Viva Las Vegas!

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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Sab Abr 08, 2017 5:11 pm

A localização do apartamento de Connor Ward também fazia parte do disfarce do policial. Com o papel de um jovem órfão que nunca tivera grandes oportunidades na vida e ganhava seu sustento em mesas de carteado, não era esperado que Connor tivesse uma vida muito confortável. Seu apartamento minúsculo fazia parte de um prédio pequeno e antigo, em um bairro periférico bem distante do centro comercial de Las Vegas.

Aquele era um bairro onde o silêncio se tornara uma das principais leis. Ninguém nunca ouvia ou via nada, nunca havia nem mesmo uma testemunha quando a polícia chegava para resolver algum problema. Como policial, era uma tortura para Ward continuar indiferente ao ouvir tiros ou gritos na rua, ou o choro da vizinha de cima sempre que o marido voltava para casa bêbado e violento. Mas era assim que as coisas funcionavam por ali e Ward tinha que se adaptar às regras para continuar vivendo aquele disfarce. Connor sabia que não sairia vivo daquele prédio se alguém descobrisse que havia um policial infiltrado dentro do bairro.

Como passava a maior parte do dia fora de casa e só retornava ao apartamento nas primeiras horas da manhã, o gerente do cassino tinha pouco contato com os vizinhos. Mas Connor percebeu que podia contar com a cumplicidade daquelas pessoas quando nem mesmo uma cabeça surgiu no corredor para espiar o que estava havendo quando Michaela Moccia começou a gritar.

Era só uma briguinha de casal e Connor não fez nada além de carregar a menina para obrigá-la a entrar no apartamento. Mika, contudo, berrou como se estivesse sendo esfaqueada e ainda assim não surgiu nem mesmo uma testemunha para ajudá-la.

A filha de Don Alessio Moccia ainda gritava e esperneava quando Connor a colocou de pé sobre o tapete da sala. Os braços arranhados do gerente eram mais uma prova de que Michaela sabia usar bem as armas que possuía. Depois de uma noite inteira de trabalho, Ward estava exausto. Mas ainda restava uma energia suficiente para que ele alimentasse mais uma briga com Mika.

- A única coisa que vai conseguir gritando como uma louca é machucar a sua garganta. Todo mundo por aqui tem seus motivos para não gostar de policiais por perto. Os vizinhos não vão chamar a polícia nem se eu arrancar a sua cabeça e jogar pela janela de um deles. Então eu sugiro que você se acalme, bambina.

Embora tivesse se beneficiado do fato de ser muito mais forte que Michaela para carregá-la para dentro do apartamento, Connor não parecia nada ameaçador quando cruzou os braços e se encostou na superfície de madeira da porta fechada. Pelo contrário, um sorrisinho torto surgiu nos lábios de Ward enquanto ele encarava a expressão furiosa da garota a sua frente.

- Você fica ainda mais linda quando está enciumada, Michaela. Perigosa... – Connor indicou os braços arranhados – ...mas linda.

O orgulho de Mika poderia fazer a menina negar até a morte que estivesse com ciúmes do gerente, mas o corpo dela a denunciava. A respiração bufante, os olhos perigosamente estreitados e o rosto avermelhado faziam parte da expressão de uma namorada ciumenta diante de uma traição.

Antes que Michaela explodisse novamente, Connor a desarmou. Os dois tinham concordado com um relacionamento casual no qual não havia brechas para cobranças ou compromissos, mas naquela manhã Mika recebeu explicações como se o gerente realmente lhe devesse satisfações da própria vida.

- Não aconteceu nada. Eu acabei de chegar do cassino, você realmente acha que eu estaria assim se tivesse passado a noite com uma mulher?

Ward estendeu os braços, indicando a própria aparência impecável naquela manhã. O gerente estava com os cabelos bem penteados com gel e ainda usava o terno barato que vestia no trabalho. O paletó estava jogado sobre o sofá da sala, mas Connor não tivera tempo nem para afrouxar a gravata e a camisa preta ainda estava dentro da calça. Sobre a bancada da cozinha – que dividia os dois cômodos pequenos – havia uma cafeteira que começava a liberar a bebida e o cheiro de café fresco começou a se espalhar pelo apartamento. Somente as luzes da sala estavam acesas, o que indicava que Connor ainda nem havia pisado no restante da casa.

- Ela é só uma amiga, ok? – com o polegar, Connor apontou para a porta se referindo à moça que Michaela vira nas escadas – Na verdade, é a namorada de um amigo. Parece que eles brigaram esta noite, ele saiu de casa e agora ela está indo atrás de todos os amigos para tentar localizá-lo.

Aquela pequena mentira soou convincente nos lábios de Ward. Embora o tal amigo não existisse, a inocência de Connor era verdadeira quanto à acusação de ter traído Mika. Como nunca havia acontecido nada entre Rachel e ele, o policial afirmava com muita convicção a própria inocência naquela história, ao contrário do que aconteceu quando Michaela o pegou no escritório com Rebecca.

- Eu sei que sou irresistível, mas nem todas as mulheres do mundo me querem, sabia? E mesmo se quisessem, eu não tenho tanta disposição quanto você imagina. Você já esgota praticamente toda a minha energia, bambina.

Mais uma vez, Connor apelou para o orgulho de Michaela para desarmá-la. Como já conhecia tão bem a filha do mafioso, Ward sabia que Mika ia gostar de ouvir que era boa o bastante para que o gerente não precisasse procurar por outra mulher.

Quando finalmente se afastou da porta, Connor caminhou lentamente na direção da garota. Como a sala era minúscula, o gerente só precisou dar três passos até parar em frente a Michaela.

- Bambina...


O sorrisinho nos lábios dele ainda tinha um ar de provocação, mas os olhos castanhos denunciavam que havia ali algo além de uma brincadeira. Quando começou aquele jogo com Mika, o policial queria se aproximar mais dos segredos dos Moccia e buscava também por um pouco de diversão. O que Ward não calculou foi que acabaria envolvido naquele pequeno furacão Mika.

- Eu sei que somos ótimos nisso, mas imagino que você não veio até o fim do mundo a esta hora da manhã só para brigar comigo, não é? – as palavras foram se tornando gradativamente mais sussurradas enquanto Connor se inclinava na direção dos lábios de Mika ainda contorcidos em um biquinho – Nós sabemos brigar como ninguém, mas tem algo que fazemos ainda melhor, bambina...
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Cameron Lahey em Dom Abr 09, 2017 1:12 am

Quase não havia vento naquela noite, mas Cameron podia sentir o ar gelado arrepiando sua pele, provocando um contraste quando seus braços envolveram o corpo de Matilda em um abraço aquecido.

Ele ainda podia sentir o cheiro suave de flores que vinha dos cabelos dela e a textura da roupa escura que ela usava, e de uma maneira completamente inédita, cada uma daquelas experiências trazia uma sensação de familiaridade que Cam nunca havia cogitado sentir antes.

Um sorriso torto brincou em seus lábios, mas o brilho suave que os olhos azuis exibiam suavizavam a expressão sempre convencida e cautelosa de Lahey. Para um homem que estava sempre atento e pronto para uma briga, era uma novidade baixar a guarda e se entregar a uma sensação de calmaria.

Cam não soube dizer exatamente quanto tempo se passou, e por mais que pudesse parecer estranho, ele e Matilda continuaram abraçados e em silêncio até que o frio do deserto não incomodasse mais, até que o perfume um do outro estivesse impregnado e misturado em suas roupas. Durante alguns minutos, o restante do mundo deixou de existir e Cameron não se preocupou com o significado de tudo aquilo.

Apenas quando os dois perceberam que não poderiam parrar o resto da noite ali, o abraço foi interrompido. Antes de se afastar por completo, Cam ainda depositou um carinhoso beijo na testa de Matilda, e no instante que o abraço se desfez, ele procurou pela mão dela, entrelaçando aos seus dedos.

- Vamos, chega de armas por hoje. Uma garota como você também precisa comer e eu conheço um lugar...

As mãos de Cameron ainda estavam unidas nas de Matilda quando eles saíram do carro minutos depois e entraram em um dos luminosos prédios da movimentada avenida de Las Vegas.

Mesmo que não houvesse qualquer explicação sobre o que estava acontecendo entre os dois, Cameron não se sentia preparado para voltar a realidade e, como consequência, não se permitia ficar mais do que dois passos longe de Matilda. Como se os dois fossem apenas mais um casal da noite de Vegas, ele a enlaçou pela cintura quando os dois deixaram o elevador na cobertura de um dos hotéis.

O restaurante ficava a céu aberto, na cobertura de um dos altos prédios de Las Vegas. O lugar não tinha a apelativa decoração elegante e requintada, mas estava cheio de jovens que se misturavam a grupos de amigos.

Como tudo na cidade do pecado, a iluminação em neon predominava, contrastando com pontos mais escuros e confortáveis onde os clientes poderiam ter suas refeições com mais tranquilidade.

- Cameron! Quanto tempo!

Um dos garçons sorriu no instante em que reconheceu Lahey, indicando que ele era um freguês frequente. Com um aceno da cabeça, Cameron retribuiu enquanto guiava Matilda para uma das mesas mais afastadas, localizada nas bordas com a cidade aos seus pés.

Era uma grande ironia pisar naquele restaurante, anos depois, se acomodar em uma das mesas e ser servido como mais um cliente. Poder escolher qualquer opção do menu e tirar as notas de sua carteira para pagar sempre trazia uma satisfação a Cam.

Lahey nunca havia levado uma garota a um encontro antes. Não era de seu perfil jantares ou passeios como aquele. A intenção de Cameron era sincera em apenas poder oferecer uma boa refeição para Matilda. O fato daquele ser o mesmo restaurante que ele havia assaltado a cozinha quando ainda era um garoto era apenas um tempero a mais.

- Esse é um dos negócios mais antigos de Don Alessio. Não fica tão lotado de turistas e a comida é realmente muito boa. – Cam deslizou o menu sobre a mesa logo depois de se acomodar à mesa. – É uma alternativa e tanto aos meus biscoitos.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Dom Abr 09, 2017 2:08 am

Em cima da cobertura, Matilda tinha uma visão privilegiada de Las Vegas. Ironicamente, quando a luz do sol sumia, a cidade parecia ficar ainda mais iluminada pela infinidade de letreiros coloridos. Daquela altura, Belmont via Vegas como uma porção de vagalumes de neon, brilhando nas mais variadas cores.

Embora aquele não fosse o restaurante mais requintado da cidade, a governanta não teria do que se queixar. Terminar aquela noite em uma espécie de encontro com Cameron Lahey era algo que Matilda definitivamente não planejara, mas a moça precisava admitir para si mesma que não era uma ideia tão ruim.

Um encontro. Em nenhum momento o segurança mencionou aquela palavra, mas de que mais poderiam chamar aquele jantar? Eles tinham acabado de vivenciar um intenso momento de conexão com aquele beijo no galpão. Em seguida, chegaram ao prédio de mãos dadas e agora ocupavam uma romântica mesa iluminada por velas, tendo Las Vegas aos seus pés.

Tudo parecia certo naquela noite, mas Matilda sentia-se aterrorizada por dentro. Era muito mais fácil levar Cameron Lahey para a cama porque Belmont podia dizer a si mesma que só estava usando o segurança. Mas um encontro romântico, com beijos carinhosos e olhares profundos era algo que fugia totalmente dos planos da governanta. Era um passo assustador.

Os olhos castanhos deslizaram pelas opções do cardápio sem pressa, como se Matilda precisasse de mais tempo antes de ter coragem de encarar novamente o homem a sua frente. Aquele não era um restaurante extremamente requintado, mas os valores mostrados no cardápio limitavam muito a clientela. O salário de um segurança comum certamente não seria o bastante para pagar por aquele jantar, mas Matilda sabia que não havia nada de comum no trabalho de Lahey. E provavelmente Don Alessio Moccia era generoso no salário do homem que acatava todas as suas ordens, inclusive as piores.

- Uau...

A governanta deixou escapar uma exclamação depois de consultar todo o cardápio. Os olhos castanhos finalmente se ergueram na direção de Cameron e Matilda ergueu um dos ombros antes de continuar.

- Se queria me impressionar, um ponto para você. Com a pesquisa que fez sobre mim, você deve ter concluído que eu nunca pisei em um lugar como este.

De fato, Matilda Belmont sempre havia tido uma vida simples. O pai era um homem de poucas posses e que gastara boa parte do que tinha em remédios e tratamentos depois que adoeceu. Os empregos anteriores da governanta nunca lhe renderam um salário que permitisse excessos e não havia nenhum ex-namorado rico no histórico de Belmont.

- Vamos ver... – Matilda voltou novamente a atenção para o cardápio enquanto fazia as suas escolhas – Vou querer o ceviche de salmão como entrada. Prato principal... acho que o gnocchi de ricota in bianco. Como sobremesa, gostei da panqueca de maçã caramelada com sorvete de baunilha. O vinho você pode escolher, não vou fingir que entendo disso...

O cardápio foi fechado e empurrado de volta para Cameron enquanto um sorriso brotava nos lábios da governanta.

- Se queria me impressionar, espero que esteja preparado para pagar a conta, Lahey. Não sei que tipo de garotas você traz aqui, mas eu não me satisfaço só com uma saladinha.

A declaração soou como uma brincadeira, mas no fundo também havia ali uma pequena pitada de ciúmes. Matilda jamais verbalizaria aquela insegurança, mas a sua mente lhe perguntava a todo instante se Tracy já havia ocupado a cadeira que naquela noite era dela. Talvez aquele restaurante fizesse parte do protocolo seguido por Cameron quando o segurança queria impressionar uma mulher.

Matilda deixou claro que não pretendia estragar a noite com uma discussão enciumada quando deslizou a mão sobre a toalha até que seus dedos se entrelaçassem aos dedos de Cameron. O contraste entre as duas mãos era grande e os dedos de Belmont pareciam ainda menores e mais delicados perto da mão do segurança.

- Isso não precisa significar nada. Eu juro que não serei mais uma maluca seguindo a sua sombra, Cameron. Mas eu gostaria que você parasse de fingir que isso não é um encontro. Apenas por hoje. Acho que nós dois precisamos disso.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Michaela Moccia em Dom Abr 09, 2017 2:32 am

Uma mescla de alívio e arrependimento tomaram conta de Michaela quando a presença da mulher desconhecida no apartamento de Connor foi facilmente explicada. Era um alívio notar a sinceridade nas palavras de Ward, afinal, de modo que nem por um segundo Mika duvidou daquela versão da história. Mas com a mesma facilidade com que acreditou, ela se sentiu envergonhada por ter dado um espetáculo completamente sem motivos.

Não que Mika se importasse se incomodava ou não as pessoas quando resolvia espernear por qualquer motivo. Mas era vergonhoso porque ficava cada vez mais difícil esconder o quanto ela estava se envolvendo com o gerente do cassino.

Na noite anterior, Ward havia admitido que se importava com ela e aquela confissão havia despertado um sentimento que Mika ainda não estava preparada para aceitar. Cada passo errado que dava, caminhava cada vez mais para um precipício inevitável. E Connor parecia assistir aquela caminhada com bastante satisfação.

Ela sentiu seu corpo sendo puxado pelas mãos em sua cintura até que estivesse se chocando contra o peito do gerente. O bico de insatisfação ainda estava preso em seus lábios, mas a ruguinha que havia surgido entre as sobrancelhas claras mostrava o conflito entre querer se manter superior e se entregar a vontade de mais um beijo.

- Eu não tenho culpa se você é o ser mais irritante que existe. Da próxima vez, não me deixe gritando no meio do corredor. Eu acabei de fazer as unhas e teria arruinado nesse casco que você chama de pele.

Os resmungos de Michaela foram abafados quando os lábios dela se uniram ao de Connor. Como já havia se tornado recorrente, Mika se esqueceu de todas as suas reclamações no instante em que reconheceu a familiar carga elétrica percorrendo o seu corpo.

Os braços foram imediatamente erguidos para rodear o pescoço de Connor e Mika precisou ficar na ponta dos pés para não interromper o beijo cedo demais. O ciúme de minutos antes servia apenas como tempero para que ela se entregasse ainda mais nas sensações que Ward lhe proporcionava.

Diferente de tantas vezes antes, o beijo não era desesperado e ansioso. Por mais que Moccia ainda sentisse a adrenalina em suas veias como sempre acontecia após as brigas com Connor, ela se limitava nos movimentos, como se temesse que o beijo acabasse antes da hora.

Era a primeira vez que Mika se sentia daquela forma. Por isso, quando os lábios se separaram alguns centímetros e as pálpebras se ergueram, os olhos esverdeados apresentavam um brilho completamente diferente. Não havia nem sombra da arrogância de Moccia, de seus ataques de fúria ou da sua atitude mimada e prepotente. Era um olhar puro e livre de toda a explosão “Mika”.

- Connor... – Mika chamou baixinho, sem se afastar ou desviar o olhar das íris castanhas. – Eu não quero que você se divirta com outras mulheres.

A ideia de aparecer no apartamento de Ward naquela manhã era apenas para prolongar as horas de diversão que os dois haviam tido na noite anterior. Mika preferia pensar que estava entediada demais em casa, do que admitir que na verdade já estava se acostumando com a companhia de Ward.

Mas nem em um milhão de anos ela havia planejado surgir naquela manhã com aquela proposta. Ver que Connor poderia continuar saindo com quem quisesse, que poderia ter mulheres passando a noite em sua casa foi um pensamento incômodo demais para Mika conseguir digerir. Já havia sido indigesto demais encontrá-lo aos beijos com Rebecca. A última coisa que ela queria era imaginar que coisas muito piores aconteciam quando ela não estava por perto.

- Não estou dizendo que devemos começar a andar de mãos dadas por aí... – Ela girou os olhos como se aquela cena fosse realmente algo muito absurdo de se imaginar. – Mas eu também não gosto de dividir os meus brinquedos. Eu quero ficar só com você. Se você estiver disposto a dispensar o seu harém.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Dom Abr 09, 2017 3:11 am

Foi impossível disfarçar a surpresa diante daquele pedido inesperado de Michaela. As sobrancelhas de Connor se arquearam e os lábios do gerente se entreabriram enquanto os olhos castanhos buscavam no rosto da garota qualquer sinal de que aquilo fosse uma brincadeira. Entretanto, Mika não riu, não bufou e nem zombou de Ward pelo rapaz ter acreditado em suas palavras. Ela realmente estava falando sério.

Exclusividade. Aquele era um acordo que existia em vários relacionamentos casuais. Muitos casais não assumiam um compromisso formal, mas faziam promessas de exclusividade para evitarem problemas. Contudo, aquela não parecia ser a motivação de Michaela Moccia. A filha de Don Alessio até tentou esconder a verdade com suas costumeiras palavras ásperas, mas Mika não foi capaz de enganar Connor.

Ward soube no instante em que encarou Michaela que a garota não estava se comportando apenas como uma menina egoísta que não gostava de dividir seus brinquedos. Mika queria exclusividade porque a ideia de imaginar outra mulher nos braços do gerente era indigesta demais. Connor não tinha dúvida disso porque ele também sentia algo muito semelhante sempre que Michaela saía com os amigos e o deixava para trás, pensando na possibilidade de Mika encontrar nos braços de outro a “diversão” que tinha com ele.

- Ficar só com você...?

As palavras de Michaela foram repetidas na voz grave de Connor e ecoaram pela sala silenciosa. Não havia deboche na entonação dele, era como se o gerente estivesse repetindo a proposta apenas para se certificar de que realmente havia entendido a sugestão de Mika.

Alguns encontros proibidos já tinham ocorrido naquelas últimas semanas e Ward não tinha mais dúvida de que ele possuía uma sintonia única com Michaela. De uma forma ou de outra, os encontros eram sempre explosivos, com brigas impublicáveis ou com reconciliações apaixonadas. Mas, até então, tudo fazia parte de um jogo. Aquela proposta de Mika, por outro lado, invertia por completo os papéis e transformava aquela brincadeira em algo assustadoramente sério.

Teria sido fácil dizer “não” para a velha Michaela explosiva, arrogante e prepotente de sempre. Mas o policial simplesmente não teve coragem de magoar Mika justamente no momento em que a garota tirou aquela máscara de orgulho para fazer um pedido tão delicado.

Além do mais, Connor não se sacrificaria tanto ao atender aquele pedido. Exceto pelo pequeno deslize com Rebecca, não houvera outra mulher na vida do gerente desde que Michaela chegara. Com a rotina tumultuada no cassino, a tensão constante daquela missão perigosa e as emoções contrastantes vividas com a filha do mafioso, Ward sequer tivera tempo para pensar em qualquer outra mulher.

A longa pausa que antecedeu a resposta de Connor levaria qualquer pessoa ansiosa à loucura. Mas as palavras que estavam por vir amenizariam a tortura de Michaela, assim como o pequeno sorriso que surgiu nos lábios do gerente.

- Ok. É um bom trato. Eu também gosto da ideia de ter você só pra mim, bambina.

Uma das mãos de Connor permaneceu na cintura da garota enquanto a outra subiu até alcançar os cabelos de Mika. Os dedos do gerente se enrolaram nos cachos dela, acariciando a nuca sob os fios macios. Como os dois continuavam muito próximos, Ward só precisou vencer poucos centímetros para cobrir os lábios de Michaela com mais um beijo que selava aquele acordo.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Cameron Lahey em Dom Abr 09, 2017 3:52 am

- Um encontro? - Cameron arqueou as sobrancelhas com uma surpresa forçada. – Francamente, mulher! Eu só queria te pagar uma boa refeição. Não sabia que você estava tentando me seduzir!

- Hey Cameron...

Uma sombra se fez sobre a mesa quando mesmo garçom que havia cumprimentado Lahey na entrada do restaurante surgiu para anotar os pedidos. A camisa preta de botões estava amarrotada e trazia uma etiqueta prateada com o nome de Joshua em seu peito, mas assim como todo o restante do ambiente, ele não tinha uma aparência formal e elegante.

Sem conseguir conter a surpresa, o olhar de Joshua pousou em Matilda, olhando-a de cima a baixo. Em seguida, seu olhar passou para as mãos unidas sobre a mesa e finalmente pousou em Lahey. Embora o garçom fosse delicado o bastante para não fazer nenhuma pergunta indiscreta, era fácil para Cameron ler em seu olhar a curiosidade com o inédito fato de ter uma mulher o acompanhando naquela noite.

- No que posso ajudar? Vai querer o de sempre? – O olhar de Josh passou novamente em Matilda por um breve segundo antes de completar. – Ou está aberto a novas experiências?

Mesmo diante da curiosidade do velho conhecido, Cameron não se intimidou e manteve a mão unida a de Matilda. Não importava se aquela cena era inédita e que estivesse muito mal alinhada entre ele e Belmont. A simples ideia de poder ter um jantar normal, ao lado de uma mulher como a governanta alimentava a fantasia de Lahey.

- Pode trazer o de sempre para mim, Josh. Mas acho que a Matilda aqui já tem um pedido bem específico. – Os olhos azuis desceram para o menu e Cam repetiu com uma ruguinha de incerteza entre as sobrancelhas. – Ceviche de salmão, gnocchi de ricota in biacco, maçã caramelada com sorvete de baunilha e o melhor vinho da casa. Certo?

Quando Cam ergueu o olhar para Matilda, exibia um sorrisinho convencido por ter se lembrado de cada um dos itens enumerados por ela, sem parecer impressionado com as escolhas sofisticadas. Joshua também pareceu aprovar o pedido de Matilda e abriu um largo sorriso na direção da governanta, como se tivesse acabado de conquistar uma amiga.

- Nosso gnocchi é o melhor da cidade. Eu volto já com as bebidas...

Quando o garçom se afastou, Cameron voltou a acariciar a mão de Matilda. As luzes de Vegas contribuíam para que os cabelos negros dela tivessem um brilho diferenciado. Os traços que formavam o belo rosto eram perfeitos e Cam tinha certeza que nunca encontrara alguém tão viciante antes.

- Não é propaganda do Josh, o gnocchi daqui é realmente bom. Don Alessio sempre diz que melhor, ele só encontra na Itália.

Uma música ambiente tocava e, por estarem há metros de distância do chão, o ruído dos carros e dos turistas não era capaz de arruinar aquela cena perfeita. Durante longos segundos, Cameron encarou Matilda, ainda surpreso com o rumo que aquela noite estava tomando.

- Eu não sou um cara para encontros, Matilda. Não planejo noites românticas, flores e nem vou tentar te beijar quando nos despedirmos. A não ser que você implore... – Um sorrisinho torto brincou nos lábios de Cam antes que ele completasse com um tom mais sério. – Mas você está certa. Só por hoje... Nós dois precisamos.

Cameron teria passado todo o tempo encarando os olhos de Matilda se não fosse o toque do celular vibrando em seu bolso para interromper. Com um suspiro cansado, ele retirou a tela brilhante apenas para encarar o nome de Don Alessio no visor.

- Eu preciso atender isso... Não demoro.

A tela do celular foi virada para que Matilda pudesse encontrar o nome de Alessio Moccia, antes que tivesse a chance de criar os piores cenários para aquela ligação. Cam se ergueu, mas antes de se afastar, ainda se inclinou sobre a mesa para depositar um beijo carinhoso nos lábios de Matilda.

Com passos largos e a caminho dos fundos do restaurante, Cam atendeu a ligação. Por estar de costas para a mesa, ele não notou quando uma das garçonetes se aproximou da mesa para servir as bebidas pedidas.

Uma garrafa com água foi colocada diante do lugar que Cameron ocupava e uma taça vazia diante de Matilda. A garçonete, uma mulher com uma pele enrugada e maltratada, com cabelos escuros presos em um coque, se encarregou de servir o vinho para Matilda. Os olhos marcados com linhas de expressão estavam atentos na bebida, com cuidado para não derramar nenhuma gota, e só se voltaram para a cliente quando já havia terminado o seu serviço.

- É um belo rapaz que está com você... – Ela começou com uma entonação bajuladora, mas antes que pudesse completar a frase, seu olhar se estreitou ao reconhecer o rosto da jovem sentada a sua frente. – Matilda?
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Michaela Moccia em Dom Abr 09, 2017 4:40 am

A demora para receber a resposta de Connor foi um grande pesadelo para Michaela. Por questão de segundos, a menina quase se deixou levar por mais uma explosão que teria como consequência mais uma das recorrentes brigas entre os dois. Porém, quando ouviu que Ward se renderia a sua vontade, os ombros de Moccia relaxaram nitidamente.

A briga de minutos antes já estava esquecida, assim como a confusão a respeito da visita de uma mulher no apartamento de Connor. Depois daquele pedido, até mesmo as diferenças entre eles foram deixadas de lado para que Mika pudesse se entregar aos beijos de Ward. Naquela manhã, não importava se Connor era um simples gerente, se Mika era uma mimada irritante e que os dois pertencessem a mundos completamente diferente.

Moccia baixou a guarda sem querer pensar em mais nada que não fossem os arrepios provocados por Connor quando se chocou contra a cama dele. Era engraçado como os toques dos dois soltavam faíscas, sempre desesperados um pelo outro, mas que naquela manhã tinham todo o tempo do mundo.

A inegável química ainda estava lá, mas nenhum dos dois queria apressar as carícias, com medo de que o momento chegasse ao fim antes da hora. Quando os dois estavam satisfeitos e esgotados, Connor se afastou para tomar um banho enquanto Mika, vestindo uma camisa de algodão masculina, passou a revirar os armários da cozinha atrás do que deveria ser o café da manhã.

A cafeteira já havia desligado automaticamente e a temperatura da bebida continuava sendo conservada. O trabalho de Mika foi desembalar algumas torradas e um bolo de mercado para empilhá-los em uma bandeja.

Quando voltou ao quarto, Connor já havia deixado o banho, e mesmo que estivesse renovado, era difícil esconder a expressão cansada depois de uma noite de trabalho sem nenhum momento de descanso.

- Você não tem biscoitos bons.

A reclamação não soou da mesma forma arrogante de sempre, mas era notável como Mika usava as palavras para implicar com Connor. A bandeja do café da manhã foi apoiada na mesa de cabeceira e, com as mãos livres, ela beliscou um pedaço do bolo.

- Se quer mesmo que eu passe a frequentar esse fim de mundo que você chama de bairro, é melhor garantir que pelo menos tenha biscoitos bons no armário. Eu acho pouco provável que tenha um Starbucks na esquina.

Mika terminou de engolir o bolo e lambeu o farelo dos dedos. O tom de implicância desapareceu por alguns segundos quando os olhos esverdeados procuraram por Connor, parecendo tímidos demais para a personalidade de Moccia.

- Eu quero ficar aqui.

Uma pessoa normal primeiro pediria permissão para ficar, ou perguntaria se não incomodaria, principalmente levando em consideração que Ward precisaria descansar. Mas Michaela Moccia não pedia permissão a ninguém, ela fazia o que queria.

- Mio papá está sempre surtando por causa do novo segurança. E não é nada pessoal com o Leoncio, mas eu realmente não gosto de ninguém sendo a minha sombra o tempo inteiro. Se eu ficar aqui pelo menos um pouco, não preciso lidar com toda essa palhaçada.

Mesmo que não estivesse pedindo para Connor, o olhar de Mika ainda era mais suave que o normal quando ela completou.

- Eu não vou atrapalhar o seu descanso. Posso ficar vendo TV ou qualquer coisa do tipo. Espero que você tenha TV a cabo, Connor.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Dom Abr 09, 2017 4:41 am

Uma garrafa de cerveja vazia rolou para fora do sofá graças à animada movimentação do casal deitado em meio às almofadas. A mulher vestia somente a parte de cima da lingerie enquanto o homem – incomodamente mais velho que ela – havia somente baixado as calças até os joelhos enrugados.

A sala ao redor deles estava um lixo. Os móveis velhos estavam caindo aos pedaços, havia restos de comida no chão, garrafas de cerveja vazias e um resíduo branco sobre a mesinha de centro que certamente não passaria por uma inspeção policial. Aquele definitivamente não era um ambiente habitável para nenhum ser humano digno, mas a situação se tornava ainda mais alarmante graças às duas crianças que dormiam num colchonete jogado em um canto da cozinha.

Era uma noite fria e obviamente o aquecedor da casa estava quebrado. A garotinha que dormia agarrada ao irmão estremecia de frio de tempos em tempos, e foi por este sono tão superficial que os olhinhos castanhos se abriram quando um gemido da mãe ecoou por toda a casa.

O menino continuou adormecido sob os cobertores imundos e não viu quando a irmãzinha deslizou para fora do colchonete. As meias furadas amorteceram o som dos passos da garotinha até a sala e, portanto, os dois adultos demoraram a perceber que havia uma plateia para o lamentável espetáculo que protagonizavam naquela noite.

Ao contrário do que seria normal, não houve surpresa no semblante da menina. Embora ela só tivesse quatro anos, Matilda estava acostumada a ver homens estranhos entrando e saindo daquela casa, tocando sua mãe e deixando algumas notas sobre a mesinha da sala antes de partirem para nunca mais voltar.

Naquela noite, contudo, a cena se desenrolou de forma diferente. A menina espiava os dois adultos do sofá com uma expressão assombrada quando, em meio à transa, os olhos do velho a captaram escondida no cantinho da parede. Um sorriso maldoso surgiu nos lábios do homem antes que ele sussurrasse para a mãe de Matilda.

- Temos companhia.

- Matilda!!! – a voz furiosa da mulher soou arrastada, tipicamente embriagada – Volte para a cama agora!!!

A garotinha se encolheu e arregalou os olhos castanhos antes de correr de volta para o colchonete. O silêncio da madrugada permitiu que a voz do velho chegasse até os ouvidos dela, mesmo que não passasse de um sussurro.

- Não brigue com a menina. Ela admira a mamãe e quer seguir os seus passos. Ela tem um futuro promissor, é uma linda princesinha.

- Vai se ferrar. Acabe logo com isso, cara.

- Quanto quer por ela...?

Um longo silêncio se seguiu à pergunta do velho antes que a voz da prostituta ecoasse pela casa. Matilda obviamente não entendia o teor daquela conversa, mas instintivamente se aninhou ainda mais perto de Connor, como se um menino de seis anos pudesse salvá-la de dois adultos bêbados.

- Isso não está em negociação aqui.

- Mil dólares. É uma fortuna pra uma puta que cobra cinquenta por programa, hm? Em dinheiro. À vista. Não vou machucá-la, só quero brincar um pouquinho.

Não houve uma resposta verbal. Matilda só soube que a mãe havia concordado quando a mulher surgiu na cozinha e a carregou para fora do colchonete. Aos quatro anos de idade, Matilda foi levada pelo colo da mãe na direção do pior pesadelo que a atormentaria pelo resto de sua vida.


----------------------------------

Muitos analistas defendem a ideia de que a mente humana é capaz de guardar as piores lembranças em um lugar sombrio, onde elas sobrevivem distantes da porção consciente das memórias. Matilda Belmont nunca perdeu tempo com aquele tipo de teoria, mas naquela noite ela se tornou uma prova de que aquilo poderia acontecer.

No instante em que a voz familiar da garçonete atingiu os ouvidos de Matilda, sua mente resgatou das profundezas o pior pesadelo já vivido por ela. As imagens voltaram como flashes e foi com terror que Belmont reconheceu no rosto envelhecido da garçonete os mesmos traços da prostituta que a criara até os quatro anos de idade.

Depois de um longo processo judicial, Matilda havia sido entregue ao pai biológico e nunca mais tivera notícias da mãe graças a uma ordem de restrição imposta pelo juiz. Sempre que se obrigava a pensar nela, Belmont concluía que a mulher provavelmente já havia morrido de overdose, ou talvez assassinada por um dos homens que costumava levar para casa.

A última coisa que Matilda planejava com seu retorno a Las Vegas era se deparar com aquele rosto e com o turbilhão de lembranças horríveis que o acompanhavam.

- Eu não sabia que você estava de volta... – a mulher reduziu o tom da voz, já abandonando por completo a postura profissional – Na última vez que te vi, você estava partindo para Los Angeles para estudar.

O estômago de Matilda deu um giro indigesto com a ideia de que aquela mulher havia acompanhado a sua vida de maneira indireta. O rosto da governanta perdeu todas as cores e as mãos estavam geladas quando ela se apoiou na superfície da mesa para conseguir ficar de pé.

- Eu não sei do que está falando.

- Matilda... – o sorriso da mulher se tornou mais desdenhoso e ela ergueu a mão para tocar o braço de Belmont – Não finja que não sabe quem sou eu, querida.

- NÃO TOQUE EM MIM!

O grito de Matilda ecoou por todo o restaurante, atraindo na direção delas vários olhares surpresos. A garçonete recuou a mão que tocava Belmont e se afastou um passo, mas o sorrisinho vitorioso nos lábios da mulher não se abalou.

Sem se preocupar com o escândalo e sem checar se Cameron havia presenciado aquela cena, Matilda seguiu os próprios instintos que exigiam que ela fugisse em disparada dali. As lembranças daquele passado sombrio comprimiam o peito da governanta com tanta intensidade que ela não era mais capaz de respirar naquele ambiente.

Lágrimas quentes já escorriam pelo rosto de Matilda quando o elevador chegou para resgatá-la. Os ombros da governanta tremiam graças aos soluços quando ela finalmente chegou à calçada iluminada do prédio. Com as pernas fracas e a visão borrada pelas lágrimas, Belmont se viu obrigada a se apoiar no primeiro poste que surgiu em seu caminho para evitar uma queda. O abdome que ainda se contorcia efetuou um movimento de vômito, mas não havia nada para expulsar do estômago vazio.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Dom Abr 09, 2017 4:43 pm

O pequeno apartamento ocupado por Connor Ward fazia parte do disfarce do policial. Em uma missão perigosa como aquela, todo cuidado era necessário para evitar que a máscara do policial caísse diante da máfia. Mesmo se Alessio Moccia ordenasse que seus homens revirassem o apartamento do gerente, não seria encontrada ali nenhuma prova da verdadeira identidade de Ward.

Seu uniforme, o rádio, a arma e o distintivo estavam guardados em seu armário da delegacia. Os nomes de todos os colegas tinham sido apagados na agenda do celular de Connor. Ward nunca tivera páginas em redes sociais antes de mergulhar naquela missão, então o atual perfil do Facebook continha somente os amigos que ele conhecera nos cassinos nos quais passara antes de chegar até os Moccia.

Como qualquer apartamento ocupado por um homem solteiro, o lar de Connor Ward implorava por mais cuidados. A decoração não ia além de alguns móveis de segunda linha, um abajur na mesinha de canto da sala e almofadas coloridas que não combinavam com a cor do sofá. A cozinha era ainda mais precária e os armários estavam praticamente vazios, denunciando que o morador dali fazia praticamente todas as suas refeições fora de casa.

O quarto, que Michaela conhecera pela primeira vez naquela manhã, era certamente o cômodo menos deplorável do apartamento. Embora fosse tão minúsculo quanto o resto da casa, o quarto de Connor era confortável e bem arejado. A cama grande ocupava praticamente a metade do espaço, havia uma mesinha de cabeceira em um dos cantos e um armário pequeno nos fundos. Mika não conseguiria guardar nem mesmo os seus sapatos em um armário tão pequeno, mas aquele espaço era o bastante para um homem solteiro que não gastava fortunas em roupas.

É óbvio que o atual apartamento era menor e mais simplório que o lugar onde Connor morava antes de aceitar aquela missão. Mas a verdade é que o antigo apartamento do policial também estava longe de ser luxuoso. Por já estar tão acostumado com uma vida simples, Ward soltou um risinho irônico após as palavras de Michaela.

- TV a cabo, é claro que eu tenho. Mas infelizmente deixei o controle dentro do meu iate. Se você achar as chaves da minha Ferrari pode ir até lá buscar, fique à vontade.

Com somente uma toalha amarrada na cintura, Connor atravessou o quarto com poucos passos até chegar ao armário. A mesma toalha foi usada para secar os cabelos molhados depois que Ward vestiu uma confortável calça de moletom. Os fios escuros apontavam em todas as direções quando o gerente se aproximou da bandeja e pegou uma das torradas, lançando um olhar surpreso para o bolo.

- Geralmente eu tomo o café da manhã naquela padaria da esquina em frente ao cassino. Onde você encontrou este bolo? Se eu fosse você ficaria só nas torradas, eu nem me lembro da data em que comprei o bolo, não acho que seja seguro comer isso.

O sorrisinho de Connor não deixava claro se ele estava falando sério sobre o bolo ou se só queria implicar um pouco com Michaela. O gerente se sentou na beira da cama e pegou uma das canecas de café, ignorando o pequeno recipiente com açúcar na bandeja. A bebida foi levada até os lábios de Ward e a reação natural dele após um longo gole denunciava que o gerente já tinha o costume de tomar o café puro.

Daquela posição, Connor tinha uma visão privilegiada de Mika. Como o gerente estava sentado, Michaela parecia ineditamente mais alta que ele. Os olhos castanhos subiram sem pressa pelo corpo da garota, admirando as curvas sob a camiseta de algodão. Era impressionante como Mika continuava linda mesmo sem a aparência impecável e as roupas caras de sempre.

- Como não foi um pedido, imagino que você não esteja esperando por uma permissão para ficar aqui. – Connor implicou com a escolha de palavras autoritárias da menina – Mas se quer saber a minha opinião, eu digo que tudo bem. Eu realmente preciso dormir, mas você pode fazer o que preferir. O meu laptop está na mesinha da sala e, já que agora temos este lance de exclusividade e tal, acho que posso compartilhar com você a minha senha do Netflix.

Por razões óbvias, Connor concordava com Don Alessio sobre a necessidade de Mika ter um segurança particular. Era uma loucura que a garota ficasse circulando sozinha por Las Vegas depois que os Moccia sofreram um atentado muito provavelmente direcionado a ela. Mas Ward não queria estragar o clima com mais uma discussão e por isso decidiu deixar aquele assunto para outro momento.

Com a mão livre, o gerente puxou Michaela com delicadeza até que a menina estivesse acomodada em seu colo. Os dedos de Connor se afundaram mais uma vez nos volumosos cachos de Mika enquanto os lábios dos dois se uniam em um beijo carinhoso.

- Quanto aos biscoitos, eu posso dar um jeito. Prometo que o armário não estará vazio da próxima vez, bambina.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Cameron Lahey em Dom Abr 09, 2017 6:14 pm

- Não, Don Alessio, nenhuma novidade sobre o mandante do atentado. Ainda. Mas estou chegando perto.

Não era muito comum que Alessio Moccia precisasse cobrar que Cameron fizesse bem o seu trabalho. Se havia um dos seus funcionários que o mafioso não precisava se preocupar em ter resultados, era o seu querido Lahey, criado como um filho. E claro que o impecável trabalho de Cameron havia contribuído para aquela confiança.

Por isso, Cameron sequer podia protestar que Alessio quisesse mais informações sobre um dos casos mais delicados e demorados que ele já havia tratado. O atentado era uma ofensa para todos os membros da família Moccia, e principalmente para o bem mais precioso do mafioso. E Cam se sentia culpado por estar se distraindo com Matilda quando deveria estar caçando a cabeça de algum bastardo.

- Eu sei que está cuidando de tudo, Cameron. É apenas que...

A voz de Alessio denunciava o quanto o homem estava constrangido com aquela confissão. E por conhecer bem a personalidade forte de Moccia, Cam sabia que apenas uma pessoa o deixava desestruturado daquela forma.

- Mika escapou do Leoncio outra vez.

Não era uma pergunta, mas a respiração pesada de Alessio confirmou sua teoria. O mafioso era capaz de proferir ordens frias e cruéis, mas se tornava completamente manso quando estava lidando com as travessuras da própria filha.

- Não se preocupe, Don Alessio. Eu vou cuidar disso também. Pessoalmente.

Cameron havia acabado de desligar o telefone quando se voltou em direção ao resto do restaurante. De onde estava, ele conseguia enxergar apenas uma parte da mesa que deveria estar ocupada por Matilda, mas antes que ele pudesse deduzir que a moça havia apenas ido até o banheiro, Joshua bloqueou a sua visão.

- Ahn... Cam? A sua garota acabou de sair correndo. Você não estava mantendo ela refém, ou coisa do tipo, estava?

Os olhos azuis se estreitaram em confusão, mas ao invés de se dar ao trabalho de explicar para Joshua a presença ou ausência de Matilda, ele apenas atravessou o salão com passos largos. O botão do elevador foi apertado uma dúzia de vezes enquanto encarava os andares passando no visor eletrônico.

Embora não soubesse o que estava acontecendo, Cameron sentia o coração acelerado e todo o seu instinto lhe dizia que havia algo errado. Nem em um milhão de anos Lahey teria cogitado que Matilda havia acabado de encontrar com uma trágica parte do seu passado, mas era como se todo o seu corpo já soubesse que algo terrível havia acontecido. Na mente prática de Lahey, provavelmente havia sido algo ligado aos mesmos responsáveis pelo atentado de semanas antes.

Quando Cam finalmente alcançou a calçada, sentiu os ombros relaxarem ao encontrar o contorno das costas de Belmont. Ele esbarrou contra os ombros de alguns pedestres até alcança-la, e sem pensar duas vezes, a tocou no ombro, atenta ao estado lamentável que apresentava.

- Matilda? O que aconteceu? Alguém fez alguma coisa?

O braço protetor de Cameron deslizou pelas costas da governanta, mas o olhar passeou pela rua a procura de qualquer sinal que explicasse o que estava errado. Era assustador ver Matilda tão arrasada, sem a máscara séria que usava no trabalho ou a expressão convencida de quando segurava uma arma.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Dom Abr 09, 2017 6:53 pm

- Eu estou indisposta. Apenas me leve de volta para casa, por favor.

Os dedos trêmulos de Matilda deslizaram sob os olhos castanhos, mas aquele gesto não conseguiu esconder por completo as lágrimas que manchavam o rosto delicado. Era óbvio que alguma coisa muito séria havia acontecido nos poucos minutos em que Cameron se afastou para atender a chamada de Don Alessio, mas a governanta deixou claro que não dividiria aquele segredo com o segurança quando seguiu em silêncio de volta até o carro.

Enquanto Lahey dirigia pelas ruas iluminadas de Las Vegas, a governanta apoiou a testa no vidro gelado da janela ao seu lado. Os olhos castanhos estavam abertos, mas a mente distante de Matilda fazia com que as imagens captadas pela sua visão não passassem de borrões indefinidos.

Mais algumas lágrimas silenciosas escorreram pelo rosto pálido de Belmont enquanto as lembranças do passado vinham à tona de forma descontrolada. Depois de tantos anos, Matilda realmente achou que tivesse superado os pesadelos da sua infância complicada. Mas bastou um breve reencontro com a mãe para que os mesmos fantasmas que atormentavam a pequena Matilda voltassem para assombrar a mulher que ela se tornara.

Sempre que estava ao lado de Cameron, Belmont tinha aquela agradável impressão de que estava segura e que nada poderia atingi-la. Naquela noite, contudo, a presença do segurança não bastava. A pequena Matilda que existia dentro da governanta ainda era aquela garotinha que se aninhava perto do irmão na esperança de que Connor a defendesse de todos os perigos que rondavam os dois.

Mas Connor não estava por perto. E graças à missão arriscada com os Moccia, Matilda não tinha sequer a opção de fazer uma ligação para alertar o irmão sobre o reencontro daquela noite. A única esperança da governanta era a tal festa que Don Alessio ofereceria aos seus funcionários no fim daquele mês. Se os dois irmãos fossem cuidadosos, eles poderiam aproveitar a oportunidade para conversarem sobre aquela novidade sem levantar nenhuma suspeita.

Só quando o motor do carro foi desligado, já dentro da garagem da mansão dos Moccia, Matilda virou o rosto na direção de Cameron. A governanta já havia parado de chorar, mas o semblante abatido mostrava que, seja lá qual fosse o problema, ainda era algo que a atormentava por dentro.

- Eu acho que, no fim das contas, eu também não sou uma garota para encontros, Lahey. Desculpe por ter estragado a noite. Acho melhor nos concentrarmos só nas aulas da próxima vez.

Não houve sequer um beijo de despedida. Matilda simplesmente soltou o cinto de segurança e deslizou para fora do carro.

Por sorte não surgiu ninguém no caminho da governanta enquanto ela traçava o trajeto da garagem até o seu quarto, na ala dos funcionários. Era um alívio que ninguém além de Cameron fosse testemunha daquele momento de fraqueza que definitivamente não combinava com a postura firme que Belmont demonstrava dentro da mansão dos Moccia.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Michaela Moccia em Dom Abr 09, 2017 7:15 pm

Era difícil dizer que o relacionamento com Connor Ward não era um namoro. Durante os dias que passaram, os dois sempre arrumavam desculpas para ficarem juntos, fosse nas visitas surpresas ao escritório do Cassino ou as manhãs no apartamento de Ward. Quando não estavam juntos, os dois trocavam mensagens sempre com um tom provocativo de quem estava duelando pelo controle, mas que não deixavam de ser mera implicância com um quê de carinho.

Claro que Michaela não estava preparada para dizer que estava se apaixonando por Connor. Pensar no futuro era delicado demais, já que ela não conseguia se imaginar assumindo um compromisso de verdade com o gerente do cassino. Mas enquanto adiava pensar no que realmente estava sentindo, Moccia apenas aproveitava as sensações que Connor lhe despertava.

- Bambina?

Duas batidas na porta acompanharam a voz de Alessio, obrigando Mika a se virar de costas para o espelho e encarar o pai. Era comum encontrar o mafioso vestido com trajes impecáveis, ternos caros e de renomados estilistas. Mas era fácil notar que aquela noite era uma ocasião especial.

Além das roupas caras, os cabelos grisalhos estavam penteados para trás, a pele com uma aparência fresca e o delicado perfume masculino que parecia combinar com perfeição com a personalidade de Alessio.

- Uau... Você está parecendo uma mocinha.

As sobrancelhas claras de Michaela foram arqueadas diante do comentário do pai. Não era exatamente o tipo de elogio que ela esperava ouvir, mas sabia que vindo de Don Alessio, aquilo significava que ela não estava parecendo uma menininha como na maior parte do tempo.

Diferente das peças de roupa mais delicadas que usava quando encontraria o pai, ou dos visuais ousados que vestia na maior parte do tempo, Mika estava longe de parecer uma “mocinha”. O vestido vermelho exibia um único decote em suas costas, mas o corte reto era comportado e modelava seu corpo com perfeição. O cinto prateado era formado pelas mesmas pedras que modelavam seus ombros e o contorno do decote. Era um vestido que lhe dava a aparência de uma mulher elegante, e não de uma menina mimada.

Os cabelos loiros tinham sido presos em um penteado lateral e alguns largos cachos caíam soltos. A maquiagem não estava exagerada, mas o batom vermelho era do mesmo tom que o vestido. Mika havia feito cada uma das escolhas cuidadosamente para que, ao menos naquela noite, não parecesse como a “bambina” que tantos insistiam em dizer.


- Isso foi um elogio? – Mika abriu um sorriso carinhoso ao pai enquanto se preparava para deixar o quarto e descer para a festa ao seu lado.

- Madre de Dio, claro que é! Eu já estava com um paletó reserva para o caso de você resolver usar uma daquelas... daquelas coisas... – Alessio apontou o indicador enrugado para a barriga de Mika. – Aquelas blusas que parecem faltar a metade do pano.

Mika deslizou o braço pelo de Alessio enquanto eles desciam as escadas, já ouvindo a música que vinha dos jardins e das vozes dos convidados.

- Bom, para sua sorte, eu estava procurando a ocasião perfeita para usar esse vestido. Mas quem sabe, se eu ficar com calor sempre posso mudar de ideia...

O olhar assustado de Alessio mostrava que ele conhecia a filha o bastante para saber que aquilo era perfeitamente possível. Em resposta, Mika apenas soltou uma risada divertida.

- Não se preocupe, eu sei me comportar. É só ninguém resolver me provocar.

- É uma festa da famiglia, bambina! Trate todos bem, sim?

- Mas eu sempre trato. – A expressão inocente de Mika estava longe de ser verdadeira, mas pareceu suficiente para acalmar os ânimos de Don Alessio.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Dom Abr 09, 2017 8:26 pm

Qualquer turista que fosse procurar pelo famoso cassino dos Moccia naquela noite de sexta-feira encontraria o estabelecimento fechado. Não havia nenhuma placa indicando que as portas trancadas se deviam a luto ou a algum outro motivo sério. O cassino simplesmente não iria abrir em um dos dias mais lucrativos da semana porque Don Alessio Moccia fazia questão que todos os membros da “famiglia” participassem da festa oferecida no jardim de sua mansão.

Quando entrou naquele universo, Connor Ward tinha a equivocada ideia de que o mafioso possuía a fidelidade de seus homens porque os amedrontava. Com o passar dos meses, contudo, o policial agora sabia que não era bem esta a estratégia de Don Alessio. Moccia era adorado por seus funcionários porque tratava a todos com imensa consideração.

Bastava dar uma volta pelo jardim para ouvir a gratidão que todos sentiam por aquele homem perigoso. Don Alessio Moccia havia pagado pelo tratamento do filho de um dos garçons quando descobriram que o menino estava com câncer. Uma das cozinheiras de um dos tantos restaurantes da rede Moccia também comentou que viera de Don Alessio o advogado que tirara seu filho da prisão depois de uma injustiça.

As histórias eram muitas e variadas, mas todas tinham algo em comum. Alessio Moccia não media esforços para conquistar a gratidão e o afeto dos seus funcionários. O mafioso era inteligente o bastante para saber que a “bondade” era ainda mais eficaz que o terror na hora de garantir a fidelidade de seus seguidores.

Connor Ward também tinha a própria história de gratidão a Don Alessio Moccia. Quando os dois se conheceram, Connor não passava de um funcionário do baixo escalão de um cassino pouco famoso da cidade. Encantado com a habilidade do rapaz na mesa de carteado, Alessio o levara para o cassino Moccia. Em seis meses Ward já carregava o título de sub-gerente e, após a morte de Terrence, subira ao cargo mais alto do estabelecimento.

O que Don Alessio não imaginava era que Connor Ward usava aquela oportunidade de ouro para tentar derrubar o império dos Moccia. E como se não bastasse tamanha traição, o policial ainda se divertia nas horas vagas com o bem mais precioso da vida do mafioso. Definitivamente, Connor não podia cometer nem mesmo um erro naquela missão se quisesse viver para contar aquela história.

Naquela noite, portanto, o gerente executava com perfeição o seu papel de funcionário profundamente grato pela sorte de ter cruzado o caminho de Moccia. Assim como todos ao seu redor, Connor havia selecionado os seus melhores trajes para a ocasião. Os ternos baratos que ele usava no cassino tinham sido deixados de lado e substituídos por trajes mais alinhados. A calça e o casaco eram pretos, e a camisa social quadriculada lhe dava um ar mais jovem e despojado, assim como a ausência de uma gravata.

Com uma taça de champanhe em mãos, o gerente circulava pelos jardins e interagia com os colegas, tentando parecer ambientado naquele clima festivo. Connor estava entretido em uma conversa com um dos seguranças do cassino quando os donos da casa surgiram no jardim, causando uma pequena comoção nos convidados.

Os olhares se voltaram para a dupla, mas era evidente que Don Alessio era o foco principal da maioria dos convidados. Ward, contudo, não conseguiu disfarçar o olhar demorado pousado na filha do mafioso.

Graças à intimidade construída pelos dois com aquele relacionamento secreto, Connor já havia visto várias faces de Michaela. Ele conhecia a Mika comportada que se encontrava com o pai e também a menina mimada que gostava de chamar a atenção com roupas ousadas. Ward já havia visto Michaela completamente desalinhada depois de alguns minutos de amassos sobre a mesa do escritório e a versão relaxada da garota que usava uma de suas camisetas velhas depois que faziam amor no apartamento do gerente.

Mas era a primeira vez que Connor tinha contato com aquela versão mais madura de Michaela Moccia. Naquela noite, Mika não se vestia como uma bonequinha e nem como uma maluca. E o sorriso torto que surgiu nos lábios do gerente quando os olhares dos dois se cruzaram deixava claro que Ward aprovava a imagem da mulher que via diante de si.

Ward teria mantido aquele olhar por mais tempo se não fosse pela cabeça que bloqueou sua visão. Os olhos castanhos se arregalaram ao reconhecer os traços de Matilda e o sorriso sumiu, dando lugar a um semblante mais tenso.

- Precisamos conversar. Agora.

O primeiro reflexo de Connor foi olhar ao redor para se certificar que ninguém testemunhava aquela conversa estranha. A pessoa mais próxima dos dois ainda era o segurança com quem Ward conversava há alguns minutos, mas o homem estava há mais de dois metros de distância e parecia profundamente distraído com a garçonete que enchia a sua taça com mais champanhe.

- Aqui...?

- É o melhor momento, Connor. Aqui somos só dois colegas interagindo em uma festa, não vamos levantar suspeitas. Você é solteiro, eu também. Deixemos que todos pensem que está rolando um flerte...

O rosto de Connor se contorceu em uma breve careta que demonstrava o seu descontentamento com aquela ideia. Além de ser nojenta a ideia de flertar com a própria irmã, Ward preferia nem pensar na crise que enfrentaria com Michaela se a menina chegasse à conclusão de que ele estava dando em cima da governanta bem debaixo do nariz dela.

Aos olhos de Mika, Matilda era somente uma mulher jovem e atraente que naquela noite tivera a audácia de escolher a mesma cor que a anfitriã. Obviamente o vestido vermelho da governanta era muito mais simples e barato que o de Mika, mas fazia com que Belmont parecesse muito mais jovem e atraente que as roupas pretas comportadas que ela usava no papel de governanta.

- Certo, mas vamos ser breves. – a voz do gerente soou ainda mais baixa e ele escondeu os lábios na taça de champanhe enquanto completava – O que houve? Algum problema com o velho? Você pode desistir se estiver muito difícil pra você, Maty.

Os lábios de Matilda se curvaram num sorriso amplo e ela sacudiu a cabeça como se tivesse acabado de ouvir um elogio desconcertante. Quem olhasse de longe realmente teria a falsa impressão de que aquela era uma conversa amigável e que Connor estava tentando se aproximar da governanta.

- Está tudo certo por aqui. O problema é outro. – Belmont tentou manter um sorriso nos lábios, mas os olhos denunciaram que a moça estava abalada quando completou – Eu a encontrei há alguns dias, Connor. Ela ainda está em Vegas e me reconheceu. Eu estou apavorada.

- Ela...? – Connor também tentou forçar um sorriso e tomou mais um gole da bebida – De quem está falando?

- Veronika.

O sorriso forçado de Ward sumiu ao ouvir o nome que a mãe usava como prostituta. O fato de Matilda não chamá-la de mãe ou pelo nome de batismo só mostrava o distanciamento que a moça queria manter do passado envolvendo aquela mulher. Connor também havia sido tirado dos cuidados daquela mulher quando era muito pequeno, mas nem isso evitara que sua memória guardasse as piores lembranças daquela época.

- Onde? Quando?

- Há alguns dias, num dos restaurantes dos Moccia. Quer tirar esta expressão abobada da cara? Você é um péssimo ator, Connor! – Matilda só continuou suas explicações depois que o gerente soltou um risinho mais relaxado – Ela trabalha lá como garçonete. Tive medo de que ela viesse hoje, mas por sorte ela não está aqui. Ela me reconheceu, Connor. Você percebe que isso pode ser uma falha que coloca todo o plano em risco?

A cabeça do gerente se moveu num gesto de concordância enquanto a mente dele tentava lidar com mais aquela dificuldade. Em meio ao turbilhão de problemas, Ward franziu as sobrancelhas quando se deu conta de um pequeno furo na história de Matilda.

- O que você estava fazendo no tal restaurante? Seu trabalho é na mansão, não?

- Eu não acredito que você está preocupado com isso depois do que eu acabei de te dizer! – as palavras de Matilda saíram rosnadas enquanto seus lábios estavam curvados em um sorriso que não combinava com aquela entonação irritada – Eu fui jantar fora numa noite de folga, ok?

- Sozinha?

- Connor! – dessa vez Matilda não tentou disfarçar a irritação – Que tal você parar com o interrogatório de irmão mais velho e se concentrar no nosso problema?

- Não é curiosidade. – Ward esvaziou o restante da taça de champanhe e a devolveu a uma bandeja vazia na mesinha próxima aos dois – Só preciso saber se houve testemunhas, se temos que nos preocupar com isso também!

- Eu estava sozinha quando ela me abordou. – Matilda saiu pela tangente naquela pergunta delicada – Alguns clientes ao redor podem ter notado a nossa conversa, mas nada além disso. Eu não consigo dormir direito desde aquela noite. Estou completamente apavorada, Connor. Achei que essa mulher... achei que nunca mais precisaria vê-la.

A angústia refletida nos olhos de Matilda arrancou um suspiro de pesar do irmão. Connor queria puxá-la para um abraço protetor, mas aquilo seria impossível em uma festa lotada. A única coisa que Ward se permitiu fazer foi estender a mão e deslizar os dedos em uma breve carícia no braço da irmã.

- Não fique assim, maninha. Eu vou resolver isso, ok? Não somos mais duas crianças indefesas, ela não pode mais nos machucar.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Cameron Lahey em Dom Abr 09, 2017 9:33 pm

- Veja só quem resolveu aparecer!

A voz estrondosa de Alessio saudou Cameron no instante em que o rapaz se aproximou do pequeno círculo onde o dono da casa conversava com alguns convidados. Por mais que o mafioso tratasse a todos com respeito e carinho digno de uma “famiglia”, era difícil esconder como ele tratava Lahey como seu preferido.

O rapaz foi imediatamente puxado pelo ombro para se aproximar, recebendo tapinhas em suas costas. Alguém tentou empurrar uma taça de champanhe em sua direção, mas Alessio a dispensou de prontidão com um aceno das mãos sempre exageradas. Cameron não precisava gritar a plenos pulmões que álcool não fazia parte de sua vida, mas Alessio o conhecia o suficiente para saber que aquela bebida não era uma opção para o seu braço direito.

- Desculpe o atraso, estava fechando alguns assuntos do trabalho.

Um copo de suco foi recebido em seus dedos e, antes de dar um gole, Cam lançou um olhar significativo na direção de Alessio. Como estavam cercados de mais meia dúzia de convidados, o assunto não foi prolongado, mas não havia dúvida entre os dois de que Cam tinha novidades a respeito do assunto que vinha tirando o sono de Moccia: o atentado.

- Bom, sem mais trabalhos por hoje, sí? – Alessio forçou um sorriso e voltou a distribuir tapinhas no ombro de Cameron. – Hoje é dia de festa!

- Você passou perfume. – Michaela franziu o nariz ao interromper um gole de sua taça, esticando o pescoço na direção de Lahey. – E está parecendo um garçom.

Definitivamente, Cameron Lahey não parecia um garçom naquela noite. Embora costumasse usar roupas mais formais em sua rotina, era notável como ele havia se empenhado ainda mais naquela noite.

Os trajes dificilmente cabiam em seu orçamento, mas como um dos privilegiados de Don Alessio, Cameron contava com um pequeno guarda-roupa financiado pelo seu chefe como presentes de natal ou aniversário. Ternos italianos eram um dos passatempos de Moccia e ele estendia aquele mimo também ao filho que nunca tivera.

A calça, o terno, a blusa social e até mesmo a gravata eram completamente pretos, mas exibiam uma harmonia impressionante. A barba de Cameron estava maior naquela noite, mas com uma aparência impecável. Os cabelos pareciam ainda úmidos e estavam penteados para trás. Cameron poderia facilmente passar por um rico empresário.

- Bambina, o que falamos sobre ser gentil com as pessoas? – Alessio a repreendeu, mas a menina imediatamente arqueou as sobrancelhas com uma expressão inocente.

- Normalmente ele parece um vendedor da Best Buy. Achei que garçom fosse um elogio.

- Bambina... – Alessio estreitou o olhar como se estivesse de uma malcriação de uma criança de cinco anos de idade.

Em resposta, Michaela apenas girou os olhos e bufou antes de encarar Cameron com um sorrisinho esnobe.

- Você está bonito, Cam. Ternos italianos fazem milagres até mesmo em cara como você.

- Michaela! – Alessio arregalou os olhos, mas Cameron não parecia nem um pouco ofendido.

Lahey deixou escapar uma risada divertida, mostrando que já estava acostumado com as implicâncias da preciosa filha de Alessio.

- Desculpe, papá, é o melhor que eu posso fazer.

- Obrigado, Mika. Mas sinto muito não poder dizer o mesmo. No seu caso, nem o vestido faz milagres para esconder a sua carinha de bambina.

Cam ergueu a mão e beliscou a bochecha maquiada de Michaela. Em resposta, a menina urrou e estapeou os dedos dele. A cena que poderia ser um completo desastre, era vista por Don Alessio com grande ternura. O velho mafioso deixou escapar uma risada divertida e orgulhosa por ver o relacionamento que Mika e Cam haviam criado no decorrer dos anos.

Com um largo sorriso nos lábios escondidos por um grosso bigode, Alessio emendou a conversa com os demais convidados e estava entretido demais em saber sobre as férias que seu jovem advogado tinha feito para a Califórnia durante a lua-de-mel para notar quando os olhos azuis de Cameron se fixaram do outro lado da festa.

O copo alaranjado de Cam havia acabado de tocar seus lábios quando ele encontrou o segundo ponto vermelho daquela festa. Mas o movimento foi imediatamente interrompido quando ele notou que Matilda não estava sozinha.

Desde o encontro precocemente interrompido, as coisas tinham ficado repentinamente estranhas entre ele e Matilda. A moça parecia mais distante e, até então, o que quer que tenha lhe perturbado naquela noite, ainda era um grande mistério para Lahey.

Naquela noite, entretanto, Matilda parecia bastante entretida em conversar com Connor Ward de uma forma que não acontecia com ele. Cam ainda se lembrava do olhar interessado de Ward na governanta, semanas atrás, e a ideia dos dois conversando a sós não era nada agradável.

- Eu não sabia que Belmont e Ward se conheciam.

As palavras escaparam da boca de Cameron sem que ele tivesse conhecimento. Alessio imediatamente interrompeu sua conversa para acompanhar o olhar de Lahey até o outro lado do jardim, e logo seus lábios se curvaram em um sorriso orgulhoso.

- Esse rapaz realmente vai atrás do que quer, han? – Alessio soltou uma risada estrondosa e deu mais um gole em sua taça. – Veja, eles não formam um belo casal, Cam? Até parece que combinam!

- Claro. – Michaela interrompeu, os olhos verdes também presos no casal. – Dois mortos de fome. Combinação perfeita.

A expressão de Alessio se fechou e o italiano provavelmente estava repreendendo a filha, mas a concentração de Lahey já estava totalmente focada na forma com que Matilda sorria e no toque dos dedos de Connor em seu braço.

Cameron havia levado semanas até conseguir arrancar um sorriso dos lábios de Belmont. Não parecia justo que Connor conseguisse aquilo em questão de minutos.

- Onde você vai? – Mika grunhiu quando ele deu os primeiros passos para se afastar do grupo.

- Eu preciso estar por dentro de tudo que acontece na famiglia, Mika. Faz parte do meu trabalho.

Quando a sombra de Cam surgiu sobre Matilda e Connor, ele trazia nos lábios o mesmo sorriso astuto que costumava usar antes de enfrentar a parte mais complexa do seu trabalho. O olhar pousou demoradamente na mão de Ward sobre o braço da governanta antes de se voltar para os pares de olhos castanhos.

- Bom saber que você usa uma cor diferente de preto, Matilda. Uma pena, pois achei que combinaríamos hoje... – Ele apontou para o próprio terno antes de continuar. – Mas preciso admitir que o vermelho cai muito bem em você. Não acha, Ward?
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Dom Abr 09, 2017 10:18 pm

Por estar tão concentrada naquela conversa com o irmão, Matilda só notou que os dois não estavam mais sozinhos quando a voz de Cameron interrompeu aquela conversa privada. Connor instintivamente afastou os dedos que tocavam o braço da governanta, mas aquele gesto poderia ser facilmente interpretado como constrangimento por ter sido interrompido no meio de um flerte.

O olhar sério que Belmont dirigiu a Cameron também denunciava que ela não estava satisfeita com a interrupção. Além de Lahey ter colocado um fim precoce naquela conversa tão importante, ele estava agindo como um cão marcando o próprio território. E foi exatamente esta insatisfação que levou Matilda a curvar os lábios num sorriso mecânico enquanto entoava aquela resposta provocativa.

- Sim, ele acha. Na verdade, o Sr. Warren interrompeu várias vezes a nossa conversa para ressaltar a sua opinião positiva sobre a minha aparência esta noite.

- Ward. – Connor corrigiu a moça com gentileza, como se eles realmente fossem colegas que acabavam de se conhecer – Tenho que concordar com o Cameron. O preto também lhe cai bem, mas nada se compara ao vermelho.

- Ward. Desculpe. – Matilda lançou um sorriso mais doce na direção do gerente do cassino – Sobre o que estávamos falando antes de sermos interrompidos pelo Sr. Lahey?

A governanta era uma excelente atriz e reagia com naturalidade, como se realmente estivesse entretida em uma conversa casual com Connor. O policial, por outro lado, já conhecia a irmã o suficiente para notar que havia um clima diferente entre ela e Cameron. Era como se Matilda quisesse provocar o segurança com aquela conversa.

- Eu estava dizendo que seria um prazer recebê-la no cassino em uma das suas noites de folga. De quais tipos de jogos você gosta?

- De todos. – a entonação de Matilda se tornou ainda mais maliciosa – Mas tenho um interesse particular em ver o seu desempenho na mesa de carteado. Já ouvi comentários sobre a sua habilidade lendária com as mãos, Sr. Ward.

Aquela frase cheia de segundas intenções fez com que Connor arqueasse as sobrancelhas e não tivesse mais nenhuma dúvida de que a irmã queria provocar Cameron Lahey. A curiosidade se tornou sufocante, assim como o receio de que Matilda estivesse na mira de um homem tão perigoso quanto Cameron. Mas Ward não pôde fazer nada além de forçar um sorrisinho para manter a máscara naquela festa.

- Será um prazer. Sem trapaças, eu prometo. Não vou usar as minhas habilidades contra você.

- Sério? – Matilda curvou os lábios num biquinho insatisfeito – Mas eu estava contando com isso, Sr. Ward.

Mais uma vez, Connor não reconheceu a irmã naquela mulher maliciosa a sua frente. O gerente ficou sem palavras por alguns segundos, antes de forçar um sorriso para os dois colegas a sua frente. É óbvio que Ward não pretendia ir embora daquela festa sem esclarecer aquele clima estranho entre Matilda e Cameron, mas não havia nada a ser feito enquanto o segurança continuasse parado ao lado da governanta.

- Mais tarde podemos acertar os detalhes da sua visita, Srta. Belmont. Se me dão licença, eu preciso cumprimentar Don Alessio. Ainda não falei com ele desde que cheguei à festa...

Só quando Connor sumiu de vista depois de seguir na direção do grupinho formado ao redor dos Moccia, Matilda se virou para Cameron. Os olhos castanhos estavam perigosamente estreitados e ela se descontrolou ao ponto de cutucar o peito dele enquanto resmungava.

- O que você pensa que está fazendo? Como funciona esse lance de marcar o território? O próximo passo será urinar nas minhas pernas?

Os dois não tinham tido nenhuma conversa prolongada depois do fiasco da última noite, de forma que Cameron sequer tivera a chance de tentar arrancar de Matilda alguma explicação sobre o comportamento estranho no restaurante. Falar novamente com Lahey em uma discussão era uma desculpa muito bem vinda para nem tocar no assunto pendente da última noite.

- Da próxima vez que você fizer algo parecido com isso, eu não vou precisar de aulas de tiro para acabar com você.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Michaela Moccia em Dom Abr 09, 2017 10:44 pm

- Bom, me avise a próxima vez que resolver visitar a Califórnia. Faço questão que fique em nossa casa em Malibu.

Enquanto alguns chefes poderiam soar falsos quando tentavam agradar seus funcionários, Don Alessio não deixava a menor dúvida de que incluía cada um dos que ajudavam a movimentar a fortuna dos Moccia como sua família, o que lhes dava total direito de ocupar a casa em Malibu ou qualquer outra, se essa fosse a vontade.

Com um rápido brinde, ele se despediu do advogado, diminuindo a pequena rodinha de convidados que mantinha conversas aleatórias. Os sorrisos sinceros dos convidados mostravam que eles se sentiam em casa e bem-recebidos por Alessio, embora a imagem da filha de Moccia não fosse exatamente um sinônimo de hospitalidade.

Michaela sequer tentava participar das novas conversas que envolviam o grupo. Seu olhar estava preso no que acontecia do outro lado do jardim e ela segurava a taça em seus dedos que era surpreendente que ainda não tivesse estourado o vidro.

Aos olhos de Mika, não havia nenhuma dúvida do que estava acontecendo. Por mais que Cameron fosse discreto, não era difícil deduzir que a governanta havia se tornado sua mais nova conquista. O surpreendente naquela cena, entretanto, era ver como Lahey estava incomodado em ver Matilda ao lado de outro homem.

A postura de Cameron servia para reforçar que, ao menos daquela vez, Moccia não estava agindo como uma menininha enciumada apenas por encontrar Connor ao lado de outra mulher. Cam também havia notado que alguma coisa estava acontecendo entre os dois.

Mas ao contrário do que teria acontecido semanas atrás, Michaela não estava se preparando para um novo espetáculo. Não tinha a intenção de mergulhar em mais uma briga, de discutir com Connor apenas para se derreter nos braços dele segundos depois.

Enquanto os olhos verdes acompanhavam o gerente do cassino se aproximar, Mika prometia a si mesma que não iria se rebaixar mais uma vez para inflar o ego de Ward. Se ele tinha a necessidade de ter sempre uma nova conquista, então precisaria ficar satisfeito com mulheres como Matilda ou Rebecca. Ele havia perdido a chance de ter alguém como ela, mesmo que fosse apenas entre quatro paredes.

- Connor, meu rapaz! – Alessio ergueu seu copinho de whisky no instante em que reconheceu o gerente do cassino se aproximando. – O que aconteceu ali? Não me diga que o Cam estragou a sua jogada?

Os olhos de Alessio rodaram pelo jardim até encontrar Matilda e Cameron conversando. Um sorriso divertido brincava em seus lábios, como um telespectador diante de uma intrigante novela.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Cameron Lahey em Dom Abr 09, 2017 11:03 pm

Por ser um homem que enfrentava o perigo com frequência, Cameron Lahey sabia como ninguém o que fazer para driblar a própria personalidade e os impulsos. Ele não estaria vivo depois de tantas missões arriscadas se deixasse se levar por um momento de cabeça quente ou apenas pelos sentimentos.

Enquanto Connor se afastava, os olhos azuis de Cameron estavam presos em Matilda, quase como se ele estivesse decepcionado com a atitude dela. Belmont já vinha se mostrando completamente diferente da imagem de uma mulher séria que só vivia para o trabalho e a simples ideia de desvendar quem ela realmente era havia se tornado empolgante. Mas naquela noite vê-la descaradamente se oferecendo para outro homem era um golpe que Lahey não estava preparado para ver.

Com paciência, Cam apoiou um dos braços e se recostou sobre a mesinha onde a taça vazia de Connor havia ficado. Havia uma ruguinha entre suas sobrancelhas enquanto ele ainda estudava a expressão de Belmont, desejando que, assim como a fantasia de governanta, aquela também fosse uma máscara para esconder a verdadeira Matilda.

- O que eu estou fazendo? O que você pensa que está fazendo, Matilda?

Cam levou uma das mãos até o peito e afinou a voz em uma forçada imitação de Matilda, revirando os olhos azuis como se fosse uma menininha de colegial apaixonada.

- “Mas eu estava contando com isso, Sr. Ward”. – Ele girou os olhos e voltou a se endireitar para completar em sua entonação normal. – Você não me deve satisfação alguma, Matilda... Mas aquele cara? Sério?

Ele apontou com o polegar na direção em que o gerente do cassino havia seguido. Em seguida, Cam soltou um suspiro de pesar e negou com um movimento da cabeça ao perceber que estava soando como um ex-namorado enciumado.

- Olha, você é grandinha o bastante para fazer o que bem entender. Eu só não achei que você fosse esse tipo de garota.

Parecia uma grande ironia que Cameron Lahey estivesse julgando o comportamento de Matilda depois de ter colecionado um considerável número de conquistas casuais. Assim como ele havia feito com cada uma das mulheres que já havia deitado ao seu lado, Belmont nunca havia insinuado que estivessem em um relacionamento e sempre fora ela a enfatizar que os dois estavam apenas se divertindo.

Ainda assim, Cameron se sentia traído, como se tivesse ao menos o direito de uma explicação ao invés daquele comportamento frio e distante da governanta.

- Achei que eu merecesse ao menos uma explicação depois do que aconteceu.

O tom de um azul profundo dos olhos de Cameron parecia ainda mais escuro enquanto ele observava Matilda, quase sem piscar. A decepção era quase palpável.

- Quer saber? Chega das suas ameaças vazias. Nós dois sabemos que você não vai fazer nada contra mim. – Cam deu apenas um passo na direção de Matilda, sem desviar os olhos dos dela. – Da mesma forma que nós dois sabemos que é diferente quando estamos sozinhos. Que é melhor do que com qualquer outra pessoa. E que você está com medo de admitir isso, assim como eu. O problema é que nós dois sabemos, Matilda.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Dom Abr 09, 2017 11:23 pm

Como conhecia Michaela tão bem, Connor já podia imaginar que os piores cenários povoavam a mente enciumada da menina. Mika já tinha dado muitas provas de que era capaz de explosões descontroladas por causa de ciúmes, mas a esperança do gerente era que a garota se contivesse por causa do pai. Alessio era cego quando o assunto era Michaela, mas até mesmo o mafioso notaria que havia algo entre sua filha e o gerente do cassino caso Mika resolvesse fazer um showzinho no meio da festa da famiglia.

Para agravar ainda mais a situação de Ward, foi o próprio Alessio que mencionou de forma maldosa a sua conversa com Matilda. Um sorrisinho sem graça surgiu nos lábios do gerente antes que ele aceitasse a bebida que Moccia lhe empurrava, solícito e gentil como de costume.

- Não aconteceu nada demais, Don Alessio. Eu só estava conversando com a Srta. Belmont. Ela comentou que nunca entrou em um cassino famoso e eu recomendei que ela aparecesse no nosso em qualquer dia de folga.

A resposta foi dada a Alessio, mas é claro que Connor pretendia atingir Michaela com aquelas explicações. Por mais que quisesse mudar logo de assunto para afastar o foco de Mika daquela crise, Ward não podia deixar de fazer aquela insinuação. O gerente espiou o casal que conversava do outro lado do jardim antes de se arriscar aquela jogada.

- Além do mais, eu não seria louco de tentar nada com a garota do Cam. Ao contrário dele, eu não sei nem segurar uma arma, Don Alessio. Seria uma disputa muito desigual.

Os traços de Don Alessio se contorceram em uma expressão de surpresa diante daquela insinuação e o mafioso obrigou-se a olhar novamente na direção do casal de funcionários. Cameron era praticamente um filho para Alessio e o italiano gostava de pensar que o conhecia muito bem. E, definitivamente, o homem que Alessio achava que conhecia não se apaixonaria jamais. Lahey colecionava conquistas e não fazia questão de esconder seus casos, mas nunca houvera nem mesmo uma mulher na vida do segurança que merecesse maiores considerações.

A cena do outro lado do jardim, contudo, era uma típica discussão de casal. Matilda fuzilava Cameron com um olhar nada amigável enquanto o segurança gesticulava em meio a uma argumentação pouco suave. Não parecia uma briga entre dois colegas de trabalho, tampouco um desentendimento entre as duas partes de uma relação casual.

- Será? – Alessio trocou um olhar com a filha, na esperança que Mika abrisse sua mente com as palavras diretas e ásperas de sempre – O Cam nunca comentou nada, mas realmente parece que tem algo ali...

A vontade de Connor era fazer o escândalo que Mika não fizera e arrastar Matilda para longe dos Moccia e principalmente para longe do assassino inescrupuloso que agora discutia com ela como se realmente tivesse o direito de pedir satisfações sobre a vida de Belmont. Mas o policial conseguiu manter a fúria sob controle e limitou-se a curvar os lábios num sorriso mecânico. Matilda não iria fugir daquela explosão, mas Connor sabia que não era o momento de esclarecer aquela situação com a irmã.

- Enfim, seja o que for aquilo eu não pretendo me meter nos problemas do Cameron. – os olhos castanhos se voltaram finalmente para Michaela – É um prazer revê-la, Srta. Moccia. Se me permite o comentário, Don Alessio, Michaela está muito bonita hoje.

- Não está? – o sorriso bobo do velho se alargou – Está uma graça, a minha bambina. Parece uma mocinha! Vou começar a preparar o meu coração, logo vai chegar o dia em que minha bambina vai querer um namorado.

Foi com muito esforço que Ward conteve uma potente gargalhada com aquele comentário. Era muito bizarro ver Alessio tratando Michaela como uma criança, completamente alheio à mulher que ela havia se tornado. Connor, por outro lado, se divertia imensamente em ver a mulher ousada que ocupava a sua cama sendo tratada como uma menininha inocente.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Seg Abr 10, 2017 12:09 am

Ao fim do discurso de Cameron, Matilda estava boquiaberta. A última coisa que a governanta esperava com aquela discussão era que Lahey jogasse aquela incômoda verdade no jogo. Era muito mais fácil continuar fingindo que tudo aquilo era só diversão, mas agora que Cameron decidira abrir o coração as coisas seriam muito mais complicadas.

Era especial. E como o segurança acabara de ressaltar, os dois já tinham notado isso. Nenhum outro homem que já passara pela vida de Matilda havia provocado nela as sensações que Cameron era capaz de despertar. Havia uma estranha harmonia entre eles, as diferenças se encaixavam e se complementavam com perfeição. Belmont enxergava nele muito mais que o homem frio que cumpria cegamente as ordens de um mafioso. E era óbvio que Cameron também via nela a verdadeira Matilda escondida sob a máscara de governanta. Aliado a tudo isso havia um tempero de adrenalina que tornava tudo ainda mais irresistível.

Mas Matilda não estava pronta para admitir que Cameron era muito mais que um brinquedo para as suas horas de lazer. Muito menos com Connor há poucos passos de distância. Com toda razão, o irmão surtaria se soubesse o quanto Belmont já estava envolvida com aquele homem perigoso.

- Você é ridículo e prepotente. Eu não sei o que todas as mulheres antes de mim falaram para que você se achasse tão especial, Lahey. Mas a verdade é que você é um cara comum, com algumas poucas qualidades acima da média. Deve ser este o problema, não é? As outras garotas devem ter um padrão muito mais baixo que o meu.

Apesar das palavras ásperas, a entonação de Matilda não estava tão firme quanto de costume. A governanta chegou a gaguejar em algumas sílabas, deixando claro o quanto estava abalada com a declaração de Cameron.

- Eu não te devo nenhuma satisfação sobre a minha vida pessoal ou sobre as pessoas que fazem parte dela. É cômico que justamente você venha me fazer cobranças neste sentido. Eu preciso explicar porque estou conversando com um colega de trabalho, mas tudo bem passar noites inteiras ouvindo aquela idiota da Tracy choramingando por sua causa?

Matilda só percebeu o quanto tinha soado enciumada quando ouviu a própria voz, mas aí já era tarde demais para tentar esconder aquele sentimento. No início, Matilda se sentia constrangida e até impaciente em ser a interlocutora da colega naquelas intermináveis reclamações sobre o distanciamento de Cameron. Com o passar das semanas, contudo, os discursos de Tracy se tornaram um pouco mais detalhados e a governanta sentia o sangue esquentar com ciúmes sempre que imaginava as cenas descritas pela colega.

Graças às descrições detalhadas de Tracy, Matilda não tinha dúvida de que o seu relacionamento com o segurança era muito mais intenso do que a história da amiga. Mas ainda assim era difícil controlar a vontade de estrangular Tracy sempre que a moça voltava a aquele mesmo assunto.

Em uma tentativa de tentar afastar o foco da conversa daquela declaração enciumada, Belmont lançou uma provocação com um sorrisinho de desdém.

- Aliás, a Tracy é um grande exemplo de uma mulher com um padrão de exigência muito baixo para homens. Pelas descrições dela, que eu devo dizer que são bem detalhadas, você não fez nada demais para merecer tamanha admiração. Você nem precisou levá-la para o helicóptero, hm?

Matilda fez uma careta quando ouviu as próprias palavras e percebeu que soava novamente como uma namorada ciumenta se referindo a uma ex-namorada do passado de Cameron. Ao perceber que estava se enrolando cada vez mais naquela discussão, a governanta girou os olhos e bufou, irritada consigo mesma.

Com os braços cruzados, Belmont encarou o segurança. Os dois tinham uma sintonia tão grande que Matilda não precisou de nenhuma palavra dele para interpretar aquele olhar sarcástico. É claro que Cameron estava se divertindo imensamente em ver a governanta sempre tão séria e distante bancando uma garotinha enciumada.

- Atreva-se a rir, Cameron. - Matilda novamente cutucou o peito do segurança, desta vez sem a mesma agressividade de antes - Se eu captar o menor sorrisinho convencido nessa sua cara, juro que um acidente desagradável vai acontecer envolvendo o seu terninho novo e o molho do espaguete.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Michaela Moccia em Seg Abr 10, 2017 1:17 am

Os olhos esverdeados se estreitaram diante do riso preso de Connor. A atenção de Alessio estava voltada para a preciosa filha, de modo que ele não notou como o seu gerente espremia os lábios em um sorriso contido. Mika, por outro lado, se sentia cada vez mais irritada com a atitude de Ward em insistir em trata-la como uma criança.

- É melhor mesmo que esteja com o coração preparado, papá.

O sorriso de Alessio vacilou e foi a vez dele estreitar os olhos, parecendo ao mesmo tempo surpreso e preocupado com as palavras de Michaela.

- O que está dizendo, bambina? Não me diga que já tenho motivos para me preocupar? Está com algum namoradinho?

- Claro que não, papá. Por acaso você já conheceu alguém que fosse bom o bastante para mim? – Embora a resposta fosse dada ao pai, os olhos de Mika estavam presos em Connor, em uma discreta alfinetada. – Mas não se preocupe, quando eu encontrar alguém que sirva o bastante para ser apresentado ao senhor, não irei hesitar.

Alessio ainda piscava, sem palavras. Era um novo mundo ver a sua preciosa bambina falando sobre rapazes e aquela ideia era tão indigesta que o homem não conseguiu reagir enquanto Mika terminava de dar um gole em sua própria taça.

- Eu vejo vocês depois. Ciao!.

Com um acenar da mão, Mika se afastou com um sorriso arrogante nos lábios. Ela ainda lançou um novo olhar na direção de Cameron e Matilda, e mesmo que Connor não estivesse mais perto da governanta, era como se ainda estivesse sendo provocada por uma simples funcionária que poderia ter o homem que quisesse.

Os jardins dos Moccia estavam bem iluminados, com uma decoração impecável com minúsculas luzes que cortavam o céu aberto. Algumas tendas separavam as mesas para as pessoas se acomodarem melhor durante o jantar ou o bar que ficava no ponto extremo da piscina.

Por alguns minutos, Mika apenas passeou entre os convidados, observando a “famiglia” que seu papá tanto prezava. Aos olhos dela, muitos eram desconhecidos. Mas as histórias que captava realmente faziam parecer com que todos pertencessem a uma grande e louca família.

- Um sex on the beach. – Mika pediu ao parar diante do bar, sem se preocupar em usar a delicada palavra “por favor”.

Enquanto aguardava pela bebida, ela olhou mais uma vez pela festa, se sentindo surpreendentemente sozinha. Aquelas pessoas poderiam significar alguma coisa para o seu pai, mas depois de anos na Itália, aqueles rostos eram praticamente de desconhecidos para Mika. A única pessoa que realmente importava era Alessio, mas ele estava confortavelmente entretido em uma conversa com mais dois senhores.

Las Vegas não era exatamente o que Mika sentia como um “lar”, mas naquela noite em particular, ela se sentia ainda mais excluída. Nos últimos meses, Connor havia servido como uma perfeita distração, ao ponto de Michaela ter acreditado que estava feliz ali. Mas mais uma vez o gerente havia provado que ela não significava nada além de um troféu.

Com um suspiro cansado, Mika puxou o celular da minúscula bolsa que trazia consigo e começou a digitar, ignorando o restante da festa.

“Hey. Está fazendo alguma coisa interessante?”

Em questão de segundos, o nome de Ryan apareceu “OnLine” no aplicativo e a resposta apareceu para Mika.

“Sempre. Quer me acompanhar?”

Os olhos verdes encararam a fotografia de Ryan no canto do aplicativo por um longo tempo. Ela sabia que o “interessante” do rapaz certamente envolvia algo ilegal ou ao menos arriscado. Mas quando a alternativa era ficar presa em uma festa onde não faria falta alguma, a presença de Ryan não pareceu tão ruim assim.

“Vem me buscar.”

Como sempre, Mika não tinha a intenção de pedir permissão ou se preocupar se incomodaria alguém com seus desejos e ordens. Ryan, ao contrário da maioria, também não se importou com a autoridade da amiga quando respondeu em questão de segundos.

“Estou a caminho.”
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Seg Abr 10, 2017 1:45 am

Era difícil encontrar a oportunidade perfeita para se aproximar de Michaela em uma festa tão lotada. Sempre que dava um passo, Connor era interrompido por algum colega já ligeiramente alterado pela bebida, disposto a falar futilidades ou a exaltar a luxuosa festa oferecida pelos Moccia naquela noite.

Também era arriscado aproximar-se de Mika quando era evidente que a menina estava insatisfeita com aquele mal entendido envolvendo Matilda Belmont. A última coisa que Ward precisasse era que Don Alessio Moccia captasse qualquer discussão que pudesse abrir seus olhos para o verdadeiro relacionamento entre a sua filha e o gerente do cassino.

Apesar das dificuldades, Connor mantinha Mika em seu campo de visão em busca do momento ideal para abordá-la. O gerente já havia dito a Don Alessio que não acontecera nada demais entre ele e Matilda, mas a expressão sombria de Michaela indicava que a garota precisava que aquela verdade fosse reforçada.

Qualquer homem comum já estaria um pouco cansado de uma mulher tão ciumenta quanto Mika, mas a verdade é que Connor conhecia os defeitos dela quando concordou com aquele relacionamento. Ele sabia que Michaela era mimada, orgulhosa e possessiva, mas ainda assim ela continuava sendo a garota que ele queria ao seu lado. Diante desta certeza, só cabia ao gerente uma dose extra de paciência para lidar com todas as crises que Mika insistia em criar.

Por estar sempre atento aos passos de Michaela naquela festa, Connor percebeu o exato momento em que a menina se esgueirou pelos cantos do jardim, seguindo na direção dos portões dos fundos da casa. Em uma conclusão equivocada, Ward imaginou que a “fuga” de Mika era justamente uma jogada da menina para que os dois tivessem um momento de privacidade.

De forma discreta, Connor seguiu os passos da garota com um sorriso satisfeito nos lábios. Na pior das hipóteses, eles teriam mais uma discussão acalorada antes que Michaela percebesse que não havia motivos para sentir ciúmes. O fato de estarem na mansão dos Moccia não abria brechas para as típicas reconciliações apaixonadas, mas Ward se sentiria satisfeito se ao menor pudesse sentir o sabor dos lábios de Mika em um rápido beijo roubado.

Contudo, ao invés de encontrar Michaela esperando por ele nos fundos da casa, tudo o que Connor viu foi o reflexo da cabeleira loira entrando em um carro conversível. O queixo do gerente despencou ao reconhecer no motorista um dos amigos encrenqueiros que estava na festinha na qual Mika quase morrera de overdose. O choque de Ward se tornou ainda maior quando ele foi testemunha do selinho que Ryan roubou da menina ao cumprimentá-la.

Quando seguiu para os fundos da casa, Connor estava preparado para lidar com uma namorada ciumenta. O que Ward não planejou foi aquela inversão de papéis e no ciúme sufocante que comprimiu seu peito no instante em que Ryan deu a partida no carro, “roubando” Michaela da festa e sumindo com a menina no meio da noite iluminada de Las Vegas.

A respiração pesada de Connor ecoava pelo silêncio daquela parte vazia dos jardins e as mãos dele tremiam de leve quando o gerente sacou o celular do bolso. Sua primeira tentativa foi uma ligação para o celular de Mika, que obviamente foi ignorada pela garota. Sem grandes alternativas, Ward digitou uma mensagem que deixava claro que Connor estava tão furioso quanto Mika costumava ficar quando o via com outra mulher.

“Michaela, se você não voltar para casa AGORA não precisa mais me procurar.”
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Cameron Lahey em Seg Abr 10, 2017 2:05 am

Quando Matilda começou o discurso, Cameron teve certeza de que aquele jogo havia chegado ao fim. Talvez ele tivesse interpretado todos os sinais erroneamente e tivesse fantasiado sozinho que realmente existisse alguma coisa especial entre ele e a governanta.

Com um gosto amargo de derrota nos lábios, Lahey soltou um suspiro pesado e baixou o olhar. Por isso, ele não estava encarando Belmont quando a moça começou a gaguejar. Quando as frases começaram a soar cada vez com menos convicção, Cam ergueu o rosto com as sobrancelhas arqueadas e encarou Matilda com uma nítida surpresa.

Ela poderia ser excelente em disfarçar sua verdadeira face com um coque firme e roupas sóbrias. Mas naquela noite, Matilda se revelava cada vez mais aos olhos de Cameron. E a empolgação começou a crescer em seu peito ao se dar conta daquela verdade.

- Eu não estou rindo... Eu juro, eu não estou.

Contrariando as próprias palavras, os lábios de Lahey só se alargavam em um sorriso ainda maior. Quando o dedo de Matilda o cutucou no peito outra vez, uma gargalhada chegou a escapar e, com um movimento ágil, Cam a segurou pelo pulso.

Como o braço direito de Moccia estava de costas para a festa, era pouco provável que notassem as mãos unidas dele e da governanta. Mas o sorriso satisfeito de Cameron era difícil de não ser notado, como o de uma criança que acorda na manhã de natal com presentes a serem abertos.

- Uau, Maty... você está cada vez pior nesse jogo, sabia?

Mordendo o lábio inferior, Cam tentou conter o sorriso amplo no seu rosto, mas já era tarde demais para ignorar aquela vitória. Ele estava certo o tempo todo. Realmente havia algo diferente entre ele e Matilda e não fazia mais sentido continuar negando.

- Eu sinto muito pela Tracy. Quer dizer, não por ela exatamente. Mas por você precisar ouvir toda a merda que ela tem a dizer.

Cameron apoiou o cotovelo sobre a mesinha e já estava perto o bastante de Matilda que poderia abraça-la se resolvesse erguer o braço e tocá-la pela cintura. Apesar disso, ele manteve apenas os dedos ao redor do pulso dela, mantendo a delicada mão apoiada contra seu peito. Seu polegar acariciava delicadamente a pele macia, em uma carícia discreta.

Seu olhar estava mais sério quando encontrou as íris castanhas e completou com uma entonação rouca, sem nenhum vestígio de brincadeira ou conquista barata.

- Eu nunca levei a Tracy ou nenhuma outra até o helicóptero. Ou ao restaurante da outra noite. Ou para aprender a atirar. Eu nunca precisei fazer nada disso antes, Matilda.

Com um suspiro, Cameron estudou a festa por cima do seu ombro, se certificando de que não havia nenhum curioso prestando atenção naquela conversa antes de completar.

- Caso ainda não tenha ficado claro, nenhuma delas era como você. E eu quero te levar a mais um lugar essa noite.

Os dedos de Cameron roçaram o pulso de Matilda até soltá-la por completo. Por fim, ele ergueu a palma da mão diante dela, em uma oferta para que ela fosse de livre e espontânea vontade.

- Confia em mim? Prometo que vai ser mais divertido do que um carteado em um cassino.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Seg Abr 10, 2017 2:42 am

Depois daquela conversa, não fazia o menor sentido continuar negando o óbvio. Cameron havia acabado de declarar que Matilda era especial para ele e as trapalhadas cometidas pela governanta naquela discussão só serviram para confirmar que Belmont sentia o mesmo pelo segurança.

Sem nem mesmo a sombra da agressividade mostrada no início da briga, Matilda não se esquivou dos toques carinhosos de Lahey. Pelo contrário, sua pele correspondeu às carícias com nítidos arrepios. Era difícil resistir a Cameron quando todo o corpo dela reagia a ele com tamanha intensidade.

A mão do segurança estendida poderia parecer um gesto comum, mas serviu para aquecer ainda mais o peito de Matilda. Cameron tinha uma face sombria quando cumpria as ordens de Alessio Moccia, mas diante da governanta ele nunca demonstrara nenhum tipo de agressividade. Ao contrário, Cam era sempre gentil e mais respeitoso que muitos homens ditos “honestos” pela sociedade.

Por mais que estivesse envolvida naquela festa da famiglia Moccia, Matilda não hesitou em apoiar sua mão sobre a de Cameron. Os dedos dos dois se entrelaçaram de forma carinhosa antes que eles dessem os primeiros passos para saírem da festa.

Os olhos castanhos da governanta refletiam uma ligeira preocupação quando ela olhou ao redor, mas por sorte Connor não estava por perto para assistir aquela cena. Matilda sabia que o irmão não era tolo e que seria uma questão de tempo até que Ward lhe exigisse explicações sobre Cameron Lahey. Mas aquela era uma angústia que não atrapalharia a noite de sexta-feira.

Connor não estava por perto para notar o casal que se esgueirava pelos jardins de mãos dadas, mas o olhar de Matilda encontrou um rosto atento a ela naquela noite. O coração da governanta falhou uma batida quando ela percebeu que estava na mira dos olhinhos astutos de Don Alessio Moccia.

A mão unida a de Cameron o apertou com mais força, alertando-o de que havia algo errado. Contudo, a tensão de Matilda desapareceu quando Don Alessio curvou os lábios finos em um sorrisinho torto de aprovação. Como patrão, o mafioso preferiria que Cameron continuasse com a concentração voltada somente para o trabalho. Mas tendo por Cam a mesma consideração que teria com um filho, Alessio se sentia satisfeito em saber que Lahey tinha aberto o seu coração para alguém.

E Matilda parecia uma escolha perfeita. Era uma moça bonita, inteligente, extremamente eficiente e que se encaixara com perfeição à famiglia. Nem mesmo Alessio conseguiria fazer uma escolha de mulher tão perfeita para Cameron.

- Acho que ganhamos a bênção de Don Alessio. – Matilda comentou em tom de brincadeira quando os dois se afastaram da festa e a música se tornou somente um eco distante – Para onde vai me levar?

A caminhada dos dois foi interrompida quando Belmont se colocou na frente de Cameron e enlaçou o pescoço do segurança com os braços. O scarpin preto reduzia ligeiramente a diferença nas estaturas, mas mesmo com os saltos da moça Cameron continuava alguns centímetros mais alto.

- Boa sorte para superar a ideia do helicóptero. As minhas expectativas se elevaram muito depois daquela experiência.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Michaela Moccia em Seg Abr 10, 2017 3:32 am

Mika podia sentir o celular vibrando em seu colo, mas apenas duas pessoas poderiam já ter notado sua ausência na festa para lhe perturbar: Connor ou Cameron. De uma forma ou de outra, ela não sentia a menor vontade de atender e dar satisfações sobre o seu paradeiro ou precisar ouvir mais um discurso de como era importante que ela não andasse sem um segurança pelas ruas de Las Vegas.

Para não se irritar com aquela insistência e tirar a concentração do que poderia ser uma noite divertida, a bolsa de Mika foi arremessada para o banco traseiro e ela abriu um largo sorriso na direção de Ryan quando ele deixou o condomínio e atingiu as avenidas movimentadas de Vegas.

- Então, o que você tem em mente?

Ryan deu de ombros enquanto dirigia com apenas uma mão, lançando um olhar convencido na direção de Mika, de quem tinha uma carta na manga pronta para ser usada.

- Pensei que poderia ser divertido tirar algumas fotos com a placa de Hollywood.

A entonação casual deixou Michaela confusa imediatamente. Ela sacudiu a cabeça, refletindo sobre onde estavam e o que Ryan queria dizer. Mas não conseguiu se lembrar de nenhuma imitação da famosa placa de Hollywood que servisse como ponto turístico no deserto que era Las Vegas.

- Hollywood? Do tipo, Los Angeles, Hollywood?

- Bom, também poderíamos ir a Bollywood... Está com vontade de comida Indiana?

O mais assustador era que Ryan não parecia estar brincando. O filho do senador vivia no mesmo mundo que Michaela. O tipo de mundo que se eles realmente quisessem ir para a Índia naquela noite, ou Paris ou simplesmente até a Califórnia, não seria algo impossível.

Se aquela ideia fosse dada diante de Connor, o gerente do cassino já teria enumerado uma lista de problemas para impossibilitar aquela pequena aventura. O risco que Mika estaria correndo andando pela cidade sem um segurança, a irresponsabilidade de ir para outro estado sem avisar o pai, uma infinidade de preparativos que normalmente uma pessoa faz antes de viajar.

Mas com Ryan as coisas eram muito mais simples e divertidas. E o mais importante, ele não a tratava como uma menininha malcriada que precisava dar conta de todos os seus passos.

- Hollywood, então!

***

O sol já estava no azul céu de Las Vegas quando Michaela pisou no afastado bairro onde Connor morava. O vestido vermelho da noite anterior tinha sido trocado por uma calça jeans e uma camiseta de turista completamente cinza com os dizeres “HOLLYWOOD – Califórnia”.

A maquiagem da noite anterior estava ligeiramente borrada e os cabelos cacheados tinham sido puxados em um rabo-de-cavalo. Pela sua expressão, o único sono daquela noite havia sido durante as quatro horas de carro no caminho de volta de Los Angeles para Las Vegas.

A ideia de fugir em uma aventura parecia incrível na noite anterior. Mas quando o dia amanheceu, Mika apenas se sentia como uma menina boba que havia cometido um grande erro. No final das contas, a “grande aventura” se resumia em estacionar em uma estrada e vislumbrar o letreiro iluminado de Hollywood há quilômetros de distância enquanto Ryan terminava de beber um engradado de cervejas.

A cada nova investida do rapaz, Mika só conseguia lembrar do rosto de Connor e em como ele não parecia um garotinho mimado sempre que lhe provocava ou lhe dava ordens. Por estar concentrada demais em se manter longe das mãos de Ryan no caminho de volta, Mika sequer se deu conta de que havia esquecido o celular no banco traseiro até estar novamente em Vegas.

O aparelho já estava completamente sem bateria, mas ainda assim, não foi a sua casa que ela optou como primeiro destino.

Quando bateu na porta de Connor naquela manhã, Mika não estava apenas cansada e desarrumada, mas também envergonhada e desejando poder não precisar dizer nada até que pudesse tomar um banho e se acomodar no travesseiro de Ward.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Seg Abr 10, 2017 4:04 am

O pequeno intervalo entre as batidas na porta e o som da chave girando na trinca mostrava que o dono do apartamento não estava dormindo naquela manhã. O semblante abatido que Connor exibia quando seu rosto surgiu também era um indício de que a noite havia sido longa para o gerente. Os sapatos e o paletó tinham sido retirados, mas Ward ainda usava a calça preta e a camisa social da noite anterior quando se colocou em frente a Michaela.

Ao contrário do que já havia se tornado uma rotina do casal, Connor não recebeu Michaela com um largo sorriso naquela manhã. A garota não foi carregada para dentro do apartamento, os dois não tropeçaram pelo corredor antes de desabarem na cama do gerente.

Os olhos castanhos somente a fitaram com uma frieza inédita. Mika e Connor oscilavam entre brigas acaloradas e reconciliações apaixonadas. Portanto, era a primeira vez que a filha de Don Alessio Moccia veria tamanha frieza na expressão de Ward.

É claro que Connor não deixou escapar as “discretas” diferenças na aparência da garota. Michaela era uma mulher bela e elegante quando fugiu da festa dos Moccia, mas agora voltava completamente desalinhada. A camiseta denunciava qual tinha sido o destino de Mika nas últimas horas e só serviu para intensificar ainda mais a decepção que Connor já sentia com o comportamento irresponsável da menina.

Como imaginava que Michaela havia ignorado a sua ligação e a mensagem de texto propositalmente, Ward nem cogitava a hipótese de perdoá-la por mais aquela travessura. Daquela vez, Mika havia ultrapassado todos os limites e nem mesmo Connor era capaz de justificar os erros dela.

- Ligue para o seu pai.

Ao invés de mais uma briga, Ward iniciou a conversa daquela maneira inesperada. A cabeça dele se sacudiu em reprovação quando Mika pareceu confusa com aquela ordem e o gerente não fez a menor questão de poupá-la daquela culpa.

- Você sabia que a festa de ontem foi interrompida por sua culpa? Quando seu pai percebeu que você tinha desaparecido, a festa acabou. Os seguranças se espalharam por todo o condomínio e algum infeliz deixou que a palavra “sequestro” soasse perto de Don Alessio. Você tem a mais remota noção de como ele ficou desesperado? Das dezenas de vezes que ele ligou para o seu celular sem obter nenhuma resposta? E eu não podia simplesmente contar a ele que você só estava se divertindo com um dos seus amiguinhos sem me comprometer.

Não havia nenhum exagero nas descrições de Connor. A festa preparada com tanto carinho por Don Alessio realmente havia chegado ao fim antes mesmo que o jantar fosse servido. Os convidados foram dispensados e somente os seguranças ficaram para ajudarem nas buscas. O próprio Ward permaneceu ao lado do patrão tentando tranquilizá-lo, mas como ele poderia dizer a Alessio que havia visto Mika fugindo sem confessar que seguira os passos dela?

- Seu pai não é mais um homem jovem, Michaela. Ele não tem mais idade para passar noites em claro, angustiado com a possibilidade da filha ser encontrada morta em algum bueiro imundo de Vegas. Eu sei que você se acha muito especial, que você se vê muito acima das pessoas comuns... mas será que nem mesmo com ele você se importa? Você não se sentiria nem um pouco culpada se o coração dele sucumbisse a tanta pressão?

O gerente continuou parado diante da porta entreaberta, bloqueando todo o espaço e deixando claro que, naquela manhã, Mika não era bem vinda ao apartamento. Os cabelos atrapalhados, as roupas amassadas e o semblante abatido de Connor indicavam que Don Alessio não fora a única pessoa que passara a última madrugada em claro por causa de Michaela.

- Eu não sei o que você está fazendo aqui, eu achei que tinha sido muito claro na mensagem que te mandei. Você quebrou o nosso acordo ontem à noite, Michaela.
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Re: Viva Las Vegas!

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