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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Qui Dez 15, 2016 12:57 am


A mesa ao fundo da sala foi ocupada pelos pés do rapaz que se reclinou em uma cadeira. A capa com o emblema do leão foi retirada dos seus ombros e jogada sobre a superfície de madeira e um livro foi apoiado em seus joelhos. Depois de um dia agitado, a mente de Vanderwaal não iria mais absorver uma matéria com facilidade, mas não o impedia de folhear um livro mais leve apenas como distração enquanto escutava o ruído irritante do trabalho de Melissa.

Landon ainda teria um intervalo de duas horas até conseguir alcançar os últimos minutos do jantar. Ele estava perdendo uma das festinhas de Horace Slughorn e já precisaria enfrentar a primeira semana no castelo sem se deliciar com as maravilhosas sobremesas que o professor de Poções sempre servia. Nada mais justo do que ele compensar o seu estômago com um pequeno adianto que certamente não arruinaria o seu apetite até a refeição oficial.

Sem retirar os olhos dos livros, o monitor esticou um dos braços até sentir a familiar textura da sua capa sobre a mesa. Os dedos tatearam cegamente os bolsos até alcançar a caixinha de papel, que logo revelou a embalagem de um sapo de chocolate.

A gravata vermelha já havia sido afrouxada e alguns botões da camisa branca, completamente amarrotada, estavam abertos, em uma postura completamente desleixada. Os cabelos castanhos estavam apontando para todas as direções e Landon trazia um sorriso bobo nos lábios, mostrando que ele se divertia com a história que lia.

Quando as provocações de Melissa começaram, os olhos verdes deslizaram preguiçosamente até pousarem na menina. Definitivamente, a imagem de Landon Vanderwaal depois de um longo dia não parecia combinar com a descrição do rapaz perfeito que ela insinuava. Ainda assim, também era impossível negar como mesmo com a aparência completamente relaxada, o monitor continuava absurdamente atraente.

Para mostrar que não havia se incomodado com as provocações da morena, Landon apenas ergueu o sapo de chocolate que ele havia acabado de desembrulhar e deu uma mordida, mastigando lentamente para responder apenas depois que havia engolido.

- Cuidado com os elogios, tampinha. Alguém pode achar que você anda prestando atenção demais em mim.

As pernas de Landon foram puxadas para fora da mesa e seus pés tocaram novamente o piso de pedra enquanto ele se inclinava para frente, apoiando os cotovelos sobre o tampo de madeira. A camisa branca também já havia sido puxado por cima da calça preta e estava ainda mais amarrotada na barra, na altura do seu cinto. As mangas haviam sido repuxadas até a metade dos seus braços, expondo a forma harmônica dos seus músculos.

- Mas se quer mesmo saber... Primeiro, eu já tenho um troféu.

Com a mão livre, ele apontou para uma das cristaleiras mais próximas da porta. Dentre as medalhas e troféus exibidos, havia uma redoma de madeira que carregava algumas insígnias de ouro. Em destaque, a placa trazia “Quadribol – Grifinória”, e as placas menores ao redor exibiam os nomes dos jogadores que haviam conquistado a taça daquele ano.

- Você pode achar completamente inútil e sem valor, mas se eu quisesse jogar Quadribol profissional, por exemplo, uma conquista dessas já me ajudaria a pelo menos chamar a atenção de um bom olheiro.

A forma casual com que Landon falava mostrava que, embora se orgulhasse daquela conquista, o Quadribol não estava nos planos para o seu futuro. Era apenas uma forma de exemplificar para Melissa que ser reconhecido não era tão desnecessário quanto ela acreditava.

- Mas claro que para alguém que vive em um mundinho completamente particular, esse tipo de reconhecimento é indiferente. O seu sarcasmo vai te levar muito mais longe, tampinha.

Uma nova mordida em seu chocolate interrompeu o discurso apenas por alguns segundos antes que Landon voltasse a falar, deslizando a língua pelos seus lábios para retirar qualquer resíduo do doce.

- Segundo, eu não deduro os meus amigos. Confiança e respeito são muito mais difíceis de se conquistar do que um simples cargo de monitor, Srta. Diferentona.

Os dedos de Vanderwaal foram erguidos e enfiados em seus cabelos embolados, jogando os fios lisos para trás de sua testa. Só então ele franziu a testa, esboçando alguma reação para as provocações da menina.

- O que quer dizer com suspiros de meninas? Não vai me dizer que está caidinha por mim...

Fazendo uma cara de espanto, Landon soltou o chocolate sobre a mesa e pousou as duas mãos sobre o peito esquerdo. Com um tom de falsete, ele sacudiu a cabeça, forçando uma gagueira inexistente.

- E-eu fico realmente lisonjeado, Srta. Diferentona, mas você quase me enganou. Estava chegando a pensar que você não tinha uma alma ou um coração.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Qui Dez 15, 2016 1:33 am

- Eu? Caidinha por você? Talvez nos seus sonhos, Vanderwaal. No mundo real, você vai ter que se contentar com uma daquelas anencéfalas que passaram por nós no caminho até esta sala. Garotas como eu curtem caras com atitude e não bons meninos que seguem cegamente as regras como cães adestrados.

Não havia irritação na entonação usada por Melissa, tampouco a novata parecia ter se ofendido com a insinuação de que ela estaria interessada no colega. A forma como aquilo parecia diverti-la era a prova de que Zummach realmente não nutria nenhum tipo de ilusão com relação a Landon Vanderwaal.

Como sabia que não conseguiria fugir daquela detenção, Melissa se concentrou novamente na limpeza dos troféus e manteve as mãos ocupadas enquanto levava adiante a conversa com o monitor-chefe. Embora Landon estivesse ali para garantir que a garota fizesse o trabalho duro, Zummach não desaprovava a companhia dele. Seria ainda pior executar aquela longa tarefa sem ninguém para distrai-la.

- Parabéns pelo troféu e pelo campeonato. Deve ter sido o auge da sua existência patética.

Melissa tinha um arsenal que lhe permitiria zombar e provocar o colega por duas horas ininterruptas, mas a novata subitamente se calou quando leu as inscrições no troféu que ela acabara de apoiar sobre a mesa para polir.

A enorme placa dourada era um dos itens mais antigos daquela sala a julgar pela camada de poeira que a cobria. Ainda assim, o metal ainda brilhava e as letras estavam perfeitamente alinhadas quando a sujeira foi retirada pelo pano úmido usado por Zummach naquela noite.

- No meu mundinho particular, isso realmente não vale nada. É só metal sujo. E não me refiro só à poeira, mas também aos nomes imundos que são endeusados por estes troféus.

Quando se aproximasse da mesa, Landon poderia compreender a razão para o semblante de Melissa ter se fechado tão abruptamente. A placa dourada exibia letras desenhadas, formando as palavras: “A Albus Dumbledore e Ernest Zummach, alunos notáveis da Grifinória, homenageados pela fundação do primeiro clube de duelos da história de Hogwarts”.

- Você também seria um “diferentão” se tivesse que se submeter ao assassino dos seus avós. Meu pai só tinha dois anos de idade quando o seu amado diretor entregou os pais dele a Grindewald. Então me desculpe se eu não estou vibrando com a chance de viver neste castelo. A punição não me obriga a fingir que eu estou adorando este lugar estúpido, lotado de gente falsa e traidora.

Ao invés de terminar a limpeza da placa, Melissa a arremessou de volta ao armário sem nenhum cuidado. A forma como as mãos da garota tremiam demonstravam toda a raiva e frustração que ela vinha tentando esconder desde que pisara na plataforma 9 ¾. Hogwarts era um lugar mágico e maravilhoso, mas estar ali ainda era para os Zummach um desrespeito à memória de Ernest e Amelia Zummach.

- Eu não estou aqui para fazer amigos, nem para aprender magia, muito menos para conhecer um garoto. Eu só estou neste maldito castelo porque o Ministro da Magia só me deu duas escolhas: eu em Hogwarts ou o meu pai em Azkaban. Eu tenho alma e tenho coração. Mas escolho com muito cuidado quem são as pessoas que merecem o meu respeito e o meu carinho. O erro do meu avô serviu de exemplo para que a minha família não deposite mais a sua confiança em mãos erradas.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qui Dez 15, 2016 1:37 am

- Clementine.

A corvinal corrigiu o seu nome para a colega sem alterar a entonação de sua voz, embora já tivesse notado a acidez de Mia Blake. Em um primeiro momento, DiLaurentis apenas pensou que a lufana estava enciumada com a sua presença, mas a forma cruel com que ela continuou seu discurso fez com que a loira estreitasse o olhar, se sentindo sinceramente incomodada com as acusações.

- Achei que preconceito fosse algo exclusivo dos sonserinos, mas parece que errei feio. Mas é claro que nem todos os lufanos vão ser gentis ou justos, não é? Toda casa tem suas maçãs podres.

Os olhos azuis estavam presos em Blake, a estudando com atenção. Era bastante incômodo ouvir aquelas palavras, mas DiLaurentis não estava disposta a abaixar a cabeça e se afastar. Ela poderia não ter sido selecionada para a Sonsereina, mas o orgulho que reinava no sangue da sua família também estava ali.

- Eu não decepcionei a minha família indo para a Corvinal. Tenho orgulho da minha casa, da mesma forma que me orgulho do meu sobrenome ou das minhas escolhas.

Se ela ainda não havia deixado claro que com aquilo estava se referindo ao namorado, a escolha das palavras seguintes não deixaria dúvidas. Cristopher poderia ter uma coleção de defeitos, mas não era por acaso que Clementine o havia escolhido como namorado. Por trás de toda a fachada de frieza ou pela forma injusta com que tratava o irmão, Cris a tratava com carinho na intimidade, era inteligente e a fazia rir, mesmo com seu humor mais ácido.

- E eu não escolhi o Cris só porque ele é a personificação da Sonserina. Não lhe devo satisfações, e mesmo que tentasse explicar, a sua mente limitada não seria capaz de compreender.

Quem olhasse a cena de fora, seria incapaz de dizer como o clima estava tenso entre as duas meninas. Em nenhum momento Clementine elevou a voz e toda a sua frieza e desprezo eram refletidas em seu olhar estreito. Quando as íris claras pousaram em Liam mais uma vez, toda a sua expressão suavizou.

DiLaurentis sentia o rosto quente provocado pela discussão, mas precisava admitir que a provocação de Mia havia servido para alguma coisa. Ela havia trocado apenas meia dúzia de palavras com Liam naquele dia, mas se começasse a ser vista com frequência ao lado do meio-irmão de Cristopher, seria questão de tempo até que más interpretações alcançassem o ouvido do sonserino. E embora não precisasse dar satisfação da sua vida para Rookwood, ela também não pretendia cutucar uma ferida ainda sangrando.

- Obrigada pelo convite, Mellish. Mas eu sei reconhecer quando não sou bem-vinda.

A entonação dirigida ao rapaz era infinitamente mais suave. E em seu interior, Clementine precisava admitir que estava lutando contra a vontade de simplesmente arrastar a cadeira e ocupar o lugar ao lado de Liam. Em partes, seria delicioso ver a expressão no rosto de Mia com aquela vitória, mas ela também queria poder passar o resto do jantar com uma conversa mais agradável que dificilmente seria proporcionada pelos sonserinos que lhe serviam como segunda opção.

O problema era que sair vitoriosa naquele momento significava passar as próximas horas conversando com um lufano bem diante dos olhos de dois colegas de Cristopher. E não parecia mais como uma grande conquista quando enfrentasse o desgosto do namorado no dia seguinte.

Alisando as vestes pretas, Clementine contornou a mesa até ocupar o lugar vago entre os dois sonserinos. A sensação do seu estômago se afundando tornaria mais difícil a tarefa de apreciar a tão aguardada sobremesa, o que significava que todo aquele jantar havia ido por água abaixo, sem nada que pudesse ser salvo.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Qui Dez 15, 2016 2:18 am

Se Mia ainda tinha dúvidas do quanto Liam ficara chateado naquela noite, o rapaz lhe daria uma prova mais do que concreta de sua mágoa quando não pareceu nem meramente empolgado com a torre de sorvete que um elfo doméstico colocou na frente dele ao fim do banquete.

Normalmente, o monitor-chefe da Lufa-Lufa se fartaria com a sobremesa, pediria uma camada extra da cobertura de caramelo e voltaria os olhos com cobiça para o sorvete da amiga depois de esvaziar a própria taça. Naquela noite, porém, depois de duas ou três colheradas, Mellish passou a usar a colher apenas para brincar com a sobremesa enquanto os olhos pareciam muito distantes dali.

Liam costumava ser sempre um dos últimos a sair das festinhas de Horace Slughorn. Naquele jantar, contudo, o lufano esperou apenas que a primeira pessoa anunciasse a sua partida para também se colocar de pé. O sorvete derretido foi deixado para trás e, depois de agradecer a Slug mais uma vez pelo convite, Mellish alcançou o corredor sombrio de pedras das masmorras.

Não foi nenhuma surpresa escutar passos apressados seguindo-o. Mesmo tendo um ótimo preparo físico, Mia estava ofegante quando alcançou o colega antes que Liam alcançasse as escadas. A morena o segurou pela manga do blazer e aquela breve interrupção foi o suficiente para que as escadas se movessem para o outro lado do salão, dificultando o acesso de Mellish ao segundo andar.

- Ok, eu admito que exagerei. Mas as minhas intenções eram as melhores, Liam.

- Eu tenho quase certeza que Gellert Grindewald disse algo muito parecido no próprio julgamento. E Você-Sabe-Quem provavelmente também acha que as “boas” intenções dele justificam todos os seus atos. Então, Mia, isso não serve como desculpa.

Blake girou os olhos com impaciência ao ser comparada com bruxos das trevas que dizimavam milhares de vidas inocentes, mas a morena concluiu que não valia a pena prosseguir naquela discussão infrutífera. Por mais que Liam estivesse chateado, era preciso fazê-lo enxergar de uma vez por todas que Clementine DiLaurentis poderia ser o maior erro de sua vida se Mellish continuasse naquele caminho perigoso.

- Você a ouviu. Ela tem orgulho da casa, do sobrenome e das escolhas. Basta dar uma olhadinha superficial nas escolhas dela para vermos o quanto ela é diferente da gente, Liam. Ela tem orgulho de um namorado imbecil que não perde a oportunidade de humilhar o próprio irmão. Ela é cúmplice disso e você sabe que é verdade.

Clementine nunca havia feito nada contra Mellish, mas também nunca havia erguido um dedo para defendê-lo das injustiças promovidas por Cristopher. Liam preferia não estender para a loira a responsabilidade daquela culpa, mas racionalmente sabia que o silêncio de DiLaurentis a transformava em uma cúmplice do namorado.

- Mia, eu estou exausto. O que preciso fazer para que você me deixe em paz? O que você quer de mim?

- Eu quero que você me enxergue!!!

O desabafo de Blake soou num tom mais elevado e ela ergueu os braços apenas para deixá-los cair nas laterais do seu corpo. Mia já havia soltado uma infinidade de insinuações e já não sabia mais como sinalizar ao amigo que ela queria experimentar algo além da amizade. Diante do olhar confuso de Mellish, a garota não teve outra saída senão ser totalmente direta.

- Me dói muito ver você se arrastando para uma garota que não te dá a mínima. Eu tenho vontade de esganá-la sempre que ela desperdiça a chance de ficar com o cara mais perfeito de Hogwarts. Eu daria tudo para que você me olhasse da forma como olhar para ela.

- Do que é que você está falando, Mia? Nós somos amigos!

- Só porque é assim que você quer, chefinho. Por mim, seríamos muito mais que amigos há algum tempo. Eu sou completamente apaixonada por você e não venha me dizer que eu nunca tentei demonstrar isso. Meu próximo passo seria uma tatuagem na testa, mas abandonei a ideia com medo de que nem assim você percebesse.

A forma como Liam permaneceu petrificado e boquiaberto mostrava que o rapaz realmente não desconfiava dos sentimentos de Mia. A atitude direta da colega também era chocante, embora combinasse perfeitamente com a personalidade exótica dela. Ao invés de se sentir constrangida ou ofendida, Blake se aproveitou do choque de Mellish para se aproximar mais um passo.

Quando passou os braços pelo pescoço do monitor-chefe, Mia queria desesperadamente se apegar à esperança de que Liam só precisava de um pequeno incentivo para esquecer Clementine DiLaurentis. Na cabeça da lufana, Mellish deixaria de lado aqueles sonhos tolos se tivesse em seus braços uma possibilidade real e palpável de estar com uma menina que o amava.

