I solemnly swear that I am up to no good

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Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Jun 03, 2017 4:29 am

- Eu sei que as férias acabaram, mas você pode esperar até amanhã para enfiar a cara nos livros outra vez, sabia?

Os olhos verdes, que até então estavam compenetrados nas palavras do livro a sua frente, se ergueram com confusão até encontrar a expressão carinhosa de Holland Clearwater sob o portal que separava o delicado quarto de menina para o corredor.

A Sra. Clearwater exibia um coque firme que prendia os fios de um vermelho intenso em sua nuca. Algumas linhas de expressão se destacavam nas laterais dos seus olhos e em suas bochechas quando os lábios se rendiam ao sorriso sempre fácil, mas ainda assim era difícil de acreditar que ela era mãe da versão mais jovem de sua fisionomia, afundada sobre a cama e rodeada de livros.

Lucinda Clearwater era filha única, mas não restava nenhum questionamento de onde havia herdado as íris esverdeadas e os fios vermelhos quando estava ao lado de Holly. O pai, que provavelmente ocupava o balcão alguns andares abaixo de onde as duas estavam, a frente dos negócios da família, não parecia ter contribuído em nada na aparência da filha.

- Eu só estava tentando me adiantar. – Lucinda ergueu o livro para exibir a capa do livro de Poções com uma careta, como se aquele simples gesto já justificasse a sua necessidade de estudar antes do início das aulas. – Depois do meu “Aceitável” nos NOMs, preciso correr atrás.

Embora pertencesse à casa da Corvinal, não era pela paixão aos estudos ou a obsessão com as notas que faziam com que Lucy se esforçasse. Mas a consciência de que tinha uma grande dificuldade com a matéria e as ambições com o futuro eram suficiente para que ela se dedicasse mais do que os colegas quando o assunto era Poções.

- Você pode deixar isso para depois. Desça, está na hora do lanche.

Os olhos claros de Holland mesclavam em uma pitada de orgulho, carinho e compreensão. Como mãe, Holly já sabia dos desejos da filha em seguir uma carreira importante no Ministério da Magia, em fazer a diferença no mundo bruxo. Mas ao mesmo tempo, ela enxergava a mesma menininha de tranças nos cabelos ruivos que apenas queria uma boneca no natal.

- Você sabe que tem um banquete me esperando no castelo, não é? – Um sorriso desafiador brincou nos lábios de Lucy quando ela imediatamente fechou o livro e esticou a coluna.

- Se a comida daqueles elfos fosse mesmo tão boa, os seus colegas não devorariam meus sanduíches de carneiro todas as vezes em que pisam no Três Vassouras. Aquelas crianças parecem passar fome...

- Nada se compara aos seus sanduíches, mãe.

Lucy deslizou para fora da cama, fazendo com que Holly torcesse o nariz em repreensão ao ver que a filha ainda vestia moletom e meias.

- É melhor você se vestir. Não vai demorar até o trem chegar e Amelia já está pronta.

Mesmo que Lucinda e Amelia pudessem tentar recusar, dois embrulhos de sanduíches de carneiro foram enfiados em seus pertences quando começaram a se apressar para seguir até a estação onde o Expresso de Hogwarts chegaria, pontualmente em seu primeiro de setembro.

- Vamos por aqui.... – Lucy anunciou quando a estação apareceu em seu campo de visão, alguns minutos de caminhada depois de terem deixado a casa sobre o Três Vassouras. – Vamos conseguir alguns minutos de vantagens e não precisaremos disputar as carruagens.

Aquele era o sexto ano que Lucinda Clearwater seguia pelo mesmo caminho. Enquanto os alunos de Hogwarts precisavam se acotovelar em estações lotadas, se ocupar em achar um espaço no trem e enfrentar longas horas até finalmente chegar ao seu destino, Lucy só precisava de alguns minutos para caminhar pelo vilarejo bruxo até retornar ao castelo de Hogwarts.

Assim como havia prometido, quando Lucinda e a prima alcançaram as fileiras de carruagens que eram movidas por criaturas invisíveis, o trem chegava até a estação, o que daria alguns minutos até que uma multidão de estudantes começasse a brigar por um lugar no último meio de transporte necessário até o castelo.

De onde estavam, já era possível avistar o suntuoso castelo devidamente iluminado para receber mais um ano letivo. Como de costume, Lucy parou por um breve instante para admirar aquela imagem, se aproveitando do atraso dos demais.

Os olhos verdes encararam a arquitetura a sua frente por algum tempo até deslizarem para a menina ao seu lado. Um sorriso compreensível brincou quando ela chocou seu ombro contra o de Amelia.

- É incrível, não é? Espere só para ver por dentro...
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Lucinda Clearwater

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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Jun 03, 2017 5:33 am

BUM!

Um leve tremor percorreu pelos vidros que separavam o vagão que acolhia os quatro adolescentes do restante do trem. Em questão de segundos, algumas cabeças começaram a surgir pelas portas dos demais vagões, a procura da origem do ruído.

O único sinal de que alguma coisa estava errada, era a pequena nuvem de fumaça que começava a sair pelas brechas da mesma porta impactada pelo tremor. Todo o restante do trem permaneceu sem qualquer alteração até que um Peter Pettigrew cambaleou até o corredor.

Entre tossidas, o rapazinho gordinho sacudiu as mãos diante do rosto, tentando se desfazer da fumaça a procura de ar fresco. As marcas de fuligem em suas bochechas rosadas e a gravata chamuscada também denunciavam o que havia perturbado a paz daquele lado do Expresso de Hogwarts.

- Wormtail!

Três cabeças apareceram enfileiradas na porta recém-aberta por Pettigrew. Na ponta de baixo, os olhos arregalados e o sorriso largo de Sirius Black mostravam uma grande surpresa e diversão diante da cena que havia acabado de presenciar. No meio, os cabelos espetados de James Potter e os óculos tortos eram sinais de que ele também fora uma vítima da pequena explosão. E no topo, o único que exibia qualquer vestígio de preocupação, embora ainda exibisse a sombra de um sorriso divertido, estava Remus Lupin.

- Eram só umas gotinhas, eu não pensei que fosse fazer mal!

Pettigrew engasgou, ainda tentando minimizar o estrago de sua gravata parcialmente queimada. Os olhos azuis estavam lacrimejando e ele parecia sincero ao tentar se justificar.

- Seu demente, você virou metade do vidro! O que queria fazer, arrancar a cabeça feia do Prongs? – O sorriso de Sirius Black se tornava cada vez mais largo diante daquele desastre.

- Heeey! – Potter protestou.

- Você está bem, Wormtail? – Remus Lupin precisava espremer os lábios para reprimir o sorriso, mas soava mesmo interessado no estado do amigo.

- Ele está bem, só é péssimo jogador de snaps explosivos. – Potter alfinetou, querendo se vingar daquela tentativa de boicote.

A brincadeira de Pettigrew deveria apenas reforçar os explosivos das cartas nas mãos do perdedor, que ele acreditaria ser James Potter. Mas além de ter errado a mão na poção que intensificaria as explosões, ele errou também a jogada, trazendo o acidente para o seu próprio colo.

O sorriso vitorioso nos lábios de James Potter morreu no instante em que um reflexo ruivo entrou em seu campo de visão. Embora a pequena plateia no corredor também encarasse a cena com curiosidade e risos, a expressão de Lily Evans mostrava que a monitora da Grifinória não teria tanto bom humor para lidar com aquele deslize antes mesmo que os marotos pisassem no castelo.

- He-hey, Lily! – O sorriso de Potter se transformou no mesmo instante em que as íris castanhas se encontraram com o olhar esverdeado da ruiva. – Como foram as férias? Recebeu meus bombons de caramelo?

- Recebi, Potter. Assim como a sua coruja velha que resolveu usar o quarto da Petúnia como banheiro. – O olhar astuto de Evans entregava a sua desconfiança naquele “acidente”. – Você não treinou aquele bicho fedido para fazer isso, treinou, Potter?

Bastou que James apertasse os lábios para conter o sorriso para que sua travessura fosse descoberta. Como se fosse possível, os olhos de Lily se tornaram ainda mais ameaçadores e a ruiva apoiou as mãos na cintura, como uma mãe que precisa recriminar o mal comportamento dos filhos.

- Potter!!! Eu perdi uma tarde inteira para conseguir limpar o travesseiro da Petúnia e precisei lidar com o mau-humor dela o resto da semana!

Enquanto Lily Evans agia como a típica Lily Evans, os dedos de Sirius Black deslizaram pelo próprio bolso. Alguns galeões foram retirados e passados pelas suas costas até serem depositados na palma da mão de Potter, que já aguardava o dinheiro daquela aposta. Remus Lupin, que tinha total consciência daquele movimento, apenas meneou a cabeça em repreensão, quando sua maior frustração era de não ter acreditado que o amigo seria capaz de enfurecer a namorada antes que pisassem no castelo.

- Eu odeio vocês. – Lupin acrescentou em um sussurro.

- Para o vagão de monitores. Agora! – Evans acrescentou depois de um breve discurso, apontando para Potter e Lupin.

- Desculpem, rapazes... O dever nos chama.

Potter se esticou para bagunçar os cabelos de Pettigrew ao passar pelo amigo gorducho. Assim que se distanciaram da cabine, deixando para trás os dois amigos, Potter deslizou um dos braços pelos ombros de Lupin, sendo liderado por Lily Evans até o vagão dos monitores.

- Sabe, Moony... Esse é um dos poucos inícios de ano sem lua-cheia.

Uma rápida sombra passou pelo olhar de Lupin, mas o monitor disfarçou o desconforto daquele assunto ao manter um sorriso nos lábios e o olhar atento no caminho que Evans seguia, distante da conversa dos dois.

- É bom ter você bem-disposto, cara. Acho que isso é um bom sinal. – O sorriso de Potter era esperançoso.

Lupin, por sua vez, não se via no direito de ter aquela esperança. Aquela era a última vez que ele tinha a chance de entrar no Expresso de Hogwarts. Seria seu último ano sob a proteção de Albus Dumbledore, de ter o castelo como seu lar. Como se tudo aquilo não fosse suficiente, as manchetes dos jornais mostravam que o mundo que o aguardava lá fora seria ainda mais sombrio do que o seu inevitável futuro.

- Talvez seja, Prongs. – Remus concordou, embora falasse aquilo apenas para não desanimar o amigo. – Ou talvez você tenha inalado fumaça demais dos explosivos do Wormatil.

- Talvez. – Potter concordou, um brilho diferente passando pelo seu olhar enquanto ele acompanhava o movimento dos cabelos vermelhos a sua frente. – Ou então eu só esteja enxergando as coisas de uma maneira diferente, Moony.

- Seu grau piorou outra vez?

Os olhos castanhos giraram por trás das lentes dos óculos, mas o sorriso permaneceu em seus lábios.

- Você entenderia se já tivesse se apaixonado antes, Moony. Talvez você precise de uma namorada.

O comentário soava extremamente absurdo para Lupin, mas como ele sempre fazia para não preocupar os amigos, apenas sustentou o sorriso e meneou a cabeça.

- É, você inalou fumaça demais.
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Remus J. Lupin

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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Amelia Bloemer em Dom Jun 04, 2017 1:52 am

A novata.

Amelia Bloemer estava acostumada com rótulos. Desde a mais tenra infância, ela fora rotulada das mais variadas maneiras. A filha do ministro, a menina que perdera a mãe, a garota mais popular do colégio... Mas era a primeira vez que Amelia experimentaria a sensação de ser a novata em uma escola abarrotada de ingleses.

O idioma não seria um problema, visto que Amelia convivera com a mãe o suficiente para que a Sra. Bloemer ensinasse à única filha a falar sua língua natal. O trabalho do Sr. Bloemer à frente do ministério grego não dava à família muito tempo para viagens, mas Amelia conhecia praticamente tudo sobre a cultura inglesa graças à mãe.

Hogwarts sempre fora descrita como um sonho, e agora diante do suntuoso castelo a menina compreendia o encantamento da Sra. Bloemer. Era mesmo uma imagem magnífica e, por um breve momento, Amelia se esqueceu do quanto odiava a ideia de morar em solo inglês.

Embora gostasse dos tios, da prima e tivesse sido muito bem recebida em seu novo lar, Amelia sentia saudades da Grécia. Sua verdadeira casa fora deixada para trás, assim como uma coleção de bons amigos. A garota saíra de casa extremamente descontente com a decisão do pai, mas até mesmo a figura do Sr. Bloemer despertava nela um sentimento de perda sufocante.

Era muito injusto que Amelia tivesse que se distanciar de sua verdadeira vida por motivos políticos, mas fora exatamente esta a motivação para a mudança da garota. O primeiro ministro grego dizia publicamente que a filha queria se aprofundar um pouco mais nas suas raízes inglesas por parte de mãe e que a experiência em Hogwarts seria enriquecedora para qualquer jovem, mas Amelia sabia que a verdade estava longe disso. Bloemer estava se arriscando demais em algumas jogadas políticas, começava a colecionar inimigos e queria tirar a filha de cena antes que a menina começasse a sofrer retaliações.

E não parecia haver lugar mais seguro no mundo do que Hogwarts. Mesmo com a Inglaterra começando a fervilhar com uma guerra iminente, estar sob o mesmo teto de Albus Dumbledore era uma garantia de que nada poderia atingir a herdeira dos Bloemer.

Os olhos castanhos ainda admiravam o castelo com um nítido assombro quando o ombro de Lucinda se chocou contra a novata, despertando-a daquele transe. Um sorriso gentil foi dirigido à ruiva e a atenção de Amelia se voltou para a prima.

- Minha mãe sempre falava de Hogwarts, eu vi uma infinidade de fotos. Mas nada se compara a isso.

A grande verdade é que as duas meninas não eram amigas muito próximas. O fato da Sra. Bloemer e da Sra. Clearwater serem irmãs não foi o suficiente para aproximar as duas meninas separadas pelos tantos quilômetros existentes entre o Reino Unido e a Grécia. Lucinda e Amelia tinham se encontrado em poucas ocasiões nos últimos anos e o último encontro definitivamente não fora o mais agradável. Amelia tinha uma vaga lembrança da visita dos tios e da prima durante o velório da Sra. Bloemer há alguns meses, mas aquele era um dia que a sua memória se recusava terminantemente a reviver.

- Eu li “Hogwarts, uma História” pelo menos três vezes nos últimos meses. – um dos ombros da garota se ergueu e ela voltou a atenção para a ponta da carruagem – Mas tenho a impressão de que tudo será uma grande surpresa para mim.

Ali, diante de si, já estava a primeira incongruência entre o livro e a realidade. As páginas diziam que as carruagens que levavam os alunos até o castelo eram movidas por uma magia invisível. Mas Amelia via com perfeição a criatura negra. Embora se parecesse com um cavalo, o corpo esquelético e as enormes asas mostravam que se tratava de uma criatura mágica. O rosto com traços de répteis e a pele grossa como couro completavam a perfeita descrição de um testrálio.

Era óbvio que Lucinda não tinha a mesma visão da prima e Amelia sabia o motivo. Testrálios somente podiam ser vistos por alguém que testemunhara a morte pelo menos uma vez, e Lucy não estivera presente no instante em que os olhos da Sra. Bloemer perderam o brilho da vitalidade.

- Eu acho que vou gostar da Corvinal.

Os olhos castanhos deslizaram do testrálio, de volta até a imagem da prima. Assim como Lucinda, Amelia usava as cores características da casa de Rowena Ravenclaw. Normalmente os alunos passavam pelo Chapéu Seletor assim que pisavam em Hogwarts pela primeira vez, mas o Sr. Bloemer convencera Dumbledore a poupar sua filha do constrangimento de se misturar com um bando de crianças de onze anos naquela cerimônia.

A seleção fora feita há alguns dias, na casa dos Clearwater. Dumbledore aparecera pessoalmente para entregar à novata a lista de livros que Amelia precisaria para o próximo ano letivo e, antes que a menina pudesse entender o que estava havendo, o velho chapéu foi encaixado em sua cabeça. Depois de alguns poucos segundos de expectativa, a voz grossa anunciou que, assim como a prima, a tia e a mãe, Amelia Bloemer pertencia à Corvinal.

Por tudo o que Amelia lera sobre as outras casas, ela sentia que havia sido bem selecionada. A filha dos Bloemer definitivamente não se encaixava na descrição de um típico lufano porque a simplicidade não era uma de suas principais qualidades. A nobreza dos grifinórios – que na opinião de Amelia beirava a tolice – também não fazia parte de sua rotina. A Sonserina talvez seria a segunda opção da novata, mas ela estava feliz por não precisar lidar com um bando de colegas astutamente venenosos justamente naquele momento tão delicado da sua vida.

Embora não fosse exatamente tímida, Amelia afundou o corpo inconscientemente no banco da carruagem quando a multidão chegou. Era terrível ser o foco das atenções, mas os novos colegas pareciam incapazes de disfarçar o interesse na novata. Era raro que Hogwarts recebesse transferências, ainda mais de um aluno prestes a concluir seus estudos. E, mais do que isso, Amelia atraía a atenção naturalmente, principalmente do público masculino.

Aquele tipo de atenção não era diferente da que Bloemer recebia na Grécia. Os traços delicados compunham um rosto harmônico e bonito. Os cabelos castanhos eram longos e naturalmente lisos, mas Amelia se esforçava para ondular as pontas sedosas para aumentar o balanço dos fios. O corpo magro possuía curvas nos lugares certos, sempre realçadas por roupas sofisticadas e por saltos. Os olhos castanhos possuíam um formato amendoado e quase sempre recebiam o reforço de uma maquiagem de bom gosto.

A tentativa de Amelia em ignorar a atenção exagerada que recebia naquele fim de tarde fracassou quando o local começou a encher. Não demorou até que a carruagem ocupada pelas duas meninas sacudisse com o peso dos colegas que subiam para se juntar a elas. A primeira menina a subir lançou um sorriso amplo às duas corvinais antes de tomar a palavra.

- Oi, Lucy! Como foram as férias? Espero que não se importem, mas as outras carruagens já estão cheias. Oi! – a ruiva da Grifinória estendeu a mão para cumprimentar a novata – Você deve ser a prima da Lucy, não é? Eu sou Lily Evans.

Antes que Amelia tivesse a chance de se apresentar, o “pacote” que acompanhava Lily Evans se fez presente, espremendo-se nos assentos da carruagem. O raciocínio era bem simples. Onde Lily ia, James Potter ia atrás. E atrás de James Potter iam Sirius Black, Remus Lupin e Peter Pettigrew.

Lily, James e Remus se espremeram no banco em frente. Propositalmente, Sirius ocupou o lugar ao lado das duas meninas da Corvinal. E Pettigrew, para grande alívio de todos os presentes, se viu sem lugar na carruagem abarrotada.

- Ainda tem um lugar com o Frank, Pete. – Lily indicou a carruagem ao lado – A gente se encontra no banquete, hm?

- Hey, hey! Você é nova! – Potter quebrou o silêncio depois que o amigo gordinho saiu da carruagem resmungando – Sou o James, namorado da Lily.

- James Potter. – uma das sobrancelhas de Amelia se arqueou – O famoso James Potter. Sim, já ouvi falar bastante de você. Líder da Grifinória, capitão do time de quadribol, um dos melhores apanhadores da história de Hogwarts... A sua fama já foi longe, Potter. Estou surpresa em vê-lo se apresentar como “o namorado da Lily”. É a sua maior conquista?

- Sem dúvida a mais difícil. – Potter abriu um sorrisinho galanteador para a namorada – E a que me dá mais orgulho.

- Já vi que você soube domesticá-lo, Evans. Eu sou Amelia Bloemer, prima da Lucy. Imagino que você seja Sirius Black... – Amelia voltou a atenção para o rapaz que a encarava com insistência – A sua fama também é lendária.

Algo na entonação de Bloemer deixava implícita a ironia naquelas insinuações. Nos dias que antecederam a ida de Amelia para Hogwarts, ela arrancara da prima várias histórias e informações valiosas sobre os futuros colegas justamente para não ficar tão desorientada nos primeiros dias. E o conhecimento sobre a fama de galanteador de Sirius Black fez com que Amelia se tornasse mais imune ao belo sorriso do grifinório.

- Já com você eu não me atrevo a arriscar... – a novata voltou a atenção para o rapaz sentado ao lado de James – A Lucy me falou que os marotos são quatro, então imagino que você e o gordinho resmungão completem o grupo. Mas não vou lembrar o nome...

As palavras de Amelia não foram intencionalmente maldosas, mas ela acabara de reproduzir o pensamento que a maior parte das pessoas tinha acerca dos “marotos”. O quarteto de amigos tinha uma inegável fama no castelo de Hogwarts, mas a grande verdade era que somente James e Sirius eram vistos como populares pelos colegas. Remus e Peter na maioria das vezes eram ignorados, ou vistos como a dupla de perdedores que seguiam os amigos bem sucedidos.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Regulus Black em Dom Jun 04, 2017 3:11 am

O relógio de bolso dourado foi retirado do bolso da calça do rapaz pela quinta vez em menos de vinte minutos e só então Regulus Black notou que havia um motivo para aquela sensação sufocante de que o tempo não passava: o ponteiro dos segundos continuava congelado em algum ponto entre o seis e o sete.

Os olhos cinzentos – típicos da família Black – giraram com nítida impaciência e o relógio foi sacudido várias vezes, mas ainda assim continuou parado. Como era uma joia cara que fazia parte da herança da família, Regulus imaginava que já estava em uso há muitas gerações. Era esperado que o relógio falhasse em algum momento, mas precisava ser justamente no primeiro dia de volta a Hogwarts?

- Que horas são?

A pergunta foi dirigida a um dos colegas da Sonserina no instante em que o Expresso de Hogwarts chegou à estação de Hogsmeade. Todo o enorme vagão era ocupado por alunos da casa de Salazar Slytherin, então era de se esperar que Regulus se sentisse à vontade rodeado por amigos. A grande verdade era que, a cada dia que se passava, o herdeiro dos Black se via mais deslocado naquele que deveria ser o seu grupo.

- Pra que tanta pressa, Black? Eu te garanto que vai ter comida para todos no banquete. A não ser que você queira dividir a mesa com os esfomeados da Lufa-Lufa, neste caso não posso te garantir nada.

A resposta de Ursula Crabbe arrancou risadas maldosas dos colegas. Os lábios de Regulus se repuxaram em um sorriso forçado apenas para que ele não se destoasse dos demais, mas a verdade é que o herdeiro dos Black não achava graça naquela implicância gratuita com os lufanos.

Exatamente como um trem desgovernado, Regulus sentia que havia perdido o controle da própria vida. No começo, o rapaz passou a concordar cegamente com tudo o que os pais diziam apenas para não agravar a crise causada pela rebeldia de Sirius. Contudo, o tempo foi passando e os erros se acumularam em uma gigantesca bola de neve que o caçula não conseguia mais conter. Parecia ser tarde demais para reagir principalmente porque, ao contrário de Sirius, Regulus não tinha bons amigos que o acolheriam de braços abertos se ele perdesse todo o prestígio que vinha acompanhado pelo sobrenome dos Black.

Era exatamente assim que o apanhador da Sonserina se sentia quando estava rodeado pelos “amigos”. Regulus era querido e popular apenas porque carregava o sobrenome da mui antiga e nobre casa dos Black. Se algum dia o rapaz se rebelasse e perdesse a herança, nenhum dos colegas que faziam tanta questão de sua companhia ficaria ao seu lado. Dentro da Sonserina, Black era um sobrenome e não uma pessoa.

Por não enxergar em nenhum dos colegas uma amizade sincera, Regulus não dividiu com eles o motivo de sua insistência em saber as horas. Nenhum deles compreenderia se Black explicasse que, antes do banquete, ele pretendia passar na Torre de Astronomia.

Mais do que a matéria preferida do rapaz, aquele era o seu lugar favorito no castelo. A solidão passara a ser uma constante na vida do herdeiro dos Black, mas ao menos ali Regulus não se sentia tão vazio. Era normal que o sonserino passasse longas horas observando as estrelas e ele já havia memorizado todas as constelações mais famosas.

Exatamente por estar se tornando quase um especialista naquela área, Regulus havia notado um discreto pontinho brilhante onde – segundo as suas anotações – não deveria existir nada. Talvez fosse apenas um equívoco da luneta velha que Black possuía em seu quarto no Largo Grimmauld, e era exatamente aquela dúvida que o sonserino pretendia tirar usando os aparelhos mais novos e potentes da escola. Seria impossível desfrutar do banquete de Hogwarts com aquela dúvida que lhe corroera durante a maior parte das férias.

A ansiedade fez com que Regulus fosse um dos primeiros a desembarcar tão logo as portas do trem se abriram. O malão flutuou ao lado do rapaz graças a um feitiço e o acompanhou pelo trajeto até as carruagens. Como foi um dos primeiros a chegar, Black não deixou de notar as duas meninas que já ocupavam uma das carruagens.

A ruiva era um rosto conhecido dos corredores e também de algumas aulas em comum. Regulus também sabia que a menina era filha do dono do Três Vassouras e que, embora não fosse rica como os Black, possuía o sangue puro que sua família tanto prezava. Apesar disso, parecia existir um abismo entre o herdeiro de uma família nobre e a filha de um casal de comerciantes de Hogsmeade.

A morena era a grande novidade daquele primeiro dia de volta às aulas, mas Regulus não perdeu muito tempo participando das fofocas sobre a novata. Apesar do desinteresse do sonserino, foi impossível escapar dos comentários que o acompanharam até o castelo. Ursula Crabbe só precisou de alguns minutos para atualizar os amigos sobre Amelia Bloemer. Filha do primeiro ministro grego com uma inglesa, nobre, rica e bonita. Perdera a mãe há menos de um ano, vítima de uma doença misteriosa que nenhum curandeiro fora capaz de curar.

Quando imaginou que a amiga já havia finalizado a fofoca, Regulus se surpreendeu com a dose desnecessária de veneno usada por Ursula na conclusão do seu relato.

- Eu achei que ela viria para a Sonserina. Ir para a Corvinal não é nenhuma tragédia, mas realmente pensei que a filha de um ministro merecia a melhor casa de Hogwarts. Imagino que o Chapéu Seletor tenha levado em consideração o fato de que ela agora mora naquele buraco do Três Vassouras. Na minha opinião, parentes mortos de fome são tão nojentos quanto sangue-ruins. Se a Bloemer for esperta, ela logo vai notar que não é uma boa ideia andar por aí com a cabecinha de fogo.

Uma nova onda de risadinhas ecoou pela carruagem dos sonserinos antes que outra menina acrescentasse de forma ainda mais maliciosa.

- Não seja tão cruel, Ursula. Veja pelo lado positivo... agora a cabecinha de fogo não precisa mais comprar vestes de segunda mão. É só pegar os restos da prima rica!
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Jun 04, 2017 11:26 pm

Embora Amelie tivesse sido completamente inocente em suas palavras, para Remus havia soado apenas como mais um dos infinitos descasos dos colegas de Hogwarts. Embora Black, Potter, Pettigrew e Lupin formassem um grupo unido de amizade sincera, a quem Remus confiaria a própria vida, era comum que as pessoas enxergassem apenas a popularidade do rosto mais bonito e do perfil mais travesso dos quatro.

Aquela atitude incomodava Peter significativamente. Era notável que o amigo gordinho do inteligente Lupin, do habilidoso Potter e do atraente Black tinha sua autoestima abalada. Na prática, aquilo não parecia abalar a amizade dos quatro. Mas fazia com que Peter se sentisse inferior e sempre se esforçando para se destacar.

Ao contrário de Peter, Remus Lupin não se sentia em nada abalado com aquela separação dos colegas. Para alguém como ele, já era uma tremenda sorte poder frequentar Hogwarts. Ter amigos com os marotos ia muito além de suas expectativas. Mesmo que tantas pessoas o julgasse inferior, Remus apenas se sentia profundamente abençoado por encontrar naqueles três rapazes tão diferentes uma família que o aceitava verdadeiramente.

Por isso, diferente da expressão chateada de Pettigrew ao deixar a carruagem, Lupin esboçou apenas um sorriso simpático que fazia com que seus olhos cor de âmbar se espremessem ligeiramente.

- Remus Lupin.

- O maior erro do chapéu seletor, devo acrescentar. – Lucinda interviu, e apesar do sorriso igualmente simpático em seus lábios, Remus notou que era a tentativa da Corvinal de não deixar que ele se chateasse com o deslize da novata. – Remus é provavelmente o rapaz mais inteligente do Castelo. Deveria estar na Corvinal. Uma perda e tanto.

- Uma perda maior ainda foi na final de Quadribol no ano passado. Prongs e eu massacramos a Corvinal. – Sirius Black se ajeitou no banco, repentinamente espaçoso demais para o restrito espaço que precisava dividir com duas meninas. – O que foi? Não tinha esse detalhe na biografia lendária que você leu sobre nós?

Os olhos claros de Remus giraram e ele meneou a cabeça em repreensão. Era notável como Sirius Black mudava sua postura quando tinha uma menina bonita por perto. Ele já tinha presenciado aquele mesmo padrão durante anos e cada vez se tornava mais óbvio.

- Não seja tão convencido, Padfoot. – Remus cruzou os braços contra o peito, sentindo o chacoalhar da carruagem conforme se aproximavam do castelo. – No final das contas, foi pura sorte.

Seu olhar passou do amigo para a novata que certamente já havia se tornado um alvo de Black. Assim como o padrão de postura que Sirius assumia, ele também reconheceu as semelhanças na escolha da “vítima”.

Embora Sirius Black não tivesse exatamente um “tipo”, era inegável como o amigo tinha bom gosto. Quando metade do castelo suspirava pelo batedor da Grifinória, as escolhidas eram sempre as mais belas. É claro que Amelia Bloemer não fugiria daquele detalhe.

Mas até mesmo para os padrões de Hogwarts, Amelie conseguia se destacar. Os cabelos castanhos poderiam não ser exóticos como os das duas ruivas presentes naquela carruagem, mas o brilho e a textura eram um convite mudo para o toque dos seus dedos. Os traços delicados formavam um rosto bonito, mas o que mais chamava a atenção eram seus olhos.

As íris castanhas pareciam astutas, mas principalmente, tristes. Mesmo com a atitude firme de Amelia, das palavras cheias de convicção e do sorriso, Remus quase podia reconhecer uma familiaridade no brilho de seu olhar.

Como aquele detalhe era um contraste com todo o restante da aparência de Amelia, Remus mergulhou na busca de uma explicação para aquela tristeza. Ele se viu tão entretido em encarar os olhos castanhos que só percebeu que estava sendo insistente quando a carruagem finalmente parou abruptamente, arremessando-o para frente e obrigando a quebrar o contato visual.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Jun 05, 2017 12:04 am

Os reflexos de apanhador fizeram com que Potter imediatamente esticasse os braços para amparar a namorada quando a carruagem freou bruscamente. Lupin, que não tinha nada para lhe socorrer, só parou quando seu corpo atingiu o de Amelie. Em seu lugar, Lucinda chegou a desgrudar do banco por um segundo, mas por estar no sentido contrário do baque, não sofreu tanto com o impacto.

- Você tá legal, Moony?

Qualquer tentativa de impressionar a nova aluna já havia desaparecido por completo quando os olhos cinzentos de Black procuraram pelo amigo. Era sincera a preocupação de Sirius ao se ocupar imediatamente em ajudar Remus. Por mais discreta que fosse, aquela era mais uma prova da amizade verdadeira que existia entre os rapazes.

- Relaxa, Padfoot. – Lupin se colocou de pé, espremendo os próprios pulsos doloridos com a queda. – Já passei por coisa pior.

O sorriso cúmplice entre os dois pareceu completamente inocente aos olhos das meninas e eles pareciam apenas como irmãos quando Black depositou alguns tapinhas nos ombros de Lupin e o acompanhou para deixar a carruagem.

- Eu juro que essas carruagens estão ficando piores a cada ano. – Lucy resmungou ao desembarcar, sentindo a grama fofa sob seus pés.

Os olhos azuis buscaram pelo castelo mais uma vez, agora bem diante do seu rosto. Era ainda maior e quase assustador, mas com a familiar sensação de todo começo do ano. Já recuperada do susto e com um sorriso nos lábios, ela procurou pelo rosto da prima, tentando transmitir a ela toda aquela expectativa.

- Vamos lá. E tudo começa outra vez...

As duas começaram a subir os degraus de pedra, e seguindo o mar de cabeças que seguiam para o salão principal, logo encontraram as quatro grandes mesas que serviriam o banquete daquela noite. Como costumava acontecer em noites festivas, as bandeiras com as respectivas cores das casas balançavam sobre cada uma das mesas e o teto estava enfeitiçado com o céu estrelado.

Antes que as duas corvinais se separassem do pequeno grupinho de grifinórios, Lucinda se voltou para Lupin mais uma vez, antes que ele desaparecesse entre a multidão.

- Remus! Antes que eu me esqueça, você separou as suas anotações do ano passado?

Desde que Remus Lupin havia ajudado a Lucinda de onze anos a passar pelas matérias mais complexas de seu primeiro ano em Hogwarts, havia se tornado tradição que o rapaz, um ano a frente, passasse para a colega suas antigas anotações para facilitar a vida da estudante. Lucy se arriscaria a dizer que era graças as anotações do Grifinório que havia conseguido se tornar a estudante mais avançada em Transfiguração de toda a sua turma.

- Estão no fundo do meu malão. – Remus respondeu prontamente, já preparado para aquele pedido. – Te entrego depois, ok?

Os alunos ainda enchiam o salão quando Lucinda concordou. O assunto já estava encerrado e os marotos seguiriam o caminho até sua mesa inevitavelmente. Mas a careta de Sirius Black quando o pequeno grupo de Sonserinos entrou pelas grandes portas, fez com que Lucy girasse a cabeça com curiosidade.

- Anda logo, Moony. Vamos perder os melhores lugares por causa desse amor nerd.

O olhar de Lucinda cruzou por um breve segundo com o de Regulus Black, mas ela acompanhou o caminho dos sonserinos enquanto eles se afastavam, incomodada com a forma arrogante com que andavam, como se fossem os donos do castelo.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Amelia Bloemer em Seg Jun 05, 2017 1:05 am

Uma semana. Foi este o tempo que Amelia Bloemer precisou para arremessar para o espaço o rótulo de “novata”. Qualquer garota na situação dela encararia Hogwarts como um desafio amedrontador, mas Amelia não demonstrou nenhuma dificuldade para se ambientar na nova escola.

Sua personalidade franca e sua natural popularidade fizeram com que Bloemer logo se visse rodeada por amigos. Além da simpatia, Amelia demonstrou uma imensa facilidade em praticamente todas as matérias, o que justificava a sua ida para a Corvinal. A inegável beleza e a importância do seu sobrenome no mundo da magia destacavam Bloemer inclusive aos olhos dos exigentes sonserinos.

Com tantas qualidades, já era de se esperar que Amelia ganhasse a atenção dos rapazes. Vários deles não conseguiam disfarçar o interesse e chegavam a dobrar o pescoço para acompanhar os passos dela quando a novata surgia nos corredores, quase sempre rodeadas por colegas. A beleza lendária de Rowena Ravenclaw parecia se refletir nas meninas da casa que carregava o seu nome, e Amelia só reforçava aquele mito de que as mais belas alunas de Hogwarts pertenciam à Corvinal.

Bloemer não parecia incomodada em ser o foco das atenções, mas também não se aproveitava daquela repentina fama. Tudo o que ela queria era que os dois próximos anos voassem para que ela fosse livre para fazer as próprias escolhas. E, definitivamente, voltar para a Grécia estava no topo das prioridades de Amelia.

- Vocês viram a Lucy? Achei que ela viria com você, Savannah.

A voz suave da novata quebrou o silêncio do trio que seguia na direção da biblioteca. Acompanhada por mais duas amigas da Corvinal, Bloemer estranhou a ausência da prima naquela tarde livre. Como qualquer típico aluno de Rowena Ravenclaw, era esperado que Lucinda gastasse as suas horas de folga atrás de algum livro, mesmo que ainda fosse cedo para se preocupar com as provas.

- Eu a vi no final da aula de Feitiços. – a loira olhou ao redor, sem encontrar os fios ruivos por perto – Ela disse que precisava fazer alguma coisa antes, mas que depois viria encontrar a gente na biblioteca.

Apesar da popularidade que dava a Amelia o poder de escolher praticamente qualquer grupinho de amigos no castelo, a novata não havia se afastado da prima. As duas tinham personalidades diferentes e foram criadas em universos opostos. Mas aquele pequeno abismo não serviu para afastar as meninas. Bloemer seria eternamente grata pelo carinho com que fora acolhida na casa dos Clearwater.

- Eu vou procurá-la e encontro vocês na biblioteca. Escolham uma boa mesa, hm?

Savannah e Georgina concordaram com movimentos de cabeça antes de desaparecerem pelas escadas móveis do castelo. Amelia seguiu o caminho de volta até a sala de Feitiços, mas não cruzou o caminho da prima. Depois de alguns poucos segundos de reflexão, a novata teve uma vaga ideia para explicar o repentino sumiço da prima.

Quando chegou aos jardins, Bloemer sabia exatamente a quem procurar. Sob uma das árvores estava reunido o grupinho mais famoso do castelo e foi na direção deles que Amelia seguiu. A única ruiva que acompanhava os marotos não era Lucinda Clearwater, mas ainda assim a novata manteve a esperança de que encontraria ali alguma resposta sobre a localização da prima.

Ao contrário dos alunos da Corvinal, os grifinórios não dedicavam aquelas horas de folga aos estudos. Peter Pettigrew e Remus Lupin travavam uma batalha de xadrez bruxo e era nítido o esforço que Wormtail fazia para não ser humilhado na partida. Sirius Black, com um bastão em mãos, treinava arremessos de balaços. Num canto ligeiramente mais afastado dos demais, Potter e Evans estavam grudados num beijo apaixonado.

Como todos estavam tão distraídos com seus respectivos passatempos, a presença de Amelia só foi notada quando a sombra da menina escureceu o tabuleiro de xadrez. Peter e Remus ergueram os olhos para a Corvinal no instante em que Bloemer arqueava uma das sobrancelhas enquanto analisava a partida em jogo.

- Torre preta derruba a rainha branca. O que obriga o bispo branco a andar três casas na diagonal para proteger o rei. Isso vai colocá-lo na mira do cavalo preto. Sem o bispo, o rei branco se verá acuado entre o cavalo, um peão e a rainha preta. Xeque-mate.

- Heeeeeey! – o protesto de Pettigrew denunciava que ele era o dono das peças brancas.

- Ora, se o Lupin é mesmo tão inteligente quanto a Lucy diz, ele provavelmente já tinha enxergado essa jogada. Só estou acelerando o processo porque preciso de alguns minutos da atenção dele.

Os olhos castanhos voltados para Remus indicavam que era sobre que a corvinal falava, mas aquele detalhe foi lindamente ignorado por Sirius Black, que logo se meteu na frente da recém-chegada com seu sorrisinho galanteador.

- Amelia Bloemer. Hoje o dia não amanheceu muito bonito, mas aqui está você para mostrar que as coisas sempre podem melhorar. Quer se juntar a nós?

O comportamento exageradamente sedutor de Black só não era mais incômodo porque o grifinório era anormalmente atraente. Amelia estava longe de ser mais uma das garotas que suspiravam por Sirius, mas até mesmo a novata precisava admitir que a beleza do colega estava bem acima da média. Contudo, para decepção de Black, Bloemer não cedeu aos seus encantos e esticou o pescoço para conseguir olhar novamente para Remus mesmo com aquele “obstáculo” a sua frente.

- Na verdade eu só vim perguntar ao Lupin se ele viu a Lucy. Combinamos de estudar juntas, mas ela sumiu. Eu tinha esperança de encontrá-la com você.

Desde o primeiro contato com os marotos na carruagem, Amelia tivera a impressão de que havia algo a mais entre Lucinda e Remus. A ruiva não economizara nos elogios dirigidos ao grifinório e o pedido das anotações fora interpretado por Bloemer como uma tentativa de se aproximar do rapaz. O comentário irônico de Sirius sobre o “amor nerd” só reforçou a equivocada sensação de que os dois eram mais que bons amigos.

- Por que ela estaria com o Moony? – a confusão estava estampada no rosto de Black – Está rolando alguma coisa que eu não sei??? Seria ótimo, hein, Moony? Seríamos parentes. Você e a Lucy, Milly e eu.

Aquela cantada foi tão absurda que Amelia demorou a entender que Black se referia a ela quando dissera “Milly”. Os olhos castanhos giraram quando a compreensão finalmente a atingiu e os lábios dela formaram sílabas parecidas com “inacreditável”, mas sem emitir nenhum som. Bloemer estava prestes a fazer o famoso Sirius Black experimentar a inédita sensação de um fora quando um grito de “Cuidado!” ecoou pelos jardins.

Instintivamente, a novata girou a cabeça na direção de onde viera o grito. Tudo aconteceu em uma fração de segundos, mas para Amelia as cenas pareciam se suceder em câmera lenta. O vulto de um dos balaços desgovernado lançado por Sirius naquela manhã vinha na direção dela em alta velocidade.

Até mesmo um habilidoso jogador de quadribol não conseguiria reagir a tempo de evitar aquele golpe surpresa, mas Bloemer simplesmente deu um salto para o lado, saindo da mira da bola. O objeto passou tão perto que Amelia pôde sentir o vento se chocando contra o seu rosto delicado antes que o balaço acertasse com violência o tronco da árvore mais próxima, rachando a madeira firme.

- Por Godric, você está bem???

A voz de Lily estava mais aguda que o normal quando a ruiva se colocou na frente da colega e segurou seu rosto entre os dedos, sem acreditar que Amelia havia escapado daquele acidente sem nenhum arranhão. O coração acelerado de Bloemer respondia à adrenalina que corria em suas veias, mas a garota não parecia tão aterrorizada quanto os demais. Para ela, fora um instinto natural que qualquer um teria em seu lugar.

- Relaxa, Lily, não foi nada.

- Você não pretende fazer os testes pro time da Corvinal, pretende? – a preocupação de Potter ia muito além do bem estar da colega.

- JAMES POTTER!

- Pô, Lily! Eu preciso mudar todo o meu esquema de jogo se a Corvinal ganhar uma jogadora com reflexos tão bons!!!
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Regulus Black em Seg Jun 05, 2017 1:52 am

Se Regulus Black não se sentia acolhido dentro da Sonserina, aquela sensação de solidão se tornava ainda mais sufocante quando ele se via próximo dos colegas de outras casas. Aos olhos de lufanos, grifinórios e corvinais, o herdeiro dos Black era exatamente como os demais membros da casa de Salazar Slytherin. Mesmo que o nome de Regulus nunca tivesse sido envolvido em confusões, o apanhador sonserino era visto como uma pessoa tão arrogante, preconceituosa e cruel quanto todos os que o rodeavam.

O convívio de Black com alunos das outras casas se resumia às aulas compartilhadas obrigatórias. Ao contrário dos demais sonserinos, Regulus nunca fazia nenhum comentário depreciativo sobre os colegas e nunca havia erguido a varinha para azarar um “sangue-ruim”. Ainda assim, era nítido que ninguém se atrevia a chegar muito perto do herdeiro de uma das famílias mais tradicionais da história da magia.

Como não podia contar com ninguém, Regulus havia aprendido a lidar com a solidão de tal maneira que aquilo não o incomodava mais. Pelo contrário, o caçula dos Black passara a apreciar a paz que ele só encontrava quando não havia mais ninguém por perto. Longe de todos os olhares, Regulus não precisava manter a impecável postura que todos esperavam dele. E era muito prazeroso se libertar daquelas amarras sociais.

Era exatamente este sentimento que fizera Black eleger a torre de Astronomia como o seu lugar preferido naquele castelo. Como não era a matéria mais popular entre os alunos, era raro que alguém subisse até aquele ponto do castelo fora do horário das aulas. Regulus passava horas inteiras naquela sala revisando suas anotações, e à noite era comum que o rapaz perdesse a noção do tempo na varanda, admirando as estrelas que salpicavam o céu acima de Hogwarts.

Como de costume, foi na direção da Torre de Astronomia que Black seguiu quando se viu livre da última aula daquela manhã. Naquele dia, porém, a sua tentativa de fugir para um lugar tranquilo foi frustrada. O rapaz estava no meio da escadaria que levava à sua sala predileta quando ouviu vozes. Com impaciência, os olhos cinzentos giraram e Regulus lançou um xingamento mental às pessoas que ocupavam o seu refúgio. Sem grandes escolhas, o apanhador da Sonserina chegou a recuar alguns passos para se afastar sem ser notado, mas foi neste instante que Black notou que havia algo errado.

Não eram vozes normais de alunos que usavam a sala para colocar a matéria de Astronomia em dia. Tampouco pareciam ser estudantes que usavam a sala para alguma travessura. O grunhido que vinha de cima fez as sobrancelhas grossas de Regulus franzirem e, obedecendo a um instinto, o rapaz terminou de subir os degraus para espiar o interior da sala.

Em um primeiro momento, não pareceu haver nada errado. As mesinhas estavam organizadas em fileiras perfeitas. Os enormes globos que reproduziam a localização dos planetas continuavam pendurados no teto, imóveis. As anotações feitas pelo professor durante a última aula continuavam no quadro, assim como uma pilha de papeis sobre a mesa central da sala, contendo os trabalhos entregues pelos alunos.

O herdeiros dos Black estava prestes a concluir que sua mente fantasiara coisas quando um reflexo alaranjado atraiu a sua atenção para os fundos da sala. A garota estava parcialmente escondida pelo tronco de um enorme aluno da Sonserina, mas não era difícil compreender o que estava havendo ali. Um observador mais desatento poderia enxergar apenas um casal de estudantes apaixonados cedendo aos hormônios da juventude, mas Regulus só precisou de alguns segundos para perceber que a menina definitivamente não parecia muito à vontade.

Os braços fortes de Crabbe precisavam segurá-la com firmeza contra a parede da sala para que Lucinda Clearwater não fugisse daquela investida. A ruiva se debatia de forma desesperada, mas não conseguia se livrar do colega assombrosamente maior e mais forte. A varinha caída aos pés dos dois mostrava que Lucy havia perdido a única arma que lhe daria alguma vantagem contra um brutamontes.

- Pare de se fazer de difícil! – Crabbe resmungou, sem afastar a mão que cobria os lábios de Lucy e impedia a menina de gritar – Você deveria se sentir honrada com o meu interesse, sabia? Eu jamais me casaria com uma morta de fome, mas posso te dar os luxos que você nunca teve. Você só precisa ser boazinha comigo.

O discurso do colega não era exatamente uma novidade para Regulus, que já estava acostumado com aquela realidade. Em uma sociedade alimentada por casamentos arranjados, não era raro que as mulheres que não possuíam as qualidades necessárias para o cargo de esposa se tornassem amantes de luxo.

Naquele dia, contudo, Regulus se sentiu tão enojado com o comportamento do “amigo” que não foi capaz de fechar os olhos como geralmente fazia diante das regras daquela sociedade podre. Crabbe ainda se esforçava para encontrar alguma brecha sob a saia azul da Corvinal quando sua mão foi paralisada.

Por alguns segundos, o sonserino ficou completamente imóvel diante de Lucinda, mas logo a gravidade puxou o corpo petrificado para baixo, fazendo Crabbe desabar aos pés da ruiva. Clearwater só compreenderia o ocorrido quando erguesse os olhos e encontrasse Regulus Black do outro lado da sala, com a varinha em punho e uma expressão dura no rosto.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Jun 05, 2017 2:08 am

O rosto de Lupin ainda estava contorcido em confusão diante do comentário malicioso de Sirius Black a respeito de um possível relacionamento entre ele e a ruiva da Corvinal quando toda a confusão com o balaço aconteceu bem diante dos seus olhos.

Embora não tivesse a mesma habilidade de um jogador de Quadribol, o instinto de lobisomem logo mostrou que alguma coisa estava errada, mas nada se comparava com a rapidez com que Amelia Bloemer havia escapado daquele potencial desastre.

O queixo de Remus despencou diante do milagre que acabara de presenciar e ele ainda estava em choque quando se colocou de pé, ignorando por completo a partida de xadrez já arruinada pela chegada de Amelia.

- O Prongs está certo, você devia tentar uma vaga no time!

Embora não fosse exatamente o modelo de um aluno esportista, Remus havia aprendido a adorar o Quadribol. Ser jogador jamais seria uma possibilidade com alguém com a sua saúde, mas por ter dois dos melhores amigos no time, Lupin sempre fora obrigado a assistir aos treinos e jogos, o que o tornou um fã do jogo bruxo.

- O quê!?!?!? – Potter ergueu as mãos para o ar e as sacudiu como se apagasse um quadro negro invisível. – Não, não! Não foi isso que eu disse! Moony, o que está fazendo??? Ela é a inimiga!

- Você está sendo ridículo, Potter. – A familiar fúria de Evans já brilhava em seus olhos verdes.

- Vou ter que concordar com a Lily nessa, Prongs. – Remus sacudiu a cabeça, o que fez com que os olhos castanhos girassem por trás das lentes.

- Novidade... Você sempre concorda com a Lily, Moony.

- E eu vou ter que concordar com a Lily e o Moony, Prongs. – Sirius Black cruzou os braços e se posicionou ao lado de Amelia, como se todos eles fizessem um time que precisavam defender a Corvinal.

- QUÊ?! – O queixo de Potter voltou a despencar, e desta vez, até Remus se viu obrigado a encarar Black com um olhar desconfiado.

Era raro que Sirius Black e James Potter discordassem em alguma coisa, principalmente quando o assunto era Quadribol. Mas o sorrisinho torto que Sirius lançou junto com o olhar na direção de Amelia, não deixava dúvidas de que daquela vez ele abriria mão de concordar com o melhor amigo em prol de uma menina.

- É sério, seria interessante ter uma adversária a altura, pelo menos uma vez.

Não era nenhuma novidade ver Sirius se derretendo por um rabo de saia, mas era inédito ver sua “vítima” com alguma resistência. A cena era quase interessante de se ver, e Lupin a observava como um atento espectador, buscando em cada detalhe alguma pista do que viria a seguir.

- Eu acho que isso cabe apenas à Bloemer decidir. – Remus encerrou aquele assunto, se abaixando para puxar a alça da bolsa masculina jogada sobre a grama. – A última vez que vi Lucinda foi no café da manhã. Mas talvez saiba onde ela está... Posso te acompanhar.

Ao contrário de Sirius, a oferta de Lupin não tinha nenhuma entonação maliciosa ou galanteadora. Ele soava sinceramente como um rapaz prestativo com a intenção de ajudar a menina a encontrar a prima.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Amelia Bloemer em Seg Jun 05, 2017 2:38 am

- Não sejam ridículos. Foi só um reflexo normal, qualquer um tentaria se desviar de um balaço.

Não era por modéstia que Amelia desmerecia a sua habilidade. A garota simplesmente não via nada demais no que acabara de fazer. Aos olhos dela, era um exagero absurdo que James Potter estivesse preocupado com a possibilidade de tê-la como adversária em um jogo de quadribol.

- E durma tranquilo, Potter. Eu não curto quadribol e definitivamente não quero perder o meu tempo precioso com jogos e treinamentos exaustivos. – um sorrisinho brotou nos lábios de Bloemer antes que a garota acrescentasse – Mas acho que posso reservar algumas poucas horas para assistir a partida da Corvinal contra a Grifinória. Será um prazer ver vocês sendo massacrados.

Uma piscadela debochada foi lançada para os rapazes antes que Amelia seguisse os passos de Remus Lupin. Ao invés de se sentir ofendido com a aparente falta de interesse de Bloemer, o sorrisinho de Black indicava que Sirius encarava aquilo como um desafio. O fato da novata não se jogar aos seus pés só aumentava o desejo de Black em adicionar o nome dela em sua longa lista de conquistas.

Só quando se afastou vários passos do grupinho sob a árvore, Amelia se atreveu a tomar novamente a palavra. Os olhos castanhos buscaram o rosto de Remus com curiosidade enquanto a voz suave da garota quebrava o silêncio entre eles.

- Lucy e eu somos primas, mas a verdade é que nunca fomos muito próximas. Começamos a construir uma amizade agora, então ainda é cedo para confidências mais íntimas. Acho que interpretei mal os sinais. Imaginei que havia algo além de amizade entre vocês dois.

Não havia nenhuma malícia nas palavras de Bloemer. Aquela não era uma tentativa de arrancar alguma informação confidencial de Lupin, era somente um pedido de desculpas pelo mal entendido daquela manhã. A reação de Black deixara claro que ainda não havia nada entre Remus e Lucinda, mas Amelia não se arriscaria a dizer que a prima não nutria sentimentos mais profundos pelo amigo.

Como de costume, Bloemer atraiu olhares enquanto cruzava os jardins acompanhada por Lupin. O uniforme da Corvinal caíra bem na novata. O azul formava um bonito contraste com a pele rosada e com os cabelos escuros. Naquela manhã, Amelia acordara um pouco atrasada e não tivera tempo para cachear as pontas dos cabelos, então os fios pendiam naturalmente lisos pelos ombros dela.

Ao contrário do que aconteceria se fosse Sirius ao invés de Remus, ninguém pareceu interpretar de forma maldosa aquela cena. Parecia bem improvável que uma garota bonita e popular ignorasse uma lista de excelentes pretendentes para escolher justamente Lupin. Era muito mais fácil pensar que os dois estavam juntos por algum motivo puramente acadêmico.

- Pode parecer bobagem, mas eu estou preocupada com esse sumiço da Lucy. – havia uma aflição sincera no semblante da garota – Ela me garantiu que sairia da aula de Feitiços direto para a biblioteca, mas eu não consigo encontrá-la em lugar algum!

Em um castelo enorme como Hogwarts, havia uma infinidade de explicações tolas para o “sumiço” de Clearwater. A ruiva poderia simplesmente ter passado no dormitório para trocar de roupa ou buscar algum livro no malão. Ou talvez Lucinda apenas dera um pulo no corujal para enviar algum recado para os pais. Havia a chance da menina ter se distraído conversando com algum colega, ou então ter procurado um dos professores para tirar alguma dúvida.

Mas a familiar sensação de que havia algo errado não deixava Amelia relaxar. Com um instinto inexplicável, Bloemer sentia que a prima estava precisando de ajuda naquele exato momento. Era uma espécie de sexto sentido que Amelia sempre tivera, desde a infância. E o fato de raramente estar errada fizera com que a menina jamais ignorasse aquele sentimento inexplicável.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Jun 05, 2017 2:52 am

- Hey Lucy, a biblioteca é para o lado de cá...

Savannah parou no meio do corredor, sentindo os alunos que saíam da sala de aula esbarrando em seu ombro. Os cabelos ruivos de Lucinda estavam há uma pequena distância e a menina parecia completamente distraída quando se voltou para a colega.

- Eu preciso entregar o mapa de Astronomia dos próximos dois meses para a professora Abigail. Era para dois dias atrás, é um milagre que ela tenha conseguido estender o prazo.

Como que para reforçar a sua correria em seguir pelo seu caminho, Lucy ainda ergueu o rolo de pergaminho sobre a cabeça enquanto desaparecia pelo corredor, quase correndo em direção das escadas que a levariam até a Torre de Astronomia.

- Encontro vocês em quinze minutos! – Ela ainda gritou antes de sumir no fim do corredor.

Como uma dedicada Corvinal, Lucinda Clearwater não costumava entregar seus trabalhos com atraso. Mas ela ainda não se sentia inteiramente convencida de que havia aprendido todos os passos de uma complexa poção que aprenderiam na próxima aula de Horace Slughorn e, ao administrar mal o seu tempo, acabara dedicando mais atenção na matéria que ela tinha tanta deficiência que se esquecera por completo da tarefa de Astronomia.

Embora a professora Abigail não fosse exatamente fácil de driblar, Lucinda conseguiu usar o seu talento natural de negociação para garantir um prazo maior, com a promessa de que entregaria o melhor mapa do céu dos próximos dois meses. Desconfiando da capacidade da aluna, a professora aceitara aquele desafio.

Tudo que Lucy precisava era deixar o pergaminho que havia trabalhado durante toda a noite sobre a mesa da professora e poderia voltar a se dedicar na complexa poção. Por isso, com a mente focada apenas nas tarefas do dia, ela não notou quando o rapaz de vestes verde e prata começou a acompanhar os últimos lances de escada até a torre.

Como era esperado naquele horário, a sala estava completamente deserta quando Lucinda entrou. Os cabelos ruivos, presos em um rabo de cavalo, balançaram quando ela se aproximou da mesa e enfiou o pergaminho entre a pilha de livros da professora, finalmente com um sorriso de alívio nos lábios.

Lucy arrumou a alça da mochila em seu ombro e estava pronta para disparar pelo mesmo caminho que havia percorrido, quando Crabble entrou em seu campo de visão. Primeiro, a menina se sobressaltou apenas pelo fato de não ter notado outra pessoa até então. Mas bastou notar a malícia no olhar do Sonserino para que seu coração começasse a disparar.

- Está esbaforida ou só está tímida em me ver?

Instintivamente, os dedos de Lucinda procuraram pela varinha enfiada no bolso de suas vestes de forma discreta enquanto ela desviava do sonserino a caminho da saída.

- Definitivamente eu não sou tímida, Crabble.

Um grunhido escapou pela garganta de Clearwater quando a mão de Crabble cortou o ar e a agarrou pelo pulso de forma bruta. O sorriso perverso se tornou ainda mais largo quando os olhos azuis se arregalaram em horror.

- Você não sabe como eu adorei ouvir isso...

Sem pensar duas vezes, a varinha de Lucinda foi puxada para cima, mas com a mesma rapidez que a menina, Crabble conseguiu arrancá-la de seus dedos sem precisar usar magia. Totalmente indefesa, Lucy sentiu seu corpo sendo empurrado contra a parede e os minutos seguintes de luta foram desesperadores.

Com a varinha em mãos, não havia dúvidas de que Clearwater venceria aquele duelo. Além de mais inteligente e habilidosa, Lucy se destacava nas aulas de Feitiços e estava mais avançada que a maioria. Mas quando precisava lidar apenas com a força bruta do rapaz, ela era apenas uma menininha em perigo.

O ponto afastado no castelo e quando todos estariam ocupados com seus próprios afazeres, Lucy sabia que não teria ninguém para lhe ajudar. A única coisa que lhe restava era lutar com toda a força que tivesse, mesmo que sua mente soubesse que era inútil.

Em um momento tolo de confusão, quando o corpo de Crabble caiu repentinamente no chão, ela chegou a acreditar que tivesse feito alguma coisa. Mas não havia dúvidas de que o rapaz havia sido vítima de magia, e a única varinha erguida naquela sala vinha das mãos de Regulus Black.

Vários fios vermelhos já tinham saído de seu rabo-de-cavalo. O uniforme estava torto e alguns botões da blusa tinham sido abertos. Se Lucy já estava corada devido a corrida que fizera até chegar a torre, agora apresentava bochechas ainda mais vermelhas, o que a fazia parecer como um grande borrão alaranjado.

Seu peito subia e descia com a respiração rápida e o olhar ainda estava assustado ao pousar em Black, sem compreender o que havia acabado de acontecer. Sem saber se deveria confiar em Regulus ou se ele estava ali apenas para continuar o que o outro sonserino começara, Lucinda continuou grudada contra a parede, como um bichinho acuado.

- Eu só-eu só vim deixar meu trabalho! – Ela tentou se justificar, a voz engasgada. – Ele surgiu do nada! Eu não fiz nada contra ele, Black, ele só me atacou!
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Jun 05, 2017 3:19 am

Amelia Bloemer parecia ter o mesmo talento que James Potter e Sirius Black para conquistar a popularidade. Ela estava no castelo apenas há poucos dias, mas praticamente todos os alunos já conheciam a filha do ministro grego. E assim como James e Sirius, Amelia parecia ter motivos para toda aquela fama.

Além da beleza, o que consequentemente já a tornaria mais notável para o público masculino do castelo, Amelia era inteligente, possuía a língua afiada e parecia saber exatamente o que queria. Era quase como a descrição da menina perfeita para Sirius Black, e o fato dela se esquivar das evidentes investidas do seu amigo, só tornava aquela conclusão ainda mais óbvia.

O comentário sobre Lucinda Clearwater fez com que as bochechas de Lupin corassem involuntariamente e seu rosto se contorceu em uma mescla de surpresa e confusão. Parecia absurdo para o rapaz ouvir de outra pessoa teorias a respeito de sua vida amorosa. E ainda mais surpreendente que ele tivesse passado pela mente da mais nova e popular garota da Corvinal, mesmo que de uma forma totalmente bizarra.

Mas a verdade era que, diferente de Sirius e de James, Remus nunca havia se apaixonado por uma menina antes. Lupin conseguia levar uma vida quase normal, frequentava uma das melhores escolas de magia, tinha amigos por quem daria a vida. Era muito mais do que ele poderia esperar de uma vida amaldiçoada. Mas namoradas nunca poderiam fazer parte daquele pacote, por isso ele nunca se deixou perder tempo com qualquer pensamento que o levasse por aquele caminho que certamente só traria decepção.

Apesar de toda a complexidade da vida amorosa, Remus havia se envolvido com uma única menina, apenas na esperança de que Sirius e James parassem de lhe importunar a respeito do assunto. Mas aquela única vez certamente não tinha sido com Lucinda Clearwater.

A ruiva da Corvinal não passava de uma boa colega que se dedicava aos estudos tanto quanto o monitor da Grifinória. Jamais havia passado pela cabeça de Remus que talvez pudesse ser diferente aos olhos de Lucy. E aquela possibilidade fez com que ele franzisse as sobrancelhas e buscasse pelo olhar de Amelia.

Ao contrário da postura sempre leve dos amigos, até quando andava pelos corredores, Lupin parecia mais introvertido. A bolsa masculina de couro cruzava seu peito, o uniforme estava ligeiramente gasto e a proximidade da Lua Cheia já fazia com que olheiras escuras se formassem sob os olhos cor de âmbar. Os ombros estavam inclinados para frente e, durante todo aquele trajeto, Remus havia encarado o chão, apenas buscando pelo rosto da menina ao seu lado no último segundo.

- Lucy e eu somos amigos. Nada mais.

Lupin se odiou ao ouvir as próprias palavras ansiosas. Ele parecia apenas como um menino bobo que precisava reforçar seu estado civil para mostrar para a popular menina bonita de que seu caminho estava livre. O que era uma grande tolice, já que Remus jamais teria qualquer possibilidade com alguém como Amelia.

A preocupação demonstrada por Bloemer fez com que Lupin interrompesse a caminhada. Eles finalmente tinham atingido um corredor mais vazio, longe dos olhares que sempre acompanhavam Amelia.

Diferente de todo aquele trajeto, Remus não parecia mais evitar pela sua acompanhante. Todo o seu corpo se voltou para a morena e sua atenção estava inteiramente presa no rosto de Amelia.

Melhor do que ninguém, Remus havia aprendido a seguir seus instintos. A maldição de um lobisomem tinha inúmeras lamúrias e raros benefícios. Mas se ele poderia usufruir de alguma coisa, era daquele instinto que havia aprendido a usar. E por saber que praticamente todas as vezes que sentira que alguma coisa estava errada, de fato estava, ele sabia que não era bobagem. Amelia não precisava ser um lobisomem para ter desenvolvido aquele sentido.

- Ela não está na biblioteca? – A pergunta de Remus soou boba aos seus ouvidos quando ele sacudiu a cabeça. – Era o primeiro lugar que eu iria procura-la...

Os olhos âmbar passaram de uma ponta a outra do corredor, se certificando de que continuavam sozinhos. Apenas porque seu sexto sentido agora também começava a alertá-lo de que alguma coisa estava errada, como se tivesse sido contaminado por Amelia, Lupin assumiu o risco do que faria a seguir.

- Eu sei como podemos acha-la.

Lupin ainda observava o corredor quando apoiou a mão na cintura de Bloemer, a guiando para dentro da primeira sala vazia que encontrou. A bolsa masculina deslizou pelo seu ombro e ele já estava abrindo o fecho enquanto seguia até o fundo da sala, parando diante da grande mesa que era usada pelos professores.

- Mas você precisa prometer que vai guardar segredo. – Foi apenas com a sensação de que poderia confiar em Amelia que Remus puxou o velho pergaminho de dentro da bolsa e o esticou sobre a mesa. – Eles vão me matar...

O pergaminho em branco foi completamente aberto sobre a mesa. As bordas estavam ligeiramente amarrotadas e as marcas de dobra já se faziam presentes. A ponta da varinha de Lupin tocou o centro do pergaminho e sua voz soou em um sussurro que até Amelia teria dificuldades em compreender.

- Eu juro solenemente não fazer nada de bom.

Como se a varinha de Remus fosse uma pena com tinta, as linhas começaram a se formar pelo pergaminho até que Hogwarts estivesse desenhada diante dos seus olhos. Os nomes também começaram a aparecer enquanto os olhos atentos de Lupin já procuravam pelo pontinho de L. Clearwater.

- Se tem uma coisa que eu aprendi, é não ignorar meus instintos... Lucy pode estar só no salão comunal ou pode realmente estar precisando da sua ajuda.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Regulus Black em Seg Jun 05, 2017 3:21 am

Algo se quebrou dentro de Regulus quando o rapaz percebeu que Lucinda Clearwater continuava em pânico, como se ele fosse uma ameaça tão grande quanto Crabbe. A mão que ainda empunhava a varinha se abaixou vagarosamente enquanto Black experimentava o sabor amargo daquela fama que ele definitivamente não merecia. O apanhador da Sonserina jamais tivera um comportamento semelhante ao de Crabbe, mas quem poderia julgar Lucy por colocar o herdeiro dos Black naquele mesmo pacote?

- Eu sei. Caso você não tenha notado, eu ergui a minha varinha contra ele e não contra você.

A voz grave estava carregada de um sarcasmo dolorido. Regulus deixou ainda mais claro que estava ofendido com a reação de Lucinda quando sacudiu a cabeça em negativa e recuou um passo, como se quisesse demonstrar que não pretendia ocupar o lugar do colega para finalizar o “serviço” de Crabbe.

- Se algum professor me fizer perguntas sobre isso, eu vou negar tudo. Então sugiro que você guarde este segredo. A fama de mentirosa não vai te beneficiar em nada, Clearwater.

Por mais que tivesse defendido Lucinda naquela manhã, as palavras de Regulus mostravam que ele não estava disposto a comprar aquela briga para a ruiva. Black evitara que uma tragédia acontecesse na Torre de Astronomia, mas aquilo era o máximo que o rapaz estava disposto a fazer. Se Lucy decidisse levar aquilo adiante e contasse sobre o ataque a um dos professores, Regulus seria obrigado a desmenti-la para não gerar um atrito com os colegas e com a família de Crabbe.

Era doloroso pensar que um atraso de alguns poucos minutos poderia ter arruinado a vida de uma garota inocente. Regulus não atacara Crabbe para ser o herói daquele dia, mas era frustrante não receber sequer um pouco de gratidão. Ao invés de agradecida, Clearwater agia como um filhotinho acuado e ferido diante de um potencial agressor.

Com passos firmes, Regulus cruzou o espaço que o separava de Lucinda. Mas, ao invés de se dirigir à ruiva, o sonserino parou diante do colega caído no chão. A varinha foi apontada novamente para Crabbe, desta vez mirando o centro da testa do rapaz.

- Obliviate.

O corpo de Crabbe estremeceu antes de finalmente relaxar. As pálpebras caíram, ocultando os olhos pretos miúdos do rapaz enquanto o feitiço de Regulus apagava as últimas memórias dele. Quando despertasse no chão da sala de Astronomia, o sonserino não iria se lembrar de como chegara ali, muito menos que fora atacado por um dos “amigos”.

Com aquelas lembranças apagadas na memória de Crabbe, Lucinda se tornava a única testemunha do “deslize” de Regulus Black. Chegava a ser bizarro assistir o cuidado que o sonserino tinha para ocultar do resto do mundo o seu melhor lado. Ele acabara de salvar Lucy de um destino terrível, mas agia como se tivesse cometido um crime imperdoável que deveria ser mantido em segredo.

- Dê o fora daqui e nunca fale deste assunto com ninguém. É sério, Clearwater. Para o bem de todos, isso não aconteceu.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Amelia Bloemer em Seg Jun 05, 2017 3:57 am

Como se os dedos de Remus Lupin possuíssem uma corrente elétrica, Amelia sentiu o corpo estremecer de forma bizarra quando o grifinório apoiou a mão em sua cintura. Fora um toque breve e visivelmente sem malícia, mas fora intenso o bastante para deixar a novata atordoada por alguns segundos.

É claro que Bloemer não era inexperiente quando o assunto era garotos. Sirius Black não era o primeiro rapaz atraente que demonstrava interesse por Amelia e alguns belos colegas gregos faziam parte do passado da menina. Mas em nenhuma daquelas experiências Amelia sentiu o tremor provocado pelo simples toque de Remus Lupin.

Só quando os pulmões da menina começaram a arder, Amelia percebeu que estava segurando a respiração. O coração acelerado não respondia somente ao instinto de que algo estava errado com Lucy, mas também àquela sensação bizarra provocada pelo contato com o grifinório.

Ainda entorpecida com o efeito inesperado daquele toque, Bloemer demorou mais tempo que o normal para compreender como aquele pergaminho velho poderia ajudar nas buscas por Lucinda.

- O que você acha que está...?

A pergunta morreu antes de ser concluída quando o feitiço lançado por Lupin começou a fazer efeito. A tinta surgiu sobre o pergaminho, desenhando todos os cômodos do enorme castelo de Hogwarts. Só aquilo já seria o bastante para impressionar Amelia, mas a maior surpresa ainda estava por vir. O queixo da novata despencou quando os nomes começaram a se movimentar pelo mapa, simbolizando todas as pessoas que estavam nos terrenos de Hogwarts naquele instante.

- Mas o que significa...? Isso é...?

A surpresa impedia Bloemer de concluir qualquer raciocínio. Aquele pergaminho velho escondia uma das magias mais poderosas que Amelia já vira e era assombroso que estivesse nas mãos de um aluno. E justamente de um monitor. Mas a novata não pretendia perder tempo com uma lição de moral. Aquele mapa era perigoso e feria todas as regras de privacidade, mas naquele instante era a salvação para o problema do sumiço de Lucinda Clearwater.

- Eu prefiro não imaginar pra que você e os seus amigos usam este mapa, Lupin. – os olhos castanhos giraram antes de começarem a buscar freneticamente pelo nome da prima – Mas não vou trair a sua confiança. Você está me ajudando muito, então pode contar com a minha gratidão. Não vou falar sobre isso com ninguém.

Antes que Remus tivesse a chance de reforçar aquele pedido, Amelia completou a promessa como se fosse capaz de ler a mente do rapaz.

- Nem para a Lucy. Eu prometo.

O mapa do maroto era a solução perfeita para o problema que atormentava Amelia naquela manhã, mas nem mesmo ele foi capaz de dar uma resposta rápida à garota. Bloemer e Lupin perderam um generoso tempo buscando pelo nome de Lucinda nos lugares mais prováveis, mas a ruiva não foi encontrada no Salão Comunal da Corvinal, nem na biblioteca ou no corujal.

O desespero já começava a dominar a mente de Bloemer quando seus olhos finalmente captaram o “L. Clearwater” na escadaria que levava à torre leste. Coincidentemente, Remus localizou o nome no exato instante que Amelia e os dois levaram as mãos ao mesmo ponto.

- Aqui!

As vozes de ambos se misturaram no momento em que os indicadores se chocavam contra o pergaminho. O inexplicável tremor experimentado por Amelia se repetiu, mas aquele sexto sentido sufocante não permitiu que a menina perdesse tempo com teorias sobre a eletricidade que ela sentia em Remus. Segundo o mapa, Lucinda estava sozinha, mas Bloemer continuava com a sensação de que algo estava muito errado com a prima.

Sem perder mais tempo, Amelia saiu em disparada pelos corredores. Como a imensidão de Hogwarts ainda era uma novidade para a menina criada na Grécia, Bloemer certamente teria se perdido pelos infinitos corredores se não fosse pela companhia de Lupin.

Quando finalmente avistou a cabeleira ruiva da prima, Amelia apertou ainda mais o passo. Os fios que escapavam do rabo de cavalo e o rosto vermelho da menina reforçavam a ideia de que havia algo errado. Lucy foi puxada para os braços da prima no instante em que as duas ficaram frente a frente e, depois de um abraço apertado, Amelia afastou o rosto o suficiente para encarar a ruiva.

- O que aconteceu? Onde você estava?
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Jun 05, 2017 4:10 am

Se toda aquela cena já não fosse bizarra o suficiente, Lucinda ainda presenciou Regulus Black roubando as memórias de Crabble bem diante dos seus olhos. O Obliviate estava longe de ser uma Maldição Imperdoável, mas ainda assim, era inaceitável que um aluno o usasse contra outro.

Além de proteger o próprio gesto de Regulus, o feitiço da memória também impediria que Lucy seguisse adiante e contasse a algum professor o que havia acontecido na Torre de Adivinhação naquele início de tarde. O que consequentemente impediria que Crabble recebesse a punição necessária por atacar uma colega quando nem mesmo ele se lembraria do ocorrido.

Tudo havia acontecido rápido demais, mas a única coisa que a mente de Lucy conseguia pensar era na injustiça por não poder punir Crabble. Aquele incidente poderia ter tomado proporções muito piores e o Sonserino continuaria andando pelos corredores, apenas aguardando uma nova oportunidade e uma nova vítima.

Apesar de ainda se sentir tão impotente quanto no minuto em que era atacada pelos braços fortes de Crabble, Lucy conseguiu reunir forças para cambalear até a sua varinha caída. Seus dedos estavam trêmulos ao enfiá-la de volta nas vestes tortas, mas o único cuidado que teve com a própria imagem foi de abotoar novamente os botões que haviam se soltado.

Embora tivesse recuperado a varinha e pudesse enfrentar Black, a razão impediu que Lucy fizesse qualquer coisa contra o Sonserino que restara de pé. Regulus havia acabado de executar um feitiço da memória com perfeição, o que não era tão comum em alunos do sexto ano. Talvez enfrenta-lo fosse tão perigoso quanto inútil.

- Eu não vou contar! Eu prometo!

Mantendo apenas um olhar desconfiado no rosto avermelhado, Lucy deixou a torre de astronomia sem nem mesmo dar as costas para Regulus, recuando como se esperasse que ele fosse ataca-la no instante em que se virasse.

Os pés tropeçavam enquanto ela descia correndo as escadarias e estava prestes a desabar em choro quando foi acolhida no inesperado abraço de Amelia. Diferente dos gestos brutos do sonserino que a atacara, o toque da prima era acolhedor e, embora as duas ainda estivessem construindo uma amizade, Lucy se sentiu mais segura que em qualquer lugar que já estivera.

Sem pensar duas vezes, seus braços foram jogados ao redor do pescoço da morena e o rosto afundou entre os fios escuros. Os olhos de Lucy ardiam, mas se ela chorasse, terminaria de entregar que havia acabado de sofrer um trauma.

- O quê?

Ela tentou soar confusa diante da preocupação de Amelia e se afastou até notar a presença de Remus Lupin. Com um olhar confuso, ela olhou de um ao outro, estranhando a companhia dos dois.

- Ah, isso? – Ela fungou ao dar um passo para trás, tornando ainda mais óbvia a sua aparência bagunçada. – Essas escadas idiotas... Eu só fui entregar o meu trabalho de Astronomia e quando estava voltando, as escadas mudaram. Eu tropecei e acabei caindo.

O sorriso fraco de Lucinda não era convincente, mas também não havia motivos óbvios para a ruiva mentir.

- O que vocês dois estão fazendo aqui? Achei que fosse te encontrar na biblioteca, Mel.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Regulus Black em Seg Jun 05, 2017 4:42 am

- A minha cabeça...

Crabbe resmungou pela terceira vez naquela manhã enquanto esfregava as têmporas doloridas. Além da dor, o fato do rapaz não ter tocado no farto café da manhã era um detalhe preocupante, visto que Crabbe costumava devorar grandes quantidades de comida em poucos minutos.

- É sério, eu acho que a minha cabeça vai explodir. Nunca senti uma dor tão forte...

Assim como o restante dos colegas que ocupavam a mente da Sonserina, Regulus não demonstrou uma sincera preocupação com o amigo. Ao contrário dos outros, contudo, Black sabia que havia um motivo sólido para a dor de cabeça de Crabbe. O Obliviate era um feitiço extremamente complexo para um estudante de dezesseis anos. Regulus havia executado a magia com perfeição e eliminara as memórias recentes do colega, mas a dor era o efeito colateral que mostrava que Black ainda precisava aperfeiçoar mais a técnica.

Uma generosa mordida em um dos bolinhos de caldeirão manteve a boca de Regulus ocupada e o livrou de fazer qualquer comentário sobre a situação do colega. Normalmente, Black iria sugerir ao amigo que procurasse a enfermaria. Mas o risco de Madame Pomfrey notar alguma alteração na memória de Crabbe fez Regulus desistir de apresentar aquela sugestão ao outro rapaz.

Agora, sem a adrenalina do momento, Regulus percebia o quanto havia se arriscado no dia anterior. Ele não só havia atacado um colega com um feitiço que certamente lhe causaria um enorme problema junto aos professores e talvez até diante do Ministério da Magia, como fizera isso diante de uma testemunha.

Agora Lucinda Clearwater sabia que o herdeiro dos Black não compactuava com o comportamento vigente na Sonserina e tivera coragem de atacar um amigo pelas costas. Uma palavra da ruiva e a máscara que Regulus lutava tanto para manter diante da sociedade cairia por terra.

Por outro lado, Black não conseguia se arrepender da atitude tomada no dia anterior. Sempre que sua memória resgatava a lembrança de Lucinda aterrorizada e totalmente dominada pelos braços fortes de Crabbe, Regulus se via invadido pela certeza de que faria tudo de novo para salvá-la. A verdade poderia arruiná-lo, mas Black não conseguiria conviver com a própria consciência se tivesse recuado diante daquela cena.

De forma discreta, os olhos cinzentos buscaram pela mesa da Corvinal. Não foi difícil localizar o pontinho alaranjado que se destacava entre os fios loiros ou escuros. Lucinda parecia recuperada do susto naquela manhã, mas era difícil saber se a garota honraria a promessa e manteria o segredo.

O olhar de Regulus se manteve fixo no rosto de Lucinda até que as íris azuis o notaram. O coração do sonserino deu um solavanco dentro do peito, mas nem assim o contato visual foi quebrado. A expressão de Black não era ameaçadora como a de alguém que quer garantir o silêncio de uma testemunha. Pelo contrário, havia uma aflição que os olhos de Regulus não conseguiam esconder, quase que uma súplica muda pelo sigilo da menina.

- Perdeu alguma coisa na mesa da Corvinal, Black...?

A voz arrastada e debochada de Malfoy trouxe Regulus de volta à realidade. Os olhos cinzentos finalmente se afastaram da imagem de Lucinda e Black ofereceu ao colega uma resposta extremamente adequada para aquela situação.

- Bloemer. Ela está mais bonita que o normal hoje, não acha?

Como a filha do primeiro ministro grego estava sentada ao lado de Lucinda, não era difícil fingir que era para a morena que Regulus voltara a sua atenção. É claro que Black já havia notado a beleza da novata, mas definitivamente não era nela que o sonserino estava interessado naquela manhã.

O sorriso maldoso de Lucius Malfoy mostrava que o rapaz havia acreditado facilmente naquela mentira. O loiro olhou para Amelia por cima do ombro e, como a maioria dos sonserinos, ignorou totalmente a existência da ruiva ao lado da novata.

- Que a sua prima não me ouça, mas a novata é um espetáculo. Você tem bom gosto, Reg. Acho que a sua mãe preferiria uma sonserina, mas nem mesmo a tia Walburga seria capaz de encontrar defeitos na Bloemer.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Remus J. Lupin em Ter Jun 06, 2017 2:48 am

O mapa do maroto estava mais uma vez aberto diante dos olhos âmbar e era graças a ponta da varinha que Lupin conseguia enxergar a concentração dos nomes dos alunos em seus respectivos salões comunais. Aleatoriamente, um ou outro ponto se deslocava carregando o nome dos professores, e como era comum, o pontinho com o rótulo de A. Dumbledore andava de um lado ao outro em seu escritório.

- Está sem sono, Moony?

Remus ergueu a cabeça do mapa até encontrar o rosto de Sirius Black largado em sua própria cama. A cortina que os separava estava completamente escancarada. Os travesseiros de Black formavam um encosto contra a cabeceira e ele tinha as pernas emboladas nos lençóis. A camisa do pijama estava inteiramente desabotoada, deixando um traço de seu peito exposto.

O olhar de Lupin passou rapidamente pelo dormitório, se certificando de que todos dormiam antes de responder ao amigo, com um balançar de ombros.

- Estamos chegando naquela época do mês. – A resposta soou em um sussurro, mas mesmo com a voz contida, era notável como Remus já parecia cansado.

Mas aquele cansaço ia muito além da proximidade da Lua Cheia e das dores que seu corpo já começava a apresentar. Era o cansaço de quem precisava passar pela mesma tortura, mês após mês, sem intervalos, sem escapatórias, apenas esperando pelo destino inevitável.

Black franziu o queixo ao espremer os lábios e uma sombra também passou pelo seu rosto, compartilhando a dor do amigo. Com o braço apoiado na parte de trás de sua cabeça, ele massageou os próprios cabelos enquanto se perdia em pensamentos.

Se aproveitando daquele silêncio, Remus voltou sua atenção para o mapa. Ao contrário de Sirius, o monitor estava sentado com as pernas cruzadas sobre o colchão. O uniforme ligeiramente gasto estava devidamente fechado e o único desleixe era notado nos cabelos castanhos já bagunçados.

Além do cansaço físico e mental, Lupin também se sentia agitado depois dos acontecimentos daquele dia. Lucinda não havia dito ou demonstrado nenhuma pista que pudesse confirmar o sexto sentido da prima. Mas Remus não conseguia se livrar da sensação de que alguma coisa estava errada. E ele quase podia sentir que Amelia compartilhava daquele pensamento.

Involuntariamente, as íris claras de Remus passearam pelo mapa até o ponto em que ele já sabia ficar a torre da Corvinal. Seu olhar cravou no exato ponto em que as letras formavam o nome “A. Bloemer” e, involuntariamente, Remus sentiu algo se aquecer junto com um salto em seu peito.

As bochechas ficaram repentinamente mais coradas, quase como se ele estivesse sendo flagrado em uma travessura. Era uma sensação inédita e agradável, que arrancou um sorriso fácil de seus lábios.

- Hey Moony...

A voz de Sirius Black voltou a arrancar Lupin de seus pensamentos, e ao encarar o amigo, aquele agradável calor desapareceu como mágica. Com as sobrancelhas arqueadas, o monitor parecia apenas distraído.

- O que você acha da Bloemer?

Se Remus se sentia pego no flagra, ele simplesmente concluiu de que o amigo havia notado a forma insistente em que encarava o nome da novata no mapa. Embora não tivesse nada de errado com aquele gesto, ele sentia como se estivesse cometendo um crime.

- Ahn, eu não sei... Ela é bonita.

As íris cinzentas giraram e um sorriso brincou nos lábios de Black quando ele girou sobre a cama até que seus pés tocassem o piso frio de pedra para se voltar na direção do amigo.

- É claro que ela é bonita. Até os quadros do castelo já notaram isso. – Black apoiou os cotovelos sobre os joelhos e lançou um rápido olhar na direção da cama de Potter, escutando o ronco do apanhador. – Mas ela é diferente das outras.

- Ela não te dá mole.

Lupin concluiu com um tom óbvio, quase se deliciando com aquelas palavras. Então, ele compreendeu o que aquilo significava. O simples fato de Amelia não se derreter aos pés de Black era motivo suficiente para despertar o interesse do animago além do normal. E ao invés de se aproveitar daquela situação para fazer qualquer tipo de gozação com Sirius, Remus se sentiu afundar com uma sensação amarga na boca do estômago.

- E você gosta dela.

- Não sei... – A insegurança não combinava com a personalidade de Black, mas apesar das palavras incertas, o sorriso convencido não deixava seus lábios. – Talvez agora eu entenda o Prongs com o lance da Lily. Vai que da certo com a gente também?
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Jun 06, 2017 3:10 am

O mundo girava quando Lucinda se viu protegida pela decoração azulada da torre da Corvinal. Era um alívio encontrar o dormitório feminino deserto, o que permitiu que ela respirasse como se tivesse acabado de emergir de águas profundas, apenas para se entregar ao choro no instante seguinte.

Tudo havia acontecido rápido demais e só agora sua mente começava a absorver o que realmente poderia ter acontecido. Com nojo do próprio corpo, Lucinda se enfiou sob a água forte do chuveiro e perdeu a noção do tempo enquanto tentava se limpar da sensação das mãos pesadas de Crabble.

Seu coração disparava cada vez que sua mente traiçoeira lhe lembrava o que poderia ter acontecido se Regulus não tivesse chegado. E sua garganta fechava com a certeza de que Black havia lhe salvado.

Os gestos de Regulus poderiam não ser nobres, mas ele havia sido seu herói, mesmo que por um único momento. E mesmo com a amargura de não poder punir Crabble, ela precisava se lembrar de que a consequência seria infinitamente pior se Black não tivesse surgido.

Lucinda não tinha a coragem de um Grifinório para enfrentar Black, ou o senso de justiça de um lufano para exigir que tudo fosse esclarecido. Ela pertencia a casa da Corvinal por usar a razão acima de tudo. E nada era mais racional do que concluir que apesar dos erros de Black, ela ainda devia muito a ele.

Quando o dia seguinte amanheceu, as coisas pareciam ainda mais claras na mente de Lucy. O trauma ainda existia, mas seu lado racional impedia que ela se afundasse em uma tragédia que não havia se concretizado. Por isso, a menina se concentrou apenas em resolver a única coisa que estava ao seu alcance: se desculpar com Regulus pela forma que havia se comportado quando deveria estar agradecendo.

O café da manhã de Lucy foi apenas revirado no prato e seu estômago protestava sempre que pensava em ingerir qualquer tipo de comida. Por estar sem apetite, ela não pensou duas vezes em deixar de lado o prato com ovos quando viu que Regulus deixava a mesa da Sonserina sozinho.

Lucinda estava estranhamente quieta naquela manhã. Não havia feito qualquer esforço para sustentar os assuntos que a prima tentava introduzir e sequer a encarou quando se colocou de pé com pressa, puxando consigo a mochila azul.

- Eu preciso ir, Mel. Nos vemos nas masmorras, ok?

Sem se dar ao trabalho de arrumar uma desculpa, Lucinda apenas apressou seus passos para seguir o caminho de Regulus Black. Pelo trajeto adotado pelo rapaz, ele provavelmente retornaria até os aposentos da Sonserina ou se adiantaria para a aula de Poções, a primeira do dia.

Qualquer que fosse o destino de Black, Lucinda não permitiu que ele seguisse quando o agarrou pelo ombro. Assim como no dia anterior, ela recuou um passo quando sentiu o peso dos olhos cinzentos, mas se manteve firme.

- Eu preciso falar com você.

Um ruído no fim do corredor anunciava os Sonserinos atrasados para o café da manhã ainda tinham esperança de uma boa refeição antes do início das aulas. E Lucy não precisava reparar nos ombros tensos de Regulus para saber que ele não gostaria de ser visto ao seu lado. O ocorrido da Torre de Astronomia era o suficiente para Lucinda saber que o jovem Black gostava de manter segredos.

Antes que as sombras dos alunos surgissem na esquina do corredor, Lucy alcançou a maçaneta pesada de uma das salas esquecidas das masmorras. A porta abriu com um rangido, mas antes de entrar, a ruiva procurou pelo rosto de Black com súplica.

- Por favor. Ou eu vou continuar ao seu lado até os seus amigos aparecerem e começarem a fazer perguntas.

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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Regulus Black em Ter Jun 06, 2017 3:51 am

Regulus Black percebeu que não se livraria do “erro” cometido no dia anterior quando Lucinda Clearwater surgiu à frente dele. Em seis anos sob o teto do castelo de Hogwarts, os dois jovens nunca haviam trocado mais que meia dúzia de palavras, sequer se olhavam quando eventualmente cruzavam pelo mesmo corredor e sentavam-se em pontos opostos da sala quando Corvinal e Sonserina tinham alguma aula em comum.

Portanto, Regulus simplesmente não encontraria uma boa desculpa para justificar a companhia da ruiva caso um dos colegas vissem os dois juntos. E a última coisa que o herdeiro dos Black precisava era ser envolvido em uma fofoca maldosa que poderia chegar até os ouvidos de Walburga.

Foi pensando em evitar um escândalo que Black seguiu os passos de Lucinda até uma das salas abandonadas das masmorras. A porta se fechou às costas do sonserino bem a tempo de evitar que o grupinho que seguia na direção do Salão Principal notasse a dupla escondida atrás das paredes de pedra.

A sala escolhida por Lucy definitivamente não era o lugar mais agradável do castelo. As paredes de pedra conferiam ao ambiente uma temperatura mais baixa. Como era uma sala abandonada, não havia qualquer tipo de iluminação. A única janela do cômodo ficava no topo de uma das paredes e era uma espécie de basculante com os vidros imundos. A enorme quantidade de vassouras velhas, baldes e esfregões indicava que, nos últimos tempos, aquele lugar funcionava como uma espécie de depósito para o zelador.

Com um dos ouvidos colados na porta, Regulus esperou ansiosamente que as vozes dos colegas desaparecessem no fim do corredor. Só então, Black virou-se para a garota com a expressão fechada que costumava usar diante dos alunos das outras casas. A penumbra da sala atrapalhava a visão do rapaz, mas ele não tinha a menor dificuldade em enxergar os fios alaranjados da menina a sua frente.

- Qual é o seu problema? Que parte do “isso nunca aconteceu” você não entendeu? O que houve? Eu fui pouco claro ou você não é tão esperta como os corvinais costumam ser?

A irritação se refletia em cada gesto do rapaz. Regulus queria desesperadamente que aquele assunto morresse, mas Lucinda estava colocando tudo a perder ao procurá-lo para conversar justamente nos arredores das masmorras.

Antes que a ruiva tivesse a chance de responder, o herdeiro dos Black ergueu o indicador de forma autoritária. Em nenhum momento Regulus pareceu ameaçador e era óbvio que ele jamais faria algo parecido com o comportamento de Crabbe no dia anterior, mas a maneira como ele sacudiu o dedo diante do rosto de Lucinda não foi exatamente respeitosa.

- Eu já disse que não vou falar sobre isso. E se você insistir em abrir o bico e tiver a audácia de usar o meu nome como testemunha, eu vou fazer com que você se arrependa de ter sido salva. O que o Crabbe faria com você é uma piada perto do que eu posso fazer se você me denunciar, Clearwater!

A escolha de palavras de Regulus era absurdamente estranha. Ele pronunciou o “denunciar” como se Lucinda soubesse de um grande deslize seu. O sonserino havia sido um herói no dia anterior, mas agia como se tivesse cometido um erro imperdoável.

Ali, naquela sala apertada e entulhada, Regulus e Lucinda estavam mais próximos do que jamais estiveram nos seis anos anteriores. E por poder encará-lo de perto, Lucy notaria que o caçula dos Black não era mais o garotinho quieto que um dia fora selecionado para a Sonserina.

Regulus podia não ter a popularidade do irmão mais velho, mas um bom observador reconheceria nele os mesmos traços bonitos que faziam as meninas suspirarem por Sirius Black. O caçula havia crescido vários centímetros nos últimos tempos e, graças ao quadribol, também exibia ombros largos e músculos bem definidos sob o uniforme de Slytherin. Ao contrário de Sirius, o caçula mantinha os cabelos muito bem aparados e penteados, e sempre se vestia de forma impecável. O único detalhe um pouco mais desleixado de sua aparência era o rosto discretamente áspero pela barba que mostrava que Regulus não era mais um menino.

- O que você quer, afinal? – os olhos cinzentos se estreitaram enquanto os braços do sonserino se cruzavam em uma postura defensiva – Fale logo o que tem pra dizer, está me fazendo perder tempo.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Amelia Bloemer em Ter Jun 06, 2017 9:15 pm

Uma das sobrancelhas claras de Savannah se arqueou e os lábios da loira se entreabriram de surpresa quando Amelia tirou da bandeja o quarto pastel de rins. E isso porque a novata já havia devorado dois bolinhos de caldeirão e três copos de suco de abóbora desde que se sentara para tomar o café da manhã com as amigas.

- Há quantos dias você não come, Mel? – o tom divertido de Georgina indicava que a outra menina também notara o apetite incomum de Bloemer naquela manhã – Se aquela sua saia preta não entrar mais, por favor lembre-se de mim. – Georgina lançou um sorrisinho convencido para Savannah – E lembre-se que eu pedi primeiro que a Annah!

Só depois de uma generosa mordida no pastel, Amelia ergueu um dos ombros e explicou-se às amigas.

- Tem dias em que eu acordo faminta, tenho vontade de comer umas coisas estranhas e nada me sacia. Mas isso acontece desde a infância e eu nunca engordei. Acho que o meu metabolismo fica mais acelerado em algumas semanas, sei lá...

Bloemer nunca havia perdido tempo em busca de uma resposta para o apetite voraz que a enlouquecia em determinadas épocas. Exatamente por não dar tanta importância a aquele fato, Amelia nunca havia associado a mudança de apetite e de paladar à proximidade da lua-cheia.

Os lábios de Savannah se curvaram em uma careta enojada quando a novata partiu um generoso pedaço do assado, propositalmente pegando a porção mais mal passada da carne. Amelia mastigou a comida com gosto, chegando ao ponto de lamber os dedos quando finalmente se deu por satisfeita naquela refeição.

- Meninas... – Bloemer olhou ao redor e só continuou quando teve certeza de que mais ninguém ouvia aquela conversa – Qual o segredo da Lucy? Ela está me escondendo alguma coisa, mas imagino que vocês duas saibam já que são amigas há mais tempo. Não estou interessada em fofocas, só queria ter certeza de que não preciso me preocupar. Estou com um pressentimento estranho e ela tem agido de forma tão esquisita!

Com um semblante sinceramente preocupado, Amelia olhou na direção em que vira Lucinda desaparecer naquela manhã. No dia anterior, Lucy tentara convencer a prima de que não havia nada errado, mas o sexto sentido aflorado de Amelia lhe dizia que era uma mentira.

- É algum namorado? – Bloemer insistiu diante da troca de olhares confusos das amigas – Ela está com medo que eu conte pros pais dela? Que bobagem, eu jamais faria isso! Queria que ela confiasse mais em mim...

- Namorado? – Georgina franziu o nariz e sacudiu a cabeça em negativa – Não que eu saiba. A Lucy dedica todo o tempo livre aos estudos, eu não acho que tenha um garoto na jogada. Por que está perguntando isso, Mel?

A novata tomou o último gole do suco de abóbora enquanto refletia se deveria seguir adiante naquela conversa. Mais uma vez, Bloemer obedeceu ao instinto que lhe dizia que ela podia confiar em Savannah e Georgina.

- Ontem eu a encontrei descendo as escadarias da torre leste. Ela estava corada, meio ofegante, com os cabelos atrapalhados e as roupas amarrotadas. Foi como se ela...

- ...estivesse dando uns amassos. – Savannah completou o raciocínio da amiga com um sorriso animado – Será? Por que ela não contaria pra gente???

A reação tão espontânea das duas amigas mostrou a Amelia que elas realmente não tinham nenhuma informação sobre aquela história. Bloemer ainda não sabia em que acreditar, sua única certeza era que Lucy mentira quando disse que apenas havia caído da escada.

Enquanto Savannah e Georgina cochichavam aos risinhos, construindo uma lista verbal dos possíveis rapazes com quem Lucinda poderia estar envolvida, Amelia se desligou por inteiro daquela conversa. Todos os seus sentidos se afloraram com um cheiro amadeirado que invadiu suas narinas. As pupilas da novata se dilataram discretamente enquanto Bloemer buscava a origem daquele perfume.

Do outro lado do salão, os marotos cruzavam o portal em direção à mesa da Grifinória. Era absurdo que Amelia sentisse algum cheiro daquela distância, em um salão enorme repleto de estudantes, mas de alguma forma Bloemer soube que aquele era o perfume de Remus Lupin. Ela havia sentido aquele mesmo cheiro amadeirado nas poucas vezes que se aproximara dele, mas naquela manhã o perfume estava anormalmente intenso, mesmo considerando a distância que separava as duas mesas.

- Vocês estão sentindo...? – no fundo, Amelia já sabia qual seria a resposta das amigas – O perfume?

- Que perfume? – Georgina fungou repetidas vezes – Só sinto o cheiro desse assado.

- A gente se encontra na aula, ok? Preciso resolver umas coisas...

Diante dos semblantes confusos das amigas, Amelia puxou a bolsa com seus livros e deixou para trás a mesa da Corvinal. Enquanto caminhava na direção dos marotos, Bloemer não teve mais dúvida que o perfume vinha de Lupin porque o cheiro se tornava mais intenso a cada passo. O coração da novata deu um salto dentro do peito quando ela parou diante da mesa da Grifinória e ganhou a atenção dos quatro rapazes, mas Amelia se esforçou para agir da forma mais natural possível. A menina abriu a boca para cumprimentá-los, mas sua voz foi abafada pelo timbre grave de Sirius.

- Bloemer, você não acha que está dando muito na cara inventar desculpas todos os dias para vir falar com a gente...?

A voz ficou presa na garganta de Amelia diante daquela provocação. Os olhos castanhos buscaram por Lupin com algum constrangimento, como se Sirius tivesse acabado de desmascarar o interesse que ela começava a sentir por Remus e, principalmente, as reações bizarras que ele provocava nela.

Contudo, a forma como Black concluiu a brincadeira quase arrancou um suspiro de alívio da novata.

- Não precisa desse joguinho, eu também estou muito afim. É só me dizer a que horas termina a sua última aula e onde vamos nos encontrar.

- Só vou me encontrar com você nos seus sonhos, Black. Eu vim para falar com o Lupin, não com você. – a novata voltou a atenção para Remus, suavizando a expressão – Não quero interromper o seu café, não é nada urgente. Mas eu agradeceria se você me procurasse depois para finalizarmos aquele assunto de ontem.

A real motivação de Amelia em se aproximar da mesa da Grifinória era confirmar que aquele perfume amadeirado vinha de Lupin. Mas também era verdade que a novata queria compartilhar com alguém as suas suspeitas sobre Lucinda. Remus também vira a cena e Amelia queria que ele lhe dissesse que ela não estava louca em duvidar da história da prima.

Bloemer só havia se afastado alguns passos quando os três amigos encararam Remus, obviamente esperando por explicações. Um sorrisinho irônico surgiu nos lábios de Potter enquanto ele fazia uma imitação medíocre da voz suave da corvinal.

- “Finalizarmos aquele assunto de ontem...” – o sorrisinho se alargou – Moony, Moony... o que você está aprontando? Não achei que eu iria viver o bastante para ver um de nós três ganhar uma menina do Paddy. Aliás, Paddy, nunca te agradeci por ter poupado a Lily. Valeu mesmo, cara.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Jun 07, 2017 4:41 am

Regulus Black estava longe de fazer parte do ciclo de amizade de Lucinda. Apesar dos seis anos de convivência no castelo, o contato dos dois se resumiam nas aulas que tinham em comum, nas vezes que se esbarravam pelo corredor ou na grande distância que existia quando estavam no Salão Principal, como um reflexo do abismo social que existia entre eles.

Apesar de não conhecer o caçula dos Black verdadeiramente, um simples observador saberia que ele e o irmão eram completamente diferentes. Enquanto Sirius era naturalmente popular, divertido e transparente, Regulus vivia em um mundo mais isolado, se destacando apenas com os alunos de Slytherin.

O contato mais íntimo entre Black e a menina da Corvinal tinha sido na quase tragédia do dia anterior, mas já dava pistas o bastante para que Lucinda chegasse até a conclusão de que Regulus não pretendia levar créditos de herói pelo seu gesto, quase como se o que tivesse feito fosse tão errado quanto a atitude de Crabble.

Naquela linha de raciocínio, Lucy já estava preparada para uma conversa complicada. Mas nem mesmo a inevitável adversidade seria suficiente para mudar sua decisão de transformar a imagem assustada do dia anterior.

Seu olhar se manteve firme, sem nem mesmo piscar quando o dedo de Regulus foi erguido diante do seu rosto. Black havia desenvolvido muito ao longo dos anos e era particularmente alto, o que tornava a diferença de estatura entre os dois de quase uma cabeça. Ainda assim, com o queixo erguido, Lucy quase o desafiava ao se manter inteiramente calma.

- Eu quero agradecer pelo que você fez ontem, Black.

Os olhos azuis se aproveitaram da proximidade para observar atentamente os traços de Black, tentando ler nas íris acinzentadas qualquer pista que ele estivesse tentando esconder. Cada vez ficava mais óbvio como Regulus tentava manter uma máscara diante dos Sonserinos, mas o “deslize” do dia anterior mostrava que ele era mais diferente do que gostaria.

Foi a esperança de encontrar o mesmo Black da Torre de Astronomia ali que Lucy suavizou sua expressão. A mochila ainda estava pendurada em seu ombro e se aproveitando dos braços livres, ela os cruzou diante do peito. O rosto foi inclinado para o lado por um breve segundo quando ela desviou o olhar antes de procurar novamente pelas íris cinzentas do rapaz, fazendo os cabelos vermelhos balançarem em seu rabo-de-cavalo.

- Eu sinto muito se você acha que isso é uma perda de tempo. E se vai te ajudar a dormir mais tranquilo, eu já prometi que não vou contar a ninguém. Mas eu precisava agradecer. É o mínimo, depois do que você fez por mim.

Os olhos azuis deslizaram pela gravata verde e prata de Black, como se fosse uma lembrança de que ainda estava diante de um Sonserino. Mas ao procurar novamente pelo rosto do rapaz, foi impossível conter um discreto sorriso.

- Você não deveria se envergonhar pelo que fez. Crabble é o errado aqui. E você me salvou, Black. Então, obrigada.

Um dos ombros de Lucy se ergueu com insegurança e ela alargou um sorriso tímido ao completar, soando cada vez mais amigável.

- Mesmo que você ache que não merece esse agradecimento, eu sempre vou saber que você foi um herói por ter evitado que ele fosse adiante.

O gesto seguinte foi completamente espontâneo e Lucinda não estava pensando que estava diante de um Sonserino, de um membro da família Black ou do rapaz que havia acabado de erguer um dedo diante do seu rosto.

Seu corpo se inclinou para frente, os braços foram descruzados apenas para que seus dedos tocassem o pulso de Regulus e ela precisou ficar na ponta dos pés para depositar um beijo estalado na bochecha dele.

Era uma cena tão bizarra que no instante em que voltou a pisar o piso de padra por completo, Lucy recuou um passo, sentindo as bochechas esquentarem.

- Acho que o corredor está livre agora. É melhor você sair primeiro, antes que os outros comecem a aparecer para a aula.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Remus J. Lupin em Qui Jun 08, 2017 3:10 am

Enquanto todas as cabeças se voltaram para Remus Lupin, os olhos cor de âmbar deslizaram pelo salão acompanhando o caminho seguido por Amelia até que os cabelos castanhos tivessem desaparecido pelas grandes portas.

O gesto foi tão automático e necessário que toda a concentração de Lupin estava voltada para a colega, os lábios ligeiramente entreabertos enquanto ele tentava entender o motivo do seu coração estar acelerado. Assim como a beleza de Amelia atraía os olhares enquanto passava, era fácil concluir que era apenas aquela atração que atingia Remus. Mas o familiar instinto já lhe dizia que era além.

- O quê?!

Quando a voz de Potter finalmente fez algum sentido na mente anestesiada de Lupin, seus olhos claros giraram imediatamente para encarar os amigos. Remus se sentia como uma criança travessa pega no flagra, e a rapidez com que negou com a cabeça apenas o tornava ainda mais incriminador.

- Não! Não é nada disso! – Remus arregalou os olhos e ergueu as mãos ao procurar pelo olhar de Sirius. – Eu juro, Padfoot, não é nada disso! Ela só estava preocupada com a prima e eu ajudei!

Ao contrário do largo sorriso de Potter, Black manteve os braços cruzados e um olhar desconfiado ao estudar o amigo. A ruga que surgiu entre as sobrancelhas negras não fazia com que Sirius parecesse furioso ou traído, apenas sinceramente intrigado.

- A prima? – Sirius repetiu, movimentando os lábios lentamente para enfatizar cada sílaba. – É claro que eu me sinto lisonjeado por saber que ensinei alguma coisa ao grande Lupin depois desses anos todos, mas afinal, qual das duas você quer, Moony?

O queixo de Lupin despencou, sem conseguir acreditar no quão surreal era aquela conversa. Mas então, aquela simples comparação fez com que ele enxergasse um simples e óbvio detalhe: Ao se imaginar ao lado de Lucinda Clearwater, a ideia era tão absurda e fantasiosa como se estivesse sendo comparado com a possibilidade de ficar com um dos marotos. As insinuações a respeito de Amelia, por outro lado, causavam uma pontada de constrangimento, uma certa euforia e um estranho orgulho pelo simples fato de alguém conseguir cogitar aquela cena.

Mesmo sem perceber, Remus quase sorria diante das brincadeiras de James, como se quisesse alimentar aquela imagem tão improvável. Apesar da sombra de sorriso nos seus lábios, ele voltou a sacudir a cabeça em negação.

- Ok, se vocês andaram assaltando outra vez o depósito do professor Slughorn, eu já avisei para ficarem longe das escamas de sereianos! – Lupin reduziu o timbre da voz ao se aproximar mais dos amigos, desta vez com um semblante mais sério e com o devido cuidado para que mais ninguém escutasse. – Melhor do que ninguém, vocês sabem que eu tenho coisas muito mais importantes para me preocupar agora.

Dando a conversa por encerrada, Remus marchou na dianteira até assumir o costumeiro lugar na mesa da Grifinória. Seu semblante carregado e o bico em seus lábios foi o suficiente para que Potter e Black soubessem que não deveriam insistir em piadas naquela manhã.

Mas a verdade era que não importava o quanto evitasse aquele assunto. Durante todas as primeiras aulas, o rosto de Amelia insistiu em assombrar a mente de Remus. Racionalmente, ele sabia que a breve conversa no Salão Principal era simples e objetiva: a novata apenas se referia ao ocorrido do dia anterior e a preocupação com a prima, onde Remus, como um bom colega, apenas tentara ajudar. O problema era que, de alguma forma, as insinuações de Potter voltavam a ecoar em sua mente e, cada vez mais, Lupin queria acreditar que as brincadeiras do amigo tinham um fundo de verdade.

Depois da uma manhã perdida sem conseguir se concentrar nas aulas, Lupin precisou correr para deixar a sala de Defesa Contra as Artes das Trevas e ainda chegar a tempo nos jardins, a caminho nas Estufas, para sua última aula do almoço.

Assim como ocorrera durante toda a manhã, Remus estava distraído e milagrosamente sozinho enquanto cortava os jardins, tentando ignorar o desejo profundo de retornar até o Salão Comunal e dormir pelo resto do dia para aliviar as dores em seus ossos.

Foi apenas por um reflexo ou talvez algum sentido que Lupin estivesse começando a desenvolver, que sua mente distraída foi atraída até um determinado ponto mais próximo do lago. Involuntariamente e sem qualquer explicação, seu coração deu um salto no peito ao reconhecer os fios sedosos de Amelia Bloemer brilhando sob o sol.

Por instinto, Remus olhou por cima dos ombros para se certificar de que não ouviria nenhuma piada dos amigos até deixar que seus pés mudassem o caminho das estufas até o ponto onde a Corvinal estava.

Ele ainda não sabia o que estava fazendo quando sua sombra se projetou sobre a menina, mas seus lábios imediatamente se comprimiram em um sorriso tímido quando Amelia ergueu o rosto e seus olhares se encontraram.

- Apreciando a vista? Confesso que tenho saudade do sexto ano. Tinha mais tempo vago e sem a pressão dos NOMs.

Remus era obrigado a franzir o rosto devido a claridade do sol, mas nem por isso deixava de ser menos atraente. Embora não tivesse a beleza óbvia de Sirius Black e sempre ficasse na sombra da popularidade dos amigos, era difícil dizer que Lupin não era atraente.

O corpo magro não trazia os mesmos traços de um jogador de Quadribol, mas era fácil destacar suas qualidades. O desenho dos lábios era perfeito e apenas se reforçava com o sorriso tímido do monitor. O ar de menino inteligente era apaixonante, mas um bom observador notaria toda a maturidade ao enxergar além da cor exótica dos olhos âmbar.

- Desculpe não ter te procurado antes. – Lupin indicou o castelo atrás de si com um movimento da cabeça ao se justificar. – As aulas foram corridas. E o Padfoot estava comigo em todos os intervalos, o que eu acho que seria inconveniente para falar sobre o assunto de ontem.

O sorriso de Remus se tornou mais compreensível e ele apontou para a grama ao lado de Amelia, em um pedido mudo antes de se sentar.

- Eu sei o que você vai falar...

A entonação do monitor mudou de forma tão rápida que não deixaria dúvidas para Amelia que o assunto “Lucinda” tinha chegado.

- Eu também não acreditei no que ela disse. Acho que tem alguma coisa errada. E eu estou aqui, se você precisar de ajuda.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Regulus Black em Qui Jun 08, 2017 3:23 am

O agradecimento de Lucinda teve o poder de desarmar Regulus Black por completo. As sobrancelhas escuras se ergueram, os olhos cinzentos refletiram uma nítida confusão e, por um momento, o sonserino ficou sem reação. Quando Clearwater insistiu naquela conversa, Regulus imaginou que seria pressionado a contar a verdade aos professores. Portanto, a real motivação de Lucy naquela manhã soou totalmente inesperada aos ouvidos do rapaz.

Como qualquer membro de uma família nobre, Regulus não estava acostumado com agradecimentos. A gratidão e as gentilezas não faziam parte da rotina na mansão Black. Regulus crescera vendo os pais e os tios agindo como se fossem superiores a todos e, portanto, favores e agradecimentos não eram necessários naquela família.

Aquela podia ser uma cena inédita para o rapaz, mas soava absurdamente natural para Lucinda Clearwater. E foi a simplicidade da menina que fez com que Regulus enxergasse a nobreza de seu gesto pela primeira vez. Ele havia salvado Lucy de um destino terrível, e fizera isso sem esperar nada em troca. Nem mesmo um agradecimento.

Foi com alívio que Regulus ouviu que a ruiva pretendia honrar a promessa e não contaria a mais ninguém o segredo dos dois. Mesmo que agora conseguisse enxergar a nobreza do seu gesto, Black continuava decidido a esconder o seu lado heroico. Crabbe merecia ser punido pela atitude do dia anterior, mas Regulus perderia todo o prestígio na Sonserina se todos soubessem que ele atacara um colega para defender a filha dos Clearwater.

Totalmente desarmado, Regulus deixou que a mão erguida diante do rosto de Lucinda desabasse lentamente. A forma como o rapaz engoliu em seco mostrava que o caçula dos Black estava constrangido pela reação hostil e arrependido por ter se exaltado tanto com a colega. Agradecimentos não faziam parte da rotina de Black, muito menos pedidos de desculpas. Mas o olhar dirigido à Lucy denotava um óbvio e sincero arrependimento.

E quando Regulus achou que as surpresas daquele dia já tinham chegado ao fim, Lucinda o presenteou com uma atitude ainda mais inesperada.

Fora apenas um beijo amigável, um contato breve e superficial entre duas pessoas que não tinham qualquer grau de intimidade. Mas aquilo já era muito mais do que Black estava acostumado a receber.

Os gestos de carinho de Walburga Black se resumiam a toques para ajeitar as roupas e os cabelos do caçula. Regulus não se lembrava da última vez que a mãe o beijara e ele apostaria tranquilamente a própria vida ao alegar que o pai nunca encostara os lábios nele. Fora de casa, o contato íntimo de Regulus com outras pessoas se resumia a alguns encontros esporádicos com meninas da Sonserina. Beijos e toques existiam, mas nunca houvera nada parecido com o contato de Lucy naquele dia. Black simplesmente não se lembrava de já ter sido tocado com o carinho demonstrado por Clearwater naquele momento.

Exatamente por estar diante de uma situação inédita, Regulus ficou petrificado. Por demorados segundos, ele apenas encarou Lucinda e piscou repetidas vezes, sem nenhuma reação. As bochechas ruborizadas da menina também o contagiaram com uma boa dose de constrangimento e, estranhamente, Black não parecia mais ter tanta pressa para fugir daquela conversa.

- Eu troco o seu agradecimento pelo silêncio.

As palavras não eram as mais doces, mas Regulus havia suavizado a entonação hostil de minutos atrás. Diante de Lucinda Clearwater, o sonserino mostrou a face que mais ninguém conhecia.

- Eu não podia deixar que ele fizesse aquilo, eu não conseguiria viver com a culpa. Mas eu não posso fazer mais nada sem me comprometer. Eu não posso denunciá-lo. – Black fez uma pequena pausa e procurou pelos olhos da menina antes de acrescentar – Ele não será punido, então seja mais cuidadosa, não fique andando sozinha nas áreas mais vazias do castelo. Se houver uma próxima vez, talvez não tenha ninguém por perto para te ajudar.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Amelia Bloemer em Qui Jun 08, 2017 3:48 am

Antes mesmo de ouvir os passos que amassavam as folhas secas do jardim, Amelia soube quem era a pessoa que se aproximava dela. Mais uma vez, o perfume amadeirado que vinha da pele de Remus Lupin atingiu os sentidos da novata, deixando-a estranhamente atordoada.

Bloemer não sabia explicar o que estava havendo ali. Aquela era uma reação exagerada e inédita que Amelia nunca havia sentido por mais ninguém. Era como se o seu corpo reconhecesse uma conexão com Lupin mesmo que a parte racional da mente da garota ainda não enxergasse nada em comum entre os dois.

Remus não possuía a mesma beleza inquestionável de Sirius Black, mas era impressionante como o coração de Amelia saltava por ele e se mantinha indiferente ao rapaz mais popular do castelo. O sorriso tímido era uma adorável marca registrada, assim como o ar de inteligência. Mas o que Bloemer mais gostava em Lupin era do olhar. As incomuns íris naquele tom de âmbar refletiam uma maturidade incomum para um garoto daquela idade, mas era o mistério escondido nos olhos dele que intrigava a novata. Assim como o sexto sentido que avisara Amelia que a prima estava mentindo, ela também sentia que Remus era mais do que tentava aparentar.

- Você não sabe como eu fico feliz em ouvir isso. Por um momento achei que estava me tornando uma louca cheia de desconfianças e conspirações...

A novata abriu espaço para que Lupin se sentasse ao seu lado. Parecia loucura conversar sobre Lucinda quando a proximidade de Remus lhe provocava arrepios, mas Amelia se esforçou para não demonstrar como estava agitada com a presença dela.

- Eu não quero que você pense que eu estou atrás de fofocas, ou que quero me meter na vida da Lucy. Eu juro que deixaria isso de lado se não fosse o sexto sentido que me diz que tem algo errado nesta história. Eu só quero ter certeza de que ela vai ficar bem.

Com um gesto delicado, Bloemer puxou uma mecha dos cabelos lisos para trás da orelha antes de erguer novamente os olhos para o grifinório. O livro de Runas Antigas que a novata folheava já tinha sido deixado de lado após a chegada do rapaz e agora estava totalmente abandonado sobre o gramado.

Ali, sob a claridade do céu iluminado, Amelia percebeu um detalhe que até então não tinha notado. Havia uma discreta cicatriz na lateral do pescoço de Lupin. A julgar pela pele lisa e pelo risco discreto que quase sumia na pele pálida de Remus, era fácil concluir que se tratava de um ferimento mais antigo.

- O pedido que eu vou te fazer não é muito nobre, mas eu tenho a melhor das intenções. – os olhos castanhos deslizaram ao redor e Amelia só continuou quando teve certeza de que os dois estavam sozinhos – Sempre que for usar aquele mapa, será que você pode dar uma olhada na Lucy? E me contar caso aconteça algo suspeito?

Bloemer preferia nem imaginar quantas regras os marotos já haviam quebrado com a ajuda naquele mapa, então o pedido que acabara de fazer nem parecia tão absurdo. A novata só queria ter certeza de que a prima realmente não estava com problemas sérios dentro do castelo de Hogwarts.

Por alguns segundos, Amelia tentou disfarçar o seu interesse na cicatriz do rapaz. Contudo, levada por um instinto inexplicável, Bloemer se viu estendendo o braço na direção dele. A já familiar corrente elétrica se espalhou pela pele da garota no instante em que seus dedos tocaram delicadamente o pescoço do rapaz, em uma carícia que contornava a área cicatrizada.

- O que foi isso? – a pergunta soou num sussurro enquanto Amelia buscava pelo âmbar nas íris do rapaz.
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Re: I solemnly swear that I am up to no good

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qui Jun 08, 2017 4:08 am

Para Regulus Black poderia ser inédito se comportar diante de alguém sem precisar agir como um completo cretino. Mas Lucinda já havia visto o suficiente para saber que o Sonserino ia além daquela máscara que usava nos corredores do Castelo. E foi impossível conter o sorriso quando percebeu que ele recuava de sua atitude hostil.

Lucy já havia recuperado a distância entre os dois e instintivamente cruzou os braços contra o peito, como se quisesse lembrar a si mesma para não cometer outro deslize como beijar um Sonserino. Por mais que Regulus demonstrasse sinais em ser diferente, os dois ainda eram completos estranhos e seria abusar demais da sua sorte.

Os olhos azuis passearam pela sala escura enquanto ela mordia o lábio inferior para conter um sorriso. As palavras finais de Black obrigaram as íris claras a pousassem nele e seu semblante se tornou mais sério ao concordar com um movimento da cabeça.

Qualquer lufano surtaria diante da injustiça de ver Crabble solto pelo castelo, pronto para fazer uma nova vítima. Mas as vestes azuis da Corvinal eram uma lembrança de que o Chapéu Seletor acertara em enviar Clearwater para a casa de Rowena.

Tentar denunciar Crabble era uma guerra perdida. Nem mesmo seu atacante se lembrava do que havia feito e sua única testemunha não estava disposta a comprar sua briga. Naquele momento, Lucy precisava agradecer por estar bem e por não ter estragos piores. A quase tragédia havia sido evitada graças a Regulus e era a única coisa que importava.

- Eu vou tomar cuidado. Além do mais, tenho a leve impressão de que Amelia não vai me deixar sozinha depois do que aconteceu ontem...

Os olhos azuis se arregalaram ao perceber como Black poderia interpretar suas palavras, por isso a menina imediatamente sacudiu a cabeça, fazendo os fios alaranjados presos no rabo-de-cavalo sacudirem em suas costas, as pontas quase atingindo sua cintura.

- Não se preocupe, eu não contei a ela o que aconteceu!

Um suspiro escapou pelos seus lábios quando ela tentou se acalmar, acrescentando de forma mais pausada e clara. Mesmo que a menina da Corvinal e o rapaz da Sonserina não tivessem qualquer tipo de convívio ou relação, Regulus não teria dúvidas de que Lucinda estava sendo sincera com aquela promessa.

- Seu segredo está guardado comigo, Black. E eu vou tomar cuidado, então espero não precisar que você corra o risco de ser o herói outra vez.

As últimas palavras não soavam com nenhuma crítica ou sarcasmo. Lucy sorria e implicava como se fosse um velho amigo, achando graça do fato de Regulus se sentir constrangido por um ato tão nobre.

- É melhor eu ir, a aula já vai começar e eu tenho certeza que o professor Slughorn está procurando qualquer desculpa para me enxotar na turma dele depois que explodi a minha bancada na semana passada.

O semblante de Lucy se tornou mais carinhoso e ela quase se sentia relutante em deixar a sala ao se encaminhar até a porta, tocando a maçaneta com seus dedos.

- Obrigada mais uma vez, Black. Você deveria aparecer no Três Vassouras na próxima visita. Uma cerveja amanteigada para o meu herói é o mínimo que posso fazer.

Mais uma vez, as palavras de Lucinda não soavam com qualquer tipo de ironia, apenas como uma brincadeira entre amigos antes de desaparecer para o corredor das masmorras.
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