Back to Hogwarts

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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Qui Fev 02, 2017 2:17 am

Quando pisou no templo naquela manhã, Mellish estava determinado a se concentrar exclusivamente no trabalho que o levara até o Egito. Era notável que a equipe de Nathan estava imersa em um clima mais pesado depois da breve discussão que acontecera na tenda e aquele era um motivo a mais para que Liam mantivesse o foco. Por mais que não quisesse prejudicar Clementine em seu ambiente de trabalho, o herdeiro dos Rookwood também não conseguiria ficar de braços cruzados em casa esperando que a cura milagrosa para Cristopher caísse em seu colo.

Com uma mochila nas costas e um cantil amarrado na cintura, Liam seguiu caminho pelos destroços espalhados no interior do templo. De acordo com as instruções de Nathan, eles se dividiriam em duplas para que assim pudessem desbravar uma área maior. Nate e Clementine seguiram juntos para o piso principal do templo, Peter e Tessa ficaram responsáveis pelos cômodos acessórios e, por fim, Mellish e Brant se encarregaram do piso inferior, uma espécie de escavação onde havia um depósito escuro.

A baixa luminosidade obrigou os dois rapazes a acenderem as pontas das varinhas. O local era tão pequeno quanto um cômodo, abafado e coberto por uma camada ainda mais grossa de areia. Alguns móveis velhos estavam espalhados pelo chão e obrigavam os dois rapazes a redobrarem o cuidado enquanto caminhavam em meio aos escombros.

- Desculpe por aquela ceninha, Rookwood.

A voz de Brant soou baixa, mas ecoou pelo ambiente fechado. Liam realmente preferia nem tocar naquele assunto, então tentou cortar gentilmente o pedido de desculpas do parceiro.

- Tudo bem, cara. Discussões acontecem em todas as equipes.

- Não sei o que deu na Clemy. Ela realmente ama tudo isso e não costuma fugir do trabalho pesado. Eu acho que deve ter sido algum problema mais íntimo. – o ruivo fez uma breve careta enquanto se desviava de um sarcófago quebrado – Você sabe. É sempre complicado misturar trabalho e lazer...

De imediato, Liam não entendeu as insinuações de Brant. Diante da expressão confusa de Rookwood, o ruivo se viu obrigado a ser um pouco menos vago.

- Clem e Nathan. Os dois são bem discretos, mas eu não sou idiota. Está rolando alguma coisa há algum tempo, mas eu não comentei nada porque realmente achei que isso não iria influenciar no nosso trabalho. Mas depois de hoje não tenho tanta certeza... Vou conversar com o Nate e dar um toque. Eu gosto muito dos dois, mas não vou deixar que eles estraguem a maior chance que a nossa equipe já teve com uma crise pessoal.

O estômago de Mellish se afundou com aquela revelação. Por mais que ele soubesse que Clementine não fazia mais parte de sua vida e tinha o direito de se acertar com outra pessoa, era impossível para Liam conter o sufocante sentimento de perda. Mesmo depois de tantos anos, o lufano nunca mais fora capaz de amar outra mulher. Era frustrante pensar que Clementine já o superara enquanto ele ainda sofria por tê-la perdido.

Até aquele momento, Liam tinha se simpatizado muito com Lavane e admirava a forma apaixonada e comprometida com que o rapaz liderava aquela equipe. Entretanto, imaginá-lo com Clementine em seus braços era mais que o suficiente para que uma antipatia nascesse e para que os defeitos de Nathan se tornassem maiores e mais gritantes aos olhos de Mellish.

- Eu realmente não estou investindo tão pesado nesta pesquisa para que o Lavane curta uma viagem de férias com a namorada. Espero mesmo que esta crise seja solucionada e não se repita.

- Não, cara. – as palavras ásperas de Liam fizeram Brant se arrepender daquele desabafo – Nós estamos levando o trabalho a sério. Eu vou ter uma conversa franca com o Nate. Você tem a minha palavra de que este incidente não vai se repetir.

Era muito óbvio que aquele patrocínio era importante para Brant e para o restante da equipe. Depois de tantos anos recebendo migalhas da editora, nenhum deles queria desperdiçar aquela chance dourada de fazer um trabalho realmente grande. Foi exatamente para não torturar o ruivo que Liam forçou um sorriso mais tranquilo para o rapaz e indicou uma enorme parede de pedra caída no fundo do cômodo. Debaixo dela, parecia haver um baú de madeira antigo.

- Aquilo me parece promissor. Quer me ajudar a puxar o baú?

Um feitiço simples poderia resolver aquele problema, mas os dois rapazes deixaram as varinhas de lado para arrastar a pedra com as próprias mãos. Aquela tarefa pesada fazia parte dos cuidados necessários no interior do templo. Como a estrutura do local era antiga e já estava perigosamente danificada, o grupo havia combinado de usar a menor quantidade possível de magia durante a expedição. Além do risco de novos desmoronamentos, os bruxos queriam evitar que qualquer descuido estragasse algum pergaminho velho ou algum objeto delicado escondido pelas paredes de pedra.

A pedra era mais pesada do que Liam previa. Ao fim do trabalho de puxar o baú, Rookwood já sentia os músculos dos braços doloridos e uma gotinha de suor escorria pela lateral do rosto do rapaz. Brant também estava ofegante e se abanou, numa tentativa de amenizar o clima abafado daquele ambiente fechado.

- Está pesado. São dois lances de degraus, não vamos conseguir carregar até lá em cima. Vou chamar o Pete pra dar uma mãozinha...

- Ou então nós abrimos e analisamos o que realmente vale a pena carregar. – Liam forçou o cadeado, abrindo um sorriso satisfeito quando notou que o baú não estava trancado – Eu ficaria frustrado se carregasse todo este peso só para descobrir que não há aqui nada além de sapatos velhos.

O semblante preocupado de Brant mostrava que o ruivo não estava tão certo de que aquilo era uma boa ideia, mas Rookwood ergueu a tampa do baú antes mesmo que o outro rapaz pudesse verbalizar os seus receios.

Nada aconteceu nos primeiros segundos e, para espanto e decepção dos dois rapazes, o baú estava completamente vazio apesar do peso. Brant girou os olhos, bufou e estava prestes a agradecer Liam por terem aberto o baú ao invés de carregá-lo para o piso superior quando os dois ouviram passos leves atrás de si.

A ponta da varinha de Brant iluminou uma das mulheres mais lindas que ele já vira. A pele da moça era simplesmente perfeita, pálida, sem nenhuma manchinha ou marca de expressão. Os cabelos lisos eram quase brancos de tão loiros. Não havia nem mesmo uma corrente de ar naquele ponto do templo, mas os fios da jovem esvoaçavam mesmo na ausência de vento. Os olhos dela tinham um formato amendoado e tinham um tom esverdeado de folhas secas. O nariz tinha um desenho perfeito, assim como o formato dos lábios rosados.


Mas o detalhe mais chocante daquela aparição eram os trajes usados pela moça. A túnica era branca e esvoaçante, feita com um tecido transparente que não escondia as curvas perfeitas da loira. Ao invés de se sentir constrangida e intimidada com os olhares de dois rapazes, a jovem abriu um sorriso enigmático enquanto dava um passo na direção de Liam e Brant.

- Não posso colocar em palavras a minha gratidão por ter sido libertada depois de tantos séculos...

Assim como a aparência, a voz da loira era magnífica. Seu timbre era delicado, doce e suave como uma canção sereiana. As palavras dela fizeram com que Brant e Mellish olhassem para o baú vazio, de onde provavelmente a garota havia saído. Os olhos castanhos de Rookwood buscaram mais uma vez pela imagem da loira, como se estivessem hipnotizados pela beleza dela.

- Quem é você...? – Brant também parecia estar sob a influência dela, embora num grau menor que Mellish – Ou melhor, “o que” é você?

- Eu me chamo Nefertari. Meu nome significa “a mais bela”.

Até mesmo Brant tinha que admitir que a garota era anormalmente bonita, mas a forma como ela surgira e o comportamento dela começavam a deixar o ruivo mais receoso e preocupado. Quando buscou pelos olhos de Mellish na tentativa de uma comunicação não verbal com o parceiro, Brant encontrou Liam boquiaberto. Rookwood sequer piscava e começou a abrir um sorriso tolo como se estivesse hipnotizado. E foi a reação do colega que fez com que uma luz se acendesse na mente do ruivo.

- Merda! É uma veela!!!

Embora já tivesse lido alguma coisa sobre aqueles seres mitológicos nos livros da escola, Brant nunca imaginou que um dia ficaria cara a cara com uma veela. Todas as publicações sobre o assunto eram unânimes ao dizer que veelas eram mulheres assombrosamente lindas, que hipnotizavam os homens que faziam contato visual com elas. Contudo, os livros também deixavam muito claro que a magia das veelas era tão forte e poderosa quanto a beleza dos seus corpos.

E Brant teve uma amostra desta magia quando apontou a varinha para Nefertari. Bastou um olhar da veela para que a varinha do ruivo se desintegrasse entre seus dedos. A expressão de pânico estampava o rosto de Brant quando ele recuou alguns passos.

- Rookwood! Temos que sair daqui!!!

- Eu não quero machucar ninguém. Não me obriguem a isso.

- ROOKWOOD! POR MERLIM, ACORDE!

O grito de Brant fez Liam piscar algumas vezes, mas ele ainda parecia entorpecido quando virou a cabeça na direção do ruivo e repetiu as palavras da veela com uma entonação sonhadora.

- Ela não quer machucar ninguém.

Como aquela era uma batalha perdida, Brant recuou para buscar reforço. O ruivo estava suado, ofegante e completamente fora de si quando chegou ao piso principal do templo e se deparou com Nathan e Clementine.

- O que foi??? – Lavane já sacou a varinha ao ver o desespero do amigo – O que houve? Onde está o Rookwood?

- Lá embaixo!!! – as palavras de Brant saíam entrecortadas pela respiração ofegante – Destruiu a minha varinha com um olhar! O Rookwood está hipnotizado! Ela vai acabar com ele! Eu não sei o que fazer! Até mesmo eu estava ficando meio tonto por causa dela!

