Viva Las Vegas!

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Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qui Fev 16, 2017 2:13 am

- Então, o que lhe traz à Las Vegas? Está aqui de férias ou a trabalho?

Os lábios rosados chegaram a se franzir, mas foi impossível para Michaela Moccia conter um sorrisinho arrogante diante da pergunta do agente uniformizado a sua frente. Claro que o homem estava apenas fazendo o seu trabalho, mas qualquer menção a trabalho soava como uma grande piada para a herdeira de uma rede de cassinos de Las Vegas.

Durante os vinte anos de sua vida, Michaela nunca precisou se esforçar para absolutamente nada. O dinheiro era capaz de comprar a sua entrada nas melhores escolas e mantê-la, mesmo diante das notas medianas. Todo o conforto era lhe entregue em bandejas de prata e ela desconhecia a sensação de conquistar algo com as próprias mãos.

- Estou vindo visitar meu pai. Alessio Moccia.

O inglês soava quase perfeito, apenas com uma leve entonação italiana, denunciando que aquela não era a primeira vez que a menina pisava no país. Mas Mika sabia que as sobrancelhas arqueadas do agente não tinham nenhuma relação com o seu idioma, e sim a surpresa diante daquele nome.

Las Vegas era uma cidade grande e movimentada, mas quando o nome que envolvia praticamente metade dos cassinos que tanto atraíam os turistas era citado, não era difícil fazer a associação.

A maioria das pessoas que enchia a fila da imigração apresentava o cansaço típico de uma longa viagem. Os cabelos amassados, olhares exaustos, crianças resmungando. Mas o conforto da primeira classe havia poupado a aparência de Mika naquela manhã.

Os cachos loiros ainda brilhavam e estavam em perfeita forma. A pele bem maquiada e as roupas lisas sequer denunciavam que Moccia havia acabado de sair de um país para o outro. Uma bolsa que valeria mais do que dois salários daquele agente estava pendurada em um dos braços e os óculos de sol, igualmente caros, foram puxados para o topo de sua cabeça.

- Não pretende jogar em nenhum cassino, hm? – Apesar da pergunta, o agente já exibia um sorrisinho divertido, mudando o clima daquela pequena entrevista. Ele sacudiu o passaporte de Michaella diante dela. – Aqui diz que você só irá completar 21 anos no próximo mês. Nada de caça-níqueis até lá.

O passaporte foi estendido na direção de Mika e ela apenas manteve o sorrisinho nos lábios, se perguntando o que aquele homem faria se descobrisse que ela frequentava cassinos e jogatinas desde os sete anos de idade.

- Vou ser uma boa menina, prometo. – Mika piscou um dos olhos esverdeados enquanto recebia de volta o seu passaporte.

- Bem-vinda aos Estados Unidos.

Quando Michaela finalmente deu as costas para a imigração e entrou no salão, trazendo consigo uma grande mala de rodinhas, vasculhou os rostos presentes com as íris verdes ocultas pelos óculos de sol.

- Ora, ora... Se não é o cão de guarda mais vira-lata que poderia existir. Papai tem lhe recompensado direitinho, Cam? Você me parece maior desde a última vez.

A provocação saiu em meio a um sorriso quando Michaela parou diante de um homem alto. A calça cáqui e a camisa branca estavam perfeitamente alinhadas, mas as roupas certinhas demais não pareciam combinar com a barba que ele trazia em seu rosto.

- Talvez você só tenha encolhido. Está ainda menor desde a última vez.

Cameron Lahey conseguia chamar a atenção mesmo em suas roupas sobreas. Ele era mais alto que a maioria, com ombros largos e um corpo atlético. O rosto exibia traços maduros, mas de alguma forma ainda com uma lembrança de garoto. Os olhos azuis eram acompanhados por discretas marcas de expressão e demonstravam uma atenção que não era comum em pessoas normais.

Mas Cameron não era um sujeito “normal”. O braço direito de Alessio Moccia na administração dos negócios da família conhecia Michaela desde que ela era apenas uma menininha e costumava ser o responsável pelo papel de “babá” sempre que a única filha dos Moccia pisava em território americano.

Mesmo diante da troca de comentários ácidos, os lábios de Michaela se curvaram em um sorriso mais leve e sincero, sem a mesma arrogância que usava até então, e ela deixou seus braços rodearem ao redor do pescoço de Cameron, precisando ficar na ponta dos pés enquanto ele precisava se curvar para frente.

- Senti sua falta, Cerberus.

- Também senti sua falta, Frodo Baggins.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Qui Fev 16, 2017 6:56 pm

O amplo escritório de Alessio Moccia era uma espécie de santuário. A decoração luxuosa dava um clima formal ao cômodo, assim como as cores mais escuras e sóbrias dos móveis, cortinas e do tapete felpudo que cobria todo o chão. O silêncio reinava na maior parte do tempo, exceto quando o dono da casa protagonizava ali reuniões de negócios. A porta aberta era um sinal de que Alessio estava de bom humor naquela tarde. Por outro lado, encontrar a porta fechada era um aviso fatal de que Don Alessio não admitiria ser importunado.

Tudo naquele escritório era tão imponente que chegava a ser opressor para alguém que não estivesse acostumado ao estilo de vida dos Moccia. Mas a “família” que frequentava aquela mansão já parecia estar habituada às excentricidades de Alessio. O dono da casa – e líder da família – estava confortavelmente sentado em uma alta poltrona de couro negro. O terno feito sob medida era formal demais para alguém que estava apenas aproveitando uma manhã tranquila em casa, mas aquela formalidade era uma das características marcantes de Don Alessio.

Uma vitrola clássica compunha a decoração do cômodo, mas a música que se espalhava pelo escritório vinha de um aparelho de som moderno e discreto instalado em uma das prateleiras da estante de mogno abarrotada de livros. O sangue italiano se refletia na escolha da música e a ópera que enchia o ambiente não poderia ser mais clássica.

Além da boa música, Don Alessio estava acompanhado por um charuto aceso e por uma taça de vinho. Embora ainda fosse cedo para o álcool, a bebida carmim já formava uma linha perfeita na metade da taça de cristal.

A ópera estava em seu ápice quando duas batidas suaves atraíram o olhar de Moccia para a porta entreaberta. Um dos seus homens de confiança estava parado junto ao batente e inclinou a cabeça de forma respeitosa antes de tomar a palavra.

- Desculpe-me incomodá-lo, Don Alessio.

- Não há incômodo algum, Raoul. – o amplo sorriso reforçava o excelente humor do mafioso naquela manhã – Em que posso ajudá-lo? – a taça foi estendida na direção do rapaz – Quer me fazer companhia?

A maior parte das pessoas que conhecia o poder e a influência de Alessio Moccia naquela cidade tinha a equivocada ideia de que o mafioso construíra seu império com temor e violência. De fato havia algumas manchas no passado daquele homem poderoso e boa parte do dinheiro em seus cofres não era limpo. Mas o verdadeiro segredo para o sucesso do império era a fidelidade. Alessio estava cercado por funcionários fiéis, por uma verdadeira família disposta a dar o próprio sangue e a própria vida por aquela causa. E Moccia não havia conquistado tamanha confiança com medo ou ameaças. Sua “família” era fiel porque Alessio era devotado a todos eles e gentil o suficiente para convidar um simples porteiro para dividir com ele uma caríssima garrafa de vinho.

- Obrigado, Don Alessio. – Raoul abriu um sorriso orgulhoso antes de balançar a cabeça em negativa – Mas eu preciso voltar ao meu posto. Só vim acompanhar a Srta. Matilda Belmont. Ela tem um horário marcado para a vaga de governanta.

- Ah, sim. – o controle remoto sobre a mesa de mármore foi usado para desligar o som e colocar um fim na ópera, fazendo o escritório mergulhar novamente em seu silêncio habitual – Pode pedir a ela que entre. Eu farei a entrevista.

O charuto do mafioso foi educadamente apagado em um cinzeiro de prata enquanto o porteiro autorizava a entrada de Matilda Belmont na casa. Em menos de um minuto, o som dos saltos contra o piso de madeira atraiu a atenção de Alessio novamente para a porta, e desta vez o homem não foi capaz de esconder a surpresa ao se deparar com a candidata ao posto de governanta da mansão.

Aparentemente não havia nada errado com Belmont. A saia cinza abaixo dos joelhos estava impecavelmente lisa, assim como a camisa branca de botões. Os cabelos castanhos da recém chegada estavam presos em um coque perfeito do qual não escapava nem mesmo um fio. A maquiagem era tão leve que não escondia nem mesmo as sardas discretas no nariz e bochechas da moça, e definitivamente não chamava a atenção para os traços delicados e bonitos dela. Nas mãos, Matilda carregava firmemente uma pasta onde trazia seu currículo e excelentes recomendações dos últimos patrões.

- Senhor Moccia. – o cumprimento ocorreu com um formal aperto de mãos – Muito obrigada por me receber.

- Seja bem-vinda. – Alessio fez uma breve pausa antes de ir direto ao ponto – Creio que há algum engano, Srta. Belmont. Eu preciso de alguém para o cargo de governanta.

- Então não há engano algum. É para isto que eu vim.

Com um movimento habilidoso, Matilda abriu a pasta e retirou do seu interior as folhas que compunham seu currículo. Aos vinte e quatro anos, era óbvio que Belmont não possuía uma vasta experiência naquele cargo, mas ela havia ficado três anos inteiros no último emprego e trazia consigo uma carta de recomendação extremamente positiva do último patrão. Segundo o currículo, Belmont havia trabalhado como governanta na casa de um empresário em Los Angeles e não havia tido nenhum problema durante os três anos de contratação. O antigo patrão descrevia a jovem como uma “funcionária discreta, extremamente competente e incomparavelmente eficiente”.

Depois que Alessio terminou a leitura das folhas trazidas por Matilda, os olhos do mafioso novamente se ergueram para a jovem. Moccia conteve um sorriso de aprovação diante do olhar desafiador de Belmont. Era óbvio que a moça estava pronta para rebater qualquer comentário negativo sobre a sua idade.

- Não havia nenhuma restrição de idade na descrição da vaga. – Matilda se defendeu antes mesmo de um possível ataque.

- Eu não disse que havia. – Alessio finalmente libertou o sorriso e fez um sinal educado para que a jovem se sentasse na cadeira a sua frente – Perdoe-me pela surpresa. A minha antiga governanta já tinha cabelos brancos quando eu nasci, então eu não estou habituado a ver um rosto jovem neste posto.

Ainda mantendo uma expressão firme, Matilda ocupou a cadeira em frente à mesa de mármore. As pernas foram cruzadas de forma elegante, ajudando na postura ereta das costas da jovem. Mesmo sabendo que estava diante de um dos homens mais poderosos de Las Vegas, Belmont não demonstrava receio e seu olhar não fraquejava. Ela mantinha com naturalidade aquela postura inabalável de alguém que não tinha nada a esconder.

- O seu antigo patrão... – Alessio conferiu o nome no currículo em suas mãos – Simon Armstrong... Ele não poupou elogios ao seu trabalho. O que torna inevitável a pergunta que está por vir. Por que deixou o seu antigo emprego, Srta. Belmont?

- Eu precisei vir para Las Vegas para cuidar do meu pai. Não tive coragem de deixá-lo em uma instituição porque sabia que era um câncer terminal e que ele não iria querer estar sozinho quando chegasse a hora. Nos últimos cinco meses, vivi da aposentadoria dele, mas agora que ele faleceu preciso voltar ao trabalho.

- Lamento pela sua perda.

- Obrigada.

- E por que não retornar para Los Angeles? – Alessio ponderou enquanto dava de ombros – Não tenho a menor dúvida de que os Armstrong a receberiam de braços abertos.

Assim como Matilda já esperava, Moccia era um homem astuto que não engoliria qualquer mentira fraca. Por sorte, a moça havia planejado cada pequeno detalhe daquela farsa e não havia deixado nenhuma brecha em sua história.

- Meu pai tinha alguns imóveis e algumas poucas ações, mas alguns documentos se perderam e há algumas inconsistências a serem solucionadas com antigos sócios. Contratei um advogado para regularizar toda a situação, mas será um processo demorado, várias audiências podem ser necessárias e é aconselhável que eu esteja por perto. Não tenho como me manter em Vegas sem um trabalho... – a morena apontou o currículo nas mãos do mafioso – ...e é isso que eu sei fazer.

Por demorados segundos, Alessio manteve o olhar fixo na garota a sua frente, como se estivesse analisando cada sílaba dita por ela e cada pequena expressão do seu rosto jovem. Moccia não aceitava qualquer pessoa em sua “família” e não seria diferente na escolha de uma governanta que teria livre acesso a todos os cômodos de sua mansão e, consequentemente, descobriria vários dos segredos daquele império. O mafioso jamais imaginou uma moça tão jovem naquele cargo de confiança, mas por outro lado admirava a ousadia e a firmeza de Matilda Belmont.

- A competência, a discrição e a eficiência relatadas pelo seu antigo patrão são qualidades que eu também admiro muito, Srta. Belmont. Mas não há na carta de recomendação dele nenhuma menção à característica principal que eu busco em todos os meus funcionários. – o mafioso fez uma breve pausa antes de concluir o raciocínio – Lealdade.

- Lealdade é uma palavra que sozinha não tem significado algum. – Matilda retribuiu ao olhar firme de Alessio - Só sabemos de fato se alguém é leal depois de algum tempo de convivência. Às vezes, nem assim, Sr. Moccia. Então acho uma grande tolice prometer que serei leal. O senhor só terá certeza disso se me der uma chance.

Mais uma vez, Don Alessio conteve um sorriso satisfeito enquanto encarava a jovem a sua frente. A taça de vinho foi levada aos lábios do mafioso para que ele desfrutasse de mais um gole da bebida adocicada e, em seguida, Moccia estendeu o braço para finalizar aquela entrevista com mais um aperto de mãos.

- Isto basta, Srta. Belmont. Eu vou reler o currículo com mais calma e espero que entenda que precisarei checar os dados e principalmente as referências sobre o seu trabalho. Entrarei em contato com uma resposta definitiva nos próximos dias.

- Eu entendo, é claro. Estarei à disposição caso o senhor necessite de mais algum esclarecimento.

Matilda Belmont havia deixado a mansão de Don Alessio Moccia há poucos minutos quando a porta principal se abriu, trazendo o principal motivo do bom humor do mafioso naquela manhã. Os lábios de Alessio se abriram em um largo sorriso quando a imagem de Michaela entrou em seu campo de visão e o homem se derreteu por inteiro, desfazendo completamente a imagem formal de um homem rígido e poderoso.

- Bambina! Finalmente!

A menina foi acomodada em um abraço caloroso e recebeu um beijo estalado na testa. Tudo o que Alessio queria era passar o dia ao lado de Michaela e executar um dos seus passatempos favoritos que era basicamente mimar a filha. Mas o mafioso precisava resolver uma pequena pendência antes de mergulhar naquele entretenimento.

- Cameron. Há um currículo na minha mesa, gostaria que você o analisasse. Eu já entrevistei a moça e a achei bastante adequada para o cargo de governanta, mas preciso da sua “opinião” antes da assinatura de um contrato.

A “opinião” de Cameron Lahey consistia basicamente em uma investigação minuciosa – e nada oficial – da vida de qualquer um que quisesse fazer parte daquela família. Como braço direito do chefe, cabia a Cameron a tarefa de vasculhar o passado dos candidatos em busca de qualquer sinal que apontasse para um espião ou para um possível traidor. Qualquer pessoa que pisava naquela casa ou em qualquer um dos cassinos dos Moccia passava antes por uma detalhada investigação, e Cameron era o homem em quem Alessio mais confiava para aquele trabalho tão importante.

- Preciso de uma resposta até amanhã, Cameron. Ela quer o emprego e esta casa está definhando sem uma governanta. Preciso de alguém para organizar as coisas, ainda mais agora que a minha bambina está de volta.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Qui Fev 16, 2017 8:15 pm

- Mas que merda! O que você está fazendo aqui, Connor???

Connor Ward já esperava por aquela explosão no instante em que escutou a irmã encaixando a chave na fechadura da porta do minúsculo apartamento onde Matilda vivia há cerca de seis meses, desde que trocara Los Angeles por Las Vegas para cuidar do pai doente. A triste história que Matilda contara para Don Alessio Moccia era parcialmente verdadeira e, quando o passado da moça fosse vasculhado, o mafioso realmente encontraria um pai que havia morrido há poucas semanas, vítima de um câncer de pulmão em estágio terminal.

- Você sabe que aquele verme vai colocar os cães de caça dele atrás de mim, vão vasculhar a minha vida inteira! E o que você faz??? Simplesmente vem me visitar no mesmo dia da maldita entrevista?

- Relaxa, ok? Eu entrei pelos fundos, subi pela escada de incêndio e entrei pela janela do banheiro. Aliás, quantas vezes eu já te disse para consertar aquela tranca?

- Poupe-me, Connor. Você é a única pessoa do universo que escala um prédio caindo aos pedaços e entra pela janela do banheiro. Os ladrões de verdade sabem que não vão encontrar aqui nada que valha tamanho esforço. E você ainda não me respondeu o que veio fazer aqui!!!

O dedo indicador de Ward de ergueu à frente dos lábios num pedido para que Matilda controlasse o volume da voz irada. Connor tinha certeza de que ninguém o vira entrar no apartamento da irmã, mas todo aquele esforço deixaria de fazer sentido se os gritos de Belmont alertassem os vizinhos de que ela não estava sozinha naquela tarde.

- Eu precisava saber como foi a entrevista. E como é muito fácil grampear uma linha de telefone, concluí que seria mais seguro vir pessoalmente atrás das respostas. Deu tudo certo?

- Eu estaria viva e inteira se Don Alessio Moccia desconfiasse das minhas intenções? – a bolsa de Matilda foi jogada sobre o sofá da sala enquanto ela girava os olhos – Ele se despediu de mim com aquela velha promessa de reler o currículo antes de entrar em contato. Realmente não sei se vai rolar, Connor, eu lamento.

A explosão de Matilda naquela tarde tinha uma justificativa óbvia. Toda a história que ela contara para Alessio Moccia naquela tarde tinha sido cuidadosamente forjada para parecer verdadeira. Mas de nada adiantaria tamanho esforço se o mafioso descobrisse que ela compartilhava o mesmo sangue que outro funcionário, também recentemente contratado para cuidar de um dos tantos cassinos da família.

Os dois irmãos estavam protegidos por sobrenomes diferentes e por passados completamente distintos. Connor e Matilda eram filhos da mesma mãe – uma antiga garota de programa de Las Vegas – mas os pais diferentes haviam dado aos dois vidas opostas.

O pai de Connor nunca o assumiu e, portanto, o menino recebeu apenas o sobrenome da mãe e teve uma vida limitada e turbulenta até que aos sete anos foi levado para um orfanato e lá finalizou a infância. Matilda, por outro lado, teve muito mais sorte. Depois de um exame de DNA, o pai exigiu para si a guarda da garotinha e lhe deu uma família de verdade, um sobrenome, uma madrasta que a amava com sinceridade e um futuro longe da vida desregrada da mãe biológica.

O único elo que Matilda tinha com o passado eram as lembranças do irmão. Connor era apenas um ano mais velho que a caçula e os dois ficaram juntos até os quatro anos de Matilda. Contudo, mesmo depois da separação, aquele laço afetivo não se perdeu. Quando retornou para Las Vegas para cuidar do pai doente, a moça recuperou também o relacionamento com o meio-irmão e a maior prova de que Matilda ainda o amava era o fato da jovem estar arriscando o próprio pescoço para ajudar Connor naquela missão suicida com os Moccia.

- Vai dar certo. – Connor cruzou as pernas e apoiou os pés sobre a mesinha de centro da sala, recostando-se mais confortavelmente no sofá da irmã – Quando forem atrás da sua história, tudo vai bater com perfeição.

- Só não podem descobrir que eu tenho um irmão policial que está infiltrado em um dos cassinos pra ferrar com o esquema dos Moccia, não é? – Matilda completou com a voz carregada de ironia – Mas você está facilitando muito o trabalho deles com esta visitinha indesejada.

- Ninguém me viu entrar aqui, Maty, relaxa. Além do mais, ninguém tem motivos para desconfiar de mim. – os olhos de Connor giraram com impaciência enquanto ele reforçava a sua participação naquele plano ardiloso – A minha história também é perfeita. Um pobre órfão que nunca teve grandes chances na vida, mas tem muito potencial. Eu trabalhei em vários cassinos antes de bater na porta dos Moccia. Não há nenhum registro oficial do meu nome na polícia. Ninguém vai saber que sou um espião se você mantiver a sua boquinha fechada. Você é a única que sabe, Maty.

Quando Matilda reencontrou o irmão, Connor realmente parecia um simples funcionário de um dos tantos cassinos de Vegas. O rapaz comandava uma das mesas de cartas, recebia um salário e cumpria uma carga horária puxada. Só depois de alguns meses, Ward revelou à irmã que tudo aquilo fazia parte de um disfarce e que ele precisava daquela “experiência” para ser contratado pelos Moccia.

Quando entrou na polícia para ser um espião, Connor já sabia que a sua vida não seria fácil e que ele iria correr muitos riscos. O que Ward não imaginava era que Matilda acabaria sendo arrastada para aquele mesmo universo perigoso, mas fora impossível tirar da cabeça da caçula a determinação de ajudá-lo naquela missão. Depois de muita insistência, Matilda acabou convencendo Connor de que a tarefa dada a ele seria finalizada em menor tempo se, além dos cassinos, também houvesse um espião infiltrado dentro da mansão dos Moccia.

- Temos que ser cuidadosos, Connor. Não venha mais aqui, não me ligue nos próximos dias. Não se exponha desta forma. – Matilda soltou um suspiro pesado e a voz da jovem soou mais engasgada – Você é tudo o que me resta. Eu não posso te perder também.

O desabafo de Matilda provocou um aperto no peito de Connor e o arrastou para fora do sofá. A caçula foi embalada num abraço protetor e recebeu um beijo carinhoso na testa.

Ward tinha todos os motivos do mundo para invejar a infância que a irmã havia tido, mas no fim das contas Matilda também não havia alcançado o tão sonhado final feliz. Ela fora afastada da mãe biológica e do meio irmão, mas acabou perdendo também a outra família. A madrasta havia morrido há alguns anos num acidente de automóvel e, com a morte recente do pai da moça, Connor realmente era o único parente que lhe restava.

- Você não vai me perder, eu prometo. Estamos juntos agora e vamos derrubar os Moccia. Eu serei promovido a investigador, vou ganhar um salário legal e a gente vai finalmente encontrar o nosso lugar nesta droga de vida, mana.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Fev 18, 2017 9:31 pm

Os dedos esfolados estavam quentes e ardiam. O sangue havia secado e a pele repuxava sempre que Cameron Lahey tentava mexer as mãos, mas aquele era um detalhe completamente ignorado enquanto ele agia rapidamente, enfiando os potes de alimentos, sacos de biscoitos e algumas frutas em sua mochila surrada.

O estômago protestava, o que obrigou o rapaz a interromper o seu furto e dar uma generosa mordida em uma das maçãs vermelhas que havia acabado de encontrar. Sem a menor educação para comer, ele mastigou ruidosamente, lançando olhares desconfiados por cima do ombro enquanto tentava acumular o máximo de comida na mochila.

Quando o espaço interno finalmente se esgotou e o zíper esgaçado quase não conseguiu fechar, ele finalmente deslizou a alça que quase se desmanchava por cima de um dos ombros. O capuz do moletom preto foi puxado ainda mais para frente, cobrindo os cabelos sujos e a testa oleosa. Uma rápida olhada pela cozinha vazia foi suficiente para que Cameron se apressasse com passos tão ágeis e silenciosos como de um gato.

Ele podia ver a porta industrial que dava acesso para o beco, aos fundos do restaurante, e já podia se sentir livre quando uma mão pesada tocou seu ombro, fazendo com que todo o seu corpo congelasse. Lahey já estava naquela vida há tempo o bastante para saber que era tarde demais para tentar correr.

As pálpebras cobriram os olhos azuis e ele espremeu os lábios para conter um suspiro de frustração. Não precisava se virar para encarar o segurança troglodita que estava cochilando quando ele entrou sorrateiramente na cozinha do restaurante vazio e sabia exatamente que em questão de minutos estaria sendo empurrado para dentro de alguma viatura da polícia.

- O que acha que está fazendo, moleque?

O aperto do segurança era forte demais e completamente desnecessário, já que Cameron não esboçava nenhuma reação. Alguns anos antes, o rapaz ainda tentaria se justificar, implorar pela piedade do homem e alegar que estava apenas morrendo de fome. Não estava roubando joias para conseguir algumas pedras de crack, como faziam praticamente todos os outros adolescentes que dividiam o espaço perto do rio, no extremo norte de Vegas. Ele só precisava comer.

Mas Cameron já havia se humilhado dezenas de vezes antes. Aquela estava longe de ser a primeira vez que era pego roubando algo, mas aquela era apenas a rotina dos garotos encrenqueiros que moravam na rua. Praticamente todos os orfanatos e abrigos da cidade já haviam servido de lar temporário para Lahey, mas depois de preencher muito mais a sua ficha criminal do que seu currículo estudantil, conseguir a adoção de uma família se tornara impossível. Depois de tantas decepções, de sofrer nas mãos de completos desconhecidos que deveriam protege-lo, Cameron aprendeu que a rua era o seu lar. Com aquilo, ele se tornara muito mais forte e orgulhoso o bastante para não se humilhar nem mesmo por meia dúzia de pacotes de biscoitos.

- Achei que estivesse te fazendo um favor, cara. Você está gordo demais, estou só tirando a tentação de perto.

O risinho irritante de Cameron fez o segurança contorcer o rosto em fúria. O aperto em seu braço foi ainda mais forte e a mochila foi arrancada de suas costas de forma bruta. Involuntariamente, um gemido escapou dos lábios de Lahey quando seu pulso foi puxado para trás até encostas sua coluna, obrigando o braço a forçar um movimento bizarro demais.

- Não seja tão sentimental, ainda deixei o sorvete pra você não reclamar. – Mesmo em meio a dor, Cameron não conteve a provocação, e seu estômago protestou diante da certeza de que não veria mais nenhum alimento naquela noite.

Os pés de Cameron tropeçaram quando o segurança o empurrou para frente, até que estivessem no beco por onde ele deveria ter fugido. No último degrau, o adolescente escorregou e caiu sobre o piso frio e úmido. Os ferimentos em sua mão, provocados por alguma briga da semana, reabriram e seu joelho se chocou contra o cimento.

Antes que Cameron pudesse protestar, uma dor aguda atingiu seu estômago e ele se encolheu no chão. Sem piedade, o segurança o atingiu com um segundo soco, perto das costelas que o garoto tentava proteger com os braços.

- Pivete de merda. Deveria acabar com a sua raça imunda aqui mesmo. Ninguém daria a sua falta, hm?

Os olhos de Cameron estavam espremidos pela dor, de modo que ele não pôde ver quando uma terceira pessoa se aproximou. A única coisa capaz de perceber é que os chutes haviam cessado, até que uma voz masculina, que não pertencia ao segurança, soou.

- O que está acontecendo, Hercules?

Cameron sentia a temperatura gelada do piso em contato com a sua bochecha, e mesmo em meio a dor, seus lábios se repuxaram em um risinho diante do apelido do segurança. Com apenas um dos olhos, ele se arriscou olhar ao redor, esperando encontrar um segundo segurança para lhe encher de socos até que a polícia chegasse, fazendo vista grossa para o estado do pequeno delinquente.

- Don Alessio! – A voz de surpresa do segurança obrigou Cameron a forçar a vista em meio a escuridão da noite. – Eu não sabia que o senhor ainda estava por aqui. Peguei esse marginal assaltando o restaurante, mas já estou cuidando de tudo. Não há com o que se preocupar.

De onde estava, Cameron mal conseguia enxergar as pernas dos dois homens. O segurança era enorme, mas o contraste de seus sapatos com os de Don Alessio já mostrava que os dois pertenciam a classes sociais completamente diferentes.

Com curiosidade, Cameron arriscou erguer o rosto para enxergar o homem, encontrando um senhor infinitamente mais magro que o segurança, com alguns anos a mais. Os cabelos castanhos começavam a ficar salpicado com fios brancos e ele estava muito bem vestido.

Agora que começava a respirar normalmente, a mente de Lahey foi capaz de observar a cena como um todo. O segurança estava parado, próximo do seu corpo caído, enquanto o homem estava há alguns passos de distância da calçada, indicando que não havia saído do restaurante, mas entrara no beco pela rua.

Na calçada, um carro preto estava estacionado com a porta traseira aberta e um quarto homem estava de pé, provavelmente aguardando Don Alessio.

Ao lado do adolescente caído, a mochila havia arrebentado e espalhado as comidas roubadas daquela noite. Alessio Moccia olhou atentamente a cena com uma ruga entre as sobrancelhas grossas.

Cameron não soube exatamente quanto tempo se passou em um profundo silêncio até que o homem bem vestido voltasse a se pronunciar.

- Leve o garoto para o carro, Hércules.

A surpresa do segurança foi tão grande quanto a de Cameron, mas o garoto continuou encolhido no chão, apavorado demais com o que aconteceria. Se aquele era o chefe de Hércules, ele provavelmente estaria furioso por ter tido seu estabelecimento furtado e tomaria medidas pessoalmente.

- Eu posso cuidar do moleque, Don...

- Para o carro, Hércules. – Sem alterar a voz, Alessio deu as costas para aquela cena e voltou para seu carro, certo de que o segurança acataria suas ordens.


A imagem refletida no espelho naquela manhã não lembrava em nada o passado de Cameron Lahey. O moleque que havia frequentado delegacias e institutos para adolescentes problemáticos não aparecia nem mesmo na sombra do homem que ele havia se tornado.

Quase dez anos haviam se passado desde o encontro de Don Alessio e Cameron Lahey no beco, mas fora aquele único momento que transformara a vida do pequeno delinquente que provavelmente estaria atrás das grades.

Naquela noite, quando teve certeza que acabaria morto por Alessio, Cameron foi acolhido em sua grande mansão. Um banho quente lhe foi oferecido, assim como uma mesa farta com opções ainda melhores do que as que ele havia tentado furtar.

Lahey precisou de meses para compreender a sorte que havia tido. Durante semanas, ele encarou com extrema desconfiança a subida atitude bondosa daquele homem. Havia tentado fugir ainda na primeira noite, mas Moccia o surpreendeu lhe dando a porta aberta com as opções de voltar para as ruas ou ficar.

Na cabeça de alguém que havia sofrido tanto, Cameron não conseguia compreender as intenções de Alessio. Por diversas vezes o acusou de interesses pouco puros, mas mesmo depois de anos, a única coisa que aquele homem havia exigido era a sua lealdade.

Para muitos, Alessio Moccia poderia ser um homem sério, rígido ou incompreensível. Mas todos de seu ciclo de confiança sabiam enxergar sua bondade. Para Cameron, Alessio havia se tornado um pai e ele retribuía com a sua lealdade inquestionável.

Aquela lealdade exigia de Cameron trabalhos um tanto heterodoxos, que ele fazia sem questionar. Qualquer que fosse o desejo de Alessio, o preço ainda seria insignificante a ser pago, em comparação com que teria se tornado sua vida sem aquele homem.

Por estar acostumado com trabalhos um pouco mais “sujos”, a investigação sobre a governanta era quase um passatempo.

Nos anos sob a proteção de Moccia, Cameron teve a oportunidade de estudar e descobriu que tinha uma imensa facilidade para trabalhar com computadores. Buscar as informações de alguém em sistemas criptografados não era uma tarefa tão complexa.

Em questão de poucas horas, Lahey já havia cruzado as informações de Matilda Belmont sem encontrar nenhum deslize na história contada a Don Alessio. A menina parecia mesmo com uma órfã que apenas procurava um emprego digno.

Uma ficha médica e antiga de Matilda estava impressa e jogada sobre a mesa de centro do apartamento de Cameron. O notebook ao lado exibia a tela da receita federal e, em meio as demais documentações, ele bebericava uma água mineral.

Cameron se recostou no sofá e deslizou os dedos na pele áspera onde a barba começava a nascer. Os olhos azuis encaravam fixamente a foto de Matilda no canto da tela, enquanto Cameron lembrava do próprio passado.

Belmont parecia esperta, de uma forma que Cameron jamais havia sido. Ela não parecia ter tido um passado fácil, e ainda assim estava ali, lutando para ter uma vida limpa, com um salário justo, completamente alheia da podridão que cercava as ruas de Las Vegas.

A inocência dela fazia algo se aquecer dentro de Lahey, despertando um desejo de ter aquela mesma pureza que lhe havia sido roubada prematuramente.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Fev 18, 2017 11:18 pm

A camada do batom foi reforçada enquanto Michaela encarava seu reflexo no espelho. O dia ainda estava em suas primeiras horas e o sol ainda não era suficiente para fazer o calor do deserto de Nevada se tornar insuportável, mas a menina já conhecia o clima de Las Vegas o suficiente para saber que precisaria ter cuidados extras com seus lábios e sua pele.

A maquiagem já estava impecável, destacando os olhos esverdeados. Os cabelos loiros volumosos emolduravam o rosto de menina e o espelho de corpo inteiro exibia o biquíni preto que a filha de Alessio Moccia havia escolhido. Por cima do corpo miúdo, tudo o que Mika colocou foi um vestido rendado que serviria para um dia na piscina.

Quando alcançou o andar inferior, um banquete já a aguardava na grande mesa onde o pai costumava usar para os grandes jantares, mas ela se limitou em uma fruta antes de andar pela casa a procura do dono de todo aquele palácio.

O lugar era enorme e luxuosamente decorado. A riqueza era evidente nos lustres, piso, e até nas maçanetas douradas. Mas o silencio que reinava indicava que todo aquele conforto não era usufruído por Alessio naquela manhã.

Embora o escritório em casa fosse onde Don Alessio passava praticamente todo o seu tempo, esporadicamente o homem visitava pessoalmente seus negócios e admirava de perto o seu império. Era incomum que Alessio deixasse a casa logo na primeira manhã junto com a filha, mas aquele não era um motivo para que a menina se trancasse no quarto ou lamentasse a falta da companhia.

O pai sempre havia lhe tratado com imenso amor e cheia de mimos, o bastante para que Mika soubesse que, se ele não estava ali naquela manhã, era porque realmente tinha assuntos urgentes para tratar. Mas ao invés de se limitar em aguardar o retorno do pai, Michaela não hesitou quando teve a ideia de visita-lo pessoalmente.

Sem se importar com o vestido quase transparente e com o tecido do biquíni que se destacava sob a renda, Michaela vestiu um grande par de saltos antes de se enfiar no banco traseiro de um dos carros, orientando o motorista sobre seu destino.

O cassino principal do legado de Alessio ficava na principal rua de Vegas, e mesmo com a luz da manhã, seu interior trazia a sensação de que a noite já havia chegado. O teto era preto, com pedras de cristais que caíam como cortinas para reforçar a iluminação. Fileiras e mais fileiras de caça-níqueis já começavam a atrair a atenção de turistas, enquanto mesas de carteados se espalhavam, ainda vazias.

Um bar ao fundo funcionava vinte e quatro horas por dia, mas o atendente estava ocupado apenas em limpar a superfície, livre de clientes que evitavam a bebida ainda tão cedo.

Os saltos de Mika eram abafados pelo carpete que cobria o chão, mas mesmo sua aparência baixinha ainda se destacava em meio a enorme quantidade de informações do cassino. O primeiro ponto que chamava a atenção em Moccia era sua aparência consideravelmente mais nova para o público de um cassino. Mesmo entre os turistas, só era permitida a entrada de maiores de 21 anos.

Depois daquele detalhe gritante que já deveria ter sido motivo para sua expulsão, as roupas de Moccia também não passavam desapercebidas. Mesmo no clima despojado de Las Vegas, não era de se esperar que uma menina fosse aparecer praticamente com trajes de banho em meio aos jogos de azar.

Os fiéis óculos de sol estavam no topo da cabeleira loira e seus braços faziam barulhos com a quantidade de pulseiras quando um segurança parou na sua frente, bloqueando seu caminho.

- Identidade?

