Back to Hogwarts

Página 9 de 10 Anterior  1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Dom Jan 29, 2017 4:28 am

Depois de cinco anos no papel de “Sr. Rookwood”, Liam já estava acostumado a causar aquele impacto nas pessoas. Por isso, o rapaz não se mostrou surpreso com a movimentação na mesa ocupada por Nathan Lavane. Era quase divertido ver aquelas pessoas se acotovelando para abrirem espaço para ele na ponta da mesa e Brant atingiu o auge da bajulação quando usou o próprio casaco para limpar a mesa suja de cerveja e gordura.

- Eu imagino que o Caldeirão Furado não seja o tipo de ambiente que o senhor está acostumado a frequentar. – Nathan abriu um sorriso e arriscou uma piadinha para suavizar o clima – Mas não vamos gastar a sua grana em comemorações. E isso aqui é o que a gente consegue pagar, então...

- Vou precisar te dar um par de meias para que pare de me chamar de senhor? – Liam girou os olhos castanhos de forma divertida – Já conseguiu o dinheiro, Lavane. Sem tanta formalidade agora, por Merlim!

- Certo, sem senhor então. Vamos às apresentações... – Nate indicou o colega mais próximo daquela ponta da mesa – Peter Montgomery. Se você realmente fez a disciplina de Runas Antigas, deve ter ouvido falar do pai dele, John Montgomery, que descobriu...

- ...contra-feitiços de maldições das trevas em runas egípcias. – Liam interrompeu Lavane para mostrar que realmente conhecia o assunto – É claro que eu já ouvi falar do trabalho dele.

- E esta é Teresa Campbell, nossa integrante mais nova, mas não menos importante. – o indicador do chefe apontou para o rapaz ruivo que quase saltava no pescoço de Liam – Este é o Brant, seu mais novo fã. E por último...

Só quando Nathan deu um passo para o lado e abriu espaço para que Rookwood enxergasse a loira atrás dele, Liam percebeu que já a conhecia. O estômago do lufano afundou e seu mundo deu um giro completo. Os olhos arregalados indicavam que Liam não havia planejado aquele encontro e, consequentemente, não fazia ideia de que Clementine pertencia à equipe que havia acabado de ganhar o seu patrocínio.

- Clementine DiLaurentis. A equipe é pequena, mas eu garanto que nosso trabalho é sério. Todos nós estamos muito gratos pela sua confiança, Rookwood. Muito obrigado por se juntar a nós nesta comemoração!

O sorriso forçado de Liam poderia enganar quem não o conhecesse, mas a ex-namorada certamente notaria que ele não estava à vontade naquela situação. Depois de tantos anos mantendo Clementine camuflada no fundo de sua memória, o lufano agora não sabia como reagir diante da loira. A mágoa da última briga ainda parecia recente demais e era impossível ser indiferente às lembranças que começavam a pipocar em sua mente com a simples visão de Clementine.

Como não podia simplesmente fugir daquele encontro sem parecer esnobe ou sem estragar o clima de felicidade daquela pequena equipe, Liam se sentou na ponta da mesa oposta àquela ocupada por DiLaurentis. Brant prontamente se ofereceu para buscar uma cerveja para o recém-chegado e voltou em poucos segundos com uma caneca gigantesca e mais um pratinho lotado de frituras.

- Cuidado com a roupa. O seu elfo vai pedir um aumento se tiver que tirar essa gordura poderosa do tecido.

Nathan explicou a brincadeira diante dos olhares confusos dos colegas.

- O Rookwood tem um elfo doméstico. Na verdade, eu demorei a perceber que era um elfo. Parecia uma pilha de roupas se movimentando pelo escritório até que eu notei que tinha olhos, braços e pernas. Acreditem ou não, é um elfo livre. E ele parecia muito contente com a situação. Todos os elfos que eu conheci pareciam satisfeitos com a escravidão. Como conseguiu este milagre, Rookwood?

A última coisa que Liam queria era que o foco da conversa se voltasse para ele, mas não havia nenhuma maneira de fugir do assunto iniciado por Lavane.

- Bom, o primeiro passo foi evitar que ele se matasse pulando pela janela segundos depois de ter ganhado um par de meias.

Agora aquela era uma história divertida, mas Liam ainda sentia pena quando se lembrava do desespero do pequeno Barrie ao se ver livre.

- Depois foram muitas semanas de choro e desespero, de cabeçadas na parede e lamentações. Mas quando ele finalmente aceitou o primeiro salário e entendeu que poderia gastar o dinheiro no que quisesse, o Barrie começou a gostar da própria liberdade.

Barrie já era o elfo doméstico dos Rookwood na época em que Clementine frequentava a mansão. Por conhecer o elfo magricelo e humilde que Cristopher maltratava, seria ainda mais difícil para a loira acreditar que aquela criatura estava contente com a própria liberdade.

- Quando eu fui embora, estava tão emocionado com o patrocínio que simplesmente me esqueci de ser gentil... – Nathan soltou uma risada mais ampla – O Barrie não me entregou o meu casaco enquanto eu não disse um “por favor”.

- Mentira! – Brant também soltou uma gargalhada – Pelas barbas de Merlim, tem certeza de que é um elfo doméstico? Pode ser um duende fantasiado de elfo. A crise chegou ao Gringotts!

- Não vão falar sobre o projeto? O Lavane defendeu o trabalho com tanta paixão que fiquei sinceramente curioso pelos detalhes.

Rookwood discretamente tirou o foco da conversa de si, jogando-o para o trabalho da equipe.

Os olhos castanhos evitavam a direção da cadeira ocupada por Clementine, mas era impossível controlar as batidas do próprio coração. Mesmo com o barulho e a movimentação do pub, com o cheiro de cerveja barata e da gordura impregnada nas asinhas fritas, todos os sentidos de Liam estavam voltados para a presença da ex-namorada. Era bizarro como o perfume suave de DiLaurentis conseguia ser mais forte que todos aqueles estímulos e atingia em cheio o olfato do rapaz.
avatar
Liam Mellish

Mensagens : 158
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Cameron Lahey em Dom Jan 29, 2017 4:29 am

Se Landon Vanderwaal fazia sucesso entre as paredes do castelo de Hogwarts nos tempos em que carregava um distintivo de Monitor-Chefe no peito, não era uma grande surpresa que, anos depois, ele tivesse se tornado em um homem ainda mais atraente aos olhos do público feminino.

O ar de bom menino havia desaparecido ao longo dos anos, mas a seriedade do homem que Landon se tornara conseguia ser ainda mais sexy. Os cabelos castanhos adotaram um corte mais moderno, o que não impedia que alguns fios rebeldes ainda ficassem atrapalhados. Uma barba bem aparada passou a fazer parte da fisionomia do jovem Vanderwaal, mas a maior diferença se destacava em seus olhos castanhos.

A adolescência feliz já parecia pertencer a uma vida completamente diferente. Era bizarro quando Vanderwaal olhava para trás e pensava na própria vida, em como tudo parecia simples quando sua única obrigação era cumprir seu papel como monitor sem destruir a amizade com os colegas mais bagunceiros e sem perder o respeito com os professores.

Landon sempre fora um rapaz inteligente, mas todo o esforço que fizera para ter as melhores notas nos NIEMs agora parecia uma grande piada. Claro que ele ainda colhia os frutos daqueles tempos, ou jamais poderia estufar o peito com o emblema de um grande auror. Mas naquele tempo, uma nota mais baixa poderia significar o fim do mundo, o fim dos seus sonhos. As perspectivas de um adulto eram muito piores do que um exame ruim ou uma derrota no Quadribol.

Uma guerra havia acontecido. Tempos violentos, sombrios e tristes dos quais marcaram em Landon dezenas de imagens fortes que o atormentariam até o resto dos seus dias. Era sempre gratificante pensar nas vidas que salvara, mas nunca parecia ser suficiente para apagar todas as tragédias capturadas pelas íris verdes.

Além das cicatrizes emocionais, Vanderwaal também trazia consigo a marca física daqueles tempos. Sua aparência perfeita era facilmente mantida com qualquer traje. Mas quando se encarava no espelho, os olhos de Landon sempre buscavam pelo corte que trazia perto do umbigo.

A pele já estava perfeitamente fechada, exibindo apenas um risco de quase um palmo em seu abdome perfeito. Diversos curandeiros já haviam oferecido poções para fazer desaparecer aquela imperfeição, mas Landon recusava toda vez.

O ataque que culminara naquela cicatriz havia acontecido poucos meses depois do nascimento de Leon. E aquela era a lembrança de que Landon havia se descuidado em campo após o sofrimento com o fim do próprio casamento. Como um auror bem treinado, havia sido um erro grotesco se deixar ir para a batalha quando ainda não estava psicologicamente preparado.

Ele ainda se lembrava com perfeição da dor e de todo o sangue que havia perdido. De como acordara no hospital atordoado, onde um único pensamento passava pela sua cabeça: Pelo seu descuido, ele poderia ter morrido. E mesmo que não se importasse tanto com a própria vida, ele não tinha mais o direito de ser egoísta. Agora tinha um filho para cuidar, alguém que dependia dele independente de quanto seu coração estava despedaçado ou não.

Lidar com o fim do seu casamento nunca foi uma tarefa fácil. Landon se culpava todos os dias e ainda insistira um novo contato com Melissa durante um longo tempo. Levou tempo até que Vanderwaal finalmente compreendesse de que havia mesmo chegado ao fim e que Melissa não pertencia mais a sua vida.

Um vazio se instalara em seu peito de uma forma irreparável e Landon ainda o sentia, mesmo depois de cinco anos. Um buraco onde deveria ser ocupado pela família feliz que os dois deveriam ter iniciado juntos.

Apesar de toda a tristeza, Vanderwaal conseguiu aos poucos voltar a engatinhar. Seu trabalho e seu filho se tornaram sua prioridade e, depois de cinco anos, Melissa se tornara apenas um nome do passado, com quem tinha um elo único e exclusivo por causa da pessoinha sentada a sua frente.

Leon era uma pequena cópia de Landon, mas o auror também reconhecia a mesma novata que quebrava as regras do castelo e que o fizera se apaixonar pela primeira vez. O filho era sua principal paixão, mas também o motivo para ser impossível desaparecer o vazio em seu peito. Era a lembrança constante da família que ele havia destruído como um grande fracassado nas poucas horas de existência de Leon.

A troca de olhares na mesa não foi nada discreta depois do comentário do menino, mas diferente do que todos esperavam, Landon continuou comendo sua torta de cordeiro sem parecer abalado com a novidade.

Depois de cinco anos, era de se esperar que Melissa tivesse seguido com a própria vida. E nenhum dos presentes precisava saber como seu estômago se afundou em ouvir aquilo finalmente se concretizando aos seus ouvidos.

- Ele não vai fazer um boneco de neve maior que o meu. – Landon fez uma careta de descrença e balançou a própria espiga de milho de seu prato. – Se fizer, eu faço outro ainda maior. É tradição dos Vanderwaal ter sempre os maiores bonecos de neve, não é, pai?

Os olhos do Vanderwaal mais velho estudaram atentamente a reação do filho antes de confirmar com um movimento da cabeça.

Satisfeito por tornar aquele clima tenso em algo mais leve, sem parecer um ex-marido psicopata, Landon ainda continuou.

- Se ele te ensinar algum truque legal com a vassoura, você vai precisar me ensinar depois, combinado?

A Sra. Vanderwaal quase não conseguiu esconder o queixo caído, mas Landon fez um grande esforço para fazer de conta que não estava notando aquela reação.

Não era nada confortável a ideia de imaginar outro homem na vida de Melissa e Leon, mesmo depois de tanto tempo. Mas Landon se obrigava a pensar que precisava agir civilizadamente, principalmente considerando que ele também havia seguido com a própria vida.

Landon esperou que a mãe se afastasse para a cozinha, levando uma pilha de louças sujas, que o pai se ocupasse com um jornal em sua poltrona preferida e que Leon se afastasse para pegar a mochilinha no hall de entrada para finalmente se dirigir para a babá.

- Eu conheço a Melissa e não pretendo comprar uma guerra perdida. – Ele começou com um sorriso, se odiando por colocar a velha Trudy em meio as complicações daquele divórcio. – Mas diga a ela que eu também tenho um comunicado a fazer.

Os olhos verdes passearam pelo prato vazio antes dele verbalizar seus pensamentos, tentando se convencer de que estava fazendo aquilo apenas porque era a hora certa, e não por retaliação a atitude de Melissa.

- Eu estou com uma viagem marcada para a França no próximo mês. É apenas um final de semana, então imagino que não será nenhum problema levar o Leon comigo.

As sobrancelhas de Landon se arquearam quando ele completou com a informação que certamente chegaria aos ouvidos de Melissa.

- Diga para a Melissa ficar despreocupada. É apenas um evento familiar, a irmã da minha namorada vai se casar. Acho que é o momento ideal para o Leon conhecer a Alexis.
avatar
Cameron Lahey

Mensagens : 322
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Dom Jan 29, 2017 5:26 am

Trudy jamais verbalizaria aquela desaprovação, mas a expressão séria da babá mostrava que a mulher não concordava em ver Leon sendo arrastado para aquela guerra dos pais. Por mais que Landon e Melissa ainda fossem jovens e tivessem todo o direito de reconstruírem suas vidas, Trudy conhecia ambos o suficiente para saber que aquela batalha significava que nenhum dos dois havia esquecido o passado.

Era evidente que Melissa estava se esforçando demais para que as coisas dessem certo com Klauss Miller. Quando os dois estavam juntos, não parecia natural. Eles formavam um casal inegavelmente bonito, mas era óbvio demais para a babá que não havia entre eles uma grande sintonia. Os olhos de Zummach não brilhavam pelo novo namorado, ela não suspirava quando Klauss a surpreendia com abraços ou beijos.

Embora a babá de Leon nunca tivesse visto Landon com a nova namorada, o simples fato da moça só ter sido citada depois que Klauss Miller se tornou o assunto da mesa dos Vanderwaal já mostrava que aquele relacionamento também não tinha bases tão solidificadas.

Depois de tantos anos, Trudy não tinha mais a esperança de ver os pais do pequeno Leon juntos. Mas a babá realmente esperava que Melissa e Landon tivessem a decência de não arrastar o filho para aquela batalha de egos. Como nunca tinha visto os pais juntos, Leon não sofria tanto com aquele divórcio. Mas aquela guerra fatalmente atingiria a criança se mais pessoas começassem a engrossar as linhas de batalha.

Mesmo odiando o seu papel de intermediária naquele divórcio, Trudy repassou o recado de Landon para a patroa naquela noite. Melissa reagiu com uma aparente indiferença à novidade, mas a babá soube reconhecer uma sombra que cobriu os olhos azuis.

