Back to Hogwarts

Página 7 de 10 Anterior  1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Jan 08, 2017 12:25 am

A ideia de deixar os dormitórios naquela noite e ir até o baile era dar o primeiro passo para assumir a vida com as escolhas que havia feito. Por isso, era uma grande ironia que Clementine mal chegasse até o salão principal e já precisasse lidar com exatamente aquilo que ela vinha tentando evitar.

DiLaurentis já estava inteiramente arrependida de ter mergulhado nos conselhos de Zummach e se odiando ainda mais por precisar, mais uma vez, fazer com que Mellish se afastasse dela até que ele finalmente compreendesse que os dois não teriam um futuro juntos.

O que a loira não esperava, entretanto, era ser bombardeada exatamente sobre o segredo que tentava proteger para o bem do ex-namorado. A tristeza do olhar se transformou em choque. Assim como na biblioteca, as íris azuis vasculharam os traços de Mellish atrás de qualquer sinal que indicasse que as consequências da Cruciatus estavam de volta, mas ele não parecia nada além de furioso.

As acusações de Liam fizeram a surpresa de Clementine se dissolver enquanto ela se sentia ofendida. Por mais que ele não tivesse nenhuma memória sobre os dois, era absurdo que ele cogitasse que os dois estavam afastados apenas porque ela havia se cansado daquele relacionamento.

A corvinal passou o olhar rapidamente ao redor da festa, ainda sem encontrar nenhuma das amigas para lhe salvar. Seria muita tolice tentar continuar mentindo. Por isso, puxou o ar lentamente, reunindo a coragem de enfrentar aquela conversa.

- Eu sei que não estou sendo exatamente sincera nos últimos dias, mas você está sendo grosseiro e está me ofendendo, Liam.

Os poucos olhares que tinham se voltado para Clementine agora começavam a aumentar. Era natural que a curiosidade se espalhasse depois das fofocas que já haviam corrido pelo castelo e sendo aquela a primeira vez que os dois estavam sendo vistos juntos publicamente.

Aquela era uma conversa delicada demais para se ter diante de um público, e a música alta impedia que Clementine pensasse com clareza sobre o que deveria fazer diante daquela situação.

- Podemos conversar lá fora?

Como ainda estavam próximos da entrada do salão, o casal não encontrou nenhuma dificuldade em passar pelos alunos e sair do castelo. A noite fria fez com que Clementine imediatamente se encolhesse, fazendo sua pele se arrepiar.

Instintivamente, a menina abraçou ao próprio corpo enquanto seus saltos afundavam vagarosamente pela grama. Ao invés de parar assim que alcançaram a área externa, Clementine continuou andando pelos terrenos de Hogwarts. Até o final da festa, os alunos começariam a se proteger nas sombras mais próximas do castelo para alongar o tempo ao lado de seus acompanhantes e a conversa poderia não ser mais privada.

DiLaurentis só parou de caminhar quando seus saltos finalmente se chocaram contra o piso de madeira da ponte que ligava o castelo até a cabana de Hagrid. Ali, os dois estavam afastados o bastante para não serem interrompidos e ainda recebiam de bônus uma linda vista do castelo, de uma parte afastada da Floresta Proibida e do céu estrelado. Nem mesmo o burburinho das vozes ou da música era capaz de chegar até seus ouvidos.

- Você pode não se lembrar de tudo, e é por isso que eu vou perdoar o que você acabou de me dizer. Mas eu nunca mais vou aceitar ouvir isso novamente, entendido?

O rosto dela estava sério e, mesmo sem estar em uma posição de negociar, Clementine queria deixar claro que havia se ofendido com as insinuações de Liam. Um novo suspiro escapou dos lábios da loira e ela se apoiou na mureta de madeira, observando o reflexo da lua nas torres mais altas do castelo.

- Não era para você saber sobre nós dois. Dumbledore em pessoa me pediu para não contar.

Uma ruguinha surgiu entre as sobrancelhas claras e os olhos pintados ficaram mareados ao se lembrar da conversa com o diretor, quando finalmente havia compreendido que suas lembranças fariam mal a Mellish.

Clementine abriu e fechou a boca algumas vezes antes de girar seu rosto para encará-lo outra vez. Mesmo em meio a fraca iluminação, Liam estava absurdamente atraente de uma forma que ela jamais havia visto antes. A tentação de tocá-lo era grande, mas a menina se obrigou a manter a calma.

- Você não se lembra do que aconteceu com o Cristopher, não é? Mas eu me lembro. E foi ruim, Liam. Muito, muito ruim. Ruim ao ponto de eu achar que nunca mais te veria outra vez.

O coração de Clementine batia forte contra o peito diante do risco que estava correndo. O próprio diretor havia alertado sobre o perigo de contar a Mellish tudo que havia acontecido e ela não sabia até onde poderia ir com aquela verdade.

- O que os curandeiros fizeram para que você se recuperasse foi mexer com a sua cabeça. – Ela girou sobre os calcanhares e desta vez se recostou contra a mureta de madeira, cruzando os braços diante do tecido leve do vestido. – Você precisava esquecer do que o Cris fez. Só que com isso, você também esqueceu sobre mim.

O vento balançou os fios loiros que estavam caídos em um único ombro de Clementine. Ela espremeu os lábios pintados por alguns segundos antes de continuar em um tom de súplica.

- Você precisa me prometer que não vai tentar se lembrar. Pode ser perigoso, Liam... Você pode voltar para o St. Mungus ou sabe-se lá o quê mais.

As mãos de Clementine tremiam ligeiramente, e ela sabia que não era apenas por causa do frio. Mesmo em meio a escuridão, ela continuava vasculhando o rosto de Mellish como se ele fosse uma bomba prestes a explodir.

- Nós dois estávamos juntos. Eu terminei com o Cristopher, você terminou com a Blake e estávamos felizes juntos. Foram os melhores dias da minha vida, Liam, mas se essas lembranças podem prejudicar você, eu não me importo de abrir mão delas. Eu não quero fazer você se lembrar. Você também não pode querer isso. Entende agora que é melhor ficarmos afastados?
avatar
Lucinda Clearwater

Mensagens : 574
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Dom Jan 08, 2017 1:28 am

As explicações de Clementine fizeram com que Liam compreendesse pela primeira vez o comportamento dela. Contudo, isso não significava que o lufano concordava com as escolhas feitas pela loira. DiLaurentis estava sendo muito nobre ao abrir mão dos próprios sentimentos em troca do bem estar de Mellish, mas nem assim aquela situação parecia justa aos olhos do rapaz.

Mesmo diante da súplica de Clementine, Liam tentou resgatar qualquer lembrança dela em sua memória. A loira descrevia um relacionamento feliz ao lado dele e Mellish se sentia devastado por não se lembrar do que acontecera. Quantas vezes os dois tinham se beijado? Onde se encontravam, o que faziam quando estavam juntos? Eles tinham algum segredo, usavam apelidos carinhosos, já tinham trocado declarações de amor? Era torturante saber que havia sido tão feliz, mas não ter nenhuma prova concreta daquelas lembranças do passado.

- Eu sinto muito, não quis te ofender. – a humildade típica dos lufanos estava presente em cada sílaba pronunciada pelo rapaz – Eu só não sabia o que pensar, Clementine. Não pensei que as coisas pudessem ser tão complicadas.

Sem a mágoa demonstrada há alguns minutos, o semblante de Liam se suavizou e ele sentiu o exato momento em que os músculos tensos relaxaram. A ausência das lembranças não impedia que Mellish se sentisse feliz com a ideia de que ele e Clementine tinham uma história juntos.

Os olhos castanhos novamente deslizaram pelo corpo da garota com admiração e o sorrisinho torto apareceu enquanto Liam se sentia orgulhoso de si mesmo por ter realizado o sonho de conquistar Clementine DiLaurentis.

- Desculpe, Clem, mas eu não concordo com você desta vez.

O apelido foi usado com naturalidade, como uma prova de que o lufano poderia voltar a ser exatamente o namorado que se despediu de DiLaurentis na torre norte antes do início daquele pesadelo. Tudo o que Mellish precisava era de uma chance para reescrever aquela nova história em sua memória.

- Eu não preciso me lembrar de tudo o que aconteceu para saber que também foram os dias mais felizes da minha vida.

Agora que sabia a verdade sobre o relacionamento com Clementine, o lufano não se sentiu constrangido em fazer uma declaração mais direta acerca de seus sentimentos por ela.

- Eu não sei se já te falei isso, mas a verdade é que eu sempre gostei de você. No fundo eu sabia que as minhas chances eram bem pequenas, mas eu não conseguia evitar. Eu sempre te vi como a garota mais bonita deste castelo, mas não era só isso. Eu também gostava de todo o resto, Clem. Da sua personalidade reservada, da obsessão tipicamente corvinal com as aulas e as notas, da sua voz, da forma como você coça o nariz com a pontinha da pena quando está concentrada em uma leitura mais complicada... Você era um sonho, então eu não tenho dúvidas do quanto fui feliz ao seu lado.

Como se quisesse evitar que DiLaurentis novamente surtasse de medo do dano que aquelas lembranças poderiam ocasionar, Mellish deu um passo adiante. Cada uma das mãos do lufano foi apoiada de um lado do corpo de Clementine, mantendo-a presa junto a mureta de madeira que formava a ponte. Era impressionante como a corvinal parecia ainda mais bonita naquele cenário perfeito, somente com a luz prateada do luar iluminando seu rosto delicado.

- Eu entendo que você esteja com medo, mas eu duvido muito que algum dia estas lembranças retornem. Acredite, Clem, eu tenho tentado revirar a minha cabeça todos os dias desde que saí do St. Mungus e não encontrei nadinha. Os curandeiros fizeram um bom trabalho. Eu não me lembro de nada, mas não posso ignorar que o meu corpo inteiro reage quando estamos juntos. O meu coração se lembra de você.

Mesmo não sabendo exatamente o que Cristopher havia feito, Liam tinha ainda mais certeza de que fora algo muito sério. Dumbledore não iria se meter pessoalmente em um romance adolescente se não tivesse razões para zelar pelo bem estar de um dos seus alunos. Assim como DiLaurentis não iria abrir mão dos dias mais felizes de sua vida se não tivesse uma forte motivação para tal escolha.

- Você acha justo, Clem? Se o Rookwood realmente cometeu um erro tão grave, você acha justo que ele saia desta história com esta vitória? Ele queria nos separar, e é isso que ele vai conseguir se você insistir que temos que ficar afastados.

O vestido usado por Clementine era assombrosamente bonito e Liam sentia-se tentado a olhar para o decote da garota mesmo em meio àquela conversa séria. Apesar disso, o lufano não hesitou antes de tirar o próprio paletó para envolver os ombros da loira e protegê-la do vento frio que atingia a ponte. Além do calor do corpo dele, o paletó de Mellish carregava o típico perfume que costumava ficar impregnado na pele de DiLaurentis sempre que os dois passavam algum tempo juntos na sala de Adivinhação.

- Eu entendo que esta responsabilidade era muito grande para você. Mas eu tenho o direito de opinar e de dividir toda a culpa pelo risco que corremos.

Liam fez uma pausa e os olhos castanhos buscaram pelas íris azuladas de Clementine antes que o lufano finalizasse com firmeza.

- Eu escolho correr o risco, Clem. Prometo que não vou mais me esforçar em busca dessas lembranças perdidas, desde que você me dê novos momentos para ocupar as lacunas na minha memória. Eu escolho começar de novo, com você.
avatar
Liam Mellish

Mensagens : 158
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Jan 08, 2017 2:26 am

- Esse é o encontro mais bizarro da minha vida...

Os olhos de Robbie passaram pelo salão antes de pararem em sua acompanhante. Seus lábios se curvaram em um sorrisinho torto e, com uma das sobrancelhas erguidas, ele ofereceu o braço para Mia Blake.

- Não que eu esteja reclamando, só para deixar claro, ok?

A lufana girou os olhos com uma óbvia impaciência, mas o sorriso que aparecia nos lábios pintados mostrava que ela não estava sinceramente irritada com aquela cena um tanto inusitada.

Mia Blake era uma menina atraente e que se destacava ainda mais com as vestes tão diferentes do uniforme amarelo e com a maquiagem que realçava os pontos certos de seu rosto.

Para uma garota insegura, aquele acompanhante arranjado de última hora poderia ser um grande insulto, principalmente levando em consideração que aquele era o par de outra menina há poucos minutos. Mas a forma relaxada com que Blake e Bulstrode encaravam aquela virada no jogo mostrava que os dois não estavam preocupados com o que outras pessoas poderiam pensar. Eles apenas planejavam uma noite divertida onde uma amizade surpresa poderia nascer.

- É sério? – Landon ergueu uma das sobrancelhas, compartilhando o mesmo sorriso que o amigo e a lufana. – Você ia ao baile com Melissa Zummach e isso é o máximo de bizarrice que consegue imaginar? Então não faz ideia do que acabei de te salvar.

Mesmo com a provocação, a mão de Landon deslizou com confiança pela cintura da corvinal ao seu lado, a puxando mais para perto quando atravessaram as grandes portas do Salão Principal, finalmente se deparando com a caprichada decoração para a comemoração da escola.

Era realmente um quadro um tanto inusitado, mas nenhum daqueles quatro jovens parecia incomodado com as mudanças de última hora. Robbie certamente não havia imaginado que, no final de tudo, ele ainda estaria ali acompanhado de uma lufana. Mas mesmo diante de toda a complicação que havia passado durante aquela noite, era um alívio poder se divertir sem qualquer tipo de drama.

- Vem, a mesa dos doces fica naquela direção. – Ainda com a mão na cintura de Melissa, ele a guiou pelas diversas mesas seguindo pelo caminho da esquerda. – Suas acidinhas podem estar a salvo, mas eu ainda preciso salvar algumas tortinhas de abóbora. O Robbie conseguiu devorar metade dos meus doces antes mesmo que eu tivesse a primeira dança com você.

Se antes o relacionamento entre Zummach e Vanderwaal fosse um segredo, naquela noite ele não fazia a menor questão de tentar esconder quem era a sua acompanhante. A felicidade transbordava em seu peito e era refletida nas íris verdes. Mesmo que Melissa tivesse prometido apenas uma chance, Landon já se sentia como se os dois tivessem superado todos os problemas.

Melissa já havia enfiado em sua boca pelo menos uma dúzia de acidinhas e Landon já devorava o quinto bolinho de caldeirão quando os dois finalmente desabaram em uma das mesas. O canto dos seus lábios ainda estava sujo de chocolate e aquela aparência quase infantil não combinava com os seus trajes adultos e o penteado impecável.

Ao redor da mesa, Lorelai e Agostini estavam corados e ofegantes, mas trocando risinhos de quem havia acabado de experimentar passos inéditos na pista de dança. Sara e seu acompanhante, um sextanista da Grifinória que também estava no time de Quadribol, já pareciam ter recuperado a energia depois de longos minutos dançando. Os sapatos da menina foram empurrados sob a mesa e ela se afogava em uma longa taça de ponche.

Com o polegar, Vanderwaal limpou o excesso do doce em seus lábios e virou o pescoço para encarar a pista de dança às suas costas. O intuito era apenas procurar por qualquer sinal de Liam, mas o primo logo foi varrido de sua mente ao notar como a pista ainda continuava lotada com adolescentes se sacudindo animadamente.


Os olhos verdes voltaram mais uma vez para a mesa, desta vez se fixando em Melissa. Ele mordeu o lábio inferior apenas por um segundo enquanto refletia naquele arriscado convite, mas não hesitou mais que isso e logo se inclinou para frente, até alcançar o ouvido de Zummach com seus lábios, para que ela escutasse mesmo em meio a música alta.

- Já atacamos a mesa dos doces. Que tal dançar? Posso te ensinar uns movimentos tão legais quanto no Quadribol. – Ele se afastou apenas alguns centímetros para que a menina pudesse ver seu rosto, onde o sorrisinho continuava firme. Piscando um dos olhos, Landon completou. – Te garanto que até o final da noite, você não só vai ter me dado uma segunda chance como vai sair daqui alegando que sou o amor da sua vida.

Com uma expressão mais carinhosa e já sem mais tom de brincadeira, ele se colocou de pé e ofereceu uma das mãos para Melissa. A paixão refletida em seu olhar servia apenas de combustível para que o grifinório parecesse ainda mais atraente.


- Vamos lá. Se você não gostar, sempre pode me estuporar no final das contas.
avatar
Remus J. Lupin

Mensagens : 338
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Dom Jan 08, 2017 9:34 pm

No fim das contas, Zummach falhou miseravelmente em sua missão suicida de não fazer amigos em Hogwarts. Naquela noite ficou claro para todos que a novata já tinha uma turma e que era muito bem aceita nela. Além de Clementine, Lorelai e Sara – que se tornaram praticamente amigas inseparáveis – Melissa parecia ter um excelente convívio com praticamente todos os colegas da Corvinal e até mesmo alguns quintanistas das outras casas. Depois daquele baile, provavelmente Mia Blake e Robbie Bulstrode também seriam anexados naquele seleto grupo de amigos da menina.

Depois de se fartar na mesa de doces, Melissa ocupou um lugar na mesa escolhida pelos amigos. Apesar da música alta, os jovens conseguiam manter uma conversa animada e as taças de bebida contribuíam como combustível para as risadas que ecoavam pela mesa. Zummach só havia tomado uma cerveja amanteigada e uma taça do ponche. Contudo, levando em consideração o Salão Principal que eventualmente rodava ao seu redor, Melissa não tinha dúvidas de que havia algo além das frutas na bebida servida aos jovens naquela noite.

- Acho que batizaram o ponche.

Sara comentou com uma vozinha arrastada depois de tomar o último gole da sua taça. A garota apertou os lábios, mas não conseguiu segurar uma risada desmotivada que só comprovava ainda mais a sua teoria.

Com um sorriso amplo que não lhe era comum, Zummach acompanhou as risadas da loira antes de lançar um olhar divertido na direção de Sara. Os cabelos da novata já estavam jogados de lado, mas a maquiagem continuava tão impecável quanto no início do baile, ressaltando os olhos azuis.


- Não é uma coisa legal de se dizer perto de dois monitores-chefes. Daqui a pouco um deles vai avisar os professores e acabará com a festa do ponche.

- Eu duvido. – Sara girou os olhos de um jeito divertido antes de apontar o polegar para Victorio – O Agostini está mais tonto do que eu. E quanto ao Landon, eu não tenho dúvidas de que ele está sob o seu controle, Mel.

O comentário da amiga fez com que os olhos de Melissa se voltassem novamente para o seu acompanhante daquela noite a tempo de ver Vanderwaal espiando a pista de dança. Por isso, Zummach já esperava por aquele convite quando o grifinório estendeu a mão na direção dela.

- Eu não vou precisar de uma varinha para acabar com você caso pise nos meus pés, Vanderwaal.

Apesar da ameaça, a expressão no rosto de Zummach era carinhosa quando ela entregou uma das mãos a Landon e permitiu que o rapaz a guiasse até a pista de dança.