- Eu só preciso de uma chance, chefinho. Prometo que não vou te decepcionar.

O calor dos lábios de Mia provocou um arrepio em Liam. A surpresa fez com que ele permanecesse imóvel por alguns segundos, mas logo seus lábios cederam e acompanharam o beijo iniciado pela menina.

Mellish definitivamente não estava convicto de que aquilo era a coisa certa a se fazer, mas as palavras de Blake faziam sentido. Talvez tudo o que ele precisava para tirar a namorada de Cristopher da mente era mergulhar de cabeça em um relacionamento de verdade. E, para isso, era preciso dar a Mia Blake a chance que a colega implorava.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Qui Dez 15, 2016 2:19 am

A sombra que surgiu no rosto de Melissa obrigou Landon a abandonar seu chocolate por alguns segundos e desgrudar da cadeira para se aproximar dela. Em silêncio, os olhos verdes analisaram a placa que a menina tinha em suas mãos, compreendendo o que havia feito seu humor mudar tão bruscamente.

Por um instante, Vanderwaal quase deixou escapar que sabia dos motivos que haviam levado Zummach até o castelo, mas conseguiu se calar antes de fazer o estrago que provavelmente deixaria a menina ainda mais furiosa e possivelmente prejudicaria os seus pais por deixarem o filho escutar conversas sigilosas nos corredores de sua casa.

Ao invés disso, Landon apenas continuou calado enquanto a menina arremessava a placa de volta para a prateleira, provocando um ruído estrondoso pela sala. Os dedos trêmulos eram o primeiro sinal de que Zummach não era completamente insensível e apesar de não concordar com o raciocínio dela, era impossível ser indiferente.

- Você não está aqui para fazer amigos, mas também não precisa colecionar inimigos.

Landon ainda estava parado atrás da morena, e a diferença de alturas permitia que sua voz ecoasse exatamente ao pé do ouvido dela. Os dois não chegavam a se tocar, mas Vanderwaal estava perto o bastante para sentir o calor do corpo de Melissa e o delicado perfume de maçã verde que havia resistido em seus cabelos durante todo o dia.

Os olhos verdes analisavam o perfil dela, iluminado pela coloração amarelada das velas. O lábio superior de Melissa formava um biquinho ainda maior e ela parecia uma criancinha birrenta e contrariada. Mas ainda assim era adorável.

Era a primeira vez que Landon notava na aparência da novata. Até então, a barreira que ela fazia questão de criar era tudo que ele conseguia enxergar. Mas aquele breve momento de sinceridade revelava uma Melissa que ele ainda não estava preparado para ver. Mesmo com todo o ódio que ela sentia injustamente por Dumbledore, Vanderwaal foi tomado por uma estranha necessidade de abraça-la e afastar aqueles terríveis pensamentos.

- Eu não estou dizendo que o Prof. Dumbledore é culpado ou que seus pais estão certos ou errados. Só não acho que seja justo você pagar por algo que aconteceu há tanto tempo.

O rapaz ergueu uma das mãos e ignorou a vozinha em sua mente que questionava suas ações quando deixou seus dedos tocarem os fios escuros de Melissa, afastando-os do pescoço dela para expor ainda mais o lado do rosto que ele conseguia enxergar em sua posição.

- Você não precisa desonrar a memória dos seus avós só por estar aqui, Melissa.

Sua mão finalmente pousou no ombro dela e Landon a virou delicadamente para obriga-la a ficar de frente. Pela proximidade, a lateral do corpo da menina chegou a roçar na sua pele, provocando um estranho aquecimento que desapareceu no instante em que eles se separaram.

- Hogwarts será uma experiência incrível, se você permitir. E eu não digo só pelos troféus, pelo reconhecimento dos professores, ou como foi que você disse mesmo? – Ele franziu as sobrancelhas como se forçasse sua mente a se lembrar de algo antes de completar com um sorrisinho. – Suspiros de meninas anencéfalas?

A mão que ele havia usado para virar Melissa ainda estava pousada no ombro dela, seus dedos massageando em uma leve carícia sobre o tecido do uniforme. A diferença nas estaturas obrigava a menina a precisar erguer o rosto para encará-lo da mesma forma que Landon precisava se curvar para frente.

- Você está em um lugar único, tampinha. Não deixe mais ninguém estragar isso para você, seja o Prof. Dumbledore, seus pais ou o perfeito Monitor-Chefe que definitivamente merecia um troféu melhor do que aquele ali.

Com a mão livre, ele apontou com o polegar por cima do seu ombro, na direção em que deveria estar o prêmio de Quadribol da vitória da Grifinória.

- Esse pode ter sido o melhor castigo que você poderia receber. Só depende de você.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qui Dez 15, 2016 3:30 am

Clementine não via problemas em admitir quando estava errada. E talvez ela estivesse errada com a perspectiva que tinha sobre o Clube do Slug. Depois da noite anterior, quando passou toda a madrugada revirando sobre o colchão com a lembrança da ousadia de Mia Blake, DiLaurentis não conseguia mais se sentir tão convicta de que poderia tirar algo de bom do seleto grupo do professor Horace.

A todo instante, ela tentava entender o motivo de se sentir tão incomodada com as ofensas de uma completa desconhecida. Mas era impossível ignorar a sensação de desconforto do seu estômago e de uma clara derrota, mesmo levando em consideração de que não havia nada para ganhar ou perder entre ela e a lufana.

Independente se sua mente ágil, que absorvia feitiços complexos, decorava toda a história da magia e sabia todo o catálogo de herbologia do quinto ano, mas era incapaz de compreender o que de fato havia acontecido na noite anterior, Clementine apenas aceitava que não havia sido nada agradável.

O intervalo do almoço mal havia começado, mas ao invés de se dirigir para o salão principal onde teria a refeição, ela se instalou em uma estreita varanda no caminho de uma das torres onde Cristopher estava terminando sua aula de astronomia.

Com o parapeito largo o bastante, Clementine se sentiu segura em se sentar sobre a fria pedra, apoiando suas costas contra a parede que dividia a varanda da parte interna do castelo. A bolsa de couro estava caída ao chão e ela tinha o livro vermelho de Poções e Caldeirões em suas pernas esticadas.

Por alguns instantes ela finalmente conseguiu ignorar a sensação de derrota provocada pela noite anterior e mergulhou nas páginas dos livros, vez ou outra deslizando os dedos pelas anotações pessoais de Liam. Os comentários eram sempre preenchidos em uma letra apressada, mas a corvinal conseguia ler com perfeição, admirada com a inteligência de Mellish.

Ela chegou a se distrair de tal forma que se assustou quando os dedos frios de Cristopher pousaram em seu tornozelo exposto sobre a pedra. Completamente alheio a expressão de culpa que invadiu o rosto da namorada, ele abriu um sorriso e se inclinou para roubar um rápido beijo de seus lábios.

- E então, como foi o jantar? Pronta para lançar um livro sobre os perdedores de Hogwarts?

Com dedos ágeis, Clementine fechou o livro de poções em seu colo, o abraçando cuidadosamente para esconder a capa, como se temesse que Cristopher fosse reconhecer aquele empréstimo como uma traição.

- Arg, você estava certo, foi horrível.

Clementine girou as pernas para dentro da varanda e Cristopher se acomodou entre seus joelhos, mantendo suas mãos apoiadas ao redor do quadril da namorada em uma atitude protetora.

- São todos tão chatos, mas tão chatos, que nem mesmo merecem uma história engraçada.

O sorriso de Cristopher se alargou ao ver que ele havia vencido aquela batalha sem precisar se esforçar. A simples ideia de que Clementine havia chegado a mesma conclusão que ele mostrava para Rookwood que ele não era um excluído, mas apenas superior demais para pertencer ao clube do professor de Poções, exatamente como DiLaurentis.

- Bom, talvez a gente devesse começar o nosso próprio clube. Com pessoas interessantes de verdade. O que acha? Quer ser a rainha de um clube de verdade?

Os olhos azuis giraram, mas um sorriso já começava a surgir nos lábios de DiLaurentis enquanto ela apoiava suas mãos nos ombros do Sonserino. A forte luz do sol fazia com que os cabelos loiros brilhassem ainda mais e os fios balançavam livremente com o vento.

Cristopher afastou uma mecha de cabelos claros do rosto da namorada antes de iniciar um beijo. Quando os dois se separaram, o sorrisinho superior reinava nos lábios dele. Rookwood não precisava participar do estúpido grupo de Horace Slughorn. Em um ano ele deixaria Hogwarts para assumir um cargo de confiança nos negócios da família, tinha todo o seu futuro garantido e poderia exibir a namorada-troféu. Clementine era absolutamente tudo que ele procurava em uma menina.

- Esqueça o clube, não preciso de mais ninguém além de você.

Eram por momentos como aquele que Clementine tinha certeza que não havia feito a escolha errada. Sua aproximação com Cristopher poderia ter ocorrido com o intuito de agradar sua família, mas ela não teria levado aquele relacionamento por tanto tempo se o sonserino realmente não a fizesse se sentir bem.

Rookwood carregava um sobrenome importante, uma considerável fortuna e era dono de uma beleza inquestionável. Ele trazia consigo uma generosa bagagem e uma infinidade de defeitos, mas tratava Clementine como uma rainha.


***

Uma cor alaranjada cobria as nuvens acima de Hogwarts quando Clementine finalmente empurrou seus livros para dentro da bolsa de couro após o fim da aula de Herbologia. A turma saía em passos apressados enquanto ela ficava para trás, lutando contra um fecho emperrado.

A iluminação do pôr do sol atravessava o teto de vidro das estufas e refletia na infinita diversidade de plantas que se amontavam pelas paredes, penduradas no teto ou espalhadas sobre as bancadas sujas de terra preta.

Na cabeceira da mesa onde havia sido lecionada a aula do dia, Madame Sprout terminava de aparar uma revoltada planta carnívora, tentando distraí-la com algumas lesmas, até finalmente erguer o seu olhar.

- Ah meu querido, que bom que chegou!

Por um instante, Clementine achou que a professora estava olhando para ela. Mas bastou olhar por cima do próprio ombro para encontrar Liam Mellish parado na entrada da estufa.

DiLaurentis não soube dizer se a presença dele apenas a obrigava a se recordar da noite anterior, mas ela sentiu seu coração dar um salto ao encontrar os olhos castanhos, repentinamente se sentindo constrangida, voltando imediatamente sua atenção para o fecho emperrado.

Equilibrando o próprio peso em botas de borracha que faziam um barulho engraçado enquanto andava, Madame Sprout caminhou até uma das mesas recostadas contra as paredes e abriu uma gaveta que Clementine sequer havia notado que existia. De lá, retirou uma folha de papel amarrotada e suja nas bordas pela areia preta que praticamente cobria todo o lugar.

- Eu não quero incomodá-lo na sua primeira visita a Hogsmead, querido. Tem certeza que não vai atrapalhar os seus planos? Eu posso apenas encomendar os ingredientes no Beco Diagonal... Eles sempre chegam com um pouco de atraso. E sempre trocam algumas sementes.

Madame Sprout girou os olhos com impaciência ao descrever sua péssima experiência pelas encomendas feitas por corujas, mas parecia sinceramente preocupada em incomodar o seu monitor-chefe com uma lista de compras.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Sex Dez 16, 2016 11:55 pm

Mesmo quando o sol surgiu no dia seguinte e iluminou um céu profundamente azul, colocando um fim no tempo chuvoso que se alongava desde o retorno das aulas em Hogwarts, Melissa ainda não havia se livrado das sequelas deixadas pela detenção da noite anterior.

Depois de mais de duas horas limpando e polindo os troféus, a novata sentia todas as articulações dos dedos doloridas. Sua pele também estava um pouco mais áspera que o normal graças ao contato com a substância química responsável pelo brilho do metal, e nem mesmo uma camada de creme hidratante foi capaz de amenizar aquele ressecamento. O pior era pensar que a noite anterior havia sido apenas a primeira de muitas outras que estavam por vir. A sala de troféus era enorme e, pelos cálculos de Zummach, ela precisaria de mais que um mês para finalizar todo o trabalho.

Era difícil se apaixonar por Hogwarts tendo recebido uma detenção tão pesada logo no primeiro dia dentro do castelo. Por mais que gostasse das aulas e que estivesse encantada com a estrutura do castelo, Melissa ainda encarava a escola como a sua prisão particular na qual ela ficaria enfurnada por três longos anos.

A solidão também dificultava a adaptação de Zummach dentro da Grifinória. Melissa havia deixado bem claro que fazer amigos não era a sua prioridade no castelo, mas nem mesmo a novata era indiferente ao distanciamento que os colegas mantiveram contra ela desde a sua pequena travessura com Shayna. A ruiva era uma figura muito querida e popular dentro da casa de Godric Gryffindor e, obviamente, os amigos compraram aquela briga em favor de Shayna e, consequentemente, passaram a virar as costas para a novata.

O contexto daquele fim de tarde no Salão Comunal da Grifinória não deixava dúvidas do quanto Melissa estava deslocada dentro da própria casa. Ao fim de mais um longo dia de aulas, vários alunos estavam aproveitando a folga em momentos de descontração. Uma dupla jogava uma animada partida de xadrez bruxo, um grupinho de meninas ocupava um dos sofás enquanto tagarelavam sem parar. Alguns meninos estavam trocando figurinhas dos sapos de chocolate e parte do time de quadribol conversava animadamente sobre a primeira partida daqueles semestre.

Zummach era a única que estava sozinha. Sentada no tapete esticado diante da lareira, a menina mantinha os olhos azuis presos na madeira queimada. A temperatura amena dispensava o uso da lareira naquele começo de noite, mas Melissa parecia profundamente interessada nas cinzas que os elfos domésticos deixaram para trás depois de limparem o salão naquela tarde.

O uniforme da Grifinória ainda não havia sido retirado e estava amassado em alguns pontos. Os cabelos castanhos presos num rabo de cavalo descuidado também refletiam o cansaço de Melissa depois de um dia inteiro de estudo. Apesar de estar exausta, a garota não reclamou quando uma sombra a cobriu e fez com que a sua atenção finalmente saísse da lareira apagada.

- Eu estou pronta, podemos ir.

Landon Vanderwaal parecia ainda mais bizarramente alto quando se colocava de pé diante da menina sentada no chão. Mas Zummach reduziu aquele impacto quando também se levantou, acertando as próprias roupas com alguns tapinhas para se livrar da poeira daquele longo dia. Mais duas horas na sala de troféus seria uma tortura dolorosa, mas Melissa não deixaria de cumprir aquela punição. Uma possível expulsão de Hogwarts poderia culminar com o Sr. Zummach em Azkaban.

- Ah, aliás...

Os olhos azuis giraram enquanto a novata puxava a mochila vermelha que estivera jogada no tapete, ao seu lado. Um dos zíperes laterais foi aberto e de dentro do bolso Melissa retirou um pergaminho, que foi entregue nas mãos do monitor-chefe.

- Eu imagino que deveria ter entregado isso no primeiro dia, mas esqueci. Só me lembrei disso agora porque ouvi alguém por aí comentando algo sobre Hogsmeade.

Quando abrisse o pergaminho, Landon encontraria o familiar formulário que os alunos tinham que apresentar aos professores – devidamente assinado por seus pais ou responsáveis – autorizando as visitas a Hogsmeade a partir do terceiro ano. O problema era que o pergaminho de Melissa estava incompleto. Ela havia preenchido os campos com seus dados pessoais, mas o traço onde deveria estar a assinatura do Sr. Zummach continuava vazio.

- Meu pai não quis assinar. Mas tudo bem, eu posso usar este tempo para acelerar o trabalho na sala de troféus. Estou com medo dos primeiros troféus que limpei já estarem sujos de novo quando eu finalmente chegar ao último.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Sab Dez 17, 2016 12:51 am

- Então, o que temos para hoje? Amigos, mais que amigos ou um silêncio constrangedor que vai estragar tudo?

Como de costume, Mia Blake foi direto ao ponto quando se colocou diante de Liam na manhã que se seguiu ao jantar de boas-vindas do Clube do Slug. Depois do longo beijo protagonizado em um dos corredores do castelo, os dois repetiram aquela carícia mais duas vezes antes de chegarem ao Salão Comunal da Lufa-Lufa. A despedida antes de seguirem para seus respectivos dormitórios não deu nenhuma dica de como seriam as coisas no dia seguinte, mas Mia decidiu que lançaria logo a pergunta ao invés de esperar pela reação do monitor-chefe.

A pergunta tão direta da colega fez com que Mellish erguesse os olhos do livro de Herbologia que ele folheava. O Salão Comunal da Lufa-Lufa estava bem vazio e, exceto por algumas meninas que estudavam numa mesa distante do sofá ocupado por Liam, todos os demais alunos já tinham saído para as suas respectivas aulas. Embora Mia não tivesse sido nada discreta, aquela ainda era uma conversa sem testemunhas.

- Silêncio constrangedor? – Blake fez uma careta para a longa pausa feita pelo rapaz – Não é a melhor pedida, mas ok.

- Eu ainda estou tentando entender o que aconteceu, Mia.

- Nós nos beijamos na boca. Não parece algo tão difícil de entender. De quanto tempo mais você precisa pra compreender isso?

Mais uma vez, as palavras diretas de Mia obrigaram o monitor-chefe a olhar ao redor só para ter certeza de que mais ninguém acompanhava aquela conversa tão íntima.

- Será que você pode facilitar esta conversa, Mia? Você sabe perfeitamente o que eu quis dizer.

- Não sei não. Eu estou sendo bem direta e franca, gostaria que você fizesse o mesmo comigo.

Liam nunca havia tido dificuldades para conversar com Mia Blake. A lufana costumava intimidar as outras pessoas com sua personalidade incomum e com a língua afiada, mas Mellish sempre admirara a sinceridade dela. Naquele momento, contudo, era muito difícil oferecer à colega toda a franqueza que ela solicitava.

- Nós somos amigos. – Liam começou, soando mais firme a cada palavra articulada – Eu gosto de ser seu amigo e não quero perder isso. Não estou certo de que eu seria um bom “mais que amigo”. Eu detestaria te magoar, Mia.

- Pelas barbas de Merlim, do que é que você está falando, chefe? – os olhos castanhos da menina giraram com impaciência – Por que diabos deixaríamos de ser amigos? Não há nenhum contrato que nos obrigue a quebrar os nossos laços de amizade depois de uns beijos na boca. As duas coisas podem conviver pacificamente, acredite.

A entonação tranquila de Mia indicava que a garota realmente encarava a situação com muita naturalidade e sem todo o drama que as meninas costumavam usar num relacionamento amoroso. Na cabeça prática de Blake, ela e Liam continuariam sendo bons amigos mesmo que levassem o relacionamento a um nível mais íntimo.

- Se não der certo...

Mellish até tentou ponderar, mas foi delicadamente interrompido por Blake.

- Se não der certo, voltaremos a ser amigos sem beijos na boca. Só isso. As coisas não precisam ser tão complicadas, chefinho.

Mesmo que não estivesse certo sobre os seus sentimentos, Liam precisava admitir que era exatamente daquilo que ele precisava no momento. Sua paixão platônica por Clementine DiLaurentis era muito complicada e irreal, mas Mia estava bem ali, oferecendo a ele um relacionamento de verdade, simples e fácil.

Quando os dois deixaram o Salão Comunal da Lufa-Lufa de mãos dadas naquela manhã, ficou claro que Liam estava dando uma chance não só para Mia, mas também para o próprio coração corrigir aquele erro estúpido de se apaixonar justamente pela namorada de Cristopher Rookwood.

---

Como de costume, Liam estava disposto a ajudar a Professora Sprout com a reposição de seus estoques naquele começo de ano letivo. Não seria a primeira vez que Mellish perdia alguns valiosos minutos de sua visita a Hogsmeade para completar a lista de compras da professora, mas era algo que ele fazia com satisfação não apenas porque ela era a diretora da Lufa-Lufa, mas simplesmente porque Liam se sentia bem ajudando as outras pessoas com gestos tão simples.

O que Mellish não esperava encontrar naquela visita às estufas eram os fios loiros de Clementine. Tão logo a reconheceu, o monitor-chefe se arrependeu por não ter conferido no quadro de horários qual era a última turma de Herbologia daquele fim de tarde. A última coisa que Liam precisava agora que estava decidido a ficar com Mia era que o fantasma de DiLaurentis continuasse assombrando o seu coração.

Como já era tarde demais para recuar daquela conversa, o lufano forçou um sorriso gentil enquanto adentrava a estufa com mais alguns passos.

- Sem problemas, professora. Sempre me sobra tempo durante as visitas a Hogsmeade, será um prazer ajudá-la.

A lista de encomendas foi cuidadosamente conferida pelos olhos castanhos antes que Liam dobrasse o pergaminho e o guardasse no bolso da calça. Ele já esperava por aquele gesto quando Sprout completou o seu agradecimento com um abraço caloroso, bem típico do comportamento de um lufano.

Apesar da situação atípica, Mellish não parecia constrangido por receber o carinho da professora. Ele esperou que Madame Sprout retornasse para os fundos da estufa e se ocupasse com a poda de algumas mudas para dar alguns passos na direção de Clementine. Liam não queria se envolver ainda mais com a corvinal, mas sabia que DiLaurentis merecia uma explicação e um pedido de desculpas depois da discussão com Blake na última noite.

- Eu realmente queria falar com você sobre ontem. Eu lamento pelo comportamento da Mia, não sei o que deu nela. Ela não é exatamente uma flor de candura, mas aquela cena foi totalmente desnecessária. Espero que não tenha ficado chateada, DiLaurentis.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Dez 17, 2016 1:39 am

- Você está ótima!

Robbie Petrellie, o atual goleiro da Grifinória, abriu um sorriso forçado na direção da ruiva ao seu lado, depositando leves tapinhas em seus ombros. Mais de vinte e quatro horas tinham se passado e embora já estivesse cabendo perfeitamente em seu uniforme, Shayna ainda demonstrava algumas sequelas do feitiço de Melissa Zummach.

A ruiva, que era dotada de um corpo magrinho que facilitava a sua performance no Quadribol, apresentava naquele fim de tarde as bochechas mais sobressalentes, uma papada sob seu queixo e as mãos gordinhas como de um bebê gigante.

- É sério, parece só que você atacou o estoque de doces do Landie.

Landon, que estava sentado do outro lado da mesa, ergueu o olhar de seu pergaminho para encarar os dois colegas de time. O calor agradável do Salão Comunal permitiu que ele se livrasse da capa com o símbolo do leão, expondo por completo a camisa branca amarrotada. A gravata ainda exibia um perfeito nó, mas os cabelos atrapalhados denunciavam que o segundo dia havia sido tão puxado quando o primeiro.

- Hey, meu estoque de doces é secreto! – Landon estreitou o olhar para Robbie antes de se voltar para Shayna. – E você está mesmo ótima. Ainda está mais bonita do que muitas garotas por aí.

O comentário tinha apenas o intuito de animar a colega, acompanhado de um sorriso encorajador. Mas Robbie percebeu no mesmo instante como as bochechas estufadas de Shayna ficaram mais coradas e um brilho discreto brincou em seu olhar.

A ruiva sustentou o olhar de Landon por alguns segundos até perceber que estava exagerando naquele contato. Para disfarçar, ela deslizou as íris pelo salão até virar a cabeça por cima do próprio ombro, encontrando o ponto onde a figura de Melissa se encontrava, em frente a lareira. Com um semblante completamente transformado, ela voltou sua atenção para os dois rapazes carregando um bico em seus lábios.

- Inacreditável! Essa garota ainda está por aqui?

Shayna bufou, mas manteve o tom sussurrado. No mesmo instante, os olhos esverdeados de Landon se ergueram para encontrar a parte de trás da cabeleira escura de Zummach. Era impossível ser completamente indiferente a solidão da novata.

Claro que Melissa havia procurado aquilo, e provavelmente até se sentia satisfeita pelo distanciamento dos colegas. Mas Landon não conseguia abandonar a sensação de que estava tudo errado. Hogwarts deveria se tornar um lar e não parecer como um eterno castigo.

- Você tem moral com a Minnie, Landie. – Robbie começou, obrigando Landon a encará-lo com curiosidade. – Por que não troca uma ideia com ela? Claramente o chapéu seletor errou feito mandando essa garota pra cá. Godric deve estar se revirando no túmulo com seus restos mortais.

- Primeiro... – Landon ergueu o indicador de uma das mãos poiadas sobre a mesa. – Não tenho “moral” com a Profª McGonnagal, da mesma forma que você não tem intimidade de chama-la de Minnie.

Os lábios de Robbie se curvaram em um risinho e ele estava prestes para fazer alguma piada, mas Landon não lhe deu a oportunidade. Ele conseguia compreender o distanciamento dos colegas, principalmente depois das atitudes de Melissa. Afinal, independente do seu cargo de monitor, ele havia sido o primeiro a assumir as dores de Shayna.

Mas depois de algumas horas ao lado da menina durante a detenção havia servido para que Vanderwaal não fosse tão radical. Melissa estava errada em diversas formas, mas não era tão fácil simplesmente odiá-la quando conseguia ver os caminhos que haviam levado a menina até ali.

- Segundo, o chapéu seletor não erra. Não errou em mil anos e não vai começar a errar agora.

- É um chapéu bem velho... – Robbie argumentou. – Não me admira que sua magia esteja se esgotando.

- Ele não errou. – Landon reforçou, em um tom que reforçava o fim daquela discussão. Em seguida, se voltou para Shayna enquanto enrolava o pergaminho e passava na direção dela. – Eu não vou conseguir participar do primeiro treino da temporada, mas deixei algumas dicas aqui para o Nathan. Posso repassar com ele outra vez, mas achei que deveria avisar a você, como capitã do time.

O queixo rechonchudo de Shayna despencou e desta vez ela não foi capaz de conter a própria voz esganiçada.

- Você não vai participar do treino??? O Nathan é reserva, Landon! Ele não chega aos seus pés!

- O Nathan é ótimo. – Ele se colocou de pé, puxando uma mochila largada no banco para o seu ombro. – E é só nesses primeiros dias, Shay. Preciso terminar de acompanhar a detenção da Zummach.

- Inacreditável! – Shayna lançou um novo olhar irritado na direção da novata. – Ela está aqui há menos de uma semana e já está arruinando tudo!

- Sem exageros, Shay. Você é uma ótima capitã, só precisa lapidar o Nathan, ok?

Ignorando o olhar furioso dos dois amigos, Landon desviou da mesa em que ocupavam do lado oposto no salão comunal e se direcionou até a lareira, sentindo ainda a atenção de Shayna e Robbie em sua nuca.

A expressão no olhar de Melissa fez o peito de Landon se apertar ainda mais. Era óbvio que a menina estava se fazendo de forte, de indiferente e insensível, mas era difícil enganá-lo quando ele podia ver bem nos olhos dela que estava se sentindo sozinha.

O familiar formulário para o passeio a Hogsmead foi recebido pelo monitor e ele não se deu ao trabalho de abrir para conferir o espaço vazio onde deveria ter a assinatura do Sr. Zummach.

- Eu entrego para a professora McGonnagal mais tarde. Mas é realmente uma pena...

Landon fez uma pequena pausa antes de abrir um sorrisinho torto. Ele enfiou uma das mãos no bolso da calça e ergueu o ombro em um sinal de descaso.

- Se quer saber minha opinião, Hogsmead é um pouco superestimada demais. Todas as lojas ficam sempre cheias demais e você acaba bebendo mais cervejas amanteigadas do que deveria enquanto espera por um prato de peixe e fritas no Três Vassouras.

Ele se inclinou para frente e completou com um sussurro, como se compartilhasse um grande segredo com a menina.

- Eu só vou porque preciso marcar meu ponto na Dedosdemel. Meu estoque de doces não costuma durar mais do que uma ou duas semanas. E atrasando meu jantar com as suas detenções, com certeza vou precisar reforçar as minhas compras esse mês.

O sorriso leve que Landon trazia em seus lábios denunciava que ele estava apenas brincando. Quando os dois passaram pelo retrato da Mulher Gorda e alcançaram o corredor, Vanderwaal ainda pôde sentir o olhar dos amigos em sua nuca, como se ele estivesse cometendo algum crime.

Os corredores ainda estavam consideravelmente vazios naquele breve intervalo em que os alunos passavam em seus salões antes de se encaminhar para o jantar. Os pés de Landon seguiram o caminho até o terceiro andar, mas ao invés de seguir pela passagem até a sala dos troféus, ele parou por um instante no último degrau.

Os olhos verdes estudaram o caminho que ele sabia que deveria seguir e depois pousaram na escada seguinte, que continuava descendo para o segundo andar. Antes que conseguisse fazer toda uma lista de prós e contras em sua mente, Vanderwaal apenas se deixou levar pelo impulso de uma súbita ideia.

- Hey, não vamos por aí hoje... – Ele inclinou com a cabeça para as escadas a sua frente e completou com um sorrisinho. – Você já conhece o campo de Quadribol, Srta. Zummach?
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Dez 17, 2016 2:00 am

Os dedos delicados de Clementine ainda brigavam com o fecho emperrado de sua bolsa quando Liam se aproximou. Por um único segundo, ela girou a cabeça por cima dos seus ombros para se certificar de que não havia mais nenhum outro aluno por perto, mas se arrependeu no mesmo instante daquele gesto involuntário.

Não havia nada de errado em falar com o monitor da Lufa-Lufa, mas DiLaurentis não conseguia se livrar da sensação de que estava sendo julgada por ser vista ao lado do meio-irmão de Cristopher.

Passado aquele breve momento de arrependimento, a menina abriu um sorriso mecânico e focou seu olhar no fecho preso da bolsa de couro apenas para evitar as íris castanhas do rapaz a sua frente.

- Você não precisa se desculpar. Eu estava só me sentindo deslocada ontem e achei que poderíamos ter uma conversa agradável.

O barulho irritante do metal sendo chacoalhado ecoava enquanto Clementine continuava naquela briga, sentindo-se cada vez mais constrangida pelos seus movimentos inúteis diante de Liam.

- Não queria causar nenhum problema com a sua namorada, não era minha intenção deixar ninguém com ciúmes.

Os lábios de DiLaurentis se curvaram em um sorrisinho tímido quando ela buscou pelo rosto de Mellish em um breve segundo, tentando ler a expressão de seu rosto diante da afirmação de que Mia Blake era sua namorada.

Quando encontrou as íris castanhas, entretanto, o desastre da noite anterior foi momentaneamente deixado de lado, assim como a briga com o fecho de sua bolsa. Os dedos da corvinal se aquietaram sobre o couro e ela recostou a lateral do seu corpo contra a bancada suja de terra.

- Você não precisa me chamar de DiLaurentis. Pode me chamar de Clementine. - Quando terminou de falar, ela girou os olhos e não conseguiu frear a própria língua. – Pode ser um nome de velha, mas ainda é o meu nome.

O ruído que vinha do fundo das estufas indicava que a Profª Sprout estava se afastando cada vez mais. Ainda assim, Clementine tomou o cuidado de manter o tom de voz baixo e a conversa privada ao tocar em um assunto mais sério.

- Eu sei que você tem todos os motivos para me odiar, Mellish. Mas depois de você ter me emprestado aquele livro, eu achei que não seria nada de outro mundo que pudéssemos sentar e conversar durante o jantar do Prof. Slughorn. Eu não sou o Cris.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Sab Dez 17, 2016 11:03 pm

O contato de Melissa Zummach com o quadribol se resumia às notícias esportivas que ela eventualmente lia no Profeta Diário. Embora achasse o esporte interessante e conhecesse as regras básicas, Melissa estava longe de ser uma grande fã. Sua família nunca havia levado a garota para assistir uma partida, tampouco tinham o costume de praticar quadribol no quintal de casa.

A vassoura também nunca fora uma grande prioridade para os Zummach. Alfred costumava dizer que voar era um meio de transporte muito arriscado e ultrapassado, então simplesmente cortou aquela lição da lista de coisas que ensinaria à única filha. Na opinião dele, Melissa nunca sentiria falta de uma vassoura se dominasse a arte da desaparatação e se soubesse projetar uma chave de portal perfeita.

Por isso, a surpresa da novata foi sincera quando ela se viu no meio do imenso campo de quadribol. As arquibancadas altas rodeavam o campo por todos os lados e era emocionante imaginá-las lotadas de torcedores fanáticos durante uma partida. Como conheceria as regras teóricas do esporte, Melissa não precisava de explicações para entender a finalidade dos três aros ou dos traçados no chão. Mas a mente dela ainda era incapaz de criar a imagem de um jogo que ela nunca assistira.

O cenário parecia ainda mais bonito graças à cor alaranjada do céu naquele fim de tarde. O sol já se despedia daquele dia na linha do horizonte, mas a temperatura continuava amena. O vento fresco soprava os cabelos castanhos da garota para trás, bagunçando ainda mais os fios que escapavam do seu rabo de cavalo. Mas, apesar disso, os fios atrapalhados contribuíam positivamente para a aparência delicada de Zummach.

