Viva Las Vegas!

Página 6 de 11 Anterior  1, 2, 3 ... 5, 6, 7 ... 9, 10, 11  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Abr 15, 2017 5:14 am

Enquanto Connor se acomodava no banquinho, Michaela contornou a bancada da cozinha e voltou sua atenção para a tábua com pães frescos onde ela cortava em fatias para acompanhar o almoço. Embora não tivesse o real trabalho de cozinhar, a cena era realmente inédita e bizarra por si só.

Os olhos verdes acompanhavam o movimento da faca e seus dedos seguravam o pão macio enquanto as fatias se formavam. Por mais que fosse uma tarefa simples, Mika se sentia como uma profissional experiente em um restaurante. Sua fantasia infantil apenas foi interrompida quando ficou evidente que Ward tentava introduzir o delicado assunto a respeito daquele relacionamento.

Ela ergueu o rosto e interrompeu sua tarefa com os pães no mesmo instante. Um silêncio constrangedor caiu sobre a cozinha enquanto os dois apenas se encaravam. A última conversa de verdade entre os dois tinha acontecido na noite do tiroteio, com um Connor ainda grogue e uma Michaela angustiada. Como o rapaz estava sem celular, não houve nem mesmo troca de mensagens pelos dias que se passaram.

- Namorada do ano?

Mika repetiu as palavras de Connor, finalmente largando a faca e os pães. Ela limpou as mãos no pano de prato e voltou a contornar a bancada até parar diante dele, com um semblante sério.

A verdade era que Moccia tivera tempo suficiente para pensar em tudo que acontecera. O relacionamento com Connor nunca fora fácil. Em meio as brigas e as reconciliações acaloradas, ela sempre tentou negar o óbvio. Foi preciso uma tragédia e quase ter perdido Connor para enxergar que o fato de serem de mundos diferentes ou de brigarem tanto era apenas detalhe.

Mika não estava mais disposta a mentir para si mesma. Ela amava Connor e não perderia mais um dia negando aquele sentimento apenas com medo ou com uma implicância ridícula de que os dois eram diferentes demais.

- Connor, você não aprendeu nada nesse tempo todo?

A pequena e delicada mão de Michaela foi apoiada no ombro direito de Connor, os dedos acariciando a nuca dele enquanto ela falava pausadamente, como se estivesse ensinando um assunto complexo demais para uma criança.

- Eu sou Michaela Moccia. Eu não me contento com pouco. – Uma das sobrancelhas loiras foi erguida, reforçando a expressão arrogante que Mika fazia tão bem. Mas logo um sorriso brincou nos seus lábios quando ela explicou onde queria chegar. – Se você vai usar o termo “melhor namorada”, é melhor que ele seja acompanhado como “do milênio” ou “da história da Terra”. Melhor do ano não é nada para alguém como eu, bello.

Ela se acomodou entre os joelhos de Ward, se aproveitando da curta diferença nas alturas para tomar a iniciativa de um beijo. Diferente de tantas carícias ousadas que eles estavam acostumados a trocar, o sabor dos lábios de Connor era ainda melhor quando nenhum dos dois tentava negar o que sentiam um pelo outro.

O beijo estava carregado de sentimentos e significado, e mesmo com os movimentos lentos, durou um tempo longo demais. Quando se separaram, Mika exibia um sorrisinho vitorioso como costumava fazer quando vencia alguma briga.

- Eu senti sua falta.

Mais uma vez, a cozinha mergulhou em um profundo silêncio. Mas a sensação de conforto era absurdamente agradável enquanto os dois permaneceram calados, apenas encarando um ao outro. Mika só se viu obrigada a interromper aquele momento quando o cheiro vindo do forno indicava que o almoço estava pronto.

Com uma habilidade que não combinava com o perfil de uma menina mimada que tinha tudo em suas mãos, Mika retirou a travessa do forno e começou a distribuir as porções em dois pratos. Em meio a sua tarefa doméstica, ela virou para encarar Connor.

- Estava quase me esquecendo... Eu comprei uma TV para o seu quarto. – O tom casual mostrava como aquele “presente” não era nada para alguém como Moccia. – Deduzi que com a sua pequena aventura de brincar com armas e a grande cicatriz máscula que você está cultivando, o máximo de ação que teríamos seria trocar o seu curativo. E eu surtaria ficar no mesmo quarto que você olhando para o teto. Então pelo menos agora temos Netflix em uma escala maior.
avatar
Lucinda Clearwater

Mensagens : 574
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Sab Abr 15, 2017 7:54 pm

As mãos ocupadas obrigaram Matilda a empurrar a porta do apartamento de Cameron com um movimento do quadril. O sorriso amplo que a moça trazia nos lábios indicava que Belmont definitivamente não esperava por uma discussão naquela noite. Para a governanta, seria mais uma noite comum ao lado de Cameron, na qual ela se esforçaria para que o segurança relaxasse um pouco e deixasse de lado a tensão que Lahey vinha alimentando desde o ataque ao cassino.

- Você não vai acreditar! – de costas para o sofá, Matilda repetiu o gesto de fechar a porta com o quadril – Eu passei na padaria para comprar o nosso pão de amanhã e encontrei uma torta. Fizeram uma torta com os seus biscoitos preferi...

Quando se voltou para Cameron e notou a expressão sombria dele, Matilda finalmente percebeu que algo estava errado. Entretanto, a governanta logo imaginou que fosse mais algum problema relacionado ao tiroteio no cassino. Belmont nem desconfiava que era ela o motivo do desgosto de Cam naquela noite.

- O que foi, Cam...? Aconteceu alguma coisa?

Uma palidez preocupante tomou conta do rosto de Matilda quando Cameron mencionou a pulseira retirada do cofre de Don Alessio Moccia. A governanta não precisava dizer nada, a expressão de culpa e constrangimento era praticamente uma confissão. Belmont ainda estava chocada e sem palavras quando o segurança explodiu.

Por estar tão acostumada com aquela versão doce e carinhosa de Cameron Lahey, Matilda se sobressaltou com os gritos do segurança. A voz grave ecoou pelo apartamento, arrancou um arrepio de pavor da moça e fez com que Belmont recuasse alguns passos para trás, até que suas costas se chocassem contra a porta fechada.

O susto da governanta também provocou um pequeno acidente e a bandeja de papelão escorregou para fora dos dedos de Matilda. A torta de biscoito se espatifou no piso da sala, há centímetros dos pés de Cameron. Pela primeira vez desde que Matilda o conhecera, Lahey dava à moça motivos para acreditar em todas as histórias sórdidas sobre ele. O ódio refletido nos olhos azuis mostrava que havia um homem violento adormecido dentro do namorado gentil de quem Belmont nunca sentira medo. Antes daquela noite.

Por quase um minuto inteiro, Matilda se sentiu petrificada, incapaz de se mover. Ela não esperava ser desmascarada daquela maneira, muito menos por um Cameron tão descontrolado. Naqueles segundos de pavor, Belmont não duvidou que o segurança seria capaz de erguer a mão contra ela, ou que ele teria coragem de sacar a arma e atirar contra a sua cabeça. O coração de Matilda batia acelerado, suas mãos estavam trêmulas e úmidas com um suor frio enquanto o resto do corpo da governanta permanecia imóvel, totalmente incapaz de reagir naquela situação.

Só quando finalmente se acalmou e percebeu que Cameron daria a ela a chance de se explicar, Matilda notou que segurava a respiração e estava encolhida junto à porta, completamente acuada em um canto do apartamento. O ar entrou ruidosamente nos pulmões vazios depois daqueles segundos de tensão e Belmont deu alguns passos para frente, até parar em frente à torta completamente destruída no chão da sala. Os olhos castanhos fitaram a sobremesa esparramada pelo piso antes de buscarem pelo rosto de Cameron.


Mais uma longa pausa foi feita até que Matilda se sentiu segura o bastante para tomar a palavra. Sua voz ecoou firme pelo apartamento, mas a entonação estava longe de soar tranquila. Não havia informalidade naquele discurso, era como se Belmont realmente estivesse diante de um estranho que acabara de ameaçá-la.

- Se eu quisesse roubar Don Alessio Moccia, eu não pegaria só uma pulseira. Eu teria esvaziado aquele cofre. Lá tinha grana o suficiente para me tirar do país em menos de uma hora...

Havia uma lógica inegável no argumento de Matilda. Se a governanta quisesse o dinheiro dos Moccia, ela não tiraria somente um objeto do cofre abarrotado de ouro, joias e dinheiro vivo. Não fazia o menor sentido se arriscar por tão pouco quando Belmont poderia ter roubado uma quantia muito maior, que mudaria para sempre o seu estilo de vida simples.

Ignorando a nítida ansiedade com a qual Cameron esperava por uma explicação, Matilda passou direto por ele e encaminhou seus passos até a área de serviço. Em poucos minutos a moça estava de volta à sala com um saco de lixo e um esfregão. A calça jeans justa que desenhava com perfeição as curvas da governanta não era muito confortável para aquele tipo de trabalho, mas Belmont ignorou o incômodo quando se colocou de joelhos para limpar a sujeira no piso da sala.

- Eu precisava de dinheiro e o meu prazo era muito curto. Eu não tinha tempo para procurar um banco, pedir um empréstimo e esperar que eles analisassem o meu crédito.

Era muito difícil fazer aquela confissão, mas a atenção voltada para a limpeza do piso facilitava um pouco as coisas. De costas para Cameron, Matilda não precisava lidar com aquela torturante expressão de raiva e decepção nos olhos do segurança.

- Eu sei que fui idiota, mas eu estava me sentindo tão sozinha e tão desesperada que eu realmente achei que isso daria certo. Eu achei que conseguiria um empréstimo em poucos dias, que eu resgataria aquela maldita pulseira e a devolveria ao cofre antes que Don Alessio notasse a falta dela.

O saco de lixo foi amarrado antes que Belmont se recolocasse de pé para encarar o segurança. Não havia lágrimas no rosto dela, tampouco uma expressão de súplica de alguém prestes a implorar pela própria vida. Depois de tantos meses na família Moccia, Matilda sabia qual era o destino dado a ladrões e traidores. De nada adiantaria se desesperar, chorar e implorar por perdão. Se Alessio Moccia tinha ordenado a sua morte, Cameron Lahey puxaria o gatilho de qualquer maneira.

- Que outra escolha eu tinha, Cameron? De onde eu tiraria dez mil dólares em menos de uma semana? As minhas economias não chegam à metade desse valor. Eu pensei em pedir um empréstimo a você, ou talvez um adiantamento a Don Alessio. Mas vocês dois fariam perguntas que eu não queria responder. Esta é uma sujeira minha e eu fui tola de achar que conseguiria limpar tudo sozinha.

Sempre que o segurança mencionava o estranho comportamento de Matilda no restaurante dos Moccia, a governanta desconversava e tentava convencê-lo de que somente se sentia indisposta naquela noite. Mas finalmente chegara o momento em que Cameron entenderia por que o primeiro encontro dos dois havia sido um fiasco. Os olhos castanhos refletiam uma preocupante apatia quando Belmont tocou naquele assunto doloroso.

- Naquela noite no restaurante, quando você me deixou sozinha na mesa, alguém se aproximou de mim. Uma pessoa que eu não via há muitos anos... Uma pessoa que eu preferiria nunca mais ver porque ela traz de volta lembranças que eu lutei desesperadamente para esconder no fundo da minha memória.

Ao contrário da reação que Matilda tivera naquela noite, a governanta mantinha a serenidade ao fazer aquela revelação. Mas era uma tranquilidade incômoda. O semblante insensível de Belmont durante aquele discurso era um preocupante sinal de que aquelas memórias tinham o poder de anestesiar seus sentimentos. Quando aquele pesadelo vinha à tona, Matilda ficava tão abalada que todo o resto da sua vida deixava de fazer sentido.

- O verdadeiro nome dela é Margareth Smith. Mas ela prefere ser chamada de Veronika. – um sorriso sem vida surgiu nos lábios de Matilda – Uma ex-prostituta viciada que foi presa há vinte anos depois que a polícia invadiu o buraco que ela chamava de casa e encontrou armas, drogas e uma criança imunda e faminta.

Era impressionante como, mesmo depois de tantos anos, Matilda continuava resistente à ideia de chamar aquela mulher de mãe. Em nenhum momento a governanta mencionou que era aquele o laço que unia as duas, mas o seu discurso não deixaria que Cameron tivesse nenhuma dúvida quanto a isso.

- Ela me machucou de todas as maneiras que uma criança pode ser machucada, Cameron. Todas. Eu tinha quatro anos quando um juiz me entregou ao meu pai e ordenou que esta mulher nunca mais se aproximasse de mim. Eu demorei muitos anos até conseguir me reerguer e, quando eu finalmente achei que tinha superado toda aquela merda, Veronika reapareceu naquela noite para me mostrar que o pesadelo não tinha chegado ao fim.

É claro que Matilda omitiu da história o fato de ter tido um irmão que também sofrera nas mãos de Veronika. Mas todo o restante do relato era verdadeiro e a sinceridade estava refletida nas íris castanhas quando ela buscou pelo olhar de Lahey.

- Ela começou a me perseguir, a exigir dinheiro, a me ameaçar. Eu simplesmente não queria que toda esta merda viesse à tona, que você descobrisse que eu não era tão perfeita quanto o meu currículo dizia. Então, quando ela me deu o prazo de uma semana pra conseguir dez mil dólares, eu entrei em desespero. Eu estava completamente sozinha, eu não raciocinei, eu fiz besteira. Eu só queria que ela pegasse esse maldito dinheiro e sumisse da minha vida para sempre.

Com movimentos lentos, Matilda puxou do chão a bolsa que havia caído quando ela recuara até a porta. De dentro de uma das repartições, a governanta tirou a pequena pistola com a qual aprendera a atirar. Depois de várias aulas, Belmont não teve dificuldade para acoplar um silenciador no cano da arma antes de entregá-la para Cameron.

- Eu sei como as coisas funcionam na famiglia, eu sei que este é o seu trabalho. Então faça o que tem que ser feito, Cam. Banheira? – Matilda continuava completamente apática quando explicou aquela sugestão para um Cameron nitidamente confuso – Vai ser mais fácil limpar a bagunça se eu estiver na banheira, não?
avatar
Matilda Belmont

Mensagens : 58
Data de inscrição : 16/02/2017

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Sab Abr 15, 2017 11:01 pm

Quando Michaela Moccia iniciou um discurso arrogante e disse que não se contentava com pouco, Connor teve certeza de que os dois iriam retroceder naquele relacionamento. Ward já esperava ouvir que ele era só um gerentezinho e que o detalhe dos dois gostarem um do outro não mudava o fato de que eles eram diferentes demais e que nunca poderiam ficar juntos oficialmente.

Portanto, quando Mika levou seu discurso em uma direção completamente oposta, Connor não foi capaz de conter um largo sorriso. O alívio deixou que uma risada divertida escapasse da garganta dele enquanto o gerente deslizava os dedos no rosto delicado de Michaela, cada vez mais encantado com ela.

- Que tal a melhor namorada de toda a galáxia? É bom o bastante para Michaela Moccia?

Mesmo com um dos braços imobilizado, Connor não teve dificuldade para enlaçar a menina durante aquele longo beijo. Depois de tanto tempo tentando abafar os verdadeiros sentimentos que nutriam um pelo outro, Mika e Connor extravasavam toda a emoção que fora cruelmente contida nas últimas semanas.

- Você comprou uma TV para o meu quarto...

Ward repetiu as palavras da garota enquanto seguia a movimentação de Michaela pela cozinha com um olhar mais sério. Uma das sobrancelhas escuras foi arqueada antes que Connor continuasse o discurso.

- Se eu conheço bem o padrão Michaela Moccia, você levou pro meu quarto minúsculo uma TV gigantesca que vai ocupar toda a minha parede. Aliás, Mika, você deveria procurar um terapeuta. Essa sua mania de grandeza pode ser uma tentativa de compensar algo...

Os olhos castanhos fitaram a menina de cima a baixo, numa clara referência à estatura pouco avantajada de Michaela. Para provocá-la ainda mais, Connor continuou com aquela implicância divertida.

- Eu nunca parei para pensar nisso, mas agora faz todo o sentido. Foi por causa disso que você se apaixonou por mim, não foi? – o sorrisinho torto de Ward se tornou mais malicioso – Eu estou beeeeem acima da média.

A expressão confusa de Michaela mostrava que a garota não havia interpretado aquela declaração com a mesma malícia de Connor. Quando ela finalmente compreendeu aonde o gerente queria chegar e arregalou os olhos num semblante chocado, a gargalhada de Ward novamente encheu o apartamento. Foi impossível parar de rir mesmo sob a chuva de tapas vindos das mãos delicadas da menina e o gerente já lacrimejava, sem fôlego, quando finalmente conseguiu se controlar.

- Meu Deus! Eu devia ter filmado a sua cara. Você fica ainda mais linda com as bochechas coradas, bambina.

Não era preciso ir até o quarto para saber que Michaela havia exagerado na escolha do televisor. Não era confortável a ideia de ganhar um presente tão caro da namorada, mas Connor não queria que Mika se ofendesse com uma recusa. Os dois estavam em um momento maravilhoso e a última coisa que precisavam era de um gatilho para recomeçarem as brigas. Além disso, como Ward passava a maior parte do tempo fora de casa, aquele “presente” seria mais usado por Michaela do que pelo próprio Connor.

- Eu agradeço pela TV. – Ward mudou o tom de brincadeira da conversa com um semblante mais sério – Mas eu gostaria de ser consultado da próxima vez que você quiser fazer algo do tipo, ok? Pra isso dar certo nós temos que respeitar o espaço um do outro, Mika.

Ficou claro que aquela pequena repreensão não era o começo de uma nova briga quando Connor se inclinou sobre a bancada para capturar os lábios de Michaela em mais um beijo. Ao fim da carícia, os lábios dele deslizaram até a orelha da garota para que ela ouvisse as palavras sussurradas pela voz grave.

- Eu levei um tiro de raspão no ombro, bambina. Exceto pelo meu ombro esquerdo, todo o resto está em perfeito funcionamento. Não sei você, mas eu tenho pelo menos uma dúzia de ideias melhores do que Netflix para hoje.

-------

Enquanto Connor e Michaela saciavam um pouco das saudades acumuladas depois daquela separação, do outro lado da cidade o clima não era tão leve e divertido. Don Alessio Moccia estava mortalmente sério para escutar o que Leoncio tinha a dizer. O segurança sabia que causaria um estrago terrível com aquela revelação, mas jamais teria coragem de mentir para o patrão.

- O que mia bambina foi fazer em um bairro tão afastado?

A pedido do mafioso, Leoncio havia seguido os passos de Michaela naquela manhã. Enquanto a menina pensava que mais uma vez tinha burlado o segurança particular, Leoncio a seguia discretamente para que Alessio finalmente entendesse onde Mika se escondia sempre que conseguia fugir dos seguranças.

- Ela passou no mercado e fez compras.

- Michaela fez compras? Mia bambina??? – a cada segundo Alessio estava mais confuso com o comportamento bizarro da filha – Achei que mia bambina nunca tivesse pisado num mercado!

- E depois ela levou as sacolas até um prédio antigo, subiu para um dos apartamentos e ficou por lá, Don Alessio.

- Io quero que você faça una lista com o nome de todos os moradores do prédio, Leoncio!

O segurança apertou uma mão na outra e refletiu por mais alguns segundos antes de decidir ir até o fim naquela revelação. Don Alessio não desistiria daquela ideia e ficaria ainda mais irritado quando soubesse que Leoncio estava escondendo a resposta que ele precisava.

- Não será necessário, Don Alessio. Eu fiquei estacionado na esquina por algum tempo e vi quando o dono do apartamento chegou.

- Dire logo, Leoncio! É alguém que io conheço? Alguém da famiglia???

- Connor Ward.

Durante um minuto inteiro, Alessio encarou o segurança a sua frente enquanto sua mente astuta finalmente encaixava as peças soltas. As visitas constantes de Mika ao cassino, as fugas da menina, a irritação de Michaela quando o pai insinuou que havia uma química entre Connor e Matilda, o desespero que levou a garota até o hospital no dia do ataque ao cassino... O mafioso nunca havia pensado nisso, mas agora Alessio conseguia enxergar o quanto era bizarra a história de Mika ter cruzado “por acaso” o caminho de Connor depois da desastrosa festa da famiglia.

Ao notar que uma veia começava a pulsar na testa do patrão, Leoncio forçou um sorrisinho nervoso enquanto tentava amenizar a fúria de Moccia.

- A Michaela gosta de frequentar o cassino, os dois podem ter se tornado bons amigos, Don Alessio.

- Até alguns meses atrás, mia bambina odiava o cassino. Ela sempre dizia que tinha nojo do tumulto, que la música era terribile, que ela non tinha pazienza para cartas e roletas. Estranhamente, Mika mudou de ideia quando Connor Ward se tornou o gerente.

- O que o senhor vai fazer, Don Alessio? – Leoncio novamente apertou uma mão na outra, preocupado com as repercussões da sua revelação.

- Connor Ward pode ser muito habilidoso, mas ele precisa entender que, desta vez, quem dá as cartas do jogo sou eu, Leoncio. Ele teve a ousadia de tocar no meu tesouro mais prezioso e terá que assumir as consequências deste erro. De um jeito ou de outro.
avatar
Connor Ward

Mensagens : 108
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Abr 16, 2017 1:41 am

A história de Matilda deveria ter o poder de acalmar Cameron, de trazer uma justificativa para aquele grande mal-entendido que havia caído nos ouvidos de Don Alessio. Mas quanto mais a voz de Belmont ecoava pela sala escura, mais o coração de Lahey acelerava e maior ficava a sua ira.

Em partes, ele se sentia furioso pelo passado de Matilda, por tudo que ela fora obrigada a passar. Por outro lado, ele se sentia culpado por não ter descoberto aquela parte de sua história nas tantas vezes que levantara a pesquisa. Provavelmente, por Matilda ser apenas uma criança quando deixou o teto da mãe, os arquivos da custódia permaneceram em segredo, dificultando seguir por aquela linha da investigação.

Mas o que mais incomodava Cameron era a certeza de que Matilda havia mentido para ele. É claro que ele sabia que havia alguma história podre para justificar o furto contra os Moccia. Só que aquela revelação apenas reforçava a sensação que Cameron sempre tivera: Matilda era uma caixinha de surpresas que não estava disposta a se abrir. O único motivo de estar compartilhando aquela história era pela ausência de qualquer outra alternativa.

O apartamento de Lahey era grande, mas com uma decoração tipicamente masculina. As janelas eram enormes e com a vista da luminosa Las Vegas. Definitivamente não era um lar que um simples segurança seria capaz de bancar. E naquela noite, ao invés de se orgulhar daquela conquista, Cameron apenas manteve os olhos azuis presos através do vidro, enxergando a cidade movimentada e bizarramente silenciosa.

Seu reflexo era completamente ignorado contra o vidro, e até mesmo a paisagem não era absorvida. Mesmo estando de costas para Matilda, ele ouvia sua história sem deixar escapar uma única vírgula.

Quando Belmont chegou ao fim de sua narrativa, Cam se virou para encará-la. A derrota explícita nos olhos castanhos era diferente de qualquer outro homem que Cameron já precisara enfrentar em situações como aquela.

Em seu trabalho, Lahey era um homem frio e prático. Não haviam gritos, como ocorrera naquela noite. Normalmente, ele era assustadoramente calmo e objetivo. Não havia necessidades de enrolação quando já sabia qual seria o fim do traidor que estava enfrentando.

Com Matilda, tudo mudava de figura. O destino dela estava em suas mãos, e Cameron apenas conseguia odiá-la por deixá-lo naquela situação.

As íris claras deslizaram para baixo quando a arma lhe foi oferecida e a sensação de um soco no estômago lhe atingiu em cheio. Sua garganta pareceu fechar e queimar ao mesmo tempo quando ele percebeu onde Matilda queria chegar.

Era ainda mais revoltante que ela chegasse até aquela conclusão com tanta facilidade, quando Cameron desejava arrancar a própria mão antes de lhe causar algum mal. Sua raiva estava lhe consumindo por dentro, mas nem em um milhão de anos ele teria coragem de erguer um dedo contra Matilda.

Com os dentes trincados em raiva, Cameron pegou a arma, sentindo a textura fria em seus dedos desconfortavelmente familiar. Por longos segundos, ele permaneceu em silêncio, apenas encarando a arma.

- Você sabe como as coisas funcionam na famiglia?

Ao contrário do grito de minutos antes, a voz de Cameron soou anormalmente baixa e rouca, como consequência da queimação que ele sentia. Os olhos foram erguidos com uma profunda decepção quando se voltaram para Matilda, ainda com a arma torta em sua mão.

- Se você realmente soubesse, Matilda, você não teria feito a coisa mais estúpida da sua vida. E eu não estou dizendo pelas consequências, pelo meu trabalho. Mas se você realmente compreendesse o que essa família significa, você teria vindo até a mim pedir ajuda.

O olhar de Cameron voltou a baixar para a arma. Seus dedos deslizaram pela tranca, soltando o cartucho de munições até que deslizassem para a palma de sua mão. Com a arma descarregada, ele se abaixou para deixá-la sobre a mesa de centro, ao lado da fotografia de Matilda. As balas foram enfiadas em seu bolso.

Cameron se sentia esgotado, destruído. O estresse acumulado do trabalho e a decepção com Matilda se somavam diante daquela revelação. Ele não conseguia ser indiferente ao sofrimento que ela havia passado e aos motivos que a levaram a cometer um erro tão grande. Mas Lahey também não conseguia superar a ideia de ter sido deixado de lado.

- Eu pensei que estivéssemos juntos nessa. Um casal, uma dupla. Eu realmente acreditei que poderia contar com você, Matilda, e que você sentisse o mesmo.

Se Matilda acreditava que enfrentaria um assassino frio depois daquela revelação, seria um grande choque ver que, no final de tudo, Cameron apenas agia como um namorado arrasado diante de uma mentira.

Os olhos azuis estavam cobertos por um brilho de lágrimas que ele não derrubaria. Sua expressão mostrava todo o cansaço mental causado por aquela conversa. Cam espremeu os lábios e negou com um movimento da cabeça. Ele chegou a erguer uma das mãos, em um pedido mudo para que aquilo chegasse ao fim.


- Eu não consigo fazer isso, Matilda. – Antes que a governanta chegasse a conclusão de que Cameron se referia a atirar contra ela, ele completou. – Essas mentiras... Eu preciso estar com você, mas para isso, preciso que você esteja comigo também. Mas se você não está disposta a se abrir comigo, isso não vai dar certo e você só vai me causar problemas.
avatar
Remus J. Lupin

Mensagens : 338
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Dom Abr 16, 2017 2:39 am

O olhar incrédulo de Matilda se manteve fixo na imagem do segurança por prolongados segundos. A governanta estava pronta para ser arrastada até o banheiro, para ser posta de joelhos e para fechar os olhos antes que uma bala fosse enfiada em sua nuca. Mas Belmont não estava pronta para ver o seu drama pessoal se transformando em uma crise de casal. A governanta se sentia preparada para pagar por aquele erro estúpido da forma como Don Alessio gostava de agir, mas ela não esperava que Cameron tentasse reverter o jogo colocando-se como uma vítima daquela situação.

- Ah, me desculpe...

Ao invés de apática, a expressão de Matilda estava agora carregada de ironia. Um sorriso sem humor brotou nos lábios da moça antes que ela continuasse.

- Realmente eu pisei na bola. O que deu na minha cabeça para esconder isso do cara com quem eu estava começando a me relacionar? Eu tinha que ter te contado, não é? Eu devia ter interrompido os nossos primeiros beijos pra te contar que eu quase morri de pneumonia aos dois anos de idade porque dormia no chão de uma casa sem aquecedor. Ou eu deveria ter aproveitado um dos nossos jantares para comentar que eu roubava restos de comida na lixeira dos vizinhos para não morrer de fome.

Uma sombra cobriu os olhos de Belmont e a raiva que começava a dominá-la não permitiu que ela poupasse Cameron daquele detalhe nojento.

- Eu deveria ter interrompido as nossas transas e te explicado que eu odeio quando você agarra o meu cabelo porque era isso que aqueles miseráveis faziam para que eu não fugisse!!!

As últimas palavras de Matilda já soaram em um volume mais alto, mas ela se recusava a derramar as lágrimas que começavam a se acumular nos olhos castanhos.

- Não importa o quanto eu me esforcei pra esquecer tudo aquilo, o quanto dói me lembrar, não interessa que eu nunca tenha falado sobre isso com NINGUÉM! Eu tinha que ter te contado, não é? Porque nós nos conhecemos há poucos meses, mas você é mais importante que qualquer outra coisa no universo... Como eu pude esconder algo de você, Cameron? Deus, como eu sou injusta!

Quando saiu da mansão dos Moccia naquela noite, Matilda planejava algo completamente diferente daquela discussão. Ela estava disposta a passar algumas horas suaves ao lado de Lahey, tirar um pouco da tensão dos ombros dele e acrescentar mais uma dose de felicidade naquela cortina que escondia os seus fantasmas do passado. Contudo, graças a Cameron, não existia mais barreira alguma que a impedisse de acessar aquelas lembranças terríveis.

- Eu errei com você. Justamente com você, que sempre me conta tudo! Porque tudo que eu não sei sobre você deve ser por culpa minha, não é? Talvez algum lapso de memória que não permite que eu me lembre do dia em que você me contou sobre a sua família, ou sobre como você encontrou os Moccia...

Os olhos de Matilda faiscaram e ela novamente não poupou Cameron das suas palavras ácidas. Se ele queria que Belmont revivesse seus pesadelos, a governanta estava pronta para fazer o mesmo com ele.

- Quantas pessoas você já matou a mando de Don Alessio Moccia...? Você já parou pra pensar na família dessas pessoas? Alguma vez você matou uma mulher? Gritou com ela e a intimidou como fez comigo hoje? Você tem os seus demônios e não permite que eu tenha os meus, Cameron!!! Você é um porco nojento e egoísta!

Mais uma vez, Matilda puxou a bolsa, desta vez pendurando a alça no ombro. A governanta recuou um passo na direção da porta enquanto finalizava aquele desabafo.

- Eu não quero te causar mais problemas, então vou embora com as minhas mentiras. – Belmont deu de ombros enquanto apoiava a mão na maçaneta – Eu não tenho para onde ir e sei que é tolice tentar fugir da “famiglia”. Só me resta voltar para a mansão dos Moccia e dar a minha versão da história para Don Alessio.
avatar
Matilda Belmont

Mensagens : 58
Data de inscrição : 16/02/2017

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Abr 16, 2017 3:04 am

Como mágica, bastou que o relacionamento com Connor se estabilizasse para que o bom de humor de Michaela voltasse a reinar. Para sorte e felicidade de todos que frequentavam a mansão Moccia, tudo o que encontravam na mimada filha de Alessio era um sorriso nos lábios e comentários relativamente menos ácidos.

Apenas alguns dias tinham se passado desde o tiroteio no cassino. Os jornais ainda noticiavam, cada vez com menos frequência, a trágica chacina. Pouco a pouco, a famiglia começou a enterrar seus mortos e a recuperar as vítimas sobreviventes, lutando para se reerguer.

Mika sabia que Alessio e Cameron trabalhavam incansavelmente atrás dos responsáveis pela tragédia, mas era muito mais fácil para ela seguir em frente quando a única sequela em sua vida tinha sido ajudar Connor quando ele precisava tomar banho ou para trocar o curativo de seu ombro.

Pela primeira vez na vida, Michaela passou a testemunhar um humor diferente em Alessio. O mafioso sempre fora cruel com seus inimigos, mas dentro de casa parecia apenas mais um bom pai que raramente ficava mal-humorado. Mas para Mika, a conclusão mais óbvia era o abalo diante dos últimos acontecimentos sobre a famiglia.

Como não tinha grandes planos para aquele dia, Mika vestia apenas um vestido mais leve. Os cachos loiros tinham sido puxados em um volumoso rabo-de-cavalo, deixando ainda mais exposto o rosto de traços delicados e ligeiramente infantis.

Ela estava a caminho da cozinha quando desceu as escadas, mas a ideia de fazer um breve lanche foi logo deixada de lado quando seu olhar cruzou com o do homem que havia acabado de entrar pela porta principal.

As sobrancelhas loiras se arquearam e logo Mika abriu um largo sorriso ao reconhecer Connor. O braço esquerdo ainda estava imobilizado, de modo que suas roupas ficavam ligeiramente tortas, mas ainda assim era capaz de fazer seu coração bater mais rápido.

- Don Alessio já vai atende-lo. – Tracy anunciou, passando o olhar de cima a baixo no gerente. Por fim, seu olhar se fixou no braço imobilizado. – Consequências do tiroteio? Sinto muito pelo que aconteceu. Imagino o pesadelo que tenha sido...

Mika ainda estava parada nos últimos degraus da escada. Seu olhar logo se estreitou enquanto encarava as costas da empregada. De onde estava, ela era perfeitamente visível, de modo que sabia que Connor já havia notado sua presença.

- Don Alessio diz que todos que sobreviveram são verdadeiros heróis...

- Ele quase atirou no próprio pé enquanto tentava bancar o herói.

A voz de Mika interrompeu a conversa de Tracy. A menina havia se apoiado no corrimão da escada e encarava os dois como se estivesse assistindo alguma cena mal produzida de um filme independente.

- Cameron disse que foi uma performance completamente lamentável. Tão ruim que poderia entrar para a história das armas desse país.

Um sorrisinho provocante brincou em seus lábios quando ela encarou Connor outra vez, sem o menor pudor em estar enfatizando o péssimo desempenho do gerente com uma arma. Não interessava se aquilo o deixaria constrangido, quando o que realmente importava era tirar a ideia sexy que Tracy provavelmente poderia estar criando em sua mente.

- Bom, talvez Cameron esteja exagerando... Tenho certeza que ajudou de alguma forma.

Tracy não era ousada o bastante para enfrentar Michaela, mas o sorrisinho que lançou a Connor era típico de uma mulher que tentava ser agradável com segundas intenções. Ao invés de surtar, Mika apenas terminou de descer os degraus e parou diante da loira com os braços cruzados.

- Não é o seu trabalho questionar o Cam. O seu trabalho é ir para a cozinha e preparar um sanduíche. Já passou da hora do meu lanche, Tracy.

A empregada deslizou o olhar para Connor e manteve um sorriso forçado nos lábios até se voltar para Mika. Antes que ela tivesse a chance de dar mais uma resposta atravessada, Mika completou com arrogância.

- E tire as bordas do pão. Eu odeio as bordas.

Com um movimento dos dedos, Mika dispensou a presença de Tracy e não escondeu o sorriso vitorioso quando viu a loira se afastar com uma veia saltando em sua testa. Só quando estava finalmente sozinha com Connor, os olhos esverdeados se voltaram para ele.

- Reunião com mio papá? Imagino que ele queira acertar alguns pontos sobre a reabertura do cassino.

Mika balançou o corpo de um lado ao outro, olhou ao redor mais uma vez e, com a certeza de que continuavam sozinhos, seu sorriso se tornou mais malicioso.

- Talvez eu precise de uma carona depois. O lamborghini está na garagem e eu provavelmente vou precisar lanchar fora... A Tracy deve estar colocando laxante no meu sanduíche nesse momento.
avatar
Lucinda Clearwater

Mensagens : 574
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Dom Abr 16, 2017 3:54 am

No instante em que recebeu uma ligação do próprio Alessio Moccia agendando uma reunião para aquela tarde, Connor não teve dúvida de que o patrão queria conversar sobre a reabertura do cassino. A reforma após o tiroteio seria concluída nos próximos dias, a imprensa já parava de falar insistentemente naquele assunto e era preciso reerguer o império dos Moccia para que os responsáveis pelo atentado não se sentissem vitoriosos naquela guerra.

Quando pisou na mansão dos Moccia, Connor realmente achou que estava prestes a enfrentar uma longa reunião. Ao telefone, Alessio parecia mais sério que o normal, mas soava calmo e gentil como de costume. Ward não tinha nenhuma razão para acreditar que o mafioso já havia cogitado matá-lo de diferentes formas, cada uma mais dolorosa que a outra.

O relacionamento com Michaela evoluía de forma maravilhosa, mas os dois ainda não sabiam como contariam a verdade ao mafioso. Por mais que o casalzinho agora fizesse planos para um futuro em comum, Alessio ainda era um obstáculo que os dois não sabiam como ultrapassar.

Por isso o gerente precisava ser muito cuidadoso sob o teto de Don Alessio. Connor estava preparado para tratar Michaela com toda a formalidade que era esperada dele, mas foi impossível conter um risinho quando a cabeleira loira surgiu no corrimão, interrompendo a conversa de Ward com Tracy. O gerente precisou morder o lábio por dentro para segurar a risada enquanto Mika enxotava a pobre moça para a cozinha, interrompendo qualquer mísera tentativa de aproximação entre os dois.

- Você é terrível. Ela deve precisar muito desse emprego, coitada.

Como não havia nenhum sinal de Don Alessio no saguão, Connor se sentiu à vontade para uma breve conversa mais íntima com a namorada. O tom de voz do gerente se transformou em um sussurro quando ele continuou o discurso.

- O cassino provavelmente vai reabrir nos próximos dias, então sugiro que aproveitemos o restinho da minha folga. Consegue fugir pra jantar comigo hoje? Desta vez não será nada congelado, eu prometo.

Antes que Michaela tivesse a chance de responder, os dois foram obrigados a interromper aquela conversa devido ao som de passos que se aproximavam do saguão. Connor abriu seu melhor sorriso gentil quando o patrão surgiu diante deles e adiantou-se um passo para cumprimentá-lo.

- Perdoe o atraso, Don Alessio. Eu ainda não estou liberado para dirigir e foi difícil encontrar um táxi.

- Ah, si, si. Imagino que seja bem difícil achar um táxi naquele bairro onde você mora, Ward.

Era a primeira vez que Michaela via o pai fazendo um comentário depreciativo sobre a vida pessoal de um dos funcionários. Alessio possuía dezenas de empregados humildes, que moravam em bairros afastados. Era estranho que o mafioso decidisse implicar justamente com Connor. Aquele comentário pouco educado abalou o sorrisinho do gerente, mas Ward creditou o mau humor do chefe aos últimos acontecimentos. Por isso, Connor teve certeza de que melhoraria um pouco o dia de Alessio com aquelas novidades.

- Eu passei no cassino antes de vir para cá. Calculo que em mais quatro ou cinco dias a obra estará concluída.

- Ótimo. Vamos continuar esta conversa em mio escritório... – Alessio acrescentou ao ver Michaela dando um passo na direção oposta – Você também, bambina. É um assunto do seu interesse.

Mesmo depois que Don Alessio colocou Mika e Connor sentados lado a lado, em frente à enorme mesa de mármore do escritório, o gerente se manteve tranquilo. Sem pressa, o mafioso contornou a mesa e sentou-se em frente aos dois. Ward estava certo de que o assunto daquela reunião era o cassino e Mika só estava ali porque o pai talvez quisesse que a menina participasse mais dos negócios da famiglia.

Por isso, os olhos castanhos quase saltaram para fora das órbitas de Connor e o rapaz perdeu todas as cores quando Don Alessio tirou uma arma da gaveta, destravou o gatilho, apontou na direção da cabeça do gerente e abriu um sorriso perigosamente calmo.

- Se uno dos dois disser uma mentira, eu vou atirar. Quero os dois quietos. Vão responder solo o que io perguntar.

- Don Alessio! O que...?

A tentativa de interrupção de Connor recebeu como resposta a explosão de um disparo. A bala passou tão perto da orelha direita do rapaz que Ward sentiu o calor do metal se refletindo em sua pele.

- Solo o que io perguntar, Ward. E la prima pergunta é: há quanto tempo você está colocando suas mãos imundas em mia bambina? Se eu não gostar da resposta, posso atirar em você. Mas se você mentir, eu vou atirar com certeza, e não vou errar desta vez.

Quando ingressou naquela missão perigosa, Connor sabia que corria o risco de morrer. O tiroteio no cassino era uma amostra de que era perigoso fazer parte da famiglia Moccia. O policial também sabia que seu disfarce poderia ser descoberto e que Alessio o fatiaria em pedaços e enviaria seus membros à polícia caso isso acontecesse. O que Ward nunca imaginou era que poderia morrer como uma vítima de um pai ciumento, disposto a defender a honra de sua única filha.

O choque era tão grande que o gerente ficou petrificado por alguns segundos. Connor só conseguiu reagir quando viu o dedo roliço de Alessio roçar o gatilho enquanto o velho resmungava.

- Io terei que repetir la pergunta, rapaz?

- Cinco meses! – Connor soou mais histérico do que gostaria e se obrigou a pigarrear antes de retomar a palavra – Cinco ou seis meses, por volta disso...

A arma continuou apontada para a cabeça de Connor, mas o mafioso voltou o olhar para a filha, dirigindo à Michaela a próxima pergunta.

- Você dormiu com ele, bambina? – Moccia foi direto ao ponto, sem nenhum tipo de rodeio.

O “puta merda” que Connor murmurou já era uma excelente resposta, mas Alessio manteve os olhos fixos em Michaela, esperando pela resposta dela. A firmeza com a qual o mafioso segurava a arma indicava que Don Alessio não hesitaria em atirar se a filha tivesse coragem de mentir sobre aquilo.
avatar
Connor Ward

Mensagens : 108
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Abr 16, 2017 3:55 am

Cameron precisou de apenas dois passos para atravessar o curto espaço até Matilda e segurá-la pelo pulso. O movimento foi rápido, mas não havia nenhuma brutalidade quando ele girou a menina para encará-lo.

Seu rosto demonstrava o cansaço daquela noite, e Cam já havia experimentado a decepção, a raiva e a frustração em questão de minutos. Mas seu coração se partia mais e mais a cada nova palavra de Matilda. Por mais que quisesse sacudi-la pelos ombros até que fosse capaz de enxergar o que realmente estava acontecendo, tudo foi colocado em segundo plano quando o passado de Belmont veio à tona.

- Eu amo você.

As palavras saltaram da boca de Cameron sem que ele pudesse processá-las, mas mesmo ouvindo sua voz ecoando pela sala escura do apartamento, não houve nenhum vestígio de arrependimento. Era quase um desabafo, a contestação do óbvio que ele só conseguia enxergar agora.

- Eu sei o que é vir do nada, Matilda. Você dormia no chão frio de uma casa sem aquecedor? Eu dormia nas ruas sempre que fugia do orfanato ou de algum novo lar de merda que tinham me enfiado.

O coração de Cameron estava disparado quando as lembranças começaram a invadi-lo. Assim como Matilda, ele acreditava que o passado havia ficado para trás. Mas bastava se recordar dos anos de adolescência para Cam voltar a ser o mesmo moleque abandonado que não podia contar com ninguém.

- Revirar lixo para procurar comida era minha única alternativa várias vezes. Você quer saber como eu conheci os Moccia? Foi em uma noite que nenhuma lixeira conseguiu saciar a minha fome e eu resolvi assaltar a cozinha de um dos restaurantes de Don Alessio. Eles poderiam não ter o gnocchi no cardápio naquela época, mas tinham um segurança que adorava espancar pivetes atrevidos como eu.

Se Cameron estava esgotado, aquelas lembranças eram a gota final para transbordar o copo. Os olhos assumiram um azul mais claro quando uma camada de lágrimas cobriu suas íris, mas Cam não conseguia se concentrar para contê-las. Ele estava desesperado demais para fazer Matilda enxergar.

- Nada do que você sofreu foi certo, Matilda. Mas eu não tive a sorte de ser resgatado quando ainda era uma criança. Don Alessio só me salvou dessa vida quando eu era quase um adulto. Então sim, eu matei em nome dele. E eu sou obrigado a viver com meus próprios fantasmas pelas minhas escolhas o resto da vida. Mas ainda assim, devo tudo a ele.

Uma única lágrima havia deslizado pelo cílio de Lahey sem que ele sequer notasse. Com a mão trêmula, ele ergueu até que seus dedos tocassem o rosto de Matilda. Era a primeira carícia que ele ousava fazer naquela noite, mas depois de vomitar sobre o seu passado, ele podia novamente explicar a repentina declaração.

- Eu amo você. E eu acreditava que você realmente tinha entendido o que a famiglia significava. Nós cuidamos um do outro.

Os dedos de Cameron pousaram na nuca de Matilda e ele fez uma pausa para admirar os olhos castanhos antes de completar com a voz rouca, o pomo-de-adão subindo e descendo enquanto sua garganta queimava.

- Eu cuido de você. Então se você tem um problema, você não tenta resolver sozinha. Você vem até mim e nós resolvemos juntos!

O corpo de Matilda foi finalmente puxado de encontro ao seu peito. Cam deixou escapar um suspiro pesado, como se tivesse ficado submerso em água por tempo demais e só agora encontrava o oxigênio. Belmont era tudo que ele precisava, e aquelas últimas horas tinham sido um pesadelo.

- Nunca mais ouse pensar que eu teria coragem de ferir você.

Sua voz saía ligeiramente abafada com os lábios pressionados contra o topo da cabeça dela. Seus braços a mantinham em um abraço protetor e desesperado ao mesmo tempo, como se temesse que Matilda fugisse ou que voltasse a se sentir amedrontada com a sua presença.

- Eu acabaria com qualquer um antes que tocassem em você, Matilda.
avatar
Remus J. Lupin

Mensagens : 338
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Abr 16, 2017 4:32 am

Os olhos de Michaela estavam arregalados em uma cena quase cômica, se não fosse o seu desespero. Para alguém que havia crescido sob o mesmo teto que um mafioso e considerando um assassino profissional como irmão, ver uma arma ou escutar tiros não era exatamente uma novidade.

Ainda assim, era a primeira vez que Matilda se via do outro lado da arma. Embora o cano estivesse apontando para a cabeça de Connor, o pânico que assumiu suas veias era o mesmo como se fosse ela o alvo de Alessio.

Mika conhecia o pai como ninguém, e se aproveitava daquilo para tê-lo sempre na palma da mão. Alessio era um homem esperto que construída um império, mas sempre se tornava um pai cego quando se tratava das travessuras de sua filha. Naquele dia, entretanto, Michaela tinha perfeita consciência que não conseguiria driblá-lo.

- Sim, eu dormi com ele!

A voz de Michaela soou atropelada e, sem notar, ela já havia deslizado para a ponta da cadeira. Suas mãos pequenas e delicadas estavam agarradas na beira da mesa do pai, como se fosse alguma tábua de salvação.

A resposta sincera que Alessio tanto queria ouvir não causou o efeito esperado. O rosto do mafioso foi ficando cada vez mais vermelho e uma veia estava quase saltando de sua testa. Alessio poderia ser um homem perigoso, mas seus movimentos sempre eram bem calculados. O que Mika termia era que, naquele dia, o ciúme paternal o deixasse completamente cego ao ponto de cometer uma loucura.

