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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Dez 24, 2016 5:40 pm

Era realmente impressionante como Melissa Zummach se transformava quando estava no campo de Quadribol. Estar sobre a vassoura era a forma mais prática de derrubar os muros que ela havia erguido ao seu redor e todos os problemas pareciam desaparecer, anulando toda a sua acidez e a transformando em uma simples menina que ficava ainda mais bonita com o largo sorriso iluminando seu rosto.

Landon precisava admitir que até mesmo ele era contagiado com a empolgação de Melissa, permitindo que suas risadas soassem fáceis, que uma alegria incomum invadisse seu peito. Ele chegou a desejar que pudesse ser sempre daquela forma com Zummach, sem que existisse mais nada no mundo para atrapalhar aquele momento.

Mas é claro que a realidade precisava bater à sua porta, o que o grifinório não esperava era que fosse ser tão rápido. Ele ainda apresentava as bochechas úmidas pelo suor da atividade física, os cabelos completamente atrapalhados e um largo sorriso em seus lábios quando a figura do monitor-chefe da Corvinal surgiu no campo.

Como mágica, os ombros de Vanderwaal ficaram tensos e ele cruzou os braços já sem a mesma empolgação de antes ao se aproximar do colega. Victorio Agostini nunca havia feito nada para que Landon o recriminasse. O Corvinal era inteligente, simpático, agia muito bem em seu trabalho na monitoria e era um excelente rival no Quadribol. Mesmo em times adversários, Agostini se mostrava um bom competidor, sem os jogos sujos do Sonserino e com uma excelente técnica.

Por algum motivo, entretanto, a presença dele se tornando mais frequente na vida de Melissa despertava um ciúme completamente sem sentido. Zummach não era nada sua, os dois haviam acabado de compartilhar um segundo beijo sem esclarecer a complexa relação que surgia. Mas a novata não lhe devia a menor satisfação sobre as amizades que fazia ao longo do castelo.

Completamente mudo, Landon observou a cena enquanto Melissa dedicava toda sua atenção para o pacote de Acidinhas em suas mãos. Era ainda mais incômodo ver como a menina parecia muito mais aberta para a amizade que Agostini tinha a oferecer.

Para completar a incômoda situação, o queixo de Landon quase despencou quando Victorio deu a explicação que havia levado Zummach para o campo naquele dia. Os olhos verdes imediatamente deslizaram inquisidores para a menina, se sentindo traído e ao mesmo tempo espantado.

- Time? Você vai jogar Quadribol?

Agostini foi completamente ignorado quando toda a atenção de Landon foi voltada para Melissa. Ele sabia que Zummach era uma caixinha de surpresas, mas aquilo ia muito além do que um simples temperamento mais ácido. Ela havia segurado uma vassoura pela primeira vez há poucos dias. Naquela mesma manhã, uma simples freada e a perda de um equilíbrio havia resultado em um tombo que seria catastrófico se ela estivesse alguns metros acima do chão.

Jogar Quadribol era uma experiência completamente diferente, e não era apenas uma coincidência que alunos do primeiro ano não pudessem participar do time das casas. Era preciso muito mais domínio do que simplesmente fazer piruetas no ar. Uma partida de Quadribol poderia ser extremamente perigosa para um profissional, e praticamente suicídio para um inexperiente como Melissa. Landon tinha arrepios só de imaginar uma partida da Corvinal contra as serpentes.

O olhar de Landon continuou preso na menina por longos segundos antes de finalmente deslizarem para o outro monitor. Quem conhecia Vanderwaal podia notar que ele travava uma guerra interna. A verdade sobre a falta de experiência de Melissa chegou a vir na ponta da sua língua, afinal, como capitão do time, Agostini tinha o direito de saber.

Mas no último segundo, Landon desistiu. Se soubesse daquele detalhe crucial, Victorio dificilmente teria deixado sua vassoura com a novata, sem supervisão. E era pouco provável que estivesse incentivando aquele teste para o time. Além de suas obrigações como capitão, ele não deixaria uma menina correr tantos riscos. E por ter certeza que o Corvinal cortaria aquela história ali mesmo, ele se calou. Melissa jamais o perdoaria por arruinar a única coisa que havia despertado seu interesse desde que pisara em Hogwarts.

- Eu não sabia disso, Victorio. Sinto muito. – Ele encarou Melissa por um breve segundo antes de continuar, se sentindo ainda mais desconfortável. – Se soubesse, não teria dado os meus melhores truques para uma concorrente. A minha sorte é que a grifinória conta com talentos muito maiores do que eu, então diria que ainda temos grandes chances.

Ao terminar de falar, Landon encarou Melissa mais uma vez. Ele não precisava dizer nada para estar bastante óbvio em seu olhar o quanto ele estava decepcionado e magoado com aquela omissão proposital da menina.

- É melhor eu entrar. Perdi o horário para Hogsmead, mas tenho certeza que o Liam recarregou o meu estoque por mim.

Ele enfiou as mãos nos bolsos, o vento atrapalhando os cabelos escuros enquanto ele andava de costas, ainda se mantendo virado para os dois corvinais.

- Imagino que não vou encontrar nenhuma Acidinha com ele, mas não preciso de tanto para ser feliz. Alguns sapos de chocolate e já estou feito.

***

Os corredores estavam vazios enquanto os dois monitores caminhavam, e a ausência de qualquer coisa que exigisse exercer o seu trabalho de monitor permitia que a mente de Landon vagasse novamente para os acontecimentos do campo de Quadribol.

Distraidamente, ele puxou uma das varinhas de alcaçuz da encomenda do primo e mordiscou a ponta adocicada, tentando ignorar sua mente que insistia em reproduzir o rosto de Melissa. Landon não costumava se distrair com meninas e sequer se lembrava de já ter ficado assim por alguma delas, mas ainda mais depois do segundo beijo, Zummach não deixava seus pensamentos.

Landon só foi obrigado a voltar a realidade quando Liam iniciou o seu desabafo e a surpreendente narrativa sobre a confusão que havia se metido. Sem cerimônias, Vanderwaal arqueou as sobrancelhas em surpresa, sem disfarçar que não esperava aquele tipo de comportamento do primo.

Aquele tipo de atitude estava longe de combinar com a personalidade do rapaz que havia crescido ao seu lado, mas o grifinório também não estava ali para julgar. Quando Liam terminou a sua história, Landon se recostou contra a parede de pedra e deixou de lago seu doce apenas para ter a boca livre.

- É a DiLaurentis?

A palidez que assumiu o rosto do primo foi a resposta que Landon precisava. Para mostrar que não estava ali para recrimina-lo, principalmente porque Liam já parecia ter noção da confusão que havia se metido, ele apenas abriu um sorrisinho e sacudiu os ombros para explicar seu palpite.

- Ao contrário do que a Zummach gosta de dizer por aí, eu não sou tão burro assim. Nós dois dividimos o quarto durante todos os verões, Liam... e você sonha com ela de vez em quando. – Landon girou os olhos com aquela provocação, mas logo em seguida se mostrou mais compreensível. – Sem contar que passou as últimas férias sem comer quase nada, desde que ela e o Rookwood começaram a namorar.

Com a menção do meio-irmão de Liam, Landon fez uma pausa para refletir o tamanho do problema. Já era ruim bastante que o primo nutrisse sentimentos por uma garota que não o enxergava, mas se envolver com a namorada do cara que o odiava poderia ser o mesmo que cutucar um hipogrifo com uma vara curta.

Ele deu uma nova mordida em sua varinha, sentindo o gosto adocicado descendo pela sua garganta. Involuntariamente, a lembrança de Melissa o assombrou mais uma vez. Assim como o primo, ele estava começando a nutrir sentimentos por uma menina complicada e de um relacionamento que não poderia começar porque estava rodeado de empecilhos.

Claro que Melissa não tinha um namorado troglodita que o odiava, mas se pudesse escolher, Vanderwaal teria optado por algo mais fácil, puro e sem complicações. Se Liam tinha aquela opção, parecia bastante óbvio para ele o que deveria fazer.

- Sinto muito, Liam... Mas mesmo que um milagre acontecesse e a DiLaurentis estivesse disposta a ficar com você, o que você acha que aconteceria? Que tipo de relacionamento você acha que vocês dois teriam? E eu não estou perguntando isso só por causa do babaca do Cristopher. E a família dela?

Mais uma vez, a história de Zummach invadiu sua mente. Mesmo que por algum milagre Melissa resolvesse retribuir aquele confuso sentimento que começava a surgir entre os dois, aquilo significaria uma guerra declarada contra a família dela. Landon não estava disposto a colocar em jogo a relação dela com os pais por um namorico adolescente.

- Se você não gosta da Mia desta forma, talvez também não seja a melhor ideia continuar com ela. Mas se existe pelo menos uma pequena chance de você gostar dela de verdade, mais do que a outra, eu acho que você deveria ir até o final. Sem dramas, apenas alguém que queira estar ao seu lado e te fazer feliz. Acho que isso já é mais do que a DiLaurentis tem a oferecer.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Sab Dez 24, 2016 6:16 pm

O semblante decepcionado de Liam mostrava que não eram aquelas palavras que ele esperava ouvir da boca do primo. Landon havia acabado de apresentar ao lufano uma solução simples para o problema no qual ele se metera, mas a grande verdade era que Mellish não queria que as coisas se resolvessem daquela maneira. Era muito difícil tirar de sua vida a garota por quem ele suspirava desde que os dois eram crianças deslumbradas com o castelo de Hogwarts.

No fundo, Liam sabia que Vanderwaal estava certo. Se as posições dos dois estivessem trocadas naquela mesma conversa, o monitor-chefe da Lufa-Lufa muito provavelmente daria um conselho bem semelhante ao primo. Era óbvio que a melhor solução para aquela confusão era colocar um ponto final na relação proibida com Clementine e mergulhar de cabeça em um namoro com Mia. Mas o coração de Liam simplesmente se recusava a aceitar aquela ideia.

- Eu sempre achei que estava sendo discreto. Você deveria ter me falado que a verdade estava mais óbvia que uma tatuagem na testa.

Mellish sentia-se tolo ao saber que praticamente todo o castelo conhecia a sua paixão por Clementine DiLaurentis. Mia, Landon e o próprio Cristopher já tinham notado o óbvio interesse dele na corvinal. O fato de Clementine nunca ter percebido só agravava ainda mais a situação. O desconhecimento dela provava que a loira nunca havia dado atenção suficiente a Liam para perceber os sentimentos do lufano.

Os dois monitores permaneceram parados no corredor escuro, iluminado apenas pela luz azulada que saía da ponta da varinha de Mellish. Liam se encostou na parede oposta àquela ocupada pelo primo e parecia bastante interessado na ponta dos próprios sapatos quando confessou, num sussurro amargurado.

- Eu sei que esse é o caminho certo. Mas não é fácil fazer esta escolha, Landie. Você não consegue me entender porque nunca se apaixonou de verdade.

Não havia um tom de acusação nas palavras de Liam. O lufano simplesmente queria que o primo entendesse que Clementine não era só uma garota bonita por quem ele se sentia atraído. Ela não era um caso sem importância como os dois já tinham experimentado algumas vezes desde o começo da adolescência. DiLaurentis era diferente porque Liam gostava dela de verdade. E Mellish nunca havia visto o primo se sentir daquela maneira por nenhuma garota.

- Eu sei que provavelmente ela nunca vai ter coragem de ficar comigo, que vai acabar cedendo à pressão da família e se casando com um idiota como o Rookwood. Eu já repeti isso para mim mesmo um milhão de vezes, Landie. Já prometi que isso ia acabar e que eu não iria mais ceder porque não mereço ser tratado como a última opção de uma garota...

Os olhos castanhos giraram e o rosto de Liam novamente se ergueu para que ele pudesse encarar o primo.

- Mas basta um movimento dela para que eu me derreta. Quando estamos juntos é tão bom que eu simplesmente me esqueço de todas as promessas e deixo o meu coração se iludir. Eu sou completamente apaixonado por ela e não consigo fugir disso.

Mellish não podia contar ao primo o detalhe mais grave de toda aquela confusão, mas a sua mente não cansava de atormentá-lo com a maldição imperdoável que Liam decidira encobrir apenas para que Clementine DiLaurentis não fosse penalizada de nenhuma maneira. Aquele sentimento pela loira era tão intenso que o lufano atropelara as próprias convicções por causa dela.

- Você tem razão, eu sei disso. Eu estou deixando de lado um relacionamento legal com a Mia por causa de uma menina que não me oferece praticamente nada em troca de tudo o que eu sinto por ela. Isso tem que acabar. – a expressão arrasada do lufano mostrava o quanto aquela decisão era difícil para ele – Eu vou tentar ser forte e guiar a minha vida para o caminho certo.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Sab Dez 24, 2016 7:43 pm

Quando a quinta-feira finalmente chegou, o dia não poderia estar mais perfeito para um voo de vassoura. Havia algumas poucas nuvens espalhadas pelo céu azul que amenizavam a potência dos raios solares e o vento era praticamente nulo. Era o clima ideal para que uma inexperiente jogadora pudesse alcançar o milagre de conseguir uma vaga no time de quadribol da Corvinal.

A expectativa prejudicou o apetite de Melissa e, ao contrário do que era comum, a garota praticamente não tocou no farto café da manhã de Hogwarts. Por mais que gostasse de parecer forte e decidida, Zummach sabia que estava prestes a enfrentar um enorme desafio. Depois de dez dias de treinamento, Melissa havia alcançado uma intimidade maior com a vassoura e com as regras do quadribol, mas nem isso dava a ela a certeza de que se sairia bem nos testes.

Para agravar ainda mais a ansiedade da novata, Melissa só descobriu que os testes para o time costumavam contar com uma plateia quando chegou ao campo de quadribol e encontrou vários lugares ocupados nas arquibancadas. A maioria maciça dos espectadores eram corvinais interessados na montagem do time daquele ano, mas também havia curiosos de outras casas.

Um grupinho pequeno de sonserinos ocupava um dos pontos mais altos da arquibancada. Um deles carregava um pergaminho e fazia anotações que provavelmente seriam usadas a favor do time das serpentes. Alguns membros da equipe lufana também estavam ali para sondar o novo time da Corvinal, e os grifinórios tinham tido a mesma ideia.

Toda aquela preocupação com o time de Rowena Ravenclaw tinha uma forte motivação. No ano anterior, os corvinais só não venceram o torneio de quadribol de Hogwarts por causa do jogo sujo da Sonserina. O vice campeonato estava entalado na garganta de Agostini e ele tinha prometido aos colegas que a taça do ano seguinte seria deles. A Corvinal tinha uma equipe muito forte e o enorme desejo de vencer naquele ano.

- Eu não acredito. É mentira isso, eu não consigo acreditar que esta garota vai fazer o teste!

Shayna resmungou para Robbie e Landon no instante em que viu Melissa se juntar ao grupinho de corvinais que se organizava no centro do campo.

- Será ótimo se o Agostini aceitar essa garota na equipe, um adversário a menos para nos preocupar!

A Grifinória era, historicamente, a maior campeã de Hogwarts. A casa dos leões colecionava troféus e muitos jogadores profissionais tinham começado a carreira voando com o uniforme vermelho e dourado. Mas era notável que houvera uma preocupante queda de rendimento dos grifinórios nos últimos três anos. A Corvinal havia ganhado dois anos seguidos, e depois a Sonserina vencera o torneio do ano anterior de forma um tanto desonesta. A Grifinória só não sofrera uma humilhação maior porque os lufanos eram realmente muito fracos no esporte e quase sempre ficavam em último lugar.

- Eu acho que não podemos descartar nem mesmo a Lufa-Lufa como um adversário preocupante, Shayna. – Robbie voltou um olhar absurdamente sério para a capitã – A gente se ferrou nos últimos anos, lembra? Na última vez que um troféu foi levado pro nosso Salão Comunal, o Potter ainda era o nosso capitão.

Era para ser apenas um comentário profissional, mas Shayna encarou as palavras de Robbie como uma potente ofensa pessoal. James Potter havia deixado o castelo de Hogwarts há três anos, e era exatamente o período em que Shayna estava na posição de apanhadora e capitã do time dos leões. Coincidência ou não, a equipe vinha em queda livre desde aquela mudança.

Alheia à discussão dos grifinórios, Melissa tentava controlar as batidas descompassadas do próprio coração. Se ela realmente fosse uma aluna da Corvinal, certamente já teria desistido. Mas a coragem da Grifinória fez com que Zummach se mantivesse firme dentro do campo, disposta a encarar aquele desafio até o final.

Agostini tomou a frente do grupo e anunciou quais dos antigos jogadores já tinham uma vaga garantida no time. Victorio confirmou que continuaria como goleiro e chamou por um batedor e dois artilheiros que haviam se destacado na temporada anterior. Todo o resto da equipe teria que se submeter aos testes daquela manhã, assim como os novatos que desejavam um espaço no time.

Depois daquele breve discurso, Victorio quis saber qual seria a posição almejada por cada um dos colegas. Melissa teve poucos segundos para tomar uma decisão antes que o capitão apontasse para ela.

- E você, Zummach?

- Apanhadora.

De todas as posições, aquela parecia ser a pior escolha para uma jogadora que não dominava por completo a vassoura. Um goleiro precisava ser ágil, mas ninguém esperava dele muita velocidade ou habilidade. Os batedores também não precisavam ser excelentes na vassoura desde que tivessem força e uma boa pontaria. A posição de artilheiro exigia bem mais técnica e habilidade, mas nada se comparava às qualidades que todos esperavam de um bom apanhador. Um apanhador precisava ser um jogador veloz, audacioso e com um domínio excelente da vassoura já que precisaria fugir dos balaços e perseguir a menor e mais rápida bolinha do jogo.

Como Agostini não conhecia a inexperiência da colega, ele simplesmente acatou a decisão dela e pediu que Melissa se juntasse aos outros três alunos da Corvinal que desejavam a mesma vaga. Naquela tarde, como Victorio precisaria da própria vassoura, Zummach tivera que se contentar com um modelo mais antigo do vestiário, o que só contribuía ainda mais para a insegurança dela.

Mesmo de longe, os grifinórios não teriam dificuldade para entender a divisão dos grupinhos. Quando Melissa acrescentou um par de luvas de dragão ao uniforme azul da Corvinal, ficou bastante claro que ela jogaria como apanhadora. Os cabelos castanhos presos em uma trança embutida facilitariam o voo, assim como as botas de cano alto. As joelheiras e cotoveleiras faziam parte do uniforme, mas obviamente não evitariam que Zummach se machucasse caso caísse da vassoura durante a perseguição ao pomo-de-ouro em alta velocidade.

- Zummach e Harper, vocês duas primeiro. Cada uma vai para um dos times.

As duas meninas que disputavam a vaga de apanhador deram um passo a frente. Sophie Harper mostrou que não era tão habilidosa quando se ergueu num voo meio desajeitado, mas nem isso garantia a Melissa a sua vaga no time. Mais dois jogadores esperavam para serem testados, afinal.

- Você consegue ser melhor que ela...

Agostini piscou um dos olhos para Melissa, em uma postura pouco admirável para um capitão que deveria guiar aquele treino de forma imparcial. Seguindo as orientações aprendidas com Landon, a novata segurou com firmeza o cabo da vassoura antes de impulsionar o corpo num voo leve.

Vários metros acima do chão, Zummach respirou fundo e manteve a atenção fixa na caixa de madeira que Agostini depositou no chão, abaixo da equipe. Os dois balaços foram libertados primeiro e voaram em direções opostas, cortando o ar em alta velocidade. Em seguida, o pequeno pomo dourado ganhou a sua liberdade. Melissa até tentou segui-lo com os olhos, mas logo a minúscula bolinha sumiu de vista no céu.

Por último, o capitão pegou a goles e ergueu os olhos antes de lançar a bola para cima. O apito soou no mesmo instante em que um dos artilheiros do time titular agarrou a bola e iniciou o primeiro ataque em alta velocidade.

Zummach só teve noção do quanto o quadribol era muito mais violento na prática do que na teoria quando, antes mesmo que ela pudesse iniciar a busca pelo pomo, um dos balaços passou há dois centímetros de sua orelha esquerda. O zunido arrancou um arrepio da novata, mas nem isso fez com que ela desistisse.

Os olhos azuis de Melissa dividiam a atenção entre a busca pelo pomo-de-ouro, os balaços violentos e os movimentos de Sophie Harper, que por sorte parecia tão desconcentrada quanto ela. E foi durante aquela busca que a atenção de Zummach parou no ponto das arquibancadas ocupado pelos três grifinórios.

A imagem de Landon Vanderwaal distraiu Melissa por dois segundos, mas foi o bastante para que um dos batedores lançasse um balaço na direção dela. Zummach soltou um gritinho e se agarrou com mais firmeza à vassoura quando o balaço atingiu a ponta do cabo, fazendo-a rodopiar várias vezes no ar.

- Que piada! – Shayna soltou uma sonora gargalhada – Aposto dez galeões que ela vai cair em menos de cinco minutos!
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Dez 24, 2016 8:52 pm

A menção de Agostini fez com que Clementine lembrasse do comentário de Lorelai no Três Vassouras e ela se perguntou se realmente havia alguma aproximação entre o monitor da Corvinal e a novata. Ela chegou a arquear as sobrancelhas e estava pronta para seguir a conversa por aquele rumo quando Melissa a surpreendeu notando o seu péssimo humor.

Zummach não a conhecia o suficiente, mas talvez ela estivesse mais óbvia do que pretendia. Toda aquela situação com Liam era recente e inédita, mas já havia transformado sua vida de cabeça para baixo. Era surpreendente o tempo que havia levado para notar Mellish, mas bastou um beijo dele para que Clementine se arrependesse pelos anos perdidos.

Os olhos azuis de DiLaurentis focaram em Melissa por longos segundos enquanto ela refletia se realmente estava preparada para falar com alguém sobre o que estava acontecendo em sua vida e principalmente se Melissa era a escolha certa para ser sua ouvinte.

Clementine não a conhecia o suficiente e aquela informação era perigosa demais para cair em mãos erradas. Mas ao mesmo tempo, ela sentia que iria explodir se não contasse alguma coisa para alguém. Melissa provavelmente a julgaria como louca por se abrir com uma completa estranha, mas a loira não resistiu a tentação de tentar desabafar para minimizar o nó que havia se instalado em sua garganta.

- Eu preciso mesmo aprender alguns xingamentos, mas a única pessoa que merece ouvi-los, sou eu mesma.

A loira afundou ainda mais no banco e deixou que seus dedos brincassem com algumas peças adormecidas do xadrez. Ela sabia que estava completamente errada naquela história. Independente de todos os erros de Cristopher, ele não merecia ser traído. Da mesma forma que Liam não merecia ser arrastado para aquela confusão.

- Eu tenho um namorado, sabe? Ele não é perfeito, mas é um bom namorado. Cristopher Rookwood, setimanista da Sonserina.

A sombra de um sorriso apareceu nos lábios de Clementine ao apresentar o namorado daquela forma. Mesmo longe de Hogwarts, era difícil que Zummach não conhecesse o sobrenome dos Rookwood, e independente de toda a confusão, a loira ainda sentia uma pontinha de orgulho por anunciar que havia conquistado o filho herdeiro de uma das nobres famílias do mundo bruxo.

- Estamos juntos há algum tempo, já. Eu sempre soube dos defeitos dele, mas ultimamente...

Clementine se lembrou do incidente das estufas, onde tudo havia começado a desmoronar. É claro que ela não compartilharia aquele detalhe com Melissa, mas também não parecia certo colocar nos ombros de Cristopher os seus erros.

- As coisas mudaram entre nós dois. E no meio disso tudo, apareceu esse outro cara...

Ela não tinha nem mesmo coragem para encarar Melissa e encontrar a repulsa em seu olhar. Aquela frase por si só já era nojenta, mas se Melissa soubesse que o “outro cara” era o meio-irmão de Cristopher, certamente cortaria sua narração podre ali mesmo.

- Eu não planejei nada, mas esse cara... Ele faz com que eu me esqueça de todo o resto. E isso é incrível.

A forma com que os lábios de Clementine se curvavam e o brilho que brotava em seu olhar mostrava como ela estava encantada pelo novo rapaz em sua vida. A culpa e o nojo que sentia com os próprios atos desapareciam apenas com a lembrança dos beijos de Liam e já fazia com que ela desejasse estar em seus braços outra vez.

- Eu sei que é errado, tá legal? Super errado, nojento de errado. – No mesmo instante em que a lembrança dos beijos de Liam saiu de sua mente, uma careta se formou no rosto de Clementine. – E esse outro cara... ele também tem uma namorada. Alguém que realmente combina com ele. Ela é bonita, engraçada e não faz tudo errado como eu.

Mia Blake realmente combinava com Liam. Os dois eram da mesma casa, eram amigos, tinham gostos em comum e parecia bastante óbvio que deveriam ficar juntos. Mas aquela certeza só fazia com que Clementine odiasse a lufana ainda mais, e junto com o ódio, a inveja fazia seu estômago doer. Ela queria poder entrar de mãos dadas com Liam diante de qualquer um. Queria assumir um relacionamento ao lado de Mellish sem criar uma nova guerra entre os irmãos.

- A verdade é que eu não queria que ele ficasse com mais ninguém além de mim. Mas não posso pedir isso a ele, não tenho direito. Porque eu nunca vou poder estar ao lado dele como ela pode. – Clementine ergueu um dos ombros e derrubou a rainha no tabuleiro de xadrez. – Não sem ser vista como a maior vadia de Hogwarts, ou receber um berrador dos meus pais ou coisa pior... Além do mais, Cristopher jamais me perdoaria. E eu já sei que tipo de pessoa ele é quando odeia alguém. Não parece ser justo arrastar esse outro cara para toda essa confusão.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Sab Dez 24, 2016 9:33 pm

Um dos sapos de chocolate foi retirado da sacola colorida da Dedosdemel e posto sobre a mesinha que amparava o tabuleiro de xadrez. Com um movimento delicado, Melissa empurrou o doce na direção da colega, oferecendo aquela dose de chocolate que não resolveria os problemas dela, mas certamente amenizaria um pouco de toda aquela angústia.

Ao contrário do que aconteceria se Clementine estivesse diante de Sara ou Lorelai, a loira não viu uma expressão chocada quando ergueu os olhos para Melissa. Zummach somente a encarava com um semblante calmo, totalmente livre dos julgamentos severos que aquela situação merecia.

É claro que Melissa não admirava a atitude de DiLaurentis, mas era óbvio que a loira estava sofrendo com toda aquela confusão. Clementine não estava traindo o namorado porque achava divertido brincar com os sentimentos de dois garotos. E, melhor do que ninguém, Zummach sabia como era difícil tomar decisões que causavam uma imensa decepção para a família.

- É. Está tudo errado mesmo. Mas você não vai resolver este problema se torturando em silêncio e esperando que uma solução mágica surja na sua frente.

Se tomar as rédeas da própria vida era a maior dificuldade de Clementine, a loira provavelmente se surpreenderia com a personalidade de Melissa. A novata tinha uma coleção de defeitos, mas ninguém jamais poderia acusá-la de ser indecisa. Como uma boa grifinória, Zummach tinha convicção de suas escolhas e as defendia até o fim, mesmo que isso gerasse uma guerra em sua família como fora a decisão de ir para Hogwarts.

- Você tem duas escolhas, Clementine.

Melissa ergueu dois dedos no ar e fez uma pequena pausa antes de explicar o seu ponto de vista. Com o Salão Comunal da Corvinal vazio, as duas meninas tinham toda a privacidade necessária para continuarem naquela conversa delicada.

- Escolha número um... – o indicador da novata continuou erguido – Coloque um fim neste romance proibido e se concentre no seu namorado, continue sendo um motivo de orgulho para os seus pais e volte para a vida tranquila que você tinha antes desta confusão começar.

Aquela parecia ser a saída mais fácil, mas Melissa sabia que a colega não estaria tão atormentada por dúvidas se a escolha fosse tão simples.

- Ou escolha número dois... – o segundo dedo foi erguido novamente – Tenha coragem de mudar o rumo da sua vida, termine o namoro com o sonserino e fique com o outro cara. Ignore as fofocas, enfrente a sua família e fique com esse tal sujeito que faz seus olhos brilharem tanto.

Como não conhecia pessoalmente nenhum dos dois envolvidos e não sabia de toda a complexidade daquela história, Melissa não se sentiu à vontade para opinar sobre qual seria a melhor escolha. Além disso, elas estavam falando de algo que mudaria por completo a vida de DiLaurentis. Ninguém além da loira deveria tomar aquela decisão tão importante.

- Você precisa se decidir, Clementine. Não dá pra passar o resto da vida neste joguinho, não seria justo com o seu namorado, com o outro e nem com você mesma. Eu também não posso te dizer o que fazer com a sua própria vida, até porque a gente mal se conhece, né?

Um suspiro pesado escapou dos lábios de Melissa antes que a garota decidisse fazer uma confissão que poderia ajudar Clementine naquela situação tão delicada.

- Eu vim para Hogwarts contra a vontade dos meus pais. Eles me odeiam agora, não recebi nenhuma coruja desde que cheguei aqui. Eu causei uma imensa decepção na família, mas não me arrependo porque sei que foi a decisão certa. Estou te falando isso para que você entenda que nem sempre a decisão certa é o caminho mais fácil. Mas, se você tem certeza de que escolheu bem, você consegue continuar de pé mesmo que todos te odeiem.

Sentindo uma súbita necessidade de também desabafar com aquela nova amiga, Melissa girou os olhos e reduziu ainda mais o tom de voz antes de confessar.

- E eu sou uma especialista neste lance, fui praticamente enxotada da Grifinória porque ninguém gostava de mim por lá... Eu percebi que era um caso perdido quando o cara que tinha acabado de me beijar disse que eu deveria ter ido para a Sonserina...

Um sorrisinho travesso brincou nos lábios de Zummach antes que ela fizesse aquela brincadeira com Clementine.

- Escolhi a Corvinal por causa da fama de vocês. Achei que só encontraria nerds fissurados em livros e que aqui eu estaria livre dos dramas adolescentes. E cá estou eu, trocando confidências amorosas com uma corvinal.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Dez 24, 2016 11:57 pm

Quem prestasse atenção na tensão que existia no olhar de Landon Vanderwaal naquele dia, chegaria a acreditar que ele estava diante do próprio time, aguardando ansiosamente para ver o desempenho de um de seus melhores amigos.

Para Robbie e Shayna, que desconheciam a intimidade que vinha crescendo entre o monitor da grifinória e a novata, o comportamento dele parecia apenas com o de um competidor que temia que um time imbatível estivesse se formando diante do seu nariz.

Entretanto, a última coisa que passava em sua cabeça diante daquele teste era o receio de não conquistar a taça de Quadribol no final do ano. Os olhos verdes estavam presos em Melissa, atentos ao desempenho dela, a técnica e ao risco de que qualquer coisa fosse dar errado.

No fundo, Landon torcia para que Melissa se destacasse e mostrasse que merecia estar entre os qualificados jogadores da Corvinal. Mas era impossível ignorar o medo do que a sua inexperiência poderia proporcionar, não apenas com resultados negativos para a casa adversária, mas principalmente em seu próprio estado físico.

As mãos de Landon agarraram aos próprios joelhos e ele tocou a borda da varinha em sua calça quando Melissa começou a rodopiar no ar. Ele deslizou para a ponta da arquibancada, pronto para se levantar no instante em que ela deslizasse para fora da vassoura, a respiração presa em sua garganta e todos os seus sentidos voltados para ela. Nem mesmo o comentário ácido de Shayna foi capaz de lhe trazer de volta a realidade.

Vanderwaal só soltou o ar e voltou a respirar quando a vassoura de Melissa voltou a se estabilizar no ar. A menina que ocupava a posição de apanhador do outro time havia desaparecido naquela brecha, provavelmente com o pomo em vista, mas a única coisa que importava para Liam era que Zummach estava novamente em domínio no ar.

- Essa foi por pouco. – Robbie desabafou ao seu lado, aparentemente também tenso com aquele desempenho. – Mas ela está indo bem, está com uma vassoura muito mais ultrapassada que a da Harper.

Se fosse em qualquer outra situação, Landon se sentiria orgulhoso por ter sido o professor que havia levado uma menina tão inexperiente a ter um bom desempenho em campo, mas ele só conseguia pensar que se não tivesse levado Melissa até o campo pela primeira vez, ela não estaria naquela situação.

- Ela está ótima. – Landon desabafou, fazendo Shayna girar os olhos ao seu lado. – Esse é o problema.

- Qual é... – A grifinória bufou, levando aquele comentário como uma ofensa pessoal. – Eu me garanto em cima dessa cobrinha. Dois minutos em um jogo contra ela, e o pomo já estará na minha mão.

Mais uma vez, o comentário de Shayna foi ignorado e o olhar de Landon não se desviou do campo nem mesmo quando uma nova figura se juntou a eles na arquibancada. Ao contrário de todos os torcedores, o olhar de Mia Blake não estava no campo, mas vasculhando a arquibancada.

- E aí, Landon... – A menina se sentou um nível abaixo dos grifinórios, mas pareceu indiferente ao fato de que o monitor não lhe dirigiu o olhar nenhuma vez. – Você viu o Liam por aí? Ele ficou de me acompanhar durante os testes, mas não consegui encontra-lo no salão comunal.

Se a mente do rapaz não estivesse tão focada nos acontecimentos em campo, ele provavelmente teria elaborado alguma teoria sobre a enrolação em que o primo havia se metido, mas ele ainda estava acompanhando cada movimento de Melissa em campo. Um novo balaço passou raspando pela perna esquerda da menina, mas ela se esquivou com uma bela pirueta que Landon imediatamente reconheceu dos treinos.

- Wow! – Robbie vibrou. – Essa foi quase!

- Isso não é nada. – Landon balançou a cabeça, angustiado. – Um jogo contra a Sonserina vai ser muito mais complicado do que alguns balaços.

- OK. – Mia girou os olhos, tentando não se incomodar com o fato de ter sido ignorada. – Não está mais aqui quem perguntou.

Ela finalmente se endireitou na arquibancada e voltou sua atenção para o campo, puxando um bloquinho e uma pena para o seu colo e apoiando contra os joelhos que havia puxado para cima. Landon, obviamente, não percebeu aquele gesto estranho e permaneceu roendo as unhas enquanto observava a partida. Foi Robbie quem arqueou as sobrancelhas e finalmente se dirigiu para a lufana.

- O que está fazendo, Blake? Você nem está no time da Lufa-Lufa.

- Aaah, agora eu existo, não é? – A menina usou uma entonação dramática, mas deu de ombros antes de responder. – Estou participando de um concurso do Profeta Diário. Se gostarem da minha matéria, eu consigo um estágio no próximo ano.

A explicação em si não surpreendia Robbie. Muitos alunos do último ano dividiam seu tempo com a dedicação dos NIEMs e oportunidades de já engatilhar qualquer coisa que pudesse facilitar sua vida profissional quando deixassem o castelo. O que causou estranhamento do grifinório foi a escolha do tema da Lufa-lufa.

- E você vai fazer uma matéria sobre testes de Quadribol de uma escola? Não me parece com nada que despertaria o interesse do Profeta.

- É lógico que eu não vou entregar um artigo sobre isso. – Ela apontou com descaso para os alunos em campo. – Mas achei interessante começar a minha pesquisa antes que o time estivesse formado. Fiz o mesmo com o da Lufa-Lufa, e podem me esperar quando fizerem os testes da Grifinória. Acho que se conseguir mais informações a respeito do time, consigo fazer um texto com um excelente ponto de vista.

Pela primeira vez, os olhos verdes de Landon deslizaram da partida para pousar na menina sentada alguns centímetros abaixo. Como acreditou que havia conquistado a atenção dos rapazes por sua ideia, Mia não se limitou e continuou com a pena erguida.

- Por exemplo, o que podem me dizer da Zummach? Ela passou pela Grifinória antes de correr de vocês e procurar abrigo com os CDFs, não foi? Se a Corvinal for campeã, ela definitivamente será a minha estrela.

- O QUÊ??? – Landon estreitou os olhos, mas Mia não pareceu notar o tom de desespero.

- Imagine só! A garota pediu para ir para a Corvinal. Se eles derrotarem vocês na final, vai ser minha chave de ouro. Sei que não merece a capa do jornal, mas acho que consigo o toque de drama suficiente para chamar a atenção deles.

O queixo de Vanderwaal despencou. Em campo, mesmo com as dificuldades, Melissa estava se destacando e tinha grandes chances de encerrar aquele dia com uma das vagas do time. Se o sobrenome Zummach fosse citado naquele artigo, não teria dúvidas para a família da menina que ela estava se entrosando no castelo. Afinal, participar do time da escola era um privilégio. Mas para os pais dela, Melissa estaria colaborando para que uma das casas da escola de Dumbledore fosse campeã. Seria a ruína dela.

Mia parecia bastante orgulhosa com a sua ideia original para abordar aquele artigo que quase deu um pulo quando Landon atravessou correndo as arquibancadas. Ela chegou a sentir o vento provocado por ele balançar seus cabelos e simplesmente arregalou os olhos, confusa.

- O que foi que eu disse de errado?

Em questão de minutos, Landon atravessava o campo, atraindo a atenção do capitão. Victorio estava sobre sua vassoura e pareceu confuso quando o grifinório pediu que ele se aproximasse. O Corvinal chegou a conferir o estado atual da partida para se certificar de que toda a emoção acontecia do outro lado do campo e desceu alguns metros.

- O que foi, Landon? Não é o melhor momento para conversar, cara... – Ele apontou para a partida sobre suas cabeças com uma entonação óbvia.

- A Melissa não pode participar do time. – Ele foi direto ao ponto, se sentindo esbaforido depois da correria das arquibancadas até ali.

- Como é? – O sorriso continuou nos lábios do Corvinal, acreditando que aquilo se tratava de uma piada. – É sério, Landon, isso tudo é medo de perder? É um pouco apelativo demais, não acha?

- Ela nunca tinha voado antes! Não está preparada para um jogo de verdade!

A confusão passou pelo olhar de Agostini e ele buscou a novata no céu. Landon percebeu imediatamente que ele estava refletindo com aquela informação e chegou a acreditar que o rapaz encerraria a partida, mas o capitão da Corvinal voltou a encará-lo já sem a menor convicção.

- Golpe baixo, Vanderwaal. Você quer me dizer que aquela garota ali é inexperiente? Olha só os movimentos dela!

Landon ergueu o rosto para encarar o céu, encontrando Melissa e Sophie em uma corrida, provavelmente atrás de um pomo já avistado. O coração do grifinório se apertou. Se Melissa ganhasse aquela partida, estaria no time titular. E Agostini não conseguia compreender a gravidade daquele erro.

Balançando a cabeça em repreensão, o rapaz voltou a se erguer no ar, deixando Vanderwaal em choque no gramado. Os olhos verdes ainda passearam pela partida e arquibancadas, estudando suas opções. Não havia tempo para mais nada.

Em uma nova correria, Landon deixou o campo de Quadribol e voltou para as arquibancadas, mas desta vez em uma direção completamente diferente da que estava antes. As escadas de madeira foram atravessadas rapidamente até que ele atingisse o topo de uma delas, completamente vazia.

Grudado contra o parapeito de madeira, Vanderwaal observou o jogo com o coração na boca. A ideia que coçava seu cérebro era arriscada demais e ele chegou a acreditar que já era um caso perdido quando a corrida entre Melissa e Sophie veio em sua direção. Ele só teria uma chance e não poderia errar.

No segundo em que as duas meninas passaram como um borrão diante da arquibancada onde Landon estava, ele ergueu a varinha entre suas vestes, colocando-a discretamente sobre o parapeito da arquibancada. Ele prendeu a respiração, contou os segundos e fez o cálculo perfeito.

- Confundus!

O feitiço verbal não foi gritado, mas não foi exatamente sussurrado também. O vento ruidoso permitia que a voz dele fosse abafada, e o feitiço atingiu em cheio Melissa Vanderwaal, fazendo com que ela atrasasse alguns centímetros naquela disputa.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Dez 25, 2016 3:39 am

Clementine já havia ouvido críticas a respeito da sua indecisão antes. O sermão dado por Liam, minutos antes do incidente nas estufas, havia sido praticamente um tapa no seu rosto, lhe dando um alerta de que não poderia ficar eternamente em cima do muro, principalmente quando se tratava sobre grandes questões. Mas foi naquela breve conversa com Melissa que a loira se sentiu finalmente desperta.

Tomar uma decisão era um grande passo, porque DiLaurentis não conseguia simplesmente prever o futuro para saber se a escolha que fizesse realmente seria a certa. No momento em que escolhesse um caminho, estaria renunciando ao outro, e simplesmente não tinha como saber o que estaria ganhando ou perdendo ao dar o primeiro passo.

Mas Zummach estava certa em dizer que nada mudaria se ela continuasse apenas de braços cruzados, se lamentando da confusão em que havia se metido. Ela apenas continuaria no mesmo lugar, sofrendo e fazendo as pessoas ao seu redor sofrerem.

As opções apresentadas pela morena eram simplórias demais, mas a loira sabia que na prática, era apenas a realidade. Por isso, ela refletiu por alguns segundos sobre como se sentiria ao optar por qualquer uma daquelas alternativas.

Continuar com Cristopher era de longe a sua opção mais prática e confortável. Clementine precisaria apenas terminar a confusão que criara com Liam, voltar a se dedicar ao namoro e manter os pais felizes, sem precisar criar mais brigas para nenhum dos lados. Seu único desafio seria precisar aprender a conviver com alguém que nutria tanto ódio capaz de pronunciar uma maldição imperdoável.

Por outro lado, aquele caminho que parecia ser tão mais prático, provocava um gosto amargo em sua boca. Aquilo significava abrir mão do sentimento que começava a nascer por Mellish, e por mais que aquela situação confusa estivesse longe de ser um relacionamento, era o que a fazia se sentir viva de uma maneira que ela nunca havia experimentado antes.

Um sorriso amarelo separou os lábios da loira quando ela encolheu os ombros para Melissa, se desculpando por ter iniciado aquela conversa tão íntima.

- Os grifinórios têm o péssimo hábito de achar que chamar alguém de sonserino é uma ofensa. Mas eles não são tão ruins quanto a fama. Se quer saber o que eu acho, a casa de Godric é muito mais preconceituosa e arrogante.

A loira deslizou alguns fios para trás da orelha e sorriu com mais convicção. Ela se orgulhava de pertencer a Corvinal, adorava o fato de alguém como Zummach ter escolhido a casa de Rowena por opção, mas queria que a menina soubesse que não teria sido tão ruim assim ser abrigada na casa das serpentes.

- Minha família inteira pertence a Sonserina há gerações. Meu namorado é um Sonserino. Eles têm defeitos, mas todas as casas também têm. – A loira arqueou uma sobrancelha e concluiu com um sorrisinho mais divertido. – Acho que em todas elas você vai encontrar uma dose de drama de adolescentes, sinto muito. E bem-vinda ao clube.

***

- Por que eu tenho a impressão de que tudo isso está relacionado ao bostinha do Mellish?

Clementine sentiu todo o seu corpo congelar, as pupilas se dilataram e ela prendeu a respiração. Cristopher sabia. É claro que sabia, ele era esperto o bastante para perceber uma traição bem diante do seu nariz. Ele sairia daquela sala e a primeira coisa que faria seria encontrar o meio-irmão para tirar satisfações, talvez até mesmo voltar a lançar uma maldição imperdoável.

Então, bem diante do desespero de DiLaurentis que entregava toda a sua culpa, Rookwood estreitou o olhar e jogou os braços para o alto, sem desconfiar do verdadeiro motivo que havia provocado aquela complicada conversa.

- Desde aquela palhaçada que aconteceu nas estufas, você tem agido de um modo estranho, Cleo. Mas quantas vezes eu vou precisar repetir que mirei na maldita planta??? E agora você já está agindo como se eu tivesse matado aquele bosta!

Ele não sabia. Cristopher era arrogante o bastante para sequer desconfiar que a namorada começava a retribuir os sentimentos até então platônicos do lufano. Ele apenas ligava a subida vontade da namorada de encerrar aquele relacionamento com a própria atitude.

- Você me conhece melhor do que isso, Cleo! Não acredito que está terminando comigo por causa de um inseto insignificante como aquele idiota!

Mesmo sem saber da parte mais grave daquela história, Cristopher arrumava uma forma de culpar o irmão. E Clementine não precisava daquilo. Ela precisava que o sonserino tirasse Mellish do seu foco, ou a vida dos dois se tornaria um inferno.

- Não é nada disso, Cris. Eu só acho que seria melhor ficarmos um tempo separados. Eu estou atolada demais com os NOMs, e sei que você não se importa com os NIEMs. Mas independente disso, em poucos meses você vai estar fora daqui e eu ainda tenho um longo período em Hogwarts. O que você acha que devemos fazer, manter um relacionamento por cartas? Nos encontrarmos nas férias, enquanto você tem uma vida completamente diferente lá fora?

A tensão nos ombros do rapaz desapareceu e os lábios dele se curvaram em um sorriso malicioso. Ele chegou a parecer tranquilo diante do que Clementine insinuava ser suas preocupações que incentivavam o fim daquele namoro.

- Você está com medo que eu arrume alguém, é isso? Qual é, Cleo... Ainda faltam meses até eu sair daqui, não podemos simplesmente aproveitar até lá? E quando a hora chegar, nós decidimos juntos o que fazer.

O olhar de Clementine se estreitou e ela pareceu ofendida com a oferta de Cristopher. Em resumo, ele pedia que os dois continuassem juntos, mesmo com a possibilidade de não haver um futuro entre os dois. O fim daquele namoro estava partindo por ela, mas era impossível ignorar o fato de que, se não fosse pelo surgimento de Liam em sua vida, ela sequer notaria que o namorado não tinha grandes planos para os dois.

- Eu não quero mais, Cris. – Desta vez, a loira soou mais firme, provavelmente com mais convicção do que em toda sua vida. – Sinto muito.

Foi a vez do rapaz estreitar o olhar. Alguém como Rookwood não estava acostumado a ser rejeitado daquela forma, e por mais que Clementine parecesse um belo troféu a ser exibido, não valia a pena se humilhar.

- Eu não vou implorar, Clementine. Se você quer terminar, ótimo! Só não venha me procurar depois que a sua TPM passar e você voltar atrás. Se eu sair daqui, você pode esquecer qualquer chance comigo.

Pelo histórico de DiLaurentis, ela deveria estar surtando. Tomar uma decisão era assustador demais. Mas ainda assim, nem por um segundo ela vacilou, apenas mantendo seu semblante firme. Cristopher ainda esperou por um período longo demais antes de bufar e deixar a sala de poções batendo a porta com força, como se tivesse acabado de perder uma frustrante partida de xadrez.

Sozinha no frio das masmorras, Clementine soltou o ar ruidosamente e afundou o rosto nas mãos, desejando até o último fio de cabelo que estivesse fazendo a escolha certa.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Dom Dez 25, 2016 1:38 pm

Depois de um começo de partida um tanto desajeitado, Melissa conseguiu relaxar e colocar em prática tudo o que aprendera durante os treinamentos da última semana. É óbvio que a novata não demonstrava em campo a mesma genialidade de apanhadores experientes, mas o seu desempenho razoável era mais do que o bastante para vencer a atrapalhada Sophie.

Mais atenta ao jogo, Zummach se desviou de alguns balaços usando piruetas ensinadas por Landon Vanderwaal. Os olhos azuis estudavam o céu cuidadosamente em busca do pomo-de-ouro, mantendo a visão lateral alerta para qualquer movimento de Harper que denunciasse que sua concorrente localizara a bolinha dourada antes dela.

Por ironia do destino, Melissa e Sophie enxergaram o pomo-de-ouro exatamente no mesmo instante. A bolinha voava tranquilamente vários metros abaixo do jogo agitado, o que obrigou as duas apanhadoras a inclinar as pontas das vassouras em um ousado mergulho.

Não era um jogo de verdade, nenhuma taça seria entregue ao campeão. Mas isso não evitou que uma dose espetacular de adrenalina se espalhasse pelas veias de Zummach quando, em meio à perseguição ao pomo-de-ouro, ela ouviu a vibração da torcida. Era impossível entender se os corvinais que gritavam de empolgação estavam torcendo para uma das meninas ou simplesmente queriam ver um show, mas aquilo não fazia diferença para Melissa no momento.

Ao notar que havia sido notado, o pomo bateu as asas com mais intensidade e iniciou uma fuga emocionante, sendo seguido de perto pelas duas apanhadoras. A vassoura de Sophie era mais nova e mais potente que o modelo antigo que Melissa pegara no vestiário, mas a falta de técnica de Harper reduzia a sua vantagem com relação à adversária.

Mesmo com uma vassoura velha, Zummach conseguiu alguns metros de vantagem. O vento batia no rosto dela com a velocidade atingida pela vassoura, mas a adrenalina mantinha a novata fervendo por dentro. Melissa efetuou uma curva perfeita que arrancou alguns aplausos da torcida e, quando se aproximou ainda mais do pomo-de-ouro, a morena inclinou o próprio corpo na direção da bolinha.

O braço de Melissa se esticou e as pontas dos seus dedos estavam há um centímetro do pomo quando algo estranho aconteceu. A sensação súbita de esquecimento fez com que Zummach travasse. Era como se Melissa tivesse acabado de acordar depois de uma soneca e sua mente sonolenta ainda continuasse desligada por mais algum tempo.

Zummach precisou de alguns segundos para se lembrar de onde estava, de qual dia era aquele e do que precisava fazer. Mas aquele valioso tempo foi bem aproveitado por Sophie Harper e, quando a mente de Melissa finalmente acordou por completo, os dedos da adversária já envolviam o pomo-de-ouro.

Os aplausos foram bem tímidos, exceto por Shayna que vibrou como se fosse ela a agarrar um pomo no final do campeonato. Os corvinais estavam visivelmente decepcionados em ver que a apanhadora teoricamente mais fraca havia vencido de maneira inexplicável.

- Mel, você está bem? O que aconteceu? Você travou!?

A vassoura de Agostini flutuou até parar ao lado de Zummach e, assim como os outros alunos da Corvinal, o capitão parecia intrigado e decepcionado com o desfecho daquela disputa. Victorio queria desesperadamente dar a vaga para Melissa, mas era impossível tomar uma decisão favorável à novata depois que Sophie vencera o jogo.

- Eu não sei. – Melissa olhou a própria vassoura, embora soubesse que o problema acontecera dentro da cabeça dela – Eu tive um apagão. Como se...

Os olhos azuis se estreitaram ameaçadoramente e Melissa se calou quando uma lembrança pipocou na sua memória. A garota ainda se lembrava com clareza de quando os pais a levavam para visitar a sua tia-avó Ruth. A velha tia de Alfred já estava com a idade bem avançada, mas ainda conseguia fazer biscoitos maravilhosos. O problema era que Ruth não deixava a pequenina Melissa tirar mais que dois biscoitos da lata.

Com onze anos de idade, Melissa só precisava esperar que os pais se distraíssem com alguma coisa para apontar a varinha para a tia-avó Ruth. O “confundus” era sussurrado e a tia Ruth era desligada por alguns segundos, tempo o suficiente para que alguns biscoitos a mais fossem parar nos bolsos da pequena Zummach.

Embora nunca tivesse sido a vítima daquele feitiço, Melissa o conhecia bem demais para deixar de reconhecer seus efeitos. Quando olhou na direção das arquibancadas, Zummach esperava ver algum dos amigos de Harper como culpado por aquela interferência desonesta no jogo. Portanto, a surpresa foi enorme quando sua visão captou a imagem de Landon Vanderwaal isolado num ponto vazio da arquibancada, escondendo a varinha que havia acabado de usar para confundi-la.

Não havia nenhuma maneira de expor a verdade sem se comprometer. Se Melissa acusasse Landon, bastaria que o monitor da Grifinória dissesse a verdade sobre a inexperiência dela para que suas chances de jogar quadribol naquele ano fossem extintas. A fúria por ter sido covardemente prejudicada se espalhava por todo o corpo de Zummach e o fato de não poder se defender só aumentava o ódio que a menina sentia.

- Mel, espere!

Agostini seguiu a colega de perto quando Melissa mergulhou num pouso até o gramado, dando por finalizada a sua participação nos testes.

- Tente se acalmar e volte pro campo, ok? – Victorio continuou sobre a vassoura, seguindo a menina que agora marchava na direção dos vestiários – Eu preciso de um apanhador reserva, você ainda tem chance de entrar ao longo da temporada!

- Volte pro jogo, Agostini. Eu não quero ser uma reserva. Estou fora.

A porta do vestiário vazio foi batida com uma força desnecessária. As mãos de Melissa tremiam quando ela arrancou a bela capa azul da Corvinal e a jogou longe. A vassoura teve o mesmo destino ingrato da capa e certamente funcionaria ainda pior depois daquele golpe pouco sutil.

Só quando parou em frente a um dos espelhos, Zummach se deu conta do quanto seu rosto estava vermelho. Os olhos azuis pareciam mais claros graças às lágrimas que ela se recusava a derramar, mas o esforço para não chorar fazia com que sua expressão se contorcesse. Os cabelos continuavam presos na trança, mas alguns fios tinham escapado durante o voo.

Melissa precisaria de muitos minutos para se acalmar depois daquele golpe, portanto Landon Vanderwaal teve uma ideia mais do que infeliz quando seguiu a morena até o vestiário. Zummach ainda estava em frente ao espelho quando a porta se abriu e o reflexo do grifinório se juntou à sua imagem irada.

A fúria da novata era tão intensa que, naquele momento, ela sequer se lembrava de que era uma bruxa e que poderia resolver aquele problema com uma varinha. O ódio exigia que suas mãos trabalhassem ativamente no processo de destruição do rosto de Landon, e foi seguindo este instinto selvagem que Melissa avançou na direção do colega.

A cena seria cômica se Zummach não estivesse tão irada. Era divertido ver a menina atingir o peito de Vanderwaal com socos que muito provavelmente machucavam mais as mãos dela do que os músculos firmes do rapaz. A fúria de Melissa era tão intensa que a garota deixava escapar rosnados enquanto atingia Landon com socos e pontapés.

- Seu maldito desgraçado! Eu odeio você, eu vou matar você! Seu filhote de trasgo, tronquilho descerebrado, diabrete albino!
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Dom Dez 25, 2016 3:23 pm

“Olha, Clem... Eu sinto muito, mas isso não vai dar certo. Acho melhor que a gente pare com isso antes que alguém se magoe.”

Depois de muitas horas planejando a conversa que colocaria um fim no conturbado relacionamento com Clementine DiLaurentis, Liam havia decidido que aquela era a melhor maneira de iniciar o rompimento. A ideia de nunca mais tocar em Clementine era torturante para o lufano, mas a conversa com Landon havia aberto a mente de Mellish e convencido o rapaz de que Mia era a melhor escolha para o seu futuro.

Se ele insistisse em continuar naquela relação proibida com DiLaurentis, era óbvio que alguém iria se magoar. E Mellish tinha certeza de que este “alguém” seria ele próprio ou Mia. A lufana ficaria arrasada se algum dia descobrisse que Liam estava enrolando-a no assunto namoro porque vivia uma paixão clandestina com Clementine. E o próprio Liam ficaria arruinado caso se envolvesse cada vez mais com a loira e, no futuro, visse DiLaurentis sucumbir à própria fraqueza para subir ao altar com Cristopher Rookwood.

Porque para Mellish era óbvio que Clementine não teria coragem de mudar os rumos da própria vida. Por mais que estivesse profundamente apaixonado por ela, Liam enxergava os defeitos da loira. Clementine era fraca. Ela não tinha coragem de impor a própria opinião nem mesmo nos assuntos mais triviais por medo de decepcionar a família. Como DiLaurentis enfrentaria o mundo para viver um novo amor se ela não tinha coragem nem mesmo para discordar das atrocidades que Cristopher fazia?

Quando saiu do Salão Comunal da Lufa-Lufa naquela manhã, Mellish estava decidido a resolver aquele problema antes de se juntar à Mia no treino-teste da Corvinal. Liam caminhava pelo castelo em busca dos fios loiros de Clementine e torcia para encontrar a garota sozinha para que aquela breve conversa que ele planejava na própria cabeça pudesse acontecer.

Como já conhecia a rotina de DiLaurentis, Liam circulou pelos pontos do castelo nos quais era mais provável encontrar a corvinal. Mas Clementine não estava na biblioteca estudando para os NOMs, nem nas proximidades da escada que levava à torre leste. Quando viu Sara e Lorelai no Salão Principal, ocupando seus costumeiros lugares na mesa da Corvinal, Liam teve certeza de que a terceira loira também estaria por perto, mas não havia nenhum sinal de DiLaurentis.

Perguntar por Clementine não era uma opção viável, então Liam não teve outra escolha senão deixar aquele encontro para mais tarde. Mellish havia prometido que acompanharia Mia no tal treino da Corvinal e a mesa de Ravenclaw quase vazia era um sinal claro de que as atividades no campo de quadribol já tinham começado. Embora a Corvinal fosse a casa de Clementine, Liam duvidava da hipótese de encontrar a loira nas arquibancadas. DiLaurentis nunca demonstrara muito interesse no esporte e certamente não perderia o seu tempo assistindo aos testes.

Quando atravessou os jardins com passos rápidos, Liam planejava apenas chegar ao campo de quadribol para se juntar a Mia Blake. Como os alunos estavam de folga naquela manhã ensolarada, Mellish havia deixado de lado o uniforme da Lufa-Lufa e optara por roupas comuns. A calça jeans surrada deixava claro que Liam não havia nascido em um berço de ouro, assim como os tênis que tinham sido novos há dois verões. A camiseta preta lisa era comum e também havia sido comprada quando Mellish era um pouco menor, o que ficava evidente pelas mangas discretamente apertadas nos braços musculosos que não existiam quando a Sra. Vanderwaal presenteou o sobrinho com a peça.

O distintivo de monitor-chefe não se encaixava na camiseta, mas Liam resolveu aquele impasse anexando-o a uma corrente pendurada em seu pescoço. Completando o visual, o setimanista apoiara em um dos ombros a alça de uma bolsa masculina na qual carregava alguns livros que seriam usados durante o treino de quadribol, já que os NIEMs eram uma preocupação muito maior para Liam do que a montagem do time da Corvinal.

Já era possível escutar a torcida animada que vibrava no campo quando Liam travou naquele ponto dos jardins. O estômago de Mellish se afundou quando ele finalmente percebeu por que não havia encontrado Clementine em nenhum ponto do castelo.

Sob uma das árvores, Cristopher Rookwood protagonizava um beijo cinematográfico com uma loira. Os dois estavam tão próximos que era até difícil enxergar com clareza os rostos dos dois, mas o perfil do sonserino estava bem no rumo dos olhos de Liam, não deixando que o lufano tivesse a menor dúvida de que aquele era seu meio-irmão.

Como se a sua mente quisesse torturá-lo, Mellish ficou imóvel enquanto assistia ao beijo. O lufano sentia-se enojado em ver Clementine retribuir à carícia com a mesma paixão e fez uma careta quando observou Cristopher apoiar uma das mãos no seio da garota e apalpá-lo sem nenhum pudor.

Ali estava a prova de que Liam havia acertado na decisão de escolher Mia. Ele merecia muito mais que uma garota que dizia querer ficar com ele, mas publicamente dava aquele show ao lado de Cristopher Rookwood. O coração de Mellish estava despedaçado, mas o lufano não fez nada além de erguer os ombros e comprimir os lábios num semblante derrotado.


Assim que deu o primeiro passo para longe daquela cena, Liam novamente travou, desta vez graças ao comentário de duas sonserinas que passavam pelas proximidades.

- O Cris não perde tempo. Acho que ele não ficou nem uma hora solteiro antes de se agarrar com a Greengrass.

- Por que eles terminaram, você sabe?

- Não, mas imagino que o Cris finalmente enxergou que as melhores garotas estão na Sonserina.

Aquele comentário sem sentido fez com que Liam voltasse novamente a atenção para a cena do beijo. Como as duas garotas insinuavam o fim do namoro se os corpos de Cristopher e Clementine estavam quase se fundindo naquele ponto dos jardins? A resposta que Mellish precisava veio quando o beijo finalmente chegou ao fim e os dois jovens se separaram.

Sem os braços de Cristopher englobando o corpo da garota, era fácil perceber que a menina era um pouco mais alta que Clementine e tinha curvas mais pronunciadas que a corvinal. Os cabelos tinham o mesmo tom de loiro, mas Amelia Greengrass possuía os fios mais curtos e totalmente lisos, sem os cachos perfeitos de DiLaurentis.

O mundo de Liam, que havia sido despedaçado em mil pedaços, novamente se inflou e um sorriso indisfarçável brotou em seus lábios, realçando ainda mais o furinho na bochecha do lufano. A felicidade fez com que uma luz se acendesse em sua mente e, naquele instante, Mellish teve certeza de onde teria que ir para encontrar Clementine.

O monitor-chefe da Lufa-Lufa não se lembrava mais da existência de Mia Blake quando deu meia volta e correu na direção do castelo. O coração de Liam pulsava acelerado e as batidas irradiavam até a garganta do rapaz quando ele subiu, de três em três, os degraus da escada circular que levava até a sala de Adivinhação, localizada no topo da torre norte.

Aquele havia se tornado o esconderijo oficial de Clementine e Liam nos últimos dias. A certeza de que matéria não era muito popular entre os alunos de Hogwarts dava aos dois a tranquilidade de que ninguém entraria naquela sala fora do horário das aulas. E o fato de ninguém ter descoberto aquele esconderijo ainda era a maior prova de que a professora de Adivinhação era uma charlatã que não via nem mesmo que a sua sala se tornara o palco de uma paixão proibida entre dois alunos.

Depois de tamanha correria, Mellish estava ofegante quando finalmente chegou à sala. Ao contrário da decoração sóbria usada pela maioria dos professores, a sala de Adivinhação parecia-se com um bizarro salão de chá antigo. Várias mesinhas circulares baixas estavam espalhadas por todos os cantos e as cadeiras tinham sido substituídas por pufes e almofadas coloridas. As prateleiras estavam lotadas com bolas de cristal, cartas de baralho, pedras coloridas, xícaras e mais uma porção de quinquilharias inúteis. O cheiro de incenso era enjoativo, assim como não era tão agradável o calor promovido pelas janelas fechadas e pela lareira sempre acesa.

Mas nada daquilo reduzia a felicidade de Liam em ver Clementine DiLaurentis de pé no meio daquela sala. A expressão séria da loira não parecia refletir tristeza com o fim do namoro. Era óbvio que o sentimento que realmente atormentava Clementine naquela manhã era o medo de ter tomado a decisão errada.

- Você terminou com ele.

Não era uma pergunta, tampouco Liam esperava por uma confirmação. Mesmo que Cristopher aparentemente já tivesse superado o fim do relacionamento, Mellish não tinha dúvidas de que o ponto final fora dado pela loira. E aquilo enchia o lufano de uma genuína alegria. Ao contrário do que ele imaginava quando planejou terminar o relacionamento com Clementine, a garota tivera coragem de impor a sua vontade. E fizera isso por ele.

- Eu preciso te falar uma coisa, Clem...

A bolsa de couro de dragão escorregou pelo ombro de Mellish até ficar abandonada no chão da sala. O lufano não tirou os olhos do rosto bonito de DiLaurentis enquanto exterminava a distância entre os dois com passos firmes. Quando saiu da cama naquela manhã, Liam estava decidido a terminar o relacionamento proibido com Clementine. Mas a atitude inesperada da garota mudara por completo a decisão dele.

- Eu te amo e vou fazer com que você nunca se arrependa desta decisão.

As últimas sílabas soaram abafadas pelos lábios de Mellish já colados nos lábios da garota. Ter Clementine nos braços depois da certeza de que havia perdido aquela batalha era ainda mais saboroso.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Dez 25, 2016 8:30 pm

Se tivesse mais tempo para raciocinar, Landon sabia que não teria adotado aquela estratégia. Seria subestimar demais a inteligência já tantas vezes comprovada de Melissa. Não havia dúvidas de que a menina saberia que havia sido vítima de um boicote, mas ele não podia simplesmente continuar de braços cruzados até que Agostini a declarasse sua mais nova apanhadora.

E claro, Zummach era orgulhosa demais para recusar a vaga depois que já tivesse conquistado o seu lugar no time e provado que merecia estar ali. Era um plano terrível, mas era o único que Vanderwaal tinha. Ele só não imaginou que fosse ser desmascarado tão depressa.

O grifinório se sentiu um crápula quando os dedos de Sophie agarraram o pomo de ouro. A outra menina estava longe de ser melhor que Melissa, que havia demonstrado uma incrível técnica mesmo com poucos dias de treinamento. Mas o chão de Landon desapareceu de vez quando seu olhar se encontrou com o de Zummach.

Se estivesse em meio aos colegas, seria fácil deduzir que o monitor estava ali apenas como espectador. Mas Vanderwaal estava completamente isolado de todos, na mesma direção por onde Zummach havia deslizado durante a sua busca pela bolinha dourada. Além do mais, a forma com que seus ombros afundaram entregaram a culpa que já o atormentava. Independente do motivo nobre que o incentivara, Landon havia acabado de boicotar uma colega. Havia sido tão sujo quanto qualquer sonserino.

Quando a menina cortou o gramado em direção aos vestiários, Landon não pensou duas vezes, se deixando levar pelo impulso de correr atrás dela. E por já conhecer a personalidade explosiva de Melissa, ele não se surpreendeu quando foi recebido por socos em seu peito.

Os pulsos de Melissa eram pequenos, mas o acertavam com precisão. A menina estava longe de exibir uma força capaz de derrubá-lo, mas sua pele já começava a ficar dolorida pelos socos repetidos. Apesar da dor, Landon apenas firmou as pernas no piso do vestiário e fechou os olhos, sem reagir.

Por mais nobre que seu gesto tivesse sido, ainda era errado e Melissa tinha todo o direito do mundo de se sentir furiosa. O Quadribol era a primeira coisa que a fazia se sentir bem dentro de Hogwarts e Landon havia acabado de tirar aquilo dela.

Como seria uma imensa ofensa tentar negar o que havia acabado de fazer das arquibancadas, Vanderwaal entregou a sua culpa ao não reagir. Seus dedos só rodearam os pulsos de Melissa um longo período depois, já sendo suficiente para que ficasse com algumas marcas arroxeadas sob a camisa que usava.

- Já chega, Mel...

A voz de Landon já entregava a sua derrota, mas com firmeza, ele afastou os punhos dela, encerrando a sessão de golpes. Suas mãos continuaram a segurar a menina, a mantendo ainda perto o bastante para iniciar mais um ataque de fúrias caso se descuidasse. Os olhos verdes estavam entristecidos quando procuraram o de Zummach, porque Landon não conseguia se sentir indiferente ao que havia acabado de fazer.

- Não era o momento, tá legal? Eu sinto muito, eu deveria ter conversado com você antes, mas você não iria me ouvir!

Com uma das mãos, Landon envolveu os dois pulsos dela, a puxando de encontro ao seu corpo. A proximidade era ainda mais perigosa, mas era sua maneira de manter Zummach impossibilitada de erguer os braços para acertá-lo com novas agressões. A outra mão livre foi erguida até tocá-la no queixo, obrigando o rostinho vermelho a se erguer para encará-lo. Como Landon exibia muitos centímetros a mais, Melissa precisava virar quase todo o pescoço, mas ainda assim, parecendo extremamente ameaçadora.

- Você pode tentar no próximo ano. Talvez seja melhor assim, você terá mais tempo para se preparar. Terá mais prática em uma vassoura e talvez até convencer o seu pai de que o esporte não é tão ruim assim.

Melissa provavelmente não compreenderia a menção dos Zummach, mas a mente atordoada de Landon também não permitia que ele se expressasse com mais clareza. Tudo havia acontecido tão rápido que era difícil raciocinar e se lembrar de que a menina não fazia ideia dos motivos que o levaram a cometer aquele erro.

- De tudo que está acontecendo agora, Melissa, você acha que mesmo que entrar em um time resolveria os seus problemas? Isso só iria piorar tudo! O que eu fiz foi para o seu bem!
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Dom Dez 25, 2016 9:13 pm

- Para o meu bem???

As palavras de Landon foram repetidas pela garota com uma entonação incrédula e sarcástica. Ainda furiosa como um animal selvagem, Melissa puxou os punhos e se desvencilhou das mãos do grifinório. Contudo, ao invés de atacá-lo novamente, a novata ergueu apenas o indicador que foi apontado para o rosto de Vanderwaal.

Desta vez, Zummach não gritou. Mas sua voz baixa conseguia ser tão ameaçadora quanto os gritos de ira com os quais ela recebera Landon no vestiário.

- Se você destruiu a única coisa que me dava alegria neste castelo pensando no “meu bem”, eu não quero nem imaginar o que você faria se quisesse me ferrar de verdade. Você é um porco nojento que não deveria nunca mais abrir esta maldita boca para falar da desonestidade dos sonserinos! O que você acabou de fazer foi uma coisa asquerosa! Você interferiu nos testes e prejudicou o time da Corvinal! E você me traiu, Vanderwaal. Você traiu a minha confiança da forma mais repugnante possível!

As últimas palavras foram sussurradas com uma entonação enojada. Melissa realmente se sentia traída pela atitude de Landon. Ela havia aberto o coração para o monitor da Grifinória como jamais fizera com outra pessoa. Vanderwaal conhecia a verdadeira face de Melissa, sabia de suas frustrações e vira como o quadribol a fazia ficar mais leve e feliz. E, ainda assim, ele tivera a coragem de estragar aquela alegria.

Os olhos da menina ardiam, mas Melissa estava ainda mais determinada a não derramar nenhuma lágrima agora que Landon estava por perto. Zummach girou sobre os calcanhares e deu as costas ao grifinório, marchando até o armário onde ela havia enfiado a sua mochila vermelha antes de entrar em campo. Uma das alças foi pendurada no ombro de Melissa antes que ela se virasse novamente para o rapaz.

- Não venha tentar me convencer que tudo isso foi uma atitude altruísta, eu não sou idiota de cair na sua lábia. Eu já deixei bem claro que sou capaz de tomar as minhas próprias decisões e guiar os rumos da minha vida! Não preciso da sua ajuda, Vanderwaal. De todas as merdas que me aconteceram neste castelo, você é a pior delas!

Aquelas palavras eram ditas apenas com o intuito de machucar o grifinório. Intimamente, Melissa sabia que aquele desabafo não era sincero. Além do quadribol, a companhia de Landon também a fazia se sentir mais feliz e a pensar que nem tudo em Hogwarts era tão terrível. Mas Zummach estava irritada demais com o rapaz para enxergar que aquela briga tiraria dela mais aquela dose de felicidade.

Novamente em frente ao espelho, a novata levou as mãos ao elástico que prendia seus cabelos e começou a desfazer a trança. Os dedos de Melissa estavam doloridos depois dos socos, mas ela não se arrependia do ataque. Seu único arrependimento era por não ser forte o bastante para machucá-lo de verdade.

- Sua atitude foi tão abominável que eu começo a questionar os seus motivos para se aproximar de mim.

Uma ruguinha de confusão surgiu entre os olhos de Melissa quando sua mente ferida criou uma ideia absurda. Com a trança desfeita pela metade, a menina encarou Landon pelo reflexo do espelho e o estudou atentamente antes de verbalizar suas suspeitas.

- Você está fazendo tudo isso por causa dela!

Não era uma pergunta. Quando se virou de frente para Vanderwaal, Zummach usou uma entonação carregada de nojo e acusação.

- Aquela vaca gorda sabe que não pode me vencer com uma varinha, então mandou o namoradinho se aproximar de mim para me ferrar!

Era uma teoria conspiratória absurda, mas na cabeça de Melissa as coisas se encaixavam com perfeição. Por que Landon gostaria dela se o restante da Grifinória a odiava? Mesmo depois de tudo o que acontecera entre as duas meninas, Vanderwaal continuava andando para cima e para baixo ao lado de Shayna. Naquele mesmo dia os dois estavam juntos na arquibancada antes que Landon decidisse atrapalhar o teste da novata.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Dez 25, 2016 9:29 pm

Clementine prendeu a respiração no instante em que seu olhar se encontrou com o de Liam. A ansiedade a consumia e ela já havia perdido a conta de quantas vezes havia percorrido o mesmo caminho, dentro da torre de Adivinhação. Mas era simplesmente encarar os olhos castanhos para que ela compreendesse que não havia nada para se preocupar.

Durante o tempo em que ficou sozinha, depois de terminar com Cristopher, DiLaurentis ainda refletiu durante longas horas sobre os prós e contras daquela decisão. Mesmo sabendo que era tarde demais, era impossível simplesmente deixar de pensar, receando que tivesse tomado a escolha errada.

Na prática, Clementine sabia que deveria ter tomado aquela decisão por si, por não admitir os erros de Cristopher, por não aceitar os defeitos tão baixos do namorado em alguém que deveria estar sempre ao seu lado. Era naquele pensamento que ela tentava se agarrar, toda vez em que pensava que Liam não receberia aquela notícia tão bem.

Ela e o lufano nunca chegaram a conversar sobre aquela possibilidade. Mellish já havia dito que estava nas mãos dela, que enquanto Clementine não o colocasse como prioridade, ele também daria o passo seguinte. Mas se existisse a menor das possibilidades de Liam querer manter seu relacionamento com Blake, Clementine deveria estar preparada.

Quando o rapaz anunciou a mais nova notícia de Hogwarts, Clementine sentiu seus ombros ficarem tensos, tentando interpretar o que ele queria dizer com aquela afirmação. Ele estava feliz? A repreenderia? Ou aquilo não mudaria em nada o relacionamento entre os dois?

- As fofocas correm mais rápido que corujas neste castelo, hm?

O fim do relacionamento com Cristopher havia acontecido há poucas horas, mas no fundo, Clementine estava feliz em não precisar anunciar aquela novidade para Liam. Ela termia que, se no final das contas ele não desejasse aquilo, acabasse arruinando ainda mais a situação ao dar importância na sua forma de contar sobre o rompimento.

Clementine poderia estar colocando pouca fé nos sentimentos de Liam, mas por mais que o rapaz estivesse disposto a enfrentar o risco daquele relacionamento secreto, que dissesse com todas as letras que gostava dela, ele ainda desfilava pelos corredores com Mia Blake, que parecia muito mais adequada para estar ao seu lado. Se no final das contas Mellish estivesse apenas querendo se divertir, não sobraria nada para a loira.

Quando o rapaz anunciou que tinha algo a dizer, DiLaurentis voltou a prender a respiração. Diante dos olhos castanhos de Liam, ela não conseguia mais tentar se enganar, dizendo que havia terminado com Cristopher apenas porque era a coisa certa a fazer. Ela não queria mais um futuro com Rookwood porque seu coração batia apenas por Mellish. Havia sido por ele, só por ele, que ela tivera coragem de seguir em frente naquela escolha. Por isso, se ele completasse aquela sentença dizendo que nada mudaria entre os dois, ela tinha certeza que seu coração se partiria.

A declaração de amor, entretanto, foi recebida com um choque. O ar escapou dos pulmões de Clementine e ela arqueou as sobrancelhas, permitindo que sua boca se abrisse em surpresa. Os olhos azuis começaram a brilhar e todo o seu corpo se aqueceu quando Mellish a beijou.

Não havia mais a menor dúvida de que havia feito a escolha certa. Não importava o quão difícil fosse enfrentar a todos para declarar seus sentimentos por Liam. Nada no mundo era terrível o bastante para impedi-la de ter o lufano para si. Até seu corpo sabia daquilo, se derretendo por inteiro nos braços do rapaz, de uma forma que jamais havia acontecido com Cristopher.

A loira ficou nas pontas dos pés e rodeou o pescoço de Liam com seus braços, retribuindo ao beijo apaixonadamente. O sabor dos lábios de Mellish era ainda melhor agora que não havia a sombra de Cristopher em sua mente para lhe dizer que aquilo era errado. Querendo aproveitar até o último instante, a menina só permitiu que os lábios se afastassem quando os pulmões já ardiam em protesto.

Ainda com os olhos fechados, ela roçou a ponta do nariz ao de Liam, mordendo seu lábio inferior para tentar conter o sorriso que queria invadir seu rosto. Quando as pálpebras finalmente se ergueram para revelar os olhos azuis, Clementine nunca havia tido uma aparência tão apaixonada antes.

- Eu devia ter feito isso antes. Devia ter terminado tudo naquele dia nas estufas... Sinto muito se fui tão covarde.

Como aquela confissão fazia Clementine se envergonhar das próprias atitudes, ela evitou encarar os olhos castanhos, focando sua atenção na insígnia de Monitor Chefe pendurada no pescoço de Mellish. Seus dedos brincaram com a corrente apoiada contra o peito dele e ela pareceu ainda mais envergonhada ao completar.

- Eu quero você, Liam. Só você. Mas eu também não posso simplesmente aparecer de mãos dadas com outro cara agora, você sabe, não é?

O brilho da felicidade de antes começava a ofuscar conforme Clementine se obrigava a encarar a realidade. Ela não se soltou de Liam e reuniu toda sua coragem para encará-lo, sentindo-se cruel por arruinar com aquele momento mágico.

- Eu não tenho vergonha de você. Não quero que você pense isso nem por um segundo. Mas o Cris vai transformar a nossa vida em um inferno se aparecermos juntos agora...

Ao perceber que começava a tagarelar, Clementine se obrigou a calar por um instante. Em nenhum momento Liam havia dito que assumiria um relacionamento ao seu lado. É claro que uma declaração de amor ia muito além do que a formalização daquela complicada relação, mas a todo instante ela tentava manter os pés no chão.

- E a Blake? Você e ela... ainda vão continuar juntos?
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Dom Dez 25, 2016 10:14 pm

Mellish só se lembrou da existência de Mia quando a loira mencionou a outra garota. Os traços de Liam se contorceram numa careta com a lembrança da promessa que ele fizera à amiga no dia anterior. Mas, ao invés de estar ajudando Blake com o trabalho para o Profeta Diário, Liam estava trocando beijos e declarações apaixonadas com DiLaurentis.

Aquilo estava muito errado e Mia não merecia ser tratada daquela forma. Blake era uma boa garota e uma excelente amiga. Só que Mellish também não tinha culpa se seu coração saltitava por Clementine e era indiferente a Mia. A lufana merecia um rapaz que gostasse dela e que a colocasse como prioridade em sua vida, e para isso Liam precisava libertá-la daquele relacionamento.

Contudo, assim como os dois precisavam se preocupar com a reação de Cristopher, também era preciso ter cuidado com Mia Blake. A lufana certamente não ergueria a varinha para pronunciar uma maldição imperdoável, mas ela não era tola e obviamente não acreditaria que tudo aquilo era uma simples coincidência.

- Vamos por partes...

Mais sério, Mellish obrigou sua cabeça a voltar para um lugar racional. Era sensacional que Clementine tivesse tomado aquela atitude e Liam não se lembrava de ter se sentido tão feliz antes daquele dia, mas isso não significava o fim de todos os problemas. Se os dois realmente quisessem ficar juntos, era preciso encarar aquela situação delicada com sensatez.

- Eu entendo que a situação com o Cristopher ainda é perigosa. Sei que não podemos simplesmente assumir que estamos juntos. Ele pronunciou uma maldição imperdoável por muito menos, eu não quero nem pensar no que ele faria se soubesse de nós dois.

É claro que Liam temia pela própria vida, mas o olhar aflito dele também englobava o receio do que Rookwood poderia fazer com a ex-namorada. Seria uma humilhação muito grande ser trocado pelo meio-irmão bastardo e Cristopher poderia se voltar contra Clementine por tê-lo desonrado diante de todo o castelo de Hogwarts.

- Eu tenho paciência, Clem. Vamos manter os nossos encontros em segredo por enquanto. Em menos de um ano eu estarei fora de Hogwarts, o Cristopher também. Ele vai para a tal vida luxuosa que ele sempre quis, logo vai arrumar outra pessoa. Nós vamos assumir quando tudo isso estiver no passado, quando ele não tiver mais motivos para se ofender com a nossa felicidade.

Mellish teve a delicadeza de não mencionar que Rookwood já havia arrumado outra pessoa. Mesmo que tivesse partido de Clementine a ideia de terminar o namoro, a loira provavelmente não ficaria feliz em saber que o ex-namorado já desfilava com outra menina pelo castelo.

Um novo sorriso brotou nos lábios de Liam e ele apoiou as duas mãos no rosto delicado de DiLaurentis, uma de cada lado. O brilho nos olhos castanhos denunciava o quanto Liam estava orgulhoso dela e encantado com a ideia de que aquele relacionamento antes tão improvável agora começava a ter um futuro mais palpável.

- Eu nunca vou me cansar de olhar para você, Clem... – o rapaz se inclinou para beijar novamente os lábios de Clementine, desta vez um beijo mais breve e repleto de carinho – Nunca.

Uma das mãos de Mellish desceu carinhosamente pelo pescoço da corvinal, escorregou até o ombro da menina e de lá desceu até alcançar a mãozinha delicada. Liam entrelaçou os dedos aos dela e voltou a adquirir um ar mais sério antes de tocar no delicado assunto iniciado por Clementine.

- Eu te disse que a escolha era sua. E você me escolheu, Clem. – Liam não conteve o sorriso ao repetir aquela frase deliciosa – Você me escolheu. Então é claro que eu também quero você. Só você.

Depois daquela declaração doce, Mellish obrigou seus pés a voltarem para o chão. Assim como Clementine tinha os seus motivos para não assumir publicamente aquele relacionamento, Liam também estava prestes a apresentar excelentes argumentos com relação à situação com Mia Blake.

- Eu vou terminar com a Mia, mas não posso simplesmente sair daqui agora e dizer a ela que acabou. Seria uma afronta à inteligência dela. É coincidência demais que eu decida acabar com o relacionamento justamente no dia em que você e o Cristopher terminaram o namoro. Ela vai desconfiar, vai ficar magoada, a história pode se espalhar e chegar até os ouvidos do Cristopher.

A mão ainda pousada no rosto de Clementine deslizou até que Liam segurasse com carinho o queixo da garota. O lufano queria desesperadamente que DiLaurentis entendesse que ele não estava inventando tudo aquilo para continuar com duas garotas. Para reforçar a sua palavra, Mellish decidiu apresentar um prazo à loira.

- Um mês. Eu vou me afastar dela aos poucos para não levantar suspeitas e até o fim do próximo mês eu prometo que tudo estará resolvido. Eu direi que não está funcionando e que quero que voltemos a ser somente bons amigos.

Para Liam, aquele era um pedido bastante razoável. Um mês de espera parecia um prazo ridículo quando comparado aos anos que Mellish esperou para ser notado por Clementine.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Dez 25, 2016 10:15 pm

Melissa tinha todos os motivos do mundo para odiá-lo enquanto não ouvisse os motivos que levaram Landon a cometer aquela suposta traição. Depois que soubesse de toda a verdade, ela poderia de fato analisar a situação para se decidir se realmente deveria julgá-lo com tanta frieza ou não.

Mas independentemente de qualquer coisa, era impossível ouvir as ofensas da morena e continuar completamente impassível. As palavras de Zummach machucavam ainda mais do que seus socos. As marcas avermelhadas que em breve estariam roxas em sua pele, como lembrança do acontecimento daquela tarde, não eram nada em comparação com seu coração machucado.

Quando a menina se afastou em direção ao espelho, Landon chegou a arrastar os seus pés para se aproximar dela outra vez, mas sabia que impor sua presença daquela forma só tornaria a situação ainda pior. Por isso, em um último momento, desviou seus passos para o grande banco que ficava no meio do vestiário.

Afundando na superfície de madeira, Landon deixou escapar um suspiro pesado e escondeu o rosto nas próprias mãos, deixando que seus dedos deslizassem pelos cabelos, atrapalhando os fios escuros ainda mais. Só então ele apoiou os cotovelos sobre os joelhos, inclinando o corpo para frene mantendo a cabeça erguida para observar os gestos da menina.

Partia seu coração ver Melissa tão furiosa, mas Vanderwaal ainda se agarrava a esperança de que tudo aquilo iria desaparecer no instante em que ela permitisse que a explicação saísse de sua boca. Contudo, qualquer raciocínio lógico escapou quando a acusação de Zummach soou pelo vestiário.

O grifinório imediatamente corrigiu sua postura, apoiando suas mãos na lateral do seu corpo. Uma ruga havia surgido entre suas sobrancelhas e ele ficou um longo período em silêncio, tentando interpretar as palavras confusas da novata. O tempo que Landon demorou para entender aquela acusação poderia ser mais uma prova de sua inocência, mas Melissa poderia estar tão convicta em sua teoria que ignoraria aquele detalhe com facilidade.

- Ela? Ela, quem??? – Os olhos verdes estavam arregalados quando ele finalmente ligou os pontos, mas Landon ainda não conseguia compreender como Melissa havia chegado até aquela conclusão. – SHAYNA??? Você acha que eu fiz aquilo por causa da Shayna?!?!

Landon estava pálido com aquela acusação e não conseguiu controlar os próprios joelhos a se flexionarem para que ele ficasse de pé, voltando a exibir muitos centímetros acima de Melissa. Toda a culpa e amargura de antes foi rapidamente substituída por mágoa e ofensa, principalmente por um grande espanto.

- Você acha que eu beijei você DUAS vezes por causa da Shayna? Você acha mesmo que eu seria tão baixo ao ponto de me aproximar de você para me meter em uma briga de duas garotinhas disputando território???

Ele havia arriscado o próprio cargo de monitor-chefe, colocado em risco todo o seu perfeito histórico logo no último ano. Bastasse que mais alguém além de Melissa tivesse percebido o que ele havia feito nas arquibancadas para que um dos professores lhe desse uma detenção que arruinaria todo o seu esforço ao longo daqueles sete anos.

Mas tudo que Landon tinha em mente era em proteger Melissa. E como recompensa, ele era colocado como alguém sujo o bastante capaz de brincar com os sentimentos de alguém.

O rapaz estreitou seus olhos claros e se aproximou de Zummach. Assim como ela, ele não estava mais gritando, mas o timbre baixo apenas soava ainda mais frio, anunciando uma causa perdida.

- Eu julguei você errado uma vez, Melissa. E me arrependi por isso. Mas achei de verdade que a gente já tivesse passado dessa fase.

Mesmo correndo o risco de ser azarado, esbofeteado e mais uma vez xingado, ele deu mais um passo até parar diante dela. Os cabelos escuros soltos da trança estavam marcados e emolduravam o rosto furioso dela de uma forma surpreendentemente sexy. A tensão entre os dois era quase palpável, mas Landon não ousou desviar o olhar de Melissa quando apoiou suas duas mãos nos ombros dela, impedindo que fugisse.

- Você parece ter um talento de me ver rodeado de garotas, cheio de namoradinhas pelo castelo, mas é incapaz de perceber que eu gosto de você.

O que deveria soar como uma declaração fofa que tiraria o chão de qualquer menina de Hogwarts, soava mais como uma acusação. Landon tinha os dentes trincados enquanto falava, o olhar estreito e todo o corpo tenso.

- Mas por que deveria, não é? Nem eu sei por que gosto de você. Só o que você fez desde que chegou foi tentar me manter afastado. Mas como você sabe, grifinórios são burros o bastante e eu insisti.

Landon quase podia sentir seu corpo tremer, mas não deixou que aquilo interrompesse o seu discurso. Melissa tinha tido coragem de acreditar que ele fizera tudo aquilo por causa de outra menina. Aquela era, sem dúvida, uma grande ofensa para seu orgulho grifinório.

- Eu não fiz isso pela Shayna. Fiz isso por você. Mas que grande idiota, não é? Deveria ter deixado a Blake fazer aquela matéria idiota do Profeta Diário. Ela definitivamente ganharia um grande espaço em narrar que a nova estrela da Corvinal sequer foi selecionada pelo Chapéu Seletor. O Ministério ia adorar saber sobre tudo isso.

Os ombros de Melissa foram soltos quando Landon jogou seus braços para o alto e deixou que eles caíssem com um baque nas laterais do seu corpo. Ele apontou com a cabeça para a entrada do vestiário e completou com um tom sarcástico.

- Aposto que a Blake ainda tá por lá. Se quiser, vou lá chamar agora mesmo e vocês duas podem fazer uma exclusiva sobre como é ser Melissa Zummach, a protegida de Albus Dumbledore, capaz de ignorar a regra mais antiga da escola para agradar a diferentona.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Dom Dez 25, 2016 10:51 pm

Era enorme a tentação de socar novamente o peito do rapaz, mas Zummach tentava se controlar principalmente porque suas mãos já estavam bastante doloridas. A raiva ainda circulava pelas veias da garota enquanto o grifinório tentava se explicar, mas o discurso de Vanderwaal parecia fazer menos sentido a cada palavra pronunciada por ele.

- Quem diabos é Blake? Do que é que você está falando?

Os braços de Melissa foram cruzados na frente do corpo da garota e uma de suas sobrancelhas se arqueou com aquele discurso confuso do rapaz.

Sua chegada recente em Hogwarts e o fato de não fazer o menor esforço para se socializar faziam com que Zummach não conhecesse praticamente nenhum dos colegas. Ela sabia alguns nomes dos alunos da Grifinória e da Corvinal e até mesmo dos quintanistas das outras casas. Mas “Blake” ainda era uma incógnita para a novata.

Contudo, as explicações se tornaram desnecessárias depois que Landon completou o seu desabafo. Seja lá quem fosse, a tal Blake era alguém que estava disposta a escrever uma matéria sensacionalista sobre a situação dela em Hogwarts.

Melissa podia inventar um milhão de desculpas para justificar a sua entrada em um time de quadribol, mas simplesmente não teria como explicar aos pais como ela havia sido selecionada para a Grifinória e agora defendia as cores da Corvinal.

Se aquela história realmente viesse a público, Melissa teria que admitir diante dos Zummach que havia procurado por Albus Dumbledore para lhe pedir um favor. A garota ainda tinha esperanças de ser perdoada por estar em Hogwarts, mas aquele gesto que antecedera a mudança de casa seria encarado como uma traição pelos Zummach.

Quando finalmente entendeu os motivos que levaram Landon a usar um feitiço para prejudicá-la nos testes, os ombros de Melissa relaxaram. Ela ainda estava arrasada por ter sido cortada da equipe, mas agora não tinha mais razão para empurrar a culpa para o grifinório. Vanderwaal havia arruinado o grande sonho dela, mas realmente fizera isso pensando em poupar a menina de um problema ainda maior.

Só agora que compreendia as atitudes do rapaz, Melissa foi atingida em cheio pelas palavras dele. Antes ela estava furiosa demais para dar importância à declaração, mas agora seu peito começava a se aquecer com a lembrança da voz de Landon confessando que gostava dela. Qualquer menina de Hogwarts se derreteria com aquela confissão e, por mais que gostasse de parecer forte e independente, naquele instante Melissa soube que não era nem um pouco indiferente ao charme do monitor-chefe da Grifinória.

Era irritante notar que Vanderwaal não enxergava o óbvio interesse que a população feminina de Hogwarts tinha nele, mas Zummach sabia que não era o melhor momento para insistir naquele assunto. Não fazia o menor sentido alimentar aquela briga agora que a menina finalmente compreendera a nobreza das atitudes de Landon.

- Da próxima vez que você insinuar que eu sou a protegida daquele velho asqueroso chupador de acidinhas, eu juro que vou me lembrar que tenho uma varinha e não vou machucar as minhas mãos te socando.

Contrariando o tom de ameaça de suas palavras, Melissa comprimiu os lábios para conter um sorriso ao fim da última frase.

Dois beijos já tinham acontecido, os dois iniciados por Vanderwaal. Por isso, provavelmente o rapaz não esperava por aquilo quando Melissa deixou de lado o comportamento homicida e deu um passo na direção dele. A novata abriu um de seus sorrisinhos travessos enquanto apoiava as mãos nos ombros do monitor e colocava-se na pontinha dos pés para desfazer o bico insatisfeito de Landon com um beijo.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Dez 25, 2016 10:55 pm

Por puro reflexo, as sobrancelhas claras de Clementine foram arqueadas e ela recuou um passo, como se tivesse acabado de escutar uma proposta absurdamente indecente. Ao ouvir a declaração de Liam naquela tarde, ela chegou a ser inocente o bastante para acreditar que ele sairia daquela torre e realmente fosse terminar tudo com Mia.

Na cabeça da Corvinal, se ela havia feito o sacrifício de terminar o namoro com Cristopher por ter certeza que era com o lufano que queria ficar, era bastante simples e óbvio que Mellish fizesse o mesmo. Os dois não poderiam expor aquele relacionamento ao mundo, mas ao menos saberiam que tinham apenas um ao outro.

- Um mês?

Ela repetiu o prazo dado pelo rapaz com uma careta. Racionalmente, DiLaurentis sabia que Liam estava certo. Era questão de somar dois mais dois para ver que havia algo errado nos dois rompimentos tão repentinos, e Hogwarts conseguia ser uma fonte de fofoca tão bem quanto se tratava de uma excelente escola.

Aquele certamente era o caminho mais seguro a seguir, mas era impossível ignorar o embrulho em seu estômago ao pensar que Liam ainda trocaria beijos com outra menina. Por mais irracional que fosse, o ciúme a consumia de uma forma que nunca havia acontecido com Cristopher antes, mesmo sabendo que as sonserinas se atiravam aos pés de Rookwood. E se naquele período Liam finalmente percebesse todos os seus defeitos e enxergasse que Mia era uma opção infinitamente melhor?

Lutando contra a própria insegurança, Clementine caminhou pela torre de Adivinhação até se sentar em um dos pufes que rodeava as mesinhas que os alunos usavam enquanto tentavam ler seus futuros nas borras de café. Uma almofada menor foi puxada para seu colo e a menina balançou a cabeça, fazendo sacudir os fios loiros.


- Eu não gosto da ideia. Mas você está certo.

O sorriso triste que Clementine exibia mostrava como aquela decisão estava sendo difícil. Ela ergueu os olhos azuis para encarar o rapaz e quase parecia um bichinho de estimação carente que precisava ver seu dono dividir o carinho com outro animal.

- Mas me prometa que não vai ter nada além de beijos. Nem pensar em mãos bobas.

DiLaurentis sabia que parecia uma menininha boba tentando negociar com um adulto. Principalmente porque, independente do quanto Liam poupasse nas carícias, ela não se sentiria melhor. Ele ainda estaria com outra garota, que por acaso era completamente apaixonada por ele, disposta a conquista-lo.

- E pode economizar nos beijos também. Nada de se empolgar demais, Mellish.

Completando a ceninha de ciúmes infantil, Clementine arqueou as sobrancelhas e concluiu aquela negociação com um pedido inusitado, que apenas por um segundo pareceu boa ideia em sua cabeça, mas que ela se arrependeu no instante em que disse em voz alta. O que deveria ser uma cartada para sair vitoriosa daquela barganha só reforçava ainda mais a sua derrota.

- Nós dois vamos esperar. Vamos fazer as coisas certas dessa vez. Então você tem um mês para encerrar as coisas com a Blake. Até lá, nossos encontros estão suspensos.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Dom Dez 25, 2016 11:27 pm

O óbvio ciúme de Clementine era o tempero que deixava aquele dia ainda mais delicioso. O monitor-chefe da Lufa-Lufa se esforçou para conter os sorrisos diante daquela ceninha enciumada da loira, mas era impossível evitar as borboletas em seu estômago. DiLaurentis não só gostava dele e estava disposta a ficar ao seu lado como também tinha ciúmes e o queria apenas para si.

Nem por um momento Liam usou aqueles argumentos para conseguir a proeza de ficar com duas garotas ao mesmo tempo. Mellish realmente só havia pedido o prazo de um mês para que o término de seu relacionamento com Blake não gerasse fofocas e especulações no castelo. Por isso, o queixo de Liam despencou e o sorrisinho que ele tentava conter desapareceu quando Clementine chegou ao fim do discurso com aquela proposta inesperada.

- QUE???

A voz chocada do lufano ecoou pela sala vazia, parecendo ainda mais grave que o normal graças ao eco que reverberou pelas paredes. Para Liam, era inadmissível a ideia de ficar um mês sem Clementine justamente agora que os dois tinham decidido construir uma história juntos.

Um mês passaria rápido se DiLaurentis estivesse em seus braços, mas seria longo e torturante sem a loira. Era muito injusto que Clementine lhe impusesse aquela separação. É claro que a corvinal merecia todos os créditos depois de ter terminado o namoro com Cristopher, mas isso não significava que Liam merecia ser punido por continuar com Mia. O lufano só ficaria mais alguns dias com a colega para que o namoro com Clementine pudesse sobreviver às fofocas.

- Você está mesmo falando sério? Clem! Não faça isso comigo, com nós dois!

Ainda com o semblante chocado, Liam se aproximou da garota e agachou-se diante dela. Uma das mãos da corvinal foi delicadamente puxada e acomodada entre as duas mãos do rapaz enquanto a entonação de Mellish se tornava algo parecido com uma súplica.

- Eu vou pegar leve. Vou me afastar aos poucos, então é claro que não vai rolar nada mais sério. Só pedi este prazo para poupar nós dois de comentários e especulações! Você não pode me afastar assim depois do que fez.

Por mais que soubesse que aquilo não era justo com Mia, Liam não conseguia aceitar a ideia de ficar sem Clementine nas próximas semanas. Mellish acordara naquele dia disposto a terminar tudo com a loira, mas agora era desesperadora a hipótese de passar um dia longe dela.

Tinha sido adorável e até divertida a ceninha de ciúmes de DiLaurentis, mas agora Liam não achava a menor graça no desfecho do discurso da garota. As sobrancelhas franzidas naquela expressão chateada davam a Mellish a expressão de um filhotinho abandonado que implorava por um pouco de carinho.

- Eu já esperei tanto por você, Clem. Não é justo me pedir mais um mês. Você só precisa confiar em mim. Eu estou dando a minha palavra de que este problema será resolvido e que você será a única garota da minha vida.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Dez 25, 2016 11:34 pm

A surpresa do beijo iniciado por Melissa durou apenas dois segundos. Por já conhecer o sabor dos lábios dela, todo o corpo de Landon reagiu por instinto para corresponder aquele gesto enquanto sua mente se ocupava em compreender o que havia acabado de acontecer.

Suas mãos foram pousadas delicadamente na cintura da menina e ele ignorou por completo o formigamento em seu peito, na região onde Zummach havia proferido tantos socos, a puxando para que os dois corpos estivessem colados. Em questão de meio segundo, a língua de Landon trabalhava para acompanhar o ritmo ditado pela menina, logo mostrando uma sintonia perfeita, como se fossem capazes de ler a mente um do outro.

A adrenalina da briga ainda corria velozmente em suas veias, e foi a necessidade de extravasar que fez com que os braços fortes do grifinório erguessem o corpo de Melissa, até que as pernas dela estivessem ao redor do seu quadril. Naquela posição, a corvinal chegava a ficar alguns centímetros acima de sua cabeça, permitindo que, ineditamente, Landon erguesse o pescoço para cima, para não interromper o beijo.

Os cabelos atrapalhados de Melissa caíam como uma cortina e roçavam as bochechas de Landon, mas todos os seus sentidos estavam em alerta para cada toque dela. Os pés caminharam às cegas pelo vestiário até que as costas da morena se chocassem contra a parede, aliviando um pouco os braços de Landon para sustentar todo o peso dela.

Uma de suas mãos deslizou para afastar os cabelos de Melissa de seu rosto e seus pulmões imploraram por ar, mas o máximo que Liam lhe deu como recompensa foi quebrar o contato dos lábios dela. Aproveitando que os fios escuros tinham sido afastados do pescoço de Zummach, foi naquela região que ele começou a distribuir uma trilha de beijos até morder de leve o lóbulo de sua orelha.

- Você é completamente maluca. Sabe disso, não é? E está me deixando insano também.

Landon estava tão ofegante como se ele próprio tivesse acabado de deixar o campo de quadribol. Mas toda a decepção, fúria e mágoa já tinham sido varridos para longe dos seus pensamentos, como se a briga jamais tivesse existido. A única coisa real era como seu coração se acelerava com o toque de Melissa.

Sua respiração ruidosa fazia com que os cabelos desalinhados de Melissa balançassem, mas Landon não conseguia interromper seus beijos, voltando a se ocupar dos lábios dela apenas para seguir o caminho até o outro lado de sua mandíbula.

- Eu deveria ir até a ala hospitalar. Você me bateu tão forte que provavelmente estou com algum sangramento interno.

Apesar das palavras, Vanderwaal não fazia nenhum movimento para interromper aquelas carícias, temendo que no segundo que se afastassem e o sangue voltasse a fluir normalmente em suas veias, Melissa voltaria a se arrepender e pedir para que ele se afastasse.

- Tem certeza que estava procurando a vaga de apanhadora? Você também daria uma ótima batedora.

Um sorriso finalmente brincou em seus lábios quando ele interrompeu os beijos para procurar o olhar da menina. Zummach era a menina mais complicada que já havia cruzado em seu caminho, mas Landon não tinha mais dúvidas de que estava apaixonado por ela.

- Eu prometo que não vou estar aqui no próximo ano para atrapalhar os seus testes. Só espero que as coisa estejam resolvidas até lá, Mel. – Ele inclinou seu rosto para depositar um carinhoso beijo no canto dos lábios dela e completou sem se afastar. – Você teria dado uma linda adversária para enfrentar em campo.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Seg Dez 26, 2016 12:38 am

Mesmo se quisesse resistir, Melissa seria fisicamente incapaz de interromper os beijos e as carícias que aqueciam o seu corpo naquele vestiário. Zummach nunca havia se entregado daquela forma a garoto algum, mas tudo parecia tão certo com Landon que a menina apenas se deixou levar, sentindo-se inesperadamente confortável nos braços dele.

Com as coxas firmemente presas à cintura de Vanderwaal, Melissa precisou se inclinar sobre ele para que os lábios não se desgrudassem. Os cabelos castanhos atrapalhados caíam como uma cascata ao redor da cabeça do grifinório e ocultavam a visão dos dois de forma que Zummach só percebeu em que direção eles estavam se movendo quando sentiu suas costas sendo apoiadas contra a parede ao lado dos armários.

A máscara de frieza e indiferença que Melissa gostava tanto de sustentar caiu por terra quando os lábios do rapaz alcançaram o seu pescoço e arrancaram da pele dela um potente arrepio. As pálpebras se apertaram, ocultando as íris azuis no mesmo instante em que os dedinhos da novata se afundavam nos cabelos de Landon.

Os cabelos de Vanderwaal foram puxados de leve quando Melissa sentiu os dentes dele no lóbulo de sua orelha e aquela carícia mais ousada lhe provocou cócegas e arrancou da menina uma risadinha anasalada.

- Eu não sou maluca. Você que tem a mente limitada demais e não consegue acompanhar a minha genialidade. Um dia você chega lá, Vanderwaal.

Mesmo imersos naquele beijo apaixonado, era impressionante como os dois mantinham intacta a capacidade de implicarem um com o outro. Ao ouvir o comentário sobre a ala hospitalar, os olhos de Zummach se abriram apenas para que pudessem rolar com um nítido deboche.

- Não seja tão frouxo, Vanderwaal. Vai cortar o clima se continuar bancando a garotinha da relação...

Ficou claro que o clima estava longe de acabar quando os lábios dos dois novamente se uniram em um beijo de tirar o fôlego. Melissa não tentava mais esconder de si mesma o quanto estava envolvida por Landon. O monitor-chefe da Grifinória era muito mais que um rapaz bonito que arrancava suspiros pelo castelo. Ele era especial o suficiente para fazer Zummach abandonar o plano de odiar tudo o que existia em Hogwarts.

As palavras finais de Landon foram recebidas durante uma pausa nas carícias. Melissa continuou sustentada pelos braços do rapaz e não tentou fugir daquela posição mesmo depois que a temperatura do vestiário começou a cair. A mão mergulhada nos cabelos de Vanderwaal aproveitou-se daquela pausa para bagunçar ainda mais os fios, mas era impressionante como Landon ficava ainda mais atraente com aquele ar displicente.

- Admita, Vanderwaal. Enquanto ferrava com o meu teste, você sentiu um profundo alívio em saber que não precisaria me enfrentar no campo este ano. Seria humilhante ser derrotado por uma garota que nem sabia voar antes de te conhecer...

Zummach ainda estava chateada por ter ficado de fora do time, mas aquela provocação mostrava que a menina tentava encarar aquela situação com bom humor. Depois daquela implicância, Melissa finalmente deixou de lado as brincadeiras e estava mais séria quando buscou pelas íris verdes do monitor.

- Obrigada, Landon.

Era bizarro agradecer ao grifinório por ter estragado as suas chances de entrar para o time da Corvinal, mas parecia a coisa mais certa a se fazer depois de entender os motivos dele. Por ela, Vanderwaal havia arriscado a posição de monitor, o seu lugar no time da Grifinória e a imagem respeitável que construíra diante dos professores nos últimos anos. Se mais alguém tivesse notado o feitiço que interferiu no jogo da Corvinal, Landon estaria arruinado.

- Mas da próxima vez seria legal se você me comunicasse antes de me salvar com uma atitude tão duvidosa. Isso evitará surtos de raiva, socos no peito e me poupará do trabalho de inventar xingamentos. O meu repertório de ofensas já está se esgotando graças a você.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Dez 26, 2016 1:54 am

O coração de Clementine se espremeu diante da expressão pedinte de Liam. Ela sabia que não era justo exigir aquela distância sem sentido nas próximas semanas, principalmente considerando que era bastante óbvio o quanto os dois queriam ficar próximos um do outro.

Ouvir que Mellish havia lhe esperado muito mais tempo do que ela tinha consciente era mais uma alfinetada para desarmar DiLaurentis. Ela se lembrou de como ele pareceu completamente sem fala quando pediu o livro de Poções emprestado na biblioteca, ou de quanto tentou se aproximar para uma conversa na festa do professor Slughorn. Em todas as vezes, estava bastante óbvio como Liam apenas tentava abafar os sentimentos que sentia por ela, e Clementine havia sido estúpida o bastante para não ter percebido antes.

Pensar que Liam havia passado tantas outras vezes lhe desejando a distância, sem esperanças de que fossem acabar juntos, era de partir o coração. Clementine se odiava principalmente pelas vezes em que se omitiu ao ver Cristopher distratar o meio-irmão. O lufano definitivamente não merecia mais aquela exigência.

- Eu não quero castigar você. Não estou pedindo isso porque não gosto da ideia de te ver com a Blake por aí. Na verdade, eu odeio a ideia. – Ela girou os olhos por um instante, completando em seguida com uma entonação compreensiva. – Mas eu sei que você está certo.

A menina manteve seus dedos entrelaçados aos de Liam e se inclinou para frente, apoiando a testa na dele. Os cabelos loiros formaram uma cortina ao redor dos rostos dos dois e Clementine manteve os olhos fechados enquanto repetia o gesto de acariciar a ponta do nariz do rapaz com o seu.

- Eu só pensei que poderíamos começar certo desta vez. Já temos complicações demais, mas pelo menos seria um jogo limpo. Só nós dois.

A mão livre de Clementine foi erguida e ela puxou alguns fios loiros para trás da orelha, expondo uma de suas bochechas. Um sorrisinho bobo brincava em seus lábios em apenas imaginar um futuro em que ela e Liam poderiam ser um casal normal, sem que o mundo estivesse na porta, pronto para julgar suas escolhas.

- Não vou impor isso se você realmente for contra. Você não merece isso.

Ela aproveitou os corpos quase colados para iniciar um novo beijo. Ainda havia o calor que surgia com a paixão, mas o carinho era o que tornava aquele gesto ainda mais mágico. Era um beijo que Clementine jamais havia experimentado com Cris, e sem a sombra do ex-namorado, ela podia colocar nos movimentos dos seus lábios todos os sentimentos que vinha tentando abafar.

Quando o beijo foi interrompido, DiLaurentis manteve sua coluna envergada para frente, o rosto ainda muito perto de Liam. Seus dedos passearam pelo rosto dele, querendo aproveitar cada segundo daquela rara privacidade que eles tinham.

- Eu vou te recompensar por todo tempo que te fiz esperar. Eu prometo. Apenas pense no que eu disse... Seria a nossa chance de começar isso certo desta vez.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Dez 26, 2016 2:21 am

Para completar com perfeição os beijos trocados que encerravam aquela briga, Landon sentiu seu peito se aquecer ao ouvir Melissa agradecer pelo que havia acabado de fazer das arquibancadas. Ele sabia o quanto era difícil para a menina abrir mão daquela vaga no Quadribol, mas também sabia que não era o momento de provocar os pais com uma afronta daquele tamanho.

Para Landon, ele sabia que Melissa precisaria de coragem para enfrentar os pais, de se impor e reconquistar o amor deles, independente das suas escolhas. Mas Landon também sabia que aquilo era como uma complexa partida de xadrez, qualquer movimento errado poderia arruinar todo o jogo. E ele não queria ver Zummach perdendo.

A pressão das mãos de Vanderwaal diminuiu e o corpo da menina deslizou contra a parede até que seus pés voltassem a tocar o chão. Landon não se afastou um único centímetro, de modo que continuava inteiramente colado com Melissa. Mas com seus dedos livres, ele pode brincar com mais intimidade com os cabelos dela, massageando a nuca ou acariciando sua mandíbula.

- Eu poderia tentar... Mas qual seria a graça?

Ele ergueu um dos ombros com um ar displicente, descendo uma das mãos pelo braço de Melissa, brincando com o toque leve das pontas dos dedos até alcançar a cintura dela. Não demorou para que seus dedos encontrassem uma pequena brecha no uniforme de Quadribol para tocar diretamente um pedaço de pele que deveria estar escondida sob a blusa.

Enquanto se deixava levar por aquelas carícias mais íntimas que já denunciavam como os dois vinham evoluindo desde o primeiro beijo roubado no campo de Quadribol, os olhos verdes estavam presos nos traços bonitos de Melissa.

- Além do mais, eu prometi que estaria sempre por perto para irritar você, não foi? Que sempre te daria motivos para você continuar alimentando o seu ódio por Hogwarts.

Os lábios de Landon se tornaram em um largo sorriso convencido ao se lembrar da conversa que tivera com Melissa logo após o segundo beijo. A menina havia pedido que ele a poupasse, que não tornasse sua estadia em Hogwarts ainda mais confusa, e em resposta, ele lhe fez uma falsa promessa de continuar por perto apenas para irritá-la.

- Não tenho culpa se sou excelente no que eu faço. Em praticamente tudo o que eu faço.


De fato, as notas de Vanderwaal eram invejáveis, seu desempenho como artilheiro estava acima da média e seu trabalho na monitoria era de excelente qualidade, conquistando não só a confiança dos professores como o respeito dos colegas. Mas a entonação maliciosa usada pelo rapaz mostrava que ele incluía seu desempenho naquele vestiário com aquele elogio, mas sem a intenção de parecer arrogante.

A expressão de Landon se tornou repentinamente mais carinhosa e ele aninhou Melissa contra seu peito. Toda a paixão de minutos antes ainda existia, mas sem a mesma euforia provocada depois da briga.

- Ainda podemos continuar nos encontrando para treinar, se você quiser. Não é uma partida de Quadribol, mas ainda é alguma coisa.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Seg Dez 26, 2016 2:57 am

- Eu sei que esta seria a atitude mais correta, mas eu não consigo ser tão nobre, Clem. Não quando tamanha nobreza exige que eu fique longe de você.

O sussurro de Liam colocou um fim naquele impasse. Mesmo sabendo que aquela decisão não era a mais correta, o lufano optou por continuar com aqueles encontros proibidos mesmo durante o prazo que ele tinha para terminar o relacionamento com Mia. Era terrível a sensação de estar enganando Blake, mas para Mellish seria ainda mais desesperador ficar sem Clementine por mais aquele tempo.

O encontro na sala de Adivinhação se repetiu nos dias seguintes. Mesmo com as preocupações de ambos voltadas para as provas que fariam ao fim do ano letivo, Liam e Clementine sempre arrumavam um tempo para fugirem até a torre norte. Como não podiam demonstrar em público o carinho que sentiam um pelo outro, os encontros clandestinos sempre eram alimentados por uma saudade sufocante.

Ficou claro que Cristopher nem desconfiava da traição quando Liam continuou a sua rotina em paz nos dias que se seguiram ao fim do namoro do sonserino com DiLaurentis. Rookwood ainda provocava o irmão e não perdia a oportunidade de zombar do lufano sempre que os caminhos dos dois se cruzavam no castelo, mas não havia o ódio que fatalmente Cristopher demonstraria se soubesse que Clementine agora estava nos braços de Mellish.

Em uma tentativa de provocar a ex-namorada, Cristopher fazia questão de aparecer em público com uma postura de conquistador. Várias garotas se alternavam nos braços do sonserino, mas os olhares insistentes do rapaz na direção da mesa da Corvinal mostravam que Rookwood ainda não havia esquecido Clementine. Era como se Cristopher ainda estivesse esperando por qualquer sinal de arrependimento da loira para tomar a iniciativa de reatar o relacionamento.

Do outro lado daquele dilema, Liam se esforçava para cumprir a promessa feita à DiLaurentis, mas o monitor-chefe descobriu que era muito mais difícil se livrar de Mia Blake do que ele imaginava. O fato dos dois serem amigos complicava bastante a situação, já que Mia estava sempre por perto e Mellish não queria magoá-la.

Liam já estava na última semana do prazo dado por Clementine e ainda não sabia como finalizar o romance com Blake. O rapaz vinha tentando se afastar, não tomava mais a iniciativa das carícias e inventava desculpas para não passar mais tanto tempo perto de Mia, mas nem isso fazia com que a lufana desistisse de investir pesado naquele relacionamento.

Como já vinha se tornando rotina, naquela tarde de sábado o monitor-chefe da Lufa-Lufa tentara escapar das investidas de Blake com uma desculpa esfarrapada. Mia havia sugerido que os dois passassem algumas horas no jardim aproveitando o sol, mas Liam se esquivara com a desculpa de que precisava estudar. Diante da sugestão de que ele deveria levar os livros para o jardim, o lufano não teve argumentos e acabou sendo arrastado para debaixo de uma das árvores.

- Você já decidiu o que vai fazer depois de Hogwarts...? – Mia perguntou enquanto mergulhava uma das mãos nos cabelos do rapaz, desviando a atenção de Liam do livro de Feitiços que ele folheava – Está estudando demais. Não me diga que vai seguir os passos dos seus tios!?

- Não.

A resposta imediata de Mellish mostrava que o rapaz nem cogitava a ideia de entrar para o gabinete dos aurores. Por mais que admirasse a profissão do Sr. e da Sra. Vanderwaal, o sobrinho definitivamente não planejava aquela rotina perigosa para a própria vida.

- Ainda não sei, Mia. É por isso que eu preciso ficar em dia com o estudo, assim todas as possibilidades continuam disponíveis.

- Faz sentido. Mas o que não faz o menor sentido é você desperdiçar esta manhã de sábado com uma garota maravilhosa ao seu lado para ficar com o nariz enfiado em um livro velho de Feitiços, chefinho.

Um sorriso malicioso surgiu nos lábios de Blake e ela chegou a se inclinar na direção do rapaz em busca do beijo que Liam vinha tentando evitar nos últimos dias. Mellish já estava tão aflito com o fim do prazo e com o ciúme cada vez mais justificado de Clementine que recuou dos lábios de Mia e decidiu que aquilo precisava acabar. O monitor tentara ser sutil, mas não vinha dando certo. Então, chegara o momento de ser direto com a amiga.

- Mia, escute... não está dando certo, eu lamento. A gente funciona muito bem como amigos, mas não está rolando o algo a mais que deveria rolar. Eu te adoro e acho que devemos voltar a ser amigos antes que alguém se magoe.

Sempre havia sido muito fácil falar com Blake, então Liam tinha a esperança de que aquela conversa não seria tão complicada. Por isso, foi frustrante ver o semblante de Mia se fechar como se ela tivesse acabado de receber uma bofetada. A menina não ergueu a voz, mas a sua entonação não soou nada amigável.

- Por que? – a pergunta pontual foi quase rosnada por Mia.

- Eu sei lá, Mia. Eu realmente achei que poderia rolar quando começamos com esta história, mas não rolou.

- Pra mim rolou, Mellish.

- Eu lamento, mas precisa rolar para os dois para dar certo.

O lufano odiava pensar que estava magoando uma garota, mas não havia outra saída. Blake ficaria magoada de qualquer maneira e Clementine também se machucaria se Liam insistisse em prolongar o relacionamento com a lufana por mais tempo. Quando buscou pelos olhos da amiga, Mellish realmente tinha a esperança de que as coisas pudessem terminar bem.

- Quando começamos com isso, você me garantiu que seria simples, Mia. Você disse que, se não desse certo, tudo o que tínhamos que fazer era voltarmos à velha amizade.

- Bem-vindo ao clube das promessas não cumpridas. Você também prometeu que iria se empenhar para que desse certo, mas eu sempre lutei sozinha por nós dois. Eu só queria entender você, Mellish. Por que você não quis me dar uma chance? Não me acha atraente ou está interessado em outra garota?

Uma sombra cobriu os olhos de Mia e ela abriu um sorrisinho cruel antes de dar aquela alfinetada.

- Talvez você ache que agora tem alguma chance com a vadia da DiLaurentis depois que o seu irmãozinho usou, abusou e a descartou. Você está me dispensando pra voltar ao estágio lamentável de babar por uma garota que nem sabe que você existe? Você é patético, chefe.

As palavras frias de Mia fizeram com que o monitor estreitasse os olhos. Sua vontade era responder que ele e Clementine estavam juntos há mais de um mês e que ficavam mais apaixonados a cada dia, mas por sorte Mellish conseguiu segurar a própria língua antes de fazer aquele estrago. O comentário maldoso de Blake tornou as coisas mais fáceis e Liam se sentia menos culpado quando enfiou os livros dentro de sua bolsa e se colocou de pé.

- Quer saber por que, Mia? Eu não quero mais porque você é a melhor amiga que um cara pode ter, mas como namorada você se transforma em uma serpente cruel e venenosa. Estou farto do seu ciúme, das suas insinuações e da maneira como você tenta me rebaixar para que eu pense que você é a única garota que ficaria ao meu lado. Acabou.

O semblante de Liam se manteve sério enquanto ele marchava pelos jardins, se distanciando cada vez mais de Blake. Por ainda estar abalado com aquela discussão, Mellish não foi tão discreto e cuidadoso como costumava ser sempre que subia as escadas da torre norte.

A mágoa que atormentava o lufano era intensa, mas se dissipou magicamente no instante em que Liam empurrou a porta da sala de Adivinhação e encontrou o rosto bonito de Clementine. Como de costume, a loira estava com um semblante insatisfeito e mantinha os braços cruzados. Contudo, antes que DiLaurentis pudesse reclamar do atraso e da proximidade do fim do prazo dado ao rapaz, Mellish a presenteou com aquela boa notícia.

- Pronto, eu falei com ela. Acabou, Clem. Somos só nós dois agora.

Liam soltou uma risada gostosa quando a loira se jogou em seus braços. Os pés de Clementine perderam o contato com o chão quando o rapaz a rodopiou pela sala antes de tomar os lábios da menina em um beijo apaixonado.

Os dois protagonizavam um beijo quente e os corpos estavam tão unidos que nem Liam e nem Clementine notaram que um ar de olhos os fuzilava da porta da sala. Mia Blake pensou em fazer um escândalo e lançar sobre Liam todas as ofensas e acusações que o colega merecia por aquela traição nojenta, mas a menina só precisou de dois segundos para se acalmar.

Silenciosamente, Mia recuou e desceu a escadaria em espiral com a raiva vibrando em cada célula do seu corpo. Enquanto marchava pelo castelo, a lufana pensou em todas as possibilidades e em todas as consequências de suas escolhas, mas nem os cenários terríveis construídos em sua imaginação impediram que Mia terminasse a sua caminhada em frente a Cristopher Rookwood.

- Fomos traídos. – a lufana estava mortalmente séria quando completou – Acabei de pegar o seu irmãozinho e a sua ex-namorada juntos e apaixonados na torre norte. – Mia fez questão de afundar ainda mais o dedo na ferida de Rookwood – Eu me sinto péssima, mas imagino que seja ainda mais humilhante para você. Qual é a sensação de ser trocado pelo filho bastardo do seu pai, Rookwood?
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Seg Dez 26, 2016 3:40 am

O passar dos dias serviu para que algumas barreiras criadas por Melissa caíssem por terra. A novata ainda não fazia a menor questão de ser popular e querida pelos colegas e professores, mas era evidente que Zummach não estava se esforçando mais para ser a criatura mais odiada do castelo.

Uma improvável amizade surgiu entre Melissa e as três loiras com quem dividia o dormitório na Corvinal. A novata se divertia imensamente com as frescuras de Sara e Lorelai e, embora elas fossem assombrosamente diferentes, era notável que as meninas se entendiam e gostavam uma da outra. Com Clementine, a amizade atingiu um grau ainda mais elevado. Depois da troca de confidências no Salão Comunal, as duas se aproximaram ainda mais e não era raro que agora compartilhassem segredos uma com a outra.

DiLaurentis era a única pessoa naquele castelo que sabia sobre os encontros de Melissa com Landon Vanderwaal. Pelo menos duas ou três vezes na semana, os dois jovens se encontravam no campo de quadribol para um treinamento secreto nas primeiras horas da noite. Zummach não tinha mais a ilusão de que entraria para um time de quadribol, mas ainda assim gostava de voar e de aprender novas técnicas. E, claro, a novata também adorava quando Landon a puxava para debaixo das arquibancadas e finalizava os treinamentos com beijos e carícias que a derretiam por inteiro.

Naquela noite, as pernas de Melissa ainda estavam bambas quando a menina entrou no Salão Principal. O jantar havia acabado de ser servido e teria sido impossível achar um bom lugar na mesa da Corvinal se as três colegas de dormitório não tivessem guardado um dos assentos para a novata. Zummach se sentou ao lado de Lorelai e em frente a Sara e Clementine. Melissa só notou que alguma coisa estava errada quando viu a careta de DiLaurentis e a forma como a amiga sacudiu a mão em frente à própria camisa.

Não parecia haver nada errado com a camisa de Clementine, mas quando baixou os olhos para espiar o próprio tronco a novata entendeu o que estava havendo. As bochechas de Melissa coraram enquanto ela, discretamente, fechava os dois botões abertos por Landon e ajeitava a gravata azul frouxa.

Aquela tinha tudo para ser mais uma noite comum no castelo de Hogwarts se não fosse por uma surpresa. Zummach estava na metade do delicioso pudim servido como sobremesa quando uma coruja acinzentada invadiu o salão por uma das janelas mais altas, sobrevoou as quatro mesas e pousou exatamente em frente a Melissa, estendendo na direção da novata o pergaminho amarrado em uma de suas patas.

Aquela cena era mais do que comum no castelo, não era raro que os alunos recebessem cartas durante as refeições. Mas o fato de Melissa nunca ter recebido nenhuma mensagem da família tornava aquela cena surpreendente. Aquele milagre fez com que a morena permanecesse imóvel por cinco segundos inteiros antes de finalmente retirar o pergaminho da pata da ave.

Como aquela cena era corriqueira em Hogwarts, ninguém além de Clementine e Landon deu maior atenção ao acontecimento. Ou melhor, da mesa dos professores era possível ver que Albus Dumbledore também estava atento às reações de Melissa enquanto os olhos da menina deslizavam pelas linhas do pergaminho.

Ao fim da leitura, Zummach engoliu em seco e manteve os olhos abaixados. Seu rosto se tornou gradativamente mais pálido até que a menina adquirisse um ar quase fantasmagórico. Àquela altura dos acontecimentos, Lorelai e Sara também já tinham notado que havia algo errado. Por estar ao lado da colega, foi Lorelai quem tocou o braço de Melissa, soando sinceramente preocupada.

- Algum problema, Mel?

- Meu pai. – a voz de Melissa soou num fio – Encontrou uma brecha que me livra da sentença do Ministério da Magia. Ele virá me buscar. Amanhã.

Há algumas semanas, Melissa vibraria com a oportunidade de deixar Hogwarts para trás. Mas agora sair da escola parecia ainda mais doloroso do que fora entrar ali pela primeira vez. Zummach estava adorando as aulas e vinha aprendendo técnicas elaboradas com os professores do castelo. Sua amizade com Lorelai, Sara e Clementine também vinha florescendo e Melissa gostava da ideia de ter amigas pela primeira vez na vida.

Mas o olhar aflito que a menina lançou para a mesa da Grifinória mostrava que a sua maior tristeza seria dizer adeus para Landon Vanderwaal e para as deliciosas noites de voo e carícias na companhia do monitor-chefe da casa dos leões.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Dez 27, 2016 11:49 pm

- Eu não quero voltar...

Clementine soltou um resmungo, a voz soando abafada contra o peito de Liam enquanto seus braços o apertavam com mais força. Os dois estavam espremidos em um dos grandes pufes distribuídos pela torre de Adivinhação.

A luz clara do dia já havia cessado, assim como a cor alaranjada que havia banhado parte da sala também já havia desaparecido. No céu, a lua acompanhada de centenas de estrelas era uma lembrança contínua de que os dois já haviam abusado do tempo, escondidos de todo o resto do castelo.

Mas ninguém mais parecia importar. Era indiferente se o mundo continuava girando, quando a única coisa que importava estava ao seu lado, distribuindo leves beijos pelo seu rosto e cabelos. Estar com Mellish era sempre um sonho, mas saber que não havia mais ninguém entre eles tornava tudo ainda mais especial. O mundo ainda não poderia vê-los juntos, mas Clementine não se importava.

As semanas que se passaram após o fim do namoro com Cristopher foram delicadas para DiLaurentis. Rookwood não fazia questão de esconder que agora estava solteiro e gostava de enfatizar para os quatro cantos que havia sido ele a terminar o relacionamento com a corvinal. Não que Clementine ficasse incomodada com aquele tipo de comentário. Era bizarro como o sonserino havia se tornado insignificante depois da chegada de Liam em sua vida.

O que realmente incomodava a loira era ver a companhia constante de Mia Blake ao lado de Liam. Ela acreditava em Mellish sempre que estavam juntos, mas era impossível ignorar o lado inseguro que insistia em criar pensamentos pessimistas e teorias de que o lufano estava apenas se divertindo com as duas, que nunca terminaria nada com a outra menina e que no final das contas, Clementine ficaria sozinha.

Escutar que toda aquela confusão havia finalmente chegado ao fim era um sonho. E era bom o bastante para fazer com que os dois perdessem a noção do tempo, se trancando na torre de Adivinhação durante o resto do dia.

- Já passou da hora do jantar. – Ela se inclinou, sustentando parte do corpo com o cotovelo e deitando de lado para admirar o rosto do rapaz. – Quais são as chances de me meter em encrenca por esbarrar em algum monitor por aí?

O sorriso leve que Clementine exibia era o que Liam precisava para saber o quanto ela estava feliz com o fim daquele prazo. Mesmo lutando contra vontade, a menina se arrastou para fora do puff, sem se importar com o uniforme ou os fios loiros amarrotados, e esticou a mão para ajudá-lo a se erguer.

- Vamos, me leve até o quinto andar. Pelo menos se alguém aparecer, você pode dizer que está só fazendo o seu trabalho, Sr. Monitor-Chefe.

Se aproveitando dos corredores desertos, Clementine ousou em se manter unida a Liam mesmo depois que deixaram a torre de Adivinhação. Estava tão tarde que até mesmo a ronda dos monitores já havia chegado ao fim, dando total liberdade para que os dois continuassem abraçados enquanto caminhavam em meio a escuridão.

Quando alcançaram a última escada mais próxima do salão da Corvinal, Clementine parou, deslizando seus braços ao redor do pescoço de Liam para se despedir com um longo beijo. Ainda sem se afastar, ela repetiu o comum gesto de acariciar a ponta do nariz dele com o seu, mordendo o lábio inferior para conter um sorriso.

- Agora só precisamos esperar as coisas se acalmarem. O que realmente importa é que vamos esperar juntos. – Clementine ficou na ponta dos pés e encerrou aquela despedida com um rápido beijo no canto dos lábios de Liam. – Eu te amo.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Qua Dez 28, 2016 12:49 am

- É sério, Landie, você precisa dar um jeito nesse cabelo, está pior a cada dia!

As palavras de Robbie soaram afofadas enquanto ele mastigava uma generosa porção de bolo de carne. Não era raro ver o monitor-chefe da Grifinrória exibindo os fios escuros apontando para todas as direções, mas o goleiro do time tinha suas razões para fazer aquela crítica.

Os cabelos de Landon não estavam apenas bagunçados. A impressão era de que alguém havia cuidadosamente modelado os fios para cima e endurecido com gel. Somando com seu uniforme amarrotado e as bochechas coradas, era quase o mesmo visual que o artilheiro exibia nos finais dos treinos ou de partidas de Quadribol.

- Obrigada pelo aviso, mamãe. – Landon girou os olhos, mas sorrindo divertido enquanto se esticava para se servir de uma colher do purê de batatas.

- Não, o Robbie está certo... – Shayna pousou seus talheres e apoiou os cotovelos sobre a mesa para se inclinar para o amigo com uma careta. – Está ruim mesmo, Landie. Não tá dando pra te defender.

- Obrigaaaado! – Robbie ergueu os braços em uma reverencia exagerada antes de acrescenta com um olhar astuto para o amigo. – Pelo menos a Shay você precisa escutar, ela é uma menina. Se continuar assim, a sua reputação vai por água abaixo.

- Eu queria entender essa fixação que as pessoas têm em dizer que tenho algum tipo de reputação.

Mais uma vez, a ignorância a respeito de sua própria fama no castelo estava explícita na inocência do olhar de Vanderwaal enquanto ele se servia de suco. Inconscientemente, seu olhar se ergueu pelo salão, varrendo a mesa da Corvinal para encontrar o rosto que sua mente reproduzia com aquela lembrança. Ver que Melissa apresentava um estado tão lamentável quanto o seu era motivo para alargar o seu sorriso.

Ele ainda sentia os lábios formigarem, provavelmente inchados e avermelhados, com o sabor dos beijos de Melissa e o perfume de maçã verde impregnados em suas vestes. Os dois haviam se separado há poucos minutos, mas Landon ainda sentia seu corpo anestesiado pedindo por mais das carícias da menina.

- Você tem uma reputação, amigo. – Robbie também se inclinou para frente e sustentou o olhar em Landon antes de encarar um grupinho de meninas sentadas na ponta da mesa.

Todas as cabeças estavam voltadas para Landon Vanderwaal e ao perceber que haviam sido flagradas, desviaram imediatamente, soltando risinhos histéricos e se juntando para sussurrar sobre o que acabara de acontecer.

Com um sorriso vitorioso, Robbie voltou a corrigir a coluna e deu mais uma garfada em seu bolo de carne.

- Encerro meus argumentos. Além do mais, teve uma época que eu até pensei que a Shay gostava de você.

O olhar de Landon estava quase deixando a mesa da Corvinal para se concentrar na conversa dos amigos quando a coruja acinzentada cruzou o teto do salão principal e pousou diante de Zummach. O grifinório imediatamente se remexeu em seu banco, estreitando os olhos como se magicamente fosse ser capaz de enxergar o envelope que Melissa pegava em suas mãos.

- Euuu??? – Shayna engasgou, ficando repentinamente tão vermelha quanto as cores de seu uniforme.

Já completamente excluído da conversa que acontecia a sua frente, Landon observou atentamente a expressão no rosto de Melissa até que ela erguesse o olhar e os dois pudessem se encarar. A menina poderia ter uma personalidade difícil e surpreendente, mas Landon já vinha começando a aprender e interpretar seus sinais. E o que ele leu em seu rostinho preocupado não era nada bom.

- É, você. Você estava sempre sorrindo, babando e acompanhando o Landie pra lá e pra cá. – Robbie explicou sua teoria com naturalidade, sem notar que estava deixando a amiga cada vez mais constrangida. – Mas aí a Zummach chegou e a sua obsessão mudou. Só o que você faz ultimamente é reclamar dela e...

Se a conversa entre Robbie e Shayna demorou durante o resto do jantar ou morreu antes de chegarem na sobremesa, Landon não soube dizer. Ele já estava completamente absorto, cutucando seu purê de um lado ao outro, quando se colocou de pé abruptamente.

- Onde você vai??? – Robbie quase cuspiu seu suco ao ver o grifinório interromper seu jantar aparentemente sem motivos.

- Ronda da monitoria. – Ele explicou sem olhar para os amigos, puxando a mochila para o seu ombro e saltando para fora do corredor enquanto buscava mais uma vez pelo olhar de Melissa, esperando que ela compreendesse seus sinais para segui-lo.

- Mas ainda está dentro do horário! - Robbie protestou, sendo completamente ignorado.

Ao invés de continuar pelo castelo e seguir seu trajeto rotineiro, Landon atravessou as grandes portas que dava para os jardins e desceu os degraus de pedra até sentir a grama fofa sob seus pés.

Os passos de Landon não foram muito além do que alguns metros rodeando o castelo. O terreno estava mergulhado na escuridão, com apenas a fraca luz prateada do luar que refletia sobre o lago. Em meio a alguns arbustos, Landon estava perfeitamente camuflado e precisou de apenas alguns minutos para que sua vista se adaptasse com a pouca luz. Tempo necessário para que Melissa surgisse e se surpreendesse com os braços do rapaz, a puxando para fora da linha de visão de quem saísse do castelo.

- Hey... – Ele tentou sorrir e parecer tranquilo quando a colocou contra a parede de pedra, mas seus olhos estavam atentos a qualquer sinal no delicado rosto de Zummach. – Está tudo bem?

A preocupação estava quase atropelando suas palavras, mas Vanderwaal tomava o cuidado de mantê-las presas em sua garganta. Ele já conhecia Melissa o suficiente para saber que pressioná-la com qualquer assunto não era um bom caminho e queria dar a chance dela escolher ou não lhe contar o que havia acontecido.

- Não vai me dizer que andou se inscrevendo em times de quadribol profissional? – Ele tentou brincar, mexendo nos cabelos escuros com seus dedos. – Se tivesse conversado comigo antes, eu teria te avisado que eles não costumam ser muito gentis ao recusar adolescentes. Mas ainda assim foi uma sorte ter sido só uma coruja. O Black recebeu um Berrador quando estava no quarto ano.
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