- O que exatamente viemos fazer aqui? Como cão de guarda, você deveria me vigiar e não me afastar da detenção.

Apesar da provocação, era evidente que os olhos azuis da menina fitavam tudo com um nítido interesse. Era óbvio que Melissa estava curiosa com aquele novo mundo que se abria diante dos seus olhos. A garota já havia avistado os grandes aros de longe enquanto corria para encontrar as estufas onde aconteceriam as aulas de Herbologia, mas era a primeira vez que pisara no campo de quadribol vazio.

- Não me diga que a tal professora chefe desistiu dos troféus e agora vai me fazer limpar as arquibancadas? Estão faltando elfos domésticos em Hogwarts ou vocês simplesmente acham divertido empurrar essas tarefas para os novatos? Qual vai ser o próximo passo, limpar os banheiros com a minha escova de dentes?

Enquanto falava, Zummach caminhou pelo campo vazio até alcançar a estrutura de metal vertical que sustentava um dos aros. Melissa tocou o metal gelado com curiosidade antes de usá-lo como um apoio para as próprias costas. Quando voltou novamente o olhar para Vanderwaal, Melissa o presenteou com uma confissão mais humilde que não combinava com a sua personalidade ácida e independente.

- Eu não sei voar. Nunca tive uma vassoura. Um dos professores particulares até colocou isso como pauta das aulas, mas meu pai cortou a ideia. Segundo ele, eu não preciso de uma vassoura se for boa em aparatação.

Como Landon era basicamente o único colega que conversava com ela, Melissa não tinha mais ninguém para ouvir aquele desabafo. O olhar de pesar que ela lançou ao campo de quadribol mostrava que, daquela vez, a menina não concordava plenamente com as escolhas que o Sr. Zummach havia feito para a vida dela.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Sab Dez 17, 2016 11:50 pm

Quando Clementine olhou ao redor para se certificar de que nenhum colega testemunhava a sua conversa com um lufano, Liam sentiu um gosto amargo na garganta. Eram pequenos gestos como aquele que reforçavam o quanto a sua paixão por DiLaurentis era errada. Por mais que ela não usasse a típica máscara preconceituosa dos sonserinos, no fundo Clementine pensava exatamente como as serpentes de Salazar Slytherin.

Há algumas horas, Mellish teria corrigido imediatamente a loira quando ela insinuou que Mia Blake era a namorada dele. Contudo, agora nem mesmo Liam saberia dizer até que ponto aquela afirmativa era verdadeira. As coisas com Mia ainda estavam meio confusas e esquisitas, mas depois que concordaram em levar adiante a aproximação da noite anterior, um namoro parecia ser o próximo passo daquele relacionamento.

Com as mãos enfiadas nos bolsos das calças, Liam retribuiu ao olhar da loira. Embora estivesse sério, o monitor-chefe da Lufa-Lufa usou uma entonação amigável. Não havia nenhuma aspereza em suas palavras, apenas a sinceridade sobre a situação delicada que rodeava os dois.

- Eu imagino que você saiba que uma guerra de grandes proporções está sendo montada lá fora. É questão de tempo até que uma faísca gere uma grande explosão e que uma guerra sangrenta comece.

A mudança brusca no assunto chegava a ser bizarra. Era como se Mellish simplesmente tivesse ignorado as palavras anteriores da menina. Mas o lufano logo continuou o seu discurso, conduzindo a argumentação que faria com que aquele tema fizesse algum sentido na conversa dos dois.

- Os trouxas estão sendo atacados, assim como os mestiços e aqueles que não concordam com as ideias de Você-Sabe-Quem. Muitas pessoas já morreram e outras mais vão morrer se isso continuar. Pessoas inocentes, crianças, pais de família, gente que só queria viver em paz... milhares de vidas ceifadas. E de quem é a culpa?

Uma pequena pausa foi feita antes que Liam respondesse a própria pergunta, com um semblante ainda mais sério.

- As ordens partem de Você-Sabe-Quem, mas ele jamais conseguiria sustentar uma guerra sozinho, por mais poderoso que seja. Na minha opinião, a culpa é de quem concorda com as ideias absurdas dele, dos seguidores que acatam as suas ordens, das famílias poderosas que o apoiam e das pessoas que, mesmo que não declarem diretamente o seu apoio, fazem isso de maneira indireta com a omissão.

Uma das sobrancelhas de Liam se arqueou quando ele finalmente chegou no ponto do discurso em que uniria os dois assuntos.

- A omissão é uma forma covarde de apoio. Quando não fazemos nada, nós simplesmente aceitamos que o que está havendo é o certo. Você não é o Cristopher, mas você apoia indiretamente tudo o que ele faz porque assiste pacificamente a tudo. Eu sou sincero quando digo que não guardo mágoas contra você, só acho que a sua atitude – ou a falta dela – diz muito sobre quem você é, DiLaurentis.

Aquele desabafo estava entalado na garganta de Liam há anos. O lufano imaginou que nunca teria coragem de dizer aquelas palavras para Clementine, mas havia chegado o momento. Doía imaginar que a loira o desprezaria ainda mais depois daquela conversa franca, mas Mellish se obrigava a pensar que aquilo não mudaria o fato de que ele nunca tivera nenhuma mísera chance com a namorada de Cristopher Rookwood.

- Não precisamos ser inimigos, mas eu também não vejo como poderíamos ser amigos ou bons colegas se você sente vergonha de falar comigo.

O comentário mostrava que o lufano havia interpretado bem o olhar tenso de Clementine no início daquela conversa. Muito provavelmente a corvinal já teria cortado o assunto e se afastado se outros colegas estivessem perto o bastante para vê-la conversar com o irmão bastardo de Cristopher.

- O que você precisa entender é que, por enquanto, nós somos só estudantes vivendo os dramas e preconceitos infantis de Hogwarts. Mas como vai ser quando estivermos lá fora? Você também vai se calar se o Cristopher se juntar aos Comensais da Morte? Você vai fechar os olhos para a morte de pessoas inocentes? Você vai fortalecer o lado errado desta guerra com a sua omissão?

A cabeça de Liam se sacudiu em negativa antes que ele finalizasse, desta vez com uma entonação mais baixa.

- Não fazer uma escolha também é uma escolha, DiLaurentis. Na minha opinião, é a pior delas. Eu consigo entender a raiva do Cristopher e o desespero dele em tentar acabar comigo dia após dia. Ele fez uma escolha errada, mas é o direito dele. Só não venha me dizer que você é diferente só porque não age como o seu namorado.

Quando deu um passo para trás, Mellish já deixava claro que o seu desabafo estava chegando ao fim e que ele não pretendia transformar aquela conversa franca em uma briga.

- Por isso eu vim pedir desculpas pelo comportamento da Mia, para deixar bem claro que eu não concordo com o que ela fez ontem. Nós também somos responsáveis pelos erros do grupo que nós escolhemos, DiLaurentis. Você deveria pensar muito bem sobre o caminho que está seguindo, sobre as pessoas que estão ao seu redor. Antes que seja tarde demais...
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Dez 18, 2016 10:23 pm

Os olhos astutos de Landon Vanderwaal acompanharam cada um dos passos de Melissa, atentos a cada um dos seus músculos, pronto para absorver cada movimento de sua face para interpretar qual era a sensação da morena em estar em contato com o campo de Quadribol.

O rapaz não esboçou nenhuma reação, mas sentiu seu peito se aquecer ao notar que finalmente havia tocado em algum ponto mais sensível na pequena pedra de gelo que Melissa gostava de usar como barreira.

Com paciência, ele aguardou que ela formasse sua primeira impressão para finalmente permitir que seus pés se mexessem sobre a grama e caminhassem até ela. Landon parou há quase meio metro de distância, os braços cruzados sobre a camisa branca amarrotada e a gravata vermelha ainda em perfeito estado.

- Talvez eu não seja um cão de guarda. Talvez esteja mais perto de um vira-latas. – Ele balançou um dos ombros antes de completar. – Mas não pense que isso significa que está dispensada do seu castigo. Ainda vamos limpar troféus. Só achei que você fosse gostar de respirar um pouco de ar fresco antes de esfolar mais as suas mãos.

No fundo, Landon sabia que os dois teriam problemas se esbarrassem em algum professor, principalmente se este professor fosse uma determinada diretora da Grifinória. A última coisa que Vanderwaal pretendia era manchar sua perfeita imagem diante da professora McGonnagal em seu último ano. Como monitor-chefe, era sua responsabilidade manter Melissa sob controle, mas era impossível ignorar a sensação de que aquele breve passeio inocente poderia trazer muito mais benefícios do que a limpeza da poeira de velhos troféus.

Quando a confissão de Melissa se tornou mais pessoal, deixando de lado as típicas provocações, Landon baixou a cabeça por alguns segundos, tentando imaginar que tipo de vida ela levava antes de pisar em Hogwarts.

Para alguém como Vanderwaal, era quase impossível se imaginar fora daquele castelo durante todo o seu crescimento. Ele amava os seus pais, tinha um lar feliz e admirava o Sr. e a Sra. Vanderwaal, não só como pessoas, mas também como profissionais. Era por aquela admiração que Landon se encantava com Hogwarts, pois era na escola que ele seria moldado para um dia poder realizar um trabalho tão digno quanto o de um auror.

Em silêncio, Landon se aproximou alguns passos de Melissa, sentindo a grama fofa afundando sob seus sapatos. Os braços ainda estavam cruzados quando ele ergueu as íris esverdeadas, ainda mantendo o rosto ligeiramente inclinado para baixo.

- Bom, eu concordo com ele.

Antes que Melissa pudesse se irritar com aquele comentário ou tivesse a brecha para mais um comentário maldoso, Landon explicou suas palavras vagas pausadamente, sustentando o olhar com o dela.

- Fazer uma longa viagem sobre uma vassoura, por melhor que ela seja, não é exatamente o meio de transporte mais confortável. Não que aparatar também seja pura diversão, mas pelo menos acaba em poucos segundos.

Os braços de Landon penderam nas laterais do seu corpo antes que ele puxasse a varinha do cós da calça. Ele desviou o olhar de Melissa apenas por um segundo para observar o horizonte e então abriu um sorrisinho de lado ao se voltar para a colega, sem que ela sequer notasse seu feitiço não-verbal.

- Mas não é só pra isso que as vassouras servem. Voar é incrível, ponto. Você não precisa voar para chegar a algum lugar. Você pode voar e é isso.

Um vento repentino fez com que os cabelos de Landon balançassem quando uma mancha cortou sua visão e seus dedos, suspensos no ar, agarraram a vassoura que havia surgido da direção dos vestiários, no subsolo.

A vassoura estava bem conservada e o brilho dourado em sua ponta mostrava que o modelo não era o mais recente, mas cumpria perfeitamente sua função. Landon não tinha todo o tempo do mundo para se dedicar ao Quadribol, mas ainda assim tratava sua vassoura com dedicação.

- Quer dar uma volta?

Uma das sobrancelhas de Landon foi erguida e ele abriu ainda mais o sorriso ao girar o pulso e posicionar a vassoura entre suas pernas. Com um leve flexionar dos joelhos, seus pés deixaram de tocar a grama, mas ele ainda estava apenas há poucos centímetros do chão quando se aproximou mais de Melissa.

- Eu não conto ao seu pai se você não contar para a Profª. McGonnagal.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Dez 18, 2016 10:55 pm

Quando Mellish tocou no assunto que era representado em horrendas manchetes do Profeta Diário, DiLaurentis franziu a testa e abriu um sorrisinho confuso, pedindo alguma pista para aquela mudança repentina no rumo da conversa.

Porém, quanto mais o lufano falava, mais incomodada a loira ficava. Ela foi incapaz de desviar os olhos azuis das íris castanhas dele, mas em sua mente, revivia cada uma das terríveis notícias que vinha acompanhando nos jornais ultimamente.

Os DiLaurentis não pertenciam ao grupo de famílias que cada vez mais se uniam em prol do conceito pregado por Lord Voldemort, mas Clementine ouvia claramente os pais apoiando as ideias que prometiam limpar a sociedade bruxa daqueles que, de acordo com eles, não eram dignos.

O Sr. e a Sra. DiLaurentis chegavam a acreditar que se misturar com trouxas e mestiços poderia arruinar completamente a raça bruxa, de que a magia estava se diluindo como vinho em água a cada nova geração até chegar um momento em que estivesse tão contaminada que não seria mais capaz de realizar bruxarias.

Clementine não sabia até onde aquela teoria era verdade, mas precisava admitir que se sentia receosa com a ideia de um mundo sem magia, na mesma proporção em que se sentia enjoada em ver as mortes inocentes estampadas nos jornais.

Exatamente como fazia em relação aos irmãos Rookwood e Mellish, DiLaurentis também não se pronunciava no delicado assunto sobre a ascensão de Voldemort. Ela não conseguia ser tão radical quanto os pais ao ponto de desejar sangue derramado, mas não podia simplesmente dizer aquilo em voz alta e ser vista como uma traidora. Já havia ido longe demais abraçando a Corvinal como a sua casa.

O sermão de Liam havia tocado exatamente na ferida da loira. Ela sentia seu peito arder em vergonha, porque sabia que ele estava certo em cada uma de suas palavras. Clementine se sentia covarde e ainda mais derrotada por saber que não conseguiria se decidir, ou se realmente estaria escolhendo o caminho certo.

Tentando engolir o incômodo nó em sua garganta, ela finalmente desistiu de lutar contra o fecho emperrado de sua bolsa de couro e simplesmente puxou a alça por cima de seu ombro. O restante do material que havia ficado pela bancada foi recolhido e empilhado para que ela pudesse carregar em suas mãos.

Os olhos azuis continuaram focados em um acumulado de terra sobre a bancada por um longo período, incapazes de encarar o olhar do monitor da Lufa-Lufa. Clementine se sentia como uma criança sendo repreendida e, sem compreender exatamente o motivo, era uma sensação ainda mais desagradável que fosse Liam a lhe dizer aquelas palavras.

- Eu entendi o recado, Mellish.

Ela espremeu os lábios e apertou os livros contra o peito antes de girar sobre os calcanhares para deixar as estufas. Porém, Clementine deu apenas dois passos antes de se voltar para o monitor-chefe, o estudando com os olhos azuis.

Mellish estava certo em cada uma de suas palavras, mas aquilo não tornava as coisas mais claras para DiLaurentis. Ela chegava a desejar que fosse tão fácil fazer uma escolha como parecia ser para ele. Apesar de tudo, Clementine não queria sair dali com a imagem de que era uma covarde. Liam estava preso em todo aquele drama com Cristopher, mas não significava que ela também precisava ficar no meio de uma briga infinita.

Clementine nem mesmo tinha convicção de suas palavras, mas não freou a própria língua para tentar minimizar aquela impressão de uma menina boba que simplesmente acompanhava o namorado irracionalmente.

- Se me permite um conselho também, você deveria pensar muito bem antes de julgar as pessoas. Eu sei muito bem o tipo de pessoas que estão ao meu redor, e como disse para a sua namorada ontem, tenho orgulho das minhas escolhas.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Dom Dez 18, 2016 11:43 pm

Ficou comprovado que o Chapéu Seletor não havia errado na escolha da casa ideal para Melissa Zummach quando um brilho aventureiro iluminou os olhos da novata. A cabeça de Melissa girou lentamente para os dois lados do campo de quadribol apenas para se certificar de que mais ninguém estava por perto para vê-la aceitar aquele convite do monitor-chefe.

A ideia de levantar voo numa vassoura pela primeira vez poderia ser aterrorizante para a maioria das pessoas, mas a coragem tipicamente grifinória impulsionou Zummach na direção daquela aventura. Ela jamais se perdoaria se perdesse aquela chance única de quebrar uma das regras rígidas do pai.

- Sem gracinhas, Vanderwaal. Se você me deixar cair, eu juro que te acerto com um feitiço ridiculamente doloroso antes mesmo de chegar ao chão.

Apesar da ameaça nada sutil, um sorriso brincava nos lábios de Melissa e se refletia no brilho dos olhos azuis quando ela se aproximou mais do rapaz, estudando com um interesse indisfarçável a vassoura que flutuava alguns centímetros acima do chão. Sem pensar demais nas implicações daquela decisão, a novata deixou a mochila vermelha abandonada no gramado, passou uma das pernas por cima do cabo da vassoura e se posicionou no espaço vazio atrás de Landon.

O modelo da vassoura de Vanderwaal era específico para o quadribol, então fora feito para abrigar somente um jogador. Contudo, como Melissa era pequena e delicada, a garota não teve dificuldade de se espremer no pequeno vão atrás do colega. O espaço reduzido obrigava os dois a ficarem muito próximos, e aquela proximidade se tornou ainda maior quando, puramente por reflexo, Zummach se agarrou ao tronco de Landon no instante em que o rapaz deu um impulso maior e se afastou alguns metros do chão.

A maioria das garotas ficaria tentada a aceitar o convite de Vanderwaal apenas pela oportunidade de ficar tão próxima ao atraente monitor-chefe da Grifinória. É claro que Melissa não era cega e também já havia notado o quanto Landon era bonito, mas naquela tarde a sua maior motivação era mesmo o voo.

No começo, a vassoura subiu lentamente, mantendo a mesma velocidade e direção, como se o “motorista” quisesse dar a Zummach tempo para se acostumar com aquela novidade. Os braços finos de Melissa permaneceram ao redor do tronco do colega, abraçando-o com firmeza enquanto as arquibancadas ficavam cada vez mais distantes e a mochila deixada sobre o gramado se tornava somente um pontinho vermelho bem distante.

Não houve reclamação nem hesitação quando a vassoura parou muitos e muitos metros acima do gramado. Melissa inclinou a cabeça para espiar o chão lá embaixo e, ao invés de receio, sua expressão se tornou mais divertida. A garota mordiscou de leve o lábio inferior enquanto reunia a coragem necessária para dar o passo seguinte naquela aventura.

- Só isso? Ora, Vanderwaal, eu esperava muito mais de um cara que ganhou um troféu ridículo de quadribol.

A última frase de Zummach foi seguida por um gritinho quando Landon inclinou a vassoura antes de fazer um mergulho em alta velocidade. Instintivamente, os braços que rodeavam o tronco do rapaz o apertaram com mais força naquele abraço enquanto o vento forte jogava os cabelos de Melissa para trás.

Melissa chegou a encolher as pernas quando a vassoura chegou muito próxima do gramado, com medo do impacto daquela queda. Mas o artilheiro da Grifinória mostrou que tinha completo domínio da situação quando executou uma curva perfeita, contornando uma das arquibancadas, antes de subir novamente, desta vez em alta velocidade e manobrando a vassoura em ziguezague.

O elástico frouxo que prendia os cabelos castanhos de Zummach num rabo de cavalo já havia se soltado no meio daquela aventura e agora os fios voavam livres, assim como a capa com o leão da Grifinória. O coração acelerado da menina pulsava na garganta, movido por uma dose absurda de adrenalina que esquentava a sua pele e coloria as suas bochechas com um adorável tom rosado.

Uma garota medrosa já estaria aos prantos naquela altura dos acontecimentos, mas Melissa nem pensava em implorar para que o colega a levasse de volta para o chão firme. A respiração da novata estava ofegante quando a vassoura novamente parou muitos metros acima do gramado, mas ela só precisou de dois segundos para recuperar a voz.

- De novo. Eu quero mais!

Ao invés do gritinho surpreso que antecedeu o primeiro mergulho, na segunda vez Melissa soltou uma risada divertida. Apesar da inexperiência com vassouras, a novata demonstrou uma facilidade imensa em usar o peso do próprio corpo para manter o equilíbrio enquanto Landon executava curvas acentuadas e contornava as arquibancadas e os aros nas extremidades do campo.

Foi em uma daquelas curvas mais ousadas que Melissa se viu obrigada a apertar ainda mais o abraço que a unia a Landon para evitar uma queda. Os dois agora estavam tão próximos que a cabeça da garota se apoiava nas costas de Vanderwaal e ela conseguia sentir com perfeição o perfume suave que vinha dele.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Seg Dez 19, 2016 12:34 am

Por mais que soubesse que Clementine não estava sendo totalmente franca com a afirmação de que tinha orgulho de todas as suas escolhas, Liam decidiu que não levaria aquela discussão adiante. Não fazia o menor sentido se desgastar com uma briga que não mudaria em nada a vida dos dois. DiLaurentis continuaria sendo uma garota rica, vinda de uma família tradicional e namorada do filho legítimo de Augustus Rookwood. Ela não deixaria de ser um sonho inalcançável para Mellish só porque o lufano tivera um surto de coragem para fazer aquele desabafo.

Os passos da Professora Sprout se distanciaram ainda mais aos fundos da estufa até que a mulher sumisse de vista. Ao contrário da professora, contudo, os passos de Cristopher foram tão silenciosos que Liam só percebeu a presença do sonserino quando a voz áspera e grave do rapaz soou às suas costas.

- O que este lixo repugnante está fazendo aqui? Ele está te incomodando, Clementine?

Liam e Clementine estavam muito afastados um do outro, mas a expressão desconfortável da corvinal justificava a pergunta de Rookwood. Por já estar acostumado com as ofensas gratuitas do meio-irmão, Mellish apenas girou os olhos antes de tomar a palavra com uma educação que Cristopher definitivamente não merecia.

- Eu só vim falar com a Professora Sprout.

- É mesmo? – o sonserino olhou ao redor com um semblante forçado de confusão antes de completar com a voz carregada de ironia – Eu não vejo aquela gorda esquisita em lugar algum. E convenhamos, não é muito fácil esconder alguém com aquele volume. Eu só vejo a minha namorada com uma cara insatisfeita, Mellish.

Cristopher havia seguido o rumo das estufas naquela tarde para retribuir a surpresa e esperar pelo fim de uma aula da namorada para que os dois passassem algum tempo juntos. Contudo, a oportunidade de iniciar mais uma briga com Liam era ainda mais atraente do que ter Clementine em seus braços.

- Talvez seja exatamente por ser a sua namorada que ela tenha adquirido a cara insatisfeita, Rookwood.

Desta vez, Liam não conseguiu frear a própria língua e lançou a ofensa que fez os olhos de Cristopher se estreitarem ameaçadoramente. O sonserino agiu rápido quando sacou a varinha e a apontou para o meio-irmão, mas como Mellish já esperava por aquilo, o lufano repetiu o gesto com a mesma velocidade.

Os dois se estudaram num silêncio cortante. As varinhas foram mantidas em punho e firmemente apontadas um para o outro, mas o primeiro ataque de Rookwood não veio através de um feitiço. Seus lábios se curvaram num sorriso maldoso antes que o sonserino aplicasse todo o seu veneno em uma frase.

- Eu deveria ter pena de você. Deve ser muito difícil saber que não é amado nem pelo próprio pai. Mas eu não consigo sentir piedade de um ser tão asqueroso.

Embora aquelas palavras fossem cruéis, elas não atingiram Liam com a mesma potência que Cristopher gostaria. Mellish sequer conhecia o Sr. Rookwood e o pouco que sabia dele era o bastante para que o lufano não lamentasse o distanciamento imposto por seu pai biológico. Liam não tinha nenhuma dúvida de que era muito mais feliz e mais amado pelos tios e pelo primo.

- Eu não trocaria a minha vida pela sua, Rookwood. Jamais.

Um bufo de desdém e incredulidade se misturou à risada debochada de Cristopher. Na cabeça do sonserino, a sua vida era infinitamente melhor que a de Liam. Ele era um Rookwood, herdeiro de uma fortuna incalculável e de um sobrenome tradicional no mundo da magia, havia sido selecionado para a melhor casa de Hogwarts e tinha uma namorada perfeita.

- Quer mesmo que eu acredite que você não quer o meu sobrenome, a minha herança...? A minha garota?

A menção a Clementine fez com que Mellish hesitasse por alguns segundos. O lufano não fazia a menor questão da admiração de um homem desprezível como Augustus, não desejava o sobrenome Rookwood e nem esperava receber um centavo da herança daquela família. Mas ele estaria mentindo se dissesse que não cobiçava a namorada do irmão.

- Eu já tenho um sobrenome e, a julgar pelo meu desempenho em Hogwarts, terei um emprego melhor que o seu e não sentirei falta do dinheiro sujo do seu pai. Quanto a sua namorada, eu só espero que você realmente a enxergue como uma pessoa e não apenas como parte da sua fortuna. E, analisando o histórico da sua família, eu também torço para que você espere pelo menos até o fim da lua-de-mel antes de engravidar uma amante.

Uma veia já pulsava de ódio na testa de Rookwood quando o meio-irmão comparou o desempenho dos dois em Hogwarts. Mas Cristopher ficou ainda mais chocado quando Liam teve a audácia de fazer aquele comentário sobre a conturbada história de Augustus Rookwood.

Os dois filhos de Augustus tinham a mesma idade, mas Liam havia nascido dois meses antes do herdeiro legítimo do homem. Bastava fazer as contas e pegar a data do casamento do Sr. e da Sra. Rookwood para concluir que Augustus havia engravidado a amante poucas semanas depois de trocar alianças com a esposa.

Cristopher obviamente já havia feito aquelas contas indigestas, mas preveria não tocar naquele delicado assunto. Por isso, era um ultraje sem precedentes receber aquela verdade dos lábios do próprio Mellish, como uma bofetada na cara.

A fúria que se espalhou pelo rosto do sonserino foi tão potente que cegou Cristopher. Ele sequer se lembrava de que estava nos terrenos de Hogwarts quando berrou a maldição imperdoável tão usada pelos Comensais da Morte de Voldemort.

- Avada kedavra!!!

A sorte de Liam era que o braço de Rookwood tremia tanto que a sua mira ficou prejudicada. O raio verde passou há cinco centímetros da orelha esquerda do lufano e atingiu uma das trepadeiras floridas que cobriam as paredes da estufa. As flores brancas imediatamente secaram, seguida pelas folhas verdes que se tornaram marrons e caíram no chão.

O queixo de Mellish despencou e o lufano estava pálido como um fantasma quando olhou da planta morta para o meio-irmão, sem acreditar no que havia acabado de acontecer ali. Por mais que Cristopher o odiasse e estivesse contaminado pelos preconceitos da Sonserina, Liam nunca imaginou que ele teria coragem para tanto. Se não fosse pela mira ruim, Rookwood teria tirado a vida do próprio irmão diante dos olhos da namorada.

- O que você fez??? Você tentou me matar!!! Você vai ser preso por isso, é uma Maldição Imperdoável!!!

- Não serei preso por estuporar uma plantinha. – Cristopher abaixou a varinha, abrindo um sorriso gelado – No máximo vou receber uma detenção, mas talvez a influência do meu pai me livre até mesmo disso.

Antes que Liam pudesse argumentar ou cumprir o seu papel de monitor-chefe ao denunciar aquele feitiço proibido para os professores, Rookwood completou com uma entonação fria.

- Será a sua palavra contra a minha. E terei a Clementine de testemunha. Você me viu estuporando a planta, não viu, Cleo?
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Dez 19, 2016 12:56 am

A gargalhada de Landon ecoou contra o vento que se tornava cada vez mais fresco conforme a claridade do dia se extinguia no horizonte. Seus cabelos escuros eram erguidos de sua testa de acordo com as manobras que fazia e, entre uma volta e outra, ele já havia desistido da gravata vermelha, abandonada junto com a mochila de Melissa, no gramado.

Vez ou outra, quando conseguia manter alguns segundos em uma única posição, o grifinório ousava virar a cabeça para trás para admirar o rosto de Zummach. A felicidade dela era contagiante e Vanderwaal se sentia surpreendentemente orgulhoso por ter feito aquela mudança no roteiro do seu exaustivo dia.

Melissa não havia feito nada além de insultá-lo, de provocar os colegas e se manter afastado de todos. Mas a sensação de arrancar um sorriso do biquinho infantil dela era melhor do que Landon poderia imaginar. Ia muito além do prazer de simplesmente fazer algo bom para um colega.

Mesmo com o público feminino conquistando cada vez mais espaço no Quadribol profissional, ainda era bastante gritante a diferença entre meninos e meninas nos times de Hogwarts, porque a maioria das meninas parecia temer uma vassoura tanto quanto um basilisco.

Landon tinha colegas que jogavam Quadribol excepcionalmente, assim como Shayna dizia a plenos pulmões que jogaria profissionalmente um dia. Mas era a primeira vez que Vanderwaal podia assistir o brilho da paixão pelo voo surgir no olhar de alguém. E aquele brilho fazia muito bem para Melissa.

O tempo passou rápido demais entre as manobras, as descidas bruscas e até mesmo uma arriscada pirueta que Landon conduziu mantendo uma de suas mãos agarrada ao pulso de Melissa, apoiado em seu abdome. Mas foi fácil perceber que haviam exagerado quando a vassoura parou acima do aro mais alto e os dois puderam admirar Hogwarts de longe.

O céu estava coberto como um veludo negro, salpicado de estrelas. A lua nova brilhava com um sorriso, iluminando a pele dos dois jovens com um tom prateado. Era possível ver o lago, ao fundo, refletindo aquela luz natural, com as águas paradas para formar o idêntico desenho do céu. Até mesmo as árvores da Floresta Proibida estavam calmas, como se tudo ao redor apreciasse a imponência do iluminado castelo que reinava na paisagem.

Nem mesmo em meio a noite, Hogwarts era ofuscada. Era possível identificar o brilho amarelado que vinha do interior do castelo, escapando pelas diversas janelas, vindo das torres mais altas até os portões de entrada. Era assombrosamente lindo.

Um sorriso encantador brotou nos lábios de Landon quando ele girou a cabeça em seu ombro para procurar por Melissa mais uma vez. Só então ele percebeu que ainda mantinha sua mão unida a dela, contra seu peito, desde a pirueta que havia arriscado.

Os dois estavam ofegantes pelas brincadeiras, as bochechas coradas e as roupas tão atrapalhadas quanto os cabelos. Mas todo o cansaço e a tensão provocada pelas aulas puxadas ou pelos problemas ao longo do dia pareciam ter sido dizimados depois daquelas horas mais leves.

- E então, birrenta? Devo providenciar um troféu extra para você limpar amanhã? O que acha de “Melhor professor de voo da história”? Ou “Melhor Primeiro Voo já visto no mundo mágico”?

O corpo de Landon foi inclinado ligeiramente para frente, guiando a vassoura em um movimento mais suave até que estivessem novamente no chão. A mão dele só deixou de tocar a de Melissa quando precisaram se livrar da vassoura.

Vanderwaal sentia as pernas formigarem depois de tantas horas penduradas no ar e era estranho voltar a sustentar todo o peso do corpo em seus joelhos, mas a forma com que seu sangue corria rápido em suas veias ainda mantinha o sorriso em seus lábios.

- É incrível, você precisa admitir. Nem mesmo a sua necessidade em ser diferentona pode fazer você discordar de mim desta vez.

Como os dois estavam muito próximos na aterrisagem, Landon manteve seu corpo perto do de Melissa, mesmo com a vassoura imóvel sob seus pés. Se deixando levar ainda pela adrenalina dos voos, o monitor ergueu uma das mãos até tocar os fios atrapalhados de Zummach.

Um brilho diferente cobriu as íris verdes quando Landon percebeu o que estava fazendo, mas ainda assim foi incapaz de se afastar. Naquele momento, ele só conseguia se sentir incrível por ter sido capaz de enxergar além da máscara de Melissa. E o que via era uma menina linda que ele queria desesperadamente beijar.

- Tem mais uma coisa que eu queria tentar...

Os movimentos de Landon eram lentos, como se quisesse dar a chance de Melissa se afastar, se assim desejasse. Ele manteve seus dedos nos cabelos dela e inclinou o corpo para baixo. Seu olhar se encontrou com o dela mais uma vez, apenas para se certificar de que não seria azarado ou coisa do tipo, até finalmente deixar as pálpebras pesarem e cobrir os lábios dela com os seus.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Dez 19, 2016 1:45 am

O grito de desespero ficou preso na garganta de Clementine quando ela viu o jato de luz verde cortar a estufa. O medo fez com que ela congelasse, os livros em seus braços caindo com um baque aos seus pés. O queixo havia despencado até quase tocar seu queixo e os olhos azuis, que pareciam querer saltar de seu rosto a qualquer segundo, acompanharam a planta morrer até rolar para encontrar Mellish ainda vivo e tão estupefato quanto ela.

O lufano ainda conseguiu reagir primeiro, mas a corvinal permaneceu travada em seu lugar, em silêncio até mesmo quando o namorado lhe dirigiu a palavra. As íris azuis estavam mais claras com uma camada de lágrimas que ela era incapaz de derramar, a pele ainda mais branca que o normal e encarando Cristopher como se o enxergasse pela primeira vez.

Ele havia tentado matar o meio-irmão? Seu ódio era mesmo tão grande a ponto de cometer um assassinato sob as barbas de Dumbledore? Clementine não conseguia digerir aquela cena. Uma coisa era ler as matérias sobre tantas mortes estampando os jornais. Ela definitivamente não estava preparada para ver alguém morrendo bem diante dos seus olhos.

- O que você fez, Cristopher?

O horror estava estampado com tanta clareza no rosto da corvinal que Rookwood chegou a se espantar em não ter sua fidelidade espontaneamente. Ele estreitou os belos olhos como se desafiasse a namorada.

- Como assim, Cleo? Você viu o que eu fiz. Eu estuperei a planta.

As pernas de Clementine estavam bambas e seu lábio inferior tremia, mas não era medo de Cristopher ou só o fato de que havia acabado de ver seu namorado quase se transformar em um assassinato. Além da frieza do sonserino, DiLaurentis não conseguia evitar seu coração de disparar ao pensar que Liam poderia estar morto naquele segundo.

Ignorando o namorado, ela deslizou o olhar até encarar o lufano. Se o feitiço tivesse acertado Liam, Clementine teria que lidar com aquela culpa pelo resto da vida. Ela não havia erguido a varinha ou produzido a maldição proibida, mas sua omissão também havia contribuído para aquele pesadelo. Então, junto com a culpa, Clementine encarou Liam com um mudo pedido de desculpas em seu olhar.

- Você está bem?

A pergunta dirigida ao lufano foi respondida com aspereza por Cristopher. O sonserino mantinha a varinha em mãos, mesmo que abaixada, mas deu um passo para frente e encarou a namorada com uma surpresa indescritível, como se estivesse diante do maior ato de traição da história.

- O QUÊ?! Você está perguntando se ELE está bem? Ele não é ninguém!

Clementine ainda tremia, tão pálida quanto um dos fantasmas que assombravam os corredores do castelo. Mas quando pousou os olhos claros no namorado, parecia tão fria e ameaçadora quanto qualquer sonserino.

- Você quase o matou, Cristopher! Eu não espero que você sinta remorso por isso, mas não consegue pensar nas consequências? No que estava pensando?! Que iria direto para Azkaban ou que me tornaria cúmplice de um assassinato???

O casal raramente brigava, e quando o fazia, eram discretos o bastante para que nenhum outro morador do castelo presenciasse alguma crise. Era a primeira vez que Clementine se enfurecia diante de alguém, e para o completo desespero de Cristopher, era logo diante dos olhos da pessoa que ele mais abominava.

- Eu mirei na planta, Clementine. Que tipo de idiota você acha que eu sou?

A fúria estava estampada no belo rosto de Cristopher e a mão que carregava a varinha estava tremendo. Talvez, dez minutos antes, DiLaurentis tivesse a certeza de que o namorado jamais ergueria a varinha contra ela, mas ela não o enxergava mais com os mesmos olhos.

- Só precisava colocar este merdinha em seu devido lugar. – O Sonserino voltou a encarar o irmão com nojo. – Ele precisa saber com quem está lidando antes de falar asneiras outra vez.

- Você mostrou bem, então.

Clementine sabia que seria incapaz de carregar os livros com as mãos trêmulas, por isso ignorou os exemplares caídos em seus pés quando se afastou na direção da saída. Ela ainda se sentia atônita quando sentiu o ar fresco do jardim atingir seu rosto, mas congelou quando os dedos de Cristopher roçaram seu braço, a impedindo de seguir.

- O que você está fazendo, Clementine?

Ela podia ver que o namorado estava tentando controlar o próprio ódio para não explodir outra vez. Cristopher se sentia humilhado, mas não era tão fácil se voltar contra a loira, pelo menos não como era com Liam.

Apesar de todos os seus defeitos, Rookwood parecia gostar mesmo de Clementine. Ele precisava duelar entre o sentimento de raiva e humilhação, porque sabia que já havia ido longe demais para os padrões dela.

- Você vai me dedurar?

Clementine trincou os dentes, tentando impedir que as palavras saltassem de sua boca antes que ela tivesse realmente tomado uma decisão. Longos segundos passaram e ela encarou as estufas atrás dos ombros de Cristopher, sentindo um gosto amargo em sua garganta por saber que mais uma vez estava fazendo a escolha errada.

- Não, eu não vou te dedurar, Cris. A última coisa que eu quero é ver você acabando com a sua vida em Azkaban. Mas isso não significa que eu vou tolerar o que você fez. Se você se importa comigo, não vai querer me fazer cúmplice disso outra vez. Ou essa guerra entre vocês dois acaba, ou acaba entre nós dois.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Seg Dez 19, 2016 1:45 am

A adrenalina ainda circulava veloz pelas veias de Melissa mesmo depois que seus pés se afundaram novamente no gramado de Hogwarts. Os olhos azuis se ergueram para o céu, admirando a noite que ela havia visto de tão perto lá de cima. Não havia nenhuma máscara de ironia ou descontentamento que sobrevivesse depois daquela aventura. Tudo o que o semblante da novata refletia era uma genuína alegria por aquela brincadeira divertida que suavizara um pouco do seu dia difícil.

Nem mesmo se a garota se esforçasse muito ela seria capaz de discordar de Landon. Suas risadas e o sorriso que se recusava a morrer denunciavam o quanto ela havia gostado da experiência de voar. Mais uma vez, Vanderwaal se tornava a única pessoa naquele castelo a conhecer a verdadeira face de Zummach.

Por ainda estar tão maravilhada com aquela aventura inédita, Melissa não compreendeu de imediato os sinais dados pelo colega. Sua falta de experiência com garotos também contribuiu para que a novata não previsse o que estava prestes a acontecer.

- Landon...? – o primeiro nome do monitor saiu num suspiro, a voz da garota escapando sem que ela tivesse muito controle das próprias ações.

Uma pequena ruguinha de confusão surgiu entre os dois olhos azuis quando Zummach finalmente percebeu que Landon estava se aproximando demais. Contudo, antes que ela pudesse chegar à conclusão óbvia, os lábios do monitor-chefe alcançaram os dela.

Um turbilhão de emoções diferentes atingiu a garota ao mesmo tempo, em uma mistura de sentimentos que a deixou petrificada. Um arrepio potente se espalhou pelo corpo dela, seus músculos se contraíram e os olhos se arregalaram de surpresa. O coração de Melissa voltou a bater tão forte quanto havia sido durante as manobras mais ousadas do voo e uma nova dose de adrenalina esquentou o corpo da garota.

Foi por um instinto que Melissa até então desconhecia que suas pálpebras se tornaram mais pesadas e cobriram os olhos azuis. Depois do choque inicial, os músculos de Zummach relaxaram e ela não estava raciocinando quando deslizou as mãos pelos ombros fortes de Landon até encaixar os dedos na nuca dele, sentindo ali as pontinhas dos fios castanhos atrapalhados depois do voo de vassoura.

Como a convivência de Melissa com rapazes era praticamente nula antes do seu ingresso em Hogwarts, aquela era a primeira vez que Zummach era beijada por um menino. Contudo, apesar de sua inexperiência, a novata não teve grandes dificuldades e só precisou seguir o ritmo ditado por Landon.

Inconscientemente, Melissa tombou o rosto um pouco para o lado para que os lábios se encaixassem com ainda mais perfeição. A garota também se colocou na ponta dos pés, reduzindo um pouco a diferença nas estaturas e amenizando a curva que a coluna de Landon precisava fazer para que ele alcançasse os lábios dela.

O silêncio do campo de quadribol era quebrado apenas pelo vento fresco que se chocava contra as arquibancadas e contra as árvores da Floresta Proibida, mas logo as respirações ofegantes dos dois jovens se misturaram à suavidade daquele som.

O beijo foi prolongado até que os pulmões de ambos implorassem por mais ar. Os lábios se afastaram suavemente e Zummach manteve os olhos fechados por mais dois ou três segundos antes que a sua mente retornasse para a realidade.

Melissa não só havia permitido, como também havia retribuído ao beijo iniciado por Vanderwaal. Nos braços dele, a novata havia se comportado como uma criatura domesticada, quase dócil. Mas, quando se deu conta do que acabara de acontecer, Zummach se arrependeu profundamente por ter deixado as coisas irem tão longe.

Aquele beijo era um erro imperdoável e que definitivamente não combinava com a determinação de Zummach de honrar a memória dos avós e encarar Hogwarts como um castigo. Ela não estava ali para aprender magia, nem para fazer amigos, muito menos para se apaixonar.

Contrariando os saltos animados do próprio coração, Melissa afastou-se bruscamente de Landon e estreitou os olhos, como se tivesse acabado de ser mortalmente ofendida. Além de encarar aquele beijo como uma desonra aos princípios de sua família, Zummach começava a se perguntar se não acabara de ser vítima de um conquistador. Mesmo estando no castelo há poucos dias, a novata já havia notado como várias meninas suspiravam pelos corredores quando o monitor-chefe da Grifinória estava por perto.

- Nunca mais ouse colocar um dedo em mim, Vanderwaal! Isso foi o golpe mais sujo que eu já vi, você é nojento! – a novata apontou o céu, se referindo ao voo na vassoura – É isso que você faz com todas as idiotas anencéfalas que suspiram por você? Foi mal, mas você se enganou comigo. Eu não vou me juntar a elas!
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Seg Dez 19, 2016 2:41 am

As pernas de Liam estavam tão trêmulas que o lufano precisou se apoiar em uma das bancadas da estufa para evitar uma queda. As azarações que Cristopher lançava contra ele vinham ficando mais cruéis a cada ano, mas Liam jamais esperaria ouvir uma das maldições imperdoáveis da boca do meio-irmão.

Era chocante saber que Rookwood o odiava tanto a ponto de ter coragem de matá-lo. E era ainda mais preocupante ver que o filho de Augustus conseguia executar com a própria varinha um feitiço que estava se tornando uma marca registrada de Voldemort e dos Comensais da Morte.

O estômago de Mellish se afundava mais a cada segundo que passava e o rapaz compreendia melhor a gravidade do que acabara de acontecer. Ele ainda estava vivo por poucos centímetros, qualquer movimento instintivo no momento do ataque poderia ter culminado com o corpo do lufano sem vida no chão úmido das estufas. Era aterrorizante pensar que, por muito pouco, sua vida não chegara ao fim depois de mais uma discussão estúpida com Cristopher.

O rosto de Liam ainda estava pálido e seus lábios sem cor quando o monitor finalmente conseguiu guiar seus passos até a saída da estufa. Mellish não tinha a menor dúvida de que o que acabara de acontecer era grave o bastante para que o ocorrido fosse levado diretamente até os ouvidos de Albus Dumbledore. O diretor de Hogwarts precisava tomar providências urgentes contra um aluno que tinha a audácia de executar o feitiço da morte nos terrenos de um castelo lotado de jovens estudantes.

A determinação de Mellish foi interrompida quando Cristopher se colocou na frente do lufano, bloqueando o caminho. Liam não saberia dizer quanto tempo havia passado desde o ataque, mas o casal de namorados ainda discutia nas proximidades da estufa.

O monitor-chefe da Lufa-Lufa chegou a apertar a varinha com mais firmeza nas mãos, pronto para tentar se defender de mais um feitiço, mas desta vez a varinha de Rookwood não foi erguida contra o meio-irmão.

- Não conte a ninguém, Mellish. – Cristopher havia mudado o tom do discurso agora que não tinha tanta certeza que o testemunho da namorada o ajudaria a escapar daquela confusão – Eu mirei na planta, juro por Salazar. Eu só queria te assustar. Você acha que eu mataria alguém debaixo das barbas do Dumbledore e o velho não perceberia? Eu não sou tão idiota quanto você imagina.

Liam não tinha tanta certeza de que o meio-irmão estava falando a verdade. O braço de Cristopher tremia demais no momento da execução do feitiço, era difícil acreditar que o sonserino tinha tanto controle assim do que estava fazendo. Mas, independente de quem Rookwood queria acertar com a maldição da morte, Mellish tinha um dever a cumprir como monitor-chefe.

- Aquela maldição é chamada de imperdoável por um motivo, Rookwood. Eu não protegeria nenhum dos meus amigos que cometessem este erro, por que acha que vou poupar justamente você?

- Eu serei expulso de Hogwarts!

Aquela punição parecia uma bobagem perto do risco de ir para Azkaban, mas a verdade era que o sonserino não temia a prisão. Augustus era uma das figuras mais influentes do Ministério da Magia e certamente conseguiria salvar o filho daquele destino terrível. Mas o poder de Rookwood não exercia nenhuma influência em Hogwarts. No castelo, as ordens vinham de Dumbledore e o velho diretor já dera infinitas provas de que não seguia as determinações do Ministério e nem se deixava contaminar por influências externas.

- Problema seu, Rookwood. Se isso era tão importante para você, não deveria ter feito o que fez logo com um monitor-chefe. É meu dever levar isso ao conhecimento dos professores e do diretor.

- Na verdade... – Cristopher ponderou, mudando a sua estratégica naquele joguinho perigoso – ...esta escola não faz muita diferença na minha vida, Mellish. Eu já estou no último ano e, sinceramente, minhas notas nos NIEMs não vão mudar em nada o meu futuro como administrador da fortuna Rookwood.

O sonserino cruzou os braços fortes e abriu um sorrisinho vitorioso antes de terminar a sua argumentação.

- Se você contar aos professores, vão me expulsar de Hogwarts e iniciar um processo contra mim. Meu pai só precisará mover um dedo para que esse processo acabe em uma das lareiras do Ministério da Magia. Eu vou começar mais cedo o meu trabalho nas empresas da família e meu futuro vai acontecer exatamente como eu tenho planejado. Mas não podemos dizer o mesmo do futuro da Cleo, não é?

A menção à garota fez com que os olhos castanhos de Liam se deslocassem até a loira apoiada junto à parede da estufa. Os dois estavam afastados alguns metros de Clementine e a voz de Cristopher soava num sussurro que não chegava até os ouvidos da namorada.

- Se você me dedurar, o diretor vai querer ouvir a versão da nossa testemunha. A Cleo me ama e não vai ter coragem de me acusar por medo de que eu acabe em Azkaban. Ela vai mentir para o velho Dumbie e ele só precisa usar o Prior Incantato ou algumas gotinhas de Veritaserum para descobrir a verdade.

Enquanto Rookwood falava, a mente de Mellish visualizava exatamente as cenas descritas pelo sonserino. O lufano duvidava que Dumbledore fosse usar o soro da verdade em um aluno, mas era óbvio que o diretor era inteligente demais para ser enganado por um depoimento mentiroso de uma adolescente.

- Ela será expulsa também, antes mesmo de fazer os NOMs. Como minha futura esposa, isso não vai fazer muita diferença na vida da Cleo, mas você sabe como são esses alunos da Corvinal... O estudo é tudo pra ela, ela ficaria arrasada em sair de Hogwarts antes mesmo de completar o quinto ano.

Cristopher finalmente tocou num ponto fraco do meio-irmão. Mellish jamais protegeria um aluno que acabara de cometer um erro tão sério, mas o impacto que aquilo causaria na vida de Clementine seria desastroso. Se o monitor levasse a verdade até os professores, DiLaurentis seria pressionada e teria que acusar o namorado ou mentir para Dumbledore. Ambas as saídas acabariam com a loira.

- Eu sei que você gosta dela.

Os olhos castanhos de Mellish se voltaram novamente para o irmão quando Cristopher confessou num sussurro que sabia sobre a paixão platônica de Liam por Clementine. Não havia mágoa ou ciúmes, o sonserino parecia achar divertido aquele sentimento estúpido que jamais seria retribuído.

- A Cleo é linda, inteligente, carinhosa e vários garotos dariam tudo para ficar com ela. Mas você não é muito discreto, sabia? Às vezes você precisa de um babador quando ela está por perto.

Uma das sobrancelhas de Cristopher se arqueou, dando ao semblante dele uma nova dose de deboche.

- Ela nunca vai ser sua, acho que você já se conformou com isso, não é? Mas ela não precisa te odiar, Mellish. Deve ser frustrante ser perdidamente apaixonado por uma menina que te odeia porque você ferrou com a vida dela, não é? O máximo que você vai ter da Cleo é piedade e gratidão, mas você só vai conseguir isso se poupá-la de toda esta confusão.

O sonserino deu dois tapinhas amigáveis no ombro de Liam, como se os dois fossem bons colegas terminando uma partida de xadrez animada.

- A escolha é sua, Mellish. Como eu já disse, isso não vai fazer muita diferença na minha vida. Você vai ferrar com a vida da Cleo se contar a verdade ao velho Dumbie.

Depois de alguns segundos de hesitação, Mellish contornou o corpo do sonserino e deu as costas a ele, afastando-se da estufa com passos rápidos. Quando voltou para junto da namorada, Rookwood trazia um sorriso tranquilo e vitorioso nos lábios. Depois daqueles argumentos, Cristopher tinha certeza de que Liam não teria coragem de levar aquele problema até a diretoria.

- Relaxa, Cleo, está tudo resolvido. O bostinha não vai ter coragem de me dedurar. É sempre tão fácil negociar com lufanos...
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Dez 19, 2016 2:48 am

O temperamento hostil de Melissa era certamente a coisa mais chamativa em todo o conjunto da menina. E provavelmente havia sido aquele desvio de atenção que impedira Landon de perceber desde o primeiro minuto com ela, sobre o quanto a menina era atraente.

Claro que Zummach carregava consigo um olhar homicida, mas o biquinho que seu lábio superior fazia sempre que ela queria provoca-lo era, de alguma forma, um charme. Ela era baixinha e tinha uma aparência frágil que estava longe de combinar com a sua personalidade forte. Os cabelos negros com perfume de maçã-verde eram macios ao toque e emolduravam com delicadeza o rosto bonito.

Se a novata não fosse tão hostil, era óbvio que Landon não teria levado tanto tempo para repara enquanto ela era bonita. Naquela noite, entretanto, não havia nada que pudesse desviar seu foco para aquele detalhe.

As horas leves haviam proporcionado uma risada gostosa que ecoava como música aos ouvidos de Landon, o enchendo de orgulho por saber que era o responsável pelo seu riso sincero. Quando retirava a sua armadura, Melissa Zummach se tornava a menina mais linda que Vanderwaal já tinha visto.

O beijo nunca havia sido um plano para Landon, mas quanto mais sentia o sabor dos lábios dela, mais ele queria prolongar aquele momento. Suas mãos acariciavam os fios castanhos, ora afundando pelos cabelos para massagear diretamente a nuca dela, sentindo a textura macia de sua pele.

Vanderwaal já havia tido alguns poucos casos em Hogwarts, mas nada que fosse realmente sério. Além de sempre estar mais centrado em seus estudos, em suas tarefas como Monitor-Chefe e nas responsabilidades com o time de Quadribol, o coração do grifinório nunca havia batido de forma especial por ninguém antes. Pelo menos até aquela noite.

Por ainda estar completamente inebriado pelo momento, tentando entender o que estava acontecendo, as palavras de Melissa o atingiram como um doloroso tapa que queimava sua pele. O sorriso bobo aos poucos foi morrendo e uma ruga surgiu entre suas sobrancelhas diante da reação tão inesperada.

- O quê?

Ainda havia um vestígio da emoção provocada pelo beijo, como se Landon ainda tivesse esperança de que Melissa fosse rir ou corrigir aquele comportamento abrupto. Quando não houve nenhuma desculpa, nem risada e nada para apagar as palavras de Melissa, o semblante de Vanderwaal finalmente se fechou por completo.

- Do que você está falando?

Para quem via de fora, era bastante óbvio como Landon chamava a atenção do público feminino. Para o rapaz que havia crescido naqueles corredores, ele simplesmente era rodeado de pessoas simpáticas e havia conquistado muitos amigos em diversas casas.

- Você é maluca, sabia? Doidinha da cabeça!

Toda a anestesia provocada pela adrenalina do voo e do beijo desapareceu com um piscar de olhos. Era como se um balde de água com gelo tivesse sido derrubada sobre os cabelos atrapalhados de Landon. Seus olhos verdes refletiam decepção, mas uma vozinha em sua mente insistia em dizer que aquilo era bastante previsível, afinal, Melissa não estava ali para fazer amigos.

- Eu não sei de onde você tirou que eu tenho um fã clube. Mas deve ser porque é difícil para você enxergar como as pessoas podem ser legais! Sinto muito se eu sou legal e tenho amigos. Você devia tentar mais vezes.

Landon estalou o dedo no ar e espremeu os lábios como se tivesse acabado de se lembrar de algo muito importante. Ele balançou a cabeça e completou com um tom sarcástico que não combinava com a sua personalidade leve e atenciosa.

- Foi mal, esqueci que você está aqui em uma missão de ser odiada por todo mundo. Desculpe ter te desviado do seu caminho por, sei lá, trinta segundos.

Ele balançou os ombros e apontou para o céu acima de suas cabeças, indicando o espaço onde minutos antes eles voavam, se divertindo sem nenhuma barreira, sendo sinceros pela primeira vez.

- Eu não estava tentando aplicar nenhum golpe, Zummach. Mas você está tão mergulhada no seu ódio por uma briga que nem é sua, que não percebeu isso. Acho que meus amigos estavam certos, afinal de contas. Você é mesmo uma aberração, o chapéu errou em ter te colocado na Grifinória. Você deveria estar junto com as cobras amargas que só sabem viver de ódio.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Seg Dez 19, 2016 3:48 am

- Eu gostaria de mudar de casa.

O pedido firme e direto de Melissa Zummach ecoou pela diretoria silenciosa. Naquela noite, até mesmo os quadros tagarelas dos antigos diretores de Hogwarts estavam mudos. Quando a filha de Alfred Zummach subiu pelas escadas em espiral e exigiu falar com Albus Dumbledore, a última coisa que o diretor esperava era por aquele pedido.

Dumbledore vinha terceirizando suas responsabilidades para a Professora McGonnagal exatamente para poupar Melissa da sua companhia, então era surpreendente que a própria Zummach o procurasse para conversar. Albus acolheu a menina em seu escritório exótico já esperando por uma guerra, então o velho diretor foi desarmado por aquele pedido inusitado.

A garota ainda estava meio descabelada depois da experiência no campo de quadribol, mas Albus teve a delicadeza de não mencionar os nós dos cabelos castanhos. Os olhinhos azuis se mantiveram pousados na figura de Melissa com um nítido interesse antes que os dedos compridos empurrassem na direção da novata um pote cheio de acidinhas.

- O que é isso? – Melissa franziu as sobrancelhas, ainda não familiarizada com as excentricidades do diretor.

- Acidinhas. São como feijõezinhos de todos os sabores, mas sem surpresas com o sabor. Elas se tornaram as minhas preferidas depois que tive o infortúnio de experimentar cera de ouvido e patas de barata.

A curiosidade levou Melissa a aceitar a oferta. Os dedos delicados capturaram uma das balas do pote colocado a sua frente e os olhos azuis analisaram o doce por alguns segundos antes de levá-lo à boca. A parte externa da bala tinha um gosto ácido que justificava o seu nome, mas Zummach teve uma grata surpresa quando mordeu o doce e sentiu uma calda de morango doce escorrendo por sua garganta.

Albus analisou com atenção as reações da menina e conteve um sorriso satisfeito quando, depois de engolir a primeira acidinha, a mão de Zummach mergulhou novamente no pote, capturando mais uma bala.

- Então. Eu posso mudar de casa? – Melissa repetiu a solicitação com a mesma firmeza de antes, mas agora com a boca cheia de doces.

- Por que acha que o Chapéu Seletor errou, Srta. Zummach?

O diretor lançou um rápido olhar para o velho chapéu guardado em uma das prateleiras abarrotadas de livros e de objetos exóticos que Melissa não saberia dizer para o que serviam. Mais uma vez, Dumbledore foi surpreendido pela resposta que recebeu da novata.

- Eu não disse que o chapéu errou. Eu tenho todas as qualidades necessárias para ser uma grifinória. Mas eu não quero ficar lá.

Mais uma vez, o olhar de Albus se demorou na imagem da novata. Como sabia o quanto Melissa o odiava, Dumbledore tentava controlar as palavras e até mesmo as expressões, mas era difícil esconder o quanto ele estava intrigado e encantado com a personalidade forte de Zummach.

- Eles me odeiam e eu não vou implorar para que gostem de mim. Já tenho problemas demais para também ter que lidar com olhares atravessados, ofensas sussurradas ao meu redor e todo esse drama de aluna novata que não é aceita na nova escola.

Na cabeça de Melissa, não fazia o menor sentido continuar na casa dos leões depois da briga que acabara de ter com Landon Vanderwaal. O monitor-chefe era o único grifinório que a tratava bem, mas até mesmo ele acabara de dizer que Zummach não se encaixava na Grifinória. A novata simplesmente não sabia como iria sobreviver naquele lugar agora que até mesmo Landon lhe virara as costas.

Normalmente, seria naquele momento que Dumbledore faria um de seus longos e sábios discursos sobre o comportamento que Melissa deveria ter para que os colegas a enxergassem de forma diferente. Por isso, os quadros dos antigos diretores trocaram olhares e exclamações surpresas ao ouvir a resposta de Albus.

- E para qual casa gostaria de ir, Srta. Zummach?

- Dumbledore, devo alertá-lo de que isto foge totalmente das regras do estatuto de Hogwarts. – a voz de Armand Dippet ecoou pelo escritório e o diretor se remexeu em sua moldura, desconfortável – Apenas o Chapéu Seletor pode definir em qual casa ficará um aluno de Hogwarts.

- Desta vez tenho que concordar com ele. – Finneus Nigellus sacudiu a cabeça em negativa – Nenhum aluno pode escolher a própria casa, muito menos depois de já ter sido previamente selecionado pelo chapéu.

- São os quadros dos antigos diretores de Hogwarts...

Dumbledore explicou quando notou o olhar confuso de Melissa para as imagens que ousavam se meter na conversa do diretor. Sem mudar o semblante tranquilo, Albus completou a explicação com uma entonação gentil, mas cortante.

- Eles estão aí para o caso do diretor atual precisar de conselhos. Mas, como a senhorita acaba de ver, eventualmente eles se intrometem mesmo quando nenhum aconselhamento é solicitado. Peço que os ignore, por favor. – Albus repetiu a pergunta, ignorando as exclamações indignadas dos antigos colegas – Para qual casa a senhorita gostaria de ser transferida?

Aquela pergunta obrigou Melissa a parar para pensar por um momento. Depois da discussão desastrosa após o beijo com Landon, ela havia entrado no castelo disposta a procurar o diretor para fazer aquele pedido, mas Zummach tinha tanta certeza de que Dumbledore negaria a solicitação que nem se dera ao trabalho de planejar o resto da conversa. Agora que precisava tomar uma decisão, Melissa não sabia ao certo o que escolher.

Grifinória parecia uma escolha tão perfeita que era difícil para Zummach optar por outra casa. A garota ficou tentada a escolher a Sonserina, já que todos os grifinórios gostavam de dizer que ela era exatamente como as cobras de Salazar, mas um instinto inexplicável fez com que a Sonserina fosse justamente a primeira opção a ser descartada. Embora não tivesse nada contra a Lufa-Lufa, Melissa também descartou a casa dos lufanos por achar que se encaixaria melhor com alunos que estivessem mais focados no estudo do que em dramas pessoais adolescentes.

- Corvinal.

- Certo. Pode pegar as suas coisas no dormitório da Grifinória. Eu avisarei ao Professor Flitwick que, a partir de agora, você está sob a responsabilidade dele. E, desta forma, também está suspensa a detenção aplicada pela Professora McGonnagal. Seu novo diretor deve decidir se você será punida e qual será a punição.

O queixo de Melissa quase atingiu seu peito tamanha a surpresa com a decisão de Dumbledore. A garota nunca imaginou que seria tão fácil e nem pensava em se livrar da detenção com os troféus quando entrou na diretoria naquela noite. Tinha uma grande chance de Dumbledore ter cedido apenas para não piorar o problema antigo com os Zummach, mas Melissa não daria ao velho diretor tempo para mudar de ideia.

Albus apertou os lábios para segurar uma risada quando a menina pegou mais uma acidinha antes de pedir licença e sair do escritório às pressas. Finneus esperou que Zummach sumisse de vista para resmungar.

- Isso é totalmente errado. Você não pode mudá-la de casa, Albus.

- Eu não a mudei de casa. Somente permiti que ela dormisse algumas noites na torre da Corvinal até se dar conta do quanto sente falta da Grifinória. A cor do uniforme que ela usará não vai mudar o fato de que a Srta. Zummach é uma grifinória. E das melhores.

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Uma pequena multidão se aglomerava no Salão Comunal da Grifinória quando Melissa empurrou a porta, depois de dizer pela última vez a senha para a Mulher Gorda. Shayna – ainda mais gordinha que o normal – lançou um olhar vitorioso para a novata quando viu Minerva McGonnagal se aproximando de Zummach com passos firmes.

- Eu encontrei a sala de troféus vazia esta tarde. Imagino que a senhorita não entendeu a seriedade da detenção.

- A detenção foi cancelada. – Melissa cruzou os braços e sustentou o olhar da diretora da Grifinória – Por Albus Dumbledore.

- O que? – a voz de Minerva se elevou um pouco, mas a professora logo assumiu a postura firme de sempre – Impossível. O professor Dumbledore sabe perfeitamente que eu não admito interferências deste tipo dentro da Grifinória.

- Ele deve saber. – Melissa abriu um sorriso sem emoção enquanto tirava a capa com o símbolo de Gryffindor e a deixava cair no chão, aos seus pés – Ele só me livrou da detenção depois de permitir oficialmente que eu mudasse de casa. Só voltei aqui para buscar as minhas coisas. Não pertenço mais à Grifinória.

Sem perder tempo admirando a expressão chocada da professora, Zummach contornou o corpo esguio de Minerva e, sob o olhar surpreso dos colegas, caminhou com passos firmes até a escada que a levaria para o dormitório feminino. Durante aquele breve trajeto, Melissa cruzou o caminho do monitor-chefe, mas não perdeu mais que um segundo olhando o semblante confuso de Landon.

Como era difícil demais acreditar que Melissa conversara com Dumbledore e que o diretor simplesmente cedera ao pedido de trocá-la de casa e livrá-la de uma detenção, Minerva deu meia volta e saiu apressada do Salão Comunal, disposta a ouvir aqueles absurdos da boca do próprio Dumbledore.

O silêncio do salão foi mantido por mais alguns segundos após a saída de Minerva, mas logo a voz animada de Shayna chamou para si a atenção dos colegas.

- Ora, por que estão tão chocados??? Vamos dar uma festa! Isso é ainda melhor que uma vitória no quadribol, temos que comemorar!!!

Exceto por Shayna, ninguém mais parecia tão feliz com aquela transferência. Nem mesmo os alunos que antes lançavam olhares atravessados para Melissa conseguiam comemorar a saída da novata da Grifinória. Apesar de tudo, havia um sentimento de perda. O Chapéu Seletor havia determinado que Zummach era uma grifinória e vê-la optar por outra casa dava aos colegas a sensação de derrota, como se a Grifinória não tivesse sido boa o bastante para uma de suas alunas.

- Sei lá... a gente fala tanto dos sonserinos... - Robbie fez uma careta antes de completar - Mas talvez a gente também tenha pisado na bola desta vez. A gente não quis ser amigo dela só porque ela era diferente, e a verdade é que a gente não deu nenhuma chance pra ela, né?

- Não quisemos ser amigos dela porque ela tem a alma podre de um sonserino! - Shayna esbravejou, furiosa - O diretor só corrigiu o erro estúpido do chapéu, eu realmente não entendo porque você não estão comemorando!

- Podemos conversar com ela, pedir desculpas e tentar começar do zero. Eu me sinto péssimo em pensar que discriminamos uma colega ao ponto de fazê-la pedir por uma transferência para a Sonserina. Cara, isso faz a gente ser pior que os sonserinos!

- Robbie, você comeu bosta de hipogrifo??? Do que está falando? Não vamos pedir desculpas pra vadia idiota que me atacou! - Shayna procurou apoio em Landon, sem imaginar o quanto o monitor-chefe já havia se envolvido com a novata - Landie, diz pro Robbie que isso foi a melhor coisa que aconteceu com a Grifinória nos últimos tempos, por Godric!
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Dez 19, 2016 10:02 pm

Como sempre, um farto jantar estava servido ao longo das quatro mesas do Salão Principal. O cheiro das tortinhas de abóbora, dos milhos cozidos e de um colorido arroz invadia as narinas de Clementine, mas nem mesmo a perfeita aparência das refeições servia para abrir o apetite da corvinal naquela noite.

O purê de batatas era cutucado com seu garfo, mas até mesmo o bife estava intacto, ficando frio a cada segundo que passava. Ao invés de devorar a comida a sua frente, DiLaurentis mantinha sua atenção na mesa da Lufa-Lufa, sentindo um aperto em seu peito cada vez que um novo aluno se sentava apenas para reforçar a ausência de Liam Mellish.

A imagem do ocorrido nas estufas, horas antes, ainda estava fresca em sua mente, e mesmo tendo a certeza de que a maldição imperdoável não havia atingido o monitor da Lufa-Lufa, Clementine se sentia angustiada por não encontrá-lo ali, inteiro.