- Ela??? Do que está falando, Brant???

- Uma veela! Tem uma maldita veela com o Rookwood lá embaixo!!!
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Qui Fev 02, 2017 3:26 am

O clima estava pesado no quartel general dos aurores naquela tarde de sexta-feira. Kingsley havia voltado de uma reunião com o próprio Ministro da Magia para tratar da queda do elevador que carregava Landon Vanderwaal, mas para frustração de todos não havia nenhuma informação concreta sobre o atentado.

Segundo o ministro, as causas do “acidente” estavam sendo cuidadosamente estudadas. Mesmo depois que o chefe dos aurores deixou claro que já tinha descartado a hipótese de um acidente, o discurso do ministro se manteve o mesmo. E para agravar ainda mais a situação, foi sugerido que os aurores se mantivessem distantes das investigações, já que estavam diretamente ligados ao caso.

- Ah, legal. E quem o ministro vai botar pra investigar o “acidente”? – Sirius Black fingiu uma expressão pensativa antes de entoar seu palpite – Talvez aquela gárgula ridiculamente nariguda que enfeita o escritório dele. Não duvido que ela seja mais esperta que o dono!

Kingsley também estava revoltado com a ordem de se manter afastado das investigações, mas não pretendia desobedecer à proibição feita pelo Ministro da Magia. O chefe dos aurores deslizou seu olhar sério pelos colegas sentados ao redor da extensa mesa de reuniões antes que sua voz de trovão quebrasse o silêncio que se seguiu ao discurso de Black.

- Eu vou me manter por perto e exigir informações detalhadas sobre a tal investigação. Mas quero vocês fora disso. O ministro foi taxativo e já temos problemas demais. Não precisamos que nenhum de vocês seja afastado do gabinete por punição administrativa.

Se o chefe ainda fosse Alastor Moody, era óbvio que a ordem seria muito diferente. Olho-Tonto era conhecido por não acatar regras e por criar suas próprias leis. Kingsley, pelo contrário, embora fosse um homem justo e bondoso também tinha o jogo de cintura político necessário para sobreviver naquela selva.

- Alguém tentou nos matar, Kim! – Sirius novamente se posicionou, desta vez com uma entonação mais inflamada – Era para o Prongs e eu estarmos naquele elevador junto com o Landie! Atentaram contra a vida de três aurores! Eu não concordo em ficar de braços cruzados. O que me diz, Prongs?

Ao contrário do que normalmente acontecia, naquela tarde James Potter não parecia tão inclinado a concordar com a opinião do melhor amigo. Potter comprimiu os lábios e retirou os óculos por um momento, recolocando-os depois de coçar os olhos castanhos com as pontas dos dedos compridos.

- Sinceramente não sei, Pad. Eu não estou certo nem de que foi um atentado contra os aurores.

- O QUEEEEE? – Sirius terminou de perder a linha e acertou um soco na mesa, indignado com a postura do melhor amigo – Prongs, eu sei que você é meio lesado e sempre respeitei isso. Mas agora é demais, cara! Você acredita mesmo que um elevador despencaria dentro do Ministério da Magia por “acidente”, ou “falha de manutenção”, ou qualquer merda que o ministro tenha dito pro Kim?

- Eu não disse que foi um acidente, Pad. – Potter soou bem mais calmo e sensato que o melhor amigo – Eu disse que pode não ter sido um atentado contra os aurores.

- Você acha que o Landon estava lá por acaso??? – Sirius novamente desdenhou, trocando um olhar de descrença com Vanderwaal – Azarado você, hein, Landie?

Apesar da postura irônica de Black, James não se sentiu ofendido com as críticas. Pelo contrário, Potter ficou satisfeito ao notar pelo semblante de Kingsley que o chefe começava a caminhar pela mesma linha de raciocínio.

- Não era o elevador de uso exclusivo dos aurores. – James buscava pelos rostos de cada um dos colegas enquanto argumentava – Era um elevador de visitantes. E ele podia ter caído de qualquer andar, mas o acidente ocorreu justamente no piso em que a “visitante” presente no elevador pretendia descer.

- Você acha que... – Sirius ficou mais sério e olhou de Potter para Landon – Que foi armado para a Mel??? Como? Por que? Quem faria isso?

- A Melissa disse que tinha marcado um horário com o chefe do Departamento de Jogos e Esportes Mágicos, então algumas pessoas sabiam que ela estaria aqui. O chefe e os funcionários do departamento estavam esperando por ela. Imagino que algumas pessoas no Profeta Diário também soubessem. Assim como a Mel também pode ter comentado sobre esta visita com amigos, familiares e conhecidos.

Era em momentos como aquele que James mostrava que merecia o seu lugar no quartel dos aurores. Mesmo com a personalidade leve, o comportamento irresponsável e o raciocínio mais lento, Potter continuava sendo um homem inteligente e perspicaz quando o assunto era sério.

- Um “acidente” no Ministério da Magia seria uma excelente maneira de acabar com ela sem levantar suspeitas. Assim como nós pensamos até agora, todo o foco se voltaria para os funcionários do ministério que estivessem com ela no elevador. Todos pensariam que a Mel era só uma azarada que não tinha nada a ver com a situação.

- Por que? – a pergunta de Sirius foi repetida por Kingsley e a entonação séria do chefe mostrava que ele realmente levava em consideração a opinião de James.

- Eu consigo pensar em vários motivos. – Potter trocou um olhar constrangido com Landon antes de continuar – Eu adoro a Mel, mas todos nós sabemos que ela nunca foi uma flor de candura. A personalidade ácida dela incomoda muita gente que não gosta de ouvir a verdade. Além disso, como jornalista, às vezes a verdade dela é publicada e espalhada por todo o país.

Apesar da argumentação de James ser verdadeira, aquele não parecia ser um motivo forte o bastante para justificar uma tentativa de homicídio contra Zummach. Mesmo com o comportamento eventualmente hostil, Melissa não tinha inimigos declarados e nunca fora envolvida em nenhuma publicação amplamente polêmica.

Mas Potter ainda tinha um trunfo que nenhum dos amigos poderia rebater. Contra aquela argumentação não havia fuga.

- E mesmo que ela finja que isso não é verdade, praticamente todo mundo já sabe o real motivo da desavença entre Albus Dumbledore o os Zummach. E, ao contrário da Mel, o velho Dumbie tem muitos inimigos declarados que derrubariam facilmente um elevador.

Mesmo que não houvesse nenhuma prova concreta daquela hipótese, a argumentação de James foi forte o suficiente para que os aurores mudassem a maneira como enxergavam aquele atentado. De fato, se fossem levados em consideração os detalhes técnicos do incidente, era muito mais provável que o foco fosse voltado para Melissa.

Landon, Sirius e James nem deveriam estar naquele elevador. Normalmente os aurores usavam as escadas ou um elevador privativo de dentro do gabinete. Também não era esperado que um auror estivesse no trigésimo sexto andar do prédio nas primeiras horas da manhã, quando teoricamente eles deveriam estar revisando as missões planejadas para aquele dia.

Quando cravou os olhos escuros em Landon, Kingsley já parecia ter puxado a hipótese de Potter para o topo de sua lista de possibilidades.

- Sugiro que a Srta. Zummach reforce a própria segurança, Landon. O mesmo vale para o seu filho. Ele também tem o sangue de Dumbledore, afinal. Se eu fosse você, manteria os dois por perto até que tudo seja esclarecido.

Por ironia do destino, tinha sido exatamente na noite anterior que Melissa partira com Leon para alguns dias de folga na Alemanha. Se um atentado havia acontecido dentro do Ministério da Magia, eram enormes as chances de uma nova tragédia acontecer agora que Melissa e o filho estavam expostos em um país distante, há tantos quilômetros de distância dos aurores e de Vanderwaal.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Fev 04, 2017 1:47 am

Nathan sempre foi um chefe bem visto aos olhos de sua equipe. Clementine nunca havia questionado suas decisões e normalmente apoiava suas ideias e atitudes. Apesar da amizade ou do envolvimento mais íntimo que tinha com ele, nunca foi difícil separar o lado profissional para saber exatamente os motivos de admirar e respeitar Lavane.

Naquele dia, entretanto, DiLaurentis estava agindo como uma criança contrariada enquanto era obrigada a fazer o trabalho no templo abandonado. Os dois haviam se enfiado em uma câmara escura e abafada, mas que parecia consideravelmente conservada mesmo com o tempo.

A ponta das duas varinhas iluminava as paredes, tentando captar os desenhos em busca de algo interessante. Mas durante todo o tempo, a loira permaneceu calada e respondendo de forma monossilábica sempre que o rapaz tentava puxar assunto.

Nathan era maduro o suficiente para não tentar uma aproximação ali, durante o trabalho, quando qualquer um da equipe pudesse flagrá-los. Mas não era tão bem-sucedido em esconder seus olhares na direção de Clementine.

- Eu só quero que você me diga o que não está te agradando, Clemy... Se não se sente confortável para aceitar a proposta que eu te fiz, eu vou entender. Mas não pode querer simplesmente abandonar a gente, não quando precisamos de todos os braços aqui.

Os olhos de Clementine continuaram presos na área iluminada pela sua varinha, mas a forma com que suas sobrancelhas franziram denunciou que ela havia escutado com perfeição a voz de Nate, independente do eco daquele cômodo vazio.

Ela não podia dizer o que a incomodava. Não quando o real motivo para ela não querer continuar ali também era o motivo para toda a equipe ter conseguido aquela rara oportunidade.

Por sorte ou azar, Clementine foi poupada de responder qualquer mentira quando Brant surgiu. Mas a expressão aterrorizada no rosto do ruivo fez com que qualquer outro problema desaparecesse na mente dela.

- Uma Veela? – Nate perguntou, já segurando a sua varinha de forma defensiva.

Em silêncio, Clementine olhou por cima de Brant, esperando que Liam surgisse e que aquele pânico que começava a se espalhar pelo seu corpo desaparecesse. Mas seu corpo só continuou congelando diante do horror.