Com a viagem para a Alemanha programada para o fim daquela semana, Melissa se viu obrigada a trabalhar mais que o normal para não deixar nenhuma grande pendência antes de sair de férias. Suas próximas publicações já estavam prontas no Profeta Diário, mas Zummach precisava finalizar uma última entrevista.

O chefe do Departamento de Jogos e Esportes Mágicos se comprometeu a oferecer uma entrevista exclusiva sobre o Torneio Tribruxo que aconteceria em Hogwarts no próximo ano letivo e, diante da agenda totalmente caótica do homem, Melissa não teve outra alternativa senão procurá-lo em seu gabinete para a entrevista.

Quando pisou no enorme saguão do Ministério da Magia na manhã seguinte, Zummach dizia para si mesma que eram irrisórias as chances de cruzar o caminho do ex-marido. O Ministério contava com dezenas de departamentos, milhares de funcionários e os aurores viviam em missões externas. Seria muito azar se deparar justamente com o rosto que Melissa lutava há quase cinco anos para evitar.

Depois de tantos anos e das obrigações da maternidade, Zummach havia amadurecido muito. Os traços da menina travessa ainda surgiam quando Melissa abria sorrisos mais amplos, mas agora suas feições eram mais sérias e ela parecia muito mais madura e responsável.

Os fios castanhos, antes longos, agora exibiam um corte mais moderno pouco abaixo dos ombros. A maquiagem que antes Melissa só usava em ocasiões especiais agora se tornara uma companheira indispensável, muito embora a moça ainda preferisse as cores mais discretas. As roupas também tinha se tornado mais formais e, naquela manhã, a jornalista usava uma calça preta, uma blusa de botões azul clara e um terninho preto por cima quando entrou num dos elevadores do Ministério da Magia.

Como estava convencida de que não encontraria Landon Vanderwaal, Melissa não acreditou no próprio azar quando seu elevador parou justamente no andar onde funcionava o quartel dos aurores. O destino parecia estar zombando dela quando o ex-marido surgiu na porta, acompanhado por dois amigos que não tiveram a discrição de evitar aquele constrangimento.

- Meeeeeeel!

Melissa pensou seriamente em sacar a varinha e explodir a cabeça de James Potter quando o rapaz a anunciou daquela maneira nada sutil, evitando a mínima chance da presença dela passar despercebida para Landon.

- Quanto teeeeeeempo! Olha só, Pad, a Mel!!! O que está fazendo perdida no Ministério da Magia?

O sorriso debochado de Black mostrava que Sirius não era tão sem noção quanto o melhor amigo, mas que se divertia com o espetáculo protagonizado por Potter.

- E aí, Melissa? Eu não teria te reconhecido se não fosse pelo Prongs, sabia?

- Irônico ser notada justamente pelo míope da turma.

- Heeeeey! – James apoiou as mãos na cintura, ofendido – Isso é jeito de tratar um velho amigo, Mel? Veio falar com o Landie?

Potter apontou o polegar para o amigo ao seu lado, atingindo o ápice da indiscrição e da falta de noção. Black não conseguiu conter uma risada anasalada e escondeu a boca com uma das mãos, sem acreditar que James não havia notado o clima absurdamente pesado do elevador.

- Tenho um horário marcado com o chefe do Departamento de Jogos e Esportes Mágicos.

Apesar da resposta formal, Melissa não pôde mais fingir que o ex-marido não existia depois que Potter fez o grande favor de apontar para Landon. O coração dela deu um salto quando os olhos azuis se arrastaram até a imagem de Vanderwaal, encontrando um homem muito mais maduro que o rapaz de cinco anos atrás.

Era muito estranho tentar ter uma conversa formal e indiferente com o homem que ainda fazia o coração dela saltar loucamente dentro do peito, mas Melissa sabia que não podia simplesmente agir como uma adolescente revoltada e ignorar a presença do ex-marido e do pai do seu único filho.

- Como vai, Vanderwaal?
avatar
Melissa Zummach

Mensagens : 60
Data de inscrição : 09/12/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Michaela Moccia em Dom Jan 29, 2017 6:05 pm

Para sorte de Clementine, os colegas precisavam se acotovelar para conseguir vencer a disputa de quem conseguia entreter Liam Rookwood por mais tempo. Então, o seu silencio poderia ser facilmente interpretado apenas pela falta de oportunidade em contar alguma história ou apenas elegância e educação para não interromper os demais.

Mas bastava que alguém olhasse para a loira na ponta da mesa por meros segundos para notar o quanto ela estava desconfortável. Suas mãos estavam unidas no colo, espremendo os dedos com as pontas avermelhadas. Ao contrário de Liam, ela não conseguia sequer fazer um esforço para desviar seu olhar do ex-namorado.

As íris azuis ligeiramente arregaladas encaravam Rookwood como se estivesse diante de uma miragem. Muitos anos tinham se passado desde que o caminho de Clementine e Liam se cruzara pela última vez, e mesmo que ele já carregasse a imagem de um herdeiro rico no casamento de Mel e Landon, não era nada comparada com a imagem que ela tinha agora.

Liam parecia imensamente à vontade no papel de “Sr. Rookwood”. As roupas caras e a forma polida com que se dirigia aos demais não lembrava em nada o lufano por quem ela se apaixonara.

Era bastante nítido como Liam não carregava a mesma arrogância do pai ou do falecido irmão, e a menção do velho elfo doméstico era a prova de que Liam não havia se corrompido por completo. Mas ainda assim, não era o mesmo menino simples que lhe roubava beijos escondidos na torre de Adivinhação.

DiLaurentis não soube dizer exatamente quanto tempo passou enquanto os colegas tentavam impressionar o investidor da mais nova pesquisa. Cada um deles demonstrava uma grande paixão pelo trabalho, assim como o grande otimismo de que teriam sucesso naquela tarefa. Mas a verdade é que as vozes chegavam em segundo plano até a mente de Clementine, sem fazer sentido algum.

Quando por um breve descuido de Liam, os olhares dos dois finalmente se encontraram, Clementine sentiu algo se quebrando em seu interior, a obrigando a despertar daquele transe. Seu rosto imediatamente girou até se inclinar na direção de Nate, sussurrando discretamente para não ser ouvida em meio ao burburinho da mesa.

- Eu já volto...

Nate, que até então também estava focado na conversa da equipe, se virou para encarar a loira com as sobrancelhas arqueadas, parecendo curioso.

- Está tudo bem?

- Sim, só exagerei na cerveja amanteigada.

Ela ainda tentou esboçar um sorriso enquanto arrastava a cadeira para se colocar de pé. Clementine precisou ser ágil para deixar a mesa a tempo suficiente de evitar os olhares em sua direção, quase correndo em direção ao fundo do pub.

Assim como o resto do estabelecimento, o lugar era escuro, com a aparência encardida. Mas ainda assim, estava muito mais limpo do que poderia esperar.

Quando parou diante do espelho enferrujado, Clementine encarou a própria imagem apenas para encontrar o reflexo pálido e assombrado. Os cabelos loiros estavam lisos e apenas marcados depois do longo dia de trabalho. A maquiagem também não estava mais fresca, mas continuava sem um único borrão ao redor dos olhos bem marcados.

A torneira rangeu quando seu registro foi aberto e Clementine observou a água escorrer pelo ralo por alguns segundos antes de finalmente afundar suas mãos suadas naquela pequena cascata. Uma pequena porção de água foi levada até a sua nuca, por baixo dos fios loiros, mas nem mesmo a sensação de frescor foi capaz de acalmar as batidas aceleradas do seu coração.

Liam Mellish, ou o Sr. Rookwood, era um assunto do passado. Era ridículo se comportar daquela maneira depois de tantos anos, mas ainda assim, DiLaurentis não conseguia ser imune à presença dele. Por mais que as coisas tivessem terminado da pior maneira possível, Clementine nunca duvidou de seu amor por Liam, mas era muito mais fácil lidar com aquele sentimento quando ele era apenas uma lembrança esquecida.
avatar
Michaela Moccia

Mensagens : 557
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Dom Jan 29, 2017 9:18 pm

Qualquer pessoa que observasse a mesa ocupada pela equipe de Nathan Lavane teria a impressão de que Liam Rookwood estava entretido na conversa do grupo. O recém chegado parecia acompanhar o ritmo caótico dos diálogos, ria das piadinhas que eventualmente alguém contava e aparentava estar atento e interessado no assunto. Seria difícil acreditar que a mente de Liam estava muito distante do Caldeirão Furado e que o rapaz seria incapaz de repetir as palavras que ecoavam pelo pub.

Era sufocante dividir o mesmo espaço que Clementine DiLaurentis, mesmo depois de tantos anos. Os olhos castanhos lutavam bravamente para não fitarem a ex-namorada, mas a falta de contato visual não amenizava em nada as reações que a proximidade da loira provocavam em Mellish.

Seu coração estava comprimido dentro do peito, mas ainda assim conseguia bater forte e acelerado. As mãos pálidas suavam frio e a camada de umidade tornava a pele escorregadia, de forma que o anel de esmeralda com o brasão dos Rookwood ficava frouxo e ameaçava escorregar para fora do anelar do herdeiro de Augustus.

Era óbvio para Liam que ele nunca havia esquecido Clementine e que ainda a amava, mas agora aquele amor estava misturado a uma dose generosa de culpa e arrependimento. Rever a loira naquele contexto e de maneira tão imprevisível era mais que o suficiente para abalar todas as estruturas do Sr. Rookwood, mas o lufano lutava bravamente para não demonstrar o quanto estava mortificado por aquele reencontro não planejado.

Alguns goles de cerveja foram necessários para entorpecer a mente de Liam e para que ele descuidasse dos próprios olhos por meio segundo. Como se estivessem sob a influência de um poderoso ímã, as íris castanhas se deslocaram até a imagem de DiLaurentis no mesmo instante em que Mellish perdeu a aparente concentração na conversa. O contato visual durou menos que dois segundos, mas foi o suficiente para que aquela imagem ficasse gravada na mente de Liam.

O lufano nunca havia visto Clementine DiLaurentis com uma aparência tão simples. É claro que o bom gosto da namorada não havia evaporado, mas era evidente que suas roupas não eram mais tão caras e sofisticadas, que a maquiagem se tornara mais discreta e que os fios lisos não estavam mais sendo escovados com tanta frequência para exibirem os cachos que os dedos de Mellish conheciam tão bem.

A beleza natural de Clementine não se abalava com aquelas mudanças e, aos olhos de Liam, a ex-namorada continuava sendo desleal na disputa com qualquer outra mulher que cruzava o seu caminho. Mas a atual aparência da loira não escondia o quanto as coisas tinham mudado nos últimos tempos.

Mesmo sem nenhum contato com Clementine nos últimos cinco anos, Mellish sabia que a loira havia enfrentado muitos problemas. Apesar de todas as crises dela com os pais, Liam não duvidava do quanto a garota sofrera com a morte do casal DiLaurentis. Era um desafio assumir a responsabilidade por um irmão menor de idade, ainda mais na difícil situação financeira que os DiLaurentis deixavam para trás.

Por motivos óbvios, Liam não procurou pela ex-namorada para oferecer ajuda. Clementine jamais aceitaria o dinheiro dos Rookwood depois da última conversa que colocara um fim no namoro dos dois e se ofenderia com qualquer oferta que viesse do lufano.

A única maneira encontrada por Mellish para ajudar de forma indireta a ex-namorada fora jogar nas chamas da lareira do seu escritório uma infinidade de promissórias assinadas pelo Sr. DiLaurentis. O fogo colocou um fim silencioso na pequena fortuna que a família de Clementine devia aos Rookwood e evitou que a loira tivesse que lidar com mais aquele grande problema.

Clementine não sabia sobre aquele ato generoso do ex-namorado e Liam não fazia a menor questão de exibir a caridade. Assim como fazia com várias instituições e com os infinitos financiamentos que liberava, Mellish não noticiava para o resto do mundo a sua generosidade. As suas decisões eram tomadas com o único objetivo de fazê-lo de sentir menos sujo no papel de Sr. Rookwood e a fama era uma consequência amplamente indesejada pelo rapaz.

O ar pareceu menos denso depois que Cleo saiu da mesa, mas ainda assim Liam não pretendia alongar demais a sua permanência no pub. Mellish estava prestes a inventar alguma desculpa para sair sem precisar se despedir da ex-namorada quando sua mente finalmente captou a conversa e as palavras de Peter Montgomery acenderam um alerta na mente do lufano.

- Então meu pai gastou todas as economias dele na pesquisa. Minha mãe disse que foi uma época difícil, que eles passaram fome no Egito. A publicação do livro com as descobertas dele rendeu alguns lucros, mas quando o dinheiro finalmente chegou meu pai já estava mais velho, a saúde dele já não era tão boa e ele não tinha mais disposição para retornar ao Egito e enfrentar tudo aquilo de novo para finalizar o trabalho.

- Seu pai não finalizou o projeto do Egito???

A incredulidade estava estampada em todos os traços do rosto de Liam. O trabalho de Peter Montgomery era um dos mais aclamados do ramo das Runas Antigas e suas descobertas tinham mudado para sempre o destino dos bruxos. Os contra-feitiços das maldições das trevas tinham se tornado ainda mais importantes durante a guerra e salvaram uma infinidade de vítimas torturadas pelos Comensais da Morte.

- Não. Na verdade, ele sempre disse que não publicou nem metade do conhecimento escondido nas runas egípcias. A falta de verba o obrigou a interromper precocemente a viagem. Minha mãe engravidou e simplesmente não podia continuar vivendo naquelas condições, então eles voltaram para a Inglaterra deixando boa parte das runas não decifradas para trás.

As palavras de Montgomery fizeram o queixo de Liam despencar. Exatamente por admirar tanto o trabalho do pai de Peter, Mellish não imaginava que o livro estava tão ridiculamente incompleto. Se muitos feitiços que desfaziam magia negra continuavam ocultos nas runas, talvez a situação lamentável de Cristopher não fosse tão definitiva. Talvez existisse alguma forma de desfazer a maldição que trancafiara o verdadeiro herdeiro dos Rookwood dentro do próprio corpo imóvel.

- E por que vocês não terminam o trabalho dele??? – como aquela resposta era óbvia demais, Liam se voltou para Nathan antes de continuar – De quanto precisam para levar adiante este projeto?

- Ow. – as sobrancelhas de Lavane se arquearam e a surpresa o deixou subitamente sóbrio mesmo depois de tantas cervejas – É um trabalho maravilhoso e seria uma honra terminá-lo. Mas os custos seriam tão absurdos que eu nunca sequer parei para colocar os números no papel, Rookwood. Nunca foi um sonho palpável para a equipe.