Ela se sentou propositalmente de costas para a mesa da Sonserina, permitindo que seu olhar buscasse por mais vezes do que seria conveniente pelo irmão de Cristopher. Quando sua comida já estava completamente gelada e ela se convenceu de que o estômago não aceitaria nem mesmo uma única ervilha, a loira se ergueu e deixou o jantar intocado para trás.

Ao alcançar o saguão de entrada, seus pés deveriam guiar pelo caminho a esquerda, pegando as escadas que a guiariam até a torre da Corvinal. Mas DiLaurentis marchou decidida pelos grandes portões que levavam a área externa do castelo.

O céu já estava negro e salpicado de estrelas. A lama provocada pela chuva dos primeiros dias finalmente estava seca e a grama afundava fofa sob seus pés enquanto ela tomava o caminho do corujal.

O familiar cheiro de fezes das aves invadiu seus sentidos, mas assim como no jantar, foi um detalhe lindamente ignorado quando ela procurou pelas penas avermelhadas de sua coruja de estimação.

Rubi, como havia sido apelidada quando Clementine tinha apenas onze anos, tinha grandes olhos amarelos e um lindo tom vermelho quase desbotado em suas penas, que se tornavam quase marrons graças a pouca claridade do corujal. Ao perceber a proximidade da dona, a coruja piscou seus grandes e brilhosos olhos e se esticou, aguardando o já esperado carinho.

Os dedos de Clementine afagaram rapidamente a cabeça do animal antes de puxar de dentro do bolso do sobretudo um pergaminho dobrado. Com delicadeza, o recado que ela havia escrito as pressas foi amarrado na pata esquerda de Rubi enquanto a menina lhe dava as instruções.

- Leve isso ao Liam Mellish, Rubi. Vou ficar esperando aqui.

A cabeça da coruja se virou para encarar a dona, como se estivesse surpresa com a menção daquele nome. Talvez fosse apenas o subconsciente de Clementine lhe dizendo que ela seria julgada por todos por procurar o meio-irmão de Cristopher, mas ainda assim ela emburrou ao retribuir o olhar do bichinho.

- Cutuque ele se for necessário. Mas não volte de patas vazias, estamos entendidas?

Um pio breve ecoou pelo corujal, mas nenhuma das outras aves se manifestou, como se compreendessem que aquela era uma resposta apenas para a humana. As asas avermelhadas de Rubi foram abertas e os fios loiros de Clementine balançaram quando levantou voo para o céu escuro.

Carregando em sua pata, Rubi entregaria a Liam um breve e objetivo recado.

Precisamos falar sobre o que aconteceu hoje. Estou no corujal. – C. DiLaurentis
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Ter Dez 20, 2016 12:29 am

Desde o segundo em que Melissa Zummach anunciou sua transferência de casa, um nó se formou na garganta de Landon. Enquanto os colegas esboçavam surpresas, lamentações e até mesmo comemorações, como no caso de Shayna, o monitor-chefe permaneceu em completo silêncio, quase afastado da movimentação que se instalara ao seu redor.

Ele ainda podia sentir a textura dos lábios da novata durante o beijo, como uma lembrança de que havia sido provavelmente a última gota para levar Zummach a tomar aquela decisão. Landon sabia que havia ido longe demais em suas palavras, mas nunca, nem em um milhão de anos, imaginou que Albus Dumbledore fosse concordar com uma transferência de casas. Aquilo provavelmente nunca havia acontecido na história de Hogwarts.

Landon só percebeu que os colegas falavam com ele quando Shayna precisou chamar seu nome pela terceira vez, abanando os dedos diante de seus olhos desfocados. As pálpebras esconderam as íris esverdeadas quando o monitor piscou, voltando a realidade e só então absorvendo as últimas frases trocadas entre os dois colegas de time.

Inconscientemente, Vanderwaal girou a cabeça por cima do ombro, na direção que levava para as escadas. Não havia nada além dos degraus de pedra que chegariam até os dormitórios, mas intimamente Landon esperava encontrar a figura de Melissa ali, exibindo outra vez o sorriso sincero que havia iluminado seu rosto durante as horas no campo de Quadribol.

Mas aquilo não ia acontecer. Melissa havia surtado após um beijo, e mesmo que Landon tivesse ido longe demais com suas ofensas, ele sabia que de nada adiantaria se desculpar. Zummach era provavelmente a pessoa mais orgulhosa que ele conhecia, e tinha como principal objetivo afastar a todos. Talvez ela estivesse mesmo melhor longe da torre de Godric Gryffindor.

- A Melissa não te atacou, Shayna.

A voz de Landon finalmente soou, longe de estar alterado como a ruiva ou corroído pela culpa como Robbie. Vanderwaal parecia apenas cansado quando gesticulou diante da boca aberta da capitã do time da Grifinória.

- Sejamos justos, você também não teria sido muito gente fina se não tivesse sido desarmada tão rápido. Você estava procurando por uma oportunidade para duelar desde o primeiro dia.

- Porque aquela vaca estava pedindo! Qual é, Landon! Você também vai ficar com peninha agora?

Robbie permaneceu mudo, mas a forma com que arqueava as sobrancelhas e endireitava os ombros mostrava que estava orgulhoso por ter saído vitorioso naquele embate, apoiando a decisão do monitor ao seu lado. Landon, entretanto, sacudiu a cabeça e mostrou que também não compartilhava da posição do goleiro.

- Não estou com pena de ninguém. Acho que ela está colhendo exatamente o que plantou. Se vai ficar melhor na casa das serpentes, que seja. Eu não vou me lamentar pelas escolhas de uma maluca que prefere se rodear de podridão.

Shayna chegou a esboçar um sorriso quando Landon se colocou de pé, encarando os dois amigos com pura repreensão. Vanderwaal ocupava o cargo de monitor-chefe e tinha a admiração dos professores, mas ainda assim era visto pelos colegas como alguém com quem eles sempre poderiam contar. Naquela noite, entretanto, ele parecia como um dos integrantes do corpo docente que precisava educar seus alunos.

- Mas também não vou comemorar. Não somos baixos a este ponto, Shayna.

Ainda sentindo o olhar dos amigos em sua nuca, Landon se afastou em direção as escadas, dando um fim naquela discussão sem sentido. Quando o rapaz voltou a pisar no Salão Comunal, o lugar já estava completamente vazio. Na lareira, apenas os restos de cinza reinavam, deixando o lugar mergulhar em uma temperatura gelada demais para uma noite de outono.

Os pés de Landon estavam descalços e em contato direto com a pedra fria que cobria o chão. Ele desceu apressado os últimos degraus para proteger sua pele com o tapete vermelho exposto em frente a lareira. A calça de moletom era de um tom quase rubi, com o nome “Gryffindor” estampado em uma das pernas. A camisa branca de algodão era lisa e estava gasta, mas era confortável na medida certa para dormir.

Os cabelos atrapalhados de Vanderwaal indicavam que ele estivera deitado até aquela hora, mas seu rosto alerta descartavam qualquer possibilidade de sono.

A intenção do rapaz era apenas pegar um pouco de ar fresco em uma das janelas da torre da grifinória enquanto o sono não vinha, mas no instante em que encontrou o rosto que o assombrava, Landon não conseguiu mais esconder que Melissa Zummach era o motivo da sua insônia.

- Achei que já estivesse longe a uma hora dessas.

Sua voz não passava de um sussurro para que não subisse as escadas e chegasse até os dormitórios, mas o silêncio do salão comunal permitia que Melissa o escutasse com clareza.

- O que foi? Não sabe o caminho para as masmorras? Aposto que o Prof. Slughorn caiu no sono com alguma garrafa de hidromel. Sinto informar, mas pela hora você provavelmente vai precisar dormir aqui mais uma noite.

Landon não tinha a intenção de começar uma nova discussão ou dizer mais ofensas como havia feito no campo de Quadribol. Mas logo Vanderwaal, que era sempre tão gentil e amigável, estava encontrando dificuldades para lidar com a mágoa de ver Melissa ir embora, como se a menina estivesse desistindo de algo muito importante.

- Se você acha que lá vai ser melhor do que aqui, eu preciso te desejar boa sorte. Mas se quer saber... Acho que eu estava certo, afinal de contas. Você não pertence aqui.

Diferente da forma rude com que ele havia abordado aquele assunto logo após o beijo trocado com Zummach, Landon estava sério e não trazia nenhuma alfinetada em suas palavras. Era apenas a mágoa refletida em seu olhar.

- Se você não teve coragem para continuar na Grifinória, seu lugar não é aqui. Nossa casa não é para desistentes.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Ter Dez 20, 2016 5:58 pm

O Salão Comunal estava completamente deserto e imerso em penumbra quando Melissa Zummach desceu as escadas que levavam ao dormitório feminino. A velha mochila vermelha estava pendurada num dos ombros da novata e o malão lacrado levitava às costas dela graças a um feitiço que a privava do trabalho de carregar todo aquele peso até a outra extremidade do castelo de Hogwarts.

Melissa disse a si mesma que havia esperado a madrugada para não ter que cruzar com nenhum dos antigos colegas durante aquela mudança. Ela também preferia entrar na Corvinal quando todos estivessem dormindo, assim seriam menores as chances de ser bombardeada com perguntas ou de ser hostilizada por uma massa de alunos insatisfeitos em receber em sua casa uma garota previamente selecionada para a Grifinória.

Mas a grande verdade era que Zummach queria dar uma última olhada na casa que estava deixando para trás, e era melhor que aquela despedida acontecesse sem testemunhas. Parecia uma grande bobagem sentir um vazio tão sufocante ao dar as costas para a Grifinória. Melissa estava ali há poucos dias, não tinha feito nenhum amigo, passara a maior parte do tempo isolada e ouvindo cochichos ao seu redor. Contudo, era inevitável aquele sentimento terrível de estar se despedindo do seu verdadeiro lar. Era como deixar para trás a casa onde ela havia nascido para se mudar para outro lugar que certamente não seria tão bom.

O pedaço de pergaminho com a senha para entrar na torre da Corvinal já estava no bolso da saia de Melissa há horas, desde que uma coruja velha lhe entregara o bilhete escrito pelo Professor Flitwick. Entretanto, a novata inconscientemente adiou ao máximo a sua partida, como se quisesse prolongar a sua vida como uma grifinória.

Mesmo sem saber como era o Salão Comunal da Corvinal, Zummach circulou uma última vez pelo salão dos leões, tentando guardar na memória todos os detalhes da decoração. A enorme lareira apagada rodeada por sofás vermelhos era o ponto preferido de Melissa no salão e era ali que a novata estava quando a sua despedida foi bruscamente interrompida pela chegada do monitor-chefe.

Ao contrário de Landon, Melissa não usava pijamas. As cores da Grifinória haviam ficado para trás e a novata voltara a usar o uniforme cinza e branco, sem as cores de nenhuma das casas. Os cabelos castanhos estavam presos em uma trança embutida e os olhos azuis se estreitaram com o comentário crítico de Vanderwaal.

O monitor-chefe simplesmente havia concluído que Melissa optara pela Sonserina sem fazer nem mesmo uma pergunta a ela. Detalhes como aquele reforçavam que Zummach realmente tinha motivos para querer sair de um lugar onde todos a julgavam sem de fato conhecê-la.

- Tenho uma boa notícia para você, Vanderwaal. A partir de agora, você vai ter muito tempo livre na sua agenda porque eu não serei mais um problema seu e você não vai precisar perder horas e mais horas pontuando os defeitos que não me fazem digna do seu amado uniforme. A Grifinória não é mais a minha casa, não temos mais nada em comum.

A chegada de Landon contribuiu para que Melissa ficasse ainda mais irritada, afinal o monitor a obrigara a interromper precocemente aquela despedida. Embora estivesse profundamente insatisfeita com o julgamento do colega, Zummach sentia-se exausta demais para continuar discutindo. E o comportamento de Vanderwaal não o tornava digno de receber maiores explicações sobre as escolhas dela.

- Eu sei exatamente qual é o meu lugar. Mas eu também sei qual é o lugar para onde eu preciso ir.

As palavras usadas por Melissa davam a entender que os dois locais que ela descrevia não eram os mesmos. Ela sentia que a Grifinória era o seu lar, mas simplesmente não tinha forças para lidar com mais aquele problema. Já era suficientemente difícil estar em Hogwarts, o mínimo que Zummach desejava era ter paz nos três longos anos que ficaria naquele castelo.

- Adeus, Vanderwaal... – Melissa interrompeu seus passos há poucos metros da porta do Salão Comunal – Não serei mais uma mancha no mundinho perfeito da Grifinória.

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- Corvinal???

A exclamação surpresa de Robbie ecoou por quase toda a mesa da Grifinória naquela manhã. Os alunos entraram apressados no Salão Comunal para tomarem o café da manhã antes das primeiras aulas do dia e o goleiro dos leões havia olhado algumas vezes para a mesa da Sonserina em busca de Melissa Zummach. Por isso, Robbie não conseguiu esconder o próprio choque quando a novata entrou no salão vestindo o uniforme azul e ocupou um lugar vazio na mesa da Corvinal.

As novas cores caíam bem em Melissa. A gravata azul tinha uma cor quase idêntica às íris de Zummach e a menina havia usado uma tiara listrada de azul e prata para enfeitar os cabelos castanhos, soltos naquela manhã. O único detalhe que destoava gritantemente na aparência de Melissa era a mochila vermelha que ela abandonou próxima ao banco antes de se sentar entre dois colegas da Corvinal.

Para imenso alívio da novata, os alunos de sua nova casa haviam estranhado aquela transferência inédita, mas se sentiram lisonjeados pela Corvinal ter sido a escolhida por Melissa. A menina não tinha aquela sensação de estar em um lar, mas pelo menos era tratada com gentileza pelos novos colegas.

- Nós montamos um grupo de estudo para os NOMs. – uma das novas colegas de dormitório de Melissa comentou enquanto passava para a novata a cestinha com tortinhas de abóbora – Se quiser se juntar a nós, estaremos na biblioteca no fim da última aula de hoje.

- Não, obrigada. – Melissa pegou um dos bolinhos e depois encheu sua caneca com o bule de chá de menta – Eu não faço muita questão de notas excelentes. Só preciso fazer os pontos suficientes para passar de ano porque não ficarei nem um dia a mais que o necessário neste castelo. Mas obrigada pelo convite.

Os alunos da Corvinal trocaram olhares meio chocados com aquela afirmação que definitivamente não combinava com o perfil da casa de Rowena Ravenclaw. Mas, ao contrário do que acontecera na Grifinória, os novos colegas não iniciaram uma guerra contra Zummach por causa da postura esquisita da novata.

- Tudo bem. De qualquer forma o convite está mantido, caso você mude de ideia.

- Mas eu estou interessada no time de quadribol. – um brilho iluminou os olhos de Melissa quando ela se lembrou da sensação maravilhosa de voar – Vocês tem um time, não tem?

- Temos, é claro. – a menina apontou um rapaz sentado na ponta da mesa – O Agostini é o nosso goleiro e capitão. Pergunte a ele sobre os treinamentos, eu tenho quase certeza de que temos vagas em aberto.

Ironicamente, Victorio Agostini parecia ser uma versão corvinal de Landon Vanderwaal. Os dois setimanistas traziam no peito o distintivo de monitor chefe, pertenciam ao time de quadribol de suas respectivas casas e chamavam a atenção do público feminino de Hogwarts. Melissa tentava desesperadamente não pensar em todas aquelas semelhanças quando se colocou diante de Victorio enquanto os alunos já se dispersavam do Salão Principal.

- Ahn, oi. Agostini, não é? – Zummach esperou que o rapaz confirmasse – A Sarah me disse que eu teria que falar com você sobre o time de quadribol. Estou interessada em fazer os testes.

- Ah, claro. Marquei os testes para a semana que vem, na quinta à tarde. Vai fazer o teste para qual posição, Zummach?

- Ainda não sei. – um sorriso aventureiro surgiu nos lábios da novata – Tenho oito dias para me decidir.

Melissa se afastou junto com um grupinho de quintanistas que se encaminhavam para as estufas, deixando para trás um sorrisinho divertido nos lábios de Agostini. A ousadia da novata não combinava com o perfil da Corvinal, mas o monitor-chefe ficaria ainda mais surpreso se soubesse que naqueles oito dias Zummach não pretendia apenas decidir qual seria a sua posição no quadribol. Aquele também era o prazo que Melissa tinha para aprender a voar sozinha e a dominar as técnicas daquele jogo que ela conhecia tão pouco.
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