Pela primeira vez em anos, as mágoas provocadas pelo fim do relacionamento com Liam eram completamente insignificantes. Era a primeira vez que sua mente não reproduzia a imagem do ex-namorado apenas com decepções, mas com a nítida lembrança do rapaz apaixonado na torre de Adivinhação que agora corria perigo.

Mesmo durante a guerra, Clementine nunca precisou lidar diretamente com um campo de batalha. O máximo em seu histórico havia sido o atentado que presenciara há alguns metros de distância. Por isso, ela nunca imaginou como seria sua reação diante de uma tragédia. E ainda assim, agiu de forma tão firme que surpreendeu a si mesma.

Quando Nathan deu um passo a frente, pronto para correr na direção que Brant havia acabado de surgir, Clementine bloqueou seu caminho erguendo um braço.

- Não! – Diante dos olhares horrorizados dos dois rapazes, ela se apressou em explicar, sentindo o coração pulsando contra sua garganta. – Se é mesmo uma Veela, vocês dois não vão ter a menor chance.

- E o que você espera que a gente faça? – Nate quase gritou, os olhos saltando de seu rosto.

- A Clemy está certa, Nate. – Brant girou a cabeça para olhar receoso por cima do próprio ombro, temendo que a veela surgisse. – É sério, você tem que ver a cara do Rookwood! Se você for também, vão ser os dois!

Como líder daquela equipe, Nathan se sentiria responsável por ver alguém sendo ferido sob seus cuidados. O fato de ser um Rookwood só tornava tudo ainda pior, pois lotaria as manchetes dos jornais. Mas Clementine não se importou com a posição de Nate naquele momento.

Com passos apressados, ela correu até alcançar uma passagem estreita por onde Pete e Tessa tinham seguido. Enfiando apenas a cabeça ali, Clementine vasculhou o local escuro com os olhos.

- Tessa! Tessa, preciso de você!

A morena logo surgiu com uma expressão confusa, mas Clementine não tinha tempo para explicar os mínimos detalhes enquanto a arrastava em direção ao local onde Liam deveria estar. O breve resumo que foi compartilhado com a colega, no final das contas, era basicamente tudo o que ela sabia, então as duas estariam enfrentando um problema praticamente às cegas.

Se todo o pânico que corria em suas veias dizia à Clementine que ela encontraria um monstro, foi um choque muito maior quando pisou entre os pedregulhos e encontrou Liam em seu campo de visão. Um basilisco diante dos olhos do ex-namorado não teriam lhe causado tanto espanto quanto a bela mulher que quase iluminava o local.

Claro que DiLaurentis conhecia a mitologia das veelas, mas era completamente fora de contexto encontrar uma criatura tão bonita em meio a um cenário caótico. Por isso, ela precisou de alguns longos segundos para conseguir ter qualquer reação.

O rosto da criatura virou delicadamente na direção das duas mulheres que haviam acabado de surgir. Ela parecia completamente tranquila, os cabelos esvoaçando assim como o leve tecido de sua roupa. Era um contraste ainda maior diante das marcas de poeira espalhadas nas peles das duas bruxas, o suor que cobria suas testas e os cabelos desengonçados depois de algumas horas de trabalho.

- Oi... – Clementine gaguejou, passando seu olhar da veela para Liam. – Quem é você?

- Eu me chamo Neferati. – A voz cantarolada soou.

- Significa “a mais bela”. – Liam completou, sem desviar as íris castanhas da bela criatura.

Se até então, Rookwood demonstrava todos os sinais de alguém hipnotizado, a sua voz empastada não deixava mais nenhuma dúvida. E aquela sensação fez os pelos da nuca de Clementine se arrepiarem em pavor. Independente de todo o passado com o ex-namorado, era terrível ver que ele não tinha o menor controle de suas ações.

- Neferati. – Clementine repetiu cuidadosamente, dando pequenos passos para se aproximar de Liam e consequentemente da veela. – O que você quer com o meu amigo, Neferati?

- Eu não quero machucar ninguém. – Ela repetiu, uma ruguinha surgindo entre seus olhos claros. – Eu só não quero que me machuquem também.

As veelas não conseguiam atingir suas magias em mulheres, de modo que Clementine tinha certeza de que não estava sob o efeito dela quando jurou ter notado sinceridade e quase receio em seu olhar.

- Ninguém aqui vai te machucar, tá legal?

Clementine guardou discretamente a sua varinha nas vestes e ergueu as mãos para mostrar os dedos vazios. Tessa, ao seu lado, arregalou os olhos de horror, mas não fez movimento algum.

- Nós só estamos aqui trabalhando... Que tal liberar o meu amigo agora? Assim podemos conversar melhor, hm?
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Dom Fev 05, 2017 12:31 am

Em nenhum momento a veela pareceu uma criatura hostil. Pelo contrário, os traços bonitos mantiveram uma serenidade palpável enquanto ela encarava Clementine com curiosidade, como se estivesse tentando decifrar a verdade por trás da promessa de DiLaurentis. Por fim, convencida de que Clementine não estava mentindo, Neferati voltou o rosto delicadamente na direção de Liam, que ainda a encarava com um semblante tolo e maravilhado.

Os longos cílios claros da veela piscaram lentamente e, como se estivesse diante de um espelho, Liam repetiu aquele gesto. Quando reabriu os olhos castanhos, contudo, o herdeiro dos Rookwood parecia ter recuperado a sanidade. O queixo de Liam despencou e ele deu dois passos para trás até que suas costas se chocassem contra uma das paredes de pedra, perplexo com as próprias reações diante daquela bela criatura.

- Desculpe-me por isso. – a voz de Neferati manteve a mesma doçura – Espero que entendam que eu me sinto ameaçada por humanos depois de ter ficado trancafiada em um baú por mais de oitocentos anos.

- Oitocentos anos??? – Tessa finalmente se manifestou com a voz esganiçada de surpresa – Quem fez isso?

- Os senhores do templo. Por muitos séculos, eles usaram a magia das veelas para desenvolver feitiços e poções. Quando a situação saiu do controle e nós nos recusamos a colaborar, eles raptaram algumas de nós.

Uma sombra cobriu os belos olhos de Neferati enquanto aquela lembrança era trazida à tona em sua memória.

- Usaram a nossa própria magia contra nós. Muitas de nós não sobreviveram. Mas o feitiço foi rompido no instante em que o seu amigo abriu o baú. – os lábios delicados da veela se curvaram em um sorriso carinhoso quando ela voltou a encarar Liam – Serei eternamente grata, meu senhor.

Mesmo sem a hipnose poderosa da veela, Liam se sentiu atingido por aquele sorriso. As bochechas quentes indicavam que Mellish havia corado e foi impossível não devolver um sorriso para Neferati.

- Bom, agora você está livre. – o bruxo ergueu um ombro antes de continuar – Imagino que tenha muitas pendências acumuladas nos últimos oitocentos anos.

- Sim, eu tenho. Mas uma veela nunca deixa uma dívida para trás. Eu ganhei de volta a minha liberdade, o mínimo que posso fazer é lhe dar um presente igualmente valioso, meu senhor.

A cabeça de Liam se sacudiu em negativa antes que Neferati tivesse a chance de lhe oferecer algo de valor. Rookwood já era dono de uma fortuna incalculável e realmente não fazia a menor questão de ser recompensado por aquela boa ação.

- Eu realmente não preciso de nada, não se preocupe.

- Eu posso te dar o que veio buscar neste templo, meu senhor. – os olhos esverdeados da veela se cravaram no rosto confuso de Liam – Eu vi na sua mente. E posso ajudá-lo a conseguir isso. Eu sei onde os senhores do templo guardavam os feitiços que o senhor procura.

Os olhos castanhos se arregalaram quando a veela confessou que havia visto na mente de Liam a motivação que o levara até o Egito. A imagem de Cristopher imóvel na cama estava fixa nos pensamentos de Rookwood quando ele lançou um olhar tenso na direção de Tessa e Clementine. Mas, por sorte, a veela também parecia ter notado que aquilo era um segredo que Liam não compartilhara com os amigos.

- Deixe-me ajudá-lo, meu senhor. Eu não serei completamente livre se deixar para trás uma dívida tão grande.

- Ahn... – Liam mais uma vez buscou pelos olhares de Tessa e Clementine – O que vocês acham? Se levarmos em consideração que ela poderia ter me devorado inteiro e não o fez, talvez possamos confiar nela. Nossas buscas serão muito mais simples se tivermos do nosso lado alguém que conhece os segredos do templo...
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Fev 05, 2017 12:50 am

Enquanto o grupo de aurores discutia teorias sobre a queda do elevador no prédio do Ministério da Magia, Landon Vanderwaal estava mergulhado em um profundo silêncio. Os olhos verdes estavam focados em um ponto distante da sala, mas a mente vagava longe da realidade que o cercava. As mãos pousadas sobre seu colo estavam ligeiramente suadas e o músculo tenso entre suas sobrancelhas entregava a preocupação em sua mente.

Quanto mais relembrava os acontecimentos do incidente, uma inquieta sensação se espalhava como uma coceira irritante em sua cabeça. Havia uma peça naquela história que não se encaixava, e Landon tinha a sensação de que estava bem diante da verdade, mas era incapaz de enxergá-la.

Foi uma grande surpresa quando, de tantos aurores capacitados naquela sala, James Potter foi o primeiro a clarear a mente de Vanderwaal. Landon, que até então parecia não estar inteiramente presente naquela reunião, arqueou as sobrancelhas e girou seus olhos arregalados até encarar o colega como se estivesse diante de um Bicho Papão.

A peça que faltava finalmente se encaixou e Landon se odiou por não ter enxergado o óbvio antes. Mas agora que Potter havia jogado no ar a verdade, era impossível convencer o jovem auror de qualquer outra teoria.

O casamento dos Vanderwaal havia chegado ao fim exatamente por causa daquele grande segredo que envolvia o DNA de Melissa e o velho diretor de Hogwarts. Mas por algum motivo, aquela verdade havia sido empurrada para os cantos mais escondidos da mente de Landon.