- Coloque os números no papel, então. Eu vou pagar todas as despesas.

A mesa mergulhou num silêncio arrebatador depois daquela proposta de Mellish. Quando Clementine retornou ao grupo, encontrou Nathan pálido como um fantasma e de queixo caído. Teresa encarava Liam com os olhos arregalados como se estivesse diante de uma assombração. Brant parecia petrificado e um pouco de cerveja escorria no canto de sua boca. E Peter nunca esteve tão sério quanto no momento em que tomou a palavra, colocando um fim naquele silêncio sufocante.

- Está falando sério, Rookwood? Você entendeu que este projeto vai precisar de uma pequena fortuna para sair do papel?

- Eu entendi e estou disposto a bancar todos os gastos. Tenho um interesse pessoal no assunto e, portanto, não vou negar nenhum galeão ao projeto. Só preciso saber se vocês tem interesse em levar esta pesquisa adiante.

Montgomery obviamente aceitaria a honrada tarefa de terminar o trabalho mais importante da vida do pai, mas Peter sabia que aquela era uma equipe e que a decisão deveria ser tomada em conjunto. Por isso, seus olhos refletiam uma súplica muda quando ele voltou a atenção para os demais colegas.

- Meu voto é sim. O que vocês dizem?
avatar
Liam Mellish

Mensagens : 158
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Cameron Lahey em Dom Jan 29, 2017 11:50 pm

- Eu estou te dizendo, desde que você deu aquela bendita vassoura, só o que o Harry faz é voar pela casa!

Naquela manhã, os cabelos de James Potter estavam mais atrapalhados que o normal e ele exibia duas olheiras sob as íris castanhas, demonstrando o cansaço acumulado. Apesar da entonação de crítica, ele narrava a história sobre o filho com um grande sorriso nos lábios, sem conseguir esconder o orgulho e a paixão.

Landon sabia exatamente o que era aquele sentimento. Era encontrar motivos para sorrir até mesmo em meio as travessuras de Leon. Ou ter seu mundo desabando com um simples resfriado. E mais ainda, amá-lo incondicionalmente.

Como o dia estava apenas começando, o Sr. Vanderwaal não exibia os cabelos tão atrapalhados quanto o colega. Sua pele ainda estava fresca do banho matutino e o casaco com o emblema do quartel de aurores estava impecável. Claro que seria questão de algumas horas até estar completamente amarrotado, mas ao menos ele tentava conservar a imagem mais madura e respeitável.

- Esta noite ele simplesmente saiu da cama, pegou a vassoura e resolveu brincar na sala. Só acordamos com o barulho do vaso de plantas preferidos da Lily se espatifando. E pra completar, ele assustou o Foguinho que fugiu para a rua.

- Aquele vaso roxo horroroso? – Sirius perguntou, abrindo a porta para que eles deixassem o escritório do chefe do departamento e saíssem para o corredor.

- Esse mesmo. – James assentiu, tentando esconder o sorrisinho que Sirius não teve necessidade de omitir.

- Ótimo. Aquele vaso era horrível. Meu afilhado me deixa mais orgulhoso a cada dia.

- E o Foguinho? – Landon perguntou, compartilhando o mesmo sorriso cúmplice de Potter. – Achou o gato, pelo menos?

- Eu não seria um auror qualificado se não tivesse nem mesmo a capacidade de pegar o meu gato vira-latas, Landie. – O tom ofendido de Potter fez com que os outros dois se entreolhassem.

- Ele te arranhou, não foi? – Os lábios de Landon não faziam um bom trabalho em tentar conter o riso.

Em resposta, Potter girou os olhos e arregaçou as mangas do próprio casaco, revelando os riscos vermelhos como resultado da pequena “briga” que tivera com o gato de Lily naquela manhã.

- E pra completar, ainda fez cocô nos meus sapatos. Algo que eu só notei depois de ter enfiado o pé direito.

- Aaaah, isso explica o fedor que estou sentindo a manhã toda. – Black fungou no ar com uma careta de nojo.

A troca de implicâncias provavelmente teria seguido durante todo o caminho até o elevador se a voz de Potter não tivesse interrompido abruptamente, completamente fora de contexto.

Mesmo que não tivesse compreendido em um primeiro instante o motivo para o amigo estar gritando o nome de sua ex-esposa, o coração de Landon imediatamente respondeu com um salto involuntário, algo comum mesmo depois daqueles cinco anos.

Automaticamente, Landon girou a cabeça, e por estar apenas alguns passos atrás de Potter, foi o último a notar a presença de Melissa bem diante dos seus olhos.

O sangue escapou o rosto de Vanderwaal e ele sentiu seus pés petrificarem em meio ao corredor. Os lábios chegaram a se entreabrir enquanto os olhos vasculhavam aquela nova imagem de Melissa, permitindo ao seu cérebro processar e guardar, ao mesmo tempo que comparava com a última lembrança que tinha da ex-mulher.

É claro que ela continuava linda. O tempo havia contribuído apenas para que Melissa deixasse de ser uma menina e se tornasse uma mulher incrível. A pose profissional contribuía para aquela aparência mais madura, mas mesmo naquele breve segundo, Landon conseguiu imaginar o sorriso espontâneo que conseguia arrancar dela, anos antes, agora refletido naquela nova versão de Zummach.

Apenas quando seu nome foi citado, Landon percebeu que não poderia continuar congelado em meio ao corredor. Não era como se Melissa tivesse sido completamente aniquilada de sua vida. Os dois tinham um filho juntos, afinal de contas. Mas ainda assim, era como se estivesse diante de uma pessoa completamente diferente.

- Estou bem, obrigado.

A formalidade iniciada por Melissa não foi interrompida e Landon manteve sua postura séria quando enfiou as mãos nos bolsos e entrou no elevador. O local era estreito o suficiente e como precisou passar por ela para ocupar o espaço ao fundo, foi impossível não sentir o familiar cheiro de maçã-verde que tantas vezes antes impregnava suas roupas e lençóis.

- Ahhhn, quer saber, Prongs? – Sirius coçou a nuca e Landon arregalou os olhos quando percebeu que o auror recuava um passo, voltando a pisar no corredor. – Eu ainda fiquei com uma dúvida sobre aquele relatório do ovo de dragão que o Olho-Tonto recolheu na Noruega. Você se importa de me explicar mais uma vez?

- É sério, Padfoot? – James se manteve dentro do elevador, um passo a frente de Melissa, e com a mão erguida para que as portas automáticas não se fechassem. – Você é demente ou o quê? O Moody literalmente desenhou naquele relatório. E isso foi na semana passada, como você ainda pode ter dúvida?

Black espremeu os lábios, derrotado com a estupidez do próprio amigo. Como não fazia mais sentido sequer tentar disfarçar, ele apenas esticou o braço até agarrar o casaco de Potter, o puxando de volta para o corredor.

- Cala a boca e vem, demente.

Mesmo que Landon tentasse correr e alcançar a porta que começava a se fechar, ele apenas completaria aquela cena patética dos dois amigos. E não daria o gostinho para Melissa vê-lo se comportando como um garoto bobo.

Já derrotado, ele se encostou contra a parede fria e fechou os olhos, soltando um suspiro pesado. A cabeça foi inclinada para baixo e Vanderwaal a meneou em frustração. Apenas quando a porta do elevador terminou de se fechar e o movimento indicou que estavam andando, ele deixou sua voz ecoar.

- E pensar que a segurança do mundo mágico está nas mãos de gente assim. É realmente de admirar que a gente tenha vencido a guerra.
avatar
Cameron Lahey

Mensagens : 322
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Seg Jan 30, 2017 12:46 am

Melissa precisaria ser tão obtusa quanto James Potter para não notar que fora deixada a sós com o ex-marido propositalmente. Com os olhos estreitados, Zummach encarou as imagens de Sirius e James no corredor até que as portas do elevador se fechassem por completo, deixando-a mais perto de Landon do que estivera nos últimos cinco anos.

Havia sido uma atitude imatura e quase vergonhosa dos dois aurores, mas a verdade é que Melissa conhecia a fama dos marotos o suficiente para não esperar nenhum gesto de maturidade dos grifinórios. O fato de Vanderwaal não ter se juntado aos colegas naquela ceninha ridícula era admirável e mostrava que pelo menos o ex-marido honrava o papel esperado de um homem adulto em seu ambiente de trabalho.

- A Lily parece ser uma mulher tão inteligente, tão ponderada e responsável... Como ela suporta o Potter?

O desabafo de Melissa não foi voltado exatamente para Landon, era como se a moça simplesmente estivesse pensando em voz alta. A forma impaciente como os olhos azuis giraram, exatamente como no passado, indicavam que Zummach não pretendia perder mais tempo naquele assunto.

Como os movimentos do elevador do Ministério da Magia eram imprevisíveis e nada suaves, Melissa foi obrigada a apoiar uma das mãos na parede de madeira quando o elevador recuou para trás em alta velocidade, passando rapidamente por vários setores. Para imenso azar de Zummach, o gabinete do chefe do departamento esportivo ficava num dos últimos lances do prédio e Landon também não fez menção de descer nos andares pelos quais eles passavam.

O silêncio se tornou sufocante entre os dois e, embora eles tivessem um grande elo, Melissa não conseguiu iniciar nem mesmo um assunto relacionado a Leon para quebrar aquele gelo. Era triste perceber que os dois tinham se tornado estranhos depois de terem vivido uma história de amor tão bonita.

Cada segundo parecia eterno e o constrangimento era quase palpável quando o elevador finalmente chegou ao trigésimo sexto andar da ala leste. As portas se abriram e a voz feminina mecânica anunciou enquanto uma nuvem de memorandos voava para dentro do elevador: “Ala leste, trigésimo sexto piso. Departamento de Jogos e Esportes Mágicos”.

Como seria um gesto indelicado e imaturo simplesmente sair do elevador sem uma despedida, Melissa se viu obrigada a olhar novamente na direção do ex-marido enquanto dava um passo na direção do corredor.

- Eu fico aqui. Tenha um bom dia, Vanderwaaaaaaa!

O sobrenome de Landon se transformou em um grito desesperado quando, subitamente, as luzes se apagaram e o elevador despencou. Como ela estava muito próxima da saída, um dos braços de Zummach ficou preso no espaço entre as portas quando elas se fecharam violentamente. Num reflexo rápido, Melissa puxou o braço, mas não evitou que a manga do terninho preto ficasse presa na porta. Com o impacto, o tecido foi brutalmente rasgado, o golpe provocando também um arranhão profundo na pele clara de Melissa.

A dor sequer incomodou Zummach naquele primeiro momento. O elevador continuava em queda livre e a adrenalina circulava rápido pelas veias da garota. Foram poucos segundos de desespero, mas a mente de Melissa teve tempo para pensar no filho e no quanto Leon ficaria desamparado se o pai e a mãe morressem naquele acidente estúpido.

Quando o elevador finalmente atingiu o solo, Melissa já esperava pelo impacto violento e pelo ruído ensurdecedor do esmagamento. As paredes de madeira cederam e o teto do elevador se partiu em vários pedaços que caíram sobre as duas vítimas daquele acidente.

Uma dor aguda na cabeça fez Zummach perder os sentidos por alguns segundos. Mas quando os olhos azuis se abriram, ainda havia muita poeira no ar, indicando que pouco tempo tinha se passado desde a queda. Uma placa de madeira quebrada estava esmagando uma das pernas da moça, mas Melissa ainda teve forças para empurrar os destroços e libertar o próprio corpo dolorido.

- Landon???

Era difícil enxergar a cena com a poeira espalhada pelo ar. O fato de estarem em uma espécie de subsolo mal iluminado também dificultava a visibilidade, assim como os destroços espalhados por toda a parte. Todo o corpo de Melissa doía como se ela tivesse sido atropelada pelo Noitibus e a perna esmagada não permitiu que Zummach se colocasse de pé.

Apesar da dor, a garota conseguiu se arrastar pelo chão imundo e tateou os destroços do elevador destruído até encontrar o braço do ex-marido. O corpo de Vanderwaal também havia sido parcialmente atingido por uma placa de madeira quebrada, que Melissa teve que empurrar para o lado para encontrar o rosto ferido do auror.

- Landon!!! – a voz de Zummach soou desesperada diante dos olhos fechados do ex-marido – Por Merlim, acorde!

Como não tinha ideia de onde sua bolsa havia parado no meio daquela confusão, Melissa não teve outra escolha senão deslizar suas mãos pelo corpo de Landon até encontrar a varinha do auror no bolso da calça do rapaz. Não havia tempo a perder e não fazia o menor sentido perpetuar as mágoas do passado naquele momento. O casamento havia chegado ao fim, mas Landon Vanderwaal ainda era o pai de Leon e Mel não permitiria que o filho enfrentasse a dor de perdê-lo.

Sem nenhum pudor, Melissa usou toda a força que lhe restava para puxar o corpo de Landon na direção do seu. A cabeça do auror foi apoiada junto ao peito dela e Zummach o envolveu num abraço apertado antes de executar o feitiço de desaparatação, levando o ex-marido consigo para um lugar seguro.

Quando recuperasse a consciência, Landon já se veria confortavelmente deitado em uma cama espaçosa, coberta por lençóis impregnados pelo perfume de maçã verde. Suas roupas ainda estavam imundas por causa do acidente, mas os ossos pareciam inteiros. Antes mesmo que Vanderwaal pudesse compreender o que havia acontecido, a cabeça de Melissa surgiu em seu campo de visão.

A ex-mulher também estava imunda, descabelada e com o rosto marcado por alguns cortes e arranhões. A preocupação estava estampada nos olhos azuis quando ela tocou o rosto de Landon antes de berrar por cima do próprio ombro.

- ELE ACORDOU, TRUDY! PODE SUSPENDER OS SAIS!

A maior prova de que Melissa estava bem veio quando os olhos azuis se estreitaram e ela voltou a parecer a garota furiosa que Landon conhecera em Hogwarts.

- Quem é o responsável pelos malditos elevadores do Ministério da Magia??? Eu não me importo em ser presa, mas tenho que explodir os olhos desse miserável!!!
avatar
Melissa Zummach

Mensagens : 60
Data de inscrição : 09/12/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Michaela Moccia em Seg Jan 30, 2017 12:57 am

O silêncio mortal que reinava na mesa quando Clementine voltou do banheiro fez com que ela travasse antes mesmo de voltar a assumir seu lugar ao lado de Nate. Suas mãos chegaram a apoiar na sua cadeira vazia, mas os olhos azuis observaram o assombro dos colegas.

Por um segundo completamente bobo, DiLaurentis chegou a acreditar que o motivo para o choque dos colegas tinha relação com o seu passado com o novo investimento da equipe. Era até presunção achar que sua vida amorosa pudesse ter algum impacto nos outros, mas o surgimento de Liam não permitia que ela pensasse com clareza.

Quando Clementine finalmente compreendeu que o real motivo daquele espanto era a disponibilidade de uma quantia ainda maior de dinheiro para pegarem um projeto diferenciado, ela deixou que seus olhos se fixassem em Rookwood.

Era fácil ser pega pela surpresa por rever Liam, mas conforme o tempo passava e Clementine voltava a pensar com clareza, ela começava a se perguntar se era mesmo apenas uma grande coincidência que logo a sua equipe fosse ser escolhida pelo herdeiro Rookwood para ser patrocinada. Afinal, ele havia deixado claro que tinha interesses pessoais em investir naquele projeto. Que outro interesse o ex-namorado poderia ter, a não ser voltar para assombrá-la, humilhando com aquela quantia obscena de dinheiro?

Muitos anos antes, Liam havia lhe humilhado em dizer que ela se tornaria uma mulher dependendo do dinheiro de algum marido rico. Mas depois de tanto tempo, Clementine acreditava que o ex-namorado havia seguido com a própria vida e se esquecido daquele relacionamento quando tinha todo o dinheiro do mundo para distraí-lo.

- Vocês estão falando sério? – Clementine tinha um sorriso descrente nos lábios quando se voltou para os colegas. – Egito?

- Por que não, Clemy? – Peter tentava controlar a própria empolgação. – Eu ainda tenho as anotações do meu pai, não estaríamos começando do zero como ele. Temos muito mais chance do que o trabalho em Brighton.

Como uma apaixonada pela história das runas, Clementine certamente ficaria tentada em mergulhar de cabeça naquela oportunidade. Só de pensar nos segredos que poderia descobrir e no impacto que poderia causar no mundo da magia, sua nuca formigava em empolgação. Mas aquilo também significava se vender para Liam, coisa que ela havia negado há tantos anos antes.

- Por que não? Você quer que eu enumere? – A loira se manteve de pé quando começou a apontar para cada um dos colegas. – Tessa, você estava começando a falar sobre ter um bebê! Como pretende fazer isso a quilômetros de distância de casa? E Brant, achei que seu namoro com o Oliver estivesse começando a ficar sério! E você, Pete? Você acabou de comprar um anel de noivado!

- Tessa vai estar trabalhando, não significa que ficará estéril, Clemy. E o Brant, assim como eu, pode vir aos finais de semana para visitar o Ollie e eu a Rachel. Podemos fazer escalar. Isso pode dar certo!

O silêncio que voltou a se instalar e as expressões dos colegas apenas reforçavam que cada um deles concordava com a defesa de Peter. E no fundo, Clementine também sabia que estava sendo injusta com os seus argumentos. O trabalho no Egito seria puxado e desgastante, mas não anularia a vida particular de cada um deles.

- Isso pode dar certo. – A voz séria de Nate soou ao seu lado quando ele tocou seu braço em um gesto carinhoso.

A loira soltou um suspiro de derrota e baixou o olhar para as próprias mãos, apoiada na cadeira. Era uma grande injustiça lutar contra aquela ideia por seus motivos pessoais. Se ela tinha um problema com Liam, não seria inteligente culpar os colegas pelo próprio passado.

Com os lábios espremidos, Clementine se manteve em silêncio por uma longa pausa antes de abrir um sorriso derrotado, jogando uma das mãos para o teto.

- Está bem. Se vocês estão mesmo tão certos disso quanto o Sr. Rookwood está disposto a torrar a própria grana, quem sou eu para discordar?
avatar
Michaela Moccia

Mensagens : 557
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Cameron Lahey em Seg Jan 30, 2017 1:37 am

Antes mesmo que as pálpebras de Landon tremessem e os olhos verdes fossem revelados, a dor se espalhou por todo o seu corpo como uma onda de choque, fazendo seu rosto se contorcer em protesto e um gemido escapar pelos seus lábios.

Quando o rosto de Melissa entrou em seu campo de visão, ele teve certeza de que estava sonhando. Então, se lembrou de quando a vira pela última vez no elevador. E não havia mais nenhuma lembrança depois daquilo.

Enquanto girava o rosto para tentar entender onde estava, sua mente reproduziu as imagens da queda do elevador. A forma com que a adrenalina correu em suas veias e o medo que sentiu ainda eram bem reais, mas não explicava onde Landon estava ou como fora parar ali.

Ignorando as reclamações da ex-mulher, Vanderwaal girou a cabeça para o lado até encontrar um porta retrato na mesinha de cabeceira. Na foto, Melissa se inclinava para frente, mantendo o corpinho de Leon seguro em seus braços enquanto os dois assopravam a vela de um bolo de aniversário. Na imagem em movimento, a chama da vela desaparecia no instante em que um grande sorriso aparecia no rostinho de um Leon com três anos de idade.

Landon nunca havia visto aquela foto antes, mas não teve mais dúvidas de onde estava. E aquela certeza o obrigou a se remexer na cama, interrompendo o movimento quando uma dor aguda o atingiu no quadril.

Assim como Melissa, Vanderwaal exibia as roupas sujas. Seus braços estavam ralados com um vestígio de sangue oculto pela grossa camada de poeira. Os cabelos perfeitos daquela manhã estavam opacos pela sujeira, assim como o seu rosto cheio de pequenos cortes. Um machucado mais profundo em seu queixo chamava a atenção, mas não era nada pior do que ele já não tivesse enfrentado antes.

- Um elevador não cai simplesmente. – Vanderwaal tossiu, precisando se inclinar de lado para conseguir respirar melhor.

Como um auror experiente de uma guerra, era pouco provável acreditar em um simples acidente dentro do ministério da magia. Claro que erros aconteciam, mas a segurança era reforçada em um prédio do Ministério da Magia.

- Não me surpreenderia se fosse uma sabotagem. Então sugiro que você guarde a sua varinha e deixe o trabalho com profissionais.

Uma ruguinha de dor ainda estava presa entre as sobrancelhas de Landon quando ele conseguiu apoiar as costas na cabeceira. Engolindo em seco, ele sentiu a própria garganta arranhar, mas se permitiu uma nova olhada ao redor, observando desta vez com mais atenção o quarto de Melissa.

Ele já havia pisado na casa de Zummach antes, mas nunca com ela em casa. E o quarto da ex-mulher definitivamente estava fora dos seus limites, que se resumia a sala ou a cozinha quando vinha pegar Leon na companhia apenas de Trudy.

Quando os olhos verdes voltaram a pousar em Melissa, sua expressão estava mais suave e Landon se permitiu esticar o braço até tocar o pulso dela, se aproveitando da proximidade.

Ele não se lembrava quando havia sido a última vez que se tocaram, da melhor ou pior forma. Mas seu corpo imediatamente se recordou daquele toque, provocando uma descarga elétrica pelas suas veias.

Quando os dedos de Vanderwaal giraram o pulso de Melissa, suas intenções ficaram claras ao revelar a ferida provocada pela porta do elevador. Mesmo que fosse ele sobre a cama depois de ter acordado de um desmaio, Landon ainda conseguiu direcionar os seus pensamentos para Zummach.

- Você está machucada. É melhor cuidar disso antes que fique uma cicatriz. – Sem se soltar dela, Landon buscou pelos olhos azuis, tentando ignorar a forma com que seu estômago dava cambalhotas. – Tem mais algum ferimento? Foi uma queda e tanto, você deveria procurar o St. Mungus.

Antes que Melissa pudesse sugerir que ele também deveria ter a atenção de um curandeiro, Landon se mostrou com uma rápida recuperação ao esticar o braço para alcançar um copo de água ao lado da fotografia de mãe e filho, dando um gole com os lábios ressecados.

- Não precisa se preocupar, já tive momentos muito piores que esse.
avatar
Cameron Lahey

Mensagens : 322
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Seg Jan 30, 2017 1:38 am

É claro que a presença de Clementine ainda afetava a mente de Liam, mas agora boa parte de seus pensamentos estavam concentrados unicamente na pesquisa das runas egípcias. Foi com uma expectativa indisfarçável que Mellish esperou ansiosamente pela resposta definitiva da equipe de Nathan e o sorriso do investidor se alargou de forma sincera quando o grupo concordou em mergulhar naquele projeto.

Se aquela pesquisa fosse finalizada, todo o mundo bruxo seria agraciado com os conhecimentos ocultos pelas runas. Aqueles feitiços desconhecidos poderiam ajudar muitas pessoas e mudar os paradigmas da magia atual. Embora Liam também levasse tudo isso em consideração, sua principal motivação para financiar aquele projeto era a recuperação de Cristopher.

Apesar de tudo, Mellish queria a felicidade do meio-irmão. Cristopher o humilhara por muitos anos, tentara atingi-lo com um Avada Kedavra e depois o torturara até a loucura. O filho legítimo de Augustus tinha se tornado um Comensal da Morte e levara dor e sofrimento a muitas pessoas inocentes durante a guerra. Mas nem por isso Liam julgava o meio irmão merecedor do destino infeliz que Cristopher tivera.

Como um típico lufano, Liam acreditava no arrependimento sincero do irmão e era capaz de perdoar Cris por todos aqueles erros. Cristopher fora obrigado a se desfazer de todo o orgulho e viu o próprio pai abandonando-o no pior momento de sua vida para transformar um bastardo em seu herdeiro legítimo. O sonserino teve que enfrentar a vergonha de ser salvo pelo irmão que sempre desprezara e agora vivia da caridade de alguém que tinha todos os motivos do mundo para ficar feliz com a sua derrocada.

Mais do que isso, era evidente que Cristopher tinha mudado depois de tanto sofrimento. Seus comentários ainda eram ácidos, mas agora eram mais divertidos do que propriamente maldosos. O filho de Augustus tivera que se tornar uma pessoa mais humilde agora que dependia de ajuda para tudo e finalmente enxergara que não ganhara nada com o comportamento hostil e orgulhoso do passado.

Exatamente por ter tanta certeza de que Cristopher jamais voltaria a ser o sonserino cruel e esnobe que circulava por Hogwarts, Liam estava convicto de que o meio-irmão merecia mais uma chance. Mesmo que uma boa parcela da fortuna dos Rookwood tivesse que ser gasta naquela missão, Mellish não mediria esforços na busca pela cura do irmão.

- Eu gostaria que vocês se organizassem para começar o quanto antes. – como um bom lufano, Liam era péssimo em esconder as próprias emoções e deixava mais claro a cada segundo que estava ansioso com aquela ideia – E eu também gostaria que ser informado sobre o progresso da pesquisa.

Ao notar como Mellish parecia sinceramente interessado no trabalho, Nathan arqueou as sobrancelhas e se arriscou naquele convite inesperado.

- Você realmente está interessado, não está? Gostaria de se juntar a nós? Como você pode ver, a equipe é pequena e qualquer ajuda seria mais que bem-vinda.

O convite de Lavane fez uma nova onda de silêncio se espalhar pela mesa. Os membros da equipe trocaram olhares surpresos antes de voltarem a atenção para o Sr. Rookwood. Liam ficou sem palavras nos primeiros segundos e, inconscientemente, seus olhos buscaram pela imagem de Clementine.

Era óbvio que a ex-namorada não aprovaria o envolvimento direto dele na pesquisa. DiLaurentis parecia incomodada em aceitar até mesmo a participação indireta que Mellish teria através do investimento financeiro. Mas a proposta de Lavane era tentadora.

Liam estava farto da vida vazia de um empresário que administrava uma fortuna infindável. O lufano sentia falta de trabalhar de verdade, de sentir orgulho dos próprios projetos e aquela aventura poderia tirá-lo da rotina nada emocionante de um senhor da alta sociedade. Cristopher precisava dele, mas Barrie já estava bastante habituado a cuidar do rapaz e poderia assumir aquela responsabilidade por alguns dias.

- Bom... eu teria que organizar algumas coisas antes, resolver algumas pendências. Mas acho que consigo tirar alguns dias para ajudá-los. – os olhos castanhos deslizaram pela mesa, demorando um tempo maior em Clementine – Se todos concordarem, é claro.
avatar
Liam Mellish

Mensagens : 158
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Michaela Moccia em Seg Jan 30, 2017 2:29 am

Se todos estavam empolgados com a simples ideia de ir ao Egito, a companhia de Liam Rookwood atingiu o nível máximo de empolgação da equipe de Lavane de um modo que, nem que tentasse, Clementine conseguiria convencer alguém de que aquela era uma péssima ideia.

No fim das contas, ela não teria argumentos tão válidos ao ponto de descartar a possibilidade da companhia do ex-namorado. Não sem trazer à tona o passado conturbado dos dois. Por isso, Clementine deixou que os colegas falassem por ela e simplesmente repetiu o mesmo sorriso forçado de antes, aceitando a sua derrota.

Tudo o que Nathan precisou foram de algumas poucas semanas e uma tonelada de relatórios para fechar todas as pendencias para levar a equipe até o Egito. O dinheiro definitivamente tinha uma grande influência na agilidade e qualidade daquele resultado, e por mais que ainda sentisse como uma mercadoria sendo paga por Rookwood, DiLaurentis precisou admitir que estava impressionada.

As instalações da equipe ficavam há quase uma hora de caminhada do Cairo, mas aquela distância era suficiente para fazer o visual ser absurdo. A tenda de lona montada em meio ao deserto parecia prestes a desmontar com o vento, mas os feitiços garantiriam que ela permanecesse inteira por dias.

A areia era grossa e afundava quando Clementine caminhava com as botas próprias para aquele ambiente. A calça cargo tinha o mesmo tom da lona que arquitetava a barraca e a regata branca era justa, realçando a barriga reta e os seus mais fartos da loira. Para minimizar os problemas com o vento, os fios loiros foram presos em uma trança e os óculos de sol protegiam a claridade do sol do Egito.

A tenda que serviria como abrigo e local de trabalho nos próximos dias parecia uma grande piada em meio ao deserto, mas no instante em que pisou em seu interior, não restou dúvidas de que era uma tenda mágica.

O local conseguia ser ainda maior do que o apartamento de Clementine. A sala era ocupada por sofás e poltronas. Mesas estavam espalhadas para todos os lados, equipadas com pergaminhos, tintas, penas e todo o material que eles precisariam para as pesquisas. A cozinha ficava logo em seguida, acoplada com a sala, e as portas que se enfileiravam provavelmente levavam aos quartos e ao banheiro.

- Sem cerveja? – Brant protestou, já reconhecendo o território da cozinha.

- Lembrem-se que estamos aqui a trabalho. Não estamos de férias, Brant, e o Rookwood não gastou a grana dele para você pensar que estar em algum resort.

