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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Seg Jan 02, 2017 2:01 am

- Agora você tem todo o tempo do mundo, Vanderwaal.

Melissa sabia que os argumentos do rapaz eram válidos e que não havia sido uma traição porque, teoricamente, os dois tinham terminado antes daquele deslize com Felicity. Mas o que Zummach não conseguia perdoar era a humilhação de ter passado aquela noite em claro, chateada e infeliz com a separação, enquanto Landon tentava superar o problema com outra menina em seus braços.

- Eu estava sofrendo por sair de Hogwarts, eu só precisava de um pouquinho de apoio, tudo o que eu queria era saber que você não faria parte das muitas coisas que eu perderia ao deixar este castelo para trás. Mas você me pediu um “tempo” e depois estragou tudo. E agora quer me convencer que eu sou a culpada por você ter errado? Me poupe, Landon. Tenha o mínimo de dignidade e assuma as consequências dos seus atos.

Sem esperar por uma resposta, Zummach deu as costas ao rapaz e acelerou seus passos para fora do jardim, deixando Vanderwaal para trás.

Por mais que ela tentasse ser forte, foi impossível conter as lágrimas que rolaram pelo rosto delicado da menina. Zummach não havia chorado desde a briga com os pais e a decepção com Landon, mas naquela tarde todas as lágrimas acumuladas escorreram de forma descontrolada. A única coisa que Melissa conseguiu fazer para preservar o próprio orgulho foi caminhar para longe do castelo, onde ninguém veria seus olhos avermelhados pelo choro.

A cabana de Hagrid pareceu uma boa opção já que ninguém costumava passar naquela região e o guarda-caça provavelmente estava fora àquela hora. Os soluços de Melissa ecoaram por mais alguns minutos enquanto a menina se escondia atrás de uma abóbora gigantesca, mas logo outro ruído chamou a atenção dela.

De dentro da cabana, vinham sons de objetos sendo quebrados e do meio-gigante correndo de um lado para o outro completamente desesperado. Melissa secou os olhos e, movida pela curiosidade, aproximou-se o suficiente para se pendurar na janela de Hagrid. A cena que Zummach viu fez seu queixo cair e as palavras meio histéricas saltaram para fora de seus lábios inconscientemente.

- Por Merlim, Hagrid, o que são essas coisas???

-----

Melissa Zummach não parecia ter acordado por completo naquela manhã que sucedeu o retorno de Liam Mellish para o castelo de Hogwarts. Os olhos azuis sonolentos mostravam que a menina havia ficado boa parte da noite acordada, mais uma vez tentando consolar a melhor amiga. É claro que todos estavam muito felizes pela recuperação de Liam e Clementine não era uma exceção, mas Zummach não julgava a amiga pela parcela de melancolia que ainda lhe restava. Melissa sabia muito bem qual era a intensidade da dor de ver outra garota beijando o cara que povoava seus sonhos.

Era sábado e não haveria aulas, mas ainda assim a novata carregava a sua inseparável mochila vermelha. Os planos de Mel era passar boa parte do dia na biblioteca, mergulhada nos livros. Agora que Melissa não podia contar mais com o apoio da família, ela sabia que precisaria de excelentes notas para conseguir um bom emprego. Quando saísse de Hogwarts, Zummach teria que se sustentar sozinha, sem nenhuma ajuda dos próprios pais.

- Ué, cadê a Cleo?

A pergunta soou misturada com um bocejo enquanto Melissa se sentava diante de Lorelai e Sara. As duas loiras a saudaram com sorrisos simpáticos, mas só naquele instante pareceram notar que Clementine não estava na mesa da Corvinal.

- Não sei, não a vi hoje. – Sara ainda deu uma olhadinha para a mesa da Lufa-Lufa, conferindo Liam Mellish em seu costumeiro lugar – Não sei mesmo.

A ausência de Albus Dumbledore na mesa dos professores fez com que uma hipótese nascesse na mente de Melissa, mas ela guardou aquela ideia para si. A mochila vermelha foi deixada de lado enquanto Zummach se servia com um pouco de leite e, por ainda estar tão sonolenta, a novata não percebeu que um dos fechos estava aberto.

Um suspiro pesado escapou dos lábios de Melissa quando Lorelai e Sara voltaram a falar sobre o baile. As duas já tinham tagarelado sobre aquela novidade a madrugada toda, ignorando a tristeza de Clementine, mas mesmo depois de tanto falarem sobre o assunto ainda pareciam muito empolgadas.

- Eu tenho um vestido azul lindo, mas estou sempre de azul... – Sara lançou um olhar insatisfeito para o uniforme da Corvinal – Queria algo diferente desta vez. Talvez um dourado, ou um pretinho nada básico...

- O vestido eu praticamente já decidi, mas estou preocupada com os convites. – Lorelai mordeu o lábio inferior enquanto lançava um olhar nada discreto ao seu redor – Duas semanas! Os garotos tem que ser rápidos! Eu tenho medo de aceitar o primeiro convite e depois ser convidada por um cara mais legal e ser obrigada a dispensar... É tudo tão complicado!!!

Melissa sacudiu a cabeça diante daquele diálogo fútil e não conseguiu controlar a própria língua.

- O namorado da Cleo teve a memória apagada e não se lembra dela. Mas vocês acham que é complicado planejar um baile idiota? Pelas barbas de Merlim, vocês são inacreditáveis! Tentem ser mais legais com ela!

- Nossa, Mel! – Lorelai fez uma careta, mas havia uma certa culpa refletida no olhar dela – Eu lamento pela situação da Cleo, mas o baile também é importante. Vai me dizer que você não está preocupada com...

A loira se calou subitamente e arregalou os olhos ao mesmo tempo em que prendia a respiração. Sara até abriu a boca para perguntar à amiga qual era o problema, mas a sua voz foi abafada pelo grito histérico que Lorelai lançou, ecoando por todo o Salão Principal e atraindo todos os olhares para a mesa da Corvinal.

Diante de olhares chocados, Lorelai se colocou de pé num pulo e começou a se debater enquanto dava saltinhos e gritava loucamente. Agostini foi o primeiro que a alcançou já com a varinha em mãos, mas o monitor-chefe da Corvinal não sabia como ajudar a colega simplesmente porque não sabia o que estava acontecendo.

- LORI! O QUE FOI? – Victorio precisou berrar para ser ouvido.

- UM RATO SUBIU PELAS MINHAS PERNAAAAAAAAS!

Em dois segundos, o caos estava instalado. Várias meninas começaram a berrar e pularam para cima das cadeiras como se o chão estivesse infestado de ratos. A própria Professora Sprout ergueu as pernas por cima da mesa dos professores enquanto Horace Slughorn espiava sob a toalha.

Como a mesa da Lufa-Lufa ficava ao lado da Corvinal, logo Liam Mellish se juntou a Victorio para tentar ajudar a menina, mas Lorelai continuava se debatendo completamente fora de si. O lufano percebeu que realmente alguma coisa havia subido pelas pernas de Lorelai quando um pequenino volume surgiu sob a camisa dela e começou a subir pelo tronco da menina, mas Liam ficou sem reação quando Agostini simplesmente enfiou a mão dentro da camisa de Lorelai sem nenhum pudor.

- VICTORIO!

- O RATO! – o corvinal tentou se defender – EU SÓ QUERO PEGAR O RATO!

Agostini ainda tateava a pele de Lorelai em busca do pequeno invasor quando o bichinho apareceu na gola da garota. Mellish o capturou com um movimento ágil, mas franziu as sobrancelhas quando abriu os dedos e não encontrou o rato que Lorelai mencionara. Era uma criatura pequenina, com um focinho rosado e pelagem acinzentada. O fato do animal estar firmemente agarrado à correntinha de ouro de Lorelai ajudou Mellish a se lembrar daquela espécie que ele só havia visto nos livros de Trato das Criaturas Mágicas.


- Mas isso não é um rato! Parece um... – Liam demorou um segundo para se lembrar – ...filhote de pelúcio!

- Aaaaaaaaaaaanh!

O gemido de Melissa foi totalmente incriminatório e a novata reforçou ainda mais a sua participação naquele pequeno incidente quando conferiu a mochila aberta antes de se colocar de pé.

- Doug! Como foi que você fugiu???

- Doug? – Mellish ergueu uma das sobrancelhas enquanto via Zummach puxar o pelúcio de suas mãos – Ele é seu???

- Sim. O Hagrid resgatou uma ninhada depois que a mãe morreu e eu adotei um. Ele ainda precisa ser domesticado, desculpem. Solte o colar da Lori, Doug, eu já te dei uma dúzia de moedas!!!

- Zummach...? – Liam ainda encarava a cena com espanto – Você não prefere criar uma coruja, ou talvez um gatinho? Pelúcios são um pouco... descontrolados.

- ESSE PROJETO DE RATO ROUBOU O MEU COLAR!

- Estou feliz com o meu pelúcio, obrigada. – Melissa girou os olhos enquanto devolvia a correntinha à colega – Ele tem as próprias coisinhas douradas, Lori, mas ninguém pode julgá-lo por isso. Você usa tantas tralhas que brilha mais que uma árvore de Natal, é uma tentação para o pobrezinho! E não precisa me agradecer pelo Agostini ter enfiado a mão dentro da sua blusa, agora o mínimo que ele pode fazer é te convidar para o baile pra amenizar o constrangimento, hm?
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Jan 02, 2017 10:17 pm

Durante cinco anos em Hogwarts, Clementine não se lembrava de ter visitado tanto o escritório do velho diretor como nos últimos meses. Mas desde a tragédia envolvendo Mellish e Rookwood, aquele parecia ser um dos lugares mais frequentados pela corvinal, de modo que não foi exatamente uma surpresa quando Albus Dumbledore a chamou para conversar naquela manhã.

No fundo, DiLaurentis estava curiosa a respeito do assunto de interesse de Dumbledore, embora já soubesse que, no final das contas, o nome de Liam Mellish fosse ser trazido à tona. A esperança era ouvir do diretor que a situação de Liam era temporária, que eram apenas sequelas do longo tratamento no St. Mungus, mas que em questão de dias, tudo voltaria ao normal.

Mas é claro que Clementine estaria exigindo demais do destino. Já era um imenso milagre que Liam estivesse novamente de pé, andando pelos corredores como se não tivesse estado à beira da morte.

As palavras de Albus, por mais que tivessem a intenção de não deixar com que Clementine perdesse as esperanças, apenas fizeram com que ela afundasse ainda mais em seu lugar. Os olhos azuis se fixaram nas acidinhas de Dumbledore, sem realmente as enxergar, até que ela finalmente erguesse o olhar para o velho diretor.

- Então, basicamente, as lembranças que o Liam tiver sobre nós dois foram destruídas.

A cabeça de Dumbledore pendeu para o lado, sua barba chegando a alcançar seu colo quando ele assentiu lentamente.

- Uma lamentável consequência do trabalho dos curandeiros, eu diria.

Clementine fez uma nova pausa, refletindo sobre aquelas informações. A falta de esperança já havia se tornado uma companheira, tornando ainda mais fácil para a corvinal pender por aquele caminho.

- Não me entenda mal, professor. Eu estou muito, muito feliz em ver o Liam de volta. Esse é um preço irrisório se o resultado for a chance para que ele tenha uma vida normal outra vez. – A mão de Clementine pendeu para fora da cadeira enquanto ela gesticulava, a testa franzida em uma expressão quase prática que não combinava com o delicado assunto. – Mas isso não significa que podemos simplesmente virar a página e começar o “Era uma vez”.

O velho professor se inclinou para frente, se remexendo em seu lugar. Ele apoiou os cotovelos sobre a mesa de madeira e aproveitou as mãos erguidas para ajeitar os oclinhos de meia-lua.

- Eu entendo que não seja nada fácil estar ao lado de alguém que não se lembra dos melhores momentos, Srta. DiLaurentis, mas isso não impede...

- Não. – Clementine fechou os olhos e sacudiu a cabeça, os lábios curvados em um sorriso sem vida, como se estivesse sendo paciente diante da dificuldade de Dumbledore em compreender as suas palavras. – Eu não me importo com nada disso. Como eu disse, essas lembranças, por mais feliz que sejam, são quase insignificantes em comparação com a recuperação do Liam. Eu não me importo comigo, professor.

Foi a vez de Clementine se inclinar para frente. Ela deslizou até se sentar na ponta da cadeira e apoiou os pulsos sobre a mesa, voltando a gesticular com as mãos como se estivesse discutindo um complexo problema matemático.

- Os curandeiros conseguem garantir que as memórias não vão voltar? Ou, que se voltarem, não vão prejudicar em nada a recuperação dele?

Dumbledore ergueu o queixo enquanto refletia sobre as perguntas de sua aluna, finalmente compreendendo onde ela queria chegar. Com sua voz rouca e fraca, mas com bastante convicção, ele respondeu:

- Feitiços de memória são tão antigos quanto a própria magia, Srta. DiLaurentis. Basta olhar na nossa história...

- Eu sei. – Clementine voltou a interrompê-lo, ainda com o sorriso sem vida em seus lábios. – Eu estou no ano dos NOMs, professor. Tudo o que tenho feito é ficar com a cara enfiada nos livros. E já li o bastante sobre feitiços de memória para saber que, por mais bem-feitos, ainda existe uma mínima porcentagem de falhas.

- Feitiços sempre foi minha matéria favorita. – O velho professor exibiu um sorrisinho torto. – Por isso, me sinto confortável para dizer que os livros ainda conseguem exagerar sobre a porcentagem mínima.

DiLaurentis soltou um suspiro e recolheu suas mãos para apoiá-las em seu colo. Ela sabia que não fazia o menor sentido em questionar o diretor de Hogwarts sobre algo que poderia ser extremamente banal para quem lecionara Feitiços por longos anos de sua vida. Em nenhum momento a corvinal pensou em questionar a capacidade ou inteligente de Albus. Ela só não se sentia confortável para abraçar aquele risco com a mesma facilidade que ele.

- Eu acho que já contamos demais com a sorte no caso do Liam, professor. – Os dedos de Clementine envolveram a alça de sua bolsa de couro e a deslizou pelo ombro enquanto se colocava de pé, encerrando aquela conversa. – Eu não vou arriscar criar qualquer gatilho para que o Liam se lembre do que aconteceu com o Cristopher. Ele teve uma segunda chance, isso é mais do que eu poderia desejar.

***

Os dedos de Clementine deslizaram pelas páginas dos livros, acompanhando as anotações feitas à mão em suas bordas. Mais de uma hora havia passado enquanto ela tentava se concentrar na leitura, mas nem mesmo o silêncio profundo da biblioteca era capaz de contribuir para a sua concentração.

Chegando a conclusão de que o problema era o livro escolhido, DiLaurentis fechou o exemplar de Poções e Caldeirões, empurrando a capa vermelha para quase a metade da mesa. A etiqueta ainda exibia o nome de L. Mellish e parecia zombar dela.

Tudo o que Clementine precisava fazer era conseguir se apegar a alguma matéria. No instante em que se concentrasse, ela poderia voltar a dedicar os seus dias aos NOMs e ter como único objetivo as melhores notas. Quanto antes fizesse aquilo, mais fácil seria aceitar que Liam estaria em seu passado.

O lufano merecia ter uma vida normal, e não ter ao seu lado uma bomba-relógio que poderia fazê-lo se lembrar de horas de tortura a qualquer instante. Como ele não se lembrava dos momentos dos dois juntos, só precisaria lidar com a mesma paixão platônica de antes, que eventualmente morreria quando ele se apaixonasse por outra menina.

Um dia, Clementine também seria capaz de superar aquela tristeza que lhe despertava a vontade de chorar constantemente.

Um livro de História da Magia foi puxado para perto quando ela tentou mudar o foco daqueles estudos, mas bastou deslizar pelas primeiras páginas para encontrar mais anotações com a caligrafia de Mellish.

Na etiqueta daquele livro, mostrava que sua proprietária era a própria Clementine. Mas as tardes de estudo ao lado do namorado haviam resultado com diversas anotações de um experiente setimanista repassando seus conhecimentos para a menina mais nova.

- Isso é ridículo... – Ela bufou, fechando o segundo livro que teve o mesmo destino que o primeiro. – Eu preciso de livros novos.

Os pés da cadeira foram arrastados quando Clementine se ergueu. A bolsa de couro e todos os seus pertences continuaram espalhados sobre a mesa e ela se afastou apenas alguns passos até se enfiar em um dos estreitos corredores rodeados pelas altas estantes.

Os olhos azuis deslizaram até encontrar a etiqueta dourada em uma das prateleiras mais altas categorizando ali os livros de História da Magia. Clementine imediatamente ficou na ponta dos pés, mas a ponta do seu dedo sequer roçava a parte inferior da prateleira.

Ela girou a cabeça em direção da mesa que ocupava apenas para confirmar que a varinha havia ficado esquecida em meio aos tinteiros e pergaminhos. Com um muxoxo, a menina resmungou baixinho, repreendendo a si mesma.

- Excelente... Para uma Corvinal, você é bastante burra, Clementine.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Ter Jan 03, 2017 1:20 pm

Embora a confusão tivesse se instalado na mesa da Corvinal, três pares de olhos acompanhavam atentamente a movimentação na mesa da Grifinória. Contrariando o seu papel de monitor, Landon Vanderwaal não moveu um único músculo para interromper o caos instalado. Sua única reação foi erguer as sobrancelhas em uma nítida surpresa ao ver o filhote de pelúcio sendo erguido pelos dedos de Agostini.

Se fosse qualquer outra pessoa envolvida, independente de ser ou não de sua casa, Landon não se intimidaria em se aproximar para ajudar a resolver a situação. Mas a presença de Melissa Zummach era suficiente para obrigar o rapaz a permanecer em seu lugar, cutucando suas torradas tediosamente.

Era óbvio que o relacionamento entre os dois tinha chegado ao fim depois do encadeamento de más escolhas e péssima comunicação. Mas aquilo não significava que Landon havia esquecido Melissa com um estalar de dedos. Zummach era complicada, tinha uma personalidade difícil e cheia de surpresas. Mas ainda era a primeira garota por quem ele havia se apaixonado. Mesmo com todos os seus defeitos, ainda era por ela que o coração de Vanderwaal acelerava.

A situação com Felicity Queen era mais um empecilho para que Landon tentasse uma nova aproximação de Melissa. Além da corvinal ter deixado claro que os dois tinham chegado ao fim, Queen parecia estar sempre por perto, com seus grandes olhos cheios de esperança que fazia Landon se sentir um canalha, revivendo amargamente os seus erros.

Ele tentava dizer a si mesmo que ao menos havia tentado ser honesto com Felicity, mas uma vozinha insistia em dizer em sua mente que ele não havia sido exatamente sincero em usar a situação de Liam Mellish como desculpa para não iniciar um relacionamento com a colega de casa. Agora que o primo voltava a andar esbanjando saúde pelos corredores, a desculpa parecia ainda mais fraca e se tornara um incentivo para que Felicity ocupasse o papel de uma boa amiga preocupada que apenas esperava por uma brecha para uma segunda chance.

- É sério, essa garota não é normal... – Shayna girou os olhos, sem se preocupar em manter o tom de voz discreto ao se referir a cena da Corvinal. – Por que ela não poderia ter uma coruja? Ou um gato? Até mesmo um sapo seria mais normal.

- Você precisa superar isso, Shay. – Robbie sacudiu a torrada diante da amiga, a repreendendo. – Ela vai continuar em Hogwarts agora. Apenas lide com isso.

Se aproveitando que o centro da conversa dos amigos era sobre Zummach, Landon permitiu que seus olhos se prendessem na cena mais descaradamente. Ele observou quando a menina recebeu em suas mãos a minúscula criaturinha. O pelúcio chegava a ter uma aparência fofa se não fosse pela sua compulsão por joias, como um pequeno ladrãozinho.

Agora que parava para pensar, não era mais uma surpresa tão grande ver que aquela era a opção de Zummach para um bichinho de estimação. É claro que Landon jamais teria pensado especificamente em um pelúcio, mas a menina estava longe de ser como tantas outras que existiam no castelo, óbvias e previsíveis. O impressionante era como aquela característica na personalidade de Melissa o irritava e ao mesmo tempo o atraía.

Embora tentasse parecer completamente indiferente, foi impossível conter um sorriso ao ver Melissa praticamente empurrando Agostini para os braços da amiga. Aos olhos do monitor da grifinória, parecia bastante óbvio o interesse do capitão da Corvinal em Zummach. Aquele gesto poderia ter sido completamente inocente, mas Landon não conseguiu impedir uma esperança de brotar em seu peito.

Melissa estava magoada depois dos seus erros, era óbvio. E Landon vinha tentando manter a distância porque, mais uma vez, se deixou levar apenas pela fachada que ela exibia a todos. Mas ele já conhecia Zummach o suficiente para saber que sempre existia muito mais do que ela demonstrava. E aquele gesto significava que ela não tinha interesse em ir ao baile com outro rapaz. O que, para Landon, só poderia significar que ela ainda gostava dele.

Pela primeira vez em dias, Landon foi capaz de carregar um sorriso nos lábios durante suas aulas. Depois de um longo pesadelo, as coisas pareciam estar novamente se encaixando em seus devidos lugares. Liam estava de volta, Queen era um problema controlado e ele só precisaria de algum esforço para recuperar Zummach.

Nas horas que antecederam o jantar, depois de se livrar do uniforme da grifinória para vestir roupas mais leves, Landon andava lado a lado com Liam pelos corredores. A sensação de ter o primo de volta era insuperável, mas também era a ideia que invadiu sua mente nas aulas da manhã que contribuía para o bom humor de Vanderwaal.

- Então, basicamente o diretor quer dar uma festa porque o monitorzinho preferido dele está de volta.

O tom de brincadeira de Landon denunciava o seu bom humor, e embora a saúde do primo ainda fosse um assunto delicado, ele se sentia bem o bastante para brincar com aquele comentário.

- Essa história de aniversário de Hogwarts pode ser a desculpa perfeita, mas no final das contas, ainda sabemos que a Lufa-Lufa terá alguns firewhiskys e hidromels contrabandeados para estender a festa. E nós dois, como bons monitores, não sabemos de nada, é claro.

Landon parou de andar quando eles alcançaram o saguão principal, há alguns metros de distância de um pequeno grupo de corvinais. Seus olhos imediatamente pousaram na familiar mochila vermelha e involuntariamente seu coração deu um salto. Com uma breve pausa e um tom de voz menos brincalhão, Vanderwaal encarou o primo.

- Você sabe que como monitores não é uma opção simplesmente faltar a esses bailes bobos, não é?

Os olhos verdes estudaram o rosto de Mellish com atenção, tentando interpretar o que se passava na cabeça do primo com aquela ideia.

- Você já sabe quem vai levar?

Por um segundo, Vanderwaal prendeu a respiração, se perguntando até onde ele poderia ir sem tocar o nome de Clementine DiLaurentis. Antes que acabasse causando uma tragédia com lembranças indevidas, Landon tentou contornar aquele assunto e inclinou a cabeça para o grupinho de meninas.

- Eu já sei quem vou chamar. Então esteja com a varinha a postos, caso a Zummach tente me estuporar.

Landon desceu apenas mais alguns degraus para se distanciar de Liam, ainda mantendo uma distância segura do grupo de meninas. Seu sorriso se alargou ao ver a bolinha de pelos colocar a cabeça para fora de uma pequena abertura na mochila vermelha.

Discretamente, o monitor desabotoou o próprio relógio e o ergueu com o indicador na altura dos seus olhos. As duas bolinhas pretas que seriam os olhos do pelúcio se arregalaram ao ver o brilho que lhe era oferecido, e com uma extrema habilidade, saltou da mochila, correndo em ziguezague no chão de pedra para subir as escadas.

Então Landon virou as costas para as meninas, se voltando mais uma vez para o primo, parado poucos degraus acima. Como se em nenhum momento tivesse interrompido a conversa com Liam ou nem mesmo notado a presença do pelúcio, ele soltou uma falsa exclamação de surpresa quando o relógio foi arrancado dos seus dedos.

- Heey! O que você está fazendo???

Com agilidade, Landon usou sua outra mão para erguer o bichinho. O filhote ainda era pequeno o bastante para conseguir ser envolvido em seus dedos e, quando o encarava com uma expressão culpada, ficava ainda mais adorável.

Diferente do surto de Lorelai naquela manhã, o sorriso de Vanderwaal era nitidamente encantador ao cutucar a barriguinha do pelúcio com o dedo indicador.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Ter Jan 03, 2017 7:52 pm

No instante em que Landon lançou a pergunta sobre o baile, os olhos castanhos do lufano inconscientemente buscaram pelo grupinho de meninas da Corvinal. Os cachos loiros de Clementine não estavam ali, o que fez com que o estômago de Liam se afundasse com uma incontrolável decepção.

Desde a estranha conversa com Mia, Mellish vinha pensando seriamente na ideia de convidar Clementine DiLaurentis para acompanhá-lo no baile. Seria muito mais simples se Blake tivesse aceitado o seu convite ao invés de criar minhocas na cabeça do rapaz, mas desde a insinuação dela o monitor se questionava se tinha alguma chance de ganhar um “sim” da ex-namorada de Rookwood.

Sem nenhuma lembrança dos momentos vividos ao lado de Clementine, tudo o que restava a Liam eram as complicações daquele possível encontro e o medo de se magoar ainda mais com um provável “não”. Ele não sabia ao certo o quanto DiLaurentis estava chateada com a expulsão de Cristopher e o quanto de culpa a loira empurrara para ele. Também era difícil prever se Clementine já não tinha outro garoto em mente agora que se livrara do ex-namorado. Os laços sanguíneos que uniam Liam aos Rookwood eram uma complicação, assim como o fato do lufano não pertencer à sociedade frequentada pelos DiLaurentis.

- Eu pensei em uma pessoa, mas ainda não sei como fazer o convite... – Mellish acrescentou rapidamente enquanto assistia o pelúcio se agarrar firmemente ao relógio de Landon – Talvez você me dê algumas dicas. Está bem claro que você domina todas as técnicas. Mas, só para constar, a minha garota é normal e não cria um pelúcio dentro da mochila.

O monitor-chefe da Lufa-Lufa se calou quando viu Melissa Zummach girar sobre os calcanhares para seguir os passos do seu travesso bichinho de estimação. Os olhos estreitados da corvinal certamente intimidariam Liam se fosse ele o interessado em convidar a menina para o baile, mas o lufano sabia que a coragem grifinória do primo era suficiente para que Landon não desistisse da ideia.

- Hey, Zummach. – Liam abriu um sorriso simpático, querendo amenizar a fúria da garota para facilitar as coisas para o primo – Já viu que tem um livro sobre pelúcios na seção de Criaturas Mágicas da biblioteca? Eu dei uma folheada nele quando estudei a espécie no quarto ano.

- É sério??

- Aham. É um livro antigo, ficava bem no fundo da prateleira. Acho que pode ser útil, tinha um capítulo que falava especificamente sobre domesticar os pelúcios.

O lufano abriu um sorrisinho torto ao ver que havia obtido sucesso em sua tentativa. O semblante de Zummach se suavizou e a corvinal parecia sinceramente interessada no assunto quando pegou o pelúcio das mãos de Landon. Embora a criatura fosse minúscula, suas patinhas agarravam o relógio com firmeza e Melissa travou uma pequena batalha com Doug até conseguir empurrar o relógio de volta ao grifinório.

- Eu tenho que passar na biblioteca para devolver uns livros, vou tentar achá-lo para você.

- Muito obrigada, Mellish.

Quando lançou um olharzinho divertido para Landon, Liam deixou muito claro que pretendia cobrar juros pelo favor de amansar a personalidade explosiva de Melissa Zummach. Nas mãos da dona, o pelúcio dirigiu um olhar de cobiça para o distintivo dourado no peito do lufano, o que obrigou Mellish a esconder aquele brilho com a palma de uma das mãos.

- É melhor eu ir antes que o Doug se descontrole de novo. A gente se fala, Zummach! – ao passar pelo primo, Liam acrescentou com um sussurro divertido – Caso ela te estupore, eu passo na enfermaria para te visitar mais tarde.

Embora o livro sobre pelúcios tivesse sido mencionado apenas para acalmar os ânimos da novata, o exemplar realmente existia. Quando se encaminhou para a biblioteca no fim daquela tarde, Liam estava agindo apenas como um bom monitor que pretendia ajudar uma colega e, adicionalmente, contribuir para a paz no castelo. Já que era óbvio que mais surtos como os de Lorelai aconteceriam se o pequeno Doug continuasse sedento por joias.

O silêncio reinava na biblioteca. Alguns poucos alunos estavam concentrados em suas leituras, ou faziam anotações em pergaminhos gigantescos. Com passos silenciosos, Mellish começou a andar pelo estreito corredor que dividia as estantes até encontrar a exata prateleira onde havia pegado o livro sobre pelúcios há cerca de três anos.

Exatamente pelo ambiente estar tão silencioso, o lufano ouviu com perfeição a voz suave de Clementine DiLaurentis quando estava retornando pelo corredor. Seu coração imediatamente reconheceu aquele timbre e deu um salto dentro do peito, reagindo a ela da mesma maneira apesar da ausência das melhores lembranças na mente de Mellish.

Aquele era o momento perfeito. Clementine geralmente andava pelos corredores com seu grupinho de amigas, mas naquela tarde estava sozinha. Não havia testemunhas que pudessem transformar aquela recusa em uma humilhação pública. Além disso, era óbvio para Liam que DiLaurentis era uma das garotas mais bonitas e cobiçadas de Hogwarts. Se ele não agisse a tempo, outro rapaz tomaria a iniciativa de convidá-la para o baile.

- Eu acho injusto que os corvinais carreguem esta penosa responsabilidade de serem sempre os mais inteligentes...

A voz de Liam soou às costas de Clementine e o coração dele se acelerou ainda mais quando a menina se virou subitamente para encará-lo. Parecia haver algo diferente naquela cena, não era apenas a emoção de falar com a menina de quem Mellish sempre gostara em segredo. Suas mãos formigaram com uma vontade insana de tocá-la, mas o lufano conteve aquele instinto irracional. Ele estragaria tudo se desperdiçasse aquela valiosa chance agindo como um tarado.

- Assim como é difícil para os lufanos serem bonzinhos em tempo integral. Mas você está com sorte, hoje eu acordei bem lufano.

Para alcançar a prateleira atrás de Clementine, Liam teve que se inclinar na direção da menina. Aquela proximidade reforçou ainda mais o desejo absurdo de puxar DiLaurentis para seus braços e cobrir os lábios dela com um beijo, mas Mellish se afastou antes que caísse em tentação. O livro de História da Magia que a loira tentara alcançar foi estendido na direção dela, juntamente com um exemplar bem mais velho, cuja capa anunciava: “Pelúcios: dicas e cuidados indispensáveis para brilhar como criador”.

- É para a Zummach. – Liam explicou diante do olhar confuso da loira – Eu prometi a ela que encontraria o livro. Diga a ela que, apesar do trocadilho podre no título, as dicas são realmente legais.

O coração de Liam pulsava na garganta e, por um momento, ele pensou seriamente em recuar e desistir daquela ideia. A insegurança ficou refletida nos gestos do rapaz quando ele chegou a recuar um passo, mas estancou no meio do caminho, visivelmente sem saber o que fazer.

Antes que o silêncio dele tornasse aquela situação ainda mais embaraçosa, Mellish se deixou contagiar por um surto de coragem. O risco era enorme, mas Liam nunca se perdoaria se recuasse sem ter feito aquele convite para a corvinal.

- DiLaurentis... eu estava pensando se... caso você não tiver outros planos, é claro... – os rodeios deixavam claro que Liam não havia planejado muito bem aquele convite – ...se você iria ao baile comigo?
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Jan 03, 2017 8:43 pm

O coração de Clementine deu um salto contra seu peito e, antes mesmo de se virar, todo o seu corpo já havia reconhecido a voz de Liam Mellish. Ainda assim, quando a corvinal girou sobre os calcanhares e encontrou o rapaz parado há poucos passos no estreito corredor, ela prendeu a respiração, congelada em seu lugar.

Sua mente havia levado longos dias para se acostumar com a ideia de que a vida de Liam agora se resumia ao St. Mungus, fadado a uma cama para sempre. Vê-lo de pé diante de toda a escola havia abalado todas as suas estruturas, mas nada se comparava com a sensação de tê-lo tão perto do seu toque.

Como se estivesse diante de um fantasma, Clementine congelou em seu lugar. Suas mãos agarraram a borda da estante de madeira e ela se espremeu quando Liam se aproximou, alcançando com facilidade o livro que ela havia desejado.

Ao encontrar as íris castanhas, DiLaurentis poderia jurar que nada havia mudado. Que ela estava diante do mesmo rapaz que a deixara na torre de Adivinhação após um beijo carinhoso. Sua mente fantasiosa chegou a criar um cenário em que Liam a beijava, garantindo que toda aquela história de perda de memória não existia. Que ele estava recuperado por completo e que os dois poderiam ficar juntos outra vez.

Em um gesto mecânico, Clementine recebeu em suas mãos os livros oferecidos por Liam e apenas acenou, sem realmente processar as explicações sobre o livro de Criaturas Mágicas. No instante em que Mellish recuou, todo o seu corpo esfriou e a loira foi arrastada de volta para a solitária realidade.

Como se ainda fosse possível, o convite do monitor deixou a menina ainda mais surpresa. Desde a conversa com Dumbledore, Clementinhe vinha se preparando para lidar com um mundo em que ela e Liam estariam completamente separados.

É claro que o velho diretor havia alertado sobre a preservação dos sentimentos do Lufano, que não haviam sofrido qualquer impacto com os feitiços de memória. Ao mesmo tempo em que lhe aquecia por dentro saber que ainda existia uma parte do seu namorado ali, ela se sentia travada com a possibilidade de despertar em Liam qualquer tipo de memória que lhe fosse prejudicial.

- Eu não vou ao baile.

Clementine se surpreendeu ao ouvir sua própria voz ecoar pelo estreito corredor rodeado de livros. Até então, ela acreditou que seria incapaz de se mexer, de esboçar qualquer reação, muito menos de tomar uma decisão.

Seu estômago se afundou e todo o seu corpo pareceu protestar com a própria decisão. Aquela era a oportunidade perfeita para reescrever a história, como Albus Dumbledore havia sugerido. Mas racionalmente, Clementine não conseguia pensar em outra coisa a não ser no risco que poderia criar com uma reaproximação.

Com um nó na garganta, DiLaurentis abraçou os livros contra seu peito e não desviou o olhar de Liam. Ela sabia que estava partindo o coração dele. Era como se os dois estivessem novamente no corujal, quando o monitor finalmente havia reunido coragem para confessar seus sentimentos.

Daquela vez, Clementine havia se deixado levar pelo momento, mas foi o primeiro passo para se apaixonar pelo meio-irmão de Cristopher. Desta vez ela não poderia dar oportunidade para que nada crescesse entre eles. Ao menos daquela forma Mellish seria capaz de seguir em frente e esquecê-la antes que mais uma tragédia acontecesse.

- Eu sinto muito, Liam...

Para Mellish, aquele pedido de desculpas seria facilmente interpretado para a recusa da corvinal. Mas para DiLaurentis, aquelas poucas palavras significavam muito mais. Ela sentia muito, de verdade, que ele precisasse passar por aquilo. Ela o amava e não queria nem por um segundo que o rapaz se sentisse rejeitado. Mas ainda era a forma mais segura para ele.

O silêncio profundo da biblioteca permitiu que o som dos sapatos de Clementine arranhando o piso ecoasse quase amplificado. Ela recuou apenas dois passos antes de se voltar para o rapaz, sentindo o peito espremido pela dor que estava causando nele. Por isso, DiLaurentis deixou que pelo menos as últimas palavras soassem mais sinceras. Ainda não era o que o rapaz queria ouvir, mas era o máximo que Clementine poderia lhe dar.

- É bom ver que você está de volta e recuperado. De verdade.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Ter Jan 03, 2017 9:10 pm

- Ir ao baile...? Com você?

Uma das sobrancelhas finas de Melissa se arqueou diante daquela proposta inesperada e, por um momento insano, a novata se perguntou se aquele convite não era uma brincadeira ou algum tipo de teste. Tudo o que ela sabia sobre Robbie Bulstrode era que o rapaz era um típico grifinório e que seus melhores amigos eram Shayna e Landon. Portanto, aquele convite para o baile não fazia o menor sentido.

- Sim. Eu gostaria que você fosse comigo, Zummach.

Embora a voz do rapaz soasse firme, seus olhos denunciavam uma nítida insegurança. Zummach não precisou pensar demais para concluir que ela era a primeira opção de Robbie. Dumbledore havia avisado sobre o baile no jantar e o goleiro da Grifinória a cercara perto das estufas, antes que Melissa entrasse em sua primeira aula naquela manhã.

Ao contrário de Lorelai e Sara, Melissa não pretendia perder noites inteiras planejando o seu vestido para o baile, nem o penteado, muito menos as opções de acompanhantes. A novata nem sabia ao certo se compareceria e talvez só iria à festa se Clementine quisesse a sua companhia, já que era bem improvável que a loira aceitasse ir com outro rapaz que não fosse Mellish.

O único rapaz que Zummach realmente queria como companhia era justamente o último garoto que ela queria ver na sua frente, então também era certo que Melissa não aceitaria nenhuma proposta mesmo se surgisse um aluno corajoso disposto a enfrentar sua personalidade forte.

Entretanto, o convite de Robbie fez com que Melissa repensasse aquela decisão. O goleiro da Grifinória era um rapaz bonitinho e simpático, e, embora não tivesse a mesma popularidade de Landon, Robbie tinha as suas qualidades. E, o mais importante, ele era uma escolha certeira para uma garota que quisesse atingir Landon Vanderwaal.

O convite de Robbie era a prova de que Landon não havia contado nem mesmo ao melhor amigo sobre o seu envolvimento com Melissa, mas a novata estava prestes a fazê-lo se arrepender daquela escolha.

- Ok, então.

- Como assim, ok?


A expressão abobada de Robbie mostrava que o rapaz realmente não havia compreendido aquela resposta tão direta e óbvia ao seu convite. Os braços de Zummach foram cruzados num gesto impaciente e ela apertou os lábios numa careta antes de resmungar.

- Certo, eu já percebi que os grifinórios são meio lentos, então vamos devagar. Você me chamou para ir ao baile e eu respondi “Ok”. No meu idioma, esse diálogo significa que vamos ao baile juntos. As coisas ficaram mais claras agora?

- Sério??? – os dois braços de Robbie foram erguidos em comemoração – Yuhuuuu!

- Menos, Bulstrode. Eu vou embora antes que você me faça desistir dessa ideia.

-----

Ao fim daquele dia, Melissa nem se lembrava mais da conversa com Robbie nas primeiras horas daquela manhã. Ao contrário da novata, Sara e Lorelai estavam desesperadas porque ainda não tinham recebido nem mesmo um convite para o baile. Era irônico que justamente Zummach, que não dava tanta importância ao evento, já tivesse um acompanhante garantido.

Enquanto as duas meninas da Corvinal insistiam em tagarelar no saguão – na esperança lamentável de serem notadas por algum garoto – Melissa participava daquela rodinha unicamente porque havia combinado de se encontrar com Clementine naquele ponto do castelo. A melhor amiga havia tirado algumas horas para estudar na biblioteca, mas as duas tinham combinado de jantarem juntas no Salão Principal antes de seguirem para o dormitório.

Zummach só percebeu que o pelúcio novamente encontrara uma brecha em sua mochila quando Lorelai girou os olhos e apontou na direção das escadas.

- O seu novo bebê está furtando joias de novo. É sério, Mel, isso não vai dar certo!

Já era suficientemente difícil acompanhar o ritmo de Doug, mas naquela tarde a escolha de vítima do pelúcio deixou a dona ainda mais irritada. Com tantos relógios dourados em Hogwarts, a criaturinha tinha que agarrar justamente o punho de Landon Vanderwaal?

A simpatia de Liam Mellish serviu para que Melissa abaixasse as armas, mas o olhar dela continuava sério quando o lufano se afastou para a biblioteca. O pelúcio era tão pequenino que cabia na palma da mão delicada de Zummach, mas mesmo assim a dona notou que havia algo errado com ele.

- Doug. – a tom de repreensão fez o bichinho se encolher – Você está pesado!

O pelúcio fez menção de fugir, mas Melissa conseguiu ser mais rápida e o segurou pelas patinhas traseiras. Quando a novata sacudiu o seu novo bichinho, uma bizarra quantidade de coisas brilhantes começou a cair no chão do saguão como se o pequeno Doug tivesse bolsos camuflados em seus pelos escuros. Meia dúzia de moedas douradas, um anel com uma exagerada pedra azul, um tinteiro prateado e dois pequenos cristais que se pareciam muito com aqueles que enfeitavam o lustre da sala de Adivinhação.

- Doug!!! Você não está facilitando as coisas, sabia? Vou te devolver pra cabana do Hagrid onde não tem nem mesmo uma moeda para ser furtada!

Como monitor-chefe, Landon poderia se encarregar daquele problema e foi apenas por isso que Melissa pegou o anel e o estendeu para o grifinório.

- O tinteiro é do Professor Slug, eu me lembro de ter visto na mesa dele esta manhã. As moedas são minhas e eu vou dar um jeito de devolver os cristais para o lustre da torre norte. Mas não faço ideia de quem seja o dono do anel. Se alguém me questionar, direi que está na sala da monitoria.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Ter Jan 03, 2017 9:44 pm

Por mais que racionalmente Liam já imaginasse que a resposta de Clementine seria uma negativa, foi impossível não sentir a decepção se espalhando por todas as células do seu corpo quando a voz da corvinal quebrou o silêncio sepulcral da biblioteca. Mellish experimentava uma sensação muito semelhante a receber um balde de água gelada na cabeça logo depois de um relaxante banho quente.

Mais uma vez, o lufano sentiu que alguma coisa estava muito errada naquela cena. Tudo parecia ter lógica, mas seu coração se apertou como se a recusa de Clementine significasse muito mais do que deveria significar. Ainda existia a paixão platônica que Mellish nutria por DiLaurentis, mas seu peito doeu como se a recusa da loira colocasse um fim num amor que, para a cabeça de Liam, nunca havia existido.

O que amenizava um pouco aquele constrangimento era a declaração de que Clementine não pretendia ir ao baile. Ela não estava dispensando o lufano porque já tinha recebido um convite ou porque esperava por uma proposta melhor. Contudo, por outro lado, a decisão de não comparecer à maior festa do castelo nos últimos anos poderia significar que DiLaurentis ainda amava Cristopher e estava chateada com a merecida expulsão do namorado.

- Tudo bem...

Liam queria desesperadamente não demonstrar a decepção que o invadira, mas era muito difícil esconder os próprios sentimentos quando seu coração acabara de se partir em mil pedaços. Tudo o que o monitor-chefe conseguiu foi um sorriso tão amarelo quanto a gravata que compunha o uniforme da Lufa-Lufa.

- Eu lamento pelo Cristopher.

Era bizarro que Mellish pedisse desculpas depois que o meio-irmão o atacara tão covardemente e quase destruíra a sua vida, mas Liam não conhecia a gravidade daquela história. No St. Mungus, tudo o que os Vanderwaal contaram ao sobrinho foi que ele havia entrado em uma briga com Rookwood e que batera a cabeça no meio do duelo.

Portanto, para Liam, ele tinha uma participação direta na expulsão do sonserino e, consequentemente, na melancolia que os olhos de Clementine refletiam naquele instante. E, assim como fizera depois do Avada Kedavra nas estufas, Mellish foi capaz de ignorar a óbvia falta de caráter do meio-irmão pensando no bem-estar de DiLaurentis.

- Não me lembro da tal briga, então não tenho argumentos para me defender. Imagino que o Professor Dumbledore tenha seus motivos para ter expulsado o Cristopher e me deixado ficar, mas eu entendo que isso não pareça justo para você...

A hipótese de Clementine ainda gostar de Rookwood tornava o convite de Liam ainda mais errado e patético, mas o lufano tentava ignorar aquele gosto amargo na garganta quando completou, com uma entonação derrotada.

- Desculpe por isso, DiLaurentis. A minha memória está cheia de falhas, eu não estou raciocinando tão bem. Eu nem deveria ter feito este convite, foi uma grande bobagem. Vamos esquecer que isso aconteceu, está certo?
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Ter Jan 03, 2017 10:03 pm

Como um monitor, Landon deveria encarar aquela cena com maturidade e agir com responsabilidade. Os pelúcios não estavam na lista de criaturas aceitas como bichinhos de estimação dentro das propriedades de Hogwarts, e uma criaturinha tão mal adestrada seria um prato cheio para qualquer um obcecado em regras.

Mas se nem mesmo os professores pareciam querer repreender Melissa, depois de tudo que a menina havia perdido, Landon seria a última pessoa a lhe tirar a única coisa que havia restado para trazer um sorriso aos seus lábios.

Vanderwaal já tinha um comportamento conhecido entre os alunos em ser muito mais um amigo do que um chato e tedioso monitor-chefe, mas a motivação em não recriminar a escolha do animalzinho ia muito além do que sua habitual postura com os demais.

Quando o pequeno Doug foi colocado de ponta cabeça e começou a se remexer para alcançar os dedos de sua dona, Landon espremeu os lábios para conter o sorriso. Era bom ver que Melissa havia encontrado algo positivo, depois de tantas tristezas. E o pelúcio definitivamente era capaz de arrancar algumas risadas.

As joias começaram a cair aos seus pés e Vanderwaal não conseguiu se segurar diante da quantidade exagerada e diversificada que cabia em uma criaturinha tão pequena. Seus ombros tremeram por um instante e ele finalmente deixou escapar uma risada nasalada.


Quem olhasse de longe, poderia jurar que os dois jovens se tratavam apenas de bons amigos. Afinal, não era raro ver a expressão de pouco amigável no rosto de Melissa. Mas um bom observador encontraria nas íris verdes o familiar brilho de saudades quando o monitor parou de rir, mantendo ainda os lábios curvados na sombra de um sorriso.

Ele esticou a mão para receber o anel, o observando cuidadosamente em busca de alguma lembrança que lhe desse pistas sobre uma possível dona, e por fim o enfiando na bolsa masculina que carregava em seu ombro.

- Cuidado, Melissa... Alguém pode passar por aí e achar que você está me propondo em casamento.

O tom divertido na voz de Landon não lembrava em nada a última conversa tensa protagonizada com a Corvinal. Por mais que ainda existisse um mundo de assuntos que os dois precisassem tratar, Vanderwaal estava disposto a baixar guarda para tentar uma reaproximação.

As íris verdes passearam pelo rosto de Zummach carinhosamente, mas Landon se obrigou a continuar em um terreno mais seguro. Ele ergueu uma das mãos e voltou a acariciar a barriga do pelúcio, que imediatamente se esticou para tocar seu relógio em uma nova tentativa de furto.

- Hey, nós já passamos por isso. – Com paciência, Landon segurou o minúsculo corpinho da criatura com a outra mão e voltou a apoiá-lo contra a palma de Melissa. Em seguida, seu olhar pousou novamente na menina. – Ele só é novo demais. Se existe alguém capaz de domesticar um pelúcio, certamente é você.

Com as mãos livres, Vanderwaal enfiou seus dedos nos bolsos da calça e balançou o próprio corpo, por fim apoiando suas costas no corrimão de pedra das escadas. Ele sabia que estava pisando em um campo minado, mas também sabia que valeria a pena qualquer explosão.

- Eu sei que as coisas ficaram bem ruins entre nós dois. Mas eu andei pensando... – O rosto de Landon se iluminou, e diferente da insegurança de Robbie, ele parecia apenas imensamente esperançoso. – Queria que você fosse ao baile comigo. Pelos velhos tempos. Uma bandeira de paz. O que me diz?
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Jan 03, 2017 10:41 pm

Clementine estava pronta para encerrar aquela conversa, se afastar e se conformar em não ter mais Liam em sua vida. Mellish não precisava ser o rapaz mais orgulhoso do mundo para entender aquela rejeição como um ponto final, o pontapé inicial para que eles finalmente seguissem suas vidas separadamente.

O que DiLaurentis não esperava era que o nome de Cristopher fosse ser citado. Quase como se tivesse ouvido o nome do próprio Lord das Trevas, ela sentiu o sangue gelar em suas veias, sua mente sendo invadida pelas lembranças do dia em que Liam havia desaparecido.

Desde que começara a se envolver com o meio-irmão do seu namorado, Clementine se sentira culpada e até mesmo suja por deixar que seu coração se apaixonasse pela figura que Cristopher mais odiava. Mas depois de tudo que havia acontecido, era impossível não nutrir o ódio mais profundo por aquele que um dia ela acreditou estar apaixonada, mas que no fundo havia sido capaz de coisas tão terríveis.

Rookwood não era nada que Clementine acreditou um dia, mas aquele ódio também respingava nela própria por ter sido tão idiota ao ponto de deixar as coisas irem tão longe. Por isso, ouvir da boca de Liam que ele se lamentava por Cristopher era repugnante.

Clementine estava disposta a mentir sobre os próprios sentimentos, a manter Mellish afastado. Mas não iria mais acobertar mais uma vez a podridão de Rookwood. Os livros foram apertados com mais força contra o seu peito e sua entonação estava mais firme quando sua voz voltou a ecoar pela biblioteca.

- Você não deveria se lamentar por ele. Eu não lamento.

A distância criada pelos dois foi reduzida quando Clementine voltou a dar um passo na direção de Liam. Um alerta soou em sua mente, lembrando que precisava se manter em segurança, ao menos o suficiente para que ela não rendesse a tentação de tocá-lo com um esticar do pulso.

- Se você quer falar de justiça, o que aconteceu com o Cristopher foi pouco. Se Dumbledore não o tivesse colocado para fora de Hogwarts, eu mesma teria feito com que ele saltasse de uma torre. Sem varinha ou vassoura.

Um suspiro escapou pelos lábios da corvinal quando ela percebeu que estava indo longe demais com suas palavras. Ela não deixaria que Liam pensasse que, de alguma forma, ainda tinha a intenção de proteger Cristopher. Ele precisava acreditar que os dois não tinham um futuro juntos, mas pensar que, de alguma forma, ela ainda nutrisse qualquer sentimento que não fosse o ódio pelo ex-namorado era repugnante demais.

- O seu convite é uma honra, Liam. Mas eu realmente não estou no clima para bailes.

O olhar de Clementine baixou por um segundo e ela tentou colocar um sorriso nos lábios. O mesmo sorriso educado que as meninas costumavam usar para recusar convites como aquele. Mas os olhos azuis não refletiam o mesmo desinteresse que era comum em cenas como aquela. As pálpebras piscaram antes das íris se voltarem para o monitor mais uma vez.


- Além do mais, ouvi dizer que os monitores acabam trabalhando mais do que se divertindo. – Ela inclinou a cabeça e os fios loiros se sacudiram quando falhou em sua tentativa de ser informal. – Mas espero de verdade que você consiga se divertir, Liam. Você merece, depois de tudo que aconteceu.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Ter Jan 03, 2017 10:44 pm

Depois da última conversa com Landon, a última coisa que Melissa imaginava era que o monitor-chefe da Grifinória a convidaria para o baile de Hogwarts. Por isso, a expressão de surpresa que estampou o rosto da novata foi sincera, sem nenhum vestígio da máscara ironia que ela costumava usar para se defender.

Zummach havia dito com todas as letras que não o perdoava pelo deslize com Felicity Queen e que estava tudo acabado entre os dois. Depois daquela conversa, Melissa teve certeza de que Landon logo assumiria um namoro de verdade com a colega da Grifinória, mas até então aquela fofoca não havia se espalhado pelo castelo. Ainda assim, aquele convite foi totalmente inesperado e deixou Zummach sem palavras por alguns segundos.

O pontinho irracional em sua cabeça berrava um sonoro “sim”, mas a mente controlada pela mágoa e pelo orgulho não permitiu que Melissa demonstrasse o quanto Vanderwaal ainda a desestabilizava. Ela havia se apaixonado por ele durante aquelas semanas de convivência e durante os beijos roubados depois dos treinos de quadribol e obviamente não conseguiria esquecê-lo com a velocidade que seu orgulho exigia. Mas ainda era difícil demais engolir que Landon a trocara pelos braços de outra menina horas depois de uma briga.

Já esquecida do elogio sobre ela ser capaz de domesticar um pelúcio, Melissa encarou o rapaz a sua frente e arqueou a sobrancelha direita em um movimento demorado.

- Pelos velhos tempos? Se eu for levar os velhos tempos em consideração, vou te estuporar com tanta intensidade que corre o sério risco da sua cabeça explodir, Vanderwaal.

O contato visual foi rompido e Melissa deixou que o rapaz se torturasse com a ausência de uma resposta direta enquanto ela dava atenção ao pequeno Doug. A mochila vermelha foi apoiada aos pés da menina e Zummach recolocou o pelúcio dentro de um dos bolsos laterais. As moedas foram empurradas para a mesma abertura e Melissa deixou o zíper um pouco aberto para que o ar pudesse entrar. O problema era que Doug usava aquela mesma brecha para escapar e fazer a sua festinha particular dentro de Hogwarts.

- Eu não vou ao baile com você.

A resposta direta que Landon esperava veio enquanto a corvinal novamente pendurava a mochila num dos ombros. Os olhos azuis voltaram a buscar pelo rosto do grifinório e, antes que Vanderwaal pudesse concluir que ela só estava recusando o convite por orgulho, a explicação foi anexada àquela negativa.

- Um garoto me convidou hoje de manhã e eu aceitei. Já tenho companhia, Vanderwaal.

Uma pequena pausa foi feita e Melissa analisou a reação de Landon antes de abrir um sorrisinho sarcástico.

- Mas tudo bem, né? A sua lista de opções é gigantesca e você já mostrou que não gosta de perder tempo quando o assunto é garotas. Mas quer um conselho desta vez? Vá com calma, Vanderwaal. A sua carreira como auror pode ser prejudicada se você se tornar pai aos dezessete anos.

O comportamento hostil de Melissa poderia estar escondendo uma mentira. Não era impossível que Zummach inventasse aquela história sobre já ter aceitado um convite apenas para provocar Landon. Embora ela tivesse muitas qualidades, era difícil imaginar um garoto com coragem o suficiente para convidar Melissa para sair. A personalidade dela intimidava os corvinais e fazia qualquer lufano tremer. Os sonserinos geralmente só se relacionavam entre si e com certeza não iriam querer se misturar com uma garota deserdada. Coragem não era um problema para os grifinórios, mas era difícil imaginá-la ao lado de um grifinório depois da passagem turbulenta de Zummach pela casa dos leões.

Contudo, antes que Landon pudesse questionar a veracidade daquela informação, Melissa fez questão de presenteá-lo com a verdade.

- Quer outro conselho? Não conte a ninguém que me convidou, isso pode abalar a sua amizade com o Bulstrode. – a novata novamente acompanhou a reação de Landon antes de completar – Ele não me parece ser do tipo ciumento ou encrenqueiro, mas nunca se sabe, não é? Você também não parecia ser um canalha, mas não contou nem mesmo ao seu melhor amigo sobre nós dois.

A expressão de Zummach se tornou ainda mais irônica enquanto ela ponderava.

- Bom, levando em consideração o seu desconhecimento sobre o convite dele, parece que há uma falha bilateral na comunicação de vocês dois. Você me acusava de não ter bons amigos, mas a Cleo e eu nunca passaríamos por um constrangimento desses, sabia?
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Ter Jan 03, 2017 11:53 pm

A reação de Clementine foi tão surpreendente que, por alguns poucos segundos, Liam novamente pareceu estar sob o efeito da Maldição Cruciatus. O lufano ficou imóvel e sequer piscava enquanto encarava DiLaurentis, totalmente sem reação ao vê-la fazer acusações contra Cristopher Rookwood.

As explicações de Clementine não mudavam o fato de que a resposta dela ao convite para o baile continuava sendo “não”. Contudo, Mellish sentiu um profundo alívio em saber que, daquela vez, a loira não ficaria ao lado do ex-namorado. Durante quase sete anos, Liam viu DiLaurentis dar as costas para todas as atrocidades cometidas por Cristopher, mas agora finalmente a corvinal parecia ter enxergado o quanto o herdeiro legítimo dos Rookwood era desprezível.

Embora não se lembrasse dos detalhes da briga, cada vez mais Mellish tinha certeza de que as atitudes de Cristopher tinham sido imperdoáveis. Dumbledore não era um diretor rígido e inflexível que expulsava jovens de Hogwarts sem motivos concretos. E agora até mesmo DiLaurentis parecia incapaz de defender o comportamento de Rookwood.

Por mais que se esforçasse, o monitor-chefe da Lufa-Lufa só encontrava um grande vácuo quando tentava resgatar as lembranças da briga com o meio-irmão. O esforço chegava até a provocar uma dorzinha bem no meio de sua cabeça, mas nem assim nenhuma daquelas memórias vinha à tona. Mas, fosse o que fosse, tinha sido grave o bastante para mudar o comportamento passivo de Clementine. E aquela nova DiLaurentis decidida parecia ainda mais bela e irresistível aos olhos do lufano.

- Se o problema é o baile, eu posso oferecer outras sugestões.

O orgulho não era uma das características mais fortes dos alunos da Lufa-Lufa, mas ainda assim Liam não teria insistido se não fosse aquela bizarra sensação de que estava tudo errado e que o lugar de Clementine era nos braços dele. Qualquer um que assistisse a cena pensaria que Mellish estava se humilhando para ter uma mísera chance com a menina, mas intimamente Liam sabia que Clementine não queria dispensá-lo com tamanha facilidade.

- Uma cerveja amanteigada no próximo passeio a Hogsmeade. Ou talvez um piquenique no lago. – os olhos castanhos se iluminaram quando uma ideia melhor brotou na mente do rapaz – Um chocolate quente com marshmallows na cozinha de Hogwarts... Nosso Salão Comunal fica praticamente do lado da cozinha, os elfos já estão acostumados com visitas clandestinas dos lufanos.

A ansiedade refletida no semblante de Liam era quase palpável. Ele já teria recuado se notasse que Clementine estava desconfortável com aquela conversa ou que realmente não tinha nenhum interesse em sair com ele. Contudo, apesar dos esforços da loira para se esquivar, os olhos dela denunciavam que Cleo não era tão indiferente quanto queria parecer.

- Eu sei que é complicado. – o lufano adquiriu um semblante mais sério enquanto argumentava – A sua família, os Rookwood... mas eu não estaria insistindo se eu tivesse dúvidas de que pode dar certo, Clementine. Eu só queria uma chance.

Era triste que Liam não se lembrasse de que já havia ganhado a chance que ele tanto queria e que cumprira a promessa de fazer DiLaurentis feliz apesar das dificuldades. O que ele não sabia era que as complicações agora iam muito além da família de Clementine e do passado dela com Cristopher Rookwood.

Num ímpeto de coragem que não combinava com os lufanos, Liam deu um passo para frente e se colocou diante da corvinal. Um arrepio percorreu o braço dele quando Mellish se rendeu à tentação de tocar nos cachos perfeitos que escorriam pelos ombros de Clementine, sentindo a textura macia dos fios loiros.

- Só uma chance, Clem.

O apelido usado por Liam no passado soou com naturalidade, sem que a parte racional da mente do rapaz conseguisse filtrar aquele impulso. Mellish também não estava raciocinando quando pousou as mãos suavemente na cintura fina de Clementine e a puxou para mais perto, unindo os corpos enquanto seus lábios buscavam pelos dela.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Qua Jan 04, 2017 1:13 am

- Bulstrode?

Foi a vez da farta sobrancelha de Landon se erguer lentamente enquanto ele digeria aquela informação. O risinho antes provocado pelas travessuras do pelúcio se transformou em um sorriso de incredulidade. O nariz de Vanderwaal estava ligeiramente enrugado com um nojinho involuntário em imaginar o goleiro vestindo trajes a rigor e guiando Melissa Zummach por uma dança.

- Robbie Bulstrode? – Ele repetiu, ainda com esperança de que tivesse entendido errado. – O Robbie Bulstrode da grifinória?

O monitor não se importava nem mesmo em ouvir uma avalanche de piadas a respeito do seu lento raciocínio. A única coisa que ele desejava era compreender como aquilo havia acontecido.

Melissa não teria motivos para mentir. Ela era autoconfiante o bastante para simplesmente dispensá-lo com meia dúzia de ofensas criativas e rabugentas sem precisar colocar uma terceira pessoa naquela história. Se o nome do goleiro da grifinória estava sendo citado, Robbie realmente havia convidado Zummach para o baile. E havia recebido um “sim” como resposta.

Involuntariamente, Landon reviveu como um filme acelerado em sua cabeça, diversos momentos aleatórios que estivera ao lado de Robbie, tentando descobrir quando ele havia deixado passar qualquer pista que indicasse que o amigo tivesse qualquer interesse em Zummach.

Era verdade que em praticamente todas as vezes em que Shayna alfinetava a desertora da grifinória, Robbie tentava amenizar a situação. Mas Landon sempre acreditou que se tratava apenas de uma postura digna de um grifinório.

- E você disse sim?!

A descrença estava finalmente desaparecendo a cada segundo que a mente de Vandewaal aceitava aquela ideia. Porém, quanto mais real aquilo se tornava, era ainda mais indigesto. A personalidade arredia de Zummach poderia ser uma grande barreira, mas também servia para manter a maioria da competição longe.

A ideia de outro cara tendo a mesma chance que ele, em descobrir que havia muito mais por trás da fachada azeda de Zummach, o incomodava profundamente. Era impossível controlar o ciúme.

Landon sabia que havia errado e que tinha uma grande parcela de culpa sobre o caminho que havia levado os dois até aquele momento. Mas no fundo ainda tinha esperanças de que fosse diferente, de que Melissa ainda pudesse lhe dar uma chance.

Os braços do monitor foram cruzados diante do seu peito e ele observou os calombos na mochila vermelha enquanto Doug se revirava, fazendo uma pequena festa entre as tralhas de sua dona. Quando voltou a erguer os olhos verdes, ele se esforçou para manter um sorrisinho inabalado no rosto, mas era palpável como estava enciumado.

- É sério, Mel? O que foi, você gosta do Robbie, agora? Tem algum ímã com jogadores de Quadribol?

Landon estava nitidamente incomodado com a ideia de Melissa ir ao baile com outro rapaz, principalmente do que poderia acontecer depois de algumas doses de firewhisky. Melissa sabia ser divertida quando queria, e seu humor ácido certamente despertaria ainda mais o interesse de Robbie.

Por mais que não quisesse trair a amizade do goleiro, Landon tentou se convencer de que havia chegado ali primeiro. De que, mesmo sem saber, era Robbie que estava se metendo onde não devia.

- Por que você não poupa a todos nós deste constrangimento, diga ao Robbie que não vai rolar? Podemos passar a noite do baile no campo de Quadribol, se você preferir. Você nem vai precisar usar saltos.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Jan 04, 2017 1:41 am

Clementine já sabia que seria incapaz de recuar no instante em que sentiu o toque de Liam em seus cabelos. Seu corpo inteiro já começava a amolecer e restava apenas aos seus olhos fazerem o trabalho de implorar para que o rapaz não seguisse adiante naquela aproximação.

Era de partir o coração pensar em rejeitar todas aquelas propostas de um recomeço e ficava cada vez mais difícil se lembrar que precisava se manter afastada para o bem de Mellish. Embora o rapaz não tivesse qualquer lembrança dos meses de namoro, já conseguia tornar aquela decisão de DiLaurentis cada vez mais difícil.

Ao escutar o antigo apelido sendo pronunciado pelos lábios do lufano, Clementine foi arrastada para semanas no passado, quando a única preocupação do casal era manter os constantes encontros na torre de Adivinhação em segredo. Racionalmente, ela sabia que era impossível, mas era uma sensação tentadora demais fazer de conta de que realmente estava tudo bem.

O toque dos lábios começou lento, como se estivessem tentando se recordar de como era feito. No instante em que o familiar sabor dos beijos de Liam invadiu sua mente, uma corrente elétrica se espalhou pelo seu corpo e Clementine desistiu de lutar.

Inclinando o corpo para frente, a corvinal ficou nas pontas dos pés para minimizar a diferença de alturas entre ela e o rapaz. Para não perder o equilíbrio, seus braços rodearam o pescoço de Liam, obrigando-o a recuar alguns passos até se chocar contra a estante na outra extremidade. Os livros que Clementine carregava já estavam completamente esquecidos aos seus pés.

Depois de tanto tempo longe de Liam, era como encontrar oxigênio após ter ficado submersa em água ao ponto dos pulmões arderem. Não havia nada melhor do que estar novamente com Mellish e Clementine queria aproveitar cada segundo daquele sonho.

Quando se beijaram pela primeira vez no corujal, Clementine não fazia ideia do que estava fazendo, muito menos do que estava por vir. Liam, por outro lado, havia guardado uma paixão sufocada durante anos e havia usado aquele momento para extravasar.

Naquela tarde, escondidos pelas altas estantes abarrotadas de livros, era Clementine quem colocava naquele beijo toda aquela necessidade sufocada, sem parecer em nada com o primeiro beijo de um casal.

Quando seus pulmões começaram a protestar, ela ainda quis prolongar o beijo, inconformada em ser obrigada a voltar a realidade. Por fim, suas pálpebras tremeram antes de revelar as íris azuis. Os pés voltaram a tocar o chão por completo, reforçando mais uma vez a diferença de estaturas. Como sempre fazia quando um apaixonado beijo chegava ao fim, Clementine roçou a ponta do seu nariz ao de Liam antes de se afastar.

Um pesado silêncio se instalou, onde apenas as respirações ruidosas se faziam ouvir. Clem podia sentir as batidas aceleradas do seu coração ecoando em seus ouvidos, mas os olhos arregalados estavam vasculhando o rosto de Liam atrás de qualquer sinal. A preocupação estava estampada em cada centímetro do rosto de DiLaurentis quando ela tomou consciência do que havia acabado de fazer e no que aquilo poderia implicar.

- Você está se sentindo bem? – O tom de desespero não combinava com o beijo apaixonado que haviam acabado de trocar. – Está sentindo alguma coisa? Qualquer coisa? Posso chamar a enfermeira, se precisar...
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Qua Jan 04, 2017 1:45 am

- Deixe-me ver se eu entendi a sua sugestão, Vanderwaal...

Foi a vez de Melissa cruzar os braços na frente do tronco enquanto encarava o grifinório com frieza. A menina fez questão de repetir a proposta de Landon com palavras mais francas para que o monitor-chefe conseguisse enxergar o quanto estava sendo mesquinho e cruel com o melhor amigo.

- Você está sugerindo que eu procure o seu melhor amigo, depois de ter aceitado o convite dele, para voltar atrás e obrigá-lo a enfrentar novamente a insegurança de convidar outra menina. Em troca disso, eu vou ganhar mais uma noite clandestina e nada glamorosa no campo de quadribol enquanto todos os alunos do castelo se divertem em um grande baile. É isso? Uau. Você se superou nessa, Vanderwaal. Nem a Queen foi uma derrapada tão grande no seu caráter quanto essa ideia.

Embora Robbie não tivesse contado ao melhor amigo sobre o seu interesse em Zummach, era óbvio que o goleiro da Grifinória não havia feito aquele convite por acaso. O baile se tornara notícia no castelo há menos de vinte e quatro horas, então muito provavelmente Melissa fora uma das primeiras opções da lista do rapaz.

Além disso, Zummach não era o tipo de garota que ficava histérica com a proximidade de um baile. Contudo, embora não estivesse tão empolgada quanto Lorelai e Sara, a novata sentia-se ofendida com a sugestão de que ela se encaixaria melhor num campo de quadribol, sem os saltos e vestidos delicados que as garotas “normais” desfilariam pelo salão.

- Eu quero ir ao baile e o Bulstrode será uma excelente companhia. Ele não é muito esperto, mas digamos que eu já estou acostumada com a lentidão dos grifinórios. Ele é educado, divertido e se teve coragem de me convidar é porque realmente quer a minha presença. Eu nem deveria perder o meu tempo te falando das qualidades do seu melhor amigo, mas você parece ter sido contagiado pela amnésia do Liam. Você ainda lembra que o Robbie é seu amigo, não é?

A cabecinha de Doug saltou para fora da mochila, o que obrigou Zummach a empurrá-lo de volta com o indicador. Uma nova moeda foi jogada dentro da mochila vermelha em uma tentativa de conter os instintos do pelúcio e a movimentação que se seguiu indicava que a criaturinha estava vasculhando loucamente os pertences da dona em busca daquele novo prêmio.

Quando se voltou novamente para Landon, Melissa estava mais séria. Não havia ironia e nem provocação, ela apenas tomou a palavra com sinceridade para colocar um fim naquela conversa sem sentido.

- Por um breve momento, eu tive medo de ter sido movida só por vingança quando aceitei o convite dele. Mas você acabou de me dar uma lista de motivos para levar a sério este encontro com o Bulstrode. Não é justo que eu o magoe, ele já tem um péssimo melhor amigo.

Por mais que quisesse manter uma máscara de frieza e indiferença, Zummach sentiu-se tão sufocada que as palavras simplesmente saltaram para fora dos seus lábios.

- Eu não gosto dele como gostava de você, mas a verdade é que eu mal o conheço. O baile pode ser a oportunidade que eu preciso para deixar você no passado, Vanderwaal, então não tente me tirar esta chance. Você estragou tudo e eu tenho o direito de tentar reescrever uma história mais legal com outro cara.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Qua Jan 04, 2017 10:23 pm

O contato com os lábios de Clementine era estranhamente familiar. Também era surpreendente a maneira como os dois alcançaram rapidamente uma sintonia, como se já soubessem exatamente em qual ritmo deveriam conduzir a carícia e qual seria o próximo movimento. Na mente de Liam, aquele era o primeiro e tão esperado beijo com DiLaurentis, mas seu corpo reagiu como se a carícia fosse uma velha conhecida.

Com o coração acelerado, Mellish retribuiu ao beijo com o mesmo desespero ditado por Clementine. Era bizarro sentir falta de algo que teoricamente nunca acontecera, mas o lufano não tinha mais dúvidas de que havia uma boa dose de saudade misturada à paixão que movia aquele momento.

As mãos dele se encaixaram com perfeição nas curvas da cintura da loira e alguns dedos subiram delicadamente pelo tronco dela até alcançar a nuca por baixo dos fios claros. Alguns livros da estante estremeceram quando as costas de Liam se chocaram contra as prateleiras, mas por sorte ninguém estava próximo o bastante para notar alguma coisa errada na movimentação do corredor.

Mesmo sem se lembrar do primeiro beijo no corujal, Mellish repetiu exatamente a mesma cena. Assim que Clementine afastou os lábios em busca de fôlego, o lufano deslizou a pontinha do nariz pelo pescoço dela e absorveu o perfume delicado antes de fazer uma tentadora trilha de beijos na pele macia.

O semblante sonhador do lufano o deixava mais aéreo que o normal, mas obviamente ele não retornara ao estado vegetativo de semanas atrás. A prova disso veio quando os olhos castanhos se fixaram no rosto bonito de Clementine e os lábios inchados pelo beijo se curvaram no velho sorrisinho torto tão característico do monitor-chefe da Lufa-Lufa.

- Por Merlim, por que você chamaria a enfermeira??? Nós não fomos exatamente delicados, eu sei, mas isso já é um pouco demais.

A entonação leve e divertida mostrava que Liam estava bem. Certamente o sorriso do lufano não seria tão amplo e sincero se as lembranças da tortura tivessem sido resgatadas em sua mente. Ao invés de atormentado com as memórias da Cruciatus, Mellish parecia completamente apaixonado quando deslizou os dedos pelo rosto de Clementine até segurar com delicadeza o queixo dela entre seu indicador e o polegar.

A preocupação refletida nos olhos claros da menina foi interpretada por Liam apenas como um cuidado exagerado com alguém que acabara de sair de uma internação hospitalar complicada. E, definitivamente, Mellish sentia-se bem o bastante para que aquela preocupação parecesse uma grande bobagem aos olhos dele.

- Eu estou bem, Clementine. Você acha mesmo que o velho Dumbie me deixaria voltar para o castelo se eu não estivesse recuperado?

O lufano usou uma entonação firme e suave para tentar mudar o tom desesperado e o olhar aflito de DiLaurentis. Um novo beijo foi depositado nos lábios de Clementine antes que Liam completasse aquela declaração, cada vez mais parecido com o namorado que se despedira de Clem na torre de Adivinhação antes do início daquele pesadelo.

- Eu estou ótimo. Ainda melhor agora.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Qua Jan 04, 2017 11:50 pm

Landon esperava por uma risada ácida, uma chuva de xingamentos ou até mesmo uma expressão vitoriosa de quem saboreava o mais delicioso prato de vingança. A reação de Melissa, entretanto, foi recebida como um soco em seu estômago.

Robbie não merecia aquilo, mas era impossível para o monitor-chefe se controlar diante do desejo de que Zummach estivesse mesmo indo ao baile apenas por vingança. Até mesmo o tédio era uma opção mais aceitável do que aquela verdade que o incomodava profundamente.

Por tanto tempo, Melissa fez questão de se manter afastada de tudo e de todos. Landon havia ultrapassado as barreiras criadas pela menina e teve a oportunidade de conhece-la de verdade. Por saber exatamente o tipo de pessoa que a filha deserdada dos Zummach era, ele não teve dúvidas de que, até o final daquele baile, Robbie também estaria aos seus pés.

Melissa era aparentemente grosseira, independente e indiferente a tudo a sua volta. Mas bastava conhece-la de verdade para saber que aquilo era uma camada superficial e quase insignificante. Quando se revelava de verdade, Mel era engraçada, divertida com seus comentários ácidos e suas respostas atravessadas. Embora não fosse pegajosa, sabia ser carinhosa e a paixão por Quadribol a tornava ainda mais atraente aos olhos de um grande fã do esporte.

Não era justo pedir que Robbie não tivesse a sua chance. Landon já havia arruinado tudo, e por mais que estivesse desesperado por uma segunda chance, ele desejava ainda mais que a menina pudesse ser feliz. E se Melissa estava disposta a deixar de lado a sua barreira com todo o castelo, mesmo que fosse Robbie seu pontapé inicial, Vanderwaal não tinha o direito de impedir.

- Você está certa.

O orgulho grifinório, uma das características mais marcantes dos alunos de Godric, foi repentinamente deixado de lado quando Landon deixou de sorrir e a derrota foi refletida em seu rosto.

Ele espremeu os lábios para impedir que as palavras saíssem atropeladas, se aproveitando daquela pausa para digerir o que estava fazendo, mesmo com o gosto amargo em sua boca.

Os ombros de Vanderwaal foram erguidos e ele enfiou as mãos nos bolsos, sentindo os dedos roçarem no anel que havia sido furtado por Doug.

- Eu não devia ter dito isso. Só queria mais uma chance, Melissa. – Assim como ela, Landon tentou seguir a estratégia de desabafar o que estava lhe sufocando. – Nunca foi fácil entre nós dois, mas eu já devia saber disso antes de fazer as escolhas erradas. Achei que conhecesse você melhor, mas continuava sempre me surpreendendo ou me decepcionando.

Landon deu um passo para cima, subindo um degrau em direção ao primeiro andar. O rapaz já era naturalmente mais alto que Zummach, e aquela diferença o obrigava a baixar o pescoço para continuar encarando os olhos azuis.

- Espero que o Robbie tenha mais sorte. Pela felicidade de vocês dois.

Com um menear de cabeça, Landon se despediu, colocando um fim na cena patética que havia acabado de protagonizar e aumentando ainda mais a distância que vinha se formando entre ele e Zummach.

- Um bom baile para vocês.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qui Jan 05, 2017 12:17 am

Era um alívio ver que os olhos castanhos continuavam demonstração emoção, reagindo a tudo que acontecia a sua volta, tão diferente da aparência desfocada de quando Mellish estava em um estado vegetativo.

O beijo havia sido intenso e transportado Clementine de volta para as lembranças dos dias mais felizes com Liam, mas obviamente não havia tido o mesmo efeito no monitor. As lembranças dele pareciam ainda ausentes e Liam não demonstrava se lembrar de que aquele não era a primeira vez que assumiam seus sentimentos. Ele ainda estava bem.

Provavelmente era aquilo que Dumbledore queria dizer sobre reescrever uma história juntos. Os dois haviam se beijado e nem mesmo aquele gesto foi capaz de afetar Mellish e bagunçar com os feitiços de memória dos curandeiros do St. Mungus. Mas aquilo não significava que sempre seria lindo e seguro daquela forma.

Havia sido um deslize. Um grande erro impulsionado pela saudade que sentia de Liam. Mas aos poucos a sanidade voltava a cair sobre Clementine e ela admitia que havia contado com a sorte. Não se atreveria a cometer aquele descuido novamente.

Os olhos azuis deslizaram do rosto do monitor até pousar na gravata amarela que ele vestia, com o pretexto de não o encarar diretamente. Ela sabia que Mellish seria capaz de ler em suas íris a verdade, e estava longe de ser uma boa mentirosa.

Já sem exibir a mesma adrenalina que antes, com os pés perfeitamente pousados no chão, DiLaurentis ergueu sua mão, apoiou os dedos sobre o ombro de Mellish e o empurrou com delicadeza. Ela não era forte o bastante para afastá-lo, mas era um gesto discreto de quem encerrava aquela intimidade.

- Bom. Quero dizer, que bom que você está se sentindo bem.

Ainda com a mão apoiada no ombro de Liam, Clementine mordeu o lábio inferior enquanto, ao tentar escapar do olhar dele, se fixou na covinha provocada em uma de suas bochechas. Quando Liam sorria ou falava apressado demais, ou até mesmo quando tencionava a mandíbula ao se concentrar em um livro, a covinha aparecia, e era uma das coisas que ela mais admirava na bonita aparência do namorado.

Em um novo descuido mais rápido do que ela achou que poderia acontecer, seus dedos tocaram o discreto furinho, puxando a mão em seguida, como se tivesse levado um choque.

- Isso já foi longe demais, Mellish. Eu sinto muito se não fui clara antes. – Em nenhum momento, Clementine tinha coragem de encará-lo, mas se aproveitou para recuar um passo antes que caísse na tentação de tocá-lo outra vez. – Eu não vou ao baile, mas também não estou interessada em sair com você. Sem cerveja amanteigada, piquenique ou chocolate quente. Você deveria chamar uma garota que realmente queira uma chance com você. Eu não sou uma delas. Sinto muito.

Sem se importar com os livros caídos no chão da biblioteca, Clementine apressou seus passos até a mesa que ocupava antes. Seus papéis, penas e tinteiros foram jogados para dentro da bolsa e, ainda sem abotoar os fechos, ela deslizou a alça de couro em um dos ombros, saindo apressadamente para longe de Liam.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Qui Jan 05, 2017 12:46 am

- Uau.

A exclamação de Sara ecoou pelo dormitório quando Melissa finalmente calçou os sapatos e finalizou o seu visual para o baile. As três garotas que se arrumavam para a grande festa daquela noite estavam impecáveis, mas a aparência de Zummach causava mais impacto justamente porque a morena não costumava ser tão vaidosa quanto Sara ou Lorelai. Melissa estava sempre com o uniforme amarrotado, com os cabelos presos de qualquer jeito e nunca havia circulado pelo castelo com maquiagem antes daquela noite.

Por isso, ela parecia outra garota usando um delicado vestido champagne e sapatos de salto alto com a mesma tonalidade. O vestido era mais justo no tronco e a saia rodada se abria na altura da cintura, exibindo listras pretas cuidadosamente bordadas com um tecido rendado. Os cabelos da novata tinham sido demoradamente escovados por Lorelai e perderam as tradicionais ondas, exibindo fios mais lisos e comportados. A maquiagem era leve e se limitava a uma sombra discreta nas pálpebras e a uma coloração rosada nos lábios salientes. Melissa havia desistido da ideia de usar uma pulseira depois de sucessivos “ataques” do pelúcio e se dera por satisfeita com um par de brincos de brilhantes que seus cabelos escondiam dos olhinhos atentos de Doug.

- Eu me sinto meio ridícula. Parece que estou fantasiada.

- Você está linda, Mel! – Lorelai reforçou a exclamação da amiga antes de dar um giro, exibindo o lindo vestido verde escolhido para aquela noite – Nós três estamos. Espero que os meninos não decepcionem com trajes de gala velhos.

No fim das contas, Sara e Lorelai tinham sido recompensadas pela ansiedade e receberam excelentes convites para aquela noite. Victorio Agostini seguiu a insinuação de Zummach e convidou Lorelai para acompanhá-lo depois do pequeno incidente constrangedor com o pelúcio. Sara também ficou totalmente satisfeita em receber uma proposta de um sextanista da Sonserina.

Embora as garotas estivessem extremamente animadas pelas horas que estavam por vir, Melissa não conseguia se sentir tão plenamente feliz porque deixaria Clementine para trás. Zummach compreendia o quanto era difícil para DiLaurentis se animar com um baile no qual ela não poderia estar ao lado de Liam. Por outro lado, era terrível pensar que Cleo ficaria sozinha no dormitório enquanto todos se divertiam no Salão Principal.

- Cleo... você deveria ir.

A sugestão soou depois que Sara e Lorelai saíram do dormitório de braços dados e soltando risinhos histéricos. Melissa se aproveitou daquela rara privacidade para sentar-se na beira da cama da melhor amiga para uma conversa franca.

- Eu não concordo com você. Já falamos sobre isso...

Assim como Dumbledore, Melissa pertencia ao time que torcia para que Mellish e Clementine reconstruíssem uma nova história. Parecia uma grande crueldade poupar os dois daquela felicidade e Zummach tinha certeza de que Liam optaria por correr aquele risco se tivesse alguma escolha naquela complicada situação. Era muito injusto que, no fim das contas, Cristopher tivesse obtido sucesso em separar o casal.

- Mas tudo bem, a escolha é sua e eu não vou te importunar mais com a minha opinião. Mas você só vai piorar as coisas se continuar se isolando. O baile é o maior evento de Hogwarts nos últimos tempos, todos estarão lá. Vai ter comida, música, dança... será o assunto do castelo por meses e meses. Se você realmente está decidida a esquecer o Liam e reconstruir a vida sem ele, não faz o menor sentido fugir desta oportunidade.

A falta de uma companhia para o baile poderia ser um problema para uma garota mais insegura, mas Melissa sabia que aquele era o menor dos problemas de Clementine. A loira era bonita e interessante o bastante para não precisar ficar sozinha naquela noite e certamente encontraria uma fila de candidatos caso demonstrasse interesse em dançar.

- Eu preciso ir, combinei de encontrar o Bulstrode no saguão. Mas pensa bem nisso, Cleo. Você só precisa colocar um dos seus vestidos lindos, passar uma escova nos cabelos e pronto, já será a menina mais linda do baile. Você merece se divertir e, se quer mesmo superar o Liam, esta é a sua chance.

A brincadeira de Zummach sobre os vestidos fazia ainda mais sentido porque a peça que ela própria usava pertencia à Clementine. Quando Sara e Lorelai perceberam que o item mais feminino do armário de Melissa era um pijama cheio de babadinhos, DiLaurentis foi escalada para ajudar a melhor amiga a não passar vergonha no baile.

- Espero encontrar você lá embaixo. Estarei perto da mesa de doces, independente da hora em que você aparecer.

Melissa piscou um dos olhos para a melhor amiga antes de seguir caminho para fora do Salão Comunal da Corvinal. Os corredores vazios e a música distante indicavam que Zummach já estava ligeiramente atrasada, por isso a menina acelerou os passos, amaldiçoando os saltos altos a cada vez que seus dedos reclamavam do peso sustentado por eles.

O queixo de Melissa caiu em admiração antes mesmo que ela chegasse ao Salão Principal. Enquanto a garota descia a escadaria que dava acesso ao saguão, os olhos azuis deslizaram pela decoração. O chão de mármore estava impecavelmente limpo e refletia as luzes coloridas que vinham do salão. Plantas e árvores floridas formavam um caminho perfumado até a porta principal, de onde vinha uma música animada que denunciava que o baile já havia começado.

Como estava atrasada, Zummach imaginou que já encontraria Robbie Bulstrode ansioso no saguão, mas o rosto do grifinório não estava presente em meio às cabeças que se viraram para encarar a novata.


Os poucos alunos que ainda esperavam para entrarem na festa não esconderam a surpresa ao reconhecer naquela menina os traços de Melissa, mas a garota ignorou aquele assombro e caminhou até Mia Blake, que estava parada junto à porta, provavelmente esperando pela sua companhia para aquela noite.

- Hey, Blake.

- Oi... Zummach? – Mia arqueou as sobrancelhas – Você está tão diferente!

- É, eu sei. Achei que fosse uma festa à fantasia e vim vestida de Cleo. – Melissa revirou os olhos de um jeito divertido – Você viu o Bulstrode por aí? Combinei de encontrar com ele aqui e me atrasei. Será que ele entrou sem mim?
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Sex Jan 06, 2017 12:04 am

Assim como Landon mencionara, Liam logo descobriu que um monitor-chefe não tinha a opção de faltar ao baile de Hogwarts. Os monitores não teriam nenhuma obrigação durante a festa e poderiam se divertir como qualquer outro aluno, mas os professores deixaram muito claro que eles deveriam estar disponíveis para ajudar caso algum imprevisto acontecesse durante o baile.

Para Mellish, era ainda mais complicado pensar em faltar à festa já que, indiretamente, ele era um dos motivos da comemoração. Dumbledore jamais organizaria um grande baile se um dos seus alunos estivesse internado no St. Mungus. O retorno de Liam ao castelo havia sido o gatilho que resultara na festa que agora movimentava todos os alunos e professores, então seria uma grande indelicadeza não comparecer para prestigiar o evento e os amigos que estavam tão felizes pela recuperação do lufano.

Embora fosse um dos motivos da festa, Mellish não parecia nada entusiasmado com o evento. Depois do desastroso encontro com Clementine DiLaurentis na biblioteca, Liam sentia-se arrasado. Já seria horrível ganhar um “não” da loira, mas aquela recusa no fundo já era esperada por Mellish. O que ele não imaginava era que seria arremessado para fora da vida de Clementine depois de experimentar um beijo apaixonado.

Nos dias que se seguiram ao encontro da biblioteca, Liam tentou reviver a cena do beijo várias e várias vezes em busca de qualquer teoria que se explicasse aquela contradição. Mas em sua memória havia apenas o comportamento de uma menina apaixonada que se derreteu nos braços dele e retribuiu ao beijo de forma ardente antes de estragar o clima dizendo que não queria uma chance com o lufano.

Apesar de nutrir aquela paixão platônica por DiLaurentis há anos, Liam não se sentia satisfeito por ter experimentado o sabor suave dos lábios dela. Ter tido Clementine em seus braços para em seguida perdê-la era ainda mais frustrante do que viver apenas de ilusão.

Como faltar ao baile não era uma opção e aparecer desacompanhado seria humilhante – ainda mais porque Mellish seria o centro das atenções da festa – o lufano se viu obrigado a fazer um novo convite. Depois dos “nãos” de Mia e de Clementine, Liam definitivamente não estava seguro quando elegeu a sua terceira candidata entre as muitas garotas desesperadas por um parceiro.

Para imenso alívio do monitor-chefe da Lufa-Lufa, a sua terceira opção sequer hesitou antes do “sim”. Mellish abordou Aurora Owens quando os caminhos dos dois se cruzaram por uma das tantas escadas móveis de Hogwarts e teve coragem de fazer o convite, que foi prontamente aceito pela quintanista da Grifinória.

Embora não tivesse a beleza clássica de Clementine, Aurora também possuía os seus atrativos. A grifinória era uma menina gordinha, meio esquisita e desengonçada quando pisou em Hogwarts pela primeira vez, mas o passar dos anos foi generoso com Owens. Agora aos quinze anos, Aurora era bem mais alta que DiLaurentis e tinha um corpo com as curvas nos lugares certos. Os cabelos lisos tinham um incomum tom de castanho-avermelhado e alcançavam a cintura da garota. Antes as sardas eram um motivo de gozação dos colegas, mas agora pareciam contribuir para o charme da ruiva.

Como Liam nunca pertenceu ao grupinho de meninos que gostavam de zombar da aparência da pequena Aurora, agora o lufano era um dos poucos felizardos que poderiam convidá-la para o baile sem nenhum constrangimento. O “sim” imediato de Owens era a prova de que a grifinória valorizava a companhia de Mellish e não pretendia esperar por um convite melhor. Aquela era uma honra que Liam não podia esperar de Clementine depois do fora direto que ele recebera da corvinal na biblioteca.

- Você está muito elegante.

O elogio de Aurora soou de forma tímida enquanto ela andava de braços dados com Liam a caminho do Salão Principal. Mellish de fato estava impecável naquela noite com um sóbrio traje de gala preto. A calça escura tinha um caimento perfeito e o terno estava liso, sem nenhuma dobra. A camisa interna era branca e o visual era completado por uma gravata borboleta. Os cabelos do lufano estavam bem penteados e uma camada de gel fora usada para moldar os fios castanhos em um discreto topete.


- E você está muito bonita.

Embora não estivesse nada empolgado com o baile, o elogio de Mellish foi sincero. Owens realmente estava bonita com um vestido cor de vinho que realçava suas curvas. Os cabelos tinham sido presos em um coque alto, do qual saíam algumas mechas. A maquiagem não era tão discreta, mas Aurora havia tido bom gosto na escolha dos tons que combinavam com sua pele pálida.

- Chegamos. – a grifinória não conseguia disfarçar a expectativa quando deu os primeiros passos no salão – Obrigada por me convidar, Liam. Eu realmente não sei quais eram os seus planos e não quero que se sinta pressionado a nada, está bem? Viemos para nos divertir.

- Eu digo o mesmo a você. – Mellish abriu um sorriso mais tranquilo ao ver que sua acompanhante não havia planejado todos os detalhes de uma noite romântica – Vamos nos divertir, sem pressão e sem obrigações.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Jan 07, 2017 1:40 am

- Wooow... Isso é de verdade?

A mão de Robbie ergueu no ar e se esticou em direção ao topo da cabeça de Landon, mas antes que seus dedos pegajosos alcançassem qualquer um dos fios castanhos, o monitor ergueu seu braço e bloqueou o movimento.

A risada do goleiro da Grifinória ecoou pelo dormitório quase vazio, já que a maioria dos colegas setimanistas já haviam descido para o baile. Sem uma nova tentativa de tocar nos fios úmidos do amigo, Robbie se afastou alguns passos até parar diante de um espelho próximo da janela.

- Não precisa ficar bravo, Landie... Nem se o Salgueiro Lutador te acertasse, conseguiria remover um único fio desse seu penteado. Tem certeza que usou só gel? Com um efeito desses, poderia jurar que você roubou um pouco de gosma de mandrágora da Professora Sprout.

Era apenas a voz de Robbie que ecoava pelo dormitório, já que Landon permanecia com um bico em seus lábios, sem pronunciar uma única palavra enquanto tentava duelar contra o nó de sua gravata borboleta.

A expressão do monitor poderia ser facilmente confundida com uma excessiva concentração naquele nó bastante complexo para um adolescente, mas Robbie o conhecia há sete anos e sabia que aquele silêncio não fazia parte da personalidade sempre simpática de Vanderwaal.

Exatamente por conhecer o amigo, Robbie também sabia que não adiantaria provoca-lo para explicar o que havia de errado. Landon vinha passando por maus bocados nas últimas semanas. A recuperação da saúde do primo era um grande milagre, mas não fazia desaparecer todo o drama vivido pelos Vanderwaal. Além do mais, embora nunca tivesse tocado no assunto “Felicity Queen”, Robbie imaginava que o amigo estava chateado pelo romance que não havia ido para frente.

- Você tá legal? – A pergunta foi feita com Robbie ainda de frente para o espelho, encarando o reflexo do amigo. – Eu estava brincando, o seu cabelo está ótimo.

Landon estava sentado na beirada da própria cama e não fazia esforço para retribuir o olhar do amigo. As cores da grifinória haviam sido trocadas para os dois rapazes, que exibiam belíssimos trajes de gala. Os sapatos brilhavam com perfeição, a calça social preta estava devidamente alinhada. A diferença entre Robbie e Landon estava principalmente na cor das camisas.

Enquanto o goleiro exibia uma camisa vermelha, ainda representando Godric Gryffindor, Landon trazia uma camisa inteiramente branca por baixo do paletó liso. Os primeiros botões ainda estavam abertos enquanto ele lutava com a gravata borboleta.

Naquela noite, os comentários de Robbie foram motivados a respeito da maior diferença do monitor-chefe. Landon, que sempre exibia os cabelos castanhos apontando para todas as direções, se transformara com o penteado impecável, onde nenhum fio se atrevia a desalinhar.

Mesmo sem o distintivo de monitor, Vanderwaal ainda trazia um ar responsável e maduro graças a sua aparência mais arrumada naquela noite. Muito além da sua aparência rotineira, que já chamava a atenção do público feminino, Landon estava absurdamente atraente e seria facilmente um dos rapazes mais bonitos daquele baile.

Assim como nada daquilo havia importado ao longo dos sete anos em Hogwarts, seria mais um detalhe facilmente ignorado por Vanderwaal. Não havia nenhum interesse em despertar os olhares das meninas, quando a única que ocupava seu pensamento já estaria em outros braços.

- Eu não queria ir. A música vai estar alta, as meninas vão estar doidas para dançar e tenho certeza que algum sextanista vai aprontar alguma coisa que vai me ocupar o resto da noite. Prefiro continuar nos meus pijamas e defasando o meu estoque de doces.

- Vai ter doces na festa. – Robbie se virou, exibindo sua longa gravata preta com um perfeito nó que só irritou Landon ainda mais. – Qual é, Landie... Você está agindo como uma menininha na TPM que acabou de levar um fora do namorado.

O sorriso pairou nos lábios de Robbie por um instante ao perceber a sombra que passou no olhar do amigo. Ele finalmente compreendeu o motivo para o péssimo humor do amigo nos últimos dias.

Aquilo nunca havia acontecido antes. Vanderwaal era extremamente popular, mas nunca havia se envolvido tanto com alguém ao ponto de parecer sinceramente devastado. Além do mais, Landon era sempre divertido e estava rodeado de amigos. Aquela exclusão não combinava em nada com o cara que ele conhecia.

Os sapatos novos de Robbie não fizeram ruído algum enquanto ele caminhava pelo dormitório. Landon podia sentir que ele se aproximava, mas a certeza só veio quando o colchão ao lado rangeu com o peso do goleiro ao se sentar.

- É isso? Você levou um fora?

A batalha contra a gravata foi finalmente perdida quando os dedos de Landon deslizaram, puxando o tecido até que seu punho estivesse apoiado sobre o joelho. Os olhos verdes ainda estavam presos na peça que ele não queria mais usar naquela noite enquanto refletia sobre a pergunta de Robbie.

- Ela não aceitou seu convite para o baile? – Robbie arriscou, sem fazer ideia do quanto estava certo. – Acontece com todos, cara... Ainda assim, vai estar cheio de mulheres lá em baixo. E se nenhuma te agradar, de novo, ainda vão ter os doces...

Embora não estivesse olhando para o amigo, Landon sabia que ele estava tentando sorrir. Aquela era uma situação inédita na amizade dos dois e nenhum deles sabia como agir. Por isso, Vanderwaal se surpreendeu quando as palavras simplesmente saltaram da sua boca.

- Eu não me importo com nenhuma dessas menininhas de Hogwarts. São todas iguais. – Ele soltou um suspiro frustrado e deixou a gravata cair ao lado da sua perna.

Para Landon, aquela confissão apenas enfatizava como Melissa era diferente de todas as outras. Nenhuma outra menina do castelo chegaria aos pés da personalidade forte de Zummach. Se ele tivera dificuldades para enxergar qualquer uma potencial namorada dentro de Hogwarts, depois de conhecer Melissa, todas elas passaram a ser ainda mais sem graça.

- Um garoto, então? – Robbie voltou arriscar, e Landon poderia jurar que, mesmo em meio ao tom de brincadeira, havia alguma curiosidade em suas palavras.

Pela primeira vez, o monitor finalmente deixou seus lábios se curvarem em um sorriso e ele se virou para encarar o amigo, negando com um movimento da cabeça.

- Ainda não chegou seu dia de sorte, seu pervertido.

Nitidamente mais relaxado, Robbie meneou a cabeça, exibindo um largo sorriso de vitória por ter conseguido arrancar qualquer coisa de Landon. Se aproveitando daquele momento, ele se esticou e deu um tapinha no ombro do rapaz a sua frente.

- O que é então? Você pode me contar, Landon. Talvez a gente consiga resolver juntos. – Uma das sobrancelhas de Robbie foi erguida quando ele acrescentou. – E eu digo isso da forma mais heterossexual possível.

Apesar das brincadeiras de Robbie, a expressão de Landon permaneceu carregada, o olhar sério quando se fixou nas íris castanhas do amigo. As palavras estavam entaladas em sua garganta e ele prometeu a si mesmo que não falaria nada. Porém, por mais que não fosse justo se meter na segunda chance de Melissa e Robbie, Landon também não achava justo que o amigo mergulhasse de cabeça naquela história sem saber toda a verdade.

- Eu gosto de uma garota. Tipo, gosto mesmo, Robbie. Como nunca gostei de nenhuma outra.

- Ufa! – Robbie fingiu um alívio forçado. – Com esse papo de não curtir as meninas de Hogwarts e não gostar de garotos, estava começando a me preocupar com o Hagrid. Ele é diferente o bastante para você?

Robbie sustentou um sorrisinho provocativo, mas se arrependeu ao perceber que o amigo estava mesmo falando sério e que aquele era um assunto delicado. Com um pigarro, o goleiro coçou a própria nuca e se ajeitou na beirada da cama para reassumir a conversa, sem brincadeiras.

- Tá legal, eu já entendi. E eu nunca vi você assim antes, Landie... Mas é uma grande surpresa que alguma garota neste castelo tenha te dado um fora. Eu juro que já contei uma por uma, todas viram a cabeça pra te ver quando você está passando. É meio deprimente...

- Ela não me deu um fora. – Landon tentou explicar. – Pelo menos não de primeira. Quer dizer, ela me deu um fora de primeira...

Ele se lembrou da briga no campo de Quadribol após o primeiro beijo e quase se permitiu sorrir, mas a simples lembrança de que não seria o acompanhante de Melissa naquela noite era suficiente para que seus lábios se comportassem.

- Mas nós nos entendemos depois... Por um tempo, estava tudo ótimo. E então foi uma avalanche de cagadas. Minhas e dela. Mais minhas, na verdade. E eu estraguei tudo.

Uma ruguinha havia surgido entre as sobrancelhas de Robbie diante daquela história. Ele estava nitidamente surpreso com a ideia do melhor amigo ter tido algum tipo de relacionamento sem que ele sequer desconfiasse.

- E agora ela não quer me ver nem pintado de ouro.

- É a Felicity? – Robbie arriscou, claramente curioso.

Com um movimento da cabeça, Landon negou. Ele se colocou de pé e caminhou pelo dormitório vazio até parar diante da janela. O vento fresco entrava e se chocava contra a sua pele. A lua brilhava reinando no céu limpo e iluminando boa parte dos jardins desertos.

- Não. A Felicity foi quando eu estraguei tudo. – Os olhos verdes continuaram focados na paisagem dos jardins de Hogwarts quando Landon continuou, de costas para o amigo. – Mas não interessa... Ela está com outro cara agora. Ou pelo menos quer estar. E ele é um cara ótimo. Se as coisas derem certo, tenho certeza de que os dois vão ser muito felizes.

Um longo silêncio se instalou pelo dormitório e, por estar de costas, Landon não notou como Robbie havia ficado repentinamente sério. Ainda sentado na beirada da cama, o goleiro baixou o olhar por longos segundos. Cada um dos rapazes estava preso em seus respectivos pensamentos, que só forma interrompidos quando a voz rouca de Robbie finalmente ecoou.

- Eu não fazia ideia sobre você e a Melissa.

A surpresa de Vanderwaal foi tão grande que ele se virou imediatamente para encarar o amigo, tentando rever suas palavras para saber em que momento havia cometido o deslize de citar o nome de Zummach.

Erguendo um dos ombros com simplicidade, Robbie respondeu a confusão do amigo com mais uma tentativa de brincadeira, mas nitidamente sem a mesma animação de antes.

- Você não curte as garotas de Hogwarts. Não gosta de garotos. E se o Hagrid está descartado, a Melissa é a única diferente o bastante para se encaixar nesse perfil.

Landon esperava que Robbie fosse surtar. Talvez até lhe ameaçar com a varinha. A amizade dos dois estaria certamente prejudicada depois daquela conversa. Mas para surpresa de Vanderwaal, o outro rapaz se mostrou muito mais nobre do que sua atitude mesquinha ao tentar convencer Melissa de rejeitar o convite para o baile.

- Se você realmente gosta dela, eu não vou me meter nessa confusão. Você deveria ir com ela ao baile.

A cabeça do monitor sacudiu imediatamente, mas nem assim os fios de sua cabeça desmancharam o penteado. Os olhos verdes já demonstravam um certo desespero, com medo de ter arruinado a amizade com Robbie. Landon voltou a se aproximar das camas, os braços erguidos como se assim pudesse evitar algum tipo de ataque surpresa.

- Eu não vou ao baile com ela, Robbie! Está louco? Eu a chamei. Você a chamou. Ela já deixou bem claro quem quer como companhia para hoje à noite. O que você está sugerindo é completamente sem sentido!

- Eu não vou ao baile com a garota do meu amigo!

- Ela não é minha garota! – Landon se defendeu, os olhos arregalados. – Por Merlin, Robbie! Eu não estou querendo me meter entre vocês dois!

- Eu sei que não. – Robbie permaneceu sentado na beirada da cama. – Sou eu que estou me metendo.

A cabeça de Landon voltou a sacudir em negação, o coração já acelerado diante daquela conversa absurda.

- Não existe mais no que se meter. A Melissa já deixou claro que não quer mais nada comigo. E vocês... bom, pode sair alguma coisa legal depois de hoje a noite!

Aquela simples ideia vinha atormentando Vanderwaal por dias. Dizer em voz alta só tornava aquilo mais real.

- A Melissa não é mais uma das garotas de Hogwarts, Landon. Mas ela ainda é uma garota. – Robbie ponderou, encarando o amigo como se fosse um professor experiente ensinando algo de sua especialidade para um iniciante. – Ela não querer ir ao baile com você não significa que superou tudo o que aconteceu. Garotas nem sempre são muito diretas no que dizem.

Landon se lembrou da forma simples e franca com que Zummach havia dito que ainda sentia algo por ele. Seu estômago se revirou em empolgação por saber que, mesmo sendo Robbie a leva-la ao baile naquela noite, ainda era ele quem a conhecia mais.

- Já que as garotas não são tão diretas, eu vou ser. – Robbie se colocou de pé e ajeitou as vestes, mas mais uma vez, não havia nenhum sinal de varinha para iniciar um duelo. – Eu já acharia ruim ir ao baile com qualquer garota que ainda não tivesse superado outro cara. Esse cara sendo o meu melhor amigo, definitivamente estou fora.

- Robbie... – Landon começou, mas foi interrompido pelo amigo.

- Não é justo com a Melissa, ela vai estar se enganando. Não é justo com você, que vai estar vendo a sua garota com outro cara. E não é justo comigo servir como uma vassoura reserva.

Vanderwaal permaneceu calado, surpreso diante da sinceridade do amigo. Se aproveitando daquele silêncio, Robbie concluiu.

- Pense que não é uma atitude tão nobre assim. Eu só estou fugindo de uma puta de uma situação complicada. – Robbie abriu um sorrisinho torto e inclinou a cabeça na direção da porta. – Vai logo, você tem que acompanhar a garota mais furiosa de Hogwarts ao baile.

Os sapatos sociais de Robbie foram retirados sem que ele precisasse se abaixar, mostrando que ele estava convicto com a sua escolha. O colchão voltou a afundar quando o rapaz se jogou, deitado ainda com as roupas de gala.

- Só não prometo que o seu estoque de doces esteja inteiro até o final da noite. Eu preciso te ferrar de alguma forma, Vanderwaal.

***

O saguão que antecedia o salão principal estava muito mais movimentado que o normal. A decoração já indicava que era uma noite diferente de todas as outras e as pessoas que desfilavam com suas roupas tão distintas dos uniformes era a cereja do bolo.

Landon parou no topo da escada, ainda sentindo o coração acelerado com o que estava fazendo. Claro que estava contando demais com a sorte. Não ter sido atacado por Robbie não significava que não seria estuporado por Melissa. Mas ele estava ali. Estava mesmo fazendo aquilo.

A cabeça de Vanderwaal girou de um lado ao outro, procurando reconhecer os colegas que estavam tão diferentes com roupas sociais, maquiagem ou penteados tão engomados quanto o seu próprio. Algumas meninas, mesmo acompanhadas, se atreviam a olhar para o monitor da grifinória por mais alguns segundos, mas toda a atenção dele estava a procura de um único rosto.


Landon baixou o olhar para os degraus e terminou de descer as escadas. Foi só quando alcançou o piso de pedra que ele a encontrou. Todo o restante do mundo desapareceu e o corpo de Vanderwaal reagiu diante da beleza de Melissa.

As longas pernas estavam expostas graças ao vestido mais curto. O porte de Melissa era confiante, capaz de causar inveja a qualquer menina. Landon já sabia o quanto ela era bonita, mas era assombroso como estava ainda mais atraente naquela noite.

Os poucos passos que ele precisou dar até parar diante de Zummach pareceram uma eternidade, mas em nenhum momento os olhos verdes se desviaram das íris azuis que já visitavam seus sonhos.

Landon parecia um rapazinho inseguro quando finalmente parou, as mãos unidas em suas costas.

- Você está linda. Muito, muito linda.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Sab Jan 07, 2017 8:23 pm

- Acidinhas! Na mesa de doces tem um pote cheio de acidinhas!

Aquele parecia ter sido o melhor detalhe da festa avistado por Melissa durante a rápida espiada que a garota realizou pela porta entreaberta. A ideia inicial era tentar encontrar Robbie Bulstrode no salão, mas o baile estava tão lotado que se tornava praticamente impossível enxergar todos os rostos que se espremiam na pista de dança coberta por uma névoa de fumaça e por luzes coloridas. Por isso, a atenção da novata se prendeu na enorme mesa de doces e as balinhas coloridas que ela tanto gostava logo entraram em seu campo de visão.

O corpo de Melissa foi novamente inclinado para o lado de fora do salão e seus olhos encararam uma Mia Blake que não parecia entender o encantamento de Zummach por acidinhas. Como já estava acostumada com aquela falta de compreensão, Melissa se limitou a girar os olhos e retornar para a conversa mais racional com a lufana.

- É impossível enxergar quem está lá dentro, o salão está lotado. Mas eu não vou ficar aqui fora esperando por um garoto. Se o Bulstrode está atrasado, ele que entre e procure por mim. Provavelmente perto das acidinhas. Você pode avisar a ele que eu já entrei?

- Na verdade... – Mia abriu um sorriso sem graça antes de completar – Eu pretendia entrar com você.

Embora não tivesse nada contra Mia, Melissa estranhou aquela declaração. As duas não eram amigas e tinham tido poucas conversas desde a chegada de Zummach a Hogwarts. Tudo o que Melissa sabia sobre ela era que a lufana era praticamente uma rival de Clementine pelo coração de Liam, então não fazia o menor sentido que Mia quisesse ficar ao lado da novata naquele baile.

- Ok. Mas quem você estava esperando antes de eu chegar? Ele também está bem atrasado, não é?

- Eu estava esperando por uma garota.

- Sério? – uma das sobrancelhas de Melissa se arqueou e seu rosto se contorceu numa expressão surpresa – Não tenho nada contra as suas preferências, mas eu não esperava por isso depois que você fez o que fez por causa do Mellish.

O sorriso tenso de Blake se desfez e ela parecia novamente atormentada pela culpa quando Zummach mencionou o erro cometido por ela. A cabeça de Mia se sacudiu em negativa e ela parecia mortalmente envergonhada quando explicou.

- Não é isso. Eu estava esperando por qualquer garota que surgisse sozinha, sem um acompanhante. Eu não aceitei nenhum convite para o baile, mas me acovardei quando cheguei aqui. Não queria entrar sozinha, como a única garota de Hogwarts que não tem um acompanhante.

- Por que não aceitou nenhum convite, então?

- Porque ainda gosto do Liam, mas não quero mais me meter na situação complicada entre ele e a DiLaurentis. Eu quis vir ao baile pra tentar superar isso, mas não é tão fácil encarar a multidão sem ninguém do meu lado.

Embora não fosse uma grande fã de Blake depois dos deslizes da menina, Melissa sentiu pena daquela situação. Mia estava em uma situação parecida com a dela, com a diferença de que lufanos não tinham a coragem necessária para virar o jogo ou para encarar os problemas de frente como um verdadeiro grifinório. Zummach também não havia aceitado o convite feito pelo garoto de quem realmente gostava, mas não via problema em acompanhar outro rapaz ou em se divertir sozinha no baile.

- Ok, vamos entrar juntas. Acredite em mim, eu sei o que você está sentindo e é uma merda.

Quando se virou para espiar o resto do saguão, a única coisa que Melissa pretendia analisar era se havia por ali mais alguma menina enfrentando o mesmo dilema de Mia Blake. A ideia dela era formar um batalhão das sem acompanhantes para que todas entrassem juntas no baile, sem se importarem com a opinião dos demais.

Contudo, o que os olhos azuis captaram foi uma imagem que tirou o fôlego de Zummach. Por mais que soubesse que Landon Vanderwaal merecia a fama que possuía entre as meninas de Hogwarts, Melissa não estava pronta para vê-lo naqueles trajes. O monitor-chefe da Grifinória estava ainda mais atraente com a roupa de gala, com os cabelos castanhos impecavelmente penteados e com o último botão da camisa aberto de forma displicente.

Como se estivesse petrificada, Melissa continuou imóvel enquanto Landon reduzia a distância entre eles até parar a sua frente. O elogio vindo da voz dele fez com que um calor gostoso se espalhasse pelo corpo da novata e a parte racional de sua mente amaldiçoou as pernas bambas.

Zummach obviamente não devolveria o elogio como uma menininha apaixonada. Mas a maior prova de que ela havia ficado impressionada foi o longo tempo que Melissa precisou até ter uma reação. Os segundos se sucederam até que a morena finalmente olhasse Landon de cima a baixo e encontrasse a própria voz presa na garganta.

- Eu posso estar enganada, afinal não sou uma especialista em moda... Mas tenho a ligeira impressão de que a gravata é uma peça necessária para o traje de gala masculino. O que me diz, Blake?

A menção ao único “defeito” na aparência perfeita de Vanderwaal era uma tentativa desesperada de não demonstrar o quanto Melissa estava encantada por ele. Mia arregalou os olhos ao ser arrastada para aquela conversa e também olhou Landon de cima a baixo antes de responder da forma mais política possível.

- Tenho quase certeza que sim. Mas você está bem, Vanderwaal. Daqui a pouco todos estarão sem paletós e sem sapatos, ninguém vai ligar para a sua gravata inexistente.

A expressão de impaciência de Melissa foi cômica quando Mia não respondeu exatamente o que ela esperava ouvir. Entretanto, a novata optou por não perder mais tempo com aquela discussão sem sentido. Mesmo com os saltos, Zummach precisou se esticar na ponta dos pés para conseguir enxergar o saguão por cima dos ombros do grifinório parado a sua frente.

- Onde está o Bulstrode? O seu amigo não sabe que é muito indelicado fazer uma garota esperar tanto?

- Mas você acabou de chegar, Zummach.

- Shiiiu, Blake! Você está do lado de quem, afinal??? – os olhos azuis novamente giraram antes de se fixarem na imagem de Landon – Eu não sou o tipo de garota que vai ficar plantada na porta de uma festa esperando o meu acompanhante atrasado. Então diga ao seu amigo que já entrei.

Zummach chegou a dar um passo na direção da porta, mas antes de entrar ainda se virou na direção de Landon mais uma vez.

- Quanto à gravata, Vanderwaal, não se preocupe. A sua acompanhante provavelmente vai concordar com a Blake. Quanto menos roupa você usar, melhor para a anencéfala. Deve ser muito difícil desfazer o nó de uma gravata sem um cérebro ativo e atuante.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Jan 07, 2017 9:36 pm

O batom claro deslizou algumas repetidas vezes sobre os macios lábios de Clementine, reforçando a camada rosada de um tom natural. Os grandes olhos azuis, ainda maiores após a maquiagem que os realçava, piscaram diante da imagem, procurando qualquer defeito ou desculpa que a impedisse de cometer aquela loucura.

Mas mesmo tendo se vestido em poucos minutos, não havia absolutamente nada de errado com a aparência da Corvinal. Ela estava tão estonteante quanto qualquer garota que tivesse passado semanas se planejando e perdido longas horas daquele dia para estar perfeita para o baile.

O vestido rosa de cetim tinha apenas duas finas alças, o que permitia que os ombros magros de DiLaurentis ficassem completamente expostos. O decote ia muito além das roupas comportadas que a menina usava, mesmo quando não estava em seus uniformes, assim como a fenda que subia por uma das pernas, deixando a amostra uma de suas coxas, conforme se movimentava.

O tecido era tão suave que realçaria qualquer imperfeição no corpo da menina, mas como exibia cada uma das curvas em seus devidos lugares, sem nem mesmo um quilo a mais ou a menos para se queixar, caía com delicadeza sobre Clementine.

Os sapatos de bico fino eram do mesmo tom do vestido e se camuflavam conforme ela andava. Sem se preocupar com os acessórios, as únicas joias que Clementine se lembrou de vestir eram os longos e finos brincos de ouro branco. Um deles estava ainda mais exposto, graças aos cabelos loiros que haviam sido repuxados de um dos lados de sua cabeça e caíam em cascata sobre o ombro oposto.



Até mesmo garotas que teriam desperdiçado tanto tempo para estarem perfeitas naquela noite sentiriam uma pontada de inveja da loira, mas Clementine não estava preocupada em ser a mais bonita ou não daquele baile. Sempre que pensava no evento daquela noite, apenas um rosto invadia seus pensamentos, mas era exatamente aquele rosto que ela seria obrigada a evitar.

As palavras de Melissa ainda ecoavam enquanto Clementine descia as escadas em direção ao baile. Havia quase uma hora que a amiga havia deixado a torre da Corvinal e o salão certamente estaria cheio de estudantes dançando e se divertindo, o que permitiria a entrada dela sendo a mais discreta possível.

Aquela era a única motivação que impedia DiLaurentis de girar os calcanhares e voltar para o dormitório. Mas a todo instante ela repetia o conselho da amiga. Precisava dar aquele primeiro passo se realmente quisesse reassumir o controle da própria vida.

A ausência de Cristopher e o fim do relacionamento com Liam eram as provas de que ela não pertencia naquele baile. Enquanto todos se divertiam com os colegas e aproveitavam uma mágica noite ao lado de seus namorados, Clementine estava sozinha, como se não tivesse o direito de estar ali.

Mas se não desse o primeiro passo para acabar com aquela auto piedade, passaria o resto de seus anos em Hogwarts apenas se lamentando. E ela não gostava da menininha patética que vinha se tornando. Se precisasse fingir que estava se divertindo até realmente se sentir alegre, então era o que faria.

Exatamente como havia previsto, a música alta e o aglomerado de pessoas que se sacudiam em frente a uma banda foram suficientes para que apenas as cabeças mais próximas da porta se virassem para notar sua chegada solitária.

Clementine puxou o ar e o prendeu nos pulmões para reunir coragem antes de finalmente entrar no salão. A decoração estava incrível e não parecia haver ninguém que não estivesse se divertindo.

Os olhos azuis deslizaram pelas cabeças que se movimentavam na pista de dança, a procura de Lorelai, Melissa ou Sara, mas nenhuma delas parecia estar por perto. Clementine não se incomodaria em permanecer em um grupinho de casais, mas também não pretendia ficar segurando vela para uma das amigas com seu acompanhante, isoladamente.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Sab Jan 07, 2017 11:13 pm

Nem mesmo a camada generosa de gel evitou que alguns fios castanhos saíssem do lugar, estragando o penteado impecável que Liam Mellish exibia quando saiu do Salão Comunal da Lufa-Lufa naquela noite. O monitor-chefe, entretanto, não parecia preocupado com aquilo enquanto se misturava aos colegas na pista de dança.

No fim das contas, ir ao baile não havia sido uma escolha tão ruim. Junto com os amigos, Liam estava se divertindo imensamente e, depois de tantas risadas, a imagem do fora recebido de Clementine DiLaurentis havia sido empurrada para longe na memória do lufano.

Aurora Owens também estava se mostrando uma excelente companhia. Ao contrário da maioria das meninas presentes naquele salão, a colega da Grifinória não parecia esperar por uma noite de romance. Pelo contrário, Aurora também estava se divertindo com o banquete farto, com as bandejas lotadas de bebidas que flutuavam pelo salão e com a banda que animava os alunos diante da pista de dança.

Era um alívio para Mellish estar com uma garota que não exigiria nada dele e que não ficaria frustrada se não rolasse um beijo ao fim do baile. Embora gostasse da companhia de Aurora e achasse a grifinória atraente, Liam não sabia se estava pronto para mergulhar em um relacionamento quando seu coração ainda batia tão forte por Clementine. Não seria justo com ele próprio, mas seria uma atitude ainda mais desprezível com Owens. O lufano se odiaria se cultivasse esperanças e iludisse o coração de uma garota tão gentil quanto Aurora.

- Aqui está.

Liam abriu um de seus sorrisinhos tortos enquanto entregava um copo para a sua acompanhante. Os dois jovens estavam corados e um pouco suados depois de emendarem várias músicas na pista de dança, então um copo do ponche de frutas seria mais do que bem-vindo.

- Como monitor, eu fingi que não vi quando o Morris batizou o ponche com um líquido transparente suspeito. Mas consegui pegar nossos copos antes disso, eu juro.

De fato, quando tomou um gole do próprio copo, tudo o que Mellish sentiu foi o sabor refrescante das frutas misturado ao suco gelado. Aurora também experimentou a bebida e seu sorriso tranquilo mostrava que a garota também não notara nada anormal no ponche de frutas.

- Está ótimo. Obrigada, Liam. Que tal atacarmos a mesa de doces antes de voltarmos para a pista? Eu preciso mesmo de uma pausa para recuperar a energia.

O lufano havia acabado de concordar com um aceno da cabeça quando seus olhos castanhos captaram a imagem de Clementine DiLaurentis entrando sozinha no Salão Principal. Liam queria odiá-la por aquele fora, queria desprezar o comportamento da loira e arrancá-la de vez da sua cabeça. Mas tudo o que ele conseguiu foi manter os olhos vidrados em Clementine enquanto seu coração batia loucamente dentro do peito.

DiLaurentis havia dito com todas as letras que não pretendia comparecer ao baile, mas lá estava ela. Parecia impossível, mas Clementine tinha conseguido ficar ainda mais bonita com o vestido de festa que realçava a perfeição de suas curvas. Ninguém que olhasse para a corvinal diria que Cleo havia gastado poucos minutos para se arrumar naquela noite.

Mesmo que não houvesse nenhum compromisso com Aurora e que os dois estivessem se divertindo apenas como bons amigos, Liam sabia que a grifinória não merecia aquela humilhação. Mesmo assim, Mellish foi incapaz de desviar o olhar da imagem de Clementine. Seu queixo caiu, e o movimento fez com que o lufano ficasse com os lábios entreabertos de admiração. A maneira como os olhos castanhos desceram pelo corpo de DiLaurentis deixava óbvio que Liam estava profundamente atraído por ela.

Só quando a voz de Aurora soou ao seu lado, Mellish despertou daquele estado de transe e se mostrou sinceramente constrangido por aquele momento de fraqueza.

- A DiLaurentis está muito bonita... – não havia ironia ou mágoa nas palavras de Owens, apenas a constatação óbvia de que ela notara o interesse de Liam na outra menina.

Tentar negar o óbvio seria uma tolice e uma afronta à inteligência de Aurora. Por isso, o monitor-chefe da Lufa-Lufa se limitou a soltar um suspiro pesado enquanto voltava o olhar para a sua acompanhante daquela noite.

- Desculpe. Eu realmente lamento por isso, não vai se repetir.

- Tudo bem, Liam. – Aurora ergueu um dos ombros e suspirou antes de continuar – Eu sei que você ainda gosta dela. Realmente não entendo porque não vieram juntos ao baile.

- Ela não aceitou o meu convite. – Mellish confessou num sussurro chateado.

- Eu não compreendo esta confusão de vocês dois. Ela terminou com você, então?

As palavras de Aurora soaram com naturalidade, sem nenhum pingo de maldade. Como o namoro de Liam e Clementine nunca fora oficializado, tudo o que Owens sabia eram as fofocas que circulavam pelos corredores de Hogwarts. Embora soubesse que a memória do monitor-chefe da Lufa-Lufa estava prejudicada após a tortura com a Maldição Cruciatus, Aurora realmente não sabia que, mesmo depois de tantos dias, ninguém havia contado a Liam sobre o relacionamento que ele tivera com a ex-namorada de Cristopher Rookwood.

- Terminou...? – as sobrancelhas grossas do rapaz se franziram em uma nítida confusão – Como assim, ela terminou comigo?

Ao notar o tamanho do deslize cometido naquela noite, Aurora abriu a boca numa expressão de completa surpresa. A menina piscou várias vezes enquanto procurava por uma maneira de contornar aquela mancada, mas sua voz não estava nada convincente quando finalmente saiu de sua garganta.

- Não, foi só um jeito de falar. Eu achei que vocês dois tinham ficado depois que ela e o Cris terminaram. – Aurora abriu um sorrisinho nervoso – Vamos esquecer isso, ok? Mesa de doces!

- Eu fiquei com a DiLaurentis? – Liam obviamente não concordou em mudar de assunto antes de entender onde a garota queria chegar – Ela e eu tivemos alguma coisa antes de eu perder a memória???

Aurora apertou os lábios, sem conseguir encontrar nenhuma saída naquela situação constrangedora. Mas, mesmo sem uma resposta direta, Liam rapidamente compreendeu o problema. Aquilo explicava tudo.

Cristopher sempre o odiara, mas não fazia sentido que, do nada, o sonserino o atacasse de forma covarde a ponto de mandá-lo para o St. Mungus. Rookwood certamente havia perdido a cabeça ao saber que sua ex-namorada e seu meio-irmão bastardo agora eram um casal. As falhas da memória de Liam compreendiam as lembranças mais recentes, então fazia sentido que o relacionamento das últimas semanas fosse apagado na mente do lufano.

Aquela hipótese também explicava o beijo apaixonado da biblioteca. Mellish não havia fantasiado sobre a reação de Clementine em seus braços, ela realmente tinha retribuído ao beijo com desespero naquela tarde. O relacionamento prévio do casal também deixava claro que Liam não tinha se enganado quanto à sintonia dos dois, afinal aquele não havia sido o primeiro beijo do casal.

O que não fazia o menor sentido era que Clementine participasse daquele jogo e agisse como se nunca tivesse acontecido nada entre eles. Liam tentou buscar em sua mente qualquer explicação racional para a postura da loira, mas nada justificava tamanha maldade. Era injusto demais que Clementine conhecesse a verdade e optasse por deixar aquele namoro morrer mesmo tendo a escolha de continuar com um garoto que era profundamente apaixonado por ela.

- Liam, o que vai fazer? – Aurora fez uma careta ao ver o lufano se afastar em direção a Clementine e depois resmungou para si mesma – Droga! Ninguém me avisou que isso era um segredo.

Nem mesmo a beleza estonteante de Clementine serviu para suavizar a expressão fechada que Mellish exibia quando se colocou diante da loira. Pela primeira vez na vida, Liam a encarou com uma profunda mágoa temperada com uma pitada de raiva.

- Por que não me contou sobre nós dois?

A voz de Mellish soou baixa e contida, mas sua entonação firme mostrava o quanto o monitor-chefe estava chateado naquela noite.

- Não, eu não me lembrei. – o rapaz acrescentou antes que Clementine pudesse concluir que alguma lembrança fora resgatada na memória dele – Mas parece que não era exatamente um segredo. Todo mundo sabia, menos eu.

Como não tinha nenhuma lembrança do relacionamento com DiLaurentis, tudo o que Liam sabia era que a loira simplesmente havia optado por tirá-lo de sua vida após o retorno do St. Mungus. Por isso, a conclusão mais óbvia era que Clementine realmente não tinha interesse em continuar o romance com Mellish.

- Sei que isso não é fácil para você, mas eu acho que mereço a sua sinceridade, DiLaurentis. Ficar comigo era uma droga e você ficou grata por eu voltar sem memória? Imagino que tenha sido a forma mais fácil de se livrar de um cara, não é?
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Jan 07, 2017 11:21 pm

Apesar da crítica de Melissa, um sorrisinho torto brotou nos lábios de Vanderwaal e ele não se deixou abalar. Era impossível se chatear com aquele comentário quando os olhos azuis e todo o corpo de Zummach entregava o que ela realmente pensava sobre sua aparência naquela noite.

A gravata borboleta esquecida no dormitório da torre da Grifinória não fazia a menor diferença no visual de Landon. Aquele detalhe apenas o diferenciava dos demais rapazes e lhe dava um ar mais a vontade e ridiculamente atraente. Em uma coisa Robbie estava certo, Melissa ainda era uma menina e as meninas nem sempre diziam o que realmente pensava.

Mas ele já se sentia bem confiante em interpretar os gestos de Zummach que suas palavras ácidas tentavam esconder. Sua mão foi erguida e ele cutucou a própria bochecha, tentando conter o sorrisinho que provavelmente continuaria no seu rosto durante o restante da noite. A pele fresca ainda com a loção pós-barba era agradável ao toque, mas todos os sentidos do rapaz estavam voltados para a corvinal a sua frente.

Melissa estava tão bonita que, até que ele estivesse diante dela, havia ofuscado completamente a presença de Mia Blake. Ao notar a presença da melhor amiga de seu primo, Landon meneou com a cabeça e dirigiu a ela um olhar mais educado. Depois de todo o drama de Liam, o grifinório passou a ver Blake sem a mesma simpatia de antes. Mas o arrependimento dela era nítido demais para que ele continuasse a julgá-la e culpa-la pelos erros do passado.

- Obrigado, Blake. Você também está muito bonita.

O elogio era apenas uma forma de provocar Melissa, mas qualquer um notaria como os olhos verdes não brilhavam com a mesma intensidade ao se direcionar para a outra menina. Quando Landon voltou sua atenção para Zummach, ele sentiu seus ombros ficarem mais tensos e endireitou sua postura, esticando a coluna antes de explicar a ausência de Robbie.

O amigo ter tido aquele gesto nobre de perder o baile do ano era admirável, mas não significava que o caminho estava livre para Vanderwaal. Zummach ainda teria todo o livre arbítrio de virar as costas e ir para a festa sem a companhia de rapaz algum, mas Landon não estava disposto a perder aquela oportunidade.

- Posso falar com você um minuto? – Ele pediu, ignorando as provocações da menina.

O olhar de Mia passou de um para o outro e ela piscou os grandes cílios. Landon poderia jurar que viu um olhar intimador em Melissa, mas aquilo não foi o suficiente para fazer a lufana continuar parada ali.

- Já entendi o recado. Vou te esperar na entrada do salão, tá legal?

Mia ainda lançou um olhar suspeito para Landon antes de se afastar alguns passos, parando diante das grandes portas abertas do salão principal. Ela ainda estava no campo de visão do grifinório, mas a música alta que vinha do baile tornaria a conversa particular o bastante.

- Robbie não vem.

Antes que Zummach tivesse a oportunidade de fazer um comentário ácido, de ignorá-lo e ir para a festa bufando por aquela desfeita, ele se apressou em explicar.

- Ele não vem porque descobriu sobre nós dois. Não foi de propósito, eu não estava tentando arruinar a sua noite, Mel... Ele só percebeu que eu não estava muito animado com esse baile idiota e ligou os pontos. – O olhar de Vanderwaal baixou quando ele completou, deixando o seu orgulho de lado por alguns minutos. – Eu não tentei sabotar nada entre vocês. Ele só percebeu o que você se recusa a enxergar. Que eu ainda sou louco por você.

Landon deu um passo a frente, bloqueando o caminho de Melissa caso ela resolvesse ir embora antes que ele terminasse de falar.

- Eu sei que eu pisei na bola, tá legal? Mas eu estou arrependido. Isso não significa nada? Um erro estúpido é mesmo mais importante do que eu sinto por você? Do que você sente por mim?

As mãos de Vanderwaal foram erguidas e ele alcançou o rosto delicado de Zummach, se aproveitando da proximidade e da diferença de alturas minimizada com os saltos dela.

- Só me dá uma chance, Mel. Hoje. Se depois de hoje você ainda achar que não vale a pena, eu caio fora. – Os olhos verdes refletiam pura ansiedade quando ele prendeu a respiração por alguns segundos, apenas para tentar um sorriso fraco em seguida. - Eu não vou deixar você entrar no baile enquanto não me der uma chance. E posso jurar que as acidinhas estão se esgotando enquanto você ainda está pensando.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Sab Jan 07, 2017 11:59 pm

Os olhos azuis estreitados mostravam que uma grande explosão estava a caminho. Os dois rapazes podiam ter resolvido aquele problema de forma amigável, mas Melissa não gostava nada da ideia de ter a sua companhia para aquela noite trocada sem ter sido consultada sobre o assunto. Por mais que se sentisse tentada a dar uma nova chance a Vanderwaal, Zummach estava revoltada em imaginar-se como um objeto que Robbie simplesmente dera ao melhor amigo num ato de camaradagem.

Aliás, aquela situação deixava Melissa sinceramente surpresa. A novata não esperava por aquele comportamento dos rapazes depois que a amizade entre eles parecera tão frágil. Mas aquele acordo mostrava que, apesar dos segredos, Robbie e Landon eram bons amigos que não duelariam por causa de uma menina.

Quando estava prestes a atirar em Vanderwaal uma coleção de ofensas, Zummach foi atingida por aquela declaração. Toda a raiva da menina evaporou no instante em que Landon confessou que ainda era louco por ela. O orgulho de Melissa ainda exigia que ela não concordasse com aquela absurda mudança de planos, mas era difícil lutar contra a sensação de que todo o seu corpo estava derretendo com as palavras do grifinório.

Melissa nunca havia sido uma pessoa ciumenta, mas Landon despertava aquele sentimento dentro dela com uma intensidade assustadora. Era difícil demais para a garota perdoar o erro que Vanderwaal cometera com Felicity Queen, mas o fato era que, ao invés de estar correndo atrás da colega ou de uma das tantas garotas que suspiravam por ele, Landon estava ali diante dela, praticamente implorando por uma segunda chance.

O discurso de Landon foi seguido por um profundo silêncio. Os olhos de Melissa continuaram presos no rosto do grifinório enquanto ela, de braços cruzados, parecia refletir sobre as palavras do monitor-chefe. Ignorando toda a ansiedade com a qual Vanderwaal esperava por uma resposta, Zummach não foi direto ao ponto quando finalmente abriu os lábios.

- Sua argumentação é péssima, Vanderwaal. Mais ninguém gosta de acidinhas. Eu posso ser a última a entrar no baile e elas ainda estarão lá, intactas.

De fato, nenhum dos alunos de Hogwarts compartilhava daquele gosto bizarro de Melissa. Por ironia do destino, a única pessoa além de Zummach que gostava daquelas balinhas ácidas era Albus Dumbledore.

Mais uma pausa foi feita enquanto Melissa lutava contra o próprio orgulho. Se fosse seguir apenas as suas convicções, a novata daria as costas a Landon e tentaria se divertir sozinha no baile. Mas ela sabia que isso praticamente exterminaria qualquer chance de ficar novamente com Vanderwaal, e esta era uma tortura que seu coração não estava pronto para suportar.

- Eu quero que você volte para o seu salão comunal agora e chame o idiota do Bulstrode.

Aquele pedido dava a falsa impressão de que Melissa ainda queria a companhia de Robbie naquela noite, mas logo a menina terminou o discurso com uma explicação bem mais favorável a Landon.

- Eu ia entrar no salão com a Blake porque ela não tem um acompanhante e está com vergonha de entrar sozinha. Eu só entro neste baile com você se o seu amigo resolver o problema dela. Este favor é o mínimo que vocês dois podem fazer por mim depois de terem disputado a minha companhia como se eu fosse uma peça no tabuleiro de xadrez.
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