Viva Las Vegas!

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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Mar 13, 2017 12:38 am

As mãos de Cameron estavam firmes ao volante, sem qualquer sinal de alteração. Os olhos azuis deslizavam pelos espelhos a procura de qualquer sinal de um novo ataque, e mesmo encontrando a paisagem tranquila ficando para trás, ele era incapaz de relaxar.

A preocupação de Matilda, mesmo em meio ao caos, foi a única coisa capaz de fazer a atenção de Lahey se desgrudar dos espelhos, se voltando para a mulher ao seu lado com confusão. Talvez o nervosismo dela não permitisse que seu tato sentisse as batidas aceleradas do coração de Cameron, mas a forma como ele começava a respirar ruidosamente mostrava que a adrenalina havia lhe atingido.

- Eu?! Que tal você? Não está machucada?

O olhar de Cam subiu pelo ombro de Matilda até encontrar o vidro trincado onde a primeira bala havia atingido. Involuntariamente, seu estômago se contorceu, mas ele se obrigou a respirar fundo e manter a calma. Quando sua atenção se voltou para a rua e os espelhos, Cam parecia ter voltado ao controle, embora ainda sentisse o coração acelerado.

- Se for vomitar, pode esperar até estacionarmos? Não está no meu contrato limpar a sua sujeira.

Um sorriso no canto dos lábios denunciava a brincadeira em uma tentativa de acalmar os ânimos. Matilda estava nitidamente alterada e Cameron não poderia julgá-la. Mesmo depois de anos de prática, ele ainda se sentia afetado com a adrenalina de situações como aquela.

Embora tiroteios como aquele não fossem exatamente uma rotina, também não era uma completa exceção em seu estilo de vida. Carregar uma arma e atirar era tão natural quanto trocar a marcha do carro e Cameron entrava em modo automático quando precisava agir.

Ele não podia esperar que Matilda tivesse a mesma reação. Afinal, ela sequer deveria estar ali. Aqueles tiros não eram destinados a ela, Cam sabia. Mas aquele pequeno detalhe não significava nada quando ainda cabia a ele deixa-la em segurança.

O carro ainda seguiu por mais dez minutos até Cameron ter a certeza de que não havia mais ninguém seguindo. Apesar disso, o mercado e a mansão não estavam em sua mente como destino final. Nenhum dos dois teria cabeça para andar entre corredores de leites e iogurtes depois daquela cena, assim como Cameron não pretendia arriscar a ínfima chance de ainda correrem perigo e atrair atenção para a casa dos Moccia.

Dirigindo silenciosamente, Cameron foi cada vez mais se afastando das ruas movimentadas. Em pouco tempo, a estrada se tornou mais vazia, com poucas construções ou vegetação. O deserto de Nevada era o cenário perfeito, pois seria impossível de qualquer um se esconder.

Apesar do perigo ter acabado, Lahey ainda sentia a tensão do carro. E foi sem pensar que ele esticou a mão até tocar os dedos gelados de Matilda, em um gesto de conforto.

- Acabou, tá legal? Você está segura agora.

Sem soltar os dedos de Belmont, Cameron ainda seguiu pela estrada vazia, acompanhado apenas do pôr do sol, até finalmente chegar no destino que tinha em mente. O prédio grande e quadrado, com tijolos vermelhos parecia abandonado em meio ao deserto.

O som das rodas do carro mudou quando deixaram a estrada e começaram a deslizar pela areia avermelhada do deserto até finalmente estacionar em frente ao prédio. Toda a sua frente era feita com grandes portas de ferro, como se fossem de um antigo mercado.

Cameron guiou Matilda até o interior, mostrando intimidade com o local. Quando eles finalmente pisaram em seu interior, Cam alcançou o interruptor na parede lateral e as luzes se acenderam, revelando um grande galpão.

O teto de aço era absurdamente alto. Prateleiras de ferro se enfileiravam em um dos cantos, e ao fundo, em uma parte ainda sem iluminação, um helicóptero parecia adormecido e abandonado.

O pequeno aeroporto particular de Alessio Moccia era usado basicamente para suas negociações de mercadorias ilegais. As prateleiras estavam abarrotadas do que poderia causar a prisão de Moccia por anos, e por desconhecer qualquer envolvimento de Matilda com um policial, Cameron não pensou no erro que estava cometendo. Em sua cabeça, eles só precisavam de um lugar afastado para se acalmarem.

- Eu não sei exatamente o que aconteceu lá, Matilda. Mas de uma coisa eu tenho certeza. Você só estava no lugar errado, na hora errada. E com a pessoa errada.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Mar 13, 2017 1:01 am

Toda a frustração e humilhação causadas pelos últimos acontecimentos não iriam desaparecer como mágica. Mas por alguns instantes, Michaela conseguiu ignorar aqueles sentimentos e sentiu seu peito se aquecer diante das palavras de Connor.

Mika estava acostumada a receber toda atenção que o dinheiro pudesse comprar. Seu pai poderia idolatrá-la e Cam definitivamente fazia parte daquela família fora dos padrões. Mas era a primeira vez que ela ouvia alguém soando sinceramente preocupado com o seu bem-estar.

Inconscientemente, Michaela cruzou os braços sobre a barriga, deixando a mão erguida com o polegar apoiado sobre os lábios. Parecia bobagem se preocupar com a aparência depois de todo o drama, mas ela finalmente se envergonhou por estar com os cabelos desalinhados e vestindo apenas um roupão do hotel. Connor não passava de um gerente do cassino, mas ainda assim, Mika queria estar mais apresentável ao ouvir as palavras mais suaves que ele tinha a lhe dizer.

Quando o celular quebrado foi erguido, Mika imediatamente franziu a testa, confusa. Mas a explicação de Connor lhe atingiu como um soco no estômago.

- Naomi Clark.

Um sorriso triste brotou nos lábios sem cor de Michaela, o que a fazia parecer uma pessoa completamente diferente de quando estava dando ordens ou agindo como a figura mais importante do lugar.

- Você também pode chama-la de Miss Arizona. Provavelmente a garota mais bonita da pior festa que Vegas já viu.

Ainda com os braços cruzados, Mika deixou seus dedos dos pés afundarem no carpete enquanto caminhava até Connor. Ela segurou o celular quebrado, encarando a tela rachada por alguns segundos enquanto encarava seu próprio reflexo distorcido.

Era patético como ela tentava desesperadamente ser como Naomi, quando ao invés de encontrar nela uma amiga, recebia aquele comportamento em resposta. Mika se sentiu ainda mais envergonhada pelo seu comportamento na noite anterior quando ergueu o rosto para encontrar Connor há quase um palmo acima de sua cabeça.

- Eu acho que ainda não agradeci pelo que você fez por mim, não é?

Definitivamente, Michaela Moccia não estava acostumada a agradecer ninguém. Ela sempre tinha pessoas para cumprir seus desejos porque elas eram bem pagas para tal. Não fazia parte do seu mundo receber algo de forma espontânea. E por mais que Ward fosse um dos funcionários de seu pai, o que ele havia feito naquela noite ia exatamente em contramão ao seu papel no cassino.

- Sinto muito que meu pai não possa saber o que você fez por mim, Connor. Mas eu vou cuidar pessoalmente por uma recompensa. É o mínimo que eu posso fazer.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Seg Mar 13, 2017 1:13 am

Enquanto o carro se afastava das ruas mais movimentadas da cidade, a mente de Matilda vagava muito distante da realidade. Sua memória reproduzia as cenas de horror que ela havia acabado de viver e uma vozinha no fundo de sua cabeça não parava de lhe perguntar se ela havia feito a escolha certa. Por mais que amasse Connor e quisesse ficar ao lado do irmão naquela missão arriscada, Belmont sabia que não tinha estrutura para aquele tipo de vida.

Os dedos da governanta estavam gelados quando sua pele entrou em contato com a de Cameron. Aquele toque trouxe Matilda de volta à realidade, mas ela ainda parecia meio atordoada quando dirigiu seu olhar para Lahey. Só então a garota percebeu que eles estavam se afastando de Vegas, mas nem assim houve qualquer tipo de questionamento sobre o destino final do veículo. Tudo o que Belmont queria era deixar para trás o cenário no qual ela quase fora morta a tiros em uma perseguição.

A respiração de Matilda não era ruidosa, mas a frequência alta com que o peito dela subia e descia provava que a adrenalina ainda circulava ferozmente por suas veias. Quando finalmente chegaram ao galpão, a governanta seguiu mecanicamente os passos de Cameron até o interior do prédio. As marcas dos disparos na lataria do carro fizeram o estômago da moça se contorcer, mas apesar da palidez preocupante de Matilda, não houve qualquer outra manifestação de fraqueza.

Aquele galpão era uma vitória para a missão de Connor e Matilda. Ali estavam as provas de que Don Alessio Moccia usava o seu dinheiro e a sua influência de forma ilegal. Se a polícia invadisse aquela fortaleza, todo o império dos Moccia cairia e o mafioso fatalmente seria condenado a passar o resto de seus dias em uma prisão.

Contudo, a atenção de Belmont não se fixou nas prateleiras abarrotadas. Seu corpo trêmulo ainda não havia relaxado por completo e a mente não pensava com clareza. Desde a mais remota infância, Matilda detestava demonstrar fraqueza principalmente diante de desconhecidos, mas naquele fim de tarde foi impossível se manter firme depois de sofrer uma tentativa de homicídio.

Por mais que Belmont soubesse que nenhum dos inimigos dos Moccia tinha motivos para atirar contra ela, foi na direção da cabeça da governanta que a primeira bala fora disparada. Mesmo sabendo que Cameron definitivamente não era o mocinho daquela história, o que Matilda enxergou nele naquela tarde fora a imagem do homem que salvara a sua vida. Se não fosse pelas habilidades do segurança de Don Alessio, Belmont não teria saído viva daquele passeio.

- Eu estava com a pessoa certa.

Não importava se Cam era o mocinho ou o vilão daquele tiroteio. Quando deu um passo adiante e enlaçou o pescoço dele com um abraço, Matilda estava agradecendo ao homem que salvara a sua vida.

Não demorou para que lágrimas quentes e silenciosas manchassem a camisa de Lahey, mas ainda assim a governanta não se afastou do abraço apertado. Sua mente atormentada era incapaz de raciocinar e a adrenalina que ainda circulava nas veias da moça exigia que Matilda extravasasse as emoções de alguma maneira.

Belmont não saberia explicar como aconteceu, ou de quem partiu a iniciativa. Foi um instinto inexplicável e uma vontade sufocante de se sentir viva que fez com que ela mergulhasse num beijo sufocante e se agarrasse com ainda mais firmeza ao tronco de Cameron Lahey, ignorando por completo o fato de estar nos braços de um dos homens de confiança de Don Alessio Moccia.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Mar 13, 2017 1:41 am

A voz de Matilda ainda soava afetada depois dos últimos acontecimentos, mas as palavras dela soaram com bastante firmeza aos ouvidos de Cameron, provocando um arrepio gostoso em sua espinha, como se de alguma forma ele fosse especial por ter sido a pessoa certa para ela naquela tarde.

Antes de encontrar Don Alessio, Lahey não passava de uma sombra para a sociedade. Um vagabundo que precisava assaltar despensas alheias para não morrer de fome, que dividia o espaço com drogados e sem-teto completamente insignificantes.

Mesmo depois que foi acolhido pelos Moccia, Cameron só sentia a gratidão e a fidelidade. Ele havia sido recebido como um filho nos braços de Don Alessio. Mas em nenhum dos tantos trabalhos que já havia prestado para o homem que salvara sua vida, ele se sentira tão especial quanto naquela tarde.

Sacar uma arma e atirar contra o peito de alguém poderia tirar o sono de um homem normal e definitivamente não era algo que exibiria aos olhos de alguém como Matilda. Enquanto segurava a mão dela no carro, tudo o que Lahey pensava era em como ela parecia assustada e como poderia ter pago com a própria vida apenas por estar no lugar errado, naquela vida imunda que ele tinha.

Cameron chegou a imaginar que Belmont desistiria de seu novo emprego ali mesmo, que sequer voltaria para prestar as contas com seu novo patrão. Mas ouvir da boca dela que ele era a pessoa certa fez com que seus ombros relaxassem e os pulmões voltassem a trabalhar normalmente.

Por já ter tido diversas mulheres em seus braços, Lahey já havia interpretado nos movimentos de Matilda o que estava por vir. Uma parte de sua mente lhe exigiu que afastasse, gritando de que ele estava se aproveitando do momento de fragilidade da governanta. Mas o desejo que Cameron havia tido desde que colocara os olhos em Matilda pela primeira vez foi maior.

Uma parte do seu corpo relaxou ao matar a curiosidade sobre a textura ou o sabor dos lábios de Belmont. Mas aquele mesmo contato fez seu coração disparar na mesma velocidade de quando estavam sendo perseguidos.

Instintivamente, Cameron rodeou a cintura de Matilda com os braços fortes, a mantendo presa contra seu corpo. Os pés dela chegaram a ser erguidos alguns centímetros do chão e uma carga elétrica percorreu o corpo de Cam, de uma forma que ele jamais havia experimentado antes.

