Viva Las Vegas!

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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Maio 30, 2017 9:12 pm

Michaela nunca precisou monitorar o próprio temperamento antes do casamento com Connor. As pessoas ao seu redor simplesmente precisavam aceitar as explosões constantes quando alguma coisa saía do desejado pela filha de Alessio Moccia.

Porém, na sua tentativa de fazer aquele casamento dar certo, Mika havia prometido a si mesma que se esforçaria para não explodir com tanta facilidade. É claro que não era uma tarefa fácil, considerando que aquilo fazia parte da sua personalidade, mas ela vinha conseguindo minimizar as brigas por besteiras.

Naquela noite, quando Mika tinha todos os motivos mundo para já ter explodido, ela apenas se concentrava em controlar a respiração e ignorar os nervos à flor da pele quando, mais uma vez, o trabalho de Connor se tornou uma prioridade, obrigando os dois a perderem a comemoração tão especial daquela noite.

O vestido branco escolhido para o aniversário de casamento havia sido selecionado depois de infinitas procuras em diversas lojas, mas parecia mesmo ter sido a melhor opção. O tecido justo se moldava junto ao corpo delicado da menina, alcançando até a metade de suas coxas. O decote era comportado e realçado apenas pelo fino cordão de ouro. Os cabelos cacheados tinham sido puxados para um penteado semi-preso em sua nuca e a maquiagem delicada completava o visual caprichado de Mika.

O batom rosado já quase tinha se desfeito na borda de uma taça de vinho branco, esquecida pela metade sobre a mesinha de centro. A bolsa de Michaela estava largada sobre o sofá e os saltos retirados para o lado denunciavam que ela já havia desistido daquela espera.

Ainda assim, apesar da intensa expressão insatisfeita que Connor encontrou na esposa ao pisar em casa, Mika lutava até o último segundo para ao menos ouvir as justificativas do marido para aquele grande deslize. É claro que uma briga seria inevitável, mas ela estava disposta a ouvir pelo menos as desculpas que ele certamente teria ensaiado no caminho até em casa.

Quando as palavras de Ward ecoaram pelo apartamento, o olhar de Michaela se estreitou de forma perigosa. O queixo dela despencou, incrédula diante da repentina amnésia do marido, depois de todo o preparativo para aquela comemoração.

- Você está de brincadeira, não é?

Os olhos verdes não passavam de duas ameaçadoras fendas quando Mika se colocou de pé. Ela cruzou os braços contra o peito, e mesmo parecendo muito mais baixa com a ausência dos saltos, parecia assustadora.

- Eu estou te esperando a noite toda, Connor! O que pode ser mais importante que o nosso casamento?

A alfinetada de Connor fez com que o olhar felino se arregalasse por um breve segundo apenas para se tornarem completamente homicidas no instante seguinte. Qualquer tentativa de conter aquela briga foi por água abaixo e Michaela se sentiu completamente cega pelo ódio.

Ward costumava ser um marido atencioso e carinhoso, mas as constantes implicâncias que faziam parte daquele relacionamento muitas vezes serviam como combustível para alguma nova briga. Naquela noite, entretanto, Connor havia ultrapassado todos os limites.

- Você está com fome? – O tom irônico era apenas um sinal da explosão que estava por vir.

Mika atravessou a sala até alcançar a cozinha. Como a única coisa que dividia os dois cômodos era uma bancada, Connor não teve dificuldades de ver quando a cabeleira da esposa sumiu no interior da geladeira.

- Que tal um pouco de assado? – Um pote escuro foi retirado da prateleira e arremessado através da bancada até se desfazer diante dos pés de Connor, sujando o piso do apartamento com o molho da carne. – Ou um espaguete???

Um novo pote foi retirado e desta vez Michaela se voltou por inteiro para arremessa-lo na direção de Connor. No movimento rápido, um fio do macarrão ainda chegou a deslizar pelo seu vestido, sujando o tecido branco com o tomate. Ignorando por completo aquele pequeno detalhe da ruína daquela noite, Mika agarrou um pedaço de queijo na prateleira de cima e desta vez conseguiu acertar o braço de Connor.

- Me parece um belo banquete para o idiota que você é, Connor!

O penteado de Michaela começava a se desfazer quando ela apoiou as mãos sobre a bancada que separava a cozinha e a sala, sem se importar se estava agindo como uma completa maluca. Em sua cabeça, toda aquela cena ainda era pouco pela raiva que estava sentindo.

- Onde diabos você se meteu a noite toda??? A nova vadia não podia preparar o jantar para você???
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Ter Maio 30, 2017 11:17 pm

Os braços de Lahey permaneceram cruzados contra o peito, em uma postura claramente defensiva. E ele precisou desviar o olhar de Matilda quando ouviu a confissão de que Richard Weber realmente havia tentado um relacionamento com a mãe dos gêmeos.

Belmont era uma mulher linda, tinha uma força incrível e era completamente independente. Melhor do que ninguém, Cameron poderia enumerar as centenas de qualidade que fizeram com que ele se apaixonasse por ela. É claro que Weber seria louco por não notar como Matilda era diferente de tantas mulheres pelo mundo.

Mas bastou que a conversa seguisse por um novo rumo para que os lábios de Cameron se curvassem em um sorriso. As íris azuis ainda estavam presas em um ponto distante da cozinha, mas era nítido como Matilda já havia conseguido amaciar os ciúmes e reforçar a sua segurança. Lentamente, Cam voltou seu olhar para a morena a sua frente, já completamente domado.

Seus braços descruzaram apenas para puxar Matilda pela cintura e envolve-la em um abraço. Cada vez mais, os erros do passado se tornavam borrões esquecidos, para que os dois dessem uma verdadeira chance ao futuro que mereciam juntos.

Mesmo com o curto período de tempo com os gêmeos em sua vida, Cameron já havia percebido que realmente aquela paz era uma raridade. Por isso, nem pensou duas vezes em deixar de lado qualquer discussão para aproveitar o fim da tarde ao lado de Matilda.

Quando estavam sozinhos, os beijos apaixonados mostravam que o tempo separados servira apenas para torna-los ainda mais ansiosos um pelo outro. As mãos já sabiam exatamente onde procurar por cada carícia e toda a intimidade construída do antigo relacionamento estava de volta.

Assim como antes, mesmo depois que estavam satisfeitos e com os lençóis embolados em suas pernas, Cameron e Matilda permaneceram unidos até que as respirações estivessem novamente controladas. Enquanto refletia sobre a própria vida e em todas as reviravoltas que o levavam até aquele momento, Lahey só conseguia se sentir abençoado.

Seus dedos subiam e desciam pelas costas de Matilda, até alcançar os fios curtos que cobriam a nuca dela. Pouco a pouco, o cansaço e as conversas banais permitiram que os dois relaxassem por completo, e eles só se viram obrigados a voltar a realidade quando o balbuciar de David começou a ecoar pela babá eletrônica.

Provavelmente pelo costume daqueles anos como mãe solteira, Matilda prontamente estava disposta em correr na direção dos filhos. E o timing foi perfeito quando ela deixou o quarto e o celular de Lahey começou a tocar.

Preguiçosamente, Cam se esticou até pegar o aparelho na mesa de cabeceira e, ao encontrar o nome conhecido no visor, lançou um rápido olhar para a porta do quarto, se certificando de que estava mesmo sozinho.

- Lahey?

A voz masculina soou do outro lado no instante em que Cam apertou o botão para atender a ligação.

- Rainer. – Ele tomou o cuidado para manter a voz baixa ao deslizar para fora da cama, correndo até a porta entreaberta para terminar de fechá-la. – O que houve? Algum problema?

O ruído que ecoava pela linha denunciava que Rainer estava no meio da rua enquanto fazia aquela ligação, mas ainda assim, Cam conseguia ouvir suas palavras com perfeição.

- Não, chefe. Quer dizer... Nada que eu não consiga resolver. Alguns problemas, mas o de sempre.

- A documentação não foi aprovada outra vez? – Lahey afundou na beirada na cama e deslizou os dedos para esfregar o rosto, cansado daquela mesma história.

- Sabe como é... É o legado de Alessio Moccia. Os caras fazem de tudo para atravancar.

- O cassino não é mais dos Moccia. Alessio mal conseguiu ficar com a própria casa depois de tudo que aconteceu. Eu paguei por cada centavo...

Quando o mafioso foi algemado e condenado a prisão, suas contas, seus imóveis e seus negócios foram todos apreendidos pela polícia. O cassino, a menina dos olhos daquela família, foi fechado como se fosse a própria cena do crime. Depois de infinitas manobras dos advogados, Alessio conseguiu manter a própria casa, assim como Michaela só permanecera com o apartamento por não ter o nome do pai na escritura e nada que comprovasse que havia sido comprado com todo o dinheiro da pirataria.

Como todo o império de Alessio tinha sido apreendido, os imóveis começaram a ser revendidos pelo governo por um preço irrisório. Ainda assim, o cassino tinha sido uma pequena fortuna para um homem como Cameron. Mais uma vez, graças as manobras dos advogados, as autoridades não desconfiavam que aquela compra tinha uma generosa quantia de contas no exterior com o nome de Alessio.

Ainda assim, por mais que não tivesse conquistado pelo meio mais legal, Cameron era o novo dono do cassino Moccia. E trabalhava duro, de forma sigilosa, na reabertura do que seria o seu próprio negócio.

Em partes, Cameron se sentia orgulhoso por trabalhar na esperança de reerguer algo que significava tanto para Alessio. Mas o principal, ele ansiava pela oportunidade de ter ali o seu futuro longe da máfia. Com a dedicação que se empenhava na reforma e reabertura do cassino, ele tinha certeza que conseguiria administrar o cassino para ser o seu verdadeiro ganha pão.

Talvez por força do hábito, ou porque realmente queria dizer aquilo, Cameron soltou um longo suspiro antes de responder com uma de suas frases mais antiga, sem notar que Matilda voltava a se aproximar do quarto.

- Esqueça, Rainer... Eu vou cuidar disso pessoalmente.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Qui Jun 01, 2017 12:51 am

Embora o histórico de brigas do casal Ward fosse bastante amplo, eram raras as vezes em que Connor perdia o controle da situação. Geralmente Michaela explodia enquanto o marido mantinha a racionalidade e pegava para si a obrigação de amenizar a fúria da esposa. As discussões chegavam ao fim com alguma implicância carinhosa, com um beijo ou um pedido de desculpas que desarmava Mika.

Naquela noite, porém, Connor sabia que a briga não terminaria bem. Quando saiu do apartamento nas primeiras horas da manhã, Ward planejava uma noite especial que agora não aconteceria. Pelo contrário, o policial retornara para casa disposto a colocar um fim naquele casamento.

A explosão do furacão Mika já era mais do que esperada depois do comportamento de Connor e de suas provocações. Era doloroso vê-la tão bonita, pronta para uma noite romântica que não poderia acontecer.

Enquanto Michaela enlouquecia e arremessava comida por toda a sala, Ward pensou seriamente em colocar um fim naquela loucura e abrir o jogo com a esposa. Mas a ideia de ver Mika algemada e trancafiada injustamente em uma prisão era mais do que o suficiente para dar ao policial a coragem de ir até o fim naquela chantagem de Dalila.

Os dedos de Ward foram levados ao braço dolorido depois de ter sido atingido pelo queijo e, se a situação fosse outra, ele certamente implicaria com o fato de uma garota tão delicada quanto Mika ter tamanha força. Mas ao invés de tentar suavizar a crise com uma brincadeira, Connor estreitou os olhos. Sua garganta estava travada, mas o rapaz se obrigou a ir adiante, sempre alimentado pelo desespero de pensar no futuro terrível que aguardava Mika se os dois continuassem juntos.

- Eu estou farto de tudo isso. Quer saber, Michaela? Você não vale todo o sacrifício que eu faço para ficar do seu lado. Você nunca vai crescer e eu cansei de brincar de casinha com uma garotinha. Eu preciso de uma mulher.

Propositalmente, Connor tocou em um ponto fraco de Mika. Desde o início do relacionamento com o gerente do cassino, Michaela odiava ser vista com uma menina mimada. Seus traços juvenis contribuíam para aquela imagem indesejada, mas era o comportamento imaturo da garota que reforçava aquela ideia equivocada.

Mesmo depois de dois anos, Mika continuava dona de uma personalidade indócil e arrogante, mas era notável que a filha de Don Alessio havia amadurecido muito nos últimos tempos. As crises de ciúmes eram mais raras e contidas, Michaela se esforçava para ser mais centrada e para que aquela segunda tentativa com Connor desse certo. Por isso, era muito injusto receber aquela ofensa justamente naquele momento.

- Pra mim já chega. – a garganta de Connor se fechou ainda mais, mas o policial se obrigou a ir até o fim – Acabou. Vou pegar as minhas coisas e dar o fora.

Como estava acostumada a ver o marido finalizar as brigas com beijos e brincadeiras, provavelmente foi chocante para Michaela assistir quando Connor arrancou o aliança do dedo e a jogou sobre a bancada que separava a cozinha da sala. O aro dourado deslizou pela superfície lisa antes de parar bem diante de Mika.

Apesar da briga daquela noite, a atitude de Connor não fazia nenhum sentido. Há poucas horas, os dois tinham se despedido naquele mesmo apartamento com um beijo apaixonado e com a promessa de fazerem daquela noite uma comemoração especial. O casal Ward já havia superado crises muito maiores, era no mínimo estranho que Connor desistisse do casamento justamente agora que os dois estavam se entendendo tão bem.

Mas Mika notaria que o marido estava falando sério quando viu Connor marchar até o quarto do casal. Uma mala foi aberta sobre a cama e as roupas do policial começaram a ser arremessadas de qualquer maneira dentro dela. O coração de Ward se acelerava dolorosamente dentro do peito, mas sua mente racional não permitia que Connor cedesse. Era justamente por amar Michaela que ele deveria deixá-la.
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