Durante aqueles poucos passos ao lado do monitor-chefe da Grifinória, Melissa podia sentir vários olhares pouco amigáveis sendo lançados em sua direção. Nenhuma das meninas que geralmente se atiravam aos pés de Vanderwaal compreendia a escolha do grifinório para aquela noite. Landon podia levar qualquer garota ao baile, então era difícil entender porque ele estava ao lado justamente de Melissa Zummach. Mais do que isso, Vanderwaal demonstrava pela novata um interesse que nenhuma outra menina do castelo jamais recebera dele.

Por ironia do destino, a música chegou ao fim no instante em que o casal chegou à pista de dança. A banda, que antes tocava uma canção agitada e animada, resolveu trocar o estilo para um ritmo mais lento, uma espécie de jazz.

As mãos de Melissa buscaram pelos ombros de Landon enquanto os dedos dele se encaixavam com perfeição na cintura fina da menina. Ao contrário do que Vanderwaal poderia temer, Zummach não tentou guiá-lo durante a dança. Ao invés disso, a garota se deixou levar com facilidade e acompanhou os passos dele, executando os giros comandados pelo rapaz para depois retornar aos braços dele numa sintonia perfeita.

- O seu fã clube tem uma sede? Já consigo ver a minha foto pendurada na parede, coberta por dardos. A partir de hoje não ando mais sozinha pelo castelo.

Aquelas provocações eram uma tentativa de camuflar os ciúmes que Melissa ainda sentia. Ela fora a escolhida de Landon naquela noite, mas isso não tirava de Zummach o desejo homicida de estourar as cabeças de todas as meninas que ainda olhavam para Vanderwaal com cobiça.

Talvez motivada pelo efeito da bebida ou simplesmente pela saudade que sentia de estar nos braços do grifinório, Melissa deixou de lado as provocações que usava como armas de defesa. Sem a máscara de ironia, Zummach se deixou levar pelo momento e apoiou a cabeça no peito de Landon enquanto os dois se moviam no ritmo da música lenta.

- Eu senti a sua falta, Landie.
avatar
Melissa Zummach

Mensagens : 60
Data de inscrição : 09/12/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Jan 08, 2017 10:33 pm

As mãos de Clementine imediatamente receberam o paletó que envolveu seus ombros, segurando suas aberturas para manter a peça firme em seu corpo. Apesar da pele arrepiada e da pequena nuvem de ar condensado que escapava de seus lábios, ela se sentia completamente aquecida por dentro diante da intensidade dos olhos castanhos.

Ainda existia uma vozinha no fundo de sua mente lhe dizendo que aquilo era arriscado demais e que a escolha mais inteligente seria se afastar de Liam. Mas depois do discurso de Mellish naquela noite, aquela voz ficava cada vez mais parecida com a de Cristopher, como se o ex-namorado ainda estivesse tentando sabotar aquele relacionamento.

Dumbledore já havia lhe sugerido criar um novo começo ao lado de Liam. Mia Blake também insistia naquela história e agora o próprio Liam reforçava o bom trabalho dos curandeiros para que Clementine não se preocupasse com qualquer consequência de uma lembrança recuperada.

Talvez fosse apenas a grande ansiedade em estar novamente nos braços de Liam que impediam Clementine de pensar racionalmente ou todas as outras pessoas estavam mesmo certas. E aquela distância que insistia em impor entre ela e o lufano servia apenas para deixar ambos feridos.

Qualquer que fosse a verdade, DiLaurentis estava cansada de lutar. Ela sentia falta de Liam todos os dias e o simples fato dos dois ainda estarem ali, discutindo sobre um passado que ele sequer se lembrava, era a prova de que Mellish também queria estar ao seu lado. E era com aquela saudade refletida em seu olhar que Clementine aceitou sua doce derrota.

Ainda abraçada ao próprio corpo, com o paletó de Liam sobre seus ombros, ela deu um passo para frente e não precisou se esticar graças aos saltos que usava naquela noite. Tudo que Clemenitne precisou fazer foi esticar um pouco o pescoço para que seus lábios tocassem o de Liam.

Exatamente como na biblioteca, o toque foi tímido no começo, apenas para que sua mente se lembrasse da sensação de ter os lábios dele unido aos seus. Só depois que uma corrente elétrica percorreu todo o seu corpo, Clementine intensificou o beijo e soltou o paletó para envolver o pescoço de Liam em um abraço.

O baile já estava completamente esquecido quando ela se afastou apenas o suficiente para erguer as pálpebras e encontrar os olhos castanhos de Mellish. O receio ainda estava lá, mas quase imperceptível diante da ansiedade por tomar aquele passo.

- Não seria nós dois sem um pouco de adrenalina.

Um sorrisinho tímido brincou em seu rosto e Clementine se acomodou contra o peito de Liam em um encaixe perfeito, se deliciando com o perfume que ela já conhecia tão bem.

- Eu não vou mais fugir, Liam. Eu te amo demais e prometo que vai ser a minha vez de fazer você feliz e nunca se arrepender dessa escolha arriscada.
avatar
Lucinda Clearwater

Mensagens : 574
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Dom Jan 08, 2017 11:08 pm

O paletó de Mellish se tornou uma peça desnecessária depois que a proximidade dos corpos e os lábios unidos em um beijo longo anularam por completo o incômodo gerado pelo vento frio que atingia a ponte de Hogwarts. O corpo de Clementine foi encaixado com perfeição junto ao peito do lufano enquanto os dois mergulhavam naquela carícia, desta vez sem segredos ou hesitações.

Ao fim do beijo, Liam manteve a corvinal encaixada naquele abraço protetor. Uma das mãos do rapaz subiu demoradamente pelas costas dela, sob o paletó, entrando em contato com a pele macia exposta pelo vestido decotado. O sorrisinho torto brotou mais uma vez nos lábios de Mellish no exato instante em que seus dedos alcançavam a nuca de Clementine, sob os cabelos claros macios e perfumados.

- Eu também te amo, Clem.

Parecia precipitado demais fazer uma declaração de amor sendo que, na nova mente de Mellish, aquele era apenas o segundo beijo do casal. Por outro lado, parecia ainda mais errado privar DiLaurentis daquelas palavras quando Liam não tinha dúvida de que a amava de verdade. Mesmo sem as lembranças do início do relacionamento, Mellish só precisava observar as reações do próprio corpo para saber que os dois já tinham alcançado aquele ponto e que a palavra amor não era usada em vão.

A última coisa que Liam planejava quando saiu do Salão Comunal da Lufa-Lufa naquela noite era que teria Clementine em seus braços outra vez. O monitor-chefe programava uma noite divertida no baile, rodeado pelos amigos, por um banquete e pela música animada. Contudo, agora nada daquilo parecia fazer sentido. Mellish não tinha a menor dúvida de que preferiria gastar as próximas horas apenas com DiLaurentis.

- Vamos dançar.

Antes que Clementine imaginasse que o rapaz estava sugerindo que eles voltassem para o Salão Principal, Mellish a puxou gentilmente para longe da mureta, colocando-se no meio da ponte. Uma das mãos foi entrelaçada aos dedinhos delicados da corvinal enquanto a outra se apoiava na base da coluna da loira.

Se aquela dança acontecesse no salão, provavelmente os dois teriam uma plateia de curiosos que parariam o baile para observar mais um capítulo da fofoca Mellish-DiLaurentis. Ali, por outro lado, os dois tinham toda a privacidade que precisavam para que aquele momento fosse único e especial.

A música que vinha do baile estava muito distante, mas isso não impediu que o casal criasse o seu próprio ritmo. Liam conduziu a loira em uma dança lenta, só separando os corpos unidos no instante em que girava Clementine.

Num daqueles giros, Mellish a abraçou por trás antes que a loira completasse o movimento e apoiou a cabeça num dos ombros da menina enquanto continuava conduzindo-a no mesmo ritmo que só existia nas cabeças dos dois. Naquela posição, a voz grave de Liam soou muito próxima ao ouvido de Clementine, os lábios roçando a pele dela enquanto as sílabas eram formadas.

- Eu nem tive oportunidade de dizer o quanto você está linda hoje, Clem. Vou deixar a humildade dos lufanos de lado para admitir que estou orgulhoso por dançar com a garota mais perfeita do baile.
avatar
Liam Mellish

Mensagens : 158
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Jan 08, 2017 11:19 pm

Landon já sabia que a simples companhia de Melissa era o suficiente para lhe trazer alegria. Nos dias em que o casal estendia os treinos no campo de Quadribol e que não havia ninguém para importuná-los ainda eram guardados como uma boa lembrança.

Mas tudo naquela noite era diferente do que Vanderwaal já havia experimentado antes. Ele jamais se envergonhara de ter Zummach ao seu lado e mesmo assim admitia que os encontros as escondidas tinham um tempero a mais. O que tornava uma grande surpresa que estar diante dos olhos de toda Hogwarts proporcionava aquele momento ainda mais especial.

Enquanto Melissa se atentava aos olhares femininos que encaravam com cobiça aquela inédita cena do monitor-chefe da grifinória, tudo o que Landon pensava era que o sortudo ali era ele. Nenhum rapaz seria capaz de cometer a hipocrisia de dizer que Melissa não era atraente, mas apenas Vanderwaal a conhecia de verdade, por trás da máscara e do humor ácido. E aquela era a melhor conquista que poderia imaginar.

- Você pode simplesmente ignorá-las.

Ele sussurrou com a bochecha apoiada no topo dos cabelos sedosos de Melissa. Seu corpo balançava suavemente ao ritmo da música. Uma de suas mãos segurava os dedos de Zummach e a outra estava apoiada na delicada curva de sua cintura, guiando os movimentos.

- É o que eu faço. Principalmente quando já tenho a menina mais linda do castelo comigo.

Os olhos verdes brilhavam e Landon não conseguia mais tirar o sorriso dos lábios. O delicado perfume de maçã verde invadia os seus sentidos tornando aquele momento tão diferente de um sonho. Seu coração ainda estava acelerado, mas de alguma forma, aquilo só o fazia se sentir melhor e mais leve.

A declaração de Melissa fez com que algo se aquecesse dentro de Landon, e ele tinha certeza absoluta que aquilo não tinha relação alguma com o ponche batizado que havia ingerido depois de atacar os doces.

A certeza de que ele estava apaixonado por Melissa já havia caído sobre sua consciência há dias. Mas tudo ainda era uma novidade para um rapaz que experimentava aquele sentimento pela primeira vez.

A dança foi interrompida, embora a música ainda continuasse ecoando e tantos casais permanecessem em seus respectivos mundos. Os corpos de Liam e Melissa continuaram grudados e ele só se mexeu para erguer um dos braços e guiar o rosto dela com um toque em seu queixo.

A respiração de Vanderwaal falhou quando ele encontrou os lindos olhos azuis que se destacavam ainda mais graças a maquiagem. O sorrisinho de antes desapareceu e seu semblante ficou mergulhado em uma intensidade quase intimidante.

- Eu também senti sua falta, Mel.

O olhar de Liam passou de uma íris azul para a outra antes de pousar nos lábios pintados de Melissa. O sorriso voltou a brotar timidamente no canto de seus lábios quando ele completou, sem pensar no que estava fazendo ou em como Zummach reagiria.

- Eu amo você.

Talvez pelo instinto de evitar uma maldição imperdoável ou de impedir que Melissa o xingasse ou até mesmo arruinasse aquele momento com algum comentário ácido, Landon se inclinou para frente e a beijou diante de todo o baile.
avatar
Remus J. Lupin

Mensagens : 338
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Seg Jan 09, 2017 12:30 am

Com passos extremamente silenciosos, o pelúcio atravessou o piso de madeira do pequeno quarto e usou as patas dianteiras para subir no colchão ocupado pelos dois corpos. Os olhinhos negros astutos analisaram atenciosamente as suas duas vítimas antes que Doug se arriscasse a se aproximar dos bruxos adormecidos.

Esgueirando-se pelo estreito espaço vago do colchão, o pelúcio olhou dos discretos brincos dourados de Melissa para o distintivo prateado firmemente preso à camisa entreaberta de Landon Vanderwaal. Por fim, a maior das tentações venceu aquele duelo e as patas de Doug foram esticadas na direção da insígnia que mostrava que o jovem rapaz que dormia com os braços ao redor de Zummach era agora um funcionário do gabinete dos aurores do Ministério da Magia.

Dois anos tinham se passado desde o baile no qual Melissa Zummach e Landon Vanderwaal assumiram um romance improvável. A maioria das pessoas imaginou que o relacionamento terminaria em poucos dias, alguns mais otimistas calculavam que o namoro só chegaria ao fim quando Landon saísse de Hogwarts e deixasse a menina para trás. Contudo, contrariando todas as previsões, os dois ainda estavam juntos e imensamente felizes.

Os encontros eram raros já que Landon dedicava a maior parte do seu tempo ao trabalho como auror e Melissa ainda cursava o sétimo ano no castelo de Hogwarts. As cartas obviamente não amenizavam as saudades que eles sentiam um do outro, por isso era comum que os encontros fossem intensos e apaixonados.

Naquele dia, Melissa havia aproveitado um passeio até Hogsmeade para rever o namorado. A ideia inicial era que os dois almoçassem juntos e fizessem algumas compras, mas a saudade sufocante acabou arrastando-os para um dos quartos no segundo piso do Três Vassouras.

Como Zummach atingira a maioridade há algumas semanas, não havia mais necessidade da assinatura de um responsável legal autorizando a menina a visitar Hogsmeade. Melissa obviamente gostara do passeio e se encantara com o vilarejo bruxo, mas a grande verdade era que a melhor parte de estar em Hogsmeade era rever o rosto de Landon.

- Doug. Eu estou vendo.

A voz da dona fez o pelúcio paralisar seus movimentos há um centímetro do distintivo do auror. Depois de dois anos, Doug não era mais a minúscula criatura que subira pelas pernas de Lorelai, então não era mais tão difícil perdê-lo de vista. Por outro lado, o pelúcio havia aperfeiçoado as suas técnicas e se tornara silencioso e discreto em seus pequenos furtos.

Ao notar que os olhos azuis estavam abertos, Doug recuou até a ponta do colchão. Ele estava bem crescido, mas o olharzinho de culpa ainda era o mesmo. Melissa não costumava se enganar por aquela expressão de piedade, mas naquele dia estava feliz demais para perder tempo brigando com o bichinho de estimação.

Um sorriso fácil surgiu nos lábios da menina enquanto uma de suas mãos deslizava pelos cabelos atrapalhados de Landon, despertando o rapaz daquele sono pesado. Apesar da expressão igualmente sonolenta, a voz de Zummach soou firme quando ela apontou para a janela, através da qual era possível ver que já começava a anoitecer.

- Eu preciso ir. Não posso chegar atrasada. Eu vou matar alguém se me cortarem da final por causa de uma detenção.

No ano seguinte à entrada de Melissa em Hogwarts, ela havia repetido os testes para o time de quadribol da Corvinal e fora aprovada na posição de apanhadora. Naquele último ano, os alunos de Ravenclaw tinham chegado à final do campeonato das casas justamente contra a Grifinória, o que explicava o girar de olhos que Zummach lançou ao namorado.

- Lamento estragar os seus planos, não foi desta vez que você conseguiu ajudar os seus amiguinhos. Que golpe baixo, Vanderwaal.

Apesar da implicância, Melissa sabia que o namorado tinha preocupações muito mais sérias que um simples jogo de quadribol. Zummach eventualmente se sentia mal por ainda ocupar o papel de uma adolescente protegida no castelo de Hogwarts enquanto Landon enfrentava os horrores de uma guerra. O que consolava a menina era saber que, dali a alguns meses, os dois estariam juntos e Vanderwaal teria dela todo o apoio que precisava para enfrentar a carreira difícil escolhida por ele.

Depois de bocejar e esfregar os olhos, Melissa se arrastou para fora do colchão. Ao notar que a dona estava ajeitando a saia e abotoando novamente a camisa que compunha o uniforme da Corvinal, Doug saltou da cama e ocupou seu costumeiro lugar na mochila vermelha.

Zummach ainda estava descalça quando voltou para junto do namorado e se sentou sobre os quadris dele. Os cabelos castanhos cobriram o rosto de Landon como uma cascata enquanto os dois protagonizavam um demorado e apaixonado beijo de despedida. Ao fim da carícia, Melissa começou a fechar os botões da camisa de Vanderwaal, aproveitando-se dos movimentos para acariciar o peito dele.

- Dois meses.

Os olhos azuis buscaram pelas íris esverdeadas do auror enquanto Melissa mencionava o tempo que restava até concluir seus estudos em Hogwarts.

- Não é muito para nós que já esperamos dois anos, hm? Em dois meses eu estarei livre e não precisaremos mais contar os minutos para nos encontrarmos.

Mesmo depois de tanto tempo, a situação de Melissa com os Zummach se mantinha a mesma. Algumas corujas foram enviadas aos pais nos últimos anos, mas a menina acabou desistindo depois de não receber nem mesmo uma resposta. Hogwarts havia sido o lar de Melissa nos últimos tempos, o que a deixava apreensiva para enfrentar o mundo lá fora outra vez. Mas ela estava disposta a encarar o mundo real em guerra se fosse esse o preço a ser pago para ter Landon novamente ao seu lado.

Os planos para o fim do sétimo ano já estavam parcialmente arquitetados na cabeça de Zummach. Com as notas dos NIEM’s, Melissa planejava conseguir um bom emprego e ter um salário confortável o suficiente para lhe proporcionar uma vida digna. Como retornar para a casa dos pais não era uma opção, a garota já tentava sondar as amigas sobre a possibilidade de dividirem um apartamento. A única certeza que Zummach possuía no momento era que Vanderwaal continuaria a fazer parte da sua vida.

- Me promete que estará na estação quando eu desembarcar...?

O pedido de Melissa não refletia a insegurança de uma menina que temia ser trocada por outra mulher nas próximas semanas. Zummach ainda era extremamente ciumenta, mas desde a reconciliação Landon nunca mais lhe dera motivos para duvidar de seus sentimentos e da sua fidelidade. O que Melissa realmente temia era que a guerra tirasse dos dois aquela felicidade.

Como auror, Vanderwaal estava na linha de frente das batalhas e colocava a própria vida em perigo com uma frequência assustadora. Melissa preferia nem saber dos detalhes das missões das quais Landon participava, mas as manchetes cada vez mais frequentes nos jornais não permitiam que a garota se esquecesse dos riscos que o namorado corria diariamente naquela guerra.
avatar
Melissa Zummach

Mensagens : 60
Data de inscrição : 09/12/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Jan 09, 2017 12:59 am

O batuque estava insistente, mas por alguns segundos, Clementine pôde jurar que o som estava vindo de seus sonhos confusos. Só quando a claridade fez suas pálpebras tremerem e os olhos azuis finalmente foram revelados para observar o quarto a sua volta, ela percebeu que o som era real.

A cama estava vazia e o primeiro instinto da loira foi deslizar a mão pelos lençóis amarrotados. A temperatura morna indicava que Liam não havia se levantado há muito tempo e Clementine logo relaxou, só então podendo voltar sua atenção para a origem do barulho.

Mesmo com a vista embaçada, não foi difícil enxergar as avermelhadas penas de Rubi, insistindo com o seu bico contra o vidro da janela. O céu lá fora estava cinzento, mas a claridade era familiar de um dia que começava. Mas aquele prenúncio de mau tempo era suficiente para deixar o humor da coruja ainda pior do que o normal.

- O que você está fazendo aqui?

Ainda espremendo os olhos de sono, Clementine deslizou o vidro da janela para cima, permitindo que a coruja entrasse aos tropeços sobre a escrivaninha de Liam, derrubando alguns bolos de pergaminho e um tinteiro fechado, o que impediu uma catástrofe.

O primeiro pensamento ao ver a coruja era que Rubi trazia alguma resposta de uma das cartas que tivesse enviado para Melissa ao longo daquela semana. As duas vinham a procura de um apartamento que fosse maior que uma caixa de fósforos e que Clementine pudesse pagar a sua parte sem depender da fortuna dos pais.

Certamente não seria nenhuma carta do novo estágio que DiLaurentis havia conquistado em uma editora bruxa, localizada em um velho prédio ás sombras do Gringotts no Beco Diagonal. O cargo júnior como auxiliar de uma tradutora de runas basicamente exigia que a corvinal, que carregava tantos “Ótimos” em seus NOMs e NIEMs, servisse tortinhas de abóbora nos lanches com o privilégio de poder opinar em uma página ou outra que sua supervisora estivesse trabalhando.

Apesar da sua rotina nada glamorosa, Clem sabia que se conseguisse desenvolver sua carreira na Obscurus Books, um dia poderia descobrir traduções importantes pessoalmente, com a esperança de um dia fazer uma grande história no mundo bruxo.

Um beliscão em sua mão a trouxe de volta a realidade e a loira imediatamente fechou o semblante com um bico em repreensão para a atitude da coruja.

- Aii! Controle-se, Rubi! Eu não te fiz nada. Ainda.

Sustentando o olhar de sua dona, sem parecer em nada ameaçada, a coruja estendeu a pata para que a cartinha amarrada pudesse ser recolhida. No instante em que reconheceu a caligrafia assinando o nome de Adele DiLaurentis, a menina soltou um suspiro e voltou a encarar a coruja com repreensão.

- Traidora.

Um pio de protesto ecoou pelo quarto e os olhos cor de âmbar pareceram sinceramente ofendidos. Para tentar minimizar o estrago, a coruja saltitou até a beirada da escrivaninha, quase roçando suas penas vermelhas na camisa larga que Clementine vestia. A loira se derreteu em um sorriso e se rendeu a acariciar o topo da cabeça de Rubi.

- Eu sei que você não tem culpa. Ela acha que manda em mim também.

Com as pazes feitas com a coruja, Clementine voltou para a cama e se sentou sobre as próprias pernas no meio do colchão. Os lençóis embolados cobriram seus pés, mas a única coisa que protegia seu corpo era uma velha camisa xadrez que Liam havia abandonado, servindo como uma longa camisola para a loira.

O relacionamento de Clementine com os pais nunca havia sido um grande exemplo de amor e carinho, mas o Sr. e a Sra. DiLaurentis ao menos demonstravam que estavam orgulhosos pelas conquistas da primogênita, mesmo após o deslize de ter um membro de sua família fora da Sonserina.

As coisas em casa só começaram a ficar realmente complicadas quando a família Rookwood rompeu os laços de amizade após o drama envolvendo Clementine e Cristopher. Lucien DiLaurentis ainda tentou argumentar com o Sr. Rookwood sobre não potencializarem problemas de adolescentes, mas todos sabiam que aquela história ia muito além do que um simples namorico que chegara ao vim.

Clementine só piorou a situação quando tentou prestar um depoimento contra os horrores de Cristopher para o ministério da magia, e sua intenção, é claro, foi facilmente abafada pelas duas famílias, servindo como estopim para a fatídica ruptura.

Como consequência, os pais a tratavam com pouquíssimas palavras, as vezes ficando horas no mesmo cômodo sem pronunciarem uma única palavra. E para completar, seu relacionamento com Liam Mellish era infantilmente ignorado por cada um dos membros da família DiLaurentis. Como se não fosse o bastante fazer de conta que Liam não representava uma boa parte da vida de Clementine, nas poucas vezes em que Lucien ou Adele tentavam iniciar uma conversa, em sua maioria era para falar sobre o futuro amoroso da primogênita com algum conhecido que eles consideravam dignos.

“Clementine,
Seu pai e eu temos um assunto importante para resolver em Fort Augustus.
Precisamos que busque Gael em King Cross.
Voltaremos a tempo das festividades.
Adele DiLaurentis”

Um assunto importante. Clementine sabia que aquilo provavelmente se tratava de um compromisso social que os pais não poderiam perder, já que ainda enfrentavam uma luta para resgatar o que havia sobrado de seu sobrenome após a primogênita tê-lo enfiado na lama com sua “promiscuidade”.

Mas não era aquele detalhe que chamava a atenção de Clementine. Gael havia começado o quarto ano em Setembro e eles estavam em Dezembro. Seria a primeira vez desde que iniciara em Hogwarts que o caçula deixaria o castelo para passar as festividades em casa. Embora não considerasse Hogwarts exatamente como um lar, o menino sempre protestava a humilhação de se sentar ao lado de Clementine depois de tudo que havia feito para aquela família.

Mesmo sendo apenas uma criança, a personalidade de Gael parecia tão perigosa quanto os sintomas de Cristopher que Clementine havia lutado por tanto tempo para ignorar. E ela sabia que a ideia de encontrar a irmã lhe aguardando na estação quando desembarcasse seria tão bem vista pelo irmão quanto estava sendo por ela.

Um novo pio ecoou pelo quarto e Rubi se fez presente com um protesto pela ausência de uma recompensa pelo seu trabalho. Os olhos azuis se ergueram da carta para fitar a coruja e Clementine teve certeza que seria mais fácil lidar com a ira de seu bichinho de estimação do que com o mal-estar que havia se instalado após aquela carta.

- Fique aqui, vou buscar algo para você comer.

As longas pernas de Clementine deslizaram para fora da cama, novamente expostas, mas protegida pelo frio de dezembro graças ao feitiço térmico que Liam havia feito. Os pés descalços caminharam sobre a madeira até que ela alcançasse a cozinha.

Uma parte daquela indisposição criada pelo bilhete da mãe se esvaiu quando ela encontrou a nuca já tão conhecida de Mellish. Com passos silenciosos, ela o alcançou até que pudesse abraça-lo por trás, apoiando sua cabeça contra as costas dele.

- Por que você levantou? Senti sua falta.

Sem se afastar dele, Clementine girou a cabeça até que seu queixo estivesse apoiado no braço de Liam e seus olhos pudessem observar o perfil do rosto bonito dele.

- Rubi está no seu quarto. Preciso levar algo para ela comer antes que resolva furar o seu travesseiro como da última vez.

A mão de Clementine se esticou e ela afundou seus dedos em uma tigela de cereais que estava apoiada na bancada. Ainda sentindo o calor do corpo de Liam contra o seu, ela explicou a presença da coruja com um tom de lamúria.

- Vou precisar ir mais cedo do que o planejado. Gael resolveu voltar para casa antes do natal e eu estou encarregada de busca-lo na estação. Podemos adiar os planos de jantar com o Landon e a Mel?
avatar
Lucinda Clearwater

Mensagens : 574
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Seg Jan 09, 2017 1:45 am

Embora fosse muito grato aos tios e encarasse os Vanderwaal como a melhor família que poderia ter tido, Liam Mellish sentiu-se aliviado quando seu salário permitiu o aluguel daquele pequeno apartamento nas imediações do Ministério da Magia. O imóvel não era grande, muito menos luxuoso, mas atendia as necessidades de Liam, era muito próximo ao trabalho e possuía uma vizinhança tranquila.

Como um típico lufano, Mellish nunca havia tido grandes ambições. É claro que o rapaz desejava uma vida tranquila, uma casa melhor, um aumento de salário. Mas não havia nenhum tipo de luxo exagerado nos planos que Liam tecia para o seu futuro. Para ele, bastava que Clementine estivesse ao seu lado e que não faltasse nada essencial à futura família Mellish.

O primeiro passo para aquele futuro tranquilo já havia sido dado. Com excelentes notas nos NIEMs, Liam conseguiu um emprego dentro do Ministério da Magia. Assim como Clementine, o rapaz começara como um simples estagiário e fazia a pior parte do trabalho do setor antes de começar a conquistar o seu espaço no Departamento de Transportes Mágicos. Agora, com mais de dois anos de experiência, Mellish se tornara um funcionário de confiança dos chefes e não era raro que o ex-monitor da Lufa-Lufa se encarregasse de tarefas importantes.

O rapaz havia acordado cedo naquela manhã exatamente por causa do trabalho. Era comum que Liam ficasse alguns minutos a mais na cama quando recebia a visita da namorada, mas naquele dia infelizmente o tempo ao lado de Clementine não poderia ser tão bem aproveitado. Mellish tinha se encarregado de resolver um sério problema com chaves de portais danificadas e queria entregar o relatório com a resolução da questão até o fim da tarde. Seria a sua oportunidade de mostrar a eficiência que justificaria um pedido de aumento de salário.

O cheiro gostoso de café já se espalhava pela pequena cozinha quando DiLaurentis se juntou a ele. Feitiços domésticos não eram a especialidade de Liam, mas o lufano se viu obrigado a aprender o básico quando decidiu morar sozinho. Enquanto Mellish se concentrava na chaleira, a cesta com pães flutuava sozinha até a mesa e era acompanhada por uma fileira de torradas. O pote de geleia de abóbora já estava sobre a bancada, assim como a tigela de cereais. Os ovos mexidos terminavam de ser misturados com queijo quente por uma colher que se movia sozinha sobre o fogão.

- Pretendo chegar um pouco mais cedo ao trabalho. A ideia era deixar o café pronto para você. Como sempre, a Rubi estragou os meus planos.

O sorriso tranquilo de Liam mostrava que aquela implicância não era verdadeira. A coruja de Clementine tinha uma personalidade atípica e não era raro que os dedos de Mellish exibissem as marcas do bico de Rubi. Mas nem assim o rapaz conseguia se zangar com o bichinho de estimação da namorada.

O rapaz virou o rosto de lado e capturou os lábios de Clementine em um beijo doce. O passar dos meses não havia abalado aquela paixão e só contribuíra para que o casal construísse uma história ainda mais solidificada. Contrariando todas as diferenças e as dificuldades impostas pela vida fora de Hogwarts, os dois continuavam juntos e a cada dia mais apaixonados e envolvidos com um futuro em comum.

Mellish nunca mais tivera acesso às lembranças apagadas após a Maldição Cruciatus, mas aquilo agora parecia uma grande bobagem depois que tantas memórias maravilhosas ocuparam as lacunas deixadas pelas antigas.

O sorriso sereno do rapaz se transformou em uma careta quando Clementine explicou quais eram os seus planos para aquele dia. Melhor do que ninguém, Mellish sabia o quanto a convivência da loira com os DiLaurentis havia se tornado difícil, especialmente com o irmão mais novo que encarnava em si todos os dogmas e preconceitos típicos de um sonserino. Aquele inferno enfrentado pela namorada só fazia com que Liam valorizasse ainda mais a determinação de Clementine em continuar naquele relacionamento.

- Vou mandar uma coruja ao Landie. – Liam acrescentou antes que a namorada sugerisse Rubi – Uma coruja normal, não posso atacar um auror com a sua coruja maluca. Tenho certeza de que eles vão entender, podemos remarcar para a próxima semana.

Mellish apagou o fogo que aquecia a chaleira antes de se virar de frente para a namorada. Suas mãos firmes se encaixaram com perfeição na cintura de Clementine e os olhos castanhos desceram demoradamente pelo corpo dela, coberto apenas pela camisa xadrez. A perfeição daquela cena era completada pelo visual de Liam, que estava igualmente atraente vestindo apenas o short que compunha seu pijama e exibindo o peito e o abdome reto.

- Você é uma péssima influência, Clem. Estou terrivelmente tentado a chegar atrasado ao trabalho. Mas eu entendo que o filhotinho de Slytherin vai ficar ainda mais furioso se você se atrasar. – uma das mãos de Liam se ergueu até acariciar o rosto delicado da namorada – Quando ele começar a te aborrecer, respire fundo e lembre-se que eu amo você. Muito.

O lufano fez uma pequena pausa antes de abrir um sorrisinho travesso.

- Se isso não funcionar, estupore ele. Não tem erro.
avatar
Liam Mellish

Mensagens : 158
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Qua Jan 11, 2017 12:45 am

Aqueles anos eram provavelmente os piores já vistos pelo mundo mágico. Ou, ao mínimo, um dos tempos mais sombrios para aqueles que tinham a magia correndo em suas veias. As manchetes nos jornais não refletiam nem a metade das atrocidades que os seguidores de Lord Voldemort cometiam e até mesmo a mídia internacional não podia deixar de relatar sobre o pesadelo que os ingleses viviam.

Para um auror em função, Landon Vanderwaal vivia na pele a tristeza daquela realidade. Mesmo tendo deixado Hogwarts a tão pouco tempo, as notas excelentes e seu excelente desempenho nos treinamentos serviram para fazer com que o filho de dois grandes aurores do ministério da magia logo se destacasse.

Landon ainda era muito novo para assumir a frente de grandes missões, mas não eram tempos de poupar um bom auror que sabia exatamente o que fazer com uma varinha. Por isso, mesmo tendo deixado Hogwarts a um tempo consideravelmente pequeno, ele já carregava em sua curta carreira uma quantidade significativa de batalhas e confrontos com bruxos das trevas.

Ver famílias sendo dizimadas apenas porque alguém julgava seus sobrenomes ou arvore genealógica insuficiente causada em Landon uma profunda tristeza, ao ponto de fazê-lo questionar algumas vezes se realmente havia feito a escolha certa.

Porém, a cada pessoa que ele tinha a chance de ajudar, a cada vida que pudesse salvar, Vanderwaal sabia que valeria a pena. Se o mundo estava acabando, ele não poderia apenas ficar de braços cruzados, sem interferir.

A rotina de um auror era extremamente exigente. Landon acordava cedo demais para os treinamentos, muitas vezes precisava alterar os seus planos devido alguma missão de última hora e praticamente aparecia em seu pequeno apartamento apenas para dormir. Os armários vazios e as pilhas de roupa suja eram as provas de que Landon vivia apenas para o seu trabalho.

Mas eram em momentos como aquele que o antigo monitor da Grifinória finalmente conseguia sentir o seu coração leve. Toda a guerra que acontecia lá fora ficava em segundo plano quando Melissa Zummach estava em seus braços.

A personalidade forte e o humor ácido de Zummach, que serviram como o estopim para fazer a menina se destacar aos olhos de Landon, continuavam a encantá-lo. Mas acima de tudo aquilo, os dois haviam criado um laço íntimo com o decorrer do tempo.

Melissa se tornara a sua cúmplice, sua melhor amiga e o amor de sua vida. Ao lado dela, Vanderwaal voltava a ser capaz de soltar espontâneas gargalhadas e a ser o mesmo menino sem grandes preocupações que era em Hogwarts, sem o peso do mundo em seus ombros.

Era aquele sorriso leve que Landon exibia naquela tarde, enquanto suas mãos afagavam os fios castanhos de Melissa e os lábios se procuravam repetidas vezes para novos beijos, como se nunca fosse ser suficiente para matar a saudade.

A camisa estava amarrotada e os cabelos completamente bagunçados depois de terem sido atrapalhados pelos dedos de Melissa. Os olhos verdes estavam quase fechados de forma preguiçosa, mas a curta barba por fazer conflitava com aquela aparência de menino.

Seus dedos subiram pelas costas de Melissa, procurando uma brecha pela roupa que ela havia acabado de vestir. A pele quente era tentadora e Landon pressionava ainda mais a sua mão para que a menina fosse inclinada até que um novo beijo pudesse ser iniciado.

- Eu prometo que vou estar na estação. – Ele sussurrou ainda com os lábios colados aos dela, as pálpebras ocultando as íris esverdeadas. – E ainda levo acidinhas, se você prometer usar aquela blusa vermelha.

A cabeça de Landon afundou no travesseiro e apenas uma fenda dos olhos verdes foi revelada enquanto um sorriso malicioso brincava no canto dos lábios. Ele ergueu uma das mãos para deslizar os fios castanhos até atrás da orelha de Melissa, revelando o rosto dela.

Uma sombra se espalhou pelo seu rosto e foi fácil notar como Landon ficou mais tenso, indicando que o assunto que viria não era tão agradável quanto acidinhas ou roupas decotadas.

- Por falar em Quadribol, o Quartel de Aurores está querendo proibir a Copa Mundial de Quadribol de acontecer no Reino Unido este ano. Mas a ministra Bagnold é totalmente contra, diz que é péssimo para a nossa imagem. – Landon girou os olhos e finalizou a sua carícia com os dedos na ponta do queixo de Melissa. – Seja como for, não acho uma boa ideia você se empolgar com ingressos e nem nada do tipo, está bem?
avatar
Remus J. Lupin

Mensagens : 338
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Qui Jan 12, 2017 10:15 pm

Exatamente como Melissa esperava, não fora fácil deixar Hogwarts para trás. A garota havia entrado no castelo como se estivesse condenada a três anos de prisão, mas acabou descobrindo um novo lar entre aquelas paredes de pedra. Ao fim de sua jornada em Hogwarts, Zummach havia perdido o amor dos próprios pais, mas fora recompensada com um conhecimento incomparável sobre magia, além do surgimento de excelentes amizades e de um grande amor.

Depois dos primeiros meses de brigas e desentendimentos, Melissa encontrara em Landon Vanderwaal tudo o que ela precisava. O ex-monitor da Grifinória não era somente um bom namorado, mas também havia se tornado um grande amigo e confidente em quem Zummach depositava toda a sua confiança e todo o seu amor. Ao lado de Landon a garota se sentia tão completa que o fato de ter perdido o contato com os Zummach perdia a importância. Desde que Vanderwaal estivesse ao seu lado, todo o resto era suportável.

Embora tudo estivesse perfeito naquele relacionamento, a realidade da guerra não permitia que Melissa fosse inteiramente feliz. Era nauseante encarar as notícias sobre as atrocidades cometidas por Voldemort e seus Comensais da Morte, e era ainda pior imaginar Landon na linha de frente daquela batalha violenta.

Apesar das excelentes notas nos NIEMs, Melissa não quis seguir o mesmo caminho trilhado pelo namorado depois que saiu do castelo de Hogwarts. Zummach era uma excelente bruxa, mas não possuía todas as qualidades necessárias para ser uma auror. Sua personalidade forte e sua natural impaciência poderiam colocar tudo a perder em uma missão delicada.

