus já se sentia abençoado em encontrar nos marotos uma verdadeira família. Além dos melhores amigos, sua convivência no castelo era tranquila e satisfatória para um rapaz tímido e com um complexo histórico familiar, já que precisava se ausentar na escola mensalmente. Mas com exceção de Potter, Black e Pettigrew, Lupin não tinha amigos íntimos que soubessem do seu segredo.

Era uma novidade se sentar ao lado de alguém, especialmente de uma menina, e poder conversar abertamente. O diálogo com Amelia não chegava a ser superficial como com a maioria das pessoas, e aquilo fazia com que Remus se sentisse especial.

Por estar mergulhado em absorver aquelas novas sensações, Lupin não notou quando o interesse de Amelia mudou para sua cicatriz. As transformações mensais ocasionalmente traziam para a pele do Grifinório alguma nova marca, que nem sempre tinha tido o tempo de desaparecer por completo até que uma nova surgisse. Mas o toque de Bloemer era exatamente naquela que jamais iria se cicatrizar. Naquela que, embora muitas vezes se esquecesse que pertencia a sua aparência, era o que havia traçado o seu destino quando ele tinha apenas cinco anos de idade.

Assim como a Corvinal, Remus também sentiu a corrente elétrica se espalhando pelo seu corpo. Mas aquele arrepio foi rapidamente ignorado quando, instintivamente, ele ergueu a mão para cobrir a cicatriz, parecendo mortalmente envergonhado como se fosse um motivo de humilhação.

Os olhos claros desviaram para um ponto distante do lago e foi transparente como o semblante de Remus se transformou enquanto as lembranças invadiam sua mente.

Muito tempo já tinha se passado e as lembranças distorcidas não permitiam mais que ele recordasse como tinha sido dolorido receber a mordida de Fenrir Greyback. Mas apesar do destino que havia lhe sido imposto naquela noite, o mais doloroso certamente não tinha sido a dor física.

Para uma criança de cinco anos que não fazia ideia do que estava acontecendo, tudo tinha sido assustador demais. Como um pesadelo em que o bicho-papão surge para agarrá-lo. Na cabeça do pequeno Remus, ele jamais compreenderia que aquela tragédia estava acontecendo por uma simples vingança do lobisomem após uma desavença com seu pai.

Era uma grande injustiça que Lupin tivesse sua vida transformada daquela forma, e mesmo com todo amor que recebeu dos pais, de toda a dedicação, ainda era ele a se transformar em um lobisomem todas as noites. Um monstro que não combinava com a aparência do rapaz tímido ao lado de Amelia.

- Foi um acidente. – Lupin gaguejou, evitando o contato dos olhos castanhos. – Fui atacado por um cão quando era criança. Foi bastante assustador...

Remus franziu o nariz e forçou um sorriso ao repetir aquela mesma história que ele já havia ensaiado tantas outras vezes ao longo de sua vida, cada vez mais soando convincente com os detalhes.

- Meu pai trabalhava no Ministério na época e estava sempre ocupado. Minha mãe é nascida-trouxa, então não fazia ideia de como tratar com alguma poção. Era difícil saber qual de nós dois estava mais assustado e ela fez o que pôde.

Ele ergueu um dos ombros e arriscou sustentar o olhar de Amelia na esperança de passar maior convicção em sua versão romantizada do ataque que sofrera de um lobisomem.

- Padfoot acha que eu deveria usar ao meu favor, como se fosse alguma marca de guerra ou coisa do tipo. Segundo ele, isso atrai garotas. – Lupin girou os olhos, fazendo graça do comentário do amigo. – Mas isso só me ensinou a não ter animais de estimação. Nem mesmo uma coruja.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Amelia Bloemer em Sex Jun 09, 2017 4:04 am

O semblante suave estampado no rosto de Bloemer durante as explicações sobre a cicatriz de Remus se modificou bruscamente diante daquela piadinha inventada por Sirius Black. A simples ideia de que Lupin pudesse usar aquela marca para chamar a atenção das garotas fez com que Amelia experimentasse uma potente onda de ciúmes que não combinava com o relacionamento distante existente entre os dois jovens.

O sorriso compreensivo desapareceu dos lábios da novata e um brilho raivoso iluminou os olhos castanhos por alguns breves segundos. Amelia conseguiu se controlar antes de protagonizar uma cena de ciúmes completamente descabida, mas não foi tão fácil evitar que sua insatisfação se tornasse evidente.

- O Black parece ser um especialista em garotas fúteis e superficiais. Se é este o tipo que você quer atrair, pode continuar seguindo as orientações dele.

Só quando ouviu a própria voz, Bloemer se deu conta do quanto estava sendo ridícula. A cada minuto ficava mais óbvio para Amelia que ela estava profundamente interessada em Remus Lupin, mas ela precisava controlar aqueles instintos inexplicáveis.

Lupin definitivamente não se parecia em nada com os outros garotos que já tinham passado pela vida da novata da Corvinal. Embora o grifinório fosse um rapaz adorável, ele não possuía a beleza óbvia que geralmente atraía a atenção das meninas. Remus também não era popular, tampouco tinha o físico de um atleta. Mas as outras qualidades dele pareciam compensar aquelas “falhas”.

A inteligência de Lupin era acima da média. Mesmo com tantas faltas durante os dias de lua-cheia, Remus mantinha as notas mais elevadas da turma e, se dependesse somente disso, certamente conseguiria o emprego que desejasse depois de deixar Hogwarts. Ele também tinha uma maturidade que não combinava com a sua pouca idade, era um rapaz gentil, educado e doce.

O fato das garotas de Hogwarts se atirarem aos pés de Sirius e praticamente ignorarem as qualidades de Lupin era algo que intrigava Amelia. Aos olhos da novata, Remus merecia muito mais crédito que o amigo arrogante e galinha. Mas, por outro lado, era quase um alívio pensar que Lupin jamais teria um fã clube feminino.

- Desculpe... – os olhos castanhos giraram enquanto Bloemer constatava que havia exagerado naquela reação – Eu não quis ser grosseira, mas é que o Black me irrita.

Amelia realmente se sentia incomodada com as investidas insistentes de Sirius e com a forma arrogante de Black. A novata queria sinceramente que o rapaz a deixasse em paz, mas aquele desabafo poderia ser confundido com a postura de uma garota que exagera nas críticas com o objetivo de esconder o interesse no rapaz.

- Eu lamento muito... Deve ter sido um trauma terrível.

Amelia indicou a cicatriz com um olhar de pesar, mas não se atreveu a tocar em Remus novamente. A reação de esquiva do grifinório deixara bem claro que ele não estava à vontade naquela situação.

- Eu também nunca tive um animalzinho de estimação... – Bloemer deu de ombros enquanto abria um sorriso sem graça – Mas no meu caso o motivo não foi traumático. Meu pai simplesmente não queria animais em casa.

Nem mesmo com as novas amigas, Amelia havia se aberto tanto. Savannah, Georgina e Lucinda conheciam alguns detalhes sobre a vida da novata na Grécia, mas era raro que Bloemer falasse dos pais. Diante de Remus, contudo, aquela confissão soou com naturalidade.

- O meu pai também é este tipo de cara que trabalha demais. Eu nunca fui uma prioridade, sabe? Acho que isso nunca me incomodou antes porque a minha mãe era fantástica e nós éramos muito próximas. Mas, depois que ela se foi...

Bloemer fez uma pausa quando sentiu a garganta fechar. Em Hogwarts, ninguém sabia maiores detalhes sobre a morte da mãe de Amelia. A história que circulava pelos corredores era que a Sra. Bloemer havia pegado uma forma diferente e fulminante de varíola de dragão e que nenhum curandeiro fora capaz de curá-la.

- Enfim... – um sorriso sem vida surgiu nos lábios da novata – Eu achei que meu pai e eu ficaríamos mais próximos depois disso. Mas então ele me mandou pra outro país e até hoje só respondeu uma das minhas cartas com poucas frases mecânicas escritas num pedaço qualquer de pergaminho.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sex Jun 09, 2017 4:14 am

- Raízes de mandrágora, ovos de cinzal, besouros, margaridas...

A lista era sussurrada em voz alta enquanto Lucinda contabilizava em seus dedos os ingredientes que precisaria repor para a próxima aula de Poções. Como precisava atravessar o jardim correndo, sua pequena lista de compras precisava ser gravada na memória até que conseguisse sacar um pedaço de pergaminho e anotá-los.

A bagunça que havia arrumado em sua bancada durante a aula de Herbologia havia consumido praticamente todo o seu tempo para alcançar o castelo e chegar a tempo da aula de Feitiços, por isso ela não conseguiria aproveitar nem mesmo o rápido intervalo de uma aula a outra para se organizar.

Por estar completamente concentrada em andar apressadamente e a decorar os ingredientes que estavam defasados do seu estoque, Lucy só notou que tinha alguém em seu caminho quando seu corpo se chocou com o de outra pessoa. O solavanco fez com que ela recuasse um passo e erguesse os olhos azuis arregalados em surpresa.

- Me desculpe! Eu não vi!

Como qualquer pessoa normal, Lucinda já esboçava um sorriso constrangido junto com o seu pedido de desculpas quando captou as cores verdes do uniforme da Sonserina a sua frente. Ao contrário da ruiva, a outra menina envolvida naquele pequeno acidente tinha uma expressão horrorizada com aquele encontrão e seu rosto só se intensificou em uma careta de nojo ao reconhecer Clearwater.

- Você não viu? – A Sonserina arqueou as sobrancelhas, soletrando cada sílaba lentamente. – Talvez eu devesse pintar os meus cabelos de laranja, assim as pessoas seriam capazes de me enxergar do outro lado do castelo. Mas é claro que com isso viria um atestado de perdedora.

Um suspiro cansado escapou pelos lábios de Lucinda e ela girou os olhos com impaciência. A hostilidade dos Sonserinos não era nenhuma novidade para a Corvinal, mas ela não tinha tempo para lidar com comentários maliciosos enquanto sua aula de Feitiços já iniciava.

- O ruivo realmente não combina com qualquer um, Branwell. – Lucy manteve o sorriso nos lábios ao contornar a loira, pronta para retomar sua corrida até a sala de Feitiços.

Lydia Branwell também estava no sexto ano e trazia consigo o símbolo de Salazar Slytherin. Como a maioria dos sonserinos, Branwell pertencia a uma família da alta sociedade e de sangue-puro, que acreditava que o dinheiro tornava as pessoas superiores ou inferiores.

Ao contrário dos fios chamativos de Lucinda, Lydia exibia os cabelos loiros completamente lisos, presos em uma trança. O rosto era delicado e o nariz arrebitado, mas não era suficiente para esconder a malícia dos olhos cor de mel.

Para Lucy, Lydia era apenas mais uma das alunas de Slytherin que gostava de fazer piadas a respeito de seus cabelos, suas vestes ou o fato de sua família ser dona do Três Vassouras, como se fosse algum tipo de vergonha. Mas para alguém como a Corvinal, as provocações não costumavam lhe atingir. Eram uma grande perda de tempo e energia tentar retrucar ou alimentar aquela birra infantil.

- O que está dizendo, Clearwater?

O olhar de Lydia se estreitou, e ao contrário de Lucy, não estava disposta a ignorar o comentário, principalmente quando tinha como plateia duas colegas do quinto ano. As meninas mais novas também exibiam o uniforme da Sonserina e ocupavam cada uma um lado de Lydia, o que provocou uma barreira quando Lucinda tentou desviar para retomar o seu caminho.

- Acha que essa sua fantasia de mascote da Grifinória é atraente? – Uma das sobrancelhas perfeitas de Lydia estava arqueada com deboche. – Talvez você devesse olhar para o seu próprio reflexo mais vezes. É nojento...

Para uma menina magra e com a aparência delicada, Lydia demonstrou uma força surpreendente quando segurou o pulso de Lucinda. A mão da ruiva foi girada até ser apoiada contra suas costas e seu corpo foi empurrado para frente. Pega completamente desprevenida, a varinha continuou presa em seu bolso traseiro, inacessível aos seus dedos presos pela força da loira.

Os olhos azuis se arregalaram quando seu corpo cambaleou para frente. Uma parte caminho das estufas até o castelo era feito por uma estreita ponte de madeira antes de chegar ao gramado. O ponto era mais afastado, e graças ao horário das aulas, não havia nem mesmo uma testemunha além das três sonserinas para ver quando Lucinda foi empurrada até a beirada da ponte.

Com habilidade, Lydia manteve o corpo de Lucy preso, pendendo na beira até que pudessem ver o reflexo na superfície negra do lago. A Corvinal encarou seu próprio rosto assustado e o sorriso malicioso da Sonserina se alargar. A loira trocou um breve olhar com as duas meninas mais novas antes de sussurrar.

- Talvez você ainda precise enxergar mais de perto...

Então, o apertão em seu pulso se afrouxou. As botas deslizaram na superfície de madeira e o corpo de Lucy ficou leve até que ela se chocasse contra a água. O primeiro impacto foi aterrorizante quando a temperatura baixa lhe envolveu de uma única vez. Então, o corpo leve se tornou mais pesado com as roupas encharcadas.

Do impacto com a água para os minutos seguintes, tudo foi um grande borrão para Lucy. Enquanto afundava e lutava para voltar a superfície, ela sentia os pulmões se desesperarem em busca de ar. A vista embaçada assistiu as figuras das três sonserinas desaparecerem, mas sem compreender se estavam realmente indo embora ou se voltariam com ajuda.

Quando começou a afundar, sentindo-se completamente perdida, Lucinda ainda tentou tatear os bolsos atrás da varinha, mas o desespero só crescia enquanto a água invadia pelas suas narinas e garganta na tentativa de respirar.

Os braços e pernas se agitavam constantemente, o que fez com que sua energia se esgotasse ainda mais rápido. E Lucinda ainda tentava entender o que estava acontecendo quando a vista escureceu e a consciência finalmente se rendeu.

A única coisa que atravessava o pensamento de Lucinda era o frio. Ela estava congelando, mas não sabia o motivo. Seu corpo protestava por uma lareira quente, mas ela nem mesmo sabia onde estava.

Confusa, assustada e dolorida, Lucinda finalmente permitiu que suas pálpebras tremessem e se erguessem. A claridade do dia a surpreendeu enquanto ela tentava se lembrar o que havia acontecido. Então o rosto de Regulus Black entrou em seu campo de visão, para terminar de confundir o pouco da sanidade que lutava para sobreviver.

A garganta de Lucy coçou e, instintivamente, ela se virou para o lato, tossindo freneticamente enquanto se livrava da água que havia invadido seus pulmões. O ar finalmente entrou por suas narinas e ela se recordou de ter caído no lago.