No fim de tudo, a única coisa que importava era que ele não havia sido verdadeiro e fiel a quem realmente importava. O segredo era apenas um detalhe. Mas era impossível continuar julgado o passado dos Zummach apenas como algo insignificante quando aquele mesmo motivo colocava Melissa como alvo de pessoas que odiavam Albus.

A guerra já havia chegado ao fim, mas aquilo só colocava pessoas a odiarem ainda mais o velho bruxo que lutara arduamente para o fim do Lord das Trevas. Se o segredo dos Zummach havia sido exposto, ela corria perigo.

Se Landon achava que seu pesadelo já havia se concretizado, o mundo desapareceu sob seus pés quando Kingsley completou aquela teoria da conspiração envolvendo o pequeno Leon.

Desde o nascimento do filho, Vanderwaal prometeu que manteria ele e Melissa em segurança. Era pela família que havia perdido que Landon se tornou um dos aurores de maior destaque dentro do Quartel General. Era na esperança de trazer um futuro melhor para os dois que ele lutou até o esgotamento para o fim da guerra. Mas seu trabalho não havia chegado ao fim.

Landon ergueu o rosto para fitar Kingsley, e a expressão de seu rosto não deixava dúvidas de que já havia comprado aquela teoria como verdade. Seu envolvimento com Melissa havia chegado ao fim, mas o passado fora intenso o bastante para que nenhum dos colegas presentes duvidasse dos seus motivos.

- Eu vou precisar de uns dias, Kinsley. Eles não estão no Reino Unido.

***

Quem olhasse para Landon Vanderwaal caminhando tranquilamente pela calçada, jamais teria deduzido se tratar de um auror em uma missão. Porque, apesar do título de auror que carregava, não era por suas obrigações no departamento do Ministério da Magia que ele estava ali. Landon era um pai, e independente do fim com Melissa, era o responsável pela segurança de sua família.

O vento frio da manhã da Alemanha conseguia ser agradável em contraste com o sol e o céu com poucas nuvens. Landon parecia mais um dos turistas que se misturavam pela simpática rua de paralelepípedo, e o sorriso tranquilo no seu rosto era o melhor disfarce.

Os cabelos castanhos espetados brilhavam com a claridade do sol, muito mais intenso do que a acinzentada Londres. A jaqueta de couro preta lhe protegia do frio e impedia que a alça da mochila pesada machucasse seu ombro. Os óculos escuros e a expressão ligeiramente cansada davam a impressão de que Vanderwaal havia acabado de chegar de uma longa viagem de avião, mas a chave de portal cuidara do trabalho em alguns minutos.

Ele ergueu o rosto, franzindo a testa contra o sol, ao ler a placa do prédio amarelado que indicava o discreto museu. Aquele ponto turístico estava longe de ser um dos mais movimentados da Alemanha, mas era exatamente ali que a agenda do popular jogador de Quadribol dizia que ele estaria.


Ao invés de entrar no museu, Landon parou na calçada pouco movimentada, segurando a alça da mochila em seu ombro, e olhou com atenção de um canto ao outro. Não havia nada de suspeito por perto, as pessoas pareciam ocupadas com a própria vida e quase dava a impressão de que Vanderwaal estava sendo cuidadoso demais.

Ele ainda teria tempo de ir embora e fazer de conta que nunca havia pisado na Alemanha. Mas jamais iria se perdoar se alguma coisa acontecesse a Melissa ou a Leon e ele tivesse ido embora.

As preocupações foram colocadas em segundo plano quando um rosto familiar entrou em seu campo de visão. A última vez que vira Melissa Zummach, ela ainda estava com os cabelos desalinhados e o rosto corado depois dos beijos trocados no closet. Embora ainda estivesse apaixonado pela visão daquele dia, Landon precisou admitir que a ex-mulher conseguia ser linda de todas as formas.

Melissa estava distraída, e foi o motivo de sua distração que fez o estômago de Landon afundar. Ele já tinha visto o famoso jogador de Quadribol que agora ocupava o cargo de namorado de Melissa em fotografias nos jornais. Mas era indigesta a cena de outro homem ao lado da única mulher que ele já amara.

Enquanto os dois adultos continuavam alheios ao estranho de óculos escuros que observava a cena de longe, uma vozinha infantil gritou para chamar a atenção.

- Papai!!! – As perninhas de Leon eram curtas, mas se chocavam com fúria contra a calçada enquanto o menino corria na direção de Landon com um largo sorriso.

Landon ainda conseguiu se agachar a tempo de pegar o filho, sorrindo de volta enquanto deslizava os dedos nos fios castanhos atrapalhados, tão semelhantes aos seus.

- E aí, carinha? Estava te caçando para saber se queria tomar sorvete. – Landon estava agachado na calçada, a mochila havia escorregado pelo seu ombro e já encontrara o chão.

Ele ergueu o olhar para confirmar que Melissa finalmente havia notado sua presença e tentou ignorar a sensação desagradável na boca do seu estômago.

- Se você já tiver almoçado, é claro.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Dom Fev 05, 2017 10:19 pm

A viagem para a Alemanha ocorreu conforme o planejado, mas Melissa tinha que se esforçar para demonstrar o mesmo entusiasmo que Klauss Miller. O local era perfeito, o vilarejo parecia muito simpático, as pessoas eram gentis e a agenda de Klauss tinha muitas brechas para que eles aproveitassem tudo o que a viagem tinha a oferecer. Ainda assim, Zummach não conseguia abandonar a sensação de que estava com a companhia errada.

É claro que a breve recaída com Landon Vanderwaal não tinha sido compartilhada com o atual namorado, mas isso não significava que Melissa se esquecera dos momentos vividos ao lado do ex-marido. A maturidade de Zummach não permitia que ela mergulhasse em uma nova aventura, nem que criasse expectativas com o ocorrido. Mas seu coração ainda pulava com as lembranças daquela manhã e agora parecia ainda mais difícil encontrar um lugar de destaque para Miller em sua vida.

Apesar disso, Melissa estava se esforçando para que aquele namoro não se abalasse. Klauss merecia uma chance de verdade, era um homem gentil, inteligente e atraente, parecia gostar dela de verdade e tratava Leon com carinho. Era muito mais do que Zummach esperaria de qualquer outro homem.

Exatamente pelo esforço feito por Melissa para tirar Landon de seus pensamentos, a jornalista não acreditou nos próprios olhos quando avistou o auror justamente ali, há tantos quilômetros de distância de Londres. A expressão de incredulidade diante do abraço de Landon e Leon logo se transformou em desgosto e os olhos azuis estavam estreitados quando Melissa se desvencilhou do braço de Klauss em sua cintura e marchou na direção de Vanderwaal.

Zummach também se parecia com uma típica turista naquela manhã. O vestido azul rendado estava quase que totalmente coberto por um sobretudo preto que a isolava do vento frio daquela época do ano. As meias grossas protegiam as pernas de Zummach, assim como as botas de cano alto. Os cabelos castanhos estavam presos em um coque displicente do qual saíam várias mechas. A maquiagem leve se resumia a uma coloração mais rosada nos lábios.

- O. Que. Você. Está. Fazendo. Aqui?

As palavras saíram pausadas, como se Melissa precisasse daquele tempo para controlar a própria entonação e evitar uma explosão desnecessária diante de Leon. Contudo, apesar da voz contida, os olhos azuis faiscavam com a insatisfação que a jornalista não conseguia esconder.

Ao contrário da mãe, Leon não parecia enxergar nenhum problema na companhia do pai. Para o menino, a companhia de Landon só tornava aquele passeio ainda mais perfeito e divertido. E a forma como os bracinhos de Leon enlaçaram as pernas do pai mostrava que seria difícil excluir Vanderwaal dos programas daquela tarde.

- Quando eu pedi a Trudy para avisar sobre a viagem, eu só queria deixá-lo ciente de onde o Leon estaria. Definitivamente não era um convite para que você nos acompanhasse, Vanderwaal.

O encontro que Melissa queria evitar desesperadamente aconteceu no instante em que ela sentiu a própria cintura sendo enlaçada pela mão de Klauss Miller mais uma vez. O jogador de quadribol obviamente já tinha entendido a situação desde o instante em que Leon saiu em disparada pela calçada chamando pelo pai. Mas, ao invés de se mostrar ofendido ou insatisfeito como Melissa, Klauss exibia os dentes alinhados em um sorriso tranquilo quando estendeu a mão livre na direção de Landon.

- Então este é o seu pai, rapaz? – Miller esperou que Leon confirmasse com um exagerado movimento de cabeça – É um prazer finalmente conhecê-lo, Vandervinne.

Alguma coisa no sorriso mecânico de Klauss passava a impressão de que ele pronunciado o sobrenome de Landon errado propositalmente, como se nunca tivesse se preocupado com ele a ponto de guardar o nome do ex-marido de Melissa.

- Vanderwaal. – Melissa corrigiu o namorado sem notar aquele detalhe enquanto fazia as apresentações – Klauss Miller.

- Se você gosta mesmo de quadribol como o Leon me contou, imagino que já me conheça.

Como a maioria dos jogadores famosos, a humildade não fazia parte das virtudes de Klauss Miller. O batedor realmente estava no auge de sua carreira e se tornara conhecido em toda a Europa desde que fora convocado para defender a Inglaterra na Copa Mundial de Quadribol. Mais que um excelente jogador, Miller ganhara fama com campanhas publicitárias e seu físico o tornava particularmente popular para o público feminino.

Os cabelos claros estavam bem penteados naquela manhã, num contraste violento com os fios espetados de Landon. A camisa branca de botões não escondia os músculos bem torneados nos braços do batedor e a barba por fazer lhe dava uma aparência ainda mais madura e atraente. Por Miller ser alguns centímetros mais alto que Vanderwaal, Melissa parecia ridiculamente baixinha ao lado do namorado.

- Imagino que esteja aqui a trabalho, não é, Vanderwaal? – Melissa novamente fuzilou o ex-marido com o olhar – Por que outra razão você deixaria Londres no meio da semana? Então não vamos incomodá-lo, imagino que tenha muito o que fazer.

- A gente não vai tomar sorvete? – Leon se meteu na conversa dos adultos, sem notar o clima pesado entre Melissa e Landon – O papai disse que ia me levar para tomar sorvete!

Antes que Zummach pudesse abrir a boca para tentar tirar aquela ideia da cabecinha do filho, a voz tranquila de Klauss soou na calçada. Mais uma vez, o batedor da seleção inglesa fez questão de desmerecer a posição de Landon naquela situação delicada.

- É claro que o papai pode te levar para tomar um sorvete, rapaz. Não acho que ele esteja tão atarefado assim. Aliás, o que vocês aurores tem feito desde a queda do Lord das Trevas? Ficam o dia todo jogando cartas no quartel?

Aquela poderia ser uma típica provocação entre dois rivais, mas havia um detalhe indigesto nas palavras escolhidas por Miller. Voldemort era chamado pelo nome ou por “Você-Sabe-Quem” pelas pessoas que lutavam contra ele na guerra. Somente os Comensais da Morte ou apoiadores da causa de Voldemort se referiam ao bruxo como o “Lord das Trevas”.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Fev 06, 2017 12:01 am

- Vocês têm certeza que essa é uma boa ideia?

Brant precisava sussurrar para que suas palavras alcançassem apenas as duas meninas que se espremiam com ele na pequena cozinha acoplada a sala da tenda. Há poucos metros de distância, Peter, Liam e Nate dividiam os sofás na companhia da exuberante veela.

A tenda que abrigava a equipe poderia ser magicamente ampliada, mas parecia ridiculamente pequena e humilde para servir de cenário da veela. Neferati, por sua vez, observava tudo com grande admiração e interesse, ainda se adaptando nas mudanças que haviam ocorrido no mundo nos últimos séculos.

Sua pele ainda brilhava e a beleza era quase dolorosa aos olhos de Clementine. Mas fora aquela aparência assombrosamente atraente, a veela não parecia mais uma ameaça. E mesmo diante dos seus grandes poderes, ela quase lembrava uma vítima ainda indefesa que fora presa em um baú.

- Não tenho certeza. – Tessa se inclinou para frente, apoiando os cotovelos sobre o balcão para admirar a cena sem ao menos disfarçar. – Mas que escolha a gente tinha?

- Foi uma votação. – Clementine estava encostada na pia ao fundo da cozinha, se mantendo mais afastada da cena. Com os braços cruzados diante do peito, ela também não desviava o olhar de Neferati.

- E deu empate! – Brant chegou a ficar vermelho quando sua voz saiu esganiçada em meio ao sussurro.

- Não exatamente. – Clementine deu de ombros. – Nate ainda é o chefe e Rookwood está bancando tudo isso. Nossos votos não tem o mesmo peso. E todos nós sabemos que, no final das contas, bastava a vontade do Rookwood para que a veela estivesse aqui dentro, não é?

Apesar das palavras amarguradas, DiLaurentis estava aliviada por ver que o ex-namorado não corria mais perigo. Mesmo que não tivesse votado a favor de trazer Neferati para dentro daquele lar temporário, a loira também precisava admitir que a veela não parecia mais uma ameaça.

Por mais que não fosse seguro trazer uma criatura mágica como aquela para dentro da tenda, Clementine acreditava na história contada pela veela e não conseguia imaginar o sofrimento pelo qual ela havia passado. E no final das contas, a segunda opção seria simplesmente dar as costas e abandonar a criatura para se virar sozinha em um mundo que ela desconhecia por completo. Mesmo com seus poderes, Neferati não duraria muito em um lugar onde bruxos pouco amigáveis caçavam os fios dourados dos cabelos de veela para magias.

- Ela não me parece ser tão ruim. – Tessa argumentou, sem desviar seu olhar do sofá.

- Ela não é. – Clementine concordou. – Mas não significa que a gente não tenha que ficar com os olhos atentos. Se ela quiser, ainda consegue encantar mais da metade das pessoas dessa tenda, Tess.

- Mas ela quer nos ajudar.

- Não. – DiLaurentis sacudiu a cabeça para discordar, dessa vez deslizando seu olhar até o ex-namorado, sentado ao lado da veela. – Ela quer ajudar o Rookwood. O problema é que nenhum de nós sabe o que realmente ele veio procurar aqui.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Seg Fev 06, 2017 1:02 am

Mesmo que Neferati estivesse honrando a promessa de não hipnotizar os homens daquele grupo, os olhos dos rapazes a fitavam com encantamento. A beleza da veela excedia os padrões aos quais eles estavam acostumados e, mesmo sem atrai-los magicamente, a loira conseguia chamar a atenção com seus gestos delicados, com a voz cantarolada e doce e, principalmente, com a triste história que culminara com seu rapto e séculos de prisão naquele templo abandonado.

Nathan estava profundamente indignado com a ideia de Neferati ter sido trancafiada em um baú para servir aos senhores do templo. Por mais que admirasse os egípcios e sua contribuição histórica para a bruxaria, Lavane se sentia enojado em pensar que a mesma magia poderosa que eles buscavam havia sido usada para escravizar veelas. Fora esta indignação que motivara o voto de Nate a favor de Neferati, mas ele também aceitara a loira no grupo por piedade. Era óbvio que a veela estava completamente perdida e não saberia para onde ir depois de séculos sem nenhum contato com o mundo externo.

Peter, por outro lado, não tinha explicações tão raciocinais para o próprio voto. O queixo dele despencou no instante em que Neferati entrou em seu caminho e Montgomery concordou em levá-la para a tenda unicamente por ser incapaz de dizer “não” para aquela criatura.

Mesmo depois de passadas algumas horas, os rapazes ainda não estavam acostumados com a companhia da veela. Neferati havia tomado um banho e agora usava roupas comuns – emprestadas por Teresa – mas nem mesmo a calça jeans e a camiseta branca sem graça reduziam o glamour natural de uma veela. Os cabelos claros ainda estavam úmidos, mas mantinham aquele brilho incomum que iluminava o rosto da garota.

- Você tinha acesso a todas as câmaras do templo, Neferati?

A pergunta de Nathan era uma tentativa de tornar mais objetiva a presença de Neferati naquele grupo. Se ela realmente se mostrasse útil naquela expedição, Lavane se sentiria menos culpado por ter feito a sua vontade prevalecer contra três votos negativos de sua pequena equipe.

- No começo, sim. Quando colaborávamos com os senhores, nós tínhamos livre acesso a todas as câmaras do templo. Penso que isto também motivou o rapto quando a nossa sociedade se rompeu. Nós conhecíamos todos os segredos deles.

Naquele mesmo dia, todos os baús do subsolo do tempo foram revirados. Nenhuma outra veela foi encontrada viva, mas Neferati ainda falava no plural, como se fizesse parte de um grupo. Era difícil para a loira encarar a triste realidade de que ela fora a única sobrevivente daquele massacre.

- Os registros que vocês procuram provavelmente estão na câmara dos acervos. Era lá que guardavam todos os manuscritos.

- E onde fica a câmara dos acervos? – Liam também estava se esforçando para manter a concentração no trabalho que levara a equipe até o Egito.

- Ala norte. Há um corredor extenso que termina em uma escada de pedra. A sala dos manuscritos fica ao fim da escadaria.

Os olhos de Liam e Nathan buscaram imediatamente por Peter, visto que aquela área do templo ficara com Montgomery e Tessa na divisão feita naquela manhã. O rapaz se concentrou na descrição de Neferati por alguns segundos e depois contorceu o rosto em uma careta de desagrado.

- Acho que vi o tal corredor. Mas não seguimos adiante porque o caminho estava bloqueado por escombros. É a região mais acometida pelos desmoronamentos, provavelmente foi por isso que meu pai nunca chegou à tal câmara.

- Vamos nos concentrar nesta área a partir de amanhã. – Nate foi taxativo, mostrando que realmente confiava na palavra da veela – Com um cuidado redobrado para não gerar mais desmoronamentos. Temos que preservar tudo o que ainda não foi destruído. Já temos um ponto de partida e isso é ótimo. Sugiro que descansemos porque amanhã será um longo dia de trabalho.

Lavane foi o primeiro a se levantar do sofá e seguir na direção da cozinha. Peter ainda manteve um olhar admirado em Neferati por mais um minuto inteiro antes de pigarrear e seguir na mesma direção do chefe.

Quando ficou a sós com Mellish, a veela virou o corpo no sofá até se colocar de frente para o rapaz. Liam repetiu o movimento de Neferati para também olhá-la diretamente e já esperava por aquela pergunta quando os lábios da veela sussurraram as palavras seguintes.

- O que houve com ele?

Liam não precisou de maiores explicações para saber a quem Neferati se referia. A veela já havia deixado claro que tinha livre acesso à mente dos humanos e, portanto, certamente vira a imagem do rapaz acamado que motivara Mellish a se arriscar naquela aventura. Antes de responder, contudo, o herdeiro dos Rookwood deu uma breve olhada por cima do próprio ombro para ter certeza de que o restante do grupo de Nate estava distante o suficiente para não ouvir aquela conversa particular.

- Magia das trevas.

A voz de Liam também soou num sussurro enquanto ele revelava a existência de Cristopher para outra pessoa pela primeira vez. Nem mesmo os Vanderwaal sabiam que Mellish escondia aquele grande segredo. O único cúmplice do rapaz era o pequeno elfo em quem Liam confiava cegamente.

- Ele cometeu muitos erros na vida, mas se arrependeu. E já pagou por todos os pecados do passado. Ele não merece isso.

- Merece sim. – com as íris esverdeadas fixas em Liam, Neferati também encontrou as piores lembranças que o lufano tinha de Rookwood – Ele era cruel com você. E foi cruel com muitas outras pessoas também.

- Eu o perdoei. – Mellish estava mais sério quando fez a própria defesa – E ele mudou de verdade. Esta tragédia serviu para que ele enxergasse a vida com outros olhos, Neferati. Ele não voltará a ser a pessoa desprezível que era.

A veela manteve os olhos fixos em Liam por longos segundos. Mellish sustentou o olhar com um semblante de súplica, como se temesse que Neferati desistisse da promessa de ajudá-lo a curar o irmão. Por estar tão concentrado naquele objetivo, Liam se surpreendeu quando sentiu o toque delicado em seu rosto. Os dedos pequenos da veela deslizaram pela pele do rapaz, sentindo a aspereza da barba por fazer. A atenção da loira se prendeu na covinha da bochecha de Liam por alguns segundos antes que ela tomasse a palavra.