Por outro lado, Melissa não conseguiu simplesmente escolher uma carreira aleatória e seguir com a sua vida como se uma guerra não estivesse acontecendo ao seu redor. Foi pensando em ajudar de alguma maneira que a garota se inscreveu para um estágio no Profeta Diário e agora trabalhava na equipe de edição do principal jornal do Reino Unido.

Muitas notícias eram camufladas ou distorcidas de acordo com os interesses dos editores-chefes ou por pressão do alto escalão do Ministério da Magia. Contudo, como estava dentro da sala de edição, Melissa tinha acesso às notícias verdadeiras e repassava à Ordem da Fênix todos os detalhes que eram cuidadosamente cortados das publicações oficiais.

Era exatamente este o papel que Zummach exercia naquele momento. Sentada ao lado do namorado, Melissa ocupava um dos lugares ao redor da grande mesa na casa dos Weasley. Além dos aurores, algumas pessoas de confiança compunham aquele seleto grupo que combatia os Comensais da Morte sem a influência duvidosa do Ministério da Magia.

A noite estava calma e silenciosa lá fora, em um contraste violento com a cozinha abarrotada de gente. O céu se assemelhava a um veludo negro no qual não havia nem mesmo uma estrela naquela noite. A lua-nova contribuía para a escuridão da noite e a aparência saudável de Remus Lupin era a maior prova de que eles ainda teriam que enfrentar longos dias antes do surgimento da lua-cheia.

- Encontraram uma chave de portal clandestina nas proximidades do estádio. As fontes são confiáveis, estava tudo certo para publicarmos a notícia. Mas o editor simplesmente decidiu que não tínhamos provas o suficiente para associar este fato à guerra e cortou esta nota. Ironicamente, esta decisão foi tomada depois que ele teve uma reunião breve com a Ministra da Magia e surgiu com um lindo relógio de bolso novinho em folha.

- O Ministério quer abafar qualquer notícia que exponha a falta de segurança do evento. Sediar a Copa Mundial de Quadribol no contexto de uma guerra é um absurdo indescritível!

A voz grave de Kingsley Shacklebolt ecoou como um trovão pela cozinha dos Weasley. O auror havia assumido a chefia do quartel de aurores há alguns meses, desde que Alastor Moody fora gravemente ferido em uma das batalhas. Partiu de Kingsley a iniciativa de tentar cancelar o evento esportivo, mas a orientação dos aurores foi ignorada pela ministra Bagnold.

Contrariando todo o drama das batalhas, o Ministério da Magia desejava usar a Copa Mundial de Quadribol para melhorar a imagem negativa que se espalhava por todo o mundo a cada notícia lamentável sobre a guerra. O que a ministra não conseguia enxergar era que a sua imagem ficaria irremediavelmente abalada se uma tragédia acontecesse em um evento como aquele, no qual estariam reunidos milhares de bruxos das mais variadas nacionalidades.

- E quanto a tal chave de portal? – Sirius Black se virou para Melissa, anormalmente sério desde o início daquela reunião tensa – Para onde ela levava? O que foi feito dela?

- Ela foi encaminhada para o Departamento de Transportes Mágicos. Imagino que o Ministério vá terminar de abafar o assunto internamente, mas por sorte conhecemos alguém que trabalha dentro do setor. – Zummach trocou um olhar breve com o namorado antes de concluir – Já entramos em contato com o primo do Landie. O Mellish vai nos manter informados.

Depois da informação trazida por Melissa, o assunto “Quadribol” se tornou a principal pauta da reunião. Era quase certa a chance dos comensais se aproveitarem daquele evento para um ataque que seria mundialmente noticiado. Os aurores compareceriam em peso para tentar evitar uma grande tragédia, mas era difícil prever o que poderia acontecer no meio da multidão de torcedores.

A tensão na Ordem da Fênix era quase palpável e não abria brechas para brincadeiras durante aquela reunião. Por isso, ninguém teve dúvidas de que Zummach estava falando sério quando a garota tomou a palavra mais uma vez.

- Eu também estarei lá, então podem me incluir em qualquer estratégia se for necessário.

- Como assim? – a voz de James Potter cortou o silêncio formado na cozinha – Não me leve a mal, Zummach, eu também adoro quadribol. Mas não acho que vale a pena correr o risco. Eu irei como auror, sem nenhum interesse no evento.

- E eu irei como jornalista. – Melissa rebateu sem erguer a voz, mas lançou um olhar firme de enfrentamento para o colega – Alguém precisa cobrir o evento, Potter. Sou uma estagiária, não estou em condições de escolher a minha escala.

- Quer que a gente acredite que uma simples estagiária foi obrigada a aceitar a cobertura do principal evento do Reino Unido nos últimos tempos? – James abriu um sorrisinho de provocação – O Profeta Diário está cheio de alienados que ignoram a guerra e que dariam os dois braços para estarem na Copa Mundial de Quadribol. Você no mínimo implorou de joelhos para ser encaixada na equipe, Zummach.

Os olhos azuis se estreitaram como duas fendas e foi com muita dificuldade que Melissa controlou o desejo insano de estuporar James Potter na frente de todos os colegas da Ordem da Fênix. Zummach ainda tinha alguma esperança de que o namorado acreditaria naquela pequena mentira. Mas agora, graças à indiscrição de James, ficara muito claro que Melissa tinha ignorado o pedido de Landon para não ir ao evento.

A forma como Vanderwaal ficou tenso ao lado dela deu a Melissa a certeza de que os dois teriam a primeira briga depois de muito tempo de trégua. Por isso foi grande a surpresa de Zummach quando a repreensão que ecoou pela cozinha dos Weasley não veio dos lábios do namorado.

- Por sorte, é um erro fácil de ser corrigido. Você pode simplesmente dizer aos editores que surgiu um imprevisto e que não poderá comparecer aos jogos. Estou certo de que há uma lista de espera e alguém vai ocupar imediatamente o seu lugar, Srta. Zummach.

A voz serena de Albus Dumbledore atraiu para si todos os olhares da cozinha. O diretor de Hogwarts ocupava a ponta da mesa e liderava aquela reunião, então não era tão surpreendente que Albus manifestasse a sua opinião frente a um problema. Contudo, era de conhecimento geral que, mesmo depois do rompimento dos Zummach com Melissa, a garota ainda mantinha contra o velho diretor as mesmas críticas e ressalvas do passado. Então eram grandes as chances daquele diálogo não ser tão amigável.

- E por que eu faria isso? – uma das sobrancelhas de Melissa se arqueou e ela se esqueceu de Landon enquanto encarava Dumbledore com uma expressão fechada – Eu deixei bem claro que participaria da Ordem da Fênix para ajudar a equipe. Não faz sentido ficar escondida enquanto os outros se arriscam. Se uma simples chave de portal foi abafada, imaginem quantas notícias mais podem ser escondidas durante o evento. Eu estarei por perto para garantir que nada seja escondido dos aurores.

- Você acha que os Comensais da Morte vão mandar uma coruja avisando sobre as circunstâncias do ataque? – Potter novamente se meteu, tentando aliviar o clima pesado entre Melissa e Albus – A sua iniciativa é nobre, Zummach, mas temo que a sua presença não será tão útil quanto você calculou. Pelo contrário, você pode até nos atrapalhar.

- Como é que é, Potter???

- Eu falo por mim quando digo que não conseguiria me concentrar em uma batalha sabendo que a Lily está nas arquibancadas. – James ergueu o queixo para apontar na direção de Vanderwaal – Precisamos do Landie concentrado se alguma merda acontecer.

- “Quando” alguma merda acontecer. – Black corrigiu o melhor amigo antes de ponderar – Mas um bom auror tem que estar preparado para qualquer adversidade. Além disso, não acho que a presença da Zummach seria tão inútil, realmente vai rolar muita coisa não noticiada nos bastidores. E, no fim das contas, ela é maior de idade, tem um emprego e pode tomar as próprias decisões. Não deveríamos perder tempo com esta discussão quando tem tanta coisa importante para ser definida ainda hoje.

Por mais que soubesse da fama de inconsequente de Sirius Black, Melissa se sentiu profundamente grata pelo apoio do rapaz. Zummach não pretendia voltar atrás naquela decisão e se recusava a ficar protegida em casa, de braços cruzados, enquanto Landon corria tanto perigo naquele evento. Era uma jogada arriscada, mas era a única maneira de Melissa se sentir mais útil naquela situação.

Mesmo depois da mudança na pauta da reunião, Zummach ainda notava os ombros tensos do namorado. Uma mecha dos cabelos castanhos foi puxada para trás da orelha e a garota arriscou um olhar na direção de Landon. Era bizarro como ele conseguia ficar ainda mais bonito com os dentes trincados de irritação, mas Melissa sabia que nem aquele comentário amenizaria a briga que aguardava por ela ao fim da reunião.

Quando a última missão foi arquitetada e Molly Weasley se levantou para servir o jantar aos colegas, Melissa tocou o braço do namorado com delicadeza. Ela estava prestes a sugerir que os dois fossem para a varanda para conversar com mais privacidade quando seus planos foram frustrados por Albus Dumbledore.

- Vanderwaal, podemos conversar por um minuto na varanda? Prometo que não tomarei muito o seu tempo.

Os olhos azuis de Zummach fuzilaram o velho diretor quando sua ideia foi “roubada” por Dumbledore. A garota permaneceu de braços cruzados enquanto assistia Landon e Albus se afastando até sumirem de vista depois de atravessarem a porta da cozinha.

A varanda dos Weasley estava imersa em uma intensa penumbra naquela noite sem estrelas. Ainda assim, era possível enxergar as sombras formadas pelas plantações do quintal e pela enorme árvore na qual Arthur pendurada balanços para as crianças. Os Weasley eram um grande incentivo para os jovens que pensavam em iniciar agora uma família e ali estava a prova de que havia felicidade mesmo em meio à guerra.

Um gnomo atrevido espiou os dois bruxos esticando a cabeça por entre as folhas de beterrabas, mas voltou a se esconder covardemente quando Dumbledore usou o seu desiluminador para acender a lâmpada de um dos postes do quintal. Aquela iluminação fraca era o bastante para que Landon visse no semblante do diretor uma sincera preocupação, que também ficou refletida na voz mais embargada de Albus.

- Eu confio na sua influência sobre a Melissa para fazê-la desistir desta ideia absurda, Vanderwaal. Ela não pode se expor desta maneira.

Dumbledore demonstrava afeto e preocupação com todos os amigos e colegas da Ordem da Fênix. Naquela noite, porém, parecia haver algo além da simples posição de um líder que desejava o melhor para o seu grupo. A aflição nas íris azuis por trás dos oclinhos de meia-lua denotava que, daquela vez, Albus tinha razões pessoais para se envolver naquela decisão.

- A Melissa não seria só mais uma pessoa no meio da multidão. Se os comensais souberem da presença dela, ela vai se tornar um dos principais alvos do ataque. – Albus fez uma pausa antes de acrescentar num sussurro – Voldemort sabe que pode me atingir através dela.

Aquela afirmação não fazia o menor sentido. Praticamente todo o mundo da magia conhecia a inimizade entre Dumbledore e os Zummach. Por mais que Albus tivesse aceitado Melissa em Hogwarts, aquilo não significava que o diretor se importava com ela ou que se sentiria pessoalmente atingido caso alguma tragédia acontecesse com a menina.

A explicação para aquela aparente contradição viria a seguir. Albus tinha prometido a si mesmo que levaria aquele segredo para o túmulo, mas as circunstâncias obrigavam o velho diretor a fazer aquela confissão. Landon precisava entender o quanto era grande o risco que Zummach corria ao se expor durante um ataque de Comensais da Morte.

- Há uma verdade não conhecida sobre o antigo problema entre os Zummach e eu, Vanderwaal. Octavius e Julia Zummach realmente foram assassinados por Grindelwald, mas a minha participação neste ataque não foi como informante, ao contrário do que os Zummach me acusam. A situação é bem mais complexa e envolve erros dos quais eu não me orgulho. Eu escolhi aceitar o papel de um delator porque, aos meus olhos, a minha verdadeira participação nesta história é ainda mais vergonhosa.

Além de Dumbledore, somente Gellert Grindelwald conhecia a verdade sobre os Zummach. Mas o diretor de Hogwarts tinha os seus motivos para achar que aquela notícia já teria chegado aos ouvidos de Lord Voldemort. Tom Riddle sempre tivera uma obsessão em destruir Albus para se impor como o maior bruxo da atualidade e os rumores de uma viagem de Voldemort para a Bulgária foram o suficiente para que Dumbledore acrescentasse mais aquela preocupação aos seus problemas atuais.

- Voldemort esteve na Bulgária, como todos sabemos. Se ele invadiu a prisão e teve acesso à cela de Grindelwald, esta verdade pode ter chegado aos ouvidos dele.

Uma pausa foi feita antes que Landon Vanderwaal tivesse acesso àquela informação até então restrita aos bruxos mais poderosos do Reino Unido.

- Há grandes chances de Voldemort saber que eu sou o pai biológico de Alfred Zummach.
avatar
Melissa Zummach

Mensagens : 60
Data de inscrição : 09/12/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sex Jan 13, 2017 10:32 pm

Clementine já havia pisado naquela mesma plataforma dezenas de vezes ao longo dos sete anos em que frequentara Hogwarts. Havia estado ali há poucos meses, desde que deixara o castelo pela última vez no início do ano. E ainda assim, uma vida inteira parecia ter se passado e uma estranha sensação de nostalgia enchia o seu peito, junto com uma irritante vozinha que insistia em dizer que aquele lugar não lhe pertencia mais.

O trem havia chegado há poucos minutos, de modo que a fumaça ainda se espalhava entre todas as pessoas que se aglomeravam à espera dos adolescentes que retornariam para suas casas para as festividades de final de ano.

Estar novamente naquele lugar sem carregar em seu peito o emblema da Corvinal, ou sem um pesado malão, nada além de uma delicada bolsa apoiada em seu ombro, era uma nova experiência para a primogênita dos DiLaurentis. Pela primeira vez, ela observou como era estar na plataforma 9 ¾ pela ótica dos adultos.

Os olhos azuis passearam pelos diversos rostos que observavam com ansiedade as portas do trem por onde os jovens estudantes começavam a descer e logo Clementine também se viu cheia de expectativa para encontrar a cabeleira loira de Gael.

O caçula estava longe de ser uma pessoa doce, carinhosa ou um irmão que a admirasse. Mas, apesar de todos os defeitos, Clementine amava o pequeno menininho que ela vira crescer. No instante em que ela reconheceu os traços de Gael, precisou morder o lábio inferior para conter um sorriso.

Quando pisara em Hogwarts pela primeira vez, o caçula dos DiLaurentis não passava de um menino magrinho e muito baixinho, com cabelos tão loiros que quase chegavam a ser brancos. Apesar da aparência inofensiva, ele não dispensava seus comentários cruéis e jamais havia pensado duas vezes antes de emitir em voz alta sua opinião.

A admiração que normalmente os caçulas direcionavam para os irmãos mais velhos não existia entre Gael e Clementine, mas desde o primeiro dia, o menino encontrou um substituto para aquela admiração. Cristopher Rookwood era exatamente como Gael queria ser quando crescesse e o rompimento do namoro e consequentemente das duas famílias havia sido o principal motivo para que o irmão se afastasse de vez de Clementine.

Ainda assim, era impossível ser completamente indiferente diante da transformação de Gael. O rapazinho que já batera em sua cintura agora exibia muitos centímetros acima de sua cabeça. O corpo magrelo havia ganhado forma e os fios brancos escurecido até atingir quase a mesma tonalidade dos cabelos da irmã. Clementine não tinha dúvidas de que Gael chamava a atenção do público feminino do castelo.



O rapaz parecia distraído em meio a sua conversa com outros três rapazes. Os quatro desceram do trem e se encaminharam para as bagagens, próximos o bastante para manter a conversa em um cochicho. Apenas quando o primeiro deles puxou o próprio malão e se virou, notou a presença de Clementine há alguns metros de distância.

A loira preferiu não se aproximar e esperar que Gael se aproximasse espontaneamente, mas não pôde ignorar quando o colega dele o cutucou, informando sua presença. Então o rosto de Gael se virou e ele imediatamente deixou de sorrir ao ver quem o aguardava na plataforma.

Ansiosamente, Clementine aguardou que o irmão encerrasse a conversa com os demais, puxasse a própria bagagem e finalmente se aproximasse com uma expressão nada amigável. Ela manteve um sorriso nos lábios, mas era notável em seu olhar como não estava mais tão a vontade por estar ali.

- O que você está fazendo aqui?

O sorriso de Clementine vacilou, mas ela tentou agir como a adulta daquela relação. Gael tinha apenas catorze anos e todas as desculpas do mundo para agir como um adolescente rebelde. Mas era esperado que ao menos ela se comportasse.

- Mamãe e papai tinham um compromisso. Pediram para eu vir.

- Ainda estão tentando consertar a cagada que você fez.

A voz de Gael não era a mesma esganiçada de quando tinha apenas onze anos. Ele parecia muito mais um homem do que um simples garoto. Mas ainda assim, se dirigia a irmã com a mesma insolência de sempre.

Clementine respirou fundo e cruzou os braços, sentindo a textura do grosso casaco preto que vestia naquele dezembro gelado. Ela chegou abrir a boca para responder Gael a altura, mas se calou antes que iniciasse uma briga, e girou o rosto ao redor, como se procurasse encontrar em qualquer canto daquela plataforma a calma que precisava para enfrentar aquele dia. O conselho de Liam imediatamente surgiu a sua mente, mas ela sabia que estuporar o irmão estava fora de cogitação.


- Sem brigas, Gael. É quase natal e você vai voltar para casa pela primeira vez em séculos. Não podemos erguer a bandeira branca, pelo menos pelos próximos dias?

Foi a vez da cabeça de Gael pender e ele observar a plataforma, como se procurasse por uma resposta. Clementine notou que ele estava refletindo sobre suas opções quando simplesmente deu de ombro e iniciou a caminhada em direção a saída da estação.

- Tem uma rede de flu há algumas quadras daqui... – Clementine informou, quando se apressou para seguir Gael.

Ela esperou que ele reclamasse o fato de não aparatarem, como os pais normalmente faziam, ou que debochasse de sua insegurança em aparatar com um acompanhante. Mas Gael permaneceu calado enquanto deixavam a estação e começavam a andar entre os trouxas.

- É só seguirmos reto... – Ela apontou para a rua quando os dois pararam em uma esquina.

Ainda com uma expressão fechada e pensadora, Gael observou a bifurcação que se encontravam e negou com um movimento da cabeça.

- Não. Vamos por aqui.

Clementine franziu o cenho e mais uma vez precisou se apressar para seguir os passos do irmão quando ele tomou a direção errada.

- Não, Gael! Tem uma pequena loja de corujas escondida no final daquela rua, é só seguirmos e...

- Nós vamos por aqui.

Ele sequer piscou e Clementine teve certeza que ele estava tomando aquela atitude apenas para irritá-la, provoca-la e mostrar quem dava as ordens. Ela estava se controlando a manhã toda, mas não perderia tempo andando pelas calçadas de Londres com a rua enlameada daquela neve derretida, congelando com a baixa temperatura e adiando ainda mais o seu retorno para o apartamento de Liam.

Irritada, Clementine simplesmente bufou, girou sobre os calcanhares e começou a seguir o caminho oposto, voltando para o seu plano original. Gael ainda seguiu por quase meio metro até perceber que a irmã não o seguia.

- O que você está fazendo??? – Ele rugiu, vendo os cabelos loiros da menina sacudindo conforme ela pisava duro pela calçada. – Eu disse para virmos por aqui!

- E eu disse que a rede flu é por aqui! – Ela bufou sobre o ombro. – Se não quer me acompanhar, encontre o caminho de casa sozinho!

Um estrondo ecoou quando o malão de Gael foi largado no chão e ele correu até alcançar Clementine. Seus dedos agilmente rodearam o braço dela e com força, fez com que a menina parasse sua caminhada.

Quando encontrou o olhar de Gael, Clementine se surpreendeu por não encontrar o menino mimado e contrariado. O irmão parecia furioso e ao mesmo tempo ansioso, quase preocupado.

- Você pode pelo menos me escutar uma vez na vida!?

Enquanto falava, Gael tentava puxar o braço de Clementine e impor que ela voltasse em direção ao malão abandonado, mas agora era a primogênita que agia como uma menina mimada e contrariada.

- Por que é tão difícil para você simplesmente aceitar que...

Clementine foi incapaz de completar a frase. Uma forte explosão ecoou e o chão tremeu sob seus pés. Por ter sido pega de surpresa, ela perdeu o equilíbrio e caiu sobre os braços de Gael, que imediatamente a amparou.

Ao redor, as pessoas ocupadas com suas manhãs corridas também foram surpreendidas. Algumas começaram a correr, outras gritavam e em questão de segundos a rua úmida de Londres se tornou um pandemônio.

Confusa, Clementine olhou ao redor. Ela ainda sentiu a mão de Gael tentando impedi-la quando cambaleou contra a multidão que corria na direção oposta, ombros se chocando contra o seu e a voz de Gael lhe implorando para voltar.

Um forte zunido ecoava no ouvido de Clementine quando ela voltou para a esquina e seu olhar tomou o caminho que ela e Gael deveriam ter seguido. Exatamente no ponto em que se encontrava a pequena loja de ração e utensílios para corujas, uma grande nuvem de fumaça denunciava a origem da explosão. Tijolos e escombros estavam caídos na calçada e algumas pessoas, provavelmente que estavam perto demais quando o incidente ocorrera, estavam caídas e inconscientes.

Gael parou ao seu lado e o olhar também se fixou no mesmo ponto da irmã. Enquanto todos corriam desesperados e uma sirene já soava ao fundo, Clementine tentava apenas compreender aquela infelicidade. Então, lado a lado, os dois irmãos viram quando uma luz cortou os céus e uma caveira de fumaça foi projetada sobre o estabelecimento atacado. Da boca da caveira, uma serpente dançava no céu nublado, se confundindo com as pesadas nuvens.

Então, Clementine finalmente compreendeu o que havia acabado de acontecer. E completamente horrorizada, buscou pelo olhar culpado de Gael.

- Você sabia.
avatar
Lucinda Clearwater

Mensagens : 574
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Sab Jan 14, 2017 1:32 am

As mãos pálidas de Liam ainda tremiam quando o bico da pequena Rubi capturou um de seus dedos e provocou um arranhão mais profundo. Um filete de sangue imediatamente escorreu até pingar sobre a superfície da mesa, mas a ansiedade de Mellish era grande demais para que ele se importasse com a dor ou que perdesse tempo brigando com a coruja por seu péssimo comportamento.

A mensagem de Clementine era breve e a caligrafia trêmula indicava que a adrenalina ainda corria pelas veias da loira quando a carta foi escrita. Cleo basicamente dizia que estava bem e que não havia se machucado no ataque ocorrido nas proximidades da estação naquela tarde. Mas nem mesmo o alívio daquela notícia fez com que o coração de Liam se acalmasse por completo.

Rubi havia sobrevoado o escritório de Mellish poucos minutos depois que a notícia chegara ao Ministério da Magia. Liam já estava vestindo o casaco e certamente enfrentaria o caos na busca por notícias da namorada quando a mensagem trazida pela coruja ruiva o poupou daquele sofrimento. Clementine estava viva, dizia estar bem e prometia contar maiores detalhes do ocorrido quando os dois se encontrassem no apartamento de Mellish naquela noite.

- Ela está bem. – Liam repetiu para si mesmo em uma tentativa de acalmar as batidas do próprio coração – Ela está bem.

Como o escritório estava vazio naquela tarde, Rubi virou a cabeça e encarou Mellish com seus grandes olhos amarelos, como se o rapaz estivesse falando com ela. A coruja se arriscou em uma nova bicada, mas desta vez Liam foi mais ágil e retirou os dedos do alcance dela. Uma breve nota foi escrita com uma caligrafia igualmente trêmula e Rubi pareceu ofendida quando o lufano a segurou com firmeza e amarrou o pergaminho na pata dela.

“Nunca mais me assuste assim. Vou para casa agora, não tenho mais condições de trabalhar. Me encontre assim que possível. Eu amo você.”

- Não seja tão difícil, Rubi! – Liam esbravejou quando a coruja se recusou a voar pela janela aberta – Tome, sua chantagista. Agora vá, leve o meu recado para a Clem.

A pequena Rubi só abriu as suas asas ruivas quando Mellish a presenteou com um amendoim torrado. Depois de receber a sua recompensa, a coruja aceitou o trabalho e logo se tornou somente um pontinho avermelhado no céu acinzentado de Londres.

Ainda havia muito trabalho a ser feito no Departamento de Transportes Mágicos naquela tarde, mas Liam sabia que ninguém notaria a sua ausência. A notícia sobre o ataque se espalhara como pólvora pelo Ministério da Magia e agora todos corriam de um lado para o outro, desesperados por notícias dos familiares que haviam comparecido à estação lotada naquele dia.

Quando fechou suas gavetas e a janela pela qual Rubi voara, Mellish planejava sair do departamento e seguir direto para o seu pequeno apartamento. Provavelmente Clementine ainda demoraria a aparecer já que cumpriria a obrigação de conduzir o irmão para casa com segurança, mas Liam sabia que se sentiria menos angustiado se esperasse pela namorada nos lençóis impregnados com o perfume suave dela.

Mellish estava há três passos de alcançar a porta quando duas batidas leves antecederam um giro da maçaneta. Como esperava ver um dos colegas do departamento ou talvez algum outro funcionário do Ministério da Magia desesperado por uma alternativa de transporte rápido para acessar o local do ataque, Liam sentiu-se paralisado pela surpresa quando a imagem imponente de Augustus Rookwood surgiu a sua frente.

Na última vez em que estivera frente a frente com o pai biológico, Liam ainda era um garotinho de cinco anos que havia acabado de perder a mãe. Depois daquele dia fatídico, Mellish havia avistado a família Rookwood de longe na estação 9 ¾, mas nunca mais tivera que encarar o pai de frente. Muitos anos tinham se passado desde aquele primeiro e único encontro, mas Liam ainda se lembrava com clareza da frase pronunciada por Augustus.

“Uma mancha podre na imaculada história da nobre família Rookwood.”

Embora não fosse mais um garotinho desamparado, Mellish ainda se sentia imensamente inferior ao homem imponente que surgiu diante dele. O Sr. Rookwood agora tinha rugas a mais e seus cabelos castanhos estavam salpicados de fios grisalhos, assim como a barba bem aparada. Ainda assim, era notável pelas roupas e pela postura que se tratava de um homem poderoso.

- Preciso de alguns minutos do seu tempo para uma breve conversa, Mellish.

Não era uma sugestão, muito menos um pedido gentil. Augustus simplesmente entrou no escritório e ocupou uma das cadeiras confortáveis atrás de uma das mesas, como se estivesse na própria casa. De dentro do casaco elegante, o Sr. Rookwood retirou um charuto, que foi cuidadosamente aceso por uma chama que brotou na ponta de sua varinha. Só depois do primeiro trago, Augustus voltou os olhos castanhos – muito parecidos com os de Liam – para o rapaz que continuava parado no meio da sala.


- Acho que não me expressei muito bem. Não será uma conversa tão breve assim, portanto eu sugiro que se sente.

- O departamento está fechado. – a voz de Mellish finalmente saiu, mas não com a mesma firmeza que ele gostaria – Se o senhor quiser agendar um horário com o Sr. Terrence, eu posso...

- É com você que eu quero falar, rapaz. – uma sombra de seriedade cobriu os olhos de Rookwood – Não escolhi este momento ao acaso. Eu vim exatamente porque sabia que não haveria mais ninguém no setor.

Por mais que se esforçasse, Mellish não conseguia imaginar o motivo pelo qual Augustus Rookwood estava ali. A única ideia que passava pela mente do lufano era que o pai biológico finalmente se aproveitaria daquele momento para alguma retaliação pela expulsão de Cristopher há mais de dois anos, mas parecia uma tolice muito grande fazer aquilo dentro do Ministério da Magia.

Sem grandes alternativas e movido pela curiosidade, Mellish arrastou seus pés até a cadeira em frente a Augustus e acomodou-se ali, depositando em Rookwood um olhar gelado. Os dois homens se estudaram atentamente por quase um minuto inteiro antes que a voz de Augustus ecoasse pelo escritório vazio.

- Quero que mude o seu nome.

Aquela frase sem sentido fez com que Mellish arqueasse uma das sobrancelhas grossas. Como o Augustus não forneceu maiores explicações, Liam se viu obrigado a perguntar.

- Como é? Do que está falando?

- Liam Rookwood. É o seu nome por direito e eu quero que o use a partir de agora. Já dei adiantamento nos papéis, só preciso da sua concordância para oficializar a mudança.

Embora tivesse compreendido cada uma das palavras do pai, Mellish continuou encarando Augustus como se o homem tivesse pronunciado as últimas sílabas em hebraico. Nada daquilo fazia o menor sentido. O Sr. Rookwood nunca demonstrara interesse em se aproximar do filho bastardo ou dar a Liam o que era dele por direito. Era difícil acreditar que Augustus simplesmente tinha mudado de opinião e voltado atrás naquela decisão.

Mais do que um sobrenome importante, aquela oferta de Augustus trazia consigo uma fortuna incalculável em forma de herança. Os Vanderwaal nunca permitiram que faltasse nada essencial ao sobrinho, mas não tinham condições de dar a Liam uma vida luxuosa.

- Por que isso agora? – Liam estreitou os olhos e foi direto ao ponto – O que mudou? Qual é a jogada?

- Cristopher está morto. Eu já estou velho demais para um novo herdeiro. O meu sangue e o meu sobrenome precisam seguir adiante.

Augustus articulou aquela explicação como se estivesse em uma reunião de negócios. Não havia nenhum tipo de emoção em suas palavras, nem mesmo quando o homem mencionou a morte do único filho legítimo. Mellish, pelo contrário, arregalou os olhos e deixou seu queixo desabar em uma surpresa indisfarçável.

- O Cristopher morreu??? Quando? Como? Eu não fiquei sabendo!

- Ninguém ficou. Ele se juntou aos comensais e estava em uma missão fracassada no mês passado. O corpo foi retirado da cena antes da chegada dos aurores e, por motivos óbvios, eu não quis que a notícia se tornasse pública.

A cabeça de Liam se sacudiu em negativa e ele manteve uma expressão incrédula enquanto ouvia Augustus mencionar com naturalidade a morte do próprio filho. O Sr. Rookwood girou os olhos com impaciência e abriu um sorrisinho maldoso para o filho bastardo.

- Vai mesmo fingir que se importa com o Cris? Depois de tudo o que houve entre vocês dois?

- Eu não me importo com ele. – Mellish respondeu de imediato – Só estou surpreso com a novidade.

- Não vamos perder tempo com tolices. Preciso de uma resposta para a minha proposta, Mellish.

Se fosse um rapaz orgulhoso ou um típico grifinório honrado, Liam se negaria a participar daquele acordo na mesma hora. Era ultrajante que só agora que não tinha mais alternativas Augustus decidisse enxergá-lo como um filho. Era nojento pensar em ocupar justamente o lugar de Cristopher.

Por outro lado, Mellish sentia que aquela era uma oportunidade dourada que não deveria ser desperdiçada. Durante toda a vida, Liam foi apontado de forma negativa. Inicialmente um filho bastardo de uma mãe solteira. Em seguida, um órfão renegado pelo próprio pai, que vivia da caridade dos tios. Em Hogwarts, Liam foi selecionado justamente para a casa de menor prestígio e passou anos inteiros sentindo-se um lixo por amar uma menina que pertencia à alta sociedade. E mesmo agora que se tornara um homem e tinha um bom emprego, Mellish ainda sentia olhares atravessados e burburinhos sempre que atravessava o saguão do Ministério da Magia.

A herança dos Rookwood mudaria aquela histórica sensação de inferioridade. Dono de um sobrenome importante e com uma fortuna nos bolsos, Liam finalmente se enxergaria um degrau acima da vida medíocre que sempre tivera. O orgulho ferido era um preço irrisório a ser pago por aquela virada de jogo.

Ao notar que o filho estava refletindo seriamente sobre aquela possibilidade, Rookwood tragou mais uma vez o charuto enquanto abria um sorriso satisfeito.

- Não precisa responder agora, eu imagino que você precise pensar mais um pouco em todas as consequências... – Augustus se levantou, dando a conversa por encerrada – Uma semana, Mellish. Vou querer a sua resposta em uma semana.
avatar
Liam Mellish

Mensagens : 158
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Jan 15, 2017 12:36 am

A neve começava a cair, embranquecendo o parapeito das janelas do apartamento de Landon Vanderwaal com pequenas montanhas de flocos fofos que se misturavam a poeira. Todos os vidros estavam devidamente fechados e anda assim, o pequeno apartamento localizado em um simpático bairro bruxo estava gelado em seu interior no início daquela madrugada.

As botas do bruxo estavam curiosamente secas, mas a aparatação da casa dos Weasley até a entrada do prédio explicava o motivo para seus sapatos terem sido poupados de toda neve que começava a cobrir as calçadas e que provavelmente dominaria todo o bairro até o amanhecer.

Sem ao menos se abaixar para afrouxar os sapatos, Landon logo se descartou deles, deixando-os jogados sob o cabideiro que recebeu seu casaco e seguiu com os pés em contato direto com o piso de madeira até a lareira. Com um simples movimento da varinha e um feitiço não-verbal, o fogo brotou como se a lenha já estivesse sendo devorada há alguns minutos, enchendo o apartamento com um agradável calor.

Desde o fim da reunião e durante todo o jantar oferecido por Molly Weasley, Landon Vanderwaal não arriscou abrir a boca para emitir uma única palavra. O seu silêncio poderia ser facilmente interpretado com o incômodo provocado com a declaração da namorada em presenciar a Copa Mundial de Quadribol e no risco que correria. Mas a mente de Landon já havia migrado daquela preocupação para a bombástica notícia que o diretor de Hogwarts havia jogado em seu colo.

Se o jovem auror estava furioso em ouvir dos lábios de Melissa Zummach que ela estava disposta a enfrentar o perigo do evento esportivo que ele mesmo havia pedido para que ela mantivesse distância, tudo o que ele demonstrava agora era um estranho estado de choque.

A tensão provocada com a declaração de Melissa havia se transformado com o baque recebido com a notícia do diretor. A mente de Landon parecia dar voltas e mais voltas enquanto ele tentava aceitar aquela nova verdade em sua vida.

Melissa e Albus Dumbledore estavam ligados de uma forma que ninguém jamais havia suspeitado. Que nem mesmo a jovem deserdada dos Zummach poderia sequer sonhar. Como se não fosse suficiente descobrir que sua árvore genealógica não era a mesma que havia acreditado por toda a sua vida, Melissa estava diretamente ligada ao homem que ela aprendera a desprezar desde o berço.

O corpo de Landon afundou na beirada da cama, sentindo seus ossos repentinamente mais pesados depois daquele segredo. Era impossível olhar para Melissa agora e não tentar encontrar nos traços dela qualquer sinal que comprovasse as palavras que Dumbledore lhe compartilhara naquela noite.

Lógico que o diretor não tinha motivo algum para mentir de algo daquela magnitude, mas ainda assim não era uma tarefa simples apenas aceitar aquela verdade sabendo todo o histórico entre os Zummach e Dumbledore.

Os olhos verdes se fixaram na namorada como se estivesse enxergando aqueles olhos azuis pela primeira vez. Provavelmente era apenas a sua imaginação pregando peças, mas ele quase podia enxergar algo dos olhinhos azuis do diretor em Melissa.

Um suspiro pesado escapou dos lábios de Landon sem que ele se desse conta. Seu peito estava espremido e aquilo parecia ser ainda mais difícil do que qualquer missão que já tivesse enfrentado com o emblema do ministério da magia em seu peito. Era como se o rapaz temesse simplesmente abrir a boca e deixar escapar aquele segredo.

- Você não me contou os seus planos sobre a Copa de Quadribol.

A voz de Landon soou estranhamente calma, conflitando com sua reação tão tensa no momento da reunião da Ordem. Ele ainda se sentia traído com a escolha de Melissa, mas depois da confissão de Dumbledore, era impossível se sentir apenas furioso com a namorada.

Sua mente lhe dizia que ele deveria compartilhar aquele segredo, que Zummach tinha o direito de saber. Ao mesmo tempo, aquele não era seu segredo para contar. Albus era apenas seu velho diretor enquanto Melissa era sua namorada, a mulher com quem ele pretendia passar o resto da sua vida. Se tinha alguém ali a quem ele devesse fidelidade, era ela.

Mas aquela decisão ia muito além de simplesmente ter a consciência limpa ou poupar Zummach daquela verdade. Eles estavam em guerra. Uma guerra em que ela poderia ser usada como uma arma por algo que desconhecia completamente.

Se Melissa estava disposta a ir de encontro ao evento esportivo, mesmo sabendo dos riscos de um ataque apenas para não ficar de mãos atadas em uma guerra, ela provavelmente teria atitudes muito mais estúpidas e corajosas, típicas de Grifinórios, se soubesse que representava algo muito mais significativo naquela história.

Landon não sabia se era a decisão mais sábia ou não. Ele só sabia que Dumbledore havia confiado a ele para proteger Melissa. E era exatamente o que tinha em mente.

O corpo de Landon estava inclinado para frente, os cotovelos apoiados sobre os joelhos. Um dos braços foi erguido e ele enfiou os dedos nos cabelos castanhos, já completamente atrapalhados depois de um longo dia. Sua cabeça foi ligeiramente inclinada para que ele continuasse observando a namorada, mas seu olhar intenso mostrava que ele não estava querendo comprar uma briga.

- Eu quero que você reconsidere essa decisão, Mel. Eu entendo a sua necessidade em querer ajudar, mas você também precisa entender a minha preocupação em ter você lá.