O queixo da corvinal tremia quando ela buscou pelo olhar de Regulus mais uma vez. Diferente do que havia acontecido na Torre de Astronomia, ela não pensou nem mesmo por um segundo que o rapaz estava ali para lhe causar algum mal. Por isso, os dedos enrugados e trêmulos de Clearwater se agarraram nas vestes molhadas de Black, o puxando para que pudesse se acomodar contra o peito dele.

Mais uma vez, a consciência de que Black havia evitado uma tragédia a invadiu. E desta vez foi impossível conter o soluço predecessor do choro.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Regulus Black em Sex Jun 09, 2017 4:49 am

O alívio de ver o brilho de vida nos olhos azuis da menina fez com que Regulus Black deixasse de lado aquela máscara de frieza que ele usava em Hogwarts. Ao invés de se esquivar do toque de Lucinda ou ficar sem reação, o sonserino a englobou em um abraço firme, aninhando-a junto ao seu peito de forma protetora.

O peito de Regulus ardia depois do esforço e da tensão dos últimos minutos. Seu corpo tremia, num misto de frio e pavor. Mais uma vez Black foi invadido pela certeza de que um atraso de poucos minutos poderia ter arruinado a vida de Lucy, desta vez de forma ainda mais irremediável.

Os dois estavam igualmente gelados e encharcados, mas era evidente que os tremores do corpo de Clearwater eram muito mais intensos. Os cabelos ruivos molhados pareciam um tom mais escuros que o normal e estavam cheios de nós quando Black apoiou os dedos sobre eles, obrigando Lucy a encará-lo.

- Por Salazar! Você não sabe nadar??? Por que raios entrou no lago, então?

As íris cinzentas refletiam uma sincera preocupação enquanto passeavam pelo rosto delicado da garota. Regulus soava quase irritado diante da possibilidade de Lucy ter arriscado a própria vida daquela maneira tola.

Entretanto, livre da adrenalina agora que Lucinda estava fora de perigo, as peças começavam a se juntar na cabeça de Black.

Qualquer aluno da Corvinal seria esperto demais para se atrever a pular em uma parte profunda do lago sem dominar nenhum tipo de nado. Além disso, parecia bem improvável que Lucinda planejasse um mergulho e fizesse isso usando o uniforme completo da Corvinal, inclusive com os sapatos e meias. Não fora um erro idiota e, a julgar pelo olhar de pânico da menina, também não fora um acidente.

- Quem?

A simples pergunta de Regulus mostrava que o rapaz já havia entendido tudo. O caçula dos Black apostaria a própria vida na possibilidade de ter sido um aluno da Sonserina, mas ele não se arriscaria a chutar um nome. Por tudo o que conhecia dos colegas, qualquer um deles poderia ter feito aquilo com Lucy. E não seria surpreendente ouvir que o motivo fora banal, ou que nem houvera um real motivo para aquela “brincadeira”.

- Eu te pedi para ser mais cuidadosa, Clearwater! Por Salazar, eu prefiro nem pensar no que teria acontecido se eu não estivesse aqui!

Apesar da repreensão, o tom de voz mais suave de Black era reconfortante. Uma das mãos que segurava o rosto de Lucinda se deslizou carinhosamente até os olhos da menina. Era fácil diferenciar as gotas geladas da água do lago das lágrimas quentes que desciam pelas bochechas dela.

- Eu vou começar a cobrar pelos meus serviços de herói particular, sabia? – a brincadeira não combinava com o comportamento sempre sério e reservado do rapaz, mas era uma tentativa de acalmar o choro desesperado da menina – Porque é óbvio que você precisa de um herói em tempo integral.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Jun 11, 2017 3:12 am

Um riso fraco escapou pelos lábios de Lucinda em meio ao choro e aos soluços constantes diante da tentativa de Regulus em amenizar o clima. E por mais bobo e simples que tivessem sido suas palavras, o efeito em Clearwater foi nítido.

Lucy tremia só de se lembrar dos últimos instantes antes de perder a consciência no lago. O frio e o pavor predominavam seus pensamentos e o mais assustador era a necessidade de aceitar que era aquilo. Aquele seria o seu fim, de forma tão banal e patética.

Mas a chegada de Black mais uma vez tinha lhe salvado de um futuro terrível. Em ambas as situações, tanto na Torre de Astronomia quanto no Lago, o Sonserino havia surgido quando ela já não tinha mais esperanças e tentava apenas lutar até o último segundo para evitar o que parecia ser inevitável.

A grama que pinicava suas pernas, as roupas encharcadas e o calor que vinha do corpo de Regulus, junto com a voz gostosa que chegava aos seus ouvidos, era tudo que Lucinda precisava para saber que o pesadelo havia acabado. Ela estava em terra firme, sã e salva, mais uma vez graças a Regulus Black.

- Eu estava correndo, tentando não chegar atrasada na aula de Feitiços. E não vi que a Branwell estava no caminho.

A voz de Lucy soava fraca depois do susto e ela não conseguia parar de fungar. Pouco a pouco, os tremores começavam a diminuir e ela sentia a proximidade de Regulus lhe devolvendo a confiança e tranquilidade.

Naquele momento, não importava se os dois não passavam de dois estranhos que quase não tinham se falado até poucos dias antes. Era indiferente se pertenciam a casas ou universos completamente distintos ou se não tinham nenhum tipo de amizade. Nos braços de Black, Clearwater se sentia segura.

- Eu não sei se foi só uma brincadeira que saiu do controle... – Ainda acolhida contra o peito de Regulus, Lucy ergueu o rosto até encontrar as íris cinzentas. – Mas eu não teria sobrevivido. Eu não sei como você chegou até aqui, Regulus. A única coisa que eu sei é que devo minha vida a você.

Lucy não soube dizer exatamente quanto tempo se passou, mas ela foi incapaz de se mexer por um longo período. O sol fez seu devido trabalho de aquecer sua pele, e a presença dos braços de Black contribuíam para que ela se sentisse segura novamente.

Nenhum dos dois tentou interromper aquele momento. Talvez Black soubesse o quanto Clearwater ainda precisava para se sentir segura em se levantar e enfrentar o mundo outra vez. Mas quando ela finalmente se mexeu, apenas as vestes e os cabelos ainda estavam molhados.

- Eu acho que já perdi a minha aula de Feitiços. Mas é a hora ideal se eu quiser voltar para a Corvinal sem precisar enfrentar um questionamento.

Antes que Lucy pudesse ouvir qualquer pedido de uma visita até a enfermaria, os olhos azuis se firmaram no rosto de Regulus e ela abriu um sorriso mais confiante, embora os lábios ainda estivessem ligeiramente sem cor e os cabelos embolados denunciassem o que havia acontecido.

- Eu estou bem, de verdade. Com um gosto péssimo de algas na boca... – Foi a vez da ruiva girar os olhos e sorrir com a tentativa de amenizar o clima. – Mas é melhor que ninguém saiba o que aconteceu. Você está ficando com um péssimo histórico em salvar Corvinais, Black. Isso vai arruinar a sua fama.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Regulus Black em Dom Jun 11, 2017 6:01 pm

O riso fraco de Lucinda teve o poder de contagiar o sonserino. Como Black não tinha o costume de sorrir com tanta frequência, o rapaz estranhou aquele formigamento nas bochechas antecedendo o momento em que seus lábios se repuxaram em um sorriso sincero. O fato de Regulus raramente sorrir de maneira tão ampla fazia com que poucas pessoas soubessem que o caçula também possuía covinhas nas bochechas, como o irmão mais velho.


Ao contrário do comportamento de Black diante dos amigos da Sonserina, aquele não era um sorriso breve e mecânico, fruto de uma falsa alegria que nunca atingia o olhar do rapaz. Aquela brincadeira tola com Lucinda Clearwater refletia um profundo alívio por ver a que a garota estava bem apesar de ter chegado tão próxima de uma tragédia.

Assim como Lucy, Regulus estava totalmente desarranjado depois daquele “mergulho” não planejado. Os cabelos escuros sempre tão impecáveis estavam atrapalhados e uma alga havia se prendido no topo dos fios. O uniforme verde e prata tinha ficado encharcado, assim como os sapatos caros de Black. Mas tudo aquilo era facilmente deixado de lado perto do bem estar da ruiva.

Propositalmente, o sonserino deixou aquele assunto morrer e não contou a Lucinda como havia chegado até o lago. Era absurdamente constrangedor confessar à menina que ela estava sendo protagonista de seus sonhos e que ele tinha previsto aquela tragédia durante uma soneca na aula de Adivinhação.

O sorriso de Regulus só morreu quando ele finalmente entendeu o que havia acontecido com Clearwater. Uma sombra cobriu os olhos cinzentos diante da certeza de que não havia sido um acidente. Dado o histórico dos sonserinos, era difícil saber se fora apenas uma brincadeira de péssimo gosto ou se Branwell realmente quisera machucar a colega. Mas de uma coisa Black não tinha dúvidas. Lydia Branwell não lamentaria e nem se sentiria culpada pela morte de Lucinda caso o pior tivesse acontecido. E era este tipo de atitude que Regulus não suportava nos colegas.

O desejo instintivo de Black era denunciar a colega por aquela agressão. O senso de justiça do rapaz estava aflorado e praticamente berrava que Branwell merecia ser punida pelo que fizera contra Lucinda. Mas logo a parte mais racional da mente de Regulus assumiu o controle e ele desistiu de seguir por aquele caminho. Mais uma vez, o caçula dos Black iria se expor caso Lucy fizesse uma denúncia, já que os professores iriam querer o nome do herói que evitara aquela tragédia. Mas esta não era a única motivação do sonserino naquela manhã.

- Eu não vou te desmentir se você quiser contar isso aos professores. Vou dizer que estava passando por perto, vi uma movimentação estranha no lago e pulei sem saber quem estava se afogando. Mas pense bem antes de tomar qualquer decisão.

Aquela era uma maneira de se justificar diante dos sonserinos. Se algum dos colegas questionasse a atitude heroica de Regulus, ele simplesmente diria que não sabia que se tratava de Clearwater e que não teria se arriscado tanto se soubesse quem estava se afogando naquela tarde.

- A Sra. Branwell trabalha no Ministério da Magia. – os olhos cinzentos buscaram pelo rosto de Lucinda em uma tentativa de acompanhar a compreensão dela – Ela é uma das figuras mais importantes do Departamento de Execução das Leis da Magia e o gabinete dela é o responsável pela aplicação dos NIEM’s.

Regulus não concluiu sua argumentação, mas era muito óbvio aonde o sonserino queria chegar. Se Lucinda fizesse uma denúncia formal contra Lydia, havia o risco da sonserina ser expulsa de Hogwarts pelo ato cometido naquela tarde. Mas Lucy não venceria aquela guerra sem sofrer retaliações. A influência da Sra. Branwell nos NIEM’s poderia arruinar qualquer plano da ruiva, principalmente se Lucinda desejasse uma carreira dentro do Ministério da Magia.

- Não é justo, eu sei. Mas é ainda mais injusto que você tenha que mudar seus planos por causa da Branwell. A vida sempre te apresenta vários caminhos diferentes, mas em todos eles tem frustrações. Então, a única coisa que você pode fazer é escolher quais delas quer enfrentar.

Quando falava sobre frustrações, Regulus parecia ter um total domínio do assunto. Era difícil entender como um rapaz bonito, inteligente, rico e de sangue puro poderia se sentir frustrado de qualquer maneira. Mas ninguém conhecia a verdade sobre ele. Ninguém sabia como o caçula dos Black daria tudo para ter outra vida, ou para ter a coragem que levara Sirius para longe daquela podridão da família.

- Tente descansar, aproveite o salão comunal vazio. Eu te acompanho até lá...

A oferta que pareceria normal na boca de qualquer rapaz soou anormal para um sonserino que, teoricamente, não tinha motivos para se preocupar com o bem estar de Lucinda Clearwater. Mas, contrariando todas as expectativas, Regulus pareceu sinceramente interessado no bem estar de Lucy quando ajudou a ruiva a ficar de pé e seguiu os passos da menina na direção que levaria os dois até a torre da Corvinal.

Ainda era cedo e praticamente todos os alunos ainda tinham aulas a cumprir, mas foi um grande risco para Black permanecer ao lado de Lucinda até a escadaria que levava à torre. Quando os dois chegaram diante da estatueta que dava acesso ao Salão Comunal da Corvinal, Regulus se atreveu a tocar na ruiva com a desculpa de retirar um pequeno graveto preso nos fios alaranjados.

- Escute...

A pausa feita pelo rapaz denunciava a hesitação que Regulus sentia em ir adiante. Contudo, depois de uma breve reflexão, o sonserino reuniu coragem o suficiente para aquela proposta. Entre ele e Lucinda já existiam muitos segredos, então a ruiva parecia a pessoa ideal para compartilhar com Black aquele plano.

- Eu pretendo fugir do dormitório esta noite para uma pesquisa acadêmica na torre de Astronomia. Acho que encontrei uma incongruência no mapa estrelar da professora. Se você quiser me ajudar...

O sorriso se repetiu no rosto de Black, desta vez com uma nítida expectativa.

- Cansei de ser um herói e agora quero te meter numa encrenca. Mas é sério, Clearwater. A ajuda de um nerd da Corvinal seria muito bem-vinda.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Jun 11, 2017 10:41 pm

Os olhos cor de âmbar estavam presos no bonito rosto de Amelia Bloemer com sincero interesse. As lembranças de seu passado e da tragédia que havia marcado a vida de Remus Lupin para sempre foram rapidamente deixadas de lado quando todos os seus sentidos se voltaram para a história da novata.

Qualquer um que conhecesse a verdade por trás do ocorrido com Lupin julgaria as lamentações de Bloemer com extrema futilidade. Chegava a ser ridículo comparar a mordida de um lobisomem amaldiçoando uma criança com as reclamações de uma filha única que não tivera um bichinho de estimação porque o pai trabalhava demais.

Mas mesmo que sua versão do passado também soasse de forma banal para os ouvidos de Amelia, as lamentações dela despertavam em Remus uma verdadeira preocupação. Muitos rapazes fingiriam ouvir o que Bloemer tivesse a dizer, apenas com intenções. Aquele falso interesse, entretanto, não ocorria com o monitor da Grifinória.

Lupin quase se sentia lisonjeado em poder se sentar ao lado de Amelia e escutar o que ela tinha a dizer. Aos olhos de todo o castelo, a novata da Corvinal era linda, popular, absurdamente interessante. Seria impossível julgar que, por trás do belo sorriso que ela exibia nos corredores, houvesse qualquer tipo de drama familiar.

- Eu imagino que ser Ministro da Magia realmente deva ocupar muito tempo. Mas não duvido que seu pai sinta sua falta...

Mesmo sem conhecer o Sr. Bloemer, Remus achava difícil que o pai estivesse optando por ignorar a filha. Apesar da convivência com Sirius provar que os pais nem sempre amavam seus filhos incondicionalmente, Remus tinha vindo de um lar cheio de amor e carinho. Além do mais, bastava olhar para Amelia para ter certeza de que ninguém poderia ser indiferente a ela. Cada vez mais estava bastante óbvio que o próprio Lupin não era.

A tristeza refletida nas íris castanhas fazia o coração de Remus se espremer, se somando com as dores já conhecidas de seu corpo, que antecediam a Lua Cheia. Enquanto observava calmamente cada um dos traços de Amelia, seu coração começou a saltar apressado contra o peito. Os instintos tipicamente lupinos já eram velhos conhecidos, mas era a primeira vez que o perfume delicado de uma menina fazia todo o seu corpo reagir daquela forma.

Inconscientemente, Lupin espremeu os lábios enquanto admirava a beleza de Amelia. Assim como havia acontecido no Salão Principal durante o café da manhã, Remus queria se agarrar à fantasia de que era um rapaz normal, ao lado de uma menina absurdamente atraente. Ele queria ignorar sua condição ou até mesmo o simples fato de que alguém como Bloemer jamais se sentiria atraída por ele. Mas a forma desgostosa com que falava sobre Sirius apenas servia como um combustível a mais para lhe encher de uma tola esperança.

- Sabe de uma coisa?

Remus começou, um sorriso contente brotando em seus lábios e iluminando seu rosto de uma forma que não era comum nos dias que antecediam a Lua Cheia. Quando sua transformação se aproximava, o rapaz costumava se sentir ainda mais miserável, mas a presença de Amelia trazia uma tranquilidade e alegria que ele não estava acostumado.

- Existe uma loja de criaturas mágicas em Hogsmead. Eu acho que você deveria visita-la. Seu pai está longe e Hogwarts é um lugar incrível para se ter um animalzinho de estimação.

Suas pernas foram dobradas e Remus abraçou os próprios joelhos quando se acomodou melhor ao lado de Amelia. De forma carinhosa como dois amigos que tinham acabado de trocar confidencias, ele se sentiu confiante o bastante para erguer uma das mãos e tocar o braço de Amelia, acariciando por cima do uniforme com o polegar.

Aquele gesto pareceria como uma jogada perfeita de uma paquera por alguém como Sirius Black, mas era ousada demais para a timidez de Lupin. Por isso, pareceu apenas como um toque despretensioso, mas o suficiente para fazer o ar escapar dos seus pulmões.

As palavras seguintes saltaram da boca de Remus sem que ele temesse por uma recusa ou alguma risada irônica diante da sua ousadia. Mas para um lobisomem que se transformava todos os meses, estava na hora de ter alguma coragem também em sua forma humana.

- Eu posso te acompanhar na próxima visita ao vilarejo. Sei que a Lucy deve conhecer tudo de ponta a ponta, mas acho que também preciso dessa visita. Está na hora de um bichinho de estimação para mim também.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Jun 11, 2017 11:18 pm

A amizade que começava a crescer entre Regulus Black e Lucinda Clearwater era completamente inesperada. Nunca, ao longo daqueles seis anos, Lucy se imaginou tendo uma conversa mais relaxada ou, principalmente, se sentindo tão bem ao lado do Sonserino. Mas a verdade era que o rapaz que se revelava naqueles últimos dias era completamente diferente da imagem que Regulus fazia questão de exibir nos corredores.

Optar por não denunciar Crabble tinha sido uma decisão difícil, mas o incidente daquela manhã ia além da decisão de punir ou não um colega. Mais uma vez, Lucy precisava se agarrar a realidade de que, apesar de tudo, ao menos havia saído viva. Além do mais, Black estava certo em dizer que as consequências poderiam ser muito piores se ela levasse aquela denuncia adiante. E Clearwater não estava disposta a abrir mão do seu futuro daquela forma.

A maneira com que Black falava sobre os caminhos repletos de frustrações fez o coração de Lucinda se espremer. Era doloroso ver a falta de esperança nas íris cinzentas, quando Regulus ainda era um rapaz jovem e cheio de vida. Embora tivesse sido ela a ser resgatada no lago, naquele momento Lucy sentiu de que precisava ser ela a salvar Black.

O sorriso do Sonserino fez com que Lucinda franzisse as sobrancelhas ruivas e também curvasse os lábios em uma careta divertida quando os dois pararam diante da entrada escondida para o Salão Comunal da Corvinal.

- Você bebeu água demais do lago e está tendo um espasmo ou isso é um sorriso?

Lucy já tinha reparado outras vezes que Regulus era um rapaz atraente, mas o abismo que existia entre os dois jamais permitira que ela notasse os detalhes que formavam o conjunto. Mesmo com os cabelos desalinhados e as roupas encharcadas, Black ainda era absurdamente bonito. Os olhos cinzentos traziam uma ponta de tristeza que era difícil de ser ignorada, mas o raro sorriso fazia todo o restante se aquecer.

- Você deveria sorrir mais, Black. Combina com você.

Antes de deixar que a expectativa de Regulus arruinasse com aquele momento, Lucinda se aproximou um passo e mordeu o lábio inferior enquanto absorvia aquele convite tão surpreendente quanto a repentina proximidade entre os dois.

O encontro poderia ser completamente bizarro se analisasse de fora. A mente lógica da Corvinal não conseguiria encontrar nada que justificasse duas pessoas completamente diferentes se aproximando. Mas a forma com que seu coração saltava empolgado diante daquela possibilidade era maior do que seu raciocínio.

- Bom, você mesmo disse que eu deveria tomar cuidado. Mas considerando que você vai estar por perto, acho que vou estar segura.

Assim como havia acontecido no último encontro dos dois, Lucinda ousou se apoiar no braço de Regulus. Ela ficou na ponta dos pés até que um beijo fosse depositado na bochecha ainda gelada do Sonserino. A diferença da última vez, é que ao invés de sair correndo quando a realidade lhe atingiu, Lucy deixou que seus pés voltassem a tocar o chão com calma e permaneceu com a mão apoiada no braço de Regulus ao procurar os olhos cinzentos.

- Se você realmente achar uma incongruência, vamos ver qual dos dois é o verdadeiro nerd aqui, Black.

O sorriso leve permaneceu nos lábios de Lucinda quando ela finalmente se afastou. Seu coração batia acelerado contra o peito e, apesar das vestes ainda úmidas, ela sentiu as bochechas esquentarem. Seus lábios formigaram com o desejo de inclinar o rosto e concluir aquele beijo sobre os lábios de Black. Mas a consciência de que ainda estavam no corredor, que poderiam ser flagrados a qualquer instante, permitiu que Lucy permanecesse firme naquela despedida até desaparecer pela passagem para a Corvinal.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Amelia Bloemer em Dom Jun 11, 2017 11:19 pm

Como se estivesse em uma complicada partida de xadrez bruxo, Amelia acompanhou cada um dos gestos de Lupin com extrema atenção. Os dois se conheciam há poucos dias, mas já era o bastante para que a novata soubesse que estava diante de um adversário de peso. A inteligência de Remus não era um segredo em Hogwarts e os próprios alunos da Corvinal questionavam a decisão do Chapéu Seletor em colocar o rapaz na Grifinória.

Lupin foi extremamente cuidadoso naquela jogada. A expressão gentil fazia parte da natureza do rapaz, mas naquela tarde também serviu como uma máscara para esconder as reais intenções de Remus com aquele convite. A sugestão dele soou de forma amigável e sem nenhum tipo de segundas intenções. Mas o toque no braço de Bloemer e a forma como a respiração dele mudou depois daquele contato foram os detalhes que arruinaram a jogada que Lupin executava diante da corvinal.

Talvez uma garota da Grifinória ou da Lufa-Lufa se deixaria enganar por aquela cena, mas Amelia provou que merecia estar na Corvinal quando compreendeu de imediato aonde Remus queria chegar com aquela sugestão sutil. Uma das sobrancelhas finas da menina se arqueou e seus lábios se curvaram em um meio sorrisinho astuto.

- Você está me chamando para um encontro, Lupin?

A pergunta direta de Amelia desestruturou todo o jogo armado por Remus. Era óbvio que Lupin era tímido demais para tomar uma atitude mais radical e certamente nunca teria a audácia que Sirius demonstrava quando cercava as garotas do castelo. Mas Bloemer não estava disposta a participar daquele joguinho inseguro e preferia deixar as coisas muito claras entre os dois.

Seria a primeira visita de Amelia ao vilarejo de Hogsmeade como aluna de Hogwarts. Mas, como os pais de Lucinda já moravam no povoado, aquele passeio não seria uma grande novidade para a garota. A única coisa que mudaria seria a motivação dela para sair do castelo e, por isso, Bloemer pretendia deixar bem óbvio o que esperava daquele encontro.

- Um encontro romântico?

A convivência com as amigas fez com que Amelia logo descobrisse que os passeios a Hogsmeade eram muito mais que algumas horas de folga longe da escola. Os alunos mais velhos se aproveitavam daquela liberdade e os encontros românticos se tornavam cada vez mais frequentes longe dos olhos dos professores. Savannah e Georgina tagarelavam o tempo inteiro sobre os convites que esperavam receber para o próximo passeio, mas Bloemer sequer havia pensado naquilo antes de Remus mencionar Hogsmeade naquela tarde.

Por um breve momento, Amelia quase se arrependeu de sua reação tão direta naquela conversa. Lupin ficou completamente travado pela timidez e, muito provavelmente, já esperava ser chutado da mesma forma impiedosa com que Blomer costumava se livrar das investidas de Sirius. Se a novata dispensava o famoso Sirius Black com tanta facilidade, já era de se esperar que Remus tivesse ainda menos chances de conseguir alguma coisa com ela.

- Porque se for este o caso... – Amelia fez mais uma pausa antes de colocar um fim na tortura do rapaz – ...a minha resposta é sim.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Jun 11, 2017 11:52 pm

A forma direta de Amelia Bloemer parecia combinar perfeitamente com alguém como Sirius. Assim como a menina, o batedor da Grifinória não costumava fazer rodeios, era objetivo em suas palavras e jogadas. Para Remus, entretanto, aquela sinceridade soou assustadora demais, como se nem ele próprio tivesse coragem de admitir o que estava fazendo. Ou como se verbalizar a sua jogada fosse o suficiente para colocá-lo novamente em seu devido lugar.

O sorriso convencido de Bloemer devido ao orgulho da própria mente astuta foi interpretado por Lupin como um grande deboche. Seus ombros murcharam, o rubor cobriu todo o seu rosto e ele chegou a abrir a boca, mas nenhum som saiu em uma tentativa defesa.

Remus já se sentia completamente miserável e arrependido por ter ido tão longe. É claro que Amelia acharia graça da sua tentativa patética em chama-la para sair. Ele era Remus Lupin, o monitor, o amigo inteligente, o rapaz tímido. Não o cara que chamava a menina mais bonita e popular para visitar uma loja fedendo a fezes de coruja.

Completamente constrangido, Remus levou a mão até a nuca, massageando as pontas do cabelo e sentindo a tensão sob o toque. Ele começava a balbuciar, ainda sem conseguir articular qualquer palavra, e chegou a menear a cabeça tolamente quando as últimas palavras de Amelia finalmente acabaram com aquela tortura.

Desta vez, qualquer tentativa de esconder o que se passava em sua cabeça ou em seu coração, foi completamente aniquilada. Lupin nunca foi tão transparente quando deixou que seu queixo despencasse, girando os olhos âmbar com sincera confusão e incredulidade.

- Você está falando sério??? Você iria em um encontro? Comigo?

O indicador de Remus apontou para Amelia, e depois para o próprio peito, como se quisesse reforçar quem seriam os protagonistas daquele encontro. Ainda assim, a menina não pareceu recuar ou mudar de ideia. E a mente inteligente de Lupin se viu obrigada a concluir de que ela estava mesmo aceitando sair com ele.

Um brilho incomum tomou conta das íris claras do rapaz, trazendo uma vivacidade para o semblante abatido, como se ele tivesse acabado de tomar alguma poção revigorante. O queixo voltou a ser erguido e os lábios se curvaram em um largo sorriso, de forma tão feliz que nem mesmo a melhor nota dos NOMs teria sido capaz de arrancar do rapaz.

- Bom, nesse caso, acho que deveríamos sair para comer alguma coisa depois.

Uma ruguinha surgiu entre as sobrancelhas de Lupin quando ele pareceu refletir por um instante. Seu olhar buscou pelo lago por alguns segundos antes de se voltar para Amelia.

- Existe esse lugar incrível, você vai amar... Eles têm a melhor cerveja amanteigada da região. Se chama Três Vassouras...

Era notável como Lupin já estava mais relaxado e descontraído quando seu sorriso denunciou aquela brincadeira boba. Ele deu um tapa na própria testa e sacudiu a cabeça.

- Não, espere! Você já conhece, não é? É óbvio demais... Uau, vai ser difícil impressionar você.

Aquele Remus Lupin definitivamente não parecia com o rapaz que enfrentaria sua primeira noite de Lua Cheia em algumas horas. Sequer parecia o mesmo Lupin em seus melhores dias. Mas a felicidade em ouvir as palavras de Amelia tinham o poder de transformá-lo em uma versão muito melhor do que a maldição era capaz.

Lupin se colocou de pé, já ignorando por completo as dores de seu corpo, e esticou a mão na direção de Amelia, oferecendo ajuda para que ela o acompanhasse. A já conhecida corrente elétrica se espalhou pelo seu braço, mas Remus não ousou quebrar o contato mesmo quando a morena estava de pé ao seu lado.

- Eu vou precisar me ausentar alguns dias. Minha mãe está doente e o professor Dumbledore me autorizou visita-la. Mas estarei de volta até o nosso passeio. Se você não mudar de ideia, é claro.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Regulus Black em Dom Jun 11, 2017 11:53 pm

Mais uma vez, Regulus Black não se esquivou do beijo de Lucy. Pelo contrário, era quase como se o sonserino estivesse aguardando ansiosamente por aquele gesto. Talvez, inconscientemente, era por aquele beijo que Regulus esperava quando se dispôs a acompanhar a ruiva até o Salão Comunal da Corvinal.

Assim como acontecera com Clearwater, o coração de Black disparou e sua respiração se tornou descompassada. A maneira como os dois sustentaram o olhar não deixou dúvidas de que estava acontecendo algo ali, mas nenhum deles ousou dar o próximo passo no meio de um corredor que levava para o Salão Comunal da Corvinal e, portanto, costumava ser bastante movimentado.

Quando finalmente se afastou de Lucinda e reaprendeu a respirar normalmente, Regulus sacudiu a cabeça e se repreendeu mentalmente por aquela atitude. Era evidente que o sonserino começava a se sentir envolvido pela filha dos Clearwater, mas aquele era mais um dos caminhos que Regulus não podia traçar para a própria vida. Por mais que Lucy tivesse incontáveis qualidades, ela jamais seria aprovada pela mui nobre e antiga casa dos Black.

Naquela noite, no instante em que pisasse na Torre de Astronomia, Lucinda Clearwater descobriria que aquele encontro não era apenas uma desculpa do sonserino para revê-la. Era óbvio que Regulus realmente tinha um interesse acadêmico naquele assunto a julgar pela meia dúzia de livros abertos sobre a mesa da professora, pela pilha de anotações feitas na caligrafia bonita do rapaz e pela maneira como os olhos cinzentos pareciam vidrados e concentrados no enorme mapa estrelar que ocupava uma das enormes paredes da sala.


A maioria dos alunos não costumava perder tempo com Astronomia. Até mesmo entre os jovens da Corvinal aquela não era uma disciplina muito popular. O caçula dos Black, contudo, encarava aquele amontoado de pontinhos na parede com uma expressão de fascínio.

Exatamente por estar tão concentrado no mapa e de costas para a porta da sala, Regulus não percebeu o instante em que Lucy se juntou a ele. Já era muito tarde para que dois alunos estivessem fora de suas camas, mas Black não se importava com o risco de ser pego por Filch ou por um dos monitores. Não havia nem mesmo uma nuvem no céu escuro e, portanto, era uma noite perfeita para o estudo das estrelas.

Como não pretendia ser visto por ninguém naquela noite, o caçula dos Black não exibia a aparência impecável de sempre. O uniforme da Sonserina estava incompleto e ligeiramente amassado. A capa tinha sido jogada de lado em uma das cadeiras, a gravata verde e prata fora afrouxada para que Regulus se sentisse mais confortável, assim como as mangas arregaçadas até os cotovelos.

Ainda sem notar a presença de Clearwater, Regulus deu um passo na direção da parede e levou o indicador até o espaço vazio no qual ele tinha certeza que capturara um brilho há algumas semanas. A luneta que Black possuía em casa parecia um brinquedo perto dos instrumentos mais potentes e modernos de Hogwarts, mas naquela noite o sonserino tiraria aquela dúvida de uma vez por todas.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Amelia Bloemer em Seg Jun 12, 2017 12:31 am

Como a maioria das garotas populares, Amelia Bloemer costumava se sentir lisonjeada com o interesse dos rapazes. Não era exatamente um comportamento arrogante, mas Amelia costumava gostar da ideia de estar no controle, de ter uma gama de opções e de poder escolher quem ficaria ao seu lado.

Com Remus Lupin, contudo, o sentimento era diferente. Ao invés de se sentir satisfeita com a insegurança do rapaz e com a maneira como Remus parecia idolatrá-la, Amelia se sentiu mal em perceber que Lupin se enxergava tão inferior a ela. O grifinório parecia ter acabado de ganhar o maior presente de sua vida e reagia como se não merecesse tudo aquilo. Mas a verdade é que era Bloemer quem se sentia privilegiada pelo interesse de um rapaz inteligente, gentil e que a enxergava muito além do rosto bonito e das formas que atraíam os olhos dos outros caras.

- Sim. – mais uma vez as sobrancelhas de Amelia se arquearam enquanto ela repetia o gesto de Remus e apontava o próprio peito antes de apoiar o indicador no peito dele – Eu quero sair com você. Eu realmente não sei por que isso te deixa tão surpreso, Lupin.

A expressão de Amelia se tornou mais séria quando uma ideia indigesta passou pela sua mente. Será que era esta a imagem que ela passava para os colegas na nova escola? A última coisa que Bloemer queria que Remus pensasse era que a novata não passava de uma garota popular e superficial que nunca lhe daria uma chance porque ele não era rico, não tinha um sobrenome importante e nem um fã clube de meninas encantadas pela sua beleza.

Mas logo aquele incômodo foi deixado de lado e Amelia se deixou contagiar pela alegria do rapaz. A piada sobre o Três Vassouras fez os olhos de Bloemer girarem antes que um risinho divertido escapasse pelos seus lábios.

- A comida de lá é excelente, mas eu realmente preferiria que os meus tios não assistissem o nosso encontro do balcão. Seria “um pouco” constrangedor, hm?

A já familiar corrente elétrica percorreu o corpo de Amelia quando ela aceitou a mão oferecida por Remus. Ao invés de se afastar, contudo, Bloemer se aproveitou daquela proximidade para entrelaçar os dedos aos dele em um gesto carinhoso que reforçava ainda mais a sua determinação de sair com o rapaz. Era óbvio que Lupin ainda estava inseguro e precisava da certeza de que a garota não ia desistir daquele encontro nem mesmo se recebesse outro convite.

- Eu não vou mudar de ideia. – ao contrário da timidez de Remus, Bloemer não teve o menor constrangimento em admitir – Eu já não sabia mais o que fazer para que você notasse logo o meu interesse. Você tem fama de inteligente, mas não é muito esperto pra este tipo de coisa, hm?

As palavras de Amelia foram ditas em tom de brincadeira, mas era evidente que havia uma parcela de verdade na confissão dela. As suas tentativas em se aproximar dos marotos estavam se tornando cada vez mais óbvias, mas Remus não parecia notar que não era para Sirius que os olhos da menina se dirigiam sempre que eles estavam próximos.

- O que a sua mãe tem??

A preocupação ficou estampada em cada centímetro do rosto de Amelia quando o grifinório mencionou a doença da mãe. Como havia perdido a Sra. Bloemer há poucos meses, aquela ferida ainda estava longe de se cicatrizar e, na mente da novata, ela logo imaginou que Remus viveria a mesma tragédia.

A angústia de Amelia indicava que a menina não desconfiava da mentira inventada por Lupin. E se Albus Dumbledore havia autorizado Remus a ir visitar a mãe doente, era óbvio que não se tratava de um simples resfriado ou uma indisposição estomacal.

Uma das mãos de Bloemer continuou entrelaçada aos dedos do rapaz enquanto a outra tocou o rosto abatido dele, um detalhe que também reforçava a ideia de que havia algo muito sério com a saúde da Sra. Lupin.

- É algo sério? Eu posso ajudar de alguma forma?
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Jun 12, 2017 12:54 am

Faltar aulas não costumava combinar com o perfil de um típico aluno de Rowena Ravenclaw. Como claramente o chapéu seletor não tinha errado na escolha de Lucinda, se ausentar das aulas estava longe de acontecer em seu currículo impecável. Porém, depois do incidente do lago e da mente cansada após o encontro com Regulus, seria impossível tentar se concentrar em qualquer disciplina.

Depois de se livrar da água gelada do lago com um banho quente, Lucinda se acolheu no dormitório feminino e permitiu uma tarde de sossego pelo resto do dia. Ao ser questionada pelas amigas e pela prima, ela alegou uma simples enxaqueca que já começava a aliviar no início da noite.

Apenas quando todo o dormitório feminino do sexto ano estava mergulhado em um sono tranquilo, Lucinda se deixou escapar pelos corredores de Hogwarts até seguir o caminho para a Torre de Astronomia.

Depois de ter sofrido duas grandes quase tragédias, era muita coragem de Clearwater se esquivar sozinha durante a noite. O risco de esbarrar em algum professor ou com o zelador parecia ser o menor dos seus problemas. Mas a expectativa em rever Regulus, a esperança de flagrar novamente o sorriso nos lábios dele, bastava para incentivá-la a seguir adiante.

Ao contrário do Sonserino, Lucinda já tinha se livrado do uniforme azul quando chegou na Torre de Astronomia. A legging preta realçava as suas curvas, mas a blusa larga e de mangas compridas que vestia escondia os quadris estreitos. O tom acinzentado quase azul do tecido fazia lembrar o olhar de Black. Um dos ombros insistia em ficar nu quando a gola larga deslizava para o lado.

Os Clearwater poderiam exibir o sangue-puro que as famílias nobres tanto admiravam, mas era notável como a vida de dois comerciantes não podia trazer para sua filha qualquer tipo de luxo. Lucinda nunca sentiu que tivesse faltando algo, mas ao contrário das ricas meninas da Sonserina, era raro ver a ruiva exibindo roupas novas e caras.

Ainda assim, mesmo que não pudesse desfilar com um guarda-roupa incrível, os traços bonitos de Lucinda compensavam as vestes mais simples. Os fios ruivos estavam parcialmente soltos e caindo em ondas até a metade da cintura dela. Algumas mexas tinham sido repuxadas pelas laterais até serem presas na parte de trás de sua cabeça..

O lado Corvinal de Clearwater estava preparada para aquele encontro acadêmico. Mas a menina não tinha descartado a ansiedade de rever Regulus quando se atentou em passar uma leve maquiagem que realçava os olhos azuis.

No instante em que Black entrou em seu campo de visão, Lucy travou. Os ruídos dos seus passos na escada não foram suficientes para despertar a concentração do rapaz, e aquela cena fez com que a menina se derretesse por dentro.

Ela parou sob o portal da entrada da Torre e cruzou os braços enquanto o admirava. Um sorriso fácil brincou nos seus lábios rosados e Lucy se sentia privilegiada com aquela visão. Definitivamente era uma versão de Regulus Black que as pessoas não estavam acostumadas a ver. E era uma versão incrivelmente superior quando comparada a máscara de frieza que o rapaz usava.

Silenciosamente, ela atravessou o curto espaço até Regulus e se aproveitou da distração dele para rodeá-lo pelo tronco com seus braços. Por ser muitos centímetros mais baixa que ele, tudo que Lucinda conseguiu foi apoiar o queixo contra a omoplata de Black, inclinando o rosto para sussurrar na direção de seu ouvido.

- Então quer dizer que também existem nerds na Sonserina?

Parecia um gesto íntimo demais para dois colegas que começavam a se aproximar. Regulus Black definitivamente não parecia ser o tipo de rapaz que vivia abraçando as pessoas. Mas a espontaneidade de Lucinda, assim como ocorrera nos beijos estalados de agradecimento, fazia parte da sua personalidade.

- Desculpe o atraso, precisei esperar que a Mel dormisse. Ela anda fazendo perguntas demais...

Sem se desfazer do abraço, Lucy se aproveitou para olhar por cima do ombro de Black e estudar o mapa a sua frente com atenção. Seu lado curioso logo aflorou diante dos pontinhos que eram estudados pelo rapaz.

- Então? O que estamos procurando?
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Regulus Black em Seg Jun 12, 2017 1:48 am

Aquele abraço simbolizava um grau de intimidade que Regulus nunca havia dado a ninguém. O comportamento sempre tão sério e distante do sonserino era o bastante para manter as garotas afastadas e suas poucas tentativas de encontro geralmente se transformavam em alguns poucos gestos mecânicos e frios.

Com Lucy, contudo, as coisas aconteciam com uma naturalidade impressionante. Ao invés de se assustar ou se esquivar dos braços dela, Regulus se deliciou com um arrepio inédito que se espalhou pelo seu corpo, aquecendo-o por inteiro. Inconscientemente, Black levou as próprias mãos aos braços da menina e deslizou os dedos carinhosamente na pele delicada da ruiva.

Durante todo o resto da tarde, Black repetiu para si mesmo que, seja lá o que fosse aquilo que estava acontecendo entre ele e Clearwater, era algo que precisava parar. Os dois pertenciam a mundos diferentes e seus caminhos jamais iriam se cruzar no futuro. Embora Lucinda tivesse o sangue-puro que os Black tanto admiravam, ela jamais se encaixaria na vida luxuosa que Regulus possuía.

Entretanto, qualquer pensamento racional sobre o futuro dos dois evaporou da mente do sonserino quando a voz suave da menina atingiu seus ouvidos, arrancando dele mais um arrepio delicioso. Black simplesmente não estava mais raciocinando com clareza quando girou o corpo até se colocar de frente para a ruiva.

Lucy era linda, disso Regulus nunca tivera dúvidas. Ela merecia estar na Corvinal não só pela inteligência, mas também porque reforçava o mito de que as garotas mais bonitas de Hogwarts pertenciam à casa da bela Rowena Ravenclaw. Clearwater era o foco de muitos comentários maldosos entre as garotas da Sonserina por causa de suas roupas simples, dos livros de segunda mão e da vida modesta de sua família. Mas todas aquelas críticas mais pareciam uma tentativa desesperada das outras garotas para camuflar o fato de que, mesmo sem nenhum luxo, Lucy era estupidamente mais bonita que todas elas.

Desde o retorno das aulas, Regulus esperava ansiosamente pela oportunidade de usar a Sala de Astronomia. A chance do rapaz finalmente havia surgido, mas bastou que Lucinda chegasse para que os planos iniciais do sonserino fossem varridos para o lado. Ele realmente estava ali movido por um interesse acadêmico, mas a companhia de Clearwater mudou por inteiro o foco dele e fez com que Regulus se comportasse somente como um rapaz incapaz de controlar as batidas do próprio coração e o ritmo descompassado da própria respiração.

- Uma estrela.

Foi grande o esforço de Black para voltar ao assunto que o levara à torre naquela noite. Aquele dilema tinha corroído Regulus nos últimos dias, mas agora parecia uma tolice perder tempo com aquilo quando Lucinda Clearwater estava ao alcance dos seus dedos.

- Eu tenho uma luneta em casa. Durante as férias, eu estava revisando a matéria e tive a impressão de ter encontrado algo em um ponto onde, segundo o mapa, não deveria existir nada. Pode ter sido só uma ilusão ou um erro de magnitude das minhas lentes velhas, mas eu preciso conferir isso.

A história de Black era o suficiente para atiçar a curiosidade de qualquer um, mas ele mesmo não parecia mais tão empolgado com a própria descoberta quando ousou erguer uma mão para tocar em uma mecha dos cabelos alaranjados de Lucinda.

Ao contrário do que ocorrera com Crabbe, Lucy não teve motivos para se sentir acuada naquela noite. Os gestos de Regulus eram lentos e cuidadosos, o que daria à menina a chance de se esquivar daqueles toques com facilidade. A mesma mão que deslizou pelos cachos de Clearwater subiu devagar por um dos braços da garota. As pontas dos dedos de Black roçaram a pele exposta pela gola caída no ombro de Lucinda antes de se apoiarem na nuca dela.

O mesmo olhar intenso que ocorrera nas escadas se repetiu naquele momento, mas desta vez os dois não conseguiram se conter. Black não saberia dizer de quem fora a primeira iniciativa, já que ambos se inclinaram exatamente ao mesmo tempo. Os lábios se encaixaram com perfeição antes de começarem a se mover com harmonia.

Não era exatamente a primeira vez que os lábios dos dois se tocavam, mas Regulus não levava em consideração a sua tentativa desesperada de empurrar o próprio oxigênio para os pulmões da ruiva. Nada se comparava à sensação dos lábios quentes de Lucy se movendo sobre os dele, dos corpos se encaixando em um abraço firme, do perfume dela se impregnando nas vestes dele.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Jun 12, 2017 2:29 am

O peito de Remus parecia que iria explodir de orgulho diante da confissão de Amelia de que estava tentando chamar sua atenção nos últimos dias. No instante em que se afastasse dela, ele sabia que precisaria lidar com a racionalidade da situação. A maldição que carregava consigo impossibilitaria qualquer tipo de relacionamento e o fator Sirius Black era uma complicação a mais.

Mas os sentimentos que Lupin começava a nutrir por Bloemer eram fortes demais para serem ignorados. E pelo menos naquele momento, ele queria se agarrar à felicidade que a filha do Ministro Grego era capaz de lhe proporcionar.

As mentiras a respeito da saúde da Sra. Lupin traziam um amargo, como se já fosse a realidade batendo na porta e o obrigando a colocar os pés no chão. Ninguém além dos melhores amigos, do diretor de Hogwarts e da enfermeira sabiam a verdade. E as diferentes versões que Remus costumava contar aos colegas soavam com bastante naturalidade depois de anos de prática. Entretanto, ele se sentia um completo canalha em precisar usar aquela máscara diante de Amelia.

- Não se preocupe. Foi só um acidente doméstico. Ela já está se recuperando e irá receber alta em poucos dias.

Como se quisesse minimizar a traição das suas palavras, Remus se deixou levar mais uma vez pelo desejo de tocar Amelia. Uma das mãos continuava entrelaçada aos dedos dela, e com a outra, ele a ergueu até alcançar as pontas dos cabelos escuros, sentindo a maciez dos fios, ainda melhor do que sua mente havia fantasiado.

O lado racional de Lupin julgaria aquela cena completamente absurda se vista de longe. Mas a verdade era que se algum colega flagrasse a repentina proximidade entre o Grifinório e a novata da Corvinal, apenas estranharia o fato do tímido monitor conseguir a atenção da menina bonita e popular.

Ainda assim, era fácil admitir a harmonia daquela cena. A luz do sol brilhava na superfície do lago, servindo como o cenário perfeito para os dois jovens tão próximos um do outro. Mesmo sem o porte atlético dos típicos jogadores de Quadribol, Remus era alto e formava uma bonita silhueta ao lado de Amelia.

De perto, Bloemer ainda conseguia enxergar o sorriso que tornava o rosto abatido ainda mais atraente. E a inocência dos olhos âmbar era um ingrediente a mais na composição de Lupin.

- Eu não estaria fazendo planos se não tivesse certeza que estaria de volta. Não jogaria fora a minha chance de forma tão boba. Posso não ser inteligente para “certas coisas”, mas não sou um completo leigo, hm?

Os dedos que tocavam as pontas dos fios castanhos terminaram a carícia segurando o queixo de Amelia. Parecendo completamente sem jeito, claramente como alguém que não sabia lidar com situações como aquela, Remus se soltou da menina e recuou alguns passos, encerrando de forma abrupta a conversa que tinham acabado de ter.

O monitor tinha dado apenas três passos na direção do castelo quando sentiu o corpo começar a esfriar, junto com a súbita necessidade de voltar para perto de Amelia. Em um dia normal, Remus se repreenderia por aquele comportamento bobo e descabido. Mas a necessidade de se agarrar um pouco mais à anestesia que Bloemer lhe causava o obrigou a voltar tão repentinamente quanto tinha se afastado.

Remus precisou se inclinar para frente para conseguir alcançar um beijo no canto dos lábios de Amelia. O gesto foi rápido e tinha a intenção de atingir apenas a bochecha dela. Mas o calor que se espalhou pelo peito de Lupin impediu que ele se arrependesse daquele erro de cálculo.

Quando voltou a erguer a coluna, ele tentava conter o sorriso ao espremer os lábios e encarava Amelia ainda com um vestígio de timidez.


- Mal posso esperar por Hogsmead, Amelia. De verdade.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Amelia Bloemer em Seg Jun 12, 2017 3:07 am

Amelia não teria se esquivado de um beijo nos lábios, mesmo sabendo que era grande o risco de alguém presenciar aquela cena e espalhar a “novidade” para o restante do castelo em poucas horas. Contudo, a novata optou por respeitar a timidez de Lupin e a velocidade que ele precisava para digerir os últimos acontecimentos. Bloemer já estava acostumada a ser o centro das atenções, mas era compreensível que Remus quisesse se poupar da fofoca que inevitavelmente pararia Hogwarts.

O beijo no canto dos lábios foi o bastante para que a novata experimentasse um arrepio ainda mais forte. O adorável sorriso tímido de Lupin contribuía para que ele parecesse ainda mais doce e atraente aos olhos de Amelia. Bloemer nunca se comportara como uma garota melosa e romântica, mas naquela tarde as palavras simplesmente saltaram de seus lábios sem nenhum controle.

- Eu vou sentir a sua falta. Não demore.

Parecia uma tolice sentir a falta de alguém que ela acabara de conhecer, mas Amelia não tinha dúvida de que a ausência de Lupin nos próximos dias seria dolorida. A novata já estava acostumada a procurar por ele sempre que entrava no Salão Comunal e seria frustrante não encontrar o rosto de Remus em seu costumeiro lugar, rodeado pelos amigos.

Antes que os dois se afastassem, Bloemer repetiu o gesto do rapaz e inclinou-se para depositar um beijo carinhoso no canto dos lábios dele. As mãos se tocaram mais uma vez e Amelia questionou mentalmente se Remus também era capaz de sentir aquela estranha eletricidade entre os dois.

Com um último sorriso, a novata olhou Lupin por cima de um dos ombros, num desejo de guardar a imagem daquele sorriso na memória. Amelia não tinha a menor dúvida de que sentiria uma saudade sufocante daquele sorriso nos dias que estavam por vir.

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- Lupin? Remus Lupin?

A entonação incrédula de Savannah deixou Amelia visivelmente irritada. A novata buscou por algum apoio nas outras duas amigas, mas Georgina e Lucinda pareciam igualmente surpresas em saber quem acompanharia Bloemer em seu primeiro passeio a Hogsmeade.

- Remus John Lupin. Monitor da Grifinória. Um dos marotos... – a morena cruzou os braços e encarou as três com uma expressão firme – Por que o espanto?

- Ahn, nada... – Savannah ergueu um dos ombros antes de forçar um sorriso – Eu acho o Lupin bonitinho, ele também é super gentil. Eu só achei que...

A loira se calou com um nítido receio de completar a frase. Os olhos castanhos de Amelia estavam estreitados de forma ameaçadora, como se a menina estivesse pronta para atacar as amigas diante de qualquer crítica contra o seu acompanhante.

- O que a Annah quer dizer... – Georgina se meteu em defesa da amiga – É que a gente achou que o seu interesse nos marotos fosse por causa do Black. Estamos surpresas com esta reviravolta, mas nada contra o Lupin! Ele é realmente um fofo.

- Pois é! – Savannah concordou com a cabeça antes de começar a tagarelar – É que o Black está investindo tão pesado em você que nós achamos que acabaria rolando algo. Como você conseguiu resistir, Mel? O Black é totalmente “uau”.

Bloemer jamais discordaria da óbvia beleza de Sirius Black. O melhor amigo de Remus tinha traços perfeitos, uma personalidade divertida e um sorriso desconcertante. Contudo, Sirius não despertava na novata um centésimo das reações que Amelia tinha ao lado de Lupin. Bloemer não se sentia nem meramente insegura sobre a escolha que fizera naquela tarde.

- Concordo. Sempre que eu vejo o Black, uma vozinha na minha mente repete: “Uau, que mala!”. – os olhos de Amelia giraram de forma divertida – Eu queria ver a cara dele quando souber que eu vou sair com o Lupin. Espero que ele honre a fama dos grifinórios e seja honrado o bastante para ficar feliz pelo amigo.

Aquela conversa mais íntima entre as amigas acontecia no dormitório das meninas na Corvinal. Não era incomum que Savannah e Georgina tagarelassem sobre as suas conquistas, mas era a primeira vez que Amelia falava com elas sobre um garoto. Bloemer não via nenhuma razão para manter aquele segredo, principalmente porque não via nenhum problema em estar interessada em Lupin.

O sorriso de Amelia só vacilou quando ela buscou pelo rosto da prima. Tanto Remus quanto Lucinda já tinham deixado claro que os dois eram apenas amigos, mas ainda assim a novata demonstrou um pouco de receio diante da possibilidade de Lucy nutrir algum outro tipo de sentimento pelo monitor.

- Lucy...? Você realmente não gosta dele, não é? Eu só deixei que as coisas fossem adiante porque você me garantiu que vocês eram só bons amigos.

A insegurança de Amelia se devia ao fato de Lupin parecer o par ideal para Lucinda. Os dois eram estudiosos, doces e pareciam se dar muito bem sempre que ficavam próximos. Por mais que estivesse a cada dia mais encantada pelo monitor, Bloemer não pensaria duas vezes antes de se afastar para deixar livre o caminho da prima.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Jun 12, 2017 3:14 am

A Torre de Astronomia poderia trazer más recordações para Lucinda. Mas naquela noite, servia como o cenário perfeito para que ela finalmente saciasse o desejo do beijo de Regulus sem se preocupar se teria alguém cruzando o corredor para criar fofocas em seguida a respeito daquele improvável casal.

Se Black tinha tanto cuidado em não deixar que as pessoas soubessem a respeito dos seus nobres gestos em salvar uma colega, ele dificilmente gostaria de ser visto aos beijos com a piada preferida dos Sonserinos. Mas a verdade era que não era apenas Regulus que precisava manter aqueles acontecimentos em segredos.

Para alguém inteligente, Lucinda estava tendo uma grande dificuldade em entender o que estava acontecendo entre ela e Black. O desejo e os sentimentos que brotavam eram bastante óbvios, mas nada daquilo fazia sentido quando parava para analisar a situação de fora, sem levar em consideração seu coração acelerado. Por isso, antes que histórias começassem a correr junto com os quadros e colegas do castelo, ela precisava saber o que tudo aquilo significava.

Mas toda a razão e análise ficaria para um momento em que ela não precisasse reunir todos os seus sentidos no beijo de Regulus. Diferente do rapaz, Clearwater não tinha dificuldades em demonstrar afeto ou intimidade. Durante toda a sua infância, os pais tinham demonstrado um grande carinho com abraços, beijos e declarações constantes de amor. Em Hogwarts, Lucy já havia tido alguns encontros e um relacionamento mais sério com um colega da Corvinal. Ainda assim, ela jamais havia se sentido como naquela noite.

Talvez fosse o tempero do mistério ou do improvável encontro. Mas todo o corpo de Lucy respondia instintivamente aos toques de Regulus e ela retribuía com o mesmo entusiasmo.

Seus braços rodearam o pescoço dele e, assim como nas vezes em que depositou um beijo em sua bochecha, Lucy precisou ficar na ponta dos pés para não quebrar o contato. Assim como havia acontecido na beira do lago, ela se sentiu aquecida e protegida. O coração quase saltava para fora do peito e os arrepios que se espalhavam pelo seu corpo eram impagáveis.

Mesmo quando seus pulmões começaram a protestar, Lucinda se afastou apenas para recuperar o ar. Os olhos azuis brilhavam intensamente quando ela procurou pelas íris acinzentadas por breves segundos antes de mergulhar em mais um beijo apaixonado.

Depois de longos minutos, quando nenhum dos dois seria capaz de dizer exatamente quanto tempo exatamente tinha se passado, o segundo beijo chegou ao fim. Os pés de Lucinda tocaram o chão por completo, mas ela se manteve unida ao corpo de Black, se sentindo acolhida pelo calor que vinha dele.

- Então você andou estudando durante as férias... E pode ter encontrado uma estrela?

Voltar ao assunto que realmente tinha levado os dois até ali parecia uma bobagem, mas Black havia mesmo prendido o seu interesse com aquela possível descoberta. Além do mais, se não tentasse seguir por aquele caminho seguro, Lucy temia pelo que poderia ser dito ou por um possível arrependimento do Sonserino.

Ela deixou que seus braços deslizassem até se soltar de Regulus, e os cruzou contra o peito ao estuda-lo brevemente. Suas sobrancelhas finas foram arqueadas quando ela completou, abrindo um sorriso torto.


- Você sabe mesmo como impressionar uma Corvinal, não é?

Lucy mordeu o lábio inferior e inclinou a cabeça na direção do mapa estrelar que era estudado por Regulus quando ela chegou na Torre de Astronomia. Os braços foram descruzados apenas para que uma das mãos se entrelaçasse com as de Black, o puxando de volta para perto da parede.

- Uma estrela... Parece impressionante, Regulus. Mas você sabe que eu também faço Astronomia, não é? Não vai ser tão fácil me enganar.

As provocações de Clearwater deixavam claro que ela não duvidava da possibilidade de Black ter encontrado uma nova estrela. Mas também não escondia o quanto ficaria impressionada se aquilo realmente fosse verdade.

Mantendo seus dedos entrelaçados aos dele, os olhos azuis passearam pelos pontinhos que representavam as constelações, tentando interpretar os números e as minúsculas letras.

- Então? Por onde começamos?
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Regulus Black em Seg Jun 12, 2017 3:50 am

O inédito sorriso travesso que surgiu nos lábios de Regulus combinava com a postura de um rapaz que havia inventado uma mentira extraordinária só para impressionar uma garota. Mas todo o esforço refletido nas anotações e nos livros espalhados pela mesa indicava o contrário.

- Por Salazar, agora eu quero mais do que nunca que seja verdade. Você vai se sentir insuportavelmente convencida se pensar que eu inventei tudo isso só para te atrair para cá.

Assim como Lucinda, o sonserino fugiu de uma conversa mais séria sobre o que estava havendo entre os dois. Regulus sabia que não havia nenhuma possibilidade de uma conversa racional terminar bem, e a última coisa que Black queria naquele instante era estragar aquele momento mágico com Lucy.

- Foi bem aqui... Ascenção reta de zero horas, quarenta minutos, trinta e oito segundos. Declinação de cinquenta e seis graus positivos.

O indicador do rapaz indicou um ponto vazio no mapeamento de Cassiopeia. Propositalmente, Black gesticulava com a mão livre para não precisar romper o contato com os dedos da ruiva entrelaçados aos seus. Se Lucy ainda tinha alguma dúvida sobre as intenções do sonserino naquela noite, o discurso de Regulus deixaria bem claro que ele não era nenhum amador em Astronomia.

- Minha lente estava ajustada na magnitude de -2,27. Eu consegui visualizar todas as estrelas da constelação, mas exatamente neste ponto havia um brilho que não consta no mapa estrelar de nenhum livro. Eu reduzi a magnitude para descartar a possibilidade de sobreposição de alguma outra estrela próxima, mas o brilho continuou lá.

Sem romper o contato com Lucy, Regulus se inclinou para puxar da mesa um dos pergaminhos. O rapaz havia desenhado ali uma réplica perfeita das estrelas de Cassiopeia e, no exato local apontado pelo sonserino, ele acrescentara um pontinho.

- A minha luneta é uma piada perto dos telescópios daqui. Eu acho bem improvável que realmente seja uma nova estrela, mas quero saber o que é. – o rapaz ergueu um dos ombros, em uma tentativa de reduzir um pouco as próprias expectativas – Talvez seja só o reflexo de uma das estrelas vizinhas, ou um arranhão na lente.

Geralmente os rapazes das famílias tradicionais aproveitavam as férias para viajar, ou para participar de festinhas luxuosas com os amigos. Regulus, contudo, havia gastado boa parte dos seus dias de folga naquela pesquisa. Cada vez ficava mais óbvio que o caçula dos Black não se encaixava na própria vida.

- Fiz todos os cálculos e descobri que hoje é a noite perfeita para tentar achar este ponto novamente. A inclinação rotacional é favorável, a posição da lua não vai ofuscar Cassiopeia. E o céu está limpo. – Black lançou um de seus raros sorrisos para Lucinda – Dizem que quem descobre uma nova estrela tem o direito de dar seu nome a ela. Então eu sugiro que você tire esse olharzinho de descrença do rosto e comece a criar expectativas.

Como Clearwater pareceu não compreender as insinuações do sonserino, Regulus se viu obrigado a ser mais claro.

- Já existe uma estrela Regulus em Leão. – uma das sobrancelhas do rapaz se arqueou – Então, esta pode ser a estrela Lucy de Cassiopeia.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Jun 17, 2017 12:24 am

- Melhoras par a sua mãe, Lupin!

- É, cara! Mande notícias!

Os trincos da mala ecoaram com um som metálico enquanto Remus esboçava um sorriso amarelo na direção de Frank Longbotton. Sentado no meio da própria cama, Peter Pettigrew devorava o último pedaço de sapo de chocolate com os dedos lambuzados enquanto encarava a mesma cena que se repetia mensalmente. James Potter ocupava o espaço onde deveria estar o travesseiro de Lupin enquanto brincava com um pomo-de-ouro em seus dedos, enquanto Sirius Black permanecia de pé, apoiado sobre a armação da cama vizinha.

Com exceção de Longbotton, o trio que formava os marotos além do lobisomem que se preparava para sair do dormitório tinham semblantes parecidos, todos já sabendo da noite que estaria por vir. Todos já preparados para invadir a noite em suas formas animagas e deixar o conforto de suas camas para mais uma aventura ao lado de Lupin.

- Nós vamos te acompanhar.

Ao notar que Lupin se preparava para sair, Potter deu um salto da cama, e como um bom líder, fez com que os demais amigos o seguissem sem precisar de um pedido. Em resposta, Remus apenas abriu um sorriso de agradecimento enquanto carregava consigo uma mala surrada com roupas que ele não usaria durante suas transformações, mas que serviam como uma desculpa perfeita para quem pretendia se ausentar por alguns dias.

Como perfeitas sombras, os quatro rapazes deixaram o Salão Comunal da Grifinória e só ousaram abrir a boca outra vez depois que encontraram os corredores desertos a caminho da enfermaria, onde a velha enfermeira faria o habitual trabalho de acompanha-lo até a Casa dos Gritos.

- Nós só precisamos esperar que o Frankie e os caras caíam no sono. Mas não vamos demorar. – James assegurou em um sussurro, como se por algum momento Remus pudesse ter sido capaz de questionar a companhia deles naquela noite.

- Eu sei. – Lupin respondeu com tranquilidade, mergulhado na confiança cega que tinha pelos amigos. - Wormtail, você sabe o que aconteceu da última vez que comeu tantos doces.

Pettigrew, que acompanhava os três rapazes apenas dois passos atrás, ergueu seu olhar das varinhas de alcaçuz que havia acabado de desembalar e interrompeu uma mordida bruta com olhar de culpa.

- Eu sempre fico com fome quando a gente se transforma. – Peter tentou se justificar, mas o olhar de repreensão que recebeu de Black e Potter o fez bufar e guardar o doce de volta ao bolso.

Os quatro seguiram o caminho e desceram alguns lances de escadas até Lupin sentir o intenso olhar de James em si. Se sentindo tão culpado quanto Pettigrew com o doce, ele arqueou as sobrancelhas castanhas e procurou pelo rosto do amigo com sua expressão mais inocente possível.

- Você está calmo demais. – Potter disparou, sem se deixar enganar. A forma com que sua testa franzia denunciava toda desconfiança.

- São muitos anos de prática. – Lupin balançou os ombros, o que obrigou Potter a sacudir a cabeça em negação.

- Não é isso. Tem alguma coisa diferente.

A observação de Potter obrigou Black a também voltar sua atenção para o lobisomem. O queixo de Remus caiu quando os dois pares de olhares se prenderam com curiosidade, estudando cada centímetro do seu rosto a procura de alguma pista.

- O Prongs tem razão. O que tá pegando, Moony?

- O quê?!

Remus ergueu as mãos no ar, como se tivesse pego em flagrante. Mas seu coração disparado já era um indício de que ele sabia exatamente do que os amigos estavam falando. Enfrentar a Lua Cheia nunca era uma tarefa fácil, não importava o quanto aquilo já fosse rotina em sua vida. Naquela noite, entretanto, Lupin seguia para o seu destino com a certeza de que quando retornasse ao castelo, teria o encontro com Amelia como recompensa.

- É por causa da Bloemer?

Se o corpo debilitado de Remus já estava prevendo a entrada da Lua Cheia, o coração pareceu ignorar aquela fraqueza quando quase saltou pela boca diante da pergunta de Pettigrew. O questionamento aparentemente sem sentido apenas atiçou a curiosidade de James e Sirius ao notarem que os olhos cor de âmbar estavam arregalados, típicos de quem tinha sido pego no flagra.

- O que tem a Amelia??? – Sirius cruzou os braços e interrompeu a caminhada, desta vez com toda sua curiosidade voltada para o amigo.

Ao contrário de Sirius e da fama do raciocínio mais lento, James compreendeu o que estava acontecendo. Os olhos castanhos se arregalaram por trás das lentes dos óculos e seus lábios se formaram um “O” em meio ao sorriso maroto.

- Eu sabiiiiia! Você ganhou a garota do Paddy!!!

Era a segunda vez que Potter fazia aquela insinuação. Mas diferente do que havia acontecido no Salão Principal, quando Lupin tinha certeza de que aquela ideia era absurda demais, foi fácil driblar a situação. Porém, a forma com que as pálpebras de Remus cobriram as íris claras e ele suspirou derrotado foi suficiente para entregar a verdade.

- Você e a Amelia? – Sirius soletrou cada sílaba, apontando o indicador no ar como se precisasse desenhar a situação para que todos compreendessem. – Tá rolando alguma coisa entre você e Amelia Bloemer? A novata que veio da Grécia?

- Não! – Remus respondeu com firmeza, procurando desesperadamente o olhar do amigo. – Não tá rolando nada, Paddy!

A tentativa de se agarrar naquela meia verdade foi fracassada diante da sensação de culpa que consumia Remus. Foi fácil fechar os olhos e se esquecer da insistente conquista de Black com a novata da Corvinal quando tudo que os olhos âmbar enxergavam era Amelia. Era simples demais não se sentir culpado quando a presença de Bloemer o anestesiava de todas as frustrações.

Mas com a mesma facilidade que ele se sentia bem ao lado de Amelia, Remus se sentia miserável pela traição que estava fazendo com o amigo. Sirius podia ter uma fama de conquistador, ter uma considerável lista de meninas em seu histórico, mas ele não havia tentado disfarçar seu interesse em Amelia. Ainda assim, Remus se deixou levar pelos sentimentos que a menina lhe despertava e ignorara por completo o fator “Sirius Black” naquela equação.

- Nós só... Combinamos de ir a Hogsmead no próximo passeio. – Remus se rendeu a culpa, na esperança de que sua sinceridade minimizasse o estrago de suas escolhas.

A forma estática que Sirius permaneceu nos segundos seguintes era suficiente para demonstrar a sua incredibilidade. Os olhos cinzentos permaneceram presos em Lupin, os lábios entreabertos enquanto sua mente travava uma batalha para compreender o significado daquilo.

Enquanto Black tentava interpretar e aceitar o próprio ego, a reação do amigo fez com que o peito de Lupin se apertasse. É claro que Remus tinha consciência do quão bizarro parecia a ideia de que a menina mais bonita do Castelo, que despertava a atenção de praticamente todos os rapazes, tinha lhe escolhido dentre tantos. E por ter sido tão óbvio com seus interesses com Bloemer, Sirius tinha suas razões para estar chocado. Mas foi impossível ignorar um gosto amargo em sua garganta.

Todo o castelo acharia impossível que o estudioso monitor de saúde tão delicada fosse capaz de despertar o interesse de Amelia Bloemer. Mas aquilo havia acontecido. E o peito de Remus se aquecia sempre que se lembrava da cena no lago, quando a voz de Amelia voltava a encher sua memória dizendo que sentiria sua falta. Aquela felicidade era real e era a única coisa que importava. Seria fácil ignorar qualquer comentário ou olhar malicioso pelo corredor, desde que ele não reconhecesse aquele mesmo preconceito em um rosto tão amigo.

- Você chamou a Amelia para sair? E ela disse sim?

Os lábios de Sirius começavam a formar um sorriso, mas Remus já o conhecia bem o bastante para saber que não era um sorriso de alegria ou felicidade. E foi mais um soco no estômago ao perceber que Sirius realmente não acreditava que havia perdido aquela batalha, quase como se o visse como insignificante demais para despertar o interesse de Bloemer.

Remus já havia ensaiado um pedido de desculpas em sua mente, uma infinidade de justificativas e até abriria mão daquele encontro se Sirius parecesse realmente arrasado. Mas o animago parecia como um rapaz arrasado que via a garota que gostava com outro. O brilho malicioso em seu olhar o deixava ainda mais parecido com um Sonserino. E por se sentir tão inferior, o monitor quis provar a Black que sim, Amelia tinha o escolhido.

- É, simples assim. – Remus cruzou os braços e parou diante de Sirius com um olhar desafiador que não combinava com sua personalidade mais gentil.

- Então você chamou ela para sair, mesmo depois da conversa que tivemos? – Sirius deu um passo para frente, o que fez com que Remus engolisse em seco, mas sustentando o olhar.

- Por que? Ela tinha alguma plaquinha, “Propriedade de Sirius Black”?

O tom irônico de Remus fez com que James arregalasse os olhos, mas antes que o amigo pudesse intervir, as palavras saltaram da boca do lobisomem como se tivessem vida própria.

- Se a gente não pode falar com nenhuma das suas conquistas, vamos ter a população de Hogwarts reduzida na Murta-Que-Geme.

- Wooow! – James se meteu entre os dois amigos quando o olhar de Sirius se estreitou. – Tá legal, vamos recuar um pouquinho, vocês dois estão quase se beijando, hein?

- Pela fama do Padfoot, isso não seria tão surpreendente assim. – Remus ignorou a presença de Potter e continuou com os olhos grudados em Sirius.

- Você é inacreditável, Lupin!

O queixo de Pettigrew despencou ao escutar o sobrenome de Remus soando no lugar do conhecido apelido, mas antes que ele tivesse a chance de se recuperar, um empurrão no ombro esquerdo do lobisomem fez com que o amigo cambaleasse diante dos seus olhos.

- PADFOOT!!! – Potter se meteu na frente de Sirius e apoiou as mãos contra o peito do batedor do time. – VOCÊ ENLOUQECEU???

- Me solta, Prongs! Eu não vou bater nesse covarde. – Os braços de James foram afastados com brutalidade enquanto Black recuava. – Ao menos um de nós tem o mínimo de honra.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Jun 17, 2017 1:08 am

Os olhos azuis continuaram presos em Regulus por alguns segundos até compreender o significado das palavras dele. Naquele momento, mesmo que fosse muito pouco provável que realmente existisse uma nova estrela descoberta por ele, Lucinda se sentiu aquecer e derreter sob o olhar do rapaz.

Black havia salvado sua vida duas vezes. Poucos alunos arriscariam a própria vida para se jogar em um lago escuro e frio para salvar outra pessoa. Muito provavelmente, caso esta raridade acontecesse, o aluno carregaria no peito o distintivo da Grifinória pela sua coragem. Parecia impossível imaginar que logo um Sonserino tivesse protagonizado aquele papel.

Mas cada vez mais, Lucy tinha certeza que Regulus não era como os outros alunos de Salazar. O chapéu seletor jamais teria errado na seleção de Black, o que significava que ele certamente tinha as qualidades que Slytherin tanto prezava. Mas os olhos de Clearwater brilhavam por descobrir que havia muito mais de Black do que ele permitia passar.

- Então eu sugiro que a gente comece a trabalhar agora mesmo. – Ela apoiou o queixo contra o braço dele, alargando o sorriso. – Não é qualquer garota que ganha uma estrela em um primeiro encontro.

As bochechas de Lucy coraram no instante em que ela escutou as próprias palavras. Seu rosto ficou tão corado quanto o vermelho dos cabelos e ela desviou o olhar para fugir do próprio constrangimento.

- Não que isso seja um encontro... Mas ainda vou ganhar a minha estrela, não vou?

A tentativa de piada foi o suficiente para fazer o clima voltar ao normal. E sem pensar duas vezes, Lucinda se agarrou na chance de debruçar sobre os livros e anotações feitas por Regulus.

Sem que tivessem consciência, o tempo foi passando enquanto trocavam alguns papéis, consultavam novamente as posições corretas que precisariam deixar o telescópio. A lente foi trocada pelo menos duas vezes e os botões eram girados constantemente até estarem de acordo com as anotações de Black.

Lucy ainda estava debruçada sobre a mesa, diante de um pergaminho, quando terminou os últimos ajustes. A ponta da varinha passou pelo papel e, magicamente, a coloração amarelada se transformou transparente, onde apenas os pontos feitos pelas penas, que formavam a constelação de Cassiopeia, se sobressaíam.

- Para não ter erro... – Ela garantiu, caminhando até a ponta do enorme telescópio.

Com cuidado, Lucinda ficou na ponta dos pés, se esticou e apoiou a pequena transparência sobre a lente. Então, em seguida, se voltou para ponta oposta, procurando enxergar o céu.

Através da lente, era fácil distinguir o brilho natural do céu com os pontinhos pretos que se encontravam, marcando a exata posição de cada estrela. E exatamente como Black havia dito, um pontinho a mais brilhava, sem nenhuma marcação da pena com concorrência.

Ao invés de dizer qualquer coisa, Lucinda deu um passo para trás e ofereceu o telescópio ao rapaz, procurando ao máximo conter o sorriso e ignorar o coração disparado.

- Veja você mesmo....

***

O sorriso bobo brincava nos lábios de Lucy enquanto ela relia as palavras no pergaminho amassado e rasgado que tentava esconder entre seus lençóis e travesseiros, protegido dos olhares curiosos das amigas.

Ao alcance dos seus dedos, ela tocava os pontinhos que formavam Cassiopeia, passando ainda mais tempo sobre a letra bonita de Regulus Black onde ele completava em um pontinho quase isolado o nome “Lucy”.
Mesmo para uma nerd da Corvinal, Lucinda não costumava se isolar da conversa das amigas quando o assunto era “garotos”, mas naquela noite em particular, ela parecia profundamente distraída em seu próprio mundinho feliz. Apenas quando o nome de Remus Lupin ecoou dos lábios de Amelia, a ruiva se viu obrigada a prestar atenção.

Assim como Georgina e Savannah, Lucinda também arqueou as sobrancelhas em surpresa, mas evitou verbalizar aquele espanto. O pergaminho foi enfiado por baixo do travesseiro e ela se voltou para Amelia, tentando interpretar o que havia por trás dos olhos castanhos.

Bloemer era linda e popular. Havia se adaptado em Hogwarts com uma incrível facilidade e Lucy se arriscaria a dizer que já era mais conhecida do que ela própria, que vivia no castelo há seis anos. As claras investidas dos rapazes contribuíam para a surpresa das meninas na Torre da Corvinal ao ouvir que a escolha de Amelia tinha sido o tímido Lupin.

Mas a surpresa de Lucinda não tinha nenhuma relação com as desconfianças de Amelia a respeito de qualquer interesse que pudesse existir da ruiva com o monitor da Grifinória. Por isso, Lucy permaneceu com um semblante tranquilo quando recebeu a pergunta direta a respeito de qualquer sentimento que pudesse existir.

- O Remus é um fofo, Mel. Acredite em mim, já passei tempo suficiente com ele na biblioteca para notar como o sorriso dele consegue ser tão desconcertante quanto o do Sirius. Se quer saber a minha opinião, as pessoas subestimam ele.

Lucinda se revirou até se deitar de barriga para baixo, levando a cabeça e o travesseiro até os pés da cama para manter a interação daquela conversa. Inconscientemente, ela buscou pelo pergaminho e só continuou depois de sentir a textura, quase como se pudesse tocar Regulus outra vez.

- Mas não, eu não gosto dele. Nunca gostei do Remus desta forma.

A tranquilidade no olhar e o sorriso sincero de Lucinda reforçavam suas palavras, sem deixar brechas para dúvidas. Chegava a ser ridículo se imaginar com outro rapaz quando claramente seu coração já saltava com a simples lembrança de Regulus Black.

Ao contrário das amigas, Lucy não podia compartilhar naquela rodinha que a sua falta de interesse em Remus era ainda mais fácil de compreender por causa de Regulus. Mas a ansiedade de compartilhar o mínimo daquela felicidade fez com que ela driblasse as palavras, deixando o sorriso se alargar bobamente.

- Além do mais, eu prefiro o Black.

Um risinho escapou dos lábios de Lucinda ao notar que, mais uma vez, Savannah e Georgina pareciam surpresas com o que era revelado naquele quarto. E a ruiva se deliciava ainda mais com aquele segredo, por saber que não precisava usar o nome de Regulus para extravasar um pouco da felicidade.

Lucy já havia tido alguns poucos namorados e seu último relacionamento havia terminado depois que o ex-monitor da Corvinal se formara, no ano anterior. Por ser sempre mais dedicada aos estudos, não era comum ouvir a ruiva suspirando por meninos, mas o sorriso dela não deixava dúvidas de que seu interesse não era meramente platônico.

- Pode ficar tranquila, Mel. O Remus é só meu amigo. Eu ainda prefiro os olhos cinzentos do Black e aquela covinha...
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Amelia Bloemer em Dom Jun 18, 2017 3:57 am

- Ela é só uma garota. E não brigamos por causa de garotas, cara.

As palavras de James Potter ecoaram pela estufa silenciosa. Poucos alunos costumavam frequentar aquela parte do castelo fora das aulas de Herbologia e o fato de já ter passado de dez da noite reduzia ainda mais a chance dos marotos serem pegos durante aquela conversa. Graças ao Mapa do Maroto e à capa de invisibilidade de James, os três rapazes tinham ainda mais certeza de que não tinham sido vistos no caminho da torre da Grifinória até ali.

- A Lily é “só uma garota” para você, Prongs? – Sirius Black rebateu com os olhos perigosamente estreitados – Você ficaria de boa se um de nós puxasse o seu tapete e ficasse com a Lily?

- É diferente. Lily e eu estamos namorando e...

- Até o ano passado você nunca tinha recebido nem mesmo um “sim” dela. Exatamente como a Bloemer e eu. Não vejo nenhuma diferença. Volte no tempo em um ano e me diga como você se sentiria se soubesse que a Lily havia aceitado sair com um de nós.

Enquanto os dois melhores amigos travavam aquela conversa tensa, Pettigrew dividia a sua atenção entre o Mapa do Maroto e o relógio de pulso. Já havia se passado muito tempo e os três precisavam seguir o restante do caminho até a Casa dos Gritos, mas Peter não estava certo de que a equipe estaria completa naquela noite. Sirius havia seguido os passos deles para fora do dormitório simplesmente porque não podia ter aquela discussão na frente dos demais colegas, mas era óbvio que Black não pretendia se arriscar naquela madrugada para ajudar um traidor.

- Eu sou apaixonado pela Lily há anos. Você conheceu a Bloemer há poucos meses. E com a sua fama, Paddy, ninguém pode julgar o Moony por pensar que não era nada sério...

- A minha fama??? – Black ergueu um pouco a voz, mas controlou-se após um “Ssshhh!” de Pettigrew – Eu esperava ser julgado assim por qualquer um neste castelo, menos por vocês. Então é isso? Você acha que eu sou incapaz de gostar de verdade de uma menina??? É diferente com a Bloemer, ok? Eu gosto dela pra valer.

- Você nunca me disse que...

- Eu disse pra ele! – Sirius novamente interrompeu o melhor amigo e apontou na direção que eles deveriam seguir para chegar à Casa dos Gritos – Eu fui idiota o bastante pra confiar naquele traidor e disse pra ele que eu gostava da Amelia de verdade. Com ela eu queria que fosse diferente! Ele sabia! E é isso que eu não consigo perdoar.

Cansado com a tensão daquela conversa, Potter enfiou os dedos atrás das lentes para coçar os olhos. A respiração pesada do apanhador da Grifinória ecoou pela estufa e o silêncio se prolongou por quase um minuto inteiro antes que a voz de James novamente repercutisse na noite silenciosa que caía sobre Hogwarts.

- São quase sete anos de amizade que vão acabar por causa de uma menina. É isso mesmo, Paddy? Depois de tudo o que já passamos você vai dar o fora?

- Não é por causa de uma menina. É por causa da traição dele! – Sirius novamente apontou na direção da Casa dos Gritos – Eu ainda não acredito que a Amelia disse “sim” pra ele. Talvez ela só tenha feito isso para me atingir, já pensou nesta possibilidade???

Mais uma vez, a estufa mergulhou em um silêncio pesado. O brilho de compreensão nos olhos miúdos de Pettigrew mostrava que as palavras de Sirius faziam algum sentido na cabeça dele. Para Peter, era totalmente plausível a hipótese de Amelia Bloemer estar usando Remus para chamar a atenção do amigo mais popular do lobisomem. Potter, por outro lado, sacudiu a cabeça em negativa e dirigiu um olhar profundamente decepcionado ao melhor amigo.

- Não, Paddy, eu não pensei nisso. Eu pensei que a Bloemer é uma menina legal que enxergou as qualidades do Moony, e também pensei que ele tem o direito de ser feliz. Se eu fosse um sonserino, talvez eu tivesse pensado logo nesta interpretação maldosa e deturpada dos fatos. Mas o Chapéu Seletor não teve nenhuma dúvida comigo.

A alfinetada de James fez com que o clima ficasse ainda mais carregado no interior da estufa. Depois de quase sete anos na Grifinória, ninguém se atreveria a dizer que Sirius Black não se encaixava na casa dos leões. Mas os melhores amigos sabiam que Sirius ainda se atormentava com o fato do Chapéu Seletor ter cogitado colocá-lo na Sonserina, junto com todos os outros Black.

- Você precisa limpar esses malditos óculos se não está enxergando que eu fui traído, Prongs!!!

- Tá, o Moony pisou na bola, ele deveria ter falado com você e blá-blá-blá. Mas são sete malditos anos de amizade que você está jogando pela janela, Paddy! Ele está lá e precisa muito da gente... É isso que amigos fazem. Depois vocês podem conversar e acertar as coisas, mas hoje temos trabalho a fazer. – foi a vez de James apontar na direção da Casa dos Gritos – Já perdemos tempo demais. Você vem com a gente ou não?

A cabeça de Black se sacudindo em uma breve negativa dispensou a necessidade de uma resposta verbal. A capa de invisibilidade largada sobre uma das bancadas foi atirada sem muita delicadeza na direção de Sirius antes que Potter empurrasse a porta da estufa. Pettigrew enfiou o mapa no bolso do casaco e lançou um olhar de desculpas a Black antes de seguir os passos de James, rumo a mais uma noite de lua-cheia.

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- O Black? Sério?

Foi a vez de Amelia demonstrar uma nítida surpresa diante da confissão da prima. A novata já havia percebido que Sirius Black tinha um generoso fã clube dentro do castelo de Hogwarts, mas ela nunca imaginou que justamente Lucinda faria parte daquele grupo. A ruiva parecia sensata demais para se deixar levar por um sorrisinho bonito de um garoto arrogante e galanteador.

- Qual é, Mel? – os olhos azulados de Savannah giraram – A gente já notou que você não gosta do Sirius, mas nem mesmo você pode dizer que ele não é bonito. Ele tem um milhão de defeitos e tal, mas é lindo. De morrer.

- Sim, ele é. Mas ser lindo de morrer não é uma qualidade que me faz admirar um garoto. Eu só estou surpresa porque pensei que a Lucy pensava como eu. Nunca pensei que a veria suspirando pelo Black.

Mesmo sendo nova em Hogwarts, Amelia Bloemer já conhecia a famosa família Black e sabia que o irmão caçula de Sirius também estava em Hogwarts. Mas o fato de Regulus Black pertencer à Sonserina e não ter qualquer tipo de proximidade com os alunos de outras casas fez com que a novata nem cogitasse a possibilidade de Lucy estar suspirando pelo caçula naquela noite.

Era um alívio saber que Clearwater não queria ultrapassar as barreiras da amizade com Lupin, mas ao mesmo tempo Amelia se sentia confusa em imaginá-la com Sirius. Definitivamente aquilo não combinava com a postura sempre sensata e racional de Lucinda.

- Só tenha cuidado, certo, Lucy?

Mesmo que Amelia imaginasse que a prima estava apaixonada pelo Black mais velho, aquele conselho se encaixou com perfeição para a atual situação de Lucinda.

- Mantenha os pés no chão com o Black. Ele não me parece nada confiável. Eu não quero que você se machuque.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Regulus Black em Dom Jun 18, 2017 4:59 am

Até mesmo algumas garotas da Grifinória mantiveram os olhares no grupinho de sonserinos que entrava no Salão Principal naquele fim de tarde. Os uniformes amassados denunciavam que os rapazes retornavam de mais um treino de quadribol, assim como os cabelos ligeiramente atrapalhados e as vassouras modernas que eram arrastadas pelo chão.

As outras três casas tinham times de quadribol mistos, mas na Sonserina, historicamente, só meninos eram aceitos. Mesmo nas posições em que as garotas costumavam se destacar pela leveza ou habilidade, na equipe de Salazar não havia brechas ou exceções. Talvez fosse exatamente por este detalhe que o time da Sonserina tivesse a fama de ser o mais violento do campeonato.

Como apanhador, Regulus não precisava de força. Black tinha que ser veloz para alcançar o pomo-de-ouro e ágil para escapar dos balaços. Mas o mesmo não podia ser dito sobre os batedores e os artilheiros da equipe. No último ano, um dos batedores fora afastado do time depois de causar um lamentável acidente durante um jogo com a Lufa-Lufa.

Embora nunca tivesse sido pessoalmente envolvido em nenhuma jogada violenta, Regulus Black parecia se encaixar na equipe. O rapaz, que geralmente era quieto e calado até mesmo com os outros sonserinos, mostrava-se visivelmente mais solto quando o assunto era quadribol.

- Temos que ensaiar aquela jogada de novo. Pode dar certo, mas não daquele jeito que o Nott sugeriu.

Regulus se dirigia ao goleiro e capitão da equipe, que assentiu com um movimento de cabeça enquanto largava a vassoura nas proximidades da mesa da Sonserina.

- Ter os lufanos como primeiros adversários pode ser bom para recuperarmos a confiança depois da derrota do ano passado, mas não podemos perder o foco. Os outros jogos não serão tão fáceis.

- Certamente não. – o goleiro bufou antes de resmungar – O principal objetivo deste ano é eliminar a Grifinória. Nem faço questão de ganhar, desde que eles também não ganhem.

A ruguinha que surgiu entre os olhos de Regulus denunciou que o apanhador não concordava com o colega. É claro que a rivalidade entre as casas faria qualquer sonserino ficar contente com uma derrota da Grifinória, mas o maior objetivo de Black ainda era o troféu.

Regulus chegou a abrir a boca para mais algum comentário sobre o treino quando, quase que inconscientemente, seus olhos captaram um brilho alaranjado na mesa da Corvinal. O coração de Black deu um salto dentro do peito e a voz ficou presa em sua garganta. Todo o interesse no quadribol se dissipou e Regulus nem ouvia mais as vozes dos colegas quando se sentou à mesa da Sonserina, propositalmente em um ponto de onde tinha uma visão privilegiada dos alunos da Corvinal.

As lembranças da noite anterior vieram à tona e, sem se dar conta disso, Regulus curvou os lábios em um breve sorriso quando seu olhar se cruzou com o de Lucy. A empolgação por ter descoberto uma nova estrela obviamente existia, mas era um sentimento abafado pelos outros acontecimentos da Torre de Astronomia. Sempre que pensava na noite anterior, a mente de Black tendia a se esquecer das estrelas para focar-se na lembrança do perfume de Lucinda Clearwater, da textura de sua pele, do sabor dos lábios dela.

Era uma loucura e Black sabia disso. Se o sonserino fosse capaz de pensar com clareza, a situação nunca teria chegado naquele ponto e certamente não passaria daquilo. Mas, ao lado de Lucy, não parecia haver lugar para a racionalidade. Regulus simplesmente deixava de lado qualquer pensamento racional para mergulhar naquela inédita felicidade que ele encontrara ao lado de Clearwater.

Pela primeira vez na vida, Black não precisava usar uma máscara. Lucy conhecia o verdadeiro Regulus e, para surpresa do rapaz, ela parecia gostar dele. Tudo acontecia de forma muito fácil e natural entre os dois. Era como se não existisse um abismo separando-os, como se todas as diferenças fossem anuladas por um simples beijo.

E foi movido por aquela irracionalidade que Black decidiu seguir os passos de Lucinda quando viu a ruiva se levantar sozinha na mesa da Corvinal. Uma desculpa qualquer foi inventada pelo rapaz, mas certamente nenhum colega da Sonserina desconfiaria das reais intenções de Regulus ao deixar o Salão Principal antes mesmo do fim do jantar.

Nada havia sido previamente combinado, Lucy não fizera nem mesmo um gesto na direção dele. Mas Black não tinha a menor dúvida de qual caminho deveria seguir para encontrá-la. E, como o sonserino já imaginava, os fios alaranjados entraram no campo de visão dele no instante em que pisou na Torre de Astronomia.

Nenhuma palavra foi dita. Os braços de Lucy simplesmente enlaçaram o pescoço do sonserino enquanto as mãos de Regulus se encaixavam na cintura dela. Os lábios se colaram em um beijo ardente como se os dois não se vissem há meses, muito embora o encontro naquela mesma sala ainda não tivesse completado nem vinte e quatro horas.

O beijo se alongou até que ambos estivessem ofegantes. Mesmo depois que os lábios se descolaram, os corpos se mantiveram abraçados com firmeza. Black desceu os lábios pelo pescoço de Lucinda com uma carreira de beijos que terminou no ombro da menina, e só então os olhos cinzentos buscaram pelas íris azuis.

- Vou começar a me sentar de costas para a Corvinal. Você está me desconcentrando. Estávamos tendo uma conversa importante sobre a próxima partida, mas nem me lembro mais quem será o adversário...

Regulus parecia ainda mais atraente com o uniforme esportivo da Sonserina, com as luvas de couro de dragão e com os cabelos atrapalhados depois de tantas horas de voo. Era muito raro vê-lo com a aparência tão descuidada, mas naquela noite o caçula dos Black não parecia preocupado em manter a postura impecável.

- E então...? – num gesto carinhoso, uma das mãos de Regulus desceu pelo braço da garota até conseguir entrelaçar seus dedos aos dela – Já começou a redigir a requisição para modificar Cassiopeia?

A expressão surpresa da menina obrigou Black a ser ainda mais direto naquela insinuação.

- Você precisa fazer isso para que a estrela ganhe o seu nome. E sugiro que faça isso logo, antes que mais alguém descubra a existência dela.

Como fora Black o dono daquela notável descoberta, parecia muito injusto que outra pessoa recebesse a glória por aquele achado. Regulus havia fantasiado o momento em que mostraria ao resto do mundo aquela pequenina estrela que surgira em Cassiopeia, mas agora ele não parecia nem um pouco frustrado por repassar aquela honra para Lucinda.

Como descobridor, Regulus tinha o direito de dar à estrela o nome que quisesse. Mas “Lucy” infelizmente não era uma opção para o herdeiro dos Black. A atitude dele naquela noite mostrava que o sonserino ainda não estava pronto para assumir os seus sentimentos por ela. Lucinda teria que fazer aquilo sem a participação dele se os dois quisessem mesmo que a estrela recebesse o nome da filha dos Clearwater.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Jun 19, 2017 9:08 pm

- Se manter a sua concentração no jogo significa que vou te ver mais vezes com esse uniforme, acho que vale o sacrifício de encarar a sua nuca durante as refeições.

O sorriso bobo que brincava nos lábios de Lucinda não deixava dúvidas do quanto a menina estava se envolvendo naquele complexo relacionamento com Regulus Black. Toda a inteligência da Corvinal era completamente ignorada quando seu estômago dava cambalhotas apenas por cruzar o olhar com o rapaz.

O conselho dado por Amelia na noite anterior sequer tinha sido absorvido por Lucinda. Na cabeça já anestesiada pelos sentimentos provocados por Black, Lucy não conseguia acreditar que o Sonserino não pudesse ser confiável ou fosse capaz de machucá-la. Afinal, Regulus havia salvado sua vida duas vezes e Lucy já conhecia muito mais dele do que qualquer outra pessoa no castelo. Ela sabia qual era a verdadeira face que Black tentava esconder.

A expressão apaixonada de Lucinda só foi abalada quando Regulus seguiu a conversa sobre as ações que deveriam tomar com a descoberta da nova estrela. Uma ruguinha surgiu entre as sobrancelhas ruivas e Lucy voltou a tocar os pés no chão, obrigando suas mãos a deslizarem até tocar apenas os ombros do rapaz.

Tudo estava acontecendo rápido demais, e seria injusto exigir de Black qualquer nome ou compromisso para algo que os dois ainda estavam tentando descobrir. Ainda assim, era impossível ignorar uma pontada de decepção ou a vozinha em sua mente que lhe ordenava a ser mais racional, a encarar a realidade daquela situação sem futuro.

- O que você está dizendo? Eu não posso fazer isso... – O sorriso de Lucy já estava abalado quando ela balançou a cabeça em negação, fazendo com que os cabelos ruivos, sempre presos no longo rabo-de-cavalo, balançassem. – O mérito é todo seu, Regulus. Não posso roubar isso de você.

Qualquer menina normal se sentiria insultada por saber que o real motivo para Regulus abrir mão daquela descoberta era a falta de coragem em assumi-la. Seria humilhante e decepcionante. Mas além do sentimento de frustração, o que mais incomodava a moral da Corvinal era a ideia de se apossar de algo tão grande quando uma nova estrela.

- Se você não pode levar adiante com o meu nome, tudo bem! Você pode usar outro, eu não vou ficar chateada. Mas eu não posso assumir créditos por isso.

Lucinda não parecia chateada, mas o lado Corvinal tentava sinceramente fazer com que Regulus enxergasse o impacto que aquilo teria em sua vida.

- O que você descobriu é grande. Muito grande. Um detalhe desses no seu currículo e você poderia fazer o que quisesse.

Apesar do sangue-puro, os Clearwater já tinham perdido a posição na alta sociedade há gerações. O sobrenome não traria a mesma facilidade no futuro de Lucinda como acontecia com os Black e ser filha de comerciantes ajudara a menina a crescer sempre se esforçando com as próprias conquistas, visando seu futuro.

Com um sorriso mais carinhoso no rosto, Lucinda deixou que seus dedos se entrelaçassem com os de Regulus. Os olhos azuis fitaram as mãos unidas por alguns segundos enquanto ela refletia sobre como Black não parecia nem ter pensado duas vezes em passar adiante uma descoberta daquela magnitude. Por mais que fosse uma loucura, ela era obrigada a admitir como, mais uma vez, ele não parecia como um egoísta Sonserino que andava pelos corredores.

- Você não pode abrir mão tão facilmente da sua estrela só por causa de uma garota.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Jun 19, 2017 10:04 pm

A dor já era uma velha conhecida. E mesmo já prevendo exatamente os pontos e a sequência das fisgadas, Remus Lupin não conseguia deixar de se surpreender com a intensidade das dores causadas pela transformação. Era a pior experiência de sua vida, que só piorava com a certeza de que no mês seguinte precisaria enfrentar tudo outra vez.

As garras arranharam o chão empoeirado de madeira. O pelo ainda cobria onde deveria existir apenas a mão pálida de Remus, mas sua consciência havia retomado alguns segundos mais cedo, apenas para que os olhos âmbar enxergassem parte do monstro que havia existido em sua pele durante a noite.

Ofegante, Remus caiu de joelhos sobre a madeira velha. O tecido rasgado que cobria as janelas lamacentas permitia que a luz do dia entrasse de forma embaçada, mas sem deixar dúvidas de que a Lua Cheia havia cessado para dar lugar ao sol. Junto com ela, o lobisomem havia ido embora para lhe dar uma folga de um mês.

O ratinho correu ágil da ponta extrema do cômodo, e quanto alcançou Lupin, já estava novamente na forma de Peter Pettigrew. Quando Remus ergueu o rosto, já sentindo o toque do amigo em seu ombro, foi capaz de enxergar a terceira forma humana do quarto, encontrando os olhos castanhos por trás das lentes dos óculos de James Potter.

- E então, como está se sentindo? – A voz de Peter soou com sincera preocupação ao ouvido de Remus, mas o monitor foi incapaz até mesmo de esboçar um sorriso de agradecimento.

- Como se tivesse sido cuspido por um dragão, esmagado por um trasgo e pisoteado por um Hipogrifo.

- Belezinha então, han? – James sorriu com mais confiança ao amparar o amigo pelo outro lado, auxiliando Peter na função de erguer Remus.

Com a habilidade já conquistada pelas últimas transformações, os dois carregaram Lupin até o velho colchão encostado na parede, sabendo que o amigo ainda precisaria de alguns minutos para recuperar a respiração.

A testa de Remus estava suada, o peito nu subia e descia em um ritmo acelerado e os pés descalços estavam sujos. Nos braços, alguns leves arranhões certamente provocados por qualquer ousadia do lobisomem que precisou ser contida pelos dois animagos.

Pouco a pouco, enquanto ele começava a se recuperar, os olhos deslizaram pelo cômodo abandonado. Depois dos últimos anos tendo a Casa dos Gritos como cenário de suas transformações, era fácil notar quando alguma coisa estava fora do lugar.

- E o Padfoot? – Ele conseguiu perguntar entre respiração que voltava a normalizar, buscando pelo olhar de Potter.

- Ele precisa de um pouco mais de tempo, Moony. – James se agachou até ocupar o lugar ao lado do lobisomem. – Mas é o Paddy, vai dar tudo certo.

O silêncio que se seguiu, quebrado apenas pelo ritmo cada vez mais lento da respiração de Lupin, podia ser facilmente interpretado apenas pelo cansaço de mais uma transformação. Mas mesmo com todo o cansaço, toda a dor e precisando desesperadamente de uma cama confortável e uma noite inteira de sono, a mente de Remus se mostrou agitada com as lembranças do último encontro com Black.

Voltar de uma Lua Cheia era sempre o fim de um pesadelo. Significava que apesar de todo o sofrimento, ele teria um mês pela frente para se sentir normal. E era ainda mais gratificante quando o inferno chegava ao fim e ele encontrava os rostos dos melhores amigos.

Naquela manhã, Lupin se sentia completamente miserável com a ausência de Sirius Black. E ainda mais sem esperanças diante da única solução possível para aquele problema. Sua única gratificação, que seria rever o rosto de Amelia Bloemer, era o único sacrifício a ser pago para se acertar com o amigo.

No calor do momento, Remus não se importou em ferir Sirius. Ele se sentia apenas ofendido e humilhado, desesperado para agarrar a única chance de se sentir como um garoto qualquer que poderia se dar ao luxo de ter um encontro com uma garota bonita. Mas se o preço daquela falsa sensação de normalidade era abrir mão da única coisa verdadeira que ele tivera todos os anos em Hogwarts, ele estava apenas sendo um grande idiota.

***

- Uau, você está com uma cara péssima.

Remus não tinha se afastado nem três metros da enfermaria quando os cabelos alaranjados entraram em seu campo de visão. A dúzia da poções que a enfermeira tinha lhe enfiado goela abaixo ainda começavam a fazer efeito, mas a imagem do rapaz já estava infinitamente melhor do que Potter e Pettigrew haviam presenciado na Casa dos Gritos nas primeiras horas do dia.

Com um banho tomado, os cabelos de Lupin ainda estavam úmidos e penteados de forma comportada. O uniforme da Grifinória escondia por completo as novas cicatrizes e o corpo ligeiramente mais magro, que logo voltaria ao peso normal após algumas das fartas refeições de Hogwarts.

Remus já conseguia andar com as próprias pernas, respirava normalmente e parecia apenas com alguém que havia tido uma péssima noite de sono, o que era perfeitamente justificável na sua desculpa de ter visitado a mãe no hospital.

Um sorriso mais confiante apareceu nos lábios do rapaz quando ele se virou e reconheceu Lucinda Clearwater. Seu coração imediatamente deu um salto, apenas para que a frustração o invadisse no segundo seguinte ao ver que a ruiva não estava acompanhada pela prima.

Uma vozinha reforçou em sua mente que era melhor daquela forma. Ele ainda precisava de algumas horas antes de criar coragem e contar a Amelia que os dois não poderiam ir juntos até Hogsmead. Mas era impossível ignorar a certeza de que ele se sentiria melhor no instante em que encontrasse os olhos castanhos.

- As poltronas do St. Mungus não são tão confortáveis quanto as camas de Hogwarts. – Ele explicou, aproveitando o caminho que Lucinda seguia para acompanhar os passos dela.

- Bom, então a minha sugestão é que você descanse o máximo que conseguir. Nosso final de semana será agitado.

Talvez fosse apenas a mente cansada de Remus, mas a ruga que surgiu entre suas sobrancelhas e o olhar de confusão serviram para que Lucinda soubesse que ele não fazia ideia do que estavam falando.

- O aniversário da Mel. – Lucy respondeu com obviedade. – Ela não te contou que era aniversário dela quando você a chamou para sair?

As bochechas de Lupin esquentaram no instante em que Lucinda verbalizou o encontro que ele teria com Amelia. Como se já não tivesse sido constrangedor o bastante, Bloemer havia compartilhado aquele momento com a prima. E por mais que ele estivesse envergonhado, aquela conversa despertava também uma sensação gostosa de normalidade. Era uma cena tão simples para a maioria dos rapazes que Remus se sentia bobo por não ter experimentado antes.

- Eu não sabia que era aniversário da Amelia. Talvez seja melhor a gente desmarcar, se vocês já tiverem planos...

A oportunidade parecia perfeita para introduzir aquele assunto sem precisar envolver o problema “Sirius Black”. Mas no instante em que verbalizou, Remus já se sentiu vazio como se estivesse ao lado de um dementador.

- Não! Sem chance! – Lucinda parou de andar e girou sobre os calcanhares até se colocar diante de Lupin. – Preciso que você me ajude! Estou organizando uma festa surpresa para a Mel no Três Vassouras. Mas preciso que você a mantenha ela longe até a hora certa. Vocês podem dar uma volta no vilarejo e aparecer lá depois, quando todo mundo já estiver esperando.

As sobrancelhas castanhas foram arqueadas em surpresa. Uma parte de Remus exigia que ele negasse imediatamente o pedido de Lucinda antes que se complicasse ainda mais e não pudesse mais voltar atrás com aquele encontro.

Mas por outro lado, Remus queria aquela chance com Amelia. Uma única tarde ao lado dela, antes que ele fosse obrigado a desistir de tudo. E, agarrado a desculpa de que não poderia arruinar a festa surpresa que Lucinda estava organizando, ele prometeu a si mesmo que estaria apenas adiando o fim daquela história para acertar as coisas com Sirius.

- Que horas devo chegar com a Mel?
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