A repreensão de Nate soou às costas de Clementine quando o chefe também entrou na tenda, carregando a própria mochila pesada em um dos ombros. O editor ficaria apenas nos primeiros dias antes de retornar a Londres e esperava que, até seu último dia, tivesse a resposta formal da loira de que assumiria a equipe em sua ausência.

- Não me leve a mal, Nate... – Clementine deixou a própria mochila escorregar até alcançar seus pés no piso reto da tenda, sem menor vestígio da areia que ocupava toda a paisagem lá fora. – Mas não vi nada além do deserto por aqui. Tem certeza que estamos no lugar certo?

A resposta que soou em seguida não foi da boca de Nathan. E DiLaurentis mais uma vez sentiu seu estômago afundar ao reconhecer Liam ao lado de Peter. Os dois vinham andando há alguns metros de distância, mergulhados em assuntos sobre as pesquisas do Sr. Montgomery e do que esperavam para as descobertas dos próximos dias.

- Não poderíamos estar em um lugar melhor. O templo em que meu pai trabalhou fica há menos de dez minutos daqui.

- Você tem certeza? – Tessa arqueou as sobrancelhas, se jogando em um dos sofás com uma garrafa de água em mãos. – Porque a Clemy está certa desta vez. Não vi nada além de areia.

- O templo só se abre diante dos olhos de um bruxo quando estiver exatamente em sua porta. É por isso que vocês não viram ainda. Mas ele está... – Peter abaixou a cabeça para olhar o mapa em suas mãos, carregando um objeto enferrujado que parecia uma bússola. – Naquela direção, exatos dez minutos.

- Impressionante. – Brant enrugou o queixo e também se jogou em uma das poltronas. – Ao trabalho, então?
avatar
Michaela Moccia

Mensagens : 557
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Seg Jan 30, 2017 2:32 am

- Não seja ridículo, eu estou bem. – Melissa bufou com sua típica personalidade ácida – Quem desmaiou foi você, lembra? Está falando sério sobre essa história de sabotagem ou só bateu a cabeça com muita força?

A ideia de sabotagem poderia parecer um delírio de perseguição de um velho combatente de guerra. Todos sabiam que os aurores tinham enfrentado os piores horrores durante várias batalhas e Alastor Moody era o protótipo de auror maluco que via ameaças até mesmo em um pingo de chuva que atingia a ponta de seu nariz afilado.

Mas naquele dia Melissa foi obrigada a concordar com o ex-marido. Depois de Hogwarts, o prédio do Ministério da Magia era o local mais seguro da Inglaterra. Não parecia aceitável que um elevador simplesmente desabasse depois de atingir o piso mais elevado. Os elevadores eram movimentados por magia, então não havia sequer a desculpa de falha de manutenção.

Com aquela hipótese se tornando cada vez mais plausível na sua mente, Zummach não deu tanta importância aos próprios ferimentos. Aqueles cortes e arranhões poderiam ser curados com uma simples poção, mas a ideia de que fora vítima de um atentado era bastante indigesta e não poderia ser resolvida com tamanha facilidade.

- Deveriam ter três aurores naquele elevador.

Os olhos azuis brilhavam enquanto a mente de Melissa trabalhava agilmente naquela argumentação. A garota estava tão concentrada naquele dilema que sequer afastou seu braço do toque do ex-marido.

- Se não fosse pela palhaçada do Black, você, ele e o Potter estariam naquele elevador, Landon. Não acho que seria só uma infeliz coincidência.

A guerra havia acabado há quase cinco anos, mas não era possível dizer que a paz reinava no mundo da magia. Muitos seguidores de Voldemort continuavam foragidos, muitas pessoas que colaboraram de alguma forma com os Comensais da Morte ficaram impunes por falta de provas concretas. E também restaram familiares e amigos dos comensais que nutriam uma grande aversão contra os aurores que mataram ou trancafiaram os derrotados em Azkaban.

Enfim, ainda havia muita gente que colecionava motivos para querer matar aurores. E para Melissa era óbvio que aquele atentado fora planejado contra Landon, e não contra ela. Zummach não passava de uma simples jornalista esportiva, suas publicações não eram polêmicas e nem atingiam os patamares mais poderosos da política. Além disso, praticamente ninguém sabia que ela estaria no Ministério da Magia naquela manhã. Se alguém quisesse matá-la, certamente o atentado teria acontecido na sede do Profeta Diário.

- Se alguém conseguiu fazer isso dentro do Ministério da Magia, os aurores precisam tomar medidas drásticas e emergenciais! Isso é muito grave, Landon!

A ideia de que havia alguém planejando a morte de Vanderwaal era mais que o suficiente para deixar Melissa aflita. Apesar da briga e do divórcio, Zummach não era indiferente ao ex-marido. Leon era perdidamente apaixonado pelo pai e sofreria demais se o perdesse. Mas a grande verdade era que não era somente o filho que ficaria arrasado com a morte de Landon.

A garota pretendia insistir na ideia de que os aurores tinham que agir imediatamente, mas sua argumentação ficou presa na garganta no instante em que seus ouvidos captaram o som de passos adentrando o quarto. Leon parou na porta e arregalou os olhinhos verdes diante daquela cena. Para ele que nunca havia visto os pais juntos, era muito estranho encontrar Landon deitado na cama de Melissa, com os dedos envolvendo o punho da ex-mulher. Como se não bastasse aquela novidade, Leon também se assustou em ver os dois adultos imundos e cobertos por cortes e hematomas.

- Mamãe?

- Está tudo bem, querido. O papai e eu caímos num buraco estúpido, mas agora está tudo bem.

O sorriso doce que Melissa dirigiu ao filho tinha o objetivo de tranquilizá-lo. Leon realmente pareceu menos aflito quando correu e se acomodou nos braços da mãe, recebendo um beijo carinhoso no topo dos cabelos castanhos. O comportamento dócil do garotinho refletia a criação amorosa que ele recebia em casa, mas era a primeira vez que Landon via com seus próprios olhos que Zummach tinha se tornado uma mãe responsável e doce, completamente diferente da maluca que há dois minutos queria estourar os olhos do responsável pelo elevador.

- Tá dodói, papai? – o indicador minúsculo de Leon apontou para o ferimento mais profundo no queixo de Vanderwaal.

- Foi um tombo feio. – Melissa mantinha o sorriso tranquilo para que o filho não fosse contagiado pelas preocupações dos adultos – Mas a Trudy já foi separar umas compressas e pegar um potinho de poção. Logo o papai vai ficar inteiro de novo. Quer ajudar?

A cabecinha de Leon se moveu num exagerado movimento positivo antes que Melissa o acomodasse ao lado de Landon. Sem cerimônia, Melissa se arrastou até a ponta do colchão e começou a desamarrar os coturnos que compunham o uniforme do auror. Diante do olhar surpreso do ex-marido, Zummach girou os olhos enquanto se dirigia ao filho com uma entonação divertida.

- Leon, diga ao papai quais são as regras da cama da mamãe.

- Não pode comer doce na cama da mamãe. E também não pode espalhar meus brinquedos no colchão e nem pisar no lençol com sapato sujo. – a boquinha de Leon se abriu em surpresa quando ele finalmente viu que Landon quebrara uma regra – Sapato sujo! Não pode, papai!

O garotinho franziu as sobrancelhas de forma adorável quando se deu conta de que não eram apenas os sapatos de Vanderwaal que estavam imundos. Era triste pensar que aquela cena doce era inédita, mas teria sido a rotina de uma família feliz se não fosse pelo fim do casamento há cinco anos.

- Mas mamãe... o papai está todo sujo.

- É. – Melissa não conseguiu conter um sorriso mais meigo diante da argumentação esperta do garotinho – Terei que criar uma nova regra. Pessoas todas sujas precisam tomar um banho antes de descansarem na minha cama. – a dona da casa indicou uma porta entreaberta para o ex-marido – Tem toalhas limpas no armário, Landon. Consegue levantar?
avatar
Melissa Zummach

Mensagens : 60
Data de inscrição : 09/12/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Cameron Lahey em Seg Jan 30, 2017 3:02 am

A testa de Landon estava encostada contra o azulejo frio e sua cabeça voltada para baixo permitia que ele enxergasse a água turva que escorregava pelo seu corpo até desaparecer pelo ralo entre seus pés.

Com o passar do tempo, a camada de poeira foi se desfazendo e a água ficando mais clara, tornando ainda mais visíveis os cortes espalhados pelos braços e rosto de Vanderwaal. Quando o registro do chuveiro foi fechado e a toalha limpa puxada para ser enrolada em sua cintura, Landon já parecia outra pessoa.

Um galo em sua cabeça indicava o local onde fora atingido, provavelmente o que causara o seu desmaio. Aquilo certamente provocaria uma dolorosa enxaqueca, mas nada que não fosse resolvido por uma poção curativa. Os cortes limpos também ardiam um pouco, mas a dor era quase insignificante para um auror.

Quando Landon parou em frente ao espelho, encontrou o próprio corpo molhado e as marcas daquele acidente. As palavras de Melissa ainda ecoavam em sua mente com a certeza de que logo iniciaria um processo de investigação no Ministério da Magia para apurar as reais causas que levaram o elevador a despencar.

Mesmo com o fim da guerra, o rapaz não se sentia tão convicto para acreditar em um mero acidente. Mas também não pretendia insistir naquela teoria diante de Melissa. A ex-mulher era inteligente e corajosa, mas ainda era uma civil que não deveria se envolver em problemas de segurança que cabiam única e exclusivamente ao ministério.

A calça encardida foi enfiada pelas pernas de Landon, mas ele fez uma careta diante da camisa que usava. Em algum momento, Melissa se livrara do casaco que ele vestira naquela manhã, de forma que a camisa branca estava completamente exposta com a sujeira.

Certo de que encontraria o quarto vazio, Landon saiu do banheiro ainda com o peito nu e encharcado. A cicatriz próxima ao seu umbigo estava seca e de uma cor diferenciada, que mostrava não ter sido fruto do incidente daquele dia. Além do mais, todo o restante do peito de Landon estava livre de cortes, exibindo apenas áreas avermelhadas que logo ficariam roxas.

A ideia era apenas atravessar o quarto de Melissa para encontrar o seu casaco na esperança de que a peça estivesse mais limpa que aquela camisa. Mas Landon travou no instante em que pisou novamente nos aposentos da ex-mulher e a encontrou lá.

Leon não estava mais presente, e a julgar pelos ruídos de panelas e o cheiro de uma apetitosa sopa, ele provavelmente fazia companhia para Trudy na cozinha.

Landon parou ainda próximo da entrada do banheiro, mantendo a camisa amarrotada presa em uma das mãos. Ele tentou ignorar o constrangimento de ser visto daquela forma, tentando se convencer de que os dois eram adultos e não haveria motivos para dramas.

- Ele não ficou assustado, não é?

Como o único assunto que Mel e Landon tinham em comum era o filho, Zummach não precisaria de maiores detalhes para saber que “ele” era Leon.

Os cabelos molhados de Landon ainda pingavam em seus ombros e ele tentava a todo instante ignorar o fato de que estava no quarto de Melissa, há poucos metros de distância dela, com o perfume de maçã verde impregnado em cada objeto daquele cômodo.

Nem mesmo o passar dos anos foram capazes de fazer seu coração saltitar daquela forma, mas seu lado racional insistia em dizer que seu único relacionamento com Melissa dizia respeito ao filho que tinham em comum. Ela estava seguindo com a própria vida e ele também tinha uma namorada. Era desrespeitoso e quase infantil agir como um adolescente apaixonado outra vez.

- Escute, Melissa... Esqueça essa ideia que falei sobre um atentado, tá legal? O ministério irá investigar e tomará as devidas medidas. O que realmente importa é que não aconteceu nada pior com você ou comigo. E nós dois ainda estamos aqui para o Leon.
avatar
Cameron Lahey

Mensagens : 322
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Seg Jan 30, 2017 3:24 am

O primeiro dia de trabalho no Egito foi absurdamente pesado. Além do trabalho que o grupo teve com a instalação da tenda e com a organização do interior da enorme barraca, foi muito desgastante caminhar sob o sol escaldante do Egito até encontrar o templo mencionado por Peter Montgomery. O rapaz realmente estava certo em afirmar que a construção ficava perto da tenda, mas os poucos minutos de caminhada foram muito cansativos e o calor insuportável obrigava a equipe a parar várias vezes o trabalho no interior do templo para procurarem água ou sombra.

Naquele primeiro dia, foi feito basicamente um trabalho de reconhecimento da área. Algumas fotos foram tiradas, algumas áreas mais promissoras foram isoladas. O templo abandonado era enorme e possuía uma fachada impecável, mas seu interior infelizmente não estava tão bem conservado. Várias paredes de pedra tinham cedido depois de milhares de anos e agora aqueles desmoronamentos milenares escondiam boa parte das informações que a equipe de Lavane buscava. Isso sem mencionar a generosa camada de areia que cobria tudo ao redor.


Como tinha um objetivo muito bem definido com aquela viagem, Mellish estava se esforçando para que a presença de Clementine não o distraísse. Durante a maior parte do tempo, Liam ficara próximo a Montgomery e dividira com o novo colega suas opiniões sobre a longa pesquisa que estava por vir.

Quando o sol começou a se esconder na linha do horizonte, Nathan sugeriu que o grupo retornasse para a tenda. Eles ainda não conheciam o tempo com tamanha segurança para transitar por ali à noite e era melhor que descansassem e registrassem suas primeiras opiniões sobre o local antes de retornarem na manhã seguinte.

De volta à barraca, Rookwood desabou sobre um dos sofás. Suas pernas estavam moles e doloridas depois de tantas horas de trabalho pesado e, com uma careta, Liam se repreendeu por ter deixado seu corpo tão mal acostumado com o trabalho fácil dos últimos anos.

Num gesto cavalheiresco, os rapazes permitiram que Teresa e Clementine fossem as primeiras a tomar banho e, como estava tão exausto, Mellish não fez a menor questão de se levantar do sofá até que o banheiro ficasse totalmente disponível.

Por isso, já era tarde da noite quando o lufano retornou para a área comum da barraca já de banho tomado. Os cabelos castanhos ainda estavam úmidos e arrepiados depois de terem sido secados displicentemente com uma toalha. A calça de moletom preta era confortável, assim como a camisa de algodão acinzentada. A escolha das roupas mais simples fazia com que Liam se encaixasse melhor naquele grupo, distanciando-o da imagem de um membro da alta sociedade bruxa.

A maior prova de que Mellish não era a única pessoa exausta naquela equipe veio quando ele encontrou a tenda vazia. Um ronco mais forte vinha de uma das portas que davam acesso aos quartos, mas Liam não saberia dizer quem era o dono daquela garganta potente.