Mika não trazia nenhuma bolsa consigo, o que indicava que era pouco provável que estivesse com documentos. Mas mesmo que estivesse, nem por um segundo a loira pensou em comprovar a sua idade para o homem de terno barato a sua frente.

- Que gracinha, vocês funcionam mesmo, hein?

As pulseiras em seu braço chacoalharam quando ela espanou uma poeira do terno do segurança, que não relaxou nem por um segundo.

- Desculpe, senhorita, mas é proibida a entrada de menores de...

- Eu sei, eu sei. – Mika girou os olhos, sua impaciência reforçando seu sotaque italiano que a fazia parecer ainda mais com mais uma das turistas. – Já sei todas as regras desde os meus oito anos, King Kong. Aprendi quase na mesma época em que ganhei meu primeiro blackjack. Agora, você vai sair da minha frente ou vou precisar fazer meu pai te demitir?
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Sab Fev 18, 2017 11:51 pm

As luzes exageradamente coloridas brilhavam nas fachadas dos estabelecimentos e iluminavam toda aquela rua movimentada do centro de Las Vegas, tornando desnecessária a iluminação pública da prefeitura. Todo aquele quarteirão era composto por vários cassinos, casas de shows e cabines de apostas. Mas somente na porta do “Moccia’s” havia uma extensa fila de espera.

Embora o luxo do estabelecimento viesse acompanhado por preços bem mais elevados que os da concorrência, os clientes se acumulavam em todas as unidades da rede de cassinos mais famosa de Vegas. Estar dentro de um dos cassinos de Alessio Moccia era o mesmo que aproveitar o que a cidade do pecado tinha de melhor.

Mesmo que o objetivo de Connor Ward fosse destruir aquele império, o rapaz precisava admitir que aquele ambiente o encantava. O salão luxuoso tirava o fôlego de qualquer um que entrasse no cassino pela primeira vez, assim como a fartura de bebidas, a música, os espetáculos, as mulheres e as infinitas opções de jogos e entretenimento.

Quando entrou para a “família” Moccia, há exatos dez meses, Connor foi contratado como um simples funcionário responsável por uma das mesas de cartas. A experiência de Ward em outros cassinos lhe deu a habilidade necessária para encenar com perfeição aquele papel. Os dedos ágeis se moviam com rapidez enquanto as cartas eram embaralhadas e distribuídas aos jogadores da mesa, de forma que ninguém percebesse que todo o jogo era cuidadosamente controlado pelo simpático funcionário de Alessio.

Não demorou para que Connor ganhasse mais espaço dentro do cassino. As qualidades do rapaz logo se destacaram e a atenção de Don Alessio foi desviada para o garoto novato que comandava a mesa de cartas mais lucrativa da história do Moccia’s. Além de habilidoso com as mãos, Connor era simpático, discreto, cumpria fielmente seus horários e nunca se envolvera em nenhuma confusão, mesmo estando imerso no ambiente tentador de um cassino lotado de dinheiro, armas e mulheres.

A ficha de Ward fora cuidadosamente analisada pelo mafioso, mas Don Alessio não encontrou nada além da triste história de um garoto sem pai, filho de uma prostituta, que havia sido levado para um orfanato depois de uma infância turbulenta. Mesmo com um passado tão difícil, não havia na ficha de Connor nenhuma passagem pela polícia, nenhuma queixa de roubo ou briga pelas ruas de Vegas. No fim das contas, Ward realmente parecia um rapaz comum que havia trabalhado em alguns cassinos menores até ser contratado pelo Moccia’s.

E foi exatamente aquela ficha limpa que elevou Connor do cargo de um simples mesário até a sub-gerência daquela unidade. O gerente era responsável pelo fechamento das contas e principalmente pela circulação das altas quantias de dinheiro dentro do cassino, mas, como subgerente, cabia a Ward a tarefa de manter a ordem dentro do salão, garantir que não faltasse nada no bar e que a segurança estivesse sempre a postos para evitar possíveis confusões.

O novo cargo também exigiu que Connor trocasse o uniforme do cassino por roupas mais refinadas e ele agora circulava pelo salão com um terno preto impecável, que fazia com que o subgerente se misturasse com perfeição no meio dos clientes embriagados e sedentos por diversão.

Embora tudo aquilo fizesse parte de um disfarce, Ward executava com perfeição as suas obrigações dentro do cassino. Naquela noite movimentada de sábado, os olhos castanhos estavam atentos a cada movimento do salão enquanto Connor circulava entre as mesas de cartas, os caça-níqueis e as bancadas de roletas. Com um movimento discreto, o subgerente aproximou dos lábios o rádio de comunicação interna antes de tomar a palavra.

- Fred... De olho na roleta nove. Cliente com terno cinza e gravata azul está com um comportamento suspeito.

A câmera do circuito de segurança mais próxima do local indicado por Connor se moveu lentamente na direção da mesa até focalizar a imagem do homem descrito por Ward.

- Está na mira, chefe. – a voz de Fred soou no rádio – Vou ficar de olho nele. E também na loira a sua esquerda. Ela tem cara de bandida, tome cuidado, ela é perigosa.

- Vai se ferrar, Fred!

A voz feminina soou antes mesmo que Connor pudesse virar a cabeça para a esquerda. Quando avistou a garçonete, a loira já erguia o dedo do meio para a câmera bem acima do local onde ela e Ward se encontravam. A risada de Fred ecoou no rádio antes que o subgerente interrompesse a transmissão para dar atenção à moça.

- Algum problema, Becca?

Assim como todas as garçonetes que circulavam pelo salão, Rebecca Smith chamava a atenção por suas curvas perfeitas, realçadas ainda mais pela minissaia vermelha e pelos saltos exageradamente altos, que faziam suas pernas parecerem ainda mais compridas. Os cabelos loiros eram lisos e estavam presos num rabo de cavalo alto. O rosto naturalmente bonito se tornava ainda mais chamativo graças à maquiagem pesada.

- Dois. Problema número um... – a unha pintada de vermelho se destacou quando Rebecca apontou discretamente na direção de um dos bares do salão – Tem um cara ali que já esvaziou uma garrafa inteira de vodka e está há um passo de se tornar inconveniente. Sugiro que um segurança fique por perto.

- Sugestão aceita, vou chamar um dos rapazes. Problema dois?

- Temos companhia. – a expressão de Becca se tornou mais sombria – O cãozinho acabou de chegar com dois filhotes. Estão no escritório.

Não era preciso fazer nenhuma pergunta para entender a quem Rebecca estava se referindo. Depois de dez meses na família Moccia, Connor já sabia perfeitamente quem era o cão de guarda mais fiel de Don Alessio. Embora estivesse à frente dos negócios, o mafioso obviamente não conseguia acompanhar de perto todos os acontecimentos de sua rede de cassinos, então não era raro que Cameron Lahey eventualmente aparecesse de surpresa nas unidades para garantir que tudo estava sob controle.

- Relaxa, Becca. É só uma visita de rotina. Volte pro balcão, eu vou falar com eles.

No caminho até o escritório, que ficava no subsolo do cassino, Connor novamente sacou o rádio e pediu a um dos seguranças que se aproximasse do bar para tirar de perto das moças o bêbado inconveniente. Como tudo estava sob controle no salão, Ward realmente achou que não haveria problemas em ajudar o gerente naquela prestação de contas aos homens de Don Alessio.

Exatamente por achar que aquela era uma visita amigável, o rosto de Connor perdeu todas as cores quando ele empurrou a porta do escritório do gerente e se deparou com aquela cena inesperada.

Um dos armários estava caído no chão e vários documentos tinham se espalhado pelo carpete impecavelmente limpo. Uma garrafa de whisky também havia sido vítima daquela destruição e agora a bebida cara escorria pelo chão, juntamente com o gelo do balde partido ao meio. Mas nada se comparava ao estrago feito no rosto do gerente.

Petrificado na porta, Connor demorou a reconhecer os traços de Terry Morgan naquele rosto inchado. Um dos olhos do gerente não conseguia mais se abrir graças ao soco potente que inchara suas pálpebras. O terno já estava amassado e a camisa branca machada com o sangue que pingava do nariz quebrado. A mão trêmula de Ward chegou a se erguer na tentativa de chamar os seguranças para o subsolo, mas o toque suave de Cameron Lahey conteve aquela iniciativa do subgerente.

- Está tudo sob controle por aqui, Connor.

Definitivamente as coisas não pareciam sob controle quando os dois enormes seguranças que acompanhavam Cameron acertaram o gerente com mais socos e pontapés potentes. Terry ainda tentou negar as acusações por mais alguns segundos, mas por fim não suportou aquela tortura e confessou, com a garganta engasgada pelos dentes quebrados.

- Eu desviei uma quantia!!! Mas eu vou devolver cada centavo, Cameron! Diga a Don Alessio que eu lamento muito e que vou devolver a grana dele!

Aquelas foram as últimas palavras ditas pelo gerente antes que Terry descobrisse da pior maneira possível que Don Alessio Moccia não tolerava nenhum tipo de traição. Connor não disfarçou o semblante de horror quando viu um dos seguranças sacar a arma. O silenciador permitiu que aquele crime acontecesse sem abalar a rotina animada do cassino, mas não seria tão fácil retirar do carpete o sangue que se juntou ao restante da destruição promovida naquela noite.

O dia já tinha amanhecido, o que mostrava que muitas horas tinham se passado desde o crime, mas os olhos castanhos do subgerente continuavam presos na mancha de sangue no carpete. O corpo de Terry Morgan já havia sido retirado, aproveitando-se do cassino mais vazio naquela manhã, mas Ward ainda continuava em estado de choque. Nem mesmo o seu treinamento na polícia o preparou para a frieza necessária para aquele trabalho. Enquanto o mundo se movimentava ao seu redor, a cabeça de Connor ainda revivia o olhar de pânico do colega antes do disparo fatal.

Por estar tão abalado, o subgerente só percebeu que mais alguém havia entrado no escritório quando uma mão firme apertou seu ombro num gesto amigável. Connor já estava pálido, mas ficou ainda mais fantasmagórico quando reconheceu as feições sérias de Don Alessio.

- Lamento que tenha visto isso, rapaz. Eu sempre peço aos rapazes para serem discretos com a limpeza, mas às vezes as coisas saem do controle.

O mafioso olhou ao redor, fazendo uma careta para os móveis destruídos e para a poça de sangue acumulada em um canto do carpete.

- Bom, isso ao menos será uma excelente oportunidade para que você modifique a decoração para que fique de acordo com as suas preferências. Esta será a sua nova sala, afinal.

Por longos segundos, Connor refletiu sobre aquelas palavras sem compreender as insinuações de Alessio. Quando finalmente entendeu aonde Moccia queria chegar, os olhos castanhos quase saltaram para fora do rosto de Ward.

- Eu??? Gerente???

- Ora, Connor, quem mais poderia ser? Você já conhece o cassino, já está familiarizado com o funcionamento, com os empregados. – Alessio abriu um sorriso doce que não combinava com a postura de um homem que ordenara um assassinato na última noite – Eu confio em você, sei que fará um bom trabalho e que não repetirá os erros do Terry.

- Eu trabalho aqui há poucos meses! – Connor debateu, ainda assustado com a ideia de ocupar o cargo do homem assassinado por Moccia há poucas horas.

- O Terry trabalhava para mim há vinte anos e ainda assim me roubou. Ele é a maior prova de que a confiança não depende do tempo de convivência, meu caro. O cargo agora é seu e eu não voltarei atrás nesta decisão.

A mente confusa de Ward ainda tentava digerir aquela novidade quando vozes exaltadas na escadaria que levava ao escritório alertaram os seguranças. Alessio manteve no rosto um semblante tranquilo enquanto via os seus homens sacando as armas e apontando para a porta, mas Cameron bufou e fez um sinal para que os colegas relaxassem ao se deparar com a pequena invasora.

Connor teve certeza que tudo aquilo era um sonho bizarro e que alguém tinha colocado algum entorpecente potente em sua bebida quando avistou a garota. O rostinho de menina não combinava com o ambiente do cassino, mas a aparência da garota se tornava ainda mais bizarra graças à escolha das roupas daquela manhã. O vestido transparente não escondia o biquíni e não combinava com os saltos que, embora fossem altos, não faziam muita diferença na estatura pouco privilegiada da garota.

- Don Alessio! – o segurança que tentara barrar a entrada de Michaela no cassino estava ofegante quando apontou a menina – Eu tentei impedir que ela entrasse, mas ela disse que é...

- Minha bambina. – o mafioso confirmou a história da garota, fazendo o segurança arregalar os olhos com pavor – Tudo bem, Paul. Eu sei melhor do que ninguém o quanto ela é terrível. Bambina, o papá está trabalhando.

Chegava a ser cômica a cena de Don Alessio Moccia conversando com a filha como se Michaela fosse uma menininha de cinco anos.

- Eu demorei um pouco mais porque acabei de contratar um novo gerente. – Alessio novamente apertou o ombro de Connor – Mas eu já estava indo para casa, bambina. Você não precisava ter vindo aqui. Muito menos vestida desse jeito. Cameron, dê seu paletó pra ela, por Dio!
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Dom Fev 19, 2017 12:36 am

O vestido preto de mangas compridas era elegante, e o comprimento que ultrapassava os joelhos da moça tornava aquela escolha de roupa bastante adequada para o cargo que ela ocuparia na mansão dos Moccia. Os sapatos fechados também eram pretos e tinham um salto grosso que permitiria que Matilda Belmont passasse longas horas de pé sem se cansar. Mais uma vez, os cabelos castanhos de Matilda estavam presos em um coque impecável do qual não escapava nenhum fio e a maquiagem leve tornava ainda mais sóbria a aparência da nova governanta.

Quando chegou à mansão pela segunda vez, Matilda carregava consigo duas pequenas malas com seus pertences. A jovem havia recebido uma ligação do próprio Don Alessio na noite anterior, confirmando que ela não só conseguira a vaga de governanta como também deveria começar a trabalhar na manhã seguinte.

Depois de ser recebida por uma das camareiras, a nova governanta deixou suas malas no pequeno quarto que agora lhe pertencia, mas não perdeu tempo organizando gavetas e armários. O silêncio da casa indicava que os patrões não estavam presentes, mas ainda assim Matilda fazia questão de iniciar o quanto antes as suas novas tarefas.

Connor já havia dado à irmã várias informações valiosas sobre os funcionários e a rotina da família Moccia. Mas Belmont executou com perfeição o papel de uma recém-chegada que não conhecia nenhuma peculiaridade do trabalho que lhe aguardava. A mesma camareira que a recebeu na porta levou Matilda por um passeio pela mansão e apresentou cada um dos tantos cômodos da casa.

- Normalmente a casa é calma e silenciosa. – a moça fez uma pausa antes de cochichar para a novata – Mas eu realmente não sei como será a partir de agora que a menina voltou.

- A menina? – Matilda repetiu na mesma entonação discreta da camareira.

- Michaela. Filha de Don Alessio. Ela chegou ontem. Imagino que ela seja a razão do patrão ter pedido a você que comece a trabalhar em pleno domingo. Don Alessio faz tudo para mimá-la e esta casa realmente está um pouco desorganizada desde que a antiga governanta aposentou.

Connor nunca havia mencionado uma herdeira dos Moccia, mas Matilda repetiu para si mesma que aquele detalhe não mudaria em nada os seus planos. Michaela provavelmente era só uma menina mimada a quem ela teria que paparicar. Talvez, se conseguisse se tornar uma amiga da garota, Belmont encontraria ainda mais facilidades na tarefa de acessar os segredos sujos da família.

- E onde ela está? Eu gostaria de me apresentar a ela.

- Saiu com um dos motoristas. Usando roupas de banho.

O tom de crítica da camareira indicava que Michaela não gozava da mesma idolatria que os funcionários sentiam por Alessio, mas o sorriso mecânico de Matilda não compactuou com aquela tentativa de fofoca. Pelo contrário, a nova governanta mudou delicadamente de assunto e a novata se esquivou de qualquer comentário depreciativo sobre a herdeira do mafioso.

Para ter sucesso naquela missão tão arriscada, Belmont sabia que precisava ser discreta e, principalmente, precisava desempenhar com perfeição o papel de uma governanta fiel. Mesmo que ainda não soubesse o horror que Connor vivera na última madrugada, Matilda não tinha dúvidas de que Don Alessio Moccia não perdoava nenhum tipo de traição e que ela precisava manter aquela máscara se quisesse sair viva de todo aquele plano ardiloso.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Ter Fev 21, 2017 1:56 am

O som das rodas sobre o cascalho era suave demais até finalmente cessar quando o BMW preto parou diante da mansão. Antes mesmo que o freio de mão fosse inteiramente puxado, a porta do carona já estava sendo aberta e Michaela saltava para fora.

Sem a menor pressa, Cameron girou a chave do carro até o motor silenciar por completo. Só então ele deslizou para fora, seguindo os passos de uma loira apressada que já entrava pelas grandes portas espelhadas da mansão.

Por ter seu paletó cobrindo os ombros de Mika, Cameron exibia apenas a camisa cinzenta ligeiramente amarrotada. Os óculos de sol preto ocultavam as íris azuis, mas ainda era possível notar como seu rosto estava tranquilo, sem se alterar diante da fúria da herdeira Moccia.

- Eu só estou dizendo que você não precisava ter ido até o Cassino, pequeno Frodo. Seu pai está certo, você não pode sair para almoçar vestindo isso...

Nenhum funcionário de Alessio teria a audácia de fazer qualquer crítica em relação a menina dos olhos do mafioso. Mas Lahey não conseguia controlar a própria língua, nem mesmo diante da tempestade que se formava nos olhos verdes da menina. A intimidade que havia construído com aquela família muitas vezes o fazia se esquecer de sua posição.

- Achei que estivesse em Vegas, mas parece que vocês, americanos, são todos iguais!

Mika girou sobre os saltos e parou em meio ao saguão, apoiando as mãos na cintura. O paletó que cobria seus ombros tinha quase o mesmo comprimento do vestido rendado, mas fazia bem o seu trabalho de esconder o corpo da menina.

- É claro que estamos em Vegas. Se você chegar na esquina, vai encontrar o próprio Elvis de sunga. Mas isso não significa que são modos para uma garota...

A mão de Cam ergueu e ele gesticulou de cima a baixo, indicando o corpo de Mika como se apenas aquele gesto explicasse suas palavras. Em resposta, a loira espremeu os lábios e arrancou o paletó dos próprios ombros, o empurrando com violência contra o homem a sua frente.

- Se você ao menos fizesse o seu trabalho direito, mio papá não precisaria perder tempo!

Pego de surpresa, Cam chegou a cambalear para trás e agarrou o paletó em um rápido reflexo. Mesmo diante do comentário de Mika, sua expressão não se abalou e os lábios chegaram a se curvar para responder com alguma frase implicante quando um movimento na escada chamou sua atenção.

Ele ainda segurava o pulso de Mika e o paletó contra o peito quando ergueu o rosto na direção da escada, encontrando o rosto conhecido da camareira ao lado de uma morena. No mesmo instante, sua mente vasculhou nas lembranças diante da sensação de familiaridade, mas Cameron se viu obrigado a erguer os óculos escuros para melhorar sua visão e ter certeza de que estava diante de Matilda Belmont.

Uma ruguinha surgiu entre as sobrancelhas grossas de Lahey quando sua mente chegou a conclusão de que as fotos e suas pesquisas não eram justas diante da aparência da nova governanta dos Moccia. Sem a menor discrição, ele deslizou lentamente o olhar dos pés até a cabeça da morena até exibir um sorrisinho torto nos lábios.

- Matilda Belmont. – Ele acenou com a cabeça, sem se preocupar em esconder que conhecia sua identidade. – Fico feliz em saber que Don Alessio foi adiante com a ideia de contratar você.

Os cachos volumosos de Mikaela giraram quando ela desviou sua atenção de Lahey para as duas mulheres na escada. O olhar novamente estreitou diante da desconhecida, mas o comentário do homem explicava a presença daquela moça ali.

- Contratar? Não me diga que é mais uma empregada inútil que mio papá arrumou para me infernizar?
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Fev 21, 2017 2:35 am

O dia já estava quase chegando ao fim quando Michaela Moccia pisou no cassino novamente, desta vez sem a desculpa de estar atrás de Alessio. Apesar do vestido rendado e do biquíni ter sido trocado para aquela segunda visita, ainda era difícil que a jovem herdeira daquele estabelecimento passasse desapercebida.

As botas eram de cano curto, mas com saltos e bico fino, emendando na calça preta colada ao corpo. Apesar da cintura alta, o cropped bege permitia que uma faixa inteira de sua barriga reta ficasse exposta. Como se a roupa não fosse ousada o suficiente, Moccia ainda exibia um decote e a peça mais lembrava um grande sutiã rendado. Para minimizar aquele impacto, uma jaqueta preta com rebite cobria seus ombros, amortecendo a queda dos cachos loiros.

No instante em que sentiu o carpete do cassino amaciando seus passos, uma sombra se formou diante de Michaela, mas o mesmo segurança que havia lhe abordado de manhã a reconheceu de imediato, se afastando sem uma única palavra.

O breve segundo de tensão de enfrentar o mesmo problema daquela manhã se desfez e um sorrisinho esnobe se formou em seus lábios. Sem precisar do segurança lhe seguindo ou orientando seu caminho, Mika seguiu o mesmo caminho até a sala onde havia encontrado o pai, horas antes.

Sem se preocupar em bater, ela girou a maçaneta para encontrar o novo escritório de Connor Ward. A mancha de sangue no chão já havia desaparecido, mas certamente seria um detalhe facilmente ignorado.

Embora jamais tivesse presenciado de perto algumas das atitudes que sustentava a fortuna dos Moccia, Michaela gostava de acreditar que era forte o bastante para aquele tipo de “negócios”, que era inabalável.

Uma de suas mãos deslizou pela cintura, afastando a jaqueta do quadril, quando ela parou diante da porta aberta, sem se intimidar para o fato de não ter anunciado sua chegada antes.

- Que bom, você ainda está aqui.

Os saltos da bota foram abafados quando Mika atravessou o escritório, passando por cima do exato local em que o antigo gerente havia sido assassinato, alheia ao crime que havia acontecido ali no dia anterior.

Uma das cadeiras foi ocupada por Moccia e ela deslizou as pernas até cruzá-las, tão à vontade como se realmente tivesse marcado um horário para conversar sobre negócios com o gerente do cassino.

- Eu não tive tempo de falar mais cedo enquanto mio papá estava mais preocupado com as minhas roupas, mas não é um assunto que eu possa adiar por muito tempo.

As pulseiras que sempre faziam barulho quando Mika se mexia, foram chacoalhadas quando ela se inclinou para frente e apoiou os cotovelos sobre a mesa que agora pertencia a Connor.

- Imagino que saiba o motivo de eu ter voltado aos Estados Unidos. Mas como existe a possibilidade de você ser só mais um dos funcionários idiotas do mio papá, vou esclarecer as coisas para você.

Os lábios pintados de Mika se comprimiram em um sorrisinho arrogante e ela jogou alguns cachos loiros para um dos lados de sua cabeça, fazendo mais uma vez as pulseiras balançarem ruidosamente, em um gesto irritante.

- Vou fazer 21 anos no próximo mês e sempre prometi ao papá que voltaria para cá. Assim como ele sempre me prometeu uma grande festa no estilo Vegas para meu aniversário.

Mika ergueu as duas mãos, com as palmas viradas para o teto, indicando não só o escritório, mas como todo o prédio em que se encontravam. As pulseiras deslizaram pelo seu pulso em um ruído único.

- Nada diz mais “Vegas” do que cassino e eu quero a minha festa aqui. Faça acontecer.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Ter Fev 21, 2017 9:21 pm

O corpo de Terry Morgan já havia sido retirado discretamente do cassino há várias horas. Durante todo aquele dia, a equipe de limpeza concentrara todos os seus esforços na tarefa de desaparecer com qualquer evidência do crime, de forma que não havia mais nenhuma gota de sangue manchando o carpete do escritório e nenhum móvel quebrado ou fora de seu devido lugar.

Ainda assim, Connor continuava a sentir o cheiro metálico e sufocante do sangue, como se o odor tivesse ficado impregnado em suas narinas. Era ainda mais difícil tirar da memória aquela imagem agora que o rapaz estava sozinho no escritório que, graças à morte do colega, passara a ser seu.

Terry Morgan não fora a primeira pessoa que morrera diante de Ward. A infância turbulenta e o treinamento na academia de polícia deram a Connor boas doses de memórias violentas que deveriam tê-lo deixado mais imune, mas nenhuma de suas lembranças se comparava à cena que ele vira na noite anterior.

Uma execução fria. Como uma ovelha, Morgan fora sacrificado sem nenhuma chance de defesa. E o fato de Terry estar à frente dos negócios dos Moccia há vinte anos era um agravante que aumentava ainda mais o pânico de Connor. Se Alessio ordenava tão facilmente a execução de um “amigo” de décadas, o que faria se descobrisse que seu recém contratado era um policial infiltrado?

Por várias vezes naquele longo dia, Ward pensou na possibilidade de fugir. Se ele desaparecesse no mundo sem deixar nenhum vestígio, os Moccia concluiriam que ele era somente um covarde e logo o esqueceriam. Contudo, havia a indigesta possibilidade daquele sumiço gerar uma investigação ainda mais aprofundada de sua vida. E Connor não tinha dúvida de que Alessio iria procurá-lo debaixo de todas as pedras do planeta se descobrisse a dimensão de sua traição.

A ideia de fugir também foi abandonada porque Ward não queria deixar para trás a imagem de um covarde. Matilda estava de volta e agora os dois só tinham um ao outro, como nos velhos tempos da infância. Connor jamais a abandonaria, e também não teria coragem de arrastá-la para uma fuga que certamente terminaria mal. Os colegas também confiavam nele para o sucesso daquela missão e Ward se sentiria péssimo se recuasse como um filhotinho amedrontado logo na primeira dificuldade encontrada pelo caminho.

A gerência era uma oportunidade dourada para alguém que queria destruir o império dos Moccia. No novo cargo, Connor teria acesso aos documentos do cassino, teria provas materiais das transações ilegais, seria uma testemunha indireta dos “negócios” de Alessio. Era muito mais do que Ward imaginou que conseguiria e isso tornava ainda mais fácil a escolha de levar aquela missão até o fim.

O novo gerente precisaria de algum tempo até estar totalmente familiarizado com as funções de seu novo cargo. Mas as últimas horas dentro daquele escritório serviram para que Connor não tivesse dúvidas sobre o longo trabalho que estava por vir. As gavetas e armários estavam lotados de documentos e, definitivamente, a organização não era a maior qualidade de Terry Morgan.

Ward iniciou seu primeiro dia como gerente do maior cassino de Las Vegas formando pilhas de papeis sobre a mesa na tentativa de separar os documentos de forma mais organizada para serem arquivados. Ao longo daquela semana, o novo gerente pretendia olhar a documentação com mais calma, mas mesmo a rápida análise daquela tarde serviu para que Connor tivesse certeza de que as contas não estavam certas. De fato, Terry Morgan vinha desviando pequenas fortunas do cassino há alguns anos.

Poderia parecer um trabalho monótono, mas Ward já estava exausto quando a noite finalmente caiu. Cada músculo de seu corpo reclamava a ausência de descanso e as pálpebras pesadas não deixavam Connor se esquecer de que ele não havia sequer cochilado nas últimas vinte e quatro horas.

O novo gerente ainda usava o mesmo terno com o qual circulava pelo salão na noite anterior, mas agora o tecido amassado não lhe dava uma aparência tão impecável. O paletó já tinha sido retirado e jogado de lado em uma cadeira e o trabalho desgastante obrigou Connor a abrir alguns botões e dobrar as mangas da camisa branca até os cotovelos, exibindo os músculos do antebraço e uma pequena faixa de pele no peito firme. Os cabelos escuros também estavam atrapalhados depois das horas de esforço, mas esse detalhe somado à barba por fazer só contribuía positivamente para a aparência que Ward exibia quando a porta foi aberta subitamente.

Como um minúsculo furacão, Michaela Moccia entrou no escritório e começou a tagarelar sem dar ao novo gerente tempo para digerir aquela visita. Naquela manhã, Connor estava tenso demais para prestar tanta atenção na filha de Don Alessio, mas aquele novo e inesperado encontro serviu para que Ward não tivesse dúvidas do quanto Michaela era mimada. Ignorando o assassinato que houvera naquela sala e as preocupações que certamente atormentavam a mente do novo gerente do cassino, a garota simplesmente jogou nos braços dele a responsabilidade de uma festa. Chegava a ser bizarro que aquela fosse a razão da ansiedade de Michaela depois dos últimos acontecimentos.

Só depois que a menina finalmente se calou, Connor recuperou a voz. As palavras saltaram pelos lábios de Ward sem nenhum tipo de filtro e, no momento em que ouviu a própria voz grave ecoando pelo escritório, o rapaz se deu conta de que aquela não era a coisa certa a se dizer para uma menina que não estava acostumada a ser aborrecida.

- Vinte e um anos???

A entonação de surpresa e descrença deixou bem claro que Ward não diria “vinte e um” se alguém o obrigasse a calcular a idade de Michaela Moccia. O contato com a filha de Don Alessio naquela manhã fora muito breve, mas Connor tinha ficado com a equivocada impressão de que Michaela era uma menininha de treze ou catorze anos, principalmente pela baixa estatura e pela maneira como ela era tratada pelo pai.

Contudo, agora que a encarava com mais atenção, Ward finalmente percebia que Michaela Moccia não era mais uma criança. As roupas ousadas não escondiam as curvas que o corpo de uma menina de treze anos jamais teria. Embora seus traços ainda fossem bastante juvenis, a herdeira dos Moccia tinha um olhar astuto e uma postura autoritária que também não se encaixavam na imagem de uma garotinha. Ela era uma mulher bonita, do tipo que não passava desapercebida em nenhum ambiente. Mas naquela noite toda aquela beleza exótica era um pouco camuflada pela arrogância de uma garotinha mimada.

- Ahn, certo. – o gerente mudou o rumo daquela conversa antes que Michaela explodisse com aquele seu pequeno deslize – O que exatamente espera que eu faça, Srta. Moccia? É o meu primeiro dia neste cargo, então ainda estou tentando me ajustar nas novas funções. E realmente não pensei que a organização de festas de aniversário fizesse parte das obrigações do gerente de um grande cassino.

Embora a voz de Connor soasse extremamente respeitosa, a escolha das palavras deixou clara a ironia usada pelo gerente. Era um absurdo sem precedentes que Michaela o importunasse no primeiro dia de trabalho para exigir algo que não fazia parte das obrigações do gerente daquele cassino.

- Apesar da minha “vasta” experiência neste ramo de festas, eu vou precisar que a senhorita seja um pouco mais específica com relação aos seus planos. – Ward fez uma breve pausa antes de concluir aquela provocação – Um bolo de três andares, balões coloridos nas paredes, uma mesa de doces, um show de mágica...? O que a senhorita imaginou para a sua festinha de aniversário?

Não era uma atitude muito sábia provocar a filha que Don Alessio Moccia idolatrava, mas a paciência de Connor havia chegado ao fim depois daquele longo dia. Ele estava exausto, havia sido testemunha de um assassinato cruel, precisava desesperadamente de um banho e de uma noite de sono, estava tenso com os riscos que corria naquela missão. Definitivamente, a última de suas preocupações seria uma festinha de aniversário para a filha do patrão.

Por outro lado, Ward sabia que Michaela poderia dificultar absurdamente a sua vida e prejudicar o andamento da missão. Se a preciosa filha do mafioso declarasse uma guerra contra o gerente do cassino, Connor sabia que não ficaria mais que alguns poucos dias naquele novo cargo. Quando sua mente cansada chegou a esta conclusão, o policial se obrigou a reunir algumas migalhas de paciência para lidar com mais aquele problema.

- Para fazer isso acontecer, eu realmente preciso que me diga o que tem em mente, Srta. Moccia. E também preciso saber quanto tempo eu tenho para programar esta festa. – o gerente usou o polegar para apontar as pilhas de documento sobre a mesa – Como você pode notar, meu antecessor não era muito organizado e eu estou soterrado de trabalho.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Ter Fev 21, 2017 10:21 pm

Quando Connor descreveu Cameron Lahey como um dos funcionários de confiança de Don Alessio Moccia, a mente de Matilda construiu uma imagem completamente distorcida do homem. Mesmo que o irmão não tivesse perdido tempo com descrições físicas detalhadas, Belmont poderia jurar que saberia reconhecer o famoso “Cam” no instante em que colocasse os olhos nele.

Na mente de Matilda, Cameron seria um típico cão de guarda. A governanta esperava encontrar um brutamontes que compensava a leveza do cérebro com uma coleção de músculos bem desenhados. A imaginação da morena havia produzido um rosto com traços grosseiros e um semblante sempre carregado, ombros largos, cabelos raspados e talvez até alguma cicatriz no rosto contribuindo para a aparência pouco amigável.

Por isso, foi uma surpresa encontrar uma imagem tão distinta daquela cultivada em sua mente. É claro que uma aparência agradável não anulava o fato de que Cameron Lahey era um homem perigoso, mas Matilda não conseguiu se sentir tão ameaçada pelo homem que não fez questão de ser discreto quando a olhou de cima a baixo.

Belmont não esperava ouvir do irmão que Cameron Lahey era um homem jovem e atraente, que possuía um olhar intenso e um sorrisinho desconcertante. Mas ainda assim ela culpava Connor por não tê-la preparado para aquela surpresa. Foi com muito esforço que Matilda ocultou seus pensamentos sobre Cam enquanto terminava de descer as escadas, forçando seus olhos a se focarem apenas na imagem de Michaela Moccia.

- Bom dia, senhorita Moccia, é um prazer conhecê-la. Eu me chamo Matilda, sou a nova governanta.

Apesar do comportamento nada educado ou amigável da menina, Belmont manteve a postura profissional que era esperada dela.

- Meu trabalho é manter a casa em ordem, organizar a agenda do seu pai, coordenar os demais funcionários e garantir que não falte nada aos patrões. Portanto, não vai me sobrar tempo para o papel de uma babá, e definitivamente isso não faz parte das minhas obrigações nesta casa.

Na pequena pausa feita por Matilda, ela pôde escutar a respiração ruidosa da camareira, que assistia à cena ainda das escadas. Era óbvio que Michaela não tinha o costume de ser contrariada ou ofendida, razão pela qual Belmont se apressou em colocar nos lábios um sorriso mecânico enquanto completava o raciocínio.

- Para a minha grande sorte, não há crianças nesta casa. Eu estou muito satisfeita em ver que a filha de Don Alessio já é uma mulher e que não vai me dar este tipo de problema. Vou me manter fora do seu caminho, mas não hesite em me procurar caso precise dos meus serviços.

Os olhos castanhos finalmente se ergueram para o homem posicionado ao lado de Michaela. Cameron parecia enorme quando comparado à filha do patrão, mas continuava sendo mais alto que a nova governanta, mesmo considerando os saltos que Matilda usava naquela manhã.

- Imagino que seja o Sr. Lahey. Don Alessio pediu que eu o procurasse esta manhã caso tivesse alguma dúvida sobre o trabalho.

Os lábios de Belmont novamente se curvaram num discreto sorriso enquanto ela observava a mão de Cameron rodeando o punho de Michaela, deixando claro que os dois estavam travando uma pequena batalha antes de serem interrompidos pelos passos na escada. Naquela manhã, era Cameron quem executava o lamentável papel de uma babá.

- Vejo que está ligeiramente ocupado, então não se incomode comigo. A Tracy está me apresentando à casa e eu já estou familiarizada com as funções de uma governanta. Mas eu agradeceria se me procurasse até o fim do dia para esclarecer algumas dúvidas pontuais.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Mar 01, 2017 8:30 pm

Os olhos bem pintados de Michaela se estreitaram diante da nada discreta reação do funcionário do cassino diante da revelação sobre a sua idade. Não é como se a herdeira dos Moccia não estivesse acostumada a ver a surpresa nítida no rosto das pessoas quando descobriam que ela não era a menininha que aparentava, mas nada fazia com que ela se acostumasse com aquela atitude.

O gesto que provavelmente seria bem-recebido pela maioria das mulheres que adorariam ser julgadas mais novas do que realmente eram, apenas despertava uma pequena ira no interior de Michaela. Para compensar aquela imagem errada que passava diante do seu rosto delicado e do corpo miúdo, ela sempre ousava na maquiagem ou nas roupas mais decotadas, tentando assim minimizar a figura de uma menina, dando lugar a aparência da mulher.

Apesar do brilho mais selvagem que invadiu seu olhar diante da reação de Connor, um sorrisinho convencido surgiu em seus lábios enquanto ela tentava não transparecer a fúria que sentia diante do tratamento infantil que o gerente do cassino estava lhe dando.

- Talvez você só não esteja no seu cargo há tempo o suficiente para entender as suas funções, Sr...

As unhas pintadas de rosa provocaram um ruído metálico quando se chocaram contra a plaquinha sobre a mesa de Connor. Mika a trouxe mais para perto e arqueou as sobrancelhas ao encontrar o nome de Terry Morgan marcado. No canto inferior do material frio, um respingo discreto de sangue passava quase desapercebido, mas foi logo notado pela loira.

- Bom, acho que o Terry não vai mais precisar disso agora, não é?

Mika se esticou alguns centímetros na cadeira até conseguir alcançar a lixeira na lateral da mesa de Connor, deixando a placa deslizar até se chocar com um baque. Com as mãos livres, ela voltou sua atenção para o homem a sua frente, mantendo o sorrisinho superior nos lábios.

- De qualquer forma, Caleb... Cole... Conny, que seja. A sua função é deixar o meu pai feliz. E se eu não estou feliz, mio papá também não está feliz. Então tente não se limitar nas suas funções do Cassino como desculpa. Isso podia valer para o Terry enquanto eu não estava aqui. Mas agora eu estou e ele não, não é mesmo?

Os cabelos cacheados sacudiram quando Michaela emendou o sorriso em uma risadinha. As pernas se descruzaram e ela se colocou de pé, andando pelo novo escritório de Ward, avaliando a decoração como se estivesse diante de peças raras de um museu.

- Balões coloridos e uma mesa de doces pode ter sido sucesso na sua época, lindinho. Mas não está mais na moda, então pode cortá-los da sua lista.

Quando Mika parou de andar pelo escritório, ela já havia se movido até estar do outro lado da mesa. Sem o menor pudor, ela se recostou contra o tampo de madeira, mantendo as pernas esticadas ao lado do local em que Connor estava sentado. Uma ruguinha surgiu entre as sobrancelhas claras quando ela inclinou o rosto na direção dele.

- Mas um show de mágica não é uma ideia tão ruim assim. Estamos em Vegas, afinal, não é?

Os dentes perfeitos de Michaela apareceram quando ela mordeu o lábio inferior, tentando conter o riso que lhe deixava ainda mais arrogante. Ela se inclinou para frente até que suas mãos alcançassem a gravata frouxa de Connor, alisando o tecido barato.

- Eu voltei para ficar. E o que quero é que a minha festa mostre exatamente isso. Quero o melhor de Vegas, que todos saibam que Michaela Moccia está aqui.

Os olhos esverdeados deslizaram para a gravata de Connor, avaliando a peça por longos segundos antes de soltá-la com um girar de olhos.

- É claro que eu não vou deixar um cara que escolhe uma gravata dessas organizar a minha festa. Eu já tenho um especialista para isso. O que quero de você é apenas as chaves da cobertura.

O Cassino dos Moccia era acoplado ao luxuoso hotel que recebia turistas e executivos de todo o mundo. Celebridades vinham diretamente para as suítes presidenciais em suas férias na cidade do pecado. Mas a cobertura era um acesso restrito basicamente aos convidados especiais de Alessio Moccia.

Além da vista deslumbrante, o espaço que era pouco conhecido para os visitantes comuns do cassino e hotel, era luxuoso do chão ao teto. E era lá que o grande mafioso recebia seus “amigos” mais íntimos para partidas ilegais que aconteciam em seu momento de lazer.

Qualquer funcionário dos Moccia saberia que aquele era um espaço fora dos limites, mas para Mika, era simplesmente o cenário perfeito para o momento que queria produzir.

- Garanta que esteja vazio daqui um mês exato, movimente os seguranças que forem necessário. O restante eu cuido.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Qua Mar 01, 2017 11:58 pm

O tecido do paletó era grosso, mas ainda assim, Cameron conseguia sentir as unhas afiadas de Michaela pressionando contra sua pele enquanto ela estudava atentamente a nova governanta escolhida para a casa dos Moccia.

Da mesma forma com que Matilda provocou um pequeno monstrinho ao dizer que não assumiria o papel de uma babá, ela desfez o gatilho que explodiria um vulcão ao dizer que a filha de Don Alessio era uma mulher feita. A loira a sua frente relaxou nitidamente, embora ainda exibisse uma expressão firme, e Cameron soube naquele instante que a nova funcionaria da casa era esperta o bastante para saber como manter a paz e driblar a pequena fera.

Um sorrisinho orgulhoso brincou nos lábios de Lahey quando ele mais uma vez estudou Belmont da cabeça aos pés, se parabenizando silenciosamente pela escolha de Don Alessio. Além da gritante diferença de aparência entre a jovem funcionária e sua antecessora, uma senhora que já quase não sustentava o peso das próprias pernas, Matilda parecia ser inteligente e jogar como um especialista diante de um tabuleiro de xadrez.

- O Cam já está liberado.

Com um último empurrão, Mika soltou o paletó contra o peito de Cameron, que o recebeu prontamente, cambaleando um único passo para trás, sem tentar esconder um girar de olhos diante da postura mandona da filha de Alessio.

Michaela gostava de enfatizar e mostrar que ela mandava em tudo e em todos sob o teto do pai. Mas por estar em uma posição privilegiada na casa dos Moccia, Cameron muitas vezes se esquecia de seu papel como “empregado”. Embora obedecesse sem questionar as ordens de Alessio, que não descansasse para cumprir todas as suas tarefas e garantir a segurança do mafioso, era impossível não se sentir como parte daquela família.

Por isso, aquela postura autoritária de Michaela não passava da atitude mimada de uma irmã caçula, embora parecesse extremamente arrogante para os demais funcionários.

- Eu devia passar na lavanderia e tentar tirar esse seu perfume exageradamente doce do meu paletó, mas acho que será um trabalho desnecessário. Está tão impregnado que vou simplesmente jogá-lo no lixo.

O rosto de Mika girou para encará-lo e ele viu uma das sobrancelhas loiras sendo erguida, desafiadoramente. Aquele gesto, entretanto, apenas fez com que ele a encarasse da mesma forma, sem ao menos piscar.

- É um paletó horroroso, então estará fazendo um bem para a humanidade. E o meu perfume não é extremamente doce, você deveria me agradecer, pois é o mais perto de um Dior que vai chegar.

Mesmo diante das provocações, Cameron apenas riu, sacudindo a cabeça para mostrar que não se ofendia com as palavras de Micahela. Aquele parecia ser mais um ritual entre os dois, que demonstrava a intimidade criada com os anos.

- O Cam está livre pra você agora, Batilda. Se seu trabalho é coordenar os funcionários, pode começar por esse vira-latas, ele é irrecuperável. Mas manterá você ocupada.

Com um movimento das mãos, Michaela jogou os cabelos loiros por cima dos ombros e seguiu na direção das escadas, sem se dar ao trabalho de olhar uma segunda vez para a nova funcionária de sua casa.

- Tracy, jogue o paletó do Cam no incinerador. E depois traga a minha vitamina, estarei na piscina.

Tracy esperou que a menina desaparecesse às suas costas para girar os olhos, demonstrando aos outros dois funcionários como estava irritada com a postura da dona da casa. Apesar disso, não hesitou em seguir as ordens, esticando a mão na direção de Cameron para pegar o paletó.

- Não precisa queimar, literalmente. Pode só deixar na cozinha que eu pego antes de sair...

- Ordens da menina, Cameron.

Havia um quê malicioso nas palavras de Tracy quando ela se afastou com o paletó em mãos, deixando Lahey e a nova funcionária a sós. Com a blusa amarrotada exposta, Cameron ficava com um ar mais relaxado, de quem havia enfrentado um longo dia. Ele sequer ousou questionar que seu paletó fosse afastado daquela cena, com receio de que alguma mancha de sangue fosse se destacar diante dos olhos de Matilda.

- Acho que sua guia está mais ocupada agora. Mas não me importo em terminar de mostrar a casa enquanto você tira suas dúvidas pontuais. Por onde quer começar?
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Dom Mar 05, 2017 5:54 pm

Os saltos faziam com que uma batida rítmica ecoasse pelos corredores da mansão dos Moccia na medida em que a nova governanta andava pelo piso de madeira nobre, sendo acompanhada de perto por Cameron Lahey. Assim como os saltos, o vestido preto da nova funcionária também era elegante e sóbrio, exatamente o nível esperado para alguém que ocupava a posição dela.

Como a camareira já havia apresentado o segundo andar da casa à Matilda, Cameron teve que se limitar aos ambientes coletivos do térreo. Enquanto era apresentada à sala de reuniões, ao pequeno salão onde o mafioso recebia seus seletos convidados para jantar e à cozinha, a nova governanta se concentrou exclusivamente no próprio trabalho, mantendo uma postura profissional impecável. Provavelmente era esse comportamento que motivara Don Alessio a dar uma chance à Matilda Belmont, mesmo a moça sendo tão jovem.

Outro detalhe que não passava despercebido era a discrição de Matilda quanto a filha de Don Alessio. Mesmo depois que ficou sozinha com Cameron, a nova governanta não teceu nenhum comentário negativo sobre o comportamento arrogante, mimado e autoritário de Michaela. Era como se Belmont realmente não se importasse com a maneira como fora tratada e estivesse disposta a relevar tudo aquilo em prol de uma boa convivência no novo emprego.

- A Tracy me avisou que a despensa está bastante desfalcada...

O comentário de Matilda veio enquanto a moça analisava vários espaços vazios nos armários da cozinha. Mais uma vez, a governanta parecia concentrada exclusivamente no próprio trabalho. Todas as perguntas que fizera a Cameron até então diziam respeito ao funcionamento da casa, à rotina dos patrões e às funções dos empregados.

- Eu vou fazer uma lista de compras ainda hoje. Gostaria que um dos motoristas ficasse disponível no meio da tarde para me levar até o mercado.

Uma embalagem de biscoito vazia foi retirada de dentro do armário e jogada na lixeira da cozinha antes que Matilda fechasse a porta delicadamente. Os olhos castanhos se voltaram novamente para Lahey e a expressão de Belmont se manteve formal, embora por dentro a governanta ainda estivesse profundamente surpresa com a aparência de Cam. Definitivamente ele não se parecia em nada com o brutamontes sem cérebro que ela imaginava durante a descrição de Connor.

Contudo, independente da aparência dele, Matilda sabia que precisava ser cuidadosa diante de Cameron Lahey. Ele havia se tornado o braço direito de um mafioso, consequentemente era um homem perigoso que já havia burlado a lei várias vezes ao cumprir as ordens de Don Alessio. Mais que isso, homens como Cameron costumavam ser totalmente fiéis à máfia e não hesitariam em apertar o gatilho contra a cabeça de um espião ou traidor.

Como num jogo de xadrez, os movimentos de Matilda precisavam ser cuidadosamente estudados. Ela não queria ter Cameron como um inimigo, mas também não podia exagerar na execução do seu papel de fidelidade àquela “família” para não gerar desconfianças.

Foi pensando nisso que a nova governanta deslizou os olhos lentamente pela cozinha e só voltou a atenção para Lahey depois que teve certeza de que mais ninguém testemunhava aquele diálogo.

- Posso ser totalmente franca com o senhor, Sr. Lahey? Por razões óbvias, eu optei por não ter esta conversa com Don Alessio. Mas penso que estou diante da pessoa mais indicada para ouvir o meu posicionamento neste assunto delicado.

Após uma breve pausa e depois de checar novamente a cozinha vazia, Matilda buscou pelos olhos de Cameron antes de completar o seu raciocínio.

- Eu não sou idiota. Sei exatamente onde estou me metendo e sei com que tipo de pessoas vou conviver nesta casa. A grande verdade é que não me importa. Eu prefiro nem saber o que os senhores fazem da porta da rua para fora. Fui contratada para a função de governanta, e isso eu pretendo fazer de forma impecável. Mas eu gostaria de reforçar que não pretendo me envolver com nada que ultrapasse os limites da minha profissão.

O coração de Matilda batia acelerado dentro do peito e a adrenalina que circulava em altas doses nas veias dela deixava o seu corpo quente. Belmont sabia que estava pisando em um terreno perigoso e que bastava uma palavra errada para que Cameron desconfiasse de suas intenções. Mas o semblante da governanta não denunciava o pavor que se espalhava pelo resto do corpo dela.

- Serei pontual, eficiente e discreta. Mas eu gostaria de não ser envolvida diretamente nos “negócios” da família.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Dom Mar 05, 2017 6:36 pm

Como se o destino estivesse se divertindo às custas de Connor, o inesperado retorno de Michaela Moccia para Las Vegas acrescentava mais um grau de dificuldade à tarefa já tão complicada que Ward tinha diante de si. Quando concordou com o papel de espião, Connor imaginou que ocuparia a pele de um simples funcionário do cassino de Don Alessio. Agora, como gerente, o espião tinha todos os holofotes virados para si, precisaria quadruplicar sua cautela e ainda precisava lidar com uma criança mimada.

Passado o momento de surpresa, Connor obviamente percebeu que Michaela era mais velha do que aparentava. Mas nem esta certeza fazia com que Ward abandonasse a sensação de que estava diante de uma menininha mimada prestes a fazer uma birra porque não ganhara o tão sonhado presente de Natal. Era totalmente inacreditável que Mika surgisse no cassino fazendo exigências como se realmente todos precisassem atender aos seus desejos.

Quando encheu os pulmões de ar em uma inspiração profunda, Connor tinha a esperança de também renovar os seus estoques de paciência. Por mais que quisesse esganar aquela criatura arrogante, era preciso lidar com cuidado com a pessoa mais importante do mundo de Don Alessio Moccia.

- Tudo bem, Srta. Moccia.

Uma das sobrancelhas grossas do gerente se arqueou enquanto os olhos castanhos buscavam pela imagem de Mika. De forma nada discreta, Connor subiu o olhar demoradamente pelo corpo da menina até finalmente focar a atenção no rosto dela.

- Mas eu tenho uma pequena dúvida. Se o seu pai é o dono de tudo isso... – Ward abriu os braços, referindo-se a todo o prédio onde funcionava o cassino e o hotel – ...a senhorita não precisa realmente que eu autorize a sua festa, muito menos que eu dê permissão para que a senhorita use a cobertura, não é? Bastaria uma ordem de Don Alessio e tudo seria feito em tempo recorde.

Sem desviar o olhar do rosto dela, Connor abriu um sorrisinho mais malicioso enquanto sua mente finalmente compreendia qual deveria ser a participação do gerente do cassino naquela festinha luxuosa. Depois de presenciar o relacionamento entre Alessio e a filha, Ward não tinha dúvidas de que o mafioso jamais concordaria com aquela festa se soubesse que Michaela planejava “excessos” que não combinavam com a imagem de boa menina que o pai tinha dela.

- A senhorita quer a certeza de que os detalhes impublicáveis da sua festa não chegarão aos ouvidos do seu pai... Quer a certeza de que eu vou camuflar a sujeira e vou deixar que ele acredite que nada demais aconteceu aqui.

Nem por um momento, Ward planejou mentir para o mafioso. O cheiro do sangue de Terry Morgan impregnado no carpete era um lembrete vívido de que Alessio não tolerava traições. Por outro lado, Connor também sabia que Michaela tinha uma baixíssima tolerância a palavras negativas e não estava habituada a ser contrariada. Era preciso ser cuidadoso para não pisar em nenhuma armadilha naquele jogo perigoso.

- Eu não posso mentir para tuo papá, bambina. A única coisa que eu posso fazer é garantir que a sua festa aconteça dentro dos padrões respeitáveis que Don Alessio deseja para a sua doce e inocente bambina.

Ward repetiu em tom jocoso as palavras meigas que Alessio costumava usar para se referir à filha. Contudo, antes que Mika se enfurecesse com aquele deboche ou com a negativa do gerente, Connor virou subitamente o jogo em favor da garota.

- Mas eu não terei controle nenhum do que vai acontecer naquela cobertura se, por um acaso do destino, eu amanhecer terrivelmente indisposto logo no dia do seu aniversário, bambina. Não terei que esconder nada de tuo papá se eu estiver em casa, de cama, enquanto a sua festinha acontece.

Mesmo sabendo que aquela era uma jogada perigosa, Connor não pretendia declarar uma guerra contra Michaela Moccia por causa de uma festa de aniversário. Se a garota queria uma festa no melhor estilo Vegas, Ward não dificultaria a vida da aniversariante. Se o gerente não estivesse presente no cassino, Alessio não poderia responsabilizá-lo pelos planos de bebedeira, drogas, jogos ou sexo que certamente passavam pela mente maldosa de Mika.

- Eu sempre tive baixa tolerância a mudanças bruscas no clima, sabia? – Connor se recostou mais confortavelmente na cadeira antes de fazer sua última jogada – É um bom acordo, bambina. Eu não vou querer que Don Alessio saiba que a minha indisposição é falsa, mas imagino que também não seja do seu interesse que tuo papá descubra que tipo de festinha você está planejando. Se você não contar nada a ele, eu também não conto.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Mar 05, 2017 9:00 pm

Apesar da aparência mais jovial e da atitude absurdamente arrogante e mimada, quando os olhos verdes de Michaela se prenderam no rosto do novo gerente do cassino Moccia, eles demonstravam uma maturidade que não condizia com todos os demais fatores. Ainda assim, era uma maturidade perigosa, que apenas descartava a ingenuidade e inocência que Don Alessio acreditava existir em sua pequena filha, deixando claro que Mika sabia exatamente onde estava se metendo.

- O seu sotaque italiano é péssimo. Dá para ver de longe que é americano. Então não me surpreende que tenha uma saúde tão delicada.

As palavras de Michaela contradiziam o sorriso satisfeito que se formava em seus lábios, deixando claro que, apesar do comentário ácido, ela estava extremamente contente com a escolha inteligente de Ward.

Outros, no lugar de Connor, já estariam gaguejando, tremendo ou até mesmo sujando as próprias calças com medo do que estariam enfrentando. Alguns, mais audaciosos, teriam a coragem de lhe negar aquele “pedido” diretamente, com medo das consequências que enfrentaria com Don Alessio. Os mais patéticos dariam voltas e mais voltas até passar aquele problema até os ouvidos do mafioso.

Ward poderia ser novo naquela posição, mas parecia saber exatamente como jogar, agradando a todos sem se sair prejudicado. E naquele momento, ele ganhou consideráveis pontos a favor na avaliação de Michaela.

- Pode quebrar o próprio braço e se internar no hospital, se assim se sentir mais seguro. Eu não me importo.

Os olhos de Mika se estreitaram por um momento enquanto ela estudava o homem a sua frente, apenas com a sombra de um sorriso no canto dos lábios. Por fim, ela deu um pequeno salto para trás até sentar de vez sobre a mesa do gerente, sem se importar com os papeis que até então ele organizava para facilitar o próprio trabalho.

- Está bem, bello. Parece que você entende bem como as coisas funcionam por aqui. Eu não conto, se você não contar.

Michaella ergueu uma das mãos com a palma virada para o teto, deixando seus dedos delicados expostos bem diante dos olhos de Connor. A cabeça pendeu para frente, com os volumosos cachos deslizando pelos seus ombros enquanto ela sustentava o olhar sério no gerente.

- As chaves, por favor.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Dom Mar 05, 2017 9:28 pm

Embora estivesse exausto depois daquele dia longo e tumultuado, Connor precisava admitir para si mesmo que o joguinho com Michaela ficava mais interessante a cada minuto. Chegava a ser hilário conhecer a verdadeira face da filha que Don Alessio tratava como uma princesinha inocente. Moccia era mesmo um tolo por pensar que alguém que carregava os seus genes não herdara nem mesmo um pouco de malícia.

Ward não precisou de mais que alguns minutos para notar que, apesar da aparência frágil, Mika estava longe de ser uma garotinha ingênua. A expressão firme dela já apontava para uma personalidade única e seu comportamento naquele escritório serviu para desconstruir por completo a imagem de uma criança.

Quando arrastou a própria cadeira para trás e se colocou de pé, Connor não tinha mais nenhuma dúvida de que estava lidando com uma versão feminina e talvez ainda mais perigosa de Don Alessio Moccia. A mão erguida numa ordem muda para ganhar as chaves da cobertura continuou na mesma posição enquanto o gerente se posicionava em frente à garota.

- Eu não vou contar. Mas sugiro que escolha bem os seus convidados e mantenha a festa sob controle. De nada vai adiantar o meu silêncio se a sua festinha se transformar em um grande escândalo.

Os movimentos seguintes de Connor foram tão ágeis que não deram nenhuma chance de reação para Michaela. As mãos do gerente foram apoiadas com firmeza, uma em cada joelho da garota, e Ward os afastou subitamente com um movimento brusco. A calça preta colada protegia o corpo de Mika e tornava aquele gesto menos grave, mas ainda assim era um atrevimento sem precedentes.

Connor deu um passo adiante, praticamente se encaixando entre as pernas abertas da garota. Qualquer um que assistisse aquela cena imaginaria que um beijo ardente seria protagonizado sobre a mesa do escritório, mas o gerente frustrou tal expectativa quando simplesmente abriu uma das gavetas que antes estavam bloqueadas pelas pernas de Michaela.

Como se não tivesse acabado de abrir as pernas da filha de Don Alessio Moccia, Connor exibia um sorriso inocente e tranquilo quando tirou da gaveta um chaveiro de metal no qual o nome do cassino estava cuidadosamente esculpido. Havia ali cinco ou seis chaves que foram balançadas diante dos olhos da garota antes que o metal frio entrasse em contato com a mão que Mika mantinha erguida.

- Eu faço questão de não saber do que você e seus amiguinhos vão brincar. Mas espero sinceramente que seja divertido, bambina. O que ocorre em Vegas, fica em Vegas.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Mar 05, 2017 9:54 pm

Se o currículo de Matilda Belmont não fosse suficiente, a pesquisa de Cameron Lahey certamente seria mais eficiente em traduzir o tipo de pessoa que esperavam para ocupar o cargo da nova governanta dos Moccia. O trabalho de Cam era garantir que Don Alessio estivesse cercado de pessoas competentes e que não surtariam diante do estilo de vida pouco convencional de um mafioso.

Era de se esperar que a candidata eleita atendesse a todos os critérios, mas ainda assim era difícil para Cameron não se surpreender diante da postura da jovem Belmont. A pouca idade, que deveria ser um ponto negativo na personalidade dela, apenas servia como um fator surpreendente para a seriedade e discrição de Matilda. Mas o que mais se destacava, aos olhos de Cameron, era a inteligente em saber administrar aquele novo mundo em que ela estava mergulhando. E como ninguém, Lahey sabia o quanto aquela arte era difícil de ser dominada.

Ao contrário da atitude profissional de Matilda, Cam caminhou despreocupadamente até a geladeira, vasculhando o seu interior com o olhar íntimo de um morador. Por fim, ele esticou o braço até alcançar uma garrafa de suco escondida no fundo de umas prateleiras.

A cozinha era grande o bastante para servir um restaurante, e no centro, uma grande ilha facilitava as cozinheiras no preparo dos pratos ou até mesmo servia como mesa para algum funcionário apressado fazer suas refeições. Don Alessio em pessoa adorava se recostar ali, ao fim de um dia, e se desfrutar de alguma sobremesa, descaracterizando a imagem de um rico mafioso.

Com gestos que indicavam que Cameron sabia exatamente onde cada coisa era guardada, ele abriu um dos armários e retirou dois copos de vidro, colocando-os na grande ilha para servir o suco de laranja. Quando os copos já exibiam a forte coloração amarela até quase a boca, Cam deslizou um deles na direção de Matilda, em uma oferta muda antes de dar um gole em sua própria bebida.

- Cada um de nós tem um papel a exercer por aqui, Belmont. Se pretende ser pontual, eficiente e discreta, você estará fazendo o seu.

O copo foi novamente apoiado sobre a bancada e Cameron se inclinou para frente, apoiando os cotovelos sobre o mármore branco até que o corpo estivesse reclinado sobre a ilha.

Assim como Matilda, Cameron também parecia ser jovem para sua “profissão”. Mas ao contrário do que os filmes retratavam dos fiéis empregados de mafiosos, Lahey quase parecia ter saído de um escritório tedioso. A calça era consideravelmente nova, assim como o par de tênis esportivos. Por estar livre do paletó, Cam exibia a camisa social azul amarrotada e uma barba por fazer.

Mas um bom observador notaria nos olhos azuis uma grande e misteriosa história em seu passado. Nas íris profundamente azuladas, Cameron parecia muito mais velho, experiente e maduro do que realmente era, de uma forma que nenhum traço de seu rosto ou suas roupas seriam capazes de expressar.

- O meu papel é manter os “negócios da família” fora de seu alcance. - Os lábios de Cameron se repuxaram em um sorriso torto antes que ele completasse. – Não se preocupe, estou aqui há tempo o bastante para cumprir bem o meu papel.

O queixo de Cameron foi erguido e ele apontou na direção das portas fechadas da despensa, onde Matilda havia acabado de examinar.

- Não se deixe enganar pela Mika. Aquela garota pode precisar tanto de uma babá quanto de um advogado. Minha sugestão: coloque sorvete de cookies na sua lista e ela estará sempre de bom humor.

Cameron ergueu uma das mãos, mantendo o cotovelo sobre o mármore frio, e apontou para a ponta da embalagem de biscoitos que se revelava pela borda da lixeira.

- E faça estoque daqueles. É meu preferido e eu estou sempre por aqui.

Lahey piscou um dos olhos quando finalizou aquela breve introdução dos Moccia com um ar galanteador.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Dom Mar 05, 2017 10:49 pm

Mesmo estando diante de um homem jovem e inesperadamente atraente, Matilda não conseguiu disfarçar um revirar de olhos diante da piscadela de Cameron. É claro que, como qualquer mulher, Belmont notava as qualidades do homem a sua frente. Mas o fato de saber qual era a “profissão” de Cam ajudava a governanta na tarefa de resistir aos galanteios. E, definitivamente, a última coisa que estava nos planos da moça era mergulhar em qualquer tipo de envolvimento pessoal com um dos homens de confiança de Don Alessio Moccia.

- Isso provavelmente não está no seu contrato, mas eu gostaria que acrescentasse algo às suas funções nesta casa, Sr. Lahey...

Mais uma vez, a voz de Matilda soou firme e ela manteve a postura profissional que exibia desde que pisara na mansão dos Moccia. Os olhos castanhos indicaram brevemente a direção da lixeira antes que a governanta completasse o raciocínio.

- Sempre que terminar um pacote dos seus biscoitos preferidos, jogue a embalagem na lixeira. Eu não fui contratada para limpar a sua sujeira.

Aquela repreensão – que parecia ser dirigida para uma criança travessa – na verdade tinha outro objetivo. Fora a maneira encontrada por Matilda para dizer a Lahey que aqueles galanteios não iriam levá-lo a lugar algum. Mais do que se manter afastada dos “negócios” dos Moccia, a governanta não pretendia cair nas garras de um galanteador barato que certamente já tinha testado aquela investida com todas as empregadas da mansão Moccia.

Belmont foi salva daquela conversa constrangedora quando Tracy retornou à cozinha. A empregada até tentou ser discreta, mas a atenção dela se dividiu entre o cesto de roupas que carregava e a ligeira tensão existente na conversa que acontecia na ilha da cozinha. E o interesse de Tracy na conversa só reforçou a hipótese de Matilda de que Cameron usava seu charme com todas as mulheres da casa.

- Muito obrigada, Sr. Lahey. Creio que não restaram mais dúvidas. Como já tomamos muito tempo um do outro, sugiro que voltemos às nossas respectivas funções. Avise ao motorista que estarei pronta para sair às três, sim?

Sem parecer nem meramente abalada, Matilda pediu licença aos dois colegas antes de sair da cozinha. A tentação de ligar para o irmão e compartilhar as novidades com Connor era enorme, mas a governanta sabia que era arriscado entrar em contato com Ward, que no momento era alguém que Belmont teoricamente não deveria conhecer. Os dois estavam cada vez mais mergulhados nas sujeiras dos Moccia e era preciso redobrar os cuidados para não levantar nenhum tipo de suspeita.

E a melhor forma de não levantar suspeitas era se concentrar no trabalho, então a governanta usou as horas seguintes para organizar a casa do mafioso. Ficou claro que aquela família estava mesmo carente de organização quando Matilda perdeu longas horas orientando os funcionários sobre as suas tarefas. Também não foi fácil fazer uma lista de compras diante de uma despensa imunda e totalmente caótica. O mesmo caos se repetiu nas gavetas dos móveis da sala e a agenda usada pela antiga governanta foi parar no lixo, já que era tão inútil e nojenta quanto a embalagem vazia dos biscoitos de Cam.

Pontualmente às três da tarde, Belmont saiu pela porta dos fundos com uma lista de compras em mãos. A governanta usava o mesmo vestido preto da manhã, acompanhado pelo sapato com saltos baixos. A única diferença mais marcante na aparência de Matilda era que, ao invés do coque impecável, a jovem havia soltado os cabelos. Os fios castanhos caíam em ondas leves pelos ombros dela e chegavam ao meio de suas costas, muito mais longos do que aparentavam ser quando ficavam presos no coque.

Como já havia um carro estacionado diante da mansão, Matilda não teve dúvidas de que Cameron havia passado o seu recado ao motorista. Belmont abriu a porta do carona e estava pronta para se apresentar ao novo colega quando, ao invés de um rosto desconhecido, encontrou os traços já familiares de Lahey.

- Está fazendo hora extra como motorista? Ou será que tem tão pouco trabalho que já terminou suas tarefas antes do fim da tarde, Sr. Lahey?

Antes que Cameron tivesse a chance de responder, Matilda fechou a porta do veículo e indicou os enormes portões da mansão com um movimento de cabeça.

- Leve-me ao mercado enquanto responde, sim? Ao contrário do senhor, eu estou soterrada de trabalho e não posso perder tempo.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Mar 05, 2017 11:48 pm

- Mikaaa!

Uma voz estridente ecoou em meio a música alta e logo dois longos e finos braços envolveram o pescoço de Michaela, fazendo com que a menina cambaleasse para trás ao ser surpreendida com o abraço da amiga.

- Oh, Dio mio!

Os olhos marcados pela maquiagem de Michaela se arregalaram e ela agarrou a amiga pelos ombros, obrigando-a a se afastar alguns centímetros apenas para enxergar seu rosto com mais calma. Mesmo com a luz colorida que pulsava em meio a escuridão da cobertura dos Moccia, foi fácil confirmar a suspeita que havia encontrado no borrão quando a amiga se jogou em seus braços.

Naomi Clarke exibia, no lugar dos cabelos sedosamente ruivos, um palmo a menos de seus fios, que estavam tingidos pela metade de verde e a outra metade completamente negros. Diante do choque da jovem Moccia, Naomi soltou um risinho empolgado e sacudiu a cabeça, balançando as madeixas com orgulho.

- Lindos, não são???

Mika não tinha certeza se concordava com a opinião da amiga. Mas Naomi certamente sabia do que estava falando. Não era por nada que a jovem Miss Arizona e modelo estava sempre lançando tendências pelos Estados Unidos. Jovens de todo o país adoravam imitar suas roupas chocantes, cobiçando o corpo magro e alto, seu estilo de vida cheio de glamour, festas e garotos.

Naomi tinha apenas dois anos a mais que Michaela, mas ainda assim, quando estava diante da amiga americana, Mika se sentia mesmo como a menininha boba que tantos enxergavam. Sua postura arrogante e toda a sua segurança era posta de lado quando, secretamente, ela desejava ser tão popular e atraente quanto Naomi.

Com a segurança inabalada, Naomi exibia o belo corpo sem o mínimo de pudor. O cropped mais parecia um sutiã rendado e quase transparente, em contraste com a calça de couro vermelho extremamente justa.

Meses haviam se passado desde que Michaela e Naomi se viram pela última vez, mas nem mesmo aqueles cabelos tingidos eram capazes de camuflar a beleza da americana, trazendo imediatamente Mika de volta para aquela sombra que ela conhecia sempre que estava ao lado de Clarke.

Cada um dos presentes na cobertura dos Moccia havia sido cuidadosamente escolhido por Michaella. Alguns jovens artistas, modelos e socialites marcavam presença porque seus nomes tinham alguma importância, mas na prática, apenas uma minúscula porcentagem representava pessoas que Mika realmente conhecia.

Apesar da movimentada e luxuosa festa que havia sido montada, exatamente como a filha de Don Alessio havia sonhado, e de todos os convidados que deveriam sair dali com o nome de Michaella gravado em suas mentes, ela soube no segundo em que Naomi a arrastou pelo salão, que estava sendo ofuscada pela ousadia da amiga.

- Não acredito que você esperou um mês para encontrar comigo, sua vadia! – Naomi a repreendeu por cima do ombro enquanto a puxava pelo pulso entre os tantos convidados. – Mas se você queria causar uma boa impressão, você conseguiu! Isso aqui está o máximo, Mi!

Embora tivesse planejado cada pequeno detalhe da festa com suas próprias vontades, o mero elogio de Naomi fez com que Michaela se sentisse orgulhosa, como se seu único intuito fosse receber a aprovação da modelo.

Para Don Alessio, a “festinha” da filha aconteceria na cobertura do Cassino com seu conhecimento, mas não passaria de alguns adolescentes com algum DJ e um buffet caro. Por já conhecer o temperamento de Michaella, Alessio não achou nada absurdo o pedido da menina de que os dois comemorassem a sós com um jantar no dia seguinte, deixando aquela noite para que ela pudesse rever os antigos amigos.

O que o mafioso não desconfiava era que a decoração escolhida por Mika exibia alguns dançarinos (homens e mulheres) quase nus, dançando em gaiolas penduradas no teto. O buffet servia os melhores petiscos, junto com diversos tipos de bebida, sem se preocupar em olhar a identidade de alguém para se certificar de que eram maiores de idade.

Mas o que havia sido cuidadosamente escolhido por Michaela ficava ao fundo da cobertura. A varanda que rodeava todo o prédio estava fechada para convidados vips. Todo o acesso era fechado com pesadas cortinas vermelhas e os seguranças impediam a entrada de qualquer um que não fosse bem-vindo.

Do lado de fora, a música chegava abafada, mas os diversos pufes que formavam o lounge transformavam a extensão da festa para a área externa. Até mesmo os funcionários que serviriam as bebidas e petiscos eram mais restritos naquele acesso.

Naomi atravesso por um dos seguranças sem piscar e quando Mika sentiu o vento fresco atingir seu rosto e a longa paisagem de Las Vegas se abrindo sob seus pés, logo reconheceu meia dúzia de cabeças reunidas nos sofás coloridos.

O grupo era composto por outros jovens, todos com praticamente a mesma idade que Mika ou Naomi. As roupas luxuosas, joias e as expressões despreocupadas mostravam que nenhum deles precisava se preocupar com dinheiro.

Uma fumaça pairava sobre as cabeças enquanto eles passavam de mão em mão o que parecia ser um cigarro de maconha. Mika só notou as carreiras de cocaína na mesinha de vidro quando um dos amigos se inclinou para frente, inalando uma delas rapidamente.

- Olhem só quem eu encontrei!

As cabeças se ergueram para encontrar Mika e Naomi, e a modelo logo se soltou da loira para se espremer entre os jovens sentados, se esticando para pegar o cigarro e dar uma tragada.

Nenhuma daquelas imagens causava desconforto ou surpresa em Michaela. Era bizarro que a única coisa que realmente a incomodava era aquela pontada de inveja de Naomi, mas nem por um segundo a filha de Alessio Moccia demonstrou a sua insegurança, se aproximando dos antigos amigos.

- Você está uma gata!

Ryan Lumax, o filho do senador e um dos amigos mais antigos de Michaela logo a envolveu com um dos braços, lhe oferecendo um segundo cigarro de maconha. Sem parecer hesitar, Moccia negou com um movimento da cabeça, se acomodando entre Ryan e Naomi.

Era difícil aceitar o elogio de Ryan quando Naomi parecia muito mais atraente ao seu lado. Mika se sentia simples demais em seu macacão preto, mesmo com o decote que deixava quase toda a sua barriga lisa exposta.

- Talvez eu devesse tingir os meus cabelos na próxima festa. – Ela brincou, indicando os fios descoloridos de Naomi.

- O que? Isso aqui? – Ryan deu uma tragada em seu cigarro e apontou para Naomi com desdém. – Parece que ela entrou em uma piscina com lodo.

- Diga o que quiser, você está chapado. – Naomi repreendeu, se inclinando para frente na direção das carreiras de cocaína. – Escreva o que estou dizendo, até o próximo mês, metade de Vegas estará me imitando.

Mika estudou o movimento de Naomi, como ela jogou o cabelo para trás ao inalar a droga em pó e voltou a se sentar, parecendo anestesiada em alguns segundos. O estranhamento sobre os cabelos de Clarke começava a passar e Moccia se imaginava como ficaria se também imitasse a amiga. Claro que ela não ficaria tão bonita quanto Naomi.

- Eu trouxe um presente. – Ryan se remexeu em seu lugar e enfiou a mão no bolso traseiro de sua calça antes de erguer a mão diante dos olhos de Michaela. – Direto do México. É a última novidade, você vai amar.

Sobre a palma da mão suada do rapaz, um saquinho plástico exibia meia dúzia de comprimidos cor de rosa. Pela primeira vez naquela noite, Michaela arqueou as sobrancelhas em surpresa. Ela estava acostumada a viver naquele meio, mas nunca havia experimentado drogas antes. Moccia sempre gostou de pensar que era inteligente demais para se envolver com aquele tipo de coisa. Drogas serviam, no máximo, para gerar lucros. Apenas pessoas idiotas precisavam delas para outros meios.

Os amigos sabiam de sua posição em se manter limpa, mas Ryan parecia extasiado com a possibilidade de presentear a aniversariante com aqueles comprimidos.

- O que é isso? – Naomi se inclinou para frente, olhando por cima do ombro de Ryan.

- Cai fora, Naomi. Isso está fora da sua dieta restrita a luz e água. Eu trouxe para a Mika.

A risadinha de Naomi soou debochada e, em um rápido movimento, ela arrancou o saquinho de comprimidos de Ryan, dando um pulo para longe do sofá para manter os “produtos” em segurança.

- Que piada, né Ry? A Mi não curte, você já sabe. O que significa que sobra mais...

- Deixa de agir como uma vadia, Naomi. – Ryan também se colocou de pé, mas parecia muito mais preocupado em receber as drogas de volta do que defender Michaela. – Isso custa o preço de um carro. Cada uma.

- Uau! – O sorriso de Naomi se alargou enquanto ela recuava alguns passos, brincando com o saquinho transparente. – Então deve ser ótimo! Estou louca para experimentar.

Sentada no sofá, Michaela observou como Naomi agia como dona da situação. Era fácil ter aquela mesma atitude diante dos empregados do seu pai, ou de qualquer um que fosse obrigado a lhe obedecer. Mas Mika queria ter aquela mesma postura com os amigos. Queria que eles a admirassem e desejassem ser como ela. Exatamente como ela fazia com Naomi.

Sem pensar no que estava fazendo, Mika também se colocou de pé, sentindo o coração acelerado ao escutar as próprias palavras saltarem de sua boca.

- Eu quero experimentar. Foi mal, Nay, mas o Ryan disse que são para mim.

Uma de suas sobrancelhas foi erguida e ela esticou a mão, imitando o gesto que fizera ao exigir as chaves de Connor dias atrás. A confiança não era a mesma, porque nenhum daqueles presentes tinha a obrigação de lhe agradar. Mas a surpresa no rosto de todos foi suficiente para Michaela se sentir eletrificada.

- É meu. Me devolve.

O risinho de Naomi soou repentinamente irritante aos seus ouvidos, e por se sentir ainda mais provocada, ela sequer piscou ao pegar um dos comprimidos e enfiar na boca. Uma taça aleatória de champanhe serviu para que a droga descesse com mais facilidade, e quando se deu conta, Michaela já havia engolido o comprimido.

***

As risadas ecoavam distantes, distorcidas. O vento fresco parecia ter desaparecido e Michaela sentia toda a sua pele queimando, como se estivesse sob o sol do meio dia no deserto de Las Vegas. A pele começava a ficar pegajosa, seu coração batia devagar demais e um sono descontrolado começava a surgir.

- Você tá legal? – Ryan perguntou quando Mika se recostou no sofá, esfregando a nuca suada sob os cachos loiros.

- Sim, estou.

Michaella sabia que não tinha parecido muito convincente, mas não admitiria que não estava se sentindo bem, enquanto todos ainda bebiam, riam e se divertiam sem cambalear com o excesso de drogas.

- Eu vou ver como estão as coisas do outro lado da festa, já volto.

Ela tentou se erguer do sofá, mas o corpo dormente voltou a tombar e chegou a cair no colo de Ryan, que imediatamente a abraçou pelos quadris. O rosto do rapaz parecia borrado, mas Michaella ainda conseguiu identificar um sorriso malicio nos lábios dele.

- Não esquece o seu presente.

O saquinho com o restante dos comprimidos foi enfiado no decote dos seios de Michaella, e se aproveitando do estado fragilizado da menina, Ryan deslizou os dedos na intenção de correr a manga do macacão para o lado, expondo ainda mais o colo da loira.

Todos os outros amigos pareciam ocupados demais para perceber aquele movimento, mas Mika se obrigou a dar um risinho para não demonstrar o seu desconforto. Ainda cambaleando, ela tentou se colocar de pé outra vez, o que foi uma missão ainda mais complicada com as mãos bobas de Ryan.

Com a promessa de que logo voltariam para continuar a festa, Michaela cambaleou de volta ao salão lotado e com música alta. Seus sentidos afetados ficaram ainda mais prejudicados, fazendo com que ela se obrigasse a apoiar contra a parede enquanto tentava encontrar a porta de saída.

A sorte se fez presente quando a primeira porta que se abriu foi a do elevador privativo, usado apenas por Don Alessio quando precisava chegar até a cobertura. Todos os demais convidados tinham o acesso por outros elevadores, o que lhe dava total privacidade para se jogar no chão ao notar que as pernas não tinham mais forças.

As portas de metal se fecharam, abafando por completo o som da música. Sua pele queimava e o suor a deixava pegajosa, mas Mika começava a se sentir com frio e sem ar. O elevador girava e ela foi incapaz de se esticar para tocar os botões, continuando imóvel, sentada sobre o carpete que cobria o chão.

O celular foi encontrado com dificuldades, e quando Mika o puxou, o saquinho de drogas caiu ao lado do seu corpo. As letras do aparelho se embaralhavam, e mesmo a discagem rápida foi tocada com extrema dificuldade. Ela já não enxergava quase nada quando o nome de Cameron apareceu no visor.

Seu estômago dava voltas e Moccia ignorou a imagem patética que estaria causando ao se deitar de vez no chão do elevador. O telefone continuou grudado em seu ouvido, mas logo a voz mecânica da secretária eletrônica ecoou, fazendo um gemido de desespero escapar pelos seus lábios.

- Droga, Cam... Cadê você?

Um chorinho fino escapou pelos seus lábios quando uma nova tentativa de falar com Lahey fracassou. O som da festa chegava abafado, ninguém sabia que ela estava ali e Mika já não tinha mais certeza se aquilo era bom ou ruim.

Todas as pessoas que ela conhecia nos Estados Unidos estavam se drogando há poucos metros de distância. Seu pai não poderia sonhar em encontra-la naquele estado e Cameron, que deveria sempre lhe proteger, havia sumido.

Foi apenas com a mente completamente turva que Michaella deixou seus dedos trêmulos tocarem as teclas do celular outra vez até encontrar o nome de Connor Ward. O gerente do Cassino havia entrado em seus contatos no último mês, durante os preparativos daquela festa. Naquela noite, Mika se sentiu imensamente grata por ter guardado o telefone dele em sua agenda.

As chamadas ecoaram tantas vezes que Mika já tinha certeza que voltaria a escutar o som da secretária eletrônica quando a voz de Connor finalmente ecoou do outro lado. Se estivesse bem, ela conseguiria até comemorar, mas o frio e o enjoo que se intensificavam impediram de esboçar qualquer tipo de reação.

- Connor? – A voz fraca de Mika soou, e ela temeu que ele não fosse capaz de escutar seu sussurro. – Connor, eu preciso de ajuda. Eu acho que estou dopada. Por favor, me tira daqui.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Seg Mar 06, 2017 1:05 am

Uma gripe forte. Fora esta a desculpa usada por Connor para não comparecer ao trabalho na noite da festa de aniversário programada por Michaela Moccia. Mesmo sendo somente o gerente do cassino, Ward sabia que seria pressionado por Don Alessio sobre os detalhes da festa da cobertura e aquela era a maneira mais fácil de não precisar mentir para o mafioso.

Como o gerente possuía um histórico impecável na empresa e nenhuma falta anterior, a “gripe” de Connor não foi questionada. Todos acreditaram que Ward realmente estava se sentindo indisposto demais e se encontrava incapacitado de comparecer ao cassino.

Connor poderia aproveitar aquela folga para se divertir e relaxar as tensões que vivia naquela missão perigosa, mas o receio de ser pego em flagrante por um dos membros da família Moccia convenceu o rapaz de que a melhor escolha era ficar em casa. Acompanhado por filmes velhos, uma caixa de pizza e algumas cervejas, Ward montou a sua versão de uma festinha particular sem nem mesmo a sombra do luxo e dos excessos que Michaela levara para a cobertura dos Moccia.

Quando despertou com o ruído insistente do celular vibrando sobre a mesinha de centro, Ward não sabia dizer há quanto tempo dormia. A televisão a sua frente já exibia a tela inicial azul do DVD, indicando que o filme havia chegado ao fim sem que Connor notasse. A sala também parecia mais escura e silenciosa, assim como a rua em frente ao prédio onde o rapaz morava.

Tanta calmaria apontava para horas adiantadas da madrugada. Por isso, o gerente já esperava por uma má notícia quando puxou para si o celular. O coração acelerado se acalmou um pouco quando seus olhos não encontraram o número de Matilda na tela, mas o contato de Michaela Moccia não era exatamente reconfortante. Se Mika estava ligando àquela hora, provavelmente era porque havia algum problema na festinha da cobertura.

Ward esperava por mais uma das tolices de Mika. Quando atendeu a chamada, o gerente já estava pronto para ouvir alguma reclamação tola. No máximo, Connor imaginava que a menina pediria ajuda para se livrar de algum penetra ou algum amigo bêbado que causava problemas na festa. Contudo, para a imensa surpresa do policial, o que ele ouviu foi uma voz completamente empastada pedindo ajuda. A entonação arrastada de Michaela não deixava dúvidas de que a garota estava totalmente dopada.

Não havia tempo a perder com discussões. Se alguém visse Michaela naquele estado ou se a garota entrasse em overdose e morresse dentro do prédio, a verdade sobre o “acordo” de Mika e Connor chegaria até os ouvidos de Don Alessio e ninguém salvaria Ward da fúria do mafioso.

Mas não foi somente para salvar a própria pele que Connor saiu do conforto do seu apartamento no meio da madrugada. Por mais que repetisse para si mesmo que ele não se importava com Michaela, Ward sentia um desespero sufocante em imaginá-la naquela situação. E seus piores receios se confirmaram quando Connor forçou a abertura da porta do elevador privativo e encontrou a menina caída no chão, com a consciência vacilante, as batidas do coração fracas, prestes a se afogar no próprio vômito.

Muito provavelmente Mika não viu o que estava havendo quando o gerente a puxou para seus braços. O corpo dela continuava mole e seus olhos desfocados quando Connor a carregou até a suíte de luxo que compunha a cobertura do hotel. O macacão preto foi retirado pelas mãos ágeis de Ward e não havia nenhuma malícia nos gestos do policial quando ele carregou Mika até o chuveiro.

A água fria não foi o bastante para trazer a menina de volta à consciência. A atitude mais sensata seria levá-la imediatamente para um hospital, mas aquela decisão viria acompanhada por um escândalo que os dois certamente não conseguiriam esconder de Don Alessio. Por isso, Connor não viu outra saída senão tentar resolver aquele problema ali mesmo, dentro da luxuosa cobertura dos Moccia.

------

- Ela está bem.

A declaração do médico fez com que Ward fizesse uma careta e olhasse novamente para o rosto pálido de Michaela. A garota continuava absurdamente abatida e sua aparência estava ainda pior graças aos cabelos atrapalhados e à maquiagem borrada. Sob os cobertores, Mika não usava nada além das roupas íntimas ainda úmidas depois do banho frio da madrugada. Definitivamente, a filha de Don Alessio Moccia estava em um dos seus piores momentos. Mas o que o médico queria dizer era que, depois de muitas horas de cuidados, Mika estava fora de perigo.

- Quanto eu te devo?

- Mil dólares pela consulta de urgência no meio da madrugada. – o médico abriu um breve sorrisinho antes de acrescentar – E mais quatro mil pelo silêncio.

Os olhos castanhos do gerente se estreitaram, mas Connor sabia que não tinha escolha. Sem a alternativa de levar Michaela para o hospital, Ward se viu obrigado a chamar por um médico particular. O homem parecia ser eficiente e provavelmente estava acostumado com o ritmo das festinhas de Vegas, já que conseguiu trazer Mika de volta em poucas horas. Mas aquele tempo breve foi o suficiente para que o médico notasse que podia cobrar um preço alto pela sua discrição.

Sem dizer mais nenhuma palavra, Connor retirou a carteira do bolso. Obviamente o gerente não tinha consigo uma quantia tão exorbitante, mas o médico concordou em aceitar um cheque. A assinatura de Ward mostrava que aquele dinheiro viria da conta particular do gerente, e não dos cofres do cassino. Connor já havia visto com os próprios olhos o que acontecia com funcionários que desviavam dinheiro dos Moccia.

Só depois que acompanhou o médico até o elevador, Connor finalmente se voltou para Michaela. O semblante sério dele já indicava que Ward não estava nada satisfeito em ter sido envolvido naquela imensa confusão, que poderia ter terminado de forma muito mais dramática.

Antes de dizer qualquer coisa, o gerente tirou do bolso da calça o saquinho cheio de comprimidos que encontrara ao lado do corpo inconsciente de Michaela no elevador. As drogas fora jogadas sobre a cama ocupada pela menina, ao alcance das mãos dela.

- Que merda é essa? Sério, Michaela? Eu já conhecia vários dos seus defeitos, mas eu respeitava você porque achava que estava diante de uma garota esperta. Mas eu estava enganado. Só uma pessoa muito tola usaria essa merda. Você tem noção de que teria morrido engasgada com o próprio vômito se eu tivesse demorado vinte minutos a mais para te encontrar naquele elevador?

Connor não precisou erguer a voz, já que a cobertura estava imersa num silêncio sepulcral. Alguns raios de sol invadiam a suíte por frestas da cortina, denunciando que já havia amanhecido quando Michaela finalmente recuperou a consciência. O gerente estava se esforçando para soar como um adulto responsável que estava furioso com as repercussões dos erros de Mika. Mas o olhar angustiado preso no rosto de Michaela indicava que a preocupação dele com a garota era sincera.

- Eu achei que alguém tinha te dopado, não que você tinha se dopado sozinha. Você realmente me enganou, eu jurava que você era inteligente demais pra isso!

Ao notar o olhar preocupado da garota para a porta, o gerente tratou logo de explicar o que havia acontecido durante o período de inconsciência dela.

- Eu chamei um médico quando percebi que o caso era grave. Enquanto ele tentava evitar o pior, coloquei os seus amigos para fora. Bastou dizer que eu ligaria para a polícia e todos evaporaram. Mas eu entendi a pressa quando cheguei à varanda e encontrei as variadas opções de drogas servidas na sua festinha. Eu tentei abafar o escândalo, mandei que todos saíssem pelos fundos... Mas se tudo isso chegar aos ouvidos do seu pai, você terá tanta culpa na minha execução quanto o desgraçado que apertar o gatilho.

Mesmo com pouco tempo de convivência, Connor sabia que estava apertando uma ferida dolorida de Mika quando resmungou as palavras seguintes.

- Era com esta festa que você queria provar para o mundo que não é mais uma criança? Lamento te informar, mas você falhou miseravelmente. Tudo o que vi na madrugada passada foi uma menina insegura, incapaz de fazer as próprias escolhas e de tomar as rédeas da própria vida.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Mar 12, 2017 9:18 pm

O reflexo no retrovisor do carro fez com que Cameron soltasse o ar pesadamente, se preparando para o que estava por vir. Quando a cabeleira loira de Tracy finalmente surgiu ao lado da porta do motorista, o homem diante do volante já exibia um sorriso convencido, sem demonstrar a tensão que realmente sentia.

- Veio trazer o meu paletó?

A sobrancelha fina de Tracy foi erguida e foi impossível conter a expressão pasma diante da ousadia de Cameron. Em resposta, a mão dela atravessou a janela aberta até que o paletó limpo e seco caísse no colo de Laheey.

- Eu deveria ter queimado, mas a satisfação de contrariar aquela garota mimada é maior do que arruinar o seu precioso guarda-roupa.

- Mika não é tão ruim assim...

O girar de olhos de Tracy mostrava que ela não concordava com a opinião de Cameron, mas ele não podia julgá-la. A filha de Don Alessio realmente fazia por merecer a má fama entre os funcionários e nem todos sabiam lidar com o seu temperamento excêntrico como Cam.

- Vai dizer que você já levou ela para a cama também?

Desta vez, Cameron não precisou forçar nenhuma expressão. Todo o seu rosto se contorceu em uma mescla de nojo e espanto quando ele encarou Tracy, horrorizado. Desde o seu primeiro envolvimento com a empregada da casa dos Moccia, ele já sabia que teria que ser cuidadoso.

Fora do uniforme, da expressão dura e dos cabelos amarrados que usava em seu dia-a-dia, Tracy era uma mulher atraente, que adorava se exibir como independente e autossuficiente. Parecia ser o ideal para um relacionamento casual e sem laços que exigissem compromissos. Mas bastou a primeira noite juntos para que Cameron enxergasse a verdade por trás da fachada de Tracy.

A mulher era muito mais carente e se apegou rapidamente aos encantos de Cameron. Por mais que ainda tentasse forçar a aparência de que estava satisfeita com os termos de Lahey, os sinais ficavam cada vez mais evidentes de que ele precisava colocar um fim naquela história.

- Achei que tivesse deixado claro que não lhe devo satisfações sobre quem dorme na minha cama. Mas caso ainda tenha alguma dúvida, eu jamais faria isso com a Mika.

- E a nova governanta?

Involuntariamente, os olhos azuis de Lahey deslizaram pelo jardim florido dos Moccia até encontrar a entrada da mansão. A porta fechada escondia qualquer sinal de Matilda, mas o encontro de poucas horas ainda mantinha fresco em sua mente a lembrança da nova empregada.

Para qualquer homem que não fosse cego, Matilda Belmont despertaria a atenção e interesse. Se a beleza acima do padrão já havia se destacado em uma simples pesquisa diante de uma foto e um nome, Cameron não conseguia ignorar a curiosidade que crescia depois do primeiro contato com a nova funcionária de Alessio.

Como um homem esperto, Cameron sabia reconhecer aquele interesse da mesma forma que sabia quando estava seguindo por um caminho perigoso. Matilda não era como Tracy e a última coisa que Lahey pretendia era criar problemas sob o teto de Alessio.

Quando girou o rosto para encarar a loira ao seu lado mais uma vez, Cameron voltou a exibir o sorrisinho despreocupado, estreitando o olhar diante da claridade do sol por trás de Tracy.

- Não seja ciumenta, Tracy. E se quer o meu conselho, agora que a Mika está de volta, eu me focaria mais no trabalho do que na sua vida pessoal. Eu estava mentindo, a Mika é realmente terrível.

Os lábios de Tracy se enrugaram quando ela os espremeu, tornando uma linha fina e esbranquiçada. O ataque de fúria certamente teria surgido se o cenário não fosse a casa de Alessio Moccia. Apenas por estar em seu ambiente de trabalho, e talvez por algum medo da presença de Michaela, a mulher simplesmente o fuzilou com o olhar antes de girar sobre os calcanhares e sumir de vista.

O ar voltou a escapar dos pulmões de Cameron com mais facilidade quando ele se viu novamente sozinho. O paletó limpo e seco foi jogado no banco de trás do carro e ele sacudiu a cabeça quando mais uma vez teve a certeza de que precisava colocar um fim naquele relacionamento confuso com Tracy.

Lahey ainda estava perdido em seus pensamentos quando foi novamente interrompido. Ele chegou a estreitar os olhos quando ergueu a cabeça, pronto para encontrar Tracy outra vez. Mas todo o seu corpo relaxou e um sorriso involuntário surgiu em seus lábios quando ele reconheceu os traços de Matilda.

Já com a loira varrida de seus pensamentos, Cameron se endireitou no banco, sem fazer o menor movimento de obedecer ao pedido de Matilda.

- Eu não ganho hora extra como motorista. Mas não me importo em fazer o favor se acrescentar meus biscoitos na sua lista.

O sorriso de Cameron se alargou quando ele se esticou para frente e girou a chave, fazendo o motor do carro roncar suavemente. Com um toque em dois botões laterais, os vidros do carro foram fechados e o ar gelado começou a soprar.

O lado racional de Lahey lhe lembrava constantemente a ficar longe da tentação em provocar Matilda. Mas agora, além da aparência dela gravada em sua mente, o espaço restrito do carro também havia permitido seus sentidos em capturar o perfume delicado que emanava de seus cabelos, mesmo depois de um dia de trabalho.

Cameron se esticou para frente, o braço roçando os joelhos de Matilda até alcançar o porta-luvas. Os óculos escuros foram recuperados e colocados em seu rosto. Seus dedos deslizaram pelo volante, mas mais uma vez, antes de permitir que o carro começasse a andar, ele se voltou para a governanta.

Desta vez, quando se aproximou de Belmont, seu rosto ficou mais próximo do dela, os cabelos negros roçando em sua bochecha enquanto esvoaçavam com o ar condicionado. Uma das mãos de Cameron foi apoiada no banco do carona e a outra alcançou o cinto-de-segurança, preso na lateral do carro.

Com um movimento suave, Cam puxou o cinto de Matilda até que ele fechasse com um estalo. Então, ainda sem se afastar, ele sorriu, ignorando a sensação que o perfume dela lhe causava.

- Só estou cuidando da segurança, Srta. Belmont.

No segundo seguinte, Cameron estava novamente com a coluna reta em seu próprio banco. O carro deslizou suavemente sobre o cascalho e os grandes portões se abriram.

- Ao mercado, então.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Mar 12, 2017 10:04 pm

- Eu só tomei um.

A justificativa soava muito mais válida na mente de Michaela, mas ouvir sua voz fraca soando no quarto só fez com que ela se sentisse ainda mais patética e infantil. É claro que o erro ali não era a quantidade ingerida, mas em defesa própria, Mika achou que apenas um comprimido não fosse ser capaz de causar um dano tão grande.

Instintivamente, Mika se encolheu, abraçando ao próprio corpo. As costas estavam apoiadas na cabeceira da cama e o lençol protegia as pernas dobradas junto ao peito. Os cabelos volumosos estavam desalinhados, mas pela primeira vez, ela não se preocupava com a própria aparência e nem para o fato de estar quase nua na frente do homem que gerenciava o cassino do seu pai.

A vergonha de tudo que havia acontecido naquela noite era muito maior. Mesmo que sua memória estivesse afetada, flashes de lembranças insistiam em aparecer na sua mente, lhe castigando com os momentos humilhantes.

Mas além da vergonha de ter sido encontrada completamente destruída no elevador, suja com o próprio vomito, por precisar ser cuidada como uma criança irresponsável, Mika não conseguia ignorar o sentimento de humilhação com o fim da própria festa.

Ela não só havia desaparecido e deixado seus convidados sozinhos, como toda a festa tinha chegado ao fim. A única imagem que deixaria em Las Vegas era de uma garota caipira que não sabia aguentar o ritmo daquela cidade.

- Eu não faço isso sempre, tá legal?

Mika ergueu os olhos para encarar Connor, odiando a forma com que ele a fazia se sentir ainda mais infantil e irresponsável. Ela estava acostumada a ouvir comentários a respeito de sua aparência mais jovem, e não era tola a ponto de ignorar os comentários dos empregados sobre a sua personalidade mais difícil.

Mas nenhum deles havia lhe incomodado tanto quanto naquela manhã. Ela odiava parecer como uma criança aos olhos de alguém, mas era ainda pior ser tratada como uma menininha por Connor.

- Eu só quis experimentar. Era meu aniversário, não vi mal nenhum em tomar apenas um!

Mika sabia que soava cada vez mais infantil enquanto tentava criar desculpas sobre seus atos, mas as últimas palavras de Connor fizeram com que ela se calasse, engolindo em seco. Os olhos verdes estavam mais claros e todo o seu corpo anestesiado, mas ela o encarou como se tivesse acabado de receber um tapa.

Seu pai era incapaz de repreender seus atos e fazia de tudo para lhe agradar. Cameron era como um irmão mais velho e implicante, mas que também não deixava de fazer suas vontades. Era a primeira vez que Mika ouvia alguém sendo tão sincero e duro. Era uma realidade nova e chocante.

- Eu já sei que minha festa foi um fracasso, você não precisa me lembrar disso. Mas você não tem o direito de falar assim comigo!

As pernas de Michaela ainda estavam fracas, mas tinham força suficientes para ela conseguir se arrastar para fora da cama. O roupão impecavelmente limpo e dobrado em uma das poltronas foi erguido e em questão de segundos já envolvia seu corpo. Apenas quando o laço estava bem amarrado em sua cintura, Mika se voltou para Connor mais uma vez.

Os pés descalços sobre o carpete caminharam até a beirada da cama e ela agarrou o saquinho de drogas. Sem uma única palavra, Mika atravessou o quarto até o banheiro. Do quarto, Connor foi apenas capaz de ouvir o som da descarga depois que Moccia se livrou das drogas.

- Pode ligar para o Cameron? É a sua última tarefa como babá. Ele pode assumir daqui para frente.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Matilda Belmont em Dom Mar 12, 2017 11:10 pm

Matilda Belmont estaria mentindo para si mesma se dissesse que era fácil ignorar o charme de Cameron. Mesmo sabendo o que havia por trás daquele homem atraente e do que Lahey era capaz de fazer sob as ordens de um mafioso, Matilda precisava admitir que estava diante de uma tentação. A nova governanta dos Moccia obviamente não pretendia ceder às investidas de Cam, mas foi impossível conter um arrepio quando Cameron aproximou-se mais dela naquela tarde, dentro do carro.

O corpo de Matilda permaneceu imóvel, como se estivesse petrificado. Mas seu coração reagiu tolamente com batidas mais aceleradas. A claridade reduzida dentro do veículo fechado escondeu o rubor que cobriu as bochechas da governanta, e sua expressão firme não deixou que aquelas reações se tornassem públicas.

Com a lista de compras nas mãos, Belmont tentou ignorar a presença do “motorista” enquanto Cameron guiava o carro pelas ruas tranquilas do condomínio de luxo onde ficava a mansão dos Moccia. O veículo logo atingiu a avenida principal do bairro e, a julgar pelo excelente trânsito naquela tarde, os dois chegariam ao mercado mais próximo em poucos minutos.

- Com relação à senhorita Moccia, há alguma restrição que eu deva saber? Alergias alimentares, dietas especiais? – ainda com a atenção voltada para a lista, Matilda se aproveitou que o carro parava diante de um semáforo fechado para uma breve anotação na folha – A Tracy já me falou sobre as preferências de Don Alessio, mas ela não soube falar nada sobre a menina.

Cameron não teve tempo para responder às dúvidas da nova governanta. O carro ainda estava parado na esquina e tudo aconteceu rápido demais, mas Matilda teve a nítida impressão que as cenas se sucediam em uma angustiante câmera lenta.

Um disparo ecoou de longe, mas a arma que efetuou o tiro era potente o bastante para fazer com que o projétil alcançasse o carro. Matilda soltou um grito agudo quando a bala ricocheteou no vidro ao lado do carona, há poucos centímetros da cabeça dela. Como todos os carros dos Moccia, aquele veículo era blindado e o tiro causou somente uma trinca no vidro, mas definitivamente isso não era um consolo para a governanta envolvida em um tiroteio em seu primeiro dia no novo emprego.

Novos tiros ecoaram pelo local, desta vez vindos de diferentes direções, o que provava que havia mais de um atirador e que não havia sido uma bala perdida. O ruído dos pneus cantarolando no asfalto se misturou ao som dos disparos quando Cameron afundou o pé no acelerador, cruzou o sinal vermelho e quase foi atingido lateralmente por um ônibus que atravessava o cruzamento.

- O QUE ESTÁ HAVENDO???

Toda a postura firme e reservada de Matilda escoou pelo ralo e a governanta não conseguiu manter a máscara naquele momento de pânico. Belmont já beirava a histeria enquanto o carro executava uma fuga em alta velocidade. Alguns disparos ainda atingiram o carro blindado, mas sem causar maiores danos aos seus ocupantes. Mas o pânico de Belmont se duplicou quando, pelo retrovisor, a moça percebeu que uma moto os seguia na pista, ocupada por dois homens que cobriam seus rostos com toucas pretas.

- Vão nos alcançar!!!

A voz da governanta soou engasgada, mas a garganta dela logo se desbloqueou com um novo grito quando Cameron afundou ainda mais o pé no acelerador, arrebentou uma cerca de proteção de um terreno vazio e fez o carro girar até atingir uma rua menos movimentada.

Um palavrão que definitivamente não combinava com a delicadeza de Matilda escapou da garganta dela quando Cameron manteve o pé no acelerador durante uma curva mais fechada, fazendo com que dois pneus do carro perdessem o contato com o chão. Por pouco, muito pouco, o veículo não capotou.

- VAI NOS MATAR, SEU GRANDE IMBECIL!!!

O carro potente estava praticamente voando por aquela rua tranquila, mas sua velocidade não podia vencer a leveza da motocicleta, que estava cada vez mais próxima. Um tiro no vidro traseiro do veículo indicou que os dois não conseguiriam ir longe demais. Naquela velocidade, um disparo num dos pneus poderia ser fatal.

- Segure o volante... – a ordem que partiu de Cameron fez os olhos de Matilda saltarem para fora do seu rosto pálido.

- QUEEE?

- AGORA!

A verdade foi que Matilda não teve muita escolha quando viu Cameron simplesmente soltar o volante. Um novo palavrão foi bradado dentro do carro em movimento quando o motorista se esticou e abriu o teto solar.

- O QUE VAI FAZER??? – a governanta berrou, totalmente ensandecida – VOLTE JÁ PARA CÁ!!!

Num movimento habilidoso, Lahey puxou uma pistola presa em uma de suas pernas e a empunhou enquanto colocava o tronco para fora do veículo. Antes mesmo que os ocupantes da motocicleta pudessem mirar na cabeça do rapaz, Cam fez um disparo certeiro no peito do piloto, que perdeu o controle da moto. Os dois perseguidores rolaram várias vezes pelo asfalto antes de se tornarem pontos pequenos que sumiram no horizonte.

- VOCÊ FICOU LOUCO??? – Matilda estava rouca e chorosa quando Cameron reassumiu o controle da direção – O QUE PENSOU QUE ESTAVA FAZENDO? O QUE FOI ISSO? POR QUE???

A cabeça confusa da governanta trabalhava com muitas perguntas desesperadas. Se estivesse mais calma, Matilda não demoraria a entender que aqueles disparos não eram destinados a ela. Sem dúvida, os atiradores queriam atingir o homem de confiança de Don Alessio Moccia e, com sorte, a preciosa filha do mafioso.

- Você se machucou??? – Belmont não estava pensando quando levou suas mãos ao tronco de Cam, ainda sem acreditar que ele não havia sido atingido por nenhum tiro – Meu Deus, eu acho que vou vomitar. Ou desmaiar. Ou os dois.
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Re: Viva Las Vegas!

Mensagem por Connor Ward em Seg Mar 13, 2017 12:32 am

- Não seja tola. A primeira coisa que o Cameron vai fazer quando te vir neste estado é contar tudo para o seu pai. Não se engane, Michaela. Ele é mais fiel ao seu pai do que a você.

Mesmo estando há pouco tempo naquela “família”, Connor não tinha dúvidas de que Cameron jamais esconderia um segredo daquela magnitude. Se o segurança mais fiel de Don Alessio soubesse que Mika havia se dopado durante a festinha da cobertura, era uma questão de minutos até que aquela informação chegasse aos ouvidos do mafioso. Michaela perderia por completo a confiança e a admiração do pai e Connor, se tivesse sorte, seria apenas demitido ao invés de seguir pelo mesmo caminho do antigo gerente do cassino.

Depois daquele desabafo exaltado, Ward respirou fundo algumas vezes em busca da serenidade. O simples fato de Michaela ter abandonado a sua típica postura arrogante já indicava que a menina estava sinceramente arrependida daquele erro. E por mais que tivesse ficado preocupado com ela, Connor sabia que não tinha o direito de repreendê-la de forma tão incisiva. Os dois não eram sequer amigos, no fim das contas.

- Passe o dia aqui até se recompor.

Com um movimento da cabeça, Connor indicou o quarto amplo e luxuoso que Mika ocupava naquela manhã.

- Eu vou ligar para o Cameron e dizer que você exagerou um pouco na bebida, está com dor de cabeça e fechou a porta na minha cara quando vim perguntar se precisava de alguma coisa. É algo que você faria, não será difícil convencê-lo disso.

Como o mafioso enxergava a filha como uma menininha inocente, Don Alessio ficaria insatisfeito em saber sobre uma possível bebedeira. Contudo, essa história ainda era absurdamente mais aceitável do que a verdade sobre as pílulas e a forma como Connor encontrara a garota há um passo da overdose dentro do elevador.

- Eu sei que não tenho o direito de falar assim com você e que não deveria me intrometer na sua vida. – desta vez, a voz de Connor soou menos áspera e o olhar que ele dirigiu a Michaela também foi mais suave – Mas foi você que me chamou aqui e agora eu já estou envolvido, é tarde demais para me pedir para ficar fora disso.

Antes que Mika pudesse concluir que o gerente estava preocupado somente com as repercussões que aquele problema causaria em seu emprego, Connor completou o discurso de forma surpreendente.

- Quando eu te encontrei naquele elevador e senti o seu pulso tão fraco, eu fiquei desesperado. Tudo o que eu queria era que você acordasse e voltasse a ser a viborazinha venenosa de sempre, porque assim eu saberia que estava tudo bem. Naquele momento você não era a filha de Don Alessio Moccia. Você era alguém que havia pedido a minha ajuda, que confiava em mim... Eu não podia te decepcionar. Não podia te perder daquele jeito. Então me desculpe se estou sendo duro demais, mas eu preciso ter certeza de que não vou viver aquele pesadelo de novo.

As palavras de Ward estavam carregadas da mais pura sinceridade. Mika não sabia que estava diante de um policial, mas o sentimento de Connor vinha justamente do preparo que ele recebera durante seu treinamento. Ward havia sido treinado para salvar vidas inocentes, então seria absurdamente frustrante perder alguém que havia confiado tanto nele.

Era óbvio que Michaela não tinha o costume de usar drogas e que fora uma ingênua vítima do próprio orgulho naquela noite. Tudo o que Connor queria era ter certeza de que Mika aprendera a lição e não repetiria o mesmo erro.

- Ah, tem mais uma coisa que você precisa saber...

Connor revirou os olhos quando se lembrou de mais um detalhe daquela madrugada sem fim. De dentro do bolso do paletó, o gerente retirou um celular destruído. A tela quebrada não tinha mais conserto e, a julgar pela estrutura amassada, provavelmente o aparelho inteiro poderia ser jogado no lixo.

- Uma das suas “amigas” invadiu o quarto no meio da confusão e te filmou. Não foi exatamente fácil arrancar o celular dela... – Ward afastou a gola da camisa e mostrou os arranhões profundos no próprio pescoço – Não sei o nome daquela louca, mas imagino que ela seja a única pessoa nesta cidade com os cabelos tingidos de verde.
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