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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Sab Jan 21, 2017 10:29 pm

- As coisas mudaram. Mudaram muito.

As palavras frias de Augustus Rookwood ecoaram pelo ambiente e o homem buscou pelos olhos castanhos do filho bastardo antes de continuar o discurso. Os dois homens eram os únicos clientes daquele minúsculo bar escondido em um beco estreito da Travessa do Tranco. Não havia mesas, somente um balcão que era esfregado por um trapo sujo segurado por um elfo doméstico ainda mais imundo. O estabelecimento definitivamente não tinha o glamour para acolher um Rookwood, mas dava aos clientes a privacidade que Augustus precisava para aquela conversa franca com Liam Mellish.

Durante aquela pausa no discurso, o Sr. Rookwood tomou um gole do seu firewhisky e fez uma breve careta enquanto o líquido descia queimando por sua garganta.

- A questão vai muito além do escândalo adolescente protagonizado pela menina. E por você, é claro. Eu diria que Clementine DiLaurentis foi somente a gota d’água que me levou ao rompimento definitivo com aquela família.

O nome da namorada fez com que Mellish se remexesse de forma desconfortável no banco que ocupava. Augustus havia trazido o nome dos DiLaurentis para aquela conversa, mas Liam ainda não sabia aonde o pai queria chegar. Era óbvio que Augustus não aprovaria Clementine de braços abertos depois da confusão envolvendo a loira e seus dois filhos, mas o lufano decidiu ficar calado e esperar que o Sr. Rookwood concluísse a sua ideia.

- Os DiLaurentis estão falidos. Eles acumularam uma ridícula coleção de dívidas e perderam por completo o respeito que a família possuía no passado.

Por mais que soubesse que a família de Clementine enfrentava algumas dificuldades, Liam não imaginava que a situação estaria tão delicada. As sobrancelhas grossas do rapaz se arquearam e sua expressão tornou-se gradativamente mais surpresa enquanto Augustus continuava com aquelas revelações.

- Se não fosse por mim, eles já teriam decretado falência há muitos anos. Fui eu que paguei a maior parte das dívidas e possibilitei que eles continuassem mantendo um estilo de vida luxuoso. Fiz esta “caridade” porque o Cristopher estava determinado a ficar com a menina e, apesar dos cofres vazios, os DiLaurentis ainda tinham um sobrenome importante e a garota parecia se encaixar no papel que o Cris desejava dar a ela. Ela parecia educada, discreta, sabia manter as aparências e era apática. Qualidades essenciais para uma esposa.

As palavras de Augustus fizeram Liam se lembrar da garota que Clementine era em Hogwarts. De fato, a filha dos DiLaurentis merecia aquelas críticas. Por muito tempo, Cleo havia fechado os olhos para todos os atos absurdos de Cristopher e, por isso, tornou-se uma cúmplice silenciosa como a maioria das esposas da alta sociedade costumavam ser.

- Mas é claro que a situação mudou quando ela dispensou o Cris por sua causa. O único elo que me mantinha unido aos DiLaurentis se rompeu e eu não tinha mais motivos para ampará-los. Sem o meu apoio, as dívidas se acumularam e eles agora se tornaram uma piada na sociedade. As joias da família já foram leiloadas, todos os bens de valor estão penhorados. Calculo que, em breve, terão que vender a casa para não morrerem de fome.

Uma pausa maior foi feita para que Mellish pudesse absorver aquela novidade. Liam manteve os olhos castanhos fixos no seu copo intocado de firewhisky enquanto a mente trabalhava agilmente naquela informação. Quando ergueu a cabeça para encarar Augustus novamente, o lufano já sabia onde aquele discurso terminaria.

- O senhor quer que eu termine o meu relacionamento com Clementine DiLaurentis.

- É mais que um desejo. É uma exigência. Se você quer mesmo se tornar um Rookwood, tem que zelar pelo nome da família. Não podemos misturar o nosso sobrenome na mesma lama na qual os DiLaurentis se afundaram.

- Eu a amo.

A voz de Liam não se ergueu, mas o rapaz encarou o homem a sua frente com firmeza. Por mais que estivesse decidido a vender o próprio orgulho para a fortuna dos Rookwood, Mellish não pensava em abrir mão do amor de Clementine. O relacionamento construído com a namorada valia muito mais que todo o ouro nos cofres de Augustus.

Ao invés de se sentir ofendido ou desafiado pelo filho, o Sr. Rookwood abriu um sorriso compreensivo. A expressão de Augustus se assemelhava muito a alguém que se colocava diante de uma criança adoravelmente ingênua.

- O que você sente por ela não tem relação alguma com esta conversa, Liam. Estamos falando sobre negócios e, se você quer mesmo entrar neste mundo, precisa encarar o casamento como um contrato. Casar-se é fechar um acordo vitalício de sociedade. E ninguém quer como sócio uma pessoa falida e desrespeitada.

Como Liam sacudiu a cabeça em negativa e parecia muito inclinado a desistir daquela ideia, Augustus lançou em jogo um poderoso trunfo. Com a voz ligeiramente mais baixa, o Sr. Rookwood apresentou um argumento que deixou Mellish sem palavras por prolongados segundos.

- Eu também amava a sua mãe. Mas eu sabia que jamais poderia me casar com ela. Em outras palavras, eu não estou exigindo que você rompa todos os laços com a menina. Se ela te faz feliz, você só precisa ser discreto.

Aquele golpe final exterminou o que restava do orgulho de Mellish. Era absurdamente ofensivo que Augustus sugerisse que Liam transformasse Clementine em uma amante, exatamente como ele fizera com a mãe do lufano no passado. Liam chegou a arrastar o banco para se levantar e colocar um fim naquele acordo absurdo, mas Augustus segurou com firmeza o braço do filho enquanto buscava pelos olhos dele.

- Não seja tolo. Não consegue enxergar que esta seria a escolha dela, Liam? Você realmente acha que a filha dos DiLaurentis será feliz no papel da “Sra. Mellish”? Eu sei que você tem um bom emprego e está se destacando no setor, mas sejamos sinceros. Você nunca poderá dar a ela os luxos que esta menina está acostumada a receber. Férias eternas, viagens, uma coleção de joias, sapatos caros, um armário lotado de vestidos... Ela não terá nada disso na vida medíocre que você planeja para o futuro.

Sem saber, Augustus havia tocado no ponto fraco de Liam. Mesmo que tudo parecesse perfeito no relacionamento com Clementine, Mellish se angustiava com a incerteza de como seria o futuro ao lado dela. DiLaurentis havia sido criada em uma mansão, tinha elfos domésticos para fazer todo o trabalho, seus desejos eram sempre atendidos pelos pais, não faltava dinheiro nem mesmo para seus caprichos.

Mesmo que recebesse todas as promoções possíveis e se tornasse o chefe do setor de Transportes Mágicos no futuro, Liam jamais poderia dar tantos luxos à esposa. Apenas o nome e a herança dos Rookwood poderiam mudar aquela realidade. E a grande verdade era que Liam estava farto da vida medíocre e do papel humilhante que ocupava no mundo da magia desde o seu nascimento.

Ao notar que o filho começava a ceder aos seus argumentos, Augustus colocou sobre o balcão o pergaminho que até então estava cuidadosamente guardado em sua maleta. O documento era oficial e tratava do reconhecimento da paternidade e da mudança do sobrenome de Liam. Rookwood já havia assinado e, portanto, só restava em branco a linha na qual deveria constar o nome do novo herdeiro.

- É a melhor saída para todos nós. Eu preciso de um herdeiro, você finalmente terá um sobrenome respeitado e a fortuna que é sua por direito. E a menina vai voltar a viver no luxo, como ela está acostumada.

Dois minutos inteiros se passaram antes que Liam finalmente pegasse a pena oferecida pelo pai. Quando assinou “Liam Mellish Rookwood” pela primeira vez em sua vida, o lufano repetia para si mesmo que não estava traindo Clementine. Os dois só precisariam retroceder ao ponto de um namoro clandestino até que Liam estivesse consolidado no papel de herdeiro dos Rookwood e pudesse enfrentar o pai para transformar Clem em sua esposa legítima.

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Apesar da promessa feita a si mesmo de que Clementine não se tornaria uma amante, Liam sentiu o peito pesar com culpa quando se encontrou com a namorada naquela noite. Um gosto amargo se espalhou pela boca do rapaz e ele ainda estava tentando encontrar a melhor maneira de explicar tudo para DiLaurentis quando a loira citou Augustus Rookwood.

Ao invés de ficar surpreso ou rir daquela fofoca absurda, Mellish permaneceu quieto. Sua expressão anormalmente séria já anunciava a verdade que estava por vir. Agora que a própria Clementine trouxera o assunto à tona, Liam não tinha mais desculpas para adiar aquela revelação bombástica.

- O Landon sabe que a Melissa está passeando pela Travessa do Tranco às vésperas do casamento?

Clementine não havia citado a Travessa do Tranco, então a declaração de Liam era praticamente uma confissão de culpa. Diante do olhar surpreso da namorada, o lufano completou aquela acusação com uma entonação séria.

- Eu me encontrei com o Rookwood dentro da Travessa, entramos e saímos de lá separados. Se a Melissa nos viu juntos, ela estava lá dentro. Se ela vai mesmo se casar com um auror, deveria começar a se comportar. O Landon já tem problemas demais para precisar lidar com os surtos irresponsáveis desta garota.

Liam sabia que as acusações lançadas contra Melissa não amenizavam a sua culpa naquela história sórdida, mas ele precisava desesperadamente dividir o papel de vilão com alguém. Como Clementine parecia preocupada e não fazia ideia do teor daquele encontro improvável, Mellish retirou do bolso interno do casaco a sua cópia do documento que ele assinara naquela tarde.

Enquanto a loira lia o ofício no qual Augustus Rookwood reconhecia Liam Mellish Rookwood como seu filho legítimo, o lufano sentou-se no sofá, exatamente no mesmo assento que Clementine ocupava enquanto esperava por ele. O estofado ainda guardava um pouco do calor do corpo dela, mas Liam sentiu um frio repentino enquanto murmurava, sem coragem para encarar a namorada.

- Não há nenhum truque. Cristopher se juntou aos comensais e morreu num dos ataques. Rookwood precisava de um herdeiro. E esta herança sempre foi minha por direito.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Jan 21, 2017 11:13 pm

As sobrancelhas finas de Clementine se arquearam quando Liam começou a disparar contra Melissa os comentários pouco amigáveis. Intimamente, ela concordava que era arriscado para amiga ficar passeando por lugares obscuros como a Travessa em tempos de guerra. Mas a verdade era que qualquer canto não era seguro para uma moça sozinha naqueles dias.

- Isso é problema da Melissa e do Landon.

Clementine resmungou, uma ruguinha surgindo entre os olhos claros diante do comportamento anormal do namorado. Eram raras as brigas do casal. Os dois compartilhavam um relacionamento carinhoso e cheio de brincadeiras, o que não combinava com as palavras mais duras que estava ouvindo naquele dia.

Tentando manter a calma, DiLaurentis apenas associou o mal humor de Mellish ao encontro com o pai naquele dia. Ele não apresentava nenhum sinal de que estava agindo sob alguma maldição, mesmo se comportando de forma anormal. Mas Augustus sempre havia sido um assunto delicado demais para não afetar Liam.

Quando os documentos foram passados para Clementine, ela passou rapidamente o olhar pelo texto, tentando entender onde Liam queria chegar. Os termos técnicos exigiam a sua atenção, mas em poucos parágrafos ela já havia compreendido o contexto.

Como se a surpresa diante daqueles papeis não fosse grande o suficiente, a notícia sobre Cristopher fez com que a menina erguesse seu olhar para o namorado, completamente chocada.

Não era exatamente surpreendente que Cristopher tivesse se juntado aos Comensais. Cada vez que lia uma das tristes manchetes nos jornais, Clementine não tinha dúvidas de que o ex-namorado havia se juntado aos seguidores de Voldemort. Mas nem em um milhão de anos ela poderia imaginar que Cris estava morto.

- O Cris... morreu?

Clementine estava pálida quando seus pés tomaram vontade própria e começaram a passear pela sala fria de Mellish. Cristopher havia lhe causado muita decepção e era impossível ainda nutrir qualquer sentimento por ele. Ainda assim, o meio-irmão de Liam havia pertencido ao seu passado e era impossível ser completamente indiferente àquela notícia. Ouvir que um velho conhecido não estava mais vivo ainda era chocante.

Os dedos trêmulos de Clementine empurraram os papéis de Liam para cima da mesa de madeira e ela aproveitou as mãos livres para esfregar os olhos, se sentindo repentinamente exausta.

Era muita informação para absorver de uma única vez, e por mais que não conseguisse digerir a ideia de Cristopher morto, ela se obrigou a manter a cabeça diante do que importava naquele momento.

- Como você pode simplesmente aceitar isso, Liam? Depois de tudo que aquela família fez com a gente, com você!

A decepção estava refletida nas íris azuladas quando Clementine se recostou na mesa, cruzando os braços contra o peito. Ela balançou a cabeça em negação e abriu um sorriso sem emoção.

- E você não achou que isso seria algo que nós dois deveríamos discutir antes de você simplesmente resolver trocar seu sobrenome?

Ela gesticulou, erguendo uma das palmas das mãos para cima. Embora Clementine ainda morasse sob o teto dos pais, a estabilidade do relacionamento com Liam era forte o bastante para que ela acreditasse que os dois teriam um futuro juntos e já deveriam conversar antes de decisões grandes que pudessem afetar um ao outro.

Liam fazer aquela escolha sem ao menos falar com ela antes era praticamente uma traição ou um atestado de que ele não enxergava o mesmo futuro que ela. Ainda assim, Clementine não se sentiu envergonhada em verbalizar que acreditava em um futuro onde os dois formariam uma família, mesmo que aquele assunto nunca tivesse sido tratado em voz alta.

- Ao menos pensou que eu não me sentiria a vontade em usar o sobrenome Rookwood depois de tudo que aconteceu com o Cristopher?
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Sab Jan 21, 2017 11:15 pm

Totalmente alheia à tensa conversa entre Landon e os Zummach, Melissa estava saltitando de alegria quando recebeu o noivo no apartamento naquela noite. Assim que Vanderwaal pisou na sala, seu pescoço foi rodeado pelos braços de Melissa e ela se colocou na ponta dos pés para alcançar os lábios dele com um beijo apaixonado.

Zummach definitivamente não era uma garotinha romântica que vinha planejando os detalhes de um casamento de princesa desde a adolescência. Mas nem mesmo a personalidade ácida e prática da garota resistia à tentação de suspirar com a proximidade da cerimônia. Seria um casamento simples, mas a ideia de se tornar oficialmente a Sra. Vanderwaal fazia com que Melissa se derretesse ainda mais pelo namorado.

- Fiz a última prova do vestido hoje. Ficou perfeito e isso significa que vamos comer salada até o casamento. Não posso engordar nem mesmo um grama!

Como a rotina de trabalho de Landon era muito mais puxada e desgastante que a dela, Melissa havia assumido a responsabilidade pela maior parte dos detalhes do casamento. A garota estava sobrecarregada com tantas obrigações somadas ao seu trabalho no jornal, mas, apesar da exaustão, sempre estava alegre e animada ao fim do dia.

Mesmo que Vanderwaal não pudesse participar tão ativamente de todos os preparativos, Melissa fazia questão de deixá-lo ciente das novidades. Naquela noite não foi diferente e Zummach continuou tagarelando enquanto o arrastava para a pequena cozinha do apartamento, onde o jantar já esperava por eles.

- Só falta o sapato. Como eu não faço ideia do modelo que vai combinar com o vestido, escalei a Cleo para me ajudar na escolha. Vamos nos encontrar amanhã no Beco Diagonal para ajeitar os últimos detalhes.

O cheiro da carne de cordeiro assada se espalhava pelo cômodo e Melissa parecia orgulhosa quando serviu um pedaço generoso no prato do noivo. Embora tivesse um excelente domínio da varinha, feitiços domésticos eram o ponto fraco de Zummach. Só o fato da carne não estar queimada já era um grande progresso.

- Por falar na Cleo, eu estive pensando em algo... – Melissa abriu um de seus sorrisinhos travessos antes de confessar – Vou enfeitiçar o meu buquê para que ele caia nas mãos da Cleo. Lufanos são lentos, acho que o Liam precisa de um empurrãozinho para subir ao altar também.

Era evidente que Melissa estava absurdamente feliz e empolgada com o casamento, pensando em todos os detalhes que rondavam a cerimônia. A felicidade de Zummach só não era completa porque a garota pensava que seus pais não estariam presentes no momento mais feliz de sua vida.

No fim das contas, Melissa havia decidido não enviar o convite para a casa dos Zummach para evitar a ansiedade que culminaria numa enorme decepção. Era melhor descartar logo as esperanças do que estragar um dia tão feliz com uma decepção tão grande. O que a garota não imaginava era que Landon havia tentado resolver aquela questão por conta própria.

- Teve um dia difícil, Landie? – os dedos de Melissa tocaram carinhosamente o rosto abatido do namorado – Termine de comer, tome um banho e descanse.

Um brilho travesso iluminou os olhos de Zummach antes que ela comentasse em uma entonação forçadamente casual.

- É melhor mesmo que você esteja dormindo enquanto eu planejo os detalhes da minha última festinha como uma mulher solteira.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Sab Jan 21, 2017 11:50 pm

A insegurança de Liam ressurgiu com uma força potente quando Clementine demonstrou tamanha surpresa com a notícia sobre a morte de Cristopher. Mesmo depois de todo o pesadelo que os dois enfrentaram até ficarem juntos, Mellish não conseguia esquecer que a namorada havia sido feliz ao lado de Cris por muito tempo. A insegurança do lufano se somava a uma dose de ciúmes e fazia com que Liam se questionasse se Clementine realmente estava feliz com aquela troca de irmãos.

- Depois de tudo o que aconteceu com o Cristopher...? – Liam repetiu as palavras da garota enquanto abria um sorriso amargo – Não, Clementine. Eu achei que isso não significava mais nada para você. Eu realmente pensei que tudo tinha ficado no passado e que eu não teria que me lembrar da sua história com o “Cris” antes de tomar as decisões da minha vida.

O apelido de Cristopher carregado de ironia denunciava o ciúme e a insatisfação que Liam sentia no momento. Ainda sentado no sofá, Mellish ergueu os olhos castanhos e encarou a namorada com um semblante ainda mais sério. A culpa ainda o corroía por dentro, mas agora se somava à mágoa e a insegurança. Depois daquela reação de Clementine, Liam teve ainda mais certeza de que a loira não seria feliz tendo uma vida humilde, bem diferente dos luxos que Cristopher teria dado à Sra. Rookwood.

- Eu aceitei exatamente porque já fui humilhado demais por causa desta família. Estou farto de ser apontado como um bastardo, um lufano com um futuro medíocre pela frente. Eu não quero o amor ou o respeito de um pai que nunca me quis, Clementine. Eu só quero o sobrenome e o dinheiro dele. Isso é meu por direito.

Mesmo depois de tantos anos de convivência, Mellish nunca havia falado de forma tão direta com a namorada. Eventualmente Liam deixava escapar algum comentário que denunciava a sua insatisfação com aquela história sórdida, mas naquela noite o lufano foi totalmente franco e desabafou sobre todas as humilhações que já tinha enfrentado ao longo da vida.

- Você sabe disso melhor do que ninguém. Você estava por perto em quase todas as vezes em que o “Cris” apontou a varinha para mim, me humilhou com feitiços ridículos ou com comentários maldosos.

Havia um pequeno tom de acusação naquele desabafo. Liam nunca havia confessado a sua insatisfação com o antigo comportamento passivo de Clementine, mas aquela discussão trazia aquela revelação à tona. Ele nunca deixou de amar DiLaurentis, mas não ignorava a cumplicidade que a loira oferecera a Cristopher por tanto tempo.

- E o Cristopher era apenas a ponta do iceberg. Ele tinha coragem de expressar o desprezo que sentia por mim, mas a grande verdade era que todos que se calavam ou cochichavam pelas minhas costas pensavam como ele. Eu não admito que você me julgue, Clementine. Eu estou farto desta vida medíocre e não podia deixar escapar a única chance de fugir dela.

Como o casal quase nunca brigava, Liam não sabia lidar muito bem com desentendimentos. Se tivesse pensado antes de falar, Mellish certamente teria escolhido palavras mais amenas, mas a mágoa fez com que o rapaz não filtrasse as sílabas que escaparam pela sua garganta.

- Mas se para você é tão ultrajante manchar a memória do Cris usando o sobrenome Rookwood, a solução é muito simples. Só temos que fazer o que o meu pai delicadamente sugeriu ao seu respeito. Você não vai precisar do meu novo sobrenome se ocupar o papel de uma amante.

Ao escutar a frieza da própria declaração, Liam se arrependeu imediatamente e soltou um suspiro pesado, amenizando um pouco a expressão antes de explicar o seu real posicionamento diante daquela sugestão absurda.

- Isso foi uma exigência dele, e eu deixei que ele acreditasse que eu concordava com esta proposta absurda. Eu só preciso de um tempo para organizar as coisas e para me fixar no papel de herdeiro dos Rookwood. Depois que eu estiver no topo, poderei fazer o que eu quiser, Clem.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Jan 22, 2017 12:05 am

- Uau!

A cabeça de Landon girou sobre o pescoço, se desviando do reflexo do espelho para encarar a figura parada diante da porta do seu antigo quarto. O sorriso logo iluminou o seu rosto e ele piscou o olho diante da beleza da mulher.

- Digo o mesmo. Você está linda.

Com os mesmos olhos verdes que o jovem auror, a Sra. Vanderwaal se aproximou fungando até parar diante da imagem do filho. Landon estava certo em elogiar a mãe: mesmo com a idade e por não usufruir fortunas para gastar em vestidos, ela estava linda.

Os cabelos negros foram puxados em um coque bem elaborado, ela exibia uma suave maquiagem e o vestido vermelho era comportado, mas suficientemente elegante para a ocasião.

A mulher era baixinha, mas tinha um corpo esbelto graças aos diversos treinamentos como auror, e trazia nos lábios um grande sorriso emocionado enquanto erguia as mãos para tocar o rosto do filho.

- O meu bebê! Quando foi que você se tornou um homem, Landie?

Landon era pelo menos um palmo mais alto que a mãe. Os cabelos escuros estavam penteados e ainda úmidos, sem um único fio fora do lugar. A barba bem aparada contribuía para o ar maduro e quase enganava o fato de ser consideravelmente jovem para se casar. E as roupas sociais lhe caíam como uma luva, sem lembrar em nada as vestes amarrotadas que ele vestia em dias comuns. Até a gravata escura combinava com perfeição na aparência de um belo homem.

Vanderwaal franziu o nariz em uma careta e sacudiu a cabeça, mas sem se afastar da mãe, retribuindo seu olhar carinhoso.

- Eu tenho tentado lhe dizer que sou um homem há mais de uma década, mulher. Você que sempre insistiu em me tratar como um bebê.

- Repita isso e eu nunca mais lhe envio sapos de chocolate às sextas-feiras. – Ela ergueu o dedo em repreensão, mas os olhos verdes exibiam o imenso carinho que sentia pelo filho.

- Por favor, mãe, nunca deixe de enviar meus sapos de chocolate.

A súplica com a testa franzida mostrava que mesmo nas vestes elegantes, no penteado e na atitude de homem, Landon ainda era o mesmo rapaz que carregou o distintivo de monitor-chefe pelos corredores de Hogwarts.

- É assim que se fala. – A mulher sorriu satisfeita enquanto se ocupava em acertar a gravata do filho. – Seu pai acabou de chegar dos Weasley. Terminaram de limpar todos os gnomos de jardim e está tudo pronto.

- Hora de ir, então? – Ele se inclinou até a cômoda, puxando de lá uma delicada florzinha branca que a entregou para a mãe.

Com dedos ágeis, a Sra. Vanderwaal começou a prender a flor à lapela do filho, desta vez ficando mais séria ao encará-lo.

- Você está certo que é isso que você quer, Landie? Está realmente feliz com esta escolha?

Os Vanderwaal adoravam Melissa e mesmo com a personalidade mais forte da moça, nunca tiveram um real motivo para desaprová-la. Landon sabia que aquela pergunta não tinha nenhuma ligação com qualquer reprovação que os pais tivessem com a escolha tomada para sua vida. Era apenas a maneira da mãe de se certificar de que o filho sabia o que queria.

Para tranquiliza-la, Landon abriu um largo sorriso e seus olhos se iluminaram para dar aquela resposta. Bastava pensar em Melissa e que até o final daquele dia era carregaria seu sobrenome para que o rapaz se sentisse nas nuvens, fora do alcance de qualquer problema.

- Nada me faz mais feliz do que a Mel, mãe. Eu a amo. Vou amar para sempre, tenho certeza disso.

A Sra. Vanderwaal espremeu os lábios para conter o sorriso, satisfeita com aquelas palavras como se já esperasse ouvi-las desde o começo. Ela fungou mais uma vez antes de menear a cabeça.

- Bom, hora de aumentar a família, então.

***

O sol ainda estava nos céus quando Landon pisou nos terrenos dos Weasley. Em algumas horas, a cor alaranjada completaria o visual para servir de cenário durante a troca de alianças, mas ele estava satisfeito em ter chegado mais cedo, a tempo de se surpreender com o trabalho de todos que ajudaram naquela arrumação.

A grama falhada e esburacada dos Weasley não estava mais lá. Em seu lugar, um belo tapete verde cobria toda a superfície plana. Não havia sinal algum dos gnomos de jardim, mas ao centro, uma grande tenda branca reinava, rodeada com grandes arranjos florais e minúsculas luzinhas que logo iriam sobressair quando a claridade natural do dia se extinguisse.

De onde estava, Landon conseguia enxergar as mesas no interior da tenda, cobertas com toalhas brancas impecáveis. Todo o seu interior também estava inteiramente colorido com centenas de flores e o teto coberto com as minúsculas luzinhas.

No canto oposto ao da tenda, mais próximo das árvores dos limites dos terrenos, uma armação com quatro longas colunas de madeira foi erguida e envolvida com um tecido cor de champanhe e mais fores. Os troncos das árvores ao fundo estavam todos envoltos com as mesmas minúsculas luzinhas.

Cada pequeno detalhe estava perfeito. O casamento seria para poucos convidados, mas não significava que deveria ser feio. A única coisa que faltava para completar aquele cenário era finalmente poder tocar Melissa.

- Você deveria ter feito a barba. – Clementine criticou, surgindo em um vestido esvoaçante ao se aproximar de Landon. – Bom, ao menos está usando gravata dessa vez.

Ignorando a crítica da amiga de Melissa, Landon tocou a própria gravata e sorriu orgulhoso.

- A Mel reclamou no baile quando apareci sem gravata. No fundo eu sei que ela gostou, mas achei melhor poupar esse detalhe hoje.

- Ótima ideia. – Clementine forçou um sorriso e indicou para a armação com flores e tecido champanhe. – Vá esperar lá, a Mel está quase pronta.

Poucos minutos se passaram quando a cor alaranjada começou a cobrir os céus, mas foi tempo suficiente para que os poucos convidados começassem a se reunir diante do local da cerimônia. Ali, todos ficavam de pé, mas já formando o corredor por onde Melissa deveria passar.

- Ainda dá tempo de desistir, garoto...

Um toque em seu ombro fez Landon sorrir para o pai, procurando qualquer sinal de Melissa vindo da casa dos Weasley.

- Nem mesmo o próprio Voldemort me faria desistir agora, pai.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Dom Jan 22, 2017 1:26 am

Pela vigésima vez em menos de meia hora, Melissa afastou as pesadas cortinas do quarto de Molly Weasley para espiar a movimentação nos jardins. O sol já começava a se por e os convidados se acomodavam na tenda, deixando claro que o grande momento estava chegando. A noiva estava se esforçando para manter a calma, mas era difícil controlar a própria ansiedade.

- Não estou vendo o Landon! – a voz de Melissa soou meio esganiçada de desespero – Ele está atrasado? Eu juro que acabo com a raça dele se ele me fizer passar esta vergonha!

As duas mulheres presentes no quarto trocaram olhares e sorrisos de cumplicidade. Como ambas eram casadas, as duas já tinham experimentado aquela deliciosa ansiedade que antecedia o grande momento. A voz suave de Lily Potter soou no cômodo, puxando a atenção de Melissa para si.

- Sua madrinha está lá embaixo organizando os últimos detalhes. Tenho certeza de que a Clementine já teria notado a ausência do noivo, o Landon é um detalhe bem importante, hm? Respire fundo, vai dar tudo certo.

- Eu vi o Sr. Vanderwaal roubando um docinho quando passei pela cozinha. Tenho certeza de que o Landon veio com os pais, querida.

Melissa teve certeza de que Molly Weasley não estava mentindo porque sabia que Landon havia herdado do pai aquele vício por doces. Era mais que esperado que o Sr. Vanderwaal tentasse roubar docinhos enquanto esperava pelo começo da cerimônia.

Com um suspiro mais aliviado, Melissa se afastou da janela e voltou para o meio do quarto. O longo vestido de noiva não dava tanta mobilidade à garota, mas Zummach não se arrependia daquela escolha. Era uma peça simples, que combinava com a cerimônia íntima que seria realizada na tenda do jardim. O tecido branco leve tinha uma saia plissada folgada e um decote comportado em coração. Os ombros e braços eram cobertos por uma renda e o mesmo material fora usado para confeccionar as luvas. Os cabelos escuros foram presos em um coque simples, mas impecável, e enfeitados com uma tiara delicada salpicada de brilhantes.


- Tem certeza de que não quer colocar o véu? – Lily apontou o véu rendado que ficara guardado dentro da caixa do vestido.

- Sem véu. – Melissa soou decidida como de costume – Está ótimo assim. Podemos descer.

As duas mulheres novamente trocaram olhares, desta vez com semblantes mais sérios. Foi Molly Weasley quem teve coragem de tocar naquele assunto delicado depois de pigarrear para limpar a garganta.

- Querida... eu falei com o Arthur e ele disse que pode te levar ao altar. Os outros meninos da Ordem também fariam esta gentileza, tenho certeza. Ou talvez o Sr. Vanderwaal. Você pode escolher a companhia que achar melhor...

Uma sombra cobriu os olhos azuis por um momento, mas Melissa não permitiu que aquela tristeza estragasse o casamento. Por mais que se sentisse lisonjeada com aquela oferta, a noiva não queria que ninguém ocupasse o lugar vazio deixado pelo Sr. Zummach.

- Tudo bem, Molly. Não preciso de companhia até o altar, eu conheço o caminho.

Para amenizar um pouco aquela repentina tristeza causada pela ausência dos pais, Melissa forçou um sorriso e ajeitou as luvas uma última vez antes de se voltar para as duas amigas que haviam ajudado na maquiagem leve que Zummach exibia naquele fim de tarde.


- Vamos logo.

A movimentação de pessoas na tenda já era enorme quando Molly e Lily entraram e se juntaram aos seus respectivos maridos. Além dos colegas da Ordem da Fênix, o casal havia convidados alguns poucos amigos mais próximos e parentes dos Vanderwaal.

Os convidados da noiva eram poucos. Das amigas da Corvinal, Mel chamara Clementine, Lorelai e Sara, as duas últimas acompanhadas por seus namorados. Lorelai continuava com Agostini desde o baile de Hogwarts e Sara, depois de algumas trocas de namorado, finalmente tinha se acertado com um francês que ela conhecera durante uma viagem. Robbie fora convidado pelo noivo, mas Melissa fizera questão de também enviar um convite para Mia Blake quando soube que os dois colegas tinham começado a sair nas últimas semanas.

Mesmo com poucos convidados, o burburinho era enorme quando Melissa se posicionou diante da cortina que escondia a entrada para o interior da tenda. A noiva respirou fundo várias vezes, tentando se acalmar. A coragem grifinória fez Mel dispensar um acompanhante, mas nem por isso seria fácil para a menina seguir sozinha no trajeto até o altar.

O silêncio logo se espalhou pela tenda quando o som da marcha nupcial começou a ecoar, anunciando a entrada da noiva. Melissa deu o primeiro passo para afastar a cortina, mas seu caminho logo foi obstruído por um smoking. O braço do homem foi estendido em sua direção e Melissa girou os olhos, pronta para dispensar aquela gentileza, quando ergueu os olhos e finalmente enxergou o rosto de Alfred Zummach.

A surpresa foi tão grande que Melissa ficou petrificada por vários segundos. A última pessoa que ela esperava ver no casamento estava bem diante dela, oferecendo-lhe o braço para cumprir o protocolo de levá-la até o noivo. Como não tinha enviado o convite para a casa dos Zummach, Melissa não sabia explicar como a informação sobre o casamento chegara aos ouvidos do pai.

- Como chegou aqui? – a noiva foi direto ao ponto, ignorando a marcha nupcial que ainda ecoava na tenda.

- Aparatação.

A resposta óbvia e fora de contexto fez Melissa bufar e estreitar os olhos de forma ameaçadora. Definitivamente não era o melhor momento para piadas.

- Você entendeu perfeitamente a minha pergunta, pai.

- O seu futuro marido me convidou.

A surpresa estampada no rosto de Melissa ficou ainda mais escancarada. Landon não havia sequer comentado com a noiva sobre a visita que fizera aos Zummach.

- É uma história um pouco longa, acho que não é o momento para esta conversa. – Alfred indicou a entrada da tenda com um movimento de cabeça – Seu noivo vai achar que você fugiu se demorarmos mais. Eu gosto da ideia de torturá-lo um pouco, mas não sei se o coração dele vai aguentar tanta ansiedade.

De fato, um burburinho começava a se espalhar pela tenda e a orquestra já estava repetindo as notas da marcha nupcial. Melissa conseguia imaginar a expressão angustiada de Landon no altar e não demoraria até que alguém aparecesse do lado de fora para conferir se estava tudo bem com a noiva.

Por isso, as explicações foram deixadas de lado e Melissa apoiou uma das mãos enluvadas no braço do Sr. Zummach. O olhar indiscreto que o pai lançou para sua barriga fez a noiva bufar novamente e beliscar o braço dele com força.

- Eu não estou grávida. – Melissa o conhecia o bastante para saber o que se passava na cabeça de Alfred – Tenho até medo de pensar no que rolou nesta sua conversa com o Landie.

Aquela discussão e as preocupações que atormentavam Zummach foram exterminadas no instante em que Alfred afastou a cortina para que os dois entrassem na tenda. Os músculos tensos de Melissa relaxaram quando ela avistou o noivo parado diante do altar e um sorriso brotou em seus lábios salientes enquanto a distância entre os dois era reduzida com passos rítmicos.

A atenção da noiva só se desviou por dois segundos, para admirar a mãe espremida entre alguns convidados. As duas trocaram um sorriso emocionado antes que os olhos azuis de Melissa se voltassem novamente para o futuro marido.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Jan 22, 2017 1:41 am

O choque estava refletido em cada centímetro do rosto de Clementine. Ela enxergava com perfeição que era Liam sentado à sua frente, mas ao mesmo tempo, era como se estivesse diante de um completo desconhecido.

A ruga entre as suas sobrancelhas continuou firme e seu queixo despencou diante das palavras de Mellish. Ela nunca acreditou que tivesse sido fácil ocupar o papel do filho bastardo dos Rookwood, mas também nunca imaginou que Liam fosse ambicioso ao ponto de aceitar aquele absurdo apenas para ter a herança que lhe era sua por direito.

Depois de tudo que os dois tinham enfrentado juntos, Clementine tinha certeza que os Rookwood pertenciam a um passado morto. Era uma surpresa sem tamanho ver que aquele assunto estava apenas adormecido e que agora os atormentava outra vez.

As críticas aos seus antigos erros lhe acertaram como uma bofetada, pois era outro ponto que acreditava que os dois tinham superado. Depois de tantos anos juntos, as cenas em que ocupava o lugar ao lado de Cristopher enquanto Liam era humilhado parecia pertencer a outra vida. Mas quando Mellish trazia à tona, apenas reforçava que os dois não tinham superado aquele fantasma.

Como se tudo até então não fosse suficiente, as palavras finais de Liam fizeram o chão sob os pés de Clementine desaparecer. Ela chegou a soltar o ar diante da surpresa e um longo silêncio se instalou na sala enquanto esperava por um pedido de desculpas, uma risada ou qualquer coisa que fizesse aquela conversa desaparecer. Mas as palavras de Liam continuaram ecoando em sua mente com tortura.

- Então a sua vida, a vida em que eu estou nela, é medíocre? É tão ruim que você foi de braços abertos para abraçar a fortuna dos Rookwood, mesmo que isso signifique me colocar no lugar de amante?

A voz de DiLaurentis chegou a falhar com as últimas palavras, a obrigando a fazer uma pausa. O coração batia acelerado e ela se sentia no meio de um pesadelo. Em qualquer situação normal, Clementine jamais colocaria o seu passado com Cristopher contra Liam, mas se ele havia ido longe demais, ela não ficaria para trás.

- O que o Cristopher fazia era errado e pelos motivos errados. Ele odiava você e não fazia questão de esconder isso. Mas quanto a mim, sempre deixou claro qual seria o meu lugar na vida dele, Liam. E ele jamais teria ousado me colocar no papel de uma amante.

***

Clementine só foi capaz de sobreviver aos dias seguintes por ter o casamento de Melissa e Landon para ocupar a sua mente. Os preparativos para o grande dia ocupavam boa parte dos seus dias e serviam como desculpa perfeita para que ela evitasse um novo encontro com Liam.

Se o casal tinha o histórico de poucas brigas, a discussão mais recente no apartamento de Mellish servia para equivaler aos anos de tranquilidade vivenciada pelos dois. Clementine precisava se agarrar a felicidade de Melissa para não enlouquecer, e era pensando em não arruinar o grande dia da amiga que qualquer decisão envolvendo Liam fosse tomada.

Se finalmente parasse para aceitar que os dois não conseguiriam lidar com aquele problema, ela iria desmoronar de tal forma que seria impossível cumprir o seu papel de madrinha. E Melissa não merecia colocar de lado a própria felicidade para cuidar de uma amiga destruída. Todo aquele drama poderia esperar enquanto ela torcia que aquele tempo fosse suficiente para acertar as coisas naturalmente.

Como precisou se agarrar ao grande dia de Melissa, Clementine se tornou obcecada com cada detalhe da festa. As flores, as cores que precisavam combinar, a música, comida, bebida, o vestido, sapatos. Ela queria que Zummach experimentasse a felicidade por completo, como agradecimento pelos anos de amizade.

Mesmo depois que a grande tenda foi erguida, que os arranjos foram distribuídos e que não havia mais nada para fazer, a não ser se emocionar com a união de Melissa e Landon, Clementine tentava encontrar algum trabalho por fazer.

Seu penteado já estava impecável em um coque elaborado em sua nuca, com vários cachos loiros caindo ao redor do seu rosto. A maquiagem destacava ainda mais os olhos azuis, que combinavam com a escolha do vestido.

O tecido que cobria seus saltos era de um azul índigo que subia em degrade até atingir um tom fechado quase preto na única alça que cobria seu ombro direito, deixando o esquerdo completamente nu. A alça era envolvida em pedras prateadas, do mesmo tipo que contornava um dos lados de sua cintura.

O sorriso que Clementine trazia era sincero, mas não alcançava seu olhar quando ela ocupou seu lugar ao altr, aguardando pela chegada de Clementine. Se os problemas não ocupassem sua mente, ela provavelmente se orgulharia do trabalho bem feito com aquela festa, mas quanto mais se esforçava, não conseguia deixar que a felicidade lhe invadisse por completo.

Quando a marcha nupcial começou e não houve sinal de Melissa, Clementine trocou um olhar com o noivo, já nitidamente angustiado. Landon franziu as sobrancelhas e estreitou o olhar quando encontrou a loira, em uma pergunta muda sobre o paradeiro de Melissa.

Os convidados começavam a se revirar em seus lugares e Clementine chegou a dar o primeiro passo para ir atrás da amiga quando a claridade externa invadiu pela abertura da tenda. A primeira coisa que entrou em seu campo de visão foi o rosto do Sr. Zummach, mas antes que ela esperasse o pior, a serenidade do rosto de Melissa apareceu, mostrando que não havia nada de errado com aquela cena.

Os ombros de Clementine relaxaram e ela voltou a encarar Landon, mas os olhos verdes do auror já estavam presos na noiva que entrava pelo corredor rodeado de flores, como se a angustia de segundos antes jamais tivesse existido.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Jan 22, 2017 1:59 am

- A Melissa fugiu.

As palavras de Landon eram quase inaudíveis enquanto escapavam de seus dentes trincados em meio ao sorriso que ele exibia para os convidados a sua frente. Nenhuma das pessoas bem arrumadas sentadas nos bancos poderia escutar, mas aquilo não se aplicava ao seu padrinho, às suas costas.

Claro que Melissa tinha fugido. Por que outro motivo a marcha nupcial continuaria tocando sem nenhum sinal da noiva? Landon deveria ter esperado por aquela. Zummach era especialista em lhe surpreender, já havia provado aquilo dezenas de vezes ao longo dos anos. Era mesmo muita inocência acreditar que aquele dia seria diferente.

- Aquela maluca fugiu. É claro que fugiu...

Landon procurou pelo olhar de Clementine, esperando ver na melhor amiga de Melissa qualquer sinal que o tranquilizasse. Se DiLaurentis estivesse tranquila, então aquilo era apenas uma pegadinha de Melissa para lhe torturar. Algo que faria com que ela soltasse uma gargalhada depois que carregasse a aliança em sua mão esquerda.

Porém, a preocupação da organizadora daquele casamento fez o estômago de Landon dar uma volta completa. Se Clementine também estava preocupada, não era um bom sinal. Ele devia ter tomado mais cuidado, feito qualquer coisa para evitar aquele desastre.

Quando Landon começou a sentir sua têmpora ficar pegajosa com o suor e um frio subir pela sua espinha, já completamente torturado, a claridade que veio da entrada da tenda fez seu coração falhar uma batida.

A figura de Alfred Zummach fez com que ele franzisse as sobrancelhas. Ele já havia encontrado o rosto de Julia em meio aos convidados, mas poderia jurar que a mãe de Melissa havia apenas enfrentado ao marido para presenciar o grande dia da filha.

Um sorrisinho surgiu no canto dos lábios de Landon e ele se encheu de orgulho ao ver que o pai de Melissa havia voltado atrás. Só de imaginar a felicidade de sua futura esposa com aquela surpresa, Landon já estava satisfeito por completo.

Então, seu olhar finalmente pousou na imagem inédita da noiva. Não era nenhuma surpresa para Landon ver o quanto Melissa estava linda. Ele já conhecia cada delicado traço dela para saber o quanto ela era capaz de lhe tirar o fôlego. E ainda assim, era impossível ignorar o quão maravilhosa ela estava.

O vestido tinha um tecido leve e esvoaçava conforme ela caminhava em sua direção. O rosto bonito havia sido coberto por uma camada fina de maquiagem, apenas para realçar os pontos certos. O narizinho arrebitado e o sorrisinho que ela trazia nos lábios fartos mostravam que ainda existia a mesma menina rebelde em meio aquela fantasia de noiva, provando que Landon havia feito a escolha certa.

Quando o Sr. Vanderwaal parou diante do altar com a filha, a música finalmente cessou. Landon esticou a mão e apertou com firmeza os dedos de seu sogro. Nenhuma palavra foi trocada entre os dois, mas o olhar intenso era suficiente para que ambos compreendessem o que cada um deles pensava.

Apesar de todas as diferenças e todas as dificuldades, todos eles haviam engolido o próprio orgulho em prol da felicidade de Melissa.

Então, os olhos verdes finalmente pousaram na mulher ao lado de Alfred e os lábios de Landon se curvaram involuntariamente em um sorriso torto. Ele estudou a menina de cima a baixo antes de finalmente puxá-la para perto, depositando um beijo carinhoso no topo de sua cabeça.

- Você está atrasada. – Ele repreendeu, piscando um dos olhos em seguida. – Mas está linda. Valeu cada mini-infarto que tive enquanto te esperava.

Quando o Sr. Zummach se afastou, indo ocupar o lugar junto a sua esposa, Landon se acomodou ao lado de Melissa diante do ministro que lidaria a cerimonia naquele dia. Antes que o homem começasse seu discurso, ele ainda se inclinou para o lado, sussurrando ao pé do ouvido da noiva.

- Espero que o seu vestido seja tão fácil de tirar quanto é bonito. Mal vejo a hora de ficar a sós com você, Sra. Vanderwaal.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Dom Jan 22, 2017 2:27 am

- Você tem um excelente emprego, um salário justo, um apartamento. Tem muitos amigos que te adoram, uma namorada apaixonada. Eu sei que a sua tia e eu não fomos perfeitos, mas me arrisco a dizer que te demos uma boa família, Liam. Então, não. Eu não aceito este argumento de “vida medíocre”. Seja homem e assuma que aceitou este acordo por ambição.

As palavras do Sr. Vanderwaal atingiram Mellish com a potência de um soco. Os Vanderwaal tinham sido informados sobre a decisão de Liam há alguns dias, mas os preparativos finais para o casamento de Landon e Melissa tirara um pouco o foco daquela novidade bombástica. Só agora, a sós com o sobrinho, o Sr. Vanderwaal trazia o assunto de volta e assumia o seu posicionamento frente à decisão do lufano.

Liam e o tio estavam em um ponto isolado da tenda. Vanderwaal havia acabado de voltar da cozinha com a mão cheia de doces quando avistou o sobrinho sozinho. Não era o momento ideal para aquela conversa séria, mas o auror se sentia engasgado com a argumentação que Liam apresentou ao contar sobre seu novo sobrenome aos tios.

- O senhor não imagina tudo o que eu aguentei nos últimos tempos. Ninguém pode me julgar porque ninguém esteve na minha pele.

- Eu não estou te julgando pela escolha, mesmo que eu não concorde com ela. Só estou exigindo que você não ofenda a minha inteligência com este argumento fraco, Liam. Você não aceitou o sobrenome dos Rookwood porque a sua vida é ruim. Você fez isso porque quer ser rico e poderoso. Você quer estar acima das pessoas que um dia pisaram em você. Ambição, vingança, orgulho, cobiça... dê os nomes certos aos seus sentimentos.

Para não estragar o grande dia de Landon e Melissa, aquela discussão não foi levada adiante. Liam engoliu as ofensas proferidas pelo tio e deu as costas a ele quando notou o aumento na movimentação da tenda. Como padrinho, Mellish precisava estar por perto para ajudar Landon em qualquer eventualidade.

O que Liam não imaginava era que o primo precisaria de seu apoio para lidar com a humilhação da fuga de uma noiva. Quando a orquestra começou a repetir a marcha nupcial sem que Melissa aparecesse na tenda, os olhos de Liam saltaram para fora e ele não duvidou que Zummach tivesse coragem para protagonizar aquela loucura.

- Calma, cara. – Liam tentou tranquilizar o primo embora não estivesse tão certo das próprias palavras – Talvez aquele pelúcio maluco roubou os brincos dela.

Assim como Landon, Mellish manteve um sorriso tenso nos lábios enquanto murmurava as palavras para o noivo. Também repetindo o gesto de Vanderwaal, Liam voltou um olhar sério para Clementine, num pedido mudo de explicações para aquele atraso. A preocupação da loira deu a Liam a certeza de que alguma coisa estava errada. Discretamente, o padrinho se afastou um passo do altar enquanto murmurava apenas para Landon.

- Eu vou ver o que está havendo.

Para alívio dos convidados e principalmente do noivo, Melissa surgiu no instante seguinte acompanhada pelo pai. A presença inesperada do Sr. Zummach justificava aquele atraso torturante e tirava de Melissa a culpa pelos minutos de desespero sofridos por Landon. A felicidade logo voltou a estampar o semblante de Vanderwaal e o foco de todos os presentes se voltou para a cerimônia.

Os olhares apaixonados e a alegria escancarada dos noivos despertou uma pontinha de inveja em Liam. Há algumas semanas, ele e Clementine viviam uma paixão muito parecida, mas tudo havia mudado drasticamente desde a discussão sobre os Rookwood. Liam compreendia as razões de DiLaurentis para estar chateada com as escolhas dele, mas nem por isso estava arrependido da decisão tomada.

Apesar daquela enorme crise no relacionamento, Mellish ainda tinha esperança de acertar as coisas com a namorada. Clementine só tinha que entender que o namoro precisava voltar para a clandestinidade por algum tempo até que os dois voltassem a ficar juntos, agora em uma vida plena e luxuosa que eles jamais teriam sem a herança de Augustus.

O ministro conduziu o casamento de forma serena, seguindo o protocolo para a ocasião. Os noivos trocaram as alianças e fizeram votos apaixonados antes de assinarem a certidão. Landon assinou primeiro e depois passou a pena para a esposa, que já acrescentou o Vanderwaal ao fim do seu nome.

Em seguida, foi a vez dos padrinhos registrarem sua participação naquela união. Liam assinou na linha que lhe cabia e, como o documento de Augustus já tinha sido aprovado pelo Ministério da Magia, Clementine encontraria a nova assinatura do namorado quando chegou a sua vez de pegar a pena.

Liam M. Rookwood

A abreviação do Mellish era apenas um detalhe que comprovava o quanto Liam estava mergulhado naquela nova realidade. Ele havia se vendido por completo para os Rookwood em troca de uma herança que nunca fizera parte de seus planos.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Dom Jan 22, 2017 3:00 am

- Eu deveria estourar a sua cabeça por ter escondido isso de mim. Mas vou te poupar desta vez porque imagino que o meu pai já tenha te azarado o suficiente...

Só enquanto dançava a primeira valsa da noite com o marido, Melissa conseguiu mencionar a surpresa que tivera naquela tarde. Assim como no baile de Hogwarts, os dois demonstraram uma harmonia invejável enquanto rodavam no ritmo da valsa no espaço em frente ao pequeno palco no qual a orquestra se apresentava.

- E também vou te poupar porque não quero virar uma viúva antes mesmo da noite de núpcias. – o sorrisinho de Melissa se tornou mais divertido e ela inclinou o tronco para sussurrar as palavras seguintes ao ouvido de Landon – A lingerie foi cara, seria um desperdício não usá-la.

A felicidade do casal era tão plena que nenhum dos dois enxergava qualquer problema naquela noite especial. Se até mesmo a guerra foi deixada de lado naquele momento, é óbvio que Melissa e Landon não notaram que havia um clima esquisito entre Liam e Clementine. Zummach era o tipo de amiga que deixaria de lado a própria alegria para ajudar Cleo, mas Mel realmente não havia notado que os sorrisos forçados da loira não se refletiam em seus olhos.

Só o casamento já era o suficiente para que Melissa se sentisse satisfeita e realizada, mas a presença dos pais viera como um brinde. O apoio dos Zummach e a união daquele laço rompido no passado eram tudo o que Melissa precisava para ser plenamente feliz naquela noite.

Depois da primeira dança com Landon, Melissa seguiu o protocolo e cedeu a segunda dança ao pai enquanto o noivo puxava a mão da Sra. Vanderwaal. Depois de tantos anos sem nenhum contato com Alfred, Melissa sentia um misto de mágoa, saudade e emoção por estar novamente em frente a ele. Apesar de tudo, Mel ainda era a mesma menina que enfrentara uma punição para proteger o pai de Azkaban.

- Eu não mandei o convite porque achei que vocês não viriam. – a noiva fez uma pausa para girar no ritmo da valsa antes de continuar o seu desabafo – Se eu convidasse, ficaria ansiosa e decepcionada. Eu só quis evitar mais uma decepção em um dia tão especial.

- Se você simplesmente mandasse um convite, eu não viria. – Alfred confessou com uma expressão séria – Eu só vim porque queria ter certeza de que aquele moleque atrevido realmente estava falando sério quando disse que te amava.

- Você o azarou, não foi?

- É lógico.

A confissão de Alfred soou com tanta naturalidade que arrancou um riso da filha. Melissa conhecia tão bem o próprio pai que quase conseguia visualizar a conversa tensa dos dois e Landon sendo arremessado para longe graças a um feitiço da varinha do Sr. Zummach. Aquilo só fazia com que Mel valorizasse ainda mais o sacrifício do marido.

- Obrigada. – os olhos azuis buscaram pelo rosto de Alfred, agora com uma expressão mais séria – Você e a mamãe tornaram o meu dia ainda mais especial, pai. Eu sei que as minhas escolhas te decepcionaram, mas espero que entenda que isso não mudou em nada o amor que eu sinto por vocês.

Melissa apertou os lábios com força para segurar as lágrimas emocionadas que brotaram em seus olhos quando Alfred a puxou para um abraço e depositou um beijo em sua testa. Em retribuição, Mel se agarrou ao tronco do pai e alongou aquela carícia por mais alguns segundos.

Aquele momento doce só foi interrompido quando a noiva avistou as já conhecidas vestes lilás no meio da aglomeração de convidados. É óbvio que Melissa não convidaria Dumbledore para o seu casamento, mas foi impossível cortar o diretor de Hogwarts da lista de Landon.

Um pouco mais tensa, Melissa buscou pelos olhos do pai enquanto murmurava aquela súplica.

- “Ele” está aqui. Eu não pude evitar, a família do Landon fez questão de convidá-lo... Mas não vá embora e nem crie confusões, pai, por favor. Só por hoje, hm? Não estrague o dia mais feliz da minha vida. Se eu consigo ignorá-lo, você também consegue.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Jan 22, 2017 3:19 am

Quando os noivos finalmente trocaram as alianças e Melissa passou a adotar o sobrenome Vanderwaal, Clementine soube que seu trabalho havia chegado ao fim. Claro que ela ainda precisaria ficar atenta até o fim da festa para que nada desandasse, mas a amiga já estava nos braços de seu marido, tomada por uma felicidade completa. O que realmente importava havia acontecido.

Com uma ponta de inveja, os olhos azuis acompanharam o casal de recém-casados se posicionarem na pista de dança, dando início aos primeiros passos como Sr. e Sra. Vanderwaal. A forma apaixonada com que se encaravam não deixava dúvidas a ninguém de que pertenciam um ao outro.

Enquanto alguns podiam julgar o casal por serem novos demais para aquele tipo de compromisso, Clementine sentia apenas uma pontada de inveja pela certeza que ambos tinham de que queriam passar o resto dos dias juntos, enfrentando qualquer problema desde que tivessem um ao outro.

Por mais que amasse, Liam, DiLaurentis não conseguia mais enxergar aquela mesma cumplicidade com o namorado. Mellish não enfrentaria os próprios desejos e ambições para ficar ao seu lado, ao contrário de Melissa que havia comprado uma briga com a própria família para continuar ao lado de Landon.

Não adiantava mais continuar se enganando. Ela tivera o casamento da amiga para se ocupar nos últimos dias, mas Clementine não poderia fugir para sempre. Continuar adiando o que era inevitável apenas prolongaria a tristeza que sentia.

No passado, a jovem primogênita dos DiLaurentis poderia ser conhecida por sua indecisão e pela falta de atitude diante de problemas críticos. Mas já havia amadurecido o suficiente para saber que decisões precisavam ser tomadas, por mais que não fossem as mais fáceis.

A cor alaranjada dos céus já havia desaparecido, dando lugar a uma cobertura lisa de um tom escuro. Já com a lua brilhando, as centenas de luzinhas que iluminavam os troncos das árvores e os arredores da tenda fazia com que a beleza do lugar permanecesse, mesmo sem a luz do dia.

- Podemos conversar?

Aquele não era o local ideal para uma conversa séria. Era de longe o último cenário adequado para um casal em crise enfrentar os seus problemas. Clementine não queria arruinar a festa e o momento especial da amiga, mas também não suportaria continuar sufocando aquela tristeza em seu peito.

Por isso, pareceu bastante decidida quando parou diante de Liam e indicou com um movimento da cabeça o caminho que deveriam tomar. Em meio aos convidados que sorriam, bebiam e se divertiam, os dois deixaram a tenda para o ar fresco da noite.

A decoração externa contribuía para que tivessem a sensação de que ainda estavam dentro da festa, mesmo quando se afastaram alguns passos até o canto menos iluminado dos jardins, onde as sombras dos arbustos pareciam apenas contornos fantasmagóricos.

Quando Clementine parou de andar e se voltou para Liam, só o que conseguia enxergar era a caligrafia dele assinando o novo sobrenome. Era como um soco no estômago e aquilo só provava que o namorado não estava arrependido com as escolhas, reforçando que DiLaurentis não estava tomando a decisão errada.

- Eu não vou mais brigar, Liam. Se você realmente está convicto de que fez a escolha certa, brigar vai ser inútil e desgastante, para nós dois.

O discurso da loira poderia ser apenas uma bandeira branca sendo erguida, um sinal de que ela estaria disposta a engolir o próprio orgulho e aceitar aquela novidade na vida de Liam. Porém, as palavras seguintes esclareceriam que a sua decisão não era tão simples.

- Você me acusou de ter sido omissa com todas as coisas erradas que o Cristopher fez e eu admito o meu erro. Mas isso só me ensinou a não ficar mais calada diante de algo que eu não concordo ou que me decepciona.

Um vento mais forte fez com que os cachos loiros roçassem a nuca de Clementine. Ela cruzou os braços para se proteger do frio, sentindo falta da tenda aquecida, das bebidas quentes e principalmente do abraço de Liam. Mas nem mesmo aquela saudade antecipada foi capaz de fazê-la desistir.

- O erro do Cristopher foi ter colocado o ódio dele por você a frente do que eu e ele tínhamos. Isso só fez com que eu me decepcionasse mais com ele, o que permitiu abrir uma brecha para me apaixonar por você. – Um sorriso triste brincou nos lábios de Clementine com as lembranças do início daquele relacionamento. - Mas parece que esse foi o seu erro também. E eu estou cansada de me meter no meio do drama dos Rookwood. Eu sinto muito, Liam. Mas acabou.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Dom Jan 22, 2017 3:56 pm

Quando Clementine sugeriu aquela conversa em particular, Liam teve certeza de que os dois se acertariam. O clima de romance e felicidade do casamento era contagiante e, quando seguiu os passos da loira até a área externa da tenda, Mellish estava convicto de que os dois concordariam em enfrentar mais aquela dificuldade juntos. Era o primeiro passo para que, num futuro próximo, eles fossem os protagonistas de uma festa de casamento.

Mesmo na escuridão da noite, era possível notar que Liam estava diferente. O lufano sempre teve uma boa aparência e vestiu roupas de qualidade, mas naquela noite era evidente que as vestes do rapaz eram muito mais caras que o normal. O terno preto tinha sido feito sob medida, assim como a camisa branca impecavelmente lisa. Os sapatos novos brilhavam, os cabelos castanhos estavam úmidos devido a uma camada de gel e nem mesmo um fio escapava do penteado. Aquele ainda era Liam Mellish, mas agora em uma versão refinada que combinava com a postura que se esperava de um Rookwood.

Um discreto sorriso surgiu nos lábios do lufano quando Clementine iniciou o seu discurso alegando que não queria mais brigar. Aquelas palavras reforçaram a ideia de que aquela conversa era o primeiro passo para uma reconciliação do casal.

Por estar tão convicto de que tudo terminaria bem naquela noite, Liam demorou a entender que o “acabou” proferido por DiLaurentis se referia ao relacionamento dos dois. As sobrancelhas do rapaz se ergueram e os olhos castanhos se arregalaram um pouco quando Mellish finalmente compreendeu que aquilo era um rompimento e não uma reconciliação.

O velho monitor-chefe da Lufa-Lufa não hesitaria em implorar por uma segunda chance. O orgulho de Liam nunca fora maior que o amor que ele sentia por Clementine. Naquela noite, porém, Liam não se esforçou para que a namorada reconsiderasse aquela decisão. Talvez já contaminado pelo orgulho dos Rookwood, o rapaz foi invadido por uma grande revolta e não mediu a intensidade das próprias palavras quando mergulhou naquela discussão.

- Eu sou obrigado a concordar que é melhor que terminemos por aqui. Quando eu tomei a decisão de mudar meu sobrenome, meu objetivo era colocar um fim nas humilhações que eu sofri ao longo da minha vida. E, neste caso, não faz o menor sentido continuar ao lado de alguém que sistematicamente me humilhou desde o nosso primeiro contato.

Embora estivesse despedaçado por dentro, Liam não permitiu que sua voz refletisse a tristeza que se espalhava por todas as suas células. Seu orgulho exigia que Mellish saísse daquele relacionamento por cima, e não como um pobre coitado apaixonado que era dispensado pela garota dos seus sonhos.

- Não negue o óbvio, Clementine. Você sempre gostou da sensação de estar acima de mim. Eu entendo que seja difícil para você se colocar neste relacionamento agora que os papeis estão invertidos. Você não será mais a linda menina rica que fez a caridade de olhar para um lufano bastardo. Neste novo contexto, você seria a pobre menina falida que depende do namorado rico para manter seus caprichos.

Era bizarro ver como Liam havia mudado desde o encontro com Augustus Rookwood. O rapaz amável e simples do passado havia sumido, deixando em seu lugar um homem amargo e orgulhoso, apegado aos bens materiais que nunca lhe tinham feito falta. Era como se o simples fato de agora carregar o sobrenome dos Rookwood fosse uma espécie de doença contagiosa que mudava a personalidade dócil do lufano.

O velho sorrisinho torto característico de Liam também havia mudado e, quando surgiu nos lábios dele naquela noite, trazia consigo um inédito ar de sarcasmo.

- Demorou, mas eu finalmente enxerguei o quanto fui idiota correndo atrás de você a vida inteira. Eu cansei de batalhar sozinho por este relacionamento. Antes você nem me enxergava, depois passou a me ver como a segunda opção quando o “Cris” deixou de ser a escolha perfeita. Eu quase morri nas mãos dele por causa desta droga de namoro, e mesmo depois disso tive que implorar para que você voltasse para mim. Mas agora chega, Clementine, não vou mais implorar pelo seu amor. Isso já está ficando doentio.

Um sopro de vento levou o perfume de DiLaurentis até o rosto de Mellish, como se o destino quisesse provocá-lo com aquela tentação. Contudo, o lufano se manteve inabalável naquela nova postura fria.

- Eu preciso ter ao meu lado alguém que apoie as minhas escolhas e queira me ver crescendo na vida. Você tem sido uma âncora que só me arrasta para baixo e eu estou farto de viver num lamaçal. Acabou mesmo, não te quero mais.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Jan 23, 2017 12:51 am

A música tocava alta e o clima de festividade fazia com que todos os convidados se esquecessem que ainda existisse uma guerra fora daquelas barreiras. É claro que a presença de alguns aurores espalhados pelo quintal dos Weasley era uma pequena lembrança de que nem tudo poderia ser tão feliz quanto o interior daquela tenda, mas ao menos por algumas horas, Lord Voldemort e seus seguidores foram varridos das lembranças de Landon Vanderwaal.

Todo o protocolo exigido pelos noivos já havia sido completado, permitindo que os dois apenas curtissem o restante da festa na companhia dos amigos e familiares. A gravata de Landon já havia se perdido, as vestes estavam amarrotadas e os cabelos completamente bagunçados. Uma leve camada de suor brilhava em sua testa, mas o largo sorriso de uma felicidade sincera era suficiente para tornar todos aqueles detalhes ainda mais atraentes.

Nada deixava Landon Vanderwaal mais bonito do que o olhar apaixonado que ele dirigia para Melissa sempre que a procurava pelo salão e o sorriso satisfeito que era incapaz de deixar seus lábios.

Com uma taça pela metade nas mãos, Landon soltou uma gargalhada diante da piada que Robbie havia acabado de contar. Em uma ocasião normal, a piada provavelmente não teria tido tanta graça, mas o estado de espírito do jovem auror permitia que ele se felicitasse por qualquer detalhe bobo.

- Essa é boa, Robbie! Mas é sério, não faça piadas com pelúcios outra vez, ou a Mel vai estuporar você. E agora ela é casada com um auror, o que me obriga a também estuporar você.

Cambaleando, Landon se afastou da mesa com os antigos colegas de Hogwarts até encontrar um novo rosto conhecido. Ele parou ao lado de um dos colegas do ministério da magia e apertou seu ombro enquanto os dois olhavam para a pista de dança.

Como se um ímã obrigasse as íris verdes a sempre encontrarem Melissa, Landon logo a encontrou rodeada das antigas amigas da Corvinal. Ela estava ainda mais relaxada depois da cerimônia formal e ver a felicidade estampada no rosto dela era a única coisa que importava.

- Por que você está sorrindo feito um idiota? – Wess Bullstrode, que entrara no quartel de aurores no mesmo ano que Landon, ergueu uma sobrancelha para encará-lo por cima do ombro.

Ao invés de responder, Landon apenas continuou sorrindo enquanto admirava os movimentos de Melissa na pista de dança. Ele poderia estar um pouco alterado pelo espumante em suas mãos, mas sem sombra de dúvida, aquela felicidade era basicamente provocada pela intensa paixão que sentia pela mulher de branco a sua frente.


- Tá brincando? Olha só com quem eu me casei! Eu seria louco se não estivesse sorrindo feito um idiota.

- Ouvi dizer que ela consegue estuporar alguém melhor do que você. – Wess sorriu com um quê de implicância, mas nem aquele comentário foi capaz de abalar o noivo.

- Pode apostar seus galeões nisso.

Landon provavelmente ficaria ali parado, admirando Melissa até que a recém Sra. Vanderwaal notasse sua presença e resolvesse arrastá-lo para a pista de dança. Ao invés disso, um reflexo lilás do outro lado chamou sua atenção e Landon ergueu o pescoço até encontrar as vestes excêntricas do velho diretor de Hogwarts.

Pela primeira vez, seus lábios se retraíram e Landon encarou o homem que observava discretamente o movimento da pista de dança enquanto balançava seus próprios pés no ritmo da música, sentado em uma das cadeiras.

- Eu já volto. – Landon anunciou para Wess, cortando o salão ao redor da pista de dança até alcançar o diretor.

Albus Dumbledore abriu um sorriso ao encontrar seu ex-aluno e meneou a cabeça para parabeniza-lo.

- Encontrei acidinhas na mesa dos doces. Para minha sorte, estavam quase intactas.

Landon arrastou uma das cadeiras e se sentou ao lado do diretor, guardando para si a observação daquele doce pouco famoso entre os paladares das maiorias das pessoas, mas coincidentemente o preferido de Melissa e de Dumbledore.

- Para sua sorte, a Mel ainda não saiu da pista de dança. Pode apostar que as acidinhas vão acabar no instante em que ela se dar conta disso.

Dumbledore voltou a menear a cabeça e por um instante, Landon teve a impressão de que ele estava apenas balançando seu corpo no ritmo da música agitada.

- Meus parabéns pelo casamento, Landon. É bastante óbvio para todos a felicidade do casal.

Landon girou a cadeira para se sentar com as pernas abertas de frente ao encosto. Seus braços foram apoiados na armação de madeira e ele percebeu que daquele ângulo do salão, Dumbledore tinha uma vista privilegiada da pista de dança.

Com uma rápida olhada pelo salão, ele encontrou o Sr. e a Sra. Zummach sentados, afastados de qualquer outra movimentação. Então, pousou o olhar no velho diretor apenas para se certificar de que ele não encarava o pai de Melissa.

- Ela está feliz. É isso que importa.

Dumbledore concordou em silêncio, mas Landon podia jurar que viu os olhos azuis brilharem por trás das lentes de meia-lua.

- Eu vou cuidar dela, professor. Ela é minha responsabilidade agora.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Jan 23, 2017 1:30 am

Por mais que a última discussão com Liam não tivesse sido fácil, Clementine ainda tinha esperanças de reencontrar o namorado naquela noite. Na pior das hipóteses, ela enxergava mesmo o fim daquele relacionamento, mas de uma forma muito mais amigável em que os dois concordavam seguir caminhos diferentes.

Mas não havia nenhum vestígio do carinho de Mellish nos olhos castanhos daquela noite. Não eram apenas as vestes mais caras ou a postura nobre que ele exibia junto com o sobrenome Rookwood. Liam estava completamente transformado, de uma forma irreconhecível e sem qualquer lembrança do homem que ela havia se apaixonado após um beijo confuso no corujal.

Quando Liam terminou o seu cruel discurso, uma fina camada de lágrimas cobria os olhos azuis. Mas a expressão de Clementine estava dura e ela se controlava até a última fibra para não chorar diante dele.

O queixo tremeu quando DiLaurentis trincou os dentes e ela se viu obrigada a desviar o olhar enquanto negava com um movimento da cabeça, repreendendo a atitude de Liam. Em uma postura claramente defensiva, a menina cruzou os braços em frente ao corpo e quando voltou as íris claras para o homem a sua frente, só exibia uma intensa decepção.

- Uau... Quem diria que no final das contas, o Cris estava mesmo certo, não é? Você sempre quis o lugar dele. O pai, o sobrenome, a herança, a popularidade... a namorada.

Um nó havia se formado na garganta de Clementine, e mesmo com o vento frio do inverno, ela sentia um fogo queimando, tornando ainda mais difícil falar. Cristopher lhe causara uma imensa decepção, mas no final das contas, aquilo não chegava nem na metade da dor que Liam estava provocando.

O ex-namorado sempre havia dado sinais de que não era uma pessoa de boa índole até o momento em que Clementine foi incapaz de continuar ignorando. Liam, por outro lado, sempre pareceu ser o homem perfeito. O namorado carinhoso, apaixonado e que ela poderia jurar que teria um futuro feliz.

Ver que no final das contas ela só havia servido como um peão na briga dos dois irmãos causava uma profunda mágoa. DiLaurentis se sentia estúpida por ter se iludido tanto.

- Agora que o papai não tem mais o filhinho querido e precisa se contentar com você, não há mais ninguém para esfregar na cara que você havia ganhado pelo menos em uma dessas batalhas, né? Mas agora, sem o Cristopher por perto, qual o sentido de continuar ao meu lado? Você tem o dinheiro sujo dos Rookwood para mostrar ao mundo que venceu.

Clementine estalou a língua no céu da boca e voltou a sacudir a cabeça, fazendo com que o coque afrouxasse um pouco. Ela descruzou os braços e apoiou as mãos na cintura, estudando a postura de Liam que estava ainda mais parecido com Cristopher.

- Você sabe quantos verões eu passei com o Cristopher, Liam? Quantos jantares frequentei na casa dos Rookwood? Eu perdi a conta. Mas se você acha que era algum tipo de piada para eles, pode ficar tranquilo. Você sempre foi insignificante ao ponto de não citarem o seu nome uma única vez.

Ela ergueu um ombro, os lábios involuntariamente se curvando em um sorriso amargo enquanto finalizava o seu discurso.

- Mas parabéns. Parece que você não é nada insignificante agora. Na verdade, me arriscaria a dizer que está uma bela cópia do Cristopher.

A loira fez uma pequena reverencia, inclinando seu corpo para frente como se estivesse diante de alguém da realeza. Ela já começava a se afastar alguns passos quando deixou uma única lágrima escorrer pela bochecha, torcendo para que a escuridão do jardim ocultasse aquele deslize.

- Eu, a minha ancora e minha mediocridade estamos saindo de cena. Desfrute a sua fortuna e o seu sobrenome, Sr. Rookwood.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Ter Jan 24, 2017 12:05 am

Nem mesmo os raios de sol que invadiam o quarto eram capazes de amenizar a temperatura baixa daquela manhã de domingo. O inverno havia chegado com mais força que o normal naquele ano e, por uma brecha da cortina entreaberta, era possível ver uma camada de neve que se acumulava no batente da janela.

A lareira acesa deixava a temperatura mais agradável no interior da pequena casa localizada no simpático vilarejo de Godric’s Hollow, mas as chamas fracas depois de uma noite inteira de fogo obrigavam o casal a se encolher sob os grossos cobertores espalhados na espaçosa cama de casal.

A ideia inicial de Melissa Vanderwaal era aproveitar aquela manhã preguiçosa de domingo para recuperar o sono perdido durante a última semana tumultuada. O trabalho no jornal se somou ao desgaste da mudança para Godric’s Hollow, mas todo o sacrifício valeria a pena.

O casal Vanderwaal gastara todas as suas economias na troca do apartamento por uma casa, mas aquela fora uma despesa mais do que necessária. Seria simplesmente impossível acolher mais uma pessoa no minúsculo apartamento de Landon e a barriga roliça que Melissa já exibia indicava que, em breve, os dois se transformariam em três. E o bebê precisava de espaço e do conforto que a nova casa oferecia à família.

Apesar do sono e do cansaço acumulado, os olhos azuis se abriram nas primeiras horas da manhã. O leve desconforto que já estava se tornando familiar fez a expressão da Sra. Vanderwaal se contorcer numa careta e Melissa se remexeu na cama.

A tentativa de se levantar delicadamente para não acordar o marido fracassou simplesmente porque Melissa não conseguiu se livrar do braço firme que a embalava num abraço protetor. Com um sorriso doce e sonolento nos lábios, a garota tocou carinhosamente nos dedos compridos pousados sobre a sua barriga roliça e virou o rosto, roçando seu nariz no de Landon até que o auror despertasse.

- Amor... Se você não me soltar, uma tragédia vai acontecer. – os olhos azuis giraram antes que Melissa completasse – O seu filho já acordou e está usando a minha bexiga como cama elástica. De novo.

Apesar do comentário mal humorado, o sorriso doce de Melissa denunciava que ela não estava insatisfeita com os percalços da gestação. Aos oito meses, a Sra. Vanderwaal já havia passado da fase dos enjoos e dos desejos descabidos, mas agora enfrentava uma dorzinha nas costas por causa do peso da barriga e idas constantes ao banheiro.

As dificuldades, contudo, não reduziam o brilho que Melissa adquirira com a maternidade. Embora fosse muito jovem para se tornar mãe e aquela gravidez tivesse sido um descuido do casal, Mel se encaixara com perfeição no papel que lhe cabia. A Sra. Vanderwaal havia amadurecido muito nos últimos meses e estava pronta e ansiosa para ter o bebê nos braços. Aquele filho seria o melhor presente que os Vanderwaal poderiam ganhar depois de um ano desde a troca de alianças.

Quando finalmente se viu livre do abraço do marido, Melissa deslizou para fora do colchão. A camisola branca era feita de cetim e o tecido delicado não escondia o volume na barriga da garota, tampouco os seios que também haviam ganhado novas formas nos últimos meses. A Sra. Vanderwaal não havia ganhado muito peso com a gestação, mas a barriga roliça se destacava no corpo magro.

Ainda sonolenta, a garota se arrastou até o banheiro para aliviar aquele desconforto. Apesar da sensação de ter a bexiga sistematicamente esmagada, Melissa ficava encantada em sentir o bebezinho se mexendo dentro dela. Mesmo depois de tantas semanas de gravidez, ela não se cansava de admirar aquele pequeno milagre que nascera do amor dela por Landon.

No caminho de volta até o quarto, Melissa não resistiu à tentação de empurrar a porta do cômodo que ficava no meio do corredor. Ainda faltavam alguns detalhes na decoração, mas o quartinho do bebê já estava praticamente pronto para receber o pequeno Vanderwaal.


A escolha das cores não deixava dúvidas de que o casal já sabia o sexo do bebê. No início da gravidez, Melissa dizia para si mesma que não faria diferença e que ela amaria o filho com a mesma intensidade, sendo um menino ou uma menina. Entretanto, desde que o curandeiro afirmara que era um garotinho que crescia no ventre dela, a futura mãe se sentia a cada dia mais apaixonada pela ideia de ter um pequeno Landon em seus braços. Sempre que fechava os olhos e tentava imaginar o rostinho da criança, Mel visualizava os traços bonitos do marido, as íris esverdeadas e os cabelos castanhos bagunçados.

Quando entrou no quarto do bebê, Melissa planejava apenas fechar uma brecha da janela para impedir que o vento frio do inverno adentrasse a casa. Mas uma soma de infelicidades transformaria aquela manhã tranquila no pior pesadelo da vida da Sra. Vanderwaal.

O sono deixava os reflexos de Melissa mais lentos e a garota não percebeu que o chão sob a janela entreaberta estava úmido pela neve que entrara durante a madrugada. Os pés cobertos somente por meias de lã não ofereciam a Melissa a resistência necessária para evitar um escorregão. A barriga enorme também prejudicava o equilíbrio da jovem mamãe e o peso a puxou com força para baixo quando um de seus pés deslizou na neve derretida.

A Sra. Vanderwaal caiu sentada no chão gelado, fazendo um baque ecoar pelo cômodo. Uma dorzinha aguda no pé da barriga arrancou um gemido contido dos lábios dela, mas até então Melissa não tinha razões para se preocupar.

Contudo, a respiração da garota se acelerou quando a dor se tornou mais intensa e constante. Com uma expressão horrorizada, Melissa abaixou o olhar a tempo de ver uma mancha vermelha começar a se espalhar pela camisola branca.

- LANDOOOON! – o grito de pavor e desespero ecoou por toda a cama, cortado por soluços – LAAANDOOON!!!
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Qui Jan 26, 2017 11:22 pm

A bandeja de prata parecia pesada demais para as minúsculas mãos que a carregavam. Contudo, apesar do esforço, o pequeno elfo conseguiu subir todos os degraus da enorme escadaria da mansão Rookwood sem derramar nem mesmo uma gota do chá.

Assim como todos os elfos que serviam as famílias nobres do mundo da magia, aquela pequena criatura era digna de piedade. O corpo magro estava manchado de fuligem e poeira e era coberto somente por trapos imundos. Os pés descalços cheios de calos e cicatrizes refletiam o trabalho duro ao qual o elfo era submetido há anos. Havia uma verruga na ponta do nariz afilado e as orelhas compridas ficavam sempre abaixadas, num sinal de humildade e inferioridade.

Os grandes olhos amarelos se ergueram quando o elfo doméstico entrou no antigo quarto de hóspedes, que havia sido reformado e decorado de maneira luxuosa para abrigar o novo herdeiro dos Rookwood. Por estar tão acostumado com os maus tratos recebidos de Augustus e Cristopher, a pequena criatura exibia uma expressão de medo e insegurança quando se aproximou mais do novo patrão.

A bandeja que foi posta sobre a cama de Liam continha uma xícara de chá, um pratinho com uma generosa fatia de bolo, um pote de biscoitos, geleia, suco de abóbora, um sanduíche com carne de carneiro desfiada, bolinhos de caldeirão e um pedaço de torta de rins.

Diante de tamanha fartura, o novo integrante da família Rookwood interrompeu o trabalho de desfazer as suas malas e lançou ao elfo um olhar interrogativo. Aquela expressão deixou a criatura ainda mais tensa e ele apertou uma mão ossuda na outra enquanto tentava se explicar.

- Barrie não sabe o que o novo senhor gosta de comer. Então Barrie trouxe um pouco de tudo, meu senhor.

Liam obviamente sabia o que era um elfo doméstico e como aquelas criaturas se comportavam. Mas nem mesmo este conhecimento teórico evitou a surpresa de ver com seus próprios olhos aquela pequena vítima da crueldade e escravidão. Mesmo que nunca tivesse maltratado o pequeno Barrie, Liam se sentiu péssimo por ser tratado como um dos senhores daquela mansão.

- Obrigado, Barrie. Tudo parece ótimo. Da próxima vez não precisa se preocupar tanto, certo?

Os olhos amarelos se arregalaram diante do agradecimento, indicando que o elfo doméstico não estava habituado com aquele tipo de gentileza. A grande verdade era que Liam não sentia fome e nem mesmo aquela bandeja farta abriu seu apetite, mas o rapaz guardou aquele comentário para si com a intenção de não magoar Barrie.

Quando se sentou na beirada da cama e puxou para si a xícara de chá, Liam planejava apenas tomar um gole e comer um dos biscoitinhos para agradar o elfo doméstico. Contudo, aquela ideia teve que ser abandonada no instante em que o paladar de Liam reconheceu um sabor diferente no chá.

O pequeno Barrie ficou pálido como um fantasma e seus olhos quase saltaram para fora do rosto magrelo quando o novo patrão cuspiu o chá de volta na xícara e começou a tossir para limpar a garganta.

- O que houve, meu senhor??? – a voz do elfo soou esganiçada de desespero – O chá do Barrie não está bom? Barrie colocou açúcar demais? Barrie deixou o chá muito quente???

- Canela. – Liam explicou enquanto ainda tossia, os olhos castanhos se enchendo de lágrimas pelo esforço e pelo formigamento na garganta – Eu tenho alergia.

Só um gole de um chá temperado com canela não era o bastante para fazer mal a Liam, tampouco ele culpava o elfo por não conhecer aquela informação tão específica sobre ele. Por isso, o rapaz ficou em estado de choque quando viu o pequeno Barrie se colocar de joelhos no chão e começar a bater sua cabeça com força contra o piso de madeira.

- Barrie sente muito, meu senhor! Barrie não queria matar o seu novo senhor! Barrie é um péssimo elfo e merece ser castigado!

- Barrie!? – Liam ergueu a voz, ainda meio engasgado – Você não sabia! Está tudo bem!

As pancadas da cabeça do elfo no chão abafavam a voz de Liam e ecoavam por todo o quarto. Já desesperado em ver Barrie se machucar daquela forma, o novo senhor Rookwood foi obrigado a berrar uma ordem para o elfo doméstico.

- PARE DE SE MACHUCAR! AGORA, BARRIE!

Todo o corpo do elfo estremeceu e ele foi incapaz de desobedecer à ordem do seu senhor. Um galo enorme crescia na testa de Barrie quando ele ergueu a cabeça para encarar Liam, ainda com os olhos repletos de culpa. Era evidente que o elfo doméstico estava habituado a se castigar daquela maneira quando cometia erros com Augustus ou Cristopher, mas Liam jamais concordaria em participar daquela perversidade.

- Eu te proíbo de se machucar de novo, Barrie. Você entende isso? Está proibido de fazer isso! Quando você errar, vai simplesmente pedir desculpas.

Aquela cena com o elfo doméstico poderia parecer uma grande bobagem, mas contribuiu para que Liam finalmente entendesse o papel que ocuparia na sociedade a partir de agora. Como o herdeiro dos Rookwood, era esperado que Liam fosse um homem frio que não se importaria com o sofrimento de um elfo cujo único erro fora acrescentar um ingrediente errado em uma xícara de chá.

A melancolia que já dominava Liam desde a briga definitiva com Clementine terminou de soterrá-lo, trazendo consigo um amargo arrependimento. Contudo, era tarde demais para voltar atrás. Ele já havia perdido DiLaurentis, já havia deixado o emprego no Ministério da Magia e já não contava mais com o orgulho dos tios e dos amigos.

A única saída que restava a Liam era tentar se redimir por aquelas escolhas erradas. Se não havia nenhuma maneira de voltar atrás naquela decisão, o lufano ao menos se esforçaria para não se tornar um dos “senhores” aos quais Barrie estava acostumado a lidar.

Quando se agachou diante do elfo e puxou o guardanapo da bandeja para limpar a testa machucada de Barrie, Liam estava disposto a iniciar uma nova era na mansão dos Rookwood.

- Eu tenho mais uma ordem para você, Barrie. – o velho sorrisinho torto surgiu nos lábios de Liam – Você trouxe comida demais e não podemos desperdiçar. Quero que me ajude a comer.

- Mas Barrie não pode comer a comida dos senhores! – o elfo novamente soou esganiçado com aquela ordem surpreendente – Barrie come os restos, senhor.

- A partir de hoje eu digo que você pode comer o que quiser nesta casa. – Liam pegou o pratinho com o bolo e o entregou nas mãos magrelas do elfo – Experimente. Tenho certeza de que vai gostar.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Jan 28, 2017 12:19 am

As mãos de Landon tremiam enquanto ele via a água lavando o sangue de suas mãos, fazendo com que o líquido se tornasse rosado e descesse pelo ralo da pia. O jato forte de água se chocava contra sua pele, mas ele ainda precisava esfregar os dedos para tentar se livrar de qualquer vestígio do sangue.

Depois de travar uma longa batalha por uma mancha específica, ele bufou de cansaço e deixou suas mãos se apoiarem ao redor da pia fria de porcelana. Os olhos assustados foram erguidos até encontrar o próprio reflexo no espelho.

Sua testa parecia manchada de um suor seco. Os cabelos apontavam para todas as direções, como normalmente ficavam quando Landon acordava após longas horas de sono. As olheiras, entretanto, denunciavam que aquela noite não havia sido tão bem dormida assim.

Vanderwaal estava abatido, exausto e ainda apavorado, mas aquilo não era nada quando pensava no estado de Melissa. Além do pavor dos olhos azuis que encontrou na esposa naquela manhã, as manchas de sangue mostravam que eles não estavam sendo nada levianos em se preocuparem.

O atendimento do St. Mungus ocorreu de prontidão, mas apenas aquilo não garantia a tranquilidade do futuro pai. E as horas que começavam a passar sem qualquer notícia eram angustiantes.

Quando Landon voltou a pisar nos corredores do hospital, ele não se importou em vestir apenas um pesado casaco sobre a camiseta branca suja de sangue ou a calça de moletom que usava para dormir. E as pessoas que passavam apressadas ao seu redor também não pareciam se importar com a aparência de um homem que estava prestes a ver todo o seu mundo desmoronar.

- Landon???

A voz assustada de Clementine soou às costas do auror e ele girou o pescoço para encontrar a cabeleira loira correndo em sua direção. Mesmo que estivesse com trajes mais apropriados para andar a luz do dia, a melhor amiga de Melissa também compartilhava aquele sofrimento, embora fossem de dimensões irrisórias quando comparadas ao do marido e futuro pai.

- O que houve??? Onde está a Mel???

Vanderwaal respirou fundo e ergueu uma das mãos para coçar a própria nuca, sentindo cada um dos músculos tencionados. Ele não queria parecer completamente derrotado, mas ao mesmo tempo era impossível tirar de sua cabeça as palavras do curandeiro.

- Eu não sei. – A voz de Landon soou mais tremida do que ele imaginara, o que o obrigou a pigarrear antes de continuar. – Eu acordei com os gritos dela. Não sei o que aconteceu, mas ela caiu. Eu estava dormindo... eu não devia estar dormindo, deveria estar com ela!

O desespero se intensificava cada vez que Landon era obrigado a rever as lembranças daquela manhã. Ele esfregou as mãos no rosto e afundou em uma das cadeiras vazias do corredor.

DiLaurentis o estudou com uma ruguinha de preocupação, mas respeitou o tempo que o rapaz precisou para continuar explicando. Calada, ela se sentou ao seu lado e apenas o fitou até que a voz de Vanderwaal voltasse a ecoar pelo corredor.

- A última notícia que tive foi há quase meia hora. Ela perdeu muito sangue. – Os olhos verdes expressavam uma dor de partir o coração quando Landon ergueu o rosto para encarar a loira ao seu lado. – Eles não sabem se conseguem salvar o bebê. O tombo pode provocar um parto prematuro, mas isso significa que a Mel vai perder ainda mais sangue. Ela não vai aguentar se isso acontecer.

O rosto de Clementine estava pálido diante daquela realidade. Quando recebeu a notícia naquela manhã, sabia que o problema era sério. Mas era difícil acreditar que poderia mesmo perder a amiga ou vê-la passar pelo pesadelo de perder o filho por algo tão banal como um tombo.

- Mas eles não conseguem fazer nada?

Clementine insistiu, vendo a derrota se intensificar no rosto de Landon. Mais uma vez, ele afundou os dedos nos fios castanhos.

- A Mel tem um tipo raro de sangue. – A voz de Landon falhou e ele fixou o olhar na parede cinzenta do outro lado do corredor, se concentrando em uma pequena camada de tinta que ameaçava descascar. – Não é fácil achar um doador.

- E os pais dela?

A pergunta óbvia só fez com que Landon esboçasse um sorriso triste e negasse com um movimento da cabeça.

- Estão de férias na Turquia. Não consigo falar com eles e o tempo só está passando.

Um breve silêncio se instalou enquanto Clementine tentava achar uma resposta, mas Landon já havia tramitado por aqueles mesmos pensamentos durante todo o dia. Antes que a loira pudesse sugerir qualquer coisa que Landon se visse obrigado a descartar, um rosto conhecido entrou em seu campo de visão.

- Ela ainda está meio adormecida das últimas poções. – O curandeiro que havia assumido o caso encarou Landon com seriedade que não permitia o rapaz se encher de esperanças. – O caso ainda é crítico, mas por enquanto não tem muito que possamos fazer. Você pode entrar e ficar com ela se preferir.

Sem pensar duas vezes, Landon se levantou e esfregou as mãos na calça, em um reflexo para aniquilar qualquer vestígio que tivesse de sangue. Então seguiu o curandeiro até o quarto de Melissa.

O local estava silencioso e a aparência da Sra. Vanderwaal quase enganava alguém que desconhecia sua história. Adormecida dentro da camisola do St. Mungus, Melissa estava apenas mais pálida, mas com as pálpebras cerradas, não era possível rever o pavor que cobrira suas íris naquela manhã.

A poltrona ao lado da cama foi ocupada por Landon e ele imediatamente buscou pela mão de Melissa. Ele não soube dizer exatamente quanto tempo passou ouvindo apenas a respiração dela, desejando que as coisas fossem mesmo tão tranquilas como aparentavam.

O volume da barriga de Melissa era uma lembrança constante de que Landon tinha a obrigação de cuidar dela.

- Eu não vou perder você. – Landon sussurrou para o rosto adormecido da esposa. – E nem vou deixar que nada aconteça ao nosso filho. Eu não posso proteger o mundo bruxo e ser incapaz de cuidar da minha própria família.

As lágrimas já umedeciam o rosto do auror sem que ele notasse quando depositou um beijo carinhoso nos dedos de Melissa. Ele se afastou apenas o suficiente para alcançar a janela do quarto, com a vista acinzentada de Londres.

A mão ainda tremia quando ele sacou a varinha e com um feitiço não-verbal, projetou o espectro de um leão que brilhava em meio ao quarto.

Landon não se importava com as consequências daquele ato. Na verdade, era apenas por uma única consequência que ele fazia aquilo: manter Melissa e seu filho a salvos.

- Preciso que dê um recado ao professor Dumbledore. Albus Dumbledore. – Ele repetiu o nome como se não quisesse dar margens de erro ao seu patrono. Quando o leão confirmou com um movimento da cabeça, Landon endireitou os ombros e falou com a voz mais firme, como se estivesse diante do próprio diretor de Hogwarts. – “Melissa está no Mungus. Ela precisa de você. Mostre que consegue fazer ao menos alguma coisa boa para essa família que você foi incapaz de assumir. Não me importo com a sua covardia ou o seu passado em não conseguir criar o próprio filho. Mas ao menos tente acertar as coisas para a sua neta. Se até isso é incapaz de fazer, ao menos pense que estará salvando duas vidas. Nobre o bastante para você, professor?”
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Sab Jan 28, 2017 8:17 pm

Como acontecia em um típico pesadelo, Melissa não sabia dizer quantas horas tinham se passado desde o tombo quando seus olhos se abriram novamente. A garota se lembrava somente de sonhos agitados e ridiculamente improváveis e ficava ainda mais irritada com a própria mente por fantasiar pesadelos com Albus Dumbledore quando havia um problema muito mais sério acontecendo naquele momento.

A barriga ainda saliente fez a Sra. Vanderwaal soltar um suspiro aliviado. Sua mão trêmula procurou pelo volume debaixo dos lençóis do St. Mungus, mas nem mesmo os leves movimentos da criança eram capazes de tranquilizar a jovem mãe. O fato de ainda estar no hospital não era um bom sinal, muito menos a bolsa de sangue pendurada no suporte ao lado de sua cama.

A culpa era insuportável. Era impossível para Melissa parar de se torturar com a ideia de que nada daquilo teria acontecido se ela tivesse sido mais cuidadosa. Um simples gesto poderia ter evitado aquela tragédia. Ela deveria ter fechado a janela no dia anterior ao acidente, ou então ter usado chinelos naquela manhã ao invés de circular pela casa apenas com as meias. Se tivesse sido mais cuidadosa e visto a poça de neve derretida no piso, ela estaria agora nos braços do marido e nenhuma ameaça colocaria em risco a vida e a saúde do bebê Vanderwaal.

- Como se sente, Sra. Vanderwaal?

A voz da enfermeira trouxe Melissa de volta à realidade. As poções ainda a deixavam sonolenta, mas a garota agora lutava para manter as pálpebras erguidas.

- Não importa. E o bebê? Eu só preciso saber como está o meu bebê.

- Bem, na medida do possível. – a enfermeira foi cuidadosa com as palavras ao dar aquela notícia para a futura mãe – O impacto provocou um descolamento de placenta prematuro. A senhora perdeu muito sangue, mas conseguimos evitar um parto de emergência com algumas transfusões.

Aquela informação fez com que Melissa se lembrasse do pesadelo ridículo no qual Landon pedia ajuda a Dumbledore, como se o velho diretor de Hogwarts compartilhasse o mesmo sangue raro dos Zummach. Contudo, mais uma vez, Melissa afastou aquela ideia descabida da mente e se concentrou no que realmente importava.

- Está resolvido, então? Onde está o meu marido? Quando eu poderei ir para casa?

A enfermeira pareceu ainda mais tensa quando foi pressionada daquela forma, mas não negou à paciente a informação que ela merecia.

- Os curandeiros estavam esperando que a senhora acordasse e estivesse mais forte para o próximo procedimento. Eu lamento, mas teremos que induzir um parto prematuro. As transfusões ajudaram, mas a senhora continua sangrando muito. Se não tirarmos a criança nas próximas horas, vocês dois podem morrer.

O mundo de Melissa parou naquele momento. Zummach sempre se orgulhara por ser uma pessoa forte e determinada, mas naquele dia foi impossível conter as lágrimas. Era muito injusto que uma gravidez tão bem aceita terminasse daquela forma dramática e que todos os cuidados que os Vanderwaal tinham tido nos últimos meses se perdessem por causa de um único descuido.

Sempre que imaginava o parto, Melissa se enxergava feliz com a chegada de um bebê saudável e forte. Contudo, quando foi levada para uma sala de cirurgia, tudo o que a Sra. Vanderwaal pensava era que ainda não era a hora, que seu filho nasceria frágil e que poderia não sobreviver devido à prematuridade.

Nem mesmo a presença de Landon amenizou a angústia de Melissa. A garota só conseguiu exibir um sorriso fraco quando percebeu a presença do marido e uniu sua mão gelada a dele, procurando desesperadamente por uma força que Mel não encontrava mais em si mesma.

- A culpa foi toda minha. – a confissão saiu num sussurro dolorido – Eu estraguei tudo, Landie. Eu sinto muito.

Melissa sabia que não havia nenhum pedido de desculpas que justificasse aquele erro. Ela estava pronta para ver Landon desprezá-la e abandoná-la depois da perda do filho, e não podia julgá-lo por aquela mágoa. Saber que perderia também o marido só tornava a dor mais insuportável.

O momento do casal Vanderwaal foi interrompido por um curandeiro, que se aproximou da maca e injetou na veia de Melissa uma poção que, segundo ele, evitaria que a paciente sentisse dor durante o procedimento. Mel de fato não sentiu nada quando uma lâmina abriu um corte na base de seu abdome e as lágrimas que escorriam dos olhos azuis eram frutos do desespero somado à angústia.

A cirurgia durou poucos minutos, mas para Melissa uma eternidade inteira tinha se passado quando um grunhido ecoou na sala do Mungus. Os olhos azuis se arregalaram e a garota tentou esticar o pescoço, mas era impossível ver o que estava acontecendo na cirurgia graças a um pano estendido que escondia a barriga.

- O que está hav...?

A voz fraca da Sra. Vanderwaal foi bruscamente interrompida no instante em que o curandeiro limpou a garganta do bebê. Livre daquele engasgo, o pequeno Vanderwaal soltou um berro forte e começou a chorar loucamente, como se estivesse irritado por ter sido tirado do seu mundo quentinho antes da hora.

- UAU!

A surpresa de Melissa logo se transformou em um profundo alívio. Suas lágrimas se tornaram emocionadas e ela buscou pelo olhar de Landon, encontrando no marido a mesma emoção.

- Que escândalo! Puxou o lado da sua família, os Zummach são muito mais discretos.

O bebezinho se debatia nas mãos do curandeiro quando finalmente entrou no campo de visão de Melissa. Embora ainda sujo com o sangue da mãe, era possível notar que o pequeno Vanderwaal não era tão minúsculo e frágil como Melissa temia. Ao contrário, a criança parecia muito saudável com seu choro forte e com os chutinhos que acertavam o peito do curandeiro.

O choro cessou imediatamente quando o bebê foi posto junto da mãe. Melissa estava completamente entorpecida quando levou os dedos à cabecinha do bebê, tocando os seus cabelinhos castanhos ralos. Exatamente como a mãe imaginava, os olhinhos que se abriram para ela eram esverdeados como os do pai.

- Eu sei... – a voz de Melissa soou doce, num sussurro carinhoso – Você tem todo o direito de estar revoltado, ainda não era a hora. Mas você também vai gostar do mundo aqui fora, eu prometo.

Os lábios da Sra. Vanderwaal se curvaram e alcançaram a testa do bebê em um beijo carinhoso. Mas aquele foi o último gesto que Melissa teve forças para executar. Uma tontura mais potente obrigou a garota a fechar os olhos e sua consciência vacilou enquanto palavras sem sentido ecoavam em sua mente.

- Continua sangrando...

- ...mais compressas...

-...mais uma bolsa de sangue!

Apesar do mal estar e dos olhos fechados, Melissa teve certeza de que não estava imaginando coisas quando aquelas palavras atingiram seus ouvidos.

- Uma das bolsas ainda não foi usada, está no estoque. Busque agora! Está etiquetada com o nome de Albus Dumbledore!
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Jan 28, 2017 10:53 pm

O quarto de hospital estava mergulhado com a luz da manhã. Apesar da neve que se acumulava lá fora, não havia uma única nuvem no céu auzl, tornando a temperatura muito mais agradável do que nos dias anteriores.

Ali dentro, onde os feitiços do hospital precisavam garantir o clima ameno para maior conforto de seus pacientes, Landon se sentia bem usando apenas uma camisa de algodão com mangas que alcançavam seus pulsos. A calça jeans era bastante informal, denunciando que ele não tinha nenhum plano de pisar no quartel dos aurores.

Diferente de como Landon havia chegado ali, seus cabelos estavam mais alinhados e sua aparência infinitamente melhor. A diferença mais gritante era, sem dúvida, o sorriso que ele trazia nos lábios e o intenso brilho verde em seus olhos.

- Foi só um susto. – Ele garantiu para o bebê em seu colo. – Eu prometo que as coisas por aqui não são sempre tão difíceis. É meu trabalho garantir isso a você.

A poltrona azul combinava com a delicada manta que envolvia o corpo do recém-nascido. Apesar do parto prematuro, o filho dos Vanderwaal parecia milagrosamente esbanjar saúde, como se o destino quisesse dar um alívio para aquela família que havia sofrido tanto nos últimos dias.

O neném tinha os cabelos ralos cobrindo sua testa, mas o que se destacava era o olhar arregalado voltado ao pai, como se realmente pudesse compreender cada uma daquelas palavras na voz que ouvira durante toda sua gestação.

A boquinha rosada parecia irreal de tão pequena, e conforme o bebê movia seus lábios em um biquinho, lembrava um delicado coraçãozinho. As bochechas eram gorduchas e o nariz arrebitado idêntico ao de Melissa. As mãos tão minúsculas e perfeitas estavam fechadas com sua força irrisória.

Landon estava ninando o próprio filho há quase uma hora, mas era impossível se cansar de admirar cada pedacinho daquela criaturinha. Era irreal demais acreditar que agora ele era pai, mas todo o seu mundo já girava ao redor daquele pequeno embrulho.

Um pequeno chiado vindo da cama de Melissa obrigou Landon a erguer o rosto, admirando a própria esposa. Aquela havia sido uma noite difícil, mas os curandeiros estavam otimistas com a recuperação de Melissa depois dos últimos tratamentos e horas de observação, o que permitia o Sr. Vanderwaal a se sentir mais confiante e não deixar de aproveitar aquele momento genuíno.

- Você deve estar com fome, não é? – Landon voltou a encarar o filho, que praticamente não piscava ao encará-lo de volta. – A mamãe já está quase boa.

Ao ouvir um novo movimento da cama, Landon abriu um sorriso e se ergueu, tomando todo o cuidado do mundo para não mexer demais os seus braços e não incomodar o filho. Com passos suaves, ele parou ao lado da cama de Melissa e ergueu um dos cotovelos apenas o suficiente para mostrar o motivo de sua felicidade.

- Olha só quem acordou...

O sorriso de Landon era indescritível quando ele pousou suas íris verdes em Melissa. Sem dúvida, depois de todo aquele pesadelo, aquele era o momento mais feliz de sua vida. Aquela era a sua família e tudo o que importava no mundo.

- Como está se sentindo, mamãe?
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Sab Jan 28, 2017 11:41 pm

Assim como da primeira vez, Melissa acordou naquela manhã sem saber quantas horas tinham se passado desde que sua mente mergulhara na inconsciência. Mas a maior diferença entre as duas situações estava em um indigesto detalhe. Desta vez, a Sra. Vanderwaal tinha certeza de que não havia tido nenhum pesadelo com Albus Dumbledore. O nome do diretor de Hogwarts realmente havia sido citado na sala de parto e, por mais bizarra que aquela hipótese pudesse ser, aquilo começava a fazer sentido na cabeça da garota.

Embora aquela verdade abalasse as estruturas do mundo de Melissa Zummach, a garota deixou aquele assunto de lado no instante em que sua visão entrou em foco e a imagem do bebê nos braços de Landon atingiu sua retina. Nem mesmo aquela revelação e todas as consequências que vinham dela eram mais importantes que o filho.

Mesmo ainda estando fraca, Melissa não teve dificuldades para se sentar na cama. Num pedido mudo ao marido, ela estendeu os braços para receber o filho no colo.

Aquela visão foi capaz de amenizar um pouco da revolta que a Sra. Vanderwaal sentia com aquela avalanche de mentiras. Seu coração se acalmou e um sorriso sincero brotou nos lábios dela diante do rostinho da criança. O menino era uma mistura perfeita dos pais. Os olhos verdes de Landon combinavam com o narizinho arrebitado e os lábios bicudinhos de Melissa. Era um milagre que o bebê estivesse tão bem depois daquela sucessão de tragédias, mas Melissa nem pensava em questionar aquela sorte.

Os olhinhos arregalados fitavam a mãe com interesse, assim como tudo naquele mundo diferente no qual ele fora arremessado de repente. Assim como o menino parecia reconhecer a voz de Landon, ele também não estranhou o timbre da mãe quando Melissa murmurou com suavidade.

- Pronto, bebê, eu acho que agora vão parar de me apagar. Eu vou poder cuidar de você. Está com fome, não está?

O sorriso de Melissa se alargou ainda mais quando suas hipóteses foram confirmadas e o filho começou a mamar como um bezerrinho faminto. O indicador da mãe foi deslizado pelos cabelinhos castanhos enquanto Mel admirava o macacãozinho azul que ela havia escolhido para ser a primeira roupinha que o filho vestiria.

Aquele momento doce se alongou por mais alguns minutos, mas Melissa se viu obrigada a retornar para a dura realidade quando sentiu o toque carinhoso do marido em seu rosto. Nada parecia mais certo que um beijo naquele momento tão íntimo e especial para a família, mas Melissa desviou o rosto, fugindo do contato com os lábios de Landon.

Diante da expressão surpresa e confusa de Vanderwaal, Melissa o encarou com um semblante profundamente sério. A voz não foi erguida para não assustar o bebê, tampouco Melissa queria protagonizar uma briga acalorada na frente de um recém nascido. Mas era preciso esclarecer as coisas com Landon e Melissa se sentia incapaz de adiar aquela conversa por mais um minuto que fosse.

- Eu ouvi tudo. No começo pensei que estivesse tendo o pior e mais bizarro pesadelo da minha vida. Mas então eu escutei de novo durante o parto, e desta vez eu tenho certeza de que não estava sonhando.

Para que Landon não tivesse dúvidas sobre o que a esposa estava falando, Melissa foi mais direta naquele desabafo.

- Eu esperava isso dele, sempre soube que o honrado Dumbledore não merecia um décimo do crédito que possuía. Eu também não estou surpresa em saber que o meu pai escondeu isso de mim a vida toda. Ele sempre colocou o orgulho acima de qualquer coisa, ele me abandonou quando eu me recusei a fazer a vontade dele...

Uma camada de mágoa cobriu os olhos de Melissa e ela sacudiu a cabeça em negativa, com uma expressão de incredulidade.

- Mas você, Landon? De você eu não esperava esta traição. Depois de tudo o que passamos juntos, depois de todas as dificuldades que enfrentamos para ficarmos juntos... Eu realmente achei que podia confiar cegamente no meu marido, no pai do meu filho. Eu tinha certeza de que não havia segredos entre nós dois, eu nunca imaginei que você seria capaz de me esconder algo tão importante.

Como Melissa não ergueu a voz, o bebê continuou mamando tranquilamente, alheio à enorme crise que ameaçava a família feliz na qual ele nascera.

- Se você escondeu algo assim, o que mais terá coragem de esconder de mim? Há quanto tempo você sabe? – as peças começavam a se juntar na cabeça da Sra. Vanderwaal enquanto ela desabafava – Você já sabia a verdade quando foi procurar o meu pai, não sabia? Você subiu num maldito altar e jurou que seria fiel a mim enquanto me traía da forma mais nojenta possível! Como eu posso confiar em você agora? A sua palavra não vale nada, Landon.

O bebê foi amparado por apenas um dos braços de Melissa enquanto a garota movimentava a outra mão. A aliança foi retirada e estendida na direção de Vanderwaal enquanto Melissa terminava o seu discurso.

- Acabou. Não quero mais ficar com alguém em quem não confio, que não admiro. Vou ficar na casa dos meus pais até que eles voltem de viagem e depois vou arrumar um lugar para mim e pro Leon.

O nome do menino foi mencionado com naturalidade. Durante a gestação, Landon havia citado o nome Leon como uma brincadeira para provocar a esposa, fazendo uma alusão ao símbolo da Grifinória. Mas agora que conhecia o filho, Melissa não via mais aquela hipótese como uma piada. “Leon” combinava com o rostinho do bebê, com a força que ele demonstrara durante aquela tragédia e com a bravura evidenciada no parto. Ele realmente era um leãozinho grifinório que tivera que provar sua coragem antes mesmo de nascer.

- Não vou criar nenhuma dificuldade entre vocês dois, mas eu quero você fora da minha vida. Para sempre.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Jan 29, 2017 12:08 am

O vapor do chá subia pelo copo até atingir o rosto de Clementine DiLaurentis, aquecendo sua pele. Do lado de fora, o frio do fim do inverno ainda se fazia presente, mas a sala pequena e tumultuada era o suficiente para fazer com que a loira se sentisse abafada ao ponto de deixar a bebida de lado.

A pequena sala de reuniões da Obscurus Book ficava no último andar do prédio cinzento. Todas as paredes estavam abarrotadas de livros e, para uma editora consideravelmente séria e renomada, as pastas e papeladas jogadas para todos os cantos representava um pequeno caos que não deveria existir.

Mas é claro que o pequeno setor responsável por pesquisas especializadas em runas antigas não era o maior destaque da editora, o que justificava o desleixo com aquela pequena equipe.

- Ele vai anunciar a demissão. – Gemeu um rapaz ruivo ao seu lado, esticando os braços sobre a estreita mesa de reuniões até afundar o rosto sobre a madeira, em um gesto de derrota.

- Ele não pediu demissão. – Clementine garantiu, brincando com a borda de isopor do seu copo. – Nate não deixaria a gente.

- Tá brincando? – O ruivo gemeu, girando o rosto para encarar a colega como se ela fosse alguma criatura muito estúpida. – Todo mundo deixa a gente! Qual foi o último recorde, seis meses? Nenhum gestor que se prese ficaria aqui para se afundar com a gente. Na menor das oportunidades, eles caem fora!

Clementine sabia que Brant Miller, seu mais antigo colega de trabalho, tinha os argumentos válidos. Nos cinco anos que se passaram de sua carreira profissional na Obscurus Books, muita coisa havia mudado. Ela não era mais uma simples estagiaria sob o comando de uma péssima chefe cuja única obrigação era pegar café.

A jovem DiLaurentis passara a conquistar o seu espaço, no começo com excelentes traduções de obras antigas, passando para lançamento de novas edições com um linguajar de mais praticidade para leitores leigos. Nos últimos anos, entretanto, Clementine ocupava com orgulho uma das vagas do departamento de pesquisas de runas.

Embora não fosse um trabalho fácil e sem nenhum glamour, ela era apaixonada pelo que fazia. Em suas atividades, Clementine precisava se afastar durante longas viagens para lugares distantes e pouco civilizados em busca de novas descobertas naquele ramo tão magnífico e mal compreendido. Ela tinha plena consciência da importância do seu trabalho e o impacto do que uma significativa descoberta poderia causar para o mundo da magia. Mas na prática, os sócios que controlavam a Editora Books não conseguiam enxergar o retorno financeiro que justificasse um maior investimento naquela pequena equipe.

Por isso, era comum que novos líderes surgissem e fossem embora pouco tempo depois, no instante em que oportunidades melhores surgissem em seus caminhos. Era perfeitamente compreensível que o primeiro pensamento daquela equipe com meia dúzia de pessoas fosse no anúncio da demissão do último gerente.

- Nate é diferente. – Clementine voltou a soar com segurança, mas sem conseguir despertar no colega o seu otimismo.

Nathan Lavane era tão jovem quanto toda aquela equipe, mas qualquer um que trocasse meia dúzia de palavras com o chefe daquele departamento não teria dúvidas de que ele merecia ocupar o papel de liderança. Inteligente, seguro e altamente capaz de motivar aquela área tão isolada da editora.

Além de admirá-lo como chefe, Nate havia se tornado um grande amigo antes mesmo de assumir a chefia dos pesquisadores de runas há seis meses. E por saber que o amigo adorava aquele lugar tanto quanto ela, Clementine não conseguia acreditar que ele seria capaz de desistir tão facilmente.

Como se tivesse sido invocado pelo próprio nome, o chefe entrou na pequena sala de reuniões trazendo consigo apenas uma pasta de papel. A camisa social azul já estava ligeiramente amarrotada e as mangas haviam sido repuxadas até seus cotovelos. A barba bem feita contribuía para uma aparência mais madura, mas era evidente que Nate não passava dos trinta anos.

- Bom dia, bom dia! – Nate sorriu para sua pequena equipe naturalmente enquanto caminhava para a única cadeira vaga na mesa de reuniões.

Cada um dos funcionários se endireitou, repentinamente tenso e a espera daquele comunicado que provocara uma reunião de emergência naquela manhã. Mas contrariando cada um dos olhares preocupados que o encaravam, Nate apenas sorria como alguém que havia acabado de tomar uma dose da Felix Felicis.

- Arg... Você poderia ao menos disfarçar essa cara de felicidade? – Brant interrompeu o silêncio antes que o chefe pudesse dar início a reunião. – Tenha o mínimo de respeito pela gente, Nate. Não que a gente não esteja feliz por você ter conseguido algo melhor, mas não precisa esfregar assim na nossa cara!

- Qual é o problema, Brant? Prefere ter um chefe mal-humorado? – O sorriso de Nate sequer vacilou.

- Você pode falar, tá legal? – Brant continuou, gesticulando com as mãos sobre o tampo de madeira. – Somos todos adultos aqui. E você sempre foi bom demais para esse departamento...

As sobrancelhas grossas de Nate foram arqueadas e ele apoiou as duas mãos sobre o tampo da mesa, entrelaçando os próprios dedos enquanto se dirigia unicamente a Brant.

- Uau... Obrigado pelo elogio, eu acho. Mas não acho muito inteligente você ficar subestimando a sua equipe logo para o seu chefe, Brant.

Apesar das palavras, a entonação de Lavane era brincalhona, em nenhum momento parecendo repreender Brant verdadeiramente. Diante do bom humor do chefe que já deveria estar introduzindo o real assunto daquela reunião, Brant pareceu confuso.

- Você não vai deixar a gente?

- Eu? Por que eu faria isso? – O sorriso de Nate voltou a iluminar seu rosto e ele se recostou na cadeira, girando-a levemente para o lado, dando assim atenção a todos os presentes. – Se algum de vocês não está satisfeito com meu trabalho, por favor, sintam-se a vontade para falar. Mas eu estava bastante confiante. Principalmente depois disso aqui.


Ele ergueu a pasta que trazia consigo e apenas quando todos os olhares se voltaram para a pasta que trazia consigo, Nate explicou.

- Eu consegui o patrocínio para a pesquisa em Brighton.

O queixo de Brant despencou. Os olhos de Clementine não conseguiram se desviar da pasta, como se estivesse diante de uma das lendárias relíquias da morte. A surpresa estava refletida em cada um dos seus colegas.

É claro que ela admirava o trabalho de Nathan e tinha certeza que se alguém conseguiria mudar aquele departamento, seria ele. Mas ainda assim, nenhuma pesquisa fora de Londres havia sido aprovada no último ano. A editora simplesmente desistira de investir em viagens longas para seus funcionários que quase sempre voltavam com as mãos vazias ou sem nada consideravelmente valioso.

- É claro que Brighton é aqui do lado, mas ainda assim vamos precisar passar algumas noites por lá. Então vou precisar da compreensão de todos, de algumas noites mal dormidas e do excelente trabalho de sempre.

- Você não vai embora?! – Brant repetiu, sua voz soando repentinamente esganiçada. – Cara, eu poderia te dar um beijo agora!

Em resposta, Nate apenas gargalhou e sacudiu a cabeça em recusa daquela oferta.

- Valeu, cara, mas você não faz meu tipo.

Aproveitando que todos os olhares ainda estavam focados na pasta, Nate piscou discretamente o olhar na direção de Clementine. A loira, por sua vez, apenas abriu um largo sorriso de orgulho diante da notícia.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Jan 29, 2017 1:00 am

Quando Melissa desviou o rosto para evitar o beijo, uma ruguinha surgiu entre as sobrancelhas grossas de Landon. Mas ao invés de desconfiar de que algo estivesse errado, muito menos seno capaz de desconfiar que Melissa havia descoberto o velho segredo dos Zummach e Dumbledore, o rapaz apenas chegou até a óbvia conclusão de que ela estava apenas indisposta depois das últimas horas de pesadelo sem fim.

As íris verdes logo passearam pelo corpo coberto pelo lençol do St. Mungus a procura de qualquer novo sangramento ou algo que denunciasse algum desconforto em Melissa, mas antes que pudesse encontrar qualquer coisa, a voz dela o atingiu com uma surpresa frieza.

Desta vez, Vanderwaal não foi capaz de desviar o olhar do rosto da esposa, tentando compreender o motivo daquele comportamento. Cada uma das palavras dela o atingia como um soco, mas a mente entorpecida pela felicidade não conseguia encontrar o caminho que o levasse até a resposta daquela mudança drástica.

Aquele deveria ser o momento mais feliz de um casal. Principalmente considerando o terrível destino que poderia ter ocorrido. Mas a menção de Albus Dumbledore finalmente clareou a mente de Landon.

O sangue fugiu de seu rosto e ele voltou a parecer o mesmo rapaz pálido que chegara ao hospital com uma esposa sangrando. O olhar de Landon baixou e ele foi incapaz de encarar o próprio filho, envergonhado.

No fundo, Landon sempre soube que estava traindo a confiança da esposa em lhe omitir aquele segredo. Mas sempre tentava se convencer de que não era seu segredo para compartilhar. Além do mais, era um passado enterrado que só traria confusão para a vida de Melissa. Não havia a menor necessidade em lhe envolver naquele drama.

- Eu soube no dia em que lhe pedi em casamento. – Ele confessou em um sussurro, como um menino envergonhado em admitir uma travessura. – Eu sei que devia ter contado, Mel. Mas queria te poupar dos erros dos outros. Não havia necessidade de trazer essa complicação para você, era algo completamente fora do nosso controle.

Quando a Sra. Vanderwaal finalizou o seu discurso com uma decisão tão radical, Landon se viu obrigado em erguer o rosto para encará-la. Ele esperava encontrar nela qualquer sinal para desacreditar em suas palavras, mas seu mundo desabou ao ver em seu lugar apenas a decepção de uma forma jamais vista antes.

Landon já havia cometido erros antes, mas era a primeira vez que procurava pelas íris azuis e as encontrava vazia de qualquer sentimento bom. Mesmo quando o casal enfrentou a crise envolvendo o erro “Felicity Queen”, Zummach nunca foi capaz de esconder que ainda o amava e sentia sua falta.

- Este não é o lugar e muito menos o momento para discutirmos isso, Mel.

A voz de Landon soou trêmula, mas era fácil notar o desespero e a necessidade de fazer com que Melissa ao menos tivesse o bom senso de esperar os ânimos se acalmarem antes de qualquer decisão.

- Você acabou de passar por muita coisa. Nós temos o Leon agora... – Seus lábios se repuxaram em um sorriso ao erguer a mão para tocar a manta do filho, completamente alheio ao drama dos pais. – Além do mais, você não pode ficar sozinha. Vamos para casa, eu prometo te dar todo o tempo que você precisa para se acalmar. Mas nós vamos enfrentar isso também, Mel. Eu amo você, e vou provar que você pode confiar em mim outra vez. Não jogue fora a nossa vida, não agora que estamos começando uma família.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Dom Jan 29, 2017 1:52 am

Somente os olhos amarelos estavam expostos no rosto do elfo. A cabeça estava escondida com um gorro de lã roxo e a gola alta de um suéter laranja berrante escondia o pescoço e metade do rosto da criatura. O inverno até justificaria a escolha de tantas roupas, mas a lareira acesa tornava a temperatura do escritório agradável. Além disso, a cena era absurdamente estranha pelo simples fato de que elfos domésticos não costumavam usar nada além de trapos imundos.

Os lábios do Sr. Rookwood foram comprimidos para conter uma risada enquanto o seu convidado acompanhava os passos do elfo com um olhar surpreso. Depois que o chá foi servido para os dois homens, Barrie se retirou do escritório com a cabeça erguida, parecendo absurdamente orgulhoso da própria aparência bizarra.

- Acredite, hoje ele está discreto. A calça verde-limão deixa a minha vista dolorida.

O comentário bem humorado de Liam Rookwood arrancou uma risada de Nathan Lavane. O editor sacudiu a cabeça e simplesmente não conseguiu evitar uma pergunta diante daquela cena inusitada.

- Eu tenho que perguntar, Sr. Rookwood. O que significa isso? Até onde eu sei, elfos domésticos não podem ganhar roupas.

- Ah, ele não ganhou essas roupas. Ele comprou tudo com o salário que recebe mensalmente. Barrie é um elfo livre. E com uma péssima noção de moda.

Liam ainda se lembrava com perfeição do dia em que dera um par de meias ao pequeno Barrie. O elfo ficou alguns segundos em estado de choque, depois iniciou um choro desesperado e tentou se jogar pela janela, imaginando que estava sendo libertado porque o patrão não gostava mais do seu trabalho. Liam precisou repetir aquela explicação por dezenas de vezes até que Barrie acreditasse que só estava sendo libertado porque a escravidão não era tolerável para o novo patrão.

Depois de tantos anos acostumado àquela vida lamentável, Barrie precisou de muitos meses até entender que a liberdade era uma mudança positiva. Agora, Liam tinha um profundo orgulho do seu elfo assalariado, soterrado por roupas de cores berrantes que diziam ao mundo o quanto ele estava feliz em ser livre.

- Ele está feliz, é o que importa. – Nathan novamente riu e depois tomou um gole do chá – Só espero que as roupas dele não ceguem ninguém.

A liberdade de um elfo doméstico era a prova de que Nathan não havia se equivocado ao marcar aquele encontro. Assim como os rumores diziam, Liam Rookwood não parecia ser um nobre como tantos outros. Embora levasse uma vida discreta e não tivesse seu nome envolvido em nenhum tipo de publicação, o jovem Sr. Rookwood começava a ganhar uma certa fama no mundo da magia.

Não havia nenhuma prova documental, mas várias pessoas envolvidas naquele projeto afirmavam que Liam Rookwood fora a pessoa que pagara pela reforma do setor de doenças mentais do St. Mungus, onde agora estavam internados muitos combatentes sequelados pela guerra que acabara há cinco anos. Também existiam muitos rumores de que o dinheiro dos Rookwood mantinha muitas instituições de caridade voltadas para crianças e idosos.

A única informação mais concreta que Lavane possuía vinha da boca de um amigo de confiança. O rapaz era um pesquisador que investia seus estudos na busca por poções curativas. A falta de investimentos estava prestes a fazer o homem desistir do trabalho quando Liam Rookwood financiou uma de suas pesquisas, que culminou na descoberta de uma poção milagrosa que reconstruía ossos quebrados em poucos segundos e sem nenhuma dor.

Era com esta fama que Nathan Lavane contava quando praticamente implorou por uma reunião com o jovem Sr. Rookwood.

- A que devo a visita, Sr. Lavane? – Liam abriu brecha para que o editor fosse direto ao ponto.

- Imagino que o senhor não esteja familiarizado com o meu trabalho. Eu admito que é um ramo pouco valorizado. Minha equipe e eu trabalhamos com pesquisa de runas antigas. É um tema muito mal abordado, mas eu garanto que é um trabalho de extrema importância. Já desvendamos muitos símbolos que mostraram uma utilidade maior que o simples valor histórico. Há feitiços, poções antigas, conhecimento sobre ervas curativas, literatura... tudo escondido nas runas.

A entonação apaixonada de Nathan mostrava que o rapaz realmente estava envolvido com aquele trabalho, gostava do que fazia e estava empenhado em provar ao mundo o quanto suas descobertas poderiam ser úteis para a história da magia.

- Eu era um dos poucos alunos da minha época matriculado na disciplina optativa de Runas Antigas. – Liam abriu um sorriso saudoso com aquela lembrança – Acredite, Sr. Lavane. Eu não acho que seja um ramo dispensável no estudo da magia.

- Infelizmente os editores-chefes não concordam conosco, Sr. Rookwood. Minha equipe não recebe verbas para pesquisa há mais de um ano. E é por isso que estou aqui. Em alguns meses, não terei como pagar sequer os salários dos meus funcionários. A equipe vai se desfazer e toda a contribuição que podemos dar ao mundo da magia nunca sairá dos pergaminhos.

- Veio pedir dinheiro, então? – mais uma vez, Liam foi direto ao ponto.

- Eu prefiro que encare isso como um investimento, Sr. Rookwood. Eu me comprometo a usar bem cada um dos galeões investidos no meu projeto. Quando publicarmos a nossa pesquisa, a empresa Rookwood vai receber vinte por cento de todo o lucro obtido com as vendas.

A honestidade de Lavane foi o suficiente para convencer Liam a dar ao jovem editor aquela chance. Por muitos anos, o dinheiro dos Rookwood fora usado para bancar luxos desnecessários e para elevar Augustus até um alto cargo dentro do Ministério da Magia. Mesmo que o investimento na equipe de Lavane fosse um tiro no escuro, Liam sabia que seu dinheiro seria mais bem aplicado do que na época em que Augustus chefiava aquele sobrenome.

Era irônico que, no fim das contas, o filho bastardo renegado se tornasse o único Sr. Rookwood. Mas foi exatamente isso que aconteceu depois que Augustus faleceu. A morte natural do pai biológico completaria três anos nos próximos meses, mas Liam ainda tinha dificuldades para acreditar que agora toda aquela fortuna lhe pertencia e que, pela primeira vez na história da família, o dinheiro dos Rookwood estava sendo gasto da forma correta.

Aquela era a forma que Liam encontrara para amenizar a culpa que sentia. Em um momento de fraqueza, Mellish vendera a sua alma para o dinheiro dos Rookwood e perdera tudo o que realmente tinha valor em sua vida. A admiração dos tios estava sendo gradativamente recuperada, mas o amor de Clementine se perdera para sempre.

E era aquela dor que fazia com que Liam perseverasse na determinação de usar a herança dos Rookwood para se redimir. O amor de Clementine DiLaurentis fora sacrificado por aquela escolha, então Liam precisava desesperadamente fazer com que aquele sacrifício não fosse em vão. E a forma mais digna de se redimir era a sensação de que o seu sofrimento ajudava a vida de muitas pessoas necessitadas.

Depois de uma despedida lotada de agradecimentos, Liam acompanhou Nathan até a porta da mansão. O casarão voltou a parecer sombrio e silencioso depois que o editor partiu e os passos do Sr. Rookwood ecoaram pelo saguão enquanto Liam subia a escadaria.

O dono da casa passou direto pelo próprio quarto e seguiu até a última porta do corredor. Depois de se anunciar com duas batidas na porta, Liam entrou no quarto silencioso.

Assim como todos os cômodos da mansão, aquele quarto era enorme e luxuoso. O dourado se fazia presente como a cor predominante na maior parte da decoração. O carpete esverdeado tinha o mesmo tom do uniforme da Sonserina e estava impecavelmente limpo. As cortinas pesadas também eram verdes e exibiram a luz fraca do sol do inverno quando Liam as abriu.

- Escutei vozes. Quem estava aí?

A voz grave ecoou pelo quarto, mostrando que o dono do cômodo não estava dormindo.

- Um editor. Veio pedir financiamento para uma pesquisa.

- E é lógico que você entregou a grana.

- Óbvio que sim. – Liam abriu um sorriso bem humorado – Você me conhece bem.

- Não sei como ainda não estamos passando fome. – apesar da crítica, o breve sorriso indicava que o rapaz não estava falando sério – Por falar em fome, onde está Barrie com o meu café da manhã? Ele é um elfo livre, eu sei, mas me alimentar faz parte das tarefas que ele precisa cumprir para merecer um salário. Você está mimando demais esse elfo, irmãozinho.

Liam novamente sorriu enquanto se sentava na beirada da cama de Cristopher Rookwood. Oficialmente, o filho legítimo de Augustus Rookwood havia morrido há mais de cinco anos, mas Liam ainda se lembrava com perfeição do dia em que Barrie deixara escapar que Cristopher ainda estava vivo.

Pouco depois da morte de Augustus, o elfo tivera coragem de confessar ao seu novo patrão o segredo que fora obrigado a esconder nos últimos anos. Seguindo as orientações de Barrie, Liam chegara a uma velha cabana escondida no meio de uma mata onde encontrou o irmão sobrevivendo em condições sub-humanas. Cristopher estava totalmente sozinho naquele casebre, magro, doente e sobrevivia da comida que Barrie levava até ele.

Quando se colocou diante do meio-irmão, Liam se recusou a acreditar que Augustus havia tido coragem de abandonar o próprio filho naquelas condições. Cristopher ainda estava vivo, mas o pai preferia anunciá-lo como morto do que expor para a sociedade as sequelas que o rapaz ganhara depois de uma batalha de guerra.

Nem mesmo a mais poderosa das magias foi capaz de recuperar os movimentos dos membros que Cristopher perdera depois de ter sido atingido por um feitiço das trevas. Augustus até tentara ajudar o filho no começo, mas depois desistira de Cristopher e o dera como morto para não encarar a vergonha de um filho inválido, tetraplégico, totalmente dependente da caridade e da piedade de terceiros.

Quando levou o irmão de volta para casa, Liam sabia que tinha o dever de desfazer aquela mentira de Augustus. Mas a Marca-Negra no braço de Cristopher fez com que Liam desistisse da ideia. Com o fim da guerra, os comensais estavam sendo trancafiados em Azkaban. E o lufano sabia que Cris não sobreviveria nem mesmo uma semana nas mãos dos dementadores. Apesar de tudo e mesmo sabendo que Cristopher merecia uma punição, Liam não teve coragem de se vingar do irmão e ser um responsável indireto por sua morte. No fundo, Mellish sabia que Cristopher já estava pagando em vida por todos os erros do passado.

- Eu mesmo posso fazer o seu café. – Liam brincou com bom humor – Barrie deve estar organizando o próprio guarda-roupas.

- Ainda vai haver uma rebelião em massa dos elfos e eles vão carregar bandeiras com a sua cara, irmãozinho.

- Uma bela forma de entrar para a história. – o sorriso de Liam se ampliou – Quer descer um pouco?

Cristopher ficou pensativo por alguns poucos segundos antes de concordar com um movimento de cabeça. Seria mais fácil usar um simples feitiço para tirar o irmão da cama, mas Liam preferiu fazer isso da forma tradicional. Mesmo com os braços e pernas atrofiados pela paralisia, Cristopher ainda era pesado, mas Liam não reclamou enquanto o carregava até uma cadeira acolchoada, que levitou até a cozinha.

- Liam...?

Normalmente Cristopher só chamava o irmão pelo nome quando queria dizer algo mais sério, e naquela manhã não foi diferente. Enquanto Liam preparava o café dos dois, o filho legítimo de Augustus Rookwood buscou pelos olhos castanhos e presenteou o meio-irmão com uma gratidão rara de se ver em sonserinos.

- Nunca pensei que diria isso, mas obrigado por ser tão lufano.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Dom Jan 29, 2017 3:16 am

Mesmo que tivesse concluído os seus estudos na Corvinal, todas as pessoas que conheciam Melissa Zummach sabiam que estavam diante de uma grifinória. A garota tinha a coragem e a nobreza que simbolizavam a casa dos leões, mas também possuía os típicos defeitos encontrados naquele grupo. O orgulho e as decisões inconsequentes andavam lado a lado e se fizeram presentes na vida de Melissa quando ela levou até o fim a determinação de se separar de Landon.

O casamento chegou ao fim apesar da insistência de Vanderwaal. Vários amigos do casal também procuraram por Melissa e imploraram que ela reconsiderasse, mas nada fez com que a garota mudasse de ideia. A imagem que ela tinha do marido havia se despedaçado depois daquela revelação e Melissa se sentia enojada com a ideia de viver ao lado daquele homem desonesto que era capaz de dormir ao seu lado enquanto escondia um segredo capaz de mudar por completo a vida dela.

Assim como prometera, Melissa nunca fez nada para dificultar o relacionamento entre Landon e Leon. O pai tinha a autorização para ver o menino na hora que quisesse, sem nenhuma restrição de dias e horários. Assim que Leon cresceu um pouco mais e interrompeu as mamadas, Melissa também não se opôs à ideia do filho dormir algumas noites na casa de Landon, ou de passar alguns finais de semana com os avós paternos.

Mesmo que o filho fosse um elo eterno do antigo casal, Melissa sabia como evitar encontros com o ex-marido. A babá que a ajudava nos cuidados com Leon servia como uma ponte entre os dois e levava recados e recomendações, evitando uma conversa que certamente não seria tão civilizada. Embora Landon passasse com frequência na casa de Melissa para buscar o filho, os dois não se encontravam há pelo menos quatro anos.

Aquela era a forma que Melissa encontrara para se resguardar. Um novo encontro com Landon certamente viria acompanhado por sentimentos intensos e confusos que Zummach queria evitar. A raiva ainda existia e Mel preferia que Leon nunca presenciasse uma briga dos pais. Mas a moça também temia que um encontro trouxesse à tona emoções ainda mais complexas, como saudade ou arrependimento.

O trabalho surgiu como uma outra tentativa de esquecer aquele passado turbulento. Melissa manteve a sua vaga no Profeta Diário, mas conseguiu ser transferida para a equipe de jornalismo esportivo. O quadribol continuava sendo uma paixão e o trabalho permitia que Mel continuasse imersa naquele meio.

Foi através do trabalho que Melissa conheceu Klauss Miller. O batedor da seleção inglesa havia se encantado pela repórter do Profeta Diário durante uma entrevista e se empenhara até que Zummach aceitasse um convite para jantar. Mel ainda não se sentia pronta para mergulhar em outro relacionamento e tinha receio de envolver o filho em mais um dos seus fracassos, mas depois de cinco anos sozinha a morena se convenceu de que tinha o direito de tentar amar de novo.

E, definitivamente, Klauss Miller era uma excelente opção. Além de educado, gentil e divertido, o jogador profissional tinha todos os atrativos que uma amante de quadribol procuraria em um homem. Miller era alguns anos mais velho e possuía a maturidade que sempre faltara na relação conturbada com Landon. O esporte contribuíra para um físico invejável e músculos muito bem definidos, principalmente nos braços firmes do batedor. Os cabelos claros eram mantidos mais compridos e só costumavam ficar desalinhados durante os jogos. A barba era mantida sempre muito bem aparada e contribuía para aquele ar de maturidade e elegância.


Melissa ainda não sentia por Klauss a paixão que um dia nutrira por Landon Vanderwaal, mas ela gostava da companhia do novo namorado, da maneira como era tratada por ele e da forma como Miller aceitava o fato dela possuir um filho de outro relacionamento. Embora aquele namoro ainda não fosse “oficial”, Zummach estava a cada dia mais envolvida na relação e começava a imaginar um futuro no qual ela não precisaria mais ficar sozinha.

Naqueles dias frios de inverno, Melissa aproveitava um raro momento de folga ao lado do novo namorado. Klauss teria pela frente duas semanas de descanso antes de iniciar uma nova temporada e Zummach conseguira conciliar suas férias para que os dois aproveitassem aqueles dias juntos.

A ideia do casal era passar uns dias na Áustria, mas Melissa precisava resolver uma pequena pendência antes de embarcar naquela breve viagem. Zummach jamais iria sem o filho, mas também não podia simplesmente tirar Leon do país sem nem ao menos comunicar ao pai do garotinho.

Como Melissa e Landon não tinham mais nenhum tipo de contato, coube à babá a difícil tarefa de introduzir aquele assunto para os Vanderwaal. A mulher que ajudava a cuidar de Leon desde seus primeiros meses de vida contava com a plena confiança das duas famílias. Tratava-se de uma mulher de meia idade, profundamente responsável e apaixonada por crianças. Trudy era praticamente parte da família, e por isso estava sentada à mesa dos Vanderwaal naquela tarde de domingo, durante um típico almoço de família.

A Sra. Vanderwaal fez questão de servir o pratinho do neto e sentou-se ao lado de Leon, ajeitando os cabelinhos castanhos enquanto o menino comia. Leon parecia uma miniatura do pai com seus olhinhos verdes cintilantes e os cabelos arrepiados, mas o narizinho arrebitado de Melissa estava ali para provar que Landon não fora o único responsável por aquele milagre.


- A Srta. Zummach planeja uma viagem de sete a dez dias para a Alemanha. – Trudy introduziu o assunto delicadamente no meio do almoço – Eu irei com ela para ajudar a cuidar do Leon. Mas ela pediu que vocês fossem comunicados.

Era óbvio que Melissa não pediria permissão aos Vanderwaal para viajar, mas Trudy já dominava a arte da diplomacia para sobreviver naquela guerra. A babá escolheu as melhores palavras para não gerar atritos, mas Trudy não contava com a tagarelice do garotinho.

- A mamãe falou que vai ser divertido. E o Klauss disse que vai fazer um boneco de neve muito maior que aquele que o papai fez no outro dia, vovô.

- Klauss? – o Sr. Vanderwaal olhou de Leon para a babá, depois encarou novamente o menino – Quem é Klauss, querido?

- O namorado da mamãe, ué.

Trudy apertou os lábios para esconder uma careta. Leon estava tagarelando com a típica inocência infantil, sem imaginar o estrago que causaria com aquelas palavras.

- Sabia que o Klauss é jogador, papai? Jogador de verdade! A mamãe já me levou pra ver ele jogar. E ele vai me ensinar a voar de vassoura!

Quando todos os olhares da mesa se voltaram para ela, Trudy soube que não tinha como fugir daquele interrogatório. Por isso, a babá suspirou antes de esclarecer a situação. Como o batedor já era suficientemente famoso no Reino Unido, Trudy sabia que apenas o nome seria o suficiente para que os Vanderwaal soubessem de quem Leon estava falando.

- Klauss Miller.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Jan 29, 2017 3:41 am

O Caldeirão Furado nunca serviu como exemplo de um estabelecimento sóbrio ou tranquilo. Suas mesas estavam sempre ocupadas por viajantes, bruxos que faziam pausas em meio as suas compras do Beco Diagonal, grupos de jovens ou até mesmo de idosos que se reuniam entre as paredes cinzentas, cobertas com quadros tortos e muito mal iluminadas pelos velhos lustres para tomar uma cerveja amanteigada no final do dia.

Aquele fim de tarde não era exceção. Mas uma mesa em particular era responsável pelo maior barulho que tumultuava o pub naquele dia. Meia dúzia de cabeças espremidas em uma das mesas mais ao centro precisavam berrar para serem ouvidas. O tintilar dos copos em brindes repetitivos ecoava e a mesa de madeira estava pegajosa de frituras e de cervejas derramadas.

Nenhum daqueles detalhes parecia incomodar a equipe de Nathan Lavane. Os sorrisos iluminavam cada um dos rostos daqueles pesquisadores que tinham um excelente motivo para justificar aquela algazarra.

- Ao melhor chefe do mundo! – Brant gritou, erguendo sua caneca mais uma vez e sendo imitado pelos demais.

- É sério, Brant, eu consegui um investimento. Isso não significa que você vai ganhar um aumento. – Nate brincou, erguendo uma das sobrancelhas.

- Eu acho que o Brant tem um caso de amor secreto por você, Nate. – Teresa Campbell, a morena que havia integrado por último a equipe de Nathan, se esticou para pegar uma das asinhas fritas no prato de latão ao centro da mesa.

- Não tem nada de secreto. – Peter Montgomery, sentado ao lado de Teresa, deu um generoso gole em sua bebida antes de completar. – Não me espantaria se até o final da noite ele tatuasse o nome do Nate na bunda.

A risada explodiu na mesa e nem mesmo Brant pareceu se incomodar com aquele comentário, em um sinal de que o efeito das quatro doses de bebida começava a agir.

Sentado na ponta da mesa, Nate sorriu orgulhoso diante da felicidade de sua equipe. O copo com a bebida pela metade rodopiou sobre a mesa enquanto ele brincava com os dedos. Os olhos castanhos passearam por cada um dos seus funcionários até pousarem na loira ao seu lado.

Assim como todos os colegas, Clementine não conseguia conter em si a felicidade com a notícia de um investimento. Ela sabia que era uma rara oportunidade e aquilo significava que todos eles precisariam trabalhar ainda mais duro para provar que eram merecedores daquele crédito. Mas trabalho nunca havia sido um problema para ela e os demais.

Depois de tantos anos em um departamento esquecido, DiLaurentis sentia que mais do que nunca, eles precisariam mostrar ao mundo mágico que runas antigas não era um assunto cansativo ou morto.

O preconceito ia além dos muros da escola, quando poucos alunos selecionavam aquela disciplina para estudar. Além de complexa, era de conhecimento de todos que o futuro em qualquer profissão relacionada a runas não era algo glamoroso ou que fosse trazer alguma fortuna para os cofres da família. Um detalhe, é claro, que servira para que os pais desaprovassem a sua escolha de carreira.

A primogênita dos DiLaurentis estava acostumada a decepcionar os pais desde que fora selecionada para a Corvinal. O drama envolvendo os Rookwood poderia ter sido a cereja do bolo, mas parecia que Clementine nunca estava cansada de fazer escolhas erradas aos olhos dos pais.

Por passar uma vida inteira com aquele sentimento, Clementine ainda tinha dificuldades em lidar que agora vivia em um mundo sem a reprovação do Sr. e Sra. DiLaurentis. O casal, que buscava desesperadamente pelo retorno nos berços da alta sociedade britânica, aceitou ao convite para assistir a um dos jogos da Copa Mundial de Quadribol, cinco anos antes, na esperança de que aquilo pudesse facilitar a convivência com outras famílias nobres.

O iminente ataque que cobrira as capas de diversos jornais ceifara a vida dos pais de Clementine, transformando mais uma vez a vida dos dois jovens órfãos. Ela e Gael estavam sozinhos no mundo, sem um único centavo na herança perdida dos pais. Era triste, mas no final das contas, aquela tragédia havia servido para que os dois irmãos pudessem finalmente se entender.

O destino de Clementine era completamente diferente do que ela poderia ter imaginado para si. Afinal, para a menina de ouro que um dia carregaria um sobrenome importante e posaria de esposa troféu, ela se saíra relativamente bem como a responsável por Gael, presa em um emprego sem ganancia e em uma vida simples e humilde, sem lembrar em nada o passado dos DiLaurentis.

Por estar perfeitamente acostumada com a própria vida, Clementine não se sentia nada incomodada em estar rodeada de pessoas levemente alteradas, rindo e falando alto. Ela mesma já sentia as bochechas doerem de tanto rir e sentia o familiar formigamento nas pernas provocado pela bebida.

Os cabelos loiros ainda se sacudiam enquanto ela ria das piadas de um colega quando sentiu algo cutucando sua coxa. De imediato, Clementine se virou para encarar Nate, carregando o mesmo sorriso empolgado.

- Posso falar com você um instante? – Ele precisou se inclinar para frente e falar próximo ao ouvido da loira para ser escutado em meio a zoeira do pub.

Com um gesto mudo, Clementine apenas concordou com a cabeça e seguiu os passos de Nate até o balcão, onde conseguiam falar normalmente sem precisar gritar. Ele fez um gesto para o barman lhe trazer mais uma dose e se aproveitou quando o homem se afastou para se virar na direção da loira.

- Eu devia ter falado com você mais cedo, mas todo mundo estava tão feliz que eu não consegui um minuto a sós com você.

Clementine permaneceu em silêncio enquanto esperava pelo rumo daquela conversa e por isso Nate não demorou em continuar.

- Mesmo com a pesquisa aprovada, eu ainda tenho muito trabalho para fazer aqui em Londres. Vou precisar de alguém para liderar as coisas quando vocês estiverem em Brighton. – Nathan fez uma pausa apenas para abrir seu sorrisinho torto. – Quero que você fique à frente da equipe quando eu não estiver por perto, Clementine. Todos são ótimos, mas eu preciso de alguém que eu realmente confie.

Aquela era a segunda notícia do dia que fazia o queixo de DiLaurentis despencar. Inconscientemente, ela deslizou o olhar pelo pub, observando os colegas de trabalho enquanto tentava se imaginar naquele papel tão delicado.

- Você tem certeza, Nate? – Ela franziu a testa ao voltar seu olhar para o chefe. – É claro que eu me sinto lisonjeada, mas... Isso não tem nada a ver com nós dois, tem?

O sorrisinho de Nathan sequer se abalou, mostrando que ele já havia previsto aquela pergunta. Ele permaneceu em silêncio enquanto o velho por trás do balcão lhe servia mais uma dose e esperou que se afastasse para poder responder.

- Isso é porque você merece, Clementine. Você é inteligente, é a melhor da minha equipe e tem a confiança de todos. É exatamente de alguém assim que eu preciso para assumir o meu papel quando eu não estiver por perto.

Os lábios de Clementine continuaram entreabertos e ela voltou a observar a equipe, refletindo naquela oferta. Era certamente uma grande responsabilidade que não sabia se estava pronta para assumir. Além do mais, mesmo que Nate insistisse que o relacionamento dos dois não tivesse nenhuma influência naquela decisão, era difícil ignorar aquele grande detalhe.

Nathan e Clementine não eram oficialmente namorados. A equipe sequer sabia que os dois tinham qualquer tipo de envolvimento e aquela havia sido uma decisão mútua. Não seria inteligente que as pessoas soubessem que o editor e sua funcionária dormiam juntos ocasionalmente. A relação por si só era complicada o suficiente sem precisarem levar aquilo para dentro da editora.

Lavane era lindo, inteligente e carinhoso. Era certamente um amigo querido e Clementine se dava bem com ele. Mas mesmo depois de anos, ela ainda não se via preparada em assumir um relacionamento com alguém.

Depois do desastre dos Rookwood, DiLaurentis prometera a si mesma que homens e relacionamentos não seriam mais uma prioridade em sua vida. Ela precisava se concentrar em seu trabalho e em cuidar do irmão, de modo que estava sempre ocupada para se permitir gostar de alguém.

Ela sempre dizia a si mesma que cometera o grande erro de se envolver com dois irmãos, praticamente sem nunca ter tido um tempo só para si. Aquele erro não voltaria acontecer e Clementine só assumiria um novo relacionamento quando tivesse certeza de que não estaria se afundando em mais uma péssima escolha.

- Você não precisa me responder agora. – Nate manteve o olhar no perfil de Clementine. – O nosso sponsor vai chegar daqui a pouco e algo me diz que a paixão do Brant por mim vai rapidamente ser transferida para o cara com a grana.

Um sorriso mais relaxado apareceu nos lábios de Clementine e ela se voltou para Nate, concordando com um movimento da cabeça.

- Eu vou pensar, prometo.

Satisfeito com aquela resposta, Nate ousou se inclinar para frente, convicto de que toda a equipe estava envolvida nas próprias piadas para notar aquela proximidade entre ele e Clementine, e sussurrou próximo ao ouvido dela.

- A comemoração não precisa terminar aqui, sabe? Posso passar na sua casa mais tarde?

DiLaurentis mordeu o lábio inferior e fez uma careta para se desculpar quando respondeu, negando com um movimento da cabeça.

- Gael vai dormir lá em casa hoje. – Não era nenhuma desculpa para se livrar de Nathan, e para reforçar aquilo, ela se apressou em dizer. – Amanhã?

- Amanhã. – Nate concordou, parecendo sinceramente satisfeito com aquela resposta.

Provavelmente motivado pelos drinks a mais, ele ainda ousou apoiar sua mão na cintura de Clementine quando os dois voltaram para a mesa barulhenta, retomando seus lugares.

- Naaaate, você voltou! – Brant vibrou, derrubando metade da sua bebida ao erguer a caneca abruptamente.

O comportamento do ruivo arrancou algumas risadas, mas Lavane os ignorou pela primeira vez na noite. O editor se colocou de pé, ajeitando as próprias vestes e olhou fixamente para um ponto na entrada do pub.

Ninguém precisou dizer nada para que todas as cabeças também se voltassem para o homem que agora se aproximava daquela mesa. A maneira mais sóbria com que Nate se comportava não deixava dúvidas sobre a identidade do homem.

Mas diferente dos motivos de todos os presentes, Clementine não conseguiu desviar o olhar do homem porque mesmo em meio as vestes caras e ao tempo que havia passado, ela sempre reconheceria Liam Mellish Rookwood.
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