Mellish passou pela cozinha apenas para encher um copo com água, mas ao invés de procurar por um quarto vazio o herdeiro dos Rookwood ocupou uma das cadeiras ao redor da mesa de estudos. Seu corpo estava cansado, mas a mente continuava alerta e desperta com a ansiedade daquela missão.

Ainda era cedo demais para que surgissem resultados, mas Liam não conseguiu a tranquilidade necessária para adormecer naquela noite. Ao invés disso, o rapaz acendeu a lamparina sobre a mesa e puxou para si as fotos tiradas por Brant naquele dia. O rapaz havia fotografado praticamente todos os cantos do templo, mas foi a foto de uma grande parede de pedra coberta por símbolos que atraiu a atenção de Rookwood.


É claro que Liam não tinha a ilusão de encontrar ali a solução para o problema de Cristopher. Certamente os maiores segredos do templo estavam muito bem escondidos e não expostos em uma parede externa. Mas ainda assim Mellish achou que valia a pena perder alguns minutos naquela tradução.

Um livro pesado de Runas Antigas foi aberto e o lufano começou a buscar pelos símbolos encontrados na foto de Brant. Liam já estava no meio daquela tradução – que era basicamente uma espécie de oferenda aos deuses egípcios – quando escutou passos às suas costas.

O coração do rapaz acelerou antes mesmo que ele se virasse e reconhecesse os traços da ex-namorada, como se seu corpo reagisse de forma independente à presença de Clementine. Mesmo que os dois tivessem passado o dia juntos no templo, a divisão dos grupos permitiu que eles evitassem qualquer tipo de conversa. Naquela madrugada, contudo, não havia como fugir de um diálogo.

- Eu acordei você?

Mellish estava estudando silenciosamente, mas o dedo dele apontado para a luz da lamparina indicava que a claridade da tenda poderia ter incomodado o sono da ex-namorada.

A maior prova de que Liam realmente tinha uma forte motivação pessoal para mergulhar naquela missão estava ali. Enquanto todos dormiam, o herdeiro dos Rookwood era o único que continuava desperto, concentrado no trabalho que levara a equipe até o Egito. O comportamento de Mellish afastava a hipótese de que ele só entrara naquele grupo por causa da ex-namorada. Liam realmente deveria ter uma razão muito forte para deixar para trás o conforto de sua mansão para perder noites de sono em uma tenda no meio do deserto.

- Eu vou levar a lamparina para o quarto. Desculpe, Clementine.
avatar
Liam Mellish

Mensagens : 158
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Michaela Moccia em Ter Jan 31, 2017 1:29 am

A noite em meio ao deserto costumava ser absurdamente fria, e a julgar pela lona da tenda que balançava, o vento lá fora contribuía para diminuir a temperatura ainda mais. Apesar do material aparentemente frágil que agora servia como teto para a equipe de Nathan, os feitiços permitiam que a estrutura continuasse tão firme quanto concreto e não permitia que a sensação térmica externa invadisse e incomodasse seus habitantes.

Depois de um longo banho quente para relaxar os músculos doloridos de um pesado dia de trabalho, Clementine foi em busca de alguma fruta que enganasse seu estômago para se manter em pé por mais algumas horas. A intenção era permanecer acordada, distraindo a sua mente com algum livro leve até que o sono a vencesse.

Sua cabeça cansada da agitação daquele dia quase se esqueceu da presença de Liam há poucos metros de distância. Claro que estar próxima a ele, mesmo que cada um ocupado com suas próprias tarefas, não era algo simples a ser feito. Mas ela chegou a acreditar que contaria com a sorte mais uma vez, mesmo naquele espaço mais restrito da tenda.

Quando Rookwood entrou em seu campo de visão, já era tarde demais para recuar. Seu impulso poderia ter pedido que ela fosse embora no instante em que o encontrou no Caldeirão Furado, mas eles já estavam em uma situação completamente diferente para que Clementine tentasse evita-lo agora.

Um dos detalhes que mostravam que Clementine não esperava encontrar o ex-namorado acordado tão tarde da noite estava em seus próprios trajes. O short do pijama era de um azul claro, enquanto o blusão tinha o mesmo tom de azul do uniforme da Corvinal. As mangas longas tinham sido repuxadas até a altura dos cotovelos, deixando exposto o elástico de cabelos preso em seu pulso. Os fios loiros já estavam quase secos depois do banho e caíam lisos em seus ombros.

Em um gesto inconsciente de insegurança, Clementine cruzou os braços contra o peito e desviou o olhar para a cozinha, sem conseguir encarar Liam quando finalmente lhe dirigiu a palavra, pela primeira vez em anos.

- Eu não estava dormindo.

Sem maiores explicações, ela caminhou até a cozinha acoplada junto a sala, se aproveitando da desculpa de vasculhar a fruteira para dar as costas a Liam.

Era impossível ignorar o formigamento em sua nuca apenas por ter consciência da presença dele. E era ainda mais desconfortável agir como dois completos estranhos depois de terem vivido tantos dias felizes juntos. Mas DiLaurentis se obrigava a lembrar que aqueles dias não tinham significado nada para Liam, que trocara o relacionamento dos dois por um sobrenome e um cofre de galeões.

A presença de Rookwood no Egito ainda era um mistério para Clementine, mas ela não se permitia perder tempo algum pensando nos motivos do ex-namorado. Além do mais, cada vez que deixava seus pensamentos vagarem por aquele caminho perigoso, DiLaurentis sempre chegava a conclusão de que Liam estava apenas querendo exibir a sua fortuna, mostrando a ela que, no final das contas, dependia de um homem rico.

Era preciso um grande esforço para continuar naquele espaço restrito com Liam por perto, mas Clementine tentava agir naturalmente ao mesmo tempo que tentava se manter distante.

Um copo de suco foi servido sobre a bancada que separava a estreita cozinha da sala abarrotada de sofás e mesas de trabalho. Enquanto o barulho do pacote de torradas sendo aberto ecoava pela tenda, a menina voltou a erguer o olhar na direção de Rookwood.

Cada fibra do seu corpo lutava para que ela permanecesse calada, terminasse de preparar o seu lanche e se recolhesse em seu quarto. Mas Clementine sabia que ficaria se revirando na cama, consciente demais que Liam estava há poucos metros de distância. Por isso, antes mesmo que pudesse pensar em frear a própria língua, as palavras saltaram de sua boca.

- O que você está fazendo aqui, Liam?

Clementine largou o pacote de torradas e esticou a palma da mão para o teto de lona. Mas sua entonação deixava óbvio que ela não se referia apenas a sala.
avatar
Michaela Moccia

Mensagens : 557
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Ter Jan 31, 2017 2:32 am

Quando Landon retornou ao quarto, já encontraria uma Melissa menos desconjuntada. A dona da casa também havia aproveitado os últimos minutos para se limpar e para trocar as roupas formais por um vestido mais confortável. A maior parte dos cortes e arranhões já estavam perfeitamente cicatrizados, num sinal claro de que Zummach também já havia feito uso de uma dose da poção curativa.

Os cabelos escuros foram presos em um rabo de cavalo alto, o penteado realçando com ainda mais nitidez os traços delicados do rosto de Melissa. Sem a maquiagem que usava no começo daquela manhã, a jornalista se tornava ainda mais parecida com a menina com quem Landon se casara há mais de cinco anos.

Como a própria varinha se perdera durante o acidente no elevador, Zummach empunhava novamente a varinha do auror quando Landon pisou no quarto. Embora os dois tivessem varinhas bem distintas, a magia de Melissa não se abalava com aquela troca. De forma natural, a garota usava um feitiço para trocar os lençóis sujos por peças impecavelmente limpas.

- Ele está bem. O Leo ainda é pequeno demais para entender a gravidade da situação e realmente acha que foi só um tombo bobo.

Era um alívio saber que Leon continuaria tendo dias tranquilos e inocentes, sem imaginar que existia alguém lá fora disposto a tirar a vida do seu pai. Mas Melissa não tinha o mesmo consolo e não pretendia negar que Vanderwaal estava em perigo.

- Você realmente se esqueceu de mim, não é?

Aquela frase fora de contexto soava como um desabafo sobre o relacionamento que havia chegado ao fim com o divórcio. Quando escutou as próprias palavras e percebeu a interpretação equivocada que poderia ser feita por Landon, Melissa se apressou em explicar sua argumentação.

- Se você se lembrasse de como eu sou, não estaria sugerindo que eu esquecesse algo tão sério. Eu não vou fingir que isso não aconteceu, Landon. Eu não sou indiferente a isso. Alguém tentou matar o pai do meu filho e qualquer coisa que atinja o Leon é importante para mim.

Quando se aproximou de Landon com um frasco de poção curativa nas mãos, Zummach se esforçava para manter a racionalidade. Seu coração saltitava dentro do peito e os olhos azuis deslizavam pelo tronco exposto do ex-marido com uma insistência que não deveria existir agora que eles estavam separados e seguiam por caminhos distintos.

Melissa repetia mentalmente para si mesma que estava fazendo por Vanderwaal a mesma coisa que faria com qualquer outra pessoa que estivesse tão ferida sob o seu teto. Mas, apesar do pensamento racional, era impossível ignorar o calor que se espalhou pelo corpo dela quando Zummach molhou um chumaço de algodão com a poção e começou a espalhar o líquido nos ferimentos recentes do ex-marido.

- Eu não vou fazer nenhuma besteira, ok? – os olhos azuis buscaram pelos verdes, mas Melissa não interrompeu os movimentos dos dedos que limpavam as lesões espalhadas pelo corpo de Landon – Não vou bancar a heroína grifinória e tentar salvar o dia. Mas também não me peça para esquecer este incidente e continuar com a minha vida como se isso não me preocupasse.

Depois de cinco anos sem nenhum contato com Landon, a última coisa que Melissa planejava quando saiu de casa naquele dia era terminar a manhã com o ex-marido em seu quarto, sem a camisa, recebendo seus cuidados. Era como voltar no tempo para a época em que a Sra. Vanderwaal esperava que o auror voltasse das batalhas para cuidar de seus ferimentos.

- Eu quero que me mantenha informada sobre o progresso das investigações e também estou disposta a ajudar no que for necessário. As coisas não deram certo pra gente, Landon, mas eu jamais teria a audácia de dizer que você não é um bom pai. E eu não quero que o Leon perca isso.

Os movimentos dos dedos de Melissa foram interrompidos quando a garota chegou à cicatriz antiga no abdome do auror. Todos os outros ferimentos já começavam a cicatrizar graças ao efeito da poção, mas aquela cicatriz já estava seca e fechada, indicando que a lesão não havia sido provocada pela queda do elevador. Zummach não precisou de muito tempo para se lembrar da batalha na qual Landon fora ferido, poucos meses depois da assinatura do divórcio.

Como já tinha se livrado dos saltos e agora usava um par de sapatilhas baixas e confortáveis, Melissa foi obrigada a erguer os olhos para encarar o rosto do ex-marido. O coração que pulsava em sua garganta provava que Zummach ainda não era indiferente a Vanderwaal, assim como a voz que soou num sussurro, como se entoasse o mais profundo dos segredos.

- Só me prometa que vai tomar cuidado... Eu preciso saber que você vai ficar bem, Landon.
avatar
Melissa Zummach

Mensagens : 60
Data de inscrição : 09/12/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Ter Jan 31, 2017 10:48 pm

- Eu estou traduzindo os símbolos das fotos tiradas pelo Brant hoje. Nada interessante, é claro. As informações mais valiosas certamente estão escondidas. Mas eu estava sem sono e achei que podia me aquecer com uma tradução mais simples. Eu não tenho contato com Runas Antigas desde a época de Hogwarts, então estou meio enferrujado.

O herdeiro dos Rookwood indicou o dicionário de símbolos com um movimento de cabeça, justificando a presença do livro sobre a mesa de estudos com um sorriso sem graça. A equipe de Nathan certamente não precisava daquele tipo de auxílio para fazer uma tradução simples. Mas, ao contrário dos demais habitantes daquela tenda, Liam Mellish não era um especialista no assunto.

Apesar da resposta vaga e profissional, Liam sabia muito bem que não era aquilo que Clementine queria saber. Era bastante estranho aos olhos de todos que o dono da fortuna dos Rookwood deixasse para trás o conforto e o luxo de sua missão para passar uns dias no Egito, dividindo uma tenda com um grupo de pesquisadores que não pertenciam a sua classe social.

Para a ex-namorada que tinha uma imagem tão negativa dele, deveria ser ainda mais bizarro ver Mellish naquele contexto. O rapaz frio que deixara DiLaurentis para assumir a herança dos Rookwood não parecia ter nenhuma razão para perder seu tempo naquele lugar. Um empresário não teria nenhum lucro naquela aventura, ali Liam não encontraria nenhum luxo ou bajulação. Parecia uma grande perda de energia e dinheiro para uma mente focada exclusivamente em bens materiais.

A nobre verdade que levara Liam até o Egito desconstruiria a imagem podre que ele deixara na memória de Clementine. Contudo, a ex-namorada jamais poderia saber que Mellish tinha motivações pessoais para buscar por um milagroso contra-feitiço de maldições das trevas. Aquela revelação colocaria em risco o segredo de Cristopher e poderia condenar o sonserino a Azkaban.

Por mais que soubesse que o meio-irmão merecia aquela punição depois de tantos erros, Liam o perdoara sinceramente e acreditava que Cris já tinha sido suficientemente punido nos últimos anos. Só o fato do esnobe filho de Augustus Rookwood ter se tornado uma pessoa mais dócil e humilde já mostrava que Cristopher tinha se redimido dos erros do passado.

- Eu estava entediado.

Ao perceber que Clementine não ficaria satisfeita com aquela resposta vaga, Mellish tentou ser mais convincente em suas explicações. A loira não podia saber a verdade sobre Cristopher, então cabia a Liam a tarefa de afastar da mente de DiLaurentis qualquer desconfiança. E a melhor maneira de fazer isso parecia ser reforçando a ideia negativa que a ex-namorada já tinha sobre ele.

- Você também já foi rica, então deve ter passado por esta crise em algum momento. A vida perde um pouco da graça quando todos os seus desejos são concretizados com um estalar de dedos. Então eu achei que seria divertido viajar, passar por algumas dificuldades, conhecer uma nova cultura, conviver com pessoas normais.

Embora tentasse soar como o mesmo cara frio e materialista que Clementine vira no casamento de Landon e Melissa, Liam se parecia muito mais com o lufano que a loira conhecera em Hogwarts. Aquelas palavras soavam vazias e não combinavam com o brilho suave dos olhos castanhos. A postura de Mellish não era mais altiva e orgulhosa como no dia em que o namoro com DiLaurentis chegara ao fim.

- E eu também queria ter certeza de que vocês estão levando o projeto a sério, afinal estou investindo pesado nesta pesquisa. O Lavane me prometeu uma porcentagem nos lucros e o nome da empresa nas publicações. Só quero ter certeza de que não vou emprestar o meu sobrenome para um fiasco.

Na cabeça de Liam, se Clementine pensasse que ele ainda agia como um herdeiro esnobe e excêntrico, o grande segredo que mantinha Cristopher vivo, saudável e livre continuaria a salvo. Apenas por isso, Mellish forçou um sorriso mecânico antes de dar de ombros.

- Mas se a minha presença te incomoda, fique sossegada. Logo eu vou me entediar aqui também e vou sentir falta da minha mansão, das festas luxuosas e das bajulações.
avatar
Liam Mellish

Mensagens : 158
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Cameron Lahey em Ter Jan 31, 2017 11:55 pm

Landon podia sentir toda a sua pele formigando, consciente de que não era apenas o efeito da poção curativa que Melissa espalhava, obrigando as feridas a repuxarem até se fechar por completo. A respiração difícil também era um efeito colateral da proximidade da ex-mulher e todos os seus sentidos reagiam de uma forma tão intensa que Vanderwaal se assustava.

Muito tempo havia se passado desde que encontrara Melissa, mas exatamente pelos anos que separavam o último beijo, ele poderia jurar que não voltaria a reagir da mesma forma como nos primeiros contatos do casal no campo de Quadribol.

Mesmo que de uma forma não muito prática, o casal já havia encontrado uma forma de lidar durante todo aquele tempo sem precisar de um confronto físico. Agora que se sentia inebriado pelo perfume de maçã-verde, Landon sabia que ele apenas havia camuflado os seus sentimentos, que agora transbordavam apenas por estar diante das íris castanhas de Zummach.

O lado racional do auror lhe obrigou a enfatizar que o seu papel naquela casa era apenas do pai de Leon. Mas por mais que aquela atitude o tornasse novamente em um adolescente bobo e apaixonado, era impossível controlar o calor gostoso que se espalhava pelo seu peito ao ouvir de Melissa que, de alguma forma, ele ainda era importante para ela.

Com a mesma intensidade, os olhos verdes cravaram nas íris castanhas e Landon não ousou desviar, com medo de que qualquer mínimo distanciamento pudesse arruinar aquele momento e obrigar os dois a voltar para o limbo em que não passavam de dois meros conhecidos.

- Eu sou um auror, Mel.

Os lábios de Landon se curvaram em um sorrisinho torto quando as palavras soaram sussurradas. Seu pescoço estava inclinado para baixo, sustentando o olhar dela e concentrado nas discretas alterações que o tempo havia provocado nos traços bonitos e maduros.

- Isso quer dizer que eu sempre vou tomar cuidado. Da mesma forma que significa que nunca vou estar bem.

As íris esverdeadas passeavam de um olho ao outro de Melissa, e sem perceber, Landon deixou seu corpo se inclinar para frente. Ele ainda sentia o toque de Zummach em uma das feridas cicatrizadas de seu braço quando ergueu a mão para tocar os cabelos dela.

A simples sensação de rever a textura dos fios castanhos provocou uma descarga elétrica em seu corpo e esvaziou a mente de Landon de qualquer razão que o obrigasse a parar. Se ele agora era um rapaz comprometido com outra mulher ou se Melissa estava em um novo relacionamento, era algo completamente indiferente. Nem mesmo a presença de Leon e Trudy na casa foram suficientes para despertá-lo de volta a realidade.

- Eu prometo que vou me manter em segurança se você também prometer ficar fora desse assunto, Mel.

Os dedos de Vanderwaal deslizaram até tocar o queixo de Zummach. Apenas com o indicador e o polegar, ele sustentou o rosto dela, impedindo de se afastar ou virar o olhar.

A consciência de que ele havia arruinado tudo no passado era a única coisa que impedia Landon de voltar a tocar os lábios de Melissa da mesma forma que desejava desesperadamente.

- Eu já estraguei as coisas uma vez. Mas nunca deixou de ser minha responsabilidade manter você e o Leon em segurança.
avatar
Cameron Lahey

Mensagens : 322
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Michaela Moccia em Qua Fev 01, 2017 12:34 am

Clementine não sabia o que tinha em mente quando deixou que sua boca assumisse o controle para confrontar Liam, mas mesmo sabendo que praticamente havia pedido por aquela resposta atravessada, foi impossível não se sentir quebrando por dentro mais uma vez.

Ela já deveria ter aprendido a sua lição há cinco anos, no gramado dos Weasley enquanto Liam e Melissa se casavam. Naquela noite, Liam não era o mesmo rapaz por quem ela havia se apaixonado e aquilo não havia mudado com o tempo. Mas ver a verdade sendo esfregada diante dos seus olhos era o mesmo que colocar sal na ferida.

O queixo de Clementine franziu quando ela espremeu os lábios e meneou a cabeça em um discreto sinal de repreensão contra sua própria atitude impulsiva. Quando baixou os olhos para o copo de suco e o prato com torradas a sua frente, a única certeza que tinha era que seu estômago não iria aceitar mais nada depois daquela conversa indigesta.

- É, eu tenho uma noção de como a vida pode ser vazia quando você precisa pagar até mesmo para ter uma companhia. Foi por isso que eu terminei com o seu irmão e com você.

Falar em voz alta sobre seu envolvimento com os Rookwood, mesmo depois de tantos anos, ainda era doloroso. Era mais fácil julgar aquela história no passado quando aqueles dias já pareciam enterrados e superados. Mas a simples presença de Liam era suficiente para Clementine reviver a sensação de ter entregado seu coração a alguém que não merecia.

- Você pode ter certeza que cada um de nós está se empenhando para trabalhar duro aqui. Mas se ficar supervisionando o trabalho de profissionais te faz se sentir melhor, que seja. Eu já aprendi a diferenciar garotos gananciosos de homens que realmente trabalham duro para ter o que quer. É por isso que eu confio no trabalho do Nate.

Em um gesto discreto, Clementine empurrou o prato de torradas para alguns centímetros longe do balcão. Ela bateu as mãos para se livrar de qualquer farelo e contornou a pequena cozinha até estar novamente exposta na sala.

Antes de seguir o caminho dos quartos, a loira parou novamente e cruzou os braços contra o peito, sentindo o tecido gostoso do blusão azul. A sua aparência deveria ser a última coisa a importar naquele momento, mas foi inevitável pensar em como ela parecia simples e frágil diante do homem que Liam se tornara.

- Pode ficar tranquilo, Rookwood. O seu sobrenome já aguentou manchas muito piores do que um investimento que pode ou não dar certo. – Clementine franziu a testa como se tivesse acabado de se lembrar de algo e ergueu um dos braços para frente. – Eu sempre me perguntei o que a sua mãe pensaria em ver você carregando o sobrenome de um homem que partiu o coração dela. Mas quem sou eu para julgar alguém que gostou do cara errado, né?


O queixo de Clementine novamente se enrugou quando ela espremeu os lábios, tentando controlar as próprias palavras. Já era ruim o suficiente que tivesse que lidar com a presença de Liam ali. Não precisava ficar expondo a sua própria fragilidade ao enfatizar seus velhos sentimentos.

A cabeça loira sacudiu para espantar aqueles pensamentos confusos e Clementine se virou para o corredor, encerrando seu discurso.

- Faça bom proveito das torradas. Foi o seu dinheiro que pagou.
avatar
Michaela Moccia

Mensagens : 557
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Qua Fev 01, 2017 12:56 am

Melissa Zummach não possuía sequer a opção de atribuir à carência os arrepios que os toques de Landon lhe provocavam. Ela agora tinha um namorado atraente, atencioso e carinhoso que arrancava suspiros até mesmo das mulheres que não gostavam de quadribol. Klauss Miller tinha um físico invejável, um sorriso desconcertante e um bom humor contagiante. Mas nem mesmo todas aquelas qualidades eram o suficiente para fazer o coração de Melissa bater mais forte.

Ainda era pelo ex-marido que o coração dela saltitava. Diante de Landon, Zummach voltava a ser a mesma menina apaixonada que se derretia com os beijos roubados depois dos treinos de quadribol em Hogwarts. Bastava um simples toque dele para que o peito de Melissa se aquecesse e suas pernas amolecessem. A simples voz de Vanderwaal tinha o estranho poder de entorpecer a mente dela, ainda mais depois de tantos anos sem nenhum contato direto com o auror.

Aliás, era exatamente por isso que Melissa lutara tão bravamente nos últimos anos para manter Landon fora do seu caminho. Apesar da mágoa e do sufocante sentimento de traição, Zummach não era tola de acreditar que seu amor pelo ex-marido terminaria de um dia para o outro. Aquele sentimento já havia provado a sua força quando sobreviveu a muitas dificuldades e era bobagem imaginar que seu corpo e seu coração se tornariam indiferentes a Vanderwaal.

Foi o medo de cair em tentação que fez com que Melissa fugisse do ex-marido depois da separação e evitasse qualquer tipo de contato com Landon. Mesmo depois de cinco anos, o receio ainda existia e aquela conversa era a maior prova de que Zummach realmente tinha motivos para temer. Landon não precisara de mais que alguns minutos e de simples toques para despertar a paixão que Melissa tentara abafar desde o divórcio.

- Como de costume, eu vou me manter fora deste assunto desde que você fique em segurança.

Os lábios de Zummach se comprimiram para esconder o sorriso travesso após aquela promessa frágil que poderia ser facilmente rompida. Mesmo na época do casamento, Melissa se esforçava para não interferir no trabalho dos aurores. Mas é claro que aquela determinação caía por terra quando Landon se colocava em perigo.

Uma das mãos de Melissa se ergueu até os dedos que tocavam seu queixo. Contudo, ao invés de se afastar do toque, a morena apenas encostou na pele de Landon, sentindo o calor dos dedos compridos. A parte mais racional da mente de Zummach berrava uma ordem furiosa para que ela colocasse um fim naquela perigosa proximidade, mas os olhos verdes cravados nela eram hipnotizantes.

Qualquer um que assistisse aquela cena já saberia dizer como terminaria. Por prolongados segundos, os dois se encararam com profundidade, sem que seus olhos se atrevessem a piscar. O clima no quarto se tornou mais intenso e, inconscientemente, Melissa acelerou o ritmo da própria respiração enquanto mergulhava nas íris esverdeadas a sua frente.

Zummach simplesmente não saberia dizer de qual dos dois viera a iniciativa. Quando ela percebeu, os lábios já estavam unidos em um beijo sufocante e ambos mantinham aquela carícia com o mesmo ritmo desesperado ditado pela saudade. A diferença nas estaturas obrigava Landon a se inclinar enquanto a garota se colocava na ponta dos pés, mas nem mesmo aquela posição desconfortável parecia um grande empecilho para a paixão que alimentava aquela recaída.
avatar
Melissa Zummach

Mensagens : 60
Data de inscrição : 09/12/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Cameron Lahey em Qua Fev 01, 2017 1:28 am

No instante em que sentiu os lábios macios de Melissa tocando os seus, Landon teve certeza que as lembranças guardadas em sua mente não faziam jus a realidade. Ele podia ter uma coleção de dezenas de momentos felizes ao lado de Zummach, acreditar que se recordava com perfeição das carícias dela. Mas a verdade era que nada se comparava a sensação de tê-la de verdade em seus braços.

Em um primeiro momento, o impacto dos lábios foi suave e lento, como se cada um dos dois ainda estivesse tentando recordar daquele sabor tão familiar. O simples roçar da boca de Melissa era suficiente para fazer o peito de Landon explodir e a temperatura do seu corpo subir. E tomado por essas reações, ele finalmente intensificou o beijo.

A camisa encardida que ele segurava em suas mãos caiu no piso do quarto de Melissa sem qualquer ruído, completamente ignorada. Com os dedos livres, Landon espalmou uma de suas mãos nas costas de Zummach, a trazendo mais para perto até que os corpos estivessem colados.

Sentir cada uma das curvas da ex-mulher novamente em contato com o seu corpo era como um sonho e Landon agradeceu aos céus por ter tido o descuido de ficar sem camisa. Daquela forma, com o peito exposto, ele podia sentir ainda mais a temperatura do corpo dela.

Se Landon e Melissa estavam acostumados a trocar beijos apaixonados durante todas as etapas do relacionamento, aquele beijo conseguiria abafar qualquer lembrança que tivessem. Temperado com a saudade, o corpo de Vanderwaal reagia de forma impulsiva e desesperada.

Sem se dar conta, apenas se deixando levar pela necessidade de sentir Melissa ainda mais, ele deixou que seus pés caminhassem pelo quarto, a guiando até que as costas dela se chocassem contra uma parede.

Com as pálpebras apertadas, Landon não se permitia nem mesmo abrir os olhos para notar que os dois tinham ido parar no closet de Melissa, mas seu olfato imediatamente percebeu o perfume de maçã-verde se intensificando, impregnado nas roupas dela e certamente deixando uma marca em sua própria pele.

Os lábios do auror já se moviam com rapidez, mas sem em nenhum momento deixar de lado o carinho e a necessidade que tinha dela. Com as mãos trêmulas, ele desceu carinhosamente pelas costas dela, sentindo o tecido fino do vestido favorecer o toque diante dos músculos firmes.

O beijo foi interrompido apenas por meio segundo quando as mãos de Landon desceram ainda mais, até alcançar o quadril de Melissa. Em um único movimento, ele a ergueu até que as pernas da jornalista estivessem ao redor do seu tronco, fazendo com que ela ficasse alguns centímetros acima de sua cabeça.

Quando Landon ergueu o rosto para encará-la, os cabelos castanhos de Melissa caíram como uma cortina, mas até mesmo a familiaridade com as cócegas que sentia com as pontas dos fios lhe enchia de nostalgia.

- Por Godric, como eu senti falta disso.

O sorriso preso nos lábios de Vanderwaal era a pista que Melissa precisaria para perceber que ele ainda não havia voltado a realidade. Todas as suas obrigações eram irrelevantes e ele não se sentia como se estivesse traindo a namorada. Era muito mais fácil acreditar que havia traído Melissa todo aquele tempo longe dela.

Desesperado para que aquele momento não chegasse ao fim, Landon sustentou o peso de Melissa com um dos braços, aproveitando para escorá-la contra a parede do closet abafado, e afundou a outra mão nos cabelos macios dela, puxando o rosto para iniciar mais um beijo.
avatar
Cameron Lahey

Mensagens : 322
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Qua Fev 01, 2017 1:39 am

Quando iniciou aquele discurso, Liam realmente queria alimentar a ideia de que se tornara um nobre tão esnobe e vazio quanto Augustus fora no passado. Era preciso que Clementine acreditasse que ele continuava sendo um homem desprezível, pois só assim a loira afastaria da mente qualquer suspeita que pudesse conduzi-la até o caminho da verdade.