Landon baixou o olhar apenas por um instante, refletindo se realmente deveria seguir por aquele caminho. Por fim, ele se colocou de pé, as tábuas rangendo sob seus pés enquanto caminhava até a cômoda encostada na parede de tijolos expostos do quarto.

A primeira gaveta foi aberta e seus dedos tocaram em uma pilha de roupas, jogando-as para o lado. A caixinha de veludo logo ficou exposta diante dos olhos verdes e mais uma vez ele prendeu a respiração.

A todo instante, Vanderwaal tentou dizer a si mesmo que aquilo aconteceria de uma forma ou de outra. Que o simples fato daquele anel estar guardado em sua gaveta significava que ele estava esperando o momento certo. E aquele estava longe de ser o momento certo que sua mente insistia em reproduzir em fantasias. Mas era o momento necessário.

Os longos dedos esconderam a caixa quando Landon voltou a caminhar, desta vez só parando ao estar diante de Melissa. Seu coração imediatamente acelerou quando ele percebeu que realmente estava fazendo aquilo. Independente dos motivos finais, ele estava ali, diante da mulher que amava, fazendo a grande pergunta.

Por um breve instante, toda a guerra, o segredo de Dumbledore e as terríveis missões foram varridas de sua mente. Um brilho passou no olhar verde e o lábio de Landon chegou a tremer em um pequeno sorriso quando ele abriu a caixinha diante dos olhos de Melissa.

Os dois eram jovens demais para dar aquele passo, mas Landon não se importava. Ele amava Melissa e queria dar a ela a família que havia perdido por não aceitar as suas escolhas. A idade, a guerra ou qualquer outro fator era irrelevante diante da certeza de que a amava e de que aquele sentimento jamais mudaria.

- Eu quero que você reconsidere, porque também não estava planejando ir para a Copa de Quadribol. Estava com esperanças de que pudéssemos estar fazendo outra coisa...

Mesmo que aquele não fosse o cenário que havia imaginado, seu coração já saltitava exatamente como ele desconfiava que aconteceria. As mãos chegaram a tremer levemente e Landon se sentiu bobo, mas não hesitou em se agachar, apoiando um dos joelhos no chão enquanto procurava qualquer sinal no rosto de Melissa para interpretar a resposta dela antes que fosse dita em voz alta.

- Você quer se casar comigo?
avatar
Remus J. Lupin

Mensagens : 338
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Jan 15, 2017 1:21 am

- Gael!!!

A voz de Clementine soou por todo o saguão com clareza, mas ainda assim, o jovem loiro continuou subindo as escadas apressadamente sem se voltar para irmã um único segundo.

O pesado malão caiu com um estrondo quando a menina baixou sua varinha, interrompendo o feitiço que o fazia flutuar por toda a entrada da mansão DiLaurentis, mas Gael não parecia preocupado com os próprios pertences enquanto se empenhava em alcançar o segundo andar antes da irmã.

- Gael, eu estou falando com você! Nós precisamos conversar!

Clementine ainda conseguiu alcançar o corredor dos quartos e correu até o cômodo por onde o irmão havia desaparecido apenas em tempo de sentir o vento provocado pela porta batendo diante do seu rosto. Inutilmente, ela ainda tocou a maçaneta e tentou força-la, mas nem o feitiço Alohomora foi capaz de destrancar a fechadura.

- GAEL! – Clementine urrou em frustração, completamente ignorada.

Seu corpo ainda tremia quando ela voltou para o saguão. A mansão estava ainda mais silenciosa com a ausência dos pais e Clementine não sabia se conseguiria lidar com aquilo sozinha.

Gael sabia. Ele sabia de um ataque antes mesmo de acontecer, de um lugar onde surgira a marca negra. Era impossível pensar com clareza quando só o que conseguia imaginar era naquela mesma caveira tatuada no braço do seu irmão caçula.

Por mais que tivesse uma exagerada coleção de defeitos, Clementine não conseguia imaginar Gael como um dos seguidores do Lord das Trevas. Ela o amava e não queria acreditar que um simples garoto pudesse se envolver com coisas tão podres.

Alheio ao drama da moça, o minúsculo e esfarrapado elfo da casa surgiu com um sorriso inseguro ao ver que a menina estava de volta. Clementine ficava a maior parte do tempo em seu estágio no Beco Diagonal ou na casa de Liam e praticamente vinha em casa em algumas noites, como um lembrete de que ainda vivia ali. Ainda assim, o elfo pareceu aliviado ao ver que era a primogênita do casal DiLaurentis e não os donos da mansão.

Uma mesinha havia sido preparada pela criatura, recheada de biscoitinhos, bolos e mini-tortas. A chaleira fumegante trazia um chá já previamente adoçado e toda a apresentação era digna de um encontro de damas da alta sociedade.

Clementine não tinha a menor condição de comer, nem mesmo diante dos belos doces expostos pelo elfo. Ainda assim, ela se obrigou a sentar na poltrona mais próxima da lareira e se servir de uma generosa dose de chá. Os dedos ainda tremiam quando ela deu o primeiro gole, revivendo as cenas recentemente vividas nas calçadas da Londres trouxa.

Tudo o que queria era sair dali, correr para os braços de Liam e fazer de conta que aquilo tudo era um pesadelo. Mas não iria simplesmente virar as costas para Gael. Ela já havia fechado os olhos para os erros de Cristopher e havia provado as piores consequências. Não ia permitir aquele deslize outra vez.

Ela não soube dizer exatamente quanto tempo se passou, mas o chá em sua xícara de porcelana já estava morno quando Gael surgiu diante de seus olhos, se aproximando com passos silenciosos.

Ele trocara as roupas pesadas por peças mais leves, mas ainda assim parecia muito mais como um homem do que um simples garoto que Clementine insistia em dizer que ele era.

Em silêcio, Clementine manteve a xícara próxima aos seus lábios, mas não deu nenhum gole. Seus olhos encaravam Gael cautelosamente, esperando que ele tomasse a palavra. Uma longa pausa foi feita antes que o rapaz finalmente abrisse a boca.

- Eu não sou o que você está pensando.

Clementine sentiu seu coração falhar uma batida, mas não deixou transparecer em seu rosto o desespero ou alívio que deveria sentir com aquela afirmação. Com uma calma que não existia, ela se inclinou para frente e a xícara tintilou ao se chocar com o pires. Apenas quando estava com as mãos livres, ela o desafiou.

- Então prova.

Os dois irmãos se encararam em silêncio e Clementine chegou a acreditar que Gael fugiria novamente para o quarto quando ele finalmente ergueu os braços. Seus dedos começaram a dobrar a manga da camisa azul que vestia até que todo seu antebraço estivesse exposto.

A menina prendeu a respiração até que a camisa tivesse chegado no cotovelo de Gael, expondo a pele branca e imaculada, sem qualquer vestígio da marca dos seguidores de Voldemort.

Sem conseguir mais disfarçar, os ombros de Clementine relaxaram e ela franziu a testa para tentar controlar um choro de alívio. Ela não estava pronta para perder Gael, não com a mesma mágoa e decepção que acontecera com Cristopher.

Com poucos passos, ela aniquilou a distância que existia entre os dois e puxou Gael para um abraço. O menino chegou a arregalar os olhos de surpresa, mas ao escutar a irmã fungar, permitiu que seus braços também a envolvessem.

- Como você sabia? – Ela insistiu, sem se afastar, afogando Gael com seus cabelos loiros.

- Não importa. – O caçula se afastou apenas o suficiente para encontrar os mesmos olhos azuis no rosto da irmã.

Pela primeira vez, Clementine não encontrou hostilidade, superioridade ou qualquer arrogância no rosto do irmão. Ele parecia estar em conflito com alguma coisa, como se estivesse sofrendo em não poder lhe contar.

- Não se preocupe, Cleo. Eu vou cuidar de tudo, como cuidei de você hoje. Eu prometo.

***

Já era madrugada quando o corredor em frente ao apartamento de Liam Mellish se iluminou por um segundo, junto com um “crack” quando a imagem de Clementine DiLaurentis se materializou.

As roupas pesadas e sujas do ataque tinham sido finalmente trocadas. A calça branca era justa e exibia com perfeição as curvas da menina, mas todo o seu tronco superior estava camuflado com um casaco de lã em preto e branco. As luvas pretas combinavam com o gorro sobre os fios loiros e as botas de bico fino em seus pés. A única coisa que entregava o quanto aquele dia havia sido difícil era a expressão cansada e as orelhas sob os olhos azuis.

O apartamento de Liam estava vazio quando Clementine entrou e ela quase se arrependeu de não ter adiado aquela visita para o dia seguinte.

Ela perdera completamente a noção do tempo na companhia de Gael. O irmão não estava disposto em compartilhar nada daquela sua descoberta misteriosa sobre o ataque e Clementine quase tinha medo de descobrir. Mas não pôde simplesmente ignorar a primeira vez em anos que conseguia ter a presença do irmão sem receber ofensas e xingamentos.

O ataque parecia ter mexido com Gael de alguma forma e, da maneira dele, parecia sinceramente aliviado por ter impedido Clementine de ter seguido por aquele caminho. Mesmo sendo apenas um garoto, ela conseguiu identificar no olhar dele o mesmo desespero que havia sentido quando Liam desaparecera, anos atrás.

Aquela era a prova que mesmo diante de toda a fachada e de todas as diferenças, os dois irmãos se amavam, cada um à sua maneira. Era por aquele amor que Clementine estava disposta a não pressionar Gael, mas convicta de que não ficaria de braços cruzados vendo o erro de Cristopher se repetir.

Embora compartilhasse tudo com Liam, aquele seria um segredo apenas dela, até que Gael tivesse confiança nela o bastante para ser salvo de qualquer enrascada que tivesse se metido.

A luz do abajur que escapava pela porta de Liam era o que Clementine precisava para não dar as costas e ir embora para não incomoda-lo. E foi com um doce sorriso que ela capturou a imagem do namorado ainda acordado no interior do quarto.

Ao invés de entrar e se jogar nos braços de Liam, como desejou durante todo o dia, Clementine apenas cruzou os braços e se apoiou no batente da porta. Sua cabeça foi apoiada contra a madeira do portal enquanto ela admirava a cena de Mellish com um olhar apaixonado.

- Eu disse que estava bem... Você deveria estar descansando. Pensei em enviar a Rubi e dizer que viria apenas amanhã, mas acho que você já teve visitas demais dela em um único dia.
avatar
Lucinda Clearwater

Mensagens : 574
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Dom Jan 15, 2017 2:20 am

Como esperava por uma guerra quase tão intensa quanto aquela protagonizada por aurores e Comensais da Morte, Melissa estranhou o silêncio de Landon quando os dois chegaram ao apartamento do rapaz. Não houve gritos, questionamentos ou acusações sobre a decisão de Melissa em comparecer à Copa Mundial de Quadribol. E não seria a garota que traria à tona aquele assunto delicado se Vanderwaal não estava disposto a mexer naquela bomba-relógio.

Ainda tensa e esperando por uma explosão do namorado a qualquer momento, Zummach também retirou o casaco grosso que a protegia do frio daquele inverno. A peça foi pendurada no cabideiro próximo à porta e a lareira acesa por Landon fez com que Melissa se sentisse confortável usando somente o vestido de veludo cor de vinho. Apesar das mangas longas e das meias grossas que a garota usava naquele dia, o vestido era justo e contornava suas curvas com perfeição, contribuindo para realçar as formas que abandonam o ar de menina para dar a Zummach curvas atraentes.

As botas de cano alto foram retiradas quando Melissa chegou ao quarto. Os calçados foram empurrados para uma das portas do guarda-roupa de Landon e a grande quantidade de peças femininas acumuladas ali mostrava que não era raro que Zummach dormisse no quarto do namorado. Na prática os dois já moravam juntos, mas Melissa insistia em manter um quarto de aluguel nas proximidades do Profeta Diário apenas para poder dizer que o relacionamento com Vanderwaal ainda era só um namoro.

Quando estava certa de que aquele assunto delicado seria adiado para o dia seguinte, a voz de Landon finalmente quebrou o silêncio do quarto e a Copa Mundial de Quadribol foi mencionada. Melissa respirou fundo e segurou o ar por alguns segundos, mas acabou relaxando quando a entonação de Landon não lhe pareceu hostil ou furiosa.

- Eu não contei porque sabia que você ia tentar fazer com que eu volte atrás nesta decisão.

Assim como o namorado, Zummach controlou a própria entonação para que aquela conversa séria não se transformasse em uma briga. Embora ainda muito jovens, agora os dois eram adultos e a guerra exigia uma maturidade adicional. Melissa sabia que não podia berrar e se atracar com Landon como se eles ainda fossem alunos protegidos pelo castelo de Hogwarts.

- Eu entendo a sua preocupação. Mas não me peça para ficar escondida enquanto outros lutam por uma causa que também é minha, Landie. Eu prometo que não vou fazer nenhuma besteira e vou deixar a coragem grifinória sob controle durante o evento. Mas não me impeça de ajudar. Eu posso ser útil, você sabe disso.

Melissa estava pronta para defender a sua decisão pelo resto da madrugada se fosse necessário. A garota não pretendia brigar, mas também não estava em seus planos a ideia de acatar o pedido de Landon obedientemente. O que Zummach não esperava era pela jogada ousada que Vanderwaal executou naquela noite.

A maior prova de que Melissa não esperava por um pedido de casamento foi a forma como os olhos azuis se arregalaram quando Landon se colocou de joelhos e abriu a caixinha, mostrando-lhe o delicado anel de brilhantes. A voz do rapaz ecoou até seus ouvidos com o tradicional pedido e, irracionalmente, o coração de Zummach saltitou dentro do peito.

Embora não fosse uma típica garota romântica que sempre sonhara com aquele momento, Melissa não conseguia ser indiferente àquela cena. Ela amava Landon, estava profundamente apaixonada por ele e parecia um sonho tê-lo de joelhos diante dela, entoando um pedido de casamento. Zummach já conhecia o namorado o suficiente para saber que Landie não era um tolo inconsequente e que, se estava fazendo aquela proposta, era porque já tinha pensado muito sobre o assunto e decidido que a queria para o resto de sua vida. Como Melissa não se derreteria com aquela ideia?

A parte mais racional da mente de Zummach lhe dizia que os dois eram jovens demais, que o mais sensato era esperar pelo fim da guerra e que Landon poderia ter se deixado levar pelo desespero de sua vida incerta e arriscada. Mas tudo aquilo parecia uma grande bobagem para o coração de Melissa. Ela amava Vanderwaal e, se os dois poderiam morrer a qualquer instante, o certo era aproveitar ao máximo todas as oportunidades oferecidas pela vida.

Depois de alguns segundos paralisada pela surpresa, os joelhos de Melissa cederam. Ela também se colocou de joelhos diante do namorado e rodeou o pescoço de Landon com seus braços. Os lábios se uniram em um beijo apaixonado e, só quando sentiu que Vanderwaal continuava um pouco tenso, a garota percebeu que ele precisava de uma resposta verbal para o pedido.

Os olhos azuis brilhavam com uma genuína emoção quando Melissa afastou o rosto apenas o bastante para buscar pelas íris esverdeadas. O velho sorrisinho travesso brincou nos lábios dela antes que Zummach estendesse a mão, deixando ao alcance do namorado o dedo onde o anel deveria ser encaixado.

- Eu sempre me esqueço que os grifinórios são lentos e precisam de explicações detalhadas. – Melissa roçou os lábios nos de Vanderwaal enquanto sussurrava – Sim, Landie. Eu quero me casar com você.
avatar
Melissa Zummach

Mensagens : 60
Data de inscrição : 09/12/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Dom Jan 15, 2017 3:09 pm

Aquele era oficialmente o dia dos segredos não revelados. Assim como Clementine optara por não contar ao namorado sobre a suspeita situação de Gael DiLaurentis, Liam também havia concluído que, no momento, era melhor que a loira não soubesse sobre a conversa com Augustus Rookwood naquela manhã.

Mellish era um típico lufano com relação à sinceridade, mas naquele dia decidiu ignorar os próprios instintos para esconder aquela informação de Clementine. Liam ainda estava confuso e atormentado com a proposta do pai biológico e precisava organizar os próprios pensamentos antes de começar a receber opiniões externas.

Por sorte, o ataque daquela manhã era uma excelente desculpa para que Liam omitisse suas novidades naquele dia caótico. Tudo o que Mellish precisava fazer era manter a conversa focada no ataque e oferecer à namorada todo o apoio que Clementine certamente precisava depois de viver – mesmo que de longe – os horrores daquela guerra.

A preocupação com o atraso de Clementine se somou às lembranças da conversa com o Sr. Rookwood, deixando Mellish agitado demais para dormir. Já era madrugada e o sono ainda não havia dado nenhum sinal de proximidade. O estômago embrulhado também não pedia por comida há várias horas, então a melhor opção de distração para Liam foi um banho relaxante.

Mesmo depois de quase uma hora inteira imerso na banheira, Liam ainda sentia a água agradavelmente morna graças a um feitiço. O rapaz teria ficado mais algum tempo na água se não fosse o “crack” no corredor, anunciando que algum bruxo acabara de aparatar ali. Como a presença do recém-chegado não disparou os efeitos protetivos que Mellish espalhou ao redor do apartamento, ele soube que era uma visita amigável. A julgar pela hora, certamente seria DiLaurentis.

A lareira acesa na pequena sala do apartamento deixava a temperatura agradável no interior do imóvel. Por isso, Mellish não se sentiu desconfortável em sair do banheiro usando somente uma toalha amarrada na cintura. Com poucos passos, o rapaz abriu a porta do próprio quarto e entrou no cômodo dois segundos antes que Clementine empurrasse a porta da sala.


Apenas a luz do abajur iluminava o quarto, mas a iluminação era o suficiente para que Clementine enxergasse com nitidez o corpo do namorado. A barba sempre bem feita ainda lhe dava um ar de menino, mas os contornos dos músculos e o peito firme coberto por uma discreta camada de pelos transformavam Liam em um homem muito mais maduro que o rapaz que um dia carregara o distintivo de monitor no peito.

Mellish havia acabado de tirar algumas peças de roupa da cômoda quando ouviu a voz da namorada na porta do quarto. Os lábios dele se curvaram em um sorriso enquanto o rapaz virava o tronco na direção de Clementine.

- Eu já tive a minha cota de Rubi este mês. – Liam mostrou a mão que ainda exibia o arranhão mais profundo feito pela coruja naquela manhã – Você sabe que eu não conseguiria descansar antes de ver você, Clem.

A distância entre os dois foi exterminada com poucos passos até que Liam se colocasse na frente da loira. As mãos firmes do rapaz a puxaram delicadamente pela cintura, aproximando ainda mais os corpos até que os lábios estivessem unidos em um beijo. Mesmo tendo Clementine inteira e saudável em seus braços, ainda havia uma ruguinha de preocupação entre os olhos castanhos quando, após o beijo, Mellish se afastou um passo para olhar a namorada de cima a baixo.

- Você realmente está bem? Estava longe do local do ataque quando aconteceu? Meu coração parou quando eu soube. Se não fosse pela chegada da Rubi, eu teria me enfiado no meio da confusão para tentar te localizar. Seu irmão também está bem?

Apesar de tudo, Liam parecia sinceramente preocupado com o bem estar de Gael. O DiLaurentis caçula era um típico sonserino e nunca disfarçara a sua adoração por Cristopher Rookwood. Quando a bomba sobre Clementine e Liam Mellish estourou em Hogwarts, o caçula dos DiLaurentis não fez a menor questão de esconder a sua decepção com a irmã mais velha e o seu desprezo pelo novo cunhado. Não era raro que Gael ignorasse a posição de monitor-chefe do lufano e fuzilasse Liam com olhares nada amigáveis quando o caminho dos dois se cruzava no castelo.

Mas Mellish sabia que Clementine ainda amava o irmão e não havia desistido dele. Isso era o bastante para que Gael também tivesse um grau de importância na vida de Liam. Se alguma coisa acontecesse ao garoto, Mellish não suportaria assistir ao sofrimento que a tragédia causaria na namorada.

- Você parece exausta. – o polegar de Liam foi deslizado carinhosamente nos traços bonitos e abatidos da loira – Que tal um chá enquanto você me conta tudo?

Assim como planejara durante todo aquele dia, Mellish tentou concentrar o assunto no ataque dos Comensais da Morte para não ter que mencionar a conversa com Augustus Rookwood, a morte de Cristopher e a proposta baixa e tentadora feita pelo pai biológico.
avatar
Liam Mellish

Mensagens : 158
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Jan 15, 2017 7:24 pm

Quando estava em suas missões, Landon Vanderwaal era um homem sério, sempre concentrado e pronto para erguer sua varinha diante das mais variadas situações. Ele era ágil, inteligente e um dos melhores aurores de sua geração com um futuro promissor. Mesmo com a pouca idade, era nítido como Landon sabia exatamente que aquela era a profissão de sua vida.

Naquela noite, entretanto, a sua vida de auror foi deixada de lado. A guerra foi esquecida, assim como o drama que Albus Dumbledore havia acrescentado com seu segredo. Poderia ser uma atitude muito imprudente para um homem bem treinado em meio a dias sombrios. Mas foi impossível controlar.

O largo sorriso que se espalhou nos lábios de Vanderwaal devolveu a ele o ar de menino, do mesmo garoto que andava pelos corredores de Hogwarts recebendo tantos “Oi Landon!” que ele acreditava serem puramente inocentes e gentis.

Seu coração saltitava contra o peito e a sensação era a mesma de uma manhã de natal, quando a expectativa pelo presente lhe impedia de dormir por mais algumas horas. Os olhos verdes brilhavam com ainda mais intensidade com a felicidade que Landon não conseguia esconder.

- Você sabe que foi originalmente escolhida para a Grifinória, certo?

Ele ergueu uma das sobrancelhas, a caixinha com o delicado anel ainda diante dos olhos de Melissa quase como se não fosse mais a coisa mais importante daquela cena. Os olhos claros de Landon giraram e ele mordeu o lábio quando costumava fazer quando estava tentando se conter diante das implicâncias de Melissa.

- Então, tecnicamente, você também se encaixa em suas próprias críticas. Vestir o uniforme da Corvinal nunca mudou isso.

Ainda com um olhar desafiante, mas com o sorriso preso nos lábios, Landon finalmente baixou o olhar para a mão estendia diante de si. Ele retirou o anel da caixinha e o brilho do diamante se intensificou sob a luz fraca do apartamento. Toda a sua volta era feita de ouro branco e metade dele estava enfeitado com minúsculas pedrinhas brilhantes. No topo, que ficou propositalmente virado para cima quando Landon deslizou a joia pelo dedo de Melissa, o maior cristal brilhava delicadamente, sem deixar dúvidas de que havia sido uma peça cara.

Os Vanderwaal estavam longe de serem uma família rica e de grandes posses. Landon vivia em um apartamento simples e sem grandes luxos, apenas com o que era necessário para lhe dar conforto quando não estava no quartel de aurores. Ainda assim, ele não havia poupado um único galeão naquela escolha. Zummach merecia o melhor para que iniciassem aquela nova família.

O anel pareceu ainda mais bonito no delicado dedo de Melissa, enchendo Landon de orgulho por aquela escolha. Tanto pela peça quanto pela mulher a sua frente. Ele segurou os dedos de Melissa e delicadamente puxou a sua mão até seus lábios, depositando um breve beijo antes de apoiar a mão dela contra seu peito.

O olhar apaixonado de Landon se sustentou por alguns segundos, seus batimentos podendo ser sentidos pela mão de Melissa. Com a outra mão, ele a enlaçou pela cintura e a puxou ainda mais para perto, unindo os corpos.

- Você está ferrada, Zummach. – Ele falou preguiçosamente, ainda em um tom de brincadeira, embora seu olhar fosse intenso. – Esse grifinório nunca mais vai deixar você escapar.

Se aproveitando que os dois ainda estavam ajoelhados no chão do apartamento, Landon capturou os lábios de Melissa com facilidade e iniciou um beijo apaixonado, deixando claro em cada movimento dos seus lábios e de sua língua o quanto a desejava.
avatar
Remus J. Lupin

Mensagens : 338
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Jan 15, 2017 8:03 pm

Clementine havia sonhado com aquele momento durante todo o dia. Ela sabia que só se sentiria realmente segura e bem quando estivesse novamente nos braços de Liam. Por isso não foi nenhuma surpresa quando seus músculos finalmente relaxaram ao poder tocá-lo novamente.

Suas mãos afundaram nos cabelos ainda molhados e ela retribuiu o beijo carinhosamente, mantendo a proximidade mesmo quando Liam recuou um passo. Ela imediatamente assentiu com um movimento da cabeça e deixou que seus dedos brincassem com algumas gotinhas de água nos ombros dele enquanto tentava ignorar as lembranças daquela tarde.

- Eu estava indo para lá. Parei dois minutos para brigar com o Gael quando tudo aconteceu.

Com exceção da perda de memória de Liam e de quando Clementine teve certeza que suas lembranças apenas prejudicariam a saúde do namorado, ela nunca mais mentira para ele outra vez. Os dois se orgulhavam de ter um relacionamento feliz, encontrando um no outro não só o romance e a paixão, como também a amizade e confiança que precisavam.

Era desagradável, como se o próprio corpo de DiLaurentis protestasse, mas ela sustentou aquela mentira, dizendo para si mesma que estava apenas omitindo detalhes que logo seriam esclarecidos. Ela só precisava de tempo para entender o que realmente estava acontecendo com Gael antes de contar para Liam e escutar suas críticas e desconfianças.

Com todo o passado com Cristopher, ela não poderia julgá-lo por se colocar tão prontamente contra Gael. Mas seu irmão não era Rookwood. Ela conseguiria salvar Gael de uma forma que nunca foi capaz de fazer com o meio-irmão de Liam.

- Foi um susto, só isso. Não aconteceu nada comigo e nem com ele.

Como nenhum dos dois parecia pronto para entrar nos lençóis e dormir, Clementine se ofereceu para preparar o chá enquanto Liam terminava de se vestir. Quando o rapaz surgiu na cozinha sem a toalha e vestindo uma calça de pijama, a chaleira já apitava anunciando que a água estava fervendo.

Clementine se livrou do casaco, revelando uma blusa preta de um tecido leve que a deixava mais confortável no interior aquecido do apartamento. As botas foram deixadas de lado para que seus pés tocassem o piso de madeira, mas a calça branca ainda lhe mantinha aquecida.

O chá foi servido em duas xícaras, o vapor quente subindo pelos dedos de Clementine agradavelmente. Talvez, se não tivesse imersa em seus próprios segredos, pudesse ter notado que Liam também não tivera um dia fácil.

- A rua estava cheia de trouxas, Liam... Pessoas que estavam apenas passando por ali, que não faziam ideia do que iria acontecer.

Ela balançou a cabeça com a lembrança, ainda se sentindo angustiada. Independentemente de quais fossem os motivos, Gael havia salvado sua vida. Quantas outras pessoas não tiveram a mesma sorte? Quantas vidas poderiam ter sido poupadas se mais alguém pudesse ter interferido?

- Essa guerra não é justa com ninguém. E só o que eu conseguia pensar era em você. Se fosse você lá, se não tivesse tido a mesma sorte que eu.

Os olhos azuis ficaram mais claros com uma camada de lágrimas quando Clementine deixou o chá de lado e abraçou o namorado, se aninhando contra o seu peito.

A fortuna dos DiLaurentis estava praticamente aniquilada. Os maus investimentos do pai colocaram toda a herança dos filhos por água abaixo. Mas ainda assim, Clementine sabia que seu sobrenome tinha algum significado no mundo bruxo.

Mellish, por outro lado, não tinha a mesma tradição e todo o histórico com os Rookwood tornava Liam um potencial vítima naquela guerra. Para os padrões dos bruxos covardes por trás das máscaras, Liam não era puro ou merecedor da magia. E Clementine não conseguia conviver com a ideia de que ele pudesse correr algum risco.

- Eu não saberia lidar se fosse você. Não vou suportar te perder outra vez.
avatar
Lucinda Clearwater

Mensagens : 574
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Dom Jan 15, 2017 8:25 pm

Parecia uma grande loucura fazer uma pausa naquela guerra sangrenta para um casamento, mas eventos como aqueles estavam se tornando comuns nos últimos tempos. Os Potter e os Longbottom também eram jovens demais quando subiram ao altar e trocaram alianças, então Melissa repetia para si mesma que com ela e Landon o resultado positivo seria o mesmo. Era como se aqueles jovens quisessem provar que ainda havia esperança mesmo em meio a tanto horror.

A notícia sobre o casamento foi muito bem recebida na Ordem da Fênix. Quando Melissa mostrou o lindo anel de brilhantes que ganhara do futuro marido, houve uma pequena histeria no grupinho de mulheres. Até mesmo os aurores mais sérios e comprometidos com a guerra se mostraram satisfeitos com a novidade e Zummach sentiu a sinceridade no abraço caloroso que recebeu de Kingsley Shacklebolt.

Não fazia muito sentido adiar demais a marcação do casamento. Melissa e Landon praticamente já viviam juntos, era apenas uma questão de oficializar aquele relacionamento. Mas como todos estavam muito envolvidos com a proximidade da Copa Mundial de Quadribol, o casal achou mais conveniente agendar a cerimônia para o fim do mês seguinte.

Aquele também era o prazo que Melissa precisava para organizar os detalhes do casamento. Zummach e Vanderwaal concordaram com uma cerimônia mais simples, que contaria apenas com a presença dos amigos mais próximos e da família de Landon. Com relação aos Zummach, Melissa ainda vivia um conflito interno. Seu coração doía com a ideia de deixar os pais de fora de um acontecimento mais importante, mas a última coisa que a garota queria era que Alfred estragasse o clima feliz do casamento com mais brigas e acusações.

Enquanto não se decidia quanto a convidar os pais para a cerimônia, Melissa se concentrava nos detalhes já resolvidos. Seu vestido champanhe estava na fase de ajustes finais com a costureira, Molly já tinha se encarregado do jantar que seria servido na pequena festa após a troca de alianças. O evento aconteceria no quintal dos Weasley, onde já estava sendo montada uma tenda para acomodar os convidados. A escolha do local desapontou os Vanderwaal a princípio, já que os pais de Landon tinham oferecido a própria casa. Mas os pais do noivo logo entenderam que A Toca, como quartel da Ordem da Fênix, oferecia uma segurança que eles não teriam em nenhum outro lugar.

Há duas semanas do casamento, o único detalhe mais importante que Melissa ainda não havia acertado era com relação aos sapatos. Como moda definitivamente não era um dos pontos fortes da morena, Zummach praticamente arrastou Clementine para aquela penosa obrigação. A vida corrida fora de Hogwarts havia afastado um pouco as duas amigas, mas naquela semana Melissa e Clementine conseguiram conciliar um dia em suas agendas lotadas para compras.

Como madrinha do casamento, DiLaurentis tinha mais obrigações do que a simples compra dos sapatos da noiva, por isso Melissa não se incomodou quando chegou ao Beco Diagonal e Clementine ainda não estava na praça central onde as duas tinham combinado um encontro. A loira provavelmente estava no estágio, ou talvez estivesse até resolvendo alguma pendência com os convites ou com a decoração do casamento. É claro que a decoração do evento foi “delicadamente” empurrada para Clementine simplesmente porque Melissa se recusava a perder noites de sono pensando na cor das flores do altar.

Com seu bloquinho de anotações em mãos, Melissa se sentou em um dos bancos da praça enquanto esperava pela amiga. A garota estava acrescentando mais algumas coisas em sua infinita lista de pendências para os próximos dias quando a sua visão periférica capturou um rosto conhecido.

Zummach chegou a erguer uma das mãos e abriu um sorriso para cumprimentar Liam Mellish, certo de que o primo de Landon estava ali para acompanhar a namorada. Contudo, Clementine não estava por perto e Liam parecia tão concentrado nos próprios pensamentos que não notou Melissa há poucos metros de distância. A noiva de Landon teria deixado aquele assunto de lado, certa de que Mellish estava apenas preocupado com o trabalho, se não fosse por um detalhe intrigante daquela cena.

- Travessa do Tranco???

Melissa murmurou para si mesma enquanto via o namorado de Clementine seguir naquela direção obscura do Beco Diagonal. A cena se tornou ainda mais suspeita quando Mellish lançou um olhar tenso ao seu redor antes de desaparecer pela entradinha estreita e escura que levava às lojas sombrias, geralmente só frequentada por bruxos das trevas.

No fundo, Zummach sabia que a decisão mais sábia era ficar quieta na praça, tentar se comportar da maneira mais natural possível com Clementine e depois contar aquela novidade a Landon que, como auror, poderia ajudá-la a entender as atitudes suspeitas de Mellish.

Contudo, movida por uma curiosidade incontrolável, Melissa se levantou do banco e seguiu os passos de Liam. Um arrepio se espalhou pela coluna da garota quando ela adentrou a Travessa do Tranco. As ruelas estavam desertas e sombrias, mesmo que ainda não fosse noite. As fachadas das lojas eram sujas e repletas de produtos que Zummach desconhecia. Podia ser apenas uma impressão equivocada, mas Melissa teve a nítida sensação de que aquele lugar era absurdamente mais frio que o restante do Beco Diagonal.

Encolhida em seu sobretudo preto – uma escolha acertada para aquele dia – Melissa seguiu os passos de Mellish de uma distância segura para não ser notada. As botas sem salto também colaboravam para que a garota fosse silenciosa naquela “espionagem”. A cada passo, Melissa tentava se convencer de que Liam só estava ali a trabalho e que provavelmente fora buscar alguma chave de portal ilegal a mando do Ministério da Magia. Por isso, a surpresa de Zummach foi enorme quando a caminhada de Mellish terminou em frente a um homem parado na calçada suja da Borgin & Burkes.

Melissa só havia visto o rosto de Augustus Rookwood uma vez, no dia em que Cristopher fora expulso de Hogwarts e o pai aparecera no castelo para buscá-lo. Como estava envolvida na briga que culminou na expulsão do sonserino, Zummach estava presente na diretoria quando o Sr. Rookwood apareceu.

Embora só tivesse ficado poucos minutos na companhia dele, a fisionomia de Augustus ficara gravada na memória de Zummach. Ela jamais se esqueceria daquele homem arrogante que parecia muito mais ofendido com a expulsão de Cristopher do que preocupado com o estrago que o sonserino fizera na cabeça do seu próprio filho.

Era bizarro ver Liam trocando um aperto de mãos amigável com aquele homem desprezível e Melissa ficou ainda mais chocada quando os dois entraram juntos em um bar na esquina da loja. Por mais que se esforçasse, Zummach não conseguia imaginar nenhuma razão para aquele encontro, muito menos na Travessa do Tranco.

Quando retornou à praça central do Beco Diagonal, agora com vários minutos de atraso, Melissa já tinha varrido o casamento para fora de sua mente. A preocupação da morena era evidente quando Zummach se colocou diante da melhor amiga.

Melissa não queria causar nenhuma crise no relacionamento de Clementine, mas também não podia trair a confiança dela escondendo um segredo daquela magnitude. A memória de Liam nunca havia sido resgatada, então Mellish não sabia que fora vítima da Maldição Cruciatus, e nem que Augustus não havia demonstrado nenhuma angústia com aquela tragédia.

Portanto, quando jogou aquela bomba sobre a loira, Melissa realmente só pensava em ajudar o lufano em seja o que for que estivesse acontecendo.

- Acabei de ver o Liam, Cleo. Ele entrou na Travessa do Tranco e se encontrou com o Sr. Rookwood.
avatar
Melissa Zummach

Mensagens : 60
Data de inscrição : 09/12/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Qua Jan 18, 2017 11:50 pm

O vapor do chá subia com uma dança lenta sobre a xícara. O líquido avermelhado tinha um aroma adocicado e delicioso, mas Landon não se sentia nada tentado em se inclinar para frente e se servir da bebida que lhe era oferecida.

Ele não estava ali para comer biscoitinhos e aproveitar seu intervalo da tarde como uma dama da alta sociedade fazendo fofoca. Embora todo o cenário a sua volta indicasse exatamente aquilo.

A madeira estalava na lareira localizada no ponto oposto do escritório. Todas as paredes eram cobertas com toneladas de livros e alguns quadros antigos. A grande mesa de mogno estava impecavelmente organizada, sem vestígio de nenhum pó. O responsável por toda aquela limpeza estava se esticando nas pontas dos pés para conseguir alcançar a bandeja de prata onde havia servido o chá para aquele visitante inesperado.

- Obrigado.

Landon agradeceu com um sorrisinho para o elfo maltrapilho, que imediatamente girou seus grandes olhos âmbar para o bruxo, como se tivesse acabado de ouvir um palavrão deselegante. O auror quase se esqueceu que elfos domésticos não costumavam receber agradecimentos pelos seus trabalhos, especialmente em famílias como os Zummach.

- O que está fazendo, Kobi?

A voz do homem às costas de Vanderwaal soou severa e o elfo imediatamente se encolheu. Ele soltou a bandeja com tanta rapidez que o líquido no interior da xícara tremeu, derramando algumas gotinhas em suas bordas.

- Kobi estava apenas servindo a visita enquanto o senhor do Kobi não chegava.

A cada passo que o Sr. Zummach se aproximava da mesa, o elfo se afastava, sem jamais dar as costas ao seu dono. Ele estava com as mãozinhas unidas e olhava receoso de seu dono para o jovem bruxo sentado com a coluna reta na cadeira acolchoada de vermelho.

- Sr. Zummach. – Landon se colocou de pé imediatamente, esticando a mão para o homem a sua frente. – Eu sou...

- Eu sei quem você é. – O homem o interrompeu, fazendo um gesto impaciente para que o elfo se retirasse. – E eu definitivamente não chamaria o vagabundo que desvirtuou minha filha de visita.

Landon respirou fundo, trincando os dentes. Suas narinas se dilatavam e ele não conseguia disfarçar o esforço que estava fazendo para se controlar.

Claro que havia sido uma péssima ideia ir até ali. Ele jamais cogitou que aquela fosse ser uma conversa fácil. Mas estava fazendo aquilo por Melissa e era apenas por ela que ele não respondia o Sr. Zummach como deveria.

- Landon Vanderwaal. Auror. Formado em Hogwarts com nada menos do que “Ótimo”. – Ele conseguiu responder com uma voz consideravelmente calma, contrariando o incomodo que sentia. – Mas é claro que eu não vim aqui falar sobre o meu currículo.

- É claro que não.

O Sr. Zummach se inclinou para frente e puxou para si uma das xícaras de chá deixadas pelo elfo. Ao invés de simplesmente beber seu conteúdo, ele abriu a primeira gaveta e tirou de lá uma garrafinha de whisky, virando quase metade do seu conteúdo no chá.

- Até porque se estivesse, deixaria o trágico histórico de Hogwarts de lado. Não é nada que me impressione, como você já deve saber.

- Eu sei. – Landon respondeu como se estivesse em uma simples conversa casual com algum colega de departamento. – Mas não deixaria de lado mesmo assim. Me orgulho do meu histórico em uma das melhores escolas de magia do nosso mundo.

- Mais um puxador de saco daquele velho gagá. – O homem girou os olhos, franzindo o nariz. – Não há nada para se orgulhar daquele lugar.

Landon observou o homem levar a xícara até seus lábios, dando um generoso gole. Enquanto estava atento a cada um de seus movimentos e suas palavras, ele se perguntava até onde Alfred conhecia o próprio passado e se quando se referia a Albus Dumbledore daquela forma, se tinha conhecimento de que estava falando do próprio pai.

Como a conversa estava seguindo por um caminho delicado demais, Vanderwaal decidiu que não tinha como preparar o sogro por aquela notícia. Antes que perdesse a chance por deixar seu orgulho grifinório falar mais alto, ele apenas pigarreou, se ajeitou na cadeira e disse o que realmente o levara até ali.

- Melissa e eu vamos nos casar.

Pela primeira vez, Alfred pareceu notar de verdade a presença de Landon em seu escritório. Ele arqueou as sobrancelhas e baixou a xícara lentamente, completamente mudo. Se aproveitando daquele instante de choque, o jovem auror completou no seu tom mais educado possível.

- Eu a amo e quero que a Melissa seja feliz. E eu tenho certeza que significaria muito para ela se o senhor e a sua esposa estivessem presentes na cerimônia.
avatar
Remus J. Lupin

Mensagens : 338
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qui Jan 19, 2017 12:40 am

- Dois cafés com firewhisky, três tortinhas de abóbora... Ah, e me traga um daqueles sanduíches com linguiças do Caldeirão Furado. Sem molho.

A mulher de cabelos negros tinha seus fios presos em um firme coque. Os óculos se equilibravam na ponta de seu nariz e ela sequer erguia o olhar dos pergaminhos a sua frente. Em sua mesa, uma pilha de livros e uma completa bagunça de tinteiros e penas estavam espalhados, dificultando seu trabalho.

Quando não houve nenhuma resposta diante do seu pedido, Selena McWay finalmente ergueu os dois olhinhos negros e parou de escrever para prestar atenção em sua estagiaria.

Clementine continuava de pé diante de sua chefe, parecendo insegura e refletindo se deveria verbalizar o que estava pensando ou não. Provavelmente teria passado longos minutos ali, parada e emudecida, se a própria Selena não tivesse lhe pressionado.

- Está esquecendo alguma coisa?

A loira ainda chegou a abrir e fechar a boca diversas vezes, por fim, esboçando um receoso sorriso ao decidir dizer o que estava lhe incomodando.

- É só que... Eu já estou aqui há alguns meses, Selena, e na verdade estava com esperanças de fazer algo mais. Além de pegar o seu lanche da tarde.

Parecia ser um pedido bastante justo. Clementine havia se formado com excelentes notas, era inteligente e tinha um futuro promissor. Mas sua chefe na Obscurus Books parecia achar que ela nunca estaria pronta para fazer algum trabalho de verdade. E ela já começava a se cansar de bancar a secretária responsável pelos lanches ou por não deixar os tinteiros de McWay vazios.

- Ajudaria se eu fizesse meu pedido em runas? Se sentiria mais inteligente traduzindo isso para a garçonete do Caldeirão? – McWay estalou a língua e voltou a baixar o olhar para seu pergaminho. – Quer saber? Traga com molho. Meu dia está estressante demais com estagiarias sabe-tudo da Corvinal que são arrogantes demais para comprar um sanduíche.

Ainda com a pena entre seus dedos, Selena ergueu a mão e enxotou Clementine com um gesto, sem se dar ao trabalho de lhe olhar uma segunda vez.

Com os ombros cabisbaixos, Clementine quase se arrependeu de ter aberto a boca. Ela sabia que Selena estava sendo absurdamente injusta, mas ainda assim, a última coisa que precisava era cutucar o hipogrifo com uma vara curta. Quanto mais deixasse Selena feliz, maiores eram as suas chances de conseguir uma boa tradução de um capítulo inteiro.

Quando conseguiu alcançar o local de encontro com Melissa, Clementine já trazia consigo uma sacola com as encomendas de Selena, sem realmente se importar se elas estariam frias com a baixa temperatura de dezembro até a hora que voltasse a editora.

- Eu tenho certeza que a minha chefe foi da Sonserina. – Clementine girou os olhos, mas já trazia consigo um sorriso mais satisfeito ao rever a amiga. – E eu digo isso por ser de uma família só de Sonserinos...

A expressão séria de Melissa fez com que Clementine franzisse as sobrancelhas, mas antes que ela pudesse culpar a ansiedade pelo casamento, algum desentendimento com Landon ou até mesmo um péssimo dia no trabalho como ela própria enfrentava, as palavras da amiga lhe atingiram como um soco no estomago.

O sorriso de DiLaurentis ainda estava em seus lábios, mas apenas para deixar seu semblante confuso ainda mais em evidencia. Por um segundo, ela chegou a olhar por cima dos ombros, como se Liam fosse aparecer a qualquer instante para explicar aquelas palavras tão sem sentido.

- Liam e o pai do Cristopher? – Ela repetiu, esperando que Melissa se corrigisse daquele absurdo. – Na Travessa?

Ao ver que a amiga não iria corrigir aquela bomba, que era exatamente aquilo que queria dizer, o sorriso de Clementine finalmente morreu. Ela conhecia Liam bem o bastante para saber que ele não entraria na Travessa do Tranco para se encontrar com o próprio pai por livre e espontânea vontade. Por isso, seu primeiro pensamento foi que o namorado estava em apuros e que aquilo se tratava de uma emboscada.

Como seria impossível tirar aquilo da cabeça, Clementine simplesmente desistiu de voltar ao trabalho naquele mesmo dia. Ela também não tinha a menor cabeça para se envolver com preparativos para o casamento de Melissa, mas sabia que a amiga entenderia perfeitamente a necessidade de remarcar aquele encontro.

O impulso dizia que ela deveria entrar na Travessa naquele mesmo minuto, mas aquele seria uma atitude que Zummach não permitiria. Em tempos de guerra, não era nada inteligente ficarem andando por vielas com fama tão ruim e por desconhecer que a amiga já havia feito aquele mesmo trajeto, Clementine se conformou em não seguir por aquele caminho.

Simplesmente sentar e esperar por Liam em casa seria uma tortura, mas Clementine ainda tentou se apegar a esperança de que faltavam poucas horas para ele encerrar o expediente no Ministério da Magia e, qualquer atraso, ela acionaria Landon e pediria ajuda dos aurores. Não era exatamente o plano ideal, mas era o único em que ela não passaria por uma louca.

O coração de Clementine estava acelerado e ela estava sentada próxima da lareira apagada quando a porta do apartamento de Liam finalmente se abriu. Ela quase saltou da poltrona, completamente alheia ao frio que a sala se encontrava, quando foi de encontro a ele.

- Por Merlin, finalmente!

A aflição nos olhos de Clementine não combinava com a pontualidade de Liam, mas ainda assim, ela parecia tão desesperada quanto no dia que presenciara o ataque em Londres.

- Você está bem??? – Ao notar que estava assustando Liam com aquele ataque sem sentido, ela soltou um suspiro, mas ainda com os olhos atentos a procura de qualquer sinal de que algo estivesse errado. – Melissa disse que viu você e o Sr. Rookwood hoje, eu achei que você estivesse sob a maldição Imperius!

Um sorriso tremulo brincou nos lábios dela enquanto seus dedos tocavam os braços de Liam, procurando se certificar de que ele estava mesmo ali.

- Ela me assustou a toa... Deve ter confundido com outra pessoa. – Clementine sacudiu a cabeça, os cabelos loiros balançando enquanto ela repreendia a si mesma por aquele deslize. – Desculpe, lindo... Eu deveria saber que era bizarro demais pra ser verdade. Podemos esquecer esse meu ataque de loucura?
avatar
Lucinda Clearwater

Mensagens : 574
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Qui Jan 19, 2017 12:48 am

Apenas alguns segundos de silêncio se seguiram à revelação de Vanderwaal, mas o clima no escritório do Sr. Zummach tornou-se tão pesado que pareceu que o dono da casa demorou uma eternidade até recuperar a voz diante de tamanha surpresa. Com um semblante mortalmente sério, Alfred deixou sua xícara de lado, já totalmente desinteressado na bebida, e cravou os olhos azuis no rapaz a sua frente.

- Você engravidou a minha filha, seu miserável!

O tom áspero da acusação mostrava que aquilo não era uma pergunta. Na cabeça do Sr. Zummach, uma gravidez não planejada era a única motivação que levaria um casal ainda tão jovem ao altar, no meio de uma guerra sangrenta na qual o noivo tinha uma participação direta.

Exatamente por ter perdido o contato com Melissa, Alfred Zummach não sabia o quanto era sério o relacionamento da filha com Landon Vanderwaal. Tudo o que Alfred tinha era a carta de uma garotinha sonhadora alegando estar apaixonada pelo garoto mais popular do novo colégio. Os Zummach não sabiam o quanto Melissa e Landon se amavam e quantos desafios os dois tinham vencido para continuarem juntos. Portanto, para o pai da noiva, aquele casamento era um tropeço que certamente estava escondendo um erro ainda mais grotesco de uma gravidez inesperada.

Nem mesmo um excelente auror que carregava em seu currículo vitórias históricas contra Comensais da Morte estava pronto para se defender naquele dia. Por não estar esperando por um ataque de verdade, Vanderwaal foi pego de surpresa quando a varinha de Alfred foi apontada subitamente em sua direção.

Assim como Melissa demonstrara em seus primeiros dias em Hogwarts, os Zummach tinham um excelente domínio de magia mesmo sem frequentarem uma escola tradicional. O feixe amarelado que atingiu o peito de Landon foi forte o suficiente para fazer com que os pés do auror se descolassem do carpete verde que cobria todo o chão do escritório.

O corpo de Vanderwaal foi arremessado para trás violentamente até que suas costas se chocassem contra uma das estantes abarrotadas de livros. Alguns exemplares caíram depois daquele golpe potente, fazendo Landon experimentar a estranha sensação de estar em uma chuva de livros.

- Como ousa entrar na minha casa depois de tamanha afronta? Quer mesmo a minha benção neste casamento ridículo ou aquele velho maldito te mandou aqui para me provocar? Eu imagino que ele deva estar exultante com a novidade, não é?

Um livro mais pesado havia acertado a cabeça de Landon, deixando o rapaz atordoado por alguns poucos segundos. Mas Alfred não precisou de mais tempo para lançar contra o rapaz um “Expelliarmus”. A varinha de Vanderwaal voou para fora do bolso do auror e aterrissou entre os dedos do adversário com elegância.

- Seu currículo não parece tão impressionante depois que você é desarmado como um moleque de onze anos. Mas eu realmente não esperava grande coisa de você, Vanderwaal. Provavelmente só chegou até aqui porque usou o nome dos seus pais e abusou da influência daquele velho nojento. Então não me julgue por estar chateado com a novidade. Qualquer pai quer mais que um bajulador perdedor para a sua única filha!

O barulho no escritório havia ecoado por toda a casa, então quando escancarou a porta e invadiu o cômodo a Sra. Zummach estava pálida e também com a varinha em mãos. Os olhos castanhos estudaram a cena por dois segundos até que ela compreendesse o que havia acabado de acontecer ali. Alfred tinha tudo sob controle, mas a expressão insatisfeita da mulher indicava que ela não estava contente com a “vitória” do marido.

- Pelas barbas de Merlim! Você parece uma criança que não sabe se comportar sem a supervisão dos adultos, Alfred! Isso são modos de tratar uma visita? Devolva já a varinha do menino!

O termo usado pela mãe de Melissa soou mais carinhoso do que ofensivo, mas ainda assim não era agradável para um auror desarmado ser chamado de “menino”. A Sra. Zummach era uma estranha versão de Melissa mais velha, com os olhos castanhos e com a personalidade menos ácida. A menina havia herdado os olhos do pai, mas todos os demais traços delicados vinham da mãe, inclusive os lábios mais volumosos e os dentinhos ligeiramente proeminentes.

- Melissa está grávida. – Alfred repetiu para a esposa a conclusão equivocada tirada por sua mente – Este infeliz desgraçou a nossa filha, Julia! Isso me dá o direito de acabar com ele!

Aquela notícia fez com que os olhos da Sra. Zummach se arregalassem por um breve momento. Boquiaberta, a mulher ficava ainda mais parecida com a única filha. A surpresa a deixou sem palavras por alguns segundos e ela também não parecia feliz com a novidade, mas agiu de forma mais madura quando se colocou em frente ao marido e arrancou dos dedos dele a varinha de Landon.

- Você não vai ajudar em nada transformando a Melissa em uma mãe solteira e me transformando em uma viúva. Acha mesmo que não vai ser punido com o beijo de um dementador se matar um auror dentro do seu escritório, Alfred?

- A culpa é daquele velho!

Normalmente, Julia Zummach se mantinha neutra naquela guerra contra Dumbledore ou apoiava o marido apenas para não alongar demais as discussões. Naquele dia, porém, a mulher não conseguiu ficar calada. Enquanto recuava na direção de Vanderwaal para devolver a varinha do rapaz, os olhos castanhos buscaram pela imagem do marido com incredulidade.

- Como, por todos os profetas, você vai creditar esta culpa a Albus Dumbledore? São só dois jovens apaixonados fazendo uma grande bobagem, Alfred! Já chega desta obsessão com o Dumbledore!

- Esta gravidez foi planejada por ele, eu tenho certeza! Ele fez isso para nos afrontar, para que eu seja obrigado a reviver a mesma história podre que destruiu a minha família no passado!

- Alfred! – a mãe de Melissa ergueu a voz ao notar que a raiva cegava o marido e trazia a verdade à tona diante de Landon Vanderwaal – Já chega!

- Eu vou fazer o que o meu avô deveria ter feito. Não é justo nos esconder e nos privar por causa de um merda como ele. Nada disso estaria acontecendo se o meu avô tivesse sido homem o bastante para matar aquele velho asqueroso ao invés de procurar um tolo para assumir o filho dele!
avatar
Melissa Zummach

Mensagens : 60
Data de inscrição : 09/12/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Jan 21, 2017 8:59 pm

As costas de Landon latejavam. Sua cabeça doía em um ponto fixo que se espalhava como ondas, já anunciando uma enxaqueca e um grande galo que ficaria oculto pelos fios castanhos espetados.

Como auror, Vanderwaal já havia enfrentado alguns duelos que resultaram em dores muito piores, mas aquilo não tornava o que sentia no momento mais insignificante. Dividindo sua atenção entre os protestos do próprio corpo e as vozes dos donos da casa, ele tentou se colocar de pé com uma careta de dor.

A camisa social verde que vestia estava completamente amarrotada e havia uma grande mancha de poeira na calça preta, provavelmente de algum dos livros que foram derrubados da estante e amortecidos com o seu corpo.

Provavelmente, seu estado ainda em recuperação serviria como desculpa para que ele não assimilasse as palavras de Alfred e Julia Zummach por completo, o que justificaria a ausência de qualquer surpresa sobre o segredo que envolvia o homem a sua frente e o diretor de Hogwarts. Mas Landon mostrou que aquela não era uma novidade quando resmungou, já de pé.

- Melissa não está grávida. Não é por isso que vamos nos casar. Mas mesmo que estivesse, eu jamais deixaria outro homem criar o meu filho, especialmente se isso criasse um ódio irracional por mim nas gerações futuras.

O olhar de Julia Zummach estava atento no auror, como se pela primeira vez desde que chegara ao escritório, não o visse apenas como um menininho desarmado por seu marido. O queixo de Alfred havia despencado até quase encostar seu peito e a mão com a varinha de Landon tremia.

Com movimentos lentos, o auror alisou as próprias vestes e esticou a coluna, tentando minimizar a tensão criada em seus músculos. Sua dignidade já havia sido colocada a prova, mas ainda assim ele tentou recuperar sua postura ao esticar a mão na direção de Alfred, em um pedido mudo pela própria varinha.

- Não se preocupem, eu não contei nada para a Melissa. Embora ainda ache que seja sua responsabilidade contar.

O Sr. Zummach não parecia nem perto de despertar daquele choque, mas Julia, que conseguia separar aquele drama que envolvia Dumbledore do assunto que realmente lhe interessava, foi a primeira a reagir, dando um passo a frente até puxar a varinha de Vanderwaal dos dedos do marido. Ao invés de simplesmente entrega-la ao verdadeiro dono, a mulher apenas o encarou, mantendo a varinha como refém em troca da resposta que desejava.

- Tem certeza que Melissa não está grávida?

Os olhos esverdeados passaram de Alfred até pousar na mulher e Landon relaxou seus ombros enquanto confirmava com um movimento firme da cabeça.

- Melissa não está grávida. Ela está ótima e vamos nos casar porque nos amamos. Porque eu quero dar a ela a família que ela não teve.

O olhar da Sra. Zummach ficou mareado e ela parecia sinceramente tocada com aquela notícia. Era a primeira vez que Landon se perguntava até onde a mãe de Melissa havia concordado com aquela separação familiar.

O queixo da mulher tremeu e ela finalmente ergueu a mão para devolver a varinha de Landon, que lançou um breve olhar precavido ao Sr. Zummach antes de empurrá-la no cós da calça.

- A minha parte eu já fiz. Cabe a vocês agora continuar punindo a sua filha por algo que foge completamente as escolhas dela ou simplesmente engolir o orgulho de algo estúpido e participar do dia mais feliz de nossas vidas.

Encerrando o seu discurso, Landon voltou para Julia um olhar mais suave.

- Melissa me disse que a senhora pertenceu a Corvinal. Então vou simplesmente torcer para que faça a escolha mais inteligente aqui.
avatar
Remus J. Lupin

Mensagens : 338
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Página 7 de 10 Anterior  1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum