Viva Las Vegas!

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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Maio 08, 2017 3:47 am

- É claro que não...

Os olhos verdes giraram com impaciência enquanto Mika se voltava para Fred com os braços cruzados. Qualquer tentativa da menina de permanecer sóbria depois daquela noite agitada foi por água abaixo com os comentários do colega de quarto de Connor.

- Além de idiota, é cego o bastante para me confundir com aquela coisinha. Até o Stevie Wonder consegue sentir de longe que eu não uso perfume de vadia, Frederich.

Michaela não perderia tempo com teorias se o antigo segurança do cassino estaria ou não envolvido na antiga armação de Connor. Depois de tanto tempo, ela preferia acreditar que já tinha descoberto toda a sujeira possível e achava pouco provável que Ward tivesse outros ajudantes que não tivessem se aproveitado da “fama” gerada pelo caso Moccia.

O que a incomodava, entretanto, era a ideia de ver a policial “amiga” de Connor frequentando aquele apartamento. Racionalmente, Mika sabia que os dois eram casados apenas no papel. Que tinham vidas completamente diferentes, em países diferentes. Não cabia a ela julgar se Ward estava em um novo relacionamento quando ela mesma havia deixado um namorado na Itália.

Mas depois daquela noite, da fotografia na carteira de Connor, no beijo trocado e principalmente de ter estado ao lado dele em seu pior momento, uma pequena esperança havia surgido para Michaela.

Tudo ainda era confuso demais, era difícil se imaginar novamente ao lado de Ward quando o nome dele estava envolvido diretamente nos escândalos dos Moccia. Mas Mika queria ao menos se agarrar ao pensamento de que ele ainda a amava.

A toalha embebecida com o soro foi entregue para Connor, com o clima entre os dois já completamente morto. Michaela se sentia fisicamente esgotada para apresentar mais uma performance do “furacão Mika”, mas também não estava mais facilmente inclinada a baixar a guarda.

- Estou vendo como tem sido muito difícil sem mim, Connor.

- Ahn... Eu estou atrapalhando alguma coisa? – Fred ainda estreitava os olhos na direção do casal, coçando a própria nuca em um gesto ansioso diante da surpresa de ter Michaela Moccia em sua sala.

Quando Mika voltou a encarar o ruivo, exibia um sorrisinho malicioso, e mesmo que Fred não pudesse enxergar, era o mesmo sorriso superior que ela havia dado a Dalila e a todos os demais policiais no dia da delegacia.

- Não se preocupe, Fred. Ao contrário da Dalila, eu sei que essas paredes finas não teriam dado conta do recado... Então Connor e eu passamos a noite no meu apartamento. Se você acha que precisa de dois policiais para as coisas ficarem violentas, você definitivamente nunca ficou com a filha de um criminoso.

Os lábios rosados de Mika foram espremidos quando ela forçou um semblante pensativo. Com as mãos livres, ela acariciou o próprio pulso. Fred poderia não enxergar, mas além de conhecer a menina muito melhor do que ninguém, Connor interpretaria facilmente o olhar malicioso.

- Acho que ainda estou com a marca das algemas, bello...

- Tá legal, detalhes demais! – Fred ergueu as mãos no ar, em um sinal de rendição.

Com um sorrisinho vitorioso, Michaela sacudiu um dos ombros ao se explicar em um sussurro para Ward.

- Já temos nosso álibi. Vou me certificar de que toda a delegacia fique sabendo. Você sabe, como um favor a você, claro...
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Seg Maio 08, 2017 4:02 am

Os olhos de Matilda reviraram e ela abriu um sorrisinho irônico quando Cameron fez aquele comentário deslocado sobre o seu novo corte de cabelo. Inconscientemente as mãos da antiga governanta buscaram pelos fios curtos enquanto ela fazia uma pequena confissão.

- Eu podia dizer que é a nova moda em Roma ou Paris. Mas a verdade é que eu não tive outra escolha depois que os bebês aprenderam a se agarrar nos fios. Chumaços de cabelos se perdiam entre os dedinhos várias vezes por dia, então eu resolvi cortar antes de correr o risco de ficar careca. Bem-vindo às maravilhas de ter dois bebês na sua vida.

A menção ao novo nome que Matilda usava como parte do programa de proteção à testemunha fez com que o clima leve do carro se dissipasse. Uma longa pausa se prolongou antes que Cameron recebesse uma resposta séria.

- Não, eu não tive escolha. Odeio esse nome.

O assunto rapidamente morreu, reforçando ainda mais a ideia de que Belmont não se sentia à vontade para falar daquele tema justamente com Lahey. Afinal, fora para fugir dele que Matilda ganhara uma nova identidade e uma vida totalmente diferente.

O silêncio que se seguiu à breve conversa serviu para intensificar ainda mais o cansaço que puxava as pálpebras de Matilda para baixo. O sacolejar do carro na estrada também contribuía positivamente para o sono que começava a dominar Belmont. A moça já começava a cochilar com a cabeça recostada no banco do carona quando o carro parou repentinamente.

Por um momento, Belmont imaginou que havia dormido por mais tempo do que calculava, mas logo sua visão entrou em foco e Matilda percebeu que ainda estavam na estrada, distantes de Beaufort. A segunda hipótese que se passou pela mente da ex-governanta foi a de algo estava errado e, com o coração acelerado, os olhos castanhos buscaram por um perseguidor, ou talvez a polícia prestes a capturá-los pelo crime cometido naquela madrugada.

Mas não havia nada ao redor além da estrada completamente vazia. Não havia ali nem mesmo outro carro além do veículo em nome de Sarah Baker. Com uma ruguinha de confusão entre os olhos, Belmont buscou pelo rosto de Cameron na esperança de entender o que estava havendo ali. E o olhar intenso de Lahey não deixava dúvidas sobre o que ele estava prestes a fazer.

A surpresa deixou Matilda petrificada por alguns segundos. A parte racional da mente de Belmont exigia que ela colocasse um fim naquela loucura, chutasse Cameron para fora do carro e o abandonasse na estrada deserta como uma retaliação por tamanho atrevimento. A moça até tentou dar ouvidos à razão e apoiou as mãos no peito de Lahey para empurrá-lo para longe, mas os dedos dela formigaram e não resistiram à tentação de transformar aquele toque em uma carícia.

Ao invés de Cameron, Matilda chutou a racionalidade para fora daquele carro enquanto se rendia ao desejo sufocante de corresponder ao beijo. Ela não estava raciocinando quando soltou o cinto de segurança e permitiu que Lahey a puxasse até o banco do motorista.

Os fios curtos dos cabelos de Belmont caíram sobre o rosto do segurança quando ela se inclinou sobre ele, retribuindo ao beijo. As mãos subiram pelo peito forte de Cameron, deslizaram através do pescoço e alcançaram a barba. O contraste dos dedos delicados com os pelos ásperos arrancou um arrepio de Matilda e fez com que ela sorrisse, sem interromper os movimentos sedentos dos lábios.

Com dois bebês pequenos em casa e uma vida reclusa, Belmont simplesmente não tivera tempo e oportunidade para reconstruir a vida amorosa. É claro que ela sentia falta daquelas sensações, mas não era apenas por carência que Matilda se deixava levar. Ela sabia que não se entregaria tão facilmente a qualquer homem.

Mas aquele era Cameron, sempre ele. Assim como Belmont não resistiu à tentação durante a “missão Moccia”, continuava sendo impossível lutar contra a maior verdade de toda aquela história conturbada: exatamente como Michaela dissera, Matilda ainda era perdidamente apaixonada por Cameron Lahey.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Ter Maio 09, 2017 12:19 am

A miopia de Fred não permitiu que o rapaz notasse o olhar mortal que Connor lançou em sua direção. A relação com Michaela já estava bastante complicada, mas o dono do apartamento conseguiu piorar ainda mais a situação com aquele comentário maldoso sobre Dalila Williams.

Por mais que Ward não devesse explicações sobre a sua vida íntima para a esposa que o abandonara há dois anos, era evidente que aquela insinuação prejudicaria qualquer tentativa de reconciliação com Mika.

O semblante chocado de Fred mostrava que o ruivo havia acreditado facilmente na mentira de Michaela. Afinal, por que a filha de Don Alessio Moccia estaria ali se não fosse por causa de uma recaída com o ex-marido? A história de Mika possuía muitas falhas, mas ainda assim era um excelente álibi. Caso algo desse errado, Fred confirmaria para a polícia que o amigo havia passado aquela última madrugada no apartamento da ex-mulher.

Embora fosse uma excelente ideia forjar um álibi para aquela noite, Connor sabia que não era apenas por isso que Michaela inventara aquela recaída. Os lábios do policial se repuxaram num sorrisinho torto e sua voz só soou depois que Fred saiu da sala, deixando os dois novamente a sós.

- Você não mudou nada, sabia? Ainda é a mesma maluca que achava que eu dormia com qualquer mulher que cruzasse o meu caminho. – o sorriso de Ward se tornou mais malicioso antes que ele completasse a provocação – Eu me sinto lisonjeado e gostaria de ter toda a energia que você julga que eu tenho.

Depois da interrupção de Fred, não parecia haver mais clima para o desabafo que Connor fazia há alguns minutos. Mas mesmo sem uma declaração completa, os acontecimentos daquela noite tinham deixado muito clara qual era a posição do policial naquela história. Mesmo depois da conturbada separação, Ward ainda amava Michaela e mantinha viva a esperança de que os dois pudessem se acertar.

- Vou separar roupas para você. – Connor explicou diante do olhar confuso da moça – Não sei você, mas eu me sinto imundo depois desta noite. Tome um banho e descanse um pouco, eu posso te levar de volta para casa mais tarde.

Para a imensa surpresa de Michaela, Ward se ausentou da sala por dois minutos antes de retornar trazendo nas mãos peças de roupa que ela já conhecia muito bem. A camiseta branca de algodão e o short xadrez de elástico ficavam enormes em Mika, mas eram praticamente o uniforme que a menina costumava usar quando passava dias inteiros no antigo apartamento do gerente, na época em que o namoro ainda não chegara aos ouvidos de Don Alessio.

Antes que Mika pudesse pensar que Connor emprestava aquelas peças para todas as mulheres com quem dormia, um detalhe ficaria evidente. A camiseta e o short estavam cuidadosamente dobrados, no mesmo padrão que Michaela usava para guardar as próprias roupas. Provavelmente ela fora a última pessoa a tocar naquelas peças, já que a familiar desorganização de Ward descartava facilmente a chance dele ter aprendido aquela técnica com a esposa.

Enquanto Mika absorvia aquela novidade, Connor apoiou-se no encosto do sofá e cruzou os braços. O sorrisinho torto surgiu novamente em seus lábios quando o silêncio foi quebrado por uma nova provocação.

- Algemas, hm? Se eu soubesse que você curtia esse tipo de coisa, teríamos nos divertido ainda mais, bambina.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Ter Maio 09, 2017 2:30 am

Em questão de segundos, todo o passado conturbado entre Cameron e Matilda foi deixado de lado. Com uma facilidade absurda, Lahey se esqueceu de toda mágoa e decepção que a traição de Belmont havia provocado. O estrago na família Moccia era completamente insignificante quando todo o seu corpo reagiu quando ela correspondeu ao seu beijo.

A única coisa que importava era poder estar com Matilda outra vez. O sabor do beijo dela era ainda melhor do que Cam podia se lembrar. A forma com que o corpo dela se encaixava nos seus braços ainda era surpreendente, e o perfume delicado o arrastou de volta para os momentos mais felizes ao lado da antiga governanta.

O beijo era apaixonado, mas ao mesmo tempo era movido com desespero, ansiedade e saudade. Havia o medo de que aquele momento fosse interrompido e toda a triste realidade caísse sobre suas cabeças, por isso Lahey se viu obrigado a prolongar ao máximo aquele momento.

Seus dedos afundaram nos cabelos curtos, encontrando a nuca de Matilda com mais facilidade do que no passado. A outra mão encontrou uma discreta brecha na camiseta dela, deslizando o toque pela coluna em contato direto com a pele quente.

Por mais que não quisesse voltar a enxergar a realidade, os pulmões de Cameron começaram a protestar involuntariamente, e os lábios foram obrigados a se separar para dar lugar a respiração ofegante.

Os braços de Cam permaneceram firmes ao redor de Matilda, em uma tentativa de impedir que ela se afastasse. As pálpebras continuaram escondendo as íris azuladas e a testa dele foi apoiada contra a de Belmont, enquanto o ritmo dos corações se acalmavam.

- Nós precisamos ir.

A voz de Cameron soou rouca em um lamento, mas mesmo antes de encarar a realidade, ele sabia que haviam duas crianças que aguardavam a mãe há uma distância de duas horas. E com a responsabilidade que começava a pesar em seus ombros, Lahey se via obrigado a colocar a necessidade dos filhos em primeiro lugar.

Os olhos de Cameron finalmente foram revelados quando ele buscou pelas íris castanhas. A mão que antes estava apoiada na nuca de Matilda deslizou até segurá-la pelo queixo gentilmente.

- Mas eu teria enlouquecido se ficasse mais um minuto sem isso. Você não tem ideia do quanto eu estava com saudade, Matilda.

Um novo beijo foi depositado carinhosamente sobre os lábios de Belmont, apenas para encerrar aquele lapso com ternura. Com os dedos, Cameron deslizou algumas das mechas castanhas para coloca-las por trás da orelha de Matilda e imediatamente um sorriso involuntário brotou em seus lábios.

- É, eu gostei mesmo do seu novo corte de cabelo. Você está linda.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Ter Maio 09, 2017 4:10 am

Por mais que soubesse que aquela recaída era um erro, Matilda não conseguiria disfarçar os próprios sentimentos. Cada centímetro do seu corpo reagiu aos toques de Cameron e a maneira como ela retribuiu às carícias não escondia o quanto Belmont também sentira saudades do ex-namorado.

Só quando as batidas do seu coração começaram a desacelerar, Matilda ergueu as pálpebras para encarar Lahey. Os dois continuavam colados, de forma que a respiração quente que escapava dos lábios ofegantes dela se chocava contra o pescoço de Cameron. Era impossível iniciar uma conversa racional quando a adrenalina ainda circulava velozmente pelas veias dela, mas Matilda se esforçou para recuperar a sanidade enquanto saía do colo de Cam e deslizava de volta ao assento do carona.

- Eu ainda não consegui decidir se você é um excelente mentiroso ou simplesmente maluco...

As palavras de Matilda ecoaram no interior do carro silencioso e ela torturou Cameron com uma prolongada pausa antes de mostrar que aquela declaração era uma brincadeira.

- Porque é óbvio que eu não estou nada bonita depois desta merda de noite. – os lábios de Belmont se curvaram em um pequeno sorriso – Vamos logo, e sem mais paradas a partir de agora. Tia Molly vai surtar se eu a deixar sozinha por mais tempo com aqueles dois diabinhos.

Durante o restante do trajeto até Beaufort, Matilda tentou se convencer de que havia cedido aos toques de Cameron por carência depois das últimas horas de tensão. Agora que não precisava ser forte e segura, era um alívio sentir-se protegida nos braços de Lahey. Contudo, bastava olhar o perfil concentrado do motorista para que Belmont descartasse aquela possibilidade. Não fora apenas carência ou tensão. Mesmo depois de tudo, ela continuava louca por ele.

Quando o carro finalmente foi estacionado diante da casinha simples das Baker, o clima entre o casal mudou completamente. Matilda não podia julgar Cameron pela apreensão refletida em cada traço do rosto dele. Não havia mais espaço para brincadeiras ou gracejos quando Lahey estava há poucos minutos da sua primeira experiência como pai. Era óbvio que aquela situação conseguia aterrorizar mesmo um homem como Cameron. Ele estava mais apavorado do que jamais ficara em qualquer missão dos Moccia.

- São só dois bebês, Cameron. – Matilda apertou de leve a mão do segurança – Não precisa ficar tão tenso. O máximo que eles podem fazer é vomitar em você, puxar seu cabelo, morder seu nariz, obrigar você a passar noites em claro ou a trocar fraldas podres... – o sorriso da moça se tornou mais divertido – É, talvez você devesse ter medo mesmo.

Belmont se sentia ansiosa quando girou a chave e destrancou a porta da sala, então ela calculava que Cameron estava ainda mais tenso com aquele momento. A casa era exatamente a mesma que Lahey conhecera há algumas semanas e estava silenciosa naquelas primeiras horas da manhã. Mas logo a voz doce de Molly Baker surgiu no topo das escadas.

- Sarah? É você?

O som dos passos começou a se aproximar da sala, obrigando Matilda a se colocar alguns passos à frente de Cameron. Belmont já esperava por aquela péssima reação quando Molly finalmente chegou ao primeiro andar e perdeu todas as cores ao notar que a “sobrinha” não estava sozinha naquela manhã.

Encolhida em um robe, Molly arregalou os olhos ao reconhecer em Cameron o mesmo “técnico de geladeira” que a obrigara a fugir às pressas com duas crianças. Instintivamente, os olhos da mulher procuraram pelo telefone sobre a mesinha da sala, calculando quanto tempo ela levaria para alcançá-lo e se teria a chance de discar “911” antes que o perseguidor de Matilda a alcançasse.

Como se fosse capaz de ler os pensamentos da mulher, Matilda se colocou como uma barreira entre Molly e o telefone. As mãos da moça foram erguidas num pedido de calma e ela buscou pelos olhos bondosos da tia enquanto tentava explicar.

- Está tudo bem, tia Molly. Eu o trouxe até aqui, ele não me obrigou a fazer isso.

- Sarah! – a mulher pareceu ainda mais chocada e recuou um passo, nitidamente apavorada com a ideia de ter sob seu teto o homem que ameaçara a vida de Matilda no passado.

- Tia Molly, ouça... – Belmont se adiantou alguns passos até segurar as mãos geladas de Molly – Você acha que eu faria algo que colocasse em risco os meus bebês? Você sabe que eu morreria por eles... Eu sei o que estou fazendo, tia. Confie em mim, ok?

Sob o olhar ainda perturbado da mulher, Matilda abriu um sorriso tranquilo enquanto se inclinava. As botas de cano curto usadas naquela noite pela antiga governanta dos Moccia foram retiradas e, por cima do ombro, Belmont lançou um olhar mais sério na direção de Cameron.

- O único risco que ele representa nesta casa é pisar com esses sapatos imundos no chão onde os gêmeos engatinham. Se vai mesmo frequentar esta casa é melhor seguir as regras, Lahey. Ninguém pisa no segundo andar com sapatos sujos.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qui Maio 11, 2017 2:37 am

Os cabelos cacheados tinham sido puxados para um coque frouxo, onde algumas mechas loiras ainda se soltavam para deslizar pela nuca de Michaela. As roupas usadas durante a madrugada tinham sido trocadas pelas peças limpas e mais confortáveis de Connor. A camisa ficava quase como um vestido e o short precisou ser dobrado na altura da cintura algumas vezes. Quase parecia que os dois tinham voltado no tempo quando a menina entrou pela porta do quarto que o policial ocupava provisoriamente naquele apartamento.

Um banho quente e demorado havia ajudado Mika a se sentir melhor, mas cada vez mais ela tinha certeza que teria sido uma péssima ideia ficar sozinha. A consciência do que ela tinha se envolvido naquela noite era grande demais para lidar em meio a um apartamento vazio, e mesmo em meio a confusa relação com Ward, ainda era uma alternativa infinitamente melhor.

- Acho que o seu amigo cegueta saiu para trabalhar. Isso, ou ele saiu correndo depois que eu insinuei que faria alguns testes acústicos com as paredes do apartamento.

Os olhos verdes giraram com impaciência, mas o sorriso malicioso de Michaela mostrava que ela se deliciava em fazer Fred sofrer um pouco depois de precisar ouvir os comentários a respeito de Dalila.

Ela ainda se sentia incomodada com a ideia de ver Connor com outra mulher, mas precisava se lembrar constantemente que o casamento dos dois se resumia a um documento e ao sobrenome que ela carregava. Não era justo exigir dele qualquer tipo de compromisso ou se entregar aos ciúmes por vê-lo seguir com a própria vida, por mais difícil que fosse controlar o próprio temperamento.

- Você também precisa descansar.

O olhar maldoso de Mika se transformou com sincera preocupação ao ver Connor se movimentando pelo quarto. Se para ela já era difícil simplesmente encostar a cabeça no travesseiro, deveria ser ainda pior para Ward conseguir pregar os olhos depois do que havia vivido naquela madrugada.

Sua irritação com Dalila, com os comentários de Frederich ou com a situação do relacionamento com Connor poderia ser deixada de lado por mais algumas horas. Era inquestionável que havia mergulhado naquela história por causa de Ward e não seria sensato iniciar uma briga quando claramente ele ainda precisava do seu apoio.

Mesmo com todo o passado conturbado, com as mentiras, traições e por ter ao seu lado o responsável pela prisão de Alessio, naquele momento a única coisa importava era como seu coração se comprimia ao ver que Connor precisava de ajuda.

- Se você me prometer que consegue dormir por pelo menos três horas, eu prometo não agir como uma maluca pelas próximas vinte e quatro horas.

Mika cruzou os braços contra o peito e pendeu a cabeça para o lado, refletindo sobre a própria proposta e as chances de realmente conseguir cumprir a sua parte naquele trato.

- Ok, pelas próximas vinte e quatro horas. Se nenhuma das suas vadias cruzar o meu caminho. É pegar ou largar, Ward.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Sex Maio 12, 2017 3:11 am

Mesmo com os cabelos úmidos e a pele refrescada por um banho, Connor ainda parecia abatido quando retornou ao quarto. A toalha usada para secar os fios castanhos foi jogada displicentemente sobre uma cadeira, reforçando que Ward continuava tão desorganizado quanto na época do casamento. Antes que Michaela tivesse a chance de reclamar, o policial ergueu o indicador e arqueou as sobrancelhas enquanto o velho sorrisinho torto surgia em seus lábios.

- Nã-nã-nã. Vinte e quatro horas sem agir como uma maluca, foi este o trato!

A calça de moletom larga não valorizava muito as formas de Connor, mas a camiseta branca sem mangas indicava que o policial havia ganhado alguns músculos nos últimos meses. Como gerente de um cassino, Ward não tinha tempo para as atividades físicas que voltaram para a sua rotina no instante em que o rapaz reassumiu o trabalho como policial.

Era óbvio que Connor não conseguiria cumprir a sua parte naquele acordo. Parecia impossível relaxar e adormecer enquanto o pesadelo vivido na última madrugada ainda estava tão fresco em sua memória. Ainda assim, Ward se deixou cair na cama e manteve os olhos castanhos fixos no teto por demorados minutos.

O colchão era consideravelmente menor que a espaçosa cama king size que Michaela e Connor dividiam após o casamento. Por isso, era ainda mais difícil ignorar o calor e o perfume que vinham do corpo da garota. Aquela proximidade seria uma tentação sufocante se a mente de Ward não estivesse tão angustiada naquele momento. Embora tivesse recuperado a serenidade, era evidente que Connor continuava profundamente atormentado com o crime cometido naquela madrugada.

- Eu não estava raciocinando.

A voz grave soou tão baixa que só atingiu os ouvidos de Mika porque os dois estavam muito próximos e o apartamento mergulhara em um profundo silêncio depois da partida de Fred. Era difícil saber se Connor estava falando com Michaela ou simplesmente desabafando consigo mesmo.

- Quando ela disse aquele monte de merda e avançou na direção da Maty, parecia que nós tínhamos voltado no tempo. Eu perdi as contas de quantas vezes essa mesma cena se repetiu...

Ward fez uma pausa e, sem tirar os olhos do teto, contraiu o rosto em uma expressão dolorida. A voz do policial estava ainda mais baixa quando ele completou.

- Ela partia para cima da Maty. A Maty gritava e chorava. Eu tentava me meter entre as duas. Ela me batia, me trancava no armário e machucava a Maty ainda mais.

O semblante atormentado de Connor deixava claro que ele não estava mentindo. Também era óbvio que Ward não conseguiria dormir enquanto a sua mente continuasse revivendo aquelas cenas.

- Foi exatamente a mesma cena. Só que desta vez eu não tinha seis anos de idade.

Talvez fosse mais sensato colocar uma pedra sobre aquele assunto. Não falar mais sobre a morte de Veronika era uma sábia maneira de não levantar qualquer tipo de suspeita. Por outro lado, era óbvio que Connor explodiria se não desabafasse com alguém. E Michaela havia se metido naquela confusão por causa dele.

Em busca da mesma Mika que havia confessado que estava ali por ele, Connor quebrou a pequena barreira que ainda existia entre eles, deslizou para junto da garota e deitou a cabeça sobre o peito dela. Se a própria Michaela havia sugerido uma trégua nas próximas horas, era óbvio que Ward não pretendia estragar aquela chance com mais brigas ou provocações.

Com os olhos fechados, o policial acompanhou as batidas rítmicas do coração de Mika como se estivesse agarrado ao seu porto seguro. Aquele som conseguiu acalmá-lo um pouco mais e o perfume da pele de Michaela inebriou seus sentidos, permitindo que parte da angústia evaporasse. Sem erguer as pálpebras, Connor deixou que sua mão deslizasse sobre o colchão até encontrar os dedinhos delicados da garota.

- Eu não teria conseguido ir até o fim sem você, Mika.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Sex Maio 12, 2017 3:49 am

Cameron já havia acostumado a receber olhares receosos, amedrontados ou reprovadores. Ele não teria ocupado o cargo do homem mais fiel de um mafioso sem colecionar ao longo do caminho uma pequena multidão de pessoas que temiam sua presença.

Mas assim como acontecia com Matilda, ele se sentia arrasado ao ver a reprovação no olhar de Molly enquanto aquela completa estranha tinha tanta intimidade com seus bebês. Era como se aquela mulher aleatória no mundo, que já tinha o privilégio de estar ao lado dos gêmeos, pudesse criar mais uma barreira em seu desejo de permanecer na vida dos filhos.

Os ombros de Cam estavam tensos e ele não conseguiu relaxar nem mesmo quando Belmont garantiu que sua presença não era indesejada. Como se estivesse diante de um combate com armas de fogo, Cameron ergueu as mãos em sinal de rendição e começou a retirar as botas esfregando um pé ao outro.

Quando apenas as meias tocavam o piso da casa de “Sarah” e Molly, ele deu o primeiro passo, tentando ao máximo não transparecer sua ansiedade. Aquele seria o seu primeiro contato com os gêmeos como um pai, e por mais irracional que fosse, Lahey temia que aquele mesmo receio ou reprovação pudesse ser refletido nos olhares inocentes de David e Adelaide.

- Sem sapatos sujos. A não ser que a senhora queira me revistar, estou liberado para entrar?

O olhar atento de Molly ainda acompanhou Cameron quando ele seguiu em direção aos degraus junto com Matilda. A sua respiração estava presa na garganta quando eles pararam diante do quarto dos gêmeos e as sobrancelhas se arquearam quando a vista tentou se adaptar a pouca claridade e a paz que existia no interior.

Com tanto sangue em seu passado, com tanta história triste de seus dias vivendo nas ruas, o máximo de paz que Cameron havia experimentado tinha sido ao lado de Matilda. Não havia a menor dúvida de que era ao lado da antiga governanta dos Moccia que ele vivera seus dias mais felizes.

Naquela manhã, entretanto, tendo a ex-namorada há poucos passos e a respiração calma dos bebês chegando em seus ouvidos, Cameron sabia que não tinha mais nada faltando em sua vida. Todos os dias raivosos, solitários ou humilhantes estavam para trás. Seus piores momentos a serviço dos Moccia não existiam mais. A sensação de família que Alessio e Michaela lhe davam parecia uma grande piada com o que acontecia naquele pequeno quarto afastado de Las Vegas.

As mãos de Cameron foram apoiadas na borda de madeira de um dos berços e, sem ao menos perceber, sua boca se abriu em um discreto “O” com a admiração que sentia. Por uma fração de segundos, Lahey chegou a buscar pelo rosto de Matilda, em uma pergunta muda sobre a realidade daqueles pequenos anjos.

Como mágica, o drama daquela madrugada foi esquecido quando ele pôde admirar com calma os traços delicados dos bebês. Da forma como Adelaide formava um biquinho e parecia mamar no ar vez ou outra, ou na maneira com que David enfiava a minúscula mãozinha sob a bochecha, em uma postura muito semelhante a de uma Matilda adormecida.

- Eles são ainda mais perfeitos do que eu me lembrava.

A expressão surpresa de Cameron finalmente se contorceu em um sorriso orgulhoso. Ele deslizou a mão para dentro do berço, mas imediatamente recuou os dedos, se sentindo sujo demais para tocar no braço de Adelaide. Ao invés disso, ele se contentou em sentir a textura macia da manta sob ela.

- São de longe a melhor coisa que eu já fiz na minha vida.

Os olhos azuis deslizaram mais uma vez pelo quarto pouco iluminado para procurar por Matilda, com uma pequena nuvem de preocupação passando pelo seu rosto.

- Não que eu tenha feito muitas coisas boas na minha vida. As vezes tenho a impressão de que só o que fiz foi uma coleção de erros... Mas eles, não. Eles são perfeitos. Obrigado, Maty.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sex Maio 12, 2017 4:16 am

Michaela não pensou nem por um segundo em afastar Connor. Os acontecimentos daquela noite colocavam em pausa qualquer outro problema que os dois tivessem. Independentemente de qualquer coisa, ficava cada vez mais óbvio que os dois se amavam de verdade. E não era justo cobrar de Ward pelos erros do passado, em seu pior momento.

Ela deixou que seus dedos fossem entrelaçados aos dele e, com a outra mão, passou a acariciar o topo da cabeça de Connor, afundando na textura macia dos cabelos castanhos. A bochecha de Mika foi apoiada contra a testa de Connor e seu peito se comprimia diante do desabafo dele.

- Às vezes fazer a coisa certa pode ser a mais difícil de se fazer. E com consequências que a gente não quer lidar. Mas isso não quer dizer que deixa de ser a coisa certa.

As palavras de Mika se aplicavam tanto ao grande deslize de Connor, naquela noite, quanto no passado. Em ambas as situações, a prisão de Connor ou a defesa de Matilda eram as coisas certas a serem feitas. Mesmo que como consequência, Ward fosse obrigado a perder a esposa ou a lidar com a própria consciência.

Talvez fosse a sua mente que começava a se acostumar com aquele mundo distorcido em que o pai estava envolvido em negócios ilegais, que Cameron estava sujo até o último fio de cabelo. Mas Mika não encarava mais o assassinato de Veronika como algo preto ou branco. Era muito mais do que ser ilegal ou não, ser cruel ou não. Connor havia ido tão longe para proteger a irmã, algo que em tantos anos, a justiça foi incapaz de prover com eficiência.

- Acabou, Connor. Você foi até o fim e eu ainda estou aqui. Não vou a lugar algum.

Mika não sabia até onde realmente estava se comprometendo com aquela promessa. Mas ao menos naquele momento ela sabia que não sairia do lado de Ward.

Um beijo carinhoso foi depositado sobre os cabelos castanhos e ela perdeu a noção do tempo enquanto deslizava seus dedos em um constante cafuné. Sem que se desse conta, as pálpebras começaram a pesar até cobrir as íris verdes. As respirações ficaram mais suaves, e por algumas horas, os dois conseguiram se entregar ao sono.

Quando Mika despertou, seu corpo ainda protestava de cansaço, mas uma breve memória do que havia acontecido na noite anterior foi suficiente para fazer sua mente ficar alerta. Connor havia deslizado para o lado da cama e agora era ela que ocupava o lugar sobre o peito dele.

Por alguns minutos, Michaela permaneceu em silêncio, se deliciando com o cheiro das roupas limpas de Connor. Depois, com extremo cuidado, ela tentou se afastar dele para sair da cama. O celular desligado na mesinha de cabeceira foi puxado pelos seus dedos antes que ela pudesse seguir caminho até o banheiro.

Suas roupas usadas na noite anterior estavam dobradas em um canto, e sobre a pia, o relógio que havia colocado às pressas antes de sair na madrugada. A torneira do banheiro foi aberta e Mika deixou a água escorrer pelos seus dedos antes de levar uma porção até o rosto. No instante em que sentiu a textura dos próprios dedos, ela recuou as mãos.

Uma ruguinha surgiu entre suas sobrancelhas loiras ao encontrar os dedos limpos e imediatamente o olhar buscou pelos seus pertences, no canto do banheiro. Ainda com uma expressão sonolenta e confusa, Michaela remexeu em suas roupas, enfiou as mãos nos bolsos do jeans, sem sucesso. Durante alguns minutos, ela vasculhou o banheiro, procurando entre os potes de loção pós-barba, pelo chão e por qualquer fresta que pudesse encontrar.

Quando Michaela deixou o banheiro, a sonolência já havia desaparecido e ela parecia sinceramente preocupada. Desta vez, ela não tomou o cuidado de não despertar Connor quando enfiou as mãos sob o travesseiro que havia dormido. Sem se importar que Ward tivesse acordado, ela começou a revirar os lençóis e chegou a retirar a fronha, com a ansiedade crescendo a cada segundo.

- Onde está o seu casaco???

A pergunta feita para um sonolento Connor não precisou de resposta quando, em meio ao pequeno caos do rapaz, Mika encontrou o casaco emprestado a ela na noite anterior, jogado perto da porta.

A peça foi puxada pelos seus dedos ágeis e os bolsos vasculhados com o mesmo desespero que havia usado com o travesseiro.

- Cadê o meu anel, Connor?

Depois de revirar o casaco do avesso, a peça foi largada novamente no chão para que Mika se voltasse para o espaço sob a cama de casal.

- Meu anel, Connor???

A cabeça de Mika voltou a surgir na altura do colchão com os cabelos desalinhados ao encarar Ward.

- Eu estava usando o anel que meu pai me deu ontem à noite. Eu tenho certeza que estava com ele quando saí de casa com vocês. Ele não está em lugar algum!
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Sab Maio 13, 2017 2:30 am

Aquela era uma cena que Matilda nunca imaginou que assistiria. Sempre que imaginava um encontro de Cameron com os gêmeos, Belmont visualizava uma cena tensa, com mais uma avalanche de ameaças e pavor. Era totalmente inesperada tamanha serenidade e a doçura com que Lahey fitava os filhos.

Por um breve momento, Matilda se sentiu culpada por ter privado Cameron daquela dádiva. Os dois adultos tinham cometido muitos erros no passado, mas era evidente que Cam jamais puniria os bebês pelos problemas que tivera com Matilda. Era injusto privar as crianças da convivência com um bom pai e era uma crueldade não deixar que Cameron participasse do milagre que ele ajudara a acontecer.

Não havia nenhuma maneira de voltar atrás no tempo e devolver a Cameron os meses perdidos. Contudo, Matilda pretendia recompensá-lo com uma valiosa ajuda no processo de aproximação com os filhos.

- Eu não tenho aqui nenhuma roupa que sirva em você. Mas se quiser usar o banheiro, tem toalhas limpas na primeira porta do armário. Acho que você vai querer estar mais limpo quando eles acordarem e precisarem de colo...

No período que Cameron permaneceu no banheiro de hóspedes, Matilda também se lavou e trocou as roupas por peças limpas. Quando os dois retornaram ao quarto das crianças, as vozinhas infantis balbuciando sílabas sem sentido indicavam que David e Adelaide tinham despertado.

- Vamos começar pelo passo mais fácil, ok? - Matilda abriu um sorriso encorajador para Lahey - Eu queria poder dizer que eles não mordem, mas os dentinhos começaram a nascer e eles não são mais tão inofensivos.

Com passos suaves, Belmont se aproximou do berço decorado predominantemente com a cor azul. Depois de se inclinar, a mãe trouxe David para seus braços facilmente.

O garotinho já estava totalmente desperto, com os olhos castanhos brilhantes e o sorrisinho travesso nos lábios. Os cabelos castanhos estavam atrapalhados depois da noite de sono e ele usou uma das mãozinhas para esfregar os olhos de forma adorável.

- Está com cara de alguém que acordou com a energia toda, hein?

O tom carinhoso de Matilda arrancou uma risadinha do bebê e David fechou os olhinhos de forma doce ao receber um beijo estalado na bochecha. Quando Belmont se colocou em frente a Cameron, o garotinho não o estranhou, apenas encarou aquele "estranho" com uma nítida curiosidade.

- Este é o papai, Dave. Ele estava louco para te conhecer.

Como Matilda já conhecia bem o filho, ela não estranhou quando David deslizou facilmente para os braços de Lahey depois de mais algum encorajamento. A moça ajudou Cameron a posicionar os braços de forma mais confortável e afastou-se um passo para admirar aquela cena.

Quase imediatamente, David levou a mãozinha minúscula até o rosto de Cameron, curioso com a barba. Connor também costumava deixar uma barba mais rente, mas a de Lahey era maior e mais cheia. Uma nova risadinha escapou da garganta do menino quando os fios espetaram sua pele delicada e ele imediatamente fechou os dedinhos e tentou puxar a barba do pai.

- Dave!!! Não pode! - Matilda se meteu e puxou o bracinho do filho - Está vendo porque eu cortei o cabelo, Cam?

O murmúrio vindo do berço rosa fez com que Matilda trocasse um olhar mais sério com Lahey.

- A Dedé é mais desconfiada. Não fique chateado se ela te estranhar. Acho que ela vai se soltar quando perceber que você está se dando bem com o David.

Em dois minutos, Matilda voltava para perto de Cameron com uma Adelaide sonolenta nos braços. O pijaminha rosa era adorável, os cabelos castanhos eram mais lisos que os de David. Os olhos profundamente azuis se arregalaram ao notar a presença do estranho e a mão gordinha se agarrou com mais força à blusa da mãe.

- Ela se parece com você, mas herdou a minha personalidade desconfiada. O lado positivo é que você já tem uma certa experiência em derrubar as minhas barreiras, não é?
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Sab Maio 13, 2017 7:28 pm

Não era a primeira vez que Connor era despertado subitamente por algum surto de Michaela. Durante o namoro e o breve casamento, não era incomum que as noites de sono do policial fossem interrompidas por uma Mika irritada. Os motivos eram diversos: às vezes a garota se enfurecia com a bagunça feita por Ward no quarto, ou resmungava porque alguma peça de roupa havia sumido no armário. Houvera até uma vez em que a fúria de Michaela se devia ao fato de ter pegado Connor na cama com uma de suas amigas. Num sonho.

Por isso, o policial não se sobressaltou com a agitação de Mika. Um bocejo preguiçoso ecoou pelo quarto enquanto Connor esfregava os olhos. Um sorriso surgiu em seus lábios quando a imagem de Michaela entrou em foco. Era impressionante como Mika continuava linda mesmo tão irritada.

- E aquele papo de não bancar a louca nas próximas vinte e quatro horas, bambina? Eu sabia que você jamais conseguiria cumprir esta promessa.

A provocação de Ward e sua entonação sonolenta indicavam que o policial ainda não havia compreendido a dimensão do problema. Enquanto Michaela revirava o quarto de ponta cabeça, Connor simplesmente se sentou na cama e começou a segui-la com o olhar enquanto sua mente confusa terminava de acordar.

Um anel. Desta vez Mika havia enlouquecido por causa de um anel. Comparado com o histórico de surtos da garota, aquele nem era o pior deles.

- Relaxa, Mika. Deve estar no banheiro. Ou então você deixou cair no carro da Matilda...

A menção à irmã fez com que Connor se lembrasse de todo o trajeto daquela madrugada. As cores sumiram do rosto de Ward quando ele finalmente compreendeu a preocupação de Michaela.

- Você acha que pode ter perdido... lá???

Já totalmente desperto, Connor saltou para fora da cama e se juntou à Mika naquela tarefa de revirar tudo em busca do anel. Depois das últimas horas de paz ao lado da esposa, aquele problema parecia ter brotado para lembrar aos dois que eles não mereciam uma trégua.

- Que anel é este??? Não é aquele gravado com o nome da sua mãe, é???

A expressão de Mika respondia por ela e foi o bastante para que Connor soltasse um misto entre gemido e rosnado.

- Michaela, o que você tem na cabeça?? Por que diabos você colocou um anel pra ajudar a desovar um corpo??? Queria estar bonita na foto da delegacia caso fôssemos pegos???

No fundo Connor sabia que era injusto jogar aquela culpa nos ombros da garota. Michaela tinha menos experiência do que qualquer um naquele assunto. Por outro lado, era impossível não se irritar com aquele deslize. Ward e Lahey tinham sujado as mãos para não deixar rastros e eles seriam pegos por um tropeço amador de Mika.

- Não podemos voltar lá. - Connor soava decidido quando encarou Mika - Seria um erro ainda mais idiota. É esperado q o assassino volte à cena do crime e vamos reforçar a culpa se alguém nos pegar naquele lugar.

Era evidente que Connor raciocinava como um policial naquele momento. Agitado, o rapaz caminhou de um lado para o outro no quarto enquanto tentava pensar em alguma saída.

- Vou pedir a Maty pra revirar o carro. Pode estar lá, seria a nossa salvação. Se não acharmos, você terá que fazer um boletim de ocorrência e dizer que foi roubado. Se tudo der errado, podemos tentar alegar que a Veronika te roubou.

Parecia uma história frágil que qualquer promotor destruiria com facilidade. Mas Ward realmente não conseguia pensar em nada melhor. Um pouco mais calmo depois daquele surto inicial, Ward se colocou diante da menina e segurou carinhosamente o rosto dela com as duas mãos.

- Não precisa ter medo. Eu não vou deixar que nada aconteça com você, Mika. Se for preciso eu faço uma confissão.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Maio 16, 2017 2:34 am

A primeira reação exaltada de Connor fez com que Michaela se encolhesse, cruzando os braços contra o próprio corpo em uma postura defensiva. Apesar do desespero com a possibilidade do destino de seu anel e do sentimento de culpa que se espalhou em seu peito por ter colocado o trabalho de todos em risco, foi impossível controlar o próprio rosto de se contorcer em uma expressão insatisfeita.

- Eu coloquei o anel em um reflexo, Connor! Ainda não tinha entendido a dimensão do que estávamos prestes a fazer!

Apesar da tentativa de se justificar, Mika sabia que se fossem pego por aquele deslize, a culpa estaria unicamente em suas costas. Ela poderia ter ignorado a “visita” surpresa de Matilda e Connor em seu apartamento no meio da madrugada, voltado a dormir e tudo estaria bem. Mas se a polícia chegasse até Ward por causa de uma joia dos Moccia, seria unicamente sua responsabilidade por ter se metido naquela confusão.

Enquanto Connor tentava raciocinar com clareza, a mente de Michaela só conseguia pensar que ela seria presa. Teria o mesmo destino que Alessio, seria enfiada em algum presídio e faria jus ao seu sobrenome. As manchetes adorariam reportar como a fruta não cai longe do pé e que os Moccia pertenciam inteiramente ao mundo dos crimes.

Enquanto ainda visualizava aquele seu futuro sombrio, as últimas palavras do policial lhe atingiram, mudando completamente o foco de sua mente. O olhar perdido de Michaela se fixou em Connor e seu queixo caiu, fazendo com que os lábios rosados se entreabrissem.

Depois dos últimos acontecimentos, Mika não ousava mais duvidar que Connor ainda nutria sentimentos por ela. Por mais de uma vez, Ward havia deixado claro que dependia apenas dela para que aquele casamento desse certo. Mas ainda assim, era uma imensa surpresa ver o mesmo homem que havia mentido tanto em seu passado, confessar que assumiria toda a responsabilidade para livrá-la do pior.

Por mais que aquela confissão deixasse evidente os sentimentos de Ward, a surpresa logo deu a vez a uma angustia. A atitude de Connor poderia ser justa, mas significava que seria ele a apodrecer atrás das grades. E depois de ter visto o pai sendo algemado diante dos seus olhos, Mika não estava disposta a reviver a experiência com o homem que amava.

- Não diz isso!

A menina se surpreendeu quando sua voz soou mais fina que o normal, com um choro preso em sua garganta. Ela havia sido surpreendentemente forte durante toda aquela madrugada, considerando todos os fatores. Mas a simples ideia de ver Connor sendo preso era o suficiente para desarmá-la.

- Eu entendo, ok? O que você fez com o meu pai. Eu entendo agora. Você fez a coisa certa, Connor. Não era a coisa certa para nós dois, mas era a coisa certa.

Voltar no assunto “Alessio Moccia” parecia fora de contexto quando estavam lidando com um problema muito mais real naquele momento. Mas os dedinhos desesperados de Mika se agarrando a camiseta branca de Connor não deixariam que ele se afastasse sem que ela concluísse seu discurso.

- Você precisa me prometer que vai fazer a coisa certa para nós dois agora. E isso significa que você não vai confessar nada! Não há o que confessar!

Os olhos verdes estavam mais claros com uma camada de lágrimas que Mika se recusava a derramar. Ela precisou espremer os lábios para impedir o choro até se sentir confiante para falar outra vez.

- Não ligue para a Matilda. Isso só vai servir para desesperá-la também. Você está certo, eu posso ter perdido em qualquer outro lugar. Pode ser que eu até tenha esquecido em casa, está bem?

As últimas palavras não soavam convincentes nem para ela mesma. Mika tinha certeza que havia usado o anel naquela noite. E era uma tortura repassar todos os momentos daquela madrugada sem ter a certeza de quando havia deixado de sentir a textura do anel em seu dedo.

- No pior dos cenários, eu conheço os melhores advogados. Meu pai está em casa hoje, mesmo depois de todas as suas provas, não é? O que seria um simples anel?

Um sorriso fraco brincou nos lábios de Mika antes que ela completasse, com um olhar de súplica.

- Só me promete que você não vai fazer nenhuma loucura. Eu não quero te perder outra vez, Connor.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Ter Maio 16, 2017 3:19 am

O queixo caído de Connor deixava seus lábios entreabertos ao fim do desabafo de Michaela. Os olhos castanhos passavam de uma íris esverdeada para a outra, sem acreditar nas palavras que saíam pela garganta de Mika. Era óbvio que a tensão daquela madrugada havia empurrado para o lado todos os problemas do casal, mas ainda assim Ward não esperava ouvir uma declaração como aquela.

Pela primeira vez, os dois falavam abertamente sobre a prisão de Alessio Moccia. É claro que Michaela ainda não havia superado as mentiras do policial, mas ela acabava de confessar que agora entendia que Connor tomara a decisão certa contra o mafioso. Isso era muito mais do que Ward esperava ouvir naquele momento.

Mesmo estando pronto para assumir a culpa sozinho e livrar os outros três cúmplices da cadeia, Connor foi desarmado pela súplica de Mika. As palavras da garota o atingiram com violência e deixaram Ward sem reação por longos segundos. Como policial, ele sabia qual era a atitude certa a ser tomada naquele momento. Mas Michaela tinha sua parcela de razão naquele pedido. Connor já tinha sacrificado o amor dos dois no passado, parecia uma grande injustiça exterminar também aquela segunda chance de ajeitar as coisas com a esposa.

As mãos do policial seguraram com delicadeza os punhos de Mika, fazendo com que a garota relaxasse os dedos que agarravam com firmeza sua camiseta branca. Uma das mãos de Michaela foi levada até os lábios de Connor e a voz grave dele só soou num sussurro depois de um beijo carinhoso nas pontas dos dedos dela.

- Eu prometo que não vou tomar nenhuma decisão precipitada. Eu prometo que, desta vez, a minha prioridade é fazer a coisa certa para nós dois.

Aquela não era exatamente a promessa que Michaela esperava, mas era a única que Ward seria capaz de honrar. O policial não pretendia procurar uma delegacia para se entregar como assassino de Veronika, mas também não permitiria que aquela culpa recaísse em Mika. Se o anel fosse encontrado na cena e o foco da investigação se voltasse para a filha de Alessio Moccia, Connor se sacrificaria para salvá-la. Era a coisa certa a ser feita, mesmo que isso culminasse em uma condenação para o policial.

Mesmo atormentado com o sumiço do anel, Connor conseguiu abrir um sorriso. Era estranha a sensação de que todo aquele pesadelo valera a pena, mas Ward não conseguia evitar o sentimento de que teria feito tudo de novo apenas para ter Michaela novamente em seus braços. Há algumas horas, Connor não tinha nenhuma esperança de salvar o casamento. Agora, contudo, Mika estava em seus braços suplicando para não perdê-lo outra vez.

- Você nunca me perdeu, Mika. Eu sempre deixei claro que era ao seu lado que eu queria ficar. E isso não mudou.

É claro que depois de dois anos sem nenhuma notícia da esposa, Connor já havia dado aquele casamento como perdido. Era uma questão de tempo até que o processo de divórcio caísse nas mãos de um juiz que daria a Ward a “liberdade” oficial.

A total falta de esperança de reatar o casamento com Mika fez com que Connor iniciasse alguns poucos relacionamentos em Miami e permitisse a aproximação de Dalila ao retornar para Vegas. Mas bastara um breve contato com Michaela para que Ward soubesse que ainda pertencia a ela. Exatamente como o marido desesperado que implorara por mais uma chance há dois anos, Connor esperava somente por um sinal positivo de Mika para entregar seu coração por inteiro a ela.

- A única loucura que pretendo fazer hoje é juntar as minhas coisas e voltar para a nossa casa. – Ward completou sem dar chance de resposta a Michaela – Chega, Mika. Eu amo você, você me ama, ainda estamos casados. As mágoas ainda existem, mas temos que superar isso juntos. É a coisa certa a ser feita para nós dois, bambina.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Maio 21, 2017 11:45 pm

A rotina simples de um pai de família nunca tinha pertencido aos dias de Cameron Lahey. Durante toda sua infância e adolescência, Cam precisou lutar entre lares complicados e a sobrevivência nas ruas de Las Vegas. O início de sua vida adulta foi aprendendo tudo que sabia hoje, junto com os Moccia. E até poucos anos antes, quando Matilda ainda não havia cruzado seu caminho, ele jamais tinha se imaginado com filhos antes.

Depois do desaparecimento de Belmont, a cartada usada por ela para sair ilesa do tenso encontro dos dois, havia assombrado Lahey por cada dia e cada noite em que ele se questionava se realmente teria algum filho no mundo. E então, naquele último mês, a certeza de que tinha dois bebês havia transformado sua vida.

Apesar de tantas fases distintas, nenhuma delas tinha preparado Cameron de fato para aquele momento. Os olhos azuis estavam arregalados quando ele acolheu David em um abraço desajeitado, em uma postura clara de quem não estava acostumado a lidar com crianças.

Mesmo com a aparência desengonçada, os olhos azuis refletiam uma paixão pura e incondicional. Um sorriso fácil brotou em seus lábios ao escutar a risada do bebê, e a sensação insignificante do puxão em sua barba era uma das melhores experiências já vividas até então.

- Você é forte. Gosto disso. – Cam elogiou o bebê enquanto começava a balançar o próprio corpo instintivamente. – Mas você não precisa mais ser forte. Eu estou aqui para cuidar de você.

Lahey ergueu o rosto até encontrar o olhar desconfiado de Adelaide. Mesmo com o receio da filha, ele se sentia apenas motivado em cuidar daquelas crianças, de compensar todo o tempo perdido.

- Eu estou aqui para cuidar de todos vocês.

As últimas palavras foram sussurradas com as íris azuladas pousando nos olhos castanhos de Matilda. Tudo parecia estar acontecendo rápido demais e Cam sabia que eles precisavam desacelerar, principalmente depois da noite que tinham tido.

Por mais que o beijo trocado no carro mostrasse o quanto os dois ainda sentiam falta um do outro, muitos erros tinham sido cometidos e havia muito a ser dito. Mas as palavras de Cam deixavam claro que ele não pretendia deixar que ninguém se afastasse daquela vez.

O olhar de Cam continuou fixo em Matilda por um longo período. Os dois estavam mergulhados em completo silêncio, cúmplices daquele momento tão íntimo. O único som que cortava o silêncio do quarto era o balbuciar de David enquanto Adelaide continuava quieta e desconfiada.

A cena parecia como uma simples manhã em um lar de uma família normal. E Cameron estava se deixando levar por aquela fantasia quando sua visão periférica captou a sombra diante da porta do quarto.

Assim como Dedé, a velha senhora que dividia o teto com “Sarah” tinha um olhar desconfiado para aquela cena. Molly mantinha os braços cruzados diante do corpo, em uma postura defensiva, e além da desconfiança, não tentava esconder sua insatisfação com a presença daquele homem, cuja última visita provocara um completo reboliço em sua residência.

Ao perceber que sua presença havia sido notada, Molly franziu os lábios naturalmente enrugados em um bico e deu as costas até desaparecer pelo corredor. Lahey já havia passado por dezenas de desaprovações em sua vida, por isso sua reação se limitou em um arquear de sobrancelhas, sem deixar de balançar o próprio corpo para embalar David.

- Ela não gosta muito de mim, hm? E eu pensando que tinha feito um excelente serviço na minha última visita. A geladeira ainda está funcionando, não está?
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Maio 22, 2017 12:12 am

Apenas algumas semanas tinham se passado desde a morte de Veronika, mas as horas aterrorizantes daquela madrugada já pareciam pertencer a um pesadelo distante que não ousava incomodar Michaela, especialmente quando ela se sentia tão feliz.

Alessio Moccia ainda não sabia que sua única filha havia resolvido dar mais uma chance ao casamento com o homem que o colocara atrás das grades. Nem mesmo nas breves visitas que Mika fazia ao pai rotineiramente, ela abrira a boca para mencionar que havia reatado com Connor Ward.

Por mais que fosse adulta e não devesse mais satisfações ao homem que havia mentido toda a sua vida, Mika sabia que era um assunto delicado demais para ser trazido à tona, principalmente considerando seu histórico de saúde.

Claro que todas as vezes em que Mika chegava na mansão, Alessio aparentasse esbanjar saúde. As taças de vinho ou os charutos estavam sempre lhe acompanhando, o pai estava corado graças ao sol que pegava diariamente em seus jardins e estava sempre rindo, provavelmente zombando da justiça de Las Vegas por estar de volta aos seus luxos.

Mas as visitas frequentes de médicos, enfermeiros e a fileira de remédios que Michaela havia encontrado na cômoda do quarto de Alessio faziam a menina pensar duas vezes antes de testar as forças do coração dele. Como o homem não podia se afastar de casa, era fácil manter aquele lado de sua vida completamente isolado de Moccia.

- Eu vou almoçar com mio papá hoje.

Mika anunciou enquanto se debruçava sobre a bancada da cozinha para alcançar a jarra de suco. Os olhos esverdeados acompanharam o movimento do líquido alaranjado enquanto o transportava para o copo de vidro a sua frente.

Os cabelos cacheados estavam amassados e presos em um coque frouxo, como normalmente Michaela ficava depois de acordar. As roupas largas de Connor que ela vestia era mais uma dica de que havia acabado de sair da cama.

- Mas podemos ir até Beaufort quando você sair do trabalho. Eu ainda não tive a chance de conhecer os meus sobrinhos, então sugeri ao Cam que poderíamos fazer um piquenique ou um almoço esse final de semana.

A entonação de Mika deixava claro que a “sugestão” dela se resumia a uma ordem bastante detalhada do que eles deveriam fazer. Com toda a naturalidade de Michaela Moccia, ela se esticou até alcançar a tigela de frutas e voltou com um morando em seus dedos. Só depois de uma generosa mordida, ela voltou seu olhar para Connor.

- Espero que você não precise levar meias. Eu vi metade delas espalhadas do quarto até aqui.

Uma das sobrancelhas claras foi erguida, mas a expressão sarcástica de Michaela não deixava dúvidas de que estava apenas implicando com o marido ao abrir um sorriso e deixar o café da manhã de lado para abraça-lo.

- Francamente, Connor... Se era para aturar a sua bagunça outra vez, o mínimo que você me devia era um pedido de casamento de verdade desta vez, hm?

Mika roçou a ponta do seu nariz ao de Connor, mas mal havia encostado os lábios nos dele quando a campainha tocou. Ainda com os trajes informais que usava para dormir, ela foi escorregando sobre as meias até alcançar a porta. Em menos de cinco minutos, a menina estava de volta com um envelope de papel que foi lindamente ignorado em um canto do armário.

- Papéis do divórcio. Mio papá resolveu enviar, apenas para ter certeza de que eu iria receber.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Seg Maio 22, 2017 1:01 am

- Ela só precisa de um tempo, Cameron. A Molly não entrou nisso por causa de um desentendimento ou por ameaças nunca concretizadas. Ela tem motivos para reagir tão mal...

As palavras de Matilda foram vagas, mas Lahey não precisava de mais detalhes para entender as insinuações da moça. Ao contrário de Belmont, Molly não havia ingressado no programa de proteção à testemunha somente por causa de ameaças. Por muitos anos, ela sofreu nas mãos de um marido violento que atentara contra a vida dela por mais de uma vez. Quando olhava Cameron Lahey, Molly provavelmente enxergava um monstro que seria capaz de fazer mal a “Sarah” ou aos bebês.

Totalmente alheios ao clima pesado da casa, os gêmeos não mudaram a sua rotina naquela manhã. Cameron pôde se deliciar com a bagunça que eles faziam durante o banho e participou do exaustivo processo de deixar David e Adelaide devidamente secos e vestidos. O café da manhã também era um desafio diário naquela casa, mas era impressionante como Matilda já estava acostumada a lidar com a bagunça de duas crianças pequenas.

Adelaide estava próxima da última colherada de mingau quando passos se aproximaram da cozinha. Matilda chegou a abrir um sorriso para tranquilizar Molly, mas sua expressão se tornou mais séria ao notar que a dona da casa não estava sozinha.

O largo sorriso com que David recebeu o recém-chegado indicava que o homem não era um completo estranho. Adelaide também não o estranhou e nem recuou quando recebeu uma carícia gentil na bochecha gorducha. Os olhos castanhos de Matilda foram do homem para Molly e a dona da casa sequer tentou disfarçar a sua participação naquela “visita” inesperada.

- Achei que ele precisava saber o que está acontecendo aqui, Sarah. Você está fora de si e esta loucura afeta diretamente as crianças.

Antes que Cameron tivesse a chance de fazer perguntas ou de questionar a presença daquele estranho na casa, o homem retirou do bolso o distintivo policial. Os olhos esverdeados refletiam uma grande frieza quando ele fitou Cameron de cima a baixo, estudando-o com um inegável semblante de desaprovação.


- Policial Weber. Programa de proteção à testemunha. A ordem de restrição exige que você mantenha uma distância de pelo menos duzentos metros de Sarah Baker e das duas crianças, Lahey. Você escapou de tantas acusações, não pensei que seria preso justamente por uma bobagem desta.

- Não seja ridículo, Rick!

Depois de um girar de olhos, Matilda se meteu entre os dois homens. O apelido e a naturalidade com que a moça empurrou para baixo a mão que segurava o distintivo indicavam que Richard Weber não era apenas o policial responsável pela segurança das “Baker”.

- Eu pedi a ordem de restrição, então é meu direito pedir a anulação dela. A Molly se precipitou em te chamar, nada disso é necessário. Eu assumo a responsabilidade pelas minhas decisões, Rick.

- Não quando as suas decisões erradas colocam os bebês em perigo. O Connor sabe que os sobrinhos dele estão sob o mesmo teto deste assassino?

Aquela declaração obrigou Matilda a conter um sorriso sarcástico. Connor era a última pessoa que podia julgar Cameron depois que ele mesmo se tornara um assassino na última noite. Ward não só sabia que Lahey estava perto dos filhos como agora dependia do silêncio de Cam para continuar em liberdade.

- Sim, ele sabe. Se não acredita em mim, ligue pra ele. – Matilda indicou o telefone sem fio sobre a bancada da cozinha.

A decepção ficou estampada em cada centímetro do rosto de Weber. Era óbvio que o policial contava com o apoio de Connor naquela batalha, então era frustrante saber que o colega não se juntaria a ele na tarefa de abrir os olhos de Matilda para aquela loucura. Até então, Richard agia de maneira profissional. Mas aquela postura foi abandonada quando ele chamou a moça pelo verdadeiro nome e indicou a porta que levava à varanda com um movimento de cabeça.

- Podemos conversar a sós, Matilda?

- Eu já volto. – Belmont entregou para Cameron a colher colorida que usava para dar o mingau a Adelaide. A última palavra saiu num sussurro que chegou somente aos ouvidos de Lahey – Comporte-se.

O sol forte de Beaufort obrigou Matilda a estreitar os olhos quando chegou à varanda iluminada. Depois de uma noite inteira sem dormir, a claridade parecia incomodá-la mais do que o normal. Com os braços cruzados, ela se voltou para o policial e soltou um suspiro antes de tomar a palavra.

- Eu realmente entendo o receio da Molly, mas você sabe que são situações totalmente distintas. O Cameron não é uma ameaça, ele nunca me machucou.

- De fato. – a voz de Rick estava carregada de sarcasmo – Ele só tem um histórico podre e apontou uma arma para a mulher grávida de dois filhos dele. Como alguém tem coragem de dizer que ele é um homem perigoso? É muita injustiça.

A menção àquela cena fez um arrepio se espalhar pelo corpo de Matilda. Muito tempo havia se passado, mas ainda era aterrorizante relembrar o momento em que a arma de Cameron foi apontada na direção dela. Agora Belmont duvidava que o ex-namorado teria tido coragem de atirar, mas naquela época Matilda experimentara o pior pavor de toda a sua vida.

- O que deu em você, Matilda? – o policial sacudiu a cabeça, sinceramente chateado com aquela situação – Eu nunca pensei que você fosse o tipo de mulher irracional que cederia espaço para um agressor. Depois de tudo o que ele fez...

- Você não sabe nada sobre mim, Weber. – Belmont interrompeu o homem com uma entonação fria – Você não sabe nada sobre o meu passado com o Cameron, só conhece uma pequena parcela da minha versão dos fatos. Eu agradeço por todo o apoio que você me deu nos últimos meses, mas isso não te dá o direito de ditar as regras da minha vida. A minha decisão está tomada e você vai passar por um constrangimento evitável se insistir em levar esta história adiante.

Qualquer um que assistisse aquela cena não teria dúvidas de que o relacionamento dos dois jovens naquela varanda ia muito além de uma postura profissional. Nunca havia acontecido nada demais entre os dois, mas era óbvio que Weber queria ser bem mais que apenas o policial responsável pelo caso Baker. A presença de Cameron não o incomodava somente pela possibilidade de Matilda ou os bebês se machucarem. Rick se sentia pessoalmente atingido por um rival que dificultava absurdamente os seus planos de conquistar a irmã de Connor.

- A sua capacidade de cuidar dos bebês será questionada quando souberem que você permitiu a aproximação deste cara.

- Não ouse fazer esse tipo de ameaça, Richard! – a voz de Matilda se ergueu, provavelmente chegando à cozinha – Se você mover um dedo para tirar as crianças de mim, é você que vai precisar de proteção!
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Seg Maio 22, 2017 1:45 am

O copo de café foi apoiado sobre a mesa de Connor Ward com uma força desnecessária, fazendo com que algumas gotas do líquido já frio manchassem os papéis espalhados pela superfície lisa. Quando ergueu os olhos castanhos e se deparou com uma Dalila visivelmente irritada, o colega já imaginava qual era o problema que deixara a moça tão mal humorada.

- Eu quis fazer uma surpresa e passei no seu apartamento para levar o café. Fui recebida por um Fred agitado que gaguejou um milhão de bobagens até confessar que você não mora mais com ele... Isso é sério, Connor? Você realmente voltou com aquela criatura insuportável?

Exatamente como todas as pessoas que não conheciam Michaela – e até mesmo algumas pessoas que a conheciam bem – Dalila compartilhava da opinião de que a filha de Don Alessio Moccia não passava de uma criança mimada, arrogante e autoritária. Aos olhos da policial, Ward não tinha nenhum motivo para mergulhar naquele pesadelo agora que não havia nenhuma missão que o obrigava a ficar próximo aos Moccia.

O copo com o café já gelado foi cuidadosamente afastado dos documentos sobre a mesa de Connor antes que os olhos castanhos buscassem pela colega. Ward se sentia culpado por ter dado esperanças à amiga antes de reatar com a esposa, mas isso não dava a Dalila o direito de agir como uma mulher traída.

- Michaela e eu conversamos e decidimos dar mais uma chance ao nosso casamento. Eu pretendia te contar, mas estava esperando pelo melhor momento exatamente por saber que você reagiria mal...

- Reagir mal??? – a policial se exaltou, chamando para si a atenção dos colegas que passavam perto da mesa de Connor – Eu estou indignada e profundamente decepcionada com você! Aquela garota é a criatura mais insuportável e desprezível que eu já conheci. Imatura, mimada, arrogante, grosseira!

Melhor do que ninguém, Ward conhecia os defeitos da esposa. Mas nem por isso era natural escutar aquelas críticas dos lábios de outra pessoa. Os olhos castanhos se estreitaram de forma ameaçadora antes que a voz grave de Ward colocasse um fim naquela discussão.

- Não é você que precisa conviver com ela. Então, guarde para você a sua opinião sobre a Michaela. Esta é uma decisão só minha, Dalila, e eu estou muito feliz com ela.

Mesmo depois que a colega se afastou com passos pesados, Connor sabia que aquele assunto não havia chegado ao fim. Dalila se sentia pessoalmente ofendida com a escolha do colega e não parecia disposta a aceitar aquela derrota com dignidade. Aquele problema ainda assombrava a mente de Ward na manhã seguinte, mas a gostosa rotina com Michaela fazia com que o policial deixasse de lado os problemas.

Enquanto ele preparava o café, usando somente uma boxer preta, um sorriso debochado brotou nos lábios do policial. Por cima do ombro, ele encarou Michaela antes de responder com bom humor.

- Me passe os detalhes da “sugestão” que você deu ao Cam para que eu possa me programar. E obrigado pela dica, vou comprar mais meias. Ainda não tenho pares o bastante para espalhar por toda a casa, eu tinha me esquecido que este apartamento é enorme.

Aquele clima suave do casal chegou ao fim quando os papeis do divórcio foram colocados entre os dois. Tudo estava tão perfeito nos últimos dias que, por um momento, Connor se esqueceu que o processo de separação ainda se desenrolava na justiça. Os olhos castanhos se demoraram alguns segundos no envelope antes de buscarem pelo rosto delicado da menina.

- Quando você pretende contar a ele? É claro que ele não vai reagir bem, Mika, mas você não vai conseguir esconder um marido por muito tempo.

O envelope foi puxado para os dedos de Ward antes que ele abrisse um sorriso torto para a esposa.

- Quanto a isso, tenho uma excelente sugestão. Vamos programar uma viagem ao campo no próximo fim de semana livre. Alugamos uma cabana rodeada por montanhas e nos aquecemos com um bom vinho e com essas folhas queimadas em uma lareira.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Maio 22, 2017 3:39 am

Nem mesmo diante da imagem do distintivo de Richard Weber, Cameron Lahey pareceu meramente ameaçado. Policiais definitivamente estavam na lista de uma “raça” mais desagradável diante dos olhos do antigo segurança. Para alguém do mundo do crime, a polícia era o verdadeiro inimigo. E naquela manhã, o policial sob o teto de Belmont se encaixava em todos os significados possíveis para aquela palavra.

O semblante de Cameron permaneceu duro e ele não ousou desviar o olhar de Richard, como se qualquer fraqueza significasse que ele estava perdendo aquela batalha muda e declarada. Apesar de não recuar, Cam também não ousou dar um passo adiante na compra de uma briga. Poucas vezes na vida Lahey havia perdido a cabeça, e em todas elas, ele sempre havia se arrependido. No topo daqueles momentos, sem dúvida estava o seu último encontro com Matilda, dois anos antes.

Mas Cameron era um homem preparado para o conflito, inteligente o suficiente para saber que se fizesse o primeiro movimento, teria perdido toda aquela guerra. Sua única arma era manter o olhar firme contra Weber.

A única reação que Lahey deixou escapar foi quando Matilda acompanhou Richard para fora da cozinha. Uma ruga inquisidora surgiu entre suas sobrancelhas grossas e mesmo estando a sós com os gêmeos e Molly, Cam caminhou até parar diante da janela que dava a vista para os fundos da casa.

De onde estava, ele apenas podia observar a cena sem compreender o que era dito. Mas não precisava ser nenhum gênio para entender o que estava acontecendo. E o antigo ciúme adormecido logo voltou a correr nas veias de Lahey ao imaginar que Matilda pudesse estar tentando reconstruir a própria vida ao lado de um policial.

Depois de dois anos, não era nenhuma surpresa que ela tivesse se envolvido com outro homem. Mas Cameron achava uma ofensa ainda mais grave que esse homem fosse um policial. E por não ter ouvido nada a respeito de Richard até aquele momento.

Como não podia acompanhar o diálogo que acontecia no lado externo da casa, Cameron se voltou os gêmeos e para Molly. Ele não podia responsabilizar a velha senhora por tudo, mas era impossível ignorar a insatisfação diante da atitude da “tia” de Matilda.

- Você devia confiar melhor nos instintos da Matilda. Ela é uma mulher adulta e responsável. Jamais deixaria que eu me aproximasse dos meus filhos se realmente achasse que eu apresentasse qualquer risco.

O sorrisinho constante de David não era mais exibido diante do clima tenso daquela cozinha. Os olhinhos castanhos estavam arregalados e curiosos, acompanhando os dois adultos que restavam. As mãos minúsculas se agarravam contra a mesinha onde tomava o café da manhã e logo Cam achou melhor se ocupar na tarefa de cuidar dos filhos.

- Eu confio. E ela teve medo de você durante todo esse tempo.

A mandíbula de Cameron travou diante das palavras de Molly. Era óbvio que Belmont havia chegado até aquele ponto de sua vida, mudando a própria identidade e fugindo com os filhos porque acreditava no monstro que habitava em Lahey. Mas nunca seria fácil aceitar que havia colocado tanto medo no coração da ex-namorada.

- E eu também sei como uma mulher pode se deixar cegar quando se trata de um homem.

Molly estava encostada no lado extremo da cozinha. Os braços enrugados cruzados contra o corpo em uma postura defensiva e era notável como ela esperasse que Cameron sacasse uma arma e começasse a atirar como um louco a qualquer momento. Mesmo que Cam não tivesse agido com nada além de educação e respeito desde o primeiro encontro dos dois.

A verdade era que Matilda também não era uma santa. Cameron sempre teria seus fantasmas, mas a ex-namorada havia lhe magoado de uma forma que ninguém mais havia sido capaz. Ainda assim, sempre seria apenas ele a ser enxergado como o monstro.

- Matilda não está cega.

Cameron deu as costas para Molly e pousou seu olhar nos dois bebês a sua frente. Como mágica, ele sentiu seu corpo relaxar e sabia que sempre que precisasse, encontraria suas forças naqueles dois pares de olhos inocentes.

- A senhora pode duvidar o quanto quiser. Eu só estou aqui pela minha família. E eu jamais faria mal a eles.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Maio 22, 2017 4:18 am

- Eu vou contar a ele.

Toda a convicção que Mika empregou em suas palavras foi imediatamente desfeita quando ela desviou o olhar de Connor e recuou, nitidamente constrangida. Os ombros foram encolhidos e ela logo acrescentou da melhor maneira que pôde para não soar como uma covarde ou uma mentirosa.

- Um dia.

Um suspiro escapou pela sua garganta quando ela voltou a se acomodar diante do seu prato do café da manhã. Apenas um gole do suco foi dado antes de voltar sua atenção para o marido mais uma vez, tentando reforçar com as suas palavras a coragem que ela não tinha.

- Afinal, qual a pior coisa que pode acontecer? Ele vai apontar uma arma para você e obrigar que a gente assine o divórcio, como fez para nos casarmos?

Enquanto lambia a ponta do polegar suja com uma gota do suco, a cena foi reproduzida na mente de Michaela e ela ergueu o olhar para encontrar Connor. O que ela havia acabado de descrever não era não fantasioso assim, mas era apenas um dos diversos cenários que poderiam acontecer quando Alessio descobrisse sobre o casamento da filha com o policial.

- Bom, levando em consideração que agora ele sabe que você é um policial, isso significaria que você seria obrigado a prendê-lo. E eu não estou preparada para ver você algemando mio papá outra vez.

Apesar do passado ainda ser um assunto delicado entre os dois, Michaela não estava se aproveitando daquele momento para alfinetar Connor. Era apenas uma tentativa fracassada de fazer piada com a própria desgraça que imediatamente lhe causou arrependimento.

Para tentar corrigir o rumo daquela conversa, Mika empurrou a taça de frutas e o copo de suco para longe e se debruçou sobre a bancada para encarar Connor com uma seriedade que raramente brotava nos olhos verdes.

- Eu vou contar. Nós somos adultos, eu tenho o direito de tomar minhas próprias decisões. Mas eu preciso de mais tempo, Connor. Eu posso ter meus motivos para perdoar você, mas isso não se aplica ao mio papá.

Mika fez uma pausa e logo as sobrancelhas claras foram arqueadas quando ela reassumiu o tom mais leve de brincadeira.

- Talvez a gente devesse esperar até ter nosso primeiro filho. Podemos contar no dia que ele se formar na faculdade... – Os olhos claros de Mika se arregalaram como se a ideia mais incrível tivesse acabado de surgir em sua mente. – Já sei! Podemos fazer com que nosso filho vire o chefe de uma quadrilha de hackers! Imagine o orgulho de mio papá, ele nem vai lembrar dos probleminhas do passado quando souber que você deu a ele o neto gênio do crime!

A risada de Michaela ecoou pela cozinha e ela abandonou de vez o café da manhã para cortar o espaço entre ela e Connor. Seus braços passaram em volta do pescoço do marido e o sorriso leve ainda brincava em seus lábios quando o tom de voz mais carinhoso assumiu.

- Eu adorei a sua ideia para o fim disso aí... – Ela inclinou a cabeça para indicar os papéis jogados de lado. – Você é mesmo muito inteligente quando quer, Connor. Nosso filho hacker tem a quem puxar.

Uma nova risada foi abafada quando Michaela se inclinou para beijar Connor. Assim que seus pés voltaram a tocar o chão, ela acrescentou.

- Mas primeiro, meus sobrinhos! Eu vou comprar o melhor presente para eles e eu vou ser a tia preferida. Tão preferida que eles não vão querer mais morar naquele fim de mundo que a sua irmã enfiou eles.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Seg Maio 22, 2017 4:20 am

A discussão na varanda da pequena casa das Baker se prolongou por demorados minutos, mas nem mesmo a insistência de Weber fez com que Matilda voltasse atrás na decisão de permitir a entrada de Cameron na vida dos filhos. Apesar do beijo na estrada que levava a Beaufort, Belmont não sabia se os dois adultos conseguiriam deixar todos os fantasmas e as mágoas de lado para reconstruir o relacionamento. Mas com relação aos gêmeos não havia nenhuma dúvida. Eles teriam em Lahey a imagem de um pai.

Depois de uma noite em claro e daquela manhã tumultuada, Matilda parecia exausta quando acompanhou Richard até o portão da casa. A despedida seca mostrava que a discussão ainda não havia chegado ao fim, mas Belmont simplesmente não tinha mais energias para prolongar aquela batalha.

Foi esta mesma exaustão que impediu Matilda de comprar mais uma briga com Molly Baker. Somente o olhar sério lançado à “tia” mostrou que Belmont não estava satisfeita com a interferência dela naquela história. Era óbvio que Molly tinha a melhor das intenções e só queria proteger Sarah e os bebês. Mas isso não dava a ela o direito de se intrometer nas escolhas feitas por Matilda.

- Já chega deste assunto.

Belmont cortou pela raiz qualquer chance de Molly ou Cameron iniciarem perguntas ou perpetuarem aquela discussão sem sentido. O pedido de colo de Adelaide foi prontamente atendido pela mãe e Matilda só retomou o discurso depois que a filha estava carinhosamente aninhada junto ao seu peito.

- As crianças estão tensas com este clima, então já chega.

O pedido de Matilda foi respeitado e Molly não reiniciou uma discussão, mas o semblante carregado da mulher antes de se afastar da cozinha não escondia a sua insatisfação com a presença de Cameron naquela casa. Só quando os passos de Molly desapareceram no segundo andar, Belmont voltou a atenção para o ex-namorado e deu as explicações que obviamente Cameron esperava receber.

- Richard e Connor são velhos amigos. No começo eu achei que seria uma excelente ideia ter um rosto conhecido por perto, mas agora eu vejo que isso complica as coisas. Ele não conseguiu ser tão profissional quanto deveria.

Matilda se referia ao fato de Weber ter se aproximado dela e das crianças, ter construído uma relação de amizade e ter passado a enxergar a situação de forma mais pessoal do que profissional. Mas aquela declaração isolada não deixava claro se já havia acontecido algo a mais entre Belmont e o policial.

A naturalidade dos bebês diante de Richard também era uma prova de que a presença dele não era rara naquela casa. Nem mesmo Adelaide se mostrara arredia ou desconfiada com o toque do policial, ao contrário do olharzinho receoso que a garotinha continuava lançando na direção do pai.

- Só não faça nenhuma burrada, ok? Eu consigo resolver isso, mas não terei como te ajudar se você se meter em alguma encrenca, Cameron. Não dê a eles nenhum motivo para te afastar dos bebês.

Matilda buscou pelos olhos azuis antes de completar. As palavras dela mostravam que Belmont ainda tinha receio de encontrar no ex-namorado o mesmo homem que resolvia seus problemas com uma arma em punho.

- Eu sei que você será um bom pai, mas você só terá esta chance se continuar na linha. O seu passado precisa ficar para trás.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Qua Maio 24, 2017 1:00 am

A deliciosa gargalhada de Adelaide ecoou pelo parque, atraindo olhares doces para o grupo que aproveitava aquela tarde de domingo para fazer um piquenique em Beaufort. No colo do tio, a garotinha não parecia o mesmo bebê comportado e desconfiado de sempre. Bastava uma careta de Connor para que Dedé se desmanchasse em risadas que faziam os olhinhos azuis se tornarem dois risquinhos.

Perto dos sobrinhos, Ward também não se parecia em nada com o policial acostumado a lidar com situações tensas. Naquela tarde de domingo, Connor fazia a sua própria interpretação de uma musiquinha infantil e pontuava as pausas da canção com caretas e beijos exageradamente estalados nas bochechas gorduchas de Adelaide.

Sentado sobre as pernas de Michaela, David também ria enquanto assistia a bagunça do tio com a irmãzinha. A gigantesca pelúcia nos braços do menino mostrava que Mika estava tendo algum sucesso em usar presentes para se tornar a “tia preferida”.

Como uma mãe zelosa e preocupada com a saúde dos bebês, Matilda havia levado uma cesta enorme para o parque, lotada com suco natural, frutas, papinhas de legumes enriquecida com vitaminas... Mas Connor destruíra por completo os planos da irmã quando surgiu com um bolo de chocolate e as boquinhas lambuzadas das crianças mostravam que a escolha do lanche não fora nada difícil.

- Quando você engravidar, espero que não sejam gêmeos...

Matilda dirigiu um olhar zangado para Michaela enquanto assistia David se inclinando para passar o dedinho na calda de chocolate do bolo.

- Contando com o Connor, serão três crianças em casa. Você não vai aguentar.

- Oi?? – Ward interrompeu a brincadeira para encarar a irmã – Que história é esta? De que lado você está, mana?

- Do lado de qualquer um que não aumente o risco dos meus filhos se tornarem diabéticos no futuro!

A bronca exagerada da irmã fez com que os olhos de Connor rolassem com impaciência. O policial trocou um olhar significativo com Cameron antes de sussurrar, num tom que propositalmente chegou aos ouvidos de Belmont.

- Acho mais seguro tirar a Maty de cena antes de dar os pirulitos, né?

- NEM PENSE NISSO, CONNOR! JÁ CHEGA DE DOCES!

Depois de quase duas semanas de convivência com Cameron, David já havia se acostumado à presença do pai. O menino já sorria ao reconhecer o rosto de Lahey, já pedia pelo colo dele, já aceitava papinha e adormecia tranquilamente nos braços de Cam. Mas Cameron não tivera a mesma sorte com Adelaide.

Mesmo vendo o irmãozinho tão bem adaptado à presença daquele “estranho”, Dedé não se acostumara à novidade. Todas as tentativas de aproximação de Lahey eram interrompidas por um choro desesperado que só cessava nos braços da mãe. Matilda tentava consolar o ex-namorado dizendo que a garotinha só precisava de mais algum tempo para aceitá-lo, mas a frustração e a tristeza de Cam eram de cortar o coração.

Alheia à discussão dos adultos, Adelaide se desvencilhou dos braços do tio e equilibrou-se com alguma dificuldade sobre as pernas gordinhas. A fúria de Matilda se dissipou e sua expressão fechada desmanchou-se em um sorriso enquanto assistia os passinhos desengonçados da filha. O vestidinho azul marinho de alças era perfeito para o clima quente daquela tarde em Beaufort, assim como as sandálias de tiras brancas.

No terceiro passinho, Adelaide se desequilibrou. Num gesto inconsciente, Connor chegou a estender os braços para ampará-la e evitar uma queda, mas o tio foi surpreendido pela reação da menina. As duas mãozinhas buscaram pelo braço mais próximo e, com naturalidade, Dedé se segurou em Cameron para não cair sobre a toalha do piquenique.

Nenhuma palavra foi dita, como se os adultos temessem que qualquer reação pudesse assustar Adelaide e fazer a garotinha se lembrar de que não deveria se aproximar daquele “estranho”. Para surpresa geral, Dedé não só manteve as mãozinhas em Cameron como lançou um sorriso tímido na direção do pai.

- Você é retardado, né? – Connor implicou com um sorrisinho torto – A Dedé é igualzinha à Maty. Você realmente não pensou em dar chocolate pra melhorar o humor dela, Cameron??? Muito amador...

Aquele momento doce em família foi interrompido pelo celular de Connor. O policial normalmente não recebia chamadas do trabalho em seus dias de folga, por isso foi uma surpresa ver o nome de Dennis Flynn na tela. Ignorando a expressão insatisfeita da esposa, Ward alegou que precisava atender e se afastou alguns passos do grupo.

A ligação se alongou por algum tempo e, quando retornou para a toalha do piquenique, Connor não se parecia em nada com o tio brincalhão de minutos atrás. A ausência do sorrisinho torto e a ruguinha de preocupação entre os olhos castanhos não escondiam que o celular havia trazido um grande problema para a vida de Ward.

O olhar interrogativo dos adultos não permitiu que Connor adiasse aquela novidade. Com um semblante angustiado, o policial usou um tom de voz mais contido para anunciar a novidade.

- Encontraram um corpo carbonizado no deserto. Conseguiram coletar uma amostra, que bateu com o DNA de Jane Ward. Parece que um dos vizinhos já tinha alertado a polícia sobre o desaparecimento...

Matilda e Connor sempre se referiam à mãe pelo nome que a mulher usava como prostituta. Mas é claro que Michaela e Cameron não precisariam de maiores explicações para entenderem que Jane Ward e Veronika eram a mesma pessoa. Connor parecia preocupado e cansado quando coçou os olhos, mas o policial se esforçou para manter a calma.

- O Flynn só ligou para me avisar, ele achou que eu deveria saber por ele antes que comece a ser divulgado na imprensa. Eu acho que a polícia não me vê como suspeito...

Os olhos castanhos buscaram por Mika antes que Ward completasse aquele desabafo. Matilda e Cameron não sabiam nada sobre o anel dos Moccia perdido desde aquela noite, então somente Michaela entenderia a insinuação do marido.

- Não me deram muitos detalhes, mas parece que encontraram apenas o corpo. O Flynn não mencionou nenhuma outra evidência.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Maio 28, 2017 6:54 pm

Cameron Lahey era um homem extremamente habilidoso. Afinal, ele não teria sobrevivido há anos nas ruas ou praticamente toda a sua vida envolvido na máfia, escapando ileso da polícia, se não fosse no mínimo talentoso.

Embora tivesse há alguns meses sem sentir a adrenalina que normalmente circulava em suas veias quando seus dias se resumiam em trabalhar para Alessio Moccia, a noite no deserto para se desfazer do corpo de Veronika era um sinal de que o antigo segurança ainda existia por trás dos seus dias calmos.

Naquele fim de tarde, entretanto, toda a habilidade de Lahey não era utilizada para criar esquemas, manipular uma arma ou enganar a polícia. Os esforços de Cam se resumiam em carregar uma pesada bolsa com utensílios dos gêmeos enquanto precisava carregar uma adormecida Adelaide com todo o cuidado para não despertá-la.

Ele não se lembrava quando havia sido a última vez que a menina ocupara o seu colo sem cair no choro em seguida, mas depois de ter adormecido no caminho do parque até em casa, Dedé não havia tido muito o que protestar quando fora resgatada para os braços do pai.

Matilda vinha logo atrás com um David que lutava contra o sono. O sorriso fácil e preguiçoso do menino estava em seus lábios enquanto os olhos piscavam pesadamente. As mãoszinhas, como de costume, estavam agarradas nas pontas curtas dos cabelos da mãe.

A pequena mala com as fraldas e roupas extras, com os potes de papinha vazios e tantas outras necessidades que agora faziam parte do mundo de Cameron foi deixada de lado com todo o cuidado. Dedé chegou a fechar os lábios em um biquinho, quase acordando, apenas para se render no segundo seguinte. Cam havia travado seus movimentos com receio de despertá-la, e ao ver que o sono havia dominado a filha mais uma vez, ele abriu um sorriso satisfeito.

Depois de algum tempo, quando os gêmeos já ocupavam seus berços e a babá eletrônica foi trazida para junto dos dois adultos na cozinha, a habilidade de Lahey se transformou mais uma vez. As mangas da camisa foram arregaçadas até seus cotovelos quando ele parou diante da pia para se dedicar as louças sujas depois daquele piquenique.

O pequeno visor da babá eletrônica mostrava um quarto pouco iluminado e o som trazia apenas as respirações tranquilas dos dois bebês adormecidos, dando a Cameron e Matilda a paz que precisavam para se desligar por alguns minutos.

Só então, longe da presença dos bebês, Lahey buscou pelo olhar de Belmont e deixou que a novidade daquela tarde brotasse em seus lábios. Apesar da nítida tensão que havia surgido entre Connor e Michaela, Cameron era facilmente o mais racional dos quatro. Depois de anos de experiência e desconhecendo o deslize da filha de Alessio com o anel, ele não temia que as investigações pudessem levar ao nome de qualquer um dos quatro que estiveram envolvidos com a morte de Veronika.

- Eles acabariam encontrando o corpo. Não era uma certeza que os restos pudessem desaparecer a tempo. Mas isso não significa nada.

Cameron era sincero em tentar passar aquela tranquilidade para Matilda. E a forma com que suas mãos continuavam trabalhando na louça, dando uma ênfase quase banal para aquele assunto, apenas reforçava a sua segurança.

- Esse pesadelo acabou, Matilda, eu prometo.

As palavras de Cameron morreram no ar quando uma terceira pessoa surgiu na cozinha. Ele arqueou as sobrancelhas diante do costumeiro olhar desconfiado de Molly e se arrependeu de sequer ter começado aquele assunto, se esquecendo da presença da “tia” na casa.

Como costumava acontecer sempre que Lahey estava presente, Molly não se demorou no cômodo e logo voltou a deixar os dois adultos sozinhos. Sem ao menos disfarçar, Cam deixou escapar um suspiro pesado e deixou as louças de lado, enxugando as mãos em um pano de prato ao se virar para a morena.

Cameron estava cada vez mais presente na vida dos gêmeos e de Matilda, mas ainda havia muita coisa a ser dita entre os dois. O que mais incomodava Cam, sem comparações, era a existência de Richard Weber.

O pedido de Belmont de que Lahey se comportasse havia soado apenas como uma grande ofensa aos ouvidos dele. Era absurdo exigir de alguém como Cam que não fizesse nenhum deslize, logo quando ele estava disposto a qualquer coisa pela nova vida com os filhos.

Apesar de se sentir incomodado com a presença e com o pedido de Matilda, Cameron evitou se aprofundar naquele assunto. Mas quanto mais tentava fazer de conta que a existência do policial era indiferente, mais e mais ele se sentia irritado.

- Por outro lado, acho que ainda precisamos discutir um assunto...

O semblante de Cam se tornou mais sério e ele evitou os olhos castanhos enquanto jogava o pano de prato por cima de um dos ombros. A mão seca foi apoiada na beirada da pia e ele demorou alguns segundos até criar coragem de encará-la, iniciando a conversa.

- Então... você e o Weber...?

Entre tantas coisas não discutidas entre Cameron e Matilda, o rapaz ainda não sabia até onde daquele confuso relacionamento ele podia seguir. E exigir qualquer explicação do tempo em que eles estavam separados poderia soar estranho aos ouvidos da menina. Apesar disso, Cam se sentia incômodo demais em não saber os detalhes.

- Eu não preciso nem dizer que ele não gostou da minha presença. Quase pareceu como se ele fosse o pai dos meus filhos, ameaçado com a chegada de um estranho.

Seria absurdo não sentir ciúmes de uma mulher como Matilda. Mas ao longo do tempo, mesmo com todos os altos e baixos daquele relacionamento, a única vez que Lahey havia se descontrolado por ciúmes foi com o envolvimento do sobrinho de Alessio.

Naquele fim de tarde, mais uma vez, Cam não conseguia disfarçar os ciúmes. Ele cruzou os braços contra o peito e ergueu um dos ombros, tentando soar prático.

- Tem alguma coisa que eu deva me preocupar, Maty?
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Maio 29, 2017 12:51 am

- Essas são as bochechas mais gostosas que eu já vi!

David foi obrigado a fechar um dos olhos e se encolheu quando o beijo de Michaela afundou em sua bochecha gorducha, mas o sorriso insistente nos lábios do menininho mostrava que ele se deliciava com o excesso de carinho da nova tia.

Se Mika já havia se encantado pela foto dos gêmeos no celular de Matilda, ela se derreteu por completo quando conheceu os sobrinhos pessoalmente. Mas ficou evidente como a menina não tinha qualquer jeito com criança quando tentou segurar o rapazinho pela primeira vez.

Não parecia haver forma alguma de encaixar o bebê em seus braços e, por mais que tentasse, só conseguia deixá-lo completamente torto e desengonçado. Depois de se acomodar sobre a toalha, aquela luta se tornou muito mais fácil e Michaela até se esqueceu da sua falta de talento com bebês.

Se sentindo mais confiante, ela segurou o tronco do menininho e o ergueu diante dos seus olhos, admirando como ele ficava adorável com as roupinhas em miniatura, mesmo com o rostinho sujo de chocolate.

- Você é muito mais bonito que o seu papai, Dav. Já posso imaginar você andando pelas ruas italianas... Oh! – Os olhos de Mika se arregalaram quando uma ideia atravessou sua mente, e ela definitivamente não se importou com a presença de Matilda ao deixar que as palavras saltassem pela sua boca. – Eu vou te ensinar todos os palavrões em italiano antes que você saiba soletrar!

Mika parecia como uma menininha que havia acabado de ganhar um brinquedo novo. Seu sorriso, que iluminava o rosto, só se desfez quando seu nariz se enrugou e provocou uma careta.

- Mas que cheiro é esse...?

A risadinha de David quase fazia parecer com que o menino sabia do que a tia estava falando, entregando a própria travessura. Michaela ainda cheirou o ar até aproximar o corpinho do sobrinho e identificar o ponto inicial do estrago.

- Dio Mío!!!!

Com uma careta de nojo, Michaela esticou os braços para afastar David de seu nariz, aproveitando para oferece-lo a Matilda.

- Qual é o problema??? Ele veio com defeito??? – Ela abanou o ar diante do seu nariz e ainda sacudia a cabeça em negação quando Connor se afastou.

Sua insatisfação ficou nítida quando Michaela chegou até a conclusão mais óbvia de que Connor estava sendo acionado em meio a sua folga por problemas na delegacia. Embora procurasse respeitar o verdadeiro emprego do marido, Mika sempre fazia uma careta quando o via mergulhar no trabalho, obrigando que ela ficasse em segundo plano. Até mesmo nos tempos do cassino, ela adorava a ideia de invadir o escritório do gerente para distraí-lo e mostrar o que realmente importava.

O que Mika não esperava era receber a bomba que Ward havia acabado de jogar diante do grupo. O clima leve do piquenique se desfez e não havia motivos para insistir em uma tarde de distração.

O caminho de volta para Las Vegas foi feito em um desconfortável silêncio no carro. Michaela estava tensa de uma forma que não combinava com a personalidade mandona de quem tinha tudo sob controle.

A noite do assassinato de Veronika já parecia pertencer ao passado, mas a possibilidade de a polícia encontrar evidências que a ligavam ao crime tornava novamente aquele pesadelo muito real.

- Se o anel aparecer...

A voz de Mika interrompeu o silêncio no interior do carro de forma cautelosa. Não havia dúvidas de que a única coisa que passava em sua mente era o medo do que estava por vir. Mas Connor não precisava saber que ela revivia a noite da prisão de seu pai, recriando aquele cenário onde ela mesma saía algemada.

- Se acontecer qualquer coisa... – Mika buscou pelo rosto de Connor antes de continuar, tentando controlar a própria respiração. – Eu não sei. Eu estava pensando... Talvez fosse melhor a gente se afastar um pouco. Podemos ir para a Itália. Antes que qualquer coisa aconteça, Connor.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Seg Maio 29, 2017 10:26 pm

Ao contrário de Cameron, Matilda não se sentia tão calma com a novidade daquela tarde. A descoberta do corpo de Veronika e o início de uma longa investigação faziam com que parte do pesadelo daquela noite retornasse para assombrar Belmont. Racionalmente, Matilda sabia que a polícia não tinha nenhuma prova contra os quatro envolvidos naquele assassinato. Ainda assim, era impossível relaxar totalmente quando um problema tão grande surgia para ameaçar a tranquilidade daquela família.

Exatamente por estar tão preocupada com as repercussões daquela investigação, Belmont não acreditou que Cameron estava mais preocupado com Richard Weber do que com o assassinato de Veronika. Os olhos castanhos se voltaram para Lahey e piscaram várias vezes, contribuindo para o semblante incrédulo que surgiu no rosto de Matilda.

- É claro que você precisa se preocupar. Neste exato momento a minha vontade é te colocar para fora da minha casa aos pontapés! De onde saiu esta pergunta ridícula, Cameron?

Apesar da resposta áspera, Matilda sabia que os questionamentos de Lahey não eram totalmente infundados. Não havia um relacionamento sério entre Belmont e Weber, mas o policial nunca fizera questão de esconder o seu interesse nela. Era óbvio que a relação deles ia muito além de uma simples interação profissional. Se Cameron não tivesse retornado para a vida de Matilda e dos bebês, era quase certo que a moça em algum momento cederia às investidas do “amigo”.

- Acabamos de descobrir que a polícia vai revirar o caso da Veronika e você está preocupado com o Weber? Sério? É isso que te angustia?

Os braços de Matilda foram cruzados em uma postura defensiva, mas a antiga governanta dos Moccia sabia que era tolice tentar fugir daquele assunto. O olhar firme de Cameron deu a ela a certeza de que Lahey não iria recuar da conversa, então a melhor saída era dar logo a ele as respostas que Cam precisava ouvir.

- Como eu já te disse, o Richard é um velho amigo do Connor. Ele se tornou responsável pelo meu caso e acabou se envolvendo mais do que deveria nesta história. Ele construiu uma relação de amizade comigo e com a Molly, aproximou-se das crianças e passou a fazer parte da rotina desta casa.

Antes que Cameron tivesse a chance de ser ainda mais direto em suas indagações, Matilda levou a conversa na direção daquela resposta.

- Não existe “Weber e eu”. Pelo pouco que você já conheceu da rotina dos gêmeos, você realmente acha que eu tive tempo para romances nos últimos meses? Eu agradecia aos céus quando conseguia tempo para comer ou dormir, Cameron!

Por mais que soubesse que Lahey não tinha o direito de fazer aquele tipo de questionamento, Belmont não negou a ele a verdade. A última coisa que os dois precisavam era que uma dose de ciúmes infundados estragasse a tentativa de reconstruir um relacionamento sadio.

- Você não está fantasiando coisas. Ele realmente tentou, mas eu não quis misturar as coisas e estava sempre tão exausta que simplesmente não aconteceu. E não vai acontecer justamente agora. – Matilda respirou fundo e permitiu que suas barreiras cedessem por um instante – Ele provavelmente ficou irritado porque sabe que, agora que você está de volta, ele não tem mais nenhuma chance.

Os olhos castanhos rolaram de forma divertida enquanto Belmont dava um passo à frente. As sapatilhas baixas usadas no piquenique obrigaram a garota a se colocar na ponta dos pés para conseguir passar os braços pelo pescoço de Cameron.

- Esta paz é muito rara, sabia? – com um movimento de cabeça, Matilda indicou o visor que mostrava os bebês adormecidos no quarto – Você realmente quer perder tempo com uma insegurança totalmente descabida e desnecessária, tigrãozinho?
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Ter Maio 30, 2017 12:03 am

A ideia de fugir do país não foi totalmente descartada por Connor, mas aquela foi uma carta que o policial preferiu deixar escondida na manga. Por motivos óbvios, Ward não participaria diretamente da investigação sobre o assassinato de Veronika, mas Connor sabia que o fato de trabalhar dentro da delegacia lhe daria acesso fácil às informações mais relevantes sobre o caso.

Mesmo não sendo considerado um dos principais suspeitos do crime, Connor foi mantido de fora do caso por seu grau de parentesco com a vítima. Dennis Flynn alegou conflito de interesses para mantê-lo afastado, mas garantiu a Ward que não esconderia dele nenhum tipo de progresso nas investigações.

E foi assim que Connor descobriu que a polícia não tinha praticamente nenhuma prova além dos restos mortais carbonizados. O apartamento de Jane Ward fora revirado, mas não foi encontrada nenhuma impressão digital ou amostra de DNA que apontassem na direção de algum suspeito. A polícia trabalhava com a principal hipótese de uma retaliação por dívidas de drogas a julgar pelo histórico de Veronika e pelas substâncias ilegais encontradas no apartamento da mulher.

Não havia nenhum sinal do anel dos Moccia. A joia não constava na lista de evidências recolhidas no apartamento de Veronika, tampouco fora encontrada nas proximidades do corpo. Com alívio, Connor concluiu que Michaela provavelmente havia perdido o anel no estacionamento do prédio, ou talvez no posto de gasolina, bem distante de qualquer um dos cenários que colocariam a garota na cena do crime.

Embora a investigação ainda estivesse em curso, Ward relaxou quando duas semanas inteiras se passaram sem que a polícia colocasse nem mesmo um dos quatro envolvidos na lista dos suspeitos. No fim das contas, parecia que aquela morte seria mais um dos casos ligados ao tráfico de drogas e que acabaria arquivado sem uma solução.

Passada a tensão, Connor voltou a se concentrar no próprio trabalho e no relacionamento com Michaela. As brigas ainda existiam, mas era evidente que os dois estavam determinados a construir uma relação mais madura. A ideia de divórcio havia ficado para trás, o casal Ward voltara a usar alianças e já começavam a traçar planos para o futuro. Nenhum dos dois mencionava a vontade de ter um bebê, mas era visível que a convivência com os gêmeos começava a despertar neles o desejo de aumentar a família em um futuro não tão distante.

Naquele fim de tarde, Ward ocupava a própria mesa na delegacia e acelerava a conclusão de um relatório quando sua atenção se voltou para a moça que ocupava a cadeira a sua frente. Dalila havia se afastado desde que soubera que Connor havia desistido do divórcio, por isso foi difícil esconder a surpresa em vê-la diante de si naquele dia.

- Ocupado...? – a colega arqueou uma das sobrancelhas finas.

- Um pouco. – Connor tentou forçar um sorriso gentil – Já estou um pouco atrasado e ainda preciso terminar o relatório do caso Netter.

- Atrasado para...? – Dalila insistiu nas perguntas.

- Tenho uma reserva para o jantar hoje.

- Hm... – o sorriso de Dalila se tornou mais malicioso – Com a “Sra. Ward”? É alguma ocasião especial?

Não era nada confortável falar sobre aquele assunto com Dalila, ainda mais diante da postura francamente irônica da colega. Mas Ward não recuou da conversa quando encarou a morena a sua frente.

- Três anos de casamento. – o próprio Connor acrescentou antes de qualquer comentário maldoso – Apesar do hiatus de mais de dois anos, nós decidimos que temos muito para comemorar.

- Que fofos. – a expressão de Dalila se tornou ainda mais irônica e vitoriosa enquanto ela completava – Como é uma noite tão especial, imagino que a Sra. Ward iria gostar de usar isto...

O coração de Connor falhou uma batida antes de se acelerar loucamente quando o anel com o brasão dos Moccia saiu de dentro do bolso do uniforme de Dalila. A policial estendeu a joia na direção dos olhos de Ward antes de colocá-la sobre a pilha de folhas acumuladas na mesa desorganizada do colega.

Um criminoso profissional talvez tentaria encenar uma expressão confusa, ou se esforçaria para mostrar que não havia entendido a jogada de Dalila. Connor, contudo, não foi capaz de esconder o quanto estava abalado quando sua voz saiu em um sussurro engasgado.

- Onde você...?

- No acostamento da estrada. Há poucos metros do corpo da sua mãe. Eu cheguei a fotografar e recolher como prova, mas quando fui etiquetar o saco percebi o nome dos Moccia. Então eu me perguntei por que os Moccia sujariam as mãos com uma prostituta drogada... Não fazia nenhum sentido na minha cabeça, sabe?

Cada palavra de Dalila era pontuada com um sarcasmo quase palpável. Era evidente que a policial estava se deliciando com a sua vitória naquele jogo perigoso.

- Eu decidi investigar por conta própria e não acrescentei o anel na lista de evidências. Nos últimos dias, me desdobrei atrás de mais provas e evidências. E, num golpe de pura sorte, acabei encontrando registros de uma câmera no estacionamento do seu atual apartamento. Você não vai acreditar na coincidência, Conn. Mais ou menos na mesma época do assassinato da sua mãe, tem uma imagem de Michaela Moccia saindo de casa no meio da madrugada...

- Se você realmente tem esta imagem, sabe que a Mika não estava sozinha.

- Não? – Dalila abriu um sorriso maldoso – Que curioso... Porque justamente esta câmera mostra apenas a “Mika” se esgueirando pela garagem vazia.

A forma tranquila como Dalila conduzia aquela conversa mostrava que a moça havia planejado cada detalhe daquele plano. Ela tivera tempo para editar as imagens e para construir as provas de acordo com as suas prioridades. Enquanto completava o raciocínio, a policial parecia repetir o discurso que um bom promotor usaria para incriminar a herdeira dos Moccia.

- Quando Jane Ward descobriu que a nora milionária estava de volta ao país, provavelmente enxergou nela a oportunidade dourada de ganhar uma grana com chantagens. Mas a pobre Sra. Ward não sabia que os Moccia tem uma forma muito peculiar de “eliminar” os problemas, não é?

- Eu sou o culpado e farei uma confissão se for preciso, Dalila. – os olhos castanhos faiscavam de ódio pela colega a sua frente – Você não vai conseguir incriminar a Michaela.

- Não há provas contra você, querido. A câmera não mostra ninguém além dela. A única evidência na cena do crime é o anel dos Moccia. Se você fizer uma confissão, provavelmente será preso. Mas isso não vai evitar que a Sra. Ward seja condenada como cúmplice de um homicídio.

Não parecia haver nenhuma forma de escapar da teia construída por Dalila. Connor se afundou na cadeira, completamente derrotado. Todas as suas forças seriam usadas para livrar Michaela daquela condenação, mas parecia muito improvável que a garota escapasse ilesa das acusações.

- Eu acabei de confessar o crime. Não vai me dar voz de prisão, Dalila?

- Você ainda não entendeu, Connor? – a moça ficou mais séria e sacudiu a cabeça em negativa – Se eu quisesse justiça, bastaria ter anexado o anel na lista de evidências. Eu escondi as provas justamente porque sabia que você era o culpado. Não te julgo por ter se livrado daquela mulher desprezível.

A drástica mudança na entonação de Dalila deixou Ward completamente desnorteado. O policial piscou várias vezes antes de finalmente recuperar a voz, que saiu num sussurro.

- Aonde você quer chegar, Dalila? Eu sinceramente não entendi a sua jogada.

- Quero que você se divorcie daquela coisinha asquerosa. Se você assinar o divórcio, eu jogo este anel num bueiro, destruo as filmagens da garagem e nunca mais tocamos neste assunto. Mas se você insistir nesta história de casamento, vou jogar a merda no ventilador e vocês dois serão presos.

Dalila se aproveitou que o colega a sua frente estava totalmente chocado com aquela chantagem para completar.

- Sei que você não vai voltar para mim depois de tudo isso, mas se tornou uma questão de honra feminina, sabe? Não vou deixar que aquela vadia me vença. O seu casamento já acabou, Connor. Cabe a você decidir como... Vocês serão separados por um divórcio ou por penitenciárias em cantos opostos do país?

-----

Durante toda a semana, Connor e Michaela haviam planejado com carinho a comemoração daquela noite. O rapaz fizera reservas em um restaurante refinado e havia presenteado Mika com um par de brincos naquela manhã, para que ela usasse as novas joias durante o jantar. Mesmo que aquele casamento tivesse sido interrompido por uma grande separação, o casal queria usar aquela data especial para comemorar a reconciliação.

A reserva no restaurante exigia que os dois chegassem ao local até às nove da noite. Por isso, Connor já esperava encontrar Michaela pronta para sair – e obviamente furiosa – quando empurrou a porta do apartamento às nove e meia, ainda sem banho e usando as roupas amassadas com que passara todo o dia.

Aquele atraso exagerado fazia parte do plano de Ward para estragar a noite que tinha tudo para ser perfeita. Connor não podia simplesmente chegar em casa e alegar que queria o divórcio depois de semanas inteiras em uma perfeita lua-de-mel com a mulher. Para proteger Michaela, era necessário que Mika não desconfiasse que estava sendo poupada de um processo que poderia culminar no fim da sua liberdade.

E como conhecia muito bem a esposa, Connor sabia que não era difícil provocar uma briga. Michaela tinha um gênio difícil e se enfurecia com as coisas mais tolas. Geralmente cabia a Ward a tarefa de respirar fundo e colocar um fim na discussão, mas naquela noite o policial entrou em casa disposto a alimentar a briga até que o divórcio voltasse a ser uma opção para os dois.

- Vai sair...? – Connor se sentiu um miserável quando olhou a esposa de cima a baixo e fingiu não se lembrar do programa especial daquela noite – Pelo menos deixou o jantar pronto? Sério, Michaela, eu estou exausto e não aguento mais comer pizza. Você não faz nada o dia todo, podia pelo menos aprender a cozinhar.
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