Apesar do sucesso naquela missão, Mellish sentiu um gosto amargo na boca diante da reação de Clementine. Era terrível notar o quanto a ex-namorada o desprezava agora, como se todas as lembranças positivas do passado tivessem evaporado, deixando para trás apenas o momento pontual no qual Liam se deixara levar pela ganância e cometera o pior erro de sua vida.

Era triste ver que DiLaurentis não o enxergava mais. Liam sabia que continuava sendo um péssimo mentiroso e o fato de Clementine não perceber que aquelas palavras eram falsas mostrava que a loira não via mais o lufano que voltara a ocupar o corpo de Mellish depois dos deslizes do passado.

O Liam frio e cruel do casamento dos Vanderwaal certamente rebateria aquelas acusações com argumentos ácidos e não deixaria que Clementine vencesse aquela discussão, mas o atual Sr. Rookwood não teve forças para levar adiante aquela dolorosa briga.

Os lábios do lufano se curvaram num sorriso sem emoção e ele sustentou o olhar frio de Clementine por alguns poucos segundos antes de abaixar os olhos numa postura humilde que não combinava com a sua nova posição na sociedade. Liam vinha se tornando um especialista em manter a máscara de “Sr. Rookwood”, mas era impossível executar com perfeição aquele papel diante de DiLaurentis.

- A minha mãe teria orgulho do homem que eu me tornei.

Por um breve momento, Liam deixou que a máscara de frieza caísse. Os olhos castanhos refletiam uma dor sincera quando se ergueram novamente e ele parecia absurdamente magoado quando encarou a ex-namorada mais uma vez.

Era ofensivo demais que Clementine usasse sua mãe falecida para vencer aquela discussão e esta era uma arma que Mellish não permitiria que a ex-namorada empunhasse. Apesar de todos os erros, Liam sabia que a mãe o perdoaria pelo momento de fraqueza e valorizaria todo o esforço que ele vinha fazendo para ser digno da fortuna que recebera dos Rookwood.

Seus atos de caridade, os financiamentos a projetos promissores e o cuidado devotado que Liam tinha com o meio-irmão doente. Assim como o filho, a Sra. Mellish fora uma lufana capaz de perdoar as piores atrocidades diante de um arrependimento sincero.

- Você não a conheceu, Clementine. E por isso eu gostaria que não usasse o nome dela. Concentre a sua raiva e as suas frustrações em mim e deixe que a minha mãe descanse em paz.

As palavras de Liam soaram com firmeza, sem que o rapaz precisasse erguer a voz. Como seria impossível se concentrar em qualquer coisa depois daquela breve conversa, Mellish fechou o livro de Runas Antigas e empilhou cuidadosamente as fotos tiradas do templo naquele dia antes de dar por finalizada aquela noite desastrosa.

- Se o meu dinheiro te incomoda tanto, você não deveria ter vindo, Clementine. Quando embarcou nesta viagem, você sabia muito bem que eu pagaria pelas torradas.
avatar
Liam Mellish

Mensagens : 158
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Qua Fev 01, 2017 11:17 pm

Os pensamentos mais racionais de Melissa foram lindamente empurrados para o canto mais obscuro da mente da jornalista enquanto ela saciava aquele desejo insano de beijar o ex-marido. Naquele momento, não existiam mais as mágoas do passado, nem a dolorosa separação de cinco anos. Zummach não se lembrava do próprio namorado, muito menos da informação de que Landon também não estava mais sozinho.

Assim como Vanderwaal, Melissa estava muito distante de recuperar a sanidade quando se deixou levar para o closet. Depois do namoro e do casamento, Zummach já conhecia todas as manias e preferências de Landon. Por isso, a jornalista já esperava por aquele gesto quando sentiu seu corpo ser erguido pelas mãos firmes de Vanderwaal. As pernas dela responderam imediatamente ao gesto, enlaçando-o pela cintura enquanto os lábios ainda trabalhavam com avidez.

Embora tivesse noção das consequências das suas escolhas, Melissa se viu incapaz de resistir à tentação. Seu corpo reagia de forma tão desesperada que Zummach simplesmente não cogitou a ideia de interromper aquela loucura, nem mesmo quando as mãos de Landon se atreveram a baixar o zíper que fechava o vestido dela pelas costas.

A saudade era tão sufocante que não abria brecha para nenhum sentimento de culpa. Não parecia errado se deixar levar pela paixão nos braços de um homem com quem um dia Melissa trocara alianças e promessas de amor eterno, do homem com quem ela tivera um filho.

Apesar dos gestos desesperados, os dois não tiveram pressa. Era como se eles se recusassem a abreviar um segundo que fosse daquele momento tão aguardado nos últimos anos. A paixão era o combustível de cada um dos toques, mas também era inegável o carinho que provava que o amor que um dia os uniu não havia morrido.

Mesmo depois de concretizada aquela recaída, Melissa não parecia arrependida por ter cedido aos próprios desejos. A mente entorpecida já começava a recuperar a sanidade quando os pés de Zummach alcançaram o chão do closet mais uma vez. O vestido foi rapidamente recuperado sobre o carpete e Melissa não se esquivou daquele toque quando sentiu os dedos do ex-marido ajudando-a na tarefa de subir o zíper que fechava a peça.

A menina que Landon conhecera em Hogwarts havia surtado após o primeiro beijo e reagiu como se não tivesse retribuído à carícia simplesmente porque não sabia lidar com o momento. Entretanto, agora Vanderwaal se via diante de uma mulher madura que, embora também não soubesse como se portar diante daquele deslize, não pretendia ignorar a sua parcela de culpa naquela situação delicada.

O fato de não estar arrependida não significava que Melissa pretendia mergulhar de cabeça em um novo relacionamento com Landon. Ao invés de facilitar a reconciliação dos pais, Leon era exatamente o motivo pelo qual Zummach se obrigava a colocar os pés no chão. O garotinho nunca havia sofrido com o divórcio porque jamais viu os pais juntos como um casal. E aquele era um sofrimento evitável, então Melissa não podia agir como uma adolescente apaixonada e encaixar Landon novamente em sua vida sem pensar em todas as consequências daquela escolha.

O cheiro agradável da sopa preparada por Trudy já invadia o quarto da patroa, então Melissa sabia que os dois não tinham muito tempo até serem interrompidos pela babá de Leon.

- É melhor você se recompor. A Trudy ficou preocupada e insistiu em fazer uma sopa, ela logo deve aparecer aqui com a sua bandeja. – os olhos azuis giraram com a típica ironia de Zummach – Diferente de mim, ela não está acostumada a ver um auror voltar todo destruído pra casa.
avatar
Melissa Zummach

Mensagens : 60
Data de inscrição : 09/12/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Michaela Moccia em Qui Fev 02, 2017 12:51 am

- O que você está dizendo???

Ao contrário do tom sussurrado em que Clementine tentava levar aquela conversa, a voz de Nathan ecoou estridente diante do espanto do assunto tocado pela sua funcionária. No instante em que sentiu os olhares se virando para os dois, a loira fechou os olhos e respirou fundo, desejando ser invisível.

Claro que a tenda que servia como abrigo para a equipe da Obscurus Books era ampliada magicamente para comportar confortavelmente todos os adultos e seus equipamentos. Mas aquilo não significava que ela encontraria um local adequado para conversar em particular com o chefe.

Naquela manhã, os preparativos para mais um dia de trabalho começavam a movimentar a tenda. Tessa dividia a sua atenção entre uma torrada besuntada de geleia e algumas das suas anotações. Peter e Brant estavam repondo alguns mantimentos nas mochilas que levariam para o templo e Clementine se ocupava em ignorar a presença de Liam enquanto conversava em uma das mesas mais afastadas com Nathan.

- Eu imagino que você precise de ajuda nas atividades que ainda temos em Londres. Só estou dizendo que posso agregar de lá. Assim você consegue ficar aqui e dar mais atenção ao projeto.

Clementine sabia que não seria fácil convencer Nathan de retornar a Londres. Se o chefe queria passar a liderança da equipe para ela enquanto estivessem no Egito, seria pouco provável que concordasse em excluí-la daquele projeto.

Mesmo assim, DiLaurentis não conseguia conviver com a ideia de que nem mesmo tentara. Durante toda a noite, se sentindo completamente inquieta, Clementine foi incapaz de descansar, apenas repassando a conversa com Rookwood em sua cabeça.

Era ruim o suficiente perceber que Liam realmente era toda a decepção que ainda se lembrava do último encontro. Mas o pior era a sensação de amargura em pensar que, de alguma forma, havia acabado dependendo do dinheiro dele. O orgulho poderia não ser um dos grandes defeitos dos Corvinais, mas aquilo resgatava em Clementine algo que ela havia prometido a si mesma nunca acontecer.

O dinheiro e qualquer coisa que envolvesse os Rookwood era podre e representava o que havia de pior em sua vida. Já que não queria prejudicar toda a equipe com algo pessoal, a única saída da loira era se afastar daquele projeto e voltar a Londres, evitando assim o contato com Liam e toda a sua fortuna.

- Eu preciso de você aqui, Clementine. – Os olhos arregalados de Nathan traduziam o seu espanto diante daquele pedido inusitado. – Não posso abrir mão da minha melhor tradutora. Brant e Peter são excelentes pesquisadores, a Tessa vai precisar dividir o tempo com a família. Você é o meu melhor trunfo para o sucesso do projeto.

- Eu fico muito lisonjeada, Nate... – Clementine começou, mas Nathan imediatamente negou com a cabeça, interrompendo o seu discurso.

- Você precisa ficar.

- Eu não quero ficar. – DiLaurentis tentou ser mais direta, encarando Nate com um tom de súplica, apelando para o lado amigo naquele momento. – Por favor, Nate...

- Eu ouvi direito? – Peter ergueu uma sobrancelha, deslizando uma das alças da mochila em seu ombro. – Já está desistindo, Clemy? Hey Brant, você me deve dez galeões.

- Vocês apostaram que alguém ia desistir? – Tessa largou suas torradas, se intrometendo na conversa que já havia se tornado pública.

- Não. – Brant resmungou, parecendo chateado enquanto separava as moedas em seus bolsos. – Eu apostei que você ia desistir primeiro, Tessa. – O ruivo estreitou o olhar de forma acusadora para Clementine. – Eu jurava que você iria até o fim nessa, Clemy.

- Já chega!

A voz autoritária de Nathan fez com que todos se calassem. Não era comum que o editor usasse o seu poder de chefia para controlar a equipe, mas quando o fazia, todos respeitavam.

- Ninguém mais vai fazer apostas por aqui. E ninguém vai desistir.

- Nate... – Clementine ainda tentou reassumir a conversa quando o rapaz se ergueu, decidido.

- De volta ao trabalho. Todos vocês.
avatar
Michaela Moccia

Mensagens : 557
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Cameron Lahey em Qui Fev 02, 2017 2:12 am

Ao contrário de Melissa, Landon não estava aceitando tão bem o que havia acabado de acontecer. Seu peito ainda subia e descia rapidamente, a respiração estava pesada e o rosto ligeiramente corado enquanto ele subia o zíper do vestido de Melissa.

Todos os seus instintos imploravam que ele estendesse aquele momento ao máximo, por isso seus gestos eram lentos e foram finalizados com um carinhoso beijo na curva do pescoço de Zummach, contrariando as carícias apaixonadas e desesperadas de instantes antes.

Landon sabia que no instante em que pisasse fora daquele closet, a realidade voltaria a assombrá-lo de uma forma mais pesada do que poderia suportar. Além da amargura de voltar para uma vida em que Melissa não lhe pertencia mais, ele precisaria lidar com a culpa de uma traição.

Era fácil ignorar aquela realidade quando estava cego pelo desejo e pela saudade, ansiando para fantasiar um mundo em que Zummach e ele jamais tivessem se separado. Mas Landon precisaria voltar para a sua vida onde não só ele havia sido desonesto com a sua verdadeira namorada, como precisaria ver a ex-mulher voltando para os braços de outro homem.

- Eu acho melhor eu não ficar.

As mãos de Landon ainda massageavam os ombros de Melissa e os olhos verdes já refletiam a culpa e o arrependimento que invadia o seu rosto. Por mais que tivesse sentido até aquele momento que não havia nada de errado simplesmente por acreditar que ele e Melissa pertenciam um ao outro, o sonho havia chegado ao fim e a realidade era completamente diferente daquela fantasia.

- Os aurores devem estar tentando entender o que aconteceu no elevador. Não duvido que o Potter e o Black já estejam causando uma manifestação, pensando que fui sequestrado por Gigantes ou qualquer coisa do tipo.

Houve um tempo em que Landon mergulharia de cabeça em querer discutir o que havia acabado de acontecer ali. E por mais que tivesse consciência de que ainda amava Melissa, ele não era mais um adolescente que poderia se deixar levar pelo impulso. Agora era um homem adulto, com compromissos e uma promessa com outra mulher.

Mesmo que nada estivesse sendo dito entre ele e Zummach, parecia bastante óbvio para os dois a decisão mútua de manter aquele ocorrido como um deslize que não voltaria a acontecer.

Landon depositou um último beijo nos lábios de Melissa, se aproveitando daquele momento para ter a despedida que lhe havia sido negada há cinco anos. Quando ele se afastou, só o que foi possível demonstrar em seu rosto era um triste sorriso.

O peso do mundo caiu sobre os ombros de Vanderwaal quando ele sentiu o ar mais arejado do quarto invadir seus pulmões. Ele se agachou apenas para resgatar a camisa encardida do chão e a vestiu pela cabeça, sem se importar com o tecido amarrotado e manchado.

Quando ele girou a cabeça para voltar sua atenção na direção de Melissa, os olhos verdes pousaram nela e seu coração se espremeu. Mas agora era tarde demais. Zummach havia colocado um fim naquele casamento há cinco anos e Landon aceitava a sua culpa naquele fim. Já havia feito tantas coisas para magoar Melissa que era demais tentar qualquer reaproximação depois de tanto tempo, principalmente agora que a morena seguia com a própria vida.

Por um período longo demais, o auror apenas fitou Melissa, desejando que as coisas fossem diferentes entre eles, que seus erros não tivessem colocado um fim no futuro que poderiam ter tido.

- Obrigado por ter cuidado de mim, Mel. E me desculpe. Por tudo.

A intensidade refletida nas íris verdes não deixava dúvidas de que Landon não se referia apenas ao deslize daquele dia, como também cada um dos seus erros do passado.

- Eu acho que nunca tive a chance de dizer isso a você.
avatar
Cameron Lahey

Mensagens : 322
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Página 9 de 10 Anterior  1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum