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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Ter Dez 20, 2016 7:31 pm

Normalmente, o aluno de uma das casas de Hogwarts não sabia a exata localização da entrada das outras três. É claro que um bom observador não demoraria a notar que os grifinórios sempre usavam as escadas que levavam até a torre oeste, que os alunos da Corvinal seguiam o caminho oposto até a torre leste, que os sonserinos rotineiramente desciam até as masmorras e que o caminho da cozinha era percorrido quase que exclusivamente por lufanos.

Mas um aluno da Corvinal não saberia apontar a entrada da Grifinória nem mesmo se a sua vida dependesse disso. Quando passavam em frente ao quadro da Mulher Gorda, os alunos das demais casas viam apenas mais um dos retratos bizarros de Hogwarts. Ninguém jamais poderia imaginar que era aquela figura que dava acesso ao Salão Comunal dos alunos de Godric Gryffindor.

Algo muito semelhante acontecia com o Salão Comunal dos lufanos. Embora todos soubessem que a Lufa-Lufa ficava localizada no mesmo andar da cozinha, nenhum aluno da Corvinal, da Grifinória ou da Sonserina sabia que, para ter acesso à casa, precisaria parar em frente a uma parede onde não havia nada além de barris velhos abandonados. A “senha” para entrar no Salão Comunal era parar em frente ao maior dos barris e bater na madeira num ritmo conhecido apenas pelos lufanos.

As batidas no ritmo correto abriam a tampa do barril e davam acesso para o salão, mas o ritmo errado castigava o invasor com um nada agradável banho de vinagre vindo do barril estourado. Infelizmente não era raro que os primeiranistas da própria Lufa-Lufa se atrapalhassem nas primeiras semanas de aula e terminassem o dia cobertos com o cheiro horrível de vinagre.

Embora a exata localização das casas de Hogwarts fosse um dos segredos mais bem guardados do castelo, a pequena Rubi não teve a menor dificuldade para voar diretamente até uma janela do terceiro andar. Liam Mellish estava sozinho em seu dormitório quando a ave pousou no criado-mudo ao lado da cama dele, esticando a pata na qual a dona havia prendido o pergaminho.

- Oi...?

O lufano, que até então estava sério e pensativo, abriu um sorriso para a coruja exótica que acabara de invadir o seu quarto. Liam só tinha o costume de receber cartas dos tios e, definitivamente, a pequena Rubi não se parecia em nada com a coruja velha e um pouco fora de forma que vivia no quintal dos Vanderwaal.

- Pra mim? – Liam apontou o pergaminho – Tem certeza?

O pio meio ofendido da ave fez o sorriso de Mellish se alargar. As corujas definitivamente levavam o seu trabalho a sério e não costumavam errar as mãos dos destinatários. Com delicadeza, o lufano retirou o pergaminho da pata de Rubi, mas o seu sorriso divertido sumiu quando Liam finalmente descobriu quem era a dona daquela coruja ruiva.

Era exatamente por causa de Clementine DiLaurentis que o monitor-chefe da Lufa-Lufa estava recolhido ao dormitório naquela noite. Enquanto os colegas se fartavam com um banquete no Salão Principal, Liam tentava decidir o que faria com a própria vida. As palavras de Rookwood ainda martelavam na cabeça dele, cobrindo-o com uma culpa injusta que o corroía por dentro.

Mellish sabia que, como monitor-chefe, já deveria ter contado a Dumbledore sobre a maldição imperdoável que presenciara naquela tarde. Por outro lado, Liam se atormentava com a ideia de que aquela revelação prejudicaria muito mais Clementine do que o próprio Cristopher. O filho de Augustus sairia daquela confusão praticamente imune enquanto Clementine seria pressionada pelos professores e poderia complicar todo o futuro brilhante que tinha pela frente.

Mas não era tão simples para um lufano esconder aquela informação. Liam era justo demais para continuar no cargo de monitor-chefe sabendo que não merecia a confiança dos professores. Entregar o distintivo seria uma tortura para Mellish, mas era isso que o monitor estava decidido a fazer quando seus pensamentos atormentados foram interrompidos pela chegada de Rubi.

Na cabeça de Liam, tudo o que Clementine queria com aquele encontro inesperado era garantir que o lufano ficaria de boca fechada. A namorada de Cristopher não tinha mais nenhuma outra razão para sugerir um encontro no meio da noite, muito menos num ponto afastado da movimentação principal do castelo.

Um novo pio irritado tirou Mellish de seus devaneios e o obrigou a voltar os olhos castanhos para a coruja. Era bizarro e adorável notar o mau humor com o qual a ave esperava por uma resposta.

- Ok. Eu vou até lá. Está dispensada, bom trabalho.

Aquela concordância não bastava para Rubi, que havia recebido ordens claras para não retornar ao corujal de patas vazias. Como não conhecia aquela ordem e nem a personalidade forte de Rubi, Mellish deu um salto assustado quando recebeu uma bicada nada gentil no polegar.

- Heeeey! Eu já disse que vou até lá. Xô, xô!

O lufano tentou sacudir a mão na frente da coruja para espantá-la, mas tudo o que recebeu foi mais algumas bicadas nos dedos. Mellish acelerou os passos para fora do dormitório, mas nem isso impediu que uma coruja determinada o seguisse por todo o caminho até o corujal.

Liam ainda sacudia as mãos como se tentasse espantar um inseto chato que zumbia em seus ouvidos quando subiu as escadas e chegou ao ponto no qual Clementine DiLaurentis o esperava. Assim que viu a dona, Rubi pousou no ombro direito do rapaz, cravou as patas no uniforme amarelo e preto da Lufa-Lufa e bateu as asas, erguendo alguns centímetros do tecido. Aquela tentativa inútil de levantar o rapaz era a maneira dela de mostrar que não estava de patas vazias.

- Eu não sou um especialista em corujas, mas tem algo MUITO errado com esta aqui. Ela é maluquinha, completamente descompensada!

Como se quisesse reforçar a própria opinião, Mellish estendeu as mãos para que Clementine visse as várias marquinhas vermelhas deixadas pelo bico de Rubi em seus dedos. Sem se importar com as críticas do monitor-chefe, a coruja finalmente o soltou e voou até um dos poleiros vazios com uma expressão determinada de alguém que havia cumprido o próprio trabalho.

Sem mais Rubi como uma distração, Mellish não teve mais desculpas para fugir da difícil tarefa de encarar Clementine. O rosto dele ficou mais sério e Liam foi direto ao ponto que o levara ao encontro da loira naquela noite. Ou pelo menos era o que ele pensava sobre as motivações daquele encontro.

- Se a situação te preocupa tanto ao ponto de você sugerir este encontro, vou te dar logo o que você precisa para dormir tranquila. Eu já me decidi. Não vou contar a ninguém sobre o que aconteceu nas estufas hoje.

Embora estivesse decidido, a entonação de Liam deixava claro que ele não estava orgulhoso da própria decisão. Mellish sabia que estava cometendo uma traição séria e que seria obrigado a entregar o distintivo para reduzir o impacto daquela culpa. Ainda assim, a vontade de preservar Clementine era mais forte que todos os dogmas do rapaz.

A voz de Cristopher ainda ecoava na cabeça dele repetindo a afirmação de que Cleo o odiaria para sempre se ele estragasse a vida dela daquela maneira. Por mais que Liam já tivesse se conformado com a ideia de que DiLaurentis nunca lhe daria uma chance, ele não estava preparado para receber o ódio da menina em troca da paixão platônica que sentia por ela.

- Você e o Cristopher podem ficar tranquilos. Eu não vou estragar a vida perfeita dos dois. Mas que fique claro que eu não farei isso por ele. – Liam fez uma pausa antes daquela confissão humilhante – Estou fazendo isso por você.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Dez 20, 2016 11:56 pm

O forte cheiro das fezes de coruja estava presente em todo o local, o que obrigou Clementine a procurar o canto mais arejado, onde o vento fresco da noite entrava, permitindo que ela respirasse mais livremente sem provocar seu estômago vazio com enjoos.

O corujal tinha o mesmo formato de uma torre mais estreita, mas um de seus lados, onde deveria ter a parede curva, havia apenas um grande buraco que facilitava a entrada e saída das aves, tendo como vista o imponente castelo ao fundo.

A maioria dos poleiros estavam vazios, o que era comum quando as corujas escapavam para caçar suas refeições. As que ainda estavam envolvidas em um sono prolongado quase não faziam barulho, facilitando a audição da corvinal identificar quando os passos na escada anunciaram a chegada de Liam.

A loira se virou no mesmo instante, sentindo o coração acelerar com a possibilidade de ser outra pessoa. Quando os olhos azuis pousaram na figura do monitor da Lufa-Lufa, ao invés de se acalmar, seu coração deu um pulo ainda mais forte contra o peito, o que DiLaurentis associou ainda a emoção do que havia acontecido naquela tarde, nas estufas.

- Ela é obediente, só isso.

Clementine sorriu e esticou seu braço, oferecendo como apoio para que Rubi atravessasse o corujal e pousasse sobre o tecido fino do suéter cinza que ela vestia, exibindo as bordas e a gola com as tiras azuis da Corvinal. Como agradecimento, seus dedos acariciaram os pelos avermelhados da coruja, que dando seu trabalho como concluído, levantou voo para a noite afora, em busca de sua comida.

Sem a presença de Rubi, a loira não tinha mais a opção de fugir do olhar de Liam e a entonação que ele usou para iniciar seu discurso confirmava as suspeitas de que aquela não seria uma conversa fácil.

Contrariando as expectativas do lufano, Clementine não estava ali para reforçar as ameaças de Cristopher, para implorar por uma omissão ou para tentar chantagear o colega. Desde o primeiro dia, o namorado mostrado seus defeitos, mas compensava em um relacionamento carinhoso e promissor. Aquela tarde havia sido a primeira vez que DiLaurentis havia ficado realmente assustada com a personalidade de Rookwood.

Era ruim o bastante se omitir diante dos erros toleráveis de Cristopher, mas Clementine não tinha a menor intenção de se colocar ao lado do namorado naquele erro. Ela não iria bater na porta do Ministério da Magia para entrega-lo, mas também não seria cúmplice de um crime tão grave.

Além de não conseguir lidar com a própria consciência, Clementine sabia que aquilo não era justo com Liam. Por poucos centímetros, fosse proposital ou não, ele havia ficado muito perto da morte. Ele não deveria ser obrigado a viver nos mesmos corredores que alguém que tentara lhe matar.

Enquanto Mellish falava, Clementine cruzou os braços e caminhou em frente ao grande vão que dava abertura para a noite. O vento suave balançava seus cabelos soltos que caíam em largas ondas sobre seus ombros. A grande capa que normalmente era usada havia sido dispensada, tornando as curvas de seu corpo mais evidentes com a saia preta e o suéter cinza por cima da blusa branca. As botas de cano alto quase alcançavam seus joelhos, mas mesmo com os discretos saltos, ela ainda exibia alguns centímetros abaixo do lufano.

A corvinal já estava puxando o ar para interromper as palavras do monitor quando suas últimas palavras a atingiram, fazendo sua mente se esquecer de tudo que havia preparado para aquela noite.

- Por mim? – As sobrancelhas loiras foram arqueadas em surpresa e Clementine chegou a apontar para o próprio peito, enfatizando a pergunta. – Por que, Mellish?

Havia uma ruguinha de sincera confusão entre os olhos de DiLaurentis. A luz prateada do luar entrava, batendo em suas costas e tornando os fios loiros quase esbranquiçados, mas nem a pouca luz era capaz de ofuscar a surpresa em seu rosto.

- Eu sei que você não vai falar nada, foi exatamente o que o Cristopher me disse. Eu te chamei aqui porque eu não consigo entender o motivo.

Os braços da loira foram erguidos para se chocarem contra as laterais do seu corpo em seguida enquanto ela abria e fechava a boca, tentando encontrar as palavras.

- Ele quase te matou! Não sei se estava mesmo mirando aquela planta idiota ou não, mas a verdade é que você poderia não estar aqui agora! Como você não está agora mesmo batendo na porta do ministro em pessoa? Como ainda consegue proteger alguém como ele, Mellish?

Ao perceber que sua voz se elevava cada vez mais, Clementine se obrigou a fazer uma pausa, respirar fundo e sacudir a cabeça. Quando sentiu que estava mais controlada, ela buscou pelos olhos castanhos do lufano mais uma vez e pendeu a cabeça para o lado, completando com um sussurro cúmplice.

- Não estou aqui para pedir que você não conte a ninguém o que aconteceu. Estou aqui para dizer que você deveria dizer a alguém.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Qua Dez 21, 2016 12:34 am

Por longos segundos, Liam ficou paralisado em seu lugar, encarando a garota a sua frente com um semblante absurdamente confuso, como se Clementine estivesse fazendo o seu discurso em uma língua desconhecida pelo lufano. Era difícil acreditar que a namorada de Cristopher havia promovido aquele encontro com o objetivo de fazer Mellish desistir da ideia de omitir o sério incidente daquela tarde.

A luz do luar refletindo nos traços perfeitos da loira contribuía para realçar ainda mais a beleza natural de Clementine. Tudo naquela cena parecia tão irreal que, por um momento, Liam se questionou se não havia pegado no sono em sua cama e agora vivia um sonho.

DiLaurentis sempre fora uma garota anormalmente bonita aos olhos de Mellish, mesmo quando era apenas uma menininha de onze anos assustada ao ouvir o Chapéu Seletor gritar “Corvinal” ao invés de Sonserina. Liam estava no começo do seu terceiro ano em Hogwarts e muita coisa havia acontecido desde então, mas o lufano ainda se lembrava com perfeição da expressão adoravelmente surpresa e da forma como Clementine tropeçou no trajeto até a mesa de Rowena Ravenclaw.

Naquela época, os dois eram apenas crianças que ainda não tinham a exata dimensão do abismo social que os separava, mas Liam não tinha dúvida de que o sentimento por Clementine havia nascido naquele momento. O passar dos anos alimentou aquela paixão, mas também deu a Mellish a maturidade para enxergar que DiLaurentis era um sonho inalcançável.

- Como assim? Você está falando sério?

Por um momento insano, Liam olhou ao redor como se esperasse que o meio-irmão surgisse repentinamente no corujal, gargalhando por ter zombado dele com aquela brincadeira. Quando Cristopher não apareceu e Mellish se deu conta de que os dois realmente estavam sozinhos, o semblante do monitor-chefe ganhou mais uma dose de confusão.

- Se eu contar para os professores sobre o que houve na estufa, o Cristopher será expulso. Mas muito provavelmente esta será a única punição dele, o Sr. Rookwood tem influência para abafar o caso no Ministério da Magia. E ele já deixou claro que uma expulsão não fará a menor diferença no futuro glorioso dele.

Como tinha certeza de que Clementine compartilhava as opiniões do namorado, Liam não imaginava que era a primeira vez que a loira escutava os argumentos sujos usados por Rookwood naquela tarde.

- Mas a verdade pode prejudicar você. – como se quisesse reforçar as palavras, Mellish apontou para a menina a sua frente – Você é a única testemunha da briga, DiLaurentis. Os professores vão te pressionar pela verdade e você só teria duas saídas. Ou teria que tentar mentir para o Professor Dumbledore e também seria expulsa, ou seria obrigada a entregar o Cristopher, o que causaria um abalo nas relações da sua família com os Rookwood.

A situação de Clementine realmente era delicada, mas era difícil entender por que Liam se preocupava com ela. O lufano havia sofrido uma tentativa de homicídio naquela tarde, era surreal que ele deixasse aquele crime grave escondido apenas para que DiLaurentis não fosse pressionada pelos professores. Mesmo para os padrões bondosos de um lufano, aquela caridade era absurda demais.

A expressão confusa de Clementine mostrava que, ao contrário de Cristopher, ela nunca havia percebido o interesse do lufano. O orgulho não fazia parte das principais características dos alunos da Lufa-Lufa, mas ainda assim era difícil para Liam abrir o jogo daquela forma. Até mesmo para um lufano, era difícil confessar os seus sentimentos sabendo que eles não seriam retribuídos.

O monitor-chefe engoliu em seco. Sua boca abriu e fechou repetidas vezes, como se Mellish perdesse a coragem de completar aquela confissão antes mesmo que a primeira palavra saltasse para fora de seus lábios. Só depois de longos segundos de indecisão, o lufano finalmente teve coragem de ir até o fim.

- Eu não gostaria de vê-la passar por isso. E nem me sentiria bem se soubesse que, de alguma forma, eu prejudiquei os seus planos para o futuro. Eu nunca tive nenhuma ilusão e sei que tudo isso é uma bobagem, mas não consigo evitar. Eu não quero que você me odeie porque... – os olhos castanhos se desviaram com um nítido constrangimento antes que Liam completasse – ...eu gosto de você.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Qua Dez 21, 2016 1:04 am

- Eu ainda acho que é questão de tempo até os CDFs chutarem a bunda dela para fora da Corvinal.

A entonação amarga de Shayna mostrava que o assunto “Melissa Zummach” ainda não havia sido completamente esquecido para os alunos da Grifinória. Mas ao contrário da capitã do time de Quadribol, os demais alunos pareciam evitar mencionar o nome da menina que havia deixado a torre de Godric Gryffindor por livre e espontânea vontade, envergonhados demais por terem levado a menina até aquela decisão.

A sensação era parecida com um luto, como se ao invés de apenas ter trocado as cores de seu uniforme, Melissa tivesse na verdade morrido depois de um erro muito grande por parte dos alunos da casa dos leões. Alguns, talvez tomados por uma dose maior de remorso, tentava se aproximar de Melissa nos dias seguintes, mas na maior parte das vezes, eles apenas tentavam digerir aquela novidade em silêncio.

Shayna, por outro lado, estava disposta a não deixar ninguém esquecer o quanto Zummach havia merecido cada uma das costas viradas em sua direção. E o fato da morena estar cada vez mais se adaptando entre os alunos de Rowena Ravenclaw era algo que a incomodava profundamente.

- Dez galeões que até o final do mês os bonitinhos metidos a sabe-tudo vão se cansar da alma podre dela. Quando aquela garota vai entender que o lugar dela é com as serpentes?

- Por Godric, Shay... – Robbie girou os olhos, apressando seus passos entre um grupinho de alunos para alcançar uma das carruagens que se enfileiravam para levarem os estudantes ao primeiro passeio em Hogsmead. – Você está parecendo muito mais com uma Sonserina falando assim.

A ruiva estreitou os olhos ameaçadoramente e travou antes de subir para a carruagem, provocando um pequeno congestionamento atrás de si. Shayna poderia ter sua infinidade de motivos para odiar Melissa, mas ser comparada com uma Sonserina era de longe a maior das ofensas.

- Se quer ser estuporado logo cedo, é só dizer, Robbie. Vai nos poupar tempo.

O goleiro, que já estava cansado do temperamento da menina, apenas girou os olhos e passou por ela para ocupar seu lugar na carruagem.

- Só estou dizendo que você pode mudar o disco. Já sabemos que você odeia a Zummach, mas a garota já tá em outra, você já recuperou a sua forma, não podemos simplesmente seguir em frente?

A carruagem balançou quando Shayna pisou no degrau e se equilibrou para ocupar o lugar em frente a Robbie. Ela já resmungava uma resposta atravessada quando percebeu que Landon não acompanhava seus passos.

Todos os anos, desde que as visitas a Hogsmead haviam sido liberadas, Vanderwaal acordava cedo no primeiro sábado de passeio ao vilarejo, disposto a aproveitar cada segundo daquele dia de folga, e claro, pegar a Dedosdemel ainda vazia para repor o seu precioso estoque de doces.

Mas naquele dia, assim como durante toda aquela semana, Landon parecia distraído demais. O trabalho com a monitoria havia sido deixado de lado, seus compromissos com o Quadribol ignorados e já começava a ficar atrasado nas aulas por estar sempre com o pensamento distante do assunto abordado pelos professores.

Vanderwaal tentava dizer a si mesmo que era apenas a mesma apatia que havia caído sobre os colegas que lamentavam a saída de Melissa da Grifinória, mas no fundo tinha consciência de que a culpa era o real motivo para o seu desanimo.

Naquela manhã, enquanto Robbie e Shayna discutiam mais uma vez o assunto “Melissa Corvinal Zummach”, os olhos esverdeados passavam pelos jardins e quando encontraram o reflexo dos fios castanhos já conhecidos, chegou a acreditar que era apenas produto da sua imaginação.

- Landie? – Shayna chamou, enfiando a cabeça para fora da carruagem. – Você não vem?

Mas os olhos verdes estavam estreitos, focados em um ponto distante, a caminho do campo de Quadribol. Ele tinha certeza que sua visão estava enganada, porque Melissa Zummach não estaria carregando uma vassoura sozinha. Simplesmente não fazia sentido.

- Eu... Eu esqueci que preciso terminar de aplicar uma detenção em um segundanista. McGonnagal vai me pendurar pelos tornozelos nas masmorras se eu furar mais essa.

- Duvido, a Minnie te ama.

Robbie exibia um risinho atravessado quando também enfiou a cabeça para fora da carruagem. Mas Landon já se afastava de todo o aglomerado de alunos que se preparavam para o passeio. Ele só virou a cabeça para trás quando escutou o goleiro chamar pelo seu nome mais uma vez.

- Me traga sapos de chocolates. E alguns bombons de caramelo. E por Merlin, compre todas as tortinhas de caldeirão que você encontrar!

A voz dele era abafada pelos ruídos dos demais alunos, mas Landon teve certeza que Robbie havia escutado sua encomenda quando se enfiou novamente na carruagem, balançando a cabeça em repreensão da mesma forma que fazia sempre que o flagrava devorando algum doce durante as aulas.

A cada passo, a mancha provocada pela pequena multidão de alunos ansiosos por um dia em Hogsmead ficava para trás. Landon quase sentia o arrependimento por deixar o vilarejo em um dia tão bonito, mas desde que Robbie trouxesse sua encomenda, o sacrifício valeria a pena.

Quando Vanderwaal atingiu o campo de Quadribol, já não havia mais vestígio dos alunos que se atumultuavam na porta do castelo, assim como o único ruído era provocado pelo vento que sacudia as árvores na Floresta Proibida.

O rapaz girou o rosto para cima e precisou cobrir os olhos com uma das mãos para enxergar contra o sol, mas desta vez sem mais dúvidas de que se tratava de Melissa em uma vassoura.

- O que está fazendo, Zummach? – Ele tentou ignorar o salto que seu coração ao pronunciar o nome dela e se esforçou para soar tão natural quanto no primeiro dia em que se falaram. – Se cair daí e bater a cabeça, só o que vai conseguir são algumas noites na Ala Hospitalar. O que pretende fazer agora, trocar a Corvinal pela enfermaria?
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Dez 21, 2016 4:18 pm

Durante toda a explicação de Mellish a respeito de sua decisão em omitir o grave incidente ocorrido nas estufas, Clementine manteve as sobrancelhas franzidas, provocando uma ruguinha entre seus olhos. A Corvinal não tentou interrompê-lo, mas estava achando bastante difícil de acreditar que ela seria o motivo que havia feito Liam optar por aquela escolha.

Pelos cinco anos em que frequentou Hogwarts, Liam não havia passado de um rosto conhecido entre os corredores com quem ela trocava apenas as educadas palavras quando seus caminhos se cruzavam. Depois do início do namoro com Cristopher, DiLaurentis passou a prestar mais atenção no lufano, simplesmente porque era impossível ignorar o drama envolvido entre Rookwood e Mellish. Mas ainda assim, o maior diálogo já trocado entre os dois havia sido naquele ano, após o empréstimo do livro, a breve conversa na festa de Horace Slughorn e a conversa que antecedeu o desastre das estufas.

Não fazia sentido que Liam omitisse uma tentativa de assassinato sob as barbas de Dumbledore apenas para protege-la de algum castigo. Logo ela, que estava há um ano ao lado de Cristopher, não estava disposta a colocar o próprio futuro em risco para protege-lo. Liam estava certo em dizer que as relações entre os Rookwood e os DiLaurentis ficaria estremecida caso ela se colocasse contra o namorado, mas aquilo também deveria ser insignificante para Mellish.

Quando ele concluiu sua explicação com uma confissão que parecia constrangedora demais, Clementine ainda manteve sua expressão mesclada entre a confusão e incredulidade, como se ainda não tivesse entendido onde Liam queria chegar. Em sua cabeça, a frase havia soado incompleta, cabendo a ela interpretar. Por que um colega que apenas simpatizava com ela estaria disposto a esconder algo tão sério apenas para protege-la?

Então, em uma sucessão de flashes invadindo sua cabeça, ela finalmente começou a compreender. Como um filme acelerado, ela se lembrava de dezenas de vezes em que seu olhar havia se cruzado com o dele durante as refeições. Ou como sua expressão parecia quase abobada quando se cruzavam pelos corredores. E no dia em que ela agarrou o último sapo de chocolate das prateleiras da Dedosdemel ao mesmo tempo que ele, mas Liam gentilmente abriu mão do doce para que ela pudesse comprar. Em todos os momentos, Clementine havia apenas chegado a conclusão de que ele a tratava da mesma forma educada que trataria qualquer outro colega. Mas sua mente finalmente havia clareado com as palavras ”Eu gosto de você”.

Os olhos azuis se arregalaram levemente com um arquear de sobrancelhas e a menina deixou escapar um “oh”, denunciando a sua surpresa com aquela confissão. De todos os rapazes de Hogwarts, ouvir aquilo da boca do meio-irmão de Cristopher era completamente inusitado. Seria imensamente constrangedor ouvir aquilo de qualquer um, mas para completar aquela cena absurda, Clementine se sentiu lisonjeada. Poderia ser um sentimento puramente egoísta, errado e bobo, mas o salto que seu coração deu entregava que ela não era tão indiferente quanto acreditava ser.

- É difícil acreditar que você e o Cris tenham o mesmo pai.

Aquilo provavelmente não era o que Mellish esperava ouvir depois de enfrentar as barreiras para finalmente declarar aquele sentimento platônico. Mas Clementine não conseguiu controlar a própria língua quando começou a comparar a atitude dos dois irmãos.

Cristopher estava longe de ser um príncipe encantado, mas Clementine havia mergulhado naquele relacionamento acreditando conhecer todos os seus defeitos. Aquela tarde havia revelado uma face de Rookwood assustadora demais para que ela pudesse digerir. Ela podia conviver com seus preconceitos, afinal havia sido criada com base neles. Até mesmo seus insultos e escolhas erradas, como consequência de seu drama familiar. Mas ela jamais havia imaginado que estava ao lado de alguém capaz de cometer um assassinato.

Liam, por outro lado, exibia uma outra lista de defeitos, mas que chegavam a ser ridículos quando a loira os comparava com seu meio-irmão. Afinal, ele não tinha culpa por ter nascido de um pai incapaz de aceita-lo, e apesar do distintivo que carregava no peito, ele parecia muito superior para pertencer a uma casa simples como a Lufa-Lufa. Ou talvez ela estivesse tão ocupada com seus preconceitos para notar que a casa de Helga Hufflepuff abrigava grandes personalidades.

- Você faria isso por mim?

A incredulidade voltou a refletir em seus olhos azuis, apenas porque Clementine não conseguia acreditar que alguém iria tão longe por ela. Era um gesto estúpido e nobre ao mesmo tempo, mas fazia seu coração se aquecer. Ela não queria que Mellish sofresse por conviver com alguém que havia lhe erguido a varinha para proferir uma maldição imperdoável, mas precisava admitir que era uma atitude incomparável o que ele estava fazendo para protege-la.

Com passos tímidos, a corvinal se aproximou de Liam, como se de perto pudesse enxergar algo que até então era incapaz de ver. Mas ele continuava ali, com os mesmos olhos castanhos, o texugo em seu peito junto com a insígnia de Monitor-Chefe, disposto a engolir os desaforos de Cristopher para não coloca-la em uma situação difícil. Sua mão trêmula foi erguida até tocar o símbolo da Lufa-Lufa no uniforme do rapaz, repensando todas as suas críticas a respeito daquela casa. Mesmo que jamais tivesse recriminado em voz alta, era impossível refrear o pensamento sobre como os lufanos eram inferiores às demais casas. E logo Liam se mostrava acima de qualquer um que ela conhecesse.

As íris claras analisaram o texugo sob seus dedos por alguns segundos antes de se erguerem para encarar o rosto de Liam. Eles estavam mais perto do que nunca e Clementine não estava mais pensando se o que estava fazendo era errado, se era um gesto de agradecimento ou apenas porque queria.

- Você é melhor do que ele jamais vai conseguir.

As palavras foram sussurradas como um segredo compartilhado. Assim que o silêncio voltou a reinar no corujal, Clementine ficou nas pontas dos pés e deslizou sua mão pelo uniforme de Liam até alcançar a nuca dele, afundando os dedos nos cabelos castanhos no mesmo instante em que unia os lábios em um beijo lento e carinhoso.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Qua Dez 21, 2016 5:45 pm

- Acidinhas?

- Acidinhas.

Melissa confirmou com convicção, ignorando o semblante totalmente confuso de Victorio Agostini. O monitor-chefe da Corvinal arqueou ainda mais as sobrancelhas diante daquele pedido inusitado e continuou se recusando a acreditar que a novata sabia o que estava dizendo.

- Você não está confundindo os nomes? Talvez esteja querendo dizer gotas de limão, ou feijõezinhos de todos os sabores...

- Não, Agostini. Eu quero acidinhas. Aquelas balinhas redondas de cores sortidas que são ácidas. É isso que eu quero. – Zummach empurrou para as mãos do colega uma pequena pilha de galeões antes de reforçar o seu pedido inesperado – Quero um sapo de chocolate e o resto do dinheiro de acidinhas. Obrigada!

Quando Agostini perguntou à novata se ela queria alguma coisa de Hogsmeade, a última coisa que o monitor esperava ouvir era que Melissa queria uma dose absurdamente grande de acidinhas.

Aqueles estavam longe de ser os doces mais populares da Dedosdemel. Normalmente os jovens disputavam os sapos de chocolate, esvaziavam as prateleiras de bolinhos de caldeirão e enchiam suas sacolas com bombons de caramelo, feijõezinhos de todos os sabores e varinhas de alcaçuz. As acidinhas eram balas pouco populares exatamente por não serem tão doces. A acidez do revestimento externo do doce fazia com que muitas pessoas cuspissem a bala antes mesmo de experimentarem a calda de morango deliciosa pela qual Zummach se apaixonara.

Era bizarro que justamente Melissa Zummach compartilhasse aquele gosto exótico de Albus Dumbledore. E também era irônico perceber que talvez a garota tivesse se dado tão bem com o doce justamente porque ela tinha muito em comum com as desprezadas acidinhas: a maior parte das pessoas desistia de Melissa antes mesmo de experimentarem o que ela tinha de melhor.

Victorio Agostini ainda estava intrigado com aquele pedido quando entregou a sua vassoura para Melissa para que a novata pudesse aproveitar aquele tempo livre para treinar. Zummach obviamente não havia contado ao colega que estava aprendendo a voar sozinha, portanto Victorio desconhecia por completo o risco que Melissa corria se aventurando sozinha no campo de quadribol. Na cabeça do monitor, ele apenas estava sendo gentil ao emprestar a sua vassoura para a nova colega que se mostrava tão determinada a entrar para o time da Corvinal.

A calça comprida usada por Melissa naquele dia escondia os joelhos ralados, assim como a longa capa azul da Corvinal também contribuía para ocultar os discretos rasgos no uniforme de quadribol. Mesmo que fosse audaciosa e que começasse a demonstrar alguma habilidade na vassoura, Zummach não havia saído ilesa das primeiras tentativas de voar sozinha.

Naquela tarde, Melissa estava convencida de que teria a paz necessária para treinar algumas manobras mais ousadas e para acelerar um pouco mais o voo. O castelo ficaria às moscas já que a maior parte dos alunos passaria o dia no vilarejo de Hogsmeade. Com o campo de quadribol inteiro para ela, a novata montou na vassoura de Agostini e logo seus pés perderam o contato com o chão.

É claro que Zummach ainda não demonstrava a mesma habilidade de um bruxo experiente, mas era impressionante vê-la voar sozinha sem ter recebido nenhuma aula oficial de voo em toda a sua vida. A menina tinha um equilíbrio invejável e não parecia nem meramente amedrontada em ver o chão tão distante dos seus pés.

Por estar tão concentrada na vassoura, Melissa só percebeu que não estava mais sozinha no campo de quadribol quando a familiar voz de Landon Vanderwaal atraiu o olhar dela para baixo. Os olhos azuis imediatamente giraram com impaciência antes que Melissa executasse um pouso. O cabo da vassoura estremeceu um pouco entre os dedos dela, mas a garota recuperou o controle e sequer precisou recolocar os pés no chão para recuperar o equilíbrio.

A vassoura continuou flutuando mais de um metro acima do gramado quando Zummach se colocou ao lado do grifinório. A freada brusca demais fez com que o corpo de Melissa deslizasse alguns centímetros para frente e denunciou a inexperiência dela. Contudo, ao invés de constrangida, a novata abriu um breve sorrisinho divertido enquanto se endireitava novamente na vassoura.

- Ops.

A expressão leve e brincalhona só sobreviveu por um segundo antes de dar lugar ao semblante irônico que Landon já conhecia tão bem.

- Me desculpe, monitor-chefe. Por um segundo eu me esqueci que eu te devo satisfações da minha vida porque... porque... – Melissa fingiu estar refletindo profundamente em busca da conclusão daquela frase antes de completar – Espere. Ah, é. Eu não te devo mais satisfações. Agora eu sou da Corvinal e, como você pode ver, tenho mais do que uma simples autorização para voar.

O indicador de Zummach apontou a extremidade do cabo da vassoura, no qual haviam sido entalhadas as letras “V. Agostini”. Se aquela era a vassoura do monitor-chefe e capitão da Corvinal, muito provavelmente Victorio sabia que a quintanista pretendia voar no campo de quadribol. O que Agostini não sabia era que eram enormes as chances de Melissa terminar aquela aventura na enfermaria do castelo com alguns ossos quebrados.

- Por que continua perdendo o seu precioso tempo comigo, Vanderwaal? Não era você que gostava de se vangloriar por ter não sei quantos mil amigos? Por que não se junta aos seus adorados amiguinhos no fantástico passeio até Hogsmeade e me deixa em paz?

Uma das sobrancelhas finas de Zummach se arqueou e ela mordiscou o lábio inferior antes de fazer aquela provocação, inclinando o corpo alguns centímetros a mais na direção de Landon.

- Se continuar me perseguindo assim, eu vou acabar concluindo que você está com saudades da diferentona.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Qua Dez 21, 2016 6:27 pm

A grande verdade era que Liam Mellish nunca havia alimentado a ilusão de que um dia beijaria os lábios de Clementine DiLaurentis. O lufano já estava tão conformado com a ideia de que a loira era um sonho inalcançável que a sua mente simplesmente se recusava a perder tempo imaginando qual seria a sensação de tê-la nos braços ou qual seria o sabor ou a textura dos lábios dela.

Nem mesmo naquela noite, em que ele se livrara de qualquer orgulho para admitir sua paixão platônica para DiLaurentis, Liam imaginava que teria alguma chance com a garota. Mellish esperava receber em troca daquela confissão um olhar de piedade, ou talvez desculpas gaguejadas ou até mesmo risadas de deboche.

Por isso, seu corpo foi invadido por uma potente corrente elétrica quando Clementine encostou os lábios nele. Os olhos castanhos se arregalaram por uma fração de segundo e, mais uma vez, Liam pensou seriamente na hipótese de tudo aquilo ser parte de um sonho absurdamente real.

Os lábios de Clementine eram quentes e macios demais, muito reais para serem fruto da imaginação do lufano. Assim como a boca, os dedos que tocavam o uniforme dele eram muito sólidos e não combinavam com as sensações vagas e subjetivas de um sonho comum.

A surpresa de Liam não durou mais que uma fração de segundos antes que os lábios dele começassem a retribuir o beijo iniciado por ela. Mesmo se tudo aquilo fosse apenas um sonho, Mellish se recusava a perder um segundo da maravilhosa sensação de ter Clementine DiLaurentis em seus braços.

O beijo se iniciou lento, como se os dois estivessem receosos diante daquela primeira experiência. Mas os jovens não precisaram de mais que três segundos para mergulharem num beijo mais profundo. As pálpebras de Mellish se tornaram pesadas e ele imergiu no escuro enquanto seus lábios aceleravam e intensificavam a movimentação. As mãos buscaram pela cintura de Clementine e, num movimento inconsciente, Liam a puxou para mais perto e colou os dois corpos.

O contato com o corpo sólido de DiLaurentis obrigou o lufano a abandonar a hipótese de tudo aquilo ser apenas um sonho. O calor que vinha do corpo de Clementine, o perfume suave dela, o sabor dos lábios, as unhas delicadas cravadas na nuca de Liam... Tudo era real demais.

O beijo era real, mas Mellish ainda não compreendia por que aquilo estava acontecendo. A parte mais racional da mente de Liam berrava que o beijo de Clementine fora motivado por piedade depois daquela confissão humilhante, ou talvez simplesmente por gratidão em saber que ele ficaria de boca calada sobre o incidente das estufas.

Um rapaz mais orgulhoso teria interrompido o beijo no exato momento em que aquelas ideias indigestas surgiram em sua mente, mas o lufano se recusou a entregar o controle da situação para um orgulho imbecil. Se a sua única chance de beijar Clementine DiLaurentis era aquela, que assim fosse. Por piedade, por gratidão, não fazia diferença. Liam queria desesperadamente aquela lembrança gravada em sua cabeça.

Os corpos permaneceram colados e os braços de Liam enlaçavam a cintura da garota com firmeza quando ele deu um passo para frente, levando consigo o corpo da menina até que as costas de Clementine estivessem apoiadas na parede externa do corujal. Os lábios continuaram unidos em uma sintonia tão plena que era difícil acreditar que os dois nunca tinham se beijado antes daquela noite.

Por mais que quisesse alongar aquele momento pelo máximo de tempo possível, Liam se viu obrigado a parar quando os dois começaram a ficar ofegantes. O lufano libertou os lábios de Clementine para que a menina pudesse recuperar o fôlego, mas aquela tarefa não era tão fácil com os beijos suaves que ele distribuiu pelo pescoço dela para finalizar aquela carícia.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Dez 21, 2016 10:06 pm

Cristopher Rookwood havia sido o primeiro e único rapaz a quem Clementine havia beijado. Ele havia sido o primeiro a ter coragem de convidar a bonita menina da Corvinal para um passeio e foi ousado o bastante para lhe roubar um beijo antes mesmo de retornarem ao castelo. Então, o namorado era a única referência que ela tinha naquele assunto.

Mesmo com a sua limitada experiência, não foi difícil perceber que havia algo de diferente com o beijo de Liam. Talvez fosse a paixonite adormecida por anos e a falta de fé que um dia aquele sonho se realizaria que o havia impulsionado para tornar aquele beijo ainda mais intenso, mas não havia dúvidas de que aquela experiência era diferente de tudo que Clementine já havia vivenciado antes.

A textura dos lábios de Mellish era surpreendentemente macia, assim como seu sabor era viciante. Mas era a forma como todo o corpo de DiLaurentis reagia que a fazia se esquecer de todo o restante do mundo. Seu coração saltava contra o peito, a temperatura de sua pele havia se elevado e ela sentia borboletas em seu estômago. Era a melhor coisa que já havia experimentado.

Quando os beijos de Liam deslizaram pelo seu pescoço, Clementine jogou a cabeça para trás, facilitando o acesso dele em sua pele e amassando os cabelos loiros contra a parede atrás de si. Um suspiro escapou pelos seus lábios e ela manteve os olhos fechados, com as mãos apoiadas nos ombros do rapaz para evitar que, caso suas pernas trêmulas falhassem, ela não fosse direto ao chão.

As pálpebras da menina tremeram e ela entreabriu os olhos por um segundo, com o intuito apenas de procurar os lábios de Liam para um novo beijo. Foi apenas um borrão nos jardins que chamou sua atenção e ela precisou forçar a vista para enxergar Hagrid atravessando a grama a caminho de sua cabana, carregando uma lanterna em uma das grandes mãos e o que parecia ser um grande regador de plantas na outra.

Na posição em que estavam, no ponto mais alto do corujal iluminado apenas pela lua, seria quase impossível para o guardião das chaves de Hogwarts enxergar dois alunos ali. Mas foi o suficiente para trazer Clementine de volta a realidade.

- Liam...

A voz falha de DiLaurentis entregava como ela havia ficado envolvida com o beijo, e sem muita convicção, ela apoiou as mãos contra o texugo no peito de Mellish, o afastando apenas poucos centímetros para interromper as carícias.

- Já está ficando tarde. O horário do jantar provavelmente terminou. Vamos ter problemas se esbarrarmos em alguém.

É claro que havia um risco de um encontro com algum professor acabar prejudicando o responsável Monitor-Chefe, mas o real receio da corvinal era que Cristopher acabasse flagrando aquele momento inusitado que ela sequer teria como explicar. Se uma maldição perdoável havia sido pronunciada em uma simples provocação sobre o Sr. Rookwood, ela não queria pensar no que o namorado seria capaz de fazer diante daquela cena.

Suas mãos permaneceram apoiadas contra o peito de Liam, mas ao invés de empurrá-lo ainda mais para longe, ela deixou que seus dedos apenas acariciassem as cores amareladas de sua gravata, relutante para encerrar aquele momento e voltar a encarar a realidade.

- Eu não vou te odiar se você quiser denunciar o Cristopher. Mas se realmente for seguir em frente com a sua decisão, eu prometo que ele não voltará a te importunar.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Qua Dez 21, 2016 10:33 pm

Os olhos esverdeados giraram quando as provocações de Melissa começaram, mas seus lábios se curvaram em um sorriso torto que mostravam que o monitor-chefe não estava sinceramente incomodado com o peculiar temperamento da novata. Era quase como se ele estivesse satisfeito em ver que ela continuava a mesma.

- Bom saber que os intelectuais não transformaram você em uma devoradora de livros, Zummach. Já parou para pensar que você pode estar na casa errada? De novo?

Apesar da implicância no delicado assunto que provavelmente havia servido como estopim para Melissa deixar a torre da Grifinória, o tom leve e a expressão relaxada de Landon mostrava que não passava de uma brincadeira, sem a real intenção de ofender a menina.

Ele enfiou as mãos nos bolsos da calça preta e a estudou, deixando as íris verdes pousarem nas iniciais do capitão do time da Corvinal por alguns longos segundos. Um estranho incômodo se instalou em seu estômago, mas Vanderwaal deduziu que fosse apenas o fato de estar diante de Melissa depois de todo complicado acontecimento com a saída dela da casa dos leões.

O vento fresco da manhã jogava os cabelos castanhos para trás, deixando a testa de Landon exposta. Além da calça preta, o uniforme cinza com as cores da grifinória havia sido deixado de lado e o rapaz exibia uma camisa cor de vinho por baixo de uma jaqueta esverdeada.

O sol brilhava no céu claro e deixava o clima com uma temperatura agradável, mas obrigava Vanderwaal a franzir o cenho para olhar na direção de Zummach, ainda flutuando a sua frente. Ele não conseguiu deixar passar desapercebido como ela ainda tentava se equilibrar sobre a vassoura.

- Você foi embora sem se despedir, não tive tempo de agradecer por ter me poupado das longas detenções nas sala de troféus. Não precisa se vangloriar, segundo a sua própria teoria, eu tenho um pequeno clube de garotas anencéfalas atrás de mim, por que teria saudades de uma cobrinha?

Mais uma vez, Landon não tinha a intenção de ofender Melissa. Ele simplesmente havia entrado naquele jogo de troca de ofensas gratuitas, já que aquela parecia ser a única forma de se comunicar com a ex-grifinória.

A testa de Vanderwaal ainda estava franzida quando ele ergueu uma das mãos e apontou para a vassoura onde Melissa mantinha o equilíbrio. Se realmente era verdade que Zummach nunca havia voado até a noite em que os dois haviam se beijado, era realmente surpreendente o progresso dela. Mas ainda assim, era notável que estava longe de ser alguém experiente com total domínio de voo. Por isso, em nenhum momento Landon deduziu que a menina estava ali com o alvo de conquistar uma vaga no time de Quadribol.

- Você não deveria estar aqui sozinha. Se tentasse frear como acabou de fazer, alguns metros mais pra cima, provavelmente teria deslizado da vassoura. O vento é mais forte lá em cima e vamos combinar que você não tem muito peso para se manter firme aí...

Landon cruzou os braços e arqueou os ombros, tentando parecer desinteressado, mas ao mesmo tempo sem conseguir controlar as próprias observações ou ignorar o incômodo com o nome estampado no cabo da vassoura.

- Seu novo monitor é um irresponsável. Eu jamais emprestaria uma vassoura para um primeiranista brincar de voo sem alguém por perto.

Para mostrar que não estava ali apenas para criticar ou criar a segunda guerra bruxa, Landon deixou que seus olhos deslizassem lentamente pelo rosto de Melissa, em completo silencio nos primeiros segundos, ignorando a sua mente que insistia em reproduzir a cena do beijo que havia acontecido naquele mesmo campo. Quando as palavras finalmente saíram de sua boca, soavam com a mesma atenção e paciência que havia dirigido a ela na sala de troféus.

- O segredo está no pulso. Muitas pessoas acham que é só inclinar o corpo para cá e para lá, mas é o seu pulso que realmente orienta a vassoura. O seu corpo apenas reforça e agiliza os movimentos. Se conseguir controlar o pulso junto com o seu corpo, vai conseguir frear com perfeição. Ou pelo menos o bastante para não despencar de uma vassoura.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Qua Dez 21, 2016 11:21 pm

O distintivo prateado foi cuidadosamente colocado sobre a mesa de Albus Dumbledore e o lufano olhou com pesar para o objeto uma última vez antes de empurrá-lo na direção do diretor com as pontas dos dedos. Todo o corpo de Liam ainda estava anestesiado depois do sonho que ele acabara de viver no corujal, mas nem mesmo a lembrança dos lábios perfeitos de Clementine DiLaurentis era capaz de fazer Mellish abandonar a sensação de que estava cometendo uma gravíssima traição aos professores.

- O que exatamente significa isso, Sr. Mellish?

- Eu estou entregando o meu cargo. – Liam sabia que o diretor havia compreendido o seu gesto, mas ainda assim não demonstrou impaciência enquanto respondia àquela pergunta óbvia – Não posso mais ser um monitor.

Os olhinhos azuis de Dumbledore permaneceram fixos na imagem do rapaz por um longo tempo antes que sua voz suave ecoasse novamente pelo escritório silencioso. Os dedos compridos do velho professor permaneceram cruzados sobre a mesa, sem nenhum movimento na direção do distintivo que o rapaz colocara ao alcance de suas mãos.

- A minha curiosidade não é um segredo para ninguém, Sr. Mellish. Então o senhor não ficará surpreso em saber que eu desejo conhecer os seus motivos.

Seria muito mais fácil mentir. Liam poderia simplesmente dizer que suas obrigações como monitor-chefe estavam tomando muito tempo e prejudicando seus estudos para os NIEMs. Mas aquela mentira faria com que Mellish se sentisse ainda mais sujo do que a omissão sobre o comportamento de Cristopher Rookwood. Era impossível para o lufano mentir bem diante do olhar bondoso e compreensivo de Dumbledore.

- Eu não posso explicar. E é exatamente por isso que vou entregar o meu cargo. A posição de monitor-chefe vem acompanhada por uma confiança que eu não mereço mais, Professor Dumbledore.

- A sua decisão foi influenciada pela misteriosa morte de uma das trepadeiras mais antigas da Professora Sprout? Devo mencionar que ela ficou arrasada quando retornou à estufa e encontrou a planta seca.

O queixo de Liam despencou e seu rosto perdeu todas as cores. Havia o mito de que Dumbledore sabia o que acontecia em cada um dos cantos de Hogwarts, mas até aquele momento o lufano imaginava que a lenda sobre as habilidades do diretor era exagerada. A forma como Mellish desviou o olhar e engoliu em seco foi exatamente a resposta que Albus precisava para confirmar as suas suspeitas.

- Eu reconheço com facilidade um feitiço das trevas quando vejo um, Sr. Mellish. Magia negra deixa rastros e, infelizmente, eu tenho uma longa experiência nisso. – Dumbledore estudou o lufano por mais alguns segundos antes de continuar – Imagino que o feitiço não tenha saído da sua varinha.

- Não! – os olhos castanhos novamente se ergueram com uma expressão que mesclava espanto e ofensa – É claro que não!

O olhar chocado de Liam se manteve fixo na imagem do diretor enquanto Albus se recostava mais confortavelmente em sua cadeira acolchoada. Os quadros dos diretores espalhados nas paredes acompanhavam aquela conversa com atenção e o estranho silêncio indicava que a conversa era séria demais e não admitia interrupções.

- Eu sei que não, fique tranquilo. Talvez o único lado positivo de ser um velho excêntrico seja a experiência de vida que eu acumulei ao longo das muitas décadas vividas, Sr. Mellish. Mesmo não tendo provas e não tendo testemunhado o ocorrido, eu consigo entender o que aconteceu nas estufas esta tarde. Mas nem mesmo a minha mente tão bem treinada consegue entender os seus motivos para se calar e para abrir mão de algo tão importante.

Os dedos de Dumbledore se descruzaram e ele finalmente levou uma das mãos até o distintivo do monitor-chefe. Liam sentia-se menos culpado em saber que aquela informação tão importante não ficaria escondida do diretor, mas ainda assim não seria a testemunha de acusação que apontaria para Rookwood e, consequentemente, para Clementine.

- Eu não posso tomar providências sem provas, Sr. Mellish. E não há prova se não houver nem mesmo uma acusação.

- Eu não posso ajudá-lo, professor.

- Por que não?

- Ela também estava lá.

Nenhum nome havia sido dito até então, mas o brilho de compreensão que iluminou os olhos de Albus mostrava que o diretor não precisava de mais explicações para entender a quem Liam se referia quando dissera “ela”. A expressão anormalmente séria de Dumbledore se suavizou e ele finalmente parecia ter entendido o dilema do lufano.

Os olhinhos azuis fitaram o distintivo mais uma vez antes de colocá-lo de volta na mesa. Albus repetiu o gesto do rapaz e usou a ponta dos dedos para empurrar o objeto de volta ao alcance de Mellish.

- Eu não aceito a sua demissão. – o diretor suavizou ainda mais o olhar e completou antes que Liam tivesse a chance de questionar – Volte ao trabalho, Sr. Mellish.

- Mas professor...!

- Sem acusação não há crime. Sem crime não há motivos para que você seja penalizado.

- A situação é grave e o meu silêncio te deixa de mãos atadas, professor. Não é uma atitude digna de um monitor-chefe.

- Talvez... – Dumbledore ponderou por alguns segundos antes de finalizar aquela conversa – Mas eu ainda prefiro enxergar o melhor lado desta situação. O seu silêncio não é uma traição, mas um ato de bondade. Não posso punir um lufano que simplesmente segue as características de sua casa.

Os lábios que ainda formigavam com o beijo de Clementine eram a prova de que a decisão de Liam não era tão altruísta quanto o diretor fazia parecer. O monitor-chefe contraiu o rosto em uma breve careta enquanto pegava de volta o distintivo devolvido por Albus.

- Temo que a minha decisão seja um pouco mais egoísta do que o senhor imagina, professor.

- Sr. Mellish. O que mais preciso fazer para que o senhor entenda que eu sei de tudo o que acontece neste castelo? – Dumbledore abriu um sorrisinho quando o rosto de Liam corou com a lembrança do beijo no corujal – Acho que deveria retornar para o Salão Comunal da Lufa-Lufa, obviamente este foi um longo dia para o senhor.

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A típica confusão que antecedia os passeios para Hogsmeade deixava Liam meio atordoado naquela manhã. A Professora Sprout tentava organizar os alunos com a ajuda de seus monitores, mas não era raro que a própria diretora da Lufa-Lufa se atrapalhasse com o bolo de autorizações empilhadas em suas mãos.

Mellish havia acabado de tirar da fila um primeiranista que tentava se aproveitar da confusão protagonizada pela professora quando sua visão lateral capturou a imagem de um borrão loiro passando pelo lado oposto do saguão. Se antes Liam já enxergava Clementine em qualquer canto do castelo, após o beijo no corujal ele parecia ter adquirido um radar que localizava DiLaurentis à distância.

Os olhos castanhos buscaram quase que imediatamente por ela, num gesto pouco discreto que, por sorte, ninguém parecia notar graças à movimentação caótica que antecedia o passeio.

Liam não fazia ideia de como seriam as coisas depois daquele beijo, se Clementine estava arrependida ou se sentia-se culpada por ter traído o namorado. Ele sequer entendia a motivação do beijo e sabia que eram grandes as chances da corvinal ter sido movida por gratidão ou piedade.

Contudo, mesmo sem a certeza dos pensamentos que povoavam a cabeça da loira, Liam se arriscou num pequeno sorriso carinhoso. Antes de saber se seria correspondido, Mellish teve a visão de DiLaurentis subitamente barrada pela cabeça de uma lufana irritada. Os olhos de Mia brilhavam de fúria e sua voz saiu meio rosnada, e só naquele momento Liam se lembrou de que havia concordado com a ideia de tentar ser mais que um amigo de Mia Blake.

- Acho que a Corvinal tem seus próprios monitores, então você pode se concentrar na fila da Lufa-Lufa.

- Ih, Mia... – os olhos castanhos giraram com alguma impaciência – Eu só estava tentando achar o Landon. A gente sempre toma uma cerveja no Três Vassouras quando vamos a Hogsmeade.

- Estava procurando o Landon no meio de um grupinho de meninas da Corvinal?

- Bom, é um excelente palpite. O Landon vive rodeado de meninas.

- Quando foi que você se tornou um mentiroso, chefe? – Mia não estava disposta a perder aquela discussão e lançou um olhar mortal na direção de Clementine enquanto resmungava.

- Não sei. Talvez na mesma época em que você se tornou uma maluca enciumada. Já chega, Mia, temos muito trabalho a fazer. Eu já tirei aquele pirralho da fila duas vezes. Faça isso por mim antes que eu perca o distintivo por azarar primeiranistas.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Qui Dez 22, 2016 12:26 am

- Por que eu deveria acreditar nas suas dicas? Nós somos adversários agora, você não tem nenhum motivo para me ajudar nisso.

Apesar da resposta atrevida, Melissa no fundo sabia que o monitor da Grifinória jamais lhe daria orientações de voo equivocadas que poderiam culminar num acidente dolorido. Landon podia ter demonstrado uma infinidade de defeitos, mas continuava sendo um monitor-chefe respeitável que zelava pela ordem no castelo de Hogwarts.

Embora precisasse desesperadamente de algumas dicas antes dos testes da Corvinal, Zummach não esperava receber aquela ajuda justamente de Landon Vanderwaal.

- Aliás, não é muito digno da sua parte falar mal de um colega pelas costas. Não sei como funcionam essas coisas, mas deve ter algum código de ética dos monitores que você acabou de ferir ao acusar injustamente o Victorio.

Por mais que estivesse se adaptando à nova vida na Corvinal, Melissa ainda não tinha intimidade o bastante para chamar o monitor-chefe pelo primeiro nome. Sempre que conversava com o rapaz, Zummach usava apenas o “Agostini”. Naquela manhã, contudo, o primeiro nome do garoto foi usado justamente para avaliar a reação de Landon diante daquele pequeno detalhe.

A vassoura continuava flutuando alguns centímetros acima do gramado, de forma que Melissa conseguia encarar o grifinório frente a frente, sem ser prejudicada pela diferença nada sutil nas estaturas dos dois. Ao invés de seguir a preciosa dica de Landon, Zummach quis afrontá-lo ainda mais e soltou as duas mãos que seguravam o cabo da vassoura, fazendo com que o peso do seu corpo fosse e único responsável pelo equilíbrio.

- Você vai perder o passeio se continuar aqui. Eu me sinto mal em imaginar a decepção que a sua ausência causaria no fã clube das anencéfalas. Tenho quase certeza que vi uma lufana fazendo cartazes esta semana. O próximo passo talvez seja um pergaminho de dois mil metros repletos de declarações de amor e manchas de beijinhos com batom vermelho.

Os pés de Melissa continuavam bem fixados nos respectivos apoios da vassoura de Agostini, mas nem isso foi o bastante para garantir o equilíbrio da novata quando uma rajada mais forte de vento sacudiu a vassoura repentinamente, interrompendo as provocações de Zummach.

Como Melissa estava apenas há pouco mais de um metro de altura do gramado, a queda certamente não seria tão desastrosa, mas com certeza aumentaria o número de arranhões e rasgos no uniforme da Corvinal. O corpo delicado de Zummach escorregou rapidamente para fora da vassoura e teria terminado no chão do campo de quadribol se não fossem pelos reflexos ágeis de Landon.

A garota fechou os olhos e fez uma careta, já esperando pelo impacto com o gramado duro. Mas o que ela sentiu foi um par de mãos fortes amparando seu corpo antes que a queda se concretizasse. A vassoura de Agostini foi a única coisa que realmente atingiu o chão enquanto o corpo de Melissa continuou suspenso, desta vez graças às mãos de Vanderwaal.

Melissa abriu apenas um dos olhos para tentar entender o que acabara de acontecer e soltou um bufo quando se viu no colo de Landon. A forma como as bochechas dela coraram denunciava que Melissa também se lembrava muito bem do beijo que acontecera naquele mesmo campo.

- A culpa é toda sua, você me desconcentrou, Vanderwaal! – com os dois olhos abertos, Melissa tentou inutilmente alcançar o chão, mas Landon era alto o bastante para manter os pés dela suspensos no ar – Eu ainda não sou tão boa na vassoura, mas te garanto que não preciso de ajuda com a varinha. Você vai descobrir isso da pior maneira se não me soltar imediatamente!

Apesar da ameaça nada sutil, era evidente que Melissa não estava lutando de verdade para se libertar dos braços do grifinório. Ao invés de se debater, a novata simplesmente voltou o olhar para Landon, encarando-o de muito perto graças à proximidade imposta por aquele abraço forçado.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qui Dez 22, 2016 12:54 am

- Você pelo menos sente remorso?

A última aula de Clementine havia chegado ao fim e a sala de Horace Slughorn estava inteiramente vazia, com exceção do casal envolvido em uma longa e interminável conversa. Sem mais testemunhas por perto e com o ruído das masmorras cada vez mais chegando ao fim, ela se sentia a vontade para manter o tom de voz natural, sem risco de serem flagrados.

Cristopher não era exatamente dotado de grande paciência, mas como aquela era a primeira vez que o casal se envolvia em uma discussão tão séria, ele parecia estar lutando para não perder o controle tão rapidamente. Porém, quanto mais se controlava, mais Clementine se alongava naquele assunto que ele queria apenas enterrar e deixar para trás, e estava cada vez mais difícil se manter calmo.

O Sonserino estava de costas para a namorada, impedindo que ela visse sua expressão esgotada. Ele apoiou as mãos sobre a mesa do professor de Poções enquanto a loira se mantinha recostada em uma das bancadas mais afastadas, com os braços cruzados.

- Quantas vezes vou precisar repetir que eu mirei na maldita planta? Devo sentir remorso por matar uma maldita de uma samambaia? – Cristopher inclinou o rosto para o lado, mas se manteve de costas para Clementine.

As bordas esbranquiçadas de seus dedos mostravam a força que ele aplicava contra a madeira, usando aquilo como escape para não explodir diante de DiLaurentis.

- Mas você poderia ter acertado ele, Cris! Ou a mim! Um movimento errado e você estaria lidando com sangue nas mãos neste momento.

Cristopher finalmente se virou e Clementine pôde identificar a fúria em seu olhar, mas não estava disposta a encerrar aquele assunto até identificar que o namorado se sentia ao menos remotamente arrependido.

- Eu jamais teria erguido a varinha contra você, Cleo. E quanto a ele, não seria exatamente tão ruim assim. Um imundo a menos no mundo, que mal tem nisso?

O rosto de Clementine se franziu em espanto e ela abriu a boca como um peixe fora d’água, ainda sem acreditar na frieza com que Cristopher usava para falar sobre o ocorrido. Ele já havia tido tempo o bastante para se acalmar e repensar em seus atos, mas estava cego demais pela raiva do meio-irmão para enxergar as coisas com clareza.

- Então você realmente não se importa em matar alguém?

Os DiLaurentis e Rookwood não faziam muito esforço para esconder o seu desagrado com os nascidos-trouxas e mestiços. Clementine cresceu sabendo que aquele tipo apenas manchava o sangue puro dos bruxos, que eram inferiores e que não mereciam posições de destaque na sociedade. Mas ela não conseguia ver a si mesma ou seus pais literalmente erguendo a varinha para ceifar uma vida apenas porque eles não eram bons o bastante.

Cristopher já havia notado que a namorada não abraçava aquele mundo com tanta facilidade, mas tinha esperanças de que ela seria apenas mais uma das esposas que simplesmente preferiam não se envolver pessoalmente na guerra que estourava e onde ele sabia exatamente em que lado pertencia. Mas em nenhum momento chegou a acreditar que ela seria contra aqueles ideais.

- Se for realmente necessário, por que não? - Normalmente, Cris tentava poupar a loira. Mas ele queria ver até onde Clementine estava disposta a defender Liam. – É claro que eu jamais faria isso sob o nariz daquele velho nojento, mas em menos de um ano eu vou estar fora daqui. E estou disposto a fazer o que for necessário para manter o mundo limpo de gente assim. E Mellish está no topo da lista.

O estômago de Clementine afundou. Cristopher falava exatamente como um dos seguidores do Lord das Trevas, entoando com a mesma convicção que Liam usava para defender o outro lado daquela guerra. DiLaurentis poderia não ter se decidido sobre qual estava certo ou errado, a única coisa que sabia é que jamais seria capaz de erguer uma varinha para matar alguém.

- Por que você se importa com ele? – O nojo na voz de Cristopher soou depois de uma longa pausa, com uma Clementine ainda sem reação.

A lembrança do beijo no corujal voltou a sua mente, fazendo suas bochechas corarem ao mesmo tempo em que um sabor amargo enchia sua boca com o peso da culpa. O que Cristopher estava fazendo era completamente errado, mas não minimizava o seu próprio deslize.

- Eu quero que você o deixe em paz.

O choque no rosto de Cristopher foi tão grande e o impediu de reagir, permitindo que Clementine prolongasse seu pedido.

- Eu já disse antes, Cris, e estava falando sério. Não vou mais ficar no meio dessa guerra entre vocês dois.

O olhar de Rookwood se estreitou desafiadoramente, mas Clementine já sabia que ele não reagiria tão facilmente diante daquele pedido. Por isso, ela sabia que havia apenas uma coisa que seria capaz de incentivar o sonserino a deixar o meio-irmão em paz.

A ideia de continuar ao lado de alguém com sangue frio o bastante para matar o próprio irmão era indigesta, mas se aquele detalhe fosse o suficiente para dar um basta na briga entre os dois, Clementine estava disposta ao sacrifício.

- Você pode escolher: Uma briga sem sentido com um cara que você enche a boca para dizer que não é seu irmão, ou eu.

***

- Nós não deveríamos esperar a Zummach? – Clementine ficou na ponta dos pés em busca dos cabelos castanhos da nova integrante da Corvinal.

- O Victorio disse que ela não tem autorização para o passeio. – Sara se inclinou para o lado, observando a movimentação da fila. – Coitada, é como se realmente fosse uma primeiranista.

Mas DiLaurentis não estava mais escutando a resposta da amiga. Seu olhar havia pousado na fila dos lufanos há poucos metros de distância, mas o rosto de Liam foi imediatamente encoberto por um vulto de cabelos escuros.

Sem perceber, Clementine estreitou o olhar para a nuca de Mia Blake. É claro que a inimizade entre as duas havia começado durante a discussão na festa do Prof. Horace, mas havia uma motivação a mais para se sentir incomodada com a presença de Mia. Se sentindo repentinamente irritada, a loira se apressou na fila, se esforçando para manter as costas para os lufanos.

- E então, onde está o diabo vestido de príncipe encantado? – Sara arqueou uma sobrancelha ao acompanhar os passos de Clementine, utilizando a mesma expressão que sempre se referia a Cristian Rookwood.

- Cris não vai. – Clementine se limitou a responder, lutando contra a vontade de deslizar o olhar novamente na direção de Mia e Liam. – Está se dedicando aos NIEMs.

A resposta vaga era perfeitamente aceita para um Corvinal dedicado. Mas definitivamente não combinava com alguém com o futuro garantido como Rookwood. Era simplesmente mais fácil que as pessoas acreditassem que Cristian estava se dedicando aos estudos do que tentar explicar sobre o bilhete que ela havia encontrado no bolso de seu casaco, sobre uma misteriosa reunião que aconteceria fora de vista da vista dos professores.

O sol agradável iluminava as ruas de Hogsmead e os alunos de Hogwarts se acotovelavam entre as lojas. Como sempre, a maioria dos estudantes se direcionavam primeiramente para a loja de doces ou de logros.

Clementine chegou a se arriscar a entrar na Dedosdemel com duas colegas da Corvinal, mas desistiu de seus doces ao ver que perderia quase toda a manhã para pagar meia dúzia de sapos de chocolate. Com a promessa de que voltaria a encontrar com as amigas na hora do almoço, no Três Vassouras, DiLaurentis deixou que seus pés a guiassem pelas calçadas.

A saia que marcava sua cintura e caía com um leve tecido em suas coxas balançava conforme seu movimento. A blusa amarela estava enfiada por dentro da saia e exibia um comportado decote, com as alças finas que deixava praticamente todo o seu ombro exposto. As botas de cano curto faziam um “toc toc” contra a calçada e os fios loiros estavam soltos, com apenas uma delicada tiara também amarela quase camuflada em sua cabeça.

O barulho dos seus passos cessou repentinamente quando DiLaurentis viu diante de qual loja havia parado. Ela chegou a olhar de um lado ao outro da rua, só então percebendo que a movimentação de alunos ali era muito menor. As lojas mais sóbrias não eram atrativos para adolescentes, mas ela tinha certeza que encontraria Mellish do outro lado da vitrine, provavelmente carregando a lista de compras da Madame Sprout.

Clementine mordeu o lábio inferior, mostrando sua indecisão antes de deixar vencer aquela estranha necessidade de procurar por Mellis mais uma vez. Um discreto sininho soou no instante em que ela abriu a porta e imediatamente se arrependeu ao perceber as cabeças virando em sua direção.

A loja estava repleta de plantas penduradas nos tetos, sacos e mais sacos de terras nas prateleiras e potes de sementes enfileirados no balcão. E bem diante do atendente, estava o monitor-chefe da Lufa-Lufa.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Qui Dez 22, 2016 1:36 am

- Eu não vou passar o resto do dia com as roupas exalando as ervas fedorentas da Pomona!

O protesto de Mia soou quando o monitor-chefe da Lufa-Lufa tocou a maçaneta da pouco popular loja de plantas e ervas de Hogsmeade. Os demais alunos de Hogwarts já se acotovelavam para conseguirem entrar nos estabelecimentos mais populares, mas a primeira parada de Liam seria justamente na loja da qual a professora encomendara seus pedidos. Talvez aquela fosse uma maneira de compensar os professores pelo erro de continuar encobrindo o crime de Rookwood.

Os dois lufanos estavam de mãos dadas naquele dia. Embora Mia e Liam fossem amigos desde sempre, os dedos entrelaçados davam um novo tom ao relacionamento dos dois. Mellish ainda não sabia qual nome dar para aquela nova relação, tampouco saberia dizer se o beijo no corujal fora uma traição de verdade. Só o que o monitor-chefe sabia era que não era justo dispensar Mia Blake quando o namoro de Clementine e Cristopher continuava inabalável.

- Eu vou comprar as coisas dela de uma vez. Pode ir na frente, eu te encontro em alguns minutos. Dedosdemel?

- Dedosdemel. – Mia confirmou enquanto se inclinava para tomar os lábios do colega em um beijinho de despedida.

O sininho anunciou a entrada de Liam na loja que, se não fosse pelo solitário atendente atrás do balcão, estaria completamente vazia. O homem abriu um largo sorriso quando viu Mellish retirar do bolso a enorme lista feita por Madame Sprout e estava selecionando as ervas e raízes solicitadas pela professora quando o sino anunciou a entrada de um segundo cliente.

Dois clientes de uma só vez era provavelmente um recorde para a loja, a julgar pelos olhos arregalados do atendente. Os olhos do homem saltavam de Liam para Clementine, dando-lhe o aspecto de uma barata tonta que acabara de levar uma chinelada e não sabia para que lado correr.

- Pois não? – por fim, o atendente depositou a atenção na loira – Em que posso ajudá-la, senhorita?

Se Mellish ainda tivesse alguma dúvida sobre o motivo que levara DiLaurentis para dentro daquela loja, as coisas ficariam muito mais claras quando a corvinal abriu e fechou a boca várias vezes, sem saber o que responder. Era óbvio que Clementine havia entrado ali em busca de algo que não estava em nenhuma das prateleiras do estabelecimento.

- Sementes de mandrágora, talvez... – Liam segurou o riso enquanto tentava salvar a colega naquela situação embaraçosa – Eu me arrepio só de pensar no trabalho que tive com as mandrágoras no quinto ano.

Antes que Clementine se atrapalhasse ainda mais naquela mentira, o lufano apontou na direção das últimas prateleiras da loja.

- Ficam bem ali, o trauma foi tão grande que até hoje não me esqueci. Eu posso te mostrar... – Liam abriu seu sorriso mais inocente para o balconista – O senhor termina de embalar os meus pedidos enquanto eu a levo até as sementes?

O atendente não pensou duas vezes antes de concordar com aquela oferta gentil, aliviado por Liam ajudá-lo com a inédita tarefa de atender dois clientes ao mesmo tempo. Os dois alunos de Hogwarts seguiram sozinhos até o fundo da loja com passos contidos e comportados, numa postura que não despertaria nenhum tipo de desconfiança.

Ninguém que assistisse aquela cena imaginaria que, tão logo os dois sumiram de vista atrás de vários sacos de terra empilhados, a distância respeitável que os separava foi exterminada com um abraço apertado. Nenhum dos dois estava raciocinando quando os lábios novamente se uniram num beijo sufocante de saudades, como se eles fossem velhos namorados apaixonados que não se viam há muitos e muitos meses.

Os dois não tinham muito tempo e logo o balconista poderia estranhar a demora deles, mas Liam estava disposto a aproveitar cada segundo daquela pequena loucura. O segundo beijo parecia ainda mais gostoso porque era temperado com o risco de serem pegos em flagrante e com a certeza de que, daquela vez, Clementine não estava sendo movida por piedade. DiLaurentis havia ido ao encontro dele por livre e espontânea vontade.

- Amarelo...

A voz de Liam soou num sussurro meio rouco e ofegante quando os lábios finalmente se separaram. Os dedos compridos tocaram o tecido da blusa de Clementine enquanto seus lábios se curvavam num adorável sorrisinho torto.

- Já era a minha cor preferida antes mesmo que eu soubesse que você fica ainda mais linda de amarelo.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Qui Dez 22, 2016 1:36 am

- Eu gostaria muito de saber de onde você tira essa ideia de fã clube, Zummach.

Apesar do sorriso torto que Vanderwaal ainda exibia em seu rosto, havia sinceridade em suas palavras. Melissa parecia apenas como uma garota enciumada quando citava um mundo feminino que suspirava aos seus pés, que Landon acreditava não existir.

Em partes, ele queria entender o que levava a novata a fazer aquele tipo de comentário, já que mesmo na pior das provocações, sempre havia algum fundo verdadeiro nas palavras de Melissa. Mas Landon precisava admitir que era agradável ver como ela parecia incomodada com aquelas alfinetadas até então sem sentido. Principalmente quando ele próprio não ficava muito satisfeito ao notar como ela vinha se enturmando entre os Corvinais ou como o nome do Monitor-Chefe da casa adversária soava bobo nos lábios dela.

O olhar do Monitor Chefe se estreitou ao ver a vassoura tremer entre os joelhos de Melissa. Como uma criança birrenta e sem educação, ela queria exibir uma independência, mostrar que era superior e não precisava dele com seus conselhos básicos. Mas foi impossível refrear a língua ao ver que Melissa estava fazendo tudo errado. Jogadores experientes soltavam suas vassouras todo o tempo durante as partidas, mas era uma grande tolice simplesmente se entregar como ela estava fazendo, apenas para se exibir,

- Cuidado, você vai cair...

Sua frase mal terminou de coar contra o vento quando Zummach finalmente cedeu. O corpo de Landon foi atirado para frente em puro reflexo e ele impediu o tombo com seus braços fortes.

O grifinório sentiu toda a sua pele formigar no instante em que o corpo de Melissa se chocou contra seus braços. O peso dela fez com que ele vacilasse por um único segundo, logo a acomodando de uma forma mais segura e firme. Os olhos verdes se arregalaram com a repetição daquela proximidade e ele imediatamente se recordou do beijo trocado bem ali, dias antes.

Mais uma vez, foi a entonação carrancuda de Zummach que o trouxe de volta a realidade. E mesmo diante da ameaça dela, os braços de Landon permaneceram firmes ao redor de seu corpo, mantendo-a alguns centímetros acima do chão. Eles estavam tão próximos que podia sentir outra vez o perfume de maçã-verde que vinha dos cabelos escuros.

Os olhos verdes de Landon estavam ainda mais expostos quando seus cabelos eram soprados para trás, expondo a sua testa, e eles giravam de um ao outro olho de Melissa, sem ao menos notar que estava prendendo a respiração.

- Eu sei o quanto você é boa com uma varinha.

Ele sussurrou, em menção ao episódio que havia tornado Shayna em um balão e praticamente motivado a vida da grifinória em infernizar os dias da novata. A capitã do time de Quadribol tinha uma grande parcela de culpa na decisão que havia levado Melissa a pedir a saída da Grifinória. Mas Landon tinha certeza que a gota d’água só havia surgido depois da discussão dos dois.

Era a primeira vez desde que estivera naquele campo, depois do beijo com Melissa, que Landon não pensava apenas nas palavras rudes que havia dito para a menina. A briga havia camuflado a sensação das carícias trocadas pelos dois, mas agora que a tinha novamente em seus braços, a memória parecia viva e nostálgica.

- Você pode me azarar o quanto quiser. Pode me fazer parecer três vezes mais inchado, ou me transformar em uma doninha se preferir. Mas não vai mudar o fato de que você também quer estar aqui.

O vento jogava os fios escuros de Melissa contra o rosto dela, e Landon se sentia extremamente tentado em lhe afagar os cabelos ou acariciar o rosto, mas suas mãos ainda estavam ocupadas, mantendo-a firme em um abraço para que ela não fugisse.

- Não foi nenhuma jogada, Zummach. Eu me diverti aquele dia... – Landon precisava apenas sussurrar, graças a proximidade, e seu olhar já havia descido para os lábios dela, há poucos centímetros do seu e entregando o seu desejo. – Mais do que eu esperava me divertir. Você vai mesmo dizer que é só coisa da minha cabeça?

Uma de suas sobrancelhas bem desenhadas foi arqueada em uma expressão desafiadora, mas Landon já conhecia o suficiente de Melissa para saber que ela poderia querer retribuir ao beijo e ainda assim erguer uma varinha para estuporá-lo. Por isso, antes que perdesse a chance, ele a segurou com ainda mais firmeza pela cintura e se inclinou para frente, tocando seus lábios aos dela.

O sabor e a textura eram exatamente como ele se lembrava, mas desta vez Landon sabia com quem estava lidando, e por isso pretendia aproveitar cada segundo daquela fraqueza de Melissa antes que voltasse a ser odiado e ofendido, como já havia se tornado rotina.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qui Dez 22, 2016 2:06 am

Clementine ainda não sabia no que estava pensando quando se deixou levar pela vontade de procurar Liam outra vez. O lado racional lhe lembrava que estava indo de encontro ao perigo. Além da traição ao namoro de Cristian, ela estava se envolvendo logo com a pessoa que ele mais odiava. Além de estar colocando ainda mais lenha fresca na enorme e perigosa fogueira que era o relacionamento dos dois irmãos, estava indo contra tudo que ela acreditava.

Ignorar seu lado racional não era algo digno de um Corvinal. Mas desde que vira Liam ainda ocupado com as filas de estudantes para o passeio, uma incontrolável vontade de estar novamente com ele tomou conta dos seus sentidos. Só o que conseguia pensar era nos lábios viciantes que havia experimentado no corujal.

Se estava começando a gostar de Mellish ou se estava apenas lisonjeada pelos sentimentos dele, ela ainda não havia conseguido compreender. Mas como tudo em sua vida, Clementine também não estava disposta a se decidir quanto aquilo. Ela queria apenas aproveitar a sensação dos beijos de Liam outra vez e se certificar de que não havia superestimado o encontro deles no corujal. Todo o restante poderia esperar.

Com os lábios inchados pelo beijo, a menina abriu um sorriso, tentando não parecer tão feliz ao morder o lábio inferior. Suas mãos rodearam o pescoço de Liam e ao encarar os olhos castanhos, era fácil esquecer da existência de Cristopher ou Mia.

- Não seja tão lufano, Mellish. – Ela girou os olhos, mas mantendo o largo sorriso que iluminava seu rosto. – E eu não fico linda, fico ainda mais pálida. Mas achei que você fosse gostar...

As bochechas de DiLaurentis assumiram uma coloração mais rosada diante daquela confissão. Durante a manhã, enquanto se arrumava para o passeio, ela se lembrava de ter encarado a camisa amarela por um longo período antes de se decidir em vesti-la. E embora ainda não estivesse pronta para admitir naquele momento, sabia que havia sido a lembrança do rosto de Liam que havia sido usado como fator relevante para sua decisão.

O corpo de Clementine estava recostado no de Liam, e com as mãos livres, ela acariciava o rosto dele, redesenhando os bonitos traços, acompanhando o desenho perfeito de sua boca e se demorando na covinha de sua bochecha. Era um alívio que Mellish não estivesse lhe soterrando de perguntas, exigências ou longas conversas, porque DiLaurentis ainda não teria respostas para lhe dar. A única coisa que sabia dizer sem dúvida era o desejo de estar ao lado dele outra vez.

- Eu queria ver você de novo.

Da mesma maneira que Liam havia se sentido constrangido e sem coragem de encarar Clementine ao confessar que gostava dela, a loira também não conseguia enfrentar os olhos castanhos diante daquela declaração.

Seus dedos brincavam com os botões da camisa dele e ela parecia bastante interessada em uma linha fora do lugar na costura da roupa de Mellish ao dizer em voz alta o que vinha sentindo desde o beijo no corujal.

- Eu não sabia se te encontraria sozinho. E nem sabia se você iria querer me ver outra vez.

Desta vez, Clementine arriscou uma breve olhada para o rosto de Liam. Era óbvio que ela se referia a lufana que vivia para cima e para baixo com ele. Mais do que nunca, Mia parecia não deixar o lado de Liam, assim como ele jamais havia negado que os dois eram namorados. Era um pensamento incômodo, mas Clementine não podia exigir nada do rapaz a sua frente, principalmente porque também tinha um namorado para andar ao seu lado pelos corredores.

Um barulho vindo do balcão lembrou aos dois que eles não estavam sozinhos e que aquele encontro precisaria ser muito mais breve do que desejavam. Quando saíssem daquela loja, os dois precisariam voltar a pertencer a mundos completamente diferentes.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Qui Dez 22, 2016 2:10 am

Os músculos tensos de Melissa relaxaram magicamente quando os lábios do grifinório buscaram pelos dela. Diferente da primeira vez, naquela segunda experiência Zummach não demonstrou surpresa. Era como se ela já esperasse – e desejasse – aquele toque mais íntimo do colega.

Ainda existia a mágoa pela discussão séria que se seguiu ao primeiro beijo, mas ainda assim Melissa não foi capaz de resistir. Sua máscara caiu por terra diante do desejo insano e desesperado de sentir mais uma vez o sabor dos lábios de Landon Vanderwaal.

Naquela tarde, nem mesmo o argumento de que Landon era um conquistador barato foi capaz de estragar a magia do beijo. Vanderwaal poderia ter a garota que quisesse em um passeio divertido por Hogsmeade. Entretanto, ao invés disso, o grifinório estava prestes a abrir mão do esperado passeio ao vilarejo por causa da companhia de Melissa.

Como já estava nos braços do monitor-chefe, Zummach não precisou se colocar na ponta dos pés daquela vez. Foi muito mais fácil enlaçar o pescoço de Landon com um abraço enquanto seus lábios retribuíam ao beijo no mesmo ritmo ditado pelo rapaz. Os dedinhos mergulharam profundamente nos cabelos castanhos, bagunçando ainda mais os fios soprados pelo vento que percorria o campo de quadribol.

Ninguém que assistisse aquela cena teria dúvidas do quanto Melissa estava envolvida naquele beijo. Mas a novata também havia retribuído a carícia da primeira vez antes de surtar e reagir como se não tivesse participado ativamente do beijo. Por isso, era difícil prever como Zummach reagiria quando os lábios finalmente se separassem.

Se Vanderwaal esperava por uma nova explosão, por ameaças, ofensas e xingamentos, ficaria surpreso com o silêncio que reinou ao fim do beijo. Somente as respirações ofegantes de ambos se misturavam ao uivo suave do vento quando Melissa finalmente foi posta de volta no chão e sentiu seus pés tocando o gramado do campo.

O orgulho e a língua afiada poderiam parecer potentes armas de ataque, mas a grande verdade é que Zummach os usava como um escudo de defesa para sobreviver no ambiente hostil de Hogwarts. Sem aqueles artifícios, Melissa se sentia ridiculamente exposta e indefesa. E a última coisa que a novata queria parecer era uma garotinha amedrontada que não sabia o que fazer na nova escola.

- Eu não estou aqui para me divertir, para colecionar amigos e blá-blá-blá. Não me faça repetir o discurso que você já escutou tantas vezes.

Embora Melissa não estivesse agindo como uma típica menininha apaixonada depois de um beijo, pelo menos daquela vez a entonação usada por Zummach não era tão ríspida. Ela parecia apenas cansada quando buscou pelos olhos verdes do rapaz a sua frente, sentindo um arrepio gostoso ao constatar como Vanderwaal conseguia ficar ainda mais atraente com os cabelos desalinhados e com os lábios avermelhados depois de um beijo.

- Não sei mesmo o que você pretende com isso, Vanderwaal, mas eu gostaria que parasse. A última coisa que eu preciso é temperar Hogwarts com uma paixonite. Eu já tenho problemas demais e simplesmente não posso lidar com isso também.

Os olhos azuis giraram e, embora não quisesse iniciar uma nova briga, Melissa não resistiu à tentação de soltar uma alfinetada.

- O que você está buscando em mim pode encontrar em qualquer uma das anencéfalas que suspiram por você. E se você continuar agindo como se não notasse o seu fã clube, eu vou começar a acreditar que os grifinórios são mesmo muito burros.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Qui Dez 22, 2016 2:51 am

O sorriso de Liam se alargou diante da confissão de que a menina havia pensado nele quando escolhera as roupas que usaria naquele dia. Poderia parecer uma grande bobagem, mas para Mellish tinha um grande significado. Era um detalhe que indiretamente provava que Clementine não era indiferente aos sentimentos que o lufano confessara a ela no corujal.

Apesar da certeza de que DiLaurentis também estava mergulhando profundamente naquela loucura, Liam sabia que a situação era muito complicada. Os dois não eram simplesmentes adolescentes comuns que podiam se apaixonar e se entregar à atração sem medo das consequências.

Um abismo social os separava na vida real. Clementine vinha de uma família tradicional, tinha um sobrenome importante no mundo da magia e todos esperavam um futuro glorioso e imaculado da loira. Liam, por outro lado, carregava apenas o sobrenome de solteira de uma mãe já falecida, morava de favor na casa dos tios e fora selecionado para a casa mais desprezada de Hogwarts.

Como se tudo aquilo ainda não fosse suficiente, havia uma dificuldade que chamava pelo nome de Cristopher Rookwood. Mesmo que o sonserino negasse até a morte, os laços de sangue que o uniam a Liam Mellish tornavam aquela traição ainda mais grave. Se Rookwood tivera coragem de pronunciar a maldição da morte depois de uma simples discussão estúpida, o lufano sabia que corria um grande perigo em tomar a namorada de Cristopher em seus braços. Se o sonserino sonhasse que estava sendo traído justamente pelo meio-irmão, Liam e Clementine pagariam muito caro por tamanha ousadia.

Mas todas aquelas dificuldades não conseguiam afastar Liam da tentação de ter DiLaurentis para si. O monitor-chefe da Lufa-Lufa havia desejado Clementine em silêncio por tantos anos que, agora que finalmente podia tê-la, Mellish não se importava com os riscos.

- Você está maravilhosa e sabe disso... – Liam se derreteu enquanto deslizava a pontinha do nariz pelo pescoço da colega, absorvendo o perfume delicado impregnado na pele dela – Eu adorei a surpresa.

Depois daquela declaração doce, o rosto de Liam adquiriu um semblante mais sério. Os movimentos no balcão indicavam que os dois não tinham muito tempo e a grande verdade era que Mellish não pretendia colocar em pauta todas as dúvidas e dilemas que rondavam aquele relacionamento proibido. Contudo, as insinuações de Clementine mostravam que algumas coisas ali precisavam ser esclarecidas.

- Eu gosto de você, Clementine. É claro que eu queria te ver de novo.

Uma das mãos de Liam se ergueu e ele deslizou os dedos carinhosamente no rosto da menina, admirando cada um dos traços delicados que formavam as feições bonitas de DiLaurentis.

- Eu não vou te pressionar com perguntas, com exigências, com cobranças... Não me importo se isso é tudo o que você vai me oferecer...

Mellish olhou ao redor, se referindo à atual situação clandestina dos dois: escondidos atrás de sacos de terra, em uma lojinha deserta de Hogsmeade, longe de todos os olhares comprometedores...

- Na verdade... – um sorriso mais amargo surgiu nos lábios do lufano – Isso é muito mais do que eu sonhava ganhar de você algum dia.

Aquele parecia ser o típico comportamento de um lufano, totalmente isento de orgulho ou de ambição, grato por migalhas exatamente por saber que não tinha direito de participar do banquete principal. Contudo, a maneira como Liam concluiu o seu raciocínio mostrava que o rapaz não era tão tolo e que não pretendia parar a própria vida em troca do pouco que Clementine tinha para lhe oferecer.

- Se você algum dia quiser mais de mim, eu estarei bem aqui. Mas eu não posso simplesmente esperar por um dia que pode nunca chegar. Enquanto isso não for uma prioridade para você, também não será para mim, Clementine.

O nome de Mia Blake não foi citado, mas as palavras de Liam deixavam muito claro que ele não pretendia colocar DiLaurentis como a única menina de sua vida enquanto ela ainda o tratasse como a sua segunda opção. Mellish não abriria mão do próprio futuro enquanto Cleo ocupasse o posto de namorada de Cristopher e tratasse o lufano como um erro que precisava ser muito bem escondido.

Como já conhecia a dificuldade gritante da loira em tomar decisões importantes na própria vida, Liam sabia que não podia esperar uma resposta naquele momento. Por isso, o lufano se limitou a puxar um saquinho de sementes de mandrágora da prateleira acima da cabeça de DiLaurentis. As sementes foram entregues para a corvinal e Mellish se afastou um passo.

- Que tal já deixarmos o próximo encontro marcado? Eu realmente prefiro não ter mais contato com aquela sua coruja maluca. – o lufano pensou por um breve momento antes da sugestão – Amanhã à noite na torre de Adivinhação.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Qui Dez 22, 2016 11:25 pm

Landon já sabia que não encontraria nenhum sorriso ou palavras doces quando aquele beijo chegasse ao fim. Mas aquilo servia apenas como incentivo para que o momento fosse prolongado até o último segundo tolerado pelos seus pulmões.

Como já sabia o que o aguardava quando os olhos verdes fossem novamente revelados, Landon não perdeu tempo em intensificar aquele beijo, tomando os lábios de Melissa com desejo e mantendo o corpo pequeno grudado ao seu em um abraço forte demais.

Mesmo já desconfiando do que o aguardava, foi impossível controlar a decepção diante da atitude fria de Zummach. Ela não parecia tão furiosa quanto no primeiro beijo, mas estava longe de ser o comportamento que ele desejava.

Uma ruguinha se formou entre suas sobrancelhas grossas e uma sombra se instalou em seu rosto, mas ele não se afastou. Suas mãos permaneceram pousadas na cintura da menina, e graças aos pés dela que voltavam a tocar a grama, ele precisava inclinar o pescoço para baixo, para manter seu olhar preso ao dela.

Um suspiro frustrado escapou de seus lábios quando, mais uma vez, a novata se referenciou aos vários colegas que ele havia conquistado como um pequeno fã clube. Para Vanderwaal, era bastante óbvio que Melissa apenas se isolava das pessoas e não conseguia compreender o que era ser simpático e ter aquilo recíproco.

- Eu nem sabia o que estava procurando até hoje. O que aconteceu no outro dia não foi planejado, apenas aconteceu. Nós dois estávamos nos divertindo juntos e eu deixei as coisas irem longe demais.

Landon não se referia apenas ao beijo inesperado com aquelas palavras. A discussão que se seguiu e as ofensas que ele proferiu não combinavam com a personalidade do monitor-chefe, mas estava apenas ofendido demais com as insinuações dela para frear a língua.

Depois, com a cabeça mais fria, Vanderwaal sabia que havia errado. Mas junto com aquele sentimento, ele pensava constantemente no beijo trocado com a novata. Agora que havia sentido novamente o sabor dos lábios dela, Landon sabia que não havia sido apenas um deslize quando a tomara em seus braços pela primeira vez.

Melissa Zummach era diferente de tudo que Landon estava acostumado, tinha uma personalidade difícil e gostava de exibir um muro por onde ele já havia sido capaz de enxergar além. Não fazia muito sentido que logo a novata fizesse seu coração saltar, mas Vanderwaal já aceitava o fato de que não era indiferente a ela.

- Eu fui um estúpido com as coisas que falei no outro dia, Zummach. Mas você também precisa admitir a sua parte em toda essa história. Se não, não vai passar de uma menina mimada que se faz de durona para parecer diferente de todo mundo, o que nós dois sabemos que não é verdade.

O vento fresco balançou os cabelos escuros de Zummach, jogando-os para frente de seu rosto. Landon ergueu uma das mãos e deslizou pelos fios que se chocavam contra as bochechas e os lábios dela, colocando-os delicadamente atrás de uma das orelhas. Se aproveitando daquele gesto, ele apoiou sua mão na lateral do rosto dela, ainda exibindo a ruguinha entre seus olhos ao encará-la.

- Já sei que você não está aqui para fazer amizade, que está apenas cumprindo um castigo. Mas isso não quer dizer que alguma coisa tenha acontecido entre nós dois. – Landon fez uma longa pausa, seus olhos verdes brilhando intensamente antes que ele voltasse a mexer os lábios para concluir seu discurso. – Se você me disser que esse beijo não significou nada, que você me quer tão longe quanto qualquer outro Grifinório, eu vou te deixar em paz. Mas você precisa ter consciência do que está abrindo mão, Melissa. Não é uma diversão, uma coleção de amigos ou uma traição à memória dos seus avós. Eu quero que você responda por si mesma, como você fez com o voo. O que você realmente quer de mim?
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Sex Dez 23, 2016 12:01 am

Como já vinha se tornando um hábito, Landon foi capaz de ultrapassar as barreiras criadas pela novata mais uma vez. Ao invés de reagir com a ironia de sempre e finalizar aquela conversa com alguma frase atrevida e ofensiva, Melissa respirou profundamente e soltou o ar de forma demorada pelos lábios entreabertos. Não havia nenhum tipo de hostilidade no olhar de Zummach quando a voz dela finalmente ecoou pelo campo de quadribol vazio em uma confissão dolorida que ela nunca imaginou que teria coragem de revelar para alguém.

- Eu fui sozinha para a estação.

Aquela mudança brusca de assunto parecia sem sentido a princípio, mas Melissa foi conduzindo a argumentação de forma que as peças começaram a se encaixar no contexto daquela conversa.

- A última coisa que ouvi do meu pai antes de sair de casa puxando o malão foi que eu era uma vergonha para a família. Ele preferiria apodrecer em Azkaban do que me ver em Hogwarts.

A situação delicada de Dumbledore com os Zummach não era um segredo para Landon, mas só naquele momento o monitor-chefe descobria que Melissa havia enfrentado uma guerra familiar interna para chegar ao castelo. Isso explicava com perfeição o motivo pelo qual a filha dos Zummach era a única quintanista que não possuía autorização dos pais para visitar Hogsmeade.

- Você não sabe qual é a sensação de ouvir isso do seu próprio pai apenas porque você quer poupá-lo de um destino injusto. Eu sei que ele está errado, mas isso não diminui o sofrimento que ele me causou e o quanto eu me sinto péssima por não ter recebido nenhuma coruja desde que pisei aqui.

Os braços de Zummach foram cruzados em uma postura tipicamente defensiva. O vento continuava a soprar seus cabelos em todas as direções, mas Melissa não parecia se importar com os fios atrapalhados. Os olhos azuis se mantiveram fixos no rosto bonito de Vanderwaal enquanto ela continuava o seu desabafo.

- Se o meu pai encarou como uma enorme traição o fato de eu vir para o castelo para salvá-lo da prisão, é óbvio que ele não ficará feliz em saber que eu me adaptei aqui. Se ele notar que eu gosto do castelo, que eu fiz amigos, que eu conheci um garoto... ele nunca vai me perdoar. E eu não posso lidar com o desprezo dele. A minha família é tudo o que eu tenho.

O discurso de Melissa deixava claro que a garota estava se esforçando para que a sua estadia em Hogwarts fosse infernal. Zummach não queria gostar do castelo por medo de que a felicidade em seus olhos fosse uma afronta que Alfred não perdoaria. Mesmo que inconscientemente, cada um dos erros que Melissa cometera desde que pisara em Hogwarts tinha o objetivo de dificultar a sua adaptação no castelo. A novata estava se boicotando para ser infeliz na escola e para honrar a aversão da família a Hogwarts.

Contudo, o maior problema daquela ideia bizarra estava agora bem na frente de Melissa. Quando pisou nos terrenos de Hogwarts, a última coisa que a novata planejava era se interessar por um rapaz a ponto de confessar tudo aquilo para ele. Seria muito mais fácil manter o comportamento arredio, mas intimamente Zummach não queria que Landon a encarasse apenas como uma menina mimada e lunática.

- Eu sei do que estou abrindo mão. Eu sei que esses três anos em Hogwarts poderiam ser o melhor período da minha vida. Mas eu tenho muito a perder neste jogo, Vanderwaal.

Melissa fez uma pequena pausa e buscou pelos olhos esverdeados do colega antes de finalmente responder à pergunta dele.

- Eu só quero que você não torne as coisas ainda mais confusas e complicadas. Você pode ter a garota que quiser, o castelo está lotado de meninas mais bonitas e mais divertidas do que eu. Se ter um cérebro é um pré-requisito essencial para você, as opções ficam beeeem mais reduzidas, mas ainda assim você vai achar outra pessoa que não tenha a mente tão conturbada quanto a minha. Por que logo eu?
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sex Dez 23, 2016 12:37 am

Clementine não sabia o que estava fazendo. Não era aquilo que ela tinha em mente quando deixou seus pés a guiarem por Hogsmead até encontrar Liam. Ela estava apenas se deixando levar pelo desejo de reencontrar o lufano, sem saber ao certo o que esperar. Não era um comportamento muito inteligente vindo de uma Corvinal, mas se fosse se deixar levar pela razão, ela estaria o mais distante possível de Mellish.

- Torre de Adivinhação?

Ela repetiu em um sussurro, seu coração se espremendo por saber que aquele momento estava chegando ao fim. Quando estava com Liam, DiLaurentis não precisava pensar no abismo social que existia entre eles, nas diferenças de casas ou do fato mais importante, de que ele compartilhava o DNA com Cristopher.

Deixar os braços de Mellish era o mesmo que voltar a realidade, para as suas indecisões, para as escolhas que ela era incapaz de fazer. Clementine era fraca e sabia disso, mas assim como havia acontecido no corujal, ali ela não precisava pensar em mais nada. Liam a fazia se sentir desejada, feliz e todo o restante deixava de importar.

Já que ela não podia simplesmente entrelaçar seus dedos aos de Liam e andar por Hogsmead sem iniciar uma guerra com os DiLaurentis e os Rookwood, além de se tornar o centro das atenções no castelo por se dividir entre dois irmãos, ao menos teria como recompensa a ideia de um próximo encontro.

- Mal posso esperar.

O beijo de despedida foi mais breve do que Clementine desejava, e ela ainda estava corada quando entregou alguns galeões ao balconista para comprar um saquinho de sementes de mandrágora que sequer precisava.

A ausência de Cristopher permitiu que a Corvinal voltasse para as calçadas de Hogsmead com um sorriso nos lábios sem precisar ouvir um inquérito. Na companhia das colegas de casa, Clementine se encaminhou como prometido para o Três Vassouras.

Como já era esperado, o local estava quase impraticável quanto mais se aproximava do horário do almoço. Por sorte, uma das corvinais já havia se antecipado e reservado uma mesa ao fundo para que as outras duas se acomodassem.

A mesinha redonda era pequena demais para comportar três meninas e quase não suportava as três grandes canecas de cerveja amanteigada e as sacolas de compras que carregavam doces, tinteiros e alguns materiais extras para compor o estoque em Hogwarts. As corvinais, todas loiras e atraentes, se acotovelavam para estarem mais próximas e conversavam entre risinhos sobre as coisas que tinham visto durante a manhã.

- Onde estão esses peixes fritos? Estou morrendo de fome! – Sara urrou, erguendo o pescoço para procurar a atendente com o pedido.

- Você comeu três sapos de chocolate na Dedosdemel, como ainda consegue estar com fome? – Lorelai girou os olhos, fazendo Clementine soltar um risinho enquanto limpava a espuma da cerveja dos seus lábios.

- Três sapos de chocolate? Achei que você iria comprar para a Zummach. Você sabe, tentar amansar a fera...

- Primeiro, eu tenho um estômago separado para doces e vocês sabem disso. – Sara ergueu um dedo no ar, com um semblante sério para dar de ombros em seguida ao completar em um tom óbvio. – E o Agostini já está se encarregando das compras da Melissa. Se querem saber meu palpite, eles vão ficar juntos antes do baile de natal.

- Zummach e Agostini? – Clementine sacudiu a cabeça em incredulidade, se remexendo em seu banquinho e chocando seus ombros entre as colegas

- Não zombe dos meus poderes de premonição, Cleo. – Sara voltou a adotar o ar sério, erguendo o dedo no ar. – Eu estava certa sobre você e o Cristopher Diabo-Sonho Rookwood.

Como se a vida quisesse zombar das indecisões de Clementine, bastou que o nome do namorado ecoasse para que seu olhar se erguesse, encontrando o rosto de Liam entrando no Três Vassouras. Ela havia acabado de dar mais um gole em sua cerveja e voltava a exibir uma camada de espuma branca em seu lábio, mas até aquele detalhe foi ignorado ao ver que o rapaz entrava com os dedos entrelaçados aos de Mia Blake.

- Wow... – Lorelai arqueou as sobrancelhas, se inclinando sobre a mesa com o seu típico risinho de fofoca. – Você previu sobre aqueles dois ali também?

Sara, que havia sido a única da mesa a não notar a chegada dos lufanos, se virou em direção a porta do pub com curiosidade, arqueando as sobrancelhas em surpresa logo em seguida.

- Definitivamente não. A Blake sempre esteve na friendzone, achei que nunca ia rolar. Teve um tempo que até achei que o Mellish fosse gay por não notar uma garota linda ao lado dele o tempo todo.

Clementine voltou a se remexer em seu banquinho, mas seu desconforto foi facilmente mal interpretado pelas colegas que trocaram um rápido olhar antes de pigarrear, acreditando que o incômodo fosse apenas pela ligação que existia entre o lufano e seu namorado.

- Desculpe, Cleo... Esqueci que o Mellish é assunto proibido.

Os lábios sujos de DiLaurentis se repuxaram em um sorriso falso e ela ergueu a palma da mão para limpar a espuma da cerveja antes de sacudir a cabeça em negação.

- Relaxa, Lor... Não é como se ele fosse Você-Sabe-Quem, nem nada disso.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Sex Dez 23, 2016 1:18 am

- Eu não vi o Landon em lugar algum...

Uma ruguinha de confusão surgiu entre os olhos de Liam enquanto ele colocava duas enormes canecas de cerveja amanteigada na mesinha que dividia com Mia Blake. O Três Vassouras estava tão absurdamente lotado que o lufano optara por ir direto ao balcão fazer o pedido para os dois. Muitos minutos valiosos do passeio a Hogsmeade seriam perdidos se eles esperassem que a garçonete enxergasse a única mesa vazia que Mia encontrara aos fundos do restaurante.

Exatamente pelo estabelecimento estar tão lotado, Mellish também não percebeu que a garota que ele acabara de beijar na lojinha de ervas tinha uma visão privilegiada da mesinha ocupada por ele e por Mia.

- Eu também não. Talvez ele tenha ficado no castelo, o Landon tá meio ansioso com os NIEMs. Eu também estaria se quisesse ser um auror, mas a minha futura carreira como jornalista não exige notas tão absurdamente altas.

Melhor do que ninguém, Liam sabia como o primo estava ansioso com as provas que faria ao fim do sétimo e último ano em Hogwarts. Mas dispensar uma visita a Hogsmeade e correr o risco de ficar sem doces no meio do semestre era uma decisão que definitivamente não combinava com Vanderwaal.

- Ele me disse ontem que viria. Espero que esteja tudo bem... – Mellish tomou um gole de sua cerveja antes de completar – Na dúvida, comprei algumas tortinhas de caldeirão para o estoque dele. Eu seria o primo preferido do Landie até mesmo se não fosse o único primo.

A mesa pequena obrigava os dois lufanos a ficarem bem próximos, assim como as sacolas de compras espremidas no espaço vazio diante deles. Além das encomendas da Professora Sprout, Mia e Liam carregavam sacolas da Dedosdemel e um embrulho da livraria do povoado.

Devido à proximidade, Mia não teve a menor dificuldade em estender a mão até alcançar um dos braços do colega. Os dedos dela subiram vagarosamente pela pele de Liam, em contato direto já que o rapaz havia retirado a jaqueta depois de se aquecer andando pelas ruas lotadas do vilarejo.

- Sempre viemos a Hogsmeade juntos. Mas desta vez é diferente.

De fato, Mia Blake sempre estava presente no grupinho de amigos com que Liam se divertia em todos os passeios. Naquele dia, contudo, estava claro que os dois não estavam juntos simplesmente porque eram bons amigos. Os toques e os olhares mais demorados indicavam que os lufanos estavam dando um passo adiante no relacionamento.

Como um bom lufano, Mellish se sentia culpado por aquela confusão de sentimentos. O monitor-chefe da Lufa-Lufa sabia que era muito errado trocar beijos com uma garota e depois sair para almoçar com outra. Mas Liam tentava se convencer de que não estava traindo nenhuma das duas. O rapaz já havia deixado claro para Clementine que não paralisaria a própria vida por ela, assim como também já dissera para Mia que aquele novo relacionamento era apenas uma tentativa que poderia não dar certo.

O coração de Liam já havia feito uma escolha há muito anos e não tinha dúvida de que era ao lado de Clementine que ele queria estar. Mas a razão não permitia que Mellish mergulhasse de cabeça num relacionamento clandestino com uma menina incapaz de tomar grande decisões e de enfrentar as dificuldades da vida. Racionalmente, Liam sabia que não era uma atitude sábia desprezar aquele sentimento tímido que começava a brotar entre ele e a melhor amiga.

Como se inconscientemente quisesse compensar Mia por toda aquela confusão que a lufana ainda nem desconfiava, partiu de Liam a iniciativa do beijo. Sem se importar com o fato dos dois estarem num restaurante lotado, Mellish inclinou o corpo na direção da morena e cobriu os lábios de Blake com os seus. Definitivamente não foi um beijo sufocante e apaixonado como a carícia que acontecera atrás dos sacos de terra da outra loja, mas ainda assim era possível notar que os dois tinham uma boa sintonia.

- Muito diferente.

Liam concordou com um sussurro ao fim do beijo e acariciou o rosto de Mia antes de se endireitar novamente na cadeira. Só depois daquele movimento, o lufano se deu conta da presença das três loiras da Corvinal há algumas mesinhas de distância.

O rosto de Mellish perdeu as cores quando o olhar de Clementine se cruzou com o seu. Por mais que tivesse deixado claro para DiLaurentis que ela não seria a única enquanto não tomasse uma decisão em favor dele, Liam não se sentia à vontade em ficar com Mia na frente da outra menina. A sorte do rapaz era que Mia estava tão encantada com o beijo que nem pareceu notar o desconforto súbito dele.

- Você já contou ao Landon que nós dois estamos namorando?

- QUE? – o espanto de Liam foi mais forte que a sua capacidade de controlar as próprias reações – Nós estamos namorando???

Mia gostava de passar aos colegas a imagem de uma garota prática, objetiva e bem resolvida, mas a reação de Mellish a deixou visivelmente ofendida.

- Você acabou de me beijar na frente de todo mundo. Se não é um namoro, que nome devemos dar a isso, exatamente?

- Precisamos dar um nome agora? Achei que continuaríamos sendo só bons amigos que começam a passar mais tempo juntos.

- Ok. – os olhos de Mia giraram, mas ela achou melhor não pressionar Liam naquele momento – Que tal ser um bom amigo que passa mais tempo comigo e já pedir a segunda rodada de cerveja? Até nos servirem, minha caneca já estará vazia.

Mellish agarrou com as duas mãos a oportunidade de sair da mesa e se afastar do constrangimento gerado com aquela conversa. Enquanto Liam se acotovelava com uma multidão de clientes e tentava alcançar o balcão, Blake deixou que seus olhos rolassem pelo restaurante. Só naquele momento, Mia percebeu a mesinha ocupada pelas loiras da Corvinal e seus olhos estreitaram no mesmo instante, a atenção voltada exclusivamente para Clementine DiLaurentis.

Blake já a detestava só por saber que Liam nutria uma paixão platônica pela loira. Se Mia imaginasse que o sentimento começara a ser retribuído, certamente aquele ódio ganharia proporções ainda mais perigosas.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Sex Dez 23, 2016 12:40 pm

Landon já deveria saber que Melissa não iria parar de surpreendê-lo. A novata definitivamente era uma caixinha de surpresas, mas ele chegou a se iludir ao ponto de acreditar que já a conhecia o suficiente para compreender os motivos que a levavam a erguer um muro ao seu redor e se isolar de todo o restante do mundo. O que Vanderwaal não imaginava era que aquela barreira ia muito além do óbvio ódio por Dumbledore que Zummach havia herdado de seus pais com uma fé cega.

Durante todo aquele tempo, ele e os colegas julgaram a personalidade ácida da menina como um indicativo de que ela havia sido selecionada erroneamente para a Grifinória. Seu temperamento combinava muito mais com os típicos Sonserinos que não se importavam com mais ninguém além do próprio umbigo. Landon se sentia péssimo por ter julgado tão erradamente a colega, já que agora era bastante óbvio que a casa de Godric era exatamente onde ela deveria estar. Nenhum Sonserino teria tanta coragem em se impor como ela fazia, tendo por trás de seus atos algo tão altruísta quanto o cuidado de não decepcionar ainda mais seus pais.

Por mais que o pedido de Zummach fosse para que ele se afastasse, aquela confissão apenas despertava ainda mais o interesse em Vanderwaal de se aproximar dela. Um instinto protetor brotava em seu peito e ele tinha a necessidade de não deixa-la completar seu objetivo de ser infeliz pelos próximos anos. Aquela simples ideia era tão indigesta que Landon queria sacudir o Sr. Zummach pessoalmente por não enxergar como seu ódio por um acontecimento tão antigo estava destruindo sua família mais do que qualquer erro que Dumbledore possa ou não ter cometido.

Ao invés de simplesmente acatar o desejo de Melissa, o Monitor-Chefe não se afastou. Seus braços continuaram ao redor da menina e a mão que acariciava seus cabelos deslizou para massagear a nuca por baixo dos fios escuros. Landon não a encarava com piedade ou decepção. Era uma expressão carinhosa por estar enxergando Melissa de verdade pela primeira vez.

- Você não é tão inteligente quanto pensa, Zummach. – Apesar da provocação, os lábios de Vanderwaal estavam curvados em um sorrisinho que denunciava a brincadeira. – É um gesto bastante nobre, o que você está fazendo pela sua família. Mas igualmente estúpido. Acho que isso são características básicas para um verdadeiro Grifinório.

Após a confissão do seu erro, Landon soltou um longo suspiro e seu semblante se tornou mais sério. Seus braços voltaram a puxar Melissa até que os corpos estivessem colados, mas sem que ela deixasse de tocar a grama com os próprios pés. A cabeça de Melissa, quase um palmo abaixo de Landon, foi encaixada com perfeição contra seu peito e ele a aninhou protetoramente. Sua mão subiu e desceu algumas vezes contra as costas dela por longos segundos em que o silêncio reinou entre eles.

O casal estava parado no centro do campo de Quadribol, mas o castelo praticamente vazio dava a eles liberdade suficiente para se tornarem apenas uma manchinha entre a paisagem verde do dia ensolarado. Vanderwaal não se lembrava de já ter se sentido daquela forma antes com nenhuma outra garota, por isso precisou refletir antes de finalmente responder ao questionamento dela.

- Eu não quero qualquer garota. – Uma nova pausa foi feita antes que Landon completasse com uma voz amargurada. – Mas eu também não quero tornar as coisas ainda mais difíceis para você. Se o que você precisa é de alguém para odiar e xingar e mostrar o quanto você está miserável em Hogwarts, talvez eu seja o cara.

Vanderwaal afastou o rosto apenas alguns centímetros para que Zummach pudesse erguer o queixo e encará-lo, onde encontraria um sorrisinho triste em seus lábios. Os olhos verdes ainda refletiam um intenso carinho, mas Landon estava disposto a abrir mão daquele sentimento que começava a surgir para que Melissa não se sentisse ainda mais culpada ou que acabasse prejudicando ainda mais sua relação com os pais.

- Eu sei exatamente como ser irritante, você já notou. Posso ficar por perto o bastante para você odiar Hogwarts a cada minuto.

As palavras soavam em um sussurro, mas ficava óbvio que Landon não pretendia se afastar ou voltar a brigar de verdade com Melissa. Ele apenas manteria a distância necessária para que aquilo não tomasse proporções ainda maiores de onde os dois não poderiam mais fugir. Com um inclinar da cabeça, ele apontou para a vassoura caída sobre a grama verde e completou.

- Podemos começar com um pequeno treinamento. Eu fico consideravelmente mais irritante quando estou fazendo críticas de Quadribol. E se você cair da vassoura, prometo rir muito antes de cogitar chamar a enfermeira. O que me diz?
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sex Dez 23, 2016 7:39 pm

Quando o dia de passeio em Hogsmead chegava ao fim, os alunos normalmente estavam exaustos demais para permanecer até altas horas socializando pelos salões comunais. Depois de passar o dia se fartando de doces e cervejas amanteigadas, o jantar podia ser adiado por algumas horas enquanto guardavam cuidadosamente suas compras em seus dormitórios.

Os alunos mais novos já ocupavam os melhores lugares do salão decorado em azul e bronze, mas os mais velhos pouco se importavam com aquele detalhe enquanto passavam apressados em direção aos quartos.

Clementine DiLaurentis, que havia passado toda a tarde em um anormal silêncio, se arrastou para uma das mesas, ainda carregando suas sacolas de compras, e se juntou ao mais novo rosto da Corvinal. As pernas passaram por cima do banco de madeira e ela sentou do outro lado de um tabuleiro de Xadrez intacto ao erguer uma das sacolas coloridas para Melissa.

- Bolinhos de caldeirão e tortinhas de abóbora. Sei que você fez sua encomenda com o Agostini, mas as meninas e eu achamos que você iria gostar.

Era raro que existisse alguma rixa dentro da casa de Rowena Ravenclaw. Os alunos normalmente se uniam e protegiam uns aos outros, por isso, não era de se admirar que Melissa Zummach tivesse sido tão bem recebida, principalmente quando levavam em consideração de que a novata havia escolhido a casa, e não simplesmente ter sido colocada lá pelo chapéu seletor.

Por isso, independente da personalidade mais azeda ou do passado que Melissa carregasse, Clementine não estava ali para julgá-la. Carregar o uniforme da Corvinal não significava que elas obrigatoriamente se tornassem amigas, mas era o suficiente para despertar a simpatia da loira.

Além do mais, Zummach era uma das raras pessoas naquele castelo a estar por fora da dramática história dos Rookwood e Mellish, o que fazia DiLaurentis querer participar de seu mundo, mesmo que por alguns minutos, e se esquecer do mal-estar que se instalara em seu peito ao presenciar o encontro de Liam e Mia.

Assim que os doces foram passados para as mãos de Melissa, o olhar de Clementine pousou nas peças de xadrez adormecidas, com os pensamentos distantes a respeito dos acontecimentos daquele dia.

Sara e Lorelai conheciam sua personalidade o suficiente para saber que aquele repentino silêncio ou a tristeza no olhar eram indícios de que alguma coisa estava muito errada. Mas Clementine esperava que Melissa fosse inocente o bastante para não perceber sua expressão de derrota.

- Fez alguma coisa interessante hoje? Imagino que não tenha aproveitado o dia estudando, já que os NOMs não são sua prioridade.

Não havia nenhuma crítica no comentário de Clementine, era apenas uma lembrança ainda um tanto inacreditável sobre aquele ponto fora da curva que já mostrava a personalidade distinta da novata.

- As lojas em Hogsmead estavam todas infernais. E vai piorar ainda mais quando chegar o inverno... Talvez na próxima vez eu prefira ficar e te fazer companhia. Pelo menos vai me poupar do desastre que foi hoje.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Sab Dez 24, 2016 1:04 am

Racionalmente, Melissa sabia que a decisão mais sábia seria se afastar de Landon para que aquela enorme tentação não estragasse os seus planos de odiar Hogwarts. Contudo, o quadribol havia se tornado uma grande ambição de Zummach e, por mais que a novata estivesse fazendo grandes progressos sozinha, ela sabia que jamais conseguiria uma vaga no time da Corvinal se não recebesse algumas dicas e orientações de alguém que dominava a arte de voar.

Depois de alguns poucos segundos de indecisão, o velho sorrisinho travesso surgiu nos lábios de Melissa. Aquela expressão leve iluminava o semblante de Zummach e dava a ela um adorável ar de menina que não combinava com a personalidade ácida que ela gostava de demonstrar para o restante do castelo.

- Não vou discordar do quanto você pode ser irritante, Vanderwaal. Mas eu vou aceitar a proposta simplesmente porque não tenho outras opções.

Apesar da resposta atrevida, o sorriso divertido de Melissa amenizava as palavras dela e mostrava que, daquela vez, sua crítica contra Landon não era séria. Com o humor recuperado, Zummach saltitou de volta até o ponto em que a vassoura de Victorio Agostini ficara caída e estendeu a mão no ar. Em um segundo, o cabo da vassoura se levantou sozinho do gramado e se encaixou entre os dedinhos da morena.

Como na primeira experiência com uma vassoura, aquele segundo voo com Landon foi tão divertido que fez com que Melissa se esquecesse dos problemas. Talvez fosse exatamente esta a razão do seu encantamento com a vassoura. Sempre que estava no campo de quadribol, recebendo o vento em seu rosto e o calor provocado pela adrenalina, Zummach se esquecia do quanto queria odiar tudo o que existia naquele castelo.

Os dois jovens desta vez ocupavam vassouras distintas, mas Vanderwaal se mantinha sempre muito próximo da novata, obviamente para socorrê-la se algum acidente acontecesse. Melissa ainda não era tão habilidosa quanto um jogador de quadribol precisaria ser, mas era evidente que ela tinha um dom que só precisava ser moldado para que Zummach atingisse seus objetivos.

Em nenhum momento, Melissa contou a Landon sobre o seu plano de fazer os testes para o time da Corvinal. Portanto, quando o grifinório lhe encheu de dicas sobre o domínio da vassoura e sobre como deveriam se portar os jogadores de cada posição, o monitor-chefe não imaginava que estava dando a ela valiosas informações que seriam usadas nos testes.

Teoricamente não havia nada errado em receber orientações de alunos de outras casas, mas Melissa sabia que Vanderwaal jamais lhe ajudaria se soubesse que ela pretendia usar aquelas dicas para arriscar a própria cabeça em um jogo de verdade, no qual ela poderia ser massacrada por colegas infinitamente mais habilidosos.

O céu começava a adquirir uma coloração alaranjada ao fim daquele dia quando os dois jovens finalmente se deram por satisfeitos. Landon pousou primeiro e foi seguido por Melissa. Graças às últimas horas de “aula”, o pouso da novata foi muito mais seguro e sutil e o largo sorriso de empolgação ainda estava presente nos lábios de Zummach quando ela se colocou em frente ao rapaz.

- Sinto te informar, Vanderwaal, mas você já me deu tudo o que eu preciso para ser melhor que você. Com uma ou duas semanas de treino, você nunca mais vai me vencer.

Aquela implicância foi seguida por um delicado soquinho no peito do monitor e os olhos azuis giraram enquanto a menina completava.

- Sorte minha que os grifinórios não são muito espertos. Teria sido muito mais difícil enganar alguém da Corvinal. Eu tenho certeza que... – Melissa se calou subitamente ao ver uma sombra que se aproximava às costas de Landon – ACIDINHAS!

Deixando para trás um Landon completamente confuso, Zummach contornou o corpo do grifinório e acelerou seus passos na direção de Victorio Agostini. O monitor-chefe da Corvinal voltara mais cedo do passeio a Hogsmeade e as sacolas coloridas em suas mãos indicavam que ele havia trazido as encomendas de Melissa.

Assim como Landon, Agostini gozava de uma inegável popularidade dentro do castelo. Além do cargo de monitor-chefe, Victorio era capitão do time da Corvinal e também tinha notas invejáveis. O corvinal não era tão alto quanto Vanderwaal, mas ainda assim tinha vários centímetros a mais que Zummach. Os cabelos claros estavam sempre impecavelmente penteados, como se tivessem acabado de verem uma escova. Agostini era tão bonito e popular quanto Landon, mas tinha aquela postura mais clássica que os alunos da Corvinal costumavam exibir.


- Você trouxe??? – Melissa exibia um largo sorriso quando parou em frente ao monitor, sem se importar com o fato de estar totalmente descabelada depois de tantas horas de voo.

- Um sapo de chocolate e dezessete saquinhos de acidinhas. – uma das sacolas coloridas foi estendida para Zummach – O balconista me encarou como se eu fosse maluco e me disse que é a primeira vez que a prateleira de acidinhas fica vazia em todos os anos de existência da Dedosdemel.

- Melhor assim, nunca vai faltar acidinha para mim. – Melissa espiou o conteúdo da sacola e franziu a testa para os bombons de caramelo – E os bombons?

- Os bombons foram por minha conta. E as duas varinhas de alcaçuz também. Imaginei que precisaria de algo mais doce depois de tantas acidinhas. E aí, Landon...? – Agostini finalmente voltou a atenção para o outro monitor – Não foi a Hogsmeade? Espero que a Grifinória não tenha chegado ao ponto de botar seus jogadores para espionar os adversários...

Os olhos de Melissa se arregalam um pouco, mas não havia nenhuma forma de avisar Victorio de que ele não deveria mencionar para Landon a ideia dela de fazer parte da equipe da Corvinal. A menina mordeu o lábio inferior e fez uma careta quando Agostini finalmente revelou a verdade que ela cuidadosamente escondera de Landon o dia todo.

- A Zummach vai fazer os testes para as vagas abertas no time. Espero que você não tenha atrapalhado o treinamento dela.

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As sobrancelhas de Melissa se arquearam em franca surpresa quando Clementine estendeu a sacola de doces em sua direção. Mesmo que os colegas da Corvinal tivessem recebido muito bem a novata, Zummach não esperava por aquele gesto gentil. Nem mesmo a personalidade ácida de Melissa permitiria que ela destratasse uma colega que havia se lembrado dela durante o passeio até Hogsmeade.

- Obrigada, DiLaurentis. Não precisavam ter se preocupado, todo mundo diz que a fila da tal Dedosdemel é infernal...

Um dos bolinhos de caldeirão foi retirado da sacola e Melissa não viu problemas em substituir o seu jantar pelo doce. Era comum que a garota acompanhasse os pais durante as compras no Beco Diagonal, mas Zummach precisava concordar que os produtos da Dedosdemel eram únicos. O chocolate derreteu em sua boca e os minúsculos confeitos coloridos que enfeitavam o bolinho se dissolveram enquanto a menina o mastigava.

- Eu passei o dia no campo de quadribol. O Agostini me emprestou a vassoura. Estou treinando para fazer os testes para o time.

Clementine não parecia nutrir um interesse muito grande por quadribol, por isso Melissa não fez muita questão de prolongar aquele assunto. Embora não conhecesse a loira tão bem quanto Sara ou Lorelai, a novata não teve muita dificuldade para enxergar que havia algo errado com a expressão entristecida da colega.

Uma troca de confidências não combinava com a postura de “não quero fazer novos amigos” de Melissa, mas a garota não teve coragem de negar a Clementine uma conversa que a loira obviamente precisava. Depois de engolir o segundo pedaço do bolinho, Zummach buscou pelos olhos da colega e reduziu um pouco o tom de voz, tornando aquele assunto mais privado.

- O que aconteceu? Você quer falar sobre isso...? Não sou boa em conselhos, mas conheço mais xingamentos que qualquer um neste castelo e posso enriquecer seu vocabulário.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Sab Dez 24, 2016 1:40 am

- Eu não te vi em Hogsmeade, então achei que você precisaria disso. Sou o melhor primo da história da humanidade, espero que você reconheça isso.

Uma sacola colorida recheada com os doces da Dedosdemel foi passada para as mãos de Landon Vanderwaal. Como conhecia a paixão do primo por doces, Liam sabia que não havia exagerado na escolha dos oito sapos de chocolate, cinco bolinhos de caldeirão, um pacote inteiro de varinhas de alcaçuz, três fios dentais de menta e dois pacotinhos com feijõezinhos de todos os sabores.

- Acho que não vai durar até a data da próxima visita, mas talvez atenda as suas necessidades por... sei lá... duas semanas?

O típico sorrisinho torto surgiu nos lábios de Mellish com aquela provocação. Embora tivessem personalidades bem distintas, era impressionante perceber como Landon e Liam se davam bem. Os dois tinham crescido juntos e, embora soubessem que eram apenas primos, o sentimento fraterno havia nascido naturalmente entre eles.

Exatamente por confiar tanto em Vanderwaal, Liam sentia uma necessidade quase sufocante de desabafar um pouco com o primo. Como monitor-chefe, Landon não podia saber da maldição imperdoável que Mellish presenciara dentro do castelo, mas Liam podia contar com o primo para ouvir sobre o restante da confusão na qual ele se metera.

Naquela noite, os monitores da Grifinória e da Lufa-Lufa estavam juntos na ronda após o jantar e andavam pelos corredores para garantir que nenhum aluno quebrasse a regra sobre o horário de se recolher ao Salão Comunal. Já estava tarde e a escuridão exigia que Liam mantivesse a ponta de sua varinha acesa.

- Eu me meti em uma pequena confusão. – Mellish fez uma breve careta antes de direcionar o primo para o assunto que ele pretendia abordar – Garotas.

Liam estava longe de ser um galanteador que colecionava namoradinhas no castelo. Landon sabia que o primo já tivera alguns casinhos sem importância, mas nada tão sério quanto o que estava prestes a ouvir naquela noite.

- Mia e eu nos beijamos depois da festinha de boas-vindas do Slug. Não foi nada planejado, até então ela era apenas uma boa amiga... Mas ela me convenceu de que não faria mal tentarmos dar mais alguns passos na nossa amizade.

Não parecia haver nada errado com a decisão de Mellish. Mesmo que não estivesse profundamente apaixonado por Mia Blake, Liam tinha o direito de se envolver com a menina. Os dois estavam sozinhos e se davam muito bem como amigos, seria ótimo se também se acertassem em um relacionamento mais íntimo. Mas o detalhe que agravava drasticamente a história do lufano ainda estava por vir.

- O problema é que eu comecei a ficar com outra menina também.

Liam abriu um sorrisinho envergonhado ao encarar o primo. O nome de Clementine obviamente não poderia ser mencionado, mas Mellish torcia para que Landon não fizesse parte do grupo de pessoas que enxergava os óbvios sentimentos do lufano pela namorada do meio-irmão.

- Eu nem sei se vai durar muito tempo, é uma situação mais complicada. Pra mim estava tudo bem porque, na minha cabeça, eram dois relacionamentos casuais e eu não assumi nada sério com nenhuma das duas. Mas hoje a Mia veio com um papo de namoro. – os olhos castanhos giraram e Liam parou ao fim do corredor vazio, repentinamente desconfortável com a conversa – Um namoro vai ferrar o esquema porque, se for mesmo um namoro, isso vai virar uma traição e eu não quero magoar a Mia. Ela é uma garota muito especial...

A saída para aquele dilema parecia muito óbvia. Qualquer um diria que Mellish deveria colocar um fim naquele segundo relacionamento para dar uma chance real para Mia. Mas o lufano tratou logo de explicar ao primo porque as coisas não eram tão simples quanto pareciam.

- Eu gosto mais da outra. Muito mais. A Mia é uma excelente amiga e eu não quero perdê-la, mas não dá pra comparar as duas, Landie. A chance do lance com essa garota se tornar algo sério é praticamente nula, mas eu não consigo simplesmente descartá-la.
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