- Você é um bom homem, Liam Mellish.

Todos naquele grupo se referiam a Liam como Rookwood, mas a veela resgatou na mente dele o antigo sobrenome do rapaz, num sinal claro de que conseguia enxergá-lo além da máscara de um herdeiro esnobe.

- Por muitos anos eu servi a homens cruéis e deixei que a minha magia fosse usada para o mal. Tenho medo que seu irmão retorne para as sombras, mas não vou quebrar a minha promessa. Eu vou confiar em você, Liam Mellish.

Mesmo que não estivesse hipnotizado, Liam ficou petrificado pela surpresa quando viu a veela se inclinar em sua direção. Neferati encostou os lábios nos dele de forma breve e superficial, mas ainda assim fora inegavelmente um beijo. O grupinho da cozinha estava distante e não era capaz de ouvir a conversa que acontecia no sofá. Mas não havia nenhum obstáculo que impedisse a visão daquela cena íntima entre Rookwood e a veela.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Fev 06, 2017 1:26 am

Mesmo que a visão de outro homem ao lado de Melissa fosse completamente indigesta, o sorriso firme não deixou os lábios de Landon por um único segundo. Em partes, Vanderwaal queria proteger o filho da tensão que existia naquela calçada. Mas uma dose considerável lhe impedia de demonstrar qualquer fraqueza diante de Melissa e seu novo namorado.

Durante anos, Zummach havia pertencido apenas a uma lembrança do passado que jamais havia morrido por completo. Mas era mais fácil conviver apenas com aquelas lembranças para tocar a própria vida. O encontro do elevador e as consequências daquela reaproximação, no entanto, tornava impossível continuar negando ao seu coração o que ainda sentia por Melissa.

Como aquele era o segundo encontro depois de anos, a imagem da ex-mulher ainda mexia com Landon. Mas ele se esforçou para parecer completamente indiferente a cena das férias de uma família que deveria ser sua.

- Relaxe e pare de agir como se eu fosse um perseguidor, tá legal? – Landon girou os olhos por trás das lentes dos óculos escuros, mas se calou no instante em que Klauss se aproximou.

Como nenhum dos presentes conseguia enxergar as íris verdes, eles não foram capazes de perceber como os olhos de Vanderwaal brilharam desafiadoramente. Como um bom Grifinório, Landon não iria fugir de um duelo com alguém que claramente o provocava.

- Na verdade, é um pouco difícil acompanhar as estrelas de Quadribol hoje em dia. Elas surgem na mesma velocidade em que desaparecem e os nomes ficam obsoletos em poucos meses. Mas acho que já vi a sua cara em uma das revistas que a minha mãe deixa no banheiro.

Com o mesmo sorrisinho torto de Klauss, Landon esticou o braço e apertou a mão do jogador de Quadribol com firmeza. Claro que ele conhecia o nome e a fama de Miller, mas também não admitiria aquilo.

- Sim, estou aqui a trabalho. Mas é claro que consigo encontrar um tempo para o meu filho.

Quando Landon baixou o olhar para Leon, seu sorriso se transformou imediatamente, sem qualquer vestígio de frieza ou falsidade. Mas aquilo durou apenas poucos segundos até que a referência a Voldemort soasse.

Como um bom auror que havia vivenciado uma guerra, Vanderwaal nunca tolerou piadinhas a respeito dos tempos mais sombrios que cobriram o Reino Unido há poucos anos. E por viver naquele meio, a forma com que Klauss usava para relacionar Voldemort fez com que uma ruguinha surgisse entre suas sobrancelhas e um alerta soasse em sua mente.

- Voldemort era um bruxo amargurado que provocou a morte de muitos inocentes. Eu não usaria o termo “Lord” em hipótese alguma.

Mais uma vez, as lentes dos óculos ocultaram como os olhos verdes pareciam ameaçadores e astutos. Mas ainda assim, cada ruguinha no rosto de Landon denunciava que ele não havia encarado aquele assunto de forma leve como estava sendo até então.

- Pode parecer que não, Miles, mas algumas profissões exigem trabalhos de verdade ao invés de joguinhos. E eu garanto que o Ministério não está me pagando para brincar algumas partidinhas com os meus colegas.

Vanderwaal girou alguns meros centímetros, apenas o bastante para se voltar para Melissa, deixando claro em sua linguagem corporal que havia chegado ao fim em sua discussão com o outro homem.

- Eu não sei exatamente quanto tempo ainda vou ficar por aqui, mas não pode me negar um mero sorvete, Melissa. – Se aproveitando da lealdade do filho, Landon o abraçou com um dos braços, mantendo o menino ainda colado a lateral do seu corpo. – Quer saber? Que tal um jantar? Nós quatro. E emendamos o sorvete depois. Assim nós dois podemos garantir que o Leon vai comer todos os vegetais antes de pedir calda extra na sobremesa.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Fev 06, 2017 1:59 am

A surpresa diante do beijo de Neferati e Liam foi unanime. Mas nenhuma das expressões espantadas conseguia superar a de Clementine. Ainda quase escondida no fundo da cozinha, a loira sentiu seu estômago afundar e um ciúme adormecido invadiu seu peito.

Liam deveria ser apenas um ex-namorado que havia lhe magoado, mas que já deveria estar pertencendo a um passado distante. Era inadmissível que depois de tudo que DiLaurentis havia passado, ainda nutrisse qualquer sentimento por Mellish. Mas ali estava ela, se sentindo devastada por mais uma vez ter a confirmação de que não significava nada para o lufano.

Se no passado, Liam havia ousado em sugerir que ela ocupasse o papel de uma amante por julgá-la inferior ao sobrenome ou ao dinheiro que invadira sua vida, agora ele confirmava que mesmo que algum sentimento tivesse existido, já havia morrido há anos.

Era frustrante ser a única presa naquele relacionamento que acontecera apenas em sua mente. Clementine havia aberto mão de muitas coisas, convicta de que seu futuro seria ao lado de Liam. Ele, por outro lado, mergulhou de cabeça na primeira oportunidade em ter uma vida que julgava ser superior, onde não existia um espaço para a namoradinha que carregava uma mancha na sociedade.

- Wow! O Rookwood não perde tempo, hein? – O comentário de Peter vinha carregado com uma pontada de inveja.

- Tem certeza que ele não está hipnotizado? – Tessa soou insegura, com uma nítida tensão que fazia sua testa enrugar.

- Não. – Clementine negou, já sem coragem de continuar encarando a cena. – O Pete está certo, ele só não perde tempo.

Aquela seria a segunda noite que Clementine iria apenas rolar pelo colchão, sem conseguir se render ao sono e ao cansaço. Suas pernas e braços doíam pelo trabalho do templo, mas apesar dos protestos do corpo, a mente agitada impedia que ela simplesmente se desligasse para descansar.

O silêncio já estava mergulhado na tenda e o tecido sacolejava levemente com o vento do deserto no meio da madrugada. Por horas, DiLaurentis apenas encarou o teto sobre sua cabeça ondulando, imaginando a areia se mexendo do lado de fora.

Ela estava tão presa com a presença de Liam nos últimos dias que quase não havia parado para admirar o local em que estavam. Se não tivesse o ex-namorado para assombrá-la, Clementine conseguiria aproveitar aquela experiência com os mesmos olhos empolgados dos colegas.

Disposta a não deixar Liam lhe roubar mais aquele detalhe, Clementine se convenceu de que não conseguiria dormir e se permitiu deixar o pequeno quarto que cabia basicamente a sua cama e a mala com roupas encostada em um canto.

O tamanho daquele cômodo poderia ser um ponto negativo, mas DiLaurentis se sentia imensamente grata por ter sido exatamente aquela a desculpa que impedira de ter uma nova colega de quarto, obrigando a Veela a ser acomodada em uma cama montada ao lado de Tessa.

Passando apenas um casaco de lã por cima dos mesmos pijamas azuis que vestira na noite anterior, Clementine caminhou silenciosamente pela tenda escura. Um alívio de suspiro escapou pelos seus lábios quando ela encontrou a sala completamente vazia e atravessou com poucos passos até alcançar uma imitação de varanda da tenda.

O teto era do mesmo tecido que revestia toda a tenda, mas as paredes laterais eram compostas por uma lona transparente, como se fossem janelas, apenas para proteger o vento.

Um pufe esquecido próximo da porta foi logo ocupado por Clementine e ela abraçou as próprias pernas quando se pôs a admirar ao redor.

A escuridão da madrugada não permitia que ela enxergasse muito além, mas a vista do céu linda o suficiente para fazer com que ela prendesse a respiração.

Em Londres, as nuvens cinzentas raramente deixavam as estrelas aparecerem e até mesmo o brilho do luar parecia ofuscado. Ali, entretanto, não havia nem mesmo vestígio de poluição, permitindo que as estrelas brilhassem de uma intensidade quase assustadora, como se estivessem mais perto da Terra do que o normal.

Com o queixo erguido, Clementine se viu finalmente relaxar desde o reaparecimento de Liam em sua vida. Aqueles breves segundos de paz conseguiram arrancar um sorriso dos seus lábios e ela se sentiu grata, pela primeira vez, por estar ali.

Ela já sentia todo o seu corpo relaxar quando passos soaram as sua costas, fazendo seus músculos ficarem tensos imediatamente. A respiração ficou presa em sua garganta enquanto Clementina se virava, buscando pelo rosto do intruso.

O alívio ficou evidente em seu olhar suave e o suspiro que escapou pelos seus lábios ao encontrar Nathan se aproximando com duas xícaras de chá.

Estranhando a cama?

A voz suave dele ecoou mais de perto quando o editor se sentou ao seu lado, lhe oferecendo uma das bebidas fumegantes. Clementine a aceitou de imediato, sem conter o sorriso pela própria sorte de não ser interrompida por Liam.

Não ia perder a oportunidade de ver um céu desses. Não temos nada perto disso em Londres.

Achei que estivesse desesperada para voltar para casa.

Apesar da aproximação amigável, Clementine logo identificou um tom acusador nas palavras de Nathan. Como líder daquela equipe, ele já havia se posicionado em relação ao desejo de Clementine de abandonar aquela missão. Mas diante do relacionamento mais íntimo dos dois, era impossível para Nate apenas ignorar a subida vontade da amiga em desistir de uma incrível oportunidade que finalmente tinham em anos.

Sabendo que não conseguiria despista-lo a noite toda e principalmente sabendo que Nathan não merecia ser tratado daquela forma, DiLaurentis soltou um longo suspiro, se preparando para aquela conversa inevitável.

Por alguns segundos, ela aqueceu seus dedos na porcelana morna do chá, encarando o líquido turvo como se pudesse fugir. Podia sentir o peso do olhar de Nathan sobre si e por isso se esforçou a erguer o olhar para encará-lo de volta.

Eu sei que é uma oportunidade incrível que estamos lidando aqui. E que eu não deveria deixar meus problemas pessoais interferirem. Mas não é exatamente fácil para mim…

Antes que Clementine pudesse explicar a sua história, Nathan se remexeu desconfortável em seu lugar e trincou os dentes, tenso.

É por causa de nós dois? Porque se for, Clemy…

Não. - A voz de Clementine soou suave, mas convicta, o que imediatamente fez com que Nathan relaxasse. - Meu problema não é com você ou com a equipe, Nate.

Clementine fez uma longa pausa, reunindo coragem para verbalizar aquele passado depois de tantos anos.

É o Liam. Meu problema é com ele. Nós tivemos um relacionamento um tempo atrás e não terminou bem.

Por mais que estivesse aliviado que não fosse o seu envolvimento com Clementine que estava despertando aquele comportamento estranho dela nos últimos dias, Nathan não conseguiu conter a surpresa diante daquela novidade inesperada.

Você e o Rookwood?

Aquele havia sido exatamente o motivo para o fim do namoro com Liam, e mesmo depois de tanto tempo, ainda era estranho ver as pessoas se referindo ao lufano com aquele sobrenome.

Eu namorei um Rookwood uma vez, mas não foi o Liam.

A expressão confusa de Nathan fez com que Clementine se obrigasse a escolher melhor as palavras e não enrolar demais em suas explicações.

Eu namorei o Christopher, meio-irmão do Liam, quando estava em Hogwarts.  - A loira meneou a cabeça quando entrou na parte da história em que mais se envergonhava. - E namorei o Liam depois. Mas ele não era um Rookwood na época.

Uau. - Nate arqueou as sobrancelhas e fitou o horizonte enquanto digeria aquela conversa. - Dois Rookwood? Difícil competir com isso.

O sorriso afetado dele fez o coração de Clementine se espremer. Talvez, em algum lugar do passado, o sobrenome Rookwood pudesse ter tido qualquer influência em seu namoro com Christopher. Mas ela não era mais a primogênita de uma nobre família e aquilo era completamente insignificante.

E o que aconteceu?

Clementine percebeu que Nate estava tão temeroso quanto curioso com aquela história, mas não hesitou em lhe dar as respostas.

O Cris nunca foi um cara bom. Na verdade, ele me dava todos os dias provas de que não era alguém que jogava limpo. Mas sempre me tratou surpreendentemente bem. Até eu me envolver com o Liam, é claro. Com o Cris, eu me enganava todos os dias, achando que ele poderia melhorar.

E quanto ao Liam?

Era o contrário. - Clementine estava surpresa como as palavras já começaram a sair com naturalidade, desabafando algo que a sufocava há anos. - Ele me enganou todos os dias e eu tinha certeza de que ele era um cara bom. No final das contas, ele era tão Rookwood quanto o irmão. Foi uma decepção muito maior do que com o Cris.

Você gostava mesmo dele, hm?

Embora pudesse contar sempre com Nathan com seus assuntos pessoais, era a primeira vez que ele ouvia sobre seu envolvimento com os Rookwood. E era impossível para o editor esconder o tom de ciúmes em suas palavras.

Eu amei o Liam, Nate. - Ela não tinha a intenção de magoar o amigo com aquela confissão, mas também não fazia sentido mentir. - Mas isso é passado. Meu sobrenome está arruinado e eu não sou mais o tipo de mulher para nenhum Rookwood.

Você é o tipo de mulher para qualquer homem que não seja cego, Clemy.

A mão de Nathan deslizou até alcançar os dedos de Clementine. A pele estava quente por segurar a xícara de chá e era agradável ao toque.

Você ainda o ama?

Mais uma vez, Clementine sentiu a respiração prender em sua garganta. Ela estava atordoada com o reaparecimento de Liam em sua vida, mas ate então não havia parado para pensar no que realmente estava sentindo.

Ela amava a lembrança de Liam Mellish e se aquele homem estivesse novamente na sua frente, Clementine não precisaria pensar para responder. Mas Liam não era mais o mesmo desde que assumira o sobrenome Rookwood como seu. Durante muito tempo, mesmo com a mágoa e a decepção, Clementine ainda tinha certeza que havia amado Liam e tinha esperanças de que ele pudesse se arrepender das próprias escolhas. Mas ela não sabia como responder aquilo. Só sabia o que Nate precisava ouvir.

Não, não amo. E eu posso garantir que ele também não sente mais nada. Na verdade, posso garantir que nunca sentiu. O que eu significava para o Liam ele já conseguiu um substituto. Eu só representava algo que o Cris tinha e, no fundo, ele só queria as coisas do irmão. Quando conseguiu a fortuna e o sobrenome, a minha presença era indiferente.

Um novo silêncio se instalou e Clementine esperou até deixar que seus lábios se curvassem em um pequeno sorriso

Eu já disse, é passado. Prometo que não vou mais deixar isso interferir no meu trabalho.

Eu não estou preocupado com o trabalho.

Nate já havia se aproximado ainda mais, ao ponto de precisar apenas sussurrar perto do ouvido de Clementine.

Quando voltarmos para Londres, quero assumir o que temos, Clemy. Já quero isso há algum tempo. Eu não sei o que o Rookwood tem na cabeça, mas eu me sentiria o homem mais sortudo em ter você comigo.

Mesmo com a fraca iluminação, Clementine podia encarar o rosto de Nate com perfeição. Ele nunca havia feito seu coração da mesma forma que Liam, mas afinal, seu namoro com Mellish havia sido uma mentira.

Involuntariamente, a mente de Clementine reproduziu a cena do beijo de Liam e da veela daquela tarde e subitamente ela sentiu uma grande necessidade de dar aquela chance a Nate.

Eu também quero isso, Nate. Quando voltarmos a Londres, então.

Como se toda aquela conversa se resumisse apenas nas últimas palavras de Clementine, Nathan abriu um largo sorriso e tocou o rosto dela com os dedos mornos apenas para guiar os lábios até um beijo, completamente alheios de que aquela conversa não era exclusiva dos dois.


Última edição por Clementine DiLaurentis em Dom Fev 12, 2017 3:33 pm, editado 1 vez(es) (Razão : Ela já sentia todo o seu corpo relaxar quando passos soaram as sua costas, fazendo seus músculos ficarem tensos imediatamente. A respiração ficou presa em sua garganta enquanto Clementina se virava, buscando pelo rosto do intruso. O alívio ficou evidente)
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Seg Fev 06, 2017 2:13 am

- Eu não acredito que você concordou com isso!

A voz de Melissa soou irritada e a porta do quarto do hotel foi batida com violência, evidenciando o quanto a jornalista estava insatisfeita com a ideia de colocar o atual namorado e o ex-marido na mesma mesa de jantar. Mas Zummach simplesmente não teve como evitar aquela tragédia depois da guerra de provocações entre os dois rapazes. Era óbvio que nenhum deles fugiria daquele desafio.

- O seu ex-marido aparece na Alemanha para estragar as nossas férias e é você que fica irada? – Klauss cruzou os braços fortes na frente do peito – Não era o meu papel ficar indignado com tudo isso?

A ausência de Leon abria brecha para aquela discussão mais exaltada do casal. O garotinho havia ficado na companhia do pai e o combinado era que os quatro se encontrariam para jantar juntos num restaurante próximo ao hotel. Mas aquela ideia era absurdamente indigesta para Melissa. O breve contato entre Landon e Miller já provara que os dois não se comportariam de forma madura e civilizada.

- Está insinuando que a culpa é minha??? – Zummach apontou o próprio peito, indignada com aquela insinuação – Acha que eu convidei o meu ex-marido para participar desta viagem? Você sabe muito bem o esforço que eu faço para evitar qualquer tipo de contato com ele!

- O fato é que ele está aqui. E é óbvio que eu não vou engolir esta história ridícula de viagem a trabalho. Ele está aqui para atrapalhar as nossas férias e está obtendo sucesso nesta missão. Ele já conseguiu fazer você brigar comigo.

Ao contrário do que ocorrera no relacionamento com Landon, Melissa nunca havia brigado com Klauss Miller antes daquela tarde. O namoro era tão morno que sequer abria brechas para discussões. Zummach nunca havia sentido pelo jogador a mesma paixão que a fazia explodir com Vanderwaal no passado.

- Eu ia me livrar dele, mas você achou mais divertido iniciar um joguinho ridículo de provocações! Agora ele vai participar de uma noite que deveria ser só nossa. Você contribuiu para o fiasco dessas férias, Klauss.

Sem grandes escolhas depois dos últimos acontecimentos, Melissa aceitou a derrota naquela partida e se preparou para mais uma rodada de alfinetadas e provocações imaturas durante o jantar. No horário combinado, Zummach entrou no restaurante acompanhada pelo namorado e já encontrou Landon e Leon ocupando uma das mesinhas ao fundo do estabelecimento.

O restaurante era pequeno, mas o clima familiar tornava o ambiente simpático e convidativo. A placa da calçada prometia uma comida local típica e o cheiro que se espalhava pelo salão era realmente tentador. Seria uma excelente escolha se não fosse o fato de que uma guerra estava prestes a acontecer entre os dois rapazes que se cumprimentaram com um aperto de mãos exageradamente forte.

A cadeira de Melissa foi puxada por Klauss num gesto atencioso, mas o agradecimento seco da jornalista mostrava que ela ainda estava insatisfeita com o comportamento dele naquela situação delicada. Zummach ajeitou o vestido cor de vinho antes de se acomodar na cadeira e deixou a bolsa cuidadosamente pendurada na cadeira antes de puxar para si o cardápio, pronta para fazer o pedido e reduzir ao máximo os minutos de duração daquela tortura.

- Alguma coisa aí além de cerveja? – Miller se aproximou da namorada e apoiou o queixo no ombro de Melissa com a desculpa de espiar o cardápio nas mãos dela – Estou de férias, mas não posso me descuidar. Quais são as opções saudáveis do cardápio?

- Água.

A resposta seca de Melissa obrigou Klauss a conter uma careta de desagrado, mas ele não entregaria a vitória a Landon tão facilmente.

- A limonada parece interessante. Aprendi a admirar o gostinho azedo das coisas depois de conhecer você.

O olhar que Melissa lançou ao namorado deixou claro que ela não estava no clima para piadinhas. O cardápio foi fechado subitamente e devolvido à mesa enquanto a jornalista resmungava a sua escolha.

- Pode pedir o ensopado de salsichas com batatas pro Leon e um suco de uva. Eu vou querer só uma água com gás, estou enjoada demais para comer qualquer coisa.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Seg Fev 13, 2017 12:39 am

A mão delicada de Neferati tocou os dedos de Liam Mellish, impedindo que o bruxo colocasse em seu café o sexto cubinho de açúcar. Aquele toque trouxe Liam de volta para a realidade e os olhos castanhos piscaram algumas vezes antes que o rapaz se voltasse para a veela. Sua cabeça estava tão distante dali e os gestos daquela manhã eram tão mecânicos que Neferati foi obrigada a explicar para Mellish o que estava havendo.

- Culinária não é uma das minhas maiores habilidades, mas até mesmo eu sei que tanto açúcar vai estragar o seu café, meu senhor.

Os lábios de Mellish se curvaram em um sorriso mecânico e sem emoção e sua atenção se voltou novamente para a bebida na caneca a sua frente. O prato vazio diante da veela trouxe à tona uma dúvida sincera de Liam, mas que naquele contexto também serviria para desviar o foco para longe dele.

- Você não come, Neferati?

- Às vezes, mas acho que perdi o costume depois de tantos anos. É uma espécie de passatempo para as veelas apreciar o sabor da comida humana. Mas não precisamos disso para sobreviver. – Neferati arqueou uma sobrancelha antes de completar com um argumento óbvio – Eu não teria sobrevivido por tantos séculos num baú se precisasse de água ou comida, não é? Comer para as veelas é como... – a garota pensou por alguns segundos antes de encontrar uma boa analogia – ...lazer para os humanos. É bom, vocês gostam, mas não vão morrer se forem privados disso.

- Mas ficamos terrivelmente instáveis e deprimidos sem momentos de lazer. – o sorriso de Liam se tornou mais gentil enquanto ele empurrava o pratinho com biscoitos na direção de Neferati.

Mellish achou que estava livre daquela conversa delicada quando a veela pegou um dos biscoitos e o levou aos lábios. Contudo, depois de apreciar o sabor da primeira mordida, Neferati puxou o foco da conversa novamente para a direção de Rookwood.

- Você deveria dizer a ela que ainda a ama.

Era terrível conviver com a própria mente atormentada, mas era ainda pior a sensação de dividir com Neferati todos aqueles pensamentos confusos sobre Clementine DiLaurentis. Liam queria esquecer a cena que presenciara na última madrugada, entretanto era impossível parar de pensar na conversa entre Cleo e Nathan. Mesmo que já soubesse sobre o envolvimento dos dois, Mellish não estava pronto para ouvir que ambos desejavam assumir publicamente aquele relacionamento. Aquele passo poderia parecer pequeno, mas significava muito para um casal. E Liam sabia que Clementine se tornaria ainda mais inalcançável se estivesse oficialmente com outro homem.

- Talvez você tenha perdido mais que a habilidade de comer, Neferati. Muito provavelmente também se esqueceu de que não é muito educado invadir os pensamentos das outras pessoas.

- Desculpe, mas eu não posso evitar. A sua mente é transparente como uma janela escancarada, meu senhor. Geralmente é assim que as mentes bondosas funcionam.

- Mente bondosa? – o sorriso de Liam se tornou mais amargo e a voz soou num sussurro engasgado – Ela discordaria violentamente da sua opinião.

O coração de Mellish ainda se comprimia com a lembrança da noite anterior. Clementine havia dito com todas as letras que Liam fora uma decepção ainda maior que Cristopher. E também havia confessado para Lavane que não o amava mais. Mesmo que já pudesse prever aquilo depois da maneira como o namoro chegara ao fim, Liam ainda não estava pronto para ouvir que o amor que Clem sentiu por ele havia morrido.

- Ela mudaria de opinião se soubesse o quão nobre tem sido, meu senhor. O seu dinheiro tem sido usado para o bem e já melhorou a vida de incontáveis pessoas. Apesar do seu sobrenome e de sua fortuna, o senhor é um homem de hábitos humildes que trata com respeito até mesmo as criaturas consideradas inferiores. E a maneira como cuida do seu irmão mesmo depois de tudo o que ele...

- Neferati! – os olhos de Liam se arregalaram e seu semblante se fechou enquanto ele olhava ao redor para garantir que ninguém havia ouvido aquele segredo – Eu já lhe disse que isso é um problema pessoal que eu não posso dividir com ninguém! Muito menos com ela! Se quer mesmo me recompensar pela sua liberdade, não toque novamente neste assunto!

Mellish foi salvo daquela discussão quando Nathan anunciou que o restante da equipe estava pronta para partir para mais um dia de trabalho no templo. Com a ajuda de Neferati, as buscas foram alavancadas e os bruxos voltaram para a tenda no fim da tarde com uma coleção de pergaminhos antigos lotados de símbolos, assim como fotos das marcas feitas nos quadros e paredes da câmara dos acervos.

É claro que ainda havia muita informação a ser desvendada e novas buscas seriam realizadas nos próximos dias, mas a equipe de Nathan já tinha material mais do que o suficiente para iniciar as traduções. Era a isso que os bruxos brindavam no começo daquela noite, todos com um copo de hidromel nas mãos.

O clima de vitória havia contagiado Liam e permitiu que o rapaz se esquecesse por um momento da cena presenciada na última madrugada. Ainda com as roupas imundas de poeira e com os cabelos atrapalhados de forma displicente, Mellish aceitava a segunda dose de bebida quando um “crack” fez todos se sobressaltarem no interior da tenda. Várias mãos buscaram pelas varinhas, mas um possível ataque não aconteceu.

Pelo contrário, a pequena criatura que correu na direção de Rookwood não parecia nem um pouco ameaçadora para o grupo. Barrie usava meias amarelas e uma veste roxa exageradamente chamativa naquela noite. O elfo estava visivelmente aflito e apertava uma mão na outra de forma tensa quando parou em frente ao patrão.

- Barrie lamenta muito importuná-lo durante a viagem, senhor, mas é uma emergência. – Barrie olhou ao redor antes de voltar os grandes olhos amarelos novamente para Liam – “Aquele” problema, senhor.

O elfo não precisava citar o nome de Cristopher para que Liam entendesse que Barrie estava falando do seu meio-irmão. A presença do restante da equipe não permitia que o rapaz fizesse perguntas demais e a postura tensa do elfo mostrava que o assunto era realmente muito importante.

- Me leve para casa agora, Barrie.

O copo de hidromel foi deixado de lado e Mellish estendeu o braço na direção do elfo doméstico, mas Nathan se meteu entre os dois, evitando o toque que Barrie precisava para desaparatar junto com o patrão.

- Ficou louco, Rookwood? Estamos no Egito!!! Aparatações em grandes distâncias são desastrosas, por isso usamos uma chave de portal! Você vai estrunchar antes de chegar a Londres se tentar esta loucura!

- A magia dos elfos é diferente! – Liam tentou se desvencilhar do obstáculo criado pelo corpo de Lavane – Barrie conseguiu chegar aqui sem estrunchar!

- Sim, ele é um elfo. Mas você é humano! Vamos montar uma chave de portal e você poderá partir em algumas horas, está bem? Eu não sei o que está havendo, mas você não vai conseguir resolver o problema se fizer uma loucura!

- Barrie, é uma ordem! – foi preciso empurrar Nathan para o lado antes de colocar-se novamente diante do elfo – Me leve para casa agora!

Os grandes olhos amarelos passaram de Nathan para Mellish enquanto o elfo analisava mentalmente as suas possibilidades. Para qualquer um que conhecesse a natureza de um elfo doméstico, seria bizarro ver a cabeça de Barrie se sacudindo lentamente em negativa logo em seguida.

- Barrie não quer machucar o seu senhor.

- Eu estou ordenando que me leve para casa agora, Barrie!!!

- Barrie é um elfo livre que faz as suas próprias escolhas. E Barrie escolhe não machucar o seu senhor.

Pela primeira vez em cinco anos, Liam se arrependeu por ter libertado o pequeno elfo. O rapaz estava à beira de um ataque de nervos quando a voz suave de Neferati soou às costas do grupo. A veela estava saindo do banheiro com os cabelos esvoaçantes e a pele livre da poeira do deserto. Nem mesmo as roupas sóbrias de Tessa escondiam as formas perfeitas escondidas por baixo dos tecidos finos.

- Eu posso levá-lo para casa, meu senhor.

A importância de Neferati para o grupo de Nathan foi ignorada naquele momento, assim como o risco de uma desaparatação tão distante. Quando estendeu a mão para a veela, tudo o que Liam pensava era que Barrie não teria ido até o Egito se a situação de Cristopher não fosse uma emergência.

Lavane ainda berrou um “não”, mas não conseguiu impedir que os dedos de Liam se entrelaçassem aos de Neferati. Os cabelos claros da veela voaram com mais intensidade antes que os dois corpos desaparecessem da tenda.
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