O lado racional de Lahey logo chegou à conclusão de que ainda era parte da adrenalina provocada pelo tiroteio, mas o sabor do beijo de Matilda era inigualável, o obrigando a querer mais, aquecendo todo o seu corpo de forma viciante.

Uma das mãos de Cam foi erguida até mergulhar seus dedos nos longos fios negros de Belmont. Com um leve puxão, ele obrigou que a cabeça dela fosse inclinada para cima, interrompendo o beijo. Mas seus lábios logo se ocuparam em acompanhar o desenho do maxilar dela, descendo pelo pescoço.

O perfume que Cameron havia sentido no carro antes de deixarem a casa dos Moccia agora estava impregnado em suas roupas. A pele dela era ainda mais macia do que Cam poderia sonhar e o desejo de desvendar cada uma de suas curvas aumentava descontroladamente.

Mulheres sensuais e ousadas já haviam passado pelos braços de Lahey, mas a química surpreendente com Matilda nunca havia sido experimentada antes pelo fiel segurança de Alessio Moccia.

Sem abrir os olhos e com os lábios ainda pressionando a pele macia de Matilda, Cameron deixou um sorriso escapar, se deliciando com a situação.

- A forma com que você assumiu o volante... Foi a coisa mais sexy que eu já vi. Queira ou não, nós formamos uma bela dupla.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Seg Mar 13, 2017 1:52 am

A mentira sobre a gripe foi usada novamente no dia seguinte, quando Connor se sentia esgotado demais para virar a madrugada trabalhando. Mais uma vez, ninguém questionou o gerente quando Ward avisou que precisava ir para casa no meio da noite. A gripe era uma grande mentira, mas o semblante abatido do gerente depois de uma noite em claro definitivamente não era forjado.

Apesar de todos os problemas, tudo tinha terminado bem. Cameron acreditara que Michaela apenas tinha bebido alguns drinques a mais e que a ressaca deixava a personalidade da menina ainda mais azeda. O escândalo fora abafado e nenhuma das testemunhas da festinha de Mika tinha o interesse de que a verdade vazasse, afinal a aniversariante não fora a única que abusara das drogas naquela noite.

Embora sua conta bancária agora exibisse um débito de cinco mil dólares, Connor não pretendia reclamar. Aquela quantia seria uma bobagem para a fortuna dos Moccia e era mais da metade das economias de um policial em início de carreira. Mas aquele dinheiro havia salvado a vida de Michaela e, portanto, Ward não se arrependia de nenhum centavo gasto.

Depois de uma noite agitada, o gerente ainda não estava totalmente recuperado quando os primeiros raios de sol invadiram seu quarto por uma fresta da cortina entreaberta. Connor planejava passar mais algumas horas na cama, mas aqueles planos foram frustrados pelas batidas na porta, que ecoaram por todo o minúsculo apartamento.

O seu papel como espião limitava muito a vida social do policial. Ward não podia ser visto ao lado dos antigos amigos, muito menos da irmã que também estava envolvida naquela história com os Moccia. Portanto, não era comum que Connor recebesse visitas. A única pessoa que costumava bater em sua porta era o dono do prédio em busca do pagamento do aluguel, e era pelo rosto redondo do velho que Ward esperava quando abriu a porta, ainda com a cara amassada de sono e os cabelos atrapalhados apontando em várias direções.

Quando se deparou com uma imagem oposta à esperada, os olhos castanhos se arregalaram e Connor finalmente despertou por completo. Ao invés do velho corpulento que lhe importunava todos os meses, Ward encontrou uma garota baixinha, com os cabelos claros caindo em cachos pelos ombros estreitos.

- Como você chegou aqui???

A pergunta escapou de forma espontânea antes que a mente de Connor concluísse que Michaela Moccia sempre tinha todos os seus desejos atendidos. Se ela estava mesmo disposta a localizá-lo, bastaria um estalar de dedos e o endereço do gerente do cassino seria entregue nas mãos da menina.

- Esquece... – os olhos de Ward giraram e ele abriu mais a porta, abrindo espaço para que a garota entrasse – Vamos simplificar as coisas, Michaela? Por que você não me dá logo um tiro na nuca? Porque é isso que o seu pai vai fazer quando descobrir que eu estou escondendo informações dele. E quando ele souber que você já me viu nesses trajes...

Ward apoiou o ombro no batente da porta que separava a sala do corredor que levava ao quarto. Os braços foram cruzados diante do peito firme, mas Connor sabia que aquilo não minimizava o constrangimento de estar diante de Mika com seus “pijamas”, cujas peças se resumiam a uma camiseta preta e uma boxer da mesma cor.


- Qual é a emergência desta vez? Eu juro que peço demissão e fujo do país se você quiser me envolver em outra festinha no cassino.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Mar 15, 2017 1:52 am

Claro que arrancar o endereço de Connor Ward por livre e espontânea vontade da boca de Cameron jamais teria sido uma tarefa fácil. Embora ainda ocupasse o cargo de um dos “funcionários” de Alessio, Cam não se dobraria tão facilmente as exigências de Michaela sem enchê-la de questionamentos que acabariam entregando mais do que deveria sobre a festa de aniversário.

Já havia sido um milagre que Mika não ousava questionar como nenhuma fofoca havia chegado aos ouvidos de seu pai, mas ela não brincaria ainda mais com a própria sorte. Por isso, precisou usar de sua própria competência para arrancar aquela informação de Cameron sem que ele sequer desconfiasse.

O notebook de Lahey foi “emprestado” depois de uma ceninha em que Michaela contracenou, alegando que precisava desesperadamente confirmar se havia recebido um e-mail de confirmação sobre o envio de uma bolsa ainda não lançada no mercado. Algo que ela precisava fazer exatamente quando o celular havia descarregado por completo.

Com o endereço em mãos, tudo o que Mika precisou fazer foi adiar os compromissos que tinha com o pai durante todo o dia. Depois da comemoração de aniversário “entre amigos”, Alessio fizera com que ela reservasse todo um dia para que os dois passassem juntos em um clube, mas como era incapaz de dizer não para as vontades da filha, não se importou em perder aquela manhã para que os dois se encontrassem apenas durante o almoço.

Como o dia estava destinado para o pai, Mika tivera o devido cuidado de deixar de lado as roupas ousadas. O figurino escolhido fazia com que ela se encaixasse perfeitamente no papel da filha doce e meiga que Alessio acreditava ter.

O vestido rosa exibia um decote perfeitamente respeitável, com alças largas que marcavam seus ombros estreitos. A cintura se espremia delicadamente antes de abrir uma saia mais rodada e as sapatilhas deixavam Mika com a aparência ainda mais jovem. Os cabelos volumosos estavam soltos em largos cachos, com apenas duas mechas frontais que tinham sido puxadas para serem presas na parte de trás de sua cabeça.

Quando se deparou com Connor, foi impossível controlar as sobrancelhas loiras que imediatamente se arquearam em surpresa. Os olhos verdes acompanharam sem o menor pudor todo o físico de Ward, e o sorriso malicioso que brincou em seus lábios não combinava com a aparência de boneca que ela exibia.

A porta foi fechada e Mika encostou seu corpo contra a madeira, inclinando a cabeça para o lado sem desviar o olhar de Connor. Com o movimento, os cachos deslizaram pelo seu ombro e o som da risada melodiosa ecoou pelo apartamento.

- Eu não conto, se você não contar, bello.

Até então, Connor era apenas o gerente chato que tinha a audácia de negociar com ela a respeito de uma festa de aniversário. Ele havia surgido no meio da madrugada para lhe resgatar de uma forma que Mika seria eternamente grata. Mas era a primeira vez que Moccia se perguntava como não havia notado antes como Ward era atraente.

Além da irritante mania de trata-la como uma criança, de querer lhe dar ordens ou broncas como se fosse seu pai, Mika precisava admitir o quanto o gerente do cassino era capaz de despertar a atenção feminina.

- Pode guardar o seu passaporte, eu não pretendo dar nenhuma festinha. Pelo menos, ainda não. – Mika desgrudou seu corpo da porta e deu os primeiros passos para se aproximar de Connor. – Então pode ficar sossegado, mio papá não pretende derramar o seu sangue.

Ao parar diante de Connor, Mika não exibia mais o sorriso malicioso. Os olhos verdes refletiam uma consciência que ela raramente deixava revelar. Intimamente, Moccia não tinha dúvidas de que Connor havia salvo a sua vida. Só não pretendia se alongar para sempre naquela lembrança humilhante.

A delicada bolsa que estava pendurada em um de seus ombros foi puxada para frente e, de dentro dela, Mika retirou um cheque dobrado, o esticando na direção de Connor.

- Pelas despesas da noite passada. E não me venha dizer que isso fere o seu orgulho. Nós dois sabemos que é justo e o mínimo que posso fazer depois de ter tirado você no meio da noite para me socorrer.

O sorriso malicioso voltou a brincar nos lábios de Michaela quando ela ergueu a mão livre e cutucou o abdome de Connor, segurando a barra da camiseta preta entre seus dedos.

- Embora minha recuperação pudesse ter sido muito mais rápida se você tivesse aparecido assim.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Sab Mar 18, 2017 7:12 pm

Um arrepio visível se espalhou pela pele de Matilda quando os lábios de Cameron deslizaram pelo pescoço dela. Instintivamente, a governanta se agarrou com mais firmeza à camisa de Lahey enquanto inclinava a cabeça, abrindo ainda mais espaço para os beijos.

O comentário de Cameron sobre a fuga daquela tarde arrancou uma risada de Belmont e a moça se surpreendeu consigo mesma ao notar que já conseguia rir das cenas de horror vivenciadas com Lahey. Ela deveria estar aos prantos, decidida a abandonar aquele emprego arriscado. Mas ao invés disso sentia-se leve e segura nos braços de um homem que ela deveria enxergar como um inimigo a ser derrotado.

- Eu tremia tanto que ainda não sei como não enfiei aquele maldito carro num poste.

Quando buscou os lábios de Cameron para mais um beijo, Matilda não queria nada além do que aconteceria naquele galpão. Ao contrário de Tracy, a governanta não via aquilo como o primeiro passo de um relacionamento sério, tampouco pensava em ceder novamente à paixão no futuro. Tudo o que Belmont queria era se sentir viva depois de experimentar uma tentativa de homicídio. E Lahey parecia ser o candidato perfeito para uma relação casual na qual toda aquela adrenalina produzida durante a fuga seria extravasada.

Enquanto se deixava levar pela paixão, Matilda repetia para si mesmo que ninguém nunca descobriria sobre o quão íntimo fora o seu envolvimento com Cameron Lahey. Aquela missão chegaria ao fim com a prisão de Alessio Moccia e todos os seus colaboradores, e nem mesmo Connor precisava saber que a irmã havia dormido com um dos homens do mafioso.

Se já era complicado resistir ao charme de Cameron, a missão de interromper aquela loucura se tornou ainda mais difícil para Matilda quando o segurança a carregou para o fundo do galpão. O motor continuou desligado durante todo o tempo em que o casal permaneceu no interior do helicóptero, mas Belmont sentia-se leve como se realmente tivesse voado quando finalmente retornou para a mansão dos Moccia, já de noite.

A notícia do tiroteio já havia chegado aos ouvidos do mafioso e, portanto, a segurança ao redor da casa tinha se intensificado. Mais homens estavam espalhados em pontos estratégicos da mansão, vários deles nem faziam questão de esconder suas armas potentes.

Quando saiu do carro, a governanta ainda parecia um pouco atordoada com as emoções daquele dia. Cameron era o principal responsável pelas dobras amassadas do vestido dela e pelos fios castanhos atrapalhados, mas obviamente todos concluíram que fora por causa da perseguição que Matilda retornava tão decomposta para casa.

Embora não estivesse mais histérica ou desesperada, o olhar de Belmont não escondia o quanto a governanta estava assustada com os últimos acontecimentos. Matilda sabia que estava mergulhando em uma missão arriscada, Connor nunca escondera da irmã nenhuma informação sobre os Moccia. Mas, definitivamente, a governanta não estava pronta para se ver no meio de um tiroteio justamente em seu primeiro dia naquela casa.

Outro detalhe pelo qual Matilda não esperava foi a recepção que aguardava por ela naquela noite. A governanta, que imaginou que seria lindamente ignorada enquanto os homens se reuniam para tomar providências sobre o ocorrido, ficou petrificada de surpresa quando Don Alessio Moccia passou direto pela equipe de seguranças e só parou quando chegou diante da jovem.

- Você está bem, querida? Eu sei que está assustada, é muito compreensível. Mas não se machucou, não é?

Belmont continuou sem reação enquanto Don Alessio Moccia a acolhia com um abraço protetor. Por cima dos ombros do mafioso, Matilda buscou pelo olhar de Cameron como se quisesse do segurança alguma explicação para o comportamento de Alessio. Mas não parecia haver nenhuma maldade naquele gesto. O mafioso simplesmente agia como um pai aliviado em ver que seus filhos estavam inteiros depois de uma tragédia.

- Vá descansar. Tire o dia de folga amanhã, você precisa se recompor. Você está segura aqui, querida. É para isso que serve a famiglia.

- Obrigada...

A voz de Matilda soou mais fraca do que a moça previa e ela só notou que estava chorando quando Don Alessio lhe ofereceu um lenço. Por mais que soubesse toda a verdade por trás do sobrenome dos Moccia, Belmont se sentiu grata pelo comportamento do mafioso naquela noite. É óbvio que a governanta não abandonaria a missão de Connor, mas naquele momento Matilda entendeu um pouco da fidelidade cega que as pessoas ofereciam a Alessio. O mafioso definitivamente era um mestre na arte de conquistar o afeto e a gratidão das pessoas ao seu redor.

Enquanto a governanta se retirava na direção dos aposentos destinados aos empregados da casa, Alessio voltou-se para Cameron e ofereceu ao segurança a mesma acolhida carinhosa. Lahey foi envolvido num abraço e recebeu três tapinhas calorosos nas costas enquanto os olhos atentos de Moccia confirmavam que seu melhor homem não estava ferido.

- Eu sei que você é o melhor, Cam. Mas o meu coração está ficando velho demais para tantas emoções. Esta famiglia precisa de você e eu não vou admitir que ninguém nos machuque.

O semblante do mafioso se tornou mais sério, mas a voz se manteve contida enquanto Alessio murmurava somente para os ouvidos de Cameron.

- Você também precisa descansar. Mas amanhã bem cedo vamos reunir todos e tirar esta história a limpo. Ainda não sei quem foi o mandante, mas certamente esta será a última noite da vida dele. Porque é assim que fazemos com quem ameaça a nossa famiglia.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Sab Mar 18, 2017 8:43 pm

A grande verdade era que Ward não esperava rever o dinheiro perdido na noite anterior. Mais do que isso, o gerente do cassino não esperava sequer por um agradecimento. O pouco que Connor conhecia de Michaela Moccia era o suficiente para que ele soubesse que Mika não era o tipo de pessoa que pedia desculpas ou que agradecia por favores. Como toda menina mimada, a filha de Don Alessio parecia ser o tipo de garota que se achava importante demais e que vivia da certeza de que todos tinham a obrigação de fazer suas vontades.

Por isso, aquela visita era totalmente inesperada, assim como o cheque que Connor agora tinha em mãos. Michaela havia perdido seu precioso tempo localizando o apartamento e indo até o gerente, e isso definitivamente era muito mais do que Ward esperaria dela.

- Não, isso não fere o meu orgulho. – o gerente fez uma pausa enquanto conferia o valor do cheque em suas mãos – Pelo contrário, é um alívio saber que não preciso mais vender um dos rins para pagar o aluguel. Vou tirar o anúncio da internet agora mesmo.

Ao invés de se sentir incomodado ou constrangido com a provocação de Michaela, Ward se limitou a acompanhar os movimentos dos dedos dela com um olhar demorado. Qualquer outro funcionário de Don Alessio Moccia tremeria da cabeça aos pés com receio daquela aproximação que poderia custar sua cabeça, mas Connor sustentou o joguinho de provocações iniciado pela garota.

Na mente do gerente, Mika não passava de uma menina mimada, habituada a ter todos os seus desejos atendidos e a distribuir ordens arrogantes a todos os subordinados do pai. Michaela estava acostumada a ser tratada como uma princesinha perigosa, mas Ward duvidava que ela fosse capaz de sustentar aquela máscara de superioridade num jogo de sedução real.

- Eu não sou um grande fã de necrofilia, bambina...

Ao contrário do que qualquer empregado de Alessio faria, Connor não recuou do toque da menina como um filhotinho assustado. Pelo contrário, o gerente deu um passo para frente, aproximando seu corpo de Michaela de forma que a mão da garota ficou espremida entre os dois troncos.

- Mas você me parece bem viva agora... E se você vai acabar me matando com essas confusões, então acho justo receber algo em troca. Vou fazer por merecer cada gota de sangue que su papá arrancar de mim.

Com mais um passo a frente, Ward encurralou Michaela contra uma das paredes da sala. Na cabeça do policial, a situação estava totalmente sob controle. Connor tinha certeza de que Mika iria recuar amedrontada como uma menininha inexperiente e nunca mais o importunaria com aquele tipo de jogo.

- Por que está fantasiada de bonequinha? Tem algum compromisso pra hoje, bambina? – com uma das mãos, Connor tocou a saia rodada do vestido rosa que Mika escolhera para aquele dia – Imagino que seja com su papá, só isso explica uma roupa tão comportada.

A tensão na sala era quase palpável. Era óbvio demais que os dois estavam blefando com aquele joguinho de sedução, mas também era evidente que nenhum deles queria demonstrar fraqueza sendo o primeiro a recuar.

Como já conhecia a arrogância de Michaela, Connor decidiu que teria que ser mais ousado se quisesse vencer aquele duelo. Quando apoiou as mãos na cintura fina da menina e a puxou de encontro ao seu peito, Ward já estava preparado para ver Mika recuar e aceitar a derrota naquela brincadeira perigosa.

- Prometo que não vou te atrasar, eu sei que o tempo de Don Alessio é precioso.

Connor encostou a testa na testa de Mika e sussurrou as palavras seguintes tão próximo dela que seus lábios roçavam a boca da garota em algumas sílabas.

- Eu não conto se você não contar, bambina...
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Mar 19, 2017 4:08 am

Em nenhum momento daquele breve planejamento sobre a visita ao apartamento de Connor, Michaela pôde ao menos cogitar que aquela cena poderia acontecer. Embora não tivesse exatamente fantasiado sobre aquele encontro, nos cenários mais práticos, ela entregaria o cheque, talvez ouvisse mais alguma repreensão sobre seu comportamento na festa, perdia a paciência e soltaria xingamentos que ainda não tinham a tradução para o inglês.

Nas poucas semanas que se passaram com os preparativos para seu aniversário, o contato com Ward era composto com provocações verbais, exigências por parte de Michaela e respostas retrucadas e desafiadoras por Connor.

O gerente do cassino já vinha demonstrando desde o primeiro contato que não pretendia se curvar para todas as suas vontades e não tinha medo de enfrenta-la, como a maioria dos funcionários de Don Alessio.

Até então, aquela postura de Connor chegava a ser divertida. Embora uma parte de Moccia ficasse extremamente irritada em ser contrariada, ela precisava admitir que era empolgante ter alguém que não fizesse todas as suas vontades sem questionar.

Mas o que acontecia naquela manhã ia além de qualquer uma das provocações já realizadas entre os dois. Ao invés de se sentir irritada e desafiada como normalmente acontecia, Mika se sentiu surpreendentemente entregue aos arrepios que os toques de Connor provocavam.

Rapazes italianos já tinham passado pela vida da preciosa filha de Alessio, mas não passavam exatamente disso: rapazes, adolescentes cheios de hormônios que quase não sabiam o que fazer com as próprias mãos.

Embora a diferença de idade entre Mika e Connor não fosse nada gritante, ela sentia a postura firme e decidida dele na forma com que tocava sua cintura e a encarava sem parecer amedrontado.

Seu coração estava acelerado e ela tinha medo de que fosse possível que Connor ouvisse aquela sua fraqueza. Mas ao invés de se afastar, ela terminou de agarrar a barra da camisa preta que ele vestia, inclinando o rosto para encará-lo com a mesma firmeza.

- Fantasia? Por que, você não gostou do meu vestido?

Mika ficou na ponta dos pés, mas antes que os lábios terminassem de se tocar, desviou o rosto até alcançar o ouvido de Connor, sussurrando.

- Talvez eu devesse usar algo mais informal da próxima vez. Como você.

O rosto de Michaela roçou contra a bochecha de Connor, sentindo a barba por fazer arranhando a sua pele macia. Ela estava pronta para encerrar aquele jogo com uma risada maliciosa e um comentário ácido, sem admitir que estaria perdendo naquele duelo. Porém, antes que seus pés terminassem de tocar o chão, seus lábios formigaram com a aproximação do gerente do cassino.

Se antes daquela manhã, Moccia jamais tinha reparado na atraente aparência do gerente, ela já não conseguia mais controlar o desejo de descobrir a textura e o sabor dos lábios dele. E sem pensar nas consequências, se entregou ao beijo apenas com a desculpa de não perder o jogo.

O choque que se espalhou pelo seu corpo foi mais uma das surpresas daquela manhã, mas Mika era incapaz de se afastar. A mão agarrada à camisa de Connor encontrou uma brecha por baixo do tecido, arranhando de leve a pele quente dele.

O ritmo intenso que se seguiu já era esperado depois do clima pesado que os dois tinham criado. Mas a necessidade de dar continuidade ao beijo era tão grande que Mika só se viu obrigada a se afastar quando seus pulmões já ardiam em protesto.

Quando as pálpebras se ergueram e revelaram os olhos verdes, eles brilhavam de uma forma diferente. Os cabelos castanhos estavam desalinhados e os lábios, além de apresentarem o batom borrado, estavam avermelhados e inchados, como se os dois tivessem ido muito além do que um único beijo.

Sem conseguir controlar a própria respiração, o peito de Mika subia e descia e, mesmo se ela quisesse tentar disfarçar, era evidente em cada linha de expressão o quanto tinha se entregado naquele beijo, ficando completamente afetada. As pupilas ligeiramente dilatadas chegavam a revelar a surpresa com a própria reação. Era nítido como Mika tentava soar segura, mas a rouquidão em sua voz lhe entregava.

- Parece que você beija melhor do que fala italiano, bello.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Mar 19, 2017 5:17 am

O grito ecoou por todo o porão, parecendo se intensificar no grande espaço rodeado de altas paredes e um teto metálico. O barulho da chuva que caía em grossas gotas no teto do galpão era suficiente para abafar o desespero do homem amarrado à cadeira sem levantar suspeitas, mas não o bastante para poupar os ouvidos de Cameron Lahey.

Chover no grande deserto que era Las Vegas era bastante incomum, mas até naquele detalhe, a sorte parecia conspirar a favor do braço direito de Don Alessio.

Poucas semanas tinham se passado desde o tiroteio que levaram Cameron e Matilda até o afastado depósito e heliporto dos Moccia, mas era o tempo necessário para o fiel empregado do mafioso começar a juntar as informações que os levariam até o mandante daquele atentado.

- Já chega.

A voz apática de Cameron ecoou sob o grito de dor do homem, e imediatamente um dos empregados de Alessio se afastou da cadeira, levando consigo os dois fios desencapados que usava para dar choques de torturas no prisioneiro.

No mesmo instante, o grito de desespero cessou e apenas a respiração pesada do homem se fez ouvir. A aparência dele era lamentável e faria qualquer pessoa desviar o olhar. Mas os olhos azuis de Cameron estavam perfeitamente grudados, estudando muito além dos ferimentos que ele contribuíra para surgir.

O rosto do homem amarrado estava transfigurado. O olho já havia inchado ao ponto de não conseguir erguer a pálpebra. O suor se misturava ao sangue em sua testa, havia um dente quebrado que se perdera no piso de cimento e o lábio inferior estava cortado.

Os braços amarrados na cadeira exibiam dois cortes nos pulsos, finos e quase cirúrgicos, onde filetes de sangue desciam lentamente até dois baldes metálicos ao chão. Não havia dúvidas de que o homem não aguentaria por muito mais tempo.

- Que tal você tentar mais uma vez?

Cameron puxou uma cadeira extra e a arrastou pacientemente até coloca-la diante do seu prisioneiro. Ele se sentou com as pernas abertas, com o encosto entre seus joelhos, sendo usado para descansar os braços.

Diferente do homem aprisionado, Lahey não exibia nenhuma gota de suor. Não estava sujo de sangue e sequer parecia que estava envolvido em uma tortura desumana nas últimas horas. O paletó havia sido retirado e colocado cuidadosamente em uma das mesas afastadas do deserto galpão e a camisa social preta ainda estava alinhada, apenas com as mangas arregaçadas até os cotovelos.

- Eu prometo que você estará confortável em uma cama, com os devidos cuidados médicos em menos de quinze minutos. Você só precisa me dizer o nome. Acho que é uma troca bastante justa, não acha, Jim?

A voz suave de Cameron soava convidativa, como se fosse um vendedor que precisava conquistar o seu freguês, e não um torturador que tentava arrancar informações de um infeliz azarado.

- Eu já disse tudo que sei. – O homem gemeu, sem forças. – As ordens foram simples. Tirar o que Don Alessio mais ama. A menina. Não sei o nome, eu juro.

Um dos capangas de Alessio se aproximou com o fio desencapado e imediatamente o homem se encolheu. Antes que um novo choque fosse distribuído, Cameron ergueu uma das mãos e impediu que uma nova tortura acontecesse. Aos olhos de seu prisioneiro, aquele ato de misericórdia podia significar o mundo. Para Lahey, ele apenas estava tentando evitar que a vida do sujeito chegasse ao fim antes que tivesse suas respostas.

- E você simplesmente obedece a ordens, não interessa de quem? – Cam fez uma careta forçada de reprovação. – Não me parece muito inteligente.

- Só o que sei é que Don Alessio irritou alguém grande. Eu recebi as orientações e a grana. Foi só isso.

- Que orientações?

Cameron havia se tornado especialista em saber quando alguém mentia ou dizia a verdade. E aquele homem estava a beira da morte dizendo a verdade. Uma verdade frustrante demais para Cameron conseguir suportar.

- Que a menina estaria de volta à América. Que certamente Don Alessio a colocaria sob a sua proteção, mas que eu deveria aproveitar qualquer oportunidade pela cabeça dela.

A lembrança do primeiro tiro atingindo a janela do passageiro de seu carro voltou imediatamente na mente de Cam. Ele sentiu os pelos de sua nuca se arrepiarem quando a adrenalina voltou a correr em seu sangue, da mesma forma que acontecera durante o tiroteio. Ele ainda podia ouvir claramente o desespero da voz de Matilda.

Uma mulher inocente teria morrido por causa do homem a sua frente. Aquele simples pensamento era suficiente para que Cameron não se importasse em vê-lo definhar diante dos seus olhos.

Por tempo demais, Lahey acompanhou a injustiça do mundo com pessoas indefesas. Seu trabalho poderia não ser limpo, mas ele jamais havia tocado em uma pessoa inocente antes. A ideia de que aquele homem poderia ter matado Matilda em qualquer outra situação, por um erro estúpido, era demais para ser tolerada.

Os olhos azuis ainda estudaram a esperança do homem a sua frente, ansioso para ser liberado daquele fim. Depois do que pareceu uma eternidade, Cameron finalmente se ergueu. Sem dizer uma única palavra, ele deu as costas ao homem e caminhou até seu paletó dobrado.

- O que fazemos com ele? – O capanga com o fio elétrico perguntou, ainda parado em meio ao galpão.

- Don Alessio foi claro sobre o que fazer com quem mexe com a nossa família. Deixe-o sangrar até morrer. Ele merece ver até a última gota do sangue imundo acabar.

O céu de Las Vegas estava completamente negro quando Cameron correu a pequena distância da saída do galpão até o carro. A noite havia chegado sem que ele se desse conta, mas mesmo com aquele tempo ruim, quanto mais ele voltava para a cidade movimentada, as luzes de hotéis e cassinos agitavam a paisagem.

Os turistas precisavam correr nas calçadas ou se abrigavam em lojas enquanto o carro de Cameron cortava as ruas. A agitação do centro turístico foi diminuindo outra vez até que ele entrasse no já conhecido condomínio luxuoso dos Moccia.

Quando Cam entrou no enorme saguão, precisou sacudir os cabelos para se livrar das gotas da chuva que haviam se acumulado em seus fios negros. Ele ainda lutava contra a própria roupa úmida quando foi recebido por Tracy.

- O que está fazendo aqui?

Como não havia mais ninguém presente, Tracy não precisou conter o seu tom de repreensão diante da presença de Lahey. Embora tivesse total liberdade para entrar e sair da casa dos Moccia, era surpreendente receber uma visita sem anúncios em meio ao caos que se encontrava a cidade.

- Preciso falar com Don Alessio.

Lahey não devia nenhuma satisfação a Tracy, mas também não pretendia comprar uma nova briga com a mulher. Ele já havia enfrentado horas desgastantes e estava esgotado demais para mais um atrito. Só o que precisava era encerrar o assunto daquela noite, atualizar Alessio com a pouca novidade que havia reunido e voltar para casa, onde provavelmente comeria algum nuddle

- Cam!

A voz alta e animada de Alessio ecoou antes que a empregada pudesse ter qualquer reação. Cameron se virou imediatamente para encarar o homem, envolto em um confortável robe vermelho, com uma aparência relaxada de um senhor aposentado que não tinha com o que se preocupar.

- Chegou na hora certa, Matilda acabou de me avisar que o jantar está pronto. Vem me acompanhar em um capeletti, ahn?

- Obrigado pelo convite, Don Alessio, mas não vim jantar. Eu pretendia falar sobre... – O reflexo dos cabelos escuros de Matilda fez com que Cameron travasse por um segundo antes de completar. – Trabalho.

- Sí, sí, claro! Sempre trabalho! Algo que vai atrapalhar o meu jantar se não me contar nos próximos cinco minutos?

Cameron se lembrou da pouca informação que havia conseguido naquela tarde. Estava longe de ser algo concreto ou urgente e ele imediatamente se sentiu envergonhado em atrapalhar Moccia no meio da noite apenas para mostrar sua ineficiência.

- Na verdade, não. Eu posso voltar pela manhã.

- Aaah, bobagem! – Alessio sacudiu a mão, cortando o ar enquanto terminava de descer os degraus da escada. – Estava a caminho de abrir o vinho que a bambina trouxe direto de Firenze! Não vai deixar este velho acabar com a garrafa sozinha, ahn?
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Dom Mar 19, 2017 6:22 pm

Com o celular firmemente apoiado contra o ouvido, Matilda Belmont precisou esperar por quase um minuto inteiro antes de conseguir dizer a primeira palavra. Quando a pessoa que berrava exaltada do outro lado da linha finalmente se calou, a governanta assumiu o controle do diálogo com uma serenidade que não combinava com o descontrole emocional do seu interlocutor.

- Pronto? Acabou o espetáculo? Vai finalmente me deixar falar?

Sem dar chance a Connor para mais um discurso inflamado, Matilda continuou a falar com a mesma entonação tranquila e firme de sempre.

- Sim, foi horrível. Sim, eu poderia ter morrido. Mas tudo terminou bem, ok? Eu não vou desistir por causa disso. Eu disse que estamos juntos nessa e não vou recuar na primeira dificuldade.

A calma de Matilda faria qualquer pessoa acreditar que a “dificuldade” mencionada pela governanta era apenas algum problema no serviço da casa, ou algum desentendimento com um dos colegas. Era difícil acreditar que ela era capaz de manter tamanha serenidade ao citar o evento que quase custara a vida dela.

- Você nem deveria ter me ligado. Você sabe que temos que ser cuidadosos. Se alguém descobrir que nós dois nos conhecemos...

- Eu acabei de saber que a minha irmã participou de um tiroteio! – Connor continuava extremamente exaltado, sua voz soava tão inflamada que ecoava para fora do celular de Belmont – O que queria que eu fizesse??? Eu precisava ter certeza de que você estava viva!

- Shhhh! Fale baixo! Controle-se, pelo amor de Deus!

Matilda olhou ao redor apenas para garantir que ela continuava sozinha no pequeno quarto que ocupava na ala dos empregados. É claro que a governanta havia tido o cuidado de fechar a porta antes de atender a chamada do irmão, mas não era raro que Tracy entrasse sem bater quando queria tirar alguma dúvida com Belmont.

- Você não precisa correr este risco, mana. – Connor finalmente usou uma entonação mais contida – Peça as contas. Será fácil convencê-los de que você ficou assustada e quer fugir desta loucura, ninguém vai desconfiar. Será melhor assim. Você ficará segura e eu ficarei mais tranquilo sabendo que você está bem. Eu nunca iria me perdoar se algo te acontecesse, mana.

Por mais que soubesse que a sugestão de Ward era a ideia mais sensata naquele momento, Matilda não pretendia recuar. Era indigesta a sensação de fraqueza e de impotência. Belmont odiaria fugir para uma zona segura sabendo que Connor continuava mergulhado em uma missão arriscada. Além do mais, Matilda não queria quebrar a promessa feita ao irmão e tinha certeza de que a missão de Connor seria concluída de forma mais eficiente com a ajuda dela.

- Eu vou ficar bem. Os cuidados com a segurança foram redobrados, isso não vai se repetir. – Matilda repetiu para reforçar o seu posicionamento naquela história – Estamos juntos nisso. Eu já estou envolvida, Connor. Agora preciso desligar, o jantar está prestes a ser servido. Não me ligue mais, ok?

Enquanto caminhava de volta para a cozinha, Matilda aproveitou para refletir sobre as próprias palavras. “Eu já estou envolvida” era a maior verdade dita por ela naquela breve conversa com o irmão. Belmont não tinha mais a ilusão de se afastar daquela confusão em que mergulhara ao aceitar o trabalho na mansão dos Moccia. Se a bomba explodisse e Don Alessio soubesse do envolvimento dela com a missão de Connor, Matilda não tinha dúvida de que seria caçada como um animal e que o mafioso a procuraria debaixo de todas as pedras do planeta até conseguir arrancar sua cabeça.

E se era tarde demais para fugir, cabia a Matilda a escolha de levar seus planos até o fim. Com a prisão de Moccia e seus aliados, ela finalmente poderia ser livre e se afastar daquela vida cercada de criminosos.

Diante de tal pensamento, foi impossível não resgatar na memória a imagem do rosto de Cameron Lahey. Matilda era grata ao segurança que salvara a sua vida, mas isso não mudava o fato de que Cam era um criminoso que apertava gatilhos a mando de Don Alessio Moccia. Por mais que tentasse afastar da mente aqueles pensamentos indigestos, Belmont eventualmente se pegava calculando quantas vidas já tinham sido tiradas pelo homem com que ela se deitara naquele galpão.

Ao contrário da relação conturbada com Tracy, Cameron não teve nenhum tipo de problema com a governanta nos dias que se seguiram ao ataque. Matilda não se esforçou para entrar em contato com Lahey, tampouco deu qualquer sinal de que esperava algo a mais dele depois daquela transa. Não houve qualquer tipo de cobrança, nem mesmo uma tentativa de uma nova aproximação.

Exatamente por não ter mais notícias de Cameron desde o fatídico dia do ataque, Matilda não conseguiu disfarçar a surpresa quando chegou à sala naquela noite e deu de cara com o segurança. A expressão pasma dela não durou mais que dois segundos, razão pela qual Alessio não notou nenhum clima diferente entre os dois funcionários.

- Sei que não esperávamos visitas. Mas seria um inconveniente muito grande servir mais uma pessoa esta noite, Matilda?

- De forma alguma, Don Alessio. Só preciso de mais um minuto para organizar mais um lugar na mesa.

Como de costume, Belmont soou firme e profissional. Como Tracy continuava parada e sem nenhuma menção de que faria o seu trabalho, coube à governanta a tarefa de se aproximar de Cameron para ajudá-lo a se livrar do casaco molhado. A peça foi pendurada num suporte próximo à porta enquanto Matilda resmungava para a colega.

- Qual o seu problema? Você não ouviu? Precisamos de mais um lugar na mesa!

Ficou claro que Tracy não gostava de receber ordens da nova governanta quando seus olhos se estreitaram de forma ameaçadora. Mas é claro que nenhuma cena seria feita diante dos olhos de Don Alessio, então a empregada limitou-se a forçar um sorriso enquanto se dirigia à sala de jantar para cumprir as ordens de Matilda.

- Devo buscar o vinho, Don Alessio? Duas taças?

- Sim, por favor, Matilda. Três taças se quiser nos acompanhar...

- Eu não bebo. Mas agradeço pela gentileza. Com licença.

Com o cuidado de não alongar o olhar na direção de Cameron, a governanta se afastou do saguão com a mesma postura profissional de sempre. Os passos de Matilda eram ágeis, mas ela ainda estava perto o bastante para escutar o comentário que o patrão compartilhou com Lahey.

- Esta bambina é fantástica, Cam. Tive medo de que ela saísse correndo depois daquele ligeiro problema, mas aí está ela. Foi uma das nossas melhores aquisições à famiglia.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Dom Mar 19, 2017 7:05 pm

Connor era o tipo de homem que gostava de planejamento até mesmo para as tarefas mais corriqueiras de sua rotina. Sua organização chegava a ser metódica e era uma qualidade muito admirada dentro da polícia. A disciplina era primordial para o sucesso daquela missão arriscada e Ward gostava da sensação de que, embora estivesse pisando em ovos, cada um dos seus passos era sistematicamente calculado.

Naquela manhã, contudo, aquela qualidade tão importante foi lindamente abandonada por Connor. Quando iniciou aquele joguinho perigoso com Michaela Moccia, Ward imaginava que a filha de Alessio iria recuar como uma menininha tola e inexperiente. Definitivamente não estava nos planos do policial transformar aquelas provocações em um beijo de verdade.

Racionalmente, Connor sabia que deveria ter recuado no instante em que os lábios de Mika tocaram os seus. Aquela brincadeira já tinha chegado longe demais e a última coisa que Ward precisava era de dar a Don Alessio mais um motivo para querer servir a sua cabeça no próximo banquete da famiglia Moccia.

Mas, caso ele recuasse primeiro, Connor permitiria que Michaela saísse vitoriosa daquele joguinho. E a garota já era suficientemente arrogante e não precisava de mais aquele trunfo contra ele.

Quando os lábios dos dois se encaixaram e começaram a se mover num beijo, era evidente que ambos ainda estavam duelando naquele jogo. Nenhum dos dois queria sair derrotado daquela disputa de egos, mesmo que isso significasse dar um passo adiante naquelas provocações.

Entretanto, foi notável que a rivalidade que motivou o beijo foi evaporando na medida em que os lábios se movimentavam. Connor percebeu que não tinha mais a situação sob controle quando um suspiro deliciado escapou de seus lábios no instante em que a mãozinha de Michaela encontrou uma faixa de pele sob a camiseta dele.

Os toques e movimentos se intensificaram e Ward simplesmente não estava mais raciocinando depois de alguns segundos. Uma de suas mãos já tinha se afundado sob os cachos volumosos de Mika enquanto os dedos da outra mão pressionavam a cintura delicada da moça com firmeza.

Quando os lábios finalmente se afastaram, ambos estavam ofegantes. A provocação de Michaela pareceu frágil demais, visto que a expressão da garota não escondia o quanto ela havia sido afetada por aquele beijo.

O hálito quente de Connor se chocou contra a pele delicada do pescoço da garota antes que ele depositasse ali um último beijo, deliciando-se com o perfume feminino e fazendo Mika experimentar o contraste de sua pele macia com a aspereza da barba dele. Definitivamente, Ward não tinha mais nenhuma dúvida de que não estava diante de uma menininha.

- Parece que a sua língua tem outras funções além de articular palavras venenosas, bambina.

A provocação de Ward também soou vaga, completamente sem sentido diante da respiração ofegante, da expressão surpresa e do brilho que as íris castanhas refletiam. Mas aquele tipo de disputa existia desde o primeiro contato dos dois e Connor simplesmente não conhecia outra maneira de interagir com Michaela Moccia.

Com o polegar, Connor repetiu o desenho dos lábios da garota, tentando minimizar o estrago do batom borrado. Ao fim do movimento, o gerente segurou o queixo de Mika e o ergueu delicadamente apenas para depositar mais um beijo superficial sobre os lábios dela.

- Considere a sua dívida paga. – a entonação do gerente não deixava claro se ele se referia somente ao cheque ou também ao beijo – Agora vá, não pode se atrasar. Su papá não é o tipo de homem que gosta de esperar.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Mar 19, 2017 11:01 pm

Com a desculpa de se envolver no assunto tocado por Don Alessio, os olhos azuis de Cameron imediatamente focaram o contorno das costas de Matilda, acompanhando enquanto ela se afastava com uma expressão hipnotizada.

O vestido sóbrio que ela usava para trabalhar era devidamente comportado, mas não era o bastante para impedir que a mente de Lahey imediatamente se recordasse de como ela era por baixo do tecido.

O coque firme e a postura profissional pareciam quase um disfarce quando Cameron sabia como Matilda era capaz de agir quando estavam sozinhos, e este pensamento fez com que ele abrisse um sorrisinho torto e orgulhoso por saber que era o responsável pelos gemidos e suspiros que ecoavam em sua mente.

Como mágica, as horas desgastantes de uma tarde de tortura foram colocadas de lado em seus pensamentos. Cameron não era exatamente um homem frio que convivia pacificamente com os próprios pecados, mas aprendera a levar uma vida prática depois de anos sofrendo nas ruas. O mundo não era o arco-íris que tantos acreditavam, ele apenas fora capaz de enxergar a realidade cedo demais.

- É, ela definitivamente não é uma garota comum.

Os olhos de Cam ainda estavam presos no caminho que Matilda havia desaparecido quando sentiu um tapinha em um dos seus ombros. Sem dizer nada, Don Alessio o guiou até a sala de jantar, que já estava devidamente arrumada para receber a refeição.

O mafioso era um homem que levava seus negócios a sério. Afinal, os Moccia não seriam donos de uma incalculável fortuna se não fosse o punho forte do patriarca. Mas da mesma forma que conduzia os assuntos relacionados ao seu trabalho, Alessio também prezava e respeitava os momentos de tranquilidade.

As refeições na mansão eram sempre momentos quase religiosos para Alessio. Naquela noite, provavelmente por causa da tempestade que surpreendera toda Las Vegas, a grande mesa estava resumida apenas em três lugares. Mas fazia parte do cotidiano daquela casa que quase todas as cadeiras estivessem ocupadas. Apreciar uma boa massa na companhia de sua “famiglia” era uma das coisas preferidas para o mafioso.

Por já conhecer milimetricamente a rotina dos Moccia, Cameron sabia que não adiantaria tentar começar o assunto que o levara até ali enquanto ainda restasse comida nos pratos e bebidas nas taças. Apenas quando estivesse completamente satisfeito com seu jantar, Alessio permitiria que os dois levassem a conversa para um rumo mais sério.

- Que bom que você veio me fazer companhia. Não há frutos do mar suficiente no mundo para me fazer menos solitário.

Sem cerimonias, Alessio se inclinou para frente e destampou uma grande travessa de cerâmica, revelando a apetitosa massa coberta com molho de camarões. O cheiro imediatamente invadiu as narinas de Cameron e o sorriso invadiu seu rosto.

Anos antes, ele havia sido flagrado por roubar meia dúzia de pacotes de biscoitos do restaurante do hotel de Alessio. Ao invés de ocupar um lugar em algum presídio ou ser enfiado em algum lar para adoção, agora ele podia dividir o jantar com aquele homem como se fosse seu pai. Mesmo diante de tudo que Alessio era capaz de fazer, era impossível para Cam não enxergar apenas o melhor que existia.

- Mika está fazendo greve de fome outra vez?

Cameron encarou o lugar posto ao seu lado, ainda intocado. Enquanto tantos funcionários jamais teriam a ousadia de insinuar qualquer crítica em relação a preciosa filha de Don Alessio, o comentário de Cam apenas arrancou uma risada do dono da casam.

- Bambina está ocupada demais com os preparativos da festinha de aniversário. Está trancada no quarto durante todo o dia e ameaçou jogar a Tracy pela escada se fosse chama-la para jantar outra vez.

O risinho nos lábios de Alessio faziam suas palavras soar como se estivesse contando alguma proeza de Michaela, sem recriminar o comportamento que qualquer um julgaria inapropriado. Aos olhos de Alessio, nada do que Michaela fizesse poderia ser tão errado ou cruel de verdade, como se não passasse de uma brincadeira.

- Eu estava no meu caminho para obriga-la a se juntar a mim quando você apareceu. Então resolvi deixá-la, só desta vez.

Alessio interrompeu o movimento de se servir pela terceira colherada de massa com camarões quando Matilda apareceu mais uma vez. O mesmo sorriso que ele exibia para Cameron ou Matilda brincou em seu rosto e ele largou a colher com um ruído alto ao se chocar contra a porcelana.

- Sorte a nossa que temos esta bela bambina para nos fazer companhia, ahn Cam? – Com movimentos exagerados tipicamente italiano, Alessio apontou para a cadeira vazia ao lado de Cameron. – Accomodare, bambina! Não me faça olhar apenas para a cara feia do Cam durante toda a noite, ahn?
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Dom Mar 19, 2017 11:41 pm

O primeiro reflexo de Matilda foi negar o convite de Alessio. Não era a primeira vez que a governanta era convidada a se sentar à mesa como parte da família Moccia, mas sempre era estranho receber aquele tipo de convite. O mafioso agia com imensa naturalidade, mas para Belmont ainda era estranho ser tratada com tanto informalidade pelo patrão. Naquela noite, em especial, a presença de Cameron à mesa tornava o cenário ainda mais desconfortável para Matilda.

- Eu agradeço, Don Alessio. Mas já pedi a Tracy para arrumar o meu lugar na mesa da cozinha.

Enquanto articulava as palavras com sua típica postura profissional e sem demonstrar o constrangimento gerado pela presença do segurança, Matilda serviu o vinho nas taças dos dois homens.

- Além do mais, imagino que tenham negócios a tratar e não quero incomodá-los.

- Bobagem! – Alessio repetiu o gesto exagerado na direção da cadeira vazia ao lado de Cameron – Eu nunca misturo o meu jantar com negócios. O jantar é um momento sublime nesta casa. Eu faço questão, Matilda. Ficarei ofendido se me fizer tamanha desfeita.

Não havia nenhuma maneira de fugir daquela situação sem levantar suspeitas. A última coisa que a governanta queria era que a mente astuta de Alessio ligasse a sua recusa à presença de Cameron. E a melhor maneira de afastar qualquer suspeita era aceitar aquele convite e agir da forma mais natural possível. Por isso, os lábios da governanta se curvaram em um sorriso mecânico enquanto Matilda ocupava o lugar vago ao lado de Lahey.

Mesmo que agora a situação fosse bastante informal, Belmont manteve as costas retas e aquela típica postura impecável enquanto dividia a mesa com os dois homens. Don Alessio não economizou na massa, muito menos no vinho, e só precisou de alguns poucos minutos para dominar a conversa da mesa com gestos, risadas amplas e a voz elevada como um típico italiano.

Quando Tracy surgiu na sala de jantar com a sobremesa e encontrou Matilda sentada à mesa com o patrão, foi nítida a expectativa da moça em também ser convidada para aquela refeição. Alessio, contudo, somente murmurou um agradecimento antes de dispensá-la com um de seus gestos exagerados.

- Mika não gosta desta moça. – o mafioso resmungou depois que Tracy saiu de cena – Para ser bem sincero, eu também não me afeiçoei muito a ela. Está sempre cometendo erros, não parece envolvida com o trabalho, com a famiglia. O que tem a me dizer sobre ela, Matilda? Basta uma palavra sua e contrataremos outra.

- Achei que o senhor não misturasse o jantar com negócios, Don Alessio. Podemos tratar disso em outra ocasião, se o senhor preferir.

A resposta astuta de Matilda fez um sorriso surgir nos lábios de Alessio. Ficou evidente que Belmont também não era uma grande fã do trabalho de Tracy, mas o fato da governanta se esquivar de críticas contra a colega diante de outro funcionário foi uma atitude que agradou o patrão.

- Sim, é melhor assim. Até porque a opinião do Cam sobre este assunto não é nada imparcial. Ela ainda te incomoda, Cam? Você deveria ter seguido os meus conselhos sobre não procurar por diversão dentro da famiglia...

Por mais que desconfiasse de algum envolvimento entre Cameron e Tracy, Belmont ainda se apegava à pequena possibilidade de suas suspeitas serem infundadas. Naquela noite, contudo, a indiscrição de Alessio confirmou a teoria de que a governanta não era a primeira colega com quem o segurança se relacionava de forma mais íntima.

Pela primeira vez naquela noite, Matilda voltou a sua atenção inteiramente para o segurança e deixou que seu olhar se demorasse mais na figura de Cameron. A expressão de Belmont se manteve impenetrável como de costume, sem nenhuma faísca de raiva ou de ciúmes. Mas o interesse dela na resposta de Lahey deixava claro que Matilda não era totalmente indiferente à situação.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Mar 20, 2017 1:19 am

O barulho dos saltos ecoava enquanto Michaela caminhava pelo saguão do hotel que levaria até a entrada do cassino. No mesmo ritmo que seus passos, o som mais seco de sapatos sociais acompanhava de perto, mas era lindamente ignorado pela menina, que seguia de cabeça erguida como se não estivesse sendo acompanhada por um dos seguranças direcionados por Lahey.

Como sempre, os cachos loiros caíam com volumes nos ombros estreitos de Moccia. Os olhos verdes estavam escondidos pelos óculos de sol, que foram imediatamente erguidos para o topo de sua cabeça quando entrou no ambiente fechado do cassino.

Um dos braços de Mika estava dobrado, servindo como cabide para a bolsa amarela e absurdamente cara que carregava consigo. Na outra mão, o iPhone era segurado ainda com a tela acesa. A calça preta era justa e emendava com as sandálias de tiras. A barriga lisa e reta estava exposta graças ao cropped também preto, fazendo com que Mika parecesse apenas mais uma das turistas que passeavam pelo cassino, alheias aos jogos que envolviam coisas muito mais séria do que algumas fichas ou notas de um dólar.

Ao contrário da maioria das pessoas que visitavam o lugar com um olhar deslumbrado, Mika passeou por diversas mesas de carteado, por máquinas de jogos e dezenas de pessoas que já não sabiam mais se era dia ou noite, andando com consciência pelos corredores até alcançar o fundo do cassino. Com a mesma confiança, ela abriu a porta do mesmo escritório que já conhecia.

- Cadê aquele cão sarnento?

Sem se preocupar em anunciar a sua chegada ou o motivo de sua visita, Mika invadiu o escritório de Connor, varrendo o lugar com o olhar a procura de uma segunda pessoa. O segurança continuava às suas costas, sem se afastar mais do que meio metro.

- Cadê o imprestável do Cameron? Eu juro que acabo com a raça dele hoje mesmo. Nem o mio papá vai conseguir protege-lo desta vez!

A bolsa amarela de Michaela foi apoiada com um estrondo sobre a mesa de Connor e, com uma expressão, furiosa, ela virou a tela acessa do celular para que ele pudesse ler a mensagem.

“De: Cam
Diga ‘oi’ ao Leoncio. Ele vai te acompanhar nos próximos dias. Estou ocupado resolvendo coisas do cassino e não tenho tempo para ser babá. Seja legal.”
.

- Seja legal? – Ela rugiu, largando o celular para apoiar as duas mãos sobre a mesa de Connor. – Qual é o problema, você não está dando conta do recado e mio papá precisou enviar o Cam para cuidar das coisas? E agora eu tenho que ficar presa com o Leoncio?

Moccia inclinou a cabeça para trás, sem se dar ao trabalho de se virar ao indicar quem era Leoncio. Os cachos se sacudiram violentamente, mas mesmo com a expressão furiosa, Mika só conseguia parecer ainda mais como uma menininha.

- Cadê o infeliz? Se você estiver escondendo o Cameron também, eu juro que mato você logo depois que acabar com ele!

Para completar seu ataque de fúria, Mika girou a cabeça desta vez para encarar Leoncio. Os cabelos se sacudiram e a voz dela ecoou furiosa e sem a menor contenção.

- O QUE VOCÊ AINDA ESTÁ FAZENDO AQUI? JÁ MANDEI DESAPARECER! SOME DA MINHA FRENTE!

Leoncio estava nitidamente desconfortável com aquela situação, mas para alguém que trabalhava com Don Alessio, ele já havia enfrentado situações piores do que o ataque de fúria de uma menina.

- São ordens de Don Alessio, Srta. Moccia.

Um urro escapou dos lábios de Michaela e, mais uma vez, os cachos foram chacoalhados quando ela se voltou para Ward.

- Ele não me obedece, Connor! Faça alguma coisa!
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Seg Mar 20, 2017 2:01 am

Era à noite que os cassinos de Vegas construíam a sua fama e ficavam abarrotados de turistas em busca das mais variadas opções de entretenimento. Era comum encontrar filas de espera para as mesas mais disputadas, assim como um público fiel em busca de madrugadas inteiras de música eletrônica ou bebedeira.

O que poucos sabiam era que o trabalho não chegava ao fim com o nascer do sol. Mesmo quando o público se tornava muito mais escasso e se restringia a poucos fregueses nos caça-níqueis, os funcionários do cassino continuavam a trabalhar de forma incansável. Os cozinheiros adiantavam o trabalho da próxima noite, também era necessário fazer compras para repor o estoque de bebidas e charutos. A equipe de limpeza também precisava garantir que o cassino estivesse impecável antes do fim do dia.

No caso de Connor Ward, como gerente do estabelecimento, era sua função fechar as contas antes que mais uma remessa de dinheiro entrasse nos caixas. E era exatamente esse trabalho desgastante que o rapaz executava quando o seu escritório foi invadido pelo pequeno furacão Moccia.

A planilha com as contas deixou de ser o foco da atenção de Connor quando Michaela começou a esbravejar. Depois de uma noite inteira em claro, o raciocínio lento de Ward não permitiu que ele acompanhasse a velocidade da menina. Mesmo depois que o celular foi sacudido diante dos olhos castanhos, Connor ainda precisou de alguns segundos para compreender a razão da fúria de Mika.

- Oi, Leoncio. É um prazer conhecê-lo. Aceita as minhas condolências?

A expressão desamparada do segurança deixava claro que ele realmente precisava de algum consolo. Leoncio definitivamente trocaria a tarefa de acompanhar Michaela Moccia por qualquer outro trabalho mais arriscado, desde que não precisasse lidar com a filha de Don Alessio Moccia.

- Pode esperar lá fora, sim? Imagino que esteja precisando muito de um drinque, então diga ao pessoal do bar que é por minha conta. A Srta. Moccia vai ficar bem aqui. É uma pena que eu não possa dizer o mesmo sobre mim.

Leoncio sequer tentou disfarçar a expressão de alívio quando girou sobre os calcanhares e deu as costas a Michaela, deixando a menina a sós com o gerente do cassino. Se Don Alessio confiava em Connor o bastante para colocá-lo à frente dos seus negócios, Leoncio racionalmente concluiu que não seria errado deixar a segurança de Mika nas mãos de Ward por alguns minutos.

Quando a porta do escritório se fechou, Ward empurrou suas anotações para o lado, já conformado com a ideia de que não conseguiria sair cedo naquela manhã. Embora não estivesse francamente abatido, era óbvio que Connor estava cansado depois de uma noite inteira de trabalho. O paletó já tinha sido descartado e agora estava pendurado na cadeira confortável usada pelo gerente. A gravata azul tinha sido afrouxada e a camisa branca estava ligeiramente amassada, com as mangas compridas dobradas até os cotovelos de Ward. Os cabelos escuros estavam bagunçados como geralmente ficavam graças à mania de Connor em deslizar os dedos nos fios quando estava concentrado nas contas.

- Eu não sei onde o Cameron está. Como você pode ver, tudo está sob controle por aqui e a presença dele não é necessária. – Connor não conteve um sorrisinho irônico antes de acrescentar – Mas quem pode julgá-lo por isso? Qualquer um inventaria desculpas para fugir do trabalho de babá de Michaela Moccia.

Mais uma vez, Ward usou aquele joguinho de provocações como arma de defesa. Era mais fácil irritar Michaela e vê-la explodir do que relembrar o beijo ocorrido há alguns dias. Aliás, Connor vinha lutando bravamente para não pensar mais naquele deslize e a presença da garota ali não facilitava em nada a sua determinação de apagar aquele erro da memória. O simples aroma do perfume de Mika já era o suficiente para trazer as lembranças à tona e acelerar algumas batidas do coração do gerente.

- Você precisa parar de trazer os seus problemas até mim como se eu me importasse com eles, Michaela. Eu já te ajudei naquela festinha estúpida, mas agora chega. Eu tenho muito trabalho sério a ser feito e não posso deixar as minhas obrigações de lado sempre que você quiser dar uma festa, ou se livrar do novo segurança, ou talvez comprar um par de sapatos em uma loja que não tem o seu número...

As implicâncias foram deixadas de lado por um momento e Connor estava mais sério quando se recostou na cadeira acolchoada e buscou pelos olhos de Mika.

- Você precisa de um segurança. Os caras que atiraram no carro do Cameron não queriam atingi-lo, muito menos a coitada da governanta. Eles queriam você, e você sabe disso. Se o Cam escolheu o tal Leoncio, é porque ele deve ser bom no que faz. Então dê um tempo, Michaela. Poupe o coitado dos seus espetáculos, ele só está fazendo o trabalho dele.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Mar 20, 2017 2:33 am

Cameron havia acabado de levar uma garfada da massa até os lábios quando Don Alessio direcionou o assunto “Tracy” sem rodeios para o breve envolvimento dos dois. Por mais que sempre tivesse sido discreto em seus relacionamentos, não era nenhuma surpresa que tivesse chegado aos ouvidos do mafioso os breves encontros entre dois dos seus funcionários.

Ainda assim, a surpresa fez com que Lahey engasgasse, engatando em uma tossida irritada que lhe impedia de puxar o ar. Moccia chegou a se esticar e dar alguns tapinhas em suas costas, com a intenção de ajudar, até que o rapaz pudesse respirar novamente.

O guardanapo de tecido foi resgatado para que ele limpasse os lábios e só quando se sentiu perfeitamente recuperado, foi capaz de esboçar um sorriso na direção de Alessio. Ele podia sentir o peso do olhar de Matilda, mas foi incapaz de encará-la de volta.

Por mais que soubesse que não devia nenhuma satisfação para a governanta, a empregada ou qualquer outra mulher, Cam se sentiu repentinamente incomodado com a conclusão óbvia e errada que Matilda logo encontraria diante daquele comentário.

Com nenhuma das duas mulheres, Cam teve a intenção de brincar com os sentimentos de alguém. Ele era apenas um homem que se sentiu atraído e se deixou levar pelo momento. Em ambos os casos, Cameron não procurava um relacionamento, mas também não havia feito nada previamente calculado para conquistar um grande número de mulheres, como Belmont provavelmente estava pensando.

- Eu definitivamente preciso aprender a ouvi-lo melhor, Don Alessio.

Lahey pigarreou, sentindo a garganta irritada. Ele se inclinou para frente e puxou a taça de vinho, só então arriscando um olhar na direção de Matilda.

Sem dúvida, os momentos ao lado de Belmont no helicóptero não poderiam ser comparados com os encontros com Tracy. Embora a loira fosse atraente e se esforçasse para despertar seu interesse, era uma comparação desleal quando se lembrava de como seu corpo reagia aos beijos e toques de Matilda.

A simples lembrança daquele dia era suficiente para que Cameron a desejasse mais uma vez. Racionalmente, Cam sabia que não havia nenhum laço afetivo ou sentimento que o fizesse desejar Matilda outra vez. Ela era de longe uma mulher diferente de todas que ele já havia conhecido, mas Cameron já estava acostumado e conformado com seu futuro solteiro.

Seu estilo de vida não era exatamente convidativo para um relacionamento estável, um casamento e filhos. Os Moccia era tudo que ele teria como família em sua vida, e aquela era uma ideia já aceita há anos. Afinal, que tipo de vida poderia oferecer a uma mulher depois de passar horas torturando um homem?

- Não pretendo fugir dos seus conselhos da próxima vez.

***

Quando o jantar finalmente chegou ao fim, Alessio permitiu que Matilda se afastasse para concluir seus afazeres e se reuniu com Cameron no escritório. Em poucos minutos, Lahey descreveu a sua pequena evolução na investigação sobre o caso do atentado que quase custara a vida de Matilda.

Diferente do jantar, Moccia não ria e nem brincava. Ele escutou atentamente cada uma das palavras de Cameron, estudou suas teorias e, quando não havia mais o que ser discutido, liberou seu homem mais fiel e se recolheu para descansar.

Ainda era possível ouvir o barulho da chuva do lado de fora quando Cam deixou o escritório de Moccia e seguiu o caminho até a cozinha. Embora já tivesse concluído a sua tarefa ali, não fazia sentido enfrentar a estrada com a tempestade, quando tinha um quarto destinado a ele no andar superior.

Depois que Alessio subiu as escadas em direção ao próprio quarto, Cam seguiu o corredor a caminho da cozinha. Ele ainda parou na porta, silenciosamente, para se certificar de que Tracy não estava mais presente, e se sentiu satisfeito ao encontrar apenas a figura de Matilda.

Cam se apoiou contra o batente da porta e cruzou os braços enquanto admirava a moça concentrada no próprio trabalho. Mais uma vez, sua mente começou a comparar o comportamento profissional de Belmont com a imagem que ele tinha guardada do helicóptero.

- O jantar estava ótimo. Sem dúvida superou o miojo que eu pretendia comer quando voltasse para casa. – Cam esperou que Matilda voltasse a atenção para ele e abriu um sorriso torto, inclinando a dispensa com a cabeça. – Seria abusar da sorte se eu perguntar sobre os meus biscoitos?
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Mar 20, 2017 3:28 am

Os olhos verdes de Michaela imediatamente se estreitaram mediante as palavras de Connor. Se ela já se sentia furiosa por ter uma sombra lhe acompanhando a cada passo, o comportamento de Ward não estava ajudando em nada o seu humor.

O gerente do cassino tinha o péssimo hábito de não fazer as suas vontades, de lhe tratar como uma criança e lhe dar lições e broncas como se fosse seu pai. Exceto pelo fato de que Don Alessio era o oposto da figura de Connor, sempre disposto a fazer seus desejos.

- Você fala como se eu tivesse vindo até aqui atrás de você! Eu vim procurar o Cam. Ele está arruinando a minha vida!

A seriedade nas palavras de Connor fez com que Mika girasse os olhos, impaciente. Ela, que até então ainda estava inclinada sobre a mesa, se recolheu até que a coluna estivesse reta outra vez. O celular foi guardado em sua bolsa e os braços cruzados contra a barriga exposta pelo cropped.

- Eu não preciso de segurança nenhum. Quem quer que tenha sido idiota o bastante de atirar no carro do Cam já deve estar escondido em algum bueiro, com medo de mio papá.

Claro que o atentado havia chegado aos ouvidos de todos da “famiglia Moccia” e era evidente para qualquer um que o verdadeiro alvo do tiroteio era a preciosa filha de Alessio. Mas ao contrário do que seria normal, Mika não conseguia enxergar o real perigo daquela situação.

Para ela, não era por sorte que Matilda estava viva. Os responsáveis pelo tiroteio eram simplesmente burros o bastante, não só de errar o seu alvo, como de não conseguir completar a missão. Aquilo estava longe de incomodar Michaela, ao contrário da presença do segurança.

- Mas por que estou perdendo o meu tempo? Você não se importa, e eu me importo ainda menos com o seu sagrado e tedioso trabalho.

As trocas de ofensas e farpas fazia parecer que o beijo trocado dias antes jamais tivesse existido. Era simplesmente como se Michaela e Connor tivessem voltado a estaca zero, onde ela era uma criança irritante e ele era um simples gerente que tinha a ousadia de lhe repreender como se tivesse alguma importância em sua vida.

Intimamente, entretanto, Michaela sabia que não era tão fácil assim ignorar a lembrança do beijo. Ela ainda sentia os lábios formigarem cada vez que se recordava do último encontro com Connor, da forma com que todo o seu corpo reagira aos toques dele.

Mas ouvir do gerente do cassino que ele não pretendia continuar se envolvendo em seus problemas fúteis só fazia com que Mika se sentisse realmente como uma criança que havia fantasiado demais com um beijo que não representara nada para Ward.

- Eu vim atrás do Cam. Se ele não está, só estou perdendo o meu tempo.

Um bico havia se formado nos lábios rosados de Michaela e ela parecia cada vez mais como uma criança birrenta e contrariada, que não conseguia esconder a sua insatisfação em não receber a atenção que queria.

- Mantenha o carrapato fora do meu alcance, eu só preciso dar o fora daqui sem que ele esteja grudado nos meus lindos cachos.

A ordem, como sempre, foi dada de forma autoritária. Na cabeça de Moccia, as pessoas precisavam obedecê-la, e mesmo que Ward fugisse aquela regra, era um costume forte demais para se desapegar.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Ter Mar 21, 2017 12:15 am

Como já estava bem tarde e a mansão dos Moccia mergulhara em um silêncio profundo, a governanta concluiu que não haveria nenhum problema em sair de seus aposentos com uma imagem mais informal. Alessio e Michaela já tinham se recolhido e as luzes da cozinha apagadas indicavam que os empregados da casa também já descansavam em seus respectivos quartos. Mesmo com a chuva ainda encharcando os jardins em torno da mansão, Matilda estava certa de que Cameron já estava longe dali e que não haveria nenhuma testemunha daquela sua breve fuga para a cozinha.

O coque impecável que a governanta exibia durante o dia tinha sido desfeito no banho. Os fios castanhos ainda ligeiramente úmidos caíam em cachos suaves pelos ombros de Matilda, ultrapassando o limite dos ombros estreitos da moça. Ao invés do vestido formal de sempre, naquela noite Belmont usava um robe de cetim preto, que provavelmente escondia uma camisola por baixo do tecido delicado que alcançava os joelhos da jovem.

O som agudo do apito da chaleira abafou o ruído dos passos, de forma que Matilda só percebeu que não era a única pessoa acordada naquela casa quando a voz de Cameron chegou aos seus ouvidos. Apesar da surpresa, Belmont não se sobressaltou com a presença do segurança. A governanta limitou-se a pousar um breve olhar na direção dele antes de voltar a atenção para o chá que preparava naquela noite chuvosa.

- Vou transmitir os seus elogios para a Telma. – Matilda mencionou a velha cozinheira italiana que trabalhava para os Moccia há décadas – O mérito é todo dela. Don Alessio morreria à míngua se dependesse de mim para fritar um ovo.

Uma breve pausa foi feita no discurso da governanta enquanto Belmont retirava a chaleira do fogo e despejava um pouco da água fervente em uma caneca previamente separada. O cheiro de maçã logo se espalhou pela cozinha, denunciando qual era o sabor do sachê escolhido por Matilda naquela noite.

- A boa notícia para você é que nunca faltará biscoito nesta despensa. Michaela sempre ataca pacotes inteiros quando está irritada. Ou seja, precisamos manter um estoque generoso para acalmar a fúria constante dela.

A chaleira foi posta de lado e, como estava mais próxima da despensa, Belmont só precisou se esticar para abrir a porta do armário. Um pacote dos biscoitos preferidos de Lahey foi retirado do estoque e Matilda fez com que ele deslizasse pela extensão da pia, até a extremidade mais próxima ao ponto onde Cameron estava.

Como se não estivesse afetada pela presença do segurança, Belmont terminou o preparo do seu chá de forma metódica. Duas gotas de mel adoçaram a bebida e, por fim, Matilda salpicou um pouco de canela sobre o chá quente, deixando a fumaça que saía da caneca ainda mais perfumada.

Antes que Cameron tivesse a chance de concluir que a governanta não mencionaria o ocorrido no galpão, Matilda o surpreendeu. A governanta soprou o chá e tomou um pequeno gole antes de cravar novamente os olhos em Lahey e tocar no assunto delicado que até então vinha sendo ignorado pelos dois.

- Você não me deve nenhuma satisfação, da mesma forma que eu também não lhe devo nada. Mas teria sido gentil de sua parte me alertar sobre os riscos que eu corro nesta casa. Eu teria conferido as trancas da minha porta com mais atenção se soubesse que a minha vizinha de quarto tem motivos para me asfixiar com um travesseiro no meio da madrugada.

A voz de Matilda não refletia raiva, tampouco parecia carregada de ciúmes. Também não havia nenhum sinal de surpresa com a notícia de que Cameron já tinha se relacionado com Tracy. Mas o fato dela trazer aquele assunto à tona era um indício sutil de que a governanta não se sentia confortável com a ideia de ter sido só mais uma na lista de conquistas de Lahey.

- Devo me preocupar com mais alguém? – Belmont não conteve uma pequena alfinetada – A Telma, talvez...?
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Ter Mar 21, 2017 12:55 am

- São sete horas da manhã...

As palavras de Connor ecoaram pelo escritório, soando totalmente desconectadas da conversa que acontecia até então. Antes que Michaela imaginasse que o gerente reclamaria de sua presença no cassino em um horário tão impróprio, Ward continuou guiando o seu raciocínio com uma entonação calma enquanto usava a própria caneta para rabiscar formas aleatórias no rascunho que tinha diante de si.

- Pelo pouco que conheço de você, posso afirmar com alguma segurança que não estou diante de uma pessoa com hábitos diurnos. Você não me parece ser o tipo de pessoa que sai da cama antes das nove sem um bom motivo...

Embora estivesse cansado depois de uma madrugada inteiro acordado, Connor não parecia estar tão exausto ao ponto de delirar. Entretanto, aquele discurso fazia menos sentido a cada segundo.

- Se você realmente só queria localizar o Cameron para reclamar do seu novo segurança, poderia ter feito isso às dez, ou talvez depois do almoço... Mas não. Você quis vir ao cassino justamente nas primeiras horas da manhã.

O gerente fez uma breve pausa enquanto cravava os olhos em Michaela. Os lábios de Connor se entortaram num meio sorrisinho que proporcionava ao rapaz uma expressão convencida enquanto ele completava, numa entonação mais baixa.


- Porque você sabia que eu ainda estaria aqui se você viesse bem cedinho, não é? Quer mesmo me convencer que veio aqui a esta hora unicamente para falar com o Cam? Não ofenda a minha inteligência, bambina. Eu não sou como os outros que você manipula e amedronta com meia dúzia de xingamentos em italiano.

O olhar firme de Ward não vacilou nem por um momento enquanto ele encarava Michaela. Por mais que o lado racional da mente de Connor implorasse a ele para deixar de lado aquele joguinho perigoso, o policial não conseguia resistir à tentação.

Seus lábios formigavam com a lembrança do beijo e das reações que Mika lhe provocara no apartamento. Era impossível se conter diante da certeza de que Michaela estava ali buscando uma desculpa estúpida para revê-lo.

Ward sabia que estava pisando em um terreno perigoso, mas já era tarde demais para voltar atrás. A missão perigosa que ele executava na famiglia Moccia foi lindamente deixada de lado naquela manhã quando o policial provocou Michaela ainda mais, fazendo a menina experimentar a inédita sensação de receber uma ordem.

- Meus minutos são preciosos, então não me faça perder mais tempo, bambina. – com o indicador, Connor apontou a porta – Saia já do meu escritório ou tranque aquela maldita porta e faça logo o que realmente veio fazer aqui.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Mar 22, 2017 1:49 am

O queixo de Michaela despencou e foi impossível tentar conter a expressão de espanto diante da ousadia de Connor. Já estava mais do que provado que Ward não era apenas mais um dos funcionários de Alessio que obedeciam às exigências da jovem Moccia por medo. Desde o primeiro dia, o gerente do cassino se mostrou convicto em não se curvar aos luxos da mimada filha de seu chefe.

Naquela manhã, entretanto, Connor havia ultrapassado todos os limites. Além de ser irritante ser tratada com tanto descaso, o que mais incomodava Michaela era não conseguir se defender das acusações dele. De fato, ela poderia ter adiado a visita ao cassino ou se entendido com Cameron em outra hora. Mas bastou a palavra “cassino” ter aparecido na tela do celular para ela saltar da cama e correr até o escritório de Connor.

- Você não tem mesmo a menor noção da realidade, não é?

Mika estreitou os olhos e voltou a se inclinar sobre a mesa, apoiando as duas mãos sobre o tampo de madeira, encarando Connor ameaçadoramente. Sua raiva era totalmente concentrada na ousadia de Ward e no fato dele estar certo, mas ela jamais seria capaz de admitir isso.

- Você se acha mesmo tão meraviglioso que me conquistaria com um beijinho? Nem nos seus melhores sonhos, bello!.

A fúria de Moccia começava a deixá-la com o rosto vermelho, e as palavras saíam atropeladas, evidenciando o sotaque italiano. Com um bufo, Mika girou sobre os calcanhares e seguiu em direção a porta, pisando duro.

- Va al diavolo!

Um movimento exagerado da mão, Mika acenou já de costas para Connor, apenas para agarrar a maçaneta da porta em seguida. No instante em que sentiu a frieza do metal, ela travou.

Seu coração ainda estava acelerado pela fúria que a consumia. Mika queria fazer Connor engolir cada uma de suas palavras arrogantes e colocá-lo em seu devido lugar de um simples empregado que não tinha qualquer direito de falar com ela daquela forma.

Porém, a simples ideia de atravessar aquela porta e passar o resto do dia sem vê-lo era frustrante. O sentimento era tão conflitante que Mika permaneceu parada, encarando a porta de madeira e com os dedos esbranquiçados agarrados na maçaneta.

Se ela fosse embora, sairia vitoriosa daquela discussão e mostraria a Connor quem realmente tinha o controle da situação. Mas se fizesse isso, perderia a oportunidade de sentir o beijo dele outra vez. Seu lado racional insistia em dizer que não valia a pena aceitar aquela derrota apenas por um beijo, mas a mera lembrança do encontro no apartamento de Ward fazia seu corpo implorar por mais.

Mika apertou a maçaneta com mais força e puxou o ar quando aceitou sua decisão. Em um impulso, ela soltou a maçaneta apenas para deslizar os dedos pelo trinco, trancando o escritório de Ward.

Os olhos verdes ainda encararam a madeira a sua frente por longos segundos até que Mika finalmente se voltasse para Connor. A expressão de fúria ainda estava lá, e da mesma forma que ela se afastou da mesa, voltou a se aproximar.

A bolsa amarela foi jogada sobre a mesa e ela a rodeou até parar ao lado de Connor. Em um movimento brusco, a gravata do gerente foi agarrada e puxada até que ele estivesse de pé, sem um pingo de delicadeza. Quando os olhos esverdeados pousaram no rosto de Connor, ainda estavam ameaçadores.

- Se você contar para alguém, eu mesma vou colocar uma bala na sua nuca, Ward. E não se deixe enganar pelo meu tamanho, eu tenho dezenas de sapatos de salto alto que me darão o ângulo perfeito.

A gravata de Connor foi puxada mais uma vez, desta vez de encontro aos lábios de Mikaela em um beijo intenso.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Qua Mar 22, 2017 2:21 am

O pacote de biscoito que deslizou sobre o balcão foi agilmente amparado pelos dedos de Lahey, mostrando que os reflexos do homem mais fiel de Alessio Moccia contribuíam para o seu excelente desempenho no “serviço”.

Apesar de não ter nenhuma entonação enciumada nas palavras de Matilda, foi impossível para Cameron conter um sorrisinho torto que brotou em seus lábios. Definitivamente, Belmont estava longe de ser uma garota comum ou com qualquer tipo de mulher que já tivesse cruzado seu caminho.

Além da atitude profissional e madura que passava a maior parte do tempo, Matilda realmente parecia ser uma mulher bem-sucedida consigo mesma. As coisas eram transparentes, sem dramas ou enrolações. E era impossível tirar da lembrança o momento em que ela agarrara ao volante em meio ao tiroteio. Mesmo com os olhos arregalados em pavor, ela conduzira a crise com perfeição digna de admiração.

Enquanto tantas mulheres surtariam e estariam correndo na direção oposta daquela família, Belmont parecia se encaixar cada vez mais com aquele padrão de vida, por mais que tivesse enfatizado em seu primeiro dia que não pretendia se envolver.

- Relaxa, a Telma me dispensou antes que eu tivesse qualquer oportunidade.

O sorriso brincalhão mostrava que Cam não falava sério ao se referir sobre qualquer investida na velha cozinheira dos Moccia. Como a maioria dos funcionários, Cameron tinha um bom relacionamento com a cozinheira que o mimava como um filho querido.

Por alguns minutos, o único ruído da cozinha vinha do pacote de biscoitos que Cameron terminava de abrir. A primeira rodela do cookie foi enfiada na boca e, após mastigar na companhia do som crocante, sua voz voltou a ecoar na cozinha.

- Sabe o que é mais incrível? – Ele se inclinou para frente e apoiou os cotovelos sobre a pedra que cobria a bancada. – A última vez que nos vimos, estávamos fugindo de um tiroteio que quase custou nossas vidas. E ainda assim, o primeiro assunto que você toca é sobre meu envolvimento com as mulheres dessa casa.

Cam fez uma pausa para dar uma nova mordida, mastigou calmamente e então continuou, sem desviar os olhos azuis da figura de Matilda.

- Das duas uma: ou você está mentindo sobre quem você é, o que explicaria o porquê de não sair correndo depois do que aconteceu no outro dia...

Ele esperou que suas palavras fizessem efeito, vasculhando qualquer sinal no rosto de Matilda. Mas ao contrário do que a consciência pesada da menina interpretaria, Lahey não estava sequer cogitando que a governanta trazia um segredo sobre sua vida. Na cabeça do rapaz, ele estava apenas tentando interpretar qualquer sinal sobre o que passava na cabeça dela.

- Ou eu fui tão incrível que você ainda consegue lembrar do que aconteceu naquele helicóptero antes de pensar no tiroteio.

Um novo biscoito foi retirado do pacote e engolido em poucas mordidas. Com as mãos livres, Cam fechou o pacote do que havia restado. Ele deu uma volta no balcão e se aproximou de Matilda sem desviar o olhar do dela, sempre com um sorrisinho convencido nos lábios.

Quando estava perto o bastante que pôde sentir o tecido macio do robe da governanta roçando contra seu corpo, Cameron esticou um braço e alcançou a porta do armário sobre a cabeça dela. Os biscoitos foram guardados sem que ele desviasse o olhar das íris castanhas e, depois com o armário novamente fechado, apoiou seus dedos no balcão, prendendo Matilda entre seus braços.

- Superar uma perseguição como aquela é bastante difícil. Mas eu entenderia perfeitamente... Não consigo pensar em outra coisa também.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Qui Mar 23, 2017 12:07 am

A mão que segurava a caneca de chá interrompeu o movimento na direção dos lábios de Matilda no instante em que Cameron insinuou que ela estava escondendo sua verdadeira identidade. Por sorte o pânico não se refletiu no rosto da governanta, mas as batidas do coração de Matilda saíram do compasso por alguns segundos, movidas pelo pavor de estar sendo desmascarada.

Por alguns poucos segundos, Belmont realmente pensou que Lahey havia encontrado alguma falha no plano de Connor. Talvez fosse até mesmo este o motivo da reunião dele com Don Alessio naquela noite. Pelo pouco que conhecia dos Moccia, Matilda sabia que se fosse este o caso, nem ela e nem Connor teriam a menor chance de saírem vivos daquela história.

Quando Cameron concluiu seu raciocínio com uma brincadeira, o alívio foi tão grande que bambeou as pernas da governanta. Um meio sorriso brotou nos lábios de Belmont enquanto seu coração desacelerava gradativamente.

- Pelas insinuações de Don Alessio, eu concluí que corro mais perigo por causa do ocorrido no helicóptero. O problema do tiroteio já está sendo resolvido, eu presumo... já não posso dizer o mesmo sobre o problema da minha vizinha de quarto.

Mesmo não participando ativamente dos “negócios” da famiglia, Matilda tinha absoluta certeza de que Don Alessio não deixaria de lado aquele tiroteio. O mafioso não descansaria até colocar as mãos no responsável pelo atentado e puni-lo de forma exemplar para desestimular qualquer outra tentativa parecida. É claro que isso não era exatamente um consolo, mas a governanta ficava aliviada ao pensar que estava segura dentro daquela mansão.

- É só uma preocupação com o meu bem estar, não tem absolutamente nenhuma relação com o seu desempenho, Sr. Lahey. – a expressão de Matilda se tornou mais maliciosa – Mas eu entendo a sua necessidade de reafirmação. É um tipo de insegurança masculina que chega a ser cômica. Durma tranquilo, eu não tenho nenhuma reclamação sobre a sua performance. Com certeza está acima da média.

Depois que se entregou a Cameron Lahey naquele galpão, Matilda tentou se convencer de que fora movida pela adrenalina do momento. Os dois tinham escapado de um tiroteio, estavam sozinhos em um lugar isolado, Belmont se sentia carente e grata ao homem que salvara a sua vida. Eles eram jovens, atraentes e não tinham nenhum compromisso que os impedisse de extravasar as emoções de forma mais íntima.

Mas essas explicações não funcionavam para o momento atual. Matilda estava segura dentro daquela mansão e sua mente não estava entorpecida pelo medo ou pela gratidão. Mas, ainda assim, o coração da governanta deu um salto no instante em que Cameron a prendeu entre seus braços, encurralando-a contra o balcão.

A forma como o corpo dela reagia não deixava dúvidas de que a atração ocorrida no galpão não havia sido saciada naquele único dia. Mas a parte racional da mente de Belmont berrava a plenos pulmões que aquela brincadeira precisava parar. Cameron era um homem perigoso que Matilda não queria ter como inimigo, mas era igualmente arriscado deixá-lo tão próximo. Um único deslize poderia ser fatal.

- Já que mencionou a perseguição, há algo que eu gostaria de lhe pedir...

Por mais que estivesse determinada a resistir às investidas do segurança, a governanta não tentou se afastar. Seria uma tolice tentar burlar o bloqueio de um homem com o dobro do seu tamanho e Matilda sabia que Cameron se divertiria com suas tentativas de fuga.

A caneca com o chá quente foi depositada cuidadosamente sobre o balcão antes que os olhos castanhos buscassem novamente pelo rosto de Lahey. Matilda fixou a atenção nele para não perder nenhum detalhe da reação de Cameron diante daquele pedido absurdamente inusitado.

- Se houver uma próxima vez, eu não quero encenar novamente o papel de mocinha histérica e indefesa. Eu quero que me arrume uma arma, Lahey. Pequena, discreta e precisa.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Qui Mar 23, 2017 1:05 am

Nem por um momento, Connor acreditou que Michaela Moccia sairia daquele escritório. Por mais que conhecesse o ego inflado da menina, Ward também sabia que Mika não teria ido até o cassino àquela hora da manhã se não estivesse louca para repetir o beijo trocado no apartamento há alguns dias.

Enquanto a filha de Don Alessio travava aquela batalha interna contra o próprio orgulho, o gerente apenas a observou com um sorrisinho crescente nos lábios. Quando o discreto som metálico da tranca ecoou pelo escritório, o sorriso de Connor se transformou em uma breve risada de satisfação e era esta a expressão que ele mantinha no rosto quando Michaela finalmente se rendeu ao desejo que a levara até o cassino naquela manhã.

Por motivos óbvios, as dezenas de câmeras de segurança espalhadas por todo o prédio onde funcionava o cassino não ultrapassavam o limite da porta do escritório da gerência. Ali aconteciam negócios que Alessio Moccia definitivamente não gostaria de registrar em vídeos, simplesmente porque era uma grande tolice produzir provas contra seus próprios crimes.

O que o mafioso nunca imaginou era que seu gerente um dia se aproveitaria daquele pequeno detalhe para trair a sua confiança da pior maneira possível. Terry havia desviado dinheiro dos Moccia, mas esta falha parecia uma piada perto do enorme erro que Connor cometia ao mergulhar naquele beijo quente com a adorada “bambina” de Don Alessio.

Mas aquele enorme risco não impediu Ward de se entregar àquela tentação. Quando tomou Michaela em seus braços, o policial não pensava no quanto aquilo enfureceria o mafioso, muito menos no quanto estava fugindo de sua missão como espião. Tudo o que Connor queria era experimentar novamente a textura dos lábios de Mika. Naquele instante ele não era um gerente, tampouco um policial. Era apenas um homem sedento para repetir o beijo inesquecível que atormentava as suas lembranças nos últimos dias.

Os papeis e as pastas que o gerente organizava tão metodicamente foram atirados para fora da mesa de qualquer maneira, abrindo espaço para que Michaela se sentasse sobre a superfície de mármore. As folhas se espalharam sobre o carpete, fazendo uma bagunça que fatalmente atrasaria ainda mais a partida de Connor naquela manhã. Contudo, depois daquela visita surpresa de Mika, a última coisa que Ward queria era descansar.

Acomodado entre os joelhos da menina, Connor colou seu corpo no de Mika enquanto os lábios trabalhavam avidamente. Uma de suas mãos subiu pelas costas da garota até encontrar um ângulo perfeito na nuca dela, sob os cabelos volumosos. Enquanto isso, os dedos da outra mão encontraram a faixa exposta pelo cropped escolhido por Michaela naquele dia e se afundaram na pele quente da menina.

- Vou te irritar mais vezes... – a voz de Connor soou num sussurro rouco enquanto seus lábios desciam vagarosamente pelo pescoço de Mika – Você fica ainda mais sexy quando me xinga em italiano, mia bambina.

Embora a história entre os dois tivesse começado com um jogo de provocações, era evidente que nenhum deles estava mais brincando. A atração era tão real que Connor e Mika simplesmente ignoravam o risco que corriam ao cederem àquela tentação sob o teto do cassino dos Moccia.

Num gesto ainda mais ousado, Connor mordiscou o lábio inferior de Michaela antes de buscar pelas íris esverdeadas da menina. Quando tomou a palavra novamente, o gerente usou a mesma entonação contida para minimizar os riscos de serem ouvidos por alguém que eventualmente se aproximasse da porta trancada.

- Não seja tola. Você não percebe que o Leoncio foi a melhor coisa que poderia ter acontecido na sua vida?

Antes que Michaela pudesse retrucar aquele comentário, o gerente prosseguiu com o raciocínio. É claro que Connor acreditava nos próprios argumentos, mas ele também escolhia cuidadosamente as palavras que convenceriam Mika a aceitar o novo segurança.

- Quando você teria a chance de fazer isto com o Cam em seus calcanhares...? – os olhos de Connor passaram da menina para o próprio tronco, se referindo à cena protagonizada pelos dois – Ao invés de reclamar do seu novo segurança, trate de aperfeiçoar suas técnicas de dominação. Ele pode te dar a liberdade que você jamais teria com o Cam. Se você aprender a moldá-lo de acordo com as suas vontades, não vai precisar inventar desculpas estúpidas sempre que quiser me ver, bambina.

Connor deixou bem claro que não esperava de Michaela nada além daqueles encontros fortuitos quando completou o discurso, com os lábios colados na orelha da menina.

- Economize seus saltos e poupe a minha nuca. Eu não vou te causar problemas, bambina. – Ward abriu um sorrisinho antes de sussurrar a frase que já vinha se tornando uma marca registrada daquele relacionamento proibido – Eu não conto se você não contar.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Mar 27, 2017 5:28 am

Se antes Michaela poderia se agarrar à desculpa de que o único fator que tornara aquele beijo no apartamento de Ward tão exótico era devido a surpresa, depois daquele dia seria incapaz de pensar em qualquer nova razão para justificar a reação do seu corpo quando os lábios de Connor tocavam os seus.

Era simplesmente inexplicável. Cada célula do seu corpo parecia reagir, completamente infectada pelo arrepio que provocava o eriçar dos pelos de seus braços e da sua nuca. Assim como acontecera na primeira vez, o calor invadiu seu rosto e Mika deixou de raciocinar, se deixando levar pela sensação maravilhosa que o gerente do cassino lhe causava.

Se fosse capaz de ouvir sua própria mente, de ver aquela cena por fora, Moccia certamente se envergonharia da sua atitude e repreenderia a si mesma por se deixar levar por um mero empregado do cassino. Por mais que Connor ocupasse um dos melhores cargos, que estivesse em uma posição de confiança para Alessio, ele ainda estava longe de ser alguém capaz de lhe proporcionar o estilo de vida que estava acostumada.

Mas aquele detalhe era lindamente ignorado quando os suspiros escapavam dos seus lábios enquanto os beijos de Connor traçavam uma trilha em sua pele quente. Com os olhos fechados, Mika havi rodeado o corpo de Connor com as pernas e se agarrava à gola da camisa dele, onde alguns botões já haviam se soltado.

- Você se acha mesmo meraviglioso, não é? – Ela repetiu o adjetivo em italiano em um sussurro, procurando pelos lábios dele para mais um beijo. – Eu não preciso driblar nenhum segurança ou inventar desculpas para te ver, bello. Por que acha que eu faria isso?

Os dedos de Michaela afundaram nos cabelos de Connor bagunçando os fios escuros de modo que em questão de segundos eles apontavam para todos os lados. Com as pontas das unhas, ela arranhou a pele do pescoço de Ward enquanto descia até alcançar a barra da camisa amarrotada, puxando o tecido até que estivesse para fora da calça.

O beijo foi interrompido apenas para que Mika pudesse pousar os olhos verdes no rosto de Connor. Um sorriso satisfeito imediatamente brincou em seus lábios vermelhos ao perceber que não era apenas ela que estava descomposta e com uma expressão tola.

Assim como na manhã no apartamento de Connor, Michaela procurou uma brecha pela barra da camisa até arranhar a pele quente da barriga dele. A expressão de Ward não deixava dúvidas de que ele também havia se entregue naquelas carícias, dando a satisfação para Moccia de que não era apenas ela a perder a batalha interna.

- Mas para sua sorte, estou disposta a fazer a primeira caridade da minha vida. E enquanto eu me divertir com isso, vou voltar por mais. Apenas por amor aos meus saltos, e claro, porque não quero sujar minhas roupas com sangue.

Era nítido como as provocações de Michaela não tinham efeito algum quando ela estava inteiramente entregue às sensações que Connor lhe proporcionava. Mas aquele joguinho era simplesmente impossível de se abandonar, como se nenhum dos dois pudesse admitir com todas as letras como jamais tinham experimentado aquilo com mais ninguém.

Foi a vez dos lábios de Moccia deslizarem pelo pescoço de Connor e pararem apenas para mordiscar o lóbulo da orelha dele, se aproveitando da proximidade para sussurrar enquanto seus dedos brincavam sob o tecido da camisa dele.

- Você pode continuar me irritando para que eu te xingue em italiano. Ou pode simplesmente aproveitar que eu estou aqui, Ward.

Um novo beijo intenso foi iniciado e, por mais que Michaela já soubesse o que sentiria, ainda assim seu corpo reagia como se fosse o primeiro toque. Ela desligou sua mente por completo e se deixou aproveitar por tanto tempo que foi incapaz de dizer exatamente o quanto havia passado, até que batidas na porta trouxessem os dois de volta a realidade.
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Lucinda Clearwater

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