Viva Las Vegas!

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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Seg Mar 27, 2017 11:31 pm

A fumaça vinha do charuto aceso entre os dedos de Don Alessio Moccia e formava uma névoa pelo escritório luxuoso do mafioso. Connor Ward sempre tivera uma resistência muito baixa para cigarros, mas a fumaça do charuto cubano não lhe incomodava tanto. Ao invés do cheiro irritativo dos cigarros comuns, o charuto cubano exalava um odor mais mentolado que não incomodava as narinas do gerente do cassino.

Embora não se sentisse incomodado com o cheiro, Connor sacudiu a cabeça em negativa quando Don Alessio empurrou a caixinha de charutos em sua direção, num convite gentil para que o rapaz o acompanhasse. Ward realmente não tinha o costume de fumar e estava ansioso demais naquela tarde para pensar em qualquer outra coisa que não fosse aquela reunião de negócios com o mafioso.

Alessio Moccia havia convocado o gerente de surpresa para uma reunião, razão pela qual Connor estava terrivelmente tenso. Cameron simplesmente mandou uma mensagem que dizia que Don Alessio gostaria de ver Ward no fim da tarde e que o gerente deveria comparecer à mansão levando os relatórios e as planilhas com as contas do cassino no último mês.

Não havia nada errado com as contas. Connor tinha certeza disso porque ele próprio conferira cada vírgula pelo menos três vezes. Os lucros do cassino aumentavam desde que ele assumira a gerência, não havia nenhuma irregularidade com as documentações e os segredos da famiglia continuavam muito bem guardados.

Apesar desta certeza, o gerente assistia a cena com o coração pulsando na garganta. Sempre que Don Alessio se demorava mais em uma das folhas ou apontava alguma linha para Cameron, Connor se perguntava se teria o mesmo fim de Terry naquela tarde.

E o pânico do rapaz se duplicava quando uma vozinha sádica repetia em sua mente que as contas do cassino eram somente uma desculpa para atrai-lo para o matadouro. Se Don Alessio Moccia soubesse dos encontros proibidos de Michaela com Connor, ninguém salvaria Ward de um destino ainda mais dramático que o do antigo gerente.

- Por que está tão nervoso, rapaz?

A pergunta de Alessio fez com que Connor notasse o pânico refletido em sua própria postura. O gerente estava sentado com as costas eretas, sem nem mesmo tocar o encosto da cadeira confortável. Sua respiração pesada ecoava pelo escritório silencioso e suas mãos apertavam os braços da cadeira com tanta força que os nós dos dedos já estavam esbranquiçados.

- Eu estava lá quando as contas do Terry não fecharam. – Connor tentou relaxar, sem muito sucesso – Não quero ter o mesmo destino dele, Don Alessio.

- Eu vou encontrar algum problema nas suas contas?

- Não. – a resposta soou firme – Não falta nem mesmo um centavo.

Alessio trocou um olhar com Cameron Lahey – como sempre parado ao lado do patrão – e encarou o gerente por demorados segundos antes de fechar a pasta na qual estava toda a documentação do cassino. O charuto foi novamente levado à boca e o mafioso só tomou novamente a palavra depois de uma demorada tragada.

- Eu não gosto que as pessoas tenham medo de mim, rapaz. Somos uma famiglia. O respeito e o afeto sustentam o nosso grupo. Eu lamento que a situação com o Terry tenha chegado a tal ponto. Mas você precisa entender que ele só teve aquele fim porque traiu a minha confiança. Não vou me livrar de você por causa de contas erradas ou por uma queda nos lucros.

A vozinha maldosa na cabeça de Connor completou o discurso de Don Alessio com um “Mas vou arrancar a sua pele quando souber que as suas mãos já conhecem tão bem o corpo da minha bambina”.

A pasta foi delicadamente empurrada pela mesa até chegar ao alcance de Ward. Alessio deu mais uma tragada preguiçosa no charuto e encheu ainda mais o escritório com aquela névoa mentolada antes de abrir um sorriso tranquilo para o gerente.

- Você está fazendo um excelente trabalho, Connor. Agora relaxe, homem! Ainda temos um outro assunto para tratar. O Cameron não te chamou aqui só para trazer meia dúzia de papeis.

O discurso do mafioso foi interrompido por delicadas batidas na porta que antecederam a entrada da governanta. Como já tinha sido informada que Don Alessio estava em reunião com o gerente do cassino, Matilda não demonstrou surpresa com a presença do irmão. Pelo contrário, Belmont conseguiu manter a expressão firme e limitou-se a cumprimentá-lo com um formal aceno de cabeça.

- Devo servir alguma bebida, Don Alessio?

- Sim, sim, é claro. O meu gerente claramente precisa de um incentivo mais forte para relaxar. – o sorriso de Alessio se alargou com aquela brincadeira – Pode preparar um brandy para nós três, querida?

A governanta concordou brevemente com um movimento de cabeça antes de seguir caminho até um dos cantos do escritório, onde havia uma mesinha de mogno. Sobre a mesa, ficava uma bandeja prateada com algumas garrafas de bebidas e copos para drinques.

Enquanto Matilda preparava as três doses de brandy, Connor deixou que seu olhar se demorasse um pouco mais na irmã. Ward só queria ter certeza de que Matilda estava bem, que não estava amedrontada e que não vinha sendo maltratada naquela casa. Mas qualquer um que desconhecesse os laços fraternos entre os dois interpretaria de outra maneira aquela atenção depositada na jovem.

E foi a esta conclusão equivocada que Don Alessio chegou. Depois que Belmont serviu as bebidas aos três homens e se retirou, o mafioso não conteve uma pequena provocação.

- Achei que um homem que trabalha num cassino lotado de mulheres atraentes seria mais imune aos encantos de uma bambina. Da próxima vez pedirei que Matilda lhe sirva uma bebida e um babador, Connor.

Os olhos de Ward se arregalaram e o primeiro impulso dele foi em explicar o equívoco na interpretação do mafioso. Contudo, o policial só precisou de dois segundos para concluir que aquela era uma confusão desejada. Era melhor que Don Alessio acreditasse que Connor era somente um tolo encantado pela beleza de Matilda, assim o segredo dos dois estaria bem protegido. Além disso, se pensasse que o gerente estava interessado na governanta, o mafioso não imaginaria a possibilidade de ser Mika a mulher que ocupava os braços de Ward com frequência.

- Eu ainda me encanto por bambinas que não precisam de todo o glamour do cassino para serem notadas, Don Alessio. – Ward indicou a porta pela qual Matilda havia saído – Ela é uma moça realmente linda, mas tentarei ser mais discreto da próxima vez.

- Não se justifique! Vocês são jovens, eu entendo! – Alessio tomou um gole da bebida antes de trocar um olhar divertido com Cameron – Pela nossa pesquisa, Matilda está solteira, não está? Connor pode ter alguma chance na festa da famiglia. Aliás, este é o segundo assunto desta reunião, rapaz. Eu quero uma grande festa para a famiglia e você vai me ajudar nisso!
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Ter Mar 28, 2017 2:33 am

Os olhos azuis de Lahey se estreitaram diante do pedido inusitado de Matilda. Os braços continuavam esticados, mantendo a governanta encurralada entre seu corpo e a bancada da cozinha, e graças a proximidade, Cam precisou apenas inclinar o rosto para o lado enquanto estudava com atenção a expressão da mulher a sua frente, tentando desvendar o que se passava em sua mente.

A ficha que ele havia criado durante sua pesquisa sobre Belmont já mostrava que a moça não era nenhuma incapaz. Cameron reconhecia de longe um adolescente que fora obrigado a crescer rápido demais como consequência das topadas da vida. E cuidar do pai doente sem o apoio de mais ninguém estava longe de ser uma tarefa fácil.

Matilda vinha se revelando surpreendente desde a sua chegada e o dia do atentado era a prova viva de que ela era muito mais do que a simples mulher séria e profissional demais para a idade. Era como se Belmont interpretasse um personagem de uma velha senhora solitária que dedicava sua vida ao trabalho e a família de seu patrão. Mas Cameron havia sido capaz de enxergar nas brechas daquela atuação. E ele estava encantado com o que passava a conhecer mais e mais.

O pedido que poderia causar espanto ou repreensão de qualquer um, arrancou um sorriso torto e orgulhoso nos lábios do homem mais fiel de Alessio. O olhar de Cam desceu brevemente até pousar na pele exposta do colo de Matilda, entre o tecido sedoso do robe, para se voltar até o rosto dela em seguida, com as sobrancelhas arqueadas.

- Você pode ter sido um pouco histérica, eu concordo. Não que eu esteja julgando. Mas você não foi exatamente uma mocinha indefesa...

A lembrança da atitude de Matilda a assumir o volante e conduzir aquela fuga ainda estava viva na lembrança de Cam. Era como se ele finalmente tivesse encontrado um parceiro de crime a altura.

- Mas eu não vou te arrumar uma arma.

Cam se afastou um passo e se soltou da bancada, cruzando os braços contra o peito. Ele ainda encarava Matidla com um sorrisinho astuto quando completou.

- Não sem antes ter certeza que você vai saber como usá-la. Não quero que você fure o próprio pé, Don Alessio comeria meu fígado recheado na lasanha se eu fosse o responsável por tamanho estrago.

De forma relaxada, Cam se recostou no lado oposto do balcão, se esticando para alcançar a xícara de chá que Matilda havia abandonado. O vapor quente e o cheiro da canela o atingiram em cheio e ele deu um generoso gole, sem se importar se aquela não era a sua bebida.

- Eu vou te ensinar como usar uma arma. Mas como não ser uma mocinha indefesa cabe apenas a você.

A xícara vazia foi apoiada novamente contra o balcão e Cam acompanhou com o olhar quando Matilda começou a se afastar, provavelmente em um gesto mecânico para limpar a louça que havia acabado de sujar. Porém, antes que os dedos da governanta tocassem na xícara suja no balcão, a mão de Cameron a agarrou pelo pulso.

O gesto não foi bruto, mas foi rápido e certeiro o bastante para puxar o corpo de Matilda de encontro ao seu. Quando o tecido do robe se chocou contra seu peito, Cam ergueu uma mão para segurar a nuca da governanta, envolvendo-a em um abraço surpresa.

- Você vai acabar gostando da minha companhia, Matilda. Eu só não posso garantir que esse é o melhor caminho para você.

Os olhos azuis buscaram por mais um segundo qualquer reação no rosto de Belmont que o fizesse desistir do que viria a seguir. Mas a única coisa que encontrou nas íris castanhas fez com que algo fervesse em seu estômago. Em um único movimento, os lábios de Lahey estavam novamente grudados nos de Matilda, ansiosos para recordar o sabor que ele já conhecia.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Ter Mar 28, 2017 3:02 am

Enquanto Don Alessio deslizava o olhar pelos números cuidadosamente levantados por Connor, pausava vez ou outra para se esticar e comentar algo com seu homem mais fiel, Cameron se mantinha estrategicamente ao seu lado, pronto para qualquer dúvida ou opinião que fosse necessária.

Embora dedicasse toda sua atenção para as necessidades de Moccia, os olhos azuis deslizavam vez ou outra até Connor e ele precisava de todo autocontrole para manter o riso contido, deixando no máximo escapar um sorriso com os lábios espremidos.

Logicamente, não era nenhum mistério para Cam o motivo de tantos homens temerem a Don Alessio. O homem não ocupava a chefia de uma grande máfia que controlava praticamente todo o estado do Arizona com contrabando, lavagem de dinheiro e outros crimes por ser um bom velhinho. Connor, em particular, vira seu antecessor ser morto a queima-roupa segundos antes de ganhar sua “promoção”.

Ainda assim, era engraçado para Lahey que as pessoas temessem Alessio. Aos olhos de Cameron, Moccia não era o homem que tirava tantas vidas, mas sim que salvara a sua. Todo o seu destino se transformou no instante em que seu caminho cruzou com o do mafioso, e sua fidelidade era tão inquestionável que Cam jamais cogitou a possibilidade de se tornar um alvo negativo de Alessio.

Quando Matilda entrou no escritório, o sorriso de Cam imediatamente se desfez e sua concentração se voltou para a presença dela. Os olhos azuis acompanharam cada passo da governanta e, como começava a se tornar costume, ele se esqueceu de todo o restante enquanto começava a fantasiar sobre as curvas por baixo do comportado vestido que ela usava.

Cam só foi obrigado a voltar a realidade quando a voz de Alessio ecoou pelo escritório. Os olhos azuis imediatamente pousaram em Connor, e embora ele não tivesse flagrado o interesse do gerente do cassino na governanta, não havia motivos para duvidar das insinuações do mafioso.

Os olhos de Lahey se estreitaram, e mesmo quando Moccia lhe dirigiu a palavra, ele continuou encarando Ward sem piscar.

Durante toda a sua vida de relacionamentos breves e casuais, Cameron nunca havia experimentado o gosto dos ciúmes antes. Por isso, foi impossível chegar até a conclusão de que era aquele sentimento que o incomodava.

A única coisa que Cam tinha certeza era de sentir um instinto animal como se Connor estivesse mexendo com algo que lhe pertencia. Racionalmente, Matilda estava longe de ser qualquer coisa sua. Os dois não tinham um relacionamento, muito mal conseguiam dizer que estavam se envolvendo. Mas independente de qual fosse o caminho lógico que sua mente deveria seguir, ele não gostava da ideia de outro homem imaginando as mesmas curvas que ele já conhecia tão bem.

- Não acho que Matilda seja o tipo de garota que se envolva com gerentes de cassinos, Don Alessio.

Apesar de responder ao mafioso, o olhar de Cam ainda estava pousado em Connor, sempre astutos e com a familiar expressão que ele tinha ao tentar estudar alguém.

- Sem ofensas, Ward. Mas a garota parece focada demais no próprio trabalho.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Ter Mar 28, 2017 3:26 am

O quarto estava mergulhado na mais completa escuridão, mas os olhos castanhos já acostumados com a penumbra não tinham a menor dificuldade em visualizar o contorno do corpo masculino que ocupava mais da metade do colchão estreito. Naquela noite não havia a desculpa da adrenalina, tampouco os dois optaram por um “palco” incomum e excitante como um helicóptero. Entretanto, mesmo na simplicidade do quarto da governanta, a noite tinha sido especial.

A culpa por ter se rendido novamente à atração que sentia por Cameron Lahey era pequena diante da satisfação de estar novamente nos braços dele. Matilda sabia que era um erro enorme mergulhar naquele relacionamento deturpado, repleto de segredos e mentiras, mas a grande verdade é que ela se sentia sozinha. Cameron fazia parte do esquema que Belmont queria destruir, mas ele também era uma excelente companhia e fazia Matilda experimentar sensações inéditas entre quatro paredes.

Nos braços de Cam, a governanta escondia a missão de Connor no canto mais escuro de sua mente. Matilda enlouqueceria se começasse a se questionar até onde ainda estava disposta a levar os planos traçados com o irmão. Depois de tantos tropeços e tantas frustrações ao longo da vida, Belmont gostava de pensar que tinha o direito a usufruir daqueles momentos de felicidade.

A respiração ritmada de Cameron já ecoava no quarto da governanta quando Matilda inclinou-se na direção dele. A ponta do nariz da moça deslizou pela curva do pescoço de Lahey e a governanta despertou o homem com um agradável arrepio quando depositou um beijo carinhoso na pequena área de pele atrás da orelha de Cameron.

Ali, naqueles momentos de intimidade, Matilda deixava de lado toda a formalidade que ela normalmente exibia durante a execução do seu trabalho. Lahey conhecia a outra face da governanta, na qual ela se revelava uma mulher quente e inesperadamente carinhosa. Sua voz firme se tornava mais meiga e aveludada e possuía uma sintonia perfeita com os toques suaves que ela distribuía pelo peito e pelos braços fortes do segurança.

Cameron ainda estava sonolento quando foi surpreendido pelo gesto de Belmont. O mesmo pé delicado que deslizava pela panturrilha dele numa carícia empurrou a perna do segurança para fora do colchão.

- Eu estou com sono, preciso dormir. Amanhã será um dia cheio.

Enquanto falava, e se aproveitando da surpresa de Cam com aquele gesto inesperado, Matilda empurrou a segunda perna dele para fora da cama, obrigando o segurança a se levantar para não desabar no chão. O lençol embolado na cama foi puxado agilmente pelas mãos da governanta, que cobriu o próprio corpo enquanto se colocava sentada no colchão. Como Cameron ainda não parecia ter entendido que aquilo não era uma brincadeira, Belmont pegou a calça de Lahey jogada num canto da cama e a lançou na direção dele.

- Vista-se. Não achou que dormiria aqui, achou? – Matilda moveu a mão num gesto que usaria para enxotar um cãozinho grudento – Saia logo, antes que alguém perceba que você esteve aqui. Já tenho problemas demais, não preciso lidar com fofocas dos empregados.

Cam só teve tempo de vestir as calças e colocar os sapatos antes de ser empurrado para o corredor. Ele ainda estava parado ali quando a porta foi aberta novamente, mas Matilda sequer apareceu na pequena fresta da abertura. Apenas as mãos delicadas da governanta surgiram no campo de visão dele, jogando para fora a camisa esquecida no interior do cômodo.

- Só me procure de novo quando for para entregar a minha arma, Lahey. – as palavras foram murmuradas antes que a porta se fechasse novamente, colocando um fim precoce naquela noite.

Belmont oferecia ao segurança exatamente o relacionamento breve e casual que Cameron geralmente buscava nas mulheres que passavam pela sua vida. E era irônico que justamente agora Lahey quisesse mais de uma garota.

Sozinha no quarto, Matilda soltou um suspiro pesado enquanto se encostava na porta fechada. Sua mente confusa precisava lidar com um maremoto de emoções. Não havia um sincero arrependimento atormentando a governanta, mas Belmont se sentia culpada por gostar tanto daquilo. Não era a primeira vez que Matilda se deixava levar por uma atração, mas agora aquele desejo vinha acompanhado por uma sufocante sensação de traição. A moça não tinha a menor dúvida de que Connor nunca a perdoaria se soubesse do seu envolvimento com Cameron Lahey, muito menos se soubesse o quanto Matilda gostava de estar com o braço direito do mafioso.

Ela simplesmente não podia se envolver emocionalmente com um inimigo, com um homem cujos dias de liberdade estavam contados. Por isso, Matilda tentava desesperadamente convencer a si mesma de que não queria de Cameron nada além daquela saciedade física que ele lhe proporcionava.

Como se o destino quisesse lembrar Belmont de seu verdadeiro papel naquela história, Connor surgiu na mansão nos dias seguintes. O rosto de Matilda não demonstrou nenhum afeto pelo irmão e ela foi perfeita na execução do papel de uma simples governanta que sequer conhecia o gerente do principal cassino dos Moccia. Por dentro, contudo, a culpa corroía a moça.

Quando retornou para a cozinha, Matilda se sentia péssima por saber que Connor estava arriscando tudo naquela missão enquanto ela dividia a cama com um dos homens de Alessio Moccia. O irmão confiava nela e contava com a sua ajuda. Era nojento trair a confiança de Ward daquela maneira.

Com um aperto no peito, Belmont prometeu a si mesma que a história com Cam já tinha chegado ao fim. Aquela promessa, contudo, se tornou frágil como um fino cristal quando Matilda reconheceu os passos do segurança adentrando a cozinha. Seu coração deu um salto tolo dentro do peito, mas a governanta tentou se manter firme na determinação de se afastar de Cameron quando se virou para o segurança.

- E a minha arma? – a cozinha vazia permitia que os dois falassem abertamente daquele acordo nada usual – De quantos dias você precisa para arrumar uma arma, Lahey? Achei que fosse mais eficiente neste tipo de assunto.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Mar 29, 2017 3:25 am

-Cameron! Cameron, cadê você?

A voz de Michaela já ecoava pelos corredores da mansão Moccia antes mesmo que a figura da menina surgisse. Sem um pingo de discrição, ela não se preocupava em controlar o próprio tom de voz. O que seria um ato deselegante, foi o que preparou Lahey e Belmont a interromper a conversa privada quando a cabeleira loira surgiu na porta da cozinha.

- Finalmente! – Mika girou os olhos e jogou os braços no ar ao encontrar Lahey.

Como o mundo de Moccia era muito mais interessante, o egoísmo fazia sempre com que ela pensasse apenas nos próprios problemas e desejos, o que fez com que ela ignorasse prontamente o fato de Cam e Matilda estarem muito próximos.

- Eu tenho uma festa em quinze minutos, preciso que você me leve.

Cam estava de costas para a entrada da porta, mas não se preocupou em se voltar para a filha de Don Alessio. Com a intimidade que havia adquirido ao ongo dos anos, Lahey apenas girou a cabeça sobre o ombro e arqueou as sobrancelhas com uma expressão desinteressada.

- Não vou sair agora. Não sou seu motorista, Mika.

- É claro que você não é meu motorista. – Os olhos esverdeados voltaram a girar com impaciência. – Se fosse, já teria chutado seu traseiro até a sarjeta tamanha incompetência. Agora vamos? Eu não quero chegar depois da Naomi.

Se poucos funcionários de Don Alessio tinham a ousadia de contrariar os desejos da preciosa bambina, Cameron mostrava que não era como os outros quando se mostrava tão impaciente quanto Mika ao retrucar a resposta.

- Cresça, Michaela. Pegue um táxi, vá andando. Eu não me importo. Estou no meio de uma conversa aqui, caso você não tenha notado.

As sobrancelhas finas de Moccia foram arqueadas e o queixo dela despencou. A presença de Matilda continuava sendo completamente ignorada diante da cena que mais parecia uma briga entre dois irmãos.

- Você não acabou de sugerir que eu encoste o meu lindo bumbum empinado no banco de um táxi, contaminado com germes de turistas do mundo inteiro, não é?

Cameron já havia voltado sua atenção para Matilda, mas respirou fundo diante da insistência de Michaela. Mais uma vez, ele girou a cabeça para encarar a filha de Alessio, só então reparando que os trajes usados por ela não eram exatamente adequados para uma festa.

Assim como no primeiro dia de volta a Las Vegas, que Mika surgira no cassino trajando apenas biquíni e um vestido rendado completamente vasado e transparente, era possível notar praticamente todo o corpo dela. O biquíni dourado brilhava sob o tecido branco da renda. Os óculos de sol estavam no topo dos cachos loiros e a única coisa que destoava eram os saltos e a bolsa presa em um dos braços.

- Que tipo de festa é essa? – A expressão de repreensão de Lahey fazia com que ele parecesse ainda mais com um irmão mais velho que estava impaciente com a irmã caçula e pentelha.

- Festa na piscina. Francamente, você tem certeza que vive em Vegas? Vai me levar ou não?

- Não. – Os lábios de Cam se moveram lentamente, tentando facilitar a compreensão de Mika naquela palavra que não parecia existir em seu mundinho fácil.

Em resposta, um grunhido irritado soou do fundo da garganta dela. Sobre os saltos, Mika girou, arranhando o piso liso da cozinha enquanto voltava pelo corredor soltando pragas em italiano. Da mesma forma que seus gritos anunciaram sua presença, as duas pessoas no interior do escritório já podiam notar a sua aproximação.

- Papá...

Sem bater, a porta foi aberta com um movimento brusco. O pequeno furacão Mika começou a movimentar o interior do escritório, sem se importar se atrapalharia alguma reunião importante, apenas para encontrar o rosto de Connor Ward sentado em frente ao seu pai.

A surpresa fez com que Moccia travasse, quase cambaleando. A voz dela morreu e os olhos verdes piscaram dezenas de vezes, tentando entender a cena que acontecia sob o teto de sua casa.

- O que foi, bambina?

Com uma certa dificuldade, as íris esverdeadas deslizaram de Connor até encontrarem a figura de Alessio Moccia. A tranquilidade do dono da casa era tamanha que, mesmo ainda chocada com aquela visita surpresa, Mika precisou descartar a possibilidade que os seus encontros com Ward fosse o tema daquela reunião.

- Cameron não quer me levar na festa do Ryan.

- Lumax? – Alessio associou o nome do filho de um dos seus melhores clientes. – Desculpe, Bambina. Mas Cameron está ocupado hoje.

Um barulho de chaves ecoou pelo escritório quando a mão de Mika cortou o ar, exibindo o preto chaveiro que carregava a chave de um carro.

- Eu posso tentar ir sozinha. Só não achei que o senhor fosse concordar que eu pegue o lamborghini.

O sorrisinho arrogante brincou nos lábios de Michaela, porque ela sabia que o pai surtaria em pensar deixá-la guiar sozinha um dos carros mais sofisticados de sua coleção. E exatamente por conhecer aquela fraqueza do pai, Mika acrescentou com um falso olhar inocente que apenas Alessio Moccia teria a coragem de acreditar.

- Ou o seu gerentezinho pode me dar uma carona até a festa. Aposto que ele nunca chegou nem perto de um lamborhini antes.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Qua Mar 29, 2017 11:41 pm

Quando Connor Ward concluiu que sairia ileso daquela visita à mansão dos Moccia, os gritos de Michaela ecoaram pela casa e deram ao gerente do cassino a certeza de que o pior ainda estava por vir. Como já esperava pela entrada intempestiva da menina no escritório, Connor conseguiu manter um semblante casual. Mas o estômago do rapaz afundou quando Mika travou no meio do cômodo e o encarou com uma expressão inegavelmente surpresa.

Ward já tinha notado que o mafioso mais temido de Las Vegas se tornava um tolo inocente quando o assunto era sua “bambina”. Mas até mesmo Alessio notaria que algo estava errado se Mika não reagisse. Melhor do que ninguém, o Sr. Moccia sabia que Michaela não era o tipo de pessoa que ficava sem palavras.

O semblante de Connor se manteve tranquilo, mas o olhar firme que ele lançou à Mika exigia que a menina reagisse com naturalidade. Era óbvio que Don Alessio não desconfiava do grau de intimidade existente entre sua filha e o gerente do cassino, mas ideias erradas poderiam surgir na mente do mafioso se Mika não agisse como a louca egocêntrica de sempre.

E para imenso alívio de Connor, Michaela não demorou para entender o recado. Ao invés de se ofender com as insinuações da menina, Ward sentiu um profundo alívio ao ouvir as típicas provocações que faziam Mika voltar a ser a filha indomável que Alessio conhecia tão bem.

- Querida, o papá está bem no meio de uma reunião. Se você esperar mais um pouquinho eu posso conversar com o Cam e pedir que ele te leve à festinha.

Como se não estivesse interessado naquela conversa, Connor desviou os olhos para a mesa do escritório. A bebida servida por Matilda foi levada até os lábios do rapaz como uma desculpa perfeita para esconder o riso que o gerente tentava conter. Como Connor conhecia bem a outra face de Mika, era absolutamente bizarro para ele ver Alessio tratando a filha como se Michaela fosse uma garotinha pequena e inocente.

- Eu não posso pedir este favor ao Connor. Isso não faz parte das atribuições dele.

Os olhos miúdos do mafioso foram cravados em Connor e o gerente não teve dúvida de que estava sendo cuidadosamente analisado naquele instante. O copo de bebida foi devolvido à mesa pela metade e Ward ergueu um dos ombros antes de tomar a palavra.

- Se esta tarefa fizesse parte das minhas atribuições seria uma obrigação e não um favor, Don Alessio. Se o senhor quiser, podemos continuar esta conversa em outra ocasião e eu levo a menina na tal... – os olhos castanhos se voltaram para Mika, reparando nos trajes nada usuais dela – ...festa.

- Eu prefiro que Michaela saia de casa com um dos seguranças. Não se ofenda, Connor, mas depois dos últimos acontecimentos eu me sinto inseguro em deixá-la aos cuidados de alguém que nem sabe manejar uma arma.

Os lábios de Ward se comprimiram para esconder a verdade que o mafioso não podia saber. Devido ao treinamento como policial, Connor provavelmente era mais eficiente com uma arma em mãos do que qualquer um dos seguranças dos Moccia. Mas era melhor que Alessio continuasse pensando que estava diante de um funcionário administrativo.

- Por outro lado...

Alessio ponderou antes que Mika explodisse novamente. O pai sabia muito bem que Michaela tinha uma tolerância baixíssima a palavras negativas e não estava acostumada a esperar para ter seus desejos atendidos.

- Os Lumax moram perto, o condomínio fica há poucos minutos daqui e é uma região segura. Se você me fizesse este favor, eu lhe seria eternamente grato, rapaz. Leve-a e depois deixe o carro no estacionamento do cassino. Podemos acertar os detalhes da festa amanhã, passarei no seu escritório no começo da noite, o que me diz?

Totalmente alheio ao envolvimento proibido de Mika com seu gerente, Alessio abriu um largo sorriso quando Connor concordou em lhe fazer aquele favor. As chaves do lamborghini foram retiradas das mãos de Michaela quando Ward passou por ela, seguindo na direção da garagem da mansão.

- Tente ser mais discreta da próxima vez... – Connor só tomou a palavra quando os dois entraram na garagem silenciosa, repleta de carros luxuosos que o gerente nunca sonhara em tocar – Eu sei que sou “meraviglioso” e deixo as mulheres sem fôlego, mas você precisa se controlar. Michaela Moccia não fica sem palavras. Temos sorte do seu papá não ter desconfiado de nada.

Para localizar o carro, Connor acionou o botão do chaveiro e destravou o veículo, seguindo na direção do lamborghini de faróis acesos nos fundos da garagem. O olhar curioso de Ward ao entrar no carro não escondia que era o seu primeiro contato com um modelo tão caro e luxuoso. Enquanto Mika se acomodava no banco do passageiro, Connor admirou o painel com inúmeras funcionalidades.

- Vamos. Quero te deixar logo na tal festa pra aproveitar ao máximo o meu dia com o lamborghini. Se eu já deixo as garotas sem palavras naturalmente, imagine chegando no cassino com esta máquina!
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Abr 02, 2017 10:45 pm

Michaela sequer tentou disfarçar a risada debochada que ecoou pelo interior do carro assim que ela se acomodou no confortável banco do carona. O motor silencioso não deixava dúvidas de que estavam em uma máquina de última geração e excepcionalmente cara. As luzes que brilharam imediatamente no painel deixaram os fios loiros da menina com um tom acinzentado, mas nem assim era possível camuflar a beleza realçada pela maquiagem.

- Connor Ward, você não está tentando me deixar com ciúmes, está?

O girar de olhos e o sorriso maldoso nos lábios de Mika mostravam que ela achava mesmo graça na possibilidade de existir qualquer tipo de provocação nas palavras do gerente do cassino. Mas ao invés de se preocupar com qualquer tipo de sentimento que pudesse existir, ela deixou que seu lado ácido sobressaísse.

- Garotas de verdade vão ver muito além de um carro, bello. E eu não estou falando de personalidade ou toda essa baboseira. Mas fica difícil acreditar que você é dono dessa “máquina” quando está usando um relógio de quinze dólares da Marshalls.

Os olhos esverdeados giraram outra vez quando Moccia se ajeitou no banco, voltando sua atenção para a tela do seu celular. Os dedos passeavam pelas teclas e ela digitava apressadamente, com as sobrancelhas arqueadas.

- Mas é bom o bastante para enganar uma piriguetezinha qualquer do cassino. Boa sorte com isso.

Mika sentiu o movimento do carro e logo a luz do dia atravessou os vidros escuros quando eles deixaram a garagem no subsolo. O céu azul e o calor do deserto formavam o clima perfeito para uma festa na piscina, e embora fosse um lugar que certamente estaria servido de bebidas e bem provável com algumas drogas ilícitas, Moccia não seu deu ao trabalho de corrigir Connor com a referência a uma “festinha”. A última coisa que ela precisava era ouvir qualquer tipo de recriminação.

Com a desculpa de fugir de qualquer assunto que levasse ao seu destino naquele dia, Michaela voltou a conduzir a conversa sobre a possibilidade de Connor conquistar alguém com o uso daquele carro.

- Você pode tentar apelar para o teto solar. As vadias do cassino adoram essas coisas.

Embora a governanta da casa quase tivesse sido assassinada há poucos dias por ter sido confundida com a filha de Alessio Moccia, Mika não pareceu nada preocupada com o risco de um novo tiroteio quando se inclinou para frente e apertou o botão do teto solar, fazendo com que ele se retraísse silenciosamente. Em questão de segundos, o sol brilhava diretamente sobre suas cabeças e o vento da estrada bagunçava os grandes cachos.

Poderia ser apenas ingenuidade, mas para Michaella, a convicção de que nada seria capaz de lhe atingir era palpável demais. Ela sempre teria Alessio ou Cameron para cuidar das coisas chatas e importantes, lhe dando toda a liberdade do mundo para aproveitar a vida como deveria ser feito.

O largo sorriso de liberdade que ela exibiu ao se voltar para Connor era a prova de que Mika não havia perdido nem mesmo uma noite de sono com a preocupação de que algo poderia lhe acontecer.

- Se mesmo assim nada funcionar, você pode me mandar uma mensagem e eu faço a caridade de aparecer mais tarde. A última vez que eu vi o Leoncio, ele saiu chorando como um garotinho que perdeu o balão no parque de diversões, então tenho certeza que ele não vai me causar problemas o resto do dia.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Abr 02, 2017 11:18 pm

- Você acabou de me chamar de incompetente?

O rosto de Cameron estava contorcido em uma incredulidade cômica. Nem mesmo Don Alessio costumava questionar seu desempenho no trabalho. Os demais funcionários respeitavam sua posição e Lahey se orgulhava em poder encher a boca e dizer que ao menos era bom em alguma coisa em sua vida.

Mas assim como estava se tornando um hábito, Matilda o surpreendeu com a atitude ousada e desafiadora. Além de ter sido a primeira mulher a enxotá-lo para fora de uma cama por livre e espontânea vontade, Belmont também tinha a audácia de trata-lo como um empregado que não conseguia cumprir suas atividades.

Já com a certeza de que os gritos de Michaela tinham se distanciado, Cameron se permitiu voltar toda sua atenção para a governanta. Os braços cruzados contra o peito deixavam a camisa social ligeiramente mais marcada em seus bíceps bem definidos. Mesmo tendo acabado de deixar uma reunião de negócios, Lahey já parecia como um garoto no fim do expediente, ansioso por relaxar em algum bar com uma conversa mais leve.

- Eu já disse que não vou colocar uma arma na sua mão sem nenhum preparo, Belmont. – Os olhos azuis passearam enquanto estudavam a postura séria de Matilda. – Você pode ter uma ótima mira em jogar homens para fora da sua cama. Mas uma arma exige muito mais precisão.

Era impressionante como ela se transformava quando vestia o “personagem” de governanta. A comparação era ainda maior quando Cam tinha a lembrança da noite passada viva em sua mente, assim como as marcas de unhas em sua pele.

- Podemos fazer um acordo. Eu te dou a arma. Mas primeiro você precisa me garantir que sabe como usá-la. Eu posso te treinar...

Os olhos de Lahey brilharam quando ele procurou pelas íris castanhas, tentando esconder a ansiedade que crescia diante daquela proposta. Cam nem mesmo sabia dizer por que se sentia daquela forma, mas era inevitável ignorar o frio na barriga quando pensava na possibilidade de ficar a sós com Matilda por algumas horas.

- Três vezes por semana. Podemos fazer de noite, quando você terminar as suas obrigações com a casa.

Um sorriso torto brincou nos lábios de Cameron quando ele imaginou o olhar concentrado que Matilda certamente usaria ao mirar uma arma pela primeira vez. Os pelos de sua nuca se arrepiaram com aquela fantasia e, instintivamente ele se aproximou dois passos até encurralar a governanta contra a ilha da cozinha.

- Eu conheço um lugar perfeito para isso. É pegar ou largar, Belmont. Não é qualquer um que oferece um curso intensivo junto com a arma perfeita.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Seg Abr 03, 2017 12:23 am

Por mais que já estivesse acostumado às provocações de Michaela, o sorriso de Connor se tornava menos amplo sempre que a garota fazia questão de ressaltar o abismo social que os separava. Ward não tinha a menor pretensão de ir adiante naquele romance e sabia que logo os dois se cansariam daquela brincadeira. Aliás, era uma brincadeira que nem deveria ter começado para um policial que só estava naquele contexto para cumprir uma missão arriscada.

Apesar disso, era inegável que Mika conseguia atingir o orgulho de Connor quando o tratava daquela forma. Como qualquer homem, Ward não gostava de ser menosprezado. O policial sabia perfeitamente que jamais pertenceria à elite de Las Vegas, mas isso não impedia Connor de sentir um gosto amargo na garganta sempre que Michaela fazia questão de colocá-lo em seu devido lugar.

- Quem sabe da próxima vez...? Já tenho planos para mais tarde.

Os planos de Connor se resumiam a fechar as contas do cassino, como todas as noites. Seu corpo se arrepiava com a ideia de encontrar Mika mais tarde, mas o orgulho ferido exigiu que a resposta de Ward naquela noite fosse não. A última coisa que ele precisava era ouvir relatos de uma festinha de jovens abastados, que só ressaltaria o quanto Michaela estava certa em reduzi-lo ao papel de um simples funcionário de Don Alessio.

Quando o lamborghini parou em frente ao prédio luxuoso onde aconteceria o evento, Connor destravou as portas e se virou para Michaela. A herdeira dos Moccia estava absurdamente linda naquela tarde, mas Ward sabia que aqueles traços delicados escondiam uma personalidade ácida e uma língua venenosa.

- Mantenha o número do Cameron na discagem rápida. Como eu já disse, estarei ocupado esta noite e não posso vir salvá-la caso você decida usar alguma merda como da última vez.

A entonação séria de Connor deixava claro que, daquela vez, suas palavras não faziam parte de nenhuma provocação. A imagem de Mika completamente dopada, com a respiração curta e o pulso fraco ainda estava firmemente gravada na memória do policial. Ward sabia que estava diante de um ser indomável e que Michaela não recebia ordens nem mesmo do pai, mas a esperança de Connor era que a garota tivesse ao menos um pouco de racionalidade para não se meter novamente no mesmo problema.

Um suspiro pesado escapou dos lábios de Ward no instante em que Mika bateu a porta do carro. Os olhos castanhos seguiram a silhueta da garota até que Michaela passasse pelos seguranças do prédio e só então o lamborghini ganhou novamente as ruas de Las Vegas.

Ao contrário das insinuações feitas para Mika, Connor nem pensou em usar o carro de Don Alessio a seu favor. Conforme o combinado, o veículo foi deixado no estacionamento privativo do cassino e o gerente guardou as chaves na gaveta da mesa do escritório antes de iniciar mais uma noite de trabalho.

Como era normal, o movimento do cassino sempre aumentava consideravelmente nos fins de semana e a noite de sexta-feira já começou tumultuada. As mesas de cartas estavam lotadas, os funcionários do bar não conseguiam parar por nem um minuto, havia uma fila dobrando o quarteirão com clientes que esperavam a chance de entrar no cassino lotado. Depois de um renomado show de mágica, uma banda começou a animar as pistas de dança do cassino.

Como gerente, era função de Connor garantir que tudo estivesse sob controle. As câmeras de segurança vigiavam os clientes suspeitos, os seguranças evitavam brigas antes mesmo que elas acontecessem, o dinheiro era retirado dos caixas antes que as máquinas registradoras estivessem lotadas de notas. Seria uma catástrofe se faltasse bebida, ou se houvesse algum problema com o som da pista de dança. Mas, desde que Ward assumira o controle do cassino, os lucros aumentavam na mesma proporção que os problemas diminuíam.

Exatamente por aquela postura tão profissional, Connor não precisou de muito tempo para conquistar a confiança e o respeito dos funcionários do cassino. Embora fosse jovem demais para um cargo tão importante, a posição de Ward naquele cassino não era questionada por ninguém. Até mesmo os funcionários mais antigos e fieis a Terry admitiam que as coisas tinham melhorado consideravelmente na gestão do novo gerente.

Já passava de onze da noite e o cassino ainda estava absolutamente lotado quando Connor se retirou discretamente para o escritório. Depois de circular por horas no salão, o gerente estava exausto e com uma dorzinha de cabeça que tomava proporções alarmantes graças à música alta. No clima mais tranquilo do escritório e depois de empurrar um analgésico pela garganta, Ward se largou em sua cadeira e fechou os olhos enquanto massageava as têmporas doloridas.

Por estar tão concentrado na dor, o gerente só percebeu que não estava mais sozinho quando duas mãos se apoiaram em seus ombros. Connor se sobressaltou, mas relaxou logo em seguida, assim que seus olhos captaram a imagem de Rebecca Smith.

- Sou eu! – a garçonete soltou um risinho afetado – Você é sempre tão assustado assim, chefe?

- Nem sempre. Só quando estou no escritório onde o último gerente foi assassinado.

Embora nunca tivesse sido uma grande fã de Terry, Rebecca sentiu um arrepio com aquelas palavras. Aquele era um assunto delicado que não era mais mencionado no interior do cassino, mas obviamente nenhum dos funcionários se esquecera da maneira como o último gerente saíra do cargo.

- Está tudo bem? – a voz de Rebecca se tornou mais doce – Você parece indisposto.

- É só uma dor de cabeça, Becca. Já tomei um analgésico, vai ficar tudo bem.

- A dor não vai melhorar se você continuar tenso assim. Deixe-me ajudar, hm...?

Connor não era tolo e entendeu muito bem aonde Rebecca queria chegar quando a garçonete deslizou os dedos em seus ombros, massageando-o. Não era a primeira vez que uma das garçonetes ou uma das dançarinas do cassino se insinuava para o jovem gerente, mas Ward sempre se esquivava daquelas investidas. Connor não gostava da ideia de misturar trabalho com diversão, mas o principal motivo da fuga era o desejo de não envolver mais ninguém naquela missão arriscada.

Naquela noite, contudo, ainda com o orgulho ferido depois das insinuações de Michaela, Ward se deixou levar. Sua mente o castigava com a possibilidade de Mika estar se divertindo nos braços do herdeiro de algum milionário. Ceder às investidas de Becca era uma maneira de não se sentir tão descartável.

Não era difícil reagir aos toques da garçonete. Como todas as mulheres que circulavam pelo cassino, Rebecca era absurdamente atraente. Suas curvas eram realçadas pela saia curta e apertada, e o decote ousado não deixava muita margem para a imaginação masculina. Ao contrário de Mika, Rebecca definitivamente não parecia uma menina e não agia como uma quando puxou a cadeira do gerente para trás, abrindo espaço para se acomodar no colo de Connor.

Os lábios se uniram em um beijo nada inocente, mas os dois não tiveram a chance de irem além disso. Quando a porta se abriu subitamente e Becca saltou para fora do colo de Ward, o gerente não teve dúvidas da imagem que veria quando olhasse para a porta. Até mesmo Don Alessio costumava bater antes de entrar no escritório da gerência. Somente Michaela Moccia abria aquela porta como se fosse a dona do lugar.

- Então é isso... – a garçonete forçou um sorriso enquanto ajeitava discretamente a saia – Eu só vim avisar que as bebidas estão quase no fim, é melhor pedir que busquem mais no estoque.

A tentativa de Rebecca em disfarçar o que estava havendo ali era ridícula depois que Mika os pegara em flagrante. Os lábios de Connor continuavam manchados de batom vermelho e os cabelos claros da garçonete estavam atrapalhados. Mas o constrangimento da moça não era tão profundo porque, assim como todos os outros funcionários, Rebecca pensava que Michaela Moccia não passava de uma criança mimada e egoísta.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Seg Abr 03, 2017 12:51 am

Uma das mãos de Matilda se apoiou no peito de Cameron com o intuito de manter alguma distância entre os corpos. A governanta gostava de pensar que tinha total controle daquela situação, mas ela se lembrava bem que na última vez que fora encurralada na ilha da cozinha, os dois tinham terminado a noite na cama dela.

- Eu pedi uma arma. Cursos intensivos não fazem parte da minha solicitação. Então, que fique bem claro que eu não vou pagar a mais por algo que não faz parte da negociação, Lahey.

Como era evidente que Cameron não pretendia voltar atrás naquela ideia, Belmont se viu obrigada a concordar. Intimamente, Matilda sabia que precisava mesmo de algumas orientações antes de empunhar uma arma pela primeira vez. Era uma loucura receber instruções de um homem que já havia tirado vidas com uma pistola em mãos, mas a governanta sabia que mais ninguém além de Cameron concordaria em colocar uma arma nas mãos dela. E, depois de viver o horror de um ataque, a governanta estava desesperada para não parecer tão indefesa e vulnerável naquele mundo da máfia.

- Amanhã à noite. É o seu prazo final, Lahey. Se eu não tiver a minha arma até amanhã, vou procurar por outro fornecedor mais eficiente.

Belmont obviamente não teria forças para empurrar um homem com quase o dobro do seu peso. Mas Cameron ganhou mais alguns pontos com a governanta quando não usou a sua força para levar aquela investida adiante. Matilda só precisou se esquivar dele para escapar dos braços fortes do segurança e ganhar a “liberdade” de se movimentar novamente pela cozinha.

- Caso não tenha ficado claro, eu pretendo pagar pela arma. As aulas, contudo, serão por sua conta já que é você que faz tanta questão delas. Três noites por semana? A cada dia tenho mais certeza de que você tem muito tempo livre, Lahey. Vou sugerir a Don Alessio que te dê um pouco mais de trabalho.

Conforme o combinado, Matilda estava pronta para a sua primeira aula na noite seguinte. Quando Cameron a encontrou na garagem nas primeiras horas da noite, a governanta já estava pronta para iniciar o treinamento.

O vestido comportado tinha sido substituído por uma calça preta bem ajustada ao corpo, que lhe daria maior mobilidade, e um par de sapatilhas baixas. A blusa também era escura, com um decote um pouco mais pronunciado. Os cabelos negros estavam presos em um rabo de cavalo no alto da cabeça. A maquiagem se resumia a um delineador nos olhos e a um batom rosado nos lábios. A luz amarelada da garagem parecia realçar as sardas discretas no nariz e bochechas de Belmont.

Assim que os olhos castanhos captaram a imagem do segurança, Matilda cruzou os braços na frente do tronco e arqueou uma das sobrancelhas para Cameron.

- Estou pronta. – a garota o olhou de cima a baixo antes de ir direto ao ponto – Trouxe a minha arma?
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Abr 03, 2017 1:28 am

Se Alessio Moccia e Connor Ward utilizavam o adjetivo “festinha” para se referir a festa que Ryan Lumax havia preparado naquele dia, eles definitivamente não tinham noção de como costumavam ser as festas dos jovens de Vegas que fugiam do cenário tradicional de um cassino.

A mansão dos Lumax era tão grande e luxuosa quanto a dos Moccia. O senador, um velho amigo de Alessio, apenas tinha o cuidado de deixar a entrada mais sóbria e familiar, digna de um político que preservava pelos bons costumes. Mas nem mesmo aquela fachada conseguia esconder a movimentação dos convidados de seu único filho.

Os seguranças engravatados rodeavam a mansão e destoavam entre os jovens que passavam em suas roupas de banho, risos tortos e bebidas em mãos. A música alta ecoava logo da entrada, mas quando Michaela alcançou os fundos da casa, encontrou a origem vindo de uma bancada armada para um DJ.

A piscina redonda era enorme e estava lotada de jovens. No deck ao redor, grupos de amigos passeavam entre os drinks, já completamente alterados pelo álcool ou o que mais que tivessem ingerido.

Não foi difícil encontrar o dono da casa vestindo apenas um calção em uma das espreguiçadeiras, rodeado de mais alguns rostos que Michaela já conhecia. Ryan só percebeu que Moccia havia chegado quando a menina já ocupava o lugar ao seu lado.

- Mika! Você veio! – Ryan não conteve a surpresa ou o sorriso, assim como não tentou disfarçar o olhar pelo corpo quase totalmente exposto de Michaela com a roupa rendada e vazada.

- É claro que eu vim. – Mika girou os olhos, parecendo repentinamente mal-humorada para alguém que havia acabado de chegar em uma festa.

- Foi mal, é que depois do que aconteceu no seu aniversário...

Os lábios de Moccia se estreitaram em uma linha fina com a lembrança daquela noite, mas Ryan não pareceu notar. Da mesma forma relaxada que ele estava conversando com os amigos, se esticou para alcançar um copo com uma bebida colorida e entrega-la para Mika.

- Você tá legal? A Naomi disse que te viu depois que você sumiu da festa, que você estava bem acabada...

- O quê?!

A imagem de Connor, que ocupava sua mente desde o carro, foi varrida de seus pensamentos quando ela lembrou que Naomi havia filmado o seu fiasco depois de ingerir os comprimidos de Ryan. Por mais que o celular da amiga tivesse sido destruído, o pânico de que aquelas imagens tivessem vazado consumiu Mika no mesmo instante.

- É, eu fiquei até me sentindo culpado, achei que tivesse sido o meu presente. – Apesar das palavras, Ryan exibiu um sorriso torto de orgulho ao mencionar as pílulas. – Mas achei que a Naomi estivesse exagerando. E então, você tá legal?

Os olhos esverdeados passaram rapidamente pela festa, a procura dos fios azulados dos cabelos de Naomi, mas não havia sinal da modelo. Em resposta, Mika virou o conteúdo da bebida colorida, sentindo o sabor adocicado mesclado com o álcool, e só quando o copo estava vazio, se voltou para Ryan com um sorriso nos lábios.

- Estou ótima. Naomi é maluca.

O sorriso torto de Ryan se alargou com a resposta de Moccia e ele se aproximou ainda mais dela. Uma das mãos foi erguida para afastar os cachos loiros do ouvido de Michaela, facilitando a audição dela quando o rapaz sussurrou em meio ao ruído da festa.

- Ótimo. Talvez a gente possa continuar de onde paramos da última vez.

***

Mesmo quando a cor alaranjada tomou conta dos céus e desapareceu gradativamente para que a noite chegasse, ainda não parecia ser o estimulo necessário para a festa chegar ao fim. O calor do deserto continuava, a água agradável da piscina era convidativa e o DJ, assim como as bebidas, continuavam a alimentar a bagunça dos jovens.

Quase metade dos convidados já haviam se retirado, mas um número significativo ainda festejava entre as iluminações artificiais da mansão ao redor da piscina. Enquanto todos pareciam bêbados e tendo a melhor festa de suas vidas, Michaela Moccia estava isolada em uma das espreguiçadeiras, entediada demais.

Algumas doses de bebidas já tinham sido ingeridas e sua visão estava ligeiramente embaçada. Mas até então, ela havia conseguido escapar das dúzias de vezes em que Ryan tentara lhe oferecer algum comprimido suspeito.

O cenário parecia ser perfeito para os herdeiros milionários que não tinham nada com o se preocupar. Mas Moccia ainda se sentia emburrada com a lembrança da dispensa de Connor.

Era patético que ela estivesse desperdiçando tempo pensando no gerente do cassino. Mas para alguém que não estava acostumada a receber não como resposta, era incomodo demais lembrar que Ward havia lhe dispensado naquela noite, em um piscar de olhos.

Racionalmente, Moccia sabia que os dois não tinham nenhum compromisso ou obrigação um com o outro. Mas era indigesta a ideia de que Connor poderia lhe dispensar com tanta facilidade.

Já se sentindo completamente derrotada com os próprios pensamentos, Michaela se xingava mentalmente quando se rendeu ao impulso de deixar a festa de Ryan. Enquanto atravessava a movimentada avenida de Las Vegas, rodeada de hotéis e cassinos luminosos, ela dizia a si mesma que havia enfrentado um táxi pela primeira vez apenas para colocar Connor em seu devido lugar. Afinal, ele precisava aprender que se aquilo iria funcionar, seria quando ela tivesse vontade, e não o contrário.

Foi com a mesma confiança de sempre que Michaela invadiu o escritório de Connor naquela noite. Mas pela primeira vez, ela se sentiu travar. Uma sensação nova de que algo estava afundando seu estômago a invadiu, mas a surpresa durou apenas poucos segundos.

Os olhos verdes faiscaram e se estreitaram, acompanhando Rebecca até que a garçonete estivesse saindo pela porta. Para completar a fúria de Moccia, ela se sentiu como uma formiguinha quando a moça, com quase o dobro da sua altura, passou exibindo as bonitas curvas.

Era possível notar como Mika estava concentrada na própria respiração para não surtar, mas ela só voltou seu olhar para Connor depois que Rebecca deixou os dois a sós. A frieza era refletida em cada um dos seus traços quando ela terminou de cruzar o escritório como um touro furioso. Ela ainda se sentia tonta pelas doses extras de drinks, mas aquele era um detalhe facilmente ignorado quando esticou a mão na direção do gerente do cassino.

- Espero que você tenha se divertido o bastante com o lamborghini. Mio papá vai adorar saber o que acontece no cassino dele quando ele não está por perto.

O estômago de Mika se revirou ao pensar que, poucos dias antes, era ela a ocupar o lugar de Rebecca. E era ainda mais indigesto pensar quantas outras Ward trazia para seu escritório. Se Moccia estava acostumada a ser tratada em um pedestal, ela experimentava pela primeira vez a sensação de ser apenas mais uma. E era um sentimento terrível.

- Muito criativo, Ward. Na mesa do trabalho. Realmente, muito criativo.

O rosto de Mika ficava vermelho a cada segundo que passava e parecia que iria explodir a qualquer segundo. Mas para alguém acostumada a apresentar showszinhos de rebeldia, era chocante ver que ainda mantinha seu tom de voz contido.

A mão esticada sobre a mesa de Ward foi sacudida com impaciência e Mika termia que a qualquer segundo fosse perder o controle que tentava, pela primeira vez, manter.

- As chaves do carro. Eu me recuso a entrar em um táxi outra vez. Você e a vadia da vez vão precisar arrumar outro lugar para continuar a ceninha.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Seg Abr 03, 2017 1:55 am

Racionalmente, Connor sabia que não devia nenhum tipo de satisfação a Michaela Moccia. A garota sempre fora a primeira a ressaltar que não existia nada sério entre eles e que os encontros proibidos dos dois faziam parte de uma brincadeira da qual ela se cansaria em breve. Nunca havia acontecido nenhum tipo de promessa, tampouco planos para um futuro em comum. Mas, quando foi flagrado com Rebecca, Ward sentiu-se no papel de um marido que acabara de fazer a maior burrada de sua vida.

Seria engraçado ver Mika tão furiosa se Connor não se sentisse tão culpado. Não havia nada sério entre eles, mas o gerente se sentia péssimo em protagonizar o papel de um galanteador que coleciona conquistas. Com toda razão, Michaela concluíra que Becca era só mais uma na coleção de mulheres na vida de Ward e o rapaz sabia que Mika jamais acreditaria que a garçonete fora o seu primeiro deslize naquele cassino.

- Você está alterada.

A única saída encontrada por Connor foi aquela tentativa ridícula de virar o jogo, lançando uma acusação igualmente grave contra a filha de Don Alessio.

- Acha mesmo que vou entregar as chaves do carro para alguém neste estado? Você entrou em um táxi??? Isso só prova que você está completamente fora de si, Michaela.

Ao contrário de Rebecca, o gerente não fingiu que nada havia acontecido. Enquanto se levantava da cadeira e ajeitava as roupas amassadas, Connor passou os dedos nos lábios para se livrar das manchas do batom vermelho da garçonete.

Não houve um pedido de desculpas, tampouco uma tentativa de justificar o ocorrido. Ward se sentia culpado por aquela “traição”, mas ao mesmo tempo tentava se convencer de que Mika não tinha o direito de fazer aquela cena. Connor tinha certeza de que também a flagraria nos braços de outro se tivesse invadido a festa no condomínio dos Lumax.

- Eu disse que não queria te ver esta noite. Você não pode chegar aqui sem avisar, quando bem entender. Tudo isso pode ser uma grande brincadeira para você, mas para mim tem muita coisa em jogo. Se o seu pai descobrir, você provavelmente vai ser penalizada com um corte na mesada. O meu corte, por outro lado, deve atingir a jugular.

Ainda pensando em virar o jogo contra Michaela, Connor se aproximou da garota e se aproveitou que os reflexos de Mika estavam lentificados para arrancar a bolsa do ombro dela. O gerente já esperava por aquilo quando a menina avançou na direção dele como uma felina, mas os socos nas costas firmes de Ward tiveram pouco efeito.

As mãos de Connor se enfiaram na bolsa de Mika, tateando os objetos que a garota carregava consigo naquela noite. Seus dedos localizaram a carteira, alguns itens de maquiagem, uma escova de cabelo, o celular... Ward ainda recebia socos de uma Michaela furiosa quando finalmente encontrou o contorno de um comprimido nos fundos da bolsa. Provavelmente Ryan jogara a droga ali na esperança de que a menina novamente cedesse à tentação de usar algo mais forte que álcool.

- Eu sabia!

Havia um brilho de fúria nos olhos castanhos quando Connor se voltou novamente para Mika e mostrou a cápsula colorida entre o indicador e o polegar. A bolsa foi jogada sem nenhuma delicadeza sobre a mesa enquanto Ward sacudia a droga diante dos olhos da menina.

- Eu sabia que não era só álcool. Você usou de novo, não é? Você foi burra o bastante pra usar de novo a merda que quase te matou! É isso que você se tornou, Michaela, uma vadia viciada? Seus amiguinhos estalam os dedos e você vai correndo e usa todas as merdas que eles te empurram? Achei que você fosse bem mais esperta do que isso!
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Abr 03, 2017 2:16 am

O SUV preto estava longe de ser um dos carros mais caros da coleção de Don Alessio. Mas também era muito superior ao carro que Cameron Lahey tinha registrado no seu nome. Os vidros escuros eram perfeitamente blindados, como qualquer um dos veículos do mafioso, mas o motor novo daria a Cameron uma significativa vantagem caso tivessem um novo incidente naquela noite.

No interior do carro, a diferença era ainda mais gritante. Os bancos eram grandes e confortáveis, acolhendo os corpos de Cameron e Matilda, mesmo com o físico oposto entre os dois. O motor silencioso apenas fazia o carro tremer depois de ligado e a música que invadiu o interior denunciou que não era a primeira vez que Cam assumia a direção daquele veículo.

A direção leve permitiu que Cameron fizesse a manobra para deixar a garagem com apenas uma das mãos. A outra estava descansando no encosto entre seu banco e o do carona. O sorriso torto logo apareceu em seus lábios diante da forma direta que Matilda agia.


- Olá Matilda, boa noite para você também. Uau, sim, eu estou ótimo, obrigado por perguntar.

Cam mordeu o lábio inferior para conter o riso quando o carro finalmente saiu na noite. Ele sacudiu a cabeça em repreensão, mas sem tirar sua atenção da estrada, ergueu o encosto acolchoado onde descansava seu braço. Seus dedos afundaram apenas alguns centímetros antes de erguer a pequena e discreta arma prateada.

Diferente do que Lahey estava acostumado a usar, a arma tinha apenas alguns poucos centímetros e chegava a parecer um brinquedo. Mas como um profissional, ele sabia perfeitamente que aquilo não influenciava tanto assim na potência de fogo.

- Não se preocupe, está descarregada. – Os olhos azuis se desviaram da estrada apenas por alguns segundos para observar o perfil de Belmont. – E eu não espero que você me pague por isso. Apenas tente não atirar no próprio pé e estaremos quites, ok?

Cameron já havia atingido a rodovia principal quando reconheceu os acordes de uma das suas músicas preferidas. Instintivamente, ele se esticou para alcançar o botão de volume, mas recuou no instante em que se lembrou que não estava sozinho.



Embora a música fosse popular, a letra ia muito além para ele, do que para a maioria dos fãs. Mas era vergonhoso demais admitir que se identificava com uma música que falava sobre demônios internos quando Matilda estava ao seu lado.

Aos olhos da governanta, ele deveria ser apenas o fiel braço do mafioso Moccia. Ninguém poderia cogitar a possibilidade de que, quando estava a sós, Lahey não se sentia tão confortável consigo mesmo e com o sangue que trazia em mãos.

Ele jamais abandonaria aquele estilo de vida, afinal, devia tudo a Alessio. Por isso era mais fácil simplesmente ignorar qualquer peso na consciência, vestir o seu melhor sorriso e agir como se fosse inatingível.

Em questão de minutos, a movimentação de Vegas foi ficando para trás e logo Matilda poderia reconhecer o mesmo prédio que haviam se abrigado na noite do tiroteio. Quando parou o carro em meio a escuridão do deserto, ele ainda lançou um novo sorriso na direção da governanta.

- Não se preocupe. O helicóptero está em uso essa noite, então você não ficará tentada...

As luzes do galpão foram acesas apenas para que os dois pudessem atravessar as dezenas de prateleiras com produtos ilegais. O espaço ocupado pelo helicóptero apresentava um imenso vazio e foi passando por ele que Cam atingiu a porta dos fundos.

O imenso pátio de cimento se esticava a perder de vista. Mas a iluminação era digna de um show de rock, boa o suficiente para não servir de desculpa por Belmont caso errasse algum dos alvos arrumados por Lahey.

As sombras do que pareciam ser pessoas se formavam com três manequins enfileirados, cada um com um alvo pendurado em seu peito. Enquanto Matilda conseguia digerir aquela cena, Cameron se aproximou com uma maleta aberta. Em seu interior, ele exibia dois grandes protetores de ouvido, dois óculos de acrílico e duas caixinhas com munição para a nova arma de Belmont.

- Sabe, agora que estamos aqui, não sei se foi uma ideia muito inteligente... – Cam afastou a caixa do alcance de Matilda, apenas para completar com um sorrisinho. – Só te dou isso se você prometer que não vai atirar em mim e deixar meu corpo apodrecer para os urubus no deserto.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Seg Abr 03, 2017 2:53 am

Um arrepio se espalhou pelo corpo de Matilda quando, mesmo na escuridão da noite silenciosa, ela reconheceu o galpão. Aquele era um lugar que lhe trazia uma enxurrada de emoções. Na primeira vez em que estivera ali, a governanta sentia a terrível adrenalina decorrente de uma perseguição e havia passado muito perto de uma morte violenta. Também fora naquele lugar que Belmont se entregara a Cameron pela primeira vez, ignorando por completo o quão perigoso era o braço direito de Don Alessio Moccia.

Desta vez, com as emoções sob controle, Matilda observou com mais atenção as prateleiras lotadas de produtos provavelmente oriundos do tráfico. Os armários certamente continham mais provas que ajudariam muito no sucesso da missão de Connor. Contudo, Belmont sabia que precisava ser cuidadosa. Antes de qualquer passo, ela precisava garantir que Cameron não desconfiaria de suas verdadeiras intenções. Por sorte, Matilda tinha uma arma ainda mais poderosa que a pequena pistola em suas mãos.

- Eu não tinha pensado nesta possibilidade. Mas é realmente uma excelente carta para ser guardada na manga. Obrigada pela ideia, Lahey.

O sorrisinho irônico de Matilda indicava que a moça estava brincando ao mencionar que poderia usar a arma contra o segurança. Obviamente Belmont não era tola o bastante para apertar o gatilho contra um homem com o dobro do seu tamanho, especialista em armas, com um histórico sujo na máfia. Cameron só precisaria de um movimento para desarmá-la e para abandonar seu corpo para os urubus do deserto.

- Precisamos mesmo de tudo isso? Na vida real não terei tempo para colocar nenhum tipo de proteção, terei?

Apesar da discordância, Matilda colocou os óculos e os protetores de ouvido. A arma pequena se encaixava com perfeição nos dedos delicados da governanta, mas Belmont deixava clara a sua inexperiência naquele assunto ao segurar de forma errada o revólver. A moça também não foi capaz de destravar a arma sem a ajuda de Cameron e só conseguiu acoplar as balas depois que o segurança lhe mostrou como deveria ser feito.

Embora tivesse insistido muito naquela ideia, Matilda ficou visivelmente tensa quando a arma carregada foi entregue nas suas mãos. Era indigesta a ideia de atirar para tirar a vida de alguém, mas Belmont sabia que precisava estar preparada para se defender. Ela havia mergulhado em um ninho de cobras e seria uma presa fácil se não contasse com nenhum artifício de defesa.

A governanta tentou manter os braços retos e firmes quando apontou o revólver para um dos alvos preparados pelo segurança, mas sua mão tremia e prejudicava a mira. Depois de se concentrar na própria respiração, o indicador de Matilda deslizou até o gatilho. A explosão foi abafada pelos protetores de ouvido, mas não havia nada para amenizar o impacto da força do ricochete. Como não esperava por aquilo, a governanta cambaleou para trás e teria caído sentada no chão se não fosse pelos braços que a seguraram.

O primeiro tiro foi dado sem nenhuma orientação de Lahey e obviamente foi um fiasco. Sem nenhum conhecimento sobre a melhor posição para o disparo ou a maneira certa de segurar a arma, Matilda quase caiu. A pistola escorregou dos dedos dela e a bala passou há metros de distância do alvo, atingindo o muro que rodeava o pátio do galpão.

A expressão de Matilda não escondia o quanto ela estava indignada com o próprio fiasco quando a moça recuperou o equilíbrio e se abaixou para pegar a arma caída no chão do pátio. Extremamente contrariada, a governanta estreitou os olhos enquanto voltava a atenção para Cameron.

- Vai ficar me olhando com esta cara de idiota ou vai me ensinar alguma coisa? Eu juro que acerto a sua cabeça se você rir de mim, Lahey!

Belmont fez uma pausa antes de completar com bom humor, mostrando que não estava tão furiosa quanto aparentava.

- Não deve ser difícil te acertar. Eu só preciso mirar há uns vinte metros da sua cabeça.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Abr 03, 2017 3:32 am

A surpresa em ver a pílula entre os dedos de Connor foi a única coisa capaz de fazer Michaela congelar. Se ela precisava fazer um esforço absurdo desde que pisara naquele escritório para não surtar, toda a sua fúria e insatisfação desapareceram para dar lugar apenas ao choque.

Embora tivesse certeza absoluta que havia negado todas as ofertas de Ryan naquele dia, Mika não teve nenhuma dificuldade para reconhecer a droga que o filho do senador carregara durante toda a festa. E nem por um segundo ela duvidou que tivesse sido ele o responsável por estar carregando aquele comprimido pela cidade, sem nem desconfiar.

- Isso não é meu.

Não havia nenhum vestígio da arrogância de Michaela Moccia naquelas poucas palavras. Mika não estava tentando humilhar ninguém, ou dar ordens ou gritar por atenção. A sinceridade era algo tão inédito nos traços da menina que, por poucos segundos, ela pareceu alguém completamente diferente.

- Eu não usei, Connor!

Os olhos verdes se arregalaram e deslizaram da pílula para o rosto do gerente. Moccia deveria estar surtando diante das ofensas de Ward, ela jamais deixaria ninguém falar com ela daquela forma. Mas a necessidade de fazê-lo enxergar que ela não havia cometido o mesmo erro outra vez era muito mais urgente.

De repente, a presença de Rebecca ou a cena que Mika havia acabado de flagrar não era mais tão importante. Ela ainda precisava colocar Connor em seu devido lugar, mas só o que conseguia era continuar sendo tratada como uma criança mimada que precisava aprender uma lição.

Gradativamente, a raiva voltou a invadir Michaela. A frustração de ter sido dispensada por Connor mais cedo, a festa frustrante e desinteressante, a cena que havia flagrado naquele escritório e a forma insistente de Ward em trata-la como se não significasse nada, tudo se somava até atingir o limite de Moccia.

- Uma vadia viciada? – O choque desapareceu e o rosto de Michaela se contorceu em fúria, voltando a uma tonalidade vermelha. – Qual é o seu problema, Ward? Está tentando criar algum recorde com quantas ofensas consegue criar para mim? Ou só está tentando cavar a sua própria cova?

A bolsa arremessada sobre a mesa foi recuperada por Mika e ela não se importou com a bagunça que havia feito sobre os papéis de Connor. Ele certamente teria arremessado tudo no chão para continuar os amassos com Rebecca se ela não tivesse chegado e o estrago seria muito pior.

- Fique com a droga do carro, quem sabe assim você não consegue terminar o que começou com a outra vadia. Eu enfrento o táxi que for para não precisar olhar na sua cara outra vez.

A mão de Michaela chegou a tocar na maçaneta quando ela se voltou para Connor, exibindo um sorriso afetado, os olhos ainda brilhando em fúria. Quando as palavras seguintes saíram de sua boca, era evidente que ela não se referia apenas a uso de drogas, mas estendida as suas vontades no que dizia respeito àquele “relacionamento”.

- Jogue esse comprimido pelo vaso, se preferir. Se algum dia eu tiver vontade de usar de novo, eu vou usar. Porque eu faço o que eu quero, quando eu quero. Não vai ser um gerentezinho qualquer que vai mudar isso.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Abr 03, 2017 4:13 am

A arma escolhida por Cameron era ideal para alguém como Matilda. Era pequena o bastante para caber em qualquer bolsa feminina, era leve para não pesar em seus dedos e o disparo era mais suave que muitas armas que Lahey já havia manuseado.

Ainda assim, a surpresa de uma pessoa completamente inexperiente foi suficiente para fazer com que Belmont perdesse o equilíbrio. O primeiro instinto de Cam foi saltar para acudi-la, com medo de que um acidente acabasse acontecendo com um disparo indevido.

Apesar disso, no instante em que amorteceu a queda da governanta e viu que nada grave havia acontecido, Lahey relaxou e sentiu a gargalhada que ele sequer havia previsto escapar pela sua garganta. A cabeça foi jogada para trás em um riso espontâneo, mas suas mãos não se soltaram da cintura de Matilda, mesmo quando ela já estava com os dois pés firmes no chão.

- Você é mesmo muito ruim nisso, sabia? Talvez a gente devesse se conformar com o seu papel de piloto de fuga.

Os dedos de Cameron permaneceram pousados na delicada curva do quadril de Matilda quando ele a guiou novamente para a linha de frente dos bonecos. Apesar de estarem em meio ao deserto, a noite estava fria, sem vento algum. A proximidade permitia que Cam absorvesse naturalmente o perfume que vinha dos cabelos de Belmont, o que despertava um calor nada natural para a noite de baixa temperatura.

- Para sua sorte, eu sou um professor incrível. Então, para começar...

Os dedos de Cam deslizaram pela parte externa da perna de Matilda, sentindo a textura grossa do tecido que não era capaz de esconder as belas curvas. Ele já começava a memorizar cada pedaço do corpo da governanta, mas era surpreendente como ele ainda se sentia atraído pela necessidade de tocá-la.

Com toques suaves, os dedos de Lahey escorregaram até a parte interna das coxas de Matilda, mas antes que ela protestasse, ele segurou o musculo firme e o empurrou até que ela fosse obrigada a abrir as pernas em alguns centímetros.

- ...É importante ter equilíbrio. Vai te ajudar a prevenir de futuros tombos, pelo menos até você se acostumar com a pressão do disparo.

Cam voltou a ficar completamente reto, posicionado às costas de Matilda. Seu braço comprido, coberto por uma jaqueta esverdeada, foi esticado até tocar o pulso dela, obrigando a menina a repetir o gesto do primeiro tiro.

- Seu pulso precisa estar firme para evitar qualquer desvio.

Os olhos azuis de Cameron já estavam focados na ponta do cano da arma. Ele estava realmente concentrado em ensiná-la, mas era cada vez mais difícil ignorar a vontade de tocá-la com mais intimidade que um mero treino de tiros.

- Eu disse o seu pulso. – Os dedos de Cam traçaram o caminho pela pele exposta do braço de Matilda até alcançar os ombros estreitos dela, massageando os músculos tensos. – Você pode relaxar todo o restante.

Se aproveitando das mãos próximas do pescoço de Belmont, Cam puxou os fios castanhos dela para caírem em apenas um dos ombros, deixando a pele macia e perfumada completamente livre bem diante dos seus olhos. Sua respiração quente, cada vez mais intensa, se chocava contra a nuca de Matilda.

- Agora você só precisa mirar... – A voz rouca de Lahey denunciava como sua concentração ia por água abaixo a cada segundo que passava.

Ele voltou a esticar o braço, apenas para manter a mira de Matilda no caminho certo. Seu corpo já estava colado ao dela em um quase abraço e o dedo pressionava o dela, sobre o gatilho.

- Você pode imaginar que é a minha cabeça lá, se ficar mais fácil. – Um sorrisinho torto brincou em seus lábios e ele deixou sua bochecha encostar na lateral da cabeça de Matilda. – Apenas não se acostume com isso, pode ser perigoso.

Lahey já havia segurado uma arma dezenas de vezes em sua vida. Algumas dessas vezes ele preferia não se recordar, outras o assombrariam para sempre. Mas era a primeira vez que ele se sentia realmente satisfeito em ter uma arma entre seus dedos.

- Agora é só atirar.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Seg Abr 03, 2017 5:29 am

- Me desculpe.

As palavras inusitadas de Connor foram o suficiente para interromper o furacão Michaela Moccia. A garota, que provavelmente esperava por mais ofensas ou acusações, foi desarmada por aquele inesperado pedido de desculpas. A postura agressiva e irritada de Ward evaporou, dando lugar a um semblante mais ameno e sincero.

A pílula resgatada na bolsa de Mika deixara o policial furioso. A revolta cegara Connor por alguns segundos, mas agora ele era capaz de enxergar o óbvio. Michaela podia até estar um pouco bêbada depois daquela festinha com os amigos, mas a menina definitivamente não estava dopada. A filha de Don Alessio Moccia tinha pleno controle da própria consciência e das palavras que usava naquela noite.

- Eu sei que você não usou. Eu sei exatamente porque eu estava lá naquela noite.

A lembrança da festa de aniversário de Michaela ainda assombrava o policial. Os dois sequer tinham um envolvimento amoroso naquela época, mas isso não impediu que Connor se sentisse desesperado com a possibilidade de perdê-la. Mika era filha de um homem perigoso, era arrogante, autoritária e egoísta. Mas ainda assim era uma garota que tinha toda uma vida pela frente e que quase morrera nos braços de Ward.

- Eu estava lá. Fui eu que te carreguei para fora daquele maldito elevador. Você não me reconheceu porque mal conseguia abrir os olhos. Sua respiração falhava, seu pulso estava fraco, sua pele coberta por um suor gelado... Eu achei que você morreria nos meus braços enquanto eu te carregava até o quarto.

Michaela sabia que quase havia morrido de overdose naquela madrugada, mas era a primeira vez que escutava todos os detalhes do resgate que salvara a sua vida.

- Mesmo depois que enfiei você debaixo do chuveiro, você continuou sem reação. Só resmungou algum xingamento em italiano antes de apagar de novo, cada vez mais fraca e gelada. Eu não sabia o que fazer, só sabia que não ia suportar te perder. Você tinha me ligado, tinha pedido a minha ajuda, eu me sentia responsável... Eu nunca me perdoaria se algo te acontecesse.

Durante todo o discurso, Connor permaneceu encostado na mesa do escritório, com os braços cruzados diante do peito. Os olhos castanhos estavam fixos em Michaela, sem perder o contato com a menina em nenhum momento.

- Você não tinha forças para me xingar, não tinha fôlego para me colocar no meu devido lugar. Por isso eu sei que hoje você está limpa. Então me desculpe pela acusação injusta e não me julgue por este erro. Eu simplesmente fiquei cego quando vi isso... – Connor novamente ergueu a pílula entre seus dedos – Eu perdi a cabeça quando imaginei que ia viver aquele pesadelo de novo.

A pílula finalmente foi deixada de lado sobre a mesa do gerente para que Connor pudesse terminar aquela conversa antes de se livrar adequadamente da droga.

- Eu posso ser só um gerentezinho qualquer, como você gosta tanto de ressaltar. Mas a verdade é que me importo com você muito mais que os amigos que te empurram drogas e depois usam o celular para filmarem você chapada. Eu sei que não significo nada para você e que Michaela Moccia faz o que quer, quando quer e como quer. Mas como o cara que te tirou daquele elevador, eu espero sinceramente que você nunca mais queira fazer uma merda tão grande como aquela.

Aquela era possivelmente a primeira conversa mais séria dos dois. Connor e Mika estavam acostumados com brigas, provocações ou amassos proibidos dentro daquele escritório. Era a primeira vez que os dois conseguiam sustentar uma conversa mais adulta e racional por alguns minutos.

- Eu não me orgulho do que você viu aqui... – a cabeça de Ward indicou a cadeira que ele dividia com Rebecca quando Mika invadiu o escritório – Mas como um gerentezinho qualquer, eu não te devo satisfações. Eu estou exatamente no lugar em que você me colocou, Michaela.

Também era a primeira vez que os dois falavam abertamente sobre aquele “relacionamento” e as implicações daquela relação na vida de ambos.

- Enquanto você me tratar como uma diversão, é assim que eu também vou enxergar as coisas entre nós dois. Se eu não significo nada para você, eu também não te dou o direito de se tornar alguém importante na minha vida.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Seg Abr 03, 2017 11:28 pm

Ao contrário de Cameron, a governanta parecia totalmente concentrada nas orientações que recebia. Os olhos castanhos estavam fixos no alvo como se Matilda fosse uma predadora faminta prestes a atacar sua presa. A respiração rítmica da moça ecoava pelo deserto silencioso e cada célula do seu corpo parecia ter interrompido momentaneamente as suas funções para não atrapalhar aquela segunda tentativa.

Embora estivesse consciente da proximidade nada profissional do professor, Matilda não permitiu que Cameron a desconcentrasse naquele momento. Cada uma das orientações do segurança foi obedecida antes que o gatilho fosse acionado mais uma vez.

Como agora já esperava pela energia do disparo, Belmont manteve o equilíbrio com facilidade. A força do ricochete a impulsionou levemente para trás, mas as costas de Cameron estavam há poucos centímetros de distância e ajudaram a amortecer o impacto. A arma se manteve firme entre os dedos de Matilda graças à mão de Lahey que envolvia os dedos da jovem.

A bala não acertou o alvo em cheio, como Matilda gostaria. Mas aquela segunda tentativa não poderia ser comparada ao fiasco completo do primeiro disparo. A bala passou há poucos centímetros do alvo, o que definitivamente era uma vitória para uma aluna inexperiente que nunca havia tocado em uma arma antes daquela noite.

Apesar do progresso, o semblante de Belmont se contorceu em uma careta de insatisfação. Matilda estava acostumada a ser absolutamente eficiente no seu trabalho, não tinha dificuldade para aprender novas tarefas e por isso lidava mal com fracassos e frustrações. Para os padrões dela, era humilhante continuar errando o alvo na segunda tentativa.

A arma foi entregue nas mãos do segurança, Matilda soltou a respiração ruidosamente e passou as mãos no rosto, numa típica postura de decepção. Alguns fios do cabelo castanho já tinham escapado do rabo de cavalo depois daquela movimentação, mas Belmont não parecia preocupada em manter a aparência impecável que costumava exibir pelos corredores da mansão Moccia durante as suas horas de trabalho. Era impressionante como Matilda se distanciava do papel de uma governanta sóbria quando não estava executando suas funções.


- Achei que isso seria mais fácil.

Os olhos castanhos giraram, impacientes consigo mesma por aquela evolução tão lenta. Na mente de Belmont, ela já sairia daquele galpão pronta para enfrentar qualquer tiroteio com somente uma aula. Era frustrante a certeza de que o longo treinamento proposto por Cameron realmente seria necessário.

- Eu sou péssima. Ou talvez a culpa seja do amadorismo do professor.

No fundo, Matilda sabia que não podia responsabilizar Cameron por aquele fiasco. Mas a governanta não perdeu a oportunidade de provocá-lo quando finalmente percebeu o quão próximo Lahey havia se posicionado para ajudá-la naquele disparo. A cabeça de Belmont se virou para trás e os olhos desceram pelo corpo do segurança totalmente colado ao seu. Cameron estava tão próximo que a respiração quente dele se chocava contra o pescoço exposto de Matilda.

- Eu tenho a ligeira impressão de que a sua “técnica” seria diferente se o seu aluno fosse um brutamontes de cem quilos, professor.

Ficou claro que Belmont não estava sinceramente chateada com Cameron quando seus lábios se curvaram num meio sorriso após aquela provocação. A atenção da governanta se voltou novamente para os alvos e a arma foi apontada na direção deles pela terceira vez, mas antes de se concentrar para a terceira tentativa Matilda deixou escapar mais uma provocação para o segurança.

- Segundo a Tracy, você é o tipo de cara que descarta facilmente uma mulher depois que já conseguiu o que queria dela. Isso me leva a uma dúvida indigesta... - sem tirar os olhos do alvo, Matilda mordiscou o lábio inferior antes de concluir aquela provocação - Devo concluir que eu tenho um desempenho acima da média ou que você ainda não conseguiu tudo o que queria de mim? Devo me sentir lisonjeada ou preocupada, Sr. Lahey?
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Abr 04, 2017 3:58 am

O discurso de Connor foi capaz de fazer com que as garras de Michaela se retraíssem como de um animal selvagem que não se vê mais ameaçado. Os olhos verdes estavam arregalados, presos quase sem piscar no gerente, tentando absorver a primeira conversa de verdade que os dois protagonizavam.

Ward havia agido como um pai protetor ao encontra-la sob efeito de drogas em seu aniversário. Ele não precisou gritar para demonstrar o quanto estava decepcionado com suas escolhas erradas, mas ainda assim fora capaz de cuidar de todos os detalhes para que as consequências não fossem ainda mais graves.

O gerente do cassino tinha feito muito além de apenas abafar um escândalo, de evitar um castigo vitalício ou de poupar seu pai de uma grande decepção. Ele havia de fato salvado a sua vida e Mika jamais pensou em diminuir seus créditos por tal gesto.

Mas era a primeira vez que ela enxergava os acontecimentos daquela noite pela ótica de Ward. E era uma surpresa saber que ele havia sido afetado tanto quanto ela. Algo se aqueceu no interior de Moccia ao ouvir que Connor se importava com ela, mas o sentimento era tão inédito que Mika não sabia como interpretá-lo.

- Eu não pretendo repetir a cena daquela noite, Connor. Eu posso ser teimosa, mas não sou estúpida ao ponto de repetir uma coisa tão idiota. Caso você não tenha notado, eu gosto de ter o controle das coisas. E eu sei que não tinha controle algum naquela noite.

A menção sobre a cena que Michaela havia flagrado minutos antes fez com que parte do agradável calor que começava a surgir em seu peito esfriasse repentinamente. As íris claras da menina imediatamente se desviaram dos olhos castanhos de Connor, parecendo encontrar em uma mancha no carpete um ponto muito interessante.

Instintivamente, os lábios de Moccia se curvaram em um bico de desagrado e ela cruzou os braços. As costas foram apoiadas contra a madeira da parede e Mika pareceu como uma criança que era repreendida por alguma travessura.

Era a primeira vez que Mika conseguia enxergar como aquela brincadeira estava indo longe demais. Ela sequer havia notado como as provocações e os amassos com o gerente do cassino estavam alcançando um novo patamar até se ver presa naquela conversa séria demais para quem só queria se divertir.

Uma parte de Michaela ainda estava anestesiada em ouvir que Connor se importava com ela. Por outro lado, ela ainda se sentia furiosa pela cena que havia flagrado minutos antes e queria deixar a pequena fera voltar a atacar o escritório. Mas apesar do conflito, uma parte muito mais significativa impedia que ela fizesse qualquer coisa.

Não fazia sentido se derreter por meia dúzia de palavras carinhosas ou agir como uma louca enciumada. Não quando o alvo de todo aquele furacão de sentimentos não passava de um simples gerente.

Desde o começo, Mika só havia se deixado levar pelas provocações, por ver o quanto era divertido duelar pelo controle daquele “relacionamento”. Mas ela estava indo longe demais se começava a beirar pelos ciúmes ou por qualquer afeto. Definitivamente era um passo que ela não estava pronta ou disposta a dar.

- Você disse que não me causaria problemas. – Mika finalmente ergueu o rosto, mantendo o queixo empinado ao encarar Connor. – “Eu não conto, se você não contar”, lembra? O que está esperando agora? Que eu diga que me apaixonei por você? Que saia de mãos dadas por aí e que te apresente como meu namorado?

Um risinho sem menor ânimo escapou dos lábios de Michaela e ela sacudiu a cabeça para reforçar o deboche de suas palavras. Apesar das palavras que saíam da sua boca, toda a linguagem corporal de Moccia não ajudava na credibilidade do seu discurso.

- Isso é ridículo, Connor. Sinto muito, mas não vai rolar. Isso... – Ela ergueu a mão e apontou na direção do gerente antes de apontar para si mesma. – Deveria ser apenas diversão. Se é um relacionamento que você procura, talvez tenha mais chances com a vadia que estava no seu colo dez minutos atrás.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Ter Abr 04, 2017 10:21 pm

As palavras de Michaela ecoaram num escritório silencioso e ficaram sem uma resposta por generosos segundos. Os olhos castanhos continuaram presos na imagem da menina, mas a expressão congelada de Connor não dava a ela nenhuma dica sobre o que realmente se passava dentro da mente do gerente. Ele não parecia ofendido com a postura de Mika, mas também não demonstrou alívio ou diversão com as palavras selecionadas pela garota.

Diversão. No fundo, Ward sabia que era aquela a motivação que levara Michaela até seus braços. A filha mimada de Don Alessio Moccia não queria nada além de um passatempo quando se rendeu à tentação com um dos funcionários do pai. Aquela certeza poderia abalar a confiança de qualquer homem, mas Connor tentava se convencer de que era injusto pedir algo a mais de Michaela quando ele também estava brincando com ela.

Mika gostava de ressaltar que Ward não passava de um simples gerente, mas a verdade passava bem longe disso. Connor não estava ali para construir uma carreira promissora no cassino dos Moccia, não trabalhava em troca de um salário modesto e não estava nem um pouco comprometido com seu patrão. Pelo contrário, Connor estava ali para destruir o império dos Moccia. E, portanto, um relacionamento sério com Michaela definitivamente não fazia parte dos seus planos. Mika era somente uma perigosa brincadeira que nem deveria ter começado, algo que fugia completamente dos planos bem traçados que Ward arquitetara para a sua missão.

Apesar de ter consciência de que Michaela Moccia era um erro que aumentava consideravelmente o nível de perigo e de dificuldade da sua missão, Connor sentia um aperto no peito com a ideia de colocar um fim naquela brincadeira. E foi exatamente por não se sentir pronto para colocar um ponto final naquela história conturbada que Ward reagiu às palavras de Mika com um sorriso desdenhoso.

- Se eu quisesse um relacionamento de verdade, eu não estaria com você. Muito menos com ela. Nenhuma das duas tem o perfil da mulher que eu gostaria de ter ao meu lado pelo resto da vida.

A parte racional da mente do policial exigia que Connor aproveitasse aquela crise para terminar o relacionamento e se concentrar por inteiro na missão. Mas aquela vontade sufocante de continuar o jogo perigoso com Mika moveu Ward alguns passos na direção da menina, ainda sem romper o contato visual com ela.

- Eu só precisava ter certeza de que você continuava encarando isso como diversão, bambina. Porque é só isso que eu posso te oferecer. E tem funcionado muito bem, não tem?

Os passos do gerente foram interrompidos quando Connor se posicionou em frente a Michaela. Os olhos castanhos desceram lentamente pelo corpo de Mika antes de se fixarem novamente no rosto da garota. Os traços delicados foram admirados por mais alguns segundos antes que Ward continuasse o seu discurso.

- Com ela também era só diversão. – o movimento do queixo de Connor na direção da mesa indicava que o gerente se referia à cena que Mika flagrara naquela noite – E quer saber a verdade, bambina? A verdade é que com você é muito melhor.

Como conhecia o ego inflado de Michaela, Ward sabia que aquelas palavras alimentariam o enorme orgulho da menina. Rebecca era uma moça linda, tinha curvas provocantes que atraíam a atenção masculina e definitivamente não parecia uma garotinha. Ainda assim, Connor parecia sincero ao dizer que não trocaria Michaela por uma mulher como Becca.

- Então que tal deixarmos esta conversa improdutiva de lado e irmos direto ao ponto? Eu acabei de confessar que prefiro me divertir com você, bambina. E imagino que você não acomodou seu traseiro bonitinho no assento de um táxi só pra ter esta conversa chata, não é? Se você veio até aqui em busca de diversão, eu só posso concluir que a tal festa foi um tédio. Mas eu posso salvar a sua noite, com todo prazer.

O queixo de Michaela foi delicadamente prensado entre o polegar e o indicador de Connor antes que ele erguesse um pouco mais o rosto da menina. A mão livre se encaixou na já conhecida curva do quadril de Mika e a puxou um pouco mais para perto. O sorriso de Ward se tornou mais divertido enquanto ele sussurrava, com os lábios colados ao ouvido da garota.

- A minha sugestão é deixar de lado esta discussão sem sentido e voltarmos a nos concentrar no que realmente importa, sem mais perda de tempo. Você quer diversão, eu também. Temos um lamborghini na garagem e uma noite inteira pela frente. Por mim, o nosso acordo continua de pé. Eu não conto se você não contar, bambina.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Abr 05, 2017 4:31 am

Os olhos esverdeados estavam atentos em todos os movimentos de Connor, tentando interpretar o novo rumo que aquela conversa havia seguido. Em poucos minutos, os dois haviam discutido, gritado, se exaltado, mergulhado em um diálogo repentinamente sério para voltar à estaca inicial.

Aquilo parecia ser exatamente o que Moccia precisava e havia ido procurar naquela noite. Mas o receio de que fosse apenas uma farsa para evitar uma nova briga ou pior, que os dois se obrigassem a admitir o que realmente começava a acontecer entre eles, fez com que Michaela continuasse atenta, vasculhando nas íris castanhas qualquer sinal de alerta.

Ainda receosa, ela se deixou aproximar pelos toques de Connor, mas só esboçou alguma reação quando ouviu a comparação entre ela e Rebecca. Uma das sobrancelhas loiras foi arqueada e o ego inflado cegou Michaela diante de qualquer outra preocupação. Os lábios rosados finalmente se curvaram em um sorrisinho vitorioso enquanto seus braços rodeavam o pescoço de Connor.

- É claro que eu sou melhor, me diga alguma novidade...

Enquanto o gerente do cassino falava, Mika já parecia inteiramente envolvida e tentada em se render às carícias que tanto lhe causavam arrepios. O sorriso foi contido enquanto ela mordia o lábio inferior, arranhando a nuca de Connor com as unhas.

- Era um táxi bastante nojento. Vou ter pesadelos pelos próximos meses com aquele motorista indiano cheirando a curry.

A mão de Mika deslizou pelo maxilar de Ward, sentindo a barba espetando sua pele macia. Por fim, as pontas dos dedos pousaram sobre os lábios de Connor, bloqueando qualquer possibilidade de um beijo acontecer. Uma risada maliciosa escapou pela garganta de Moccia quando ela negou com um movimento da cabeça, fazendo os cachos balançarem.

- Você perdeu sua chance, bello. Eu não vou me divertir quando você ainda está sujo com o batom daquela vadia.

Era difícil camuflar por completo o brilho de ciúmes que cobria os olhos verdes de Mika sempre que ela lembrava da cena que havia flagrado no início daquela noite. Mas anos de experiência permitia que ela mantivesse a pose superior e intocável.

- Mas você ainda pode me levar em casa. Nem em um milhão de anos que eu entro e um táxi outra vez.

Os dedos que tampavam a boca de Connor deslizaram mais alguns centímetros, descendo pelo peito dele com a intimidade que os dois não faziam mais questão de esconder. A mão de Michaela só parou ao atingir a textura fria do cinto que Ward vestia.

A diferença nas estaturas obrigava Michaela a erguer o queixo para poder encará-lo, mas nem isso era capaz de minimizar a expressão superior que ela sempre exibia. Os olhos claros brilhavam em malícia e o sorriso vitorioso era incapaz de deixar seus lábios.

- Tente se limpar com algum desinfetante e talvez terá mais sorte da próxima vez. – O olhar de Mika baixou um único segundo para a altura de suas mãos, no cinto de Connor, antes de voltar para o rosto dele com uma provocação. – Mas é bom que você não esqueça nenhum cantinho. Não pretendo pegar piolhos daquela vadia.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Qua Abr 05, 2017 4:32 am

O som do tiro cortou a noite de forma seca em meio ao deserto. Cam chegou a sentir a pressão contra o seu pulso, mas sua experiência com armas mais pesadas já havia lhe deixado devidamente preparado para aquele momento.

Mesmo em meio a iluminação artificial dos holofotes que clareavam o pátio, não foi difícil notar como o segundo disparo de Matilda já havia sido infinitamente mais bem preparado que o primeiro. Claro que havia a influência da mira de Lahey, mas ainda assim, era impressionante que Belmont já tivesse absorvido tantos conceitos em questão e minutos.

Instintivamente, um largo sorriso surgiu nos lábios de Lahey e sua mente vibrou em êxtase. Cada vez ficava mais óbvio que Matilda ia muito além da imagem séria que passava quando andava pelos corredores da mansão Moccia em seu papel de governanta. E a ideia de descobrir cada vez mais sobre a mulher que ela realmente era despertava uma ansiedade até então desconhecida para Cameron.

O sorriso de Cameron só vacilou quando ele notou que Belmont não compartilhava aquele mesmo sentimento de sucesso naquela pequena missão. Uma ruga logo surgiu entre as sobrancelhas grossas de Lahey e ele recebeu a arma em seus dedos com nítida surpresa.

- Do que você está falando? – A arma foi travada para que Cam pudesse se concentrar na conversa. – Eu sou o melhor professor que você poderia encontrar, Belmont. E pelo preço que estou cobrando, não teria muita margem para reclamação...

A expressão dele se suavizou em um sorriso mais sincero. A pequena arma prateada foi enfiada no cós traseiro da calça e escondida pela camisa esverdeada que usava naquela noite. Com as mãos livres, Cam cruzou os braços fortes contra o peito e estudou Matilda com atenção.

- Isso não é justo. Se fosse um brutamontes de cem quilos, eu nem estaria aqui.

O comentário sobre Tracy fez com que o sorriso pronto de Cameron finalmente fosse afetado. A menção da empregada dos Moccia fez com que os olhos azuis desviassem imediatamente de Matilda, procurando algum ponto distante na escuridão além dos alvos.

Não era agradável pensar que Tracy andasse falando com Matilda além do necessário. Mesmo que a loira tivesse todos os motivos do mundo para julgá-lo da pior maneira possível, era como se qualquer um pudesse revelar sua verdadeira podridão para Belmont.

A governanta não era nenhuma moça inocente para acreditar que ele fosse o tipo príncipe encantado. Ainda assim, Cam temia que os comentários ácidos de Tracy tornassem sua verdadeira face mais visível para Matilda. Cada vez mais ele percebia como precisava se apegar a uma visão longe da realidade para que Belmont não saísse correndo.

- Você não pensou em uma terceira hipótese em que a Tracy fosse abaixo da média e que por isso eu me cansei?

Um suspiro escapou pelos lábios de Lahey e os olhos azuis finalmente deslizaram até pousar em Matilda. Durante alguns segundos, Cam se manteve calado, sem interromper o contato visual como se estivesse tentando ler não apenas a mente de Matilda, mas os próprios sentimentos.

Cam já começava a notar como Belmont era diferente das outras. Mas só quando ouviu aquele questionamento em voz alta, ele finalmente se deu conta do que estava acontecendo.

Para um homem que já havia enfrentado dezenas de situações onde a adrenalina ia a mil, não foi difícil notar como seu coração disparou diante daquela certeza. Sua expressão estava tensa e séria quando deu os primeiros passos na direção da governanta.

- Mas talvez você esteja certa... Eu ainda não consegui tudo o que eu queria.

Cam só parou de andar quando estava diante de Matilda. Ele era quase um palmo mais alto que a menina, mas a diferença parecia apenas tornar aquela cena mais perfeita. Os olhos azuis deslizaram uma íris castanha a outra e, sem perceber, Lahey ergueu as mãos para segurar as laterais do rosto de Matilda.

- Eu vi muito mais de você naquele tiroteio, Matilda. Mais do que a mulher de meia idade que você parece ser sempre que está tentando me dar ordens por causa dos meus biscoitos. A mulher que guiou o carro naquele dia...

Um sorrisinho de satisfação brincou nos lábios de Cameron. Uma de suas mãos deslizou para colocar uma mecha de cabelos escuros que havia escapado do rabo-de-cavalo de Matilda e, se aproveitando daquele gesto, ele a segurou pelo queixo, roçando o polegar no lábio inferior.

- É isso que eu quero. Até que você seja capaz de enxergar também.

A voz de Cam quase morreu em um sussurro enquanto ele se aproximava do rosto de Matilda. Seus lábios chegaram a roçar os dela, mas ao invés de iniciar mais um beijo ardente, ele se limitou a mordiscar o lábio inferior, sentindo todo o seu corpo se eletrizar com a certeza de um beijo.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Qui Abr 06, 2017 12:18 am

Completamente alheio ao envolvimento proibido entre Michaela e Connor Ward, Don Alessio Moccia se mostrou absurdamente satisfeito quando seu gerente fez o grande “favor” de buscar Mika na festinha e levá-la de volta para casa em segurança no meio da madrugada, juntamente com o seu valioso lamborghini.

O mafioso era um homem astuto e difícil de ser enganado, mas a filha era o seu ponto fraco. Quando se tratava de Michaela, Alessio se tornava um velho tolo e cego, que enxergava a filha como uma criança inocente que jamais lhe enganaria. Na mente de Don Alessio, não existia nem a mais remota possibilidade de Mika ter chegado em casa ofegante e corada por ter se divertido nos braços de Connor a cada vez que o lamborghini parava diante de um cruzamento ou de um sinal fechado.

Depois de devolver a Alessio os seus dois bens preciosos, Ward encarou a madrugada abafada de Vegas e cruzou a cidade de ônibus até o seu apartamento. Os primeiros raios de sol começavam a brotar no horizonte quando o gerente do cassino finalmente acomodou a cabeça no travesseiro.

O som do celular vibrando no criado-mudo impediu que Connor se entregasse imediatamente ao cansaço daquele longo dia. A tela bloqueada mostrou o número de Rebecca acompanhado por uma pergunta sobre o paradeiro do gerente naquela madrugada. A mensagem da garçonete foi lindamente ignorada, mas as configurações de privacidade desbloqueadas mostrariam à moça que Ward havia acessado o aplicativo no minuto seguinte. A mensagem digitada por Connor, contudo, foi enviada para um número bem diferente do de Rebecca.

“Eu sabia que nem mesmo você resistiria ao lamborghini, bambina. Mas não se preocupe, isso vai entrar para a nossa coleção de segredos. Eu não conto se você não contar.”

-----

- O seu último relatório não foi muito... produtivo. Então o chefe me mandou vir atrás de você para ter certeza de que está tudo bem com a missão.

As palavras de Rachel Walsh ecoaram no apartamento do colega e provocaram um nítido desconforto em Connor. Ward sabia que não havia acrescentado muitas informações valiosas no último relatório enviado ao chefe daquela missão arriscada, mas o policial não imaginou que o descontentamento da equipe seria grande o suficiente para motivar uma visita pessoal ao seu apartamento.

- O que ele imaginou? Que eu conseguiria destruir o império dos Moccia em menos de um mês? – Connor cruzou os braços em uma típica postura defensiva – Eu estou pisando em ovos, Rach. Qualquer movimento errado e a minha cabeça será a primeira a rolar. Eu não estou sendo lento, estou tentando ser cauteloso!

- Hey, calma! – Walsh ergueu as mãos num sinal de rendição, deixando claro que não estava ali em busca de uma briga – Relaxa, Conn! A gente só quer saber se está tudo bem, exatamente porque sabemos o quanto tudo isso é perigoso.

As palavras de Rachel fizeram com que os ombros de Connor relaxassem. Sua consciência pesada levou o policial a encarar aquela visita como uma cobrança da equipe, mas a colega parecia sincera ao dizer que eles só estavam preocupados. Aquela postura só fazia Ward se sentir ainda mais culpado por ter se envolvido com Mika e se descuidado um pouco da missão nos últimos dias. Quando se lembrava que Matilda também estava arriscando a cabeça dentro da mansão dos Moccia, Connor se sentia ainda mais miserável por perder o foco nos planos traçados com a irmã.

- Desculpe, ok? Eu sei que dei uma desacelerada na missão, mas o trabalho como gerente exige muito de mim. Estou exausto, com um milhão de coisas na cabeça. Para ganhar a confiança do velho, estou me desdobrando para agradá-lo. Mas tudo continua sob controle, Rach. Diga ao chefe que o próximo relatório será mais conclusivo, eu prometo.

- Certo, Conn. Tenha cuidado, ok? Eu tive medo que sua linha estivesse grampeada e achei mais seguro vir aqui. Mas já estou de saída, não quero comprometer o seu disfarce.

Embora Rachel fosse uma mulher jovem e atraente, nunca havia acontecido nada entre os dois colegas. Connor a admirava pela coragem e pela integridade e os dois tinham um relacionamento estritamente profissional. Mas qualquer um que não conhecesse a amizade entre os dois chegaria a uma conclusão totalmente equivocada se encontrasse a moça descendo as escadas que levavam ao apartamento de Ward nas primeiras horas daquela manhã.

Rachel aparentava ter vinte e poucos anos. Os cabelos pretos eram curtos e exibiam um corte pixie moderno. Naquela manhã, a policial havia trocado a farda por um disfarce que a fazia se misturar facilmente na multidão, com um vestido floral e sapatilhas baixas. A maquiagem leve era apropriada para as primeiras horas do dia e os óculos escuros impediram que Walsh reconhecesse a menina que passou por ela nas escadas. Rachel costumava ser muito atenta, mas nem em mil anos a policial imaginaria que a filha de Don Alessio Moccia frequentava o apartamento do gerente do cassino.

Quando novas batidas soaram na porta do apartamento dois minutos depois da saída de Rachel, Connor chegou a olhar ao redor para se certificar se a colega não havia esquecido nada na sala. Como esperava encontrar o rosto sereno da amiga, Ward não disfarçou a surpresa ao abrir a porta e se deparar com os olhos felinos de Michaela Moccia. A expressão homicida da garota respondia à pergunta que surgiu na mente de Connor. Sim, Mika havia cruzado o caminho de Rachel naquela manhã.

- Sabe de uma coisa? – um sorriso relaxado surgiu nos lábios de Ward enquanto ele encostava o ombro no batente da porta – É estranho ver você batendo em uma porta. Muito estranho mesmo, eu nem sei como reagir nesta situação inédita. Vou me sentir mais à vontade se repetirmos esta cena. Eu finjo que não te vi, fecho a porta e você entra sem bater, berrando como uma louca, apontando o dedo na minha cara e cuspindo ofensas em italiano. O que me diz, bambina? Bem melhor assim, hm?

O terno ligeiramente amassado e o semblante cansado de uma noite em claro indicavam que o gerente havia chegado do trabalho há poucos minutos e nem tivera tempo de se acomodar em casa. Aquela era uma prova de que Connor não havia passado a noite com a bela morena que descera as escadas, mas isso ainda não explicava a presença de Rachel no apartamento do rapaz.

- Conseguiu fugir do Leoncio de novo?

O gerente pareceu sinceramente preocupado em meio às provocações. Mika era a única pessoa que não enxergava o quanto era arriscado transitar sozinha pelas ruas de Vegas depois do ataque sofrido por Matilda e Cameron.

- Você não está me dando escolha, bambina. Terei que aconselhar o seu papá a contratar um novo segurança. – o sorriso de Connor se tornou mais malicioso – Ou talvez ele te inscreva para participar do America’s Supernanny. Você vai ficar muito sexy no cantinho da disciplina.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Qui Abr 06, 2017 1:49 am

Enquanto se entregava ao beijo, Matilda tentou se convencer de que aquilo também fazia parte da missão. Não era uma atitude nada louvável, mas a governanta se sentia menos culpada com a ideia de que só estava nos braços de Cameron Lahey novamente para ajudar na derrocada do império Moccia. Como braço direito do mafioso, Cameron tinha acesso a todas as informações que poderiam concluir com êxito a missão de Ward.

Se o segurança confiasse plenamente nela, Matilda poderia arrancar dele todas as provas que Connor precisava contra a máfia. Aquele galpão lotado de mercadorias era a maior prova de que o envolvimento com Cameron poderia ser muito produtivo para a missão dos dois irmãos.

Aquele pensamento racional fazia com que Belmont se sentisse menos culpada, mas no fundo a governanta sabia que estava mentindo para si mesma. Matilda não estava novamente nos braços de Cameron porque queria destruir os Moccia. Ela estava ali porque o segurança lhe arrancava arrepios, fazia as suas pernas amolecerem e a aquecia por inteiro com apenas um beijo.

Nenhuma mulher discordaria do quanto Cameron Lahey era atraente, mas Matilda sabia que não era apenas isso que a agradava. A mulher séria que ela gostava de ser na mansão do Moccia jamais se envolveria com um homem como Cam. Por outro lado, a mulher que guiara o carro durante o tiroteio se sentia absurdamente atraída pelo mistério que rondava o segurança. O fato de Cameron ser um homem perigoso e cheio de segredos só o tornava mais atraente aos olhos daquela mulher que Matilda tentava esconder sob a máscara de uma governanta séria e responsável.

Embora Belmont vivesse uma guerra interna com relação ao segurança, Cameron não teria nenhum motivo para questionar o comportamento de Matilda naquela noite. Os lábios dela corresponderam ao beijo de forma sedenta, seus dedos se afundaram nos cabelos do segurança e as mãos de Lahey não teriam dificuldade de notar os arrepios que se espalhavam na pele dela. Definitivamente, a governanta não parecia encarar aquele beijo como uma penosa obrigação da missão de Ward.

A diferença nas alturas obrigou Matilda a se colocar na ponta dos pés para facilitar o acesso aos lábios do segurança. Era bizarro sentir-se protegida nos braços de um homem tão perigoso, mas a governanta não conseguia deixar de lado aquela sensação agradável de que nada poderia atingi-la enquanto Cameron estivesse por perto.

A respiração de Belmont estava ofegante quando os lábios finalmente se separaram. Novos arrepios se espalharam em sua pele enquanto Lahey desenhava uma trilha de beijos na pele exposta do pescoço dela.

- Cuidado com o que você deseja, Lahey. – com a pontinha das unhas, Matilda arranhou a nuca do segurança – Tem certeza de que vai saber lidar com a maluca que guiou o carro naquele dia? Nem eu mesma sei o que esperar dela...

Aquela brincadeira arrancou um sorriso mais leve dos lábios da governanta. Matilda afastou o rosto apenas o suficiente para conseguir encarar Cameron e, com uma das mãos, a moça acariciou o rosto áspero graças à barba por fazer.

Quando buscou pelas íris claras do segurança, Belmont encontrou mais do que somente o homem perigoso que cumpria cegamente as ordens de Don Alessio Moccia. Instintivamente, sua memória trouxe à tona a letra da música que os dois ouviram enquanto seguiam para o galpão e Matilda se perguntou o quanto Cameron era atormentado pelos demônios que ele escondia dentro de si.

Sem romper o contato visual com ele, a governanta cobriu os lábios de Cameron com mais um beijo. Ao contrário dos beijos anteriores, contudo, aquele contato gentil demonstrava mais carinho do que a atração física que motivara os primeiros beijos. Era como se Matilda quisesse atingir também o homem que Lahey escondia por trás da máscara do cão de guarda dos Moccia.

Aquele era um detalhe em comum entre os dois que os aproximava. Ambos se escondiam atrás da imagem que a sociedade esperava que eles usassem. Matilda executava com perfeição o papel de uma governanta sóbria e responsável enquanto Cameron mostrava ao mundo uma falsa indiferença quanto aos fantasmas do seu passado.

- Prometo não implicar mais com os seus biscoitos. – o sorriso de Belmont se alargou e ela repetiu um gesto carinhoso ao apoiar a testa no queixo do segurança – É tudo o que eu posso prometer no momento. Mas acho que já é um bom começo, não é?
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Abr 08, 2017 3:31 am

Os lábios de Michaela se contorceram em um sorriso sarcástico que mais parecia com uma careta diante do comentário de Connor. Os olhos esverdeados estavam estreitos de forma ameaçadora, mas ela levou um tempo considerável até conseguir mover os lábios para emitir algum som.

O tempo, que deveria ter servido para que seu sangue parasse de ferver e que ela estivesse calma o bastante para poder responder, apenas serviu para que as palavras explodissem sem que Mika sequer notasse o quanto estava furiosa.

- Pelo menos um de nós está mantendo a tradição. Parece que cada porta que eu resolver atravessar, vou encontrar você com uma vadia diferente.

A filha de Alessio Moccia estava longe de ser um exemplo de uma pessoa calma. Mas Connor Ward tinha a incrível habilidade de despertar os seus extremos em questão de segundos.

Poucos minutos antes, Mika exibia um sorriso vitorioso nos lábios enquanto subia decidida as escadas para o apartamento do gerente do cassino, satisfeita pela conquista de ter se livrado do segurança particular mais uma vez. Mas a certeza de que Connor havia passado as últimas horas com outra mulher foi o suficiente para que qualquer motivo de felicidade desaparecesse.

Mika dizia a si mesma que o que a irritava era o fato de ser apenas mais uma na lista de diversão de Connor. Por mais que tivesse consciência que ela e o gerente do cassino não tinham nenhum relacionamento de verdade, seu ego inflado insistia em reforçar que ela deveria ser boa o bastante para que Ward não precisasse se divertir com mais ninguém.

Mas era a segunda vez que Moccia encontrava Connor com outra mulher e, depois da uma discussão, ficava ainda mais difícil esconder o inegável ciúme que estava sentindo.

- Eu tenho uma outra sugestão... – Mika arqueou a sobrancelha com uma expressão sarcástica, já sem o menor vestígio de um sorriso forçado nos lábios. Ela apontou para o corredor atrás de si com o polegar antes de completar. – Você fecha a porta, eu vou embora, fico no cantinho da disciplina o mais longe possível para não atrapalhar a vadia da vez.

Os olhos esverdeados se arregalaram em uma falsa surpresa quando Michaela ergueu o pulso para encarar o relógio delicado, sem realmente se importar com as horas.

- Olha só, você só deve ter uns quinze minutos até a próxima vadia resolver aparecer. Então eu vou indo, aposto que tem muitas outras portas que posso abrir por aí sem precisar ser comparada como uma criança.

As últimas palavras de Mika foram entoadas já sem o menor esforço de soar sarcástica. Os lábios pintados de um rosa claro formaram um grande bico que contradizia sua irritação pela comparação com uma atitude infantil.

Michaela sabia que estava agindo como uma namorada ciumenta, que aquela era a última atitude esperada para o tipo de relacionamento que ela e Connor haviam concordado em ter. Mas era mais forte do que a voz que gritava em sua mente que ela estava parecendo uma menina boba se rebaixando para um simples gerente.

Irritada por ter saído de casa naquela manhã com um sorriso bobo nos lábios e com os pensamentos em Connor apenas para se decepcionar mais uma vez, e ainda mais irritada consigo mesma por ter se deixado passar por aquela situação, Mika bufou e girou sobre os calcanhares antes que os sentimentos confusos lhe traíssem e coisas ainda mais indevidas escapassem pela sua boca.
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