- Connor nunca me forçou a nada, papá! O que aconteceu...

O som do tiro ecoou mais uma vez com um forte estalo, fazendo Mika quase saltar da cadeira. Desta vez, um farelo de cimento caiu do teto onde Alessio havia acabado de criar um buraco e caiu sobre a mesa perfeitamente organizada do mafioso.

- Papá, por favor, respira! – Mika estava agarrada à cadeira, completamente amedrontada.

- Mia bambina! Como pôde, rapaz? Suas mãos na minha preziosa bambina!

Os olhos estreitos de Alessio eram ameaçadores, mas havia um único músculo que tremia, dando a impressão de que o mafioso sofreria um derrame a qualquer momento. A arma era balançada em seu punho e a respiração estava cada vez mais ruidosa.

Mesmo sabendo que era arriscado demais interromper o pai, Michaela sabia que não poderia apenas ficar assistindo aquela cena até que um fim trágico acontecesse. Os olhos verdes estavam úmidos e atentos a cada um dos movimentos do pai e ela ainda estava segurando nos braços da cadeira quando as palavras saltaram de sua boca.

- Eu estou apaixonada pelo Connor, papá.

Em um gesto automático, Alessio abriu a boca para protestar a nova interrupção da filha. Porém, as palavras de Michaela foram capazes de chocá-lo. O lábio inferior do mafioso ainda estava entreaberto com uma frase que nunca foi dita e logo começou a tremer. Por um período longo demais, os Moccia apenas se encararam e Mika chegou a acreditar que o coração do pai finalmente havia cedido para um infarto.

Michaela estava se preparando para saltar e socorrer o pai quando a cabeça de Alessio girou para encarar Connor. Ele estava ainda mais vermelho e a testa começava a suar. Um sorriso meio demente surgiu em seus lábios, mas o olhar ameaçador ainda era suficiente para manter os dois jovens pregados em seus lugares.

- Mia bambina está innamorato di te.

Uma risada alta ecoou, fazendo Mika saltar como se fosse um novo disparo da arma. A cadeira de Don Alessio foi empurrada para trás e ele rodeou a mesa até parar entre Connor e a filha. Os dedos livres do mafioso foram apoiados exatamente sobre o ponto do ferimento no ombro de Connor. Por mais que sentisse ali a textura do curativo sob as roupas, Alessio se aproveitou daquela fraqueza para machucar ainda mais o gerente como se tivesse apenas mantendo uma conversa casual.

- Mia bambina está innamorato, rapaz!

Uma nova risada rápida cortou o escritório, mas Mika não saltou dessa vez. Ela apenas encarava o pai como se ele tivesse acabado de surtar, ao ponto de precisar urgentemente de um psiquiatra.

A arma ainda estava firme na outra mão de Alessio e o cano foi delicadamente apoiado na lateral de sua testa. Com um sorriso doentio nos lábios, o mafioso manteve a cabeça de Connor sob a sua mira e a outra mão apertando o ferimento ainda em recuperação.

Mika voltou a escurregar para a ponta da cadeira e cobriu os lábios sobre a boca diante daquela cena, certa de que viria uma tragédia. Sem que ela percebesse, as lágrimas já começavam a escorrer pelo seu rosto.

- Olhe para a mia bambina, rapaz... Meu maior tesouro está innamorato. O que nós três vamos fazer quanto a isso?
avatar
Lucinda Clearwater

Mensagens : 574
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Dom Abr 16, 2017 4:45 am

Exatamente a mesma história que Cameron ouvira no apartamento foi repetida diante de Don Alessio Moccia, no escritório do mafioso. Enquanto Matilda explicava que tinha sido chantageada pela mãe biológica e que as terríveis lembranças da infância ao lado daquela mulher ainda a machucavam muito, Alessio apenas ouvia aquele desabafo com um semblante impenetrável. Sentado ao lado da moça, Cameron não se intrometia na conversa. Mas a mão dele firmemente unida a de Matilda mostrava que o segurança estava ao lado dela naquela batalha pelo perdão de Don Alessio.

Belmont sabia que era grande o risco de não sair viva daquela casa. Don Alessio Moccia era um homem generoso, mas era de conhecimento geral que o mafioso não tolerava nenhum tipo de traição e que punia de forma exemplar qualquer um que não se mostrasse digno de seu afeto. Ele havia depositado toda a sua confiança na governanta e Matilda o traiu quando tirou do cofre uma joia da falecida Sra. Moccia.

Em nenhum momento Matilda chorou, ou implorou pelo perdão dele. De forma mecânica, a moça explicou os motivos que a levaram até o cofre e a sua determinação em devolver a pulseira nos dias seguintes. Quando o relato finalmente chegou ao fim, Belmont encarou o mafioso a sua frente como se ele fosse um juiz prestes a anunciar a sua sentença.

- Você cometeu um erro imperdoável, Matilda.

A voz calma do mafioso definitivamente não era uma garantia de que tudo terminaria bem, mas a governanta manteve uma expressão firme e não desviou o olhar. Sua única demonstração de fraqueza foi apertar com mais firmeza a mão de Lahey.

- Eu sei, Don Alessio. Eu agi no calor do momento e estou sinceramente arrependida. Mas eu entendo que o senhor não possa perdoar o meu atrevimento. Era uma joia de família.

- Mas do que é que você está falando, mia bella? – a cabeça de Alessio se sacudiu em negativa – Você realmente acha que eu estou chateado por causa da pulseira? Você acha que o seu erro imperdoável foi ter aberto mio cofre?

O semblante confuso de Matilda respondeu pela governanta. Mais uma vez, Don Alessio Moccia sacudiu a cabeça num movimento de negação. O charuto pela metade entre os dedos do mafioso foi apagado antes que Alessio apontasse para a moça a sua frente e repetisse praticamente as mesmas palavras usadas por Cameron na noite anterior.

- Seu erro foi achar que estava sozinha nisso. Somos uma famiglia, os seus problemas são os mios problemas, são os problemas do Cam, da Michaela, do faxineiro do mio restaurante... Se você tivesse procurado por mim quando tudo isso começou, io te ajudaria da maneira como você quisesse, bambina. Te daria dinheiro, ou daria um jeito de calar para sempre esta donna que tanto te atormenta.

Por mais que odiasse Veronika e quisesse vê-la fora de sua vida, Matilda estremeceu com a insinuação de Don Alessio. A governanta não encarava aquele tipo de coisa com tanta naturalidade. Sua consciência jamais a deixaria em paz se Matilda ordenasse a morte de alguém, mesmo este alguém sendo Veronika.

- Entende agora onde você errou, mia bella?

A cabeça de Matilda se moveu num gesto afirmativo enquanto ela ainda esperava por um veredicto. Tudo o que Belmont queria era que Alessio lhe dissesse que ela podia partir e que o seu castigo seria ficar sem o emprego. Porque Matilda realmente não sabia o que aconteceria se o mafioso honrasse o seu histórico e exigisse que ela fosse executada. A mão de Cameron firmemente unida a dela mostrava que, provavelmente, ele desobedeceria as ordens do patrão naquela manhã.

Quando Alessio se levantou e foi até o cofre, a governanta teve certeza de que não seria uma exceção às regras dos Moccia. Além do dinheiro, dos documentos e das joias, Matilda havia visto uma coleção de armas dentro do cofre. Era óbvio concluir que Don Alessio faria o trabalho sujo que seu segurança era incapaz de executar naquela manhã.

A tensão que tomou conta de Cameron indicava que pensamentos parecidos brotavam na mente do rapaz. Antes que Lahey se exaltasse e acabasse transferindo para si um castigo que deveria ser apenas dela, Matilda segurou o rosto do rapaz e obrigou os olhos azuis a fitarem o rosto dela.

- Não. – a voz de Belmont saiu sussurrada – Tem que ser assim, Cam. Nós sabíamos que isso podia acontecer. Você só tem que sair daqui e pedir ao Leoncio ou a um dos outros para limpar a bagunça, ok? Eu estou bem, eu estou tranquila.

Por mais que estivesse arrasada, Matilda concentrou todas as suas forças em Cameron. Ele precisava entender que era uma tolice se voltar contra Don Alessio Moccia e que a vontade do mafioso iria prevalecer. Aquela era a lei dos Moccia e Cameron fazia parte daquela famiglia, afinal.

- Eu amo você. – os lábios de Matilda cobriram os de Cameron com um beijo de despedida – Me desculpe. Agora saia daqui, você não precisa ver, Cam...

Os dois estavam tão concentrados naquela despedida torturante que demoraram a notar que Alessio já havia retornado para o seu lugar atrás da grande mesa de mármore. O mafioso encarava o casal a sua frente com as sobrancelhas erguidas e uma expressão que mesclava surpresa e uma leve diversão.

- Pela madre de Dio. O que vocês acharam que io iria fazer?

Ao invés de uma arma, Alessio havia retirado do cofre o mesmo estojo aveludado que Matilda roubara há alguns dias. O mafioso retirou a tampa e admirou a pulseira de brilhantes mais uma vez antes de empurrá-la na direção de Belmont. O olhar confuso da moça obrigou Moccia a ser um pouco mais claro.

- É sua, mia bella. Um presente.

Por alguns segundos, Matilda esperou por uma risada que não veio. Ao notar que Alessio não estava zombando deles, Belmont trocou um olhar aflito com Cameron antes de sacudir a cabela veementemente em negativa.

- Não. Eu não posso aceitar. Eu já seria muito grata se o senhor me perdoasse e me desse uma segunda chance, Don Alessio. Isso é demais, eu não mereço. É uma joia de família.

- Esatto. Uma relíquia de famiglia. Você entende agora o que significa para mim, Matilda? – a caixinha com a pulseira foi empurrada para as mãos da governanta – Famiglia.

Os olhos castanhos buscaram em Cameron algum apoio naquela situação constrangedora. Matilda se mostrava mais tranquila com a ideia de ser executada do que com o presente dado pelo mafioso.

- Don Alessio, eu não posso. O senhor deveria dar esta pulseira para a Mika. Era da mãe dela, afinal.

- Mika já tem muitas joias. – os olhinhos miúdos observaram a pulseira mais uma vez – Além disso não combina com mia bambina, é discreta demais. Se eu não posso dar para mia bambina, acho justo que fique com você. Cameron é como um filho para mim, o que faz de você uma nora.

O sorriso bondoso de Alessio foi dirigido ao segurança enquanto ele apontava o estojo com a pulseira.

- O que está esperando, Cam? Ajude-a a colocar. Isso vai selar a nossa reconciliação.
avatar
Matilda Belmont

Mensagens : 58
Data de inscrição : 16/02/2017

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Abr 16, 2017 5:29 am

Uma ruga estava fixada entre as sobrancelhas de Cameron diante da reação de Alessio Moccia. Agora que aquele drama finalmente chegava ao fim, ele se sentia um tolo por acreditar que o mafioso realmente fosse executar a governanta em seu escritório. Alessio era um homem perigoso, mas melhor do que ninguém, Cam o conhecia.

Moccia não acabaria com a vida de Matilda mesmo depois de ver que o seu homem mais fiel continuava ao lado dela. Assim como havia acontecido com um Cameron adolescente que precisava sobreviver nas ruas, Alessio se simpatizara com a história de Matilda, percebendo que ali existia mais uma oportunidade de reforçar o significado da sua famiglia ao invés de culpar os erros de alguém.

Um sorriso já se formava nos lábios de Cameron enquanto ele encarava Alessio. Mesmo sem dizer nada, os dois homens sabiam bem o que cada um deles estava pensando naquele momento. E foi com o coração mais leve que Lahey se voltou para Matilda.


A pulseira foi retirada do delicado estojo e colocada no pulso de Belmont. Os dedos de Cam roçavam a pele dela e era impossível conter o sorriso diante do choque no rosto da governanta.

- É uma bela joia, Don Alessio. O senhor tem um bom gosto.

- Assim como você, filho. – O indicador de Alessio foi erguido para apontar Matilda, sem deixar dúvidas de que era sobre a namorada de Lahey que ele se referia.

Ainda havia um mundo de problemas sobre os ombros de Cameron quando ele e Matilda deixaram o escritório de Alessio Moccia naquele dia. Mas o peito de Lahey estava infinitamente mais leve com a certeza de que o pior deles tinha se resolvido da melhor forma possível.

Já sem o menor pudor, Cam manteve seu braço ao redor da cintura de Matilda enquanto eles seguiam até o carro. O gesto que poderia parecer apenas carinhoso, era a sua forma inconsciente de tê-la por perto para qualquer necessidade de proteção.

A porta do carona foi aberta para Matilda e apenas quando a governanta estava devidamente acomodada no carro, Cam contornou para assumir o banco do motorista. Os olhos azuis passaram pela entrada da mansão até pousarem na pulseira que agora Matilda carregava.

A sensação de família nunca havia sido tão grande como naquele dia. E agora Cameron sabia que Matilda poderia compreender a fidelidade que sempre existira com os Moccia. Mas por mais que aquela fosse uma grande vitória, ainda havia um assunto que não poderia ser deixado de lado.

O incidente do furto estava devidamente resolvido, mas o motivo que levara Matilda a cometer aquele pequeno ato de loucura ainda estava lá fora. E se Cameron era responsável pela proteção daquela famiglia, Matilda agora ocupava a posição número um de suas tarefas.

Uma sombra cobriu o rosto de Cam antes que ele pudesse ligar o carro. Seus dedos se entrelaçaram com os de Belmont até que os olhares se encontrassem.

- Don Alessio está certo. Nós podemos cuidar de Veronika para você. Seria a sua chance de enterrar o passado, Matilda. Você nunca mais precisaria olhar por cima do ombro outra vez.
avatar
Remus J. Lupin

Mensagens : 338
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Dom Abr 16, 2017 5:32 am

Um filete de suor frio já escorria pela testa de Connor quando o mafioso contornou a mesa, colocando-se atrás da cadeira ocupada pelo gerente. Era uma posição excelente para uma execução limpa, mas Ward sabia que não teria uma morte tão rápida e indolor depois de tamanha traição. Connor teve certeza de que a tortura só estava começando quando Don Alessio afundou os dedos roliços sobre o seu curativo, amassando sem piedade o ferimento ainda mal cicatrizado.

- Este é o meu ombro machucado, Don Alessio... – o gerente gemeu, incapaz de se mexer.

- Sei disso. – o mafioso continuava com aquela expressão completamente ensandecida e apertou o curativo do rapaz com ainda mais força – Você ainda não entendeu mio jogo, Ward? Io disse que você só deve abrir la boca para responder mias perguntas. E io perguntei o que vamos fazer com a mia bambina. Ela está innamorato.

Sob tamanha pressão, Connor definitivamente não conseguia pensar em uma boa resposta. Nada que ele falasse naquele momento seria capaz de amenizar a fúria de Moccia. Os olhos castanhos deslizaram até a menina sentada ao seu lado, na esperança que Michaela lhe desse qualquer dica que pudesse ajudar naquela situação. Mas Mika parecia tão perdida e desesperada quanto ele.

- O que vamos fazer, Ward???

A camisa azul clara de Connor já começava a exibir uma mancha de sangue que vazava do curativo do rapaz. Era bizarro que Alessio estivesse disparando tiros dentro do escritório e nem mesmo um funcionário surgisse para salvar a vítima. Mas Connor intimamente sabia que qualquer um dos “colegas” ajudaria a se livrar do seu corpo numa vala se esta fosse a ordem do patrão.

- Você precisa de uma dica, rapaz?

A veia na testa de Don Alessio parecia mais estufada a cada segundo. A única esperança de Connor era que o mafioso sofresse um derrame antes de matá-lo, mas Ward não podia contar com tamanha sorte.

- Preciso sim. – Connor não conteve um grunhido quando as unhas do mafioso foram cravadas no ferimento – Aiê!

- Olhe mia bambina.

Sem grandes escolhas, o gerente voltou novamente o olhar para Michaela. Embora a arma estivesse o tempo inteiro apontada para a cabeça dele, Connor sentiu pena da menina. Mika estava aos prantos e certamente ficaria traumatizada para o resto da vida se visse os miolos do namorado espalhados na mesa de mármore do escritório.

- O que você vê, rapaz? Você vê una ragazza qualquer? Una bambina sem famiglia, com quem você pode brincar?

Mais uma vez, Connor não conseguiu pensar em nenhuma boa resposta para aquela pergunta. A respiração ruidosa dele ecoava pelo escritório quando a arma foi pressionada com ainda mais firmeza contra a sua cabeça, obrigando Ward a improvisar uma resposta.

- Don Alessio, eu não estou brincando com a Mika. Eu a respeito muito, nós gostamos um do outro. Eu também estou apaixonado por ela.

- Então diga-me. O que um rapaz de respeito faz quando se innamora por una bambina de famiglia?

Quando o gerente finalmente entendeu aonde Alessio queria chegar, o queixo de Connor despencou. Os olhos castanhos estavam ainda mais arregalados quando ele olhou de Mika para a versão enlouquecida do mafioso e novamente a voz do rapaz beirava a histeria.

- Quer que eu me case com ela???

- No, no-no-no... – o sorrisinho descontrolado surgiu novamente nos lábios de Alessio e o cano da arma foi pressionado com tanta força contra a testa de Connor que o rapaz sentia as marcas do metal se afundando em sua pele – Io no quero nada. Io solo preciso entender se você é um bom rapaz innamorato que vai assumir as consequências dos seus atos ou se é um vagabundo se divertiu com mia bambina e vai terminar este bello dia sob sete palmos de terra fofa.

Por mais que estivesse sinceramente apaixonado por Michaela, casamento era algo fora dos planos de Connor. Os dois estavam juntos há poucos meses e ainda havia o “detalhe” da missão do policial. Ward simplesmente não podia levar para o altar a filha do homem que ele queria colocar atrás das grades, ainda mais com Mika totalmente alheia à verdadeira identidade do seu futuro marido.

Mas a expressão de Don Alessio Moccia mostrava que o mafioso não hesitaria em apertar o gatilho se a resposta de Connor fosse uma negativa. Por isso, o gerente só teve tempo de lançar um olhar aflito para Michaela antes de responder o que Alessio queria ouvir.

- Eu me caso com ela.

- Tsc-tsc-tsc... no é assim que se faz, Ward. A decisão no é só sua ou mia, é? Faça direito, rapaz.

- Michaela... – Connor engoliu em seco, muito ciente de que o cano da arma estava quase perfurando a sua testa – Você quer se casar comigo?

Os olhinhos miúdos do mafioso se voltaram para a filha, aguardando pela resposta que poderia libertar Connor ou espalhar os miolos dele pelo escritório.
avatar
Connor Ward

Mensagens : 108
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Dom Abr 16, 2017 5:37 pm

- Não.

Nem mesmo um segundo de hesitação antecedeu a resposta firme de Matilda. Veronika era um ser humano deplorável, Belmont a odiava com todas as suas forças e definitivamente não lamentaria a morte da mãe biológica. Mas a governanta não queria que aquela culpa pesasse a sua consciência e continuasse atormentando-a, como mais um dos fantasmas relacionados àquela mulher.

Para deixar ainda mais clara a sua opinião sobre aquele assunto, Matilda se virou de lado no banco para encarar Cameron. Os olhos castanhos buscaram pelos azuis enquanto uma das mãos da moça tocava o rosto do segurança em uma carícia delicada.

- Eu quero esquecer que ela existe, mas não conseguirei fazer isso se a minha consciência estiver pesada. Eu sei que esta seria a melhor forma de me livrar para sempre deste problema, mas eu realmente não consigo, Cam. Não é fácil para mim, eu nunca resolvi meus problemas desta maneira...

A convivência com os Moccia mostrava a Matilda que a saída apresentada por Cameron não era nada extraordinário dentro da famiglia. Alessio não ordenava meia dúzia de execuções por dia, mas o mafioso não via nenhum problema em eliminar definitivamente um problema de difícil resolução. Como agora entendia a fidelidade de Cameron para com o mafioso, Belmont não julgava Cameron por pensar da mesma maneira. Mas nem por isso a governanta estava pronta para concordar com ele.

- Eu dei dez mil dólares a ela. Provavelmente é mais dinheiro do que ela já teve em toda a vida. Será o bastante para mantê-la entretida por um bom tempo... Se ela não honrar o acordo e voltar a me importunar, eu prometo que vou contar a você, Cam. E então decidiremos juntos o que deve ser feito, está bem assim?

No fundo, Matilda sabia que não existia a possibilidade de ser deixada em paz. Era uma questão de tempo até que Veronika torrasse aquele dinheiro em bobagens e a procurasse de novo para continuar com as chantagens. Mas até lá Belmont tinha um prazo para pensar em uma maneira melhor de tirar Veronika do seu caminho sem sujar tanto a própria consciência.

Além disso, depois da tensão daquelas últimas horas, Matilda estava ávida para deixar aquele assunto de lado. A pulseira que agora brilhava no pulso da governanta era um belo lembrete de que, no fim das contas, tudo havia terminado bem. Don Alessio a perdoara, as coisas estavam ainda mais certas entre Belmont e Cameron. A moça não deixaria que Veronika tivesse o poder de estragar aquele momento.

- Na minha hipótese mais otimista, eu pensei que Don Alessio me demitiria por justa causa e me chutaria para fora da mansão. Eu nunca pensei que terminaria assim... – Matilda mexeu o punho, se referindo à pulseira – Você sabe que ele só fez isso por sua causa, não sabe? Você não é só um empregado para ele, e agora eu entendo a sua fidelidade.

Matilda não só compreendia a fidelidade de Lahey, como se sentia culpada por trair a famiglia. O roubo da pulseira era uma bobagem quando comparada à traição que a governanta alimentava todos os dias sendo uma cúmplice de Connor. Quando pisou pela primeira vez na mansão dos Moccia, Belmont estava certa de que lutava no lado certo daquela guerra. Agora, contudo, Matilda não tinha tanta certeza de que queria ver o império dos Moccia desmoronando.

Os olhos castanhos presos no perfil de Cameron admiraram o segurança enquanto ele guiava o veículo pelas ruas movimentadas de Las Vegas. Matilda sabia que Lahey já havia cometido muitos crimes que dariam a ele uma passagem só de ida para a prisão, mas ainda assim a governanta julgava que Cameron não merecia aquela punição. Assim como ela, Lahey nunca tivera grandes oportunidades na vida e precisava lidar com lembranças de uma infância terrível. Era difícil julgá-lo por ser fiel à primeira família que ele tivera, às pessoas que o resgataram da lama para darem a ele uma vida digna.

Naquele momento, enquanto olhava Cameron e refletia sobre tudo o que acabara de acontecer na famiglia Moccia, Matilda finalmente deixou suas dúvidas de lado. A governanta não queria que Alessio fosse preso, que Mika ficasse desamparada, que seus colegas fossem postos na rua. E, principalmente, Belmont não queria perder Cameron.

A moça não pretendia denunciar Connor e ser responsável pela execução cruel do próprio irmão, mas ela também não iria mais ajudá-lo naquela missão. Pelo contrário, Belmont se esforçaria para que Ward abandonasse seus planos. A fidelidade de Matilda agora pertencia aos Moccia.
avatar
Matilda Belmont

Mensagens : 58
Data de inscrição : 16/02/2017

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Abr 16, 2017 7:23 pm

Os olhos de Michaela estavam tão arregalados que pareciam que saltariam para fora de seu rosto a qualquer momento. Seus dedos estavam esbranquiçados pela força exagerada que ela usava para se agarrar aos braços da cadeira. Toda a cor havia escapado de seu rosto, e ainda assim, ela conseguiu reagir com um enorme choque diante da proposta de Alessio que saía pelos lábios de Connor.

- CASAMENTO???

Mika engasgou, desesperada para dizer o quanto aquilo tudo era uma loucura. Ela não tinha idade para casar, seu relacionamento com Connor havia acabado de encontrar um equilíbrio e aquele era, provavelmente, o pior pedido de casamento que uma menina poderia sonhar.

A filha mimada de Alessio Moccia teria reagido com um pequeno espetáculo. Talvez destruído alguns itens do escritório do pai, batido o pé e enfatizado de diversas formas possíveis que ela não era obrigada a nada, que Michaela Moccia fazia o que queria, quando queria.

Mas ver a mancha de sangue que se formava sob a roupa de Connor e a arma pressionada contra a testa dele era suficiente para fazer Mika se tornar a filha mais obediente do século. Ela finalmente se soltou da cadeira e ergueu as mãos no ar, em um sinal de rendição.

- Ok, ok! Eu caso!

É claro que Michaela não estava vislumbrando um casamento de verdade quando as palavras saltaram atropeladas de sua boca. Tudo o que ela precisava era deixar o pai satisfeito com as respostas que ele queria ouvir para que aquele pesadelo chegasse ao fim.

Seus pulmões pareciam ter deixado de funcionar enquanto os olhos buscavam por qualquer reação de Alessio. Em poucos segundos que pareceram uma eternidade, o mafioso continuou estático até que a arma finalmente fosse retirada da testa de Connor. Alessio se endireitou, deu mais três tapinhas sobre o ferimento de Ward e caminhou pelo escritório até a mesinha onde Matilda normalmente preparava suas bebidas.

- Está vendo, mio caro! Mia bambina aceita! Parece que teremos uma festa ao invés de um funerale, ahn?

A arma de Don Alessio foi depositada sobre o carrinho de bebidas e, com as mãos livres, ele serviu para si mesma uma generosa dose de whisky. Michaela continuou congelada em seu lugar, o peito subindo e descendo com a respiração rápida como se ela tivesse acabado de correr uma maratona.

Depois de dar um generoso gole em sua bebida, Don Alessio se voltou para Connor mais uma vez. Com um olhar inocente, ele ergueu a mão com o copo e apontou para o ferimento ensanguentado de seu gerente.

- Você deveria cuidar disso, rapaz. É melhor que esteja completamente recuperado até o matrimonio, ahn? Não queremos que suje o seu terno italiano com sangue.

Um sorriso malicioso brincou nos lábios de Don Alessio enquanto ele voltava a assumir seu lugar atrás da mesa. A arma e o copo de whisky foram colocados lado a lado, e com as mãos livres, ele cruzou os dedos sobre a barriga coberta pelo caro terno.

- Então, vediamo... Três meses é tempo suficiente para prepararmos tudo?

Um nó se formou na garganta de Michaela quando ela sacudiu a cabeça rapidamente, balançando os cachos loiros. Ela não conseguia acreditar que aquilo estava realmente acontecendo.

- Papá, por que tanta pressa?

Alessio ergueu uma das mãos e apoiou seus dedos sobre a mesa, exatamente ao lado da arma. Embora não estivesse empunhando ou mirando novamente contra a cabeça de Connor, aquele era um recado claro. Mika engoliu em seco quando tentou justificar o seu deslize.

- Preciso de mais tempo. Preciso escolher o vestido, as flores, o buffet...

- Você preparou sua festinha de aniversário em um mês. E se me recordo bem, Ward lhe ajudou, ahn?

A forma com que Alessio encarou Mika e Connor não deixava dúvidas de que as notícias da festa do aniversário da filha tinham chegado em seus ouvidos. O mafioso provavelmente não sabia nos mínimos detalhes o desastre que fora aquela noite, mas parecia saber muito mais do que o gerente e a filha acreditavam.

- Sim, mas estamos falando de um casamento... – Mika tentou argumentar, mas o pai logo a cortou.

- Dois meses?

Mika sabia que quanto mais tentasse seguir com aquela conversa do seu jeito, pior seria o resultado. Por isso ela abriu um sorriso trêmulo e concordou de imediato, aceitando sua derrota.

- Três meses está ótimo.
avatar
Lucinda Clearwater

Mensagens : 574
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Dom Abr 16, 2017 8:09 pm

- Três meses está bene para você, Ward? Vai cair no meio da primavera, não é una data perfetta para um casamento?

Alessio Moccia tomou mais um gole do whisky enquanto voltava a atenção para o rapaz. Era uma satisfação para o mafioso encontrar Connor afundado na cadeira, pálido como um fantasma, com a testa salpicada de suor frio. Ele merecia muito mais pela ousadia de ter tocado em Michaela, mas Alessio estava satisfeito por ora. Um casamento seria mais benéfico para a honra de Mika do que o sangue do gerente derramado no carpete.

- Sim, senhor.

- É sempre una satisfação negoziare com você, Ward.

O policial não queria nem pensar no surto que Dennis Flynn teria quando o casamento da filha de Alessio Moccia com o gerente do cassino se tornasse uma notícia pública. Até então, Connor conseguira esconder dos colegas o seu pequeno deslize naquela missão, mas um casamento relâmpago iria expor para todos a sua aventura com a menina Moccia.

Três meses era um prazo pequeno demais para Connor. O gerente do cassino já havia encontrado vários documentos e repassava informações periódicas para a polícia. Mas Ward ainda não tivera acesso a nenhuma prova realmente relevante que pudesse levar Alessio para a cadeia sem nenhuma chance de defesa para os excelentes advogados que o mafioso podia pagar.

Contudo, os últimos acontecimentos não davam a Ward grandes escolhas. O policial teria que abortar precocemente a sua missão para desaparecer de Las Vegas, ou então levaria aquela história até o fim, agora incluindo um casamento de verdade em seu disfarce. Connor realmente não sabia o que faria nos próximos dias quando Alessio moveu a mão num gesto de dispensa.

- Tudo resolvido, bambinos. Podem ir, vocês tem muito trabalho. Concentrem-se nos dettaglis da cerimônia e da festa. Eu marcarei la data.

Desta vez, Alessio não precisou repetir suas palavras. Antes mesmo que o mafioso terminasse a última sílaba, Connor já estava de pé. O ombro ferido latejava enquanto o gerente do cassino cruzava o caminho até a porta com passos rápidos, sem olhar para trás. A “fuga” de Ward só foi interrompida quando Connor chegou ao jardim que rodeava a mansão e se largou no banquinho mais próximo da fonte de água.

Mesmo distante da arma de Alessio, o rapaz continuava ofegante, como se tivesse desaprendido a respirar. Seu coração acelerado era a prova de que Connor não duvidava que o mafioso teria tido coragem de atirar se a proposta de casamento fosse recusada. As cores começavam a voltar para o rosto do gerente quando a sombra de Michaela se projetou sobre ele.

Qualquer um esperaria que Connor explodisse com a garota, que a acusasse de não ter sido tão discreta quanto deveria, que jogasse nos ombros dela a responsabilidade pelo comportamento louco e violento de Alessio. Mas Ward sabia que seria injusto caso descontasse as suas frustrações em Mika. Embora a menina não tivesse ficado sob a mira de uma arma, Michaela fora tão pressionada quanto o gerente para aceitar aquela proposta absurda.

- Desculpe se não foi um pedido de casamento muito romântico. Eu estava mais concentrado na difícil tarefa de não sujar as minhas calças.

Geralmente era fácil brincar com Michaela e suavizar qualquer assunto com uma provocação carinhosa, mas naquela tarde o sorrisinho forçado de Connor não foi nada convincente. O ar foi puxado vagarosamente para os pulmões comprimidos de Ward e ele estendeu o braço direito até segurar a mãozinha gelada da garota.

- Você sabe que nada vai fazê-lo mudar de ideia, não sabe? Mas você não precisa fazer isso, Mika, você tem toda a vida pela frente. O máximo que ele vai fazer com você é te deixar algumas semanas de castigo...

Ward ainda não sabia como lidaria com aquele enorme problema, mas Michaela podia ajudá-lo naquela decisão. Connor não queria abandonar a missão mais importante de toda a sua carreira, mas ele faria isso se fosse o desejo de Mika. Se a menina não quisesse aquele casamento absurdo, Ward desistiria de tudo, sairia de Las Vegas e nunca mais entraria no caminho dos Moccia.

- Quanto a mim, eu posso recomeçar bem longe daqui se você quiser que eu vá embora. A escolha é sua.
avatar
Connor Ward

Mensagens : 108
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Abr 16, 2017 10:01 pm

Pela primeira vez na vida, Cameron Lahey tinha uma namorada. Aquele detalhe parecia normal demais para a vida de um homem envolvido com a máfia, com o passado de Cam e com todo o histórico de mulheres. Cam nunca havia se apegado a mulher alguma antes e o máximo de amor que conhecia era o que sentia pelos Moccia, em um misto de respeito, admiração e fidelidade.

Mas Matilda Belmont havia, mais uma vez, surpreendido Cameron em trazer aquela nova sensação em sua vida. Quando estava com a governanta em seus braços, Cam não precisava se esforçar para deixar os fantasmas do seu passado escondidos. Todos os seus monstros desapareciam e ele se sentia renovado, um homem completamente diferente por ter Matilda.

Parecia bizarro que conseguissem encaixar em meio a rotina de duas pessoas que frequentavam a casa de um mafioso conseguir ter uma vida tão normal. Mas quando estavam sozinhos, Cam e Matilda quase pareciam um casal normal. Dormir abraçados depois de assistir televisão durante a madrugada, dividir uma refeição, brigar por uma toalha molhada sobre a cama. E claro, o passatempo preferido dos dois, passar algumas horas de folga praticando ou apostando em quem conseguia acertar mais tiros em alvos.

Depois da revelação sobre a mãe de Matilda, Cameron se sentiu ainda mais unido à namorada. Ele não gostava da ideia de ter uma mulher como Veronika ainda solta depois de toda a crueldade que havia feito com a própria filha, mas respeitava a decisão de Matilda em não resolver aquilo com as próprias mãos.

Melhor do que ninguém, Cameron sabia o que uma consciência pesada poderia causar em alguém. Quando o fim de Veronika chegasse, Matilda estaria livre apenas com péssimas lembranças, mas com as mãos limpas, sem ter aquele fantasma lhe assombrando para sempre. Como um bom namorado, tudo o que Cameron poderia fazer era se manter ao seu lado e lhe dar a devida proteção.

- Uau...

Os olhos azuis se arregalaram quando Cameron entrou na cozinha da mansão Moccia no início de uma tarde particularmente quente. Ele havia acabado de ter uma longa reunião com Don Alessio sobre a atualização das investigações de Cam sobre o atentado. Lahey se sentia otimista com os resultados obtidos, mas enquanto aquele assunto não fosse completamente resolvido, não havia motivos para comemorar.

Por isso, com a já familiar sensação de frustração, ele deixou o escritório do mafioso e seguiu pela cozinha em busca dos seus biscoitos preferidos e da desculpa de poder importunar Matilda durante o expediente de trabalho dela.

O que Cam não esperava era encontrar praticamente uma confeitaria sobre a ilha onde a cozinheira normalmente preparava as refeições. Pelo menos uma dúzia de mini-bolos estavam espalhados, alguns já parcialmente destruídos e outros intocados. Apesar do tamanho em miniatura, todos os bolos estavam lindamente decorados como a apresentação de uma vitrine de uma loja de doces.

Naked-cakes, bolos de chocolate, bolos de frutas, outros cobertos com pasta americana, decorados das mais diversas formas. E Cameron sabia exatamente o que aquilo significava.

- Mika recebeu a degustação de bolos para o casamento?

Ele arqueou as sobrancelhas para Matilda enquanto parava em frente a bancada, olhando para cada um dos bolos com atenção.

Lahey não aprovava a ideia de Don Alessio em forçar a própria filha a se casar com o gerente do cassino. Claro que aquele relacionamento havia chocado a todos na mansão Moccia. Chegava a ser ridículo imaginar a mimada Michaela envolvida com Ward. Mas no final de tudo, Cam não podia ignorar o lado cômico da lição que Mika estava tendo depois de ano tendo apenas suas vontades feitas.

Com um garfo, Cameron espetou um dos bolos destruídos e levou um pedaço até os lábios. A massa era macia, molhada e simplesmente perfeita. O sabor do chocolate ao leite era uma das melhores coisas que ele já havia provado e foi impossível conter a careta de prazer enquanto mastigava.

- Acho que acabei de ter uma festa de natal na minha boca. Isso aqui é divino... – Uma nova garfada foi enfiada em sua boca, e ele não se conteve ao erguer os olhos para Matilda. – Você provou? É sério, a Mika precisa escolher esse aqui...

Cameron estava indo para uma terceira garfada quando passos anunciaram a chegada de mais uma pessoa na cozinha. Don Alessio parou na porta e não pareceu nada surpreso em ver Lahey ainda sob seu teto, mesmo depois de terem encerrado assuntos de trabalho.

- Ah, Cam, que bom que ainda está aqui! É melhor não se empanturrar com os bolos da bambina, quero que fique para o jantar.

Não era exatamente uma raridade que Cameron ficasse para fazer companhia aos Moccia durante o jantar, mas não era comum que ele recebesse um convite mais formal de Alessio. Enquanto terminava de engolir o último pedaço de bolo, Cam se perguntou se estava deixando passar alguma data especial para a famiglia.

- Algum motivo em particular, Don Alessio?

- Sí, claro! Alec está de volta. Quando soube as novidades da famiglia, ele quis vir pessoalmente parabenizar a bambina. – Don Alessio então se voltou para Matilda, mantendo o seu tom de voz sempre mais carinhoso ao se dirigir à governanta. – Você também, mia bela. Deixe que Tracy termine de preparar o quarto do Alec e encerre suas atividades mais cedo. Quero que esteja pronta para o jantar.

Mesmo depois que Alessio Moccia deu as costas para a cozinha e sumiu pelo corredor, Cameron permaneceu congelado no banquinho, encarando o vazio onde segundos antes o mafioso estava.

Alexander Montanari era filho do irmão caçula de Don Alessio. Alec, como era mais conhecido, havia deixado Las Vegas quando ainda era um adolescente para acompanhar os pais em Los Angeles. Mas Cameron ainda tinha a lembrança perfeita do sobrinho do mafioso. E ele duvidava seriamente que Alec estivesse deixando sua vida de luxo na terra de Hollywood para parabenizar a prima, principalmente considerando que os dois se odiavam desde a infância.

Quando se voltou para Matilda, Cameron trazia uma careta de desagrado no rosto, sem esconder que a notícia de Don Alessio não era bem-vinda.

- Vamos, ainda da tempo de fugir para as montanhas...

Diante da expressão confusa de Matilda, Cameron explicou, um sorriso travesso brincando em seus lábios como se fosse um menino compartilhando um segredo.


– Se você acha que a Mika é ruim, você definitivamente não quer conhecer Alec Montanari.
avatar
Remus J. Lupin

Mensagens : 338
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Abr 16, 2017 10:18 pm

O ar fresco dos jardins parecia ser tudo que Michaela precisava depois do terror vivido no escritório do pai. Só quando deixou a casa, ela percebeu como se sentia sufocada, com vertigens e ainda tremendo.

Alessio Moccia nunca ergueu a voz para sua preciosa bambina. Fazer as vontades da sua única filha parecia ser a principal motivação do mafioso. De modo que experimentar a ira de um pai enciumado tinha revelado uma nova versão de Alessio aos olhos de Mika. Ela definitivamente tinha ultrapassado todos os limites.

Mas se Mika acreditava que finalmente conseguiria respirar, a proposta de Connor serviu como um novo soco em seu estômago. Foi impossível esconder a surpresa e a decepção nos olhos verdes quando parou diante do rapaz.

Um casamento estava muito longe dos planos de Mika. Por mais que odiasse as piadas de Connor a respeito de sua aparência mais jovem, dos comentários sobre sua imaturidade ou até mesmo do seu tamanho, ela sabia que, naquele momento, se sentia muito mais uma menininha assustada do que uma noiva com um prazo para organizar um casamento.

Ainda assim, a proposta de Connor conseguia parecer ainda pior do que a ideia de Alessio. Mika havia acabado de se recuperar do susto após o tiroteio do cassino, ela não estava preparada para ver Ward se afastar logo quando os dois começavam a se entender.

- Você quer fugir? Uau, Connor, você consegue deixar esse pedido de casamento cada vez mais especial.

Um sorriso sem emoção brotou em seus lábios enquanto Mika dava um descanso para suas pernas bambas, se sentando ao lado de Connor no banco. Ela manteve seus dedos entrelaçados, como se não soubesse o que fazer com as próprias mãos, e admirou a mansão diante de si.

- Ele não vai mudar de ideia. Mas ele também não vai desistir se você fugir. É isso que você quer? Andar o resto da sua vida olhando por cima do ombro, com medo de levar um tiro na testa?

Mika girou a cabeça, fazendo os cachos presos no rabo-de-cavalo deslizarem pelo seu ombro, até que pudesse fitar o perfil de Connor. Ela não poderia julgá-lo por querer fugir. Nenhum namorado aguentaria a pressão de ter uma arma apontada para a sua testa, estando à beira da morte ou de um casamento forçado.

- Eu não quero casar, Connor. Você está certo em dizer que eu sou uma bambina imatura. Eu me preocupo com festas, em manter minha manicure em dia, em dar ordens. Mas eu também me preocupo com você e não quero que você vá embora.

As íris esverdeadas procuraram pelos olhos castanhos, e Mika parecia muito mais madura naquela tarde quando encarou Connor. A antiga Michaela já estaria gritando, dando as devidas ordens para que seus desejos fossem atendidos. Mas pela primeira vez, ela sabia que não importava o que ela queria.

- Você está errado, não é uma decisão minha. É você quem precisa escolher.

Um dos ombros estreitos de Mika foi erguido e ela completou com uma entonação mais leve. Embora não estivesse sorrindo, as sobrancelhas erguidas e seu semblante mais divertido não deixava dúvidas de que ela estava brincando.

- Além do mais, ainda temos o plano B. Podemos levar isso tudo adiante, eu te abandono no altar e fujo com o Ryan. Eu já tenho um histórico em fugir de festas, você vai sair como um pobre coitado traído e mio papá precisará apontar a arma para outro rapaz.
avatar
Lucinda Clearwater

Mensagens : 574
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Seg Abr 17, 2017 12:51 am

Como qualquer casal de namorados, Cameron e Matilda tinham feito planos para aquela noite. Era comum que os dois fugissem um pouco da rotina para aproveitarem alguns momentos a sós, como um casal normal, sem qualquer ligação com a máfia. Às vezes eles saíram para jantar, ou pegavam uma sessão de cinema após o expediente da governanta.

Naquela noite, contudo, os planos eram um pouco mais elaborados. Belmont havia pedido que o namorado a levasse até o cassino. Matilda nunca havia frequentado um cassino tão sofisticado e elegante quanto o estabelecimento dos Moccia e estava entusiasmada com a ideia de se divertir com algum jogo, tomar um ou dois drinques. Com sorte, ela conseguiria até arrastar Cameron para a pista de dança.

O convite de Don Alessio para que os dois jantassem na mansão não estragou o planejamento inicial do casal, visto que o cassino realmente só lotava no começo da madrugada. Tudo o que Matilda teve que fazer foi se arrumar um pouco mais cedo para que pudesse emendar o jantar e a saída com o namorado.

A governanta era uma moça bonita, mas a grande verdade era que os vestidos retos e formais que ela desfilava pela mansão dos Moccia camuflavam um pouco da sua beleza, assim como os cabelos castanhos sempre presos num coque impecável. Por isso, Matilda se transformava em uma mulher completamente diferente quando se livrava do uniforme.

Quando saiu do quarto naquela noite, Belmont definitivamente não se parecia com a governanta séria que trabalhava naquela casa. A maquiagem estava um pouco mais pesada, sem exageros, bem adequada para um passeio noturno. Os cabelos soltos caíam lisos pelos ombros da moça. Mas a mudança mais radical estava na escolha das roupas. O tecido era preto, mas o modelo definitivamente não se parecia em nada com o costumeiro uniforme de governanta. A transparência em vários pontos do vestido exibia faixas da pele de Matilda. O comprimento chegava pouco acima dos joelhos da moça e suas pernas pareciam mais compridas graças ao salto um pouco mais generoso.


Os jantares de Alessio eram sempre muito formais, mas Belmont teve certeza de que havia exagerado um pouquinho na produção quando os três homens reunidos na sala de jantar interromperam a conversa e a encararam boquiabertos no instante em que Matilda entrou no cômodo.

- Mia bella! – Alessio foi o primeiro a reagir, com um sorriso gentil nos lábios – Você se superou hoje, Matilda!

- Desculpem o exagero. Mas tenho planos para depois do jantar, então preferi já vir pronta para sair.

- Não peça desculpas por estar linda, bambina. Junte-se a mim, ao Cam e ao Alec. A Tracy já vai servir o jantar... Aliás, acho que você ainda não conheceu o Alec, não é? É a primeira vez que ele vem nos visitar desde que você entrou para a famiglia.

O mafioso deu dois tapinhas nas costas do rapaz que encarava Matilda sem piscar. Alexander Montanari era um homem jovem, provavelmente na mesma faixa de idade de Cameron. Os cabelos claros estavam impecavelmente penteados e eram mantidos curtos em um corte moderno. O terno de Alec era uma cópia dos ternos italianos de Alessio, como se o rapaz estivesse tentando imitar o tio.

- Esta é a nova governanta? – Alec não disfarçou o olhar que percorreu Matilda da cabeça aos pés.


- Tio Alessio, isso não se faz. Quando me falou dela, eu pensei que encontraria uma senhora de meia idade mal humorada. O senhor deveria ter me preparado para esta agradável surpresa.

Uma das sobrancelhas de Belmont estava arqueada quando Alec empurrou a cadeira e se ergueu para cumprimentá-la. Matilda ofereceu a mão formalmente como faria com qualquer convidado do patrão, então foi uma grande surpresa para a governanta ver a maneira carinhosa como Alec segurou seus dedos e levou a mãozinha delicada até os lábios.

- É um prazer conhecê-la, Matilda. Desculpe-me o atrevimento, mas quais são seus planos para esta noite?

Como de costume, Belmont manteve um sorriso gentil nos lábios mesmo quando Alec demorou tempo demais até soltar a sua mão. A voz suave da governanta também soou educada, mas a escolha de palavras indicava que Matilda queria colocar o sobrinho de Alessio em seu devido lugar.

- Vou sair com o meu namorado. – os olhos castanhos deslizaram até Cameron e o sorriso da moça se abriu um pouco mais – Eu disse ao Cam que nunca havia entrado em um cassino, então ele me levará para uma estreia em grande estilo na reabertura do Moccia’s.

- Lahey??? – a expressão chocada de Alec já era uma afronta, mas o rapaz ainda fez questão de completar o seu ar surpreso com uma provocação que deixava clara a rivalidade entre os dois rapazes – Cara, eu preciso da localização da encruzilhada onde você fechou este pacto. Primeiro a vida luxuosa que o meu tio te dá, e agora esta mulher maravilhosa... A sua alma não valia tanto assim, valia?
avatar
Matilda Belmont

Mensagens : 58
Data de inscrição : 16/02/2017

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Seg Abr 17, 2017 1:51 am

- Eu mesmo apontarei uma arma para o “Ryan” se ele roubar a minha noiva no dia do meu casamento... – o nome do outro rapaz foi dito com uma entonação enojada – Pode ser que eu acabe atirando no meu próprio pé, mas é um risco que eu estou disposto a correr.

A declaração de Connor já indicava que o gerente estava disposto a levar aquele casamento adiante, mas Ward fez questão de deixar ainda mais clara aquela decisão quando passou um braço pelos ombros estreitos de Michaela e a puxou delicadamente para junto do seu peito. Um beijo carinhoso foi depositado na testa da menina e Connor evitou transferir aquela carícia para os lábios de Mika pelo risco de Alessio estar espiando os dois da janela do escritório. A última coisa que Connor queria era ver o mafioso correndo pelo jardim com a arma novamente em punho.

- Não seja dramática, isso não combina com Michaela Moccia. Eu não quero fugir, eu só queria te apresentar uma alternativa diferente de trocar alianças com um gerente de cassino. Mas se você prefere se tornar a Sra. Ward, nós temos uma festa para programar, bambina.

A rotina tumultuada na polícia nunca permitiu que Connor ingressasse em um relacionamento longo e duradouro, de forma que Ward jamais havia pensado em casamento. Agora, contudo, ele só tinha três meses para decidir todos os detalhes de uma grande cerimônia e não tinha dúvida de que Mika e Alessio transformariam as semanas seguintes em um inferno. Michaela adorava dar ordens até nas coisas mais tolas, então Connor preferia não pensar nos surtos que estavam por vir com cada um dos detalhes do casamento.

E ainda havia Dennis Flynn. Ward não fazia ideia de como contaria ao chefe aquela grande novidade, mas era melhor que ele mesmo falasse antes que as colunas sociais começassem a noticiar aquele pequeno escândalo na família Moccia.

- Promete que não vai me enlouquecer? Eu realmente não entendo nada de casamento, então prefiro que você escolha as coisas de acordo com as suas preferências. – Connor abriu um sorrisinho antes de formular uma frase perfeita para Michaela Moccia – Você dá as ordens, bambina. Só tente não exagerar demais, ok?

Ward só precisou de vinte e quatro horas para perceber que seu pedido tinha sido lindamente ignorado por Michaela. Quando a menina exigiu que o namorado fosse visitá-la no dia seguinte e jogou um álbum gigantesco sobre a mesa, Connor teve certeza de que não seria um casamento simples.

Naquele dia, Connor percebeu que não sabia qual era a diferença entre tulipas e rosas. O gerente também descobriu que havia mais de uma dúzia de tonalidades de azul, que cada uma delas possuía um nome distinto e que Mika ficava absurdamente furiosa quando o noivo acidentalmente se confundia com as cores.

Enquanto Michaela atropelava Connor com um milhão de informações e rosnava sempre que a opinião dele não concordava com a dela, Alessio assistia a cena com um sorrisinho nos lábios e um charuto aceso entre os dedos. Não era difícil notar que o mafioso estava se deliciando em ver o genro sendo torturado, e Alessio nem precisava se esforçar ou sujar as mãos.

- Ahn... – Connor parecia estar novamente sob a mira de uma arma quando Mika colocou diante dele cinco opções de arranjo para as mesas. O olhar da menina era quase tão fatal quanto o revólver de Alessio – São todos tão parecidos...

Ward teve certeza de que era a resposta errada quando uma réplica da veia estufada de Alessio surgiu na testa de Michaela, em uma escala ligeiramente mais delicada.

- Quer dizer, os detalhes fazem toda a diferença! Este aqui... – Connor apontou a foto da esquerda e mudou rapidamente seu discurso quando a veia de Michaela se estufou ainda mais – ...está descartado. Eu não gostei.

Como se os dois fossem um casalzinho de namorados do século XVIII, Alessio havia se sentado na sala para acompanhar a interação dos noivos e para garantir que as mãos de Connor continuariam bem distantes do corpo de Mika. Mas era notável que o mafioso havia deixado de lado a ideia de vigiá-los e agora somente assistia Ward sendo torturado como se estivesse diante do melhor espetáculo de sua vida.

- Mika... – os olhos castanhos estavam suplicantes – Eu não entendo nada sobre flores ou decoração. Tem certeza de que tudo isso é necessário?

- Ora, é claro que é! – Alessio se meteu na conversa depois de uma demorada tragada no charuto – Mia bambina solo vai se casar una vez, precisa ser um casamento digno de una principessa! A no ser que você morra, Ward. Mas isso no está nos seus planos, está?

O gerente do cassino lançou um olhar mais sério na direção do futuro sogro antes de soltar um suspiro e voltar novamente a atenção para Michaela. Connor preferiria ter aquele momento a sós com a garota, mas obviamente Alessio não sairia daquela sala nem se um furacão invadisse a mansão.

- Eu comprei algo pra você. – Connor deu de ombros enquanto abria um sorrisinho meio incerto – Se vamos mesmo nos casar, você precisa de um anel de noivado.

De dentro do bolso do paletó, Ward retirou uma pequena caixinha de veludo preto. O anel certamente não tinha o mesmo valor das joias que Moccia guardava em seu cofre, mas não era uma joia barata. Connor havia entregado boa parte de suas economias ao joalheiro para levar o pequenino anel de ouro branco, incrustado com delicados brilhantes. A pedra central era uma esmeralda legítima que refletia uma tonalidade muito semelhante às íris esverdeadas de Mika.

Mesmo sem ter conferido as medidas de Michaela, Connor acertou em cheio no tamanho do aro. O anel deslizou suavemente pelo dedo delicado da menina e se encaixou com perfeição, sem necessidade de nenhum ajuste.

- Tem uma pedrinha aí? – Alessio implicou, retirando do bolso do paletó seus óculos de leitura – Daqui só vejo um borrão verde.

A provocação do sogro foi ignorada enquanto Ward segurava a mãozinha de Michaela e a levava até seus lábios. O casal selou aquele momento doce com um beijinho superficial nos lábios, que foi interrompido depois de dois segundos pela voz áspera de Don Alessio Moccia.

- Já chega, Ward. Mais do que isso só depois do casamento!
avatar
Connor Ward

Mensagens : 108
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Abr 17, 2017 2:24 am

Cameron já conhecia cada uma das curvas de Matilda, de modo que as roupas formais e sem graça que a menina usava em seu horário de trabalho já não o enganavam mais. Ainda assim, sempre que a menina aparecia com trajes mais decotados ou que realçavam a sua beleza, era impossível passar desapercebido.

Naquela noite não foi exceção. Cam tinha acabado de erguer um copo de água aromatizada até os lábios, mas seu movimento foi interrompido quando Belmont surgiu na sala de jantar. Como os olhos azuis estavam presos na aparência dela, ele foi incapaz de notar a forma incômoda com que Alec também encarou sua namorada.

Porém, quando o sobrinho de Alessio Moccia se levantou para beijar a mão de Matilda, uma ruga surgiu entre as sobrancelhas de Cameron. Lahey costumava ser um namorado protetor e carinhoso, mas nunca havia demonstrado uma ceninha de ciúmes. Porém, durante aquele jantar, ele se arrependeu de não ter conversado com Matilda antes sobre o tipo de roupa que ela deveria aparecer.

Racionalmente, Cam sabia que não tinha direito algum de dizer para a governanta o que ela poderia ou não usar. Mas uma parte de Cameron acreditava que ele a estaria apenas preparando a namorada para enfrentar alguém tão desagradável quanto Alexander.

Um sorriso convencido apareceu nos seus lábios quando a governanta fugiu de qualquer tentativa de paquera de Alec, e ele também se colocou de pé para recebe-la na cadeira ao seu lado.

Por já conhecer Alec há anos, a provocação do outro homem não pareceu afetar Lahey. Os dois tinham anos de experiência naquela guerra fria desde que Alessio recebera em sua casa um moleque de rua sem futuro. Para Alec, era uma grande ofensa ver o tio enchendo os bolsos de um qualquer, quando sua ambição claramente sempre foi participar dos negócios da famiglia.

- Algumas coisas nessa vida a gente consegue com muito esforço e trabalho, Alec, você sabe como é... – Cameron interrompeu sua fala com uma ruga entre as sobrancelhas, fez uma pausa como se estivesse pensando no que estava falando, e então se corrigiu. – Uau, me desculpe! É claro que você não sabe disso. Trabalhar nunca foi o seu forte, não é? Não me admira que você realmente acredite que precisa vender a sua alma para conseguir as coisas.


Como era comum na troca de farpas entre os dois, Cameron parecia apenas como um velho amigo implicante quando abriu um largo sorriso. Ele notou quando Alec estreitou o olhar, mas também não deixou transparecer se havia ficado afetado ou não.

Cameron voltou a se sentar, tomando o devido cuidado de manter seus dedos entrelaçados aos de Matilda quando a governanta assumiu o lugar ao seu lado. Ele se inclinou para frente e roubou um beijo suave dos lábios dela antes de se voltar para o seu copo de água.

Em silêncio, Alec acompanhou cada um dos movimentos de Cameron. A inveja do sobrinho de Alessio era quase palpável. Para Lahey, aquele sentimento era completamente infundado. Enquanto ele havia crescido nas ruas e contara com a misericórdia de um completo desconhecido, Montanari nascera em berço de ouro, com acesso as melhores escolas, sem precisar erguer um dedo para conseguir o que quisesse.

- O que é isso, Lahey?

Alec se inclinou para frente e puxou o copo que Cameron havia acabado de retornar para a mesa. Sem a menor delicadeza, o copo foi puxado até seu nariz e o rapaz contorceu a expressão em uma careta ao sentir apenas o aroma da laranja na água.

- Não me diga que você continua sem beber? Francamente, tio Alê... – Ainda com o copo de Cam em mãos, Alec gesticulou ao se voltar para o tio. – Um homem que não sabe apreciar um verdadeiro vinho italiano? Me admira que sequer tenha bom gosto para mulheres.
avatar
Remus J. Lupin

Mensagens : 338
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Seg Abr 17, 2017 3:04 am

Mesmo sendo o primeiro contato de Matilda com o sobrinho do mafioso, não foi difícil perceber que havia uma rivalidade palpável entre Alec e Cameron. As provocações entre eles não tinham a mesma leveza que Lahey usava para brincar com os colegas. Os dois rapazes realmente queriam atingir um ao outro quando se alfinetavam daquela maneira.

Se Don Alessio percebia aquilo, ele disfarçava muito bem. Enquanto Cameron e Alec trocavam aquelas ofensas com um falso tom de brincadeira, o mafioso continuou bebericando o seu vinho tranquilamente, como se nada demais estivesse acontecendo. Nem mesmo quando foi chamado na discussão, Moccia tomou partido de um dos rapazes ou tentou finalizar aquela guerra fria.

- Entre vino e mulheres, eu escolheria ter um gosto mais apurado para elas. – Alessio ergueu a taça em um brinde solitário – Sou grato a Dio por ter me dado las duas cosas.

Embora não tivesse conhecido a falecida Sra. Moccia, Matilda concordou com um sorriso gentil. No escritório de Don Alessio havia uma fotografia de Isadora Moccia que confirmava o bom gosto que o mafioso se vangloriava de ter. Michaela se parecia muito com a mãe, mas Isadora tinha traços mais maduros que a tornavam uma mulher ainda mais atraente. Na foto, o jovem Alessio ao lado dela a encarava com um olhar apaixonado que explicava porque o viúvo nunca mais se encantara por outra mulher.

Durante todo o jantar, Matilda teve a impressão de que uma bomba estava prestes a explodir sob a mesa. As alfinetadas iam de um lado para o outro, cada vez mais maliciosas, deixando o clima absurdamente pesado durante a refeição. Como já tinha notado que havia uma rivalidade bizarra entre os dois rapazes, Belmont não se sentiu tão incomodada com os olhares insistentes de Alec. Ela sabia que o sobrinho de Alessio estava mais interessado em provocar Cameron do que propriamente encantado por ela.

Ao fim da sobremesa, Matilda já estava aliviada por aquele jantar estar próximo do fim. Tudo o que ela queria era sair daquela casa antes que a guerra fria entre os dois rapazes se transformasse em uma briga de verdade.

Para a surpresa da governanta, contudo, Alexander Montanari se colocou de pé e pediu que Tracy buscasse o seu paletó no instante em que o casal anunciou que estava de saída. Com um sorriso falsamente inocente, Alec deu dois tapinhas nas costas de Cameron enquanto explicava.

- Não vai se importar se eu me juntar a vocês, não é? Há anos eu não tenho uma boa noitada com os amigos em Vegas. Será divertido, Lahey! Além disso, alguém precisa ensinar alguns truques para a Matilda.

Alec inclinou-se na direção da moça e, sem nenhum constrangimento, colou os lábios no ouvido de Belmont enquanto sussurrava.

- Não conte a ninguém, mas o Lahey é péssimo nas cartas e ainda mais lamentável na roleta. Não me lembro de uma única vez que ele tenha me vencido em qualquer jogo...

A governanta mostrou que não precisava da interferência do namorado quando apoiou a mão no peito de Alec e o empurrou delicadamente para trás, sem tirar um sorriso educado dos lábios em nenhum momento. Por mais que estivesse incomodada, a governanta não queria causar nenhum mal estar diante do patrão.

- Tenho certeza de que está exagerando, Sr. Montanari. – o olhar sério de Matilda deixava claro que ela não se referia ao comentário de Alec, mas sim ao comportamento atrevido que o rapaz sustentava naquela noite – A sua competitividade com o Cameron já ultrapassou muitos limites.
avatar
Matilda Belmont

Mensagens : 58
Data de inscrição : 16/02/2017

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Abr 17, 2017 3:21 am

Mesmo quando Connor ameaçou se afastar, a delicada mão de Michaela o agarrou pela nuca, prolongando aquele beijo superficial. Se aquilo era o máximo que ela teria, ao menos não limitaria o seu tempo de acordo com as vontades do pai.

- Bambina, já chega.

Alessio foi mais uma vez ignorado enquanto Mika manteve os olhos fechados, com os lábios pressionados contra o de Connor. Ela escutou quando o pai começou a se remexer no sofá, provavelmente furioso com aquele desaforo.

- Michaela, eu vou precisar pegar a minha arma outra vez?

Mika sustentou o beijo apenas por mais alguns segundos, e quanto se afastou de Connor, continuou ignorando a presença de Alessio. Os olhos verdes brilhavam e ela já parecia uma fera domada, com todas as compulsões do casamento deixadas de lado por meros segundos.

- É lindo, eu adorei.

Mesmo quando a menina se voltou para a mesa a sua frente, seus dedos permaneceram unidos ao de Connor e seu humor estava completamente transformado. Ela fingiu não notar como o rosto do pai ficara repentinamente vermelho, mas mesmo sabendo que ele estava fazendo um grande esforço para não surtar, Mika não hesitou em tocar no assunto seguinte.

- Então... Eu estava à procura do vestido e acho que encontrei o lugar perfeito. Eles só tinham agenda para daqui seis meses, mas eu consegui um encaixe para amanhã.

- Essa sí é uma boa notícia, bambina! Amanhã eu tenho uma reunião o dia todo, mas avise ao Leoncio e ele irá levar você.

Alessio começou a se levantar do sofá e estava pronto para encerrar aquela tarde de programações sobre o casamento quando Michaela completou um pequeno detalhe da sua visita ao estúdio de vestidos de noiva.

- A loja fica em Beverly Hills. Tem algum problema usarmos o helicóptero?

O mafioso havia acabado de se colocar de pé, mas travou, sentindo um estalo na sua coluna com o movimento rápido de erguer o pescoço para encarar a filha. Uma mão foi apoiada em sua lombar, mas a dor não impediu que ele negasse com a cabeça repetidas vezes.

- No, no-no-no. Nada de Califórnia sem a minha supervisão. Remarque para outro dia ou arrume uma loja mais perto, bambina.

- Não existe Vera Wang em Las Vegas! Você não espera mesmo que eu arrume o meu vestido de principessa na mesma loja das noivas que se casam com um sósia do Elvis, não é, papá???

Os Moccia, pai e filha, se encararam com os olhos estreitos, como se esperasse quem cederia naquele duelo. Mika já havia ficado tempo demais agindo como a boa filha obediente, mas Alessio não tinha uma arma naquele momento, de modo que a sua natureza mandona voltou a aflorar.

- É o meu vestido de casamento! Você vai arruinar tudo se eu perder essa chance! Tem noção do milagre que foi conseguir um encaixe??? Se eu não conseguir, vou precisar me casar em um saco de batatas! É isso, que quer, papá? Me envergonhar na frente de todo mundo?

Os gritos histéricos de Michaela ficavam mais finos conforme seus lábios formavam um bico em um falso choro. Alessio, que parecia ter tudo sob controle até aquele momento, pareceu se desesperar diante da atitude da filha, como se novamente estivesse diante de uma Mika de quatro anos esperneando no chão de uma loja de brinquedos por uma boneca específica.

O discurso de Mika ainda continuou pelo que pareceu ser quinze minutos até que Alessio finalmente sacudisse as mãos em rendição. Ele esfregou a têmpora dolorida, provando do mesmo veneno que havia submetido Connor.

- Va bene, va bene!!! Eu mesma avisarei ao Leoncio para te vigiar.

- Connor também vai.

Os olhos de Alessio quase saltaram nas órbitas quando Michaela cuspiu as últimas palavras. Se ele acreditava que já havia chegado no fundo do poço, a loira ainda tinha gás para continuar com os seus berros por mais meia hora se fosse necessário.

- Quartos separados. – Ela acrescentou, com um olhar inocente. – Leoncio pode até entrar no provador do vestido comigo, se for para garantir que vamos nos comportar. Prometo, papá.
avatar
Lucinda Clearwater

Mensagens : 574
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Seg Abr 17, 2017 4:03 am

- Você ultrapassou TODOS os limites, Connor Ward!

O berro de Dennis Flynn ecoou por todo o apartamento do jovem policial e, mais uma vez, Connor se sentiu grato pela cumplicidade dos vizinhos que ignoravam aquele escândalo. Desde que o chefe cruzara a porta naquela manhã, vários gritos já tinham ecoado por todo o andar.

Ward esperava receber uma ligação inflamada depois de ter acrescentado a notícia sobre o seu casamento com Michaela Moccia no último relatório enviado a Flynn, mas o chefe fez questão de aparecer para berrar pessoalmente na cara dele.

- Já chega! Você claramente perdeu o controle da situação. Pegue as suas coisas, eu vou te levar para a delegacia e de lá você vai pegar um jatinho para a Costa Rica. Se você for discreto desta vez, talvez o maldito Moccia não te ache e você viva pra contar o seu erro estúpido para a futura geração de espiões. O que você tinha na cabeça quando achou que era uma boa ideia dormir com a filha de Don Alessio, Connor!?

Como já conhecia bem o chefe, Ward sabia que de nada adiantaria tentar argumentar durante uma das explosões de Dennis. Por isso, Connor esperou pacientemente que o homem cuspisse todas as ofensas possíveis antes de finalmente tomar a palavra.

- Eu sei o que estou fazendo, ok? Confesso que o meu relacionamento com a Michaela não era exatamente parte do meu plano inicial, mas você não percebe que isso pode nos ajudar, Flynn?

- Como, por Deus, isso ajudaria!? – Flynn gesticulava, completamente fora de si com aquela novidade – Você quase levou uma bala na cabeça, Ward!!! E isso porque Alessio Moccia nem desconfia do tamanho da sua traição!

Toda aquela situação havia se tornado muito confusa para Ward desde que o casamento fora marcado. Connor gostava de Mika, detestava pensar que a menina sairia muito magoada de toda aquela mentira, mas por outro lado era uma chance de ouro para concretizar a missão e derrubar os Moccia. E era neste último detalhe que o policial se apegava para que o chefe o deixasse ir adiante naquela história.

- Eu tenho um encontro marcado com a Michaela em uma hora. Ela me passou o endereço de um galpão nas imediações da rodovia estadual. Pelo GPS, é um lugar muito afastado, escondido de todos os pontos comerciais da estrada. Um lugar perfeito pra esconder algo que o Moccia não quer que seja encontrado...

O silêncio de Flynn indicava que o chefe finalmente entendia aonde Connor queria chegar. De fato, o casamento faria com que Ward se aproximasse ainda mais dos Moccia e tivesse acesso às provas concretas que faltavam para que a polícia solicitasse a prisão preventiva de Alessio. Era uma excelente saída para desempacar a missão, mas ainda assim Dennis não se sentia confortável com aquela ideia.

- Eu vi uma foto da garota. Connor, ela é uma menina e ela não tem culpa alguma nas sujeiras do pai. É desprezível usá-la desta maneira.

A verdade veio até a ponta da língua de Ward, mas o rapaz se calou a tempo de evitar um estrago ainda maior. Se Flynn soubesse que seu policial estava sinceramente envolvido naquele relacionamento e que se apaixonara pela filha do mafioso, Connor certamente seria afastado da missão.

- Ela é muito imatura e superficial, chefe, nem sabe a dimensão do que está havendo. Está mais animada com a ideia de dar uma grande festa do que com o casamento. Quando a verdade vier à tona, ela vai ficar furiosa, mas só precisará de algumas tardes de compras em Paris para se recuperar. Não se deixe enganar pelo rostinho delicado, Michaela Moccia é terrível.

Quando saiu do prédio de Connor, Dennis Flynn continuava insatisfeito com os novos rumos daquele plano. Mas a chance de Ward ter acesso a provas inquestionáveis no tal galpão motivou o chefe de polícia a ceder aos apelos do rapaz.

Tal como Connor imaginava, o galpão ficava num ponto completamente isolado da rodovia, distante do asfalto e escondido atrás de uma plantação de eucaliptos. Michaela e Leoncio já esperavam pelo gerente do cassino quando Ward estacionou em frente ao galpão e caminhou até eles.

O segurança foi cumprimentado com um aperto de mãos, mas a formalidade foi deixada de lado quando Connor puxou Mika para seus braços. A garota foi rodopiada nos braços de Ward enquanto os dois uniam os lábios no primeiro beijo digno desde o começo daquela confusão.

- Não façam isso comigo! – Leoncio choramingou, já prevendo o trabalho difícil que teria pela frente – Eu prometi a Don Alessio que ficaria de olho em vocês!

- Leoncio. – Connor afastou os lábios, mas manteve Mika firmemente abraçada junto ao seu corpo enquanto encarava o segurança por cima do ombro dela – Se não quiser mentir para Don Alessio, eu sugiro que mantenha distância de nós dois, cara.

Em meio a protestos resmungados, Leoncio seguiu o casalzinho até o interior do galpão, onde o piloto do helicóptero já checava os últimos detalhes antes de programar o voo. Ward sentiu o coração acelerar quando olhou ao redor e se viu rodeado por centenas e centenas de caixas empilhadas. Também havia ali um armário que certamente guardava os documentos ilegais que o gerente não encontrara no cassino.

O semblante de Connor refletia apenas uma curiosidade mais do que esperada quando ele inclinou-se para sussurrar ao ouvido de Michaela enquanto esperavam pela autorização para entrarem no helicóptero.

- O que é tudo isso aqui, bambina?
avatar
Connor Ward

Mensagens : 108
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Abr 17, 2017 4:05 am

Matilda já havia provado dezenas de vezes de que não era uma mulher comum. Afinal, fora por aquela grande característica de sua personalidade que Cameron havia se apaixonado por ela. Mesmo quando estava em meio a um tiroteio ou acreditando que estava em seus últimos minutos de vida diante de um mafioso, ela não assumia o papel de uma vítima.

A governanta dos Moccia era forte, bem resolvida e poderia escapar de quase qualquer situação sozinha, embora Cameron ainda se sentisse na obrigação de lhe passar a segurança e proteção necessária.

Naquela noite, a rivalidade com Alec voltava a aflorar como se Cameron tivesse novamente dezoito anos e estivesse se adaptando ao novo estilo de vida dos Moccia quando o sobrinho de Alessio vinha passar as férias. Cameron ainda parecia um moleque sem futuros enquanto Alec já desfilava com roupas caras, tênis da moda e um currículo invejável que provavelmente teria lhe conquistado qualquer bom emprego, se ele assim desejasse.

Depois de se despedirem de Alessio, Cam abriu a porta da frente para que Matilda saísse em direção a garagem. Quando Alec ameaçou seguir os passos da morena, a mão de Cameron entrou em seu caminho, os dedos espalmados contra o peito coberto pelo caro terno italiano. Sem Moccia ou Belmont por perto, Cam sequer forçava o sorriso da sala de jantar.

- Você ouviu o que a Matilda disse. Está passando dos limites, Alexander.

Ao contrário de Cameron, os lábios de Alec imediatamente se curvaram em um largo e inocente sorriso. As sobrancelhas franzidas davam a impressão de que ele não sabia do que estava sendo acusado, mas Cam já conhecia bem o brilho malicioso em seu olhar.

- Se você quer continuar agindo como o moleque irritante, fique à vontade. Mas deixe a minha namorada fora disso. Estamos claros?

Os olhos claros de Alec deslizaram pelos jardins dos Moccia, já sem sinal de Matilda. O sorriso foi desaparecendo de seu rosto gradativamente, mas a mesma postura arrogante que era comum em Michaela, logo foi se destacando em cada um dos traços de Alexander.

Ele ergueu uma das mãos, segurou o pulso de Cameron e afastou a mão do rapaz de seu peito. Nem por um segundo os dois deixaram de se encarar, mas quando estava livre daquele toque, Alec deslizou seus dedos sobre o terno, como se estivesse tentando se livrar de alguma sujeira indesejada.

- Você quer ser claro, Lahey? Então vamos ser claros...

Alec deu um passo para frente, mas Cameron não recuou. Os dois ficaram separados por uma curta distância de meros centímetros, e embora tivessem praticamente a mesma estatura, Montanari conseguia parecer de alguma forma maior com o seu nariz empinado e sua postura soberba.

- Não importa se meu tio te convida para sentar à mesa com ele, se você entra e sai dessa casa a hora que bem entender ou se, de alguma forma, você realmente acredita na “famiglia”. No fim das contas, você é um empregado, Lahey. E se você alguma vez me tocar assim de novo, nós dois vamos nos entender sobre quem realmente está passando os limites.

Os dedos de Alec deslizaram novamente pelo caro paletó, apenas para ajeitar a peça em seu corpo. O sorriso antipático voltou a aparecer em seus lábios e os olhos deslizaram pelo jardim, até o ponto onde Matilda tinha desaparecido.

- Além do mais, eu estou fazendo um favor para a garota. Eu não sei o que ela viu em você, mas eu estou disposto a fazê-la enxergar o pivete ladrãozinho e esfomeado que você nunca deixou de ser.

As mãos de Cameron estavam cerradas e ele podia sentir as unhas afundando em sua carne. Para alguém com um trabalho tão delicado quanto o seu, Lahey estava acostumado a lidar com valentões esnobes como Alexander. Mas nenhum deles tinha o poder de lhe desestruturar como o sobrinho de Don Alessio.

Ao perceber que havia despertado alguma reação do segurança, uma risada sonora escapou pela garganta de Alec. Ele chegou a erguer a mão e cobrir a boca para tentar esconder a surpresa, mas deixou que seus dedos deslizassem até o queixo para não bloquear as próprias palavras.

- O que foi? Está com medo, Lahey? É claro, se eu estivesse na sua pele, também teria. Que garota em sã consciência iria preferir um cão sarnento enquanto eu estiver por perto.

Dois tapinhas foram depositados contra o peito de Cameron quando Alec passou por ele, finalmente alcançando os jardins. Com as mãos nos bolsos da calça excepcionalmente cara, Alec seguiu o caminho até a garagem como se fosse o dono daqueles terrenos.

- É melhor se apressar, Lahey. Você não vai querer perder toda a diversão, vai?
avatar
Remus J. Lupin

Mensagens : 338
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Abr 17, 2017 4:48 am

A saudade de Connor era tão grande que Mika não ousava se afastar dele nem mesmo enquanto eles andavam pelo interior do galpão. As grandes portas dos fundos estavam abertas e entrava a claridade do dia, de onde era possível ver uma parte do helicóptero.

O piloto já tinha avisado que precisaria de mais alguns minutos antes de decolarem, mas agora que estava com Ward, Michaela não tinha pressa em partir. A presença de Leoncio nunca serviu para inibi-la antes e não seria agora que ela começaria a se conter por causa do segurança.

Quando Ward se referiu as centenas de caixas que cobriam as prateleiras do galpão, Mika foi obrigada a girar a cabeça para também encarar o objeto de atenção do noivo. As sobrancelhas loiras se arquearam com desinteresse diante da curiosidade do rapaz.

Ela já havia pisado naquele galpão algumas vezes, mas sua mente sempre estava focada no destino que alcançaria depois de embarcar no helicóptero. A semana que passara em Nova York ou a vez que fora visitar os tios em Los Angeles pareciam muito mais interessantes do que se ocupar com a parte chata dos negócios da famiglia. Para Mika, todas aquelas caixas eram relacionadas ao trabalho, e como ela preferia aproveitar a parte boa da fortuna dos Moccia, nunca tinha parado para se preocupar com o que realmente tinha ali.

- Coisas do mio papá...

Mika se desvencilhou dos braços de Connor e caminhou até uma das estantes. Leoncio já tinha se afastado até junto do piloto, dando o mínimo de liberdade ao casal. Em um gesto completamente instintivo, Michaela puxou uma das caixas de uma prateleira mais alta, e mesmo ficando na ponta dos pés, conseguiu perder o equilíbrio por um único segundo, resultando na caixa se espatifando aos seus pés.

No último segundo, Michaela ainda conseguiu dar um salto para trás, mas dentro da grande caixa maior, dezenas de outras caixas menores se espalharam pelo chão do galpão. As embalagens brancas mostravam a fotografia de um tablet, e já com a curiosidade aguçada, Mika se abaixou para pegar um deles.

A caixa do tablet não tinha nada de anormal. Era como apenas mais uma caixa no estoque de alguma loja. Mas o que despertou uma ruguinha de confusão entre as sobrancelhas de Michaela era que os Moccia não tinham nenhuma loja para vender aquele tipo de produto.

Aos olhos de Mika, os negócios da família se resumiam aos restaurantes e principalmente ao cassino. Para ela, não fazia sentido que o pai estivesse estocando aquele tipo de material no galpão onde deveria ser usado apenas pelo helicóptero.

- Acho que mio papá está pensando em trocar os antigos menus dos restaurantes. Eu vi que no Outback eles já estão trabalhando assim.

Ignorando as demais caixas espalhadas pelo chão, Mika continuou andando pelo corredor de prateleiras. Ela se inclinou sobre uma caixa mais baixa, estudou seu interior e então girou a cabeça para Connor com um largo sorriso nos lábios.

- Essa aqui tem notebooks. Talvez você ganhe um novo quando o cassino for reaberto. É realmente impressionante que aquela sua carroça ainda conseguisse abrir o Excel.

Michaela não parecia como alguém que tentava esconder o crime do pai. Ela realmente soava como se tudo aquilo fosse uma grande surpresa, mas sem conseguir ligar qualquer uma daquelas mercadorias com o verdadeiro império dos Moccia.
avatar
Lucinda Clearwater

Mensagens : 574
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Página 6 de 11 Anterior  1, 2, 3 ... 5, 6, 7 ... 9, 10, 11  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum