Viva Las Vegas!

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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Abr 10, 2017 4:31 am

Quando Matilda fez menção à Don Alessio, Cam imediatamente girou a cabeça na direção da festa que deixavam para trás. O dono da casa já havia se distanciado e não estava mais no campo de visão de Lahey, mas não era difícil imaginar o sorriso de orgulho do velho mafioso, como se estivesse diante de um filho perdido que finalmente encontrava seu caminho.

- Bom, bem-vinda à famiglia. É assim que as coisas funcionam por aqui...

Se aproveitando que Belmont havia se enroscado em seus braços, Cameron mergulhou em um beijo carinhoso apenas para distraí-la. No segundo seguinte, um dos seus braços passou por trás das pernas da governanta até que os saltos deixassem de tocar o chão. Como os braços de Matilda já estavam envoltos ao pescoço de Cam, tudo o que a menina precisou fazer foi reforçar aquele abraço para não escorregar.

- Eu preciso admitir, superar o helicóptero não é uma tarefa fácil... – Cameron sacudiu a cabeça pensativo enquanto carregava Matilda no colo, se afastando cada vez mais da festa.

Havia uma pequena escada que descia pelos jardins. O corrimão de madeira estava envolto com pisca-piscas, a única luz em meio as árvores que se agrupavam cada vez mais. Por fim, quando não havia mais nenhum ruído da música que vinha da festa, a paisagem finalmente se abriu diante dos olhos de Cam e Matilda.

Um lago artificial brilhava sob a luz do luar na água calma que formava um espelho. A luz do pisca-pisca chegava a ser insignificante diante da cor azulada da lua. Não havia nem mesmo um rastro das cores neons de Vegas e, em meio a escuridão da noite, era possível até acreditar que eles não estavam mais na cidade do pecado.

- Mas Don Alessio é um homem impressionante. Helicópteros e lagos artificiais no quintal de casa. – Cam deixou que Matilda deslizasse até que os pés tocassem novamente o chão, mas não se afastou dela um único centímetro. – Mas você precisa admitir que é incrível.

Cam parou diante de Matilda e segurou o rosto dela com as duas mãos, acariciando as bochechas macias com o polegar. Mesmo com a pouca luz, a pele dela assumia uma tonalidade prateada incrível. E a forma com que seu coração reagia era a certeza de que nenhuma outra mulher jamais havia chegado perto de deixá-lo daquela forma.

- Eu já disse que não sou um cara de encontros. E eu não sou um cara romântico também, Matilda... Isso aqui...

Ele ergueu o olhar, as íris azuis assumindo uma cor incomparável. Um sorriso torto brincou em seus lábios quando Cam se inclinou para frente e roubou um rápido beijo dos lábios de Matilda.

- Isso seria uma grande piada para mim. Se eu não sentisse que estou com a garota certa.

Uma ruguinha surgiu entre as sobrancelhas grossas de Cameron quando um pensamento cruzou a sua mente. Matilda tinha tudo para ser a “garota certa”. Mas a certeza de que ele não era o ideal para ela ainda o assombrava.

Por mais que soubesse que existia muito mais de Matilda do que ela permitia enxergar, Cam também sabia muito mais dele do que seria certo exibir. Sabia o bastante para ter certeza de que não era o cara certo para Matilda. Afinal, ele não era o cara certo para ninguém.

Naquela noite, entretanto, Cam estava disposto a fazer de conta. Ignorar o monstro adormecido em sua consciência e acreditar que ele merecia aquela felicidade.

- O que diabos você fez comigo, Maty?
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Abr 10, 2017 4:51 am

Foi impossível para Mika esconder a surpresa ao descobrir o destino que tivera a festa na noite anterior. Ela sabia que o pai vinha exagerando nos cuidados a seu respeito desde o atentado que quase custara a vida da governanta. Mas para Michaela, era apenas isso: exagero.

Nem em um milhão de anos ela cogitou que deixar a festa do pai poderia tomar um fim tão catastrófico e, pela primeira vez, Mika se arrependeu de verdade pelas suas escolhas. A vergonha que sentia antes não era nada comparada com a tristeza e arrependimento por saber que havia causado tanto sofrimento no pai por uma simples escolha espontânea.

- Eu não sabia... Eu não estava com meu celular.

Os olhos verdes estavam arregalados e Mika parecia sincera com o desespero que começou a lhe consumir. Mil ideias começaram a cruzar sua mente e, a imagem que tinha do pai, sempre inatingível, forte e poderoso foi minada diante da possibilidade de perde-lo por uma besteira como aquela.

- Como ele está? Por favor, Connor, eu estou sem bateria!

Aquela provavelmente era a primeira vez que Michaela usava a palavra “por favor” em toda a sua vida, mas havia soado de forma tão natural que ela sequer teve consciência. A bolsa foi remexida até que ela retirasse o iPhone completamente descarregado para provar que estava falando a verdade.

- Meu celular morreu pouco depois que eu saí da festa. Eu não recebi mensagem nenhuma. Eu preciso ligar para ele, Connor. – As sobrancelhas de Mika estavam arqueadas em uma súplica e ela aguardou ansiosamente até que o gerente desse um passo para o lado, liberando a sua entrada.

Sem pensar duas vezes, Moccia atravessou o apartamento como um furacão até alcançar o celular de Connor na bancada da cozinha. Com os dedos trêmulos, ela discou o número do pai e aguardou ansiosamente cada um dos sons da chamada.

A conversa foi demorada e Don Alessio se dividia quase todo o tempo entre a fúria e o alívio de falar de novo com a sua filha. Alguns xingamentos em Italiano ecoaram pelo aparelho quando Mika esclareceu que havia apenas passado a noite com um amigo em Los Angeles. Alessio apenas interrompia o seu sermão para se certificar de que a filha estava bem e que realmente não havia acontecido nenhuma tragédia.

Com a promessa de que estaria em casa em breve, Mika desligou o telefone, mas permaneceu sentada no sofá de Connor. A cabeça baixa e o aparelho celular nas mãos, a arrogante filha de Alessio Moccia nunca parecera tanto como uma menininha pega em uma travessura.

- Eu disse a ele que o Ryan me deixou na esquina de casa. Mas não queria que ele me visse assim, então iria descansar em um hotel. Mas acabei encontrando você primeiro... E que como você sabia o quanto ele estava preocupado, me fez ligar antes de qualquer coisa.

A voz de Mika saía em um sussurro e, sem erguer a cabeça, ela esticou a mão para devolver o celular de Connor.

- Eu precisava explicar porque estava com o seu número.

Era estranho ver o furacão Mika falando baixo, cruzando os braços em uma atitude defensiva ou escolhendo as palavras para se desculpar. Mas ainda assim, ela se colocou de pé, agarrada na própria camiseta de Hollywood e se obrigou a encarar Connor.

- Eu não sei que mensagem você me mandou, Connor. Mas eu não quebrei o nosso acordo. Não aconteceu nada. Nada além de meia dúzia de cervejas, umas fotos borradas daquela placa estúpida e quatro horas de sono em um banco incrivelmente desconfortável para a grana que vale.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Seg Abr 10, 2017 5:27 am

Embora a mansão dos Moccia estivesse localizada em um terreno imenso, Matilda já conhecia praticamente toda aquela área depois de várias semanas trabalhando e morando naquela casa. É claro que a governanta já havia passado pelo lago artificial algumas vezes durante aquele período, mas sempre durante o dia. Era a primeira vez que Belmont se maravilhava com a luz do luar refletida na água cristalina.

O brilho nos olhos castanhos não escondia o quanto Matilda estava maravilhada com aquela visão. A expressão emocionada se manteve intacta enquanto a governanta tirava os sapatos de salto para conseguir caminhar sobre o gramado ao redor do lago sem causar nenhum acidente.

A cena era tão perfeita e as palavras de Cameron eram tão doces que Belmont soltou um risinho de descrença quando o segurança alegou que não era um homem romântico. A governanta voltou o rosto para ele e seu sorriso se tornou ainda mais carinhoso. A cabeça de Matilda se sacudiu em negativa enquanto ela tomava a palavra.

- Você não é romântico, Cameron? Sério? Eu lamento te informar, mas você é muito romântico.

A insegurança demonstrada por Lahey fez com que Matilda se sentisse culpada. O segurança dos Moccia tinha muitos defeitos e um passado imundo, mas era evidente que Cameron estava mergulhando de cabeça naquele relacionamento, que estava sendo sincero em todas as suas declarações. Belmont, por outro lado, podia se orgulhar de uma vida digna, mas não estava sendo totalmente honesta com os sentimentos de Cameron. Matilda sabia que aquela relação estava sendo construída em cima de uma mentira.

Mas como resistir a ele? Quando estava com Cameron, Matilda nem se lembrava do quão monstruoso era o passado do segurança. Era difícil associar a imagem de Lahey a qualquer pensamento negativo quando tudo o que Matilda via diante de si era um homem doce, carinhoso, atencioso.

Mais uma vez, a música que tocou no carro durante o trajeto até o galpão voltou à memória de Belmont e ela não teve dúvida de que a letra era perfeita para Cameron. O segurança não era um homem frio e indiferente aos demônios do seu passado. Por algum motivo que a governanta ainda desconhecia, Cameron era fiel aos Moccia, mas nem por isso se orgulhava de tudo o que já tivera que fazer pela famiglia.

- Não sei. Mas desconfio que a magia pode ter acontecido naquele dia em que te dei biscoitos. Achei que você só estava faminto, mas agora me pergunto se o brilho no seu olhar não foi um sinal de que você tinha acabado de ser enfeitiçado.

Mesmo que não pudesse ser totalmente sincera com Cameron e que soubesse que aquele relacionamento não tinha nenhum futuro, Matilda concluiu que devia algo ao segurança. Lahey estava quebrando suas barreiras e assumindo seus sentimentos pela primeira vez. Ele merecia ouvir que Belmont se sentia da mesma maneira.

- Eu também estou com o cara certo.

Quando se reaproximou de Cameron, agora sem os saltos, Matilda precisou se colocar na ponta dos pés para repetir o gesto de enlaçar o pescoço dele com os braços. O azul das íris de Lahey adquiria uma coloração quase prateada graças ao reflexo da luz do luar e Matilda se perdeu naquela coloração única por alguns segundos antes de completar a declaração.

- Eu não sou perfeita, Cam. Eu também tenho os meus fantasmas e um monte de merda na minha vida. Mas é fácil me esquecer de tudo isso quando estou com você. Você faz com que eu me sinta especial, segura... Você faz com que eu queira ser eu mesma, sem máscaras. O que mais eu posso querer?

Antes que Lahey pudesse associar aquelas revelações à estranha fuga do restaurante, Matilda cobriu os lábios dele com mais um beijo. Os dois teriam passado o restante da noite escondidos naquele pedacinho privado da festa se não fosse a interrupção do beijo por um dos seguranças.

O rapaz, um subordinado de Cameron, perdeu todas as cores ao reconhecer o chefe naquela situação de intimidade, mas o constrangimento chegou ao fim quando o jovem segurança explicou porque havia deixado a festa e estava agora vasculhando a propriedade em busca de qualquer pista sobre o paradeiro de Michaela.

Ao invés de se sentir furiosa por ter sua noite com Cameron estragada, Matilda foi muito compreensiva diante daquela situação. A governanta girou os olhos e acariciou a mão de Lahey quando ele lhe lançou um olhar de desculpas.

- Vá. Provavelmente é só mais uma das brincadeiras dela, mas Don Alessio precisa de você. Eu também vou trocar este vestido por algo mais apropriado e fazer um chá para ele. Com certeza temos uma noite longa a caminho.

Aproveitando-se que o outro segurança já havia se distanciado até a outra margem do lago, Matilda se apoiou nos ombros de Lahey para conseguir sussurrar ao ouvido dele.

- Quando tudo acabar, vá descansar no meu quarto. Eu prometo que não será expulso desta vez.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Ter Abr 11, 2017 2:26 am

Os acontecimentos daquela manhã só reforçavam o quanto Don Alessio Moccia era cego e tolo quando se tratava da filha. Se a protagonista daquela história não fosse Michaela, certamente o mafioso não acreditaria tão facilmente naquela mentira fraca. Era muita coincidência que Connor tivesse cruzado o caminho de Mika por acaso naquela manhã, mas por sorte Alessio não contestou as explicações da filha. O alívio era tão grande que o chefe da famiglia Moccia sequer pensou na possibilidade de Michaela estar no apartamento de Connor Ward.

Ao contrário do patrão, contudo, Connor não pretendia perdoar com tamanha facilidade aquele último deslize da garota. Seu orgulho ainda estava muito ferido e o gerente se sentia psicologicamente exausto naquele relacionamento. Os riscos de ficarem juntos já dificultavam absurdamente a relação. Não satisfeita apenas com isso, Michaela criava problemas e inventava crises que não precisavam existir.

- E um beijo.

Ward completou a confissão da menina com o detalhe que ele presenciara na noite anterior. Havia sido um beijo breve e roubado, mas ainda assim fora um beijo. Mika havia surtado por causa de um toque no braço de Matilda, então Connor se sentia no direito de ficar magoado por causa de um beijo. Por mais que Michaela dissesse que nada acontecera, era difícil acreditar que aquela fora a única iniciativa de Ryan depois de tantas horas ao lado dela.

O celular foi posto de volta na bancada que separava a sala da cozinha. Connor cruzou os braços em uma postura defensiva e encarou Mika por demorados segundos. Era surpreendentemente difícil tomar aquela atitude, mas Ward se obrigou a fazer o que era certo. O relacionamento com Michaela sempre fora um erro e era tolice insistir naquilo agora que as coisas se tornavam cada vez mais complicadas. Connor estava sob uma pressão muito grande com a missão, a última coisa que ele precisava era viver em crise com uma namorada imatura, perder noites de sono, esperar pela próxima briga...

- Pra mim chega, Michaela. Depois de tudo isso, eu não quero mais.

Connor já havia feito a filha de Don Alessio experimentar sensações e sentimentos inéditos. Naquela manhã, o gerente também ia fazer com que Mika fosse dispensada pela primeira vez. Qualquer um apostaria que aquele relacionamento chegaria ao fim por iniciativa de Michaela, mas era Ward que saltava para fora do barco primeiro.

Ao contrário das tantas brigas anteriores, Connor não ergueu a voz. Sua expressão se manteve séria, mas não havia nenhuma aspereza em suas palavras. O gerente só parecia absurdamente cansado de tudo aquilo.

- Eu não aguento mais. Estou farto do seu ciúme e da forma como você me trata, como se fosse superior a mim. Bom, você é superior em muitos quesitos. Mas eu cansei de ver os meus defeitos sendo sistematicamente apontados.

Ward nunca havia dito nada parecido a Mika, mas aquele desabafo mostrava que o rapaz não era indiferente aos comentários sobre o seu emprego, o salário modesto e a vida simples que ele levava. Depois de ver Michaela fugindo num carro importado dirigido pelo herdeiro de uma grande fortuna, Connor finalmente percebeu que os dois nunca pertenceriam ao mesmo mundo.

- Não está dando certo e é tolice insistir num erro. Você precisa crescer, Michaela. Ou então se unir a alguém que não se importa com a sua imaturidade. Espero sinceramente que você escolha a primeira opção.

Os dois sempre discutiam quando Connor mencionava a sua opinião sobre o comportamento imaturo da garota, mas Mika não teria muitos argumentos depois das atitudes irresponsáveis da última noite.

Naquela manhã, a discussão se mantinha em um nível contido e sensato, bem diferente das brigas acaloradas que sempre terminavam em reconciliações apaixonadas. O clima daquela conversa era pesado e definitivo.

- Tome um banho, se quiser. Mas depois disso eu gostaria que você pegasse as suas coisas e não voltasse mais ao meu apartamento.

Nas últimas semanas, Mika havia deixado várias coisinhas pessoais no apartamento de Connor, como uma namorada que quer se sentir mais à vontade naquela segunda casa. Também era notável que a menina havia se apossado de alguns itens de Ward, como a camiseta cinza confortável que ele usava para dormir, um par de meias que ficava gigantesco nos pés dela e a caneca colorida que costumava ficar abandonada nos fundos do armário antes de Michaela começar a frequentar o apartamento. Era nítido que Mika já havia deixado marcas ali e não seria fácil suportar a ausência dela.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Abr 11, 2017 8:36 pm

O discurso de Connor soava tão irreal que durante um período longo demais, Michaela permaneceu sem ação, sentada no sofá com o queixo caído, esperando pelo momento que uma risada cortasse o silêncio do apartamento para desfazer aquele mal-entendido.

Mas não houve risada nenhuma, para que ela finalmente compreendesse o que estava acontecendo. E embora Ward estivesse falando sério, ainda parecia que ela estava vivendo uma grande e cruel piada.

O impulso havia feito Moccia deixar a festa e fugir com Ryan até a Califórnia. Mas a cada tentativa de investida do rapaz, Mika só pensava em como preferia ter continuado no jantar. Ela e Connor provavelmente protagonizariam mais alguma briga e logo estariam nos braços um do outro. Durante toda a noite, ela encarou o próprio erro com amargura, escapou de cada uma das indiscretas investidas de Ryan e esperou pelo momento que pudesse rever Connor.

Embora ainda não estivesse pronta para rotular o que estava sentindo, ela não tentava mais negar para si mesma que queria a companhia de Connor, que gostava de estar com ele. E como uma grande ironia do destino, ele parecia ter escolhido aquele momento para colocar um fim no confuso relacionamento entre os dois.

- Você está terminando comigo?

A descrença estava evidente em cada um dos traços de Michaela. Aquela era, sem dúvida, a sensação mais inédita que Connor a fazia experimentar, assim como a mais amarga. Mika não estava acostumada a receber um “não”. E por mais que uma parte dela implorasse para que ela tentasse acertar as coisas com o gerente, seu orgulho não estava pronto para ser pisoteado ainda mais.

Ainda com uma expressão de espanto, Mika se levantou, parecendo ainda menor e simples com as roupas improvisadas daquela manhã. Mas nem mesmo o penteado bagunçado ou as peças de roupa simples eram capazes de fazê-la se sentir mais humilde.

- Você está terminando comigo e me expulsando da sua casa?

Uma das mãos da menina foi erguida no ar para se referenciar ao apartamento de Connor. Por fim, uma risada sem ânimo escapou de sua garganta, fazendo seus ombros balançarem. Havia uma sombra de um sorriso nos seus lábios, mas nem mesmo um vestígio de humor.

Os lábios rosados foram espremidos quando Mika se deu por vencida. Ela queria de todas as formas possíveis não se sentir dão devastada, mas seu coração estava comprimido de uma forma que ela nunca havia visto antes. Com todo o seu esforço, ela lutou para não deixar transparecer para Connor o quanto ela estava sofrendo com aquela decisão.

- Está bem. Não é como se eu fosse sentir falta de um lugar como esse. – Com passos decididos e o nariz empinado, Mika caminhou até a porta e parou apenas quando seus dedos rodearam a maçaneta. – Pode jogar as minhas coisas fora, eu não preciso de nada que está aqui.

A forma com que Mika sustentou o olhar deixava claro que ela falava além dos pequenos objetos que foram sendo deixados no apartamento de Connor. A intenção dela era causar pelo menos uma parte da dor que estava sentindo. E pelos anos de prática sem se importar com mais ninguém, o sorriso que Michaela abriu realmente pareceu frio e insensível, escondendo a tristeza que estava sentindo.

- Boa sorte com a governanta. Ou com a garçonete. É o máximo que você vai conseguir.

Com uma expressão dura e cruel, Mika deixou o apartamento de Connor. No instante em que deixou o campo de visão do gerente do cassino, seu rosto se transformou para refletir a mágoa que estava sentindo. Não houve nenhuma lágrima derramada, o seu orgulho jamais aceitaria. Mas a sensação de vazio não era tão fácil assim de controlar.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Ter Abr 11, 2017 10:38 pm

O mesmo vazio se fez presente na vida de Connor Ward nos dias que se sucederam ao término do relacionamento com Michaela. O policial tentou concentrar todos os seus pensamentos no sucesso da missão Moccia, mas era inevitável que sua mente o levasse de volta até a filha de Don Alessio várias vezes ao dia.

Apesar das brigas constantes, do comportamento imaturo e imprevisível de Michaela e da fragilidade daquele relacionamento proibido, Connor sentia muita falta dela. Era terrível ir para casa depois de uma noite inteira de trabalho sabendo que Mika não apareceria naquela manhã, que ele não receberia uma ligação dela com alguma reclamação atrevida, que o perfume que ela deixara nos lençóis já havia desaparecido.

Era irônico que Connor se sentisse assim justamente pela filha de Don Alessio Moccia, era como se o destino tivesse resolvido puni-lo por aquele erro. Ward havia cometido o deslize de se envolver justamente com a herdeira dos Moccia, e agora sofria sinceramente com o fim daquele relacionamento que nunca deveria ter começado.

Aquela era mais uma noite normal no cassino. Como ainda era quarta-feira, o movimento não era tão absurdo, mas praticamente todas as mesas estavam cheias. Alguns clientes bebiam no balcão que rodeava o bar e uma pequena fila já se formava diante dos caixas para a venda de fichas para os jogos.

Como de costume, o gerente circulava pelo salão para garantir que tudo estava sob controle. Não parecia haver nada fora da rotina naquela noite. As vozes animadas dos clientes enchiam o salão e se misturavam ao som eletrônico das máquinas de caça-níquel. As luzes coloridas tornavam o ambiente ainda mais chamativo, assim como a música animada. Os seguranças estavam em seus postos e, como tudo estava tranquilo, nenhum deles parecia preocupado.

Ward, por outro lado, não pareceu tão despreocupado quando notou uma troca de olhares estranhos entre dois homens que ocupavam mesas distintas naquela noite. Podia ser apenas uma precaução exagerada de um policial acostumado a pensar sempre nos piores cenários, mas Connor não ignorou os próprios instintos quando puxou do bolso do paletó o rádio de comunicação interna.

- Fred...? Está me ouvindo?

- Fala, chefe! – a voz do outro rapaz soou mecânica de dentro do aparelho.

- Mesa doze. – o gerente fez uma pausa para que Fred ajustasse a câmera mais próxima ao local mencionado – O rapaz careca de jaqueta de couro.

- Aham, estou vendo. Está com uma mão péssima, coitado. Até a velhinha do lado ganharia dele.

- E agora a mesa nove. O cara ruivo com paletó azul e gravata lilás.

- Tô vendo. Ele precisa urgentemente de um consultor de moda. – Fred soou mais sério depois das brincadeiras – O que tá rolando? Acha que eles estão trapaceando, chefe?

- Não sei. Tem algo estranho aí, fique de olho. Percebi uma troca de olhares suspeita.

- Olhares suspeitos? Ah, chefe, pode ter sido só amor a primeira vista, não seja tão preconceituoso! Mantenha a mente aberta.

Connor soltou uma risada e sacudiu a cabeça para a câmera mais próxima. Definitivamente ele não havia pensado naquela possibilidade.

- Poupe-me da sua imaginação fértil, Fred. Apenas fique de olho, ok?

O rádio foi desligado antes de retornar ao bolso do gerente. Os olhos castanhos analisaram os dois homens mais uma vez, mas como ambos pareciam concentrados em seus respectivos jogos, Connor deixou aquela preocupação de lado para continuar a sua vistoria pelo salão.

Como já vinha se tornando um hábito, bastaram alguns poucos segundos de distração para que a mente de Connor novamente resgatasse na memória as lembranças de Michaela. O término já havia completado uma semana e, ao contrário das brigas anteriores, desta vez nenhum dos dois buscou por uma reconciliação. Ward já havia digitado dezenas de mensagens, mas sempre desistia da iniciativa antes de enviá-las.

Naquela noite, porém, a carência atingiu níveis tão preocupantes que Connor não resistiu à tentação de tirar o celular do bolso. No começo, ele apenas abriu a foto que Michaela usava no perfil do aplicativo de mensagens e admirou a imagem da menina. O mesmo aplicativo indicava que Mika havia estado online há mais de uma hora e, por já conhecer a rotina dos Moccia, Connor soube que ela estava jantando com o pai naquele exato momento.

E foi por isso que Ward cedeu à tentação de ligar para o número dela. Connor não queria conversar com Mika, muito menos planejava uma briga ou uma reconciliação. O gerente só precisava desabafar para tirar um pouco daquele peso dos ombros e seguir adiante sem ela.

Como Connor já esperava, a ligação foi encaminhada para a caixa de mensagens depois de várias chamadas e o rapaz respirou fundo antes de iniciar aquele discurso que ele não planejara antes.

- Oi, sou eu. Não vou tomar muito o seu tempo, eu só queria dizer que eu sinto muito pela forma como as coisas terminaram.

Mesmo que Michaela não estivesse do outro lado da linha, Ward sentia na pele a dificuldade daquela conversa. Era óbvio que ele não tinha pensado no que diria antes de ligar, já que as suas frases eram pontuadas por longas pausas, nas quais somente a música do cassino podia ser ouvida em segundo plano.

- Eu não queria te magoar. Eu estava me sentindo péssimo por tudo aquilo, mas eu não tinha o direito de te tratar daquela forma depois de tudo o que rolou entre a gente.

Ficou ainda mais claro que Connor estava deixando que as palavras jorrassem sem muito filtro quando o gerente permitiu que aquela confissão escapasse.

- Sempre deixamos claro que não era nada sério, mas eu acho que perdi o controle disso e me envolvi mais do que deveria. Eu aprendi a gostar de você. Muito, Mika. Por isso se tornou tão difícil me manter indiferente nesta...

O discurso de Connor foi bruscamente interrompido por uma gritaria generalizada. No segundo seguinte, o típico ruído de disparos ecoou na chamada, vindo de muito perto. O som áspero de algo sendo esmagado antecedeu o momento em que a ligação foi perdida sem que Ward concluísse as suas palavras.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Qui Abr 13, 2017 2:23 am

- Você sabe que poderíamos mudar o cenário de vez em quando, não é?

O sorriso torto brincou nos lábios de Cameron enquanto ele terminava de abotoar a camisa esverdeada em frente ao espelho, encarando o reflexo de Matilda ainda na cama. Os lençóis ainda alinhados mostravam que o casal não tinha ido além de alguns beijos corridos naquela noite, mas o suficiente para amarrotar as roupas de Lahey.

Como ainda estavam durante o horário de trabalho de Matilda, Cam sabia que não conseguiria ir muito além do que alguns poucos minutos para matar a saudade. Nos dias que passavam, ele e Belmont estavam cada vez mais em sintonia, de forma que sabiam exatamente o que esperar um do outro.

- Não que eu esteja reclamando... Ainda é melhor do que ser expulso com chutes no meio da noite.

Ele virou de costas para o espelho, a encarando diretamente. A camisa social estava por cima da calça, os cabelos ligeiramente bagunçados e mesmo com a expressão cansada, era possível notar o brilho diferente em seu olhar.

A verdade era que Cam não parecia se cansar da presença de Matilda. Os encontros entre os dois não era tão escancarado, principalmente porque Lahey sabia como a governanta gostava de manter a sua imagem profissional sob o teto dos Moccia. Mas a frequência e a intimidade que estavam criando era digna de ser chamada de um relacionamento.

As aulas de tiros continuavam após o expediente de Matilda, e era impressionante como ela estava cada vez melhor em seu desempenho. Para Cameron, ele apenas se deliciava em ver como a mulher séria se transformava com um largo sorriso sempre que acertava um alvo.

- Mas poderíamos tentar a minha casa da próxima vez. Ou um encontro. Você não teve a chance de experimenta aquele gnocchi.

Cam abriu os braços como se estivesse fazendo a oferta do ano. Mas a verdade era que ele ainda tentava sondar Matilda com o ocorrido da noite em que visitaram o restaurante dos Moccia. Por mais que sentisse que o relacionamento com Belmont estivesse evoluindo, o sexto sentido de Cameron não lhe deixava ignorar o fato de que havia alguma coisa errada que ele ainda não estava captando.

Os olhos azuis estavam atentos na busca de qualquer sinal no rosto de Matilda que pudesse explicar o que havia acontecido naquela noite. Porém, antes que ele pudesse vê-la tentar despistá-lo mais uma vez, o ruído familiar do celular vibrando sobre um móvel de madeira rompeu pelo quarto.

Durante os poucos minutos que havia conseguido roubar de Matilda, o celular havia tocado pelo menos três vezes. Em um fato inédito, Cameron silenciou o aparelho, se dando ao luxo aquele curto tempo com a certeza de que o mundo não acabaria. A insistência, entretanto, chamou a atenção de Lahey pela primeira vez.

Com uma ruga entre as sobrancelhas, Cam se aproximou do celular e desbloqueou a tela para ver que ele tinha perdido cinco ligações, além de quinze mensagens que piscavam com alerta. Conforme ia lendo as primeiras, de quase vinte minutos antes, Lahey arregalava os olhos.

- Merda! Como eu não vi isso antes???

Sem voltar o olhar para Matilda, Cam apenas agarrou o paletó largado na beirada da cama e correu para fora do quarto. Ele ainda tentava arrumar a gola quando alcançou a sala de jantar, o celular ainda em mãos e tão branco quanto um fantasma.

Don Alessio era um homem relativamente flexível para um mafioso. Dentro de casa, sua principal regra se resumia a não tratar de negócios durante as refeições. Mas nem por um segundo Cameron pensou em aguardar para envolve-lo naquela notícia.

- Cam, meu filho, não sabia que você estava aqui...

Alessio pousou o garfo e logo seu olhar deslizou até um ponto atrás de Cameron, encontrando Matilda. Um sorriso malicioso brincou em seus lábios, que ele logo tentou esconder com a taça de vinho.

- Don Alessio, precisamos conversar... – Cameron não tinha percebido até aquele momento o quanto estava ofegante. Seu peito subia e descia como se tivesse corrido uma maratona.

Por conhecer perfeitamente o seu homem mais fiel, Alessio sabia que não seria interrompido no meio de sua refeição se não fosse um assunto urgente. Os dois homens se encararam em silêncio por meros segundos até que Cam inclinasse a cabeça na direção de uma emburrada Michaela.

Moccia não precisou mais do que poucos segundos para empurrar seu prato para longe, dando por fim o seu jantar. O guardanapo de tecido foi jogado sobre a mesa e sua expressão já havia se transformado quando se voltou para a governanta.

- Matilda, la mia bela, por que não acompanha Mika até o quarto? Vocês podem terminar a sobremesa lá. Cameron e eu temos assuntos a tratar.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qui Abr 13, 2017 2:40 am

- Mika?

A entonação usada por Alessio Moccia naquela noite não deixava dúvidas de que aquela não era a primeira vez que tentava chamar a atenção da filha. Sentada ao seu lado na longa mesa de jantar, Mika arqueou as sobrancelhas até se virar na direção do pai, pela primeira vez notando que estavam falando com ela.

Assim como acontecera com Connor, havia se tornado rotina naquela última semana que os pensamentos da menina Moccia vagassem até as lembranças do gerente, mesmo que contra sua vontade. Mas diferente de Ward que tinha um trabalho para tentar escapar daquelas lembranças traiçoeiras, Mika descontava as suas frustrações em um péssimo humor que era destilado pela casa.

- O que?

A voz arrastada de Michaela era um sinal de que o mal humor estava adormecido em algum canto, dando lugar apenas a uma prostração. O peixe a sua frente já estava frio e destruído com as cutucadas do seu garfo.

- Perguntei se não tem uma festinha para ir ou algum amigo para visitar.

O retorno de Michaela após o desaparecimento no meio da festa da famiglia Moccia foi recebida por Alessio em um contraste de alívio e uma explosão que jamais havia acontecido antes. O grande mafioso poderia ser cruel com os seus inimigos e traidores, mas jamais havia erguido a voz para sua filha como acontecera na manhã após o término do relacionamento com Ward.

Naquele dia, não restou dúvidas de que o temperamento difícil de Mika também havia sido herdado do pai. Uma dúzia de xingamentos em italiano foi proferido, ameaças que envolviam amarrá-la pelo tornozelo e, por fim, Alessio se mostrou apenas satisfeito de que estivesse diante de uma travessura da filha e não de um atentado que poderia lhe roubar o seu bem mais precioso.

- Pensei que estivesse de castigo.

Um bico se formou nos lábios de Michaela, já com o indicio do comum mal humor que vinha atormentando a todos os presentes na mansão nos últimos dias. Alessio, por outro lado, abriu um sorriso carinhoso e ergueu a sua taça de vinho antes de responder a mesma frase repetida pela filha sempre que ele lhe ameaçava colocar de castigo.

- E eu pensei que você não tivesse idade para ficar de castigo.

- Não tenho. – Mika se remexeu em seu lugar, levemente arrependida por estar descontando no pai as suas frustrações. – Mas também não estou com vontade de festa alguma. Principalmente se você me obrigar a ir com aquele segurança estúpido.

- Leoncio é necessário, Mika... quantas vezes eu vou precisar...

A voz de Don Alessio morreu quando o jantar foi abruptamente interrompido pela chegada de Cameron e Matilda. Sem ao menos disfarçar sua insatisfação com a governanta, Mika empurrou seu prato de peixe para longe e bufou, girando os olhos.

Embora Belmont não tivesse feito nada que realmente justificasse o comportamento de Moccia, a governanta era uma das pessoas que mais sofria com o seu terrível humor naquela semana.

Uma parte de Michaela sabia que o fim do relacionamento com Connor era responsabilidade apenas dos dois. Desde o começo, ela já sabia que não haveria futuro algum naqueles encontros proibidos. Mas a parte imatura de Moccia insistia em colocar a cabeça de Belmont como a culpada de toda a sua tristeza. Na cabeça de Mika, Matilda era uma concorrente que havia jogado charme para Connor e, quem sabe, até não estivesse protagonizando as novas visitas ao escritório dele.

Com um bico nos lábios, Mika acompanhou o diálogo entre Cameron e seu pai. No instante em que foi “convidada” a deixar a sala de jantar, um alerta soou em sua cabeça. Ela não se lembrava de uma única vez que Don Alessio Moccia tivesse interrompido suas refeições para falar de trabalho.

- O que está acontecendo?

- É uma conversa de adultos, bambina.

- O que houve, Cam? – Mika sustentou o olhar com Lahey, notando o quanto ele ficava mais e mais desconfortável.

- Não é nada, Mika. Pode subir. Eu só preciso falar com o seu pai sobre alguns assuntos do cassino.

As sobrancelhas loiras franziram e Mika se inclinou para frente, apoiando as duas mãos na longa mesa de madeira. Cameron poderia ser muito bom no que fazia, mas soava como um péssimo mentiroso naquela noite.

- Eu não acredito. Você não atrapalharia o jantar para falar de assuntos do cassino. Desde quando você se envolve nos “assuntos do cassino”?

- Michaela. – Don Alessio já havia se colocado de pé e encarava a filha com seriedade. – Há assuntos da famiglia que eu prefiro tratar com o Cameron apenas, está bem? Se ele veio até aqui a essa hora, é porque realmente é importante. Certo, Cam?

- Muito importante. – O olhar ansioso de Cameron não era comum para alguém profissional como ele, o que só fez com que Alessio apressasse seus passos para segui-lo para fora da sala de jantar.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Qui Abr 13, 2017 3:46 pm

Cameron Lahey era como uma droga absurdamente viciante. Matilda havia experimentado uma vez por diversão, mas agora não conseguia fugir para longe daquela tentação. Mesmo sabendo o quanto aquele relacionamento era errado e prejudicial, a governanta se via cada vez mais mergulhada naquele jogo perigoso que obviamente não terminaria bem para nenhum dos envolvidos.

Sempre que estava sozinha, Matilda refletia sobre o segurança e concluía que o mais sensato seria colocar um ponto final naquela relação. Mas bastava um toque de Cameron, o som da voz grave dele ou o perfume do segurança para que aquela determinação fosse varrida para a parte mais sombria e distante da mente de Belmont. Nos braços dele, Matilda se esquecia de todo o resto. A missão de Connor deixava de ser o foco dela, o passado de Lahey evaporava, não existia a mãe biológica para atormentá-la. Só o que importava era estar com ele.

Somente Cameron era capaz de tirar da governanta aquela máscara de seriedade e eficiência que ela desfilava pela mansão dos Moccia. Naquela noite, Matilda ainda não havia terminado todas as suas tarefas na casa quando permitiu a si mesma uma pausa. Quando o segurança entrou sorrateiramente na cozinha e a puxou pela cintura, Belmont se deixou levar para mais alguns minutos nos braços de Cameron.

Tinha tudo para ser mais uma das tantas escapadas que os dois protagonizavam nos últimos dias. Mas daquela vez os dois não se despediram com um beijo apaixonado e com a promessa de continuarem aquela brincadeira mais tarde. A mudança drástica na expressão de Lahey depois que o segurança leu as mensagens no celular não deixou nenhuma dúvida de que algo muito sério havia acontecido.

A governanta seguiu os passos apressados de Cameron até a sala de jantar enquanto deslizava as mãos no vestido preto amassado, em uma tentativa de amenizar um pouco o estrago depois dos últimos minutos na cama. Era óbvio que algum problema havia acontecido, mas Matilda sentiu o chão sumir sob os seus pés quando o segurança mencionou o cassino.

A consciência pesada de Belmont fez com que Matilda imaginasse o pior cenário: alguém havia descoberto o disfarce de Connor e avisara Cameron de que havia um policial infiltrado na famiglia. O coração da governanta se acelerou dolorosamente, mas ela se obrigou a exibir um sorriso mecânico nos lábios. Se quisesse sair viva daquela casa, Matilda não podia deixar que ninguém percebesse que Connor não estava sozinho naquele jogo perigoso.

- Suba para o seu quarto, Srta. Moccia. Eu vou pedir que a Tracy leve a sobremesa até lá.

É claro que Matilda havia notado que Michaela estava ainda mais insuportável nos últimos dias, especialmente com ela. Contudo, Belmont jamais associaria aquele comportamento a Connor Ward. Na cabeça da governanta, Mika era só uma menina mimada que enxergava Cameron como um irmão mais velho e estava irritada por ter que dividir a atenção dele com uma mulher.

Sem esperar pelas típicas respostas atrevidas de Michaela, Matilda deu as costas à garota. De forma inédita, a governanta desobedeceu às ordens de Don Alessio e, ao invés de acompanhar Mika até o segundo andar da casa, Matilda seguiu os passos dos dois homens até o escritório. Era uma jogada arriscada, mas Belmont precisava saber o nível do estrago já causado. Se ainda houvesse alguma chance para Connor, Matilda arriscaria o próprio pescoço e avisaria o irmão para que Ward fugisse antes que Moccia pusesse as mãos dele.

Foi preciso policiar os próprios passos para que o som dos saltos não alertasse os dois homens de que eles estavam sendo seguidos. Sem nenhum pudor, Matilda encostou uma das orelhas na porta fechada do escritório. A madeira maciça de excelente qualidade bloqueava a maior parte dos sons vindos do interior do cômodo, mas a governanta captou algumas palavras soltas na voz exaltada de Don Alessio.

Ao notar que os dois homens estavam prestes a sair do escritório depois daquela breve conversa, Belmont acelerou seus passos de volta até a sala de jantar. A governanta esbarrou com Michaela ao fim do corredor e, embora as duas estivessem muito longe de ser amigas ou confidentes, o desespero de Matilda fez com que ela deixasse as palavras escaparem.

- O cassino foi invadido! Houve um tiroteio! – foi impossível disfarçar a camada de lágrimas que cobriu as íris castanhas – Cam disse que não foi um assalto. Atiraram contra os funcionários como se fosse uma retaliação aos Moccia.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Qui Abr 13, 2017 5:10 pm

Um grito agudo interrompeu o desabafo que Connor fazia ao celular. Os olhos castanhos imediatamente se viraram na direção de onde viera o grito, já imaginando que seria mais uma das típicas brigas que aconteciam quando alguém era pego trapaceando em uma das mesas de carteado. O que o gerente viu, contudo, foi o mesmo rapaz careca que ele citara no rádio de comunicação empunhando uma metralhadora.

Tudo aconteceu em frações de segundo, mas para Ward as cenas se desenrolaram em uma torturante câmera lenta. O instinto aguçado de um policial bem treinado fez com que Connor se jogasse no chão e rolasse pelo carpete vermelho do cassino enquanto os disparos eram efetuados em todas as direções. O celular escapou dos dedos do gerente e foi pisoteado por uma das tantas pessoas que começaram a correr loucamente em busca da porta de saída.

A adrenalina se espalhou por todas as veias de Connor enquanto ele se arrastava pelo chão, tendo como obstáculos os corpos de clientes e colegas atingidos pelos disparos. A voz de Fred estava completamente histérica quando ecoou do radinho ainda preso ao bolso interno do paletó do gerente.

- CHEEEEEFE! CHEEEEFE! VOCÊ ESTÁ AÍ??? O QUE EU FAÇO, O QUE EU FAÇO??? EU NÃO SEI O QUE FAZER!!!

Escondido atrás de uma das máquinas de caça-níquel, Connor sacou o rádio. Os tiros ainda ecoavam vindos de vários pontos do salão, sinal de que os seguranças do cassino provavelmente estavam respondendo à agressão com a mesma violência dos invasores.

- Empurre aquele arquivo de metal até colocá-lo em frente à porta da sua sala. Fique de olho nas câmeras e ligue pro Cameron!

- CHEFE, CADÊ VOCÊ? – a pausa indicou que Fred tentava localizar Connor nas telas das câmeras de segurança – ESTÁ FERIDO?

A pergunta fez com que Ward analisasse o próprio corpo. A calça estava manchada de vermelho, mas Connor tinha certeza de que aquele sangue não era dele. O gerente havia escapado dos primeiros disparos, mas certamente não sairia vivo daquele ataque se continuasse escondido, completamente vulnerável.

- Fred, me escute. Você precisa ficar calmo e me ajudar, ok? Olhe para as câmeras. Você precisa me dar a localização de algum segurança ferido.

- O QUE??? – o rapaz continuava completamente fora de si – PRA QUE ISSO, CHEFE? VOCÊ PRECISA FUGIR!

- Fred! – a voz de Connor soou mais firme – Apenas faça o que eu estou dizendo, ok?

Os olhos esverdeados atrás das lentes vasculharam a enorme tela que Fred tinha diante de si. A tela era subdividida em vários quadrados, que mostravam a ele as imagens formadas pelas dezenas de câmeras de segurança espalhadas pelo salão. A confusão era generalizada. Muitos corpos estavam caídos sobre as mesas, sobre o balcão de bebidas e no chão. Além dos dois clientes mencionados por Connor no início daquela noite, havia mais quatro ou cinco homens carregando armas pesadas e atirando em todas as direções. Os seguranças do cassino atiravam de volta com ferocidade e os corpos que eram derrubados pelos tiros acabavam sendo pisoteados pela manada de desesperados que tentavam escapar da confusão.

Diante do caos, Fred demorou quase um minuto inteiro até dar a Ward a resposta solicitada pelo gerente.

- Chefe! O Justin está caído perto do banheiro feminino da ala leste. Não consigo ver se ele está respirando, ele está de bruços!

Com uma careta, Ward agradeceu antes de desligar o rádio. O gerente estava num ponto oposto do salão, mas sua única chance era chegar até o segurança ferido.

Fred estava tentando ligar para o celular de Cameron pela terceira vez quando o queixo do rapaz despencou com a imagem que surgiu em uma das câmeras. Os olhos verdes se arregalaram e ele sacudiu a cabeça, sem acreditar que Connor estava irrompendo pelo salão na direção do banheiro feminino. Alguns disparos foram feitos na direção do gerente, mas era impressionante a habilidade de Ward em se desviar dos tiros ou esconder-se atrás de anteparos antes de ser atingido.

Quando finalmente localizou o segurança mencionado por Fred, Connor caiu de joelhos ao lado dele. Justin não respirava e, quando virou o corpo do rapaz, Ward soltou um gemido de pesar diante dos olhos vidrados e do ferimento circular no meio da testa do jovem segurança. Por mais que lamentasse aquela morte violenta, Connor não podia perder tempo. Suas mãos tatearam os bolsos de Justin até encontrar uma arma e uma carga extra de munição.

- Mas o que você vai fazer...? – Fred murmurou para si mesmo enquanto acompanhava as imagens a sua frente – Chefe, você não sabe atirAAAAAAAR!

A frase de Fred terminou em um berro de pavor e surpresa enquanto ele assistia Connor se juntando ao tiroteio. O gerente não só sabia atirar, como demonstrava um desempenho superior ao dos seguranças bem treinados que defendiam o império dos Moccia naquela noite.

Ward segurava a arma como um atirador profissional, sabia se posicionar no meio daquela confusão e não errava um disparo sequer. O queixo de Fred quase atingiu o peito do rapaz quando Connor, há mais de trinta metros de distância, disparou um tiro certeiro na cabeça do rapaz careca que empunhava a metralhadora. E Fred ficou ainda mais chocado quando a munição de Connor acabou e o gerente conseguiu destravar e recarregar a arma em dois segundos, como se já tivesse feito aquilo centenas de vezes antes.

Aos olhos da famiglia Moccia, Connor era somente um funcionário administrativo. O rapaz era habilidoso com as cartas, lidava bem com as contas, era organizado e contava com o apoio e a fidelidade dos funcionários do cassino. Mas, teoricamente, as qualidades do gerente não iam além disso. O próprio Ward dissera a Don Alessio que nunca havia segurado uma arma de fogo, mas a mentira foi escancarada naquela noite.

Com a ajuda do gerente, os seguranças executaram os cinco invasores armados. A confusão chegou ao fim em poucos minutos de batalha, mas um grande estrago já havia sido feito. Sete funcionários mortos, mais de uma dúzia de vítimas com ferimentos graves e uma quantidade ainda maior de clientes e funcionários com ferimentos leves. O salão estava destruído, o cheiro de sangue impregnado no carpete era insuportável.

Quando Cameron e Don Alessio chegassem ao cassino, já encontrariam o local cercado pela polícia. As luzes vermelhas dos giroscópios das ambulâncias iluminavam a rua e os feridos eram retirados em macas e encaminhados aos hospitais mais próximos.

A única vítima que se recusava a sair do local estava sentada em uma das macas. Só quando a adrenalina evaporou, Ward percebeu que havia sido atingido. O tiro de raspão no braço esquerdo era uma grande bobagem perto da tragédia ocorrida no cassino, mas o curativo empapado de sangue mostrava que o ferimento precisava de cuidados.

- Chefe!!! Você está bem???

Fred estava pálido como um fantasma quando desceu as escadas que separavam a entrada do cassino da calçada. Os olhos verdes se fixaram no ferimento do gerente, mas logo a voz de Connor mudou o foco da concentração do colega.

- Fred, eu preciso que você apague as imagens das câmeras que me registraram esta noite. Faça isso antes que Don Alessio chegue e antes que a polícia descubra a sua sala.

Não foi preciso fazer muitas perguntas para compreender aquele pedido. Fred só precisou de alguns segundos para concluir que Ward não queria que os Moccia descobrissem o quão habilidoso ele era com uma arma em mãos. É claro que o rapaz pretendia esclarecer melhor aquela história, mas não era um bom momento para conversas longas.

- Já gravei todas as fitas e apaguei o histórico. Também passei no seu escritório e limpei os documentos do cofre. – Fred indicou discretamente a mochila que carregava nas costas – A polícia não vai encontrar nada e o Cameron só vai ver o que eu quiser mostrar, chefe.

Era impressionante como a “famiglia” já estava bem adaptada ao estilo de vida da máfia. Mesmo sem receber nenhuma ordem naquele sentido, Fred havia limpado todas as evidências que a polícia procuraria naquela noite. Aquela união e a fidelidade dos funcionários de Don Alessio só dificultavam ainda mais a missão de Connor. Mas, naquela noite, Fred também mostrava que era fiel à amizade que nascera entre ele e Ward.

- Se alguém perguntar, você dirá que eu peguei a arma do Justin e não acertei nenhum tiro enquanto tentava fugir do salão, que eu quase coloquei tudo a perder e que foi uma grande surpresa me ver saindo vivo desta confusão.

- A sua versão dos fatos será mais convincente se você se mijar, chefe. – Fred abriu um sorriso mais leve antes de concordar com um movimento de cabeça – Ainda quero que me explique de onde veio o Chuck Norris que encarnou em você, mas podemos deixar esta conversa pra depois. – o rapaz olhou brevemente para o SUV preto que estacionava nas imediações – O Cam chegou.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Qui Abr 13, 2017 7:11 pm

Os dedos de Cameron estavam esbranquiçados devido a força que ele usava para segurar o volante. Os olhos azuis estavam presos no caminho a sua frente, mas ele não enxergava a iluminada Las Vegas. Todos os seus pensamentos estavam voltados apenas para uma verdade: ele havia fracassado.

Os Moccia haviam sofrido um atentado meses antes e até então ele não havia chegado a uma conclusão sobre o responsável que quase acabara com a vida de Matilda por um simples engano. Ao que tudo indicava, o atentado daquela noite poderia muito bem ser originado pelo mesmo responsável, que continuava em liberdade graças a sua incompetência.

Enquanto deveria estar dedicando todas as suas horas para proteger aquela família, à sua família, Cameron se deixara distrair pela companhia e pelos sentimentos que Belmont despertava. Como consequência, ele baixara a guarda e tornara os Moccia um alvo fácil.

Quando o SUV estacionou em frente ao cassino, as luzes que refletiam para todos os lados eram muito diferentes das cores neon que ele estava habituado. O clima mórbido já reinava na calçada sempre movimentada e o gosto de derrota ficou ainda maior quando Cam encontrou tantos policiais no que deveria ser o reinado dos Moccia.

Com exceção dos traidores e dos inimigos declarados, os policiais eram as pessoas menos desejadas pela “famiglia Moccia” e ter uma calçada cheia deles era péssimo para os negócios. E por uma falha do Cam, agora a segunda casa de Don Alessio estava sendo invadida por eles.

Os olhos de Alessio Moccia passaram lentamente pela entrada de seu cassino. A faixa amarela impedia que meros curiosos entrassem na cena do crime, mas não foi o suficiente para impedir o dono de atravessá-la. Cameron se apressou em seguir seus passos, mas no instante em que viu o interior do saguão, se arrependeu amargamente.

Por ser um homem experiente, Cameron já havia vivenciado cenas terríveis, dignas de pesadelos. Naquela noite, entretanto, os rostos que eram escondidos em sacos pretos pertenciam a amigos, membros da família que ele deveria ajudar a proteger.

Seu estômago se contorceu, e a mesma tristeza refletida nos olhos azuis também era encontrada nas íris esverdeadas de Alessio enquanto os dois encaravam a destruição do cassino. O sangue espalhado para todos os lados, máquinas e mesas destruídas, fichas derrubadas em meio aos corpos e marcas de tiros nas paredes. Era um cenário de guerra dentro de casa.

- Sr. Moccia?

Os olhos de Cameron continuaram presos no rosto de uma garçonete enquanto um perito terminava de fechar o zíper do saco preto. Don Alessio, ao seu lado, voltou sua expressão abatida e dolorida para o policial que havia se aproximado.

A voz do policial chegava aos ouvidos de Lahey, mas ele era incapaz de processar o que estava sendo dito. A postura formal e mecânica do homem mostrava que ele estava apenas fazendo o seu trabalho, de modo que Cam sabia que ele não se importava com aqueles mortos da mesma forma.

- Quantos mortos?

Don Alessio soava tão arrasadao que a culpa de Cam só crescia. Desta vez, entretanto, ele girou a cabeça para encarar o policial, angustiado com o que ouviria em resposta. O homem uniformizado hesitou apenas por um instante antes de confirmar.

- Contamos dezenove corpos. Sinto muito, Sr. Moccia. – O homem fez uma breve pausa antes de continuar o seu discurso mecânico. – Tenho certeza que o seguro irá cobrir...

Um sorriso sem vida cobriu os lábios de Don Alessio. Em resposta, ele apenas deu um leve tapinha no braço do policial antes de lhe dar as costas, sem se importar se estava sendo rude em não ouvir todo o seu script decorado.

Mais uma vez, Cameron se apressou para seguir os passos de Alessio, e quando estava longe o bastante de qualquer policial, ele deixou que sua voz engasgada escapasse dos lábios trêmulos. Para sua surpresa, havia um brilho pelas lágrimas que ele não derramaria dos olhos azuis.

- Eu vou fazê-los pagar. Eu não vou dormir, não vou comer até que o responsável por isso pague por tudo. É minha culpa e eu...

Lahey começava a se exaltar enquanto falava. Ele chegou a apontar para o próprio peito com a mão trêmula, mas Alessio o interrompeu com gestos lentos, apenas pousando os dedos enrugados no punho de Cam.

- Primeiro, nós cuidamos dos nossos mortos. Honramos cada um deles. Reerguemos nossos feridos.

O peito de Cameron se apertava diante da dor que o olhar de Alessio exibia. Mas como era de se esperar, o mafioso estava firme como uma rocha, colocando sua famiglia em primeiro lugar.

- Depois... – Ele fez uma pausa, o olhar se perdendo por um breve instante. – Bem, depois nós vamos cuidar de quem quer que seja o responsável. Até que ele se arrependa pelo resto de sua vida de ter mexido com a nossa famiglia.

Cam trincou os dentes quando sua visão captou mais um dos corpos escondido no plástico preto. Ele espremeu os lábios para conter a tristeza, a dor e a raiva até sentir o toque de Don Alessio em seu ombro, tentando passar um conforto que nenhum dos dois era capaz de sentir naquele momento.

- Agora vamos, garoto. Vamos até o hospital. Ainda há quem possamos ajudar.

No instante em que pisaram novamente na calçada, o olhar de Alessio pousou no rosto do gerente sentado em uma das macas. O mafioso não tentou esconder o seu alívio quando parou diante de Connor Ward.

- Fico feliz em ver a sua cara aqui fora, rapaz.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Qui Abr 13, 2017 8:07 pm

Connor Ward estava sozinho quando Don Alessio Moccia o localizou em meio ao caos formado nas imediações do prédio. Fred havia saído de cena sorrateiramente antes que algum policial decidisse inspecionar a mochila em suas costas. Como gerente do cassino e como uma das vítimas feridas no tiroteio, Connor não tinha a mesma opção do amigo e não podia simplesmente desaparecer sem que a sua ausência fosse notada.

E a grande verdade era que Ward não tinha mais energia para sair do lugar. Agora que a adrenalina não o acompanhava mais, o rapaz começava a sentir uma dor latejante no braço machucado. Suas pernas estavam doloridas depois dos momentos de ação e a oscilação da mente refletia a exaustão psicológica depois de tanta tensão. Como policial, Connor já vivera alguns momentos parecidos com o pesadelo daquela noite. Mas ele mentiria se dissesse que se tornara indiferente à morte. Apesar das mentiras que o levaram até a gerência do cassino, Ward conhecia as pessoas que agora eram enfiadas em sacos pretos e sofria sinceramente a perda dos colegas.

- Eu sinto muito, Don Alessio. Eu deveria ter percebido algo errado na movimentação desta noite. Eu poderia ter evitado tudo isso se estivesse mais atento aos detalhes.

- Eu quero que vocês parem de se culpar. – o plural usado por Alessio incluía Cameron naquele pedido – A culpa foi dos homens que apertaram o gatilho e das pessoas que ordenaram o ataque. Não é o momento de procurar culpados dentro da famiglia. Precisamos nos unir e nos reerguer.

Assim como Cameron, Connor se sentia culpado pelo ocorrido. Ao invés de confiar em seu sexto sentido, Ward deixou que sua mente se distraísse com as lembranças de Michaela. Se o gerente tivesse mantido o foco no comportamento suspeito dos dois homens, talvez aquela tragédia poderia ter sido evitada.

- Dio santo! Por que ainda está aqui, rapaz? Um médico precisa dar uma olhada neste curativo.

A exclamação de Alessio fez com que Connor voltasse a atenção para o próprio ferimento. O gerente já estava sem o paletó e a manga de sua camisa social branca fora cortada por um dos socorristas para que um curativo fosse feito no braço machucado. O tiro havia pegado Ward de raspão na altura do ombro, há poucos centímetros da cabeça do rapaz. As faixas que tapavam o ferimento já estavam úmidas de sangue e a palidez do rosto de Connor contribuía para intensificar a preocupação do mafioso.

- Eu estava esperando pelo senhor. Precisava dizer que está tudo sob controle. Eu pedi ao Fred que apagasse os registros das câmeras. Ele já foi embora levando cópias das filmagens e os documentos do cofre. E eu também precisava entregar isso...

Os olhos castanhos vasculharam o ambiente e Connor só levou a mão ao bolso depois de ter certeza de que nenhum policial olhava na direção deles. O revólver usado pelo gerente durante o tiroteio foi entregue a Cameron enquanto Ward explicava com um semblante constrangido.

- Era a arma do Justin. Eu estava perto dele quando tudo começou, vi quando ele foi atingido na cabeça. Achei que conseguiria ajudar, mas só consegui estragar ainda mais a parede com alguns disparos terríveis. Não sei mesmo como consegui sair vivo, Don Alessio.

O gerente introduziu a história que Fred reforçaria quando contasse aos Moccia o que vira nas câmeras. Caso alguma outra testemunha tivesse visto Connor atirando no meio da multidão, o gerente só precisaria manter a versão de que tentara ajudar, mas fora um grande fiasco.

- Justin e todos os outros receberão as merecidas homenagens e eu não deixarei suas famílias desamparadas. Mas agora você vai para o hospital, Connor. Eu me recuso a perder mais alguém nesta noite. – a voz do mafioso se reduziu a um sussurro – O seu trabalho não era atirar, então não se sinta culpado por ter falhado. Você e o Fred executaram com perfeição as suas respectivas funções e eu não me esquecerei disso.

Só quando as portas da ambulância se fecharam e o motorista ligou a sirene antes de dar a partida no veículo, Ward lembrou-se da ligação feita para Michaela naquela noite. O celular do gerente agora fazia parte do cenário de destruição do cassino e não existia a possibilidade de ligar para a garota avisando que ele estava bem.

Com um gosto amargo na garganta, Connor se perguntou se Mika ficaria preocupada ou se a menina simplesmente escaparia para mais uma festinha de Ryan depois de ouvir o seu desabafo.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sex Abr 14, 2017 3:57 am

Toda a cor escapou do rosto de Michaela quando as palavras de Matilda lhe atingiram como um soco no estômago. O mundo pareceu parar de girar por alguns segundos, esperando que ela absorvesse aquela realidade inacreditável e Mika chegou a desequilibrar um passo para trás.

- O quê?!

Não havia arrogância, chiliques ou o típico mau humor de Michaela Moccia quando seu rosto se contorceu em confusão. Pouco a pouco, as peças foram se encaixando. A forma abrupta com que Cameron havia interrompido o jantar, a preocupação estampada em seu rosto. Claro que precisava ser alguma coisa muito séria.

- Não. Não, não.

A cabeleira de Mika foi balançada de um lado ao outro quando ela entrou em negação. Os primeiros passos ainda foram dados desnorteados até que ela estivesse correndo escada acima, na direção do próprio quarto.

Como já havia alcançado o segundo andar, Mika não viu quando Alessio e Cameron deixaram o escritório. O dono da casa já estava com um semblante transtornado quando seguiu pelo corredor, sem ao menos se dar conta de que Belmont estava ali e que não havia seguido uma de suas ordens.

Lahey, entretanto, parou no instante em que viu Matilda. Seu coração ainda estava acelerado quando ele a segurou pelo pulso, buscando o olhar dela com urgência. Era assustador como seu mundo havia se transformado em questão de minutos, e aquela era a única justificativa para não ter notado como a governanta também estava abalada.

- Aconteceu uma coisa no cassino. Eu não tenho tempo para explicar agora, Maty... Mas é grave. – Cam interrompeu as próprias palavras para procurar por algum sinal de Don Alessio, encontrando apenas o corredor vazio. – Eu deixei a sua arma em uma caixa no fundo do seu armário. Pegue ela e fique perto da Michaela.

Em um movimento rápido, Cameron puxou Matilda para perto de si, pressionando os lábios nos dela em um beijo ansioso. Ainda sem se afastar, Cam apoiou a testa na da governanta e continuou, os olhos azuis presos nas íris castanhas.

- Leoncio está lá fora, mas preciso que você e a Mika fiquem juntas. Se acontecer alguma coisa, qualquer coisa... – Cameron se calou diante da possibilidade de mais uma tragédia naquele dia e respirou fundo, deixando no ar aquele risco. – Eu confio em você, está bem?

Seus lábios depositaram um breve beijo na têmpora de Belmont, e no segundo seguinte seus braços já tinham soltado a governanta para que ele seguisse os passos de Don Alessio.

Alheia ao que se assava no andar inferior, Michaela entrou como um furacão no próprio quarto até agarrar o celular esquecido sobre a cama. O ícone do correio de voz foi ignorado quando ela procurou pelo nome de Connor. Diferente das tantas vezes daquela semana, Mika não ficou apenas encarando o nome da tela, sem coragem de completar a ligação.

No instante em que colocou o aparelho no ouvido, escutou a voz mecânica da secretaria eletrônica. Um urro de frustração escapou de seus lábios, mas Mika repetiu o gesto como se, como mágica, fosse receber um retorno diferente. A voz eletrônica serviu para irritá-la ainda mais.

- Seu grande idiota! Atende esta merda!

Uma terceira tentativa fez um urro ainda mais alto escapar da garganta de Mika. O celular foi arremessado contra a cama outra vez, mas sua atenção logo se voltou para a janela quando um barulho de carro se fez ouvir dos jardins.

A expressão de irritação foi substituída pelo espanto e Mika voou até as portas que davam para a sacada do seu quarto. Mesmo com o início da noite, a iluminação do jardim era suficiente para ver o SUV deixando os portões principais.

- Não, não, não! O que eles estão fazendo!?

Quando Mika se virou para correr inutilmente na direção do carro, ela percebeu que não estava mais sozinha. Toda a raiva e ciúmes que vinha sentindo por Belmont ao longo daquela semana havia desaparecido e a única coisa que existia em Mika era o desespero.

Ela não queria pensar em todas as brigas ou no quanto seu relacionamento com Connor não tinha futuro. Nada daquilo fazia sentido quando ela poderia tê-lo perdido de verdade. E foi apenas com a angústia lhe corroendo por dentro que Mika ignorou a presença da governanta e voltou a se agarrar contra o celular.

- Anda, Connor! Atende!

Suas mãos tremiam quando ela se sentou na beirada da cama, apenas para ouvir mais uma vez a secretária eletrônica. Ao invés do urro de frustração, um choramingo escapou dos seus lábios e Mika se deixou escorregar pelo colchão até se sentar sobre o carpete, com as costas na cama.

- Não faz isso comigo, seu grande idiota.

A reclamação desta vez soou como um choro para o aparelho em suas mãos. Ainda se sentindo arrasada, Mika ergueu os olhos úmidos para encarar a governanta, sem ao menos se importar se estava parecendo como uma louca.

- Você acha... – Os olhos claros pousaram em Matilda apenas para desviarem no segundo seguinte, envergonhada e ao mesmo tempo ansiosa por poder se apegar na resposta dela. – Acha que alguém pode ter se ferido? Se machucado de verdade?
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Sex Abr 14, 2017 4:41 am

- Com todo respeito, Don Alessio, eu ainda acho que não é uma boa ideia ficar andando por aí. Nós fomos pegos de surpresa, eu não posso garantir a sua segurança se insistir em não voltar para casa.

Pouco a pouco, a adrenalina começava a baixar e Cameron se sentia mais calmo. Seu corpo já não tremia e não havia sinal de lágrimas nas íris azuladas. Mas sua mente continuava agitada e ele parecia repentinamente esgotado, mesmo que ainda não tivesse no início da madrugada.

Em respeito a Alessio, ele não insistira em tocar no assunto vingança, mas a verdade era que Lahey não conseguia pensar em outra coisa. Ele precisava punir os responsáveis por toda aquela tragédia, pelas vidas perdidas e pelo abalo na família Moccia.

- Sí, sí, garoto. Capisco, sí! – O olhar cansado de Alessio estava preso em um ponto invisível na estrada enquanto Cam guiava pelas ruas de Vegas. – Mas o que você precisa entender é que não se trata de mim agora, ahn? Minha bambina está em casa e eu estou exatamente onde deveria estar. Com mia famiglia.

O mafioso deslizou o olhar vagarosamente e encarou o perfil de Cameron antes de completar com a voz rouca.

- Sabe de una cosa? Todos da famiglia são importantes para mim, Cameron. Todos! – Alessio ergueu o indicador com os seus famosos gestos exagerados. Ele baixou a mão em seguida, meneou a cabeça e concluiu em um tom de confissão. – Mas grazie a Dio que você e Michaela estavam longe de toda essa confusão. Grazie a Dio.

Cam sentiu um nó se formando em sua garganta diante das palavras de Alessio. Eram por momentos como aquele que era impossível ter dúvidas de que devia toda a sua fidelidade àquele homem. E era por essa fidelidade que ele se sentia um grande fracassado por ter falhado tanto com a família.

O hospital estava movimentado quando Cameron e Alessio entraram na recepção. A tragédia no cassino já era notícia em todos os televisores e os médicos e enfermeiros passavam apressados em busca do atendimento das vítimas.

A mulher por trás do balcão estava pendurada em dois telefones ao mesmo tempo, mas interrompeu todas as suas atividades quando notou quem estava diante de si. Em meio ao caos e a um dos seus paletós italianos, Don Alessio parecia como um velho senhor abalado que procurava informações.

Mas Cameron sabia que as únicas informações que Moccia queria era o que ele precisava fazer para deixar cada uma daquelas vítimas o mais confortável possível. Por isso, quando Alessio começou a falar com a recepcionista, Cameron se permitiu afastar alguns passos para buscar o celular.

A tragédia havia acontecido no cassino, mas a mente atenta de Lahey não permitia que ele relaxasse. Por ter descuidado, as coisas haviam chegado naquele ponto. Ele jamais se perdoaria se o drama daquela noite atingisse também a mansão. A simples ideia de ver Matilda envolvida em meio aquele pesadelo, ao sangue e aos plásticos pretos e mórbidos, e o chão desaparecia de seus pés.

Os olhos azuis passaram rapidamente pela tela da TV em uma sala de espera, onde a repórter exibia imagens da fachada do cassino, completamente isolado e ainda cercado de policiais. O som estava no mudo, mas a manchete anunciava o número de mortos como um castigo.

Os passos de Cam o levaram até o canto ao lado de uma máquina de cafés. Ele esperou que dois enfermeiros terminassem de se afastar para puxar o telefone do bolso e discar o número de Matilda.

Apenas alguns toques ecoaram até que a voz dela soasse do outro lado da linha, mas o tempo já foi suficiente para que ele se torturasse com teorias terríveis.

- Hey. Eu só queria ver se está tudo bem por aí.

De onde estava, Cam conseguia ainda enxergar o perfil de Alessio conversando com a recepcionista, por isso se sentiu confiante em continuar aquela conversa.

- As coisas ainda vão se arrastar por aqui. Don Alessio insistiu em vir no hospital onde trouxeram algumas vítimas, mas eu ainda tenho trabalho a fazer depois que deixá-lo em casa.

Um sorriso triste brincou nos lábios de Cam quando ele precisou reprimir a vontade de se agarrar a Matilda para fazer aquela angustia desaparecer. Ele tinha certeza que a presença de Belmont tornaria tudo melhor, e aquele era exatamente o problema. Ele não precisava se sentir melhor, e sim aproveitar toda aquela dor para caçar o infeliz que causara todo aquele pesadelo.

- Eu queria muito poder ser chutado para fora da sua cama essa noite, Maty... Mas não acho que vou conseguir. Apenas fique em segurança e me mantenha informado, está bem?
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Sex Abr 14, 2017 4:45 am

O metal gelado da arma fez Matilda estremecer por um breve momento, mas a governanta não tinha tempo para admirar o “presente” dado por Cameron. Mesmo depois de muitas aulas, Lahey ainda estava em posse da pistola e repetia que só a daria para a governanta quando Belmont estivesse um pouco mais adiantada nas lições. A emergência daquela noite, contudo, lançava todas as regras por terra.

Em menos de dois minutos, a governanta trocou o seu vestido comportado por uma calça jeans, uma camiseta lisa e um par de sapatilhas baixas. A arma foi enfiada em uma bolsa pequena, assim como o celular com o qual Matilda tentara inutilmente falar com o irmão. Assim como Michaela, tudo o que a governanta escutou foi a voz eletrônica que a encaminhava para a caixa de mensagens.

Alguma coisa havia acontecido com Connor, ele jamais a deixaria no escuro naquelas circunstâncias se estivesse em condições de atender o celular. Matilda não sabia se o irmão estava morto, ferido ou se simplesmente fugira no meio da confusão. Mas qualquer uma daquelas hipóteses colocava Belmont em uma situação delicada. Se Connor estava fora da missão, Matilda precisava escapar antes que a bomba explodisse e ela se visse sozinha diante da fúria dos Moccia.

A ideia inicial era muito simples. Matilda pretendia sair pelos fundos da casa, pegaria o primeiro táxi que passasse nas proximidades e se esconderia em algum hotel de segunda linha até ter notícias mais claras sobre o paradeiro do irmão. O segundo passo seria fugir de Las Vegas e torcer para já estar muito longe dali quando Don Alessio Moccia juntasse as peças e descobrisse a traição.

Os planos de Matilda, contudo, foram frustrados quando o urro de Michaela ecoou pela casa. A governanta recuou seus passos até o quarto da menina, com uma das mãos dentro da bolsa, pronta para sacar a arma e atirar contra um possível invasor. Mika era uma criatura mimada e insuportável, mas Belmont simplesmente não teria coragem de fugir deixando a garota à mercê de um sequestrador.

O que Matilda viu, contudo, foi ainda mais chocante que uma cena de sequestro. O desespero refletido nas íris verdes de Michaela não combinava com a típica postura da menina que nunca se importava com ninguém e que se julgava o centro do universo. Mika estava completamente transtornada naquela noite com a ideia de um tiroteio no cassino e ouvir o nome do irmão nos lábios da filha de Don Alessio Moccia só tornou a situação ainda mais bizarra aos olhos de Matilda.

Por alguns segundos, a governanta só assistiu à cena sem conseguir acreditar no que estava havendo. Mas que outra explicação poderia ter? Mika não agia como uma amiga angustiada ou como a filha do chefe preocupada com as repercussões daquele ataque. Ela parecia uma mulher totalmente desesperada diante da possibilidade de ter perdido um grande amor.

Quando finalmente acreditou na óbvia verdade que tinha diante de seus olhos, Matilda sentiu o estômago revirar em uma repulsa incontrolável. A única explicação sensata para aquela situação bizarra era Mika estar sendo usada por Connor. Belmont abominava a ideia de ver aquela menina sendo usada como peça de um jogo, de ter seus sentimentos alimentados por um homem que só a usava como um degrau para alcançar Don Alessio. Michaela era arrogante, desagradável e mimada, mas seus olhos úmidos naquela noite eram a prova de que a menina tinha sentimentos.

A consciência de Belmont, entretanto, logo exigiu que a governanta deixasse de ser tão rigorosa em seus julgamentos. Matilda era a última pessoa do universo com o direito de julgar o irmão. A situação dela com Cameron era praticamente idêntica ao relacionamento de Connor e Michaela. E se os sentimentos da governanta por Lahey se tornavam mais intensos a cada dia, por que não acreditar que Ward tivera o mesmo azar?

Os sentimentos de Connor pela menina eram uma incógnita para Matilda, mas a expressão desamparada de Mika não permitiu que a governanta tivesse dúvidas quanto a ela. Michaela estava apaixonada e reagia com o mesmo desespero que Belmont sentiria se fosse o celular de Cameron que estivesse incomunicável depois de um tiroteio.

Pela primeira vez desde que pisara na mansão dos Moccia, Matilda sentiu pena de Mika e conseguiu se colocar no lugar dela. Além do mais, Belmont precisava de notícias do irmão e não podia ficar de braços cruzados, esperando por mais uma tragédia.

- Sim, eu acho que muita gente se machucou, Mika. Muitas pessoas morreram.

A governanta não queria agravar o sofrimento da menina, mas não podia deixar que Michaela se consolasse com mentiras.

Se a filha de Don Alessio imaginou que Matilda seria mais uma das tantas pessoas que tentariam protegê-la sob aquele teto, certamente se surpreenderia com a proposta da governanta.

- Troque este vestido por roupas mais informais. Eu vou enrolar o Leoncio para conseguirmos sair pelos fundos. Não vou ficar aqui de braços cruzados esperando por notícias ou esperando que alguém tente invadir a casa. Venha comigo.

Enquanto Michaela se apressava para trocar suas roupas chamativas de sempre por peças mais discretas, a governanta tirou do bolso o celular que vibrava insistentemente. O nome de Cameron não foi uma surpresa, mas Matilda se mostrou decepcionada com aquela ligação. Tudo o que ela queria era ouvir a voz de Connor lhe dizendo que estava tudo bem.

- Está tudo calmo por aqui. Não precisa ter pressa, eu tenho tudo sob controle.

A culpa se espalhou pelo peito de Belmont com aquela mentira, mas a última coisa que Cameron precisava era uma dose extra de angústia naquela noite. Se o segurança soubesse que Matilda planejava uma fuga e que levaria Mika consigo, Lahey certamente surtaria sob tanta pressão.

Não havia nenhuma maneira de perguntar diretamente por Connor sem levantar suspeitas. Se Matilda perguntasse pontualmente pelo gerente, Cameron voltaria a pensar que ela estava interessada em Ward ou pior, perceberia que havia algo a mais naquele relacionamento. Mas a mente astuta da governanta logo criou a estratégia perfeita para aquele impasse.

- Você precisa que eu faça mais alguma coisa, Cam? Eu posso tentar ir ao cassino para resgatar alguma evidência. O gerente provavelmente não teve tempo de limpar os armários...

Belmont notou que Michaela interrompeu os movimentos para encará-la quando Connor foi mencionado. Os olhos verdes brilhavam com expectativa quando Matilda se despediu de Lahey e desligou o celular.

- Cam não entrou em detalhes. Só disse que ele está ferido e foi levado para o hospital.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sex Abr 14, 2017 5:40 am

Os olhos úmidos estavam arregalados diante da oferta de Matilda. Depois de ter passado a última semana infernizando a vida da governanta, era de se admirar que Belmont agora estivesse lhe dando qualquer tipo de apoio. Talvez, Se Mika tivesse metade da mente maliciosa de Cameron, poderia até ter cogitado alguma conspiração por parte da morena e que no final tudo aquilo era mais um movimento de um jogo cruel contra os Moccia.

Mas a inocência e o desespero de Michaela só faziam com que ela pensasse em Connor. Por isso ela não pensou duas vezes em remexer os cabides atrás de roupas que não fossem chamativas. Ela já havia enfiado a calça legging preta pelas pernas curtas e jogado o vestido sobre o carpete. Uma camiseta branca foi enfiada pela sua cabeça, bagunçando os cachos loiros, e ela só interrompeu o movimento de vestir uma camisa de flanela vermelha quando percebeu o que Matilda estava fazendo.

Seu coração chegou a falhar uma batida enquanto esperava por qualquer novidade e Mika só percebeu que prendia a respiração quando finalmente ouviu que Connor estava vivo. Ela não tinha notado até então o quanto estava tensa, mas ainda não era possível se contentar com aquela meia dúzia de palavras.

- Como assim, ferido? Quão ferido?

Imagens de Connor em uma mesa de cirurgia em estado crítico começaram a assombrar Mika, e o desespero de minutos antes voltou a reinar. Aos tropeços, ela calçou um par de sapatilhas e não se preocupou em buscar pela bolsa, se agarrando apenas ao celular esquecido sobre a cama.

- Ferido, do tipo, torceu o pé? Ou ferido com uma bala no peito?

Era óbvio que a governanta não tinha as respostas, já que as duas tinham acesso a praticamente as mesmas informações desde que aquele pesadelo começara. Mas a urgência em ter notícias de Connor começava a lhe segar.

- Bom, não fique aí parada! O que está faltando para me levar até esse maldito hospital?

As ordens de Michaela poderiam soar como a menina arrogante de sempre, que precisava que seus desejos fossem atendidos de imediato. Mas naquela noite, diferente de todas as vezes que Mika havia agido apenas como uma pessoa egoísta que gostava de incomodar as pessoas, ela só precisava chegar até Connor.

Como fugir de Leoncio já havia se tornado uma especialidade para Michaela, naquela noite, mesmo com toda a tensão, não foi difícil enganar o segurança dizendo que Matilda apenas estava seguindo ordens de Don Alessio para ir até o cassino. Tudo o que Mika precisou fazer foi se esconder no banco traseiro do carro que Belmont assumiu a direção.

Apenas depois de ter atravessado os portões do condomínio, Mika saltou para o banco da frente. Ainda havia uma ruga entre as sobrancelhas que reforçava a expressão angustiada, e mesmo já sabendo o que aconteceria em seguida, ela discou o número de Connor mais uma vez, recebendo como resposta a voz eletrônica da caixa de mensagens.

Enquanto Matilda dirigia, os olhos verdes baixaram para encarar a tela do celular, em um pedido mudo para que um milagre acontecesse e ela pudesse falar com Connor outra vez. Se ela tivesse ao menos mais uma chance, não deixaria escapar a oportunidade de dizer o que realmente sentia por ele. De dizer que não importava se ele fosse um simples gerente e que os dois pertenciam a mundos completamente diferentes.

Ele a fazia se sentir de uma maneira especial que ninguém mais era capaz, e não precisava obedecer às suas ordens e atender seus charmes para isso. Connor a fazia feliz, mesmo em meio as brigas. Apenas o gerente do cassino tinha o poder de transformar a sua vida fácil em um desafio cheio de emoções.

Pela primeira vez naquela noite, Mika notou o ícone do correio de voz no canto superior do celular. Com uma ruguinha de curiosidade entre as sobrancelhas loiras, ela discou para a caixa de mensagens e apoiou o celular em seu ouvido.

No instante em que escutou a voz de Connor, seu coração deu um salto. Por um segundo tolo, ela chegou a acreditar que aquela mensagem havia chegado após toda a confusão. Mas o som dos gritos e do disparo que interrompeu as doces palavras de Ward fez com que ela desse um salto no banco do carona.

Os olhos verdes voltaram a encarar o celular, desta vez assustados, como se ela também estivesse em meio ao tiroteio. E mesmo sabendo que estava perfeitamente segura dentro de um carro e que o tiroteio já havia chegado ao fim, Mika não conseguia ignorar o pânico que sentia por Connor ter vivido aquelas horas de terror.

- Matilda... – Mika chamou pela motorista, mantendo os olhos na rua a sua frente. – Você gosta mesmo do Cam?

Por mais que Lahey e Belmont fossem discretos, Michaela conhecia o rapaz como se fosse seu próprio irmão, e sabia que ele não era indiferente à governanta.

- Porque se você gosta, eu sinto muito por você. – Ela girou o rosto para encarar Matilda, e logo explicou o seu ponto de vista. – Connor é só um gerente. E eu não digo isso como pejorativo. Eu estou feliz que ele seja só um gerente...

Um sorriso triste brincou nos lábios de Michaela e ela se assustou quando uma lágrima escorreu pela sua bochecha. Com o dorso da mão, ela a secou rapidamente, fungou e então continuou.

- Cameron está sempre envolvido em coisas como a de hoje à noite. E se você realmente se importa com ele, você precisa entender essa vida. Ou você vai surtar sempre que algo assim acontecer.

Mika precisou enxugar uma nova lágrima que havia rolado, e ainda estava fungando quando o carro parou diante do hospital. Para imensa sorte da menina Moccia, não havia sinal de Cameron ou Don Alessio quando ela irrompeu pela recepção, e também foi graças ao intenso movimento que os funcionários não notaram quando ela seguiu pelo corredor.

A menina teria seguido até o fim se não tivesse vislumbrado o perfil de Cameron no final da sala de espera. O lugar começava a encher, mas não havia sinal de seu pai por perto. Ainda assim, Michaela tinha certeza que Cam a arrastaria pelos cabelos até em casa se a encontrasse ali, e foi com a intenção de fugir de Lahey que a menina virou a esquina na direção oposta.

Algumas macas estavam espalhadas pelo largo corredor. Médicos e enfermeiros ainda se atropelavam e ela quase foi derrubada por um médico em particular que saiu às pressas de um dos quartos. Mika cambaleou para trás e estava prestes a soltar um xingamento em italiano quando sua visão periférica captou o interior do quarto.

Mika não tinha a intenção de vasculhas o hospital inteiro atrás de Connor. Ela sabia, principalmente se o rapaz estivesse em alguma sala de cirurgia, que aquilo seria impossível. Só o que precisava era de alguma pista que a ajudasse a localizá-lo antes de ser notada por Cameron e Alessio. Por isso, Mika não acreditou na própria sorte quando encontrou Ward no interior do quarto.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Sex Abr 14, 2017 3:33 pm

- Já chega! Você vai sair daqui conosco e nunca mais vai pisar no cassino dos Moccia!

A voz irritada de Dennis Flynn ecoou pelo quarto do hospital. Como todas as vítimas do atentado ao cassino, Connor Ward ocupava um confortável apartamento particular bancado por Don Alessio Moccia. Além de Flynn, Rachel Walsh estava de braços cruzados em frente à porta trancada. Foi a policial que fez um gesto para que o chefe não se exaltasse a ponto de ser ouvido dos corredores.

- Eu estou beeeem. – Ward girou os olhos e deu um tapa no ar – Foi só um tiro de raspão, Flynn! Não precisamos desistir da missão por causa de uma bobagenzinha dessa.

- Bobagem??? – Dennis novamente se descontrolou, mas um novo gesto de Rachel obrigou o policial a reduzir o tom de voz – Mais alguns centímetros e a bala teria entrado na sua testa, Connor! Ao invés de planejar a sua fuga estaríamos fechando os detalhes do seu velório!

- Eu estou vivo, estou óóóóótimo! – Ward piscou algumas vezes para tentar corrigir a visão borrada – Talvez um pouco grogue por causa desses analgésicos, mas a gente apostou todas as fichas nisso! Não podemos desistir agora que já cheguei tão longe, cara! Eu estou disposto a ir até o fim, Flynn... Fim-Flynn, fim-Flynn... Nunca tinha reparado, seu nome tem um som maneiro, cara.

Os olhos castanhos buscaram em Rachel algum apoio, mas a colega parecia indecisa. É claro que Walsh desejava o sucesso da missão, mas aquele atentado só provava que Connor estava se expondo a muito perigo. Depois de alguns segundos de reflexão, a moça ergueu um dos ombros antes de tomar a palavra.

- O Connor sabe o que faz, Flynn. Ele já provou que merece a nossa confiança. Se ele diz que pode continuar, não vejo razão para recuarmos.

- Muuuuuuuito obrigado, Rach! – o polegar de Ward se ergueu e ele abriu um sorrisinho meio ébrio – Você brilhou mais que o sooool!

- Por outro lado, ele é um bebezão criado no leite que fica dopado com uma dose de analgésicos. – Rachel não conseguiu conter um risinho – Sugiro que tenhamos esta conversa amanhã, quando o Conn estará sóbrio para tomar uma decisão sensata. Já estendemos demais esta visita e precisamos ir antes que alguém desconfie de algo, Flynn.

A expressão de Dennis mostrava que o chefe ainda não estava satisfeito com aquela decisão, mas realmente era mais sensato sair logo do quarto. Connor precisava descansar e eles não chegariam a nenhum lugar enquanto Ward continuasse sob o efeito dos analgésicos. Além do mais, o hospital estava lotado de membros da “famiglia” Moccia e era importante manter o disfarce do gerente até que eles decidissem o destino daquela missão.

Depois que foi deixado sozinho no quarto, Connor se rendeu ao efeito dos analgésicos e adormeceu. Seus sonhos agitados pareciam alucinações que misturavam as cenas do tiroteio, com Matilda sendo torturada por Cameron e com Michaela se divertindo nos braços de Ryan.

Aquele pesadelo longo e bizarro chegou ao fim quando a porta do quarto foi novamente aberta por um dos médicos. Os olhos castanhos se entreabriram, sonolentos, enquanto o médico trocava o soro vazio por mais uma dose da medicação. A visão turva do gerente se manteve fixa na bolsa de soro e só entrou em foco quando uma cabeleira loira surgiu à frente dele.

Aquela “nova” Michaela era real demais, mas a mente confusa de Ward não deu crédito à visão do rapaz. Depois de encará-la por vários segundos com um semblante abobado, um risinho embriagado escapou dos lábios de Connor e ele novamente olhou para a medicação pendurada em um suporte ao lado da cama.

- Eeeeitcha-lê-lê! Esse troço é forte mesmo... Será que me deixam levar uns pra casa?

Não havia nenhum ferimento na cabeça de Ward que justificasse aquele comportamento anormal e a voz arrastada. Exceto por algumas escoriações leves, pelo curativo no ombro esquerdo e pelo braço imobilizado, Connor parecia totalmente inteiro. O indicador livre do rapaz cutucou a barriga de Michaela e, mesmo em contato com o corpo sólido, Connor ainda não se convenceu de que a menina era real.

- Você é uma péssima Mika-imaginária! Terá que se esforçar beeeeeem mais para ser convincente. A Mika-Mika já estaria brigando comigo. A minha bambina é uma maluca, mas eu também sou louquinho por ela.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Sex Abr 14, 2017 5:30 pm

“Você gosta mesmo do Cam?”

As palavras de Michaela continuaram ecoando na mente de Matilda mesmo depois que a menina saiu do carro e sumiu de vista, misturando-se à aglomeração que se formava na entrada do hospital. Mika começara a tagarelar e não dera à governanta a oportunidade de responder, mas a grande verdade é que Belmont não tinha uma resposta pronta para aquela indagação.

Enquanto procurava uma vaga discreta no estacionamento do hospital para que o Porsche prateado dos Moccia não chamasse tanto a atenção, Matilda refletiu sobre o discurso de Mika. O relacionamento com Cameron havia entrado em uma espécie de piloto-automático no qual Belmont não se permitia pensar muito nas consequências de suas escolhas. Sempre que refletia a respeito, Matilda se concentrava apenas no quanto era errado misturar a missão de Connor com aquele romance. Era a primeira vez que os pensamentos da governanta iam além e ela se questionava se estava pronta para aceitar a vida arriscada do segurança.

A angústia que se espalhou pelo peito de Matilda quando sua imaginação forjou um cenário no qual Cameron saía gravemente ferido de um tiroteio era a resposta mais sincera à pergunta de Michaela. Sim, ela gostava mesmo dele e enlouqueceria de desespero se alguma tragédia acontecesse a Cam. Belmont jamais se acostumaria com a ideia de que Lahey vivia constantemente sob perigo e que poderia não voltar vivo para casa depois de algum trabalho.

O aperto no peito da governanta se intensificou quando Matilda se deu conta de que havia a chance de Cameron ser morto pelos mesmos policiais que ela indiretamente ajudava desde que concordara em participar da missão de Connor. Quando procurou por um emprego na mansão dos Moccia, Belmont só pensava em ajudar o irmão para que a missão de Ward fosse finalizada mais rapidamente e Connor se livrasse daquela tarefa perigosa. Agora, contudo, aquela determinação fora varrida para um segundo plano e Matilda começava a se perguntar a quem devia a sua fidelidade.

Por muitos e muitos anos, Connor fora a pessoa mais importante da vida de Matilda. A infância sofrida ao lado do irmão uniu os dois com laços tão fortes que nem mesmo a separação foi capaz de enfraquecer aquele amor. Os dois só tinham um ao outro quando a mãe chegava bêbada em casa, acompanhada por homens estranhos e violentos. Não era raro que as duas crianças tivessem que revirar o lixo ou cometer pequenos furtos para conseguirem comer.

Matilda teve o vislumbre de uma família de verdade quando um juiz entregou a sua guarda para o pai biológico. A menina ganhou uma casa e um pai que a amava. Mas a ausência de Connor dava à garota a sensação de que a sua nova vida estava incompleta e de que havia algo errado naquela pequena família.

Ironicamente, aquela sensação de vazio não existia desde que Matilda entrara na famiglia Moccia. Don Alessio burlava a lei com seus negócios ocultos e tinha uma coleção de defeitos, mas o mafioso sabia o que fazer para que seus funcionários se sentissem valorizados e para que aquela família continuasse unida. Belmont era tratada com carinho e, embora estivesse rodeada por homens perigosos, nunca se sentia ameaçada ou desrespeitada. O único homem que ousara tocar nela fora Cameron Lahey, e definitivamente, o segurança nunca encostara sequer um dedo em Matilda sem o consentimento da moça.

Além de Alessio e Cameron, Matilda encontrara na famiglia o afeto dos colegas. A velha cozinheira da mansão era gentil e atenciosa como a mãe que Belmont nunca tivera. Leoncio era como um primo atrapalhado que sempre arrancava risadas da governanta enquanto engolia o almoço e resmungava sobre o quanto estava sendo torturado por Michaela. A própria Mika passara a ser vista como parte daquela grande família naquela noite, depois que Matilda viu que existia algo por trás da máscara de arrogância. O próprio Connor fazia parte de tudo aquilo quando se comportava como um funcionário exemplar a frente do cassino dos Moccia.

Quando o Porsche finalmente se encaixou em uma vaga mais distante da entrada do hospital, Matilda soltou um suspiro pesado e encostou a testa no volante. Belmont havia entrado naquele jogo para derrubar o império dos Moccia, mas agora a moça se perguntava se teria coragem de ir adiante. Como ela iria suportar a própria consciência se Connor concluísse a sua missão? Como Matilda seguiria tranquilamente com a própria vida sabendo que seus colegas estavam desempregados, que Cameron e Alessio estavam trancafiados em uma cela, que Michaela estava desamparada sem o pai e sem o dinheiro dos Moccia? Belmont não se sentia pronta para fazer tanto mal às pessoas que a tratavam tão bem, à família que a acolhera com tanto carinho.

Trair Connor também era uma saída muito indigesta, mas Matilda ainda tinha a pequena esperança de que o irmão estivesse enfrentando aquele mesmo dilema. Se Connor estivesse sinceramente apaixonado pela herdeira dos Moccia, talvez o policial optasse por abandonar a missão para evitar o sofrimento de Michaela. Aquela era a única saída fácil para Belmont e ela esperava desesperadamente que não fosse preciso trair a confiança do irmão mais velho.

Com a mente lotada de preocupações e angústias, Matilda saiu do carro. Os olhos castanhos fitaram a fachada tumultuada do hospital enquanto a governanta se sentia miseravelmente culpada em pensar que a morte de Connor também a livraria daquele dilema. Belmont só conseguiu se afastar dois passos do carro antes que uma mão agarrasse firmemente seu braço, interrompendo os passos da moça.

As unhas compridas pintadas de vermelho estavam descascadas nas pontas e se afundaram na pele de Matilda, deixando ali marcas avermelhadas em forma de meia-lua. Por um breve momento, a governanta imaginou que seria assaltada. Mas logo os olhos castanhos reconheceram os traços da mulher escondida no estacionamento escuro e Belmont percebeu que aquilo era algo pior que um assalto.

- Não vai fugir de mim desta vez, queridinha. Grite à vontade, ninguém vai te ouvir.

- Tire as suas mãos de mim! – Matilda tentou puxar o braço, mas só conseguiu fazer com que as unhas pontiagudas arranhassem ainda mais a pele delicada.

- Eu sabia que você viria até aqui. Vi na TV a notícia sobre o ataque ao cassino. – os lábios de Veronika se curvaram em um sorrisinho vitorioso que exibia uma carreira de dentes em péssimo estado de conservação – Eu não acreditei na minha própria sorte quando o repórter citou o nome do gerente baleado. Vocês dois estão aprontando de novo, hm? Eu achei que fosse um joguinho só seu, uma tentativa de seduzir o velho e botar as mãos na grana. Mas o Connor está junto na jogada. Eu sinceramente não entendi o plano, você quer me explicar, florzinha?

- Ele foi baleado?

A voz de Matilda falhou e todo o seu mundo foi abalado com a possibilidade de perder Ward. Até então a moça não sabia se o irmão havia saído do ataque apenas com ferimentos leves ou se realmente estava em risco. Como de costume, a mãe estava ali para lhe dar a má notícia e lhe causar um pouco mais de sofrimento.

- O que vocês dois estão tramando, Matilda? – Veronika ignorou a angústia da moça – Eu preciso saber, eu também quero participar. Não vão deixar a mamãezinha de fora dos lucros, vão?

- Você é nojenta! Solte-me agora! Eu não tenho nada para falar com você!

A governanta puxou o braço com mais força e finalmente conseguiu se livrar das garras da outra mulher. Matilda chegou a se afastar da mãe biológica com passos rápidos, mas a voz maliciosa de Veronika interrompeu a fuga da filha.

- Tudo bem. Se você não quer me explicar o que está havendo, eu posso procurar por Don Alessio Moccia e perguntar a ele. Ou talvez eu pergunte pro rapaz bonitão que levou você para jantar naquela noite. Será que ele sabe que a namoradinha dele é a irmãzinha do gerente do cassino e que vocês dois estão tramando alguma coisa?

Os olhos castanhos estavam sombrios quando Matilda se virou e encarou novamente a mãe. Aquela mulher fazia parte de todos os pesadelos de Belmont e era um castigo revê-la depois de tantos anos apenas para saber que nada havia mudado. Veronika ainda era uma mulher cruel, inescrupulosa e que não sentia afeto nem mesmo pelos próprios filhos. Exatamente por saber como funcionava a mente gananciosa da mãe, Matilda articulou uma pergunta simples e direta.

- Quanto você quer?

- Dez mil dólares. Pra começar está bom.

- Ficou louca? – Matilda abriu um sorriso irônico – De onde acha que eu vou tirar tanto dinheiro? Eu trabalho como governanta na casa!

- Ora, florzinha, use a imaginação. O Connor fecha as contas do cassino mais famoso de Las Vegas. Você mora em uma casa cheia de jóias, cofres, carros valiosos... – Veronika indicou o Porsche com um movimento de cabeça – Vocês dois conseguem esta quantia em um estalar de dedos.

A cabeça de Matilda se sacudiu em negativa e ela estava prestes a puxar os valores daquela chantagem para baixo quando Veronika finalizou aquela conversa com uma entonação decidida.

- Uma semana, florzinha. Eu ainda moro na nossa velha casa. Se você não me procurar em uma semana com a grana, Don Alessio Moccia vai descobrir que você e o Connor formam uma duplinha de delinquentes desde que saíram da minha barriga.

Belmont só permitiu que algumas lágrimas quentes rolassem pelo seu rosto depois que a mãe desapareceu no estacionamento escuro. Como de costume, Veronika tinha o poder de piorar as coisas mesmo quando Matilda imaginava que já havia chegado ao limite. Agora além da angústia com a saúde de Connor, da culpa por estar traindo o irmão e da incerteza quanto ao futuro dos Moccia, Matilda precisava lidar com uma chantagem. A governanta simplesmente não sabia de onde tiraria dez mil dólares, mas era aquele o valor que ela precisava ter em mãos para evitar uma tragédia ainda maior.

Quando foi até o hospital, Matilda planejava sondar a recepcionista até obter notícias do irmão. A ideia inicial era fazer isso da forma mais discreta possível para não ser notada, mas o encontro com Veronika abalara por completo o mundo de Belmont. A governanta sentia que iria explodir sem o consolo dos braços de Cameron e foi por isso que Matilda só interrompeu seus passos quando encontrou o segurança na sala de espera.

- Está tudo bem. – Matilda se apressou em acalmá-lo quando Cameron foi em sua direção com uma expressão atormentada – A culpa é minha. Eu não consegui ficar em casa de braços cruzados. Não queria ficar lá sem você, encurralada, esperando por mais uma tragédia. Então eu vim para tentar ajudar e trouxe a Mika.

Belmont não fazia ideia de onde estava Michaela e do que a garota faria para chegar até Connor, mas a governanta foi fiel à nova amiga e guardou o segredo da menina.

- Ela entrou primeiro enquanto eu estacionava o carro, deve estar procurando por Don Alessio. Não brigue com o Leoncio, nós duas nos unimos para enganá-lo. A Mika virou uma especialista neste assunto. Não fique bravo comigo, Cam. – a carência de Matilda se tornou evidente quando ela se agarrou com firmeza ao tronco do segurança – Eu precisava ver você.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sex Abr 14, 2017 10:25 pm

- Madre de Dio, te acertaram na cabeça, não foi?

O queixo de Michaela despencou diante do estado de Connor. Durante todo o trajeto até o hospital, ela acreditou que encontraria o rapaz ferido, ensanguentado, talvez lutando entre a vida e a morte. No melhor dos cenários, Ward estaria bem, mas nunca tão bem ao ponto de parecer um abobado.

O coração de Mika ainda estava apertado por vê-lo em uma cama de hospital, de encontrar o curativo tão perto de seu pescoço. Mas ela precisou se inclinar para frente, puxar a cabeça de Connor e se certificar de que não havia nenhum ferimento entre os fios castanhos.

- Você está vivo! – Mika finalmente constatou, largando a cabeça de Connor para encará-lo. – Você está vivo e dopado!

Depois de ter enfrentado um pesadelo, de ter enfrentado a possibilidade de ter perdido Connor de uma vez por todas, a última coisa que se esperava de Michaela foi o que veio a seguir. Mas ela não hesitou em estapear o braço direito do rapaz, depois de ter certeza de que estava longe de qualquer ferimento.

- Você é inacreditável, Connor Ward! Eu estava doente de preocupação e você estava se divertindo com analgésicos e Mikas-imaginárias?

Por mais que quisesse explodir, gritar e espernear, Moccia precisava admitir que era um grande alívio ver que Connor estava vivo e sem maiores sequelas do que o efeito colateral de remédios para a dor. A sua ira, que não chegava nem perto do verdadeiro furacão Mika, logo se dissipou quando as íris esverdeadas pousaram novamente no curativo do ombro esquerdo.

- O que aconteceu com você? É grave?

A testa de Mika estava enrugada em um semblante preocupado. Seu tom de voz já havia diminuído e ela se aproximou mais da cama até poder segurar a mão do mesmo braço que ela havia estapeado. Os olhos verdes estavam presos no contraste de seus dedos miúdos e da mão grande de Connor, como se ela não tivesse forças o bastante para encará-lo.

Durante longos segundos, Michaela permaneceu em silêncio, apenas sentindo a textura da pele de Connor enquanto acariciava a mão dele com seu polegar. Eles não se viam há dias e, horas antes, ela chegou a acreditar que jamais voltaria a vê-lo. E a única coisa que conseguia pensar era em como a última conversa dos dois tinha sido catastrófica.

- Quando eu soube do que aconteceu, fiquei com muito medo, Connor. Mais medo do que qualquer coisa na minha vida.

Mika ergueu o olhar até encontrar a expressão abobada de Ward. Por mais que encontra-lo daquela forma não fosse o ideal, ela precisava admitir que tornava aquela conversa infinitamente mais fácil. Seria impossível tentar explicar o que estava fazendo ali diante do olhar sério de Connor, que parecia sempre estar lhe repreendendo e lembrando que ela não passava de uma menina mimada que sempre fazia as piores escolhas.

- Eu não posso demorar, é questão de tempo até meu pai ou o Cam perceberem que eu sumi dentro do hospital. E nós dois sabemos o que acontece quando Don Alessio perde a filha de vista, o mundo simplesmente acaba. – Mika girou os olhos, embora não pudesse julgar o pai, especialmente em uma noite como aquela. – Eu só precisava ter certeza que você estava vivo.

Um sorriso brincou nos lábios de Michaela, mas ela ainda se recusava a soltar a mão de Connor quando completou com implicância.

- Mas você não está apenas vivo, como já parecia estar se divertindo com Mikas-imaginárias antes de eu chegar. Espero não ter atrapalhado nada entre vocês dois.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Sex Abr 14, 2017 11:02 pm

- Está com ciúmes de você mesma? Isso sim é uma performance convincente, eeeeesta é a minha bambina!

Mais um risinho ébrio escapou dos lábios de Connor, mas o rapaz não acreditava mais que tudo aquilo fazia parte de um delírio causado pelo analgésico potente. A voz de Michaela era real demais, assim como o perfume suave espalhado pelo quarto e o toque dos dedos delicados.

Mesmo com a mente meio nublada pela medicação, Ward foi capaz de compreender o significado da presença de Mika naquele quarto. A filha de Don Alessio havia cruzado toda a cidade em uma noite de tensão como aquela somente para vê-lo. Mika não tinha simplesmente ignorado a ligação dele e aproveitado a distração do pai para mais uma noitada com Ryan. Ela estava ali com uma adorável ruguinha de preocupação entre os belos olhos esverdeados.

- Eu tomei um tiro. – os olhos castanhos deslizaram até o curativo antes que Connor continuasse – Quis bancar o herói, peguei uma arma e entrei no meio da confusão. Consegui fazer uns buracos maneiros na parede e ganhei uma cicatriz máscula no ombro.

A versão falsa dos fatos foi repetida para Michaela, mesmo Ward sabendo que a menina certamente zombaria da sua falta de habilidade em combates. Se quisesse manter aquele disfarce, Connor precisava sustentar a história contada aos Moccia. Aos olhos da famiglia, ele não passava de um trambiqueiro que ganhava a vida em mesas de carteado antes de ser descoberto por Alessio.

Os dedos compridos do gerente se entrelaçaram aos de Michaela e ele também admirou o contraste das duas mãos. Mika era um enorme furo no plano tão bem arquitetado do policial, mas agora já era tarde demais para voltar atrás naquele erro. Connor já estava muito envolvido e a presença de Mika naquele quarto só mostrava que ele não era o único que deixara aquele relacionamento ir além de uma simples brincadeira.

- Eu disse ao médico que estava tudo bem, mas ele não acreditou em mim. Provavelmente porque eu desmaiei quando ele tirou o curativo e começou a costurar o ferimento... então ele me deu esse troço e agora eu tenho a sensação de que estou flutuando em alto mar e que tem vagalumes coloridos ao redor da sua cabeça.

O contato entre as duas mãos foi rompido para que Ward levasse os dedos da mão direita até o rosto delicado de Michaela. O gerente repetiu uma das carícias preguiçosas que costumava fazer quando acordava e encontrava Mika ao seu lado na cama. Por mais que quisesse a companhia da menina naquela noite, Connor entendia que Michaela precisava partir antes que Alessio ordenasse que todos os cantos daquele hospital fossem vasculhados.

- Eu estou feliz que tenha vindo, bambina. Tive medo de nunca mais ver você...

Não estava claro se Connor falava sobre o ataque que poderia ter custado a sua vida ou simplesmente se referia ao distanciamento após o término do relacionamento com Michaela.

- Eu assumo que estou meio dopado agora, mas eu estava muito sóbrio quando te liguei no início desta noite. Eu falava sério quando disse que me envolvi demais e que acabei me apaixonando por você.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Sex Abr 14, 2017 11:11 pm

Depois de todos os acontecimentos daquela noite, uma parte de Cameron queria ficar bravo com Matilda. O antigo Lahey que estava sempre focado em seu trabalho, que se preocupava apenas em proteger a sua família jamais teria aceitado aquela informação sem no mínimo um protesto.

Não era sensato, depois de uma invasão e uma chacina do cassino, que Michaela ficasse andando sem um segurança, fosse pelas ruas de Vegas ou pelos corredores de um hospital lotado de estranhos. A oportunidade de mais uma tragédia era grande demais e Cameron já havia deixado as coisas irem longe demais.

Cam estava pronto para segurar a governanta pelos ombros, lhe dar um sermão e arrastá-la junto com Mika de volta para casa. Mas bastou que os braços de Belmont lhe envolvessem para que toda a tormenta de Cameron desaparecesse. Matilda era um dos motivos para Cameron ter relaxado tanto em seu trabalho nos últimos meses, e por mais que tivesse prometido a si mesmo que aquilo iria mudar, ela o desarmou por completo quando se mostrou tão abalada.

Na maior parte do tempo, Matilda se mostrava firme, profissional, ou surpreendente e faminta por um pouco de aventura em sua vida. Naquele início de madrugada, entretanto, a governanta pareceu tão frágil, como na noite do restaurante, que Cameron foi incapaz de fazer qualquer coisa para repreendê-la. Não havia mais dúvidas de que Belmont era sua kryptonita.

O discurso pronto que Cameron tinha para explodir por aquela atitude imatura morreu em sua garganta, dando lugar a uma ruga entre suas sobrancelhas enquanto ele retribuía o abraço de Matilda, envolvendo-a contra seu peito como se apenas isso fosse ser capaz de protege-la de qualquer problema do mundo.

- Shhh... está tudo bem agora. Já acabou.

Cam roçou seus lábios no topo da cabeça de Matilda, sentindo o perfume suave dos cabelos castanhos. Para ele, a única explicação para aquela repentina carência de Belmont era fruto dos acontecimentos daquela noite, sem ao menos considerar o perturbador encontro que ela havia acabado de ter com o seu passado no estacionamento do hospital.

Para Cameron, Matilda não conhecia nenhuma das vítimas daquele tiroteio. Ele desconhecia por completo a relação entre Belmont e o gerente do Cassino. Mas era fácil acreditar que a governanta havia ficado abalada, da mesma forma que ele. Afinal, aquela era a famiglia Moccia, onde um se importava com o outro.

- Eu estou aqui e não vou deixar nada acontecer a você, Maty... Eu prometo que sempre vou cuidar de você.

Cam afastou o rosto apenas o bastante para poder encarar a governanta. Seus dedos deslizaram pela lateral da face dela até pousarem na ponta do queixo, inclinando a face de Matilda até que os olhos castanhos fossem obrigados a retribuir seu olhar.

Seu coração se espremeu ao ver como Matilda estava abalada, e de uma forma surpreendente, aquilo conseguia ser mais devastador do que toda tragédia que havia acontecido naquela noite. Por mais que fizesse de tudo pela família, Belmont começava a representar seu mundo.

- Você precisa descansar. Meu apartamento não é muito longe daqui, tenho certeza que Don Alessio vai entender...

As íris azuladas passavam de um olho castanho ao outro, como se tentassem desvendar o que passava na mente de Matilda para deixá-la naquele estado. Cada vez ficava mais evidente que, por maior que fosse seu desejo de conhecer Belmont por inteiro, sempre existiria uma parte completamente misteriosa. E tudo o que Cam poderia se conformar era em mantê-la sem aquele olhar entristecido.

- Eu ainda tenho muito trabalho pela frente, mas prometo que vou ficar do seu lado a noite toda.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Abr 15, 2017 12:45 am

- Você pegou uma arma?

Mika sequer tentou esconder a surpresa diante da narrativa de Connor. Durante todo aquele tempo ela havia se desesperado para saber se ele estava bem, mas nem em um milhão de anos teria imaginado o gerente do cassino empunhando uma arma. Por desconhecer completamente a verdadeira identidade como policial, aquela cena era completamente absurda para a mente da menina Moccia.

- Você é mesmo idiota, não é?! O que estava tentando fazer, atirar no próprio pé?

Um novo tapa foi depositado no braço direito de Connor, e Mika nem mesmo tinha vontade de fazer piadas sobre o deplorável desempenho dele. No mundo dos Moccia, a lógica era simples: Se você não tinha habilidade com armas, deveria ficar longe delas. Bancar o herói só faria com que você acabasse morto mais rápido e Mika estava extremamente desapontada que Connor tivesse corrido tal risco naquela noite.

Quando o rumo da conversa seguiu por outra direção, a bronca de Mika se resumiu em um bico nos lábios enquanto ela amolecia com as palavras de Connor. Ela fechou os olhos por alguns instantes, sentindo a carícia em seu rosto, se aproveitando daquele toque como uma boia de salvação em meio ao náufrago que ela jurava que seria o fim.

Mika ergueu a própria mão para tocar os dedos de Connor em seu rosto e voltou a erguer as pálpebras para encará-lo. Seu semblante estava mais suave, embora ainda existisse a ruguinha de preocupação entre as sobrancelhas claras.

- Bom, da próxima vez fique longe de qualquer arma, não leve um tiro e não fique dopado quando tivermos uma conversa dessas.

Apesar das palavras, Mika não usava uma entonação resmungona ou mandona. Ela parecia apenas com uma namorada preocupada quando se inclinou para frente. Alguns cachos loiros foram puxados para trás de sua orelha, deixando seu perfil exposto quando seu nariz quase roçou ao de Connor.

- Porque se você não estivesse tão dopado, teria mais chances de se lembrar do que eu vou dizer.

Os lábios de Michaela cobriram os de Connor em um beijo quase superficial, mas carinhoso e demorado. Quando o contato foi interrompido, ela permaneceu com os olhos fechados, sem se afastar um único centímetro.

- Eu estou feliz que você tenha me ligado. Porque embora eu pareça um robô sem sentimentos que só sabe gritar ordens e xingamentos em italianos, eu também me apaixonei por você, Connor. Então não me afaste outra vez, está bem? Eu nunca mais quero experimentar de novo o que eu senti hoje.

***

Como o ferimento de Connor não era um dos mais graves do tiroteio que se tornara a principal notícia de Las Vegas, tudo o que o gerente do cassino precisou foi se recuperar do efeito anestésico até ser liberado do hospital.

Ward ainda precisaria tomar remédios e tratar com bastante cuidado o curativo em seu ombro, mantendo o braço imobilizado. Mas poderia fazer aquilo no conforto de sua casa, descansando pelo período indeterminado que o cassino seria mantido fechado.

Mas se o rapaz acreditava que realmente teria algum sossego no instante em que pisasse no próprio apartamento, receberia uma surpresa ao entrar pela porta e encontrar o pequeno furacão Mika devidamente instalado.

A estreita cozinha estava abarrotada por sacolas de compras. Um cheiro delicioso vinha do forno e uma garrafa de vinho havia sido aberta, servindo uma única taça sobre o balcão. A imagem da mimada herdeira dos Moccia tinha dado lugar para uma surpreendente Michaela.

Os cachos loiros tinham sido puxados para o topo de sua cabeça em um coque bagunçado. Mika ainda usava botas de cano curto, as pernas expostas pelo short jeans desbotado e a camiseta branca com o conhecido logo da Coco Chanel parecia um número maior, propositalmente mais larga sobre o top preto e rendado que ela vestia.

Os olhos verdes se ergueram para Connor e Mika havia acabado de levar o dedo sujo de molho até os lábios quando seus olhares se encontraram.

- Você voltou mais cedo! Eu pensei que o Cameron fosse te pegar. Aquele imprestável anda com tempo livre demais...

Mika girou os olhos enquanto limpava as mãos em um pano de prato. A surpresa no rosto de Connor era tão grande que foi impossível ignorar, mas ainda assim ela se manteve como se não estivesse em um universo paralelo.

- O que foi? Você mesmo está cansado de enumerar os meus defeitos, então era de se esperar que eu tivesse alguma qualidade, não é? Além do mais, eu sou italiana. Cozinhar está no nosso DNA.

Ela cortou o pequeno espaço até parar diante de Connor, mas não conseguiu sustentar aquela pose por muito mais tempo. Com um suspiro, ela apoiou as mãos na cintura e sacudiu a cabeça em rendição.

- Tá bem, pode ficar tranquilo, eu não cozinhei. Roubei um ravióli do freezer de casa. Achei que você fosse estar com fome e não tem nenhum restaurante decente nesse fim de mundo que você chama de bairro.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Sab Abr 15, 2017 2:37 am

Uma semana. Era este o prazo de Matilda para colocar dez mil dólares nas mãos da mãe biológica. O problema era que, mesmo se a governanta juntasse todas as suas economias e vendesse a única joia de família - um anel que fora de sua avó paterna - ela não chegaria à metade do valor exigido por Veronika.

Pedir a ajuda de Connor também estava fora de questão. O irmão ainda estava se recuperando do ataque ao cassino e não precisava de mais aquele problema para atormenta-lo. Além disso, Belmont duvidava que Connor tivesse dez mil dólares sobrando em sua conta já que o salário do policial era bem modesto. E o destino do antigo gerente mostrava que Ward não seria poupado caso tentasse desviar dinheiro do cassino.

Outra saída seria pedir um adiantamento para Don Alessio ou um empréstimo para Cameron. O problema seriam as perguntas que os dois homens fatalmente fariam. Matilda queria manter a verdade de Veronika longe dos Moccia, então não fazia o menor sentido puxar Alessio ou Cam para aquela história.

Sem grandes alternativas e com o prazo cada vez mais próximo do fim, Matilda se viu completamente sozinha e desesperada. A angústia da governanta se tornou tão sufocante que Belmont optou por uma saída extremamente arriscada.

A mansão dos Moccia estava vazia naquela tarde de quinta-feira, exatamente no último dia do prazo exigido por Veronika. Alessio havia saído com Cameron para resolver assuntos do cassino, Mika dera mais uma de suas escapadas - que agora Matilda sabia que a levavam até Connor. Era o dia de folga de Tracy e a cozinheira saíra para fazer compras.

Somente os seguranças rondavam a área externa da casa, então ninguém viu quando a governanta se esgueirou até o escritório do mafioso.

O coração de Matilda batia na garganta quando ela se colocou em frente ao cofre pessoal de Alessio. Com a mão trêmula, Belmont digitou os números e repetiu o segredo que já tinha visto o patrão executar algumas vezes. A portinhola do cofre se abriu vagarosamente, exibindo em seu interior uma pequena fortuna.

Havia ali pilhas de dinheiro, barras de ouro empilhadas, pastas com documentos, as escrituras de todos os imóveis dos Moccia. Mas a atenção de Matilda se prendeu nas caixinhas aveludadas nas quais estavam as joias. Alessio iria notar se sumisse uma quantia em dinheiro, mas a governanta acreditava que o sumiço de uma joia não seria notado tão rapidamente. Tudo o que ela precisava era de mais algumas semanas para conseguir um empréstimo e resgatar a joia em uma casa de penhora. O objeto seria devolvido e Don Alessio nunca saberia daquele pequeno atrevimento de Matilda.

A joia escolhida foi uma pulseira de brilhantes. Era um objeto valioso, mas que nem se comparava aos colares feitos com pedras preciosas ou os anéis de diamante. Quando carregou o estojo para fora daquela casa, Matilda tinha certeza de que o patrão não notaria a falta daquela pulseira em meio à tantas joias mais caras.

Com a joia penhorada, Matilda levou os dez mil dólares até o casebre de Veronika e exigiu que a mãe pegasse aquela quantia e parasse de importuna-la. O sorriso maldoso da mulher, contudo, indicava que Veronika estava apenas no início daquele joguinho de chantagem.

--------

A manhã de domingo estava calma e ensolarada em Vegas. Alessio sempre dava folgas a metade dos funcionários nos fins de semana, então a mansão estava relativamente vazia quando Cameron Lahey entrou e se encaminhou ao escritório do patrão. O mafioso esperava por Cam com um charuto entre os dedos e um semblante anormalmente sério.

Naquela manhã, o assunto daquela reunião de emergência não eram os ataques sofridos pela famiglia, tampouco mais uma das travessuras de Michaela. Alessio surpreendeu Cameron quando tirou do bolso do paletó um estojo aveludado e o abriu diante dos olhos do segurança, exibindo uma delicada pulseira de brilhantes.

- Esta joia foi trazida até mim ontem à noite por um velho amigo. Eu o ajudei a montar uma casa de penhores e agora conto com a fidelidade dele.

Alessio começou a contar uma história que não seria nenhuma novidade para Cameron. O segurança sabia que o patrão já havia feito muita caridade e com isso espalhara sua influência por toda a cidade. Mas logo Moccia conduziria a conversa na direção que interessava a Lahey.

- O problema, Cam, é que esta joia pertencia a mia Isadora. Foi o presente que dei a ela no dia em que Michaela nasceu. Esta pulseira estava no meu cofre e foi retirada daqui por um dos meus funcionários. Por um membro da mia famiglia.

Alessio estaria arrasado de qualquer forma, visto que o homem nunca esperava por uma traição. Mas o semblante derrotado de Moccia indicava que a decepção havia sido arrebatadora. Os olhinhos miúdos do mafioso encararam Cameron por alguns segundos antes que ele retomasse o discurso.

- Você sabe como agimos quando algum membro da famiglia nos trai, nos rouba... Desta vez, entretanto, eu vou deixar que a decisão seja sua, mio rapaz. Faça o que achar melhor, resolva este problema da sua maneira, Cam.

Alessio abriu uma das gavetas e retirou dela a foto tirada da câmera de segurança da casa de penhores. A resolução da imagem era excelente, então não havia dúvidas sobre a identidade da moça que entregava a pulseira ao funcionário do estabelecimento. Mesmo com os cabelos escuros presos e roupas informais, o rosto de Matilda fora fotografado de frente.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Sab Abr 15, 2017 3:23 am

Quando encaixou a chave na fechadura e percebeu que a porta do apartamento não estava trancada, Connor teve certeza de que tinha sido assaltado. Era a conclusão mais óbvia para alguém que morava num bairro afastado onde a polícia raramente pisava. Ward havia passado só três noites fora de casa, mas aquilo já era o bastante para que houvesse o risco de encontrar os cômodos totalmente revirados.

A verdadeira explicação para a porta destrancada, contudo, era mais chocante que um assalto. Quando o gerente encontrou Michaela Moccia na cozinha, Connor teve certeza de que ainda delirava sob o efeito de alguma droga muito potente.

A mimada bambina de Don Alessio Moccia não só estava cozinhando como também fizera compras para abastecer os armários do namorado. Aquele era um detalhe muito importante visto que a despensa de Ward vivia às moscas já que o rapaz só fazia as suas refeições na rua.

Os olhos castanhos desceram sem pudor pela imagem da menina enquanto um sorrisinho torto de aprovação surgia nos lábios de Connor. Ele aprendera a gostar até dos defeitos de Mika, mas precisava admitir que preferia aquela versão mais madura da garota. Michaela era linda de qualquer maneira, mas Connor gostava daquela versão preocupada e atenciosa, mas que nunca perdia o tempero ácido que ele tanto amava.

Quando Michaela finalmente confessou que roubara a comida da geladeira da própria casa, uma risada gostosa escapou dos lábios de Connor e ecoou pelo apartamento. Os olhos dele tinham um brilho único quando Ward se inclinou para cumprimentar a namorada com um doce beijo nos lábios.

- Ufa. Já estava planejando ligar para o hospital e pedir que reservassem o meu quarto para uma infecção alimentar. Imagino que o seu desempenho como cozinheira se iguale ao meu como atirador.

O braço do gerente continuava imobilizado, mas era evidente que Connor estava bem. O rosto corado não exibia mais uma expressão de dor e os olhos focados indicavam que o rapaz não precisava mais de analgésicos potentes para controlar a dor no ombro.

- O Cam se ofereceu pra me buscar, mas eu o dispensei. Ele já tem trabalho demais depois do que houve. Eu estou ótimo, podia muito bem pegar um táxi. Que tal uma ajudinha aqui, bambina?

Connor indicou o braço imobilizado que dificultava bastante a tarefa de retirada do casaco. Com a ajuda de Mika, Ward se livrou do paletó antes de de largar em um dos banquinhos que rodeavam a bancada da cozinha.

- Agora estou ainda mais feliz por ter dispensado a carona dele. O que faríamos se o Cam decidisse subir comigo e encontrasse esta versão "Prêmio Mika de melhor namorada do ano" no meu apartamento?

Embora aquela piadinha fizesse parte de mais uma das tantas provocações que eles faziam um com o outro, Connor se aproveitou das circunstâncias para introduzir aquele assunto delicado. Agora que ambos tinham se declarado e estava decidido que ficariam juntos, não fazia mais sentido evitar aquele termo. O relacionamento tinha virado um namoro e Ward não queria mais fugir daquele fato.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Abr 15, 2017 5:13 am

O chão desapareceu sob os pés de Cameron Lahey quando a foto de Matilda foi revelada diante dos seus olhos. Seu mundo pareceu girar rápido demais, apenas para parar no segundo seguinte, lhe causando uma vertigem ao ponto de quase perder o equilíbrio.

Com um olhar incrédulo no rosto, Cam encarou a fotografia tentando compreender o que estava acontecendo, pois a explicação de Don Alessio não fazia sentido algum. Afinal, se o que o mafioso estava falando era verdade, Matilda havia acabado de cavar a própria cova.

Belmont já estava sob a proteção dos Moccia há tempo suficiente para saber como as coisas funcionavam por ali. Ela teria o mundo diante de si, desde que soubesse exatamente onde depositar a sua fidelidade. Mas o mais assustador não era imaginar que Matilda havia sido burra o bastante para cometer aquele grande passo errado.

O pior daquela cena era a certeza de que, mais uma vez, ele era o responsável por algo de errado na vida dos Moccia. Ele havia pesquisado sobre Matilda, garantira a Alessio que era uma boa aquisição para a famiglia. Cameron havia entregado seu coração pela primeira vez para uma mulher, certo de que a conhecia. Mas todo o seu mundo havia sido destruído em questão de segundos.

Na fotografia que Alessio exibia, Cam sabia que fisicamente era impossível dizer que não era Matilda. Mas quando olhava a mulher no retrato, Lahey não sabia reconhecer a mesma que se deitava ao seu lado, que procurava os seus braços por proteção e que lhe arrancava sorrisos preguiçosos antes de enfrentarem mais um dia.

Uma parte de Cameron queria dizer a Don Alessio que ele estava errado. Que estavam sendo manipulados e de que não havia a menor chance daquela ser Matilda. Afinal, ele conhecia a verdadeira Belmont que seria incapaz de trair aquela família.

Porém, Cam sabia que uma das características de Matilda que sempre havia atiçado a sua curiosidade e provavelmente servido como gatilho para que aquele romance começasse, era a forma como ela agia, sempre parecendo esconder uma parte que mais ninguém seria capaz de enxergar. Como homem, Cameron havia se deliciado com aquela aventura. Mas era exatamente aquele problema que estava enfrentando agora.

Ele não podia se voltar contra Don Alessio, alguém que jamais lhe escondeu verdades, que esteve ao seu lado nos piores momentos de sua vida e que lhe garantiu um futuro. Se houvesse qualquer chance daquela fotografia não ser real, Cameron resolveria pessoalmente aquele problema, sem desafiar o mafioso como um garoto inconsequente.

Depois de passar longos minutos em silêncio, encarando a foto de Matilda, Cameron finalmente ergueu o rosto para Alessio. Sua expressão estava dura, os olhos azuis gelados e a mandíbula trincada, exatamente como o homem que deveria ser.

- Eu agradeço pela confiança, Don Alessio. É minha bagunça, eu vou cuidar disso.

Quando deixou o escritório de Moccia, Cameron sentia que estava prestes a ter um surto de estresse. Desde a noite do atentado, suas noites de sono se resumiam há poucas horas enquanto Matilda adormecia, apenas para deixá-la sozinha na cama minutos depois. Então, o restante da madrugada era destinado a pesquisas.

As habilidades com computador permitiam que Cam avançasse nas investigações sem precisar estar literalmente em ação. Quando o dia amanhecia, entretanto, ele corria atrás das pistas que havia levantado. Pouco a pouco, Cameron se aproximava do real responsável pelos atentados contra os Moccia. E quanto mais perto chegava, mais estressado ele parecia ficar.

Cameron parou diante do corredor, olhou de um lado ao outro antes de decidir o que faria. Ele ainda estava transtornado quando se deixou seguir pela saída, na direção oposta de onde Matilda se encontrava. Por maior que fosse a urgência em resolver aquele assunto, ele deveria ser feito longe dos terrenos dos Moccia.


***

As horas que passaram desde o encontro com Alessio até o fim do dia, quando normalmente Matilda aparecia em seu apartamento, Cameron não deixou a frente do computador. O café ao lado do notebook já havia esfriado, mas os olhos azuis deslizavam com agilidade entre as páginas navegadas, a procura de qualquer furo que não tivesse encontrado da primeira vez que pesquisara sobre Matilda.

A frustração só deixava Cameron ainda mais irritado, pois só o que conseguia confirmar era exatamente a mesma história que Belmont havia apresentado meses antes. Ela havia crescido com o pai em Los Angeles, os empregos de referência eram verídicos, os diplomas. Não havia nada de errado com o passado da governanta. O que só tornava a angustia de Lahey ainda maior.

Depois de se remoer por andar em círculos, Cameron chegou a conclusão de que não adiantaria adotar nenhuma estratégia além da mais óbvia com Matilda.

Quando a menina entrou no apartamento naquela noite, Cameron estava sentado em seu sofá. O notebook continuava na mesinha, junto com a xícara de café gelado. Apenas a luz do abajur estava acesa, mas era suficiente para encontrar a impressão da fotografia feita pela câmera de segurança na casa de penhores sobre a mesinha.

Cameron estava inclinado para frente, os cotovelos apoiados sobre os joelhos e as mãos unidas. Ele não tentou nem mesmo abrir um sorriso quando seu olhar encontrou com o de Matilda.

Quando precisava lidar com casos de traição, a arma de Lahey costumava fazer todo o trabalho para amedrontar sua vítima. Naquela noite, entretanto, ele não precisava de nada além de seu semblante carregado para mostrar a criticidade do assunto.

- Don Alessio me chamou para conversar hoje. – Ele começou, sem rodeios e sustentando o olhar com o de Matilda. – Aparentemente, vocês dois tem o mesmo gosto para joias. Sabia que a pulseira que você roubou foi presente dele para a mãe da Mika?

Cam sentia seu coração acelerado, mas até então fazia um grande esforço para manter o tom de voz controlado. Mas quanto mais as palavras saíam de sua boca, mais irritado ele ficava.

Se Belmont planejava aplicar algum golpe contra os Moccia, não fazia ter roubado uma simples pulseira, principalmente quando ela tivera acesso a uma fortuna muito maior. Mas Cameron estava cansado de encontrar mentiras escondidas nas íris castanhas da governanta.

Em um salto, ele se colocou de pé, abrindo os braços. Quando as palavras saltaram em um grito de sua boca, só o que Cameron queria era que Matilda deixasse os segredos de lado para que ele fosse capaz de compreender o que estava acontecendo.

- O QUE VOCÊ ESTAVA PENSANDO??? ROUBAR ALESSIO MOCCIA??? SE VOCÊ QUERIA LEVAR UM TIRO NA TESTA, TINHA MANEIRAS MAIS RÁPIDAS DE CONSEGUIR ISSO!
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